Activista indiano levado para hospital após 20 dias de greve de fome

O activista indiano Sonam Wangchuk foi levado à força sábado para um hospital após 20 dias de greve de fome em protesto contra o sistema de exames de acesso a Medicina.

Wangchuk, de 59 anos, está em sem comer desde 28 de Junho para exigir a demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, acusado de uma fraude que levou, em Maio, à anulação de um exame realizado por dois milhões de candidatos a estudantes de medicina.

De acordo com a imprensa local, essa anulação provocou o suicídio de vários candidatos.

Nas últimas semanas, várias centenas de estudantes juntaram-se a Wangchuk em torno do palco que montou no Jantar Mantar, um monumento da capital, Nova Deli.

“De acordo com as ordens do (…) Supremo Tribunal e por recomendação médica, devido à deterioração do estado de saúde de Sonam Wangchuk, este foi transferido para o hospital para receber os cuidados médicos indispensáveis”, declarou o comissário-adjunto da polícia de Deli num comunicado.

Um vídeo gravado em Jantar Mantar mostrou a confusão que reinava entre alguns apoiantes de Wangchuk presentes no local durante a manhã, enquanto agentes da polícia, munidos de lençóis brancos, o retiravam apressadamente do palco.

“Embora cumprissem as ordens (…), os manifestantes tentaram criar obstáculos, o que provocou uma ligeira agitação”, acrescenta-se no comunicado.

 

Outras críticas

Outras manifestações foram organizadas pelo movimento satírico ‘online’ Partido do Povo das Baratas (CJP, na sigla em inglês), que acabara de surgir nas redes sociais.

Este partido foi fundado por um estudante indiano recém-licenciado pela Universidade de Boston (Estados Unidos), Abhijeet Dipke, em reacção às declarações do presidente do Supremo Tribunal contra os jovens “baratas” e “parasitas” que criticam o Governo.

Ecologista de renome, Sonam Wangchuk é o mais destacado dos grevistas de fome. Libertado em Março, após seis meses de detenção por se ter manifestado a favor da autonomia da região himalaia de Ladakh, juntou-se ao protesto daquele movimento de jovens.

Vários membros dos partidos da oposição manifestaram apoio a Wangchuk e aos activistas estudantis.

O estado de saúde de Sonam Wangchuk deteriorou-se nos últimos dias. Na quinta-feira, um tribunal de Nova Deli ordenou que médicos do Governo vigiassem diariamente o estado de saúde do activista.

PJ | Mulher detida por extorsão após relação sexual

Uma mulher foi detida por tentativa de extorsão de 80 mil renminbis, depois de ter consentido relações sexuais com um homem. Na origem do caso, esteve a ruptura do preservativo, que levou a mulher a considerar que tinha direito a receber uma compensação.

Segundo a Polícia Judiciária (PJ), os dois envolvidos no caso conheceram-se em Macau, no final do ano passado, quando o homem concordou pagar 5.800 yuans à mulher, a troco de sexo. Na altura, o encontro entre os dois correu bem, pelo que trocaram o contacto a pensar em encontros futuros.

Como o homem regressou a Macau para jogar este mês, convidou a mulher para dormir novamente com ele, a 15 de Junho. Mais uma vez, os dois definiram um preço de 5.800 yuans.

No entanto, durante o acto sexual o preservativo rompeu, o que levou a mulher a exigir imediatamente o pagamento de 80 mil renminbis ao homem. No entanto, o residente do Interior recusou fazer o pagamento.

Face à nega, a mulher ligou para o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e acusou o cliente de violação. Tendo em conta a natureza da acusação, o caso foi encaminhado para a PJ.

No entanto, os agentes começaram a duvidar da versão da mulher porque nenhum dos envolvidos apresentava qualquer sinal de violência no corpo, como costuma acontecer em casos de violação. A investigação levou assim os agentes a equacionaram que a violação teria sido inventada.

Como resultado, a mulher acabou detida e indiciada da prática dos crimes de denúncia caluniosa e de extorsão. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

No melhor pano cai a nódoa

Quando um homem português se põe a pensar pode ser assim: Dei por mim a pensar nos tempos de infância e adolescência. E até nos corredores do liceu e da faculdade onde fiz vários amigos. Nas brincadeiras de rua conheci o Zé, que mais tarde quando acabou a tropa optou por ser empreiteiro de obras públicas. Eu segui a minha vida e um dia fui para director da Polícia Judiciária. Um cargo levado dos trabalhos. Não foi nada fácil lidar com agentes, inspectores, directores de departamentos, procuradores e políticos. Os contactos e as pressões políticas são mais que muitas. A luta que se tem de travar com o segredo de justiça é constante e é quase impossível evitar fugas de informação. As mafias que reinam em Portugal são do mais diverso cariz e origem, especialmente as colombianas e brasileiras. O tráfico de seres humanos e de drogas ocupam grande parte do trabalho de todo o pessoal na polícia que investiga o crime. A pesquisa informática dos hackers criminosos e dos pedófilos é um trabalho minucioso e cansativo. Por vezes, existem casos que nos chocam profundamente porque envolvem pessoas que conhecemos. Outras vezes, o pessoal sente-se desgostoso porque andou meses ou anos a investigar um caso, conseguiu as provas, deteve os fulanos que supostamente cometeram crimes (de corrupção nem falar) e depois os juízes nas barras dos tribunais mandam-nos em liberdade ou com penas suspensas.

Ser director de uma Polícia Judiciária deve ser dos cargos mais incómodos e até perigosos. Vocês dirão que temos guarda-costas e que ganhamos bem. Certo. Mas, por vezes não compensa. As reivindicações do pessoal são imensas. E na maioria dos casos tem razão. Para comprar carros novos inventa-se dinheiro sei lá aonde. Para reparar uma delegacia que precisa de obras é um problema que leva um tempo quase infinito. Agora, por falar em obras. Quando em Bragança e em Beja me disseram que as delegacias estavam a cair de podre, que chovia no seu interior e que os inspectores queriam ir para uma greve de braços caídos, dei por mim a pensar que tinha de fazer alguma coisa rapidamente. Foi então, que me lembrei do meu amigo Zé, o empreiteiro de obras públicas que até tinha fama de bom profissional, apesar de já ter tido uns problemitas e, sendo meu amigo lá da terrinha, iria certamente cumprir a preceito as obras necessárias nas delegacias. Nunca tive melhor ideia. O Zé empreiteiro foi um ás e o pessoal ficou todo contente. E ele, igualmente satisfeito porque mamou dos trabalhos mais de dois milhões de euros do Estado.

Como a vida dá muitas voltas, um dia recebi um telefonema de um primeiro-ministro, que por sinal tinha um problema bicudo em investigação, mas que eu tudo fiz para o ir passando para as calendas. Esse chefe do Executivo veio convidar-me para ministro. Oh pá, isso é algo que não podes negar, pensei logo para mim próprio. E assim foi. Tomei posse como ministro, tendo a noção de que as críticas iriam surgir devido ao facto de uma pessoa passar da investigação judicial para mandar nas polícias. O trabalho ia de vento em popa e até em alguns círculos dizia-se que eu estava a ser o melhor ministro, passe a imodéstia.

Qual não foi o meu espanto, quando certa manhã, quando estava a fazer a barba, o meu filho entra aos gritos pela casa de banho: “Ó pai, que ganda merda, está aqui um jornal e um cabrão de um jornalista a arrasar-te! Diz em manchete que puseste o teu amigo Zé empreiteiro a fazer as obras das nossas casas e as piscinas no nosso monte do Alentejo sem pedires licença à Câmara Municipal… e que deste ao empreiteiro o camião que foi apreendido pela tua PJ no tráfico de droga… isto é uma ganda bronca e as televisões já estão todas a falar no assunto e a dizer que há conflito de interesses e que deves pedir a demissão!”. Fiquei atónito e apenas respondi: “Mas tu não tinhas ameaçado esse cabrão do jornalista?”. O meu filho, retorquiu: “Sim, pai! Até atravessei o carro à frente do carro do gajo e disse-lhe que se escrevesse alguma linha contra ti que o atirava ao mar!”.

Não tive outro remédio senão ir para as televisões tentar desculpar-me e dizer que mal conhecia o empreiteiro, que sobre as obras na PJ assinei de cruz, que iria mostrar todos os comprovativos de despesa e tudo o que fosse necessário para me limpar. Não consegui. As televisões e jornais não me largam e continuaram toda a semana a falar no assunto. Alguns até já dizem que recebi umas luvas do Zé empreiteiro para ele conseguir todas as obras nas delegacias e que lhe dei obras por ajuste directo. A coisa está preta para o meu lado, mas em Portugal o tempo é que conta. Estou convencido que a falta de água na Caparica e os incêndios acabarão por fazer esquecer este meu erro de escolher o Zé empreiteiro para as obras das minhas casas, porque à boa maneira do costume político português, pedir a demissão é que não me interessa nada. Foi só uma nódoa que caiu na minha toalha de mesa…

Habitação | Junho com mais transacções e preços mais altos

Em Junho, registaram-se mais compras e vendas de habitação e os preços ficaram mais caros, o que representa uma inversão das tendências mais recentes. Em Coloane, o preço do metro quadrado ultrapassou as 100 mil patacas

O total de transacções de habitação fixou-se em 433 durante o mês de Junho, um crescimento anual de 97,7 por cento. Os números mais recentes foram divulgados pela Direcção de Serviços de Finanças (DSF) e mostram também que os preços das casas subiram.

Junho totalizou 433 compras e vendas de habitação, o que contrasta com as 219 transacções registadas em Julho do ano passado, um dos valores mais reduzidos dos últimos meses.

No último mês, o mercado mais activo foi o da Península, com um total de 333 transacções, mais 175 do que no período homólogo, quando houve 158 compras e vendas neste mercado.

Também na Taipa e em Coloane, o número de transacções cresceu, para 71 e 29, respectivamente, quando há um ano não tinham ido além das 51 e 10 compras e vendas.

No mês passado, o preço médio do metro quadrado foi de 87.869 patacas, quando há um ano tinha sido de 69.254 patacas, uma diferença de 26,9 por cento.

Recentemente, os preços mais altos foram praticados no mercado da Península, com o metro quadrado a ser comercializado por 90.912 patacas. Há um ano, o preço era de 69.707 patacas por metro quadrado, pelo que se registou um crescimento de 30,4 por cento.

Na Taipa, o preço mais recente do metro quadrado foi de 69.919, quando há um ano tinha sido de 64.761 patacas. Em Coloane, em Junho, o preço da compra de habitação atingiu 105.197 patacas, o que contrasta com as 90.069 patacas do período homólogo.

Aumento mensal

Se a comparação for mensal, entre Maio e Junho do corrente ano, verifica-se igualmente uma tendência para se registarem mais transacções e também a preços mais elevados.

Em Maio deste ano, o número de transacções tinha atingido 303 compras e vendas, o que significa que Junho representou um aumento de 24,1 por cento, face às 433 transacções.

O maior crescimento verificou-se na Península, de 209 transacções para 333, enquanto em Coloane o número de compras e vendas subiu de 16 para 29. A excepção aconteceu na Taipa, onde houve menos sete negócios, uma quebra de 78 negócios em Maio para 71 em Junho.

Em termos dos preços, na Península, o metro quadrado valorizou de 69.420 patacas para 90.912 patacas, enquanto em Coloane o valor aumentou de 76.910 patacas para 105.197 patacas. A excepção foi a Taipa onde os preços perderam valor, de 72.488 patacas para 69.919 patacas.

Banguecoque | Numéro de mortos em incêndio de bar sobe para 34

O número de mortos no incêndio ocorrido num bar em Banguecoque subiu para 34, após a morte, ontem, de uma mulher de 20 anos que não resistiu aos ferimentos, anunciaram as autoridades de saúde da Tailândia.

O incêndio devastou rapidamente, no domingo passado, um popular bar-restaurante na zona norte da capital tailandesa, o Rong Beer Na Lat Phrao, onde decorria um concerto.

As autópsias revelaram que a maioria das vítimas morreu de intoxicação por monóxido de carbono e ácido cianídrico, após inalarem o fumo, enquanto outras morreram no hospital devido a queimaduras graves.

Os investigadores procuram determinar a causa do incêndio e as razões pelas quais este se revelou particularmente mortífero.

Os corpos de muitas vítimas foram encontrados perto das casas de banho, e as autoridades questionam-se se as saídas de emergência estariam obstruídas.

Um especialista em segurança de edifícios declarou anteriormente à agência France-Presse (AFP) que o Rong Beer Na Lat Phrao parecia não dispor dos sistemas de segurança necessários para acolher um vasto público e concertos.

As autoridades anunciaram que cerca de mil estabelecimentos em Banguecoque serão alvo de inspecção nas próximas semanas, tendo já ordenado o encerramento temporário de três bares que não cumpriam as normas de segurança.

Estas normas são frequentemente aplicadas de forma pouco rigorosa nos estabelecimentos nocturnos da Tailândia, onde um incêndio numa discoteca de Banguecoque já tinha causado 67 mortos e mais de 200 feridos em 2009.

Nova Iorque | Mamdani reafirma hipótese de deter Netanyahu

O autarca de Nova Iorque, Zohran Mamdani, voltou a garantir que a sua equipa jurídica continua a estudar se será possível prender o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, no caso do israelita se deslocar à cidade em Setembro para participar na Assembleia Geral da ONU.

Numa entrevista ao podcast “The Interview”, do New York Times, Mamdani confirmou que esta questão está a ser activamente debatida internamente, uma promessa que já tinha feito durante a sua campanha eleitoral.

Para o autarca, Netanyahu “devia estar em Haia”, por se tratar, na sua opinião, de um criminoso de guerra formalmente acusado pelo Tribunal Penal Internacional. Ao ser confrontado sobre até onde a lei lhe permitiria ir, respondeu que essa é ainda uma discussão em aberto com os seus advogados, deixando claro que não pretende agir à margem da legalidade, ao contrário, sublinhou, do que por vezes se vê acontecer a nível federal.

Importa lembrar que o TPI emitiu, em 2024, um mandado de captura contra Netanyahu e outros responsáveis israelitas, por suspeitas de crimes de guerra ligados aos acontecimentos que se seguiram ao ataque do Hamas a 7 de Outubro de 2023. Essa decisão foi criticada tanto por Trump como pelo seu antecessor, Joe Biden. Como os Estados Unidos nunca ratificaram o Estatuto de Roma — o tratado que obriga à detenção de pessoas visadas por este tipo de mandado — o país não é juridicamente obrigado a cumpri-lo, e a administração Trump tem vindo a intensificar os ataques ao tribunal, com o secretário de Estado Marco Rubio a prometer mesmo “desmantelá-lo”.

Palco da polémica

Conhecido pela sua postura crítica face ao governo israelita, Mamdani já classificou por diversas vezes a guerra em Gaza como um “genocídio”, uma acusação que Israel rejeita categoricamente. Do lado americano, o embaixador junto da ONU, Mike Waltz, desvalorizou as declarações, chamando-lhes “puro teatro político” e recordando que os EUA nem sequer integram o TPI. Já o embaixador israelita na ONU, Danny Danon, garantiu que Netanyahu virá mesmo a Nova Iorque e discursará na Assembleia Geral “com orgulho”, reafirmando o direito de Israel se defender, lembra a CNN Internacional.

DSAL | Feira de emprego com 1.600 vagas para recém-licenciados

Na sexta-feira e sábado, a Torre de Macau acolheu uma feira de emprego para jovens que disponibilizou mais de 1.600 vagas para trabalhos e estágios em mais de 50 empresas de Macau e Hengqin. O director da DSAL encorajou os jovens a reforçarem a sua competitividade

Encontrar um emprego a tempo inteiro, que garanta estabilidade financeira e a saída da precariedade que afecta a economia da actualidade. Esta foi a esperança que moveu quem foi à Feira de Emprego para Jovens 2026, organizada pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), que decorreu na sexta-feira e sábado, no Centro de Convenções e Entretenimento da Torre de Macau.

Com foco na vida profissional dos jovens recém-graduado, a feira deste ano disponibilizou mais de 1.600 ofertas de emprego e de estágio em mais de 50 empresas locais e da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin.

Ao longo dos dias que durou a feira, foram organizadas sessões para elucidar os candidatos sobre os diversos sectores de actividade com ofertas de emprego, assim como emparelhamento profissional com entrevistas, avaliações do potencial profissional e sessões individuais de aconselhamento de carreira.

“Nesta edição, foi também introduzido um workshop de simulação de entrevistas, que, através de exercícios práticos em cenários realistas e de comentários especializados de formadores, visou ajudar os jovens a aperfeiçoar as suas técnicas de entrevista, a acumular experiência e a reforçar a sua confiança na procura de emprego”, é descrito pela DSAL.

Aqui e ali

As autoridades organizaram também várias sessões de partilha sectorial para elucidar os jovens sobre as tendências das indústrias emergentes e as diferenças das políticas de emprego em Macau e Hengqin.

Na cerimónia de abertura da feira, o director da DSAL, Chan Un Tong, lançou o repto aos jovens para reforçarem a sua competitividade e a aproveitarem a oportunidade para “estabelecer contactos e encontrar o seu próprio percurso profissional”.

O responsável indicou ainda que, ao longo dos anos, a Feira de Emprego para Jovens tem aperfeiçoado os serviços complementares, reunindo recursos de Macau e Hengqin, com o objectivo de proporcionat aos jovens um leque mais alargado de opções de desenvolvimento.

CPLP | Ji Xianzheng defende papel de Fórum de Macau

Quando se celebram os 30 anos do estabelecimento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o secretário-geral do Fórum de Macau argumenta que também contribui para os objectivos comuns do organismo

O secretário-geral do Fórum de Macau considera que, mesmo sem ligação institucional formal, o organismo “contribui para a concretização de alguns dos objectivos da CPLP”, ao promover o desenvolvimento comum entre a China, os países lusófonos e Macau.

Ji Xianzheng sublinhou, em declarações envidas por escrito à Lusa a propósito dos 30 anos da CPLP, assinalado na sexta-feira, que o reforço do papel da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) como plataforma de serviços para a cooperação comercial “aproxima os países lusófonos entre si e abre novos caminhos de articulação com a China”, destacando que mantêm “contactos directos com o secretariado-executivo da CPLP”.

O responsável recordou que a Conferência Ministerial do Fórum de Macau conta regularmente com a presença do secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) como convidado e que o Secretariado Permanente tem recebido visitas da Confederação Empresarial da CPLP.

“Embora não exista um mecanismo formal de ligação institucional, na prática desenvolvemos esforços complementares que trazem benefícios concretos”, afirmou Ji.

Sobre uma eventual aproximação institucional mais estruturada, frisou que “depende, antes de mais, das opiniões e da vontade dos 10 participantes do Fórum – a China e os nove países de língua portuguesa”. Ainda assim, garantiu que o Fórum acompanha “com interesse todas as iniciativas que possam reforçar a cooperação económica e comercial entre os Países de Língua Portuguesa e a China”.

A China estabeleceu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa (Fórum de Macau).

O Secretariado Permanente do Fórum integra o secretário-geral, o chinês Ji Xianzheng e três secretários-gerais adjuntos: o timorense Danilo Afonso Henriques (indicado pelos países lusófonos), Xie Ying (nomeada pela China) e António Lei (nomeado por Macau).

“Através dos serviços prestados pela plataforma de Macau, realizamos de três em três anos uma Conferência Ministerial, na qual é aprovado um Plano de Acção Conjunto que orienta o trabalho de cooperação para o triénio seguinte, permitindo um avanço estável e contínuo das relações”, explicou.

A 7.ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa deverá realizar-se no primeiro semestre de 2027, sem uma data exacta ainda definida.

Elo de ligação

Ji destacou também que o Fórum de Macau tem vindo a desempenhar um papel de elo de ligação “particularmente eficaz” entre o Interior da China e os países de língua portuguesa, funcionando como um mecanismo de cooperação directa e regular.

“Através da Conferência Ministerial e dos planos de acção conjuntos, conseguimos assegurar um avanço estável e contínuo das relações, criando oportunidades concretas de desenvolvimento económico e comercial”, afirmou, reforçando que esta coordenação “é essencial para consolidar a confiança mútua e para garantir que os benefícios da cooperação chegam a todos os participantes”.

Apesar de o Governo chinês ter definido Macau como uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa, esse papel foi expandido pelo novo líder da região, Sam Hou Fai, para englobar também os 21 países de língua espanhola.

Questionado sobre a possibilidade de alargar o âmbito do Fórum aos países de língua espanhola, Ji esclareceu que “até ao momento, o Secretariado Permanente não recebeu este tipo de orientações ou propostas formais, quer da parte do Governo central, quer da parte do Governo da RAEM”.

Ainda assim, garantiu que o organismo está “disposto a colaborar activamente com os trabalhos relevantes do Governo da RAEM”, desde que se “mantenham em consonância com o âmbito do Fórum e com as orientações do Governo Central da China”.

Pavilhão Criativo de Macau presente em exposição em Xangai

O Instituto Cultural (IC) organizou a participação na “Exposição Internacional de Licenciamento de Xangai 2026” de várias delegações do sector através da instalação do Pavilhão Criativo de Macau.

Segundo um comunicado divulgado pelo IC na quarta-feira à noite, a presença no evento que começou na quarta-feira e que terminou na sexta-feira possibilitou exibir “o charme único e o potencial comercial das indústrias culturais e criativas de Macau junto de licenciadores, compradores e de meios de comunicação social de todo o mundo”.

A exposição de Xangai é descrita pelo Governo como “um dos eventos mais emblemáticos da marca global de eventos de licenciamento na Ásia”, reunindo mais de 420 expositores de referência, nacionais e internacionais, congregando mais de 2.000 propriedades intelectuais (PI).

As marcas representadas incluem personagens de animação, cinema e media, cultura, museus e artes, e produtos culturais e criativos na moda

Esta é a primeira vez que o IC promove a representação de Macau na exposição com um pavilhão com cerca de 220 metros quadrados.

De acordo com o IC, o conceito do Pavilhão Criativo de Macau inspira-se na integração multicultural da cidade, “reunindo 15 marcas de PI originais com uma identidade vincadamente local”. As PI originais de Macau presentes nesta edição incluem: piepiepuu, Puppy.p, Pundusina, PEACE DOLL, TENCHOSIU2, Bucket King, Yunana & Meow, FU LU SHOU, CHILLIN FAMILY, Mr. Bubbles, Ho Sio Chong, UNDERDOG & Beanie, Cosmic Travelers, MOMO & MUMU, NANARA & PP BEAR.

Mostrar trabalho

O IC acrescenta que um dos objectivos da participação no certame é promover a expansão das PI originais de Macau no mercado internacional de licenciamento através de mostras directas e de sessões de bolsas de contactos, aumentar a notoriedade e competitividade das marcas locais e ajudá-las a expandir a sua rede comercial.

Antes da participação na exposição, o IC realizou o “Workshop sobre a Indústria de Licenciamento de PI” e a “Sessão de Bolsa de Contactos Online: LEC x PI de Macau”.

Estas iniciativas contaram com a participação de especialistas em licenciamento provenientes do Interior da China e de Hong Kong, que partilharam a sua experiência em vertentes estratégicas como a criação de marcas a partir de PI artística, passando por dicas negociais, conhecimentos de práticas jurídicas em contratos de licenciamento, ou a transformação do Património Cultural Intangível em activos de PI.

Musical | “Frankenstein” renasce em coreano a 25 e 26 de Julho no Broadway

Depois de uma década nos palcos, a adaptação sul-coreana do musical “Frankenstein” regressa com estrondo numa “versão sinfónica” para dois espectáculos no Broadway Theater nos dias 25 e 26 de Julho, sempre às 15h. Os bilhetes estão à venda e custam entre 880 e 1080 patacas, com os bilhetes mais baratos (680 patacas) e os mais caros (1280 patacas) já esgotados.

No papel principal, a super-estrela dos Super Junior, Kyuhyun​ será o Victor Frankenstein. Kyuhyun não é um estranho no mundo dos musicais, contando com um vasto currículo de espectáculos, como “Os Três Mosqueteiros”, “Apanha-me se Puderes”, “Robin Hoo”, “Werther, Mozart”, “O Fantasma”, “Death Note”, entre outros.

Para o papel de Henri Dupre, a produção conta com o experiente actor de musicais Park Eun-tae, que além de ter participado na versão cinematográfica do musical que irá assombrar o palco do Broadway Theater, brilhou nos musicais “Les Misérables”, “The Man in Hanbok” e “Elizabeth”.

A noiva de Victor Frankenstein, Julia, será interpretada por Lee Bom-sori. A actriz especializada em musicais participou em espectáculos como “Mary Curie” e “Letters from Fans”. O papel de Ellen estará a cargo da actriz Chang Eun-Ah.

Ao longo de quase duas horas de espectáculo, a música que dará corpo à actuação será tocada pela Brandon Chamber Orchestra, em alusão ao compositor Brandon Lee (também conhecido como Lee Sung-joon), responsável pela música de “Frankenstein”. Lee é um aclamado compositor e director musical sul-coreano, que além de ter criado a banda sonora deste espectáculo, compôs também os musicais “Ben-Hur” e “La Rose de Versailles”.

 

As raízes de um musical

Baseado no clássico da literatura gótica de Mary Shelley, o musical “Frankenstein” alia a narrativa poderosa e momentos musicais intemporais, a uma interpretação orquestral grandiosa, enriquecida por uma cuidada encenação quase em estilo de concerto.

O ambiente em palco procura emprestar uma roupagem coreana ao romance do século XIX, em que um cientista desafia a autoridade divina ao ressuscitar os mortos, e da morte nasce um monstro com um destino trágico.

Ao longo da última década, a produção tornou-se um dos musicais mais conhecidos da Coreia do Sul, aclamada por atrair espectadores assíduos e por várias temporadas com lotação esgotada.

A versão deste clássico que será apresentada no Cotai é uma autêntica conquista artística, só possível graças à correcta assimilação da obra literária original, aos ajustes e adaptações, bem como às actuações e efeitos cénicos de elevada qualidade.

Importações | Mercado africano em alta após isenção de tarifas

A aplicação de zero taxas alfandegárias a todos os produtos provenientes de 53 países africanos fez disparar as importações chinesas, com foco nos recursos minerais, nos últimos dois meses

As importações chinesas provenientes de África aceleraram em Maio e Junho, após Pequim alargar o regime de zero taxas a quase todo o continente, impulsionadas pelos minerais críticos, mas também por um forte aumento das compras de produtos.

O crescimento superou o registado pelas importações chinesas no seu conjunto e foi impulsionado tanto pela procura de minerais críticos como pela entrada de novos produtos agrícolas africanos no mercado chinês.

A partir de 01 de Maio, Pequim passou a aplicar zero taxas alfandegárias a todos os produtos provenientes dos 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, alargando um regime que anteriormente abrangia apenas 33 países. A medida, válida até Abril de 2028, passou a incluir economias como a África do Sul, Egipto, Nigéria, Argélia e Quénia.

O aumento das importações continua a ser liderado pelos recursos minerais, num contexto em que a China procura garantir o abastecimento de matérias-primas essenciais para a produção de baterias, semicondutores, centros de dados e outras indústrias ligadas à inteligência artificial.

As compras de cobre bruto proveniente de África mais do que duplicaram em maio, aumentando mais de 110 por cento para 1,65 mil milhões de dólares. As importações de platina, espodumena – um mineral utilizado na produção de baterias de lítio – e pó de ródio também registaram fortes subidas.

As importações de petróleo bruto africano cresceram igualmente 21 por cento, para 3,11 mil milhões de dólares, mantendo-se como a principal categoria de importações chinesas provenientes do continente, num período marcado pelas perturbações no abastecimento através do Estreito de Ormuz, na sequência do conflito entre Israel, os Estados Unidos e o Irão.

O novo regime tarifário parece, contudo, estar também a favorecer a diversificação das exportações africanas.

Outras matérias

Segundo dados das alfândegas chinesas, as importações de amendoim descascado multiplicaram-se por 15 em Maio, para 13,68 milhões de dólares, enquanto as de óleo de amendoim virgem aumentaram mais de 30 vezes e as de soja não geneticamente modificada mais de oito vezes.

As compras de café e maçãs africanas cresceram 52 por cento e 85 por cento, respectivamente, enquanto as importações de açúcar ultrapassaram um milhão de dólares, face a um nível residual registado em maio de 2025.

A China começou ainda a importar em escala comercial alguns produtos africanos que praticamente não figuravam nas estatísticas anteriores, entre os quais açúcar de cana, choco congelado, cravinho e sementes de orquídea.

O alargamento do regime de zero tarifas é visto como parte da estratégia de Pequim para reduzir o défice comercial africano nas relações bilaterais e reforçar os laços com o chamado Sul Global, numa altura de crescente proteccionismo internacional e de agravamento das tensões comerciais com os Estados Unidos.

O comércio entre a China e África atingiu um máximo histórico de 348 mil milhões de dólares em 2025. No entanto, o crescimento manteve-se desequilibrado: as exportações chinesas para África aumentaram 25,8 por cento, para 225 mil milhões de dólares, enquanto as importações provenientes do continente cresceram apenas cerca de 5 por cento, para 123 mil milhões de dólares.

 

DICJ |Pedida mais vigilância face a apostas por telefone

A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) teve um encontro com todas as concessionárias do jogo para pedir um reforço da vigilância face às apostas feitas por telefone nos casinos. A reunião aconteceu na terça-feira, depois de nos últimos dias terem sido detidas várias pessoas com equipamentos de gravação nos casinos.

Durante o encontro, segundo a versão oficial, os representantes do Governo afirmaram que “com o desenvolvimento das tecnologias, alguns métodos ilegais de apostas têm-se tornado cada vez mais discretos, constituindo novos desafios para a gestão dos casinos”. No entanto, a DICJ prometeu “combater severamente qualquer forma de colocação de apostas ilegais, incluindo a colocação de apostas por via telefónica”.

Diante dos representantes da concessionária, a DICJ sentiu ainda necessidade de indicar que “tem mantido uma estreita colaboração com a Polícia Judiciária e cooperado activamente na investigação de diversos casos através de reuniões de trabalho permanentes, da troca de informações e de mecanismos de acção conjunta”. Esta colaboração, justificou a DICJ, tem permitido “combater a expansão de actividades ilegais”.

Ao mesmo tempo, a entidade reguladora pediu às concessionárias para “aperfeiçoarem os seus mecanismos de gestão interna, reforçando a vigilância e a capacidade de resposta dos trabalhadores da linha da frente”.

Segurança | Crimes relacionados com jogo aumentaram 12%

O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, revelou na quinta-feira que na primeira metade deste ano os crimes relacionados com jogo tiveram um aumento anual de 12 por cento, para um total de 1.278 casos, enquanto os crimes de troca ilegal de moeda subiram 7,9 por cento durante o mesmo período, para um total de 259 casos.

O secretário realçou o desmantelamento de uma rede de câmbio ilegal transfronteiriço, que resultou na detenção de 25 pessoas e à apreensão de aproximadamente 5,7 milhões de dólares de Hong Kong em dinheiro. Além disso, em Maio a polícia também descobriu 32 casos de câmbio ilegal que envolveram 36 pessoas.

No cômputo geral, no primeiro semestre deste ano, foram abertos 6.628 processos criminais, o que representa uma diminuição de 71 processos, ou seja, menos 1,1 por cento, em comparação com a primeira metade do ano passado.

No período em análise, 3.020 pessoas foram reencaminhadas para o Ministério Público, o que representa um aumento anual de 65 indivíduos, ou 2,2 por cento.

O governante salientou que os dados estatísticos do primeiro semestre não revelam alterações drásticas, com os crimes violentos graves a manterem-se num nível extremamente baixo, concluindo que a situação geral da segurança de Macau é estável.

Timor-Leste | Presidência da CPLP depende do “conselho consultivo”

Com Timor-Leste a preparar a presidência da ASEAN em 2029 e com eleições presidenciais em 2027 e legislativas em 2028, a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa deverá ser entregue ao Brasil ou à Guiné Equatorial

 

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou ontem que a próxima presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) depende do “conselho consultivo”, tendo afirmado anteriormente que Timor-Leste seria o próximo país a dirigir a organização.

“Tudo depende do conselho consultivo da CPLP”, disse Xanana Gusmão, quando questionado pela Lusa sobre o facto de o Presidente timorense, José Ramos-Horta, defender que a presidência deveria ser entregue ao Brasil.

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, anunciou em Junho, na sede da CPLP, que o seu país será o próximo a dirigir a organização, explicando que a presidência actual corresponde ao período que estava destinado à Guiné-Bissau, que foi suspensa da organização após o golpe de Estado de Novembro de 2025.

Em entrevista à Lusa, o Presidente timorense defendeu que a próxima presidência da CPLP deve ser do Brasil, justificando a sua posição com o facto de Timor-Leste ir assumir a presidência da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em 2029.

“Já estamos a trabalhar a todo o vapor nas agendas domésticas e na agenda ASEAN 2029. Portanto, não creio que vá sobrar tempo e recursos para assumirmos as responsabilidades da CPLP para além de 2027”, salientou o chefe de Estado.

Agenda preenchida

Timor-Leste vai também realizar eleições presidenciais em 2027 e legislativas em 2028.

Na cimeira de Bissau, em 2025, os chefes de Estado e de Governo não chegaram a consenso sobre a atribuição da próxima presidência da organização lusófona, com uns a apoiarem a Guiné Equatorial e outros o Brasil.

“Não chegámos a uma decisão. Houve oposição forte por parte do país anfitrião ao Brasil e a Guiné-Bissau apoiava a Guiné Equatorial. Mas eu creio que a Guiné Equatorial poderia concordar em que é preferível entregarmos ao Brasil e depois do Brasil, podíamos voltar a África e então para a Guiné Equatorial”, disse o Presidente timorense.

O assunto da próxima presidência da organização lusófona deverá ser abordado no Conselho de Ministros da CPLP, que vai realizar-se em Díli entre 18 e 19 de agosto.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau. Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

CCAC | Burla com subsídios gerou ganhos de 13 milhões

O dirigente de uma instituição de serviços sociais está detido, por suspeitas de ter criado um esquema para burlar o Instituto de Acção Social (IAS) na obtenção de subsídios. O caso foi divulgado na quinta-feira pelo Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), que indica que o homem terá lucrado, em conjunto com parentes e amigos, cerca de 13 milhões de patacas.

“Segundo o que foi apurado, o responsável de uma instituição de serviços sociais, através dos seus parentes e amigos, terá criado diversas empresas associadas, as quais, desde o início do funcionamento da referida instituição até à presente data, participaram em vários concursos de aquisição de equipamentos e produtos alimentares financiados pelo Instituto de Acção Social (IAS)”, comunicou o CCAC.

A mesma fonte indicou que as várias empresas serviam para inflacionar os valores pagos, porque as propostas eram apresentadas em conluio, para garantir que se conseguia obter o máximo dinheiro possível. “Aquele responsável terá aproveitado os seus poderes funcionais para controlar o resultado das adjudicações, obtendo assim benefícios ilícitos, envolvendo um montante total superior a 13 milhões de patacas”, foi apontado.

O número total de suspeitos não foi revelado, mas as autoridades indicam que estão indiciados por terem praticado o crime de “burla de valor consideravelmente elevado”. Segundo o Código Penal, esta prática pode ser punida com uma pena de prisão mínima de dois anos e máxima de 10 anos.

O principal suspeito vai ficar a aguardar julgamento em prisão preventiva. Os restantes ficaram sujeitos a outras medidas de coacção que não foram detalhadas na nota de imprensa.

 

IAS avisado

Paralelamente, o CCAC garantiu “já” ter entrado em contacto com o Instituto de Acção Social para “acompanhamento” do caso. A autoridade de investigação prometeu ainda “desenvolver uma investigação mais aprofundada” em relação à atribuição de subsídios públicos.

O CCAC deixou igualmente uma mensagem de zero tolerância para qualquer crime, principalmente os que “prejudicam gravemente os interesses da RAEM”. “O CCAC salienta que as burlas envolvendo fundos públicos prejudicam gravemente os interesses da RAEM, pelo que tais situações, se detectadas, não serão toleradas”, pode ler-se.

Ao mesmo tempo, foi indicado à população que não vale a pena arriscar incumprir a lei para enriquecer: “O CCAC alerta ainda os cidadãos para que não desrespeitem a lei, nem assumam uma atitude de ‘tentar a sorte’”, foi escrito.

GP | Duas equipas de Macau nas Taças do Mundo de FR e F4

A Federação Internacional do Automóvel (FIA) divulgou, esta terça-feira, em Paris, a lista das equipas seleccionadas para disputar a Taça do Mundo de Fórmula Regional e a Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA, integradas na 73.ª edição do Grande Prémio de Macau. O território estará representado por duas estruturas e em ambas as corridas.

Em parceria com a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau (COGPM) e com a Associação Geral do Automóvel de Macau-China (AAMC), a FIA confirmou as 13 equipas que alinharão na Taça do Mundo de Fórmula Regional (FR), cada uma com dois monolugares Tatuus T-326 (FIA Formula Regional Gen2). A grelha de partida reunirá 26 carros e inclui algumas das formações mais prestigiadas do Campeonato da Europa de FR da FIA, os actuais vencedores da Taça do Mundo de FR e do Campeonato Japonês de FR, bem como uma equipa que simboliza a longa tradição do automobilismo de Macau: a Theodore Racing.

Entre os participantes destacam-se a R-ace GP, actual líder do Campeonato da Europa da especialidade, bem como nomes incontornáveis do desporto automóvel, como a Prema Racing, ART Grand Prix, Trident e Van Amersfoort Racing. Marcarão igualmente presença a Pinnacle Motorsport, que monopolizou os dois primeiros lugares na edição do ano passado, e a histórica TOM’S Racing, campeã japonesa de FR em 2025. Por sua vez, CL Motorsport, G4 Racing, MP Motorsport, RPM e Rodin Motorsport estrear-se-ão na Taça do Mundo, apesar desta última ser uma encarnação da saudosa Carlin Motorsport.

A tradição automobilística de Macau será assegurada pela Theodore Racing. A estrutura de Teddy Yip Jr tem competido nos últimos anos em estreita colaboração com a Prema Racing, mas apresentará desta feita uma candidatura independente, permanecendo por esclarecer quem ficará responsável pela operação dos monolugares. Tudo aponta para René Rosin, filho de Angelo Rosin, fundador da PREMA, que cessou a sua ligação à equipa italiana no início deste ano.

Asia Racing Team RFN representa Macau na F4

Na Taça do Mundo de Fórmula 4, a FIA seleccionou 12 das melhores equipas provenientes dos campeonatos certificados pela federação internacional, às quais se junta, novamente, a Theodore Racing, admitida pelo seu valor histórico. A segunda edição da competição passará, pela primeira vez, a adoptar um formato multi-equipas, aumentando a grelha de 20 para 24 monolugares.

Entre os participantes figuram algumas das principais referências europeias da formação de pilotos, como Campos Racing, Hitech, R-ace GP, MP Motorsport, Prema Racing, US Racing, Argenti Motorsport e Rodin Motorsport, que enfrentarão estruturas asiáticas como Kageyama Racing, Evans GP e a equipa de Macau Asia Racing Team RFN.

Liderada no terreno pelo piloto português de Macau Rodolfo Ávila, a Asia Racing Team RFN representará o Campeonato da China de Fórmula 4. Fundada em Novembro de 2003, a estrutura, apoiada pela marca chinesa de motociclos eléctricos RFN, do grupo Apollo Motor, possui uma vasta experiência em monolugares e venceu, em 2005, a prova de Fórmula Renault nas ruas de Macau, com o japonês Hiroyuki Matsumura.

Aquela que será a sexta corrida de Fórmula 4 a ser disputada no Circuito da Guia introduzirá ainda outra novidade: a utilização do monolugar Tatuus F4-T421. A Pirelli manter-se-á como fornecedora exclusiva de pneus, um conjunto técnico que poderá favorecer as equipas europeias, mais familiarizadas com este binómio italiano.

FIA destaca qualidade das equipas seleccionadas

Segundo a FIA, “a confirmação das equipas participantes resulta de um processo de selecção conduzido pela FIA e pela AAMC, o clube-membro da FIA em Macau. O processo teve em conta critérios como o mérito desportivo, a representação internacional e a excelência operacional, culminando na escolha de 13 equipas para a Taça do Mundo de Fórmula Regional da FIA e de 12 equipas para a Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA, respeitando os limites máximos da grelha”.

O presidente da Comissão de Monolugares da FIA, Emanuele Pirro, sublinhou que “graças ao trabalho desenvolvido pelo Departamento de Monolugares da FIA e pela Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau durante um rigoroso processo de selecção, tanto a Taça do Mundo de Fórmula Regional da FIA como a Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA contarão com grelhas altamente competitivas, compostas por algumas das melhores equipas do mundo. Estas equipas não só continuam a alcançar resultados de grande destaque a nível nacional e internacional, como operam segundo padrões extremamente elevados e representam sólidos valores desportivos. Ainda faltam mais de quatro meses para a semana do 73.º Grande Prémio de Macau, mas a confirmação das equipas participantes elevou significativamente as expectativas para o evento.”

Filipa Vaz da Fonseca e Ricardo Quintas vão reforçar tribunais

Filipa Vaz da Fonseca e Ricardo Quintas foram os juízes escolhidos pela Comissão Independente para a Indigitação de Juízes da RAEM para ingressarem no Tribunal Judicial de Base (TJB). Os nomes constam de um documento com as deliberações do último plenário do Conselho Superior da Magistratura (CSM) de Portugal, citado pelo Canal Macau.

A data para a entrada em funções dos dois magistrados ainda não é conhecida, e antes, os juízes têm de ser indigitados pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai. A indigitação vai ser depois divulgada através do Boletim Oficial da RAEM.

Filipa Vaz da Fonseca integra actualmente o juízo local cível de Lisboa, e antes exerceu funções no Tribunal da Relação de Évora, depois de ter passado por Nisa e Ferreira do Alentejo.

Por sua vez, Ricardo Quintas exerce funções nos tribunais judiciais, depois de ter passado pela Comarca de Castelo Branco.

Os dois juízes vão ter um contrato de dois anos que poderá ser renovado.

Filipa Vaz da Fonseca e Ricardo Quintas foram os escolhidos de um concurso de recrutamento em Portugal que contou com a participação de 18 candidatos.

Início em Março

O concurso que terminou com a escolha destes dois magistrados foi aberto em Março deste ano, depois de muitas incertezas sobre a disponibilidade de Portugal continuar a enviar magistrados para a RAEM.

Em Outubro do ano passado, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), João Cura Mariano, afirmou que a justiça portuguesa estava com “alguma dificuldade em contribuir com juízes”, devido à falta de recursos humanos qualificados e com experiência. “Ainda agora retirámos um juiz que já cá estava há muitos anos e nós necessitávamos dele”, recordou João Cura Mariano.

Em 2024, o CSM rejeitou a permanência do juiz português do TJB Carlos Carvalho, que estava em Macau há 16 anos e tinha sido convidado pela Comissão Independente para a Indigitação dos Juízes do território a continuar por mais dois. O conselho não autorizou a renovação da licença especial de Carlos Carvalho e promoveu-o a juiz desembargador, com colocação no Tribunal da Relação.

Também face à crescente incerteza, o juiz Rui Ribeiro tomou a iniciativa de deixar a RAEM para regressar a Portugal.

Apesar das dúvidas, João Cura Mariano garantiu estar disposto a ajudar Macau, “apesar das dificuldades que actualmente existem em Portugal no recrutamento de juízes”. E o prometido foi devido com a abertura deste concurso, que levou à escolha de Filipa Vaz da Fonseca e Ricardo Quintas.

Porto Interior | Cerca de 1,5 toneladas de gordura retirada dos esgotos

Num raio de escassas centenas de metros, no Porto Interior, uma limpeza de rotina da rede pública de esgotos levou à bizarra descoberta de cerca de uma tonelada e meia de gordura a entupir os esgotos de um quarteirão entre a Rua dos Mercadores e a Rua da Madeira.

A operação de rotina levada a cabo recentemente pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) obrigou à mobilização imediata de camiões de limpeza e desobstrução, bem como equipamentos mecânicos para proceder à desobstrução e limpeza dos esgotos. As autoridades apontam que a operação demorou “vários dias”, culminando com a retirada de cerca de 1.500 quilos de gordura.

Num comunicado divulgado na quinta-feira, a DSOP reitera que “os operadores dos estabelecimentos de restauração e bebidas têm a responsabilidade de proceder, em tempo oportuno, à conservação e à inspecção das câmaras retentoras de gorduras nas suas instalações, de modo a garantir o seu normal funcionamento de filtragem”. Além disso, a DSOP pediu cooperação a lojas e restaurantes no sentido de auxiliarem o trabalho dos inspectores e não colocando instalações fixas ou obstáculos por cima das câmaras retentoras de gorduras, tais como prateleiras, bancadas de trabalho ou frigoríficos.

 

Multar até à higiene

O Governo assinalou que o entupimento da rede pública de esgotos com substâncias gordurosas não só prejudica a higiene pública, mas também afecta a capacidade de escoamento da rede pública de drenagem durante as chuvas intensas.

Em caso da falha de civismo, o Governo recorda que entrou em vigor a 1 de Julho deste ano uma lei que regula a actividade de restauração e bebidas e que prevê a aplicação de multas para situações como a “existência de instalações ou equipamentos de drenagem em mau estado de conservação, ou que não mantenham o seu normal funcionamento, ou com sujidade, gorduras ou detrito”. A nova lei triplicou o valor das multas para valores entre 7.500 e 30 mil patacas, enquanto no quadro legal anterior, as penalizações variavam entre 2.500 e 10 mil patacas.

Além das multas, se a infracção for grave, “as entidades competentes responsáveis pela emissão da licença podem ainda aplicar a medida cautelar de encerramento do estabelecimento”.

No primeiro trimestre deste ano, foram removidas mais de 340 toneladas de lixo nos esgotos públicos, os sumidouros foram limpos cerca de 7.500 vezes, e foram analisados 8.500 metros de esgotos através de imagens de CCTV.

No mesmo período, o Instituto para os Assuntos Municipais inspeccionou cerca de 250 caixas de gordura em restaurantes, dos quais 10 por cento levaram a autos de notícia devido à falta de limpeza atempada.

Quando sopra o vento suão

Quando reparamos que o vento sopra do Sul, dizemos que vai estar calor e assim é. (Lucas 12:55)

Em Julho e em Agosto passam frequentemente tufões por Macau, e este mês não é excepção. Os ventos fortes e as chuvas intensas perturbam certamente as rotinas dos habitantes da cidade, mas uma boa carga de água alivia-nos do calor sufocante. Apesar de o sol nascer a Leste, parece menos escaldante depois de uma tempestade.

Recebi a 9 de Julho, uma mensagem de um amigo a propósito do caso do ex-deputado da Assembleia Legislativa Au Kam San, que está detido há cerca de um ano acusado de violar a “Lei relativa à Defesa da Segurança do Estado”. A mensagem dizia “O Juízo de Instrução Criminal do Tribunal Judicial de Base procedeu, no dia 2 de Julho, à apreciação do requerimento de abertura de instrução apresentado pelo arguido Au Kam San contra a acusação deduzida pelo Ministério Público”.

Uma vez que Au Kam San foi detido pela subunidade dedicada à defesa da segurança do Estado da Polícia Judiciária, por suspeita de violação do Artigo 13 (Estabelecimento de ligações com organizações, associações ou indivíduos de fora da RAEM para a prática de actos contra a segurança do Estado) da “Lei relativa à Defesa da Segurança do Estado”, tendo sido transferido para o Ministério Público para ser investigado, o procedimento obrigatório é agendar o julgamento, a menos que as provas sejam insuficientes e o caso seja arquivado.

De acordo com o comunicado de imprensa do Tribunal Judicial de Base, “Após a realização das diligências complementares e do debate instrutório, o juiz de instrução criminal proferiu, no dia 2 de Julho, a decisão instrutória, confirmando e mantendo a acusação do Ministério Público, pronunciando o arguido Au Kam San pela prática, em autoria material e na forma consumada, dos crimes de “subversão contra o poder político do Estado”, de “estabelecimento de ligações com organizações, associações ou indivíduos de fora da RAEM para a prática de actos contra a segurança do Estado” e de “violação de segredo”…. “O processo em causa já foi remetido ao Juízo Criminal do Tribunal Judicial de Base, onde o juiz titular procederá, nos termos da lei processual, à marcação da data para o julgamento, assegurando-se, nos termos da lei, os diversos direitos processuais do arguido”.

O que atrai a atenção do público é sem dúvida o facto de este ser o primeiro caso que envolve uma suspeita de violação da “Lei relativa à Defesa da Segurança do Estado”. No entanto, depois de o Tribunal Judicial de Base ter emitido o comunicado de imprensa, os principais órgãos de comunicação social chineses, sediados em Macau, apenas citaram partes do comunicado de imprensa, sem acrescentarem qualquer comentário, seguindo estritamente o “princípio do segredo de justiça” para evitar prejudicar a investigação do caso e para respeitar os “direitos processuais do arguido”, o que é louvável.

Julho foi sempre um mês turbulento que nunca conheceu a paz. No dia 4 de Julho de 1776 o Congresso Continental proferiu a Declaração da Independência.

Este documento histórico consagra o corte dos laços políticos das 13 colónias americanas com a Grã-Bretanha. A 7 de Julho de 1937, o exército japonês lançou um ataque surpresa à guarnição chinesa na Ponte Lugou (também conhecida como Ponte Marco Polo). Este evento é reconhecido como o catalisador que espoletou a invasão em larga escala do Japão à China. A tomada da Bastilha a 14 de Julho de 1789 marcou o início da Revolução Francesa, levando à queda de Luís XIV. Além disso, o primeiro Congresso Nacional do Partido Comunista da China foi oficialmente inaugurado em Xangai a 23 de Julho de 1921, e 1 de Julho é uma data significativa na história moderna da China, celebrando tanto o aniversário da fundação do Partido Comunista da China (PCC) como o aniversário do regresso de Hong Kong à Pátria.

Cada indivíduo e cada evento podem parecer relativamente insignificantes ao longo da história, mas o seu impacto pode ser profundo e de grande alcance. Desde a sua abertura ao mundo, Macau sobreviveu a inúmeros tufões e hoje mantém-se dinâmico, sendo um testemunho do trabalho árduo de todos os seus habitantes. O Estado de direito é a pedra angular da estabilidade e do desenvolvimento social, e uma garantia de segurança nacional. Espera-se que, sob a liderança do Chefe do Executivo Sam Hou Fai, qualquer tumulto termine abruptamente na linha de defesa, onde a justiça e a equidade são defendidas.

MNE organiza cursos para alargar visão internacional

Os Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) e o Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros organizaram cursos de formação para funcionários públicos e pessoal de chefia, entre terça-feira e ontem, no sentido de reforçar os conhecimentos sobre os trabalhos consulares do Estado.

Num comunicado divulgado ontem pelos SAFP, foi indicado que a edição deste ano, a 18.ª, contou com a participação de dirigentes, chefias e trabalhadores, num total de mais de 200 pessoas.

O objectivos dos três dias de cursos foi alargar a “visão internacional, reforçar a consciência global e a capacidade de trabalho que envolve assuntos externos, contribuindo não só para a transformação de Macau numa importante ponte de abertura de alto nível do país ao exterior, como também para a melhoria contínua da sua competitividade e influência internacional”.

O conteúdo pedagógico sobre trabalhos consulares abrangeu tópicos como operações de evacuação de cidadãos no estrangeiro, colaboração transfronteiriça e resposta a incidentes imprevistos.

Na cerimónia de abertura do curso, a directora dos SAFP, Leong Weng In, destacou que o 15.º Plano Quinquenal Nacional menciona expressamente o apoio a Macau no desenvolvimento das suas vantagens únicas de “Ligação ao mundo com o apoio da Pátria”, a fim de se integrar melhor e servir a conjuntura do desenvolvimento nacional.

Meta é transmitir “gene vermelho”

Durante a cerimónia de graduação da Escola Fukien, Chan Meng Kam, que preside ao conselho de administração, afirmou que a missão da escola é integrar o patriotismo no ensino diário e na vida dos alunos. O ex-deputado citou Xi Jinping e incentivou os alunos a integrarem-se no desenvolvimento nacional

Na passada quarta-feira, mais de uma centena de alunos do ensino infantil e primário da Escola Fukien receberam diplomas numa cerimónia de graduação vincadamente nacionalista.

O presidente do Conselho de Administração da escola, o ex-deputado Chan Meng Kam, exortou os alunos manterem no seu íntimo as aspirações originais de amor à pátria e a Macau e incentivou os jovens de tenra idade a não deixarem escapar as oportunidades do desenvolvimento da Grande Baía e do país.

Num discurso citado pelo jornal do Cidadão, Chan Meng Kam destacou que a responsabilidade e missão da Escola Fukien é “transmitir o gene vermelho” e formar o patriotismo enquanto parte integrante do ensino diário, assim como da vida dos alunos. O ex-deputado e figura incontornável da comunidade de Fujian, realçou a importância da educação na salvaguarda da saúde física e mental dos estudantes e do desenvolvimento de várias capacidades de cada um, além do currículo escolar.

Chan Meng Kam mostrou-se também esperançado de que os alunos da Escola Fukien seja “transmissores” dos sentimentos de patriotismo e amor da Macau.

O responsável destacou ainda, perante alunos do infantário e ensino primário, o ponto crucial que se vive, com o início do 15.º Plano Quinquenal da China e do 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico de Macau, impulsionando o país e Macau para uma nova fase de desenvolvimento.

Busca da verdade

Chan Meng Kam apontou também que a educação é um dos pressupostos do rejuvenescimento nacional, promovendo o progresso social, solidificando os valores do presente e lançando sementes para o futuro.

Nesse sentido, o ex-deputado citou o discurso do secretário-geral Xi Jinping aquando do 105.º aniversário da fundação do Partido Comunista da China, indicando que o partido “deve dedicar-se à busca da verdade, ter coragem para assumir missões históricas, manter sempre a aspiração e missão originais de procurar a felicidade do povo chinês e o rejuvenescimento da nação chinesa”.

Por seu turno, a chefe da Divisão de Ensino Primário e de Ensino Infantil dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, Ka Si In, reconheceu os desempenhos da escola. A responsável apontou que desde a fundação da Escola Fukien, o estabelecimento além de se focar no ensino curricular, integra na vida escolar a educação moral e a formação patriótica dos alunos.

EUA e Trump vistos de forma mais negativa do que China e Xi em 25 países – estudo

Um novo estudo do Pew Research Center indica que, pela primeira vez, mais pessoas têm uma visão menos favorável dos Estados Unidos do que da China em 25 dos 36 países e territórios incluídos.

A opinião sobre o líder chinês, Xi Jinping, é mais positiva do que do Presidente norte-americano, Donald Trump, em 22 dos 36 territórios inquiridos, entre os quais Canadá, França, Alemanha e Reino Unido, apesar de a confiança da maioria das respectivas populações em ambos os chefes de estado ser reduzida.

Nos cerca de 20 anos em que o Pew monitoriza a opinião global, é a primeira vez que a China é vista de forma mais positiva do que os Estados Unidos, afirmou Laura Silver, uma das investigadoras envolvidas no estudo realizado entre Fevereiro e Maio pela instituição sediada em Washington.

As perspectivas acerca de Pequim e Washington já foram muito semelhantes em alguns momentos do passado, mas nunca tinham sido substancialmente mais favoráveis à China, acrescentou.

A directora da unidade de investigação em Atitudes Globais do Pew referiu ainda que a imagem global norte-americana se tem deteriorado na sequência da guerra movida, em conjunto com Israel, contra o Irão, em 28 de Fevereiro.

“Houve uma relação factual entre a eclosão da guerra e a sensação de que os Estados Unidos não estão a contribuir para a paz e a estabilidade, além de uma menor confiança das pessoas em Donald Trump”, argumentou.

Achas na fogueira

As exigências de Trump quanto ao eventual controlo da Gronelândia, a operação militar que capturou o anterior líder da Venezuela, Nicolás Maduro, em 03 de Janeiro, e a forma como o chefe de estado norte-americano tem lidado com a guerra entre Israel e o Hamas em Gaza também contribuíram para a visão pouco positiva dos norte-americanos em vários países, detalhou.

A China, pelo contrário, está a beneficiar do facto de a memória da pandemia de covid-19 se estar a dissipar e é vista como “uma parceira muito mais confiável em muitos lugares”, no sentido de contribuir para “a paz e a estabilidade globais”, esclareceu.

O Canadá é um dos países em que a opinião pública face aos Estados Unidos mais se alterou, já que a percentagem de habitantes com visão positiva do país vizinho desceu de 57 por cento, em 2023, para 33 por cento, em 2026, após Trump ter imposto tarifas a produtos canadianos em 2025 e afirmar que o território se poderia tornar o “51.º estado norte-americano”.

Já a opinião favorável relativamente à China subiu de 14 por cento para 44 por cento em solo canadiano, no mesmo período.

A França, a Alemanha, a Espanha, a Itália, a Suécia e os Países Baixos também mudaram de opinião em relação às duas maiores economias do mundo, enquanto os habitantes do Reino Unido têm hoje uma visão semelhante sobre os dois países, num contraste com 2023, altura em que 60 por cento dos britânicos tinham uma opinião favorável dos Estados Unidos e 28 por cento atribuía um olhar positivo à China.

Da meia dúzia

Entre os seis países onde a população tem uma visão mais favorável dos Estados Unidos, Israel destaca-se, com 80 por cento dos inquiridos a verem os norte-americanos de forma positiva, em comparação com os 19 por cento com opinião semelhante da China.

Também o Japão, a Índia, a Coreia do Sul, as Filipinas e a Polónia têm uma visão mais favorável dos Estados Unidos do que da China, embora essa percentagem tenha diminuído.

Os inquiridos consideram que o Governo norte-americano respeita mais as liberdades individuais do que o chinês, embora a diferença entre os dois países esteja a diminuir, esclarece o relatório.

Para elaborar o estudo, o Pew entrevistou mais de 42 mil pessoas em 35 países, além da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, com as margens de erro a variarem entre os 2,3 e os 5,5 pontos percentuais, dependendo do país.

Taiwan | Tríade de Hong Kong suspeita de ataque a analista japonês

As autoridades de Taiwan afirmaram na terça-feira que vão investigar qualquer suspeita de “repressão transnacional”, após notícias avançarem que a agressão contra um comentador político japonês poderá ter envolvido membros de uma tríade de Hong Kong.

As declarações surgem depois de a revista taiwanesa Mirror Media ter noticiado que o ataque teria sido orquestrado por elementos da organização criminosa Wo Shing Wo, sediada em Hong Kong.

Segundo a agência central taiwanesa CNA, a porta-voz das autoridades de Taiwan, Karen Kuo, disse que o caso continua sob investigação por procuradores e polícia.

“O Governo leva muito a sério qualquer repressão transnacional levada a cabo por grupos autoritários contra vozes dissidentes em todo o mundo”, afirmou Kuo na terça-feira, acrescentando que as autoridades apoiam uma investigação completa e trabalham com países afins para combater crimes transfronteiriços.

Yaita, o director executivo do Indo-Pacific Strategy Thinktank em Taipé, foi agredido no rosto por um homem de Hong Kong após uma palestra num hotel na cidade taiwanesa de Taichung, a 07 de Julho.

A polícia deteve o suspeito, de apelido Liu, nesse mesmo dia no aeroporto internacional de Taichung, quando tentava deixar Taiwan.

Inclusão de yuan nas reservas obrigatórias angolanas significa maturidade das relações

O presidente da Câmara de Comércio Angola China considerou terça-feira a introdução do Yuan, moeda chinesa, na economia angolana um passo bastante significativo de maturidade das relações entre os dois países.

Luís Cupenala reagia, em declarações à Lusa, à recente autorização do Banco Nacional de Angola (BNA) aos bancos comerciais para inclusão do Renmimbi (Yuan) nas suas reservas obrigatórias em moeda estrangeira.

O responsável destacou que esta medida acontece nos 43 anos de relações bilaterais, dos quais 16 anos de parceria estratégica, com uma cooperação marcada por intensas trocas comerciais entre os dois países.

Segundo Luís Cupenala, com a implementação da taxa zero pela China, os produtores angolanos são obrigados a expandir a sua visão além do mercado de consumidores nacionais de 36 milhões de habitantes, olhando para o país asiático com 1,4 mil milhões de consumidores.

“Isso precisa da circulação de recursos. Esta abertura que se dá agora da presença da moeda Renmimbi vai facilitar, com certeza, as nossas zungueiras [pequenas comerciantes], homens de negócios, para aumentarem os seus negócios com a China, fundamentalmente no quadro das exportações e importações”, referiu.

Por outro lado, a medida vai igualmente eliminar as barreiras da dependência de uma única moeda, tendo a partir de agora como moedas estrangeiras de transacção o dólar norte-americano, o euro, o yuan e o rand (moeda sul-africana).

“Todas essas medidas visam mitigar dificuldades e certamente facilitar que os negócios e as trocas comerciais entre os dois países fluam com facilidade e sem problemas”, sublinhou.

O líder da Câmara de Comércio Angola-China destacou que o Governo chinês tem acordos bilaterais comerciais, com os 53 países africanos, sendo Angola o parceiro económico mais importante do país asiático.

“Este passo que se tomou hoje tardou, mas, seja como for, é o início de uma nova era na melhoria, no aprofundamento, das relações entre os dois países, no aumento das exportações, das trocas comerciais, da transferência do ‘know-how’ e da tecnologia e de investimentos em Angola”, realçou.

 

Ganhos gerais

Além da classe empresarial, a inclusão do Yuan nas reservas obrigatórias vai beneficiar pessoas individuais, como estudantes e mulheres de negócios.

“A liberalização desta nova etapa nas trocas comerciais abre um novo capítulo para facilitar também pessoas individuais além das empresas, com certeza”, referiu.

Em 2025, as trocas comerciais entre Angola e a China superaram os 20 mil milhões de dólares, representando uma desaceleração de 16 por cento devido a choques externos do mercado global, observou Luís Cupenala, convencido que 2026 será “muito melhor” que o ano passado.

O BNA passou a permitir, na semana passada, que as instituições financeiras bancárias constituam reservas obrigatórias nas quatros moedas através da Directiva que estabelece os procedimentos para a constituição e desmobilização das reservas obrigatórias em moeda estrangeira

As reservas obrigatórias correspondem aos montantes que os bancos são obrigados a manter depositados no banco central, constituindo um dos instrumentos utilizados pelo BNA para gerir a liquidez do sistema financeiro e apoiar a execução da política monetária.