Hoje Macau China / Ásia MancheteBolsa | Tecnológicas intensificam recompra de acções após fortes quedas As gigantes tecnológicas chinesas estão a intensificar os programas de recompra de acções para recuperar a confiança dos investidores, após fortes desvalorizações em bolsa. Empresas como Tencent, Alibaba, Xiaomi e Meituan tiveram quebras na primeira metade de 2026 entre 30 a 44 por cento A maiores empresas tecnológicas da China reforçaram os programas de recompra das suas próprias ações, após derrocadas na bolsa, noticiou ontem o jornal South China Morning Post (SCMP). Estes programas surgiram na sequência de fortes quedas bolsistas causadas por uma vaga de cepticismo em torno do sector e entusiasmo com empresas de inteligência artificial (IA). Empresas como Tencent, a maior cotada chinesa e a 26ª maior do mundo, Alibaba, Xiaomi e Meituan registaram quedas entre 30 e 44 por cento no primeiro semestre, acelerando posteriormente o ritmo das recompras de ações, uma prática habitual entre empresas cotadas para apoiar a cotação quando consideram que o mercado está a subavaliar os seus títulos. Numa compilação divulgada pelo jornal de Hong Kong SCMP, a Tencent recomprou ações no valor de cerca de 1.270 milhões de dólares em Junho, o montante mais elevado de 2026, enquanto a Alibaba gastou 50 milhões de dólares apenas na última semana. A Meituan disse ter adquirido quase 26 milhões de dólares em ações entre segunda e terça-feira, depois de o presidente executivo reconhecer que o desempenho recente da empresa em bolsa ficou aquém do esperado. A Xiaomi já gastou cerca de 153 milhões de dólares nesta estratégia desde meados do mês passado. “Tendo em conta a robustez do fluxo de caixa líquido e os montantes ainda disponíveis nos programas de recompra, esperamos que estas empresas acelerem o ritmo das recompras”, escreveram recentemente analistas da Citi Research num relatório. Só para aparecer Empresas como Alibaba e Meituan envolveram-se numa guerra de preços no mercado da entrega de refeições ao domicílio, situação que levou mesmo à intervenção do Governo chinês, enquanto os investidores voltavam a atenção para empresas totalmente dedicadas à IA, como Minimax ou Zhipu AI. “As tecnológicas tradicionais têm uma exposição relativamente reduzida ao negócio da IA, o que levou à deslocação de capitais dessas ações para empresas focadas exclusivamente nesta área”, referiu Kenny Ng, analista da Everbright Securities. Embora os especialistas considerem que os programas de recompra constituem apenas uma solução temporária, disseram acreditar também que as grandes tecnológicas chinesas podem estar próximas de atingir um mínimo bolsista, sustentadas pela solidez dos negócios principais, pela capacidade de gerar lucros e fluxo de caixa de forma consistente e pela volatilidade do sector da IA, que tem servido de principal motor do actual ciclo dos mercados. Perante este contexto, as tecnológicas chinesas não só intensificaram as recompras de ações, como os principais executivos multiplicaram presenças públicas para tentar recuperar a confiança dos investidores. O fundador da Alibaba, Jack Ma, reuniu-se com gestores para plantar arroz, enquanto o fundador da Xiaomi, Lei Jun, foi fotografado a comer numa pequena banca de beira de estrada em Wuhan, no centro da China.
Andreia Sofia Silva Eventos MancheteCasa Garden | Afonso Cabral encerra hoje programa do Mês de Portugal Afonso Cabral, da banda portuguesa You Can’t Win, Charlie Brown, protagoniza hoje um concerto na Casa Garden. O seu último disco a solo, “Demorar”, é o mote para a digressão asiática que passa por Macau, China, Hong Kong e Japão A Casa Garden, sede da Fundação Oriente em Macau, recebe hoje o evento de encerramento do programa de celebração do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. Trata-se do concerto de Afonso Cabral & Pedro Branco (guitarrista), que começa às 20h, cujo repertório deverá incidir sobre o seu último disco, “Demorar”, lançado em 2024. O concerto tem entrada gratuita. O espectáculo é promovido pela NOYB – None of Your Business, e integra a digressão asiática que o artista está a fazer, e que incluiu um concerto em Shenzhen; uma actuação no sábado no Antique 3000, em Zhuhai; e ainda este domingo no Chen Trente, em Hong Kong, fechando o périplo pela China. Porém, também o Japão será contemplado com três actuações de Afonso Cabral, nomeadamente no dia 8 de Julho em Osaka; 9 de Julho no Kyoto Submarine, em Quioto; e também no dia 10 de Julho no Stiff Slack, em Nagoya. A passagem do artista por terras do Sol Nascente não surpreende, tendo em conta que o seu mais recente disco conta com a participação do músico japonês Shugo Tokumaru, bem como da cantora Manuela Azevedo, vocalista dos portugueses Clã. Shugo Tokumaru é um compositor e multi-instrumentista que lançou o seu primeiro álbum em 2004, intitulado “Night Piece”, estando envolvido em todos os aspectos da produção dos seus álbuns. Os palcos de Afonso Afonso Cabral escreveu nas redes sociais em Maio que “entusiasmado é um eufemismo” sobre esta digressão asiática que agora se inicia. Nascido em Lisboa, em 1986, está ligado ao mundo da música há cerca de 15 anos com diversos projectos, um deles como vocalista com a banda You Can’t Win, Charlie Brown. Porém, Afonso Cabral deambula também nos palcos com o músico Bruno Pernadas, multi-instrumentista que também já actuou em Macau; ou ainda com os projectos Minta & The Brook Trout ou Mais Alto!. O músico tem uma carreira onde as colaborações criativas são uma constante, como por exemplo na composição de “Anda Estragar-me os Planos”, escrita em parceria com Francisca Cortesão para o Festival da Canção 2018. Esta música foi cantada por Joana Barra Vaz, tendo sido interpretada mais tarde por outros cantores, como Salvador Sobral e Tim Bernardes. Sobre “Demorar, é composto por nove canções, onde se incluem os singles “Indivisível” e “Confusão / ざわめき”. Segundo o portal Comunidade Cultura e Arte, Afonso Cabral disse que “nunca é fácil definir um disco”. “São peças de um puzzle construído entre 2019 e 2024 (demorado, sim, daí o título, em parte). É sobre aceitação, é sobre saber parar (ou pelo menos tentar), é sobre frustrações e é certamente sobre mais uma série de coisas que eu próprio não entendo ainda muito bem. É também um cumprir de sonhos com os duetos com Shugo Tokumaru e Manuela Azevedo”, frisou. Outro dos destaques do concerto desta sexta-feira na Casa Garden será, certamente, o novo single de Afonso Cabral, “Dança Comigo na Ilusão”, editado em Maio. O espectáculo tem entrada livre e conta com os apoios da Casa de Portugal em Macau, Fundação Oriente e restaurante Lvsitanvs.
Hoje Macau Manchete SociedadeCrime | Detido por desviar fundos para visto de residência em Portugal Um residente foi detido depois de ter prometido arranjar um visto de residência em Portugal a um empresário do Interior da China. O dinheiro recebido pelo suspeito para tratar do processo terá sido utilizado para pagar dívidas A Polícia Judiciária de Macau deteve um homem por alegadamente ter desviado 2,1 milhões de yuan em fundos pagos por um cliente do Interior da China para obter um visto de investimento em Portugal. De acordo com um comunicado publicado nos canais oficiais da PJ de Macau nas redes sociais, a investigação indicou que o suspeito utilizou as quantias transferidas pela vítima para custear dívidas que tinha. No dia 25 de Junho, a PJ recebeu a queixa de um homem da China continental, que afirmou ter confiado a um residente de Macau o pedido de um visto de investimento para imigração para Portugal, suspeitando que as taxas pagas “tinham sido desviadas”. As autoridades policiais do território adiantaram que o queixoso identificou o suspeito como responsável por uma empresa local de comunicação social em Macau. “Em Julho de 2025, durante o encontro entre ambos, o suspeito alegadamente afirmou que poderia obter um Visto de Imigração para Empresários D2 para Portugal mediante o pagamento de 3 milhões de yuan, comprometendo-se a concluir o processo até Fevereiro de 2026”, informou a PJ. O visto D2, também conhecido como visto de empreendedor, é uma autorização de residência para cidadãos de fora da União Europeia que desejam abrir, gerir ou investir numa empresa, ou trabalhar como profissional autónomo/freelancer em Portugal. “Posteriormente, foi celebrado um contrato de prestação de serviços entre as duas partes”, salientou o comunicado da PJ. Adeus, dinheiro Entre Setembro e Outubro de 2025, a vítima transferiu um total de 2,5 milhões de yuan para uma conta bancária designada na China continental, conforme instruído pelo suspeito. Os restantes 500.000 yuan (cerca de 64 mil euros) só seriam pagos após a conclusão do pedido de visto. “No entanto, em Março de 2026, o visto ainda não tinha sido processado, tendo o suspeito adiado repetidamente o procedimento sob vários pretextos”, referiu a PJ. Desconfiando da situação, a vítima contactou a agência onde o suspeito trabalhava, responsável pelo tratamento da documentação de imigração e descobriu que o homem apenas efectuara um pagamento inicial de 41.000 euros em Outubro de 2025 e não havia liquidado quaisquer prestações subsequentes. A PJ confirmou que o suspeito contratara efectivamente uma “agência de imigração para investimento legítima” para tratar do pedido da vítima e que a documentação do requerente cumpria os requisitos regulamentares exigidos. “No entanto, após o pagamento da primeira prestação, o suspeito alegadamente comunicou à agência que a vítima ainda não havia pago as taxas de processamento, utilizando esse pretexto para solicitar repetidos adiamentos no andamento do processo”, explicou ainda a PJ de Macau. A polícia adiantou ainda que o suspeito foi presente ao Ministério Público para continuação da investigação, sob suspeita da prática do crime de abuso de confiança agravado envolvendo quantia elevada, um crime punível com pena de prisão até cinco anos ou multa.
João Santos Filipe Manchete SociedadeJogo | Analistas estimam que Mundial continue a afectar receitas Analistas esperam que as receitas brutas do motor da economia de Macau continuem em baixa até ao fim do Campeonato Mundial de Futebol. Em Julho, espera-se uma redução anual das receitas entre 5 e 9 por cento Ao longo deste mês, os efeitos do Campeonato Mundial de Futebol vão continuar a afectar a indústria do jogo, e as receitas devem apresentar uma redução anual de 5 por cento. A previsão foi feita pelo banco de investimento Citi, no mais recente relatório sobre a indústria do jogo de Macau, citado pelo portal GGRAsia. De acordo com a estimativa do banco, as receitas vão atingir cerca de 21 mil milhões de patacas ao longo deste mês, quando em Julho de 2025 foram de 22,1 mil milhões de patacas. A previsão tem por base uma média diária de receitas de 677 milhões de patacas. “Esperamos que o torneio mundial de futebol continue a arrastar a receita bruta do jogo até ao último jogo, a 19 de Julho”, pode ler-se no relatório elaborado pelo Citi. Em Macau, a partida da final acontece na madrugada de 20 de Julho, às 03h. Apesar do aspecto negativo, o Citi realça que o território vai receber vários concertos que vão contribuir para atenuar o impacto do Mundial: “Dito isso, a agenda lotada de eventos de Macau no início de Julho, incluindo espectáculos de Anson Lo (Londoner Arena), Gareth.T (Galaxy Arena), Rosy Zhao (Galaxy Arena) e NCT JNJM (Londoner Arena), poderá mitigar parte da potencial fraqueza”, foi justificado. Por sua vez, a empresa de serviços financeiros Seaport Research Partners também estimou que as receitas brutas do jogo em Julho devem apresentar uma queda de 7 a 9 por cento, num valor entre 20,6 mil milhões de patacas e 20,0 mil milhões de patacas. Também neste caso espera-se que o mercado reflicta o impacto do dinheiro desviado das mesas de jogo para as apostas do Mundial. Contudo, o analista Vitaly Umansky, da Seaport Research Partners, espera que o sector recupere em Agosto, com um crescimento anual de 5 por cento. Por sua vez, o banco de investimento Deutsche Bank previu uma redução de 7,9 por cento em Julho, para cerca de 20,4 mil milhões de patacas. Mais do que o mundial Os vários relatórios das instituições financeiras foram divulgados depois de ter sido tornado público que as receitas brutas de jogo tinham apresentado uma quebra anual de 12,1 por cento em Junho, para 18,5 mil milhões de patacas. Na perspectiva de quase todos os analistas, o principal factor para esta redução foi o impacto do Campeonato Mundial. No entanto, a Seaport Research Partners, num relatório citado pelo portal GGRAsia, foi mais longe e associou a diminuição “ao barulho à volta dos fluxos de capital” no Interior da China, em referência às restrições de circulação do dinheiro que, no entender da instituição, “podem ter contribuído para limitar a actividade dos jogadores”.
João Santos Filipe Manchete PolíticaImobiliário | Segundo trimestre com preços mais baixos em 13 anos A menor disposição dos bancos na concessão de empréstimos para a compra de imóveis, o maior controlo de capitais no Interior da China e a incerteza sobre a subida dos juros nos Estados Unidos são nuvens negras que pairam sobre o mercado imobiliário local O mercado imobiliário de Macau registou o preço médio por metro quadrado mais baixo em 13 anos no segundo trimestre deste ano, segundo dados publicados ontem pela agência imobiliária Centaline Property. De acordo com um relatório de mercado da Centaline Macau e Hengqin, o preço médio por metro quadrado para imóveis residenciais atingiu os 68.000 dólares de Hong Kong, uma queda de 4 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. Depois de ter atingido um pico de 72.634 dólares de Hong Kong no primeiro trimestre, a agência apontou que o valor caiu para 68.000 dólares de Hong Kong no segundo trimestre. A empresa acrescenta que o mercado local vai continuar a atravessar um período difícil até ao final do ano. A posição foi tomada na quarta-feira, através do balanço da empresa sobre os primeiros seis meses do ano. O director-geral da sucursal da Centaline em Macau e Hengqin, Pun Chi Meng, explicou que o mercado tem de lidar com três desafios: a restrição dos bancos nos empréstimos para compra de imóveis, o maior controlo dos fluxos de capital no Interior da China e as alterações nas taxas de juro. “Os bancos estão a aprovar cada vez menos pedidos de hipotecas, sobretudo ao nível dos imóveis comerciais, em que deixaram de aceitar os pedidos de financiamento, e também nas hipotecas de habitação, em que aplicam critérios cada vez mais rigorosos”, explicou Pun. “Também recentemente, as autoridades chinesas começaram a travar de forma mais intensa as saídas de capital para o exterior, o que fez com que o número de compradores em Hong Kong e Macau tenha reduzido em Junho”, revelou. Ao mesmo tempo, a incerteza sobre o aumento da taxa de juros pela Reserva Federal Americana nos próximos seis meses contribui para afastar mais pessoas do mercado imobiliário. Ainda em relação ao mercado da habitação, Pun explicou que “muitos proprietários foram impacientes e reduziram o preço para garantir a venda das habitações”. Por isso, os “dados mostraram que os preços de muitas das transacções habitacionais ficaram em níveis historicamente baixos”. Em relação às lojas nos bairros comunitários, o agente da Centaline indicou que, devido a um “ambiente de negócios complicado” gerado pela “concorrência do Interior da China e do comércio electrónico”, “não só o preço das transacções ficou mais baixo, mas o mesmo aconteceu com as rendas e a taxa de ocupação”, que afirmou terem atingido “mínimos históricos”. Rendas baixas No balanço, e com base nos dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o director da Centaline, Jack Lei, apontou que, na primeira metade deste ano, o volume das transacções de lojas foi de 149, representando uma queda de 20 por cento em termos anuais. No entanto, revelando uma tendência oposta, Lei indicou que na zona central ou nas zonas dos casinos no NAPE as rendas continuam a subir para uma média de 65 patacas por pé quadrado e 77 patacas por pé quadrado, respectivamente. Contudo, Jack Lei disse que nos bairros comunitários, tal como na zona da Rua de Horta e Costa e na Rua da Barca, a taxa de ocupação é baixa e o valor médio da renda é de 20 patacas por pé quadrado. Jack Lei ainda vincou que, devido ao impacto do encerramento dos casinos-satélite, a taxa de desocupação de lojas da ZAPE subiu para 13 por cento no segundo trimestre, uma ocupação considerada “péssima”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaSegurança nacional | Secretário promete “construir barreiras” em Macau O 105º aniversário do PCC motivou reacções calorosas de todos os quadrantes do poder executivo, judicial e legislativo da RAEM. O secretário para a Segurança prometeu “construir barreiras na segurança nacional” e Sam Hou Fai garantiu que vai implementar o pensamento de Xi Jinping O estabelecimento do Partido Comunista da China (PCC) foi há 105 anos, efeméride que não passou ao lado da RAEM, com os titulares de todos os altos cargos nos poderes executivo, legislativo e judicial a reagirem com uma série de comunicados. Um deles foi Chan Tsz King, secretário para a Segurança, que prometeu “construir barreiras na segurança nacional”, para que “Macau seja ‘pioneiro da era e um pilar da nação chinesa'”. A ideia, referida pelo governante numa nota divulgada pela secretaria para a Segurança, é que o Executivo possa “fornecer uma sólida garantia de segurança para o desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau e a implementação estável e duradoura do regime ‘um país, dois sistemas'”. “Perante a actual intricada conjuntura geopolítica externa, a nossa tutela continuará a persistir no ‘pensamento baseado em pressupostos de situações mais desfavoráveis’ e, de acordo com as novas exigências da perspectiva geral da segurança nacional, envidará todos os esforços para manter a estabilidade a longo prazo da RAEM”, adiantou o secretário. Já Tong Hio Fong, Procurador do Ministério Público (MP) da RAEM, referiu que “todo o pessoal do MP tomará o espírito do importante discurso do Presidente Xi Jinping como orientação da sua actuação”, um comentário partilhado por todos os titulares de altos cargos. Na nota oficial divulgada pelo seu gabinete, o Procurador assegurou também que o MP “reprimirá severamente os diversos actos ilícitos e criminosos que ponham em causa a segurança nacional e a ordem social”, além de “fazer valer a força do Estado de Direito para salvaguardar a equidade e a justiça sociais, bem como para proteger os direitos e interesses legítimos dos residentes”. Já Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, referiu, segundo uma nota divulgada pelo Gabinete de Comunicação Social, que “no actual e futuro período o Governo da RAEM, todos os sectores sociais, irão trabalhar de mãos dadas para implementar plenamente o pensamento do Presidente Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas para uma nova era”. Lembrando o discurso de Xi Jinping quanto à ideia de que “promover a prosperidade e a estabilidade a longo prazo de Hong Kong e Macau é essencial para a revitalização nacional”, o Chefe do Executivo prometeu “incentivar todos os residentes de Macau, sobretudo a geração mais jovem, a assumir a responsabilidade histórica do renascimento da nação chinesa, a par dos compatriotas, e a partilhar as grandes glórias da próspera e forte Pátria”. Além disso, apelou a que lutem “incansavelmente para realizar a construção de um país forte e a revitalização da grandiosa nação chinesa”. No caso do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), liderado por Ao Ieong Seong, sublinha-se, numa nota oficial, que esta entidade “irá atender às exigências do Presidente Xi Jinping e impulsionar o reforço da eficácia da governação da RAEM de acordo com a lei, através da construção de uma sociedade íntegra, proporcionando garantias de integridade no desenvolvimento económico e social”. Um dos exemplos de actuação dados por Ao Ieong Seong é o alinhamento, por parte do CCAC, “com a Lei de Combate à Corrupção Transfronteiriça, a ser implementada pelo País”. O objectivo é que o CCAC se articule “com a política nacional de combate à corrupção”, desenvolvendo “as suas funções para reforçar o mecanismo de cooperação com as instituições anti-corrupção do Interior da China e de Hong Kong”. Foco nas fronteiras Por sua vez, Adriano Marques Ho, director-geral dos Serviços de Alfândega (SA), declarou que o organismo que dirige irá focar-se no “posicionamento de desenvolvimento [da RAEM] na ‘Integração entre Macau e Hengqin’” e também na Grande Baía. Para isso, os SA prometem “utilizar meios tecnológicos como megadados e inteligência artificial para reforçar o trabalho de supervisão”. Também Leong Man Cheong, comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), disse que “o importante discurso do Presidente Xi Jinping reflecte uma visão abrangente, profunda e significativa, que inspira e impulsiona em direcção à implementação do princípio ‘um país, dois sistemas'”. Neste contexto, as forças de segurança de Macau irão “absorver o espírito do discurso importante, transformando-o numa forte força motriz e em acções concretas para promover o trabalho policial”. O dirigente máximo dos SPU adiantou ainda que irá “aplicar com firmeza a visão geral da segurança nacional, aprofundar continuamente a cooperação regional na aplicação da lei policial e aperfeiçoar os mecanismos de resposta a emergências em matéria de protecção civil”. Ao Ieong U, dirigente máxima do Comissariado de Auditoria (CA), explicou que, “desde o início do mandato do actual Governo, o CA tem procurado responder de forma activa às orientações gerais da governação e planos estratégicos da RAEM, adoptado métodos de auditoria adequados e inovadores”, além de se procurar assegurar “que os resultados das auditorias reflectem fielmente a realidade”. A ideia, segundo a comissária, é que “eventuais problemas se agravem ou que surjam riscos sistémicos” em termos de gastos públicos em Macau, disse Ao Ieong U. O Presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong, também afirmou que o discurso do Presidente Xi foi “altamente inspirador e motivador, para os cidadãos de Macau e todo o povo do País, que se sentem muito orgulhosos pelos feitos alcançados pelo País e por serem membros da nação chinesa”. André Cheong salientou a importância de “defender conscientemente o princípio da predominância do poder executivo” e assegurar que não falta apoio ao Governo, ou usurpação na fiscalização ao poder executivo.
Hoje Macau Manchete SociedadeSul do país prepara-se para o primeiro tufão do ano. Macau com sinal 3 esta sexta-feira O Centro Meteorológico Nacional da China emitiu ontem o primeiro aviso de tufão do ano, prevendo que o fenómeno atinja as províncias de Hainan e Guangxi na sexta-feira e sábado, respectivamente. Em Macau, o sinal 3 de tempestade tropical será içado entre a madrugada e manhã desta sexta-feira, 3. O sinal 1 de tempestade tropical foi, entretanto, içado pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG). Segundo informação disponibilizada pelos SMG, prevê-se que “a depressão tropical localizada na parte central do Mar do Sul da China se intensifique gradualmente nos próximos dias”, deslocando-se “em direcção à Ilha de Hainan e Golfo de Tonquim”. Assim, esta sexta-feira os SMG esperam que o “vento se intensifique gradualmente em Macau, podendo atingir o nível 6, com aguaceiros frequentes”. Podem ainda “haver ventos fortes no final da semana, acompanhados de aguaceiros fortes e trovoadas”. Os SMG explicam ainda que “a depressão tropical está a uma certa distância de Macau”, além de que “a [possibilidade de] ocorrência de ‘storm surge’ [inundações] é baixa”. Tal deve-se ao facto de, nos últimos dias, a região não ter estado “num período de maré astronómica”, embora a população deva “prestar atenção às inundações provocadas pelas chuvas torrenciais”. Entretanto, o Centro Meteorológico Nacional da China indicou esta quarta-feira que a precipitação em algumas zonas de Guangxi e da ilha de Hainan poderá aproximar-se de valores recorde para esta época do ano, apelando à adoção antecipada de medidas de prevenção. Após atingir inicialmente a costa entre o leste de Hainan e o oeste da província de Guangdong, amanhã, o tufão deverá atravessar a ilha e seguir para o golfo de Beibu, onde voltará a tocar terra, desta vez na costa de Guangxi, no sábado, enfraquecendo gradualmente depois. Segundo as previsões, são esperadas chuvas muito intensas nas províncias de Hainan, Guangxi, Yunnan, Guangdong, Guizhou e Hunan, com precipitação extremamente forte em alguns locais. Os meteorologistas alertaram em particular para Guangxi, onde a chuva persistente dos últimos dias provocou uma elevada acumulação de água, aumentando o risco de inundações e outros desastres.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeAnimais | Deputada quer combate à crueldade e abandono Loi I Weng defendeu a revisão da lei da protecção dos animais, que está em vigor há 10 anos, por não ser suficiente para travar abandonos e penalizar actos cruéis. A deputada sugere também a criação de mais zonas para animais na cidade Desde 2016 que a lei da protecção dos animais vigora em Macau, mas para a deputada Loi I Weng há ainda muito a melhorar na defesa dos direitos dos animais. Em declarações ao programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, a deputada considerou ser necessário rever a legislação, referindo que o diploma está em vigor há dez anos, sem normas que desincentivem ao abandono de animais e o seu tratamento cruel. Além disso, Loi I Weng considera que é ainda difícil a criminalização de actos cruéis contra animais. “A lei não deve ser apenas uma ferramenta para punir depois de um episódio infeliz, deve também ser um guia para antes da ocorrência desses episódios”, disse. Ainda assim, a deputada ligada à Associação Geral de Mulheres defende que a protecção dos animais é um dos indicadores de uma sociedade civilizada. “Podemos ver que demos os primeiros passos no desenvolvimento desta área, mas temos ainda um caminho a percorrer até atingir um objectivo ideal. Tanto a lei como as instalações devem acompanhar esta mudança social, sendo necessário aumentar a consciencialização dos donos”, defendeu. Loi I Weng pede também melhorias nas infra-estruturas urbanas para o acolhimento de animais, como “a criação de zonas para passeio de cães com melhores condições de higiene”, bem como espaços para os animais beberem água ou ainda acções de incentivo para que comerciantes e negócios possam disponibilizar serviços a pensar nos animais de estimação dos clientes. A deputada diz que os donos têm de assumir as suas responsabilidades cívicas, nomeadamente na recolha dos excrementos dos animais, entre outras acções. Metro com cães Quem também participou no debate do programa Fórum Macau foi o vice-presidente do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais do Instituto para os Assuntos Municipais, Kou Ngon Fong. Este referiu que as autoridades de Hong Kong têm lançado várias medidas a pensar nos animais, nomeadamente a permissão da presença de cães em restaurantes e em transportes públicos. O responsável disse que o Metro Ligeiro poderá aceitar, de forma experimental, animais de estimação, mas é preciso haver consenso social sobre esta matéria, porque há pessoas que têm medo de animais. Kou Ngon Fong acrescentou que é importante pensar no equilíbrio da defesa de direitos de pessoas e animais. Por seu turno, Aeson Lei, presidente da Associação de Qualidade Verde Marca, afirmou que actualmente cerca de 90 restaurantes em Macau permitem a entrada de animais de estimação. Há ainda 50 estabelecimentos que toleram animais de estimação. Aeson Lei acredita que a aceitação dos animais nestas situações contribui para melhorar a imagem internacional de Macau, além de trazer maior procura aos negócios.
Hoje Macau Manchete SociedadeEmperor | Receitas caíram 40% após fecho de casino-satélite A companhia hoteleira Emperor Entertainment Hotel Limited anunciou ontem uma queda de 40 por cento nas receitas após ter sido obrigada a encerrar as operações do casino-satélite que detinha em Macau. A empresa cotada na bolsa de Hong Kong e proprietária do Grand Emperor Hotel em Macau, reportou receitas totais de 512,2 milhões de dólares de Hong Kong no ano fiscal que terminou a 31 de Março, uma queda de quase 40 por cento face aos 837 milhões de dólares de Hong Kong registados no período anterior. A empresa gere o The Emperor Hotel e três blocos de apartamentos em Hong Kong, bem como o Grand Emperor Hotel e o Inn Hotel em Macau. Apesar da quebra, as perdas líquidas da companhia reduziram-se para 24,8 milhões de dólares de Hong Kong no mesmo período, face aos 248,1 milhões de dólares de Hong Kong registados no ano anterior, graças à diminuição nas perdas de valor das propriedades do grupo. As receitas provenientes de hotéis e arrendamento mantiveram-se estáveis em 332,8 milhões de dólares de Hong Kong, representando 65 por cento do total. O encerramento do Casino Emperor Palace, dentro do Grand Emperor Hotel, ocorreu a 31 de Outubro de 2025, depois de uma revisão da Lei do Jogo que determinou a extinção do modelo de casinos satélite. Após o encerramento do casino, a Emperor anunciou planos para instalar novas infra-estruturas de entretenimento no Grand Emperor Hotel, diversificando a oferta além do jogo. O número de funcionários do grupo foi reduzido de 659 para 349 desde o ano passado, e os custos totais foram reduzidos para 212,4 milhões de dólares de Hong Kong, apontou a companhia.
João Santos Filipe Manchete SociedadeJogo | MGM China compra participação na Diaoyutai MGM Hospitality A Diaoyutai MGM Hospitality é uma empresa de hotelaria do Interior da China, criada em 2007 no âmbito de uma parceria entre o Governo Central e a MGM Resorts International. O negócio custou à concessionária de jogo mais de 160 milhões de patacas A concessionária do jogo MGM China adquiriu a participação da empresa-mãe, a MGM Resorts International, na companhia Diaoyutai MGM Hospitality. A informação foi divulgada numa nota submetida à bolsa de Hong Kong e a transacção foi fechada por 20 milhões de dólares americanos, o que corresponde a cerca de 160,8 milhões de patacas. A Diaoyutai MGM dedica-se à hotelaria no Interior da China e foi criada em 2007, numa parceria entre a Diaoyutai State Guesthouse, uma empresa do Governo Central, e a gigante americana MGM Resorts International. Quando a parceria foi constituída, a Diaoyutai State Guesthouse ficou titular de 51 por cento do capital social da Diaoyutai MGM Hospitality, enquanto a participação da MGM Resorts era de 49 por cento. De acordo com a informação enviada à Bolsa de Hong Kong, a aquisição acontece de forma indirecta. A MGM China adquire à empresa-mãe a companhia MGM Asia Pacific Ltd, que, por sua vez, é proprietária de todas as acções da MGM na Diaoyutai MGM Hospitality. A informação divulgada na terça-feira à noite revelou ainda que a transacção ficou completa a 30 de Junho, e que o pagamento foi feito de uma vez, em dinheiro vivo, com recursos internos da MGM China. Hotéis no Interior No comunicado, a MGM China justificou a compra com “uma oportunidade estratégica para o grupo consolidar e fortalecer a sua presença nos sectores de gestão hoteleira e turismo cultural na Grande China”. A empresa explicou ainda que a Diaoyutai MGM Hospitality “estabeleceu uma presença significativa no mercado, com oito hotéis operacionais, um portfólio de mais de 12 projectos activos e acesso a mais de 1,5 milhões de membros do programa de fidelização ‘Mlife’”. Com a transacção a MGM China assume o “histórico operacional, a plataforma da marca e a rede de relacionamentos que a MGM Hospitality desenvolveu ao longo de quase duas décadas”. Entre os hotéis da Diaoyutai MGM Hospitality que estão em construção, destaque para o Mirage by MGM Shenzhen, que deverá abrir portas até ao final do ano. Ano movimentado A venda da participação na Diaoyutai MGM Hospitality à MGM China acontece numa altura em que está a ser analisada a proposta do grupo People Incorporated para adquirir a totalidade MGM Resorts International. Segundo a estação televisiva CNBC, a proposta apresentada pelo grupo avaliou a MGM Resorts International em 18 mil milhões de dólares americanos, o que significa um preço de 48,30 patacas por acção. Actualmente, a People Incorporated é titular de 26,1 por cento do capital social da gigante americana. Depois de ser conhecida a proposta foi tornado público que Pansy Ho vendeu a totalidade das suas acções da MGM Resorts International. Apesar disso, a empresária mantém-se como uma das principais accionistas da MGM China, com 22,49 por cento do capital, a par da MGM Resorts, que controla 55,95 por cento da MGM China.
Hoje Macau Manchete PolíticaBRICS | Emitida dívida em Macau para apoiar projectos no Brasil Segundo a Autoridade Monetária de Macau a operação de emissão de dívida ficou terminada e foi totalmente subscrita pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa O banco do bloco BRICS emitiu pela primeira vez dívida em Macau, dinheiro que será para apoiar projectos no Brasil, país membro do bloco que integra também a China, anunciou ontem o regulador financeiro do território. A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) disse que a operação lançada pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) foi formalmente concluída ontem, com o registo junto da central de depósito de valores mobiliários de Macau. A Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários do território, detida pela AMCM, foi inaugurada em Dezembro de 2021. Num comunicado, o regulador sublinhou que a dívida, no valor de 50 milhões de dólares, foi “totalmente subscrita” pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa. Este fundo foi criado há 10 anos pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em inglês), um banco estatal, e pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau, com um capital de mil milhões de dólares. A AMCM disse que os fundos angariados com a emissão de dívida “serão utilizados em projectos no Brasil”, sem revelar mais detalhes. “Esta emissão de obrigações é uma manifestação concreta da capacidade de Macau para desempenhar o papel de plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa”, defendeu o regulador. Em Novembro, o Governo de Macau anunciou que o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa tinha assinado o primeiro acordo para ajudar uma empresa local, neste caso para expandir para o mercado de Timor-Leste. Marcos históricos Em Julho de 2024, o ex-secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, Casimiro de Jesus Pinto, disse em Lisboa que o fundo tinha investido até à data 527 milhões de euros em 11 projectos em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Macau. Em Janeiro, o CDB tornou-se o primeiro banco estatal chinês a emitir dívida em Macau, no valor de 5,5 mil milhões de yuan, também para financiar projectos nos países de língua portuguesa. O NDB – fundado como o grupo BRICS pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – tem sede na capital financeira e económica chinesa, Xangai, e a actual líder é a brasileira, Dilma Rousseff. O nome da antiga Presidente do Brasil (2011-2016) foi proposto pela Rússia e Rousseff foi reeleita em Março de 2025 para um mandato de cinco anos à frente do banco.
João Santos Filipe Manchete PolíticaPCC | Xi exige integração de Macau no desenvolvimento nacional No 105º aniversário da fundação do Partido Comunista da China, o Presidente do país e secretário-geral do partido, Xi Jinping, realçou que a integração de Macau e Hong Kong no desenvolvimento nacional faz parte da “grande revitalização da nação chinesa” O Presidente Xi Jinping reiterou ontem a importância da integração de Macau e Hong Kong no desenvolvimento nacional como parte da “grande revitalização da nação chinesa”. As palavras foram proferidas durante a cerimónia de celebração do 105º aniversário da fundação do Partido Comunista da China (PCC). De acordo com o jornal Ou Mun, Xi Jinping afirmou que “promover a prosperidade e a estabilidade a longo prazo de Hong Kong e Macau é uma exigência intrínseca para a grande revitalização da nação chinesa”. “Na nova jornada, devemos implementar de forma plena, precisa e inabalável as directrizes de ‘um país, dois sistemas’, ‘Hong Kong governado pelas pessoas de Hong Kong’, ‘Macau governado pelas pessoas de Macau’ e um alto grau de autonomia”, vincou. Xi Jinping defendeu também o dever de “aplicar o princípio de Hong Kong governado por patriotas’ e ‘Macau governado por patriotas’, melhorar a eficácia da governação de Hong Kong e Macau com base na lei, promover o desenvolvimento económico e social de Hong Kong e Macau, e apoiar ambas as regiões a integrarem-se melhor e a servirem o panorama geral do desenvolvimento nacional”. Directo em Macau Em Macau, as celebrações do 105º aniversário do PCC foram assinaladas pelo Governo da RAEM, com a transmissão em directo, no Pavilhão Desportivo da Universidade Politécnica de Macau, dos eventos em Pequim, incluindo a mensagem de Xi Jinping. Assistiram à transmissão em directo cerca de 2 mil pessoas, incluindo vários alunos, que realizaram espectáculos culturais e artísticos. Segundo o jornal Ou Mun, a celebração decorreu em simultâneo com todo o país, e teve como objectivo “aprofundar o conhecimento dos residentes de Macau sobre o percurso centenário da fundação do partido, reforçar a coesão nacional e cultivar de forma profunda o sentimento de amor pela Pátria e por Macau”. No entanto, em Macau, as celebrações começaram mais cedo, na terça-feira à noite, com um espectáculo de canto na Universidade de Macau, organizado pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). Além disso, Governo da RAEM organizou outras actividades dirigidas aos alunos como uma sessão de estudo sobre o discurso de Xi Jinping, a exibição do filme “Crossing” e concursos de composições, de discursos e de criação de curtas-metragens, assim como visitas de estudo ao Interior da China. As actividades foram realizadas pelo Governo para “orientar os diversos sectores da sociedade de Macau, em particular a juventude, para recordarem o centenário percurso glorioso do Partido e compreenderem, de modo aprofundado, a história e as grandes conquistas do desenvolvimento do país, incentivando os jovens de Macau a unir os seus ideais pessoais e as suas aspirações juvenis à grande causa da revitalização nacional”.
Hoje Macau China / Ásia MancheteHong Kong | El Niño poderá levar a recordes de calor em 2026 e 2027 A agência meteorológica de Hong Kong previu que o fenómeno El Niño poderá levar a novos recordes máximos de temperatura este ano e em 2027. Num comunicado divulgado na segunda-feira, o Observatório de Hong Kong confirmou que o El Niño está a formar-se e deverá continuar a afectar o clima na região até ao início do próximo ano. O El Niño é caracterizado por um aumento nas temperaturas da superfície no centro e leste do Pacífico equatorial. Normalmente ocorre a cada dois a sete anos e dura aproximadamente entre nove e 12 meses. O Observatório prevê que este ano o fenómeno terá “uma intensidade que varia de forte a muito forte” e recordou que um El Niño intenso “aumentam geralmente a probabilidade de temperaturas anormalmente elevadas”. “Sob o efeito combinado do aquecimento climático, a temperatura média em Hong Kong deverá ser significativamente mais elevada este ano e no próximo, podendo resultar em temperaturas recorde”, alertou a agência.
Hoje Macau China / Ásia MancheteChina | Previsão de vendas de habitações novas revista em baixa A Fitch Ratings reviu em baixa a previsão de vendas de habitações novas na China em 2026, estimando uma queda entre 11 e 13 por cento, devido à “persistente fraqueza nas cidades de menor dimensão”. A estimativa anterior antecipava uma redução de vendas entre 7 e 8 por cento O mercado imobiliário chinês deverá continuar a enfrentar dificuldades este ano. A agência Fitch Ratings reviu as estimativas para 2026 relativas a vendas de casas novas, projectando uma descida anual entre 11 e 13 por cento. A anterior previsão apontava para uma quebra entre 7 e 8 por cento. Segundo a agência de notação financeira, a revisão reflecte a persistente debilidade do mercado imobiliário nas cidades de menor dimensão, que continua a anular a recuperação observada num número reduzido de mercados mais fortes. A Fitch aponta ainda para um aumento da procura de habitação usada, sobretudo nas cidades de maior dimensão, em detrimento das casas novas, devido a “uma maior parcela da procura habitacional estar a ser absorvida pelas transações de habitação existente”. Apesar da revisão, a agência considera que a contração será menos acentuada do que em 2025 e prevê uma nova moderação da queda em 2027, apoiada na continuidade das medidas de estímulo e na “melhoria gradual da confiança”, liderada pelas cidades de primeira linha. A Fitch assinala que a descida dos preços da habitação usada abrandou desde o início do ano nas 70 maiores cidades chinesas e que a diferença entre a evolução dos preços da habitação nova e usada também diminuiu, sinalizando “menos vendas motivadas pelo pânico” no mercado de habitação usada. Poder de concentração A recuperação, contudo, permanece desigual. Xangai continua a apresentar o mercado residencial mais resiliente entre as cidades de primeira linha desde o início da crise imobiliária, na segunda metade de 2021, seguida por Pequim e Shenzhen, enquanto Cantão enfrenta maiores dificuldades devido à maior oferta de terrenos. Segundo a agência, esta polarização levou muitas promotoras imobiliárias classificadas pela Fitch a abandonarem cidades mais fracas para concentrarem a actividade em 10 a 15 mercados considerados estratégicos, onde a oferta e a procura estão mais equilibradas. A Fitch acrescenta que todas as promotoras estatais classificadas pela agência que divulgam dados mensais registaram crescimento das vendas nos primeiros cinco meses do ano, com excepção da Yuexiu Property, cuja quebra deverá, ainda assim, atenuar-se ao longo do segundo semestre. A agência prevê igualmente que as margens de lucro do sector permaneçam sob pressão em 2026, devido à necessidade de escoar projectos desenvolvidos em terrenos adquiridos nos anos de maior expansão do mercado, antecipando uma recuperação gradual apenas nos próximos anos. O fluxo de caixa operacional deverá estabilizar com a recuperação das vendas e uma política mais prudente de aquisição de terrenos, aponta.
Andreia Sofia Silva Eventos MancheteLusofonia | German Ku e Marta Miranda actuam hoje no Largo do Senado Depois dos primeiros concertos de ontem, sobem hoje ao palco montado no Largo do Senado artistas como o macaense German Ku, a portuguesa Marta Miranda, ex-vocalista dos OQueStrada, ou a cabo-verdiana Elly Paris. A música ouve-se entre as 18h e as 21h, mas há também uma mostra de artesanato na Galeria do IAM A lusofonia irá soar hoje em Macau com um espectáculo que começa às 18h com ritmos locais: o macaense Germano Guilherme, conhecido em palco como German Ku, irá actuar com a cantora Winifai inaugurando o segundo dia de concertos integrado na 18ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. Já ontem o Largo do Senado foi palco de música dos países de língua portuguesa e também de Macau. O programa traz hoje nomes como o brasileiro Maurício Tizumba, a cabo-verdiana Elly Paris, os artistas da Guiné-Bissau Patche Di Rima e Anderking Skididi ou ainda Az Khinera, artista moçambicano. O cartaz prossegue com a actuação da portuguesa Marta Miranda, os Vungo Téla, de São Tomé e Príncipe, e ainda os New Arquiris Band, oriundos de Timor-Leste. O capítulo final de todas estas actuações escreve-se com um “Carnaval Sino-Lusófono”, descreve o programa oficial. Voltando aos artistas que abrem os concertos de hoje, Germano Guilherme ficou conhecido depois de ganhar um concurso de talentos da estação televisiva TVB, de Hong Kong, o “Midlife, Sing and Shine 2”, em 2024. Germano Guilherme estudou na Escola Portuguesa de Macau e na Universidade Politécnica de Macau, e desde que venceu o concurso de canto não mais parou de subir aos palcos com a sua música, nomeadamente com o primeiro concerto em nome próprio, “I’m Home”, no Venetian Theatre em Agosto de 2024. Nos últimos meses o artista tem feito uma digressão na Malásia. Entretanto, Marta Miranda actua em Macau no contexto da digressão intitulada “Uma Mulher na Cidade”, fazendo-se acompanhar pelos músicos Jean Marc Pablo, Sérgio Prazeres e Ricardo Quinteira. Marta Miranda foi vocalista do grupo OQueStrada, com raízes na música tradicional portuguesa, tendo lançado o seu primeiro trabalho discográfico em nome próprio, “Mulher na Cidade”, em 2024, sobre Lisboa, Almada, e as raízes que tem entre os dois lugares e respectivas vivências. Destaque para o facto de estes artistas terem marcados concertos para este fim-de-semana, sábado e domingo, no palco da Praça Tangdao, na cidade de Xining, repetindo-se as actuações na próxima semana, nos dias 9 e 10 de Julho, em Pequim, na Praça da Concha Acústica (Praça Beike). Artesanato até domingo A 18ª edição da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa arrancou no sábado e irá prolongar-se até 10 de Julho, em Macau, Qinghai e Pequim, tendo como lema “Encontros Culturais Sino-Lusófonos, Amizade sem Fronteiras”. Outro ponto de destaque do programa deste ano é a “Exposição de Artesanato dos Países de Língua Portuguesa ‘Policromia Lusófona'”, organizada pelo Fórum Macau. A mostra, que pode ser vista na Galeria do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), apresenta peças oferecidas pelas delegações dos Países de Língua Portuguesa ao Fórum Macau “ao longo dos mais de vinte anos desde a sua criação”, destaca uma nota da organização. “Policromia Lusófona” divide-se em quatro secções, nomeadamente “Texturas do Som” ou “Histórias de Esculturas”, entre outras, revelando-se ao público objectos como “utensílios do quotidiano confeccionados em fibras naturais”, e que reflectem “modos de vida e tradições estéticas das diferentes regiões” com ligações à língua portuguesa. Apresentam-se também “instrumentos musicais tradicionais, acompanhados por projecções de performances, permitindo ao público vivenciar como a música transcende línguas e fronteiras”, destaca a organização. Não faltam ainda “peças em madeira e cerâmica que reflectem crenças religiosas e mitos populares” ou ainda “loiça de mesa e adornos”. A mostra estará aberta até este domingo, funcionando diariamente das 09h às 21h.
Hoje Macau Manchete SociedadeCarga aérea | Assinado acordo para ligar Macau à América Latina A plataforma sino-brasileira ganhou um novo impulso com a assinatura de vários acordos nos sectores da inovação tecnológica, finanças e aeronáutica. As parcerias incluem uma ligação aérea directa de carga entre Macau e a América Latina Empresas chinesas e latino-americanas assinaram acordos para desenvolver uma plataforma sino-brasileira de inovação aeronáutica e uma ligação aérea directa de carga entre Macau e a América Latina. Segundo um comunicado publicado na segunda-feira, o Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola (CECPS), em Zhuhai, organizou uma cerimónia em que foram assinados acordos estratégicos de internacionalização com 16 empresas nos sectores da inovação tecnológica e das finanças. Os acordos envolveram empresas como a Huawei Macao, Mercado Libre, JD.com, Kuaishou Technology, Banco da China e China Southern Airlines Technology. Um dos acordos envolve a empresa chinesa WGL Group, que segundo o CECPS tem prestado apoio em matéria de investimento e financiamento, contribuindo para impulsionar a abertura, por Macau, de uma rota aérea directa de carga para a América Latina. O WGL Group é um grupo sediado em Shenzhen de logística e soluções para cadeias de abastecimento de comércio electrónico transfronteiriço internacional. A empresa é especializada no transporte de mercadorias da China directamente para mercados globais, com foco principal nas regiões da América Latina e dos Estados Unidos. Actualmente, opera cinco voos de ida e volta por semana na rota China-México. Cargas em Hengqin Existe actualmente um projecto do terminal de carga de Hengqin para o Aeroporto Internacional de Macau com conclusão prevista para o final de 2026 e entrada em operação em meados de 2027. O terminal, com 66.700 metros quadrados de área logística e investimento de cerca de 700 milhões de yuan, é financiado pelo Aeroporto de Macau e pela China COSCO Shipping Logistics Supply Chain. De acordo com o CECPS, os contratos assinados visam apoiar empresas na expansão para mercados da América Latina e países lusófonos, através de serviços de crédito, avaliação de riscos, financiamento transfronteiriço, registo de investimento directo no exterior e promoção de tecnologias avançadas. No mesmo comunicado, Ng In Cheong, vice-presidente do CECPS, destacou que, além das 16 entidades agora envolvidas, o centro já estabeleceu parcerias com cerca de 200 empresas e prestadores de serviços, sobretudo na área da inteligência artificial. “A complementaridade entre a posição de vanguarda da China e as lacunas tecnológicas dos países de língua portuguesa e espanhola abre amplo espaço para cooperação”, afirmou. Os primeiros passos O centro foi lançado em Abril de 2025 pelo Governo da RAEM e pela Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau, com o objectivo de criar uma plataforma integrada de serviços de internacionalização que liga a China aos países de língua portuguesa e espanhola. Os planos de integração e cooperação existentes de Macau com a província de Guangdong e a zona económica especial de Hengqin oferecem também uma via para a entrada de empresas de países de língua espanhola na China. As áreas prioritárias do centro abrangem economia digital, saúde, manufactura avançada, comércio de matérias-primas, comércio electrónico transfronteiriço e indústrias culturais e desportivas. Entre os resultados práticos, o centro destacou a redução de riscos na exportação de equipamentos de simulação de voo, a instalação de centros de entrega digitais em Espanha e Brasil pela companhia Beyondsoft e o apoio a empresas na expansão para mercados externos através de soluções integradas de conformidade, logística e financiamento. O CECPS destacou também ter vindo a apostar em missões empresariais ao Brasil, como a realizada em Junho durante a Web Summit Rio, onde reuniu mais de 200 empresas brasileiras. Até Março deste ano, a Zona de Cooperação de Hengqin contava com 27 plataformas de inovação científica e tecnológica, 238 empresas de alta tecnologia reconhecidas nacionalmente e 18 unicórnios registados. O CECPS planeia também desenvolver um Centro de Inovação em Inteligência Artificial Incorporada, cuja primeira fase ocupará 3.400 metros quadrados em Hengqin, com capacidade anual de produção de dados superior a 10 PB (petabyte).
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaLei do Trânsito | Conselheiro pede revisão ainda nesta legislatura Ip Wai Keong entende que há condições para o Governo apresentar, ainda nesta legislatura, uma nova proposta de revisão da Lei do Trânsito Rodoviário. O membro do Conselho Consultivo do Trânsito apela à urgência legislativa devido à elevada ocorrência de acidentes O membro do Conselho Consultivo do Trânsito, Ip Wai Keong, considera que é necessário alterar a Lei do Trânsito Rodoviário, cuja proposta de lei caducou por não ter sido aprovada no hemiciclo até ao final da legislatura anterior. Em declarações ao Jornal do Cidadão, o responsável disse que existem condições para apresentar nova proposta de lei até ao final desta legislatura. O conselheiro sugere que o Governo dê prioridade às medidas menos polémicas para avançar com a revisão da legislação, focando depois as partes que geram mais debate. No entender do responsável, as medidas menos complexas relacionam-se com a segurança rodoviária, nomeadamente a regulação das travessias de peões e a proibição do uso de telemóvel durante a condução. Ip Wai Keong refere que mesmo que o Governo não consiga alterar a lei, pode elaborar algumas normas administrativas para regular o comportamento dos condutores. Estas declarações surgem numa altura em que o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) acaba de publicar um mapa com os pontos onde ocorreram mais acidentes de trânsito, contabilizando-se um total de 3.426 acidentes só no primeiro trimestre deste ano. Ip Wai Keong recordou que o panorama dos acidentes não mudou muito em relação ao ano passado, com os mapas disponibilizados pelo CPSP a serem semelhantes, pelo que é importante elevar a consciencialização dos condutores sobre a importância de uma condução segura. O conselheiro destacou que, nos pontos onde acontecem mais acidentes, há muito trânsito e intersecção de veículos, sugerindo que o Governo faça um novo planeamento destas vias com mais semáforos, ajuste de percursos e de passadeiras, optimizando a visibilidade para peões e carros. Foi também sugerida a colocação de lombas para redução de velocidade, mais pontos de iluminação nocturno e estabelecimento de limites de velocidade em alguns troços. A carta da discórdia Um dos pontos mais polémicos na revisão da Lei do Trânsito Rodoviário, segundo Ip Wai Keong, é a retirada de pontos na carta de condução por cada multa atribuída. Desta forma, o conselheiro defende que o Executivo deve reforçar a comunicação com a sociedade para se chegar rapidamente a um consenso sobre esta matéria, a fim de se conseguir acelerar o processo de revisão. Tendo em conta que em Hong Kong e no Interior da China existe este sistema de pontos na carta de condução, Ip Wai Keong pede que as autoridades de Macau tenham em conta as experiências nas regiões vizinhas e possam rever a lei consoante a situação local, para garantir a segurança rodoviária e proteger os direitos e interesses dos operadores de transportes. A ideia é evitar grandes alterações neste sector, acrescentou.
João Santos Filipe Manchete PolíticaHengqin | Sam pede estudo e aplicação das instruções de Xi Jinping O reforço da integração entre Macau e Hengqin, a captação de mais investimento nacional e internacional e a atracção de quadros qualificados foram alguns dos objectivos traçados para o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada O estudo e a implementação das orientações de Xi Jinping sobre a Zona de Cooperação Aprofundada são a prioridade dos trabalhos para o desenvolvimento de Hengqin. A principal “esperança” deste ano foi deixada por Sam Hou Fai, durante a reunião de segunda-feira da Comissão de Gestão da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Enquanto um dos dois chefes da comissão, o Chefe do Executivo abordou a próxima fase do projecto para diversificar a economia de Macau e pediu aos membros que continuem a “estudar e implementar o espírito das instruções do Presidente Xi Jinping e do Governo Central”. Sam indicou ainda que esta é a forma de “consolidar as bases do conceito de desenvolvimento da integração Macau-Hengqin”. Segundo o Chefe do Executivo, a segunda “esperança” passa por “planear e concretizar cuidadosamente os grandes projectos emblemáticos para promover as indústrias e incentivar o emprego”. No comunicado do Gabinete de Comunicação Social sobre a reunião não foram indicados os grandes projectos. O representante máximo da RAEM pediu como terceira esperança que no desenvolvimento da Ilha da Montanha as autoridades aproveitem “ao máximo as vantagens dos recursos de Macau nas ligações internacionais” para criar “uma nova conjuntura de captação de investimentos e capitais”. Por último, Sam pediu à comissão uma reforma “do sistema e dos mecanismos” internos para dotar o órgão, e os seus trabalhadores, de uma maior dinâmica “para realizar o trabalho com dedicação e inovação”. Projecto pessoal A reunião de segunda-feira contou ainda com a intervenção do governador da província de Guangdong, Meng Fanli, o outro chefe da comissão. O governador da província vizinha destacou igualmente a ligação entre o Presidente da China e a Zona de Cooperação Aprofundada, ao salientar que esta “foi uma grande iniciativa, projectada, planeada e promovida pessoalmente pelo secretário-geral Xi Jinping”. Nesta linha de pensamento, Meng apelou a todos os membros para estudarem e implementarem o espírito das instruções do presidente chinês. Ao mesmo tempo, o governador de Guangdong pediu que no âmbito dos trabalhos deste ano “devem ser aproveitadas ao máximo as vantagens únicas” da Zona de Cooperação, para “servir e integrar” a nova conjuntura de desenvolvimento. Meng pediu também à comissão que trabalhe para criar “um mercado nacional unificado, servi-lo e fazer bom uso do mesmo”, ao mesmo tempo que se espera que a zona de cooperação sirva de ligação internacional. Meng também pediu que sejam intensificados “os esforços na captação de investimentos e quadros qualificados a nível nacional e internacional” e que sejam realizados todos os esforços para integrar Macau e Hengqin.
Hoje Macau China / Ásia MancheteUE | Pequim sinaliza posição negocial mais firme em disputas comerciais Pequim acredita estar em posição de resistir à pressão comercial de Bruxelas e prepara uma postura negocial mais dura nas disputas sobre veículos eléctricos, terras raras e investimento, segundo um comentário divulgado pela televisão estatal chinesa A leitura consta de uma análise publicada pela Yuyuantantian, plataforma de comentário político da televisão estatal chinesa CCTV, antes da reunião prevista entre o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, e o comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, em Bruxelas, num momento em que as tensões comerciais entre as duas partes continuam a intensificar-se. Segundo a análise, Pequim considera que Bruxelas ignorou duas prioridades chinesas nas negociações: encontrar uma solução para as tarifas impostas aos veículos eléctricos fabricados na China e aliviar os controlos às exportações europeias de tecnologias avançadas. O comentário defende que a China chegou às negociações “com sinceridade”, mas acusa a UE de não ter dado qualquer resposta às preocupações chinesas e de se limitar a exigir esclarecimentos sobre o fornecimento de terras raras. A análise acrescenta que, “se a UE insistir em transformar as negociações num mero ritual, a China tem capacidade para enfrentar um maior agravamento das relações económicas e comerciais, ou até um deslizamento para um ponto de congelamento”, acrescentando que “a China não deseja chegar a esse ponto, mas também não o teme”. Em contrapartida, a União Europeia tem insistido nas preocupações com o fornecimento de terras raras e desenvolvido novos instrumentos de defesa comercial, bem como políticas destinadas a reduzir dependências estratégicas da China. Entre economia e geopolítica O comentário da CCTV afirma que a China pode suportar um agravamento das relações económicas com a Europa, chegando mesmo a sugerir que conseguiria enfrentar um eventual congelamento dos laços comerciais. Para sustentar esse argumento, aponta que as empresas chinesas dependem hoje menos do mercado europeu, uma vez que as exportações para a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) já ultrapassam as destinadas à UE, enquanto regiões como o Médio Oriente, a América Latina e África assumem importância crescente para produtos chineses, incluindo veículos eléctricos. A análise sugere igualmente que o investimento chinês na Europa poderá tornar-se um instrumento de pressão. Segundo o texto, caso Bruxelas continue a endurecer as restrições comerciais, projectos industriais chineses que algumas regiões europeias procuram atrair poderão ser adiados ou cancelados. O artigo identifica ainda uma divergência de fundo entre as duas partes. Enquanto Pequim pretende separar os diferendos comerciais de questões geopolíticas, como a guerra na Ucrânia ou as relações com os Estados Unidos, Bruxelas considera que comércio, segurança económica e política externa estão hoje estreitamente ligados. O comentário defende que a União Europeia deve questionar “não se a China vai ceder, mas se consegue suportar o custo” da actual estratégia comercial, argumentando que tarifas e investigações não resolverão os problemas de competitividade europeus.
Hoje Macau China / Ásia MancheteVenezuela | Pequim envia ajuda de emergência de 100 milhões de yuan A China vai enviar ajuda material de emergência no valor de 100 milhões de yuan para a Venezuela, para apoiar as operações de socorro e reconstrução após os sismos da passada quarta-feira. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou em conferência de imprensa que os materiais serão enviados para o país sul-americano “o mais rapidamente possível”, acrescentando que se juntam à ajuda financeira directa já disponibilizada anteriormente. Guo indicou ainda que a China forneceu à Venezuela imagens de satélite das zonas afectadas para apoiar as operações de resposta ao desastre. Segundo o porta-voz, empresas chinesas presentes na Venezuela e associações da comunidade chinesa no país disponibilizaram também maquinaria de engenharia e material médico de primeira necessidade para as operações de socorro. Essas entidades organizaram igualmente equipas de salvamento que participam nas operações de busca e resgate, acrescentou. “A China está disposta a continuar a prestar mais apoio à Venezuela, de acordo com a evolução da situação no terreno e das necessidades decorrentes do desastre”, afirmou Guo.
João Santos Filipe Manchete SociedadeCazaquistão | Lawrence Ho discute investimento em novo projecto O magnata responsável pela concessionária Melco e o Governo do país da Ásia Central abordaram a possibilidade de cooperarem na construção da cidade de Alatau, o novo projecto do Cazaquistão inspirado no modelo de Singapura, Dubai e Shenzhen O presidente da concessionária de jogo Melco Resorts & Entertainment foi recebido pelo primeiro-ministro do Cazaquistão, Oljas Bektenov, para discutir uma eventual cooperação em infra-estruturas turísticas na cidade de Alatau. A informação foi divulgada pelo Governo do país da Ásia Central. “Durante a reunião, foram discutidas as perspectivas de cooperação no desenvolvimento das infra-estruturas turísticas do Cazaquistão, bem como as oportunidades para os investidores participarem na execução de projectos na cidade de Alatau”, pode ler-se num comunicado do Executivo daquele país. A informação, de sexta-feira, não permite saber se está em cima da mesa a possibilidade da concessionária de jogo em Macau explorar casinos no país. Também não foi indicada a data da reunião. No entanto, o jogo é legal em algumas zonas do Cazaquistão, entre as quais Alatau. Segundo Oljas Bektenov, a partir de amanhã vai entrar em vigor a nova Constituição do Cazaquistão que prevê um regime jurídico especial para a cidade de Alatau. O Executivo pretende transformar esta zona num centro internacional de tecnologia, comércio e inovação para toda a Ásia Central. O projecto é inspirado em modelos como os adoptados em Singapura, Dubai e Shenzhen e visa aliviar a concentração e pressão sobre a cidade de Almaty, a zona urbana do Cazaquistão com maior número de habitantes. As duas zonas ficam a pouco mais de 30 quilómetros de distância. A esperança é que Alatau abranja uma área de 88 mil hectares e atraia mais de 2 milhões de habitantes até 2050. Captar investidores Oljas Bektenov defendeu ainda que a nova lei “prevê mecanismos transparentes de interacção com investidores”, “estabilidade de longo prazo nas condições” de investimento e “mecanismos modernos de protecção” de investidores. Segundo o comunicado cazaque, Lawrence Ho, presidente da Melco, demonstrou interesse em explorar projectos em conjunto na região e elogiou o potencial do Cazaquistão como um mercado turístico em crescimento na região. A mesma fonte indica ainda que duas partes têm a intenção de “aprofundar a cooperação e fazer avançar o desenvolvimento de infra-estruturas e instalações turísticas modernas” na cidade. O projecto de Alatau prevê uma separação por zonas, com a criação de quatro distritos com diferentes funções, nomeadamente nas áreas dos negócios, da medicina, da logística e do turismo. A parceria com a Melco pode acontecer no chamado Distrito Verde, onde o jogo é legal e que tem como função desenvolver o turismo cazaque. Além de explorar casinos em Macau, como o Studio City, City of Dreams e Altira, a Melco tem actualmente casinos no Chipre e nas Filipinas. A concessionária explora ainda um casino no Sri Lanka, em parceria com a John Keells Holdings.
João Santos Filipe Manchete SociedadePatrimónio | Pedida instalação de equipamentos de combate a incêndios O conselheiro Si Kun Hong pede também ao Governo para criar um arquivo digital sobre o património classificado, para permitir a reconstrução em caso de acidentes com impactos significativos O membro do Conselho do Património Cultural, Si Kun Hong, considera que o Governo deve promover a instalação de equipamentos de combate a incêndios dentro dos edifícios protegidos. A posição foi tomada em declarações ao jornal Ou Mun, depois de o Instituto Cultural (IC) ter confirmado que o incêndio da semana passada num edifício protegido na Avenida de Almeida Ribeiro não resultou em danos estruturais. Em declarações ao jornal Ou Mun, o também engenheiro avisou que existem várias complicações no combate a incêndios e nas respostas a emergências nos bairros antigos, devido à reduzida largura das vias que dificultam o acesso. Além disso, a situação exige maiores cuidados porque são zonas com uma elevada densidade populacional. O conselheiro considera assim que é necessário reforçar a capacidade de prevenção contra riscos, com a instalação de equipamentos mais modernos de deteção e combate automático, mas também a criação atempada de rotas de resgate. Para o engenheiro, o simples “combate” às chamas no local pelos bombeiros pode ser insuficiente para garantir a segurança de pessoas e estruturas. Por esta razão, Si Kun Hong defende que deve ser estabelecido um mecanismo conjunto de prevenção contra incêndios em bairros antigos, que envolva o Corpo de Bombeiros, mas também as Obras Públicas, o Instituto Cultural e a empresa responsável pela instalação da electricidade. Este mecanismo deveria ter como funções a realização de inspecções regulares, para identificar riscos e sugerir medidas para colmatar as falhas. Além de inspecções, Si Kun Hong sugeriu a realização de exercícios interdepartamentais que simulem situações de incêndios em bairros antigos, para assegurar que as vias de emergência são mantidas sem obstáculos. Corrigir à mão Por outro lado, o conselheiro defendeu que o Governo deve criar arquivos digitais sobre os edifícios protegidos, ao registar digitalmente a fachada, os elementos decorativos e as características espaciais. Este registo é tido como a “última linha de defesa para a preservação do património cultural” e será utilizado para permitir a reconstrução segundo o aspecto anterior, em caso de destruição Por seu turno, a vice-presidente da Associação dos Jovens de Povo, ligada à Aliança do Povo de Instituição de Macau, Ng Wan Hei, considerou que o incêndio da semana passada expôs um “ângulo morto” da fiscalização. Segundo a responsável, o IC não conseguiu inspecionar as tubagens de água e electricidade do edifício para reduzir os riscos de segurança, dado que o património é privado. Por isso, Ng apelou às autoridades para reforçarem a divulgação e persuasão para os proprietários dos imóveis classificados fazerem as inspecções a tubagens de água e electricidade.
João Santos Filipe Manchete PolíticaMundial | Lam Lon Wai quer combate intenso às apostas ilegais Os casos de jogo ilegal aumentaram em Macau mais de vinte vezes desde 2023. O deputado da FAOM pede mais atenção ao Campeonato Mundial de Futebol e avisa que pode levar a uma nova vaga de apostas ilegais O deputado Lam Lon Wai defendeu a necessidade das autoridades intensificarem o combate às apostas ilegais. O assunto foi abordado pelo legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), através de uma interpelação escrita, numa altura em que decorre o Campeonato Mundial de Futebol. Segundo Lam, nos “últimos anos” o número de casos de “jogo ilegal em Macau aumentou significativamente”, uma tendência que antevê que vai continuar a verificar-se “tendo em conta o eventual aumento das apostas clandestinas durante o Mundial de Futebol”. Devido a estes receios, Lam Lon Wai pede às autoridades para reforçarem “a cooperação policial transfronteiriça, a partilha de informações e a utilização de meios tecnológicos de investigação”. O objectivo passa por “aumentar a eficácia da prevenção e do combate às apostas clandestinas online e aos crimes com ele relacionados”, que muitas vezes implicam diferentes jurisdições. O deputado considera ainda que só combater o crime não chega, e elogia o Governo pelas “campanhas nos bairros comunitários, palestras em escolas e educação sobre prevenção criminal” sobre este tipo de crimes. No entanto, o legislador acredita que é possível fazer mais e pede que o Executivo, em cooperação com as associações desportivas, escolas, organizações juvenis e concessionárias de jogo, aposte mais na prevenção. O deputado da FAOM sugere a realização de actividades como “simulacro de casos”, “acções de divulgação jurídica sobre o Mundial de Futebol ou outros grandes eventos desportivos” e “educação sobre a cibersegurança” com os mais jovens. Apostas ilegais a aumentar Lam Lon Wai cita dados oficiais que mostram que os casos de jogo ilegal têm subido desde 2023: “Segundo dados divulgados pela área da Segurança, em 2023 registaram-se apenas 28 casos de jogo ilegal em Macau, número que, em 2024, aumentou para 137, portanto, um aumento anual de 389,3 por cento; e, em 2025, para 570, mais 316,1 por cento em comparação com o ano de 2024”, é apontado. “Os dados dos últimos anos revelam que o jogo ilegal continua a merecer uma elevada atenção da sociedade”, vincou. O legislador pede também mais atenção aos eventos desportivos, por levarem a um pico de apostas ilegais. “No passado, quando se realizavam jogos de futebol de grande envergadura, nas regiões vizinhas, registava-se sempre um aumento notório de actividades de jogo ilegal, o que demonstra que muitas vezes os grandes eventos desportivos acabam por constituir períodos de pico para as apostas clandestinas”, justificou. Além de envolver problemas de segurança pública, isto também gera facilmente uma cadeia de riscos para, entre outros, a usura, fraudes, branqueamento de capitais e problemas familiares”, considerou.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaPlano director | Macau terá 37 quilómetros quadrados até 2040 Começou ontem a consulta pública da primeira alteração ao Plano Director da RAEM. No documento de consulta lê-se que Macau terá, até 2040, uma área total de 37 quilómetros quadrados, que vai incluir 18 áreas de planeamento Macau terá, até 2040, uma área total de 37 quilómetros quadrados, enquanto que o Plano Director da RAEM irá abranger, por essa altura, uma área de 36,96 quilómetros quadrados, tendo em conta o desenvolvimento da Zona D dos Novos Aterros, a expansão do Aeroporto Internacional de Macau e a construção de mais zonas de aterro na área costeira. Estes dados constam no documento de consulta pública sobre a primeira alteração ao Plano Director da RAEM, que começou ontem e que decorre até ao dia 27 de Agosto. Ontem realizou-se uma sessão de esclarecimento destinada a deputados, dirigentes públicos e imprensa, onde o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, declarou que a nova proposta de Plano Director “incide, essencialmente, sobre duas vertentes”. São elas as alterações feitas em articulação com projectos de grande envergadura que estão a ser planeados, como a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, o Parque Ciên-Tec de Macau e o Hub (Porto) de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas. O secretário falou ainda “das alterações decorrentes de outras actualizações face aos diplomas legais e regulamentares”, bem como “projectos e estudos publicados nos últimos anos”. Novos arranjos Além de serem propostas 18 zonas de planeamento como divisão territorial, a nova proposta do Plano Director traz novas classificações: as áreas terrestres e marítimas que ficam a sudeste do Posto Fronteiriço de Gongbei, em Zhuhai, passam a pertencer à Unidade Operativa de Planeamento e Gestão (UOPG) Norte-2. Actualmente não pertencem a nenhuma zona. Por sua vez, a área do Posto Fronteiriço da parte de Macau do Posto Fronteiriço de Hengqin, bem como as áreas adjacentes, ficam integradas na chamada “Zona do Cotai”. Enquanto isso, a Zona A dos Novos Aterros Urbanos e a Zona de Administração de Macau na Ilha Fronteiriça Artificial da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau vão ser divididas nas UOPG Este-2 e Este-3. Por sua vez, o Parque Industrial da Concórdia passa a integrar a UOPG de Coloane. Outra alteração prevista é na Zona C dos Novos Aterros Urbanos, actualmente com a classificação de zona habitacional e comercial, e que passa a ser zona de equipamentos de utilização colectiva. Já o terreno na Avenida Wai Long, pensado primeiro para acolher habitação pública, será agora reclassificado como zona industrial, integrando o futuro Parque Ciên-Tec de Macau. Raymond Tam declarou que as alterações agora propostas ao Plano Director da RAEM pretendem “aperfeiçoar a estrutura física urbana e ajustar a finalidade dos solos”, com o objectivo de avançar para a diversificação das indústrias e promover o “desenvolvimento inovador e a interligação regional”. A ideia é que Macau se possa articular “com as estratégias de desenvolvimento nacional, aproveitando melhor o posicionamento e as suas vantagens singulares”, além de elevar “a sua competitividade global”, destacou o secretário.