Macau celebra o Dia Nacional com fogo de artifício e museus abertos

Macau vai amanhã comemorar com pompa e circunstância o 77º aniversário do Dia Nacional com um conjunto de cerimónias oficiais, espectáculos do fogo de artifício, actividades desportivas e de lazer para residentes e turistas.

O momento mais aguardado do dia está guardado para a noite, com a apresentação das equipas da China e da Tailândia no 34º Concurso Internacional de Fogo de Artifício de Macau, que irá iluminar os céus da cidade. As duas sessões, com 18 minutos cada, estão marcadas para as 21h e as 21h40. O concurso prossegue no próximo domingo, com as exibições das Filipinas e do Reino Unido.

Em jeito de antecipação, o passeio ribeirinho do Centro de Ciência de Macau será transformado num espaço que vai congregar gastronomia, jogos e espectáculos para animar residentes e turistas entre amanhã e domingo, das 17h30 às 22h30.

Porém, o rol de actividades começa cedo, a partir das 08h na Praça Flor de Lótus, com a cerimónia solene do içar das bandeiras. O evento será presidido pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, contando com a presença de representantes do Gabinete de Ligação do Governo Central, do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Guarnição do Exército de Libertação Popular em Macau, bem como de órgãos legislativos e judiciais e titulares dos principais cargos da RAEM.

De seguida, a partir das 09h30, realiza-se a recepção oficial no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Portas abertas

A seguir ao içar das bandeiras, na Praça Flor de Lótus, começa uma prova de atletismo, também para assinalar o Dia Mundial da Marcha.

A vertente cultural e educativa ganha igualmente destaque com o Museu do Grande Prémio de Macau, o Museu de Macau e o Centro de Exibições do Centro de Ciência de Macau a abrirem portas amanhã gratuitamente. O Museu das Comunicações e a Base da Educação do Amor pela Pátria e por Macau para Jovens estarão igualmente abertos ao público ao longo do dia.

A par disso, o bairro da Taipa Velha e a Rua de Nossa Senhora do Amparo serão transformados em zonas pedonais temporárias, entre amanhã e o dia 6, das 12h às 19h.

30 Set 2026

Semana Dourada | Esperadas 5,4 milhões de passagens fronteiriças

As autoridades apontam ao próximo fim-de-semana como o período em que mais pessoas devem visitar Macau, altura em que haverá fogo-de-artifício e ainda espectáculos de drones

 

As autoridades de Macau indicaram ontem esperar que 5,4 milhões de pessoas atravessem os postos de controlo fronteiriço do território durante a semana de férias do Dia Nacional da China. Os feriados do Dia Nacional, a chamada “Semana Dourada”, decorrem entre amanhã e 7 de Outubro no Interior da China.

“Espera-se um total de 5,2 a 5,4 milhões de pessoas a atravessar a fronteira em todos os postos de Macau, numa média de 740 mil a 770 mil por dia”, afirmou Lei Tak Fai, chefe da Divisão de Relações Públicas do Corpo da Polícia de Segurança Pública (CPSP), durante uma conferência de imprensa.

O período de maior afluência deverá ocorrer no fim-de-semana de 3 a 4 de Outubro, “quando a média diária poderá ultrapassar as 800 mil visitas”. De acordo com a última estimativa do Governo local, a população total residente na RAEM era de 686.600 pessoas.

O CPSP acrescentou que vai implementar medidas de controlo de multidões nos locais turísticos sempre que necessário, em função do número de visitantes, e que vai “manter contacto próximo” com Zhuhai e com Hong Kong para partilhar actualizações em tempo real sobre afluência e condições de trânsito, “permitindo prever o número de visitantes e planear medidas de contingência com antecedência”.

Festa grande

Além disso, os espectáculos de fogo de artifício na Torre de Macau, de amanhã a 4 de Outubro, “que deverão atrair grandes multidões”, levarão a polícia a reforçar o controlo de trânsito na área circundante. Tam Si Weng, chefe substituta da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), afirmou no mesmo evento que, após o espectáculo de fogo de artifício de 4 de Outubro, haverá espectáculos de drones, e que “vários eventos de destaque serão realizados em diversas comunidades” durante o feriado.

“A DST mantém comunicação com as autoridades de turismo relevantes da China continental e divulga informações sobre o turismo em Macau durante o feriado do Dia Nacional aos visitantes e ao sector”, acrescentou.

As Semanas Douradas são usadas como indicador da actividade económica da China, que procura impulsionar o consumo e os serviços como motores da procura interna, que ainda não recuperou totalmente desde a pandemia.
Na Semana Dourada anterior, os cinco dias de feriados do Dia do Trabalhador no Interior da China, perto de 3,8 milhões de pessoas atravessaram os postos de controlo fronteiriços de Macau, uma média de 762.526 travessias diárias, e o território recebeu quase 873 mil de visitantes.

30 Set 2026

Jogo | Alerta para impacto de controlo de investimentos no Interior

A CreditSights acredita que a fiscalização de Pequim a investimentos no exterior pode sentir-se em Macau. Os analistas alertam para a possível redução de grandes apostadores, sem prejuízo de dificuldades em mobilizar capitais

A política de fiscalização no Interior da China a investimentos feitos no exterior pode ser um novo obstáculo à expansão das receitas do jogo. O cenário foi traçado pela empresa de investigação de mercado e crédito CreditSights Inc, num relatório citado pelo portal GGRAsia.

Segundo o documento elaborado pelos analistas Nicholas Chen e David Bussey, a fiscalização mais apertada deverá ter como “efeito secundário” a menor vontade de os grandes apostadores se deslocarem a Macau para jogar.

Desde 24 de Julho que as autoridades centrais impuseram um imposto sobre os activos colocados por residentes fiscais singulares chineses em fundos offshore e sobre os rendimentos gerados por esses activos.

Na perspectiva da CreditSights Inc, não se deve esperar um efeito directo desta política ligado a uma maior dificuldade em mobilizar o dinheiro do Interior para Macau, porque “os canais de financiamento do jogo em Macau já estão sujeitos a controlos rigorosos”.

Apesar desta abordagem, os analistas colocam a hipótese do controlo já ter “pesado no sentimento dos apostadores” em Agosto. Nesse mês, as receitas brutas do jogo apresentaram uma redução anual de 1,2 por cento para 21,89 mil milhões de patacas, de acordo com a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos. Os números ficaram abaixo do consenso dos mercados que apontava para um crescimento anual das receitas de 1 por cento.

Ajuda dos concertos

Apesar de apontarem os riscos negativos para o sector, os analistas da CreditSights acreditam que a procura pelo jogo pode encontrar um alicerce na segunda metade do ano, com a realização de espectáculos musicais para grandes audiências.

Nicholas Chen e David Bussey apontam que os espectáculos da banda ITZY, Donghae, Henry Lau e i-dle podem trazer mais jogadores ao território. No relatório, a empresa de crédito indica que apesar do eventual impacto indirecto, as receitas devem atingir as previsões do orçamento da RAEM, que estima um total de 236 mil milhões de patacas. No documento é indicado que 72 por cento deste valor foi acumulado até Agosto.

Os analistas apontaram ainda que até Agosto o número de visitantes cresceu 6 por cento em termos anuais e que houve um novo recorde nesse mês, com Macau a receber cerca de 4,5 milhões de pessoas, registo acima dos números pré-pandemia. Contudo, o número de visitantes estrangeiros e provenientes de Hong Kong e Taiwan registou uma queda em Agosto.

Todavia, os autores do relatório alertam que a chegada de mais visitantes não significa que o volume das receitas do jogo aumente, porque muitos dos turistas nem sequer frequentam as mesas de jogo.

30 Set 2026

Estacionamento | Definidos pagamentos máximos em cinco parques

A partir de Novembro, o modelo de cobrança do estacionamento por períodos de meia-hora será alargado a mais 16 parques públicos. Já o preço dos passes mensais vai aumentar 10 por cento

 

O Governo anunciou que, a partir de Novembro, vai limitar o pagamento diário máximo e em certos períodos de horas em cinco parques de estacionamento público. De acordo com o comunicado de ontem da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), os parques afectados pela medida são: Pak Lok, da Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, Pak Kai, do Jardim de Iao Hon e do Jardim das Artes.

Com as alterações, nos parques Pak Lok, da Alameda Dr. Carlos d’Assumpção e Pak Kai, o estacionamento de automóveis ligeiros entre as 20h e as 08h do dia seguinte nunca vai custar mais de 24 patacas. No caso do parque de estacionamento Pak Lok, o estacionamento durante 24 horas para motociclos e ciclomotores fica ainda limitado a um máximo de 10 patacas.

Em relação aos parques de estacionamento Jardim de Iao Hon e do Jardim das Artes as mudanças anunciadas pela DSAT destinam-se exclusivamente a motociclos e ciclomotores. No parque do Jardim de Iao Hon, a tarifa máxima diurna fica limitada a 12 patacas. Esta encontra-se em vigor entre as 08h e as 20h. Em ambos os parques a tarifa máxima nocturna fica com um tecto máximo de seis patacas, e aplica-se entre as 20h e as 08h do dia seguinte.

As alterações foram justificadas com o objectivo de “incentivar os condutores a fazer bom uso dos parques de estacionamento público e a aumentar a eficiência global da utilização dos recursos de estacionamento”.

Períodos de meia hora

Além da implementação de tectos máximos de tarifas em certos horários, a DSAT revelou que 16 parques de estacionamento público vão adoptar o modelo de cobrança dos bilhetes simples por períodos de meia hora. Nestes locais haverá também ajustes nos passes mensais.

“Estas medidas visam optimizar, em diferentes vertentes, a gestão dos parques de estacionamento público e assegurar uma utilização mais racional dos recursos de estacionamento público”, justificou a DSAT.

Os parques que vão passar a adoptar o pagamento por períodos de meia hora são Pak Wai, Pak Vai, Pak Leng, Pak Lai, Pak Kong, Pak Keng, do Jardim de Vasco da Gama, Pak Lek, Pak Tou, da ETAR, da Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, do Jardim de Iao Hon, Pak Wu, Pak Kai, Pak Lok e do Jardim das Artes.

A esperança da DSAT é que nestes lugares haja mais rotatividade dos veículos estacionados. Dependendo da classe dos veículos e do estacionamento acontecer no período diurno ou nocturno, o preço por meia-hora varia entre 50 avos e cinco patacas.

Também nos parques indicados vão aumento os preços dos passes mensais em 10 por cento que, dependendo do tipo de veículos, passam a custar entre 450 e 3.300 patacas. O aumento foi explicado com o facto de o preço destes passes se manter inalterado “há mais de 10 anos” e tendo em conta a comparação com os preços praticados no mercado privado.

30 Set 2026

Coutinho pede que análise de preços inclua Zhuhai

O deputado Pereira Coutinho interpelou o Governo quanto à necessidade de alterar o modelo de análise e comparação de preços porque a maioria das famílias faz compras em Zhuhai, aproveitando os preços mais baixos do outro lado da fronteira.

Na interpelação escrita, intitulada “Alargamento geográfico do leque de fiscalização dos preços dos bens essenciais”, Coutinho pede ao Conselho de Consumidores (CC) que a plataforma online de comparação do custo de mais de 600 produtos em 100 supermercados locais, inclua também Zhuhai.

“Com o aprofundamento da integração entre Macau e a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, e com a constante melhoria contínua das condições de travessia fronteiriça, é hoje uma prática comum para milhares de famílias – desde as que se deslocam a pé às que, de classe média, utilizam viatura própria – que adquirem bens alimentares e produtos em Zhuhai.”

Coutinho recorda a “inauguração de enormes centros comerciais com vasto e moderno parque de estacionamento situados no posto fronteiriço de Gongbei”, bem perto de Macau, e que disponibilizam “uma vasta gama de produtos a preços significativamente mais baixos, frequentemente 30 a 50 por cento inferiores aos praticados em Macau”.

Uma questão de utilidade

O deputado entende, tendo em conta a mudança no consumo, que o formato levado a cabo pelo CC para analisar os preços se tornou “anacrónico e desprovido de utilidade prática para o cidadão comum”.

“Impõe-se, assim, que o Governo de Macau reflicta sobre o verdadeiro papel do CC nesta era de mobilidade rumo ao [conceito] de ‘sem fronteiras’, questionando se o esforço público não deveria ser redirecionado para uma comparação de preços que seja do interesse dos consumidores de Macau, ou seja, a comparação directa entre os preços praticados em Macau e os praticados em Zhuhai (e em Hengqin)”, lê-se na interpelação.

Pereira Coutinho questiona ainda se o Executivo pondera “reavaliar a continuidade da actual investigação de preços”, que é “meramente local e bastante restritiva”. O deputado sugere mesmo “a suspensão ou reformulação desse serviço para afectar recursos humanos e orçamentais a áreas de fiscalização que protejam o consumidor face à concorrência directa com a oferta do exterior da RAEM”.

30 Set 2026

Air Macau | Song Pek Kei pede mecanismo de compensação

A deputada exige um mecanismo para obrigar a empresa detida pela estatal Air China a compensar os clientes afectados pelos constantes cancelamentos de voos

 

A deputada Song Pek Kei pretende que o Governo estabeleça um mecanismo para obrigar a Air Macau a efectivamente compensar os passageiros pelos danos causados pelos frequentes cancelamentos de voos. O assunto consta de uma interpelação escrita da legisladora depois da onda de cancelamentos e atrasos da empresa explorada pela companhia estatal Air China.

No documento, Song aponta que, nos últimos tempos, a Air Macau cancelou mais de 600 voos e que esta estratégia perturbou os planos de viagem dos residentes e turistas.

A deputada criticou igualmente a companhia aérea devido a uma estratégia de cancelamento em que se limita a devolver o dinheiro pago pelos clientes pelas viagens. Segundo Song, a companhia recusa-se a cobrir as perdas económicas relacionadas com dormidas em hotéis ou com bilhetes para eventos a que os clientes da Air Macau faltam devido aos cancelamentos e atrasos dos voos.

Além disso, a deputada considera ainda que o mecanismo de aviso aos passageiros sobre os cancelamentos e atrasos também não está a funcionar. Song considera que as disputas económicas que surgem desta forma de actuar da empresa podem prejudicar a imagem turística de Macau.

Actualmente, a RAEM é a segunda maior accionista da companhia aérea, com uma participação social de cerca de 24 por cento e dois representantes no Conselho de Administração da companhia aérea. Além da nomeação de dois dirigentes pelo Chefe do Executivo, o Governo escolhe igualmente o presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM), entidade reguladora da aviação, através do secretário para os Transportes e Obras Públicas.

Nova mentalidade

Tendo em conta o cenário traçado, a legisladora pretende que o Governo explique como vai rever o actual mecanismo de supervisão para obrigar o sector da aviação a melhorar a qualidade dos serviços, promover o desenvolvimento de Macau e defender o interesse público.

Neste sentido, a deputada quer que o Governo elabore novas normas para as companhias aéreas que adoptem os padrões internacionais de compensação, ao contrário do que acontece actualmente. Segundo Song Pek Kei é também necessário definir as obrigações das companhias de aviação quanto à antecedência com que comunicam os atrasos e cancelamentos dos voos.

Além disso, no documento, a deputada mostra-se preocupada com as obras de expansão da pista do Aeroporto Internacional de Macau que arrancam no final de Outubro. O horário disponível para voos vai ser reduzido e Song defende que é necessário que as autoridades garantam que a situação não vai aumentar ainda mais os voos cancelados.

30 Set 2026

Crime | Aluno ataca colega de turma com uma faca

O ataque terá sido motivado por uma rivalidade relacionada com videojogos e a vítima não corre perigo de vida. Esta é a segunda agressão grave numa escola local desde o início do ano lectivo

 

Um aluno esfaqueou um colega de turma devido a uma discussão relacionada com um videojogo. O caso aconteceu na quinta-feira, por volta do meio-dia, numa escola da zona norte da península, mas apenas foi tornado público pela Polícia Judiciária (PJ) na sexta-feira.

Segundo a versão das autoridades, a vítima sofreu ferimentos ligeiros na cara e teve de receber assistência hospitalar. Os ferimentos não foram considerados graves e o jovem não corre risco de vida. A agressão terá sido motivada pelo que as autoridades descreveram como uma “rivalidade anterior” relacionada com videojogos.

Os problemas entre os dois alunos terão começado este mês, na sequência de uma conversa sobre estratégias do jogo. O diálogo terá levado a que a vítima começasse a troçar do agressor, o que gerou um mal-estar entre os dois que nunca foi ultrapassado.

Na quinta-feira passada, por volta do meio-dia, a vítima terá dado um encontrão acidental na cadeira do agressor. No entanto, a situação levou a uma troca de argumentos e insultos que escalou para agressões físicas. Durante a altercação, o agressor tirou da mala uma faca borboleta com uma lâmina de 11 centímetros e golpeou a vítima no rosto, causando igualmente ferimentos no pescoço.

A situação terminou rapidamente devido à intervenção de colegas e de docentes, com as autoridades a serem chamadas à escola.

Ofensa à integridade física

Segundo a PJ, após o ataque, o agressor e a família foram encaminhados para o Ministério Público (MP), que vai assumir a investigação do caso. O jovem, que é menor, está indiciado pelos ilícitos de ofensa à integridade física simples e posse ilegal de arma.

No primeiro interrogatório, o aluno afirmou ter comprado a faca na internet com o objectivo de aprender a manusear este tipo de arma branca. Nesse dia, terá estado a fazer exercícios com a faca, mas esqueceu-se de deixar a arma em casa. O jovem admitiu também ter cometido a agressão.

Esta é a segunda vez que as autoridades são chamadas a intervir numa escola de Macau devido a agressões, desde o início do ano lectivo, no início de Setembro. Logo no primeiro dia do ano lectivo, um aluno de 18 anos atacou uma professora com um líquido corrosivo. A docente sofreu queimaduras químicas graves na cara. Na origem desta disputa terá estado um diferendo antigo entre a professora e o aluno.

Na sexta-feira, a PJ apelou aos jovens para que evitem conflitos e nunca recorrerem à violência. As autoridades pediram também ao alunos que, em caso de bullying, procurem ajuda nas instituições de ensino e que não se remetam ao silêncio.

29 Set 2026

Taxa de desemprego global subiu para 2%

A taxa de desemprego subiu para dois por cento entre Junho e Agosto face ao período anterior, um aumento explicado pelos recém-licenciados em busca do primeiro emprego. Residentes representam quase 20 por cento dos desempregados

 

A taxa de desemprego global em Macau subiu para 2 por cento entre Junho e Agosto em relação ao período anterior, com as autoridades do território a atribuir o aumento à entrada de recém-formados no mercado de trabalho.
De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, a taxa de desemprego subiu 0,1 pontos percentuais com a subida atribuída ao número de desempregados à procura do primeiro emprego. A taxa de desemprego na cidade tem estado em subida desde Março, quando atingiu os 1,6 por cento.

O número de residentes à procura do primeiro emprego representava 18,9 por cento do total, correspondendo a um aumento de 6,7 pontos percentuais face ao período precedente.

Entretanto, a taxa de desemprego para residentes de Macau fixou-se em 2,5 por cento, com o número de residentes desempregados a atingir 7.500 pessoas, sendo que a maioria dos que procuravam novo trabalho tinha exercido funções nos ramos das lotarias e outros jogos de aposta e do comércio por grosso e a retalho.

Vamos por partes

No que respeita à distribuição dos residentes empregados (286,4 milhares no total), a maior fatia concentra-se nas actividades culturais e recreativas, lotarias e outros serviços com 25 por cento, seguida pelo comércio por grosso e a retalho com 12,4 por cento, administração pública e segurança social com 11 por cento, e hotéis, restaurantes e similares com 10,6 por cento.

A taxa de subemprego dos residentes recuou para 2 por cento, menos 0,2 pontos percentuais, afectando 5.900 pessoas nesta situação, sobretudo nos ramos dos serviços prestados às empresas e da construção.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, o subemprego ocorre quando as condições de emprego de uma pessoa são inadequadas ou insuficientes em comparação com outra situação de trabalho que ela poderia e gostaria de exercer. Segundo estimativas preliminares, a mão-de-obra total era de cerca de 495.700 pessoas, menos 100 face ao período anterior.

29 Set 2026

Pastéis de nata | “Bakehouse”, em Hong Kong, lidera ranking da Bloomberg

A agência de notícias Bloomberg resolveu avaliar os melhores pastéis de nata da região e a verdade é que Hong Kong fica à frente de Macau. Segundo a agência, a “Bakehouse” lidera o ranking, com uma pontuação de oito em dez, enquanto que a “Lord Stow’s”, em Coloane, fica em terceiro lugar, com 7,35 pontos. Por sua vez, a Manteigaria, marca portuguesa que acaba de chegar ao Oriente, obteve da 7,5 pontos.

O ranking, publicado no passado dia 17 de Setembro, inclui ainda as pastelarias Hong Kong Hashtag B, com 6,6 pontos; o local Margaret’s Café e Nata, que obteve 6,2 pontos; e ainda a Macau Bamu, com 6,1 pontos. Não faltou ainda a avaliação aos pastéis de nata da KFC, que obtiveram 6,65 pontos, ou a marca londrina Santa Nata, com 5,1 pontos.

O ranking foi elaborado pela jornalista Tara Mulholland, que descreveu os pastéis de nata da “Bakehouse”, que faz cerca de 30 mil por dia, como tendo um “sabor intenso, ligeiramente torrado, e uma textura firme”, além de apresentarem uma “crosta em forma de chávena de chá a envolver um recheio característico de crème brûlée”.

No que diz respeito à Lord Stow’s, fundada por Andrew Stow em Macau em 1989, foi referido que os pastéis de nata têm um “equilíbrio entre o sabor a manteiga e o sabor a ovo”, mas não reuniu consenso por parte do júri relativamente ao sabor e texturas.

29 Set 2026

Semana Dourada | Previstos 150 mil visitantes diários

Com a Semana Dourada a começar na quinta-feira, a directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, espera que o volume diário de visitantes atinja os 150 mil. Segundo o jornal Ou Mun, a responsável apontou que os preparativos para as actividades comemorativas já estão em curso.

Quanto à eficácia no encaminhamento de visitantes para os bairros comunitários, Helena de Senna Fernandes salientou que é necessário mais tempo para consolidar a atractividade turística dessas zonas.

Por seu turno, o presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau, Cheung Kin Chung, prevê que a taxa de ocupação hoteleira possa ultrapassar os 90 por cento durante o período festivo. O responsável indicou que, actualmente, o ritmo de reservas é ideal, registando-se no ZAPE uma taxa de cerca de 80 por cento, valor que deverá subir nos próximos dias. Cheung Kin Chung prevê ainda que a média diária de visitantes possa superar a marca de 143 mil registada no ano passado.

29 Set 2026

Função pública | Quase 15% dos trabalhadores podem reformar-se até 2029

A revelação foi feita pela directora dos Serviços de Administração e Função Pública em resposta a uma interpelação do deputado Chan Hao Weng. Apesar das saídas, Leong defende que contratações vão ser bem equacionadas

 

Quase 15 por cento dos funcionários públicos poderão reformar-se nos próximos três anos, disse a responsável pela Função Pública, que sublinhou, ainda assim, que “a situação da estrutura dos recursos humanos é normal”. A directora dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) disse que 7,2 por cento dos trabalhadores “reunirão os requisitos legais para efeitos de aposentação, como a idade e o tempo limite de contribuição” até 2029.

Além disso, mais 7,5 por cento dos funcionários públicos irão atingir nos próximos três anos um período de contribuição de 25 anos, uma condição essencial para poder solicitar a reforma, acrescentou Leong Weng In.

No entanto, numa resposta escrita a questões do deputado Chan Hao Weng, Leong sublinhou que “é difícil prever com precisão as situações de aposentação”, porque o pedido de aposentação “depende da vontade do próprio trabalhador”.

Chan Hao Weng foi eleito em Setembro de 2025, numa lista liderada pelo português José Pereira Coutinho, presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. A directora dos SAFP defendeu que “a situação da estrutura dos recursos humanos é normal” e referiu que mais de 70 por cento dos trabalhadores públicos, cerca de 23.900, “são jovens adultos com idade igual ou inferior a 50 anos”.

Contratações a pensar

Leong Weng In sublinhou ainda que a contratação de pessoal “não consiste em preencher simplesmente as vagas de acordo com o número de trabalhadores aposentados”. A dirigente disse que o processo pondera factores como “as necessidades reais de funcionamento, de ajustamento de competências, de optimização de procedimentos [e] de digitalização de serviços prestados”.

Ainda assim, Leong revelou que deverá ser realizado, “antes do final do ano”, um concurso de avaliação de “competências integradas” de licenciatura, cujos resultados permitem aos residentes concorrer a cargos na Função Pública.

“Os serviços interessados no recrutamento realizarão os concursos de avaliação de competências profissionais ou funcionais, de forma ordenada, em conformidade com as suas próprias necessidades”, acrescentou a dirigente.
Actualmente, Macau conta com cerca de 34 mil funcionários públicos, tendo havido uma redução de cerca de quatro mil funcionários desde o pico registado em 2020, quando esse número superava os 38 mil, disse o líder do Governo, Sam Hou Fai, em Junho.

As estatísticas oficiais não revelam quantos trabalhadores da função pública têm nacionalidade portuguesa, mencionando apenas que 226 nasceram em Portugal.

29 Set 2026

Terminal Marítimo | TUI absolve grupo CSI de pagar multa

O Tribunal de Última Instância (TUI) revogou a aplicação de uma multa de 60 mil patacas imposta pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas ao Grupo CSI, no âmbito do contrato de gestão e exploração dos espaços comerciais do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa.

A decisão foi divulgada pelos tribunais na sexta-feira e termina um diferendo que se prolongava desde 2023. Em causa está o facto de a empresa, no período pós-covid-19, não ter conseguido preencher as obrigações sobre o número mínimo de negócios a funcionar dentro do terminal, depois de o período especial de isenção relacionado com a pandemia ter chegado ao fim.

Segundo o entendimento dos juízes do TUI, o secretário aplicou a multa máximas permitida, mas devia ter aplicado uma penalização “com base no grau de lesão do interesse público, maximizando a reparação dos danos sofridos”. A penalização foi revogada por ser considerada excessiva face à infracção.

29 Set 2026

Segurança | Macau adopta saudações do Exército de Libertação

A RAEM segue o exemplo de Hong Kong e, a partir de amanhã, as continências e as marchas das forças de segurança passam a seguir o modelo do Exército de Libertação do Povo Chinês. O Governo opta assim por eliminar a tradição portuguesa

 

A partir de amanhã as continências e honras das forças de segurança passam a adoptar as formas do Exército de Libertação do Povo Chinês, acabando com as influências de matriz portuguesa. A nova política foi anunciada na sexta-feira passada, numa conferência de imprensa, e foi justificada com a “soberania nacional”.

Segundo Wong Sio Chak, porta-voz do Conselho Executivo e secretário para a Administração e Justiça, a adopção dos padrões do Interior tem “o objectivo de dar continuidade ao aprofundamento e à implementação da educação do amor pela pátria e por Macau” e “demonstrar melhor a soberania nacional e o espírito da nação”.

A mudança é feita através da alteração de um regulamento administrativo e aplica-se ao Corpo de Polícia de Segurança Pública, ao Corpo de Bombeiros, aos Serviços de Alfândega e ao Corpo de Guardas Prisionais, assim como aos formandos que frequentam cursos de formação para ingressar nestas instituições.

Com a alteração anunciada na sexta-feira, Macau segue o exemplo de Hong Kong, que em 2022 se afastou dos padrões britânicos de continências e honras e passou a seguir o modelo do Exército de Libertação do Povo Chinês. Na região vizinha, a alteração aconteceu no dia do 25º aniversário da transferência de soberania.

Trabalhos antigos

Na conferência de imprensa, Wong Sio Chak admitiu ainda que a revisão das saudações e da forma de marcha tinha começado em 2020. No entanto, devido à pandemia da covid-19 as autoridades optaram por suspender a revisão.

Por sua vez, Wong Chi Fai, director da Escola Superior das Forças de Segurança de Macau, que esteve igualmente presente na conferência de imprensa, considerou que se vive o “momento mais adequado” para adoptar os padrões chineses. “Achamos que este momento é o momento mais adequado, por isso procedemos a esta mudança que serve para concretizar a educação de amor à pátria e por Macau e, também, para demonstrar a soberania nacional e o espírito da nação”, disse. “Estamos preparados e é esta a altura mais útil para procedermos ao lançamento desta mudança”, completou.

Apesar da preparação, Wong Chi Fai admitiu que haverá algumas pessoas que ainda precisam de mais tempo para treinar, dado que se vive uma “fase de transição” entre os dois modelos.

29 Set 2026

Visita | Xi Jinping diz que China e EUA devem ser “parceiros, e não rivais”

O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu ontem que China e Estados Unidos devem ser “parceiros, e não rivais” e apelou à cooperação entre as duas potências, na véspera das aguardadas conversações com o homólogo norte-americano, Donald Trump.

“Os nossos dois países devem ser parceiros, e não rivais”, afirmou Xi, numa mensagem divulgada pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua, acrescentando que “os povos chinês e norte-americano mantêm há muito intercâmbios amistosos e os nossos interesses estão estreitamente ligados”.

As declarações surgem na véspera das aguardadas conversações entre os líderes da China e dos Estados Unidos, que trocaram um aperto de mão à chegada de Xi Jinping a Washington. As discussões deverão abordar o comércio, a concorrência tecnológica – em particular no domínio da inteligência artificial – e o apoio de Pequim ao Irão.

O Presidente chinês afirmou também estar “ansioso por manter conversações aprofundadas com o Presidente Trump sobre as principais questões relativas às nossas relações bilaterais e à situação mundial”, segundo a Xinhua.

Os dois países devem “trabalhar em conjunto para promover uma relação estável, tendo a cooperação como principal pilar, a concorrência dentro de limites razoáveis, divergências controláveis e perspectivas pacíficas”, afirmou Xi.

Numa referência ao lema de Donald Trump, o líder chinês acrescentou que “o grande rejuvenescimento da nação chinesa e o objectivo de tornar a América novamente grande podem perfeitamente avançar lado a lado”.

“Acredito que, com os esforços conjuntos, esta visita produzirá resultados frutíferos, melhorará o bem-estar dos nossos dois povos e trará uma nova esperança para a paz mundial”, acrescentou.

IA na agenda

Também ontem, a China confirmou que manteve com os Estados Unidos o primeiro diálogo sobre inteligência artificial (IA) no âmbito do mecanismo de consultas económicas e comerciais entre os dois países.

O porta-voz do ministério do Comércio chinês, He Yadong, afirmou, em conferência de imprensa, que as equipas económicas e comerciais dos dois países realizaram recentemente nos Estados Unidos a oitava ronda de consultas bilaterais.

Segundo He, as duas partes mantiveram uma troca de opiniões “franca, aprofundada e construtiva” sobre questões económicas e comerciais de interesse comum e alcançaram “vários consensos”, sob a orientação dos entendimentos alcançados pelos Presidentes dos dois países, Xi Jinping e Donald Trump.

O porta-voz acrescentou que, no âmbito do mesmo mecanismo de consultas, China e Estados Unidos mantiveram “o primeiro diálogo” sobre inteligência artificial, uma questão que tem ganho peso na agenda bilateral devido à rivalidade tecnológica entre as duas potências e aos debates sobre a segurança dos modelos avançados.

He não forneceu, no entanto, detalhes sobre o conteúdo das conversações nem esclareceu se foram abordados mecanismos de notificação ou gestão de incidentes relacionados com a IA, uma possibilidade discutida em contactos anteriores entre as duas partes.

O responsável referia-se aos encontros mantidos nos últimos dias nos Estados Unidos entre o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

25 Set 2026

MGM Resorts | Multimilionário retira oferta para adquirir empresa

Barry Diller retirou a proposta para adquirir a gigante americana por considerar que as negociações não seguiram o rumo desejado. O negócio que teria implicações MGM China, concessionária do jogo no território, estava avaliado em 18 mil milhões de dólares americanos

O grupo People Incorporated, do multimilionário Barry Diller, retirou a proposta para adquirir o controlo total da MGM Resorts International. O anúncio foi feito na manhã de ontem, e fez com que as acções da empresa-mãe da concessionária MGM China caíssem 8 por cento.

“Não sentimos que as coisas estivessem a caminhar na direcção que esperávamos e, por isso, tivemos de decidir deixar de tentar tornar a companhia privada, por agora”, afirmou Barry Diller, através de um comunicado citado pela agência Reuters.

Em Junho deste ano, o grupo People Incorporated apresentou uma proposta de cerca de 18 mil milhões de dólares americanos para comprar a totalidade da empresa americana. Se a proposta tivesse sido bem-sucedida, a MGM iria deixar de estar cotada na Bolsa de Nova Iorque.

Apesar da compra falhada, o grupo do empresário americano continua a manter 26,1 por cento do capital social daquela que é uma das principais empresas do jogo nos Estados Unidos. “O que permanece inabalável é a nossa crença no futuro da MGM Resorts. Continuamos a deter 66,8 milhões de acções, o que representa aproximadamente 27 por cento da MGM Resorts, e temos total confiança tanto na gestão como nas perspectivas da empresa”, destacou o empresário.

O negócio era relevante para Macau porque a MGM Resorts International é a principal accionista da MGM China, uma das seis concessionárias do jogo no território, e que conta igualmente com a empresária Pansy Ho como uma das principais accionista.

Apesar deste desfecho, no comunicado divulgado ontem, Barry Diller admitiu “continuar interessado na possibilidade de uma transacção estratégica” da MGM e mostrou abertura para futuras parcerias.

Confiança no futuro

Face ao colapso das negociações, Paul Salem, presidente do Conselho de Administração da MGM Resorts, considerou que a direcção da empresa está entusiasmada com as condições actuais.

“O Conselho de Administração continua entusiasmado com a ideia de continuar a liderar a MGM Resorts como uma empresa independente. A nossa posição de liderança em Las Vegas, as nossas propriedades regionais de referência e o contínuo dinamismo da BetMGM destacam o valor que oferecemos aos nossos accionistas”, afirmou Salem.

O responsável vincou ainda a importância dos investimentos em Macau e no Japão, onde a empresa deverá abrir um novo casino, em Osaka, em 2030. “O nosso portfólio internacional da MGM China e a oportunidade significativa que se avizinha com o MGM Osaka sustentam um caminho claro para o aumento do valor para os accionistas”, destacou o responsável.

25 Set 2026

Prostituição | Rede desmantelada com 77 suspeitos detidos

As autoridades de Macau e Guangdong detiveram 47 pessoas numa investigação a uma rede de prostituição que desde Março facturou cerca de 5,3 milhões de dólares de Hong Kong. Além de Macau, a polícia deteve membros da rede em Zhuhai, Guangzhou, Shenzhen, Foshan e Zhongshan

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou ontem a detenção de 47 suspeitos de operarem uma rede de prostituição transfronteiriça que trazia mulheres para Macau, ao abrigo de uma operação conjunta com as forças policiais de Guangdong. As detenções aconteceram em Macau e nalgumas das principais cidades da Grande Baía: Guangzhou, Zhuhai, Shenzhen, Foshan e Zhongshan.

Segundo as informações divulgadas ontem pela PJ, é pressuposto que o grupo criminoso estivesse em actividade há, pelo menos, meio ano, período durante o qual apurou um montante total estimado em cerca de 5,3 milhões de dólares de Hong Kong. As autoridades chegaram a este valor calculando os preços médios de “transacções” entre 1.000 e 2.500 dólares de Hong Kong.

Além dos 47 detidos dos dois lados da fronteira, as autoridades interceptaram 15 prostitutas no Cotai e na Taipa, enquanto no Interior da China foram interceptadas outras 15 prostitutas que trabalhavam na rede. Importa referir que a prostituição não é criminalizada em ambas as jurisdições, mas a exploração e organização é crime, ou seja, as prostitutas não serão alvo de processos crime.

Em Macau, os 16 detidos foram entregues ao Ministério Público por suspeitas dos crimes de exploração de prostituição (punido com pena de prisão de um a três anos), e associação criminosa (punido com pena de prisão de três a 10 anos).

Online e offline

As autoridades acrescentaram que existem possibilidades de haver ainda suspeitos a monte e que a investigação irá continuar.

Entre os detidos, destaque para a cabecilha, uma mulher de 39 anos do Interior da China que a polícia acredita liderar o grupo. Yi terá criado e gerido grupos de conversação em redes sociais, onde as operações entre proxenetas e prostitutas eram combinadas.

Para entrar na rede de prostituição que operava em Macau, onde as mulheres conseguiam inflacionar o preço, as mulheres tinham de pagar uma quota. O histórico de conversações nestes grupos era regularmente apagado.

O grupo contava ainda com a contribuição de proxenetas, que angariavam clientes nas imediações de hotéis, e informavam a líder do grupo que atribuía uma prostituta disponível e próxima.

Para controlar as patrulhas policiais e assegurar que a rede operava com tranquilidade, um segurança de origem nepalesa que trabalhava no hotel informava o grupo da proximidade das autoridades. O segurança foi um dos detidos em Macau.

Em termos de distribuição dos “rendimentos”, a prostituta ficava com 1.000 dólares de Hong Kong por cada “sessão”, sendo o restante dinheiro dividido pela organização.

25 Set 2026

Air Macau | Leong Sun Iok pede investigação a cancelamentos

O deputado ligado à FAOM compreende que a subida do preço dos combustíveis cria desafios à empresa de aviação e alguns cancelamentos de voos. No entanto, nega que a tendência de cancelamentos seja comum a nível mundial e avisa que a política da transportadora prejudica a imagem de Macau

O deputado Leong Sun Iok apelou às autoridades para investigarem a onda de cancelamentos e atrasos nos voos operados pela Air Macau. A posição foi tomada em declarações ao jornal Ou Mun, numa altura em que a companhia aérea está a ser cada vez mais criticada.

O legislador ligado aos Operários considerou que, se a situação actual for mantida, a imagem de Macau como centro mundial de turismo e lazer corre um sério risco de ser afectada. Segundo Leong, a reputação dos destinos turísticos está intimamente ligada à qualidade da rede de transporte aéreo, e maus transportes afastam turistas e criam uma percepção negativa.

No mesmo sentido, se os voos não forem realizados com regularidade e segurança, o deputado considera que se estão a criar mais obstáculos à estratégia de explorar o mercado dos visitantes internacionais e de longa distância.

Leong Sun Iok indicou ainda que a situação actual vai fazer com que cada vez menos residentes recorram aos serviços da Air Macau, que no ano passado apresentou um prejuízo de 765 milhões de patacas, um recorde negativo.

Além de defender a investigação à empresa, o membro da Assembleia Legislativa argumentou que as autoridades devem coordenar-se com a companhia aérea para encontrarem uma solução que permita colocar um fim aos cancelamentos e atrasos frequentes.

Ao mesmo tempo, Leong pretende a melhoria das políticas de resposta aos cancelamentos, para minimizar ao máximo o impacto para os passageiros afectados e assegurar os seus direitos. Sobre este aspecto, o deputado apelou ao Governo para garantir a existência de compensações apropriadas.

Mau exemplo

Na quarta-feira, o presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM), Pun Wa Kin, veio defender a Air Macau e considerar que a política de cancelamentos é uma tendência mundial, face ao aumento do preço dos combustíveis.

No entanto, Leong Sun Iok apresentou uma visão diferente. O legislador concorda que a Air Macau e a aviação estão a sofrer com o preço dos combustíveis e com o aumento dos custos de exploração das empresas.

Contudo, o deputado apontou que a nível mundial a taxa de cancelamentos está longe de ser comparável à da Air Macau, onde o número de voos que ficam em terra é mais elevado.

Nas declarações ao jornal Ou Mun, Leong Sun Iok recordou que desde Fevereiro deste ano entrou em vigor a nova lei da actividade de aviação civil que, entre os diferentes objectivos, pretendia terminar com o monopólio da Air Macau e dar uma nova dinâmica ao mercado local. O deputado considera que o diploma está a contribuir para uma “abertura progressiva do mercado”, mas espera que o Executivo seja mais activo.

Envolvimento da RAEM

A postura da Air Macau e os pedidos de investigação podem deixar o Executivo numa posição complicada, além de colocarem em xeque a empresa-estatal Air China.

Actualmente, a RAEM é a segunda maior accionista da companhia aérea, com uma participação social de cerca de 24 por cento e dois representantes no Conselho de Administração da empresa. Ainda em Junho deste ano, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, nomeou O Hoi Fan como membro no Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Air Macau para os próximos três anos. No mesmo despacho, publicado no Boletim Oficial, também Pun Keng Sang foi escolhido para o Conselho de Administração da Air Macau por um período de três anos.

Se, por um lado, o Governo, através do Chefe do Executivo, nomeia parte dos dirigentes da empresa, por outro, o Governo, desta feita através do secretário para os Transportes e Obras Públicas, nomeia o presidente da AACM, que regula o sector da aviação civil.

Além disso, uma eventual investigação vai incidir sobre as opções de uma empresa que é controlada pela companhia estatal Air China, a maior accionista da Air Macau com uma participação de quase 75 por cento.

25 Set 2026

UE | Assembleia Legislativa rejeita “comentários infundados”

O órgão liderado por André Cheong acusou a União Europeia de interferência nos assuntos internos da China e manifestou “forte desagrado” com relatório sobre liberdades e eleições em Macau

A Assembleia Legislativa (AL), mencionada num relatório da União Europeia (UE) sobre a evolução política e económica no território, rejeitou ontem os “comentários infundados” e manifestou “forte desagrado” com a interferência nos assuntos internos chineses.

O documento da UE, divulgado na terça-feira, “teceu comentários infundados” sobre assuntos de Macau, “tais como as eleições para a 8.ª Assembleia Legislativa”, referiu o parlamento num comunicado que expressa ainda “firme oposição” à análise europeia.

A AL considerou ainda que as eleições legislativas se realizaram “com sucesso, em conformidade com a lei e num ambiente justo, imparcial e íntegro”. O mesmo órgão apontou que a comissão dos assuntos eleitorais “tomou a decisão de que alguns candidatos não preenchiam os requisitos de elegibilidade, no exercício das competências que lhe são atribuídas pela Lei Eleitoral, concretizando o princípio ‘Macau governado por patriotas'”.

O órgão liderado por André Cheong apontou também que os direitos dos residentes de Macau, “incluindo o direito de eleger e de ser eleito”, estão “plenamente salvaguardados” pela legislação local.

O parlamento instou ainda o bloco europeu a respeitar os princípios do direito internacional e as normas fundamentais das relações internacionais, além de “cessar a interferência nos assuntos internos da China e nos assuntos da RAEM, e a promover o desenvolvimento estável e saudável das relações entre ambas as partes com acções concretas”.

Origem da resposta

No relatório, a UE considerou que, em Macau, 2025 “foi marcado por uma maior erosão dos direitos e liberdades fundamentais que deveriam estar protegidos até, pelo menos, 2049”, conforme a Declaração Conjunta Sino-Portuguesa.

Nas legislativas de 2025 – prossegue-se no relatório – a Comissão de Assuntos Eleitorais desqualificou 12 candidatos por não defenderem a Lei Básica e não prestarem fidelidade à Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). Nestas eleições, apenas 14 dos 33 deputados são eleitos por sufrágio directo.

O documento destacou também a primeira detenção ao abrigo da lei de segurança nacional do ex-deputado Au Kam San, além do encerramento do jornal independente All About Macau devido a pressões.

A reacção da Assembleia Legislativa surge depois de o relatório da UE ter causado posições idênticas do Governo de Macau e do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) em Macau, divulgadas na quarta-feira.

Também o Executivo de Sam Hou Fai instou a UE “a respeitar os princípios do direito internacional e as normas fundamentais das relações internacionais, e a cessar a publicação repetida anualmente do dito relatório”.

O líder do Executivo avisou ainda a UE para encarar “de forma objectiva e racional os enormes êxitos alcançados por Macau sob o princípio ‘um país, dois sistemas’”, e promover “o desenvolvimento saudável das relações bilaterais”.

Por sua vez, o MNE afirmou que: “Uma mentira repetida mil vezes continua a ser uma mentira. Os assuntos de Macau são assuntos puramente internos da China e não admitem qualquer interferência de forças externas”. Os representantes do Governo Central também exortaram a UE a “reconhecer factos, a corrigir a sua posição e a cessar imediatamente a manipulação política que se repete ano após ano.”

25 Set 2026

Economia | Crescimento do PIB chinês deverá abrandar em 2026 e 2027

O “OECD Economic Outlook” descreve cenários de “resiliência” perante a escalada de preços devido à guerra no Irão, prevendo moderação do crescimento do PIB da China na ordem dos 4,5 por cento este ano, e ainda de 4,2 por cento em 2027

O nome do relatório não deixa margem para dúvidas: “Weathering Successive Shocks”, em português “Resistir a Choques Sucessivos” chama a atenção para os tempos difíceis que se vivem na economia global. O relatório em causa é o “OECD Economic Outolook”, produzido pelo secretariado-geral da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico]. O documento foi tornado público na quarta-feira.

Há vários sinais de alerta para o leitor, desde logo pela análise do crescimento económico mais moderado, da existência de maiores dependências face à evolução do conflito do Médio Oriente e preços mais elevados nos bens essenciais, sempre dentro de um cenário de muitas incertezas e imprevisibilidades.

Falando em “moderação do crescimento mundial” da economia no primeiro semestre deste ano, a OCDE prevê o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês até 4,5 por cento este ano, bem como 4,2 por cento em 2027.

“Prevê-se que o crescimento económico nas economias de mercado emergentes do G20 se mantenha globalmente estável, embora o padrão de crescimento varie entre os países. Na China, prevê-se que o crescimento abrande ainda mais, passando de 5 por cento em 2025 para 4,5 por cento em 2026 e 4,2 por cento em 2027”, lê-se.

Em termos globais, acredita-se que o crescimento do PIB a nível mundial seja de 2,9 por cento este ano, ficando ligeiramente abaixo da previsão para 2027, que é de 3 por cento. Para os Estados Unidos da América, a OCDE estima um crescimento do PIB na ordem dos 2,2 por cento este ano, e de 2,1 por cento em 2027. Tal crescimento será pautado “por um forte investimento relacionado com a IA [Inteligência Artificial]”, que irá “compensar parcialmente o abrandamento da despesa dos consumidores e do crescimento do rendimento real”.

Na Zona Euro o crescimento do PIB será inferior, na ordem de 1 por cento este ano, percentagem que deverá ser semelhante em 2027.

A OCDE refere que, em termos globais, a “maior pressão sobre os preços, um crescimento fraco do rendimento real e taxas de juro mais elevadas” vão dominar as economias. Estes factores vão trazer, nos próximos meses, um cenário de “moderação” ao “dinamismo do crescimento a curto prazo em muitas economias”.

O estado da inflação

Os preços deverão continuar mais elevados, mas não sempre. A OCDE prevê que “a inflação aumente a curto prazo, reflectindo a subida dos preços das matérias-primas, antes de diminuir gradualmente em 2027”. A quebra gradual explica-se pela “moderação dos preços da energia e uma política monetária mais restritiva, e que contribuam para limitar as pressões mais gerais sobre os preços”.

Nos países que fazem parte do G20 estima-se que a inflação possa diminuir de 4,1 por cento este ano para 2,5 por cento em 2027. É referido um cenário de “resiliência” perante este crescimento económico mais moderado, apesar “dos efeitos adversos do conflito no Médio Oriente”.

A “resiliência” dos países deveu-se “às reservas consideráveis de petróleo, à oferta adicional proveniente de países exteriores às economias do Golfo e a medidas discricionárias de apoio adoptadas pelos governos”, e que “contribuíram para atenuar o impacto sobre a economia mundial”.

IA como força motriz

A OCDE destaca o papel que os investimentos na área da IA têm tido como força dinamizadora de muitas economias. “A continuação da forte actividade relacionada com a inteligência artificial (IA) também impulsionou o investimento, a produção e o comércio”, lê-se no relatório.

Aliás, é ainda referido no documento que “a robustez da actividade relacionada com a IA e a descida dos preços da energia (…) contribuirão para o reforço da actividade até 2027”.

É explicado que os efeitos do conflito no Médio Oriente “foram parcialmente compensados pela continuidade do rápido crescimento do investimento e da produção relacionados com a inteligência artificial em muitas economias”.

No continente asiático, “a Coreia e Japão, dois importantes fabricantes de semicondutores, registaram um forte aumento das exportações de tecnologia ao longo deste período”, sendo que “o mesmo aconteceu na China”.

Por sua vez, “o crescimento de várias outras economias de mercado emergentes do G20, como a Índia, Indonésia e Brasil, foi sustentado por uma procura interna resiliente e por políticas governamentais que atenuaram o impacto do aumento dos preços da energia sobre as famílias e as empresas”.

Muitas incertezas

Não obstante a capacidade de superação e até um ligeiro crescimento do PIB global em 2027, a OCDE deixa no ar um cenário de muitas incertezas. Isto porque “as perspectivas económicas mundiais continuam fortemente dependentes da possibilidade de se alcançar uma solução duradoura para o conflito no Médio Oriente”.

Lê-se que “os preços da energia voltaram recentemente a subir, num contexto de intensificação das perturbações na produção e nas exportações das economias do Golfo”.

“As elevadas margens de refinação, devido aos estrangulamentos na produção, estão a exercer uma pressão adicional em alta sobre os preços no consumidor e os custos das empresas. Os preços de algumas matérias-primas agrícolas também aumentaram significativamente nos últimos meses, em parte devido ao impacto de fenómenos meteorológicos extremos na oferta”, é ainda explicado.

As incertezas ocorrem também devido às “alterações contínuas nas políticas comerciais, tanto em matéria de tarifas como de restrições às exportações”. Tais cenários trazem também “perturbações na oferta”.

A OCDE realça ainda “as novas taxas tarifárias bilaterais dos EUA, em vigor desde Julho, tenham aumentado em cerca de 1 ponto percentual a taxa tarifária efectiva média dos Estados Unidos”.

Essencialmente, “a trajectória dos preços do petróleo e do gás depende fundamentalmente da duração das perturbações na oferta, da capacidade de produtores e consumidores para se ajustarem e da evolução geopolítica”.

Outro risco apontado no relatório tem a ver com as alterações climáticas, nomeadamente o fenómeno El Niño, “que afecta negativamente a produção agrícola e contribui para aumentar as pressões sobre os preços dos alimentos”.

Livro de receitas

A OCDE deixa algumas sugestões para travar a escalada de preços, referindo que “os bancos centrais devem assegurar que as expectativas de inflação permanecem bem ancoradas”. “Poderão ser necessários novos ajustes às políticas monetárias caso as pressões sobre os preços apresentem sinais de agravamento ou as perspectivas de crescimento se deteriorem significativamente”, acrescenta-se.

Do lado dos governos, a OCDE diz que as medidas para travar a inflação “devem ser bem direccionadas”, apostando-se nos “incentivos à redução do consumo energético e à diversificação das fontes de energia”.

Como tal, a organização internacional recomenda “reformas estruturais para aumentar o crescimento do produto potencial e reforçar a resiliência das economias perante novas perturbações do lado da oferta”. A recomendação inclui “medidas destinadas a diversificar ainda mais o fornecimento de energia e melhorar a eficiência energética”, bem como políticas “que reforcem a capacidade dos mercados de produtos e de trabalho para se ajustarem aos choques e garantam que os trabalhadores dispõem das competências necessárias para se adaptarem às mudanças estruturais”.

25 Set 2026

Encontro | Xi e Trump deverão procurar distensão para evitar nova guerra comercial

Segundo Jörg Wuttk, ex-presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China, o encontro entre Xi Jinping e Donald Trump em Washington deverá servir para baixar tarifas e facilitar o comércio entre as duas potências

A aguardada reunião entre os Presidentes da China e dos Estados Unidos deverá decorrer esta semana num clima de distensão, com ambos os líderes interessados em evitar o regresso a uma guerra comercial aberta, segundo o analista Jörg Wuttke.

“Haverá uma redução de tarifas em determinados sectores, facilidades para o comércio (…) e algum tipo de acordo sobre inteligência artificial [IA], que provavelmente será ‘falaremos sobre isto mais tarde'”, antecipou o sócio da consultora DGA-Albright Stonebridge, num encontro com jornalistas organizado em Xangai pela Câmara de Comércio da União Europeia (UE) na China.

Wuttke, com quase três décadas de experiência empresarial na China e que presidiu àquela câmara em três períodos distintos, afirmou que os Estados Unidos vão procurar mais compras das chamadas “três B” – carne de bovino (‘beef’), leguminosas (‘beans’) e aviões Boeing – e mais investimento. Neste último domínio, porém, vê “muito pouco apetite” por parte de Pequim, perante uma situação de “falta de confiança”.

O analista considerou certo que as duas partes vão prolongar a trégua comercial acordada no ano passado e que termina em 10 de Novembro, restando apenas saber por quanto tempo. “A China quer que seja até ao fim [do mandato] de Trump e os Estados Unidos querem seis meses”, afirmou. Em todo o caso, nem Pequim nem Washington “têm interesse em que isto lhes expluda na cara”, acrescentou.

Wuttke considerou que a cimeira poderá traduzir-se numa espécie de troca de concessões. “Xi aprecia que Trump esteja a travar legislação negativa para a China (…) e [os chineses] sabem que Trump precisa de algo concreto, sobretudo antes das eleições intercalares”, afirmou.

Petróleo e IA

Questionado sobre se Pequim tentará pressionar Washington relativamente à guerra com o Irão, devido ao impacto nos mercados energéticos, Wuttke citou uma fonte de alto nível na região do Golfo Pérsico, que resumiu a posição chinesa da seguinte forma: “Querem estabilidade, mas não responsabilidade”. “A China não gosta da guerra, claro. (…) Mas é um dos países menos afectados”, acrescentou.

O analista apontou as reservas de petróleo chinesas, suficientes para mais de 200 dias, o facto de o consumo ter atingido um pico há dois ou três anos, devido à aposta nos veículos eléctricos e nas energias renováveis, e a segurança do abastecimento de petróleo e gás através das ligações à Rússia e Ásia Central.

Sobre a IA, um dos mais recentes focos de tensão entre as duas potências, Wuttke considerou que Pequim vai concentrar-se no acesso a semicondutores avançados, face às restrições impostas por Washington. Quanto às vendas de armas norte-americanas a Taiwan, um dos tradicionais pontos de discórdia entre Pequim e Washington, Wuttke considerou que “Trump não tem intenção de romper os acordos” existentes.

Segundo Wuttke, o principal problema não será a assinatura de acordos de venda de armamento a Taipé, mas eventuais limitações no fornecimento, devido ao elevado consumo de munições na guerra com o Irão.

24 Set 2026

Semana dourada | Mais de 20 hotéis de luxo esgotados

Com a semana dourada à porta, 21 hotéis de luxo com casinos no resort estão esgotados para, pelo menos, cinco noites durante os feriados do Dia Nacional. Os quartos duplos ainda disponíveis estão com preços entre cerca de 4 mil e 15 mil patacas por noite

O início de Outubro em Macau é sinónimo de ruas cheias, fronteiras entupidas e lotação esgotada nos hotéis da cidade, e este ano não será excepção. Ontem, 21 dos 36 hotéis de luxo em resorts de concessionárias de jogo tinham, pelo menos, cinco noites completamente lotadas durante os feriados da semana dourada de Outubro.

O período de férias em questão foi estabelecido pelo Conselho de Estado para os dias entre 1 e 7 de Outubro, inclusive.

Segundo o portal GGAsia, até segunda-feira, nove das 36 unidades hoteleiras já não tinham quartos para todas as sete noites. Os resultados foram apurados através de buscas nos motores de reservas oficiais desses hotéis, a larga maioria no Cotai, com foco nos quartos standard para duas pessoas, apesar de alguns dos hotéis incluídos na pesquisa apenas disponibilizarem suites.

Entre as unidades hoteleiras que já não têm quartos para os sete dias de feriados contam-se o Grand Lisboa e os hotéis Karl Lagerfeld e Palazzo Versace Macau no Grand Lisboa Palace, todos propriedades da SJM Holdings Ltd.

No universo Galaxy Entertainment Group, estão completamente lotados o Hotel Okura Macau, The Ritz-Carlton e no empreendimento Galaxy Macau o Raffles e Capella. Quanto às propriedades da Sands China, o Paiza Lofts no The Parisian e o Paiza Grand no Londoner têm os sete dias esgotados.

No bom caminho

Entre os hotéis que têm, pelo menos, cinco das sete noites esgotadas, contam-se o hotel de marca própria Grand Lisboa Palace, o MGM Macau e M Tower, Emerald Tower e Skylofts no MGM Cotai, assim como o Wynn Macau e Wynn Palace, o Galaxy Hotel, Banyan Tree Macau e JW Marriott Hotel.

O Londoner Court e o The Grand Suites no Four Seasons, também só já têm quartos disponíveis para duas das sete noites da semana dourada de Outubro.

Em relação aos quartos que ainda estão disponíveis, a busca do GGAsia indica que a noite mais cara dos feriados é 4 de Outubro, um domingo. Os preços da pernoita variam entre pouco mais de 4.000 e cerca de 15.000 patacas, sem contar impostos e taxas de serviço.

Na recta final da semana dourada, nos dias 6 e 7 de Outubro, os preços dos quartos apresentam uma quebra de dois dígitos em relação ao mesmo período do ano passado.

24 Set 2026

Aviação | Pedidos para minimizar impacto de cancelamentos

O presidente da Autoridade de Aviação Civil (AACM), Pun Wa Kin, veio a público mostrar compreensão face ao cancelamento frequente de voos e defendeu que Macau tem cada vez mais ligações internacionais de longo curso

Face à vaga de cancelamentos de voos da Air Macau, que já começou a afectar as ligações previstas para a Semana Dourada, o presidente Autoridade de Aviação Civil (AACM), Pun Wa Kin, afirmou que a autoridade pediu às companhias de aviação para “minimizarem” o impacto dos cancelamentos. As declarações foram prestadas, ontem, ao canal chinês da Rádio Macau, à margem do programa matinal Fórum Macau.

Pun garantiu ainda que a AACM pediu às companhias de aviação para “assegurarem os direitos dos passageiros” afectados pelos cancelamentos, de acordo com as orientações emitidas anteriormente pela autoridade.

Nas declarações prestadas, o presidente da AACM defendeu a política de cancelamentos, que relacionou com o aumento dos combustíveis. “Desde Abril que houve uma subida muito grande dos preços dos combustíveis, o que afecta todas as companhias aéreas, dado que se trata de uma grande pressão em termos dos custos de exploração. Quanto mais sobem os preços, maiores os custos para as companhias áereas”, justificou Pun Wa Kin. “Observámos a situação dos voos cancelados e pedimos às companhias aéreas para assegurarem os direitos dos passageiros. O nosso desejo é que as companhias cancelem ou alterem o menor número de voos possível”, acrescentou.

Para continuar

Na terça-feira, a Air Macau divulgou através da Rádio Macau que vai continuar a cancelar voos. Com o anúncio, a companhia argumentou que a vaga de cancelamentos é “uma prática internacional comum” na aviação face ao aumento do custo do combustível, condições climatéricas adversas ou alterações do mercado.

Apesar desta posição, a Air Macau prometeu “envidar esforços” para ajustar os horários dos voos e avisar os passageiros com antecedência, de forma a evitar criar inconvenientes.

Segundo o Conselho de Consumidores, desde o início do ano até 10 de Setembro foram recebidas 39 queixas relacionadas com o cancelamento dos voos da Air Macau. O CC apelou também à companhia para ter em consideração as circunstâncias reais e as exigências dos consumidores, tomando “medidas de forma adequada”.

Mais ligações

Durante a participação no Fórum Macau, Pun Wa Kin ouviu vários residentes pedirem mais rotas aéreas para destinos na Europa ou na América do Norte. Face a estes pedidos, o responsável indicou que a Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau lançou um programa de estímulo para promover novas rotas de longa distância, através da isenção de tarifas cobradas aos voos e passageiros.

Pun considerou ainda que houve companhias aéreas que já lançaram voos de longa distância, com partida em Macau. Sobre estas ligações, o responsável explicou que há várias ligações para Taipé, onde os passageiros depois apanham voos para os Estados Unidos.

Em termos do transporte de cargas, Pun Wa Kin informou que actualmente a autoridade está a analisar o pedido de uma companhia aérea para estabelecer uma base de transporte de carga em Macau.

24 Set 2026

UE | Governo pede fim de análises aos direitos políticos da RAEM

Um relatório da União Europeia sobre direitos fundamentais em Macau foi criticado pelo Executivo, que manifestou “forte desagrado e firme oposição”. O Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros na RAEM frisou que “uma mentira repetida mil vezes continua a ser uma mentira”

O Governo da RAEM instou ontem a União Europeia (UE) “a respeitar os princípios do direito internacional e as normas fundamentais das relações internacionais, e a cessar a publicação repetida anualmente do dito relatório”, em relação ao documento da (UE) sobre a evolução política e económica de Macau e Hong Kong em 2025.

O Executivo de Sam Hou Fai voltou a indicar que o relatório constitui uma interferência nos assuntos internos da China e da RAEM, através de comentários infactuais sobre o desenvolvimento político e social, tecendo comentários sem fundamentos relativos às eleições para a 8.ª Assembleia Legislativa e a situação dos direitos humanos em Macau. Como tal, o Governo “manifesta o seu forte desagrado e firme oposição por tal ocorrência”.

O Governo acrescenta esperar que a UE “encare de forma objectiva e racional os enormes êxitos alcançados por Macau sob o princípio ‘um país, dois sistemas’”, e que promova “o desenvolvimento saudável das relações bilaterais”.

Em relação à acusação de erosão de direitos políticos e sociais, o Executivo refere que Macau tem procurado o “aperfeiçoamento contínuo do sistema democrático e garantia plena do bem-estar da população” e alcançado desenvolvimento económico estável, prosperidade e estabilidade social com resultados “notáveis”.

“O Governo da RAEM tem promovido continuamente o desenvolvimento da democracia e a consolidação do Estado de direito, garantindo aos residentes, de acordo com a lei, e de forma ampla, os seus direitos e liberdades de expressão, imprensa, reunião e outros, alcançando progressos abrangentes na área dos direitos humanos”, é acrescentado.

Minas e armadilhas

O relatório europeu alega que o foco na segurança nacional está a minar as liberdades fundamentais em Macau. “O ano de 2025 foi marcado por uma maior erosão dos direitos e liberdades fundamentais que deveriam estar protegidos até, pelo menos, 2049”, conforme a Declaração Conjunta Sino-Portuguesa.

A instituição europeia dá os exemplos da detenção do ex-deputado Au Kam San ao abrigo da lei relativa à defesa da segurança do Estado, o encerramento do jornal All About Macau e a desqualificação de mais de uma dezena de candidatos às eleições legislativas.

Também o Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) em Macau reagiu à publicação do relatório com “forte insatisfação e firme oposição”, por atacar de forma arbitrária o Estado de Direito e a situação dos direitos humanos em Macau”, interferindo “de forma flagrante nos assuntos internos da China”.

O organismo liderado por Bian Lixin salienta que “os residentes de Macau gozam de direitos e liberdades mais amplos do que em qualquer outro momento da história”, e que “vida pacífica e próspera da grande maioria dos residentes” é a prova “mais contundente da situação dos direitos humanos e das liberdades em Macau”.

“Uma mentira repetida mil vezes continua a ser uma mentira. Os assuntos de Macau são assuntos puramente internos da China e não admitem qualquer interferência de forças externas”, frisa o comissariado do MNE. Os representantes do Governo Central juntam-se ao Executivo de Sam Hou Fai a exortar a UE a “reconhecer factos, a corrigir a sua posição e a cessar imediatamente a manipulação política que se repete ano após ano.”

Importa referir que a realidade económica da RAEM também foi analisada no documento, desta vez de forma sem reparos, com a UE a realçar que o produto interno bruto de Macau aumentou 4,7 por cento em termos homólogos em 2025, atingindo 45,0 mil milhões de euros. Os números do relativos ao turismo também foram destacados no relatório.

24 Set 2026

Medicina chinesa | Sam destaca saúde para diversificar a economia

Sam Hou Fai sublinhou a importância do Laboratório de Referência do Estado para Mecanismo e Qualidade da Medicina Chinesa num encontro com o director da Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa

O Chefe do Executivo defende que a diversificação da economia através da saúde começa na Medicina Tradicional Chinesa (MTC). A posição foi tomada, na terça-feira, durante um encontro entre Sam Hou Fai e o subdirector da Comissão Nacional de Saúde e director da Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa, Liu Jinfeng.

Segundo o comunicado do Gabinete de Comunicação Social (GCS), Sam Hou Fai explicou ao dirigente do Interior que a estratégia de “diversificação económica adequada” e a “optimização activa da estrutura industrial” inclui a “promoção da indústria de big health tendo como ponto de partida a medicina tradicional chinesa”.

Como parte destes esforços, Sam Hou Fai destacou o Laboratório de Referência do Estado para Mecanismo e Qualidade da Medicina Chinesa e a criação do Centro de Transferência e de Transformação de Tecnologia das Instituições de Ensino Superior na área da Medicina Tradicional Chinesa e do Centro de Internacionalização da Indústria de Saúde e Medicina Tradicional Chinesa.

O líder do Governo vincou que os centros vieram “aumentar continuamente” a “capacidade de investigação científica”. “Este factor, em conjugação com as vantagens políticas locais, torna possível uma promoção eficaz da integração entre a indústria-universidade-investigação bem como a aplicação prática dos seus resultados”, realçou.

Sam afirmou que “as empresas de medicina tradicional chinesa do Interior da China podem aproveitar a plataforma de Macau como ponte para o mundo, promovendo os produtos de qualidade no mercado internacional”.

Novos resultados

Por sua vez, Liu Jinfeng elogiou Sam Hou Fai que indicou ter levado Macau a alcançar “novos resultados”. Liu confessou ainda que “a Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa acompanha com particular atenção o desenvolvimento do sector em Macau, garantindo o empenho contínuo na implementação de forma profunda dos importantes discursos do Presidente Xi Jinping sobre a construção de uma ‘China saudável’ e os trabalhos no sector da medicina tradicional chinesa”.

Liu Jinfeng garantiu ainda que as autoridades centrais vão continuar a “apoiar Macau na melhoria da qualidade e eficiência da indústria de big health e medicina tradicional chinesa”. O responsável apontou também que a construção do Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong-Macau é essencial nesta estratégia.

24 Set 2026