João Santos Filipe Manchete SociedadeIA | Associação admite substituição de trabalhadores A Associação Económica de Macau acredita que os trabalhadores não residentes vão ser os mais afectados pela implementação da inteligência artificial, mas reconhece que vai ficar mais complicado para os jovens de Macau entrarem no mercado de trabalho A Associação Económica de Macau admite que os recém-licenciados vão ter cada vez mais dificuldades em encontrar um emprego devido à implementação da inteligência artificial (IA), mas defende que a tendência não se verifica apenas em Macau. A posição consta de um artigo de opinião publicado no jornal Ou Mun pelo subchefe do Conselho de Jovens da associação, Leong Ka Hou. No artigo, o responsável explicou que os trabalhos caracterizados por uma elevada repetição de tarefas, processos padronizados e fácil adaptação da tecnologia vão ser os mais afectados pela substituição. Leong apontou que os exemplos fora da RAEM mostram que a adopção das novas tecnologias está a reduzir gradualmente os postos de trabalho que normalmente eram ocupados pelos mais jovens, quando iniciavam a carreira profissional. O responsável destacou os casos de Hong Kong e Singapura e afirmou que, nestas cidades, as vagas de emprego a tempo inteiro para profissionais em início de carreira continuam a diminuir. Leong Ka Hou argumentou ainda que face à expansão da inteligência artificial as empresas mostram-se mais cautelosas nas contratações. Macau melhor Apesar do cenário negativo, o subchefe do Conselho de Jovens da Associação Económica de Macau considera que o impacto em Macau vai ser sentido de forma mais gradual, do que nas outras jurisdições mais ligadas à indústria manufactureira. Leong Ka Hou argumentou que a economia de Macau se foca principalmente no sector dos serviços, no qual a maioria das posições depende do atendimento presencial e que dificilmente é substituída por máquinas. O membro da associação considera que a substituição dos trabalhadores até pode ter um efeito positivo em Macau, com a redução do conflito entre residentes e trabalhadores não residentes (TNR). Leong Ka Hou explicou este ponto de vista com o facto de os TNR ocuparem maioritariamente os trabalhos menos qualificados, pelo que serão os primeiros a ser afectados pelo fenómeno. Como os TNR são os mais afectados, Leong indica que a substituição é uma oportunidade para melhorar a estrutura dos recursos humanos de Macau. Apesar destas alterações, devido ao envelhecimento populacional, Leong Ka Hou considerou que a oferta de mão-de-obra em Macau é inerentemente insuficiente, pelo que sugere ao Governo a adopção de uma estratégia para a transformação da força de trabalho, com base nas tendências futuras de emprego e através da requalificação profissional dos residentes, de forma a prepará-los para os futuros empregos. Leong Ka Hou pediu ainda um mecanismo de formação em tecnologias de IA e a formação de quadros nas indústrias de saúde, finanças, tecnologias de ponta e desporto, cultura, exposições e convenções.
João Santos Filipe Manchete SociedadeEstudo | Mais de 60% das empresas inquiridas congelaram salários O Inquérito sobre Salários e Benefícios da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau de 2026 revela que metade das empresas inquiridas despediu trabalhadores, afectando 0,1 por cento dos postos de trabalho Cerca de 61 por cento das empresas do território participantes no Inquérito sobre Salários e Benefícios da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau de 2026 congelaram salários entre Julho de 2025 e Junho de 2026. O dado foi avançado pelo jornal Ou Mun, e representa 23 empresas num total de 38 participantes de Macau no inquérito. Tendo em conta todas as 38 empresas, o aumento salarial médio no território foi de 1,1 por cento. No entanto, quando são consideradas apenas as 15 empresas que efectivamente aumentaram ordenados, o incremento médio foi de 2,5 por cento. Os resultados apurados no inquérito realizado pela Hong Kong Baptist University, e que conta com a colaboração da Universidade de Macau, mostram ainda que os aumentos têm vindo a ficar mais pequenos. No ano transacto, entre Julho de 2024 e Junho de 2025, o aumento médio geral do salário nas empresas inquiridas tinha atingido 2,5 por cento, acima do valor mais recente. Porém, nem tudo são más notícias para os trabalhadores, os inquiridos estimam que em 2027 os aumentos médios atinjam 3,1 por cento. “As previsões de aumento salarial para 2027 recuperaram tanto em Hong Kong como Macau e nas cidades da província de Cantão. Isto reflecte o facto de, embora as empresas continuem a enfrentar desafios decorrentes do ambiente económico externo e pressões de custos, manterem a confiança no seu desenvolvimento futuro e na necessidade de quadros qualificados”, afirmou Ray Leung, presidente da Associação de Gestão de Talentos de Hong Kong e presidente da Comissão do Inquérito sobre Salários e Benefícios da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau de 2026. Importa realçar que todas as empresas de Macau inquiridas previram aumentar salários no próximo ano. Metade despediram Os dados citados pelo jornal Ou Mun mostram também que 19 das 38 empresas tiveram “funcionários que saíram de forma involuntária”. Este número significa que houve saídas forçadas de trabalhadores em metade (50 por cento) das empresas inquiridas. Em termos da dimensão dos despedimentos, o inquérito concluiu que envolveram 0,9 por cento do total de funcionários das empresas inquiridas. No capítulo das políticas de contratação, 14 empresas tinham vagas por preencher que equivalem a 1 por cento do total de funcionários, número que foi apontado como uma redução em comparação com o ano anterior. No período analisado, as empresas inquiridas revelaram taxas de rotatividade de pessoal entre 5,6 por cento e 7,3 por cento dos trabalhadores. Esta rotatividade inclui as pessoas forçadas a sair, mas também as que saem de forma voluntária. A principal razão indicada pelos trabalhadores que abandonaram as empresas de forma voluntária foi terem encontrado outros trabalhos com melhores oportunidades de promoção e desenvolvimento, seguida pela oferta de melhores condições salariais. A rotatividade aconteceu principalmente ao nível dos trabalhadores dos quadros médios, chefias e trabalhadores especializados.
João Luz Manchete PolíticaDádiva de sangue | Coutinho pede eliminação de burocracias Pereira Coutinho quer que a recolha de sangue nas universidades e nos serviços públicos seja simplificada. O deputado argumenta que os trabalhadores da Função Pública e professores universitários seriam suficientes para assegurar as reservas de sangue do território As reservas de sangue de Macau poderiam ser asseguradas pela solidariedade e mobilização de trabalhadores da Função Pública e estudantes do ensino superior. Para tal, basta criar condições e eliminar obstáculos administrativos e burocracia, considera Pereira Coutinho, numa interpelação escrita divulgada ontem. Para fazer face à importância da dádiva de sangue e à constante escassez de reservas nos Serviços de Saúde, o Governo devia olhar para os trabalhadores da função pública, incluindo pessoal docente do ensino superior, que ultrapassam as 35.000 pessoas. “Trata-se, portanto, de um universo com dimensão suficiente e razoável, para que, se devidamente mobilizado, possa produzir um impacto significativo e estável nas reservas de sangue do território”, conclui. Porém, é preciso criar condições para tal. O deputado salienta que o Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau (ETAPM) prevê que o trabalhador que pretenda dar sangue deve obter autorização prévia do dirigente do serviço. Contudo, Pereira Coutinho refere ter recebido testemunhos que dão conta que os pedidos esbarram em chefias que inviabilizam as dádivas. O controlo prévio pelas chefias é, na óptica do deputado, redundante, uma vez que a lei já exige a apresentação de documento comprovativo emitido pelo Centro de Transfusões de Sangue para justificar a ausência ao serviço no dia da dádiva. Assim sendo, o deputado pede a eliminação da autorização para doar sangue. “Uma função pública com mais de 35.000 trabalhadores não pode perder dadores potenciais por causa de um procedimento que a lei não exige na sua essência e que a prática transformou num filtro arbitrário”, reforça o deputado. Novas veias Na interpelação divulgada ontem, Pereira Coutinho destaca que a percentagem de dadores com menos de 24 anos caiu de 53 por cento em 2016 para cerca de 19 por cento em 2025. Tendência que pode ser invertida com a aposta na recolha de sangue nas universidades, públicas e privadas, que concentram precisamente essa faixa etária. O deputado indica que embora sejam organizadas campanhas pontuais em algumas instituições, não existe um calendário permanente e vinculativo de recolha. Neste ponto, indica que o Governo deveria instruir o Centro de Transfusões de Sangue para firmar protocolos com universidades públicas e privadas para estabelecer calendários fixos de recolha. Além disso, Coutinho refere que o Governo deveria aproveitar os serviços com maior concentração de trabalhadores, como as forças de segurança e o Instituto para os Assuntos Municipais para receber equipas móveis de colheita, tendo em conta a experiência do Centro de Transfusões de Sangue em montar postos temporários para doar sangue.
Hoje Macau Manchete PolíticaLAG | Sam Hou Fai apresenta políticas para 2027 a 16 de Novembro O Chefe do Executivo vai apresentar, às 15h do próximo dia 16 de Novembro, na Assembleia Legislativa (AL) o relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o ano de 2027. Após a apresentação aos deputados, Sam Hou Fai vai para a Sede do Governo para, às 17h30, responder às perguntas da comunicação social. No dia seguinte, novamente pelas 15h, Sam Hou Fai regressa à AL para responder às perguntas dos deputados sobre o relatório das LAG 2027. Os debates sectoriais vão ocupar a agenda política de Macau entre 20 e 30 de Novembro. A primeira tutela a apresentar o programa para o próximo ano será a área da Administração e Justiça, com Wong Sio Chak a ir à AL no dia 20 de Novembro. Três dias depois, numa segunda-feira, será a vez de Dora Ng Wai Han expor as LAG da tutela da Economia e Finanças, seguindo-se da pasta dos Segurança, a cargo do secretário Chan Tsz King no dia 25 de Novembro. No dia 27 de Novembro, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, irá apresentar as LAG da sua tutela. Por último, a pasta dos Transportes e Obras Públicas, cargo de Raymond Tam, anunciará as suas políticas para o próximo ano no dia 30 de Novembro.
João Luz Manchete PolíticaPlano Director | Alterações com “aceitação geral” em consulta pública A consulta pública às alterações ao Plano Director da RAEM terminou com “o apoio generalizado da sociedade”, reflectido em mais de 4.000 opiniões e sugestões. Foram também expressas preocupações quanto a eventuais impactos de grandes projectos no ambiente e na vida dos residentes O Governo publicou ontem o relatório de análise de opiniões apresentadas na consulta pública sobre as alterações aos Plano Director da RAEM. O documento indica que as opiniões expressas reflectem “o apoio generalizado da sociedade” às alterações. Recorde-se que as alterações ao Plano Director da RAEM (2020-2040) prevêm o crescimento da população para cerca de 783 mil habitantes até 2040, quase mais 100 mil pessoas face ao fim de 2025 (688.900). Também a área global da cidade irá crescer para 36,96 quilómetros quadrados até 2040 devido à Zona D dos Novos Aterros Urbanos, assim como à ampliação do aeroporto e aos aterros adjacentes às zonas costeiras. A alteração consagra também no planeamento urbanístico da cidade os grandes empreendimentos públicos, como a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, o Parque Ciên-Tec de Macau e o Hub (Porto) de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas. Durante a consulta pública, que decorreu entre 29 de Junho e 27 de Agosto, foram recolhidas 4.091 opiniões e sugestões, das quais 19 não se referiam ao Plano Director, mas a temas como serviços de transporte de passageiros, organização da rede de rotas aéreas ou políticas de bem-estar para os idosos. Das restantes 4.072 opiniões, entre as declarações recolhidas “predomina a concordância (42,9 a 73,8 por cento), “reflectindo uma aceitação geral do referido projecto por parte da sociedade”. Apesar da “aceitação geral”, “foi igualmente manifestada preocupação quanto aos eventuais impactos dos projectos de grandes empreendimentos públicos na capacidade de carga dos transportes, na oferta de equipamentos de utilização colectiva, no ambiente, nos ecossistemas e na vida dos residentes”, é indicado. Maiores discussões Os temas que originaram maior debate foram o ajuste das orientações de desenvolvimento das finalidades dos solos, que originaram 822 opiniões e sugestões, das quais 73,2 por cento reflectiram concordância com as alterações à área de intervenção da linha costeira e do “Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau”. Os ajustes motivados pela localização da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau e do Parque Ciên-Tec de Macau também receberam aprovação. O seguinte item que gerou mais discussão foi relativo aos grandes empreendimentos, gerando 791 intervenções, 62,5 por cento delas em sinal de aprovação. Apesar disso, também suscitou algumas preocupações, nomeadamente quanto à construção de infra-estruturas culturais na Zona A, e na possível redução da oferta de habitação e de espaços públicos. Em relação às projecções demográficas, os principais motivos de apreensão são “a baixa natalidade, o envelhecimento da população e a redução da população activa”. As sugestões apontadas são a adopção de “uma política demográfica mais proactiva”. Sobre o pólo de agregação de quadros qualificados internacionais de elevada qualidade, um dos capítulos onde a aprovação e neutralidade quase foram iguais (42,9 e 39,4 por cento, respectivamente), as preocupações prenderam-se com “o emprego local, a saída de quadros qualificados e a dependência excessiva de recursos humanos qualificados provenientes do exterior”.
Hoje Macau Grande Plano MancheteChina-Brasil | Reeleição de Lula da Silva ajuda aproximação a Pequim Lula da Silva venceu Flávio Bolsonaro na segunda volta das eleições presidenciais do Brasil com 51,76 por cento dos votos, prometendo o melhor mandato da história do país. Vários analistas chineses acreditam que a vitória vai ajudar as relações comerciais e políticas com a China A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva como Presidente do Brasil consolida a aproximação política e económica entre Brasília e Pequim, uma parceria que uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia ter enfraquecido, segundo analistas chineses. Lula conquistou aquele que será o seu quarto mandato ao vencer, no domingo, a segunda volta das eleições presidenciais com 51,76 por cento dos votos, contra 48,24 por cento de Flávio Bolsonaro, filho do antigo Presidente Jair Bolsonaro, segundo os resultados oficiais, após a contagem de 99,81 por cento dos votos. A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009. O comércio bilateral atingiu, em 2025, um valor recorde de 171 mil milhões de dólares, um aumento de 8,2 por cento, enquanto o Brasil foi o principal destino mundial do investimento chinês nesse ano, com 6,1 mil milhões de dólares, uma subida de 45 por cento. A possibilidade de alternância política no Brasil tinha despertado interesse entre analistas chineses, que destacaram as diferenças entre a aposta de Lula numa política externa diversificada e a aproximação aos Estados Unidos defendida pelo seu adversário. Numa análise publicada no jornal China Youth Daily, Li Bing, investigador da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que a continuidade de Lula da Silva permitiria “promover a cooperação pragmática em múltiplas áreas entre a China e o Brasil”, bem como a participação activa do país sul-americano no bloco de economias emergentes BRICS, grupo do qual ambos são membros fundadores. Segundo Li, a vitória de Flávio Bolsonaro poderia ter reduzido a importância política da relação com a China, ao dar maior prioridade a Washington, embora considerasse “improvável” tanto uma saída do Brasil dos BRICS como uma ruptura dos laços comerciais entre as duas economias. Zhang Jieyu, analista do Instituto Chinês de Estudos Internacionais, afirmou, em declarações à imprensa local, que uma chegada da direita brasileira ao poder poderia transformar “completamente o panorama geopolítico da América Latina”. Zhang ressalvou, contudo, que não se verificaria “uma ruptura drástica” nas relações entre a China e o Brasil, que manteriam “alguma solidez” mesmo em caso de vitória de Bolsonaro. Outros analistas apresentaram avaliações mais cautelosas. Xu Tianqi, da Universidade Renmin, afirmou ao portal chinês Guancha que o peso do comércio e do investimento tornava difícil que um eventual Governo de Bolsonaro abandonasse os BRICS, apesar das posições defendidas por alguns sectores do seu círculo político. A reacção de Pequim A China felicitou ontem Lula da Silva pela reeleição, tendo manifestado disponibilidade para continuar a trabalhar com o Brasil na construção de uma “comunidade de futuro partilhado” entre os dois países. O porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Guo Jiakun afirmou, em conferência de imprensa, que “a China está disposta a trabalhar com o Brasil para continuar a avançar na construção de uma comunidade de futuro partilhado entre os dois países”. Flávio Bolsonaro recusou reconhecer a vitória de Lula e anunciou que vai pedir à Justiça a “anulação” das eleições. Questionado sobre esta posição, Guo limitou-se a afirmar que “a China respeita a escolha do povo brasileiro”. No tocante ao posicionamento político da China face à situação interna do Brasil, a liderança chinesa tem evitado associar expressamente as relações com a América Latina à orientação política dos respectivos governos. O representante especial da China para a região, Qiu Xiaoqi, afirmou em Outubro que Pequim “não estabelece divisões ideológicas” e respeita as escolhas eleitorais de cada país. Xi Jinping e Lula falaram ao telefone em Julho, ocasião em que o Presidente chinês manifestou apoio à soberania brasileira e rejeitou as “interferências externas”, num contexto de tensões comerciais entre Brasília e a administração norte-americana de Donald Trump. Washington anunciou nesse mês novas tarifas de 25 por cento sobre determinados produtos brasileiros, às quais o Governo de Lula respondeu com o início dos procedimentos para aplicar a sua lei de reciprocidade. Apesar da aproximação política, persistem divergências comerciais entre os dois países. Em Outubro, a China começou a aplicar uma tarifa adicional de 55 por cento sobre a carne de bovino brasileira que exceda a quota anual estabelecida por Pequim, após as exportações do Brasil terem esgotado o volume atribuído. Promessa do “melhor” Quando soube da vitória, rodeado de apoiantes na Avenida Paulista, em São Paulo, Luiz Inácio Lula da Silva prometeu que o quarto mandato para que foi reeleito será o melhor da história do Brasil. Na rua havia uma multidão vestida de vermelho, eufórica entre o choro de felicidade e cânticos em louvor a Lula, que chegou à Avenida Paulista num trio eléctrico, cumprimentando os apoiantes com um megafone. “Essa vitória é para mostrar que as mulheres são parte importante”, afirmou o Presidente, beijando a sua mulher, Rosângela Lula da Silva, ou ‘Janja’ para os brasileiros, para delírio dos apoiantes. Lula da Silva, que se tornou o primeiro brasileiro eleito quatro vezes para o mais alto cargo da nação, agradeceu ao povo e destacou a participação dos jovens, que “se levantaram em defesa da democracia”. “Esse meu quarto mandato será o melhor mandato que um Presidente já fez na história desse país”, prometeu o líder histórico brasileiro. O candidato progressista impôs-se ao senador Flávio Bolsonaro com uma vantagem de mais de quatro milhões de votos e foi o primeiro candidato na história democrática do país a chegar ao Palácio do Planalto sem ter sido o mais votado na primeira volta. Num primeiro discurso de vitória, Lula da Silva, agradeceu ao povo brasileiro e, em particular, aos jovens que foram “para a rua defender a democracia”. “Agradecer à generosidade da juventude brasileira que foi para rua defender a democracia”, disse o chefe de Estado brasileiro, numa sala a abarrotar no coração da cidade de São Paulo. Lula declarou que a votação registou “o menor número de abstenções da história” e “o menor número de votos nulos”. “Quero agradecer às pessoas idosas. Vi muitas cenas de pessoas sendo carregadas pelos seus netos para irem votar. Conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para assegurar o voto no país”, destacou. A mais alta participação Num país em que o voto é obrigatório, participação eleitoral atingiu 80,8 por cento de 159 milhões de eleitores registados, a mais alta desde 2006 e dois pontos percentuais acima do registado há três semanas. A percentagem de abstenção, 19,2 por cento, foi a mais baixa registada numa segunda volta das eleições presidenciais desde as eleições de 2006, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito pela primeira vez frente a Geraldo Alckmin, actual vice-presidente de Lula. “Hoje minha fala é de agradecimento”, afirmou o Presidente no discurso de vitória, em que reservou um elogio a Alckmin, também ele reeleito: “Feliz o Presidente que tem um vice da qualidade, da lisura de comportamento e da lealdade do Alckmin”, afirmou. “Tenho que fazer um agradecimento às pessoas que coordenaram a nossa campanha, aos partidos que participaram. Mas queria agradecer ao povo brasileiro a generosidade que ele tem comigo há muito tempo”, disse ainda.
João Luz Manchete SociedadeDroga | Consumo aumentou 3,5% no primeiro semestre No primeiro semestre do ano, o sistema de registo de toxicodependentes contava 88 consumidores de drogas em Macau, o equivalente a um aumento de 3,5 por cento. O ice continua a ser a estupefaciente mais consumido no território Segundo os dados do “Sistema de Registo Central dos Toxicodependentes de Macau”, o número total de toxicodependentes registados no primeiro semestre deste ano foi de 88, um aumento de 3,5 por cento em termos homólogos face a 2025, indicou o Instituto de Acção Social (IAS), num comunicado relativo à sessão plenária da comissão de luta contra a droga. Dos 88 consumidores, dois tinham menos de 21 anos, o que representou 2,3 por cento do número total registado. Importa referir que, uma vez que este sistema se baseia nos consumidores apanhados pelas autoridades policiais e nos que procuram tratamento em instituições e organizações privadas, os dados não apresentam um retrato fidedigno do fenómeno do consumo de drogas no território. Aliás, contabilizam pessoas que, por estarem detidas ou em tratamento, não consomem drogas. Ainda assim, o IAS acrescentou que a metanfetamina (ice) foi a droga mais consumida, correspondente a 15,5 por cento dos casos, seguida da heroína, com uma percentagem de 10,3 por cento. No que diz respeito aos locais de consumo, mais de 80 por cento dos toxicodependentes consumiram drogas em Macau e mais de 80 por cento em locais relativamente ocultos, ou seja, em casa própria ou em casas de amigos. Nacionalismo em tudo Durante a reunião da comissão de luta contra a droga, que se realizou na manhã de sexta-feira, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, destacou que o combate à droga “é um dos trabalhos principais do Governo”, fundamental para a “construção de uma cidade segura e saudável”. A governante lembrou que o IAS lançou este ano, pela primeira vez, o “Plano de estudo e aprendizagem de combate à droga dos jovens da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”, no Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, que disponibilizou “12 roteiros de estudo entre Guangdong, Hong Kong e Macau”. Estes roteiros incluíram passagens por pontos históricos importantes durante a visita a Macau “do herói de combate à droga, Lin Zexu”. Lin Zexu foi um político e filósofo chinês que desempenhou um papel crucial na Primeira Guerra do Ópio, ao vincar a sua oposição firme à venda de ópio, sendo até hoje considerado um símbolo na luta contra a droga. O IAS acrescenta que as diversas actividades do Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, contaram com a participação de mais de 35 mil pessoas e que o objectivo foi também “promover o sentimento de amor pela pátria e por Macau”.
Hoje Macau Manchete SociedadeDSPA | Poluição do ar diminuiu no Delta do Rio das Pérolas Os níveis de poluentes atmosféricos no Delta do Rio das Pérolas, incluindo Macau e Hong Kong, caíram entre 23 e 86 por cento nos últimos 20 anos, segundo a Rede de Monitorização da Qualidade do Ar Nas últimas duas décadas, os níveis de poluentes atmosféricos no Delta do Rio das Pérolas diminuíram entre 23 e 86 por cento. A Rede de Monitorização da Qualidade do Ar mostra que, em 2025, os níveis de todos os tipos de poluentes atmosféricos – dióxido de enxofre, dióxido de azoto, monóxido de carbono, partículas inaláveis e partículas finas – “apresentaram todos eles uma tendência decrescente contínua”. De entre esses valores, destacam-se os referentes às concentrações de partículas finas, que baixaram para “um nível que figura entre os melhores do país”. “Isto mostra que as medidas de redução de emissões implementadas por Guangdong, Hong Kong e Macau nos últimos anos foram eficazes para melhorar a qualidade do ar na Região do Delta do Rio das Pérolas”, afirmou a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) na comunicação. A DSPA acrescentou que, ao longo dos anos, os Governos de Guangdong, Hong Kong e Macau têm vindo a lançar várias políticas e medidas no sentido de melhorar a qualidade do ar na região. Em Macau, foram lançadas medidas para melhorar a qualidade do ar, como a eliminação de veículos altamente poluidores, a promoção de veículos eléctricos e o controlo da emissão de gases de escape dos veículos. Em 2025, o Governo procedeu à restrição dos valores-limite de alguns parâmetros para a gasolina sem chumbo. Na quinta-feira, o Conselho Executivo anunciou restrições ainda maiores aos valores-limite de emissão para os motociclos e ciclomotores e para os automóveis a gasóleo em circulação, que irão entrar em vigor a 1 de Janeiro de 2028. A DSPA afirmou que está a explorar o potencial de aplicação de recursos fotovoltaicos em espaços públicos e a optimizar a proporção de energia eléctrica limpa na estrutura energética, para “controlar a emissão de poluentes atmosféricos locais e melhorar a qualidade do ar”. Aqui ao lado Em Hong Kong, em Maio de 2025, o Governo voltou a restringir os limites permitidos de emissões de poluentes atmosféricos do sector de energia eléctrica, numa medida que irá entrar em vigor a partir de 2030. Em comparação com 2010, os limites máximos de emissões de dióxido de enxofre, óxidos de azoto e partículas inaláveis provenientes das centrais eléctricas foram reduzidos em 91, 80 e 75 por cento, respectivamente. Além disso, o Governo de Hong Kong planeia eliminar progressivamente cerca de 40 mil veículos comerciais a gasóleo mais antigos até ao final de 2027. “Até finais de Agosto de 2026, mais de 33.700 veículos visados tinham sido abatidos”, segundo o relatório. Hong Kong também planeia suspender os novos registos de veículos particulares movidos a combustíveis fósseis e híbridos até 2035, colocar em circulação, até ao final de 2027, cerca de 700 autocarros eléctricos e cerca de três mil táxis eléctricos, para alcançar zero emissões de gases poluentes até 2050. No que respeita às embarcações, em 2019, Hong Kong, em colaboração com as cidades da Grande Baía, “estabeleceu, nas áreas marítimas do Delta do Rio das Pérolas”, uma zona de controlo de emissões de poluentes atmosféricos provenientes de embarcações, “estipulando que todas as embarcações” que naveguem ou fundeiem nas áreas marítimas de Hong Kong “têm de utilizar combustíveis que cumpram as normas”. Após a implementação da medida, a estação junto ao Terminal Marítimo de Contentores de Kwai Chung registou, “em 2025, uma redução de 50 por cento das concentrações anuais de dióxido de enxofre em comparação com as de 2018, o que demonstra que a medida de controlo foi eficaz”.
Hoje Macau Manchete PolíticaEmpregados domésticos | Número mais elevado desde 2020 O número de empregados domésticos em Macau ultrapassou 29.200 no final de Setembro, o valor mais elevado desde Dezembro de 2020, de acordo com dados oficiais divulgados na sexta-feira. Segundo dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública, divulgados pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), o território tinha 29.226 famílias com empregados domésticos, mais 193 do que no final de Junho. Macau atingiu o pico máximo de 31.044 em Abril de 2020, no início da pandemia de covid-19, mas, à medida que a crise económica e as restrições à entrada se foram prolongando, perdeu mais de oito mil empregados domésticos, até Fevereiro de 2023. Macau, que à semelhança da China seguia a política ‘zero covid’, reabriu as fronteiras a todos os estrangeiros, incluindo trabalhadores não-residentes, a partir de 8 de Janeiro de 2023, depois de quase três anos de rigorosas restrições. Desde então, em menos de quatro anos, o número de empregados domésticos na RAEM subiu quase 6.200, o correspondente a um aumento de 26,8 por cento. Macau empregava no final de Setembro mais de 184.500 trabalhadores imigrantes, o que representa um aumento de quase 860 nos primeiros nove meses do ano. O sector da construção foi o que registou a maior subida até Setembro, ao adicionar cerca de dois mil funcionários não residentes, ultrapassando 27.700. O plano de obras públicas em Macau para este ano inclui grandes projectos como a Linha Leste do Metro Ligeiro, que irá chegar à principal fronteira com a China continental, no norte da península de Macau.
João Santos Filipe Manchete PolíticaTurismo | Governo emite alerta de viagens para deslocações a França Face aos episódios de violência nas ruas francesas, onde até 17 de Outubro 1.500 lojas e negócios foram saqueados e 3.000 pilhados, a DST apela aos residentes que viajam para França para adoptarem medidas especiais de precaução O Governo da RAEM emitiu um alerta de viagem para França, de nível 1, o mais baixo da escala, numa altura em que decorrem manifestações e actos de vandalismo no país europeu. O aviso foi divulgado no sábado, quatro dias depois de o Governo de Hong Kong ter emitido um alerta equivalente. “Considerando a actual situação de segurança em França, o Governo da Região Administrativa Especial de Macau adoptou medidas de reforço, emitindo o Alerta de Viagens de Nível 1 para França. Os residentes de Macau que planeiam viajar para o país ou que já se encontram no local devem reforçar as medidas de segurança e acompanhar de perto os anúncios mais recentes do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China e da Embaixada da China em França”, pode ler-se no comunicado da Direcção dos Serviços de Turismo (DST). “Se necessário, devem contactar a Embaixada da China em França, a Linha Directa Global de Emergência dos Serviços de Protecção e Assistência Consular ou a Linha Aberta para o Turismo”, foi acrescentado. Segundo a DST, o nível representa uma “ameaça à segurança pessoal” daqueles que se encontram no país. “Os residentes de Macau que planeiem viajar ou que se encontrem no destino devem estar em alerta quanto à sua segurança pessoal. É sugerido que se mantenham atentos e que acompanhem o desenvolvimento dos acontecimentos”, é recomendado. O aviso de Macau segue o exemplo de Hong Kong, que tomou medidas semelhantes a 20 de Outubro, e das autoridades do Interior, que a 19 de Outubro tinham pedido aos cidadãos chineses em França, ou que tivessem intenção de visitar o país, que adoptassem medidas especiais de cautela. Sem pedidos de apoio No comunicado de sábado, a DST revelou ainda que até àquele dia a Linha Aberta para o Turismo não tinha recebido “quaisquer pedidos de informação ou assistência relacionados com residentes de Macau”. Desde Setembro que se têm realizado várias manifestações em França. No início, os protestos partiram dos alunos dos liceus e visaram a falta de condições nos liceus do país. No entanto, a situação foi evoluindo, e, ao longo deste mês, passou a visar as condições económicas actuais, contando com o envolvimento de sindicatos, professores e alguns movimentos políticos. Além de pessoas que se manifestam de forma pacífica, os episódios de vandalismo, pilhagem e violência têm sido recorrentes, o que levou à detenção de 5.060 pessoas, até 6 de Outubro, dos quais 87 por cento menores. Houve ainda o registo de 715 polícias e 215 menores feridos. Além disso, de acordo com os dados da BBC, até 17 de Outubro 1.500 lojas e negócios tinham sido saqueados e 3.000 tinham sido pilhados.
Hoje Macau Manchete PolíticaEconomia | Operadoras vão contribuir com quase metade de fundo público O Governo anunciou que as seis concessionárias do jogo vão contribuir com 45 por cento de um novo fundo público de 20 mil milhões de patacas. Os recursos serão canalizados para indústrias emergentes, modernização industrial, investigação científica e empresas tecnológicas O fundo arranca com uma participação de 11 mil milhões de patacas provenientes das reservas financeiras acumuladas do Governo e uma contribuição total de 9 mil milhões de patacas das seis concessionárias, que assumem a posição de primeiros investidores privados. A gestão do fundo ficará a cargo da Sociedade de Investimento e Gestão de Macau, sendo que os documentos constitutivos foram assinados na sexta-feira pelo presidente da empresa pública, Che Weng Keong, e representantes das seis concessionárias. Segundo o Governo, o fundo funcionará ao abrigo da lei dos fundos de investimento e do regime de gestão dos fundos de orientação governamental, tendo três níveis, compostos por um fundo de orientação, fundos-mãe e sub-fundos, geridos por profissionais seleccionados através de mecanismos de mercado. Os recursos serão dirigidos prioritariamente para indústrias emergentes, modernização industrial, transformação de resultados de investigação científica e empresas tecnológicas em fase inicial, com o objectivo de apoiar o desenvolvimento articulado entre Macau, a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e a região da Grande Baía. Na intervenção durante a cerimónia, a secretária para a Economia e Finanças, Dora Ng Wai Han, classificou a diversificação adequada da economia como uma “tarefa imperativa” para Macau e defendeu que a industrialização avançada, a inovação tecnológica e a transferência de resultados científicos exigem investimentos “avultados e de longo prazo”. A governante afirmou que a criação do fundo segue “experiências de mercados vizinhos mais maduros” e visa mobilizar capital privado através de uma gestão orientada para o mercado, promovendo o desenvolvimento de indústrias emergentes e futuras. Dora Ng destacou ainda o papel das concessionárias na estratégia de diversificação económica do território, sublinhando que as empresas têm vindo a cumprir os compromissos de investimento em projectos não relacionados com o jogo previstos nos contratos de concessão. Segundo a secretária para a Economia e Finanças, a constituição do fundo resulta de negociações entre o Governo e as seis operadoras, reflectindo a “cooperação entre ambas as partes e a confiança do sector empresarial no futuro desenvolvimento de Macau”. Focar investimentos Em diferentes comunicados, as operadoras Sands China e a Wynn Macau confirmaram que vão contribuir para o fundo, a primeira com 2,3 mil milhões de patacas e a segunda com 1,3 mil milhões, que serão contabilizados no cumprimento dos compromissos de investimento não associados ao jogo assumidos ao abrigo do contrato de concessão. “A Sands comprometeu-se a investir pelo menos 35,84 mil milhões de patacas até ao final de 2032, dos quais cerca de 33,39 mil milhões de patacas deverão ser canalizados para projectos não relacionados com o jogo. A contribuição para o novo fundo governamental substituirá outros projectos e despesas inicialmente previstos no âmbito desse programa de investimentos”, destacou a operadora. Recorde-se que as seis operadoras de jogo em Macau estão contratualmente comprometidas a investir mais de 130 mil milhões de patacas em elementos não relacionados com o jogo até 2032. Nos primeiros nove meses do ano, os casinos de Macau registaram receitas totais de 187,11 mil milhões de patacas, um aumento de 3,2 por cento em comparação com o mesmo período de 2025.
Andreia Sofia Silva Grande Plano ManchetePortuguês | Directora do IPOR defende “estratégia concertada” para a Ásia Patrícia Quaresma, directora do Instituto Português do Oriente, defende “uma estratégia concertada para a língua portuguesa na Ásia”. A ideia foi partilhada na conferência “China Sessions”, no Centro Científico e Cultural de Macau, que analisou a “Geopolítica da Língua Portuguesa a Oriente” A directora do IPOR – Instituto Português do Oriente – considera que há pontos a mudar na forma como a língua portuguesa se posiciona na Ásia em conjugação com outros idiomas. Ao falar na conferência “China Sessions – Geopolítica da Língua Portuguesa no Oriente: Desafios e Oportunidades para Portugal e para a CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”, acolhida pelo Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) na última quinta-feira, Patrícia Quaresma defendeu a criação de uma “estratégia concertada para a língua portuguesa na Ásia”. Essa estratégia deve envolver, na sua óptica, “Portugal, os Estados-membros da CPLP, o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) e Macau, aproveitando as estruturas já existentes, em vez de criar novas”. “Portugal, os restantes Estados-membros da CPLP, o IILP, as universidades, Macau e as próprias empresas actuam, muitas vezes, em paralelo. Uma estratégia comum para a língua portuguesa na Ásia ganharia escala e visibilidade se estas vontades fossem coordenadas”, justificou. Em relação a Macau, a responsável entende que o território deve posicionar-se de uma forma diferente. Patrícia Quaresma referiu a necessidade de “reconhecimento de Macau como centro regional de formação de professores de português como língua estrangeira”, mas não só. A RAEM deveria também ser o lugar preferencial para a “produção de recursos didácticos para a Ásia”. Macau deve ser “plataforma de língua e não apenas de comércio”, defendeu. “O papel de Macau como ponte entre a China e os países de língua portuguesa é reconhecido no plano económico. Importa reforçá-lo também no plano linguístico, educativo e cultural”, apontou. Patrícia Quaresma considerou que em Macau existe uma “comunidade de prática da língua, de instituições de ensino superior com oferta em português”, e ainda uma “experiência acumulada de mais de três décadas” no ensino da língua. Factores que fazem do território “um centro natural de formação, certificação e produção de recursos para toda a região”. Ao HM, a directora do IPOR destacou o que deve ser melhorado no ensino de português nas escolas locais. Deve-se apostar na “definição de um programa de PLE [português língua estrangeira] de referência para todas as instituições de ensino (por forma a uniformizar o ensino da língua portuguesa na RAEM)”. Além disso, a responsável sugere “contratações de professores com habilitação própria para o ensino de PLE, um programa de formação contínua para professores nesta área e a definição de um organismo do Governo da RAEM para monitorizar as práticas de ensino em sala de aula, são elementos que podem contribuir para que muitas falhas sejam supridas”. O papel de Timor Tendo em conta a recente entrada de Timor-Leste para a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla inglesa), onde se fala português e tétum, Patrícia Quaresma acha que se deve reforçar “a cooperação com Timor-Leste no quadro da sua integração na ASEAN”. “A adesão de Timor-Leste cria uma oportunidade inédita para a língua portuguesa no Sudeste Asiático. A cooperação entre Macau e Timor-Leste, na formação de professores, na produção de materiais e no intercâmbio cultural, pode contribuir para que o português ganhe visibilidade no espaço da ASEAN, onde o IPOR já trabalha com instituições no Vietname, na Malásia e na Indonésia”, adiantou. Neste ponto, Patrícia Quaresma lembrou como, nos últimos anos, o IPOR tem conseguido expandir a sua rede na Ásia além Macau, tendo “consolidado uma rede colaborativa que envolve instituições na China, Vietname, Japão, Malásia, Indonésia e Coreia do Sul, em actuação com a rede de ensino do Camões, I.P e representações diplomáticas”. Desde 2019 que existe um posto de docência em Pequim, localizado na Embaixada de Portugal em Pequim, onde são organizados cursos de português como língua estrangeira e actividades culturais. Ao enumerar uma série de propostas para a dinamização do idioma, Patrícia Quaresma acrescentou a necessidade de “investimento em recursos digitais de acesso livre que coloquem o português em pé de igualdade com outras línguas”, nomeadamente no que diz respeito às “ferramentas de aprendizagem e de tradução”. Deve ainda ser feita a “valorização da programação cultural como parte integrante da política de língua e não como dimensão acessória”. “Se a geopolítica da língua portuguesa no Oriente tem um sentido, é este: o de uma geopolítica da confiança”, frisou. “Uma língua partilhada por povos de quatro continentes, presente em Macau e agora também na ASEAN, é um recurso de diálogo que Portugal e a CPLP não podem deixar de valorizar”, disse. Língua tem de ser atractiva Patrícia Quaresma referiu no CCCM os mais recentes dados que espelham o volume de trabalho do IPOR. Em 2025, teve “mais de 3.900 formandos em mais de 100 cursos, em diferentes modalidades e níveis de competência, num total de mais de 12.000 horas de formação, com recurso a materiais didácticos próprios”. Desta forma, os dados revelam, na perspectiva de Patrícia Quaresma, que “a procura [pelo português] existe e é diversificada”. “Dizem-nos que, em Macau, o português continua a ser uma língua de cidadania, trabalho e de mobilidade”, acrescentou na sua apresentação. Os alunos do IPOR são “muito diversos”, sendo “estudantes do ensino secundário e superior, quadros da Administração pública, colaboradores de empresas e cidadãos que querem ampliar o repertório linguístico”. No rol de “desafios” anunciados, Patrícia Quaresma enumerou cinco cenários que devem sofrer melhorias, sendo que a “atractividade” da língua portuguesa é um deles. “No Oriente, a escolha de uma língua estrangeira faz-se, em grande medida, em função das perspectivas de rendimento e empregabilidade. O português compete com o inglês, naturalmente, mas também com outras línguas que dispõem de recursos muito superiores, como o espanhol, o francês, o alemão, o japonês ou o coreano.” Desta forma, a directora do IPOR acredita que o português “precisa de associar factores de atractividade económica à promoção de valores, de conhecimento e de diversidade cultural, para não ficar reduzida a uma língua de utilidade conjuntural”. Patrícia Quaresma chamou ainda a atenção para a qualidade da formação de docentes. “O crescimento da oferta de português na região, particularmente na China, não foi sempre acompanhado pela formação de docentes em número e com qualificação suficientes. A formação contínua, a certificação e o acompanhamento pedagógico são condições para que esse crescimento seja sustentável”. Patrícia Quaresma acredita na “continuidade das redes”, defendendo uma “cooperação linguística” que tenha “recursos humanos, tecnológicos e financeiros estáveis, conhecimento das realidades institucionais de cada país e mecanismos de avaliação”. “Muitas iniciativas na Ásia dependem de esforços pontuais e do empenho individual de leitores e professores. Sem continuidade, perdem-se os investimentos realizados”, acrescentou. A apresentação da directora do IPOR chamou também a atenção para a chegada da inteligência artificial (IA) e “transformação digital”. “A forma como hoje se aprendem e se usam línguas está a mudar rapidamente. A presença do português nos recursos digitais e ferramentas de tradução e aprendizagem irá determinar, em boa parte, o seu peso futuro.” Desta forma, “uma língua com pouca presença digital tem menor relevância no espaço global”, rematou. A sessão de quinta-feira contou ainda com oradores como o embaixador português em Pequim, Manuel Cansado de Carvalho; João Laurentino Neves, antigo director do IPOR e actual director-executivo do IILP, ou ainda Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau, entre outros. Alinhamento em curso Questionada pelo HM sobre o facto de, na China, terem sido encerrados mais de uma dezena de cursos de português em universidades no interior do país, Patrícia Quaresma considera que houve “o ajustamento a uma nova realidade”. “Na China, a escolha de uma língua estrangeira faz-se, em grande medida, em função das perspectivas de rendimento e de empregabilidade. Neste momento, apesar das relações comerciais com os países de língua portuguesa ainda se manterem em valores significativos, o mercado de trabalho já não tem capacidade para absorver todos os tradutores que se formaram nos últimos anos. Por outro lado, a inevitável inteligência artificial veio contribuir para a simplificação do trabalho de tradução”, destacou. A directora do IPOR considera, portanto, que se deu “um alinhamento com o novo panorama socioeconómico da China, a que devemos prestar muita atenção e procurar combater através da associação da língua portuguesa a factores de atractividade económica, à promoção de valores, de conhecimento e de diversidade cultural, para não fique reduzida a uma língua de utilidade conjuntural”, explicou.
Hoje Macau Manchete SociedadeGoverno afirma que não retirou filme “Digger” e cinema culpa distribuidora O Governo de Macau garantiu à Lusa que não teve qualquer papel na retirada do novo filme do actor norte-americano Tom Cruise e a empresa dona dos cinemas onde “Digger” iria estrear culpou a distribuidora. A película do realizador mexicano Alejandro González Iñárritu estreou-se a nível mundial em 1 de Outubro, mas foi retirada à última hora dos cinemas das regiões chinesas de Macau e Hong Kong. O Instituto Cultural (IC) de Macau, que detém a competência de aprovar e classificar todos os filmes exibidos ao público no território, negou qualquer intervenção no caso de “Digger”. Numa resposta escrita a questões da Lusa, o IC sublinhou que a Comissão de Classificação dos Espectáculos “não chegou a proceder à apreciação do pedido de classificação etária” deste filme. “Digger” iria ser exibido nos cinemas do Galaxy Macau, mas não chegou a estrear e todas as referências à longa-metragem foram retiradas do portal do empreendimento na Internet. Mas a empresa Galaxy Entertainment, proprietária do Galaxy Macau, também rejeitou qualquer responsabilidade na retirada do filme do estúdio Warner Bros e apontou o dedo à distribuidora. “Todos os procedimentos relacionados com o lançamento de filmes são definidos pelas distribuidoras, e não pela Galaxy Cinemas, que funciona como local de exibição”, sublinhou a empresa. “Dúvidas específicas sobre a exibição de determinados filmes devem ser encaminhadas para as respectivas distribuidoras”, acrescentou a concessionária, numa resposta escrita a questões da Lusa. Silêncio dos inocentes Desde 2021 que a Universal Pictures é a distribuidora, nas duas regiões, dos filmes da Warner Bros, após este estúdio ter encerrado as operações em Hong Kong. A Lusa pediu esclarecimentos à subsidiária da Universal Pictures em Hong Kong e à empresa-mãe, nos Estados Unidos, mas não obteve qualquer resposta. De acordo com a imprensa de Hong Kong, “Digger”, que deveria estrear-se em 01 de Outubro, Dia Nacional da China, foi retirado à última hora dos cinemas locais devido a “diálogo sensível”. A película inclui uma cena em que é sugerido um ataque nuclear contra o país e outra em que uma personagem descreve a população chinesa como “amarela” e um “cancro”.
João Luz Manchete SociedadeSands China | Receitas subiram 1,4% no terceiro trimestre A Sands China teve receitas líquidas de 1,93 mil milhões de dólares no terceiro trimestre, uma subida anual de 1,4 por cento e de 8,4 por cento face ao trimestre anterior. Apesar disso, os lucros líquidos caíram 30 por cento. O CEO da Las Vegas Sands descreveu os resultados como “aberrantes” O terceiro trimestre deste ano foi estranho para a Sands China, de acordo com os resultados apresentados ontem à bolsa de valores de Hong Kong. A concessionária de jogo teve em simultâneo uma quebra anual de 29,8 por cento dos lucros líquidos, em termos anuais, que se fixaram em 191 milhões de dólares, e uma subida homóloga de 1,4 por cento das receitas líquidas, no período em análise, para 1,93 mil milhões de dólares. Nos primeiros nove meses de 2026, a receita líquida da operadora subiu 7,8 por cento face ao mesmo período do ano passado, chegando aos 5,81 mil milhões de dólares. Ainda assim, a Sands sofreu uma queda de 14 por cento no lucro líquido nos primeiros nove meses do ano para 592 milhões de dólares. Numa conferência de imprensa sobre os resultados da empresa mãe, a Las Vegas Sands, o director executivo Patrick Dumont realçou o quão atípico foi o período entre Julho e Setembro. “Um trimestre como este, acredito que isto foi uma aberração. Algumas pessoas não apareceram, mas as boas notícias é que elas andam por aí, algures. Fizemos muitos progressos em áreas em que queríamos melhorar, criando melhores experiências para os nossos clientes, mas quando os clientes não aparecem, isso é um bocado problemático”, afirmou o responsável. Patrick Dumont enumerou a incerteza macroeconómica na Ásia, e também a nível global, e o Campeonato do Mundo de Futebol (que se estendeu até meados de Julho), como possíveis razões para performance no trimestre em análise em Macau e Singapura. Visão do Cotai Indo por partes, as receitas líquidas do The Londoner Macao no terceiro trimestre deste ano chegaram aos 685 milhões de dólares, resultado que representou uma quebra anual ligeira de 0,1 por cento. Quanto aos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês), o Londoner registou uma quebra anual de 18,7 por cento para 178 milhões de dólares. Do outro lado da Estrada da Baía de Nossa Senhora da Esperança, o The Venetian Macao apurou 649 milhões de dólares no trimestre em análise, menos 6,2 por cento em termos homólogos. No que respeita ao desempenho operacional global, o The Venetian Macao alcançou um EBITDA de 205 milhões de dólares, menos 15,3 por cento em relação aos 242 milhões de dólares anteriores.
Hoje Macau Manchete SociedadeMundo Hispânico | Proximidade cultural facilita negócios com Macau Os empresários dos países de língua castelhana acreditam que a proximidade de Macau com Portugal pode ajudá-los a entrar no mercado do Interior e a promover mais trocas comerciais Empresários e representantes defendem que a proximidade cultural de Macau com os países de língua espanhola facilita a aproximação ao mercado chinês, numa altura em que a estratégia do território foi alargada ao mundo hispânico. Há cerca de 20 anos que Borja Sanchez acompanha o que se passa em Macau. O empresário, nascido em Barcelona mas com raízes na Galiza, chegou em 2006 a Hong Kong para promover a gastronomia espanhola nas duas regiões e, após sete anos, co-fundou a empresa Los Ibéricos, dedicada à importação e distribuição de produtos alimentares espanhóis. Do outro lado do rio das Pérolas, o empresário foi assistindo às sucessivas políticas de diversificação económica de Macau e acredita que a decisão de servir de ponte entre a China e os países de língua espanhola “é uma evolução lógica”. “O Governo chinês compreendeu que somos um bloco cultural distinto. Penso que compreendem muito bem, graças a Macau, o mundo dos países de língua portuguesa. E é uma consequência lógica e natural”, notou, em declarações à Lusa no primeiro dia da 31.ª edição da Feira Internacional de Macau (MIF). A China definiu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com o universo lusófono em 2003, ano em que criou o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Mais de duas décadas depois, o desígnio foi alargado aos países de língua espanhola. Se a nova visão para Macau se vai concretizar ou não, Sanchez diz que “depende da vontade”. “O que ocorre muitas vezes com as iniciativas do Governo de Macau, na minha opinião, é que são em teoria muito interessantes, mas acabam em nada”. “Macau tem todos os recursos para os canalizar nesse sentido. Tem infra-estruturas, orçamento, tem a necessidade de diversificar a economia e acho que o pode fazer, se quiser”, reforçou, sublinhando a oferta hoteleira, de restauração e a forte presença da cultura portuguesa no território. Aqui tão perto A ideia da proximidade cultural é partilhada pelo cônsul-geral de Espanha em Hong Kong e Macau, para quem esta estratégia representa para Madrid “uma oportunidade para ampliar tanto o comércio como o investimento em Macau e de Macau” para outras geografias. “[Macau] é também um local próximo da história, da língua e da cultura espanhola, portuguesa e ibérica. Por isso, é sempre um lugar muito acolhedor para fazer negócios”, notou Jesús Gracia Aldaz. O diplomata destacou ainda a “aproximação entre Espanha e China nos últimos anos”. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou a China quatro vezes nos últimos quatro anos, e os reis de Espanha deslocaram-se no final de 2025 ao país asiático. Actualmente, vivem cerca de 4.500 espanhóis na China e, de acordo com o diplomata, em Hong Kong residem dois mil e em Macau à volta de 500. Miguel Latorre, um dos directores da Câmara de Comércio Espanhola em Hong Kong, chegou à região em 2023 e considera que o alargamento oferece aos empresários espanhóis algo difícil de encontrar noutras cidades da região. “Os espanhóis, portugueses, somos irmãos”, afirmou, recordando que se sentiu num “terreno familiar” quando visitou Macau pela primeira vez. Essa proximidade gera confiança e tranquilidade para empresários hispanófonos, defende. “Vemos isto como uma ponte perfeita entre a China, Hong Kong e o ecossistema que se criou na Grande Baía (…) consideramos esta expansão um sinal muito positivo”, notou. Para Victor Herrera, gestor da consultora CW CPA — firma de Hong Kong focada no apoio a empresas da América Latina interessadas em entrar na Ásia —, a inclusão dos países de língua espanhola por Macau “é muito importante”. Ao chegar a Hong Kong, onde se fala sobretudo cantonês e inglês, falta “um músculo” para promover negócios focados especificamente na região que fala espanhol, pelo que a intenção de Macau promover estas actividades “seria perfeita”, referiu. O responsável mexicano enumerou as duas maiores dificuldades da entrada dos empresários dos países de língua espanhola na China: a língua, embora amenizada agora com o desenvolvimento de novas tecnologias de tradução, e a falta de conhecimento legal.
João Santos Filipe Manchete PolíticaDesporto | Sector quer atrair federações internacionais para Macau Ma Chi Seng prometeu levar para a apresentação das Linhas de Acção Governativa as sugestões das associações locais que sugerem a criação de marcas locais de roupa e organização de mais eventos internacionais As associações desportivas e culturais locais esperam que o Governo trabalhe para atrair federações desportivas internacionais a estabelecerem representações em Macau. O pedido foi transmitido por Ma Chi Seng, deputado ligado ao sector desportivo, no balanço do ano legislativo de 2025/2026. Poucos dias depois de ter começado o novo ano da Assembleia Legislativa, o legislador ligado ao clã Ma fez uma conferência de imprensa, em conjunto com a deputada Ângela Leong, para abordar o trabalho feito no ano legislativo transacto. No entanto, o deputado abordou igualmente a recolha de opiniões das associações culturais e desportivas para a apresentação das Linhas de Acção Governativa. Segundo Ma Chi Seng, uma das opiniões aponta como caminho para o desenvolvimento do desporto local a atracção de sedes e representações de federações desportivas internacionais, para dar maior visibilidade ao território. Outra das sugestões para o sector desportivo, em sinergia com as indústrias culturais, é a criação de marcas de roupa desportiva locais, que possam apresentar designs inovadores e explorar os direitos de propriedade intelectual desses produtos, não só localmente, mas nos mercados do Interior e asiático. O deputado revelou também que houve opiniões a defender a realização de mais eventos internacionais para reforçar a “marca” de Macau, assim como a construção de mais espaços desportivos e uma melhor gestão dos existentes. Economia de espectáculos Segundo declarações citadas pelo Jornal do Cidadão, Ma Chi Seng acredita igualmente que a economia do território passa pela realização de mais eventos, tanto desportivos como culturais. O deputado considerou que estes espectáculos vão movimentar a economia local. No entanto, avisou que as pequenas e médias empresas também têm de se preparar para as novas formas de consumo, utilizando a inteligência artificial para dinamizar a oferta aos turistas. Por sua vez, a deputada Ângela Leong assegurou que as opiniões que foram recolhidas pelos deputados vão continuar a ser transmitidas ao Governo, para que os legisladores cumpras as suas funções de representação.
João Luz Manchete PolíticaGrande Baía | Dora Ng quer levar empresas à Europa Dora Ng destacou o papel de Macau enquanto “elo de ligação infalível” entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola, para levar empresas de Macau, Hengqin e da China aos mercados europeus e do Sudeste Asiático. Já o Chefe do Executivo desafiou investidores a apostarem na Grande Baía “O Governo da RAEM tem continuado a reforçar o modelo de ‘cooperação entre o Governo e as empresas, sinergia entre Macau e Hengqin, para efeito de partilhar um grande navio a navegar no oceano’, coordenando deslocações de empresas de Macau, de Hengqin e do Interior da China à Europa e ao Sudeste Asiático para aprofundarem o intercâmbio económico e comercial”, salientou ontem a secretária para a Economia e Finanças. A citação faz parte do discurso que Dora Ng Wai Han proferiu no almoço de boas-vindas da 4.ª Conferência Industrial e Comercial para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau, onde afirmou ser importante aprofundar a coordenação interna da Grande Baía e aproveitar as suas vantagens da abertura ao mundo. Para tal, a governante vincou o papel de Macau enquanto “elo de ligação infalível” da cooperação entre a China e os países de língua portuguesa, e destacou a aproximação aos países de língua espanhola. A secretária apontou para o duplo sentido das ligações comerciais entre a região e o exterior. Por um lado, é importante conjugar vantagens das cadeias industriais e de abastecimento do projecto regional com as ligações internacionais de Macau, para apoiar empresas da Grande Baía na sua internacionalização através de Macau. Por outro, é também importante “atrair mais empresas internacionais e projectos de qualidade para que, através de Macau, conheçam e entrem na Grande Baía”. A conectar mundos Na cerimónia de abertura, o Chefe do Executivo afirmou que, passados três anos, a Conferência Industrial e Comercial para o Desenvolvimento da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau se tornou um dos maiores e mais influentes eventos do sector industrial e comercial na Grande Baía. Destacando Macau como “uma das quatro cidades centrais e um dos principais motores da Grande Baía”, Sam Hou Fai indicou que Hengqin “é essencial tanto para impulsionar uma viragem no desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau, como para a sua participação na construção conjunta de alta qualidade da Grande Baía”. Sam Hou Fai lançou um convite a “investidores do país e do estrangeiro” para aproveitarem os benefícios das políticas e as oportunidades do mercado de Macau-Hengqin e da Grande Baía”. O governante afirmou que investir em Macau e Hengqin, é investir no futuro e uma oportunidade para “conectar os mercados globais, e unir esforços para contribuir com novas forças para a construção de um grande país e a revitalização nacional”.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteLisboa | Casa de Macau é o último reduto da comida macaense Com o encerramento do restaurante Patuá, os almoços quinzenais na Casa de Macau em Lisboa tornaram-se o último reduto da comida macaense na capital portuguesa. No dia da visita do HM, o almoço foi Porco Bafassá cozinhado por Maria João Ferreira. Entre sócios e amigos há quem sonhe transformar o espaço numa espécie de restaurante Ao abrir a porta na casa cor-de-rosa na Avenida Almirante Gago Coutinho, em Lisboa, o cheiro emana da cozinha onde todos ajudam por amor à camisola. Tem sido assim todas as quartas-feiras, a cada quinze dias, na Casa de Macau em Lisboa, lugar que passou a ser o único a servir comida verdadeiramente macaense desde que o restaurante Patuá, também em Lisboa, fechou portas. O Patuá serve ainda refeições temporariamente, mas apenas até à próxima segunda-feira, numa parceria com o bar, restaurante e sala de espectáculos Damas, numa acção intitulada “Patuá Takeover”. No dia em que o HM almoçou na Casa de Macau, o menu foi Porco Bafassá e rolinhos de massa de arroz com camarão para entrada. Pelo meio-dia a azáfama na cozinha já era muita, e apesar de a cozinheira ter sido Maria João Ferreira, membro da direcção da Casa, muitos braços ajudaram. “Não posso dizer quem me ensinou esta receita, porque é um prato feito com muita frequência nas casas macaenses. Provavelmente aprendi em Macau com a empregada chinesa que estava em nossa casa. Sempre gostei muito de cozinhar, de maneira que a pouco e pouco comecei a fazer em minha casa.” Há muito que a Casa de Macau tenta promover a gastronomia macaense. Não apenas com almoços com minchi aos sábados, como na organização de almoços semanais que contavam com a chef Justina do Rosário. A sua saída levou a direcção a decidir manter a iniciativa, para não perderem “projecção”. “A Justina foi-se embora por questões de saúde e tivemos uma quebra bastante grande. Para o assunto não morrer, decidimos, em reunião de direcção, organizar os almoços quinzenalmente e não semanalmente, como fazíamos com a Justina. Tentamos respeitar as receitas macaenses.” A Casa de Macau conseguiu aumentar o número de sócios no mandato de Carlos Piteira, de 180 para cerca de 400. “Não se pode dizer que temos um lucro grande, mas para nós é sempre positivo e temos alguma projecção.” Maria João Ferreira entende que “faz falta comida macaense” em Portugal. “Não há. Quando muito, há restaurantes a fazer minchi, mas não passa disso.” Transformar a iniciativa quinzenal da Casa de Macau numa espécie de restaurante, com apoios, “seria excelente”, confessa. “Acho que todos nós desejaríamos isso, mas não sei até que ponto se poderá concretizar, não sei se a RAEM tem interesse em financiar uma iniciativa dessas. Mas seria fantástico, é um sonho de todos nós. Gostaríamos imenso de ter um restaurante em casa de Macau.” “Conheci-os no Instagram” Pelas mesas a azáfama é muita e, pelo meio de sócios e rostos habituais da casa, há quem tenha ido almoçar para descobrir os sabores desta gastronomia de fusão. É o caso de Pedro Carneiro, que gosta de explorar o que de novo existe em Lisboa, em termos culturais. “Sempre fui interessado na cultura macaense e tenho família que vive em Macau, e quis experimentar. Já tinha algumas referências da comida macaense. Tinha alguma curiosidade para ver como é feita cá, e o tipo de eventos que se fazem.” Naquele dia, mostrou mesmo interesse em fazer-se sócio da Casa. Sendo conhecedor do restaurante Patuá, considera “fundamental” a existência destes espaços. “Há vários espaços associativos ou de restauração que estão a fechar, por diferentes razões, o que significa que qualquer comunidade ou espaço que organize eventos que permitem às comunidades estarem próximas umas das outras, é fundamental.” “Sempre fui interessado por comidas crioulas, que juntam várias culturas. É sempre engraçado ver como as técnicas, ou os ingredientes portugueses, são confeccionados de maneira híbrida com ingredientes asiáticos”, destacou. Também Gonçalo Lamy, de 19 anos, quis ir provar o Porco Bafassá e levou consigo dois amigos. O estudante da Universidade Nova de Lisboa viajou até Macau há dois anos graças a uma parceria entre a sua escola secundária e a Escola Secundária Luís Gonzaga Gomes. “Gostei muito de Macau e quis experimentar estes almoços. Conheci-os no Instagram, comecei a seguir. Achei um ambiente bastante familiar e fomos muito bem-recebidos. É engraçado ver as pessoas a encontrarem-se aqui”, destacou. A voz da tradição Na televisão vê-se a TDM, o canal chinês. Pelos corredores, trocam-se dois dedos de conversa enquanto o almoço não está na mesa. No dia da reportagem, o jornalista português Ricardo Dias Felner, autor do podcast “O Homem que Comia Tudo”, e cronista do semanário Expresso, também se encontrava à mesa para descobrir aquele lugar de comida macaense genuína. Disso percebe Manuel Fernandes Rodrigues, macaense de gema e autor de diversos estudos sobre a gastronomia da sua comunidade. Sócio e participante habitual das actividades da Casa de Macau, os almoços quinzenais servem para matar saudades. “Em Lisboa não há restaurantes que façam comida macaense, e a Casa de Macau é o único sítio que conheço que faz comida genuína”, contou. “A Casa de Macau já teve workshops semanais de gastronomia. É difícil manter um restaurante por uma razão muito simples: como se vão arranjar cozinheiros? A população de Macau que reside em Portugal tem uma idade avançada e as novas gerações não se interessam tanto por esta profissão. Ser cozinheiro já não é um modo de vida.” Manuel Fernandes Rodrigues conhece as histórias que vivem no meio de sabores de cada prato. Explica-nos que a comida macaense tem origem em Malaca, que os portugueses conquistaram em 1511 e por onde passou grande parte do comércio feito na Ásia. Questionado sobre se as autoridades de Macau deveriam apoiar este projecto gastronómico quinzenal, para que se sirvam refeições de forma mais frequente, Manuel Fernandes Rodrigues diz que seria importante tal acontecer. “Pessoalmente, acho que sim [que deveria haver apoios]. Mas as autoridades de Macau têm as suas prioridades, e não sei se o projecto da comida de Macau está nessas prioridades. Na minha óptica, deveria estar.” O macaense entende que se deve apostar na divulgação que explicasse devidamente “o que é a comida macaense, porque não se resume apenas a receitas”. “Há muito mais, como a história dos macaenses, que têm a sua maneira de ser, e por detrás de cada receita está isso tudo.” O almoço, acompanhado com xarope de figo, fechou com gelatina de agar-agar com chocolate. “Em Macau há dois tipos de gelatina de chocolate. A versão chinesa é menos rica, porque só leva o chocolate diluído em agar-agar, e esta leva leite normal ou leite condensado, portanto, tem mais doce”, explica Maria João Ferreira. Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, também almoçou pela Casa de Macau. Ao HM, fala das dificuldades que é apoiar financeiramente estes projectos que vivem de acções voluntárias, mas que expandir os almoços quinzenais para um projecto mais regular seria importante. “Não são fáceis os financiamentos. Mesmo em Macau os financiamentos passam por um escrutínio mais rigoroso. Desde que as instituições ligadas a Macau tenham condições de estudar possibilidades de subsidiar este ou aquele projecto, porque não? Nos tempos em que nos encontramos, a boa vontade tem um preço. As coisas custam dinheiro, o tempo que se dá a isto tem o seu preço, e é fundamental que se criem condições para este projecto seja uma realidade. Caso contrário, é mais uma coisa que acaba.” Miguel de Senna Fernandes “lamenta” que o restaurante Patuá tenha fechado, assumindo que fazem falta espaços que mantenham a gastronomia macaense na comunidade. “A gastronomia macaense mantem-se nas casas. Há muitos macaenses que estão em Lisboa e seguem a sua própria comida com muito orgulho. É fundamental que se continue a pensar em termos comunitários. A Casa de Macau, por si só, não consegue fazer tudo, e é preciso boa vontade das pessoas”, concluiu.
João Santos Filipe Manchete SociedadeRuído | Pedida mais eficácia no tratamento das queixas O deputado ligado à comunidade de Fujian, Nick Lei, defende um regime que facilite a recolha de provas nos casos de excesso de ruído e alerta que em média, a cada hora, há pelo menos uma queixa O deputado Nick Lei defende que o Governo tem de melhorar a eficácia do mecanismo de queixas sobre ruído, principalmente no que diz respeito à recolha de provas. A posição consta de uma interpelação escrita do legislador ligado à comunidade de Fujian. Nick Lei aponta, de acordo com os dados oficiais, que no ano passado, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) registou 10.182 queixas sobre ruído. Este número representou uma queda anual de 372 queixas face às 10.554 de 2024, mas o legislador destaca que continua a ser registada uma queixa a cada hora. Além disso, Lei apontou que entre as 10.182 denúncias, apenas em 117 casos foi possível identificar os infractores e multá-los, o que significa uma proporção de 1,1 por cento de todas as queixas. Por isso, Lei entende que é necessário facilitar a recolha de provas sobre a existência de ruído para lidar com o impacto na vida dos residentes: “A região vizinha [Hong Kong] introduziu tecnologias para ajudar na execução da lei e no tratamento das queixas, com ferramentas para localizar o ruído de alta frequência vindo de origem desconhecida ou de forma irregular”, aponta. “O Governo pode seguir estas experiências […] e estudar a introdução das tecnologias e ferramentas para resolver as dificuldades de recolha de provas?”, questiona. Desde 2020, Hong Kong passou a utilizar câmaras acústicas para os agentes do Departamento de Protecção Ambiental investigarem a origem do ruído. Estes equipamentos recolhem som e imagem e conseguem identificar a origem do som. Apesar desta sugestão, Lei reconhece que identificar a origem do ruído é um grande desafio, porque, muitas vezes, tratam-se de fenómenos repentinos e aleatórios com origem em residências ou lojas. Revisão da lei Além de pedir ao Governo que facilite a recolha de provas, Nick Lei espera igualmente uma apresentação de um calendário para a revisão da lei porque “há muitas vozes na sociedade a pedir a revisão”. O deputado recorda que no passado o Executivo recusou fazer a revisão, por indicar que é necessário haver um consenso social e um equilíbrio entre as rotinas diárias dos residentes e as suas actividades. Contudo, o membro da Assembleia Legislativa considera que estão reunidas as condições para avançar com a revisão. No documento, Nick Lei sugere que o Governo dê formação sobre mediação do ruído aos administradores de condomínios, para que estes possam intervir e pedir o respeito pelos limites do volume do som, quando identificarem potenciais casos de infracção.
João Luz Manchete SociedadeUM | Quase 30 pessoas adoecem em jantar de colégio Num jantar do Colégio Memorial Moon Chun da Universidade de Macau, em que participaram cerca de 200 pessoas, 28 adoeceram com gastroenterite e foi detectada salmonela num doente. O jantar foi serviço pela cozinha central do Lisboeta Macau O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) foi notificado pelo Serviços de Saúde relativamente a um caso suspeito de gastroenterite colectiva, envolvendo um total de 28 pessoas que participaram num jantar no Colégio Memorial Moon Chun da Universidade de Macau. Segundo a investigação epidemiológica das autoridades de saúde, os pacientes apresentaram sintomas como febre, dores abdominais, diarreia e vómitos após a refeição, “tendo sido detectada salmonela na amostra de fezes de um dos doentes”, indicou ontem o IAM em comunicado. Durante o jantar, em que participaram cerca de 200 pessoas, foram servidas refeições preparadas pela cozinha central do Lisboeta Macau. Como tal, o IAM destacou pessoal para o Lisboeta Macau para fazer uma investigação sanitária, recolhendo amostras de alimentos e do ambiente para análise laboratorial e examinando o processo de manuseamento dos alimentos. Segundo o IAM, as refeições servidas incluíram filetes de garoupa fritos, frango assado, cheesecake de citrinos, salada de salmão fumado com quinoa, milho e ovo, entre outros alimentos. “Com base no registo de consumo, período de incubação e sintomas, é bastante provável que o incidente tenha sido provocado por agentes patogénicos bacterianos”, foi acrescentado. O pão nosso O IAM garantiu que vai continuar a acompanhar e a investigar o incidente na Universidade de Macau, apelando às pessoas que jantaram no evento para procurarem assistência médica o mais rapidamente possível caso apresentam sintomas, e para contactarem a Linha Aberta de Segurança Alimentar do IAM. As autoridades vincam que o sector da restauração deve cumprir os requisitos de higiene e segurança alimentar, gerir o stock com razoabilidade para evitar a “deterioração de alimentos por armazenamento prolongado, mantendo também os recibos de fornecimento e os registos de vendas”. O alerta foi alargado aos consumidores, em especial os grupos de alto risco, como crianças, idosos, grávidas e pessoas com sistema imunitário mais frágil, para evitarem o consumo de alimentos crus ou mal cozinhados. O HM analisou os dados partilhados pelos Serviços de Saúde desde o início do ano, até ao último caso reportado a 29 de Setembro, foram registados 21 casos colectivos de gastroenterite em escolas, lares e centros de recuperação, com a contabilidade de doentes a ascender a 191. O caso com o maior número de infecções aconteceu no início de Abril, na secção Primária da Escola Hou Kong (na Rua de Afonso de Albuquerque), com 46 alunos doentes.
João Santos Filipe Manchete PolíticaEventos | Chan Hao Weng quer novo pavilhão com 50 mil lugares Inspirado no exemplo de Hong Kong, Chan defende a criação de uma nova infra-estrutura para diversificar a economia e gerar mais empregos e pergunta se há planos para organizar grandes eventos internacionais em Macau Chan Hao Weng defende a necessidade de Macau construir um pavilhão com capacidade para 50 mil lugares e receber grandes eventos desportivos e culturais. A posição do deputado ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) consta de uma interpelação escrita sobre as políticas de diversificação económica. Chan considera que “actualmente Macau carece de um grande recinto fechado com capacidade para 50.000 pessoas, operável durante todo o ano”. O deputado argumenta que esta realidade “dificulta a realização de grandes eventos internacionais e limita o espaço de desenvolvimento da indústria não relacionada com o jogo”. Chan Hao Weng explica ainda que o actual Estádio de Macau tem apenas 15.700 lugares disponíveis, ficando “muito aquém do padrão exigido” para a organização dos grandes eventos da Confederação Asiática de Futebol. Segundo o legislador, um estádio precisa de, pelo menos, 50.000 lugares para receber uma final da Taça da Ásia. Mesmo um jogo das meias-finais exige 40.000 lugares. Como tal, o deputado argumenta que a RAEM está impossibilitada de “se candidatar, independentemente ou em co-organização”, à organização das competições internacionais de futebol de topo. Por isso, questiona o Executivo se planeia a construção de um “pavilhão desportivo multifuncional coberto, com capacidade para 50.000 lugares” e que cumpra os padrões internacionais da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Chan Hao Weng questiona ainda quando vai ser feita a escolha do local para receber o pavilhão, o estudo de viabilidade, se existe uma estimativa de custos e um calendário da execução das obras. Contactos internacionais Para apostar na economia dos grandes eventos, o legislador questiona o Executivo sobre a intenção de “estabelecer contactos com a Confederação Asiática de Futebol (AFC), a Federação Internacional de Futebol (FIFA) e a Associação de Futebol de Macau” para “promover, de forma sistemática, a candidatura e cooperação para a organização da Taça da Ásia, de competições internacionais de clubes e de torneios juvenis”. Chan Hao Weng defende igualmente a realização de jogos de futebol com equipas europeias de topo no território para “revitalizar” a “marca de Macau como sede de grandes eventos desportivos internacionais”. No documento, o deputado reconhece que as suas questões têm por base o “sucesso do Parque Desportivo Kai Tak em Hong Kong”. Esta foi uma zona desenvolvida no antigo aeroporto que inclui um estádio com capacidade para 50.000 pessoas, um pavilhão para espectáculos, com 10.000 lugares, e ainda um pavilhão desportivo, mais reduzido, que disponibiliza 5.000 lugares. “As grandes actividades desportivas e artísticas em Hong Kong impulsionaram milhares de milhões de dólares em consumo e valor acrescentado, estimulando eficazmente o emprego nos sectores hoteleiro, de restauração, de comércio a retalho e de serviços, constituindo um motor importante para a economia diversificada da cidade”, afirmou Chan Hao Weng sobre a cidade vizinha.
Hoje Macau Manchete PolíticaCCAC | Detectada falso registo de assiduidade em programa de Verão O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) detectou falhas na fiscalização dos registos de assiduidade de um estagiário no “Ocupação de Jovens em Férias 2025”. A investigação, desencadeada por uma queixa, levou a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) a emitir novas instruções vinculativas para cerca de 70 entidades públicas e privadas antes do início da edição de 2026. Segundo as conclusões do CCAC, o estagiário em causa registou frequentes atrasos e saídas antecipadas sem que os relatórios de assiduidade reflectissem as horas reais de trabalho. Além disso, o jovem compensava por iniciativa própria os atrasos no período da tarde, sem autorização prévia das chefias ou o devido registo nos formulários oficiais. O organismo liderado por Ao Ieong Seong acrescenta que situações deste tipo “não ajudam os alunos a desenvolver uma atitude positiva na vida e no trabalho”. Na sequência do alerta e das recomendações emitidas pelo CCAC, a DSEDJ actualizou as “Instruções sobre o Tratamento da Assiduidade dos Estagiários pelas Instituições de Estágio”, aplicáveis a todas as entidades aderentes ao programa. As novas directrizes impõem obrigações acrescidas aos supervisores, que passam a ter de esclarecer preventivamente as regras aos alunos, verificar diariamente as presenças e arquivar formalmente os comprovativos. O documento clarifica também as regras para compensação de atrasos, dedução de horas e a obrigatoriedade de comunicação imediata de qualquer anomalia. O caso, segundo o CCAC, terá mesmo levado vários serviços públicos a reforçar orientações internas, passando a utilizar cartões electrónicos de controlo de acessos para a marcação de ponto dos estagiários e uniformizando os processos de pedido de ausência.
Hoje Macau Manchete PolíticaMIF / Lusofonia | Comércio electrónico e economia azul para estreitar laços Na inauguração da Feira Internacional de Macau (MIF), a secretária para a Economia e Finanças, Dora Ng Wai Han, defendeu que a RAEM tem vindo a expandir a rede de cooperação comercial com mercados externos O Governo de Macau indicou ontem que quer reforçar a cooperação económica entre a China e os países de língua portuguesa, apostando em áreas como o comércio electrónico transfronteiriço e a economia azul. Na cerimónia de abertura conjunta da 31.ª Feira Internacional de Macau (MIF), da Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa (PLPEX) e da Exposição de Franquia de Macau, a secretária para a Economia e Finanças de Macau afirmou que o território deve aproveitar a “nova fase de abertura económica da China” para consolidar a posição como plataforma com os mercados lusófonos. “Com base na consolidação das funções da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP), o Governo da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau] tem vindo a expandir, de forma proactiva, a rede de cooperação comercial com mercados externos”, afirmou Ng Wai Han. Segundo a responsável, a PLPEX reúne “indústrias características, assim como produtos e serviços típicos provenientes de nove PLP”, com o objectivo de intensificar a cooperação em sectores como “o comércio electrónico transfronteiriço, a agricultura sino-lusófona e a economia azul”. A governante salientou que a estratégia está alinhada com as orientações do 15.º Plano Quinquenal da China, que prevê uma maior abertura ao exterior e um reforço do comércio de serviços e do investimento internacional. Ng Wai Han destacou ainda as missões empresariais realizadas este ano pelo Governo de Macau, nas quais participaram empresas de Macau, da vizinha zona económica especial de Hengqin (Ilha da Montanha) e da China continental, incluindo deslocações a Portugal e Espanha à procura de novas oportunidades de mercado. Outras iniciativas A cooperação com os países de língua portuguesa estará igualmente em destaque em várias iniciativas integradas nos certames, entre as quais a 16.ª Cimeira para o Desenvolvimento Comercial e Industrial da Província de Jiangsu, Macau e os PLP, a Sessão de Intercâmbio para Cooperação Económica e Comercial entre Fujian, Macau e os PLP e a Expo Internacional Agrícola China-PLP. Pela primeira vez, a Feira Internacional de Macau vai incluir um pavilhão dedicado aos países de língua espanhola. Segundo a organização, o novo Pavilhão da Indústria dos Países de Língua Espanhola irá reunir expositores de 11 países e pretende reforçar o papel de Macau enquanto plataforma de ligação entre a China, os países de língua portuguesa e os países hispanófonos. O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), que organiza a feira, indicou que o objectivo é criar oportunidades de negócio que liguem mercados externos, incluindo os países lusófonos, hispanófonos e os membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), apoiando a internacionalização das empresas. A MIF decorre até sábado, com uma área de 16 mil metros quadrados, cerca de mil expositores nacionais e estrangeiros, oriundos de mais de 30 países e regiões, e mais de 1.500 compradores internacionais. Entre os destaques, estão empresas de inteligência artificial (IA), que apresentam plataformas para robôs humanóides, geradores de aromas controlados por IA, robôs exo-esqueletos, assistentes de gestão empresarial e sistemas de impressão instantânea de fotografias tridimensionais sem necessidade de óculos. A organização anunciou ainda a presença de vários produtos internacionais, incluindo café de especialidade do Brasil, presunto ibérico de Espanha, artigos para o lar de Singapura e produtos de marcas centenárias europeias.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteHistória | Publicado livro “Sombras e Luzes do Império”, de Edgar Valles Foi recentemente publicado o livro “Sombras e Luzes do Império”, de Edgar Valles, advogado e irmão de Ademar e Sita Valles, assassinados em Angola no período pós-independência. Ao HM, o autor revela estar a preparar um livro sobre o caso. Em “Sombras e Luzes do Império”, Edgar Valles relata a Angola antes de 1974 Edgar Valles acaba de lançar o livro “Sombras e Luzes do Império”, com a chancela da Gradiva, que relata “episódios – uns doces, outros amargos – da vida colonial e da ‘metrópole'”. A obra transfere para o papel as vivências do advogado, com sangue goês, nascido em Angola em 1953. A “metrópole” que refere era o Portugal anterior ao 25 de Abril de 1974, quando havia um império colonial, que incluía Macau. Durante o Estado Novo, regime ditatorial que vigorou em Portugal entre 1933 e 1974, foram muitas as histórias de um império que passou por muitas crises antes de cair, incluindo 13 anos de guerra colonial. Edgar Valles diz ser uma espécie de “filho do império”, no sentido em que é “fruto do império”. “Se os portugueses não tivessem chegado a Goa, a minha família não teria ido para Angola. Por outro lado, a minha infância e adolescência, foram passados em Angola. Se não fosse esse império, não estaria em Angola, e não teria estudado em Portugal”, frisou. “Sombras e Luzes do Império” não tem cunho ideológico, nascendo de crónicas que Edgar Valles foi escrevendo na imprensa local portuguesa. “O livro não tem pretensões ideológicas, nem pedagógicas. Relata apenas experiências vividas. Isto porque considero que, hoje em dia, os jovens têm acesso a muita coisa, a redes sociais, a televisão, a tudo, mas leem muito pouco. E procurei traduzir no papel histórias de vida em que não sou o personagem central, mas apenas a pessoa que assistiu a muitas situações.” Segundo a sinopse do livro, descrevem-se “histórias verdadeiras e bem-humoradas, como o desembarque do primeiro-ministro Nehru numa praia de Benguela, que ali teria chegado de submarino e era procurado por tal infracção”. Há ainda o relato “do lutador antifascista que se julga vigiado por um casal de agentes da PIDE a partir de um automóvel, quando, afinal, estes apenas estavam a utilizar o veículo para outros fins, por sinal atentatórios da moral dominante”. O livro contém também “histórias sobre as peripécias da luta política contra o regime”. “Sombras e Luzes do Império” lança um convite ao leitor para “reflectir sobre estes relatos com a franqueza e profundidade que exigem, permitindo que as histórias contadas revelem não apenas a história de um tempo, mas também as ressonâncias que ecoam na nossa própria identidade”, descreve a mesma sinopse. Um “modo de vida diferente” O lado bom desse antigo império português era “o modo de vida”, recordou Edgar Valles. Se Portugal parecia um país sombrio, a viver numa ditadura, com separação de sexos nas escolas e baixo nível de vida, nas antigas colónias a vida tinha mais cor, apesar do regime político ser o mesmo. “Nós, tal como acontecia em Moçambique, tínhamos praia, desportos náuticos, sol. No fundo, era um modo de vida completamente diferente do que existe aqui. Éramos muito abertos, os miúdos andavam de calções, e mesmo os adultos vestiam-se de forma muito simples. Tratávamos toda a gente por tu. Chocou-me, por exemplo, quando tinha 17 anos e vim para Lisboa, para a Faculdade de Direito, o facto de as pessoas não se tratarem por tu”, frisou. Edgar Valles diz que este e outros episódios lhe causaram “impressão”. “É estranho, porque as pessoas daqui de Lisboa consideravam que nós éramos atrasados [os que vinham das colónias africanas], mas nós éramos mais avançados em muita coisa. Até tínhamos coca-cola, coisa que aqui não havia”, relata. Edgar Valles diz ter percebido, já na adolescência, que pertencia a um império que acarretava uma certa ideologia e propaganda que não batiam certo com a realidade. “Despertei para isso antes de vir para cá. Mas, no fundo, há uma luta de contrários. Por um lado, havia aquele orgulho em ser português que eu cheguei a ter, do ‘Portugal de Minho a Timor’. Isto quando tinha uns 12, 13, 14 nos. Mas depois houve a constatação de que as coisas não eram bem assim. Isso, às vezes, é doloroso.” Questionado sobre o seu sentimento de pertença, Edgar Valles diz que, quando está em Goa, sente-se goês. “Quando estou em Portugal, sinto-me português de Portugal.” Angola não entra nesta equação. As “testemunhas de Jeová” Edgar Valles chega a Lisboa em 1970 e ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, quando a luta estudantil contra o regime está ao rubro. Aderiu ao Partido Comunista Português (PCP) e abraçou a luta anti-fascista, mas nunca foi preso pela PIDE. “A minha mulher foi presa e esteve seis dias em tortura de sono, em que a pessoa tinha de ficar de pé, e se se deitasse, era pontapeada. Também era chamada tortura da estátua. Só tive uma situação [de risco de prisão], mas não foi relevante: a 5 de Outubro de 1973 fazíamos sempre uma romagem ao cemitério do Alto de S. João, a polícia carregou e prendeu uma série de pessoas, e eu estive detido umas horas. Seríamos apresentados a julgamento por actividades subversivas, mas depois deu-se o 25 de Abril”. Deixou o PCP anos depois da revolução, no contexto do assassinato da irmã, Sita Valles, aquando do movimento de 27 de Maio de 1977 em Angola, e também do irmão, Ademar Valles. Sita tinha pertencido ao PCP e quando é morta por forças ligadas ao partido angolano MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola, o PCP nunca saiu em defesa da sua antiga militante e dirigente. “Saí depois em 1977, quando isso aconteceu em Angola. Na altura acreditava naquilo tudo. Aquilo é fanatismo, como as Testemunhas de Jeová. Achávamos que a revolução estava a ir por água abaixo, e que o povo deveria revoltar-se e travar o capitalismo que se estava a implantar.” A saída do PCP deu-se, precisamente, por considerar injusto o tratamento que o partido deu ao caso Sita Valles, que tinha sido uma das mais importantes dirigentes da UEC – União dos Estudantes Comunistas, quando era estudante de Medicina. Edgar Valles acha, porém, que já é tarde para que as autoridades governamentais ou entidades partidárias se pronunciem sobre o caso. “Acho que já se falou bastante. Na altura, as autoridades deveriam ter tido outro tipo de postura, agora perdeu-se um pouco a oportunidade. É algo que as autoridades consideram um caso encerrado, infelizmente.” A história de Sita Valles, e do próprio Edgar e Ademar, conta-se no livro “Sita Valles – Revolucionária, Comunista até à Morte (1955-1977)”, da jornalista Leonor Figueiredo. Novo livro a caminho A perda dos irmãos e o contexto político em que isso aconteceu será tema central de um novo livro. Sobre ele, Edgar Valles pouco quer revelar agora. “Vou escrever sobre o que aconteceu a seguir ao 25 de Abril.” Ao reviver o passado, o autor não tem dúvidas de que foi o dia mais feliz da sua vida, mas teve desilusões com tudo o que aconteceu a seguir. “Houve muitas melhorias do ponto de vista económico na sociedade portuguesa, mas há um certo sentimento de angústia pelo facto de não se ter conseguido atingir estabilidade social. Acaba por haver uma liberdade muito formal, com algum controlo, porque é difícil publicar opiniões críticas. Há um certo desencanto na sociedade actual”, considerou.