João Santos Filipe SociedadeEPM | Participação voluntária em campo militar A Escola Portuguesa de Macau (EPM) garante que a participação do grupo de 16 alunos no Acampamento da Defesa Nacional se deveu à vontade dos encarregados de educação. As explicações foram fornecidas ao HM, depois de terem sido enviadas perguntas sobre uma publicação divulgada nas redes sociais da instituição de ensino. “À semelhança de anos anteriores, no presente ano lectivo, vários estudantes da EPM participaram no Acampamento da Defesa Nacional do ano lectivo 2025-2026, dinamizado pela DSEDJ”, foi explicado. “No cumprimento das orientações da DSEDJ, esta iniciativa foi divulgada aos alunos do 8.º ano pelos respectivos Directores de Turma. Os Encarregados de Educação dos alunos que manifestaram interesse em participar nesta actividade deram o seu consentimento”, foi acrescentado. Em relação à realização deste tipo de actividades no futuro e ao facto de poderem envolver o manuseamento de armas brancas e réplicas de armas de fogo, entre menores, a EPM remeteu comentários para a “entidade promotora da actividade”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeAviação | Air Macau admite cancelamento de 400 voos em Maio e Junho A empresa justifica-se com o aumento do preço dos combustíveis, que aponta ter subido para 205 dólares americanos por barril. A Air Macau admite ser incapaz de explorar comercialmente o negócio nestas circunstâncias, mas defende-se dizendo que segue as práticas internacionais A Air Macau admite que cancelou 400 voos previstos para Maio e Junho, o que justificou com o aumento do preço do combustível. A reacção surge depois de nas últimas semanas terem aparecido várias informações de que a companhia aérea de Macau estava a cancelar vários voos regionais, sem que houvesse confirmação oficial. No sábado, de acordo com uma resposta citada pelo jornal Ou Mun e pelo canal chinês da Rádio Macau, a empresa admitiu que já tinha cancelado 155 voos internacionais. A estes, juntam-se outros 245 voos para destinos no Interior, o que significa que, em média, a Air Macau está a cancelar seis voos por dia. Quando questionada sobre os motivos dos cancelamentos, a transportadora local, que é controlada pela empresa estatal que também controla a Air China, justificou-se ao indicar que o preço do combustível para aviação internacional subiu para 205 dólares americanos por barril, e que nem o aumento da “taxa e combustível” permitiu cobrir os custos operacionais crescentes. Segundo a Air Macau, os cancelamentos antecipados fazem com que os passageiros não sejam surpreendidos por alterações na véspera da viagem, e assim possam proteger melhor os seus direitos. A companhia local defendeu também que os cancelamentos com duas semanas de antecedência são uma prática internacional na forma como se lida com o aumento dos preços do combustível. Os cancelamentos acontecem numa altura em que Macau tenta atrair cada vez mais visitantes internacionais. Sobre este aspecto, a empresa, que tem como accionista o Governo da RAEM, indica que está a fazer “todos os esforços” para preservar as ligações a Macau. Queixas recebidas Por sua vez, o Conselho de Consumidores (CC), que é controlado pelo Governo, o segundo maior accionista na Air Macau, revelou ao canal chinês da Rádio Macau ter recebido cinco queixas desde o início de Abril. As queixas foram apresentadas por três residentes e dois turistas. Ao mesmo tempo, o organismo liderado Leong Pek San afirmou que quando recebe qualquer queixa entra em contacto com as companhias aéreas “o mais rapidamente possível” para informar a empresa sobre as denúncias e “mediar os litígios entre as duas partes”. Em algum momento, na resposta citada pela Rádio Macau, o Conselho Consumidores coloca a possibilidade de haver sanções. Em vez disso, a autoridade “insta” as companhas aéreas “a notificar antecipadamente os consumidores com reservas e a disponibilizar opções adequadas de remarcação e reembolso, caso sejam necessários ajustes nos voos”.
João Santos Filipe Manchete PolíticaCombustíveis | Deputado sugere financiamento de PME O deputado da FAOM considera que os preços sobem muito depressa, mas que demoram demasiado tempo a descer, pelo que pede uma maior fiscalização do mercado pelas autoridades competentes O deputado Leong Sun Iok defende que o Governo deve seguir o exemplo de Hong Kong e subsidiar o preço dos combustíveis para as Pequenas e Médias Empresas (PME). A proposta do membro da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) surge numa interpelação escrita. No documento, Leong Sun Iok começa por questionar o Executivo sobre o facto de os preços do petróleo estarem em quebra nos tempos mais recentes, apesar do prolongar da tensão no Médio Oriente, sem que os efeitos se sintam na RAEM. “É importante notar que, apesar de uma recente queda significativa nos preços internacionais do petróleo, os preços a retalho dos combustíveis e do gás de petróleo liquefeito (GPL) em Macau ainda não acompanharam essa redução”, apontou. “Sendo os combustíveis e o GPL bens indispensáveis para a vida quotidiana dos cidadãos e para os diversos sectores de actividade, a subida dos preços tem um impacto directo nas despesas correntes da população e nos custos globais do transporte e da logística da sociedade”, alertou. Com tudo a ficar mais caro, devido ao efeito transversal do aumento dos preços internacionais do petróleo, Leong indica que mais uma vez a população verifica que os preços dos combustíveis e do gás “sobem rapidamente e muito”, quando há aumento internacional, mas que quando a tendência é a oposta, a redução acontece “devagar” e numa proporção menor. O deputado afirma também que esta é uma situação regular e que aconteceu quando houve a invasão da Ucrânia pela Rússia. Por isso, Leong pergunta ao Governo se há planos para “aperfeiçoar” o mecanismo de fiscalização dos preços. Política de apoios Também para evitar que a população tenha de suportar totalmente o aumento dos combustíveis, o deputado sugere apoio para as PME, como acontece em Hong Kong. Desta forma, indica o legislador, ajuda-se as empresas e faz-se com que os preços no consumidor não sejam tão elevados. “Com vista a aliviar os encargos dos sectores, o vizinho Governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong anunciou recentemente a implementação de uma medida de alívio com duração de dois meses, incluindo um subsídio de 3 dólares de Hong Kong por litro de gasóleo para veículos comerciais, bem como a redução de 50 por cento das portagens de túneis”, descreveu. “O Governo da RAEM deve ponderar activamente tal prática, acompanhar de perto a subida dos preços em Macau e avaliar, sempre que necessário, a introdução de abonos específicos a combustíveis ou medidas de alívio dirigidas aos sectores dos transportes e às micro, pequenas e médias empresas mais afectados pela volatilidade dos preços dos combustíveis, de modo a aliviar os encargos dos sectores e contribuir para a estabilização dos preços”, opinou. “Vai fazê-lo?”, perguntou.
João Santos Filipe PolíticaFB | Publicação de Coutinho sobre Tai Kin Ip desaparece Desapareceu da rede social Facebook, uma publicação do deputado José Pereira Coutinho, que surgiu na quinta-feira, após ser pública a exoneração do ex-secretário para a Economia e Finanças Tai Kin Ip. Na mensagem, José Pereira Coutinho mostrava-se a ser entrevistado pelo canal de Hong Kong TVB e a considerar “acertada” a saída do secretário do Governo. “Acabei de ser entrevistado pela TVB de Hong-Kong sobre a demissão do Secretário para a Economia e Finanças Doutor Tai Kin Yip”, revelava o legislador. “Trata-se de uma medida acertada para resolver muitos problemas estruturantes tais como o desemprego juvenil, a diminuição dos trabalhadores não residentes, a atracção e criação de empresas de elevada qualidade, o uso correcto do erário público etc. Esta mudança implica igualmente a elevação da qualidade de serviços dos dirigentes e chefias das estruturas subordinadas”, acrescentava. José Pereira Coutinho apontava ainda que “o mérito constitui o critério preponderante nas escolhas” das pessoas para os “elevados cargos públicos” e que as selecções não devem ser feitas por “amizade pessoal e outras razões dúbias”. “Porque no final quem paga a factura é o Povo”, sublinhava. “Esperamos que no futuro haja melhor comunicação com a sociedade e que não vivam isolados da realidade social”, concluía. O HM contactou o deputado para perceber os motivos do desaparecimento da publicação, mas não recebeu qualquer resposta até ao fecho da edição.
João Santos Filipe Manchete SociedadeActivos Públicos | Empresa da UM com lucro de 2,7 milhões Os resultados mais recentes da empresa que realiza estudos ficam marcados por uma correcção do lucro de 2024, que passou de 781 mil patacas para 2,9 milhões de patacas No ano passado, a UMTEC, empresa controlada pela Universidade de Macau, apresentou um lucro de 2,7 milhões de patacas, de acordo com os dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços da Supervisão e Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). Os resultados mais recentes apresentam uma revisão da contabilidade relativa a 2024. Em 2025, as vendas da empresa, que disponibiliza serviços de investigação, dispararam de 18,1 milhões de patacas para 31,2 milhões de patacas. Contudo, os custos das vendas também ficaram mais caros, com uma subida de 15,3 milhões para 23,1 milhões de patacas. Como resultado destas alterações, os lucros brutos subiram de 2,8 milhões para 8,1 milhões de patacas. No entanto, a UMTEC gerou menos dinheiro em “operações de financiamento”, com os ganhos a serem reduzidos em 400 mil patacas, e com os “outros rendimentos”, com a fonte das receitas a apresentar uma redução de quase 2 milhões de patacas. Ao mesmo tempo, as “outras despesas” da empresa apresentaram um salto significativo ao atingirem 2,8 milhões de patacas, quando no ano anterior não tinham ido além de 233 mil patacas. Esta diferença foi justificada com maiores perdas devido a trocas cambiais. As variações indicadas explicam o motivo que leva a empresa a apresentar uma redução dos lucros, apesar de até ter obtido receitas maiores do que no ano anterior. Resultados corrigidos Apesar das diferenças, os resultados da UMTEC ficam marcados pela correcção dos números declarados relativamente a 2024. No ano passado, a UMTEC tinha declarado lucros em 2024 de 781 mil patacas. Contudo, os resultados de ontem apresentam uma correcção desses números, que saltaram de 781 mil patacas para 2,9 milhões de patacas. Estas alteração foi explicada com a forma como os investimentos em moeda que não a pataca foram calculados, principalmente tendo em conta a construção do novo campus na Ilha da Montanha, através da subsidiária Guangdong Hengqin UM Higher Education Development. “A administração observou uma diferença técnica entre a taxa de câmbio original utilizada e a taxa de referência adoptada nas melhores práticas de mercado em vigor, resultante principalmente da selecção de diferentes plataformas de referência de taxas de câmbio”, foi justificado. “Para cumprir rigorosamente as normas de relato financeiro e garantir que o valor contabilístico do investimento reflecte com precisão o valor real durante esse período, a taxa de câmbio à vista aplicável à data da transacção foi tecnicamente revista de 1,118 para 1,1347”, foi acrescentado. Face a esta alteração, em 2024 os “outros rendimentos” da empresa aumentaram de 30 mil patacas para 2,2 mil milhões de patacas, justificando a correcção do lucro. Mais lucros A UMCERT Investigação e Ensaios em Engenharia, uma das empresas detidas pela Universidade de Macau (UM) para prestar serviços de pesquisa, registou um lucro de 7,3 milhões no ano passado. Os resultados foram apresentados no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicas (DSSGAP) e representam uma quebra em relação a 2024, quando o lucro tinha atingido as 10,5 milhões de patacas. A UMCERT Investigação e Ensaios em Engenharia é uma das três empresas controladas pela Universidade de Macau. As restantes são a UMTEC, que também se dedica à investigação, e a Guangdong Hengqin UM Higher Education Development, que vai ser responsável pelo desenvolvimento do novo campus da UM no Interior, num investimento que poderá chegar aos 4 mil milhões de renminbis.
João Santos Filipe Manchete SociedadeEPM | Alunos participaram em acampamento militar Um grupo de alunos esteve cinco dias em Zhuhai no Centro de Formação e Educação para a Defesa Nacional, onde trocaram os uniformes da EPM pelas fardas militares. Segundo um jornal do Interior, as iniciativas deste género envolvem o manuseamento de armas, mas as fotos da escola não mostram estudantes armados Um grupo de cerca de 16 estudantes da Escola Portuguesa de Macau (EPM) participou, em Zhuhai, num dos acampamentos militares no Interior para promover o patriotismo. A iniciativa foi organizada em conjunto pela Departamento de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e pela General Association of Chinese Students of Macau, e divulgada pela instituição de ensino, através das redes sociais. “O Acampamento da Defesa Nacional do ano lectivo 2025-26 organizado pelo Departamento de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e co-organizado pela General Association of Chinese Students of Macau, decorreu de 30 de Março a 03 de Abril, no Centro de Formação e Educação para a Defesa Nacional, em Zhuhai”, comunicou a escola. A instituição de ensino classificou ainda a iniciativa como “uma actividade de cinco dias em que os estudantes tiveram a oportunidade de vivenciar um treino militar, em regime de internato”. “O objectivo foi cultivar o senso de disciplina, o espírito de equipa, além de fortalecer o sentido de patriotismo”, foi acrescentado. O HM contactou a EPM para perceber os moldes da participação da escola na iniciativa, a forma de selecção dos alunos no acampamento e ainda se no futuro haverá mais estudantes a participar em iniciativas semelhantes. Até ao fecho da edição de ontem não foi recebida qualquer resposta. Projecto do Governo O envolvimento de estudantes locais em acampamentos militares em Zhuhai tornou-se uma prática frequente nos últimos anos, no âmbito das políticas nacionalistas, com a participação dos alunos a ser divulgadas nas redes sociais pelas instituições de ensino. Em 2024, foi tornado público que “as autoridades relevantes de Macau estabeleceram uma cooperação de longo-prazo com o Centro de Formação e Educação para a Defesa Nacional de Zhuhai para a organização de campos militares”. A informação foi divulgada pelo portal do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, que citou um artigo do jornal estatal de Guangdong Southern Daily. O artigo referia ainda que todos os anos, cerca de 4.000 alunos do 8º ano de escolaridade de Macau iriam a Zhuhai participar em “campos de actividades de educação para a segurança nacional”. Neste artigo, era indicado que os treinos iam envolver o “manuseio de armas, competências básicas de estratégia militar, combate corpo a corpo (incluindo com armas brancas), obedecer a ordens”, simulação de situações de combate e cerimónias de hastear da bandeira nacional. O HM tentou perceber junto da EPM se houve manuseamento de armas em Zhuhai, mas não recebeu qualquer resposta. As fotos divulgadas pela EPM não mostram armas.
João Santos Filipe Manchete SociedadeJogo | Apesar de subida das receitas, lucros devem manter-se No primeiro trimestre do ano, as receitas das concessionárias apresentaram um crescimento anual de 14,3 por cento. No entanto, os analistas do banco Jefferies consideram que a competição entre as operadoras pode fazer com que os lucros arrecadados não sofram grandes alterações Apesar do aumento das receitas do jogo no início do ano, o banco de investimento Jefferies indica que os lucros das concessionárias se estão a manter nos valores do ano passado. O cenário é traçado no relatório mais recente para os investidores, citado pelo portal GGRAsia. Segundo o documento assinado pelos analistas Anne Ling e Jingjue Pei, a margem dos resultados ajustados antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) continuar a ser “um desafio” para as concessionárias. Esta margem é um indicador financeiro que mede a percentagem de receita líquida que uma empresa transforma em lucro operacional. No primeiro trimestre do ano, as receitas aumentaram 14,3 por cento, em termos anuais, mas o crescimento foi motivado pelo segmento dos grandes apostadores, onde a margem de lucro está a ser afectada “pelas promoções e pela competição” entre as concessionárias. Em relação aos resultados das operadoras, o banco Jefferies acredita que a Sands China vai apresentar a maior capacidade de transformar as receitas em lucros operacionais, ao atingir uma percentagem de 30 por cento. No pólo oposto, o desempenho mais fraco do mercado é atribuído à SJM, com uma margem de 15 por cento. No entanto, nem tudo são más notícias para a SJM, uma vez que a margem de 15 por cento é superior à do período homólogo em dois pontos percentuais e à do trimestre anterior em cinco pontos percentuais. Os analistas atribuem a diferença, que consideram benéfica, ao encerramento dos casinos-satélite. Subida de 6,8 por cento Sobre estimativas para o mercado do jogo, os analistas estimam um crescimento anual das receitas de 6,8 por cento, o que deverá representar um total de 264,2 mil milhões de patacas, quando no ano passado foi de 247,4 mil milhões de patacas. “Estimamos um aumento das receitas brutas do jogo de 6,8 em 2026, face ao consenso de 6 por cento”, indicaram os analistas. Estes números significam que em termos das receitas da indústria o banco Jefferies está mais optimista do que a maioria dos outros analistas. No primeiro trimestre do ano, as receitas do jogo atingiram 65,9 mil milhões de patacas, um crescimento anual de 14,3 por cento. Nos primeiros três meses de 2025, as receitas tinham atingido 57,7 mil milhões de patacas, o que na altura representou um crescimento anual de 0,6 por cento. Desde o início do corrente ano, Janeiro foi o mês com maiores receitas, que chegaram às 22,6 mil milhões de patacas. Em Fevereiro, as receitas foram de 20,6 mil milhões de patacas e em Março de 22,6 mil milhões de patacas.
João Santos Filipe Manchete PolíticaAbusos | Defendidos novos moldes para consultas com menores Após a PJ ter anunciado o caso de um especialista de medicina tradicional chinesa que terá abusado de uma menor, a deputada Wong Kit Cheng defende que é preciso garantir que há sempre um adulto a acompanhar os menores nas consultas médicas Wong Kit Cheng defendeu a revisão dos moldes em que decorrem as consultas médicas com menores. Esta foi a reacção da deputada ligada às Mulheres, depois da Polícia Judiciária (PJ) ter revelado, na terça-feira, o caso de um profissional especializado em medicina tradicional chinesa suspeito do crime de assédio sexual de menor. De acordo com as declarações citadas pelo jornal Ou Mun, a deputada considera que a sociedade tem a obrigação de proteger os menores pelo que devem ser revistos os moldes das consultas médicas com menores, para criar mecanismos legais mais fortes e “proteger os pacientes”. A deputada, que é enfermeira de formação, indica que o Governo deve estudar a possibilidade de os menores serem sempre acompanhados por familiares nas consultas médicas. Wong Kit Cheng afirmou também que é necessário que o Serviços de Saúde (SS) comece a suspender de forma preventiva o pessoal médico suspeito, e interromper o funcionamento das clínicas, quando existem suspeitas de crimes contra menores e os pacientes. Em relação ao caso em concreto, a deputada condenou o médico, por considerar que abusou da confiança estabelecida entre o profissional de saúde e o paciente. Wong observou ainda que este tipo de condutas contribui para quebrar a confiança entre a população e os médicos do território. Massagens e óleos afrodisíacos Na terça-feira, a PJ anunciou a detenção de um médico de 44 anos especializado em medicina tradicional chinesa por assédio de uma paciente menor. Segundo a versão das autoridades, a vítima foi duas vezes à clínica acompanhada pela família para tratar de tremores nas mãos. Sempre que a menor foi acompanhada, o médico mostrou um comportamento profissional. Contudo, na terceira visita, a vítima foi sozinha, e a consulta terá decorrido de forma diferente do habitual. O médico pediu à menor que trocasse de roupa, para receber uma massagem na zona das pernas, cinturas e costas. Durante esta massagem, o médico terá baixado a roupa interior da menor e aberto as pernas da vítima, para poder ver-lhe a vagina. Além disso, terá colocado um óleo na cintura da paciente, sendo que esta afirma que após a aplicação do óleo teve uma sensação de quente. Após a consulta, a menor sentiu-se assediada e contou à família o sucedido. A queixa foi apresentada dois dias depois dos acontecimentos, o que a família justificou com a necessidade “pensar com cuidado” sobre o sucedido. Durante as investigações, a PJ apreendeu um óleo, que acredita ter sido utilizado no alegado crime, e que apresentou à comunicação social como óleo afrodisíaco. Nas investigações, descobriu-se ainda que o médico, em conluio com outros dois funcionários da clínica, terá cometido uma burla com vales de saúde, no valor de 860 mil patacas. Todos detidos O crime de abuso sexual de menor prevê uma pena de prisão mínima de 1 ano e máxima de 10 anos, dependendo dos contornos do caso. A PJ indicou não ter havido violação, o que poderá contribuir para uma pena menos pesada. No caso da burla de valor consideravelmente elevado, os três detidos arriscam uma pena de prisão mínima de 2 anos e máxima de 10 anos.
João Santos Filipe Manchete PolíticaConsumo | Pedido cartão de 10 mil patacas para residentes O deputado Chan Hao Wan, ligado à ATFPM, justifica a necessidade da distribuição de uma nova ronda do cartão de consumo de 10 mil patacas com o preço dos combustíveis e as dificuldades de emprego sentidas tanto pelos mais jovens como por pessoas de meia-idade O deputado Chan Hao Wan defende a atribuição de um cartão de consumo no valor de 10 mil patacas a cada residente, para fazer face ao preço dos combustíveis. A posição do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) consta de uma interpelação escrita. Segundo Chan, “devido à instabilidade da conjuntura internacional, os preços do petróleo têm vindo a aumentar a nível mundial” e em Macau acompanha-se a tendência. O deputado indica que desde Janeiro, quando o preço médio da gasolina sem chumbo era de 14,72 patacas por litro, houve um aumento de 16,4 por cento, uma vez que foi atingido um preço máximo de 17,40 patacas por litro. No mercado grossista, a gasolina é comercializada a 16,34 patacas por litro. “Esta volatilidade dos preços dos combustíveis é obviamente uma injustiça para os consumidores, havendo necessidade de reforçar a fiscalização do Governo”, aponta Chan. Como consequência, os preços junto da população estão a aumentar: “A subida do preço dos combustíveis tem vindo a aumentar directamente os custos das famílias e dos comerciantes em Macau”, indica o deputado. “As famílias de base, os idosos e os grupos com baixo rendimento enfrentam uma grave pressão de vida, uma vez que o crescimento dos salários não acompanha a inflação, sendo necessária uma gestão extremamente rigorosa das suas despesas diárias”, avisa. Crise no emprego Às dificuldades apresentadas pelo aumento do preço dos combustíveis, junta-se a “crítica situação do emprego em Macau”, onde “os jovens e as pessoas de meia-idade em mudança de emprego enfrentam dificuldades” e “rendimentos instáveis”. Ao mesmo tempo, Chan Hao Wan argumenta que as reservas da RAEM geraram 42,9 mil milhões de patacas no ano passado, mais do que suficiente para pagar esta medida extraordinária. “Tendo em conta a actual grande pressão de vida dos residentes, a elevada inflação, a robustez da reserva financeira da RAEM e as dificuldades dos residentes das camadas sociais mais baixas, dos idosos e dos grupos mais vulneráveis, o Governo vai atribuir um cartão de consumo no valor de 10 mil patacas, com vista a atenuar directamente os encargos da população?”, questiona. “O Governo vai ainda lançar outras medidas complementares para atenuar as dificuldades da população? Vai prestar um apoio geral às famílias das camadas sociais mais baixas, aos idosos e aos grupos vulneráveis, no sentido de assegurar uma vida estável?”, acrescenta. O deputado pede ainda ao Executivo que fiscalize de forma mais rigorosa as gasolineiras, um pedido antigo dos legisladores, e deixa o desejo que o Governo liderado por Sam Hou Fai “escute as vozes das camadas mais desfavorecidas da população”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeConsumo | Ourivesarias satisfeitas com efeitos de grande prémio U Gon Seng, presidente do Conselho Fiscal da Associação das Ourivesarias de Macau, elogiou a iniciativa e considera que é muito importante para fazer face à redução da procura naquela que é uma época baixa para as lojas Desde segunda-feira, que arrancou a ronda mais recente do grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias e logo no primeiro dia a Associação das Ourivesarias de Macau afirmou que as lojas já sentiram uma maior procura. A posição foi tomada por U Gon Seng presidente do Conselho Fiscal da associação, em declarações ao jornal Exmoo. U Gon Seng afirmou que muitas famílias utilizaram os cupões que ganharam no sorteio para a compra de ouro em grãos e joias em ouro, por terem descontos de cerca de 30 por cento com a iniciativa. O também empresário, responsável da Joalharia e Ourivesaria Chong Fok, apontou que nos primeiros dias do grande prémio do consumo registou-se um aumento significativo da emissão de recibos, prevendo-se que o volume total de negócios vá aumentar entre 10 e 20 por cento, face aos períodos em que não há incentivos ao consumo. Segundo o novo modelo da iniciativa, quando, entre sexta-feira e domingo, os consumidores utilizarem meios de pagamento electrónicos para contas superiores a 50 patacas ficam habilitados a três sorteios imediatos de atribuição de vales de consumo com descontos. U Gon Seng considera que o novo modelo é positivo porque as oportunidades de ganhar cupões com descontos vão aumentar, dado que haverá menos dias de sorteio por semana. Ao mesmo tempo, o responsável explicou que uma possível valorização do ouro ao longo do ano é tida como um incentivo à compra por parte dos residentes. Período difícil O responsável considerou ainda importante a iniciativa e explicou que depois do Ano Novo Lunar o mercado atravessa tradicionalmente um período de menor procura, o que contribui para aumentar a pressão sobre os comerciantes nos bairros comunitários. Todavia, com este grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias há um maior incentivo ao consumo, que beneficia estes negócios. U Gon Seng sugeriu ainda que o Governo pode continuar a expandir o âmbito dos destinatários para beneficiar mais comerciantes nos bairros comunitários. Olhando para as expectativas de negócio do sector de joalharia e ourivesaria este ano, U Gon Seng admitiu como natural a correcção do preço, face ao ano passado, mas não afastou a possibilidade de haver uma nova valorização para valores recorde, que podem levar mais pessoas a comprarem produtos de ouro. U Gon Seng prevê que o preço de ouro possa ultrapassar o ponto mais alto do ano passado e mantém-se optimista, dado considerar que as políticas monetárias em relação ao dólar americano vão estimular a valorização de ouro e outros metais preciosos. A nova ronda do Grande Prémio Para o Consumo Nas Zonas Comunitárias vai distribuir 400 milhões de patacas em descontos ao longo das próximas 10 semanas.
João Santos Filipe Manchete SociedadeSeguros | Vendedores não conseguem receber comissões Os veículos com matrículas duplas de Macau e Hong Kong precisam de três seguros para circular na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. No entanto, quando os vendedores de Macau contribuem para a compra dos seguros fora da RAEM estão legalmente impedidos de receber comissão Os vendedores de seguros em Macau que ajudam os proprietários de veículos com matrícula dupla de Hong Kong e de Macau a obterem seguros para circularem na Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau não estão a receber comissões pelo serviço. A situação foi denunciada pelo deputado Leong Sun Iok, que indica existirem impedimentos legais em Hong Kong a bloquear o pagamento das comissões. Actualmente, uma vez que grande parte da ponte fica na jurisdição do Interior, os residentes com matrícula de Macau e Hong Kong precisam de adquirir seguros nas três jurisdições. Estes seguros podem ser comprados em Macau, através dos serviços “one stop”. No entanto, mesmo quando a compra acontece em Macau e por veículos de Macau, a legislação em vigor em Hong Kong impede que se paguem comissões sobre esses seguros em Macau. Segundo Leong, o “sector” dos seguros “presta apoio aos residentes no tratamento dos seguros legais dos três locais para ‘veículos de dupla matrícula de Hong Kong e de Macau’, através do mecanismo ‘one stop’”, mas depois “esses trabalhadores não conseguem obter a respectiva retribuição pelo serviço prestado”. Frutos do desenvolvimento Neste sentido, e dado que muitas vezes o registo inicial da viatura aconteceu em Macau, onde a primeira matrícula foi emitida e o veículo circula principalmente, Leong Sun Iok pede ao Governo que crie um mecanismo com as autoridades de Hong Kong, para permitir pagamentos aos trabalhadores em Macau. “Sugere-se que se estude, em conjunto com Hong Kong, a possibilidade da criação de um ‘mecanismo de conformidade’, com base no ‘local onde foi efectuado o registo inicial e a primeira matrícula de veículo’, para permitir que os referidos trabalhadores de Macau possam obter uma retribuição correspondente”, apontou. Leong argumenta ainda que esta questão passa por defender “os direitos e interesses” dos trabalhadores locais que contribuem para a compra dos seguros, pelo que no seu entender devem ter direito a receber uma comissão. Na interpelação divulgada no portal da Assembleia Legislativa, Leong Sun Iok pede ainda que as autoridades acelerem a política de reconhecimento de seguros equivalentes para os veículos que só têm matrícula de Hengqin ou matrícula dupla de Guangdong e de Macau, para ficarem dispensados da compra de dois seguros de responsabilidade civil de automóvel.
João Santos Filipe Manchete SociedadeEleições | Lee Sio Kuan e mais cinco réus condenados por corrupção O colectivo de juízes liderado por Cheong Weng Tong condenou seis dos 18 acusados. No entanto, avisou os absolvidos que a sua inocência se deve à falta de prova e não ao facto de não terem praticado factos que se poderiam constituir em crime Lee Sio Kuan foi condenado a 5 anos de prisão efectiva, pela prática dos crimes de corrupção eleitoral e de falsificação de documentos. A sentença foi lida na sexta-feira no Tribunal Judicial de Base e os factos estão relacionados com a oferta de uma viagem pela Lista Ou Mun Kong I, que participou nas eleições de 2021, no âmbito da recolha das assinaturas para participar no acto eleitoral. Segundo o jornal Ou Mun, Lee Sio Kuan foi condenado pela prática do crime de corrupção eleitoral e de falsificação de documentos, numa pena de prisão de 5 anos. Wu U Choi, segundo arguido, foi igualmente condenado pelos mesmo crimes, mas enfrenta uma pena efectiva de prisão mais reduzida de 3 anos e 6 meses. Lee Sio Kuan e Wu U Choi estavam acusados pelo Ministério Público (MP) de 48 crimes de falsificação de documento e 235 crimes de corrupção eleitoral. Durante a leitura da sentença, a presidente do colectivo de juízes, Cheong Weng Tong afirmou que o tribunal chegou à conclusão sobre os factos com base no depoimento de 200 testemunhas. Estes depoimentos levaram o tribunal a considerar que Lee Sio Kuan conhecia a dificuldade de recolher as assinaturas válidas a curto prazo, e que por isso utilizou a viagem de meio dia, oferecida de forma gratuita, para recolher as assinaturas. Segundo as perícias às assinaturas, a escrita de “Ou Mun Kong I” no formulário foi feita por Lee Sio Kuan, enquanto as assinaturas de eleitores foram falsificadas por Wu U Choi. Muitas absolvições Além de Lee Sio Kuan e Wu U Choi foi ainda condenada Che Mio Peng, terceira arguida, devido a corrupção eleitoral, na pena de 2 anos e 3 meses. O tribunal deu como provado que Che não contactou com Lee Sio Kuan, mas que manteve contactos com Wu U Choi, pelo que concluiu que houve envolvimento porque tratou de enviar mensagens aos participantes nas viagens a pedir que trouxessem o Bilhete de Identidade de Residente para a viagem e por ter procurado participantes com mais de 18 anos. Houve ainda outros três arguidos condenados pela prática de corrupção eleitoral, na pena de 2 meses. Apesar das condenações, o tribunal absolveu 12 dos 18 arguidos que eram acusados pelo MP, por considerar que não ficou provado que tivessem cometido ilegalidades. No entanto, a juíza Cheong Weng Tong avisou os absolvidos que a sua não condenação significa apenas que os depoimentos não permitiram provar os factos, mas que não é por isso que se pode considerar que não praticaram os actos criminosos. A juíza disse também aos arguidos que participaram nas viagens que não devem ser gananciosos para obter ganhos pequenos.
João Santos Filipe Manchete SociedadeÓbito | Família anuncia morte da empresária Maisy Ho Filha de Stanley Ho e Lucina Laam, Maisy tinha 59 anos e os motivos da morte não foram revelados pela família. A empresária estava principalmente ligada à empresa Shun Tak, onde era uma das administradoras Maisy Ho, empresária e filha de Stanley Ho, morreu ontem, de acordo com um comunicado divulgado pela SJM e assinado pelos irmãos Pansy, Daisy, Lawrence e Josie Ho. Maisy era fruto da relação entre Stanley e a segunda mulher Lucina Laam. Os motivos da morte da empresária não foram divulgados através do comunicado de ontem, que se limita a revelar que Maisy morreu “em paz” e “rodeada pela família”. A mensagem partilhada com os órgãos de comunicação social pede ainda que se respeite a privacidade da família. Maisy nasceu em 1967 e era licenciada em Telecomunicações e Psicologia, pela Universidade de Pepperdine, na Califórnia. À altura da morte, desempenhava funções de directora executiva na Shun Tak Holdings Limited, empresa fundada pelo seu pai e que é responsável pelas ligações marítimas entre Hong Kong e Macau, além de estar ligada a vários investimentos imobiliários. A empresária juntou-se à empresa em 1996, tendo sido promovida a directora executiva em 2001, cargo que desempenhou até ontem e onde era proprietária de 2,39 por cento do capital social, através da empresa LionKing Offshore Limited. Cargos variados Segundo os resultados anuais de 2024 da Shun Tak, em Macau, a filha de Stanley Ho desempenhava funções como Cônsul-Honorária da República da Tanzânia, membro da Comissão das Mulheres de Associação Comercial de Macau, vice-presidente da Associação de Administração de Propriedades de Macau, vice-presidente da Macao International Brand Enterprise Commercial Association e ainda directora da Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu. Maisy era ainda uma das directoras da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, empresa fundado por Stanley Ho que durante vários anos foi detentora do monopólio do jogo em Macau. Em Hong Kong, Maisy surgia frequentemente em iniciativas de caridade e em 2016 recebeu a Estrela da Bauínia de Bronze do Governo de Hong Kong, devido às actividades relacionadas com o Grupo de Hospitais Tung Wah.
João Santos Filipe Grande Plano MancheteCooperação | Aguiar-Branco deixou Macau com “pensamento construtivo” O presidente do parlamento português vê grande margem de progressão na cooperação entre Macau e Portugal para reforçar o desígnio da RAEM como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa. Também os deputados portugueses querem fortalecer a parceria com Pequim, para fazer face à incerteza que vem de Washington José Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República (AR), disse no sábado que deixou Macau com “um pensamento construtivo” sobre o trabalho que ainda pode ser desenvolvido por Portugal no aproveitamento do território como plataforma entre China e lusofonia. Questionado pela Lusa sobre como tem sido aproveitada esta plataforma por Lisboa e se há mais a fazer, José Pedro Aguiar-Branco notou que “são diversas as áreas em que ela se pode reflectir, quer na dimensão comercial, cultural, desportiva (…) e do direito”. “Temos uma visão de balanço em relação aos anos que a Declaração Conjunta já tem, em relação àquilo que foi feito, e do que no futuro” se possa fazer, disse aos jornalistas o responsável, que terminou em Hong Kong a visita à China. O líder da AR passou por Macau, com uma delegação que integra os deputados do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China Hugo Carneiro (PSD), Paulo Núncio (CDS-PP), Edite Estrela (PS), Felicidade Vital (Chega) e Paula Santos (PCP), depois de ter passado por Pequim e Xangai. “Portanto, diria, um pensamento construtivo, um pensamento positivo naquilo que temos que fazer e é com esse espírito que nós, enquanto deputados da Assembleia da República, prosseguimos também neste balanço que fazemos da nossa visita”, indicou. Na sexta-feira, primeiro dia em Macau, Aguiar-Branco visitou a Exposição Internacional de Turismo, reuniu-se com o chefe do Executivo, Sam Hou Fai, o presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong e passou ainda pela Escola Portuguesa de Macau. O político português fez um “balanço muito positivo” da visita, quer com as entidades oficiais, quer com instituições como a Santa Casa da Misericórdia [de Macau, SCMM], onde testemunhou “uma obra importantíssima, secular”. “Saio com um reforço da importância que significa Macau nas relações entre Portugal e a República Popular da China”, resumiu aos jornalistas. Na SCMM, o responsável agradeceu o apoio dado às vítimas da depressão Kristin – a instituição em Macau fez um donativo no valor de 300 mil euros à União das Misericórdias Portuguesas. “Isto significa que a expressão da solidariedade atravessa os milhares de quilómetros que fisicamente nos separam, mas não separam nos valores”, disse o líder do parlamento português ao provedor da Santa Casa, António José de Freitas. Presidente da Assembleia da República Portuguesa, José Pedro Aguiar-Branco (C) nas Ruínas de São Paulo, durante um passeio por Macau, 11 de abril de 2026. GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA Marco histórico Aguiar-Branco foi o primeiro presidente da Assembleia da República de Portugal a visitar Macau. Depois de uma breve passagem pelas Ruínas de São Paulo e pela Livraria Portuguesa, no centro histórico de Macau, a delegação parlamentar, acompanhada do embaixador em Pequim, Manuel Cansado de Carvalho, e do cônsul-geral em Macau, Alexandre Leitão, reuniu-se à porta fechada com membros da comunidade jurídica portuguesa local. Sobre a reunião, Aguiar-Branco disse apenas que “o objectivo foi ouvir” a comunidade e que deixa Macau “com informação importante para poder colocar à Comissão Mista, que tem como função ir resolvendo e aprofundando os temas que sejam necessários resolver para que essa relação seja melhor”. “É essa riqueza de informação que levamos e poderemos também, enquanto Assembleia da República, fazer o nosso papel de acompanhamento e fiscalização também da actividade do Governo nesta matéria, da acção externa”. A sétima reunião da Comissão Mista Portugal-Macau, a primeira desde 2019, está prevista para este mês em Lisboa. Vai contar com a presença do Chefe do Executivo, que estará em Portugal a partir de 17 de Abril. Tempos de incerteza Também os restantes deputados que integraram a comitiva liderada pelo presidente da AR defenderam um reforço da parceira com Pequim. “Nestes tempos bastante sombrios, em que a guerra voltou à Europa e em que temos também num parceiro tradicional, como eram os Estados Unidos, uma grande instabilidade, acho que a China é uma referência de estabilidade”, disse à Lusa a deputada Edite Estrela. “Estamos a viver num mundo de grande incerteza e o que é importante é que na China não há instabilidade”, reforçou. “Não quero com isto dizer que a China deve ser um parceiro privilegiado, digo que tem de ser tido em conta”, continuou a deputada, em declarações à Lusa num passeio com a comitiva pelo centro histórico de Macau. Edite Estrela notou ainda que se a relação Bruxelas-Pequim “não tem sido aprofundada, deve “ser, não apenas por motivos geoestratégicos”, mas “por questões que têm a ver com recursos energéticos, a questão digital e da inteligência artificial”. “Uma das coisas de que me apercebi, ao nível do discurso das autoridades chinesas, é a grande preocupação com questões ambientais, coisa que não havia no passado. Quando eu cá estive, quando era deputada europeia, não havia essa preocupação”, referiu. A delegação, que acompanha a segunda figura do Estado português na visita, integrava os deputados do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China Hugo Carneiro (PSD), Paulo Núncio (CDS-PP), Edite Estrela (PS), Felicidade Vital (Chega) e Paula Santos (PCP). Hugo Carneiro, presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-China, declarou à Lusa que a visita do líder da AR foi “muito oportuna” e sublinhou as “relações históricas com a China” “Essas relações são firmadas e comprovadas ao longo dos tempos pela interacção dos vários agentes culturais, sociais, políticos, económicos, e eu também tenho a oportunidade de testemunhar isso em Portugal com os contactos que mantemos com a comunidade chinesa”, reforçou, ao descer a escadaria das Ruínas de São Paulo, ex-líbris do território chinês. Sobre Macau, onde se encontra pela primeira vez, o deputado do PSD disse ter constatado que os portugueses “estão plenamente integrados” e “são bem tratados pela comunidade local”: “isso é muito bom, quando dois povos podem interagir e manter esta relação de amizade só nos deve deixar orgulhosos.” Questionado sobre o papel de Macau enquanto plataforma entre o universo lusófono e a China, estabelecida por Pequim em 2003, com a criação do Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), Carneiro notou que, no caso de Portugal, “os contactos que em cada momento os diferentes actores têm mantido, sejam eles políticos ou empresários, agentes culturais, devem permanecer e ser alimentados”. Edite Estrela defendeu, por sua vez, “que é sempre possível fazer mais e melhor”, e que espera que haja a preservação da língua portuguesa, “um património inestimável” Também Feliciana Vital notou que há mais a fazer. “É importante e é um bom exemplo – até em comparação com o que aconteceu, por exemplo, em África – que aqui estamos a conseguir ficar com, digamos, um pé dentro, deixar a nossa marca e ter alguma influência”, disse à Lusa.
João Santos Filipe Manchete SociedadeIncêndio | Fogo em residencial leva duas pessoas ao hospital As chamas na Rua de São Paulo deflagraram por volta das 21h40 de quarta-feira, causaram dois feridos ligeiros, que tiveram de ser hospitalizados, e obrigaram a que cerca de 31 moradores tivessem de abandonar as suas habitações Um homem e uma mulher tiveram de ser levados para o hospital, em condição estável, depois de um incêndio ter deflagrado na noite de quarta-feira, na Rua de São Paulo. Além dos feridos, houve ainda 31 pessoas que tiveram de abandonar as habitações e esperar na rua que o Corpo de Bombeiros extinguisse as chamas. Segundo as autoridades, citadas pelo jornal Ou Mun, os feridos têm nacionalidade filipina e não correm perigo de vida. O homem, com 26 anos, transportado para o hospital apresentava feridas numa mão, que se terão ficado a dever a cortes causados por um vidro, enquanto a mulher, com 41 anos, apresentava sintomas de inalação de fumo e ainda ferimentos nas pernas. Os dois apenas conseguiram deixar o edifício devido à intervenção dos bombeiros. As chamas deflagraram por volta das 21h40, altura em que o Corpo de Bombeiros recebeu o alerta para o incêndio. Quando chegaram ao local, os bombeiros verificaram que as chamas se encontravam activas ao nível do rés-do-chão do edifício. Durante o combate ao fogo, os bombeiros tiveram ainda de retirar da fracção três botijas de gás, que foram colocadas de forma temporária na rua enquanto decorreram as operações das autoridades. Curto-Circuito As investigações preliminares apontam para que o incêndio tenha tido origem num curto-circuito nos fios eléctricos, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau. A fracção afectada era utilizada como armazém e as chamas atingiram uma área com 8 metros de comprimento e 10 metros de largura. As chamas apanharam de surpresa cerca de 31 pessoas do edifício afectado e dos adjacentes, o que levou a que tivessem de abandonar as suas casas. Na rua, enquanto decorria o combate às chamas, era possível ver várias pessoas vestidas de pijamas, roupas de noite, algumas enroladas em toalhas, sendo que também houve moradores se fizeram acompanhar pelos animais de estimação. No local, as equipas de salvamento disponibilizaram assistência a quem necessitou, mas apenas duas pessoas foram transportadas para o hospital.
João Santos Filipe Manchete PolíticaMulheres | Associação pede mais restrições ao tabaco A Associação Geral das Mulheres defende que o Governo deve estar preparado para ajustar de forma dinâmica a área das zonas onde é proibido fumar, tendo em conta as queixas recebidas, o fluxo de visitantes e as infracções cometidas. A associação defende ainda a criação de espaços semi-abertos para fumar nas ruas A Associação Geral das Mulheres de Macau defende que o Governo deve ajustar e aumentar as zonas em que é proibido fumar de forma dinâmica, tendo em conta o número de visitantes, as queixas recebidas e os dados sobre os locais com maiores infracções. A posição foi tomada através de um comunicado, em que a associação revelou as opiniões submetidas ao Executivo no âmbito das consultas públicas sobre as alterações do Regime de Prevenção e Controlo do Tabagismo, que decorreram até 8 de Abril. Para a associação tradicional, é imperativo criar zonas de proibição de fumar nas ruas à frente de todas as entradas de escolas e jardins-de-infância, assim como em zonas adjacentes. No entanto, a associação defende também que se estude a criação deste tipo de zonas nas entradas e proximidades das instituições sociais, lares para idosos e instalações desportivas. A associação defende também que sejam criadas zonas para fumadores nas ruas, adoptando um modelo de espaços semiabertos, para impedir que o fumo se propague e incomode as pessoas que não fumam. Como parte desta sugestão, a associação quer que se estude a instalação de purificadores do ar nesses espaços. A Associação das Mulheres pede ainda o fim da instalação de cinzeiros nos caixotes do lixo, por considerar que criam um mau ambiente, porque muitas vezes os cigarros não são apagados, continuando a arder e a espalhar o fumo. Caça ao cigarro electrónico As alterações propostas pelo Governo vão tornar a lei Prevenção e Controlo do Tabagismo de Macau uma das mais restritivas a nível mundial. E a associação pretende que essas restrições sejam colocadas em prática. Para garantir que as pessoas apanhadas na posse de cigarros electrónicos não têm qualquer zona cinzenta para evitarem as penalizações, mesmo que sejam turistas de passagem por Macau e nem estejam a fumar, a associação defende um diploma legal que defina muito bem o conceito de posse, para evitar disputas durante o processo de execução da lei. Ao mesmo tempo, a associação pretende que o Governo aumente as acções de sensibilização para os malefícios do tabaco nas escolas, entre as famílias e nas diferentes organizações associativas. Além disso, a associação considera necessário o reforço dos avisos sobre o controlo do tabagismo em todos os postos fronteiriços, passando as informações relevantes aos turistas através das aplicações de viagens e plataformas das redes sociais para aumentar a sensibilização para cumprir as regras. Ainda no âmbito das medidas não punitivas, a associação sugere que os maços de tabaco deveriam ter um código QR com ligação directa para portais na internet de ajuda a deixar de fumar.
João Santos Filipe Manchete SociedadeLocal de Espectáculos | Mais um concerto ao ar livre anulado Em pouco mais de um ano, o Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau registou o quinto espectáculo cancelado. Desta vez, o evento que fica por realizar é o espectáculo Dauntless que tinha previstos concertos de artistas do Interior e da Coreia do Sul O espectáculo Dauntless, que estava agendado para esta sexta-feira e sábado no Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau, foi cancelado. O anúncio foi feito através da plataforma de entretenimento Damai, controlada pelo grupo Alibaba, onde os ingressos se encontravam à venda. Num comunicado, os organizadores, que nunca surgem identificados pela Damai, justificam a decisão de cancelar o espectáculo com “circunstâncias imprevisíveis”. A expressão tem sido utilizada para explicar os cancelamentos de espectáculos com artistas do Japão no Interior e em Macau, mas não se aplica neste caso. O espectáculo tinha no cartaz principalmente artistas do Interior, de Taiwan e da Coreia do Sul, como WayV, grupo pop do Interior que inclui como membro o artista de Macau Hendery, o rapper Gali, a banda de rock Forgotten Club, a cantora Liu Xin, e os cantores sul-coreanos Zico, Kang Seung-Yoon e Wendy. “Desde o início dos preparativos para o concerto, temos trabalhado incansavelmente para levar por diante todos os aspectos do evento, e estávamos ansiosos por nos encontrarmos com todos os fãs de música de Macau”, pode ler-se na mensagem divulgada na plataforma do Interior. “Estamos cheios de pesar e remorso por não termos cumprido a nossa promessa e por termos desiludido as expectativas de todos. Apresentamos as nossas mais sinceras desculpas a todos os fãs de música que têm acompanhado e aguardado ansiosamente este concerto”, foi acrescentado. Inicialmente previsto para 10 e 11 de Janeiro, este espectáculo tinha sido adiado uma vez, para este fim-de-semana. Agora, a organização optou por não o realizar de todo e promete reembolsar as pessoas que compraram bilhetes. Os preços variavam entre as 600 patacas e 4.000 patacas. Apesar do cancelamento, os organizadores não identificados elogiaram a postura do Governo de Macau. Soma e segue Desenvolvido para receber espectáculos com grandes audiências, o Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau tem capacidade para 50 mil pessoas, mas a exploração pelo Instituto Cultural tem ficado marcada por vários cancelamentos. Logo em Março do ano passado, um evento que tinha o IC como principal organizador foi cancelado. O evento tinha como objectivo testar o funcionamento do espaço com uma audiência de 20 mil pessoas. Em Junho, houve um novo cancelamento com o espectáculo S2O Songkran Music Festival, que estava previsto para os dias de 6 e 7 de Setembro. O cancelamento aconteceu ainda em Junho, com meses de antecedência. Em meados Novembro, o concerto dos Black Eyed Peas, agendado para o dia 21 desse mês, foi igualmente cancelado. Também o espectáculo Estrelas de Kpop foi adiado, por essa altura, embora fosse concretizado mais tarde. Em Fevereiro deste ano, nova polémica quando o espectáculo Show! Music Core in Macau, agendado para 7 e 8 desse mês foi cancelado. A polémica deveu-se a num ambiente de trocas de acusações entre os organizadores locais, os promotores sul-coreanos e notícias na Coreia do Sul a indicar que as autoridades de Macau não iam permitir a actuação dos artistas japoneses que integravam os grupos coreano, devido à nova política do Interior face ao Japão, relacionadas com as declarações da primeira-ministra japonesa sobre a intervenção num conflito entre o Interior e Taiwan. Com os espectáculos a serem cancelados frequentemente, o Local de Espectáculos ao Ar Livre de Macau tem sido transformado numa zona de entretenimento para a população, com a montagem de campos de basquetebol e outros equipamentos para crianças.
João Santos Filipe Manchete PolíticaCCP | Problemas de representação em Macau chegam a Lisboa Rui Marcelo acusou Rita Santos de utilizar figurantes que se fizeram passar pelo próprio e pela conselheira Marília Coutinho, durante uma fotografia exibida numa produção de uma televisão chinesa. Também o deputado José Pereira Coutinho é visado pelas queixas, uma vez que terá estado envolvido na marcação de uma reunião informal As desavenças na secção local de Macau do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) chegaram a Lisboa e foram alvo de debate numa reunião do Conselho Permanente, realizada a 6 de Março. Segundo a acta da conferência, citada em primeira mão pelo Canal Macau, o conflito sobre quem tem poderes para representar o conselho está a colocar de um lado Rui Marcelo e do outro Rita Santos. O assunto surge identificado na acta da reunião como “problemas internos e de representação” da secção de Macau/China/Conselho Regional da Ásia e Oceânia, e Rui Marcelo é citado como expondo vários problemas de representação, em que Rita Santos e José Pereira Coutinho, deputado de Macau que não faz parte do órgão, terão actuado em nome do conselho, sem autorização. Entre os casos que surgem como exemplos de problemas de representação, Rui Marcelo indica um episódio em Fevereiro deste ano, com a utilização de figurantes. Segundo o conselheiro, Rita Santos participou na produção de um vídeo para uma televisão chinesa usando dois figurantes para fingirem numa fotografia oficial serem Rui Marcelo e Marília Coutinho, os outros dois membros efectivos do conselho, sem qualquer autorização. A acusação, segundo a acta da reunião, não foi desmentida pela conselheira. Antes, a 29 de Janeiro, Rita Santos, em parceria com José Pereira Coutinho, terá convocado uma “reunião informal” do conselho, só com a presença dos membros suplentes e de um advogado. Deputado bem informado Também em Fevereiro, o deputado José Pereira Coutinho é acusado de ter anunciado à TDM que uma “missão da CCP” ia a caminho de Portugal para se reunir com as autoridades, sem que o “Círculo da China tivesse sido consultado ou tivesse conhecimento oficial” da missão. Entre outras queixas, Rui Marcelo denuncia igualmente que Rita Santos terá enviado um e-mail com “alegações graves sobre um acordo verbal para a devolução de lugares no CP [Conselho Permanente] e na presidência do CRAO [Conselho Regional da Ásia e da Oceânia]” e a questionar “a legalidade dos mandatos do Conselho Rui Marcelo”. Rui Marcelo contesta qualquer acordo verbal, por não haver registo escrito e porque considera que a lei não permite que lugares eleitos sejam cedidos. Rita Santos era até Setembro de 2024 membro do Conselho Permanente do CCP e presidente do CRAO. No entanto, suspendeu as funções nesse mês, com a justificação de que ia dedicar-se à eleição do Chefe do Executivo, uma participação negada pela candidatura de Sam Hou Fai, e para se focar nas eleições legislativas de Macau de 2025. Rita Santos acabaria por abdicar de participar na lista ligada à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, depois do Ministério Público de Macau ter confirmado a colaboração com as autoridades de Portugal numa investigação sobre fraude eleitoral. Na altura, Rita Santos justificou a desistência das eleições com a pretensão de dedicar mais tempo à família e, meses depois, a investigação criminal acabou arquivada. Ataques dos jornalistas Por sua vez, Rita Santos respondeu às várias acusações ao indicar que a “ATFPM sempre deu apoio logístico ao CCP durante 23 anos, incluindo nas eleições, e que o espaço foi sempre utilizado, com conhecimento de todos”. A conselheira considerou ainda que a utilização de papel timbrado e a emissão de cartas assinadas pelos conselheiros suplentes é uma prática de sempre. Em relação aos outros assuntos em que foi visada, Rita Santos optou por focar ser alvo de ataques da imprensa em Macau e que Rui Marcelo conhece essas circunstâncias. A conselheira afirmou ainda ser vítima dos ataques porque “a maioria dos jornalistas” é “filiada ao Partido Socialista (PS)” e ela apoiou “o Partido Social Democrata (PSD), nas últimas eleições”. Nas declarações prestadas durante a reunião, Rita Santos afirmou ainda não ter o desejo de “prolongar a polémica” e apelou “à restauração da harmonia entre os membros do Círculo da China”. O HM contactou o conselheiro Rui Marcelo que recusou comentar o conteúdo da acta, por considerar que se tratam de “assuntos internos”. Por sua vez, tanto Rita Santos como José Pereira Coutinho mostraram-se incontactáveis.
João Santos Filipe Manchete PolíticaEnergia | Pedido maior controlo sobre fornecedores O deputado ligado aos Moradores, Leong Hong Sai, está preocupado com a “instabilidade persistente na região do Médio Oriente” e as consequências da inflação para a população e para as pequenas e médias empresas O deputado Leong Hong Sai defende que o Governo deve aumentar o controlo sobre os fornecedores de energia. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita do legislador ligado à Associação dos Moradores, numa altura em que a economia mundial continua a lidar com as consequências do encerramento do estreito de Ormuz. “A instabilidade persistente na região do Médio Oriente provocou fortes perturbações nos mercados energéticos mundiais, com uma subida acentuada dos preços internacionais da energia, afectando de forma profunda o abastecimento de energia, o funcionamento das indústrias e o bem-estar da população de todas as economias do mundo”, escreve o deputado. “O abastecimento energético está directamente ligado à estabilidade social e à qualidade de vida da população em geral, sendo que o aumento dos preços internacionais da energia exerce igualmente pressões e desafios latentes sobre Macau”, avisa o Executivo. “A estabilidade dos preços é do interesse de todos os residentes, especialmente no que diz respeito à protecção do modo de vida dos grupos mais vulneráveis, enquanto que o processo ‘gasolina para electricidade’ constitui um passo fundamental para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e alcançar o desenvolvimento sustentável”, acrescenta. Neste sentido, Leong Hong Sai quer saber como “é que o Governo vai regular os fornecedores de energia” em áreas como o gás natural, o gás butano, a gasolina e a electricidade. O legislador pretende ainda saber se o Executivo vai divulgar “mais dados sobre os preços” e fiscalizar “de perto as variações dos preços”. Apoios à vista? Face à possibilidade de os combustíveis aumentarem os preços praticados pelas pequenas e médias empresas (PME), reduzindo ainda mais a competitividade, principalmente face ao Interior, Leong Hong Sai quer que o Governo explique se há abertura para apoiar a economia local. “O aumento do custo da energia vai, com certeza, afectar o ambiente comercial das pequenas e médias empresas e o nível de vida da população, assim sendo, como é que o Governo vai definir, de acordo com a situação real, medidas especiais de apoio às pequenas e médias empresas e às famílias em situação vulnerável, com vista a assegurar a estabilidade da vida da população?”, questionou. Finalmente, o deputado encara o choque energético como uma oportunidade para diversificar as fontes de energia e apostar em alternativas. Em concreto, o deputado defende que se devem abandonar os veículos a combustão, e apostar nos veículos eléctricos, mercado em que o Interior é o principal produtor, e ainda “explorar energia fotovoltaica”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeMacau Legend | Grupo admite que sobrevivência está em causa Até ao final do ano, a Macau Legend pode ser obrigada a pagar empréstimos avaliados em 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong. O grupo já soma incumprimentos e os administradores esperam o perdão dos bancos para manter a empresa viva A sobrevivência da Macau Legend, empresa que controla a Doca dos Pescadores, vai estar em jogo até ao final do ano, por falta de capacidade para pagar as dívidas. O cenário é admitido pelo grupo no documento de apresentação dos resultados financeiros de 2025, que revela perdas de 1,6 mil milhões de dólares de Hong Kong. Segundo as explicações da empresa, no final do ano passado o endividamento grupo era superior a 2,7 mil milhões de dólares de Hong Kong. A maior parte destas dívidas, 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, tem de ser paga até ao final deste ano. Contudo, ao mesmo tempo que soma resultados negativos, a empresa apenas tem 27,1 milhões dólares em caixa, o suficiente para pagar 1,2 por cento da dívida que vai vencer este ano. Parte da dívida de 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, já inclui empréstimos bancários que deveriam ter sido pagos em 2024, pelo que podem gerar acções de execução a qualquer altura pelo bancos. Neste contexto, é indicado no comunicado que “existem circunstâncias que suscitam dúvidas significativas quanto à capacidade do grupo de continuar a exercer a sua actividade”. Assim, os administradores explicam que a sobrevivência depende de medidas que passam por conseguir financiamento extra através da emissão de mais acções do grupo, negociação com os bancos para evitar a execução do património e definir novas formas de pagamento das dívidas em favor da empresa, negociações com os accionistas que emprestaram dinheiro ao grupo, num valor de 339,4 milhões de dólares de Hong Kong, e ainda a adopção de outras formas de gerar capital. A tarefa da Macau Legend adivinha-se difícil, uma vez que desde Novembro que o grupo deixou de explorar o casino-satélite Legend Palace. Segundo os resultados de 2024, ainda antes do encerramento deste casino, o grupo empregava 1.149 pessoas, das quais 327 tinham contratos com a concessionária SJM. Lucros só em 2018 Além disso, nos resultados financeiros de 2025, mostram que a saúde financeira do grupo está a degradar-se de forma acelerada. As perdas de 1,6 mil milhões de dólares de Hong Kong ultrapassam os prejuízos de 2024, que não tinham ido além dos 795 milhões de patacas. A última vez que o grupo apresentou resultados anuais positivos foi em 2018, com um lucro de 2,0 mil milhões de dólares de Hong Kong. No entanto, desde essa data somou prejuízos de 172 milhões, em 2019, 1,9 mil milhões em 2020, 1,2 mil milhões em 2021, 608 milhões em 2022 e de 3 milhões em 2023. Estes resultados negativos foram somados, apesar do grupo ainda explorar um casino ou vários casinos em Macau, o que deixou de acontecer em Novembro do ano passado. De acordo com o relatório de 2024, a empresa tinha como principal accionista Levo Chan Weng Lin, que se encontra em Coloane a cumprir uma pena de prisão de 13 anos, devido às operações de promoção de jogo da empresa Tak Chun, e a sua esposa a actriz Ady An. Além de Levo, também constam entre os vários accionistas da empresa a terceira mulher de Stanley Ho, Ina Chan Un Chan, com cerca de 15 por cento das acções, assim como o fundador David Chow, com uma participação de 9,89 por cento.
João Santos Filipe Manchete PolíticaActivos Públicos | Prejuízos de Centro Comércio Mundial sobem 72% A empresa que controla o centro de arbitragem fechou o ano com perdas de 1,1 milhões de patacas. Sem o subsídio da RAEM, os prejuízos teriam sido de 12 milhões de patacas No ano passado, os prejuízos do grupo Centro de Comércio Mundial Macau aumentaram 72 por cento, para 1,1 milhões de patacas, quando em 2024 tinham sido de 612 mil patacas. Os resultados foram divulgados ontem pela empresa, através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). O grupo detido a 60 por cento pela RAEM só não apresentou resultados piores, porque no espaço de um ano o Executivo aumentou o valor do subsídio atribuído ao grupo que indica ter como actividade a disponibilização de “serviços ligados ao comércio internacional”, principalmente através de um centro de arbitragem. O subsídio cedido pela RAEM cresceu de 11,0 milhões em 2024 para 13,0 milhões de patacas, um aumento de 2 milhões, equivalente a 18 por cento. Sem este subsídio, a empresa teria apresentado perdas de aproximadamente 12 milhões de patacas. Os resultados da empresa agravaram-se principalmente devido aos custos com o pessoal, que no espaço de um ano aumentaram em 2,3 milhões de patacas, acima do aumento do subsídio da RAEM. As despesas com o pessoal eram de 9,9 milhões em 2024, mas cresceram para 12,2 milhões no ano passado. Este aumento foi explicado, em parte, com o facto de o grupo ter passado a contar com 51 trabalhadores, quando no ano anterior tinha 49. Os salários dos trabalhadores aumentaram assim de 8,2 milhões de patacas para 10,0 milhões de patacas, um crescimento de 22 por cento. Em termos dos administradores, o aumento foi de 1,3 milhões de patacas para 1,8 milhões de patacas, uma diferença de 38 por cento. Quanto às receitas, a empresa conseguiu melhorar o desempenho em comparação com o ano anterior, ao facturar 5,2 milhões de patacas, quando no ano anterior o valor tinha sido de 5,1 milhões de patacas. Do imobiliário Nos resultados do grupo, constam não só as operações da Centro de Comércio Mundial Macau, mas também da subsidiária Condominium, Administração de Propriedades, Limitada, que se destina à exploração do edifício onde opera a empresa. A actividade da Condominium, Administração de Propriedades é lucrativa, mas também nesta área os lucros foram mais baixos. Em 2025, o lucro foi de 636 mil patacas, quando no ano anterior tinha atingido 684 mil patacas. Também no caso da subsidiária, os custos com o pessoal justificam os piores resultados, dado que estas despesas cresceram para 634 mil patacas, quando no ano anterior tinham sido de 625 mil patacas. Além da RAEM, são accionistas do grupo o Banco Nacional Ultramarino (BNU), o Banco Comercial de Macau (BCM), o Estado Português, mas também vários empresários e políticos locais como Liu Chak Wan, Chui Sai Chong ou Peter Lam. O Conselho de Administração é dirigido por Chui Sai Cheong, enquanto a Comissão Executiva tem como presidente Ao Weng Tong.
João Santos Filipe Manchete SociedadeLigação pedonal entre Portas do Cerco e Metro custa 465 milhões A construção do acesso pedonal entre a Estação da Linha Leste do Metro Ligeiro e Fronteira das Portas do Cerco vai custar 464,7 milhões de patacas. A obra foi adjudicada directamente pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) a três empresas do Interior, sem a realização de qualquer concurso ou consulta pública. As escolhidas recaíram sobre as empresas CCECC (Macau) Companhia de Construção e Engenharia Civil China, Limitada, Companhia de Fomento Predial Nam Kwong Limitada e China Railway 16th Bureau Group Co. Ltd – Macau Representative Office. As empresas vão realizar a obra em modelo de consórcio e cobrar 464,7 milhões de patacas. Está previsto que os trabalhos fiquem terminados num total de 960 dias, um período superior a dois anos e meio. A estação ES1 da Linha Leste do Metro Ligeiro de Macau situa-se no lado sudeste do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e esta estação vai ter uma ligação com cerca de 80 metros para a fronteira, que tem como objectivo “facilitar a deslocação” entre as duas infra-estruturas. “O acesso de ligação localizar-se-á na actual zona de estacionamento para autocarros turísticos das Portas do Cerco, através da passagem superior para peões”, foi explicado pela DSOP. Sem concurso A área bruta de construção do acesso de ligação é de cerca de 6.100 metros quadrados, com um piso subterrâneo e construções acima do solo. As partes subterrâneas abrangem a passagem pedonal subterrânea, o espaço comercial e as instalações sanitárias. As construções acima do solo incluem a passagem superior para peões entre o Metro Ligeiro e o átrio de partida de Macau do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco. Somados todos os contratos assinados no âmbito desta obra de ligação entre a estação e a fronteira, como os contratos de controlo da qualidade, medição, entre outros, o Governo vai pagar mais de 496 milhões de patacas. Apenas um dos contratos foi atribuído através da realização de concurso público. Linha Este | Comerciante queixa-se do impacto das obras Um comerciante queixou-se ontem no programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, sobre o impacto das obras do metro ligeiro na linha Este. O ouvinte, de apelido Chang, disse que esta obra tem afectado seriamente o seu negócio, uma oficina na Areia Preta que possui há cerca de 20 anos. O homem queixou-se ainda que a obra foi iniciada sem que tenha sido consultado previamente, tendo sido escavada a via pública em frente à sua oficina, restando apenas uma via estreita para a circulação de pessoas. “Como vou fazer o negócio? Agora os carros não conseguem entrar na oficina para fazerem a reparação. Se o Governo não quiser pagar uma compensação, deve, pelo menos, criar algumas medidas de apoio”, disse no programa.
João Santos Filipe Manchete SociedadeBCM | Empresa-mãe traça cenário de novos desafios O desempenho financeiro do Banco Comercial de Macau (BCM) apresenta melhorias a nível da exploração, mas o mercado dos empréstimos continua parado, devido à situação das vendas a retalho e do imobiliário Apesar da recuperação do mercado do jogo e do maior número de turistas, o sector da banca continua a viver uma situação em que o mercado dos empréstimos continua praticamente parado. O cenário foi traçado por Harold Wong Tsu-Hing, administrador-geral do grupo Dah Sing Financial, proprietário do Banco Comercial de Macau (BCM). De acordo com o jornal Ming Pao, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados do grupo, na segunda-Feira, Harold Wong afirmou que apesar de o jogo estar em crescimento e de o número de visitantes ter ultrapassado a realidade pré-pandemia, a recuperação não se faz sentir em todas as indústrias por igual. Wong apontou que o mercado de empréstimos, a principal fonte de receitas das banca, está parado, o que foi justificado com a falta de investimento em outras indústrias. O responsável explicou ainda que as vendas a retalho, os preços do imobiliário e o número de transacções continuam em quebra, o que se reflecte nos pedidos de empréstimos junto do banco em Macau. Em relação ao Banco Comercial de Macau (BCM), o responsável não revelou o resultado do exercício de 2025, mas apontou que o desempenho apresentou “uma ligeira melhoria” nos lucros de exploração, quando a comparação é feita com 2024. Nesse ano, o banco declarou um lucro de 45,4 milhões de patacas. Ainda assim, menos de metade dos lucros de 2023, quando o lucro tinha atingido 114,5 milhões de patacas. A valer menos Em relação ao BCM, o grupo Dah Sing Financial foi forçado a reconhecer uma perda por imparidade do trespasse de 493 milhões de dólares de Hong Kong, relacionada com o facto de se considerar que o BCM actualmente vale menos do que os 1,72 mil milhões de patacas, o valor pago em 2005 ao Banco Comercial Português (BCP). A situação do mercado não teve um grande impacto nos resultados anuais do grupo Dah Sing Financial, principalmente devido às operações em Hong Kong, com os lucros da instituição a crescerem 23,9 por cento em termos anuais, para 2,70 mil milhões de dólares de Hong Kong. Em 2024, os lucros do grupo tinham sido de 1,67 milhões de dólares de Hong Kong.
João Santos Filipe Manchete SociedadeCosta Nunes | Baixa natalidade leva à saída de 10 trabalhadores A partir do próximo ano, o jardim-de-infância vai contar com menos 10 trabalhadores do corpo docente. Das saídas anunciadas, apenas duas educadoras abandonam de livre vontade. Miguel de Senna Fernandes lamenta a decisão e reconhece que ninguém ficou agradado com a nova realidade O jardim-de-infância D. José da Costa Nunes vai passar a funcionar no próximo ano lectivo com apenas 14 profissionais, quando actualmente tem 24. A vaga de despedimentos que vai afectar o corpo docente e o quadro de agentes de ensino foi justificada com a baixa da natalidade. “Nós não queríamos que isto acontecesse ao nosso corpo docente. Mas, às vezes, a escolha não está no nosso lado e isso deve-se muito à baixa taxa de natalidade, que se vai agravar nos próximos tempos”, afirmou Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação Promotora de Instrução dos Macaenses (APIM), em declarações ao Canal Macau. “É uma situação que já vinha de há três anos, porque os alunos entram no jardim-de-infância com três anos, portanto tínhamos este alarme há três anos. Só que até este momento não quisemos dar este passo, para ver se podíamos arranjar uma solução para poupar o nosso corpo docente”, explicou. Miguel de Senna Fernandes revelou que entre as saídas de seis educadoras e de quatro agentes de agentes de ensino, apenas duas educadoras se mostraram disponíveis para deixar a instituição. Nos restantes casos, a iniciativa teve de partir da instituição de ensino. O responsável lamentou o cenário, e destacou que as pessoas que saem eram uma mais-valia para a instituição. “Estamos a falar de docentes com muito valor e que são a mais-valia do nosso jardim-de-infância e fazem parte da identidade da escola. As coisas não correram pelo melhor, naturalmente tivemos que tomar uma decisão que não nos agrada, a nós, nem às visadas”, reconheceu. “Aproveito a ocasião para agradecer do fundo do coração a todas as docentes com que não vamos continuar no próximo ano. Só desejo muito boa sorte a todas as pessoas envolvidas. Da nossa parte é certíssimo que sentimos muita, mas muita pena [com o sucedido]”, acrescentou. Segundo os dados mais recentes da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a taxa de fecundidade em Macau voltou a cair em 2025, para um novo mínimo histórico. Macau terminou o ano passado com 0,47 nascimentos por cada mulher com idades entre 15 e 49 anos, menos 0,11 do que em 2024, ano que já tinha sido constituído um novo recorde. A redução na natalidade aconteceu, apesar do Governo ter lançado um subsídio de 54 mil patacas para crianças até aos três anos, além de ter aumentado o subsídio de nascimento, de 5.418 patacas para 6.500 patacas, e o subsídio de casamento, de 2.122 patacas para 2.220 patacas.