Cimeira | Putin defende encontro com Trump e Xi na China

O Presidente russo, Vladimir Putin, defendeu ontem a realização de um encontro com os líderes dos Estados Unidos e da China no próximo mês, no país asiático, que acolhe a cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC).

À margem da visita do enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, a Moscovo, para se reunir com o Presidente russo, depois de um encontro em Oslo com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e dirigentes europeus, Putin afirmou aguardar com expectativa o resultado da referida reunião.

Questões como a crise na Ucrânia ou a situação no golfo Pérsico estarão no centro da reunião com Witkoff, indicou, salientando que também serão temas centrais “um possível encontro” na China com Donald Trump e Xi Jinping.

Antes de participar na reunião com o enviado de Trump, o dirigente russo teceu elogios ao chefe da Casa Branca pelo seu envolvimento na resolução da guerra na Ucrânia, iniciada em 2022, na sequência da invasão em larga escala ordenada pelo Kremlin.

“Sei que o Presidente Trump atribui uma importância especial a esta questão, sobretudo devido às preocupações humanitárias, e, durante a nossa última conversa telefónica, salientou que é necessário pôr fim a este conflito, acima de tudo devido às baixas entre as tropas e aos bombardeamentos de ambos os lados”, sublinhou.

Perante Witkoff, o Presidente russo salientou que não estão em causa apenas as baixas entre os militares, mas também o sofrimento da população civil.

“Gostaria de aproveitar esta ocasião para lhe pedir que transmita os meus mais sinceros agradecimentos ao Presidente Trump e também à sua mulher, a primeira-dama, pelo seu contributo para a resolução de questões humanitárias”, acrescentou.

Ofertas especiais

Putin ofereceu-se também para mediar o fim da guerra no Irão, invocando a sua “relação especial” com Teerão, estabelecida ao longo de décadas. “Se pudermos contribuir de alguma forma para resolver essa situação, estaremos disponíveis para o fazer. Conhece muito bem as nossas propostas a este respeito”, afirmou.

Desde o início da guerra no Irão, Teerão e Washington mantêm um braço-de-ferro pelo controlo do estreito de Ormuz, onde a República Islâmica tenta travar o tráfego marítimo através de ataques a navios e os Estados Unidos procuram manter a circulação de petroleiros para controlar o preço do crude.

Em contrapartida, o Irão e a Rússia reforçaram as suas relações nos últimos anos, sobretudo após o início da guerra na Ucrânia, tendo assinado, em 2025, um acordo de parceria estratégica.

Ontem, Putin mostrou-se disponível para uma eventual reunião com os líderes dos Estados Unidos e da China, depois de o próprio Trump ter admitido participar na cimeira prevista para 18 e 19 de Novembro, na cidade chinesa de Shenzhen.

A diplomacia norte-americana defendeu a possibilidade de realização desta cimeira face às críticas da Ucrânia, segundo as quais o encontro daria mais margem de manobra a Moscovo no contexto da invasão do país vizinho. Neste sentido, Kiev pediu que haja “maturidade” nas questões de política externa, defendendo a importância de uma eventual cimeira trilateral.

22 Out 2026

Pequim quer que cimeira do clima debata proteccionismo contra tecnologias verdes

A China defendeu ontem que a próxima conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP31), prevista para Novembro na Turquia, deve abordar o proteccionismo e barreiras comerciais às tecnologias verdes, numa altura de crescentes tensões comerciais com o Ocidente.

A proposta surge em plena disputa comercial com os Estados Unidos e a União Europeia (UE) sobre produtos chineses como veículos eléctricos e painéis solares, considerados fundamentais para a transição energética.

O vice-ministro chinês da Ecologia e Ambiente e chefe da delegação à COP31, Li Gao, defendeu ontem, numa conferência de imprensa organizada pelo Conselho de Estado (Executivo) em Pequim, que as negociações devem abordar os obstáculos comerciais que, na perspectiva chinesa, dificultam a transição energética.

“Acreditamos que a conferência deve debater aprofundadamente os problemas antigos da redução insuficiente das emissões e do apoio financeiro dos países desenvolvidos, bem como os novos desafios do unilateralismo e do proteccionismo, que prejudicam os esforços colectivos mundiais”, afirmou Li.

A China, um dos maiores fabricantes mundiais de veículos eléctricos, baterias e painéis solares, enfrenta tarifas aduaneiras e outras restrições nos Estados Unidos e na UE, destinadas a proteger as respectivas indústrias da concorrência chinesa.

Li apelou à criação de um sistema comercial internacional mais aberto, que facilite a circulação de tecnologias e produtos de baixas emissões. O governante não apresentou, contudo, medidas concretas para eliminar as tarifas aduaneiras, nem mencionou expressamente Washington ou Bruxelas.

O vice-ministro defendeu também progressos no financiamento climático destinado aos países em desenvolvimento, nomeadamente no objectivo de mobilizar pelo menos 300 mil milhões de dólares por ano até 2035 e de triplicar os fundos destinados à adaptação às alterações climáticas.

Encontro em Antália

Entre as prioridades de Pequim figura ainda a criação de um mecanismo internacional de transição justa, destinado a ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar as dificuldades económicas e sociais associadas à descarbonização.

Questionado sobre a proposta turca de elevar para 35 por cento a taxa de electrificação mundial até 2035, Li afirmou que a iniciativa está alinhada com as políticas chinesas, mas evitou manifestar apoio explícito.

O responsável defendeu que devem ser consideradas as diferenças entre países, de forma a alcançar o “maior consenso possível”. A COP31 decorrerá entre 09 e 20 de Novembro, em Antália, na Turquia, com uma cimeira de líderes prevista para os dias 11 e 12 e uma jornada dedicada ao financiamento e ao comércio no dia 13.

As negociações procurarão acelerar a aplicação do Acordo de Paris e aproximar posições sobre a transição energética, a adaptação às alterações climáticas e o apoio aos países mais vulneráveis.

22 Out 2026

Cooperação | Rússia destaca crescimento do comércio com a China

O primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, enfatizou a cooperação com o vizinho chinês, apesar do ambiente externo hostil, durante um encontro com Li Qiang, em São Petersburgo

A Rússia e a China estão a intensificar a cooperação económica e comercial, apesar das pressões externas, afirmou ontem o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, durante um encontro com o homólogo chinês, Li Qiang, em São Petersburgo.

“Apesar do aumento das pressões externas, a cooperação comercial e económica entre a Rússia e a China apresenta uma dinâmica muito positiva. O nosso comércio bilateral multiplicou-se por mais de 30 nos últimos 25 anos”, afirmou Mishustin, durante o encontro transmitido pela televisão pública russa.

Em Setembro, o Presidente norte-americano, Donald Trump, promulgou uma lei aprovada pelo Congresso que alarga as sanções contra a Rússia e o Irão e permite impor tarifas aduaneiras até 100 por cento aos países que comprem energia russa.

Embora Trump tenha assinado, quase um mês depois, uma ordem executiva que suspende temporariamente a aplicação dessas sanções, Moscovo advertiu que a medida prejudicará as relações entre a Rússia e os Estados Unidos.

Durante a reunião, Mishustin destacou também o aumento da utilização das moedas nacionais nas transacções bilaterais, que representam já “quase 100 por cento do comércio mútuo”. O chefe do Governo russo salientou o aprofundamento da cooperação nos sectores da energia e da cultura, bem como dos intercâmbios entre as populações dos dois países.

“As relações inter-regionais estão a fortalecer-se de forma consistente e, mais importante ainda, os contactos directos entre os cidadãos dos dois países”, afirmou. Segundo Mishustin, Moscovo e Pequim estão a criar “novos motores de crescimento”, com base nas vantagens competitivas das respetivas economias.

“Continuamos a defender de forma consistente os nossos interesses comuns, reforçando a soberania industrial e tecnológica”, acrescentou, destacando os princípios do respeito mútuo, da boa vizinhança e do benefício recíproco.

Boas energias

No sector energético, o primeiro-ministro russo garantiu que Moscovo continuará a assegurar o fornecimento ininterrupto de recursos à China. “A Rússia continuará a garantir de forma fiável o fornecimento ininterrupto de recursos energéticos e estamos, de modo geral, preparados para reforçar a cooperação nesta área”, afirmou.

Mishustin destacou as exportações de gás natural russo para a China, a construção de uma nova rota de abastecimento através do Extremo Oriente russo e o desenvolvimento do projecto de gasoduto denominado “Força do Baikal”, que descreveu como uma das maiores infraestruturas de transporte de gás da Eurásia. O governante referiu ainda a possibilidade de desenvolver novos projectos conjuntos no domínio da energia nuclear.

Na área comercial, Mishustin elogiou os produtos comercializados sob a marca “Made in Russia” (“Feito na Rússia”, em português), que, segundo afirmou, demonstraram elevada qualidade e grande popularidade no mercado chinês.

“É necessário alargar a variedade de produtos comercializados entre os dois países. Existe procura por parte dos cidadãos de ambos”, declarou. Li Qiang afirmou que as relações entre a China e a Rússia entraram numa “nova etapa de desenvolvimento acelerado, mais eficaz e concreto”.

O primeiro-ministro chinês apelou a que a reunião seja aproveitada como uma “oportunidade importante” para resolver os problemas existentes e transformar os acordos alcançados ao mais alto nível em medidas práticas e resultados concretos.

“Sobretudo ao longo do último ano, num contexto internacional muito complexo, avançámos lado a lado, unidos, respondendo à instabilidade e à incerteza externas através de uma cooperação ainda mais enérgica e sólida”, afirmou Li.

22 Out 2026

Ucrânia | Trump disponível para reunião com Putin e Xi

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou-se segunda-feira disponível para reunir com os seus homólogos da Rússia e da China, Vladimir Putin e Xi Jinping, para negociar o fim da guerra na Ucrânia. “Reunir-me-ia e faria tudo o que pudesse para acabar com a guerra”, garantiu Trump em declarações aos jornalistas à saída da Casa Branca.

Donald Trump, que nos últimos dias tem feito várias declarações e tomado decisões favoráveis à Rússia, assegurou que, caso a reunião tripartida se realize, não será “sobre a Ucrânia”. “A Rússia tem-se comportado bem em relação à Ucrânia. Não têm feito grande coisa ultimamente”, acrescentou o presidente norte-americano.

O dia de ontem foi marcado por rumores sobre uma possível reunião entre os três presidentes nas próximas semanas para tratar do fim da guerra, sem a participação de Kiev ou dos seus aliados europeus. Segundo o jornal norte-americano The Wall Street Journal, a proposta partiu do presidente russo.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, admitiu ontem que a questão foi abordada durante a conversa telefónica que Putin manteve com Trump em 09 de Outubro, mas negou que exista um acordo para realizar o encontro durante a cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), prevista para Novembro em Shenzhen, na China.

“No entanto, nenhuma proposta concreta ou acordo, seja sobre a realização do encontro em si, seja sobre uma eventual agenda, foi discutido ou formulado por quem quer que seja”, esclareceu durante a sua conferência de imprensa diária. Estimou ainda que qualquer acordo final para pôr fim ao conflito na Ucrânia é “impossível sem a participação de representantes de Kiev dispostos a assumir as suas responsabilidades”.

Da China

Em Pequim, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, referiu, por sua vez, “não ter qualquer informação, neste momento”, sobre uma reunião trilateral. Também questionado sobre o assunto na segunda-feira, durante uma visita a Samarcanda, no Uzbequistão, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, mostrou-se evasivo.

Para o chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sybiha, uma cimeira deste tipo apenas “encorajaria [Vladimir] Putin a continuar esta guerra”, dado que a Rússia “não pode vencer e não quer pôr fim” ao conflito. Defendeu, em vez disso, um encontro entre os líderes ucraniano, norte-americano e russo.

Zelensky rejeitou também a proposta e acusou ontem Washington de procurar a capitulação da Ucrânia, ao alegadamente limitar o intercâmbio de informações de inteligência e atrasar o fornecimento de mísseis antibalísticos.

Trump, que nas últimas semanas intensificou as críticas a Zelensky e apelou à sua substituição como presidente da Ucrânia, acusou o responsável ucraniano de “não estar a ajudar muito” a pôr fim ao conflito.

Depois de Zelensky ter afirmado que Trump “não está do lado certo da história” por ter permitido à Rússia exportar gasóleo para o mercado internacional, o presidente norte-americano insistiu ontem que outro interlocutor deve assumir as negociações em nome de Kiev.

“Zelensky não sabe do que está a falar. Zelensky é um homem que já devia ter resolvido esta guerra há muito tempo. Está na altura de outra pessoa negociar em nome da Ucrânia”, frisou o republicano.

Rubio nega retenção de ajuda a Kiev

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negou ontem que Washington esteja a reter deliberadamente fornecimentos militares destinados à Ucrânia e rejeitou acusações de interrupção da partilha de informações. “Nada está a ser deliberadamente recusado” à Ucrânia, assegurou Rubio durante uma visita à Índia.

O chefe da diplomacia norte-americana explicou que Washington procura encontrar um equilíbrio entre os compromissos assumidos com diferentes parceiros e as próprias necessidades militares dos Estados Unidos. Rubio acrescentou que o Presidente norte-americano, Donald Trump, está “irritado” com as acusações de que estaria deliberadamente a prejudicar a Ucrânia, nomeadamente através da suspensão da partilha de informações de inteligência.

“O Presidente está irritado porque, antes de mais, não gosta de ser responsabilizado por coisas que não são verdadeiras, incluindo acusações de que teria, de alguma forma, ordenado a interrupção da partilha de informações”, afirmou Rubio.

21 Out 2026

Economia | Banco central mantém taxa de juro inalterada pelo 18.º mês consecutivo

O Banco Popular da China (BPC, banco central) anunciou ontem que vai manter a principal taxa de juro de referência em 3 por cento, pelo 18.º mês consecutivo, em linha com as previsões dos analistas. Na actualização mensal divulgada na sua página oficial, a instituição indicou que a taxa preferencial de empréstimo (LPR, na sigla em inglês) a um ano permanecerá naquele nível durante, pelo menos, mais um mês.

Este indicador, introduzido como referência para as taxas de juro em 2019, é utilizado para determinar o custo dos novos empréstimos, sobretudo às empresas, bem como dos créditos de taxa variável ainda em pagamento.

O banco central anunciou também que a LPR a cinco anos ou mais, utilizada como referência para os empréstimos à habitação, continuará fixada em 3,5 por cento, igualmente em linha com as expectativas dos analistas.

A última redução das taxas de juro na China ocorreu em maio de 2025, quando o BPC procedeu a um corte de dez pontos base, reduzindo a LPR a um ano de 3,1 por cento para 3 por cento e a taxa a cinco anos ou mais de 3,6 por cento para 3,5 por cento.

Perante uma conjuntura económica difícil para a segunda maior economia mundial, a decisão foi então considerada previsível pelos analistas, que antecipavam novas reduções ao longo do restante ano de 2025, que acabaram por não se concretizar.

A manutenção das taxas ocorre um dia depois de o governador do BPC, Pan Gongsheng, ter anunciado que a instituição está a estudar a substituição da principal taxa de referência da política monetária, actualmente baseada em operações a sete dias, por uma taxa a um dia. Pan não adiantou, contudo, quando poderá ser concretizada a alteração.

21 Out 2026

Viagens | Isenção de vistos tem reforçado voos com Europa

As ligações aéreas entre a China e a Europa ganharam um novo fôlego com a isenção de vistos para cidadãos de 35 países do velho continente

A decisão da China de isentar de visto cidadãos de 35 países europeus, incluindo Portugal, tem ajudado a reforçar as ligações aéreas com a Europa, disse à Lusa o presidente da Comissão Europeia de Viagens.

Pequim começou em 2023 a isentar de visto os cidadãos de seis países europeus, alargando depois para 30 dias o período de permanência. A medida abrange cerca de 50 países, incluindo 35 estados europeus, e foi prorrogada até ao final de 2026.

“É verdade que o número de europeus que viajam para a China, provenientes de países europeus abrangidos pelo programa de isenção de vistos, aumentou drasticamente”, disse Miguel Sanz numa entrevista à Lusa. Segundo dados oficiais, 17,8 milhões de turistas entraram na China com isenção de visto na primeira metade do ano, mais 30,6 por cento do que no mesmo período de 2025.

“Eu acredito que isto também tenha beneficiado a conectividade entre a China e a Europa, uma vez que há mais pessoas a viajar no sentido oposto”, disse o presidente da Comissão Europeia de Viagens (ETC, na sigla em inglês).

A ETC é uma organização que reúne 35 agências de promoção do turismo da Europa, entre as quais o Turismo de Portugal. O programa de isenção de vistos “é benéfico não só para a China, mas, de certa forma, também para a Europa, pois permite o crescimento da conectividade, o que é sempre um bom indicador”, defendeu Sanz.

A União Europeia fechou o espaço aéreo aos aviões russos após a invasão da Ucrânia, em 2022, e Moscovo retaliou com proibições semelhantes, tornando mais longas e dispendiosas as ligações entre a Ásia e a Europa.

Mais de quatro anos depois, o dirigente espanhol sublinhou que os voos directos entre a China continental e a Europa, assim como ligações com escalas em locais como Hong Kong, Singapura, Tóquio e Seul, “estão em plena expansão”.

No entanto, a crise no Médio Oriente impôs um novo obstáculo, uma vez que os aeroportos da região representavam 14 por cento do tráfego aéreo a nível global, incluindo “grande parte da conectividade entre a Ásia e a Europa”, reconheceu Sanz. “É evidente que a situação no Golfo [Pérsico] tornou ainda mais difícil a deslocação entre a China e a Europa”, disse o presidente da ETC.

Ainda assim, Sanz sublinhou que “existe um grande interesse” em viagens entre a Ásia e o continente europeu, em ambas as direcções, e que os operadores têm conseguido “encontrar formas de redireccionar estes viajantes”.

“Espero que a situação no Golfo [Pérsico] melhore o quanto antes, uma vez que as companhias aéreas da região têm um papel fundamental na conectividade entre a Ásia e a Europa”, acrescentou o espanhol. Sanz reconheceu que a “situação geopolítica” tem “arrefecido um pouco” o interesse dos turistas em viagens de longa distância para a Europa, que parecem “mais difíceis do que eram há um ano”.

Mas “viajar continua no topo dos desejos dos consumidores”, contrapôs o dirigente, que deu como exemplo a China, mercado com “a maior percentagem de pessoas que pretendem viajar para a Europa nos próximos 12 meses”.

Interesse em alta

Em Abril, a ETC divulgou um relatório segundo o qual o interesse em viajar está no nível mais alto desde 2020, embora com menos viagens, de menor duração e com orçamentos mais moderados, devido à incerteza e ao conflito no Médio Oriente.

“Os preços são algo que temos de analisar. Os bilhetes de avião estão a ficar muito caros”, defendeu o também director-geral da agência de promoção do turismo de Espanha.

“Todos precisamos de ajudar a aliviar a situação pois seria muito prejudicial se a conectividade fosse afectada porque as companhias aéreas preferem não operar os seus aviões devido ao custo do combustível”, disse Sanz à Lusa em Macau. O presidente da ETC esteve na região chinesa a propósito do Fórum de Economia de Turismo Global, cuja 12.ª edição teve como tema “Crise, Resiliência e Evolução”.

21 Out 2026

HK | Homem vindo do Brasil detido no aeroporto com 5,4 quilos de cocaína

A polícia de Hong Kong anunciou ter detido um homem da China continental que chegou, oriundo do Brasil, ao aeroporto com 5,4 quilogramas de cocaína, no valor de mais de 375 mil euros. Num comunicado divulgado no domingo, a Alfândega de Hong Kong revelou que detectou um homem que chegou ao aeroporto da região chinesa vindo de São Paulo, no Brasil, através de Istambul, capital da Turquia.

Os agentes encontraram a cocaína, com um valor de mercado estimado em cerca de 3,3 milhões de dólares de Hong Kong na bagagem de mão do passageiro de 30 anos, disse a Alfândega. De acordo com uma imagem divulgada pela força policial, a droga encontrava-se escondida dentro de pacotes de chocolate em pó.

O homem de 40 anos foi detido no sábado e a polícia sublinhou que a investigação está ainda a decorrer. A Alfândega de Hong Kong prometeu “continuar a aplicar uma abordagem de avaliação de risco e concentrar-se na seleção de passageiros de regiões de alto risco”.

O crime de tráfico de droga é punido na região chinesa com uma multa de até cinco milhões de dólares de Hong Kong e uma pena de prisão que pode ser perpétua.

No final de Junho, a polícia anunciou ter detido, também no aeroporto, um brasileiro que chegou de São Paulo, no Brasil, através de Doha, no Qatar, com quase três quilogramas de cocaína, no valor de 1,9 milhões de dólares de Hong Kong.

Duas semanas antes, a Alfândega deteve uma passageira vinda do Brasil com 3,4 quilogramas de cocaína, escondida no interior de duas estátuas, na mala de porão. Em Dezembro, a polícia apreendeu 417 quilogramas de cocaína, com um valor de mercado estimado em 256 milhões de dólares de Hong Kong, no primeiro caso de tráfico no casco de um navio de longo curso, vindo do Brasil.

20 Out 2026

China | Portugal com proposta para reconhecimento mútuo de diplomas

Portugal apresentou à China uma proposta de acordo para o reconhecimento mútuo de graus académicos, que Pequim aceitou analisar, disse ontem à Agência Lusa o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.

“Depois de um impasse de muitos anos em que se encontrava essa situação, e após muitas interações entre a delegação portuguesa e a delegação da República Popular da China, Portugal apresentou uma proposta de acordo que a China aceitou para análise”, afirmou o governante, em Pequim.

Fernando Alexandre considerou que a aceitação da proposta portuguesa abre caminho à retoma das negociações sobre uma questão que classificou como sendo “da maior importância” para a cooperação académica entre os dois países.

O ministro revelou ainda que está prevista para hoje uma nova reunião técnica entre representantes portugueses e chineses, visando prosseguir as negociações sobre o reconhecimento de graus e diplomas. “Sem esse acordo vamos ter sempre dificuldades em garantir mobilidade de docentes, mobilidade de estudantes, que é essencial para este tipo de colaborações”, realçou.

O acordo em discussão pretende estabelecer a correspondência entre os graus portugueses de licenciatura, mestrado e doutoramento e os graus chineses de Xueshi, Shuoshi e Boshi, respectivamente, segundo informação anteriormente divulgada pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI).

Boas conversas

Fernando Alexandre explicou que a delegação do Ministério da Educação chinês participou nas negociações da X Comissão Mista de Ciência e Tecnologia Portugal–China, realizada ontem em Pequim, precisamente devido à complementaridade entre o ensino superior e a investigação científica.

Em Portugal, as duas áreas estão integradas no mesmo ministério, enquanto na China são tuteladas por organismos distintos. O governante destacou, contudo, a boa articulação entre as autoridades chinesas responsáveis pela educação e pela ciência e tecnologia, que permitiu abordar as duas vertentes durante os encontros bilaterais.

A X Comissão Mista de Ciência e Tecnologia, que não se reunia desde 2019, terminou ontem com a assinatura de uma declaração conjunta por Fernando Alexandre e pelo homólogo chinês, Yin Hejun (ver página 11).

A actual deslocação do ministro e da secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão, decorre entre Tianjin, Pequim e Xangai, com visitas a universidades, centros de investigação e empresas tecnológicas chinesas.

20 Out 2026

Investigacão | Portugal e China com financiamento conjunto

O acordo entre as duas nações foi firmado ontem em Pequim e prevê um investimento conjunto em áreas como o oceano e a economia azul, a energia, o clima, a saúde, o envelhecimento saudável e as tecnologias médicas, entre outras

Portugal e China prevêem financiar conjuntamente projectos de investigação científica a partir de 2027, através de mecanismos que serão definidos pela nova Agência para a Investigação e Inovação (AI²), revelou ontem à Lusa o ministro Fernando Alexandre.

O ministro da Educação, Ciência e Inovação explicou que os instrumentos de financiamento vão ser desenvolvidos no próximo ano, na sequência da X Comissão Mista de Ciência e Tecnologia Portugal – China, realizada ontem em Pequim, após sete anos de interrupção.

“Prevemos que haverá financiamento nacional que se juntará a financiamento da China para determinados projectos”, afirmou Fernando Alexandre em entrevista à Lusa, sublinhando que a selecção deverá obedecer a critérios de transparência e avaliações internacionais.

A definição dos mecanismos caberá à AI², criada a partir da fusão da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) com a Agência Nacional de Inovação (ANI), que assumirá plenamente as suas funções em 01 de Janeiro de 2027. As parcerias com instituições chinesas serão integradas nos instrumentos de financiamento da agência, à semelhança das colaborações existentes com universidades norte-americanas.

Fernando Alexandre esclareceu que ainda não estão identificadas instituições para avançar com novos laboratórios conjuntos ou consórcios de investigação, cuja concretização começará a ser preparada em 2027. “Agora o compromisso é, de facto, em 2027 termos instrumentos concretos”, afirmou.

O ministro insistiu que os futuros projectos serão seleccionados através de procedimentos competitivos, com avaliações internacionais, rejeitando decisões discricionárias. “Temos de fazer tudo com toda a transparência”, afirmou.

Compromissos no papel

A reunião da Comissão Mista terminou com a assinatura de uma declaração conjunta entre Fernando Alexandre e o homólogo chinês, Yin Hejun, que estabelece cinco áreas prioritárias de cooperação científica e tecnológica até 2030.

Segundo um comunicado do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) enviado à Lusa, as áreas seleccionadas são o oceano e a economia azul; a energia, o clima, as baterias e o hidrogénio; a agricultura, a bioeconomia e a alimentação; a saúde, o envelhecimento saudável e as tecnologias médicas; e a conservação do património cultural através da ciência.

Questionado sobre os critérios de selecção e a ausência de sectores como a inteligência artificial, semicondutores ou a robótica entre as prioridades identificadas, Fernando Alexandre explicou que foi necessário fazer escolhas, privilegiando domínios com maior potencial de colaboração.

“Temos que fazer escolhas. São áreas onde nós temos maior potencial de colaboração”, disse o ministro. O governante esclareceu que a inteligência artificial foi considerada durante as negociações, mas acabou por ser enquadrada como uma tecnologia transversal às diferentes áreas de investigação.

“A inteligência artificial, obviamente, vai ser importante em muitas delas e foi essa uma das razões para não ser identificada”, explicou. Fernando Alexandre sublinhou ainda que a definição das prioridades portuguesas procura assegurar o alinhamento com as orientações estratégicas da União Europeia.

O ministro manifestou confiança de que as áreas seleccionadas permitirão dar “um impulso muito significativo” à cooperação entre universidades e centros de investigação portugueses e chineses, com benefícios para ambos os países.

Braços abertos

A delegação portuguesa integra representantes de cerca de 15 instituições de ensino superior e investigação, que têm participado em visitas a universidades, laboratórios e empresas tecnológicas chinesas.

Segundo Fernando Alexandre, as instituições visitadas demonstraram uma “grande receptividade” ao aprofundamento da colaboração científica, cabendo também à AI² divulgar futuras oportunidades de parceria junto da comunidade académica portuguesa.

O ministro atribuiu a interrupção da Comissão Mista, que não se reunia desde 2019, à pandemia de covid-19 e à instabilidade política em Portugal e destacou a importância de dar continuidade aos contactos estabelecidos durante a sua anterior deslocação à China, em Junho, quando foi acordada a reactivação da Comissão Mista.

A declaração conjunta assinada ontem prevê o desenvolvimento de um Programa Conjunto de Acção Portugal – China para a Ciência e a Inovação entre 2027 e 2030, incluindo a possibilidade de criar redes de laboratórios conjuntos, consórcios de investigação e programas de mobilidade.

O documento sublinha também a necessidade de garantir uma cooperação científica segura, transparente e recíproca, respeitando a liberdade académica, a integridade científica e a legislação aplicável, incluindo as normas europeias. Estão previstos encontros técnicos em 2027, podendo Portugal acolher, em 2028, a XI Comissão Mista de Ciência e Tecnologia.

20 Out 2026

Chengdu | Antigo presidente da câmara acusado de corrupção

A Procuradoria chinesa acusou de corrupção o antigo presidente da câmara de Chengdu, Wang Fengchao, suspeito de utilizar os cargos que ocupou em empresas estatais e na administração pública para favorecer terceiros em troca de subornos avultados.

A Procuradoria Popular Suprema anunciou ontem que a Comissão Nacional de Supervisão concluiu a investigação e remeteu o processo para o ministério público, que ordenou a detenção de Wang por suspeitas de corrupção.

O processo foi atribuído à Procuradoria de Changsha, capital da província de Hunan, no centro do país, que apresentou recentemente a acusação junto do Tribunal Popular Intermédio daquela cidade. Segundo a acusação, Wang aproveitou os poderes e a influência associados aos diferentes cargos que desempenhou para conceder benefícios a terceiros, recebendo em troca bens de forma ilícita.

Antes de assumir a presidência da câmara de Chengdu, Wang ocupou cargos de direcção no grupo estatal de electrónica Sichuan Changhong, foi vice-presidente da câmara de Neijiang e vice-director do organismo provincial de supervisão dos activos estatais, entre outras funções.

Exerceu também o cargo de vice-governador da província de Sichuan e, posteriormente, de vice-secretário local do Partido Comunista Chinês (PCC) e presidente da câmara de Chengdu, uma das principais cidades do centro-oeste da China, com mais de 20 milhões de habitantes. A Procuradoria não especificou o montante dos alegados subornos nem as datas em que terão ocorrido as irregularidades.

Wang estava sob investigação desde Novembro de 2025 por “graves violações da disciplina e da lei”, expressão habitualmente utilizada pelas autoridades chinesas em processos relacionados com corrupção.

16 Out 2026

Viagem | PM visita Uzbequistão, Tajiquistão e Rússia entre 17 e 22 de Outubro

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, vai visitar o Uzbequistão, o Tajiquistão e a Rússia entre 17 e 22 de Outubro, onde vai participar numa reunião da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) e manter conversações com o homólogo russo, anunciou ontem Pequim.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning precisou, em conferência de imprensa, que Li visitará o Uzbequistão entre 17 e 18 de Outubro, o Tajiquistão entre 18 e 20 e a Rússia entre 20 e 22, a convite dos respectivos chefes de Governo.

No Tajiquistão, o governante participará na 25.ª reunião do Conselho de Chefes de Governo da OCX, organização que celebra este ano o 25.º aniversário e reúne 10 países, incluindo a China, a Rússia, a Índia e o Irão.

Segundo Mao, o encontro permitirá abordar a aplicação dos acordos alcançados nas recentes cimeiras da organização, realizadas nas cidades de Tianjin, no nordeste da China, e Bisqueque, capital do Quirguistão, e “reforçar a cooperação regional”.

A última etapa da viagem leva Li à Rússia, onde participará, juntamente com o homólogo russo, Mikhail Mishustin, na 31.ª reunião periódica entre os primeiros-ministros dos dois países, um mecanismo destinado a coordenar a cooperação bilateral.

A visita coincide com o 30.º aniversário da parceria estratégica sino-russa e o 25.º aniversário do Tratado de Boa Vizinhança, num contexto de crescente coordenação política, comercial e energética entre Pequim e Moscovo, perante a guerra na Ucrânia, os conflitos no Médio Oriente e as perturbações no comércio mundial.

A deslocação antecede a cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), prevista para 18 e 19 de novembro, em Shenzhen, no sudeste da China.

O Kremlin confirmou um encontro entre os Presidentes russo e chinês, Vladimir Putin e Xi Jinping, à margem da cimeira, enquanto Moscovo admitiu também a possibilidade de uma reunião trilateral com o Presidente norte-americano, Donald Trump, embora não existam preparativos confirmados para esse encontro.

16 Out 2026

Inteligência Artificial | China e EUA preparam acordo sobre IA antes de encontro

A China e os Estados Unidos estão a negociar um mecanismo de cooperação em inteligência artificial, que poderá ser anunciado no encontro entre os Presidentes Xi Jinping e Donald Trump, em Novembro, noticiou ontem a imprensa de Hong Kong.

Segundo o jornal South China Morning Post (SCMP), que cita várias fontes próximas das negociações, equipas técnicas dos dois países mantêm contactos regulares para definir os detalhes de um mecanismo de gestão de incidentes relacionados com a IA e institucionalizar o diálogo bilateral nesta área.

O objectivo é apresentar resultados concretos durante a cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), prevista para 18 e 19 de Novembro, na cidade chinesa de Shenzhen, onde Xi e Trump deverão reunir-se pela terceira vez este ano.

As negociações intensificaram-se após a visita de Estado do Presidente chinês aos Estados Unidos, em Setembro, durante a qual os dois países anunciaram a criação de um canal bilateral para gerir incidentes relacionados com a IA e de um mecanismo de diálogo sobre a tecnologia.

Segundo os comunicados divulgados pelos dois governos, os líderes concordaram em trocar opiniões sobre os “riscos e benefícios” da inteligência artificial e estabelecer um canal de comunicação para situações de crise. No entanto, as iniciativas continuam, por enquanto, limitadas a compromissos políticos, sem mecanismos operacionais definidos.

Uma das fontes citadas pelo SCMP afirmou que Washington e Pequim pretendem estabelecer um quadro básico para responder a crises relacionadas com a IA até à cimeira de Shenzhen, deixando os detalhes de funcionamento para uma fase posterior.

Outra possibilidade, é o anúncio de um mecanismo permanente de cooperação, envolvendo responsáveis governamentais, instituições de investigação e representantes da indústria tecnológica.

Nova oportunidade

As duas potências concordaram em iniciar negociações formais sobre a governação da IA após o encontro entre Xi e Trump, em Pequim, em Maio, mas as conversações foram sucessivamente adiadas devido a divergências sobre o seu âmbito e dificuldades de calendário.

O primeiro diálogo acabou por ser integrado nas negociações económicas e comerciais entre o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, realizadas em Nova Iorque, poucos dias antes da cimeira de Setembro.

“A reunião da APEC em Novembro proporciona uma boa oportunidade para dar ao diálogo sobre IA uma dimensão política e institucional mais substancial”, afirmou uma fonte familiarizada com as negociações.

Segundo a mesma fonte, a inteligência artificial tornou-se uma das áreas em que Washington e Pequim poderão demonstrar que a concorrência estratégica não impede uma cooperação razoável. Contudo, um acordo mais abrangente sobre cooperação económica em IA seria “consideravelmente mais ambicioso” do que o mecanismo de segurança e gestão de incidentes atualmente em discussão.

Outra fonte, alertou que a institucionalização do diálogo não será uma “tarefa fácil”, devido às diferenças entre os sistemas de regulamentação dos dois países e à crescente rivalidade tecnológica.

Corrida acesa

As negociações decorrem num contexto de intensificação da corrida pela liderança mundial da IA, com Washington preocupado com os rápidos avanços das empresas chinesas no desenvolvimento de modelos avançados.

Apesar dos receios relacionados com a segurança da tecnologia, a administração Trump tem rejeitado propostas para abrandar o desenvolvimento dos modelos de IA mais avançados, defendendo a necessidade de manter a vantagem norte-americana sobre a China.

As tensões agravaram-se também devido às acusações norte-americanas de que empresas chinesas utilizam capacidades de modelos desenvolvidos nos Estados Unidos para acelerar o treino dos seus próprios sistemas.

Bessent acusou, em Setembro, a China de recorrer à chamada “destilação” de modelos, uma técnica de treino em que um sistema mais pequeno aprende a partir das respostas de outro mais avançado.

Pequim rejeitou as acusações, classificando a destilação como uma “prática comum no sector da inteligência artificial”.

16 Out 2026

Índia | Treze crianças morrem em naufrágio no rio Ganges

Pelo menos 13 crianças morreram afogadas na terça-feira à noite quando um barco, alegadamente sobrecarregado segundo testemunhas, virou no rio Ganges, nordeste da Índia, informaram as autoridades locais. A embarcação virou ao anoitecer enquanto atravessava o rio para levar passageiros a um festival religioso numa aldeia do estado de Bihar.

“As buscas foram retomadas hoje (ontem) de manhã, depois de terem sido suspensas devido à escuridão”, disse Varsha Singh, uma autoridade do distrito de Vaishali, acrescentando que várias pessoas ainda estavam desaparecidas. Seis passageiros também foram hospitalizados, disse o médico Nirmal Kumar.

“Estava escuro quando de repente ouvimos crianças a gritar e a pedir ajuda. Só conseguimos salvar três crianças graças à luz dos nossos telemóveis e lanternas”, disse Radi Yadav, um residente que participou no resgate.

Segundo outro residente da aldeia, Ramlakhan Rai, o barco foi concebido apenas para seis pessoas, mas transportava pelo menos 20 a 25.

“Mesmo sabendo das péssimas condições deste pequeno barco, as autoridades locais não fizeram nada para o substituir ou reparar”, acusou. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, manifestou o seu “profundo pesar” após o acidente e prometeu assistência financeira às famílias das vítimas.

Os naufrágios são frequentes na Índia, devido a embarcações sobrecarregadas, incumprimento das normas de segurança ou falta de equipamento de segurança.

15 Out 2026

Fujian | Condenados três membros de rede de fraudes à pena de morte

Dois tribunais da província chinesa de Fujian, no sudeste do país, condenaram à morte três membros de uma rede criminosa ligada a fraudes transnacionais cometidas a partir de Myanmar (antiga Birmânia), noticiou ontem a imprensa local.

No mesmo processo, julgado pelos tribunais de Quanzhou e Nan’an, outros três arguidos foram condenados a prisão perpétua e 55 receberam penas de prisão entre três e 24 anos, segundo o jornal oficial Global Times.

As sentenças, anunciadas na terça-feira, incluem ainda multas, confisco de bens e, em alguns casos, deportação. Todos os condenados pertencem ao chamado clã Wei, considerado uma das principais famílias criminosas da região de Kokang, no norte de Myanmar, junto à fronteira com a China.

Os condenados à morte são Wei Huairen, Chen Dawei e Liao Jingfang, enquanto Wei Qingtao, Kang Min e Xiong Hengxing receberam penas de prisão perpétua.

Segundo os tribunais, dois grupos criminosos aproveitaram, desde 2019, a influência do clã Wei em Kokang para estabelecer vários complexos dedicados a actividades ilegais na cidade de Laukkaing e fornecer protecção armada aos responsáveis pelas operações.

As organizações estiveram envolvidas em crimes como burlas ‘online’, exploração de casinos ilegais, extorsão, organização de prostituição, tráfico de droga e tráfico de pessoas. Os lucros destas actividades ultrapassaram 12 mil milhões de yuan, segundo a sentença.

Redes desmanteladas

Os tribunais consideraram ainda que o clã Wei colaborou com redes de fraude no homicídio de pessoas que se recusaram a cumprir ordens nos complexos criminosos, incluindo quatro cidadãos chineses. Nos últimos dois anos, as autoridades chinesas anunciaram o desmantelamento dos clãs Ming, Wei e Liu, considerados entre as principais organizações criminosas de Kokang.

O processo insere-se na campanha lançada por Pequim contra as redes de burlas informáticas sediadas em Myanmar, onde grupos armados de origem chinesa controlaram durante anos complexos dedicados a fraudes ‘online’, prostituição e jogo ilegal.

Até ao final de 2025, os tribunais chineses julgaram mais de 27 mil processos relacionados com fraudes através de telecomunicações cometidas a partir do norte de Myanmar e condenado mais de 41 mil pessoas repatriadas daquele país, segundo um relatório do Supremo Tribunal Popular da China.

Os centros de fraude proliferaram nas regiões fronteiriças de Myanmar após o golpe de Estado militar de Fevereiro de 2021, que agravou a instabilidade no país e favoreceu a expansão de redes de crime organizado.

Segundo um relatório das Nações Unidas, pelo menos 120 mil pessoas encontram-se retidas em centros de Myanmar, onde são obrigadas a cometer burlas informáticas.

As vítimas são frequentemente atraídas por falsas ofertas de emprego e depois mantidas em complexos fechados, semelhantes a prisões, onde são forçadas a realizar fraudes através da Internet, sob ameaças e sujeitas a “violência extrema”, de acordo com autoridades internacionais.

15 Out 2026

Pacífico ocidental | Porta-aviões Liaoning em exercícios militares

A Marinha chinesa anunciou ontem o envio de um grupo de combate liderado pelo porta-aviões Liaoning para o Pacífico ocidental, onde realizará exercícios militares destinados a reforçar a preparação das suas unidades em condições reais de combate.

Num comunicado divulgado nas redes sociais, a Marinha do Exército de Libertação Popular (ELP, Forças Armadas chinesas) indicou que as manobras integram o plano anual de treino militar e visam melhorar a capacidade operacional das unidades em “condições reais de combate”.

O organismo militar assegurou que os exercícios respeitam o direito internacional e “não são dirigidos contra qualquer país ou alvo específico”. O anúncio não especifica a composição do grupo de combate, as águas do Pacífico ocidental onde decorrerão as manobras, a sua duração ou as actividades previstas.

O Liaoning, o mais antigo dos três porta-aviões operacionais da China, já foi destacado para a mesma região em Maio, quando a Marinha anunciou exercícios que incluíram voos tácticos em alto-mar, exercícios de fogo real e operações de busca e salvamento.

Um ano antes, em Junho de 2025, o Liaoning e o porta-aviões Shandong realizaram um destacamento simultâneo de mais de um mês no Pacífico ocidental, durante o qual conduziram exercícios de combate e operações conjuntas com outras unidades militares.

15 Out 2026

Pequim aprova preparativos da VISA para entrar no mercado de cartões bancários

O Banco Popular da China (banco central) autorizou ontem a norte-americana Visa a iniciar os preparativos para estabelecer uma entidade de compensação de cartões bancários no país, primeiro passo para operar uma rede própria de processamento de pagamentos.

De acordo com a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, a Visa Information Technology (Pequim), sociedade constituída na China pela multinacional norte-americana, terá um ano para concluir os preparativos e solicitar a autorização definitiva para iniciar operações.

A licença terá de ser aprovada conjuntamente pelo Banco Popular da China (BPC) e pela Administração Nacional de Regulação Financeira, pelo que a autorização anunciada ontem ainda não permite à Visa prestar estes serviços.

Caso obtenha a licença, a empresa poderá processar pagamentos na moeda chinesa, o yuan, com cartões emitidos por bancos chineses para operações na China, uma actividade distinta dos serviços que já disponibiliza para cartões estrangeiros utilizados no país asiático.

Na mesma rota

A Visa seguirá assim os passos das concorrentes norte-americanas American Express e Mastercard, que já receberam autorização para operar redes de compensação de cartões bancários no mercado chinês.

A American Express obteve a licença em 2020, enquanto a Mastercard recebeu a aprovação definitiva em Novembro de 2023 e iniciou operações em Maio de 2024, através de uma empresa conjunta com a chinesa NetsUnion.

A Visa confirmou, em Novembro de 2018, que solicitou autorização para estabelecer uma entidade de compensação de cartões na China, pelo que a aprovação anunciada ontem surge quase oito anos depois do pedido inicial.

As duas concorrentes entraram num mercado historicamente dominado pela rede nacional UnionPay, no âmbito da abertura do sector chinês dos pagamentos a operadores estrangeiros.

Ao contrário da American Express e da Mastercard, que recorreram a empresas conjuntas com parceiros chineses, a Visa obteve a autorização preparatória através de uma sociedade constituída no país pela própria multinacional.

Se receber a licença definitiva, a Visa poderá alargar as opções disponíveis aos bancos chineses para a emissão de cartões e o processamento de pagamentos, além de oferecer novas alternativas aos comerciantes e consumidores, dependendo dos serviços autorizados.

14 Out 2026

Guerras de preços na China reforçam domínio mundial das tecnologias verdes

O Instituto Mercator de Estudos sobre a China indicou que a concorrência excessiva entre empresas chinesas de tecnologias verdes está a provocar prejuízos mas também a reforçar o domínio mundial chinês, aumentando a pressão sobre a indústria europeia.

Num relatório publicado na sexta-feira, o Instituto Mercator de Estudos sobre a China (MERICS) analisa as consequências das guerras de preços nos sectores dos painéis solares, veículos eléctricos e turbinas eólicas, que beneficiaram durante anos de forte apoio estatal.

Em 2025, as empresas chinesas forneceram pelo menos três quartos dos painéis solares, turbinas eólicas e veículos eléctricos vendidos em todo o mundo, enquanto a China representou pelo menos 57 por cento da procura mundial destes produtos, segundo o ‘think tank’ com sede em Berlim.

Paradoxos asiáticos

Os investigadores identificaram um paradoxo: apesar do sucesso internacional, muitas das empresas chinesas enfrentam margens de lucro reduzidas ou acumulam prejuízos, devido à concorrência intensa e ao excesso de capacidade de produção.

Na China, este fenómeno é conhecido como “involução”, um termo utilizado para descrever uma competição em que as empresas investem cada vez mais recursos para preservar ou conquistar quotas de mercado, sem obterem benefícios proporcionais.

“Trata-se de uma corrida para o fundo, na qual todos os participantes de um sistema trabalham mais e gastam mais recursos, mas sem obterem maiores ganhos”, lê-se no relatório, intitulado Survival of the fiercest: How involution helps China dominate green tech globally.

Segundo o MERICS, esta dinâmica tornou-se parte integrante da estratégia industrial chinesa, uma vez que a pressão sobre os preços reforça a competitividade das empresas nacionais face aos concorrentes estrangeiros.

“Isso significa que o domínio da China nas tecnologias verdes está a tornar-se ainda mais forte”, apontaram os investigadores. O MERICS considerou que a concorrência excessiva no mercado chinês está a acelerar a expansão internacional das empresas, que procuram margens de lucro superiores. Em alguns casos, o mesmo modelo de automóvel eléctrico pode ser vendido na Europa por um preço até duas vezes superior ao praticado na China, segundo o relatório.

Destino de eleição

A Europa tornou-se o principal destino das exportações chinesas de tecnologias verdes, ultrapassando a Ásia em 2021. Actualmente, os produtos chineses são entre 30 por cento e 50 por cento mais baratos do que os equivalentes europeus de qualidade comparável, dependendo da tecnologia.

“Para muitas empresas estrangeiras, a única estratégia viável parece ser transferir uma parte maior da sua produção para a China, para beneficiarem das mesmas vantagens de custos que os concorrentes”, referiu o estudo.

Esta tendência coloca em causa as ambições industriais europeias, incluindo os objectivos da legislação comunitária destinada a reforçar a produção de tecnologias com emissões líquidas nulas.

Apesar de o Governo chinês ter elevado o combate à chamada “involução” a prioridade política, o MERICS considerou que as medidas adoptadas até agora não resolvem as causas estruturais do problema.

Segundo o estudo, as autoridades locais continuam a ter incentivos para apoiar empresas estratégicas, mesmo quando estas acumulam prejuízos, uma vez que contribuem para o crescimento económico, o emprego e as receitas fiscais.

“Enquanto a concorrência implacável ajudar as empresas chinesas a conquistar quotas de mercado mundiais e a assegurar a posição da China no centro de indústrias fundamentais, Pequim continuará a considerar esta abordagem política um sucesso global”, lê-se no relatório.

14 Out 2026

Cooperação | China trabalha com Rússia para proteger rotas marítimas e abastecimento energético

As parcerias entre os dois vizinhos ganham novos contornos face à crise global desencadeada pelas guerras no Irão e na Ucrânia

A China defendeu o reforço da cooperação com a Rússia para garantir a segurança das principais rotas marítimas internacionais e a estabilidade do abastecimento energético, num contexto de perturbações no transporte mundial de petróleo e tensões geopolíticas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou que Pequim está disposta a coordenar as estratégias marítimas com Moscovo, durante um encontro realizado na segunda-feira na capital chinesa com Nikolai Patrushev, assessor do Presidente russo, Vladimir Putin.

“A China está disposta a trabalhar com a Rússia para reforçar a coordenação das estratégias marítimas, aproveitar as vantagens complementares de ambos os países e proteger os respectivos interesses marítimos legítimos”, afirmou Wang, segundo um comunicado divulgado ontem pela diplomacia chinesa.

O ministro defendeu que os dois países devem “salvaguardar a segurança marítima na região Ásia-Pacífico e garantir a circulação normal nos principais corredores marítimos mundiais”.

Wang sublinhou a necessidade de respeitar a soberania e a segurança dos Estados costeiros e de assegurar a estabilidade do abastecimento de energia e matérias-primas, bem como o funcionamento das cadeias de produção e abastecimento.

As declarações surgem num contexto de fortes perturbações no transporte de petróleo através do estreito de Ormuz, uma das principais vias de abastecimento energético mundial, na sequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

As sanções ocidentais impostas à Rússia têm também aumentado a importância de rotas comerciais alternativas para Moscovo e Pequim.

Durante o encontro, Wang destacou a convergência entre a iniciativa chinesa da “Rota da Seda Polar” e os planos russos para desenvolver as rotas marítimas do Ártico. “Ambas as partes devem alargar os intercâmbios nos assuntos marítimos e do Ártico, atcivando um ‘motor azul’ para o desenvolvimento das relações entre a China e a Rússia”, acrescentou.

Do outro lado

Patrushev, que preside ao Conselho Marítimo da Rússia, manifestou a disponibilidade de Moscovo para reforçar a cooperação com Pequim na construção de um corredor internacional de transporte através do Ártico e na governação marítima multilateral.

Segundo um comunicado do organismo russo, o assessor de Putin considerou que o crescimento das relações comerciais e energéticas entre os dois países exige rotas de transporte fiáveis e resistentes a perturbações.

“Com a concretização destas iniciativas, os nossos países podem transformar o mapa geoeconómico mundial, tornando o comércio marítimo mais barato, acessível e seguro face a quaisquer riscos, incluindo a escalada militar, a pirataria e as sanções”, afirmou Patrushev.

A Rússia procura desenvolver o potencial económico das regiões árticas, através da criação de uma rede integrada de transportes que ligue portos, caminhos de ferro, vias fluviais e instalações industriais no norte do país, na Sibéria e no Extremo Oriente.

A China considera as rotas marítimas do Ártico uma alternativa aos corredores comerciais tradicionais, particularmente num contexto de agravamento das tensões internacionais. Em Agosto, a transportadora Sea Legend lançou o primeiro serviço regular chinês de transporte de contentores para a Europa através do Ártico.

Em Xangai, “capital” económica da China, o assessor presidencial russo visitou o estaleiro Waigaoqiao Shipbuilding, um dos maiores do país, e defendeu a construção conjunta de navios preparados para navegar em águas geladas, incluindo embarcações destinadas ao transporte marítimo no Ártico.

Patrushev reuniu-se também em Pequim com o ministro chinês dos Transportes, Liu Wei, para discutir o desenvolvimento conjunto de novas ligações marítimas e fluviais, sobretudo nas regiões polares.

Patrushev considerou que a parceria estratégica entre Moscovo e Pequim é “mais importante do que nunca” perante a instabilidade internacional.

14 Out 2026

FMI | Apontado crescimento da China para 4,5% em 2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu ontem ligeiramente em baixa as previsões de crescimento da China para 2026 e 2027, devido à fraqueza da procura interna e à subida dos preços da energia, apesar da resistência das exportações.

Nas previsões atualizadas, o FMI antecipa agora um crescimento de 4,5 por cento para a economia chinesa este ano, menos 0,1 pontos percentuais do que na estimativa anterior, seguido de um abrandamento para 4 por cento em 2027, também uma revisão em baixa de 0,1 pontos percentuais.

“A fraqueza do consumo interno e o abrandamento do investimento, num contexto de tensões persistentes no sector imobiliário, foram apenas parcialmente compensados pelo dinamismo das exportações”, explicou a instituição.

O FMI considera, contudo, que “o apoio das políticas públicas deverá evitar um abrandamento mais acentuado” da segunda maior economia mundial. As novas previsões situam-se no limite inferior do objectivo oficial de crescimento fixado por Pequim para este ano, entre 4,5 por cento e 5 por cento, o mais baixo em décadas.

14 Out 2026

Hong Kong | Polícia procura cinzas desaparecidas da diva da pop Anita Mui

A polícia de Hong Kong prometeu “dar seguimento ao caso” do desaparecimento das cinzas de Anita Mui (1963–2003), diva da música pop de Hong Kong, que a família suspeita terem sido roubadas, de acordo com a comunicação social estatal chinesa.

Anita Mui Yim-fong, descrita como a “Madona asiática” e também como “Big Sister” (‘Irmã Mais Velha’) no mundo artístico de Hong Kong, iniciou a carreira em 1968 e, aos cinco anos de idade, já cantava óperas chinesas e canções pop em teatros locais.

“Ainda não foram efectuadas detenções. Continuaremos a manter contacto com o queixoso e as partes relevantes e a tomar as medidas de acompanhamento necessárias”, disse a polícia de Hong Kong. Numa resposta à agência de notícias oficial chinesa China News Service, no domingo, as forças de segurança indicaram que receberam uma denúncia em 18 de Julho.

Em Julho, um admirador que visitava o túmulo de Anita Mui descobriu que os parafusos da placa que guardava as cinzas se tinham soltado e que “as cinzas não se encontravam no interior”, disse o clube de fãs internacional, nas redes sociais, no sábado, dia do aniversário de Mui.

A família da cantora lamentou que a polícia não fez “nenhum progresso” na investigação e disse que o incidente causou “imensa angústia”. O nicho memorial de Anita Mui encontra-se no Pagode Hoi Wu, no Mosteiro Po Lin, na ilha de Lantau.

Não ostenta qualquer fotografia nem nome, mas a placa do nicho indica que se trata do nicho memorial de “Chu Neoi”, apelido da família, natural de Taishan, na província de Guangdong, com as datas de nascimento e morte registadas de acordo com o calendário lunar.

“A família de Mui espera que as suas cinzas possam ser recuperadas o mais rapidamente possível, para que ela possa descansar em paz”, escreveu a família.

13 Out 2026

Alimentação | China reforça fiscalização após incidentes graves

A China anunciou novas medidas para reforçar o combate aos crimes relacionados com a segurança alimentar e a fiscalização das vendas pela Internet, após vários escândalos que reacenderam a preocupação com a qualidade dos alimentos.

Entre os incidentes registados nos últimos anos estão uma intoxicação em massa por chumbo num jardim-de-infância, em 2025, e a descoberta, em 2024, do transporte de óleo alimentar em veículos anteriormente utilizados para transportar produtos químicos.

A Comissão dos Assuntos Políticos e Jurídicos do Comité Central do Partido Comunista Chinês (PCC) publicou uma directiva que exige penas mais severas para as infracções graves e uma maior coordenação entre os organismos responsáveis pela segurança alimentar e as autoridades judiciais.

Um representante do organismo, citado ontem pela agência noticiosa oficial Xinhua, afirmou que a situação da segurança alimentar na China permanece “globalmente estável”, embora tenha advertido que os crimes neste domínio são cada vez “mais sofisticados”.

Segundo o responsável, estas práticas recorrem com maior frequência às plataformas digitais e podem abranger várias etapas da cadeia de abastecimento.

A directiva identifica como áreas prioritárias os produtos à base de carne, as refeições escolares, os alimentos destinados a fins de saúde, os legumes e a fruta. O documento exige ainda controlos mais rigorosos sobre a produção, as vendas pela Internet, os serviços de restauração e as importações.

As autoridades pretendem também acelerar a revisão da Lei de Segurança Alimentar, de forma a clarificar as responsabilidades das empresas que comercializam produtos frescos através de plataformas electrónicas, dos serviços de entrega de refeições e dos vendedores que recorrem a transmissões em directo.

A directiva recomenda igualmente a actualização das listas de aditivos proibidos sempre que as investigações identifiquem novas substâncias ilegais.

Últimos casos

As medidas surgem após vários incidentes recentes que levantaram dúvidas sobre a fiscalização da cadeia alimentar chinesa.

Em Agosto, as autoridades ordenaram inspecções a produtos hortícolas perecíveis, depois de ter sido confirmado o uso ilegal de formaldeído – uma substância química tóxica – para conservar couves durante o transporte no norte do país.

Em Julho de 2025, 201 crianças foram hospitalizadas devido a uma intoxicação por chumbo num jardim-de-infância de Tianshui, no oeste da China. Já em 2024, sete empresas foram multadas por transportarem óleo alimentar em camiões-cisterna anteriormente utilizados para produtos químicos.

O escândalo mais grave das últimas décadas ocorreu em 2008, quando leite infantil adulterado com melamina provocou a morte de pelo menos seis bebés e afectou cerca de 300 mil crianças.

13 Out 2026

UE | Acordo sobre híbridos garante crescimento às empresas chinesas

A China defendeu ontem que o entendimento alcançado com a União Europeia (UE) sobre automóveis híbridos garante “espaço para as exportações” e um “crescimento estável” às empresas chinesas, apesar das restrições previstas por Bruxelas.

O ministério do Comércio chinês respondeu assim a uma pergunta sobre notícias relativas aos limites quantitativos previstos no acordo, depois de a agência de notícias Bloomberg ter avançado que Bruxelas vai limitar as importações de automóveis híbridos chineses a 350 mil unidades anuais.

A tutela afirmou que as duas partes mantiveram negociações “intensas” sobre veículos híbridos e eléctricos, no âmbito do mecanismo de consultas sobre comércio e investimento, e que o resultado permitiu “evitar uma escalada” das tensões comerciais.

Relativamente aos automóveis híbridos, o ministério destacou três princípios fundamentais: respeito pelos factos, não discriminação e cumprimento das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo Pequim, as importações europeias de automóveis híbridos chineses aumentaram de 107 mil unidades, em 2024, para 302 mil, em 2025.

O entendimento toma como referência os valores de 2025 para estabelecer um mecanismo que permita aumentar as exportações e preservar as perspetivas de crescimento das empresas chinesas, acrescentou.

O ministério do Comércio sublinhou que nenhuma medida deverá visar especificamente os produtos chineses ou tratar as empresas do país de forma “discriminatória”, garantindo que a quota atribuída à China “não será inferior” à de qualquer outro país exportador.

Pequim advertiu ainda que reserva todos os seus direitos no âmbito da OMC, incluindo o recurso aos mecanismos de resolução de litígios ou a apresentação de pedidos de compensação comercial.

Lei dos números

A Bloomberg noticiou ontem que a UE prevê limitar as importações de automóveis híbridos chineses a 350 mil unidades no primeiro ano, numa medida que poderá entrar em vigor em 01 de Dezembro. A partir do segundo ano, o limite aumentará 6 por cento anualmente, segundo a agência.

O plano vigoraria durante quatro anos e abrangeria todos os automóveis híbridos importados, e não apenas os chineses, para respeitar o princípio da não discriminação previsto nas regras da OMC.

Na sexta-feira, após reuniões em Pequim com o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, e com o vice-primeiro-ministro He Lifeng, o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, afirmou que o entendimento sobre os híbridos abre a possibilidade de reduzir as exportações chinesas destes veículos para a UE “em mais de metade”. O responsável esclareceu, contudo, que o cálculo tem como referência um cenário sem alterações nas actuais tendências comerciais e abrange um período de quatro anos.

Segundo Sefcovic, o acordo permitiria evitar a entrada de “vários milhões” de automóveis chineses no mercado europeu durante esse período, um número que considerou “significativo” para uma indústria automóvel europeia sob pressão.

O comissário não revelou os detalhes do mecanismo, explicando que precisava primeiro de apresentar os seus parâmetros à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, aos Estados-membros e aos líderes europeus, que deverão analisar o entendimento este mês, durante o Conselho Europeu.

13 Out 2026

Diplomacia | Wang Yi visita Azerbaijão, Croácia, Montenegro e Bulgária

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, vai realizar visitas oficiais ao Azerbaijão, Croácia, Montenegro e Bulgária entre 14 e 20 de Outubro, anunciou ontem a diplomacia chinesa.

A deslocação terá início no Azerbaijão, onde Wang participará, na qualidade de representante especial do Presidente chinês, Xi Jinping, na sétima cimeira da Conferência sobre Interação e Medidas de Confiança na Ásia (CICA), marcada para 15 de Outubro, em Baku.

Posteriormente, o chefe da diplomacia chinesa visitará a Croácia, o Montenegro e a Bulgária, embora Pequim ainda não tenha divulgado a agenda dos encontros previstos nestes três países.

A China mantém boas relações com os três Estados europeus, que considera importantes para o desenvolvimento dos seus laços com a União Europeia (UE), embora Montenegro não integre o bloco comunitário.

A deslocação de Wang ocorre uma semana depois de a China e a UE terem realizado, em Pequim, uma ronda de diálogo comercial que resultou em “entendimentos” sobre automóveis híbridos, terras raras e acesso ao mercado.

Bruxelas considera, contudo, que estes resultados representam apenas o início de um processo mais abrangente destinado a corrigir os desequilíbrios económicos nas relações com a China.

13 Out 2026

Taiwan | Pequim defende sanções contra ministros do Paraguai e Belize

A China defendeu ontem as sanções impostas a ministros do Paraguai e do Belize pelas suas ligações a Taiwan, acusando ambos de interferirem nos assuntos internos chineses e divulgarem “informações falsas” sobre alegados ciberataques de Pequim.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que a questão de Taiwan “é um assunto de princípio de grande importância, relacionado com a soberania e a reunificação nacional da China”, constituindo “o núcleo dos interesses fundamentais” do país.

Mao acusou determinados políticos paraguaios e do Belize de actuarem como peões das autoridades taiwanesas nas suas tentativas de alcançar a “independência” com apoio externo, de visitarem a ilha e de receberem o que Pequim chama separatistas taiwaneses.

A porta-voz acrescentou que estes responsáveis “divulgaram informações falsas sobre ciberataques chineses” e “atacaram e difamaram a China”, provocando, segundo Pequim, um “impacto internacional negativo”.

“Perante a conduta das pessoas envolvidas, a China adoptou contramedidas ao abrigo da Lei contra as Sanções Estrangeiras, para as punir e servir de advertência”, afirmou Mao. O Governo chinês anunciou sanções contra o ministro paraguaio das Tecnologias da Informação e Comunicação, Gustavo Villate, e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Belize, Francis Fonseca.

As medidas incluem o congelamento dos bens que ambos possuam na China, a proibição de transações com organizações e particulares chineses e a interdição de entrada na China continental, em Hong Kong e em Macau.

O Paraguai e o Belize integram o grupo de 12 países que mantêm relações diplomáticas formais com Taiwan.

13 Out 2026