Hunan | Autoridades investigam causas da explosão que matou 37 pessoas

Altos responsáveis de serviços administrativos de Hunan estão na mira dos inspectores da comissão provincial por suspeitas de graves violações da lei

As autoridades anti-corrupção da província chinesa de Hunan abriram investigações a seis responsáveis da gestão de emergências, polícia e administração local na sequência da explosão de uma fábrica de fogo-de-artifício que causou 37 mortos no mês passado.

A comissão provincial de inspecção e disciplina anunciou na quinta-feira que três altos funcionários do sistema de gestão de emergências estão a ser investigados por “graves violações da disciplina e da lei”, expressão habitualmente utilizada na China para designar suspeitas de corrupção ou abuso de poder.

Entre os visados estão Lei Min, director-adjunto do centro de comando de resgate de emergência para a segurança no trabalho do departamento provincial de gestão de emergências de Hunan, Zhong Caifa, antigo director-adjunto da agência municipal de gestão de emergências de Changsha, e Yang Hai, vice-secretário do Partido Comunista Chinês e director da agência municipal de gestão de emergências de Liuyang.

As investigações surgem menos de uma semana depois de as autoridades locais terem anunciado processos semelhantes contra Li Xiang, antigo vice-presidente da câmara de Liuyang, Gao Chengjian, ex-subchefe da brigada de patrulhamento policial da cidade, e Liu Yongqiang, funcionário da gestão de emergências da localidade de Guandu.

A sucessão de investigações está ligada à explosão ocorrida a 4 de Maio na fábrica Huasheng Fireworks Manufacturing and Display Company, em Liuyang, cidade sob jurisdição de Changsha e considerada a “capital mundial do fogo-de-artifício”. Além dos 37 mortos, o acidente provocou 51 feridos hospitalizados e uma pessoa continua desaparecida.

A explosão ocorreu uma semana depois de o Governo central ter introduzido novas normas de segurança para a indústria do fogo-de-artifício, destinadas a reduzir os riscos de explosões. No dia seguinte ao acidente, as autoridades ordenaram a suspensão imediata da produção em todas as fábricas de fogo-de-artifício da província para a realização de inspeções de segurança.

A Procuradoria Popular Suprema anunciou posteriormente que iria supervisionar a investigação, enquanto o Conselho de Estado criou uma equipa especial liderada pelo Ministério da Gestão de Emergências, com a participação do Ministério da Segurança Pública, da Administração Estatal para a Regulação do Mercado e do Governo de Hunan.

Combate nacional

A equipa realizou a primeira reunião a 8 de Maio, mas o relatório final ainda não foi divulgado. O reforço das investigações em Hunan coincide com uma campanha nacional contra falhas regulatórias e incumprimento das normas de segurança no trabalho.

Na quarta-feira, o Ministério da Gestão de Emergências lançou uma nova ronda de inspecções nacionais, que decorrerá até 10 de Julho, envolvendo 24 equipas destacadas para as 31 divisões administrativas provinciais do país.

A campanha visa detectar riscos graves para a segurança laboral, encobrimento de acidentes mortais e casos de corrupção, suborno ou negligência na fiscalização.

Também na semana passada, Zhang Heping, director-adjunto do departamento de gestão de emergências da província de Shanxi, foi colocado sob investigação na sequência de uma explosão numa mina de carvão que matou 82 pessoas no mês passado.

Segundo fontes do sector citadas pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, as fábricas de fogo-de-artifício de Liuyang enfrentavam pressão para cumprir encomendas antes da interrupção obrigatória da produção entre Junho e Agosto, devido aos riscos acrescidos associados às elevadas temperaturas do Verão.

A indústria é o principal motor económico de Liuyang. A cidade alberga 431 fabricantes de fogo-de-artifício, responsáveis por cerca de 60 por cento da produção nacional e por mais de 300 mil postos de trabalho. Em 2025, Liuyang exportou quase 13.800 contentores de fogo-de-artifício, mais de 70 por cento dos quais destinados aos mercados europeu e norte-americano.

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