Tóquio 2020 | Japão ameaça China e Estados Unidos ‘aparecem’ ao segundo dia

O anfitrião Japão, com cinco ‘ouros’, acercou-se dos seis da China no topo do medalheiro de Tóquio2020, no segundo dia dos Jogos Olímpicos, também marcado pelas primeiras medalhas conquistadas pelos Estados Unidos, que dececionaram na estreia.

Os nipónicos voltaram a brilhar no judo e venceram de forma inédita a categoria feminina de -52 kg, graças ao triunfo por ‘ippon’ de Abe Uta, de 21 anos, sobre a francesa Amadine Buchard, com a britânica Chelsie Giles e a italiana Odette Giuffrida no terceiro posto.

Poucos minutos depois, o irmão Hifumi Abe, de 23 anos, festejou em -66 kg masculinos, ao bater igualmente por ‘ippon’ o georgiano Vazha Margvelashvili, numa vertente em que o brasileiro Daniel Cargnin e o sul-coreano An Baul ficaram com a medalha de bronze.

O judo ditou três dos cinco ‘ouros’ do Japão, que também viu Yuto Horigome, com 37,18 pontos, impor-se na variante de rua do skate, em estreia nas Olimpíadas, a par do surf, face à ‘prata’ do brasileiro Kelvin Hoefler e ao terceiro lugar do americano Jagger Eaton.

Já a nadadora Yui Ohash cumpriu os 400 metros estilos em 4:32.08 minutos, à frente de Emma Weyant e Hal Flickinger, que ajudaram os Estados Unidos a chegar aos 10 ‘metais’, num dia que atribuiu 18 títulos e deu arranque a basquetebol, canoagem, mergulho e vela.

No sábado, o país mais laureado de sempre no maior evento multidesportivo do mundo não tinha integrado qualquer pódio, quebrando um recorde de 141 dias seguidos a somar medalhas olímpicas nos Jogos de verão, que vigorava desde a renúncia em Moscovo1980.

O nadador Chase Kalisz impulsionou o ressurgimento da ‘Team USA’ nos 400 metros estilos, ao vencer em 4:09.42 minutos, após ter sido ‘vice’ na distância no Rio2016, à frente do compatriota Jay Litherland, ‘prata’, e do australiano Brendon Smith, ‘bronze’.

Maior surpresa ofereceu o triunfo nos 400 livres do tunisino Ahmed Hafnaoui, de 18 anos, que entrou com o pior tempo da qualificação e impôs-se em 3:43.36 minutos ao australiano Jack McLoughlin, segundo, e ao norte-americano Kieran Smith, terceiro.

Com o ‘lendário’ Michael Phelps a comentar nas bancadas, o primeiro dia de finais da natação finalizou com o expectável ‘tricampeonato’ da estafeta feminina da Austrália nos 4×100 livres, bem distante de Canadá, segundo, e Estados Unidos, terceiro, e marcado por novo máximo mundial, de 3:29.69 minutos, contra 3:30.05 por si fixados em 2018.

A tarde trouxe novas marcas olímpicas no decurso das eliminatórias dos 100 metros bruços e dos 100 costas femininos, cujo anterior máximo foi batido por três vezes num espaço de seis minutos, baixando pela primeira vez dos 58 segundos.

Já a China ‘limpou’ a primeira prova de saltos para a água feminina, com a dupla composta por Shi Tingmao e Wang Han a somar 326,40 pontos para vencer na prancha sincronizada a três metros, sem dar esperanças a Canadá, ‘prata’, e Alemanha, ‘bronze’.

A austríaca Anna Kiesenhofer surpreendeu na prova de fundo de ciclismo de estrada, ao cumprir os 137 quilómetros, entre o parque Musashinonomori e a Pista Internacional de Fuji, em 3:52.45 horas, com 1.15 minutos de vantagem sobre a holandesa Annemiek van Vleuten e 1.29 sobre a italiana Elisa Longo Borghini, que repetiu o terceiro lugar do Rio2016.

No tiro, o norte-americano William Shaner bateu o recorde olímpico, com 251,6 pontos, e chegou ao ‘ouro’ na carabina de ar a 10 metros masculino, aos 20 anos, escapando à concorrência dos chineses Sheng Lihao, de 16 anos, segundo, e Yang Haoran, terceiro.

A atiradora russa Vitalina Batsarashkina, ‘vice’ no Rio2016, venceu a prova de pistola de ar a 10 metros feminina, ao impor-se na final à búlgara Antoaneta Kostadinova, somando 240,3 pontos, um novo recorde olímpico, num pódio fechado pela chinesa Ranxin Jiang.

Nessa prova esteve a georgiana Nino Salukvadze, que ficou arredada nas eliminatórias, ao ser 31.ª colocada, tornando-se a primeira mulher a estar presente em nove edições de Jogos Olímpicos, a começar por Seul1988, quando venceu na pistola a 25 metros e foi prata na pistola de ar a 10 metros, variante na qual alcançou o ‘bronze’ em Pequim2008.

Menos uma participação logrou a uzbeque Oksana Chusovitina, de 46 anos, que se despediu como a ginasta mais velha da história olímpica, 29 anos depois da estreia em Barcelona1992, quando foi campeã por equipas pela antiga União Soviética, numa carreira em que também arrecadou a ‘prata’ na prova do cavalo, pela Alemanha, em Pequim2008.

A equipa feminina de tiro com arco da Coreia do Sul continuou implacável, ao subir pela nona vez seguida ao topo do pódio – num dos três mais longos ‘reinados’ olímpicos em vigor -, após ganhar na final à representação russa, por 6-0, com a Alemanha em terceiro.

Inédita foi a ausência de representação italiana no pódio do florete individual feminino desde Seul1988, uma vez que a norte-americana Lee Kiefer subiu ao primeiro lugar, acompanhada pelas russas Inna Deriglazova, ‘prata’, e Larisa Korobeynikova, ‘bronze’.

Quanto ao concurso masculino de espada, o esgrimista Romain Cannone suplantou o húngaro Gergely Siklosi e o ucraniano Igor Reizlin para dar o primeiro título à França, numa tabela de medalhas com 40 países e liderada pela China, com seis ‘ouros’ em 11 ‘metais’.

No halterofilismo, Li Fabin e Lijun Chen pulverizaram os recordes olímpicos nas competições masculinas de -61 kg e -67 kg, ao levantarem 313 e 332 quilos, respetivamente, com Fabin a superar o indonésio Eko Yuli Irawan e o cazaque Igor Son, enquanto Chen bateu o colombiano Luis Mosquera Lozano e o italiano Mirko Zanni.

Já o lutador de taekwondo uzbeque Mirko Zanni sagrou-se campeão na categoria masculina de -68 kg, à frente do britânico Bradly Sinden, ficando o derradeiro lugar do pódio repartido pelo chinês Shuai Zhao e pelo turco Hakan Recber.

Em -57 kg femininos, a norte-americana Anastasija Zolotic ganhou na final à russa Tatiana Minina, com o ‘bronze’ para a taiwanesa Chia-Ling Lo e para turca Hatice Ilgun, que afastara antes a iraniana Kimia Alizadeh, em representação da equipa olímpica de refugiados, vencedora do confronto com a britânica Jade Jones, bicampeã olímpica, nos ‘oitavos’.

O segundo dia de Tóquio2020 trouxe ainda a primeira eliminação de sempre da líder mundial vigente do ‘ranking’ WTA de ténis, dada a derrota em dois ‘sets’ da australiana Ashleigh Barty, recente vencedora em Wimbledon, com a espanhola Sara Sorribes.

De fora está ainda o britânico Andy Murray, consagrado em Londres2012 e no Rio2016 como inédito bicampeão em singulares masculinos, devido a uma lesão crónica na anca.

Outra grande surpresa aconteceu já em fecho de sessão, com a superfavorita equipa dos Estados Unidos, composta pelas ‘estrelas’ da Liga Norte-americana de Basquetebol (NBA), a perder na estreia com a França, por 83-76.

26 Jul 2021

Tóquio 2020 | Tenista japonesa Naomi Osaka vence no regresso à competição

A tenista Naomi Osaka, número dois mundial, venceu ontem a chinesa Saisai Zheng, por 6-1 e 6-4, na primeira ronda de Tóquio2020, que marcou o regresso da japonesa após a desistência de Roland Garros, em maio.

Naomi Osaka, que acendeu a chama olímpica na cerimónia de abertura Tóquio2020, desistiu de Roland Garros na sequência de polémica gerada pela sua decisão de boicotar as conferências de imprensa do ‘major’ francês, para alertar para o tema da saúde mental.

Após a desistência de Roland Garros e de ter ficado de fora de Wimbledon, Osaka decidiu fazer uma pausa a bem da sua saúde mental e revelou ter lidado com uma depressão que a deixou vulnerável e ansiosa.

Na sua primeira partida em quase dois meses, a japonesa, de 23 anos, afastou com facilidade a chinesa Zheng Saisai, 52.ª do ‘ranking’ mundial, por 6-1 e 6-4, na primeira ronda do torneio feminino de ténis de Tóquio2020.

A partida de Naomi Osaka com Zheng Saisai estava originalmente programada para abrir o torneio no sábado, mas foi transferida para hoje devido ao papel desempenhado pela tenista na cerimónia de abertura de sexta-feira dos Jogos.

26 Jul 2021

Tóquio 2020 | China conquista o ouro na primeira prova de mergulho

A China conquistou ontem com facilidade a primeira prova de saltos para a água dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, com a dupla Shi Tingmao e Wang Han a arrecadarem a medalha de ouro na prancha sincronizada a três metros feminina.

A dupla chinesa somou 326,40 pontos e garantiu o primeiro lugar do pódio com 25,62 de vantagem sobre Jennifer Abel e Melissa Citrini-Beaulieu (300,78), que deram a medalha de prata ao Canadá, e à frente das alemãs Lena Hentschel e Tina Punzel (284,97), bronze.

Shi Tingmao já tinha conquistado o ouro no Rio2016, na altura fazendo equipa com Wu Minxia. A China conquistou 37 das 48 medalhas de ouro nos saltos para a água nos últimos sete Jogos Olímpicos

26 Jul 2021

Tóquio 2020 | Atleta checo residente na aldeia olímpica infetado com novo coronavírus

O jogador checo de voleibol de praia Ondrej Perusic, residente na aldeia olímpica de Tóquio2020, teve um teste com resultado positivo ao novo coronavírus, anunciou hoje o Comité Olímpico da República Checa.

Perusic efetuou o teste no domingo (18 de julho) e “não apresenta absolutamente qualquer sintoma” associado à covid-19, segundo o chefe de missão do país nos Jogos Olímpicos, Martin Doktor, que adiantou terem sido tomadas “medidas para evitar a transmissão [da infeção] aos membros da comitiva”.

Desde a chegada das delegações à capital japonesa, quatro atletas acusaram positivo nos testes de despistagem ao novo coronavírus, de acordo com a organização dos Jogos Olímpicos, ainda sem contabilizar o caso de Perusic.

O Comité Olímpico Internacional (COI) informou também hoje que os contactos próximos de um caso positivo em Tóquio2020, o que deverá suceder com alguns elementos da delegação checa, devem ser isolados, mas continuarem a poder treinar.

Os Jogos Olímpicos Tóquio2020, adiados para este ano devido à pandemia de covid-19, realizam-se de 23 de julho a 08 de agosto.

19 Jul 2021

Tóquio regista maior número de casos de covid-19 em seis meses a dias dos Jogos Olímpicos

A capital do Japão, Tóquio, anfitriã dos Jogos Olímpicos, informou ontem ter registado 1.308 novas infeções pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, o maior número de casos desde janeiro passado, a oito dias do arranque da competição desportiva.

Os Jogos Olímpicos Tóquio2020 vão ser disputados entre 23 de julho e 08 de agosto, após o adiamento em um ano devido à pandemia de covid-19.

Pelo segundo dia consecutivo, a capital nipónica ultrapassa a barreira dos 1.000 novos casos diários da doença covid-19, número que não era registado há seis meses e que vem confirmar uma tendência de crescimento que tem sido verificada no último mês, de acordo com o executivo metropolitano de Tóquio.

A cidade tem observado um grande aumento de casos desde a semana passada, situação que levou o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, a declarar um novo estado de emergência (o quarto desde o início da crise pandémica) na região de Tóquio, que vigorará até 22 de agosto e que coincidirá com a celebração dos Jogos Olímpicos.

Após a declaração do estado de emergência, o comité organizador dos Jogos Olímpicos, as autoridades locais e o Governo japonês anunciaram a decisão de realizar o evento sem público.

A par das bancadas sem espetadores, os Jogos Olímpicos serão realizados num ambiente de inúmeras restrições sem precedentes para todos os atletas participantes, nomeadamente uma limitação de circulação à zona olímpica e um acompanhamento constante do seu estado de saúde, entre outras medidas.

A pandemia de covid-19 provocou, até à data, mais de quatro milhões de mortos em todo o mundo, entre mais de 188 milhões de casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo a agência France-Presse (AFP).

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil e Peru.

16 Jul 2021

Tóquio 2020 | Presidente do Comité Olímpico pede “recepção calorosa” aos atletas

O presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, pediu hoje aos japoneses “uma recepção calorosa” aos atletas que vão participar nos Jogos Olímpicos Tóquio2020, que decorrerão sob fortes restrições devido à pandemia de covid-19.

“Peço ao povo japonês que dê uma calorosa saudação de boas-vindas aos atletas de todo o mundo, que superaram tantos desafios, e treinaram afincadamente para este momento”, afirmou o presidente do COI.

Bach fez este pedido no final de um encontro com o primeiro-ministro nipónico, Yoshihide Suga, e responsáveis do comité organizador, no qual foi informado de alguns detalhes do evento, que começa em 23 de julho.

“As medidas sanitárias para os atletas estão a ser aplicadas e estão a funcionar”, afirmou Thomas Bach, dando como exemplo o caso de em 8.000 testes ao novo coronavírus realizados à chegada a Tóquio foram detetados apenas três infeções.

O presidente do COI referiu ainda que 85% dos residentes na Aldeia Olímpica – atletas e técnicos – chegarão ao Japão já vacinados.

Bach considerou que os Jogos Tóquio2020, que terminam em 08 de agosto, “serão históricos por diversas razões” e terão “milhões e milhões de pessoas frente aos ecrãs”, uma vez que a competição será disputada à porta fechada.

14 Jul 2021

Euro 2020 | Itália sagra-se campeã europeia

Com apenas mil adeptos italianos no estádio de Wembley, os transalpinos tinham uma missão quase impossível pela frente. Tom Cruise estava nas bancadas, mas a equipa de Roberto Mancini não precisou de escalar arranha-céus ou salvar o mundo de uma ameaça nuclear. Precisou apenas de ir a penáltis para derrotar a Inglaterra, depois de o jogo acabar empatado (1-1) no tempo regulamentar

 

Por Martim Silva

A final do Euro 2020 começou com o herói da final de 2016, Éder. O avançado português, agora desempregado, carregou o troféu, outrora conquistado por Portugal, até ao relvado num clima de estádio cheio e onde os ingleses nunca se sentiram se não dentro de casa.

Com tanta hostilidade e realeza nas bancadas, os pupilos de Roberto Mancini acusaram logo a pressão. Os jogadores de Itália, sem tempo para ajustar as meias ou admirar o cenário de uma final europeia, sofreram um golo aos 3 minutos marcado por Luke Shaw, que bateu o recorde de golo mais rápido numa final do Euro.

Como já escrevemos em edições anteriores, os transalpinos têm alguma deficiência no comportamento do seu meio-campo. A dinâmica dos três centro campistas da equipa de Mancini tem os seus pontos fortes. Consegue esticar a pressão para zonas mais recuadas do terreno do adversário, mas acaba por deixar um dos três médios isolado do resto da equipa. Esta situação aconteceu várias vezes durante a caminhada de Itália neste Euro, mas devido à sua superioridade, a situação, por vezes, passou despercebida. Contudo, a equipa de Gareth Southgate tem jogadores capacitados para explorar qualquer tipo de fraquezas. Foi este o filme do primeiro golo do encontro: Harry Kane apareceu no espaço entre Marco Verratti e Jorginho e com caminho mais do que livre para passar a bola a Kieran Trippier, que sem grande oposição italiana, executa um cruzamento, no vértice do lado direito da grande área de Itália, para Shaw encostar ao primeiro poste, depois de uma má abordagem de Gianluigi Donnarumma.

Os ingleses foram capazes de defender em bloco baixo, apesar de não conseguirem criar muito perigo. Os transalpinos, com dificuldades em incomodar a baliza de Jordan Pickford, tiveram no nervosismo e na fatalidade de sofrer um golo tão cedo um aliado indesejado. A organização ofensiva esteve repleta de fragilidades nunca antes mostradas pela equipa azzurri. O meio-campo mostrou-se pouco activo com bola e só as tentativas de drible de Federico Chiesa eram capazes de incutir alguma esperança no povo italiano. Sem grande espectáculo na final, a resistência de Inglaterra só sucumbiu às investidas da equipa de Mancini aos 67 minutos através de Leonardo Bonucci e após um lance de bola parada com alguma confusão à mistura.

Com novo empate, o encontro seguiu para prolongamento onde as oportunidades inglesas só vieram de bola parada e os italianos a forçar Pickford a um par de defesas.

O jogo seguiu para as grandes penalidades e Southgate fez entrar Marcus Rashford e Jadon Sancho um minuto antes do tempo extra terminar para ajudar os Três Leões a levantar o troféu em Wembley. Ambos falharam os seus penáltis com os azzurri a desperdiçar apenas um. O terceiro penálti falhado pelos ingleses, por Bukayo Saka, e defendido por Donnarumma deu o troféu à selecção de Itália em pleno coração de Londres.

Sonho cumprido

Com a emoção da conquista, o técnico azzurri realçou a garra dos seus jogadores. “Não sei o que dizer, estes rapazes foram formidáveis. Fomos corajosos, verdadeiramente corajosos. Sofremos o golo rapidamente e isso colocou-nos em dificuldade, mas depois dominámos o jogo. Esta noite estamos felizes, é importante para todo o mundo, para todos os adeptos. Espero que façam a festa, em Itália.”, começou por dizer o agora campeão europeu.

Sem esquecer o passado, Mancini lembrou as dificuldades de Itália em levantar um troféu quando ainda era jogador. “Tive muita sorte em fazer parte de um grande conjunto em 1990 e de uma equipa sub-21 formidável. Apesar de sermos a melhor equipa, não vencemos nada e perdemos ambas as vezes nos penáltis. Mas o facto de conseguirmos produzir este espírito de equipa nos últimos 50 dias criou algo que nunca será quebrado daqui para a frente. Os jogadores serão sempre associados a este triunfo.”, concluiu o treinador italiano.

Para o capitão Giorgio Chiellini, no que será provavelmente o seu último Euro, o triunfo é justo. “Umas lágrimas caíram. Todos nós merecemos, mas quando se chega à minha idade percebe-se o que significa conquistar este troféu. Andamos a dizer que há algo mágico no ar desde o fim de Maio, dia após dia.”, sentenciou.

Previsão com oito anos tornou-se realidade

Um usuário do Twitter, previu o resultado do Euro 2020 em… 2013. Num tweet no dia 22 de Fevereiro de 2013, Cameron escreveu na rede social americana que “Inglaterra acabou de perder a final do Euro 2020 nos penáltis contra a Itália, nada mudou.”.

As palavras do adepto inglês tornaram-se virais por prever, de maneira exacta, o desfecho da final da competição europeia de selecções.

A vitória de Itália, após marcação de penáltis, fez com que a equipa azzurri levantasse o seu segundo troféu europeu, sendo o primeiro erguido em 1968, frente à antiga Jugoslávia.

Mas para Cameron, a sua previsão com 144 mil retweets e 225 mil gostos não parou por aqui. Numa troca com um outro utilizador, o Nostradamus inglês disse ter apostado na previsão de 2013, recebendo lucrando se Itália vencesse a Inglaterra nos penáltis e na final. “Claro que apostei. Apenas 6 libras para um retorno de 61 libras só para mim se este cenário moribundo se tornar realidade.”, assim escreveu o novo carrasco da selecção inglesa no dia de ontem.

Com uma previsão tão acertada, a quantia apostada parece insuficiente para o sofrimento da derrota de Inglaterra às mãos de Itália. Uma quantia superior, certamente, taparia qualquer lágrima que fosse causada pelo desaire britânico na prova.

Com o Mundial de 2022, no Catar, à porta, Cameron poderá vir a ser o grande vidente de competições de selecções desde o polvo Paul que em 2010 previu oito jogos de forma correcta, sendo um destes a final entre Espanha e Holanda para o Mundial desse ano.

13 Jul 2021

Taça do Mundo | Macau tem até ao final de Agosto para responder à FIA

Na quinta-feira passada, o Conselho Mundial da FIA anunciou que a Taça do Mundo de GT da FIA vai voltar a ser disputada no Circuito da Guia, dentro do programa do 68.º Grande Prémio de Macau, com a condição que haja um relaxamento nas actuais restrições de entrada de estrangeiros no território

 

“A data, o local e a regulamentação desportiva para a Taça do Mundo FIA de GT de 2021 foi aprovada, com o evento a regressar ao Circuito da Guia em Macau de 17 a 21 de Novembro”, é possível ler no comunicado emitido pela FIA.

O mesmo comunicado diz que “o evento apenas terá lugar caso seja eliminada previamente a obrigatoriedade de quarentena à chegada a Macau”. E sobre isto, a comunicação vai ainda mais longe, pois “foi acordado um prazo para tal entre a FIA e a Autoridade Desportiva Nacional local, a Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC).”

A federação internacional não revelou o prazo limite dado às entidades de Macau, mas segundo uma nota informativa disponibilizada aos pilotos, equipas e partes interessadas, pela SRO Motorsport Group, os co-organizadores da corrida, este será no final do próximo mês: “caso as restrições nas viagens ainda estejam em vigor aquando o fim das inscrições a 31 de Agosto (e não existir uma data confirmada para o seu relaxamento), a Taça do Mundo de GT da FIA talvez poderá não se realizar em 2021”.

Organizada em Macau desde 2015, a Taça do Mundo esteve marcada para Macau no calendário internacional em 2020, mas foi cancelada devido às restrições provocadas pela crise sanitária em curso. Porém, a Taça GT Macau, precursora da Taça do Mundo e que se realiza ininterruptamente desde 2008, voltou a disputar-se com a presença de pilotos locais. O chinês Ye Hongli venceu a corrida ao volante de um Mercedes-AMG GT3 Evo. Maro Engel (Mercedes), Laurens Vanthoor (Audi), Edoardo Mortara (Mercedes), Augusto Farfus (BMW) e Raffaele Marciello (Mercedes) foram os pilotos que se sagraram vencedor da Taça do Mundo nas edições anteriores.

O Conselho Mundial da FIA da pretérita semana não fez qualquer referência às outras Taças do Mundo agendadas para Novembro na RAEM: Fórmula 3 e Turismos. Contudo, é expectável que na data limite estipulada para a Taça do Mundo de GT da FIA, o órgão máximo que rege o desporto automóvel vá também decidir o que fazer com estas duas competições. Há um sentimento de confiança sobre um regresso a Macau dentro do paddock do Campeonato FIA de Fórmula 3, com os intervenientes praticamente todos vacinados desde o início da época, e sujeitos a um rigoroso sistema de testagem e controlo nas provas até aqui realizadas em conjunto com a Fórmula 1.

Porta volta a abrir-se aos amadores

Caso a Taça do Mundo de GT da FIA avance, esta terá o mesmo formato de 2019, com uma Corrida de Qualificação de 12 voltas, no sábado, e que decidirá a grelha de partida para a corrida de 16 voltas, no domingo, que irá atribuir o troféu. As inscrições vão abrir no final do mês e encerram a 31 de Agosto. Os interessados deverão pagar um depósito de 2,500 euros e, caso sejam aceites, o preço de inscrição na prova é de 10,000 euros.

A maior novidade é que a Taça do Mundo de GT da FIA voltará a aceitar a participação de pilotos categorizados pela FIA como “Bronze”, que na sua grande maioria são pilotos amadores, mais velhos e sem resultados de vulto nas principais competições internacionais. Esta medida vai de encontro à vontade de muitos “Gentleman Drivers” da região de quererem participar numa prova que na realidade foram eles que ajudaram a construir. Por outro lado, esta medida deverá permitir que o número de concorrentes nesta corrida volte a ser acima das duas dezenas, algo extremamente difícil de conseguir apenas com pilotos profissionais.

Caso o Governo da RAEM e as autoridades de saúde optarem pelo não relaxamento das medidas actualmente em vigor, então a Taça do Mundo de GT da FIA deverá novamente dar lugar à Taça GT Macau, com a possibilidade do regresso dos concorrentes do Campeonato da China GT, competição que tem a sua prova final calendarizada para Macau.

12 Jul 2021

Inglaterra alcança primeira final do Euro 2020

Ao comando da resiliência emocional, a Dinamarca mostrou ser uma das boas surpresas do torneio. Mas com a derrota frente aos Três Leões, por 2-1, o barco nórdico atracou, finalmente. Os ingleses chegam agora à sua primeira final da competição, tendo falhado a ocasião em 1968 e 1996. A lidar com os erros do passado e a incerteza do futuro, Inglaterra não vacilou e vai agora ter pela frente a Itália, para se saber qual é a melhor selecção da Europa

 

Por Martim Silva

Com o fardo emocional de nunca ter disputado uma final na competição europeia de selecções e sem levantar um troféu internacional desde 1966, as tropas britânicas de Gareth Southgate tomaram conta do momento e deram alegria aos seus adeptos, algo há muito desejado. No meio de tanta ansiedade e nervosismo, Inglaterra e Dinamarca jogaram por um lugar na final de Wembley… em Wembley.

O jogo, do ponto de vista estético, foi aborrecido no seu cômputo geral, mas na primeira parte até se viu bom futebol. Inglaterra apostou em Bukayo Saka de início, tendo sido esta a única novidade no onze de Southgate. Mas os seus jogadores continuaram a ter dificuldades em parar a equipa de Kasper Hjulmand, especialmente nas alas.

Com o esquema dinamarquês de três centrais, os dois alas Stryger Larsen e Joakim Mæhle, acabavam sempre por arranjar metros para correr devido à pressão que os avançados Harry Kane, Raheem Sterling e Saka exerciam nos centrais nórdicos. O resto do campo ficava em marcação individual porque Mason Mount fechava num dos dois médios da Dinamarca, sendo que Kalvin Phillips e Declan Rice controlavam o outro centro campista e Mikkel Damsgaard, que recuava no terreno. Os laterais ingleses, Kyle Walker e Luke Shaw só saltavam para pressionar os alas da equipa de Hjulmand quando a bola era atacada num dos seus lados. Se os dinamarqueses eram capazes de ultrapassar a pressão de Inglaterra, especialmente nas costas dos avançados britânicos, tinham caminho livre para explorar e aproveitar situações de igualdade numérica. Foram também capazes de virar o sentido de jogo para o lado contrário, colocando as alas inglesas em situações de 2v1, devido à demora da basculação do meio-campo de Rice e Phillips.

Em organização ofensiva, a Dinamarca foi certeira em fazer com que um dos dois médios ingleses mais recuados pudesse ser atraído para outras zonas do terreno, abrindo espaço no miolo para Martin Braithwaite e Kasper Dolberg aparecerem como opção de passe. Mas apesar de alguns solavancos, a equipa dos Três Leões continuou a ter a primazia de não sofrer golos. Contudo, nesta meia-final do Euro 2020 isso não se concretizou.

Logo aos 30 minutos, um golão de livre directo do jovem Damsgaard pôs fim às aspirações inglesas de acabar a competição sem qualquer golo sofrido. Jordan Pickford, guardião inglês, nada pôde fazer face a um remate tão potente e tão bem colocado. Mesmo com o golo, os nórdicos não tiraram o pé do acelerador, mas 9 minutos após uma bela combinação entre Kane e Saka, e com um movimento notável de Sterling no ataque às costas da linha defensiva nórdica, Simon Kjær fez um auto-golo, empatando a partida. Com igualdade no marcador e muito equilíbrio entre as duas selecções, foi necessário novo prolongamento nas meias-finais. O jogo continuou mais parecido à segunda parte do que à primeira. Contudo, Inglaterra ainda beneficiou de um par de ocasiões soberanas com Kasper Schmeichel em grande plano. Mas aos 109 minutos de jogo, o sonho dinamarquês chegou ao fim, fruto de um penálti duvidoso sofrido por Sterling. Schmeichel defendeu o remate de Kane mas acabou por falhar o ressalto e sofrer o golo fatal.

Na paz do Senhor

Na ocasião histórica, a de chegar a uma final europeia, Southgate começou por reconhecer as mais-valias do adversário. “Eu achei que chegaríamos à final, mas também achei que iriamos ter vários tipos de desafios. A Dinamarca é subvalorizada enquanto equipa e causaram-nos alguns problemas.”, reconheceu o seleccionador elogiando também a capacidade dos seus pupilos. “Considerando a pouca experiência internacional de alguns jogadores, eles fizeram um trabalho incrível. Estou muito orgulhoso dos jogadores, fizemos parte de uma ocasião fantástica. Os adeptos foram incríveis a noite inteira.”, concluiu.

À espera de um desfecho mais justo, Kasper Hjulmand, deixou críticas ao penálti sofrido por Sterling. “Muitas coisas estiveram contra nós. O penálti gera dúvidas e estavam duas bolas em campo.”. Apesar da desilusão de não conseguir dar um último passo para revalidar a conquista de 1992, o seleccionador nórdico não poupa nos elogios aos seus jogadores. “Fizemos o que podemos, é uma grande desilusão falhar a final porque tivemos oportunidades para isso. Contudo, também existe um certo orgulho com esta viagem que alcançámos.”, sentenciou.

 

Ex-árbitro acusa organismo europeu de “corrupção”

Grande parte dos oficiais de jogos de futebol fazem algo mais do que soar um apito num relvado. Björn Kuipers, árbitro holandês, é dono de vários supermercados e barbearias. Felix Brych, juiz alemão, é doutorado em Direito. Slavko Vincic é esloveno e tem a sua própria empresa. Mas nenhum destes árbitros chega perto da fortuna do ex-oficial Jonas Eriksson, árbitro sueco, que em 2007 vendeu 15% da sua participação numa empresa de direitos desportivos (IEC) por mais de 10 milhões de euros.

Porém, não é a fortuna de Eriksson que fez notícia esta semana. O ex-árbitro sueco, agora comentador de televisão na SVT, acusou, numa publicação no Instagram, a UEFA de criar um “mundo sujo, político e falso”.
Na mesma publicação, o árbitro começou por recordar a última partida do Euro que apitou, entre Portugal e País de Gales para a meia-final do Euro 2016, assumindo não entender a escolha arbitral que o organismo europeu fez na final desse ano. “E mesmo tendo ficado feliz e orgulhoso como me correu o jogo, houve uma enorme decepção em mim e na minha equipa. Por que razão não nos deixaram arbitrar a final?”, começou por indagar o agora comentador.

Mas Eriksson continuou a descrever o processo de escolha dos oficiais dos jogos de maneira detalhada. “Os que são escolhidos, os que estarão na final, não são os melhores do torneio. A decisão é feita por quem manda na UEFA e não tem nada a ver com o que fizeram no Europeu. Os outros árbitros, mesmo sem o saberem, têm os contactos certos ou são provenientes de países importantes, e isso permite-lhes arbitrar até mais longe.”

O multi-milionário sueco falou ainda do meio que rodeia a escolha dos árbitros. “No futebol fala-se sempre de fair play e respeito, de que as regras devem ser as mesmas para todos (…). Mas quando a questão é a arbitragem, isso acontece à porta fechada, com agendas políticas e onde o que menos importa é o futebol.”, sentenciou o ex-juiz.

9 Jul 2021

Euro 2020 | Itália elimina Espanha nos penáltis

Estando em jogo uma ida à final do Euro 2020, transalpinos e espanhóis não desiludiram. O jogo, em tempo regulamentar, deu empate (1-1) mas não houve falta de espectáculo entre duas equipas muito semelhantes. Os italianos continuam em prova depois de vencerem La Roja na marcação de grandes penalidades, mas o jogo foi muito mais do que uma vitória

Por Martim Silva

 

Já há uns anos que Itália e Espanha não fazem grandes brilharetes nas competições internacionais. Os italianos não se qualificaram para o último Mundial e os espanhóis foram eliminados pela Rússia nos oitavos de final. No Euro de 2016, defrontaram-se com a Itália a levar a melhor, mas sem fazer muito mais a partir daí. Em 2021, a história agora é outra.

Em dia de final antecipada em Wembley, o jogo foi equilibrado e com os dois gigantes europeus a não colocarem um pé em falso. Espanha aparentava ter mais bola, mas o tempo com que ambas controlavam o esférico parecia sempre curto devido à eficácia da pressão contrária.

Apesar disto, Luis Enrique surpreendeu quando não colocou nenhum ponta de lança no onze inicial. O treinador estudou a agressividade com que Verratti e Barella se distanciam de Jorginho no meio-campo italiano. Para atacar esta fragilidade, Enrique colocou em campo Dani Olmo, que praticamente fez de quarto médio e deu aos espanhóis superioridade numérica na zona média do terreno. Para contrastar este aspecto, Roberto Mancini continuou a soltar na mesma os seus centro campistas numa pressão alta, mas colocou o central Bonucci mais à frente da linha defensiva para tapar os movimentos de Olmo. O médio espanhol ganhava espaço no meio devido à capacidade com que Koke e Pedri conseguiam arrastar Verratti e Barella para fora das suas posições centrais em direcção às alas, abrindo assim espaço no miolo do terreno.

Com o desequilíbrio feito, os pupilos de Enrique quando tinham a bola procuravam rodá-la o mais depressa possível para o lado contrário. A pressão italiana era activada, quando a bola chegava aos alas de Espanha. Com isto, Emerson, lateral esquerdo de Itália, pressionava o lateral direito Azpilicueta mas quando o fazia deixava Chiellini sozinho contra Oyarzabal. A saída da bola do lado direito espanhol, que evitava a pressão transalpina quando o esférico chegava a Olmo ou a Pedri e depois a Oyarzabal numa situação de 1v1, foi um dos planos bem-sucedidos da equipa de Luis Enrique.

Também as tropas de Mancini mostraram estar à altura de um bom ataque posicional, apesar de alguns obstáculos. A saída de bola entre os centrais e o lateral direito continuava, mas Itália tinha mais dificuldade em fazer chegar a bola aos seus médios, fruto da bem executada pressão dos espanhóis. Como plano B, os italianos procuravam o ataque à profundidade através de passes para Immobile ou Chiesa, devido ao facto de a linha defensiva espanhola estar muito subida.

Na segunda parte, os italianos, arranjaram mais espaço em contra-ataque quando Insigne e Chiesa tinham metros para correr. Foi assim que surgiu o primeiro golo do jogo, marcado pelo extremo da Juventus aos 60 minutos depois de um remate que deixou o guardião espanhol preso ao chão. Porém, a resposta de Espanha só chegou aos 80 minutos por Morata e depois de uma grande jogada.

Com tudo empatado foi necessário prolongamento e aqui, tal como na segunda parte, os centrais de Espanha tiveram mais bola nos pés devido ao bloco mais baixo de Itália. Apesar de algumas oportunidades espanholas falhadas, o jogo foi mesmo decidido nos penáltis. Jorginho marcou o derradeiro castigo máximo depois de três penáltis desperdiçados no total.

Caminho traçado

Sobre a final alcançada, Mancini elogiou as dificuldades impostas pelo adversário. “Causaram-nos problemas com essa mudança (jogar sem um avançado de início), mas conseguimos organizar-nos e não arriscámos muito. Sabíamos que a Espanha ia ter bola desde o início, mas tivemos de nos ajustar e lutar muito.”, começou por referir o treinador finalista.

O técnico azzurri debruçou-se também sobre o percurso da sua equipa. “Os penáltis são cruéis. A Espanha é uma grande equipa e jogou muito bem. Nós não jogámos como é habitual, mas lutámos muito. O crédito vai todo para os meus rapazes, porque há três anos que acreditaram nisto. Mas ainda não acabou.”.

Do outro lado, Luis Enrique achou que a sua equipa merecia mais. “Fomos superiores e não ganhámos antes dos penáltis por detalhes. Depois de nove anos de uma travessia no deserto, a Espanha voltou. Houve uma equipa que tentou mais do que a outra.”, confessou o treinador espanhol deixando também elogios aos seus jogadores. “Nos penáltis disse que não se preocupassem caso falhassem. O Dani Olmo fez um jogo sensacional. Mas alguém viu o que fez o Pedri, um menino de 18 anos? Nunca vi nada assim, nem do Iniesta.”.

Euro já teve 43 lesões em 48 jogos

Com o desmaio de Christian Eriksen, logo no início do Euro, muitas outras selecções, além da Dinamarca, têm perdido jogadores devido a lesões e à covid-19. Não havendo grande tempo para recuperação, porque a distância entre jogos é relativamente curta, e com a ameaça do vírus que causou uma pandemia a pairar sobre jogadores, treinadores e adeptos, as mazelas parecem não ter fim neste torneio.

Segundo o jornal AS, nos 48 jogos disputados na competição 43 jogadores saíram lesionados – convém informar que, para a UEFA, a covid-19 é considerada lesão. O golpe mais recente, deu-se durante o jogo dos quartos de final entre Itália e Bélgica, quando o lateral Leonardo Spinazzola, num sprint, rompeu o tendão de Aquiles. O jogador italiano da Roma tem pela frente um período de recuperação de cerca de 6 meses.

Após o mesmo jogo, o médio belga Kevin De Bruyne admitiu ter entrado na partida sem estar a 100 por cento. “Foi um milagre ter jogado porque havia dano no meu tornozelo. Um rompimento nos ligamentos. Mas senti a responsabilidade de jogar pelo meu país.”.

Já quanto à covid-19, Sergio Busquets foi dos primeiros jogadores a acusar positivo ainda antes do Euro começar e descreveu assim a experiência. “Aqueles 10 dias foram difíceis porque eu só queria estar no Euro, sabendo que pode ser o meu último.”, confessou o médio espanhol.

Müller crítica estratégia de Joachim Löw

A saída prematura da ex-campeã mundial de 2014 do Euro continua a fazer correr tinta. Contudo, na Alemanha não se está a festejar o triunfo da Inglaterra sobre a Mannschaft por 2-0, a contar para os oitavos de final da competição.

Para os alemães, nomeadamente Thomas Müller, a derrota não foi ainda digerida e há dedos a apontar. “Faltou-nos eficácia nos dois lados do campo. Fracassámos porque concentrámo-nos em não sofrer golos e optámos por uma estratégia defensiva mais passiva e centrada na solidez.”, começou por referir o avançado do Bayern de Munique.

Descontente com o plano de Joachim Löw, Müller mencionou as várias falhas da equipa alemã, cujo único triunfo da competição europeia de selecções foi contra Portugal e por 4-2, que já vêm de trás. A Alemanha já no último Mundial ficou pela fase de grupos e não mostrou muitas melhorias em 2021, mesmo tendo chegado mais longe do que em 2018.

Para o veterano jogador alemão, nunca faltou qualidade à equipa germânica. “O plantel que eu encontrei pela frente tinha qualidade, garra e ética de trabalho, qualidades necessárias para retornar aos êxitos do passado.”, concluiu.

8 Jul 2021

Covid-19 | Governo japonês decreta estado de emergência em Tóquio durante Jogos Olímpicos

O Governo japonês decidiu declarar um novo estado de emergência em Tóquio, avançaram hoje meios de comunicação social, devendo abranger todo o período dos Jogos Olímpicos, que começam dentro de duas semanas, devido ao aumento de casos de covid-19.

“O Governo decidiu declarar o quarto estado de emergência em Tóquio e já comunicou a decisão à coligação” que apoia o Governo, noticiou hoje a estação televisiva estatal NHK.

O estado de emergência ficará em vigor até 22 de agosto, segundo diversos meios de comunicação social, cobrindo o período dos Jogos Olímpicos, que decorrem em Tóquio entre 23 de julho e 08 de agosto.

De acordo com a agência Kyodo, que cita um alto funcionário do Governo, também é possível que as provas olímpicas não tenham público a assistir.

Em março, os organizadores tinham proibido a presença de espectadores oriundos do estrangeiro nos Jogos, o que é um facto inédito na história olímpica.

Mais tarde, em junho, as autoridades japonesas anunciaram que iriam autorizar a presença de espectadores locais, mas com 50% da capacidade dos locais das provas e com o limite máximo de 10.000 pessoas.

Mais recentemente, o Governo alertou para a hipótese de fechar as portas à presença de espectadores para as provas, mas apenas como uma das opções que estavam a ser estudadas, perante o agravamento da situação pandémica.

Uma decisão final sobre as restrições a aplicar sobre a presença do público deve ser tomada nos próximos dias, após uma tomada de posição oficial do Governo sobre o estado de emergência.

O Japão foi relativamente poupado, na pandemia de covid-19, em comparação com muitos outros países, com cerca de 14.800 mortes registadas desde o início da pandemia, mas os especialistas têm-se mostrado particularmente preocupados com o efeito dos Jogos Olímpicos num eventual aumento de propagação do novo coronavírus.

Cerca de 11.000 atletas são esperados para os Jogos Olímpicos, obrigando as autoridades japonesas a tomar medidas drásticas a todos os participantes das provas.

7 Jul 2021

Tóquio 2020 | Organização pede ao público para evitar assistir ao vivo à maratona

A organização dos Jogos Olímpicos Tóquio2020 e as autoridades japonesas pediram ontem ao público para evitar assistir ao vivo à prova da maratona, devido ao elevado risco de infeção com o novo coronavírus.

A maratona, umas das mais emblemáticas provas olímpicas, e as competições de marcha de Tóquio2020 vão realizar-se em Saporo, 800 quilómetros a norte da capital japonesa, onde se disputarão a maioria dos eventos desportivos, entre 23 de julho e 08 de agosto.

Em março, as autoridades japonesas proibiram a presença de espectadores provenientes do estrangeiro para assistirem aos Jogos Olímpicos e novas medidas restritivas da presença de público podem ser anunciadas ainda durante esta semana.

O Japão passou por uma crise sanitária menos grave do que muitos outros países afectados pela pandemia de covid-19, mas demorou a lançar uma campanha de vacinação, pelos que as infeções continuam em alta na região de Tóquio.

7 Jul 2021

Euro 2020 | Inglaterra recebe Dinamarca na 2.ª meia-final

Com o Euro perto do fim, muitos não acreditavam que dinamarqueses e ingleses pudessem chegar tão longe. Os nórdicos só garantiram o apuramento no último jogo da fase de grupos. Os Três Leões, mesmo com a vitória frente aos alemães, não se mostraram tão perigosos quanto os outros gigantes europeus. Ambas as equipas têm pela frente uma oportunidade única para colocar fim ao rótulo de não favoritos e voltarem ao sucesso de outrora

 

Por Martim Silva

Não há como sentir saudade se não houver distância e Dinamarca e Inglaterra não se encontravam, em Mundiais ou Euros, desde 2002 quando disputaram os oitavos de final do Mundial desse ano. Os ingleses levaram a melhor, tendo vencido os nórdicos por uma margem de 3-0. Desde então defrontaram-se, em competições oficiais, apenas duas vezes e para a Liga das Nações. Um empate a zeros e uma vitória dinamarquesa por 1-0, poderia levar a equipa de Kasper Hjulmand a colocar-se na posição de favorito, visto que os dois encontros realizaram-se no final de 2020.

Mas com a goleada da equipa de Gareth Southgate frente à Ucrânia, para os quartos de final do Euro, por 4-0 e o 4.º lugar no ranking FIFA das selecções, os ingleses são claros favoritos no embate das meias finais.

Para os vermelhos e brancos, há muito fardo emocional do seu lado. A queda de Christian Eriksen, à frente do povo dinamarquês, podia ter feito da equipa de Hjulmand um mero participante que no fim da fase de grupos ia, simplesmente, para casa. A Dinamarca quer repetir o feito de 1992, quando conquistou o Euro, e não deixar que o colapso de Eriksen seja uma nuvem negra a pairar sobre a cabeça dos jogadores. O espírito e a resiliência que os nórdicos demonstraram depois do acontecimento foi a base do sucesso que se vê hoje. “Eu acredito no carácter da minha equipa e no amor e compaixão que temos recebido dos nossos adeptos, algo que nos dá asas. Estamos a jogar com o coração do Eriksen. Acreditamos fortemente em nós e iremos lutar.”, referiu o seleccionador dinamarquês que também rejeitou comparações à equipa de 1992. “Não quero falar mais de 1992. Eram tempos diferentes, o Euro era diferente e o futebol era diferente. Nós queremos escrever a nossa própria história.”.

Do outro lado, os ingleses estão bem cientes do perigo dinamarquês. Os pupilos de Southgate também fizeram grande parte dos jogos do Euro em terreno caseiro e sentem a pressão do país nos ombros. Inglaterra não levanta um troféu desde o Mundial de 1966 e muitos acreditam que este possa ser, finalmente, o ano da glória inglesa. Mas de acordo com o seu treinador, os cuidados terão de ser redobrados porque do lado nórdico não há só qualidade futebolística. “Eles estão nas costas de uma onda de emoção, com toda a certeza, e essa é uma força poderosa que vem a Wembley. Essas coisas têm um impacto no nosso pensamento. Mas eu sei que os nossos jogadores estão no seu melhor quando estão calmos a jogar outro jogo e a pensar de forma clara.”, referiu Gareth Southgate.

Chave do sucesso

No seguimento de ambos os jogos dos quartos de final, Dinamarca e Inglaterra tiveram desempenhos vitoriosos. Os nórdicos passaram por algumas dificuldades frente aos checos, especialmente nos momentos finais, e os ingleses tiveram um triunfo confortável. Ambas as equipas têm jogadores capazes de desbloquear a partida, mas as tropas de Southgate têm sido um autêntico monstro a defender. Inglaterra é a única equipa da prova que ainda não sofreu qualquer golo. A baliza do guardião Jordan Pickford tem estado fechada a sete chaves.

Não obstante, o ataque dinamarquês não tem tido escassez de golo. O avançado Kasper Dolberg, que desde que assumiu a titularidade tem marcado sempre, e o lateral Joakim Mæhle formam uma dupla jovem e perigosa e com pontaria afinada. Há ainda o atacante Yussuf Poulsen e o médio criativo Mikkel Damsgaard a formar um ataque capaz de marcar a qualquer equipa.

Do lado inglês, Harry Kane tem, finalmente, encontrado o fundo das redes adversárias e mostra ser um verdadeiro líder dentro de campo. Raheem Sterling e Jadon Sancho mostraram todo o seu talento frente à Ucrânia. O lateral Luke Shaw também tem estado à altura dos seus companheiros, tendo feito duas assistências no último jogo.
O embate entre ambos está marcado para a madrugada de 7 para 8 de Julho às 3h de Macau. Será jogado no estádio de Wembley, palco que receberá também a final da competição.

Bandeira gay confiscada em Baku

Após sucessivas polémicas, por causa da UEFA e do governo da Hungria, em torno da bandeira que representa a comunidade LGBT, em pleno jogo entre Dinamarca e República Checa em Baku, no Azerbaijão, dois adeptos dinamarqueses trouxeram para o estádio a bandeira em questão, mas esta foi removida por oficiais da UEFA.
Kristoffer Føns, um dos sujeitos que mostrou a bandeira, falou ao canal público da Dinamarca, o DR, sobre o sucedido. “Um guarda oficial veio ter comigo e tirou a bandeira das minhas mãos. Antes de ir para Baku sabia que íamos para um sítio onde os direitos humanos não são importantes. Tinha tido algum cepticismo acerca do Mundial (2022) ser jogado no Catar e pensei que seria um hipócrita se nada fizesse.”.

Após o encontro, e de acordo com a claque de adeptos da Dinamarca, a bandeira regressou à posse de Føns mas a UEFA, em comunicado, negou qualquer tipo de envolvimento na situação. “Nunca instruímos os stewards em Baku, ou em qualquer outro estádio, para confiscarem bandeiras de arco-íris. Assim que a UEFA soube do incidente, contactámos o nosso delegado e o nosso segurança no estádio para investigarem e clarificarem o assunto junto dos stewards locais.”, esclareceu o organismo que tutela o futebol europeu.

Thomas Delaney divulgou daltonismo em 2018

A Dinamarca tem surpreendido tudo e todos dentro e fora de campo neste Euro 2020. É especialmente fora das quatro linhas que os dinamarqueses têm encontrado exemplos de superação e onde tem residido o sucesso da caminhada europeia. Depois do jogo contra a República Checa, que apurou os nórdicos para as meias finais da competição, Thomas Delaney marcou um golo e foi eleito Homem do Jogo. Apesar da sua qualidade dentro de campo, o médio do Borussia Dortmund defende também outras cores, a dos daltónicos.

Em 2018, e segundo uma reportagem da BBC focada no daltonismo dos jogadores do Mundial desse ano, o nome de Delaney foi o mais sonante. No dia que a Dinamarca viajava para a Rússia para entrar em estágio, o médio dinamarquês telefonou para a estação de rádio dinamarquesa DR P3 para mostrar o seu apoio perante um jovem daltónico que, momentos antes, tinha dito à mesma estação de rádio não ter conseguido distinguir as cores das equipas no jogo amigável entre Dinamarca e México.

Depois de se identificar no início da chamada como Thomas e jogador da Dinamarca, Delaney explicou a sua situação. “Eu sou vermelho-verde. Eu diria que não é tão mau, mas acontece. No outro dia, dentro do campo, foi um pouco difícil ver quem estava na minha equipa e quem estava na outra.”, confessou o médio

No mesmo artigo, Kathyrn Albany-Ward, fundadora do grupo Colour Blind Awareness, enalteceu o exemplo do médio. “Ele é o primeiro jogador ao mais alto nível, ainda a jogar, que admitiu ser daltónico. Acho que ele não se apercebeu das implicações positivas daquilo que fez.”. A Dinamarca continua a ser motivo de inspiração para muitos.

7 Jul 2021

Euro 2020 | Itália defronta Espanha na 1.ª meia-final

O futebol era das áreas onde espanhóis e italianos mais diferiam. Uns gostavam mais do jogo de posse e os outros mais do catenaccio, isto, historicamente falando. Hoje, ambos partilham mais semelhanças do que diferenças. Umas delas é a procura de vingança. Quer seja o nariz partido de Luis Enrique em 1994 ou a goleada sofrida pelos azzurri na final do Euro 2012, a proximidade da final de 2020 promete um jogo com mais garra do que nunca

Por Martim Silva

Já se defrontam desde 1924, não podia existir maior equilíbrio. Em 35 jogos, Espanha venceu 10, Itália venceu 10 e registou-se um empate em 15 ocasiões. Duas das melhores selecções, não só da Europa como do mundo, não podiam estar em melhor posição para desempatar esta igualdade histórica. O palco será em Londres, no estádio Wembley, do dia 6 para 7 de Julho às 3h de Macau.

Em 9 jogos disputados entre Itália e Espanha, em Euros ou Mundiais, os espanhóis arrecadaram apenas 2 vitórias, mas uma delas foi na final do Euro 2012 por 4-0. Este foi o resultado mais expressivo de todas as finais da competição europeia de selecções. A humilhação na Ucrânia, palco da final desse ano, não parece ser uma espada de Dâmocles para as tropas de Roberto Mancini, que afirmou estar mais preocupado com o desafio de chegar à final do que com qualquer adversário específico. “Vamos desfrutar da vitória (contra a Bélgica) e depois pensamos na Espanha. São eles quem se segue e, num torneio como este, quanto mais se avança mais complicado fica.”.

Na madrugada de terça para quarta-feira, há um jogo entre duas equipas muito semelhantes. As selecções de Mancini e Luis Enrique são das que mais golos marcaram, têm das maiores percentagens de posse de bola e de acerto de passe. São também as duas equipas que mais remataram nesta edição do Euro. Do lado da Espanha, o avançado Álvaro Morata é quem mais faltas sofreu (15), Aymeric Laporte é quem lidera em toques na bola (569), Jordi Alba e Ferran Torres são os dois jogadores com mais cruzamentos para a grande área (6) e Dani Olmo é o jogador com mais remates (17). Não há falta de munição na equipa espanhola.

Troféu à vista

Espanhóis e italianos, em 2021, partilham ideias semelhantes. Gostam de ter bola e não gostam de a perder. Quando isto acontece, são duas das equipas que conseguem, rapidamente, recuperar o esférico. Têm médios e defesas centrais criativos com a bola nos pés e quando toca a defender, os italianos Giorgio Chiellini e Leonardo Bonucci quase que parecem não ter comparação no mundo do futebol. Os dois veteranos da Juventus (36 e 34 anos, respectivamente) não têm botão de desligar e Bonucci sabe da dificuldade do embate contra La Roja. “Temos mais dois jogos pela frente, o mais difícil é contra Espanha, que são parecidos à Bélgica. Parecia que não iam passar (frente à Suíça) mas conseguiram erguer-se, portanto vamos ter uma batalha até ao fim.”. Apesar da dificuldade da tarefa, o central da Juventus fala num objectivo maior que o confronto das meias. “Eles são uma grande equipa, mas nós começámos o torneio com um sonho nos nossos corações e esperamos continuar assim.”, sentenciou o central italiano.

Do outro lado, e relembrando a fúria de Luis Enrique no Mundial de 1994 após a cotovelada do defesa italiano Mauro Tassotti que partiu o nariz ao actual seleccionador espanhol, o extremo Mikel Oyarzabal mostrou-se descontente com a falta de apoio à sua equipa. “Ninguém nos apoiou. Houve toneladas de críticas quando as coisas não estavam a correr tão bem, mas agora nós sentimos que as pessoas estão do nosso lado.”, referiu o jogador da Real Sociedad.

O jogo de terça para quarta-feira colocará, frente a frente, duas equipas com 5 Mundiais, 4 Euros e dois Jogos Olímpicos entre si, esperando-se um jogo equilibrado e com várias questões em aberto, nomeadamente, a de quem vai assumir o jogo e ficar mais tempo com a bola. A primeira meia-final promete ser um embate histórico não só por ser entre dois gigantes europeus, mas porque está em jogo um bilhete para a final do Euro 2020 em Wembley, e quer Itália quer Espanha não levantam troféus há algum tempo e, certamente, querem sair desta competição com algo mais dentro da bagagem.

 

Petição quer reverter apuramento suíço

Uma petição online no site francês Les Lignes Bougent alega que no penálti falhado por Kylian Mbappé, no jogo frente à Suíça para os oitavos de final do Euro 2020 e que ditou a eliminação de França da prova, o guarda-redes helvético Yann Sommer estava em posição irregular. A petição já tem cerca de 270 mil assinaturas e há confiança na ilegalidade do posicionamento do guarda-redes suíço. “Durante a marcação de penáltis do jogo entre França e Suíça, o guarda-redes Sommer não estava na sua linha durante o remate de Mbappé. Pedimos o cancelamento da qualificação suíça e a repetição do encontro. Desporto tem de ser jogado dentro das regras, mas naquela noite as regras não foram respeitadas.”

Ora, de acordo com as regras do jogo, elaborado pela International Football Association Board (IFAB), a lei 14, referente à marcação de penáltis, é clara. “Quando a bola é chutada, o guarda-redes que defende tem de ter pelo menos parte de um pé a tocar na linha de golo”. O vídeo do penálti em questão mostra que Yann Sommer tem, de facto, parte do seu pé esquerdo na linha de golo quando Mbappé efectua o remate. A polémica em torno do posicionamento de Sommer é agora um não assunto e, desta maneira, os gauleses podem ir para casa descansados.

 

Covid-19 | OMS recomenda melhor acompanhamento de adeptos

Durante quase um mês, o Euro 2020 parecia imune ao vírus silencioso. Mas agora, a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) chegou num tom mais severo e com doses de aconselhamentos. “Precisamos de olhar muito além dos estádios. O que temos que ver é à volta dos estádios e como é que as pessoas chegam lá. Se estão a deslocar-se em comboios, de autocarro ou em meios individuais.” foi assim que Catherine Smallwood, responsável pelo Departamento de Emergência Sanitária da OMS, deixou o alerta sobre o possível aumento de casos do covid-19 devido à competição europeia de selecções.

O aviso vem no seguimento de se detectarem cerca de 2 mil casos relacionados com o jogo entre Inglaterra e Escócia, em Wembley, no dia 19 de Junho. Foram atribuídos cerca de 1.300 casos positivos só a este jogo.

De acordo com a Public Health Scotland, o organismo escocês que gere a saúde pública, houve 1.991 pessoas que testaram positivo e que admitiram ter ido a um ou mais jogos do Euro 2020. O organismo afirmou também estar a tomar todas as medidas de saúde pública na proximidade que estes casos, vindos do Euro, possam ter tido com o resto da população da Escócia.

Na Finlândia foram também reportados 80 casos provenientes da Rússia, após o último jogo dos finlandeses frente à Bélgica, em São Petersburgo, no dia 21 do mês passado. O Instituto Finlandês da Saúde e Bem-Estar advertiu também que podem existir mais casos devido à proximidade com estes adeptos.

6 Jul 2021

Euro 2020 | Itália e Espanha defrontam-se nas meias de final

Se transalpinos e espanhóis vencessem os jogos dos quartos de final do Euro, defrontar-se-iam na próxima ronda. Com a Bélgica e a surpreendente Suíça pela frente, respectivamente, ambas as equipas procuraram manter o rótulo inicial de favoritos a vencer o torneio e foi exactamente isso que fizeram dentro de campo

 

Por Martim Silva

Defrontando a melhor geração belga de sempre, a equipa de Roberto Mancini não viu um desafio assim tão difícil pela frente porque, quer a defender quer a atacar, os italianos são das equipas mais completas do Euro, a selecção de Luis Enrique é a outra.

As limitações que a Bélgica sentiu no jogo contra Portugal com posse de bola, continuaram durante o torneio e mostraram-se mais a cores contra a Itália. Os belgas com bola não causavam perigo e eram os italianos, e aquela sua identidade histórica defensiva, quem ia comandando o jogo e ditando o seu destino.

Com Giorgio Chiellini recuperado de lesão e de novo ao lado de Leonardo Bonucci no centro da defesa, os azzurri organizavam-se ofensivamente com uma primeira linha de três, com Jorginho à frente e os dois médios Marco Verratti e Nicòlo Barella bem esticados nos flancos para atrair os homólogos belgas Youri Tielemans e Axel Witsel da sua posição central.

De maneira a criar situações de vantagem no meio, Lorenzo Insigne colocava-se, por vezes, atrás de Ciro Immobile Em situações de desvantagem nas alas, devido à linha de 5 dos flamengos, os italianos não tiveram tanta criatividade nesta zona, onde Leonardo Spinazzola tem brilhado e sido um dos melhores jogadores da competição.

Por outro lado, a geração talentosa de Martínez foi competente a defender a entrada da grande área, não dando grande liberdade a Immobile para tabelar ao mesmo tempo que controlava a profundidade e o remate de longe. Mas cedo se percebeu, e muito devido aos contra-ataques, de parte a parte, que o jogo ia ser aberto e mais ofensivo do que se esperava.

Com a já conhecida pressão italiana após a perda da posse da bola, os belgas conseguiram em algumas situações explorar o contra-ataque após a recuperação falhada dos italianos. Mas com o perigo de ter Lukaku, Jeremy Doku e Kevin De Bruyne a atacar a linha defensiva livremente, as tropas de Mancini conseguiram recuperar a bola mesmo na entrada da grande área belga após um passe errado de Jan Vertonghen. Verratti recuperou a bola e assistiu Barella, que tirou três adversários do caminho e rematou para o fundo da baliza da Bélgica ao minuto 31.

O perigo italiano continuava e após sucessivas ameaças de remate de Lorenzo Insigne, aos 44 minutos a resistência da Bélgica cedeu novamente com um golão do extremo do Nápoles.

Ainda antes das equipas irem para intervalo, Doku é derrubado na grande área por Di Lorenzo e Lukaku converte a grande penalidade aos 45+2 minutos, dando alguma esperança aos belgas. Na segunda parte pouco se viu e apenas Lukaku desperdiçou de baliza aberta, mas o resultado acabou por se manter inalterado até ao apito final.

Sobre o triunfo, Mancini mostrou-se orgulhoso com os seus pupilos. “Merecemos vencer. Os jogadores tiveram um excelente desempenho e só sofremos nos últimos 10 minutos porque estávamos muito cansados e já tínhamos dado muito. Mesmo assim podíamos ter marcado mais golos. Ainda há dois jogos pela frente e veremos o que acontece.”. Durante a partida, Spinazzola rompeu o tendão de Aquiles e não jogará mais neste Euro.

Com penáltis se paga

No outro jogo dos quartos de final do Euro, Espanha e Suíça mostraram mais do mesmo. Os helvéticos, com a excepção do jogo contra a França, não começaram a ter ideias ofensivas até à segunda parte, quando o jogo estava mais partido e dividido.

A pressão espanhola era constante e em muitas instâncias a alternativa era o jogo mais directo. Os espanhóis chegaram cedo à vantagem através de um autogolo de Denis Zakaria aos 8 minutos. A Espanha no seu 4-3-3 criou várias vantagens numéricas no corredor central dos suíços, que defendiam em 4-4-2, mas não era capaz de trocar a bola de um lado para outro com a eficácia de outros jogos.

Na segunda parte, aos 68 minutos, Xherdan Shaqiri restabeleceu a igualdade depois de um erro da defesa espanhola. A linha defensiva suíça foi excepcional durante os 120 minutos da partida, mesmo a jogar com 10 desde os 77 minutos quando Remo Freuler viu o cartão vermelho directo.

O jogo acabou por ir a prolongamento e a penáltis. Os espanhóis levaram a melhor e defrontam agora os italianos nas meias de final do Euro.

Sobre o triunfo, através de penáltis, Luis Enrique sentiu-se calmo e confiante na capacidade dos seus jogadores. “Foram as grandes penalidades mais tranquilas porque tínhamos feito o nosso trabalho de casa e praticado e não havia mais nada que pudéssemos fazer. Tínhamos muita fé no Unai (Simón) e naquela altura só podíamos ver e aceitar o resultado. Mesmo contra dez merecíamos a vitória”.

 

Inglaterra goleou Ucrânia por 4-0

Após a vitória contra os alemães, por 2-0, não ter mostrado uma equipa capaz de causar medo a outras equipas, a Inglaterra disse, finalmente, presente.

Em jogo dos quartos de final do Euro 2020, a equipa de Gareth Southgate pôs fim à caminhada da Ucrânia de Andriy Shevchenko após goleada por 4-0 e uma exibição convincente. Os ucranianos, com alguma dificuldade em impor o seu jogo nos instantes iniciais, até tiveram uma boa organização ofensiva capaz de colocar sucessivos problemas aos jogadores ingleses.

Novamente com três centrais em campo, estratégia abortada em detrimento de um 4-3-3 após lesão do central Serhiy Kryvtsov aos 35 minutos, a equipa da Ucrânia conseguiu colocar a bola entre os dois médios ingleses, Kalvin Phillips e Declan Rice, por força de marcarem o meio-campo ucraniano, deixando espaço para Roman Yaremchuk aparecer nesta zona intermédia e servir como elo de ligação para a progressão da posse ucraniana.

Apesar de alguns ataques promissores, a Inglaterra quando tinha bola criava mais perigo à última linha dos ucranianos. Logo aos 4 minutos, Harry Kane marcou o seu segundo golo da competição após um passe de Raheem Sterling.

O jogo continuava bem disputado com a Inglaterra a tentar que a Ucrânia não estivesse com a bola tanto tempo na sua posse, ao mesmo tempo que tentava explorar o seu talento individual quando tinha o esférico sob controlo. Após o intervalo e aos 46 minutos, Harry Maguire marcou, novamente, para Inglaterra e dilatou o marcador. Minutos depois, aos 50 minutos, Kane marcou outra vez. Aos 63 minutos e após novo canto, Jordan Henderson marcou de cabeça e acabou com a partida. Luke Shaw acabou o jogo com duas assistências, tendo feito uma grande exibição.

Após o jogo, Southgate mostrou-se contente com o resultado alcançado. “É fabuloso para o nosso país, uma meia-final em Wembley. Está tudo à espera do momento, é brilhante. Queremos ir mais dois passos para a frente.”, sentenciou o treinador vitorioso.

 

Patrik Schick alcançou CR7 nos melhores marcadores

As constantes vitórias da Dinamarca no Euro 2020 fazem até os menos crentes acreditar na história feliz de um não favorito poder alcançar a final do torneio. E com novo triunfo perante a República Checa por 2-1 nos quartos de final, os nórdicos fazem agora parte das quatro melhores selecções da Europa e vão defrontar a Inglaterra do dia 7 para 8 de Julho às 3h de Macau.

Não obstante, o jogo de ontem vincou a qualidade que a equipa de Kasper Hjulmand tem demonstrado nos últimos jogos, apesar de alguns soluços dinamarqueses na parte final do encontro.

O jogo começou com a habitual construção a três da Dinamarca, e com a tentativa de fazer progredir a bola até à área da República Checa. A equipa de Jaroslav Šilhavý, com o seu 4-4-2 a defender, encontrava dificuldades quando a Dinamarca atraía o jogo para um lado e depois rodava a bola imediatamente para o outro. Com esta contínua procura do espaço livre, especialmente, nas alas, os nórdicos conseguiram impor o seu jogo.

Mas logo aos cinco minutos de jogo, e após um canto, a Dinamarca inaugura o marcador através de Thomas Delaney. O médio do Borussia Dortmund aparece sem marcação na grande área e marcou o seu primeiro golo da competição.

Os pupilos de Hjulmand continuavam a mandar na partida e a procurar mais golo e com o habitual movimento de atrair a um lado para depois explorar o outro, surgiu o segundo tento dinamarquês. Após passe de Jannik Vestergaard a isolar Joakim Mæhle na ala, este faz um cruzamento de trivela para a finalização de Kasper Dolberg. Patrik Schick ainda reduziu a desvantagem, mas a Dinamarca segurou o resultado apesar de uma forte pressão checa nos últimos minutos.

Sobre o sonho nórdico continuar vivo, Hjulmand mostrou-se confiante. “É mágico! A primeira coisa que mostrei aos rapazes quando nos juntámos foi uma foto de Wembley de quando lá estivemos no Outono. Disse-lhes que íamos voltar. Parecia que estávamos a jogar novamente num estádio dinamarquês devido ao apoio dos nossos adeptos. Estamos profundamente gratos.”

5 Jul 2021

Euro 2020 | Quartos de final decididos entre favoritos

Nos principais confrontos da 2ª. ronda a eliminar do Euro 2020, a Bélgica defronta a Itália e a Suíça recebe a Espanha. Estas quatro equipas estão dentro do top 15 do ranking FIFA de selecções, o que redobra o interesse nas partidas. Com apenas um favorito, Inglaterra, do outro lado do torneio, significa que estes dois jogos serão incrivelmente complexos de prever

 

Por Martim Silva

Dentro do habitual pós-jogo que dá início às hostilidades do próximo encontro, Roberto Martínez, treinador da Bélgica, antecipou o confronto em Munique frente à Itália admitindo possíveis mudanças na ideia de jogo. “Contra a Itália vai ser muito diferente porque eles são uma equipa que desde o primeiro segundo vai atacar e vai ser muito dinâmica. Estão muito bem estruturados e têm um verdadeiro entendimento do papel que cada jogador desempenha dentro de campo.”

Após o jogo com a selecção das quinas, onde a Bélgica fez apenas um remate à baliza e teve pouca bola, Eden Hazard e Kevin De Bruyne estavam já em dúvidas para o embate contra os italianos, no entanto, e mesmo depois do guardião belga Thibaut Courtois dizer que seria um milagre se ambos não falhassem o resto do Euro, Martínez referiu que os craques belgas não irão jogar frente aos azzurri, na madrugada de sexta para sábado às 3h de Macau, mas continuarão no torneio. “É bastante positivo para nós. O Eden e o Kevin não têm dano estrutural. Vão continuar com a equipa. Não estarão totalmente aptos para sexta-feira, mas estarão para a próxima fase da competição.”

Os diabos vermelhos só venceram a equipa transalpina em 4 ocasiões desde 1913, ano do primeiro confronto entre ambos. Em 22 jogos, os italianos têm 14 vitórias. O mais recente triunfo veio em 2016, quando Itália, então treinada por Antonio Conte, derrotou esta mesma geração belga por 2-0 na fase de grupos do Euro.

Um dos grandes trunfos da equipa de Roberto Mancini seria o regresso do lesionado Giorgio Chiellini. O capitão da Juventus, de 36 anos, já jogou três vezes contra Romelu Lukaku, desde que este se transferiu para o Inter de Milão em 2019, tendo apenas sofrido um golo do avançado belga e de penálti. Recuperar o defesa será uma mais-valia para o conjunto de Mancini.

Itália não chega às meias-finais de um Euro desde 2012, ano em que foi derrotada pela Espanha na final, mas para Martínez esta equipa não é o protótipo das selecções italianas, que se limita a defender. “Eles são diferentes, dinâmicos e modernos no seu 4-3-3 e com uma estrutura forte. São mais poderosos como um todo e não como um grupo de indivíduos.”, concluiu o treinador da Bélgica.

Manter a invencibilidade

Da última vez que a Suíça jogou contra a Espanha, sem contar com amigáveis e a Liga das Nações, estávamos em 2010 na fase de grupos do Mundial e os helvéticos venceram por 1-0. Nesse ano, os espanhóis acabaram por conquistar o troféu de campeões do mundo, mas a história desta vez poderá ser diferente. Os suíços já eliminaram da prova o campeão mundial de 2018 e se vencerem, novamente, a Espanha vão directamente paras as meias-finais e os jogadores da La Roja vão, simplesmente, para casa. Os espanhóis ainda não perderam neste Euro e quererão continuar assim quando defrontarem a Suíça na Rússia, às 00h, hora de Macau, de sexta-feira para sábado.

Para os suíços, a derrota contra a Itália é o único marco negativo na equipa de Vladimir Petkovic. Para o seleccionador suíço, não contar com o capitão Granit Xhaka, suspenso por acumulação de cartões amarelos, é um golpe duro para as aspirações helvéticas. Porém, o espírito mostrado contra a França é um bom exemplo a seguir contra a Espanha. “O jogo contra a França foi demasiado emocionante. Todos os meus jogadores deram 120%. Foi provavelmente um dos melhores jogos de sempre da minha equipa e vamos precisar de uma exibição semelhante frente à Espanha nos quartos de final.”, rematou o treinador suíço.

Com a montanha-russa que foi o 5-3 dos oitavos de final frente à Croácia, Luis Enrique não vê com bons olhos um encontro semelhante e exalta a importância de manter o esférico sob controlo. “Não vamos apostar na bola para a frente e no futebol defensivo. defenderemos tentando ter a posse da bola e jogar o nosso futebol.”, sublinhou o timoneiro espanhol.

 

Seleccionador durou menos de um ano

Frank De Boer já não é treinador dos Países Baixos e a eliminação surpreendente nos oitavos de final pelas mãos da República Checa terá sido a gota de água. Em 15 jogos como seleccionador da Laranja Mecânica perdeu apenas 3 vezes. Os adversários foram México, Turquia e os checos.

Na eventualidade de apuramento dos holandeses para os quartos de final do Euro 2020, o contrato do holandês, com fim em 2022, seria automaticamente renovado. No entanto, se esta fasquia não fosse respeitada o trabalho do treinador seria reavaliado, anunciou a Federação Holandesa de Futebol em comunicado.

Para De Boer, a tarefa não foi levada a bom porto e a melhor solução seria a sua retirada de cena. “Em antecipação da avaliação, eu decidi não continuar como seleccionador nacional. O objectivo não foi cumprido.”.

A saída, acordada entre ambas as partes, vem na sequência da eliminação prematura da selecção dos Países Baixos do Euro e De Boer não queria que a sua presença ofuscasse o apuramento laranja para o Mundial de 2022. “A pressão só iria aumentar e isso não é uma situação saudável para mim nem para a equipa quando há jogos importantes dos Países Baixos para a qualificação do Mundial. O meu obrigado a todos, especialmente aos adeptos e jogadores.”, despediu-se assim Frank De Boer.

 

Ronaldo, Xhaka e Coca-Cola

O capitão da selecção portuguesa fez notícia no passado dia 14 de Junho, na conferência de imprensa de antevisão do jogo de Portugal frente à Hungria para a fase de grupos do Euro 2020, quando tirou da sua frente duas garrafas de Coca-Cola, ao mesmo tempo que mostrava uma garrafa de água. A preferência de Cristiano Ronaldo por H2O levou muitos outros jogadores a imitar ou a gozar com o acontecimento.

No seguimento da situação caricata, houve uma quebra no preço das acções cotadas em bolsa da Coca-Cola, levando a empresa multinacional americana a perder 4 mil milhões de dólares em valor de mercado.

No entanto, já no dia 11 de Junho, a Nasdaq reportava que a Coca-Cola tinha anunciado que quem comprasse acções depois do dia 14 de Junho não teria acesso aos dividendos trimestrais. Ora, segundo a Forbes, as garrafas da bebida foram removidas por Ronaldo às 9:43 da manhã (hora de leste nos E.U.A.), tendo a Coca-Cola perdido os tais 4 mil milhões de dólares 3 minutos antes.

No mesmo artigo, a revista americana menciona que o mercado do dia 14 de Junho tinha estado em baixo e dá como exemplo a Ford ter perdido cerca de 2 mil milhões de dólares nesse mesmo dia. Mesmo depois da recusa de Ronaldo, os preços das acções da multinacional americana subiram e adicionaram 1.3 mil milhões de dólares ao valor da empresa.

Em tom mais leviano, o capitão suíço Granit Xhaka, no jogo frente à França para os oitavos de final do Euro 2020, decidiu beber uma garrafa inteira de Coca-Cola antes da sua equipa eliminar os gauleses na marcação de grandes penalidades. A diferença entre quem bebeu o refrigerante e quem o pôs de parte está nos detalhes: Xhaka liderou a sua equipa aos quartos de final do Euro e Ronaldo foi para casa beber água.

2 Jul 2021

Euro 2020 | Inglaterra bate Alemanha e quebra jejum de 1966

Em solo inimigo e a jogar no coração de Londres, a Mannschaft tinha como missão viver ou deixar morrer. Contudo, os alemães ensinaram-nos que conseguem ser eternos como os diamantes, especialmente contra ingleses. Mas ontem não encontraram pela frente uma equipa sem trunfos. Desta vez, as tropas de Southgate tinham em sua posse a arma dourada e licença para matar

Por Martim Silva

 

No penúltimo jogo dos oitavos de final do Euro 2020, o conjunto dos Três Leões deu alegrias a Sua Majestade, a Rainha e a todos os cidadãos ingleses quando derrotaram por 2-0 a Alemanha. Desde 1966, quando os ingleses conquistaram o Mundial desse ano frente aos germânicos, que uma selecção inglesa não derrotava uma selecção alemã em competições oficiais numa fase a eliminar. O enguiço foi quebrado e a equipa de Gareth Southgate tombou o seu Adamastor.

Foi sob o olho atento dos Duques de Cambridge que o embate entre dois gigantes do futebol europeu se desenrolou de maneira equilibrada. A Alemanha com o seu 3-4-3 no ataque e um 5-3-2 a defender era o original.

A Inglaterra, com o mesmo esquema a atacar e a defender era a cópia. Os ingleses adaptaram a esquemática para encaixarem individualmente nos jogadores alemães, especialmente no momento defensivo. Com Mason Mount, Jack Grealish, Phil Foden e Jadon Sancho no banco parecia que a equipa técnica inglesa tinha deitado a toalha ao chão e assumido a derrota caseira. Por vezes, o jogo até tendia a ir nessa direcção.

Os alemães começaram com mais bola e a tentar fazê-la chegar às suas unidades mais adiantadas e para isso tinham não só que ultrapassar a pressão dos três atacantes de Inglaterra, Raheem Sterling, Harry Kane e Bukayo Saka, como criar vários obstáculos ao meio-campo de Declan Rice e Kalvin Phillips. Para a bola chegar ao meio-campo adversário, a Alemanha utilizou Thomas Müller no meio dos médios ingleses, Kai Havertz descaído para um dos lados, Toni Kroos mais recuado e Leon Goretzka à sua frente. Timo Werner atacava a profundidade. Durante alguns períodos de jogo, este posicionamento variava entre os jogadores de Joachim Löw, o que lhes permitiu, por vezes, chegar mais próximo da baliza de Jordan Pickford, guarda-redes inglês, que foi obrigado a duas grandes defesas, primeiro com o remate do isolado Werner aos 32 minutos e depois na segunda parte, aos 48 minutos, com um remate à entrada da área de Havertz.

Para colmatar o ataque do adversário, Southgate colocou os seus jogadores numa autêntica marcação individual no campo inteiro. A atacar, o conjunto dos Três Leões usava as combinações entre Saka e Sterling e os respectivos laterais. O avançado Harry Kane atacava a profundidade. Mas a distância entre os alas e o próprio Kane em zonas de finalização fizeram com que os alemães controlassem a situação.

No entanto, as tropas do seleccionador alemão mostraram-se frágeis na transição defensiva e sofreram desse veneno com o golo de Sterling aos 75 minutos, após assistência de Luke Shaw. O golo do extremo do Manchester City deu nova fé aos ingleses e exacerbou a importância que Grealish tem na equipa de Southgate, mesmo quando começa o jogo no banco. O médio do Aston Villa esteve envolvido no primeiro golo e assistiu Harry Kane no segundo do encontro, aos 85 minutos. 5 minutos antes Müller falhou um golo na cara do guarda-redes, que podia ter empatado a partida.

Triunfo histórico

Após uma tremenda exibição, Raheem Sterling deixou claro que sabia da qualidade da sua equipa. “Sabíamos que precisávamos de um grande desempenho contra uma equipa difícil, como fizemos hoje. Fazê-lo pelo meu país é sempre especial. Sabemos a intensidade com que podemos jogar e muitas equipas não conseguem lidar com isso.

Mas vamos jogo a jogo, vamos recuperar e focarmo-nos no próximo adversário.”, sublinhou o jogador inglês.
No Euro de 1996, Inglaterra e Alemanha encontraram-se na meia-final do torneio, tendo empatado a uma bola e ido a grandes penalidades. Southgate, na altura jogador, não converteu o castigo máximo e deu oportunidade aos alemães de marcarem e seguir em frente. Em 2021, o treinador inglês vê agora de fora o forte desempenho da sua equipa. “Eu acho que os jogadores foram imensos, hoje. Saber que tantos milhões de pessoas, depois de um ano difícil em casa, conseguem ter esta alegria é muito especial. Foi um grande resultado. Não tínhamos umas meias (Mundial de 2018) seguidas de uns quartos de final desde 1966. Estes jogadores continuam a escrever história.”, sublinhou o treinador dos Três Leões.

Do outro lado da alegria e em tom de despedida estava Joachim Löw, que apesar da derrota decidiu recordar a sua caminhada de 15 anos à frente da Mannschaft. “Nestes 15 anos houve muita coisa positiva. Ganhámos o Mundial em 2014 e as Confederações em 2017, mas desde 2018 que temos problemas. No fundo, não conseguimos impor o nosso jogo às outras equipas.”, sentenciou o agora ex-seleccionador alemão.

 

Ucrânia vence Suécia em jogo eléctrico

Após a eliminação surpreendente de França e dos Países Baixos, o último jogo dos oitavos de final do Euro 2020 entre ucranianos e suecos prometia ser um óptimo espetáculo. Ambas as equipas já tinham mostrado competência na fase de grupos.

A Suécia ficou em primeiro num grupo onde estava a Espanha e a Ucrânia é o único conjunto do Grupo C ainda em prova. No meio de um jogo equilibrado, a equipa orientada por Andriy Shevchenko saiu de Glasgow com um triunfo suado por 2-1, com necessidade de prolongamento.

Os ucranianos mudaram o esquema ao colocarem 3 centrais dentro de campo. A construção de jogo a partir de trás teve alguns soluços no início da partida, devido ao enorme trabalho defensivo do 4-4-2 do treinador Janne Andersson, que tinha a primazia de defender o meio do terreno. Com a bola, a selecção de Shevchenko tentava criar desequilíbrios nas costas dos médios suecos tentando desbloquear a organização defensiva adversária através do médio Mykola Shaparenko. Com um bloco muito compacto, os ucranianos necessitavam de rápidas mudanças de flanco para apanhar as costas da linha média da Suécia em recuperação de posição.

E foi isso que aconteceu no primeiro golo com um passe magistral de Shaparenko a isolar o capitão Andriy Yarmolenko que assistiu o lateral esquerdo, Oleksandr Zinchenko para um grande golo aos 27 minutos. A Suécia reduziu por Emil Forsberg aos 43 após um ressalto da defesa adversária.

Na segunda parte, o jogo teve três remates aos ferros das balizas. Um da Ucrânia e dois da Suécia. E ambos os guarda-redes a fazerem várias defesas ao longo da partida. No prolongamento e após expulsão do sueco Danielsson, e com claras baixas físicas, Shevchenko lançou Artem Dovbyk que aos 120+1 minutos marcou o golo decisivo de cabeça após cruzamento de Zinchenko.

No final do jogo, o treinador da Ucrânia mostrou-se satisfeito com o comprometimento dos seus jogadores. “Estou muito orgulhoso dos meus rapazes, que deram tudo. Eles aplicaram-se muito, sinto-me muito feliz e dedico o triunfo ao povo ucraniano.”, sentenciou Shevchenko cuja equipa vai agora defrontar a Inglaterra nos quartos de final.

Quartos de final | Ucrânia não vence Inglaterra desde 2009

O confronto entre ingleses e ucranianos não era o esperado para os quartos de final do Euro 2020. A equipa de Gareth Southgate não teve um desempenho alegre na fase de grupos e a Ucrânia por pouco não entrava nos melhores terceiros classificados da competição. Mas aquilo que ambas mostraram nos oitavos de final, promete um jogo aberto e capaz de surpreender.

Para os ucranianos, a tarefa é complicada. Em Inglaterra há jogadores que valem milhões de euros e são capazes de ter um salário superior ao orçamento de um qualquer clube ucraniano. Mas as diferenças mais importantes são dentro de campo e aí a equipa de Andriy Shevchenko tem mais do que argumentos para dificultar a vida da Inglaterra. Esta é a mentalidade do ex-jogador e agora seleccionador da Ucrânia.

“Eu vi todos os três jogos de Inglaterra na fase de grupos, o de hoje frente à Alemanha não vi porque estava a preparar o nosso jogo contra a Suécia. É incrivelmente difícil eles sofrerem golos, mas as suas forças não nos assustam.”.

Sem vencer os ingleses desde a qualificação para o Mundial de 2010, a Ucrânia prepara-se para um embate em Itália, no estádio Olimpico de Roma, às 3h de Macau do dia 3 para 4 de Julho, frente a uma equipa motivada depois de uma vitória emocionante frente a um antigo rival, a Alemanha. Com a euforia ainda fresca na cabeça dos seus jogadores, Southgate alerta para novos e desafiantes obstáculos durante o resto da prova. “É um momento perigoso para nós. Vamos ter o calor do sucesso e o sentimento à volta do país de que temos de aparecer na melhor forma para ganharmos isto e sabemos que será um desafio imenso daqui para a frente.”, alertou o treinador inglês.

Quem vencer o duelo irá defrontar o vencedor do jogo entre República Checa e Dinamarca, nas meias-finais do Euro em Wembley. A final é no mesmo estádio, dando fogo extra à motivação inglesa.

1 Jul 2021

Automobilismo | Ao fim de 119 anos um automóvel chinês venceu em Portugal

Este fim de semana escreveu-se história em Portugal. Pela primeira vez em 119 anos da história do automobilismo português – primeira corrida de automóveis disputada em Portugal foi em Agosto de 1902 no hipódromo de Belém – uma corrida foi ganha por um automóvel de um construtor chinês. Contudo, esta foi uma vitória tudo menos pacifica

 

Em vésperas da “Corrida de Portugal” da Taça do Mundo de Carros de Turismo da FIA – WTCR caiu uma bomba no paddock do campeonato. O Zhejiang Geely Holding Group, proprietário da subsidiária que detém o circuito chinês de Ningbo (MiTime Group) e da marca Lynk & Co, anunciou na passada quinta-feira que suspendia o apoio ao Eurosport Events no que respeita à promoção da prova da WTCR na China.

Esta decisão do maior construtor automóvel privado chinês surgiu no seguimento do descontentamento da Cyan Racing, a equipa que coloca em pista os quatro Lynk & Co na WTCR, sobre o BoP (Balance of Performance) da principal categoria de carros de Turismo da FIA. A equipa da marca chinesa sente-se prejudicada face às rivais Honda e Hyundai, tendo mostrado logo o seu descontentamento após a primeira prova do ano na Alemanha. O eco dos protestos da Cyan Racing chegou a Zhejiang e a casa-mãe respondeu com o cancelamento do apoio à prova chinesa do campeonato, que estava agendada para o fim de semana de 6 e 7 de Novembro.

“Ficou bem claro que não faz sentido estarmos envolvidos em promover comercialmente as corridas da FIA WTCR na China”, disse Victor Yang, Vice Presidente do Zhejiang Geely Holding Group. “Não temos mais confiança nas organizações TCR / WTCR e suspendemos a cooperação e apoio ao Eurosport Events e à corrida de Ningbo da FIA WTCR. Esta corrida é um evento chave para nós, para ligarmos os programas de corridas do Lynk & Co 03 e os carros de estrada. Contudo, quando os carros de corrida não estão nivelados, não faz sentido para nós investirmos comercialmente num fim de semana de corridas da WTCR apenas para os nossos clientes, fãs e marca agonizarem no nosso maior mercado caseiro”.

A Eurosport Events não comentou a posição do grupo chinês, mas a suspensão deste apoio poderá ter colocado um ponto final definitivo na planeada visita a Ningbo, até porque as limitações na entrada de estrangeiros no país fazem com que actualmente o evento seja impossível de realizar. A WTCR tem ainda a sua última prova marcada para Macau, mas também tal só será possível se forem levantadas algumas das restrições que estão em vigor desde o início da pandemia.

De que se queixa afinal

Para que exista um equilíbrio entre os diferentes carros da WTCR, a organização da competição joga com três parâmetros: altura ao solo, peso e potência. A Lynk & Co queixou-se logo no final da primeira jornada, em Nurburgring (Alemanha), que os seus carros não tinham velocidade de ponta para a concorrência. A WSC – a empresa que tem os direitos da categoria TCR e faz o BoP do campeonato – não fez qualquer alteração para a prova do passado fim de semana no Estoril, o que deixou a Cyan Racing indignada.

Os homens que usam os carros da marca chinesa não compreendem o porquê do novo Hyundai Elantra N poder rodar com mais potência e menos peso do que o antecessor i30 N, enquanto que no primeiro ano do Lynk & Co 03 TCR, em 2019, teve que correr com o peso máximo e só com 97,5% da potência. Ao mesmo tempo também critica a redução de peso de 20 kg que os Honda receberam, isto após homologarem uma série de novos componentes.

No Estoril, após a qualificação, onde o melhor Lynk & Co foi apenas o sétimo mais rápido, Yvan Muller dizia que “perdia 6 km/h. É o que é. Mesmo tendo um dos melhores carros do pelotão, com o actual BoP, nós tínhamos como fazer muito mais que isso”. Para o campeão em título, Yann Ehrlacher, “quando andas sozinho não sentes a diferença de potência, mas 2,5% a menos quando andas lá no meio faz a diferença”.

Apesar das contrariedades, aproveitando o facto da grelha de partida da primeira corrida da WTCR inverter nas dez primeiras posições da qualificação e um pouco do azar alheio, a Lynk & Co colocou três dos seus quatro carros nas três primeiras posições da primeira corrida. O francês Ehrlacher deu assim, inesperadamente e contra as expectativas da sua própria equipa, o primeiro triunfo de um carro de uma marca chinesa em solo português.

O Patinho Feio

A verdade é que Lynk & Co, construído pela mesma equipa que fazia os Volvo do WTCC, tem sido o “Patinho Feio” do campeonato desde o primeiro dia. Sendo a WTCR uma competição só para equipas privadas, a presença da Lynk & Co é vista aos olhos dos rivais como um programa totalmente oficial, com orçamento e pilotos providenciados pela marca, o que é contra o espírito do campeonato. Por outro lado, a disponibilidade para venda a terceiros do carro que venceu a Corrida da Guia em 2019 e 2020 continua a levantar muitas dúvidas. Apenas quatro carros foram vendidos em três anos, sendo que três dessas unidades são da equipa oficial chinesa no TCR China.

30 Jun 2021

Euro 2020 | Suíça elimina França nos penáltis

Parecia que o Titanic francês se aproximava de um iceberg suíço. Ninguém queria acreditar, mas as deficiências da equipa de Didier Deschamps foram expostas pelo conjunto de Vladimir Petkovic, levando à humilhação do actual campeão mundial e vice-campeão europeu. Um dos favoritos a conquistar o Euro foi para casa mais cedo. E tudo por causa de um país, outrora, neutro

 

Por Martim Silva

Na derrota através de grandes penalidades frente à Suíça (3-3 em tempo regulamentar), a França teve poucos momentos de controlo de jogo, de solidez defensiva e de aparência de ser o campeão mundial de 2018.

Não se percebeu a invenção de Deschamps quando decidiu pôr em campo um 3-4-3 a atacar e um 5-3-2 em organização defensiva. Neste aspecto, a derrota gaulesa não tem surpresa. Os suíços, especialmente, na primeira parte criaram os desequilíbrios necessários na (des)organização do adversário, criando oportunidades de perigo. Granit Xhaka, centro campista da Suíça, orquestrou várias manobras ofensivas através da sua visão de jogo, tendo acertado 81 dos 87 passes executados.

Steven Zuber, que está agora isolado na tabela de melhor assistente do Euro, foi crucial na organização ofensiva do lado esquerdo, visto que, até à entrada de Kevin Mbabu na segunda parte, o lado direito da equipa de Petkovic pouco ou nada fez.

A estratégia dos suíços passou por explorar as ineficiências de França, especialmente no seu meio-campo. Pogba causou os normais distúrbios defensivos, porque nunca foi disciplinado nessa área, Griezmann, por ser um avançado, e a ter de estar colado aos dois médios no momento defensivo, não sabia fazer uma adequada cobertura de espaços. E mesmo com N’Golo Kanté por perto, a equipa parecia perdida.

O jogo tanto é ataque como é defesa, e a equipa francesa é reconhecida por ter um óptimo tridente ofensivo com Kylian Mbappé, Karim Benzema e o próprio Griezmann. Com tanto poderio, os franceses pouco ou nada fizeram na primeira metade do encontro. Mbappé estava constantemente em posição de vantagem do lado esquerdo do seu ataque, tendo apenas um de três defesas suíços pela frente, e não conseguiu tirar proveito da sua velocidade e capacidade de drible. O próprio Benzema pouco ou nada fez no primeiro tempo e Griezmann, à excepção das bolas paradas, esteve mais em destaque por fazer parte da cratera que era o meio-campo francês.

Com as falhas francesas a serem desmascaradas nos oitavos de final do Euro 2020, coube à Suíça saber o que fazer quando tinha a bola e quando não a tinha.

Em ambos os momentos de jogo, os suíços foram mais competentes que os franceses. Em muitas situações Breel Embolo e Haris Seferović estavam em posições de igualdade frente aos dois defesas centrais franceses, Raphaël Varane e Presnel Kimpembe, sendo capazes de transportar a bola para zonas mais adiantadas do terreno de jogo.

Com isto em mente e após cruzamento de Zuber, Seferović marca de cabeça aos 15 minutos. Durante o resto da primeira parte os franceses continuavam em cruise control.

Jogo de loucos

Na segunda parte os franceses entraram com tudo, mas antes passaram pelo susto do árbitro, Fernando Rapallini, marcar grande penalidade para os helvéticos depois de derrube de Benjamin Pavard sobre Zuber. Hugo Lloris, guarda-redes francês, acabou por defender o penálti de Ricardo Rodríguez.

Com o susto pelas costas, Benzema marcou aos 57 e 59 minutos com a defesa suíça a parecer a defesa francesa na primeira parte. O jogo pareceu concluído quando Pogba, aos 75 minutos, com um remate fenomenal à entrada da grande área dos suíços fez o 3-1.

Mas o mal-amado ponta de lança do Benfica, Seferović voltou a marcar de cabeça aos 81 e 9 minutos depois viu o seu colega Mario Gavranović, que entrou aos 73 minutos, marcar um golo sem qualquer tipo de resistência, devido ao buraco enorme deixado entre Kimpembe e Varane. O jogo acabou empatado e foi para prolongamento. Logo ao minuto 95, Yan Sommer, guardião helvético, faz uma enorme defesa a remate de Pavard dentro da grande área, aumentando a esperança da equipa de Petkovic.

Com tanta vontade francesa para procurar ultrapassar o trauma de 2016, os penáltis eram a última oportunidade para evitar novo desastre. Foram marcados 9 penáltis, tendo a Suíça marcado cinco e a França apenas quatro. Mbappé depois de um jogo letárgico falhou a derradeira penalidade, levando os suíços ao Olimpo.

No seguimento da eliminação de uma das equipas mais talentosas de França, mais ainda que a de 2016, Deschamps mostrou-se desiludido. “Falhámos na primeira parte e fizemos o necessário para dar a volta na segunda. A nossa força é sermos sólidos, mas mostrámos fraquezas e deixámos a Suíça voltar ao jogo. É futebol. O torneio acaba para nós”. Para o avançado Seferović há poucas vitórias como esta. “Todos lutámos muito. Fizemos história, conseguimos. Estamos muito felizes e vamos celebrar, mas queremos estar prontos para o próximo jogo.”. Rematou o jogador suíço.

 

República Checa vs Dinamarca | Duelo de forasteiros no Azerbaijão

Será apenas a terceira vez que República Checa e Dinamarca se defrontam em Euros, com a partida de sábado para domingo em Baku, às 00h de Macau, a montar o palco dos não favoritos da competição. Nas duas partidas anteriores, porém, os checos levam duas vitórias sem qualquer golo sofrido. Uma vitória no Euro 2000 e outra no Euro 2004, faria dos checos favoritos a vencer o trio de encontros. Mas os desempenhos, dos últimos dois jogos, da equipa de Kasper Hjulmand mostram um enviesamento da narrativa do passado.

A Dinamarca é favorita a vencer porque tem melhores jogadores e eliminou de forma expressiva o País de Gales por 4-0. Quanto aos checos, ultrapassaram os Países Baixos (2-0) depois de uma expulsão que ajudou no triunfo.
Para a equipa de Jaroslav Šilhavý, contar com o avançado Patrik Schick é fundamental para atacar a baliza adversária. Apesar dos checos não terem uma capacidade de ataque robusta, o jogador do Bayer Leverkusen, marcou 4 dos 5 golos da República Checa neste Euro. Foi Tomáš Holeš, no jogo frente ao conjunto laranja, quem marcou o outro tento.

Os checos têm uma selecção, maioritariamente, formada ou que jogou no Slavia de Praga e jogadores como Tomáš Vaclík, Vladimír Coufal, Tomáš Souček e Jakub Jankto, que actuam nos principais campeonatos da Europa, poderão ajudar os seus compatriotas numa outra fase a eliminar.

Quanto à Dinamarca, e com a lesão de Yussuf Poulsen que o deixou de fora frente ao País de Gales, foi Kasper Dolberg a tomar conta das rédeas ofensivas nórdicas com dois golos frente aos galeses. Com a equipa em boa forma, o seleccionador dinamarquês admira a capacidade mental dos seus adeptos mesmo depois da situação em torno de Eriksen. “É difícil de acreditar, mas estou muito grato a todos os dinamarqueses pelo apoio que temos recebido. É incrível. Eu admiro os jogadores e admiro o facto de conseguirmos lutar”, sublinhou Hjulmand.

 

Espanha vence Croácia num jogo emocionante

O desaire francês estava ainda a umas horas de distância, mas espanhóis e croatas não quiseram ficar em segundo no que toca a jogos de futebol espectaculares com muita emoção à mistura. La Roja derrotou o vice-campeão mundial por 5-3 numa partida que necessitou ir a prolongamento e que se tornou num dos grandes jogos deste torneio.

Luis Enrique, seleccionador espanhol, tinha previsto que a chave do encontro estava no meio-campo de ambas as equipas com a Croácia a alinhar com Kovacic, Brozovic e Modrić e os espanhóis a terem um trio composto por Busquets, Pedri e Koke.

A Croácia preferiu adoptar uma estratégia de bloco médio-baixo, tapando, principalmente os espaços para Pedri e Koke. Com uma linha de cinco a cobrir a frente da linha defensiva croata, os seus alas tinham a orientação corporal de maneira a tapar as linhas exteriores para os respectivos laterais espanhóis.

Com a ocupação central do terreno bem orientada, a Espanha pouco conseguiu fazer na primeira parte. As oportunidades que os espanhóis tinham de furar o meio-campo axadrezado apareciam quando Pedri e Koke saíam das costas dos médios croatas e se esticavam mais para as alas, abrindo espaço na zona lateral e interior, porque os adversários iam por arrasto, onde Álvaro Morata aparecia para fazer ligações interiores.

O primeiro golo da partida foi um autogolo de Pedri aos 20 minutos de jogo, que ao tentar passar a bola para o seu guarda-redes, Unai Simón, dificultou-lhe a recepção e a bola acabou por entrar.

Em busca do resultado, os espanhóis restabeleceram a igualdade ao minuto 38 através de Pablo Sarabia com muita confusão à mistura. Azpilicueta aos 57 e Ferran Torres aos 76 minutos dilataram a vantagem para os espanhóis, mas ao minuto 85 e 90+6 os croatas empataram através de Mislav Oršić e Mario Pašalić, respectivamente.

No prolongamento, a Espanha foi mais capaz e mais fresca e resolveu a partida com golos de Morata e Oyarzabal, tendo sido para o treinador espanhol um jogo de loucos. “Foi um jogo épico. Teve alguns aspectos positivos e alguns negativos. O futebol é um desporto de erros. O Unai ensinou uma lição a todos. Depois de um erro, não é isso que importa, mas sim a atitude após o erro. É uma lição para todos os colegas de equipa.”.

30 Jun 2021

Euro 2020 | Portugal é eliminado pela Bélgica nos oitavos de final

Na incerteza do futuro, Fernando Santos fez algumas mexidas. Por necessidade física ou escolha, a selecção lusa entrou com o objectivo de ganhar. Mas no meio de tanto talento português e belga, a equipa de Fernando Santos voltou a ser aquilo que sempre foi. Uma equipa com uma geração de milhões a jogar a um nível de tostões

 

Por Martim Silva

Oportunidades não faltaram às diversas selecções das quinas de ganharem um, dois ou mais troféus internacionais. Anos como 2000, 2004, 2006 e até 2012 são apenas exemplos recentes. Já para não mencionar as diversas competições onde Portugal nem apareceu, apesar do seu calibre.

No jogo de ontem, mais uma equipa se alistou no leque de gerações desperdiçadas devido à mediocridade exibida em campo. Ontem, a Bélgica venceu Portugal por 1-0 a contar para os oitavos de final do Euro 2020.

A tarefa parecia mais complicada que em 2016, onde Portugal apanhou pela frente adversários que não eram favoritos a conquistar o troféu de campeão europeu. Em 2018, no Mundial, a tarefa também parecia mais complicada. Mas superar obstáculos faz parte do ADN de Portugal, não só enquanto nação, mas selecção. Contudo, desde esse Mundial e incluindo este Euro 2020, Portugal venceu apenas dois jogos. Um frente a Marrocos e outro frente à Hungria. É pouco para uma equipa que tem, dentro da sua convocatória, campeões ingleses, franceses, espanhóis e quatro jogadores que foram vice-campeões europeus. Fernando Santos tarda em colocar esta geração e equipa a jogar o melhor possível.

O mesmo se passou em 2014 e noutros anos onde a superstição e as polémicas, como o “caso Paula”, eram o pão nosso de cada dia. Esta geração portuguesa, porém, não encontra muitas equipas melhores.
Rui Patrício, guarda-redes da selecção, até teve um serão tranquilo frente aos belgas. Portugal tinha três jogadores no seu meio-campo, João Palhinha, Renato Sanches e João Moutinho. Este trio encaixava em Kevin De Bruyne, que procurava receber a bola numa zona mais adiantada do terreno. Os outros médios belgas, Youri Tielemans e Axel Witsel formavam um par mais recuado.

No esquema de 3-4-3 da Bélgica (5-2-3 a defender), Portugal devia ter explorado mais as combinações em igualdade numérica nas alas belgas, mas onde a largura está bem resguardada, porque tem 5 jogadores a defendê-la, e com Portugal a virar com pouca velocidade o centro do jogo, não houve ataques surpresa.

Mesmo quando os três avançados eram batidos quando pressionavam a selecção até à entrada da sua grande área, o que possibilitava à equipa de Fernando Santos jogar contra menos três jogadores, porque Lukaku, De Bruyne e Eden Hazard não têm disciplina defensiva, Portugal foi incapaz de fazer mais nos corredores e no meio do terreno. Mesmo quando Witsel ou Tielemans tentavam colar-se a Renato ou Moutinho para não os deixar virar, deixando espaço no meio, Portugal não ocupou bem estes espaços.

Sem grande caudal ofensivo por parte da equipa de Roberto Martínez, a Bélgica chegou ao golo aos 42 minutos, com um grande remate de Thorgan Hazard, à entrada da área.

A resposta lusa

João Félix entrou apenas aos 55 minutos e mexeu imediatamente com o jogo. Ter um jogador com a sua capacidade ofensiva e inteligência em ocupar espaços no banco é sinal de desperdício de mais uma geração. Bruno Fernandes também entrou aos 55 minutos e com mais bola nos pés do que nos jogos anteriores, mostrando o porquê de ser um dos melhores médios a jogar em Inglaterra.

Portugal na segunda parte, e com jogadores capazes de fazer estragos mais à frente, rematou ao poste da baliza de Thibaut Courtois, que fez algumas defesas, mas nada de impressionante.

A equipa lusa sofreu até ao último segundo com a ansiedade da eliminação. O sofrimento deu lugar à eliminação e sobre isto, Fernando Santos disse o seguinte. “Os jogadores tiveram uma atitude forte. Procurámos atacar, criámos condições, defendemos bem também. A equipa belga fez seis remates, mas só por uma vez acertou na baliza e foi golo. Portugal fez 29 remates e não conseguiu fazer golo. A bola foi ao poste, bola aqui, bola acolá, mas os jogadores sempre atrás do resultado.”.

Contudo, o treinador português não tem medo de desafios maiores, apontado já para as próximas competições. “Nós acreditávamos que iríamos à final e venceríamos. Vínhamos com esse espírito e vontade. Os jogadores estão a chorar, normal, mas há muitas coisas a ganhar no futuro. Em 2018 também fomos eliminados no Mundial e depois ganhámos a Liga das Nações. Temos de olhar para a frente e ganhar o Campeonato do Mundo.”. Sentenciou Fernando Santos.

 

Expulsão de De Ligt dita apuramento checo

Os Países Baixos perderam por 2-0 contra a República Checa e as dificuldades que ambas as equipas têm, em vários momentos do jogo, foram expostas de forma clara.

No primeiro jogo da noite de ontem, a selecção de Frank de Boer começou o jogo com bola, não sendo capaz de ter uma unidade coesa ofensiva. O único motor de criação laranja era Memphis Depay, jogador que irá representar o Barcelona na próxima época, com Frenkie De Jong como parceiro. Além destes dois, e a capacidade de passe de Daley Blind, os Países Baixos pouco fizeram.

O ataque à profundidade de Denzel Dumfries, lateral oranje, era perigoso para a defesa checa, mas em apenas uma ocasião criou algum perigo.

No meio-campo laranja, as dificuldades na organização defensiva ficaram patentes quando um dos médios, Marten de Roon e De Jong ,tinha de cobrir o espaço deixado entre lateral e central na linha defensiva de Frank de Boer, deixando o outro colega como o único elemento à frente da defesa.

Quanto aos checos, foram incapazes de aproveitar a fraca organização defensiva dos Países Baixos. O jogo mais directo e longo não assustou as tropas laranjas até ao minuto 55 quando o defesa Matthijs de Ligt em disputa com o avançado checo, Patrik Schick, agarrou a bola com a mão e foi expulso da partida. Os erros do jovem defesa foram-se acumulando e este custou a passagem dos Flying Dutchmen à próxima fase do Euro. Logo aos 60 minutos, os checos chegaram à vantagem depois de um canto, Tomáš Holeš marcou de cabeça. Aos 80 minutos, Schick marcou o seu 4.º golo da competição. Os checos vão agora defrontar a Dinamarca no dia 3 de Julho.

Sobre a expulsão, de Ligt mostrou arrependimento. “Dói e custa muito. Perdemos o jogo e fomos eliminados por minha culpa, não devia ter feito o que fiz naquele lance. Tínhamos o jogo sob controlo, criámos algumas oportunidades e a República Checa não as estava a conseguir ter. Como é óbvio, o cartão vermelho fez toda a diferença”.

 

Inglaterra e Alemanha tiram teimas em Wembley

Durante 36 anos (1930-1966), a Alemanha não venceu nenhum dos oito confrontos que teve com a Inglaterra. A última, e talvez mais importante vitória foi na final do Mundial de 1966, ganho pelos ingleses. Mas desde 1968 até agora, a selecção dos Três Leões só venceu seis dos 24 jogos disputados por ambos.

No fim de um destes jogos, a meia-final do Mundial de 1990, Gary Lineker, na altura avançado da selecção inglesa orientada por Bobby Robson, deixou claro que apesar de todas as contrariedades de um jogo de futebol, no fim ganha sempre a Alemanha.

Em 2021, a Inglaterra é favorita a vencer a Alemanha no jogo dos oitavos de final do Euro no estádio Wembley, em Londres. O jogo será de terça para quarta-feira às 00h e para os alemães, estarem em território inimigo não assusta. “Eles jogam em casa e querem atacar. Vamos ter um jogo mais aberto. Temos de melhorar algumas coisas, estamos conscientes disso, temos de ter cuidado e prestar atenção às bolas paradas de Inglaterra.” Atirou o treinador alemão, Joachim Löw.

Em desvantagem numérica nas bancadas, Wembley vai receber 45 mil adeptos, com apenas 2 mil germânicos. A Federação Alemã não está muito contente com a distribuição de bilhetes, levando à ilação de que um alemão à procura de vingança é sempre perigoso.

No outro embate da noite, 03h de Macau, Suécia e Ucrânia defrontam-se pela segunda vez em competições oficiais. Os suecos procuram dar continuidade a uma fase de grupos sem derrotas e a Ucrânia procura redimir-se da derrota e da fraca exibição frente à Áustria (1-0). A chegada aos oitavos de final é melhor posição dos ucranianos em Euros e continuar em competição é motivação mais do que suficiente.

29 Jun 2021

Euro 2020 | Itália alcança triunfo frente à Áustria no prolongamento

Sabendo que o favoritismo pendia para o seu lado, os transalpinos dificultaram a passagem aos quartos de final. Em jogo contra os austríacos, a Itália precisou do prolongamento para vencer por 2-1, depois do susto do golo adversário perto do fim do prolongamento. Com as facilidades da fase de grupos, os italianos tiveram alguma dificuldade em ultrapassar uma equipa mais competitiva na fase a eliminar

 

Por Martim Silva

No primeiro teste de fogo para a equipa de Roberto Mancini, os italianos receberam a Áustria em terras de Sua Majestade. O estádio de Wembley, em Londres, presenciou o segundo jogo dos oitavos de final do Euro 2020 e o frente-a-frente entre um dos favoritos a conquistar a prova e uma equipa que é um verdadeiro osso duro de roer.

Durante a fase de grupos, os austríacos só perderam contra os Países Baixos, tendo vencido de forma convincente a Macedónia do Norte e a Ucrânia. Para a Itália, a passagem de grupo foi perfeita. Zero golos sofridos e três vitórias. Mas numa situação onde quem perde vai para casa, a faísca estava ainda mais elevada e a pressão mais sufocante.

O jogo entre países vizinhos começou com o já habitual domínio do jogo por parte dos azzurri. Com um meio-campo composto por Jorginho, Marco Verratti e Nicolò Barella, a pressão após a perda da bola continuou activa e com algumas recuperações de bola.

A Áustria, contudo, mostrou-se incapaz de explorar os espaços deixados pela organização defensiva italiana. Quando a equipa de Franco Foda decidia construir jogo a partir da sua grande área, a Itália era variada na sua pressão.

Quando os defesas centrais austríacos tinham a bola, um dos médios italianos saía na pressão: se fosse o central do lado direito com o esférico, era Barella; e se fosse o do lado esquerdo era Verratti. Se os médios saíssem de posição para condicionarem o ataque da Áustria, havia espaço nas costas destes. Mas se fossem os alas a pressionar em vez dos médios, isto é, Lorenzo Insigne na pressão ao lado esquerdo e Domenico Berardi ao lado direito, a capacidade ofensiva fluía com facilidade pelas alas após combinação com o seu meio-campo.

No início da partida, foi com esta vertente ofensiva que a equipa de Foda tentou atacar os espaços deixados pelos transalpinos. David Alaba, lateral esquerdo, tinha sempre margem de progressão com a bola após combinação com o seu compatriota, o médio Florian Grillitsch. Na chegada ao meio-campo adversário, as combinações eram mais fracas e a chegada à área também.

A primeira grande oportunidade do jogo da Áustria foi com um ataque à profundidade de Marko Arnautović mas o remate foi para cima da baliza de Gianluigi Donnarumma. Minutos antes, aos 16 minutos, Barella já tinha testado a baliza do guarda-redes Daniel Bachmann, que defendeu o remate do médio com os pés.

Porém, com a Itália a ter mais bola, as combinações feitas no lado esquerdo do ataque de Mancini, com Verratti, Insigne e Leonardo Spinazzola em destaque, eram mortíferas e criaram várias oportunidades de perigo.

A dificuldade que o meio-campo de Foda demonstrou em controlar o ataque italiano estava na inferioridade numérica austríaca nesta zona do terreno. A Áustria, por vezes só tinha um elemento (Grillitsch) no meio porque Marcel Sabitzer posicionava-se ao lado do ponta de lança, Arnautović, e Xaver Schlager tinha dificuldade em recuperar a sua posição porque fazia incursões pela direita.

Portanto, o espaço explorado pelos italianos, na parte interior do lado esquerdo do terreno, onde estava Insigne, foi crucial no primeiro golo da Itália. Pelo meio, houve ainda um remate ao poste de Ciro Immobile numa primeira parte pouco perigosa. Na segunda parte do encontro, a Áustria viu um golo de Arnautović ser anulado por fora-de-jogo aos 64 minutos.

Alterações cruciais

Com o prolongamento à vista, Roberto Mancini trouxe para dentro de campo, ainda na segunda metade, Matteo Pessina, Federico Chiesa e o avançado Andrea Belotti. Este último trouxe um melhor jogo com bola do que Immobile. Já Pessina e Chiesa deram à equipa mais chegada à área e ataque à profundidade.

Aos 95 minutos, com espaço no lado esquerdo de Itália, e com os arrastos de Belotti e Pessina, Spinazzola faz um passe para o lado contrário a isolar Chiesa, que ao controlar a bola com a cabeça finta Konrad Laimer e finaliza com o pé esquerdo.

Aos 105 minutos e com assistência do defesa Francesco Acerbi, Pessina remata dentro da grande área, fazendo o segundo golo.

A seis minutos do fim do prolongamento, após um canto, o avançado Saša Kalajdžić marca um golo de cabeça. Mas tudo não passou de um susto para a Itália.

No final do jogo, Mancini deixou o alerta de que a vitória frente à Áustria foi mais difícil que um possível confronto frente a Bélgica ou Portugal. “Sabíamos que poderia haver potenciais cascas de banana no encontro e que ia ser mais difícil que os quartos de final. Eles não são tão bons como as equipas dos quartos, mas dificultam muito a vida e causam problemas.” Sentenciou o treinador azzurri que fica agora à espera do vencedor do jogo entre belgas e portugueses.

 

França e Espanha lutam por lugar nos quartos

Croatas e espanhóis já se tinham defrontado em 2016, para o Grupo D do Euro e resultado foi favorável aos axadrezados (2-1), que acabaram como líderes desse mesmo grupo.

Os moldes são agora diferentes, no confronto que dá lugar aos quartos de final do Euro 2020. A Espanha vem de uma fase de grupos onde não acabou em primeiro, tendo empatado por duas vezes e ganho apenas uma. A Croácia, com Luka Modrić em destaque, perdeu, venceu e empatou acabando também em segundo lugar.

O encontro entre dois velhos conhecidos, em Copenhaga, está marcado para a 00h de segunda para terça-feira, hora de Macau.

Antevendo o encontro, o treinador croata Zlatko Dalić realça a competência da sua equipa e do adversário. “A Espanha mostrou muita qualidade frente à Eslováquia. Mas nós também temos qualidade e vamos dificultar-lhes a tarefa. Teremos em mente que o ataque pode ser uma forma de defesa.”.

Assumindo a posição de favorita no encontro, a La Roja é também um dos candidatos a vencer o Euro. Mas com o seu seleccionador habituado aos grandes palcos europeus, prudência é a chave do sucesso. “Enfrentamos a Croácia em Copenhaga, uma cidade bonita, e toca-nos uma equipa de alto nível, com jogadores que conhecemos muito bem porque jogámos contra eles na Liga das Nações há dois anos, ou seja, será um rival complicado.” Concluiu o Luis Enrique.

No outro encontro da noite, a França defronta a Suíça em solo romeno. O palco de Bucareste recebe duas equipas que também já se cruzaram na fase de grupos de 2016, tendo empatado a zeros. O jogo disputado às 03h de Macau é visto com cautela pelos gauleses. “Agora é como se fosse uma nova competição, onde não se podem cometer erros, caso contrário somos eliminados. Estamos entusiasmados, mas também muito concentrados e cientes do perigo que a Suíça pode criar. Não nos consideramos favoritos.” Esclareceu Presnel Kimpembe, defesa francês. Ivan Perišić, extremo croata testou positivo à covid-19 no domingo, falhando o encontro.

 

Dinamarca tem bilhete para os quartos de final

Após derrotas consecutivas na fase de grupos (Finlândia e Bélgica) e um triunfo frente à Rússia na última partida do Grupo B, a Dinamarca voltou a golear.

Depois da situação em torno de Christian Eriksen, a equipa nórdica tem mostrado espírito guerreiro fazendo lembrar a equipa de 1992, que conquistou o Euro nesse ano.

País de Gales e Dinamarca foram as primeiras equipas a subir ao palco dos oitavos de final do Euro 2020. Já não há diferença de golos ou número de pontos que salvem as equipas de irem para casa. Com esta mentalidade, o conjunto de Kasper Hjulmand goleou por 4-0 a equipa de Rob Page de forma clara.

Apesar do resultado, a equipa galesa até começou bem a partida com Gareth Bale e Aaron Ramsey a conseguirem entrar nas costas dos médios dinamarqueses, Pierre Højbjerg e Thomas Delaney. Com um espaço muito aberto no seu meio-campo, devido à superioridade numérica causada pelos médios Joe Allen e Joe Morrell com o apoio de Ramsey, Hjulmand decidiu acrescentar mais um homem à zona média do terreno.

O treinador nórdico passou assim do 3-4-3 inicial para um 4-3-3, subindo o central Andreas Christensen para o meio-campo. Antes da mudança, a Dinamarca mostrou-se exposta no momento de organização defensiva devido ao adiantamento da linha média em relação à linha defensiva, criando espaço entre os dois sectores.

Com a alteração, tiveram mais bola e foram mais incisivos nas tabelas e no último passe. O primeiro golo da partida foi marcado por Kasper Dolberg aos 27 minutos. Aos 48 minutos, o avançado do Nice voltou a marcar depois de um erro da defesa adversária.

Nos minutos finais, os dinamarqueses marcaram mais dois por intermédio de Joakim Mæhle (88’) e Martin Braithwaite (90+6’).

Aos 90 minutos, Harry Wilson, que tinha entrado aos 59 minutos, viu um cartão vermelho directo após entrada sobre Mæhle. A Dinamarca aguarda o vencedor do Países Baixos-República Checa.

28 Jun 2021

Filipe Souza pensa correr de Hyundai no GP Macau

Depois de ter terminado no quarto lugar na passada edição da Corrida Guia do Grande Prémio de Macau, o melhor resultado de sempre de um piloto local naquela que é a mais importante corrida de carros de Turismo do continente asiático, Filipe Souza pretende ir mais além este ano. A evolução da pandemia trocou-lhe os planos iniciais, mas o piloto macaense já tem na manga um “Plano B”.

“A ideia para esta temporada passava por fazer algumas provas do campeonato TCR China, como preparação para o Grande Prémio de Macau. Em princípio não ia fazer as corridas do ‘Circuit Hero’ no Circuito Internacional de Zhuhai e as corridas organizadas pela AAMC não devem acontecer este ano, mas agora estou a ver como evolui a situação da COVID”, explicou o piloto do território ao HM. “Até porque na China pararam todas as corridas e temos que aguardar pelo recomeço”.

Depois do cancelamento da prova do TCR China marcada para Zhuzhou a 13 de Junho, o campeonato nacional chinês de carros de Turismo espera retomar no último fim de semana de Agosto, em Ningbo. Caso contrário, a competição terá que aguardar autorização para retomar a 13 de Setembro, em Xangai. Segundo o comunicado publicado pela federação chinesa no passado dia 27 de Maio, todos os circuitos, organizadores e partes interessadas no desporto terão que “rever os seus procedimentos de segurança e emergência”, não tendo sido estipulada uma data para o regresso à normalidade.

Oportunidade aliciante

Com ou sem uma forte presença do contingente internacional, a 68ª edição do Grande Prémio de Macau irá avante, o que obriga os pilotos locais a planearem o seu regresso ao tradicional cartaz desportivo do mês de Novembro. Após ter delineado a sua temporada para voltar a conduzir o Audi RS3 LMS TCR inscrito pela T.A. Motorsport, o que deverá ainda acontecer em algumas ocasiões, com este volte-face surgiu uma outra oportunidade igualmente aliciante.

“Este ano quero voltar à Corrida da Guia e estou em contacto com o Engstler sobre um novo projecto com um Hyundai para fazer Macau”, revelou Filipe Souza. “Mas ainda não está confirmado, porque neste momento os elementos da equipa ainda não podem entrar em Macau ou na China”.

Apesar da forte presença da Hyundai nas corridas de carros de Turismo a nível mundial, a verdade é que a marca sul-coreana nunca conseguiu ter uma representação neste ponto do globo. Ocupada na Taça do Mundo de Carros de Turismo da FIA – WTCR com dois novos Hyundai Elantra N TCR apoiados pela marca, a Team Engstler pretendia esta temporada colocar nas pistas asiáticas os seus ainda competitivos i30 N TCR, utilizados no ano passado na competição mundial, ideia que não terá esmorecido às mãos das contrariedades causadas pela pandemia.

Por seu lado, Filipe Souza é um velho conhecido da equipa alemã do ex-piloto Franz Engstler. Em 2014, o piloto da RAEM conduziu um BMW 320 TC da formação germânica nas quatro provas pontuáveis para o Troféu Asiático do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo da FIA (WTCC). Dois anos depois, nas provas do TCR Asia em Singapura e na Malásia, Filipe Souza regressou ao Team Engstler para tripular um dos Volkswagen Golf Gti.

25 Jun 2021

Euro 2020 | Portugal alcança oitavos no terceiro lugar do Grupo F

Em jogo decisivo, Fernando Santos deixou o conservadorismo habitual em casa e mexeu na equipa. Para lá do jogo com a França, que acabou empatado a 2 golos, estava um bilhete para os oitavos de final. Num momento difícil e urgente como este, lá apareceu o suspeito do costume: Ronaldo. Com o empate, os portugueses vão defrontar a melhor selecção do ranking FIFA, a Bélgica já na madrugada de domingo para segunda-feira

Por Martim Silva

 

Já não há quem assuste Cristiano Ronaldo. Não é de agora, porém. O menino madeirense, sem grande físico, teve desde sempre a mentalidade de alguém capaz de ir mais longe que uma ilha do Atlântico. O espírito de Portugal é o espírito do seu capitão. Não sendo egoísta, e Ronaldo prefere ganhar troféus com a selecção do que sozinho, o jogador da Juventus liderou a equipa de Fernando Santos a novo empate. Mas fê-lo marcando dois golos que deram passagem aos oitavos de final

A selecção portuguesa chegou a Budapeste, ao Ferenc Puskás Arena, sabendo que, mesmo que perdesse frente à França, no último jogo da fase de grupos do Euro 2020, podia marcar presença entre as dezasseis melhores equipas da Europa.

Para os pupilos de Didier Deschamps, a derrota permitia também a passagem. Num jogo com claros moldes amigáveis, o orgulho português e a humilhação francesa de 2016 trouxe-nos um encontro bem disputado e com várias dinâmicas novas. Nomeadamente no onze de Portugal. Fernando Santos eliminou a dupla Danilo Pereira/William Carvalho, colocou Bruno Fernandes no banco e optou por um meio-campo com Danilo, João Moutinho e Renato Sanches.

Portugal precisava de um refresco de pessoas e ideias. O segundo não aconteceu. Apesar dos intervenientes serem distintos, a equipa das quinas continuava com a sua construção ofensiva lenta e em U. Ou seja, bola de lateral para central para central e novamente para o lateral do lado contrário. Assim continuávamos, mas Renato Sanches fazia umas arrancadas de nível mundial e o púlpito aplaudia como se de novos comportamentos colectivos de ataque se tratasse.

Do lado francês, o espectáculo também não era muito. Em claro modo de férias para alguns, a França parecia desligada, pelo menos na primeira parte, e tinha dificuldade em impor o seu jogo e atacar a baliza de Portugal. A desatenção foi tal que logo aos 30 minutos, Danilo leva um murro de Hugo Lloris, guardião francês, e o árbitro espanhol Mateu Lahoz assinala uma grande penalidade.

Ronaldo, novamente com a nação em cima de si, marcou o golo. Como se nada fosse, Portugal parecia dono e senhor do Grupo F, sabendo-se que minutos antes a Hungria estava em vantagem frente à Alemanha (o jogo acabou também 2-2). Apesar da euforia, o jogo continuava idêntico em qualidade e em semelhança de resultado. O que Portugal fazia, a França tentava fazer melhor. No tempo de compensação da primeira parte, Kylian Mbappé sofre um penálti duvidoso de Nélson Semedo e Lahoz marca outro penálti. Karim Benzema converteu o castigo máximo em golo aos 45+2 minutos de jogo.

Ronaldo decisivo

Com a segunda metade do encontro prestes a ser retomada, João Palhinha substituiu Danilo Pereira ao intervalo. E Palhinha fez o que quis do meio-campo francês. Mas o melhor médio da Liga NOS deste ano já nos habitua a esta normalidade. Sobre a estreia em competições oficias por Portugal, Palhinha não se assustou com o momento.

“Simplesmente fiz o meu trabalho. Dei tudo o que tinha de mim, foi isso que o mister me pediu. Acho que cumpri com o meu trabalho.” referiu o camisola 26 da selecção das quinas. Além do brilho do médio do Sporting, Portugal continuava passivo na construção e sem incomodar a baliza gaulesa. Mas à defesa, Karim Benzema atacou a profundidade depois de um passe genial de Paul Pogba e marca o segundo para a França logo aos 47 minutos.

Quando a tarefa é lutar contra a maré, aparece, invariavelmente, Cristiano Ronaldo. Com mão na área do defesa Jules Koundé, após remate do capitão luso, Lahoz marca o terceiro penálti do jogo. Ronaldo em momentos de pressão não falha e marcou o seu quinto golo em três jogos no Euro 2020, igualando o recorde de Ali Daei de melhor marcador da história das selecções com 109 golos.

O empata sela a presença de Portugal nos oitavos de final onde irá defrontar a Bélgica, mas sobre o encontro frente aos gauleses, Fernando Santos destacou a resposta positiva do seu conjunto, após a goleada em Munique. “Gostei mesmo do comportamento da equipa, do seu colectivo. Tínhamos de ser iguais a nós próprios, àquilo que sempre fomos e que temos sido ao longo destes anos e que nos tem conduzido às vitórias que já alcançámos.” O seleccionador deu também conta de alguns erros durante a partida referindo que “(…) a equipa foi, na realidade, uma equipa forte, consistente nos vários momentos do jogo. Com capacidade de ter bola, de construir e de criar. Nalguns momentos do jogo, poucos, perdemos essa organização que tão bem estávamos a fazer.”

 

Espanhóis em segundo lugar no Grupo E, ganho pela Suécia

Há uma diferença entre bons jogadores e jogadores não assim tão bons. É este um dos aspectos de qualquer desporto e a história da goleada que Espanha impôs à Eslováquia em Sevilha por 5-0.

O encontro começou morno. Alguns remates bem cedo dos espanhóis que incomodaram a baliza eslovaca, mas nada que trouxesse perigo iminente. No entanto, logo aos 12 minutos de jogo Martin Dúbravka defende um penálti de Álvaro Morata.

A estratégia espanhola passava por conquistar espaços na zona média do terreno eslovaco para fazer sucessivas tabelas com os laterias/médios alas de maneira a atacar depois a profundidade. Com isto em mente, Štefan Tarkovič, treinador eslovaco, permitiu que os seus médios de contenção estivessem em cobertura individual aos médios espanhóis Pedri e Koke, mas para isto acontecer de forma célere, Marek Hamšík tinha de bloquear Sergio Busquets, o jogador mais recuado do triângulo do meio-campo espanhol.

No início da partida, com a concentração física e mental em bom estado, a Eslováquia bloqueou os espaços intermédios de Espanha com facilidade. Quando Hamšík largava a cobertura, a Espanha respirava muito melhor e o ataque fluía com naturalidade.

Mas o encontro ficou marcado com erros do guardião eslovaco, primeiro aos 30 minutos de jogo marcou um autogolo inexplicável e depois aos 45+3’ com uma saída em falso, Aymeric Laporte, defesa espanhol, marca de cabeça. Pablo Sarabia aos 56’, Ferran Torres aos 67’ e um autogolo de Juraj Kucka aos 71 minutos de jogo sentenciaram a partida.

No outro jogo do Grupo E, a Suécia venceu por 3-2 a Polónia com Emil Forsberg (2) e Viktor Claesson a marcarem para os amarelos e Robert Lewandowski (2) para os polacos.

 

Lusos e belgas lutam por lugar nos quartos

Terminada a fase de grupos do Euro 2020, o caminho até à final de 11 de Julho parece cada vez mais claro. Portugal-Bélgica, Itália-Áustria, França-Suíça e Croácia-Espanha de um lado. Do outro Suécia-Ucrânia, Inglaterra-Alemanha, Países Baixos-República Checa e País de Gales-Dinamarca.

Se tudo correr de acordo com os planos de Fernando Santos, Portugal pode até defrontar, novamente, a França nas meias-finais da competição. Mas até chegar a esse ponto há o jogo contra a Bélgica em solo sevilhano às 3h de 27 para 28 de Junho, hora de Macau.

A Bélgica lidera o ranking FIFA de selecções, Portugal ocupa a 5.ª posição. Em teoria, e Portugal nunca está de acordo com a teoria, a equipa de Roberto Martínez é a favorita, por pouco, a vencer a partida.

A equipa de Fernando Santos não se pode intimidar pela teoria e tem de realçar o seu estatuto de campeã europeia. Isto é algo que João Palhinha já entende. “Todos os adversários são difíceis. A Bélgica tem uma excelente equipa, é uma das melhores da Europa, mas temos o nosso valor. Passo a passo, o futuro será risonho.”.

A convicção do médio não é desmedida. Num balneário luso repleto de conquistas europeias, italianas, inglesas, portuguesas, espanholas e francesas, o hábito de conquistas e troféus é natural, mesmo para um estreante como o jogador do Sporting.

Os confrontos entre a selecção 1 e 5 do ranking FIFA pendem para o lado luso. A selecção das quinas não perde um jogo desde o apuramento para o Mundial de 1990, quando foi derrotada pelos flamengos 3-0. Com um historial positivo, o timoneiro português tem, no entanto, um caminho a seguir. “Vamos fazer tudo para ganhar, mantendo a nossa qualidade e matriz. Qualquer adversário vai ter dificuldades contra Portugal. O caminho está traçado. Os jogadores estiveram muito bem. Temos menos 48h de descanso, não vale a pena falar mais do assunto. Temos de descansar bem e darmos uma grande resposta em Sevilha.” concluiu.

25 Jun 2021

Euro 2020 | Grupo D fechado com vitória inglesa e croata

De calculadora na mão, Inglaterra e Croácia entraram em campo com mentalidades diferentes. Os pupilos de Gareth Southgate já tinham bilhete para os oitavos, os quatro pontos conquistados antes do embate contra a República Checa eram suficientes. Os axadrezados, porém, ainda tinham de vencer a Escócia para continuarem na prova. Apesar de contextos diferentes, ambas cumpriram a sua missão

Por Martim Silva

 

Foi em solo britânico que ficou decidido o Grupo D do Euro 2020. A selecção da Escócia jogou com a Croácia em Glasgow, e os ingleses defrontaram os checos em Londres. Com vantagem caseira para duas equipas, apenas uma saiu ilesa e com passagem para a fase seguinte do torneio.

No jogo que opôs croatas e escoceses ficou claro quem pertencia na fase seguinte, mesmo sem se saber o resultado do outro encontro do grupo. Na selecção de Zlatko Dalic não há como falhar. Uma equipa repleta de talentos como Ivan Perišić, Mateo Kovačić, Nikola Vlašić, Marcelo Brozović e Luka Modrić aproxima qualquer equipa da vitória.

Com quantidade na qualidade, a Croácia não teve uma noite fácil frente à Escócia. A equipa de Steve Clarke, ex-adjunto de José Mourinho, nesta fase de grupos, não foi capaz de vencer um único jogo muito devido à sua inconsistência no momento da organização ofensiva. O recurso aos cruzamentos foi constante e não existiam unidades criativas com capacidade de progressão e finalização.

Consoante a posse de bola que tinham, a grande unidade criativa e disruptiva do ataque escocês era o lateral esquerdo, Andy Robertson. No jogo de ontem, e apesar da vertente rudimentar do ataque do Exército de Tartan, o defesa do Liverpool concluiu a sua campanha no Euro como o jogador com mais cruzamentos (15) e mais cruzamentos para a grande área (5). Conseguiu alcançar também a liderança de passes para finalização (9). E é numa situação como esta, a de eliminação, que Clarke se arrependerá de não ter convocado um dos melhores jogadores da Liga NOS deste ano e que detém nacionalidade escocesa, Ryan Gauld.

Mas a Escócia até causou diversos problemas à vice-campeã mundial de 2018 com o seu bloco baixo e aposta na transição ofensiva. Porém, os escoceses tiveram de lidar com Modrić sempre perto da bola. Num jogo até ineficaz em oportunidades de golo, aos 17 minutos de jogo surge o primeiro tento do encontro marcado por Nikola Vlašić num remate dentro da grande área. A resposta veio perto do intervalo, com a Escócia a empatar com golo de Callum McGregor aos 42 minutos.

Na segunda parte e aos 62 minutos, o ex-Bola de Ouro, Luka Modrić marca um golaço de trivela perto da entrada da grande área. Durante a partida, o médio croata esteve longe da zona de remate e a sua equipa sofreu com isso. Mas quando teve a oportunidade, marcou um dos melhores golos desta edição do Euro. A exibição do médio croata não terminou com o golo de trivela, juntando a assistência para Ivan Perišić marcar de cabeça aos 77 minutos.

Em jogo de grande intensidade, a qualidade de Modrić fez a diferença. A Croácia alcançou o segundo lugar do Grupo D e irá defrontar o segundo classificado do Grupo E. Já a Escócia vai para casa, curiosamente o mesmo sítio onde deixaram Ryan Gauld.

Vitória confortável

Com o apuramento já, praticamente, assegurado e com necessidade de mexer na equipa, devido também à proximidade que jogadores como Ben Chilwell e Mason Mount tiveram com o infectado pela covid-19, Billy Gilmour da Escócia, Gareth Southgate colocou, finalmente, em campo como titular Jack Grealish.

O jogador do Aston Villa teve logo impacto na partida com a assistência do único golo da partida, marcado por Raheem Sterling. O cruzamento de Grealish deu golo logo aos 12 minutos com os checos a não darem grande resposta durante o resto da partida.

Dos melhores em campo foi o guardião da República Checa, Tomáš Vaclík, que já frente à Escócia tinha feito uma enorme exibição. Apesar das limitações ofensivas de ambas as equipas, o jogo deu para estrear caras novas na parte inglesa. Bukayo Saka, Harry Maguire, Jordan Henderson e Jadon Sancho estrearam-se no jogo de ontem pela selecção dos Três Leões. Com apenas 68 minutos jogados, Grealish foi dos melhores em campo. Tal como Gauld, não se percebe como é que o médio do Aston Villa não consegue ter lugar no onze inicial da equipa de Southgate.

Mesmo sendo um jogador que vem de lesão, Grealish foi o jogador que mais faltas sofreu na Premier League este ano (109), foi o 3.º jogador da competição com mais passes para finalização (83) e o 4.º jogador com mais assistências (10).

A vitória pela vantagem mínima faz com que Inglaterra fique à espera para saber quem irá defrontar nos oitavos de final. Será o 2.º classificado do grupo de Portugal que é decidido de quarta para quinta-feira às 3h. Um confronto entre ingleses e portugueses seria interessante e histórico.

 

Oitavos começam em terra de Cruyff

Dinamarca e País de Gales formam um par inesperado no primeiro jogo da fase a eliminar do Euro 2020. O palco do embate entre os dois conjuntos é a Arena Johan Cruyff em Amesterdão, casa de um dos clubes mais emblemáticos da Europa, o Ajax.

Num palco tão importante, e com o nome de uma das grandes lendas do futebol mundial, cada equipa terá sobre si níveis de pressão diferentes. O histórico de ambas na competição assim o diz.

Para o País de Gales o palco ainda é novo. A equipa de Robert Page está a participar no seu segundo Euro sendo que o primeiro, em 2016, ficou marcado pela eliminação nas meias-finais por Portugal.

Na primeira presença fica a uma vitória da final e na segunda, ainda a decorrer, passa a fase de grupos.
Quanto à Dinamarca, o historial é mais longo. A conquista surpreendente do Euro em 1992 colocou a selecção nórdica no leque de 15 países que venceram a prova. Porém, a equipa de Kasper Hjulmand tem mais jogadores a actuar nas melhores equipas do mundo do que em 1992. Contudo, o talento não se esgota todo no conjunto dinamarquês, tendo o País de Gales jogadores experientes e habituados aos grandes palcos do futebol como Gareth Bale, Aaron Ramsey e Joe Allen.

Desta maneira, galeses e dinamarqueses têm intervenientes capazes de tornar o jogo de sábado para domingo, às 00h, numa partida interessante, aberta e com emoções à mistura.

O primeiro encontro dos oitavos de final promete colocar frente a frente o velho confronto entre experiência e inexperiência. Para a Dinamarca, validar o seu passado glorioso é motivação suficiente. Para o País de Gales derrotar um histórico europeu é um belo início de caminhada na sua segunda presença na competição de selecções do velho continente.

 

Áustria e Itália não se defrontam desde 1998

No segundo duelo dos oitavos de final do Euro 2020, austríacos e transalpinos entram em campo às 3h, de sábado para domingo, no estádio de Wembley em Londres. No jogo em terra de Sua Majestade, a Itália terá o peso de não se ter qualificado para o Mundial de 2018 em cima dos seus ombros.

Os azzurri atravessaram uma humilhação há três anos e têm pelo caminho uma oportunidade única para se redimirem e mostrarem a sua verdadeira qualidade. Mas para o conjunto de Roberto Mancini, o passado tem de ser colocado de lado e a concentração terá de residir no presente.

A equipa italiana tem sido demolidora em todos os momentos do jogo. Durante a fase de grupos não sofreu golos e o seu guardião, Gianluigi Donnarumma, defendeu apenas dois remates em três jogos. Manuel Locatelli lidera a categoria da melhor percentagem de remates à baliza com 100%, sendo juntamente com Ciro Immobile um dos melhores marcadores do Euro com 2 golos.

Com tantas lideranças de Itália no departamento estatístico da competição, será prudente constatar que a Áustria não está muito atrás. David Alaba lidera o Euro em toques na bola (278), número de cantos (15), passes para finalização (9), tem duas assistências e é dos jogadores com mais minutos na competição. Mas esta equipa não é só Alaba. Marcel Sabitzer é quem fez mais passes para a grande área (8), Stefan Lainer lidera em bloqueios (14) e Aleksandar Dragović tem uma percentagem perfeita de duelos aéreos ganhos (100%).

Com qualidade dos dois lados, e sem se enfrentarem em competições oficiais desde o Mundial de 1998, Franco Foda admite um jogo dividido. “Não há adversários fáceis e sabemos disso. A Itália não perde há uma eternidade, mas talvez chegue o momento. Será importante para nós prepararmo-nos com foco e recuperarmos.” concluiu o seleccionador austríaco.

24 Jun 2021