China / ÁsiaPresidente de Myanmar na China na próxima semana Hoje Macau - 15 Jun 2026 O novo Presidente de Myanmar (antiga Birmânia), Min Aung Hlaing, vai realizar uma visita oficial à China na próxima semana, anunciou sexta-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Min Aung Hlaing “efectuará uma visita de Estado à China entre 15 e 19 de Junho, a convite do Presidente Xi Jinping”, indicou a diplomacia chinesa. Antigo líder da junta militar, Min Aung Hlaing tomou posse como Presidente em Abril, mantendo-se à frente do país asiático num cargo de natureza civil. Durante a visita, terá encontros separados com Xi Jinping, com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com Zhao Leji, presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (parlamento chinês), afirmou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Lin Jian. “A China está disposta a trabalhar com Myanmar, por ocasião da visita do Presidente Min Aung Hlaing, para dar continuidade à tradicional amizade ‘Pauk Phaw’ e aprofundar a cooperação estratégica global”, declarou Lin. A expressão “Pauk Phaw”, que em birmanês remete para uma relação familiar próxima, é frequentemente utilizada para descrever os laços entre os dois países vizinhos. A China é um dos principais parceiros de Myanmar, que permanece diplomaticamente isolado desde o golpe militar de 2021, quando Min Aung Hlaing, então comandante das Forças Armadas, derrubou o Governo eleito liderado por Aung San Suu Kyi. Pequim mantém importantes investimentos no país vizinho e fornece apoio militar ao regime, partilhando com Myanmar uma fronteira de cerca de 2.100 quilómetros. Uma espécie de eleições Após cinco anos de governo militar, as autoridades birmanesas organizaram eleições legislativas entre Dezembro e Janeiro, apresentadas como um regresso à democracia. As eleições não se realizaram em vastas áreas controladas por grupos rebeldes e resultaram numa vitória esmagadora dos partidos pró-militares, sem oposição significativa. Vários países e observadores internacionais classificaram o processo eleitoral como uma tentativa de manter o poder nas mãos dos mesmos dirigentes. A China apoiou as eleições, num contexto de retoma das discussões sobre projectos de infraestruturas que tinham ficado bloqueados devido ao conflito interno. Em Abril, durante uma visita a Myanmar, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, manifestou apoio aos esforços do país para “seguir uma via de desenvolvimento bem-sucedida” e prometeu ajuda chinesa para proteger a sua segurança e soberania.