Encontro | Xi Jinping recebe líder de Myanmar

O líder de Myanmar cumpre uma visita de cinco dias à China numa altura de alguma tensão interna e externa

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem em Pequim estar “disposto a continuar a reforçar a coordenação” com o líder de Myanmar (antiga Birmânia), Min Aung Hlaing, que cumpre o segundo dia de uma visita oficial à China.

Xi descreveu Min Aung Hlaing como um “velho amigo da China”, numa altura em que o líder birmanês procura melhorar a imagem internacional do regime militar, que lidera, e promover uma transição política, contestada interna e externamente.

O chefe de Estado chinês acrescentou que os dois países, que partilham mais de 2.000 quilómetros de fronteira terrestre, devem “dar continuidade à amizade” e aprofundar a cooperação estratégica, segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

A China é um parceiro fundamental de Myanmar, que enfrenta o isolamento diplomático desde o golpe militar de 2021, quando Min Aung Hlaing, então chefe das Forças Armadas, depôs o Governo eleito liderado por Aung San Suu Kyi.

A China apoiou as últimas eleições no final de Janeiro de 2025, contestadas, que garantiram uma vitória ao campo pró-militar e levaram Min Aung Hlaing à presidência, tendo excluído do processo eleitoral vários partidos da oposição, incluindo o partido de Aung San Suu Kyi, ao mesmo tempo que reprimiram a oposição.

Min Aung Hlaing foi recebido por Xi Jinping numa cerimónia realizada no Grande Palácio do Povo, em Pequim, segundo a televisão estatal chinesa CCTV.

Amigos de sempre

O dirigente birmanês chegou à China na segunda-feira para uma visita de cinco dias e visitou nesse dia a Cidade Aeroespacial de Pequim, um centro ligado ao programa espacial chinês. Durante a deslocação, deverá também reunir-se com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang.

A visita ocorre num momento em que as relações bilaterais sofreram tensões devido à proliferação de centros de fraude informática ao longo da fronteira comum, que recrutam e visam cidadãos chineses, segundo analistas.

Na sexta-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, afirmou que Pequim espera aproveitar a visita para “dar continuidade à amizade tradicional” entre os dois países e “aprofundar a cooperação estratégica abrangente”.

Apesar de a guerra civil ter agravado a crise económica em Myanmar, o país tornou-se um dos principais fornecedores mundiais de terras raras, matérias-primas essenciais para a produção chinesa de tecnologias ligadas às energias renováveis.

Em Abril, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, prometeu apoio firme a Myanmar na defesa da sua soberania e segurança nacional durante um encontro com Min Aung Hlaing.

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