Cooperação | UPM e UTM criam empresa conjunta para investir em Hengqin

Desde 2024, que as instituições de ensino superior de Macau criaram quatro empresas para investir na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. O investimento inicial nestas companhias atinge os 7 mil milhões de patacas

A Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Universidade de Turismo de Macau (UTM) criaram uma empresa em parceria para investir na Ilha da Montanha. A informação foi revelada ontem, através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). A nova empresa vai exigir um investimento conjunto inicial de 2,19 mil milhões de patacas.

O projecto intitula-se “Companhia para o Desenvolvimento do Ensino Superior da UPM e UTM na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”, com sede na Avenida de Hong Kong-Macau em Hengqin e iniciou as operações com um capital social de 1,85 mil milhões de renminbis, o equivalente a 2,19 mil milhões de patacas.

Em termos das participações sociais, a UPM vai fazer um investimento directo de 43 milhões de renminbis, e indirecto de 883,7 milhões de renminbis, através da Inovação Tecnológica da UPM Sociedade Unipessoal Limitada, entidade que controla a 100 por cento. No total, a UPM entra para a parceria com 926,7 milhões de renminbis, cerca de 1,1 mil milhões de patacas.

As contas são semelhantes no caso da UTM, que investe directamente 43 milhões de renminbis e indirectamente 883,7 milhões de renminbis, através da companhia Desenvolvimento de Cultura e Turismo da Universidade de Turismo de Macau. À semelhança da parceira, o investimento total ronda os 926,7 milhões de renminbis.

A empresa conjunta apresenta como objecto social a realização de “actividades de testes e avaliações no domínio da educação e do ensino”, “serviços de consultoria na área da educação” e “actividades de investimento com fundos próprios”.

Milhões acumulados

A parceria entre a UPM e a UTM resulta na quarta empresa criada por universidades de Macau para investir no Interior, numa altura em que várias instituições estão envolvidas no projecto Cidade Universitária, a construção de novos pólos académicos em Hengqin, na Zona de Cooperação.

Esta aposta, contabilizando com a criação das empresas e a realização do capital social representa um investimento de 5,9 mil milhões de renminbis, o que equivale a 7,00 mil milhões de patacas

A primeira universidade a anunciar a expansão para a Ilha da Montanha foi a Universidade de Macau, em 2024, com a construção de um segundo campus universitário. A aposta está a ser feita através da empresa Guangdong Hengqin UM Higher Education Development, que implicou um investimento inicial de 4 mil milhões de renminbis, o equivalente a 4,74 mil milhões de patacas.

Também nesse ano, a UTM criou a “Companhia de Consultadoria em Educação da Universidade de Turismo de Macau na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin” com um investimento inicial de 100 mil renminbis.

Mais recentemente, já este ano, a UPM estabeleceu a “Companhia para o Desenvolvimento do Ensino Superior da UPM na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin” com um capital social de 55 milhões de renminbis.

Agora, a empresa conjunta vem exigir mais um investimento de 1,85 mil milhões de renminbis.

12 Jul 2026

PJ | Investigador demitido por ausências e atrasos foi reintegrado

O cancelamento da demissão resulta de uma decisão do Tribunal de Segunda Instância, que entendeu que o processo disciplinar não teve em conta os mais de 10 anos de classificações de bom e muito bom do desempenho do agente

 

 

A Polícia Judiciária (PJ) foi obrigada a reintegrar um investigador criminal que através de atrasos e ausências sem autorização evitou 22 dias interpolados de trabalho no espaço de um ano e meio. A informação foi publicada ontem no Boletim Oficial, e resulta de uma decisão do Tribunal de Segunda Instância (TSI) que considerou ilegal a aplicação da pena de demissão ao agente.

“Nos termos do artigo 174.º do Código de Processo Administrativo Contencioso […] é anulada a pena de demissão ao ex-investigador criminal principal […] com efeitos retroactivos a partir do dia 23 de Novembro de 2024”, pode ler-se num despacho assinado por Sit Chong Meng, director da PJ.

O caso começou em 2022, quando a PJ instaurou um processo disciplinar ao agente ligado a várias infracções, todas cometidas entre Agosto e Setembro desse ano.

Segundo a acusação, o agente deixou o posto de trabalho sem autorização 12 vezes, chegou atrasado ou saiu antes de cumprir o horário 12 vezes, não picou o ponto 33 vezes, apresentou 8 relatórios falsos de trabalho, transferiu as chamadas do telemóvel de trabalho para o seu telemóvel pessoal seis vezes, o que contraria as normas internas, e não apresentou um relatório de transferência de turno. Houve ainda 18 vezes em que deixou Macau e foi a Zhuhai sem pedir autorização aos superiores, como exige o regulamento interno da PJ.

Com base nas infracções de atrasos e saídas do posto de trabalho, a PJ concluiu que o agente deixou por cumprir um total de horas que é equivalente a 22 dias de trabalho.

Atenuantes ignoradas

Apesar de a acusação não ter levantado problemas a nível da factualidade para o TSI, os juízes optaram por aceitar o recurso do agente, porque o processo disciplinar não valorizou condições atenuantes nem explicou o impacto das infracções na manutenção da relação entre as duas partes.

Segundo o tribunal, a penalização do processo disciplinar está obrigada a ter em conta a conduta do agente antes e depois das infracções. Em relação a este aspecto, concluiu-se que em mais de 10 anos de serviço o agente teve um desempenho classificado como “bom” ou “muito bom”. Como este facto não foi considerado pela Administração, a pena de demissão foi anulada pelo tribunal.

A sanção tinha também valorizado a agravante de o agente ter um grau de bacharel e ter atingido a categoria de investigador criminal principal. Apesar da regra que exige mais a quem tem um nível de instrução superior e funções com mais responsabilidade, os juízes entenderam que tal não se aplica a deveres gerais mais básicos, como os zelo e obediência.

9 Jul 2026

Trânsito | Segunda-feira marcada por quatro atropelamentos

As ocorrências na tarde de chuva fizeram com que três peões e um condutor tivessem de receber assistência médica. Pelo menos dois dos atropelamentos aconteceram em duas passadeiras

A tarde de segunda-feira ficou marcada por quatro atropelamentos, dois dos quais em passadeiras, de acordo com a informação divulgada pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). Estes são os mais recentes episódios deste género, num ano que já ficou marcado pela morte de uma criança que atravessava numa passadeira.

Segundo o CPSP, citado pelo canal chinês da Rádio Macau, um dos quatro atropelamentos aconteceu na Avenida do Almirante Magalhães Correia, na Areia Preta, junto ao Centro Industrial Keck Seng. Neste acidente, o condutor, de 40 anos, terá desrespeitado um semáforo vermelho e atingido um transeunte.

A vítima terá precisado de receber assistência hospitalar, ao contrário do condutor. O homem acabou multado no local por não respeitar o sinal vermelho, sendo que o teste do álcool acusou negativo.

Registaram-se ainda outros dois casos em passadeiras. Uma das ocorrências foi verificada no cruzamento entre a Avenida do Ouvidor Arriaga e a Rua de Silva Mendes, na Península de Macau, quando o condutor não terá cedido a passagem a um peão. O outro atropelamento, também numa passadeira, aconteceu na Taipa, na Estrada do Tiro, perto do hotel Wynn Palace. Estes dois acidentes causaram três feridos que foram levados para o hospital, incluindo um idoso com cerca de 60 anos.

Fora da passadeira

Também na tarde de segunda-feira, registou-se um quarto atropelamento de uma mulher de 80 anos. Neste caso, o acidente teve origem no facto de a idosa ter decidido atravessar a estrada fora da passadeira.

O atropelamento aconteceu perto do Edifício Kam Shau, com a idosa a sofrer uma contusão, o que levou a que fosse hospitalizada. Além dos ferimentos, segundo o canal chinês da Rádio Macau, a mulher foi ainda multada pela polícia por não ter atravessado a rua na passadeira.

Ao contrário de outras ocorrências, nos atropelamentos de segunda-feira não houve vítimas mortais. No entanto, este ano tem ficado marcado por alguns casos mais mediáticos.

A principal ocorrência aconteceu no final de Maio, quando um menino de 10 anos foi atingido por um carro que não parou na passadeira, na Avenida do Conselheiro Borja. O acidente ficou registado em vídeo, e mobilizou a comunidade, levando a várias homenagens no local e pedidos de maior segurança na estrada, até agora sem resultados visíveis.

Também na semana passada, uma idosa de 74 anos morreu, depois de ter sido atropelada no cruzamento entre a rua da Harmonia e a Travessa da Corda. De acordo com a Polícia de Segurança Pública, o acidente ocorreu quando a idosa atravessava a estrada e foi atropelada por um carro ligeiro que saía do cruzamento e fazia uma curva.

8 Jul 2026

Metro Ligeiro | Leong Hong Sai quer comercialização mais efectiva

O deputado dos Moradores defende que o metro precisa de gerar mais receitas, para reduzir o subsídio público, que actualmente é de 600 milhões de patacas. Leong quer ainda saber se vai haver um novo centro intermodal do terreno do Jockey Club

O deputado Leong Hong Sai defende a necessidade de o Metro Ligeiro adoptar uma estratégia comercial mais agressiva, com a exploração de mais espaços comerciais. A opinião surge numa interpelação escrita do legislador ligado à Associação dos Moradores de Macau.

No documento, Leong afirma que “desde o início da sua operação, o metro ligeiro de Macau tem enfrentado dificuldades operacionais”, como um “reduzido volume de passageiros, elevados custos operacionais e forte dependência de apoio financeiro público”.

A situação até melhorou com a “entrada em funcionamento da Linha de Hengqin”, em Dezembro de 2024, com as receitas “de bilheteira, arrendamentos e parques de estacionamento” a ultrapassarem pela primeira vez os 50 milhões de patacas.

No entanto, Leong Hong Sai considera preocupante que o metro ainda precise de “mais de 600 milhões de patacas” de subsídios do Governo, o que representa “87 por cento” das receitas totais deste meio de transporte. “Embora a sociedade compreenda que o metro ligeiro é uma ‘infra-estrutura de política pública’ e não um ‘negócio que deve ser financeiramente auto-sustentável’, é necessário ‘reduzir o subsídio e aumentar os benefícios marginais’”, explicou. “Por conseguinte, o desenvolvimento de componentes comerciais associados ao metro ligeiro é indispensável”, acrescentou.

Neste sentido, o membro dos Moradores quer saber se as autoridades “vão ponderar cooperar com as empresas” para “aumentar os espaços publicitários de grande dimensão nas áreas de espera do metro ligeiro e no interior das carruagens”.

 

Na linha dos concertos

Em termos de oportunidades comerciais, Leong reconhece que a utilização do Metro Ligeiro beneficia com a realização vários concertos no território, pelo que procura saber se as autoridades têm uma estratégia para explorar comercialmente esse fenómeno. “Em resposta à economia dos concertos, [as autoridades] vão promover o desenvolvimento integrado das zonas envolventes e estender os espaços de desenvolvimento comercial até ao metro ligeiro?”, pergunta.

Na interpelação, o deputado aborda também a futura ligação a Hengqin feita através da estação do Jockey Club. Leong Hong Sai defende a construção de um novo centro modal. “As autoridades vão, com base na análise do fluxo de passageiros, ponderar incrementar elementos comerciais na estação de Hengqin e aproveitar o terreno não utilizado do antigo Jockey Club para planear a construção de um grande centro modal de transportes?”, interroga.

7 Jul 2026

Negócios | Consulta pública sobre licenciamento até 19 de Agosto

Segundo a proposta do Governo, vai ser criado um novo sistema de licenciamento de negócios ou de actividades como venda de rifas, produção e filmagens de cinema. O objectivo passa por adaptar o regime às exigências actuais e tornar os pedidos mais rápidos

Arrancou ontem, e prolonga-se até 19 de Agosto, a consulta pública sobre a futura lei que vai definir as condições para a realização de actividades e exploração de negócios, como concertos, filmagens, cabeleireiros, saunas ou oficinas. Na apresentação da consulta sobre o “regime para a regulação de determinadas actividades e eventos”, o Executivo apresentou como objectivos do diploma “aumentar a eficiência da coordenação interdepartamental” e “criar um ambiente de negócios e uma ordem de mercado ‘justos, transparentes e previsíveis’.”

Segundo o regime actual, criado em 1998, o controlo actual é feito através de dois sistemas: a notificação e a licença. No caso da notificação, que o Governo entende como uma autorização, o interessado pode começar a actividade, mesmo quando as autoridades competentes ainda não se pronunciaram. Em relação ao processo de licença, o negócio do interessado apenas pode ser iniciado depois de obter a autorização das entidades competentes.

Todavia, ontem, Ng Chi Kin, director substituto dos Serviços de Assuntos de Justiça, afirmou que o modelo actual está desactualizado, que a divisão de funções entre os diferentes serviços não permite uma resposta em tempo útil e que os moldes actuais não permitem a simplificação, digitalização e aumento da eficiência dos procedimentos.

Novo modelo

A proposta visa criar um sistema alternativo, de acordo com o grau de risco percepcionado pelo Executivo. Neste enquadramento, há actividades que deixam de exigir qualquer tipo de procedimento, além do cumprimento das exigências gerais relacionadas com aspectos como a segurança contra incêndios, ruído ou a gestão de espaços públicos. Vai ser a situação aplicável aos espectáculos de danças tradicionais ou ópera chinesa sem fins lucrativos, recolha de fundos, espectáculos de organismos públicos, bazares e feiras, barbearias e cabeleireiros, salas de bowling ou saunas sem serviços de massagem, entre outros.

Ao mesmo tempo, vai ser criado um sistema de registo. Segundo estes moldes, a exploração do negócio só pode ser iniciada depois de a Administração confirmar que recebeu o pedido e todos os documentos necessários, embora este seja um procedimento apresentado como praticamente automático. O registo vai ser obrigatório para marchas de caridade, salões de beleza, lavandarias, ginásios, sorteios, salas de bilhar e oficinas de reparação e manutenção de veículos motorizados sem actividades como pinturas por pulverização, soldadora ou montagem e desmontagem de baterias de lítio.

No que diz respeito às actividades ou eventos com “elevado risco para a segurança pública, a ordem do mercado, a ordem pública, os bons costumes”, optou-se por manter o sistema de notificação ou licença. Este regime vai aplicar-se a qualquer produção e realização de filmes em Macau, o que significa que abrange mais filmes do que no passado, cinemas, teatros, espectáculos públicos, massagens, karaokes, comércio de materiais pornográficos, cibercafés, entre outros.

7 Jul 2026

Comerciantes querem esplanadas na Praia de Hac Sá

Os vendedores de comida da praia de Hac Sá queixam-se de que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) está a prejudicar-lhes o negócio, ao não permitir a instalação de esplanadas. As queixas foram trazidas a público pela Associação de Auxílio Mútuo de Vendilhões de Macau.

De acordo com um artigo publicado no jornal Ou Mun, os comerciantes sentem que estão a perder oportunidades de venderem mais comida e bebidas, porque os turistas não têm lugar para comer à frente das bancas de venda.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o membro executivo da associação, Cheang Ka Leong, explicou que, segundo os novos modelos de consumo, os turistas procuram um local para comer churrasco, com condições para estarem sentados e a conversar de forma relaxada. No entanto, como não há esplanadas, os consumidores acabam por não ficar, porque não têm lugares para se sentarem.

O também membro do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais defende assim uma maior flexibilidade nestes assuntos, através da definição de uma zona para os comerciantes instalarem mesas e cadeiras. Cheang destacou ainda que os vendedores estão empenhados em garantir que o local permanece limpo, de forma a haver um equilíbrio entre as exigências da higiene pública e a sobrevivência daqueles negócios.

6 Jul 2026

Exames nacionais de Portugal com atrasos e novas datas

A avaliação dos exames nacionais em Portugal passou a ser realizada electronicamente. Porém, a inovação trouxe dificuldades aos professores no acesso a provas e critérios de correcção

Os erros técnicos na avaliação dos exames nacionais em Portugal levaram o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) a adiar o lançamento das notas e a 2ª fase das provas. O anúncio sobre as novas data, que vão ter impacto nos alunos e corpo docente da Escola Portuguesa de Macau foi feito na sexta-feira, através de um comunicado.

Este ano, pela primeira vez, mais de 300 mil exames nacionais dos alunos do 11º e 12º anos foram digitalizados, para depois serem distribuídos pelos professores para avaliação. Contudo, o procedimento tem encontrado vários problemas, com docentes, sindicatos e associações a revelarem situações como falta de folhas de respostas dos alunos ou falhas no portal que impediram o acesso aos itens de avaliação.

Estes problemas obrigaram o MECI a reagir: “As dificuldades informáticas no processo de classificação electrónica dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário pressionaram o cumprimento do calendário inicialmente previsto”, foi reconhecido. “Embora seja tecnicamente ainda possível assegurar o cumprimento dos prazos para a entrega das classificações, a 10 de Julho, e para a afixação das pautas, a 14 de Julho, o MECI entende que devem ser igualmente ponderadas as condições de trabalho dos professores classificadores, garantindo sempre o rigor e a qualidade do processo de classificação, dimensões das quais o MECI não abdica”, foi acrescentado.

Como resultado, as avaliações passam a decorrer até 14 de Julho, em vez de 10, e as pautas vão ser afixadas a 17 de Julho, em vez de 14 de Julho. A 2ª fase dos Exames Finais Nacionais foi adiada para o período entre 20 e 24 de Julho, quando estava previsto que decorresse entre 20 e 22 de Julho.

Mais problemas à vista

Face às alterações, em declarações ao Canal Macau, Filipe Figueiredo, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Portuguesa de Macau (APEP), reagiu com “espanto”, porque afirmou que anteriormente o ministro da Educação de Portugal tinha dito que “estava tudo a correr lindamente”. “Isto só nota que isto foi mal feito. Em primeiro lugar, nunca foi ponderado o interesse dos alunos nem das famílias, porque isto não traz vantagens para ninguém, causa mais mal-estar, mais ansiedade e agora resta saber o que vai acontecer quando saírem as notas”, apontou.

Segundo Filipe Figueiredo, os problemas vão agravar-se quando forem divulgadas as notas: “As notícias são bastante assustadoras. Conheço professores que estão a corrigir exames e que dizem que o sistema está em baixo e que não apresenta informações fidedignas”, revelou.

No entanto, até sexta-feira, dia do comunicado, Filipe Figueiredo ainda não tinha recebido qualquer queixa, embora admitisse que entre a comunidade escolar a confiança nos resultados da primeira fase dos exames é “nula”.

6 Jul 2026

Exposição comemora 90º aniversário do nascimento de Mio Pang Fei

Noventa obras de pintura, técnicas mistas, instalações e manuscritos estão em exposição até 11 de Outubro no Museu de Arte de Macau. A exposição celebra aquele que seria o 90º aniversário do artista que morreu em 2020.

Até 11 de Outubro, o Museu de Arte de Macau celebra o 90º aniversário do nascimento do artista local Mio Pang Fei com a exposição “Contemplações Oriente-Ocidente: Retrospectiva de Mio Pang Fei”. A inauguração do evento aconteceu na sexta-feira, e as visitas são gratuitas entre as 10h e as 19h de cada dia, com excepção das segundas-feiras.

“Para celebrar o 90º aniversário do nascimento de Mio Pang Fei, a mostra reúne 90 obras – abrangendo pintura, técnicas mistas, instalações e manuscritos – provenientes da sua família, amigos e do próprio acervo do Museu de Arte de Macau”, pode ler-se no comunicado do Instituto Cultural, responsável pela organização da mostra, em conjunto com o Círculo dos Amigos da Cultura de Macau.

De acordo com a mesma fonte, a exposição traça “o percurso sistemático” de meio século do artista que é tido como “pioneiro da arte moderna local”. O percurso é apresentado através de seis secções diferentes denominadas: “Xangai – Experiência”, “Macau – Prática”, “Série Shui Hu”, “Sobre a Condição Humana”, “Pós Caligrafia” e “O Legado do Neo-Orientalismo”.

Sobre a última parte da exposição, o IC indica que “foca a transição do mestre da teoria à maturidade artística, recriando o ambiente do seu próprio estúdio e exibindo documentação rara que ilustra especificamente a sua prática artística de ‘captar o espírito da cultura oriental como essência, utilizando linguagens ocidentais modernas’”.

Visão internacional

Ainda em relação ao artista, o Governo realça que foi o “mentor do ‘Neo-Orientalismo’” considerado “enraizado no contexto de diálogo entre o Oriente e o Ocidente em Macau” e que permitiu ao artista construir “uma teoria estética dotada de características locais e de uma vincada visão internacional”.

Na perspectiva dos organizadores, o percurso internacional de Mio Pang Fei teve como pontos altos a participação de Macau na 56ª Bienal de Veneza e ainda o facto de ter recebido duas vezes a Medalha de Mérito Cultural”. Além disso, o comunicado do IC aponta que Mio contribuiu “imenso para o desenvolvimento da arte moderna em Macau”.

Em paralelo com a exposição vão ser realizadas outras actividades de divulgação da obra do artista, como concertos e workshops de arte. Por exemplo, o concerto “Música no MAM”, no dia 12 de Julho, e o workshop “Contemplações de Música e Dança – Oficina de Lira x Fluxo Somático” vão apresentar diferentes tipos de performances que o organizador indicou estarem em “sintonia com a atmosfera artística da exposição”, as quais vão proporcionar “uma experiência audiovisual, cultural e artística multifacetada”.

Vida conturbada

Nascido em Xangai em 1936 e falecido em 2020, Mio Pang Fei estudou na Universidade de Belas Artes de Fujian, dedicando-se à caligrafia chinesa, a única forma de se manter ligado ao mundo das artes.

Devido aos seus trabalhos, Mio Pang Fei chegou a ser acusado de práticas contra-revolucionárias por demonstrar um grande interesse no modernismo que se fazia no Ocidente, o que levou a que fosse preso e sujeito a trabalhos forçados. Na década de 1980 decidiu deixar o Interior da China com a família, conseguindo mudar-se para Macau no final de 1982.

A primeira exposição em Macau aconteceu em 1985, no antigo Museu Luís de Camões, com a mulher, Un Chi Iam, também ela pintora.

No território, Mio fez carreira como pintor profissional, investigador e docente, ensinando na Academia de Artes Visuais de Macau, antecessora da actual Escola Superior de Artes da Universidade Politécnica de Macau. Deu também aulas na Universidade de Artes de Nanjing, no Colégio de Belas-Artes da Universidade de Xangai e ainda na Universidade de Wolverhampton, no Reino Unido.

Mio Pang Fei foi um dos fundadores do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, entidade envolvida na organização da exposição.

6 Jul 2026

Jogo | Analistas estimam que Mundial continue a afectar receitas

Analistas esperam que as receitas brutas do motor da economia de Macau continuem em baixa até ao fim do Campeonato Mundial de Futebol. Em Julho, espera-se uma redução anual das receitas entre 5 e 9 por cento

 

Ao longo deste mês, os efeitos do Campeonato Mundial de Futebol vão continuar a afectar a indústria do jogo, e as receitas devem apresentar uma redução anual de 5 por cento. A previsão foi feita pelo banco de investimento Citi, no mais recente relatório sobre a indústria do jogo de Macau, citado pelo portal GGRAsia.

De acordo com a estimativa do banco, as receitas vão atingir cerca de 21 mil milhões de patacas ao longo deste mês, quando em Julho de 2025 foram de 22,1 mil milhões de patacas. A previsão tem por base uma média diária de receitas de 677 milhões de patacas.

“Esperamos que o torneio mundial de futebol continue a arrastar a receita bruta do jogo até ao último jogo, a 19 de Julho”, pode ler-se no relatório elaborado pelo Citi. Em Macau, a partida da final acontece na madrugada de 20 de Julho, às 03h.

Apesar do aspecto negativo, o Citi realça que o território vai receber vários concertos que vão contribuir para atenuar o impacto do Mundial: “Dito isso, a agenda lotada de eventos de Macau no início de Julho, incluindo espectáculos de Anson Lo (Londoner Arena), Gareth.T (Galaxy Arena), Rosy Zhao (Galaxy Arena) e NCT JNJM (Londoner Arena), poderá mitigar parte da potencial fraqueza”, foi justificado.

Por sua vez, a empresa de serviços financeiros Seaport Research Partners também estimou que as receitas brutas do jogo em Julho devem apresentar uma queda de 7 a 9 por cento, num valor entre 20,6 mil milhões de patacas e 20,0 mil milhões de patacas.

Também neste caso espera-se que o mercado reflicta o impacto do dinheiro desviado das mesas de jogo para as apostas do Mundial. Contudo, o analista Vitaly Umansky, da Seaport Research Partners, espera que o sector recupere em Agosto, com um crescimento anual de 5 por cento.

Por sua vez, o banco de investimento Deutsche Bank previu uma redução de 7,9 por cento em Julho, para cerca de 20,4 mil milhões de patacas.

Mais do que o mundial

Os vários relatórios das instituições financeiras foram divulgados depois de ter sido tornado público que as receitas brutas de jogo tinham apresentado uma quebra anual de 12,1 por cento em Junho, para 18,5 mil milhões de patacas. Na perspectiva de quase todos os analistas, o principal factor para esta redução foi o impacto do Campeonato Mundial.

No entanto, a Seaport Research Partners, num relatório citado pelo portal GGRAsia, foi mais longe e associou a diminuição “ao barulho à volta dos fluxos de capital” no Interior da China, em referência às restrições de circulação do dinheiro que, no entender da instituição, “podem ter contribuído para limitar a actividade dos jogadores”.

3 Jul 2026

Imobiliário | Segundo trimestre com preços mais baixos em 13 anos

A menor disposição dos bancos na concessão de empréstimos para a compra de imóveis, o maior controlo de capitais no Interior da China e a incerteza sobre a subida dos juros nos Estados Unidos são nuvens negras que pairam sobre o mercado imobiliário local

 

O mercado imobiliário de Macau registou o preço médio por metro quadrado mais baixo em 13 anos no segundo trimestre deste ano, segundo dados publicados ontem pela agência imobiliária Centaline Property. De acordo com um relatório de mercado da Centaline Macau e Hengqin, o preço médio por metro quadrado para imóveis residenciais atingiu os 68.000 dólares de Hong Kong, uma queda de 4 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.

Depois de ter atingido um pico de 72.634 dólares de Hong Kong no primeiro trimestre, a agência apontou que o valor caiu para 68.000 dólares de Hong Kong no segundo trimestre. A empresa acrescenta que o mercado local vai continuar a atravessar um período difícil até ao final do ano. A posição foi tomada na quarta-feira, através do balanço da empresa sobre os primeiros seis meses do ano.

O director-geral da sucursal da Centaline em Macau e Hengqin, Pun Chi Meng, explicou que o mercado tem de lidar com três desafios: a restrição dos bancos nos empréstimos para compra de imóveis, o maior controlo dos fluxos de capital no Interior da China e as alterações nas taxas de juro.

“Os bancos estão a aprovar cada vez menos pedidos de hipotecas, sobretudo ao nível dos imóveis comerciais, em que deixaram de aceitar os pedidos de financiamento, e também nas hipotecas de habitação, em que aplicam critérios cada vez mais rigorosos”, explicou Pun. “Também recentemente, as autoridades chinesas começaram a travar de forma mais intensa as saídas de capital para o exterior, o que fez com que o número de compradores em Hong Kong e Macau tenha reduzido em Junho”, revelou.

Ao mesmo tempo, a incerteza sobre o aumento da taxa de juros pela Reserva Federal Americana nos próximos seis meses contribui para afastar mais pessoas do mercado imobiliário. Ainda em relação ao mercado da habitação, Pun explicou que “muitos proprietários foram impacientes e reduziram o preço para garantir a venda das habitações”. Por isso, os “dados mostraram que os preços de muitas das transacções habitacionais ficaram em níveis historicamente baixos”.

Em relação às lojas nos bairros comunitários, o agente da Centaline indicou que, devido a um “ambiente de negócios complicado” gerado pela “concorrência do Interior da China e do comércio electrónico”, “não só o preço das transacções ficou mais baixo, mas o mesmo aconteceu com as rendas e a taxa de ocupação”, que afirmou terem atingido “mínimos históricos”.

Rendas baixas

No balanço, e com base nos dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o director da Centaline, Jack Lei, apontou que, na primeira metade deste ano, o volume das transacções de lojas foi de 149, representando uma queda de 20 por cento em termos anuais.

No entanto, revelando uma tendência oposta, Lei indicou que na zona central ou nas zonas dos casinos no NAPE as rendas continuam a subir para uma média de 65 patacas por pé quadrado e 77 patacas por pé quadrado, respectivamente.

Contudo, Jack Lei disse que nos bairros comunitários, tal como na zona da Rua de Horta e Costa e na Rua da Barca, a taxa de ocupação é baixa e o valor médio da renda é de 20 patacas por pé quadrado. Jack Lei ainda vincou que, devido ao impacto do encerramento dos casinos-satélite, a taxa de desocupação de lojas da ZAPE subiu para 13 por cento no segundo trimestre, uma ocupação considerada “péssima”.

3 Jul 2026

Jogo | MGM China compra participação na Diaoyutai MGM Hospitality

A Diaoyutai MGM Hospitality é uma empresa de hotelaria do Interior da China, criada em 2007 no âmbito de uma parceria entre o Governo Central e a MGM Resorts International. O negócio custou à concessionária de jogo mais de 160 milhões de patacas

 

A concessionária do jogo MGM China adquiriu a participação da empresa-mãe, a MGM Resorts International, na companhia Diaoyutai MGM Hospitality. A informação foi divulgada numa nota submetida à bolsa de Hong Kong e a transacção foi fechada por 20 milhões de dólares americanos, o que corresponde a cerca de 160,8 milhões de patacas.

A Diaoyutai MGM dedica-se à hotelaria no Interior da China e foi criada em 2007, numa parceria entre a Diaoyutai State Guesthouse, uma empresa do Governo Central, e a gigante americana MGM Resorts International. Quando a parceria foi constituída, a Diaoyutai State Guesthouse ficou titular de 51 por cento do capital social da Diaoyutai MGM Hospitality, enquanto a participação da MGM Resorts era de 49 por cento.

De acordo com a informação enviada à Bolsa de Hong Kong, a aquisição acontece de forma indirecta. A MGM China adquire à empresa-mãe a companhia MGM Asia Pacific Ltd, que, por sua vez, é proprietária de todas as acções da MGM na Diaoyutai MGM Hospitality.

A informação divulgada na terça-feira à noite revelou ainda que a transacção ficou completa a 30 de Junho, e que o pagamento foi feito de uma vez, em dinheiro vivo, com recursos internos da MGM China.

Hotéis no Interior

No comunicado, a MGM China justificou a compra com “uma oportunidade estratégica para o grupo consolidar e fortalecer a sua presença nos sectores de gestão hoteleira e turismo cultural na Grande China”. A empresa explicou ainda que a Diaoyutai MGM Hospitality “estabeleceu uma presença significativa no mercado, com oito hotéis operacionais, um portfólio de mais de 12 projectos activos e acesso a mais de 1,5 milhões de membros do programa de fidelização ‘Mlife’”.

Com a transacção a MGM China assume o “histórico operacional, a plataforma da marca e a rede de relacionamentos que a MGM Hospitality desenvolveu ao longo de quase duas décadas”.
Entre os hotéis da Diaoyutai MGM Hospitality que estão em construção, destaque para o Mirage by MGM Shenzhen, que deverá abrir portas até ao final do ano.

Ano movimentado

A venda da participação na Diaoyutai MGM Hospitality à MGM China acontece numa altura em que está a ser analisada a proposta do grupo People Incorporated para adquirir a totalidade MGM Resorts International.

Segundo a estação televisiva CNBC, a proposta apresentada pelo grupo avaliou a MGM Resorts International em 18 mil milhões de dólares americanos, o que significa um preço de 48,30 patacas por acção. Actualmente, a People Incorporated é titular de 26,1 por cento do capital social da gigante americana.

Depois de ser conhecida a proposta foi tornado público que Pansy Ho vendeu a totalidade das suas acções da MGM Resorts International. Apesar disso, a empresária mantém-se como uma das principais accionistas da MGM China, com 22,49 por cento do capital, a par da MGM Resorts, que controla 55,95 por cento da MGM China.

2 Jul 2026

PCC | Xi exige integração de Macau no desenvolvimento nacional

No 105º aniversário da fundação do Partido Comunista da China, o Presidente do país e secretário-geral do partido, Xi Jinping, realçou que a integração de Macau e Hong Kong no desenvolvimento nacional faz parte da “grande revitalização da nação chinesa”

 

O Presidente Xi Jinping reiterou ontem a importância da integração de Macau e Hong Kong no desenvolvimento nacional como parte da “grande revitalização da nação chinesa”. As palavras foram proferidas durante a cerimónia de celebração do 105º aniversário da fundação do Partido Comunista da China (PCC).

De acordo com o jornal Ou Mun, Xi Jinping afirmou que “promover a prosperidade e a estabilidade a longo prazo de Hong Kong e Macau é uma exigência intrínseca para a grande revitalização da nação chinesa”.
“Na nova jornada, devemos implementar de forma plena, precisa e inabalável as directrizes de ‘um país, dois sistemas’, ‘Hong Kong governado pelas pessoas de Hong Kong’, ‘Macau governado pelas pessoas de Macau’ e um alto grau de autonomia”, vincou.

Xi Jinping defendeu também o dever de “aplicar o princípio de Hong Kong governado por patriotas’ e ‘Macau governado por patriotas’, melhorar a eficácia da governação de Hong Kong e Macau com base na lei, promover o desenvolvimento económico e social de Hong Kong e Macau, e apoiar ambas as regiões a integrarem-se melhor e a servirem o panorama geral do desenvolvimento nacional”.

Directo em Macau

Em Macau, as celebrações do 105º aniversário do PCC foram assinaladas pelo Governo da RAEM, com a transmissão em directo, no Pavilhão Desportivo da Universidade Politécnica de Macau, dos eventos em Pequim, incluindo a mensagem de Xi Jinping.

Assistiram à transmissão em directo cerca de 2 mil pessoas, incluindo vários alunos, que realizaram espectáculos culturais e artísticos. Segundo o jornal Ou Mun, a celebração decorreu em simultâneo com todo o país, e teve como objectivo “aprofundar o conhecimento dos residentes de Macau sobre o percurso centenário da fundação do partido, reforçar a coesão nacional e cultivar de forma profunda o sentimento de amor pela Pátria e por Macau”.

No entanto, em Macau, as celebrações começaram mais cedo, na terça-feira à noite, com um espectáculo de canto na Universidade de Macau, organizado pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

Além disso, Governo da RAEM organizou outras actividades dirigidas aos alunos como uma sessão de estudo sobre o discurso de Xi Jinping, a exibição do filme “Crossing” e concursos de composições, de discursos e de criação de curtas-metragens, assim como visitas de estudo ao Interior da China.

As actividades foram realizadas pelo Governo para “orientar os diversos sectores da sociedade de Macau, em particular a juventude, para recordarem o centenário percurso glorioso do Partido e compreenderem, de modo aprofundado, a história e as grandes conquistas do desenvolvimento do país, incentivando os jovens de Macau a unir os seus ideais pessoais e as suas aspirações juvenis à grande causa da revitalização nacional”.

2 Jul 2026

Hengqin | Sam pede estudo e aplicação das instruções de Xi Jinping

O reforço da integração entre Macau e Hengqin, a captação de mais investimento nacional e internacional e a atracção de quadros qualificados foram alguns dos objectivos traçados para o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada

 

O estudo e a implementação das orientações de Xi Jinping sobre a Zona de Cooperação Aprofundada são a prioridade dos trabalhos para o desenvolvimento de Hengqin. A principal “esperança” deste ano foi deixada por Sam Hou Fai, durante a reunião de segunda-feira da Comissão de Gestão da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin.

Enquanto um dos dois chefes da comissão, o Chefe do Executivo abordou a próxima fase do projecto para diversificar a economia de Macau e pediu aos membros que continuem a “estudar e implementar o espírito das instruções do Presidente Xi Jinping e do Governo Central”. Sam indicou ainda que esta é a forma de “consolidar as bases do conceito de desenvolvimento da integração Macau-Hengqin”.

Segundo o Chefe do Executivo, a segunda “esperança” passa por “planear e concretizar cuidadosamente os grandes projectos emblemáticos para promover as indústrias e incentivar o emprego”. No comunicado do Gabinete de Comunicação Social sobre a reunião não foram indicados os grandes projectos.

O representante máximo da RAEM pediu como terceira esperança que no desenvolvimento da Ilha da Montanha as autoridades aproveitem “ao máximo as vantagens dos recursos de Macau nas ligações internacionais” para criar “uma nova conjuntura de captação de investimentos e capitais”.

Por último, Sam pediu à comissão uma reforma “do sistema e dos mecanismos” internos para dotar o órgão, e os seus trabalhadores, de uma maior dinâmica “para realizar o trabalho com dedicação e inovação”.

Projecto pessoal

A reunião de segunda-feira contou ainda com a intervenção do governador da província de Guangdong, Meng Fanli, o outro chefe da comissão.

O governador da província vizinha destacou igualmente a ligação entre o Presidente da China e a Zona de Cooperação Aprofundada, ao salientar que esta “foi uma grande iniciativa, projectada, planeada e promovida pessoalmente pelo secretário-geral Xi Jinping”. Nesta linha de pensamento, Meng apelou a todos os membros para estudarem e implementarem o espírito das instruções do presidente chinês.

Ao mesmo tempo, o governador de Guangdong pediu que no âmbito dos trabalhos deste ano “devem ser aproveitadas ao máximo as vantagens únicas” da Zona de Cooperação, para “servir e integrar” a nova conjuntura de desenvolvimento. Meng pediu também à comissão que trabalhe para criar “um mercado nacional unificado, servi-lo e fazer bom uso do mesmo”, ao mesmo tempo que se espera que a zona de cooperação sirva de ligação internacional.

Meng também pediu que sejam intensificados “os esforços na captação de investimentos e quadros qualificados a nível nacional e internacional” e que sejam realizados todos os esforços para integrar Macau e Hengqin.

1 Jul 2026

CCAC | Recebida queixa devido a cobrança de multa já paga

A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) tentou obrigar um cidadão a pagar a mesma multa duas vezes. O caso foi revelado pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC), que investigou a situação, após ter recebido uma queixa do filho do visado.

O caso aconteceu em 2021, quando o multado praticou “actos perturbadores num dos casinos”. Como consequência, o residente foi multado, num valor não divulgado, tendo ainda ficado impedido de entrar nos espaços de jogo.

O homem deslocou-se depois à Direcção de Serviços Financeiros (DSF) e pagou a multa. O multado ficou com um comprovativo do pagamento, emitido pela DSF, que tinha de ser entregue à DICJ. No entanto, o residente nunca entregou o comprovativo.

Em Fevereiro de 2025, a DICJ mandou uma carta à DSF a solicitar a cobrança coerciva da mesma multa ao residente. Todavia, como o homem se queixou, as duas entidades comunicaram e chegaram à conclusão que a multa tinha sido paga.

Apesar de tudo, os procedimentos foram alvo de críticas no relatório da investigação: “O CCAC considera que, uma vez que foi estabelecido um mecanismo de comunicação eficaz para a transmissão de informações entre os serviços públicos, estes têm a responsabilidade de prestar atenção ao progresso da actualização das informações de que necessitam, não devendo ficar totalmente dependentes de respostas ou informações prestadas pelos cidadãos”, foi apontado.

Como resultado da investigação, indicou o CCAC, a “DICJ introduziu, nas notificações de sanção, a menção de que ‘é necessário entregar o comprovativo de pagamento à DICJ’”. Além disso, a DICJ passou a recorrer ao sistema de interligação informática para verificar a situação do pagamento de multas para evitar a dupla cobrança.

1 Jul 2026

Cazaquistão | Lawrence Ho discute investimento em novo projecto

O magnata responsável pela concessionária Melco e o Governo do país da Ásia Central abordaram a possibilidade de cooperarem na construção da cidade de Alatau, o novo projecto do Cazaquistão inspirado no modelo de Singapura, Dubai e Shenzhen

 

O presidente da concessionária de jogo Melco Resorts & Entertainment foi recebido pelo primeiro-ministro do Cazaquistão, Oljas Bektenov, para discutir uma eventual cooperação em infra-estruturas turísticas na cidade de Alatau. A informação foi divulgada pelo Governo do país da Ásia Central. “Durante a reunião, foram discutidas as perspectivas de cooperação no desenvolvimento das infra-estruturas turísticas do Cazaquistão, bem como as oportunidades para os investidores participarem na execução de projectos na cidade de Alatau”, pode ler-se num comunicado do Executivo daquele país.

A informação, de sexta-feira, não permite saber se está em cima da mesa a possibilidade da concessionária de jogo em Macau explorar casinos no país. Também não foi indicada a data da reunião. No entanto, o jogo é legal em algumas zonas do Cazaquistão, entre as quais Alatau.

Segundo Oljas Bektenov, a partir de amanhã vai entrar em vigor a nova Constituição do Cazaquistão que prevê um regime jurídico especial para a cidade de Alatau. O Executivo pretende transformar esta zona num centro internacional de tecnologia, comércio e inovação para toda a Ásia Central.

O projecto é inspirado em modelos como os adoptados em Singapura, Dubai e Shenzhen e visa aliviar a concentração e pressão sobre a cidade de Almaty, a zona urbana do Cazaquistão com maior número de habitantes. As duas zonas ficam a pouco mais de 30 quilómetros de distância. A esperança é que Alatau abranja uma área de 88 mil hectares e atraia mais de 2 milhões de habitantes até 2050.

Captar investidores

Oljas Bektenov defendeu ainda que a nova lei “prevê mecanismos transparentes de interacção com investidores”, “estabilidade de longo prazo nas condições” de investimento e “mecanismos modernos de protecção” de investidores.

Segundo o comunicado cazaque, Lawrence Ho, presidente da Melco, demonstrou interesse em explorar projectos em conjunto na região e elogiou o potencial do Cazaquistão como um mercado turístico em crescimento na região.
A mesma fonte indica ainda que duas partes têm a intenção de “aprofundar a cooperação e fazer avançar o desenvolvimento de infra-estruturas e instalações turísticas modernas” na cidade.

O projecto de Alatau prevê uma separação por zonas, com a criação de quatro distritos com diferentes funções, nomeadamente nas áreas dos negócios, da medicina, da logística e do turismo. A parceria com a Melco pode acontecer no chamado Distrito Verde, onde o jogo é legal e que tem como função desenvolver o turismo cazaque.

Além de explorar casinos em Macau, como o Studio City, City of Dreams e Altira, a Melco tem actualmente casinos no Chipre e nas Filipinas. A concessionária explora ainda um casino no Sri Lanka, em parceria com a John Keells Holdings.

30 Jun 2026

Património | Pedida instalação de equipamentos de combate a incêndios

O conselheiro Si Kun Hong pede também ao Governo para criar um arquivo digital sobre o património classificado, para permitir a reconstrução em caso de acidentes com impactos significativos

 

O membro do Conselho do Património Cultural, Si Kun Hong, considera que o Governo deve promover a instalação de equipamentos de combate a incêndios dentro dos edifícios protegidos. A posição foi tomada em declarações ao jornal Ou Mun, depois de o Instituto Cultural (IC) ter confirmado que o incêndio da semana passada num edifício protegido na Avenida de Almeida Ribeiro não resultou em danos estruturais.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o também engenheiro avisou que existem várias complicações no combate a incêndios e nas respostas a emergências nos bairros antigos, devido à reduzida largura das vias que dificultam o acesso. Além disso, a situação exige maiores cuidados porque são zonas com uma elevada densidade populacional.

O conselheiro considera assim que é necessário reforçar a capacidade de prevenção contra riscos, com a instalação de equipamentos mais modernos de deteção e combate automático, mas também a criação atempada de rotas de resgate. Para o engenheiro, o simples “combate” às chamas no local pelos bombeiros pode ser insuficiente para garantir a segurança de pessoas e estruturas.

Por esta razão, Si Kun Hong defende que deve ser estabelecido um mecanismo conjunto de prevenção contra incêndios em bairros antigos, que envolva o Corpo de Bombeiros, mas também as Obras Públicas, o Instituto Cultural e a empresa responsável pela instalação da electricidade. Este mecanismo deveria ter como funções a realização de inspecções regulares, para identificar riscos e sugerir medidas para colmatar as falhas.

Além de inspecções, Si Kun Hong sugeriu a realização de exercícios interdepartamentais que simulem situações de incêndios em bairros antigos, para assegurar que as vias de emergência são mantidas sem obstáculos.

Corrigir à mão

Por outro lado, o conselheiro defendeu que o Governo deve criar arquivos digitais sobre os edifícios protegidos, ao registar digitalmente a fachada, os elementos decorativos e as características espaciais. Este registo é tido como a “última linha de defesa para a preservação do património cultural” e será utilizado para permitir a reconstrução segundo o aspecto anterior, em caso de destruição

Por seu turno, a vice-presidente da Associação dos Jovens de Povo, ligada à Aliança do Povo de Instituição de Macau, Ng Wan Hei, considerou que o incêndio da semana passada expôs um “ângulo morto” da fiscalização. Segundo a responsável, o IC não conseguiu inspecionar as tubagens de água e electricidade do edifício para reduzir os riscos de segurança, dado que o património é privado.

Por isso, Ng apelou às autoridades para reforçarem a divulgação e persuasão para os proprietários dos imóveis classificados fazerem as inspecções a tubagens de água e electricidade.

30 Jun 2026

Mundial | Lam Lon Wai quer combate intenso às apostas ilegais

Os casos de jogo ilegal aumentaram em Macau mais de vinte vezes desde 2023. O deputado da FAOM pede mais atenção ao Campeonato Mundial de Futebol e avisa que pode levar a uma nova vaga de apostas ilegais

 

O deputado Lam Lon Wai defendeu a necessidade das autoridades intensificarem o combate às apostas ilegais. O assunto foi abordado pelo legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), através de uma interpelação escrita, numa altura em que decorre o Campeonato Mundial de Futebol.

Segundo Lam, nos “últimos anos” o número de casos de “jogo ilegal em Macau aumentou significativamente”, uma tendência que antevê que vai continuar a verificar-se “tendo em conta o eventual aumento das apostas clandestinas durante o Mundial de Futebol”.

Devido a estes receios, Lam Lon Wai pede às autoridades para reforçarem “a cooperação policial transfronteiriça, a partilha de informações e a utilização de meios tecnológicos de investigação”. O objectivo passa por “aumentar a eficácia da prevenção e do combate às apostas clandestinas online e aos crimes com ele relacionados”, que muitas vezes implicam diferentes jurisdições.

O deputado considera ainda que só combater o crime não chega, e elogia o Governo pelas “campanhas nos bairros comunitários, palestras em escolas e educação sobre prevenção criminal” sobre este tipo de crimes.

No entanto, o legislador acredita que é possível fazer mais e pede que o Executivo, em cooperação com as associações desportivas, escolas, organizações juvenis e concessionárias de jogo, aposte mais na prevenção. O deputado da FAOM sugere a realização de actividades como “simulacro de casos”, “acções de divulgação jurídica sobre o Mundial de Futebol ou outros grandes eventos desportivos” e “educação sobre a cibersegurança” com os mais jovens.

Apostas ilegais a aumentar

Lam Lon Wai cita dados oficiais que mostram que os casos de jogo ilegal têm subido desde 2023: “Segundo dados divulgados pela área da Segurança, em 2023 registaram-se apenas 28 casos de jogo ilegal em Macau, número que, em 2024, aumentou para 137, portanto, um aumento anual de 389,3 por cento; e, em 2025, para 570, mais 316,1 por cento em comparação com o ano de 2024”, é apontado. “Os dados dos últimos anos revelam que o jogo ilegal continua a merecer uma elevada atenção da sociedade”, vincou.

O legislador pede também mais atenção aos eventos desportivos, por levarem a um pico de apostas ilegais. “No passado, quando se realizavam jogos de futebol de grande envergadura, nas regiões vizinhas, registava-se sempre um aumento notório de actividades de jogo ilegal, o que demonstra que muitas vezes os grandes eventos desportivos acabam por constituir períodos de pico para as apostas clandestinas”, justificou.

Além de envolver problemas de segurança pública, isto também gera facilmente uma cadeia de riscos para, entre outros, a usura, fraudes, branqueamento de capitais e problemas familiares”, considerou.

30 Jun 2026

APEC | Sam Hou Fai destacou papel da RAEM na ligação ao Ocidente

No discurso de boas-vindas da reunião ministerial da Cooperação Económica Ásia-Pacífico, o Chefe do Executivo destacou a importância histórica de Macau e apelou a novas formas de cooperação

 

O papel de Macau ao longo da história enquanto elo de ligação entre o Oriente e o Ocidente foi um dos principais destaques de Sam Hou Fai, durante o discurso no jantar de boas-vindas da 13ª Reunião Ministerial do Turismo da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC).

Diante dos convidados, o Chefe do Executivo começou com poesia: “‘De todos os portos de acesso a Cantão, o que mais floresce é o de Macau’, diz um poema chinês, como testemunho vívido do papel histórico de Macau enquanto um centro importante de intercâmbio comercial entre o Oriente e o Ocidente”, afirmou. “É esta pequena cidade do oriente, com apenas cerca de 33 quilómetros quadrados e uma população inferior a 700 mil habitantes, que continuamente se constrói numa sedimentação cultural do Oriente e do Ocidente”, realçou, antes de pedir aos convidados para explorarem novas formas de cooperação.

Sam Hou Fai defendeu ainda que a RAEM “incorpora o espírito de reforma, abertura, pragmatismo e perseverança” e que transmite “um legado de património mundial marcado pela cooperação e concertação, que se estende por toda a cidade”. O dirigente máximo da RAEM considerou igualmente que “em diferentes períodos históricos, Macau sempre desempenhou um papel importante no fomento do intercâmbio entre o Oriente e o Ocidente”.

Sam Hou Fai não esqueceu a última vez que Macau recebeu o evento: “A realização, mais uma vez, em Macau, da Reunião Ministerial do Turismo da APEC, após um intervalo de doze anos, portanto desde 2014, reveste-se de especial significado para nós. É uma grande honra o Governo da RAEM acolher novamente este importante evento internacional, o que demonstra, na íntegra, a profunda confiança e o firme apoio do Governo Central à RAEM”, vincou.

A reunião deste ano teve como tema “Inovação Digital, Empoderamento Colaborativo: Alavancando o Turismo para uma Comunidade da Ásia-Pacífico”, e ficou marcada pelo cancelamento da conferência de imprensa final com a apresentação dos resultados do fim-de-semana de reuniões.

Encontros à margem

Antes do jantar, o Chefe do Executivo recebeu o director-executivo do Secretariado da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), Eduardo Navarro Pedrosa. Durante a reunião, Sam Hou Fai mostrou abertura para que “as economias-membro da APEC aproveitem plenamente a função de plataforma de Macau e aproveitem a oportunidade gerada pelo desenvolvimento de Macau e da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”.

O líder do Governo pediu também que as economias-membro da APEC “usufruam das vantagens integradas de Macau e Hengqin e transformem ambas num ‘elo de ligação’ e ‘trampolim’ para aceder à Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e ao mercado do Interior da China”.

Por sua vez, Eduardo Pedrosa destacou que a RAEM possui uma forte atractividade e um encanto específico nos domínios do turismo, gastronomia, indústria de convenções e exposições.

A APEC é um bloco económico formado por 21 membros fundada em 1993 com o objectivo de criar uma área de livre-comércio. Entre os membros constam a China, Hong Kong e os Estados Unidos, que estiveram ausentes do encontro no território. Apesar de ser o anfitrião, Macau não integra este bloco.

29 Jun 2026

Renovação Urbana | Associação pede entrada de privados

A Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau quer que o Executivo permita a entrada de empresas privadas na Renovação Urbana. O vice-presidente Chris Wong Sai Fat sugere também construção em altura para financiar a reconstrução dos prédios

 

A Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau defende que o Governo deve distribuir mais incentivos à renovação urbana, ao agilizar procedimentos e permitir a entrada dos privados neste mercado. A posição foi tomada pelo vice-presidente executivo da associação, Chris Wong Sai Fat, em declarações ao jornal Ou Mun.

Actualmente, as obras de renovação de um prédio podem ser realizadas se tiverem o apoio de 80 por cento dos proprietários. O responsável destacou que o número é positivo, dado que não há muito tempo o apoio necessário era mais elevado. No entanto, Chris Wong entende que há margem para reduzir ainda mais o critério, como se faz nas regiões vizinhas. A alteração é tida como mais importante para prédios com mais de 40 anos, e que vão precisar de ser renovados mais depressa.

Ao mesmo tempo, Wong afirmou que para promover a renovação urbana, o Governo deve permitir uma maior utilização do solo e construções mais altas. O dirigente entende que desta forma é possível construir novas habitações nos prédios reconstruidos. Estas fracções autónomas podem depois ser vendidas para reduzir o investimento feito pelos proprietários do prédio, permitindo que mais gente pague o investimento da obra.

Segundo o modelo actual da renovação urbana, o processo está a cargo da Macau Renovação Urbana, empresa com capitais da RAEM. Chris Wong defende que o Governo deve promover a entrada dos privados neste processo.

Segundo o dirigente, como a Macau Renovação Urbana é uma empresa com capitais públicos, o seu envolvimento é susceptível de levantar várias dúvidas sobre a utilização eficaz do erário público, e reduzir a velocidade do processo. Nesta lógica, a introdução das empresas privadas no mercado é encarada como forma de acelerar os trabalhos.

Rendas a baixar

Nas declarações prestadas ao jornal Ou Mun, o vice-presidente executivo da Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau abordou ainda a situação do mercado do arrendamento de lojas. Segundo os dados mais recentes da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), as rendas tiveram uma redução trimestral de 1,2 por cento e anual de 3,4 por cento.

Todavia, o território continua a apresentar uma economia a duas velocidades, dado que em locais como a zona central, o Patane e junto das Ruínas de São Paulo as rendas das lojas apresentaram um crescimento entre 1,9 e 27,2 por cento. No pólo oposto, na zona do San Kio as rendas caíram 19,7 por cento em três anos.

Chris Wong apontou que o valor das rendas de lojas em locais como a Pérola Oriental e no centro da Taipa têm mostrado uma redução mais ligeira, porque são áreas com mais pessoas, logo mais clientes, o que permite sustentar o comércio local.

No entanto, o dirigente explicou que nos bairros antigos, como o San Kio e a Praia do Manduco, as rendas são mais baixas, devido à maior concentração de prédios antigos. Os moradores com mais idade optam assim por procurar casas com melhores condições e com elevadores, e alugam as habitações a trabalhadores não-residentes do Sudeste Asiático. Como estes têm menor capacidade de consumo, as rendas das lojas acabam por ser mais baixas.

26 Jun 2026

Autocarros | Concessionárias com lucros de 97,1 milhões de patacas

No ano passado, os lucros da TCM e da Transmac cresceram anualmente 6,6 por cento e 17,6 por cento, respectivamente. No entanto, a Transmac alerta que este ano enfrenta vários desafios, como o aumento do preço dos combustíveis

 

No ano passado, as duas empresas de transporte público de autocarros apresentaram lucros de 97,1 milhões de patacas. Os resultados da Sociedade de Transportes Colectivos de Macau (TCM) e da Transmac – Transportes Urbanos de Macau foram divulgados ontem, através do Boletim Oficial.

A empresa com maiores lucros foi a TCM que registou 49,25 milhões de patacas em ganhos operacionais. Este número representa um aumento do lucro de 6,6 por cento em comparação com 2024, quando os ganhos tinham sido de 46,18 milhões de patacas.

Nos resultados da empresa, assinados por Leong Mei Leng, representante do Conselho de Administração, consta também que 2025 ficou marcado por um novo recorde de transporte de passageiros para a TCM. “Continuamos a optimizar a rede de rotas, permitindo a utilização eficaz dos recursos de transporte colectivo e a operação eficiente, empenhando-nos em satisfazer as necessidades de deslocação dos passageiros. Em 2025, o número total acumulado de passageiros atingiu os 125 milhões, alcançando um novo recorde”, foi apontado.

A empresa destacou igualmente que estreou o primeiro autocarro eléctrico em Macau. “A TCM continuou a contribuir para a construção de uma cidade com emissão de carbono reduzida, pelo que adquiriu 30 novos autocarros ecológicos, sendo um deles um autocarro movido a energia eléctrica, introduzido, pela primeira vez, na operação do sector de transporte colectivo”, foi revelado.

Menos passageiros, mais dinheiro

Por sua vez, a Transmac perdeu passageiros em 2025, transportando aproximadamente 107 milhões de pessoas. Na mensagem do Conselho de Administração, assinada pela presidente Liu Hei Wan, a empresa reconhece que enfrenta maior concorrência devido ao Metro Ligeiro.

“No entanto, devido à concorrência da linha de Seac Pai Van e linha de Hengqin do Metro Ligeiro, o número de passageiros transportados desceu para 107 milhões em 2025, o que corresponde a uma média diária de 293 mil passageiros, apresentando um decréscimo de 1,5 por cento face ao período homólogo do ano anterior”, foi revelado.

Apesar da redução dos clientes, a Transmac fechou o ano passado com um lucro maior, ao registar 47,85 milhões de patacas em lucros líquidos após impostos, um aumento de 17,6 por cento, face ao valor declarado em 2024 de 40,70 milhões de patacas. “Devido ao reforço de gestão de eficiência e de controlo de custos, bem como à descida dos preços dos combustíveis em relação a 2024, a nossa empresa conseguiu lucros líquidos após os impostos de 47,85 milhões de patacas em 2025”, foi justificado.

Liu Hei Wan alertou também que o ano em curso vai ter vários desafios: Sob os grandes impactos negativos na economia, na vida da população e no preço dos combustíveis provocados pela instabilidade da conjuntura política global, precisamos de reforçar a qualidade dos serviços e, ao mesmo tempo, optimizar a gestão de custos operacionais”, foi indicado.

25 Jun 2026

PME | Chan Hao Weng pede apoios face a competição do Interior

O deputado ligado à ATFPM avisa que a qualidade da concorrência no Interior está a aumentar e que os residentes fazem cada vez mais compras e refeições do outro lado da fronteira. Como tal, pede medidas para salvar as pequenas e médias empresas

 

O deputado Chan Hao Weng está preocupado com o impacto em Macau do novo centro comercial do outro lado das Porta do Cerco, e pretende saber as medidas que vão ser tomadas para garantir a competitividade das pequenas e médias empresas (PME) locais. O assunto foi abordado pelo legislador ligado à Associação dos Trabalhadores das Função Pública de Macau (ATFPM), através de uma interpelação escrita.

“Há dias, entrou em funcionamento, a título experimental, um centro comercial situado na zona central do Posto Fronteiriço de Gongbei, em Zhuhai, cujo fluxo de clientes ultrapassou os 100 mil nas primeiras seis horas de funcionamento, dos quais cerca de um terço (cerca de 33 mil) eram provenientes de Hong Kong e Macau”, pode ler-se no documento. “Nas primeiras cinco horas de funcionamento, o volume de negócios ultrapassou 400 mil renminbis, o que demonstra que este projecto possui uma forte atracção para os grupos de consumidores transfronteiriços”, foi acrescentado.

Por isso, Chan avisa que as PME de Macau estão a ter dificuldades em lidar o “aperfeiçoamento contínuo das instalações comerciais do Interior da China e a facilitação das deslocações transfronteiriças”.

Segundo o deputado, esta nova realidade faz com seja normal que “residentes de Macau se desloquem à China para consumirem, desviando, de forma contínua, o fluxo de clientes de venda a retalho, restauração e consumo geral de Macau”. “De um modo geral, as pequenas e médias empresas locais deparam-se com dificuldades decorrentes da diminuição do fluxo de clientes, redução das receitas operacionais, agravamento da pressão de negócios, etc., e algumas estão prestes a fechar portas, o que afecta directamente a vitalidade económica e a estabilidade do emprego nos bairros comunitários de Macau”, alertou.

Novas mudanças

Uma vez que o deputado considera que é necessário “fazer face às mudanças do mercado e apoiar o desenvolvimento estável das pequenas e médias empresas locais”, pede ao Executivo para “definir políticas complementares de curto, médio e longo prazo” para “elevar a competitividade global do sector do comércio a retalho e das pequenas e médias empresas de Macau”.

O membro da Assembleia Legislativa questiona ainda se vão ser tomadas medidas para apoiar as “empresas locais na reconversão e valorização das suas actividades” para atenuar as “dificuldades operacionais” e “estabilizar o desenvolvimento e exploração”.

Chan Hao Weng considerou ainda que “as actuais medidas” de apoio ao consumo têm tido impacto limitado, pelo que pede “uma revisão global das políticas” e novas medidas mais “atraentes e sustentáveis”.

25 Jun 2026

Jogo | Morgan Stanley corta estimativa de crescimento deste ano

O banco de investimento estima que a indústria vai gerar receitas de 260,6 mil milhões de patacas ao longo deste ano, um valor abaixo do esperado pela maioria dos analistas. O Mundial de Futebol está a ter um impacto negativo nas receitas brutas dos casinos

 

O banco de investimento Morgan Stanley reduziu a estimativa de crescimento anual das receitas brutas do jogo para 5,3 por cento, quando antes apontava para 6 por cento. De acordo com o mais recente relatório sobre o mercado de Macau, citado pelo portal GGRAsia, as receitas devem crescer para 260,6 mil milhões de patacas ao longo do ano.

Em 2025, as receitas dos casinos atingiram 247,40 mil milhões de patacas, um crescimento anual de 9,1 por cento. Todavia, a previsão mais recente aponta para uma subida para 260,6 mil milhões de patacas: “Estimamos que as receitas brutas do jogo aumentem 5,3 por cento em relação ao ano anterior, um valor inferior às expectativas consensuais de crescimento de 6 por cento”, pode ler-se no relatório. “As nossas previsões implicam um crescimento trimestral das receitas de jogo entre 2 por cento e 3 por cento até ao quarto trimestre de 2026”, foi explicado.

A previsão anterior da Morgan Stanley calculava um crescimento de 6 por cento da receitas semelhante ao consenso dos analistas, o que significava um montante de 262,24 mil milhões de patacas. A nova estimativa representa uma redução de cerca de 2 mil milhões de patacas.

O menor optimismo foi justificado, em parte, com o impacto do Campeonato Mundial de Futebol: “Em Junho e Julho podemos assistir a um abrandamento das receitas relacionadas com o Campeonato do Mundo, e o crescimento anual até pode ser negativo”, foi indicado.

Menos ganhos

A revisão em baixa não ficou limitada às receitas da principal indústria do território. O banco de investimento acredita que as concessionárias vão sentir o impacto também nos seus resultados.

Segundo os analistas Praveen Choudhary e Stephen Grambling espera-se que o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA, em inglês) conjunto das concessionárias tenha uma redução de 2 por cento para 1 por cento, para um valor de 64 mil milhões de patacas.

O banco de investimento previu que a Sands China e SJM Holdings vão ser as mais afectadas pela redução nos ganhos anuais. Ao mesmo tempo foi alertado que as estimativas do EBITDA podem sofrer novas revisões em baixa no futuro: “Prevemos que as revisões negativas das estimativas do EBITDA continuem, motivadas por expectativas mais pequenas de crescimento das receitas brutas e por uma base de custos estruturalmente mais elevada”, foi indicado.

A Morgan Stanley abordou igualmente os ganhos das concessionárias relativos à primeira metade do ano, que deverão ser anunciados no próximo mês. O banco indica que as concessionárias Sands China, Melco Resorts & Entertainment deverão perder quota do mercado, enquanto MGM China e Wynn Macau deverão reforçar as suas quotas.

24 Jun 2026

Macau Investimento | Perdas triplicaram no ano passado

As perdas da Macau Investimento e Desenvolvimento (MID) totalizaram 317,97 milhões de patacas no ano passado 2025, mais do triplo do reportado no ano anterior.

Em 2024, o prejuízo da MID tinham sido de 103,37 milhões de patacas, e ambos os números constam no portal da Direcção dos Serviços de Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP).

Para os resultados negativos contribuiu uma desvalorização de 255,76 milhões de patacas nos seus imóveis de investimento.

A empresa atribuiu o aumento das perdas à contínua crise do mercado imobiliário no Interior, que continua a pressionar a avaliação dos seus activos que estão principalmente localizados no outro lado da fronteira.

A MID tem como objecto social a “concepção, gestão e exploração de espaços destinados à implantação física de empresas e entidades não empresariais” e a “prestação directa ou indirecta de serviços de apoio a clientes”.

Aposta no Interior

A Macau Investimento e Desenvolvimento tem como principal função a exploração do Parque de Medicina Tradicional Chinesa, na Ilha da Montanha, e tem como accionistas a RAEM, com uma participação de 94 por cento, o Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização, com uma participação de 3 por cento, e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM), que também tem uma participação de 3 por cento.

A MID tem 17 subsidiárias directas ou indirectas que se encontram instaladas não só na Ilha da Montanha, onde gere o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa Guangdong-Macau, mas também em Zhongshan, como acontece com a Incubadora de Indústria Parafuturo de Macau (Zhongshan) Limitada que se dedica à “incubação de empresas de alta tecnologia”.

24 Jun 2026

Preços | Registada inflação de 1,43 por cento em Maio

Em Maio, Macau registou uma inflação de 1,43 por cento, em termos anuais, o que significa que os preços ficaram mais caros. Os dados foram revelados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), através de um comunicado emitido ontem.

A subida dos preços foi impulsionada pelos preços dos transportes que registaram um aumento de 4,79 por cento “em virtude da ascensão dos preços da gasolina”, explicou a DSEC. Outra área onde os consumidores sentiram que a vida ficou mais cara foi na alimentação e bebidas não alcoólicas, com um aumento generalizado dos preços de 1,19 por cento. Este crescimento foi explicado com “a subida dos preços das refeições adquiridas fora de casa e de ‘take-away’”.

Também os preços de “produtos e serviços diversos”, como produtos para cuidados pessoais, seguros, relógios e joalharia apresentaram um aumento de 3,56 por cento. Ao mesmo tempo, os preços das roupas e de calçado tiveram um crescimento de 2,91 por cento.

Em termos mensais, entre Abril e Maio, houve uma inflação de 0,17 por cento, com a DSEC a destacar que no espaço de um mês os preços do vestuário e calçado aumentaram 1,29 por cento. Quando a variação dos preços é medida tendo em conta o período de 12 meses terminado em Maio deste ano, ou seja, entre Junho de 2025 e Maio deste ano, a inflação foi 0,71 por cento.

23 Jun 2026