Comércio | Song Pek Kei quer mais apoios

A deputada Song Pek Kei apelou ontem ao Governo que promova o prolongamento do Grande Prémio do Consumo para apoiar o mercado local. A posição foi tomada numa intervenção antes da ordem do dia, no Plenário da Assembleia Legislativa.

Na intervenção, Song começou por traçar um cenário de dificuldades no comércio local: “Devido aos múltiplos impactos decorrentes da fuga de consumo, da economia de internet e da mudança do consumo, a economia comunitária de Macau já não é tão próspera como antes”, apontou. “O espaço de negócios das lojas físicas está cada vez mais estreito, a pressão sobre a exploração está a aumentar, as oportunidades para ganhar dinheiro são menores, as empresas que se conseguem aguentar estão numa situação muito difícil, e muitas empresas até optam por fechar os seus negócios por sofrerem prejuízos consideráveis, por isso, há muitas lojas desocupadas em Macau”, descreveu.

Neste ambiente difícil, Song pediu mais medidas de apoio ao consumo dos residentes para promover a economia interna de Macau. “O Governo da RAEM deve, se as condições financeiras permitirem, estudar o lançamento de novos planos de subvenção no consumo […] no sentido de aumentar os planos de subvenção e benefícios específicos para produtos electrónicos, electrodomésticos, refeições, etc., com o objectivo de continuar a estimular a economia comunitária, estabilizando a confiança no desenvolvimento social”, apelou.

26 Nov 2025

Jogo | Pereira Coutinho pede maior aposta face a concorrência regional

Apesar dos esforços de diversificação económica, José Pereira Coutinho alertou as autoridades para o desenvolvimento do sector jogo, para que a indústria não seja ultrapassada pela concorrência regional. O aviso do deputado ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) foi deixado numa intervenção na Assembleia Legislativa.

“Devido à excessiva dependência de uma única indústria, o Governo de Macau tem continuado a trabalhar na diversificação económica com objectivo de criar e aumentar outras receitas de provenientes de distintas actividades económicas para cobrir o constante aumento anual da despesa pública. Mas este trabalho não tem sido fácil”, indicou Coutinho. “As receitas públicas da RAEM continuam a ser desproporcionalmente provenientes da indústria do jogo, representando cerca de 86,2 por cento do total arrecadado entre Janeiro e Julho de 2025”, apontou.

Por isso, o legislador alerta que não vai ser difícil encontrar fontes alternativas de receitas, pelo que é necessário não esquecer os cuidados a ter com a indústria do jogo. “O Governo de Macau deve esforçar-se na implementação de políticas que permitam aumentar a competitividade da indústria do jogo face à elevada concorrência proveniente das regiões adjacentes que funcionam em condições muito mais vantajosas quer no âmbito fiscal quer no pagamento das comissões”, vincou.

26 Nov 2025

Violência doméstica | Mulheres querem mudanças na lei

Depois de na década passada ter contribuído para chumbar a criminalização da violência doméstica, Wong Kit Cheng veio ontem defender uma revisão da legislação em vigor. A deputada das Mulheres escusou-se a indicar que aspectos devem ser melhorados, mas delegou essa tarefa para “os serviços públicos”, a quem pediu que se conciliem com associações locais para detectarem os pontos que devem ser melhorados.

Sobre o fenómeno, Wong indicou que as ocorrências têm diminuído de forma consistente em Macau, mas alertou que há casos envergonhados, em que os membros do casal não fazem queixa devido à cultura tradicional de manter os problemas domésticos dentro de portas. Segundo a deputada, também há situações em que não é apresentada queixa, porque as vítimas têm receio de ficar sem a custódia dos filhos em caso de divórcio.

Publicidade e Saúde | | Votadas duas propostas de lei na generalidade

A agenda do debate de ontem no hemiciclo pautou-se também pela aprovação de duas propostas de lei na generalidade, nomeadamente a Lei da Publicidade e Lei da actividade das instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde. No que diz respeito ao diploma sobre a publicidade, o secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip disse que a “indústria publicitária é uma componente importante das actividades comerciais e económicas modernas”, e que havia necessidade de reformar um diploma de 1989, estando, portanto, em vigor há mais de 35 anos.

“Com a mudança das actividades económicas em diversos sectores e a inovação no desenvolvimento nas tecnologias de informação, o modelo de negócio, as formas de divulgação e os tipos de meios de comunicação social, entre outros, utilizados actualmente na publicidade, sofreram alterações significativas”, lembrou o secretário.

Habitação | Pedida revisão da política de ‘cinco classes’

Leong Hong Sai defende a necessidade de rever a política de habitação, que considera que está a ser ultrapassada pela realidade. Numa intervenção antes da ordem do dia na Assembleia Legislativa, o deputado dos Moradores indicou que a diferença nos preços entre a habitação privada e a habitação económica é cada vez menor. À luz deste desenvolvimento, Leong indica que pode deixar de fazer sentido apostar na habitação intermédia, que supostamente iria apresentar preços intermédios entre as outras duas classes de habitação. “Face ao impacto do ambiente macroeconómico [no mercado de habitação], muitos residentes consideram ser oportuno proceder a ajustamentos à política actual das ‘cinco classes de habitação’” defendeu.

“Ao mesmo tempo, a diferença de preços entre a habitação económica e a habitação privada está a diminuir, o que torna o problema da ‘habitação para a classe intermédia’ cada vez mais evidente. Tendo em conta as mudanças socioeconómicas registadas no período pós-epidemia, a política das ‘cinco classes de habitação’ deve ser redefinida, de forma a acompanhar a evolução da sociedade”, acrescentou.

26 Nov 2025

Casinos-Satélite | Fortuna fecha portas a 10 de Dezembro

A informação começou a circular ontem após a empresa que explora o espaço ter revelado que os contratos dos trabalhadores vão ser extintos a partir dessa data

O casino-satélite Fortuna, integrado no hotel com o mesmo nome, vai encerrar as portas as 10 de Dezembro, de acordo com a informação divulgada ontem pelo portal GGR Asia. A notícia tem por base uma comunicação interna da empresa responsável pela exploração do espaço, a Kou Seng Holdings, a avisar os trabalhadores que vão ser despedidos.

O casino é gerido ao abrigo de um acordo de exploração entre a concessionária SJM Resorts e a Kou Seng Holdings. No passado dia 20 de Novembro, a Kou Seng divulgou um aviso a informar que vai “rescindir formalmente os contratos de trabalho com todos os funcionários no mesmo dia” do encerramento do espaço de jogo.

No alerta, é ainda indicado que a “compensação” pelos despedimentos vai ser calculada de acordo com a Lei das Relações de Trabalho, com o último salário e a compensação a serem pagos “até 26 de Dezembro de 2025”.

O despedimento deverá afectar apenas os trabalhadores residentes e não-residentes empregados directamente pela Kou Seng Holdings. Isto porque em relação aos trabalhadores do casino empregados pela SJM Resorts os postos de trabalho deverão ser salvaguardados.

Anteriormente, as concessionárias de jogo de Macau comprometeram-se com o Governo a absorver os trabalhadores afectados pela extinção dos postos de trabalho, na sequência do encerramento dos casinos-satélites. No entanto, em muitos casos os trabalhadores têm de aceitar posições muito diferentes das que desempenhavam no espaço a encerrar.

Mudança da lei

O encerramento dos casinos-satélites acontece três anos depois de a Assembleia Legislativa ter aprovado uma nova lei do jogo que obriga todos estes espaços a fechar portas ou a passarem a ser explorados directamente pelas concessionárias. A proposta da medida que vai extinguir milhares de empregos partiu do Governo.

O encerramento do Casino Fortuna a 10 de Dezembro vai fazer com que restem apenas dois casinos-satélites em Macau, ambos com acordo com a SJM Resorts, o Casino Landmark e o Casino Kam Pek Paradise.

Também na semana passada, foi tornado público que o Casino Ponte 16 vai encerrar, depois de inicialmente a SJM Resorts ter revelado a intenção de o comprar. No entanto, o acordo não foi alcançado e as portas do casino vão fechar a 28 de Novembro.

25 Nov 2025

Desporto | Macau assina acordo com Governo Central, Cantão e Hong Kong

O Executivo de Sam Hou Fai promete implementar o acordo e seguir a “orientação da Administração Geral de Desporto do Estado”. A parceria visa a organização de eventos, formação de quadrados, e implica a “partilha de recursos”

Um acordo para servir a “estratégia global do Estado”. Foi desta forma que o Governo de Macau comunicou a nova parceria desportiva com a Administração Geral de Desporto do Estado, o Governo Popular da Província de Guangdong e o Executivo de Hong Kong.

De acordo com os objectivos indicados, o acordo “visa promover, de forma contínua, o desenvolvimento integrado do desporto entre os três locais [Guangdong, Hong Kong e Macau], sendo também uma exploração com acções práticas para maximizar as funções únicas e os valores pluralistas do desporto”.

Foi também explicado que a parceria vai “fortificar” o “intercâmbio e a cooperação entre o Interior da China e as regiões de Hong Kong e Macau em diversos domínios” como o desporto competitivo, desporto para todos, indústrias desportivas, desporto juvenil, governança desportiva internacional, ciências e tecnologias desportivas, cultura desportiva e assuntos jurídicos no desporto”.

A parceria vai ser implementada através de “projectos-pilotos conjuntos na Grande Baía” com “a partilha de recursos”, o que poderá significar que Macau vai investir fundos públicos no Interior da China, disponibilizar a utilização de instalações, organizar competições e formar quadros qualificados. As autoridades acreditam que assim podem impulsionar “o desenvolvimento integrado do desporto entre os três locais, a um nível mais elevado, num âmbito mais alargado e numa visão mais ampla, servindo a estratégia global do Estado”.

Jogos Nacionais

O acordo foi divulgado ontem, mas assinado a 21 de Novembro, na sequência da organização conjunta da 15.ª edição dos Jogos Nacionais entre Guangdong, Hong Kong e Macau. Em relação aos objectivos, o comunicado do Governo de Macau garante agir “sob a orientação da Administração Geral de Desporto do Estado” e em conjunto com as partes de Guangdong e Hong Kong.

O Governo de Sam Hou Fai prometeu ainda “implementar de modo integral o conteúdo do acordo”, apoiar “o desenvolvimento do desporto” e promover “a cooperação no sector”. “Irá também aproveitar as oportunidades, utilizando as competições como elo de ligação a fim de aprofundar continuamente a colaboração e a sinergia com Guangdong e Hong Kong nas áreas da cultura e do desporto, alcançar uma cooperação regional mais estreita, criar uma ecologia industrial mais dinâmica e promover uma identidade cultural mais forte”, foi acrescentado.

25 Nov 2025

Sam Hou Fai destaca segurança nacional como caminho do futuro

O Chefe do Executivo destacou que a RAEM tem de “defender firmemente a soberania, a segurança e os interesses do desenvolvimento do país” nos próximos anos, de forma a concretizar o “espírito da Quarta Sessão Plenária do 20.º Comité Central do Partido Comunista da China”. As declarações foram prestadas no sábado, num encontro que decorreu nas instalações do Fórum Macau.

No discurso de encerramento do evento, Sam Hou Fai sublinhou ainda a necessidade de desenvolver “Macau em todos os aspectos”, objectivo que referiu apenas ser possível se a sociedade souber “identificar correctamente, gerir adequadamente e procurar activamente mudanças”.

Além da segurança, o Chefe do Governo indicou que o espírito da sessão plenária do Comité Central passa por “promover o espírito patriótico, dinamizar a vitalidade social e elevar a eficiência da governação de acordo com a lei”.

Neste sentido, prometeu “reforçar os mecanismos de colaboração com as associações que amam a pátria e Macau, consolidando assim o seu alicerce de administração em prol das comunidades sociais de bases”. Em relação às associações, o Governo espera que sejam pontes de comunicação de ideias entre o Executivo e a sociedade.

Procurar mais amigos

Como terceiro aspecto, Sam Hou Fai indicou a necessidade de “agarrar de forma proactiva as oportunidades decorrentes do desenvolvimento, promovendo a diversificação adequada da economia e o desenvolvimento sustentável da sociedade de Macau”.

O Chefe do Executivo não esqueceu as campanhas para envolver a RAEM no panorama mundial ao contribuir para a construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, a participação na iniciativa Uma Faixa, Uma Rota, e o fortalecimento das “interligações com o interior e o exterior”. Estas foram as vias apresentadas para alargar “o ‘círculo de amigos’ internacionais” de Macau e assumir “o papel de ‘interlocutor com precisão’ entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola”.

24 Nov 2025

Cultura | Tensões entre China e Japão adiam reunião em Macau

Estava agendada para hoje em Macau uma reunião das “Cidades de Cultura da Ásia Oriental” com ministros da China, Coreia do Sul e Japão. No entanto, a iniciativa foi cancelada por Pequim, devido à crescente tensão com o Japão, após declarações da primeira-ministra japonesa

A reunião em Macau entre os ministros da Cultura da China, Japão e República da Coreia, que originalmente estava agendada para hoje, foi adiada, sem que tenha sido marcada nova data. O anúncio foi feito na quinta-feira, pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, citado pela Xinhua.

De acordo com a informação da agência estatal, o porta-voz chinês afirmou “que uma líder japonesa fez, de forma aberta, declarações altamente erradas sobre Taiwan, o que feriu os sentimentos do povo chinês, desafiou a ordem internacional do pós-Segunda Guerra Mundial e minou a base e o ambiente para a cooperação entre China, Japão e República da Coreia”.

Mao Ning disse ainda que as declarações da “líder japonesa” levaram “a uma situação em que ainda não há condições para realizar a reunião”.

Embora a Xinhua não identifique a “líder japonesa”, a visada é Sanae Takaichi, primeira-ministra do Japão. A primeira mulher a liderar o Executivo do país do sol nascente afirmou, a 7 de Novembro, no parlamento, que um ataque do Interior à Ilha de Taiwan seria encarado no Japão como uma situação que “ameaçaria a sobrevivência” do país.

Em resposta, Xue Jian, cônsul-geral da República Popular da China em Osaka, escreveu uma publicação na rede social X a indicar que “não havia outra escolha que não fosse cortar sem hesitação o pescoço imundo que se intrometeu” nos assuntos chineses. A publicação acabou por ser apagada, após um protesto diplomático do Japão.

Tensão crescente

Face ao incidente diplomático, o Governo da China passou a exigir a Sanae Takaichi que se retrate publicamente das declarações prestadas no parlamento japonês, o que tem sido recusado.

Sem o recuo japonês, a China lançou um alerta de segurança sobre as viagens turísticas, que foi acompanhado pelos governos de Macau e Hong Kong. O Interior não se ficou pelo alerta para turistas e obrigou companhias de aviação a cancelar voos para os Japão, agências de viagens a cancelar as estadias em hotéis, bloqueou novamente as importações de marisco japonesas, adiou a entrada de filmes japoneses no mercado interno e lançou um alerta para os estudantes que pretendem estudar no Japão.

O encontro previsto para hoje em Macau visava promover “o intercâmbio e a aprendizagem mútua” entre os três países e foi apresentado como uma selecção das “Cidades de Cultura da Ásia Oriental”, entre as quais se inclui Macau. No portal do Governo da RAEM dedicado ao evento era igualmente apontado que o encontro era “visto como uma realização relevante para a humanidade” e “uma marca de cooperação cultural na Ásia Oriental”.

24 Nov 2025

Melco | Mocha encerra e DICJ promete proteger trabalhadores

O espaço de jogo Mocha Hotel Grand Dragon vai ser encerrado na próxima segunda-feira. A DICJ garante ir tomar medidas juntamente com a Melco para proteger os 44 postos de trabalho locais. Os comunicados da concessionária e das autoridades ignoraram os postos de trabalho dos não residentes

A concessionária Melco Resorts anunciou o encerramento do espaço Mocha Hotel Grand Dragon às 23h59 de 24 Novembro. A informação foi divulgada ontem, através de um comunicado, e confirmada pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), minutos depois, onde se promete acompanhar o vínculo laboral dos 44 trabalhadores locais afectados.

“Os procedimentos de encerramento são implementados em conformidade com a legislação da RAEM e a Melco continua a trabalhar em estreita colaboração com a Direcção dos Serviços de Inspecção e Coordenação dos Jogos para garantir que todas as etapas dos procedimentos de encerramento são concluídas de forma ordenada”, foi garantido, em comunicado, pela empresa. “Todas as máquinas de jogo electrónicas do Mocha Grand Dragon Hotel serão realocadas para outros casinos da Melco, conforme aprovado pela DICJ”, foi acrescentado.

A Melco revelou ainda que “continua empenhada em garantir o emprego dos residentes locais”, pelo que todos os trabalhadores locais vão ter novos postos de trabalho em outros casinos ou em novas funções. A concessionária é responsável pelos casinos nos hotéis City of Dreams, Studio City e Hotel Altira.

A situação dos trabalhadores não residentes não foi abordada, como tem acontecido com o encerramento dos casinos-satélites, pelo que deverão ser despedidos por extinção do posto do trabalho.

A acompanhar

Por sua vez, a DICJ considerou que a decisão da Melco de encerrar o espaço de jogo se deveu ao fim “do período transitório de três anos concedido aos casinos-satélite” e por ter tido “em conta a situação das suas actividades”.

Todavia, a DICJ prometeu “supervisionar rigorosamente os procedimentos de encerramento da referida sala de máquinas de jogo, assegurando deste modo que o encerramento decorre de forma estável e ordenada, e que todos os procedimentos legais são devidamente cumpridos”.

Sobre os 44 trabalhadores do espaço de jogo, a DICJ promete “manter uma estreita comunicação com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, no sentido de assegurar o cabal cumprimento da proposta referida por parte da Melco”, no que diz respeito à “recolocação” dos trabalhadores e ao cumprimento das “garantias quanto a remunerações, regalias e condições de trabalho”.

A DICJ prometeu ainda assegurar o “desenvolvimento saudável e ordenado do sector do jogo de Macau” em conjunto com “as concessionárias de exploração de jogos de fortuna ou azar e com os serviços competentes”.

20 Nov 2025

Espectáculos | Pedidas medidas para combater especulação

O deputado ligado à ATFPM, Che Sai Wang, afirma que é cada vez mais difícil comprar bilhetes para espectáculos em Macau, denuncia que as burlas estão a crescer, e apela ao Governo para obrigar as plataformas de venda a serem mais transparentes

Che Sai Wang pretende saber se as autoridades vão aproveitar os Jogos Nacionais e implementar medidas para controlar a especulação dos bilhetes para espectáculos e grandes eventos. O assunto foi abordado pelo deputado ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), através de uma interpelação escrita.

Na perspectiva do legislador, “nos últimos anos, Macau tem cultivado activamente o seu estatuto de ‘Cidade das Artes’ e ‘Cidade do Desporto’”. Como parte desta estratégia, Che indica que os “concertos e eventos desportivos com nível internacional a ganharam cada vez mais espaço na região”, pelo que há uma cada vez maior “expectativa do público”. “Os cidadãos esperam que o apoio político eleve o nível dos eventos em Macau”, apontou.

No entanto, com este “desenvolvimento” surgiu “um flagelo crescente de revenda e fraude de bilhetes”: “Os bilhetes oficiais esgotam instantaneamente, e os canais do mercado secundário cobram preços exorbitantes, ao mesmo tempo que proliferam os bilhetes falsificados ou fraudulentos”, explicou Che. “A frustração e a desconfiança dos residentes por não conseguirem garantir bilhetes na sua própria cidade têm vindo a intensificar-se”, acrescentou.

Che Sai Wang indica ainda que as notícias na comunicação social, assim como os relatos policiais, mostram que há cada vez mais crimes online que “envolvem transacções fraudulentas, não entrega dos bilhetes após as compras e falsificação de códigos QR de entrada”, o que prejudica “gravemente a imagem de Macau”.

Novos desafios

Ao mesmo tempo, o deputado explica que com a digitalização da venda de bilhetes, através da Internet, surgiram novos desafios, que a legislação nem sempre acompanha como “aquisição de bilhetes por bots online”, “maior responsabilização das plataformas de venda” ou a existência de “canais não oficiais de venda”.

Che pede assim uma nova lei para regular directamente a venda de bilhetes online e para impor exigências legais para as plataformas de venda, que incluam limites máximos sobre o preço de revenda, mas que também levem à aplicação de pesadas multas, nos casos em que se permite que bots ou utilizadores acumulem grandes quantidades de bilhetes, apenas para revenda.

De acordo com a legislação em vigor, os bilhetes para os espectáculos não podem ser vendidos a um preço superior ao que consta no ingresso. Os infractores estão apenas sujeitos a multas.

No entanto, como o problema começa muitas vezes nas plataformas de venda, Che exige também maior “transparência da informação”, com os vendedores a serem obrigados a revelar “a proporção de bilhetes atribuídos a cada canal de venda” e as “regras de reembolso”.

20 Nov 2025

Sam Hou Fai espera que estudo dê respostas para enfrentar redução da natalidade

O Chefe do Executivo espera que um estudo que está a ser realizado pelo Governo vá gerar as respostas necessárias para lidar com a redução da taxa da natalidade da RAEM. A esperança foi deixada ontem na Assembleia Legislativa, quando respondia às perguntas de Loi I Weng e Wong Kit Chan, ambas apoiadas pela Associação das Mulheres.

Quando foi questionado sobre a quebra da natalidade em Macau, Sam Hou Fai começou por indicar que não é um problema exclusivo da RAEM, mas antes do mundo desenvolvido. “Há semanas li uma notícia no jornal Cheng Pou, que a redução da natalidade é uma questão mundial, que não acontece apenas em Macau. […] Temos de entender o nível dos custos de cuidar dos filhos. Existe um problema. Mas como podemos incentivar os jovens a ter filhos? É um problema mundial e todos temos de pensar. O problema é mais grave no estrangeiro, nos países do Ocidente, apesar dos fortes apoios sociais”, afirmou. “Por isso, como é que vamos lidar com o problema? Requere o esforço de todos para incentivar os jovens a terem mais crianças”, destacou.

O Chefe do Executivo afirmou depois que está a ser realizado um estudo sobre a quebra da natalidade, que deverá ser apresentado, mais tarde, pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam. Sam Hou Fai destacou ainda o lançamento neste ano da medida de assistência à natalidade, com o pagamento de 18 mil patacas por ano às crianças com menos de três anos.

Escolas com mudanças

O Chefe do Executivo admitiu também que a redução da natalidade vai ter um impacto junto das escolas locais e dos docentes. Quanto às instituições de ensino, Sam afirmou que o Governo vai preparar subsídios para as escolas com turmas com menos de 25 alunos, no que diz respeito aos jardins-de-infância.

Em relação aos docentes, o líder do Governo alertou que vão ter de pensar em diversificar a sua formação e preparar-se para ensinarem em diferentes áreas, dando como exemplo a transição de carreira do ensino tradicional para cursos no âmbito do aperfeiçoamento contínuo.

20 Nov 2025

Emprego | Sam Hou Fai avisa que Governo só vai ajudar residentes com vontade de trabalhar

O Chefe do Executivo avisa a população que o Governo só tem capacidade para ajudar os trabalhadores que querem trabalhar. E em Macau, tal como em todo o mundo, também há desempregados que não querem trabalhar, alerta Sam Hou Fai

Ao abordar a questão da promoção do emprego, Sam Hou Fai avisou ontem que o Governo só vai conseguir ajudar os residentes que pretendem trabalhar. Foi desta forma que o Chefe do Executivo respondeu à deputada Ella Lei I Cheng, quando esta perguntou por medidas específicas para promover o emprego.

“As pessoas que pretendem procurar um trabalho, os recém-formados à procura de emprego, e os que aguardam uma nova colocação profissional têm de ter vontade para trabalhar”, começou por afirmar o Chefe do Executivo. “Se não tiverem vontade para trabalhar, o Governo não vai conseguir ajudá-los”, acrescentou.

Diante dos deputados, Sam Hou Fai apontou também que é comum em todos os países e regiões que existam pessoas que simplesmente não querem trabalhar. E esses não vão ter o apoio do Governo: “Em todo o mundo há sempre pessoas que têm capacidade para trabalhar, mas que não querem trabalhar”, sentenciou. Todavia, o líder do Governo prometeu apoio aos residentes mais esforçados: “As pessoas que pretendem ter um emprego, que têm vontade, mesmo sem capacidade, a essas podemos ajudá-las com formação”, indicou.

Ainda assim, Sam Hou Fai alertou a população local que tem de aceitar que há certos trabalhos que não tem capacidade para fazer, e que em todas as economias é normal contar com mão-de-obra de fora em certas áreas. “Há trabalhos que os locais não conseguem fazer. Nesse aspecto temos de ser pragmáticos, porque se não tivermos pessoas capazes nessas áreas vai haver um impacto na economia”, justificou.

Mais locais

Em relação à política laboral, Sam Hou Fai afirmou que a aposta vai continuar a passar por dar prioridade ao emprego dos residentes. E, tal como fez no discurso de terça-feira, avisou as concessionárias do jogo, as instituições financeiras e as universidades que devem dar prioridade no emprego aos residentes de Macau.

Ainda assim, Sam Hou Fai elogiou o esforço das concessionárias de jogo na contratação de residentes locais, ao indicar que 80 por cento da mão-de-obra é residente de Macau. O Chefe do Executivo reconheceu ainda que ao longo do próximo ano se esperam alterações da legislação laboral, mas que é fundamental manter a taxa de desemprego nos níveis actuais.

Em relação aos direitos laborais, Sam Hou Fai vincou que actualmente a Assembleia Legislativa está a discutir o aumento do ordenado mínimo, que deve entrar em vigor no próximo ano, e que em 2027 se espera uma nova revisão do valor.

20 Nov 2025

HIV | Novos casos em residentes crescem 55,6%

Entre Janeiro e Setembro, registaram-se 28 novos casos infecção pelo VIH, 14 dos quais em residentes e 14 em não-residentes. As infecções de residentes revelam um aumento significativo face aos nove casos do período homólogo

Entre Janeiro e Setembro, os Serviços de Saúde registaram 28 novos casos infecção pelo VIH. Os dados foram apresentados no âmbito da mais recente reunião da Comissão de Luta Contra a SIDA.

Entre os 28 novos casos confirmados, os SS indicaram que 14 foram identificados em residentes de Macau e outros 14 em não-residentes. “Entre os novos casos confirmados em residentes de Macau, todos são do sexo masculino, sendo que 50 por cento tinham idades compreendidas entre os 18 e os 39 anos e 50 por cento tinham 40 ou mais anos”, foi comunicado.

De acordo com a informação apresentada, 13 dos casos resultaram de relações homossexuais ou bissexuais, enquanto um dos casos indicou ter resultado de relações sexuais heterossexuais. “Todos os novos casos foram encaminhados para o Centro Hospitalar Conde de São Januário para acompanhamento e, actualmente, a taxa de tratamento e controlo dos residentes de Macau ultrapassa os 90 por cento”, foi acrescentado.

O número apresentado na reunião deste ano da Comissão de Luta Contra a SIDA mostra que o número de casos de infecção pelo VIH em residentes locais está a subir. Em comparação, entre Janeiro e Setembro, tinham sido confirmados nove casos entre residentes, o que significa que ao longo deste ano houve um aumento de 55,6 por cento a nível dos novos casos. No comunicado do ano passado, não havia referência a não residentes infectados.

Os dados ainda estão abaixo do verificado em 2023, quando 17 residentes foram registados como novos casos de infecção de HIV. Em 2022, o número de novos casos tinha sido de 14.

Seringas sem casos

Os Serviços de Saúde deixaram ainda um apelo para que todos os residentes que nunca fizeram um teste de despistagem do HIV tomem essa iniciativa. Nos casos em que há comportamentos de risco, a recomendação é que o façam regularmente uma vez por ano.

Todos os casos registados nos primeiros nove meses do ano, resultaram de contactos sexuais. No comunicado dos Serviços de Saúde foi deixado claro que “desde 2015 […] não se verificou nenhum novo caso de residentes de Macau infectados pelo vírus da SIDA devido à partilha de seringas entre os toxicodependentes”.

Ainda assim, entre Janeiro e Setembro, 89 pessoas receberam tratamentos com metadona, com uma taxa de presença de 82 por cento. Foi ainda revelado que desde Agosto de 2020 houve 40 toxicodependentes encaminhados para o Centro Hospitalar Conde de São Januário para receberem tratamento contra a Hepatite C.

19 Nov 2025

LAG 2026 | Economia: Diversificação ainda sem resultados de fundo

Na conclusão do discurso na Assembleia Legislativa, o Chefe do Executivo reconheceu que a diversificação económica ainda não produziu os resultados esperados e pediu à sociedade que se prepare para uma nova realidade.

“Presentemente, o desenvolvimento socioeconómico de Macau continua a enfrentar diversos riscos e desafios, especialmente na sua estrutura económica singular ainda não apresenta alterações de fundo, o que se traduz na capacidade insuficiente de resistência a riscos”, afirmou Sam Hou Fai. “Assim sendo, toda a sociedade deve compreender correctamente a conjuntura, preparar-se para as adversidades em tempo prósperos, reforçar a capacidade de identificação de situações de crise e o sentido de precaução”, atirou.

Apesar deste cenário, Sam Hou Fai anunciou a criação de dois fundos com capitais da RAEM, e que vão ser geridos “por uma equipa profissional” para financiar projectos e empresas com negócios considerados chave para a diversificação. O montante inicial dos fundos não foi revelado, mas o Chefe do Executivo indicou que os investimentos visam “acelerar a formação e desenvolvimento das indústrias emergentes prioritárias”.

Cooperação Judiciária | Esperado acordo com Portugal

Ao longo do ano, o Governo da RAEM espera começar as negociações e concluir acordos com vista à cooperação judicial. E uma das partes mencionadas por Sam Hou Fai foi Portugal. “Assinar-se-ão ou estabelecer-se-ão negociações para celebrar acordos de cooperação judiciária com as Filipinas, Angola, a Indonésia, a Tailândia e Portugal”, afirmou o dirigente. Os conteúdos das negociações e o andamento dos trabalhos não foi indicado.

Hengqin | Pataca testada em programa-piloto

A partir deste ano, o Governo espera que o programa-piloto sobre a utilização da pataca na Zona de Cooperação Aprofundada possa ser estendido a toda Hengqin. Actualmente, os pagamentos em patacas em Hengqin estão limitados ao Novo Bairro de Macau na Ilha da Montanha. No entanto, o cenário vai ser alterado: “Procurar-se-á ampliar o âmbito do projecto-piloto de actividades de aquisição em moeda dupla, estendendo-o desde o ‘Novo Bairro de Macau’ até às lojas localizadas em toda a Zona de Cooperação”, foi prometido.

19 Nov 2025

AL | Anunciadas mudanças na contratação de não residentes, nas férias e na licença de maternidade

O “cheque” vai manter-se inalterado nas 10 mil patacas para residentes permanentes e 6 mil patacas para não permanentes. Também o salário dos funcionários públicos não sofre alterações. As associações vão ter uma nova lei para impor políticas nacionalistas, e o Governo vai fundir vários serviços

Um novo mecanismo para regular a contratação de trabalhadores não residentes, mudanças no número de dias férias e também na licença de maternidade. Foram estas algumas das principais alterações anunciadas ontem por Sam Hou Fai, durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa para 2026, que voltam a definir como prioridade a segurança nacional.

Sem anunciar alterações no plano de comparticipação pecuniária, nem aumentos para os vencimentos na função pública, Sam Hou Fai afirmou que as políticas para o bem-estar da população vão seguir os princípios de “fazer o melhor possível”, “actuar dentro das capacidades”, “prestar apoio com precisão” e “descentralizar os recursos”.

E sem grandes novidades nos apoios públicos, o Executivo de Sam Hou Fai vai focar-se essencialmente em alterar a legislação laboral aplicável ao sector privado. A primeira grande mudança prometida, passa por alterar a lei para a contratação de trabalhadores não residentes. As alterações foram justificadas com o “fim de exercer, de melhor forma, um controlo e ajustamento dinâmicos do número de trabalhadores não residentes”. Os contornos das alterações não foram, no entanto, revelados.

Sam Hou Fai avisou também as empresas que “desde que os residentes locais sejam capazes e estejam dispostos, devem ser prioritariamente contratados” e que no futuro haverá mais campanhas contra o trabalho ilegal.

Ainda no que diz respeito à contratação de trabalhadores locais, o líder do Governo indicou que as obras e serviços de adjudicação pública têm de ter mais trabalhadores locais. O Executivo também espera das instituições financeiras e das instituições de ensino superior “a libertação de mais postos de trabalho para os residentes de Macau”.

Em relação ao mercado laboral, Sam Hou Fai prometeu a revisão da licença de maternidade, actualmente nos 70 dias, e do período de férias, actualmente de seis dias por ano. A compensação por despedimento também deverá sofrer alterações, com a revisão do montante máximo da remuneração de base mensal, que actualmente é de 21.500 patacas.

Segurança Nacional no centro

Como aconteceu nas primeiras Linhas de Acção Governativa de Sam Hou Fai, as questões da segurança nacional voltaram a ser definidas como a principal prioridade.

A grande novidade passa por uma nova lei que vai colocar o nacionalismo no centro da actividade das associações locais: “O Governo da RAEM irá continuar a reforçar o mecanismo de interacção e colaboração com as associações de amor pela pátria e por Macau, unindo e mobilizando todas as forças e iniciativas possíveis, optimizar-se-á a legislação existente relativa às associações, planeando e orientando o estabelecimento de associações para promover o desenvolvimento contínuo saudável da RAEM”, afirmou o líder de Macau.

Ao mesmo tempo, vai ser criado um Grupo de Trabalho para a Coordenação da Educação Patriótica dos Jovens para elaborar um “plano geral” para a educação sobre a segurança nacional, com mais programas curriculares e materiais didácticos nas escolas, que vão desde o ensino básico ao superior.

O funcionamento da Comissão de Defesa do Estado da RAEM vai também ser alterado, com uma lei própria, para reforçar “a estrutura de topo do sistema de defesa de segurança nacional”.

Fusão de Serviços

Ao longo deste ano, o Governo vai continuar a avançar com a reorganização das funções dos serviços, com alterações como a integração da Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro (DSCC) na Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU). Sam revelou também que a DSSCU vai ser a principal responsável pelas políticas sobre a renovação urbana.

A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) sofrerá também uma reestruturação ao ser fundida com o Conselho de Consumidores e o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia. Já a fusão do Instituto Cultural com o Fundo de Desenvolvimento da Cultura e do Instituto do Desporto foi igualmente confirmada. Também a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) será alvo de reestruturação.

Não só os serviços vão ter alterações, mas o Executivo espera continuar a executar os planos para controlar o número de contratações para a função pública, dando prioridade às transferências internas para suprir faltas de pessoal.

19 Nov 2025

GP Consumo | Fim de iniciativa ameaça negócios

Com o programa de incentivo do consumo do Governo a chegar ao fim este mês, vários comerciantes admitem temer pelo impacto nas vendas, que em alguns casos pode atingir os 50 por cento

Com o aproximar do fim da iniciativa “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias”, os comerciantes temem perder até 50 por cento do volume actual de negócios. O cenário foi traçado por alguns comerciantes em declarações ao jornal Ou Mun.

O esquema de incentivo ao consumo que atribui vales de desconto termina no final do mês, e, face a esta realidade, o responsável de um supermercado contou à publicação em língua chinesa que o estabelecimento se está a preparar para o pior. Na perspectiva do residente, que não foi identificado, espera-se uma redução de 50 por cento das compras no espaço.

O responsável recordou que no passado os clientes utilizavam os cupões principalmente em compras de bens de primeira necessidade, por exemplo, gel de banho, papel higiénico ou carne congelada. No entanto, como na semana passada a distribuição envolveu cupões de valor mais elevado, o consumo de bens não essenciais, como brinquedos, snacks ou bebidas alcoólicas cresceu cerca de 50 por cento.

Este aumento do volume de vendas tido como “repentino” foi atribuído ao pograma de incentivo ao consumo e acredita-se que vai desaparecer no final de Novembro. Por esta razão, o responsável aguarda a confirmação sobre a continuação de um apoio ao consumo semelhante, e defende a necessidade dos cupões de desconto serem de um valor superior, além de sugerir que a iniciativa abranja mais pessoas.

Grandes males, grandes remédios

O cenário traçado por um trabalhador de uma farmácia local foi muito semelhante, com a previsão de que as vendas venham a sofrer quebras de 30 a 40 por cento, com o final do programa.

O funcionário recordou que na primeira semana desta ronda do grande prémio para o consumo houve vários clientes a visitar a farmácia para adquirirem artigos domésticos e produtos para bebé mais caros, o que levou a uma ruptura do stock de fraldas e de leite em pó.

Os clientes confirmaram também que houve uma maior atribuição de cupões com os valores de 100 e 200 patacas, que só podem ser utilizados em compras no valor de 300 patacas e 600 patacas. O trabalhador da farmácia revelou ainda que muitos dos clientes preferem utilizar este dinheiro para guardarem nas contas pessoais naquela farmácia, que, mais tarde, pode ser utilizado para outras compras.

O responsável de um salão de cabeleireiro revelou também que a situação de carregamento das contas pessoais na sua loja é comum, o que permite aos clientes utilizar o montante mais tarde. O responsável confessou que nunca tinha pensado em criar um sistema de contas pessoais para o seu negócio, mas que devido ao elevado número de solicitações dos clientes teve de se adaptar. O responsável revelou ainda que como a sua loja tem recursos limitados, as contas pessoais são guardadas num caderno escrito à mão. Todavia, se houver mais uma ronda do programa, admite adquirir um sistema informático.

18 Nov 2025

Habitação para idosos | Ella Lei pede redução das rendas

Rendas mais baratas, continuidade dos descontos de 20 por cento para novos inquilinos e a resolução de problemas de ventilação e de qualidade da água. São estes os pedidos da deputada da (FAOM) para melhorar a qualidade de vida na habitação para idosos

Ella Lei defende que o Governo deve avançar com uma redução das rendas cobradas aos moradores das habitações para idosos. A posição da deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) foi tomada através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa.

Quando anunciou o preço do aluguer das habitações para idosos, o Executivo apontou que iria variar entre 5.410 e 6.680 patacas por mês. Contudo, meses depois, foi adoptada uma política de descontos no valor de 20 por cento sobre o preço total, o que levou a que as rendas fossem reduzidas para montantes entre 5.096 patacas e 5.344 patacas por mês na Zona A da habitação para idosos. Na Zona B, os descontos fazem com que as rendas sejam de 4.840 patacas e 5.040 patacas. Enquanto na Zona C, as rendas o preço com descontos é de 4.584 e 4.808 patacas por mês, e na Zona D entre 4.328 e 4.536 patacas por mês.

Os descontos anunciados vão vigorar durante seis anos para os arrendatários, mas apenas se os contratos de arrendamento forem assinados até o final deste ano.

No entanto, Ella Lei considera que o preço ainda é considerado elevado por muitos dos idosos e pede reduções: “Muitos dos moradores indicaram que o preço do aluguer continua relativamente alto e que representa um encargo financeiro significativo”, justifica a deputada. “Além disso, com a actual queda dos preços do arrendamento no mercado privado, os montantes cobrados na habitação para idosos podem fazer com que essa habitação deixe de ser tão atractiva”, acrescentou. Neste sentido, Lei quer saber se há espaço para reduzir os preços com base “nos preços do mercado privado” e nas “condições financeiras dos residentes”.

A deputada pretende igualmente saber se o actual desconto de 20 por cento vai continuar a ser oferecido aos idosos que se mudarem para as residências no próximo ano, ao contrário do que está actualmente previsto.

Apostas nas instalações

Citando os dados oficiais, a deputada indica que actualmente há cerca de 1.500 idosos nas residências. Contudo, Ella Lei aponta que existem questões a necessitar de intevenção, ao nível das condições das habitações: “Alguns idosos revelaram-me preocupações sobre as condições de vida na habitação para idosos, relacionadas com a necessidade de melhorar a ventilação dentro dos apartamentos, assim como a necessidade de melhorar a qualidade da água”, revelou a deputada.

“Foram também feitas sugestões de oferecer serviços de limpeza, uma vez que muitos idosos têm problemas de mobilidade, pelo que não conseguem chegar aos lugares mais altos das habitações, para fazerem as limpezas”, acrescentou. Além destes problemas, a deputada indica que os moradores pretendem que haja mais serviços médicos nas residências e uma rede de transportes mais adequada, para facilitar as deslocações. Por isso, a legisladora quer saber se o Governo pode responder a estas necessidades.

18 Nov 2025

Governo sem planos para abrir creches na Zona de Cooperação

Actualmente, o Governo da RAEM não tem planos para abrir creches na Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha, devido às diferenças legais e políticas. A explicação consta da resposta a uma interpelação da deputada Song Pek Kei. A legisladora ligada à comunidade de Fujian defendia a abertura de uma creche segundo os modelos de Macau em Hengqin, como forma de facilitar a vida aos residentes que vivem no outro lado da fronteira, mas preferem o modelo educativo de Macau.

Song considerava que a abertura de uma creche do outro lado da fronteira seria ainda uma forma para levar mais residentes a mudarem-se para Hengqin. No entanto, o Instituto de Acção Social (IAS) não mostrou abertura para avançar nesse sentido, explicou Chan Un Tong, director da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), responsável pela resposta à deputada.

“O IAS afirma que, considerada a diferença entre as disposições legais e políticas relativas à abertura de creches no Interior da China e em Macau, e, em particular, a existência de uma divergência significativa nos requisitos de construção e definição de espaços interiores e exteriores, o Governo da RAEM não tem, na presente fase, planos para estabelecer creches na zona”, foi explicado. “Entretanto, já existem na Zona de Cooperação jardins-de-infância privados que seguem as normas do Interior da China, oferecendo cuidado infantil para os residentes de Macau que vivem na zona”, foi acrescentado.

Aposta na integração

No entanto, foi garantido que o “Governo da RAEM manterá contacto regular com os serviços competentes da Zona de Cooperação para optimizar as respectivas medidas, promovendo e implementando a iniciativa no sentido da integração Macau-Hengqin”.

Como forma de promover a maior integração de Macau no Interior foi ainda indicado que o “Governo da RAEM continuará a prestar atenção às diferentes componentes de bem-estar social na Zona de Cooperação, de modo a proporcionar maior conveniência aos residentes de Macau que aí vivem”.

18 Nov 2025

Saúde Mental | “Educação Vermelha” é aposta para lidar com “adversidades”

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) quer promover ensinamentos sobre a Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa com deslocações às bases de educação patriótica para reforçar a capacidade de resistência dos mais jovens contra as adversidades do quotidiano

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) considera que a aposta na educação sobre o Partido Comunista Chinês permite aos jovens aprenderem a lidar com as adversidades. A explicação consta da resposta a uma interpelação do deputado Ho Ion Sang, que defendia o aprofundar dos valores nacionalistas entre os jovens, para responder aos problemas de saúde mental.

A chamada “Educação Vermelha” passa por visitas de estudo a “bases” criadas para contar a versão oficial de episódios considerados fundamentais para o Partido Comunista Chinês, como a Grande Marcha ou a luta contra a invasão japonesa.

A prática tornou-se frequente no Interior e agora, mais recentemente, também em Macau, sendo entendida pelas autoridades como uma forma de promover a saúde mental dos jovens. No âmbito desta política, o Governo garante que vai continuar a promover mais visitas.

“A DSEDJ organiza ainda o pessoal docente para participar em visitas de estudo às ruínas históricas da Guerra de Resistência contra a Agressão Japonesa ou a bases de ‘educação vermelha’, orientando os alunos a divulgarem as virtudes tradicionais da China, tais como o espírito de persistência, perseverança, autovalorização e disponibilidade para ajudar os outros, para que, no momento da transmissão desta cultura excelente, elevem a sua capacidade de resistência perante as adversidades”, foi justificado.

A DSEDJ destacou também que “aproveita, de forma activa, os ricos recursos da educação patriótica do Interior da China” para organizar e financiar diferentes projectos de promoção e aprendizagem sobre a “cultura tradicional excelente chinesa” e viagens de finalistas que contaram com mais de 20 mil participantes e tiveram como destinos as “bases nacionais de demonstração da educação patriótica” e as “bases nacionais de popularização científica”.

Além do nacionalismo

Para além da abordagem nacionalista ao problema da saúde mental dos jovens, a DSEDJ garante que o Governo tem implementado outras medidas, como a criação do “Grupo de trabalho para o acompanhamento da saúde mental e física dos jovens – Caminhar com amor”, que envolve “associações educativas, instituições de aconselhamento aos estudantes do ensino superior e associações juvenis”.

A DSEDJ assegura igualmente que existe uma rede de apoio aos jovens com problemas mentais e que foi elaborada uma “Tabela de Identificação da Saúde Mental dos Alunos” com orientações de trabalho e que foi dada formação nas instituições de ensino para se conseguir “identificar, atempadamente, as necessidades psicológicas dos alunos”.

A DSEDJ indicou ainda ter lançado material didáctico sobre a saúde mental e incentivado as escolas a realizarem, mensalmente, aulas dedicadas a estes assuntos.

18 Nov 2025

Roadsport | Badaraco subiu ao pódio em dia de aniversário, mas acabou penalizado

Em dia de aniversário, Badaraco recuperou de um 17.º até chegar ao segundo lugar do pódio. Horas depois da festa, chegou a má notícia, com uma penalização a relegá-lo para 15.º. Já Rui Valente foi colocado fora de pista, depois de recuperar várias posições

Em dia de aniversário, Jerónimo Badaraco subiu ao segundo lugar do pódio da prova do Roadsport Challenge, depois de ter arrancado de 17.º. No entanto, o pior chegou depois, quando os três primeiros, todos pilotos locais, foram penalizados e relegados na classificação geral, por ultrapassarem antes da linha de partida, após a saída do safety car, outros carros que se despistaram.

O macaense teve assim um revés ao ser relegado para 15.º, depois de uma corrida quase perfeita: “Foi muito injusto e acho que os stewards não sabem o que estão a fazer”, afirmou Jerónimo. “Acho que a decisão não foi transparente. Após a saída do safety car, vários pilotos bateram nas barreiras… claro que nós pensámos que eles não iam continuar em prova, após aquelas batidas e tivemos de ultrapassá-los”, explicou. “E mesmo que nós tivéssemos parado ou abrandado face aos despistes desses pilotos, íamos criar uma situação muito mais perigosa para todos, porque os carros atrás de nós seriam surpreendidos com a nossa travagem, pelo que haveria mais acidentes”, justificou.

Ainda assim, o macaense garantiu ao HM que a penalização não lhe ia estragar o dia: “Eu vou continuar a aproveitar o dia, subi ao pódio, bebi o champanhe, tirei as fotografias… Mais taça, menos taça, vou é continuar a celebrar”, garantiu entre risos.

Horas antes, Badaraco já havia explicado que subir ao pódio na Guia “é um sentimento diferente” que justifica “em 80 por cento” a sua opção de pilotar há 26 anos.

O piloto mostrou-se ainda satisfeito com a prova, por considerar que ninguém lhe pode tirar o mérito do que alcançou na pista, ao subir de 17.º para 2.º: “Antes da corrida pensei muito em como ia abordar a partida, para recuperar posições, e estava confiante num bom resultado. O mais importante foi não ter desistido, depois da qualificação, e não ter deixado de acreditar que era possível chegar ao pódio”, explicou o macaense. “Sei que o Circuito da Guia tem sempre muitas mudanças ao longo da corrida, há muitos safety cars e bandeiras amarelas, e sabia que tinha a experiência, e também a calma, para conseguir aproveitar as oportunidades”, realçou.

“Estragaram-me a corrida”

Por sua vez, Rui Valente desistiu e mostrou-se desiludido, devido ao que considerou um excesso do piloto que o tentou ultrapassar por dentro, na curva de acesso à estrada de São Francisco. “Não sei o que passou na cabeça do piloto que me tentou ultrapassar. Não consigo perceber como é que ele viu um espaço que simplesmente não existia!”, desabafou Valente. “Fui colocado fora de prova. Quando tentei fazer a curva, ele tocou-me e pronto, fiquei com a traseira danificada e tive de voltar à box para abandonar”, relatou.

Quando aconteceu o toque que colocou o final à corrida, Valente estava a circular entre os 10 primeiros, mesmo depois de um arranque menos conseguido, após a saída do primeiro Safety Car. Apesar deste aspecto, o macaense chegou a acreditar que era possível alcançar um resultado entre os cinco primeiros: “Eu estava com bom ritmo, estava confiante e acho que ia conseguir um resultado entre os cinco primeiros…. São as corridas…”, lamentou.

O macaense fez ainda um balanço de um fim-de-semana “complicado” em que também esteve envolvido num outro acidente na sessão de treinos livres. “Para ser sincero não foi um dos fins-de-semana em que mais me diverti em Macau. Tive esse primeiro toque, que me condicionou a qualificação. Na corrida até estive bem, a ganhar posições, mas colocaram-me fora de pista…”, realçou.

Com 64 anos, Rui Valente admite agora que pode ficar de fora da próxima edição do Grande Prémio: “Com um modelo de qualificação para Macau tão difícil e depois com corridas com tantos acidentes, vou ponderar o que fazer no futuro”, confessou. “Não quero ficar parado, quero continuar activo e envolvido em diferentes actividades, por isso, se encontrar uma actividade que me ocupe e me faça sentir bem, talvez fique de fora das corridas no próximo ano”, contou.

Resultados

1.º Leung Tsz Wa Toyota GR86 40m09s237

2.º Adrian Chung Toyota GR86  a 0.148

3.º  Tsang Pak Yin Toyota GR86 a 0.407

(…)

15.º Jerónimo Badaraco Toyota GR86 a 29.061

Alto e Baixo

Alto

A prestação de Jerónimo Badaraco com a recuperação de várias posições mostra a importância que a experiência tem no circuito

Baixo

O safety car ficou em pista demasiadas voltas, o que reduziu em muito o tempo de corrida

17 Nov 2025

Curtas do Grande Prémio

Espectadores | Mais de 110 mil passaram pelas bancadas

Ao longo dos quatro dias do Grande Prémio de Macau mais de 110 mil pessoas passaram pelas bancadas do Circuito da Guia, um aumento em relação ao ano passado, que ficou marcado pela passagem de um tufão. Segundo os números oficiais, o bom tempo ajudou e na quinta-feira houve mais de 15 mil espectadores, na sexta cerca de 28 mil e no sábado 35 mil. Ontem, no dia das principais corridas, o número de espectadores ficou acima dos 32 mil.

Tabaco | Harmony Racing multada

A equipa Harmony Racing, do piloto Ye Yifei, foi multada em 500 euros, depois de um dos membros ter sido apanhado a fumar na garagem. De acordo com a sanção dos stewards, o membro da equipa estava a fumar, quando foi abordado pelos responsáveis. Ao ser apanhado, apagou imediatamente o cigarro, dentro de um copo, onde estavam outras cinco beatas.

Grande Baía | Lu Wenlong superiorizou-se

Lu Wenlong (Lotus Emira) foi o vencedor da Taça GT- Corrida da Grande Baía, terminando à frente de Han Lichao (Toyota GR Supra GT4 Evo2) e de Liu Kai Shun (Lotus Emira). O experiente Leong Ian Veng (BMW M4 GT4) foi o melhor piloto de Macau ao terminar no quarto lugar, muito perto do pódio. Naquela que admitiu ser a despedida da Guia, Darryl O’Young (Mercedes AMG GT4 EVO), que durante vários anos competiu na Taça GT, não foi além de uma desistência. O piloto de Hong Kong bateu com o Mercedes ao sair de frente na entrada para a subida de São Franciso.

Organização | Evento satisfatório

A coordenadora da Comissão Organizadora considerou que o evento decorreu de forma satisfatória e que contribuiu, em conjunto com os Jogos Nacionais, para criar um ambiente festivo em Macau. Lei Si Leng destacou a valia para o Grande Prémio das sete corridas do programa que disse ser maravilhoso.

Quando questionada sobre um eventual regresso da Fórmula 3, a responsável afirmou que a organização vai continuar a cooperar com a FIA para escolher as corridas que mais se adequem a Macau. Ao mesmo tempo, deixou a garantia de que o plano passa por continuar a receber pilotos em idade de formação e que se espera que se afirmem como o futuro do automobilismo.

17 Nov 2025

Taça GT Macau | Fuoco vinga desastre de 2024 e vence sem espinhas

O piloto italiano conseguiu finalmente levar o Ferrari ao lugar mais alto do pódio, e superou Raffaele Marciello, piloto com quem colidiu no ano passado na Curva do Lisboa, quando liderava, e que lhe valeu a desistência

Antonio Fuoco (Ferrari 296 GT3) foi o vencedor da Taça GT Macau, uma prova que dominou desde o início até ao final. O italiano vingou assim a desistência do ano passado, depois de ter sido obrigado a abandonar, quando liderava, após um toque com Raffaele Marciello (BMW M4 GT3), na Curva do Lisboa.

“Acho que é muito especial ganhar em Macau, principalmente depois do que aconteceu no ano passado. Mas isto faz parte das corridas, e o principal foi voltar neste ano, e conseguir fazer tudo bem”, afirmou Fuoco. “A equipa fez tudo para voltarmos e ganharmos (…) tentei fazer um arranque forte, e forçar muito na última curva para abrir uma vantagem para os restantes. Puxei muito e a certa altura ia perdendo o controlo do carro na Curva do Mandarim, mas correu tudo bem”, contou.

Fuoco elogiou ainda o novo formato da qualificação, com uma segunda sessão apenas para os melhores qualificados: “foi muito divertido, acho que foi uma boa mudança”, considerou.

Em segundo lugar, terminou Raffaele Marciello, que tinha vencido no ano passado, mas que nesta edição nunca mostrou andamento para ameaçar o domínio da Ferrari. No entanto, o suíço voltou a estar envolvido em toques, desta feita com Alessio Picariello (Porsche 911 GT3 R), que acabou nas barreiras.

“Tentei recuperar no início e quase que consegui (…) mas os Ferraris tiveram um bom começo e foi uma corrida difícil”, disse o piloto. “O carro estava muito complicado de conduzir, por isso a certa altura tive de mentalizar-me que o importante era chegar ao fim”, acrescentou.

Porsche com sortes distintas

A Porsche também assegurou uma presença no pódio, através do alemão Laurin Heinrich (Porsche 911 GT3 R). “Sabia que ao arrancar do oitavo lugar da grelha ia ser muito difícil recuperar, mas acho que fui beneficiado quando perdi uma posição na corrida de qualificação, porque assim fiquei no lado mais favorável na grelha de partida”, relatou.

Heinrich reconheceu também não ter andamento para conseguir mais do que o lugar mais baixo do pódio. “Eu tentei pressionar o Raffaele Marciello, mas senti que não tinha andamento para ele, por isso, sabia que só poderia fazer melhor se ele cometesse um grande erro, o que não aconteceu. A corrida passou assim também por garantir que não era pressionar atrás”, apontou.

Heinrich lamentou também o toque no colega de equipa Ayhancan Guven, que fez com que o turco ficasse fora de prova: “Por um lado estou contente com o pódio, mas também triste com o que aconteceu. Acho que o meu colega tinha um bom ritmo e merecia mais”, lamentou.

Alto e Baixo

Alto

Numa pista em que nem sempre é fácil fazer voltas lançadas, o novo modelo de qualificação traz mais emoção à prova

Baixo

Edoardo Mortara conhece o circuito da Guia como poucos, no entanto, a prova do italiano ficou marcada pela falta de ritmo do Lamborghini, erros do piloto e azares

Classificação

1.º Antonio Fuoco  Ferrari 296 GT3 27m29s598

2.º Raffaele Marciello BMW M4 GT3 a 3.960

3.º Laurin Heinrich  Porsche 911 GT3 R a 4.609

Ye Yifei fenómeno de popularidade

Ye Yifei (Ferrari 296 GT3) regressou a Macau, no ano em que se tornou o primeiro piloto chinês a vencer as 24 horas de Le Mans, o maior feito até agora do automobilismo do Império do Meio. Apesar de correr em Macau com licença italiana, o chinês foi recebido como herói nacional e foi um dos pilotos mais requisitados do paddock para tirar fotografias e dar autógrafos. O piloto ainda chegou a sonhar com a vitória, depois de arrancar do segundo lugar da grelha de partida, mas um arranque menos conseguido fez com que não fosse além do quinto lugar final. Nada que afectasse a sua popularidade, dado que após a corrida continuou a ser o mais requisitado entre os fãs.

17 Nov 2025

Motas | Todd coroado o Rei da Guia depois de recital de condução

Após um ano em que foi declarado vencedor sem corrida, Davey Todd mostrou que actualmente é o piloto mais rápido no Circuito da Guia, dominando ao longo de todo o fim-de-semana. No final, lamentou não ter estabelecido um novo recorde do circuito

Davey Todd (BMW M1000RR) foi o vencedor da 57.ª edição do Grande Prémio de Macau em Motos, num fim-de-semana em que não deu quaisquer hipóteses à concorrência. Após ter sido declarado o vencedor da edição do ano passado, sem que tivesse havido corrida por causa da chuva, o inglês regressou e tirou todas as dúvidas sobre o facto de ser actualmente o piloto mais rápido na categoria.

“Foi um resultado fantástico”, afirmou Todd, momentos após a vitória. “Sabia que tinha um bom ritmo, que estava forte, mas que o Peter também ia estar rápido na corrida. Felizmente, consegui forçar desde o início, ganhar uma vantagem significativa nas primeiras voltas, para no final apenas ter de gerir”, explicou.

Como aconteceu no ano passado, a chuva voltou a intrometer-se nos planos da organização e a qualificação, que originalmente estava agendada para a sexta-Feira de manhã, foi mudada para sábado, mesmo antes da prova principal.

Todd garantiu a pole-position e durante a prova nunca mais largou esse lugar, construindo volta-a-volta uma vantagem considerável, suficiente para cortar a meta em cavalinho.

No entanto, o vencedor lamentou não ter aproveitado o ritmo elevado de sábado para estabelecer um novo recorde do circuito. “Acho que fico desiludido com o facto de ter estado perto de bater o recorde do circuito, mas, durante a corrida, não sabia em que tempos estava a rodar. Estive muito perto, pelo que poderia ter batido esse recorde”, lamentou. “Mas estamos aqui para ganhar a corrida, não é para bater recordes, por isso o mais importante foi alcançado”, frisou.

Em recuperação

No segundo lugar, ficou o tetra vencedor em Macau Peter Hickman (BMW M1000RR), que na primeira volta teve de lidar com problemas com as mudanças. A recuperar de um grande acidente, o inglês arrancou de terceiro e aproveitou o erro de Erno Kostamo (BMW M1000RR), que saiu em frente na Curva do Lisboa, conseguindo o lugar intermédio do pódio.

No final, Hickman reconheceu ter um bom ritmo, mas estar longe da forma ideal: “Eu preciso de trabalhar mais no meu corpo, para ganhar a resistência. Nesta altura, tenho a força necessária, mas canso-me depressa. Vou ter de trabalhar no Inverno”, reconheceu Hickman.

O piloto admitiu ainda ter ficado assustado nas primeiras voltas com a condução de Erno Kostamo. “Para ser honesto fiquei um bocado assustado com a forma como Erno estava a correr, porque ele começou com um ritmo muito forte, mas também estava a cometer grandes erros”, revelou Hickman. “Felizmente ele não caiu, porque se ele caísse eu ia cair com ele. Isso também fez com que o deixasse ganhar alguma vantagem no início”, reconheceu. “Depois, quando ele saiu em frente na Curva do Lisboa, eu consegui ter pista livre, e consegui fazer a minha corrida”, indicou.

Corrida feliz

Erros à parte, o finlandês foi um dos grandes animadores da corrida. Partiu do segundo lugar, perdeu a posição no início e até à curva do Hotel Lisboa, ainda na primeira volta, conseguiu recuperá-la.

Depois, devido ao erro, caiu para o quinto lugar e em pouco mais de uma volta subiu para terceiro. Por isso, apesar dos incidentes, Kostamo afirmou estar feliz com o resultado: “Em três voltas forcei muito o andamento. É verdade que fiz um grande erro na Curva do Lisboa, ao falhar o ponto de travagem, o que foi uma loucura”, relatou. “Mas, estou feliz com o resultado e por ter estabelecido a volta mais rápida da corrida”, contou.

Classificação

1.º  Davey Todd BMW M1000RR 29m07s289

2.º Peter Hickman BMW M1000RR a 10.021

3.º Erno Kostamo BMW M1000RR a 24.706

Alto e Baixo

Alto

A prestação de Peter Hickman mostra que o piloto está em recuperação após o grave acidente sofrido

Baixo
O cancelamento da sessão de qualificação na sexta-feira de manhã voltou a reduzir o tempo de pista do Grande Prémio de Motas

17 Nov 2025

Roussel triunfa na F4, Cheong Man Hei foi 9.º e Tiago Rodrigues 11.º

Jules Roussel foi o vencedor da Fórmula 4, depois de uma das provas mais emocionantes do fim-de-semana, com o francês a ter de lidar durante várias voltas com o compatriota Rayna Caretti. Apesar de muito disciplinados durante a maioria do duelo, os dois acabaram por se envolver num toque que deixou Caretti fora de prova

“É fantástico ser o vencedor, ganhar em Macau era um dos meus sonhos. No passado vi a corrida na televisão várias vezes, e sei que é sempre muito traiçoeira, por isso estou muito feliz”, afirmou Roussel.

O piloto reconheceu também que durante o duelo com o compatriota sentiu momentos de frustração, apesar de admitir que para o público o duelo terá sido um bom espectáculo: “a corrida foi boa, mas eu estava um bocado frustrado com o duelo, porque sentia que tinha um ritmo elevado, e durante algum tempo não consegui ultrapassá-lo [Caretti]. Ele estava a defender-se muito bem”, explicou. “Felizmente, depois de passá-lo consegui aumentar o ritmo e manter a posição”, acrescentou.

No segundo lugar, depois de arrancar da pole, Emanuele Olivieri mostrou-se conformado, mas algo desiludido: “O resultado não é aquilo que eu pretendia, mas fiz o meu melhor”, desabafou. “Tive muitas dificuldades com o carro ao longo da última corrida e considero que tenho de estar feliz com o que consegui alcançar”, vincou.

Imune a frustrações, mesmo depois de uma penalização que o fez arrancar de 11.º, Rintaro Sato terminou no pódio. E no final o japonês admitiu toda a felicidade: “Comecei em 11.º num circuito em que é muito difícil ultrapassar, por isso estou feliz”, indicou. “Consegui ficar na pista, que é o mais difícil neste traçado e fico satisfeito com o resultado final”, concluiu.

Cheong Man Hei foi o melhor piloto de Macau, mesmo se não teve melhor ritmo que Tiago Rodrigues. Cheong terminou no nono lugar, enquanto Rodrigues ficou em 11.º.

Alto e Baixo

Alto

A ultrapassagem de Caretti a Roussel na Curva do Lisboa foi o melhor momento da corrida. Caretti apanhou o compatriota distraído, atrasou a travagem e passou por dentro

Baixo

Tiago Rodrigues esteve sempre rápido, mas estragou o fim-de-semana com um acidente na corrida de qualificação

Classificação

1.º Jules Roussel 31m16s409

2.º Emanuele Olivieri  a 1.258

3.º Rintaro Sato a 1.438

(…)

9.º Cheong Man Hei a 5.282

(…)

11.º Tiago Rodrigues a 5.782

17 Nov 2025

Macau consagrou Yann Ehrlacher como o campeão do TCR World Tour

Yann Ehrlacher (Lynk & Co 03 FL TCR) sagrou-se campeão do TCR World Tour no sábado, ao terminar a primeira das duas corridas do fim-de-semana em terceiro lugar. O piloto francês chegou ao Circuito na Guia em vantagem pontual, tinha como único adversário o colega de equipa Thed Bjork (Lynk & Co 03 FL TCR), e uma prova sem problemas foi suficiente para carimbar o título.

“Foi uma época muito boa para nós. No final houve muita pressão, mas o objectivo foi conseguido”, disse o recém-campeão, após a corrida de sábado. “Estava à espera que a corrida fosse um bocado mais emocionante, mas felizmente confirmei o título sem grandes sobressaltos”, admitiu.

Este não é o primeiro título de Ehrlacher nas categorias de Carros de Turismo, dado que em 2020 e 2021 tinha vencido a Taça Mundial de Carros de Turismo.

Corrida segura

Em relação à primeira corrida, Néstor Girolami (Hyundai Elantra N TCR) mostrou-se imbatível, dominando desde o arranque e sem ter sido verdadeiramente pressionado pelos adversários. Ehrlacher chegou a circular em segundo, mas deixou que Azcona (Hyundai Elantra N TCR) o ultrapassasse sem grande esforço, numa altura em que estava unicamente concentrado em garantir os pontos suficientes para assegurar o campeonato.

No final, o piloto argentino mostrou-se muito satisfeito com a primeira vitória do fim-de-semana: “Em Macau é fundamental conseguir ser rápido nos sectores número um e cinco. O meu carro estava bem, e eu sabia que se fosse rápido nessas zonas ia conseguir um bom resultado”, contou Girolami. “Fiquei muito feliz, porque a partir do meio da corrida comecei a sentir vibrações, o que me fez pensar que não ia conseguir ganhar. […] Mas também tínhamos ordens de equipa para correr de forma inteligente e evitar perder pontos”, admitiu.

Bis da Hyundai

A superioridade dos Hyundai no Circuito da Guia ficou provada na segunda corrida, com Josh Buchan (Hyundai Elantra N TCR) a garantir mais uma vitória para o construtor sul-coreano. Quando foi necessário, o australiano soube defender-se dos ataques do uruguaio Santiago Urrutia (Lynk & Co 03 FL TCR) e nunca pareceu verdadeiramente ameaçado. Seria o uruguaio a errar, o que fez com que os colegas de equipa Ma Qin Hua (Lynk & Co 03 FL TCR) e Thed Bjork (Lynk & Co 03 FL TCR) completassem o pódio na corrida de domingo.

“Estive lento no primeiro sector ao longo de todo o fim-de-semana. No resto do circuito estava bem, mas sentia-me lento no primeiro sector, enquanto os outros pilotos eram muito rápidos e claro muito talentosos”, explicou Buchan, no final. “Mas, depois, quando cheguei à liderança, estava determinado a fazer tudo para defender a posição e bloquear as trajectórias. Felizmente, tento sempre correr limpo e os outros pilotos também me trataram com muito respeito. Foi uma excelente corrida para todos”, acrescentou.

Quanto ao campeão, Yann Ehrlacher (Lynk & Co 03 FL TCR) teve uma segunda corrida para esquecer, inclusive saindo em frente na curva do Hotel Lisboa, o que não o impediu de terminar a prova. No entanto, o campeonato já estava garantido.

Alto e Baixo

Alto

Os participantes deram um bom espectáculo, com poucos acidentes e interrupções. Ao contrário do que muitas vezes acontece houve corrida

Baixo

Com o título em aberto havia a esperança de que o campeonato de pilotos fosse disputado até à última corrida, mas Ehrlacher, com todo o mérito, antecipou as celebrações

Classificação

Primeira Corrida

1.º Néstor Girolami (Hyundai Elantra N TCR) 25m21s264

2.º Mikel Azcona (Hyundai Elantra N TCR) a 0.562

3.º  Yan Ehrlacher (Lynk & Co 03 FL TCR) a 0.698

Segunda Corrida

1.º  Joshua Buchan (Hyundai Elantra N TCR) 25m32.673

2.º Ma Qin Hua (Lynk & Co 03 FL TCR) a 0.414

3.º Thed Bjork (Lynk & Co 03 FL TCR) a 1.991

17 Nov 2025