Galaxy | Receitas cresceram para 24,2 mil milhões no primeiro semestre

A Galaxy apurou nos primeiros seis meses do ano uma receita líquida de 24,2 mil milhões de dólares de Hong Kong, o que representou uma subida de 4,2 por cento em termos anuais. O grupo anunciou a distribuição de dividendos de 0,9 dólares de Hong Kong por acção no dia 15 de Setembro

O Grupo Galaxy Entertainment anunciou ontem ter apurado 24,2 mil milhões de dólares de Hong Kong (HKD) em receitas líquidas na primeira metade deste ano, resultado que ficou 4,2 por cento acima do registo no período homólogo.

Numa nota dirigida à bolsa de valores da região vizinha, o presidente do grupo, Francis Lui, categorizou os resultados da Galaxy como “sólidos”.

“Apesar dos desafios macroeconómicos externos, incluindo as tensões geopolíticas no Médio Oriente, Macau manteve-se resiliente durante o trimestre, apoiada pelo fluxo robusto de visitantes, ocupação hoteleira satisfatória e procura sustentada tanto nas ofertas relacionadas com o jogo como nas não relacionadas com o jogo”, afirmou.

Ainda no primeiro semestre, a Galaxy registou lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) de quase 7 mil milhões HKD, mais 1,3 por cento face ao mesmo período de 2025. Os lucros que serão atribuídos aos accionistas subiram ligeiramente, 0,8 por cento, no primeiro semestre para 5,28 mil milhões HKD. O grupo anunciou ontem também que irá distribuir dividendos intercalares de 0,9 HKD por acção, em comparação com aos 0,7 HKD por acção do ano anterior. Estes pagamentos estão previstos para o dia 15 de Setembro.

Efeito mundial

Os resultados da Galaxy revelam ainda que a receita líquida do segundo trimestre caiu 2 por cento em termos anuais, para 11,8 mil milhões HKD. Face aos primeiros três meses de 2026, as receitas líquidas diminuíram 5 por cento, decréscimo que Francis Lui atribuiu ao Campeonato do Mundo de Futebol.

“Conforme referimos no relatório do primeiro trimestre, os grandes eventos desportivos têm, historicamente, influenciado o comportamento dos clientes e as receitas do jogo em Macau, devido ao desvio de atenção e ao aumento da concorrência por parte das apostas desportivas. O calendário alargado de jogos do torneio deste ano afectou temporariamente o fluxo de clientes e as receitas. É importante referir que Macau registou uma recuperação das receitas de jogo no final do Campeonato do Mundo, e esta dinâmica manteve-se até Agosto”, indica o presidente da Galaxy.

13 Ago 2026

Media | Paulo Rego na Comissão de Gestão do canal “Conta Lá”

A assembleia-geral do Conta Lá elegeu uma Comissão de Gestão, composta por Rui Rego, Diogo Alexandre e Paulo Rego, que toma posse na segunda-feira com mandato até Dezembro, disse à Lusa o dono do Plataforma Macau.

A reunião magna tinha sido suspensa no segundo ponto, que tinha a ver com a análise e decisão sobre o plano de reestruturação da empresa, para quarta-feira. Na assembleia-geral (AG) estavam presentes todos os accionistas, encerrou-se a atual reunião magna e convocou-se uma outra para cerca de 10 minutos depois.

Nesta segunda AG foi anulada a decisão do ponto um da anterior e aprovada a conversão total do capital investido em capital social. De acordo com o dono do Plataforma Macau, Paulo Rego, todo o capital investido é transformado em capital social.

Na reunião magna extraordinária de ontem foi mandatada uma Comissão de Gestão até Dezembro para preparar a empresa para ser nomeada uma Comissão Executiva de longo prazo que corresponda à nova composição accionista num aumento de capital previsto até cinco milhões, sendo que a primeira tranche será definida até segunda-feira por um conjunto de quatro accionistas (três actuais que vão ao aumento de capital num bloco que inclui o Plataforma).

A Comissão de Gestão é composta por Rui Rego (advogado, com pós-graduação em gestão), Diogo Alexandre (actual director de programas) e Paulo Rego, dono do Plataforma Macau.

Com a tomada de posse na segunda-feira, há quatro prioridades: “Corte de custos, pagamento de salários, pagamento das dívidas críticas, nomeadamente ao Estado e a fornecedores críticos” e elaborar “planos de gestão da dívida”, disse Paulo Rego.

A Comissão de Gestão tem de fechar o aumento de capital até cinco milhões de euros e negociações para novos investidores estão em curso. Além disso, é preciso gerir a dívida e ter capacidade de investimento, nomeadamente tecnológica. Os trabalhadores estão com salários em atraso há três meses.

13 Ago 2026

Turismo | Organizada visita de operadores espanhóis à RAEM

No final de Julho, o Governo organizou uma visita de familiarização a Macau destinada a operadores espanhóis, para criar pacotes turísticos multidestinos. Em Outubro, a operação de charme prossegue com a visita de 20 representantes de agências de viagens de órgãos de comunicação espanhóis

Além das campanhas para atrair turistas portugueses, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) está a lançar uma operação de charme dirigida ao mercado espanhol, com visitas de familiarização para operadores, agências e órgãos de comunicação social de Espanha, num esforço para expandir a marca Macau em mercados internacionais.

Num comunicado divulgado ontem, o organismo liderado por Helena de Senna Fernandes revela que em Outubro a “Confederação Espanhola de Agências de Viagens (CEAV), a mais representativa organização da indústria em Espanha”, irá “liderar uma comitiva de cerca de 20 representantes de agências de viagens e órgãos de comunicação social a Macau”.

Além da visita aos locais mais emblemáticos da cidade, os convidados vão assistir ao Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício e participar em encontros de intercâmbio com os operadores locais.

Já no final de Julho, entre os dias 22 e 25, foi organizada uma visita de familiarização a Macau de uma delegação de representantes espanhóis do sector, em colaboração com uma das maiores agências de viagens online de Espanha, a DESTINIA. Durante quatro dias, a delegação visitou o centro histórico de Macau, “novas instalações culturais e turísticas” e provou iguarias da gastronomia local. Além disso, foram organizados encontros de intercâmbio com os operadores de Macau que participaram na Feira Internacional de Turismo de Espanha (FITUR)”.

Já que estamos aqui

A DST aposta numa estratégia de pacotes multidestinos para o mercado espanhol, à semelhança do que tem feito com Portugal.

As visitas de representantes espanhóis têm como objectivo “conceber produtos de turismo aprofundado” multidestinos, “tendo Macau como destino central e em articulação com cidades como Pequim, Xangai ou Hong Kong, prolongando a estadia dos visitantes e dinamizando o consumo turístico”.

Em simultâneo, a DST irá lançar uma ronda de acções promocionais no mercado espanhol, com campanhas na imprensa, redes sociais e através de convite a criadores de conteúdo de viagens espanhóis. Além disso, a DST irá participar na FITUR 2027, que se realiza em Madrid entre 20 e 24 de Janeiro, “intensificando os esforços de promoção para posicionar Macau como um destino de longo curso atractivo para o mercado espanhol”.

O mercado ibérico tem sido uma prioridade do Governo na atracção de visitantes internacionais. Entre Agosto do ano passado e o passado mês de Fevereiro, a DST em parceria com a agência Abreu, lançou uma campanha com vários produtos turísticos, que incluíram Hong Kong, Coreia do Sul, Japão e Interior da China.

A DST realça ainda que na primeira metade deste ano, o número de visitantes vindos de “Espanha, Portugal e da Europa em geral registou um crescimento de dois dígitos face ao mesmo período de 2025”.

13 Ago 2026

Zona A | Concluídas todas as obras de habitação social

São mais de 4 mil apartamentos de habitação social que já estão construídos na Zona A dos Novos Aterros, tendo em conta o anúncio, ontem, da conclusão das obras do lote A10. Os quatro lotes deste empreendimento incluem 728 apartamentos para famílias carenciadas

Estão concluídas as obras de construção do lote A10 na Zona A dos Novos Aterros, o que significa que todos os lotes de habitação social no local – A10, A4, A6 e A11 – já estão prontos para receber moradores, neste caso as famílias mais carenciadas, com residência em Macau, e que necessitam de casa para viver.

Segundo informação disponibilizada pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP), só o lote A10 tem uma área de 4.960 metros quadrados e dispõe de 728 apartamentos, além de incluir um parque de estacionamento público. Os moradores têm ainda acesso, nesta zona, a espaços comerciais e sociais.

A DSOP destaca que, na construção do lote A10, foram introduzidos “métodos de construção amigos do ambiente”, tendo sido utilizados “elementos pré-fabricados e cofragens metálicas para a construção”.

Todos os lotes de habitação social na Zona A disponibilizam 4.088 fracções. As obras do lote A11 terminaram em Julho, e também o lote A4 foi recentemente concluído. Este último, disponibiliza 1566 apartamentos numa área de 18.699 metros quadrados, existindo ainda um parque de estacionamento público, lojas e espaços para serviços sociais.

Famílias em espera

Segundo a TDM Rádio Macau, desde que entrou em vigor o regime de candidatura permanente à habitação social, a 20 de Agosto de 2020, que mais de 4.400 famílias receberam uma casa social. Dados mais recentes do Instituto da Habitação (IH) mostram que existe uma lista de espera com cerca de duas mil candidaturas, com foco nos idosos ou pessoas que vivem sozinhas.

Recentemente, em resposta a uma interpelação oral do deputado Leong Hong Sai, o Governo indicou que a actual oferta de habitação será suficiente para a procura. Citando um estudo encomendado sobre a oferta de habitação a cinco anos, o secretário Raymond Tam, com a tutela dos Transportes e Obras Públicas, declarou que “os resultados do estudo indicam que o número de fracções de habitação social e económica em Macau será suficiente para satisfazer as necessidades nos próximos cinco anos, não se prevendo uma procura acentuada por habitação intermédia”.

13 Ago 2026

Acessibilidade | Deputadas dizem que tecnologia é a chave

O plano de acção para os serviços de reabilitação mereceu o aplauso de Wong Kit Cheng e Loi I Weng. No entanto, as deputadas sugerem prioridade nas acessibilidades perto de hospitais, escolas e centros de transportes e que pessoas com deficiência testem e avaliem as várias fases de planeamento e construção de estruturas

Antes e durante a construção de uma rampa para cadeira de rodas, da instalação de uma faixa de piso táctil, as autoridades deveriam consultar as opiniões de pessoas portadoras de deficiência. A ideia foi sugerida pelas deputadas Wong Kit Cheng e Loi I Weng, num comunicado divulgado na noite de terça-feira.

“Nas fases inicial, intermédia e no final do plano, devem ser convidadas pessoas com deficiência para experimentarem pessoalmente e darem as suas opiniões, assegurando que as instalações sejam bem construídas e efectivamente utilizáveis”, indicam as deputadas da Associação Geral das Mulheres de Macau.

O comunicado surge na sequência do anúncio do Governo dos planos decenais de acção para serviços de reabilitação e de apoio a idosos.

As deputadas defendem que autoridades devem concentrar-se na melhoria das acessibilidades nas imediações de hospitais, escolas e centros de transportes, “criando passagens pedonais e instalações acessíveis contínuas, integrando a distribuição destas infra-estruturas nos futuros planos detalhados de cada área de Macau”.

A ideia de continuidade é prevalente ao longo do comunicado das deputadas, que defendem o fim do antigo modelo de “melhorias pontuais”, para apostar numa abordagem de “conexão em áreas amplas”. As legisladoras destacam “experiências passadas” em que rampas, faixas de piso táctil, ou outra qualquer estrutura para eliminar barreiras, eram instaladas numa secção isolada.

Soluções inteligentes

As duas deputadas enfatizam que a tecnologia é a chave para ultrapassar a “última milha” da acessibilidade. Como tal, sugerem que as autoridades recorram ao uso de “sensores e tecnologias inteligentes”, aprendendo com experiências vizinhas. É dado o exemplo do sistema de análise a infra-estruturas rodoviárias lançado em Shenzhen, que usa inteligência artificial para detectar falhas na estrada e faixas tácteis, assim como passagens obstruídas.

É também mencionado a aplicação móvel do Aeroporto de Hong Kong que permite ter acesso a orientações sonoras, indicando a localização de elevadores e casas de banho acessíveis. A aplicação planeia rotas planas sem escadas. As deputadas sugeriram que Macau use este tipo de tecnologia para edifícios públicos, centros de transporte ou centros comerciais, mas também traduções automáticas entre texto e língua gestual em balcões de serviços públicos.

Além disso, defenderam a adoptação uma postura mais flexível das autoridades, por exemplo, criando zonas exclusivas de embarque e desembarque ou lugares de estacionamento acessíveis perto de instituições de reabilitação, ou para a instalação de rampas de acesso.

13 Ago 2026

Despesas públicas sobem 4,9% até Julho após reforço dos apoios sociais

As despesas públicas de Macau subiram 4,9 por cento nos primeiros sete meses do ano, sobretudo devido ao aumento nos gastos com apoios sociais, de acordo com dados oficiais. Um relatório publicado pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) na segunda-feira indica que Macau gastou até ao final de Julho 53,2 mil milhões de patacas, 48,7 por cento do previsto para todo o ano. A principal razão para a subida das despesas foi o reforço dos gastos em apoios e subsídios sociais, que cresceram 14,7 por cento, para 31,3 mil milhões de patacas.

O orçamento aprovado em Novembro inclui benefícios fiscais para atrair sociedades gestoras de fundos de investimento, fundos de investimento especiais e investidores em fundos, para ajudar a desenvolver o sector financeiro.

Além disso, o Governo isentou do imposto de selo a compra da primeira habitação por parte de residentes, até seis milhões de patacas, num documento que previa uma subida de 4,3 por cento nos apoios e subsídios sociais.

Em Julho de 2025, a Assembleia Legislativa também já tinha aprovado uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas as despesas previstas no orçamento do ano passado, para reforçar os apoios sociais. A revisão inclui a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos 3 anos, numa tentativa de elevar a mais baixa natalidade do mundo.

Por outro lado

Já os gastos com obras públicas – o Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) – recuaram 9,3 por cento até Julho, para 8,75 mil milhões de patacas. O orçamento para este ano já previa uma queda de 8,6 por cento no PIDDA, que inclui grandes projectos como a Linha Leste do Metro Ligeiro, que irá chegar às Portas do Cerco.

As despesas com os funcionários públicos também diminuíram 1,3 por cento, para 9,25 mil milhões de patacas), depois da função pública não ter tido qualquer aumento salarial em 2026, pelo segundo ano consecutivo.

Tal como a despesa pública, também a receita corrente de Macau subiu 8,6 por cento nos primeiros sete meses de 2026, para 67,9 mil milhões de patacas. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 9,3 por cento, para 58,3 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 84,6 por cento do total.

Com as despesas a crescer menos do que as receitas, o território registou um excedente nas contas públicas de 15,8 mil milhões de patacas, mais 29,7 por cento do que até Julho de 2025. No orçamento para todo o ano 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, no valor de 5,22 mil milhões de patacas.

O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior.

12 Ago 2026

Zhuhai | Segundo circuito será uma mais valia para Macau

A segunda infra-estrutura permanente dedicada ao automobilismo na cidade vizinha de Zhuhai entrou numa nova fase administrativa, com a publicação do aviso de pré aprovação do planeamento da utilização do solo. O empreendimento, anteriormente denominado Circuito Internacional Zhuhai Chaoyue e que passará a chamar-se Circuito Internacional Ocean Spring, pretende conjugar competição automóvel, turismo, lazer e actividade comercial numa nova plataforma dedicada à cultura automóvel na Grande Baía.

O projecto foi formalmente assinado a 13 de Março de 2025, tendo a cerimónia de início dos trabalhos decorrido três dias depois, a 16 de Março. Na primeira semana de Agosto de 2026, o empreendimento deu um novo passo no sentido da sua concretização, com o Gabinete Municipal de Recursos Naturais de Zhuhai a publicar o Aviso Público relativo à Pré Aprovação do Planeamento da Utilização do Solo do Projecto de Construção da CTS (Zhuhai) Ocean Spring Company (Circuito Internacional Ocean Spring), colocando em consulta pública o processo de planeamento urbanístico associado ao futuro complexo.

A publicação do aviso representa uma etapa relevante no desenvolvimento do empreendimento, que ocupará uma área de 688.455,23 metros quadrados, aproximadamente 68,8 hectares. O projecto está localizado em Pingsha, no distrito de Jinwan, no interior do Zhuhai Ocean Spring Resort. De acordo com os elementos agora divulgados, a CTS (Zhuhai) encontra-se a requerer a autorização de planeamento para a utilização do terreno. A área bruta de construção permitida não deverá exceder 132 mil metros quadrados, dimensão que evidencia a ambição de um empreendimento concebido para ultrapassar largamente o conceito convencional de um complexo destinado à prática de desportos motorizados.

O elemento central será um circuito internacional susceptível de obter homologação de Grau 3 da FIA, complementado por um conjunto diversificado de infra estruturas destinadas ao desporto automóvel e ao entretenimento. Além do traçado principal, o complexo deverá incluir uma pista de karting, um circuito de drift e um pavilhão interior polivalente com cerca de 2.400 metros quadrados. Uma das características mais ambiciosas do projecto será, contudo, a dimensão da área de boxes. Está prevista a construção de 300 boxes, cada uma com mais de 100 metros quadrados, concebidas para acolher equipas de competição e diferentes actividades ligadas ao sector automóvel.

A primeira fase do empreendimento representa um investimento anunciado de 250 milhões de renminbi e abrange aproximadamente 40.000 metros quadrados de construção. Embora estes valores digam respeito apenas à fase inicial, permitem compreender a dimensão e a natureza do projecto. A pista constituirá o núcleo da operação, mas o modelo económico previsto assenta na criação, em seu redor, de múltiplas formas de utilização e de diferentes fontes de receita.

Trunfo geográfico

A proximidade de Macau e a integração de Zhuhai na Grande Baía reforçam o potencial do empreendimento para atrair visitantes, equipas, construtores automóveis e operadores turísticos provenientes de um vasto mercado regional. Por seu turno, Macau e os numerosos entusiastas dos desportos motorizados do território poderão beneficiar directamente da existência de mais um complexo desta natureza à “porta de casa”.

“Em termos regionais, para mim, como engenheiro de Macau, é claramente uma mais valia ter mais uma opção aqui ao lado para testar, desenvolver e dar o meu contributo a esta indústria”, explicou ao HM o engenheiro de pista da RAEM Duarte Alves. “Mais um circuito no sul da China ajuda a integração e as sinergias entre Macau, o Grande Prémio de Macau e este novo espaço, o que não faz, de maneira nenhuma, concorrência ao Grande Prémio de Macau.”

À semelhança do Circuito Internacional de Zhuhai, também o Circuito Internacional Ocean Spring não deverá constituir um adversário do Grande Prémio de Macau. Pelo contrário, poderá assumir um papel complementar. “São coisas diferentes e complementares: o Grande Prémio é a montra internacional de Macau, uma pista permanente ao lado alimenta o trabalho de equipas, indústria e pilotos durante todo o ano.”

Aprender com o passado

A localização escolhida para o projecto não é circunstancial. Zhuhai possui uma relação consolidada com o automobilismo internacional, nomeadamente através do Circuito Internacional de Zhuhai, que este ano celebra o seu trigésimo aniversário, e encontra-se inserida numa das regiões economicamente mais dinâmicas do Interior da China. Duarte Alves alerta, contudo, para estratégias do passado que poderão e deverão ser evitados no desenvolvimento do novo complexo.

“Pela experiência que tenho, não só na China, mas também nos circuitos por onde passo pelo mundo fora, é decisivo para a longevidade de um projecto destes assegurar a polivalência do espaço e a sua integração na comunidade”, explicou o também presidente da Associação dos Jovens Macaenses. “O próprio Circuito Internacional de Zhuhai é um bom exemplo do que se deve evitar. Foi construído numa zona então subdesenvolvida, praticamente industrial e sem habitação, que entretanto se transformou numa área residencial e escolar. O resultado é previsível, com o ruído do desporto motorizado a gerar conflitos com a vizinhança.”

Para assegurar o sucesso do empreendimento, tendo em consideração as actuais exigências sociais, Duarte Alves considera “que o circuito tem de ser pensado de raiz para conviver com a envolvente e para ser útil à população no dia a dia, por exemplo, com ciclovias, percursos para corrida e passeio e espaços destinados a outras modalidades desportivas. É essa polivalência que garante o sucesso e a aceitação a longo prazo: um espaço vivo durante toda a semana, e não apenas nas semanas de provas, testes ou actividades promocionais.”

Entretanto, a data de abertura do Circuito Internacional Ocean Spring ainda não foi divulgada pelas autoridades, embora tudo indique que não deverá ocorrer antes do último trimestre do próximo ano.

12 Ago 2026

Jogo | Primeiros dias de Agosto mostram recuperação

Os primeiros nove dias de Agosto foram “encorajadores” em termos de receitas brutas nos casinos de Macau, com aumentos mensais de 12 por cento, segundo analistas do banco de investimento Citi. As estimativas apontam para receitas brutas diárias a rondar 733 milhões de patacas

Os primeiros nove dias deste mês parecem apontar para a recuperação das receitas brutas da indústria do jogo. Segundo as previsões dos analistas do banco de investimento Citi, com base nas fontes do sector, as receitas brutas apuradas pelos casinos no período mencionado atingiram cerca de 6,6 mil milhões de patacas. Resultado que os analistas categorizam como “encorajador”, alicerçado numa “recuperação sequencial” nas performances diárias face às receitas diárias apuradas em Julho, indicam os analistas citados por portal GGR Asia.

No início de Agosto, os casinos de Macau arrecadaram, numa média diária, 733 milhões de patacas, o que representa “um aumento de aproximadamente 12 por cento em relação ao registo diário médio de Julho, que se ficou pelos 654 milhões de patacas por dia. Feitas as contas, as mesas de jogo dos casinos estão a registar quase 80 milhões de patacas a mais por dia, face ao mês passado.

“Em relação às nossas previsões para Agosto, mantemos inalterada a estimativa de receitas brutas de 23,5 mil milhões de patacas”, o que representa uma subida anual de 6 por cento.

Nos dois campos

“Estamos optimistas com a recuperação sequencial da taxa de crescimento das receitas brutas, provavelmente impulsionada pela procura reprimida e pelos grandes concertos realizados até agora este mês”, acrescentaram os analistas o banco.

O relatório do Citi destaca também que, até agora, este mês tem sido sinónimo de crescimento do segmento VIP entre 12 a 15 por cento, em relação a Julho. Também o segmento de massas parece apresentar crescimentos de receitas brutas entre 10 a 12 por cento, face ao mês transacto.

Recorde-se que os casinos de Macau facturaram em Julho 20.260 milhões de patacas, o que representou uma variação homóloga negativa de 8,4 por cento, mas um crescimento de 9,38 por cento em relação a Junho.

A receita bruta acumulada pelos casinos nos primeiros seis meses do ano ascendeu a 147.161 milhões, mais 4,4 por cento por comparação com o período entre Janeiro e Junho de 2025. Os casinos tinham registado em Junho receitas brutas de 18,5 mil milhões de patacas, o valor mais baixo do ano, numa queda homóloga de 12,1 por cento e em cadeia de 18,1 por cento.

12 Ago 2026

Zona norte | Secretário exige inspecção a edifícios degradados

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, visitou ontem a zona norte da península e instou à realização de uma inspecção geral dos edifícios mais degradados do bairro de Iao Hon e edifício Mei On. Devido ao calor, o Corpo de Bombeiros alerta para maiores riscos de curto-circuito por sobrecarga de quadros eléctricos

Uma equipa governativa liderada pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, esteve ontem na zona norte da península de Macau a fiscalizar áreas mais degradadas onde existem maiores riscos de segurança, nomeadamente com a ocorrência de curtos-circuitos, devido às frágeis instalações eléctricas.

Segundo um comunicado da secretaria dos Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam visitou sete edifícios no bairro do Iao Hon e o edifício Mei On, fazendo-se acompanhar também por representantes da CEM – Companhia de Electricidade de Macau.

O governante exigiu uma fiscalização geral a fim de colmatar riscos de incêndios ou outros incidentes. Raymond Tam “determinou que seja realizada uma revisão abrangente das estruturas dos edifícios, com reparações realizadas nas áreas comuns dos mesmos e também nas infra-estruturas de abastecimento de água e electricidade”.

Desta forma, destaca a mesma nota, é possível “eliminar potenciais riscos” em termos de segurança numa das zonas com maior densidade populacional de Macau.

Além disso, a mesma nota dá conta que foi recentemente realizada uma vistoria no local, sendo que “a próxima fase de trabalhos está a ser avaliada”, e pode passar pela “criação de uma base de dados sobre as condições dos edifícios”.

Foi também adiantado que as estruturas da zona de estacionamento subterrâneo numa das ruas do bairro de Iao Hon estão “quase concluídas”. Neste contexto, “está a ser analisada a viabilidade de utilizar este espaço de forma temporária, tendo em conta as necessidades de utilização da área”, pode ler-se.

Na visita, foram inspeccionadas zonas comuns dos prédios mais antigos, instalações de água e luz e outros espaços com potenciais perigos. Citado pela mesma nota, Raymond Tam também instou “a CEM a intensificar as inspecções de fornecimento de energia eléctrica, a fim de garantir a segurança do uso desse recurso”.

Alerta de curto-circuito

Esta visita acontece numa altura em que Macau enfrenta um período de elevadas temperaturas, o que potencia riscos de incêndio ou ocorrência de curto-circuitos em habitações.

Neste contexto, o Corpo de Bombeiros (CB) emitiu uma nota onde deixa recomendações para as populações. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, pede-se que as pessoas não sobrecarreguem os quadros de electricidade nas suas casas, verificando regularmente se os mesmos estão em boas condições de utilização.

À semelhança da visita de ontem liderada pelo secretário, também o CB destaca que tem enviado agentes aos bairros para verificação da segurança e demais infra-estruturas eléctricas, realizando sessões de esclarecimento presenciais.

12 Ago 2026

Conselho de Estado | Xia troça de mandarim de deputados de HK

Depois de cinco horas reunido com deputados do Conselho Legislativo, o director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau, brincou com o fraco mandarim dos legisladores. Os problemas com a qualidade do mandarim na região não são de agora, com destaque para os casos de Chui Sai On e Chui Sai Cheong

As dificuldades de expressão de políticos de Macau e Hong Kong em eventos com responsáveis de altos cargos em Pequim não são uma novidade, com os casos locais mais flagrantes a serem protagonizados pelo, à altura, Chefe do Executivo Chui Sai On, e o seu irmão mais velho, o deputado Chui Sai Cheong.

O caso mais recente aconteceu depois de uma reunião em Pequim entre o director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China e do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, Xia Baolong e deputados da região vizinha. Depois de comentários divertidos de Xia Baolong, a deputada e membro de Hong Kong à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Judith Yu, escreveu um artigo de opinião no portal noticioso HK01, publicado na segunda-feira, a sugerir que os deputados tenham formação em mandarim, e que a proficiência na língua seja um requisito fundamental para desempenhar o cargo de legislador numa região administrativa especial da China.

É a brincar

Na reunião à porta fechada, que terá durado cerca de cinco horas, Xia Balong incentivou, entre risos, os legisladores a aprenderem mandarim. “Vocês vêm a Pequim, não há motivo para me pedirem para aprender cantonês,” acrescentou o director segundo o portal HK01.

Os reparos de Xia Baolong foram levados a sério pelos legisladores da região vizinha que, apesar de denotarem a forma respeitosa e divertida do director, reconheceram que é essencial uma comunicação eficiente para discutir políticas.

Judith Yu explicou que a comunicação entre os responsáveis de Hong Kong e representantes do Governo Central permite que se entendam bem, mas que o mesmo não se podia dizer em conversas com governantes provinciais ou empresários do Interior.

Para reforçar a capacidade de comunicação, Judith Yu defendeu que os deputados antes de proferirem discursos importantes devem ensaiar o gravar os discursos, e que o Conselho Legislativo deve ter sessões em mandarim. Além disso, sugeriu que os deputados recebam formação para aprenderem a pronúncia e terminologias específicas.

Por cá, uma intervenção de Chui Sai Cheong numa reunião da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês tornou-se viral pelo forte sotaque cantonês, o mesmo aconteceu com o Chefe do Executivo.

Por outro lado, na primeira vez que falou na Assembleia Legislativa enquanto deputado, Lei Chan U usou o mandarim, opção que referiu ser a realização de um velho sonho, mas que motivou críticas nas redes sociais.

12 Ago 2026

Diversificação | Sam realça Hengqin como chave para quebrar impasse

O Chefe do Executivo assinou ontem um artigo na China Newsweek a dar conta dos planos da RAEM até 2030 e a pedir investimento para Macau e Henqgin. Além de enumerar as tarefas dadas pelo Governo Central, Sam Hou Fai salienta que a chave para “quebrar o impasse” da diversificação económica está em Hengqin

“A promoção com elevada qualidade da construção da Zona de Cooperação em Hengqin será a chave para “quebrar o impasse” na promoção da diversificação adequada da economia de Macau.” Foi desta forma que Sam Hou Fai resumiu o futuro da governação da RAEM até 2030, num longo artigo publicado ontem na China Newsweek, uma revista estatal.

No artigo intitulado “Novo plano director, nova jornada, novas oportunidades – em busca de uma nova conjuntura de desenvolvimento de qualidade elevada para Macau durante o Terceiro Plano Quinquenal”, o Chefe do Executivo realça o papel fundamental de Hengqin no futuro económico e industrial da RAEM, seguindo as instruções e planos traçados por Pequim para o território.

Sam Hou Fai indica que, tendo a tecnologia e a educação como motores, o Governo “irá aprofundar o desenvolvimento integrado de Macau e Hengqin” e “impulsionará a concretização de uma elevada sinergia económica entre Macau e Hengqin”.

Para tal, o Executivo irá esforçar-se para concretizar até 2030, o valor acrescentado conjunto das indústrias de turismo cultural, de convenções, exposições e comércio, de big health da medicina tradicional chinesa, financeira com características próprias, de investigação e desenvolvimento tecnológico”. O objectivo é que a “produção avançada na Zona de Cooperação atinja 65 por cento do Produto Interno Bruto regional ou mais”, concretizando a almejada diversificação económica.

O artigo termina com um apelo a investidores nacionais e estrangeiros para investirem em Macau e Hengqin. “Vamos avançar, de mãos dadas, de forma empenhada, abrir em conjunto o novo capítulo no desenvolvimento de Macau e Hengqin”, remata Sam Hou Fai.

De olhos na meta

Para atrair investimento, quadros qualificados e criar as indústrias que reduzam o peso do jogo na economia local, Sam Hou Fai destaca a necessidade de desenvolver os quatro projectos-chave.

O governante realça que o objectivo é alcançar um valor acrescentado da indústria não relacionada com o Jogo de cerca de 60 por cento do PIB local até 2030. Para tal, o Governo irá “aumentar, substancialmente, a aposta de dinheiro no desenvolvimento da diversificação adequada da economia”, alavancar o papel orientador do Fundo de Orientação Governamental e promover a aglomeração de indústrias, quadros qualificados e tecnologia.

O Chefe do Executivo recorda que as estimativas preliminares do investimento total orçamentado para grandes projectos relacionados com a diversificação económica irá rondar os 130 mil milhões de patacas até 2030.

Sam Hou Fai menciona também a expansão de funções e do conteúdo da plataforma sino-lusófona/hispânica, reiterando a necessidade de “aproveitar o papel de Macau como o ‘interlocutor com precisão’ entre a China e os Países de Língua Portuguesa, de reforçar a função de plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial”.

12 Ago 2026

Tufão | Cancelados mais de 50 voos de e para Macau

O Aeroporto Internacional de Macau anunciou no domingo à noite o cancelamento de 54 voos até ontem devido à passagem do Tufão Dolphin. No domingo, foram cancelados 38 voos e ontem 16, com as principais rotas afectadas a serem para Xangai, Hangzhou, Ningbo, Wenzhou e Taipei.

O tufão enfraqueceu ontem após ter atingido a província chinesa de Zhejiang, com a cidade de Xangai a manter restrições de transporte e a retirar preventivamente 215.600 pessoas de zonas de risco

SMG | Alerta laranja de temperaturas altas

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) emitiram o alerta laranja para temperaturas altas, que se vai manter ao longo do dia de hoje. As autoridades indicaram ontem que “devido à influência da subsidência periférica do “Dolphin”, o tempo em Macau vai continuar soalheiro e muito quente entre os dias 10/8 e 11/8 [ontem e hoje], e as temperaturas máximas devem atingir os 36 °C, e um ou dois graus mais altas nas áreas urbanas”.

Os SMG indicam que os cidadãos devem evitar a permanência prolongada ao ar livre e tomar medidas de prevenção contra o calor, “bem como estar atentos à convecção desencadeada pelas altas temperaturas, que poderá provocar aguaceiros, trovoadas e rajadas de vento fortes na região durante a tarde e noite”.

Além disso, as autoridades alertaram que ontem o nível da qualidade do ar foi insalubre e aconselharam pessoas com doenças cardíacas ou respiratórias, grávidas, crianças e idosos a reduzir ao mínimo actividades extenuantes e o tempo de permanência ao ar livre, nomeadamente, áreas com tráfego intenso.

11 Ago 2026

Jogo | Detentora da Bee Macau estima aumento brutal de lucros

A Asia Pioneer Entertainment, que juntamente com a empresa belga Cartamundi detém a fábrica de cartas de jogar Bee Macau, estima registar, face ao primeiro semestre do ano, um volume de negócios de 34 milhões de dólares de Hong Kong (HKD) e lucros que variam entre 2,2 e 2,4 milhões de HKD, um aumento “90 vezes superior” ao registado no mesmo período de 2025

Uma “forte procura por equipamentos electrónicos de jogo” leva a Asia Pioneer Entertainment (APE) a acreditar que terá bons resultados financeiros neste primeiro semestre.

Segundo um comunicado, a APE, que juntamente com a Cartamundi detém a Bee Macau, primeira fábrica de cartas de jogar no território, prevê um volume de negócios de 34 milhões de dólares de Hong Kong (HKD) no primeiro semestre deste ano, “o que representa um aumento homólogo de, aproximadamente, 47,3 por cento face aos 23 milhões de HKD registados no mesmo período de 2025”.

Relativamente à estimativa de lucros líquidos, a empresa que fornece equipamentos de jogo em Macau acredita que terá, no primeiro semestre deste ano, lucros que variam entre 2,2 e 2,4 milhões de HKD.

Trata-se, segundo a mesma nota, de “um aumento expressivo de quase 90 vezes face aos 24.959 HKD registados no primeiro semestre de 2025”.

Desta forma, o conselho de administração da APE atribui “o aumento de receitas e lucros ao desempenho do principal segmento de negócio, dedicado à venda técnica e distribuição de equipamentos electrónicos de jogo”. Este “registou um crescimento de 56,2 por cento nas receitas no primeiro semestre de 2026, face ao mesmo período do ano anterior”.

“Marcos estratégicos”

O director financeiro da APE, Tony Chan, declarou, citado pelo comunicado, que os primeiros seis meses do ano representaram, para a empresa, “um desempenho operacional muito sólido”. Foram também alcançados “importantes marcos estratégicos no primeiro semestre, com o lançamento da Bee Macau e a implementação das nossas soluções tecnológicas de conversão de dinheiro”.

Tanto a Bee Macau, como estas novas tecnologias, “não contribuíram directamente para as receitas do primeiro semestre, mas constituem uma base sólida para o crescimento futuro das receitas”, adiantou Tony Chan.

Os dados referem-se ao primeiro semestre terminado a 30 de Junho deste ano. A APE, listada na Bolsa de Valores de Hong Kong, aconselha prudência a potenciais investidores, tendo em conta que a divulgação destes números tem por referência “as actuais contas de gestão consolidadas, e não auditadas, e informações actualmente disponíveis”.

Os resultados intercalares definitivos relativos ao primeiro semestre deste ano deverão ser divulgados pela APE no final deste mês, lê-se ainda.

11 Ago 2026

São Lázaro | Pedido ponto de situação sobre plano cultural

No ano passado, durante a apresentação das LAG, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura indicou que este ano seria lançado um estudo para aproveitar melhor os elementos culturais do Bairro de São Lázaro. A deputada Song Pek Kei pediu uma actualização sobre o que vai ser feito

Que vida terá o Bairro de São Lázaro e o que o Governo pretende fazer na histórica zona do centro de Macau? Estas questões resumem as dúvidas que a deputada Song Pek Kei tem em relação aos planos do Governo.

Numa interpelação escrita, divulgada no portal da Aliança de Povo de Instituição de Macau, a deputada recordou que no passado, O Lam revelou na apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) que ia lançar um plano de investigação sobre o Bairro de São Lázaro para “aprofundar a ‘cultura+’ e a integração e actualização industriais”. O conceito de “cultura+” tem sido usado pelo Governo para designar o aproveitamento dos elementos culturais da cidade para vertentes turísticas, desportivas, ou, por exemplo, ligadas ao sector das exposições e convenções.

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura prometeu na Assembleia Legislativa que o plano de revitalização de São Lázaro iria integrar as “indústrias” do bairro. Com o ano de 2026 já bem avançado, a deputada ligada à comunidade de Fujian pede ao Governo um ponto de situação sobre os planos de revitalização do bairro.

Visão mercantil

Song Pek Kei destacou que a revitalização dos bairros comunitários e o impulso à economia local e do comércio situado nas proximidades de zonas históricas são elementos essenciais para o desenvolvimento de Macau no futuro. Neste capítulo, a legisladora sublinha o carácter único do Bairro de São Lázaro, numa cidade com “um rico património histórico e cultural”, com “vários grupos de edifícios com grande valor cultural e arquitectónico de estilo ocidental, de grande dimensão”, que dão a Macau uma identidade única.

A deputada mencionou também que o Governo afirmou estar a planear dois percursos culturais e turísticos que ligam às construções históricas em vários bairros comunidades, e perguntou quando serão efectivamente lançados.

Song Pek Kei solicitou também detalhes e a calendarização do estudo que o Governo pediu à Academia Chinesa de Ciências Sociais para o planeamento das indústrias culturais e criativas de Macau para os próximos 10 anos.

11 Ago 2026

Obrigações | Governo Central emite mais 6 mil milhões RMB em Macau

O Ministério das Finanças da República Popular da China e o Governo da RAEM anunciaram ontem que o Governo Central vai emitir, no dia 20 de Agosto, em Macau, obrigações nacionais, no valor de 6 mil milhões de RMB, direccionadas a investidores profissionais.

Como tem sido habitual quando são anunciadas emissões de obrigações ou títulos de dívida, o Executivo saudou a iniciativa. “A emissão contínua de obrigações nacionais em Macau é uma importante manifestação do apoio do Governo Central ao aceleramento do desenvolvimento do mercado obrigacionista de Macau, à promoção contínua do desenvolvimento qualitativo do sector financeiro com características próprias e ao reforço da diversificação adequada da economia de Macau”.

O Gabinete de Comunicação Social acrescenta que “a emissão contínua de obrigações nacionais contribuirá para atrair mais emitentes de qualidade e investidores internacionais a participarem no mercado obrigacionista de Macau, potenciando as vantagens e o papel de Macau no âmbito da abertura ao exterior do país”.

11 Ago 2026

Bullying | Coutinho quer registo obrigatório de situações de abuso

O deputado José Pereira Coutinho considera que as autoridades devem criar uma proposta de lei que estabeleça “um regime de registo obrigatório de suspeitas de abuso infantil”, tendo em conta que a legislação sobre violência doméstica é, no entender do responsável, omissa neste ponto

Travar casos de bullying nas escolas ou situações de abuso infantil são preocupações do deputado José Pereira Coutinho, que na mais recente interpelação escrita enviada ao Governo, pede que se crie um “regime de registo obrigatório de suspeitas de abuso infantil”.

No entender do deputado, o regime de prevenção e combate à violência doméstica, em vigor desde 2016, não regula especificamente estes casos relacionados com menores, pois “não estabelece um dever geral e específico para reportar [casos] de forma obrigatória e vinculativa a todos os profissionais que trabalham com crianças”, desde “educadores, profissionais ou assistentes sociais”.

O deputado pede que se tenha em conta o caso de Hong Kong, que estabeleceu o “Mandatory Reporting of Child Abuse Ordinance”.

“Questiona-se que calendarização existe para que o Governo de Macau apresente uma proposta legislativa que crie um regime de registo obrigatório de suspeitas de abuso infantil, definindo claramente os profissionais abrangidos, os procedimentos de denúncia e respectivas sanções para o incumprimento”, sugeriu.

Coutinho recorda que o Instituto de Acção Social (IAS) publicou “recentemente” o “Guia de Procedimentos para o Manuseamento de Casos de Suspeita de Maus-Tratos a Crianças”, além de realizar, desde 2018, “acções de formação sobre o tratamento de casos de violência doméstica contra crianças, que têm registado a participação de centenas de profissionais”.

Porém, Coutinho “questiona de que forma o Governo de Macau está a garantir que a formação é, efectivamente, obrigatória e regular para todos os profissionais que trabalham com crianças, e não apenas numa base voluntária”.

Questões culturais

Na mesma interpelação escrita, José Pereira Coutinho declarou que a “realidade social e dados disponíveis” mostram a “necessidade de aprofundamento de políticas de protecção à infância e dos jovens, designadamente no que se refere à obrigatoriedade de reportar casos de abuso infantil e de Intimidação (bullying)”, passando pela “capacitação dos profissionais e reforço do apoio à saúde mental das vítimas”.

O deputado cita dados de 2025 do Ministério Público, quando foram registados 61 casos de crimes cometidos contra menores, “um aumento de 27,08 por cento face ao ano anterior, o que demonstra a urgência de medidas mais eficazes”.

Coutinho frisou também que, na prática, há “muitos casos que permanecem ocultos devido a factores culturais, como a relutância em ‘expor a vergonha da casa’ ou a pressão económica e habitacional sobre as famílias”. Desta forma, trata-se de factores que explicam parcialmente “a insuficiência dos mecanismos actuais de detecção [de casos] e reporte” dos mesmos.

Coutinho diz que tem recebido no seu gabinete de atendimento, cada vez mais, queixas sobre a maior ocorrência de casos de ciberbullying, em plataformas digitais e fora “dos portões das escolas”, ocorrendo o “agravamento deste cenário de forma alarmante”.

11 Ago 2026

Associações | Comissão da Segurança do Estado pode sugerir extinções

Começou ontem a consulta pública sobre a lei das associações. A extinção, ou recusa de constituição, pode ser sugerida pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado. Associações que recebam fundos do exterior terão de notificar esse facto à Direcção dos Serviços de Identificação, a entidade que irá fiscalizar a vida associativa

 

Está em curso o período de consulta pública relativa à lei das associações, até 23 de Setembro, que irá contar com três sessões públicas. De acordo com o documento de consulta, divulgado ontem, o quadro regulatório que rege a vida associativa na RAEM será profundamente alterado.

Um dos pontos de maior relevo na proposta do Governo é a ênfase dada à segurança nacional. Para prevenir actos que “ponham em perigo a ordem pública ou os direitos e liberdades de outrem”, o Executivo tomou como referência o quadro legal de Hong Kong, Interior da China, Singapura, Malásia e Portugal.

Assim sendo, foi proposto que a Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) “possa recusar a constituição de uma associação com base nas necessidades de defesa da segurança do Estado, da ordem pública ou dos direitos e liberdades de terceiros”. Para tal, a DSI poderá “requerer à Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM que proceda à apreciação da associação em causa”.

Além da recusa de constituição, o Governo propõe também que a DSI tenha a competência para decidir a extinção de associações “de acordo com o parecer de verificação da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM”, por serem “consideradas associações que põem em perigo a segurança do Estado”. Estas decisões não serão passíveis de recurso judicial.

Recorde-se que a comissão em questão é presidida pelo Chefe do Executivo e constituída pelos secretários do Governo, as chefias dos Serviços de Polícia Unitários, Serviços de Alfândega, Polícia Judiciária, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Instituto Cultural, os directores de serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e Serviços de Assuntos de Justiça, o director da Inspecção e Coordenação de Jogos e os chefes de gabinete do Chefe do Executivo e do secretário para a Segurança. A comissão é assessorada por representantes do Governo Central.

É também proposta a exclusão, como fundadores e titulares dos órgãos da associação, de pessoas condenadas, com trânsito em julgado, a uma pena de prisão por violação da lei de defesa da segurança do Estado, ou condenadas a pena de prisão igual ou superior a cinco anos.

O que está lá fora

O financiamento de associações por entidades fora de Macau é outro dos focos de fiscalização proposta. Para “prevenir que forças externas desenvolvam ilegalmente actividades em Macau através de associações, propõe-se que, se uma associação receber financiamento de uma entidade situada fora de Macau, além de ter de comunicar esse facto à DSI, esta última, após avaliação”, pode exigir a apresentação de documentos e informações, “tais como relatórios de actividades, contas e outros elementos.”

Durante a apresentação do documento de consulta, a directora da DSI, Sonia Chan, afirmou que as associações podem ser sujeitas a sanções administrativas se não notificarem a DSI, dentro do prazo legal, sobre alterações aos seus estatutos, mudanças nos órgãos de gestão, adesão ou saída de organizações ou grupos estabelecidos fora de Macau, ou financiamento de entidades fora de Macau. O mesmo pode acontecer se não apresentarem documentos ou informações exigidas dentro dos prazos legais.

É ainda referido que as informações que o Governo dispõe sobre as associações locais são insuficientes, em particular nos casos em que a associação aderiu a organizações ou grupos constituídos no exterior da RAEM, se a associação é filial constituída por associação do exterior da RAEM ou se a associação recebe financiamento proveniente de organizações, grupos ou indivíduos de fora da RAEM. “Esta insuficiência de informação não satisfaz os requisitos do combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, acarretando riscos para a segurança do Estado e da RAEM”, é acrescentado.

Num só lugar

Outra alteração sugerida, poderá afectar as associações de trabalhadores não-residentes. Será exigida às associações em que metade dos titulares de órgãos e restantes associados não sejam residentes da RAEM que apresentem à DSI “dados essenciais de todos os seus associados”. Estes organismos terão ainda de actualizar todos os anos, em Janeiro, os dados dos titulares dos órgãos e dos restantes associados. A DSI terá também o poder para solicitar “relatórios de actividades, contas e demais documentos e informações”.

Esta medida será aplicada também a associações constituídas antes da entrada em vigor da lei, que serão obrigadas a submeter os dados referidos após notificação da DSI.

A referência constante ao papel da DSI foi um dos destaques mencionados ontem pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak. O organismo liderado por Sonia Chan será a “única entidade responsável pela fiscalização de todo o procedimento de constituição e funcionamento das associações”.

O novo modelo de regulação elimina o circuito burocrático actual, que obriga à passagem pelos Cartórios Notariais para outorga de escritura pública, pela Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) e pela verificação de legalidade do Ministério Público.

Wong Sio Chak salientou o aumento exponencial de associações em Macau, de cerca de 2.000 antes da transição, para cerca de 12.400 hoje em dia. Porém, o governante salientou que “apenas cerca de 60 por cento mantêm um certo nível de funcionamento, enquanto aproximadamente 40 por cento estão inactivas há muito tempo ou não chegaram sequer a funcionar após a sua constituição”.

Aliás, do universo total de associações actualmente constituídas em Macau, “apenas cerca de 8.500 submeteram os dados dos titulares dos seus órgãos à DSI, o que demonstra que muitas delas não cumprem as exigências básicas para o funcionamento legal, não se excluindo a eventual existência de ‘associações fantasmas’”, acrescentou o secretário.

11 Ago 2026

Hong Kong | Incêndio que causou 168 mortos começou com beata

A investigação levada a cabo após a tragédia em Tai Po, concluiu que o pior incêndio dos últimos 80 anos em Hong Kong começou com uma ponta de cigarro atirada para o exterior de um dos edifícios que compunham o complexo habitacional

O devastador incêndio que causou 168 mortos em Novembro passado num complexo residencial de Hong Kong começou com uma beata de cigarro atirada para o exterior de um dos edifícios, segundo o mais recente relatório oficial.

O jornal local The Standard deu conta sábado do relatório publicado pelo comité independente encarregado de esclarecer as causas do mais mortífero incêndio na antiga colónia britânica em quase oito décadas, em que o chefe de Ciência Forense do Laboratório Governamental de Hong Kong, Lee Wing-man, afirma que os danos na fachada do edifício Wang Cheong, onde o fogo teve origem – demonstram que as chamas se propagaram a partir do exterior.

Nas fotografias analisadas do local onde se acredita que o incêndio começou podem observar-se “grandes quantidades” de materiais de embalagem, como cartão ou sacos de plástico, bem como várias beatas.

Os especialistas concluíram que as beatas foram a causa mais provável, depois de terem excluído outras possíveis causas, como curto-circuitos eléctricos ou mesmo combustão espontânea. Assim, o comité, que investiga o incidente desde Dezembro, conclui que a origem do incêndio foi acidental, não tendo sido encontradas outras fontes de ignição.

Causas múltiplas

O incêndio começou na tarde de 26 de Novembro de 2025, quando os edifícios – construídos em 1984 e com capacidade para 4.600 residentes – estavam envolvidos em andaimes e lonas de obras devido a trabalhos de reabilitação das fachadas, e as últimas chamas só foram apagadas 44 horas mais tarde.

A tragédia foi associada pelos investigadores à utilização de materiais inflamáveis – as lonas não passaram nos testes de resistência ao fogo e as placas de espuma de poliuretano funcionaram como acelerante – e à degradação dos sistemas de proteção contra incêndios, reacendendo o debate sobre os padrões de segurança em projectos de reabilitação de grandes complexos residenciais.

O comité identificou preliminarmente até seis factores humanos, entre eles a desactivação dos alarmes e das bombas de combate a incêndios dias antes do incidente, no âmbito de trabalhos de reparação dos depósitos de água situados nas coberturas dos edifícios, e analisou também possíveis incumprimentos das obrigações de manutenção por parte do empreiteiro.

Em Janeiro deste ano, as autoridades locais indicaram que 22 pessoas tinham sido detidas pela polícia no âmbito do incidente, 16 das quais acusadas de homicídio, enquanto a brigada anticorrupção tinha detido outras 14 pessoas.

Entretanto, o secretário de Trabalho de Hong Kong, Chris Sun, anunciou que iria propor a proibição total de fumar em zonas de construção.

10 Ago 2026

Demografia | Natalidade volta a cair pelo sétimo ano consecutivo

No final do primeiro semestre, a população da RAEM era composta por 686.500 pessoas, mais 600 em termos anuais, apesar do corte para quase metade das autorizações de residência e dos nascimentos que continuam a diminuir todos os anos desde 2019. Na primeira metade de 2026, os nascimentos (1.340) foram quase tantos quantos os óbitos

Apesar dos incentivos do Governo para aumentar a natalidade, os números não enganam. As estatísticas demográficas referentes ao primeiro semestre deste ano revelam que nasceram em Macau 1.340 bebés, prosseguindo as sucessivas quebras de ano para ano desde 2019, quando nasceram 2.875 crianças, o que representa uma diminuição de 53,4 por cento. Em relação à primeira metade de 2025, este ano nasceram menos 81 bebés, o que corresponde a uma quebra de nascimentos na ordem dos 5,7 por cento.

Os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) mostram que os 1.340 bebés nascidos nos primeiros seis meses do ano, 52,5 por cento eram do sexo masculino.

No semestre de referência, foram registados 1.447 casamentos, mais cinco, face ao semestre homólogo de 2025. Porém, face à primeira metade de 2024, o número de matrimónios apresentou este ano uma quebra de 13 por cento.

Do outro lado da equação, no primeiro semestre de 2026, o número de óbitos foi de 1.329. A DSEC salienta “que o número de óbitos mais elevado se deveu a “tumores” (473 óbitos, 35,6 por cento do total), seguindo-se o de “doenças do aparelho circulatório” (362 óbitos, 27,2 por cento) e o de “doenças do aparelho respiratório” (138 óbitos, 10,4 por cento).

Contas de cá

A contabilidade da DSEC revela que no fim do primeiro semestre deste ano, a população total da RAEM era composta por 686.500 pessoas, mais 600 em termos anuais. Quanto à distribuição percentual da população por sexo, a DSEC indica que a população feminina (371.000) era superior à masculina (315.500), representando 54 por cento da população total.

Apesar do salto demográfico, com o aumento da população em cerca de 600 pessoas, foram concedidos menos salvos-conduto singulares a indivíduos do Interior da China e as novas autorizações de residência diminuíram para quase metade.

No primeiro semestre deste ano, a RAEM concedeu nova autorização de residência a 471 pessoas, o que representa uma quebra de 47,4 por cento em comparação com os primeiros seis meses de 2025, quando as novas autorizações totalizaram 895 casos.

Também o número de indivíduos do Interior da China recém-chegados à RAEM titulares de “Salvo-Conduto Singular” diminuiu 9,3 por cento face à primeira metade de 2025 para um total de 1.466.

10 Ago 2026

Crime | Acusado de tentativa de homicídio em prisão preventiva

O indivíduo detido por ter esfaqueado a namorada está em prisão preventiva acusado de tentativa de homicídio. O suspeito, um homem de 41 anos, comprou dois x-actos na Taipa na tarde antes do ataque. A vítima foi submetida a uma cirurgia e encontra-se em estado estável

Foto: Jornal Ou Mun

O Ministério Público (MP) confirmou no sábado que o indivíduo suspeito do ataque à namorada com armas brancas à porta de um hotel no Cotai foi presente a juiz de Instrução Criminal e irá aguardar julgamento em prisão preventiva.

A medida de coação foi aplicada devido à “existência de fortes indícios da prática, na forma tentada, do crime de homicídio”, e tendo em conta “a natureza e a gravidade dos factos, o modus operandi, a motivação e a sua eventual fuga de Macau”.

“Finda a investigação preliminar, verifica-se que o arguido e a ofendida se conheceram em Macau em Maio de 2025, altura em que iniciaram uma relação amorosa. Em Julho do corrente ano, o arguido sentiu que a ofendida começou a afastar-se dele e a relacionar-se com outro indivíduo”, descreve o MP em comunicado. O organismo acrescenta que o afastamento da vítima fez com que o arguido, um homem de 41 anos do Interior da China, se sentisse enganado a nível sentimental, mas também patrimonial.

O MP descreve que na tarde do ataque, por volta das 15h, o suspeito dirigiu-se a uma loja na Taipa onde comprou dois x-actos usados no crime. Além disso, o arguido terá recolhido uma faca e um garfo no quarto de hotel.

Em estado estável

Na noite do ataque, cerca das 22h de quarta-feira, o arguido seguiu a vítima até esta entrar num veículo de sete lugares junto à entrada do hotel. No interior do veículo estavam mais duas mulheres e o motorista, que saíram do veículo assim que o ataque começou, e alertaram as autoridades e seguranças do hotel.

Segundo informações avançadas pela Polícia Judiciária (PJ), o exame forense revelou múltiplas lacerações no lado esquerdo e parte de trás do pescoço, lábio inferior, maxilar e mão direita da vítima. Alguns cortes chegaram a 20 centímetros de comprimento.

As autoridades acrescentaram que as lesões resultaram em choque hemorrágico, com significativa perda de sangue, colocando em perigo a vida da vítima.

Na conferência de imprensa sobre o caso, que se realizou na sexta-feira, a PJ indicou que a vítima se encontrava num estado clínico estável, depois de ter sido submetida a uma cirurgia. Porém, na sexta-feira a mulher ainda se encontrava inconsciente, devido à medicação, o que impediu as autoridades de recolherem o seu depoimento. Até ao fecho desta edição não foram avançados mais detalhes.

Apesar disso, a PJ indicou na sexta-feira que a investigação apontava para fortes indícios de que o arguido terá agido de forma premeditada, ao comprar as armas usadas no crime, e com intenção de matar por ter golpeada a vítima intencionalmente em partes vitais do corpo repetidamente. Neste aspecto, o MP salienta que “o arguido foi imobilizado a tempo por agentes de segurança, evitando a consumação do homicídio contra a ofendida”.

O MP alertou os cidadãos para não recorrerem à violência para resolver problemas amorosos e pessoais nem praticar actos ilícitos por mero impulso.

10 Ago 2026

Economia | Conselheira alerta para fragilidade das PME

Rainbow Lei Choi Hong defende uma maior flexibilização dos critérios de acesso ao crédito, mesmo no caso em que as empresas não conseguem apresentar garantias suficientes. A conselheira avisou também que o ambiente económico está a colocar em causa a diversificação económica

 

Uma procura fraca e muita preocupação com o futuro. Foi desta forma que, segundo o jornal Ou Mun, Rainbow Lei Choi Hong, membro do Conselho Consultivo do Serviço Comunitário da Zona Norte, descreveu a actualidade das Pequenas e Médias Empresas (PME) do território.

Durante a reunião mais recente, a conselheira defendeu a necessidade de o Executivo equacionar formas de facilitar o financiamento destas empresas que garantem a diversificação económica da RAEM.

A também dirigente da Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau começou por apontar que, no primeiro semestre deste ano, o PIB de Macau registou um crescimento real anual de 3,7 por cento. No entanto, as PME em geral não beneficiaram deste crescimento na mesma proporção.

Rainbow Lei vincou ainda que, no primeiro trimestre, foram dissolvidas mais de 300 empresas, que implicaram um capital de 240 milhões de patacas. Este valor superou o capital das novas empresas registadas no primeiro trimestre, que se fixou em 120 milhões de patacas. A conselheira explicou que estes números mostram “uma clara tendência de saída líquida de capital” do mercado.

Por isso, Rainbow Lei indicou ser necessário facilitar o financiamento das PME durante esta fase mais difícil, e sugeriu a optimização do plano de garantia de crédito e a redução dos critérios de acesso ao financiamento. Ao mesmo tempo, propôs a simplificação dos procedimentos de aprovação e a diminuição das exigências de garantia nos pedidos de empréstimos, para permitir que as PME sem garantias suficientes obtenham crédito. Entre as propostas. surge o alargamento dos prazos dos pedidos de apoio.

Flexibizar as restruturações

Em relação às empresas em dificuldades, mas que podem ser lucrativas, a conselheira propôs “flexibilizar as restrições de reestruturação de dívida e a criação de mecanismos de reembolso flexíveis”.

Rainbow Lei Choi Hong pediu também um maior apoio dos bancos à economia local, e uma maior margem no que diz respeito ao pagamento parcial dos empréstimos ou ao prolongamento dos prazos de devolução.

Além disso, a dirigente associativa sugeriu a criação de um mecanismo de partilha de riscos do crédito entre o Governo e a banca. O objectivo passa por criar uma ‘última rede de segurança’ e evitar que os bancos transfiram a totalidade do risco do apoio à economia para o Governo.

10 Ago 2026

Sam Hou Fai antecipa entrada em funcionamento da Cidade Universitária

Sam Hou Fai visitou a Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, na Ilha da Montanha, para acompanhar o desenvolvimento das “instalações de ensino e as infra-estruturas de apoio”.

A visita decorreu na quinta-feira, e antecipa a entrada em funcionamento do campus que vai permitir a expansão da Universidade de Macau, da Universidade Politécnica de Macau e da Universidade de Turismo de Macau.

A comitiva liderada pelo Chefe do Executivo observou espaços como salas de aula, laboratórios pedagógicos, restaurantes, auditórios, centros de estudantes e residências. No final da visita, Sam Hou Fai mostrou-se satisfeito o com desenrolar do projecto e as “diversas ofertas lectivas” disponibilizadas pelas instituições de ensino.

O início da actividade da 1ª fase da Cidade Universitária vai acontecer a 17 de Agosto, e o projecto ocupa uma área de construção de cerca de 65 mil metros quadrados. Esta fase envolveu um investimento com capitais da RAEM na ordem dos 8 mil milhões de patacas. No entanto, o investimento total, que inclui a 2ª e 3ª fases, deverá ultrapassar os 20 mil milhões de patacas.

Tudo se aproveita

A primeira fase visou principalmente a conversão da Praça de Dezhi, uma zona desenvolvida em Hengqin, pelas autoridades locais em parceria com a multinacional Siemens, com espaços de habitação e comerciais a imitar uma cidade tradicional alemã. Como o projecto não despertou interesse comercial, acabou por ser recuperado.

Agora a Praça de Dezhi vai ser aproveitada pelas universidades públicas da RAEM e foi transformada para receber edifícios de ensino e administrativos, dormitórios, cantinas, auditórios e salas de investigação científica. Nesta primeira fase, cerca de 1.400 alunos de pós-graduação vão frequentar o projecto.

Sobre o arranque das actividades, Sam Hou Fai pediu às três instituições que se coordenem para garantirem “o estabelecimento harmonioso e o início do ano lectivo sem sobressaltos para os 1.400 estudantes de pós-graduação, unindo-se para acumular experiência na gestão de um complexo universitário integrado”. Sam pediu igualmente às instituições de ensino que criem “boas condições para a transição para a 2ª e 3ª fases da Cidade Universitária”, que deverão ocorrer até 2030.

10 Ago 2026

Diáspora macaense | José Basto da Silva quer lançar Portal online

Chama-se “Portal da Diáspora Luso-descendente” e é da autoria do macaense José Basto da Silva. Ainda em fase de teste, o portal pretende ser “um repositório central acessível para a diáspora luso-descendente”, podendo vir a ser avaliado pelo Conselho das Comunidades Portuguesas e o Governo português para obtenção de financiamento

 

José Basto da Silva, macaense que reside em Macau, acaba de divulgar o seu mais recente projecto, ainda em fase inicial: o “Portal da Diáspora Luso-descendente”, que está ainda “em fase de demonstração”, sendo depois avaliado pelo Conselho das Comunidades Portuguesas e pelo Governo Português”, contou o próprio ao HM. A ideia é conseguir apoios financeiros que sustentem o projecto.

Anunciado na mais recente newsletter da Casa de Macau em Lisboa, este projecto online visa reunir dados sobre os macaenses espalhados pelo mundo fora, mas também de um ponto de vista mais dinâmico. Pretende-se, segundo escreve José Basto da Silva na newsletter, que o website se transforme “num repositório central e acessível para a diáspora luso-descendente, independentemente da geografia e da região horária, reunindo informação útil como serviços consulares, entidades associativas, oportunidades de negócio e ensino do português”.

Porém, podem também ser divulgadas informações sobre eventos, gastronomia, sendo que, nesta fase, o projecto carece de financiamento, bem como de gestão em termos de conteúdos.

“Mais do que uma base de dados, o Portal será um ponto de encontro virtual, onde os utilizadores podem interagir, fazer ‘networking’ e fortalecer a ligação inter-geracional”, escreveu José Basto da Silva. Pretende-se também que o projecto digital seja “um espaço de partilha de experiências e de mentoria, capaz de aproximar gerações e criar pontes entre comunidades”.

A ideia é também apostar em conteúdos multimédia, nomeadamente com vídeos, fotografias e podcasts, “dando voz e imagem às histórias da nossa diáspora”.

“A disponibilização deste Portal será uma ferramenta essencial para a preservação e promoção da língua e cultura portuguesas”, destacou o autor do projecto, além de “reforçar o sentimento de pertença, constituindo um impulso decisivo para a projecção da imagem de Portugal no mundo”.

Contactos em linha

O portal tem, para já, alguns contactos de embaixadas e postos consulares portugueses, nomeadamente em Macau e Hong Kong; Xangai, Singapura ou Japão, apresentando ainda um directório de associações ligadas à comunidade macaense que estão espalhadas pelo mundo.

Outra secção é “Lusophone Youth Network” [Rede da Juventude Lusófona], que visa a conexão “de jovens profissionais e busca de oportunidades de mentoria”.

Aqui, as possibilidades de contacto são muitas – Isabel Gomes, situada em Macau, escreveu: “Passei no exame HSK 6 na semana passada! Três anos de Mandarim em simultâneo com trabalho a tempo inteiro. Se alguns colegas lusófonos em Macau estão a aprender chinês, vamos iniciar um grupo de estudo. A língua abre, aqui, todas as portas.”

Além de contactos na área do ensino de idiomas, há também propostas com uma visão mais empresarial. Miguel Santos, de Hong Kong, escreveu: “Ofereço sessões de mentoria 1:1 para recém-licenciados que procuram entrar no mercado financeiro asiático. 5 anos na Goldman Sachs HK – feliz por partilhar o que sei. Esta comunidade já me deu tanto, é tempo de retribuir.”

Há ainda o testemunho de Ana Ferreira, de Singapura: “Acabei de concluir uma reunião incrível com o Conselho Empresarial Lusófono em Singapura. Aqui, as oportunidades para profissionais de língua portuguesa são notáveis. Estamos a organizar uma mesa redonda para o terceiro trimestre — envia-me uma mensagem privada se quiseres participar!”

Não faltam partilhas com um teor ligado à cultura portuguesa. “Bonita noite de Fado na Casa de Portugal em Tóquio no último fim-de-semana. A música de Amália Rodrigues a encher uma sala com piso de tatami em Shibuya — surreal e belíssima. Estas pontes culturais são mais importantes do que nunca”, escreveu, de Tóquio, Mariana Costa.

Na secção de multimédia também já existem alguns conteúdos disponíveis, nomeadamente um vídeo, disponível também no YouTube, sobre os 400 anos do ataque dos Holandeses, da Companhia das Índias Ocidentais, a Macau, a 24 de Junho de 1622, e que permitiu a manutenção das autoridades portuguesas no enclave no sul da China. O vídeo é narrado pela historiadora e antiga docente Beatriz Basto da Silva. Há ainda conteúdos multimédia sobre o grupo teatral em patuá Dóci Papiaçám di Macau, ou sobre comida macaense.

O que falta fazer?

José Basto da Silva já definiu os passos necessários para que o portal seja uma realidade. Em causa está um “projecto ambicioso” que visa a criação de um “comité de gestão”, composto pelas “entidades que assinaram o protocolo de cooperação: Conselho das Comunidades Portuguesas; Conselho das Comunidades Macaenses e o Instituto Internacional de Macau”.

Na visão do promotor do projecto, “é crucial que estas entidades façam chegar o Portal à diáspora, incentivando a participação activa na criação e actualização de conteúdos”.

Em termos de estratégia para o crescimento do projecto, “numa primeira fase o foco será a Ásia e as comunidades luso-descendentes da região”, existindo já um arquivo fotográfico online, no website, que serve para um primeiro contacto com o projecto.

José Basto da Silva entende que esta poderá ser “uma ferramenta para o futuro”, tendo em conta que “Macau mudou profundamente nas últimas décadas”, revelando “sinais de abrandamento”.

“Apesar das boas intenções e retórica do Governo da RAEM, pouco tem sido feito no sentido de alterar o status-quo da comunidade lusófona, sobremaneira no que toca aos jovens. Vivemos tempos diferentes: não só jogamos num campeonato diferente, como mudaram-se radicalmente as regras do jogo”, destacou.

Perda de identidade

Na newsletter da Casa de Macau em Lisboa, José Basto da Silva alerta para o facto de o território estar “paulatinamente a perder a sua identidade”, existindo “uma recessão que se instala progressivamente não só no território, como em toda a China”.

“O Executivo governa com os olhos postos nas questões de impacto imediato, sem uma verdadeira aposta na diversificação, na defesa das características únicas locais, e sem medidas concretas que envolvam e valorizem a comunidade local lusófona”, frisou, referindo-se ao actual Governo liderado por Sam Hou Fai.

Desta forma, José Basto da Silva destaca que deve existir uma maior união por parte de macaenses e outros luso-descendentes. “Urge unirmo-nos para reforçar e consolidar a nossa presença”, bem como “criar oportunidades e fomentar a intervenção ao mais alto nível, não só em prol da nossa identidade e afirmação no território, mas também na defesa da singularidade de Macau.”

José Basto da Silva lembrou como a preservação da identidade macaense está, inclusivamente, “em linha com o discurso do Presidente Xi Jinping”. Em suma, “o Portal não é apenas um projecto tecnológico: é um instrumento de união, de identidade e de projecção cultural”.

“Ao consolidar informação, criar redes e dar visibilidade às comunidades, abre caminho para que a diáspora luso-descendente se declare como protagonista na preservação e difusão da herança portuguesa”, rematou José Basto da Silva.

10 Ago 2026

Pequim intensifica cobrança retroactiva de impostos no estrangeiro

A China intensificou a cobrança de impostos sobre activos detidos no estrangeiro por cidadãos de elevado património, em alguns casos com efeitos retroactivos até 2000, visando reforçar as receitas públicas e apertar o controlo sobre a saída de capitais.

Segundo o jornal britânico Financial Times, que cita responsáveis estrangeiros, banqueiros chineses e gestores de patrimónios familiares (‘family offices’), as autoridades fiscais estão a analisar ganhos obtidos no estrangeiro com investimentos em imobiliário, ações, metais preciosos, criptomoedas e outros activos.

O FT refere que bancos chineses e outras instituições financeiras receberam instruções para rever os investimentos internacionais de clientes de elevado património e verificar se os respectivos rendimentos foram declarados às autoridades fiscais chinesas.

O professor de Economia Política Chinesa na Universidade da Califórnia em San Diego, Victor Shih, afirmou ao jornal que a motivação da campanha é “claramente fiscal”.

Em alguns casos, as instituições financeiras estarão a colaborar com as autoridades fiscais para congelar contas bancárias até que os contribuintes regularizem o pagamento de impostos e eventuais coimas sobre mais-valias obtidas com activos, contas e estruturas fiduciárias (‘trusts’) no estrangeiro.

Um banqueiro do sul da China, que não foi indicado, disse ao FT que “essas pessoas ricas pagam imediatamente, em dinheiro, os impostos e as coimas para reactivar as contas”.

Segundo fontes citadas pelo jornal, o período abrangido pelas inspecções varia. Um gestor de um ‘family office’ em Shenzhen indicou que alguns clientes foram chamados a pagar impostos sobre ganhos obtidos entre 2017 e 2022, enquanto outras investigações remontam ao início da década de 2000.

A ofensiva ocorre num contexto de crescente pressão sobre as finanças públicas chinesas. As receitas orçamentais, fortemente dependentes da arrecadação fiscal, diminuíram 1,7 por cento, para 21,6 biliões de yuan, em 2025, enquanto as receitas provenientes da venda de terrenos, tradicionalmente uma importante fonte de financiamento dos governos locais, caíram para 4,15 biliões de yuan, menos de metade do pico registado em 2021.

Opostos atraem-se

No mês passado, Pequim anunciou novas regras para as estruturas fiduciárias (‘trusts’) constituídas no estrangeiro, eliminando um mecanismo frequentemente utilizado por famílias ricas para diferir ou reduzir o pagamento de impostos.

Ao abrigo das novas regras, os rendimentos gerados por esses veículos passam a estar sujeitos a uma taxa de 20 por cento em diferentes fases, uma medida que, segundo um banqueiro sediado em Singapura citado pelo FT, “chocou” os seus clientes. “Durante o período em que as ofertas públicas iniciais eram muito frequentes, uma estrutura fiduciária adequada permitia reduzir a carga fiscal. A nova regra acabou com essa vantagem”, afirmou.

Na quarta-feira, órgãos de comunicação chineses noticiaram também que as autoridades começaram a cobrar um imposto de 20 por cento sobre dividendos e juros provenientes de apólices de seguros contratadas no exterior. A notícia levou as ações da seguradora britânica Prudential, muito exposta ao mercado asiático, a cair até 13 por cento na bolsa de Londres, enquanto o banco HSBC chegou a perder mais de 6 por cento durante a sessão, antes de recuperar parcialmente.

As medidas aproximam o regime fiscal chinês do modelo norte-americano, que tributa os residentes pelos rendimentos obtidos em todo o mundo.

7 Ago 2026