João Santos Filipe Manchete SociedadeSalários | Galaxy e Wynn imitam Sands e anunciam aumentos No caso da Wynn, os aumentos salariais vão acontecer em Março, mas na Galaxy entram em vigor apenas em Abril. Os salários vão crescer entre 500 patacas e 4,5 por cento As concessionárias Wynn Macau e Galaxy Entertainment Group anunciaram aumentos para os trabalhadores que variam entre 500 patacas e 4,5 por cento do valor mensal do salário. As empresas seguem o exemplo da Sands China, a primeira concessionária a anunciar os aumentos, logo na segunda-feira. No caso da concessionária americana, anunciou-se um aumento salarial entre os 2 por cento e os 4,5 por cento para os trabalhadores dos Wynn Macau e WYnn Palace, excluindo as posições sénior de administração. O aumento entra em vigor a partir de 1 de Março e cobre 98 por cento dos 11.803 trabalhadores. No caso dos trabalhadores com salários até 16 mil patacas, o aumento é de 500 patacas, o que corresponde a um aumento de 2 por cento a 4,5 por cento. No caso de os trabalhadores terem um salários superiores a 16 mil patacas, o aumento é de 2 por cento. “O sucesso da empresa depende dos esforços incansáveis e da dedicação de cada membro da equipa. Esperamos partilhar os frutos das nossas conquistas colectivas através deste aumento salarial”, afirmou Linda Chen, directora executiva da Wynn Macau. “Este ano tem um significado especial, pois celebramos o 20.º aniversário da Wynn Macau e o 10.º aniversário do Wynn Palace. Esperamos continuar a nossa jornada juntos, lutando por novos patamares para a Wynn e Macau, e abraçando um futuro ainda mais brilhante juntos”, acrescentou. Galaxy segue No caso da empresa Galaxy, responsável pelos casinos Galaxy e StarWorld, os aumentos deverão abranger cerca de 98 por cento dos trabalhadores, incluindo cargos seniores de administração. No caso dos trabalhadores receberem até 16 mil patacas, incluindo salários e gorjetas garantidas, o aumento vai ser de 500 patacas. No entanto, se o salário e as gorjetas garantidas ficarem acima das 16 mil patacas, o aumento aplicável é de 2 por cento. Os trabalhadores vão sentir a mudança em Abril, o que difere do prometido pela Wynn e pela Sands, onde os aumentos entram em vigor um mês antes, em Março. “A Galaxy Entertainment Group agradece a todos os membros da equipa pela sua dedicação e trabalho árduo, e espera alcançar juntos um sucesso ainda maior, guiados pela crença de ‘Uma equipa, um objectivo’”, pode ler-se no comunicado em que foi divulgado o aumento.
Hoje Macau Manchete SociedadeCasinos | Transacções suspeitas caem 6,1 por cento em 2025 Os dados oficiais mostram que o número de transacções suspeitas caiu no último ano para um total de 3.603 O número de transacções suspeitas registadas em casinos caiu 6,1 por cento em 2025, de acordo com dados oficiais. O Gabinete de Informação Financeira (GIF) referiu que as seis operadoras de casinos submeteram, no total, 3.603 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo. Numa publicação feita na plataforma chinesa WeChat na segunda-feira à noite, o GIF apontou “a diminuição do número de participações de transacções suspeitas reportadas pelo sector do jogo” como a principal razão para a queda do número total, também de 6,1 por cento. No ano passado, o gabinete recebeu 4.925 participações, 73,1 por cento vindas das concessionárias de casinos, enquanto 20,5 por cento vieram de bancos e seguradoras e 6,4 por cento de outras instituições e entidades. Os sectores referenciados, incluindo lojas de penhores, joalharias, imobiliárias e casas de leilões, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transacção igual ou superior a 500 mil patacas. Em 2024, o GIF recebeu 5.245 participações, sendo que a maioria veio dos casinos do território: 3.837, mais 11,8 por cento do que no ano anterior e um novo recorde. A cumprir Segundo o relatório anual do GIF, Macau era o único membro do Grupo Ásia-Pacífico Contra o Branqueamento de Capitais (GAFI) que cumpria “todos os 40 padrões internacionais” sobre a prevenção da lavagem de dinheiro e do financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa. O gabinete assinou acordos para a troca de informação com 33 países e territórios, incluindo a Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária de Portugal, em 2008, a Unidade de Informação Financeira do Banco Central de Timor-Leste, em 2018, e, em 2019, o Conselho de Controlo de Actividades Financeiras do Brasil e a Unidade de Informação Financeira de Cabo Verde. Em Julho, o GIF disse que tinha ultimado os procedimentos para assinar, também com Angola, um acordo de troca de informações para prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo e à proliferação de armas de destruição em massa. O gabinete indicou que o acordo esteve na mesa num encontro com representantes da Unidade de Informação Financeira da República de Angola, à margem da reunião do Grupo Egmont entre 6 e 11 de Julho, no Luxemburgo. O Grupo Egmont é uma organização internacional de luta contra a lavagem de dinheiro, que reúne 181 unidades de informação de todo o mundo.
João Santos Filipe Manchete PolíticaGravidez | Ella Lei pede explicações sobre garantias laborais A deputada quer que o Governo explique o conteúdo dos Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau (2019-2025) que têm como meta a “igualdade de género e desenvolvimento pleno” A deputada Ella Lei Cheng I pediu ao Governo para explicar como pretende garantir os direitos laborais das grávidas no âmbito dos novos Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau, que vão vigorar entre este ano e 2032. O assunto faz parte de uma interpelação escrita da legisladora ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau, divulgada pelo portal da Assembleia Legislativa. No final do ano passado, chegou ao fim o programa com os Objectivos do Desenvolvimento das Mulheres de Macau (2019-2025). Por isso, na segunda reunião plenária do Conselho para os Assuntos das Mulheres e Crianças, em Dezembro, foram apresentados os novos objectivos para contribuir para a “igualdade de género e desenvolvimento pleno”. Contudo, Ella Lei considera que o Governo tem de explicar melhor a forma como vai “promover mecanismos especiais de protecção para as mulheres grávidas e as novas mães que trabalham por turnos”, aumentar o “tempo de amamentação” e garantir que as instalações de amamentação são comuns não só na Função Pública, onde se encontram generalizadas, mas também no sector privado. A deputada mostra-se igualmente preocupada com a situação do “emprego das mães solteiras” e recorda que os objectivos em vigor até ao ano passado tinham várias metas laborais para estas situações. Contudo, admite que talvez sejam necessários mecanismos mais eficazes para as grávidas solteiras, que se encontram em situação vulnerável: “Espera-se que a eficácia destas medidas e a sua implementação sejam continuamente revistas. As autoridades irão introduzir salvaguardas institucionais mais específicas no futuro?”, questiona. Protecção contra assédio Além das questões de natureza laboral, Ella Lei defende a criação “de um organismo para lidar com as queixas de assédio sexual, mecanismo dedicado a promover a igualdade de género e lidar com incidentes de discriminação de género”. Um dos objectivos para a deputada é garantir que os mecanismos de queixa oferecem a protecção das queixosas nos lugares de trabalho ou instituições de ensino, sem que sofram represálias. “No que diz respeito aos esforços para promover a igualdade de género e reforçar as salvaguardas contra o assédio sexual de mulheres e crianças, quais são os planos das autoridades para melhorar os quadros institucionais, criar órgãos estatutários e desenvolver mecanismos de reclamação”, questiona.
João Luz Manchete PolíticaFAOM | Direcção reúne com Sam Hou Fai e recebe elogios Os novos corpos dirigentes dos Operários reuniram com Sam Hou Fai. Entre os temas discutidos, destaque para o apelo à manutenção da estabilidade social e a promoção do nacionalismo. O líder do Governo reiterou que irá “implementar integralmente as instruções e exigências” de Xi Jinping Sam Hou Fai recebeu, na segunda-feira, na Sede do Governo os novos corpos dirigentes da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), eleita em meados do passado mês de Dezembro. Nacionalismo, cumprimento absoluto dos planos traçados pelo Governo Central para Macau e estabilidade social foram os temas principais discutidos entre os governantes e os dirigentes da associação tradicional alimentada com fundos públicos. Segundo o Gabinete de Comunicação Social, depois de saudar a nova direcção da FAOM, Sam Hou Fai elogiou a associação “por ter constituído uma força fulcral para o fortalecimento das bases do amor pela pátria e por Macau, contribuindo para a RAEM implementar de forma inabalável o princípio ‘um país, dois sistemas’”. O Chefe do Executivo recordou que o Presidente Xi Jinping e o Governo Central “reconheceram plenamente os resultados alcançados pelo governo da RAEM em liderar e unir esforços dos diversos sectores sociais no ano passado”, e que esses resultados “contaram também com o contributo significativo da FAOM”. Sam Hou Fai salientou também o papel dos Operários “para unir e servir os trabalhadores em geral e manter a estabilidade da sociedade”, assim como na “salvaguarda dos direitos e interesses laborais” e no “firme apoio à governação da RAEM”. Seguir o líder O Chefe do Executivo reiterou que em 2026, “o Governo continuará a trabalhar com todos os sectores da sociedade, para implementar integralmente as instruções e exigências do Presidente Xi Jinping, sem defraudar as suas expectativas e do Governo Central”. Para o futuro, Sam Hou Fai espera que a FAOM “continue a unir os trabalhadores de todos os sectores, sobretudo os jovens trabalhadores, aumentando de forma abrangente a competência profissional” através de formação especializada. O objectivo é “implementar plenamente os planos do Governo Central e tarefas confiadas a Macau, de promover um progresso contínuo do princípio ‘um país, dois sistemas’ na nova era.” O deputado Lam Lon Wai foi eleito no dia 16 de Dezembro presidente da FAOM, após a primeira reunião ordinária da direcção. O novo presidente da direcção é Kong Ioi Fai, e a nova presidente do Conselho Fiscal é Ho Sut Heng. Em relação à missão dos novos corpos dirigentes da FAOM, Lam Lon Wai salientou que a promoção do patriotismo estará no topo das prioridades.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteEstudo | Sociedade de Hong Kong domina notícias sobre depressão Um estudo publicado no Journal of Medical Internet Research analisou temas e tom emotivo de notícias sobre depressão publicadas em Hong Kong. O “sistema societário”, relacionado com saúde, família ou trabalho, surge em primeiro lugar com 34,83 por cento do total das notícias, tendo uma “inclinação mais negativa” O sistema da sociedade de Hong Kong domina o grupo de temas presentes em notícias sobre depressão, representando 34,83 por cento dos artigos analisados, seguindo-se temáticas como a aplicação da lei, com 18,81 por cento, ou a ainda a recessão económica global em terceiro lugar. Esta é a principal conclusão do estudo “Analyzing Themes, Sentiments, and Coping Strategies Regarding Online News Coverage of Depression in Hong Kong: Mixed Methods Study” [Análise de Temas, Sentimentos e Estratégias de Enfrentamento Relacionados com a Cobertura Jornalística Online Sobre Depressão em Hong Kong: Estudo de Métodos Mistos], publicado no Journal of Medical Internet Research no ano passado. O estudo é da autoria de Chen Sihui, Cindy Sing e Yangna Hu, da Universidade Politécnica de Hong Kong; e Cecília Cheng, da Universidade de Hong Kong. O estudo é focado na cobertura de notícias online sobre depressão na região vizinha, nomeadamente de publicações como o South China Morning Post e Hong Kong Free Press, e que procurou perceber quais os temas dominantes e a carga emocional dos textos, se eram positivos ou negativos, entre outras questões. Assim, o estudo revela que o “sistema societário” da região esteve na origem de 34,83 por cento das notícias sobre depressão, ou seja, 848 num total de 2.435, seguindo-se o tema da “aplicação da lei”, representando 458 de todas as notícias analisadas, com uma fatia de 18,81 por cento. Segue-se, em terceiro lugar, o tema da “recessão global”, com 17,4 por cento de respostas; “estilo de vida”, com 8,05 por cento; “lazer”, com 11,21 por cento de respostas; “questões de saúde”, com 6,94 por cento e, finalmente, “política dos Estados Unidos”, representando apenas 3,12 por cento das notícias. O estudo descreve, assim, que analisando o sentimento inerente às notícias, “torna-se evidente que o sistema societário apresentou uma inclinação mais negativa”, estando “relacionado com diversos sistemas da sociedade de Hong Kong, incluindo de saúde, social, família, educação e trabalho”. Entre extradição e covid-19 A recolha de notícias online foi feita entre Fevereiro de 2019 e Maio de 2024 “com o intuito de examinar a representação mais recente da depressão, especialmente durante e após o período de agitação social e a pandemia de covid-19”. Os artigos foram escolhidos com base em três critérios, sendo que um deles era a acessibilidade aos leitores sem assinatura paga, além de que o website em questão “deveria permitir a recuperação de uma quantidade suficiente de notícias relacionadas com depressão (isto é, mais de 20) para garantir dados adequados para as análises subsequentes”. Foram ainda escolhidos sites com notícias em inglês. Depois, foram feitas pesquisas separadas com as palavras-chave “depression” e “depressed”. As datas escolhidas para este estudo prendem-se com duas ocorrências. Uma delas foi em Fevereiro de 2019, com a introdução de a proposta de lei sobre extradição para a China, intitulada “Fugitive Offenders and Mutual Legal Assistance in Criminal Matters Legislation (Amendment)”. Tal “desencadeou protestos e marchas em Hong Kong devido a divergências políticas, levando a um aumento significativo nos casos de depressão, agravado em 2020 com o surto da covid-19”. Os autores revelam que houve “picos de cobertura” de notícias relacionadas com a depressão, nomeadamente em Abril e Maio de 2020 e em Julho de 2023. Seguiu-se a covid-19 como segunda ocorrência. No caso das notícias de 2020, o estudo constata que “as medidas de confinamento devido à covid-19 afectaram fortemente Hong Kong, contribuindo para um humor mais depressivo”, sendo que este período “correspondeu à segunda onda do surto de covid-19”. A segunda onda pandémica originou fortes medidas de confinamento como o encerramento de escolas, “políticas de trabalho remoto e a proibição de refeições presenciais em restaurantes”. O fecho de escolas, “conforme relatado nas notícias, resultou no aumento das taxas de depressão entre crianças e ansiedade entre os pais, que precisaram cuidar simultaneamente dos filhos e idosos em casa”. “Além disso, conflitos entre trabalho e família também se intensificaram devido à interrupção da rotina normal de trabalho”, nomeadamente “a ausência de espaço de escritório e indefinição dos horários de trabalho”, o que “foi associado a sentimentos depressivos”, descreve-se. Por sua vez, em 2023 observou-se “um aumento nos casos de suicídio noticiados”, sobretudo porque Coco Lee, “uma estrela influente que enfrentava a depressão, morreu por suicídio em casa, o que gerou maior consciencialização sobre a necessidade de expansão de serviços de apoio na área da saúde mental e melhoria em termos de acessibilidade, sendo frequentemente destacadas as linhas de apoio”. Um certo estigma No que diz respeito ao segundo tema mais encontrado nas notícias, a “aplicação da lei”, o estudo releva que acarreta também “um sentimento negativo”. “O volume de notícias atingiu picos em Novembro de 2020 e Agosto de 2019”, sendo que, em 2020, foram sobretudo noticiados “crimes individuais e processos judiciais, com destaque para o caso de um professor de Hong Kong que assassinou a esposa, o que pode ter causado um grande choque social e atenção pública”. Os autores explicam que, neste caso, “a depressão foi frequentemente citada nas notícias como explicação para as acções ilegais do perpetrador, o que pode reforçar atitudes estigmatizantes e retratar pessoas com depressão como violentas, perigosas e mais propensas a cometer crimes”. Outros tópicos que também apresentaram “tendências negativas” são “questões de saúde” e “política dos Estados Unidos”, sendo que temas como “estilo de vida” ou “lazer” “tenderam para sentimentos mais positivos”. No que diz respeito a outro tema associado a notícias sobre depressão, o da “recessão global”, o foco são as “dificuldades económicas provocadas pela disseminação da covid-19 em diversos sectores”, apresentando-se “um sentimento positivo mais contraditório”. Ou seja, “a estrutura das reportagens descrevia inicialmente os desafios económicos, para enfatizar, de seguida, as iniciativas para facilitar a recuperação em resposta à crise”. Assim, os autores denotam que se “observou uma mudança significativa no sentimento geral”, pois “até Janeiro de 2021, interrompeu-se a diminuição contínua na quantidade de notícias positivas”, e que depois “o número agregado de notícias positivas superou o de notícias negativas quase todos os meses, sinalizando uma mudança geral de um sentimento negativo para um sentimento mais positivo em relação às circunstâncias económicas discutidas”. Os autores consideram que a mudança pode dever-se “ao facto de as pessoas terem sido forçadas a adaptar-se a um ‘novo normal’ e iniciar a recuperação da economia, saúde, e sociedade após um ano de convivência com a pandemia”. No que respeita ao tema da política dos EUA encontrado em notícias associadas a depressão, os textos “enfatizavam a rivalidade e o processo eleitoral presidencial, bem como políticos de diferentes partidos que vivenciaram depressão”. Poucas respostas institucionais O estudo olhou também as chamadas estratégias de enfrentamento, ou seja, esforços cognitivos, ou comportamentais, usados para lidar com situações menos boas. E aqui, as notícias analisadas centraram-se sobretudo em “informações sobre habilidades e recursos” disponíveis para ajudar pessoas com depressão, como “as linhas de apoio para intenções suicidas e prevenção do suicídio”. Foram ainda apresentados programas de saúde mental disponibilizados por organizações locais, como a Mind HK, o Kely Support Group e a Mental Health Association of Hong Kong, e foram escritos artigos sobre “serviços de aconselhamento e terapias para pessoas com depressão”, ou ainda recomendações de exercício físico. Os autores destacam que, ao analisar as notícias, perceberam “a insuficiência de intervenções políticas, apoio institucional e assistência financeira para indivíduos com depressão, o que indica uma deficiência no nível societário das estratégias de enfrentamento e que estão presentes na cobertura jornalística”.
Hoje Macau Manchete SociedadeInquérito | Empresas prevêem subida de 2,23% nos salários As empresas de Macau prevêem um aumento médio de 2,23 por cento nos salários em 2026, menos 0,49 pontos percentuais do que no ano passado e abaixo da subida de 2,9 por cento no salário mínimo, segundo um inquérito. Mais de 23 por cento das 99 empresas inquiridas pela empresa de recursos humanos MSS Recruitment disseram não ter planos para uma revisão salarial, mais 7,1 por cento do que em 2025. A directora executiva da MSS Recruitment disse que os resultados reflectem “um ambiente económico cauteloso e mais estável em Macau”, depois da recuperação da crise causada pela pandemia de covid-19. As empresas estão a concentrar-se no “controlo de custos e na sustentabilidade a longo prazo, em vez da expansão”, acrescentou Jiji Tu, citada pelo portal de notícias Macau News Agency. Em 01 de Janeiro, entrou em vigor um aumento de 2,9 por cento do salário mínimo, que subiu 211,4 patacas, para 7.280 patacas mensais. Esta é a primeira revisão do valor do salário mínimo, dois anos depois de a lei ser implementada, e foi aprovada no parlamento do território em 18 de Dezembro, por unanimidade, apesar das queixas do sector patronal. Apesar de terem votado a favor, três deputados que representam os sectores industrial, comercial e financeiro alertaram para o possível impacto negativo do aumento do salário mínimo. A recuperação depois da crise económica causada pela pandemia “ainda é desequilibrada”, lamentaram, numa declaração de voto, José Chui Sai Peng, Ip Sio Kai e Si Ka Lon. Os deputados destacaram sobretudo as pequenas e médias empresas, que “enfrentam muitas dificuldades e podem não conseguir responder a novos encargos”, incluindo um aumento nas despesas com salários. O Governo estimou que o aumento do salário mínimo irá abranger cerca de 18 mil pessoas, ou 4,4 por cento da força de trabalho total. Fim da pirâmide Na sexta-feira, o presidente da Associação dos Empregados do Sector de Serviços, Kuong Chi Fong, disse à TDM – Teledifusão de Macau que cerca de 2.200 pessoas com estatuto de residente recebem o salário mínimo nas áreas da limpeza e segurança de edifícios. Também segundo a emissora pública, o secretário-geral da Associação de Administração de Propriedades, Ieong Kuong, estimou que os trabalhadores migrantes representam um terço daqueles que recebem o salário mínimo. A revisão voltou a excluir os empregados domésticos, devido à “‘natureza única’ do trabalho doméstico e à necessidade de o trabalhador se ‘integrar’ na vida familiar do empregador”, disse em Novembro o director dos Serviços para os Assuntos do Trabalho (DSAL). Chan Un Tong referiu que o salário mediano para estas contratações ronda 3.800 patacas. De acordo com dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública, divulgados pela DSAL, o número de empregados domésticos em Macau ultrapassou 28.500 no final de Novembro, o valor mais elevado desde Março de 2021.
João Luz Manchete SociedadeMetro | Recolha de opiniões sobre plano de linhas em breve O período para auscultar opiniões sobre o planeamento das linhas do Metro Ligeiro, assim como para dar a conhecer os planos do Governo, arranca no próximo dia 23 de Janeiro. A extensão da cobertura do transporte além das linhas já conhecidas, será um dos pontos em discussão O Governo vai começar a recolher opiniões sobre o estudo estratégico para o desenvolvimento do Metro Ligeiro a partir do dia 23 de Janeiro. O período de auscultação estende-se até 28 de Fevereiro, “durante o qual serão realizadas várias sessões de recolha de opiniões junto do público e dos sectores profissionais”, revelou ontem a Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP). O Governo afirma que, além de recolher opiniões da população, vai “dar a conhecer à sociedade o planeamento do futuro desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau e os seus trabalhos de construção”. No comunicado divulgado ontem pela DSOP, é indicado que o “desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau é um importante projecto do Governo da RAEM”. Além das linhas da Taipa (e a sua extensão até à Barra), Seac Pai Van, Hengqin e a Linha Leste (que está em construção), o Governo garante estar empenhado “na exploração da extensão do serviço do Metro Ligeiro para as zonas ainda não cobertas”, como o oeste e centro da Península de Macau, norte da Taipa e algumas zonas de Coloane. A ter em conta Com o futuro desenvolvimento da rede do Metro Ligeiro em discussão a partir de sexta-feira da próxima semana, o Governo pretende apresentar estratégias para o desenvolvimento da cobertura do transporte. Assim sendo, foi elaborado um plano geral das linhas em termos da eficácia geral, viabilidade técnica de construção e da forma como podem responder às necessidades de deslocação de residentes e turistas. Após mais de uma década de planeamento, o Metro Ligeiro foi inaugurado em Dezembro de 2019 com apenas a linha da Taipa em funcionamento, com 11 estações, incluindo o aeroporto de Macau, o Terminal Marítimo da Taipa e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. Na altura, a factura apresentada para o traçado inicial da linha da Taipa indicava custos superiores a 10 mil milhões de patacas.
João Luz Manchete SociedadeFujian | DST apela a que se aproveite comboio de alta velocidade No dia 26 de Janeiro, é inaugurada a ligação ferroviária de alta velocidade entre Zhuhai e a província de Fujian. O Governo promete reforçar a cooperação com operadores de Fujian e apela a agências locais para criarem pacotes multi-destinos que combinem os trunfos turísticos das duas regiões A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) encara a abertura da linha ferroviária de alta velocidade entre Zhuhai e Xiamen e Fuzhou, na província de Fujian, como uma oportunidade para estreitar a cooperação turística entre as duas regiões. Apesar de ser descrita como uma ligação directa de alta velocidade, a linha ferroviária terá outras paragens, ligando Zhuhai a Fujian sem transferência de comboios pela primeira vez a partir de 26 de Janeiro. A DST afirmou que irá continuar a apostar em campanhas promocionais ao longo de outras linhas ferroviárias de alta velocidade, com anúncios nas estações e em plataformas online a publicitar Macau enquanto destino turístico. Além disso, a DST garantiu que irá incentivar a indústria do turismo de Macau a cooperar com as principais agências de viagens de Fujian no sentido de lançar rotas turísticas que juntem destinos na província chinesa e Macau. A ideia é combinar a história e cultura de Fujian e as características de Macau para criar itinerários com vários destinos, com o intuito de atrair turistas internacionais. O Governo recordou também que, entre Janeiro e Novembro de 2025, Macau foi visitado por quase 600 mil turistas de Fujian, o que representou quase 2,5 por cento dos visitantes do Interior de China. Toque a reunir O apelo do Executivo foi ouvido tanto no plano político como sectorial. O representante da RAEM à Assembleia Popular Nacional Lao Ngai Leong salientou as relações próximas que já existem entre Macau e Fujian. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, o responsável sublinhou a conveniência da ligação directa de alta velocidade para visitas a familiares, turismo e negócios, permitindo a redução do tempo de viagem, sem a necessidade de mudar de comboio em Shenzhen ou Guangzhou. O sector das exposições e convenções também pode beneficiar da nova linha ferroviária, assim como a ligação entre a Grande Baía e a província de Fujian, potenciando o desenvolvimento regional. Também aos microfones da emissora pública, o presidente da Associação da Indústria Turística de Macau Andy Wu referiu que a Fujian e a região de Chaoshan (leste de Guangdong) já são destinos populares para residentes de Macau, em especial para turistas que viajam em excursões. No sentido inverso, Fujian é descrita por Andy Wu também como uma significativa fonte de visitantes de Macau. A nova ligação directa, que irá cortar uma hora de viagem, poderá levar o sector a criar novas rotas para Chaoshan e Fujian, potenciando o turismo nos dois sentidos, aponta Andy Wu.
João Santos Filipe Manchete PolíticaJogo | Coutinho pede detalhes sobre atracção de jogadores estrangeiros Pereira Coutinho pretende que o Governo divulgue dados sobre os incentivos fiscais concedidos às concessionárias de jogo para captarem jogadores estrangeiros. A medida faz parte do esforço de diversificação da principal indústria do território O deputado José Pereira Coutinho pediu ao Governo para explicar como estão a ser aplicadas as reduções fiscais a concessionárias do jogo que consigam atrair mais jogadores estrangeiros. O pedido faz parte de uma interpelação escrita, que foi divulgada no portal da Assembleia Legislativa (AL). No documento, Coutinho começa por recordar que a legislação permite ao Chefe do Executivo aprovar “reduções ou isenções às concessionárias para a exploração de jogos de fortuna ou azar em casino, no pagamento das contribuições provenientes das receitas brutas do jogo”. A opção legislativa teve como objectivo encorajar as concessionárias do jogo a explorarem o mercado além dos jogadores do Interior da China. “Este benefício financeiro, que pode ascender a um valor correspondente a 5 por cento das receitas brutas, tem como uma das principais justificações de interesse público a expansão dos mercados de clientes de países estrangeiro, sendo uma questão estruturante e importante ao desenvolvimento de uma actividade pilar da economia da RAEM”, recorda o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). Todos no escuro Todavia, cerca de três anos depois da entrada em vigor das concessões, o Executivo tem optado por não divulgar os dados sobre a “execução concreta” do regime de isenções fiscais. Por isso, a população desconhece se houve pedidos de isenção fiscal por parte das concessionárias, se, no caso de ter havido, foram aprovados e a proporção dos mesmos. “Tal facto gera sérias dúvidas sobre a efectividade da fiscalização, a integridade do processo e o real benefício público do incentivo financeiro concedido”, aponta Coutinho. O deputado pretende assim que o Governo revele quantos pedidos foram apresentados em 2023 e 2024 e que indique os montantes envolvidos. O legislador pede igualmente que seja revelada a forma como a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) fiscaliza o “cumprimento dos planos de atracção de jogadores internacionais”, principalmente no que diz respeito à forma como é feita a prova que a vinda destes jogadores resultou do esforço das concessionárias e não de “factores genéricos e fortuitos”. Finalmente, no caso de terem sido aprovadas isenções fiscais que podem chegar a cinco por cento, o deputado pretende que o Executivo explique os critérios aplicados para decidir a magnitude da isenção aprovada.
João Santos Filipe Manchete PolíticaVeículos eléctricos | Carregamentos mais baratos a partir de Fevereiro O Executivo anunciou uma redução de 10 por cento no preço do carregamento dos veículos eléctricos. A medida entra em vigor a partir do próximo mês e é a segunda redução no espaço de dois anos A partir do próximo mês, o carregamento das viaturas eléctricas vai ficar mais barato em cerca de 10 por cento, de acordo com a informação divulgada ontem pelo Governo. A redução dos preços foi aprovada através de um despacho do Chefe do Executivo, publicado no Boletim Oficial. A medida foi justificada com a política nacional da “Dupla Meta de Carbono”, em que a China se compromete a aumentar o nível das emissões de carbono até 2030, altura em que se atinge o pico, e depois começa a evoluir no sentido da neutralidade de carbono, que deverá ser atingida em 2060. Contudo, um comunicado do Executivo indica que a redução dos preços também se integra nas políticas internas da RAEM, através do “aperfeiçoamento contínuo de um sistema que garanta a mobilidade verde”, promoção da utilização de veículos eléctricos, vontade de “ir de encontro às opiniões da sociedade” e no Plano de Promoção de Veículos Eléctricos em Macau. À luz das mudanças anunciadas ontem, o carregamento com uma potência superior a 3,4 kW e até 7,4 kW vai passar a custar 1,94 patacas/kW se for feito no horário entre as 9h e as 20h. É uma redução de 9,8 por cento, face ao preço actual de 2,15 patacas/kW. Se o carregamento for efectuado no horário entre 20h e as 9h, o preço baixa para 1,28 patacas/kW, quando agora é de 1,42 patacas/kW, uma diferença de 9,9 por cento. No caso de a potência ser superior a 7,4 kW e até 25 kW o preço vai ser reduzido em 10,1 por cento, para 2,68 patacas por kW, face às 2,98 patacas por kW de agora. Finalmente, nos carregamentos com uma potência de superior a 25 kW, mas inferior a 120 kW, o preço vai baixar 9,9 por cento, para 3,10 patacas por kW. Actualmente o preço para este tipo de carregamentos está fixado nas 3,44 patacas por kW. Mais postos Além da redução do preço, a segunda depois de o mesmo caminho ter sido adoptado em 2022, o Governo promete ir continuar a trabalhar para expandir a dimensão da rede de carregamentos. “O Governo da RAEM irá continuar a aperfeiçoar as instalações de carregamento em conformidade com o Plano de Promoção de Veículos Eléctricos em Macau e aumentar, em tempo oportuno, o número de instalações de carregamento a velocidades e padrões diferentes e de instalações de troca de baterias nos parques de estacionamento públicos ou bairros que reúnam as condições adequadas para tal”, foi prometido. “Irá exortar a concessionária de energia eléctrica a optimizar a plataforma de gestão de carregamento de electricidade, garantindo a prestação de serviços de carregamento de elevada qualidade”, foi acrescentado.
Hoje Macau Manchete SociedadeUM | Primeira faculdade de medicina pública vai ter 4.000 estudantes A Faculdade de Medicina faz parte do novo campus da Universidade de Macau, em construção desde 12 de Dezembro, na Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau A Universidade de Macau (UM) anunciou que a primeira faculdade de medicina, criada em colaboração com a Universidade de Lisboa (ULisboa), vai ter 4.000 estudantes. Num comunicado, a UM disse que a futura Faculdade de Medicina vai ser criada através da expansão da actual Faculdade de Ciências da Saúde, com o objectivo de “tornar-se uma escola de medicina de classe mundial”. A nova faculdade vai incluir departamentos de Ciências Farmacêuticas e Nutrição, Medicina Dentária e Medicina Clínica, este com um programa conjunto desenvolvido com a ULisboa, disse a UM na sexta-feira. “Com base na experiência da Faculdade de Medicina em programas conjuntos internacionais, a UM irá expandir os programas de colaboração com universidades de renome mundial nas áreas da ciência da informação, engenharia e design”, acrescentou a nota. A universidade está empenhada em atrair estudantes internacionais, recrutar talentos de alto nível para o ensino e a investigação, construir plataformas internacionais para o intercâmbio científico e tecnológico, acolher grandes conferências internacionais e apoiar o desenvolvimento de revistas académicas. A Faculdade de Medicina faz parte do novo campus da UM, cuja construção arrancou em 12 de Dezembro, na Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau, na vizinha ilha da Montanha. Construção de três anos O novo campus ocupará 376 mil metros quadrados na zona económica especial e a construção deverá demorar três anos, com a inauguração parcial prevista para 2028 e a conclusão das obras em 2029. Quatro novas faculdades irão nascer em Hengqin, incluindo as de Ciências de Informação, Design e Engenharia, assim como a primeira faculdade de medicina pública de Macau. A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, uma instituição privada, tem desde 2008 uma Faculdade de Ciências da Saúde, oficialmente rebaptizada como Faculdade de Medicina em 2019. Em Junho, o director da Faculdade de Medicina da ULisboa disse à Lusa que os médicos formados na futura Faculdade de Medicina da UM poderão também exercer em Portugal. A ULisboa está a colaborar com a UM para criar um currículo com uma estrutura “próxima daquela que é a estrutura” dos cursos na instituição portuguesa, disse Luís Graça. Em Dezembro, o vice-reitor da UM, Rui Martins, disse que o novo campus apostará em “‘dual degrees’ [cursos em co-tutela] com universidades estrangeiras. A medicina já está com Lisboa e agora estamos a definir para as outras faculdades”. O novo campus em Hengqin deverá permitir à UM passar dos actuais 15 mil alunos para um máximo de 25 mil alunos, sublinhou o vice-reitor para Assuntos Globais, numa entrevista ao canal em língua portuguesa da televisão pública local TDM.
João Santos Filipe Manchete SociedadeWindsor Arch | Tribunal recusa confisco de 264 apartamentos As fracções habitacionais foram construídas à margem do projecto e correspondem a quase 30 por cento da área construída. Em vez de aceitar o confisco, o TJB responsabilizou William Kuan Wai Lam, Ng Kei Nin e Ng Lap Seng pelo pagamento do valor dos apartamentos à RAEM O Tribunal Judicial de Base (TJB) recusou o confisco de 264 dos 265 apartamentos no complexo habitacional Windsor Arch que estavam em vias de ser declarados propriedade da RAEM. A informação foi adiantada pelo Canal Macau na sexta-feira. De acordo com a informação difundida, o TJB recusou o confisco das 264 fracções, entretanto vendidas, por entender que a opção mais justa passa pelo pagamento do valor dos apartamentos à RAEM por parte de alguns dos condenados no âmbito do caso das Obras Públicas. O tribunal identificou os condenados William Kuan Wai Lam, Ng Kei Nin e Ng Lap Seng como responsáveis pelos pagamentos, cujo valor só vai ser definido mais tarde, durante o processo de execução. Os apartamentos estão no centro da polémica por terem sido construídos “fora da área do projecto”, apesar de representarem praticamente 30 por cento de todo o projecto habitacional. No entanto, quando o jornal Ou Mun relatou em primeira mão a intenção de se avançar com o confisco dos apartamentos também indicou que os proprietários afectados, que afirmavam desconhecer as ilegalidades, tinham recorrido a aconselhamento jurídico para evitar a perda dos apartamentos. Actualmente Ng Lap Seng e Ng Kei Lin, filho do primeiro empresário, estão em liberdade, depois de terem cumprido, no âmbito do caso Obras Públicas, penas de prisão de quatro anos e meio e dois anos, respectivamente. Wiliam Kuan ainda está no estabelecimento Prisional de Coloane, a cumprir uma pena de cinco anos e seis meses, mas deverá ser libertado ao longo deste ano. Caso Obras Públicas O projecto Windsor Arch esteve sob escrutínio judicial no âmbito do caso que resultou na condenação a penas de prisão de Jaime Carion e Li Canfeng, ex-directores das Obras Públicas. De acordo com a acusação do Ministério Público, os governantes terão recebidos vantagens patrimoniais, através das famílias, para aprovar as licenças de construção de diferentes projectos, entre os quais o Windsor Arch, promovido por William Kuan e Ng Lap Seng. Jaime Carion terá facilitado a aprovação do projecto, cujas características, dimensões e altura diferiam do estipulado no contrato de concessão e nos planos urbanísticos para a área. Neste caso, o MP alegou que Carion agiu de forma concertada com o seu, à altura, número dois na DSSOPT, Li Canfeng, pressionando técnicos dos serviços que dirigiam para dar luz verde a várias propostas de alterações ao projecto original. Carion foi julgado à revelia e condenado a 16 anos de prisão efectiva, por seis crimes de branqueamento de capitais e cinco crimes de corrupção passiva para acto ilícito. Li Canfeng foi condenado a uma pena de 17 anos de prisão por cinco crimes de corrupção passiva para acto ilícito, quatro de branqueamento de capitais, um de falsificação de documentos, um de abuso de poder e quatro de inexactidão dos elementos.
João Santos Filipe Manchete PolíticaMetro | Estação na Taipa vai ter nova cobertura O Governo e a Sociedade do Metro Ligeiro de Macau justificaram a intervenção na Estação Lótus com a necessidade de substituir a cobertura que terá sido danificada devido à passagem de um tufão A Estação Lótus do Metro Ligeiro vai ser alvo de obras de renovação para substituir a cobertura, a partir de hoje. O anúncio foi feito na sexta-feira, através de um comunicado conjunto da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e Sociedade do Metro Ligeiro de Macau (MLM). Em actividade desde Dezembro de 2019, as obras foram justificadas com os danos sofridos pela cobertura: “A Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, S.A. (MLM) iniciará, a 12 de Janeiro, após as coordenações necessárias, os trabalhos de substituição do sistema de cobertura da Estação Lótus da Linha da Taipa, que foi danificado anteriormente devido à passagem de um tufão”, foi comunicado. “A obra incluirá a substituição integral do sistema de cobertura da estação e do tecto falso da plataforma, entre outros trabalhos, com um prazo de 120 dias úteis, no sentido de melhorar o ambiente de espera”, foi acrescentado. Durante as obras “partes da plataforma serão encerradas por fases, e o metro circulará na Linha da Taipa com composições de duas carruagens”. Contudo, a MLM promete que “durante os períodos de maior afluência, a frequência [da circulação] será reforçada para assegurar as necessidades de deslocação dos passageiros”. O custo da intervenção na estação que foi aberta há pouco mais de um ano não foi revelado. Circulação Rodoviária Os impactos da substituição da cobertura não se esgotam nos condicionamentos à circulação do Metro Ligeiro e vão igualmente afectar as estradas perto da estação. “No troço da Estrada Flor de Lótus, junto à Estação Lótus do Metro Ligeiro (em direcção à Ponte Flor de Lótus), o trânsito estará condicionado, e a passagem pedonal sob a estação será temporariamente encerrada até à conclusão dos trabalhos”, foi revelado. “A MLM instalará vedações, sinalização e acessos temporários no interior da estação, e destacará mais pessoal para prestar assistência e orientação aos passageiros”, foi explicado. “Adicionalmente, serão implementadas medidas de controlo do fluxo de pessoas, consoante a afluência”, foi indicado. O Governo e a MLM recomendam “aos passageiros que estejam atentos às informações disponíveis na estação” e “planeiem as deslocações com antecedência”. “A MLM agradece a compreensão dos cidadãos pelos inconvenientes causados durante a realização da obra”, foi acrescentado.
João Luz Manchete PolíticaConsumo | Novo Carnaval local arranca hoje Começa hoje mais um Carnaval do Consumo, desta vez apenas centrado na zona norte da península. A iniciativa que se estende até 20 de Fevereiro tem moldes diferentes. Cada compra superior a 100 patacas dá direito a um sorteio semanal de cupões de desconto até 50 patacas. O único meio de pagamento electrónico aceite é a aplicação do Banco da China Arranca hoje mais um Carnaval do Consumo, numa edição dedicada à na zona norte da península e em moldes diferentes das últimas edições. Ao longo de seis semanas, até 20 de Fevereiro, quem fizer compras num valor superior a 100 patacas nas mais de 470 lojas aderentes ao programa habilita-se a um sorteio semanal para três cupões de desconto com valores de 10, 20, 30 e 50 patacas. Desta feita, a única plataforma electrónica de pagamento aceite é a aplicação do Banco da China, um dos parceiros na organização da iniciativa, a par da Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau. Outra das diferenças face a edições anteriores, é o alargamento do período em que os cupões podem ser usados, que passa a ser diário, em vez de apenas ao fim-de-semana. Os descontos podem ser usados num período de 14 dias após o sorteio, para compras num valor equivalente ao dobro do montante do cupão, ou seja, numa compra de 20 patacas pode ser usado um cupão 10 patacas. Na apresentação da medida, o presidente da Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau, Wong Kin Chong, estimou que os comerciantes aderentes possam ter um aumento do volume de negócios entre 20 e 30 por cento. “É a nossa expectativa, uma vez que o evento vai decorrer antes do Ano Novo Lunar. Para já, vamos atribuir cupões electrónicos no valor de um milhão de patacas. Isto vai gerar, pelo menos, dois milhões de patacas em transacções, mas esperamos que o montante possa atingir os 10 milhões de patacas”, acrescentou o responsável, segundo o Canal Macau da TDM. Tiros de sorte A iniciativa ainda está aberta à inscrição de mais estabelecimentos comerciais da zona norte da península. A organização vincou que mais uma vez a medida foi pensada para estimular o consumo na restauração e comércio a retalho em cerca metade das lojas e restaurantes da zona. Além dos cupões de desconto, Wong Kin Chong indicou que algumas lojas e restaurantes vão fazer as suas próprias promoções para encorajar a clientela. Como tem sido comum nas edições anteriores, os consumidores que participarem na iniciativa habilitam-se automaticamente a um sorteio que se realiza no final da campanha, que irá distribuir um automóvel, uma moto, telemóveis, electrodomésticos, entre outros prémios.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteLivro | As mudanças na política colonial portuguesa nos finais do século XIX Defendida em 2018, a tese de doutoramento de Célia Reis, docente e investigadora em História contemporânea, acaba de ser editada em livro pelo Centro Científico e Cultural de Macau com o apoio da Fundação Macau. “O Poder entre Lisboa e o Oriente – Persistências e Mudanças na Administração. Do Ultimato ao Ato Colonial” circula entre Macau, Índia e Timor e traz “um bom contributo para a história do poder colonial” Célia Reis, docente e investigadora na área da História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, acaba de editar em livro a sua tese de doutoramento centrada no poder colonial português a Oriente a partir do final do século XIX. “O Poder entre Lisboa e o Oriente – Persistências e Mudanças na Administração. Do Ultimato ao Acto Colonial” é uma edição do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), apoiada pela Fundação Macau (FM), e nasce da tese defendida em 2018. Ao HM, Célia Reis defendeu que este livro e respectiva investigação trazem “um bom contributo para a história do poder colonial”, focando-se “nas configurações administrativas nas colónias do Oriente, Índia, Macau e Timor, no período compreendido entre o Ultimato e o Acto Colonial”, publicado em 1930. Foram analisados “milhares de documentos”, nomeadamente “ofícios formais, cartas particulares, pareceres de repartições, rascunhos, pequenas notas” e que demonstram decisões e o funcionamento da Administração nos territórios da Índia portuguesa, Macau e Timor. Falamos, segundo a autora, de “uma época de muitas experimentações, em fases diferenciadas”, sendo que, para Célia Reis, se ultrapassou “uma lacuna que existia na historiografia portuguesa” no sentido de uma melhor compreensão do funcionamento do poder colonial português nestes anos, e especificamente nos territórios a Oriente. No caso de Macau, o livro e estudo contribuem “para uma história administrativa do período em causa”, nomeadamente “porque se decidiu, como se decidiu; que problemas foram colocados a nível administrativo; como se fez sentir o poder de Lisboa e como se resolveu, ou como se procurou influenciar o poder central; ou quem o representava”. O território é também colocado “a par de outros dois espaços, Índia e Timor, muito diferentes, possibilitando uma história comparativa, um realce do que era comum ou específico, o que, sem dúvida, é essencial para um conhecimento mais profundo”. Célia Reis diz estar “muito contente com a publicação”, por poder “partilhar o trabalho, as investigações e os seus resultados, com o público, contribuindo para que se conheça melhor a história e as realidades vividas”. Ajustes históricos Os anos a que se dedica esta investigação mostram muitas alterações a nível da política colonial, tendo em conta que “o movimento de colonização verificado a partir das últimas décadas do século XIX se reflectiu na forma de governar as colónias, suscitando discussões, estudos e adaptações às realidades”. Célia Reis explicou ainda que “o quadro existente, e que foi institucionalizado desde 1869, foi sendo alterado pela criação de novas repartições, pela introdução de novas formas de controlo financeiro ou pela mudança no estatuto e organização de algumas colónias, tornando a administração menos homogénea do que se fazia ver em muitos discursos”. Em causa, está, nomeadamente, um decreto datado de 1 de Dezembro de 1869, e que revelou ser a “verdadeira carta orgânica das Províncias Ultramarinas”, conforme se lê na conclusão da obra, sem esquecer o Código Administrativo de 1842, que “enformaram os organismos políticos ultramarinos durante décadas”. “Não obstante conduzirem a um modelo continuado, nos órgãos e nas suas funções, não impediram a progressiva organização de novas configurações ou a adaptação de estruturas diferenciadas”, lê-se ainda. A investigadora destaca a ocorrência de sucessivas tentativas de modernização em termos legislativos e administrativos, e até antes da implementação da I República. “Fizeram-se diversas propostas para modificações, com uma intenção mais modernizadora, e que tiveram maior ênfase a partir dos últimos anos da Monarquia, prosseguindo depois pela República para uma mudança mais estruturada, que acabou por ser realizada pelas leis publicadas em 1914 e 1920”. A partir de 5 de Outubro de 1910, quando cai a Monarquia e é instaurado regime republicano, houve “uma alteração ministerial, com a assunção da referência a colónias em substituição do Ultramar e a autonomização do seu ministério”. “Nos espaços ultramarinos entendeu-se a mudança de regime como uma oportunidade de renovação administrativa, como se compreende pela proposta da Índia, ou pela abertura manifestada pelas instâncias governamentais a alterações em Macau. Mas o novo regime republicano ficou, no campo da administração colonial, enredado nas circunstâncias do seu início, ao constitucionalizá-la. Com efeito, no largo conjunto de mudanças, as questões coloniais constituíram apenas uma parte e os parlamentares não se dedicaram suficientemente a elas, não obstante a existência de propostas”, lê-se na conclusão da obra. Nos anos do Republicanismo, deu-se “o processamento político que impôs um quadro de parlamentarismo, devido a alguma desconfiança relativamente ao Executivo”, sendo que ao nível das colónias “esta opção conduziu a uma maior interferência do Senado na nomeação dos governadores, afastando-se do que se consideravam modelos mais eficazes”. Além disso, “a ruptura também não teve lugar no campo da participação no Congresso, onde os territórios ultramarinos mantiveram o seu espaço no jogo político”. “A decisão republicana evidenciou igualmente um caráter conservador em relação aos órgãos municipais. Não sendo possível realizar aqui o seu estudo mais aprofundado, constatou-se que a visão política assente na importância do município, como espaço de participação, impediu as mudanças mais profundas que se propunham para a orgânica interna”, é referido na conclusão. Entraves e controlo Seguiream-se “entraves ocorridos, como o Sidonismo”, verificando-se as tentativas de mudança como sendo “insuficientes”. De frisar que o Sidonismo teve origem num golpe militar protagonizado por Sidónio Pais contra o regime republicano em vigor naqueles anos, desde 1910, e que funcionou entre 1917 e 1918. Tratou-se de um regime de cariz autoritário e militarista. Segundo Célia Reis, foi a partir da Ditadura Militar de 1926 que “se encaminhou para um maior controlo” em matéria de política colonial. Em termos gerais, “o regime iniciado a 5 de Outubro foi, em suma, modernizador em algum sentido, mas as suas concepções políticas e a inserção das questões coloniais no espaço mais lato das mudanças a realizar no país permitiram a persistência de muitos modos anteriores”. “Apesar destas limitações, as leis de 1914 constituíram, indubitavelmente, um passo modernizador, substituindo o quadro existente”, concluiu Célia Reis, referindo-se aos anos do Sidonismo como “uma ruptura no caminho que estava ser seguido, com o recuo das capacidades coloniais, particularmente dos órgãos colegiais e de participação local, assim como com uma diminuição da autonomia financeira”. Esta “tendência política” vivida na então metrópole acabou “transplantada para o ultramar”. Em matéria de documentação utilizada nesta investigação, temos o exemplo das Cartas Orgânicas, implementadas por Portugal para cada colónia, e que “surgiram na sequência das leis de 1914”, analisando “as diversas propostas existentes na Índia, Macau e Timor, o seu processo de realização, as características essenciais das que pertenciam àquelas colónias e o seu percurso posterior”. Segundo a investigação, “elas foram o produto do momento em que se realizaram, inseridas numa mudança mais vasta introduzida em Portugal pela República, o que condicionou a sua existência, primeiro pelos diferentes contributos que tiveram e, posteriormente, pela indefinição da sua situação”. Faz-se, neste estudo, a análise “da forma como se operacionalizavam as decisões centrais e coloniais”, tendo sido consideradas “estruturas governamentais e parlamentares”. No caso das colónias, foram estudados “os seus órgãos de poder”, onde “agia o governador, interlocutor entre metrópole e colónia, examinando-se as suas capacidades e possibilidade de acção, quando se encontrava sob a alçada de um ministério longínquo, mas a par de outros poderes de supervisão, particularmente financeiros, de Conselhos e, no geral, sob a pressão das várias forças da colónia”. No caso das “competências e composição dos diversos Conselhos e meios de controlo financeiro” conheceram, nestes anos, “uma mudança, muito mais pronunciada ao longo das diversas reformas; integrando maioritariamente o funcionalismo”. Além disso, “a junção de outros elementos da sociedade local mostrou-se diferenciada, conforme as colónias”. Ordens de Lisboa Célia Reis descreve que “as deliberações locais estavam dependentes da sanção superior e assim se mantiveram além das reformas”, sendo que “a prática contornava, muitas vezes, a norma, mantendo indefinições como forma de acção”. Outro ponto a destacar neste estudo, é como o facto de ser Lisboa a tomar as decisões mais importantes afectou a vida nas colónias. “Embora se mantivesse a obrigatoriedade da sanção, a legislação foi introduzindo alterações, sobretudo baseadas no estabelecimento de prazos. Não obstante, a capacidade de decisão metropolitana continuou essencial, afectando a vida das colónias. As formas usadas, persistindo o que existia ou alterando o quadro, constituíram essencialmente adaptações às circunstâncias ocorrentes, respondendo quer aos modelos estrangeiros, quer às necessidades impostas às realidades portuguesas. A política, na sua instabilidade e fases de mudança determinou também este caminho”, disse.
Hoje Macau Manchete SociedadeIPIM | Recebidas 13 candidaturas a plano para empresas internacionais O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau anunciou que recebeu 13 candidaturas nos primeiros dois meses de um programa lançado para atrair empresas internacionais para a RAEM. Mais de 500 companhias pediram informações sobre o plano de apoio O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) revelou num comunicado, divulgado na quarta-feira, ter recebido 13 candidaturas ao “Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito do Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau”, aberto em Novembro do ano passado. A entidade acrescentou estar a analisar as candidaturas para conceder “apoios financeiros de acordo com a capacidade orçamental e o interesse público”. O Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito de Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau fornece um apoio até um milhão de patacas. Para receber o apoio máximo, as empresas devem seguir alguns requisitos, como estabelecerem-se no NAPE, Areia Preta, Iao Hon, área de San Kio, Praia do Manduco, Fai Chi Kei, Doca do Lam Mau, Bairro de Tamagnini Barbosa ou Ilha Verde. Além disso, devem ter uma área mínima, assim como um determinado número de empregados locais contratados a tempo inteiro. O IPIM sublinhou ainda que mais de 500 empresas pediram informações sobre o programa, que foi lançado em 1 de Novembro. O plano dura três anos e tem seis fases de candidatura, sendo que a primeira decorre até final de Janeiro. No fim de Novembro, o presidente do instituto, Che Weng Keong, disse na Assembleia Legislativa que entre as empresas que pediram mais informações sobre o plano estavam “marcas de Portugal”. O IPIM recordou que “tomou a iniciativa” de contactar entidades da China continental, do Sudeste Asiático e dos países de língua portuguesa e espanhola. Colher frutos O programa, que tem o objectivo de “enriquecer o encanto turístico de Macau e dinamizar a economia comunitária”, foi apresentado em Lisboa e no Porto, no início de Outubro, por responsáveis do IPIM, que realizaram depois apresentações também na vizinha Espanha, em Madrid e Barcelona. O IPIM prometeu continuar a divulgar o plano, incluindo através da participação em eventos de convenções e exposições, “incentivando a cooperação entre empresas de Macau e marcas estrangeiras, incluindo de países lusófonos”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeJogo | Seaport prevê crescimento de 19% das receitas em Janeiro A base de comparação ajuda, mas a principal indústria de Macau continua a expandir mês após mês. O relatório mais recente da Seaport Research Partners prevê que até Março as receitas aumentem anualmente 14 por cento A empresa de serviços financeiros Seaport Research Partners prevê um crescimento anual de 19 por cento das receitas do jogo em Janeiro, de acordo com o relatório mais recente da instituição. A nível trimestral as receitas podem aumentar cerca 14 por cento. “A nossa estimativa para Janeiro aponta para um aumento de 19 por cento em relação ao ano anterior (mais 4 por cento em relação ao mês anterior), com a taxa de crescimento ajudada por uma comparação fácil [face ao valor de 2025]”, pode ler-se no relatório do analista Vitaly Umansky, citado pelo portal GGR Asia. Em Janeiro de 2025, as receitas brutas do jogo foram de 18,3 mil milhões de patacas, o valor mais reduzido de todo o ano, o que contribui para o maior crescimento relativo. Apesar da base baixa de comparação, o crescimento de 19 por cento das receitas a abrir o ano é tido por Umansky como um sinal “sólido” para o primeiro trimestre, em que se espera uma expansão das receitas do jogo na ordem dos 14 por cento. Recorde-se que nos primeiros três meses de 2025, as receitas atingiram 57,7 mil milhões de patacas. “Estimamos que o mês tenha começado bastante forte, possivelmente com receitas acima de 850 milhões de patacas por dia durante o fim-de-semana prolongado de 1 a 4 de Janeiro”, consta no documento. Dezembro mais fraco A previsão do crescimento de 14 por cento no primeiro trimestre tem em conta o facto de as receitas terem abrandado em meados de Dezembro, o que a Seaport Research Partners considera dever-se ao facto de os grandes apostadores preferirem visitar Macau para jogar entre Janeiro e Fevereiro. “Prevemos que as receitas brutas do jogo cresçam mais de 14 por cento no primeiro trimestre e sete por cento em 2026”, afirmou Umansky. “O crescimento em 2026 é apoiado por comparações fáceis no primeiro semestre e pela continuação da flexibilização dos fluxos monetários e da emissão de vistos”, foi frisado. Vitaly Umansky adiantou ainda que se houver algum aumento inesperado das receitas no mercado de massas que os resultados da indústria do jogo podem superar a previsão indicada e que esse aumento iria beneficiar as concessionárias actualmente com maior capacidade.
João Luz Manchete PolíticaInquérito | Mais de metade dos jovens desapontados com salários Um inquérito da Associação Geral das Mulheres revela que mais de metade dos jovens acha que os salários estão abaixo das expectativas e um terço admite falta de experiência profissional. No capítulo da formação, quase metade dos inquiridos gostaria de ter mais proficiência em línguas A Associação Geral das Mulheres de Macau apresentou ontem um inquérito focado no emprego dos jovens. No momento de procurar emprego, ou mudar de carreira profissional, mais de 50 por cento dos jovens inquiridos indicaram que os salários e benefícios estão abaixo das suas expectativas. Ainda neste tema, cerca de 42 por cento apontou a elevada competição como desafio principal, um terço confessou não ter experiência profissional relevante. Outro desafio mencionado, foi o desencontro entre as competências e as exigências do mercado de trabalho de Macau. A desadequação entre as capacidades dos jovens e as exigências laborais, aliada à falta de oportunidades para desenvolver competências avançadas e ao elevado custo de certificações profissionais foi identificada como um dos maiores entraves no início da carreira. No que toca ao desenvolvimento de competências, quase metade dos inquiridos apontou a formação em línguas como a sua escolha preferencial, seguido daquilo a que os autores do inquérito designaram como “habilidades interpessoais” (resolução de problemas complexos e capacidade negocial). As outras competências elencadas pelos jovens foram capacidades de gestão e liderança. Falta de espaço Em relação às acções de formação, o inquérito da Associação Geral das Mulheres revela que quase 50 por cento dos jovens deseja aceder a cursos práticos sobre conteúdos digitais (como Inteligência Artificial e mega-dados). Por outro lado, cerca de 46 por cento gostaria de frequentar cursos de certificação profissional internacionalmente reconhecidos. Além disso, mais de metade dos jovens afirmou que o mercado laboral de Macau é demasiado pequeno, sem projectos avançados de desenvolvimento de competências ou planos de formação profissional internacionalmente reconhecidos. O tempo e custo financeiro deste tipo de formação foi apontado como um entrave à progressão profissional por mais de 37 por cento dos inquiridos. Em termos de prioridades no mercado de trabalho, quase 75 por cento dos inquiridos indicou dar prioridade aos salários, ao equilíbrio entre o trabalho e os tempos livres e à estabilidade laboral. O inquérito foi realizado online, entre Outubro e Novembro, a residentes com idades entre os 18 e 45 anos, contando com 568 respostas válidas. Durante a apresentação dos resultados do estudo, as deputadas Wong Kit Cheng e Loi I Weng fizeram recomendações para endereçar os desafios enumerados pelos jovens. As primeiras sugestões foram políticas que o Governo indica há anos como prioritárias, como a construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e a diversificação adequada da economia. As deputadas pediram também o aumento do apoio ao Programa de Prémios por Formação e Exames de Credenciação dos Quadros Qualificados para, pelo menos, 10 mil patacas.
João Santos Filipe Manchete PolíticaSeguro automóvel | Pedida revisão de valores de cobertura Sem qualquer alteração há 15 anos, a deputada ligada à comunidade de Fujian questiona o Governo sobre a revisão do valor mínimo do seguro que actualmente é de 750 mil patacas para ciclomotores e de 1,5 milhões de patacas para motociclos e automóveis A deputada Song Pek Kei defende a necessidade de aumentar o valor mínimo de cobertura do seguro de responsabilidade civil para os acidentes de trânsito. O assunto foi abordado através de uma interpelação escrita, com a legisladora a alertar para o facto de a parte responsável pelo acidente ficar frequentemente em dificuldades para pagar a indemnização. Song indica que actualmente se os residentes optarem pelos seguros mais baratos, o valor máximo que as seguradoras têm de cobrir é de 750 mil patacas, se conduzirem um ciclomotor, ou de 1,5 milhões de patacas, se o veículo conduzido for um automóvel ou um motociclo. Todavia, a legisladora considera os valores desadequados porque se mantêm inalterados “há 15 anos”, apesar do desenvolvimento social. A deputada ligada à comunidade de Fujian aponta também que como o rendimento mediano dos residentes se aproxima de 20 mil patacas e “a indemnização atribuída pelos tribunais por um único acidente de trânsito excede normalmente o limite mínimo da cobertura do seguro” a parte considerada responsável fica em dificuldades para “proporcionar uma indemnização razoável à vítima” do sinistro. Por estes motivos, e por definir o montante de cobertura “inadequado para responder à evolução social”, Song questiona o Governo sobre se vai aumentar o valor mínimo de cobertura para responder “à crescente procura de indemnizações”. A deputada sugere também a criação de um mecanismo de revisão regular do montante para evitar problemas como o actual, em que o valor da cobertura se afasta regularmente da realidade. Indemnizações excessivas? Na interpelação, Song Pek Kei considera ainda que as indemnizações determinadas pelos tribunais devem ser razoáveis, para acompanharem a evolução social. “Montantes de indemnização excessivamente elevados impõem um encargo irrazoável às partes responsáveis e não estão em consonância com a evolução da sociedade contemporânea”, apontou. Segundo Song, em causa está o facto de as decisões dos tribunais condenarem os responsáveis pelos acidentes regularmente a cobrir danos não materiais, tais como sofrimento mental e perda de rendimentos futuros. Como o seguro apenas cobre os “danos corporais e danos materiais parciais”, a deputada indica que os condenados a pagar ficam regularmente em dificuldades para fazer face ao pagamento das indemnizações. Além disso, a legisladora pretende esclarecimentos sobre a hipótese de os seguros passarem a abranger os tipos de compensação que agora são deixados de fora.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteUniversidade de Macau | Antigos docentes recordam experiências A Universidade de Macau celebra 45 anos e o HM convidou dois antigos docentes a recordar experiências profissionais na instituição. Brian Hall, da área da psicologia, encontrou “o ambiente ideal” para iniciar a carreira. Vera Lúcia Raposo diz ter “aprendido muito” e encarado o Direito como um “lugar de encontro” Começa este domingo uma série de eventos para celebrar os 45 anos de existência da Universidade de Macau (UM), entre eles o “Dia Aberto” que decorre no Teatro Lakeside entre as 11h e as 17h (ver texto secundário). Foi em Março de 1981, ainda com a designação de Universidade da Ásia Oriental, que a UM começou a dar os primeiros passos no ensino superior local, nomeadamente no ensino do Direito em língua portuguesa. Era a primeira vez que Macau tinha a sua própria universidade, disponibilizando uma oferta educativa a nível superior para os residentes, que já não tinham apenas o exterior como possibilidade de prosseguir estudos, como Portugal, Reino Unido, Hong Kong ou Austrália. Para lembrar a efeméride, o HM convidou dois antigos professores da instituição, de duas áreas académicas diferentes, para contar a sua experiência na UM. Vera Lúcia Raposo, que foi docente na Faculdade de Direito a partir de Janeiro de 2014, recorda de ter sentido “um choque”. “As aulas eram integralmente em inglês, e nunca tinha leccionado um curso completo nessa língua, a pressão para publicar em revistas indexadas era absoluta e o sistema de avaliação era periódico, exigente e implacável. Nada ali se parecia com o regime a que estava habituada, onde o simples decurso do tempo parecia, muitas vezes, garantir o avanço natural da carreira académica”, contou. Porém, chegou a adaptação e acabou por seguir “as regras” até hoje, nomeadamente na NOVA School of Law. “À época, porém, essas exigências eram ainda profundamente estranhas em Portugal, e continuam a sê-lo, em muitos contextos, mesmo hoje”, refere. Vera Lúcia Raposo diz ter “aprendido muito” na UM, pois “as exigentes metas de produção científica e a investigação interdisciplinar contribuíram para definir o tipo de académica que sou hoje”. “Devo à UM mais do que uma passagem profissional, e sim uma transformação”, assegura. Um caldeirão cultural A antiga docente da Faculdade de Direito da UM recorda também a chegada a um território que era “um espaço de verdadeira amálgama cultural”, com a instituição a ser disso exemplo. “Trabalhar lado a lado com colegas de diferentes nacionalidades e culturas foi um privilégio raro. Em particular, a convivência intelectual entre colegas chineses, macaenses e portugueses, no estudo e no ensino do Direito de Macau, ofereceu-me uma forma absolutamente singular de pensar o Direito: menos autocentrada, mais dialogante, mais consciente da sua contingência cultural e histórica”, destacou Vera Lúcia Raposo. Brian Hall, que deu aulas na Faculdade de Ciências Sociais e coordenou o “Global and Community Mental Health Research Group”, destaca a possibilidade de fazer trabalho pioneiro na área da saúde mental. “A UM proporcionou-me a oportunidade de desenvolver cursos únicos e nunca antes ministrados em Saúde Mental Global e Saúde Global. Foram os primeiros cursos deste tipo em Macau e na universidade”, recordou Brian Hall, que hoje está ligado à New York University Shanghai. “Fiquei grato por ter alunos realmente excelentes que se interessaram por tópicos como migração, saúde mental global e digital, e gostei muito de os orientar dentro e fora da sala de aula.” Os primeiros prémios O académico realça também o facto de ter publicado “regularmente artigos de investigação com os alunos de graduação e pós-graduação, levando-os a conferências internacionais de investigação, onde ganharam prémios”. “Fomos dos primeiros na universidade a alcançar esses excelentes resultados e sou eternamente grato à UM por me proporcionar todas essas oportunidades”, confessou. Brian Hall adiantou também que entrou na UM “num período de transição e crescimento ambiciosos para se tornar numa universidade de investigação”, proporcionando “um ambiente ideal para iniciar a carreira”. Quando estava na UM, Brian Hall recebeu, em 2020, um prémio pelo trabalho desenvolvido, o “Excellence in Advising Award” do Center for Global Health da Universidade Johns Hopkins, da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health. “A universidade recompensou-me pelo meu excelente desempenho em investigação, concedendo-me permissão para me candidatar a uma promoção antecipada a professor associado, que me foi concedida apenas quatro anos após ingressar na universidade. A UM serviu de trampolim para construir uma carreira regional e internacional”, disse. Livro do Génesis A necessidade de criar uma universidade em Macau surgiu da vontade de desenvolver o território, sobretudo tendo em conta a assinatura da Declaração Conjunta entre Portugal e a China, em 1987. O antigo Governador de Macau Garcia Leandro recordou os primeiros momentos da criação da futura universidade no livro “Macau nos Anos da Revolução Portuguesa 1974-1979”, onde se lê que o orçamento inicial foi de 40 milhões de patacas para a construção “num terreno na ilha da Taipa, com projecto moderno de arquitectura”. A instituição deveria ter capacidade para “uma população de dois mil alunos em quatro anos, ao ritmo de 500 por ano”, sendo que “a regência das várias cadeiras dos cursos garantida por um professor decano doutorado pela Universidade de Oxford e por vários professores universitários originários da Matteo Ricci, da Universidade Chinesa de Hong Kong e também dos EUA”, descreve-se. O primeiro contrato para formar a equipa docente e os conteúdos pedagógicos foi assinado em Fevereiro de 1979 com o grupo Matteo Ricci. “Creio que foi mais um bom serviço prestado à população”, escreveu o antigo Governador. Em 1991, a instituição mudava de nome para o que tem actualmente. Segundo dados do relatório anual de 2024, o último disponível, a UM tem 52.146 estudantes graduados, sendo que no primeiro semestre do ano académico de 2024/2025 frequentavam a uniersidade 15.147 estudantes, de todos os graus de ensino. Destaque para o maior número de estudantes do exterior, 9.328, face aos 5.819 locais. Dia aberto em Hengqin Apesar de ter sido formalmente criada em Março, a UM começa a celebrar este domingo 45 anos de existência com um Dia Aberto. Segundo um comunicado da instituição de ensino, entre as 11h e as 17h o público poderá conhecer o Teatro Lakeside, onde decorre a primeira cerimónia, e depois outras áreas do campus em Hengqin, nomeadamente o campus principal e o Instituto de Investigação Científica e Tecnológica da UM em Zhuhai, no Vale do Empreendedorismo Juvenil em Hengqin. Neste percurso inclui-se ainda a possibilidade de conhecer, pela primeira vez, o Local de Investigação e Educação Transitório na Torre Yuxin, na Zona de Cooperação. “Através de uma ampla gama de actividades no local e transmissões online ao vivo, o evento irá mostrar os mais recentes desenvolvimentos e conquistas da UM no ensino, investigação e serviço comunitário”, destaca a mesma nota, que recorda como a UM foi a primeira instituição de ensino superior de Macau a “alargar as actividades de ensino e investigação à Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau em Hengqin”. Nesse dia haverá também “aproximadamente 250 actividades no campus principal ao longo do dia, incluindo palestras sobre admissão, actividades académicas e de investigação e jogos interactivos”. “Os visitantes interessados em assuntos académicos podem assistir a palestras envolventes sobre ciências e outras disciplinas, enquanto os entusiastas do desporto podem explorar as instalações desportivas da UM. As famílias também podem participar em jogos interactivos em stands, experiências científicas, workshops e desafios de conhecimento organizados por várias faculdades, residências e laboratórios”, é revelado. No Dia Aberto haverá também descontos na área da restauração.
João Luz Manchete SociedadeJogo | Empresa malaia desiste de fábrica de cartas em Macau A empresa da Malásia Mega Fortris Bhd desistiu dos planos para abrir uma fábrica de cartas de jogo em Macau devido às dificuldades em encontrar um espaço e às rendas elevadas. Porém, será estabelecido um armazém em Macau para fornecer os clientes locais A empresa da Malásia Mega Fortris Bhd abandonou os planos para construir uma fábrica em Macau de produção de cartas de jogo. A companhia especialista em selos de segurança tinha previsto usar os fundos angariados através de uma oferta pública inicial (IPO) para investir na unidade fabril em Macau, um plano que foi delineado no final de 2024. Nessa altura, a Mega Fortris Bhd anunciou planos para duas unidades fabris para impressão de cartas de jogo em Macau e na Malásia, num investimento de cerca de 24,5 milhões de dólares. O montante seria investido na compra a instalação de maquinaria e equipamentos especializados. A unidade de Macau ficaria a cargo de uma empresa subcontratada, que teria como missão encontrar um local e adaptá-lo para os processos de produção, responsável também pela obtenção de licenças e autorizações para operar na RAEM, refere o portal Inside Asian Gaming. A decisão de abdicar da fábrica em Macau foi justificada, numa nota enviada aos accionistas, com a necessidade de “reavaliar a estratégia de negócios” no capítulo das cartas de jogo. A empresa indicou ter-se deparado “com dificuldades para encontrar instalações industriais adequadas em Macau” que satisfizessem os requisitos de dimensão e peso” necessários para a linha de produção. Além disso, a empresa revelou ter “observado aumento nos custos de arrendamento em Macau, o que poderia resultar em taxas mais elevadas cobradas pela empresa subcontratada”, de acordo com o portal GGR Asia. Datas previstas A unidade fabril na Malásia tem o início das operações apontado para o último trimestre deste ano. Em Macau, o grupo planeia montar um armazém que forneça cartas de jogo e caixas de segurança seladas aos clientes da RAEM. Segundo as previsões da empresa, o armazém arranca com as operações no segundo trimestre de 2027. As instalações em Macau também vão estar equipadas com um sistema de software de rastreamento para caixas de segurança de cartas de jogo, e equipamentos para destruir cartas após o seu uso.
João Santos Filipe Manchete SociedadeHabitação | Vendas e preços com novas quedas no início de Dezembro O mercado do imobiliário continua em quebra. O preço médio da habitação teve uma redução anual de 4,3 por cento no início do último mês de 2025, enquanto as vendas caíram 9,4 por cento Na primeira metade de Dezembro, o preço médio da habitação apresentou uma descida anual de 4,3 por cento para 78.838 patacas por metro quadrado, segundo dados revelados pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). A queda anual de 4,3 por cento deve-se ao facto de no início de Dezembro de 2024 o preço médio do metro quadrado ter sido negociado a 82.383 patacas por metrado quadrado, o que representa uma diferença de 3.545 patacas por metro quadrado no espaço de um ano. No início do mês anterior, os preços mais elevados foram praticados na Taipa, com o preço médio a fixar-se em 86.163 patacas por metro quadrado. Apesar disso, houve uma redução anual de 2,9 por cento, dado que no período homólogo o preço era de 88.762 patacas por metro quadrado. Em Coloane, a habitação foi transaccionada a um preço médio de 83.925 por metro quadrado, uma redução de 22,7 por cento face ao período homólogo, quando o preço médio atingiu 102.976 patacas por metro quadrado. Ao contrário da tendência geral do mercado, na Península de Macau os preços apresentaram um aumento de 5 por cento para 76.127 patacas por metro quadrado, quando no mesmo período do ano passado o preço era de 72.480 patacas por metro quadrado. A nível mensal, entre o início de Novembro e o início de Dezembro de 2025, o mercado apresentou um aumento dos preços na ordem dos 18,9 por cento, dado que no início de Novembro o preço médio da habitação tinha sido de 66.315 patacas por metro quadrado. Menos transacções A redução anual dos preços foi acompanhada de uma diminuição do número de transacções. Na primeira metade de Dezembro, houve uma quebra anual 9,4 por cento, de 96 transacções para 87. Apesar da redução anual, na Península de Macau houve mais 14 vendas, com 67 registadas no período mais recente, quando no período homólogo tinha havido o registo de 53 transacções. No entanto, na Taipa houve menos transacções de 37 para 17, uma diferença de 20, e em Coloane uma redução de seis para três transacções. Quando a comparação é feita entre o início de Novembro e Dezembro do 2025, o mercado apresentou uma redução de 31 transacções, de 118 para 87 compras e vendas.
João Santos Filipe Manchete SociedadeRestauração | Residentes queixam-se da subida de preços e pedem apoios Com os restaurantes mais caros, muitos residentes admitem optar por comer refeições feitas em casa, depois de comprarem ingredientes em Zhuhai, ou de “caçarem” promoções e menus mais em conta O aumento dos preços na restauração está a fazer com que mais pessoas optem por cozinhar em casa. O cenário foi traçado por vários residentes, e face ao congelamento de salários em diferentes áreas multiplicam-se os pedidos de distribuição de cupões de subsídio ao consumo. Ao jornal Ou Mun, um residente de apelido Tou confessou que come cada vez menos fora de casa, porque é mais barato comprar os alimentos em Zhuhai e depois confeccioná-los em casa. “Há vários anos que o meu salário não é aumentado, mas os preços nos restaurantes continuam a aumentar. Por isso, como cada vez menos fora”, afirmou o residente local. Tou queixou-se da redução nos apoios sociais no pós-pandemia, como o fim dos subsídios ao consumo através dos meios de pagamentos electrónicos, e confessou que os hábitos alimentares da sua família sofreram uma grande alteração. “Antes, tinha preguiça de cozinhar depois do trabalho, mas agora, quando viajo para o Interior aos fins-de semanas, compro ingredientes e simplesmente cozinho arroz em casa durante a semana”, explicou. “Assim toda a minha família come por 100 patacas, que é metade do custo de comer fora”, acrescentou. Por sua vez, uma residente de apelido Wong contou ao jornal Ou Mun que o aumento dos preços também levou a que deixasse de comer fora. A mulher indicou que a gota de água foi o preço das sopas de fitas com ovo ter aumentado de 13 patacas para 16 patacas no restaurante em que costumava tomar o pequeno-almoço: “Agora fica mais em conta cozinhar a minha canja com vegetais, até porque é mais saudável”, explicou. Apesar deste hábito, a residente admite que se houver mais programas de incentivo ao consumo que vai passar a comer fora mais vezes. À procura do preço Ao contrário dos outros dois entrevistados, um residente de apelido Kuok reconheceu comer frequentemente fora de casa, principalmente ao jantar. Apesar de admitir que está cada vez mais caro, Kuok explicou que procura as melhores promoções e os restaurantes com menus, para “sair mais em conta”. “Sempre que como fora procuro os programas de pontos para ter descontos ou outras promoções. E se não houver qualquer promoção nem considero a possibilidade de comer nesse restaurante”, contou. Kuok exemplificou que num dos restaurantes que frequenta existe um programa de descontos em que se carregar o cartão de cliente com 500 patacas recebe 70 patacas grátis. Nesse espaço, relatou, é possível comer um menu com prato principal e bebida por 38 patacas, o que afirmou ser “um excelente preço”. Também uma residente de apelido Lei admitir “caçar” promoções para comer fora e relatou que costuma frequentar um espaço onde dois pratos principais, bebidas e um prato com vegetais custam “pouco mais de 100 patacas”, o que permite uma poupança de 10 patacas por prato. Face a esta promoção, considerou que ainda é possível comer fora com “bons negócios”, no entanto admitiu temer que cada vez mais restaurantes sigam o exemplo recente de algumas cadeias de restaurantes norte-americanos e subam os preços.
João Santos Filipe Manchete PolíticaJovens | Joey Lao pede reforço do subsídio para primeiro emprego Actualmente, as empresas que contratam jovens para o primeiro emprego podem receber até 15 mil patacas, o deputado ligado à comunidade de Jiangmen defende a necessidade de “acompanhar os tempos” e fazer os “ajustes adequados” ao montante O deputado Joey Lao defendeu o reforço do apoio à contratação de jovens que procuram o primeiro emprego. O pedido foi deixado através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa. Segundo o legislador ligado à comunidade de Jiangmen, o actual subsídio por Contratação de Jovens à Procura do Primeiro Emprego está em vigor desde 2004, sem alterações significativas, o que faz com que deixe de corresponder à realidade actual. “Após mais de duas décadas em vigor, certas disposições do regulamento tornaram-se manifestamente desfasadas em relação às exigências do desenvolvimento económico e social de Macau”, apontou Joey Lao. O primeiro problema identificado pelo deputado passa pelo facto do valor do apoio “manter-se inalterado há 21 anos”. O também economista explica que desde 2004 os empregadores que contratem pessoas com habilitações literárias equivalentes ao ensino secundário recebem “apenas” um subsídio de 12 mil patacas. Este apoio é entregue ao longo de seis meses, correspondendo a um montante 2 mil patacas por mês. Os moldes actuais do subsídio definem ainda que os jovens contratados com habilitações correspondentes ao ensino superior recebem um apoio total de 15 mil patacas, distribuído por seis prestações mensais de 2.500 patacas. Dado o novo contexto de maior dificuldade de procura de emprego pelos jovens, que o deputado se limita a definir como a necessidade “acompanhar os tempos”, Joey Lao quer saber se o Executivo vai fazer os “ajustes adequados ao montante do subsídio”. A questão da idade Além do valor do subsídio, o deputado pede igualmente que se equacione aumentar a idade limite para a atribuição do subsídio pela Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). De acordo com os moldes em vigor, o subsídio apenas pode ser distribuído a jovens com idade inferior a 26 anos, o que na óptica de Joey Lao “não abrange o grupo cada vez mais alargado de jovens [com mais de 26 anos] em busca de emprego”. O deputado defende a necessidade de mudanças também com o facto de no caso do Plano de Financiamento para Carreiras Profissionais dos Jovens de Macau na Grande Baía o Governo estabelecer a idade limite nos 35 anos. Com este apoio, o Executivo financia carreiras de quem se muda para o Interior da China com um montante de 5 mil patacas por mês, que pode chegar a 90 mil patacas. Face a discrepância, Joey Lao defende que o subsídio de apoio à contratação de jovens que procuram o primeiro emprego deve abranger pessoas com idade até 35 anos.