Economia | Pedidas medidas concretas para promover NAPE

Com as pequenas e médias empresas a lidarem com a realidade do encerramento dos casinos-satélite, o deputado ligado à comunidade de Jiangme, Lee Koi Ian, pede ao Executivo um plano com medidas concretas para promover a economia no NAPE

Com o NAPE a enfrentar o fim dos casinos-satélite e o respectivo impacto na economia local, o deputado Lee Koi Ian pede ao Governo que apresente medidas para lidar com os novos problemas. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa.

“À medida que os casinos-satélites cessaram gradualmente as suas operações no NAPE, os distritos comerciais circundantes enfrentam um declínio acentuado no número de visitantes, mergulhando toda a zona numa situação difícil, caracterizada pelo desequilíbrio entre sectores e pela perda de clientes”, começa por traçar como cenário o deputado apoiado pela comunidade de Jiangmen.

Lee Koi Ian reconhece igualmente que as Linhas de Acção Governativa para este ano prometem promover “uma série de eventos ao estilo de carnaval” no NAPE, com experiências que se espera que atraiam um maior “consumo cultural e turístico” de forma a “revitalizar a imagem da comunidade e aumentar a vitalidade da zona comercial”.

Todavia, o legislador vem agora pedir ao Executivo planos mais concretos. “Dado o valor da localização e a base comercial dos distritos circundantes do NAPE, é crucial estabelecer um mecanismo de revitalização a longo prazo. Esta é a abordagem central para evitar a dependência de políticas de curto prazo, quebrar o impasse da concorrência homogeneizada e cultivar um ecossistema comercial sustentável”, atirou. “O Governo tem um plano especializado para revitalizar as zonas comerciais à volta do NAPE?”, questiona.

Mudanças profundas

Lee Koi Ian alerta também para as dificuldades não só de atrair os turistas para aquela zona da cidade, mas fazer com que queiram ficar e consumir no local, tendo em conta a existência de outros locais mais atractivos.

“A transição nas zonas comerciais de destino de passagem para destino de consumo não é apenas central para o desenvolvimento sustentável. É também uma medida crucial para criar um ecossistema comercial local”, defende Lee Koi Ian. “Neste contexto, que medidas específicas irá o Governo introduzir para nas zonas comerciais do ZAPE, para ajudar as pequenas e médias empresas a modernizarem-se, ao mesmo tempo que se cultivam formatos de negócio distintos?”, interroga.

O deputado pede ainda que se optimizem as infra-estruturas do NAPE, expandam as instalações pedestres e se organizem “diversos eventos para aumentar a circulação de pessoas e estimular a vitalidade do consumo local”. O pedido é feito apesar das medidas serem encaradas apenas como cuidados paliativos para facilitar a transição.

10 Fev 2026

Segurança alimentar | Pedidas melhorias na supervisão

O deputado ligado à comunidade de Fujian está preocupado com o transporte dos alimentos no caso das plataformas de comida e também com as recolhas mais recentes de produtos para bebés

Após os casos de produtos para bebés retirados do mercado e do registo de intoxicações alimentares em restaurantes luxo locais, o deputado Chan Lai Kei quer que o Governo reforce a supervisão alimentar. O pedido consta de uma interpelação escrita, divulgada ontem.

De acordo com o deputado ligado à comunidade de Fujian, apesar de o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) ter anunciado que no ano passado a taxa geral de aprovação das inspecções realizadas por amostragem de alimentos foi de 99 por cento, a segurança alimentar enfrenta mais e novos desafios.

Em relação aos produtos para bebés, tendo em conta os casos recentes de recolha de alimentos, como leite em pó, o deputado quer saber se as autoridades vão ser mais exigentes na disponibilização da informação sobre a origem e percurso dos artigos.

“As regiões vizinhas já estabeleceram um ‘sistema de rotulagem para rastrear os alimentos infantis’, exigindo que os importadores forneçam informações completas sobre a cadeia de produção para que os pais possam verificar o percurso dos alimentos através de um código QR”, escreveu Chan. “Será que o IAM vai avançar com o estabelecimento de um ‘plano especial de supervisão para alimentos infantis’, implementando testes mais frequentes para o leite em pó e alimentos complementares infantis, bem como publicar regularmente os níveis de segurança das marcas?”, questionou.

Perigos do take-away

Outros desafios surgem associados ao aumento progressivo do número de visitantes e a uma nova cultura de take-away não só de comidas, mas também de bebidas.

De acordo com Chan, o número de pedidos pelas plataformas take-away não pára de subir todos os anos. No entanto, durante o transporte e os tempos de espera, o deputado indica que não há qualquer controlo de temperatura nem regulamentação face à higiene, devido a “lacunas regulatórias”. Este é um aspecto que o deputado espera ver alterado: “Como é que as autoridades vão reforçar a cooperação interdepartamental, e formular normas obrigatórias para a higiene das caixas de take-away, limites de tempo para a entrega e separação de embalagens no transporte de alimentos quentes e frios […]?” pergunta.

Chan Lai Kei sugere ainda que sejam utilizadas formas digitais para fazer um controlo à distância dos alimentos, com inspecções aleatórias.

No documento, o legislador aponta também que Macau acolhe mais de 40 milhões de visitantes anualmente, e que os banquetes e festivais são frequentes, o que faz crescer os riscos alimentares. Por esta razão, Chan Lai Kei sugere ao Governo a elaboração de um plano de resposta à segurança alimentar durante a época alta do turismo para que possa rastrear rapidamente a origem de uma eventual intoxicação.

10 Fev 2026

Presidenciais | Seguro ganha eleições em Macau e a nível nacional

O ex-líder do Partido Socialista vai ser o futuro Presidente da República de Portugal, sucedendo a Marcelo Rebelo de Sousa. Quando ainda faltavam apurar 20 freguesias, onde as eleições foram adiadas devido ao mau tempo, Seguro recolhia 66,82 por cento dos votos

António José Seguro foi o vencedor das eleições e vai ser o futuro Presidente da República de Portugal, depois de ter alcançado 66,82 por cento dos votos (3,4 milhões de votos), contra os 33,18 por cento (1,7 milhões de votos) de André Ventura. O candidato ligado ao Partido Socialista também venceu em Macau, onde conseguiu 68,53 por cento dos votos, contra os 31,47 por cento do candidato apoiado pelo Chega.

Em relação ao território, foram contabilizados um total de 1.403 votantes, com Seguro a recolher 934 votos e Ventura 429 votos. Houve ainda 32 votos em branco (2,28 por cento) e oito nulos (0,57 por cento).

Os resultados mostram que houve menos 971 pessoas a votar na segunda volta em Macau do que na primeira, quando tinham sido registados 2.374 votos. A taxa de abstenção da segunda volta entre os 57.748 votantes atingiu os 97,45 por cento, com os votantes a serem 2,43 por cento.

Na primeira volta, Luís Marques Mendes, candidato apoiado pelo Partido Social Democrata, foi o mais votado e conseguiu 1.073 votos, um valor acima daquele que agora contribuiu para garantir a presidência a António José Seguro. Na primeira votação a taxa de participação foi de 4,11 por cento, o que representou uma abstenção de 95,98 por cento. Nessa ronda da votação, António José Seguro ficou em segundo lugar, com 477 votos e André Ventura em terceiro, com 282 votos.

China foi seguro

Os resultados de ontem eram provisórios, uma vez que ainda faltavam contabilizar 20 freguesias em Portugal e sete “consulados” no estrangeiro.

Entre os chamados “consulados” pela Comissão Nacional de Eleições faltava apurar os resultados de Pequim. No entanto, os votos de Macau somados com os de Xangai davam vitória a Seguro, com 944 votos, contra os 432 de Ventura. Em Xangai, Seguro obteve 10 votos, contra três de Ventura, não se tendo registado qualquer voto em branco ou nulo.

Apesar dos resultados na China, Ventura conseguiu ser o mais votado no estrangeiro com 51,88 por cento dos votos (42.265) contra os 48,12 por cento de Seguro (39.208), enquanto os votos em branco ficaram em 1,21 por cento e os nulos em 0,65 por cento.

“Trabalhar por Portugal”

No discurso de vitória, António José Seguro prometeu trabalhar para desenvolver o país e apresentou-se como o “presidente de todos os portugueses”, mesmo os que não votaram nele. “Como futuro Presidente da República, acrescento que a partir desta noite deixámos de ser adversários e temos agora o dever partilhado de trabalhar por um Portugal mais desenvolvido e mais justo”, afirmou o vencedor da noite, num discurso proferido nas Caldas da Rainha. “A maioria que me elegeu extingue-se esta noite [domingo]”, acrescentou.

2ª volta das eleições presidenciais em Macau

Candidato Percentagem de Votos Total de Votos

António José Seguro 68,53% 934 votos

André Ventura 31,47% 429 votos

Votantes 2,43%

Abstenção 97,57%

1.403 votantes

57.748 inscritos

10 Fev 2026

Cooperação | Relações entre China e Timor-Leste pautadas por cautela, indica estudo

É certo que, ao integrar a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, Timor-Leste pode tornar-se num ponto estratégico nas relações comerciais deste lado do globo, apesar do “pragmatismo cauteloso” nas relações com a China. A conclusão é de um estudo sobre a política externa timorense no âmbito da iniciativa chinesa, da autoria de três académicos portugueses

Timor-Leste, um jovem país, tem vindo a cimentar as suas relações com a China, nomeadamente através da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, mas há ainda alguma cautela em torno deste relacionamento. Esta é uma das conclusões do estudo “As opções de política externa de Timor-Leste no âmbito da Iniciativa Faixa e Rota 2.0 da China: uma perspectiva de pequeno Estado”, da autoria dos académicos Tiago Botelho dos Santos, Diogo Borges e Paulo Afonso Duarte. O trabalho foi publicado na The Pacific Review, revista académica editada pela Taylor & Francis.

O trabalho de investigação parte da adesão de Timor-Leste à iniciativa chinesa, algo que aconteceu em 2017, para analisar como tem corrido o relacionamento com a China, tendo em conta o facto de Timor-Leste ter “a condição de pequeno Estado”.

Conclui-se, assim, que “o envolvimento de Timor-Leste com a Iniciativa Faixa e Rota da China, particularmente no período pós-2023, pode ser entendido como uma tentativa estratégica e calculada de maximizar a sua condição de pequeno Estado num ambiente regional e global complexo”. Descreve-se que, neste período, a política externa timorense tem-se caracterizado “por uma abordagem multivectorial, estrategicamente ancorada no multilateralismo”, procurando “diversificar parcerias internacionais para reforçar a segurança nacional, promover o desenvolvimento económico e ampliar a sua voz no sistema internacional”.

O estudo aponta que as relações entre Timor-Leste e China, no contexto da iniciativa Faixa e Rota, é um “movimento deliberado para alavancar oportunidades de desenvolvimento” no país, sendo uma estratégia alinhada com o Plano Estratégico de Desenvolvimento de Timor-Leste 2011-2030.

O plano visa “promover a diversificação económica e o desenvolvimento de infraestruturas críticas, num contexto em que a Iniciativa Faixa e Rota 2.0 enfatiza infraestruturas digitais, energia verde e cooperação na área da saúde”.

O potencial timorense

Os três académicos destacam ainda que Timor-Leste, ao pertencer à iniciativa geopolítica chinesa, tem potencial para se destacar economicamente, e também em termos comerciais, na região. O país tem “o potencial para se afirmar como centro logístico numa rota que liga o Sul do Oceano Índico ao Pacífico Sul”, pelo que a iniciativa chinesa “oferece uma oportunidade relevante para elevar significativamente a sua proeminência regional e facilitar, de forma decisiva” a integração na ASEAN [Associação de Nações do Sudeste Asiático], a que Timor-Leste aderiu recentemente.

Apesar de todos estes sinais positivos, o estudo conclui que “embora a relação de Timor-Leste com a China se tenha aprofundado, culminando numa parceria estratégica abrangente em 2024, o seu envolvimento continua a ser marcado por um pragmatismo cauteloso”.

Neste contexto, “pondera-se cuidadosamente os benefícios de uma maior conectividade e investimento face a preocupações relativas à sustentabilidade da dívida, à transparência e a possíveis dependências estratégicas”. Esta cautela do lado de Timor-Leste demonstra a sua “capacidade de acção ao envolver-se selectivamente em projectos alinhados com os seus interesses nacionais”, deambulando pelas “complexidades da competição entre grandes potências no Indo-Pacífico, ao mesmo tempo que mantém o seu compromisso com uma política externa equilibrada e diversificada”.

O pragmatismo timorense denota-se ainda, segundo o estudo, no facto de o país “não apenas optimizar oportunidades de desenvolvimento, como também reforçar a sua posição regional ao analisar meticulosamente os benefícios económicos face aos potenciais riscos”. O que se fortalece, “em última instância”, é a “capacidade de acção enquanto pequeno Estado”, destacam os autores.

Uma capacidade “notável”

O estudo em questão destaca como Timor-Leste tem tido “uma notável capacidade de acção” no contexto da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” tendo como ponto de comparação outros pequenos Estados, como o Sri Lanka.

Citando outros estudos, os três académicos destacam como “Timor-Leste tem demonstrado uma abordagem mais cautelosa do que países como o Sri Lanka, que enfrentaram preocupações significativas quanto à sustentabilidade da dívida associada a projectos da BRI [Belt and Road Initiative] ou Estados sem litoral como o Laos e nações costeiras como o Camboja”.

No caso destes países do Sudeste Asiático, “os empréstimos chineses para projectos emblemáticos, como caminhos-de-ferro e autoestradas, aumentaram drasticamente a dívida externa e a dependência em relação a Pequim”.

O que se procurou fazer nesta investigação foi “examinar a posição singular de Timor-Leste, não como financiador, mas também não como vítima de uma ‘armadilha da dívida'”, destacando-se “a forma distinta e valiosa de capacidade de acção de um pequeno Estado no âmbito da BRI”.

Os autores destacam que, na última década, a China “expandiu significativamente a sua presença no Sudeste Asiático” através da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, tendo, com isso, “ampliado a sua influência regional nas esferas económica, de segurança e política”. Neste relacionamento, Timor-Leste tem estado “longe de ser um observador passivo”, procurando “envolver-se activamente com a China para assegurar benefícios de desenvolvimento”.

Timor-Leste procurado “identificar uma oportunidade para alinhar-se com os objectivos de longo prazo” do seu Plano Estratégico de Desenvolvimento 2011-2030, indicam os analistas.

“Estrategicamente, o país também pretende capitalizar a sua posição geográfica nas rotas marítimas comerciais emergentes, particularmente através do estabelecimento de um polo logístico no Sul do Oceano Índico e no Pacífico Sul, potencialmente reforçando o seu papel regional como novo Estado-membro integrado da ASEAN”, apontam os autores.

Timor-Leste procura “equilibrar ganhos económicos e potenciais dependências”, num contexto geopolítico que “inclui a competição entre grandes potências no Indo-Pacífico, onde as políticas dos Estados Unidos, sob sucessivas administrações, visam conter a influência regional da China”.

Em termos metodológicos, os autores realizaram esta investigação com base na leitura de relatórios oficiais, documentos que servem de base a acordos bilaterais assinados e documentação governamental. Além disso, foram realizadas entrevistas a “especialistas sediados tanto na Europa como na Ásia”.

Os autores referem que procuraram entrevistar académicos e diplomatas “devido ao facto de os cidadãos comuns, em geral, não estarem familiarizados com as iniciativas multilaterais globais da China, enquanto os diplomatas tendem a ser excessivamente cautelosos nas suas declarações, dado que representam a posição oficial do seu Estado, e não necessariamente as suas opiniões pessoais”.

Entende-se, assim, que os académicos “tendem a oferecer análises mais equilibradas e rigorosas”. As questões versaram a forma como Timor-Leste, na qualidade de pequeno Estado, tem beneficiado da iniciativa chinesa, se esta iniciativa é compatível com o Plano Estratégico de Desenvolvimento de Timor-Leste 2011-2030, ou se “existem perigos visíveis de criação de dependência” entre os dois países, entre outras questões.

10 Fev 2026

Lamborghini | Estreia asiática do Temerario GT3 poderá ser em Macau

A Lamborghini despediu-se do Huracán GT3 no Grande Prémio de Macau de 2025 e aponta agora à estreia asiática do recém-lançado Temerario GT3, prevista para o mês de Novembro, nas ruas da nossa cidade

A nona edição da Taça do Mundo FIA GT, agendada para os dias 19 a 22 de Novembro no Circuito da Guia, surge como o palco provável para a estreia no continente asiático do mais recente carro de competição da marca de Sant’Agata Bolognese, numa temporada em que o novo modelo de motor V8 biturbo estará sobretudo em fase de consolidação competitiva na Europa e nos Estados Unidos da América.

Devido às limitações inerentes à produção e entrega dos novos carros, a Lamborghini Squadra Corse nunca equacionou seriamente a introdução do Temerario GT3 no mercado Ásia-Pacífico no seu ano de lançamento, apesar do interesse manifestado por várias equipas, incluindo a JLOC, formação do campeonato japonês Super GT que o piloto local André Couto chegou a representar. Ainda assim, existe uma clara vontade por parte do departamento de competição da Automobili Lamborghini em colocar o seu novo GT3 em pista na Ásia já este ano, precisamente no contexto do Grande Prémio de Macau.

“Posso confirmar que nenhum Temerario será inscrito no GT World Challenge Asia ou noutros campeonatos regionais”, explicou um porta-voz da marca italiana ao portal português SportMotores.com. “No entanto, estamos a trabalhar na Taça do Mundo FIA GT, em Macau, uma prova de enorme importância para nós, onde pretendemos marcar presença da melhor forma possível. Nesta fase, não podemos adiantar mais pormenores.”

A possibilidade de a Lamborghini alinhar este ano na prova da RAEM com o antigo Huracán GT3 está afastada. O modelo enfrentou dificuldades em 2024 relacionadas com a introdução dos obrigatórios e polémicos sensores de binário. Edoardo Mortara viveu um fim-de-semana particularmente ingrato, ao ver o seu terceiro melhor tempo na Super Pole anulado por exceder o limite máximo de potência, acabando mais tarde por abandonar a corrida principal quando o seu carro se desligou.

Limitações de produção

Ao contrário de outros departamentos de competição de grandes construtores, a Lamborghini Squadra Corse é uma estrutura relativamente reduzida. O principal factor limitativo na implementação do Temerario GT3 esta temporada, especialmente fora da Europa, prende-se não só com a disponibilidade de unidades, mas sobretudo com a prioridade dada a um apoio técnico adequado por parte da fábrica.

Os Estados Unidos da América, onde o carro fará a sua estreia em competição nas 12 Horas de Sebring, em Março, continuam a assumir um papel estratégico para a Lamborghini, daí a presença a tempo inteiro da marca no IMSA SportsCar Championship através da equipa Pfaff Motorsports. Para a presente época, a Lamborghini Squadra Corse alocou sete exemplares do Temerario GT3 à competição na Europa, repartidos entre o GT World Challenge Europe e o DTM. O construtor italiano planeia alinhar com três carros no GT World Challenge Europe e quatro no DTM.

Mercedes-AMG avalia regresso

A ausência da Mercedes-AMG na edição do ano passado foi um dos temas mais comentados no paddock. Tal decisão foi justificada pela falta de oportunidades para as equipas clientes asiáticas testarem os complexos sensores de binário, numa fase em que a marca de Estugarda atravessa um exigente processo de transição das suas actividades desportivas da HWA para a nova subsidiária Affalterbach Racing.

“Nesta fase, não é possível afirmar se um Mercedes-AMG GT3 irá competir na Taça do Mundo FIA GT em Macau, em 2026”, afirmou ao Hoje Macau uma fonte oficial do construtor alemão, que mantém elevado interesse no evento da RAEM. “A prova é extremamente apelativa, tanto do ponto de vista desportivo como estratégico. Iremos analisar cuidadosamente as condições no momento oportuno e avaliá-las em conjunto com as equipas interessadas.”

Refira-se ainda que o Grande Prémio de Macau poderá simbolizar o adeus definitivo do actual Mercedes-AMG GT3, uma vez que a marca da estrela está já a desenvolver a próxima geração do seu carro para a categoria, cuja estreia em competição poderá ocorrer em 2027.

9 Fev 2026

Cooperação | Coimbra e Macau com programa de investigação

O programa de colaboração académica entre universidades das duas cidades vai centrar-se na promoção de estudos sino-portugueses e contempla a digitalização de arquivos históricos

A Universidade de Coimbra e a Universidade Politécnica de Macau lançaram um programa de investigação em Humanidades Digitais, centrado na promoção de estudos sino-portugueses, que passa pela digitalização de arquivos históricos, anunciou a instituição chinesa.

A iniciativa tem como objectivo “desenvolver ainda mais o papel de Macau como ponte de intercâmbio académico entre a China e os países de língua portuguesa e aprofundar a cooperação internacional na investigação científica interdisciplinar”, lê-se num comunicado da Universidade Politécnica de Macau (UPM).

O novo programa, lançado oficialmente esta semana, vai reunir “as vantagens das duas universidades” para “desenvolver inovações de investigação multidimensionais”, centrando-se na “promoção de estudos de humanidades sino-portugueses, incluindo a digitalização dos arquivos históricos, a investigação e o desenvolvimento em modelos de linguagem portuguesa de grande escala e inteligência artificial, a revitalização digital do património cultural, bem como a comunicação digital contemporânea”.

Ainda de acordo com o comunicado, o vice-reitor da Universidade de Coimbra (UC), Nuno Mendonça, referiu na ocasião que, com a inteligência artificial a alterar profundamente a investigação e o ensino, “a ascensão das humanidades digitais não é apenas um desafio técnico, mas também um diálogo profundo que envolve ética e cultura”.

“Com os séculos de experiência nos estudos da cultura chinesa, a UC serve de ponte académica entre o Oriente e o Ocidente, com o objectivo de integrar as tecnologias linguísticas, as indústrias criativas e a investigação em património cultural através deste programa”, disse Mendonça, citado na nota.

Laboratórios académicos

No futuro, as duas universidades vão cooperar para criar laboratórios académicos que “serão pioneiros na inovação tecnológica no campus em Hengqin, um espaço que simboliza a fusão entre tradição e inovação”, reforçou.

As duas instituições de ensino assinaram um acordo “para estabelecer uma base de cooperação no domínio do ensino superior na ‘Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin’, a fim de construir um ‘campus internacional’ orientado para a comunidade mundial”, lembrou, por seu turno, o reitor da UPM.

Neste sentido, disse Marcus Im, o novo programa assume uma missão significativa. Com foco “nas tecnologias da linguagem e dos textos e nas aplicações digitais”, e através da “construção de uma base de dados de textos interlinguísticos, promove a inovação de dados nas ciências humanas e sociais”.

Por outro lado, através de exposições digitais e experiências interactivas, “estimula a divulgação e a partilha de recursos multiculturais”, constatou o reitor da UPM, também citado na nota. O novo campus da Universidade Politécnica de Macau estará integrado numa cidade universitária, que vai abranger também o novo campus da Universidade de Macau, cujas obras arrancaram em Dezembro do ano passado.

Na apresentação das Linhas de Acção Governativa para 2026, no final do ano passado, o Governo local referiu que, numa primeira fase, Universidade de Macau, Universidade Politécnica de Macau e Universidade de Turismo de Macau vão estabelecer-se no local, “prevendo-se que iniciem as actividades lectivas a partir de Setembro de 2026, com o número de estudantes fixado em 1.200, no primeiro ano, e com predominância ao nível de pós-graduação”.

9 Fev 2026

Concertos | Grupo sul-coreano sobe ao palco sem cantor japonês

O cantor japonês Shotaro ficou de fora dos dois concertos do grupo Riize em Macau, o que foi justificado com “circunstâncias imprevisíveis”. As autoridades de Macau não se pronunciaram oficialmente, mas na Coreia do Sul as notícias indicam a existência de um boicote a artistas do país nipónico

A organização dos dois concertos dos Riize em Macau, que decorreram no fim-de-semana, confirmou que o grupo masculino sul-coreano actuou sem o cantor japonês Shotaro, numa altura de tensões entre Pequim e Tóquio.

Os Riize, que actualmente têm seis elementos, subiram ao palco da Galaxy Arena, no hotel-casino Galaxy Macau, com apenas cinco artistas, disse a empresa IME Macau. Num comunicado publicado nas redes sociais e citado pelo canal em língua portuguesa da televisão pública TDM – Teledifusão de Macau, a empresa justificou a decisão com “circunstâncias imprevisíveis”, sem mais detalhes.

Questionada na terça-feira sobre o cancelamento de espectáculos com artistas japonesas, a directora dos Serviços de Turismo de Macau disse não ter “informação concreta sobre a situação”.

Maria Helena de Senna Fernandes falava à margem da apresentação do desfile do Ano Novo Lunar, que celebra o ano do Cavalo. Ao contrário de anos anteriores, não haverá grupos do Japão.

Em 28 de Janeiro, a emissora sul-coreana MBC, que estava a organizar o ‘Show! Music Core in Macau’, um festival de música da Coreia do Sul, que incluía bandas que integram artistas japoneses, cancelou o evento.

O festival estava marcado igualmente para o passado fim-de-semana, no Local de Espectáculos ao Ar Livre, na zona do Cotai, criado pelo Governo da RAEM. A MBC não deu qualquer explicação para a decisão, dizendo apenas que foi tomada “após uma análise completa das circunstâncias locais e das condições logísticas gerais”.

Pelos vistos

Ainda antes do anúncio oficial por parte da MBC, a imprensa da Coreia do Sul já tinha avançado com o possível cancelamento devido à alegada dificuldade dos artistas japoneses em obter vistos para actuar em Macau.

A Lusa tentou confirmar esta informação junto dos Serviços de Imigração da Polícia de Segurança Pública, o Instituto Cultural (IC) de Macau e a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, mas não obteve qualquer resposta.

Em 12 de Dezembro, a presidente do IC negou qualquer interferência no cancelamento de concertos com artistas japoneses marcados para a região e garantiu que se trata apenas de decisões comerciais dos organizadores.

“Acho que diferentes partes têm os seus factores de ponderação”, disse Leong Wai Man, numa conferência de imprensa. “É normal ter ajustamentos sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, acrescentou.

Questionada pela Lusa sobre se havia indicações do Governo para a não realização de eventos culturais com artistas do Japão, Leong Wai Man garantiu que “esta é uma questão do sector comercial, é uma decisão do organizador” “Não tenho mais nada a acrescentar”, sublinhou a dirigente.

Em Dezembro, tinham sido cancelados espectáculos com artistas japoneses em pelo menos três diferentes hotéis-casinos de Macau. Em Novembro, a primeira-ministra do Japão falou no parlamento nipónico sobre uma eventual intervenção militar japonesa num conflito entre a China continental e Taiwan.

Sanae Takaichi afirmou que, se uma situação de emergência em Taiwan implicasse “o envio de navios de guerra e o recurso à força, isso poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão”. Dias depois, Pequim desaconselhou deslocações ao Japão, exemplo seguido mais tarde pelas regiões semiautónomas de Macau e Hong Kong.

Ao contrário do habitual, o Governo de Hong Kong não enviou qualquer representante a um evento organizado pelo consulado do Japão na quinta-feira, para assinalar o aniversário do imperador nipónico Naruhito, avançou o portal de notícias Hong Kong Free Press.

9 Fev 2026

Saúde Mental | Deputados pedem melhor acompanhamento de alunos

Com o número de pedidos de ajuda de alunos a subir, os deputados Lam Lon Wai e Loi I Weng querem mais empenho do Governo na melhoria da saúde mental, e pedem que se recorra a inteligência artificial

Os deputados Lam Lon Wai e Loi I Weng defendem a utilização de tecnologias mais recentes, principalmente de inteligência artificial, para acompanhar a saúde mental dos jovens em Macau. Foi desta forma que os legisladores reagiram aos dados mais recentes publicados pela Secção de Acompanhamento de Menores da Polícia Judiciária.

De acordo com as autoridades, no ano passado foram apresentados 250 pedidos de assistência por parte de menores com sintomas de perturbação emocional ou stress, o que correspondeu a um aumento de 64 por cento em termos anuais. O aumento foi o mais acentuado na RAEM, desde que há registos.

Em comunicado, Lam Lon Wai, que também é subdirector da Escola Secundária para Filhos e Irmãos dos Operários, argumentou que para garantir o crescimento saudável dos alunos é necessário estabelecer um mecanismo de cooperação entre família, escola, Governo e sociedade.

O deputado afirmou que a família é a primeira linha de defesa, pelo que os pais devem prestar mais atenção à mudança de humor dos filhos, às suas amizades, utilização da internet, particularmente durante as férias longas. O subdirector também indicou que os pais têm de acompanhar de muito perto os filhos para identificarem sinais de risco.

Papel das escolas

Além disso, Lam Lon Wai apontou que as escolas devem continuar a apostar na educação para a vida, saúde mental e na educação jurídica dos mais jovens, para que os estudantes desenvolvam valores correctos, enquanto membros da sociedade.

Na perspectiva de Lam, este papel deve ser complementado pelo Governo e pela sociedade através do reforço dos apoios à saúde mental e desenvolvimento de canais de ajuda. A promoção deve recorrer às redes sociais, para ser mais abrangente.

Por seu turno, a deputada e também subdirectora da Escola da Associação Geral das Mulheres, Loi I Weng, defende que o Governo deve utilizar inteligência artificial para monitorizar a saúde mental dos jovens nas escolas, através da recolha de dados e análise, para identificar e intervir nos casos potenciais.

A responsável também espera que o Governo dote as escolas de mais recursos para aliviar a carga de trabalho dos auxiliares que estão na linha da frente e para aumentar a qualidade e eficácia destes serviços de acompanhamento.

A questão da saúde mental ganhou predominância durante os anos da pandemia e pós-pandemia, com os dados a crescerem de forma sustentada. As autoridades lidaram com este aumento ao tomarem a opção de deixarem de divulgar as estatísticas.

9 Fev 2026

Investigação | Epstein e Bannon discutiram “fragilidades” de Wynn e Adelson

Macau aparece em mais de 200 ficheiros da “Biblioteca Epstein”, na maioria em artigos relativos a receitas de casinos e ambiente de investimento. Porém, surgem conversas com Steve Bannon sobre a falta de respeito de Trump em relação a Steve Wynn e Sheldon Adelson, assim como notas de um predador sexual sobre uma visita a Macau

Ainda com milhões de ficheiros por divulgar, e com a última actualização feita na passada sexta-feira, Macau surge em 208 ficheiros da chamada “Biblioteca Epstein” no portal do Departamento de Justiça norte-americano.

Ao longo das mais de duas centenas de ficheiros, as referências a Macau dividem-se entre inócuos convites para inauguração de exposições de arte fruto de residências artísticas na RAEM, “briefings” com notícias económicas e sobre os negócios de Sheldon Adelson em Macau, enviados por personagens no mínimo duvidosas, relatórios sobre ambiente de negócios e receitas do jogo e viagens ao território. O HM analisou os ficheiros divulgados até agora, num mergulho entre informações puramente financeiras e alusões sórdidas.

Uma das conversas mais interessantes, datada de 1 de Janeiro de 2019, tem como interlocutores o próprio Jeffrey Epstein e operativo político e podcaster Steve Bannon. Entre congeminações políticas, Epstein refere que o partido democrata americano estaria a usar uma lei que obriga ao registo como agente estrangeiro para atacar Steve Wynn. Uma táctica descrita como “potente”. E de seguida refere que “Donald não o respeita nada, nada mesmo”, referindo-se ao fundador da Wynn Resorts.

Depois da concordância de Bannon, Epstein prossegue afirmando: “o mesmo em relação ao Adelson”, acrescentando a posição de fragilidade de quem tem “interesses em Macau”. “Bem pior que frágil, enterrado em merda. Eles já atiraram o seu contacto de um prédio de 40 andares”, acrescenta Bannon.

O operativo do movimento MAGA e estratega no primeiro mandato de Trump como Presidente dos Estados Unidos não especifica quem foi “atirado” do prédio, mas a conversa entre Bannon e Epstein aconteceu pouco mais de dois meses depois do alegado suicídio de Zheng Xiaosong, director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau. Zheng morreu depois de cair do Bloco 2 do Centro Hung On, na Rua de Luís Gonzaga Gomes. Pequim emitiu um curto comunicado a referir que este sofria de depressão, sugerindo tratar-se de um caso de suicídio.

Recorde-se que nesta altura Jeffrey Epstein já havia sido condenado por crimes de natureza sexual e Steve Bannon estaria a “ajudar” o magnata a reabilitar a sua imagem pública, em plena campanha para as eleições ganhas por Joe Biden.

Macau, uma inspiração

Ainda na conversa entre Steve Bannon e Epstein, é indicado que Steve Wynn tem um “enorme problema com Kwok”, que Epstein refere como “o teu rapaz”. De acordo com a investigação do Departamento de Justiça a Steve Wynn, em 2022 durante a Administração Biden, o “rapaz” de Bannon será Miles Kwok, ou Guo Wengui, um empresário dissidente chinês exilado nos Estados Unidos.

O fundador da Wynn Resorts terá tentado influenciar a Casa Branca em 2017, durante o primeiro mandato de Donald Trump, a repatriar Miles Kwok para enfrentar acusações de corrupção na China.

Apesar do suposto desrespeito de Trump em relação a Wynn e Adelson, os dois empresários do jogo contribuíram com muitos milhões de dólares para as campanhas do actual Presidente dos Estados Unidos.

Numa perspectiva muito mais leve, numa escala de fraca moralidade, em Abril de 2014, Jeffrey Epstein recebe um e-mail de sua assistente de longa data Lesleu Groff com um convite para a inauguração da exposição “Classic Artwork from Macau”, na New York Academic of Art. A mostra resultou do convite do Governo da RAEM, através da Direcção dos Serviços de Turismo, a 10 artistas baseados nos Estados Unidos. A ideia seria aproveitar uma residência artística no território para capturar a beleza de Macau. Dos 10 artistas escolhidos, três eram estudantes da New York Academic of Art, instituição que chegou a contar com Epstein na administração.

Apesar da perspectiva mais leve deste detalhe nos ficheiros, importa referir que a cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell recrutou vítimas entre as alunas da academia. Nos ficheiros publicados não é indicado se Epstein terá visitado a exposição de arte inspirada em Macau.

Podridão e finanças

A larga maioria das menções a Macau nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça diz respeito a artigos de opinião e notícias financeiras sobre o ambiente de negócios em Macau, receitas do jogo das concessionárias locais e artigos sobre as ligações de Sheldon Adelson ao Partido Republicano. Grande parte dos e-mails contendo este tipo de informações era enviada por um assistente do falecido predador sexual, mas também de outras personagens.

Além de receber os relatórios do Deutsche Bank Securities, incluindo sobre o desenvolvimento de infra-estruturas na região (como a Ponte do Delta, a ligação de Zhuhai à linha ferroviária de alta velocidade e o Metro Ligeiro) e o seu impacto esperado na economia de Macau, Epstein recebeu artigos enviados por Terje Rød-Larsen e o sultão Ahmed bin Sulayem com informação sobre a RAEM.

O primeiro é um político e diplomata norueguês, que desde que saiu de cargos públicos tem-se dedicado a unir o movimento MAGA norte-americano e partidos de extrema-direita europeus. Rød-Larsen enviou uma colecção de artigos, alguns deles sobre Sheldon Adelson.

O segundo é um empresário dos Emirados Árabes Unidos, que partilhava com Epstein detalhes sórdidos sobre as suas aventuras sexuais com mulheres, mas que também enviou artigos sobre a indústria dos casinos de Macau.

Alguns e-mails surgem com o emissário rasurado, com um e-mail de Setembro de 2012 em que é indicado que “Macau está a tornar-se super interessante”, numa mensagem sobre o crescimento do PIB do Arquipélago das Comores, na costa sudeste de África.

Porém, para lá de informação económica e trica políticas, nos ficheiros em que Macau é referida, surgem mensagens de Jean-Luc Brunel, um predador sexual que actuava como dono de uma agência de modelos, e que terá, alegadamente cometido suicídio na cadeia antes de ser julgado. As semelhanças com a morte de Epstein vão mais longe, com o enforcamento a ser, alegadamente, o método usado por ambos. Em Dezembro de 2013, Brunel refere a Epstein que está de partida para Macau, descrevendo a cidade como “território para caça aos ratos”. Quando chega, o francês refere que “Macau é mais horrível que horrível”. Porém, dois dias depois, Brunel refere “Las Vegas parece cidade pequena e chic”, sem pontuação. Nos ficheiros não surgem mais detalhes sobre a passagem de Jean-Luc Brunel por Macau.

9 Fev 2026

USJ | Livro destaca panorama da filantropia em Macau

Acaba de ser editado pela Universidade de São José o livro “Media, Art & Technology in the Nine Portuguese Speaking Cultures”. Um dos capítulos versa sobre a filantropia em Macau, o perfil discreto dos filantropos e o trabalho de entidades como a Fundação Rui Cunha, Banco Nacional Ultramarino e Fundação Oriente

A Universidade de São José (USJ) acaba de editar o livro “Media, Art & Technology in the Nine Portuguese Speaking Cultures”, com edição do professor José Manuel Simões. Como o nome indica, a obra pretende traçar o panorama das artes, meios de comunicação social e cultura nos nove países e regiões de língua portuguesa, onde se inclui Macau.

A RAEM está representada com um capítulo dedicado à filantropia, da autoria de Carmen Zita Monereo, aluna de pós-doutoramento da USJ, com o nome “The Impact of Corporate Philanthropy on Media, Art, and Technology in Macao / What do we know about Philanthropy in Macao? What is the relationship between Confucianism, Philanthropy, Media, and strategic communication?”.

“A Carmen tem desenvolvido um estudo sobre filantropia em Macau, sendo um trabalho um pouco diferente dos restantes”, começou por dizer ao HM José Manuel Simões. “Trata-se de um trabalho que dá o seu contributo na análise daquilo que é o espectro dos filantropos em Macau, traçando depois um estudo sobre a Fundação Rui Cunha, o Banco Nacional Ultramarino, a Fundação Oriente. Ela olha para o que é a filantropia corporativa e os impactos que tem na sociedade através de uma análise dos meios de comunicação social, mas também da arte e da tecnologia em Macau. Ou seja, ela questiona o que sabemos sobre filantropia em Macau e qual a relação existente entre o Confucionismo, a filantropia, os media e a comunicação estratégica.”

José Manuel Simões acrescenta que um dos pontos inovadores neste capítulo é o perfil discreto dos filantropos. “Um aspecto curioso é que, ao contrário dos filantropos da Europa e dos Estados Unidos, que gostam imenso de aparecer nos rankings, em Macau há uma maior discrição e perfil discreto destas pessoas ligadas à filantropia, e isso tem a ver com a própria cultura.”

Acrescenta o editor da obra que “no campo das ciências da comunicação [em Macau] a filantropia tem vindo a ganhar uma importância muito grande como instrumento de comunicação”, e que o trabalho de Carmen Zita Monereo “identifica os valores de uma cultura organizacional que é capaz de gerar fluxos de comunicação propícios à inovação através dessa actividade filantrópica”.

O livro, que está disponível gratuitamente em versão digital, “procura traçar laços de união entre vários vectores, e um deles é as nove culturas de língua portuguesa”, sem esquecer Macau “enquanto plataforma de ligação entre a China e os países de língua portuguesa”.

Segundo José Manuel Simões, trata-se de um livro “cuja investigação foi desenvolvida procurando adoptar uma abordagem multidisciplinar”, tendo “um carácter académico, mas, ao mesmo tempo, pretende ter uma linguagem simples e acessível”.

O bom exemplo de Cabo Verde

Com edição bilingue, o livro apresenta “um espectro bastante abrangente” de temas, contendo um artigo da autoria de José Manuel Simões sobre São Tomé e Príncipe, intitulado “Digital Media Contribution to Entrepreneurship and Development in São Tomé and Príncipe”. Segue-se um artigo sobre o panorama educativo em Angola e o uso de inteligência artificial (IA), da autoria de Wilson Gomes Caldeira, intitulado “Angola’s higher education system: An analysis of the opportunities and challenges presented by Artificial Intelligence”.

No caso de Cabo Verde, Silvino Lopes Évora explora as ideias de comunicação social em conjugação com a IA, em “Artificial Intelligence, newsroom culture, and journalism: From international spectrum to experiences in Cape Verde”.

“Cabo Verde é um bom exemplo do desenvolvimento dos media em África e o texto de Silvino Évora trabalha sobre a componente da IA nos media e como ela se está a inserir. [O texto analisa também] quais as possibilidades de uso da IA e como a ética pode vigiar e apoiar a IA e, ao mesmo tempo, o jornalismo”, acrescenta José Manuel Simões.

O livro editado pela USJ explora também, no capítulo “The media system as a leverage for democratic development in East Timor”, de Paulo Faustino e Rui Alexandre Novais, as ligações entre o jornalismo e as memórias históricas do processo de independência.

O editor do livro explica a “componente mais histórica quanto ao papel de remissão que os jornalistas ainda hoje têm para quase preservar a memória daqueles que morreram em prol da independência do país”.

“O jornalismo tem uma importância enorme em Timor, houve gente e jornalistas que morreram. Isso é muito pouco falado e nesse estudo há uma conclusão interessante, de que essas pessoas, ao morrerem em nome da liberdade de expressão, deixaram um lugar muito importante em Timor-Leste que ainda hoje vigora, procurando-se preservar a memória através da vigilância sobre os outros poderes.”

Desta forma, “Timor-Leste é quase um exemplo de como o jornalismo deve actuar enquanto vigilante dos outros poderes, o que não acontece nos outros quadrantes”.

José Manuel Simões destaca o caso da Guiné-Bissau, “onde os jornalistas são chamados de bocas de aluguer”. “Eles não sabem a diferença entre o que é propaganda, relações públicas, marketing e jornalismo, porque estão condicionados por um salário baixíssimo. Escrevem o que pedem a troco de um envelope com algum dinheiro lá dentro, e isso faz com que a profissão [de jornalista] esteja muito fragilizada na Guiné Bissau”, frisou.

Uma língua de união

Segundo José Manuel Simões, o livro pretende unir “estes quadrantes das culturas portuguesas”, sendo que a edição em inglês visa chegar às comunidades anglo-saxónicas, “para que saibam da existência destas culturas”.

“Há quem não concorde comigo quanto à ideia de que a língua portuguesa é uma língua de união, não só entre os povos de língua portuguesa, mas mesmo dentro de cada país. Temos o caso de Timor-Leste, que só na ilha de Ataúro, que é pequeníssima, com 500 mil habitantes, tem 40 dialectos, um em cada aldeia. Ali, o que é que a língua portuguesa faz? Une estas pessoas, porque apesar de haver a diferença entre os que falam e dos que aprenderam português, em Timor-Leste, hoje, os idosos falam português e os jovens também, mas há a faixa etária que vai dos 25 aos 50, que não fala. Mas, por ser uma língua de aprendizagem, por ser oficial, por ter livros, uma memória, o português une todas essas etnias e dialectos, e tem um valor comum. Este livro deixa transparecer isso, do facto de a língua portuguesa ser a língua-mãe de toda a gente”, esclarece.

José Manuel Simões não esquece o trabalho que a CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, tem feito nesse sentido. “A CPLP tinha uma ideia maravilhosa de nos unir através da língua, mas a CPLP tem feito um trabalho vago, exíguo e pouco visível. Aliás, muito pouca gente tem feito um trabalho digno de criar laços entre as novas culturas de língua portuguesa. Neste sentido, este livro vem preencher uma lacuna e traz novos dados sobre estas novas culturas, com esta dinâmica tecnológica e inovadora”, isto relativamente aos códigos QR para todos os capítulos do livro. Cada código dá acesso a um vídeo que resume o trabalho do autor em cada capítulo.

Em termos globais, “Media, Art & Technology in the Nine Portuguese Speaking Cultures” quer ser abrangente em áreas como a tecnologia, arte, cultura e comunicação social. Há, porém, “um denominador comum, criando-se, curiosamente, uma certa harmonia, mesmo com focos diferentes, e acaba por abranger, de forma directa e indirecta, o espectro da comunicação social”, remata.

9 Fev 2026

Emperor | Vendido ouro do chão por 100 milhões

O grupo Emperor, responsável pelo hotel com o mesmo nome em Macau, acordou a venda de várias barras de ouro que estavam colocadas no chão do hotel. O anúncio foi feito ontem à Bolsa de Hong Kong, e a venda do metal ficou acordada por 99,7 milhões de dólares de Hong Kong, no que deverá representar num lucro líquido de 90,2 milhões.

Sobre os motivos para a venda do ouro, o grupo explica se enquadra numa nova estratégia para a exploração do hotel, face ao fim da operação do espaço de jogo, que no passado fez com que o Emperor Hotel fosse um casino-satélite.

“Após o encerramento das suas operações de jogo, o Grupo tem vindo a planear activamente outras instalações de entretenimento e diversão para melhorar a sua experiência global de hospitalidade e alargar a sua base de receitas”, foi apontado. “Os metais preciosos que originalmente faziam parte do design interior e do equipamento do hotel, já não são relevantes para o tema do hotel no futuro”, foi acrescentado.

O Conselho de Administração da empresa explicou também que a venda se realiza numa altura em que o valor do ouro tem atingido números históricos.

O comprador é a empresa Heraeus Metals Hong Kong, a representação do grupo alemão Heraeus, fundado em 1660, e que se dedica a actividades como a comercialização de metais preciosos, reciclagem, saúde, produtos electrónicos e semicondutores.

6 Fev 2026

MGM China | Lucros aumentaram 10,7 por cento

A concessionária do leão anunciou um crescimento anual das receitas que promete uma entrada auspiciosa no Ano do Cavalo. Em 2025, a MGM China anunciou lucros recorde de 1,2 mil milhões de dólares

A operadora de jogo em Macau MGM China anunciou lucros recorde de 1,2 mil milhões de dólares em 2025, um aumento anual de 10,7 por cento.

Trata-se do terceiro ano consecutivo com um novo máximo, depois de, em 2023, a MGM China ter registado um recorde histórico de lucros antes de juros, impostos, depreciação, amortização (EBITDA, na sigla em inglês) de cerca de 921 milhões de dólares e, em 2024, de aproximadamente 1,13 milhões de dólares.

Estes dados, de acordo com um comunicado enviado à bolsa de valores de Nova Iorque na quarta-feira, foram publicados “de forma inadvertida”, já que a data de publicação estava marcada para dia 11 de Fevereiro. Os resultados, escreveu a empresa, vão ser hoje divulgados “após o encerramento do mercado”

Ainda de acordo com o documento, no último trimestre do ano passado, a MGM China alcançou lucros de 332,3 milhões de dólares, uma subida de 30,5 por cento em relação ao mesmo período do ano passado (254,7 milhões de dólares). A empresa terminou o ano ainda com uma subida anual de 10,9 por cento nas receitas, com ganhos de 4,5 mil milhões de dólares em 2025 face aos 4,02 mil milhões de dólares obtidos no ano anterior.

Em termos trimestrais, a MGM China alcançou receitas líquidas de 1,24 mil milhões de dólares nos últimos três meses do ano, o que representa um acréscimo de 21,4 por cento em relação ao mesmo período de 2024 (1,02 mil milhões de dólares).

Acima do esperado

Em reacção aos resultados anunciados, citados pelo portal GGR Asia, a empresa de serviços financeiros Jefferies considerou que ficaram entre 3 por cento e 5 por cento acima das expectativas.

No entanto, o dia de ontem ficou marcado por uma suspensão do comércio das acções da MGM China na Bolsa de Hong Kong. A suspensão aconteceu na parte da manhã, depois de a empresa-mãe, a MGM Resorts, ter por anunciado “inadvertidamente” os resultados da MGM China, ainda antes do comunicado desta às autoridades da Bola de Hong Kong.

Seis concessionárias do jogo, MGM, Galaxy, Venetian, Melco, Wynn e SJM, operam em Macau, o único local na China onde o jogo em casino é legal. Os casinos da região fecharam o ano de 2024 com receitas de 226,8 mil milhões de patacas, mais 23,9 por cento do que em 2023 (183,1 mil milhões de patacas).

As receitas dos casinos de Macau atingiram no ano passado 247,4 mil milhões de patacas, um aumento de 9,1 por cento em comparação com o ano anterior.

6 Fev 2026

Novo Bairro Hengqin | Menos de 40% das casas vendidas

Até ao passado mês de Janeiro, tinham sido vendidos 1.610 apartamentos a residentes no Novo Bairro de Macau em Hengqin, segundo dados revelados ao HM. Entre o fim de 2024 e o mês passado, foram vendidas 222 fracções, menos do que os apartamentos vendidos em Macau apenas em Novembro

A venda de apartamentos no Novo Bairro de Macau em Hengqin continua a seguir um ritmo muito abaixo do mercado local, mesmo com a crise que o sector do imobiliário atravessa. Segundo dados revelados pela Macau Renovação Urbana ao HM, até Janeiro de 2026 tinham sido vendidos 1.610 apartamentos no Novo Bairro de Macau a residentes da RAEM, o que representa uma proporção de 39,5 por cento do total das fracções disponíveis.

No fim de Maio do ano passado, o relatório anual da Macau Renovação Urbana revelava terem sido comprados 1.388 apartamentos no complexo habitacional da Ilha da Montanha desde que foram colocados à venda em Novembro de 2023, o que representava apenas 34 por cento do volume total de fracções (4.070).

Feitas as contas, entre o fim de 2024 e o mês passado, foram vendidas 222 fracções no Novo Bairro de Macau em Hengqin, um volume inferior às vendas registadas em Macau apenas no passado mês de Novembro, quando dados da Direcção dos Serviços de Finanças revelam 238 fracções vendidas, apesar da crise que afecta o sector imobiliário na RAEM.

Casa dos talentos

O anémico registo de vendas no complexo habitacional para residentes de Macau na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin ganha contornos mais graves tendo em conta o levantamento de restrições que as autoridades de Hengqin têm introduzido desde 2024.

Esta semana, foi anunciado que residentes de Macau podem comprar duas fracções no complexo habitacional. Porém, as autoridades de Hengqin foram implementando sucessivas medidas para impulsionar as vendas. Os critérios foram ajustados, incluindo a remoção do limite de idade, permitindo que menores de idade sejam proprietários, a restrição de revenda nos cinco anos após a compra foi removida, assim como o ajustamento do limite à aquisição de unidades residenciais.

Além disso, em Setembro de 2025, a Macau Renovação Urbana anunciou o início da venda dos fracções na Torre 11 do complexo habitacional, com preços a descontos especiais para lugares de estacionamento, obras de renovação e na compra de electrodomésticos.

A empresa de capitais públicos indicou também ao HM que foram reservados 200 apartamentos arrendados a “entidades que preencham os critérios” para alojar talentos não-residentes. O arrendamento destas fracções no Novo Bairro de Macau foi estabelecido no contrato de transferência do direito de uso do solo assinado a 21 de Abril de 2020 para o projecto. O alojamento destes quadros qualificados ficou reservado nas torres 17 e 18 do complexo habitacional.

6 Fev 2026

Presidenciais | Portugueses escolhem Presidente no fim-de-semana

Amanhã e domingo, os portugueses que residem em Macau vão poder votar no Consultado-Geral para escolher o próximo Presidente da República portuguesa. As urnas vão estar abertas nos dois dias, das 08h às 19h, depois de três dias de votação antecipada em que participaram 78 eleitores, mais do triplo da primeira volta

Os portugueses vão voltar a ser chamados a votar na segunda volta das eleições para eleger o próximo Presidente da República, num sufrágio disputado entre os candidatos do Partido Socialista (António José Seguro) e do Chega (André Ventura).

Na RAEM, os portugueses vão poder votar no sábado e domingo, das 08h às 19h, no Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, à semelhança dos eleitores que vão votar no estrangeiro nas várias missões diplomáticas espalhadas pelo mundo.

Recorde-se que só poderão votar os cidadãos nacionais que se encontrem recenseados no estrangeiro. Para escolher o próximo Presidente da República, os eleitores devem apresentar cartão de cidadão, bilhete de identidade, ou documento que tenha fotografia actualizada e que seja habitualmente utilizado para identificação (passaporte ou carta de condução).

Nos passados dias 27, 28 e 29 de Janeiro, o consulado-geral recebeu os eleitores que votaram antecipadamente. Esta modalidade de sufrágio esteve aberta para eleitores por “inerência do exercício de funções públicas ou privadas, em representação de selecção nacional. Além disso, puderam votar antecipadamente estudantes, investigadores, docentes e bolseiros de investigação em instituição de ensino superior, doentes em tratamento, ou eleitores que acompanhem cidadãos mencionados.

Segundo informação revelada pelo Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong ao HM, votaram antecipadamente na segunda volta 78 eleitores, mais do triplo dos votos antecipados na primeira volta, quando foram apurados 25 votos antecipados.

Local vs Nacional

Na primeira volta, os votos apurados em Macau deram vantagem ao candidato do PSD, Luís Marques Mendes, com 47,19 por cento dos votos, seguido do socialista António José Seguro (20,98 por cento) e André Ventura com 12,4 por cento.

A nível nacional, António José Seguro venceu a primeira volta com 1.755.563 votos (31,11 por cento), seguido de André Ventura, com 1.327.021 votos (23,52 por cento) e João Cotrim Figueiredo, com 903.057 votos (16 por cento). Luís Marques Mendes acabou por ficar em quinto lugar, afastado da segunda volta com 637.442 votos (11,3 por cento).

6 Fev 2026

Segurança Nacional | Advogados excluídos sem hipótese de recorrer

Os processos qualificados como de segurança nacional vão abranger casos penais, mas também se podem estender às áreas administrativa e cível. Os advogados serão obrigados a apresentar informações sobre os agregados familiares, como nacionalidade e ligações políticas exteriores

Os advogados que forem excluídos dos julgamentos relacionados com segurança nacional pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE) da RAEM ficam impedidos de apresentar recurso para contestar a decisão. A informação consta da proposta do Governo divulgada ontem no portal da Assembleia Legislativa e que retira aos arguidos a possibilidade de escolherem livremente qualquer advogado inscrito na Associação dos Advogados de Macau.

Segundo os procedimentos definidos na proposta de lei, a Comissão de Defesa da Segurança do Estado vai escolher o advogado dos arguidos “no processo judicial de qualquer natureza em que a autoridade competente tiver fundadas razões para crer que existe a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado”. De acordo esta formulação, a exclusão de advogado poderá acontecer em processos criminais, como o que se encontra em curso contra o ex-deputado Au Kam San, mas também em processos administrativos ou até de direito privado, se for considerado que de alguma forma “existe a necessidade de proteger os interesses da segurança do Estado”.

No âmbito do processo em curso, ainda antes de ser escolhido como mandatário, o advogado tem de se dirigir ao tribunal e informar o juiz da vontade de ser constituído como representante de uma das partes envolvidas. A partir deste momento começa uma análise ao advogado e ao seu agregado familiar, que podem exigir a obrigação de apresentação de elementos como a nacionalidade do próprio advogado, membros da sua família e ligações com organismos ou indivíduos no exterior entre “outras”.

Esta formulação abre assim a porta a que os familiares tenham de declarar a sua filiação com partidos políticos fora de Macau. Todavia, os elementos requeridos não estão especificados na proposta de lei.

Se o juiz considerar que os elementos fornecidos pelos advogados no primeiro momento não são suficientes, pode ainda exigir a apresentação de “outras informações que considere indispensáveis para verificação”.

O Chefe decide

Recolhida a informação, a CDSE decide se considera que o advogado corresponde à vontade do poder político para o caso em concreto, emitindo o parecer em que concede ou recusa a “autorização especial ao mandatário judicial”.

Os critérios que vão ser adoptados pelo Chefe do Executivo, os secretários, assessores do Governo Central, que não votam, e outros membros do Governo ligado às polícias e outras entidades não foram revelados. Contudo, a lei afasta a possibilidade de recurso judicial ou contestação dentro da própria comissão.

A proposta do Governo adopta assim a política da lei eleitoral dos deputados, com a diferença que o afastamento de um advogado de um caso em concreto não o impede de exercer a profissão, nem de apresentar novos pedidos no futuro, sem ficar “congelado” durante cinco anos.

Ao contrário do que acontece com os juízes, o diploma não afasta a participação de advogados portugueses em processos desta natureza.

Fora do controlo dos tribunais

A lei define também as competências da CDSE, que vai ter poderes para emitir ordens para todas as entidades públicas envolvidas que tenham como objectivos defender a segurança do Estado, assegurar a prosperidade e estabilidade da RAEM e garantir os legítimos direitos e interesses dos residentes da RAEM e de outras pessoas na RAEM.

O diploma confirma também a competência da CDSE para emitir pareceres vinculativos em relação às eleições do Chefe do Executivo e para a Assembleia Legislativa.

No entanto, a lei traz uma novidade: o princípio de que as decisões das autoridades seguem os pareceres da CDSE, não aceitando impugnação ou acção judicial, a não ser que haja uma norma legal a prever esse recurso.

A proposta do Governo de Sam Hou Fai define também que os trabalhos da comissão “são livres de qualquer interferência de outras entidades ou indivíduos da RAEM”, sem disponibilização pública de informação sobre a comissão ou os trabalhos desta.

No âmbito do princípio do secretismo, a comissão pode também contratar os trabalhadores que entender necessários, e realizar gastos sem necessidade de divulgação. As contas apenas serão analisadas pelo Chefe do Executivo, que também preside à CDSE.

Processo em curso

A proposta do Governo para a nova lei da CDSE é justificada nos documentos enviados à Assembleia Legislativa com a necessidade de aperfeiçoar o “sistema jurídico e reforçar a estrutura de topo do sistema de defesa da segurança do Estado”, para “salvaguardar firmemente a soberania, a segurança e os interesses do desenvolvimento do Estado, construir uma barreira sólida para a defesa da segurança do Estado e manter a estabilidade geral da sociedade”.

O Executivo indica também que as alterações visam “prevenir e reprimir eficazmente a interferências externa e assegurar que os interesses de segurança do Estado não sejam prejudicados”.

A proposta de lei entra no hemiciclo numa altura em que se espera uma conclusão da investigação ao ex-deputado Au Kam San, o único caso tornado público na RAEM relacionado com segurança nacional.

Detido em Julho do ano passado, o democrata encontra-se desde então em prisão preventiva. Se a lei for aprovada antes de um eventual julgamento, o processo poderá seguir as estipulações do diploma.

6 Fev 2026

Diocese de Macau/450 anos | Novo Centro Católico terá um hotel

O novo Centro Católico deverá abrir “em meados do segundo trimestre” deste ano e irá ter um hotel, preparado para receber “peregrinos e turistas”, diz a Diocese de Macau. Numa altura em que a instituição celebra 450 anos, a inauguração do Centro Católico tem por base “a visão” de D. Paulo José Tavares, bispo de Macau nas décadas de 60 e 70

Depois de muitos anos de vazio e obras na esquina da Avenida da Praia Grande com a Rua do Campo, o novo Centro Católico prepara-se para abrir portas ainda este ano e é talvez o acontecimento mais importante na celebração do 450º aniversário da Diocese de Macau.

O HM colocou questões à Diocese de Macau a propósito da reabertura do edifício, que confirmou que a inauguração oficial está prevista “para o segundo trimestre” deste ano. Este edifício, com um total de 17 pisos, terá as funcionalidades pensadas para fins religiosos, mas também um hotel preparado para receber todo o tipo de pessoas.

“O Centro Católico será um centro nevrálgico para a divulgação e partilha da missão da Igreja Católica. Os pisos inferiores contarão com uma capela, um auditório, salas de conferências, áreas de exposição e espaços para actividades.” Enquanto “os pisos superiores funcionarão como um hotel, oferecendo acomodações acolhedoras e confortáveis, imbuídas de um espírito de serviço”.

Na resposta escrita da diocese, acrescenta-se que as instalações hoteleiras “foram concebidas para receber tanto peregrinos como turistas, acolhendo católicos e não católicos com hospitalidade e inclusão”.

Recorde-se que em Dezembro começaram a ser recrutados funcionários para a unidade hoteleira, em parceria com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Numa sessão de emparelhamento de emprego destinada a residentes, realizada a 5 de Dezembro, com a “Companhia de Gestão do Centro Católico”, foram disponibilizadas 23 vagas de emprego para gestor de vendas, assistente gerente de recepção, chefe de cozinha, chefe de segurança, supervisor de serviço de quartos e supervisor de aquisição, lê-se na nota da DSAL difundida em Novembro.

A Diocese de Macau não quis avançar ao HM quanto custou reerguer o novo Centro Católico, referindo apenas que as previsões iniciais derraparam graças à pandemia. “O Centro Católico está actualmente em fase de aperfeiçoamento e submissão e aprovação pelo Governo. Após os desafios da pandemia covid-19, os custos de construção aumentaram significativamente. Estamos gratos pela compreensão e apoio dos construtores e empreiteiros, que permitiram que o projecto de reconstrução fosse concluído com sucesso. Ao mesmo tempo, acolhemos calorosamente doações de todos os sectores da sociedade para ajudar a sustentar e levar adiante a missão original do Centro Católico de servir a comunidade de Macau.”

Um bispo ainda presente

Questionada sobre as principais metas do novo Centro Católico, a Diocese de Macau descreve que o edifício “tem como objectivo dar continuidade à missão espiritual da Igreja Católica e incorporar o espírito de Cristo”, tendo por influência o trabalho do bispo D. Paulo José Tavares, que realizou a sua missão em Macau em meados do século XX.

Destaque para o facto de D. Paulo José Tavares, falecido em 1973 e nomeado bispo de Macau em 1961, ter sido importante na manutenção da presença da Igreja Católica em Macau na época do movimento “1,2,3”. Entre Novembro de 1966 e Fevereiro de 1967, a Revolução Cultural manifestou-se no território, agregando muitos estudantes locais, que pretendiam mudar os conteúdos do ensino católico. D. Paulo José Tavares travou um braço de ferro com estes grupos de manifestantes, conseguido manter inalterado o ensino nas escolas católicas e o espírito que a elas estava associado.

Desta forma, e tendo como base “a visão” deste bispo, a diocese pretende que o novo Centro Católico “continue a servir como uma ponte vital para a comunidade de Macau, promovendo o diálogo, o intercâmbio e a integração da fé e da cultura”. É ainda intenção “abrir as portas [do Centro] a visitantes de todo o mundo, reforçando não só o seu papel como refúgio espiritual, como também infundir uma nova vitalidade no panorama religioso e cultural de Macau”.

António Pedro Costa, autor da biografia do clérigo, intitulada “D. Paulo José Tavares – O bispo diplomata”, descreveu, em entrevista ao HM concedida em 2023, que o bispo “foi uma lufada de ar fresco”, e uma figura acarinhada pela comunidade chinesa da época.

“Essas atitudes de valorização da comunidade chinesa levaram a uma aproximação e ao estabelecimento de uma relação de confiança. Só assim conseguiu levar os seus objectivos adiante, pois percebeu que tinha de ter a população do seu lado. Mas isso trouxe-lhe muitos dissabores com o clero europeu, que não concordava com a postura de D. Paulo José Tavares. Fez com que a população tenha visto nele um aliado e não uma pessoa que vem de fora e que impõe as suas ideias”, disse o autor.

Um ano de celebrações

Foi em 1576, no quarto ano do reinado Wanli, da Dinastia Ming, que se fundou em Macau a Diocese, sendo 23 de Janeiro a data oficial de celebração. Porém, os próximos meses também serão de festa.

Num comunicado anteriormente divulgado, a Diocese de Macau assume que tem tido, ao longo destes anos, “a missão de estabelecer pontes entre o Oriente e o Ocidente, promovendo a educação, a caridade e o serviço pastoral”, deixando “uma marca profunda e duradoura no desenvolvimento cultural, educativo e religioso de Macau”.

O tema das celebrações é “De Macau para o Mundo: 450 anos de Missão e Misericórdia”. O novo Centro Católico irá acolher duas exposições temáticas, intituladas “Honrar o Passado, Criar o Futuro” e ainda “Testemunha do Património, Missão no Mundo”. Estas mostras pretendem “reflectir o desenvolvimento da Diocese a partir de perspectivas históricas, pessoais e culturais, bem como as suas orientações futuras”, destaca-se na mesma nota.

Amanhã decorre na Igreja da Sé um concerto de música sacra com oito agrupamentos corais de Macau, Hong Kong e da Província de Cantão, podendo ouvir-se as sonoridades do novo órgão de tubos da igreja.

A partir das 19h30, vão actuar o Coro Diocesano de Macau, o ensemble Cathedral Schola e ainda outros grupos corais de Macau, como o Coro Perosi, o Dolce Voce e o Cantate Chorus, sem esquecer outros conjuntos de Hong Kong e Cantão.

A Diocese destaca que a “iniciativa mais simbólica e de grande dimensão do ano comemorativo” será a “grande celebração” agendada para 31 de Outubro deste ano, e que consiste numa recepção e missa.

“Através desta celebração solene, a Diocese dará graças a Deus pelas graças e pela missão concedidas ao longo de quatro séculos e meio, e rezará para que Ele continue a orientar o caminho a seguir”, descreve-se no mesmo comunicado.

Haverá ainda iniciativas realizadas por “várias instituições diocesanas” nos próximos meses, nomeadamente “espectáculos culturais, concursos escolares, simpósios académicos, actividades de convívio, encontros juvenis, recursos de formação online, iniciativas paroquiais e celebrações litúrgicas”.

“Através de uma participação transversal e intergeracional, o ano comemorativo procura aprofundar o conhecimento público sobre o desenvolvimento histórico da Diocese e o seu serviço à comunidade, promovendo o espírito do lema diocesano ‘Scientia et Virtus’ (Ciência e Virtude), que inspira uma prática de serviço assente no equilíbrio entre o saber e o cuidado ético.”

Numa altura em que celebra 450 anos de existência, a Diocese diz querer traçar o futuro, “caminhando com os residentes de Macau na reflexão sobre o passado e na continuação da sua missão de fé, serviço e cultura nesta nova etapa”.

6 Fev 2026

Vírus Nipah | Governo prepara capacidade de resposta do sector da aviação

Os Serviços de Saúde realizaram na terça-feira a palestra “Conhecimentos sobre a infecção pelo vírus Nipah”, destinada a representantes da Autoridade de Aviação Civil, da CAM, Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, S.A.R.L. e das companhias aéreas.

Os Serviços de Saúde (SS) indicaram ontem que o evento teve como objectivo informar e reforçar a sensibilização para os casos de infecção pelo vírus Nipah detectados no Estado de Bengala Ocidental, no leste da Índia, assim como aperfeiçoar a capacidade de resposta do sector da aviação.

Mais de 100 gestores e trabalhadores de linha da frente ouviram as explicações sobre vias de transmissão, sintomas clínicos e pontos importantes de protecção individual.

As autoridades salientaram a importância do posto fronteiriço como “a primeira linha de defesa contra a importação de doenças infecciosas graves”, dos profissionais do aeroporto e companhias aéreas para a protecção da saúde dos residentes.

Os SS garantiram também o reforço da avaliação e o exame médico aos indivíduos com história de viagem relevante que apresentem sintomas nos postos fronteiriços. Para tal, foi criado um “mecanismo de coordenação interdepartamental eficaz com o aeroporto, a Autoridade de Aviação Civil e os serviços competentes”.

Além disso, “de acordo com a investigação global nacional e a avaliação de risco da Organização Mundial de Saúde”, actualmente, o impacto do vírus Nipah para Macau é “relativamente baixo”.

5 Fev 2026

Uber | Deputado pede regulação e questiona tratamento de dados

Leong Sun Iok está preocupado com a falta de regulamentação dos serviços de táxis online, em resposta à reentrada da Uber em Macau, e defende a criação de uma lei específica para proteger direitos de passageiros e motoristas. O deputado questiona também a localização dos servidores da Uber

O uso de aplicações móveis para chamar táxis é uma realidade consensual em todo o mundo há muitos anos, à excepção de Macau. O reinício de operações da Uber em Macau, anunciado na terça-feira, motivou de imediato reacções para o retorno à velha ordem, ou preocupações sobre a abertura dos serviços.

Uma das vozes da consternação é o deputado Leong Sun Iok. O legislador dos Operários está preocupado com a falta de regulamentação das aplicações para pedir serviços de táxi, e de uma lei específica que garanta os direitos de passageiros e motoristas. Como tal, espera que o Governo avance com legislação em breve.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado argumentou que se um passageiro cancelar uma reserva, o taxista não terá força para compensar a perda. O mesmo pode acontecer ao cliente, se a plataforma tiver problemas temporários que levem ao cancelamento do pedido.

Apesar de a Uber ter garantido que as tarifas cobradas são as mesmas, “de acordo com o taxímetro oficial”, Leong Sun Iok afirmou que a legislação em vigor proíbe a cobrança de tarifas adicionais, mas que há plataformas que as cobram de qualquer das formas.

À procura de problemas

Também o serviço de transporte entre Macau e Hong Kong facultado pela Uber preocupa o deputado, que destacou que a lei obriga o veículo estar licenciado e o motorista a ter cartão de identificação de condutor de táxi para evitar infracções. Recorde-se que neste aspecto, a Uber indicou que o serviço estará a cargo de um operador de transportes transfronteiriços, a empresa Kwoon Chung Bus Holdings.

Na óptica do deputado, apesar de a Uber usar exclusivamente táxis licenciados de Macau, o cliente deve estar alerta e confirmar a legalidade do veículo, porque em caso de acidente de viação pode não estar coberto por seguro. Nesse sentido, Leong Sun Iok também apelou ao Governo para combater táxis ilegais.

A localização “incerta” dos servidores de dados da Uber representa outro receio de Leong Sun Iok, uma vez que a legislação da RAEM obriga à instalação de servidores em Macau, exigência que quatro plataformas de táxi online cumprem.

5 Fev 2026

Biblioteca Central | Superestrutura vai custar 343,9 milhões de patacas

A Companhia de Construção Urbana J&T foi a escolhida entre 30 empresas que entraram no concurso para construir o edifício da nova biblioteca. Segundo a Direcção dos Serviços de Obras Públicas, os trabalhos vão demorar cerca de um ano e meio

As obras de construção da superestrutura da nova Biblioteca Central vão custar 343,9 milhões de patacas, de acordo com informação divulgada ontem no portal da Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP). A superestrutura é constituída por todos os elementos estruturais de um edifício acima do nível do solo e as obras têm de ser terminadas em 589 dias, um pouco mais do que um ano e meio.

A Companhia de Construção Urbana J&T Limitada foi a escolhida para realizar os trabalhos, entre um total de 30 empresas que participaram no concurso público, realizado na segunda metade do ano passado. O valor das propostas apresentadas variou entre 313,9 milhões de patacas e 370,5 milhões de patacas.

O prazo de execução das propostas apresentadas variou entre 558 dias e 590 dias, sendo que o concurso público definia como período máximo 620 dias.

Além do preço, que contava 50 por cento para a decisão final, e do prazo de execução (15 por cento), os restantes critérios de decisão do concurso incluíam a experiência e qualidade em obras (20 por cento), programa de execução (10 por cento), e plano do programa dos recursos humanos e proporção de trabalhadores residentes em cargos de gestão (5 por cento).

A futura biblioteca vai ocupar uma área de cerca de 2.960 metros quadrados e o projecto prevê a construção de quatro pisos de altura e cave, com uma área bruta de construção de cerca de 13.800 metros quadrados. De acordo com os dados oficiais, esta área de construção é “dez vezes superior à da antiga biblioteca central”, localizada no lado oposto da Praça do Tap Seac.

O rés-do-chão e os pisos superiores da construção vão receber instalações como auditórios, zona de leitura de jornais e revistas, bibliotecas para adultos e crianças, salas de reuniões e espaços multimédia dedicados ao ensino.

Projecto atribulado

A construção da nova biblioteca de Macau está pensada há mais de 10 anos com os processos da escolha do local e elaboração do projecto a ficarem marcados por várias polémicas.

Inicialmente, durante o segundo mandato de Fernando Chui Sai On como Chefe do Executivo, foi revelado um convite ao arquitecto português Álvaro Siza Vieira para desenhar a futura biblioteca. Contudo, devido à pressão de grupos de interesses locais, o convite ao arquitecto português foi retirado, o que levou à realização de um concurso público.

No âmbito do primeiro concurso, foi escolhido um projecto do atelier do arquitecto Carlos Marreiros, com um preço de 18,68 milhões de patacas. A biblioteca estava planeada para o antigo tribunal. No entanto, as obras nunca chegaram a arrancar, porque face às críticas sobre a localização, o Executivo optou por escolher um novo local, a Praça do Tap Seac, que implicou a demolição do antigo Hotel Estoril.

As mudanças levaram à realização de mais um concurso público, desta feita internacional que terminou com a escolha do atelier holandês Mecanoo. É este projecto que está a ser agora construído.

5 Fev 2026

Novo Bairro Hengqin | Residentes já podem comprar dois apartamentos

A partir de agora, os residentes da RAEM passam a poder comprar dois apartamentos no Novo Bairro de Macau em Henqgin. A decisão foi anunciada pela Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada, que justificou a medida com a “optimização do parque habitacional”

As autoridades políticas da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin voltaram a diminuir as restrições na compra de apartamentos no Novo Bairro de Macau na Ilha da Montanha. Desta feita, a Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada anunciou que os residentes da RAEM podem comprar dois apartamentos no complexo habitacional construído para a população de Macau.

A medida foi apresentada como uma forma de “implementar o espírito das directivas das autoridades nacionais e provinciais de Guangdong para optimizar o parque habitacional existente, ajustar as políticas de restrição à compra de habitação” e “expandir eficazmente o espaço de vida de qualidade para os residentes de Macau”. A comissão executiva acrescenta ainda que a possibilidade de comprar dois apartamentos visa “responder às preocupações do público”.

Além disso, é indicado que se ocorrerem problemas na implementação da medida, a Direcção dos Serviços de Planeamento Urbanístico e Construção de Hengqin é a entidade que deve ser contactada directamente.

A comissão executiva cita também o “desenvolvimento actual da zona de cooperação” e a “resposta a exigências do sector empresarial” como motivos para alterar as restrições na compra de habitação no Novo Bairro de Macau.

Menos barreiras

No passado mês de Setembro, a Macau Renovação Urbana anunciou o início da venda dos fracções na Torre 11 do complexo habitacional, com preços a descontos especiais para lugares de estacionamento, obras de renovação e na compra de electrodomésticos.

Desde que começaram as vendas de fracções no complexo habitacional, foram levantadas várias restrições a transacções. Os critérios foram ajustados, incluindo a remoção do limite de idade, permitindo que menores de idade sejam proprietários, a remoção da restrição de revenda nos cinco anos após a compra e o ajustamento do limite à aquisição de unidades residenciais.

Além disso, em meados de 2024, em plena crise do sector imobiliário, o conceito inicial do Novo Bairro de Macau em Hengqin foi alterado para aumentar a ocupação. Em vez de compra por residentes da RAEM, as autoridades da zona de cooperação passaram a permitir arrendamento de fracções a estudantes do Interior da China, assim como a funcionários da Universidade de Macau, da Escola de Hengqin Anexa à Escola Hou Kong e do Posto Médico do Novo Bairro de Macau.

O Novo Bairro de Macau é composto por 27 torres residenciais, com aproximadamente 4.000 fracções habitacionais.

5 Fev 2026

Encontro | Sam Hou Fai debateu política externa com Bian Lixin

A nova comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros prometeu que vai contribuir para a construção de “uma forte barreira de segurança nacional” em Macau

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, e a nova comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) em Macau, Bian Lixin, estiveram reunidos na terça-feira para debater questões da política externa de Macau. O encontro decorreu à porta fechada e foi divulgado através de uma nota de imprensa pelo Gabinete de Comunicação Social.

Durante a reunião, Sam Hou Fai afirmou que o Governo “está determinado a alavancar a posição de Macau como ‘um centro, uma plataforma e uma base’” e “utilizar, plenamente, as suas vantagens na ligação dos mercados doméstico e internacional e na fusão das culturas chinesa e ocidental”. Neste sentido, o líder indicou que vai “impulsionar, activamente, a estratégia de ‘expansão ao exterior e atracção de investimento’ e elevar de forma constante a sua competitividade e influência internacional”.

Sam Hou Fai indicou a Bian que “estão a ser programadas visitas ao estrangeiro para este ano e há planos para o estabelecimento de uma delegação económica e comercial em países do sudeste asiático, com o objectivo de expandir ainda mais o mercado turístico e consolidar a posição de Macau como centro mundial de turismo e lazer”. Uma dessas visitas deverá incluir as deslocações a Portugal e Espanha, que inicialmente estiveram previstas para os dias de 16 a 23 de Setembro, mas acabaram adiadas.

Agradecimentos ao MNE

No encontro, Sam Hou Fai agradeceu ao MNE pelo “forte apoio ao território, ajudando a RAEM a responder a vários desafios internos e externos”, que não foram indicados.

O dirigente máximo da RAEM apontou também que ao longo dos anos o MNE tem apoiado Macau “na valorização das suas vantagens únicas”, “na expansão do intercâmbio e cooperação com o exterior”, “na ampliação dos contactos externos” e “no reforço das suas capacidades de governação das relações externas”.

Sam Hou Fai destacou ainda a “protecção plena dos direitos e interesses dos residentes de Macau no estrangeiro” pelo MNE e o “impulso ao desenvolvimento da diversificação adequada da economia”.

Este foi o primeiro encontro divulgado entre Sam e Bian Lixin, a nova comissária do MNE que chegou a Macau, no final de Janeiro, para suceder a Liu Xianfa.

Princípios e barreiras

Por sua vez, de acordo com a versão do encontro do Comissariado do MNE em Macau, Bian Lixin sublinhou sentir-se “profundamente honrada” por ter sido nomeada a oitava Comissária do MNE em Macau.

Bian também destacou “os tremendos desenvolvimentos alcançados por Macau a nível económico e social nos últimos 26 anos”, que no seu entender demonstram “as vantagens institucionais e a forte vitalidade do princípio ‘um país, dois sistemas’”.

Ao mesmo tempo, a nova responsável garantiu que o comissariado vai implementar “com determinação as decisões e planos importantes do Governo Central relativos às relações externas e ao trabalho relacionado com Macau” e que “construirá com firmeza uma forte barreira de segurança nacional” e “praticará profundamente os conceitos de ‘diplomacia em benefício de Macau’ e ‘diplomacia para o povo’”.

5 Fev 2026

História | Livro revela como Macau se fez à imagem de Évora

A associação local Heritage Society acaba de lançar um livro em dois volumes sobre a história da fundação de Macau. Da autoria de Caspar Chan e Nathan Rubene dos Santos, “Foral of the City of the Name of the God, Macau”, contém traduções e anotações de documentos que mostram como a fundação de Macau teve Évora como modelo

Acaba de ser editado pela associação local Heritage Society um livro, dividido em dois volumes, que ajuda a contar a história da fundação de Macau, a partir de meados do século XVI. Os dois volumes intitulam-se “Foral of the City of the Name of the God, Macau: Évora of the Far East” [Foral da Cidade do Santo Nome de Deus, Macau: A Évora do Extremo Oriente] e “The Twenty-eight Alvaras” [Os 28 Alvarás], e são da autoria dos académicos Caspar Chan e Nathan Rubene dos Santos.

O primeiro volume, que estabelece uma curiosa ligação entre Macau e Évora na fundação do território a Oriente, baseia-se no arquivo “Foral, Regalias e Privilégios Concedidos à Cidade de Macau, na China, 1596-1756”, cujo original está guardado no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, existindo microfilmes no Arquivo de Macau.

Por sua vez, a parte dedicada aos 28 alvarás, uma continuidade do primeiro volume, analisa os 28 textos jurídicos inicialmente decretados pelo então governador de Macau e vice-rei da Índia, D. Rodrigo da Costa, em 1689. Estes documentos foram depois confirmados pelo rei D. João V, em Portugal, em 1709.

Segundo contaram os autores ao HM, numa entrevista conjunta por email, o primeiro volume “trata da primeira parte do arquivo, ou das primeiras 17 folhas, que dizem respeito às cartas fundacionais mais antigas, às cartas e às sentenças recebidas pelo Senado de Macau durante os últimos anos do século XVI”.

O segundo volume analisa o conteúdo do arquivo entre as folhas 17 e 33, sobre os 28 alvarás. “Esta não é ainda a história completa, uma vez que pretendemos continuar a trabalhar sobre o restante arquivo nos anos futuros”, confessaram os autores.

Os autores destacam a importância do foral, um antigo documento que consistia numa “carta ou contrato que o poder governante, seja um senhor feudal, um bispo ou um rei, estabelece com uma entidade local, seja ela uma aldeia ou cidade, um senado ou um concelho”.

“Consideramos que a palavra e o conceito são importantes para reflectir sobre este período histórico e não apenas em Macau, mas também da época em que o reino europeu [Portugal] se encontrava no auge da sua expansão pelos mares e oceanos. O conceito de foral implica a forma como uma estrutura social portuguesa estava a ser transplantada e repensada em Macau.”

Desta forma, acrescentam os autores, todos os documentos analisados para estes dois volumes estão relacionados com a ideia de foral.

Por sua vez, a designação “Cidade do Nome de Deus de Macau” surge, neste arquivo em específico, “não apenas na carta de D. Filipe I de Portugal, durante a União Ibérica, que estipula a elevação de Macau de povoação a cidade, mas também ao longo dos 28 alvarás posteriores”.

Em termos concretos, os leitores podem deparar-se com “um trabalho de investigação que aborda alguns dos documentos mais importantes da história de Macau, documentos que nos informam sobre a fundação da cidade e sobre a evolução da sua tradição jurídica e governativa”.

A ligação com Évora

O primeiro volume da obra inclui o subtítulo “Évora do Extremo Oriente”, relatando “a história em que o Senado da povoação apresentou uma petição ao vice-rei da Índia para o reconhecimento do Senado, para a elevação deste porto ao estatuto de cidade e para a concessão à ‘nova cidade’ de Macau dos privilégios, direitos e liberdades da cidade de Évora”.

D. Duarte de Meneses, à época governador de Macau e vice-rei da Índia, acabou por conceder esse pedido em nome do rei D. Filipe I, em 1586, uma “decisão que foi posteriormente confirmada pelo próprio rei em 1595”. “Para confirmar e corroborar que Macau tinha o mesmo estatuto de Évora, tornou-se natural que todos os documentos fundacionais da cidade de Évora fossem transcritos para Macau, de modo a que o Senado de Macau os pudesse conservar como prova e guardá-los nos seus arquivos como documentos fundadores da cidade”, explicam os autores.

Os documentos encontrados no arquivo sediado no Rio de Janeiro apontam para que “a ‘prova’ do estatuto de Macau como cidade comparável a Évora não consiste num único documento, mas numa compilação de vários textos”.

No primeiro volume da obra encontram-se exemplos como “sentenças sobre a jurisdição de certos cargos, como o Procurador e o Almotacé, cartas régias sobre questões específicas, leis sobre quais os cargos que deveriam integrar um Senado, ritos de procissões religiosas e fúnebres e até a configuração da sala do Senado”.

Em resumo, “tudo aquilo que Évora possuía de jure nesse período foi herdado por Macau, como se comprova pela transcrição meticulosa e pela autenticação destes documentos”, explicam os autores.

Os alvarás da sobrevivência

Relativamente ao segundo volume da obra, focado nos 28 alvarás, os autores entendem que estes documentos “são particularmente significativos por se apresentarem como um conjunto coeso, com grande integridade ao nível da linguagem, do formato, da administração e da argumentação”.

Para Caspar Chan e Nathan Rubene dos Santos, tal resulta do facto de, em finais do século XVII, Macau já não se encontrar no período áureo de comércio, “devido à perda de rotas comerciais”.

“Ao mesmo tempo, Macau enfrentava uma constante agitação social, tanto internamente – por exemplo, entre o Senado, o Capitão-Geral e o Ouvidor – como externamente, nas relações com os chineses e os castelhanos. Os privilégios e direitos do Senado não eram respeitados, e era necessário resolver ambiguidades para garantir a sobrevivência da cidade, como se reflecte nas várias atas das reuniões do Senado.”

Desta forma, foi apresentada uma petição, por parte destes órgãos, ao governador D. Rodrigo da Costa “para a reafirmação dos direitos da cidade e para a apresentação de soluções para diversos problemas, como o extravasamento da jurisdição do Capitão-Geral, a preservação do Padroado face a grupos missionários estrangeiros e o comércio com os chineses e em Solor e Timor”.

Surgiram, assim, os 28 alvarás, que “tratam também de um grupo muito diverso de pessoas de diferentes artes, profissões, origens e ideologias”, e não apenas as relações entre portugueses e chineses, o que tornou “este conjunto documental particularmente interessante de estudar”.

A publicação destes dois volumes teve por objectivo facilitar o acesso ao arquivo e respectiva informação. “Pretendemos colocar nas mãos dos leitores de Macau um documento fundamental da origem jurídica e política da cidade, que permanece pouco estudado, mesmo na historiografia lusófona, e que está quase totalmente ausente da imaginação histórica quotidiana de Macau”, acrescentam.

O arquivo sediado no Rio de Janeiro foi traduzido pelos autores “e nunca foi publicado na íntegra, sobretudo os documentos fundadores relacionados com Évora, nem sequer em português”.

Este arquivo surge quase sempre “de forma indirecta, como excertos e paráfrases, como as de historiadores canónicos de Macau, no caso de Manuel Teixeira; ou na qualidade de referências inseridas em trabalhos especializados, e em alguns casos apenas através de transcrições digitalizadas que circulam em teses de doutoramento”.

No caso dos alvarás, são “mais conhecidos entre os historiadores, mas surgem apenas em publicações muito limitadas”. “Por esta razão, a publicação do texto primário em si torna-se essencial. Ao apresentá-lo em inglês e em chinês, a par do português, procuramos também remover uma barreira que há muito estrutura a historiografia de Macau, dividindo o passado documental da cidade em arquivos linguísticos separados que raramente dialogam entre si”, rematam.

Caspar Chan e Nathan Rubene dos Santos entendem ainda que “estes volumes oferecem novas respostas em termos historiográficos, porque mostram com uma clareza renovada que a existência jurídica de Macau emergiu através da transplantação e da adaptação local do município português [Évora] como ideia governativa numa fronteira asiática”.

“No seu cerne, o arquivo impõe uma questão fundamental que muitas vezes permanece implícita: o que contava como ‘território português’ na sua menor unidade cívica, e como essa unidade podia ser reconstruída no Ultramar através de privilégios, cargos e jurisdição, depois de Portugal se ter tornado global a partir do século XV?”.

Uma gestão local

Sobre o relacionamento entre Portugal e a China à época, os autores referem que a obra mostra como “as relações entre a China e Portugal em Macau não se faziam principalmente através de uma diplomacia formal entre duas cortes distantes, mas através da gestão quotidiana da convivência por instituições locais, em condições de jurisdição desigual”.

O primeiro volume do livro mostra como “o rei eleva Macau de povoação a cidade e confirma as eleições de vereadores, juízes e oficiais porque o Capitão-Mor nomeado para a China partia frequentemente para a viagem anual ao Japão, permanecendo pouco tempo no local e deixando o assentamento sem liderança contínua”.

O documento original revela que “esta situação era especialmente perigosa na China, dada a distância de Macau em relação à Índia e o facto de os abastecimentos só poderem ser feitos durante a viagem anual”. Desta forma, “o governo municipal é apresentado como uma necessidade: uma cidade de fronteira não podia esperar por um comandante ausente nem podia permitir a desordem”.

Assim, acrescentam os autores, “os privilégios, a jurisdição e os cargos cívicos concedidos a Macau descrevem uma lógica política tanto quanto jurídica, uma vez que a presença portuguesa dependia de um órgão local permanente capaz de manter a paz e gerir riscos num espaço onde a autoridade superior se encontrava distante”.

No tocante aos alvarás, mostram-se o que implicava manter a estabilidade do território, pois “a sobrevivência de Macau dependia de se manter dentro dos limites tolerados pela autoridade chinesa”.

“O Vigésimo Sexto Alvará, por exemplo, é explícito ao afirmar que o mandarinato chinês não aceitava a jurisdição portuguesa sobre súbditos chineses, especialmente quando credores cristãos procuravam prender devedores chineses. O Senado descreve as despesas e os perigos causados quando um mandarim era enviado para fazer cumprir tais determinações e solicita uma solução directa: impedir os cristãos de contrair créditos com os chineses e negar-lhes recurso tanto ao Ouvidor como aos tribunais chineses, para que a cidade pudesse ‘viver em paz’. A Coroa confirma esta abordagem”, concluem.

5 Fev 2026

Uber | Serviços locais de táxi e transporte entre HK lançados

A Uber anunciou ontem a oferta de serviços de táxi em Macau, através de carros já licenciados, assim como transportes entre a RAEM e Hong Kong. A confirmação surge depois de a empresa ter divulgado estar a recrutar em Macau motoristas de táxi licenciados

A Uber está de regresso a Macau, depois de ter operado no território por menos de dois anos, entre 2015 e 2017. Na segunda-feira, a empresa publicou um anúncio de recrutamento de condutores entre taxistas licenciados e ontem confirmou o lançamento do serviço de táxis na cidade e entre Macau e Hong Kong.

“A Uber está a introduzir viagens de táxi em Macau através da aplicação Uber. Os passageiros podem solicitar táxis licenciados de Macau, com tarifas cobradas de acordo com o taxímetro oficial e pagas directamente na aplicação. A aplicação permite o uso de vários idiomas e elimina a necessidade de pagamentos em dinheiro ou aplicações adicionais, oferecendo uma experiência consistente para visitantes e residentes”, indicou a empresa em comunicado.

Como é habitual nas aplicações de táxis, os passageiros vão poder acompanhar o itinerário, a hora estimada de chegada, assim como aceder a um serviço de assistência em casos de emergência.

Entre A e B

A outra novidade em termos de serviços de transporte, é a ligação entre Macau e Hong Kong, permitindo a ligação de ponto a ponto nos dois sentidos, através da marcação de “limousines”, indicando o preço da viagem antecipadamente, incluindo portagens de Ponte do Delta e túneis.

Este serviço privado será fornecido por um operador de transportes transfronteiriços, a empresa Kwoon Chung Bus Holdings, sem a necessidade de mudar de veículo.

Para aceder a este serviço, os passageiros precisam marcar a viagem na aplicação com, pelo menos, 24 horas de antecedência. As reservas podem ser feitas até um máximo de 90 dias antes da viagem e podem ser canceladas gratuitamente até seis horas antes da hora designada para a partida.

“Temos o prazer de introduzir uma nova forma de viajar facilmente entre Hong Kong e Macau, assim como dentro de Macau. É óptimo poder contribuir para os objectivos do turismo de Macau, assim como ajudar os residentes locais a movimentarem-se pela cidade e proporcionar novas oportunidades aos condutores de Macau”, afirmou o director-geral da Uber Hong Kong, Estyn Chung.

Obrigatório usar táxis registados

Após o anúncio da entrada em Macau da Uber, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) emitiu um comunicado a recordar que as aplicações têm de contratar táxis oficiais para a prestação do serviço. “A exploração dos serviços de táxis deve cumprir as disposições do ‘Regime jurídico do transporte de passageiros em automóveis ligeiros de aluguer’, designadamente através da utilização de táxis com alvará válido e da condução”, foi comunicado.

“Paralelamente, caso os condutores de táxi não cobrem as tarifas de acordo com a lei ou faltem ao serviço após aceitação da chamada, poderão incorrer em infracção relativamente às normas supramencionadas sobre cobrança abusiva ou recusa de prestação de transporte, sendo que as duas entidades procederão nos termos da lei”, foi acrescentado. No anúncio do regresso a Macau, a empresa Uber comprometeu-se a utilizar os táxis licenciados. O serviço vai incluir travessias entre Macau e Hong Kong, outro aspecto visado pelas autoridades.

“A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) constataram que, recentemente, algumas empresas de plataforma lançaram os serviços dos ‘veículos especiais transfronteiriços entre Hong Kong e Macau’ e ‘táxis com taxímetros’ de Macau”, foi apontado. “A DSAT e o CPSP recordam que a exploração dos serviços de veículos de aluguer de transporte transfronteiriço entre Hong Kong e Macau e de táxis de Macau carece de autorização nos termos da lei, devendo as respectivas plataformas cooperar com veículos legalmente autorizados para o efeito”, foi vincado.

O comunicado indica ainda que o “Governo está a promover, de forma activa, os trabalhos de revisão da lei para a supervisão das plataformas de serviços de táxis online, planeando introduzir uma gestão normalizada de modo a salvaguardar de forma mais eficaz os direitos e interesses dos passageiros e condutores”.

4 Fev 2026

CCAC iliba Administração de ilegalidades, mas reduz altura de construção

O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) ilibou a Administração de qualquer ilegalidade no processo de aprovação da construção de um edifício com 90 metros de altura no lote n.º 465-513 na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues. Apesar deste aspecto, o CCAC sugere que a altura do projecto do edifício seja reduzida para 60 metros, como foi proposto pela Associação Novo Macau.

Os resultados divulgados ontem pelo CCAC colocam assim um ponto final num inquérito que demorou quase cinco anos.

Para justificar que não foram cometidas ilegalidades pelas Obras Públicas, o CCAC considerou que a Administração calculou a altura máxima de construção de 90 metros com base na Circular n.º 01/DSSOPT/2009. “Como os serviços de obras públicas tomaram-na como padrão de apreciação e aprovação no âmbito dos indicadores de altura dos edifícios e de construção em lotes, é entendimento do CCAC que não se verificou qualquer ilegalidade ou irregularidade administrativa”, foi explicado. “Os serviços de obras públicas, durante o processamento do projecto de planta de condições urbanísticas, recorreram às descrições relativas ao índice de utilização do solo máximo permitido e ao índice de ocupação do solo máximo permitido de acordo com o disposto na referida circular”, foi acrescentado.

A informação sobre o inquérito não apresenta cálculos para indicar o motivo que torna legal a adopção da altura de 90 metros.

Apoiar o recuo

No entanto, o CCAC sugere que o Governo aprove apenas uma altura de 60 metros de altura para aquele local. A proposta do CCAC tem por base o recuo do Executivo, tornado público anteriormente, depois do Centro do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) ter começado a acompanhar esta construção.

A questão à volta da altura de 90 metros prende-se com um eventual bloqueio da paisagem visual para o Farol da Guia.

As obras no local não deverão avançar tão depressa, explica o CCAC, porque “o planeamento e o projecto de construção” só “podem avançar depois da resolução tomada pelo Centro do Património Mundial na próxima fase”. Os resultados do inquérito foram enviados ao Chefe do Executivo.

4 Fev 2026