João Santos Filipe Manchete PolíticaNão-Residentes | Ip Sio Kai quer Governo a facilitar novas contratações O deputado defende que a economia está em expansão e que as empresas encontram condicionamentos. Por isso, Ip defende a facilidade da contratação de não-residentes a pensar nas empresas que vencem os concursos públicos O deputado Ip Sio Kai defende a facilitação dos mecanismos para a contratação de trabalhadores não-residentes, a pensar nas adjudicações de contratos públicos. A posição do também vice-Director-Geral da Sucursal de Macau do Banco da China e presidente da Associação de Bancos de Macau foi tomada através de uma interpelação escrita. Apesar de justificar a interpelação com os constrangimentos à expansão das empresas locais, Ip Sio Kai relaciona principalmente o problema da falta de mão-de-obra com os contratos públicos e as autorizações de contratação de trabalhadores não-residentes. Nestes casos, o legislador aponta que as autorizações de trabalho só podem ser pedidas após a apresentação dos contratos das adjudicações públicas. Todavia, os concursos públicos são tidos como processos “lentos” e as contratações de não-residentes “demoram cerca de três meses”. Por isso, Ip Sio Kai explica que há sempre o risco dos contratos para as obras exigirem um início imediato, sem que haja mão-de-obra disponível, o que coloca “pressão sobre o cumprimento desses contratos”. Face ao problema, Ip pretende saber se o Governo vai criar um mecanismo de aprovação condicional da contratação de não-residentes, em que as autorizações são aprovadas previamente, mas apenas confirmadas após a adjudicação de obras ou outros trabalhos. “Isso permitiria às empresas apresentar candidaturas de trabalhadores não-residentes antes de garantir formalmente a adjudicação. Com base em projecções comerciais razoáveis, as autoridades informariam primeiro as empresas sobre o número de trabalhadores não-residentes que poderiam ser aprovados caso ganhassem a adjudicação”, defendeu. Áreas estratégicas Ip Sio Kai pede também que a política de autorização de contratação de não-residentes se torne mais clara e sejam identificadas áreas em que os procedimentos são mais simplificados. O deputado quer assim saber se vão ser publicadas “categorias de profissões mais susceptíveis” de verem os pedidos aprovados rapidamente. O membro da Assembleia Legislativa argumenta que uma publicação deste género iria “aumentar a confiança da indústria nas políticas relativas aos trabalhadores não-residentes, dada a persistente escassez de mão de obra local ou a baixa disponibilidade para trabalhar em determinadas profissões”. Ao mesmo tempo, o deputado pede maior flexibilidade em relação às quotas de trabalhadores não-residentes que não são utilizadas durante um certo período tempo. Actualmente, se as empresas obtêm uma quota mas não a utilizam durante o prazo de seis meses, ou seja, não contratam o trabalhador não-residente, a quota é cancelada. Ip Sio Kai defende que este prazo deve ser aumentado, devido à “intensificação da concorrência regional”.
Hoje Macau Manchete SociedadeMetro Ligeiro | Fevereiro bate recorde de passageiros Depois do registo bem-sucedido num primeiro mês de circulação com viagens gratuitas para residentes, o meio de transporte bateu finalmente essa afluência de passageiros ao fim de cinco anos O metro ligeiro de Macau registou, em média, 33.100 passageiros por dia em Fevereiro, o número mensal mais elevado desde a inauguração, disse ontem a operadora. De acordo com dados oficiais divulgados pela Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, a média de passageiros aumentou 10,3 por cento em comparação com Janeiro e subiu 30,8 por cento em relação ao mesmo mês de 2025. O metro ligeiro foi inaugurado a 10 de Dezembro de 2019 e esse mês detinha o recorde absoluto, com uma média diária de 33 mil passageiros, sendo que nessa altura as viagens eram gratuitas. Em Fevereiro de 2020, com o início da cobrança de tarifas e a detecção dos primeiros casos de infecção pelo novo coronavírus em Macau, a média diária de passageiros caiu para 1.100. O metro ligeiro voltaria a registar este valor mínimo em Julho de 2022, mês em que a cidade esteve em confinamento durante duas semanas devido a um surto de covid-19. Em Dezembro de 2024, começou a operar a extensão do metro ligeiro de superfície que liga Macau à vizinha Hengqin (ilha da Montanha), com 2,2 quilómetros. Um mês antes, foi inaugurada a linha que vai até Seac Pai Van, um bairro de Coloane onde o Governo de Macau construiu 60 mil apartamentos de habitação pública. Expansão aos poucos O metro ligeiro arrancou com apenas uma linha, que circulava só na ilha da Taipa, com uma extensão de 9,3 quilómetros e 11 estações, com uma frequência de dez a 15 minutos, durante quase 17 horas diárias. A ligação do metro até à Barra, no sul da península de Macau, através do piso inferior da ponte Sai Van, começou a operar em Dezembro de 2023. Com a extensão do metro ligeiro, as autoridades prevêem que o volume de passageiros atinja 137 mil pessoas por dia, em 2030. O Governo lançou no final de 2022 os concursos para a concepção e construção da Linha Leste do metro ligeiro, que fará a ligação ao norte da península de Macau, onde se situa a principal fronteira com o Interior. No final de Janeiro, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam Vai Man, disse que a operadora prometeu, ainda este ano, implementar o pagamento electrónico, assim como um sistema de transbordo entre os autocarros e o metro ligeiro. Terminou em 28 de Fevereiro uma consulta pública sobre o desenvolvimento do metro ligeiro, que prevê que a construção da Linha Leste deve estar concluída em 2029. Os planos incluem uma Linha Sul, que irá ligar o posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau à estação da Barra, uma Linha Oeste, da fronteira de Qingmao à Barra, e uma ligação à vila de Coloane.
João Santos Filipe Manchete SociedadeSJM | Anunciado alargamento de licença de maternidade Com o anúncio mais recente da empresa fundada por Stanley Ho, todas as concessionárias do jogo seguem o exemplo da Sands China e aumentam a licença de maternidade de 70 para 90 dias e a licença de paternidade de cinco para sete dias Desde ontem, que todas as concessionárias do jogo adoptaram a política de aumentar a licença de maternidade para 90 dias e a licença de paternidade para sete dias. A confirmação da nova prática generalizada na indústria do jogo chegou depois de a SJM Resorts ter anunciado as novas medidas para os trabalhadores. “Desde de 1 de Março de 2026, a empresa aumentou oficialmente os benefícios parentais, passando a licença de maternidade remunerada de 70 para 90 dias e a licença de paternidade remunerada de cinco para sete dias”, foi anunciado. “Este reforço apoia activamente a política do Governo da RAEM de incentivo à natalidade e demonstra ainda mais o compromisso da empresa em promover um local de trabalho favorável à família”, foi acrescentado. Os alargamentos das licenças remuneradas aplicam-se apenas às funcionárias e funcionários “com pelo menos um ano de serviço”, pelo que se não atingirem este patamar ficam sujeitos ao regime anterior. “O bem-estar e a felicidade familiar dos nossos funcionários sempre estiveram no centro dos nossos valores, e uma estrutura robusta de apoio à família é fundamental para atrair e reter os melhores talentos”, afirmou a directora-geral da SJM, Daisy Ho. “Esta última melhoria é um verdadeiro reflexo do compromisso inabalável com o nosso pessoal, e esperamos que, através do reforço dos nossos benefícios parentais, a SJM possa ser o pilar de apoio mais fiável para todos os funcionários durante os momentos mais significativos das suas vidas”, frisou. Tendência geral A SJM foi a última concessionária do jogo a anunciar a medida, numa tendência que começou com a Sands China a 25 de Fevereiro. Anúncios semelhantes foram feitos pela Galaxy, Wynn Macau, MGM China, e Melco. No entanto, as medidas não acontecem, no vazio. O Governo está a realizar uma consulta pública para aumentar a licença de maternidade de 70 para 90 dias e também os dias de férias anuais dos trabalhadores dos actuais seis para um máximo de 12. Os dias de férias passam a depender do número de ano de anos em que o trabalhador está na empresa e por cada dois anos acumula mais um dia. As concessionárias estão assim a antecipar as medidas que podem entrar em vigor até ao próximo ano, mas que ainda precisam de ser aprovadas na Assembleia Legislativa, o que deverá acontecer ao longo deste ano.
João Santos Filipe Manchete PolíticaJustiça | Advogados de todos os arguidos do caso Lee Sio Kuan negam crimes Lee Sio Kuan e Wu U Choi estão acusados pelo Ministério Público de 48 crimes de falsificação de documento e 235 crimes de corrupção eleitoral Os 18 arguidos do caso de corrupção eleitoral que envolve a lista Ou Mun Kong I, candidata às eleições legislativas de 2021, recusaram ter cometido qualquer crime. A posição foi tomada no Tribunal Judicial de Base (TJB), na segunda-feira, pelos advogados de defesa, durante a realização das alegações finais do julgamento. Por sua vez, todos os arguidos optaram por manter-se em silêncio. Lee Sio Kuan, mandatário e cabeça-de-lista da Ou Mun Kong I, e Wu U Choi estão acusados de 48 crimes de falsificação de documento e 235 crimes de corrupção eleitoral. Che Mio Peng e os restantes 15 arguidos foram acusados por um crime de corrupção eleitoral. Segundo o Ministério Público (MP), Lee Sio Kuan financiou, organizou e ofereceu uma excursão de meio dia a mais de 200 residentes, que incluiu um guia turístico, refeições e presentes com slogans de apoio à lista. A acusação considera que a oferta da viagem teve como objectivo levar os eleitores a assinar o formulário da lista, no âmbito da recolha das 300 assinaturas para constituir a comissão de candidatura, entregue à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). O advogado de defesa de Lee Sio Kuan considerou que o seu cliente não é culpado do crime de falsificação de documento, porque agiu com negligência, sem dolo. Face ao elevado número de formulários de apoio à comissão de candidatura, o advogado reconheceu que Lee agiu com descuido, e que se tivesse tido consciência da existência de assinaturas falsificadas que teria impedido a submissão das mesmas. Quanto às acusações de corrupção eleitoral, o advogado argumentou que não houve premeditação da excursão, e que Lee sio Kuan não pediu nem ordenou directamente às outras pessoas que organizassem a excursão. Os papéis de Wu e Che Na perspectiva do MP, Wu U Choi e Che Mio Peng foram também fundamentais para a viagem, uma vez que ajudaram na organização e convidaram residentes para participar no evento. No entanto, o advogado de Wu U Choi recusou esta versão. Segundo o mandatário, o seu cliente realizou a excursão com base numa lógica estritamente comercial, desconhecendo as razões e os objectivos da organização. O advogado afirmou que as provas apresentadas ao longo do julgamento pelo MP referentes à falsificação de assinatura são insuficientes para provar a prática dos crimes. Por sua vez, o advogado de Che Mio Peng revelou que a arguida não conhecia bem Lee Sio Kuan, e que o seu envolvimento nas excursões se ficou unicamente a dever ao facto de ter uma rede de conhecimentos ligada ao turismo no Interior. O defensor de Che também afirmou que a sua cliente apenas agiu devido a um pedido de Wu U Choi, e que nunca teve intenção de influenciar os residentes a assinarem os formulários de constituição da comissão de candidatura. O advogado de Che Mio Peng também referiu que a cliente não assinou o formulário nem recebeu benefícios directos. Em relação à defesa dos restantes arguidos, os advogados justificaram a participação nas viagens e a assinatura dos formulários com a pouca instrução dos clientes, muitos deles idosos, com baixo nível de escolaridade, havendo inclusive analfabetos, que não conseguiam entender as consequências dos seus actos. A leitura da sentença está agendada para 10 de Abril.
Hoje Macau Manchete SociedadeMédio Oriente | Pedidos de informações sobem para 16 Desde o início do mês, e da ofensiva dos Estados Unidos contra o Irão, até ontem, a Direcção de Serviços de Turismo (DST) recebeu um total de 16 pedidos de assistência e informações, de acordo com os dados citados pelo jornal Ou Mun. Entre estes, 11 pedidos (cerca de 70 por cento) estavam relacionados com pessoas retidas no Dubai, Abu Dhabi e Bahrein ou que pretendiam divulgar às autoridades os seus planos de viagem para o Médio Oriente. Os restantes cinco pedidos (cerca de 30 por cento) foram motivados com pedidos de informações relacionados com reembolsos e cancelamentos de viagens de excursões de Macau que pretendiam viajar para o Médio Oriente. Segundo o jornal Ou Mun, a Direcção de Serviços de Turismo prometeu continuar a acompanhar os desenvolvimentos na região.
João Luz Manchete PolíticaDuas Sessões | Sam Hou Fai e representantes da RAEM em Pequim Uma comitiva de governantes e representantes de Macau nas Duas Sessões partiu ontem para Pequim. Entre as suas prioridades, constam o alinhamento do 15.º Plano Quinquenal nacional o 3.º Plano Quinquenal da RAEM, e o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin O Chefe do Executivo partiu ontem para Pequim, onde vai ficar até quinta-feira, para assistir à abertura da Quarta Sessão da 14.ª Assembleia Popular Nacional (APN), informou ontem o Gabinete de Comunicação Social. Na ausência de Sam Hou Fai, o secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, irá exercer, interinamente, as funções de Chefe do Executivo. A comitiva de Macau incluiu também os representantes da RAEM na Assembleia Popular Nacional (APN) e na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC). Antes de partirem, alguns responsáveis apontaram como prioridades o alinhamento do 15.º Plano Quinquenal nacional com o 3.º Plano Quinquenal da RAEM, assim como a integração e desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. O deputado Kevin Ho, representante na Assembleia Popular Nacional, destacou o 15.º Plano Quinquenal nacional como o principal foco das Duas Sessões e a necessidade de articulação com o rumo político da RAEM a longo prazo. Kevin Ho revelou que este ano a delegação de Macau irá submeter, pelo menos, seis propostas individuais e duas colectivas à APN, com foco na integração de serviços entre Macau, a Grande Baía e Hengqin. Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado e sobrinho do primeiro Chefe do Executivo da RAEM afirmou ainda que os 15.º Jogos Nacionais extrapolaram a esfera desportiva, demonstrando a capacidade para ultrapassar barreiras que antes eram erguidas por dificuldades transfronteiriças. Como tal, afirmou que o evento desportivo deveria servir de mote para uma maior integração regional ao nível da partilha de dados e informações. Uma só voz A delegada e ex-deputada Chan Hong destacou as mesmas prioridades. Depois do foco nas infra-estruturas e mecanismos de ligação entre a RAEM e Hengqin, Chan Hong indicou que a integração na Grande Baía entrou numa nova fase que implicará promover uma “conectividade de coração para coração” para facilitar a vida transfronteiriça dos residentes. No plano educativo, a representante voltou a salientar a importância de apostar na educação nacionalista. Em relação aos representantes de Macau na CCPPC, Frederico Ma salientou a formação e captação de quadros profissionais como prioridade e o papel que o Cidade Universitária Internacional de Hengqin para cumprir esse objectivo. Também o deputado Iau Teng Pio salientou o papel que o campus universitário na Ilha da Montanha terá no futuro da RAEM.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteMiguel Carvalho, autor do livro “Por Dentro do Chega”: “O Chega atraiu tudo e um par de botas” Há muito que o jornalista Miguel Carvalho investiga o Chega, o partido político de extrema-direita fundado por André Ventura. Convidado do Festival Literário “Rota das Letras”, Miguel Carvalho vem a Macau falar do livro “Por Dentro do Chega – A Face Oculta da Extrema-Direita em Portugal” e do crescimento dos populismos Vai partilhar a sessão “Do Engano ao Populismo” com outro jornalista, João Miguel Tavares, que escreveu uma obra sobre José Sócrates. Que paralelismo encontra entre Sócrates e o Chega? Acho bastante curioso que se tenha proporcionado o debate entre estes dois livros [“José Sócrates – Ascensão (1957-2005)” e “Por Dentro do Chega”]. Isto porque o próprio André Ventura assumiu, embora posteriormente tenha desmentido, mas está gravado, que votou em José Sócrates no primeiro mandato. Descrevo no livro a forma exemplar como Ventura, de alguma maneira, olha para si próprio em relação à própria persona política, nas características positivas que via em José Sócrates, no que diz respeito à ideia do político que veio mudar tudo e mais alguma coisa. Mas José Sócrates é uma figura odiada dentro do Chega, é, talvez, o político que o Chega mais refere para identificar os maus na política. Em muitos casos, Sócrates foi a motivação pela qual muitos aderiram ao Chega. Na minha investigação encontrei muitos militantes que chegaram a votar em José Sócrates, acreditando ser a melhor coisa que podia acontecer à política portuguesa. O livro vai na nona edição em Portugal. Esperava essa reacção do público, tendo em conta o crescimento do eleitorado do Chega? Há uma dimensão disto que, para mim, é um bocado irreal. Estamos a falar de um país como Portugal, que tem índices de leitura marginais, e já temos 36 mil exemplares de tiragem no total. Mas esta reacção do universo eleitoral do Chega, tanto de pessoas que já saíram ou que ainda lá estão, não é uma total surpresa para mim. Recebi imensas mensagens por e-mail ou Facebook de pessoas que, ou tinham saído do Chega ou que ainda lá estavam, mas que respeitavam o meu trabalho jornalístico, independentemente do que possam pensar de mim como cidadão ou das minhas convicções. Pessoas que estavam a ler o livro com espírito crítico. Sei de pessoas que leram o livro e saíram do Chega, e outras que continuaram. O livro é 90 por cento o Chega a falar de si próprio, e estou grato pelo facto de as pessoas continuarem a respeitar o meu trabalho jornalístico, independentemente da opinião que possam ter sobre mim. O Chega é fruto de uma onda de populismos que tem surgido um pouco por todo o mundo. Não aprendemos nada com a história? Isso não, e é claro a vários ritmos. Dedico o último capítulo à entrada das narrativas extremistas nas escolas e faculdades, e de como a narrativa do Chega está a contaminar, e a tornar cúmplice, uma geração que tem uma grande distância em relação ao 25 de Abril. Com base em testemunhos de professores e de outros profissionais, relato a presença cada vez mais frequente de alunos nas salas de aula a fazerem a saudação nazi, alguns que citaram partes do “Mein Kampf”, ou enveredaram por narrativas simplistas, a maior parte delas completamente falsas e baseadas na desinformação que grassa por aí. São jovens que estão a levar para a sala de aula coisas que julgávamos já estarem resolvidas. Mas isso acontece também porque algo falhou na escola, e se calhar Portugal não é caso único nesse aspecto. Talvez, em parte, justifique a ascensão dessas narrativas e movimentos. Sei também, pelo acesso à vasta documentação interna do Chega ao longo destes anos, que os professores são uma das classes profissionais com maior representação na militância do Chega, desde o ensino básico à academia. Temos aqui factores que estão a gerar um caldo muito preocupante em relação à entrada de ideias extremistas num universo que, em muitos casos, ainda nem sequer vota. Uma das ideias que sai do seu livro é que não podemos falar de um eleitor tipo do Chega. Não é fácil para mim [fazer essa definição]. Não sei, neste momento, quem é o eleitor típico do Chega porque varia imenso consoante a localização geográfica e orientações políticas. Ou seja, o Chega atraiu tudo e um par de botas, digamos assim. Numa fase inicial foi buscar gente oriunda dos partidos que estavam mais próximos de si ideologicamente, nomeadamente o PSD e o CDS. Fui muito para o terreno, entrevistei centenas delas, e é agora verificável com estudos realizados sobre o comportamento eleitoral que o Chega conseguiu atrair gente de várias opções ideológicas no passado, desde o PCP ao Bloco de Esquerda. Houve muitos eleitores tradicionais do Partido Socialista que passaram para o Chega. O partido é disruptivo até em relação ao próprio sistema tradicional dos partidos. Em que sentido? Acredito que um eleitor ou um militante de um dos partidos tradicionais até pode discordar do líder em determinada altura ou discordar do programa numa determinada fase, mas se está nesse partido e se vota nesse partido, é porque está minimamente confortável, digamos assim, a 70 ou 80 por cento com o seu ideário. Ora, o Chega não funciona assim, e veio romper com tudo isto. Temos de imaginar o Chega como uma espécie de restaurante onde há o chefe Ventura que inventa uns dez pratos, com aquelas ideias que sabemos de cor e salteado, sobre a imigração, a comunidade cigana, a castração química de pedófilos, e depois este universo eleitoral escolhe três ou quatro pratos que lhe dizem mais respeito, em função do seu percurso pessoal e profissional, ou das suas frustrações, ou da sua comunidade, até. Por exemplo, é fácil encontrar gente do Chega que até não concorda nada que André Ventura faça o discurso que faz sobre a comunidade cigana, mas já concorda quando ele justifica a necessidade de não haver educação sexual nas escolas, porque isso só serviria para ensinar as crianças a masturbarem-se. Aí já acreditam e acham que é um combate que vale a pena. Cada caso é um caso e nunca encontrei um partido tão atomizado e individualizado a esse nível. Fez, há uns anos para a revista Visão, uma investigação sobre o macaense Vitório Cardoso, ligado ao PSD, mas visto em manifestações do Chega. É um exemplo de alguém que se aproximou do Chega vindo de um partido tradicional? Tudo o que conheço dele e das suas afirmações públicas, algumas delas, entretanto, apagadas, e tudo o que fui lendo ao longo dos anos sobre a expressão pública do seu pensamento político, torna-o obviamente uma figura mais próxima do Chega do que propriamente do PSD, mesmo sendo este PSD o que é, sem grande lastro ideológico. Não me espantaria, portanto, que pessoas como o Vitório se sentissem muito mais confortáveis num partido como o Chega do que naquele onde supostamente militam. Na diáspora portuguesa o Chega também tem crescido. Como explica este fenómeno, tendo em conta que falamos de um partido com um discurso anti-imigração? Esse lado está menos tratado no livro, porque na altura não houve condições para aprofundar o tema. O Chega tem, desde logo, uma grande mobilização da parte de alguns empresários portugueses na diáspora. Na França e Suíça isso é por demais evidente. Há, portanto, grandes empresários que se puseram ao serviço do partido e de André Ventura, usando os seus recursos para levarem o máximo de pessoas a votar. O Chega desmentiu, disse que não tem nada a ver com estas organizações, e que se tratam de iniciativas individuais, mas a verdade é que mesmo nas eleições legislativas, em Genebra, o Chega foi o único partido que conseguiu colocar propaganda eleitoral nas caixas de correio. Isto reflecte outro aspecto, que é o facto de o PS e PSD estarem há demasiado tempo confortáveis, em alguns países, com o voto imigrante. Ou seja, como habitualmente dividiam os eleitores entre si, não se preocuparam muito com a literacia política e mediática de um vasto sector da imigração. É preciso lembrar que 90 por cento dos portugueses radicados nos países mais importantes da imigração portuguesa não foram votar, e isso é muitas vezes justificado pelo facto de sentirem que Portugal os esqueceu. E depois há outra questão, que é o facto de gente que mesmo tendo emigrado em circunstâncias muito difíceis para fugir à miséria, a verdade é que com o seu trabalho conquistaram um determinado estatuto e consideram hoje que qualquer imigração, mesmo sendo a dos seus irmãos portugueses, é prejudicial. Notei muito isso nos Açores, por exemplo, onde se começam a gerar conflitos familiares e de amizade. Isto, do ponto de vista psicológico, é bastante complexo de desmontar. O deputado José Pereira Coutinho, que venceu as últimas legislativas em Macau, comparou-se a André Ventura. O presidente do Chega é visto como uma espécie de estrela da política que quase serve de referência para outros? Sim. Já é claro que o partido teria muitas dificuldades em manter a força política que tem hoje sem André Ventura, que é alguém que domina a linguagem mediática há muitos anos, muito antes do Chega. Ele tem o domínio avassalador da comunicação e sabe simplificar, obviamente escudado em muitas mentiras e falsidades. Escrevo isto desde 2020, o Chega é, essencialmente, um projecto de poder pessoal. Ventura submeteu o Chega ao culto do líder, e o partido é hoje, com toda a certeza, menos livre do que era no início. Com menos crítica interna? Havia, apesar de tudo, determinadas correntes e pessoas com pensamento próprio, que independentemente ou não de estarem de acordo com a generalidade das propostas que o partido oferecia, eram capazes de subir ao palco num congresso e fazer uma crítica à direcção. Tenho sérias dúvidas de que isso aconteça no próximo congresso do Chega. Os acórdãos do Tribunal Constitucional são avassaladores sobre a falta de democraticidade interna, e [isso acontece] por instinto de sobrevivência, já que André Ventura raramente permitiu dar [palco] a outras pessoas. Há estudos recentes que demonstram que André Ventura transformou o Chega numa liderança muito idêntica à do regime norte-coreano. Pode-me perguntar, se amanhã ele for embora, obviamente que o Chega se irá manter. Sofre um grande abalo, mas continuamos a ter a grande questão, tal como tivemos nos Estados Unidos: não foi pelo facto de Donald Trump ter ficado quatro anos de fora da Casa Branca que deixou de existir. Aqui temos o mesmo problema, não será pelo facto de Ventura ir embora que o “Ventura Country” deixará de existir, é preciso dar resposta aos anseios e às frustrações que geraram esse “Ventura Country”. Se isso não for feito, esse “Ventura Country” vai à procura de outro Ventura. Ventura vai ser primeiro-ministro em Portugal nas próximas legislativas? Com ou sem maioria absoluta? Se houver uma crise política novamente, estou convicto que o Chega tem altas possibilidades de ser Governo. Mas a verdade é que há sinais de desgaste na narrativa do Chega. Do eleitorado que aderiu em força logo no início, há sinais de que encontrou outro tipo de motivações. Entre as eleições autárquicas, e a primeira volta das presidenciais, e isso não foi muito falado, o Chega perdeu cerca de 100 mil votos. São eleições muito diferentes, mas 100 mil votos também não se perdem assim. E a verdade é que o Chega tinha, em relação às últimas autárquicas, uma altíssima expectativa que, mesmo com três câmaras municipais ganhas, não se veio a confirmar. A verdade é que, se não houver, no imediato, uma alteração do ciclo político, o Chega terá mais dificuldades em chegar ao Governo.
Hoje Macau Manchete SociedadeVisitantes | Macau volta a fixar novo recorde máximo Macau recebeu 3,65 milhões de visitantes em Janeiro, o valor mais elevado de sempre para o primeiro mês, apesar de o Ano Novo Lunar ter calhado em Fevereiro, foi ontem anunciado. De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC), o número de turistas que passou pelo território foi apenas superior em 767 em comparação com o mesmo período de 2025. Ainda assim, foi suficiente para ser o valor mais elevado para qualquer mês de Janeiro desde que a DSEC começou a compilar dados mensais, em 1998, ainda durante a administração portuguesa. A região já tinha registado quatro máximos históricos para os meses de Setembro (3,8 milhões), Outubro (3,47 milhões), Novembro (3,35 milhões) e Dezembro (3,58 milhões). Macau recebeu mais de 40 milhões de visitantes em 2025, um novo máximo histórico, ultrapassando o anterior recorde de 39,4 milhões, fixado em 2019, antes da pandemia de covid-19. Janeiro alcançou um recorde apesar do Ano Novo Lunar, um período alargado de feriados na China continental e um pico turístico para Macau, ter calhado no final de Fevereiro. Em 2025, o início do Ano Novo Lunar foi em 29 de Janeiro. As origens Aliás, a DSEC aponta esta diferença para explicar a queda homóloga de 9,6 por cento, para 1,45 milhões, no número de visitantes vindos do interior da China com visto individual. Ainda assim, a esmagadora maioria (89,8 por cento) dos turistas que chegaram a Macau em Janeiro vieram da China continental ou Hong Kong. No entanto, quase 62 por cento dos visitantes (2,25 milhões) chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia em Macau no ano passado. A queda nos mercados da China continental e de Hong Kong foi compensada por uma subida de 20,7 por cento no número de visitantes vindos de Taiwan, assim como por um aumento de 15,5 por cento nos turistas vindos do resto do mundo. Macau recebeu quase 278.500 visitantes vindos do estrangeiro, referiu a DSEC, que não inclui Taiwan. Este é o valor mais elevado para Janeiro desde 2019, antes do início da pandemia. A recuperar Em 16 de Dezembro, a directora dos Serviços de Turismo de Macau sublinhou que o número de visitantes internacionais tinha recuperado até cerca de 80 por cento dos níveis pré-pandemia. Em Agosto, Maria Helena de Senna Fernandes tinha apontado como objectivo mais de três milhões de turistas internacionais em 2025. Mas Macau falhou essa meta, ficando-se por 2,76 milhões de visitantes vindos do estrangeiro, ainda assim um aumento de 13,7 por cento em comparação com 2024. Cidadãos da Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Barém e Omã passaram a estar dispensados de visto para entrar na cidade a partir de 16 de Julho. Em 17 de Fevereiro, Senna Fernandes disse que Portugal será uma das prioridades de Macau no que toca a atrair mais visitantes estrangeiros. A região voltou a marcar presença na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), que decorreu entre 25 de Fevereiro e 01 de Março, depois de um ano de ausência.
Hoje Macau China / Ásia Manchete“Duas Sessões” | Pequim prepara-se para divulgar novo plano quinquenal As chamadas “Duas Sessões” arrancam esta semana em Pequim. Em causa, num encontro que reúne cerca de 3.000 delegados de todo o país na capital chinesa, estarão as orientações das políticas económica, social, diplomática e militar para os próximos cinco anos A China inicia esta semana as chamadas “Duas Sessões”, principal evento político anual do país, com destaque para a apresentação do 15.º Plano Quinquenal (2026-2030). Milhares de delegados de todo o país reúnem-se no Grande Palácio do Povo, em Pequim, junto à praça Tiananmen, para aprovar legislação e formalizar decisões previamente definidas pelo Partido Comunista Chinês (PCC), que governa o país. O encontro, permitirá divulgar o novo plano quinquenal, documento orientador das políticas económica, social, diplomática, política e militar para os próximos cinco anos. O plano deve apresentar respostas estruturais a vários desafios, desde a fraca procura interna e a crise no sector imobiliário até às restrições ao acesso a tecnologias avançadas impostas pelos Estados Unidos e às disputas comerciais com Washington e a União Europeia. A sessão plenária da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão máximo legislativo da China, começa quinta-feira e prolonga-se por cerca de uma semana. Paralelamente, reúne-se, a partir de quarta-feira, a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), um órgão consultivo que integra representantes de vários sectores da sociedade. O primeiro-ministro Li Qiang deverá anunciar na quinta-feira a meta oficial de crescimento económico para 2026. Em 2025, a economia chinesa cresceu 5 por cento, em linha com o objectivo governamental, mas dos ritmos mais baixos das últimas décadas. Analistas antecipam que a meta para este ano possa situar-se entre 4,5 por cento e 5 por cento. Nos últimos anos, Pequim tem defendido uma reorientação do modelo económico para uma maior dependência do consumo interno, reduzindo a aposta tradicional nas exportações e no investimento público. Contudo, a incerteza no mercado imobiliário e o desemprego jovem continuam a incentivar a poupança das famílias. Especialistas consideram que o novo plano deverá reforçar a aposta nas altas tecnologias, na transição ecológica e na segurança das cadeias de abastecimento. Steve Tsang, director do instituto SOAS China da Universidade de Londres, afirmou que a linha principal deverá aprofundar a orientação já definida pelo Presidente chinês, Xi Jinping, sem mudanças estruturais significativas no modelo político ou económico. Sarah Tan, economista da Moody’s Analytics, considerou que a estratégia sinaliza uma transição de um modelo assente no endividamento para outro centrado na inovação, mas alerta que uma recuperação sustentável exigirá maior protecção social, aumento de rendimentos e resolução da crise imobiliária. Outros desafios A China enfrenta igualmente um desafio demográfico, com a população a diminuir pelo terceiro ano consecutivo. O Governo tem anunciado medidas de apoio à natalidade, incluindo subsídios e expansão de serviços de creche, mas o impacto tem sido limitado. O orçamento da Defesa deverá também ser revelado durante as sessões, num momento em que o Governo conduz uma ampla campanha anticorrupção no seio das Forças Armadas. As “Duas Sessões” são vistas como um momento-chave para sinalizar as prioridades estratégicas de Pequim ao país e à comunidade internacional.
Hoje Macau Manchete SociedadeDSF | Despesas públicas sobem 4,4% após reforço de apoios As despesas públicas aumentaram 4,4 por cento em 2025, devido ao reforço dos apoios sociais, mas a RAEM terminou o ano com um excedente de cerca de 19 mil milhões de patacas. As receitas correntes também subiram 4,7 por cento, para cerca de 114,6 mil milhões de patacas De acordo com dados publicados ‘online’ ontem pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), Macau gastou até ao final de Dezembro 98,4 mil milhões de patacas, ainda assim menos 11,8 por cento do que o previsto. A principal razão para a subida em comparação com 2024 foram os gastos em apoios e subsídios sociais, que cresceram 6 por cento, para 55,3 mil milhões de patacas. No início de Julho, a Assembleia Legislativa aprovou uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas nas despesas previstas no orçamento, para reforçar os apoios sociais. A revisão inclui a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para crianças até aos três anos, numa tentativa de elevar a mais baixa natalidade do mundo. As despesas com os funcionários públicos também subiram 1,6 por cento, para 16,5 mil milhões de patacas, apesar dos trabalhadores da função pública não terem tido qualquer aumento salarial em 2025. No final de Novembro, o Governo anunciou que também não irá rever os salários dos funcionários públicos em 2026, decisão justificada com a prudência e com a baixa inflação. De acordo com dados oficiais, no final de 2025 a função pública da região tinha 33.856 trabalhadores, menos 325 do que em 2024. As estatísticas não revelam quantos têm nacionalidade portuguesa, mencionando apenas que 226 nasceram em Portugal. O outro lado O aumento da despesa foi equilibrado pela receita corrente de Macau, que subiu 4,7 por cento em 2025, para 114,6 mil milhões de patacas, mais 6,2 por cento do que o previsto pelo Governo. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 7,6 por cento, para 94,9 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 82,7 por cento do total. As seis operadoras de jogo da cidade pagam um imposto directo de 35 por cento sobre as receitas do jogo, 2,4 por cento destinado ao Fundo de Segurança Social e ao desenvolvimento urbano e turístico, e 1,6 por cento entregue à Fundação Macau para fins culturais, educacionais, científicos, académicos e filantrópicos. O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior. A previsão inicial do Governo para todo o ano de 2025 apontava para um excedente de 6,83 mil milhões de patacas. Mas o orçamento revisto, aprovado pela Assembleia Legislativa no início de Julho previa um excedente de apenas 191,1 milhões de patacas.
Hoje Macau Manchete PolíticaSegurança Nacional | Funcionários públicos despedidos podem recorrer Um funcionário público que seja demitido por representar um risco para a segurança nacional poderá recorrer para os tribunais. A Comissão de Defesa da Segurança do Estado terá um mecanismo interno de controlo e gestão das despesas, que serão reportadas à Assembleia Legislativa Um funcionário público que seja despedido após ser considerado pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE) um risco para a segurança nacional da China poderá recorrer, afirmou ontem um assessor jurídico da Assembleia Legislativa (AL). Leong Sun Iok, o deputado que preside à comissão da AL que está a analisar a proposta de lei sobre o regime da CDSE, recordou que não há qualquer recurso possível para as decisões e pareceres deste órgão. No entanto, o deputado acrescentou que, numa reunião realizada ontem, o secretário para a Segurança, Chan Tsz King, concordou em alterar a proposta, aprovada na generalidade por unanimidade em 10 de Fevereiro. “Se as decisões tomadas por outras entidades com base no parecer da [CDSE] são ou não impugnáveis ou recorríveis, depende das disposições concretas de cada lei em causa”, explicou Leong, incluindo o Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública. Questionado pela Lusa sobre se um funcionário punido disciplinarmente ou despedido pelo serviço público a que pertence, após ser alvo de um parecer negativo da CDSE, poderia ou não recorrer, o deputado não respondeu. Mas Vu Ka Vai, um assessor jurídico da AL, confirmou à Lusa que o estatuto permite aos trabalhadores da função pública apresentar recurso de decisões disciplinares, incluindo junto dos tribunais. O assessor acrescentou que, na prática, será a CDSE a ter a palavra final sobre se os julgamentos ligados à segurança nacional serão ou não realizados à porta fechada. Questão de autocontrolo Foi também revelado que será criado um mecanismo interno de controlo e gestão das despesas da CDSE, contas que vão constar de um relatório anual submetido à AL. Cumprindo o estipulado no diploma que foi aprovado por unanimidade, no passado dia 12 de Fevereiro, Leong Sun Iok, indicou que as verbas que vão suportar as despesas da Comissão de Defesa da Segurança do Estado serão retiradas da receita ordinária da RAEM. Em relação ao relatório de despesas que será entregue aos deputados, caberá ao órgão legislativo decidir a extensão das informações que serão disponibilizadas ao público. Leong Sun Iok acrescentou que os representantes do Governo não avançaram uma estimativa para as despesas de funcionamento da CDSE e que as principais preocupações dos deputados se prenderam com o grau de transparência e a informação que será pública. João Luz / Lusa
João Santos Filipe Manchete PolíticaContas Eleitorais | CAEAL impede fotos de documentos públicos com despesas No placard onde foram afixadas as informações das contas das listas candidatas às eleições é indicado que a protecção de dados pessoais impede que se tirem fotografias. Os documentos encontram-se apenas em chinês, impedindo a tradução automática a quem só domine o português Na sexta-feira a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), liderada por Seng Ioi Man, juiz do Tribunal de Segunda Instância (TSI), mandou afixar no Edifício da Administração Públicas as contas das listas que participaram nas eleições legislativas de 2025. A publicação é uma obrigação legal, que decorre da lei que regula as eleições. No entanto, e apesar da informação ser pública, os residentes estão impedidos de fotografar os documentos. Segundo os novos placards da CAEAL, no topo surgem indicações a dizer que as fotografias são proibidas, o que é justificado com a protecção de dados pessoais. Em nenhum momento do aviso surge a indicação ao artigo da lei que justifica a proibição de divulgar um documento público nem é indicada a respectiva sanção. No rés-do-chão, do edifício da Administração Pública qualquer pessoa que se aproxime dos documentos é imediatamente acompanhada pelos seguranças no local, prontos para intervirem se alguém apontar um telemóvel aos documentos. Contudo, no documento, além de assinaturas, que poderiam ser ocultadas, não existe mais informação relacionada com os dados pessoais. Ao mesmo tempo, os documentos não apresentam qualquer tipo de tradução para português, encontrando-se exclusivamente em chinês. A medida impede assim que quem não domine esta língua, pelo menos na forma escrita, consiga ter acesso à informação, através dos tradutores automáticos ou das plataformas de inteligência artificial. O HM contactou a CAEAL para obter explicações sobre o tipo de informação “pessoal” que a proibição visa proteger, os motivos para não haver tradução dos documentos e se foram emitidas novas orientações para não divulgar a informação em português. A CAEAL respondeu, afirmando que verificou que “as receitas e despesas de todas as listas estão em conformidade com as disposições legais”. Em relação à proibição de fotografar os resumos das contas eleitorais, a CAEAL justificou a medida com o facto de conterem “dados pessoais, como as assinaturas dos mandatários das candidaturas conforme constam dos seus Bilhetes de Identidade de Residente”, indicando a Lei da Protecção de Dados Pessoais, sem especificar o artigo em causa. Em relação à incapacidade para traduzir a informação pública referente às contas das listas, apenas publicada em chinês, a CAEAL não respondeu. Inovações recentes As proibições de divulgar documentos públicos durante as eleições para a Assembleia Legislativa foram aplicadas pela primeira vez nas últimas eleições, com a afixação da informação sobre os membros que integravam as diferentes listas. A medida apanhou vários residentes desprevenidos, que tentaram tirar fotos aos papéis com os membros das listas e acabaram avisados pelos seguranças que tinham de apagar as fotografias. Ao longo dos vários meses do processo eleitoral, e até quando foi confrontado com esta proibição, Seng Ioi Man nunca conseguiu adiantar um único artigo da lei de protecção de dados pessoais para justificar a actuação da CAEAL: “O senhor jornalista, se precisar, pode ler a lei, pode consultar a lei, porque há disposições muito pormenorizadas”, respondeu, em Julho do ano passado, o presidente da comissão. Ao contrário da informação sobre as despesas eleitorais, a informação sobre os candidatos disponibiliza informação como a morada, datas de nascimentos e outros dados.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteCultura | Faltam apoios públicos para construir um mercado livreiro Mercado pequeno, pouca comercialização fora do território e falta de apoios: a edição de livros em Macau enfrenta problemas para se solidificar e competir com o que se faz lá fora. O deputado Lam Fat Iam defendeu, recentemente, políticas de apoio à construção de uma “Cidade da Leitura”. A Pin-to Livros & Música e a editora Mandarina apontam lacunas que impedem o dinamismo do sector Foi em Fevereiro, numa intervenção antes da ordem do dia, que o deputado Lam Fat Iam lançou na Assembleia Legislativa (AL)o repto: “apoiar o desenvolvimento das livrarias físicas locais e construir uma ‘Cidade de Leitura'”. No texto, lido no hemiciclo, o deputado nomeado pelo Governo defendeu que Macau, na qualidade de “Centro Mundial de Turismo e Lazer” é uma região onde as livrarias “não são meros locais de venda de livros, mas também espaços culturais essenciais nas comunidades, desempenhando um papel crucial na promoção da diversificação do sector do turismo e desenvolvimento sustentável da cidade”. Lam Fat Iam sabe do que fala. Nascido em Julho de 1975, é doutorado em História e preside à Associação de Publicações do Ensino Cultural de Macau, além de ser director da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Politécnica de Macau. Na mesma intervenção, o responsável sugeriu que devem ser criadas “políticas de apoio específicas e precisas”, nomeadamente a criação de “programas de apoio à exploração e actividades culturais das livrarias”, dando-se “prioridade às livrarias que promovem a cultura de Macau e realizam regularmente conferências e actividades de leitura”. Deve-se ainda criar um sistema que fomente “a circulação e publicação de livros locais”, com “financiamento prioritário ao planeamento, edição e publicação de livros com características de Macau”. O HM questionou livrarias e editores no sentido de perceber quais as lacunas do mercado livreiro de Macau. Anson Ng, da Pin-to Livros & Música, chama a atenção para o facto de “a base de mercado, em si, ser pequena, com a população leitora de livros a registar uma diminuição”. Em sentido oposto, “os custos operacionais continuam elevados e há a concorrência das plataformas externas de livrarias online”. Anson Ng acrescentou ainda que “as editoras locais e as livrarias locais de Macau ainda não conseguiram formar um ecossistema autossuficiente, saudável e sustentável, e é precisamente aí que as políticas de apoio devem concentrar os seus esforços”. No que diz respeito à posição do deputado Lam Fat Iam, o responsável da Pin-to Livros & Música diz que as suas ideias seguem “uma direcção aceitável”, sendo, porém, necessária “uma discussão aprofundada” quanto a “detalhes de implementação” das ideias explícitas na interpelação. “Antes de se estabelecerem políticas de apoio concretas, esperamos que os departamentos governamentais relevantes possam estudar cuidadosamente as experiências de outras regiões”, além de se manter “uma comunicação extensa com a indústria actual de Macau”. Para Anson Ng, deve-se ainda tentar “compreender verdadeiramente as necessidades do sector”, pois “só assim será possível desenvolver políticas de apoio transparentes, justas e práticas”. Dificuldades de contacto Catarina Mesquita, fundadora da Mandarina, que edita livros infantis, não tem uma loja física, mas vende os seus livros em espaços como a Livraria Portuguesa. Em resposta ao HM, Catarina Mesquita sugere “que o Governo deve, juntamente com as escolas, poder fazer encomendas às livrarias e directamente às editoras”, falando do caso específico do “Na Rua”, uma das edições da Mandarina que tentou colocar directamente nas escolas. “O livro ‘Na Rua’ fala sobre a história de Macau e tentei, muitas vezes, que este livro fosse introduzido nas escolas, não só pelo facto de ter uma história do local onde essas crianças vivem, mas também porque tem muitos aspectos da história de Macau, e características muito próprias [do território], de que tanto se fala. E eu já tentei várias vezes contactar com os serviços de educação [Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude], não consegui esse contacto e é muito difícil. Já tive pessoas do Governo em sessões de apresentação da Mandarina, mas não tive nenhum feedback”, lamenta. Catarina Mesquita defende, portanto, que o Governo deveria “juntamente com as escolas, fazer encomendas às livrarias e directamente às editoras”. “Acaba por se cair num buraco que não se sabe muito bem qual é. Este esforço deve ser mais valorizado, não no sentido de ser elogiado, mas no sentido de pegar nas obras de Macau e levá-las para dentro das salas de aula, que é a forma mais eficiente e efectiva de as fazer chegar às crianças, isto no caso da literatura infantil. Penso que não é algo que seja muito difícil fazer”, assumiu. A questão do subsídio É certo que o Executivo tem apresentado algumas medidas de promoção da leitura, e disso deu conta Lam Fat Iam na sua intervenção plenária. “Nos últimos anos, o Governo da RAEM e a sociedade já alcançaram resultados na promoção da leitura e na construção de uma ‘Cidade da Leitura'”, descreveu, nomeadamente da parte do Instituto Cultural, com a criação de eventos como o “Festival da Leitura”, a “Semana da Biblioteca”, o “Mês da Leitura Conjunta em Toda a Cidade de Macau” e o “Programa de Leitura para Bebés e Crianças”. Existe, na sua visão, uma “base sólida para um ambiente social favorável à leitura”, mas “as livrarias físicas, enquanto espaços essenciais para a leitura, enfrentam dificuldades de sobrevivência”, destacou o deputado. Lam Fat Iam frisou também “a dimensão limitada do mercado, os custos elevados das rendas e uma cadeia frágil de produção e venda de publicações locais criaram um ambiente com ‘dificuldade em publicar, comprar e vender livros'”. Algo que na opinião do deputado, “faz com que muitos livros valiosos de Macau cheguem dificilmente às mãos dos residentes e visitantes”. Catarina Mesquita chama também a atenção para o facto de Macau ter muitos livros publicados e de ser “um território mesmo muito rico” ao nível da sua história e cultura, mas que falta fazer mais além do simples subsídio para editar um livro. No caso da Mandarina, os primeiros cinco livros foram feitos “sem nenhum subsídio ou apoio”. “Talvez por um traço de personalidade, não queria que a Mandarina, no início, fosse resultado de um apoio ou subsídio. Quis que aquilo que conseguisse, seria feito por mim, e isso fez-me trabalhar muito mais”, assegura. Catarina Mesquita sente, portanto, que o apoio financeiro, ou esse subsídio inicial, “é o suficiente para se produzir um livro, e acabou”, quando, na verdade, “esse apoio é mais importante depois ao nível da distribuição, da encomenda, das pessoas poderem ter o livro nas mãos”. E defende que deve ser feito mais para apoiar a distribuição das obras. “Não existe nenhum apoio, ou ponte” nesse sentido, considera. “Fala-se tanto na plataforma com os países de língua portuguesa, mas não há nenhum apoio para a distribuição e transporte de livros para outras regiões que não Macau, e isto é fundamental. Tenho-me deparado com este problema, porque neste momento a Mandarina está a começar os primeiros passos em Portugal e não tenho forma de fazer chegar os livros ao país sem ter nenhum tipo de apoio.” Na visão da responsável, a ligação entre Portugal e o território poderia ser explorada de forma mais eficaz. “Ao nível de leis e taxas que pagamos de importação, fazia sentido uma parceria que nos fizesse beneficiar dela. Portanto, penso que há aqui um buraco que tem de ser resolvido rapidamente.” As quatro medidas Também Lam Fat Iam deixou, na sua intervenção, sugestões para melhorar o sistema de distribuição de obras editoriais, defendendo a construção de um “sistema virtuoso para a circulação e publicação de livros locais”, com “financiamento prioritário ao planeamento, edição e publicação de livros com características de Macau”. No tocante a “serviços públicos, bibliotecas publicas, comunitárias e das escolas primárias e secundárias financiadas pelo Governo, devem fazer as encomendas de livros em livrarias locais”. Além disso, em ligação com projectos de renovação urbana, o deputado acredita que pode ser desenvolvido o modelo “Livraria +”, definindo-se “orientações” e reservando “espaços culturais para incentivar a integração de livrarias com cafés, galerias de arte, lojas culturais e criativas e até projectos de revitalização de edifícios históricos”. Para o deputado, as livrarias devem ser “marcos culturais multifuncionais que integrem a leitura, o lazer, exposições e intercâmbio cultural”, devendo também existir apoios para participações em feiras do livro de cariz local e regional. O HM contactou outras livrarias de Macau, mas até ao fecho desta edição não obteve mais respostas.
João Santos Filipe Manchete SociedadeAutocarros | Deputado pede revisão “abrangente” do sistema Alteração de percursos “tortuosos” que misturam áreas residenciais com atracções turísticas, modificação de nomes de paragens demasiado semelhantes e criação de mais autocarros directos são algumas das soluções apontadas pelo deputado Ngan Iek Hang O deputado Ngan Iek Hang quer que as autoridades façam uma revisão dos percursos de autocarros, para resolver o problema dos congestionamentos nas horas de ponta em percursos que misturam atracções turísticas e zonas residênciais. O pedido consta de uma interpelação escrita, divulgada na sexta-feira pelo gabinete do legislador ligado aos Moradores. No documento, Ngan Iek Hang deixa elogios ao Executivo, para indicar que nos últimos anos o serviço tem melhorado de forma consistente. Todavia, alerta que “ainda há espaço para melhorias nos serviços de autocarros e nas instalações dos terminais” Em relação a alguns percursos, o legislador indica que “durante as horas de ponta, persiste um congestionamento grave em determinadas rotas, particularmente nas que servem as passagens fronteiriças, as comunidades residenciais e as atracções turísticas”. Ngan critica também o facto de algumas paragens próximas terem nomes semelhantes, dando o exemplo das paragens Portas do Cerco e Praça Portas do Cerco, que ficam a poucos metros de distância. Segundo o legislador, este tipo de semelhanças cria confusão, principalmente para quem visita Macau pela primeira vez. Eles não sabem Face a estes problemas, e para responder “às necessidades de deslocação dos residentes e visitantes”, Ngan Iek Hang questiona o Executivo se existem planos para uma “reforma abrangente dos serviços de autocarros públicos”. O deputado defende uma revisão que altere os percursos, para criar mais autocarros directos, modifique os nomes das paragens semelhantes e melhore as condições das estradas. “Deve ser dada prioridade à reorganização de certas rotas que actualmente são tortuosas ou têm um número excessivo de paragens”, destacou. A interpelação do deputado visa também a necessidade de melhorar as condições para os motoristas e outros funcionários que se encontram nas paragens. O legislador quer saber se há planos para criar mais instalações de descanso: “Para demonstrar preocupação com o pessoal da linha da frente, como é que as autoridades irão colaborar com as duas empresas de autocarros para rever e optimizar as paragens com equipamento inadequado?”, questiona.
João Luz Manchete SociedadeJogo | Receitas de Fevereiro sobem 4,5% para 20,6 mil milhões Durante o mês passado, os casinos de Macau apuraram cerca de 20,63 mil milhões de patacas em receitas brutas, mais 4,5 por cento em relação a Fevereiro do ano passado e menos 8,9 por cento face a Janeiro de 2026. Nos dois primeiros meses deste ano, a indústria facturou 43,26 mil milhões de patacas A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) anunciou ontem que os casinos de Macau registaram receitas brutas de cerca de 20,63 mil milhões de patacas em Fevereiro, mês em que calharam os feriados nacionais do Ano Novo Lunar, um típico período de época alta para o turismo do território. As receitas brutas de Fevereiro representaram uma subida anual de 4,5 por cento. Os dados divulgados ontem pela DICJ revelam que, apesar do Ano Novo Lunar, as receitas de Fevereiro ficaram aquém dos resultados de Janeiro, quando a indústria registou 22,63 mil milhões de patacas em receitas brutas, o que representou uma quebra de cerca de 8,9 por cento em termos mensais. Recorde-se que este ano o primeiro dia do Ano Novo Lunar calhou a 17 de Fevereiro, um dos pontos altos dos nove dias de feriados nacionais entre 15 e 23 de Fevereiro. Durante esse período, Macau recebeu mais de 1,5 milhões de turistas. No dia 19 de Fevereiro, o registo de entradas bateu todos os recordes desde que são recolhidos dados estatísticos, com a entrada em Macau de quase 228 mil turistas. Contas do ano Em termos agregados, os casinos de Macau registaram receitas brutas de 43,26 mil milhões de patacas nos dois primeiros meses deste ano, mais cerca de 5,26 mil milhões de patacas face ao registo de Janeiro e Fevereiro de 2025, ou uma subida anual de 13,9 por cento. Apesar da subida anual das receitas brutas agregadas nos primeiros dois meses de 2026, o registo ainda fica longe das receitas brutas do mesmo período de 2019, antes da pandemia, quando os casinos do território apuraram 50,3 mil milhões de patacas. Na semana passada, os analistas da JP Morgan Securities já haviam reduzido as expectativas em relação às receitas de Fevereiro, devido ao arranque tímido nos primeiros quatro a cinco dias do período de feriados nacionais, com receitas diárias a rondar os 450 milhões de patacas. Porém, a partir do sexto dia de feriados, 21 de Fevereiro, as receitas brutas aumentaram exponencialmente para cerca de 1,2 mil milhões de patacas diárias.
João Luz Manchete PolíticaDST | Alerta para evitar viagens para Irão e Israel O Governo de Macau ajustou o nível de alerta para viagens para o Irão e Israel e apela aos residentes para não se deslocarem para os dois países. Aeroporto do Dubai encerrou, depois de ter sofrido danos com ataques iranianos, enquanto foram suspensos voos de e para o aeroporto de Doha A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) emitiu um comunicado no sábado à noite a ajustar “o nível de alerta de viagens para o Irão alertando os residentes de Macau para não se deslocarem ao Irão e Israel neste momento”, na sequência dos ataques dos Estados Unidos da América e Israel ao Irão e da resposta de Teerão. Os residentes que se encontram no Irão foram aconselhados a “reforçar as medidas de segurança e evacuarem com a maior brevidade possível”. “Tendo em conta a situação de segurança do Irão, o nível de Alerta de Viagens do Irão foi ajustado para Nível 3 no Sistema de Alerta de Viagens da Região Administrativa Especial de Macau”, foi indicado. O nível 3 representa uma ameaça extrema à segurança pessoal. Nesse nível de alerta os “residentes de Macau que planeiem viajar ou que se encontrem no destino, devem estar cientes da gravidade da situação e da assistência oficial que pode ser prestada. É aconselhado que se evite viajar e, em determinadas situações serão aconselhados a abandonar o destino”. As últimas declarações da DST indicavam que a Linha Aberta para o Turismo não tinha recebido pedidos de informação ou assistência relacionados com o alerta para o Irão e Israel. Pontos de ligação No sábado à noite, a empresa que gere os aeroportos dos Emiratos Árabes Unidos, nomeadamente o Aeroporto Internacional do Dubai e o Aeroporto Internacional de Al Maktoum suspenderam toda a actividade devido ao conflito na região. Um dos terminais do Aeroporto do Dubai, o principal hub de aviação que liga voos entre a Ásia e a Europa, sofreu danos na sequência de um ataque das forças iranianas e foi evacuado. Nas redes sociais e imprensa internacional circularam vídeos da evacuação que mostraram corredores do aeroporto cheios de fumo. O cancelamento de voos estendeu-se a outros aeroportos do Médio Oriente, como o Aeroporto Internacional de Doha, outro dos pontos de conexão de voos entre a Ásia e a Europa. A directora da DST, Helena de Senna Fernandes, referiu ontem que as autoridades estão a acompanhar o desenvolvimento da situação na região para actualizar os alertas de viagem. Também a aposta nos mercados turísticos do Médio Oriente pode sofrer condicionalismos devido a motivos de segurança, incluindo a participação da DST na Arabian Travel Market, que se realiza no Dubai em Maio. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, Andy Wu revelou que uma excursão com cerca de 80 turistas vindos de Portugal deveria ter chegado a Macau ontem. O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau indicou que a viagem acabou por ser cancelada por incluir uma escala no Médio Oriente. O dirigente afirmou ainda esperar que os cancelamentos de excursões vindas da Europa continuem ao longo desta semana.
Hoje Macau Manchete PolíticaEconomia | Criado fundo de 11 mil milhões para diversificação O Governo anunciou a criação de um fundo de 11 mil milhões de patacas, para promover a “diversificação económica” e apoiar o “desenvolvimento de quadros qualificados” no território O Executivo liderado por Sam Hou Fai anunciou na sexta-feira a criação de um fundo de 11 mil milhões de patacas com o objectivo de cumprir a missão de diversificar a economia de Macau e desenvolver quadros qualificados. O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, explicou, em conferência de imprensa, que o Fundo de Orientação Governamental “visa congregar (…) e orientar capitais privados para o investimento” em sectores prioritários, num modelo que deverá “atingir uma dimensão total de 20 mil milhões de patacas” com a primeira parcela de financiamento privado. “O fundo, ao mesmo tempo que cria condições favoráveis à participação proactiva do mercado no desenvolvimento dos sectores prioritários, privilegiará uma implantação de longo prazo e de carácter sistemático”, disse o secretário. As áreas de investimento do fundo, explicou o responsável, são as contempladas num modelo criado nos últimos anos pelo Governo, como resposta à necessidade de diversificação económica, e focado em quatro áreas principais de desenvolvimento: indústria de saúde e bem-estar, indústria de finanças modernas, indústria de tecnologia de ponta e, por fim, a indústria de convenções, exposições e comércio, cultura e desporto. “Áreas-chave como as estratégias nacionais, a modernização industrial, a inovação tecnológica e o bem-estar da população”, especificou o dirigente. Tai Kin Ip adiantou que o objectivo é impulsionar a elevação da qualidade e a modernização dos sectores prioritários, atraindo empresas de qualidade e quadros qualificados para Macau e a vizinha Hengqin e para a área da Grande Baía. O fundo, continuou Tai, visa criar “mais postos de trabalho de qualidade”, “reforçar a diversificação” das oportunidades de emprego em Macau e “atrair quadros qualificados para promover o desenvolvimento coordenado regional”, “contribuindo para o objectivo nacional de construir uma potência científica e tecnológica”. Este fundo vai ser supervisionado directamente pelo Chefe do Executivo e contar com uma entidade gestora governamental, disse, por sua vez, Tam Chi Neng, assessor do gabinete do secretário para a Economia e Finanças. Orientar o fundo Como tal, vai ser criado o Conselho de Orientação do Fundo, composto por dirigentes do Governo, profissionais, académicos e representantes de diferentes áreas, “com competência para emitir pareceres sobre orientações de política, planeamento estratégico e matérias de especial relevância”, indicou Tam. O assessor explicou que o fundo prosseguirá os princípios do “’longtermism’” (posição ética que prioriza a melhoria do futuro a longo prazo) e do “capital paciente” (investimento que aceita um retorno mais demorado), orientando diferentes tipos de capitais privados para investimentos em indústrias emergentes, sectores de transformação e modernização industrial, projectos de transformação de resultados científicos e tecnológicos e empresas tecnológicas em fase inicial. O Governo prevê concluir ainda este ano a constituição deste fundo. “Paralelamente, serão promovidos os trabalhos de criação da entidade gestora e a publicação do regulamento administrativo e diplomas complementares que enquadrarão o funcionamento da nova estrutura,” acrescentou Tam Chi Neng.
Hoje Macau Grande Plano MancheteIrão | Guerra rebenta no Médio Oriente com ataques que mataram Khamenei Os Estados Unidos e Israel lançaram uma série de ataques contra o Irão. Uma das vítimas mortais foi o aiatola Ali Khamenei, assim como vários líderes militares iranianos. O herdeiro do Xá, Reza Pahlavi, acredita num futuro risonho, numa altura em que os contra-ataques de Teerão se alastram pelo Médio Oriente Israel e os Estados Unidos das América (EUA) uniram-se numa operação conjunta para derrubar o regime iraniano, numa altura em que, no país, já aconteciam algumas manifestações contra as autoridades. No sábado foi lançada uma série de bombardeamentos contra o Irão, com o objectivo declarado de forçar uma mudança de regime. O país respondeu com ataques sobre Israel e bases militares norte-americanas, tendo também sido confirmada a morte do líder religioso supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei, que estava no poder há 36 anos. Segundo a Lusa, o anúncio foi feito pela televisão estatal iraniana às 05h, hora local, com um repórter a chorar devido ao sucedido. Khameinei tinha 86 anos e, para Trump, a sua morte oferece agora à população iraniana uma “maior chance” de “recuperar” o país. O regime iraniano declarou 40 dias de luto pela morte do líder religioso. Além de Khamenei, também foi morto o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, Abdolrahim Mousavi, juntamente com outros generais de alta patente durante os ataques norte-americanos e israelitas contra o país, informou ontem a televisão estatal iraniana. Entretanto, a China manifestou “grande preocupação” pela situação no Médio Oriente e pediu o respeito pela soberania e integridade territorial do Irão. “A soberania, a segurança e a integridade territorial do Irão devem ser respeitadas”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês num comunicado citado pela agência de notícias norte-americana The Associated Press (AP). Pequim pediu “o cessar imediato das acções militares e que não haja uma maior escalada de uma situação tensa”. Apelou também à “retoma do diálogo e da negociação” e dos esforços para “manter a paz e a estabilidade no Médio Oriente”, segundo o comunicado também citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP). A China recomendou a saída dos seus cidadãos do Irão, aconselhando os seus cidadãos a não viajar para a região, devido ao “aumento acentuado dos riscos de segurança”, dado que o país enfrenta repetidas ameaças de ataques dos EUA. “Os cidadãos chineses que se encontram actualmente no Irão devem reforçar as suas precauções de segurança e sair do país o mais rapidamente possível”, afirmou o Departamento de Assuntos Consulares do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, em comunicado. Uma questão nuclear O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado atacar o Irão, devido à repressão das autoridades aos protestos contra o regime e alegando que Teerão está a desenvolver armas nucleares, apesar de ter atacado em Junho locais em solo iraniano precisamente com o propósito de travar o alegado programa nuclear. No final da campanha, Trump afirmou que o programa nuclear iraniano teria sido completamente obliterado. Na terça-feira – e apesar das conversações em Genebra sobre um acordo relativo ao programa nuclear do Irão -, Trump voltou a dizer, durante o discurso sobre o estado da Nação no Congresso, que não vai permitir que o Irão tenha armamento nuclear. O Irão assinou, em 2015, um acordo para limitar o seu desenvolvimento nuclear – em troca do alívio das sanções económicas ao país – com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido e também com a Alemanha e a União Europeia. No entanto, o acordo perdeu efeito depois de o próprio Trump ter retirado unilateralmente os Estados Unidos do tratado, em 2018, durante o seu primeiro mandato (2017-2021). As recomendações da China juntam-se às de vários outros países que elevaram os seus alertas de segurança, como a Suécia, a Sérvia, a Alemanha, a Índia, a Coreia do Sul, o Brasil, a Austrália, o Reino Unido ou o Canadá. Tensão no Médio Oriente A morte de Ali Khamenei coloca em dúvida o futuro da República Islâmica e aumenta o risco de instabilidade regional. “Khamenei, uma das pessoas mais malvadas da história, está morto”, escreveu Trump numa publicação nas redes sociais, alertando para a continuação de “bombardeamentos pesados e precisos” ao longo da semana e mesmo depois desse período. O ataque deste sábado abriu um novo capítulo na intervenção dos EUA no Irão, trazendo consigo o potencial para violência retaliatória e uma guerra mais ampla. A verdade é que já se verificam focos de tensão graças à resposta iraniana, com ataques a cerca de dez países, incluindo os Emirados Árabes Unidos. No Dubai ocorreu uma forte explosão numa zona de hotéis de luxo, provocando quatro feridos, enquanto que o Aeroporto Internacional do Dubai também foi alvo de um ataque, levando ao cancelamento de todos os voos. Outro foco de tensão ocorreu em Karachi, Paquistão, resultando na morte de seis pessoas e 20 feridos no âmbito de um protesto junto à zona fortificada do Consulado dos Estados Unidos. De acordo com o porta-voz da polícia local, Rehan Ali, à CNN, “centenas de pessoas apareceram subitamente nas imediações” da missão diplomática, levando a uma rápida mobilização das forças de segurança. Os gritos captados nas gravações sugerem que o protesto terá sido motivado pelos ataques envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o vizinho Irão. Um país sem líder A morte de Khamenei no segundo ataque da Administração Trump ao Irão em oito meses cria um vácuo de liderança, dada a ausência de um sucessor do aiatola conhecido, e também porque o líder supremo de 86 anos teve a palavra final em todas as principais políticas durante décadas no poder. Khamenei liderava o “establishment” clerical do Irão e a sua Guarda Revolucionária paramilitar, os dois principais centros de poder na teocracia governante. Ali Larijani, secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irão, disse no sábado que Israel e os Estados Unidos “se arrependerão das suas acções”. “Os bravos soldados e a grande nação do Irão darão uma lição inesquecível aos opressores internacionais infernais”, publicou Larijani na rede social X. A operação conjunta dos Estados Unidos e de Israel, que segundo autoridades foi planeada durante meses, ocorreu este sábado, durante o mês sagrado muçulmano do Ramadão e no início da semana de trabalho iraniana, e seguiu-se a negociações e advertências de Trump, que no ano passado alardeou o sucesso do seu governo na incapacitação do programa nuclear do país. Cerca de 12 horas após o início dos ataques, as forças armadas dos EUA informaram que não houve vítimas norte-americanas e que os danos nas bases dos EUA foram mínimos, apesar das “centenas de ataques com mísseis e drones iranianos”. Segundo as forças norte-americanas, os alvos no Irão incluíram instalações de comando da Guarda Revolucionária, sistemas de defesa aérea, locais de lançamento de mísseis e drones e aeródromos militares. Sobre a morte de Khamenei, Trump declarou que o aiatola “não conseguiu escapar aos sistemas de inteligência e rastreamento altamente sofisticados”. “Trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos com ele, pudessem fazer”, afirmou o Presidente norte-americano. “Esta é a maior oportunidade para o povo iraniano recuperar o seu país”, disse. Um diplomata iraniano afirmou no Conselho de Segurança das Nações Unidas que centenas de civis foram mortos e feridos nos ataques. O Irão retaliou disparando mísseis e drones contra Israel e bases militares dos EUA na região, e os combates continuam durante a noite. Os democratas norte-americanos criticaram o facto de Trump ter tomado medidas sem autorização do Congresso, mas a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a Administração informou antecipadamente vários líderes republicanos e democratas no Congresso. O que diz o filho do Xá Numa altura em que a mudança do regime parece estar iminente no Irão, mas sem se perceber bem como irá acontecer, uma das vozes que tem defendido a acção dos EUA e Israel é Reza Pahlavi, filho do antigo Xá. Há décadas radicado nos EUA, desde a revolução iraniana de 1979, Pahlavi vem agora defender que é altura de ir para as ruas. Segundo a Lusa, o herdeiro afirmou, num editorial publicado no jornal The Washington Post, que pretende assumir um papel no processo de transição no Irão. “Muitos iranianos, muitas vezes apesar das balas, pediram-me para liderar esta transição. Estou impressionado com a sua coragem e respondi ao seu apelo”, escreveu. “O nosso caminho a seguir será transparente: uma nova Constituição redigida e ratificada por referendo, seguida de eleições livres sob supervisão internacional. Quando os iranianos votarem, o governo de transição será dissolvido”. Nos últimos 47 anos Pahlavi tem sido uma voz crítica do regime iraniano, estando agora do lado de Trump e Israel. Em termos internos e regionais, Pahlavi é amplamente considerado como um fantoche de Washington e Telavive. No artigo, elogia toda a trajectória que Trump tem feito face ao Irão, dizendo que o “renascimento” do país “marcará o início de uma era de paz e prosperidade”. Pahlavi destacou ainda que “o Irão não é o Iraque”. “Não repetiremos os erros que se seguiram a esse conflito [do Iraque]. Não haverá dissolução das instituições, nem vazio de poder, nem caos”, adiantou, lembrando que desde o ano passado que defende o chamado “Projecto de Prosperidade do Irão”. Trata-se de um plano político e económico nacional para instaurar um Governo provisório de transição após a queda dos aiatolas. O activista iraniano garante que “este roteiro detalhado para a recuperação nacional” inclui um plano para “os primeiros 100 dias após o colapso do regime e a reconstrução e estabilização a longo prazo” do país e “conta com o apoio de numerosos líderes empresariais de todo o mundo”. “Um Irão democrático transformaria o Médio Oriente, convertendo uma das fontes de agitação mais persistentes do mundo num pilar da estabilidade regional”, afirma ainda Pahlavi, que elogia os acordos “históricos” de Abraão, impulsionados por Trump no seu primeiro mandato.
João Luz Manchete SociedadeMaternidade | Sands aumenta licença para 90 dias A Sands China anunciou ontem o aumento das licenças de maternidade, de 70 para 90 dias, e de paternidade, de cinco para sete dias. A medida irá beneficiar trabalhadores com, pelo menos, um ano de casa. A posição da concessionária antecipa a conclusão da consulta pública que decorre até 16 de Março A Sands China anunciou ontem que irá aumentar a partir de 1 de Março, próximo domingo, a licença de maternidade paga de 70 para 90 dias e a licença de paternidade de cinco para sete dias. A medida foi anunciada enquanto decorre uma consulta pública, promovida pela Direção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), sobre o aumento da licença de maternidade no sector privado de 70 para 90 dias. A concessionária indicou que o aumento das licenças se engloba no compromisso de criar um ambiente de trabalho favorável a famílias, apoiando os funcionários pais de recém-nascidos a atingir um “equilíbrio saudável” entre a vida familiar e o trabalho. Num comunicado divulgado ontem, a Sands China afirma que o alargamento das licenças reforça a rede de apoios aos “membros da equipa” da concessionária, “numa importante fase da vida familiar, dando-lhes mais tempo para partilhar momentos preciosos com os seus entes queridos”. A empresa, que emprega mais de 28 mil trabalhadores, indica ainda que há cerca de meio ano quem trabalha a tempo inteiro tem direito a seis dias para acompanhar filhos a consultas médicas e administração de vacinas. Além disso, os seis dias anuais para baixas médicas que não forem usados, podem passar para o ano seguinte como licença compensatória. Remar contra a maré “Esperamos que, com este ajuste nas licenças de maternidade e paternidade remuneradas, (…) as mães em pós-parto descansem mais, ajudando as suas famílias a adaptarem-se às mudanças trazidas pelas novas vidas e a construir famílias felizes”, afirma o vice-presidente do departamento de recursos humanos da Sands China, Paulo Cheong. Recorde-se que no ano passado, nasceram em Macau 2.871 bebés, registo que representou uma queda de anual 20,4 por cento e o menor número de nascimentos em quase 50 anos, revelou no dia 1 de Janeiro o director substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou.
João Luz Manchete SociedadeGalaxy | Lucros EBIDTA do último trimestre de 2025 subiram 33% O Galaxy Entertainment Group teve lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização de cerca 4,3 mil milhões de dólares de Hong Kong no último trimestre de 2025, mais 33 por cento em termos anuais e mais 29 por cento face ao trimestre anterior. O grupo registou receitas líquidas de 49,2 mil milhões de dólares de Hong Kong em 2025 O Galaxy Entertainment Group apresentou ontem à bolsa de valores de Hong Kong os resultados financeiros relativos ao quarto trimestre do ano passado, trazendo boas notícias para os accionistas da concessionária de jogo. Nos últimos três meses de 2025, o grupo registou lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) de quase 4,3 mil milhões de dólares de Hong Kong (HDK), valor que representa uma subida de 32,7 por cento em termos anuais e mais 29 por cento face ao trimestre anterior. A concessionária anunciou também que irá distribuir entre os accionistas dividendos de 80 cêntimos de HKD por cada acção no dia 12 de Junho. Em termos anuais, a Galaxy registou lucros EBITDA de 14,5 mi milhões HKD ao longo de 2025, mais 19 por cento do que no ano anterior. O último trimestre do ano passado foi muito positivo para o grupo empresarial no que toca a receitas líquidas, apurando 13,83 mil milhões HKD, mais 22,5 por cento face ao quarto trimestre de 2024. Nas contas anuais, a Galaxy obteve receitas líquidas de mais de 49,2 mil milhões de HKD em 2025, registo que representou uma subida anual de 13,4 por cento face ao ano anterior. Já os lucros líquidos de 2025 subiram em termos anuais quase 22 por cento, para cerca de 10,67 mil milhões HKD. Na paz do senhor “Durante o ano passado, o Governo Central aumentou a flexibilidade para os visitantes do Interior da China, incluindo o visto de uma viagem por semana para os residentes de Zhuhai e o visto de entradas múltiplas para os residentes de Hengqin, o que permite viagens mais frequentes a Macau. Como resultado, o número total de visitantes a Macau aumentou 15 por cento, para 40,1 milhões, estabelecendo um recorde histórico de chegadas. As visitas da China continental aumentaram a um ritmo ainda mais rápido, subindo 18 por cento, para 29,0 milhões”, salienta o presidente do grupo, Francis Lui. A nota enviada à bolsa de valores de Hong Kong salienta também a inauguração do hotel Capella, no resort integrado Galaxy Macau, no passado dia 10 de Fevereiro. Francis Lui salientou ainda o crescimento do grupo “em todos os segmentos de negócios”, destacando os mercados de massas premium e super-premium, e a nova oferta hoteleira da Galaxy. “O Capella foi lançado em Maio de 2025 e inaugurado oficialmente em 10 de Fevereiro deste ano. Com seus quartos ultraluxuosos, o Capella permite-nos conquistar o segmento super-premium de forma mais eficaz e em grande escala, reforçando a nossa liderança nesse mercado de alto valor”, concluiu o presidente da Galaxy.
João Santos Filipe Manchete PolíticaPoluição | Deputado contra cantorias, festas e arrastar de móveis O legislador dos Operários, Lam Lon Wai, considera que o Governo deve tomar medidas para lidar com o barulho dos vizinhos e implementar formas de combater os odores domésticos O deputado Lam Lon Wai defende que o Governo deve alterar as leis para resolver o que considera ser o excesso de ruído nos prédios residenciais. O assunto consta de uma interpelação escrita, com o legislador a criticar o barulho feito em “reuniões ruidosas, cantorias de entretenimento, arrastar móveis e transmissão estrutural de som”. Segundo o documento, após as alterações mais recentes de 2019, o ruído das obras de renovações de habitações em períodos proibidos está essencialmente resolvido. Contudo, o deputado dos Operários queixa-se de que os residentes ainda “sofrem” de “perturbações sonoras” e que em várias situações os mecanismos legais existentes para lidar com os problemas são insuficientes. “As circunstâncias práticas revelam que certas questões relacionadas com o ruído doméstico — tais como reuniões ruidosas, cantar para entretenimento, arrastar móveis e transmissão estrutural de som — continuam a ser difíceis de resolver eficazmente através dos mecanismos de aplicação existentes”, denuncia. “A legislação actual baseia-se principalmente em períodos de tempo regulamentados e medições de decibéis como bases de aplicação. No entanto, certos ruídos domésticos apresentam características repentinas e intermitentes e são difíceis de monitorizar durante longos períodos”, descreve. “Tendo em conta o desenvolvimento urbano e as mudanças nos estilos de vida dos residentes, o Governo irá explorar a optimização das abordagens de gestão do ruído doméstico?”, questiona. Cheiros problemáticos O barulho não é o único problema nos edifícios a incomodar os residentes, e Lam Lon Wai considera que são necessárias mais medidas para fazer face aos odores dos edifícios, que inclusive estão a causar discussões entre vizinhos. “Os residentes manifestam cada vez mais preocupação com os odores domésticos. Particularmente em edifícios antigos, onde as unidades estão muito próximas umas das outras, alguns odores podem perturbar persistentemente as rotinas diárias dos residentes, mesmo que não excedam os padrões técnicos de medição”, apontou. “Recentemente, as comunidades relataram que problemas de odores provenientes de actividades domésticas, fumos de cozinha e incenso causaram discussões entre vizinhos. Os desafios de reunir provas rapidamente e lidar com incidentes repentinos têm dificultado o acompanhamento eficaz em alguns casos, revelou. “No que diz respeito aos odores domésticos e odores fortes, as autoridades irão reforçar as medidas regulamentares em Macau?”, questionou Lam Lon Wai. O deputado pede também que se siga o exemplo de outras regiões asiáticas, que não especificou, para indicar que aplicam regulamentos sobre os odores, com forma de punir os infractores.
João Santos Filipe Manchete PolíticaAL | André Cheong destaca trabalho que garante “primazia do Executivo” O presidente da Assembleia Legislativa garante que o Executivo vai ser apoiado “sem omissões” e fiscalizado “sem ultrapassar limites”, de forma a seguir as exigências de Xi Jinping e de Xia Baolong O presidente da Assembleia Legislativa garantiu que os deputados estão empenhados em implementar a primazia do Executivo e seguir as indicações para Macau e Hong Kong de Xia Baolong, director do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado. A posição foi tomada ontem, durante o almoço de Primavera com os meios de comunicação social. André Cheong começou por lembrar o discurso de Xia Baolong, no mês passado, em que o director do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau recordou a exigência do Presidente Xi Jinping “de o Governo da Região Administrativa Especial ‘persistir e aperfeiçoar a aplicação do princípio da predominância do poder Executivo’”. “O discurso do Director Xia Baolong explicita de forma abrangente e sistemática o princípio da primazia do Executivo e formula exigências claras quanto ao trabalho da Assembleia Legislativa e dos seus deputados, exortando-os especialmente a defender conscientemente esse princípio durante a nova legislatura, bem como apoiar plenamente o Chefe do Executivo e o Governo da RAEM no exercício das suas funções nos termos da lei”, considerou Cheong. Neste contexto, o presidente da AL defendeu que o trabalho está em curso: “Desde o início desta legislatura, há mais de quatro meses, que a Assembleia Legislativa tem envidado esforços para implementar o princípio da primazia do Executivo e promover uma interacção institucional positiva entre os poderes Executivo e Legislativo”, afirmou. “Para tal, temos optimizado os procedimentos dos trabalhos legislativos, intensificado a comunicação com o Governo, e estabelecido mecanismos de ligação mais estreitos, promovendo a compreensão mútua e a cooperação regular, com o objectivo de consolidar um modelo de colaboração baseado na confiança mútua”, acrescentou. Reforço da cooperação Em relação ao trabalho legislativo, André Cheong afirmou que a Assembleia Legislativa vai desempenhar as suas funções em cooperação com o Executivo e destacou a nova lei sobre a Comissão da Defesa de Segurança do Estado, que vai dotar esta comissão de amplos poderes para escolher advogados nos tribunais, seleccionar conteúdos de educação, e actuar em áreas outras áreas sociais ou da economia. Sobre este diploma, o presidente do hemiciclo prometeu que a AL vai contribuir para a “consolidação da segurança nacional em Macau”. Finalmente, em relação às funções de supervisão, Cheong prometeu uma fiscalização dentro dos limites. “Pretendemos reforçar a interacção positiva com o Governo, tanto na actividade legislativa como na fiscalização. Mediante supervisão racional, pragmática e construtiva, pretendemos ajudar o Governo a identificar problemas, aperfeiçoar políticas e melhorar a eficácia da governação, assegurando assim a premissa de ‘apoiar o Governo sem omissões e de fiscalizá-lo sem ultrapassar limites’”, frisou . “Trabalharemos em conjunto com o Governo da RAEM, empenhados no desenvolvimento duradouro de Macau e no bem-estar dos seus cidadãos”, prometeu.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteNovo filme de Tracy Choi, “Girlfriends” estreia hoje no MGM Macau: “É muito difícil ser realizadora em Macau” Em “Girlfriends”, o seu novo filme e quarta longa-metragem da carreira, Tracy Choi criou uma espécie de alter-ego, através de uma personagem que, depois de estudar em Taiwan, vive em Hong Kong enquanto luta para financiar um filme. Em entrevista ao HM, a realizadora diz que quer continuar a fazer filmes em torno das mulheres e suas vivências. A estreia oficial de “Girlfriends” está marcada para hoje, às 19h30, no MGM Macau Faz exactamente dez anos que estreou “Sisterhood”, e provavelmente Tracy Choi não iria imaginar que, uma década depois, o sucesso seria real, com cada vez mais reconhecimento internacional em relação à sua forma de fazer cinema. Depois de colocar, pela primeira vez, um filme de Macau no Festival Internacional de Cinema de Busan, com “Girlfriends”, é a vez de a realizadora local trazer o seu novo filme, a quarta longa-metragem da carreira, para a sua casa. A estreia acontece hoje na sala “Treasure Box” do MGM Macau, a partir das 19h30. Conversámos com a realizadora antes da estreia da nova obra, que nos contou como começou a pensar no guião do filme durante o período da covid-19. “A história é sobre uma rapariga que cresceu em Macau, que estudou em Taiwan e que foi trabalhar em Hong Kong. Pensei nisso [no filme] durante a pandemia, porque não podíamos ir a lado nenhum e não tínhamos nada para fazer. Decidi escrever um guião sobre mim: uma rapariga de Macau a crescer, ver como ela cresce e como se encontra a si mesma, algo do género.” O elenco faz-se de actrizes com as quais Tracy Choi já trabalhou, nomeadamente Fish Liew, Jennifer Yu, Elizabeth Tang, Ning Han, Natalie Hsu e Eliz Lao. “Uma delas já recebeu várias nomeações e até prémios em Hong Kong, incluindo o de melhor actriz [Jennifer Yu]. Desta vez, depois de quase dez anos, voltámos a trabalhar juntas. Acho que crescemos muito e foi como trabalhar entre amigas. Foi uma grande felicidade poder trabalhar com alguém que conheço bem. A química entre elas também é muito boa, porque são amigas na vida real.” No caso de Natalie Hsu, foi nomeada para o prémio de “Melhor Actriz” na 43ª edição dos Hong Kong Film Awards, enquanto que Eliz Lao é uma actriz local, que até teve direito a um ciclo de cinema em nome próprio na Cinemateca Paixão. Eliz Lao fez filmes em Hong Kong e na China, tendo experiência em televisão e teatro, sem esquecer a formação em ballet. Sobre a estreia de hoje, Tracy Choi destaca que “os filmes com a temática LGBT, ou histórias sobre o crescimento feminino, não são muito comerciais”. “Sempre que procurámos entrar em festivais, foi-nos dito que o filme não ia ter grandes vendas. Ainda assim, e mesmo que o filme não tenha grande sucesso comercial, esperamos alcançar mais público, e fazer com que mais pessoas conheçam o filme”, destacou. “Girlfriends” foi rodado e produzido com fundos públicos, e filmado em 2024. Tracy Choi e a sua equipa também procuraram investimentos em Taiwan e Hong Kong. Depois do lançamento em Macau, a equipa prepara-se para novas estreias na região vizinha e em Taiwan. Sobre a experiência recente em Busan, na Coreia do Sul, com “Girlfriends” a integrar a secção de competição “Vision Section”, Tracy Choi trouxe as melhores recordações. “Foi uma grande experiência estrear o filme lá. Foi o primeiro filme de Macau a ser exibido no festival, tivemos uma grande noite. O público também pareceu gostar e acabámos por ser convidados para ir a outros festivais, e isso foi importante para toda a equipa.” Furar barreiras O cinema de Tracy Choi reflecte um pouco o imaginário de Macau e as vivências femininas, mas também explora cenários emotivos de sentimentos de pertença, memória e recordações. “No que diz respeito às mulheres e às histórias de Macau, somos sempre representados pelos outros, como filmes de Hong Kong, ou da China. Muitas vezes somos representados por outros realizadores e não há muitas vozes de realizadores locais, especialmente no que diz respeito a mulheres. Então, como sou mulher, espero realmente focar-me na forma como as mulheres crescem aqui ou noutros lugares na Ásia, naquilo que as mulheres enfrentam. Nos meus próximos projectos espero continuar a focar-me nas maneiras como as mulheres enfrentam o mundo em diferentes situações”, disse. Tracy Choi não esconde que “Girlfriends” tem uma temática assumidamente LGBT, enquanto que, nos seus filmes anteriores, não era tanto assim. “Talvez fossem mais sobre Macau ou [o sentimento] de irmandade, algo assim. Mas em ‘Girlfriends’ focámo-nos, principalmente, numa história de amor LGBT. Espero que seja um pouco mais comercial para um filme LGBT, e o caminho que escolhemos para contar a história é mais comercial. Espero que o público comum, e não apenas LGBT, também consiga sentir amor pelas pessoas LGBT e identificar-se com esse tipo de história.” No caso de “Sisterhood”, a sua primeira longa-metragem, há referências à transição de Macau, em 1999, e de duas antigas massagistas, Sei e Ling, que passaram bons tempos juntas. Porém, anos depois, uma delas percebe o grande segredo da outra, numa amizade que ganha outros contornos. As dificuldades sentidas Apesar do sucesso que tem vivenciado, Tracy Choi salienta que “é muito difícil ser realizadora em Macau porque não há muitas produções”. “Mas não sou só eu, outros cineastas de Macau também estão a trabalhar arduamente para que aconteçam coisas. Procuramos outras maneiras [de sustento]: eu dou aulas e trabalho como produtora para fazer com que outras produções se concretizem. Esperamos, todos juntos, poder conquistar mais público e atenção, para que os próximos realizadores, e as produções em Macau, tenham um caminho um pouco mais fácil”, acrescentou. A realizadora está ainda a colher os louros do seu quarto filme, mas já está a trabalhar na pós-produção de outra longa-metragem. “No ano passado também filmei outra produção, em co-produção com a China, e esperamos terminar antes do Verão e exibir o filme ainda no final deste ano.” Tracy Choi nasceu em 1988 e estudou Produção Cinematográfica na Universidade de Shih Hsin, tendo crescido no bairro de San Kiu. “Sisterhood” foi o seu filme de apresentação que lhe valeu alguma notoriedade, nomeadamente depois de ter recebido o Prémio para a Escolha do Público, no Festival Internacional de Cinema de Macau. Tinha na altura apenas 28 anos. Sobre este momento, recordou à Revista Macau: “Depois de me ter formado em Taiwan, regressei a Macau para trabalhar. Naquela altura, há cerca de dez anos, não havia cinema em Macau. Não havia produções locais a serem filmadas com regularidade. Isso não acontecia e nós aproveitámos a oportunidade que nos foi dada. Desafiei os meus amigos a juntarem-se ao concurso organizado pelo Centro Cultural, obter financiamento e filmar algo que tivesse um significado importante para nós. Foi também muito importante que a minha primeira longa-metragem pudesse estrear no Centro Cultural, porque foi algo que trouxe visibilidade à indústria cinematográfica local”, referiu.
Hoje Macau Manchete SociedadeAeroporto de Macau recebeu mais de 267 mil passageiros no Ano Novo Lunar O Aeroporto Internacional de Macau recebeu durante o período de festividades do Ano Novo Lunar mais de 267 mil passageiros, um acréscimo de 11 por cento em comparação com o mesmo período de 2025, declarou a infra-estrutura aeroportuária. Entre 14 e 23 de Fevereiro, o aeroporto “recebeu 267.235 passageiros e operou 1.943 voos”, o que representa “um aumento de 11 por cento e 9 por cento, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2025”, lê-se num comunicado divulgado na terça-feira pela CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau. O pico no tráfego de passageiros ocorreu nos dias 21 e 22 de Fevereiro, com números diários de passageiros a alcançar 29 mil e 28 mil, respectivamente, refere-se ainda na nota. “A análise da estrutura geral do mercado durante a temporada do Ano Novo Chinês mostrou que os passageiros das rotas da China continental representaram 43 por cento do volume total de passageiros”, notou a CAM, referindo ainda que as rotas internacionais representaram 39 por cento e para Taiwan 18 por cento. Durante o período de celebrações foram adicionados cerca de 60 voos de e para o Sudeste Asiático. Para continuar O Aeroporto Internacional de Macau anunciou este mês que prevê um aumento de 8 por cento dos passageiros e de 10 por cento das aterragens e descolagens este ano, quando se prepara para lançar novas rotas para a China continental, Filipinas e Vietname. “Teremos novas rotas para Kunming, Chongqing [China continental] e Manila [Filipinas], nos próximos meses e queremos mais ainda”, anunciou o presidente da CAM num encontro com os meios de comunicação social, no início do mês, por ocasião do Ano Novo Lunar. Simon Chan Weng Hong projectou mais de 63 mil movimentos de aeronaves na infra-estrutura aeroportuária, ou seja mais 10 por cento do que no ano anterior. Além disso, referiu o responsável, são esperados para este ano 8,14 milhões de passageiros, mais 8 por cento em termos homólogos, e um volume de carga de 110 mil toneladas, uma subida de 4 por cento. O número de passageiros que passaram pelo Aeroporto Internacional de Macau registou uma queda de 1,6 por cento em 2025, “devido ao contexto económico e a alguns factores de incerteza”, afirmou a CAM no início de Janeiro. Macau recebeu quase 1,6 milhões de visitantes durante os nove dias de feriados do Ano Novo Lunar na China continental, a maior migração anual do mundo, foi anunciado também na terça-feira. A Polícia de Segurança Pública de Macau disse que as fronteiras do território registaram a passagem de mais de 1,55 milhões de visitantes entre 15 e 23 de Fevereiro, uma média de 172.737 visitantes por dia.