Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteJosé Drummond, artista, estreia novo trabalho em Lisboa: “A ideia foi criar um espaço de meditação” “O néon é um material que me interessa muito”. Quem o diz é o artista plástico José Drummond, ex-residente de Macau actualmente a viver em Portugal, e que acaba de ver inaugurada no recente MACAM – Museu de Arte Contemporânea Armando Martins, em Lisboa, uma nova peça. “Between heaven and earth [Entre o Céu e a Terra]”, inspirada no I Ching – Livro das Mutações, é um convite à reflexão sobre a vida e os caminhos que se podem percorrer Como surgiu a oportunidade de ter um trabalho teu no MACAM [Museu de Arte Contemporânea Armando Martins] e de que forma ele se enquadra nas restantes obras? Antes de mais quero falar sobre o valioso trabalho do coleccionador Armando Martins na promoção da Arte Contemporânea em Portugal. É um trabalho notável e incontornável. Quero também referir o interesse e visão sobre o meu trabalho e todo o apoio de modo a tornar possível um projecto tão complicado de chegar a uma fase final. O convite foi feito no final de 2020, pela directora do Museu, Adelaide Ginga, e pela curadora Carolina Quintela, que me lançaram o desafio de criar uma obra “site-specific” para o espaço do túnel que liga a garagem ao Museu. Quando começámos a trabalhar, o que sabíamos é que seria um espaço de passagem, que nos interessava manter o aspecto do túnel com as paredes em cimento e que seria uma peça com luz. O trabalho resultante prossegue a minha investigação do espaço intermédio entre culturas – chinesa e ocidental – prolonga as questões de transiência presentes no taoismo e budismo, e continua a explorar os aspectos de, praticamente, todos os meus trabalhos serem sempre uma transferência seja conceptual, cultural ou física. “Between heaven and earth [Entre o Céu e a Terra]”, nome da obra, é de 2025. Como foi o processo criativo? A sua colocação num corredor obedece a alguma mensagem específica, ou pretende transmitir algumas ideias em concreto. Este foi um trabalho que teve várias fases e que implicou uma larga cooperação com os engenheiros da obra de recuperação do edifício. A nível de projecto foi complicado chegar a este formato final e cumprir a minha visão. Houve a necessidade de se criar uma estrutura eléctrica de propósito para a peça, de se fazer um tecto falso que mantivesse a expressão das paredes originais e por aí em diante. Mesmo depois de finalizar o projecto no papel, tivemos de esperar que as obras de recuperação do edifício ficassem prontas para que fosse possível avançar, pois o túnel era usado como passagem para todos os materiais usados dentro do Museu. Quando, em conjunto com a Adelaide e a Carolina, cheguei a uma versão conceptual final sobre o que apresentar, levantaram-se outros problemas técnicos de manufactura dos néons e de montagem. Foi um processo muito desgastante para todos porque, infelizmente, tanto o custo dos materiais como a falta de rigor da mão de obra em Portugal – para trabalhar com néon a este nível de alta exigência para uma obra com a dimensão que tem – é deficiente. Basicamente a empresa responsável pela manufactura e montagem teve um comportamento absolutamente grosseiro, de falta de profissionalismo, tendo falhado em praticamente tudo o que foi pedido. Foi necessário desmontar tudo e voltar a montar com a montagem final a ser feita por mim e pelo meu assistente, Rafael Lopes, sem o qual não teria sido possível. Quanto ao processo criativo, apesar de parecer complicado, acabou por ser mais simples. Quis fazer uma obra com inspiração no I Ching [Livro das Mutações], e a partir daí tudo apareceu. Que ideias concretas trouxe para o projecto? A minha ideia foi criar um espaço de meditação, de contemplação, uma pausa, um portal que permita uma reflexão sobre a humanidade, sobre cada um de nós, um caminho ou uma passagem que junte a sabedoria milenar ao tempo contemporâneo; e que seja capaz de estabelecer um diálogo intercultural que não se esgote numa só ideia de cultura. Ao combinar elementos como o I Ching, talvez o primeiro registo de cultura em livro do mundo, com uma escolha de materiais como luzes néon, componentes arduíno, sequências por algoritmo de computador e com uma componente de som, o trabalho promove uma fusão entre tradição e tecnologia, entre passado e presente. O gesto de incorporar sequências completamente aleatórias, decididas pela programação e sem que permita ao humano saber o que vai acontecer de seguida, levanta as questões da tecnologia que se começa a automatizar por si própria. A programação irá criar sequências virtualmente infinitas. Este gesto de não se saber se o néon que vai acender de seguida é o hexagrama x ou y, prolonga a ideia do I Ching. De que forma? Traz uma dimensão de imprevisibilidade e indeterminação que pode ser interpretado como uma metáfora sobre a complexidade e incerteza da vida contemporânea. As sequências aleatórias são em si um registo de transitoriedade e impermanência, que também podem sugerir a ideia de que cada experiência é singular e cada momento em si, único. A presença de luzes néon e som cria uma atmosfera imersiva e sensorial, convidando os visitantes a uma experiência contemplativa, estimulando estados emocionais e mentais, e incentivando a introspeção. O trabalho poderá parecer inicialmente místico e enigmático, mas os elementos visuais e a sua coreografia – com cadências e mudanças suaves, e a composição de sons – subtis e envolventes, direccionam o sentir e o estar para o momento presente, podendo criar uma sensação de tranquilidade e calma, favorecendo um espaço mental propício à meditação. Oferece ainda um espaço fora do ritmo acelerado da vida contemporânea, onde cada um possa estar com as suas emoções, com os seus pensamentos, naquele momento, ali. Existem duas cores, azul para o céu e vermelho para a terra, ou também noite e dia, ou positivo e negativo – o Céu com seis linhas contínuas e a Terra com seis linhas interrompidas são hexagramas fundamentais que vão de encontro ao processo dos opostos, yin e yang. Tive a felicidade de trabalhar com o programador João Cabral para toda a programação e montagem do sistema arduíno que comanda a peça, e do músico David Maranha que entendeu na perfeição o que eu queria. Uma experiência enriquecedora para todos. Há muito que trabalha em torno dos neóns. De que forma este trabalho se relaciona com outras coisas que tenha feito, se é que se relaciona de alguma forma… Ao nível expressivo o néon é um material que me interessa muito. Na montagem final desta peça há resquícios expressivos das memórias que tenho dos néons no antigo Hotel Lisboa e no Hotel Fortuna, que tristemente já foram substituídos por LEDs, ou dos primeiros néons que vi nas minhas viagens na China. Por outro lado, continua o meu trabalho sobre o espaço cultural intermédio, onde as culturas se misturam e se mantêm em suspenso, sobre o deslocamento da pertença de onde somos e para onde vamos. Que outros novos projectos tem em mãos? Voltei a pintar. Se conceptualmente é mais do mesmo, o processo está a ser gratificante. Estou a trabalhar num grupo de pinturas luminosas e mais não posso revelar.
Nunu Wu Manchete SociedadeFeriados | Interior é destino de preferência dos residentes Andy Wu prevê que durante os feriados dos próximos dias a maioria dos residentes opte por viajar para o Interior, devido aos preços mais baratos e às campanhas agressivas de turismo O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, afirmou que o Interior vai ser o destino mais escolhido pelos residentes que saírem de Macau durante os feriados do Cheng Ming e da Páscoa, assinalados entre 3 e 7 Abril. Em declarações ao jornal Exmoo, o responsável explicou que os preços mais baratos do Interior são muito atractivos para os residentes de Macau e que aos preços competitivos ainda se juntam as grandes campanhas de turismo promovidas pelas autoridades da China. Quando questionado sobre o impacto do aumento recente dos preços do petróleo e do aumento das sobretaxas de combustível na aviação, Wu desvalorizou o impacto, por agora, por considerar que os residentes fazem viagens menos longas nesta fase do ano, para destinos como Japão, Coreia do Sul ou Tailândia. No entanto, Andy Wu admitiu que nas viagens de grandes distâncias, como acontece nos voos para a Europa, poderá haver um impacto. Porém, esse efeito só será sentido mais perto do Verão, altura em que os residentes realizam as férias mais longas. Entradas mais calmas Quanto aos visitantes vindos do Interior durante os feriados, Andy Wu apontou que apesar de os residentes do Interior da China terem três dias de férias do Cheng Ming, entre 4 e 6 de Abril, as tradições de culto vão limitar as deslocações. Por este motivo, não se espera um pico no número de visitantes. Andy Wu observou também que as reservas hoteleiras se mantêm num nível considerado normal para a época, não reflectindo uma subida significativa. Quanto aos turistas de Hong Kong, o agente de turismo recordou que estes têm o hábito de viajar para Macau, devido à distância curta e à facilidade de transporte. Por isso, Wu espera que o volume de visitantes da região vizinha seja igual ao que normalmente acontece aos sábados. Andy Wu indicou ainda que Macau vai beneficiar com o facto de os bilhetes do comboio de alta velocidade de Hong Kong para outras cidades turísticas do Interior estarem esgotados, o que vai fazer com que as pessoas não tenham tantas opções de escolha. Por isso, Macau aparece como um destino natural, quando se opta por deslocações de curta distância. Sarampo: Serviços de Saúde pedem cautela durante feriados Os Serviços de Saúde (SS) alertaram os residentes que viajam para Japão, Indonésia, Filipinas, Europa e Estados Unidos da América que tomem medidas de precaução, devido ao que as autoridades de Macau consideram ser a “situação epidemiológica do sarampo”. “Os Serviços de Saúde apelam os residentes para que tomem medidas preventivas contra o sarampo”, foi escrito. “As crianças com vacinação incompleta e as mulheres grávidas não imunizadas são consideradas grupos de alto risco e devem evitar as deslocações para as zonas onde o sarampo é prevalente, com o intuito de reduzir o risco de importação e transmissão desta doença em Macau”, foi adicionado. “A vacinação contra o sarampo é a forma mais eficaz de prevenir a infecção e reduzir a propagação da doença”, foi acrescentado.
Hoje Macau Manchete SociedadeJogo | Receitas crescem 15 por cento As receitas do jogo aumentaram 15 por cento em Março, em comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados divulgados ontem pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Os casinos arrecadaram em Março 22,6 mil milhões de patacas, face aos 20,6 mil milhões de patacas registados em Fevereiro, que já tinham representado uma subida de 4,5 por cento em relação ao mês homólogo anterior. Nos primeiros três meses do ano, os casinos de Macau somaram receitas totais de 65,9 mil milhões de patacas, mais 14,3 por cento do que em igual período de 2025. No ano passado, as receitas dos casinos atingiram 247,4 mil milhões de patacas, um crescimento de 9,1 por cento em comparação com 2024. O Governo de Macau prevê que as receitas brutas dos casinos aumentem 3,5 por cento em 2026, atingindo cerca de 236 mil milhões de patacas. Nos primeiros dois meses, Macau recebeu 7,82 milhões de visitantes, um aumento de 15,1 por cento face ao mesmo período de 2025. O território atingiu a marca de 10 milhões de visitantes em 21 de Março, alcançando este registo 12 dias mais cedo do que em 2025. As autoridades locais prevêem que o ano acabe com 41 milhões de visitantes. Junkets | Número de empresas sobe para 31 O número de empresas de promoção do jogo licenciadas pelas autoridades subiu para 31, o que significa um aumento de duas licenças face ao registo anterior, de acordo com o portal GGRAsia. As mais recentes empresas a obterem a licença necessária para promover o jogo são a Xin Wei Lda e a Pok Lok Promoção de Jogos Lda. No entanto, o total actual representa apenas 62 por cento da quota existente para 50 empresas junkets, estabelecida anualmente pelo Governo. O Governo estima que, em 2026, irá arrecadar 150 milhões de patacas em impostos sobre as comissões pagas pelos casinos aos junkets. De acordo com o plano orçamental da cidade para 2026, isso representaria um aumento de 50 por cento em relação aos 100 milhões de patacas de receitas fiscais que o governo espera registar no ano fiscal de 2025.
João Santos Filipe Manchete SociedadeMacau Legend | Grupo admite que sobrevivência está em causa Até ao final do ano, a Macau Legend pode ser obrigada a pagar empréstimos avaliados em 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong. O grupo já soma incumprimentos e os administradores esperam o perdão dos bancos para manter a empresa viva A sobrevivência da Macau Legend, empresa que controla a Doca dos Pescadores, vai estar em jogo até ao final do ano, por falta de capacidade para pagar as dívidas. O cenário é admitido pelo grupo no documento de apresentação dos resultados financeiros de 2025, que revela perdas de 1,6 mil milhões de dólares de Hong Kong. Segundo as explicações da empresa, no final do ano passado o endividamento grupo era superior a 2,7 mil milhões de dólares de Hong Kong. A maior parte destas dívidas, 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, tem de ser paga até ao final deste ano. Contudo, ao mesmo tempo que soma resultados negativos, a empresa apenas tem 27,1 milhões dólares em caixa, o suficiente para pagar 1,2 por cento da dívida que vai vencer este ano. Parte da dívida de 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, já inclui empréstimos bancários que deveriam ter sido pagos em 2024, pelo que podem gerar acções de execução a qualquer altura pelo bancos. Neste contexto, é indicado no comunicado que “existem circunstâncias que suscitam dúvidas significativas quanto à capacidade do grupo de continuar a exercer a sua actividade”. Assim, os administradores explicam que a sobrevivência depende de medidas que passam por conseguir financiamento extra através da emissão de mais acções do grupo, negociação com os bancos para evitar a execução do património e definir novas formas de pagamento das dívidas em favor da empresa, negociações com os accionistas que emprestaram dinheiro ao grupo, num valor de 339,4 milhões de dólares de Hong Kong, e ainda a adopção de outras formas de gerar capital. A tarefa da Macau Legend adivinha-se difícil, uma vez que desde Novembro que o grupo deixou de explorar o casino-satélite Legend Palace. Segundo os resultados de 2024, ainda antes do encerramento deste casino, o grupo empregava 1.149 pessoas, das quais 327 tinham contratos com a concessionária SJM. Lucros só em 2018 Além disso, nos resultados financeiros de 2025, mostram que a saúde financeira do grupo está a degradar-se de forma acelerada. As perdas de 1,6 mil milhões de dólares de Hong Kong ultrapassam os prejuízos de 2024, que não tinham ido além dos 795 milhões de patacas. A última vez que o grupo apresentou resultados anuais positivos foi em 2018, com um lucro de 2,0 mil milhões de dólares de Hong Kong. No entanto, desde essa data somou prejuízos de 172 milhões, em 2019, 1,9 mil milhões em 2020, 1,2 mil milhões em 2021, 608 milhões em 2022 e de 3 milhões em 2023. Estes resultados negativos foram somados, apesar do grupo ainda explorar um casino ou vários casinos em Macau, o que deixou de acontecer em Novembro do ano passado. De acordo com o relatório de 2024, a empresa tinha como principal accionista Levo Chan Weng Lin, que se encontra em Coloane a cumprir uma pena de prisão de 13 anos, devido às operações de promoção de jogo da empresa Tak Chun, e a sua esposa a actriz Ady An. Além de Levo, também constam entre os vários accionistas da empresa a terceira mulher de Stanley Ho, Ina Chan Un Chan, com cerca de 15 por cento das acções, assim como o fundador David Chow, com uma participação de 9,89 por cento.
João Santos Filipe Manchete PolíticaActivos Públicos | Prejuízos de Centro Comércio Mundial sobem 72% A empresa que controla o centro de arbitragem fechou o ano com perdas de 1,1 milhões de patacas. Sem o subsídio da RAEM, os prejuízos teriam sido de 12 milhões de patacas No ano passado, os prejuízos do grupo Centro de Comércio Mundial Macau aumentaram 72 por cento, para 1,1 milhões de patacas, quando em 2024 tinham sido de 612 mil patacas. Os resultados foram divulgados ontem pela empresa, através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). O grupo detido a 60 por cento pela RAEM só não apresentou resultados piores, porque no espaço de um ano o Executivo aumentou o valor do subsídio atribuído ao grupo que indica ter como actividade a disponibilização de “serviços ligados ao comércio internacional”, principalmente através de um centro de arbitragem. O subsídio cedido pela RAEM cresceu de 11,0 milhões em 2024 para 13,0 milhões de patacas, um aumento de 2 milhões, equivalente a 18 por cento. Sem este subsídio, a empresa teria apresentado perdas de aproximadamente 12 milhões de patacas. Os resultados da empresa agravaram-se principalmente devido aos custos com o pessoal, que no espaço de um ano aumentaram em 2,3 milhões de patacas, acima do aumento do subsídio da RAEM. As despesas com o pessoal eram de 9,9 milhões em 2024, mas cresceram para 12,2 milhões no ano passado. Este aumento foi explicado, em parte, com o facto de o grupo ter passado a contar com 51 trabalhadores, quando no ano anterior tinha 49. Os salários dos trabalhadores aumentaram assim de 8,2 milhões de patacas para 10,0 milhões de patacas, um crescimento de 22 por cento. Em termos dos administradores, o aumento foi de 1,3 milhões de patacas para 1,8 milhões de patacas, uma diferença de 38 por cento. Quanto às receitas, a empresa conseguiu melhorar o desempenho em comparação com o ano anterior, ao facturar 5,2 milhões de patacas, quando no ano anterior o valor tinha sido de 5,1 milhões de patacas. Do imobiliário Nos resultados do grupo, constam não só as operações da Centro de Comércio Mundial Macau, mas também da subsidiária Condominium, Administração de Propriedades, Limitada, que se destina à exploração do edifício onde opera a empresa. A actividade da Condominium, Administração de Propriedades é lucrativa, mas também nesta área os lucros foram mais baixos. Em 2025, o lucro foi de 636 mil patacas, quando no ano anterior tinha atingido 684 mil patacas. Também no caso da subsidiária, os custos com o pessoal justificam os piores resultados, dado que estas despesas cresceram para 634 mil patacas, quando no ano anterior tinham sido de 625 mil patacas. Além da RAEM, são accionistas do grupo o Banco Nacional Ultramarino (BNU), o Banco Comercial de Macau (BCM), o Estado Português, mas também vários empresários e políticos locais como Liu Chak Wan, Chui Sai Chong ou Peter Lam. O Conselho de Administração é dirigido por Chui Sai Cheong, enquanto a Comissão Executiva tem como presidente Ao Weng Tong.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaPlano director | Revisão vai incluir novo cenário demográfico Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, anunciou ontem que será lançada, no segundo semestre, a consulta pública para a revisão do Plano Director. Este processo terá em conta o novo cenário demográfico, com menos nascimentos e mais idosos, admitiu O Governo vai rever o Plano Director de Macau tendo em conta a nova situação demográfica do território, que tem uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo e um elevado envelhecimento populacional. A consulta pública sobre a revisão vai acontecer no segundo semestre, afirmou ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, no segundo dia de sessão plenária dedicada a responder a interpelações orais dos deputados. “A alteração do Plano Director está a avançar de forma ordenada e há que seguir certos procedimentos legais. O Chefe do Executivo já autorizou a sua alteração e no segundo semestre podemos avançar com a consulta pública”, disse. O Plano Director foi implementado em 2024 e, conforme a lei, é necessário aguardar cinco anos para uma nova revisão, mas esse processo já está em marcha. “Segundo a lei do planeamento urbanístico a alteração do Plano Director só pode acontecer cinco anos depois, mas nada impede que avancemos com os trabalhos preparatórios.” Raymond Tam, em resposta à interpelação oral do deputado Lam Fat Iam, disse que “vamos ter em conta as necessidades actuais para planear a zona Este-2”, ou seja, a Zona A dos Novos Aterros em Macau, pensada para ter 96 mil fracções. “De facto é necessária uma ponderação global sobre a política demográfica, e temos de ter uma coordenação interdepartamental para estes trabalhos. O Governo vai ter grande prudência”, admitiu. O secretário disse mesmo que “na zona A, ou Este-2, sabemos que as alterações populacionais e de mercado fazem com que se altere [o nível de] procura pela habitação, e a ideia que tínhamos antes tem de ser ajustada.” Na resposta a Lam Fat Iam, o governante disse mesmo que “o Plano Director não é imutável”, tendo em conta também “a utilização de terrenos” para as novas actividades económicas no âmbito da política “1+4”. Muitas questões numa só A questão demográfica levou muitos deputados a colocaram questões sobre o que aí vem. Che Sai Wang lembrou que “temos uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo”, segundo o último Relatório do Estudo sobre a Política Demográfica de Macau data de 2015. “Passaram dez anos e o Governo tem de implementar um mecanismo para alterar a política demográfica”, destacando que menos bebés e mais idosos leva a mudanças a nível dos serviços de saúde, habitação ou ensino. “Temos de delinear o desenvolvimento da cidade em função da baixa taxa de natalidade e do envelhecimento da população, tendo em conta os transportes e saúde.” Kou Ngon Seng considerou que “enfrentamos desafios quanto ao aproveitamento dos terrenos”, dado que “vai haver um ajustamento da população”. “Será que vai haver um ajustamento nas 96 mil fracções na zona A?”, questionou. Leong Hong Sai questionou se o Governo pondera “captar mais quadros qualificados para optimizar o planeamento”. “O último relatório sobre política demográfica é de 2015 e nos últimos anos a situação sofreu alterações, estando em causa os recursos de solos, mercado de arrendamento, transportes, serviços de saúde e de apoio a idosos”, rematou.
Sérgio Fonseca Desporto MancheteAutomobilismo | Célio Alves Dias faz pausa, com regresso apontado para o ano que vem Célio Alves Dias, um dos nomes históricos do automobilismo do território, não vai competir esta temporada por opção. Ainda assim, o piloto macaense não pensa pendurar o capacete e já tem planos para regressar às corridas em 2027. O vencedor da Taça de Carros de Turismo de Macau no Grande Prémio de Macau de 2021 esteve afastado da competição em 2023 por motivos pessoais. Nos dois últimos anos, contudo, participou no Macau Roadsport Challenge, a competição promovida pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) e que junta em pista os Toyota GR86 (ZN8) e Subaru BRZ (ZD8). Esta temporada, porém, o piloto da Fu Lei Loi Racing Team decidiu fazer um interregno, já com o olhar no próximo passo da sua carreira no desporto. Apesar da vasta experiência em corridas de Turismo, tendo conduzido várias gerações de carros da categoria, Célio Alves Dias nunca tinha pilotado os novos modelos antes de 2024. Nesse ano conseguiu qualificar-se para o Grande Prémio, mas em 2025 o piloto de matriz portuguesa ficou de fora da prova mais importante do ano, tendo sido uma das vítimas das corridas de apuramento realizadas no Circuito Internacional de Zhuzhou. “Vou parar este ano, mas não vou parar definitivamente”, esclareceu Célio Alves Dias ao HM, acrescentando que durante o ano “terei de estar ausente de Macau durante algum tempo”, o que o impede de assumir compromissos competitivos. Ainda assim, garante que pretende “manter-se activo”, recorrendo “a treinos no karting” para continuar a rodar e preservar a forma. E o Toyota GR86 não será, por agora, vendido. O passo seguinte Presença habitual no Grande Prémio de Macau e no automobilismo local desde a transferência de administração, Célio Alves Dias estreou-se no Circuito da Guia em 2000. A partir daí, marcou presença de forma consecutiva na prova até 2023. O ponto mais alto da carreira chegou em 2021, com a vitória na Taça de Carros de Turismo de Macau. Curiosamente, não pôde subir ao lugar mais alto do pódio, pois estava a ser assistido no Centro Hospitalar Conde de São Januário após um violento acidente na última volta da corrida, num dos finais mais insólitos da história do evento. Para a temporada de 2027, apesar de nunca ter competido em carros de Grande Turismo, Célio Alves Dias admite que “talvez se prepare para competir na classe GT4”, por considerar que “esta categoria pode ser a mais adequada para mim, já que existe um maior equilíbrio entre os carros”. Apesar de a Macau Roadsport Challenge ter actualmente um regulamento mais restritivo, pensado para conter custos, a categoria GT4, que segue padrões internacionais e utiliza o sistema de Balance of Performance (BoP), também apresenta um forte controlo de despesas, não permitindo evoluções significativas nos carros adquiridos aos construtores. Em paralelo, a competição organizada pela AAMC admite a participação de viaturas cuja homologação GT4 já expirou, como os BMW M4 GT4 (F82), McLaren 570S GT4 e Ginetta G55, e que estão disponíveis no mercado a preços bastante interessantes.
João Santos Filipe Manchete SociedadeLigação pedonal entre Portas do Cerco e Metro custa 465 milhões A construção do acesso pedonal entre a Estação da Linha Leste do Metro Ligeiro e Fronteira das Portas do Cerco vai custar 464,7 milhões de patacas. A obra foi adjudicada directamente pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) a três empresas do Interior, sem a realização de qualquer concurso ou consulta pública. As escolhidas recaíram sobre as empresas CCECC (Macau) Companhia de Construção e Engenharia Civil China, Limitada, Companhia de Fomento Predial Nam Kwong Limitada e China Railway 16th Bureau Group Co. Ltd – Macau Representative Office. As empresas vão realizar a obra em modelo de consórcio e cobrar 464,7 milhões de patacas. Está previsto que os trabalhos fiquem terminados num total de 960 dias, um período superior a dois anos e meio. A estação ES1 da Linha Leste do Metro Ligeiro de Macau situa-se no lado sudeste do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e esta estação vai ter uma ligação com cerca de 80 metros para a fronteira, que tem como objectivo “facilitar a deslocação” entre as duas infra-estruturas. “O acesso de ligação localizar-se-á na actual zona de estacionamento para autocarros turísticos das Portas do Cerco, através da passagem superior para peões”, foi explicado pela DSOP. Sem concurso A área bruta de construção do acesso de ligação é de cerca de 6.100 metros quadrados, com um piso subterrâneo e construções acima do solo. As partes subterrâneas abrangem a passagem pedonal subterrânea, o espaço comercial e as instalações sanitárias. As construções acima do solo incluem a passagem superior para peões entre o Metro Ligeiro e o átrio de partida de Macau do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco. Somados todos os contratos assinados no âmbito desta obra de ligação entre a estação e a fronteira, como os contratos de controlo da qualidade, medição, entre outros, o Governo vai pagar mais de 496 milhões de patacas. Apenas um dos contratos foi atribuído através da realização de concurso público. Linha Este | Comerciante queixa-se do impacto das obras Um comerciante queixou-se ontem no programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, sobre o impacto das obras do metro ligeiro na linha Este. O ouvinte, de apelido Chang, disse que esta obra tem afectado seriamente o seu negócio, uma oficina na Areia Preta que possui há cerca de 20 anos. O homem queixou-se ainda que a obra foi iniciada sem que tenha sido consultado previamente, tendo sido escavada a via pública em frente à sua oficina, restando apenas uma via estreita para a circulação de pessoas. “Como vou fazer o negócio? Agora os carros não conseguem entrar na oficina para fazerem a reparação. Se o Governo não quiser pagar uma compensação, deve, pelo menos, criar algumas medidas de apoio”, disse no programa.
João Santos Filipe Manchete SociedadeBCM | Empresa-mãe traça cenário de novos desafios O desempenho financeiro do Banco Comercial de Macau (BCM) apresenta melhorias a nível da exploração, mas o mercado dos empréstimos continua parado, devido à situação das vendas a retalho e do imobiliário Apesar da recuperação do mercado do jogo e do maior número de turistas, o sector da banca continua a viver uma situação em que o mercado dos empréstimos continua praticamente parado. O cenário foi traçado por Harold Wong Tsu-Hing, administrador-geral do grupo Dah Sing Financial, proprietário do Banco Comercial de Macau (BCM). De acordo com o jornal Ming Pao, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados do grupo, na segunda-Feira, Harold Wong afirmou que apesar de o jogo estar em crescimento e de o número de visitantes ter ultrapassado a realidade pré-pandemia, a recuperação não se faz sentir em todas as indústrias por igual. Wong apontou que o mercado de empréstimos, a principal fonte de receitas das banca, está parado, o que foi justificado com a falta de investimento em outras indústrias. O responsável explicou ainda que as vendas a retalho, os preços do imobiliário e o número de transacções continuam em quebra, o que se reflecte nos pedidos de empréstimos junto do banco em Macau. Em relação ao Banco Comercial de Macau (BCM), o responsável não revelou o resultado do exercício de 2025, mas apontou que o desempenho apresentou “uma ligeira melhoria” nos lucros de exploração, quando a comparação é feita com 2024. Nesse ano, o banco declarou um lucro de 45,4 milhões de patacas. Ainda assim, menos de metade dos lucros de 2023, quando o lucro tinha atingido 114,5 milhões de patacas. A valer menos Em relação ao BCM, o grupo Dah Sing Financial foi forçado a reconhecer uma perda por imparidade do trespasse de 493 milhões de dólares de Hong Kong, relacionada com o facto de se considerar que o BCM actualmente vale menos do que os 1,72 mil milhões de patacas, o valor pago em 2005 ao Banco Comercial Português (BCP). A situação do mercado não teve um grande impacto nos resultados anuais do grupo Dah Sing Financial, principalmente devido às operações em Hong Kong, com os lucros da instituição a crescerem 23,9 por cento em termos anuais, para 2,70 mil milhões de dólares de Hong Kong. Em 2024, os lucros do grupo tinham sido de 1,67 milhões de dólares de Hong Kong.
João Santos Filipe Manchete SociedadeCosta Nunes | Baixa natalidade leva à saída de 10 trabalhadores A partir do próximo ano, o jardim-de-infância vai contar com menos 10 trabalhadores do corpo docente. Das saídas anunciadas, apenas duas educadoras abandonam de livre vontade. Miguel de Senna Fernandes lamenta a decisão e reconhece que ninguém ficou agradado com a nova realidade O jardim-de-infância D. José da Costa Nunes vai passar a funcionar no próximo ano lectivo com apenas 14 profissionais, quando actualmente tem 24. A vaga de despedimentos que vai afectar o corpo docente e o quadro de agentes de ensino foi justificada com a baixa da natalidade. “Nós não queríamos que isto acontecesse ao nosso corpo docente. Mas, às vezes, a escolha não está no nosso lado e isso deve-se muito à baixa taxa de natalidade, que se vai agravar nos próximos tempos”, afirmou Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação Promotora de Instrução dos Macaenses (APIM), em declarações ao Canal Macau. “É uma situação que já vinha de há três anos, porque os alunos entram no jardim-de-infância com três anos, portanto tínhamos este alarme há três anos. Só que até este momento não quisemos dar este passo, para ver se podíamos arranjar uma solução para poupar o nosso corpo docente”, explicou. Miguel de Senna Fernandes revelou que entre as saídas de seis educadoras e de quatro agentes de agentes de ensino, apenas duas educadoras se mostraram disponíveis para deixar a instituição. Nos restantes casos, a iniciativa teve de partir da instituição de ensino. O responsável lamentou o cenário, e destacou que as pessoas que saem eram uma mais-valia para a instituição. “Estamos a falar de docentes com muito valor e que são a mais-valia do nosso jardim-de-infância e fazem parte da identidade da escola. As coisas não correram pelo melhor, naturalmente tivemos que tomar uma decisão que não nos agrada, a nós, nem às visadas”, reconheceu. “Aproveito a ocasião para agradecer do fundo do coração a todas as docentes com que não vamos continuar no próximo ano. Só desejo muito boa sorte a todas as pessoas envolvidas. Da nossa parte é certíssimo que sentimos muita, mas muita pena [com o sucedido]”, acrescentou. Segundo os dados mais recentes da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a taxa de fecundidade em Macau voltou a cair em 2025, para um novo mínimo histórico. Macau terminou o ano passado com 0,47 nascimentos por cada mulher com idades entre 15 e 49 anos, menos 0,11 do que em 2024, ano que já tinha sido constituído um novo recorde. A redução na natalidade aconteceu, apesar do Governo ter lançado um subsídio de 54 mil patacas para crianças até aos três anos, além de ter aumentado o subsídio de nascimento, de 5.418 patacas para 6.500 patacas, e o subsídio de casamento, de 2.122 patacas para 2.220 patacas.
Nunu Wu Manchete PolíticaLogística | Associação pede apoio para comprar veículos alternativos Samuel Tong alerta que os preços mais baixos do combustível no Interior podem fazer com que mais pessoas optem por consumir em Zhuhai, contribuindo para enfraquecer ainda mais os níveis de consumo local Em resposta à subida internacional dos preços dos combustíveis, a Associação de Logística e Transportes Internacionais de Macau defendeu que o Governo deve subsidiar a compra de veículos movidos com energias alternativas. A posição foi tomada por Lei Kuok Fai, presidente da associação, em declarações ao jornal Ou Mun. Segundo o responsável, com os preços do combustível mais caros, devido aos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e ao encerramento do estreito de Hormuz, as empresas transportadoras têm equacionado medidas para evitarem uma subida acelerada dos preços do transporte. No entanto, o dirigente explicou que existe a esperança de que o Governo possa aumentar o seu apoio ao sector, incluindo o lançamento de subsídios especiais para a compra de veículos movidos com energias alternativas. Lei Kuok Fai apontou que muitos associados já substituíram os camiões movidos com combustíveis tradicionais para camiões com energias alternativas, o que permite preços mais baratos. No entanto, no sector reconhece-se que como a tecnologia ainda não é muito desenvolvida, os veículos alternativos têm preços considerados muito elevados, o que leva muitos associados a não optarem pela troca. Por isso, acredita-se que a substituição pode ser mais rápida se houver apoios. Ao mesmo tempo, a associação espera igualmente medidas do Executivo para reduzir os custos dos carregamentos ao nível das infra-estruturas de cargas e descargas, como forma de amortecer o impacto do aumento dos combustíveis, e evitar uma subida maior nos preços finais. Lei Kuok Fai apontou que o transporte marítimo e aéreo ficou mais caro, mas que o transporte terrestre tenta resistir a aumentos significativos. Porém, indicou que o cenário pode mudar, no futuro, se os combustíveis continuarem a encarecer. Consumo no Interior Por sua vez, Samuel Tong, presidente da Associação de Estudo de Economia Política, alertou o Governo para que o aumento dos preços de combustíveis, embora comum a toda a China, pode afectar muito negativamente o consumo em Macau. Segundo o economista, se os preços do combustível no Interior forem muito mais baixos do que os praticados em Macau, vai haver cada vez mais pessoas a abastecer no outro lado da fronteira. E quando as pessoas vão abastecer a Zhuhai, acabam por consumir no outro lado da fronteira, em vez de o fazerem em Macau. Por este motivo, Tong avisou que existe o perigo de que o consumo da população se transfira ainda mais para o Interior, numa altura em que a economia local atravessa grandes desafios, principalmente ao nível das Pequenas e Médias Empresas.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaNatalidade | Governo alarga subsídios e cria novos apoios às escolas A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, anunciou ontem algumas medidas para ajudar as escolas a lidar com o decréscimo do número de alunos, como a extensão do subsídio às turmas do segundo ano do ensino infantil e apoios na reconversão de escolas ou requalificação da carreira docente O Governo anunciou que vai apoiar as escolas que se queiram reestruturar ou fundir, tendo em conta a redução da taxa de natalidade, e indicou que o financiamento será sempre uma medida de curto prazo para dar tempo às instituições para se adaptarem à redução do número de alunos. Na sessão plenária de ontem, na Assembleia Legislativa (AL), e em resposta a uma interpelação oral da deputada Ella Lei, O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, referiu a extensão, às turmas do 2.º ano do ensino infantil, do “subsídio de apoio ao ensino infantil”, sendo que este apoio financeiro entra no âmbito do “Subsídio para promoção do desenvolvimento da escola”. Esta medida integra-se no “Plano de financiamento para o desenvolvimento das escolas”, que foi criado no ano lectivo de 2024/2025, sendo pensado para “apoiar escolas cujo número de alunos no 1.º ano do ensino infantil seja insuficiente”. A medida é suportada financeiramente pelo Fundo Educativo (FE). Este subsídio dado aos dois primeiros anos do ensino infantil, visa “optimizar o limite máximo do número de dispensas da componente lectiva semanal do pessoal docente das unidades escolares”. Este plano de financiamento das escolas “tem a duração de dois anos e visa proporcionar tempo suficiente para as escolas desenvolverem estratégias pedagógicas diversificadas”, adiantou a secretária. A instituição de ensino pode, com este dinheiro, fazer “planeamentos na sua transformação ou fusão”, além de ponderar sobre “projectos individuais de desenvolvimento” ou apostar no “planeamento do corpo docente”. Na resposta à deputada Ella Lei, a secretária afirmou também que “os montantes dos subsídios [no âmbito do FE] para o ano lectivo de 2025/2026 foram aumentados”, pelo que “as escolas dispõem de recursos suficientes para recrutar pessoal docente e optimizar as suas condições pedagógicas”. Actualmente, disse a governante, “a média de professores por turma, no ensino infantil, foi melhorado [do rácio] 1-1,6 [um professor por uma média de 1,6 alunos], no ano lectivo de 2011/2012, para 1-2,3 no ano lectivo de 2025/2026”, sendo esta média “favorável para as escolas cuidarem e educarem melhor as crianças”. Uma “postura activa” A reconversão das escolas pode passar pela sua transformação em “instituições de educação contínua” com cursos de aperfeiçoamento contínuo ou “formação profissional e aprendizagem para idosos”, entre outros, disse a secretária. O Governo promete também, com recurso ao FE, apoiar os docentes na protecção da sua carreira. O Lam prometeu “alargar a ‘2ª pista’ da carreira dos docentes e construir uma plataforma de partilha de recursos”, incentivando-os a “participar em cursos de formação suplementar, para que recebam formação noutros níveis de ensino”. Desta forma, as escolas podem “organizar-se de forma mais flexível e com mais condições”, colocando docentes noutros níveis de ensino com mais alunos. O Lam adiantou outras conclusões de um estudo “que está quase a ser finalizado” sobre o panorama do ensino, referindo que existe a intenção de “aumentar a flexibilidade do regime do subsídio”, ainda que “o financiamento [seja algo] transitório e de curto prazo”. A intenção é mesmo “conquistar mais tempo para que as escolas se reconvertam”. Atribuir subsídios é, portanto, uma “medida residual”, para que as escolas possam “tentar estabilizar o corpo docente”. Do lado da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude, o seu director garantiu que poderá ser pedido às escolas uma lista de docentes que tenham interesse em entrar num processo de reconversão ou em participar em acções de formação. “Neste momento, temos duas ou três escolas que estão de acordo sobre uma eventual fusão entre elas”, adiantou Kong Chi Meng. “Vamos adoptar uma postura activa” nesta matéria, disse a secretária. “Queremos criar um sistema de reconversão [das escolas], alargar o âmbito do desenvolvimento do ensino, inserir a inteligência artificial e montar uma plataforma para recursos destinados a docentes, o que já estamos a fazer”, rematou O Lam. O deputado Leong Sun Iok disse ainda que é importante que sejam criados outros apoios sociais, nomeadamente na gravidez e cuidados infantis, a fim de potenciar a natalidade. “Esses serviços sociais são uma necessidade para a população e isso pode levar a que as pessoas tenham mais vontade de ter filhos”, disse.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeSaúde mental | Governo anuncia plano concertado Foi apresentado ontem, através de diversos organismos públicos, um novo plano de acção conjunta pensado para a área da saúde mental, que visa juntar a parte educativa com a cultura, sem esquecer os idosos. O referido plano intitula-se “Construir uma rede de resiliência psicológica: da cognição à acção”, e, segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, consiste numa plataforma operada entre os Serviços de Saúde (SS), Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e Instituto de Acção Social (IAS), bem como o Instituto do Desporto (ID). Na conferência de imprensa de ontem, o director interino do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou, disse que será estabelecido “um mecanismo interdepartamental” entre estes serviços, com a promessa de uma “cooperação estreita e sem barreiras, promovendo-se a articulação de recursos e partilha de casos”. O objectivo é também “formar uma rede de apoio que abranja todas as faixas etárias”, sendo que os SS já dispõem “de um mecanismo de intervenção por fases para problemas de saúde mental”, apontou. Este passa pela “prevenção precoce, apoio ao nível comunitário, psicoterapia ao nível dos centros de saúde, e, ao nível especializado, tratamento medicamentoso e internamento”, sem esquecer a ajuda “na reintegração social dos pacientes em recuperação”. Numa nota oficial divulgada em língua portuguesa depois do fecho da edição, foi referido que, “no apoio a grávidas e puérperas”, os SS e o IAS adoptam o modelo de “cooperação médico-social”, sendo que, desde Novembro do ano passado, trabalharam com 12 centros de saúde e 13 centros de serviços integrados familiares “para prestar serviços de encaminhamento e globais, promovendo actividades de aprendizagem de ciclo completo e planos de incentivo”. Foram ainda criadas seis “creches de capacitação” para “reforçar o apoio na criação dos filhos”. No que se refere aos serviços de apoio a pessoas em reabilitação psicossocial e famílias, o Governo disse que “são facultadas cerca de 1.600 vagas em 11 instalações de reabilitação, que incluem alojamento e reabilitação diurna”. Citada pela Lusa, Choi Ka Man, assessora principal de psicoterapia dos SS, disse que se alguém “se sentir em baixo há mais de duas semanas e não conseguir comer ou dormir, deve procurar ajuda”. Tai Wa Hou explicou também que muitos residentes ainda receiam procurar cuidados psiquiátricos com medo de “ser estigmatizados”, enquanto outros desconhecem que condições como “ansiedade, insónia ou humor persistentemente baixo” podem melhorar com intervenção profissional. “Estes conceitos errados criam barreiras invisíveis que impedem as pessoas de procurar ajuda”, sublinhou Tam, na mesma conferência. “É importante compreender que os problemas de saúde mental não são defeitos de carácter nem um sinal de fraqueza”, disse. Segundo Tai Wa Hou, existem em Macau nove centros de saúde e três organizações comunitárias que oferecem serviços de aconselhamento psicológico e cuidados de saúde aos residentes. Mais livros e informações Choi Man Chi, chefe do Departamento de Educação Não Superior da DSEDJ, apresentou o que já foi feito nesta área, nomeadamente a publicação de “materiais didácticos de educação para a saúde mental” e “recursos educativos sobre saúde mental dos jovens”, que já estão a ser aplicados nas escolas do ensino pré-escolar, primário e no ensino secundário inferior. O responsável indicou que no segundo trimestre deste ano “serão lançados materiais também para o ensino secundário superior”, e referiu que serão formados professores “para a utilização destes materiais”, além de se “promover a realização regular de aulas de educação para a saúde mental nas escolas”. No que diz respeito à preservação da saúde mental ao nível dos idosos, Iu Ka Wai, do IAS, afirmou que “está em curso a coordenação de avaliações domiciliárias e acompanhamento de casos identificados como sendo de risco”, tendo por base o inquérito realizado a idosos que vivem sozinhos, ou em famílias pequenas. Segundo noticiou a rádio, está também a ser preparado o “Pacote Informativo de Serviços de Cuidados a Idosos”. Apesar de questionados pela Lusa, os SS não deram números concretos de quantos residentes receberam ou procuraram tratamento psicológico ou psiquiátrico. Em 2025, foram registados 91 casos de suicídio no território, que conta com apenas 689 mil habitantes, segundo dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), um dos números mais elevados de sempre na cidade. Com Lusa
Nunu Wu Manchete SociedadeTaiwan | Estudante de Macau atropelado por autocarro O jovem de 20 anos foi atingido quando atravessava uma passadeira no campus da Universidade de Chang Gung, em Taoyuan, e teve de ser hospitalizado em estado grave. A empresa assumiu as culpas e garante ir assumir todas as despesas Foto: Guishan Precinct /FocusTaiwan Na quinta-feira da semana passada, um estudante de Macau foi atropelado na cidade de Taoyuan, em Taiwan, no campus da Universidade de Chang Gung. A informação de que o aluno foi atropelado ao atravessar na passadeira foi relatada pelos meios de comunicação social da antiga Ilha Formosa. O estudante, com o apelido Wong, ficou numa situação considerada grave, mas manteve-se consciente depois do atropelamento, apesar de ter sofrido fracturas na zona abdominal e pélvica, lacerações perineais e múltiplas escoriações nos membros inferiores. Os bombeiros chegaram ao local para estancar a hemorragia, tratando depois do transporte para a urgência do hospital. Posteramente, o aluno com 20 anos foi encaminhado para as urgências, estando agora na unidade de cuidados intensivos. Após o sucedido, as investigações das autoridades de Taiwan concluíram que o acidente aconteceu por volta das 22h, quando o motorista atropelou Wong, que se encontrava a atravessar na passadeira. O aluno foi atingido pela roda dianteira esquerda. Só nessa altura o condutor se apercebeu do atropelamento. O motorista alegou que quando virou à esquerda, não viu ninguém. Depois de verificar a videovigilância, a polícia concluiu que o atropelamento aconteceu quando o estudante local se encontrava num ângulo morto, e por não ter sido cedida a passagem numa passadeira. O caso foi encaminhado ao Ministério Público, e o condutor está indiciado dos crimes de ofensa à integridade física por negligência. Limites para cumprir Em reacção ao acidente, a Universidade de Chang Gung afirmou que o limite de velocidade no campus é de 30 quilómetros por hora, e que no campus foram instalados radares de velocidade e lombas de redução de velocidade. Além disso, a instituição indicou que pediu às companhias de autocarros e a outros veículos que cumpram as regras impostas e que conduzam de forma defensiva, ao cederem a passagem nas passadeiras ou quando mudam de direcção. A universidade garantiu ainda que contactou imediatamente com a família do Wong, para explicar o sucedido, apresentar à família o plano de realojamento do estudante, quando tiver alta, para a continuar a recuperação, além de prestar medidas de apoio. A instituição afirmou ainda ter começado a tratar dos procedimentos para accionar o seguro. Por sua vez, a companhia de autocarros, a San Chung Bus, afirmou que pede sempre aos motoristas para cumprirem as regras de trânsito. A SanChung Bus revelou ainda que o motorista trabalha há mais de 12 anos na empresa que o seu desempenho foi sempre considerado “bom”. Apesar disso, enquanto prosseguem as investigações, o condutor foi suspenso. A empresa afirmou ainda ter pedido desculpas à família de Wong e à universidade, indicando que vai assumir o pagamento da indemnização pelo acidente, assim como as despesas médicas. Ao canal chinês da Rádio Macau, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) e a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indicaram ter comunicado com a família do Wong para acompanhar o caso.
Hoje Macau Manchete SociedadeAeroporto | Lucros caem um terço face a 2024 A CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau anunciou esta segunda-feira receitas totais de 1,35 mil milhões de patacas em 2025 e lucros de 229 milhões de patacas, o que representa menos um terço face aos lucros antes de impostos registados em 2024 A companhia responsável pelo aeroporto de Macau anunciou ontem uma receita total para 2025 de 1,35 mil milhões de patacas, uma diminuição de 8,7 por cento face ao ano anterior. O lucro antes de impostos da CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau fixou-se em 229 milhões de patacas, menos um terço que o reportado no ano anterior. A empresa sublinhou que irá manter uma “política de gestão financeira prudente”, com planos para reforçar o “controlo de custos e a eficiência operacional” de modo a assegurar o desenvolvimento sustentável das operações do Aeroporto Internacional de Macau em 2026. Em 2025, os accionistas subscreveram um aumento de capital de 530 milhões de patacas, destinado a financiar o projecto de expansão e aterro do Aeroporto Internacional de Macau. A expansão do aeroporto, que envolve um investimento de 3,99 mil milhões de patacas, arrancou em 2024 e prevê aumentar a capacidade para 13 milhões de passageiros por ano até 2030. Tráfego em queda Em 2024, a CAM já tinha anunciado um aumento do capital da empresa, no valor de 850 milhões de patacas para ajudar a financiar a expansão. O Governo de Macau detém 67,6 por cento da concessionária do aeroporto, seguido pela companhia de jogo e turismo Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) com 28,32 por cento, sendo o restante dividido por investidores do interior da China, Hong Kong e locais. O aeroporto registou em 2025 um tráfego de 7,52 milhões de passageiros e 58 mil movimentos de aeronaves, correspondendo a quedas de 1,6 e 2,9 por cento, respectivamente. O volume de carga atingiu 109 mil toneladas, um acréscimo de 1,1 por cento relativamente a 2024. Para os próximos anos, a concessionária anunciou que continuará a atrair novas companhias aéreas para lançar rotas internacionais e a incentivar as existentes a aumentar frequências para destinos já operados. O aeroporto anunciou em Fevereiro que prevê um aumento de 8 por cento dos passageiros e de 10 por cento das aterragens e descolagens este ano, quando se prepara para lançar novas rotas para a China continental, Filipinas e Vietname. Actualmente, o aeroporto opera principalmente rotas para o Sudeste Asiático, Ásia Oriental e China Continental, com voos para múltiplas cidades no Interior da China, outros para Taipé, Xangai, Banguecoque, Seul, Manila, Hanói e Kuala Lumpur. Entre os projectos em curso, destacam-se a expansão e reparação da pista, a construção de um terminal de carga na vizinha Hengqin – que deverá atingir a fase de cobertura no terceiro trimestre e concluir a estrutura até ao final do ano – e a implementação de serviços multimodais para reforçar a conectividade regional. Está igualmente prevista a expansão do serviço “Check’n Fly”, que permitirá aos passageiros efetuar o check-in e a entrega de bagagem diretamente a partir do hotel, e a abertura de novos espaços de restauração na área restrita do terminal.
João Santos Filipe Manchete PolíticaEléctricos | Pedida melhorias na rede de carregamentos O deputado ligado à comunidade de Jiangmen, Lee Koi Ian, pede medidas que facilitem a instalação de postos de carregamento nos edifícios e evitem o estacionamento de veículos a combustão nos locais de carregamento de veículos eléctricos O deputado Lee Koi Ian defende a necessidade de aumentar a área dos lugares de estacionamento nos bairros antigos, para permitir a instalação de mais postos de carregamento para veículos eléctricos. O assunto foi apresentado pelo legislador ligado à comunidade de Jiangmen, através de uma interpelação escrita. No texto do documento, Lee considera que a promoção da protecção ambiental e das “deslocações ecológicas” contribuem para “concretizar o objectivo nacional da ‘dupla meta de carbono’ e construir uma cidade verde e de baixo carbono”. Lee Koi Ian cita ainda os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) para indicar que no ano passado entre os 11.117 veículos com novas matrículas, 4.204 eram eléctricos (37,8 por cento do total), o que representa um aumento de 6,4 pontos percentuais em relação ao ano de 2024. No entanto, o legislador alerta que a rede de carregamentos precisa de ser melhorada: “devido às limitações de espaço e de instalações eléctricas, alguns parques de estacionamento ainda não dispõem de instalações de carregamento suficientes, o que origina conflitos entre a oferta e a procura de veículos eléctricos por parte dos residentes”, aponta. Lee destaca igualmente que este é um problema muito sentido nos bairros mais antigos, pelo que pretende saber se vão ser implementadas alterações. “A largura dos lugares de estacionamento nos bairros antigos de Macau é insuficiente, o que causa não só incómodos à vida dos residentes no estacionamento dos seus veículos nos referidos lugares, mas também limita a disposição e a eficiência das instalações de carregamento de veículos eléctricos”, indica, “As autoridades vão proceder a um novo planeamento e ajustamento da largura dos lugares de estacionamento nos bairros antigos, que reúnam condições para tal, com vista a dar resposta às necessidades quotidianas dos residentes em relação ao estacionamento e ao carregamento dos seus veículos eléctricos?”, questiona. Problemas nos edifícios Lee Koi Ian alerta ainda para o facto de que em muitos casos os edifícios encontram dificuldades para instalarem as próprias redes de carregamentos por falta de conhecimentos técnicos e legais. O legislador pede uma resposta para estas questões: “A instalação de equipamentos de carregamento de veículos eléctricos em edifícios habitacionais privados enfrenta dificuldades cuja resolução depende essencialmente da definição clara das respectivas instruções práticas, da divisão clara das competências e responsabilidades, do domínio exacto das respectivas normas de regulamentação por parte das comissões de proprietários de edifícios e da Administração de edifícios”, apontou. “Com vista a garantir a segurança no carregamento, as autoridades vão elaborar instruções práticas pormenorizadas que abranjam todo o processo de instalação?”, pergunta. Na interpelação, o deputado pede ainda soluções para o problema da ocupação excessiva dos lugares de carregamento eléctrico, muito além das necessidades, assim como o estacionamento nestes lugares por parte de veículos a combustão.
João Santos Filipe Manchete PolíticaJuventude | Sam Hou Fai pede mais ambição e determinação O Chefe do Executivo prometeu que o futuro de Macau vai ter “oportunidades sem precedentes”, e pediu “ambições elevadas e ideais” aos jovens, mas tendo em mente “os assuntos de importância nacional e do povo” O Chefe do Executivo pediu à Federação de Juventude de Macau que tenha “ambições elevadas e ideais”, mas sempre com “os assuntos de importância nacional e do povo” em mente. As declarações de Sam Hou Fai foram proferidas pelo líder do Governo, durante a cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos dirigentes da associação, que passa a ter a deputada Wont Kit Cheng como presidente. De acordo com o conteúdo do discurso divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social, o líder do Executivo começou por indicar que “o crescimento e o progresso da juventude exigem (…) determinação própria e esforços persistentes”. Depois, pediu ambição: “É necessário cultivar ambições elevadas e ideais, acompanhem o pulso da conjuntura e possuam grandes aspirações, que tenham sempre em mente os assuntos de importância nacional e do povo, e que liguem estreitamente os desígnios pessoais ao desenvolvimento nacional e à prosperidade de Macau”, apelou. Ainda entre as esperanças deixadas para a juventude, Sam Hou Fai pediu mais dinâmica para esta nova era de Macau. “É essencial agir com pragmatismo e diligência, com firmeza e constância, deixando esperança que se dediquem ao estudo, sem recear as dificuldades e enfrentem os desafios com a ousadia, e através de esforços continuados e de medidas concretas, transformem ideais em realidade, e demonstrem com vigor e optimismo o carácter dinâmico da juventude de Macau na nova era”, apontou. Sempre a crescer Por último, o Chefe do Executivo prometeu que a RAEM vai ter “oportunidades de desenvolvimento sem precedentes em múltiplas áreas”, pelo que considerou “imperioso” que os jovens sejam “audazes na inovação” e assumam “responsabilidades com coragem”. “Por isso, espera-se que os jovens ousem explorar e experimentar, assumindo o papel de pioneiros, abrindo caminho a avanços com mentalidade renovada, acolhendo as transformações que se anunciam, com sentido de responsabilidade e injectando na sociedade uma vitalidade inesgotável, ampliando, por conseguinte, as possibilidades para o nosso tempo”, atirou. A Federação de Juventude de Macau vai ter como nova presidente Wong Kit Cheng, que tem 44 anos, completa 45 em Outubro, e é deputada desde 2013. Foi sempre eleita pela lista apoiada pela Associação das Mulheres, onde actualmente é vice-presidente. Wong integra também o Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Além disso, é uma das vice-presidentes da Federação da Juventude da China, associação para os jovens liderada pela Liga da Juventude Comunista da China.
Hoje Macau Grande Plano MancheteIdentidade de Género | Residentes relatam existência de exclusão e barreiras Reportagem de Catarina Domingues, da agência Lusa O facto de a identidade de género não estar legislada cria obstáculos a quem não se identifica com o género de nascimento. Quatro residentes partilharam as suas experiências Quatro pessoas transgénero em Macau, onde a identidade de género não está legislada, narram um trajecto de exclusão, com barreiras no acesso a cuidados médicos, emprego e ensino, em que a nacionalidade portuguesa pode ser “uma espécie de afirmação”. A-wai só se sente bem em casa. Precisou de semanas para aceder a dar esta entrevista e pede que, depois de publicada, os áudios sejam apagados. Não quer fotos, certifica-se ainda, nem referência ao nome de baptismo que, por enquanto, se conserva gravado no documento de identidade. Tem transtorno de ansiedade social, diz. A primeira pergunta que faz ao chegar ao lugar marcado é se parece uma mulher. Mais tarde, vai querer saber também se tem uma voz feminina. Nasceu nos anos 80, mas só recentemente avançou para a redesignação sexual, um desejo que retardou pela família. “Nem todos iam para a universidade em 2005, era uma honra para mim e para a minha família fazê-lo, então desisti de mim, tentei viver como os outros desejavam”, conta à Lusa. Sem a possibilidade de avançar, num primeiro momento, com a terapia de reposição hormonal (HRT) em Macau – um dos passos iniciais da transição – começou por tomar hormonas ilegalmente na Tailândia. Prática comum entre a comunidade trans local, incluindo menores, que recorrem ao mercado negro. “Preocupa e não queremos que o façam”, reage Kelvin Lei, membro da Associação GDC (Gender-Diverse Community). “Tivemos conhecimento, finalmente, que um ou dois médicos em Macau prescrevem HRT (…). Tem de se estabelecer um mecanismo médico formal para que se possa receber tratamento”, diz. Para a cirurgia de redesignação sexual, A-wai voltou à Tailândia. Na aparência, materializou-se a mudança. No papel não. Em Macau não existe uma lei de identidade de género e não é permitido mudar o sexo nos documentos oficiais. Muro de silêncio A-wai escreveu ao Governo e ao parlamento. Silêncio. A ansiedade acabou por comprometer os cuidados do pós-operatório, a vagina começou a atrofiar. “A minha prioridade é o bilhete de identidade”, diz a jovem desempregada. À Lusa, a Direcção dos Serviços de Identificação disse ter recebido até finais de Janeiro oito pedidos escritos para a alteração do sexo no documento de identificação, todos “indeferidos, conforme a lei”. “Uma vez que ainda não existe um consenso geral na sociedade, o Governo (…) não tem planos para alterar o regime jurídico vigente”, lê-se na resposta. A rejeição tem outros rostos: da família, A-wai não recebeu apoio, em entrevistas de emprego foi várias vezes rejeitada e no hospital encaminhada para a ala masculina. O escrutínio é permanente e A-wai admite que pensou no suicídio. “Um dia, um assistente social perguntou-me: por que não é bom ser homem? Não é bom para encontrar emprego?” Vitórias simbólicas Bryson (nome fictício), homem trans de 20 anos, tem o amparo da família, mas o futuro adiado. Abandonou a universidade depois da instituição de ensino – onde no primeiro ano é obrigatório viver no campus – não ter permitido que ficasse no dormitório masculino. “A solução proposta não me respeitava”, diz. Nas mais antigas lembranças, Bryson já sinalizava a angústia de ser menina. Relata um percurso de rejeição – como quando um médico perguntou se tinha sido assediado sexualmente por “pensar desta forma” -, mas marcado por momentos de esperança – foi-lhe permitido usar na escola o uniforme de desporto em vez do feminino. Com 15 anos, foi encaminhado pela psicóloga escolar, a quem confidenciou que se tentara matar, para um psiquiatra no hospital, onde começou a tomar medicação para “controlar as emoções”. “O médico recusou-se a escrever disforia de género nos ficheiros.” Também Bryson tomou HRT ainda menor e sem supervisão clínica, até começar a ser acompanhado por um médico em Hong Kong e depois Macau. No caso do jovem, que realizou uma mastectomia em Xangai, existe a possibilidade de adquirir passaporte português, através do pai, e ver, por fim, um M num documento. “Significa que há um lugar que aceita a minha situação e um documento que atesta que sou um homem”, nota. Mas o entusiasmo é moderado. Uma vitória simbólica, com pouca funcionalidade no dia-a-dia. “Situações residuais” A Lusa perguntou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal quantos naturais de Macau alteraram o sexo no cartão de cidadão, mas “a rede consular portuguesa não dispõe de dados desagregados sobre os pedidos” em postos consulares. “Estas situações serão ainda muito residuais”, indicou o MNE. Jonathan Lai, homem trans, 26 anos, tem passaporte português. Foi com este documento que se casou nos Estados Unidos com o marido, também de Macau, algo que poderia ter acontecido no território chinês. Apesar de estar proibido o casamento homossexual, no bilhete de identidade de Macau ainda é mulher. Com 23 anos, Jonathan fez uma mastectomia na Tailândia e com 24 removeu os órgãos femininos em Taiwan, onde deverá realizar este ano uma faloplastia (construção de um pénis). Também aqui, o início desta história se repete: depressão, tentativa de suicídio, primeiro contacto com HRT ilegal: “Uma injecção custava 91 yuan [11 euros] na China”. A Lusa questionou os Serviços de Saúde de Macau sobre se estão a par desta realidade, mas não obteve resposta. Na “suspeita de que um doente possa manifestar disforia de género, é iniciado um processo de avaliação clínica e é fornecido tratamento sintomático”. Caso a “avaliação indique a necessidade de tratamento especializado, o doente será encaminhado para um especialista”, foi a resposta. Nos casos “que envolvam questões multidisciplinares ou condições mais complexas”, o hospital público “avaliará a eficácia do tratamento sob múltiplas perspectivas, ajustando os planos de tratamento conforme necessário”, completaram os serviços. No meio de nós “O residente comum de Macau tem de saber que há pessoas trans entre os humanos e que não somos monstros”. As palavras são de Clio, mulher trans, quase nos 40. Veste-se de mulher – “a minha identidade” – para a entrevista, mas não o faz quando trabalha. Chama-se “técnica de sobrevivência”, diz. Um dia, vestida de mulher, cruzou-se na rua com familiares, que agiram como se não se conhecessem. Nunca falaram sobre isso. “Se disser abertamente que sou trans, isso vai afectar a vida deles. Vão sentir-se envergonhados ou perder a face”, nota a fundadora do grupo Comunidade de Apoio Mútuo Transgénero de Macau (numa tradução livre), que também pede para ocultar a identidade. A Clio foi diagnosticada disforia de género pelo hospital público. “Algum tempo depois, voltei ao médico e pedi HRT e ele, com relutância, prescreveu”, conta. “Quantas mais pessoas forem diagnosticadas, mais atenção é dada ao tema.” Também para esta mulher há uma janela que em breve se abre. Vai esta semana tratar do cartão de cidadão português. “É uma espécie de afirmação, uma prova”, explica.
João Santos Filipe Manchete SociedadeCrime | Psicoterapeuta detido por suspeitas de assédio e abuso sexual As alegadas vítimas do profissional de saúde mental, são uma paciente, que durante vários anos se manteve em silêncio por temer que a informação emocional partilhada nas consultas fosse utilizada contra si, e ainda quatro estagiárias, orientadas pelo detido Um psicoterapeuta, com 47 anos, foi detido, por suspeitas de assédio e abusos sexuais, com as vítimas a serem uma paciente e quatro estagiárias. O caso foi divulgado pela Polícia Judiciária (PJ), na sexta-feira, e envolve um residente local. O homem trabalhava numa clínica de terapia há mais de 10 anos e todas as vítimas são residentes locais. No caso das estagiárias, os crimes foram alegadamente cometidos no último ano. O detido, além de psicoterapeuta, era o supervisor dos estágios das vítimas. No caso da paciente, de acordo com o relato da PJ, os alegados crimes terão começado em 2021, quando a vítima procurou ajuda para ultrapassar problemas emocionais. Com a desculpa de que pretendia aliviar o stress da vítima, o psicoterapeuta começou por aplicar uma massagem corporal à paciente, em que colocou as mãos dentro da roupa interior ao nível do peito e na cintura. Apesar do incidente, a vítima não apresentou queixa imediatamente, e afirmou temer que a informação pessoal e emocional recolhida pelo detido fosse utilizada contra si. No entanto, como com o passar dos anos nunca conseguiu ultrapassar a raiva do sucedido, e acabou mesmo por apresentar queixa criminal. Em relação às estagiárias, o orientador é acusado de lhes tocar repetidamente na cintura, ancas e braços, como a desculpa de que as estava a orientar. As estagiárias não apresentaram queixa imediatamente, por temerem represálias ao nível da avaliação. Contudo, depois de comentarem entre si o sucedido, decidiram em conjunto apresentar uma queixa criminal. Instituição protegida Durante a conferência de imprensa, a PJ recusou libertar qualquer tipo de informação relacionada com a clínica, segundo o jornal Ou Mun, utilizando como desculpa o segredo de justiça. A PJ recusou também divulgar se a instituição onde o psicoterapeuta exercia a profissão era pública ou privada, o que foi justificado com o facto de a investigação ainda estar em curso. O homem foi detido no local de trabalho e está indiciado dos crimes de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência, que tem uma pena mínima de um ano e máxima de 10 anos, e de importunação sexual, que prevê uma pena que pode chegar a um ano de prisão. O caso foi encaminhado para o Ministério Público. Associação expressa “raiva” A Associação Geral das Mulheres de Macau afirmou sentir “raiva”, depois do caso ter sido divulgado pelas autoridades. Em comunicado, a associação, através da vice-administradora executiva Chu Oi Lei sublinhou que as vítimas sentiram medo de sofrer retaliações, no momento de apresentarem queixa criminal. Por isso, Chu apelou às vítimas deste tipo de crimes que confiem na capacidade da polícia e não se deixem intimidar, para evitar que os infractores façam mais vítimas. A responsável defendeu também que o Governo se deve coordenar com a população para criar um mecanismo de apoio para dar aconselhamento psicológico e assistência às vítimas destes crimes.
Hoje Macau Manchete SociedadeNatalidade | Novo recorde negativo atingido em 2025 No ano passado, registaram-se 0,47 nascimentos por cada mulher com idades compreendidas entre 15 e 49 anos, menos 0,11 do que em 2024. O valor necessário para a substituição de gerações é de 2,1. De acordo com os dados da DSEC, a taxa de fecundidade está a cair há 11 anos consecutivos A taxa de fecundidade em Macau voltou a cair em 2025, para um novo mínimo histórico, foi anunciado na sexta-feira, depois da região ter registado em 2024 a taxa mais baixa do mundo. De acordo com dados oficiais divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), Macau terminou o ano passado com 0,47 nascimentos por cada mulher com idades entre 15 e 49 anos, menos 0,11 do que em 2024. A fecundidade no território tem vindo a cair há 11 anos seguidos, para o valor mais baixo desde que a DSEC começou a calcular esta taxa, em 2001, e muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1). Além da queda da fecundidade, um indicador importante para prever a evolução da população, Macau também registou no ano passado 2.871 recém-nascidos, o menor número de nascimentos em quase 50 anos. De acordo com estimativas do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, a região terá tido em 2024 a mais baixa taxa de fecundidade do mundo, seguida de Singapura, com 0,95 nascimentos por mulher. As autoridades de Macau introduziram medidas para incentivar a natalidade, incluindo, em 2025, um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para crianças até aos três anos. Sem efeito O líder do Governo, Sam Hou Fai, aumentou também o subsídio de nascimento, de 5.418 patacas para 6.500 patacas, e o subsídio de casamento, de 2.122 patacas para 2.220 patacas. O Executivo prometeu ainda oferecer gratuitamente mais e melhores creches e lançou uma consulta pública, que terminou em 16 de Março, sobre o aumento no sector privado da licença de maternidade, de 70 para 90 dias. Com menos nascimentos, os idosos de Macau, com 65 ou mais anos – cerca de 105.200 em 2025 – representavam 15,3 por cento da população, mais 0,7 pontos percentuais do que no ano anterior. A população da cidade atingiu 688.900 pessoas no final de 2025, um aumento ligeiro de 0,1 por cento face ao ano anterior, sendo que 80.300 eram jovens até aos 14 anos (11,7 por cento). A população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em 2023, com o Governo de Macau a prever uma “superbaixa taxa de natalidade” ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041.
Hoje Macau Manchete PolíticaComunidades | Anunciadas reuniões quinzenais com a diáspora O Conselho Regional da Ásia e Oceânia (CRAO) promete realizar reuniões a cada 15 dias com a comunidade para “ligar os luso-descendentes da diáspora”. Os moldes dos encontros ainda não foram revelados O Conselho Regional da Ásia e Oceânia (CRAO) do Conselho das Comunidades Portuguesas vai passar a realizar “reuniões quinzenais” com a comunidade e desenvolver “uma ferramenta digital” para “ligar os luso-descendentes da diáspora”, foi anunciado em Macau. O CRAO, que concluiu a primeira reunião presencial do ano, anunciou ainda a eleição de Sara Fernandes, conselheira eleita pelo Círculo da Austrália, para a presidência do conselho regional para o período 2026-2027, mandato que iniciará em 8 de Outubro próximo. O conselho não explicou como vai efectivar as reuniões quinzenais nos vários círculos regionais, nomeadamente China, Austrália e Timor-Leste, remetendo novas informações para “um comunicado”, cuja data de divulgação também não foi anunciada. Em declarações aos jornalistas no final da reunião de dois dias em Macau, o presidente do CRAO, Rui Marcelo, sublinhou o reconhecimento pelo conselho da “diversidade e riqueza” das comunidades regionais, “desde Macau, Hong Kong e China continental, até a Austrália e Timor-Leste”. “Assumimos como missão garantir que as suas vozes sejam ouvidas junto das entidades consulares e das instituições da República”, afirmou. Instado, porém, a explicar se, no âmbito da visita prevista do chefe do Executivo do Governo de Macau, Sam Hou Fai, a Portugal, Espanha e Bruxelas em Abril, o CRAO tinha feito chegar ao Executivo português alguma preocupação da diáspora portuguesa ou dos luso-descendentes em Macau, nomeadamente sobre a questão das restrições de residência impostas aos portugueses desde 2023, Rui Marcelo declinou responder, sob o argumento de que estas questões “são canalizadas” através dos consulados e embaixadas ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. “A comunidade fez-nos chegar essas preocupações, é algo que está no âmbito do diálogo que tem havido e que está sob a responsabilidade do senhor cônsul-geral de Portugal em Macau e é ele o interlocutor para estas questões”, disse. “Nós, enquanto conselheiros, poderemos dar algumas sugestões, poderemos veicular algumas preocupações, mas relativamente a essa questão não nos podemos sobrepor”, acrescentou. “Somos um órgão consultivo e, como tal, actuamos neste sentido”, disse ainda Rui Marcelo. Problemas identificados Um relatório produzido pela Comissão dos Negócios Estrangeiros do Parlamento português, após uma visita a Macau, Hong Kong e Timor-Leste no final de 2025 e divulgado em Janeiro último, deu conta das dificuldades levantadas pelas alterações – desde 2023 – do regime de atribuição do Bilhete de Identidade de Residente (BIR) pela Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), criando obstáculos acrescidos ao recrutamento de trabalhadores portugueses. O relatório assinalou ainda atrasos significativos nos processos de atribuição da nacionalidade portuguesa em Macau e na emissão de passaportes pelo Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) local, com casos que podem demorar entre um e cinco anos. A substituição de magistrados, professores e médicos que regressam a Portugal foi igualmente identificada pela comissão parlamentar como um problema com impacto directo na comunidade portuguesa em Macau. Estas questões deverão ser objecto de análise pela sétima reunião da Comissão Mista Portugal-Macau, a primeira desde 2019, antes da pandemia de covid-19, prevista para Abril em Lisboa.
Hoje Macau Manchete PolíticaCombustíveis | Governo pede estabilização dos preços após aumentos O Governo apelou ao sector petrolífero do território que estabilize os preços dos combustíveis, na sequência de aumentos entre os 7,3 e 9,2 por cento, motivados em parte por tensões geopolíticas no Médio Oriente. Em comunicado emitido na noite de quinta-feira, o Grupo de Trabalho para a Fiscalização dos Combustíveis da cidade informou ter realizado uma reunião com representantes do sector em que explicaram que os preços do petróleo bruto a nível internacional têm “registado grandes flutuações” e que “o preço de venda a retalho dos combustíveis em Macau tem sido ajustado em consequência do aumento dos preços internacionais”. De acordo com o mais recente relatório do Conselho de Consumidores sobre os preços dos combustíveis publicado na quinta-feira, é indicado que a gasolina premium numa estação de serviço Esso registou um aumento de 7,3 por cento, sendo agora vendida a 19 patacas por litro, contra 17,7 patacas na actualização anterior. Numa gasolineira da Shell, o preço subiu 9,2 por cento, para 18,94 patacas por litro, face às 17,34 patacas anteriores. As autoridades sublinharam na reunião a expectativa de que o sector continue a assumir a sua responsabilidade social, colaborando para estabilizar os preços dos produtos petrolíferos, de forma a aliviar os encargos dos cidadãos, e ofereça diversos tipos de benefícios aos consumidores. Entretanto, o sector petrolífero afirmou que os stocks e o abastecimento de combustíveis em Macau estão estáveis e “garantem um abastecimento suficiente.
João Santos Filipe Manchete PolíticaConsumo | Anunciada nova ronda do Grande Prémio O novo programa anunciado pelo Governo prevê a distribuição de 400 milhões de patacas, em cupões com valores que podem chegar até às 200 patacas. O sorteio dos cupões é realizado entre sexta-feira e domingo, e os descontos podem ser utilizados entre segunda e quinta-feira O Governo anunciou o lançamento de uma nova ronda do Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias, que tem como principal novidade o facto de os cupões para gastar no comércio local passarem a ser atribuídos aos fim-de-semana e serem utilizados durante os dias úteis. O anúncio foi feito na sexta-feira, em conferência de imprensa, e a iniciativa tem como objectivo “dinamizar o ambiente de consumo nas zonas comunitárias” e ao mesmo tempo estimular “a confiança no mercado”. A nova ronda do programa de consumo vai decorrer entre 10 de Abril e 18 de Junho, ao longo de 10 semanas, e vai distribuir um total de 400 milhões de patacas em cupões de consumo. Segundo Cheang Hio Man, directora substituta da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) as regras foram ajustadas para incentivar “os residentes a permanecer e consumir em Macau durante os fins-de-semana para obter benefícios”. O Governo tenta assim evitar as deslocações da população para o Interior, onde os serviços oferecem preços mais baratos. Cheang Hio Man explicou que com o novo modelo espera-se que “os benefícios cheguem a um maior número de diferentes PME” para reforçar “o efeito impulsionador global, o que contribui para estimular ainda mais o ambiente de consumo local, bem como promover a circulação económica interna local”. Sorteios ao fim-de-semana Segundo o modelo apresentado, quando, entre sexta-feira e domingo, os consumidores utilizam meio de pagamento electrónicos para pagamentos superior a 50 patacas ficam habilitados a três sorteios imediatos de atribuição de vales de consumo com descontos. No entanto, as carteiras virtuais nas aplicações electrónicas de pagamentos têm de estar registadas com o nome real. No caso de receberem cupões com os três sorteios, os consumidores vão poder utilizar os descontos entre segunda-feira e quinta-feira. Além desta alteração, os titulares do Cartão de Registo de Avaliação da Deficiência passam a obter o desconto imediato adicional, no valor de 500 patacas, através do Cartão Macau Pass para Deficientes. Com esta alteração deixam de precisar de levantar o Cartão de Cuidados Sociais. Os cupões têm valores de 10 patacas, 20 patacas, 50 patacas, 100 patacas e 200 patacas e podem ser utilizados em mais de 20 mil lojas. Para utilizarem os cupões, os residentes têm de fazer compras com um valor igual ou superior ao triplo do valor nominal do cupão, ou seja, se quiserem gastar um cupão de 10 patacas têm de fazer compras de pelo menos 30 patacas. Todos os cupões de desconto expiram à meia-noite da 6.ª feira imediatamente a seguir da semana da obtenção.
João Santos Filipe Manchete SociedadeAMCM | Central de Depósito e Liquidação com prejuízo de 8,97 milhões A empresa da AMCM, tida como uma aposta para diversificar a economia na área financeira, acumulou novos prejuízos. Exceptuando o ano da fundação, em 2021, os resultados têm sido sempre negativos e cada vez se agravam mais A Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários de Macau (MCSD, na sigla em inglês), terminou o ano passado com um prejuízo de 8,97 milhões de patacas, o quarto ano consecutivo com perdas. A empresa é controlada a 100 por cento pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), e foi criada em 2021 para diversificar a economia na área das finanças, tendo como funções a exploração das infra-estruturas financeiras, de serviços de registo central, compensação, liquidação e de depósito de valores mobiliários. Além de continuar a acumular prejuízos, a empresa tem visto o valor dos prejuízos crescerem de forma contínua. Em 2024, a empresa apresentou perdas de 7,18 milhões de patacas, que cresceram para 8,97 milhões de patacas, um aumento de 25,97 por cento. No relatório de actividades, a MCSD justificou as despesas totais de 13,60 milhões de patacas “com o grande investimento necessário durante as fases iniciais do desenvolvimento do negócio” e “a necessidade de fazer investimentos com o pessoal e nos sistemas” da empresa. Apesar das perdas maiores, as receitas da empresa mostraram melhorias. Os contratos com clientes valeram à MCSD 3,95 milhões de patacas, quando no ano anterior o valor tinha ficado nos 2,92 milhões de patacas. A actividade que gerou maiores receitas, foi a que diz respeito aos serviços de custódia, ou seja, de guarda, administração de activos financeiros, como acções, títulos ou fundos, que geraram 3,62 milhões de patacas. No ano anterior, as receitas tinham sido de 2,78 milhões de patacas. Os serviços de registo registaram receitas de 292 mil patacas e de liquidação de 36 mil patacas. Ao mesmo tempo, os juros do capital da empresa geraram 563 mil patacas, uma redução face ao milhão gerado no ano anterior. Maiores despesas Ao mesmo tempo, as despesas cresceram para um novo recorde de 13,60 milhões de patacas, quando no ano anterior tinham ficado nos 11,21 milhões de patacas. O principal gasto da empresa da AMCM, prende-se com o pessoal, com a despesa a atingir 5,31 milhões de patacas. No ano anterior, tinha sido de 4,93 milhões de patacas. Os salários contribuíram em 2025 para 4,82 milhões do total dessas despesas. No final de 2025, a empresa registava um total de 18 trabalhadores, incluindo dois que integram a autoridade monetária e 16 contratados a tempo inteiro. Os segundos maiores gastos relacionaram-se com os serviços de telecomunicação e correio, ao totalizarem 3,22 milhões de patacas, um valor que apresentou uma ligeira redução no espaço de um ano.