João Santos Filipe Manchete SociedadeJogo | Fitch avalia novas obrigações da SJM como especulativas A agência de notação financeira acredita que o grupo tem um longo caminho para percorrer para reduzir o endividamento. Um dos problemas identificado é a incerteza sobre os resultados do Grand Lisboa Palace e a falta de atracção a nível do mercado de massas A agência de notação financeira Fitch avaliou como especulativos os novos títulos não subordinados que vão ser emitidos em Janeiro pela SJM. Este é um tipo de dívida pago de forma prioritária face a outros tipos e o anúncio da emissão foi feito na segunda-feira, embora os pormenores só devam ser conhecidos nos próximos dias. De acordo com o relatório da Fitch, citado pelo portal GGR Asia, a nota “BB-” para os novos títulos de dívida foi justificada com “as perspectivas negativas que recaem sobre o próprio grupo”. O nível “BB-” da escala de avaliações significa que os títulos são encarados como especulativos e que existem riscos “elevados” de incumprimento. Os factores com impacto negativo na avaliação do grupo, elencados pelos analistas Samuel Hui, Rebecca Tang e Tyran Kam, apontam para a redução dos lucros da empresa nos próximos anos. A Fitch explica que 2025 vai confirmar um crescimento dos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização da SJM Holdings, tal como aconteceu em 2024, mas em 2027 espera-se uma redução desses lucros, que deverão ficar abaixo da performance de 2024. No relatório, a agência observa igualmente que a SJM está a fazer um caminho positivo para reduzir os níveis de endividamento. Contudo, não deixa de se mostrar preocupada com os impactos dos resultados do Grand Lisboa Palace, no Cotai, e o encerramento de vários casinos-satélite. Dias de incerteza Sobre o desenvolvimento do Grand Lisboa Palace, é referido que o casino sofre do problema de estar afastado do centro do Cotai. No entanto, os analistas apontam que a empresa tem feito todos os esforços para aumentar a atractividade do espaço em termos do mercado de massas, o que tem passado por tentar melhorar a ligação com o resto da cidade. Em relação aos casinos-satélite, a aquisição pela SJM do L’Arc Macau, que vai passar a explorar directamente, é tida como positiva e uma forma de tentar “reter metade da quota de mercado dos casinos-satélite encerrados”, utilizando para este efeito as mesas de jogo que ficaram livres com os outros satélites que fecharam as portas. A Fitch entende também que o L’Arc Macau tem a vantagem de estar virado para o segmento de clientes que frequentava os casinos encerrados.
Hoje Macau Manchete SociedadePonte HZM | Mais de 100 milhões de travessias desde abertura A Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau registou mais de 100 milhões de travessias de passageiros desde a inauguração, em Outubro de 2018. Metade do fluxo transfronteiriço foi registado em apenas 20 meses dos mais de sete anos desde a inauguração da ponte Desde a abertura ao trânsito da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau (Ponte HZM), no final de Outubro de 2018, foram registadas mais de 100 milhões de travessias de passageiros. Com o fim da pandemia de covid-19 e a maior abertura da estrutura a automóveis privados, o volume de tráfego acelerou de forma dramática, sublinhou o responsável da Estação de Inspecção Fronteiriça do posto da ponte. “Demorou mais de cinco anos para o tráfego de passageiros no posto fronteiriço ultrapassar os primeiros 50 milhões de viagens, enquanto os segundos 50 milhões foram alcançados em apenas um ano e oito meses”, afirmou Chen Faqiu. Inaugurada em 2018, a ponte tem uma extensão total de cerca de 55 quilómetros, que inclui um túnel submarino de quase sete quilómetros entre duas ilhas artificiais, construído para facilitar a navegação no delta do Rio das Pérolas. Os residentes de Hong Kong e Macau representam 58,7 por cento do volume total de passageiros, com mais de 58,7 milhões de travessias registadas. Apenas em 2025, foram efectuadas cerca de 18 milhões de viagens por residentes a deslocarem-se de e para o Interior da China, quase três vezes mais do que em 2019. O tráfego de veículos também disparou. Mais de 8,4 milhões de viaturas registadas em Hong Kong e Macau com autorização de circulação transfronteiriça foram inspeccionadas. “Conduzir até à China continental através da ponte tornou-se parte do dia-a-dia dos residentes de Hong Kong e Macau”, noticiou a Xinhua. Por outro lado, a ponte já processou um total acumulado de 39,4 milhões de viagens de cidadãos do Interior da China com destino a Macau e Hong Kong. Mais de 12,6 milhões dessas viagens ocorreram em 2025, estabelecendo um recorde histórico. Questão de perspectiva A construção da ponte arrancou em 2009, mas foi afectada por atrasos, a morte de mais de 20 trabalhadores e derrapagens orçamentais. O custo final da infra-estrutura está estimado em 16,4 mil milhões de dólares, mais 25 por cento do que o inicialmente previsto. Em Junho, o Corpo de Polícia de Segurança Pública anunciou que os turistas de 82 países, incluindo Portugal, Brasil e Cabo Verde, poderão entrar na região através da ponte, sem precisar de sair do veículo. O objectivo é “promover o intercâmbio cultural internacional e ajudar Macau a tornar-se uma plataforma aberta ao exterior (…) e uma janela importante para o intercâmbio entre as civilizações chinesa e ocidental”, disse a polícia. No final de Abril, o então secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, anunciou planos para acelerar o controlo fronteiriço de visitantes estrangeiros, sem estatuto de residente ou autorização de trabalho, através da utilização de canais electrónicos automáticos. Passados sete anos e pouco mais de dois meses, a maior ponte do mundo ultrapassou 100 milhões de passageiros. Em 25 anos de funcionamento da travessia ferroviária na Ponte 25 de Abril, sem contar o tráfego automóvel, foram transportados mais de 498 milhões de passageiros, o que dá uma média de mais de 139 milhões a cada sete anos. Lusa /JL
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaEstudo indica que habitação pública é suficiente para cinco anos Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, assegurou ontem que a habitação pública construída, quer social, quer económica, é suficiente para as necessidades populacionais dos próximos cinco anos. É o que aponta um dos dois estudos sobre habitação encomendados pelo Governo. “Os resultados do estudo indicam que o número de fracções de habitação social e económica em Macau será suficiente para satisfazer as necessidades nos próximos cinco anos”, declarou Raymond Tam. Já em relação à habitação intermédia, pensada para a classe média, “não se prevê uma procura acentuada”, disse o governante, tendo em conta os resultados do estudo. O secretário falou ainda dos resultados de um segundo estudo sobre a possibilidade de permuta na habitação económica, algo que “tem elevado grau de aceitação na sociedade”. “Com base nos resultados do estudo, o Governo da RAEM vai efectuar uma avaliação científica das condições de permuta, do mecanismo de fixação de preços e restrições à sua implementação”, além de “elaborar um plano de implementação de modo a salvaguardar a distribuição equitativa dos recursos públicos”. A deputada Ella Lei lembrou que persistem “muitas limitações para pedir uma habitação económica e as exigências são muito elevadas”. “Na zona dos novos aterros há cada vez mais habitação económica e temos de ter um plano. Além da possibilidade de permuta, temos de saber se existe um mecanismo permanente para os pedidos de habitação económica, ou se um agregado familiar pode, ou não, pedir mais uma habitação”, inquiriu. Já o deputado Nick Lei lembrou, no debate, que apesar de a habitação pública ser suficiente para daqui a cinco anos, “preocupa” o tempo de atribuição das casas. “Mais de metade dos que estão agora em lista de espera candidata-se a um T1, demorando cerca de um ano a ter uma fracção. Se mudarmos para outras tipologias pode demorar até três anos. Podemos reduzir esse tempo de espera?”, questionou. Lado comercial Outros dados avançados pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, prendem-se com a residência para idosos. “Atendendo à tendência de envelhecimento demográfico, o Governo encontra-se a explorar o funcionamento da Residência segundo um modelo de exploração comercial, o que constitui uma abordagem inovadora para a promoção da chamada ‘indústria prateada’ e servindo de referência ao desenvolvimento de serviços destinados à terceira idade”, disse. Esta “indústria prateada” destina-se à terceira idade e implica uma série de serviços, foi explicado. No debate, um responsável do Governo disse que “vão ser avaliados os preços do mercado a fim de ser definida uma renda para as fracções dos idosos”, além de que alguns dos idosos que vivem na Residência recebem apoios dos familiares, disse. O secretário adiantou ainda que o Instituto de Acção Social “encontra-se a proceder à revisão, compilação e análise dos dados relativos à utilização e ao funcionamento da Residência”, sendo que no final do ano passado foi realizado um inquérito. Estudo indica que habitação pública é suficiente para cinco anos Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, assegurou ontem que a habitação pública construída, quer social, quer económica, é suficiente para as necessidades populacionais dos próximos cinco anos. É o que aponta um dos dois estudos sobre habitação encomendados pelo Governo. “Os resultados do estudo indicam que o número de fracções de habitação social e económica em Macau será suficiente para satisfazer as necessidades nos próximos cinco anos”, declarou Raymond Tam. Já em relação à habitação intermédia, pensada para a classe média, “não se prevê uma procura acentuada”, disse o governante, tendo em conta os resultados do estudo. O secretário falou ainda dos resultados de um segundo estudo sobre a possibilidade de permuta na habitação económica, algo que “tem elevado grau de aceitação na sociedade”. “Com base nos resultados do estudo, o Governo da RAEM vai efectuar uma avaliação científica das condições de permuta, do mecanismo de fixação de preços e restrições à sua implementação”, além de “elaborar um plano de implementação de modo a salvaguardar a distribuição equitativa dos recursos públicos”. A deputada Ella Lei lembrou que persistem “muitas limitações para pedir uma habitação económica e as exigências são muito elevadas”. “Na zona dos novos aterros há cada vez mais habitação económica e temos de ter um plano. Além da possibilidade de permuta, temos de saber se existe um mecanismo permanente para os pedidos de habitação económica, ou se um agregado familiar pode, ou não, pedir mais uma habitação”, inquiriu. Já o deputado Nick Lei lembrou, no debate, que apesar de a habitação pública ser suficiente para daqui a cinco anos, “preocupa” o tempo de atribuição das casas. “Mais de metade dos que estão agora em lista de espera candidata-se a um T1, demorando cerca de um ano a ter uma fracção. Se mudarmos para outras tipologias pode demorar até três anos. Podemos reduzir esse tempo de espera?”, questionou. Lado comercial Outros dados avançados pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, prendem-se com a residência para idosos. “Atendendo à tendência de envelhecimento demográfico, o Governo encontra-se a explorar o funcionamento da Residência segundo um modelo de exploração comercial, o que constitui uma abordagem inovadora para a promoção da chamada ‘indústria prateada’ e servindo de referência ao desenvolvimento de serviços destinados à terceira idade”, disse. Esta “indústria prateada” destina-se à terceira idade e implica uma série de serviços, foi explicado. No debate, um responsável do Governo disse que “vão ser avaliados os preços do mercado a fim de ser definida uma renda para as fracções dos idosos”, além de que alguns dos idosos que vivem na Residência recebem apoios dos familiares, disse. O secretário adiantou ainda que o Instituto de Acção Social “encontra-se a proceder à revisão, compilação e análise dos dados relativos à utilização e ao funcionamento da Residência”, sendo que no final do ano passado foi realizado um inquérito.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaColoane | Governo promete resolver falhas no abastecimento eléctrico O deputado Leong Sun Iok denunciou as alegadas falhas no abastecimento de electricidade em algumas zonas rurais de Coloane, referindo que a potência contratada não é suficiente. O Governo fala em 26 mil famílias com uma potência de 3.400 KV, que considera suficiente, e promete resolver questões legislativas relativas à propriedade Há casas na vila de Coloane com baixa potência de electricidade, onde ligar dois electrodomésticos ao mesmo tempo pode fazer disparar o quadro da luz. A denúncia partiu do deputado Leong Sun Iok numa interpelação oral apresentada ontem na Assembleia Legislativa (AL). “Tenho recebido queixas dos moradores de bairros antigos das Ilhas, especialmente dos que residem em casas rurais, dizendo que a actual capacidade eléctrica não consegue satisfazer as necessidades dos dias de hoje”, disse. Ainda segundo Leong Sun Iok, os residentes dizem que “a maior parte dos contadores eléctricos foi instalada no século passado e a potência é baixa para os electrodomésticos utilizados na sociedade actual”. Na resposta ao deputado, o secretário Raymond Tam, com a tutela dos Transportes e Obras Públicas, começou por dizer que “actualmente encontra-se assegurado o abastecimento em todo o território”, embora Leong Sun Iok tenha feito um contraponto, dizendo que “há uma grande discrepância no abastecimento de electricidade”. O deputado pediu mesmo a Raymond Tam para se deslocar a estas povoações com a sua equipa. “Queria que fosse verificar, in loco, com os funcionários dos serviços da sua tutela para ver essa discrepância.” Raymond Tam citou dados fornecidos pela CEM – Companhia de Electricidade de Macau, sobre a existência de cerca de 26 mil famílias nestas casas. De frisar que muitas delas têm a propriedade registada em antigos papéis de seda, o que traz problemas de legalização, não permitindo, por vezes, mudar os contratos de luz e água. “Os serviços competentes têm acompanhado a situação das zonas antigas das ilhas, incluindo onde existem obras ilegais. Trata-se de problemas históricos. Há barracas construídas com betão e cimento e, em princípio, já não existem barracas de madeira. Penso que a potência de 3.400 KV é suficiente”, explicou o secretário, referindo que os gastos de luz e necessidades variam de família para família. Problema legal Na sua interpelação oral, o deputado Leong Sun Iok lembrou que “devido a razões históricas, há proprietários de alguns prédios das Ilhas que não viram os seus pedidos aceites para o aumento da potência eléctrica”, pelo que “não conseguiram resolver o problema”. Raymond Tam assegurou que não vão ser permitidas legalizações de situações ilegais. “Temos uma atitude aberta em relação à revisão legislativa, mas temos primeiro de pensar como vamos prestar serviços a utentes que reúnam as condições. Merece a nossa atenção um pedido de aumento da potência, ou a instalação de um contador de luz e água, sem direito de propriedade? Será que as empresas devem permitir a instalação? Vamos analisar as circunstâncias em que os pedidos devem ser aprovados.” O secretário disse ainda esperar “que a sociedade compreenda a situação que o Governo enfrenta”. “Não podemos abrir precedentes a casos ilegais”, clarificou.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteSofia Ferreira da Silva, autora de um estudo sobre ópera nos anos de Mao: “Rota da Seda foi a maior influência” Em “Cantando a Revolução: O Papel das Cancões e da Ópera na Disseminação do Comunismo na China de Mao Zedong”, Sofia Ferreira da Silva analisa a forma como canções e ópera difundiram ideais políticos, deixando marcas no panorama cultural do país. A análise saiu da tese de doutoramento em Estudos Artísticos, defendida pela autora na Universidade Nova de Lisboa Como era o ambiente musical no país antes da chegada de Mao Zedong ao poder? A China era, e continua a ser, um território com uma enorme variedade de práticas a nível regional, local e étnico. Podemos falar em quatro tipos principais: uma música de carácter mais erudito, simbolizada pela música de corte (yayue) e pela música para guqin, mais centrada em ideais confucianos e com funções rituais e de auto-cultivo da moral individual; música folclórica, com géneros vocais e instrumentais variáveis conforme a região e a etnia; música religiosa taoísta, budista e de outras crenças; e ópera tradicional, como a Kunqu e as óperas de Pequim, de Sichuan e de Cantão, combinando canto, declamação, movimentos estilizados e artes marciais. A maior influência na música chinesa foi, porventura, a Rota da Seda, pois uma boa parte dos instrumentos musicais que agora são considerados “chineses”, como o erhu, a pipa, a suona e o sanxian, têm origem em instrumentos estrangeiros trazidos para território chinês, e que foram gradualmente adaptados e incorporados na sua música. Por outro lado, alguns géneros narrativos e operáticos evoluíram da adaptação e combinação de congéneres provenientes dos territórios atravessados por esta rota. Não fosse a Rota da Seda, e a música chinesa tradicional seria radicalmente diferente. Que outras influências existem? A outra grande influência é a da música ocidental. Esta, apesar de ter entrado no país nos séculos XVI e XVII, fez-se sentir com maior intensidade a partir de meados do século XIX e ao longo do século XX. A crescente presença e influência estrangeira levou à introdução sistemática da notação ocidental, da formação académica em moldes europeus e de géneros de música erudita e popular ocidentais, que viriam a ser assimilados de forma variável por compositores chineses, como Ma Sicong, Li Jinhui ou Xian Xinghai, combinando-as ou não com motivos da música tradicional. Fala, na tese, de duas grandes mudanças nos anos de Mao, com a criação dos chamados “espectáculos-modelo (yangbanxi)” e as óperas de Pequim revolucionárias. De que forma estes formatos ajudaram a reformular o cenário musical da época? Os espectáculos-modelo, nos quais se inserem as óperas de Pequim, e as canções revolucionárias, desempenharam um importante papel na reforma do panorama musical maoísta, implicando mudanças não apenas nos estilos musicais, mas também na função social da música. A produção passou a estar inteiramente subordinada ao projecto político do Partido Comunista Chinês (PCC), traduzindo-se na adesão obrigatória de artistas e associações artísticas designadas, e na supressão, através da crítica nos órgãos de comunicação social, de elementos ou géneros musicais considerados “feudais”, “burgueses” ou “supersticiosos”. Por oposição, e acompanhando sucessivos movimentos e campanhas políticas, foram sendo promovidos outros formatos, mais em linha com os ideais do regime. Como, em termos concretos? No caso das “yangbanxi”, da Revolução Cultural, o facto de serem apelidadas de “modelo” implicava que todas as novas criações deveriam seguir à risca os preceitos estéticos estabelecidos através destas, sobretudo as regras da “tarefa básica”, com a construção de figuras heroicas revolucionárias como fim último da criação artística. Havia ainda as “Três Proeminências”, com a atribuição de maior ou menor proeminência a determinada personagem consoante o seu grau de positividade ou negatividade, da sua função na trama. Estas regras orientavam não apenas a estrutura narrativa e o papel das personagens, mas também aspectos como a integração entre música e gestualidade, a construção de figurinos e cenários, e a harmonia entre elementos musicais tradicionais e ocidentais. Esta codificação visaria, nesta medida, garantir a uniformidade ideológica e estética essenciais à criação de uma cultura musical controlada, funcional e politicamente eficaz no quadro dos objectivos da revolução. Quais as principais mensagens políticas transmitidas através destes dois tipos de espectáculos? A primeira grande ideia é a lealdade quase religiosa a Mao Zedong e a observância incondicional das suas ideias. É o seu pensamento que inspira e guia as acções dos heróis e personagens heroicas, a segunda mais importante categoria de personagens nas óperas revolucionárias, e as conduz à conclusão bem-sucedida da missão que lhes seria imputada ou ao sacrifício heroico em prol da causa comunista. A segunda é a luta de classes como motor da história. Temos, por um lado, a classe opressora, capitalista, imperialista e feudal como vilã, e por outro o povo trabalhador, explorado e oprimido pela primeira, sofredor das maiores tormentas às suas mãos. Os conflitos e situações difíceis atravessadas pelos heróis ou outras personagens positivas, como a morte de familiares, a prisão ou escravidão, eram sempre a expressão directa dessa luta, e a sua resolução só adviria da postura revolucionária e da assunção de um papel activo na construção do socialismo. E a terceira ideia presente nos espectáculos? Trata-se do colectivismo, pois um verdadeiro revolucionário coloca os interesses do Partido e do Povo acima de qualquer sonho ou desejo individual. Por mais destacado que seja o seu papel, o herói precisa do apoio popular para a conclusão da sua missão: as suas aspirações são as aspirações do povo, e é na solidariedade entre todos que se superam as dificuldades e se alcança a tão desejada harmonia socialista. A realização pessoal só tem valor se estiver ao serviço da causa colectiva, e o sacrifício individual é glorificado quando contribui para o progresso comum. As óperas promovem, nesta medida, uma visão de mundo onde a identidade individual se dissolve na identidade do colectivo revolucionário, e onde a participação activa das massas é não só desejável, mas necessária. Estes foram anos do chamado maoísmo cultural, como refere na tese. Como se caracteriza? O maoísmo cultural apresenta pontos de contacto no que toca à subordinação da arte à política, à valorização do quotidiano das massas como matéria-prima da criação e à defesa da sua ampla popularização. Contudo, distingue-se pela ênfase na proletarização do próprio artista, que deveria abandonar a sua posição de intelectual afastado e tornar-se membro activo do povo trabalhador, aprendendo através da prática e inserindo-se nas suas lutas quotidianas. Quais as principais influências deste movimento? Além da matriz marxista-leninista, o maoísmo cultural ficaria marcado por influências confucianas, atribuindo à arte uma função ética e formativa, pois tal como em Confúcio, Mêncio ou Xunzi, a arte moldava o carácter. No entanto, no contexto maoista, esta moldagem era canalizada para a construção da consciência socialista e para a erradicação dos vestígios da mentalidade burguesa. Um dos princípios centrais desta política foi a “linha de massas”, uma espécie de dinâmica cultural circular em que as ideias e expressões populares eram recolhidas e sistematizadas pelo Partido, antes de serem devolvidas ao povo de forma mais clara e politicamente orientada. Outro aspecto a considerar é a valorização da herança cultural nativa e estrangeira, condensada na máxima “usar o passado para servir o presente, usar o estrangeiro para servir a China”. De que forma? Para a criação de novos trabalhos artísticos, Mao recomendava o estudo inicial de obras ocidentais, tidas como “científicas” e tecnicamente superiores, antes da incorporação selectiva de elementos da tradição chinesa. Em ambos os casos, o valor das formas artísticas residia na sua função social e política, não na sua preservação enquanto património. Neste contexto, o líder do PCC propôs dois critérios para a avaliação artística: o político, que exigia a promoção da unidade nacional e a rejeição de ideias contrárias ao Partido; e o artístico, que pressupunha rigor técnico e estético seguindo uma noção abstrata de “critérios científicos da arte” ao serviço das massas. Esta dupla exigência substituía, no maoísmo, a distinção confuciana entre qualidade moral e qualidade estética. Nestes anos, quais foram as grandes influências na composição de canções? A composição de canções foi grandemente influenciada por duas grandes tradições musicais: a nativa, com o emprego de melodias e motivos regionais e das várias minorias étnicas que compõem o território; e a ocidental, na qual incluo a tradição musical soviética, mais visível em marchas e nas chamadas “canções artísticas”, que poderão ser entendidas como uma espécie de ‘lieder’ revolucionários ou de conteúdo altamente politizado. A influência de cada uma delas era mais ou menos visível consoante a situação política do território. De que forma os anos do “maoísmo cultural” alteraram o panorama musical do país? Alguns aspectos da produção das óperas da Revolução Cultural, como a introdução da orquestra ocidental e o emprego de técnicas provenientes da música ocidental, a incorporação de cenários mais realistas e o carácter melodramático das histórias influenciaram e continuam a influenciar a produção de novas óperas de Pequim, sobretudo as de temáticas contemporâneas ou históricas referentes ao séc. XX. Ao longo dos últimos 30 anos, têm vindo também a ser produzidas óperas de temas históricos com alguns destes elementos, sobretudo ao nível da música e cenários, como “Cao Cao e Yang Xiu”. Também na interpretação de óperas tradicionais se observam alguns resquícios deste período, especialmente na apresentação de árias ou excertos em programas televisivos. Vejo inúmeras representações que combinam, assim como no repertório revolucionário, arranjos com orquestra ocidental e cenários realistas, com recurso extensivo a novas tecnologias. No entanto, aquele que considero ser o maior resquício das óperas revolucionárias será, talvez, uma maior audácia artística da parte dos criadores de novas óperas. É uma questão que merece maior aprofundamento por parte da academia, mas, das minhas observações enquanto espectadora, noto uma maior abertura à incorporação de elementos de outras artes, como a dança e o teatro, e uma maior complexidade nas personagens, especialmente aquelas consideradas negativas, menos antagónicas, com mais nuances no que toca às motivações para agirem de determinada forma. É óbvio que o sofrimento psicológico infligido por estas óperas em toda uma geração de chineses é inegável e não pode, em circunstância alguma, ser esquecido; no entanto, as óperas-modelo impulsionaram o ímpeto criativo de compositores e libretistas, em linha com o processo evolutivo, de fusão com outras artes, da Ópera de Pequim ao longo dos séculos.
Hoje Macau Manchete SociedadeMais uma cantora japonesa com concerto cancelado em Macau A cantora japonesa Mika Nakashima anunciou o cancelamento, “devido a circunstâncias incontornáveis”, de um concerto previsto para 14 de Março em Macau, numa altura em que se vivem tensões diplomáticas entre Pequim e Tóquio. Num comunicado publicado na página oficial de Nakashima na Internet, a artista sublinhou que está “em negociações para reagendar o concerto”, que estava marcado para o hotel-casino Londoner Macau, e agradece a compreensão dos fãs. O concerto em Macau seria o primeiro de uma digressão asiática da cantora e actriz de 42 anos, que continua a incluir passagens por Banguecoque, Taipé, Kuala Lumpur, Seul, Osaka e Tóquio. Em 12 de Dezembro, o Governo de Macau negou qualquer interferência no cancelamento de pelo menos três concertos com artistas japoneses marcados para a região e garantiu que se trataram apenas de decisões comerciais dos organizadores. “Acho que diferentes partes têm os seus factores de ponderação”, disse, numa conferência de imprensa, a presidente do Instituto Cultural, Deland Leong Wai Man. “É normal ter ajustamentos sobre concertos ou diferentes eventos. Situações de cancelamento por força maior, é algo corrente”, acrescentou. Porém, a vaga de cancelamentos tem afectado apenas eventos com artistas japoneses. Em 9 de Dezembro, o hotel-casino Venetian Macau – que pertence ao mesmo grupo do Londoner Macau – anunciou o cancelamento de um concerto da cantora de ‘pop’ japonesa Ayumi Hamasaki, em 10 de Janeiro. Isto após o espetáculo de Hamasaki em Xangai, em 29 de Novembro, ter sido cancelado. Um dia antes, tinha também sido cancelado um espectáculo de Natal, previsto para 25 de Dezembro no Studio City, que incluía a banda feminina Say My Name, que integra as japonesas Hitomi Honda e Terada Mei. No mesmo dia, foi cancelado um terceiro espectáculo, desta vez da banda Hi-Fi Un!corn, grupo que integra artistas japoneses, marcado para 21 de Dezembro num terceiro hotel-casino, Galaxy Macau. Pura coincidência Questionada pela Lusa sobre se havia indicações do Governo para a não realização de eventos culturais com artistas do Japão, Deland Leong Wai Man garantiu que “esta é uma questão do sector comercial, é uma decisão do organizador”. “Não tenho mais nada a acrescentar”, sublinhou a dirigente. Em 15 de Novembro, Macau seguiu o exemplo de Pequim e desaconselhou deslocações ao Japão, “dado que a partir de meados deste ano, a tendência de ocorrência de ataques no Japão contra cidadãos chineses tem vindo a aumentar”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeZona Norte | Elevado fluxo de turistas sem impacto nos negócios Apesar do elevado número de turistas que visitou Macau nos últimos dias, os efeitos na económica comunitária continuam a ser reduzidos. Alguns comerciantes queixam-se de um Natal pouco movimentado Apesar do elevado número de turistas que entrou no território nos feriados do Natal e Ano Novo, comerciantes da zona norte da península revelam que a actividade económica não apresentou melhorias. O relato foi traçado pelo jornal Ou Mun, na edição de ontem, e contrasta com as enchentes nas principais atracções turísticas. De acordo com o cenário traçado no Bairro do Iao Hon, alguns restaurantes que são actualmente mais populares nas redes sociais conseguiram mais clientes. No entanto, esta movimentação não contribuiu para melhorar a actividade económica naquela zona da cidade. Ao jornal Ou Mun, Chan, uma trabalhadora de uma loja de venda de roupa afirmou que as ruas continuaram desertas e que o Bairro do Iao Hon nunca foi um lugar popular para turistas. Chan indicou que a realização de eventos pelo Governo com base em desenhos animados e descontos de consumo tiveram um impacto reduzido, mas que mesmo assim não é sustentável. Assim que as iniciativas terminam, o número de turistas que vai àquela zona baixa imediatamente. A funcionária da loja de vestuário explicou ainda que é cada vez mais difícil para os negócios físicos competirem com a concorrência dos preços praticados no Interior da China ou das compras online. Chan revelou que a competição levou ao encerramento de várias lojas encerrassem, produzindo um efeito dominó, que contribuiu para a “desertificação” comercial do bairro. A mulher deixou assim o desejo que o Governo organize novas iniciativas no Iao Hon durante o novo ano e que continue a embelezar as ruas, para tornar o local mais atractivo. Efeitos limitados Também uma residente de apelido Leong, responsável por um restaurante no Iao Hon, reconheceu que o impacto dos visitantes é limitado. Em relação ao seu negócio, a residente afirmou que tem beneficiado do turismo. No início servia mais os clientes locais, mas as redes sociais vieram tornar o seu espaço muito popular entre visitantes do Interior da China, o que leva a que cada vez mais turistas visitem o restaurante para comer e tirar fotografias. Apesar do sucesso, Leong observou que o impacto dos turistas é limitado, porque as deslocações àquela zona são orientadas para restaurantes. Assim que acabam as refeições e tiram as fotografias, os turistas deixam a zona norte, sem se aventurarem pelo bairro ou visitarem outras lojas. A empresária reconheceu também que a maioria dos restaurantes na zona enfrenta dificuldades e que o volume de negócios durante o período do Natal foi extremamente reduzido. Sobre o futuro, Leong destacou a importância das medidas adoptadas pelo Governo para apoiar as pequenas e médias e empresas (PME). Contudo, reconheceu que as medidas são temporárias e que os comerciantes têm de lidar sozinhos com a queda do volume de negócios, dado que o cenário presente não deverá sofrer alterações.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeHabitação para troca | Prometido alargamento de políticas Raymond Tam revelou ontem que o Executivo está a estudar o alargamento da aplicação da habitação para troca e da habitação para alojamento temporário”, nos empreendimentos já construídos. Na primeira reunião do ano do Conselho para a Renovação Urbana, foi ainda prometida a reconstrução de mais edifícios antigos Na primeira reunião plenária de 2026 do Conselho para a Renovação Urbana (CRU), que decorreu ontem, o Governo prometeu alargar a aplicação das políticas de habitação para troca e alojamento temporário. Citado por um comunicado do CRU, Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, declarou que “será aprofundado o estudo sobre o alargamento do âmbito de aplicação da habitação para troca e da habitação para alojamento temporário, já concluídas”. O objectivo desta medida é “assegurar a utilização racional dos recursos existentes e a ponderar, com prudência, novas formas de promover a renovação urbana”, mas o governante não adiantou mais detalhes. Recorde-se que o primeiro projecto de habitação para troca foi concluído em Março do ano passado, tendo surgido no âmbito do processo do empreendimento Pearl Horizon. Tratou-se de uma concessão cujo prazo chegou ao fim sem que as obras tenham sido concluídas. No que diz respeito à renovação de prédios antigos no bairro do Iao Hon, o governante deixou a promessa de continuar a realizar a reconstrução dos chamados “Sete Conjuntos de Prédios do Bairro Iao Hon” antigos. Além disso, o secretário prometeu que em 2026 “será igualmente reforçada a reconstrução de edifícios individuais”, além de se promover o aumento “de instalações públicas nos bairros antigos”. Raymond Tam declarou também na reunião do CRU que “a renovação urbana constitui uma prioridade para o Governo, estando os trabalhos a ser desenvolvidos de forma estável”. Discutir e dinamizar A reunião desta segunda-feira serviu também para ouvir os três grupos especializados ligados a este organismo, que fizeram “o ponto da situação sobre o andamento dos seus trabalhos”. A reunião serviu ainda para discutir “o mecanismo de longo prazo referente à habitação para troca e à habitação para alojamento temporário”. Os membros do CRU discutiram a necessidade de “promoção pragmática da renovação urbana através da optimização administrativa”, bem como da importância da “dinamização dos bairros comunitários através do seu embelezamento, com vista à melhoria da qualidade de vida dos residentes”.
João Santos Filipe Manchete PolíticaHengqin | Deputado alerta para problemas de mobilidade e pede apoios Apesar da fronteira de Hengqin estar aberta 24 horas por dia, Leong Sun Iok alerta para a falta de transportes, principalmente durante a madrugada. O deputado pede também apoios públicos para os residentes que moram em Hengqin A circulação entre Macau e a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin é encarada por Leong Sun Iok com preocupação. O assunto faz parte de uma interpelação escrita divulgada ontem pelo deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau. Na perspectiva do legislador, o facto de terem passado dois anos desde que os primeiros residentes de Macau passaram a habitar na Zona de Cooperação devia ter servido para melhorar vários aspectos de circulação de pessoas e bens. No entanto, tal não aconteceu: “Estou muito preocupado com as questões práticas enfrentadas pelos residentes de Macau que vivem em Hengqin no que diz respeito às viagens transfronteiriças, à eficiência dos procedimentos aduaneiros e à convergência dos serviços públicos”, apontou. A primeira preocupação de Leong Sun Iok prende-se com a falta de transportes para a fronteira, um problema que afecta principalmente quem trabalha por turnos. “Com o primeiro autocarro a partir às 06h30 e o último às 23h15, não é possível cobrir as necessidades daqueles que trabalham em turnos nocturnos ou que terminam o trabalho de madrugada”, afirmou. “Deve ser considerada a criação de percursos adicionais de autocarros nocturnos entre as áreas urbanas de Macau e a fronteira de Hengqin”, acrescentou. A nível dos autocarros, o deputado pede também ligações directas entre a fronteira e as principais áreas da Península de Macau, Taipa e Coloane, para “reduzir o tempo de deslocação dos residentes”. O deputado defende também que se estude a “viabilidade de prolongar ou ajustar os horários da primeira e última viagem de Metro Ligeiro” para a fronteira. Leong Sun Iok salienta também a existência de “congestionamentos e longas filas durante as horas de ponta” que afectam principalmente os “veículos com matrícula única”. O legislador propõe assim “a criação de canais específicos de passagem para residentes de Macau”. Mais dinheiro Além de sugerir melhorias de circulação, o membro da FAOM considera que é necessário aumentar os apoios financeiros para quem vivem na Ilha da Montanha e sugere o subsídio dos cuidados de saúde prestados aos residentes no outro lado da fronteira. “Para aliviar o custo de vida dos residentes no Novo Bairro de Macau, as autoridades irão estudar e avaliar activamente a extensão da cobertura das políticas de bem-estar existentes para os residentes de Macau, tais como subsídios para serviços públicos?”, questiona. Na visão do deputado, se Macau pagar os serviços prestados em Hengqin aos residentes da RAEM está a proporcionar “um apoio e incentivo para os residentes de Macau viverem na Zona de Cooperação entre Guangdong e Macau” e a promover “o desenvolvimento integrado de Hengqin e Macau”. O deputado pede ainda às autoridades que adiantem o calendário para a implementação de cuidados de saúde prestados por instituições de Macau no Novo Bairro de Macau em Hengqin. Segundo Leong Sun Iok, até Setembro do ano passado havia cerca de 30 mil residentes de Macau a viver na Zona de Cooperação.
João Santos Filipe Manchete PolíticaEconomia | Estudo nega que crise pandémica tenha gerado diversificação A pandemia reduziu temporariamente a supremacia do jogo na economia de Macau, mas não produziu alterações estruturais. Assim que as restrições fronteiriças foram levantadas, a indústria dos casinos voltou à posição dominante em termos económicos A crise motivada pela pandemia da covid-19 não foi uma oportunidade aproveitada para reduzir da importância do jogo no tecido económico de Macau. A conclusão faz parte do estudo com o título “Resiliência ou Miragem? Desconstrução da Recuperação Económica e o Atraso Estrutural do Mercado de Trabalho no Sector do Turismo de Macau” (Resilience or Mirage? Deconstructing de Economy Recovery and Labor Market Structural Lag in Macao’s Tourismo Sector) publicado por seis académicos da Universidade Politécnica de Macau, na revista Turismo e Hospitalidade (Tourism and Hospitality). Segundo os autores, apesar da redução do peso económico do jogo durante a pandemia, principalmente quando vigoravam medidas de restrição da circulação de turistas, a importância do principal sector da economia local acabou por se acentuar no pós-covid-19. A análise dos académicos tem por base a avaliação do Índice Herfindahl–Hirschman (HHI) que permite medir o peso de cada sector na totalidade da actividade económica. “Esta conclusão desafia a narrativa tradicional da avaliação da resiliência, que encara ‘a crise como uma oportunidade para a transformação estrutural’, revelando um padrão específico de resposta à crise — a ‘diversificação passiva’”, foi explicado. “Este fenómeno não resultou do crescimento endógeno de elementos não relacionados com o jogo, mas sim da paralisia estrutural das funções centrais do sistema causada pela estagnação do motor do turismo. Por outras palavras, o aumento da quota dos sectores não relacionados com o jogo foi apenas um resultado matemático passivo, e não um reflexo de competitividade substancial”, foi acrescentado. Os académicos apontam também que a ideia da redução da importância relativa do peso do jogo se deveu ao “efeito denominador”, ou seja, foi motivado apenas pela contracção do sector do jogo, que impulsionou o aparente peso de outros sectores no panorama global. Contudo, o crescimento de outros sectores não foi estrutural, e assim que o jogo recuperou, a importância das outras actividades económicas voltou a ser marginal. Efeitos divergentes No trabalho publicado a 2 de Janeiro, os académicos Cai Jingwen, Wang Chunning, Hu Haoqian, Ho Wai In, Chan Ka Ip e Yin Yifen observam igualmente o comportamento do mercado laboral relacionado com o turismo durante a pandemia. A análise resulta na identificação de duas tendências contrárias. Em relação às profissões mais específicas da indústria do jogo, como croupiers ou outros trabalhadores envolvidos nos sectores de luxo, houve uma retenção da força laboral, com 98 por cento dos trabalhadores a manterem o regime de trabalho a tempo inteiro. O fenómeno é considerado normal durante “choques temporários” na indústria, mas os autores apontam que prejudica os esforços de diversificação da economia e do plano 1+4, em que o jogo vai impulsionar o desenvolvimento de sectores como finanças, saúde, eventos desportivos e medicina tradicional chinesa. Em relação à mão-de-obra menos especializada, como trabalhadores da restauração, os investigadores identificaram um padrão de despedimentos e layoffs. Neste tipo de empregos, os académicos verificaram que o número de empregados a tempo inteiro diminuiu cinco por cento, com os salários também a decrescerem.
Hoje Macau Manchete SociedadeLandmark | As horas derradeiras do último casino-satélite Centenas de pessoas despediram-se na noite de 30 de Dezembro do Landmark, o último ‘casino-satélite’ de Macau a encerrar portas e um capítulo da história do jogo no território. Clientes e funcionários realçam o simbolismo do encerramento do antigo Pharaoh’s Palace Reportagem de Catarina Domingues, da agência Lusa Samuel Lei e o casino Landmark são retratos de uma era prestes a extinguir-se. Lei é imagem de uma geração que, no início do século, transitou do secundário para trabalhar como ‘croupier’ nos casinos de Macau que surgiram após a liberalização do jogo. Já o Landmark, então chamado de Pharaoh’s Palace, foi o primeiro ‘casino-satélite’ do território, um modelo de gestão adoptado por Stanley Ho Hung-sun (1921-2020) – que deteve até 2002 o monopólio do jogo -, para fazer frente à concorrência. O Landmark, sob a tutela da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), foi também o último a fechar portas, depois de a nova lei que regula o jogo, aprovada em 2022, estabelecer o último dia de 2025 como data limite para terminar a actividade destes ‘satélite’. O relógio marcava 22h na noite de 30 de Dezembro. Samuel, acompanhado de três antigos colegas, presta um último tributo ao lugar onde trabalhou entre 2003 e 2006, onde começou por ganhar 11 mil patacas. “Na altura, o salário médio em Macau eram cinco ou seis mil patacas e se te formasses na universidade ganhavas talvez oito mil. Era um atractivo para adolescentes”, conta à Lusa. Duas décadas depois, nota Samuel, a opção da mesa de jogo em detrimento do ingresso no ensino superior é menos saliente, com uma subida magra dos salários dos ‘croupiers’, que “rondam 18 mil patacas”. Samuel e os amigos encontram-se no terceiro andar do casino, onde em tempos funcionou a única sala do Pharaoh’s Palace. A encarar os quatro vultos, uma esfinge gigante, representação da pegada egípcia pensada pelo empresário local David Chow Kam Fai – “o primeiro casino temático de Macau”, lê-se na página do projecto. No bengaleiro, já nada resta. Sem mais malas ou casacos por velar, Yu, uma das mais de mil funcionárias do espaço, conta os minutos para “este momento importante”. “Quero ir lá para baixo, gostava de filmar”, nota a funcionária, que vai ser transferida para o casino Lisboa, propriedade da SJM. A empresa, que só em 2025 encerrou oito ‘casinos-satélite’, comprometeu-se a assegurar os empregos dos trabalhadores. Pelas 22h30, já só há actividade no rés-do-chão. Numa das alas, funcionários, de colete vermelho, contam fichas de uma mesa do jogo de dados ‘big and small’, que acabou de vagar. Mais de uma centena de pessoas inclinam-se sobre seis mesas de bacará, o jogo que mais dinheiro faz circular nos casinos locais. Aposta-se até ao último minuto. A civilização egípcia, estampada nas paredes deste salão, e funcionários da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos testemunham o momento. “Vim de propósito assistir ao encerramento”, diz Xiao Xiao, da província de Hubei, centro da China. “Tantas pessoas de Hubei que aqui estão”, complementa. Numa mesa oposta, Gaia, de Macau, joga pelo simbolismo. Tem na mão uma ficha no valor de 500 dólares de Hong Kong. “A minha mãe trabalha aqui há mais de 20 anos, é um momento muito especial”, diz. Até ao último suspiro Os ‘casinos-satélite’ apareceram em Macau no despontar do século como consequência da liberalização do jogo, embora fundados sobre um modelo existente durante a administração portuguesa: casinos de privados, mas geridos pela empresa de Stanley Ho. Segundo este modelo, conhecido como “4+4+2”, 40 por cento das receitas revertiam a favor do Governo, 40 por cento de Ho e 20 por cento dos proprietários, explica à Lusa o especialista de jogo Ben Lee. Com a liberalização do sector, nota Lee, evoluiu-se para um novo arranjo, mantendo-se os 40 por cento do Governo, “cerca de 4 a 5 por cento – pura taxa de franquia – para a SJM” e o restante para os proprietários, sendo-lhes conferida a totalidade da gestão. “A expansão dos ‘casinos-satélite’ foi também uma das estratégias de Stanley Ho para contrariar a entrada dos novos grandes casinos-resorts. O velho ditado: a quantidade tem a sua própria qualidade, e durante algum tempo foram muito eficazes”, analisa ainda o fundador da consultora de jogo IGamix. Após a transferência de Macau, nota o especialista, Ho “encontrou uma lacuna que permitiu a proliferação” destes casinos. “E o Governo, de alguma forma, aceitou isso como um ‘fait accompli’, sem realmente investigar a legalidade”, acrescentou. Lee, que chegou a administrar o ‘casino-satélite’ Diamond, no hotel Holiday Inn, recorda como Pequim foi apanhado “de surpresa” com a distribuição das licenças de jogo. Em 2002 foram celebrados contratos entre o Governo de Macau, a SJM, a Galaxy Casino e a Wynn Resorts Macau para a atribuição de três concessões. No fim desse ano, foi feita uma alteração ao contrato de concessão do Galaxy Casino, que permitia à Las Vegas Sands entrar no jogo, mediante subconcessão. A SJM e a Wynn vieram também a assinar contratos de subconcessão, com a MGM e a Melco Resorts, respectivamente. Há cerca de uma década, acrescenta Lee, “começou a dizer-se” que representantes de Pequim estavam em contacto com pessoas ligadas ao sector. “E as perguntas que faziam: Como é que três concessões se tornaram seis? E como acabaram três operadores norte-americanos a controlar 50 por cento das concessões e subconcessões, quando inicialmente só se falava num? E os casinos satélite surgiram sem aviso prévio. (…) E então, penso que a mensagem ficou muito clara: ‘limpar tudo’”, explica. Pelas 23h35 de 30 de Dezembro, é dada ordem para sair. Lá fora, mais de duas centenas de pessoas esperam pela contagem decrescente, até que, chegadas as 23h59, a cortina, ali colocada para cobrir o nome do casino, bloqueia e ameaça cair. Só dois homens empoleirados numa plataforma elevatória conseguem completar a derradeira tarefa. E o Egipto dá por fim o último suspiro em Macau.
Hoje Macau Manchete SociedadeJogo | Receitas dos casinos fecharam 2025 com subida de 9,1 por cento As receitas dos casinos de Macau ultrapassaram no ano passado 247,4 mil milhões de patacas, um aumento de 9,1 por cento em comparação com o ano anterior. Apesar do aumento anual de 14,8 por cento das receitas em Dezembro, a performance ficou aquém dos resultados de Novembro Os casinos de Macau amealharam mais de 247,4 mil milhões de patacas ao longo de 2025, um resultado que representa um aumento de 9,1 por cento face ao registo de 2024, segundo os dados oficiais divulgados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Apenas em Dezembro, o sector arrecadou 20,9 mil milhões de patacas, mais 14,8 por cento do que no mesmo mês de 2024. Ainda assim, o valor do mês passado representa um recuo de 0,95 por cento em comparação com Novembro. Recorde-se que as receitas dos casinos de Macau fecharam o ano passado com o valor mais elevado desde 2019 (292,5 mil milhões de patacas), antes do início da pandemia de covid-19. O valor ultrapassa o previsto tanto no orçamento inicial para 2025, ou seja, os 240 mil milhões de patacas, assim como no orçamento revisto para 2025, aprovado pela Assembleia Legislativa (AL) em Julho, que era de 228 mil milhões de patacas. O orçamento para 2026, aprovado na AL em 18 de Dezembro, prevê que as receitas atinjam 236 mil milhões de patacas, o que representaria uma queda de 4,61 por cento em comparação com o ano passado. Espinha dorsal O secretário para a Economia e Finanças, Anton Tai Kin Ip, defendeu a previsão como “bastante prudente” e recusou apontar uma meta para o crescimento da economia da região, que descreveu como altamente “vulnerável a flutuações”. O recorde de receitas dos casinos foi atingido em 2013 – 360,7 mil milhões de patacas – antes de as autoridades da China continental terem lançado uma campanha para limitar os fluxos ilegais de capitais. Ainda assim, a indústria dos casinos tem beneficiado de sucessivos recordes ao nível da entrada de turistas chineses no território. De acordo com dados oficiais, Macau recebeu quase 36,5 milhões de visitantes nos primeiros 11 meses de 2025, mais 14,4 por cento do que no mesmo período de 2024 e mais do que em todo o ano anterior. A indústria do jogo, o motor da economia da cidade, representava em 2019 51 por cento do Produto Interno Bruto de Macau e, apesar da crise durante a pandemia, dava no final Novembro trabalho a cerca de 69.100 pessoas, ou seja, 18,2 por cento da população empregada.
Hoje Macau Manchete SociedadeNascimentos | 2025 com registo mais fraco em quase meio século O director do Hospital Conde de São Januário revelou que Macau, que em 2024 já teve a mais baixa natalidade do mundo, registou em 2025 o menor número de nascimentos em quase 50 anos. No ano passado, nasceram no território menos 20,4 por cento dos bebés nascidos em 2024 De acordo com dados preliminares, Macau registou 2.871 recém-nascidos no ano passado, disse o director substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Tai Wa Hou, citado pelo canal em chinês da emissora pública TDM. Este número representa uma queda de 20,4 por cento em comparação com 2024, ano em que nasceram em Macau 3.607 bebés, e fica muito aquém das expectativas das autoridades locais. No final de Janeiro de 2025, o subdirector dos Serviços de Saúde, Kuok Cheong U, tinha previsto menos de 3.500 nascimentos durante esse ano, número que já seria o mais baixo desde 2004. Mas o número revelado por Tai Wa Hou faz com que 2025 tenha sido o ano menos fértil desde 1978, quando a cidade, então sob administração portuguesa, registou 2.407 recém-nascidos. No entanto, enquanto em 1978 Macau tinha menos de 249 mil habitantes, no final de Setembro de 2024 a região já registava uma população de quase 687 mil. O número de nascimentos caiu, assim, pelo sexto ano consecutivo e está cada vez mais longe do máximo histórico de 7.913 fixado em 1988, que foi um Ano Lunar do Dragão. Considerado um símbolo da realeza, fortuna e poder e única figura mítica entre os 12 signos do milenar zodíaco chinês, o Dragão tem um conjunto de características que tradicionalmente leva os casais a planear ter filhos durante esse período. Ainda pior Macau registou em 2024 apenas 0,58 nascimentos por mulher, muito longe do valor necessário para a substituição de gerações (2,1), a menor taxa de fecundidade de sempre na região e a mais baixa do mundo, de acordo com dados oficiais. Este valor é ainda mais baixo do que a estimativa feita num relatório divulgado em Julho pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA, na sigla em inglês): 0,68 nascimentos por mulher. Apesar de mais optimista, a estimativa da UNDESA já indicava que Macau teria tido em 2024 a mais baixa natalidade do mundo, a uma grande distância da segunda jurisdição na lista, Singapura, com 0,95 nascimentos por mulher. O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, admitiu ser necessário “criar condições em termos de educação e emprego” para subir a baixa natalidade, que apontou como um dos maiores desafios da cidade a longo prazo. No início de Julho, a Assembleia Legislativa aprovou uma revisão do orçamento para reforçar os apoios sociais, incluindo a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos três anos. Durante a campanha eleitoral, Sam Hou Fai prometeu ainda estudar a extensão da licença de maternidade, actualmente fixada em 70 dias, e a criação de um fundo de providência central obrigatório. Na quarta-feira passada, o Fundo de Segurança Social (FSS) defendeu que “sejam estabelecidas condições para iniciar a implementação, de forma gradual e ordenada” de um regime obrigatório. Um relatório, encomendado a uma instituição académica, concluiu que “as contribuições para o regime (…) não deverão causar demasiada pressão aos empregadores, e os trabalhadores podem obter uma melhor protecção na aposentação”.
João Luz Manchete PolíticaAno Novo | Promessas de mais segurança nacional e patriotismo Na mensagem de Ano Novo, o Chefe do Executivo apontou como prioridades para 2026 o reforço da segurança nacional e dos alicerces do patriotismo. Sam Hou Fai afirmou também que 2025 foi “um ano extraordinário para o desenvolvimento da RAEM” O Governo irá fortalecer ao longo de 2026 “a barreira de segurança nacional”, consolidar “os alicerces do patriotismo e do amor a Macau” e garantir “a harmonia e a estabilidade social geral”. Estes foram os primeiros pontos destacados na mensagem de Ano Novo do Chefe do Executivo, assim como o alinhamento com o 15.º Plano Quinquenal nacional, que começa a ser implementado este ano. Sam Hou Fai, numa mensagem divulgada pelo seu gabinete, mencionou também entre os objectivos a alcançar “corresponder às expectativas e à confiança depositadas pelo Presidente Xi e pelo Governo Central”, através de acções corajosas e decisivas para “abrir novos horizontes para o desenvolvimento de alta qualidade da grande causa de ‘um país, dois sistemas’”. O governante prometeu “manter e aperfeiçoar a estrutura com predominância do poder executivo”, aprofundar a reforma da administração pública e conjugar esforços para diversificar a economia e construir a zona de cooperação em Hengqin. Em relação às medidas locais, Sam Hou Fai prometeu “zelo e pragmatismo” no apoio aos jovens, em particular no acesso ao emprego, assim como aos idosos. Por outro lado, o Chefe do Executivo apontou ao reforço do sistema de prevenção e mitigação de catástrofes e das “capacidades de segurança urbana”. Grandes sucessos Sobre 2025, Sam Hou Fai sublinhou que foi “um ano extraordinário para o desenvolvimento da RAEM”. “Com a atenção carinhosa do Interior da China e o apoio inabalável das instituições e representações do Governo Central na RAEM, das associações patrióticas e dos cidadãos de Macau, unidos, implementámos de forma profunda os princípios orientadores dos importantes discursos do Senhor Presidente Xi Jinping”, continuou o Chefe do Executivo. Assim sendo, Sam Hou Fai destacou o papel de Macau na salvaguarda da “soberania, segurança e interesses de desenvolvimento do país”. No início da mensagem, o governante começou por elencar a “sequência de eventos relevantes, marcos significativos e ocasiões festivas para a pátria” que marcaram 2025, a começar pela parada militar realizada no dia 9 de Setembro. A viragem do 14.º para o 15.º Plano Quinquenal do Governo Central foi outro marco salientado pelo Chefe do Executivo. “Todos os cidadãos de Macau guardam no coração uma profunda sensação de orgulho e honra ao comtemplarem as notáveis conquistas que a nossa pátria tem alcançado”, acrescentou. As eleições legislativas, o juramento de lealdade à RAEM e à China de todos os trabalhadores dos serviços públicos e as actividades organizadas para marcar a vitória na guerra contra o Japão e dos Jogos Nacionais foram também destacados. Sam Hou Fai não deixou de fora da mensagem de Ano Novo o reforço que o seu Governo fez dos apoios sociais e a promoção do desenvolvimento “saudável e ordenado da indústria do jogo, encerrando casinos-satélites em conformidade com a lei”. O governante afirmou também que em 2026 o Executivo estará focado na “atenção nos idosos e nas crianças, aumentando o investimento em sectores relacionados com a qualidade de vida da população, como emprego, educação, saúde, segurança social, cuidados a idosos, cuidados infantis e habitação”.
João Santos Filipe Grande Plano MancheteMedalhas | Ho Iat Seng, Kou Hoi In e Raimundo do Rosário distinguidos A lista de premiados fica marcada pela atribuição de duas Medalhas de Honra do Grande Lótus, a maior distinção da RAEM, a Ho Iat Seng e Kou Hoi In. Todas as individualidades agraciadas desempenharam funções no Governo ou na Assembleia Legislativa O ex-Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, e o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Kou Hoi In, vão ser agraciados com a Medalha de Honra do Grande Lótus, a maior distinção da RAEM. A lista com as distinções do Executivo relativas a 2025 foi anunciada a 31 de Dezembro, através de um comunicado do Gabinete de Comunicação Social, e a cerimónia de entrega das distinções está agendada para 30 de Janeiro, no Centro Cultural de Macau. As principais distinções atribuídas por Sam Hou Fai foram para ex-governantes, com o macaense e ex-secretário para os Transportes e Obras Públicas Raimundo do Rosário a ser agraciado com a Medalha de Honra do Lótus de Ouro. Esta distinção será também atribuída a Ho Veng On, ex-Comissário de Auditoria, e Vong Man Chong, ex-director-geral dos Serviços de Alfândega. As medalhas de honra têm como objectivo distinguir indivíduos ou entidades que contribuíram para a imagem e o bom nome da RAEM. Após ter sido anunciada a lista das medalhas, Ho Iat Seng considerou o título “uma profunda honra”. O ex-líder do Governo afirmou ainda, através de um comunicado, que “mantém, desde sempre, um profundo carinho por Macau” e que ao longo dos anos se “dedicou” a “servir a nação e Macau”. O ex-Chefe do Executivo elogiou os resultados da sua governação e considerou que dependeram “não só da dedicação e do trabalho árduo da equipa da acção governativa e de todos os funcionários da Administração Pública, mas também do forte apoio, dos esforços conjuntos da comunidade e de todos os residentes”. “Esta honra é uma vitória colectiva, que demonstra o compromisso de toda a sociedade em impulsionar um desenvolvimento maior e melhor para a RAEM”, afirmou. No texto de atribuição da Medalha de Honra do Grande Lótus a Ho Iat Seng surge destacado o período em que o ex-governante teve de lidar com a pandemia da covid-19. “Durante o seu mandato como o quinto Chefe do Executivo, uniu o Governo da RAEM e todos os sectores sociais, ultrapassou com sucesso os desafios e dificuldades severos da pandemia Covid-19 e envidou todos os esforços para promover a recuperação económica e o desenvolvimento social pós-pandemia”, foi indicado. Além de Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, empresário de profissão, foi presidente da Assembleia Legislativa, membro do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional e membro do Conselho Executivo. Esta é a terceira vez que Ho Iat Seng vai ser agraciados, depois de em 2001 ter recebido a Medalha de Mérito Industrial e Comercial e em 2009 ter sido distinguido com a Medalha de Honra Lótus de Ouro. Mais um Lótus Outro empresário e ex-presidente da Assembleia Legislativa distinguido é Kou Hoi In, destacado pela actividade como membro da Assembleia Popular Nacional, o principal órgão legislativo da República Popular da China, e pelos mais de 34 anos como deputado da Assembleia Legislativa. “Nos trabalhos de legislação, supervisão da acção governativa e formulação de políticas públicas defendeu sempre os princípios de exercer funções em conformidade com a lei, de forma racional e pragmática, promoveu activamente o aperfeiçoamento dos regimes e a construção do Estado de Direito e empenhou-se na salvaguarda dos direitos e interesses dos residentes e na promoção da estabilidade social e do desenvolvimento a longo prazo”, foi considerado. “Durante o seu mandato como presidente da Assembleia Legislativa de Macau de 2019 a 2025, concentrou esforços na melhoria da eficiência do funcionamento parlamentar, na promoção da interacção positiva entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo, e deu contributos importantes para o reforço da construção do Estado de Direito, para a promoção da harmonia social e para a melhoria das políticas de bem-estar da população”, foi acrescentado. Após deixar o hemiciclo, Kou foi nomeado para exercer as funções de presidente do Conselho de Administração da TDM, é ainda vice-presidente do Conselho de Administração e gerente-geral da Companhia de Produtos e Produções Especiais da China e vice-presidente da Associação Comercial de Macau. No passado, o anterior presidente da AL tinha sido agraciado com em 2007 com a Medalha de Mérito Industrial e Comercial e em 2016 com a Medalha de Honra Lótus de Prata. Em português Raimundo do Rosário, secretário para Transportes e Obras Públicas, entre 2014 e 2024, é o único representante da comunidade macaense nas distinções de 2025, tendo em conta as individualidades e associações distinguidas. No texto sobre o ex-governante são indicados vários cargos assumidos em instituições públicas e privadas. “Ingressou na Função Pública em 1979 e trabalhou até 1990 sucessivamente como técnico superior, chefe de departamento, subdirector e director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes”, pode ler-se. No currículo consta também que foi membro da delegação portuguesa do Grupo de Terras Luso-Chinês, adjunto do Conselho de Administração da CAM-Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau e chefe da Delegação Económica e Comercial de Macau, em Lisboa tendo também a seu cargo as Delegações Económicas e Comerciais junto da União Europeia, em Bruxelas e da Organização Mundial do Comércio, em Genebra. Raimundo foi ainda membro da Comissão de Redacção da Lei Básica e da Comissão Preparatória para o Estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau, deputado e membro do Conselho Fiscal do Banco Comercial de Macau. Em termos das medalhas de honra, a Associação de Bancos de Macau vai ser agraciada com o Lótus de Prata, devido ao “papel fundamental na promoção da colaboração do sector e no desenvolvimento sólido da indústria”. Medalhas de Mérito No capítulo damedalha de mérito profissional este ano surge apenas uma distinção, para Chan Iok Lin, que desde 2000 integrou o Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância, tendo chegado a chefe, em 2016. “Demonstrou sempre uma atitude rigorosa e dedicada no exercício das suas funções, possuindo excelentes capacidades de liderança e organização, além de um elevado profissionalismo e espírito de entrega”, foi justificado. Na área industrial e comercial, as distinções foram para a empresa estatal Companhia de Logística Nam Kwong, do grupo Nam Kwong, pelos contributos para a diversificação da economia e para a empresária Amber Li Jiaming que é presidente do Grupo HN e membro do 14.º Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), vice-presidente da Comissão de Assuntos Externos da CCPPC e membro do Conselho para o Desenvolvimento Económico de Macau. A nível turístico, a única distinção foi atribuída à Equipa do Espectáculo House of Dancing Water, da Melco Resorts & Entertainment. O espectáculo foi suspenso durante a pandemia, mas regressou após o fim das restrições fronteiriças impostas durante os anos de combate à covid-19. Em termos da educação, foram distinguidas a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, Escola Keang Peng e Escola Kao Yip. Na cultura, as distinções foram para a Associação de Ópera Chinesa dos Moradores Marítimos e Terrestres da Barra de Macau, para o deputado Lam Fat Iam e o artista Chan Iu Pui, que desenha caricaturas para o jornal Ou Mun. Finalmente, vai ser atribuída uma Medalha de Mérito Altruístico à Equipa Internacional de Emergência Médica da China (RAEM) e medalhas de Mérito Desportivo para a Equipa de Karaté da RAEM que participou nos Jogos Nacionais. A atleta Zhu Yuling, que defendeu as cores do Interior até 2024, altura em que se mudou para Macau, também será agraciada. A atleta passou a representar a RAEM ao abrigo dos programas de promoção de quadros profissionais e conquistou o título individual feminino no WTT de United States Smash de Ténis de Mesa, a primeira atleta de Macau a conseguir tal feito. Actualmente, é professora na Universidade de Tianjin. Medalhados Medalhas de Honra Grande Lótus Ho Iat Seng Kou Hoi In Lótus de Ouro Raimundo Arrais do Rosário Ho Veng On Vong Man Chong Lótus de Prata Associação de Bancos de Macau Medalhas de Mérito Profissional Chan Iok Lin Medalha de Mérito Industrial e Comercial Companhia de Logística Nam Kwong, Limitada Li Amber Jiaming Medalha de Mérito Turístico Equipa do Espectáculo «House of Dancing Water» — Melco Resorts & Entertainment Medalha de Mérito Educativo Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau Escola Keang Peng Escola Kao Yip Medalha de Mérito Cultural Associação de Ópera Chinesa dos Moradores Marítimos e Terrestres da Barra de Macau Lam Fat Iam Chan Iu Pui Medalha de Mérito Altruístico Equipa Internacional de Emergência Médica da China (RAEM) Medalha de Mérito Desportivo Equipa de Karaté da Delegação Desportiva da RAEM à 15.ª Edição dos Jogos Nacionais Zhu Yuling Medalha de Dedicação Tai Kam Un Medalha de Serviços Comunitários Centro de Serviços de Tele-Assistência Peng On Tung de Macau Títulos Honoríficos Título Honorífico de Valor Equipa do Instituto Salesiano da Imaculada Conceição Equipa da Escola Secundária Pui Ching Equipa da Escola Secundária Lou Hau Equipa de Macau na Competição Asiática de Dança de Elite 2024-2025 Selecção feminina das escolas secundárias de Macau participantes no 2.º Campeonato Asiático de Basquetebol 3×3 para Escolas Secundárias Equipa de Macau participante na Taça Mundial de Bowling de 2025 Li In Iat
João Santos Filipe Manchete SociedadeJogo | Morgan Stanley menos optimista face a resultados da MGM China O banco de investimento prevê que o novo contrato da MGM China com a empresa-mãe, para a utilização da marca MGM, vai ter um impacto significativo nos resultados financeiros da concessionária de jogo A subida dos custos para a utilização da marca MGM pela concessionária do jogo MGM China levou o banco de investimento Morgan Stanley a reduzir as expectativas face aos resultados financeiros da empresa. Numa nota divulgada aos investidores, o banco de investimento espera agora que o resultados financeiros da concessionária se enquadrem na média do mercado, quando antes previa que superassem a média. A alteração das expectativas face à MGM China tem em conta o novo contrato de utilização da marca da empresa MGM. Segundo os detalhes divulgados antes do Natal, a MGM China vai passar a pagar 3,5 por cento das receitas líquidas mensais consolidadas, quando até agora pagava 1,75 por cento. Esta diferença significa que a MGM China vai pagar praticamente o dobro à MGM Resorts International, a empresa-mãe. Com base nesta alteração, a Morgan Stanley explica que os novos pagamentos devem custar cerca de 7 por cento dos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) por ano à concessionária. O acordo revelado recentemente tem a duração de 20 anos, dependente da renovação da concessão do jogo após 2030, e prevê para 2026 um pagamento máximo de 188,3 milhões de dólares americanos (1,5 mil milhões de patacas). No entanto, a empresa de serviços financeiros CBRE Equity Research acredita que o valor dos lucros da MGM China para o próximo ano deve resultar num pagamento de cerca de 166 milhões de dólares (1,3 mil milhões de patacas). Valores históricos O pagamento de cerca de 166 milhões de dólares para o próximo ano contrasta o que tem acontecido pelo menos desde 2023. Nesse ano, o primeiro sem restrições de circulação após a pandemia da covid-19, a MGM China pagou à MGM Resorts International cerca de 55,2 milhões de dólares. No ano seguinte, os pagamentos subiram para 70,9 milhões de dólares, o que reflecte a melhoria do desempenho financeiro da empresa. Os pagamentos do ano em curso ainda não são conhecidos, mas até ao final de Setembro totalizaram 56,5 milhões de dólares. Tendo em conta que este ritmo de lucros é mantido, apesar de o mercado ter apresentado uma expansão nos meses mais recentes, o pagamento para este ano deverá rondar 75,3 milhões de dólares americanos.
Hoje Macau Manchete SociedadeInvestigação | Criado prémio para estudos sobre relações sino-portuguesas O “Prémio Fundação Jorge Álvares-General Vasco Rocha Vieira-Amizade Portugal-China” irá atribuir 25 mil euros por ano e pretende reconhecer as instituições que promovam iniciativas para reforçar a aproximação entre as comunidades portuguesa, chinesa e macaense A Fundação Jorge Álvares lançou um prémio anual, no valor de 25 mil euros, para incentivar o estudo e a investigação das relações entre Portugal e China, através de Macau, lê-se na página da entidade. Com o “Prémio Fundação Jorge Álvares-General Vasco Rocha Vieira-Amizade Portugal-China”, pretende também reconhecer-se “instituições que promovam iniciativas relevantes no sentido de reforçar a aproximação entre as comunidades portuguesa, chinesa e macaense”, refere-se no portal da fundação. “Visa homenagear e contribuir para perpetuar a memória do último governador de Macau, fundador da Fundação Jorge Álvares, seu curador e primeiro presidente, falecido há cerca de um ano”, escreveu na segunda-feira, nas redes sociais, o actual curador, Tiago Vasconcelos. O prémio vai ser atribuído, de forma alternada, a instituições, em anos pares e a partir de 2026, e a trabalhos de investigação, em anos ímpares, sendo este lançado em 2027. No primeiro caso, o galardão está aberto a qualquer instituição, nacional ou estrangeira, recompensando “acções relevantes que desenvolvam ou aprofundem o relacionamento entre as comunidades portuguesa, chinesa e macaense”, nos domínios da cultura e línguas portuguesa, chinesa ou do patuá, da ciência, da educação, da filantropia, entre outros. Investigação aberta No que diz respeito aos trabalhos de investigação, o prémio “é aberto a qualquer pessoa sem restrição de ordem académica, nacionalidade ou outra”, e recompensa “a qualidade de estudos e trabalhos escritos num tema, a indicar para cada edição, no âmbito das relações entre Portugal e a China, particularmente através de Macau”. “Da assinatura da declaração conjunta à transferência da administração portuguesa de Macau” é, de acordo com o regulamento, o tema para a primeira edição do prémio na categoria de investigação. Vasco Joaquim Rocha Vieira nasceu em 16 de Agosto de 1939. Foi Chefe do Estado-Maior do Exército e, por inerência, membro do Conselho da Revolução entre 1976 e 1978. Desempenhou as funções de ministro da República dos Açores (1986-1991) e em 1991 foi nomeado para Governador de Macau pelo então Presidente da República português, Mário Soares. Foi o 138º e último governador português de Macau, cargo que ocupou até 1999, quando se processou a transferência do território para a China.
Hoje Macau Manchete SociedadeEnsino | Cerca de 97% dos alunos utiliza ferramentas de IA Cerca de 97 por cento dos estudantes do ensino secundário admitiram ter recorrido à Inteligência Artificial como ferramenta de auxílio nos estudos. A conclusão faz parte de um estudo elaborado pela Federação das Associações dos Operários de Macau, que comparou o desenvolvimento dos alunos do nível secundário local com os alunos da Grande Baía. Com base na opinião de 2 mil alunos, os resultados apresentados pelo deputado Lam Lon Wai indicam que 97 por cento dos alunos reconheceram utilizar inteligência artificial. Entre estes, mais de 50 por cento afirmou que a inteligência artificial contribuiu para que tivesse obtido melhores notas. Também metade dos inquiridos afirmou que a inteligência artificial pode gerar uma dependência excessiva e que pode afectar o desenvolvimento do raciocínio lógico e crítico. Face a estes resultados, a FAOM recomenda às escolas que personalizem as ferramentas de inteligência artificial, para aproveitar as vantagens e evitar os aspectos negativos. A associação também considera que é necessário mudar a mentalidade dos estabelecimentos de ensino, com a educação menos focada na obtenção de notas para entrar nas melhores universidades. Segundo a FAOM, a prioridade deve passar por ensinar os alunos a pensar e desenvolver capacidades para resolver problemas quotidianos.
João Santos Filipe Manchete PolíticaUM | Secção sul do campus em Hengqin vai custar 2,38 mil milhões As empresas Companhia de Construção e Investimento Predial Ming Shun e Jian Tai Construction, do grupo Huafa, foram as escolhidas para realizar os trabalhos que têm prazo de conclusão até Novembro de 2028 As obras de construção da Secção Sul do novo Campus da Universidade de Macau em Hengqin vão ter um custo de 2,38 mil milhões de patacas (2,086 mil milhões de renminbis), de acordo com o contrato de adjudicação. A informação foi partilhada pela empresa no Interior da instituição de ensino local, a Guangdong Hengqin UM Higher Education Development, através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e de Gestão dos Activos Pública (DSSGAP). A obra foi atribuída através de um concurso público e os trabalhos vão ficar a cargo do consórcio constituído pela empresa local Companhia de Construção e Investimento Predial Ming Shun e pela Jian Tai Construction, que tem sede e Zhuhai e faz parte do grupo estatal Huafa. Uma vez que o campus fica situado no Interior da China, o concurso foi realizado de acordo com a legislação chinesa e as propostas foram apresentadas em renminbis. O consórcio constituído pela Ming Shun e Jian Tai apresentou a terceira proposta mais barata das sete participantes no concurso. A adjudicação foi divulgada publicamente ontem, apesar de ter sido decidida a 11 de Novembro, estabelecendo que a construção de todos os edifícios tem de começar até amanhã. Além disso, o concurso exige que alguns lotes e edifícios têm de ficar prontos até Fevereiro de 2028, enquanto os restantes têm conclusão marcada até Novembro de 2028. Concurso participado O concurso público de atribuição da obra contou apenas com a participação de empresas estatais do Interior da China, algumas das maiores construtoras a nível mundial. Uma das participantes foi a China Railway Construction Corporation, que apresentou uma proposta com um valor de 2,71 mil milhões de patacas (2,38 mil milhões de renminbis), a mais cara de todas. O mesmo grupo foi duas vezes a jogo, através da subsidiária China Railway First, e neste caso apresentou a proposta mais barata no valor de 1,70 mil milhões de patacas (1,48 mil milhões de renminbis). O concurso contou também com o consórcio constituído pela China Overseas Construction Limited e China State Construction Engineering Corporation, que apresentaram uma proposta de 2,61 mil milhões de patacas (2,29 mil milhões de renminbis). A Zhejiang N.º 1 Construction Investment apresentou uma proposta de 2,53 mil milhões de patacas (2,22 mil milhões de renminbis), a Jiangsu Huajian, de 2,34 mil milhões de patacas (2,05 mil milhões de renminbis), enquanto o Grupo de Construção Urbana de Pequim pediu 2,00 milhões de patacas (1,75 mil milhões de renminbis).
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaMetro Ligeiro | Deputada questiona gestão e conexão com autocarros Wong Kit Cheng questionou o Governo sobre a integração dos meios de pagamento entre o Metro Ligeiro e os autocarros públicos. A deputada quer também saber quando será lançada a consulta pública sobre o desenvolvimento da rede do Metro Ligeiro O desenvolvimento do Metro Ligeiro é o tema de mais uma interpelação escrita da autoria de Wong Kit Cheng. No documento, a deputada questiona como será definido o planeamento deste meio de transporte sem esquecer a conexão com a rede de autocarros, cujos contratos de concessão terminam no final de 2026. “É importante proporcionar uma experiência de utilização conveniente [aos passageiros]. Tendo em conta que os contratos de autocarros expiram no final do próximo ano, será que o Governo já iniciou negociações sobre os contratos com as duas companhias de autocarros, de modo a integrar um sistema de benefícios?”, começa por inquirir a deputada. A pergunta surge no âmbito da promessa feita pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, quanto à instalação de novos terminais de pagamento nas estações do Metro Ligeiro que podem estar conectados aos autocarros, a fim de permitir diversas modalidades de pagamento. Mais concretamente, Wong Kit Cheng gostaria que os novos contratos de autocarros incluíssem a conexão dos meios de pagamento tendo em conta a instalação dos novos terminais. Para a deputada, “há ainda uma grande margem de melhoria” na distribuição de passageiros entre os dois meios de transporte público, destacando que houve um “crescimento significativo” de passageiros no Metro Ligeiro, estando ainda aquém “dos mais de 600 mil passageiros servidos diariamente pelos autocarros”. Assim, “para concretizar o objectivo do Metro Ligeiro como principal meio de transporte, e os autocarros como complemento”, Wong Kit Cheng considera que “as autoridades precisam de optimizar a experiência dos passageiros, em especial no que respeita à resolução de problemas de longa data, tal como os métodos de pagamento do Metro Ligeiro, uma maior articulação de transferências e a resolução de avarias, além de se melhorar a acessibilidade de linhas e estações”. Avaliações em curso Ainda no que respeita o futuro do Metro Ligeiro, Wong Kit Cheng pediu um “ponto de situação” da avaliação intercalar que o Executivo está a fazer em relação à execução do contrato de concessão. “Qual o ponto de situação desses trabalhos de avaliação? Já existem resultados preliminares ou recomendações de optimização, nomeadamente no que respeita à melhoria da qualidade e da estabilidade do serviço?”, inquiriu. A deputada pegou ainda noutra promessa feita no último debate sobre as Linhas de Acção Governativa pelo secretário Raymond Tam, quanto à realização de uma consulta pública sobre o estudo da estratégia de desenvolvimento do Metro Ligeiro. “Como será organizada essa consulta pública”, questiona.
Hoje Macau Manchete SociedadeInquérito | Larga maioria disposta a trabalhar em Hengqin Um estudo da Associação Chinesa para o Avanço da Juventude revela que 83 por cento dos inquiridos estão dispostos a trabalhar em Hengqin. Este documento, citado pelo portal Macao News, foi elaborado mediante um inquérito feito entre Setembro e Novembro, tendo sido recolhidos 1.052 questionários online feitos a residentes com idades entre os 18 e 45 anos. Ainda no âmbito laboral, o estudo mostra que mais de 86 por cento dos jovens de Macau mostrou interesse em abrir um negócio em Hengqin, e que mais de 52 por cento diz ter uma “atitude aberta” face à possibilidade de viver na Ilha da Montanha. Há, porém, diversos obstáculos referidos no estudo, nomeadamente a nível administrativo, com mais de 55 por cento dos entrevistados a referir que há uma grande lentidão nos processos administrativos para poderem trabalhar, viver ou abrir negócios em Hengqin. Foi ainda referido outro ponto quanto à residência, pois cerca de 67 por cento dos entrevistados disseram que um dos entraves à sua mudança para Hengqin prende-se com o tempo de residência do outro lado da fronteira não contar para a obtenção do estatuto de residente permanente da RAEM. Outro ponto menos favorável para a fixação de pessoas, referido pelos entrevistados, é o facto de existirem diferenças salariais e menos benefícios em Hengqin.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeJogo | Melco recebe autorização para operar três salas Mocha A Melco obteve autorização do Governo para operar três salas de jogo Mocha no Porto Interior, Hotel Golden Dragon e Hotel Sintra. Para assegurar o funcionamento dos espaços, a Melco terá de contratar uma entidade gestora O Governo concedeu autorização à operadora de jogo Melco para manter três salas de máquinas de jogo a funcionar. Tratam-se das salas de jogo Mocha Golden Dragon, Mocha Porto Interior e Mocha Hotel Sintra, sendo que, para a sua continuidade, a Melco terá de contratar uma sociedade gestora. A decisão surge no contexto do fim do período transitório de três anos, dados às concessionárias de jogo para assumirem a exploração dos casinos-satélite. O prazo termina amanhã. Segundo um comunicado da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), “a Melco irá contratar uma sociedade gestora para dar continuidade à exploração das salas de máquinas de jogo Mocha Golden Dragon, Mocha Porto Interior e Mocha Hotel Sintra, a partir de 1 de Janeiro de 2026, mantendo o vínculo laboral estabelecido entre a Melco e os trabalhadores das mesmas salas de máquinas de jogo”. Mudanças no hotel A DICJ referiu também que o encerramento do Mocha Hotel Royal, que cessou oficialmente operações às 23h59 de domingo, decorreu “em conformidade com os procedimentos previstos”. Esta sala de jogos de máquinas também estava afecta à Melco Resorts. De seguida, a DICJ, a quem coube a coordenação do encerramento, “procedeu, de imediato, à suspensão do funcionamento das máquinas de jogo, tendo assegurado a coordenação, com diversos serviços, e o acompanhamento do processo de retirada do respectivo recinto, entre outros”. Tendo em conta que houve trabalhadores envolvidos no processo, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais “enviou pessoal ao local para prestar esclarecimentos aos trabalhadores em causa, tendo-lhes sido fornecidas informações sobre uma linha aberta para consultas”. Na mesma nota, a DICJ explicita que vai continuar “a assegurar a coordenação estabelecida com as concessionárias de exploração de jogos de fortuna ou azar e os serviços competentes, promovendo em conjunto o desenvolvimento saudável e ordenado do sector do jogo de Macau”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeCotai | Um terço dos jovens não sabe que a zona de espectáculos existe Os resultados constam de um inquérito da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau, que apela ao reforço da promoção do espaço ao ar-livre no Cotai. Mais de metade dos inquiridos confessou não ter assistido a qualquer espectáculo em Macau no último ano Três em cada 10 inquiridos pela Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau desconhece a existência da zona de espectáculos ao ar-livre no Cotai. A conclusão foi apurada através de um inquérito sobre a indústria dos espectáculos enquanto uma das vertentes da diversificação da economia. As conclusões do inquérito foram apresentadas ontem de manhã, numa conferência de imprensa, e o estudo contou com um total de 789 respostas válidas dadas por inquiridos com idades entre os 18 e 44 anos. Quando questionados sobre a existência do espaço promovido pelo Instituto Cultural para a realização de grandes espectáculos, 29 por cento afirmou desconhecer de todo a zona de espectáculos ao ar-livre. Aos 29 por cento dos inquiridos que desconhecem a zona de espectáculo, junta-se ainda 36 por cento que consideram que a zona não agrada nem desagrada, 21 por cento que estão satisfeitos com o espaço e 15 por cento que fazem uma avaliação negativa das instalações. Com base nestes resultados, os responsáveis pela realização do estudo entendem que o Governo tem muita margem de manobra para promover a infra-estrutura e melhorar as instalações. Lá fora é melhor O inquérito revelou ainda que 50,2 por cento dos jovens não assistiu a qualquer espectáculo em Macau nos últimos 12 meses, independentemente de serem eventos com grande ou pequena dimensão. Quanto aos que assistiram a pelo menos um espectáculo na RAEM, 25 por cento indicaram ter assistido apenas a um único evento em 12 meses. O estudo indica que menos de 10 por cento dos inquiridos assistem a espectáculos com uma frequência superior a um evento a cada três meses. No entanto, o estudo também mostra que os jovens assistem a mais espectáculos fora da RAEM do que no território. E quando vão para fora, normalmente o objectivo é assistir a eventos de grande dimensão. Cerca de 74 por cento dos inquiridos admitiu ter assistido especificamente a concertos de grandes dimensões nos últimos 12 meses fora de Macau. Este número supera a percentagem de residentes que assistiu a peças de teatro ou musicais (21,4 por cento) e a festivais de música (17,3 por cento). Face a estes resultados a associação indica que os jovens preferem concertos de música pop. Amar Hong Kong Em termos da origem dos artistas dos espectáculos, praticamente 50 por cento dos inquiridos indicou ter assistido a eventos com artistas de Hong Kong. A proporção de residentes que assistiu a espectáculos com artistas de Macau foi de 29 por cento, seguida por espectáculos com artistas da Coreia do Sul (20 por cento) e do Interior da China (19 por cento). Sobre os motivos que fizeram com que 50,2 por cento dos jovens não assistissem a espectáculos, 32 por cento queixou-se da falta de tempo. Houve ainda 24 por cento que indicaram não ter interesse nos espectáculos organizados em Macau, enquanto 16 por cento admitiram ter desistido de ir a espectáculos na RAEM devido às dificuldades para comprar um bilhete nos canais de venda oficiais.
João Santos Filipe Manchete PolíticaNam Van | Aterro Provisório irá custar quase 12 milhões de patacas Os trabalhos fazem parte de um plano apresentado em Agosto para aproveitar provisoriamente os lotes A3, A4 e A9 do Lago Nam Van. O plano inclui a construção de uma nova zona de estacionamento no centro da cidade Os trabalhos de construção do aterro e fundações provisórias do lote A4 do Lago Nam Van vão ter um custo de 11,82 milhões de patacas. A obra foi adjudicada à Empresa de Construção e Obras de Engenharia Tak Fat Kin Ip e visa permitir o aproveitamento provisório do terreno, de acordo com o portal da Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP). A obra foi atribuída através de um procedimento de consulta por parte da DSOP junto de algumas construtoras que resultou na apresentação de seis propostas, com os preços a variarem entre 10,68 milhões de patacas e 14,73 milhões de patacas. Todas se comprometiam a finalizar as obras em 180 dias. De acordo com a DSOP, “actualmente, o lote A4 é um estaleiro abandonado”, apesar de ter uma área de 1.500 metros quadrados” e ficar numa zona central da cidade. Os trabalhos exigidos à Tak Fat Kin Ip visam criar as condições para “a próxima construção de espaços públicos provisórios”, assim como “resolver completamente os eventuais riscos emergentes de acumulação de águas estagnadas” nas construções existentes no lote A4. Tirar proveito O aproveitamento do lote do Lago Nam Van faz parte de um plano mais amplo do Governo, apresentado em Agosto deste ano, quando foi traçado o objectivo de “aproveitar, a curto prazo, os três lotes de terrenos A3, A4 e A9 do Lago Nam Van para a criação dos espaços públicos provisórios”. O Executivo pretende “satisfazer as expectativas razoáveis dos residentes sobre o aproveitamento optimizado de terrenos e, ao mesmo tempo, melhorar a paisagem urbana do centro da cidade, enriquecendo a experiência de Macau como cidade turística”. Esta opção tem em conta que os terrenos ficam localizados perto de alguns dos pontos turísticos mais procurados da cidade. Além disso, os terrenos situam-se numa zona comercial, o que faz com que durante os feriados o trânsito seja “muito intenso” e que nas horas de ponta sejam “implementadas medidas de controlo de multidões”. Em Agosto, a DSOP comprometeu-se também com a realização de “obras provisórias que incluem a construção de um passeio provisório ao longo do lago no lote A9, que fará a ligação com as arcadas dos edifícios circundantes”. Esta ligação vai permitir caminhar directamente entre os edifícios Lake View Mansion e Nam Van Península ao longo da margem do lago, sem a actual necessidade de contornar o lote A9. Nos lotes A3 e A4, entre os edifícios Hotel Grand Emperor e o FIT Center of Macau, vai ser construído um parque de estacionamento provisório.