Air Macau | Leong Sun Iok pede investigação a cancelamentos

O deputado ligado à FAOM compreende que a subida do preço dos combustíveis cria desafios à empresa de aviação e alguns cancelamentos de voos. No entanto, nega que a tendência de cancelamentos seja comum a nível mundial e avisa que a política da transportadora prejudica a imagem de Macau

O deputado Leong Sun Iok apelou às autoridades para investigarem a onda de cancelamentos e atrasos nos voos operados pela Air Macau. A posição foi tomada em declarações ao jornal Ou Mun, numa altura em que a companhia aérea está a ser cada vez mais criticada.

O legislador ligado aos Operários considerou que, se a situação actual for mantida, a imagem de Macau como centro mundial de turismo e lazer corre um sério risco de ser afectada. Segundo Leong, a reputação dos destinos turísticos está intimamente ligada à qualidade da rede de transporte aéreo, e maus transportes afastam turistas e criam uma percepção negativa.

No mesmo sentido, se os voos não forem realizados com regularidade e segurança, o deputado considera que se estão a criar mais obstáculos à estratégia de explorar o mercado dos visitantes internacionais e de longa distância.

Leong Sun Iok indicou ainda que a situação actual vai fazer com que cada vez menos residentes recorram aos serviços da Air Macau, que no ano passado apresentou um prejuízo de 765 milhões de patacas, um recorde negativo.

Além de defender a investigação à empresa, o membro da Assembleia Legislativa argumentou que as autoridades devem coordenar-se com a companhia aérea para encontrarem uma solução que permita colocar um fim aos cancelamentos e atrasos frequentes.

Ao mesmo tempo, Leong pretende a melhoria das políticas de resposta aos cancelamentos, para minimizar ao máximo o impacto para os passageiros afectados e assegurar os seus direitos. Sobre este aspecto, o deputado apelou ao Governo para garantir a existência de compensações apropriadas.

Mau exemplo

Na quarta-feira, o presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM), Pun Wa Kin, veio defender a Air Macau e considerar que a política de cancelamentos é uma tendência mundial, face ao aumento do preço dos combustíveis.

No entanto, Leong Sun Iok apresentou uma visão diferente. O legislador concorda que a Air Macau e a aviação estão a sofrer com o preço dos combustíveis e com o aumento dos custos de exploração das empresas.

Contudo, o deputado apontou que a nível mundial a taxa de cancelamentos está longe de ser comparável à da Air Macau, onde o número de voos que ficam em terra é mais elevado.

Nas declarações ao jornal Ou Mun, Leong Sun Iok recordou que desde Fevereiro deste ano entrou em vigor a nova lei da actividade de aviação civil que, entre os diferentes objectivos, pretendia terminar com o monopólio da Air Macau e dar uma nova dinâmica ao mercado local. O deputado considera que o diploma está a contribuir para uma “abertura progressiva do mercado”, mas espera que o Executivo seja mais activo.

Envolvimento da RAEM

A postura da Air Macau e os pedidos de investigação podem deixar o Executivo numa posição complicada, além de colocarem em xeque a empresa-estatal Air China.

Actualmente, a RAEM é a segunda maior accionista da companhia aérea, com uma participação social de cerca de 24 por cento e dois representantes no Conselho de Administração da empresa. Ainda em Junho deste ano, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, nomeou O Hoi Fan como membro no Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Air Macau para os próximos três anos. No mesmo despacho, publicado no Boletim Oficial, também Pun Keng Sang foi escolhido para o Conselho de Administração da Air Macau por um período de três anos.

Se, por um lado, o Governo, através do Chefe do Executivo, nomeia parte dos dirigentes da empresa, por outro, o Governo, desta feita através do secretário para os Transportes e Obras Públicas, nomeia o presidente da AACM, que regula o sector da aviação civil.

Além disso, uma eventual investigação vai incidir sobre as opções de uma empresa que é controlada pela companhia estatal Air China, a maior accionista da Air Macau com uma participação de quase 75 por cento.

25 Set 2026

Aviação | Pedidos para minimizar impacto de cancelamentos

O presidente da Autoridade de Aviação Civil (AACM), Pun Wa Kin, veio a público mostrar compreensão face ao cancelamento frequente de voos e defendeu que Macau tem cada vez mais ligações internacionais de longo curso

Face à vaga de cancelamentos de voos da Air Macau, que já começou a afectar as ligações previstas para a Semana Dourada, o presidente Autoridade de Aviação Civil (AACM), Pun Wa Kin, afirmou que a autoridade pediu às companhias de aviação para “minimizarem” o impacto dos cancelamentos. As declarações foram prestadas, ontem, ao canal chinês da Rádio Macau, à margem do programa matinal Fórum Macau.

Pun garantiu ainda que a AACM pediu às companhias de aviação para “assegurarem os direitos dos passageiros” afectados pelos cancelamentos, de acordo com as orientações emitidas anteriormente pela autoridade.

Nas declarações prestadas, o presidente da AACM defendeu a política de cancelamentos, que relacionou com o aumento dos combustíveis. “Desde Abril que houve uma subida muito grande dos preços dos combustíveis, o que afecta todas as companhias aéreas, dado que se trata de uma grande pressão em termos dos custos de exploração. Quanto mais sobem os preços, maiores os custos para as companhias áereas”, justificou Pun Wa Kin. “Observámos a situação dos voos cancelados e pedimos às companhias aéreas para assegurarem os direitos dos passageiros. O nosso desejo é que as companhias cancelem ou alterem o menor número de voos possível”, acrescentou.

Para continuar

Na terça-feira, a Air Macau divulgou através da Rádio Macau que vai continuar a cancelar voos. Com o anúncio, a companhia argumentou que a vaga de cancelamentos é “uma prática internacional comum” na aviação face ao aumento do custo do combustível, condições climatéricas adversas ou alterações do mercado.

Apesar desta posição, a Air Macau prometeu “envidar esforços” para ajustar os horários dos voos e avisar os passageiros com antecedência, de forma a evitar criar inconvenientes.

Segundo o Conselho de Consumidores, desde o início do ano até 10 de Setembro foram recebidas 39 queixas relacionadas com o cancelamento dos voos da Air Macau. O CC apelou também à companhia para ter em consideração as circunstâncias reais e as exigências dos consumidores, tomando “medidas de forma adequada”.

Mais ligações

Durante a participação no Fórum Macau, Pun Wa Kin ouviu vários residentes pedirem mais rotas aéreas para destinos na Europa ou na América do Norte. Face a estes pedidos, o responsável indicou que a Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau lançou um programa de estímulo para promover novas rotas de longa distância, através da isenção de tarifas cobradas aos voos e passageiros.

Pun considerou ainda que houve companhias aéreas que já lançaram voos de longa distância, com partida em Macau. Sobre estas ligações, o responsável explicou que há várias ligações para Taipé, onde os passageiros depois apanham voos para os Estados Unidos.

Em termos do transporte de cargas, Pun Wa Kin informou que actualmente a autoridade está a analisar o pedido de uma companhia aérea para estabelecer uma base de transporte de carga em Macau.

24 Set 2026

Aviação | Air Macau vai manter política de cancelamento de voos

A empresa de Macau controlada pela Air China defende-se das críticas e afirma que o cancelamento de voos é “uma prática internacional comum” para lidar com o aumento do preço dos combustíveis

Após o surgimento de várias críticas à Air Macau devido aos numerosos cancelamentos de voos, a empresa veio justificar a política com o aumento dos preços dos combustíveis.

Em resposta ao canal chinês da Rádio Macau, a companhia argumentou que a vaga de cancelamentos é “uma prática internacional comum” na aviação face ao aumentos do custo do combustível, condições climatéricas adversas ou alterações do mercado.

Na tomada de posição, a Air Macau admitiu ainda que vai continuar a cancelar voos, mas prometeu “envidar esforços” para ajustar os horários dos voos e avisar os passageiros com antecedência.

Numa altura em que se aproximam as férias do Festival do Bolo Lunar, com um fim-de-semana prologando, e ainda os feriados da Semana Dourada, a Air Macau indicou também que vai fazer todos os possíveis para garantir a “estabilidade dos voos”.

Segundo os dados da Air Macau, entre Julho e Agosto deste ano, foram realizados menos 400 voos face ao período homólogo. Em Setembro, até ao dia 21, a diminuição dos voos em comparação com Setembro do ano passado foi de 200 ligações.

Apesar dos sobressaltos, a Air Macau considera que tem minimizado os inconvenientes para os passageiros ao celebrar acordos de transferência de passageiros com várias companhias aéreas de maior dimensão. Desta forma, a companhia indica que os passageiros podem apanhar outros voos e a empresa assume os custos extra relacionados com a necessidade de recorrer a outros meios de transporte. Como alternativa, se os passageiros já não quiserem viajar após o cancelamento, a empresa garante que devolve o dinheiro pago.

Quase 40 queixas

Por sua vez, o Conselho de Consumidores (CC) revelou que desde o início do ano, e até 10 de Setembro, recebeu 39 queixas relacionadas com o cancelamento dos voos da Air Macau. O CC também apelou à companhia para ter em consideração as circunstâncias reais e as exigências dos consumidores, tomando “medidas de forma adequada”.

Todavia, os passageiros arriscam-se sempre a não serem compensados por eventuais danos dos cancelamentos. Segundo o presidente da Associação Seguradora de Macau, Ivan Cheung, geralmente os cancelamentos ou atrasos por motivos comerciais, como os que têm acontecido na Air Macau, não são cobertos pelos seguros de viagem.

Sobre a política de cancelamentos, o presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, considerou que actualmente as agências de viagem que organizam deslocações ao Interior ainda escolhem a Air Macau como primeira opção.

Todavia, como depois das férias de Verão a frequência dos voos da companhia se tornou instável, o dirigente admite que o cenário possa sofrer alterações. Por isso, Andy Wu aconselhou a Air Macau a assegurar a realização regular dos voos e a avisar os passageiros com antecedência sobre eventuais cancelamentos.

Empresa Estatal

Actualmente, a principal accionista da Air Macau é empresa-estatal Air China, com uma participação social de cerca de 75 por cento do capital social fixado em aproximadamente 2,38 mil milhões de patacas. Esta participação está avaliada em 1,78 mil milhões de patacas.

O segundo maior accionista da Air Macau é a RAEM, com uma participação social de 24 por cento, o equivalente a 573 milhões de patacas. Constam ainda como accionistas com participações inferiores a 1 por cento a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, Serviços Aéreos Evergreen (Macau), IPE (Macau) – Investimentos e Participações Empresariais, Centro de Comércio Mundial Macau e Companhia de Seguros de Macau.

23 Set 2026

Associação pede subsídios para registo de medicamentos chineses

A Associação Comercial de Macau defende a criação de um subsídio para suportar os custos com o registo de medicamentos de medicina tradicional chinesa (MTC) produzidos ou registados em Macau, e também produzidos em Hengqin, em mercados exteriores.

Num artigo de opinião publicado no jornal Ou Mun, assinado pela vogal do Conselho de Estudos Estratégicos da associação, Huang Yin, é descrito que um dos primeiros entraves para o acesso aos mercados são as tarifas elevadas para o registo e não a qualidade dos medicamentos, esperando-se que o Governo possa atribuir um subsídio para esta área.

O artigo fala do caso de registo de medicamentos de MTC no Brasil, onde é necessário gastar centenas de milhares de patacas para cada produto, sendo que não estão incluídas ainda despesas de agenciamento, testes e cumprimento da legislação.

Desta forma, na fase inicial de entrada de um medicamento no mercado, são poucas as vendas, pelo que, conforme descreveu Huang Yin, o investimento não compensa a produção e as vendas, o que leva as empresas a hesitar em dar este passo.

Assim sendo, esta situação faz com que Macau, apesar de ter vantagens no registo de medicamentos de MTC por ser uma plataforma entre a China e países da língua portuguesa, não tenha ainda muitos medicamentos registados e vendidos no exterior. O artigo diz mesmo que é raro tal acontecer.

Combinar apoios

Segundo o mesmo artigo, uma empresa, quando quer apostar na venda de medicamentos, tem de assumir todas as despesas com o registo. Por isso, além de atribuir um subsídio, o Executivo deveria ter balcões de consulta para quem deseja registar estes medicamentos. A vogal da associação também defende que os medicamentos de MTC produzidos na China, mas registados em Macau, deveriam poder usufruir deste apoio.

Huang Yin destacou que na Zona de cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin já é atribuído um subsídio que cobre 20 por cento dos custos de registo de produtos feitos em Hengqin e que vão para Macau. Assim, se este apoio for combinado com o subsídio a criar pelo Governo, pode-se facilitar os procedimentos para que Macau se transforme numa base para a venda de medicamentos de MTC em mercados do exterior.

22 Set 2026

Consumo | Governo retoma incentivos no valor de 468 milhões

O grande prémio do consumo está de volta a 9 de Outubro, por 10 semanas. A iniciativa mudou de nome, os cupões podem ser gastos logo no dia em que são obtidos e os estabelecimentos aderentes podem acrescentar descontos ou ofertas. Os cupões de desconto têm um valor total de 468 milhões de patacas

A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) apresentou ontem a nova ronda do grande prémio do consumo, desta feita designado como “Prémios Consecutivos para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026”. A iniciativa irá decorrer durante 10 semanas, entre 9 de Outubro e 17 de Dezembro e irá oferecer cupões com descontos para o consumo com um valor de 468 milhões de patacas, um aumento face aos cerca de 400 milhões de patacas da última ronda, que decorreu entre Abril e Julho.

As principais novidades desta ronda prendem-se com o período em que os cupões de desconto podem ser usados. Compras feitas entre sexta-feira e domingo no valor de, pelo menos, 50 patacas permitem aceder ao sorteio com três tentativas para receber cupões. Estes descontos podem ser gastos entre o dia da sua obtenção e a quinta-feira da semana seguinte, em mais de 20 mil lojas físicas de Macau que os aceitem. Em relação ao valor, os cupões continuam a ter valores nominais de 10, 20, 50, 100 e 200 patacas.

A outra novidade anunciada ontem prende-se com o papel dos próprios estabelecimentos aderentes que podem, se assim escolherem, oferecer cupões de desconto imediato (12 patacas para gastos acima de 100 patacas), ou cupões de oferta no consumo (por exemplo, uma bebida ou snack grátis numa refeição que custe mais de 100 patacas). A despesa destes descontos é paga pelos comerciantes.

Alargar a todos

Na conferência de imprensa que apresentou o programa, o director da DSEDT, Yau Yun Wah, revelou a forma como o Governo concluiu pela promoção destes descontos a cargo dos comerciantes. “Fizemos um inquérito e observámos que muitos comerciantes, sobretudo restaurantes, fornecerem voluntariamente promoções semelhantes ao que estamos a propor. Por isso, incluímos essa prática neste programa, para que os comerciantes se promovam na nossa plataforma”, explicou.

Apesar de não estarem incluídos no programa de benefícios electrónicos patrocinados pelos cofres públicos, Yau Yun Wah afirmou esperar que os grandes supermercados e resorts também forneçam voluntariamente os cupões de desconto imediato, ou promoções semelhantes.

Yau Yun Wah referiu também que, actualmente, cerca de 600 comerciantes participam no programa, principalmente restaurantes e de lojas de venda a retalho.

Quanto à fiscalização desta ronda de incentivos ao consumo, o presidente da Associação Comercial de Macau, Ma Chi Ngai (que coorganiza mais uma vez a iniciativa) argumentou que o poder das redes sociais tem um efeito dissuasor face a possíveis comportamentos censuráveis. “Para os comerciantes, a reputação é importante. Como sabemos, os consumidores partilham frequentemente falhas nas redes sociais. Por isso, acredito que os comerciantes serão prudentes”, indicou.

Em relação aos benefícios para idosos e os titulares do Cartão de Registo de Avaliação da Deficiência, a ronda que começa no próximo mês segue os mesmos moldes da anterior. Os beneficiários vão continuar a poder usufruir do desconto imediato para consumo no valor de 500 patacas através do cartão Macau Pass, obtendo descontos de 50 por cento em compras em lojas ou restaurantes aderentes.

18 Set 2026

Macau Pass | Pai de vítima de falha exige pedido de desculpas

O progenitor da criança quer que a Macau Pass venha a público explicar as falhas de segurança. Além disso, argumenta que as dúvidas sobre a segurança da plataforma Mpay são demasiado sérias para serem levadas de ânimo leve

O pai da alegada vítima de uma falha de segurança da MPay, que resultou na perda de 2 mil patacas, quer que a Macau Pass venha a público assumir os erros. A posição foi tomada através de uma publicação nas redes sociais, com o progenitor do lesado a pedir à empresa do grupo Alibaba medidas necessárias para garantir a confiança dos clientes.

A polémica que envolve a plataforma MPay surgiu nas redes sociais, quando um internauta denunciou que a titularidade da carteira electrónica do seu filho de 10 anos tinha sido transferida para outra pessoa.

Segundo a mesma queixa, o facto de o número de telemóvel do filho ter sido reciclado, ou seja, ter pertencido anteriormente a outra pessoa, foi suficiente para convencer a Macau Pass a entregar-lhe a conta associada a esse número, sem verificações de segurança. Como resultado, o filho, que actualmente está na posse do número de telemóvel associado à conta, ficou sem acesso à sua carteira digital e às 2 mil patacas que tinha guardadas.

Agora, numa nova publicação, o pai do lesado insiste que a empresa ligada à Alibaba tem de assumir os erros e falhas para justificar merecer a confiança dos residentes. “Como uma das plataformas de pagamentos com maior taxa de utilização em Macau, os residentes depositam capital na MPay por terem confiança [na empresa]. A MPay tem a obrigação de garantir a segurança de cada cêntimo”, afirmou.

O autor também considerou que a falha não pode ser tratada de “ânimo leve” porque resultou de erro humano, em conjunto com falhas sistémicas. Quando fez a denúncia do caso pela primeira vez, o progenitor do lesado revelou que o antigo proprietário do número conseguiu ficar com a carteira do filho, sem nunca ter de confirmar através de um código SMS que estava na posse do número de telefone associado à conta da MPay. A transferência terá resultado de uma conversa com o serviço ao cliente.

Maior segurança

Ao longo da publicação foram ainda expostas outras falhas de segurança, como a ausência de um mecanismo de alerta interno: “Quando registamos uma conta na plataforma MPay, o sistema não nos alerta que o número de telefone já tinha sido registado anteriormente. Isto significa que o sistema do back-office não tem um mecanismo para associar e remover os números de telefone aos bilhetes de identidade, o que faz com que possa haver confusão nos registos da empresa sobre a identidade do real proprietário das carteiras electrónicas”, indicou.

O progenitor também alertou para os riscos de os proprietários de números reciclados poderem ficar sem carteiras electrónicas, dado que é possível recuperar carteiras digitais associadas a números, sem a verificação de segurança por código enviado por SMS.

No texto mais recente, o autor vincou ainda que não está disponível para negociar com a empresa uma compensação de forma privada, e que o assunto exige vários esclarecimentos públicos, assim como um pedido de desculpas.

Anteriormente, na primeira reacção a este caso, a Macau Pass, citada pelo canal chinês da Rádio Macau, prometeu total cooperação com a investigação em curso das autoridades e defendeu que “os seus mecanismos de segurança estão a funcionar normalmente, não tendo sido detectada qualquer anomalia ao nível da segurança do sistema”.

17 Set 2026

Bolo Lunar | Andy Wu prevê mais de 110 mil visitantes diários

O presidente da Associação de Indústria Turística prevê que no fim-de-semana prolongado do Festival do Bolo Lunar, Macau receba diariamente entre 110 e 120 mil visitantes. Andy Wu estima também uma ocupação de taxa hoteleira entre 80 e 90 por cento

Com o fim-de-semana prolongado pelo feriado do Festival do Bolo Lunar no horizonte, entre 25 e 27 de Setembro para os turistas do Interior da China, o presidente da Associação de Indústria Turística estima que Macau volte a receber uma enchente de turistas.

Andy Wu espera que durante os três dias entrem em Macau uma média diária entre 110 mil e 120 mil visitantes. Em declarações ao jornal Ou Mun, o empresário de agência de turismo lembrou que o território já recebe diariamente cerca de 100 mil turistas, não sendo, portanto, de estranhar que essa fasquia aumente, em particular no sábado, 26, com a possibilidade de o volume ultrapassar as 120 mil pessoas.

Em relação à taxa de ocupação hoteleira durante o Festival do Bolo Lunar, Andy Wu estima uma boa temporada para o sector, com taxas a variar entre 80 e 90 por cento.

Apesar de esperar o aumento de volume de turistas, o responsável salientou que este ano não foram lançadas promoções especiais para assinalar o feriado em conjugação com eventos organizados em Macau. Como tal, o Concurso Internacional de Fogo de Artifício de Macau acaba por ser o principal destaque turístico durante o feriado, facto que não se materializou, para já, em promoções temáticas oferecidas por hotéis.

Porém, como ainda falta uma semana e meia até o Festival do Bolo Lunar, Andy Wu espera que os hotéis da ZAPE tirem partido da localização geográfica para lançar promoções de quartos que permitam assistir ao fogo de artifício. O evento, argumenta, poderá desviar uma parte do fluxo de turistas que normalmente é canalizado para o Cotai, beneficiando os negócios na península.

Bons vizinhos

Uma questão que se tem colocado cada vez mais sobre a capacidade de atracção turística do Concurso Internacional de Fogo de Artifício de Macau é o facto de o evento poder ser visto a partir de Hengqin.

A possibilidade de a Ilha da Montanha desviar turistas que normalmente viriam a Macau durante o Festival do Bolo Lunar não preocupa Andy Wu, uma vez que a competitividade de Macau não se esgota no fogo de artifício, ou outros eventos, face aos recursos turísticos abrangentes e encantos exclusivos da cidade.

Além disso, Andy Wu considera que entre Macau e Hengqin, não existe uma relação competitiva de tentativa de desviar turistas, mas uma ligação de complementaridade com vantagens para ambos os territórios no âmbito do turismo cultural na Grande Baía.

16 Set 2026

Metro Ligeiro | Conselheiro quer mais comércio ligado à cultura

O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários Si Iat defende que no planeamento das zonas comerciais do Metro Ligeiro se deve apostar no turismo cultural. O conselheiro defende a introdução de produtos dos países de língua portuguesa

 

No planeamento dos espaços comerciais do Metro Ligeiro deve ser dada atenção à cultura e património, apostando-se em modelos de negócio que estabeleçam uma ligação com as zonas de Macau por onde passa este meio de transporte.

A ideia foi defendida por Si Iat, conselheiro dos Serviços Comunitários, que, segundo o Jornal do Cidadão, sugeriu ao Governo os exemplos das cidades da Grande Baía ao combinar o transporte urbano com o turismo cultural. Em declarações ao jornal chinês, o conselheiro explicou que se deve apostar em negócios e espaços comerciais que promovam a cultura de cada bairro ou zona de Macau, revitalizando-se, desta forma, o ambiente comercial do Metro Ligeiro.

Outra das sugestões de Si Iat passa pela atracção de marcas de Macau para as estações do Metro Ligeiro, além da aposta numa zona de exposição de produtos oriundos dos países de língua portuguesa. O responsável defendeu também que a entidade gestora deste meio de transporte, a Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, pode trabalhar com as autoridades no sentido de reservar algumas lojas com renda controlada para que os jovens locais possam desenvolver os seus negócios.

Si Iat deu o exemplo da empresa gestora do metro de Hong Kong, a MTR Corporation Limited, que cobra a renda das lojas conforme as receitas obtidas, ao invés de cobrar um montante mensal fixo.

Patacas nas fronteiras

Tendo em conta as estações do Metro Ligeiro que vão estar perto dos postos fronteiriços das Portas do Cerco e Qingmao, o conselheiro disse que a aposta das autoridades deve ser em lojas de conveniência, tendo em conta o elevado número de visitantes.

Si Iat considera que podiam ser abertas lojas de levantamento de mercadorias com isenção de impostos, lojas de lembranças turísticas ou ainda de venda de cartões de telemóvel, bem como de câmbio de moeda. A ideia é disponibilizar os serviços mais procurados pelos visitantes dentro das estações, ou nos percursos de ligação.

Porém, Si Iat defende que o comércio nestes espaços do metro deve procurar dar resposta às necessidades dos moradores destas zonas que vão trabalhar ou que simplesmente usam o metro para se deslocar no dia-a-dia, com a abertura de supermercados, cafés, cabeleireiros ou lojas do Taobao.

As estações do metro também poderiam acolher feiras aos fins-de-semana ou feriados, acrescentou, além de que algumas lojas poderiam ser alugadas a curto prazo para a apresentação de produtos da área das indústrias criativas.

Por sua vez, Kuok Meng Chit, membro do Conselho Consultivo do Trânsito, disse que a estação do Metro Ligeiro da Barra faz uma importante ligação entre meios de transporte, mas que as lojas que estão na estação não estão localizadas nas zonas que os passageiros têm de atravessar, o que afecta o interesse comercial destes espaços.

Assim, o conselheiro disse que, o planeamento dos espaços comerciais do Metro Ligeiro deve dar atenção à localização das lojas, para que haja uma conjugação com os percursos feitos pelos passageiros.

15 Set 2026

Saúde | Quase um terço dos alunos do 1º ao 6º ano sofre de miopia

Cerca de 29 por cento dos estudantes de Macau, do 1º ao 6º ano, sofre de miopia e 13,5 por cento de astigmatismo. Os problemas não ficam por aqui: 13,5 por cento têm excesso de peso e 42 por cento sofrem de cáries dentárias. O Governo apelou aos pais para terem em conta a saúde dos filhos

Os jovens de Macau não estão muito saudáveis, de acordo com os dados do Programa de Saúde Escolar 2025/2026, anunciados ontem pelos Serviços de Saúde (SS). As autoridades realizaram um estudo alargado, a estudantes de 97 escolas do território, assim como a Escola de Hengqin Afiliada à Escola Secundária Hou Kong, em que participaram 52 mil alunos do 1º ano ao 6º ano de escolaridade.

O estudo releva que 13,5 por cento dos estudantes inquiridos tem excesso de peso, incluindo casos de obesidade. Do universo de jovens com peso a mais, 13,3 por cento sofre de uma doente de pele (acantose nigricans) que está associada ao risco de diabetes ou doenças cardiovasculares precoces.

Os SS partilharam ainda um estudo do Hospital Kiang Wu a jovens do ensino secundário, que revela que 18,8 por cento dos alunos do 7º ao 9º ano também têm excesso de peso, enquanto 8,8 por cento sofre de má nutrição.

Os dados do Hospital Kiang Wu resultaram de consultas a 546 jovens.

Os resultados do Programa de Saúde Escolar 2025/2026 revelam que os problemas de visão constituem uma das situações mais prevalentes entre os jovens inquiridos. Pouco mais de 29 por cento tem miopia, o que representa cerca de 14.200 jovens, enquanto 13,5 por cento sofre de astigmatismo, mais de 7.000 alunos.

Doces chatices

Entre os 52.000 alunos que participaram no estudo, 37.000 não usam óculos,

apesar de 22,6 por cento sofrerem de problemas como miopia, hipermetropia e astigmatismo, percentagem que corresponde a 8.385 alunos.

Segundo o canal chinês da Rádio Macau, a equipa que conduziu o estudo referiu que os problemas de visão estão a afectar alunos cada vez mais jovens, e tendem a agravar-se com a idade. Por exemplo, o número de estudantes com miopia duplica do 2º ano para o 4º ano de escolaridade.

Face a esta realidade, as autoridades apelaram aos pais para levarem os filhos a consultas de oftalmologia para encontrar soluções que corrijam problemas de visão o mais precocemente possível.

O inquérito demonstra ainda que entre os alunos do 3º e 5º de escolaridade, 42,3 por cento têm cáries dentárias, proporção que representa 5.214 estudantes.

Em relação à triagem auditiva, os resultados não foram tão desanimadores. Os SS indicaram que entre os alunos do 1º ano os problemas auditivos afectam 0,16 por cento das crianças (seis), enquanto no 3º ano a percentagem sobe para 1 por cento (48 alunos). As autoridades indicaram que estas crianças foram encaminhadas para acompanhamento de especialidade médica.

Foi também referido que 3,2 por cento dos alunos do 5º ano sobre de problemas de coluna, o equivalente a 207 jovens. As autoridades de saúde não explicaram a razão para os resultados serem apresentados de forma escalonada e não global. Porém, apelaram aos pais para tomarem atenção à saúde dos filhos, aconselhando que façam, pelo menos, uma hora de exercício físico por dia, e o tempo em frente a ecrãs limitado a duas horas por dia.

11 Set 2026

Restauração | Desvalorizado impacto da valorização do renminbi

Com 60 por cento dos produtos importados do Interior, a valorização pode fazer com que os produtos fiquem mais caros para os consumidores. A Associação de Desenvolvimento da Indústria de Restauração e Bebidas de Macau aponta que há capacidade de manter os preços nos próximos tempos

Apesar da valorização do renminbi face ao dólar, a Associação de Desenvolvimento da Indústria de Restauração e Bebidas de Macau considera que a pressão do aumento dos custos operacionais para os negócios locais ainda não se faz sentir.

Nas últimas semanas, o renminbi tem valorizado face à moeda americana e ontem um dólar equivalia a 6,7 renminbis. No entanto, esta variação pode ter um impacto na restauração local, uma vez que a pataca acompanha as flutuações da moeda americana e muitos dos produtos são importados do Interior, logo pagos em renminbis.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o presidente da associação, Ieong Weng Seng, destacou que no futuro mais próximo os negócios vão conseguir lidar com a valorização da moeda chinesa.

Ieong explicou que 60 por cento dos produtos da restauração provêm do Interior, enquanto 40 por cento têm origem em outros mercados. No entanto, como os empresários tendem a assinar contratos de abastecimento e a fazer pagamentos mensais, a subida dos preços demora cerca de 30 dias a fazer-se sentir.

O presidente da associação também recusou, para já, a possibilidade de haver um aumento dos preços para os consumidores. Ieong Weng Seng argumentou que, como o território atravessa uma situação económica mais exigente, os comerciantes tendem a sacrificar a margem de lucro para não afastar os clientes.

Ao mesmo tempo, Ieong clarificou que o aumento dos preços não deve acontecer a curto prazo, porque todos os aumentos têm de ser previamente indicados ao Governo.

Stocks ajudam

Além disso, o responsável destacou que há stock dos produtos importados do Interior, principalmente no que diz respeito à carne congelada. Por esta razão, para a maioria dos restaurantes de Macau, onde cerca de 70 por cento usam carne congelada, temporariamente não se vai sentir o impacto da valorização do renminbi. No entanto, nas cozinhas de luxo, como por exemplo, os restaurantes com estrelas Michelin, Ieong Weng Seng apontou que vão sofrer mais pressão, dado que usam mais ingredientes frescos.

No caso dos vegetais, a pressão vai ser mais generalizada porque são produtos com uma vida útil curta.

Num olhar mais geral sobre a restauração, Ieong Weng Seng afirmou que o maior problema são as mudanças estruturais no modelo de consumo e da origem dos consumidores. O presidente da Associação de Desenvolvimento da Indústria de Restauração e Bebidas de Macau explicou que desde que os jogadores deixaram de frequentar o ZAPE devido ao encerramento dos casinos-satélite, que o consumo teve uma redução significativa. O responsável também explicou que os novos clientes daquela zona gastam muito menos dinheiro.

10 Set 2026

Trânsito | CPSP vai recolher dados 3D para analisar acidentes

A polícia espera introduzir em breve câmaras que analisam dados em três dimensões para apurar causas de acidentes rodoviários. Entre Janeiro e Agosto, foram instaurados mais de 870 processos por não concessão de prioridade em passadeiras, quase o dobro no mesmo período de 2025

As autoridades policiais estão investidas na resolução de um dos problemas que tem provocado mais preocupações nos últimos tempos: a sinistralidade rodoviária e os atropelamentos nas ruas de Macau.

O segundo-comandante substituto do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), Wong Kim Hong, afirmou ontem que serão instalados brevemente câmaras com scanners 3D que recolhem dados tridimensionais para análise e apuramento das causas de acidentes.

Esta será mais uma ferramenta que as autoridades policiais vão poder usar para produzir relatórios de análise a pontos críticos em termos de sinistralidade na rede rodoviária para entregar à Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego. Estes relatórios podem conter sugestões, como a remoção de passadeiras, como já aconteceu no cruzamento da Avenida de Almeida Ribeiro e da Rua do Visconde Paço de Arcos, e noutros locais críticos para peões.

Em declaração no programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, o representante do CPSP afirmou que entre Janeiro e Agosto deste ano, foram instaurados mais de 870 processos por não concessão de prioridade a peões em passadeiras, volume que representa quase o dobro face aos mesmo período de 2025.

O arco-íris

Outra novidade avançada por Wong Kim Hong, diz respeito à passagem fronteiriça de veículos de Macau para Hengqin. O dirigente do CPSP referiu que as autoridades estão a testar um modelo de controlo através de reconhecimento da íris e facial. A tecnologia, ainda em fase experimental, irá permitir aos condutores atravessarem a fronteira para Hengqin sem terem de sair do automóvel.

A medida faz parte de um plano de modernização de controlo fronteiriço que deverá ser instalada em todas as 30 faixas da fronteira entre Macau e Hengqin. Wong Kim Hong indicou aos microfones da emissora pública que o objectivo das autoridades é ter esta tecnologia a funcionar plenamente até ao fim de 2027.

O responsável acrescentou que nos postos fronteiriços de Qingmao, Hengqin e Ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau, todos os 204 canais de auto-atendimento inteligente com reconhecimento facial registaram a passagem de mais de 600 mil pessoas entre Janeiro e Agosto deste ano.

10 Set 2026

Ferries | Associação pede a empresas que coordenem horários

Segundo Paul Wong, presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau, as empresas de ferries precisam de se coordenar, para garantir uma maior oferta e manter a vontade dos passageiros de recorrer a este tipo de transporte

Com o número de passageiros do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior em queda contínua, a Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau defende que as duas transportadoras devem coordenar os horários, para haver maior oferta. As declarações foram prestadas por Paul Wong, presidente da associação, em declarações à estação televisiva TVB.

Apesar dos números mais negativos e da maior concorrência dos autocarros que atravessam a ponte e do transporte privado, Paul Wong considerou que as viagens de ferry podem revelar-se mais convenientes, dada a centralidade dos portos e os horários de navegação.

“As companhias de transporte devem coordenar-se para que haja partidas de ferries mais frequentes e em diferentes horários. Desta forma, os passageiros, tal como acontecia no passado, podem conseguir sempre apanhar um ferry, sem necessidade de esperarem”, argumentou o presidente da associação. Actualmente, o serviço de ferries para Hong Kong é assegurado pela TurboJET e Cotai Water Jet.

Segundo os dados oficiais, no ano passado, o número de visitantes que utilizou o Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior e o Terminal Marítimo da Taipa foi de 7,36 milhões. No entanto, este dado representa uma redução de 70 por cento do volume de passageiros, em comparação com 2017, quando 22,94 milhões de pessoas utilizaram os terminais.

A tendência continua negativa, e desde o início do ano, o volume de passageiros do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior voltou a sofrer uma redução de 12 por cento em termos anuais.

Futuro em causa

Em Dezembro do ano passado, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, admitiu que as autoridades estão a ponderar o encerramento de um dos terminais. Tam afirmou que a decisão nunca seria fácil de tomar, mas face à perda de empregos destacou que o Executivo pode aproveitar o terminal encerrado para “explorar a economia nocturna”.

Em relação às partidas e chegadas de ferries nos dois terminais, registou-se um volume de 53 mil viagens, uma redução de cerca de 61 por cento em comparação com 2017.

Quanto ao facto de ter sido anunciada recentemente a suspensão das viagens regulares de helicóptero entre Hong Kong e Macau, o responsável considerou que o serviço pode ser reconvertido e transformado em turismo aéreo. O presidente da associação explicou que desta forma a Sky Shuttle, responsável pelos helicópteros, pode continuar a aproveitar a licença existente.

9 Set 2026

Renovação urbana | Pedida modernização de bairros

Vong Pui Lam, dirigente da Associação Comercial de Macau, defende que a renovação urbana não deve focar-se apenas na demolição dos edifícios antigos e reconstrução, mas também na modernização dos bairros, com mais pequeno comércio. A responsável destaca o mau exemplo da habitação pública em Seac Pai Van

A Associação Comercial de Macau deixou uma sugestão no jornal Ou Mun sobre a melhor forma de realizar o processo de renovação urbana dos bairros antigos do território, aposta que tem estado na agenda do Governo como um dos assuntos prioritários.

Num artigo de opinião no jornal chinês de maior tiragem em Macau, Vong Pui Lam, subdirectora da Comissão de Estudos Estratégicos da Associação Comercial de Macau, defendeu que a renovação urbana não deve limitar-se à demolição de edifícios antigos e insalubres, mas também na modernização e reorganização dos bairros como um todo, com mais comércio local para usufruto dos seus moradores.

A responsável defendeu que o comércio nestas zonas comunitárias deve focar-se em serviços simples que facilitem a vida no dia-a-dia e que permitam percursos curtos de dez minutos para a compra de alimentos frescos ou a aquisição de refeições baratas.

Na visão de Vong Pui Lam, a renovação urbana deve ter em conta este pequeno comércio que permite aos moradores viver com dignidade no bairro, destacando que Macau tem essa tradição, com os casos das zonas de comida nos Mercado do Bairro Iao Hon, Complexo Municipal do Mercado de S. Lourenço e Complexo Municipal do Mercado do Patane.

Estas zonas são já conhecidas pelas refeições baratas que servem, sendo também procuradas por turistas.

Vong Pui Lam também deu o bom exemplo de Singapura, com a tradição de mercados de rua e bancas de comida. Com o planeamento feito pelo Governo da Cidade-Estado, estes espaços gastronómicos tornaram-se atracções turísticas e também uma espécie de cantina para os locais. Em 2020, a cultura de vendilhões de Singapura foi seleccionada para as listas do Património Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

O mau exemplo

No artigo de opinião, o bairro de habitação pública de Seac Pai Van é referido como mau exemplo que não deve ser seguido neste processo de renovação urbana. A autora recorda que a zona tem hoje entre 30 a 40 mil habitantes, mas estes não têm lojas perto para serviços simples como comprar comida ou cortar o cabelo, precisando percorrer uma longa distância até às zonas mais centrais do território.

Vong Pui Lam entende que Macau tem condições para que a cultura das comidas de rua se transforme numa marca turística, mas falta um planeamento sistemático por parte das autoridades, com perspectiva a longo prazo.

Desta forma, deveria haver espaços suficientes para a criação de novos mercados e espaços de comida no projecto de urbanização da Zona A dos Novos Aterros, com as infra-estruturas necessárias. Além disso, deve ser simplificado o processo de aprovação e análise de pedidos, para incentivar mais jovens a apostar nestes negócios.

Singapura surge novamente como o bom exemplo que Macau deve seguir no que diz respeito à gestão destes espaços gastronómicos por parte do Governo, a fim de se garantir um controlo das rendas, para que as comidas possam estar a preços acessíveis para os consumidores.

Vong Pui Lam defende também a criação de percursos turísticos que incluam estes centros de comida nos mercados, a fim de se poder fazer um mapa com estas bancas gastronómicas. Desta forma, pode ser mais uma forma de levar os turistas a consumir fora da zona dos casinos.

8 Set 2026

Crime | Grupo cobrava taxa para proteger infractores em casino

Foi decretada a prisão preventiva do cabecilha de um grupo criminoso composto por seguranças de um casino, alegadamente responsável pela cobrança de dinheiro a infractores de crimes ligados ao jogo, para sua protecção. Há mais de uma dezena de arguidos, sendo que cinco estão detidos preventivamente

Foi em Julho deste ano que as autoridades policiais começaram a perceber que algo de errado se passava num dos casinos do território, fazendo detenções de membros de um grupo que, alegadamente, dava protecção a infractores de crimes ligados ao jogo, e que era composto por seguranças.

Porém, só na última quinta-feira, 3 de Setembro, foi apanhado o cabecilha, que está agora em prisão preventiva. Segundo um comunicado do Ministério Público (MP) divulgado no sábado, este grupo não só dava protecção a infractores como cobraria uma taxa por esse serviço, com o envolvimento de nove funcionários do departamento de segurança e cinco mediadores. Estas cinco pessoas estão agora em prisão preventiva, medida de coacção aplicada enquanto aguardam julgamento. Aos restantes nove funcionários “foram aplicadas outras medidas de coacção”, refere o MP, sem especificar.

Segundo a mesma nota, “suspeita-se que os membros deste grupo cobravam uma ‘taxa de protecção’ e ‘taxa de resolução de processos’, a fim de ocultar actos ilegais e proceder ao devido tratamento”.

O homem agora detido “manteve-se escondido no Interior da China”, nomeadamente em Zhongshan, “tendo as autoridades policiais activado o ‘Mecanismo de ligação policial’ para solicitar a cooperação das congéneres do Interior da China”.

O cabecilha é suspeito dos crimes de associação ou sociedade secreta, coacção, extorsão, favorecimento pessoal e ainda corrupção passiva no sector privado. A sua mulher também foi encaminhada para o MP pelo crime de receptação.

As autoridades entenderam existir “um forte perigo de fuga de Macau em caso de libertação”, pelo que se optou pela prisão preventiva. Além disso, foi tido em conta, para a aplicação das medidas de coação, “a natureza, a gravidade dos crimes imputados ao arguido, o modus operandi, o motivo, a ilicitude dos factos e o grau de dolo, bem como a personalidade” do arguido.

Dinheiro escondido

Na mesma nota, o MP deixa um apelo para que as operadoras de jogo e os agentes de segurança cumpram “rigorosamente as funções de gestão, assegurando os trabalhos de manutenção da ordem e prevenção de riscos nos respectivos estabelecimentos” de turismo e lazer.

Em conferência de imprensa sobre este caso, o suspeito de ser o cabecilha do grupo, de apelido Wong, tinha funções de gestor da equipa de seguranças, tendo saído de Macau e ficado escondido no interior da China antes das detecções realizadas em Julho.

Na quinta-feira, o homem foi preso em Zhongshan, tendo sido entregue à PJ de Macau por volta das 16h na zona entre as fronteiras de Gongbei e Portas do Cerco. Enquanto estava na China, Wong terá instruído a mulher a dar apoio à actividade criminosa, tendo esta escondido os 201 mil dólares de Hong Kong obtidos através da actividade criminosa.

7 Set 2026

Taipa | Pedidas soluções para animais abandonados

Há muitos cães abandonados na Taipa, sobretudo junto à movimentada Rua do Cunha, o que leva duas associações a exigir medidas por parte das autoridades para travar estes cães vadios que, no seu entender, constituem um perigo para residentes e visitantes

A Associação de Moradores da Taipa e a Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa exigem soluções para controlar os cães vadios que têm surgido na Taipa, sobretudo junto à Rua do Cunha, e que podem ser um perigo para quem passa por ali.

Segundo o jornal Ou Mun, as duas associações, ligadas à União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), apelam ao Governo para que faça alguma coisa a fim de garantir a segurança do local.

O presidente da Associação de Moradores da Taipa, Chan Chi Seng, e a vice-presidente da Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa, Lam Ka Chun, argumentam que as zonas por onde vagueiam os cães são bastante frequentadas devido ao turismo, além de existirem escolas nas proximidades. Os responsáveis alertam para o facto de os cães abandonados se concentrarem pelo bairro, sendo agressivos e podendo, por isso, ser uma ameaça à segurança.

Desta forma, é pedido o envio de agentes de inspecção para a Rua do Cunha e zonas próximas de escolas, para que os animais sejam apanhados e as ruas sejam limpas dos alimentos deixados pelos residentes para alimentar os cães. Desta forma, evita-se a concentração de animais que ali buscam alimento.

Além disso, os responsáveis também pedem maior comunicação entre Governo, escolas e associações sobre a situação, a fim de se aumentar a consciencialização sobre o problema dos cães abandonados.

Casos recentes

Não faltam casos para comprovar o cenário de perigo. Esta segunda-feira uma idosa de 66 anos foi mordida na zona da panturrilha por um cão abandonado na localização perto do Mercado Municipal da Taipa, no Largo dos Bombeiros. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, os bombeiros explicaram que a mulher foi transferida para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, tendo também informado o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). O IAM indicou que reforçou as inspecções no local.

Porém, no dia seguinte, um ouvinte do programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, queixou-se de que mais pessoas foram mordidas pelos cães da zona. O homem, de apelido Leong, afirmou que a concentração de animais se deve ao facto de os moradores deixarem comida para os gatos, o que acaba por atrair os cães. Leong adiantou que as mordidas de cães são frequentes, mas as autoridades não têm aplicado medidas suficientes para controlar a situação. Este deixou ainda críticas à alegada falta de profissionalismo dos funcionários do IAM, que deixam escapar os cães.

O IAM respondeu ontem ao canal chinês da Rádio Macau indicando que foram apanhados 33 cães abandonados e um gato desde Janeiro, tendo referido que, de facto, a zona da Taipa velha tem muitas pessoas que alimentam os animais abandonados, o que atrai outros para o local. Desta forma, foi feito um apelo para que não se dê comida aos animais de rua em espaços públicos.

4 Set 2026

Escolas | Regresso às aulas marcado por ataque com líquido corrosivo

Um aluno de 18 anos atacou uma professora com um ácido corrosivo, e os dois precisaram de receber tratamento hospitalar. Ontem, à hora de fecho do HM, os motivos do ataque ainda não tinham sido divulgados pelas autoridades

O primeiro dia do novo ano lectivo ficou marcado por um ataque com um líquido corrosivo de um aluno a uma professora, na Escola São João de Brito, na Rua de Pedro Coutinho. Segundo a informação do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), a vítima do ataque, uma docente com mais de 60 anos, ficou com ferimentos no rosto e noutras partes do corpo. O aluno, que as autoridades referiram ter 18 anos, ficou ferido nas mãos.

“Às 8h24, o nosso serviço recebeu uma denúncia de um incidente por ofensa à integridade física numa escola na Rua de Pedro Coutinho, no qual um aluno é suspeito de ter atirado soda cáustica a uma professora”, indicou o CPSP, numa resposta escrita enviada à Agência Lusa, depois de o caso ter sido tornado público. “Ambos foram transportados para o Centro Hospitalar Conde de São Januário para receberem tratamento”, foi acrescentado.

Até ontem à hora de fecho da edição, os motivos do ataque não tinham sido revelados.

Ainda antes da divulgação pública do caso que marcou o dia de ontem, o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Kong Chi Meng, tinha considerado o regresso às aulas “um sucesso”.

A manhã incluiu para o responsável uma visita matinal à Escola São Paulo e à Escola Keang Peng. À margem deste evento, segundo o canal chinês da Rádio Macau, Kong Chi Meng afirmou que o número de alunos se manteve em cerca de 86 mil, tal como no ano passado. Também o número de turmas foi semelhante ao do ano passado, embora tenha havido um aumento em termos do número de alunos a frequentar o ensino secundário. Todavia, no ensino infantil houve uma redução dos inscritos.

Sobre a redução da natalidade em Macau, o director da DSEDJ afirmou que foram lançadas medidas de apoio, com um novo programa de subsídios para apoiar a fusão de escolas ou a conversão das instituições de ensino.

Trânsito “estável”

Em relação ao trânsito na manhã de ontem, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) fez um balanço positivo da situação nas estradas do território.

“Apesar da instabilidade das condições meteorológicas, o funcionamento geral do trânsito decorreu com normalidade. De acordo com os dados estatísticos em tempo real dos autocarros, durante a hora de ponta matinal, entre as 6h e as 9h de hoje [ontem], as duas operadoras de autocarros realizaram, no total, mais de 2.000 viagens, o que representa um aumento de 4 por cento em comparação com o mesmo período das férias de Verão”, foi comunicado. “Entre as 6h e as 9h de hoje [ontem], foram transportados de autocarro mais de 123 mil passageiros, um número semelhante ao registado no período homólogo do primeiro dia de aulas do ano passado, dos quais cerca de 13 mil utilizaram o cartão de estudante”, foi acrescentado.

Por sua vez, como parte da explicação da situação do trânsito, Kong Chi Meng revelou que a DSEDJ pediu às escolas para realizarem várias cerimónias de abertura, em diferentes horários, de forma a dividirem os alunos, em vez de optarem por uma única cerimónia com maior concentração de estudantes.

2 Set 2026

Deputadas pedem fiscalização viária com recurso a drones

As deputadas ligadas à Associação Geral das Mulheres de Macau, Loi I Weng e Wong Kit Cheng, defendem que as autoridades policiais devem recorrer aos drones para uma maior fiscalização do trânsito. Segundo um comunicado do gabinete de atendimento das deputadas, esta ideia surge depois da realização do dia de atendimento ao público por parte das eleitas para o hemiciclo.

Um dos destaques deste dia de consulta aberta foi o elevado número de acidentes de viação, tendo Loi I Weng sugerido a utilização de drones para melhor verificar os infractores e aplicar multas, sobretudo nas zonas com maior sinistralidade.

A deputada disse ter recebido muitas queixas de residentes quanto ao elevado número de acidentes registado recentemente. Loi I Weng referiu também dados oficiais relativos à primeira metade do ano sobre condutores que não cedem passagem a peões ou que passaram o sinal vermelho: foram, respectivamente, 1072 casos e 4401 casos, apresentando um aumento significativo em termos anuais, disse a deputada citada pela mesma nota.

Loi I Weng pede também a introdução da figura de auxiliar de trânsito em zonas onde se registam mais acidentes ou ausência do cumprimento de regras de passagem de peões e passadeiras. Foi também sugerido o avanço na revisão da lei do trânsito rodoviário, a fim de se poder garantir um equilíbrio entre direitos e obrigações de peões e condutores.

Desafios laborais

Outro assunto levantado pelos residentes no dia de atendimento, foi as dificuldades que os portadores de deficiência têm em encontrar trabalho.

A deputada Wong Kit Cheng destacou que o planeamento dos serviços de reabilitação para os próximos dez anos incentivam a que entidades ou empresas privadas contratem mais pessoas com deficiência física ou mental, tendo sugerido que o Governo reforce os apoios na formação. Tudo para que os candidatos a emprego tenham mais conhecimentos sobre os seus direitos, aumentando-se a inclusão no mercado de trabalho.

Neste contexto, Wong Kit Cheng defende a criação de um sistema de certificação para empresas sociais com a concessão de subsídios de apoio à sua actividade. Desta forma, podem surgir mais oportunidades de emprego para deficientes. Wong Kit Cheng quer também uma análise, por parte das autoridades, quanto ao panorama de cuidados de saúde gratuitos e o sistema de avaliação da deficiência, a fim de se realizar uma maior cobertura a doenças raras.

2 Set 2026

Taipa | Leong Hong Sai quer mais centros e postos de saúde

O deputado defende a construção de mais centros de saúde na Taipa, na zona central, perto do Jockey Club e na Taipa Velha. Leong Hong Sai argumenta que face à densidade populacional da Taipa, o acesso a serviços de saúde é fraco, mesmo com a actualização do plano de ordenamento urbanístico

Leong Hong Sai considera que a Taipa tem falta de centros e postos de saúde, apesar de a actualização do Plano de Ordenamento Urbanístico da Zona Norte da Taipa prever um terreno para a construção de um centro de saúde.

Numa interpelação escrita divulgada na sexta-feira, o deputado dos Moradores defende a necessidade de construir centros de saúde ou postos de saúdes nas proximidades da zona central, nas imediações do Jockey Club, assim como na Taipa Velha.

Citando o princípio do ciclo de vida de 15 minutos, previsto no planeamento urbanístico do Governo, de que os residentes deveriam conseguir deslocar-se a pé a um centro de saúde em 15 minutos, Leong Hong Sai realça que meta está longe de ser uma realidade na Taipa.

O deputado argumentou que a Taipa tem mais de 100 mil habitantes, sendo um dos distritos mais densamente povoados de Macau. No entanto, a ilha é apenas servida por duas instituições públicas de saúde, o Centro de Saúde de Nossa Senhora do Carmo-Lago e o Centro de Saúde dos Jardins do Oceano na zona. “É necessário continuar a melhorar as actuais instalações para responder de forma rápida ao aumento da procura de serviços médicos devido ao crescimento e envelhecimento da população,” lê-se na interpelação escrita.

Brasa e sardinha

O deputado dos Moradores também sugeriu que o Governo pode tomar como referência o modelo de “Comunidade Saudável” estabelecido no Edifício do Bairro da Ilha Verde, na zona norte da península de Macau. O modela assenta na colaboração entre os Serviços de Saúde e a União Geral das Associações dos Moradores de Macau para fornecer cuidados médicos gratuitos a residentes com doenças agudas comuns, tais como constipações e gastroenterites.

O deputado pergunta ao Executivo se pode “criar postos de saúde temporários ou clínicas móveis em algumas zonas da Taipa onde faltam recursos médicos”, e se pode “prolongar o horário de atendimento nocturno e ao fim-de-semana nos Centro de Saúde de Nossa Senhora do Carmo-Lago e dos Jardins do Oceano”.

Quanto ao centro de saúde da Taipa que o Governo está a planear, Leong Hong Sai perguntou se a configuração será baseada nos serviços especializados dos centros de saúde de Macau, optimizados segundo a estrutura de idades da população da zona.

Leong Hong Sai defende que a nova instalação deve operar em coordenação com os centros de saúde já existentes na ilha, para não repetir serviços e ter uma melhor cobertura.

31 Ago 2026

Lei de Terras | Deputado pede revisão para flexibilizar obras

O deputado Leong Hong Sai defende que a Lei de Terras deve ser revista a fim de reduzir a percentagem de concordância necessária dos proprietários para avançar com projectos de reconstrução em terrenos concessionados. O facto de se exigir 100 por cento de concordância tem impedido a realização de projectos, aponta

A necessidade de maior flexibilidade em projectos de reconstrução em terrenos concessionados levou o deputado Leong Hong Sai a defender, ao jornal Ou Mun, a revisão da Lei de Terras.

Segundo escreveu o jornal de língua chinesa, Leong Hong Sai lembrou que esta legislação e também o regime jurídico da renovação urbana têm critérios diferentes na definição das percentagens de propriedade para se avançar com projectos, o que impede a realização de muitas obras. Assim sendo, o deputado ligado à União Geral das Associações de Moradores de Macau (Kaifong) espera uma maior flexibilização nesta matéria.

Mais concretamente, o deputado sugeriu que, na Lei de Terras, a percentagem de propriedade para a concordância nas alterações contratuais dos terrenos concessionados deve baixar dos 100 para 80 por cento. Desta forma, a percentagem fica igual à que consta no regime jurídico da renovação urbana para projectos de reconstrução em edifícios com 40 ou mais anos. O deputado entende que só com estas mudanças se consegue eliminar as restrições legais para a realização de obras na área da renovação urbana.

Trocas e baldrocas

Outro ponto referido pelo deputado dos Kaifong, diz respeito à falta de desenvolvimento do modelo de troca de imóveis velhos por novos. Assim, este sugere que o Governo crie um modelo de avaliação e fixação de preços para diferentes zonas do território, a fim de se criar uma fórmula transparente e justa para a troca de casa.

Leong Hong Sai sugere ainda o lançamento de uma consulta pública sobre esta matéria para ouvir as opiniões da população e esclarecer os seus direitos.

A fim de se avançar na renovação urbana nas zonas mais antigas e degradadas de Macau, o deputado afirmou que o grupo criado para esse fim pelo Executivo tem de ter responsabilidades nas áreas de gestão de condomínio, além de que devem ser criados incentivos económicos. Tudo para que os residentes possam participar activamente no processo de renovação urbana.

Quanto aos edifícios que não têm administração de condomínio, Leong Hong Sai sugeriu que este grupo governamental assuma a gestão de edifícios de forma conjunta, incentivando o recrutamento de uma empresa de administração para vários grupos de edifícios sem gestão de condomínio. Desta forma, podem aliviar-se as despesas nesta área, criando-se uma solução transitória para a futura reconstrução de prédios e casas antigas.

Tendo em conta que o Governo tem cerca de 1,7 mil fracções de habitação para troca e 2,8 mil fracções de habitação para alojamento temporário, Leong Hong Sai sugeriu que o grupo utilize estes recursos, e que estude também uma maior flexibilização das candidaturas à habitação para troca.

Outra ideia, passa pelos descontos nas rendas da habitação para alojamento temporário, com vista a reduzir as despesas dos proprietários durante o período de reconstrução.

28 Ago 2026

GP Consumo | Associação pede nova ronda depois do Verão

Com um Verão desapontante, a Federação Industrial e Comercial das Ilhas pede uma nova ronda do grande prémio do consumo, para antecipar a época baixa. O presidente da associação revela que o consumo de residentes na Taipa Velha diminuiu com o programa de incentivo ao consumo em Hengqin

Com o fim das férias de Verão no horizonte, a actividade comercial e da restauração entrará numa época tradicionalmente mais fraca. Para atenuar o impacto de uma quebra de negócios já por si em crise, a Federação Industrial e Comercial das Ilhas de Macau defende que é necessário o Governo lançar uma nova ronda do programa grande prémio para o consumo nas zonas comunitárias.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o presidente da associação, Iun Ioc Va, elogiou o programa enquanto uma ferramenta importante para incentivar o consumo e beneficiar a economia dos bairros comunitários, e salientou que também a população tem esperanças que o programa continue.

O representante indicou que face às dificuldades que os negócios enfrentam, com crescente pressão operacional, os comerciantes e empresários da restauração adoptam atitudes mais prudentes. Com inflação e rendas elevadas, ao mesmo tempo que o poder de compra de residentes e turistas diminui, Iun Ioc Va considera que os comerciantes não têm alternativa a não ser o corte de despesas para lidar com as dificuldades operacionais.

Em relação ao programa de incentivo ao consumo, o dirigente associativo sugeriu maior flexibilização, como o aumento dos dias em que os cupões podem ser usados ou sorteados. O Governo também poderia acrescentar mais sorteios, como por exemplo a distribuição de cupões para bebidas gratuitas que seriam usados na compra de refeições.

Consumo multidestinos

Além do grande prémio do consumo, Iun Ioc Va entende que o Governo poderia estudar a atribuição de mais incentivos económicos em diferentes alturas do ano para melhorar o ambiente comercial nos bairros residenciais fora dos circuitos turísticos.

Fazendo eco de outras entidades semelhantes, o presidente da Federação Industrial e Comercial das Ilhas de Macau queixou-se dos fracos negócios durante as férias de Verão. A juntar-se a isso, em Julho Macau bateu recordes de chuva, o que afectou a vontade de deslocação dos turistas, mas também o poder de compra diminuído dos visitantes não compensou o aumento do número de visitantes que entraram na RAEM.

Mas outra mudança surgiu neste Verão. O representante dá como exemplo a Taipa Velho, onde os turistas representavam cerca de metade da clientela, sendo os restantes moradores das redondezas e pessoas que trabalham no Cotai. Porém, nestas férias de Verão, muitos consumidores locais passaram a consumir em Hengqin, onde foi lançado um programa de cupões de desconto para turistas, desviando parte da clientela para a Ilha da Montanha.

27 Ago 2026

Economia | Fracos resultados de negócios em zonas turísticas

O Verão está a terminar e nem o facto de Macau continuar a receber muitos turistas faz com que a economia local registe melhorias. Comerciantes com negócios em zonas turísticas continuam a queixar-se da quebra de vendas face a 2025, com menos gastos por parte dos visitantes

Vários comerciantes queixaram-se ao jornal Ou Mun de como continuam a registar menos vendas face ao ano passado, apesar do território continuar a receber bastantes visitantes. Tendo em conta que o Verão está a chegar ao fim, os comerciantes destacam como os turistas gastam actualmente menos dinheiro em Macau.

Um responsável de uma loja de lembranças, que não quis ser identificado, revelou que o volume de visitantes correspondeu às previsões, sendo que os meses de Julho e Agosto constituíram o pico de visitantes. Porém, o responsável afirmou que isso não se traduziu num melhor cenário de vendas para os comerciantes, com o volume de negócios a cair para cerca de metade em comparação com o período anterior à pandemia.

Este comerciante disse ainda que talvez já não haja tanta procura pelas tradicionais lembranças, como bolachas, sendo que os turistas mais jovens preferem passear sem sacos de compras, registando-se, assim, menos gastos. O proprietário da loja indicou que tanto o volume de vendas, como o montante, registaram quebras.

Uma tigela para cinco

Outro comerciante de uma loja de lembranças e artigos de turismo, que também não quis ser identificado, falou de uma situação semelhante, ou seja: menos compras e consumo face ao ano passado. O responsável explicou que muitos turistas apenas provam as amostras de bolachas ou outros produtos gastronómicos tradicionais, acabando por não comprar. Este estimou que o consumo médio, por visitante, foi de apenas 60 patacas.

O comerciante prevê que a queda de negócios nestes meses de Verão rondará os 10 a 20 por cento em termos anuais. Outro factor apontado para a quebra de vendas, prende-se com as elevadas temperaturas, pois este Verão foi mais quente e com mais períodos de chuva. Desta forma, este comerciante acredita que mais turistas optaram por ficar nos resorts do Cotai ao invés de passearem no centro histórico.

Outro comerciante, desta vez de uma loja que vende miudezas de boi, fala também de muitos visitantes a gastarem menos dinheiro. Este referiu que, habitualmente, vende uma tigela de comida a 70 patacas que chega para duas pessoas. Porém, o que acontece agora é um grupo pequeno de pessoas que apenas optam por provar a comida, comprando apenas uma tigela.

O dono da loja apontou também as elevadas temperaturas como uma das causas para a quebra de vendas, prevendo que, nos feriados do 1º de Outubro, o volume de negócios possa ser ainda pior.

26 Ago 2026

Segurança rodoviária | Pedidas medidas para diminuir acidentes

Ip Wai Keong, membro do Conselho Consultivo do Trânsito, considera que o crescente número de acidentes nas estradas tem de acabar, devendo ser reforçadas as acções de sensibilização em prol da segurança rodoviária. Ella Lei pede menos burocracia para resolver acidentes de menor gravidade

Agosto ficou marcado pela ocorrência, em apenas duas semanas, de três acidentes rodoviários, sendo que um deles envolveu a morte de um idoso. A pensar no aumento da sinistralidade rodoviária, o membro do Conselho Consultivo do Trânsito, Ip Wai Keong, referiu, segundo o jornal Exmoo, que é necessário reforçar a educação para que haja uma maior consciencialização do problema por parte de peões e condutores. O responsável defende também uma melhor planificação de estradas, bem como um processo mais rápido de revisão da lei do trânsito rodoviário.

Dados recentemente divulgados pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) mostram como entre Janeiro e Julho deste ano, Macau registou mais de oito mil acidentes de viação, menos 6,5 por cento face ao primeiro semestre de 2025. Porém, o número de casos fatais aumentou – quatro mortes no primeiro semestre, face a zero mortes em igual período do ano passado.

Ip Wai Keong destacou como missão primordial o reforço da consciencialização da segurança rodoviária junto de condutores e peões, apostando-se no conceito de condução defensiva. Porém, os peões também necessitam cumprir as regras de trânsito, atravessando a rua de forma correcta, nas passadeiras, acrescentou.

Embora refira que o CPSP realiza muitas acções de divulgação de informações sobre segurança rodoviária, pede que seja feito mais neste âmbito, com aposta nas redes sociais e novos meios digitais, para que se chegue a públicos-alvo de diferentes idades.

No que diz respeito à planificação de estradas, o conselheiro defende que muitas ruas não foram alvo de mudanças devido a questões históricas ou restrições geográficas, pelo que não se deve ter apenas em conta a segurança nas passadeiras ou intersecção de ruas. Ip Wai Keong deu o exemplo a alteração da circulação de trânsito na Zona Norte, que aliviou o cenário de engarrafamento, pelo que um ajuste sistemático da rede rodoviária é importante. Desta forma, o responsável pede que, em qualquer mudança de infra-estruturas para peões ou planificação de ruas, seja tido em conta o impacto no trânsito em zonas próximas. Este pede ainda uma maior regulação do uso de telemóvel ao volante e também quando os peões atravessam a passadeira.

Facilitar procedimentos

Por sua vez, a deputada Ella Lei destacou a necessidade de as autoridades melhorarem a forma como são resolvidos os acidentes de viação com menor gravidade, a fim de acelerar o processo e aliviar cenários de engarrafamento nas estradas.

Em comunicado, a deputada, ligada aos Operários, recordou que no interior da China e em regiões próximas de Macau já existe um sistema em que, no caso de ocorrência de acidentes sem mortos, feridos ou sem estragos de maior, basta tirar fotografias do ocorrido e preencher documentos a descrever o acidente. Cabe depois às autoridades policiais confirmar as devidas responsabilidades, podendo os condutores tratar da restante burocracia com a seguradora.

Para Ella Lei, este sistema pode reduzir, de forma significativa, o tempo gasto na resolução de acidentes e na obtenção de pagamentos por parte da seguradora.

25 Ago 2026

Consulta | Pedidas mais regras para espaços de lazer infantil

A Associação Geral das Mulheres de Macau defende que as autoridades devem criar mais critérios de segurança para espaços de lazer infantil. Esta foi uma das sugestões apresentadas ontem ao Governo a propósito da conclusão da consulta pública sobre o “Regime para a regulação de determinadas actividades e eventos”

Mais regras de segurança para espaços de lazer destinados às crianças. É esta a ideia deixada ontem pela Associação Geral das Mulheres de Macau (AGMM) no âmbito da conclusão da consulta pública sobre o “Regime para a regulação de determinadas actividades e eventos”.

Segundo um comunicado conjunto assinado pela AGMM, a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) e a União Geral das Associações de Moradores (UGAMM), foi sugerido pela AGMM a criação de regras de segurança para espaços que acolham actividades recreativas para crianças, a fim de eliminar os riscos de segurança.

A AGMM também defendeu um maior controlo do consumo de tabaco e álcool em salas de bilhar ou espaços de karaoke, tendo em conta que o Governo pretende flexibilizar o acesso de menores a estes locais de entretenimento. Foram ainda pedidas, em conjunto com a UGAMM, orientações claras para os proprietários destes espaços no que diz respeito à verificação da identidade dos adultos que acompanham os menores de idade nestes locais.

A UGAMM sugeriu que o Governo deveria analisar a possibilidade de prolongar o tempo de permanência para menores nestes espaços durante os fins-de-semanas e feriados. A fim de evitar que zonas residenciais venham a ser afectadas pelo barulho de alguns negócios, a AGMM pede que sejam elaborados critérios concretos para actividades que possam interferir com o descanso, nomeadamente ginásios situados em edifícios habitacionais.

Imagens com regras

Outro ponto destacado no comunicado, e que também é regulado por esta legislação, diz respeito à captura de imagens em zonas turísticas. Ella Lei, deputada ligada à FAOM, e Cheng Ka Man, membro executiva da FAOM, declararam que apenas fotógrafos com residência em Macau devem realizar este trabalho. Desta forma, sugerem a criação de um meio de verificação da identidade destas pessoas, a fim de evitar a realização de trabalho ilegal.

Já o vice-presidente da Associação Geral de Empregados do Sector de Serviço de Macau, Kuong Chi Fong, fez referência à situação nos salões de beleza, quando se propõe que um cliente deve ser atendido por um funcionário do mesmo sexo. Kuong Chi Fong pede maior flexibilidade nesta matéria, para que os donos dos espaços tenham maior facilidades em termos de recursos humanos.

Outra área que este regime vem regular, é a das oficinas de automóveis. Neste sentido, o presidente da Assembleia Geral da Associação dos Profissionais de Automóvel de Macau, Ho Kam Chio, que também subscreveu o comunicado, defende que as autoridades devem definir os padrões de armazenamento e números dos óleos de motores disponíveis nas oficinas. Também devem ser criadas medidas para as oficinas mais poluentes, nomeadamente com a concessão de apoios para uma mudança para espaços mais apropriados.

Todas as ideias defendidas por estas associações constam de um parecer com opiniões entregue ao Governo.

A consulta pública começou dia 6 de Julho e terminou esta quarta-feira, estando agora o Governo a analisar as opiniões para produzir o relatório final sobre o processo. Segundo um comunicado oficial de várias direcções de serviços, foram recolhidos 192 pareceres, com mais de 800 opiniões.

21 Ago 2026

Taiwan | Recurso de Levo Chan novamente negado

A justiça de Taiwan voltou a negar um recurso interposto pelo antigo líder da Tak Chun, após a sua esposa ter tentado levantar dinheiro de uma conta de um banco de Taipé. O tribunal da Formosa citou a sentença de Macau que o condenou por branqueamento de capitais, entre outros crimes

Um tribunal em Taiwan voltou a julgar improcedente um recurso interposto por Levo Chan, ex-líder da Tak Chun, que tentou aceder a dinheiro depositado no Banco Taipei Fubon, onde o empresário que cumpre pena de prisão em Macau terá depositados 200 mil dólares americanos e 50 milhões de dólares de Hong Kong, segundo órgãos de comunicação social de Taiwan.

O recurso agora negado confirma a sentença da primeira instância, num processo que começou com a esposa do ex-líder do grupo junket a tentar levantar pouco mais de 64.500 dólares americanos de uma conta no Banco Taipei Fubon.

Segundo a defesa de Levo Chan, o residente de Macau assinou um acordo com o banco para a abertura de uma conta bancária no dia em 26 de Junho de 2020. Porém, quando este encarregou a esposa de levantar parte dos depósitos, munida da caderneta bancária, o pedido foi recusado.

Segundo as explicações do banco, como Levo Chan foi condenado pelos crimes de associação criminosa, sociedade secreta, exploração ilícita de jogo e branqueamento de capitais pelos tribunais de Macau, as sentenças proferidas na RAEM provam que Chan não usou a conta bancária para o uso proposto.

Além das questões legais ligadas à proveniência dos fundos, o banco de Taipé argumentou que como Levo Chan não é residente de Taiwan, não poderia mandatar alguém para fazer levantamentos em seu nome, sendo necessário apresentar-se pessoalmente no balcão da instituição.

Várias injecções

Os representantes do Banco Taipei Fubon indicaram ainda que a conta do antigo junket terá recebido várias vezes grandes quantias de dinheiro provenientes de fontes desconhecidas e oriundas do Banco da China. Parte desses fundos terão sido trocados por obrigações, levantando suspeitas de branqueamento de capitais. As suspeitas adensaram-se a partir do momento em que Levo Chan não forneceu provas da origem de dinheiro e a conta foi congelada. Neste capítulo, o tribunal de primeira instância deu como provado que a conta no Taipe Fubon terá misturado dinheiro limpo com lucros ilegítimos.

A conta no Banco Taipei Fubon terá recebido três transferências 116,77 milhões de dólares de Hong Kong, entre Outubro de 2020 e Dezembro de 2021.

Em Novembro de 2024, Levo Chan foi condenado a 13 anos de prisão por ter sido considerado culpado de 27 crimes: 24 crimes de exploração ilícita de jogo em local autorizado, um crime de associação ou sociedade secreta, um crime de exploração ilícita de jogo e um crime agravado de branqueamento de capitais.

20 Ago 2026