Estudo | Quase metade de inquiridos querem apoios para habitação

A FAOM fez um inquérito para apurar as razões económicas que podem levar os jovens de Macau a não terem filhos. Quase metade revela necessitar de apoios à habitação e mais de 80 por cento apontam estabilidade salarial e segurança laboral como aspectos fundamentais para constituir família

A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) e a Associação das Mulheres de Dupla Carreira de Macau apresentaram ontem o resultado de um inquérito sobre as questões socio-económicas que podem condicionar os jovens de Macau a ter filhos.

Em conferência de imprensa, Ella Lei afirmou esperar que o Governo promova políticas de incentivo à natalidade com base em três vectores: habitação e emprego, maternidade e cuidados de saúde, políticas amigas da família.

Entre os mais de 650 inquiridos, 46,5 por cento indicaram que apoios concretos à habitação seriam medidas que favorecem casais que pensam ter, ou já têm, filhos. Já 48,9 por cento dos inquiridos sem filhos salientaram a importância do bom ambiente comunitário e estabilidade do espaço habitacional.

Quanto às questões laborais, 81,4 por cento apontaram a estabilidade salarial e segurança de manter o emprego como factores fundamentais para solidificar a confiança económica para constituir família.

A FAOM revelou ainda que 68,4 por cento dos entrevistados destacaram a importância de receber orientações sobre competências parentais e reforço dos serviços de apoio a cuidados pós-parto, enquanto 62,7 por cento defenderam a implementação de apoios à recuperação física pós-parto.

Ainda no capítulo da saúde, mais de metade dos inquiridos pediram a redução do tempo de espera nas consultas pré-natais e pós-parto e nos serviços de acompanhamento.

O que fazer

Ella Lei considera que a natalidade pode ser promovida através de políticas de habitação. A deputada sugeriu que no sistema de pontuação as famílias com filhos, ou que planeiam ter filhos, deviam ter mais pontos e prioridade na lista de vencedores dos concursos para habitação pública. Subsídios directos para atenuar o peso das rendas no orçamento familiar ou incentivos fiscais na compra de habitações foram outras das sugestões de Ella Lei.

Em termos laborais, a deputada pediu ao Governo a optimização da lei das relações de trabalho, com a proibição explícita da discriminação em razão da gravidez, e medidas para assegurar oportunidades de emprego para quem espera ou já é mãe.

Foi ainda sugerido que os serviços de apoio a cuidados pós-parto e a recuperação física sejam incluídos no sistema dos serviços de saúde pública, oferecendo preços acessíveis através da cooperação entre Governo e associações e instituições privadas.

6 Nov 2026

DSI | Hainan Airlines responsabiliza México por recusa de embarque

A directora dos Serviços de Identificação garante que o Governo está a tentar perceber os motivos que levaram a que, pelo menos, uma residente fosse impedida de embarcar em Pequim para o México. No entanto, a versão da companhia aérea e das autoridades do México não coincidem

A directora dos Serviços de Identificação (DSI), Sónia Chan Hoi Fan, revelou que a Hainan Airlines responsabiliza as autoridades mexicanas pela recusa de entrada de uma residente de Macau num voo que tinha o México como destino. O caso aconteceu no passado fim-de-semana, em Pequim, quando a Hainan Airlines exigiu que três residentes apresentassem um visto para viajar para o México, apesar de os detentores de passaporte da RAEM estarem isentos.

Em declarações à Rádio Macau, Sónia Chan afirmou que o Governo está a acompanhar o caso e que entrou em contacto com a companhia aérea chinesa a pedir explicações para o sucedido. Na resposta às autoridades de Macau, a Hainan Airlines indicou ter recebido informação das autoridades do México sobre uma alteração nas políticas de circulação para pessoas com o passaporte da RAEM.

Quando a residente denunciou a recusa de embarque, citou as justificações da Hainan Airlines que apontavam que os residentes de Macau passavam a necessitar de visto para viajar para o México, à imagem do que acontece com os residentes do Interior da China.

No entanto, a directora da DSI também reconheceu que a explicação da companhia difere da posição das autoridades do México que garantem não ter havido qualquer alteração da política de vistos. “Temos uma resposta preliminar do Consulado-Geral do México em Hong Kong que nos garante que a política de isenção de visto para os residentes de Macau se mantém”, afirmou a responsável. “Posteriormente, entrámos em contacto com a companhia aérea e as informações deles apresentam uma versão diferente. Precisamos de continuar a acompanhar o caso para perceber onde surgiu o problema”, reconheceu.

Férias arruinadas

O caso aconteceu a 31 de Outubro, quando três residentes tentaram viajar de Hong Kong para o México, com uma escala em Pequim. O objectivo da viagem era turístico, nomeadamente assistir às celebrações do Dia dos Mortos, de acordo com o relato divulgado nas redes sociais.

Dado o impedimento de embarcarem, e uma vez que os feriados dos Dia do Mortos se celebram principalmente entre 1 e 2 de Novembro, os residentes optaram por regressar à RAEM.

Macau e os Estados Unidos Mexicanos têm em vigor um acordo de isenção de visto que foi assinado a 19 de Setembro de 2008, e que entrou em vigor 30 dias depois. A isenção de visto aplica-se aos residentes de Macau com passaporte da RAEM ou aos nacionais mexicanos que pretendam deslocar-se ao território, sem intenção de obter um emprego ou exercer uma profissão.

Nas declarações de ontem, Sónia Chan recomendou à população que antes de viajar pesquise bem as políticas de entrada e saída para residentes noutras jurisdições. Esta foi a postura adoptada pela residente impedida de embarcar, que, segundo o relato divulgado nas redes sociais, mostrou aos trabalhadores da companhia a informação oficial do portal da RAEM. Todavia, o esforço revelou-se infrutífero.

5 Nov 2026

Imobiliário | Pedidos mais incentivos à compra de habitação

O presidente da Associação Comercial de Fomento Predial quer subsídios dos juros de créditos à habitação, incentivos financeiros directos a compradores e o retorno da residência por investimento. Num seminário que reuniu representantes do sector, Lok Wai Tak vincou a necessidade de implementar medidas num mercado em que os preços caíram mais de 40 por cento

O contínuo declínio do mercado imobiliário não está a ser endereçado com eficácia pelo Governo. Esta foi uma das mensagens principais de Lok Wai Tak, presidente da Associação Comercial de Fomento Predial de Macau, num seminário que reuniu representantes do sector na segunda-feira para discutir saídas para a crise que o mercado imobiliário tem enfrentado.

Um dos pontos transversais nas intervenções dos participantes foi o elogio às medidas aplicadas pelos governos do Interior da China e Hong Kong.

O presidente da Associação Comercial de Fomento Predial de Macau sugeriu ao Governo de Sam Hou Fai que retome a atribuição de residência da RAEM a investidores, que lance um plano de subsídios aos juros dos empréstimos para habitação, assim como incentivos financeiros directos para quem compra casa no território.

Segundo o jornal Ou Mun, o dirigente associativo pediu a “redução significativa o imposto do selo para transacções habitacionais”. Lok Wai Tak gostaria de ver a isenção total de imposto de selo para os primeiros seis milhões de patacas, e 0,5 por cento para transacções superiores de seis milhões de patacas.

Entradas de saída

Um dos aspectos em que a RAEM deveria olhar para o Interior da China e Hong Kong é no estabelecimento dos limites máximos do rácio dos empréstimos hipotecários, com Lok Wai Tak a apontar para rácios de 90 por cento. Recorde-se que desde 1 de Janeiro deste ano, o Governo aumentou o rácio dos empréstimos para compra de habitação para 80 por cento, sendo solicitando entradas de 20 por cento. Logo no primeiro trimestre do ano, a Autoridade Monetária de Macau deu conta de um aumento anual de cerca de 25 por cento nos novos empréstimos hipotecários destinados à aquisição de habitação.

Apesar das várias medidas lançadas pelo Executivo, o dirigente associativo sublinha que os preços de imoveis de Macau caíram mais de 40 por cento, o que demonstra que as políticas de incentivo não foram eficazes na revitalização do mercado imobiliário.

Em Outubro, o Interior da China lançou um subsídio de 1 por cento dos juros de empréstimos para compra de imóveis. Pegando nesse exemplo, Lok Wai Tak sugeriu um subsídio de 2 por cento durante cinco anos para os residentes que compram a primeira casa.

4 Nov 2026

LAG | Restauração e Associação Comercial pedem mais apoios

Representantes do comércio local mostram-se preocupados com o ambiente de negócios para as pequenas e médias empresas e pedem soluções para a fuga do consumo para o outro lado da fronteira

A União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau e a Associação Industrial e Comercial de Macau defendem a necessidade do Governo adoptar mais medidas de apoio à economia. As posições foram tomadas por dirigentes das associações, em declarações ao jornal Ou Mun, como antevisão das Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano.

Segundo o vice-presidente da União das Associações dos Proprietários de Estabelecimentos de Restauração e Bebidas de Macau, Fong Kin Fu, a esperança é que o Governo de Sam Hou Fai inclua nas LAG medidas que beneficiem directamente as empresas de restauração, bem como planos a médio e longo prazo para apoiar a economia local em cada zona da cidade. Este aspecto é visto como uma necessidade para assegurar a sobrevivência e o desenvolvimento das empresas.

“Não devemos depender de uma única política que possa mudar imediatamente a situação. É necessário um plano para desenvolver gradualmente a confiança do mercado”, afirmou Fong.

O dirigente associativo e empresário considerou ainda que o Governo deve ouvir a sociedade, assim como os médicos auscultam os pacientes, antes de fazerem um diagnóstico. Neste sentido, Fong sugeriu ao Governo realizar estudos para compreender as razões pelas quais os residentes não querem consumir em Macau e preferem gastar dinheiro no Interior. O responsável apontou que estes trabalhos são também importantes para se compreenderem as novas formas de voltar a atrair os consumidores para a RAEM.

Fong Kin Fu apontou ainda que os Prémios de Consumo nas Zonas Comunitárias, programa de atribuição de vales de desconto, não estão a ter impacto no mercado. O empresário exemplificou que observou que um restaurante com 70 mesas para banquetes só conseguiu ocupar cinco, durante o período de normal funcionamento. Além disso, os horários nocturnos tornaram-se um período com falta crónica de clientes.

Problemas públicos

Por sua vez, o presidente executivo da Associação Industrial e Comercial de Macau, Ng Wah Wai, considera que as pequenas e médias empresas estão a enfrentar vários desafios para continuarem a operar e que o consumo dos residentes fora de Macau se tornou uma questão de “interesse público”.

Ng Wah Wai alertou ainda que, dada a maior conectividade entre Macau e a Grande Baía, as empresas locais precisam de melhorar a qualidade dos serviços e dos produtos para atrair o consumo de residentes e turistas e se manterem competitivas.

Quanto ao relatório das LAG, Ng Wah Wai espera medidas que apoiem as empresas na exploração de mercados externos, uma vez que, nos últimos anos, muitas pequenas e médias empresas têm manifestado interesse em expandir-se para fora de Macau.

No que diz respeito ao investimento externo em Macau, o responsável considerou que o ambiente de investimento está mais animado em comparação com o ano passado. Ng Wah Wai afirmou ainda que as visitas de prospecção realizadas por “muitos investidores internacionais” a Macau mostram uma maior vontade de investir no território.

30 Out 2026

Idosos | Novo programa coloca serviços a uma distância de 15 minutos

O IAS está a desenvolver um novo programa para colocar todos os serviços essenciais para os idosos num raio de 15 minutos. O programa piloto vai arrancar primeiro em Seac Pai Van

O Instituto de Acção Social (IAS) está a desenvolver um programa experimental para colocar todos os serviços necessários aos idosos a uma distância máxima de 15 minutos. A ideia foi revelada por U Ka Wai, chefe do Departamento de Solidariedade Social do IAS, no programa Fórum Macau, emitido pelo canal chinês da Rádio Macau.

No período experimental, a medida vai ser aplicada em Seac Pai Van, na ilha de Coloane, e a informação sobre os serviços disponíveis vai poder ser encontrada na aplicação Conta Única. “Vamos disponibilizar funções como um mapa electrónico, inscrição em diferentes actividades, aluguer de equipamentos auxiliares nesta secção de informações”, contou U. “Esperamos que desta forma haja mais idosos a considerarem que é conveniente participar nas actividades comunitárias, criando uma maior ligação destes com a comunidade, ao mesmo tempo que podem sentir que é fácil obter apoio”, acrescentou.

U Ka Wai apontou também que muitos dos idosos preferem viver nas próprias casas, em vez de se mudarem para lares, e que o Governo aceita esta escolha e vai criar medidas para tornar essa opção mais cómoda.

Apesar disso, o responsável sublinhou que o IAS está a construir mais redes de apoio comunitário, como centros de dia para os idosos nas diferentes zonas da cidade. Também as pessoas com mais idade que vivem em zonas com centros de dia são convidadas a participar nas actividades. Este esforço governamental está a ser levado a cabo em conjunto com diferentes associações.

Quanto aos idosos que moram sozinhos ou têm dificuldade de deslocação, o IAS promete melhorar os serviços de entrega de refeições, acompanhamento a consultas médicas, limpeza domiciliária, cuidados de saúde e terapia de reabilitação.

Refeições saudáveis

Durante o programa matinal, U Ka Wai revelou ainda que o Governo vai lançar o “programa de refeições saudáveis para idosos”, em conjunto com a Universidade de Turismo de Macau.

Este programa vai levar à definição de normas para as refeições que visam aspectos como a quantidade de comida, o tipo de alimentos mais recomendado e a forma de confecção. “Também vamos, em cooperação com a UTM, criar formações para os cozinheiros confeccionarem as nossas refeições de forma mais saudável. Esperamos incentivar a restauração a disponibilizar refeições mais saudáveis para os idosos terem mais escolha”, destacou U Ka Wai.

Por sua vez, o secretário-geral da Cáritas Macau, Paul Pun, indicou que planeia operar cantinas comunitárias para idosos. A Cáritas vai abrir dois restaurantes na Areia Preta e na Rua da Praia do Manduco. O espaço da Rua da Praia do Manduco vai abrir no próximo mês e fornecer almoço e jantar aos idosos. O principal objectivo é criar um espaço de convívio para os mais velhos à hora refeição.

29 Out 2026

IA | Associação admite substituição de trabalhadores

A Associação Económica de Macau acredita que os trabalhadores não residentes vão ser os mais afectados pela implementação da inteligência artificial, mas reconhece que vai ficar mais complicado para os jovens de Macau entrarem no mercado de trabalho

A Associação Económica de Macau admite que os recém-licenciados vão ter cada vez mais dificuldades em encontrar um emprego devido à implementação da inteligência artificial (IA), mas defende que a tendência não se verifica apenas em Macau. A posição consta de um artigo de opinião publicado no jornal Ou Mun pelo subchefe do Conselho de Jovens da associação, Leong Ka Hou.

No artigo, o responsável explicou que os trabalhos caracterizados por uma elevada repetição de tarefas, processos padronizados e fácil adaptação da tecnologia vão ser os mais afectados pela substituição.

Leong apontou que os exemplos fora da RAEM mostram que a adopção das novas tecnologias está a reduzir gradualmente os postos de trabalho que normalmente eram ocupados pelos mais jovens, quando iniciavam a carreira profissional. O responsável destacou os casos de Hong Kong e Singapura e afirmou que, nestas cidades, as vagas de emprego a tempo inteiro para profissionais em início de carreira continuam a diminuir.

Leong Ka Hou argumentou ainda que face à expansão da inteligência artificial as empresas mostram-se mais cautelosas nas contratações.

Macau melhor

Apesar do cenário negativo, o subchefe do Conselho de Jovens da Associação Económica de Macau considera que o impacto em Macau vai ser sentido de forma mais gradual, do que nas outras jurisdições mais ligadas à indústria manufactureira.

Leong Ka Hou argumentou que a economia de Macau se foca principalmente no sector dos serviços, no qual a maioria das posições depende do atendimento presencial e que dificilmente é substituída por máquinas.

O membro da associação considera que a substituição dos trabalhadores até pode ter um efeito positivo em Macau, com a redução do conflito entre residentes e trabalhadores não residentes (TNR). Leong Ka Hou explicou este ponto de vista com o facto de os TNR ocuparem maioritariamente os trabalhos menos qualificados, pelo que serão os primeiros a ser afectados pelo fenómeno. Como os TNR são os mais afectados, Leong indica que a substituição é uma oportunidade para melhorar a estrutura dos recursos humanos de Macau.

Apesar destas alterações, devido ao envelhecimento populacional, Leong Ka Hou considerou que a oferta de mão-de-obra em Macau é inerentemente insuficiente, pelo que sugere ao Governo a adopção de uma estratégia para a transformação da força de trabalho, com base nas tendências futuras de emprego e através da requalificação profissional dos residentes, de forma a prepará-los para os futuros empregos.

Leong Ka Hou pediu ainda um mecanismo de formação em tecnologias de IA e a formação de quadros nas indústrias de saúde, finanças, tecnologias de ponta e desporto, cultura, exposições e convenções.

27 Out 2026

Ruído | Pedida mais eficácia no tratamento das queixas

O deputado ligado à comunidade de Fujian, Nick Lei, defende um regime que facilite a recolha de provas nos casos de excesso de ruído e alerta que em média, a cada hora, há pelo menos uma queixa

O deputado Nick Lei defende que o Governo tem de melhorar a eficácia do mecanismo de queixas sobre ruído, principalmente no que diz respeito à recolha de provas. A posição consta de uma interpelação escrita do legislador ligado à comunidade de Fujian.

Nick Lei aponta, de acordo com os dados oficiais, que no ano passado, a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) registou 10.182 queixas sobre ruído. Este número representou uma queda anual de 372 queixas face às 10.554 de 2024, mas o legislador destaca que continua a ser registada uma queixa a cada hora.

Além disso, Lei apontou que entre as 10.182 denúncias, apenas em 117 casos foi possível identificar os infractores e multá-los, o que significa uma proporção de 1,1 por cento de todas as queixas.

Por isso, Lei entende que é necessário facilitar a recolha de provas sobre a existência de ruído para lidar com o impacto na vida dos residentes: “A região vizinha [Hong Kong] introduziu tecnologias para ajudar na execução da lei e no tratamento das queixas, com ferramentas para localizar o ruído de alta frequência vindo de origem desconhecida ou de forma irregular”, aponta. “O Governo pode seguir estas experiências […] e estudar a introdução das tecnologias e ferramentas para resolver as dificuldades de recolha de provas?”, questiona.

Desde 2020, Hong Kong passou a utilizar câmaras acústicas para os agentes do Departamento de Protecção Ambiental investigarem a origem do ruído. Estes equipamentos recolhem som e imagem e conseguem identificar a origem do som.

Apesar desta sugestão, Lei reconhece que identificar a origem do ruído é um grande desafio, porque, muitas vezes, tratam-se de fenómenos repentinos e aleatórios com origem em residências ou lojas.

Revisão da lei

Além de pedir ao Governo que facilite a recolha de provas, Nick Lei espera igualmente uma apresentação de um calendário para a revisão da lei porque “há muitas vozes na sociedade a pedir a revisão”.

O deputado recorda que no passado o Executivo recusou fazer a revisão, por indicar que é necessário haver um consenso social e um equilíbrio entre as rotinas diárias dos residentes e as suas actividades. Contudo, o membro da Assembleia Legislativa considera que estão reunidas as condições para avançar com a revisão.

No documento, Nick Lei sugere que o Governo dê formação sobre mediação do ruído aos administradores de condomínios, para que estes possam intervir e pedir o respeito pelos limites do volume do som, quando identificarem potenciais casos de infracção.

22 Out 2026

Médicos | Governo descarta queixas e garante contratações

Depois de uma residente se ter queixado da falta de vagas de emprego nos hospitais locais após a formação de médicos especialistas, os Serviços de Saúde desmentiram o desfasamento entre formação e recrutamento e vincaram a prioridade de contratação de médicos locais

Na segunda-feira, uma ouvinte do programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau denunciou a falta de correspondência entre os planos de formação de médicos especialistas e as oportunidades de emprego de especialistas em hospitais de Macau.

“Antigamente, os nossos hospitais formavam médicos especialistas. Mas, desde 2026, se os hospitais deixarem de dar vagas estes profissionais ficam desempregados ou têm de procurar trabalho noutro lugar. Se os hospitais não tencionam recrutar estes médicos, porque lhes dão formação? Não tiveram em conta as necessidades de mão-de-obra?”, questionou.

A queixa foi mais tarde negada pelos Serviços de Saúde (SS), em respostas enviadas à emissora pública. As autoridades sublinharam que os recursos e os profissionais médicos são os pilares fundamentais para salvaguardar a saúde dos residentes, e que sempre prestam elevada atenção à formação e ao desenvolvimento de quadros qualificados locais. A entidade liderada por Alvis Lo indicou que o investimento em saúde tem sido mantido de forma consistente, focado no objectivo de concretizar o “princípio de priorizar a contratação de residentes de Macau”, sem endereçar directamente a queixa.

Além disso, os SS afirmaram que o Centro Hospitalar Conde de São Januário e o Peking Union Medical College Hospital estão a recrutar médicos de diversas especialidades, e que algumas vagas serão preenchidas por profissionais que terminaram o estágio.

Assim sendo, os SS garantiram que vão “zelar pela formação de quadros qualificados na área da saúde e pela construção da respectiva equipa, reforçando a comunicação e a colaboração com as instituições de formação e optimizando a utilização dos recursos formativos”.

A declaração foi proferida num comunicado alusivo à “Cerimónia de abertura da 2.ª edição da formação de médicos residentes”, que marcou um novo passo na carreira de 42 profissionais. O director Alvis Lo referiu que “nos próximos seis anos, os serviços competentes subordinados aos Serviços de Saúde proporcionarão um ambiente de aprendizagem médica favorável à formação especializada e ao crescimento pessoal” dos formandos, permitindo que se integrem “nas fileiras dos médicos especialistas”.

21 Out 2026

Função pública | População acha que bom atendimento depende de cunha

Um estudo feito por associações ligadas aos trabalhadores da função pública alerta que os residentes acreditam que as relações pessoais são importantes para ter um bom atendimento em serviços públicos

Os residentes consideram que a eficácia dos serviços públicos na resolução dos problemas depende da existência de cunhas. A conclusão faz parte de um estudo elaborado pela Federação das Associações dos Trabalhadores da Função Pública de Macau e pela Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Origem Chinesa de Macau, apresentado no sábado.

Segundo o jornal Ou Mun, o trabalho de investigação teve por base 2.063 respostas válidas de residentes, reunidas entre Março e Junho deste ano, e tentou avaliar a percepção sobre os Serviços Públicos. Os autores utilizaram uma escala de 1 a 5 e confrontaram os inquiridos com diferentes cenários. Quanto mais alta a pontuação dos cenários, maior a percepção de que estes se verificam na realidade.

Quando os inquiridos foram confrontados com a necessidade de conhecer alguém nos serviços públicos para verem os seus problemas resolvidos, a resposta atingiu 2,89 pontos. Este resultado mostra que os inquiridos acreditam que um bom atendimento nos serviços públicos de Macau depende da existência de conhecidos. Apesar do que percepcionam como uma prática existente, os residentes afirmam não concordar com esta forma de actuação (2,13 pontos).

Face a estes indicadores, as equipas das associações responsáveis pelo estudo apontaram que “os residentes são obrigados a recorrer a relações pessoais devido à falta de eficácia nos serviços”, mesmo que desaprovem esta cultura.

Os investigadores destacaram ainda que este resultado alerta a sociedade para a necessidade de “elevar a eficácia e a imparcialidade dos serviços públicos”.

Meios electrónicos aprovados

Em termos das percepções, foi ainda apurado que os residentes consideram que o atendimento online acarreta menores encargos administrativos para a população, o que mostra o apoio a esta opção, em vez dos atendimentos presenciais.

Os investigadores apontaram também que os residentes defendem a existência de mecanismos de queixas convenientes e eficazes e que estes contribuem para legitimar as acções da administração. O estudo mostrou ainda que os residentes admitem compreender com dificuldade a linguagem utilizada nos documentos oficiais (2,6 pontos) e as funções dos serviços públicos (3,13 pontos).

Face aos números foi concluído que a população sente dificuldades em entender os documentos oficiais e identificar as funções dos diferentes organismos.

Na conferência de imprensa, os investigadores defenderam ainda “uma melhoria geral da qualidade dos serviços” e a reforma dos serviços com tempos de atendimento mais longos, que criam a percepção da necessidade de cunhas.

20 Out 2026

Creche Smart | Christiana Ieong detida por suspeitas de burlar IAS

A PJ anunciou ontem a detenção de três responsáveis da Creche Smart, por suspeitas de defraudar o Instituto de Acção Social em 3,9 milhões de patacas. Entre as detidas estará a directora da instituição, Christiana Ieong. As acusações incluem contratações fictícias e falsificação de extractos bancários

O diferendo entre a associação Zonta Club de Macau, que geria a Creche Smart, e o Instituto de Acção Social (IAS) conheceu ontem um desfecho de cariz criminal. A Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção de três residentes suspeitas de defraudarem o Instituto de Acção Social em 3,9 milhões de patacas, através da obtenção de fundos públicos de apoio para o funcionamento de uma creche na Taipa. Além das detidas, a PJ procura um homem alegadamente envolvido no esquema fraudulento.

As autoridades não mencionam directamente a Creche Smart, mas não só os contornos das suspeitas correspondem à conclusão da investigação do Comissariado Contra a Corrupção, como a identificação das pessoas detidas parece indicar que entre elas, a suspeita de apelido Ieong de 63 anos de idade, será Christiana Ieong, presidente fundadora e directora da Creche Smart. Ieong foi descrita pela PJ como a cabecilha do grupo.

As outras duas detidas são uma mulher de 39 anos e outra de 47 anos, que as autoridades dizem se terem feito passar por responsável de recursos humanos e responsável da área financeira contratadas pela Smart.

As autoridades alegam que os fundos públicos terão sido utilizados para pagar os salários dos quatro suspeitos. Como tal, estão acusadas da prática dos crimes de burla de valor consideravelmente elevado, cuja moldura penal vai de dois a 10 anos de prisão, falsificação informática (multa, ou pena até três anos de prisão), branqueamento de capitais (prisão até 8 anos) e associação criminosa (entre três a 10 anos de prisão). O caso foi encaminhado para o Ministério Público. Este último crime pode levar a uma pena máxima de 12 anos de prisão para quem “chefiar ou dirigir” o grupo.
Seguir as pisadas

As autoridades garantiram ontem que estão a intensificar esforços para capturar o indivíduo em fuga, assim como rastrear o fluxo dos fundos ilícitos. Durante a investigação, a PJ apreendeu telemóveis, dois computadores e um disco externo das três suspeitas.

O anúncio de ontem das detenções culmina um braço de ferro entre a Creche Smart, e a sua directora, e o IAS e a liderança de Hon Wai, que envolveu uma batalha judicial e investigação do CCAC, com uma troca acesa de acusações.

No final de Junho, o IAS anunciou o fim da ligação à associação Zonta Club de Macau, entidade gestora da creche Smart, colocando um ponto final na cooperação, depois de a associação ter interposto uma providência cautelar nos tribunais para travar o fim do financiamento público e recuperação das instalações. A Creche Smart fechou portas no dia 15 de Agosto.

16 Out 2026

Deficientes Visuais | Pedida mais atenção para necessidades especiais

O deputado Nick Lei alerta que as falhas na manutenção do piso táctil nos passeios estão a criar situações de perigo para os cidadãos com dificuldades visuais. Lei pede também uma nova legislação para obrigar os espaços privados a criarem melhores condições de acessibilidade

O deputado Nick Lei considera que é necessário fazer mais para garantir uma cidade sem barreiras de acordo com as expectativas da sociedade. Em causa, está o facto de o legislador considerar que existem várias falhas na manutenção do piso táctil, instalado nos passeios e utilizado para orientar as pessoas com dificuldades visuais.

Num comunicado, o deputado ligado à comunidade de Fujian apontou que existem problemas relacionados com os pisos tácteis com danos, materiais soltos ou fora de posição, o que impede a sua utilização.

No entanto, Lei destacou que mais perigoso do que esses pisos tácteis impedirem a utilização é o facto de, em algumas situações, orientarem de forma errada as pessoas com dificuldades visuais, criando situações de perigo ou levando os utilizadores por caminhos bloqueados ou interrompidos.

Além disso, Nick Lei salientou que em vários bairros antigos, centros comerciais ou lojas, faltam instalações de acessibilidade, o que traz dificuldades para as pessoas com deficiência visual dificuldades visitarem estes locais sem o apoio de terceiros, limitando ainda mais a sua vida quotidiana.

Outras expectativas

O deputado destaca ainda que a sociedade tem a expectativa de criar um ambiente pedonal acessível e conveniente, como decorre do 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM.

Neste sentido, Nick Lei sugere que o Governo preveja e analise todas as instalações destinadas às pessoas com deficiência visual na cidade e melhore as instalações para facultar a acessibilidade, com vista a reforçar o ambiente social nos âmbitos da inclusão e integração.

Quanto à manutenção diária das instalações destinadas às pessoas com deficiência visual, o legislador sugeriu que o Governo crie um mecanismo de inspecção permanente e que a manutenção dos pisos tácteis e das instalações seja incluída no âmbito da manutenção municipal diária.

Por outro lado, o deputado pediu ao Governo que garanta o correcto funcionamento do guia dos pisos tácteis, em rigorosa conformidade com as normas arquitectónicas para a concepção de design universal e livre de barreiras, na RAEM.

Nick Lei sugeriu ainda a aprovação de nova legislação para regular o ambiente sem barreiras, criando novas obrigações de acessibilidade para espaços privados, de forma a evitar discriminações.

16 Out 2026

Deputada questiona atrasos de Planos Pormenor na Zona Norte

A deputada Song Pek Kei quer saber em que fase estão os Planos Pormenor da Zona Norte da península e questiona quando será possível avançar com os prometidos projectos de renovação urbana.

Numa interpelação escrita, a deputada ligada à comunidade de Fujian residente em Macau, afirmou que caso o Governo não publique, o mais rapidamente possível, os Planos de Pormenor para as zonas abrangidas, estarão em causa projectos como a reconstrução de edifícios antigos, infra-estruturas comunitárias e a transformação de edifícios industriais, por falta base jurídica.

“O Governo destacou várias vezes que vai acelerar o processo de renovação urbana apostando num pensamento inovador e que os Planos Pormenor serão a base do reordenamento dos bairros antigos, a transformação dos terrenos e desenvolvimento de zonas. Mas como está o progresso da elaboração do Plano de Pormenor da Unidade Operativa de Planeamento e Gestão (UOPG) da Zona Norte – 1 e de outras zonas?”, questionou.

De frisar que os Planos Pormenor são desenvolvidos no âmbito do Plano Director da RAEM, que delimita 18 UOPG. Porém, o website da Rede de Informação de Planeamento Urbanístico da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana refere que apenas foram iniciados os Planos Pormenor para as zonas Este-2, Zona do Porto Exterior-1 e Zona do Porto Exterior-2, Norte-1 e Taipa Central-2, sendo que apenas a UOPG para a zona Este-2 registou avanços.

Ilha Verde à espera

Outro ponto destacado na interpelação da deputada, prende-se com atrasos na requalificação de alguns espaços na zona da Ilha Verde, que também estão incluídos no planeamento da Zona Norte.

Song Pek Kei exige que o Governo apresente uma agenda para a mudança do Matadouro Municipal, Cais de Dragagem e renovação de edifícios industriais dispersos e ineficientes. A deputada citou, na interpelação, o Plano de Ordenamento Urbanístico da Zona da Ilha Verde, onde se explica que este tipo de infra-estruturas vão ter nova localização para que esta zona tenha mais espaços pensados para atingir o objectivo da diversificação económica do território.

15 Out 2026

Fundo de Pensões | Sugerido investimento para garantir sustentabilidade

Nick Lei e Nelson Kot defendem que o Fundo de Pensões deve angariar recursos próprios com investimentos prudentes que garantam a sua sustentabilidade. Kot considera que o Governo deveria divergir entre 30 mil e 50 mil milhões de patacas de receitas fiscais do jogo por ano

A anúncio da transferência de 15,9 mil milhões de patacas para o Fundo de Pensões da Função Pública vindos da reserva financeira da RAEM mereceu reacções de algumas figuras públicas. O deputado Nick Lei e o ex-candidato a deputado Nelson Kot entendem que o Executivo devia procurar soluções a longo prazo para financiar de forma sustentável o fundo.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o legislador ligado à comunidade de Fujian defende que para assegurar a “saúde” da reserva financeira e os direitos estatutários dos funcionários públicos, o Fundo de Pensões deve seguir princípios fundamentais de gestão prudente, através de investimentos que dêem prioridade à estabilidade, mantendo riscos controláveis.

Nick Lei entende que o Fundo de Pensões deve ter a capacidade para avaliar mercado financeiro global, o ambiente de investimento e a tendência económica, no momento de alocar activos e montar estratégias de investimento. O objectivo é garantir retornos de investimento razoáveis, estáveis e sustentáveis e o desenvolvimento sustentável da saúde financeira da RAEM.

Poucos por muitos

Por seu turno, Nelson Kot recordou que o regime de pensões é uma herança da Administração portuguesa, mas que actualmente o Fundo de Pensões sofre a pressão de ter poucos contribuintes e muitos beneficiários.

Em relação à transferência anunciada na segunda-feira, o analista entende não ser suficiente e sugeriu que o Governo transfira anualmente para o Fundo de Pensões uma parte das receitas fiscais do jogo, entre 30 mil a 50 mil milhões de patacas, ou que procure retornos de investimento.

Em declarações ao jornal Exmoo, Kot considerou que o montante transferido da reserva financeira deveria ser usado para procurar retornos através de investimentos cambiais ou em títulos de obrigações.

Nelson Kot recordou que cerca de três mil funcionários públicos preenchem os requisitos para pedir a reforma, ou têm idade superior a 55 anos, sendo expectável o aumento dos gastos com pensões.

14 Out 2026

Ponte da Amizade | Pedida análise a causas de acidentes

O deputado dos Operários, Leong Sun Iok, quer que as autoridades estudem as causas dos muitos acidentes de viação que acontecem na Ponte da Amizade, sugerindo a possibilidade de proibir a mudança de faixa. Um membro Conselho Consultivo do Trânsito pede mais vigilância no meio do tabuleiro da ponte

Leong Sun Iok considera que o Governo devia fazer mais para prevenir acidentes de viação na Ponte da Amizade, um dos pontos negros da circulação rodoviário de Macau.

Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, o deputado dos Operários começou por salientar que o tabuleiro da ponte é relativamente estreito, faltando espaço para a circulação, em especial de motociclos. É por essa razão, na óptica de Leong Sun Iok, que é frequente as scooters e motas acabarem por circularem na berma, o que não só acarreta riscos para a segurança e origina frequentes acidentes, como é contra a lei do trânsito rodoviário.

O deputado entende que o Governo deve, em primeiro lugar, identificar as principais causas dos acidentes de viação na ponte antes de aplicar medidas.

“Algumas pessoas defendem que a circulação de motociclos deveria ser limitada na Ponte da Amizade, mas não existe consenso social sobre a matéria. São precisos factos, análises de dados para saber se o problema é o excesso de velocidade ou, por exemplo, a mudança de faixa”, indicou. Caso se conclua que a mudança de faixa é um dos maiores perigos, Leong Sun Iok defende a instalação de traços contínuos que proíbam a mudança de faixa.

Mais vigilância

Dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública revelaram que na primeira metade deste ano, a Ponte da Amizade é o local com maior frequência dos acidentes de viação, totalizando 181 sinistros no primeiro semestre do ano. Os outros pontos negros da segurança rodoviária são a Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues (170 acidentes), Estrada do Istmo no Cotai (142 acidentes), Avenida de Wai Long na Taipa (133 acidentes) e Ponte de Sai Van (129 acidentes).

O membro do Conselho Consultivo do Trânsito, Kuok Meng Chit, considera que na Ponte de Amizade faltam equipamentos de monitorização na secção intermédia do tabuleiro, e sugere a instalação de câmaras de videovigilância e radares para detectar a velocidade. “Do que pude observar, a secção intermédia da ponte é onde os veículos tendem a circular com maior velocidade, ultrapassando os limites impostos por lei”, apontou.

Devido ao elevado fluxo rodoviário na Ponte da Amizade, o conselheiro não considera realística a proibição de circulação de motociclos.

13 Out 2026

Novo Bairro | Insatisfação com descontos e qualidade de construção

Obrigados a pagar o que consideram defeitos de construção e insatisfeitos com a política recente de descontos para novos compradores, alguns proprietários de habitações no Novo Bairro de Macau, em Hengqin, foram ao centro de vendas mostrar o seu estado de espírito

A qualidade de construção das habitações no Novo Bairro de Macau, em Hengqin, e a adopção de descontos para atrair novos compradores levaram alguns moradores a manifestar-se. Segundo vídeos partilhados nas redes sociais, cerca de 10 pessoas, algumas com máscaras e outras com bandeiras da República Popular da China, deslocaram-se ao centro de vendas do projecto, no outro lado da fronteira, a pedir explicações e a mostrar insatisfação.

Nas imagens é possível ver uma mulher, com a cara destapada, a mostrar-se insatisfeita com o facto de os moradores terem de pagar os reparos relacionados com defeitos de construção. “As janelas caem e as paredes apresentam fissuras, e temos de ser nós a pagar a reparação do nosso bolso porque nos dizem que o prazo de garantia das obras chegou ao fim”, criticou.

O Novo Bairro de Macau foi construído pela empresa Macau Renovação Urbana, uma entidade financiada a 100 por cento com capitais públicos. O empreendimento situado em Hengqin tem cerca de 4 mil habitações que apenas podem ser compradas por residentes.

Além das bandeiras, os manifestantes apresentavam ainda papéis com imagens de cebolinhas chinesas por se sentirem explorados. Na sociedade chinesa, a expressão remete para os pequenos investidores nas bolsas financeiras que são enganados ou explorados por grandes empresários, mas que mesmo assim não abdicam de defender os seus direitos. Todavia, a expressão evoluiu e deixou de ser utilizada apenas no contexto financeiro.

Gota de água

Na semana passada, a Macau Renovação Urbana anunciou a campanha de promoções “triplo incentivo”, que atribui aos novos compradores do projecto regalias na compra de lugares de estacionamento, decoração das habitações e reduções das despesas com a gestão do condomínio.

Além disso, a empresa também anunciou que a venda dos apartamentos no projecto passa a poder ser feita por qualquer agente imobiliário, a troco do pagamento de uma comissão de três por cento. Até agora, apenas alguns agentes estavam autorizados a realizar as vendas.

No entanto, as medidas criaram insatisfação entre os manifestantes que acusam o Governo de ter faltado à verdade ao indicar que as suas compras foram feitas ao preço de construção. “Agora os preços foram reduzidos em dezenas de milhares de renminbis e os agentes imobiliários podem receber uma comissão de três por cento sobre a venda. Foi isto que eles [governantes] disseram quando afirmaram que não havia margem para reduzir mais os preços?”, vê-se a mulher perguntar. “Quem é que agora pode acreditar nas promessas de que isto era um projecto em prol da vida da população e que as vendas foram feitas ao preço de custo?”, interrogou.

A mesma pessoa indica ainda que as vendas deste projecto dependem da credibilidade das autoridades e que estas acções prejudicam esse activo. O HM contactou ontem a Macau Renovação Urbana sobre o incidente, mas até ao fecho de edição não recebeu qualquer resposta.

12 Out 2026

Violência | Homem morre após discussão familiar

Um homem morreu no hospital depois de se ter sentido mal no contexto de uma forte discussão com a mulher, de 62 anos. Segundo o jornal Ou Mun, o caso ocorreu na última sexta-feira de madrugada, às 4h30, na casa de ambos em Seac Pai Van, Coloane.

A mulher saiu à noite e, quando voltou, começou a discutir com o marido, exigindo o pagamento de despesas diárias e dívidas de 10 mil patacas contraídas nos últimos anos.

A conversa escalou para a violência, tendo o homem, segundo relato da Polícia Judiciária (PJ), agredido a mulher com uma barra de exercícios, o que a levou a pegar em duas facas em resposta à agressão.

Nesta fase, o homem sentiu-se mal e desmaiou, tendo chegado ao hospital já sem sinais de respiração ou batimentos cardíacos. O homem sofria de doença cardíaca e ficou com alguns ferimentos no contexto desta disputa familiar, estando a PJ ainda a investigar se estes foram provocados pelas facas. O caso foi encaminhado ao Ministério Público pela suspeita da prática de crimes de ofensa simples à integridade física, pela gravidade do resultado, e ainda o crime de produção, detenção ou utilização de arma ou coisa conexa proibida.

12 Out 2026

Táxis | Dirigente diz que sector não é atractivo para motoristas

A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego atribuiu 14 licenças para a exploração de 700 táxis, mas Tony Kuok, dirigente associativo, diz que podem ser necessários cerca de dois mil motoristas e que o panorama de negócio pode não ser atractivo

 

Tony Kuok, presidente da União Geral dos Taxistas de Macau, defendeu que as novas licenças para táxis podem acarretar maior necessidade de motoristas e que há o risco de os profissionais não verem interesse na profissão. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Tony Kuok estimou que podem ser necessários mais de dois mil motoristas de táxi para dar resposta às 14 licenças atribuídas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), e que trarão mais 700 veículos para o mercado.

Cada licença terá a duração de oito ano, sendo que os novos veículos de transporte vão entrar gradualmente em operação a partir do segundo e terceiro trimestre do próximo ano.

Tony Kuok salientou que, na actual situação, pode não ser fácil atrair novos profissionais. “Para os novos motoristas que entrem no sector, tudo vai depender dos benefícios que tenham no trabalho e quanto vão conseguir ganhar. Muitos dos motoristas mais antigos estão prestes a reformar-se e pode haver maior concorrência ao nível dos recursos humanos”, defendeu.

Tony Kuok espera que o Governo reforce a fiscalização das condições de trabalho, para que estejam de acordo com o que está estipulado no caderno de encargos das licenças de táxi e para que os direitos dos motoristas estejam protegidos.

O dirigente disse ainda que “as empresas devem ter sensibilidade em relação às necessidades dos motoristas e dos rendimentos que estes podem auferir”. “Se houver boas condições salariais, penso que os motoristas vão valorizar este trabalho e isso irá contribuir para um serviço melhor”, acrescentou.

Pedido planeamento

Ainda relativamente ao concurso de atribuição de novas licenças de táxi, as propostas vencedoras variam entre 5,1 e 6 milhões de patacas, valores superiores à proposta mais elevada do concurso de 2023, no valor de 3,8 milhões de patacas.

O deputado Ngan Iek Hang, ligado à União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), considerou que o elevado número de empresas participantes no concurso público, e ainda o aumento dos valores das propostas, mostram como o sector reconhece as possibilidades de desenvolvimento da profissão e a procura que existe no mercado.

O deputado espera que o Governo acelere o processo de entrada de novos veículos no mercado. “É necessário analisar o panorama do transporte de passageiros, incluindo as zonas de tomada e largada de passageiros e o valor da bandeirada, para que se possa fazer um planeamento global.”

Ainda segundo o canal chinês da Rádio Macau, Ngan Iek Hang pediu um estudo mais abrangente sobre este sector, tendo em conta o cenário de deslocação dos residentes e visitantes. O deputado defendeu ainda um incremento da comunicação entre a DSAT e as empresas que vão operar as licenças, a fim de garantir formação adequada a motoristas para melhorar o serviço de táxis.

8 Out 2026

Hengqin | UPM e UTM pagam 203,6 milhões a instituto do Interior

O projecto de arquitectura e planeamento do campus da UPM e da UTM em Hengqin vai custar 203,6 milhões de renminbis. O serviço fica a cargo de um instituto da Universidade de Tecnologia do Sul da China, também responsável pelo projecto da UM no mesmo campus

 

A Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Universidade de Turismo de Macau (UTM) vão pagar cerca de 203,6 milhões de renminbis (245,1 milhões de patacas) pelo projecto de arquitectura e planeamento para o campus da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. O serviço vai ser prestado pelo Instituto de Investimento em Design Arquitectónico da Universidade de Tecnologia do Sul da China.

A informação foi divulgada no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP) e a empresa terá sido escolhida por ajuste directo, o que implicou a dispensa de concurso público.
O investimento vai ser feito através da Companhia para o Desenvolvimento do Ensino Superior da UPM e UTM na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, uma empresa que resulta da parceria entre as duas instituições de ensino.

Dos 203,6 milhões de renminbis, 201,6 milhões são justificados com o valor do contrato pelos serviços prestados e os restantes 2 milhões são fundamentados com a “reserva para despesas/fundo de maneio”.
A adjudicação foi feita a 23 de Setembro e foi revelada na terça-feira.

A somar milhões

Este é o segundo contrato que é adjudicado directamente ao Instituto de Investimento em Design Arquitectónico da Universidade de Tecnologia do Sul da China no âmbito do projecto da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin.

Em Julho do ano passado foi revelado que a empresa Guangdong Hengqin UM Higher Education Development, propriedade da Universidade de Macau, acordou pagar 153,8 milhões de renminbis (173,3 milhões de patacas), também por ajuste directo, ao instituto do Interior da China. À semelhança do contrato mais recente, também o de 2025 previa o projecto de design arquitectónico do campus na Cidade Universitária.

Face a estes valores, no espaço de dois anos, o Instituto de Investimento em Design Arquitectónico da Universidade de Tecnologia do Sul da China somou 357,4 milhões de renminbis (cerca de 430 milhões de patacas) em contratos para projectar campus em Hengqin.

O campus em Hengqin está instalado na “Cidade Alemã”, um projecto falhado que pretendia captar investimento germânico para a Ilha da Montanha. As obras estão a ser realizadas em diferentes fases e o objectivo do Executivo da RAEM é criar condições para receber 20 mil alunos até 2029. A primeira fase do projecto foi inaugurada no Verão deste ano, quando foram recebidos os primeiros estudantes e docentes.

8 Out 2026

IAS | Prometida revisão de mecanismo de segurança após abusos

O presidente do Instituto de Acção Social garante que todas as instituições de acolhimento de crianças vão ser alvo de avaliação de riscos para reforçar a segurança dos menores

 

Na sequência dos alegados abusos cometidos por um trabalhador de uma instituição de acolhimento de crianças, o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, promete um reforço da segurança. As declarações foram prestadas ontem ao canal chinês da Rádio Macau.

Segundo o responsável, as instituições de acolhimento locais vão passar a ser alvo de avaliações de risco, tendo em conta aspectos como o espaço, a idade dos utentes, as suas capacidade de comunicação e o tipo de cuidados disponibilizados.

Após a identificação de potenciais riscos, as autoridades vão implementar novas formas de protecção para os utentes. “A nossa prioridade passa por responder aos principais riscos de cada lar. Por exemplo, se alguns quartos estiverem vazios, então precisam de ser trancados, e vai ser necessário definir procedimentos padronizados para o registo e monitorização das horas de trabalho”, afirmou o responsável.

Hon Wai considerou ainda que o caso recente é um sinal de alerta para melhorar alguns procedimentos em vigor, como os critérios aplicados na altura de contratar funcionários para este tipo de instituições.

O presidente do IAS apontou igualmente que as autoridades estão a ponderar adoptar uma regra que exige que por cada turno de trabalho estejam sempre presentes dois trabalhadores, de forma a poderem supervisionar-se mutuamente.

Intervenção imediata

Em relação ao caso do homem de 34 anos detido devido a alegados abusos de menor na instituição de acolhimento, Hon Wai foi confrontado com o facto de ter passado um mês entre as primeiras suspeitas do caso e a apresentação de queixa às autoridades.

Em resposta, defendeu a actuação do IAS e explicou que foi necessário o consentimento da família da vítima para apresentar a queixa: “Nós aplicámos medidas de prevenção imediatamente, por exemplo, o trabalhador investigado foi logo afastado dos turnos nocturnos. Só que também tivemos de verificar as imagens de videovigilância, falar com os outros trabalhadores para confirmar que existia um caso e ainda contactar os pais da vítima para que concordassem com a queixa”, justificou.

Hon Wai revelou ainda que a vítima está a ser acompanhada e que está “estável”. As declarações do presidente do IAS estão em linha com a posição da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam. Após o caso ter vindo a público, a secretária presidiu a uma reunião com representantes dos serviços sociais e públicos, e pediu a revisão de mecanismos e procedimentos internos nas instituições de acolhimento para garantir a protecção das crianças e dos jovens.

Foi no início deste mês que a Polícia Judiciária revelou ter detido um homem de 34 anos, residente local, e trabalhador numa instituição de acolhimento de crianças. O homem está indiciado da prática de actos de abuso sexual contra uma criança acolhida – um menino de nove anos.

O caso foi descoberto depois de a vítima ter denunciado a situação à mãe, que entrou em contacto com a instituição. A PJ também descobriu no telemóvel do detido 37 vídeos com imagens de cinco crianças do lar a tomar banho.

8 Out 2026

Operários | Ella Lei defende mais apoios no acesso ao emprego

Os deputados da FAOM identificaram jovens e idosos como os grupos com maiores dificuldades de emprego. Os principais pedidos de apoio na última sessão legislativa visaram questões laborais

 

Os problemas no acesso ao emprego foram a principal preocupação manifestada pelos residentes aos deputados da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). A revelação foi feita ontem pelos legisladores Ella Lei, Leong Sun Iok, Lam Lon Wai e Leong Pou U, numa conferência de imprensa de balanço da última sessão legislativa.

Segundo os dados apresentados, no ano legislativo de 2025/2026, a FAOM recebeu cerca de 4.500 pedidos de apoio e consultas. “Estes pedidos de ajuda visaram principalmente questões laborais, apoios sociais e o tema da habitação”, revelou Ella Lei.

A deputada garantiu ainda que o mercado laboral é a grande preocupação da bancada da FAOM. “O emprego é sempre a questão a que prestamos maior atenção”, vincou. “Os residentes de meia-idade e os mais velhos, próximos da idade de reforma, têm uma grande dificuldade em encontrar emprego ou em mudar de carreira devido ao encerramento de empresas. Já os jovens têm dificuldades de acesso ao emprego no início de carreira, por falta de experiência, pelo que precisam de mais formação”, explicou.

Face a esta situação, Ella Lei espera que o Governo lance mais medidas de apoio no acesso ao emprego destes grupos. A legisladora sugeriu, como exemplo de medidas, formações para ensinar os jovens a prepararem-se melhor para entrevistas de trabalho. A deputada salientou ainda que as pessoas de meia-idade e as mais velhas enfrentam problemas de adaptação quando tentam mudar de carreira.

Inteligência artificial

Ella Lei e Leong Sun Iok mostraram-se igualmente preocupados com o impacto da inteligência artificial no mercado laboral, que poderá vir a substituir alguns postos de trabalho. Leong Sun Iok destacou que o desenvolvimento tecnológico deve beneficiar o ser humano em vez de o substituir.

Em relação aos contratos públicos para a prestação de serviços por privados, Leong deixou o desejo de que as adjudicações feitas pelo Governo reservem sempre vagas de emprego para os grupos vulneráveis.
Por sua vez, Lam Lon Wai destacou que o apoio ao emprego dos jovens não deve focar-se apenas na quantidade de cursos de formação realizados, mas incidir sobre o aprofundamento do conhecimento e o desenvolvimento de capacidades que respondam às necessidades das empresas.

O deputado defendeu que as formações devem ser direccionadas para a realidade local, permitindo às empresas participar mais cedo na formação e selecção de quadros qualificados, com vista a garantir o acesso directo a estágios, a entrevistas e, em última análise, ao recrutamento.

7 Out 2026

Porto Interior | Comerciantes nas pontes-cais pedem travão nas taxas

Comerciantes das pontes-cais do Porto Interior querem o prolongamento da isenção de parte da taxa de uso dos espaços, alegando dificuldades financeiras. Um dirigente associativo do sector alertou para a possibilidade do fecho destes locais históricos de comércio

 

Os comerciantes que operam nas pontes-cais do Porto Interior, principalmente na distribuição de bens essenciais, pedem um travão ao aumento dos custos a pagar pelo espaço. Este aumento surgiu em 2024 perante a inclusão das licenças de ocupação temporária das pontes-cais do Porto Interior na Lei de Terras, ficando definida a taxa anual de 980 patacas por cada metro quadrado da área de superfície utilizada.

Estas licenças surgiram em meados dos anos 80, no período da Administração portuguesa, tendo sido definida a cobrança de 30 patacas anuais. Porém, com as alterações de legislação sobre a gestão das áreas marítimas, as pontes-cais passaram a estar reguladas pela Lei de Terras e os valores foram actualizados.

O Governo criou um período transitório em 2024, em que, “após a emissão da licença de ocupação temporária”, se passou a cobrar 30 por cento de 980 patacas no primeiro ano após a atribuição da licença; 60 por cento no segundo ano e 90 por cento no terceiro ano. Só no quarto ano a empresa terá de pagar a totalidade da taxa anual.

Segundo o jornal Ou Mun, Fong Sio Long, presidente da Federação Industrial e Comercial da Zona do Porto Interior de Macau, diz que no ano passado algumas operadoras pagaram já 30 por cento da taxa anual e, mesmo assim, tiveram dificuldades em manter os negócios, sendo que três pontes-cais já fecharam, tendo sido recuperadas pelo Governo.

O mesmo responsável adiantou que os comerciantes precisam de pagar, este ano, 60 por cento da taxa de 980 patacas. Tendo em conta as dificuldades comerciais, caso tenham de pagar 90 por cento desse valor no próximo ano, as operadoras das pontes-cais não vão conseguir sobreviver, correndo-se o risco de os espaços históricos no Porto Interior fecharem portas.

Estes gestores dizem que as dificuldades se devem essencialmente às mudanças na economia ocorridas nos últimos anos e das restrições na concessão de créditos bancários.

Manter a história

Fong Sio Long disse esperar que o Governo olhe para esta questão com mais atenção por se tratarem de espaços históricos. O presidente da associação defende que as autoridades devem ter em conta as dificuldades económicas e manter a cobrança de apenas 30 por cento da taxa anual de 980 patacas, prolongando o período de transição até à cobrança total.

Por sua vez, a Associação da União dos Fornecedores de Macau considera que o Porto Interior é uma zona muito importante para o abastecimento de bens essenciais. Estão em causa, explicou, dificuldades com o custo de transporte, a estabilidade da inflação, a deterioração dos produtos, a pressão de recursos humanos e ainda a garantia de sustento de muitas famílias.

Desta forma, Lei Kit Heng, presidente da associação, espera que o Governo mantenha o Porto Interior para estas actividades ao invés de as mudar para o Porto de Ka-Hó, em Coloane. Este adiantou que está em causa a sobrevivência de muitas pequenas e médias empresas, correndo-se o risco de aumento do desemprego devido à subida dos custos operacionais.

Lei Kit Heng apresentou números: mais de 60 por cento dos bens essenciais de Macau dependem do descarregamento no Porto Interior, sendo armazenados a uma curta distância antes de serem distribuídos.

Se a entrega e distribuição de bens essenciais passar para Coloane, há risco de aumentar custos e tempo gasto no transporte desses bens, bem como maiores riscos de segurança e deterioração dos produtos frescos e vivos.

Além disso, coloca-se a questão da necessidade de motoristas de veículos pesados para o transporte provocada pela mudança para o Porto de Ka-Hó, o que vai piorar o cenário já existente de escassez de motoristas, alertou Lei Kit Heng.

6 Out 2026

Air Macau | Song Pek Kei pede mecanismo de compensação

A deputada exige um mecanismo para obrigar a empresa detida pela estatal Air China a compensar os clientes afectados pelos constantes cancelamentos de voos

 

A deputada Song Pek Kei pretende que o Governo estabeleça um mecanismo para obrigar a Air Macau a efectivamente compensar os passageiros pelos danos causados pelos frequentes cancelamentos de voos. O assunto consta de uma interpelação escrita da legisladora depois da onda de cancelamentos e atrasos da empresa explorada pela companhia estatal Air China.

No documento, Song aponta que, nos últimos tempos, a Air Macau cancelou mais de 600 voos e que esta estratégia perturbou os planos de viagem dos residentes e turistas.

A deputada criticou igualmente a companhia aérea devido a uma estratégia de cancelamento em que se limita a devolver o dinheiro pago pelos clientes pelas viagens. Segundo Song, a companhia recusa-se a cobrir as perdas económicas relacionadas com dormidas em hotéis ou com bilhetes para eventos a que os clientes da Air Macau faltam devido aos cancelamentos e atrasos dos voos.

Além disso, a deputada considera ainda que o mecanismo de aviso aos passageiros sobre os cancelamentos e atrasos também não está a funcionar. Song considera que as disputas económicas que surgem desta forma de actuar da empresa podem prejudicar a imagem turística de Macau.

Actualmente, a RAEM é a segunda maior accionista da companhia aérea, com uma participação social de cerca de 24 por cento e dois representantes no Conselho de Administração da companhia aérea. Além da nomeação de dois dirigentes pelo Chefe do Executivo, o Governo escolhe igualmente o presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM), entidade reguladora da aviação, através do secretário para os Transportes e Obras Públicas.

Nova mentalidade

Tendo em conta o cenário traçado, a legisladora pretende que o Governo explique como vai rever o actual mecanismo de supervisão para obrigar o sector da aviação a melhorar a qualidade dos serviços, promover o desenvolvimento de Macau e defender o interesse público.

Neste sentido, a deputada quer que o Governo elabore novas normas para as companhias aéreas que adoptem os padrões internacionais de compensação, ao contrário do que acontece actualmente. Segundo Song Pek Kei é também necessário definir as obrigações das companhias de aviação quanto à antecedência com que comunicam os atrasos e cancelamentos dos voos.

Além disso, no documento, a deputada mostra-se preocupada com as obras de expansão da pista do Aeroporto Internacional de Macau que arrancam no final de Outubro. O horário disponível para voos vai ser reduzido e Song defende que é necessário que as autoridades garantam que a situação não vai aumentar ainda mais os voos cancelados.

30 Set 2026

Air Macau | Leong Sun Iok pede investigação a cancelamentos

O deputado ligado à FAOM compreende que a subida do preço dos combustíveis cria desafios à empresa de aviação e alguns cancelamentos de voos. No entanto, nega que a tendência de cancelamentos seja comum a nível mundial e avisa que a política da transportadora prejudica a imagem de Macau

O deputado Leong Sun Iok apelou às autoridades para investigarem a onda de cancelamentos e atrasos nos voos operados pela Air Macau. A posição foi tomada em declarações ao jornal Ou Mun, numa altura em que a companhia aérea está a ser cada vez mais criticada.

O legislador ligado aos Operários considerou que, se a situação actual for mantida, a imagem de Macau como centro mundial de turismo e lazer corre um sério risco de ser afectada. Segundo Leong, a reputação dos destinos turísticos está intimamente ligada à qualidade da rede de transporte aéreo, e maus transportes afastam turistas e criam uma percepção negativa.

No mesmo sentido, se os voos não forem realizados com regularidade e segurança, o deputado considera que se estão a criar mais obstáculos à estratégia de explorar o mercado dos visitantes internacionais e de longa distância.

Leong Sun Iok indicou ainda que a situação actual vai fazer com que cada vez menos residentes recorram aos serviços da Air Macau, que no ano passado apresentou um prejuízo de 765 milhões de patacas, um recorde negativo.

Além de defender a investigação à empresa, o membro da Assembleia Legislativa argumentou que as autoridades devem coordenar-se com a companhia aérea para encontrarem uma solução que permita colocar um fim aos cancelamentos e atrasos frequentes.

Ao mesmo tempo, Leong pretende a melhoria das políticas de resposta aos cancelamentos, para minimizar ao máximo o impacto para os passageiros afectados e assegurar os seus direitos. Sobre este aspecto, o deputado apelou ao Governo para garantir a existência de compensações apropriadas.

Mau exemplo

Na quarta-feira, o presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM), Pun Wa Kin, veio defender a Air Macau e considerar que a política de cancelamentos é uma tendência mundial, face ao aumento do preço dos combustíveis.

No entanto, Leong Sun Iok apresentou uma visão diferente. O legislador concorda que a Air Macau e a aviação estão a sofrer com o preço dos combustíveis e com o aumento dos custos de exploração das empresas.

Contudo, o deputado apontou que a nível mundial a taxa de cancelamentos está longe de ser comparável à da Air Macau, onde o número de voos que ficam em terra é mais elevado.

Nas declarações ao jornal Ou Mun, Leong Sun Iok recordou que desde Fevereiro deste ano entrou em vigor a nova lei da actividade de aviação civil que, entre os diferentes objectivos, pretendia terminar com o monopólio da Air Macau e dar uma nova dinâmica ao mercado local. O deputado considera que o diploma está a contribuir para uma “abertura progressiva do mercado”, mas espera que o Executivo seja mais activo.

Envolvimento da RAEM

A postura da Air Macau e os pedidos de investigação podem deixar o Executivo numa posição complicada, além de colocarem em xeque a empresa-estatal Air China.

Actualmente, a RAEM é a segunda maior accionista da companhia aérea, com uma participação social de cerca de 24 por cento e dois representantes no Conselho de Administração da empresa. Ainda em Junho deste ano, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, nomeou O Hoi Fan como membro no Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Air Macau para os próximos três anos. No mesmo despacho, publicado no Boletim Oficial, também Pun Keng Sang foi escolhido para o Conselho de Administração da Air Macau por um período de três anos.

Se, por um lado, o Governo, através do Chefe do Executivo, nomeia parte dos dirigentes da empresa, por outro, o Governo, desta feita através do secretário para os Transportes e Obras Públicas, nomeia o presidente da AACM, que regula o sector da aviação civil.

Além disso, uma eventual investigação vai incidir sobre as opções de uma empresa que é controlada pela companhia estatal Air China, a maior accionista da Air Macau com uma participação de quase 75 por cento.

25 Set 2026

Aviação | Pedidos para minimizar impacto de cancelamentos

O presidente da Autoridade de Aviação Civil (AACM), Pun Wa Kin, veio a público mostrar compreensão face ao cancelamento frequente de voos e defendeu que Macau tem cada vez mais ligações internacionais de longo curso

Face à vaga de cancelamentos de voos da Air Macau, que já começou a afectar as ligações previstas para a Semana Dourada, o presidente Autoridade de Aviação Civil (AACM), Pun Wa Kin, afirmou que a autoridade pediu às companhias de aviação para “minimizarem” o impacto dos cancelamentos. As declarações foram prestadas, ontem, ao canal chinês da Rádio Macau, à margem do programa matinal Fórum Macau.

Pun garantiu ainda que a AACM pediu às companhias de aviação para “assegurarem os direitos dos passageiros” afectados pelos cancelamentos, de acordo com as orientações emitidas anteriormente pela autoridade.

Nas declarações prestadas, o presidente da AACM defendeu a política de cancelamentos, que relacionou com o aumento dos combustíveis. “Desde Abril que houve uma subida muito grande dos preços dos combustíveis, o que afecta todas as companhias aéreas, dado que se trata de uma grande pressão em termos dos custos de exploração. Quanto mais sobem os preços, maiores os custos para as companhias áereas”, justificou Pun Wa Kin. “Observámos a situação dos voos cancelados e pedimos às companhias aéreas para assegurarem os direitos dos passageiros. O nosso desejo é que as companhias cancelem ou alterem o menor número de voos possível”, acrescentou.

Para continuar

Na terça-feira, a Air Macau divulgou através da Rádio Macau que vai continuar a cancelar voos. Com o anúncio, a companhia argumentou que a vaga de cancelamentos é “uma prática internacional comum” na aviação face ao aumento do custo do combustível, condições climatéricas adversas ou alterações do mercado.

Apesar desta posição, a Air Macau prometeu “envidar esforços” para ajustar os horários dos voos e avisar os passageiros com antecedência, de forma a evitar criar inconvenientes.

Segundo o Conselho de Consumidores, desde o início do ano até 10 de Setembro foram recebidas 39 queixas relacionadas com o cancelamento dos voos da Air Macau. O CC apelou também à companhia para ter em consideração as circunstâncias reais e as exigências dos consumidores, tomando “medidas de forma adequada”.

Mais ligações

Durante a participação no Fórum Macau, Pun Wa Kin ouviu vários residentes pedirem mais rotas aéreas para destinos na Europa ou na América do Norte. Face a estes pedidos, o responsável indicou que a Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau lançou um programa de estímulo para promover novas rotas de longa distância, através da isenção de tarifas cobradas aos voos e passageiros.

Pun considerou ainda que houve companhias aéreas que já lançaram voos de longa distância, com partida em Macau. Sobre estas ligações, o responsável explicou que há várias ligações para Taipé, onde os passageiros depois apanham voos para os Estados Unidos.

Em termos do transporte de cargas, Pun Wa Kin informou que actualmente a autoridade está a analisar o pedido de uma companhia aérea para estabelecer uma base de transporte de carga em Macau.

24 Set 2026