Espaços públicos | Pedidas punições mais duras para infracções

O legislador dos Moradores, Leong Hong Sai, está preocupado com o arremesso de objectos de edifícios altos para a rua e pede que se pondere a criminalização da conduta, mesmo que não haja feridos ou mortos a registar

O deputado Leong Hong Sai, ligado aos Moradores, defendeu a necessidade de o regulamento geral dos espaços públicos prever punições mais pesadas. A posição foi tomada durante uma palestra na União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), realizada na segunda-feira, que visou a discussão do regulamento.

Na perspectiva de Leong Hong Sai, as punições previstas no regulamento para certos comportamentos têm de ser revistas pelo Governo. O deputado explicou que actualmente uma pessoa que atire objectos para a via pública não recebe qualquer punição, a não ser que cause danos ou ferimentos. Também quem atira lixo para a rede de escoamento de águas, que depois pode causar inundações, é multado em 600 patacas, quantia tida como insuficiente.

“Anteriormente, o Governo abordou este assunto e considerou que o valor da multa em 600 patacas não acompanhou o desenvolvimento social nem responde às expectativas da população”, argumentou Leong. “Achamos que a multa deve ser elevada de forma apropriada para conseguir um melhor efeito dissuasor, para evitar que seja mais barato para os comerciantes deitar o lixo na rede de esgotos, em vez de fazerem o tratamento correcto”, acrescentou.

Leong Hong Sai também considerou que a direcção da alteração do regulamento deve ter em conta o grau de perigo criado para o público pelos comportamentos que espera ver penalizados, assim como a reincidência.

Lançamento de objectos

O legislador vincou também que Macau precisa de acompanhar Hong Kong e o Interior da China, onde a conduta de atirar objectos dos edifícios para a rua é considerada um crime e é penalizada com pena de prisão. Leong Hong Sai afirmou que a intenção de criminalizar o comportamento é criar um maior efeito dissuasor, e que a prisão das pessoas deve acontecer, mesmo quando os actos não causem feridos nem mortos.

Sobre este tipo de comportamentos, Leong Hong Sai afirmou ter recebido queixas de vários residentes, principalmente porque é muito difícil identificar os responsáveis pelo arremesso dos objectos para a rua. O legislador defendeu assim um mecanismo de investigação que não privilegie tanto a privacidade, de forma a garantir a segurança pública. “O Governo deve aumentar os mecanismos de videovigilância nos locais onde são registados mais casos de arremesso de objectos para a via pública e onde há maiores riscos para a segurança”, defendeu.

O deputado apontou ainda que os residentes também se queixam que o facto de muitos objectos serem deixados nos espaços comuns dos edifícios, como forma de armazenamento temporária, cria riscos acrescidos e bloqueia caminhos de emergência.

17 Jun 2026

Taipa | Recuperação de terrenos leva a infestação de ratos

Um conjunto de terrenos recuperados junto ao empreendimento Nova Grand, em frente ao Parque Central da Taipa, levou a uma infestação de ratos, segundo relatos de residentes nas redes sociais. O Instituto para os Assuntos Municipais promete resolver o assunto

Vários residentes da Taipa queixam-se que a recuperação de terrenos junto ao empreendimento Nova Grand, em frente ao Parque Central da Taipa, levou a uma infestação de roedores. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, as queixas dos moradores surgiram nas redes sociais, com publicações de vídeos onde se vê um grupo de ratos num dos terrenos.

“Actualmente, há muitos ratos na Taipa, nos terrenos recuperados junto ao Nova Grand. Quando é que o Governo pode prestar atenção a este assunto? Há muitas escolas nas proximidades, como a Escola Pui Tou, Escola Secundaria Pui Va, Escola das Nações e Escola dos Moradores de Macau. O Governo deve limpar a relva ou colocar um piso de cimento para que os residentes façam ali exercício. A relva está, actualmente, cheia de pragas e tenho medo que haja uma infestação na Taipa”, lê-se numa das publicações.

O jornal Ou Mun entrevistou alguns residentes que afirmam que os ratos andam frequentemente pelos terrenos já desocupados, queixando-se de que muitos invadiram as suas casas, entrando pelas frestas das portas ou pelos canos.

Um responsável de uma escola situada nas imediações, que não quis ser identificado, revelou que a instituição de ensino está a prestar muita atenção ao caso e se for necessário vai adoptar medidas em coordenação com as autoridades. O responsável afirmou também que outro problema grave é o panorama de infestação de mosquitos, e pediu o reforço dos trabalhos do Governo para a sua eliminação.

Promessas do IAM

Na mesma notícia, lê-se que o vice-presidente da Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa, Lam Ka Chun, disse ter contactado o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) para o organismo acompanhar o caso. O dirigente associativo afirmou ter informado o IAM assim que soube da situação dos ratos, para que haja o menor impacto possível.

Entretanto, o IAM já terá enviado funcionários ao local para o tratamento e colocação de ratoeiras. Lam Ka Chun, também membro do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais do IAM, defendeu uma maior inspecção e gestão dos terrenos recuperados e vazios, nomeadamente através da organização corrente da recolha do lixo e corte de relva, a fim de prevenir a infestação de mosquitos e roedores.

16 Jun 2026

Polícia | Pedida supervisão mais eficaz após caso de prostituição

Song Pei Kei sugeriu a criação de mecanismos mais eficazes de controlo das polícias, para evitar que pessoas em posições de poder utilizem os cargos para cometer ilegalidades. Johnson Ian critica as autoridades pela dualidade de critérios na divulgação de informações

A deputada Song Pek Kei defendeu a introdução de “melhorias” no mecanismo de supervisão das polícias, após ter sido revelado que o 2º Comandante do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) foi um dos principais suspeitos envolvidos numa rede de prostituição desmantelada. O pedido consta de uma interpelação escrita da deputada ligada à comunidade de Fujian.

A deputada elogiou as autoridades por conseguirem indiciar os vários arguidos, em de uma investigação que alegadamente terá durado sete anos. Todavia, para Song Pek Kei, esta situação também mostra que é necessário melhorar a supervisão das polícias e fazer uma revisão do mecanismo de fiscalização existentes.

Na perspectiva da legisladora, o actual mecanismo disciplinar dentro das polícias também é insuficiente porque a única forma de lidar com os casos é a penalização ou reparação da situação criadas, depois de serem detectadas as potenciais ilegalidades. Song acredita que esta forma de actuar mostra uma “lacuna estrutural” e que as autoridades deviam ter outras formas de controlar as polícias.

Neste sentido, Song Pek Kei quer saber como vai o Governo criar um sistema nas polícias mais eficaz de “avaliação de riscos” das condutas dos agentes, um “sistema regular de rotação de funções” e um mecanismo de auditorias frequentes para “evitar o abuso de poder” pelos agentes em posições de chefias.

Críticas abrangentes

Song Pek Kei não foi a única a criticar os mecanismos de controlo das políticas. Também o ex-candidato à Assembleia Legislativa, Johnson Ian, censurou o Governo pelo que considerou a falta transparência na divulgação da identidade das chefias envolvidas no caso.

Numa coluna de opinião publicada no jornal Son Pou, o também ex-jornalista recordou que na primeira conferência de imprensa sobre o caso, a polícia apenas indicou que estavam envolvidos na rede de prostituição três agentes do CPSP e dois agentes reformados da Polícia Judiciária.

Segundo Ian, a transparência exigia que desde o primeiro momento houvesse mais informação sobre os nomes, posição na hierarquia dos envolvidos, assim como a idade.

Johnson Ian apontou ainda que a falta de informação nas comunicações das autoridades não impediu que algumas pessoas identificassem os envolvidos, como aconteceu em publicações nas redes sociais, associações locais e até entre jornalistas.

O cronista referiu também que alguns internautas conseguiram reconhecer o 2º comandante do CPSP, Leong Heng Hong, devido às roupas que utilizaram na altura em que foi transportado para o Ministério Público, antes de haver confirmação sobre os envolvidos.

Outros Casos

Johnson Ian argumentou ainda que noutros casos mediáticos, como os que envolveram Ao Man Long, Ho Chio Meng e Kong Chi, as identidades foram reveladas. Porém, desta vez os procedimentos foram diferentes, o que no seu entender apenas contribuiu para haver mais danos à credibilidade.

No início do mês, a PJ anunciou a detenção de 26 pessoas, incluindo três polícias e dois agentes reformados, por alegadamente estarem envolvidos numa rede de prostituição. Entre 2024 e o fim das operações, as saunas controladas pelo grupo terão gerado lucros de 790 milhões de patacas. Entre os detidos está Leong Heng Hong, 2º comandante do CPSP.

15 Jun 2026

Trânsito | Avó e neta atropeladas numa passadeira

Ontem de manhã, registou-se mais um atropelamento numa passadeira, desta vez sem consequências fatais. Uma avó e a neta de 5 anos foram colhidas na passadeira por um motociclista que, segundo as autoridades, não prestou atenção à estrada. As vítimas sofreram ferimentos ligeiros nas mãos e pernas

Uma senhora de 61 anos e uma criança de cinco anos, avó e neta, foram atropeladas ontem de manhã, por volta das 08h30, por um motociclo, quando atravessavam uma passadeira no cruzamento entre a Avenida do Ouvidor Arriaga e a Rua do Padre João Clímaco.

Segundo o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), o condutor do motociclo tem cerca de 50 anos e suspeita-se que não terá prestado atenção à estrada. As autoridades passaram uma multa ao condutor por não ceder prioridade numa passagem para peões. O condutor foi também sujeito ao teste para apurar taxa de álcool no sangue, que deu negativo.

As duas vítimas, que são residentes da RAEM, foram transportadas para o Centro Hospitalar Conde de São Januário devido a ferimentos ligeiros nas mãos e pernas, mas o seu estado clínico não inspirou cuidados. Segundo informações do Corpo de Bombeiros citadas pelo canal chinês da TDM, as duas vítimas chegaram ao hospital em estado estável.

Em modo repetição

Apesar das autoridades não terem especificado a multa que passaram ao condutor, a Lei do Trânsito Rodoviário prevê que a não cedência de passagem a peões implica uma multa entre 600 e 2.500 patacas. Em caso de reincidência, a coima pode variar entre 1.200 e 5.000 patacas, e inibição de condução pelo período de dois a seis meses.

É a segunda vez em menos de uma semana que uma criança é atropelada enquanto atravessa uma passadeira nas ruas de Macau. Na noite da passada quarta-feira, um menino de 10 anos faleceu quando uma viatura de sete lugares o atropelou numa passadeira na Avenida do Conselheiro Borja,

A morte da criança gerou uma onda de revolta e solidariedade entre a população, inclusive com o Chefe do Executivo a enviar condolências à família, através de uma mensagem lida pelo secretário Wong Sio Chak, numa conferência de imprensa do Conselho Executivo.

Sam Hou Fai pretende avançar com uma consulta pública o mais rapidamente possível para alterar a Lei do Trânsito Rodoviário, antecipando a revisão legal que estava apontada para 2028.

2 Jun 2026

Lei do trânsito | Ron Lam exige sistema por pontos

O ex-deputado Ron Lam U Tou defende que deve ser criado um sistema de pontos na carta de condução para que a lei do trânsito rodoviário tenha um efeito dissuasor mais eficaz.

Numa publicação feita na rede social Facebook, Ron Lam lembrou o recente acidente que vitimou uma criança de dez anos, atropelada na passadeira, destacando que o Governo chegou a propor a criação de um sistema de pontuação para as cartas de condução. Tal sugestão constava numa proposta de lei de revisão da legislação rodoviária que caducou, por não ter sido aprovada até ao fim da legislatura.

O sistema de pontos na carta consiste na crescente perda de pontos conforme o número de infracções cometidas, podendo levar mesmo à perda da carta de condução. Ron Lam acredita que a proposta anteriormente feita pelo Executivo não seria dissuasora o suficiente por não incluir actos como não cedência de passagem a peões na passadeira, transgressão das regras dos semáforos ou não cumprimento dos limites de velocidade.

Assim, o antigo deputado defende que as autoridades devem ter por referência as medidas e a legislação em vigor nas regiões vizinhas, nomeadamente a introdução de meios oficiais de denúncia sempre que haja situações de condução imprópria ou perigosa, ao invés de apenas haver reacção depois da divulgação de vídeos nas redes sociais. Ron Lam pede ainda que as aulas de condução nas escolas reforcem o ensino de uma condução defensiva.

2 Jun 2026

Atropelamento | Governo envia condolências à família da criança

A mensagem de condolências após a morte do menino de 10 anos foi enviada pelo Chefe do Executivo, através de Wong Sio Chak, secretário para a Administração e Justiça e porta-voz do Conselho Executivo. Sam Hou Fai pediu uma revisão rápida da lei do trânsito, com o lançamento para breve de uma consulta pública

Com a cidade de luto, após a morte de um menino de 10 anos atropelado numa passadeira na Avenida do Conselheiro Borja, o Chefe do Executivo enviou condolências à família, numa conferência do Conselho Executivo, através do porta-voz Wong Sio Chak. A mensagem foi deixada na sexta-feira, numa altura em que as críticas às políticas de trânsito e à desvalorização da governação de Macau se propagavam online.

“Através de mim, o Chefe do Executivo pretende apresentar as condolências à família do rapaz”, afirmou Wong Sio Chak.

Embora Sam Hou Fai não tenha estado presente nem tenha dado a cara após o acidente, a ocasião foi utilizada por Wong para revelar as “ordens” do líder do Governo. “O Chefe do Executivo dá grande importância ao acidente, pediu imediatamente ao secretário para a Segurança para organizar as entidades e ir ao local tratar do caso e investigar rigorosamente”, leu o porta-voz do Conselho Executivo e secretário para a Administração e Justiça. “Também pediu à DSEDJ [Direcção de Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude] para prestar as condolências do Governo da RAEM”, acrescentou.

Sam Hou Fai terá ainda indicado à DSEDJ e ao Instituto de Acção Social para “prestarem todo o apoio necessário” e “acompanharem” a família a “ultrapassar este momento difícil”. A missiva revelou igualmente que Sam Hou Fai “ordenou” às entidades governamentais que “tomem medidas preventivas para evitar o acontecimento destas tragédias”.

“Falta de consenso”

Durante a conferência de imprensa Wong Sio Chak foi também confrontado com o facto de a Assembleia Legislativa ter deixado cair a proposta do Governo para alterar a lei de trânsito. Na altura, os deputados afirmaram que não havia condições para aprovar o diploma devido a “problemas técnicos”, “operacionais” e “por falta de maturidade”.

Segundo o secretário, a queda do diploma no hemiciclo ficou a dever-se à falta de consenso da sociedade. “Como sabem a Lei de Trânsito Rodoviário, por vários motivos, não conseguiu obter o consenso da sociedade. Durante o processo de revisão legislativa houve certas dificuldades, por isso, no final, com muita pena, não se conseguiu avançar [com a aprovação do diploma]”, apontou.

E face às críticas da sociedade face à inacção na revisão da lei, Wong Sio Chak revelou que Sam Hou Fai quer lançar uma nova consulta pública o mais rapidamente possível para alterar a legislação: “No início o nosso plano era de abrir uma consulta pública fazer rever a lei em 2028”, confessou Wong. “Mas, o Chefe do Executivo pediu que se faça a revisão o mais rapidamente possível. Não vamos esperar por 2028, mas ainda não consigo adiantar uma data para o início da consulta”, contou.

Doadas mais de 700 mil patacas

Uma campanha de doações do jornal Ou Mun arrecadou mais de 700 mil patacas para a família da criança falecida. Segundo a publicação, foram recebidos donativos que totalizaram 667.909 patacas, 52.630 dólares de Hong Kong e 2.000 renminbis.

O jornal Ou Mun informou, na noite da sexta-feira, que entregou o dinheiro à Escola Lin Fong Pou Chai, onde a criança estudava. O director da escola, Ho Man Fai, confirmou ter recebido o dinheiro e prometeu entregá-lo à família. Os donativos foram recolhidos, apesar de a família enlutada ter comunicado a partir da escola que não tem dificuldades financeiras. Ainda assim, agradeceu o dinheiro recolhido.

1 Jun 2026

Acidente | Criança de 10 anos é atropelada na passadeira e morre

A morte mais recente por atropelamento em passadeiras mobilizou grande parte da população, que se deslocou ao local para deixar coroas de flores, guloseimas, refeições e chorar. Desde 2013, esta é a segunda morte de crianças em idades escolar em passadeiras da Avenida do Conselheiro Borja

Um menino com 10 anos morreu na noite de quarta-feira, depois de ter tentado atravessar a Avenida do Conselheiro Borja, numa passadeira. A criança, atropelada por uma viatura com sete lugares, por volta das 20h18, foi transportada para o hospital, mas declarada sem vida minutos depois.

Segundo um vídeo partilhado online, que terá captado parte do atropelamento, é possível ver o veículo a atingir a criança e a passar-lhe por cima, embora, nesse momento, a criança não seja atingida por qualquer roda da viatura.

Após o embate, o menino ficou estendido na estrada, enquanto o veículo pára e o condutor se aproxima da criança para verificar o seu estado. Quando as autoridades chegaram ao local, encontraram a vítima no chão, numa grande poça de sangue, pelo que fecharam a via ao trânsito, enquanto eram realizadas as operações de salvamento.

A criança foi assistida pelo Corpo de Bombeiros (CB) e transportada, de urgência, para o Hospital Kiang Wu. No entanto, os esforços das equipas de salvamento mostraram-se inglórios, com o menino a ser declarado morto por volta das 20h42.

Segundo os dados divulgados pela polícia, tanto a vítima mortal como o condutor são residentes de Macau. O condutor, que tem cerca de 40 anos, realizou o teste do álcool e o resultado foi negativo, o que as autoridades indicaram corresponder às declarações prestadas no local.

Segundo as imagens que circularam ontem nas redes sociais, o veículo envolvido no embate é um monovolume com sete lugares, da marca Honda e modelo Stepwgn, com cor preta.

Ontem, as autoridades comunicaram que o homem foi indiciado pelo crime de homicídio por negligência, e que o caso foi encaminhado para o Ministério Público (MP). Também foi divulgado que o condutor confessou não ter reparado que havia uma pessoa a tentar atravessar a passadeira.

Homenagem geral

Ontem, depois das notícias do acidente se terem espalhado nas redes sociais, várias pessoas deslocaram-se ao lugar do atropelamento para prestarem homenagem à vítima.

Com o passar das horas, acumularam-se junto do local do atropelamento coroas de flores, doces, brinquedos e até refeições. No local, era ainda possível ver alguns cidadãos emocionados com lágrimas nos olhos. A escola frequentada pela vítima também teve uma reacção pública, ao mudar a cor do portal da escola para tons de cinzento.

Ao mesmo tempo nas redes sociais surgiram várias reacções a criticar o condutor por estar ao telemóvel, momento depois do acidente. A matrícula do veículo, que acabou rebocado pelas autoridades para investigação, foi igualmente amplamente partilhada, assim como alegados dados do condutor.

As autoridades também foram alvo das críticas, pela complacência face aos condutores ao telemóvel e aos casos de não cedência de passagem nas passadeiras.

Histórias repetidas

Esta não é a primeira criança a morrer na Avenida do Conselheiro Borja ao tentar atravessar na passadeira. Em Junho de 2013, a cerca de 300 metros do local do acidente de ontem, também um menino com nove anos perdeu a vida.

As circunstâncias do acidente são bastantes semelhantes, porque o atropelamento se deveu igualmente ao facto do condutor de uma carrinha não ter cedido a passagem na passadeira e de a criança também estar vestida com o uniforme escolar. O embate aconteceu por volta das 18h30, o menino foi transportado para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde minutos depois foi declarado morto.

Multas a aumentar

No ano passado, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) passou 619 multas por não cedência de passagem nas passadeiras. No entanto, este ano, o número multas está a aumentar. Entre Janeiro e Abril deste ano o número de multas foi de 247, uma subida face ao período homólogo de 17,62 por cento, dado que entre Janeiro e Abril de 2025 o número tinha sido de 210.

No ano passado, houve ainda 7.651 pessoas multadas por atravessarem a estrada fora da passadeira. Entre Janeiro e Abril de 2025, houve 3.252 pessoas multadas por este motivo, um número que registou uma queda de 46,43 por cento nos primeiros quatro meses deste ano, com um total de 1.742 multas por esse motivo.

30 Mai 2026

Turismo | Registado aumento de visitas de estudo para Macau

O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau considera que o aumento das viagens de estudo na China e em Macau levou à expansão do sector do turismo. Andy Wu realça a subida anual entre 20 a 30 por cento de estudantes que viajam até Macau

As viagens de estudo têm um grande potencial para o sector do turismo e Andy Wu, presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, destaca como os números têm registado um aumento.

Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o mercado de viagens de estudo dos estudantes do Interior da China em Macau registou um aumento, com o número de visitantes deste segmento a crescer 20 a 30 por cento em 2025, face a 2024.

Andy Wu explicou que as viagens de estudo a Macau são de curta duração, não indo além de quatro dias, focando-se nos elementos de história, cultura e experiências. Apesar de serem em menor número face às viagens de estudo feitas pelos estudantes de Macau para o exterior, existe, segundo o dirigente associativo, um óbvio potencial que pode ser explorado noutras épocas do ano, nomeadamente durante a semana ou férias de Inverno.

Andy Wu destacou também que as visitas de estudo para cidades chinesas ocupam já cerca de 50 por cento da procura, com foco em destinos como Pequim, Xangai ou Xi’an. Antes, no período de Verão, os estudantes optavam mais por países estrangeiros como Reino Unido, Austrália ou Canadá, entre outros.

Mais agências de serviço

Nas visitas às cidades chinesas, o foco faz-se nas últimas tecnologias, como é o caso de voos espaciais e inteligência artificial, tendo Andy Wu destacado que o conteúdo das viagens está relacionado com as necessidades de aprendizagem dos alunos.

Quanto ao preço das viagens de estudo, o representante e empresário de agências de turismo apontou que é mais elevado do que excursões normais dado que estas viagens exigem mais mão-de-obra, nomeadamente guias turísticos e tutores, para garantir uma melhor experiência educativa.

Ainda no que diz respeito ao preço, as viagens ao Interior da China continuam a ser mais baratas do que ao estrangeiro, tendo Andy Wu apontado que se deu um aumento ligeiro devido à sobretaxa de combustível nos voos.

O responsável contou ainda que a popularidade das visitas de estudo beneficiou o sector turístico. Isto porque, no ano passado, apenas duas agências de viagens, com capitais de Macau e Hong Kong, se dedicavam a este tipo de serviço. Actualmente, já são entre oito a dez agências que organizam visitas de estudo, o que leva a um enriquecimento da oferta, disse.

30 Mai 2026

Gongbei | Novo supermercado ameaça comércio local

No domingo, será inaugurado o novo Freshippo, um supermercado do grupo Alibaba, a escassos 300 metros da fronteira com Macau. A cadeia lançou uma campanha de publicidade dirigida a residentes da RAEM. Um académico da Universidade de Macau defende que os supermercados locais devem melhorar a oferta

A concorrência ao comércio e aos supermercados de Macau vai apertar, com a inauguração no domingo do supermercado Freshippo no centro comercial Parkside Mall, a cerca de 300 metros da fronteira entre Gongbei e as Portas do Cerco. Este é o segundo supermercado da cadeia ligada ao grupo Alibaba em Zhuhai, mas desta vez a empresa lançou mesmo uma campanha publicitária onde é visto um residente da RAEM a elogiar o centro comercial a outros residentes, segundo avançou a Macau News Agency.

A abertura de mais uma grande superfície em Zhuhai, perto da fronteira, aumenta a pressão sobre o comércio e os supermercados de Macau. Recorde-se que no primeiro trimestre deste ano, o volume de negócios dos supermercados diminuiu 5,2 por cento em termos anuais, apesar do crescimento de 23 por cento de todo o comércio a retalho, segundo os dados mais recentes da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos.

O professor da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau Matthew Liu Ting Chi explica este fenómeno com o aumento dos turistas, que quando visitam Macau não procuram bens de primeira necessidade e pelo facto de os residentes da RAEM serem atraídos pelos preços baixos do comércio em Zhuhai. O académico estima que no segundo trimestre deste ano o volume de negócios dos supermercados recupere graças ao Grande Prémio para o Consumo.

Luta pela sobrevivência

Há sensivelmente um ano, quando a abertura do Freshippo foi avançada na comunicação social, o presidente da Supermarket and Livelihood Food Association of Macau, Wong Man Wai considerou a possibilidade como a “gota d’água” para muitas superfícies em Macau. Já então, o representante do sector apontava para ajustes operacionais para conseguir sobreviver à concorrência, mas também para uma adaptação aos novos padrões de consumo da população.

Em declarações ao jornal Ou Mun, Matthew Liu também entende que os supermercados têm de agir e diferenciar o seu posicionamento de mercado, onde não só concorrem com preços mais apetecíveis em Zhuhai, mas também com o crescente comércio online com entregas ao domicílio.

O académico salientou que, ao mesmo tempo que nada parece mudar nas operações dos supermercados de Macau, do outro lado da fronteira há zonas de degustação nas superfícies, assim como venda de refeições preparadas no local.

É também essencial para o futuro dos supermercados de Macau apostar em força nas compras online, oferecer produtos diferentes que não se possam adquirir em Zhuhai e ir de encontro a uma clientela mais especializada que, por exemplo, procura alimentos saudáveis.

28 Mai 2026

Consumo | Defendida extensão do Grande Prémio até ao fim de Agosto

O presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau, Lei Cheok Kuan, considera que o Governo deveria estender até ao fim de Agosto o Grande Prémio de Consumo. O responsável pede também a criação de promoções específicas para o Verão

O presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau, Centro e Sul Distritos, Lei Cheok Kuan, defende que o Governo deveria prolongar a edição deste ano do Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias até final de Agosto. A iniciativa arrancou em Abril e inclui a distribuição de 400 milhões de patacas em descontos por um período de dez semanas, para aumentar o consumo nos bairros com menos turismo por parte de quem tem residência de Macau.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o responsável afirmou que é necessário dar continuidade ao programa e responder ao potencial de consumo de residentes durante o Verão, defendendo ainda a criação de campanhas promocionais específicas só para esta época do ano.

A ideia seria criar campanhas sazonais em coordenação com comerciantes das zonas centro, Sul e Norte, a fim de impulsionar o consumo potenciado pelos subsídios atribuídos pelo Governo e pelas promoções criadas pelos comerciantes.

Celebrar o património

Em relação ao tipo de actividades a criar, Lei Cheok Kuan argumentou que podem ser implementados eventos culturais e artísticos relacionados com o património cultural e que aproveitem a zona costeira de Macau. Um dos exemplos apontados é a criação, em Junho, de actividades relacionadas com o património cultural, como exposições à noite, com guias, em locais como as Ruínas de São Paulo, Largo do Senado e Templo de A-Má, para que os turistas possam tirar fotografias.

Também para Julho, o dirigente associativo sugeriu actividades relacionadas com a gastronomia local, ligadas à revitalização do Mercado Nocturno do Pagode do Bazar e de Rua 5 de Outubro, no Porto Interior. Já em Agosto poderiam ser organizadas actividades dedicadas a produtos culturais e criativos para pais e filhos, nomeadamente feiras de artesanato e pacotes de entretenimento pensados para famílias.

Em termos de infra-estruturas de trânsito, Lei Cheok Kuan sugere que o Governo crie rotas específicas de autocarros para as zonas centro e sul, com ligação a zonas comerciais e diferentes atracções turísticas.

Lei Cheok Kuan espera que estas rotas de autocarro possam ser mais frequentes, pedindo também a criação de guias de consumo para zonas comerciais junto de hotéis e postos fronteiriços. A ideia é incentivar os comerciantes a prolongar o horário de funcionamento dos estabelecimentos em conjugação com a realização de espectáculos de rua, construindo-se, assim, um ambiente de economia e consumo à noite.

27 Mai 2026

Junkets | Queixas da concorrência desleal de massas “premium”

Apesar do aumento das receitas dos junkets, o presidente da Associação Profissional de Promotores de Jogo de Macau queixa-se de concorrência desleal e injustiça fiscal. U Io Hung destaca a forma como o segmento de massas premium é operado, incluindo com a concessão de empréstimos

Nos primeiros três meses de 2026, o bacará VIP gerou receitas de 19,8 mil milhões de patacas, segundo dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, resultado que significou uma subida homóloga de 35 por cento.

Apesar da evolução, o presidente da Associação Profissional de Promotores de Jogo de Macau, U Io Hung, queixa-se de concorrência desleal das concessionárias, mais especificamente na forma como operam o segmento massas premium.

Em declarações ao jornal Ming Pao, o dirigente associativo salientou que as concessionárias começaram a emitir notas de crédito para grandes apostadores (markers), comportamento semelhante ao praticado pelos junkets, e um dos motivos que as autoridades terão usado para justificar o aperto ao jogo VIP.

Além destes créditos, U Io Hung argumenta que a obrigatoriedade de pagar 5 por cento de imposto sobre as comissões pagas a promotores de jogo coloca o sector numa situação de desvantagem, uma vez que os créditos concedidos pelas concessionárias a jogadores premium não estão sujeitos a taxação.

Lugar ao sol

O representante dos promotores de jogo revelou também que irá tentar que seja concedido ao sector isenções fiscais que estão previstas na legislação. A lei que regula a exploração de jogo em Macau prevê a possibilidade de o Chefe do Executivo isentar parcialmente o pagamento do imposto sobre as comissões por um período não superior a cinco anos, desde que não exceda 40 por cento do valor a pagar.

Para lá das operações, U Io Hung indicou que a criminalização das trocas de dinheiro para jogar modificou o ambiente nas imediações das áreas de jogo, aumentando a violência dos delitos. O dirigente indicou ao Ming Pao que a indústria do jogo passou a ser afectada por outros crimes, como roubos através de transferências bancárias forçadas, usura e burlas. Uma evolução que, na sua óptica, deve ser endereçada pelas autoridades.

O sector do jogo VIP tem sofrido grandes impactos desde a campanha que culminou na condenação de director executivo da Suncity Alvin Chau, altura em que as licenças de promotores de jogo em Macau caíram de 85 para 18. De acordo com dados da DICJ, o número de licenças tem recuperado e atingiu 31 no final de Março deste ano. Ainda assim, permanece aquém do limite máximo fixado pelo Governo, que é de 50.

22 Mai 2026

Concertos | Nick Lei pede clarificação de regras de segurança

Depois da confusão no Cotai durante o festival “K-Spark”, Nick Lei interpelou o Governo sobre a necessidade de clarificar regras de segurança no Local de Espectáculos ao Ar Livre. Além disso, defende que a futura concessão do espaço não deve olhar apenas para o lucro

O deputado Nick Lei defende a necessidade de clarificar as regras de segurança no Local de Espectáculos ao Ar Livre, tendo em conta o recente episódio de desacatos entre fãs ocorrido no “K-Spark”, festival de música pop sul-coreana (K-Pop), no início deste mês.

Recorde-se que o facto de o evento ter lugares sentados com cadeiras desdobráveis fez com que dezenas de pessoas tenham deslocado as cadeiras mais para a frente do palco, o que gerou alguns desacatos.

Na interpelação escrita, o deputado referiu algumas opiniões divulgadas nas redes sociais sobre o facto de o espectáculo revelar regras insuficientes de segurança, bem como a falta de controlo da multidão.

“Podem as autoridades elaborar regras claras sobre a utilização do espaço, bem como orientações para o comportamento dos espectadores, melhorar a gestão de segurança e a ordem”, questionou. Nick Lei pediu ainda a criação de um “mecanismo de mediação para [o registo] de bilhetes e normas para o reembolso dos bilhetes” que sejam adquiridos em diferentes regiões vizinhas, a fim de “assegurar que as actividades se realizam de forma segura e ordenada”.

Nick Lei, ligado à comunidade de Fujian, recordou que as autoridades do Interior da China possuem já regras para a realização de espectáculos de grande dimensão, como os princípios de “organizador responsável de evento com supervisão do Governo”, ou “prioridade à segurança e prevenção acima de tudo”.

Porém, e ainda que exista em Macau um regulamento para a utilização do Local de Espectáculos ao Ar Livre, Nick Lei considera que o documento não é claro quanto a regras de segurança.

Para o deputado, deve ser criado um sistema “segundo o número de participantes, fazendo-se a diferenciação, em matéria de segurança, para actividades de escala diferente”, sem esquecer a implementação de diferentes “procedimentos de apreciação e aprovação, e respostas de emergência”.

O deputado pede ainda que seja integrada a “participação de entidades profissionais na avaliação de segurança”, sendo importante a elaboração de “normas regulamentares vinculativas para garantir o sucesso da realização dos espectáculos no futuro”.

O Local de Espectáculos ao Ar Livre fica no cruzamento da Avenida do Aeroporto com a Rua de Ténis, no Cotai, entre o Grand Lisboa Palace e o Hotel Lisboeta, com uma área 94 mil metros quadrados e capacidade para mais de 50 mil pessoas. O Instituto Cultural definiu mapas que incluem a “Zona de Espectadores”, “Zona Tampão para Evacuação”, “Zona do Palco e dos Batidores” e “Zona de Espera (controlo de segurança)”.

Olhar além dos lucros

Nick Lei defende também que a filosofia quanto à futura concessão do Local de Espectáculos ao Ar Livre não deve ser puramente comercial, mas incorporar obrigações públicas além de olhar a critérios como a obtenção de lucros e o valor comercial da zona, a fim de garantir apoios à comunidade. Tais necessidades devem ficar claras no contrato de concessão, referiu.

“Pode o Governo especificar no futuro contrato os indicadores concretos, nomeadamente um número mínimo de espectáculos para fins de caridade, a cobrança mais baixa em horários específicos e a obrigatoriedade de abrir o local à comunidade em períodos em que não se realizam espectáculos”, lê-se na interpelação.

21 Mai 2026

Ponte de Amizade | Conselheiro pede medidas para evitar impacto de obras

Cheang Kai Lok avisa o Executivo que as obras na Ponte da Amizade podem tornar o trânsito caótico e pede medidas não só junto à ponte, mas também na zona norte da cidade, onde se espera um maior impacto na circulação rodoviária

O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, Cheang Kai Lok, defendeu a necessidade de o Governo apresentar brevemente medidas provisória para minimizar o impacto das obras que vão decorrer na Ponte da Amizade. As obras na ponte foram reveladas na segunda-feira pelo Grupo de Coordenação de Obras Viárias e arrancam no sábado, prolongando-se até meados de Agosto.

Em declarações ao jornal Ou Mun, Cheang apoiou a decisão de realizar a manutenção da ponte por questões de segurança. No entanto, o também membro da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) alertou que a Ponte de Amizade tem uma taxa de utilização muito elevada, porque é a escolha preferencial dos veículos que precisam de se deslocar para o Pac On, aeroporto ou o aterro para resíduos de materiais de construção.

Tendo em conta que o trânsito em condições normais já apresenta congestionamentos na ponte, Cheang alertou que se deve esperar um agravamento considerável da situação.

Marcha lenta

Porém, o membro da FAOM entende que o impacto vai estender-se igualmente à Ponte Macau, porque a infra-estrutura vai ser a alternativa para os veículos pesados que circulam entre Macau e a Taipa e que vão ficar impedidos de usar a Ponte da Amizade, enquanto durarem as obras.

Cheang Kai Lok vincou também que os congestionamentos podem chegar à Zona A dos novos aterros e à Zona Norte de Macau, e identificou como lugares críticos a Rotunda da Amizade, a Avenida 1 de Maio e a Via de Acesso A2, que faz a ligação entre a Zona A dos Novos Aterros e a Areia Preta. O conselheiro mostrou-se especialmente preocupado porque estas vias já apresentam níveis de congestionamentos elevados.

Para aliviar o impacto rodoviário, Cheang Kai Lok sugere que o Governo controle “de forma rigorosa” progresso da obra na Ponte Amizade, e reforce a supervisão, estudando formas de acelerar os trabalhos.

Além disso, pediu ao Governo que acompanhe o trânsito nas zonas mais congestionadas, através das novas tecnologias, e que sejam destacados agentes de trânsito para os locais, para tornar o trânsito mais fluído.

O associado da FAOM pediu também ao Governo para actualizar regularmente o progresso das obras com a divulgação de medidas provisórias de trânsito, para que residentes e condutores possam planear mais cedo as suas deslocações.

Segundo o Grupo de Coordenação de Obras Viárias, a intervenção na Ponte da Amizade será a primeira obra de grande escala na Ponte da Amizade dos últimos 25 anos.

20 Mai 2026

Parquímetros | Nick Lei quer notificação de multas por SMS

O deputado Nick Lei considera que o Corpo de Polícia de Segurança Pública deve rever o formato de tratamento das infracções rodoviárias, a fim de incluir nas notificações por SMS as multas nos parquímetros para melhorar a rotatividade no estacionamento

Nick Lei, deputado à Assembleia Legislativa (AL), interpelou o Governo quanto à necessidade de revisão, por parte do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), da forma como são tratadas as infracções rodoviárias, a fim melhorar o sistema de tratamento das multas por tempo de estacionamento excessivo.

Segundo a interpelação, o deputado, ligado à comunidade de Fujian em Macau, destacou que o CPSP actualizou o formato de tratamento das infracções rodoviárias, mas excluiu as multas nos parquímetros. Essa actualização passou por uma renovação dos equipamentos para que os condutores passassem a receber SMS dez minutos após receberem uma multa. Tudo para remover os carros o mais depressa possível e, assim, escoar o fluxo de trânsito.

Porém, actualmente, “o serviço de notificação por SMS das infracções rodoviárias não inclui as infracções nos parquímetros de estacionamento, havendo grande diferença em relação às restantes situações de infracções”, destacou.

“Para que seja melhorado o mecanismo de notificações, e para que se aumente a rotatividade dos lugares de estacionamento na via pública, podem as autoridades pensar em incluir, no sistema de notificações por SMS, a infracção de não pagamento das tarifas de parquímetros, evitando-se assim custos sociais subsequentes?”, questionou.

Meios obsoletos

Além de pedir a notificação das multas por SMS, Nick Lei referiu que, no actual sistema de pagamento digital de multas por infracções rodoviárias, também ficaram de fora as infracções nos parquímetros de estacionamento.

“Após o carro ser bloqueado ou removido, os donos precisam de ir ao Departamento de Trânsito pagar a multa em numerário. Será que o Governo pode incentivar as empresas a proporcionarem meios de pagamento electrónico, a fim de responder à procura da sociedade?”, sugeriu.

De frisar que, no passado, o Governo justificou a exclusão das multas de estacionamento do sistema de notificações por SMS para não causar confusão nos infractores, destacando que, apesar de não informar os condutores por SMS, estes têm de cumprir a lei no que ao estacionamento diz respeito.

Para Nick Lei, a ausência de avisos por SMS faz com que os condutores se esqueçam do tempo de estacionamento pago, levando a situações ilegais com consequentes bloqueios de viaturas, perdas de tempo e de dinheiro. O deputado destaca também que esta situação leva a gastos de recursos do CPSP e impede a rotatividade de lugares de estacionamento.

19 Mai 2026

Saúde | Pedida supervisão do uso de apoios em Guangdong

O deputado Wong Chon Kit, ligado à área da saúde, entende que deve ser garantida a supervisão da nova medida que estende os vales de saúde da RAEM à utilização na província de Guangdong. O responsável defende um mecanismo de cooperação para o plano anunciado esta semana

Wong Chon Kit, deputado à Assembleia Legislativa (AL) ligado ao sector da saúde, defende ser necessária a criação, por parte do Governo, de um mecanismo de cooperação com as autoridades do interior da China para supervisionar a utilização dos vales de saúde na província de Guangdong. Trata-se de uma medida anunciada esta semana, relativa à nova ronda do Programa de Comparticipação nos Cuidados de Saúde, que começa em Junho.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado entende que a cooperação entre Macau e Guangdong deve incluir partilha de informações, inspecções em clínicas aderentes ao programa e uma operação conjunta da aplicação das leis. Devem ainda ser utilizadas tecnologias da informação a fim de prevenir infracções.

O deputado, que também é dentista, argumentou que, este ano, o montante subsidiado pelo programa é de 520 milhões de patacas, devendo ser garantido um uso adequado do erário público, sendo esta uma responsabilidade fundamental do Governo. É por isso que Wong Chon Kit falou ao jornal chinês da necessidade da eficácia da supervisão entre territórios e departamentos públicos das duas regiões. Isto porque, caso haja muitas infracções ou falhas no programa, tal afecta de forma directa a credibilidade do programa, bem como o ambiente empresarial do sector da saúde.

Mudança competitiva

Na visão de Wong Chon Kit, uma vez que os residentes da RAEM podem começar a tratar a sua saúde nas instituições médicas de Guangdong com os vales de saúde, tal implica uma mudança de competitividade no sector, pois haverá desvio de doentes de Macau para a China.

Wong Chon Kit considera, no entanto, que as clínicas de Macau mantêm algumas vantagens tendo em conta a sua localização, conveniência que proporcionam e a língua, sendo importante continuar a melhorar os serviços a fim de assegurar a continuidade destas vantagens.

O deputado deixou elogios à utilização dos vales de saúde na província vizinha, algo que, no seu entender, permite a continuidade dos objectivos do programa, nomeadamente o alívio da pressão no sistema de saúde público e a promoção de parcerias público-privadas.

Além disso, o legislador recordou que os médicos de Macau que participam no programa podem aceitar vales de saúde em Guangdong se trabalharem em 21 instituições médicas previstas no programa. Wong Chon Kit defende que a medida proporciona um novo meio de desenvolvimento para os médicos, sobretudo os mais jovens, dando ainda apoio às marcas da área da saúde de Macau e proporcionando-se um alargamento de serviços na zona da Grande Baía.

15 Mai 2026

Creche Smart | CCAC confirma investigação a diferendo com IAS

O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) promete revelar publicamente os resultados ao diferendo entre o Instituto de Acção Social (IAS) e a associação Zonta Club de Macau

O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) confirmou que tem a decorrer uma investigação ao caso do corte do financiamento do Instituto de Acção Social (IAS) à Creche Smart, gerida pela associação Zonta Club de Macau. A posição do CCAC foi relatada pelo canal chinês da Rádio Macau, ontem, depois de nos dias mais recentes o caso ter gerado novos comunicados, na sequência dos procedimentos de admissão das creches subsidiadas.

Segundo o organismo liderado por Ao Ieong Seong a investigação foi instaurada depois de uma queixa administrativa e os resultados vão ser divulgados assim que os procedimentos de averiguação “profunda” forem concluídos.

O CCAC reconheceu também que “tomou nota” do comunicado mais recente da Zonta Club de Macau, em que esta prometia abdicar do processo a decorrer em tribunal, face aos resultados apurados pelo CCAC.

Após a posição do CCAC ser divulgada, a Creche Smart partilhou nas redes sociais uma hiperligação para a notícia e escreveu que o CCAC está a investigar “se as autoridades cometeram abuso de poder”. Esta é a crença da associação Zonta Club de Macau, que não se tem coibido de pedir ao Governo para controlar as acções do presidente do IAS, Hon Wai.

Apesar da polémica, e apesar do risco de a Creche Smart ficar sem instalações e financiamento público, a instituição de ensino revelou que recebeu 82 inscrições para o ano lectivo de 2026/2027.

Exigências de fiscalização

Em Março do ano passado, o IAS cortou o financiamento e recuperou as instalações na Taipa, onde opera a creche Smart. Num primeiro momento, o IAS limitou-se a indicar que as duas partes não tinham chegado a acordo no que diz respeito a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”.

Posteriormente, o IAS revelou que a decisão estava relacionada com a fiscalização relacionada com os subsídios públicos atribuídos à creche.

A decisão do IAS foi contestada pela associação, que avançou para os tribunais com uma providência cautelar para suspender, inicialmente, o corte de apoios financeiros e a recuperação do espaço. O Tribunal Administrativo e o Tribunal de Segunda Instância, após recurso do IAS, aceitaram a providência cautelar da Zonta Club de Macau.

Além disso, a associação apresentou uma queixa ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) e mostrou-se disponível para abdicar dos processos em tribunal, em virtude das conclusões da investigação. A Zonta, reconheceu erros, mas mostrou-se disponível para ser investigada pela Polícia Judiciária, para proteger a sua reputação.

13 Mai 2026

Hainan | Kevin Ho lamenta fraco investimento de empresas de Macau

O deputado Kevin Ho lamenta que apenas a MGM marque presença em Sanya, numa zona de cooperação entre Hainan e Hong Kong. O também empresário lamenta as oportunidades desperdiçadas e destaca o projecto de desporto electrónico de Mário Ho, filho de Stanley Ho e de Angela Leong

“Macau também é uma cidade internacional, mas será que não estamos a perder oportunidades? Além da MGM, mais nenhuma outra empresa de Macau tem presença em Sanya.” Foi desta forma que o deputado Kevin Ho lamentou a falta de ambição empresarial da RAEM durante uma visita da delegação dos membros de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN) a Hainan e à zona de demonstração de Sanya para cooperação económica entre a província chinesa e Hong Kong.

Tendo em conta a experiência do tecido empresarial de Macau no turismo, o deputado considera que as conquistas na área dos elementos não-jogo podem ser determinantes para colher os benefícios do desenvolvimento de Sanya. Porém, “as empresas de Macau não aproveitam as oportunidades”, indicou em declarações ao jornal Ou Mun.

O também empresário destaca o projecto para um resort dedicado a desportos electrónicos (competições de jogos) a cargo da empresa de Mário Ho, filho de Stanley Ho e da deputada Angela Leong.

Na passada sexta-feira, a empresa do NIP Group do jovem magnata, ganhou em leilão um lote em Sanya, com área de cerca de 74 mil metros quadrados, por 680 milhões de renminbis, onde será construído o resort. Mário Ho garantiu que vai investir mais de 1,4 mil milhões de renminbis no futuro. Em 2011, foi inaugurado o hotel MGM Grand Sanya e em 2025, o grupo anunciou que iria construir um segundo hotel, num investimento total de cerca de 2 mil milhões de renminbis.

Então e Hengqin?

À semelhança do desejo de investimento em Hainan, Kevin Ho apontou baterias à zona de cooperação aprofundada em Hengqin e no potencial do mercado de turismo para as marcas hoteleiras estabelecidas na RAEM.

O deputado prometeu que, assim que voltar a Macau, vai usar a sua posição para convencer as concessionárias do jogo a contribuírem para o desenvolvimento turístico de Hengqin.

Por seu turno, o membro de Macau na APN Dominic Sio Chi Wai, também durante a visita a Hainan, apontou a necessidade de atrair empresas de grande capital para Hengqin. Tendo em conta que uma parte fundamental do processo de investimento recair na confiança nas perspectivas económicas, o responsável apela à paciência e convicção no crescimento de Hengqin, da Grande Baía e do país.

Durante a visita de estudo, a delegação de Macau visitou estaleiros de obras, um centro de promoção de investimento e hotéis em Sanya.

12 Mai 2026

Hospital São Januário | Morte de feto leva a acusação de negligência

Uma grávida seguida no Hospital São Januário sofreu um aborto no dia seguinte a uma consulta. O pai questiona se não terá ocorrido negligência médica e protesta a falta de respostas à queixa que apresentou ao hospital público há cerca de três meses

O programa Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, foi ontem “palco” de um caso trágico quando um ouvinte contou aos microfones da emissora pública a forma como a sua mulher perdeu o bebé depois de uma consulta no Centro Hospitalar Conde de São Januário.

O residente, de apelido Ng, revelou que o incidente aconteceu no final de Outubro do ano passado, quando a sua esposa estava grávida de 30 semanas. Nessa altura, a grávida começou a sentir dores na zona abdominal, obrigando o casal a recorrer ao hospital público. “Quando fomos à consulta, o médico observou a minha mulher e disse-nos que não havia qualquer problema. Em relações às dores abdominais, concluiu que se deviam à pressão exercida pelo crescimento do bebé no estômago”, contou com em tom agastado.

Pouco depois de saírem do hospital, e com medicamentos prescritos, o casal foi surpreendido com um telefonema. “Deram-nos um medicamento ao qual a minha mulher é alérgica, tal como consta no seu processo clínico. Ela não chegou a tomar o medicamento porque tínhamos acabado de sair do hospital, mas voltámos atrás para levantar outro fármaco”.

Apesar da rectificação, no dia seguinte o bebé estava morto. “A minha mulher deixou de sentir batimentos cardíacos ou movimento e regressámos de imediato ao hospital.”

Questões dolorosas

No hospital, foi dito ao casal que a “situação era crítica” e que só podiam sair do hospital depois de assinarem um documento. Ng não especificou exactamente o tipo de documento em causa, mas todo o processo lhe pareceu irregular. “Porque não nos pediram para assinar o documento no dia anterior? Porque prescreveram ao início um medicamento que resultaria em reacção alérgica? Não será isto negligência médica”, questionou.

O ouvinte confessou ainda que o casal chegou a ponderar recorrer ao Hospital Kiang Wu, mas decidiram não o fazer porque a esposa de Ng enfrentava uma gravidez de alto risco, com um historial de abortos espontâneos, e não quiseram interromper o acompanhamento que já seguia no Hospital São Januário. Face ao risco, o casal pensou que teriam acesso a cuidados de saúde redobrados, mas acabaram por enfrentar desleixo clínico, exemplificado na prescrição de um medicamento que facilmente se poderia ver no processo clínico que poderia resultar em alergia.

A autópsia viria a concluir que a causa da morte foi hipóxia intrauterina, uma condição em que o feto recebe uma quantidade insuficiente de oxigénio durante a gestação.

Inconformado, Ng apresentou uma queixa no hospital público em meados de Fevereiro e só na terça-feira recebeu uma resposta a referir apenas que “o caso está a ser acompanhado”. Face à resposta insatisfatória, a apresentadora do Fórum Macau garantiu que iria consultar as autoridades sobre o caso da família de Ng e contactar o residente directamente se tivesse novidades.

8 Mai 2026

Alfândega intercepta bens contrabandeados no valor de 25 milhões

Os Serviços de Alfândega (SA) apanharam, nos primeiros quatro meses do ano, bens contrabandeados no valor de 25 milhões de patacas. Os dados foram divulgados por José Pou, chefe do Departamento de Gestão Operacional dos SA, no programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

José Pou revelou que no período em análise foram realizadas 30 operações de combate ao contrabando em Macau, que resultaram na acusação de 68 pessoas na sequência de 62 infracções.

Os bens interceptados foram, principalmente, alimentos, grãos de prata, cosméticos, produtos electrónicos, cigarros e álcool, com um valor de 4,72 milhões de patacas. Além disso, os SA detectaram 26 situações de contrabando nas pontes-cais do Porto Interior, com bens a rondar as 21 milhões de patacas. Os SA descobriram ainda 1.309 casos nos postos fronteiriços, o que culminou na proibição de passagem da fronteira de dois carros alegadamente usados para contrabandear bens.

Sinais de crise

Face ao aumento dos casos de contrabando, a advogada Lai Wing Yan, sediada em Hong Kong, escreveu no portal HK01 um artigo de opinião a argumentar que Macau está a atravessar um período de mudanças económicas, com maior inflação, tendo por base o caso recente de contrabando de mais de 50 quilos de comida em marmitas.

No artigo intitulado “O caso do homem de Macau que contrabandeou 51 kg de marmitas — a tragédia silenciosa das classes trabalhadoras sob o monopólio do capital”, publicado ontem, a autora descreve como “recentemente os serviços aduaneiros de Macau interceptaram, no posto fronteiriço de Hengqin, um veículo particular que transportava escondidos cerca de 51 quilos de marmitas de comida cozinhada sem inspecção sanitária”, o que revelou ser “um fenómeno de contrabando bastante invulgar”.

Na visão da advogada, há que analisar “o contexto social e económico por detrás destas quase cem marmitas baratas”, que podem reflectir “a realidade dos cidadãos das classes trabalhadoras de Macau, pressionados entre a escalada do custo de vida e o monopólio do capital, sendo obrigados a fazer compromissos dolorosos para sobreviver”.

Este caso de contrabando pode ser sinónimo “das dificuldades das classes mais baixas”, questionando a quem se destina esta comida. “Numa cidade onde uma refeição simples pode facilmente custar dezenas ou até mais de cem patacas, estas marmitas baratas vindas de Zhuhai — sem controlo rigoroso de temperatura ou inspecção sanitária — passaram a preencher a necessidade de trabalhadores da construção civil, empregados de limpeza e profissionais de serviços com baixos salários”.

Desta forma, argumenta, “o aparecimento deste tipo de contrabando é, na verdade, uma evolução inevitável da economia paralela perante as diferenças de preços entre regiões”, uma vez que “comprar este tipo de refeições simples no continente custa menos de 20 yuans, mas em Macau pode ser vendido pelo dobro, gerando lucro”.

Lai Wing Yan acredita que “se os Governos continuarem focados na aparência da prosperidade dos indicadores macroeconómicos e em medidas temporárias como vales de consumo, ignorando problemas estruturais como a desigualdade na distribuição de recursos e a dependência de uma economia pouco diversificada”, vão continuar a ocorrer fenómenos semelhantes de contrabando. Este caso “carrega o peso real da sobrevivência das classes trabalhadoras — e servem também como um duro aviso para quem governa”.

7 Mai 2026

Aviação | Conselheira pede supervisão rigorosa de “companhia aérea”

A conselheira dos Serviços Comunitários das Ilhas Hoi Kit Leng alertou o Governo para falhas na regulação da aviação, permitindo que “uma companhia aérea local” cancele voos e apresente justificações vagas que complicam o processo para accionar seguros

A conselheira Hoi Kit Leng acha que o Governo deve supervisionar as acções de uma companhia aérea em Macau, depois de uma vaga recente de cancelamentos de voos. A conselheira nunca identificou a companhia aérea em causa, durante a reunião do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas na terça-feira, mas a descrição coincide com a Air Macau.

Segundo o jornal Ou Mun, a responsável destacou que o problema não se prendeu com os cancelamentos, que até podem ser justificados dadas as condições actuais relacionadas com o preço dos combustíveis, mas antes com a falta da transparência. A companhia justificou os cancelamentos com “motivos ligados à empresa”. A justificação foi entendida como vaga e fez com que passageiros afectados por cancelamentos enfrentassem dificuldades na altura de accionarem os seguros de viagem.

Além disso, Hoi Kit Leng criticou a política de compensações da companhia, porque apenas oferece como soluções a alteração da data do voo ou o reembolso do dinheiro pago pela viagem não realizada. Segundo a conselheira, esta política é insuficiente porque a empresa não vai cobrir os danos causados aos clientes, como acontece com o cancelamento de hotéis, aumento do preço dos novos bilhetes, entre outros.

Hoi Kit Leng indicou ainda que quando há cancelamentos de voos em grande escala o atendimento aos clientes fica paralisado e regista atrasos significativos na divulgação das informações.

Mais liderança

Para resolver estes assuntos, Hoi Kit Leng defendeu que a Autoridade de Aviação Civil tem de assumir um papel de liderança e estudar a elaboração de normas para a protecção dos direitos dos passageiros em Macau. A conselheira sugeriu às autoridades locais que se inspirem na regulação da União Europeia.

Como exemplo de falta de regulação, Hoi Kit Leng pediu a implementação de normas que regulem as compensações nos casos em que os passageiros têm de atravessar a fronteira para apanhar voo. Salientou também a necessidade de um reembolso do custo da viagem ou da alteração da data, nos casos em que os cancelamentos se prendem apenas com decisões comerciais.

Hoi Kit Leng defende ainda a proibição de justificações vagas da companhia aérea de, e pediu ao Governo para criar um mecanismo para a mediação de litígios, liderado pela Direcção dos Serviços de Turismo e pelo Conselho de Consumidores.

Anteriormente a Air Macau admitiu publicamente ter cancelado cerca de 400 voos entre Maio e Junho devido aos preços do combustível, que aumentaram depois do bloqueio do estreito de Ormuz. As explicações só foram avançadas depois de surgirem queixas nas redes sociais, motivadas por cancelamentos de voos quase em cima da hora marcada para embarcar.

7 Mai 2026

IAS | Creche Smart pede ao Governo que controle acções de Hon Wai

A Zonta Club de Macau queixa-se de perseguição pelo presidente do IAS, pede ao Governo para o controlar e promete que, se o CCAC encontrar ilegalidades nas suas contas, desiste das acções em tribunal. A entidade está também disponível para ser investigada pela PJ, de forma a proteger a sua reputação

A associação Zonta Club de Macau (ZM) pediu ao Governo para controlar o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, para evitar abusos de poder. A posição da entidade responsável pela creche Smart foi tornada pública nas redes sociais, depois do mais recente relatório do IAS sobre a creche e ainda por ter indicado no portal onde divulgou as admissões nas creches que a cooperação entre a instituição de ensino e o IAS foi “cessada” e que há uma acção judicial a decorrer nos tribunais.

Em Março do ano passado, o IAS decidiu cortar o financiamento e recuperar as instalações na Taipa, onde opera a creche Smart. Os fundamentos para a decisão nunca foram clarificados pelo Governo, que num primeiro momento se limitou a dizer que as duas partes não tinham chegado a acordo no que diz respeito a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”.

A decisão do IAS foi contestada pela associação, que avançou para os tribunais com uma providência cautelar para suspender, inicialmente, o corte de apoios financeiros e a recuperação do espaço. O Tribunal Administrativo e o Tribunal de Segunda Instância, após recurso do IAS, aceitaram a providência cautelar da Zonta Club de Macau.

No entanto, a informação no portal das creches terá levado vários pais a questionarem a associação sobre o sucedido, com esta a emitir um novo comunicado. Além disso, o relatório de avaliação do IAS sobre a creche continua a apontar falhas.

Em resposta aos desenvolvimentos recentes, a associação começa por indicar que o relatório de avaliação do IAS não corresponde à situação factual do estabelecimento. A ZM aponta igualmente que apesar de se ter mostrado sempre disponível para prestar todos os esclarecimentos exigidos pelo IAS, que o presidente Hon Wai tem “levantado várias suspeitas” e acusado a entidade de “alegadas irregularidades”. Esta situação terá gerado stress psicológico na associação e na creche, assim como “sérias preocupações sobre os danos reputacionais”.

Cartas na mesa

No comunicado, a associação revela que a postura do IAS foi inicialmente motivada por “atrasos” na actualização dos dados sobre os trabalhadores durante a pandemia, uma vez que a creche começou a funcionar em Macau em 2019, depois de ser convidada pelo Executivo da RAEM, em 2016. A informação terá sido carregada no sistema da IAS de forma incorrecta.

Sobre este aspecto a creche indica que, num primeiro momento, os trabalhadores do IAS consideraram que tinha havido um erro, mas que não havia qualquer elemento que indicasse a tentativa de manipular os números.

Contudo, mais tarde o IAS considerou que devia ter sido declarado um grupo de quatro trabalhadores em vez de três, enquanto a associação entende que só tinha de declarar três, porque um desses funcionários não ia ter o vencimento subsidiado pelo IAS. Hon Wai terá igualmente considerado que foram contratados trabalhadores que não desempenharam funções essenciais e não deviam ter sido subsidiados.

Todavia, a creche defende-se ao argumentar que entre 2019 e 2021 devolveu mais de 2 milhões de patacas aos IAS, por sua iniciativa, porque os subsídios ficaram acima das necessidades. Além disso, aponta que as contas têm sido auditadas, sem que tivessem sido encontradas irregularidades. “Estas acções exemplificam que a ZM segue de forma consistente os princípios da honestidade, coerência e cooperação”, foi vincado.

A Zonta pede ainda ao presidente do IAS que prove que as tarefas dos trabalhadores considerados excessivos não eram essenciais e que justifique como aquelas tarefas poderiam ser realizadas pelos outros trabalhadores. Face a este diferendo, a ZM conclui que o presidente Hon Wai “tem criado de forma repetida disputas, suspendido o financiamento da instituição e alegado o uso inapropriado das instalações”.

A ZM explica também que face a esta postura tentou sempre resolver o diferendo pelas vias institucionais, evitando recorrer aos tribunais e ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), para defender o “bem maior”. Porém, afirma que teve de apresentar queixa no CCAC, por não ter tido outra opção, devido aos danos para a sua reputação e às acções repetidas de Hon Wai.

Pedido controlo

Diante das alegações de Hon Wai, a ZM defende que tem seguido sempre as instruções do Governo e que jamais pretende impor a sua posição, mostrando total disponibilidade para obedecer ao que for decidido pelo Executivo.

A Zonta declara também que está pronta para desistir de todas as acções em tribunal, onde contesta a decisão do corte de financiamento e remoção das instalações, face aos resultados da investigação do CCAC. Esta postura é justificada pela associação com a vontade de poupar dinheiro à RAEM. Ao mesmo tempo, a ZM mostra-se disponível para ser investigada pela Polícia Judiciária (PJ), porque acredita que desta forma a sua reputação vai ser mantida.

Finalmente, a Zonta pede ao Governo para “exercer uma supervisão rigorosa e eficiente sobre os nomeados para os cargos públicos, de acordo com a lei e cumprimento das suas funções, para prevenir abusos de autoridade, responder às preocupações públicas, restaurar a confiança e defender a dignidade do primado do direito e da justiça social”. O HM contactou o IAS sobre a postura do presidente Hon Wai, mas até ao fecho da edição não recebeu resposta.

6 Mai 2026

Personalidades políticas pedem que jovens desenvolvam o país

Ontem assinalou-se o 4 de Maio de 1919, data associada ao movimento anti-imperialista em Pequim contra o Tratado de Versalhes, marco histórico que motivou várias personalidades políticas locais a pedir a intervenção dos mais novos no desenvolvimento do país.

Lam Lon Wai, deputado e presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), apontou que a elaboração do 3º Plano Quinquenal da RAEM deve herdar o espírito do 4 de Maio, e levar os jovens a conhecer as estratégias nacionais em termos económicos e a participar na governança social.

Lam Lon Wai disse ainda que o país tem destacado os quadros qualificados como força motriz principal e que a FAOM vai incentivar os jovens de Macau a participar no 3º Plano Quinquenal da RAEM. Lam Lon Wai destacou também a realização de mais acções de intercâmbio com parques industriais na Grande Baía e Hengqin, pensadas para jovens.

Oportunidades para apanhar

Calvin Chui, chefe do conselho de juventude da Associação Comercial de Macau, defendeu que os jovens de Macau devem ser responsáveis, resistentes e ter vontade de lutar.

Por sua vez, o vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), Tang Man Kei, recordou que o movimento do 4 de Maio tem como valores o patriotismo, progresso, democracia e ciência, que os jovens de Macau devem promover. O responsável disse que a UGAMM vai continuar a ouvir os jovens e responder aos seus pedidos, criando uma plataforma mais ampla de apoio aos estudos, emprego, compra de casa e empreendedorismo.

A Associação da Construção Conjunta de um Bom Lar, liderada pelas deputadas Wong Kit Cheng e Loi I Weng, defende que os jovens devem estar atentos às políticas e oportunidades na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin.

Wong Kit Cheng sugeriu ainda a elaboração de um estudo sobre a previsão dos recursos humanos para a zona de Hengqin, para estabelecer uma base de dados dos quadros qualificados existentes, para que jovens e empresas possam conhecer as oportunidades disponíveis.

5 Mai 2026

Fundação Macau | Apoios no primeiro trimestre totalizam quase 200 milhões

No primeiro trimestre deste ano, a Fundação Macau distribuiu 198,8 milhões de patacas para mais de 700 projectos. As associações tradicionais foram as maiores beneficiárias, com os Operários a receber cerca de 16 milhões de patacas e os Moradores 17,2 milhões de patacas

Ao longo dos primeiros três meses de 2026, a Fundação Macau distribuiu cerca de 198,9 milhões de patacas, entre 743 projectos e actividades de associações e instituições. O valor dos apoios cresceu 162,4 por cento face ao trimestre anterior quando foram entregues 75,8 milhões de patacas, mas regista-se uma descida acentuada face ao primeiro trimestre de 2025, com uma quebra de 84,3 por cento.

Entre os maiores beneficiários, contam-se as associações tradicionais. No primeiro trimestre deste ano, a União Geral das Associações dos Moradores de Macau foi a entidade que recebeu quantias mais avultadas, cerca de 17,2 milhões de patacas. De acordo com os dados publicados no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos, o segundo lugar no “pódio” foi para a Federação das Associações dos Operários de Macau, com um apoio total a rondar os 16 milhões. O pódio encerra com a Associação Geral das Mulheres de Macau, que recebeu 13,9 milhões de patacas.

A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau ficou a uma grande distância dos maiores beneficiários, com cerca de 478 mil patacas.

Em relação às entidades ligadas a conterrâneos de Fujian, a Aliança de Povo de Instituição de Macau obteve apoios financeiros de cerca de 7,3 milhões de patacas, enquanto a Associação Geral dos Conterrâneos de Fukien de Macau foi financiada com 1,4 milhões de patacas.

Projectos além-fronteiras

Ainda no capítulo das associações de cariz político, destaque para o apoio financeiro concedido à Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau, que recebeu mais de 3,2 milhões de patacas. Já Associação dos Conterrâneos de Kong Mun, que representa a comunidade de Jiagmen, foi beneficiada com 1,7 milhões de patacas.

Neste trimestre, a Fundação Macau voltou a conceder um apoio ao Instituto Cultural para a realização do Concerto de Bandas Sonoras da Grande Baía, 2025 “Lua Cheia Nascendo sobre a Baía”, desta feita no valor de 1,38 milhões de patacas. Analisando os dados públicos, podemos verificar que o mesmo projecto foi apoiado no último trimestre do ano passado com 12,4 milhões de patacas, totalizando quase 13,8 milhões de patacas.

Por seu turno, o IPOR – Instituto Português do Oriente recebeu cerca de 213 mil patacas. No plano de apoio social, foram distribuídos à Cáritas de Macau cerca de 8,8 milhões de patacas.

Um dos projectos de solidariedade social no Interior da China inscrito na lista de entidades apoiadas nos últimos anos é a construção da Escola Secundária Ao Yuan, na aldeia de Heshi do distrito de Xiushui da província de Jiangxi, que recebeu nos primeiros três meses de 2026 a última prestação para erigir a escola, num valor superior a 3,5 milhões de patacas. A construção da escola foi concluída em 2023. A este valor, foram acrescentadas 750 mil patacas em bolsas de estudo para 25 alunos com dificuldades financeiras no ano lectivo 2025/2026, o que resulta em 30 mil patacas por aluno.

Um dos apoios mais avultados no primeiro trimestre do ano, foi a última prestação para pagar o projecto de reconstrução e ampliação dos edifícios escolares do Instituto Salesiano de Macau, num valor superior a 14,8 milhões de patacas.

5 Mai 2026

Restauração | Alerta para perigo de comida contrabandeada

Uma conselheira dos serviços comunitários e uma representante dos Moradores apelaram à atenção para condições de salubridade de refeições compradas. O alerta foi dado depois de um residente ter sido apanhado a tentar entrar em Macau com mais de 60 refeições de origem desconhecida

A apreensão de mais 50 quilos de comida cozinhada no Posto Fronteiriço Hengqin, na semana passada, voltou a levantar dúvidas sobre a segurança alimentar na região. Os alimentos frescos, géneros vivos ou alimentos de origem animal importados para Macau são obrigatoriamente sujeitos a inspecção sanitária e a vir acompanhados por certificados sanitários do país de origem. No caso revelado pelos Serviços de Alfândega, as autoridades encontraram 61 embalagens com refeições cozinhadas escondidas numa viatura.

A conselheira dos Serviços Comunitários da Zona Norte Lam Hoi Leng considera que a crescente popularidade das refeições baratas vendidas para fora merece a atenção das autoridades ao nível da segurança alimentar, mas também dos consumidores que devem procurar saber a origem dos alimentos. Em declarações ao jornal Ou Mun, a conselheira lembrou que estas refeições de baixo custo podem representar um risco tendo em conta a falta de controlo sobre o tempo que os alimentos foram cozinhados (elevando o risco, por exemplo, de salmonela), se foram acondicionados em locais refrigerados, se os ingredientes foram manuseados cumprindo normas higiénicas e há quanto tempo foram confeccionadas as refeições.

O alerta da conselheira prende-se com o perigo de contaminação de alimentos e intoxicação alimentar. Face a este panorama, Lam Hoi Leng sugeriu que os consumidores optem por restaurantes com boa reputação e que respeitem regras de salubridade e higiene, e que as autoridades reforcem a supervisão transfronteiriça de alimentos e as inspecções a restaurantes.

Conhecer os ingredientes

Também a directora da Associação de Confraternização dos Moradores do Bairro do Antigo Hipódromo Areia Preta e Iao Hon de Macau, Cheang I Ha, alertou para o perigo de comprar refeições de origem desconhecida e acrescentou que más condições de transporte dos alimentos podem resultar em riscos de saúde. Em declarações ao Ou Mun, a responsável indicou que os residentes devem alertar familiares e amigos que atravessem frequentemente a fronteira entre Macau e Zhuhai para não fazerem contrabando de carne e ovos.

O caso de contrabando que deu origem à celeuma aconteceu na quarta-feira da semana passada, segundo um comunicado dos Serviços de Alfândega divulgado no sábado. Um residente de 35 anos tentou entrar em Macau com mais de 50 quilos de comida confeccionada escondida no porta-bagagens de uma viatura de passageiros, sem refrigeração.

28 Abr 2026