Acidente | Criança de 10 anos é atropelada na passadeira e morre

A morte mais recente por atropelamento em passadeiras mobilizou grande parte da população, que se deslocou ao local para deixar coroas de flores, guloseimas, refeições e chorar. Desde 2013, esta é a segunda morte de crianças em idades escolar em passadeiras da Avenida do Conselheiro Borja

Um menino com 10 anos morreu na noite de quarta-feira, depois de ter tentado atravessar a Avenida do Conselheiro Borja, numa passadeira. A criança, atropelada por uma viatura com sete lugares, por volta das 20h18, foi transportada para o hospital, mas declarada sem vida minutos depois.

Segundo um vídeo partilhado online, que terá captado parte do atropelamento, é possível ver o veículo a atingir a criança e a passar-lhe por cima, embora, nesse momento, a criança não seja atingida por qualquer roda da viatura.

Após o embate, o menino ficou estendido na estrada, enquanto o veículo pára e o condutor se aproxima da criança para verificar o seu estado. Quando as autoridades chegaram ao local, encontraram a vítima no chão, numa grande poça de sangue, pelo que fecharam a via ao trânsito, enquanto eram realizadas as operações de salvamento.

A criança foi assistida pelo Corpo de Bombeiros (CB) e transportada, de urgência, para o Hospital Kiang Wu. No entanto, os esforços das equipas de salvamento mostraram-se inglórios, com o menino a ser declarado morto por volta das 20h42.

Segundo os dados divulgados pela polícia, tanto a vítima mortal como o condutor são residentes de Macau. O condutor, que tem cerca de 40 anos, realizou o teste do álcool e o resultado foi negativo, o que as autoridades indicaram corresponder às declarações prestadas no local.

Segundo as imagens que circularam ontem nas redes sociais, o veículo envolvido no embate é um monovolume com sete lugares, da marca Honda e modelo Stepwgn, com cor preta.

Ontem, as autoridades comunicaram que o homem foi indiciado pelo crime de homicídio por negligência, e que o caso foi encaminhado para o Ministério Público (MP). Também foi divulgado que o condutor confessou não ter reparado que havia uma pessoa a tentar atravessar a passadeira.

Homenagem geral

Ontem, depois das notícias do acidente se terem espalhado nas redes sociais, várias pessoas deslocaram-se ao lugar do atropelamento para prestarem homenagem à vítima.

Com o passar das horas, acumularam-se junto do local do atropelamento coroas de flores, doces, brinquedos e até refeições. No local, era ainda possível ver alguns cidadãos emocionados com lágrimas nos olhos. A escola frequentada pela vítima também teve uma reacção pública, ao mudar a cor do portal da escola para tons de cinzento.

Ao mesmo tempo nas redes sociais surgiram várias reacções a criticar o condutor por estar ao telemóvel, momento depois do acidente. A matrícula do veículo, que acabou rebocado pelas autoridades para investigação, foi igualmente amplamente partilhada, assim como alegados dados do condutor.

As autoridades também foram alvo das críticas, pela complacência face aos condutores ao telemóvel e aos casos de não cedência de passagem nas passadeiras.

Histórias repetidas

Esta não é a primeira criança a morrer na Avenida do Conselheiro Borja ao tentar atravessar na passadeira. Em Junho de 2013, a cerca de 300 metros do local do acidente de ontem, também um menino com nove anos perdeu a vida.

As circunstâncias do acidente são bastantes semelhantes, porque o atropelamento se deveu igualmente ao facto do condutor de uma carrinha não ter cedido a passagem na passadeira e de a criança também estar vestida com o uniforme escolar. O embate aconteceu por volta das 18h30, o menino foi transportado para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde minutos depois foi declarado morto.

Multas a aumentar

No ano passado, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) passou 619 multas por não cedência de passagem nas passadeiras. No entanto, este ano, o número multas está a aumentar. Entre Janeiro e Abril deste ano o número de multas foi de 247, uma subida face ao período homólogo de 17,62 por cento, dado que entre Janeiro e Abril de 2025 o número tinha sido de 210.

No ano passado, houve ainda 7.651 pessoas multadas por atravessarem a estrada fora da passadeira. Entre Janeiro e Abril de 2025, houve 3.252 pessoas multadas por este motivo, um número que registou uma queda de 46,43 por cento nos primeiros quatro meses deste ano, com um total de 1.742 multas por esse motivo.

30 Mai 2026

Turismo | Registado aumento de visitas de estudo para Macau

O presidente da Associação de Indústria Turística de Macau considera que o aumento das viagens de estudo na China e em Macau levou à expansão do sector do turismo. Andy Wu realça a subida anual entre 20 a 30 por cento de estudantes que viajam até Macau

As viagens de estudo têm um grande potencial para o sector do turismo e Andy Wu, presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, destaca como os números têm registado um aumento.

Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o mercado de viagens de estudo dos estudantes do Interior da China em Macau registou um aumento, com o número de visitantes deste segmento a crescer 20 a 30 por cento em 2025, face a 2024.

Andy Wu explicou que as viagens de estudo a Macau são de curta duração, não indo além de quatro dias, focando-se nos elementos de história, cultura e experiências. Apesar de serem em menor número face às viagens de estudo feitas pelos estudantes de Macau para o exterior, existe, segundo o dirigente associativo, um óbvio potencial que pode ser explorado noutras épocas do ano, nomeadamente durante a semana ou férias de Inverno.

Andy Wu destacou também que as visitas de estudo para cidades chinesas ocupam já cerca de 50 por cento da procura, com foco em destinos como Pequim, Xangai ou Xi’an. Antes, no período de Verão, os estudantes optavam mais por países estrangeiros como Reino Unido, Austrália ou Canadá, entre outros.

Mais agências de serviço

Nas visitas às cidades chinesas, o foco faz-se nas últimas tecnologias, como é o caso de voos espaciais e inteligência artificial, tendo Andy Wu destacado que o conteúdo das viagens está relacionado com as necessidades de aprendizagem dos alunos.

Quanto ao preço das viagens de estudo, o representante e empresário de agências de turismo apontou que é mais elevado do que excursões normais dado que estas viagens exigem mais mão-de-obra, nomeadamente guias turísticos e tutores, para garantir uma melhor experiência educativa.

Ainda no que diz respeito ao preço, as viagens ao Interior da China continuam a ser mais baratas do que ao estrangeiro, tendo Andy Wu apontado que se deu um aumento ligeiro devido à sobretaxa de combustível nos voos.

O responsável contou ainda que a popularidade das visitas de estudo beneficiou o sector turístico. Isto porque, no ano passado, apenas duas agências de viagens, com capitais de Macau e Hong Kong, se dedicavam a este tipo de serviço. Actualmente, já são entre oito a dez agências que organizam visitas de estudo, o que leva a um enriquecimento da oferta, disse.

30 Mai 2026

Gongbei | Novo supermercado ameaça comércio local

No domingo, será inaugurado o novo Freshippo, um supermercado do grupo Alibaba, a escassos 300 metros da fronteira com Macau. A cadeia lançou uma campanha de publicidade dirigida a residentes da RAEM. Um académico da Universidade de Macau defende que os supermercados locais devem melhorar a oferta

A concorrência ao comércio e aos supermercados de Macau vai apertar, com a inauguração no domingo do supermercado Freshippo no centro comercial Parkside Mall, a cerca de 300 metros da fronteira entre Gongbei e as Portas do Cerco. Este é o segundo supermercado da cadeia ligada ao grupo Alibaba em Zhuhai, mas desta vez a empresa lançou mesmo uma campanha publicitária onde é visto um residente da RAEM a elogiar o centro comercial a outros residentes, segundo avançou a Macau News Agency.

A abertura de mais uma grande superfície em Zhuhai, perto da fronteira, aumenta a pressão sobre o comércio e os supermercados de Macau. Recorde-se que no primeiro trimestre deste ano, o volume de negócios dos supermercados diminuiu 5,2 por cento em termos anuais, apesar do crescimento de 23 por cento de todo o comércio a retalho, segundo os dados mais recentes da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos.

O professor da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau Matthew Liu Ting Chi explica este fenómeno com o aumento dos turistas, que quando visitam Macau não procuram bens de primeira necessidade e pelo facto de os residentes da RAEM serem atraídos pelos preços baixos do comércio em Zhuhai. O académico estima que no segundo trimestre deste ano o volume de negócios dos supermercados recupere graças ao Grande Prémio para o Consumo.

Luta pela sobrevivência

Há sensivelmente um ano, quando a abertura do Freshippo foi avançada na comunicação social, o presidente da Supermarket and Livelihood Food Association of Macau, Wong Man Wai considerou a possibilidade como a “gota d’água” para muitas superfícies em Macau. Já então, o representante do sector apontava para ajustes operacionais para conseguir sobreviver à concorrência, mas também para uma adaptação aos novos padrões de consumo da população.

Em declarações ao jornal Ou Mun, Matthew Liu também entende que os supermercados têm de agir e diferenciar o seu posicionamento de mercado, onde não só concorrem com preços mais apetecíveis em Zhuhai, mas também com o crescente comércio online com entregas ao domicílio.

O académico salientou que, ao mesmo tempo que nada parece mudar nas operações dos supermercados de Macau, do outro lado da fronteira há zonas de degustação nas superfícies, assim como venda de refeições preparadas no local.

É também essencial para o futuro dos supermercados de Macau apostar em força nas compras online, oferecer produtos diferentes que não se possam adquirir em Zhuhai e ir de encontro a uma clientela mais especializada que, por exemplo, procura alimentos saudáveis.

28 Mai 2026

Consumo | Defendida extensão do Grande Prémio até ao fim de Agosto

O presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau, Lei Cheok Kuan, considera que o Governo deveria estender até ao fim de Agosto o Grande Prémio de Consumo. O responsável pede também a criação de promoções específicas para o Verão

O presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau, Centro e Sul Distritos, Lei Cheok Kuan, defende que o Governo deveria prolongar a edição deste ano do Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias até final de Agosto. A iniciativa arrancou em Abril e inclui a distribuição de 400 milhões de patacas em descontos por um período de dez semanas, para aumentar o consumo nos bairros com menos turismo por parte de quem tem residência de Macau.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o responsável afirmou que é necessário dar continuidade ao programa e responder ao potencial de consumo de residentes durante o Verão, defendendo ainda a criação de campanhas promocionais específicas só para esta época do ano.

A ideia seria criar campanhas sazonais em coordenação com comerciantes das zonas centro, Sul e Norte, a fim de impulsionar o consumo potenciado pelos subsídios atribuídos pelo Governo e pelas promoções criadas pelos comerciantes.

Celebrar o património

Em relação ao tipo de actividades a criar, Lei Cheok Kuan argumentou que podem ser implementados eventos culturais e artísticos relacionados com o património cultural e que aproveitem a zona costeira de Macau. Um dos exemplos apontados é a criação, em Junho, de actividades relacionadas com o património cultural, como exposições à noite, com guias, em locais como as Ruínas de São Paulo, Largo do Senado e Templo de A-Má, para que os turistas possam tirar fotografias.

Também para Julho, o dirigente associativo sugeriu actividades relacionadas com a gastronomia local, ligadas à revitalização do Mercado Nocturno do Pagode do Bazar e de Rua 5 de Outubro, no Porto Interior. Já em Agosto poderiam ser organizadas actividades dedicadas a produtos culturais e criativos para pais e filhos, nomeadamente feiras de artesanato e pacotes de entretenimento pensados para famílias.

Em termos de infra-estruturas de trânsito, Lei Cheok Kuan sugere que o Governo crie rotas específicas de autocarros para as zonas centro e sul, com ligação a zonas comerciais e diferentes atracções turísticas.

Lei Cheok Kuan espera que estas rotas de autocarro possam ser mais frequentes, pedindo também a criação de guias de consumo para zonas comerciais junto de hotéis e postos fronteiriços. A ideia é incentivar os comerciantes a prolongar o horário de funcionamento dos estabelecimentos em conjugação com a realização de espectáculos de rua, construindo-se, assim, um ambiente de economia e consumo à noite.

27 Mai 2026

Junkets | Queixas da concorrência desleal de massas “premium”

Apesar do aumento das receitas dos junkets, o presidente da Associação Profissional de Promotores de Jogo de Macau queixa-se de concorrência desleal e injustiça fiscal. U Io Hung destaca a forma como o segmento de massas premium é operado, incluindo com a concessão de empréstimos

Nos primeiros três meses de 2026, o bacará VIP gerou receitas de 19,8 mil milhões de patacas, segundo dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, resultado que significou uma subida homóloga de 35 por cento.

Apesar da evolução, o presidente da Associação Profissional de Promotores de Jogo de Macau, U Io Hung, queixa-se de concorrência desleal das concessionárias, mais especificamente na forma como operam o segmento massas premium.

Em declarações ao jornal Ming Pao, o dirigente associativo salientou que as concessionárias começaram a emitir notas de crédito para grandes apostadores (markers), comportamento semelhante ao praticado pelos junkets, e um dos motivos que as autoridades terão usado para justificar o aperto ao jogo VIP.

Além destes créditos, U Io Hung argumenta que a obrigatoriedade de pagar 5 por cento de imposto sobre as comissões pagas a promotores de jogo coloca o sector numa situação de desvantagem, uma vez que os créditos concedidos pelas concessionárias a jogadores premium não estão sujeitos a taxação.

Lugar ao sol

O representante dos promotores de jogo revelou também que irá tentar que seja concedido ao sector isenções fiscais que estão previstas na legislação. A lei que regula a exploração de jogo em Macau prevê a possibilidade de o Chefe do Executivo isentar parcialmente o pagamento do imposto sobre as comissões por um período não superior a cinco anos, desde que não exceda 40 por cento do valor a pagar.

Para lá das operações, U Io Hung indicou que a criminalização das trocas de dinheiro para jogar modificou o ambiente nas imediações das áreas de jogo, aumentando a violência dos delitos. O dirigente indicou ao Ming Pao que a indústria do jogo passou a ser afectada por outros crimes, como roubos através de transferências bancárias forçadas, usura e burlas. Uma evolução que, na sua óptica, deve ser endereçada pelas autoridades.

O sector do jogo VIP tem sofrido grandes impactos desde a campanha que culminou na condenação de director executivo da Suncity Alvin Chau, altura em que as licenças de promotores de jogo em Macau caíram de 85 para 18. De acordo com dados da DICJ, o número de licenças tem recuperado e atingiu 31 no final de Março deste ano. Ainda assim, permanece aquém do limite máximo fixado pelo Governo, que é de 50.

22 Mai 2026

Concertos | Nick Lei pede clarificação de regras de segurança

Depois da confusão no Cotai durante o festival “K-Spark”, Nick Lei interpelou o Governo sobre a necessidade de clarificar regras de segurança no Local de Espectáculos ao Ar Livre. Além disso, defende que a futura concessão do espaço não deve olhar apenas para o lucro

O deputado Nick Lei defende a necessidade de clarificar as regras de segurança no Local de Espectáculos ao Ar Livre, tendo em conta o recente episódio de desacatos entre fãs ocorrido no “K-Spark”, festival de música pop sul-coreana (K-Pop), no início deste mês.

Recorde-se que o facto de o evento ter lugares sentados com cadeiras desdobráveis fez com que dezenas de pessoas tenham deslocado as cadeiras mais para a frente do palco, o que gerou alguns desacatos.

Na interpelação escrita, o deputado referiu algumas opiniões divulgadas nas redes sociais sobre o facto de o espectáculo revelar regras insuficientes de segurança, bem como a falta de controlo da multidão.

“Podem as autoridades elaborar regras claras sobre a utilização do espaço, bem como orientações para o comportamento dos espectadores, melhorar a gestão de segurança e a ordem”, questionou. Nick Lei pediu ainda a criação de um “mecanismo de mediação para [o registo] de bilhetes e normas para o reembolso dos bilhetes” que sejam adquiridos em diferentes regiões vizinhas, a fim de “assegurar que as actividades se realizam de forma segura e ordenada”.

Nick Lei, ligado à comunidade de Fujian, recordou que as autoridades do Interior da China possuem já regras para a realização de espectáculos de grande dimensão, como os princípios de “organizador responsável de evento com supervisão do Governo”, ou “prioridade à segurança e prevenção acima de tudo”.

Porém, e ainda que exista em Macau um regulamento para a utilização do Local de Espectáculos ao Ar Livre, Nick Lei considera que o documento não é claro quanto a regras de segurança.

Para o deputado, deve ser criado um sistema “segundo o número de participantes, fazendo-se a diferenciação, em matéria de segurança, para actividades de escala diferente”, sem esquecer a implementação de diferentes “procedimentos de apreciação e aprovação, e respostas de emergência”.

O deputado pede ainda que seja integrada a “participação de entidades profissionais na avaliação de segurança”, sendo importante a elaboração de “normas regulamentares vinculativas para garantir o sucesso da realização dos espectáculos no futuro”.

O Local de Espectáculos ao Ar Livre fica no cruzamento da Avenida do Aeroporto com a Rua de Ténis, no Cotai, entre o Grand Lisboa Palace e o Hotel Lisboeta, com uma área 94 mil metros quadrados e capacidade para mais de 50 mil pessoas. O Instituto Cultural definiu mapas que incluem a “Zona de Espectadores”, “Zona Tampão para Evacuação”, “Zona do Palco e dos Batidores” e “Zona de Espera (controlo de segurança)”.

Olhar além dos lucros

Nick Lei defende também que a filosofia quanto à futura concessão do Local de Espectáculos ao Ar Livre não deve ser puramente comercial, mas incorporar obrigações públicas além de olhar a critérios como a obtenção de lucros e o valor comercial da zona, a fim de garantir apoios à comunidade. Tais necessidades devem ficar claras no contrato de concessão, referiu.

“Pode o Governo especificar no futuro contrato os indicadores concretos, nomeadamente um número mínimo de espectáculos para fins de caridade, a cobrança mais baixa em horários específicos e a obrigatoriedade de abrir o local à comunidade em períodos em que não se realizam espectáculos”, lê-se na interpelação.

21 Mai 2026

Ponte de Amizade | Conselheiro pede medidas para evitar impacto de obras

Cheang Kai Lok avisa o Executivo que as obras na Ponte da Amizade podem tornar o trânsito caótico e pede medidas não só junto à ponte, mas também na zona norte da cidade, onde se espera um maior impacto na circulação rodoviária

O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, Cheang Kai Lok, defendeu a necessidade de o Governo apresentar brevemente medidas provisória para minimizar o impacto das obras que vão decorrer na Ponte da Amizade. As obras na ponte foram reveladas na segunda-feira pelo Grupo de Coordenação de Obras Viárias e arrancam no sábado, prolongando-se até meados de Agosto.

Em declarações ao jornal Ou Mun, Cheang apoiou a decisão de realizar a manutenção da ponte por questões de segurança. No entanto, o também membro da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) alertou que a Ponte de Amizade tem uma taxa de utilização muito elevada, porque é a escolha preferencial dos veículos que precisam de se deslocar para o Pac On, aeroporto ou o aterro para resíduos de materiais de construção.

Tendo em conta que o trânsito em condições normais já apresenta congestionamentos na ponte, Cheang alertou que se deve esperar um agravamento considerável da situação.

Marcha lenta

Porém, o membro da FAOM entende que o impacto vai estender-se igualmente à Ponte Macau, porque a infra-estrutura vai ser a alternativa para os veículos pesados que circulam entre Macau e a Taipa e que vão ficar impedidos de usar a Ponte da Amizade, enquanto durarem as obras.

Cheang Kai Lok vincou também que os congestionamentos podem chegar à Zona A dos novos aterros e à Zona Norte de Macau, e identificou como lugares críticos a Rotunda da Amizade, a Avenida 1 de Maio e a Via de Acesso A2, que faz a ligação entre a Zona A dos Novos Aterros e a Areia Preta. O conselheiro mostrou-se especialmente preocupado porque estas vias já apresentam níveis de congestionamentos elevados.

Para aliviar o impacto rodoviário, Cheang Kai Lok sugere que o Governo controle “de forma rigorosa” progresso da obra na Ponte Amizade, e reforce a supervisão, estudando formas de acelerar os trabalhos.

Além disso, pediu ao Governo que acompanhe o trânsito nas zonas mais congestionadas, através das novas tecnologias, e que sejam destacados agentes de trânsito para os locais, para tornar o trânsito mais fluído.

O associado da FAOM pediu também ao Governo para actualizar regularmente o progresso das obras com a divulgação de medidas provisórias de trânsito, para que residentes e condutores possam planear mais cedo as suas deslocações.

Segundo o Grupo de Coordenação de Obras Viárias, a intervenção na Ponte da Amizade será a primeira obra de grande escala na Ponte da Amizade dos últimos 25 anos.

20 Mai 2026

Parquímetros | Nick Lei quer notificação de multas por SMS

O deputado Nick Lei considera que o Corpo de Polícia de Segurança Pública deve rever o formato de tratamento das infracções rodoviárias, a fim de incluir nas notificações por SMS as multas nos parquímetros para melhorar a rotatividade no estacionamento

Nick Lei, deputado à Assembleia Legislativa (AL), interpelou o Governo quanto à necessidade de revisão, por parte do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), da forma como são tratadas as infracções rodoviárias, a fim melhorar o sistema de tratamento das multas por tempo de estacionamento excessivo.

Segundo a interpelação, o deputado, ligado à comunidade de Fujian em Macau, destacou que o CPSP actualizou o formato de tratamento das infracções rodoviárias, mas excluiu as multas nos parquímetros. Essa actualização passou por uma renovação dos equipamentos para que os condutores passassem a receber SMS dez minutos após receberem uma multa. Tudo para remover os carros o mais depressa possível e, assim, escoar o fluxo de trânsito.

Porém, actualmente, “o serviço de notificação por SMS das infracções rodoviárias não inclui as infracções nos parquímetros de estacionamento, havendo grande diferença em relação às restantes situações de infracções”, destacou.

“Para que seja melhorado o mecanismo de notificações, e para que se aumente a rotatividade dos lugares de estacionamento na via pública, podem as autoridades pensar em incluir, no sistema de notificações por SMS, a infracção de não pagamento das tarifas de parquímetros, evitando-se assim custos sociais subsequentes?”, questionou.

Meios obsoletos

Além de pedir a notificação das multas por SMS, Nick Lei referiu que, no actual sistema de pagamento digital de multas por infracções rodoviárias, também ficaram de fora as infracções nos parquímetros de estacionamento.

“Após o carro ser bloqueado ou removido, os donos precisam de ir ao Departamento de Trânsito pagar a multa em numerário. Será que o Governo pode incentivar as empresas a proporcionarem meios de pagamento electrónico, a fim de responder à procura da sociedade?”, sugeriu.

De frisar que, no passado, o Governo justificou a exclusão das multas de estacionamento do sistema de notificações por SMS para não causar confusão nos infractores, destacando que, apesar de não informar os condutores por SMS, estes têm de cumprir a lei no que ao estacionamento diz respeito.

Para Nick Lei, a ausência de avisos por SMS faz com que os condutores se esqueçam do tempo de estacionamento pago, levando a situações ilegais com consequentes bloqueios de viaturas, perdas de tempo e de dinheiro. O deputado destaca também que esta situação leva a gastos de recursos do CPSP e impede a rotatividade de lugares de estacionamento.

19 Mai 2026

Saúde | Pedida supervisão do uso de apoios em Guangdong

O deputado Wong Chon Kit, ligado à área da saúde, entende que deve ser garantida a supervisão da nova medida que estende os vales de saúde da RAEM à utilização na província de Guangdong. O responsável defende um mecanismo de cooperação para o plano anunciado esta semana

Wong Chon Kit, deputado à Assembleia Legislativa (AL) ligado ao sector da saúde, defende ser necessária a criação, por parte do Governo, de um mecanismo de cooperação com as autoridades do interior da China para supervisionar a utilização dos vales de saúde na província de Guangdong. Trata-se de uma medida anunciada esta semana, relativa à nova ronda do Programa de Comparticipação nos Cuidados de Saúde, que começa em Junho.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado entende que a cooperação entre Macau e Guangdong deve incluir partilha de informações, inspecções em clínicas aderentes ao programa e uma operação conjunta da aplicação das leis. Devem ainda ser utilizadas tecnologias da informação a fim de prevenir infracções.

O deputado, que também é dentista, argumentou que, este ano, o montante subsidiado pelo programa é de 520 milhões de patacas, devendo ser garantido um uso adequado do erário público, sendo esta uma responsabilidade fundamental do Governo. É por isso que Wong Chon Kit falou ao jornal chinês da necessidade da eficácia da supervisão entre territórios e departamentos públicos das duas regiões. Isto porque, caso haja muitas infracções ou falhas no programa, tal afecta de forma directa a credibilidade do programa, bem como o ambiente empresarial do sector da saúde.

Mudança competitiva

Na visão de Wong Chon Kit, uma vez que os residentes da RAEM podem começar a tratar a sua saúde nas instituições médicas de Guangdong com os vales de saúde, tal implica uma mudança de competitividade no sector, pois haverá desvio de doentes de Macau para a China.

Wong Chon Kit considera, no entanto, que as clínicas de Macau mantêm algumas vantagens tendo em conta a sua localização, conveniência que proporcionam e a língua, sendo importante continuar a melhorar os serviços a fim de assegurar a continuidade destas vantagens.

O deputado deixou elogios à utilização dos vales de saúde na província vizinha, algo que, no seu entender, permite a continuidade dos objectivos do programa, nomeadamente o alívio da pressão no sistema de saúde público e a promoção de parcerias público-privadas.

Além disso, o legislador recordou que os médicos de Macau que participam no programa podem aceitar vales de saúde em Guangdong se trabalharem em 21 instituições médicas previstas no programa. Wong Chon Kit defende que a medida proporciona um novo meio de desenvolvimento para os médicos, sobretudo os mais jovens, dando ainda apoio às marcas da área da saúde de Macau e proporcionando-se um alargamento de serviços na zona da Grande Baía.

15 Mai 2026

Creche Smart | CCAC confirma investigação a diferendo com IAS

O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) promete revelar publicamente os resultados ao diferendo entre o Instituto de Acção Social (IAS) e a associação Zonta Club de Macau

O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) confirmou que tem a decorrer uma investigação ao caso do corte do financiamento do Instituto de Acção Social (IAS) à Creche Smart, gerida pela associação Zonta Club de Macau. A posição do CCAC foi relatada pelo canal chinês da Rádio Macau, ontem, depois de nos dias mais recentes o caso ter gerado novos comunicados, na sequência dos procedimentos de admissão das creches subsidiadas.

Segundo o organismo liderado por Ao Ieong Seong a investigação foi instaurada depois de uma queixa administrativa e os resultados vão ser divulgados assim que os procedimentos de averiguação “profunda” forem concluídos.

O CCAC reconheceu também que “tomou nota” do comunicado mais recente da Zonta Club de Macau, em que esta prometia abdicar do processo a decorrer em tribunal, face aos resultados apurados pelo CCAC.

Após a posição do CCAC ser divulgada, a Creche Smart partilhou nas redes sociais uma hiperligação para a notícia e escreveu que o CCAC está a investigar “se as autoridades cometeram abuso de poder”. Esta é a crença da associação Zonta Club de Macau, que não se tem coibido de pedir ao Governo para controlar as acções do presidente do IAS, Hon Wai.

Apesar da polémica, e apesar do risco de a Creche Smart ficar sem instalações e financiamento público, a instituição de ensino revelou que recebeu 82 inscrições para o ano lectivo de 2026/2027.

Exigências de fiscalização

Em Março do ano passado, o IAS cortou o financiamento e recuperou as instalações na Taipa, onde opera a creche Smart. Num primeiro momento, o IAS limitou-se a indicar que as duas partes não tinham chegado a acordo no que diz respeito a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”.

Posteriormente, o IAS revelou que a decisão estava relacionada com a fiscalização relacionada com os subsídios públicos atribuídos à creche.

A decisão do IAS foi contestada pela associação, que avançou para os tribunais com uma providência cautelar para suspender, inicialmente, o corte de apoios financeiros e a recuperação do espaço. O Tribunal Administrativo e o Tribunal de Segunda Instância, após recurso do IAS, aceitaram a providência cautelar da Zonta Club de Macau.

Além disso, a associação apresentou uma queixa ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) e mostrou-se disponível para abdicar dos processos em tribunal, em virtude das conclusões da investigação. A Zonta, reconheceu erros, mas mostrou-se disponível para ser investigada pela Polícia Judiciária, para proteger a sua reputação.

13 Mai 2026

Hainan | Kevin Ho lamenta fraco investimento de empresas de Macau

O deputado Kevin Ho lamenta que apenas a MGM marque presença em Sanya, numa zona de cooperação entre Hainan e Hong Kong. O também empresário lamenta as oportunidades desperdiçadas e destaca o projecto de desporto electrónico de Mário Ho, filho de Stanley Ho e de Angela Leong

“Macau também é uma cidade internacional, mas será que não estamos a perder oportunidades? Além da MGM, mais nenhuma outra empresa de Macau tem presença em Sanya.” Foi desta forma que o deputado Kevin Ho lamentou a falta de ambição empresarial da RAEM durante uma visita da delegação dos membros de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN) a Hainan e à zona de demonstração de Sanya para cooperação económica entre a província chinesa e Hong Kong.

Tendo em conta a experiência do tecido empresarial de Macau no turismo, o deputado considera que as conquistas na área dos elementos não-jogo podem ser determinantes para colher os benefícios do desenvolvimento de Sanya. Porém, “as empresas de Macau não aproveitam as oportunidades”, indicou em declarações ao jornal Ou Mun.

O também empresário destaca o projecto para um resort dedicado a desportos electrónicos (competições de jogos) a cargo da empresa de Mário Ho, filho de Stanley Ho e da deputada Angela Leong.

Na passada sexta-feira, a empresa do NIP Group do jovem magnata, ganhou em leilão um lote em Sanya, com área de cerca de 74 mil metros quadrados, por 680 milhões de renminbis, onde será construído o resort. Mário Ho garantiu que vai investir mais de 1,4 mil milhões de renminbis no futuro. Em 2011, foi inaugurado o hotel MGM Grand Sanya e em 2025, o grupo anunciou que iria construir um segundo hotel, num investimento total de cerca de 2 mil milhões de renminbis.

Então e Hengqin?

À semelhança do desejo de investimento em Hainan, Kevin Ho apontou baterias à zona de cooperação aprofundada em Hengqin e no potencial do mercado de turismo para as marcas hoteleiras estabelecidas na RAEM.

O deputado prometeu que, assim que voltar a Macau, vai usar a sua posição para convencer as concessionárias do jogo a contribuírem para o desenvolvimento turístico de Hengqin.

Por seu turno, o membro de Macau na APN Dominic Sio Chi Wai, também durante a visita a Hainan, apontou a necessidade de atrair empresas de grande capital para Hengqin. Tendo em conta que uma parte fundamental do processo de investimento recair na confiança nas perspectivas económicas, o responsável apela à paciência e convicção no crescimento de Hengqin, da Grande Baía e do país.

Durante a visita de estudo, a delegação de Macau visitou estaleiros de obras, um centro de promoção de investimento e hotéis em Sanya.

12 Mai 2026

Hospital São Januário | Morte de feto leva a acusação de negligência

Uma grávida seguida no Hospital São Januário sofreu um aborto no dia seguinte a uma consulta. O pai questiona se não terá ocorrido negligência médica e protesta a falta de respostas à queixa que apresentou ao hospital público há cerca de três meses

O programa Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, foi ontem “palco” de um caso trágico quando um ouvinte contou aos microfones da emissora pública a forma como a sua mulher perdeu o bebé depois de uma consulta no Centro Hospitalar Conde de São Januário.

O residente, de apelido Ng, revelou que o incidente aconteceu no final de Outubro do ano passado, quando a sua esposa estava grávida de 30 semanas. Nessa altura, a grávida começou a sentir dores na zona abdominal, obrigando o casal a recorrer ao hospital público. “Quando fomos à consulta, o médico observou a minha mulher e disse-nos que não havia qualquer problema. Em relações às dores abdominais, concluiu que se deviam à pressão exercida pelo crescimento do bebé no estômago”, contou com em tom agastado.

Pouco depois de saírem do hospital, e com medicamentos prescritos, o casal foi surpreendido com um telefonema. “Deram-nos um medicamento ao qual a minha mulher é alérgica, tal como consta no seu processo clínico. Ela não chegou a tomar o medicamento porque tínhamos acabado de sair do hospital, mas voltámos atrás para levantar outro fármaco”.

Apesar da rectificação, no dia seguinte o bebé estava morto. “A minha mulher deixou de sentir batimentos cardíacos ou movimento e regressámos de imediato ao hospital.”

Questões dolorosas

No hospital, foi dito ao casal que a “situação era crítica” e que só podiam sair do hospital depois de assinarem um documento. Ng não especificou exactamente o tipo de documento em causa, mas todo o processo lhe pareceu irregular. “Porque não nos pediram para assinar o documento no dia anterior? Porque prescreveram ao início um medicamento que resultaria em reacção alérgica? Não será isto negligência médica”, questionou.

O ouvinte confessou ainda que o casal chegou a ponderar recorrer ao Hospital Kiang Wu, mas decidiram não o fazer porque a esposa de Ng enfrentava uma gravidez de alto risco, com um historial de abortos espontâneos, e não quiseram interromper o acompanhamento que já seguia no Hospital São Januário. Face ao risco, o casal pensou que teriam acesso a cuidados de saúde redobrados, mas acabaram por enfrentar desleixo clínico, exemplificado na prescrição de um medicamento que facilmente se poderia ver no processo clínico que poderia resultar em alergia.

A autópsia viria a concluir que a causa da morte foi hipóxia intrauterina, uma condição em que o feto recebe uma quantidade insuficiente de oxigénio durante a gestação.

Inconformado, Ng apresentou uma queixa no hospital público em meados de Fevereiro e só na terça-feira recebeu uma resposta a referir apenas que “o caso está a ser acompanhado”. Face à resposta insatisfatória, a apresentadora do Fórum Macau garantiu que iria consultar as autoridades sobre o caso da família de Ng e contactar o residente directamente se tivesse novidades.

8 Mai 2026

Alfândega intercepta bens contrabandeados no valor de 25 milhões

Os Serviços de Alfândega (SA) apanharam, nos primeiros quatro meses do ano, bens contrabandeados no valor de 25 milhões de patacas. Os dados foram divulgados por José Pou, chefe do Departamento de Gestão Operacional dos SA, no programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau.

José Pou revelou que no período em análise foram realizadas 30 operações de combate ao contrabando em Macau, que resultaram na acusação de 68 pessoas na sequência de 62 infracções.

Os bens interceptados foram, principalmente, alimentos, grãos de prata, cosméticos, produtos electrónicos, cigarros e álcool, com um valor de 4,72 milhões de patacas. Além disso, os SA detectaram 26 situações de contrabando nas pontes-cais do Porto Interior, com bens a rondar as 21 milhões de patacas. Os SA descobriram ainda 1.309 casos nos postos fronteiriços, o que culminou na proibição de passagem da fronteira de dois carros alegadamente usados para contrabandear bens.

Sinais de crise

Face ao aumento dos casos de contrabando, a advogada Lai Wing Yan, sediada em Hong Kong, escreveu no portal HK01 um artigo de opinião a argumentar que Macau está a atravessar um período de mudanças económicas, com maior inflação, tendo por base o caso recente de contrabando de mais de 50 quilos de comida em marmitas.

No artigo intitulado “O caso do homem de Macau que contrabandeou 51 kg de marmitas — a tragédia silenciosa das classes trabalhadoras sob o monopólio do capital”, publicado ontem, a autora descreve como “recentemente os serviços aduaneiros de Macau interceptaram, no posto fronteiriço de Hengqin, um veículo particular que transportava escondidos cerca de 51 quilos de marmitas de comida cozinhada sem inspecção sanitária”, o que revelou ser “um fenómeno de contrabando bastante invulgar”.

Na visão da advogada, há que analisar “o contexto social e económico por detrás destas quase cem marmitas baratas”, que podem reflectir “a realidade dos cidadãos das classes trabalhadoras de Macau, pressionados entre a escalada do custo de vida e o monopólio do capital, sendo obrigados a fazer compromissos dolorosos para sobreviver”.

Este caso de contrabando pode ser sinónimo “das dificuldades das classes mais baixas”, questionando a quem se destina esta comida. “Numa cidade onde uma refeição simples pode facilmente custar dezenas ou até mais de cem patacas, estas marmitas baratas vindas de Zhuhai — sem controlo rigoroso de temperatura ou inspecção sanitária — passaram a preencher a necessidade de trabalhadores da construção civil, empregados de limpeza e profissionais de serviços com baixos salários”.

Desta forma, argumenta, “o aparecimento deste tipo de contrabando é, na verdade, uma evolução inevitável da economia paralela perante as diferenças de preços entre regiões”, uma vez que “comprar este tipo de refeições simples no continente custa menos de 20 yuans, mas em Macau pode ser vendido pelo dobro, gerando lucro”.

Lai Wing Yan acredita que “se os Governos continuarem focados na aparência da prosperidade dos indicadores macroeconómicos e em medidas temporárias como vales de consumo, ignorando problemas estruturais como a desigualdade na distribuição de recursos e a dependência de uma economia pouco diversificada”, vão continuar a ocorrer fenómenos semelhantes de contrabando. Este caso “carrega o peso real da sobrevivência das classes trabalhadoras — e servem também como um duro aviso para quem governa”.

7 Mai 2026

Aviação | Conselheira pede supervisão rigorosa de “companhia aérea”

A conselheira dos Serviços Comunitários das Ilhas Hoi Kit Leng alertou o Governo para falhas na regulação da aviação, permitindo que “uma companhia aérea local” cancele voos e apresente justificações vagas que complicam o processo para accionar seguros

A conselheira Hoi Kit Leng acha que o Governo deve supervisionar as acções de uma companhia aérea em Macau, depois de uma vaga recente de cancelamentos de voos. A conselheira nunca identificou a companhia aérea em causa, durante a reunião do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários das Ilhas na terça-feira, mas a descrição coincide com a Air Macau.

Segundo o jornal Ou Mun, a responsável destacou que o problema não se prendeu com os cancelamentos, que até podem ser justificados dadas as condições actuais relacionadas com o preço dos combustíveis, mas antes com a falta da transparência. A companhia justificou os cancelamentos com “motivos ligados à empresa”. A justificação foi entendida como vaga e fez com que passageiros afectados por cancelamentos enfrentassem dificuldades na altura de accionarem os seguros de viagem.

Além disso, Hoi Kit Leng criticou a política de compensações da companhia, porque apenas oferece como soluções a alteração da data do voo ou o reembolso do dinheiro pago pela viagem não realizada. Segundo a conselheira, esta política é insuficiente porque a empresa não vai cobrir os danos causados aos clientes, como acontece com o cancelamento de hotéis, aumento do preço dos novos bilhetes, entre outros.

Hoi Kit Leng indicou ainda que quando há cancelamentos de voos em grande escala o atendimento aos clientes fica paralisado e regista atrasos significativos na divulgação das informações.

Mais liderança

Para resolver estes assuntos, Hoi Kit Leng defendeu que a Autoridade de Aviação Civil tem de assumir um papel de liderança e estudar a elaboração de normas para a protecção dos direitos dos passageiros em Macau. A conselheira sugeriu às autoridades locais que se inspirem na regulação da União Europeia.

Como exemplo de falta de regulação, Hoi Kit Leng pediu a implementação de normas que regulem as compensações nos casos em que os passageiros têm de atravessar a fronteira para apanhar voo. Salientou também a necessidade de um reembolso do custo da viagem ou da alteração da data, nos casos em que os cancelamentos se prendem apenas com decisões comerciais.

Hoi Kit Leng defende ainda a proibição de justificações vagas da companhia aérea de, e pediu ao Governo para criar um mecanismo para a mediação de litígios, liderado pela Direcção dos Serviços de Turismo e pelo Conselho de Consumidores.

Anteriormente a Air Macau admitiu publicamente ter cancelado cerca de 400 voos entre Maio e Junho devido aos preços do combustível, que aumentaram depois do bloqueio do estreito de Ormuz. As explicações só foram avançadas depois de surgirem queixas nas redes sociais, motivadas por cancelamentos de voos quase em cima da hora marcada para embarcar.

7 Mai 2026

IAS | Creche Smart pede ao Governo que controle acções de Hon Wai

A Zonta Club de Macau queixa-se de perseguição pelo presidente do IAS, pede ao Governo para o controlar e promete que, se o CCAC encontrar ilegalidades nas suas contas, desiste das acções em tribunal. A entidade está também disponível para ser investigada pela PJ, de forma a proteger a sua reputação

A associação Zonta Club de Macau (ZM) pediu ao Governo para controlar o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, para evitar abusos de poder. A posição da entidade responsável pela creche Smart foi tornada pública nas redes sociais, depois do mais recente relatório do IAS sobre a creche e ainda por ter indicado no portal onde divulgou as admissões nas creches que a cooperação entre a instituição de ensino e o IAS foi “cessada” e que há uma acção judicial a decorrer nos tribunais.

Em Março do ano passado, o IAS decidiu cortar o financiamento e recuperar as instalações na Taipa, onde opera a creche Smart. Os fundamentos para a decisão nunca foram clarificados pelo Governo, que num primeiro momento se limitou a dizer que as duas partes não tinham chegado a acordo no que diz respeito a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”.

A decisão do IAS foi contestada pela associação, que avançou para os tribunais com uma providência cautelar para suspender, inicialmente, o corte de apoios financeiros e a recuperação do espaço. O Tribunal Administrativo e o Tribunal de Segunda Instância, após recurso do IAS, aceitaram a providência cautelar da Zonta Club de Macau.

No entanto, a informação no portal das creches terá levado vários pais a questionarem a associação sobre o sucedido, com esta a emitir um novo comunicado. Além disso, o relatório de avaliação do IAS sobre a creche continua a apontar falhas.

Em resposta aos desenvolvimentos recentes, a associação começa por indicar que o relatório de avaliação do IAS não corresponde à situação factual do estabelecimento. A ZM aponta igualmente que apesar de se ter mostrado sempre disponível para prestar todos os esclarecimentos exigidos pelo IAS, que o presidente Hon Wai tem “levantado várias suspeitas” e acusado a entidade de “alegadas irregularidades”. Esta situação terá gerado stress psicológico na associação e na creche, assim como “sérias preocupações sobre os danos reputacionais”.

Cartas na mesa

No comunicado, a associação revela que a postura do IAS foi inicialmente motivada por “atrasos” na actualização dos dados sobre os trabalhadores durante a pandemia, uma vez que a creche começou a funcionar em Macau em 2019, depois de ser convidada pelo Executivo da RAEM, em 2016. A informação terá sido carregada no sistema da IAS de forma incorrecta.

Sobre este aspecto a creche indica que, num primeiro momento, os trabalhadores do IAS consideraram que tinha havido um erro, mas que não havia qualquer elemento que indicasse a tentativa de manipular os números.

Contudo, mais tarde o IAS considerou que devia ter sido declarado um grupo de quatro trabalhadores em vez de três, enquanto a associação entende que só tinha de declarar três, porque um desses funcionários não ia ter o vencimento subsidiado pelo IAS. Hon Wai terá igualmente considerado que foram contratados trabalhadores que não desempenharam funções essenciais e não deviam ter sido subsidiados.

Todavia, a creche defende-se ao argumentar que entre 2019 e 2021 devolveu mais de 2 milhões de patacas aos IAS, por sua iniciativa, porque os subsídios ficaram acima das necessidades. Além disso, aponta que as contas têm sido auditadas, sem que tivessem sido encontradas irregularidades. “Estas acções exemplificam que a ZM segue de forma consistente os princípios da honestidade, coerência e cooperação”, foi vincado.

A Zonta pede ainda ao presidente do IAS que prove que as tarefas dos trabalhadores considerados excessivos não eram essenciais e que justifique como aquelas tarefas poderiam ser realizadas pelos outros trabalhadores. Face a este diferendo, a ZM conclui que o presidente Hon Wai “tem criado de forma repetida disputas, suspendido o financiamento da instituição e alegado o uso inapropriado das instalações”.

A ZM explica também que face a esta postura tentou sempre resolver o diferendo pelas vias institucionais, evitando recorrer aos tribunais e ao Comissariado Contra a Corrupção (CCAC), para defender o “bem maior”. Porém, afirma que teve de apresentar queixa no CCAC, por não ter tido outra opção, devido aos danos para a sua reputação e às acções repetidas de Hon Wai.

Pedido controlo

Diante das alegações de Hon Wai, a ZM defende que tem seguido sempre as instruções do Governo e que jamais pretende impor a sua posição, mostrando total disponibilidade para obedecer ao que for decidido pelo Executivo.

A Zonta declara também que está pronta para desistir de todas as acções em tribunal, onde contesta a decisão do corte de financiamento e remoção das instalações, face aos resultados da investigação do CCAC. Esta postura é justificada pela associação com a vontade de poupar dinheiro à RAEM. Ao mesmo tempo, a ZM mostra-se disponível para ser investigada pela Polícia Judiciária (PJ), porque acredita que desta forma a sua reputação vai ser mantida.

Finalmente, a Zonta pede ao Governo para “exercer uma supervisão rigorosa e eficiente sobre os nomeados para os cargos públicos, de acordo com a lei e cumprimento das suas funções, para prevenir abusos de autoridade, responder às preocupações públicas, restaurar a confiança e defender a dignidade do primado do direito e da justiça social”. O HM contactou o IAS sobre a postura do presidente Hon Wai, mas até ao fecho da edição não recebeu resposta.

6 Mai 2026

Personalidades políticas pedem que jovens desenvolvam o país

Ontem assinalou-se o 4 de Maio de 1919, data associada ao movimento anti-imperialista em Pequim contra o Tratado de Versalhes, marco histórico que motivou várias personalidades políticas locais a pedir a intervenção dos mais novos no desenvolvimento do país.

Lam Lon Wai, deputado e presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), apontou que a elaboração do 3º Plano Quinquenal da RAEM deve herdar o espírito do 4 de Maio, e levar os jovens a conhecer as estratégias nacionais em termos económicos e a participar na governança social.

Lam Lon Wai disse ainda que o país tem destacado os quadros qualificados como força motriz principal e que a FAOM vai incentivar os jovens de Macau a participar no 3º Plano Quinquenal da RAEM. Lam Lon Wai destacou também a realização de mais acções de intercâmbio com parques industriais na Grande Baía e Hengqin, pensadas para jovens.

Oportunidades para apanhar

Calvin Chui, chefe do conselho de juventude da Associação Comercial de Macau, defendeu que os jovens de Macau devem ser responsáveis, resistentes e ter vontade de lutar.

Por sua vez, o vice-presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), Tang Man Kei, recordou que o movimento do 4 de Maio tem como valores o patriotismo, progresso, democracia e ciência, que os jovens de Macau devem promover. O responsável disse que a UGAMM vai continuar a ouvir os jovens e responder aos seus pedidos, criando uma plataforma mais ampla de apoio aos estudos, emprego, compra de casa e empreendedorismo.

A Associação da Construção Conjunta de um Bom Lar, liderada pelas deputadas Wong Kit Cheng e Loi I Weng, defende que os jovens devem estar atentos às políticas e oportunidades na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin.

Wong Kit Cheng sugeriu ainda a elaboração de um estudo sobre a previsão dos recursos humanos para a zona de Hengqin, para estabelecer uma base de dados dos quadros qualificados existentes, para que jovens e empresas possam conhecer as oportunidades disponíveis.

5 Mai 2026

Fundação Macau | Apoios no primeiro trimestre totalizam quase 200 milhões

No primeiro trimestre deste ano, a Fundação Macau distribuiu 198,8 milhões de patacas para mais de 700 projectos. As associações tradicionais foram as maiores beneficiárias, com os Operários a receber cerca de 16 milhões de patacas e os Moradores 17,2 milhões de patacas

Ao longo dos primeiros três meses de 2026, a Fundação Macau distribuiu cerca de 198,9 milhões de patacas, entre 743 projectos e actividades de associações e instituições. O valor dos apoios cresceu 162,4 por cento face ao trimestre anterior quando foram entregues 75,8 milhões de patacas, mas regista-se uma descida acentuada face ao primeiro trimestre de 2025, com uma quebra de 84,3 por cento.

Entre os maiores beneficiários, contam-se as associações tradicionais. No primeiro trimestre deste ano, a União Geral das Associações dos Moradores de Macau foi a entidade que recebeu quantias mais avultadas, cerca de 17,2 milhões de patacas. De acordo com os dados publicados no portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos, o segundo lugar no “pódio” foi para a Federação das Associações dos Operários de Macau, com um apoio total a rondar os 16 milhões. O pódio encerra com a Associação Geral das Mulheres de Macau, que recebeu 13,9 milhões de patacas.

A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau ficou a uma grande distância dos maiores beneficiários, com cerca de 478 mil patacas.

Em relação às entidades ligadas a conterrâneos de Fujian, a Aliança de Povo de Instituição de Macau obteve apoios financeiros de cerca de 7,3 milhões de patacas, enquanto a Associação Geral dos Conterrâneos de Fukien de Macau foi financiada com 1,4 milhões de patacas.

Projectos além-fronteiras

Ainda no capítulo das associações de cariz político, destaque para o apoio financeiro concedido à Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau, que recebeu mais de 3,2 milhões de patacas. Já Associação dos Conterrâneos de Kong Mun, que representa a comunidade de Jiagmen, foi beneficiada com 1,7 milhões de patacas.

Neste trimestre, a Fundação Macau voltou a conceder um apoio ao Instituto Cultural para a realização do Concerto de Bandas Sonoras da Grande Baía, 2025 “Lua Cheia Nascendo sobre a Baía”, desta feita no valor de 1,38 milhões de patacas. Analisando os dados públicos, podemos verificar que o mesmo projecto foi apoiado no último trimestre do ano passado com 12,4 milhões de patacas, totalizando quase 13,8 milhões de patacas.

Por seu turno, o IPOR – Instituto Português do Oriente recebeu cerca de 213 mil patacas. No plano de apoio social, foram distribuídos à Cáritas de Macau cerca de 8,8 milhões de patacas.

Um dos projectos de solidariedade social no Interior da China inscrito na lista de entidades apoiadas nos últimos anos é a construção da Escola Secundária Ao Yuan, na aldeia de Heshi do distrito de Xiushui da província de Jiangxi, que recebeu nos primeiros três meses de 2026 a última prestação para erigir a escola, num valor superior a 3,5 milhões de patacas. A construção da escola foi concluída em 2023. A este valor, foram acrescentadas 750 mil patacas em bolsas de estudo para 25 alunos com dificuldades financeiras no ano lectivo 2025/2026, o que resulta em 30 mil patacas por aluno.

Um dos apoios mais avultados no primeiro trimestre do ano, foi a última prestação para pagar o projecto de reconstrução e ampliação dos edifícios escolares do Instituto Salesiano de Macau, num valor superior a 14,8 milhões de patacas.

5 Mai 2026

Restauração | Alerta para perigo de comida contrabandeada

Uma conselheira dos serviços comunitários e uma representante dos Moradores apelaram à atenção para condições de salubridade de refeições compradas. O alerta foi dado depois de um residente ter sido apanhado a tentar entrar em Macau com mais de 60 refeições de origem desconhecida

A apreensão de mais 50 quilos de comida cozinhada no Posto Fronteiriço Hengqin, na semana passada, voltou a levantar dúvidas sobre a segurança alimentar na região. Os alimentos frescos, géneros vivos ou alimentos de origem animal importados para Macau são obrigatoriamente sujeitos a inspecção sanitária e a vir acompanhados por certificados sanitários do país de origem. No caso revelado pelos Serviços de Alfândega, as autoridades encontraram 61 embalagens com refeições cozinhadas escondidas numa viatura.

A conselheira dos Serviços Comunitários da Zona Norte Lam Hoi Leng considera que a crescente popularidade das refeições baratas vendidas para fora merece a atenção das autoridades ao nível da segurança alimentar, mas também dos consumidores que devem procurar saber a origem dos alimentos. Em declarações ao jornal Ou Mun, a conselheira lembrou que estas refeições de baixo custo podem representar um risco tendo em conta a falta de controlo sobre o tempo que os alimentos foram cozinhados (elevando o risco, por exemplo, de salmonela), se foram acondicionados em locais refrigerados, se os ingredientes foram manuseados cumprindo normas higiénicas e há quanto tempo foram confeccionadas as refeições.

O alerta da conselheira prende-se com o perigo de contaminação de alimentos e intoxicação alimentar. Face a este panorama, Lam Hoi Leng sugeriu que os consumidores optem por restaurantes com boa reputação e que respeitem regras de salubridade e higiene, e que as autoridades reforcem a supervisão transfronteiriça de alimentos e as inspecções a restaurantes.

Conhecer os ingredientes

Também a directora da Associação de Confraternização dos Moradores do Bairro do Antigo Hipódromo Areia Preta e Iao Hon de Macau, Cheang I Ha, alertou para o perigo de comprar refeições de origem desconhecida e acrescentou que más condições de transporte dos alimentos podem resultar em riscos de saúde. Em declarações ao Ou Mun, a responsável indicou que os residentes devem alertar familiares e amigos que atravessem frequentemente a fronteira entre Macau e Zhuhai para não fazerem contrabando de carne e ovos.

O caso de contrabando que deu origem à celeuma aconteceu na quarta-feira da semana passada, segundo um comunicado dos Serviços de Alfândega divulgado no sábado. Um residente de 35 anos tentou entrar em Macau com mais de 50 quilos de comida confeccionada escondida no porta-bagagens de uma viatura de passageiros, sem refrigeração.

28 Abr 2026

Feriados | Turistas em Maio podem ultrapassar 2019

Macau vai voltar a encher-se de turistas nos feriados nacionais do 1º de Maio. O ex-deputado Cheung Kin Chung, que dirige uma associação de agência de viagens, estima que o volume de turistas ultrapasse o registo de 2019, quando já escasseiam quartos de hotel para os primeiros três dias de feriados. As suites mais caras custam mais de 10 mil patacas por noite

Após a azáfama da semana dourada do Ano Novo Lunar, Macau prepara-se para mais uma época de feriados nacionais, sinónimo de um elevado fluxo de turistas que escolhem o território como destino turístico. Nos primeiros três dias de feriados (que se estendem entre 1 e 5 de Maio), a maior parte dos resorts integrados já não tem quartos disponíveis. Com a oferta a ficar apertada, é expectável encontrar no mercado local quartos a mais de 10 mil patacas nas noites de maior afluência.

Fontes citadas pelo jornal Ming Pao estimaram que o acesso facilitado ao crédito no Interior da China pode levar a subidas anuais das receitas do jogo entre 7 a 8 por cento.

Face ao mesmo período do ano passado, quando nesta altura as reservas esgotavam a ocupação hoteleira nos cinco dias de feriados, ontem, a maioria dos hotéis já não tinha quartos para os dias entre 1 e 3 de Maio, à excepção de unidades na península que ainda aceitavam reservas.

A análise do Ming Pao ao mercado hoteleiro revela ainda algumas descidas de preços. Por exemplo, o Hotel St. Regis tinha ontem quartos a 5.209 dólares de Hong Kong, menos 5,1 por cento face ao mesmo período de 2025, ou menos quase 280 dólares de Hong Kong. No Sofitel Macau Ponte 16, o preço de um quarto superior pode valer 1.664 dólares de Hong Kong, menos 15,2 por cento face ao ano transacto.

Matemática aplicada

Como é habitual em vésperas de semanas douradas, as perspectivas de entradas de turistas são optimistas, com estimativas a apontar para um fluxo diário entre 160 e 170 mil visitantes.

Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, o ex-deputado Cheung Kin Chung, que dirige a Associação das Agências de Turismo de Macau, afirmou o número de entradas diárias irá aumentar significativamente, sendo expectável que a semana dourada de Maio deste ano atinja, ou ultrapasse, o registo de 2019, antes da pandemia da covid-19 paralisar a indústria do turismo. O responsável acrescentou que o mercado turístico local apresenta hoje em dia uma estrutura diversificada com tours que incluem passagens por Hengqin, ou paragens múltiplas por cidades da Grande Baía, pacotes que Cheung Kin Chung considera estarem a tornar-se cada vez mais populares.

Recorde-se que no ano passado mais de 830 mil turistas visitaram Macau durante a semana dourada de Maio. Em 2019, na semana dourada de Maio, Macau foi visitado por cerca de 849 mil turistas.

28 Abr 2026

Tabaco | Alvis Lo faz balanço positivo de programa-piloto

Alvis Lo revelou que o número de advertências para não fumar na zona do Parque Dr. Carlos D’Assumpção caiu de 40 por dia para duas por dia, com a implementação do projecto-piloto

O director dos Serviços de Saúde (SS), Alvis Lo, fez ontem um balanço positivo do projecto-piloto que estendeu a proibição de fumar em várias ruas circundantes ao Parque Dr. Carlos D’Assumpção. O programa está em curso há cerca de dois meses, e os SS admitem instalar mais zonas de fumo. Actualmente, existem nove áreas para fumar perto do Parque Dr. Carlos D’Assumpção.

Em declarações à imprensa, Alvis Lo afirmou que nos primeiros dias do programa-piloto, o director dos SS admitiu que havia uma média de cerca de 40 pessoas a serem alertadas para não fumarem nas zonas proibidas. Contudo, com o passar do tempo o número de advertências foi reduzido para duas por dia.

O director revelou igualmente que como actualmente está a decorrer uma fase experimental os advertidos não foram multados, apenas advertidos. No entanto, dado a mudança de comportamentos, Alvis Lo considerou que o projecto está a produzir resultados.

Apesar do balanço positivo, os Serviços de Saúde têm planos para instalar mais locais para fumar naquela zona. As instalações devem entrar em funcionamento no próximo mês. O responsável explicou que o plano inicial é instalar zonas para fumadores, que concentrem o fumo e ainda cinzeiros.

Alvis Lo admitiu ainda que o programa em curso vai sofrer ajustes de acordo com a aceitação dos moradores e comerciantes das zonas afectadas: “Estamos a experimentar com modelos diferentes, tendo em conta a consulta pública recentemente concluída sobre a alteração da lei. Vamos fazer os ajustes de acordo as opiniões baseadas de todas as partes,” apontou.

Portas do Cerco e Ruínas

Ao mesmo tempo, o director dos SS afirmou que está a ser equacionado alargar as áreas de proibição de fumar existentes nas Portas do Cerco e nas Ruínas de São Paulo.

No entanto, o responsável considera que é necessário esperar até o modelo operacional que está a ser desenvolvido ficar mais maduro. Além disso, Alvis Lo prometeu ouvir as opiniões da população, e ponderar estender a proibição a outras zonas densamente povoadas.

Em meados deste mês, terminou a consulta pública para alterar a lei do tabaco. A proposta ainda não foi concluída, mas espera-se a proibição total de possuir ou fumar cigarros electrónicos e produtos semelhantes, como os cigarros aquecidos ou até cachimbos de água. Como parte da consulta foi igualmente ouvida a opinião da população sobre o alargamento das zonas na cidade onde é proibido fumar.

Casinos e restaurantes dominam infracções

Os Serviços de Saúde (SS) dizem ter detectado, no primeiro trimestre deste ano, 1.524 casos de infracção à lei do tabaco, no contexto de 65.548 inspecções realizadas a estabelecimentos. Trata-se, segundo um comunicado oficial, de uma média diária de 728 inspecções. Neste conjunto, incluem-se 1.459 casos de fumo ilegal, 43 casos de transporte de cigarros electrónicos na entrada ou saída da RAEM e 22 casos suspeitos de violação da lei.

Os casinos lideram o número de infracções, com 254 casos, representando 17,4 por cento; seguindo-se os estabelecimentos de restauração, com 245 casos, uma representação de 16,8 por cento. Por sua vez, nas paragens de veículos de transporte colectivo de passageiros ocorreram 192 casos, 13,2 por cento. Destaca-se que os Serviços de Saúde e a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos realizaram 163 inspecções conjuntas aos casinos de Macau, tendo sido detectados 254 casos de fumo ilegal.

24 Abr 2026

Turismo | Macau pode beneficiar com aumento dos combustíveis

Com os preços das viagens para o estrangeiro a ficarem mais caras, Macau pode tornar-se o destino de eleição durante a Semana Dourada para os turistas do Interior

Duas associações locais ligadas ao turismo acreditam que Macau pode beneficiar com o aumento dos preços dos combustíveis durante a Semana Dourada, uma vez que os turistas do Interior podem abdicar de realizar férias no estrangeiro, para poupar dinheiro, e virar as atenções para a RAEM.

Segundo o presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau, Paul Wong, durante a Semana Dourada o turismo local vive essencialmente dos turistas do Interior, com os feriados este ano a decorrer entre 1 e 5 de Maio.

Por isso, explicou Paul Wong, como os preços das viagens estão mais caros, e também várias ligações aéreas estão a ser canceladas, é expectável que os turistas optem por deslocações maus curtas, para controlarem os gastos e evitar cancelamentos de ligações. Nesta lógica, o dirigente associativo considera que Macau se torna um destino mais atractivo.

Por sua vez, o presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau e deputado, Cheung Kin Chung, admitiu que a indústria está a sofrer as pressões do aumento dos preços, mas que vai tentar manter o montante cobrado aos clientes, o que pode tornar Macau mais atractivo.

Cheung Kin Chung revelou também que para lidar com os aumentos dos preços dos combustíveis, o sector do turismo está focado em explorar as ligações a Macau através do comboio da alta velocidade no Interior. Por esta razão, e apesar de o sector desejar explorar mais o mercado dos turistas internacionais, o deputado admitiu que o tipo de turistas vai ser afectado, com um maior foco nos visitantes da Grande Baía.

Reservas a subir

Em relação às reservas de hotéis, Paul Wong ainda não adiantou qualquer tipo de número, mas reconheceu que estão a subir de forma gradual, como esperado. Segundo este dirigente associativo, uma vez que as reservas são feitas por turistas com vistos individuais, as escolhas são feitas mais perto da data de viagem, ao contrário do que acontece com as excursões.

Wong indicou também que os hotéis do Cotai estão a garantir que haverá o maior número possível de hotéis no mercado. Sobre a Semana Dourada, Paul Wong destacou os planos do Governo, que fazem com que as concessionárias disponibilizem shuttles para os turistas visitarem os bairros residenciais, onde se espera que possam consumir mais.

Sobre este plano, o presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau afirmou que uma implementação bem-sucedida por levar a que a iniciativa se repita aos fins-de-semana. Contudo, Wong alertou que para que os bairros comunitários sejam mais atractivos para os turistas talvez seja necessário distribuir vales de consumo aos visitantes.

22 Abr 2026

Combustíveis | Aumentos nos ferries e em veículos pesados

Após o aumento dos preços na aviação, TurboJET e Cotai Water Jet receberam autorizações do Governo para seguir o mesmo caminho, nas ligações entre Macau, Hong Kong e o Interior

As operadoras de ferries TurboJET e Cotai Water Jet anunciaram um aumento de 10 por cento no preço dos bilhetes entre Macau e Hong Kong. O transporte de cargas com veículos pesados vai seguir o mesmo caminho. Os novos preços começam a ser praticados a partir de sábado, e foram justificados com os aumentos internacionais do custo dos combustíveis.

“A Shun Tak-China Travel Shipping Management Limited foi autorizada pelo Governo de Macau para ajustar as tarifas das rotas da TurboJET entre Hong Kong e Macau, da rota entre Macau e o Terminal de Ferry do Aeroporto de Shenzhen e do Passeio Aquático em Macau,” pode ler-se num comunicado da TurboJET, divulgado na Segunda-Feira.

A TurboJET acrescentou que o aumento de cerca de 10 por cento serve para aliviar “ligeiramente” a pressão do aumento dos custos.

Actualmente, o preço de ferry da classe económica entre Hong Kong e Macau em durante os dias úteis está fixado nos 175 dólares de Hong Kong. A partir de sábado, sobe para 194 dólares de Hong Kong.

Aos fins-de-semana, o preço da classe económica é de 190 dólares de Hong Kong e o preço nocturno da classe económica é de 220 dólares de Hong Kong. Com a nova tabela de preços, a viagem vai passar a custar 212 dólares de Hong Kong, no horário diurno, e 242 dólares de Hong Kong à noite.

O preço de ferry da classe económica entre Macau e o Terminal de Ferry do Aeroporto de Shenzhen será aumentado para 259 dólares de Hong Kong, de 235 dólares de Hong Kong. Quanto ao Passeio Aquático em Macau, o preço vai subir para 88 patacas, face às 80 patacas actuais.

Por sua vez, no comunicado a anunciar os aumentos, a Cotai Water Jet não indicou as razões. Porém, a empresa esclareceu que vai aumentar o preço de ferry na classe económica de 175 dólares de Hong Kong para 192 dólares de Hong Kong, enquanto o preço nocturno da classe económica vai passar para 242 dólares de Hong Kong, quando agora é de 220 dólares de Hong Kong.

Pesados acompanham

Em relação aos transportes em veículos pesados, a Associação de Motoristas de Veículos Pesados de Macau anunciou ontem no jornal Ou Mun que os preços vão aumentar 20 por cento. A escalada entra em vigor a partir de hoje, e a medida foi justificada com o aumento internacional do preço dos combustíveis.

“Devido ao impacto grave da tensão no Médio Oriente, os preços de combustíveis em Macau continuam a subir e a bater recordes, provocando o aumento dos custos. O sector enfrenta uma pressão operativa como nunca aconteceu”, lê-se na publicação. Na semana passada, a associação defendeu que o Governo subsidiasse os preços de combustíveis, seguindo o exemplo de Hong Kong.

Estes não são os primeiros aumentos a nível dos transportes. Anteriormente, a Air Macau anunciou o aumento da sobretaxa de combustível, pelos mesmos motivos. A transportadora de Macau tem também optado por cancelar vários voos, para não perder dinheiro. Até Junho, espera-se o cancelamento de pelo menos 400 voos.

22 Abr 2026

Parque Industrial | Concepção adjudicada por 197,8 milhões

O futuro Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau vai ficar localizado na Avenida Wai Leong e na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros. Os planos de concepção foram adjudicados à empresa estatal Beijing Industrial Designing & Researching Institute Co.

Os dois planos de concepção do Plano Concepcional para o Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau foram adjudicadas por 197,8 milhões de patacas à Beijing Industrial Designing & Researching Institute Co., Ltd.. As instalações que vão ser construídas para se transformarem no grande centro de investigação industrial e científico na RAEM vão ficar localizadas na Avenida Wai Leong e na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros.

De acordo com a informação divulgada pela Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), o plano de concepção para a parcela do parque na Avenida Wai Leong foi entregue à empresa de estatal por cerca de 49,3 milhões de patacas. O pagamento previsto vai ser feito em renminbis, totalizando 42,9 milhões. No caso do lote na Zona E1 Oeste dos Novos Aterros, o plano de concepção vai custar 148,5 milhões de patacas, ou 129,1 milhões de renminbi.

Os planos, apesar dos montantes envolvidos, foram adjudicados directamente à empresa estatal, depois de terem sido apresentadas duas propostas por escrito, uma para cada um dos lotes. Os dois projectos têm de ser apresentados pela empresa até ao final do próximo ano, para depois se dar início às obras.

No terreno da Avenida Wai Long, a área bruta de construção vai ser de 150 mil metros quadrados, incluindo as encostas e o Túnel da Colina da Taipa Grande, e na Zona E1 dos Novos Aterros Urbanos a área bruta de construção totaliza cerca de 500 mil metros quadrados. A empresa Beijing Industrial Designing & Researching Institute Co. foi fundada em 1961, é uma das principais empresas de tecnologia nacional, ao fazer parte do grupo Zhongguancun Development Group.

Diversificação da Economia

O parque foi apresentado durante a consulta pública, que decorreu no final do ano passado, como uma forma de dar “uma boa resposta à questão inadiável do desenvolvimento da diversificação adequada da economia”. O documento da consulta apontava que a pandemia da Covid-19 mostrou “a urgência de desenvolvimento da diversificação da estrutura industrial” da RAEM, dado que o produto interno bruto (PIB) apresentou uma redução a 50 por cento.

No documento da consulta era ainda garantido que o parque faz parte do caminho para o futuro, porque “a promoção do desenvolvimento da indústria científica e tecnológica” vai desenvolver “uma nova força para Macau cultivar novos motores de crescimento económico e apoiar o desenvolvimento da diversificação adequada da economia”. “A construção do Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias de Macau é, assim, um projecto de grande relevância para a implementação das orientações estratégicas do Estado, o apoio ao desenvolvimento da indústria científica”, foi acrescentado.

21 Abr 2026

Aviação | Air Macau admite cancelamento de 400 voos em Maio e Junho

A empresa justifica-se com o aumento do preço dos combustíveis, que aponta ter subido para 205 dólares americanos por barril. A Air Macau admite ser incapaz de explorar comercialmente o negócio nestas circunstâncias, mas defende-se dizendo que segue as práticas internacionais

A Air Macau admite que cancelou 400 voos previstos para Maio e Junho, o que justificou com o aumento do preço do combustível. A reacção surge depois de nas últimas semanas terem aparecido várias informações de que a companhia aérea de Macau estava a cancelar vários voos regionais, sem que houvesse confirmação oficial.

No sábado, de acordo com uma resposta citada pelo jornal Ou Mun e pelo canal chinês da Rádio Macau, a empresa admitiu que já tinha cancelado 155 voos internacionais. A estes, juntam-se outros 245 voos para destinos no Interior, o que significa que, em média, a Air Macau está a cancelar seis voos por dia.

Quando questionada sobre os motivos dos cancelamentos, a transportadora local, que é controlada pela empresa estatal que também controla a Air China, justificou-se ao indicar que o preço do combustível para aviação internacional subiu para 205 dólares americanos por barril, e que nem o aumento da “taxa e combustível” permitiu cobrir os custos operacionais crescentes.

Segundo a Air Macau, os cancelamentos antecipados fazem com que os passageiros não sejam surpreendidos por alterações na véspera da viagem, e assim possam proteger melhor os seus direitos. A companhia local defendeu também que os cancelamentos com duas semanas de antecedência são uma prática internacional na forma como se lida com o aumento dos preços do combustível.

Os cancelamentos acontecem numa altura em que Macau tenta atrair cada vez mais visitantes internacionais. Sobre este aspecto, a empresa, que tem como accionista o Governo da RAEM, indica que está a fazer “todos os esforços” para preservar as ligações a Macau.

Queixas recebidas

Por sua vez, o Conselho de Consumidores (CC), que é controlado pelo Governo, o segundo maior accionista na Air Macau, revelou ao canal chinês da Rádio Macau ter recebido cinco queixas desde o início de Abril. As queixas foram apresentadas por três residentes e dois turistas.

Ao mesmo tempo, o organismo liderado Leong Pek San afirmou que quando recebe qualquer queixa entra em contacto com as companhias aéreas “o mais rapidamente possível” para informar a empresa sobre as denúncias e “mediar os litígios entre as duas partes”.

Em algum momento, na resposta citada pela Rádio Macau, o Conselho Consumidores coloca a possibilidade de haver sanções. Em vez disso, a autoridade “insta” as companhas aéreas “a notificar antecipadamente os consumidores com reservas e a disponibilizar opções adequadas de remarcação e reembolso, caso sejam necessários ajustes nos voos”.

20 Abr 2026