Sérgio Fonseca Desporto MancheteLamborghini | André Couto vai estar nas Finais em Itália André Couto vai disputar pela segunda vez as Lamborghini World Finals, entre os dias 22 e 25 de Outubro, no Autódromo Nazionale Monza, em Itália, depois de ter recebido um novo convite da equipa sul-coreana Racegraph O piloto português de Macau, que em 2024 venceu a classe Pro-Am do troféu monomarca do prestigiado construtor italiano, disputou duas provas do Lamborghini Super Trofeo Asia a convite da Lamborghini Busan by Racegraph. André Couto cumpriu a sua missão, tendo subido ao pódio da categoria Pro-Am nas quatro corridas em que participou: duas em Ningbo, na China continental, e outras duas em Fuji, no Japão. “Estou bastante contente por ter sido convidado para disputar a última prova do Lamborghini Super Trofeo Asia, em Monza, integrada nas World Finals”, disse André Couto ao HM. “Desta vez, vou ter como companheiro de equipa um jovem de 23 anos e vamos competir na categoria Pro. Nas duas provas que já disputei com esta equipa este ano, em Ningbo e Fuji, participei na classe Pro-Am. Agora, em Monza, vamos dar o salto para a Pro, o que será um desafio interessante.” No “Templo da Velocidade”, André Couto fará equipa, pela primeira vez, com o jovem norte-americano Barrett Wolfe. O piloto, de 23 anos, iniciou a sua carreira nos monolugares, passando pela Fórmula 4 e pela Fórmula Regional nos Estados Unidos, antes de dar o salto para as provas de GT. Natural de Chicago, mas residente em Las Vegas, Wolfe disputou duas provas com a Racegraph este ano, em Inje e Xangai, além de ter participado no troféu europeu e na GT Cup Open. A Racegraph, estrutura apoiada pelo concessionário da marca situado na zona de Bundang, em Seongnam, nos arredores de Seul, fará alinhar mais quatro Lamborghini Huracán Super Trofeo EVO2 nesta prova. Regresso a uma pista especial André Couto passou parte da sua carreira nos monolugares em Itália, pelo que o mítico circuito de Monza tem um significado especial para o piloto. Não só pela dimensão e pela história deste palco do automobilismo, mas também pelas recordações que ali foi acumulando ao longo dos anos. “É sempre bom regressar a Monza. É uma pista mítica, única, onde tenho boas recordações dos tempos em que competia na Fórmula 3 com a Prema. Também já corri lá noutras categorias, incluindo no GT World Challenge Europe”, afirma o piloto de Macau, que acrescenta: “É uma pista de que todos os pilotos gostam, com um traçado muito próprio e diferente de todos os outros. Por isso, estou também bastante contente por voltar a correr em Monza.” A tradicional prova de final de temporada, que reúne os três troféus da marca de Sant’Agata Bolognese — Ásia, América do Norte e Europa —, apresenta um formato diferente do habitual. As duas corridas finais do Lamborghini Super Trofeo Asia disputam-se durante a semana, enquanto, no fim de semana, os concorrentes dos diferentes continentes se defrontam para determinar os campeões mundiais da modalidade. A edição deste ano das Lamborghini World Finals marcará a despedida do Lamborghini Huracán Super Trofeo EVO2 das competições monomarca da fabricante italiana, após um longo ciclo de vida e três evoluções desde a estreia do modelo original, em 2015. No próximo ano, o Temerario tornar-se-á no sexto modelo a integrar o Super Trofeo desde o lançamento da divisão Squadra Corse da Automobili Lamborghini, passando a competir nos três continentes.
Hoje Macau Manchete SociedadeSaúde | Macau reforça rastreio devido a “pneumonia desconhecida” Macau anunciou o reforço do rastreio dos viajantes vindos da região da Rússia onde morreu, devido a uma “pneumonia de origem desconhecida”, uma investigadora de um instituto que estuda a peste pneumónica Macau anunciou o reforço da vigilância e rastreio nos postos fronteiriços a pessoas do histórico de viagem na região russa onde morreu na semana passada uma cientista com uma “pneumonia de origem desconhecida”. A vítima mortal era investigadora de um instituto que estuda a peste pneumónica. Assim sendo, as pessoas que tenham estado na região de Irkutsk, na Sibéria, nos 14 dias anteriores, “devem declarar voluntariamente esta informação” à chegada a Macau e cooperar com os procedimentos de triagem médica, disseram na segunda-feira à noite os Serviços de Saúde (SS). Em 5 de Outubro, a agência nacional de saúde pública da Rússia, Rospotrebnadzor, anunciou a morte de uma investigadora no Instituto de Investigação da Peste em Shelekhov, na região de Irkutsk. Num comunicado, os SS indicaram que vão obrigar todos os viajantes a preencher uma declaração de saúde individual nas principais fronteiras de Macau. Qualquer pessoa que apresente sintomas suspeitos de “pneumonia de origem desconhecida” será “imediatamente transferida” para o hospital público “para avaliação e exames médicos adicionais”, garantiram os serviços. Os SS prometeram “reforçar ainda mais o rastreio de saúde” nas fronteiras de Macau, através da monitorização da temperatura e a avaliação de saúde dos viajantes. As autoridades de saúde sublinharam que “o risco imediato que este incidente representa para Macau continua a ser baixo”, mas prometeram acompanhar de perto a situação e obter mais informações junto da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os SS admitiram que, “como o agente patogénico responsável pela morte da pessoa permanece por identificar, persiste a incerteza”. Horas antes, o Serviço para a Protecção da Saúde de Hong Kong tinha também anunciado um reforço dos controlos de saúde para quem chega ao aeroporto local vindo da Rússia. Doente zero A Rospotrebnadzor desmentiu rumores, surgidos nas redes sociais, que apontavam a morte de Daria Shipilova, de 28 anos, como um caso de peste pneumónica e indicou que detectou apenas dois casos de covid-19 e dois de infecção por rinovírus. Inicialmente, a imprensa noticiou que a chamada “doente zero” contraiu a bactéria Yersinia Pestis, transmitida entre animais e humanos, na Tailândia, de onde a cidadã russa tinha regressado recentemente. O Departamento de Controlo de Doenças da Tailândia informou estar em contacto com a OMS, mas não confirmou a viagem da cidadã russa ao país. A Rospotrebnadzor negou a ocorrência de qualquer acidente durante o manuseamento de microrganismos no instituto e salientou que a investigação confirmou o cumprimento de todos os protocolos durante o trabalho laboratorial. O organismo recordou ainda que a jovem estava vacinada e possuía uma forte imunidade contra possíveis infecções. Por outro lado, acrescentou que Irkutsk não enfrenta riscos epidémicos e que já estão concluídas mais de 90 por cento das análises junto das pessoas que contactaram com a vítima. Nos quase cinco mil testes, não foi encontrado “nenhum microrganismo patogénico perigoso”, facto sobre o qual a OMS teria sido devidamente informada, disse a Rospotrebnadzor. Mesmo assim, a OMS solicitou mais transparência para despistar riscos epidemiológicos.
João Santos Filipe Manchete SociedadeJogo | CLSA avisa que mais visitantes não se traduzem em receitas Apesar dos recordes de visitantes em Macau, nos casinos as receitas estão longe dos melhores dias. O problema explica-se com uma alteração do perfil dos turistas Apesar do aumento do número de turistas, as receitas do jogo estão em contracção, devido ao perfil dos novos visitantes. O cenário foi traçado pelo analista Jeffrey Kiang, ligado à correctora CLSA Ltd, num relatório citado pelo portal GGRAsia. Em termos da indústria do jogo, os melhores clientes dos casinos são os visitantes que pernoitam no território. Estes contrastam com os turistas que apenas passam umas horas em Macau, que entram e saem no mesmo dia, evitando passar a noite nos hotéis locais. No entanto, o número de visitantes que pernoitam está em quebra: “Em Julho e Agosto, os visitantes que pernoitam em Macau tiveram uma contracção de 2,5 por cento em relação ao ano anterior para 3,05 milhões”, indicou o analista Jeffrey Kiang. Em termos de receitas de jogo geradas por este tipo de visitantes, foi apontado que o número “permanece estável” em comparação com o ano anterior, pelo que a redução é explicada com a vinda em menor número de turistas que passam mais tempo nas mesas de jogo. “O total de visitas a Macau cresceu 4,5 por cento em relação ao ano anterior, atingindo 8,02 milhões durante os meses de Julho e Agosto. Isso indica que um maior número de visitantes que ficam menos de um dia no território não se traduziu num aumento do total das receitas do jogo”, é constatado no documento da CLSA Ltd. Lucros com quebra Em relação ao terceiro trimestre, a CLSA Ltd prevê que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, na sigla inglesa) da indústria diminua 11 por cento, em termos anuais, para um valor inferior a 14,9 mil milhões de patacas. A previsão da correctora explica que a queda dos lucros acontece em simultâneo com a redução de cerca de 3,8 por cento das receitas do jogo no terceiro trimestre deste ano. No entanto, para as concessionárias, nem tudo foram más notícias e a sorte esteve do seu lado. “Os ventos contrários nas margens de lucro devem ser mitigados por uma taxa de retenção da casa no segmento VIP mais alta do que o normal”, foi indicado. Apesar destas variações, a correctora indica que os números apresentados não têm impacto nas previsões para este ano. “Não esperamos que os resultados do terceiro trimestre de 2026 alterem a nossa visão neutra sobre o sector nos próximos seis meses”. Todavia, o analista reconhece que a situação do mercado no pós-Semana Dourada vai ser crucial para as estimativas relativas ao próximo ano.
Nunu Wu Manchete PolíticaFundo de Pensões | Sugerido investimento para garantir sustentabilidade Nick Lei e Nelson Kot defendem que o Fundo de Pensões deve angariar recursos próprios com investimentos prudentes que garantam a sua sustentabilidade. Kot considera que o Governo deveria divergir entre 30 mil e 50 mil milhões de patacas de receitas fiscais do jogo por ano A anúncio da transferência de 15,9 mil milhões de patacas para o Fundo de Pensões da Função Pública vindos da reserva financeira da RAEM mereceu reacções de algumas figuras públicas. O deputado Nick Lei e o ex-candidato a deputado Nelson Kot entendem que o Executivo devia procurar soluções a longo prazo para financiar de forma sustentável o fundo. Em declarações ao jornal Ou Mun, o legislador ligado à comunidade de Fujian defende que para assegurar a “saúde” da reserva financeira e os direitos estatutários dos funcionários públicos, o Fundo de Pensões deve seguir princípios fundamentais de gestão prudente, através de investimentos que dêem prioridade à estabilidade, mantendo riscos controláveis. Nick Lei entende que o Fundo de Pensões deve ter a capacidade para avaliar mercado financeiro global, o ambiente de investimento e a tendência económica, no momento de alocar activos e montar estratégias de investimento. O objectivo é garantir retornos de investimento razoáveis, estáveis e sustentáveis e o desenvolvimento sustentável da saúde financeira da RAEM. Poucos por muitos Por seu turno, Nelson Kot recordou que o regime de pensões é uma herança da Administração portuguesa, mas que actualmente o Fundo de Pensões sofre a pressão de ter poucos contribuintes e muitos beneficiários. Em relação à transferência anunciada na segunda-feira, o analista entende não ser suficiente e sugeriu que o Governo transfira anualmente para o Fundo de Pensões uma parte das receitas fiscais do jogo, entre 30 mil a 50 mil milhões de patacas, ou que procure retornos de investimento. Em declarações ao jornal Exmoo, Kot considerou que o montante transferido da reserva financeira deveria ser usado para procurar retornos através de investimentos cambiais ou em títulos de obrigações. Nelson Kot recordou que cerca de três mil funcionários públicos preenchem os requisitos para pedir a reforma, ou têm idade superior a 55 anos, sendo expectável o aumento dos gastos com pensões.
Hoje Macau Manchete PolíticaFMI | Previsão para RAEM mantida, crescimento de HK revisto em alta O Fundo Monetário Internacional reviu em alta o crescimento esperado para a economia de Hong Kong, mas manteve a previsão para Macau, com um crescimento de 3,3 por cento este ano. Em 2027, as previsões apontam uma subida de 3,1 por cento do PIB da RAEM De acordo com o World Economic Outlook divulgado ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) mantém a previsão para a RAEM – feita no final de Julho após a missão a Macau, para um crescimento de 3,3 por cento em 2026. No próximo ano, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá subir 3,1 por cento, acrescentou a instituição. A economia de Macau cresceu 4,7 por cento em 2025 e 2,7 por cento na primeira metade deste ano, de acordo com dados oficiais. No mesmo documento, o FMI reviu ligeiramente em baixa as previsões de crescimento da China para 2026 e 2027, devido à fraqueza da procura interna e à subida dos preços da energia, apesar da resistência das exportações. Nas previsões actualizadas, a instituição antecipa agora um crescimento de 4,5 por cento para a economia chinesa este ano, menos 0,1 pontos percentuais do que na estimativa anterior, seguido de um abrandamento para 4 por cento em 2027, também uma revisão em baixa de 0,1 pontos percentuais. O FMI acredita que o PIB de Hong Kong vai aumentar 3,8 por cento em 2026, mais 1,2 pontos percentuais do que a anterior previsão para o território (2,4 por cento), feita em Maio. Também em Maio, no âmbito da missão anual do FMI a Hong Kong, a instituição tinha previsto que a economia local iria continuar a crescer à mesma velocidade (mais 2,4 por cento) em 2027. Mas o documento de ontem revê em alta a previsão para o próximo ano, para 2,8 por cento. O PIB da antiga colónia britânica subiu 3,6 por cento em 2025 e aumentou 5,1 por cento na primeira metade deste ano, de acordo com dados oficiais. Plano geral O World Economic Outlook do FMI prevê que a economia mundial vai crescer 3,1 por cento em 2026 e 3,4 por cento em 2027. A previsão para este ano está inalterada em relação a Abril, mas foi revista em alta em 0,1 pontos percentuais face à actualização de Julho. Já a estimativa para 2027 foi revista em alta em 0,2 pontos percentuais face a Abril, mas manteve-se igual a Julho. Ainda assim, a instituição ressalva que este desempenho esconde “grandes movimentos compensatórios entre países e uma maior concentração do crescimento global”. Segundo os dados do FMI, 32 economias correspondem agora a 95 por cento do crescimento global, em comparação com 54 economias em Abril, ao passo que as revisões em baixa tornaram-se mais generalizadas, com cerca de 47 por cento das economias a ver as suas projecções reduzidas. “A economia global não está simplesmente a desacelerar ou acelerar, o crescimento está a ser realocado entre os países conforme a exposição de cada um ao choque de oferta decorrente da guerra e à força da procura relacionada com a Inteligência Artificial”, lê-se no relatório.
Andreia Sofia Silva Entrevista MancheteMariana Pereira, investigadora: “Uma Macau que vai muito além da terra” Mariana Pereira, investigadora do Instituto Internacional de Macau e da Universidade de York, colaborou na pesquisa para a exposição “Pessoas do mar – A comunidade piscatória de Macau”, inaugurada amanhã no Museu Marítimo de Macau. Em entrevista ao HM, defende a promoção do conhecimento marítimo num Delta do Rio das Pérolas em rápida mudança Como surgiu a oportunidade de realizar esta exposição? Surgiu um pouco da confluência de vários interesses. Primeiro fui eu que, no contexto do meu pós-doutoramento, quis perceber o que acontece ao conhecimento do mar quando as pessoas emigram, digamos assim, para terra. Sou muito interessada no património cultural relacionado com a emigração e diásporas e com aquilo que acontece na nossa ligação com o espaço. Em conversas com vários colegas, pensei que seria um tema interessante perceber o que se faz com o conhecimento do mar, neste caso, da comunidade piscatória de Macau. O meu pai lembra-se dessa comunidade vir para terra uns dias antes de haver tufões porque sabia ler o mar e ver se haveria tempestades, além de ter muito conhecimento da geografia local. Fiquei interessada nisso, e questionei-me: “Pronto, e agora? Onde fica esse conhecimento?”. A comunidade tem mudado bastante e queria perceber onde está agora. Contactei os meus colegas do IIM que depois me ajudaram a contactar o Museu, que, por sua vez, se mostrou interessado e nos facilitou o contacto com a comunidade piscatória. Não é fácil estudar as comunidades piscatórias da Ásia. Em que sentido? Vários colegas tentaram fazê-lo, com as comunidades de Hong Kong, Malásia, Indonésia. A de Macau continua a ser bastante desconhecida e acho que merece ter toda a atenção, uma vez que o Delta está a ser transformado de forma irreversível. Esse conhecimento do mar é único, mas desaparece muito depressa. Depois contactámos a Associação de Auxílio Mútuo dos Pescadores de Macau. Demorei quase dois anos a solucionar este contacto e conseguimos agora realizar duas entrevistas. São muito poucas, mas é uma porta de entrada. Tudo aconteceu com a ajuda dos nossos colegas e graças à confiança que existe entre o Museu Marítimo e a comunidade piscatória, e que demorou anos a estabelecer-se. Gostaria de ver esta exposição como um início para que as pessoas prestem mais atenção, mas é necessário um estudo mais aprofundado e alargado. Quero realmente chamar a atenção da comunidade de Macau quanto à fragilidade do conhecimento do mar, e que nos ajuda a perceber como podemos lidar com o Delta [do Rio das Pérolas] que está a alterar-se muito, não apenas com as alterações climáticas, mas com a própria interacção humana. O que poderemos ver nesta mostra? Há um pouco de tudo, desde entrevistas a vídeos, e textos a acompanhar as fotografias. O meu trabalho aqui é essencialmente o da pesquisa, tratamento da documentação e análise etnográfica das entrevistas. Mas as perguntas a fazer à comunidade e o rumo que tudo isto iria levar foi feito em parceria com o IIM e o Museu Marítimo. Que respostas obteve sobre uma comunidade que estará em vias de extinção? Não diria que está em extinção, mas sim que mudou muito e que está sob muita pressão para ser algo diferente. Percebi que há um grande sentimento de urgência para que este conhecimento do mar não se perca, as pessoas não querem que isso aconteça. Há interesse em passar esse conhecimento, em transmiti-lo, mudando a perspectiva que houve durante séculos desta comunidade. E qual foi? É uma comunidade móvel, que navega, literalmente, Macau, mas uma Macau que vai muito além da terra. E conseguimos perceber que há mais nuances de como era a vida no mar, os conhecimentos de pesca, de como localizar um barco e até o papel da mulher, que foi algo que nos interessou bastante. Há ainda assuntos como a educação e coisas sobre as quais gostaríamos de saber mais, como a medicina. Não conseguimos fazer ainda essas perguntas. Acima de tudo, é uma comunidade que quer muito partilhar e salvaguardar a relação com o mar, ainda que já não pesque e que não viva da mesma forma. A comunidade está bastante interessada nisso e já o faz muito bem, com as visitas de barco que se organizam quase todos os anos. Penso que é uma comunidade que tem sido mal interpretada, embora haja alguns bons estudos que tentam mostrar o mundo através dos seus olhos. Essencialmente onde é que estas comunidades estão? No Porto Interior, Coloane? É difícil saber. Muitas delas estão sim no Porto Interior, mas, por exemplo, essa noção de espaço era antigamente muito diferente. A comunidade estava também muito ligada a Hong Kong, e alguns deles passavam meses no mar, indo até às Filipinas ou à China. Não só é difícil saber onde estão essas comunidades como é difícil definir essa comunidade. Tem havido más informações sobre o que é essa comunidade, embora haja descendentes de famílias pescadoras que estão muito interessadas em se relacionar com esse conhecimento que os pais tinham do mar. Mas sim, o Porto Interior continua a ser um espaço único, e Coloane estava associada a uma comunidade um pouco diferente. Como? Havia uma longa história com a pirataria, por exemplo, e aí era uma forma diferente de viver. Mas há ainda muitas questões por levantar. Por exemplo, nós temos uma perspectiva muito específica que vem das fontes [documentais e históricas] portuguesas. É uma perspectiva de não compreensão, um pouco de não saber muito bem como lidar com estas comunidades. Falamos de discriminação? A comunidade piscatória está muito ligada à comunidade que vende peixe em Macau, e não são iguais. É a comunidade que está no Mercado Vermelho, por exemplo, e que continua a fazer festividades como a do Dragão Embriagado. Os pescadores dependiam muito destas comunidades que vendiam o peixe e havia todo um sistema económico que se começa agora a desvendar um pouco. Houve depois uma série de desafios, como a questão das licenças que, se calhar, começaram a impedir os pescadores de irem tantas vezes a Hong Kong. Passou a ser obrigatório registar o barco e aí tiveram que decidir onde se queriam registar. Mas, no passado, eram comunidades muito mais fluídas, navegavam mais e conheciam mais as cidades portuárias sem terem de necessariamente se estabelecer numa delas. Muitas dessas pessoas estavam, portanto, com o barco atracado em Macau, mas não estavam documentadas. Com essas licenças, essa situação também melhorou, estas pessoas passaram a estar mais integradas? Talvez tenhamos de reformular essa ideia de maneira diferente. Lá porque as comunidades não tinham documentação não significa que não estavam conectadas com a terra. O sistema de identificação de Macau é que excluiu, muitas vezes, essas comunidades, ou seja, havia dificuldade em lidar com as comunidades móveis, pois o processo de documentação exigia uma residência fixa. Não é que esta comunidade estivesse marginalizada, mas de certa forma era marginalizada, porque o próprio sistema de documentação não facilitava a sua identificação. Mas, sim, grande parte das pessoas estão legalizadas, e isto aconteceu, claro, já depois de 1987 e de todo o processo de transição de Macau. Mas são necessárias mais entrevistas para se perceber como essa legalização se fez. Mas é um tema difícil, que não vai estar na exposição porque não é fácil, e levanta muitas questões. Mas há uma relação muito próxima desta comunidade com várias profissões que estão em terra, e que viviam do mar, e que precisa de ser explorada melhor. O Museu Marítimo tem feito isso, mas há que perceber o aqui e o agora, onde estão essas pessoas agora. Que mensagens são transmitidas com esta mostra? Uma delas é que as pessoas venham conhecer uma comunidade que está disposta a partilhar o seu conhecimento. Mas é importante virem sem preconceitos. Há imenso a explorar, a descobrir, e urgentemente precisamos de nos reconectar ao Delta. Esta comunidade oferece um olhar diferente e importante para perceber como Macau depende completamente do mar que o rodeia. Esperamos que esta exposição origine mais informações e futuras exposições. Foto: Museu Marítimo Exposição no Museu Marítimo inaugurada amanhã O Museu Marítimo acolhe, a partir de quinta-feira a mostra “Pessoas e o Mar: A Comunidade Piscatória em Macau”, inaugurada às 18h. O projecto apresenta-se ao público nas três línguas que circulam em Macau – chinês, português e inglês – e é organizada pelo Instituto Internacional de Macau (IIM). Há ainda a colaboração de entidades como a Fundação Macau, a Associação de Auxílio Mútuo dos Pescadores de Macau e o apoio logístico do próprio Museu Marítimo. Revelam-se “as memórias, vida, tradições e os costumes desta comunidade que são retratados junto da comunidade local e dos turistas, que culturalmente é identificada pelos residentes de Macau”. As histórias contam-se, conforme disse Mariana Pereira, com fotografias cedidas pelo Museu Marítimo e textos. Macau foi, durante séculos, uma aldeia piscatória até se desenvolver no território que é hoje. Assim, segundo uma nota do IIM, pretende-se “retratar a história da comunidade piscatória, como exerciam a profissão e a pesca em particular, reforçando a importância dos seus costumes e tradições, que é grande parte preservada e reconhecida em itens do património cultural intangível de Macau, classificados e inseridos na lista do inventário do Instituto Cultural do Governo da RAEM”. Investigação em curso A exposição pode ser vista até ao dia 26 deste mês e nasce de uma investigação da entrevistada em colaboração com outras pessoas, sendo um deles Jack Wang Deyi, estudante de doutoramento que trabalha no IIM a construir “um futuro projecto” dedicado ao estudo desta comunidade piscatória. Segundo explicou António Monteiro, dirigente do IIM, “o projecto de investigação vai continuar com a equipa composta por Mariana Pereira, Jack Wang Deyi e o IIM, além de que temos tido a positiva colaboração do Museu Marítimo de Macau”. O objectivo da mostra é “realçar a memória e relembrar a existência desta comunidade, parte também de Macau”, disse António Monteiro. “Pode ser útil para Macau trabalhar com esta comunidade em novas ideias e projectos para esta Macau, muito diferente dos tempos da aldeia piscatória.”
João Luz Manchete SociedadePonte da Amizade | Pedida análise a causas de acidentes O deputado dos Operários, Leong Sun Iok, quer que as autoridades estudem as causas dos muitos acidentes de viação que acontecem na Ponte da Amizade, sugerindo a possibilidade de proibir a mudança de faixa. Um membro Conselho Consultivo do Trânsito pede mais vigilância no meio do tabuleiro da ponte Leong Sun Iok considera que o Governo devia fazer mais para prevenir acidentes de viação na Ponte da Amizade, um dos pontos negros da circulação rodoviário de Macau. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, o deputado dos Operários começou por salientar que o tabuleiro da ponte é relativamente estreito, faltando espaço para a circulação, em especial de motociclos. É por essa razão, na óptica de Leong Sun Iok, que é frequente as scooters e motas acabarem por circularem na berma, o que não só acarreta riscos para a segurança e origina frequentes acidentes, como é contra a lei do trânsito rodoviário. O deputado entende que o Governo deve, em primeiro lugar, identificar as principais causas dos acidentes de viação na ponte antes de aplicar medidas. “Algumas pessoas defendem que a circulação de motociclos deveria ser limitada na Ponte da Amizade, mas não existe consenso social sobre a matéria. São precisos factos, análises de dados para saber se o problema é o excesso de velocidade ou, por exemplo, a mudança de faixa”, indicou. Caso se conclua que a mudança de faixa é um dos maiores perigos, Leong Sun Iok defende a instalação de traços contínuos que proíbam a mudança de faixa. Mais vigilância Dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública revelaram que na primeira metade deste ano, a Ponte da Amizade é o local com maior frequência dos acidentes de viação, totalizando 181 sinistros no primeiro semestre do ano. Os outros pontos negros da segurança rodoviária são a Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues (170 acidentes), Estrada do Istmo no Cotai (142 acidentes), Avenida de Wai Long na Taipa (133 acidentes) e Ponte de Sai Van (129 acidentes). O membro do Conselho Consultivo do Trânsito, Kuok Meng Chit, considera que na Ponte de Amizade faltam equipamentos de monitorização na secção intermédia do tabuleiro, e sugere a instalação de câmaras de videovigilância e radares para detectar a velocidade. “Do que pude observar, a secção intermédia da ponte é onde os veículos tendem a circular com maior velocidade, ultrapassando os limites impostos por lei”, apontou. Devido ao elevado fluxo rodoviário na Ponte da Amizade, o conselheiro não considera realística a proibição de circulação de motociclos.
Hoje Macau Manchete SociedadeGrande Baía | Apenas advogados chineses vão poder exercer As informações mais recentes do Ministério da Justiça clarificam que apenas os advogados com nacionalidade chinesa vão poder fazer o exame de acesso à profissão na Grande Baía Apenas os advogados de Macau com nacionalidade chinesa vão poder candidatar-se ao exame jurídico exigido para poder exercer em nove cidades do sul da China, o que exclui os portugueses, anunciou o Governo de Pequim. No final de Agosto, o Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, o órgão legislativo máximo da China, aprovou alterações à lei que regula o exercício da advocacia. As mudanças abrem as portas da região da Grande Baía a advogados das duas regiões de Macau e Hong Kong, que passam a poder prestar serviços jurídicos específicos nas áreas cível e comercial. A Grande Baía é um projecto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros. Para exercer na província vizinha, os advogados de Macau terão de primeiro passar num exame jurídico que, de acordo com um despacho do Ministério da Justiça chinês, apenas será aberto a “cidadãos chineses”. A medida exclui, logo à partida, a esmagadora maioria dos advogados portugueses de Macau, uma vez que a cidadania chinesa é apenas atribuída por descendência e não por residência ou casamento. No exame poderão participar, no entanto, os advogados macaenses que tenham a nacionalidade chinesa. Programa-piloto A reforma aprovada no final de Agosto acaba por tornar definitivo um programa-piloto lançado em Agosto de 2020, que já permitia que mais de 650 advogados de Hong Kong e Macau prestassem serviços jurídicos na Grande Baía em matéria civil e comercial. Alguns actuaram perante tribunais da China continental como representantes em litígios e conduziram casos de arbitragem. Em 2024, o presidente da Associação dos Advogados de Macau, Vong Hin Fai, disse que, dos cerca de 450 inscritos, 40 por cento eram oriundos de países lusófonos e 80 por cento dominavam a língua portuguesa. Vong Hin Fai falava antes de liderar uma delegação da Ordem de Advogados de Macau numa visita a Portugal, onde se encontrou com a Ordem dos Advogados de Portugal. No entanto, não houve qualquer anúncio sobre uma eventual reactivação de um protocolo entre as duas ordens que facilitava a inscrição e o início do exercício para advogados portugueses em Macau, e que está suspenso desde 2013. AAM recusa discriminação A Associação dos Advogados de Macau (AAM) disse à Lusa que não considera como discriminação contra os portugueses a exigência da nacionalidade chinesa no exame para exercer em nove cidades do sul da China. “Não vejo isto como uma exclusão de seja quem for, mas simplesmente um dos critérios, como a exigência de saber escrever e falar chinês”, disse a secretária-geral da AAM, Oriana Inácio Pun. Oriana Pun sublinhou que a exigência da nacionalidade chinesa “não é algo de novo”, uma vez que já constava do programa-piloto lançado em Agosto de 2020 e que a reforma aprovada no final de Agosto acabou por tornar definitivo. Oriana Pun desvalorizou o impacto entre os advogados portugueses de Macau, sobretudo porque o programa envolve “matérias ligadas ao direito da China continental, não ao direito de Macau ou ao direito de Portugal”.
Hoje Macau Manchete PolíticaPensões | Transferidos 15,9 mil milhões para cobrir défice O Governo anunciou a transferência de cerca de 15,9 mil milhões de patacas para cobrir o défice do sistema de pensões dos trabalhadores da função pública. As autoridades estimam que nos próximos três anos quase 15 por cento dos funcionários públicos se possam reformar O Executivo vai transferir perto de 15,9 mil milhões de patacas para o Fundo de Pensões da Função Pública. Num despacho publicado ontem no Boletim Oficial, Sam Hou Fai, explica que o dinheiro corresponde a 80 por cento do excedente das finanças públicas da RAEM em 2025. A RAEM fechou 2025 com um excedente de 19,9 mil milhões de patacas, valor que já foi ultrapassado só nos primeiros nove meses deste ano: 21,6 mil milhões de patacas. Num comunicado, o Governo sublinhou que a transferência “não afectará as despesas com as diversas medidas destinadas ao bem-estar da população e aos benefícios sociais” nem o funcionamento da reserva financeira da cidade. A reserva financeira de Macau valorizou-se em 37 mil milhões de patacas na primeira metade do ano e atingiu em Junho um novo recorde máximo, pelo sétimo mês consecutivo: 704,3 mil milhões de patacas. O Governo prevê que o défice acumulado do Fundo de Pensões (FP), que administra as pensões da função pública, atinja 8,99 mil milhões de patacas até 2031 e aumente “ainda mais” nos próximos dez anos. O excedente das contas públicas de 2025 “relativamente abundante e robusto contribui com condições favoráveis para se proceder antecipadamente” à resposta ao défice e assim evitar que no futuro seja necessário reduzir os benefícios sociais, disseram as autoridades. Os dois lados Em Julho, o porta-voz do Conselho Executivo, Wong Sio Chak, sublinhou que a “situação de desequilíbrio financeiro” apenas envolve o anterior regime de aposentação, que foi substituído por um novo regime em 2007. De acordo com dados divulgados ontem pelo FP, no final de Setembro o anterior regime de aposentação pagava 6.711 pensões, mais do que o número de contribuintes ainda no activo: 6.320. Em Julho, a presidente do FP, Diana Maria Vital Costa, alertou para “um pico de aposentações” nos próximos cinco anos e previu que, também devido à subida da esperança média de vida, até 2031 o antigo regime estará a pagar 9.150 pensões, com apenas 3.290 contribuintes. Em Agosto, a Assembleia Legislativa aprovou uma proposta que permite ao líder do Governo fixar uma percentagem do excedente orçamental para transferir para o FP. Em Junho de 2019, o Governo criou um mecanismo que transfere, todos os anos, 3 por cento do saldo orçamental para o Fundo de Segurança Social (FSS), para responder à pressão do envelhecimento acelerado da população. De acordo com o relatório mais recente, o FSS ganhou 6,48 mil milhões de patacas em 2024, em grande parte devido às transferências orçamentais. Em Setembro, a directora dos Serviços de Administração e Função Pública, Leong Weng In, afirmou que quase 15 por cento dos funcionários públicos de Macau poderão reformar-se nos próximos três anos.
João Santos Filipe Manchete PolíticaNovo Bairro | Comissão de agentes imobiliários sobe para 5% O anúncio surge dias depois de alguns compradores de habitação no Novo Bairro de Macau se terem manifestado contra a comissão paga aos agentes imobiliários e a nova política de descontos Subiu para 5 por cento a comissão paga pela empresa Macau Renovação Urbana aos agentes imobiliários responsáveis pela venda de habitações no Novo Bairro de Macau. A informação foi divulgada ontem, no portal da Direcção dos Serviços de Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP), dois dias depois de compradores insatisfeitos se terem manifestado contra o valor das comissões e a nova política de descontos do projecto. “A partir de 9 de Outubro de 2026, a taxa de serviço de mediação imobiliária do projecto ‘Novo Bairro de Macau’ em Hengqin passou de três por cento para cinco por cento do valor da transacção do imóvel”, pode ler-se na secção do portal da DSSGAP dedicada à Sociedade de Desenvolvimento do Novo Bairro de Macau (Hengqin, Zhuhai), Limitada. A Sociedade de Desenvolvimento do Novo Bairro de Macau (Hengqin, Zhuhai) é controlada a 100 por cento pela Macau Renovação Urbana, tem como presidente do Conselho de Administração Paulo Tse, tal como a empresa-mãe, e é responsável pela venda e arrendamento das habitações, lojas e parques de estacionamento no Novo Bairro de Macau. O valor da nova comissão entrou em vigor na sexta-feira. Mas, anúncio surge depois de no sábado alguns dos proprietários de habitações no projecto se terem deslocado ao centro de vendas e acusado as autoridades de os terem enganado por terem indicado que a venda das habitações no projecto de Hengqin era feita ao preço de custo. O caso foi divulgado através de vídeos partilhados online. No entanto, na semana passada, a Macau Renovação Urbana anunciou a nova campanha de promoções “triplo incentivo”, que beneficia os novos compradores com descontos ou créditos na compra de lugares de estacionamento, decoração das habitações e despesas com a gestão do condomínio. Comissões visadas Além da política de descontos, os proprietários insatisfeitos visaram especificamente o valor da comissão paga aos agentes imobiliários de Macau ou do Interior da China que vendam fracções nos edifícios do empreendimento. “Agora os preços foram reduzidos em dezenas de milhares de renminbis e os agentes imobiliários podem receber uma comissão de três por cento sobre a venda. Foi isto que eles [governantes] disseram quando afirmaram que não havia margem para reduzir mais os preços?”, perguntou. “Quem é que agora pode acreditar nas promessas de que isto era um projecto em prol da vida da população e que as vendas foram feitas ao preço de custo”, interrogou uma das manifestantes. Este é o segundo aumento do valor da comissão promovido pela Sociedade de Desenvolvimento do Novo Bairro de Macau (Hengqin, Zhuhai) em menos de um ano. Em Maio, a comissão subiu de um para três por cento, e agora é aumentada para cinco por cento. Além disso, desde Janeiro que qualquer mediador pode promover as vendas neste projecto, quando antes a escolha dos mediadores estava restrita a um grupo seleccionado pela empresa de capitais públicos.
Hoje Macau Manchete PolíticaMNE | Ministros do Paraguai e Belize não podem entrar em Macau O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) chinês anunciou ontem que o ministro paraguaio da Comunicação, Gustavo Villate, e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Belize, Francis Fonseca, ficam interditos de entrar na China, Hong Kong e Macau. Além disso, o MNE indicou, em dois comunicados separados, o congelamento imediato de eventuais bens em território chinês dos responsáveis. As sanções foram aplicadas aos ministros por apoiarem “obstinadamente” a manutenção de relações diplomáticas dos respectivos países com Taiwan. Segundo a diplomacia chinesa, nos últimos anos, os responsáveis políticos dos dois países, “movidos por interesses pessoais, apoiaram obstinadamente a manutenção de alegadas relações diplomáticas” com Taiwan. Estes responsáveis “multiplicaram declarações e actos inadmissíveis sobre questões relacionadas com a China, prejudicando assim os interesses fundamentais” do país, acrescentou o ministério.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteUniversidade de Macau | Plano de Desenvolvimento prevê 25 mil alunos em 2031 Foi apresentado, na sexta-feira, o “Plano de Desenvolvimento a 5 Anos” da Universidade de Macau, que traça a estratégia até ao ano lectivo 2030-2031, quando se prevê a inscrição de 25 mil alunos. Na futura Cidade Universitária Macau-Hengqin vão funcionar as Faculdades de Medicina, Ciências da Informação e da Computação, Engenharia e Design A Universidade de Macau (UM) planeia ter uma população estudantil de 25 mil pessoas daqui a cinco anos, ou seja, no ano lectivo de 2030-2031, e de 20 mil alunos já em 2028. Em 2030, espera-se chegar aos 22 mil alunos. Actualmente, a UM tem cerca de 16.900 alunos. Esta é uma das ideias constantes no “Plano de Desenvolvimento para 5 anos [Five Year Development Plan], pensado para um período compreendido entre os anos lectivos de 2026-2027 e 2030-2031, e que foi apresentado na sexta-feira. Com o mote “Uma Universidade, Dois Campus”, o documento apresenta as linhas mestras do que pretende ser um “desenvolvimento coordenado” entre o actual campus em Hengqin e a futura Cidade Universitária Macau-Hengqin, a funcionar na Zona de Cooperação Aprofundada de Guangdong e Macau em Hengqin. Em relação ao funcionamento dos cursos, o actual campus, em Hengqin, irá gerir as Faculdades de Letras e Humanidades, Gestão de Empresas, Educação, Direito, Ciências Sociais e Ciências, enquanto que na Cidade Universitária serão acolhidas as Faculdades de Medicina – cujos cursos de licenciatura e mestrado integrado serão ministrados em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa – Ciências da Informação e da Computação, Engenharia e Design. A UM tem como objectivo “construir um sistema equilibrado e integrado de desenvolvimento de talentos”, com o “reforço das ciências, engenharia, medicina e farmácia”. A instituição quer “priorizar o desenvolvimento dos currículos” nestas áreas. Mostrando como a investigação é apontada como uma das áreas-chave, o “Plano de Desenvolvimento a 5 Anos” visa que a UM seja uma instituição de ensino que reflecte “a mistura de estudantes numa universidade de investigação multidisciplinar”. “A proporção de estudantes de pós-graduação será mais de 50 por cento do total da população estudantil, com o rácio de 1:1 de estudantes de humanidades e ciências sociais em relação aos estudantes de engenharia, medicina e farmácia”, é acrescentado. Na conferência de imprensa de apresentação do plano, o reitor da UM, Song Yonghua, disse que o futuro traçado pelo documento para o futuro da universidade está alinhado o 15.º Plano Quinquenal do país e com o Terceiro Plano Quinquenal da RAEM. Para alcançar Outro dos motes para o desenvolvimento da universidade nos próximos cinco anos assenta nas siglas “R.E.A.C.H.”, que significam, segundo um comunicado da UM, “integração de recursos”, “foco na excelência”, “orientação para a ambição”, “foco na colaboração” e “alto impacto”. O “foco na excelência” significa que a UM quer posicionar-se ao lado das “universidades de investigação multidisciplinar que são líderes a nível mundial”, contribuindo “para a diversificação adequada da economia de Macau, o desenvolvimento da Grande Baía e as estratégias prioritárias” do país. Outro dos objectivos passa pelo “reforço da reputação internacional” da instituição de ensino, bem como “expandir a influência global”. A UM quer funcionar, no futuro, com o modelo “uma universidade, dois campus”, entrando “numa fase mais madura e aperfeiçoada”, mas mantendo as raízes em Macau. Outro dos planos é a expansão da rede de Colégios Residenciais, “transformando-a numa rede educativa composta por 20 colégios distribuídos por dois campus”, alargamento que tem como objectivo “melhorar a qualidade do ensino de pós-graduação”. Foco na investigação Para mostrar como a área da investigação será uma das mais importantes no desenvolvimento da universidade, o reitor explicou que os “três laboratórios-chave estatais” serão “o núcleo da estratégia de investigação”, pretendendo-se “promover a colaboração entre os laboratórios e institutos de investigação, reforçando a base da investigação para gerir resultados mais originais e inovadores”. A UM tem actualmente a funcionar o Laboratório de Referência do Estado para Mecanismo e Qualidade da Medicina Chinesa, Laboratório de Referência do Estado de Microelectrónica Analógica e Mista e ainda o Laboratório de Referência do Estado para a Internet das Coisas aplicada a Cidades Inteligentes. Todos aprovados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China. Na mesma nota, a UM destaca o desenvolvimento de “plataformas de investigação de grande envergadura em áreas-chave como a incluindo inteligência artificial e ciências do cérebro, ciências biomédicas, engenharia médica inteligente, bem como energia e neutralidade carbónica”. O Instituto de Investigação Avançada da Universidade de Macau em Hengqin será transformado “no principal centro de transformação” ao nível da investigação e colaboração entre instituições, com maior conexão às indústrias e economia local. Amigos ibéricos No que diz respeito à expansão internacional, os países de língua portuguesa e espanhola surgem no topo das prioridades. “A UM vai criar um sistema de inovação aberto, em formato colaborativo e internacional, através da colaboração com universidades e empresas de renome a nível nacional e internacional, bem como com redes de inovação em países de língua portuguesa e espanhola.” Assim, a “prioridade” será dada “a parcerias com instituições em países de língua portuguesa, espanhola e inglesa, países ao longo da iniciativa ‘uma faixa, uma rota’ e países vizinhos da região da Ásia-Pacífico”. Na mesma nota, é explicado que a UM vai “reforçar a colaboração com universidades de referência na China continental e na RAEHK”, sendo que instituição de ensino superior promete ter “quatro dimensões da internacionalização”. Para ter maior projecção global, a UM quer ter “um corpo docente internacional, programas internacionalizados” mais intercâmbio e estudantes estrangeiros, “com vista a aprofundar a colaboração de projectos”. Salienta-se “a oferta de programas internacionais em todas as faculdades, institutos e colégios residenciais”, dando “prioridade ao desenvolvimento de programas internacionais com duplo grau nas Faculdade de Medicina, Faculdade de Ciências da Informação e Computação, Faculdade de Engenharia e Faculdade de Design”, na futura Cidade Universitária. O reitor da UM explicou que, nos próximos cinco anos, será dada “prioridade ao desenvolvimento do campus na Zona de Cooperação Aprofundada”, prevendo-se que a Cidade Universitária entre em funcionamento parcial em 2028, “estando totalmente concluído em 2029”. Song Yonghua disse que a UM “vai continuar a promover um desenvolvimento integrado na educação, ciência, tecnologia e recursos humanos, assumindo um papel mais pró-activo nos contributos para o desenvolvimento nacional”.
Hoje Macau China / Ásia MancheteFãs chineses continuam do lado de Cristiano apesar da ‘deserção’ Adeptos chineses disseram sábado à Lusa que perdoam Cristiano Ronaldo por abandonar o estágio da selecção portuguesa e acusam o seleccionador Jorge Jesus de faltar ao respeito ao “melhor marcador da história do futebol”. Dezenas de milhares de pessoas têm passado pelo empreendimento Venetian Macau, que está a acolher dois jogos da pré-época da Liga Norte-americana de Basquetebol (NBA) entre os Dallas Mavericks e os Houston Rockets. “Eu também gosto de basquetebol, mas quem me tirasse o futebol tirava-me tudo”, disse Louis Chan, de 28 anos, que viajou de Zhaoqing, a 200 quilómetros de Macau. Tudo com a esperança de conseguir um autógrafo de David Beckham, antigo futebolista internacional inglês que tem uma parceria com a empresa que gere o Venetian Macau. “C Luo [Cristiano Ronaldo em chinês] é já o melhor marcador de sempre na história do futebol”, lembrou Chan, que vestia uma camisola do Al Nassr com o nome do capitão da selecção portuguesa “É uma completa falta de respeito [por parte do seleccionador]. Não se manda uma estrela com Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi aquecer e depois não joga”, disse Tessie Fang. A adepta de 35 anos, que vestia uma camisola do Real Madrid com o nome do português, tinha em 2024 comprado bilhetes para ver o Al Nassr jogar em Shenzhen, no sudeste da China. Na altura, Cristiano Ronaldo lesionou-se e os dois particulares do Al Nassr foram cancelados, decisão que levou adeptos chineses a invadir o hotel onde a equipa saudita estava hospedada, para tentar ver o português. “Foi uma grande desilusão, porque eu tinha passado horas em frente ao computador para comprar bilhetes para o jogo com o Shanghai Shenhua. Mas espero um dia ter a oportunidade de o ver jogar ao vivo”, disse Fang. Fé na despedida Uma oportunidade que Hazhel Galgao já teve, quando o cozinheiro filipino de 47 anos, agora a trabalhar num restaurante português em Macau, vivia na Arábia Saudita. “A liga [saudita] já tinha alguns jogadores conhecidos, mas quando contrataram o Ronaldo, foi uma enorme euforia”, recordou Galgao, que vestia uma camisola da selecção portuguesa. O filipino prosseguiu: “Acho que o treinador [Jorge Jesus] esteve mal ao não respeitar o estatuto do Ronaldo, mas espero que ele ainda possa regressar. Afinal, ele merece uma despedida digna, como a do Messi”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeNovo Bairro | Insatisfação com descontos e qualidade de construção Obrigados a pagar o que consideram defeitos de construção e insatisfeitos com a política recente de descontos para novos compradores, alguns proprietários de habitações no Novo Bairro de Macau, em Hengqin, foram ao centro de vendas mostrar o seu estado de espírito A qualidade de construção das habitações no Novo Bairro de Macau, em Hengqin, e a adopção de descontos para atrair novos compradores levaram alguns moradores a manifestar-se. Segundo vídeos partilhados nas redes sociais, cerca de 10 pessoas, algumas com máscaras e outras com bandeiras da República Popular da China, deslocaram-se ao centro de vendas do projecto, no outro lado da fronteira, a pedir explicações e a mostrar insatisfação. Nas imagens é possível ver uma mulher, com a cara destapada, a mostrar-se insatisfeita com o facto de os moradores terem de pagar os reparos relacionados com defeitos de construção. “As janelas caem e as paredes apresentam fissuras, e temos de ser nós a pagar a reparação do nosso bolso porque nos dizem que o prazo de garantia das obras chegou ao fim”, criticou. O Novo Bairro de Macau foi construído pela empresa Macau Renovação Urbana, uma entidade financiada a 100 por cento com capitais públicos. O empreendimento situado em Hengqin tem cerca de 4 mil habitações que apenas podem ser compradas por residentes. Além das bandeiras, os manifestantes apresentavam ainda papéis com imagens de cebolinhas chinesas por se sentirem explorados. Na sociedade chinesa, a expressão remete para os pequenos investidores nas bolsas financeiras que são enganados ou explorados por grandes empresários, mas que mesmo assim não abdicam de defender os seus direitos. Todavia, a expressão evoluiu e deixou de ser utilizada apenas no contexto financeiro. Gota de água Na semana passada, a Macau Renovação Urbana anunciou a campanha de promoções “triplo incentivo”, que atribui aos novos compradores do projecto regalias na compra de lugares de estacionamento, decoração das habitações e reduções das despesas com a gestão do condomínio. Além disso, a empresa também anunciou que a venda dos apartamentos no projecto passa a poder ser feita por qualquer agente imobiliário, a troco do pagamento de uma comissão de três por cento. Até agora, apenas alguns agentes estavam autorizados a realizar as vendas. No entanto, as medidas criaram insatisfação entre os manifestantes que acusam o Governo de ter faltado à verdade ao indicar que as suas compras foram feitas ao preço de construção. “Agora os preços foram reduzidos em dezenas de milhares de renminbis e os agentes imobiliários podem receber uma comissão de três por cento sobre a venda. Foi isto que eles [governantes] disseram quando afirmaram que não havia margem para reduzir mais os preços?”, vê-se a mulher perguntar. “Quem é que agora pode acreditar nas promessas de que isto era um projecto em prol da vida da população e que as vendas foram feitas ao preço de custo?”, interrogou. A mesma pessoa indica ainda que as vendas deste projecto dependem da credibilidade das autoridades e que estas acções prejudicam esse activo. O HM contactou ontem a Macau Renovação Urbana sobre o incidente, mas até ao fecho de edição não recebeu qualquer resposta.
João Santos Filipe Manchete SociedadeComércio | Patrick Dumont considera que “trégua” beneficia EUA e China O director-executivo da Las Vegas Sands está confiante no futuro do jogo em Macau e confirmou os planos de investimento na criação de um jardim icónico. Além de estar ligado à concessionária, Dumont é proprietário dos Dallas Mavericks O director-executivo da empresa norte-americana Las Vegas Sands, empresa-mãe da concessionária Sands China, afirmou que a China e os Estados Unidos (EUA) “só têm a ganhar” com a trégua comercial. No final de Setembro, os dois países chegaram a acordo para prorrogar até 10 de Janeiro de 2027 a trégua comercial alcançada em Outubro de 2025 e que iria expirar em 10 de Novembro. “As duas maiores economias do mundo só têm a ganhar ao encontrar melhores formas de colaborar e investir mutuamente, gerando resultados benéficos para ambos os lados”, disse Patrick Dumont. “As economias de ambos os países podem beneficiar de melhores relações, mais investimento e mais intercâmbios”, acrescentou o executivo, numa entrevista à agência de notícias financeiras Bloomberg. “Esperemos que isso continue a longo prazo e que possamos colher os frutos, pois o turismo é um sector fantástico que aproxima as pessoas”, defendeu Dumont. Patrick Dumont esteve em Macau, onde a concessionária Sands China organizou dois jogos de pré-época da NBA, em parceria com a própria liga, entre os Dallas Mavericks Dallas e os Houston Rockets. Além de estar ligado à Sands China, Dumont é o proprietário dos Mavericks Dallas, equipa do Texas. Optimista face ao jogo Em Setembro, as receitas do jogo em Macau registaram o quarto mês consecutivo com quedas homólogas, caindo 17,5 por cento para o valor mais baixo dos últimos dois anos: 18,1 mil milhões de patacas. Ainda assim, Patrick Dumont disse que permanece optimista quanto às perspectivas para o território. “Para nós, investir em Macau é algo que queremos mesmo fazer. Estamos muito entusiasmados com os nossos investimentos em áreas para além do jogo”, disse o director-executivo da Las Vegas Sands, empresa-mãe da Sands China. As declarações de Dumont surgem depois de, na terça-feira, o presidente da Sands China, Grant Chum Kwan Lock, ter garantido que a empresa vai investir mais 33,4 mil milhões de patacas no território, incluindo na criação de “um jardim de inverno icónico” com 50 mil metros quadrados. “Continuaremos a investir em instalações e infra-estruturas, incluindo o jardim de inverno previsto no nosso contrato de concessão de jogo, que acreditamos que se tornará um novo marco de Macau após a conclusão”, afirmou Chum, citado pelo jornal Ou Mun. Sobre estes investimentos, o director-executivo da Las Vegas Sands afirmou que a longo prazo “irão (…) criar experiências únicas que façam os visitantes voltar a Macau e que tragam mais turistas vindos de locais mais distantes”.
João Santos Filipe Manchete PolíticaPE | Macau rejeita ingerência nos assuntos internos As autoridades de Macau negam legitimidade à União Europeia para se pronunciar sobre o julgamento de Au Kam San e pedem uma correcção desta postura. O Parlamento Europeu considera haver “uma grave deterioração das liberdades fundamentais” em Macau O Governo e a Assembleia Legislativa (AL) consideram que o Parlamento Europeu (PE) fez “acusações infundadas” contra o julgamento do ex-deputado Au Kam San, a primeira pessoa na RAEM a ser acusada ao abrigo da Lei de Segurança Nacional. A posição das autoridades de Macau foi divulgada na sexta-feira, depois de o hemiciclo europeu ter aprovado, na quarta-feira, uma lista com recomendações para as relações políticas com a China. No comunicado, o Governo local “manifesta a sua firme oposição e condena veementemente” o texto aprovado pelo PE e aponta que faz “considerações e acusações infundadas contra o julgamento, nos termos da lei, do primeiro caso de segurança nacional”. “O julgamento, nos termos da lei, pelos tribunais da RAEM de casos relativos a crimes contra a segurança nacional constitui um assunto estritamente interno da RAEM, não se permitindo, de modo algum, qualquer ingerência por parte de forças externas”, foi vincado. “A independência judicial da RAEM é estritamente garantida pela ‘Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau’”, foi acrescentado. O Executivo vincou também que, ao abrigo da Lei Básica, das convenções sobre direitos humanos aplicáveis à RAEM e de outras leis internas, “todos os arguidos em processo penal gozam de direitos processuais na RAEM, tendo os direitos processuais do arguido do primeiro caso de segurança nacional sido também plenamente garantidos nos termos da lei”. “O Parlamento Europeu, alheio aos factos e aplicando dois pesos e duas medidas em relação à excelente situação do Estado de Direito na RAEM, pretende interferir na justiça da RAEM, numa provocação flagrante ao Direito Internacional e às normas fundamentais que regem as relações internacionais, demonstrando claramente à comunidade internacional o seu atropelo grosseiro ao espírito do Estado de Direito”, foi igualmente considerado pelo Executivo. “O Governo da RAEM insta veementemente o Parlamento Europeu a cessar imediatamente a ingerência, sob qualquer pretexto, nos assuntos internos da China e nos assuntos da RAEM, bem como cessar, de imediato, qualquer forma de perturbação e de interferência nos procedimentos judiciais da RAEM”, foi pedido. AL condena Por sua vez, o comunicado da AL “manifesta firme oposição e condena veementemente o Relatório sobre a recomendação relativa às relações políticas entre a União Europeia e a China, recentemente aprovado pelo Parlamento Europeu, o qual lançou acusações infundadas contra o julgamento do primeiro caso de segurança nacional pelo tribunal da RAEM de acordo com a lei, apresentando ainda exigências ilegais”, foi indicado. “Em conformidade com o direito internacional e os princípios fundamentais das relações internacionais, o Parlamento Europeu não tem qualquer legitimidade para se pronunciar ou intervir nesta matéria”, foi vincado. A AL indica também que a “defesa da segurança nacional pela RAEM em conformidade com a lei é absolutamente justa e irrepreensível”. “O julgamento, pelos tribunais da RAEM, de processos relacionados com a segurança do Estado, em estrita observância da legalidade, constitui um assunto exclusivamente interno da RAEM”, foi considerado. O comunicado termina com o apelo da AL para que o PE “reflicta sobre a sua postura, corrija o seu rumo e cesse imediatamente a interferência nos assuntos internos da China e nos assuntos da RAEM, bem como qualquer ingerência no processo judicial da RAEM”. Recomendação do PE O documento aprovado pelo PE na quarta-feira surge como uma “recomendação” das posições a serem adoptadas pelo Conselho Europeu, pela Comissão Europeia, e pela Vice-Presidente da Comissão/Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros na condução das relações com a China. O texto aborda assuntos relacionados com política, economia, direitos humanos e outras áreas no Interior, em Macau e Hong Kong. Em relação à parte que foca a RAEM, há apenas duas menções, onde o PE considera que há “uma grave deterioração das liberdades fundamentais”, tal como também indica acontecer em Hong Kong. O PE recomenda aos diferentes organismos europeus a condenação do “julgamento de Au Kam San, antigo parlamentar pró-democracia, ao abrigo da Lei da Segurança Nacional em vigor em Macau” e que “apelem à sua libertação imediata e incondicional”.
Hoje Macau Manchete PolíticaJogo | Governo mantém previsão de receitas, apesar de tendência negativa O Chefe do Executivo considera que a redução recente das receitas de jogo não deverá levar o Governo a rever as previsões que consta no Orçamento da RAEM. Sam Hou Fai garantiu ainda que o Governo está a avaliar se há razões estruturais nesta redução Apesar da contracção das receitas do jogo nos últimos quatro meses, o Chefe do Executivo ainda não está a ponderar uma revisão em baixa do valor que consta no Orçamento da RAEM. O diploma prevê que até ao final do ano as receitas deverão atingir 236 mil milhões de patacas, sendo que até Setembro o valor foi de 187 mil milhões de patacas. “Estamos a avaliar se esta mudança é cíclica, provocada por alterações tanto no ambiente interno como externo, como ajustes nas condições económicas das regiões circundantes, incluindo os mercados bolsistas e os preços do imobiliário nas áreas vizinhas, ou seja, as receitas do jogo, após a pandemia, já atingiram um patamar relativamente elevado e há uma inversão da tendência”, afirmou Sam Hou Fai, no sábado, citado pela TDM, à margem da abertura da Sede do Governo à população. O Chefe do Executivo admitiu ainda que está a ser feita uma avaliação do impacto das receitas no futuro e prometeu que a situação vai ser “acompanhada” de perto. Em relação à evolução da economia, Sam afirmou que Outubro “assume uma importância acrescida” e manifestou o desejo de que as receitas apresentem “um crescimento estável” nos próximos meses. Excedente em alta As declarações de Sam Hou Fai foram prestadas um dia depois de ter sido tornado público que as contas públicas tiveram um excedente de 21,6 mil milhões de patacas nos primeiros nove meses de 2026, mais do que em todo o ano passado. De acordo com dados publicados ‘online’ pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), o excedente do território até Setembro aumentou 30,2 por cento em comparação com o mesmo período de 2025. Macau fechou 2025 com um excedente de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior. No orçamento para todo o ano de 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, de 5,22 mil milhões de patacas. A subida do excedente deve-se sobretudo à receita corrente de Macau, que cresceu 5,1 por cento nos primeiros nove meses do ano, para 88,7 mil milhões de patacas. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 5,9 por cento, para 74,6 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo. As despesas públicas aumentaram 0,02 por cento, para 68,3 mil milhões de patacas, 62,6 por cento do previsto para todo o ano, sobretudo devido a um aumento nos gastos com apoios sociais. JSF / Lusa
Hoje Macau Entrevista MancheteEPM | João Miguel Gonçalves afasta “para já” expansão e aceita exclusão dos BIR com naturalidade O director da Escola Portuguesa de Macau afasta a realização de obras na escola num futuro próximo. Em entrevista à Lusa, João Miguel Gonçalves afirmou também que a não emissão de bilhetes de identidade de residente para os novos professores é uma questão “para quem já vivia cá” e não para quem chega O novo director da Escola Portuguesa de Macau (EPM) declarou que, para já, não existem planos para a expansão da instituição, embora fizesse “todo o sentido”, porque a instituição “está na capacidade máxima”, com um total de 828 alunos. “A escola está na sua capacidade máxima. Eu diria que, quer obras de requalificação, quer alguma expansão – que tem sempre de ser muito bem pensada – naturalmente que teriam todo o sentido, porque viriam melhorar as condições globais, eventualmente criar um pouco mais de capacidade para acolhermos mais alunos”, disse, em entrevista à Lusa, João Miguel Gonçalves, recém-chegado ao cargo. Questionado sobre se há novidades neste sentido, o director respondeu negativamente. Quer a expansão quer a requalificação estão em “cima da mesa já há muitos anos”, lembra o director, notando ainda “ser prematuro” falar sobre o tema, já que “são decisões que passarão necessariamente, quer pela Fundação Escola Portuguesa de Macau, quer pelos órgãos de governo” de Portugal e Macau. Há vários anos que se fala numa possível expansão da EPM, com falta de espaço crónica, tendo-se inclusivamente aventado a hipótese de deixar o edifício actual, projecto do arquitecto Raúl Chorão Ramalho (1914-2002), e criar de raiz uma nova estrutura na ilha da Taipa. No presente ano lectivo, estão inscritos 828 alunos – mais 18 do que no ano anterior – de cerca de dezena e meia de nacionalidades, sendo a maioria portugueses e chineses. Apesar do aumento de inscritos não representar uma variação significativa, “é um sinal positivo”, destaca João Miguel Gonçalves, lembrando a “forte redução de alunos” no território. O novo director da Escola Portuguesa de Macau, João Miguel Gonçalves, em Macau, 7 de Outubro de 2026. (ACOMPANHA TEXTO DO DIA 10 DE OUTUBRO DE 2026) GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA “A EPM está numa situação ímpar desse ponto de vista, porque tem especificidades que fazem com que a procura não seja a procura normal do mercado na área da educação. E aqui, pelo menos, nota-se que se mantém uma dinâmica de procura importante”, reforça. No que diz respeito aos professores – 83 a cargo de 38 turmas -, este ano o estabelecimento conta com novos cinco profissionais contratados em Portugal, de acordo com o director, que recusa a falta de educadores, contrariando, desta forma, a existência de instabilidade no corpo docente de anos passados. Novas realidades Em Junho, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, reconheceu dificuldades na contratação de docentes para instituições de ensino portuguesas em Macau devido a alterações nas autorizações de residência e, segundo disse, a melhores condições em Portugal. Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999. Aos portugueses resta a emissão de um ‘blue card’, autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação. João Miguel Gonçalves olha com naturalidade para as circunstâncias actuais: “Isso talvez seja uma questão para quem já cá vivia. Para quem chega hoje, chega com as condições que existem hoje”. Como resultado das alterações, o número de portugueses a tornarem-se residentes de Macau caiu de 70 em 2023 para 23 no ano passado, muito longe do recorde máximo de 390 registado em 2013, de acordo com dados fornecidos à Lusa pela Direcção dos Serviços de Identificação. Papel central na Ásia Sobre o arranque do novo ano lectivo, o director garante que decorreu “com toda a tranquilidade” e após obras de melhorias do espaço. A escola, defende, deverá continuar a afirmar-se como “uma plataforma de encontro entre as culturas portuguesa e chinesa”, focada na promoção da multiculturalidade em Macau. A língua e a cultura portuguesas continuam a ser a marca identitária e o núcleo do projecto educativo da EPM, embora João Miguel Gonçalves defenda, simultaneamente, continuar a investir no mandarim. Sobre o que se segue, o responsável diz que “o primeiro grande desafio é que esta é uma escola única”, que cumpre finalidades “que estão muito além” das escolas em Portugal ou de outras escolas portuguesas no estrangeiro: “ser um baluarte da língua e cultura portuguesas na Ásia, na RAEM, República Popular da China, com uma configuração no seu modelo gestionário, que é também única”. A EPM foi constituída em 1998, como herdeira de três instituições de ensino em língua portuguesa em Macau. Nesse ano, foi criada a Fundação Escola Portuguesa de Macau, que gere o estabelecimento, resultado da colaboração inicial entre o Estado Português, a Fundação Oriente e a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (tendo a Fundação Oriente sido substituída em 2012 pela Fundação Macau, entidade do Governo local, nos compromissos financeiros). Ou seja, ao contrário das instituições que integram a rede pública de Escolas Portuguesas no Estrangeiro, a EPM não depende totalmente do Estado português. Além disso, a instituição é uma escola do Regime Escolar Local de Macau, o que lhe permite aceder a apoios da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) do Governo local, estando também sujeita às obrigações decorrentes desse mesmo sistema. Içar da bandeira Neste contexto, a EPM leva a cabo a realização de uma cerimónia semanal do hastear da bandeira da China. O estabelecimento de ensino “vem desenvolvendo há pelo menos dois anos”, às segundas-feiras, esta cerimónia, diz o director, notando, porém, ser uma actividade de carácter voluntário para os alunos. “Tudo o que seja regulamentos e leis são para cumprir (…), tudo o que tenha a ver com a cerimónia está de tal forma balizado que penso que não nos cabe entrar nesse debate”, acrescenta, quando questionado sobre o tema. João Miguel Gonçalves destacou igualmente a importância da EPM começar a formar lideranças, numa idade precoce. “Pensamos na formação de lideranças já quando as pessoas são profissionais. Não, a formação de lideranças está hoje em diversos programas que já se implementam desde o primeiro, segundo, terceiro ciclos, o ensino secundário, em conjunto com universidades, escolas de negócios, de economia, e isso é importante”, explicou João Miguel Gonçalves. O director notou ainda que já existem projectos no estabelecimento educativo que se vão “fazendo de forma mais informal”, mas que é necessário apresentá-los agora com uma estrutura e uma identidade “mais clara”. “Temos de ambicionar também criar novas dinâmicas”, explica. Para já, refere, existem apenas ideias. “No âmbito destas áreas de melhoria [da escola], da visão que vou construindo cooperativamente (…), nós temos que ter uma componente forte de formação de lideranças”, considera. Neste sentido, podem vislumbrar-se parcerias com instituições de Macau, Portugal ou do interior da China. “Para cada área, teremos de encontrar os parceiros que, no momento, nos parecem aqueles que estão a ser mais inovadores, que estão a criar mudança mais disruptiva, que estão a trazer mais dinâmicas de articulação entre a escola e os contextos e os tecidos sociais, empresariais, comerciais”, acrescenta. No âmbito das comemorações dos 30 anos da EPM, que se celebram em 2028, o responsável indica que a direcção da Escola Portuguesa de Macau quer perceber onde andam os antigos alunos da instituição, o que fazem hoje e que impacto teve este espaço educativo ao longo das últimas três décadas. “É colossal o impacto que a escola teve quando começamos a olhar para onde é que estão os nossos alunos, e temos hoje essa capacidade de vermos que, para o futuro, a dimensão da formação de lideranças é muito importante, já no âmbito dos níveis de ensino que nós trabalhamos”, completou o responsável. Papel da IA Na entrevista à Lusa, o responsável preconizou também um maior papel da inteligência artificial na educação, crença que saiu reforçada com uma visita ao Interior e a paragem na escola pública Qian Xuesen, em Hangzhou. “A abordagem que estão a fazer vem ao encontro de algumas ideias que eu já preconizava em Portugal, que é um pouco a utilização da IA, das novas tecnologias, não só dentro do próprio espaço da sala de aula, mas que toda a escola, que é isso que acontece um pouco lá, se possa transformar em local de aprendizagem”, disse o responsável em entrevista à Lusa. “Ou seja, as crianças, os jovens, quando saem para os corredores – nos corredores também há permanentemente nas paredes coisas a acontecer com que eles podem interagir e em que há aprendizagem”, especifica. A escola em Hangzhou – cidade que acolhe a sede da empresa Alibaba – entrou em funcionamento em 2021, com o nome escolhido em homenagem a Qian Xuesen, cientista considerado o pai do programa espacial da China. À Lusa, João Miguel Gonçalves diz que falou com a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) para criar uma “relação especial-protocolar” com a instituição em Hangzhou. “Para que possamos inspirarmo-nos”, completa. A ideia, diz, passa por “desboroar um bocado o conceito” de que apenas na sala de aula se concretiza a aprendizagem e transformar “todos os espaços e todos os momentos em momentos de aprendizagem”. O director da EPM sublinha que “é inevitável” o caminho em direcção à IA, o que “não quer dizer ecrãs e salas cheias de computadores”, uma ideia que perdura nos dias de hoje. “Hoje não é isso, é uma espécie de uma domótica global que recolhe dados das mais diversas áreas e que, ao monitorizar a própria gestão e administração, o funcionamento pedagógico, as instalações, começa a gerar informação que, para os educadores, é altamente valiosa para tomar decisões”, explicou. Com uma formação que cruza a Filosofia e Canto Teatral, João Miguel Gonçalves exerceu a função de Director-geral dos Estabelecimentos Escolares entre 2020 e 2026. Sucede na EPM a Acácio de Brito, agora director da Escola Portuguesa de Luanda.
Hoje Macau Eventos MancheteHush! | DJ Branko, dos Buraka Som Sistema, ao vivo em Macau O DJ português João Barbosa, conhecido como Branko, vai actuar no festival de praia hush!, em Macau, em Novembro, anunciaram ontem os organizadores. Branko, natural de Lisboa, tornou-se conhecido como parte dos Buraka Som Sistema e “cria música contemporânea que mistura ritmos angolanos e brasileiros”, de acordo com a organização do evento. Iniciativa do Instituto Cultural e da concessionária de jogo MGM, o “hush! Concertos na Praia x Festival do Bem-Estar Desportivo Urbano 2026” terá lugar nos dias 14 e 15 de Novembro na praia de Hác Sá, em Coloane. “Este é já o nosso quarto ano de trabalho com o Instituto Cultural (IC) e com todas as organizações que nos apoiam para construir uma nova cidade na Praia de Hác Sá “, afirmou em conferência de imprensa Catarina Lio, responsável de marketing da MGM. De acordo com o ‘site’ da MGM, o evento reúne palcos de música, desportos urbanos e experiências de bem-estar “num ambiente de praia inovador, oferecendo aos residentes e visitantes uma plataforma cultural e desportiva ao ar livre refrescante e multidimensional”. Além de aulas de ioga e fitness, o programa deste ano inclui uma Festa de Dança Afro e reúne 40 bandas locais, incluindo bandas juvenis e infantis, bem como mais de 20 bancas de comida. A presidente do IC, Deland Leong Wai Man, disse que o instituto dá “grande importância” ao evento, utilizando-o “para reunir recursos internacionais e estabelecer uma plataforma de intercâmbio no seio do sector das artes performativas de Macau”.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeMedicina | Director da FMUL vinca aposta na formação “internacional” O director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa quer desenvolver “um projecto de ensino médico verdadeiramente internacional” com a Universidade de Macau, com licenciatura e mestrado. Em entrevista ao HM, o médico diz que Macau tem as condições ideais para a cooperação nesta área Foi em Abril deste ano que a Universidade de Macau (UM) e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL) assinaram um acordo-quadro para a criação de uma licenciatura de medicina clínica em Macau, na futura Cidade Universitária Macau-Hengqin, e também um mestrado integrado em parceria com a FMUL. Em entrevista ao HM, o director da FMUL, João Fonseca, considerou que a ideia é promover “um projecto de ensino médico verdadeiramente internacional”, sendo que, nesta fase, as duas instituições de ensino estão ainda a “trabalhar no desenho final detalhado do programa e do modelo de funcionamento” dos cursos. “A contribuição da FMUL passará, sobretudo, pela experiência acumulada no ensino médico, desenvolvimento curricular, metodologias pedagógicas e de avaliação”, disse. A cooperação abrange ainda áreas como a “formação de docentes e participação directa no ensino nas áreas onde for necessário, e ainda pela articulação entre as componentes científica e clínica do curso”. O director da FMUL destacou que outro dos objectivos é “criar condições para uma mobilidade efectiva de estudantes e docentes entre Macau e Lisboa e o desenvolvimento de projectos conjuntos de investigação”. Pretende-se, desta forma, “construir um programa adaptado ao contexto local, mas alinhado com padrões internacionais exigentes de formação médica”. Parcerias concorrentes Há muito que a FMUL colabora com a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa) no curso de medicina. João Fonseca refere que a cooperação na UM será um complemento à formação já existente. “A cooperação com a MUST pode continuar e aprofundar-se, ao mesmo tempo que desenvolvemos este novo projecto estruturante com a UM. Para a FMUL, é muito positivo poder estabelecer pontes com diferentes instituições académicas de Macau”, declarou. O director da FMUL acrescentou que “a grande novidade deste projecto é a criação de um curso de Medicina na Universidade de Macau, uma universidade pública, desenvolvido em parceria com a Universidade de Lisboa. Queremos contribuir para a formação de médicos com preparação científica e clínica de elevada qualidade, capazes de responder às necessidades futuras de saúde da população de Macau e da grande área envolvente de Macau”, explicou. Outra aposta é recorrer à formação médica “como ponto de partida para uma cooperação mais ampla nas áreas da investigação biomédica, investigação clínica, inovação e formação pós-graduada”, para que se crie com Macau “uma parceria académica e científica de longo prazo”. No que diz respeito à parceria com a MUST, que tem uma Faculdade de Medicina que também disponibiliza um programa académico na área de Farmácia, João Fonseca diz que tem sido “muito positiva”. Desde 2019 que as duas entidades colaboram. “Essa relação tem vindo a evoluir para áreas que vão além do ensino médico, incluindo encontros científicos, colaboração entre docentes e investigadores e projetos internacionais conjuntos”, rematou o director da FMUL.
João Santos Filipe Manchete SociedadeÓbito | Jornalista Mário Cardoso morreu na quarta-feira O ex-jornalista e ex-advogado Mário Cardoso morreu na quarta-feira aos 83 anos de idade. A informação foi divulgada pelo Clube de Jornalistas, ao qual o falecido se associou durante a fundação. “A direcção do Clube de Jornalistas apresenta sentidas condolências a todos os familiares e amigos de Mário Cardoso”, pode ler-se numa nota de imprensa emitida ontem. Mário Cardoso viveu durante mais de 40 anos em Macau, onde chegou em 1980 com o propósito de contribuir para a criação da Teledifusão de Macau (TDM). Para esta escolha, contou o facto de o ex-jornalista ter integrado o grupo de fundadores da RTP Açores, em 1975. No entanto, o seu percurso começou anos antes, quando integrou a redacção do Diário de Lisboa. Foi nessas funções que Cardoso esteve no Largo do Carmo no 25 de Abril de 1974, acompanhando de perto as acções de Salgueiro Maio e a Revolução dos Cravos. Nos anos 70, o futuro residente de Macau integrou também a redacção do jornal A Capital. Além das funções de jornalista, em 1988, Mário Cardoso foi um dos primeiros alunos do curso de Direito na Universidade da Ásia Oriental, actualmente Universidade de Macau. Com as novas qualificações, em 1998, o jornalista começou a desempenhar as funções de técnico superior da Administração Pública de Macau. Em 2011, deixou a Administração Pública e dedicou-se a uma nova aventura na advocacia, até ter decidido regressar a Portugal.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadePátio do Espinho | Aliança do Povo quer reabilitação e “Corredor Cultural” A Aliança do Povo defende que a revitalização do Pátio do Espinho deve assegurar a reabilitação de casas e sítios respeitando a arquitectura original. É defendida a criação de um “Corredor Cultural da Memória de Macau”, que ligue o Pátio do Espinho à zona das Ruínas de São Paulo “Preservar a vivência quotidiana e revitalizar o património histórico”. Estes são objectivos que a associação Aliança do Povo de Instituição de Macau pretende que o Governo cumpra no plano de revitalização do Pátio do Espinho, bairro muralhado situado atrás das Ruínas de São Paulo. Segundo um comunicado enviado às redacções, assinado pela vice-presidente Tong Ho Laam, defende-se a criação de um “Corredor Cultural da Memória de Macau” que estabeleça a ligação entre um Pátio do Espinho renovado e as Ruínas de São Paulo, o Templo de Na Tcha e a Fortaleza do Monte. A vice-presidente recorda que o Pátio do Espinho “fica a poucos passos das Ruínas de São Paulo e beneficia de uma localização privilegiada, reunindo condições para atrair residentes e visitantes”. Pede-se, assim, a preservação de características culturais e arquitectónicas das casas segundo o conceito de “micro-reabilitação”, ou seja, “preservar o antigo como antigo e construir o novo como se fosse antigo”. Alguns dos espaços mais importantes a ter em conta na reabilitação, segundo a associação, são “o antigo poço, as muralhas e as árvores centenárias”. Velhos contadores A Aliança do Povo pede também melhorias nas infra-estruturas “envelhecidas”. “Muitas habitações encontram-se degradadas. Devido a questões relacionadas com a propriedade das casas ou preservação do património, em algumas habitações não é possível aumentar a capacidade dos contadores de água e luz, ou até instalar mais”, é explicado. Desta forma, alerta a associação, “são frequentes cortes de luz em períodos de maior consumo no Verão”, enquanto que “alguns moradores apontam insuficiências nas condições de higiene e nos equipamentos de combate a incêndios”. Além disso, existe “proliferação de ratos”. Assim, a vice-presidente pede que o Governo dê prioridade à reabilitação das velhas redes de esgoto, melhore o abastecimento de água e de electricidade, modernizando cabos e instalando bocas de incêndio, a fim de reduzir riscos para a segurança da população. Na segunda-feira, o grupo de trabalho especializado de renovação e revitalização do Pátio do Espinho reuniu a propósito deste projecto. Segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana, está em curso o “Projecto conceptual preliminar do estudo espacial urbanístico e planeamento de bairros comunitários do Pátio do Espinho”, que inclui inspecções ao local para levantamento das necessidades de reabilitação. Pretende-se realizar “a optimização e reordenamento do espaço ambiental e paisagem urbana das ruas”, bem como “potenciar o aproveitamento dos recursos culturais e turísticos para melhorar o ambiente habitacional”. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, garantiu que “no processo de renovação e revitalização do Pátio do Espinho, procurar-se-á assegurar o equilíbrio entre a conservação, salvaguarda do património cultural e o desenvolvimento”.
Hoje Macau Manchete SociedadeTurismo | Quase 1,9 milhões visitaram Macau nos feriados Macau recebeu quase 1,9 milhões de turistas nos 13 dias de semana dourada prolongada, o que se deveu à proximidade das festividades do Meio do Outono com os sete dias das celebrações da Proclamação da República Popular da China Quase 1,9 milhões de turistas visitaram Macau durante os 13 dias que incluíram a festa do Meio do Outono e a chamada “semana dourada” do Dia Nacional da China, foi ontem anunciado. De acordo com dados oficiais divulgados pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), mais de 1,87 milhões de visitantes entraram no território entre 25 de Setembro e 7 de Outubro. Este período incluiu os três dias da festa do Meio do Outono, uma festividade tradicional chinesa cuja data muda anualmente consoante o calendário lunar, e os sete dias do Dia Nacional da China. A semana dourada registou uma média diária de 163 mil visitantes, ultrapassando as expectativas da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), que tinha previsto uma média diária de 150 mil. A CPSP não forneceu detalhes sobre o local de origem dos turistas, mas, segundo a DST, nos primeiros cinco dias do período, a esmagadora maioria (mais de 797.500) veio do Interior da China, seguida da vizinha região de Hong Kong (cerca de 85.700). Mais de 9,3 milhões de pessoas (incluindo turistas e residentes) atravessaram os postos de controlo fronteiriços de Macau durante os 13 dias, sendo que 5,32 milhões vinham do Interior da China, referiu a polícia. Mais visitantes em Hong Kong Já Hong Kong recebeu 1,3 milhões de visitantes chineses nos primeiros seis dias da “semana dourada” do Dia Nacional da China, mais 11,6 por cento do que no mesmo período de 2025, de acordo com dados oficiais do Departamento de Imigração da cidade. As semanas douradas são usadas como indicador da actividade económica da China, que procura impulsionar o consumo e os serviços como motores da procura interna, que ainda não recuperou totalmente desde a pandemia. As autoridades chinesas esperavam quase 2,8 mil milhões de viagens de passageiros durante o período entre as festas do Meio do Outono e do Dia Nacional da China. “Este ano, há apenas três dias úteis entre a festa do Meio do Outono e os feriados do Dia Nacional, pelo que algumas pessoas vão gozar um período alargado de 13 dias, o que conduzirá a novas alterações nos volumes e nos modos de transporte”, disse em 25 de Setembro o vice-ministro dos Transportes, Li Yang, citado pelo jornal estatal Diário do Povo.
João Santos Filipe Manchete PolíticaDelinquência Infantil | Nick Lei pede reforma da educação cívica Nos últimos 10 anos, os casos de delinquência infantil aumentaram 167 por cento. O deputado ligado à comunidade de Fujian considera que parte do problema está relacionada com a falta de sensibilidade para questões cívicas O deputado Nick Lei considera que as autoridades têm de reformar o ensino da educação cívica face ao que afirma ser o aumento da delinquência infantil no território. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita, em que o legislador ligado à comunidade de Fujian aborda o ataque de um aluno a uma professora com um líquido corrosivo. No documento, Nick Lei aponta que “no primeiro semestre deste ano foram registados 87 casos de criminalidade juvenil, o que representa um acréscimo de seis casos em relação ao período homólogo do ano anterior” e uma “subida de 7,4 por cento”. Todavia, o deputado está mais preocupado com a tendência mostrada pela comparação dos dados mais recentes com os de 2016, ano em que foram registadas 34 situações de delinquência infantil: “em comparação com os 34 casos registados em 2016, verifica-se um aumento substancial de 167 por cento”, avisa. Entre as situações mais extremas, Lei recorda o ataque, no início do ano lectivo, a uma professora com um químico e a situação dos seis menores que foram detidos em Junho deste ano, depois de um caso de bullying na Areia Preta. “Além de revelarem a falta de consciência do Estado de Direito por parte de alguns jovens, [os casos] demonstram ainda as lacunas existentes na educação para o Estado de Direito”, apontou. A interpelação foi escrita antes de mais um caso de violência nas escolas do território, no qual um aluno esfaqueou outro devido a um desentendimento relacionado com videojogos. Reforço da educação Neste contexto, Lei pretende uma reforma do ensino da educação cívica: “Actualmente, os trabalhos de educação cívica em Macau encontram-se dispersos por diferentes departamentos, carecendo de um planeamento e de uma organização sistemáticos”, considera. “O Governo da RAEM deve estudar a criação de um ‘Conselho de Educação Cívica’ normalizado ou de um mecanismo especializado de nível superior, para agrupar e integrar, de forma abrangente, os recursos existentes, formular planos concretos e proceder a revisões e ajustes periódicos, com vista a aumentar a eficácia dos respectivos trabalhos. Vai fazê-lo?”, pergunta. Lei questiona ainda o Executivo se no que diz respeito ao ensino da educação cívica vai haver uma nova abordagem que concilie o ensino das punições com uma abordagem também focada na prevenção. Apesar do enfoque dado à questão da delinquência infantil, Nick Lei considera que o problema da educação cívica é transversal à sociedade e que está muito presente no trânsito local. Para sustentar esta posição, o deputado menciona a postura dos condutores: “Entre os acidentes de trânsito com feridos, muitos foram causados pela não cedência de prioridade. É evidente que a fraca consciência de segurança, a insuficiente noção de cedência de prioridade e o desrespeito pela ordem de trânsito por parte de alguns utentes da via constituem as principais causas de acidentes rodoviários”, justificou.