Habitação | Novos créditos sobem 31% em Junho

Os novos créditos hipotecários para habitação e para actividades imobiliárias comerciais em Macau registaram em Junho um crescimento expressivo face a Maio. Durante esse período, os empréstimos para comprar casas ultrapassaram os 1,4 mil milhões

Os empréstimos para compra de casa subiram em Junho 30,9 por cento em relação a Maio, atingindo cerca de 1,46 mil milhões de patacas, quase todos concedidos a residentes locais, num total de 1,43 mil milhões de patacas. Já os créditos atribuídos a não-residentes recuaram 17,2 por cento, para 30,25 milhões de patacas, segundo dados divulgados na sexta-feira pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM).

Entre Abril e Junho, o valor médio mensal dos novos empréstimos para habitação fixou-se em 1,24 mil milhões de patacas, mais 10,9 por cento face ao trimestre anterior.

Em contrapartida, os créditos comerciais ligados ao imobiliário dispararam 88 por cento em Junho, para 1,04 mil milhões de patacas, todos concedidos a residentes. No trimestre Abril-Junho, a média mensal foi de 1,07 mil milhões de patacas, mais 26 por cento em relação ao período Março-Maio.

No final de Junho, o saldo total dos empréstimos para habitação desceu ligeiramente, para 201,98 mil milhões de patacas, menos 0,5 por cento face ao mês anterior e menos 5 por cento em termos homólogos. Do total, 96,8 por cento foram concedidos a residentes.

O saldo dos créditos comerciais caiu para 132,50 mil milhões de patacas, menos 0,8 por cento em relação a Maio e menos 9 por cento face ao mesmo mês de 2025. A maioria foi atribuída a residentes (91,3 por cento), com uma descida de 0,9 por cento, enquanto os créditos a não residentes subiram ligeiramente 0,2 por cento.

Medidas e métricas

O crédito mal-parado manteve-se estável nos empréstimos para habitação, em 3,6 por cento, tanto em termos mensais como homólogos. Nos créditos comerciais, o rácio permaneceu em 5,6 por cento face a Maio, mas aumentou 0,2 pontos percentuais em relação a Junho de 2025.

A percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3 por cento alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.

Num relatório em Março, a consultora imobiliária JLL afirmou que os preços do imobiliário residencial em Macau, que caíram acentuadamente em 2025, deverão manter-se estáveis em 2026, após medidas governamentais para aliviar os encargos hipotecários, incluindo isenção de imposto de selo e flexibilização dos rácios de empréstimo sobre o valor da propriedade.

Desde o início deste ano, as autoridades financeiras de Macau alargaram o limite máximo do rácio dos empréstimos hipotecários para aquisição de habitação, de 70 por cento para 80 por cento, isentando também o imposto de selo sobre transmissões de imóveis. As orientações emitidas pela AMCM visaram promover o desenvolvimento sustentável e estável das actividades bancárias relacionadas com os empréstimos hipotecários, em consonância com as políticas de apoio ao mercado imobiliário promovidas pelo Governo da RAEM.

No primeiro trimestre de vigência destas medidas, registou-se um aumento anual de cerca de 25 por cento nos novos empréstimos hipotecários destinados à aquisição de habitação.

Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 4,48 mil milhões de patacas nos primeiros quatro meses do ano, mais 20,7 por cento do que no mesmo período de 2025. Segundo a AMCM, a principal razão para a subida dos lucros foi um aumento de 30,3 por cento, para 6,47 mil milhões de patacas, na margem de juros, a diferença entre as receitas dos empréstimos e as despesas com depósitos.

17 Ago 2026

IA | Pedida clarificação de regras para uso nas escolas

O deputado Ngan Iek Hang interpelou o Executivo, por escrito, sobre a necessidade de definir regras para o uso da Inteligência Artificial nas escolas. Ngan Iek Hang sugere também a implementação de um sistema que avalie a literacia digital dos alunos neste domínio

A chegada da Inteligência Artificial (IA) a todos as áreas da vida em sociedade é já uma realidade, incluindo o ensino, e para o deputado Ngan Iek Hang é imperativo que as autoridades definam regras para o seu uso nas escolas.

Numa interpelação escrita dirigida ao Governo, o deputado alerta para a necessidade de “optimizar a qualidade e eficácia da educação inteligente em Macau”, nomeadamente com a criação de “orientações e normas de supervisão para a utilização da IA nos diferentes níveis de ensino”.

Ngan Iek Hang pede que se tenha em consideração “as experiências internacionais e no interior da China”, sendo que essas novas normas iriam complementar “o actual quadro curricular e os requisitos de competências básicas” dos alunos.

O deputado destaca mesmo a importância de estabelecer regras para o ensino primário. “Tendo em conta as diferentes fases de desenvolvimento cognitivo das crianças do ensino primário, irá [o Governo] estabelecer princípios adequados para a utilização desta tecnologia?”, questionou.

Ao regulamentar a IA no ensino primário, o deputado espera que se possa “optimizar e consolidar as capacidades fundamentais dos alunos na leitura, expressão e raciocínio lógico”, bem como o “pensamento inovador”. Com o estabelecimento de regras, os alunos podem “utilizar melhor as ferramentas de IA com orientação dos professores e encarregados de educação, melhorando a sua literacia digital”.

Riscos a ter em conta

É certo que o deputado defende a regulamentação, mas alerta para os riscos, citando normas da UNESCO, nomeadamente quanto à “recomendação da definição dos 13 anos de idade como idade mínima para a utilização autónoma” da IA. Ngan Iek Hang referiu também que “com a crescente popularização e utilização da IA, vários países e regiões têm vindo a manifestar preocupação com a potencial interferência no desenvolvimento cognitivo das crianças mais jovens”.

O deputado pede ainda que o Governo considere “a criação de um mecanismo de avaliação da literacia dos alunos” nesta área, a fim de “avaliar, de forma objectiva, os resultados da implementação nas diferentes escolas e a situação da aprendizagem dos alunos”.

Desta forma, o deputado entende que, com mais regras para a utilização da IA, pode-se ajustar as “estratégias pedagógicas e medidas de apoio”, a fim de promover “um desenvolvimento mais sólido, estável e ordenado da educação em inteligência artificial em todos os níveis de ensino”.

17 Ago 2026

Ensino superior | Guangdong quer que novo campus alivie pressão da procura

As autoridades chinesas esperam que o novo campus conjunto entre universidades de Macau em Hengqin contribua para “aliviar a pressão” da procura de vagas no ensino superior nos próximos dez anos, e ofereça uma experiência “equivalente a estudar no estrangeiro”

A Cidade Universitária será um campus conjunto da Universidade de Macau, da Universidade Politécnica de Macau e da Universidade de Turismo de Macau, localizado em Hengqin.

Segundo um relatório elaborado pela Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da Assembleia Legislativa sobre o projecto, as autoridades de Macau preveem investir cerca de 18 mil milhões de yuan para a construção da Cidade Universitária, abrangendo a aquisição de terrenos e as despesas de construção das segunda e terceira fases da Cidade Universitária.

Todo o projecto “será desenvolvido por fases”, com o início das actividades lectivas da primeira fase da Cidade Universitária previsto para Agosto de 2026, altura em que as três instituições de ensino superior darão início ao ensino de pós-graduação, com cerca de 400 estudantes matriculados no ano. A actual área de requalificação abrange aproximadamente 50 mil metros quadrados e envolve a conversão funcional integral de 13 edifícios, com uma área bruta total de construção requalificada de cerca de 65 mil metros quadrados.

Alguns dos edifícios a ser aproveitados para o novo campus faziam parte originalmente da Cidade Alemã de Hengqin, um projecto iniciado em 2019 com arquitectura de estilo alemão para expor e comercializar produtos alemães, mas que cessou em 2022.

No relatório, a comissão legislativa alertou que “a internacionalização da Cidade Universitária não se deve limitar à designação, mas sim reflectir-se em diversos aspectos” especialmente no que diz respeito à origem do corpo docente e dos estudantes.

O Governo da RAEM respondeu que tem coordenado as instituições de ensino superior “para reforçar os elementos de internacionalização” e “a cooperação com o exterior, procurando que as instituições de ensino superior de Macau cooperem directamente com universidades de renome internacional no ensino e na investigação científica”. “Actualmente, as três instituições públicas de ensino superior de Macau estão a desenvolver negociações de cooperação com instituições de ensino superior de Singapura, Austrália, Reino Unido, Portugal e Suíça,” declarou o Governo no mesmo relatório.

As autoridades referiram que a Faculdade de Medicina da Universidade de Macau está a intensificar os esforços para lançar, em conjunto com a Universidade de Lisboa, em Portugal, um curso de medicina clínica. “O programa de duplo grau internacional de mestrado desenvolvido pela Universidade de Turismo de Macau pretende abranger a Universidade de Queensland, na Austrália, a Universidade de Surrey, no Reino Unido, a Universidade de Lisboa, em Portugal, e a César Ritz Colleges Switzerland, na Suíça”, acrescentou.

Guangdong é o mundo

A Universidade Politécnica de Macau assinou também, em Outubro de 2025, um memorando de cooperação com a Universidade de Coimbra, em Portugal, para a colaboração na exploração do ensino na Zona de Cooperação, com foco nas áreas disciplinares de alta tecnologia e ‘Big-Health’.

A comissão acrescentou que a estrutura do ensino superior de Macau já “é altamente orientada para o exterior”, indicando que “dos 67 mil estudantes existentes, apenas 15 mil são locais, sendo os restantes 51 mil provenientes do Interior da China e de outras regiões”.

O Governo local reconheceu que Macau enfrenta taxas de natalidade baixas, que afectam principalmente os ensinos infantil, primário e secundário, e que essa é também uma tendência global. No entanto, e citando informações do Ministério da Educação da China, a Administração local alertou que nos próximos dez anos, até 2035, o país vai registar “um período de pico de matrículas”, seguido de uma “queda significativa”.

As autoridades mencionaram o exemplo da província de Guangdong, onde a procura anual de vagas para os exames de acesso ao ensino superior é de cerca de um milhão e, nos próximos dois ou três anos, aumentará para 1,8 milhões, “ou seja, quase o dobro”.

“A província de Guangdong espera que Macau possa contribuir para aliviar a pressão, porque não tem tempo suficiente para expandir as universidades e está também preocupada com o excesso de vagas após o período de pico”, explicou o Governo local. “Assim, a internacionalização do ensino superior de Macau deve servir não só para si próprio, mas também para o país (…) podendo Macau contribuir para partilhar essa pressão”, acrescentaram

Fumo e espelhos

Ao mesmo tempo, o Governo espera que, para fazer face à eventual diminuição do número de estudantes após 10 anos, Macau deva seguir o caminho da “não homogeneização”, “não competindo com as instituições de ensino superior do Interior da China, mas oferecendo um ensino internacionalizado”. “De facto, a palavra ‘internacional’ não significa apenas a admissão de estudantes internacionais, pois o mais importante é proporcionar aos estudantes do interior da China um ensino com o ‘efeito de estudar no estrangeiro sem sair do País’”, destacou.

Segundo o relatório, actualmente, cerca de 700 a 800 mil estudantes saem todos os anos do interior da China para estudar no estrangeiro, com o planeamento da Cidade Universitária a prever acolher cerca de 20 mil estudantes.

17 Ago 2026

Zhuhai | Infortúnio rouba vitória a Rodolfo Ávila

Quase dois anos depois de ter disputado a sua última corrida, Rodolfo Ávila regressou à competição, participando na terceira prova da temporada do Campeonato da China de Resistência (CEC), disputada no sábado no Circuito Internacional de Zhuhai. O piloto português de Macau ajudou a Asia Racing Team RFN a conquistar a pole-position, estabeleceu a volta mais rápida e chegou a liderar a corrida. Só faltou mesmo a vitória, mas uma roda assim não quis.

Na tarde de sexta-feira, a formação constituída por Ávila, Kevin Yang e Yuhao Di dominou a sessão de qualificação, com 45 minutos de duração, na qual cada piloto assumiu, sucessivamente, o melhor tempo nos três segmentos de 15 minutos. O ritmo consistente e o forte desempenho ao longo da sessão valeram à Asia Racing Team RFN a primeira posição da grelha para a corrida com a duração de 240 minutos mais uma volta.

Apesar da pole-position, as expectativas da equipa eram moderadas. Tratava-se da primeira participação da Asia Racing Team RFN com o Ligier JS P320 LMP3, pelo que pilotos e técnicos ainda procuravam compreender o comportamento do protótipo e a melhor forma de explorar todo o seu potencial.

A corrida começou com o piso molhado, cabendo ao piloto mais experiente do trio, Ávila, cumprir o primeiro turno. A pista foi secando progressivamente ao longo da primeira hora.

Sem nunca ter conduzido o protótipo francês em condições de chuva, o piloto de Macau adoptou uma abordagem prudente. Contudo, já perto do final do seu turno, os pneus começaram a degradar-se acentuadamente, acompanhados por fortes vibrações, obrigando a equipa a antecipar a paragem para a troca de pneus e a mudança de piloto.

Kevin Yang assumiu então o volante e resistiu à pressão dos adversários, mantendo a liderança. A corrida esteve longe de ser linear, devido às difíceis condições da pista e aos vários períodos de bandeiras amarelas. Yuhao Di foi o terceiro elemento da formação a assumir os comandos e manteve um ritmo consistente, evitando os erros cometidos por alguns dos seus adversários.

Na sua primeira experiência ao volante de um LMP3, o piloto chinês conseguiu consolidar a vantagem da equipa, chegando a colocar uma volta de avanço sobre os perseguidores, antes de devolver o carro a Kevin Yang, o dono do carro, para o derradeiro turno.

Golpe de teatro

Quando a corrida parecia já estar decidida, a cerca de 40 minutos do final, uma falha na roda traseira esquerda provocou um aparatoso pião de Yang na curva 3. Os danos daí resultantes impediram a equipa de recuperar e prosseguir em prova, deitando por terra uma prestação que até então estava a ser exemplar.

Ávila, que acumula as funções de chefe de equipa e piloto da Asia Racing Team RFN, em comunicado de imprensa da equipa, lamentou o desfecho: “Foi uma forma frustrante de terminar a corrida.” Ainda assim, destacou o desempenho da sua equipa, que “fez um excelente trabalho desde o primeiro dia”, sublinhando que “os pilotos executaram a estratégia na perfeição” ao longo da prova.

O infortúnio surgiu quando “estávamos simplesmente a gerir o ritmo e o carro estava a funcionar perfeitamente. O Kevin sentiu a vibração na curva 1 nessa volta e depois entrou em pião na curva 3. Vamos analisar cuidadosamente o que aconteceu e tentar perceber o que correu mal.”

A vitória acabou por sorrir ao quarteto chinês formado por Wu Yifan, Liu Zichen, Yang Shuo e Xu Zheyu, ao volante de um Audi R8 LMS GT3 evo II da 326 Racing Team.

Depois desta participação pontual no CEC, Ávila não prevê voltar a competir a curto prazo. A equipa que dirige concentra agora atenções nos próximos desafios, entre os quais as provas que faltam por disputar do Campeonato Chinês de F4 e a aguardada estreia na Taça do Mundo de Fórmula 4 da FIA, agendada para Novembro, no Circuito da Guia.

17 Ago 2026

Foxconn | Lucro cresce 35 por cento no 2.º trimestre impulsionado pela IA

A procura pela Inteligência Artificial deu um novo impulso à maior fabricante de produtos electrónicos do mundo

O lucro da Hon Hai (Foxconn) aumentou 35 por cento, para 59.974 milhões de dólares taiwaneses, no segundo trimestre face ao período homólogo, informou quarta-feira o maior fabricante de produtos electrónicos do mundo.

O lucro voltou a ser impulsionado pela forte procura global de servidores e produtos na nuvem, incluindo servidores de inteligência artificial (IA), que representaram 51 por cento das vendas da Foxconn entre Abril e Junho, ultrapassando, mais uma vez, as receitas provenientes de produtos electrónicos de consumo (29 por cento).

Em comunicado, a empresa tecnológica sediada na cidade de Nova Taipé (norte de Taiwan) indicou também que o seu volume de negócios no segundo trimestre totalizou 2,52 biliões de dólares taiwaneses (67.980 milhões de euros), um aumento homólogo de 41 por cento.

No primeiro semestre do ano, a empresa de tecnologia acumulou um lucro de 109.893 milhões de dólares taiwaneses, um crescimento anual de 27 por cento, e alcançou vendas no valor de 4,64 biliões de dólares taiwaneses (125.011 milhões de euros), mais 35 por cento em relação aos primeiros seis meses de 2025.

Para o conjunto do ano, o grupo manteve elevadas as expectativas de receitas para o negócio de servidores e produtos na nuvem e continua otimista quanto às receitas provenientes de dispositivos electrónicos de consumo.

Gigante global

A Foxconn, mundialmente conhecida por ser a principal responsável pela produção do iPhone da Apple, transformou a montagem de servidores para inteligência artificial numa das suas principais prioridades, controlando actualmente cerca de 40 por cento deste mercado a nível global, de acordo com estimativas da própria companhia.

A empresa é um dos principais parceiros da norte-americana Nvidia, para a qual monta grande parte dos servidores das suas plataformas GB200 e GB300.

A empresa taiwanesa anunciou também, no início de Junho, uma colaboração estratégica com a Intel para o desenvolvimento e comercialização de soluções de infraestrutura de inteligência artificial, incluindo ‘racks’ baseados nos processadores Intel Xeon e arquitecturas de aceleradores de IA.

Fundado em 1974, o grupo Foxconn é o maior prestador de serviços de fabrico electrónico (EMS, na sigla em inglês) do mundo, com fábricas e centros de investigação na China, Índia, Japão, Vietname e Estados Unidos, entre outros países.

Juntamente com outras empresas tecnológicas de Taiwan, a Foxconn expandiu a sua presença internacional nos EUA e no México nos últimos dois anos para satisfazer a crescente procura do sector da IA. As acções da Foxconn na Bolsa de Taipé acumulam uma subida de 16,38 por cento desde o início do ano.

14 Ago 2026

Seac Pai Van | Queixas de infiltrações em habitação social

Um residente denunciou a inoperância do Instituto de Habitação para resolver infiltrações e bolor no apartamento da sogra, num prédio de habitação social em Seac Pai Van. Foi sugerido ao residente que a idosa mudasse para sua casa, depois de adiamentos sucessivos de reparações

“A minha sogra mora numa fracção da habitação social em Seac Pai Van. A casa tem sérios problemas de infiltrações nas paredes e no tecto, mesmo quando não chove. Quando chove, o problema torna-se muito mais grave”. Foi desta forma que um ouvinte do programa “Fórum Macau”, do canal chinês da Rádio Macau começou por relatar a embrulhada em que está envolvido com o Instituto de Habitação (IH) há cerca de dois meses.

Numa tentativa desesperada de resolver a situação da sogra, uma idosa de 70 anos com problemas de saúde que mora sozinha, o residente de apelido Mak ligou para emissora pública. “Não sei a quem posso pedir ajuda, por isso liguei-vos. Os contactos com o IH são sempre um problema, as chamadas são sempre reencaminhadas para o correio de voz. Por exemplo, se ligo de manhã, só me respondem à tarde”, contou.

Os contactos com o IH começaram em Junho. Depois das queixas de infiltrações, foram ao local agentes do instituto para verificar a situação e tirar fotografias dos estragos na habitação. Nessa altura, os agentes explicaram que não podiam começar os trabalhos de manutenção porque Macau estava a ser assolada por chuvadas fortes e que teriam de esperar por melhores condições meteorológicas.

Casa de acolhimento

O impasse manteve-se sem solução à vista. Mak voltou a contactar o IH para saber quando poderia avançar a obra de manutenção. Mais uma vez, o IH enviou agentes ao prédio para tirar fotografias dos danos, que informaram tratar-se de um problema estrutural das paredes exteriores e que administração do condomínio não seria responsável. Esta informação deixou o residente sem saber a quem recorrer.

“Os funcionários do departamento de manutenção do IH recomendaram-me continuar para a linha que trata de queixas, ou escrever uma carta ao presidente do IH a solicitar a troca para outra fracção”, indicou.

Após inúmeras tentativas, as obras de manutenção ficaram acertadas para começar no dia 31 de Julho, para de seguida serem adiadas para esta semana. Até ontem, o residente ainda aguardava resposta às chamadas telefónicas.

Além disso, o ouvinte relatou que lhe foi sugerido que a idosa se mudasse para sua casa. “Se tivesse lugar em casa, claro que essa seria a solução mais óbvia. Mas não tenho”, acrescentou. Mak contou ainda que, devido ao bolor e às infiltrações, a sogra sente-se mal fisicamente, tendo inclusivamente recorrido a um médico.

14 Ago 2026

Óbito | Sam Hou Fai expressa pesar por falecimento de Zhu Rongji

O Chefe do Executivo manifestou profundo pesar pelo falecimento Zhu Rongji. Sam Hou Fai recordou os contributos do ex-primeiro-ministro para a reforma e abertura da China, assim como a sua presença na tomada de posse do primeiro Chefe do Executivo na cerimónia do estabelecimento da RAEM

“O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, em nome do governo da RAEM, expressou o mais profundo pesar pelo falecimento do Senhor Zhu Rongji, e endereçou as mais sentidas condolências à sua família”. Foi desta forma que o Executivo se juntou aos votos de pesar nacionais e internacionais após a notícia de que o ex-primeiro ministro teria falecido.

O antigo dirigente chinês estava doente e morreu ao fim da manhã de quarta-feira, de acordo com um obituário publicado pelo Comité Central do Partido Comunista Chinês, pelo Governo e por outros órgãos estatais. Por cá, Sam Hou Fai sublinhou o papel “excepcional” que Zhu Rongji desempenhou na liderança do Estado, contribuindo “de forma significativa para a reforma, a abertura e a construção da modernização do país”.

O governante local relembrou que Zhu Rongji, então primeiro-ministro, assistiu à Cerimónia de Transferência de Poderes Políticos de Macau, realizada pelos governos da China e de Portugal, no dia 20 de Dezembro de 1999 (ver caixa). Nesse dia, “testemunhou o juramento e a tomada de posse do primeiro Chefe do Executivo e dos titulares dos principais cargos da RAEM na cerimónia do estabelecimento da RAEM, o que representa uma memória partilhada e eterna para todos os compatriotas de Macau”, recorda Sam Hou Fai.

Além disso, o Chefe do Executivo afirmou que “Zhu Rongji demonstrou sempre a sua atenção e apoio incondicional ao desenvolvimento do princípio ‘um país, dois sistemas’ e da RAEM acrescentando que, apesar do seu falecimento, a dedicação e apoio para com a RAEM, os seus contributos ao país e ao povo irão manter-se perpetuamente na memória de todos”.

Região enlutada

Na cidade vizinha de Hong Kong, o líder do Governo, John Lee reagiu ao falecimento de Zhu Rongji, com um comunicado divulgado quase em simultâneo com Macau.

Lee afirmou que o ex-primeiro-ministro sempre teve o desenvolvimento de Hong Kong no coração e apoiou o crescimento da cidade, visitando-a “em várias ocasiões, estabelecendo contacto com cidadãos de Hong Kong de todas as esferas da sociedade.

O líder do Executivo da RAEHK referiu que durante o seu mandato como primeiro-ministro, Zhu apoiou a união de Hong Kong, defendendo com determinação a prosperidade e a estabilidade da cidade enquanto centro financeiro internacional.

Além disso, John Lee salienta o empenho firme de Zhu Rongji na defesa dos princípios “um país, dois sistemas”, “cidadãos de Hong Kong a administrar Hong Kong” com elevado grau de autonomia, e na preservação da “prosperidade e a estabilidade a longo prazo” da região.

Escritos do jornal Ou Mun

O jornal Ou Mun publicou ontem uma cronologia da ligação de Zhu Rongji a Macau, começando a 2 de Novembro de 1997 quando era vice-primeiro-ministro. Nesse dia, Zhu encontrou-se em Xangai com uma delegação dos empresários de Macau. Durante a reunião, o responsável descreveu Macau como a “Joia do Oriente” e garantiu que as dificuldades económicas que Macau sentia na altura seriam rapidamente ultrapassadas.

A 20 de Maio de 1999, já no cargo de primeiro-ministro, Zhu Rongji, assinou oficialmente um decreto do Conselho de Estado, em que nomeou Edmund Ho o primeiro Chefe do Executivo. O jornal Ou Mun obviamente mencionou a participação nas cerimónias de transferência de Macau e Hong Kong, enquanto acontecimentos históricos para a China, em que Zhu Rongji foi um dos protagonistas.

No dia 15 de Março de 2001, na conferência de imprensa da quarta sessão da 9.ª Assembleia Popular Nacional, em resposta a uma questão sobre a posição económica de Macau, Zhu afirmou que mesmo com uma área pequena, e escala económica limitada, Macau tinha várias vantagens. O político destacou o elevado grau de abertura, e a capacidade para ser um importante elo económico entre o Interior da China e Taiwan.

14 Ago 2026

Cidade Universitária | Investimento acima de 18 mil milhões

O projecto da futura Cidade Universitária irá implicar um investimento de cerca de 18 mil milhões de renminbis. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, os dados foram divulgados no âmbito da divulgação do relatório “Construção da Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin”, pela Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas da Assembleia Legislativa (AL).

A deputada Song Pek Kei, que preside à Comissão, explicou que as autoridades planeiam aumentar, gradualmente, o número de estudantes na Cidade Universitária para mais de 20 mil. No que respeita a políticas transfronteiriças, a deputada explicou que os estudantes do interior da China podem passar a fronteira sem barreiras, e quem vem de outros países e regiões consta de uma “lista branca”, que lhes facilita a passagem.

Outro plano para a futura Cidade Universitária, é a criação de um novo posto fronteiriço com corredores específicos para os estudantes do campus da Universidade de Macau. Os estrangeiros e estudantes internacionais podem passar livremente a fronteira depois de apresentar uma declaração junto das autoridades da Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin.

14 Ago 2026

TNR | Wong Kit Cheng quer empregadas a pagar despesas de regresso

A deputada Wong Kit Cheng defendeu, no período de intervenções antes da ordem do dia, a revisão da Lei de contratação de trabalhadores não residentes (TNR), a fim de “melhorar a supervisão dos empregados domésticos” e “regular a ordem do mercado”. Essencialmente, a deputada entende que há situações em que devem ser os empregados a pagar as despesas de regresso ao país de origem, e não os patrões.

“Há que acelerar a revisão global da Lei, no sentido de estudar um mecanismo em que as despesas com o transporte de regresso ao país de origem sejam assumidas consoante a responsabilidade pela rescisão do contrato.

Caso se comprove, após investigação, que o trabalhador doméstico rescindiu o contrato sem justa causa, ou com a intenção de provocar o próprio despedimento, poderá o empregador ser dispensado do pagamento total ou parcial das despesas com o transporte de regresso.”

Na visão de Wong Kit Cheng, só desta forma se pode “corrigir o actual desequilíbrio na imputação de responsabilidades”. A deputada citou dados da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), que mostram como no primeiro trimestre deste ano o número de TNR, na área do trabalho doméstico, era de 28.791.

Tal significa que “a estabilidade deste sector está estreitamente ligada ao bem-estar de numerosas famílias”. Porém, “segundo muitos empregadores, a qualidade dos serviços varia muito”, existindo “casos isolados de empregados domésticos que provocam o despedimento”.

14 Ago 2026

Droga | Actualizada legislação com inclusão de “petróleo espacial”

A Assembleia Legislativa aprovou ontem, com cariz de urgência, a revisão da lei de combate à droga com a inclusão de proibição da substância “etomidato”, também conhecida como “petróleo espacial”. José Pereira Coutinho sugeriu a inclusão de pareceres médicos e farmacológicos

O hemiciclo aprovou ontem uma proposta do Governo para actualizar a lei de combate à droga, incluindo na lista de controlo de substâncias proibidas o etomidato, um analgésico usado para produzir uma droga sintética conhecida como “petróleo espacial”.

A proposta, apresentada com carácter de urgência pelo Conselho Executivo, adapta a legislação local a decisões das Nações Unidas, que no ano passado incorporaram substâncias sujeitas a controlo internacional aprovadas pela Comissão de Estupefacientes da ONU, e adicionaram seis novas substâncias ao controlo global.

Se aprovado na especialidade, o diploma vai introduzir o controlo de substâncias análogas ao etomidato que surgiram recentemente no mercado regional, designadamente o metomidato, propoxato e isopropoxato.

O etomidato é um anestésico geral de uso exclusivamente hospitalar e de circulação proibida no mercado, que tem sido usado para fabricar uma droga sintética consumida por jovens, através de cigarros electrónicos, sob a designação popular de “petróleo espacial”.

Estreia em 2023

Em Macau, já foram detectados quatro casos de consumo desta substância, com a primeira apreensão a ocorrer numa escola local, em Outubro de 2023, enquanto em Hong Kong as autoridades suspeitam que esteja associada a pelo menos três mortes.

Após a aprovação, o deputado Che Sai Wang questionou a razão para o desfasamento entre a entrada em vigor de medidas do controlo destas substâncias em Macau quando comparado com a região vizinha de Hong Kong, enquanto o deputado José Pereira Coutinho pediu que de futuro seja realizado um processo de consulta pública para esclarecer o público sobre os perigos destas substâncias.

“Como deputados não temos capacidade técnica e de análise para saber os tipos de drogas. Confiamos no Governo, mas seria importante ter pareceres de especialistas nas áreas da medicina e farmacologia nos quais Macau e a própria AL se possam basear para carregar no botão e aprovar a proposta de lei”, acrescentou.

Hong Kong classificou, em Fevereiro do ano passado, vários ingredientes-chave utilizados na produção do “petróleo espacial”, incluindo o etomidato, que passou a classificar como uma droga perigosa, em vez de como uma substância tóxica de Classe 1.

Por seu lado, a China continental proibiu o etomidato em Outubro de 2023, classificando a sua posse, tráfico, fabrico e consumo como infracções.

O diploma aprovado abrange ainda sete novas substâncias análogas ao etomidato não sujeitas a controlo internacional: TF-Etomidate, Butomidate, secButomidate, Isobutomidate, 4F-Etomidate, ABP-700 e 2,6-diCl-3F-Etomidate.

Segundo as autoridades, estas sete substâncias foram descobertas no Interior da China e colocadas sob controlo em Julho de 2025 devido à “grave ameaça para a saúde pública”, tendo Hong Kong também passado a controlar seis delas no mesmo mês.

“Sem utilidade médica conhecida, possuem efeitos anestésicos e de sedação semelhantes ao etomidato, provocando dependência e danos para a saúde, sendo frequentemente adicionadas ao líquido de cigarros electrónicos para dificultar a sua detecção”, indica a proposta de lei.

Embora as autoridades de Macau ainda não tenham registado apreensões destas sete substâncias análogas, o Executivo alertou que a proximidade geográfica com o Interior da China e Hong Kong aumenta consideravelmente o risco do seu uso abusivo na RAEM, justificando uma intervenção preventiva.

Segundo o Governo, a atualização legislativa visa “evitar que as novas drogas causem ameaças à segurança da saúde pública e melhor prevenir e combater os crimes relacionados com a droga em sintonia com as regiões vizinhas e até com a comunidade internacional”.

14 Ago 2026

Automobilismo | Rodolfo Avila quebra jejum de quase dois anos

O piloto de Macau Rodolfo Ávila está de regresso à competição automóvel este fim-de-semana, no Circuito Internacional de Zhuhai, no Interior da China, colocando assim um ponto final num jejum competitivo que se prolongava desde Setembro de 2024

Segundo um comunicado divulgado pela sua equipa, a Asia Racing Team RFN vai disputar a próxima jornada do Campeonato da China de Resistência (CEC), em Zhuhai, alinhando um protótipo Ligier JS P320 LMP3 para uma formação composta por Rodolfo Ávila e pelos pilotos chineses Kevin Yang e Yuhao Dai.

A estrutura vai utilizar o único Ligier JS P320 actualmente existente na China, um dos protótipos LMP3 de maior sucesso da sua geração. Construído em torno de um monocoque em fibra de carbono, o modelo francês está equipado com um motor V8 Nissan de 5,6 litros, capaz de debitar cerca de 460 cv, associado a uma caixa de velocidades sequencial Xtrac de seis relações.

“Encaramos este fim-de-semana do CEC com expectativas realistas, mas com toda a intenção de obter um bom resultado. Conhecemos o potencial deste carro, mas esta será a primeira participação competitiva da equipa com ele, pelo que mantemos os pés bem assentes na terra”, explica Rodolfo Ávila.

O piloto do território nunca disputou uma corrida ao volante de um protótipo, apesar de ter sido, precisamente há dez anos, o primeiro representante da RAEM a testar um LMP3 da marca ADESS, numa sessão realizada em Sepang.

O CEC apresenta um pelotão dividido por várias classes, reunindo protótipos e GT. LMP3, GT3 e GT4 competem numa corrida de resistência que inclui paragens obrigatórias nas boxes para trocas de pilotos, pneus e reabastecimento, acrescentando uma importante componente estratégica ao desafio.

Sem pressão

Neste regresso à competição, Rodolfo Ávila fará equipa com os chineses Kevin Yang, o proprietário do Ligier JS P320 e habitual piloto em provas de GT4, e Yuhao Dai, um experiente piloto de GT, antigo campeão da CTCC Sports Cup e vencedor da classe CFGP do Campeonato Chinês de F4.

Sem qualquer compromisso com o campeonato, a formação encara esta participação pontual sem pressão de resultados, procurando sobretudo acumular experiência e explorar o potencial do protótipo.

“Acima de tudo, quero que seja uma experiência gratificante para os nossos pilotos e uma oportunidade de aprendizagem valiosa para toda a equipa”, acrescenta o piloto e chefe de equipa, que teve o seu primeiro e, até agora, único, contacto com o Ligier JS P320 durante uma sessão de testes privados realizada na semana passada.

A actividade em pista arranca esta quinta-feira com as sessões de treinos livres. A qualificação está agendada para sexta-feira, entre as 15h30 e as 16h35, e será dividida em três sessões de 15 minutos, cada uma destinada a um dos pilotos. A corrida, com uma duração de 240 minutos mais uma volta, terá início às 14h00 de sábado.

13 Ago 2026

Galaxy | Receitas cresceram para 24,2 mil milhões no primeiro semestre

A Galaxy apurou nos primeiros seis meses do ano uma receita líquida de 24,2 mil milhões de dólares de Hong Kong, o que representou uma subida de 4,2 por cento em termos anuais. O grupo anunciou a distribuição de dividendos de 0,9 dólares de Hong Kong por acção no dia 15 de Setembro

O Grupo Galaxy Entertainment anunciou ontem ter apurado 24,2 mil milhões de dólares de Hong Kong (HKD) em receitas líquidas na primeira metade deste ano, resultado que ficou 4,2 por cento acima do registo no período homólogo.

Numa nota dirigida à bolsa de valores da região vizinha, o presidente do grupo, Francis Lui, categorizou os resultados da Galaxy como “sólidos”.

“Apesar dos desafios macroeconómicos externos, incluindo as tensões geopolíticas no Médio Oriente, Macau manteve-se resiliente durante o trimestre, apoiada pelo fluxo robusto de visitantes, ocupação hoteleira satisfatória e procura sustentada tanto nas ofertas relacionadas com o jogo como nas não relacionadas com o jogo”, afirmou.

Ainda no primeiro semestre, a Galaxy registou lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, em inglês) de quase 7 mil milhões HKD, mais 1,3 por cento face ao mesmo período de 2025. Os lucros que serão atribuídos aos accionistas subiram ligeiramente, 0,8 por cento, no primeiro semestre para 5,28 mil milhões HKD. O grupo anunciou ontem também que irá distribuir dividendos intercalares de 0,9 HKD por acção, em comparação com aos 0,7 HKD por acção do ano anterior. Estes pagamentos estão previstos para o dia 15 de Setembro.

Efeito mundial

Os resultados da Galaxy revelam ainda que a receita líquida do segundo trimestre caiu 2 por cento em termos anuais, para 11,8 mil milhões HKD. Face aos primeiros três meses de 2026, as receitas líquidas diminuíram 5 por cento, decréscimo que Francis Lui atribuiu ao Campeonato do Mundo de Futebol.

“Conforme referimos no relatório do primeiro trimestre, os grandes eventos desportivos têm, historicamente, influenciado o comportamento dos clientes e as receitas do jogo em Macau, devido ao desvio de atenção e ao aumento da concorrência por parte das apostas desportivas. O calendário alargado de jogos do torneio deste ano afectou temporariamente o fluxo de clientes e as receitas. É importante referir que Macau registou uma recuperação das receitas de jogo no final do Campeonato do Mundo, e esta dinâmica manteve-se até Agosto”, indica o presidente da Galaxy.

13 Ago 2026

Media | Paulo Rego na Comissão de Gestão do canal “Conta Lá”

A assembleia-geral do Conta Lá elegeu uma Comissão de Gestão, composta por Rui Rego, Diogo Alexandre e Paulo Rego, que toma posse na segunda-feira com mandato até Dezembro, disse à Lusa o dono do Plataforma Macau.

A reunião magna tinha sido suspensa no segundo ponto, que tinha a ver com a análise e decisão sobre o plano de reestruturação da empresa, para quarta-feira. Na assembleia-geral (AG) estavam presentes todos os accionistas, encerrou-se a atual reunião magna e convocou-se uma outra para cerca de 10 minutos depois.

Nesta segunda AG foi anulada a decisão do ponto um da anterior e aprovada a conversão total do capital investido em capital social. De acordo com o dono do Plataforma Macau, Paulo Rego, todo o capital investido é transformado em capital social.

Na reunião magna extraordinária de ontem foi mandatada uma Comissão de Gestão até Dezembro para preparar a empresa para ser nomeada uma Comissão Executiva de longo prazo que corresponda à nova composição accionista num aumento de capital previsto até cinco milhões, sendo que a primeira tranche será definida até segunda-feira por um conjunto de quatro accionistas (três actuais que vão ao aumento de capital num bloco que inclui o Plataforma).

A Comissão de Gestão é composta por Rui Rego (advogado, com pós-graduação em gestão), Diogo Alexandre (actual director de programas) e Paulo Rego, dono do Plataforma Macau.

Com a tomada de posse na segunda-feira, há quatro prioridades: “Corte de custos, pagamento de salários, pagamento das dívidas críticas, nomeadamente ao Estado e a fornecedores críticos” e elaborar “planos de gestão da dívida”, disse Paulo Rego.

A Comissão de Gestão tem de fechar o aumento de capital até cinco milhões de euros e negociações para novos investidores estão em curso. Além disso, é preciso gerir a dívida e ter capacidade de investimento, nomeadamente tecnológica. Os trabalhadores estão com salários em atraso há três meses.

13 Ago 2026

Turismo | Organizada visita de operadores espanhóis à RAEM

No final de Julho, o Governo organizou uma visita de familiarização a Macau destinada a operadores espanhóis, para criar pacotes turísticos multidestinos. Em Outubro, a operação de charme prossegue com a visita de 20 representantes de agências de viagens de órgãos de comunicação espanhóis

Além das campanhas para atrair turistas portugueses, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) está a lançar uma operação de charme dirigida ao mercado espanhol, com visitas de familiarização para operadores, agências e órgãos de comunicação social de Espanha, num esforço para expandir a marca Macau em mercados internacionais.

Num comunicado divulgado ontem, o organismo liderado por Helena de Senna Fernandes revela que em Outubro a “Confederação Espanhola de Agências de Viagens (CEAV), a mais representativa organização da indústria em Espanha”, irá “liderar uma comitiva de cerca de 20 representantes de agências de viagens e órgãos de comunicação social a Macau”.

Além da visita aos locais mais emblemáticos da cidade, os convidados vão assistir ao Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício e participar em encontros de intercâmbio com os operadores locais.

Já no final de Julho, entre os dias 22 e 25, foi organizada uma visita de familiarização a Macau de uma delegação de representantes espanhóis do sector, em colaboração com uma das maiores agências de viagens online de Espanha, a DESTINIA. Durante quatro dias, a delegação visitou o centro histórico de Macau, “novas instalações culturais e turísticas” e provou iguarias da gastronomia local. Além disso, foram organizados encontros de intercâmbio com os operadores de Macau que participaram na Feira Internacional de Turismo de Espanha (FITUR)”.

Já que estamos aqui

A DST aposta numa estratégia de pacotes multidestinos para o mercado espanhol, à semelhança do que tem feito com Portugal.

As visitas de representantes espanhóis têm como objectivo “conceber produtos de turismo aprofundado” multidestinos, “tendo Macau como destino central e em articulação com cidades como Pequim, Xangai ou Hong Kong, prolongando a estadia dos visitantes e dinamizando o consumo turístico”.

Em simultâneo, a DST irá lançar uma ronda de acções promocionais no mercado espanhol, com campanhas na imprensa, redes sociais e através de convite a criadores de conteúdo de viagens espanhóis. Além disso, a DST irá participar na FITUR 2027, que se realiza em Madrid entre 20 e 24 de Janeiro, “intensificando os esforços de promoção para posicionar Macau como um destino de longo curso atractivo para o mercado espanhol”.

O mercado ibérico tem sido uma prioridade do Governo na atracção de visitantes internacionais. Entre Agosto do ano passado e o passado mês de Fevereiro, a DST em parceria com a agência Abreu, lançou uma campanha com vários produtos turísticos, que incluíram Hong Kong, Coreia do Sul, Japão e Interior da China.

A DST realça ainda que na primeira metade deste ano, o número de visitantes vindos de “Espanha, Portugal e da Europa em geral registou um crescimento de dois dígitos face ao mesmo período de 2025”.

13 Ago 2026

Zona A | Concluídas todas as obras de habitação social

São mais de 4 mil apartamentos de habitação social que já estão construídos na Zona A dos Novos Aterros, tendo em conta o anúncio, ontem, da conclusão das obras do lote A10. Os quatro lotes deste empreendimento incluem 728 apartamentos para famílias carenciadas

Estão concluídas as obras de construção do lote A10 na Zona A dos Novos Aterros, o que significa que todos os lotes de habitação social no local – A10, A4, A6 e A11 – já estão prontos para receber moradores, neste caso as famílias mais carenciadas, com residência em Macau, e que necessitam de casa para viver.

Segundo informação disponibilizada pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP), só o lote A10 tem uma área de 4.960 metros quadrados e dispõe de 728 apartamentos, além de incluir um parque de estacionamento público. Os moradores têm ainda acesso, nesta zona, a espaços comerciais e sociais.

A DSOP destaca que, na construção do lote A10, foram introduzidos “métodos de construção amigos do ambiente”, tendo sido utilizados “elementos pré-fabricados e cofragens metálicas para a construção”.

Todos os lotes de habitação social na Zona A disponibilizam 4.088 fracções. As obras do lote A11 terminaram em Julho, e também o lote A4 foi recentemente concluído. Este último, disponibiliza 1566 apartamentos numa área de 18.699 metros quadrados, existindo ainda um parque de estacionamento público, lojas e espaços para serviços sociais.

Famílias em espera

Segundo a TDM Rádio Macau, desde que entrou em vigor o regime de candidatura permanente à habitação social, a 20 de Agosto de 2020, que mais de 4.400 famílias receberam uma casa social. Dados mais recentes do Instituto da Habitação (IH) mostram que existe uma lista de espera com cerca de duas mil candidaturas, com foco nos idosos ou pessoas que vivem sozinhas.

Recentemente, em resposta a uma interpelação oral do deputado Leong Hong Sai, o Governo indicou que a actual oferta de habitação será suficiente para a procura. Citando um estudo encomendado sobre a oferta de habitação a cinco anos, o secretário Raymond Tam, com a tutela dos Transportes e Obras Públicas, declarou que “os resultados do estudo indicam que o número de fracções de habitação social e económica em Macau será suficiente para satisfazer as necessidades nos próximos cinco anos, não se prevendo uma procura acentuada por habitação intermédia”.

13 Ago 2026

Acessibilidade | Deputadas dizem que tecnologia é a chave

O plano de acção para os serviços de reabilitação mereceu o aplauso de Wong Kit Cheng e Loi I Weng. No entanto, as deputadas sugerem prioridade nas acessibilidades perto de hospitais, escolas e centros de transportes e que pessoas com deficiência testem e avaliem as várias fases de planeamento e construção de estruturas

Antes e durante a construção de uma rampa para cadeira de rodas, da instalação de uma faixa de piso táctil, as autoridades deveriam consultar as opiniões de pessoas portadoras de deficiência. A ideia foi sugerida pelas deputadas Wong Kit Cheng e Loi I Weng, num comunicado divulgado na noite de terça-feira.

“Nas fases inicial, intermédia e no final do plano, devem ser convidadas pessoas com deficiência para experimentarem pessoalmente e darem as suas opiniões, assegurando que as instalações sejam bem construídas e efectivamente utilizáveis”, indicam as deputadas da Associação Geral das Mulheres de Macau.

O comunicado surge na sequência do anúncio do Governo dos planos decenais de acção para serviços de reabilitação e de apoio a idosos.

As deputadas defendem que autoridades devem concentrar-se na melhoria das acessibilidades nas imediações de hospitais, escolas e centros de transportes, “criando passagens pedonais e instalações acessíveis contínuas, integrando a distribuição destas infra-estruturas nos futuros planos detalhados de cada área de Macau”.

A ideia de continuidade é prevalente ao longo do comunicado das deputadas, que defendem o fim do antigo modelo de “melhorias pontuais”, para apostar numa abordagem de “conexão em áreas amplas”. As legisladoras destacam “experiências passadas” em que rampas, faixas de piso táctil, ou outra qualquer estrutura para eliminar barreiras, eram instaladas numa secção isolada.

Soluções inteligentes

As duas deputadas enfatizam que a tecnologia é a chave para ultrapassar a “última milha” da acessibilidade. Como tal, sugerem que as autoridades recorram ao uso de “sensores e tecnologias inteligentes”, aprendendo com experiências vizinhas. É dado o exemplo do sistema de análise a infra-estruturas rodoviárias lançado em Shenzhen, que usa inteligência artificial para detectar falhas na estrada e faixas tácteis, assim como passagens obstruídas.

É também mencionado a aplicação móvel do Aeroporto de Hong Kong que permite ter acesso a orientações sonoras, indicando a localização de elevadores e casas de banho acessíveis. A aplicação planeia rotas planas sem escadas. As deputadas sugeriram que Macau use este tipo de tecnologia para edifícios públicos, centros de transporte ou centros comerciais, mas também traduções automáticas entre texto e língua gestual em balcões de serviços públicos.

Além disso, defenderam a adoptação uma postura mais flexível das autoridades, por exemplo, criando zonas exclusivas de embarque e desembarque ou lugares de estacionamento acessíveis perto de instituições de reabilitação, ou para a instalação de rampas de acesso.

13 Ago 2026

Despesas públicas sobem 4,9% até Julho após reforço dos apoios sociais

As despesas públicas de Macau subiram 4,9 por cento nos primeiros sete meses do ano, sobretudo devido ao aumento nos gastos com apoios sociais, de acordo com dados oficiais. Um relatório publicado pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) na segunda-feira indica que Macau gastou até ao final de Julho 53,2 mil milhões de patacas, 48,7 por cento do previsto para todo o ano. A principal razão para a subida das despesas foi o reforço dos gastos em apoios e subsídios sociais, que cresceram 14,7 por cento, para 31,3 mil milhões de patacas.

O orçamento aprovado em Novembro inclui benefícios fiscais para atrair sociedades gestoras de fundos de investimento, fundos de investimento especiais e investidores em fundos, para ajudar a desenvolver o sector financeiro.

Além disso, o Governo isentou do imposto de selo a compra da primeira habitação por parte de residentes, até seis milhões de patacas, num documento que previa uma subida de 4,3 por cento nos apoios e subsídios sociais.

Em Julho de 2025, a Assembleia Legislativa também já tinha aprovado uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas as despesas previstas no orçamento do ano passado, para reforçar os apoios sociais. A revisão inclui a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos 3 anos, numa tentativa de elevar a mais baixa natalidade do mundo.

Por outro lado

Já os gastos com obras públicas – o Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) – recuaram 9,3 por cento até Julho, para 8,75 mil milhões de patacas. O orçamento para este ano já previa uma queda de 8,6 por cento no PIDDA, que inclui grandes projectos como a Linha Leste do Metro Ligeiro, que irá chegar às Portas do Cerco.

As despesas com os funcionários públicos também diminuíram 1,3 por cento, para 9,25 mil milhões de patacas), depois da função pública não ter tido qualquer aumento salarial em 2026, pelo segundo ano consecutivo.

Tal como a despesa pública, também a receita corrente de Macau subiu 8,6 por cento nos primeiros sete meses de 2026, para 67,9 mil milhões de patacas. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 9,3 por cento, para 58,3 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 84,6 por cento do total.

Com as despesas a crescer menos do que as receitas, o território registou um excedente nas contas públicas de 15,8 mil milhões de patacas, mais 29,7 por cento do que até Julho de 2025. No orçamento para todo o ano 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, no valor de 5,22 mil milhões de patacas.

O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior.

12 Ago 2026

Zhuhai | Segundo circuito será uma mais valia para Macau

A segunda infra-estrutura permanente dedicada ao automobilismo na cidade vizinha de Zhuhai entrou numa nova fase administrativa, com a publicação do aviso de pré aprovação do planeamento da utilização do solo. O empreendimento, anteriormente denominado Circuito Internacional Zhuhai Chaoyue e que passará a chamar-se Circuito Internacional Ocean Spring, pretende conjugar competição automóvel, turismo, lazer e actividade comercial numa nova plataforma dedicada à cultura automóvel na Grande Baía.

O projecto foi formalmente assinado a 13 de Março de 2025, tendo a cerimónia de início dos trabalhos decorrido três dias depois, a 16 de Março. Na primeira semana de Agosto de 2026, o empreendimento deu um novo passo no sentido da sua concretização, com o Gabinete Municipal de Recursos Naturais de Zhuhai a publicar o Aviso Público relativo à Pré Aprovação do Planeamento da Utilização do Solo do Projecto de Construção da CTS (Zhuhai) Ocean Spring Company (Circuito Internacional Ocean Spring), colocando em consulta pública o processo de planeamento urbanístico associado ao futuro complexo.

A publicação do aviso representa uma etapa relevante no desenvolvimento do empreendimento, que ocupará uma área de 688.455,23 metros quadrados, aproximadamente 68,8 hectares. O projecto está localizado em Pingsha, no distrito de Jinwan, no interior do Zhuhai Ocean Spring Resort. De acordo com os elementos agora divulgados, a CTS (Zhuhai) encontra-se a requerer a autorização de planeamento para a utilização do terreno. A área bruta de construção permitida não deverá exceder 132 mil metros quadrados, dimensão que evidencia a ambição de um empreendimento concebido para ultrapassar largamente o conceito convencional de um complexo destinado à prática de desportos motorizados.

O elemento central será um circuito internacional susceptível de obter homologação de Grau 3 da FIA, complementado por um conjunto diversificado de infra estruturas destinadas ao desporto automóvel e ao entretenimento. Além do traçado principal, o complexo deverá incluir uma pista de karting, um circuito de drift e um pavilhão interior polivalente com cerca de 2.400 metros quadrados. Uma das características mais ambiciosas do projecto será, contudo, a dimensão da área de boxes. Está prevista a construção de 300 boxes, cada uma com mais de 100 metros quadrados, concebidas para acolher equipas de competição e diferentes actividades ligadas ao sector automóvel.

A primeira fase do empreendimento representa um investimento anunciado de 250 milhões de renminbi e abrange aproximadamente 40.000 metros quadrados de construção. Embora estes valores digam respeito apenas à fase inicial, permitem compreender a dimensão e a natureza do projecto. A pista constituirá o núcleo da operação, mas o modelo económico previsto assenta na criação, em seu redor, de múltiplas formas de utilização e de diferentes fontes de receita.

Trunfo geográfico

A proximidade de Macau e a integração de Zhuhai na Grande Baía reforçam o potencial do empreendimento para atrair visitantes, equipas, construtores automóveis e operadores turísticos provenientes de um vasto mercado regional. Por seu turno, Macau e os numerosos entusiastas dos desportos motorizados do território poderão beneficiar directamente da existência de mais um complexo desta natureza à “porta de casa”.

“Em termos regionais, para mim, como engenheiro de Macau, é claramente uma mais valia ter mais uma opção aqui ao lado para testar, desenvolver e dar o meu contributo a esta indústria”, explicou ao HM o engenheiro de pista da RAEM Duarte Alves. “Mais um circuito no sul da China ajuda a integração e as sinergias entre Macau, o Grande Prémio de Macau e este novo espaço, o que não faz, de maneira nenhuma, concorrência ao Grande Prémio de Macau.”

À semelhança do Circuito Internacional de Zhuhai, também o Circuito Internacional Ocean Spring não deverá constituir um adversário do Grande Prémio de Macau. Pelo contrário, poderá assumir um papel complementar. “São coisas diferentes e complementares: o Grande Prémio é a montra internacional de Macau, uma pista permanente ao lado alimenta o trabalho de equipas, indústria e pilotos durante todo o ano.”

Aprender com o passado

A localização escolhida para o projecto não é circunstancial. Zhuhai possui uma relação consolidada com o automobilismo internacional, nomeadamente através do Circuito Internacional de Zhuhai, que este ano celebra o seu trigésimo aniversário, e encontra-se inserida numa das regiões economicamente mais dinâmicas do Interior da China. Duarte Alves alerta, contudo, para estratégias do passado que poderão e deverão ser evitados no desenvolvimento do novo complexo.

“Pela experiência que tenho, não só na China, mas também nos circuitos por onde passo pelo mundo fora, é decisivo para a longevidade de um projecto destes assegurar a polivalência do espaço e a sua integração na comunidade”, explicou o também presidente da Associação dos Jovens Macaenses. “O próprio Circuito Internacional de Zhuhai é um bom exemplo do que se deve evitar. Foi construído numa zona então subdesenvolvida, praticamente industrial e sem habitação, que entretanto se transformou numa área residencial e escolar. O resultado é previsível, com o ruído do desporto motorizado a gerar conflitos com a vizinhança.”

Para assegurar o sucesso do empreendimento, tendo em consideração as actuais exigências sociais, Duarte Alves considera “que o circuito tem de ser pensado de raiz para conviver com a envolvente e para ser útil à população no dia a dia, por exemplo, com ciclovias, percursos para corrida e passeio e espaços destinados a outras modalidades desportivas. É essa polivalência que garante o sucesso e a aceitação a longo prazo: um espaço vivo durante toda a semana, e não apenas nas semanas de provas, testes ou actividades promocionais.”

Entretanto, a data de abertura do Circuito Internacional Ocean Spring ainda não foi divulgada pelas autoridades, embora tudo indique que não deverá ocorrer antes do último trimestre do próximo ano.

12 Ago 2026

Jogo | Primeiros dias de Agosto mostram recuperação

Os primeiros nove dias de Agosto foram “encorajadores” em termos de receitas brutas nos casinos de Macau, com aumentos mensais de 12 por cento, segundo analistas do banco de investimento Citi. As estimativas apontam para receitas brutas diárias a rondar 733 milhões de patacas

Os primeiros nove dias deste mês parecem apontar para a recuperação das receitas brutas da indústria do jogo. Segundo as previsões dos analistas do banco de investimento Citi, com base nas fontes do sector, as receitas brutas apuradas pelos casinos no período mencionado atingiram cerca de 6,6 mil milhões de patacas. Resultado que os analistas categorizam como “encorajador”, alicerçado numa “recuperação sequencial” nas performances diárias face às receitas diárias apuradas em Julho, indicam os analistas citados por portal GGR Asia.

No início de Agosto, os casinos de Macau arrecadaram, numa média diária, 733 milhões de patacas, o que representa “um aumento de aproximadamente 12 por cento em relação ao registo diário médio de Julho, que se ficou pelos 654 milhões de patacas por dia. Feitas as contas, as mesas de jogo dos casinos estão a registar quase 80 milhões de patacas a mais por dia, face ao mês passado.

“Em relação às nossas previsões para Agosto, mantemos inalterada a estimativa de receitas brutas de 23,5 mil milhões de patacas”, o que representa uma subida anual de 6 por cento.

Nos dois campos

“Estamos optimistas com a recuperação sequencial da taxa de crescimento das receitas brutas, provavelmente impulsionada pela procura reprimida e pelos grandes concertos realizados até agora este mês”, acrescentaram os analistas o banco.

O relatório do Citi destaca também que, até agora, este mês tem sido sinónimo de crescimento do segmento VIP entre 12 a 15 por cento, em relação a Julho. Também o segmento de massas parece apresentar crescimentos de receitas brutas entre 10 a 12 por cento, face ao mês transacto.

Recorde-se que os casinos de Macau facturaram em Julho 20.260 milhões de patacas, o que representou uma variação homóloga negativa de 8,4 por cento, mas um crescimento de 9,38 por cento em relação a Junho.

A receita bruta acumulada pelos casinos nos primeiros seis meses do ano ascendeu a 147.161 milhões, mais 4,4 por cento por comparação com o período entre Janeiro e Junho de 2025. Os casinos tinham registado em Junho receitas brutas de 18,5 mil milhões de patacas, o valor mais baixo do ano, numa queda homóloga de 12,1 por cento e em cadeia de 18,1 por cento.

12 Ago 2026

Zona norte | Secretário exige inspecção a edifícios degradados

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, visitou ontem a zona norte da península e instou à realização de uma inspecção geral dos edifícios mais degradados do bairro de Iao Hon e edifício Mei On. Devido ao calor, o Corpo de Bombeiros alerta para maiores riscos de curto-circuito por sobrecarga de quadros eléctricos

Uma equipa governativa liderada pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, esteve ontem na zona norte da península de Macau a fiscalizar áreas mais degradadas onde existem maiores riscos de segurança, nomeadamente com a ocorrência de curtos-circuitos, devido às frágeis instalações eléctricas.

Segundo um comunicado da secretaria dos Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam visitou sete edifícios no bairro do Iao Hon e o edifício Mei On, fazendo-se acompanhar também por representantes da CEM – Companhia de Electricidade de Macau.

O governante exigiu uma fiscalização geral a fim de colmatar riscos de incêndios ou outros incidentes. Raymond Tam “determinou que seja realizada uma revisão abrangente das estruturas dos edifícios, com reparações realizadas nas áreas comuns dos mesmos e também nas infra-estruturas de abastecimento de água e electricidade”.

Desta forma, destaca a mesma nota, é possível “eliminar potenciais riscos” em termos de segurança numa das zonas com maior densidade populacional de Macau.

Além disso, a mesma nota dá conta que foi recentemente realizada uma vistoria no local, sendo que “a próxima fase de trabalhos está a ser avaliada”, e pode passar pela “criação de uma base de dados sobre as condições dos edifícios”.

Foi também adiantado que as estruturas da zona de estacionamento subterrâneo numa das ruas do bairro de Iao Hon estão “quase concluídas”. Neste contexto, “está a ser analisada a viabilidade de utilizar este espaço de forma temporária, tendo em conta as necessidades de utilização da área”, pode ler-se.

Na visita, foram inspeccionadas zonas comuns dos prédios mais antigos, instalações de água e luz e outros espaços com potenciais perigos. Citado pela mesma nota, Raymond Tam também instou “a CEM a intensificar as inspecções de fornecimento de energia eléctrica, a fim de garantir a segurança do uso desse recurso”.

Alerta de curto-circuito

Esta visita acontece numa altura em que Macau enfrenta um período de elevadas temperaturas, o que potencia riscos de incêndio ou ocorrência de curto-circuitos em habitações.

Neste contexto, o Corpo de Bombeiros (CB) emitiu uma nota onde deixa recomendações para as populações. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, pede-se que as pessoas não sobrecarreguem os quadros de electricidade nas suas casas, verificando regularmente se os mesmos estão em boas condições de utilização.

À semelhança da visita de ontem liderada pelo secretário, também o CB destaca que tem enviado agentes aos bairros para verificação da segurança e demais infra-estruturas eléctricas, realizando sessões de esclarecimento presenciais.

12 Ago 2026

Conselho de Estado | Xia troça de mandarim de deputados de HK

Depois de cinco horas reunido com deputados do Conselho Legislativo, o director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau, brincou com o fraco mandarim dos legisladores. Os problemas com a qualidade do mandarim na região não são de agora, com destaque para os casos de Chui Sai On e Chui Sai Cheong

As dificuldades de expressão de políticos de Macau e Hong Kong em eventos com responsáveis de altos cargos em Pequim não são uma novidade, com os casos locais mais flagrantes a serem protagonizados pelo, à altura, Chefe do Executivo Chui Sai On, e o seu irmão mais velho, o deputado Chui Sai Cheong.

O caso mais recente aconteceu depois de uma reunião em Pequim entre o director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China e do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, Xia Baolong e deputados da região vizinha. Depois de comentários divertidos de Xia Baolong, a deputada e membro de Hong Kong à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Judith Yu, escreveu um artigo de opinião no portal noticioso HK01, publicado na segunda-feira, a sugerir que os deputados tenham formação em mandarim, e que a proficiência na língua seja um requisito fundamental para desempenhar o cargo de legislador numa região administrativa especial da China.

É a brincar

Na reunião à porta fechada, que terá durado cerca de cinco horas, Xia Balong incentivou, entre risos, os legisladores a aprenderem mandarim. “Vocês vêm a Pequim, não há motivo para me pedirem para aprender cantonês,” acrescentou o director segundo o portal HK01.

Os reparos de Xia Baolong foram levados a sério pelos legisladores da região vizinha que, apesar de denotarem a forma respeitosa e divertida do director, reconheceram que é essencial uma comunicação eficiente para discutir políticas.

Judith Yu explicou que a comunicação entre os responsáveis de Hong Kong e representantes do Governo Central permite que se entendam bem, mas que o mesmo não se podia dizer em conversas com governantes provinciais ou empresários do Interior.

Para reforçar a capacidade de comunicação, Judith Yu defendeu que os deputados antes de proferirem discursos importantes devem ensaiar o gravar os discursos, e que o Conselho Legislativo deve ter sessões em mandarim. Além disso, sugeriu que os deputados recebam formação para aprenderem a pronúncia e terminologias específicas.

Por cá, uma intervenção de Chui Sai Cheong numa reunião da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês tornou-se viral pelo forte sotaque cantonês, o mesmo aconteceu com o Chefe do Executivo.

Por outro lado, na primeira vez que falou na Assembleia Legislativa enquanto deputado, Lei Chan U usou o mandarim, opção que referiu ser a realização de um velho sonho, mas que motivou críticas nas redes sociais.

12 Ago 2026

Diversificação | Sam realça Hengqin como chave para quebrar impasse

O Chefe do Executivo assinou ontem um artigo na China Newsweek a dar conta dos planos da RAEM até 2030 e a pedir investimento para Macau e Henqgin. Além de enumerar as tarefas dadas pelo Governo Central, Sam Hou Fai salienta que a chave para “quebrar o impasse” da diversificação económica está em Hengqin

“A promoção com elevada qualidade da construção da Zona de Cooperação em Hengqin será a chave para “quebrar o impasse” na promoção da diversificação adequada da economia de Macau.” Foi desta forma que Sam Hou Fai resumiu o futuro da governação da RAEM até 2030, num longo artigo publicado ontem na China Newsweek, uma revista estatal.

No artigo intitulado “Novo plano director, nova jornada, novas oportunidades – em busca de uma nova conjuntura de desenvolvimento de qualidade elevada para Macau durante o Terceiro Plano Quinquenal”, o Chefe do Executivo realça o papel fundamental de Hengqin no futuro económico e industrial da RAEM, seguindo as instruções e planos traçados por Pequim para o território.

Sam Hou Fai indica que, tendo a tecnologia e a educação como motores, o Governo “irá aprofundar o desenvolvimento integrado de Macau e Hengqin” e “impulsionará a concretização de uma elevada sinergia económica entre Macau e Hengqin”.

Para tal, o Executivo irá esforçar-se para concretizar até 2030, o valor acrescentado conjunto das indústrias de turismo cultural, de convenções, exposições e comércio, de big health da medicina tradicional chinesa, financeira com características próprias, de investigação e desenvolvimento tecnológico”. O objectivo é que a “produção avançada na Zona de Cooperação atinja 65 por cento do Produto Interno Bruto regional ou mais”, concretizando a almejada diversificação económica.

O artigo termina com um apelo a investidores nacionais e estrangeiros para investirem em Macau e Hengqin. “Vamos avançar, de mãos dadas, de forma empenhada, abrir em conjunto o novo capítulo no desenvolvimento de Macau e Hengqin”, remata Sam Hou Fai.

De olhos na meta

Para atrair investimento, quadros qualificados e criar as indústrias que reduzam o peso do jogo na economia local, Sam Hou Fai destaca a necessidade de desenvolver os quatro projectos-chave.

O governante realça que o objectivo é alcançar um valor acrescentado da indústria não relacionada com o Jogo de cerca de 60 por cento do PIB local até 2030. Para tal, o Governo irá “aumentar, substancialmente, a aposta de dinheiro no desenvolvimento da diversificação adequada da economia”, alavancar o papel orientador do Fundo de Orientação Governamental e promover a aglomeração de indústrias, quadros qualificados e tecnologia.

O Chefe do Executivo recorda que as estimativas preliminares do investimento total orçamentado para grandes projectos relacionados com a diversificação económica irá rondar os 130 mil milhões de patacas até 2030.

Sam Hou Fai menciona também a expansão de funções e do conteúdo da plataforma sino-lusófona/hispânica, reiterando a necessidade de “aproveitar o papel de Macau como o ‘interlocutor com precisão’ entre a China e os Países de Língua Portuguesa, de reforçar a função de plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial”.

12 Ago 2026

Tufão | Cancelados mais de 50 voos de e para Macau

O Aeroporto Internacional de Macau anunciou no domingo à noite o cancelamento de 54 voos até ontem devido à passagem do Tufão Dolphin. No domingo, foram cancelados 38 voos e ontem 16, com as principais rotas afectadas a serem para Xangai, Hangzhou, Ningbo, Wenzhou e Taipei.

O tufão enfraqueceu ontem após ter atingido a província chinesa de Zhejiang, com a cidade de Xangai a manter restrições de transporte e a retirar preventivamente 215.600 pessoas de zonas de risco

SMG | Alerta laranja de temperaturas altas

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) emitiram o alerta laranja para temperaturas altas, que se vai manter ao longo do dia de hoje. As autoridades indicaram ontem que “devido à influência da subsidência periférica do “Dolphin”, o tempo em Macau vai continuar soalheiro e muito quente entre os dias 10/8 e 11/8 [ontem e hoje], e as temperaturas máximas devem atingir os 36 °C, e um ou dois graus mais altas nas áreas urbanas”.

Os SMG indicam que os cidadãos devem evitar a permanência prolongada ao ar livre e tomar medidas de prevenção contra o calor, “bem como estar atentos à convecção desencadeada pelas altas temperaturas, que poderá provocar aguaceiros, trovoadas e rajadas de vento fortes na região durante a tarde e noite”.

Além disso, as autoridades alertaram que ontem o nível da qualidade do ar foi insalubre e aconselharam pessoas com doenças cardíacas ou respiratórias, grávidas, crianças e idosos a reduzir ao mínimo actividades extenuantes e o tempo de permanência ao ar livre, nomeadamente, áreas com tráfego intenso.

11 Ago 2026

Jogo | Detentora da Bee Macau estima aumento brutal de lucros

A Asia Pioneer Entertainment, que juntamente com a empresa belga Cartamundi detém a fábrica de cartas de jogar Bee Macau, estima registar, face ao primeiro semestre do ano, um volume de negócios de 34 milhões de dólares de Hong Kong (HKD) e lucros que variam entre 2,2 e 2,4 milhões de HKD, um aumento “90 vezes superior” ao registado no mesmo período de 2025

Uma “forte procura por equipamentos electrónicos de jogo” leva a Asia Pioneer Entertainment (APE) a acreditar que terá bons resultados financeiros neste primeiro semestre.

Segundo um comunicado, a APE, que juntamente com a Cartamundi detém a Bee Macau, primeira fábrica de cartas de jogar no território, prevê um volume de negócios de 34 milhões de dólares de Hong Kong (HKD) no primeiro semestre deste ano, “o que representa um aumento homólogo de, aproximadamente, 47,3 por cento face aos 23 milhões de HKD registados no mesmo período de 2025”.

Relativamente à estimativa de lucros líquidos, a empresa que fornece equipamentos de jogo em Macau acredita que terá, no primeiro semestre deste ano, lucros que variam entre 2,2 e 2,4 milhões de HKD.

Trata-se, segundo a mesma nota, de “um aumento expressivo de quase 90 vezes face aos 24.959 HKD registados no primeiro semestre de 2025”.

Desta forma, o conselho de administração da APE atribui “o aumento de receitas e lucros ao desempenho do principal segmento de negócio, dedicado à venda técnica e distribuição de equipamentos electrónicos de jogo”. Este “registou um crescimento de 56,2 por cento nas receitas no primeiro semestre de 2026, face ao mesmo período do ano anterior”.

“Marcos estratégicos”

O director financeiro da APE, Tony Chan, declarou, citado pelo comunicado, que os primeiros seis meses do ano representaram, para a empresa, “um desempenho operacional muito sólido”. Foram também alcançados “importantes marcos estratégicos no primeiro semestre, com o lançamento da Bee Macau e a implementação das nossas soluções tecnológicas de conversão de dinheiro”.

Tanto a Bee Macau, como estas novas tecnologias, “não contribuíram directamente para as receitas do primeiro semestre, mas constituem uma base sólida para o crescimento futuro das receitas”, adiantou Tony Chan.

Os dados referem-se ao primeiro semestre terminado a 30 de Junho deste ano. A APE, listada na Bolsa de Valores de Hong Kong, aconselha prudência a potenciais investidores, tendo em conta que a divulgação destes números tem por referência “as actuais contas de gestão consolidadas, e não auditadas, e informações actualmente disponíveis”.

Os resultados intercalares definitivos relativos ao primeiro semestre deste ano deverão ser divulgados pela APE no final deste mês, lê-se ainda.

11 Ago 2026