João Luz Manchete SociedadeJogo | Primeiros dias de Agosto mostram recuperação Os primeiros nove dias de Agosto foram “encorajadores” em termos de receitas brutas nos casinos de Macau, com aumentos mensais de 12 por cento, segundo analistas do banco de investimento Citi. As estimativas apontam para receitas brutas diárias a rondar 733 milhões de patacas Os primeiros nove dias deste mês parecem apontar para a recuperação das receitas brutas da indústria do jogo. Segundo as previsões dos analistas do banco de investimento Citi, com base nas fontes do sector, as receitas brutas apuradas pelos casinos no período mencionado atingiram cerca de 6,6 mil milhões de patacas. Resultado que os analistas categorizam como “encorajador”, alicerçado numa “recuperação sequencial” nas performances diárias face às receitas diárias apuradas em Julho, indicam os analistas citados por portal GGR Asia. No início de Agosto, os casinos de Macau arrecadaram, numa média diária, 733 milhões de patacas, o que representa “um aumento de aproximadamente 12 por cento em relação ao registo diário médio de Julho, que se ficou pelos 654 milhões de patacas por dia. Feitas as contas, as mesas de jogo dos casinos estão a registar quase 80 milhões de patacas a mais por dia, face ao mês passado. “Em relação às nossas previsões para Agosto, mantemos inalterada a estimativa de receitas brutas de 23,5 mil milhões de patacas”, o que representa uma subida anual de 6 por cento. Nos dois campos “Estamos optimistas com a recuperação sequencial da taxa de crescimento das receitas brutas, provavelmente impulsionada pela procura reprimida e pelos grandes concertos realizados até agora este mês”, acrescentaram os analistas o banco. O relatório do Citi destaca também que, até agora, este mês tem sido sinónimo de crescimento do segmento VIP entre 12 a 15 por cento, em relação a Julho. Também o segmento de massas parece apresentar crescimentos de receitas brutas entre 10 a 12 por cento, face ao mês transacto. Recorde-se que os casinos de Macau facturaram em Julho 20.260 milhões de patacas, o que representou uma variação homóloga negativa de 8,4 por cento, mas um crescimento de 9,38 por cento em relação a Junho. A receita bruta acumulada pelos casinos nos primeiros seis meses do ano ascendeu a 147.161 milhões, mais 4,4 por cento por comparação com o período entre Janeiro e Junho de 2025. Os casinos tinham registado em Junho receitas brutas de 18,5 mil milhões de patacas, o valor mais baixo do ano, numa queda homóloga de 12,1 por cento e em cadeia de 18,1 por cento.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeZona norte | Secretário exige inspecção a edifícios degradados O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, visitou ontem a zona norte da península e instou à realização de uma inspecção geral dos edifícios mais degradados do bairro de Iao Hon e edifício Mei On. Devido ao calor, o Corpo de Bombeiros alerta para maiores riscos de curto-circuito por sobrecarga de quadros eléctricos Uma equipa governativa liderada pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, esteve ontem na zona norte da península de Macau a fiscalizar áreas mais degradadas onde existem maiores riscos de segurança, nomeadamente com a ocorrência de curtos-circuitos, devido às frágeis instalações eléctricas. Segundo um comunicado da secretaria dos Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam visitou sete edifícios no bairro do Iao Hon e o edifício Mei On, fazendo-se acompanhar também por representantes da CEM – Companhia de Electricidade de Macau. O governante exigiu uma fiscalização geral a fim de colmatar riscos de incêndios ou outros incidentes. Raymond Tam “determinou que seja realizada uma revisão abrangente das estruturas dos edifícios, com reparações realizadas nas áreas comuns dos mesmos e também nas infra-estruturas de abastecimento de água e electricidade”. Desta forma, destaca a mesma nota, é possível “eliminar potenciais riscos” em termos de segurança numa das zonas com maior densidade populacional de Macau. Além disso, a mesma nota dá conta que foi recentemente realizada uma vistoria no local, sendo que “a próxima fase de trabalhos está a ser avaliada”, e pode passar pela “criação de uma base de dados sobre as condições dos edifícios”. Foi também adiantado que as estruturas da zona de estacionamento subterrâneo numa das ruas do bairro de Iao Hon estão “quase concluídas”. Neste contexto, “está a ser analisada a viabilidade de utilizar este espaço de forma temporária, tendo em conta as necessidades de utilização da área”, pode ler-se. Na visita, foram inspeccionadas zonas comuns dos prédios mais antigos, instalações de água e luz e outros espaços com potenciais perigos. Citado pela mesma nota, Raymond Tam também instou “a CEM a intensificar as inspecções de fornecimento de energia eléctrica, a fim de garantir a segurança do uso desse recurso”. Alerta de curto-circuito Esta visita acontece numa altura em que Macau enfrenta um período de elevadas temperaturas, o que potencia riscos de incêndio ou ocorrência de curto-circuitos em habitações. Neste contexto, o Corpo de Bombeiros (CB) emitiu uma nota onde deixa recomendações para as populações. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, pede-se que as pessoas não sobrecarreguem os quadros de electricidade nas suas casas, verificando regularmente se os mesmos estão em boas condições de utilização. À semelhança da visita de ontem liderada pelo secretário, também o CB destaca que tem enviado agentes aos bairros para verificação da segurança e demais infra-estruturas eléctricas, realizando sessões de esclarecimento presenciais.
João Luz Manchete PolíticaConselho de Estado | Xia troça de mandarim de deputados de HK Depois de cinco horas reunido com deputados do Conselho Legislativo, o director do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau, brincou com o fraco mandarim dos legisladores. Os problemas com a qualidade do mandarim na região não são de agora, com destaque para os casos de Chui Sai On e Chui Sai Cheong As dificuldades de expressão de políticos de Macau e Hong Kong em eventos com responsáveis de altos cargos em Pequim não são uma novidade, com os casos locais mais flagrantes a serem protagonizados pelo, à altura, Chefe do Executivo Chui Sai On, e o seu irmão mais velho, o deputado Chui Sai Cheong. O caso mais recente aconteceu depois de uma reunião em Pequim entre o director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China e do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, Xia Baolong e deputados da região vizinha. Depois de comentários divertidos de Xia Baolong, a deputada e membro de Hong Kong à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Judith Yu, escreveu um artigo de opinião no portal noticioso HK01, publicado na segunda-feira, a sugerir que os deputados tenham formação em mandarim, e que a proficiência na língua seja um requisito fundamental para desempenhar o cargo de legislador numa região administrativa especial da China. É a brincar Na reunião à porta fechada, que terá durado cerca de cinco horas, Xia Balong incentivou, entre risos, os legisladores a aprenderem mandarim. “Vocês vêm a Pequim, não há motivo para me pedirem para aprender cantonês,” acrescentou o director segundo o portal HK01. Os reparos de Xia Baolong foram levados a sério pelos legisladores da região vizinha que, apesar de denotarem a forma respeitosa e divertida do director, reconheceram que é essencial uma comunicação eficiente para discutir políticas. Judith Yu explicou que a comunicação entre os responsáveis de Hong Kong e representantes do Governo Central permite que se entendam bem, mas que o mesmo não se podia dizer em conversas com governantes provinciais ou empresários do Interior. Para reforçar a capacidade de comunicação, Judith Yu defendeu que os deputados antes de proferirem discursos importantes devem ensaiar o gravar os discursos, e que o Conselho Legislativo deve ter sessões em mandarim. Além disso, sugeriu que os deputados recebam formação para aprenderem a pronúncia e terminologias específicas. Por cá, uma intervenção de Chui Sai Cheong numa reunião da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês tornou-se viral pelo forte sotaque cantonês, o mesmo aconteceu com o Chefe do Executivo. Por outro lado, na primeira vez que falou na Assembleia Legislativa enquanto deputado, Lei Chan U usou o mandarim, opção que referiu ser a realização de um velho sonho, mas que motivou críticas nas redes sociais.
João Luz Manchete PolíticaDiversificação | Sam realça Hengqin como chave para quebrar impasse O Chefe do Executivo assinou ontem um artigo na China Newsweek a dar conta dos planos da RAEM até 2030 e a pedir investimento para Macau e Henqgin. Além de enumerar as tarefas dadas pelo Governo Central, Sam Hou Fai salienta que a chave para “quebrar o impasse” da diversificação económica está em Hengqin “A promoção com elevada qualidade da construção da Zona de Cooperação em Hengqin será a chave para “quebrar o impasse” na promoção da diversificação adequada da economia de Macau.” Foi desta forma que Sam Hou Fai resumiu o futuro da governação da RAEM até 2030, num longo artigo publicado ontem na China Newsweek, uma revista estatal. No artigo intitulado “Novo plano director, nova jornada, novas oportunidades – em busca de uma nova conjuntura de desenvolvimento de qualidade elevada para Macau durante o Terceiro Plano Quinquenal”, o Chefe do Executivo realça o papel fundamental de Hengqin no futuro económico e industrial da RAEM, seguindo as instruções e planos traçados por Pequim para o território. Sam Hou Fai indica que, tendo a tecnologia e a educação como motores, o Governo “irá aprofundar o desenvolvimento integrado de Macau e Hengqin” e “impulsionará a concretização de uma elevada sinergia económica entre Macau e Hengqin”. Para tal, o Executivo irá esforçar-se para concretizar até 2030, o valor acrescentado conjunto das indústrias de turismo cultural, de convenções, exposições e comércio, de big health da medicina tradicional chinesa, financeira com características próprias, de investigação e desenvolvimento tecnológico”. O objectivo é que a “produção avançada na Zona de Cooperação atinja 65 por cento do Produto Interno Bruto regional ou mais”, concretizando a almejada diversificação económica. O artigo termina com um apelo a investidores nacionais e estrangeiros para investirem em Macau e Hengqin. “Vamos avançar, de mãos dadas, de forma empenhada, abrir em conjunto o novo capítulo no desenvolvimento de Macau e Hengqin”, remata Sam Hou Fai. De olhos na meta Para atrair investimento, quadros qualificados e criar as indústrias que reduzam o peso do jogo na economia local, Sam Hou Fai destaca a necessidade de desenvolver os quatro projectos-chave. O governante realça que o objectivo é alcançar um valor acrescentado da indústria não relacionada com o Jogo de cerca de 60 por cento do PIB local até 2030. Para tal, o Governo irá “aumentar, substancialmente, a aposta de dinheiro no desenvolvimento da diversificação adequada da economia”, alavancar o papel orientador do Fundo de Orientação Governamental e promover a aglomeração de indústrias, quadros qualificados e tecnologia. O Chefe do Executivo recorda que as estimativas preliminares do investimento total orçamentado para grandes projectos relacionados com a diversificação económica irá rondar os 130 mil milhões de patacas até 2030. Sam Hou Fai menciona também a expansão de funções e do conteúdo da plataforma sino-lusófona/hispânica, reiterando a necessidade de “aproveitar o papel de Macau como o ‘interlocutor com precisão’ entre a China e os Países de Língua Portuguesa, de reforçar a função de plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial”.
Hoje Macau Manchete SociedadeTufão | Cancelados mais de 50 voos de e para Macau O Aeroporto Internacional de Macau anunciou no domingo à noite o cancelamento de 54 voos até ontem devido à passagem do Tufão Dolphin. No domingo, foram cancelados 38 voos e ontem 16, com as principais rotas afectadas a serem para Xangai, Hangzhou, Ningbo, Wenzhou e Taipei. O tufão enfraqueceu ontem após ter atingido a província chinesa de Zhejiang, com a cidade de Xangai a manter restrições de transporte e a retirar preventivamente 215.600 pessoas de zonas de risco SMG | Alerta laranja de temperaturas altas Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) emitiram o alerta laranja para temperaturas altas, que se vai manter ao longo do dia de hoje. As autoridades indicaram ontem que “devido à influência da subsidência periférica do “Dolphin”, o tempo em Macau vai continuar soalheiro e muito quente entre os dias 10/8 e 11/8 [ontem e hoje], e as temperaturas máximas devem atingir os 36 °C, e um ou dois graus mais altas nas áreas urbanas”. Os SMG indicam que os cidadãos devem evitar a permanência prolongada ao ar livre e tomar medidas de prevenção contra o calor, “bem como estar atentos à convecção desencadeada pelas altas temperaturas, que poderá provocar aguaceiros, trovoadas e rajadas de vento fortes na região durante a tarde e noite”. Além disso, as autoridades alertaram que ontem o nível da qualidade do ar foi insalubre e aconselharam pessoas com doenças cardíacas ou respiratórias, grávidas, crianças e idosos a reduzir ao mínimo actividades extenuantes e o tempo de permanência ao ar livre, nomeadamente, áreas com tráfego intenso.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeJogo | Detentora da Bee Macau estima aumento brutal de lucros A Asia Pioneer Entertainment, que juntamente com a empresa belga Cartamundi detém a fábrica de cartas de jogar Bee Macau, estima registar, face ao primeiro semestre do ano, um volume de negócios de 34 milhões de dólares de Hong Kong (HKD) e lucros que variam entre 2,2 e 2,4 milhões de HKD, um aumento “90 vezes superior” ao registado no mesmo período de 2025 Uma “forte procura por equipamentos electrónicos de jogo” leva a Asia Pioneer Entertainment (APE) a acreditar que terá bons resultados financeiros neste primeiro semestre. Segundo um comunicado, a APE, que juntamente com a Cartamundi detém a Bee Macau, primeira fábrica de cartas de jogar no território, prevê um volume de negócios de 34 milhões de dólares de Hong Kong (HKD) no primeiro semestre deste ano, “o que representa um aumento homólogo de, aproximadamente, 47,3 por cento face aos 23 milhões de HKD registados no mesmo período de 2025”. Relativamente à estimativa de lucros líquidos, a empresa que fornece equipamentos de jogo em Macau acredita que terá, no primeiro semestre deste ano, lucros que variam entre 2,2 e 2,4 milhões de HKD. Trata-se, segundo a mesma nota, de “um aumento expressivo de quase 90 vezes face aos 24.959 HKD registados no primeiro semestre de 2025”. Desta forma, o conselho de administração da APE atribui “o aumento de receitas e lucros ao desempenho do principal segmento de negócio, dedicado à venda técnica e distribuição de equipamentos electrónicos de jogo”. Este “registou um crescimento de 56,2 por cento nas receitas no primeiro semestre de 2026, face ao mesmo período do ano anterior”. “Marcos estratégicos” O director financeiro da APE, Tony Chan, declarou, citado pelo comunicado, que os primeiros seis meses do ano representaram, para a empresa, “um desempenho operacional muito sólido”. Foram também alcançados “importantes marcos estratégicos no primeiro semestre, com o lançamento da Bee Macau e a implementação das nossas soluções tecnológicas de conversão de dinheiro”. Tanto a Bee Macau, como estas novas tecnologias, “não contribuíram directamente para as receitas do primeiro semestre, mas constituem uma base sólida para o crescimento futuro das receitas”, adiantou Tony Chan. Os dados referem-se ao primeiro semestre terminado a 30 de Junho deste ano. A APE, listada na Bolsa de Valores de Hong Kong, aconselha prudência a potenciais investidores, tendo em conta que a divulgação destes números tem por referência “as actuais contas de gestão consolidadas, e não auditadas, e informações actualmente disponíveis”. Os resultados intercalares definitivos relativos ao primeiro semestre deste ano deverão ser divulgados pela APE no final deste mês, lê-se ainda.
João Luz Manchete SociedadeSão Lázaro | Pedido ponto de situação sobre plano cultural No ano passado, durante a apresentação das LAG, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura indicou que este ano seria lançado um estudo para aproveitar melhor os elementos culturais do Bairro de São Lázaro. A deputada Song Pek Kei pediu uma actualização sobre o que vai ser feito Que vida terá o Bairro de São Lázaro e o que o Governo pretende fazer na histórica zona do centro de Macau? Estas questões resumem as dúvidas que a deputada Song Pek Kei tem em relação aos planos do Governo. Numa interpelação escrita, divulgada no portal da Aliança de Povo de Instituição de Macau, a deputada recordou que no passado, O Lam revelou na apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) que ia lançar um plano de investigação sobre o Bairro de São Lázaro para “aprofundar a ‘cultura+’ e a integração e actualização industriais”. O conceito de “cultura+” tem sido usado pelo Governo para designar o aproveitamento dos elementos culturais da cidade para vertentes turísticas, desportivas, ou, por exemplo, ligadas ao sector das exposições e convenções. A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura prometeu na Assembleia Legislativa que o plano de revitalização de São Lázaro iria integrar as “indústrias” do bairro. Com o ano de 2026 já bem avançado, a deputada ligada à comunidade de Fujian pede ao Governo um ponto de situação sobre os planos de revitalização do bairro. Visão mercantil Song Pek Kei destacou que a revitalização dos bairros comunitários e o impulso à economia local e do comércio situado nas proximidades de zonas históricas são elementos essenciais para o desenvolvimento de Macau no futuro. Neste capítulo, a legisladora sublinha o carácter único do Bairro de São Lázaro, numa cidade com “um rico património histórico e cultural”, com “vários grupos de edifícios com grande valor cultural e arquitectónico de estilo ocidental, de grande dimensão”, que dão a Macau uma identidade única. A deputada mencionou também que o Governo afirmou estar a planear dois percursos culturais e turísticos que ligam às construções históricas em vários bairros comunidades, e perguntou quando serão efectivamente lançados. Song Pek Kei solicitou também detalhes e a calendarização do estudo que o Governo pediu à Academia Chinesa de Ciências Sociais para o planeamento das indústrias culturais e criativas de Macau para os próximos 10 anos.
João Luz Manchete PolíticaObrigações | Governo Central emite mais 6 mil milhões RMB em Macau O Ministério das Finanças da República Popular da China e o Governo da RAEM anunciaram ontem que o Governo Central vai emitir, no dia 20 de Agosto, em Macau, obrigações nacionais, no valor de 6 mil milhões de RMB, direccionadas a investidores profissionais. Como tem sido habitual quando são anunciadas emissões de obrigações ou títulos de dívida, o Executivo saudou a iniciativa. “A emissão contínua de obrigações nacionais em Macau é uma importante manifestação do apoio do Governo Central ao aceleramento do desenvolvimento do mercado obrigacionista de Macau, à promoção contínua do desenvolvimento qualitativo do sector financeiro com características próprias e ao reforço da diversificação adequada da economia de Macau”. O Gabinete de Comunicação Social acrescenta que “a emissão contínua de obrigações nacionais contribuirá para atrair mais emitentes de qualidade e investidores internacionais a participarem no mercado obrigacionista de Macau, potenciando as vantagens e o papel de Macau no âmbito da abertura ao exterior do país”.
Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaBullying | Coutinho quer registo obrigatório de situações de abuso O deputado José Pereira Coutinho considera que as autoridades devem criar uma proposta de lei que estabeleça “um regime de registo obrigatório de suspeitas de abuso infantil”, tendo em conta que a legislação sobre violência doméstica é, no entender do responsável, omissa neste ponto Travar casos de bullying nas escolas ou situações de abuso infantil são preocupações do deputado José Pereira Coutinho, que na mais recente interpelação escrita enviada ao Governo, pede que se crie um “regime de registo obrigatório de suspeitas de abuso infantil”. No entender do deputado, o regime de prevenção e combate à violência doméstica, em vigor desde 2016, não regula especificamente estes casos relacionados com menores, pois “não estabelece um dever geral e específico para reportar [casos] de forma obrigatória e vinculativa a todos os profissionais que trabalham com crianças”, desde “educadores, profissionais ou assistentes sociais”. O deputado pede que se tenha em conta o caso de Hong Kong, que estabeleceu o “Mandatory Reporting of Child Abuse Ordinance”. “Questiona-se que calendarização existe para que o Governo de Macau apresente uma proposta legislativa que crie um regime de registo obrigatório de suspeitas de abuso infantil, definindo claramente os profissionais abrangidos, os procedimentos de denúncia e respectivas sanções para o incumprimento”, sugeriu. Coutinho recorda que o Instituto de Acção Social (IAS) publicou “recentemente” o “Guia de Procedimentos para o Manuseamento de Casos de Suspeita de Maus-Tratos a Crianças”, além de realizar, desde 2018, “acções de formação sobre o tratamento de casos de violência doméstica contra crianças, que têm registado a participação de centenas de profissionais”. Porém, Coutinho “questiona de que forma o Governo de Macau está a garantir que a formação é, efectivamente, obrigatória e regular para todos os profissionais que trabalham com crianças, e não apenas numa base voluntária”. Questões culturais Na mesma interpelação escrita, José Pereira Coutinho declarou que a “realidade social e dados disponíveis” mostram a “necessidade de aprofundamento de políticas de protecção à infância e dos jovens, designadamente no que se refere à obrigatoriedade de reportar casos de abuso infantil e de Intimidação (bullying)”, passando pela “capacitação dos profissionais e reforço do apoio à saúde mental das vítimas”. O deputado cita dados de 2025 do Ministério Público, quando foram registados 61 casos de crimes cometidos contra menores, “um aumento de 27,08 por cento face ao ano anterior, o que demonstra a urgência de medidas mais eficazes”. Coutinho frisou também que, na prática, há “muitos casos que permanecem ocultos devido a factores culturais, como a relutância em ‘expor a vergonha da casa’ ou a pressão económica e habitacional sobre as famílias”. Desta forma, trata-se de factores que explicam parcialmente “a insuficiência dos mecanismos actuais de detecção [de casos] e reporte” dos mesmos. Coutinho diz que tem recebido no seu gabinete de atendimento, cada vez mais, queixas sobre a maior ocorrência de casos de ciberbullying, em plataformas digitais e fora “dos portões das escolas”, ocorrendo o “agravamento deste cenário de forma alarmante”.
João Luz Manchete PolíticaAssociações | Comissão da Segurança do Estado pode sugerir extinções Começou ontem a consulta pública sobre a lei das associações. A extinção, ou recusa de constituição, pode ser sugerida pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado. Associações que recebam fundos do exterior terão de notificar esse facto à Direcção dos Serviços de Identificação, a entidade que irá fiscalizar a vida associativa Está em curso o período de consulta pública relativa à lei das associações, até 23 de Setembro, que irá contar com três sessões públicas. De acordo com o documento de consulta, divulgado ontem, o quadro regulatório que rege a vida associativa na RAEM será profundamente alterado. Um dos pontos de maior relevo na proposta do Governo é a ênfase dada à segurança nacional. Para prevenir actos que “ponham em perigo a ordem pública ou os direitos e liberdades de outrem”, o Executivo tomou como referência o quadro legal de Hong Kong, Interior da China, Singapura, Malásia e Portugal. Assim sendo, foi proposto que a Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) “possa recusar a constituição de uma associação com base nas necessidades de defesa da segurança do Estado, da ordem pública ou dos direitos e liberdades de terceiros”. Para tal, a DSI poderá “requerer à Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM que proceda à apreciação da associação em causa”. Além da recusa de constituição, o Governo propõe também que a DSI tenha a competência para decidir a extinção de associações “de acordo com o parecer de verificação da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM”, por serem “consideradas associações que põem em perigo a segurança do Estado”. Estas decisões não serão passíveis de recurso judicial. Recorde-se que a comissão em questão é presidida pelo Chefe do Executivo e constituída pelos secretários do Governo, as chefias dos Serviços de Polícia Unitários, Serviços de Alfândega, Polícia Judiciária, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Instituto Cultural, os directores de serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e Serviços de Assuntos de Justiça, o director da Inspecção e Coordenação de Jogos e os chefes de gabinete do Chefe do Executivo e do secretário para a Segurança. A comissão é assessorada por representantes do Governo Central. É também proposta a exclusão, como fundadores e titulares dos órgãos da associação, de pessoas condenadas, com trânsito em julgado, a uma pena de prisão por violação da lei de defesa da segurança do Estado, ou condenadas a pena de prisão igual ou superior a cinco anos. O que está lá fora O financiamento de associações por entidades fora de Macau é outro dos focos de fiscalização proposta. Para “prevenir que forças externas desenvolvam ilegalmente actividades em Macau através de associações, propõe-se que, se uma associação receber financiamento de uma entidade situada fora de Macau, além de ter de comunicar esse facto à DSI, esta última, após avaliação”, pode exigir a apresentação de documentos e informações, “tais como relatórios de actividades, contas e outros elementos.” Durante a apresentação do documento de consulta, a directora da DSI, Sonia Chan, afirmou que as associações podem ser sujeitas a sanções administrativas se não notificarem a DSI, dentro do prazo legal, sobre alterações aos seus estatutos, mudanças nos órgãos de gestão, adesão ou saída de organizações ou grupos estabelecidos fora de Macau, ou financiamento de entidades fora de Macau. O mesmo pode acontecer se não apresentarem documentos ou informações exigidas dentro dos prazos legais. É ainda referido que as informações que o Governo dispõe sobre as associações locais são insuficientes, em particular nos casos em que a associação aderiu a organizações ou grupos constituídos no exterior da RAEM, se a associação é filial constituída por associação do exterior da RAEM ou se a associação recebe financiamento proveniente de organizações, grupos ou indivíduos de fora da RAEM. “Esta insuficiência de informação não satisfaz os requisitos do combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, acarretando riscos para a segurança do Estado e da RAEM”, é acrescentado. Num só lugar Outra alteração sugerida, poderá afectar as associações de trabalhadores não-residentes. Será exigida às associações em que metade dos titulares de órgãos e restantes associados não sejam residentes da RAEM que apresentem à DSI “dados essenciais de todos os seus associados”. Estes organismos terão ainda de actualizar todos os anos, em Janeiro, os dados dos titulares dos órgãos e dos restantes associados. A DSI terá também o poder para solicitar “relatórios de actividades, contas e demais documentos e informações”. Esta medida será aplicada também a associações constituídas antes da entrada em vigor da lei, que serão obrigadas a submeter os dados referidos após notificação da DSI. A referência constante ao papel da DSI foi um dos destaques mencionados ontem pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak. O organismo liderado por Sonia Chan será a “única entidade responsável pela fiscalização de todo o procedimento de constituição e funcionamento das associações”. O novo modelo de regulação elimina o circuito burocrático actual, que obriga à passagem pelos Cartórios Notariais para outorga de escritura pública, pela Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ) e pela verificação de legalidade do Ministério Público. Wong Sio Chak salientou o aumento exponencial de associações em Macau, de cerca de 2.000 antes da transição, para cerca de 12.400 hoje em dia. Porém, o governante salientou que “apenas cerca de 60 por cento mantêm um certo nível de funcionamento, enquanto aproximadamente 40 por cento estão inactivas há muito tempo ou não chegaram sequer a funcionar após a sua constituição”. Aliás, do universo total de associações actualmente constituídas em Macau, “apenas cerca de 8.500 submeteram os dados dos titulares dos seus órgãos à DSI, o que demonstra que muitas delas não cumprem as exigências básicas para o funcionamento legal, não se excluindo a eventual existência de ‘associações fantasmas’”, acrescentou o secretário.
Hoje Macau China / Ásia MancheteHong Kong | Incêndio que causou 168 mortos começou com beata A investigação levada a cabo após a tragédia em Tai Po, concluiu que o pior incêndio dos últimos 80 anos em Hong Kong começou com uma ponta de cigarro atirada para o exterior de um dos edifícios que compunham o complexo habitacional O devastador incêndio que causou 168 mortos em Novembro passado num complexo residencial de Hong Kong começou com uma beata de cigarro atirada para o exterior de um dos edifícios, segundo o mais recente relatório oficial. O jornal local The Standard deu conta sábado do relatório publicado pelo comité independente encarregado de esclarecer as causas do mais mortífero incêndio na antiga colónia britânica em quase oito décadas, em que o chefe de Ciência Forense do Laboratório Governamental de Hong Kong, Lee Wing-man, afirma que os danos na fachada do edifício Wang Cheong, onde o fogo teve origem – demonstram que as chamas se propagaram a partir do exterior. Nas fotografias analisadas do local onde se acredita que o incêndio começou podem observar-se “grandes quantidades” de materiais de embalagem, como cartão ou sacos de plástico, bem como várias beatas. Os especialistas concluíram que as beatas foram a causa mais provável, depois de terem excluído outras possíveis causas, como curto-circuitos eléctricos ou mesmo combustão espontânea. Assim, o comité, que investiga o incidente desde Dezembro, conclui que a origem do incêndio foi acidental, não tendo sido encontradas outras fontes de ignição. Causas múltiplas O incêndio começou na tarde de 26 de Novembro de 2025, quando os edifícios – construídos em 1984 e com capacidade para 4.600 residentes – estavam envolvidos em andaimes e lonas de obras devido a trabalhos de reabilitação das fachadas, e as últimas chamas só foram apagadas 44 horas mais tarde. A tragédia foi associada pelos investigadores à utilização de materiais inflamáveis – as lonas não passaram nos testes de resistência ao fogo e as placas de espuma de poliuretano funcionaram como acelerante – e à degradação dos sistemas de proteção contra incêndios, reacendendo o debate sobre os padrões de segurança em projectos de reabilitação de grandes complexos residenciais. O comité identificou preliminarmente até seis factores humanos, entre eles a desactivação dos alarmes e das bombas de combate a incêndios dias antes do incidente, no âmbito de trabalhos de reparação dos depósitos de água situados nas coberturas dos edifícios, e analisou também possíveis incumprimentos das obrigações de manutenção por parte do empreiteiro. Em Janeiro deste ano, as autoridades locais indicaram que 22 pessoas tinham sido detidas pela polícia no âmbito do incidente, 16 das quais acusadas de homicídio, enquanto a brigada anticorrupção tinha detido outras 14 pessoas. Entretanto, o secretário de Trabalho de Hong Kong, Chris Sun, anunciou que iria propor a proibição total de fumar em zonas de construção.
João Luz Manchete SociedadeDemografia | Natalidade volta a cair pelo sétimo ano consecutivo No final do primeiro semestre, a população da RAEM era composta por 686.500 pessoas, mais 600 em termos anuais, apesar do corte para quase metade das autorizações de residência e dos nascimentos que continuam a diminuir todos os anos desde 2019. Na primeira metade de 2026, os nascimentos (1.340) foram quase tantos quantos os óbitos Apesar dos incentivos do Governo para aumentar a natalidade, os números não enganam. As estatísticas demográficas referentes ao primeiro semestre deste ano revelam que nasceram em Macau 1.340 bebés, prosseguindo as sucessivas quebras de ano para ano desde 2019, quando nasceram 2.875 crianças, o que representa uma diminuição de 53,4 por cento. Em relação à primeira metade de 2025, este ano nasceram menos 81 bebés, o que corresponde a uma quebra de nascimentos na ordem dos 5,7 por cento. Os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) mostram que os 1.340 bebés nascidos nos primeiros seis meses do ano, 52,5 por cento eram do sexo masculino. No semestre de referência, foram registados 1.447 casamentos, mais cinco, face ao semestre homólogo de 2025. Porém, face à primeira metade de 2024, o número de matrimónios apresentou este ano uma quebra de 13 por cento. Do outro lado da equação, no primeiro semestre de 2026, o número de óbitos foi de 1.329. A DSEC salienta “que o número de óbitos mais elevado se deveu a “tumores” (473 óbitos, 35,6 por cento do total), seguindo-se o de “doenças do aparelho circulatório” (362 óbitos, 27,2 por cento) e o de “doenças do aparelho respiratório” (138 óbitos, 10,4 por cento). Contas de cá A contabilidade da DSEC revela que no fim do primeiro semestre deste ano, a população total da RAEM era composta por 686.500 pessoas, mais 600 em termos anuais. Quanto à distribuição percentual da população por sexo, a DSEC indica que a população feminina (371.000) era superior à masculina (315.500), representando 54 por cento da população total. Apesar do salto demográfico, com o aumento da população em cerca de 600 pessoas, foram concedidos menos salvos-conduto singulares a indivíduos do Interior da China e as novas autorizações de residência diminuíram para quase metade. No primeiro semestre deste ano, a RAEM concedeu nova autorização de residência a 471 pessoas, o que representa uma quebra de 47,4 por cento em comparação com os primeiros seis meses de 2025, quando as novas autorizações totalizaram 895 casos. Também o número de indivíduos do Interior da China recém-chegados à RAEM titulares de “Salvo-Conduto Singular” diminuiu 9,3 por cento face à primeira metade de 2025 para um total de 1.466.
João Luz Manchete SociedadeCrime | Acusado de tentativa de homicídio em prisão preventiva O indivíduo detido por ter esfaqueado a namorada está em prisão preventiva acusado de tentativa de homicídio. O suspeito, um homem de 41 anos, comprou dois x-actos na Taipa na tarde antes do ataque. A vítima foi submetida a uma cirurgia e encontra-se em estado estável Foto: Jornal Ou Mun O Ministério Público (MP) confirmou no sábado que o indivíduo suspeito do ataque à namorada com armas brancas à porta de um hotel no Cotai foi presente a juiz de Instrução Criminal e irá aguardar julgamento em prisão preventiva. A medida de coação foi aplicada devido à “existência de fortes indícios da prática, na forma tentada, do crime de homicídio”, e tendo em conta “a natureza e a gravidade dos factos, o modus operandi, a motivação e a sua eventual fuga de Macau”. “Finda a investigação preliminar, verifica-se que o arguido e a ofendida se conheceram em Macau em Maio de 2025, altura em que iniciaram uma relação amorosa. Em Julho do corrente ano, o arguido sentiu que a ofendida começou a afastar-se dele e a relacionar-se com outro indivíduo”, descreve o MP em comunicado. O organismo acrescenta que o afastamento da vítima fez com que o arguido, um homem de 41 anos do Interior da China, se sentisse enganado a nível sentimental, mas também patrimonial. O MP descreve que na tarde do ataque, por volta das 15h, o suspeito dirigiu-se a uma loja na Taipa onde comprou dois x-actos usados no crime. Além disso, o arguido terá recolhido uma faca e um garfo no quarto de hotel. Em estado estável Na noite do ataque, cerca das 22h de quarta-feira, o arguido seguiu a vítima até esta entrar num veículo de sete lugares junto à entrada do hotel. No interior do veículo estavam mais duas mulheres e o motorista, que saíram do veículo assim que o ataque começou, e alertaram as autoridades e seguranças do hotel. Segundo informações avançadas pela Polícia Judiciária (PJ), o exame forense revelou múltiplas lacerações no lado esquerdo e parte de trás do pescoço, lábio inferior, maxilar e mão direita da vítima. Alguns cortes chegaram a 20 centímetros de comprimento. As autoridades acrescentaram que as lesões resultaram em choque hemorrágico, com significativa perda de sangue, colocando em perigo a vida da vítima. Na conferência de imprensa sobre o caso, que se realizou na sexta-feira, a PJ indicou que a vítima se encontrava num estado clínico estável, depois de ter sido submetida a uma cirurgia. Porém, na sexta-feira a mulher ainda se encontrava inconsciente, devido à medicação, o que impediu as autoridades de recolherem o seu depoimento. Até ao fecho desta edição não foram avançados mais detalhes. Apesar disso, a PJ indicou na sexta-feira que a investigação apontava para fortes indícios de que o arguido terá agido de forma premeditada, ao comprar as armas usadas no crime, e com intenção de matar por ter golpeada a vítima intencionalmente em partes vitais do corpo repetidamente. Neste aspecto, o MP salienta que “o arguido foi imobilizado a tempo por agentes de segurança, evitando a consumação do homicídio contra a ofendida”. O MP alertou os cidadãos para não recorrerem à violência para resolver problemas amorosos e pessoais nem praticar actos ilícitos por mero impulso.
João Santos Filipe Manchete SociedadeEconomia | Conselheira alerta para fragilidade das PME Rainbow Lei Choi Hong defende uma maior flexibilização dos critérios de acesso ao crédito, mesmo no caso em que as empresas não conseguem apresentar garantias suficientes. A conselheira avisou também que o ambiente económico está a colocar em causa a diversificação económica Uma procura fraca e muita preocupação com o futuro. Foi desta forma que, segundo o jornal Ou Mun, Rainbow Lei Choi Hong, membro do Conselho Consultivo do Serviço Comunitário da Zona Norte, descreveu a actualidade das Pequenas e Médias Empresas (PME) do território. Durante a reunião mais recente, a conselheira defendeu a necessidade de o Executivo equacionar formas de facilitar o financiamento destas empresas que garantem a diversificação económica da RAEM. A também dirigente da Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau começou por apontar que, no primeiro semestre deste ano, o PIB de Macau registou um crescimento real anual de 3,7 por cento. No entanto, as PME em geral não beneficiaram deste crescimento na mesma proporção. Rainbow Lei vincou ainda que, no primeiro trimestre, foram dissolvidas mais de 300 empresas, que implicaram um capital de 240 milhões de patacas. Este valor superou o capital das novas empresas registadas no primeiro trimestre, que se fixou em 120 milhões de patacas. A conselheira explicou que estes números mostram “uma clara tendência de saída líquida de capital” do mercado. Por isso, Rainbow Lei indicou ser necessário facilitar o financiamento das PME durante esta fase mais difícil, e sugeriu a optimização do plano de garantia de crédito e a redução dos critérios de acesso ao financiamento. Ao mesmo tempo, propôs a simplificação dos procedimentos de aprovação e a diminuição das exigências de garantia nos pedidos de empréstimos, para permitir que as PME sem garantias suficientes obtenham crédito. Entre as propostas. surge o alargamento dos prazos dos pedidos de apoio. Flexibizar as restruturações Em relação às empresas em dificuldades, mas que podem ser lucrativas, a conselheira propôs “flexibilizar as restrições de reestruturação de dívida e a criação de mecanismos de reembolso flexíveis”. Rainbow Lei Choi Hong pediu também um maior apoio dos bancos à economia local, e uma maior margem no que diz respeito ao pagamento parcial dos empréstimos ou ao prolongamento dos prazos de devolução. Além disso, a dirigente associativa sugeriu a criação de um mecanismo de partilha de riscos do crédito entre o Governo e a banca. O objectivo passa por criar uma ‘última rede de segurança’ e evitar que os bancos transfiram a totalidade do risco do apoio à economia para o Governo.
João Santos Filipe Manchete PolíticaSam Hou Fai antecipa entrada em funcionamento da Cidade Universitária Sam Hou Fai visitou a Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, na Ilha da Montanha, para acompanhar o desenvolvimento das “instalações de ensino e as infra-estruturas de apoio”. A visita decorreu na quinta-feira, e antecipa a entrada em funcionamento do campus que vai permitir a expansão da Universidade de Macau, da Universidade Politécnica de Macau e da Universidade de Turismo de Macau. A comitiva liderada pelo Chefe do Executivo observou espaços como salas de aula, laboratórios pedagógicos, restaurantes, auditórios, centros de estudantes e residências. No final da visita, Sam Hou Fai mostrou-se satisfeito o com desenrolar do projecto e as “diversas ofertas lectivas” disponibilizadas pelas instituições de ensino. O início da actividade da 1ª fase da Cidade Universitária vai acontecer a 17 de Agosto, e o projecto ocupa uma área de construção de cerca de 65 mil metros quadrados. Esta fase envolveu um investimento com capitais da RAEM na ordem dos 8 mil milhões de patacas. No entanto, o investimento total, que inclui a 2ª e 3ª fases, deverá ultrapassar os 20 mil milhões de patacas. Tudo se aproveita A primeira fase visou principalmente a conversão da Praça de Dezhi, uma zona desenvolvida em Hengqin, pelas autoridades locais em parceria com a multinacional Siemens, com espaços de habitação e comerciais a imitar uma cidade tradicional alemã. Como o projecto não despertou interesse comercial, acabou por ser recuperado. Agora a Praça de Dezhi vai ser aproveitada pelas universidades públicas da RAEM e foi transformada para receber edifícios de ensino e administrativos, dormitórios, cantinas, auditórios e salas de investigação científica. Nesta primeira fase, cerca de 1.400 alunos de pós-graduação vão frequentar o projecto. Sobre o arranque das actividades, Sam Hou Fai pediu às três instituições que se coordenem para garantirem “o estabelecimento harmonioso e o início do ano lectivo sem sobressaltos para os 1.400 estudantes de pós-graduação, unindo-se para acumular experiência na gestão de um complexo universitário integrado”. Sam pediu igualmente às instituições de ensino que criem “boas condições para a transição para a 2ª e 3ª fases da Cidade Universitária”, que deverão ocorrer até 2030.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteDiáspora macaense | José Basto da Silva quer lançar Portal online Chama-se “Portal da Diáspora Luso-descendente” e é da autoria do macaense José Basto da Silva. Ainda em fase de teste, o portal pretende ser “um repositório central acessível para a diáspora luso-descendente”, podendo vir a ser avaliado pelo Conselho das Comunidades Portuguesas e o Governo português para obtenção de financiamento José Basto da Silva, macaense que reside em Macau, acaba de divulgar o seu mais recente projecto, ainda em fase inicial: o “Portal da Diáspora Luso-descendente”, que está ainda “em fase de demonstração”, sendo depois avaliado pelo Conselho das Comunidades Portuguesas e pelo Governo Português”, contou o próprio ao HM. A ideia é conseguir apoios financeiros que sustentem o projecto. Anunciado na mais recente newsletter da Casa de Macau em Lisboa, este projecto online visa reunir dados sobre os macaenses espalhados pelo mundo fora, mas também de um ponto de vista mais dinâmico. Pretende-se, segundo escreve José Basto da Silva na newsletter, que o website se transforme “num repositório central e acessível para a diáspora luso-descendente, independentemente da geografia e da região horária, reunindo informação útil como serviços consulares, entidades associativas, oportunidades de negócio e ensino do português”. Porém, podem também ser divulgadas informações sobre eventos, gastronomia, sendo que, nesta fase, o projecto carece de financiamento, bem como de gestão em termos de conteúdos. “Mais do que uma base de dados, o Portal será um ponto de encontro virtual, onde os utilizadores podem interagir, fazer ‘networking’ e fortalecer a ligação inter-geracional”, escreveu José Basto da Silva. Pretende-se também que o projecto digital seja “um espaço de partilha de experiências e de mentoria, capaz de aproximar gerações e criar pontes entre comunidades”. A ideia é também apostar em conteúdos multimédia, nomeadamente com vídeos, fotografias e podcasts, “dando voz e imagem às histórias da nossa diáspora”. “A disponibilização deste Portal será uma ferramenta essencial para a preservação e promoção da língua e cultura portuguesas”, destacou o autor do projecto, além de “reforçar o sentimento de pertença, constituindo um impulso decisivo para a projecção da imagem de Portugal no mundo”. Contactos em linha O portal tem, para já, alguns contactos de embaixadas e postos consulares portugueses, nomeadamente em Macau e Hong Kong; Xangai, Singapura ou Japão, apresentando ainda um directório de associações ligadas à comunidade macaense que estão espalhadas pelo mundo. Outra secção é “Lusophone Youth Network” [Rede da Juventude Lusófona], que visa a conexão “de jovens profissionais e busca de oportunidades de mentoria”. Aqui, as possibilidades de contacto são muitas – Isabel Gomes, situada em Macau, escreveu: “Passei no exame HSK 6 na semana passada! Três anos de Mandarim em simultâneo com trabalho a tempo inteiro. Se alguns colegas lusófonos em Macau estão a aprender chinês, vamos iniciar um grupo de estudo. A língua abre, aqui, todas as portas.” Além de contactos na área do ensino de idiomas, há também propostas com uma visão mais empresarial. Miguel Santos, de Hong Kong, escreveu: “Ofereço sessões de mentoria 1:1 para recém-licenciados que procuram entrar no mercado financeiro asiático. 5 anos na Goldman Sachs HK – feliz por partilhar o que sei. Esta comunidade já me deu tanto, é tempo de retribuir.” Há ainda o testemunho de Ana Ferreira, de Singapura: “Acabei de concluir uma reunião incrível com o Conselho Empresarial Lusófono em Singapura. Aqui, as oportunidades para profissionais de língua portuguesa são notáveis. Estamos a organizar uma mesa redonda para o terceiro trimestre — envia-me uma mensagem privada se quiseres participar!” Não faltam partilhas com um teor ligado à cultura portuguesa. “Bonita noite de Fado na Casa de Portugal em Tóquio no último fim-de-semana. A música de Amália Rodrigues a encher uma sala com piso de tatami em Shibuya — surreal e belíssima. Estas pontes culturais são mais importantes do que nunca”, escreveu, de Tóquio, Mariana Costa. Na secção de multimédia também já existem alguns conteúdos disponíveis, nomeadamente um vídeo, disponível também no YouTube, sobre os 400 anos do ataque dos Holandeses, da Companhia das Índias Ocidentais, a Macau, a 24 de Junho de 1622, e que permitiu a manutenção das autoridades portuguesas no enclave no sul da China. O vídeo é narrado pela historiadora e antiga docente Beatriz Basto da Silva. Há ainda conteúdos multimédia sobre o grupo teatral em patuá Dóci Papiaçám di Macau, ou sobre comida macaense. O que falta fazer? José Basto da Silva já definiu os passos necessários para que o portal seja uma realidade. Em causa está um “projecto ambicioso” que visa a criação de um “comité de gestão”, composto pelas “entidades que assinaram o protocolo de cooperação: Conselho das Comunidades Portuguesas; Conselho das Comunidades Macaenses e o Instituto Internacional de Macau”. Na visão do promotor do projecto, “é crucial que estas entidades façam chegar o Portal à diáspora, incentivando a participação activa na criação e actualização de conteúdos”. Em termos de estratégia para o crescimento do projecto, “numa primeira fase o foco será a Ásia e as comunidades luso-descendentes da região”, existindo já um arquivo fotográfico online, no website, que serve para um primeiro contacto com o projecto. José Basto da Silva entende que esta poderá ser “uma ferramenta para o futuro”, tendo em conta que “Macau mudou profundamente nas últimas décadas”, revelando “sinais de abrandamento”. “Apesar das boas intenções e retórica do Governo da RAEM, pouco tem sido feito no sentido de alterar o status-quo da comunidade lusófona, sobremaneira no que toca aos jovens. Vivemos tempos diferentes: não só jogamos num campeonato diferente, como mudaram-se radicalmente as regras do jogo”, destacou. Perda de identidade Na newsletter da Casa de Macau em Lisboa, José Basto da Silva alerta para o facto de o território estar “paulatinamente a perder a sua identidade”, existindo “uma recessão que se instala progressivamente não só no território, como em toda a China”. “O Executivo governa com os olhos postos nas questões de impacto imediato, sem uma verdadeira aposta na diversificação, na defesa das características únicas locais, e sem medidas concretas que envolvam e valorizem a comunidade local lusófona”, frisou, referindo-se ao actual Governo liderado por Sam Hou Fai. Desta forma, José Basto da Silva destaca que deve existir uma maior união por parte de macaenses e outros luso-descendentes. “Urge unirmo-nos para reforçar e consolidar a nossa presença”, bem como “criar oportunidades e fomentar a intervenção ao mais alto nível, não só em prol da nossa identidade e afirmação no território, mas também na defesa da singularidade de Macau.” José Basto da Silva lembrou como a preservação da identidade macaense está, inclusivamente, “em linha com o discurso do Presidente Xi Jinping”. Em suma, “o Portal não é apenas um projecto tecnológico: é um instrumento de união, de identidade e de projecção cultural”. “Ao consolidar informação, criar redes e dar visibilidade às comunidades, abre caminho para que a diáspora luso-descendente se declare como protagonista na preservação e difusão da herança portuguesa”, rematou José Basto da Silva.
Hoje Macau China / Ásia ManchetePequim intensifica cobrança retroactiva de impostos no estrangeiro A China intensificou a cobrança de impostos sobre activos detidos no estrangeiro por cidadãos de elevado património, em alguns casos com efeitos retroactivos até 2000, visando reforçar as receitas públicas e apertar o controlo sobre a saída de capitais. Segundo o jornal britânico Financial Times, que cita responsáveis estrangeiros, banqueiros chineses e gestores de patrimónios familiares (‘family offices’), as autoridades fiscais estão a analisar ganhos obtidos no estrangeiro com investimentos em imobiliário, ações, metais preciosos, criptomoedas e outros activos. O FT refere que bancos chineses e outras instituições financeiras receberam instruções para rever os investimentos internacionais de clientes de elevado património e verificar se os respectivos rendimentos foram declarados às autoridades fiscais chinesas. O professor de Economia Política Chinesa na Universidade da Califórnia em San Diego, Victor Shih, afirmou ao jornal que a motivação da campanha é “claramente fiscal”. Em alguns casos, as instituições financeiras estarão a colaborar com as autoridades fiscais para congelar contas bancárias até que os contribuintes regularizem o pagamento de impostos e eventuais coimas sobre mais-valias obtidas com activos, contas e estruturas fiduciárias (‘trusts’) no estrangeiro. Um banqueiro do sul da China, que não foi indicado, disse ao FT que “essas pessoas ricas pagam imediatamente, em dinheiro, os impostos e as coimas para reactivar as contas”. Segundo fontes citadas pelo jornal, o período abrangido pelas inspecções varia. Um gestor de um ‘family office’ em Shenzhen indicou que alguns clientes foram chamados a pagar impostos sobre ganhos obtidos entre 2017 e 2022, enquanto outras investigações remontam ao início da década de 2000. A ofensiva ocorre num contexto de crescente pressão sobre as finanças públicas chinesas. As receitas orçamentais, fortemente dependentes da arrecadação fiscal, diminuíram 1,7 por cento, para 21,6 biliões de yuan, em 2025, enquanto as receitas provenientes da venda de terrenos, tradicionalmente uma importante fonte de financiamento dos governos locais, caíram para 4,15 biliões de yuan, menos de metade do pico registado em 2021. Opostos atraem-se No mês passado, Pequim anunciou novas regras para as estruturas fiduciárias (‘trusts’) constituídas no estrangeiro, eliminando um mecanismo frequentemente utilizado por famílias ricas para diferir ou reduzir o pagamento de impostos. Ao abrigo das novas regras, os rendimentos gerados por esses veículos passam a estar sujeitos a uma taxa de 20 por cento em diferentes fases, uma medida que, segundo um banqueiro sediado em Singapura citado pelo FT, “chocou” os seus clientes. “Durante o período em que as ofertas públicas iniciais eram muito frequentes, uma estrutura fiduciária adequada permitia reduzir a carga fiscal. A nova regra acabou com essa vantagem”, afirmou. Na quarta-feira, órgãos de comunicação chineses noticiaram também que as autoridades começaram a cobrar um imposto de 20 por cento sobre dividendos e juros provenientes de apólices de seguros contratadas no exterior. A notícia levou as ações da seguradora britânica Prudential, muito exposta ao mercado asiático, a cair até 13 por cento na bolsa de Londres, enquanto o banco HSBC chegou a perder mais de 6 por cento durante a sessão, antes de recuperar parcialmente. As medidas aproximam o regime fiscal chinês do modelo norte-americano, que tributa os residentes pelos rendimentos obtidos em todo o mundo.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeCrime | Mulher de meia idade esfaqueada junto ao Galaxy A Polícia Judiciária está a investigar os contornos do esfaqueamento de uma mulher, que resultou em ferimentos no rosto, pescoço e mãos. A mulher foi encaminhada para o Hospital Conde de São Januário em estado grave e o agressor foi detido Foto jornal Ou Mun A zona junto ao Galaxy, no Cotai, mais concretamente na Avenida Marginal Flor de Lótus, foi, na quarta-feira à noite, palco de um crime pouco comum em Macau: uma mulher de meia idade, da China continental, foi esfaqueada na zona do rosto, pescoço e mãos, tendo recebido tratamento hospitalar no São Januário. À hora do fecho da edição, e segundo o jornal Ou Mun, a mulher estava ainda internada e inconsciente. Segundo o relato de fonte policial, o incidente ocorreu por volta das 21h, e as autoridades policiais foram informadas de que estava uma pessoa ferida junto a um hotel no Cotai. No mesmo local, o segurança do hotel, de nacionalidade nepalesa, não-residente, também sofreu uma contusão no braço, sendo levado para o Hospital Kiang Wu. Tanto os agentes policiais como os bombeiros deslocaram-se ao local depois de terem sido notificados, por volta das 22h, do ocorrido. Entretanto, a Polícia Judiciária (PJ) já veio dizer que está a investigar o caso, prometendo mais detalhes numa conferência de imprensa extraordinária a realizar hoje à tarde. Agressor detido As autoridades indicaram ontem que o ataque terá ocorrido devido a motivos passionais entre agressor e vítima, segundo a investigação preliminar. Há ainda fortes indícios de que o homem seja suspeito da prática dos crimes de homicídio na forma tentada e posse de arma proibida. O suspeito, um homem do Interior da China, acabou detido pelas autoridades. De destacar que, inicialmente, suspeitou-se que o ataque poderia estar relacionado com um caso de troca de dinheiro, conforme foi noticiado pela imprensa chinesa, mas trata-se, afinal, de um crime ocorrido em contexto passional.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeImobiliário | Preços durante o Verão baixam 8 por cento Chris Wong Sai Fat, da Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau, diz que os preços de apartamentos em construção baixaram cerca de 8 por cento. Como se vendem menos casas no Verão, as transacções foram impulsionadas por descontos A Associação Geral do Sector Imobiliário revelou que a palavra de ordem para esta altura do ano é “descontos”, com reduções de preços de fracções na ordem dos oito por cento, o que levou a um aumento de negócios. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o vice-presidente executivo da entidade, Chris Wong Sai Fat, disse que vários promotores de projectos imobiliários na península de Macau, na Taipa e Coloane reduziram em cerca de oito por cento os preços para os apartamentos de prédios em construção. O responsável destacou que, graças a esses descontos e oferta da remodelação da casa, cada promotor vendeu, em média, oito a dez fracções. O responsável destacou que o Verão é, por norma, uma época com menor volume de negócios, mas graças aos descontos criados pelos promotores, foi possível atrair a atenção de investidores e compradores. Chris Wong também disse ser inevitável que estas promoções afectem as vendas de casas em segunda mão que se situam próximo destes projectos em construção, pelo que os donos destas casas sofrem maior pressão para negociar a venda. Assim, nos casos em que estes tenham maior urgência em vender, precisam reduzir mais os preços para ter sucesso. Tendo em conta o volume de transacções de Julho, o dirigente associativo acredita que se tenham vendido cerca de 200 imóveis, graças às medidas lançadas pelo Governo. Pouco impacto Relativamente à quebra dos preços da habitação económica, e a fase de escolha das fracções pelos candidatos, Chris Wong acredita que o impacto no mercado privado de habitação vai ser reduzido. O representante lembra que as candidaturas a casas do Governo nos concursos de 2019, 2021 e 2023 envolveram cerca de 13 mil fracções, estando o mercado controlado conforme estes dados, com as devidas previsões ajustadas. Porém, Chris Wong apontou que algumas famílias candidatas à habitação económica alugam casas enquanto esperam pelos imóveis do Governo, sendo que, quando deixarem os imóveis alugados, tal pode trazer pressão ao mercado de arrendamento. O responsável acredita que essa pressão pode ser sentida sobretudo na zona norte da península, como os bairros do Fai Chi Kei, Iao Hon e Areia Preta.
João Santos Filipe Manchete SociedadeCancro | Novos casos aumentaram 8 por cento em 2024 Os dados mais recentes mostram que há mais cancros e que se morre mais por esse motivo em Macau. Os Serviços de Saúde consideram que o aumento está em linha com a realidade regional O número de novos cancro apresentou um aumento anual de 185 ocorrências em 2024, para um total de 2.630 novos cancros, o que significa que ao longo desse ano houve mais 15 novas doenças por mês do que em 2023. Os números foram revelados ontem pelos Serviços de Saúde (SS) e fazem parte do Relatório Anual do Sistema de Registo de Cancro de Macau 2024. Segundo o relatório, em 2024, foram registados 2.630 novos casos de cancro em Macau, o que representou uma “incidência bruta de todos os tipos de cancro” de 383 casos por cada 100 mil habitantes. O número representa uma média diária de 7,2 casos de cancro. No documento dos SS consta ainda que a taxa de incidência nos homens foi de 410 e nas mulheres de 359. A mediana da idade ao diagnóstico foi de 69 anos nos homens e 63 anos nas mulheres. Em 2023, o número de novos casos de cancro registados tinha sido de 2.445, com a taxa de incidência bruta a ser de 360 por cada 100 mil habitantes. Nesse período homólogo, a incidência entre as mulheres foi de 344, e nos homens de 379. A mediana da idade ao diagnóstico foi de 68 anos nos homens e de 63 anos nas mulheres. Em 2024, o pulmão foi o órgão onde se desenvolveram mais cancros, ao representar 14,3 por cento do total das ocorrências. Seguiu-se o cancro colo-rectal (13,8 por cento), da mama (12 por cento), da próstata (7,3 por cento) e da tiroide (5,2 por cento). Os cinco de cancros mais frequentes foram responsáveis por 52,6 por cento de todos os novos casos. No espaço de um ano, houve uma modificação no ranking das ocorrências, em comparação com 2023. Nesse ano, o cancro da mama tinha sido o segundo mais frequente, com uma percentagem de 11,9 por cento, enquanto o cancro colo-rectal surgia no terceiro lugar com 11,8 por cento das ocorrências. Mais mortes Em 2024, morreram 937 doentes oncológicos, o que representou uma taxa de mortalidade bruta de 136 mortes por cada 100 mil habitantes. Os homens representaram 60 por cento de todos os casos de morte. A mediana da idade de morte foi de 71 anos nos homens e 69 anos nas mulheres. O número mais recente de mortes significa um aumento de 7,21 por cento, face a 2023, quando morreram 874 pessoas devido a cancros, e a taxa de mortalidade bruta foi de 129 mortes por cada 100 mil pessoas. Este crescimento do número de mortes acompanha o aumento do número novo de casos, que cresceu 7,57 por cento. Em 2023, 61 por cento de todas as mortes por cancro verificavam-se em indivíduos do sexo masculino. A mediana da idade de morte por cancro foi de 70 anos, tanto nos homens como nas mulheres. A comparação da idade de morte, mostra que em 2024 os homens morreram mais tarde, mas que as mulheres com cancro morreram ligeiramente mais cedo. Em reacção ao relatório, os SS consideraram que “as tendências de incidência do cancro em Macau são amplamente consistentes com as das regiões vizinhas e com as do mundo”. As autoridades afirmaram ainda que “enquanto a mortalidade global por cancro está actualmente em ascensão, a tendência geral da mortalidade por cancro em Macau mantém-se estável”.
Hoje Macau Manchete PolíticaPortugal | Alexandre Leitão promovido a ministro plenipotenciário O cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, foi promovido a ministro plenipotenciário, a segunda mais alta categoria da carreira diplomática. A promoção foi publicada na terça-feira Diário da República Portuguesa, de acordo com a Rádio Macau, produz efeitos desde 22 de Julho e tem a assinatura do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. Alexandre Leitão nasceu em Coimbra em Dezembro de 1965 e ingressou na carreira diplomática em 1999. Antes de assumir o cargo de cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong em Janeiro de 2023, Alexandre Leitão desempenhou funções em Angola, Senegal, representou Portugal na União Europeia em Bruxelas e foi embaixador da União Europeia em Timor-Leste. Foi ainda conselheiro diplomático do antigo primeiro-ministro António Costa e enviado especial para os assuntos climáticos do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Como ministro plenipotenciário, Alexandre Leitão passa a poder assumir o controlo de embaixadas.
João Santos Filipe Manchete PolíticaPonte da Amizade | Loi I Weng critica segurança de obras Inundações, asfalto mais irregular e maiores perigos, principalmente para a circulação de motos. Estes são os problemas apontados pela legisladora ligada à Associação das Mulheres A deputada Loi I Weng alertou as autoridades para os desafios à segurança rodoviária que estão a ser colocados pelas obras na Ponte da Amizade. O assunto foi abordado pela legisladora ligada à Associação das Mulheres através de uma interpelação escrita. No documento, Loi aponta que “desde o início dos trabalhos, os condutores locais têm relatado a ocorrência sucessiva de diversos problemas nas zonas reparadas ou repavimentadas, suscitando ampla preocupação por parte da sociedade”. O primeiro problema passa pelo facto de, em “algumas secções da Ponte da Amizade onde decorrem obras”, terem surgido “alagamentos e acumulação de água devido às fortes chuvadas”. “Para o grande número de condutores de motociclos no território, estes trechos com água acumulada podem facilmente provocar o fenómeno de aquaplanagem, representando uma ameaça considerável à estabilidade destes veículos de duas rodas”, justificou. Face às inundações, Loi I Weng defende que antes do início das obras as autoridades deviam ter feito “um plano de segurança”, pelo que pergunta se o plano foi elaborado previamente. A deputada revela também que surgiram várias queixas online, porque as pessoas consideram que após a realização das obras na ponte “alguns troços” apresentam “ondulações nas faixas de rodagem, com falta de nivelamento”. “Ao mesmo tempo, após a nova pavimentação com asfalto, a superfície da estrada exibe também visíveis irregularidades, resultando numa condução menos confortável e segura”, alertou. “Embora alguns especialistas tenham referido que esta situação corresponde a um fenómeno temporário durante as fases progressivas da obra, os troços sujeitos a reparações já afectam substancialmente a segurança rodoviária diária após a reabertura ao tráfego, o que merece a devida atenção das autoridades”, acrescentou. Mais fiscalização A deputada quer, assim, saber se o Governo pode “optimizar” a “fiscalização durante as obras” e também a vistoria final. Por último, Loi I Weng considera que este caso serve de exemplo para as autoridades sobre a importância de assegurar a qualidade das obras em Macau, pelo que pede maior pressão sobre os empreiteiros. “Relativamente às opiniões manifestadas pelos moradores, de que forma as autoridades irão pressionar a empreiteira a melhorar os problemas existentes, de modo a garantir a segurança nos troços abertos à circulação?”, questiona.
Hoje Macau China / Ásia MancheteChina lança ofensiva no mercado automóvel e gigantes alemães tentam resistir As fabricantes automóveis alemãs enfrentam a mais profunda crise das últimas décadas, pressionadas pela quebra das vendas na China e pela ascensão de marcas chinesas que estão a preparar uma ofensiva sobre a Europa. A Volkswagen viu o lucro líquido cair 30,7 por cento no primeiro semestre deste ano, para 3.103 milhões de euros, com as vendas na China a recuar 31,6 por cento e anulando o crescimento registado na América do Sul e noutros mercados. Por seu lado, a Mercedes-Benz registou uma quebra de 6 por cento nos lucros, para 2.519 milhões de euros, também penalizada por uma descida de 30 por cento das vendas na China, enquanto a BMW viu o resultado líquido cair 28,5 por cento, para 2.872 milhões de euros, depois de as vendas no mercado chinês terem recuado mais de 30 por cento no segundo trimestre. Por detrás desta crise está uma transformação iniciada há mais de uma década no país asiático. Durante anos o principal motor de crescimento das construtoras alemãs, a China preparou a transição para veículos eléctricos através de uma política industrial que lhe garantiu uma posição dominante em toda a cadeia de valor, desde o acesso a matérias-primas críticas até ao fabrico de baterias. Em 2025, mais de metade dos automóveis vendidos no mercado chinês eram veículos de novas energias – eléctricos ou híbridos. No mesmo ano, a China exportou um recorde de 7,09 milhões de veículos, consolidando-se como o maior exportador automóvel do mundo. “As marcas tradicionais estão a trazer brinquedos analógicos para um parque digital”, resumiu à Lusa Tu Le, fundador da consultora Sino Auto Insights. “Já não é apenas um automóvel. É uma plataforma tecnológica”, afirmou. Os novos modelos chineses oferecem estacionamento autónomo, assistentes de voz alimentados por inteligência artificial, sistemas avançados de condução assistida e baterias que, nos modelos mais recentes, anunciam autonomias superiores a 700 quilómetros e carregamentos de cerca de 15 minutos. “O período em que a China copiava acabou. A inovação está a acontecer aqui”, reconheceu à Lusa Jochen Sengpiehl, anterior director de marketing da Volkswagen na China. Para o gestor alemão, a velocidade de inovação está a obrigar os fabricantes tradicionais a mudar de estratégia. “Já não podemos fazer tudo sozinhos”, admitiu, referindo-se à parceria estabelecida pela Volkswagen com a fabricante chinesa Xpeng. O maior peixe Carlos Martins, director da fábrica da portuguesa Sodecia no nordeste da China, considera que a principal vantagem competitiva dos fabricantes chineses reside na rapidez de execução. “As empresas europeias têm estruturas muito pesadas. Aqui conseguem desenvolver e colocar novos produtos no mercado muito mais depressa”, explicou à Lusa. A pressão sobre os fabricantes estrangeiros aumentou depois da entrada da Tesla no mercado chinês, em 2019. Tu Le lembrou que o “catalisador” que obrigou as marcas chinesas a dar um salto qualitativo foi a abertura da fábrica da Tesla em Xangai, em 2019. A produção local deu à construtora norte-americana acesso aos mesmos subsídios e incentivos fiscais usufruídos pelos concorrentes chineses. “Foi o efeito siluro”, observou à Lusa o consultor, numa referência ao peixe que é um dos maiores predadores nos rios europeus e asiáticos, constituindo uma ameaça à sobrevivência de várias espécies locais. “Havia muitos peixes gordos e preguiçosos no lago, mas a entrada de um siluro obrigou a que se fortalecessem”. Marcas como a BYD, Xiaomi, Xpeng, Li Auto ou Aito estão agora a preparar uma ofensiva internacional, incluindo sobre o segmento de gama alta europeu. A Xiaomi pretende entrar na Alemanha em 2027 e tornar-se uma das cinco principais marcas ‘premium’ da Europa até ao final da década. A empresa recrutou engenheiros da BMW, Porsche e Tesla e aposta na condução autónoma como principal factor diferenciador. A Li Auto prepara igualmente a entrada na Europa com o modelo i6, enquanto a Xpeng quer exportar não apenas automóveis eléctricos, mas também robôs humanoides e carros voadores. No primeiro semestre deste ano, as marcas chinesas conquistaram já 9 por cento das vendas de automóveis novos na Europa continental e 15 por cento no Reino Unido. A consultora AlixPartners estima que essa quota possa atingir 16 por cento na União Europeia até 2030. “Se fosse a Mercedes-Benz, a BMW ou a Porsche, estaria preocupado”, afirmou Tu Le. Nem todos partilham dessa visão. Num discurso na abertura do salão automóvel de Pequim em Abril, Burkhard Weller, presidente da Associação Alemã de Concessionários Automóveis, considerou que a fidelidade dos consumidores europeus às marcas ‘premium’ continuará a constituir uma barreira importante. Mas mesmo os fabricantes europeus reconhecem que a competição mudou de natureza. “Em nenhuma outra região do mundo a transformação da indústria automóvel é tão rápida como na China”, afirmou Oliver Blume, presidente executivo da Volkswagen. “O mercado chinês tornou-se um centro de alta ‘performance’ para nós. Temos de trabalhar mais e mais depressa para conseguir acompanhá-lo”, vincou.
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadeDrogas | Augusto Nogueira concorda com aditamentos à lei Numa altura em que acaba de ser nomeado vice-presidente da World Federation of Therapeutic Communities, Augusto Nogueira, presidente da ARTM, diz concordar com os aditamentos de novas drogas proibidas à actual legislação, apesar dos consumos locais quase nulos O Governo quer proibir o consumo de sete drogas semelhantes ao Etomidate, a substância que constitui a droga conhecida como Petróleo do Espaço. A proposta, que foi apresentada na sexta-feira em Conselho Executivo, merece a concordância de Augusto Nogueira, presidente da Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM). “É imperativo acrescentar estas novas drogas à legislação, pois prevenir é melhor que remediar”, disse, reconhecendo que “não se conhecem casos de consumo destas drogas, e mesmo do Etomidate é raro, mas nunca se sabe o dia de amanhã”. O presidente da ARTM explicou que “a maioria das grandes apreensões em Macau estão de passagem e não são para consumo local”, referindo também os bons resultados, por parte das autoridades em conjugação com associações, na prevenção. “Através do programa de rua e de troca de seringas, fazemos uma década de zero novos casos de HIV entre pessoas que injectam drogas”, disse. Um novo cargo Destaca-se ainda a recente nomeação para o cargo de vice-presidente da WFTC (World Federation of Therapeutic Communities), com sede nos Estados Unidos da América. Tal nomeação representa, para Augusto Nogueira, uma oportunidade para “elevar ainda mais o trabalho da ARTM e o trabalho que se desenvolve em Macau”. “Fui nomeado devido ao reconhecimento que a ARTM tem dentro desta organização e também pelo trabalho que desenvolvemos a nível internacional, principalmente nas Nações Unidas. Antes de ser nomeado já era ‘Liason Officer’ da WFTC para as Nações Unidas, por isso foi um processo de evolução, confiança e trabalho.” Augusto Nogueira chama a atenção para a “forma holística” como se trabalha na ARTM, sendo esse “o maior reconhecimento”. “A WFTC é um organismo bastante importante para proteger a ideologia e terapia da comunidade terapêutica, para podermos mostrar que as comunidades terapêuticas desenvolvem um trabalho muito importante na recuperação de todos aqueles que necessitam de apoio”, rematou.