FAOM / Inquérito | Cerca de 34% querem ir para a Grande Baía ou Hengqin

Um inquérito da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) mostra que há cada vez maior disponibilidade dos residentes para trabalharem no outro lado da fronteira. No entanto, a maior parte pretende ficar em Macau

Cerca de 34 por cento dos 1.200 inquiridos pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) têm vontade de trabalhar na Ilha da Montanha ou nas cidades da Grande Baía. Os resultados do inquérito, realizado entre Janeiro e Agosto, foram apresentados ontem pela associação tradicional que conta com quatro deputados na Assembleia Legislativa.

Além de haver uma maior disponibilidade para viver em Hengqin e na Grande Baía, a equipa que elaborou o inquérito recorreu aos dados oficiais para afirmar que a deslocação dos residentes para o Interior é cada vez mais uma tendência em curso. Segundo a FAOM, até Novembro do ano passado o número de residentes empregados em Hengqin ultrapassou os 6 mil, o que representou um aumento de 13 por cento, em comparação com 2024.

Os investigadores apontaram também que os residentes começam a aceitar cada vez mais a ideia de viverem em Macau e trabalharem no outro lado da fronteira.

Apesar desta tendência, os autores do estudo indicaram que o trabalho transfronteiriço ainda enfrenta desafios, como a adaptação à nova vida quotidiana, a tomada de decisões sobre se a família se muda para Hengqin ou fica em Macau, as burocracias relacionadas com o reconhecimento das qualificações profissionais, as diferenças nos sistemas fiscais e nos sistemas de segurança social.

Face aos desafios, a FAOM quer uma resposta política, para criar soluções que tornem a transição entre os territórios menos problemática.

Foco em Macau

Apesar da atracção crescente pelo outro lado da fronteira, a maioria da população pretende ficar em Macau e contribuir para o desenvolvimento da sua terra natal. Esta conclusão foi apurada com base na resposta de 57 por cento dos inquiridos, que pretendem que o seu futuro passe pela RAEM.

Dado o interesse da população de Macau em ficar no território, a FAOM defende que o Governo tem de insistir na política de dar prioridade aos residentes locais no acesso aos empregos na RAEM. Neste sentido, a FAOM pede a criação de uma base de dados sobre os não-residentes, para tornar mais eficaz o combate aos trabalhadores ilegais.

Além disso, a equipa envolvida no estudo espera que sejam lançados apoios ao desenvolvimento profissional para diferentes idades, como apoios à realização de estágios, programas de aconselhamento de mudança de carreira profissional, requalificação profissional e incentivos para o regresso dos idosos ao mercado de trabalho.

AI assusta

Por sua vez, o deputado Leong Sun Iok mostrou-se preocupado com o impacto da inteligência artificial (IA) no mercado de emprego em Macau. “Podemos ver que cerca de 32 por cento dos inquiridos estão atentos ao desenvolvimento da economia digital. Por isso, esperamos que haja um mecanismo para inspeccionar e analisar o impacto da IA nos empregos”, afirmou Leong.

O deputado pediu ainda que seja criada uma inspecção obrigatória nas indústrias que utilizam mais inteligência artificial, para impedir vagas de despedimento.

4 Ago 2026

Zona A | Metro quadrado de habitação económica a partir de 31 mil patacas

O Governo anunciou ontem os preços dos apartamentos em cinco torres de habitação económica na Zona A dos Novos Aterros. O custo de base do metro quadrado de área útil varia entre 31.270 e 33.828 patacas. No total, os cinco edifícios oferecem 5,254 fracções

Os preços de venda das fracções da habitação económica nos Lotes A1 a A4 e A12 da Zona A dos Novos Aterros foram publicados ontem no Boletim Oficial, através de um despacho assinado por Sam Hou Fai. O Governo indicou que o preço do metro quadrado de área útil varia entre 31.270 e 33.828 patacas, ou 2.905,05 e 3.142,7 patacas por pé quadrado.

Num comunicado que acompanha a publicação do despacho, o Instituto de Habitação (IH) realça que “na fixação do preço de venda das fracções são tidos em consideração, nomeadamente: o prémio de concessão do terreno, o custo de construção e os custos administrativos”, de acordo com a alteração legal introduzida em 2021, ano em que foi aberto o concurso público para compra das fracções.

Para estes factores de cálculo do preço, o prémio de concessão do terreno foi fixado em 9.450 patacas por metro quadrado da área bruta de construção de habitação, enquanto o custo de construção varia entre 12.446,28 e 14.088,52 patacas. Os custos administrativos foram avaliados em 154,55 patacas por metro quadrado da área bruta de construção de habitação.

O IH acrescenta que “o preço concreto de venda de cada fracção pode ser aumentado ou diminuído, dependendo da localização do edifício, a orientação e localização na estrutura global do edifício, área e tipologia da fracção”.

Viver de facto

As 5.254 fracções estão dividias entre os edifícios Tong Veng, Tong Keong, Tong Man, Tong Tat e Tong Ip, com tipologias de T1, T2 e T3.

Recorde-se que a Zona A está localizada a leste da Península de Macau. Os edifícios de habitação económica dos cinco lotes em questão encontram-se junto ao mar, beneficiam de vantagens ao nível da localização e da paisagem.

O Governo sublinha que o concurso em questão está enquadrado pela nova “Lei da habitação económica”, o que significa que a habitação económica tem sempre de manter a natureza e após a sua aquisição, só pode ser vendida ao IH.

Além das limitações à revenda, o IH lembra que a lei estabelece que as 5.254 “fracções destinam-se exclusivamente a habitação própria com carácter permanente, o candidato e os elementos do agregado familiar incluídos no momento da candidatura têm de residir permanentemente na fracção”.

Se os moradores não residirem no apartamento, pelo menos, 183 dias por ano, são punidos com multa de 5 a 15 por cento do preço da venda inicial da fracção, se não justificarem devidamente os motivos para a ausência. “Se a situação não for rectificada, o contrato-promessa será resolvido”, salienta o IH.

4 Ago 2026

Cooperação | Sam Hou Fai visita Singapura, Indonésia e Malásia

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, vai visitar Singapura, Indonésia e Malásia, entre 30 de Agosto e 5 de Setembro. A informação foi divulgada ontem pelo Gabinete de Comunicação Social (GCS).

O itinerário e os objectivos da visita não foram ainda divulgados. No entanto, a deslocação oficial do Chefe do Executivo inclui paragens na Cidade-Estado, Jacarta e Kuala Lumpur.

4 Ago 2026

Aeroporto | Tai Kin Ip nomeado presidente de empresa do universo da CAM

O ex-secretário para a Economia e Finanças foi nomeado pela CAM presidente da empresa Soluções de Gestão de Informação em Aeroportos, com um mandato que termina em 2029

O ex-secretário para a Economia e Finanças Tai Kin Ip foi nomeado presidente da empresa Soluções de Gestão de Informação em Aeroportos (SGIA), que faz parte do universo das empresas da CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau. A informação foi divulgada pela Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP).

A Soluções de Gestão de Informação em Aeroportos tem um capital social de 2 milhões de patacas e é uma empresa controlada a 100 por cento pela CAM, de forma directa e indirecta. A SGIA tem como objecto social a “concepção, criação, comercialização, instalação, manutenção e reparação de programas e sistemas informáticos, redes e sistemas electrónicos, e a prestação de serviços de instalação, gestão, manutenção e reparação, consultadoria nas áreas tecnológicas e de projectos informáticos e electrónicos”. Fazem também parte do objecto social da empresa o “comércio electrónico e publicidade online e prestação de serviços de internet”.

Tai Kin Ip foi exonerado em Abril do cargo de secretário, uma decisão que foi justificada pelo Governo de Sam Hou Fai com “motivos pessoais”, nunca especificados. No entanto, em Junho, Tai foi nomeado pelo Chefe do Executivo membro do conselho de administração e membro da comissão executiva da CAM. No âmbito destas funções, Tai Kin Ip recebe anualmente cerca de 1,75 milhões de patacas.

A informação divulgada pela DSSGAP não permite perceber a remuneração que vai ser paga a Tai Kin Ip pelo desempenho específico destas funções. De acordo com os estatutos da SGIA, o presidente da companhia é um dos administradores nomeados pela CAM, como acontece neste caso. A retribuição por estas funções é decidida pela Assembleia Geral.

Acompanhado por Pun

Além da nomeação de Tai Kin Ip para a SGIA, o mesmo acontece com Pun Weng Kun, ex-presidente do Instituto do Desporto e coordenador da comissão que organizou a parte de Macau da 15.ª edição dos Jogos Nacionais.

Pun Weng Kun foi escolhido administrador da SGIA pela CAM, empresa onde assume funções no conselho de administração e na comissão executiva. À semelhança de Tai, recebe anualmente cerca de 1,75 milhões de patacas. Na SGIA, o mandato de Pun prolonga-se até 2 de Junho de 2029, não sendo apresentada no portal da DSSGAP a retribuição por estas funções.

Pun foi ainda nomeado pela CAM como administrador da Sociedade de Logística do Aeroporto Internacional de Macau em Hengqin Guangdong, empresa com um capital social de 500 milhões de renminbis, controlada em 55 por cento pela CAM e que está situada na Ilha da Montanha. No entanto, esta companhia tem ainda como accionista a COSCO Shipping Logistics Co., empresa estatal de logística, que detém uma participação social de 45 por cento.

4 Ago 2026

Função pública | Sugerida adopção de modelo próprio de administração

Um estudo realizado por dois académicos da Universidade de São José considera que o Governo deve criar para a Função Pública “um modelo de governação ajustado às próprias necessidades”, ao invés de meramente “reproduzir experiências implementadas noutros contextos”

Do “clientelismo” vivido nos anos de administração portuguesa até às progressivas reformas, Macau tem evoluído para um modelo de administração mais eficiente e digital, mas não chega. É a conclusão do estudo “Reforma da Administração Pública em Macau: Um Estudo Crítico desde a Transferência de Soberania até à Actualidade”, da autoria de Leung Sok Ieng, doutorando em Government Studies na Universidade de São José (USJ), e Ansoumane Douty Diakite, professor associado da mesma instituição de ensino.

O artigo académico foi publicado na revista “E- REI: E-Journal of Intercultural Studies”, sob alçada da Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto. Uma das conclusões do artigo é que Macau “deverá desenvolver um modelo de governação ajustado às próprias necessidades, ao invés de, simplesmente, reproduzir experiências implementadas noutros contextos”.

Neste sentido, é entendido que “o sucesso da reforma da administração pública de Macau não pode resultar de uma simples replicação dos modelos ocidentais”, devendo ser olhados factores como as “especificidades demográficas e sociais do território”.

Estas demonstram que “as reformas devem ser adaptadas às condições locais e orientadas por uma abordagem centrada no cidadão”, sendo que, nos próximos anos, deve-se apostar na “governação transfronteiriça de dados, o desenvolvimento do capital humano, o empreendedorismo digital e estudos comparativos além de Macau”. Tudo para “compreender melhor a governação de cidades inteligentes em diferentes sistemas de inovação”.

“Reforma da Administração Pública em Macau: Um Estudo Crítico desde a Transferência de Soberania até à Atualidade” conclui também que “a adopção de uma abordagem centrada no cidadão é identificada como um factor crítico para o sucesso de estratégias modernas de governação”.

Desta forma, o Governo “terá de equilibrar eficiência, conveniência e serviços orientados para as pessoas na prestação de serviços públicos”.

O sucesso da “Conta Única”

Olhando para o conceito de “Nova Gestão Pública”, desenvolvido sensivelmente a partir dos anos 80 e 90, no sentido de uma maior desburocratização, os autores destacam que as autoridades locais têm feito reformas que vão, cada vez mais, nesse sentido, afastando-se dos modelos de governação dos anos da Administração portuguesa.

Considera-se que o “Governo tem vindo a evoluir gradualmente de uma abordagem centrada na economia para uma maior aposta na reforma administrativa, na centralidade do cidadão e na eficiência dos serviços públicos”.

Esta “transição” traz uma “integração progressiva dos princípios” desse conceito de “Nova Gestão Pública”. Os autores salientam a “generalização do governo electrónico e serviços digitais”, com foco na plataforma “Conta Única de Macau”. Esta app, que permite resolver, no telemóvel, uma variedade de assuntos do foro público, como o pagamento de multas ou inscrições em apoios financeiros, tem contribuído “para eliminar barreiras à circulação de informação”, bem como “promover a colaboração entre diferentes departamentos governamentais”.

Destaca-se como “o Governo é incentivado a desenvolver políticas públicas baseadas nos dados recolhidos”, além do facto de que, nos últimos anos, tem feito “alterações legislativas que reforçam a necessidade de considerar as necessidades dos cidadãos na formulação das políticas públicas”.

A meritocracia

Os autores, que com este estudo procuram analisar o funcionamento da Administração após 1999, destacam, citando outros estudos, como a reforma do sistema de governação “passa pela descentralização e delegação de competências para níveis inferiores da administração, bem como pela atribuição de maior autonomia às entidades locais”.

Refere-se ainda como o “novo modelo de gestão pública em Macau assenta num sistema de recrutamento baseado no mérito, em que dirigentes e funcionários são nomeados de acordo com as suas competências, qualificações e desempenho, em vez de critérios relacionados com filiações ou antiguidade”.

No cenário pós-transição, é entendido que o “novo modelo de gestão pública privilegia a colaboração e parcerias, promovendo uma estreita cooperação entre o Governo, o sector privado, a sociedade civil e os restantes ‘stakeholders’, com vista à prossecução de objectivos comuns”.

Um dos exemplos de reforma e maior estabelecimento de parcerias é a implementação de sistemas de avaliação de desempenho dos funcionários públicos ou a criação de organismos semiautónomos, como o Instituto Cultural, a Fundação Macau, o Instituto do Desporto e a Direcção dos Serviços de Turismo.

Outro exemplo apresentado é a “importante reforma” feita em 2011 com o regime de Recrutamento e Selecção de Trabalhadores da Administração Pública, que determinou que “os funcionários públicos são recrutados e nomeados com base nos resultados de concursos públicos e nas suas competências, assegurando assim a equidade e a meritocracia no processo de recrutamento”, é referido, citando um estudo de 2016.

Por sua vez, destaca-se “o contraste com os princípios” dos anos da Administração portuguesa, referido como um “sistema de patronagem, no qual as nomeações eram fortemente influenciadas pelas ligações à elite governante”, é citado.

O que ficou

O estudo considera que o actual modelo de Administração é também fruto de do que se fez antes de 20 de Dezembro de 1999. Tratava-se de um “modelo de gestão pública frequentemente criticado por negligenciar as necessidades e perspectivas dos intervenientes externos”, além de ter “uma abordagem relativamente descontraída e flexível”.

“Após a transferência de soberania, o Governo de Macau manteve grande parte do modelo de governação herdado do período colonial, permanecendo fortemente influenciado pela cultura administrativa portuguesa”, pode ler-se.

Caracterizam-se ainda os anos do funcionalismo público português como um sistema “marcadamente burocrático, lento, excessivamente pesado e mais orientado para a sua própria manutenção do que para a prestação eficaz de serviços públicos”, destacam os autores, citando outros estudos sobre o tema.

Além disso, o estudo descreve, que durante a Administração portuguesa, a Função Pública “operava sob clientelismo, inspirando-se em diversos estilos de administração pública portuguesa”.

Desta forma, “o sistema governativo burocrático de Macau reflecte uma herança da governação centralizada portuguesa, conjugada com a integração do sistema de soberania chinês”. A reforma que as autoridades tentam levar a cabo “evidencia uma relação complexa entre um legado colonial profundamente enraizado e as necessidades dinâmicas de uma Região Administrativa Especial moderna, no âmbito do princípio ‘Um País, Dois Sistemas'”, acrescenta-se.

Leung Sok Ieng e Ansoumane Douty Diakite entendem que as heranças do período de administração portuguesa deixaram problemas como o “enquadramento legislativo de matriz colonial, a sobreposição de competências entre departamentos governamentais e a inexperiência de parte da elite administrativa”. Em causa estão “desafios significativos para a reforma da administração pública”.

Persistem também “barreiras linguísticas e desfasamento do enquadramento jurídico face às necessidades contemporâneas”.

4 Ago 2026

Mercado hispânico | Macau é “largamente desconhecido”

Depois do universo de língua portuguesa, Macau quer ser ponte entre a China e os países falantes de espanhol, mas, enquanto se procuram acordos para dar forma à estratégia, os académicos dividem-se sobre a viabilidade da política.

Carlos Martin, professor associado de Relações Internacionais na Universidade Europeia de Valência, considera que Macau tem “um potencial ainda por explorar” e “bases para se tornar o conector natural” entre as duas partes, mas continua a ser “largamente desconhecido nesses mercados”, disse à Lusa.

Para Martin, a ligação cultural entre Macau e os países hispanófonos é relevante, fruto da experiência lusófona, mas não é suficiente: “A dimensão das empresas, os sectores envolvidos, a mão de obra necessária” são factores que influenciam a “perspectiva dos governos regionais e a forma como consideram a cooperação e o equilíbrio do envolvimento”, alertou.

O Governo da RAEM deve “executar uma estratégia inteligente para activar as ligações certas”, de modo a que os sectores civil e empresarial olhem para o território “como a melhor opção para operar na China”, sugeriu ainda.

Dúvidas que persistem

Questionado sobre se Macau tem capacidade de ser essa ponte, Juan Enrique Serrano Moreno, professor associado do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, foi peremptório: “Não creio”.

“Não penso que Macau venha a tornar-se um centro de negócios para empresários latino-americanos. Há formas mais eficazes através de centros de negócios na China continental e, em menor medida, em Singapura”, indicou o analista chileno.

Laura Botta é uma ‘influencer” espanhola com quase um milhão de seguidores no TikTok. Veio a Macau para tratar do visto e regressar à China, onde está a viajar há já alguns meses. Antes de planear a viagem, pouco sabia da cidade, para além de uma campanha do Turismo de Macau, que viu ainda em Madrid.

Conseguir ler os letreiros das ruas de uma cidade chinesa foi para a ‘influencer’ a maior surpresa. “É tão fixe virmos e vermos tudo em português, porque conseguimos perceber algumas coisas”, disse à Lusa, acrescentando que “a cidade tem muito para oferecer” e que “voltará, sem dúvida”, se surgirem “oportunidades de negócio”.

A língua é vista como uma via importante na estratégia de aproximação e Macau está a preparar esse terreno, mas a determinação das políticas tem ainda caminho por percorrer.

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) indicou à Lusa que, nos últimos anos, as instituições de ensino superior de Macau introduziram o espanhol como disciplina principal ou opcional, acrescentando que incentiva as instituições a oferecerem programas relacionados com a cultura e economia dos países de língua espanhola, com vista a formar “profissionais completos e com uma mentalidade internacional em várias áreas”.

No ano lectivo de 2025/2026, quase 180 estudantes de vários países de língua espanhola, incluindo Espanha, Argentina e Chile, vieram para Macau estudar em instituições de ensino superior locais, ainda segundo a DSEDJ.

Nuno Gomes, professor de espanhol na Universidade de Macau (UM), faz uma descrição mais objectiva e menos positiva dessa formação. A universidade “só abre dois cursos de nível 1 e um curso de nível 2”, acrescentando que falou com os superiores directos sobre a possibilidade de alargar o currículo “em várias ocasiões, mas mantêm-se sem interesse em desenvolver o espanhol”.

O interesse de Macau em atrair negócios provenientes do mundo hispânico tem como principal braço o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM), que manifestou a intenção de continuar a “atrair investimento dos países de língua espanhola para Macau”, com visitas ao exterior. Até ao final de Junho, o IPIM registou mais de uma dezena de propostas de investimento em Macau de Espanha, Argentina, México, Uruguai e Panamá, três das quais concretizadas, no valor de 27 milhões de patacas.

3 Ago 2026

Casinos | Receitas brutas apresentam quebra de 8,4 por cento em Julho

Em termos mensais, entre Junho e Julho as receitas mostram uma tendência positiva, com um crescimento de 9,38 por cento. No mês passado, os casinos facturaram um total de 20.260 milhões de patacas

Os casinos facturaram em Julho 20.260 milhões de patacas, o que representa uma variação homóloga negativa de 8,4 por cento, mas um crescimento de 9,38 por cento em relação a Junho último.

A receita bruta acumulada pelos casinos nos primeiros seis meses do ano ascendeu a 147.161 milhões, mais 4,4 por cento por comparação com o período entre Janeiro e Junho de 2025, anunciou no sábado a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Os casinos tinham registado em Junho receitas brutas de 18,5 mil milhões de patacas, o valor mais baixo do ano, numa queda homóloga de 12,1 por cento e em cadeia de 18,1 por cento.

Apesar do segundo mês consecutivo de variação negativa (menos 12,1 por cento em Junho e menos 8,4 por cento em Julho), a receita bruta acumulada pelos casinos até ao final do sétimo mês do ano mantém-se em terreno positivo (mais 4,4 por cento), graças ao desempenho nos primeiros cinco meses, sempre acima dos dois dígitos, ainda que em queda quase constante, de 24 por cento em Janeiro, até 10,9 por cento em Maio.

Macau fechou 2025 com receitas totais de jogo de 247.404 milhões de patacas, mais 9,1 por cento do que no ano anterior (226,8 mil milhões de patacas).

Operam no território seis concessionárias — MGM, Galaxy, Venetian, Melco, Wynn e SJM — que renovaram, em Dezembro de 2023, o contrato de concessão para os dez anos seguintes e que entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2024.

Receitas fiscais de quase 90%

As receitas fiscais do jogo têm representado, de forma consistente, quase 90 por cento das receitas correntes de Macau e os últimos dados sobre o peso directo do jogo no produto interno bruto (PIB) da região é 47,3 por cento, segundo o relatório da “Estrutura Sectorial de Macau”, publicado no final de 2025 pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), tendo como referência o ano económico de 2024.

A economia de Macau travou fortemente no segundo trimestre do ano, crescendo 0,3 por cento, depois de uma subida de 7,1 por cento nos primeiros três meses do ano, colocando o crescimento do PIB no primeiro semestre nos 3,7 por cento em termos homólogos.

O Fundo Monetário Internacional prevê que a economia de Macau desacelere este ano para 3,3 por cento, em resultado da menor actividade do sector do jogo e do prolongamento de taxas de juro elevadas. O PIB de Macau em 2025 cresceu 4,7 por cento em termos reais, atingindo um valor preliminar de cerca de 417,28 mil milhões de patacas, segundo os dados divulgados pela DSEC.

3 Ago 2026

PIB | Subida de 3,7% no primeiro semestre mas com incertezas

Apesar dos sinais de crescimento, os dados mais recentes mostram uma desaceleração do crescimento do PIB entre Abril e Junho

A economia cresceu 3,7 por cento no primeiro semestre em termos homólogos, resultado penalizado por uma forte travagem no segundo trimestre (0,3 por cento), depois de uma subida de 7,1 por cento nos primeiros três meses, foi anunciado.

O produto interno bruto (PIB) alcançou 209,89 mil milhões de patacas no primeiro semestre, mais 3,7 por cento em termos reais por comparação com período homólogo anterior, impulsionado pelo aumento do número de visitantes, segundo os resultados preliminares anunciados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) do território.

Este desempenho é equivalente a 89,1 por cento do volume económico do semestre homólogo de 2019, antes da pandemia de covid-19, mas é penalizado pelo forte abrandamento da economia da região no segundo trimestre.

Os dados preliminares do PIB relativos ao período de Abril a Junho foram de 102,33 mil milhões de patacas, resultado que se traduziu num crescimento real da economia de 0,3 por cento, em termos anuais, e, neste caso, representando 87,9 por cento do volume económico do mesmo trimestre de 2019.

A economia de Macau cresceu 7,1 por cento no primeiro trimestre de 2026, impulsionada pelo aumento das exportações de serviços e pela subida significativa do número de visitantes, os dois maiores componentes do PIB da região, desempenho que marca os números do semestre.

Mais exportações

O desempenho da primeira metade do ano por principais componentes do PIB, saldou-se pelo crescimento de 7,2 por cento das exportações globais de serviços entre Janeiro e Junho, puxadas pelo crescimento homólogo do número de entradas dos visitantes na RAEM, na ordem dos 9,0 por cento.

No domínio da procura interna, a DSAL anunciou o crescimento homólogo de 2,8 por cento da despesa de consumo privado, tendo a despesa de consumo final do governo e a formação bruta de capital fixo diminuído 0,2 por cento e 9,4 por cento, respectivamente.

Nos primeiros três meses do ano, as exportações globais de serviços cresceram 12,8 por cento, acompanhando a subida de 13,7 por cento nas entradas de visitantes, com as exportações de outros serviços turísticos a aumentar 17,5 por cento e as de serviços do jogo 13 por cento.

O turismo registou um novo recorde histórico entre Janeiro e Março de 2026, ao receber 11,2 milhões visitantes, um aumento de 13,7 por cento face ao mesmo período de 2025 e superior aos valores pré-pandemia.

Redução do crescimento

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia de Macau desacelere este ano para 3,3 por cento, em resultado da menor actividade do sector do jogo e do prolongamento de taxas de juro elevadas. O PIB de Macau em 2025 cresceu 4,7 por cento em termos reais, atingindo um valor preliminar de cerca de 417,28 mil milhões de patacas, segundo os dados preliminares da DSEC.

De acordo com o comunicado da missão anual do FMI ao abrigo do Artigo IV, divulgado esta quarta-feira, a médio prazo, o crescimento da economia da RAEM deverá abrandar “ainda mais, para 3 por cento, em linha com o abrandamento previsto no crescimento da China continental e da RAE de Hong Kong”.

Num relatório do fundo em Abril, a instituição sedeada em Washington cortava a previsão de crescimento do PIB em 2026 para 3,1 por cento, duas décimas abaixo da estimativa agora apontada.

3 Ago 2026

Telecomunicações | Macau quer criar oferta de ‘triple play’

Com o novo diploma, podem acabar os limites de licenças de telecomunicações e espera-se que as operadoras apresentem uma oferta conjunta com serviços de telefone fixo, móvel, televisão e Internet

O Governo anunciou na sexta-feira que vai submeter à votação da Assembleia Legislativa um regime jurídico completo para o sector das telecomunicações, assente na convergência de serviços (‘triple play’) e promoção da concorrência.

“Espero que, no futuro, depois de essa proposta de lei ser aprovada, haja mais operadoras a instalar e a prestar serviços em Macau”, disse aos jornalistas em conferência de imprensa o director substituto dos Serviços dos Correios e Telecomunicações do território, Lao Lan Wa.

A proposta não prevê um limite do “número de titulares de licença, com o objectivo de atrair mais investimento e mais concorrentes”, reforçou o porta-voz do Conselho Executivo. “Porque só com a concorrência é que podemos ter melhores serviços, podendo assim promover o desenvolvimento do sector das telecomunicações e o desenvolvimento de novos serviços”, completou Wong Sio Chak.

Com um mercado limitado a menos de 700 mil habitantes, Macau enfrenta pouca concorrência nas telecomunicações, dominadas pela Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM). A convergência dos serviços, notou ainda Wong, vai permitir integrar numa única rede os serviços de telefone fixo, móvel, televisão e Internet, actualmente separados.

Espaço de inovação

A ideia é “construir um ambiente operacional e um espaço para inovação e desenvolvimento mais flexíveis para o sector, impulsionar a concorrência e a diversificação dos serviços para que os utilizadores possam usufruir dos serviços de telecomunicações mais diversificados e de melhor qualidade”, notou Wong, também secretário para a Administração e Justiça.

Relativamente à protecção da concorrência de mercado, a proposta de lei propõe adoptar “um modelo de regulação ‘ex ante’ e ‘ex post'”, sendo impostas “obrigações regulatórias específicas adequadas às empresas de telecomunicações declaradas com poder de mercado significativo num mercado específico, visando equilibrar o mercado por via do estabelecimento das regras de concorrência”.

O diploma consagra ainda o princípio da neutralidade tecnológica, o que significa que a lei não privilegia nem discrimina nenhuma tecnologia específica. Pelo menos desde 2019 que o Governo tem como objectivo o desenvolvimento da oferta triple play.

3 Ago 2026

TVDE | Governo diz que vai legislar este ano plataformas

Vem aí legislação que permitirá a entrada em Macau de plataformas de TVDE, como Uber e DiDi. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, confirmou que o Governo pretende entregar a nova lei à Assembleia Legislativa ainda este ano

Parece que é desta que os TVDE (Transporte em Veículos Descaracterizados) vão poder operar na RAEM, depois do regresso, com características de Macau, da Uber no território (em que só se pode chamar táxis pretos). Na sexta-feira, no plenário para responder a interpelações orais, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, confirmou deverá dar entrada na Assembleia Legislativa ainda este ano um diploma que irá regular as operações deste tipo de plataformas. De momento, existem apenas duas aplicações para chamada de táxis pretos: a Uber e AMAP no MPay.

Em resposta a uma interpelação oral do deputado Ho Ion Sang, o secretário ressalvou que ainda é preciso algum tempo para ultimar os detalhes da proposta de lei, que já está “numa fase muito concreta”. Raymond Tam realçou também que este é um tema que suscita grandes expectativas da população.

Em comunicado, o gabinete do secretário acrescenta que os serviços de táxis por marcação através de plataformas electrónicas serão alvo fiscalização reforçada “com vista a elevar a eficiência no atendimento”.

Cobrir ângulos mortos

O secretário endereçou também o problema dos acidentes rodoviários que envolvem autocarros públicos, em resposta a interpelação oral de Lam Lon Wai. O deputado pediu intervenção do Executivo face às estatísticas que mostram que o número de acidentes de viação em operação de autocarros aumentou de 943 em 2022 para 1.327 em 2025.

Raymond Tam garantiu que “o Governo atribui elevada importância a esta matéria” e elencou medidas como a construção de instalações pedonais tridimensionais, a introdução de novos tipos de sinalização rodoviária, instalação de vedações de separação e painéis de aviso nos locais com maior incidência de infracções cometidas por peões.

O governante indicou ainda que as duas operadoras de autocarros foram “incentivadas” a “introduzir diversas tecnologias inteligentes e de defesa activa, incluindo câmaras de monitorização anti-fadiga na condução, câmaras de 360 graus para monitorização de ângulos mortos e funções de alerta baseadas no posicionamento GPS”. A ideia é permitir que os motoristas sejam alertados, em tempo real, das condições rodoviárias em troços com maior incidência de acidentes. O governante indicou também a importância de apostar na formação baseada em “casos típicos de acidentes”, e assegurar que os horários de trabalho e descanso são cumpridos com rigor.

3 Ago 2026

Comércio externo | Governo admite rever licenciamento

A secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, admitiu que é necessário rever a Lei do Comércio Externo. Uma das mudanças irá passar por definir “prazos de validade das licenças de acordo com o nível de risco das mercadorias”

O Governo promete rever algumas das disposições constantes na Lei do Comércio Externo. A garantia foi dada pela secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, na sessão plenária de sexta-feira, que serviu para responder a interpelações orais dos deputados.

Em resposta ao deputado José Pereira Coutinho, a secretária explicou que o Governo “considera necessário rever a situação da aplicação da ‘Lei do Comércio Externo'”, nomeadamente no que diz respeito à revisão do Regulamento das Operações de Comércio Externo, datado de 2003.

Ng Wai Han adiantou que uma das alterações passa pela “fixação dos prazos de validade das licenças por níveis de risco”, sendo que “para as mercadorias de alto risco, o prazo de validade das licenças será semelhante ao actualmente previsto, enquanto para as mercadorias de médio risco, o prazo será prolongado”.

O Executivo quer ainda fazer o “ajustamento do âmbito de aplicação do regime de licenciamento”, onde as “mercadorias de baixo risco serão excluídas das actuais listas de importação e exportação, passando a reger-se pelo regime de declaração”.

Digitalização em marcha

Outra mudança que a secretária anunciou na sexta-feira, no âmbito do comércio externo, passa pela “preparação para a utilização múltipla das licenças electrónicas”.

Assim, “será reservada margem, a nível jurídico, para proporcionar suporte institucional à futura utilização múltipla, dentro do prazo de validade, das licenças electrónicas requeridas através do sistema de declaração alfandegária electrónica”, para “reduzir os custos operacionais das empresas”.

A secretária disse esperar que, com estas alterações, se possa “optimizar ainda mais o regime de gestão do comércio externo, facilitar o funcionamento das empresas e alcançar o seu objectivo de acção governativa de melhorar o ambiente de negócios”.

Na interpelação oral, o deputado referiu a necessidade de modernização tendo em conta as novas necessidades com a cooperação entre Macau e Hengqin e a chegada da inteligência artificial (IA).

Lembrando que a Lei de Comércio Externo de Macau de 2003 existe “há mais de 20 anos”, Coutinho referiu a necessidade de “actualizar e adaptar” o diploma para responder “aos desafios significativos derivado do aumento de postos e fluxo transfronteiriços, o impacto da IA e os desafios de competitividade regionais e internacionais”.

O deputado realçou a “urgência da revisão”, sobretudo quanto à necessidade de “simplificar procedimentos administrativos, reduzir a burocracia e os custos de contexto tanto para as autoridades competentes como aos operadores económicos”.

Quanto a Hengqin, deu o exemplo concreto da necessidade de “harmonização com os regimes especiais vigentes na Zona de Aprofundamento de Hengqin, nomeadamente o reconhecimento mútuo dos sistemas legais higio-sanitárias dos produtos perecíveis incluindo os enlatados, mariscos secos etc., implementando concretamente o princípio de circulação facilitada de mercadorias e o sistema de ‘duas linhas aduaneiras’”.

3 Ago 2026

Concerto | Cristina Branco actua em Zhuhai em Setembro

Acabam de ser anunciadas novas datas do Festival Fado na China, que este ano traz ao Oriente a fadista Cristina Branco. Além das actuações, em Setembro, nas cidades de Pequim e Xangai, Cristina Branco actua também no Zhuhai Grand Theater no dia 10 de Setembro

A cidade de Zhuhai recebe, a 10 de Setembro, uma voz que, mais do que ser portuguesa, representa também o Fado contemporâneo. Trata-se de Cristina Branco, artista que é protagonista deste ano do Festival Fado, que se apresenta, pela primeira vez, na cidade vizinha.

A 10 de Setembro, Cristina Branco sobe ao palco do Zhuhai Grande Theater a partir das 20h, sendo este concerto precedido da exibição do filme “Do Bairro”.

A iniciativa, da produtora Everything is New, passa também pelas cidades de Xangai e Pequim. Na capital chinesa, o concerto está agendado para o dia 6 de Setembro e inclui o concerto de Cristina Branco no Forbidden City Concert Hall, a partir das 19h30. Antes, às 18h, o músico Rodrigo Costa Félix dá uma conferência, sendo também exibido, nesse dia, o filme “Fado do Bairro”. Por sua vez, na biblioteca da Renmin University of China estará patente a mostra “História do Fado”.

No dia 5 de Setembro, é a vez da cidade de Xangai receber, no Shanghai Oriental Arts Center, o concerto de Cristina Branco e conferência de Rodrigo Costa Félix. Será exibido o filme “Fado e os Bairros”.

Segundo um comunicado da Everything is New, o festival visa “oferecer ao público um repertório que nos conduz numa viagem imersiva de redescoberta do Fado, explorando as suas profundezas e nuances emocionais”.

Esta edição é tem como mote “O Fado e os bairros de Lisboa”, destacando-se em todas as paragens pela China “a profunda ligação entre o fado e os bairros históricos de Lisboa, como Alfama, Mouraria, Bairro Alto ou Madragoa”. Segundo a organização, estes lugares, que permanecem “no centro da memória popular lisboeta, acompanharam o nascimento e a transmissão desta tradição musical urbana”.

Cartaz recheado

A organização destaca ainda um programa que traz “música, palavra e da imagem”, numa “viagem ao coração de uma Lisboa cantada, entre herança e criação contemporânea”. Trata-se de um evento “itinerante dedicado à promoção do fado e da cultura portuguesa”. O Festival Fado já vai na 16.ª edição – celebrada este ano – decorrendo em 21 grandes cidades da Europa, África, América Latina e Ásia.

Cristina Branco conta com 19 álbuns editados e inúmeros concertos em todo o mundo, sendo “uma verdadeira embaixadora da cultura portuguesa”.

“A música tradicional é a sua principal raiz estética, mas a influência do jazz, da literatura e dos músicos com quem partilha o palco, imprimem à sua arte um cariz universal e um encanto sublime. A sua obra é um enorme contributo para a divulgação e defesa da música, da língua e dos autores portugueses”, refere ainda a produtora Everything is New.

31 Jul 2026

MGM China | Receitas com ligeira quebra no segundo trimestre

O impacto do Campeonato Mundial de Futebol foi apontado pelos responsáveis da empresa como um factor que afectou negativamente as receitas da concessionária do jogo

Entre Abril e Junho, as receitas da concessionária MGM China apresentaram uma redução anual de 0,5 por cento, para 8,63 mil milhões de dólares de Hong Kong, quando no período homólogo tinham atingido 8,67 mil milhões de dólares de Hong Kong. Os resultados foram anunciados ontem, num comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong.

Os dados disponibilizados mostram que os dois hotéis-casinos da concessionária tiveram menos receitas no período em análise. No caso do hotel-casino MGM Macau, registou-se uma redução para 3,35 mil milhões de dólares de Hong Kong, quando no período homólogo as receitas deste espaço tinham sido de 3,38 mil milhões de dólares de Hong Kong. O MGM Cotai continua a ser o espaço que produz mais receitas para a concessionária, com cerca de 5,27 mil milhões de dólares de Hong Kong. Todavia, este espaço também apresentou uma redução anual, uma vez que no segundo trimestre do ano passado tinha gerado receitas de 5,28 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Apesar destes números, o presidente e director-geral do grupo MGM Resorts International, Bill Hornbuckle, destacou que a prestação da concessionária em Macau está acima da média do mercado. “Na MGM China, no segundo trimestre, o nosso desempenho continuou a superar o mercado, ao mantermos uma quota sólida de 16,4 por cento”, afirmou.

Durante o mês de Junho, vários analistas apontaram que as receitas do jogo em Macau foram afectadas pela realização do Campeonato Mundial de Futebol e pelo mercado de apostas. Ontem, o director-geral da MGM Resorts afirmou que este impacto foi ultrapassado. “Embora o Campeonato do Mundo tenha tido um impacto temporário nos volumes do jogo em Macau no mês de Junho, isso foi um efeito transitório, e não uma mudança estrutural”, defendeu.

Ganhos mais reduzidos

Os resultados divulgados ontem mostram igualmente uma redução anual do Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA, em inglês) total ajustado, um indicador que permite medir a capacidade de uma empresa gerar dinheiro em caixa no dia-a-dia.

Entre Abril e Junho, a empresa apresentou um EBITDA total ajustado de 2,33 mil milhões de dólares de Hong Kong, quando no mesmo período do ano passado tinha atingido 2,51 mil milhões de dólares de Hong Kong. Esta diferença representa uma variação negativa de praticamente 7,4 por cento.

Apesar do resultado, o director-geral da MGM China, Kenneth Feng, mostrou-se optimista face à segunda metade do ano, devido ao final do Mundial de Futebol e à realização de vários eventos e espectáculos. “Estamos a observar o regresso de uma procura que esteve reprimida durante o período do Mundial de Futebol. Na verdade, tanto o volume de visitas como os volumes de negócios recuperaram fortemente logo a partir da segunda semana de Julho, quando ainda faltavam disputar alguns jogos antes do final do Mundial”, afirmou Feng.

No segundo trimestre do ano, as receitas brutas dos jogos de fortuna ou azar em Macau fixaram-se em 61 mil milhões de patacas, uma redução ligeira face ao período homólogo, quando as receitas tinham sido de 61,1 mil milhões de patacas.

MGM avalia compra

Na apresentação dos resultados, Bill Hornbuckle informou que a MGM Resorts International constituiu um grupo de trabalho especializado e independente para analisar a proposta de compra da empresa pelo grupo People Incorporated, do multimilionário Barry Diller.

Segundo a estação televisiva CNBC, a proposta apresentada pelo grupo People Incorporated avalia a MGM Resorts International em 18 mil milhões de dólares americanos, o que significa um preço de 48,30 dólares por acção. Actualmente, a People Incorporated é titular de 26,1 por cento do capital social da gigante americana.

31 Jul 2026

Casamento | Indústria continua em crise com quebra de despesas

Começa hoje a Exposição de Casamento, Banquetes, Beleza e Joias, evento dedicado à indústria do matrimónio. O director da empresa organizadora dá conta de uma nova redução (10 por cento) dos orçamentos dos casais, mas encara o turismo para celebrar casamentos como oportunidade de negócio

O declínio demográfico que Macau enfrenta não se afere apenas nas taxas de natalidade. Também o número de casamentos tem vindo cair desde a crise provocada pela crise pandémica. Com os registos de matrimónios em quebra nos últimos anos, aqueles que planearam dar o nó este ano estão a fazê-lo gastando menos 10 por cento, face aos orçamentos de 2025. Quem o diz é Wong U Peng, director da A Plus Internacional Limited, empresa que organiza a Exposição de Casamento, Banquetes, Beleza e Joias, evento que se realiza entre hoje a domingo no Centro de Convenções e Exposições da Doca dos Pescadores de Macau.

A exposição desde ano conta com a participação de marcas de Macau, Hong Kong e Taiwan e, segundo a organização, foram feitas 300 reservas online para marcar serviços de casamento durante o certame.

Neste momento, o sector procura adaptar-se à nova realidade, conduzida pela crise económica, assim como a própria exposição. Apesar de contar com o mesmo número de marcas do que no ano passado, os serviços de fotografia e banquetes sofreram uma redução entre 20 a 30 por cento face ao evento do ano passado. Do outro lado da balança, está o aumento de expositores que vendem lembranças, bolos de casamento, decorações e convites, ou seja, produtos culturais e criativos mais baratos.

Quem vem de fora

Em relação às perspectivas de futuro, Wong U Peng considera que mesmo com a diminuição dos matrimónios celebrados em Macau, a cidade está bem equipada para ser um destino de excelência para o turismo de casamento. Atracções turísticas de nível mundial e resorts de luxo são vantagens únicas para o desenvolvimento do sector, que já conta com políticas públicas, como a simplificação dos procedimentos de emissão de vistos.

Porém, Wong U Peng entende que a fotografia turística de casamentos é um sector que poderia ser aproveitado, sendo necessárias alterações legais para reduzir os obstáculos colocados às sessões fotográficas de turistas e atrair mais casais estrangeiros para festas de casamento em Macau.

31 Jul 2026

Leite em Pó | Testes em HK confirmam segurança da marca Friso

Apesar de terem ordenado a recolha do lote de leite em pó identificado em Macau como tendo excesso de chumbo, as autoridades de Hong Kong fizeram testes e concluíram que os produtos da empresa Friso são seguros

Os testes realizados pelo Centro da Segurança Alimentar (CFS, em inglês) do Departamento de Higiene Alimentar e Ambiental (FEHD) de Hong Kong concluíram que o leite em pó da marca Friso cumpre os níveis de segurança relacionados com o teor de chumbo. Os resultados foram divulgados ao final do dia de quarta-feira.

De acordo com um porta-voz do CFS, o facto de as autoridades de Macau terem revelado o caso do leite com excesso de chumbo, levou a que em Hong Kong a vigilância para este tipo de produtos fosse reforçada, o que resultou na realização de vários testes a diferentes produtos de leite em pó.

“Nos últimos quatro dias [de 25 a 28 de Julho], o CFS recolheu no mercado mais de 50 amostras destes produtos para testar o teor de chumbo, incluindo 11 lotes de leite em pó para bebés Frisolac Prestige Etapa 1 (800g)”, foi revelado. “Não foi encontrado qualquer caso que ultrapasse o padrão legal de Hong Kong, ou seja, um teor de chumbo não superior a 0,01 miligramas por quilograma”, foi explicado.

Apesar de os resultados terem sido negativos, o CFS continua a apelar à população de Hong Kong para evitar o consumo do lote de leite em pó identificado pelas autoridades de Macau como tendo excesso de chumbo. Este aspecto deve-se ao facto de os testes não terem focado no lote de leite em pó que terá apresentado níveis excessivos de chumbo: “Relativamente ao lote individual recolhido anteriormente [Nome do produto: Frisolac Prestige Etapa 1 Leite em Pó para Bebés (800g); Prazo de validade: 30 de Setembro de 2027; Número de lote: 1W07KPJ], o CFS destacou inspectores a vários estabelecimentos de venda a retalho para garantir que o lote afectado foi retirado das prateleiras”, foi vincado. “O CFS voltou a apelar à população que não permita que bebés e crianças pequenas consumam o lote de produto afectado, devendo procurar assistência médica caso as crianças se sintam indispostas”, foi indicado.

Resultados contestados

Também na segunda-feira, a Friso, empresa controlada pela holandesa Royal FrieslandCampina, tinha contestado os resultados dos testes feitos em Macau, assim como a forma de testagem. A posição foi tomada, depois de a empresa ter testado os lotes controversos em dois laboratórios independentes, com ambos os resultados mostrarem o cumprimento dos padrões de segurança relacionados com o teor de chumbo.

A Friso revelou ainda ter tido um encontro com as autoridades locais em que defendeu a qualidade dos seus produtos. “Durante a reunião, a empresa manifestou claramente a sua posição, solicitando veementemente uma nova amostragem e testagem aos produtos do mesmo lote, e insistindo em esclarecer melhor os factos”, foi comunicado. “A empresa expressou reservas quanto à disposição dos serviços competentes de Macau em utilizar apenas uma lata de amostra para a realização dos testes”, foi indicado.

A polémica com leite em pó da marca Friso começou no sábado, quando o Instituto para os Assuntos Municipais, o Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica e os Serviços de Saúde emitiram um comunicado a alertar para o excesso de chumbo no leite em pó da marca Frisolac Gold 1 com o número de lote: 1W07KPJ.

O produto foi retirado do mercado e foi aberto um canal especial nos hospitais para os bebés e crianças que tivessem consumido este leite. As 38 consultas especiais realizadas até segunda-feira não identificaram qualquer caso de intoxicação por chumbo.

Também na segunda-feira, as autoridades de Macau reconheceram que depois de terem alargado a testagem a outros leites em pó da Friso, com testes feitos em 13 amostras, não foi detectada qualquer anormalidade.

31 Jul 2026

FMI | Previsto abrandamento da economia em 2026 para 3,3%

O Fundo Monetário Internacional prevê que a economia de Macau desacelere este ano para 3,3 por cento, em resultado da menor actividade do sector do jogo e do prolongamento de taxas de juro elevadas. No ano passado, o PIB da RAEM cresceu 4,7 por cento

Receitas mais tímidas dos casinos e taxas de juros altas são os factores que o Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou nas previsões que apontam para um desaceleramento do crescimento da economia de Macau em 2026, para 3,3 por cento.

O Produto Interno Bruto (PIB) de Macau em 2025 cresceu 4,7 por cento em termos reais, atingindo um valor preliminar de cerca de 417,28 mil milhões de patacas, segundo os dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

De acordo com o comunicado da missão anual do FMI ao abrigo do Artigo IV, divulgado na quarta-feira à noite, a médio prazo, o crescimento da economia da RAEM deverá abrandar “ainda mais, para 3 por cento, em linha com o abrandamento previsto no crescimento da China continental e da RAE de Hong Kong”.

Num relatório do fundo em Abril, a instituição sedeada em Washington cortava a previsão de crescimento do PIB em 2026 para 3,1 por cento, duas décimas abaixo da estimativa agora apontada. O abrandamento da economia, avança agora o relatório anual preliminar, deverá ser “parcialmente compensado por uma recuperação do crescimento do investimento”, principalmente associada ao compromisso das seis concessionárias do sector do jogo em Macau de investirem em sectores não relacionados com o jogo, aponta o comunicado.

Capacidade de resistência

O FMI prevê ainda que a inflação do território aumente gradualmente em 2026 devido aos preços mais elevados da energia e que se estabilize em 2,2 por cento a médio prazo, à medida que a folga económica diminui e o efeito negativo dos preços mais baixos das importações provenientes da China continental se dissipa. A taxa de inflação anual de Macau em 2025 fixou-se em 0,33 por cento, o valor mais baixo registado nos últimos quatro anos. No relatório de Abril, o fundo previa que os preços ao consumidor aumentassem 1,8 por cento em 2026, num ambiente de inflação relativamente moderado.

O fundo sublinha que economia da RAEM se tem mantido resiliente num contexto de crescente incerteza global, apoiada por uma forte recuperação das actividades de jogo e do turismo. No entanto, ressalva, o PIB real continua abaixo do nível pré-pandémico e “a economia mantém-se fortemente concentrada no sector do jogo e no turismo proveniente da China continental”.

O relatório volta a assinalar diagnósticos anteriores, designadamente o peso do envelhecimento da população e do baixo crescimento demográfico sobre a oferta de mão-de-obra e crescimento potencial, ao mesmo tempo que geram custos orçamentais.

O sistema financeiro “está bem capitalizado e dispõe de liquidez”, embora o crédito malparado continue elevado. “A política orçamental pode apoiar a recuperação a curto prazo, ao mesmo tempo que aborda questões estruturais a longo prazo através de um aumento das despesas em infra-estruturas, cuidados de saúde e prestações sociais”, sugere o fundo. “Continuar a salvaguardar a estabilidade financeira e acelerar ainda mais a diversificação económica será importante para reforçar a resiliência e apoiar um crescimento mais equilibrado e sustentável”, remata.

Em contramão

Ainda no quadro da avaliação do momento actual, o FMI assinala que economia de Macau continua a recuperar, apesar dos ventos contrários decorrentes do conflito no Médio Oriente. “As posições externa e orçamental continuam sólidas, apoiadas pela recuperação robusta das receitas do jogo e pela execução conservadora das despesas”, sublinha o comunicado.

No entanto, a procura interna e o investimento privado têm sido travados por condições de crédito ainda restritivas, por uma incerteza acrescida, por um sector imobiliário em estagnação e pela subexecução da despesa pública.

Apesar dos recentes sinais de estabilização, as pressões descendentes sobre os preços dos imóveis residenciais e comerciais mantêm-se, num contexto de confiança moderada por parte dos investidores.

O sector das pequenas e médias empresas (PME) local também continua a enfrentar dificuldades, uma vez que a recuperação do número de chegadas de turistas não se traduziu numa procura generalizada.

Relativamente ao desempenho da economia ao longo do ano em curso, com base no andamento da cobrança de receitas e na execução histórica das despesas, o FMI considera ser “provável que tanto as receitas provenientes do jogo como as não relacionadas com o jogo excedam as estimativas orçamentais, enquanto as despesas ficarão provavelmente aquém dos níveis orçamentais”.

Neste sentido, o relatório indica que, se este padrão persistir, “a política orçamental em 2026 será menos favorável do que inicialmente previsto, com o aumento das receitas a traduzir-se principalmente numa maior acumulação de reservas orçamentais”.

Neste contexto, o fundo recomenda o aumento dos esforços para garantir a execução atempada das despesas planeadas, considerando que “serão fundamentais para manter o apoio necessário, particularmente nas áreas dos programas de assistência social relacionados com o envelhecimento e do investimento de capital”. “Deverá ser considerada a possibilidade de aumentar ainda mais as despesas orçamentais, em consonância com o desempenho superior das receitas, caso tal seja viável”, acrescenta.

31 Jul 2026

Saúde | Esperas nas urgências diminuíram 10% no primeiro semestre

O deputado Che Sai Wang perguntou, e a secretária O Lam respondeu: o tempo médio de espera no serviço de urgência baixou cerca de 10 por cento na primeira metade do ano. O Governo anunciou a criação de um serviço de acompanhamento dos tempos de espera na Conta Única de Macau

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, disse na Assembleia Legislativa (AL) que hoje se espera menos na urgência do que há um ano. Em resposta a interpelação oral do deputado Che Sai Wang, a governante referiu que no primeiro semestre deste ano, “o tempo médio diário de espera na Urgência de Adultos foi de 54 minutos, o que representa uma diminuição de 10 por cento em termos homólogos”.

Além disso, “a proporção de utentes com tempo de espera superior a duas horas fixou-se em 7,8 por cento, registando uma descida progressiva face aos 10,6 por cento registados no período homólogo do ano passado”, acrescentou a secretária.

O Lam adiantou também que o hospital das ilhas, o Centro Médico de Macau Union, começou a ter serviços de urgência igualmente no primeiro semestre deste ano, “tendo assegurado mais de 15 por cento do volume global dos serviços de urgência públicos”, referiu, desviando doentes do Centro Hospitalar Conde de São Januário.

A secretária explicou aos deputados que é feita uma “análise contínua dos dados estatísticos do Serviço de Urgência, incluindo o número de atendimento em diferentes períodos, o tempo médio de espera e as condições de serviços”, a fim de se decidir quanto à alocação e “optimização dos serviços”.

Neste contexto, O Lam anunciou a criação da plataforma “Facilidade de Espera” na aplicação móvel “Conta Única de Macau”, em conjugação com os Serviços de Administração e Função Pública. A ideia é que os utentes possam acompanhar, em tempo real, os períodos de espera nas várias unidades de saúde, públicas e privadas, com informações sobre o nível de afluência em diferentes alturas.

Médicos: será que chegam?

No debate de resposta a interpelações dos deputados, O Lam esclareceu que os 35 médicos de clínica geral “recentemente recrutados pelos Serviços de Saúde (SS) já começaram a ser integrados, de forma faseada, no Serviço de Urgência, elevando a sua capacidade de atendimento”. Desta forma, o Executivo assegura que “os dois hospitais públicos procederão ao ajustamento dinâmico da dotação de médicos, enfermeiros e pessoal de apoio com base no número de atendimento do Serviço de Urgência nos períodos de maior afluência, bem como no período nocturno, feriados e épocas de gripe”.

Apesar dos esclarecimentos, os deputados não deixaram de apresentar dúvidas, nomeadamente Pereira Coutinho, companheiro de bancada de Che Sai Wang, que apelou a O Lam para verificar, presencialmente, o panorama dos serviços de urgência.

“A secretária disse que há 35 médicos gerais que estão a ser integrados nos serviços de urgência, mas se tiver tempo, a senhora secretária pode ir à urgência verificar a situação, porque há falta de pessoal. O pessoal não tem sequer tempo para frequentar acções de formação, nem para descansar”, acusou.

Já Leong Pou U alertou para o aumento do número de utentes face ao menor aumento de pessoal médico e de enfermagem. “Em 2022 havia 452 médicos e 1.034 enfermeiros, e em 2024 havia 435 médicos e 1.110 enfermeiros. O número de utentes aumentou de 480 mil para 500 mil. No serviço de urgência passou de 230 mil para 300 mil. De facto, o número de trabalhadores não foi alterado, mas o número de utentes aumentou bastante e isso agrava a pressão sentida pelos trabalhadores da linha da frente.”

O deputado inquiriu ainda a secretária sobre os novos médicos contratados. “Disse que foram recrutados mais 35 médicos gerais, mas será que são suficientes para lidar com o aumento da população e com o facto de a sociedade estar a envelhecer?”, questionou.

31 Jul 2026

Obras ilegais | Mais de 500 demolições voluntárias até Junho

Nos primeiros seis meses deste ano, o Governo contou 533 demolições voluntária de obras ilegais, mais do dobro do registo de todo o ano de 2025. A Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana salienta o agravamento das sanções aplicáveis às obras ilegais, e de processos que acabaram na esfera penal devido ao crime de desobediência

A Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU) revelou ontem que na primeira metade deste ano “registaram-se 533 casos de demolições voluntárias, número que representa um aumento significativo face aos anos anteriores”. No mesmo período no ano passado, as demolições voluntárias por proprietários somaram uma centena e mais do dobro dos 241 casos registados em todo o ano de 2025. Na primeira metade de 2024, as demolições voluntárias de obras ilegais chegaram às 127.

Os dados divulgados ontem pela DSSCU revelam que foram instaurados menos 100 processos relativos a obras ilegais do que demolições, com 433 processos.

Foram também instaurados 59 processos sancionatórios relativos à aplicação de multas pela execução de obras ilegais, no valor total de cerca de 2,87 milhões de patacas. Em nove casos, os proprietários não pagaram as multas dentro do prazo, levando as autoridades a proceder à cobrança coerciva.

A DSSCU salienta a reforma da lei da construção urbana como uma ferramenta que simplificou procedimentos, facilitou e incentivou infractores a cooperarem com a Administração na demolição de obras ilegais. O novo quadro legal dispensou também a apresentação de comunicação prévia de demolições “cujo prazo de execução não exceda cinco dias”.

Ir ao fundo

A DSSCU salienta que as obras ilegais podem afectar a segurança dos edifícios e a segurança contra incêndios, bem como originar problemas de salubridade, devido à acumulação de resíduos, infiltrações de água, afectando “as relações de vizinhança e a qualidade vida dos cidadãos”.

Além das multas, o Governo sublinha que os infractores que ignorarem a ordem de embargo e continuarem as obras ilegais, podem incorrer na prática do crime de desobediência, uma novidade trazida pela alteração da lei. Neste caso, a DSSCU indica que o caminho a seguir é a denúncia ao Ministério Público para apurar a responsabilidade penal dos infractores.

“Em alguns desses casos, já foi concluída a fase de instrução, tendo o tribunal proferido o respectivo despacho de pronúncia. Paralelamente, os respectivos infractores foram sancionados pela DSSCU com multas elevadas devido à execução de obras ilegais”, é acrescentado pela direcção de serviços.

30 Jul 2026

Japão | DST sem pedidos de assistência devido a sismo

A linha aberta do turismo não recebeu pedidos de assistência de residentes devido ao sismo de magnitude 7.1 em Kumamoto, perto de Fukuoka, para onde partiu ontem um voo de Macau. Andy Wu revela que apenas um grupo de turistas de Hong Kong ficou meio dia sem transportes em Kumamoto

O sismo que abalou a cidade de Kumamoto, no sul do Japão, e que resultou na morte de, pelo menos, 13 pessoas, parece não ter afectado residentes de Macau.

Ontem à tarde, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indicava não ter recebido, através da linha aberta, pedidos de assistência de residentes nas zonas afectadas pelo sismo. As autoridades recomendaram aos residentes da RAEM que se encontrem no Japão para manterem uma postura de vigilância e prestarem atenção aos anúncios das autoridades japonesas.

No final da tarde de terça-feira, a DST indicou também não ter recebido pedidos de assistência de residentes na sequência de dois sismos de magnitude 5,7 e 5,8 que atingiram o condado de Xinghai, na província de Qinghai na manhã de terça-feira. Na terça-feira à noite, as autoridades nacionais davam conta de 43 mil pessoas desalojadas, mas não indicavam o registo de mortos ou feridos.

Viagens sem problemas

Ontem de manhã partiram três voos para destinos no Japão, como Tóquio e Osaka, também com um voo da Air Macau a sair do Aeroporto de Macau para Fukuoka às 08h40. Este último voo levou a bordo uma excursão de residentes da RAEM, cujo itinerário não foi afectado pelo sismo, de acordo com declarações ao canal chinês da Rádio Macau feitas por Andy Wu, presidente da Associação de Indústria Turística de Macau.

O também empresário de agência de viagens revelou que um grupo de turistas de Hong Kong ficou retido durante meio dia em Kumamoto devido a perturbações nos transportes. Andy Wu apelou aos residentes da RAEM que viajam por conta própria no Japão a familiarizarem-se com as medidas de preparação para sismos e a estarem atentos às vias de evacuação.

A directora-geral da agência de viagens EGL Tours, Iong Ut Iong, afirmou à mesma fonte que a maioria das excursões que partem de Macau para o Japão tem como destinos mais comuns Kitakyushu, Fukuoka e Oita, não existindo, de momento, itinerários com destino a Kumamoto. Porém, importa indicar que Kumamota fica a pouco mais de 100 quilómetros de Fukuoka, assim como Oita.

A responsável acrescentou que, de modo geral, o impacto do sismo não foi significativo nas operações da agência, mas que se for necessário serão ajustados itinerários de excursões para garantir a segurança dos viajantes.

30 Jul 2026

Leite em Pó | Fabricante nega haver excesso de chumbo

A Friso contesta os resultados dos testes das autoridades de Macau que colocam em causa a segurança do leite em pó produzido pela empresa controlada pela holandesa Royal FrieslandCampina

A produtora de leite em pó Friso garante que testou os seus produtos em dois laboratórios independentes e que os resultados mostram o cumprimento dos padrões de segurança. Foi desta forma que a empresa controlada pela holandesa Royal FrieslandCampina reagiu às acusações das autoridades de Hong Kong e Macau de que um dos lotes de leite em pó do grupo apresentou níveis perigosos de chumbo.

Através de um comunicado, a Friso revelou que teve um encontro com as autoridades de Macau na segunda-feira e contestou a forma como foram realizados os testes de avaliação de segurança do produto. “Durante a reunião, a empresa manifestou claramente a sua posição, solicitando veementemente uma nova amostragem e testagem aos produtos do mesmo lote, e insistindo em esclarecer melhor os factos”, pode ler-se na mensagem. “A empresa expressou reservas quanto à disposição dos serviços competentes de Macau em utilizar apenas uma lata de amostra para a realização dos testes”, foi acrescentado.

A Friso explicou também que “submeteu aos serviços competentes de Macau relatórios de ensaio referentes a três amostras, efectuados por dois laboratórios independentes”. “Os resultados demonstraram que o teor de chumbo em todas as amostras cumpre as normas vigentes em Macau e Hong Kong, comprovando mais uma vez a segurança e a qualidade dos produtos da empresa”, foi destacado.

No comunicado partilhado nas redes sociais, a empresa apresenta também os resultados dos testes realizados.

Reputação em jogo

Face aos riscos reputacionais, a Friso afirma que “compreende perfeitamente a importância e a preocupação dos pais relativamente à saúde e segurança dos bebés”, mas garante que os seus produtos se pautam “sempre por rigorosos padrões de qualidade e segurança”.

A empresa aponta também que assume “a protecção da saúde infantil como a sua principal responsabilidade, e mantém uma confiança inabalável na segurança e qualidade dos seus produtos”.

Além disso, a empresa controlada pela Royal FrieslandCampina promete que vai continuar a procurar todas as formas de provar a qualidade dos seus produtos: “Para que afaste as preocupações da população nos resultados diferentes de análises, a empresa garante que vai continuar a procurar mais instituições de renome para realizarem análises do mesmo lote do produto, com vista a assegurar a confiança dos consumidores na segurança alimentar”, foi indicado.

Alerta no fim de semana

Foi no sábado que o Instituto para os Assuntos Municipais, o Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica e os Serviços de Saúde emitiram um comunicado a alertar para o excesso de chumbo no leite em pó da marca Frisolac Gold 1 com o número de lote: 1W07KPJ.

“Com base nos resultados das análises, o leite em pó problemático é Frisolac Prestige – Fórmula Infantil n.º 1, com conteúdo líquido de 800 gramas, lote n.º 1W07KPJ e data de validade de 30/09/2027. Na amostra em causa, foi detectado um teor de chumbo de 0,2 mg/kg, um valor superior ao limite máximo permitido para fórmulas para lactentes e crianças pequenas, fixado em 0,02 mg/kg no Regulamento Administrativo Limites Máximos de Metais Pesados contaminantes em géneros alimentícios”, foi indicado.

Ao mesmo tempo, foi pedido aos distribuidores que recolhessem o produto e criada uma linha especial de atendimento nos hospitais para os bebés que tivessem consumido este leite. Até às 18h de segunda-feira, os cinco bebés que recorreram ao atendimento urgente não apresentavam qualquer sintoma de intoxicação.

30 Jul 2026

Fundo de Pensões | Défice vai atingir quase 9 mil milhões

Entre 2027 e 2031, o défice do Fundo de Pensões deve atingir 8,99 mil milhões de patacas. A estimativa foi apresentada ontem pelo Governo aos deputados da 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que está a analisar a proposta de lei “Consolidação dos Recursos Financeiros do Fundo de Pensões”.

A proposta prevê que o orçamento de Macau possa financiar directamente o fundo, dentro de certos limites estabelecidos pelo Chefe do Executivo.

Os representantes do Governo, liderados pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, apontaram também, segundo o canal chinês da Rádio Macau, que actualmente o fundo tem 6.465 subscritores no activo, ou seja, que fazem descontos, e que estes têm uma média de idades de 51,9 anos e 26,4 anos de tempo de serviço.

Até ao final do mês passado, foram pagas um total de 6.577 pensões, das quais 6.056 eram pensões de aposentação e 521 pensões de sobrevivência, o que representa um aumento de 390 pensões em relação ao mesmo período do ano anterior. Prevê-se que, até ao final de 2030, restem 3.290 subscritores no activo, e que o número de pensões atribuídas aumente para 9.150.

Segundo Ella Lei, deputada que preside à comissão, durante a discussão os deputados perguntaram ao Governo se o futuro financiamento do Fundo de Pensões vai prejudicar os apoios sociais. Os representantes do Executivo garantiram que tal não aconteceu. Importa referir que, até à pandemia, os orçamentos da RAEM apresentaram sempre um superavit. Esta situação mantém-se actualmente.

30 Jul 2026

Autocarros | Lam Lon Wai quer mais segurança e menos acidentes

O deputado dos Operários está preocupado com o aumento dos acidentes que envolvem autocarros e pede ao Governo soluções para reforçar a segurança nas estradas

Tendo em conta o recente aumento do número de acidentes com autocarros públicos, o deputado Lam Lon Wai pede ao Executivo medidas para reforçar a segurança. O assunto vai ser discutido na Assembleia Legislativa, numa sessão plenária para interpelações orais, entre hoje e amanhã.

Segundo os dados apresentados pelo deputado ligado aos Operários, “o número de acidentes de viação em operação de autocarros aumentou de 943 em 2022 para 1.327 em 2025”. Lam Lon Wai indica que estes dados reflectem “o aumento da população e do número de turistas”, assim como “a elevada frequência do movimento transfronteiriço”.

O legislador aponta que a estatística revela “uma tendência de aumento do número de acidentes de viação imputáveis às companhias de autocarros” e de acidentes “por cada 100 mil quilómetros”. “Face ao aumento do fluxo de trânsito e à complexidade contínua das vias públicas, o aumento constante do nível de segurança dos autocarros merece a atenção da sociedade”, considera.

Por isso, Lam pretende saber como o Governo vai utilizar “o sistema de ajustamento inteligente e de fiscalização do transporte de veículos, a análise de mega-dados e a inteligência artificial” para aumentar “o nível de segurança” e “reduzir a taxa de ocorrência de acidentes”. O deputado pretende também que o Executivo coloque ao serviço da segurança “a formação para motoristas” e “a simulação de condução”.

Alterar as estradas

Além de pedir a aplicação de novas tecnologias, o deputado também pretende que o Executivo explique como vai alterar os principais pontos de acidentes. “O Governo deve, tendo em conta a análise das causas dos acidentes de viação, proceder à optimização das instalações complementares das vias públicas e das paragens de autocarros nos troços onde se registaram mais acidentes e onde se concentram mais peões”, aponta.

Lam defende também a instalação de sistemas de sinalização para peões e veículos e equipamentos de alerta em pontos cegos, para facilitar a tarefa dos motoristas, que, segundo o legislador, lidam com um tráfego cada vez mais intenso.

Por último, Lam Lon Wai pede atenção à “formação profissional dos motoristas” e defende que o Governo incentive as empresas “a criarem mecanismos de apoio físico e psicológico para os motoristas, incluindo a avaliação periódica da sua saúde psicológica e aconselhamento sobre gestão emocional”.

30 Jul 2026

Paul French, autor de “The Last Emperor of China: Twilight of the Forbidden City” e jornalista: “Novos diários e cartas são janelas únicas”

Já está em pré-venda o novo livro de Paul French que retrata a vida do último imperador da China. “The Last Emperor of China: Twilight of the Forbidden City” nasceu da descoberta de novas fontes documentais. O livro, que estará nas bancas em meados de Agosto, acrescenta detalhes à história de Puyi e da imperatriz Wanrong

Puyi é uma figura histórica muito retratada, inclusive no cinema, mas a sinopse do livro revela que existem novos segredos sobre a vida do último imperador da China. Quais são as principais revelações desta obra e que arquivos consultou?

Nunca pensei que acabaria por escrever a história de Puyi, o Último Imperador. Adorei o filme de Bernardo Bertolucci, de 1987 (que estreou quando eu estava na universidade a estudar chinês), e revi-o inúmeras vezes. No entanto, tive a felicidade de encontrar novos documentos em vários arquivos, incluindo cartas da última imperatriz, Wanrong, e de Sir Reginald Johnston, o escocês que ficou conhecido por ter sido tutor de Puyi. Mais tarde, ouvi falar de Isabel Ingram, que foi professora de inglês e amiga próxima de Wanrong. A sua família, nos Estados Unidos, deixou-me consultar as cartas e diários que escreveu durante o período em que viveu na Cidade Proibida com o imperador, a imperatriz e Johnston. Estas novas fontes — cartas, diários e algumas fotografias — contam uma história ligeiramente diferente sobre a relação entre Puyi e Wanrong nos primeiros anos de casamento (o último casamento imperial da China) e colocam também Isabel Ingram no centro da narrativa, depois de ter sido omitida tanto das memórias de Johnston, “Twilight in the Forbidden City”, de 1934, como do filme de Bertolucci.

Por que decidiu escrever um livro sobre Puyi? O que considera mais fascinante na vida do último imperador da China?

Existem muitos livros sobre Puyi, sobretudo em chinês, incluindo as suas próprias memórias, “From Emperor to Citizen”, editado em 1964. Contudo, as novas fontes a que tive acesso trazem uma luz inédita sobre os dois anos decisivos entre o casamento imperial, no final de 1922, e a expulsão da família imperial de Pequim, no final de 1924. Durante esse período, Puyi e Wanrong tiveram de aprender a conhecer-se (o casamento foi, naturalmente, arranjado), vivendo confinados na Cidade Proibida, no coração de Pequim, uma cidade onde não podiam circular livremente, numa China que já se tinha tornado uma república. Foi uma fase extremamente difícil, agravada por um incêndio devastador que quase destruiu toda a Cidade Proibida, pela decisão de Puyi de expulsar os eunucos por roubarem tesouros imperiais e, por fim, pela sua própria expulsão, conduzida pelo senhor da guerra Feng Yuxiang, que acabou por o empurrar para a influência japonesa. Tudo isto foi testemunhado de perto por Johnston e Ingram, pelo que os seus novos diários e cartas constituem janelas absolutamente únicas sobre esses dois anos tão extraordinários.

Como descreveria Puyi enquanto imperador e político, particularmente na sua relação com os japoneses? Foi um estratega ou um derrotado pelas circunstâncias?

Era apenas um rapaz e, depois, um jovem adulto. Quando foi expulso da Cidade Proibida tinha pouco mais de vinte anos. Nasceu completamente fora do seu tempo. Foi proclamado imperador antes de completar três anos, por decisão da imperatriz viúva Cixi, e nunca chegou verdadeiramente a conhecer uma China monárquica. A sua situação era única: era um imperador sem império, um soberano sem reino. Não tinha qualquer papel nem uma função real. Escapou ao destino dos Romanov, na Rússia (a execução), mas foi condenado a viver encerrado naquela cidadela murada que era a Cidade Proibida. Na verdade, nunca pôde escolher praticamente nada na sua vida: nem a educação, a casa ou o casamento. Será assim surpreendente que tenha sido politicamente ingénuo e que tenha tomado más decisões? Também não ajudou o facto de o seu principal tutor, Reginald Johnston, lhe ter incutido a ideia de que era um imperador ao nível do rei de Inglaterra ou do imperador do Japão. Além disso, não devemos esquecer que Puyi era manchu, o último imperador de uma das duas “dinastias conquistadoras” da China (a outra foi a dinastia mongol Yuan). Assim, depois da expulsão de Pequim, ficou completamente sozinho, mal aconselhado e impreparado, acabando por se transformar num fantoche dos japoneses na Manchúria. O grande sinólogo de Harvard, John K. Fairbank, considerava Puyi o fim de mil anos de história imperial, da longa sucessão dos “Filhos do Céu” que tinham proporcionado à China um sentimento de unidade e continuidade, agora destruído pela modernidade, mudança e republicanismo. Segundo Fairbank, Puyi foi “a última pedra apanhada sob este rolo compressor” que representou o colapso da dinastia Qing, o nascimento da República e, posteriormente, a guerra contra o Japão.

Puyi tinha curiosidade sobre o mundo ocidental? Que visão tinha para a China?

Puyi acreditava na monarquia e naquilo a que hoje chamaríamos o “direito divino dos reis e imperadores”. Essa convicção foi reforçada pelos seus professores, sobretudo por Reginald Johnston. Acreditava que talvez pudesse tornar-se um monarca constitucional, à imagem da família real britânica: uma figura simbólica, sem poder político ou legislativo. Johnston incentivava essa ideia. Na verdade, algumas figuras do governo nacionalista de Sun Yat-sen e também alguns senhores da guerra do norte da China viam essa possibilidade com simpatia. Puyi tinha curiosidade pelo Ocidente. Queria estudar em Oxford e via filmes mudos de Hollywood. Contudo, a sua posição e o momento histórico em que viveu eram demasiado singulares para que pudesse realmente conhecer o mundo para além dos muros da Cidade Proibida.

Puyi teve várias esposas, uma das quais desenvolveu dependência do ópio. Como eram essas relações?

O meu livro centra-se sobretudo na relação entre Puyi e Wanrong. Ambos eram adolescentes quando o casamento foi arranjado. As narrativas chinesas e ocidentais sempre apresentaram esta união como um casamento sem amor (e, naturalmente, sem filhos), retratando Puyi como uma pessoa fria, emocionalmente distante e até assexual. No entanto, os diários de Isabel Ingram relativos aos últimos dois anos na Cidade Proibida e as cartas de Johnston escritas na época mostram um casal muito diferente. Eles eram próximos. Ingram afirma claramente que existia carinho e intimidade física entre ambos. Jogavam ténis juntos, andavam de bicicleta, viam filmes, encomendavam refeições de hotéis ocidentais de Pequim para experimentar novos sabores e partilhavam uma paixão comum pela fotografia. Quando Puyi teve de tomar decisões difíceis, Wanrong apoiou-o. Mais tarde, já na Manchúria, após a expulsão, acabaram por se afastar. Wanrong percebeu que Puyi tinha cometido erros gravíssimos, caiu na dependência do ópio e morreu ainda jovem. Foi uma verdadeira tragédia. O meu livro apresenta também novas fontes sobre a relação entre Puyi, Wanrong e Wenxiu, a sua consorte.

Que detalhes desses relacionamentos pode destacar?

Ao contrário da imagem tradicional de rivalidade, Wanrong e Wenxiu eram amigas e apoiavam-se mutuamente nas circunstâncias muito particulares em que viviam. Incluo cartas e passagens de diários que descrevem animadas festas nos jardins, frequentadas pelos três, bem como fotografias onde aparecem juntos a rir, a sorrir em piqueniques, a fumar e até a brincar em baloiços. Mais tarde, Wenxiu acabaria por “divorciar-se” de Puyi, e tudo indica que ele lhe desejou sinceramente felicidade para o resto da vida. Tanto a relação de Puyi com Wanrong como com Wenxiu, assim como a amizade entre as duas mulheres, são documentadas através destas novas fontes e revelam uma história muito diferente daquela que durante décadas imaginámos.

Pu Yi viveu até meados da década de 1960, atravessando a guerra civil chinesa e o início da Revolução Cultural. Como viveu esse período? Que visão tinha do maoísmo?

Naturalmente, é impossível ignorar que, ao aceitar tornar-se imperador do Manchukuo, o Estado fantoche criado pelos japoneses na Manchúria, e ao apelar aos chineses para que não resistissem ao Japão, Puyi foi considerado um traidor. Essa decisão marcou profundamente a forma como passou a ser visto. Foi submetido a um longo processo de “reeducação” antes de poder regressar a Pequim. Primeiro trabalhou como varredor de ruas — perdia-se constantemente porque praticamente não conhecia a cidade além da Cidade Proibida — e, mais tarde, tornou-se jardineiro. Casou novamente e esse casamento foi feliz. Recebeu alguma protecção de Zhou Enlai quando houve quem defendesse que deveria ser severamente castigado e, já no final da vida, os Guardas Vermelhos quiseram torturá-lo quando começou a Revolução Cultural. Zhou Enlai, que o convidou várias vezes para almoçar em Zhongnanhai, disse-lhe uma vez: “Não tiveste qualquer responsabilidade por te tornares imperador aos três anos… Mas és inteiramente responsável pelo que aconteceu depois.” Naturalmente, Puyi manteve-se em silêncio sobre política e sobre o maoísmo. Viveu os seus últimos anos discretamente. A sua vida tinha sido demasiado invulgar, demasiado isolada, e ele tinha sido sucessivamente manipulado pela corte Qing, pelos japoneses e, finalmente, pelos comunistas, para poder ser visto como algo mais do que uma anomalia histórica: o último imperador da China. Espero que o meu novo livro, ao revelar estas novas fontes e as perspectivas de testemunhas oculares dos últimos anos vividos na Cidade Proibida, mostre claramente um jovem que, ainda que por pouco tempo, teve a oportunidade de construir uma vida produtiva e uma relação amorosa feliz. Infelizmente, o peso da História acabou por ser demasiado grande.

30 Jul 2026

Air Macau | Mais de 60 passageiros saíram de Nanning por meios próprios

Dos 166 passageiros que aterraram de emergência no aeroporto de Nanning, no início da noite de sábado, 64 decidiram regressar a casa pelos seus próprios meios, enquanto o voo de regresso a Macau aterrou às 20h40 de domingo. Governo não explica porque foi negada entrada no Interior a residentes com passaporte da RAEM

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) confirmou a chegada a Macau de 102 passageiros do voo da Air Macau que foi desviado no sábado à tarde para o Aeroporto Militar de Nanning, na província de Guangxi, devido a condições meteorológicas adversas em Macau, afectado pelo tufão Noul. Recorde-se que nessa altura, estava içado o sinal 3 de tempestade tropical.

Num e-mail enviado ao HM, a DST confirma que o voo partiu de Nanning às 19h37 de domingo, cerca de 24 horas depois de lá ter aterrado, e os “102 passageiros a bordo concluíram todas as formalidades de entrada [na RAEM] até às 20h55”.

A DST ressalva que dos 166 passageiros que partiram de Osaka, “64 optaram por deixar Nanning pelos seus próprios meios”. O organismo público acrescenta que “recebeu um total de 13 pedidos de assistência”, que “encaminhou para os departamentos competentes para o devido acompanhamento”.

A resposta enviada ao HM, igual à reproduzida pelo canal chinês da TDM, não menciona o facto de a DST ter afirmado no domingo que “as autoridades de controlo fronteiriço do continente prestaram a assistência adequada aos passageiros”, apesar de publicações nas redes sociais de passageiros que se queixaram de ter ficado 10 horas retidos no avião e aeroporto só com água e noodles instantâneos.

Poucas palavras

Um residente da RAEM publicou no Xiaohongshu que lhe teria sido negada entrada em Nanning por não ter consigo o Salvo-Conduto de Ida e Volta para o Interior da China, apesar de estar munido do passaporte da RAEM.

Tanto no comunicado de domingo, como no e-mail enviado ao HM, a DST não menciona uma única vez as dificuldades que os residentes da RAEM enfrentaram para entrar no território chinês no aeroporto de Nanning. Apesar disso, vários internautas referiram que o problema com as autoridades alfandegárias nacionais se prendeu com o facto de os residentes não terem consigo Salvo-Conduto de Ida e Volta para o Interior da China, apesar de serem cidadãos chineses. Além disso, esta não é a primeira vez que um avião que devia aterrar em Macau, vindo do estrangeiro, é desviado para o mesmo aeroporto de Nanning.

29 Jul 2026