Albergue SCM | Exposição apresenta trabalhos do arquitecto He Jingtang

Na próxima quarta-feira, o Albergue SCM acolhe uma a exposição “Lugar, Cultura, Tempo — Design para um desenvolvimento de alta qualidade na China: Selecção de obras arquitectónicas de He Jingtang e da sua equipa”. A mostra centra-se nas obras de marcos académicos do arquitecto e académico chinês

 

No próxima quarta-feira, dia 15, é inaugurada no Albergue SCM a exposição “Lugar, Cultura, Tempo — Design para um desenvolvimento de alta qualidade na China: Selecção de obras arquitectónicas de He Jingtang e da sua equipa”. A cerimónia que dará o pontapé de saída da mostra está marcada para as 18h30 de quarta-feira e estará patente ao público até 13 de Agosto na Galeria A2 do Albergue.

Centrada no conceito central de “Lugar, Cultura, Tempo”, a mostra reúne uma selecção de obras arquitectónicas e os marcos académicos alcançados ao longo dos anos por He Jingtang e a sua equipa.

A organização, a cargo do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, da Federação de Académicos de Guangdong e Instituto de Pesquisa e Design de Arquitectura da Universidade de Tecnologia do Sul da China, salienta que a iniciativa tem como objectivos a promoção da arte e cultura arquitectónicas e criar uma plataforma para o intercâmbio mútuo e o enriquecimento entre Macau e o Interior da China.

He Jingtang nasceu em 1938 em Dongguan, na província vizinha de Guangdong. É arquitecto e membro da Academia Chinesa de Engenharia, e actualmente desempenha as funções de Reitor Honorário da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Tecnologia do Sul da China.

Ao longo da carreira, He Jingtang especializou-se na concepção de edifícios com fins culturais, assim como no planeamento de campus, liderando equipas de profissionais responsáveis pela concepção e concretização de um grande número de edifícios emblemáticos com influência internacional.

Vida cheia

Entre os projectos mais emblemáticos de He Jingtang contam-se o Pavilhão da China na Exposição Mundial de 2010 em Xangai, a ampliação do Memorial às Vítimas do Massacre de Nanjing perpetrado pelos invasores japoneses (Local de Memória Público Nacional), o Centro Internacional de Conferências de Qingdao (sede principal da Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai), o Arquivo Nacional de Publicações e Cultura (Guangzhou), o Museu da China (Hainan) do Mar da China Meridional.

Entre os projectos de espaços e edifícios dedicados ao ensino, destaque local para o Campus de Hengqin da Universidade de Macau no portfolio do académico e arquitecto.

Outra das conquistas de He Jingtang, foi quebrar o monopólio de arquitectos estrangeiros na concepção de marcos nacionais chineses, liderando o caminho da criação arquitectónica com características chinesas, descreve a organização da exposição.

Com uma vida de trabalho com arquitecto, académico e investigador, He desenvolveu a teoria “Dois Conceitos (conceitos holísticos e sustentáveis) e Três Características (lugar, cultura e tempo)”, que está no cerne dos trabalhos selecionados.

A mostra pode ser visitada todos os dias das 12h às 19h, excepto às segundas-feiras em que o horário vai das 15h às 19h. A entrada é livre.

9 Jul 2026

Obras | Túnel entre Portas do Cerco e Parque Desportivo custa 1,7 mil milhões

A concepção e construção do túnel entre as estações das Portas do Cerco e do Parque Desportivo para os Cidadãos, da Linha Leste do Metro Ligeiro, vai custar 1,74 mil milhões de patacas. O adjudicatário do projecto é um consórcio de empresas estatais, que irá receber pagamentos faseados a partir deste ano até 2030

A empreitada de concepção e construção do túnel, com recurso a tuneladora, para a extensão da Linha Leste do Metro Ligeiro da Estação ES1, nas imediações das Portas do Cerco, até à Estação do Parque Desportivo para os Cidadãos vai custar mais de 1,74 mil milhões de patacas aos cofres públicos, num pagamento faseado entre este ano e 2030.

A informação consta da relação discriminada de encargos plurianuais publicada ontem no Boletim Oficial pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF).

Os trabalhos vão estar a cargo de um consórcio formado pela Ccecc (Macau) Companhia de Construção e Engenharia Civil China, a Companhia de Fomento Predial Nam Kwong, e a China Railway.

A factura deste ano será de 24,3 milhões de patacas, subindo para o custo anual mais elevado em 2027 para 662,7 milhões de patacas, e 514,7 milhões de patacas em 2028. No ano seguinte, o consórcio de empresas estatais irá receber 486,7 milhões de patacas e, finalmente, em 2030 a RAEM irá desembolsar 54,8 milhões de patacas.

A Linha Leste do Metro Ligeiro terá um traçado de cerca de 7,7 quilómetros de comprimento, seis estações e fará a ligação às Portas do Cerco, à Zona A dos Novos Aterros Urbanos, à Zona E dos Novos Aterros Urbanos, bem como à Estação do Terminal Marítimo da Taipa, também servida pela Linha da Taipa. As três primeiras estações serão subterrâneas.

Prata e bronze

A segunda obra com custos mais elevados, mencionada ontem na relação de encargos plurianuais, é a empreitada de concepção e construção de habitação pública no lote A3 da Zona A dos novos aterros.

Os trabalhos foram adjudicados ao consórcio formado pela Companhia de Construção & Engenharia Shing Lung e a AD&C Engenharia e Construções Companhia por 1,1 mil milhões de patacas. Este é o último ano, desde 2022, em que o projecto entra no relatório da DSF, com um custo de 1,5 milhões de patacas. O ano mais “caro” foi 2024, quando o projecto representou um encargo de quase 502 milhões de patacas.

A terceira obra mais cara para os cofres da RAEM enumerada pela DSF diz respeito à empreitada de construção do Edifício de Escritórios para a Administração no Lote Q-1d da ZAPE – Obra de Superestrutura, adjudicada à Top Builders Internacional por 346,4 milhões de patacas, pagos a três anos.

Este ano, o projecto que irá congregar múltiplos serviços públicos, irá custar cerca de 33,7 milhões de patacas, valor que sobe para 201,4 milhões de patacas em 2027. No último ano da empreitada da superestrutura, a RAEM terá de desembolsar quase 111,3 milhões de patacas.

Consignado no mês passado, e com data de conclusão apontada para Julho de 2028, a obra tem como projectista a Luís Sá Machado, Conceição Perry e Isabel Bragança Arquitectos Limitada. Recorde-se que o projecto tem uma área de implantação de cerca de 2.770 metros quadrados, onde será construído um edifício de escritórios para a Administração com 12 pisos de altura e três pisos em cave.

9 Jul 2026

Hengqin | Entrada de veículos de Macau em toda a província no horizonte

As autoridades de Guangdong deram o primeiro passo para possibilitar a circulação em toda a província a veículos de Macau autorizados nas estradas de Hengqin. Esse passo foi a recolha de opiniões. Num primeiro instante, será dada prioridade a residentes que vivam, trabalhem ou tenham negócios na zona de cooperação

Poderá estar para breve a correcção de uma incongruência ao nível das políticas de integração entre a RAEM e a província vizinha de Guangdong em que os veículos com matrícula de Macau autorizados a entrar em Hengqin não podiam conduzir nas estradas de Guangdong, e os autorizados a conduzir em Guangdong não podiam entrar em Hengqin.

Na segunda-feira, o Gabinete para os assuntos da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin do Governo Popular da Província de Guangdong começou a recolher opiniões sobre a possibilidade de os veículos de Macau em Hengqin poderem circular em Guangdong. O período de auscultação irá decorrer até quarta-feira da próxima semana.

Segundo as autoridades provinciais, para solicitar autorização para saírem da Ilha da Montanha para o Interior, os condutores de Macau devem cumprir os mesmos requisitos que lhes permitem conduzir em Hengqin. A saber, são elegíveis residentes que compraram um imóvel ou trabalhem na zona de cooperação, que tenham chegado a Hengqin a através do programa de captação de quadros qualificados.

No entanto, as autoridades de Guangdong sublinharam que será dada prioridade a pedidos submetidos por residentes que vivam, trabalhem e criem negócios na Zona de Cooperação Aprofundada.

Regras do jogo

Cada veículo com matrícula da RAEM pode registar um máximo de dois condutores de Macau, que precisam de ter carta de condução do Interior da China, assim como documentos válidos de migração, para poderem sair de Hengqin e conduzir no resto da província. Quando a medida entrar em vigor e forem entregues pedidos para circular em Hengqin, os requerentes podem logo pedir também a saída da ilha.

Além disso, a validade da licença provisória para entrar em Guangdong precisa de ser igual à do seguro obrigatório, mas o período máximo não pode ultrapassar um ano.

Porém, a permanência dos veículos do lado de lá da fronteira não é ilimitada. A contar do primeiro dia de entrada em Hengqin, os veículos devem regressar a Macau num prazo máximo de seis meses. Se saírem de Hengqin, não podem permanecer em Guangdong mais de 30 dias seguidos, e o número de dias acumulados não pode ultrapassar 180 dias por ano.

Quem violar estas regras de permanência ou conduzir fora de Guangdong, pode ficar entre 1 a 2 anos sem licença.

A polícia de Guangdong incluiu ainda um capítulo sobre responsabilidade legal que pode levar ao cancelamento da licença, sem que possa ser pedida nova licença num espaço de três anos. Estas penalizações aplicam-se a quem use o carro para fazer contrabando, imigração ilegal, ou em caso de fuga após acidente de trânsito.

9 Jul 2026

Concerto | ITZY trazem energia adolescente do Kpop ao Venetian

A banda coreana ITZY vai actuar no Venetian Arena no dia 15 de Agosto, prevendo-se uma corrida aos bilhetes, que serão postos à venda na próxima segunda-feira. O público pode esperar uma performance enérgica, uma grande produção visual em palco e uma celebração da cultura “teen crush”

Atitude e energia, dois dos principais pilares do conceito “teen crush” transversal a muitas das girl bands do pop coreana actual. Estes são os ingredientes que fizeram das ITZI um fenómeno de popularidade. A banda sul-coreana vai actuar no Venetian Arena no próximo dia 15 de Agosto, às 18h, e os bilhetes serão postos à venda na próxima segunda-feira ao meio-dia a preços que variam entre 799 e 1.999 patacas.

O concerto em Macau da banda que Kpop está integrado na sua terceira digressão mundial, a “ITZY 3rd World Tour”, como foi originalmente designada. O conjunto de espectáculos desta tournée promete deslumbrar o público com uma produção cénica totalmente nova, efeitos visuais melhorados e actuações ao vivo electrizantes, tudo o que é preciso para um início de noite memorável para os fãs (os MIDZY).

Desde a estreia em 2019 com “Dalla Dalla”, as ITZY afirmaram-se como um dos principais grupos femininos do K-pop com êxitos como “Wannabe”, “Loco”, “Sneakers” e “Untouchable”, alcançando uma popularidade impossível de ignorar na indústria, não só rebentando tabelas de vendas, como arrebatando prémios musicais e reconhecimento internacional.

Após duas digressões mundiais e o lançamento do mais recente mini-álbum, “Tunnel Vision”, as ITZY chegam a Macau com o estatuto de um dos principais grupos femininos de Kpop.

Rebeldia sem causa

A aparência, atitude e as letras da banda transpiram irreverência e atrevimento, factores que determinam a presença dinâmica em palco de Yeji, Lia, Ryujin, Chaeryeong e Yuna. Estes são os ingredientes que o quinteto usa para apelar ao público mais jovem através do conceito “teen crush”, uma fórmula comercial “desenhada” por produtores para capitalizar no poder de compra dos adolescentes.

Este conceito, muito baseado no aspecto estético, está associado principalmente à “4.ª geração” das bandas de pop coreano que adoptou uma postura agressiva, mas ao mesmo tempo juvenil e muito polida para a beleza. A nova vaga é a réplica à mais tradicional “girl crush”, em que as “artistas” adoptam imagens mais sombrias e maduras.

A “teen crush” usa e abusa de uma variada paleta de cores de alta saturação, acessórios kitsch e elementos de moda de rua, projectando uma imagem de rebeldia juvenil e confiança.

Em termos visuais, esta estética caracteriza-se pela subversão dos uniformes escolares tradicionais e do vestuário desportivo, misturando-os com elementos de inspiração industrial ou punk, tais como botas militares, correntes e tecidos em tons néon.

Em termos musicais, bandas como as ITZI navegam em mares de dance-pop e EDM, com letras que enfatizam o amor-próprio e a independência em detrimento de temas românticos.

8 Jul 2026

Trânsito | Segunda-feira marcada por quatro atropelamentos

As ocorrências na tarde de chuva fizeram com que três peões e um condutor tivessem de receber assistência médica. Pelo menos dois dos atropelamentos aconteceram em duas passadeiras

A tarde de segunda-feira ficou marcada por quatro atropelamentos, dois dos quais em passadeiras, de acordo com a informação divulgada pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). Estes são os mais recentes episódios deste género, num ano que já ficou marcado pela morte de uma criança que atravessava numa passadeira.

Segundo o CPSP, citado pelo canal chinês da Rádio Macau, um dos quatro atropelamentos aconteceu na Avenida do Almirante Magalhães Correia, na Areia Preta, junto ao Centro Industrial Keck Seng. Neste acidente, o condutor, de 40 anos, terá desrespeitado um semáforo vermelho e atingido um transeunte.

A vítima terá precisado de receber assistência hospitalar, ao contrário do condutor. O homem acabou multado no local por não respeitar o sinal vermelho, sendo que o teste do álcool acusou negativo.

Registaram-se ainda outros dois casos em passadeiras. Uma das ocorrências foi verificada no cruzamento entre a Avenida do Ouvidor Arriaga e a Rua de Silva Mendes, na Península de Macau, quando o condutor não terá cedido a passagem a um peão. O outro atropelamento, também numa passadeira, aconteceu na Taipa, na Estrada do Tiro, perto do hotel Wynn Palace. Estes dois acidentes causaram três feridos que foram levados para o hospital, incluindo um idoso com cerca de 60 anos.

Fora da passadeira

Também na tarde de segunda-feira, registou-se um quarto atropelamento de uma mulher de 80 anos. Neste caso, o acidente teve origem no facto de a idosa ter decidido atravessar a estrada fora da passadeira.

O atropelamento aconteceu perto do Edifício Kam Shau, com a idosa a sofrer uma contusão, o que levou a que fosse hospitalizada. Além dos ferimentos, segundo o canal chinês da Rádio Macau, a mulher foi ainda multada pela polícia por não ter atravessado a rua na passadeira.

Ao contrário de outras ocorrências, nos atropelamentos de segunda-feira não houve vítimas mortais. No entanto, este ano tem ficado marcado por alguns casos mais mediáticos.

A principal ocorrência aconteceu no final de Maio, quando um menino de 10 anos foi atingido por um carro que não parou na passadeira, na Avenida do Conselheiro Borja. O acidente ficou registado em vídeo, e mobilizou a comunidade, levando a várias homenagens no local e pedidos de maior segurança na estrada, até agora sem resultados visíveis.

Também na semana passada, uma idosa de 74 anos morreu, depois de ter sido atropelada no cruzamento entre a rua da Harmonia e a Travessa da Corda. De acordo com a Polícia de Segurança Pública, o acidente ocorreu quando a idosa atravessava a estrada e foi atropelada por um carro ligeiro que saía do cruzamento e fazia uma curva.

8 Jul 2026

Justiça | Três jornalistas do All About Macau vão a tribunal

Três repórteres do jornal ‘online’ All About Macau, entretanto encerrado, vão a julgamento em 16 de Julho e arriscam penas de até três anos de prisão, acusadas de “perturbação do funcionamento” do parlamento local.

De acordo com o portal dos tribunais de Macau na Internet, consultado ontem pela Lusa, a defesa das jornalistas no Tribunal de Primeira Instância está a cargo de Ricardo Carvalho.

O advogado português confirmou ontem à Lusa que aceitou o caso, mas não revelou mais pormenores.

Duas jornalistas do All About Macau foram detidas em 17 de Abril de 2025 pela polícia quando tentavam entrar no salão da Assembleia Legislativa.

As repórteres foram impedidas de assistir à apresentação do programa político na área da Administração e Justiça para 2025, alegadamente por não haver lugares vagos no salão – algo negado pela publicação.

O Ministério Público (MP) acusou as jornalistas de “perturbação do funcionamento de órgãos da Região Administrativa Especial de Macau”, crime que acarreta uma pena máxima de até três anos de prisão.

A Lusa pediu mais informação ao MP, incluindo os fundamentos da acusação contra a terceira jornalista do All About Macau, mas não recebeu qualquer resposta.

Morte anunciada

O jornal ‘online’ e publicação mensal impressa anunciou o encerramento no final de Outubro devido a “pressões crescentes”, falta de recursos e os processos judiciais contra três dos seus jornalistas.

Três meses depois, o Governo anunciou o cancelamento do registo da publicação, sem revelar publicamente as razões.

Na sequência da detenção, a Sociedade de Jornalistas e Profissionais da Comunicação Europeus na Ásia (JOCPA) disse à Lusa que Portugal deveria ter feito “um gesto discreto ou uma expressão de preocupação” face à detenção destas jornalistas.

“Consideramos o silêncio de Portugal preocupante, dados os seus profundos laços históricos e culturais com Macau”, lamentou o presidente da JOCPA, Josep Solano.

“A situação inédita ocorrida é triste e preocupa-nos, pois consideramos que abre um precedente, no mínimo, constrangedor”, reagiu também à Lusa o presidente da Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau.

Em Abril de 2025, José Miguel Encarnação pediu ao MP “ponderação na avaliação dos factos, por forma a que não haja consequências de maior”.

A Associação de Jornalistas de Macau declarou na altura que “lamenta profundamente” a detenção das repórteres, incluindo a presidente da organização, Island Ian Sio Tou.

Em Novembro, Island Ian, antiga chefe de redação do All About Macau, foi impedida por funcionários do Tribunal de Segunda Instância de acompanhar o julgamento do ex-procurador-adjunto Kong Chi por corrupção.

8 Jul 2026

Turismo | DST procura atrair estrangeiros que vão a Guangzhou

O Governo está a negociar com operadores estrangeiros benefícios de transporte para atrair turistas que visitam Guangzhou. Em relação ao projecto de abrir um escritório em Kuala Lumpur, a DST informa que já foi registada a empresa e as instalações estão a ser renovadas

O objectivo de captar turistas estrangeiros está a tomar forma em vários pontos do mundo. A directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, indicou que estão em curso negociações com operadores estrangeiros para disponibilizar benefícios de transporte aos visitantes com destino a Guangzhou. O objectivo é incentivar os turistas internacionais que visitam o Interior da China, nomeadamente a capital da província vizinha, a prolongar o seu itinerário até Macau e expandir o mercado de viagens conjuntas.

A iniciativa insere-se na lógica das promoções lançadas para captar turistas que chegam ao aeroporto de Hong Kong, com bilhetes gratuitos de ligação directa do Aeroporto de Hong Kong até Macau, assim como com colaborações com companhias aéreas asiáticas e agências de viagens online para criar pacotes turísticos.

Helena de Senna Fernandes, em resposta a uma interpelação escrita de Song Pek Kei, indicou também que a abertura do escritório em Kuala Lumpur está a decorrer sem sobressaltos. “Actualmente, o Governo da RAEM já iniciou os trabalhos de implementação, avançando em simultâneo com o registo da empresa e a renovação das instalações de escritório.”

Esta entidade será detida totalmente por capitais públicos, mas terá um “registo comercial local sob a forma de sociedade privada limitada”.

Recorde-se que a abertura de uma representação na capital da Malásia foi uma promessa deixada na apresentação das Linhas de Acção Governativa para tratar de assuntos de economia, comércio, turismo e cultura, nomeadamente promovendo a marca turística Macau.

Pelos céus

Em relação ao Aeroporto de Macau, a líder da DST refere que a estratégia passa por reforçar a rede de rotas aéreas regionais centrada no Interior da China, no Sudeste Asiático e no Nordeste Asiático, e criar rotas de ligação à RAEM.

Desta forma, segundo Helena de Senna Fernandes, entende que será possível satisfazer as necessidades de deslocações de longa distância dos residentes de Macau, mas também facilitar a chegada de turistas internacionais a Macau através da rede de conexões aéreas.

Neste contexto, a responsável acrescenta que a Air Macau está a trabalhar, através da rede internacional da sua empresa-mãe, a Air China, no estabelecimento de Pequim e Chengdu como dois importantes hubs de ligação nacional. A ideia é criar voos interligados com “bagagem despachada até ao destino final e bilhete único”, de forma a ampliar “o alcance externo do mercado turístico de Macau”.

8 Jul 2026

Função Pública | Song Pek Kei pede alívio da pressão

A legisladora ligada à comunidade de Fujian considera que os funcionários públicos estão cada vez mais carregados com trabalho, pelo que pede ao Governo maior reconhecimento da situação actual, através de novos apoios

A deputada Song Pek Kei defende que o Executivo deve aliviar a carga de trabalhos dos funcionários públicos e atribuir mais subsídios, principalmente aos reformados. A posição da legisladora ligada à comunidade de Fujian consta de uma interpelação escrita.

Segundo a deputada, a Administração está a atribuir aos seus trabalhadores cada vez mais tarefas administrativas e uma carga horária mais pesada. Por isso, Song Pek Kei entende que o Governo de Sam Hou Fai precisa de mostrar que valoriza os funcionários, com medidas para “aliviar a pressão” do quotidiano e “cuidar” do pessoal.

A membro da Assembleia Legislativa pede assim a adopção de medidas para responder à situação do quadro de trabalhadores, e afirma que o sistema actual está a resultar numa rotatividade dos quadros, dado que há cada vez mais pessoas a optar por deixar a função pública.

Song Pek Kei fez também um balanço negativo das medidas para simplificar as carreiras da administração pública. Segundo a deputada, vive-se uma contradição, porque muitos dos funcionários que fazem trabalho de atendimento aos balcões acabam por ter de fazer cada vez mais trabalho administrativo.

Enquanto a simplificação foi apresentada no passado como uma forma de especializar cada vez mais os trabalhadores, Song aponta que na prática há cada vez mais funcionários a terem de realizar tarefas com naturezas muito diferentes das previstas na carreira.

 

Pecado original

A legisladora considera assim que a “intenção original da reforma” administrativa não está a ser cumprida, o que tem um impacto directo na “eficiência dos trabalhos”, tidos como menos eficientes.

Ao mesmo tempo, Song Pek Kei pediu ao Governo para alterar o sistema de mobilidade interna. A deputada recorreu a dados oficiais para indicar que desde a entrada em vigor do sistema actual, em Março de 2023, e o final de Fevereiro deste ano, foram transferidas 353 pessoas em 59 serviços. Este número foi considerado insuficiente e uma prova de que as necessidades actuais não estão a ter resposta.

No entanto, a deputada também reconheceu que o Executivo tem planos para fazer uma nova revisão legislativa nesta área. Por isso, questionou o andamento dos trabalhos: “Qual é o estado actual da revisão por parte das autoridades, especialmente no que diz respeito à transferência de pessoal. Vai haver um reforço da comunicação interdepartamental para promover um ambiente de trabalho mais positivo para os funcionários públicos?”, perguntou.

A legisladora recordou também que o Executivo fez a promessa de manter o regime de previdência dos trabalhadores dos serviços públicos, pelo que pede um aprofundamento dos apoios existentes. “Por exemplo, o Executivo vai permitir que os trabalhadores abrangidos pelo regime de previdência e com determinados anos de serviço tenham acesso a um subsídio para habitação durante a reforma?”, questionou.

8 Jul 2026

Bienal de Curitiba | Governo enaltece estreia de Macau como “ponte crucial”

A participação de Macau pela primeira vez na Bienal Internacional de Curitiba materializa a visão do Governo no posicionamento da RAEM no “importante circuito de bienais latino-americanas”. O pavilhão de Macau apresenta a mostra “Matéria, Corpo e Linguagem”, patente na capital Paraná até 15 de Novembro

A presença inaugural de Macau na 16.ª Bienal Internacional de Curitiba representa o culminar da “visão do Governo da RAEM de posicionar Macau como uma ‘importante ponte crucial, a nível nacional, para uma abertura de alto padrão’ e ‘uma janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental’. Foi desta forma que o Governo, através do Instituto Cultural (IC), mencionou a estreia de Macau, através da exposição “Matéria, Corpo e Linguagem” circuito de bienais latino-americanas.

A mostra, inaugurada no passado dia 14 de Junho, pode ser vista, até 15 de Novembro, no Museu Oscar Niemeyer na capital do estado brasileiro do Paraná.

A participação de Macau insere-se também nas “comemorações do Ano da Cultura China-Brasil 2026, evidenciando o papel vital e a vantagem única de Macau enquanto plataforma de intercâmbio cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. O IC refere também que a participação de Macau é “uma demonstração prática do seu posicionamento como uma base de intercâmbio e cooperação para a promoção da coexistência multicultural, com predominância da cultura chinesa”.

Matéria e espírito

Com curadoria geral de Adriana Almada e Tereza de Arruda, sob o tema “LIMIARES”, a Bienal aborda as fronteiras contemporâneas entre o humano e a tecnologia. Em co-curadoria, o Museu de Arte de Macau (MAM), apresenta a exposição “Matéria, Corpo e Linguagem” que reúne três obras encomendadas aos artistas Peng Yun, Bianca Lei (Macau) e Gao Fuyan (Interior da China). Estas peças, anteriormente patentes em “Estou Aqui – Helena Almeida: Presença e Ressonância” (2026) e na mostra principal da “Arte Macau – Bienal Internacional de Arte de Macau” (2025), são agora reenquadradas à luz do tema “LIMIARES”, explorando as condições existenciais do corpo, da linguagem e da matéria face ao avanço tecnológico. Segundo o IC, “Matéria, Corpo e Linguagem” evoca um espírito de introspecção e convida à “reflexão humanística”.

O Conselheiro Cultural da Embaixada da China no Brasil, Zhang Zhiyun, visitou o Pavilhão de Macau e elogiou o trabalho de Macau no estabelecimento de “intercâmbios culturais com a América Latina, reflectindo o compromisso estratégico do governo central em integrar Macau no desenvolvimento nacional”.

A Bienal Internacional de Curitiba, um dos maiores eventos de arte contemporânea da América Latina, realiza-se desde 1993.

A edição deste ano reúne mais de 300 artistas de 38 países em diversos espaços da cidade. Em celebração do “Ano da Cultura China-Brasil 2026”, a Bienal reforçou a cooperação com instituições chinesas, estabelecendo parcerias com o Grupo de Artes e Entretenimento da China e com o IC para a criação dos Pavilhões da China e de Macau.

7 Jul 2026

Saúde | Um quarto dos doentes com sintomas respiratórios tem covid-19

Um quarto das consultas médicas devido a sintomas respiratórios revelam infecções de covid-19, taxa que o director dos Serviços de Saúde considera “relativamente elevada”. Alvis Lo recomenda o uso de máscaras em locais públicos e vacinação a pessoas com sistemas imunológicos debilitados

Cerca de 25 por cento pessoas que vão a consultas médicas em Macau devido a sintomas de respiratórios estão infectadas com covid-19, revelou o director dos Serviços de Saúde, enquanto 15 por cento testam positivo ao vírus da gripe, proporção que está próxima do limite de alerta.

Em declarações prestadas no domingo, citadas pelo jornal Ou Mun, Alvis Lo aconselhou os residentes a prestarem atenção à higiene pessoal e ambiental, e a procurar assistência médica em caso de febre ou sintomas respiratórios, para evitar a propagação do vírus. Nesse sentido, o responsável recomenda o uso de máscaras em locais públicos, assim como manter hábitos que favoreçam o descanso e a vida saudável.

Além disso, apesar de não estarmos na época de vacinação para doenças respiratórias, Alvis Lo recordou que as vacinas para a covid-19 estão disponíveis e são aconselháveis para idosos, crianças e pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos.

Os Serviços de Saúde revelaram ontem dois casos colectivos de covid-19, um deles no Centro de Serviços Integrados para Idosos do Exército de Salvação, na Rua da Doca Seca, com 11 utentes a testarem positivo. O outro caso verificou-se na Creche Fai Chi Kei da Cáritas, na Travessa de Fai Chi Kei, onde foram identificadas três crianças infectadas. Em nenhum dos casos houve registo de casos graves ou outras complicações e os doentes apresentam condições clínicas estáveis.

Saúde nos bairros

Em relação à prevenção de doenças crónicas, Alvis Lo acrescentou que na primeira metade deste ano quase 100 mil pessoas receberam assistência nos diversos postos de saúde e consulta médica espalhados pelos bairros residenciais do território.

Os exames de medição de pressão arterial e níveis de glicemia identificaram mais de 1.900 novos doentes com hipertensão e mais de 300 novos doentes com diabetes. Face a estes resultados, o director dos Serviços de Saúde apelou à população com mais de 18 anos a verificar a pressão arterial pelo menos uma vez por ano, enquanto as pessoas com mais de 40 anos devem verificar a glicemia e lípidos no sangue, pelo menos, de três em três anos. O objectivo é detectar doenças crónicas precocemente.

7 Jul 2026

Defesa | China e Rússia iniciam exercícios conjuntos no mar Amarelo e no Pacífico

A China e a Rússia iniciaram ontem exercícios navais conjuntos em Qingdao (nordeste chinês), que decorrerão até 13 de Julho no mar Amarelo e no Pacífico, anunciaram a agência Xinhua e o ministério da Defesa russo.

Segundo a Xinhua, os dois países estabeleceram um comando conjunto, integrado por elementos das marinhas chinesa e russa, e os exercícios, designados Interacção Marítima 2026, decorrem em três fases: concentração de forças, planeamento em porto e operações no mar.

A fase de concentração terminou no domingo e, após a cerimónia de abertura, as duas marinhas realizaram exercícios de coordenação táctica e de comando, acrescentou a agência oficial.

O comando conjunto definiu ainda os principais objectivos da fase marítima, durante a qual os navios participantes vão operar em águas próximas de Qingdao para realizar exercícios de reconhecimento conjunto, defesa aérea e antimíssil, bem como treinos com recurso a fogo real.

O ministério da Defesa russo indicou anteriormente, através da rede social Telegram, que um destacamento da Frota russa do Pacífico chegou a Qingdao com o cruzador Variag, a corveta Rezkiy, o submarino Ufa e o navio de salvamento Igor Belousov.

Do lado chinês participam os contratorpedeiros Anshan e Kaifeng, a fragata Wuhu, um submarino diesel-eléctrico da classe Yuan, o navio de reabastecimento Kekexilihu e o navio de salvamento Yangchenghu, segundo a mesma fonte.

As manobras incluem operações conjuntas de busca e salvamento, guerra antissubmarina, defesa aérea, exercícios de artilharia, além da participação de fuzileiros navais dos dois países e apoio da aviação naval.

 

Plano de cooperação

O ministério da Defesa chinês anunciou no domingo que as marinhas da China e da Rússia realizariam este mês exercícios em águas e espaço aéreo chineses, seguidos de uma operação de “patrulhamento marítimo conjunto” em “áreas relevantes” do Pacífico.

Pequim indicou então que as manobras fazem parte do plano anual de cooperação entre as Forças Armadas dos dois países e visam “responder conjuntamente aos desafios de segurança” e “proteger a paz e a estabilidade regionais”.

Os exercícios decorrem numa altura de intensa actividade militar chinesa no Pacífico Ocidental, depois de a marinha do Exército de Libertação Popular ter lançado ontem um míssil estratégico, equipado com uma ogiva simulada, a partir de um submarino nuclear para águas do Pacífico (ver texto secundário).

A China e a Rússia realizam exercícios militares conjuntos de forma regular desde que, no início de 2022, pouco antes da invasão russa da Ucrânia, anunciaram uma parceria estratégica reforçada, entretanto aprofundada através de manobras conjuntas, patrulhas aéreas e contactos frequentes entre os comandos militares.

7 Jul 2026

Subemprego | Associação alerta para falta de confiança das empresas

A Associação dos Recursos Humanos de Macau considera que a subida da taxa de subemprego é um sinal sobre o estado da economia e afirma que esta tendência aumenta a pressão económica sobre os residentes

A Associação dos Recursos Humanos de Macau considera que o aumento da taxa de subemprego reflecte a falta de confiança das empresas na economia, que estão a optar por trabalhadores a tempo parcial. O subemprego verifica-se quando um empregado trabalha menos horas pagas do que aquelas que desejava, como acontece, por exemplo, em situações de layoff ou de emprego parcial.

Ao jornal Ou Mun, o presidente da associação, Choi Chin Man, explicou que a subida da taxa de subemprego para 2,4 por cento resulta do ambiente económico actual que faz com que as empresas evitem os vínculos laborais a tempo inteiro e prefiram os contratos a tempo parcial.

Choi indicou também que o facto de haver mais pessoas disponíveis para realizarem vários trabalhos em regime de part-time não reflecte uma preferência, mas antes a falta de alternativas.

No entanto, a Associação dos Recursos Humanos de Macau alerta para os efeitos nocivos desta tendência. Segundo o responsável, o facto de estes trabalhadores não gozarem da totalidade da protecção laboral prevista na lei faz com que sintam uma pressão económica e familiar maior.

O dirigente associativo apontou também que este tipo de fenómeno muitas vezes não vem reflectido nas estatísticas oficiais, o que faz com que seja um problema “oculto”.

Ainda sobre o mercado de trabalho a tempo parcial, Choi alertou para a “forte sazonalidade”, o que faz com que as necessidades dessa mão-de-obra variem ao longo do ano, havendo alturas em que até garantir um trabalho deste género é difícil.

Concessionárias douradas

Sobre o mercado de trabalho, a Associação dos Recursos Humanos de Macau indicou que actualmente apenas as concessionárias de jogo estão a contratar trabalhadores de forma regular.

Em relação aos negócios nas zonas comunitárias e nas zonas antigas, Choi Chin Man explicou que os incentivos ao consumo do Governo, através do sorteio de cupões de desconto, apenas aliviaram alguma pressão, mas não resolvem as dificuldades operacionais. E como não se espera uma alteração desta tendência, Choi indicou que mesmo que na segunda metade do ano se verifique uma redução da taxa de subemprego não é de esperar que estes problemas fiquem resolvidos.

Apesar dos problemas, Choi Chin Man elogiou a cooperação entre o Executivo e as concessionárias de jogo, que adoptaram o modelo: “contratar, primeiro, formar depois”. Para o dirigente da associação esta iniciativa está a apresentar resultados, pelo que deixou o desejo de que seja estendida a outros sectores, como empresas estatais, bancos, instituições de interesse público e de ensino superior.

7 Jul 2026

Metro Ligeiro | Leong Hong Sai quer comercialização mais efectiva

O deputado dos Moradores defende que o metro precisa de gerar mais receitas, para reduzir o subsídio público, que actualmente é de 600 milhões de patacas. Leong quer ainda saber se vai haver um novo centro intermodal do terreno do Jockey Club

O deputado Leong Hong Sai defende a necessidade de o Metro Ligeiro adoptar uma estratégia comercial mais agressiva, com a exploração de mais espaços comerciais. A opinião surge numa interpelação escrita do legislador ligado à Associação dos Moradores de Macau.

No documento, Leong afirma que “desde o início da sua operação, o metro ligeiro de Macau tem enfrentado dificuldades operacionais”, como um “reduzido volume de passageiros, elevados custos operacionais e forte dependência de apoio financeiro público”.

A situação até melhorou com a “entrada em funcionamento da Linha de Hengqin”, em Dezembro de 2024, com as receitas “de bilheteira, arrendamentos e parques de estacionamento” a ultrapassarem pela primeira vez os 50 milhões de patacas.

No entanto, Leong Hong Sai considera preocupante que o metro ainda precise de “mais de 600 milhões de patacas” de subsídios do Governo, o que representa “87 por cento” das receitas totais deste meio de transporte. “Embora a sociedade compreenda que o metro ligeiro é uma ‘infra-estrutura de política pública’ e não um ‘negócio que deve ser financeiramente auto-sustentável’, é necessário ‘reduzir o subsídio e aumentar os benefícios marginais’”, explicou. “Por conseguinte, o desenvolvimento de componentes comerciais associados ao metro ligeiro é indispensável”, acrescentou.

Neste sentido, o membro dos Moradores quer saber se as autoridades “vão ponderar cooperar com as empresas” para “aumentar os espaços publicitários de grande dimensão nas áreas de espera do metro ligeiro e no interior das carruagens”.

 

Na linha dos concertos

Em termos de oportunidades comerciais, Leong reconhece que a utilização do Metro Ligeiro beneficia com a realização vários concertos no território, pelo que procura saber se as autoridades têm uma estratégia para explorar comercialmente esse fenómeno. “Em resposta à economia dos concertos, [as autoridades] vão promover o desenvolvimento integrado das zonas envolventes e estender os espaços de desenvolvimento comercial até ao metro ligeiro?”, pergunta.

Na interpelação, o deputado aborda também a futura ligação a Hengqin feita através da estação do Jockey Club. Leong Hong Sai defende a construção de um novo centro modal. “As autoridades vão, com base na análise do fluxo de passageiros, ponderar incrementar elementos comerciais na estação de Hengqin e aproveitar o terreno não utilizado do antigo Jockey Club para planear a construção de um grande centro modal de transportes?”, interroga.

7 Jul 2026

Negócios | Consulta pública sobre licenciamento até 19 de Agosto

Segundo a proposta do Governo, vai ser criado um novo sistema de licenciamento de negócios ou de actividades como venda de rifas, produção e filmagens de cinema. O objectivo passa por adaptar o regime às exigências actuais e tornar os pedidos mais rápidos

Arrancou ontem, e prolonga-se até 19 de Agosto, a consulta pública sobre a futura lei que vai definir as condições para a realização de actividades e exploração de negócios, como concertos, filmagens, cabeleireiros, saunas ou oficinas. Na apresentação da consulta sobre o “regime para a regulação de determinadas actividades e eventos”, o Executivo apresentou como objectivos do diploma “aumentar a eficiência da coordenação interdepartamental” e “criar um ambiente de negócios e uma ordem de mercado ‘justos, transparentes e previsíveis’.”

Segundo o regime actual, criado em 1998, o controlo actual é feito através de dois sistemas: a notificação e a licença. No caso da notificação, que o Governo entende como uma autorização, o interessado pode começar a actividade, mesmo quando as autoridades competentes ainda não se pronunciaram. Em relação ao processo de licença, o negócio do interessado apenas pode ser iniciado depois de obter a autorização das entidades competentes.

Todavia, ontem, Ng Chi Kin, director substituto dos Serviços de Assuntos de Justiça, afirmou que o modelo actual está desactualizado, que a divisão de funções entre os diferentes serviços não permite uma resposta em tempo útil e que os moldes actuais não permitem a simplificação, digitalização e aumento da eficiência dos procedimentos.

Novo modelo

A proposta visa criar um sistema alternativo, de acordo com o grau de risco percepcionado pelo Executivo. Neste enquadramento, há actividades que deixam de exigir qualquer tipo de procedimento, além do cumprimento das exigências gerais relacionadas com aspectos como a segurança contra incêndios, ruído ou a gestão de espaços públicos. Vai ser a situação aplicável aos espectáculos de danças tradicionais ou ópera chinesa sem fins lucrativos, recolha de fundos, espectáculos de organismos públicos, bazares e feiras, barbearias e cabeleireiros, salas de bowling ou saunas sem serviços de massagem, entre outros.

Ao mesmo tempo, vai ser criado um sistema de registo. Segundo estes moldes, a exploração do negócio só pode ser iniciada depois de a Administração confirmar que recebeu o pedido e todos os documentos necessários, embora este seja um procedimento apresentado como praticamente automático. O registo vai ser obrigatório para marchas de caridade, salões de beleza, lavandarias, ginásios, sorteios, salas de bilhar e oficinas de reparação e manutenção de veículos motorizados sem actividades como pinturas por pulverização, soldadora ou montagem e desmontagem de baterias de lítio.

No que diz respeito às actividades ou eventos com “elevado risco para a segurança pública, a ordem do mercado, a ordem pública, os bons costumes”, optou-se por manter o sistema de notificação ou licença. Este regime vai aplicar-se a qualquer produção e realização de filmes em Macau, o que significa que abrange mais filmes do que no passado, cinemas, teatros, espectáculos públicos, massagens, karaokes, comércio de materiais pornográficos, cibercafés, entre outros.

7 Jul 2026

Exames nacionais de Portugal com atrasos e novas datas

A avaliação dos exames nacionais em Portugal passou a ser realizada electronicamente. Porém, a inovação trouxe dificuldades aos professores no acesso a provas e critérios de correcção

Os erros técnicos na avaliação dos exames nacionais em Portugal levaram o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) a adiar o lançamento das notas e a 2ª fase das provas. O anúncio sobre as novas data, que vão ter impacto nos alunos e corpo docente da Escola Portuguesa de Macau foi feito na sexta-feira, através de um comunicado.

Este ano, pela primeira vez, mais de 300 mil exames nacionais dos alunos do 11º e 12º anos foram digitalizados, para depois serem distribuídos pelos professores para avaliação. Contudo, o procedimento tem encontrado vários problemas, com docentes, sindicatos e associações a revelarem situações como falta de folhas de respostas dos alunos ou falhas no portal que impediram o acesso aos itens de avaliação.

Estes problemas obrigaram o MECI a reagir: “As dificuldades informáticas no processo de classificação electrónica dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário pressionaram o cumprimento do calendário inicialmente previsto”, foi reconhecido. “Embora seja tecnicamente ainda possível assegurar o cumprimento dos prazos para a entrega das classificações, a 10 de Julho, e para a afixação das pautas, a 14 de Julho, o MECI entende que devem ser igualmente ponderadas as condições de trabalho dos professores classificadores, garantindo sempre o rigor e a qualidade do processo de classificação, dimensões das quais o MECI não abdica”, foi acrescentado.

Como resultado, as avaliações passam a decorrer até 14 de Julho, em vez de 10, e as pautas vão ser afixadas a 17 de Julho, em vez de 14 de Julho. A 2ª fase dos Exames Finais Nacionais foi adiada para o período entre 20 e 24 de Julho, quando estava previsto que decorresse entre 20 e 22 de Julho.

Mais problemas à vista

Face às alterações, em declarações ao Canal Macau, Filipe Figueiredo, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Portuguesa de Macau (APEP), reagiu com “espanto”, porque afirmou que anteriormente o ministro da Educação de Portugal tinha dito que “estava tudo a correr lindamente”. “Isto só nota que isto foi mal feito. Em primeiro lugar, nunca foi ponderado o interesse dos alunos nem das famílias, porque isto não traz vantagens para ninguém, causa mais mal-estar, mais ansiedade e agora resta saber o que vai acontecer quando saírem as notas”, apontou.

Segundo Filipe Figueiredo, os problemas vão agravar-se quando forem divulgadas as notas: “As notícias são bastante assustadoras. Conheço professores que estão a corrigir exames e que dizem que o sistema está em baixo e que não apresenta informações fidedignas”, revelou.

No entanto, até sexta-feira, dia do comunicado, Filipe Figueiredo ainda não tinha recebido qualquer queixa, embora admitisse que entre a comunidade escolar a confiança nos resultados da primeira fase dos exames é “nula”.

6 Jul 2026

Jogo | Dependência económica traz “riscos estruturais” para a China

Um dos principais riscos enumerados pelos académicos do Instituto de Economia da Universidade de Jinan é a movimentação de fluxos de capital do Interior da China para o exterior, através de Macau

Dois académicos chineses alertaram, com base num estudo que fizeram, que a dependência de Macau do jogo trouxe ganhos económicos consideráveis ao território, mas representa “riscos estruturais” para a estabilidade financeira da cidade e da China continental.

Os investigadores Zhong Yun e Hu Zhouqin, do Instituto de Economia da Universidade de Jinan, acompanharam a evolução do sector desde a abertura das concessões em 2002 até ao presente, avaliando o seu papel na estratégia governamental de “diversificação económica adequada”.

O estudo, publicado na revista académica “Estudos na Área do Jogo e do Turismo Mundial” da Universidade Politécnica de Macau, conclui que, embora o jogo e o turismo tenham desempenhado um papel decisivo no crescimento económico, na acumulação fiscal e no desenvolvimento urbano, também geraram potenciais ameaças à segurança financeira nacional, sobretudo devido aos fluxos transfronteiriços de capitais.

Segundo a investigação, a indústria funcionou como motor de crescimento de Macau desde 2002, impulsionando a chegada de visitantes e apoiando a expansão de hotéis, restauração, comércio e serviços turísticos.

As receitas brutas do jogo subiram de cerca de 23,5 mil milhões de patacas em 2002 para 361,8 mil milhões de patacas em 2013, com o valor acrescentado do jogo a representar entre 45 por cento e 60 por cento do PIB durante muitos anos.

Entre 2010 e 2019, os impostos do jogo representaram entre 70 por cento e 80 por cento das receitas públicas, atingindo 88,12 mil milhões de patacas em 2024.

Mais de 80 mil trabalhadores

O emprego no sector passou de cerca de 23.500 trabalhadores em 2002 para 82.900 em 2025, com o total da população activa a subir de 204.000 para 388.000.

No entanto, os académicos alertam para a “dominância esmagadora de uma única indústria”, que deixou a economia vulnerável.

Os investigadores apontaram que o sector hoteleiro aumentou a sua quota no PIB de 1,6 por cento em 2003 para 5,9 por cento em 2024, mas as infra-estruturas não ligadas ao jogo funcionam sobretudo como complemento ao negócio central dos casinos.

A pandemia expôs essa fragilidade: o PIB caiu de 444,1 mil milhões de patacas em 2019 para 202,0 mil milhões em 2020.

“Formou-se uma profunda dependência em termos de receitas fiscais, estrutura laboral e ecossistema industrial”, afirmaram os autores.

Em 2025, os trabalhadores de casino recebiam salários médios de 28.020 patacas, acima da mediana, desincentivando a mobilidade para outros sectores. Segundo o documento, esta estrutura laboral cria um bloqueio de talento que limita o desenvolvimento de indústrias emergentes como tecnologia, finanças e saúde.

Segurança financeira

Mais crítico, os investigadores alertaram que a dependência do jogo ameaça à segurança financeira da China, considerando que a natureza intensiva em numerário das actividades de jogo pode ser “explorada para branqueamento de capitais”, pois os residentes do continente recorrem a “bancos clandestinos e canais ilegais para transferir fundos”, contornando os controlos cambiais.

Ao mesmo tempo, os académicos alertaram que as perdas de empresas ou gestores em apostas podem desencadear falências, afectando cadeias industriais e sistemas sociais.

O estudo sublinha que Macau depende fortemente de visitantes da China continental, que representam mais de 70 por cento dos turistas, tornando a estabilidade económica do território estreitamente ligada às políticas e condições do continente.

O estudo reconhece que a atractividade turística de Macau está a diversificar-se com património cultural, eventos internacionais, desporto e lazer, mas adverte que “o jogo continuará a ser a principal fonte de receitas no curto e médio prazo”.

6 Jul 2026

Justiça | Rita Santos pondera avançar judicialmente contra membros do PS

Rita Santos pondera agir judicialmente contra membros do Partido Socialista de Macau devido a denúncias de alegadas ilegalidades nas últimas eleições legislativas. A responsável diz ter sido ilibada pelo Ministério Público em Portugal com o arquivamento do processo criminal

A presidente da assembleia-geral da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), Rita Santos, anunciou na sexta-feira que o Ministério Público (MP) em Portugal arquivou um segundo processo criminal em que era acusada de irregularidades nas últimas eleições legislativas portuguesas por alegadas interferências no processo eleitoral e de votação.
Em comunicado, Rita Santos indica que o MP proferiu “uma vez mais”, a 24 de Junho, “um despacho de arquivamento de um procedimento criminal instaurado na sequência de denúncias apresentadas por alguns militantes do Partido Socialista (PS) residentes em Macau, no dia 7 de Maio de 2025”.
Em resposta, Rita Santos pondera avançar judicialmente contra os responsáveis do PS pelas denúncias. “Não posso deixar de assinalar que a sucessão de denúncias infundadas de que tenho sido alvo, promovidas por algumas pessoas residentes em Macau, ligadas ao Partido Socialista, me causou significativos prejuízos pessoais, profissionais e reputacionais.”
Assim, a responsável diz ter instruído o seu “mandatário forense” para analisar “ambos os processos arquivados, com vista ao exercício dos meios legais adequados, designadamente a apresentação de participação criminal pela eventual prática do crime de denúncia caluniosa, caso se conclua estarem reunidos os respectivos pressupostos legais”.
Rita Santos destaca, na mesma nota, que “o despacho de arquivamento veio confirmar, de forma absolutamente inequívoca, a inexistência de indícios da prática de qualquer ilícito criminal”. A responsável disse ainda que nunca houve “sustentação factual ou jurídica”, tendo o caso “assentado em meras alegações especulativas e difamatórias que, afinal, não lograram obter qualquer confirmação em sede de investigação criminal”.

“Iniciativas infundadas”

Recorde-se que o primeiro arquivamento do processo, relativo às eleições legislativas portuguesas de 2024, e também tornado público pela própria Rita Santos, ocorreu em Outubro do ano passado.
No comunicado de sexta-feira, Rita Santos frisou que sempre pautou a sua actuação na esfera pública “pelo estrito respeito pela legalidade e pela defesa das liberdades fundamentais”, valores que, refere, continuam a orientar a sua “intervenção cívica e pública, bem como o compromisso na defesa dos interesses da comunidade portuguesa e todos os residentes em Macau”.
Rita Santos adiantou que não vai permitir “que iniciativas infundadas ou motivadas por interesses político-partidários condicionem o compromisso para com os residentes e a comunidade portuguesa de Macau”.

6 Jul 2026

Metro Ligeiro | Maioria concorda com extensão da Linha de Seac Pai Van

A grande maioria dos participantes na consulta pública sobre o desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau concorda com a extensão da Linha de Seac Pai Van até Coloane. Porém, alguns participantes manifestaram preocupações com impactos paisagísticos e ambientais

Estender a Linha de Seac Pai Van do Metro Ligeiro até Coloane, sim, mas com que impactos? Estas são algumas das conclusões e questões do “Estudo estratégico para o Desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau – Relatório Estatístico e Compilação de Opiniões”, divulgado pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) na sexta-feira.

O documento resulta da consulta pública realizada entre os dias 23 de Janeiro e 28 de Fevereiro deste ano, tendo sido recolhidas 805 opiniões e validadas 772. O relatório dá conta que o tópico “Extensão da Linha de Seac Pai Van” obteve uma “atitude positiva” por parte dos participantes da consulta na ordem dos 84 por cento, enquanto que a “atitude negativa” em relação a esse projecto foi de 16 por cento.

Lê-se no relatório que a extensão deste segmento do Metro Ligeiro até Coloane “recebeu um maior grau de atenção nesta consulta, sendo que a maioria das opiniões manifestou apoio e expectativa de desenvolvimento”, embora “uma parte das opiniões tenha manifestado preocupações com os impactos”.

Em termos concretos, “as opiniões favoráveis consideram que a extensão poderá resolver eficazmente [a ideia de] ‘ilha isolada’ ao nível do trânsito de Coloane”, com a “necessidade de implementação das Estações de Lai Chi Vun e do Pavilhão do Panda Gigante”. Além disso, reconhece-se “que a extensão até à Vila de Coloane poderá preencher a lacuna nos transportes e proporcionar aos visitantes uma opção de deslocação estável, conveniente e ecológica, revitalizando, assim, o desenvolvimento comunitário”.

Porém, “a preocupação dos residentes sobre os métodos de construção e o ambiente comunitário é bastante acentuada”. Essencialmente, as preocupações centram-se no “impacto que a estrutura em viaduto poderá causar ao ambiente paisagístico e visual”, ou ainda nos “possíveis impactos ecológicos causados pelas obras”. Há ainda “o receio que o ruído produzido pela execução das obras e operação afecte seriamente a tranquilidade habitacional”.

No olho do furacão

No que diz respeito à “Extensão da Linha Leste”, o documento revela que “a maioria das opiniões reconhece que a extensão pode ter o efeito de sinergia na ligação entre os postos fronteiriços, esperando-se que o Posto Fronteiriço de Qingmao possa aliviar eficazmente a pressão do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco”. Desta forma, “sugere-se que a sua extensão seja promovida com prioridade para reforçar a ligação entre os postos fronteiriços”.

Pede-se que este projecto em concreto “facilite as deslocações diárias e movimentos turísticos, considerando-se o ‘acesso ao centro da cidade’ como a chave para melhorar o tráfego na zona central da Península”.

O relatório explica que “algumas opiniões questionam o benefício da criação da Estação do Parque Desportivo para Cidadãos, considerando que a distância demasiado curta entre estações poderá diminuir a eficiência da circulação”, pelo que se sugere “a construção de um sistema pedonal para substituir a função desta estação”.

Em termos gerais, a DSOP destaca que “diversos sectores da sociedade de Macau reconhecem o papel fulcral do Metro Ligeiro no aumento da eficiência dos transportes públicos, a melhoria das condições de deslocação interzonal, a promoção da mobilidade verde e apoio ao desenvolvimento urbano a longo prazo”. É revelado como, das 772 opiniões validadas, “a proporção global de atitudes positivas superou os 90 por cento”. O Governo argumenta que os dados mostram “um elevado consenso social quanto ao rumo de desenvolvimento do Metro Ligeiro”.

Além disso, “a maioria das opiniões considera que, com as mudanças contínuas na estrutura demográfica de Macau, as necessidades de deslocações diárias, a dimensão do turismo e sinergia regional, a mera dependência da ampliação rodoviária e do sistema de autocarros já não é suficiente para responder à pressão do trânsito no futuro”.

Assim, considera-se “imperativo reconstruir o modelo de mobilidade urbana através de um sistema de transportes ferroviários em rede, com grande capacidade de transporte e alta fiabilidade”.

6 Jul 2026

Bolsa | Tecnológicas intensificam recompra de acções após fortes quedas

As gigantes tecnológicas chinesas estão a intensificar os programas de recompra de acções para recuperar a confiança dos investidores, após fortes desvalorizações em bolsa. Empresas como Tencent, Alibaba, Xiaomi e Meituan tiveram quebras na primeira metade de 2026 entre 30 a 44 por cento

 

A maiores empresas tecnológicas da China reforçaram os programas de recompra das suas próprias ações, após derrocadas na bolsa, noticiou ontem o jornal South China Morning Post (SCMP). Estes programas surgiram na sequência de fortes quedas bolsistas causadas por uma vaga de cepticismo em torno do sector e entusiasmo com empresas de inteligência artificial (IA).

Empresas como Tencent, a maior cotada chinesa e a 26ª maior do mundo, Alibaba, Xiaomi e Meituan registaram quedas entre 30 e 44 por cento no primeiro semestre, acelerando posteriormente o ritmo das recompras de ações, uma prática habitual entre empresas cotadas para apoiar a cotação quando consideram que o mercado está a subavaliar os seus títulos.

Numa compilação divulgada pelo jornal de Hong Kong SCMP, a Tencent recomprou ações no valor de cerca de 1.270 milhões de dólares em Junho, o montante mais elevado de 2026, enquanto a Alibaba gastou 50 milhões de dólares apenas na última semana.

A Meituan disse ter adquirido quase 26 milhões de dólares em ações entre segunda e terça-feira, depois de o presidente executivo reconhecer que o desempenho recente da empresa em bolsa ficou aquém do esperado. A Xiaomi já gastou cerca de 153 milhões de dólares nesta estratégia desde meados do mês passado.

“Tendo em conta a robustez do fluxo de caixa líquido e os montantes ainda disponíveis nos programas de recompra, esperamos que estas empresas acelerem o ritmo das recompras”, escreveram recentemente analistas da Citi Research num relatório.

Só para aparecer

Empresas como Alibaba e Meituan envolveram-se numa guerra de preços no mercado da entrega de refeições ao domicílio, situação que levou mesmo à intervenção do Governo chinês, enquanto os investidores voltavam a atenção para empresas totalmente dedicadas à IA, como Minimax ou Zhipu AI.

“As tecnológicas tradicionais têm uma exposição relativamente reduzida ao negócio da IA, o que levou à deslocação de capitais dessas ações para empresas focadas exclusivamente nesta área”, referiu Kenny Ng, analista da Everbright Securities.

Embora os especialistas considerem que os programas de recompra constituem apenas uma solução temporária, disseram acreditar também que as grandes tecnológicas chinesas podem estar próximas de atingir um mínimo bolsista, sustentadas pela solidez dos negócios principais, pela capacidade de gerar lucros e fluxo de caixa de forma consistente e pela volatilidade do sector da IA, que tem servido de principal motor do actual ciclo dos mercados.

Perante este contexto, as tecnológicas chinesas não só intensificaram as recompras de ações, como os principais executivos multiplicaram presenças públicas para tentar recuperar a confiança dos investidores. O fundador da Alibaba, Jack Ma, reuniu-se com gestores para plantar arroz, enquanto o fundador da Xiaomi, Lei Jun, foi fotografado a comer numa pequena banca de beira de estrada em Wuhan, no centro da China.

3 Jul 2026

Casa Garden | Afonso Cabral encerra hoje programa do Mês de Portugal

Afonso Cabral, da banda portuguesa You Can’t Win, Charlie Brown, protagoniza hoje um concerto na Casa Garden. O seu último disco a solo, “Demorar”, é o mote para a digressão asiática que passa por Macau, China, Hong Kong e Japão

 

A Casa Garden, sede da Fundação Oriente em Macau, recebe hoje o evento de encerramento do programa de celebração do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. Trata-se do concerto de Afonso Cabral & Pedro Branco (guitarrista), que começa às 20h, cujo repertório deverá incidir sobre o seu último disco, “Demorar”, lançado em 2024. O concerto tem entrada gratuita.

O espectáculo é promovido pela NOYB – None of Your Business, e integra a digressão asiática que o artista está a fazer, e que incluiu um concerto em Shenzhen; uma actuação no sábado no Antique 3000, em Zhuhai; e ainda este domingo no Chen Trente, em Hong Kong, fechando o périplo pela China.

Porém, também o Japão será contemplado com três actuações de Afonso Cabral, nomeadamente no dia 8 de Julho em Osaka; 9 de Julho no Kyoto Submarine, em Quioto; e também no dia 10 de Julho no Stiff Slack, em Nagoya.

A passagem do artista por terras do Sol Nascente não surpreende, tendo em conta que o seu mais recente disco conta com a participação do músico japonês Shugo Tokumaru, bem como da cantora Manuela Azevedo, vocalista dos portugueses Clã. Shugo Tokumaru é um compositor e multi-instrumentista que lançou o seu primeiro álbum em 2004, intitulado “Night Piece”, estando envolvido em todos os aspectos da produção dos seus álbuns.

Os palcos de Afonso

Afonso Cabral escreveu nas redes sociais em Maio que “entusiasmado é um eufemismo” sobre esta digressão asiática que agora se inicia. Nascido em Lisboa, em 1986, está ligado ao mundo da música há cerca de 15 anos com diversos projectos, um deles como vocalista com a banda You Can’t Win, Charlie Brown.

Porém, Afonso Cabral deambula também nos palcos com o músico Bruno Pernadas, multi-instrumentista que também já actuou em Macau; ou ainda com os projectos Minta & The Brook Trout ou Mais Alto!.

O músico tem uma carreira onde as colaborações criativas são uma constante, como por exemplo na composição de “Anda Estragar-me os Planos”, escrita em parceria com Francisca Cortesão para o Festival da Canção 2018. Esta música foi cantada por Joana Barra Vaz, tendo sido interpretada mais tarde por outros cantores, como Salvador Sobral e Tim Bernardes.

Sobre “Demorar, é composto por nove canções, onde se incluem os singles “Indivisível” e “Confusão / ざわめき”. Segundo o portal Comunidade Cultura e Arte, Afonso Cabral disse que “nunca é fácil definir um disco”. “São peças de um puzzle construído entre 2019 e 2024 (demorado, sim, daí o título, em parte). É sobre aceitação, é sobre saber parar (ou pelo menos tentar), é sobre frustrações e é certamente sobre mais uma série de coisas que eu próprio não entendo ainda muito bem. É também um cumprir de sonhos com os duetos com Shugo Tokumaru e Manuela Azevedo”, frisou.

Outro dos destaques do concerto desta sexta-feira na Casa Garden será, certamente, o novo single de Afonso Cabral, “Dança Comigo na Ilusão”, editado em Maio. O espectáculo tem entrada livre e conta com os apoios da Casa de Portugal em Macau, Fundação Oriente e restaurante Lvsitanvs.

3 Jul 2026

Crime | Detido por desviar fundos para visto de residência em Portugal

Um residente foi detido depois de ter prometido arranjar um visto de residência em Portugal a um empresário do Interior da China. O dinheiro recebido pelo suspeito para tratar do processo terá sido utilizado para pagar dívidas

 

A Polícia Judiciária de Macau deteve um homem por alegadamente ter desviado 2,1 milhões de yuan em fundos pagos por um cliente do Interior da China para obter um visto de investimento em Portugal. De acordo com um comunicado publicado nos canais oficiais da PJ de Macau nas redes sociais, a investigação indicou que o suspeito utilizou as quantias transferidas pela vítima para custear dívidas que tinha.

No dia 25 de Junho, a PJ recebeu a queixa de um homem da China continental, que afirmou ter confiado a um residente de Macau o pedido de um visto de investimento para imigração para Portugal, suspeitando que as taxas pagas “tinham sido desviadas”.

As autoridades policiais do território adiantaram que o queixoso identificou o suspeito como responsável por uma empresa local de comunicação social em Macau.

“Em Julho de 2025, durante o encontro entre ambos, o suspeito alegadamente afirmou que poderia obter um Visto de Imigração para Empresários D2 para Portugal mediante o pagamento de 3 milhões de yuan, comprometendo-se a concluir o processo até Fevereiro de 2026”, informou a PJ.

O visto D2, também conhecido como visto de empreendedor, é uma autorização de residência para cidadãos de fora da União Europeia que desejam abrir, gerir ou investir numa empresa, ou trabalhar como profissional autónomo/freelancer em Portugal. “Posteriormente, foi celebrado um contrato de prestação de serviços entre as duas partes”, salientou o comunicado da PJ.

Adeus, dinheiro

Entre Setembro e Outubro de 2025, a vítima transferiu um total de 2,5 milhões de yuan para uma conta bancária designada na China continental, conforme instruído pelo suspeito. Os restantes 500.000 yuan (cerca de 64 mil euros) só seriam pagos após a conclusão do pedido de visto.

“No entanto, em Março de 2026, o visto ainda não tinha sido processado, tendo o suspeito adiado repetidamente o procedimento sob vários pretextos”, referiu a PJ.

Desconfiando da situação, a vítima contactou a agência onde o suspeito trabalhava, responsável pelo tratamento da documentação de imigração e descobriu que o homem apenas efectuara um pagamento inicial de 41.000 euros em Outubro de 2025 e não havia liquidado quaisquer prestações subsequentes.

A PJ confirmou que o suspeito contratara efectivamente uma “agência de imigração para investimento legítima” para tratar do pedido da vítima e que a documentação do requerente cumpria os requisitos regulamentares exigidos.

“No entanto, após o pagamento da primeira prestação, o suspeito alegadamente comunicou à agência que a vítima ainda não havia pago as taxas de processamento, utilizando esse pretexto para solicitar repetidos adiamentos no andamento do processo”, explicou ainda a PJ de Macau.

A polícia adiantou ainda que o suspeito foi presente ao Ministério Público para continuação da investigação, sob suspeita da prática do crime de abuso de confiança agravado envolvendo quantia elevada, um crime punível com pena de prisão até cinco anos ou multa.

3 Jul 2026

Jogo | Analistas estimam que Mundial continue a afectar receitas

Analistas esperam que as receitas brutas do motor da economia de Macau continuem em baixa até ao fim do Campeonato Mundial de Futebol. Em Julho, espera-se uma redução anual das receitas entre 5 e 9 por cento

 

Ao longo deste mês, os efeitos do Campeonato Mundial de Futebol vão continuar a afectar a indústria do jogo, e as receitas devem apresentar uma redução anual de 5 por cento. A previsão foi feita pelo banco de investimento Citi, no mais recente relatório sobre a indústria do jogo de Macau, citado pelo portal GGRAsia.

De acordo com a estimativa do banco, as receitas vão atingir cerca de 21 mil milhões de patacas ao longo deste mês, quando em Julho de 2025 foram de 22,1 mil milhões de patacas. A previsão tem por base uma média diária de receitas de 677 milhões de patacas.

“Esperamos que o torneio mundial de futebol continue a arrastar a receita bruta do jogo até ao último jogo, a 19 de Julho”, pode ler-se no relatório elaborado pelo Citi. Em Macau, a partida da final acontece na madrugada de 20 de Julho, às 03h.

Apesar do aspecto negativo, o Citi realça que o território vai receber vários concertos que vão contribuir para atenuar o impacto do Mundial: “Dito isso, a agenda lotada de eventos de Macau no início de Julho, incluindo espectáculos de Anson Lo (Londoner Arena), Gareth.T (Galaxy Arena), Rosy Zhao (Galaxy Arena) e NCT JNJM (Londoner Arena), poderá mitigar parte da potencial fraqueza”, foi justificado.

Por sua vez, a empresa de serviços financeiros Seaport Research Partners também estimou que as receitas brutas do jogo em Julho devem apresentar uma queda de 7 a 9 por cento, num valor entre 20,6 mil milhões de patacas e 20,0 mil milhões de patacas.

Também neste caso espera-se que o mercado reflicta o impacto do dinheiro desviado das mesas de jogo para as apostas do Mundial. Contudo, o analista Vitaly Umansky, da Seaport Research Partners, espera que o sector recupere em Agosto, com um crescimento anual de 5 por cento.

Por sua vez, o banco de investimento Deutsche Bank previu uma redução de 7,9 por cento em Julho, para cerca de 20,4 mil milhões de patacas.

Mais do que o mundial

Os vários relatórios das instituições financeiras foram divulgados depois de ter sido tornado público que as receitas brutas de jogo tinham apresentado uma quebra anual de 12,1 por cento em Junho, para 18,5 mil milhões de patacas. Na perspectiva de quase todos os analistas, o principal factor para esta redução foi o impacto do Campeonato Mundial.

No entanto, a Seaport Research Partners, num relatório citado pelo portal GGRAsia, foi mais longe e associou a diminuição “ao barulho à volta dos fluxos de capital” no Interior da China, em referência às restrições de circulação do dinheiro que, no entender da instituição, “podem ter contribuído para limitar a actividade dos jogadores”.

3 Jul 2026

Imobiliário | Segundo trimestre com preços mais baixos em 13 anos

A menor disposição dos bancos na concessão de empréstimos para a compra de imóveis, o maior controlo de capitais no Interior da China e a incerteza sobre a subida dos juros nos Estados Unidos são nuvens negras que pairam sobre o mercado imobiliário local

 

O mercado imobiliário de Macau registou o preço médio por metro quadrado mais baixo em 13 anos no segundo trimestre deste ano, segundo dados publicados ontem pela agência imobiliária Centaline Property. De acordo com um relatório de mercado da Centaline Macau e Hengqin, o preço médio por metro quadrado para imóveis residenciais atingiu os 68.000 dólares de Hong Kong, uma queda de 4 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.

Depois de ter atingido um pico de 72.634 dólares de Hong Kong no primeiro trimestre, a agência apontou que o valor caiu para 68.000 dólares de Hong Kong no segundo trimestre. A empresa acrescenta que o mercado local vai continuar a atravessar um período difícil até ao final do ano. A posição foi tomada na quarta-feira, através do balanço da empresa sobre os primeiros seis meses do ano.

O director-geral da sucursal da Centaline em Macau e Hengqin, Pun Chi Meng, explicou que o mercado tem de lidar com três desafios: a restrição dos bancos nos empréstimos para compra de imóveis, o maior controlo dos fluxos de capital no Interior da China e as alterações nas taxas de juro.

“Os bancos estão a aprovar cada vez menos pedidos de hipotecas, sobretudo ao nível dos imóveis comerciais, em que deixaram de aceitar os pedidos de financiamento, e também nas hipotecas de habitação, em que aplicam critérios cada vez mais rigorosos”, explicou Pun. “Também recentemente, as autoridades chinesas começaram a travar de forma mais intensa as saídas de capital para o exterior, o que fez com que o número de compradores em Hong Kong e Macau tenha reduzido em Junho”, revelou.

Ao mesmo tempo, a incerteza sobre o aumento da taxa de juros pela Reserva Federal Americana nos próximos seis meses contribui para afastar mais pessoas do mercado imobiliário. Ainda em relação ao mercado da habitação, Pun explicou que “muitos proprietários foram impacientes e reduziram o preço para garantir a venda das habitações”. Por isso, os “dados mostraram que os preços de muitas das transacções habitacionais ficaram em níveis historicamente baixos”.

Em relação às lojas nos bairros comunitários, o agente da Centaline indicou que, devido a um “ambiente de negócios complicado” gerado pela “concorrência do Interior da China e do comércio electrónico”, “não só o preço das transacções ficou mais baixo, mas o mesmo aconteceu com as rendas e a taxa de ocupação”, que afirmou terem atingido “mínimos históricos”.

Rendas baixas

No balanço, e com base nos dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o director da Centaline, Jack Lei, apontou que, na primeira metade deste ano, o volume das transacções de lojas foi de 149, representando uma queda de 20 por cento em termos anuais.

No entanto, revelando uma tendência oposta, Lei indicou que na zona central ou nas zonas dos casinos no NAPE as rendas continuam a subir para uma média de 65 patacas por pé quadrado e 77 patacas por pé quadrado, respectivamente.

Contudo, Jack Lei disse que nos bairros comunitários, tal como na zona da Rua de Horta e Costa e na Rua da Barca, a taxa de ocupação é baixa e o valor médio da renda é de 20 patacas por pé quadrado. Jack Lei ainda vincou que, devido ao impacto do encerramento dos casinos-satélite, a taxa de desocupação de lojas da ZAPE subiu para 13 por cento no segundo trimestre, uma ocupação considerada “péssima”.

3 Jul 2026

Segurança nacional | Secretário promete “construir barreiras” em Macau

O 105º aniversário do PCC motivou reacções calorosas de todos os quadrantes do poder executivo, judicial e legislativo da RAEM. O secretário para a Segurança prometeu “construir barreiras na segurança nacional” e Sam Hou Fai garantiu que vai implementar o pensamento de Xi Jinping

 

O estabelecimento do Partido Comunista da China (PCC) foi há 105 anos, efeméride que não passou ao lado da RAEM, com os titulares de todos os altos cargos nos poderes executivo, legislativo e judicial a reagirem com uma série de comunicados.

Um deles foi Chan Tsz King, secretário para a Segurança, que prometeu “construir barreiras na segurança nacional”, para que “Macau seja ‘pioneiro da era e um pilar da nação chinesa'”. A ideia, referida pelo governante numa nota divulgada pela secretaria para a Segurança, é que o Executivo possa “fornecer uma sólida garantia de segurança para o desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau e a implementação estável e duradoura do regime ‘um país, dois sistemas'”.

“Perante a actual intricada conjuntura geopolítica externa, a nossa tutela continuará a persistir no ‘pensamento baseado em pressupostos de situações mais desfavoráveis’ e, de acordo com as novas exigências da perspectiva geral da segurança nacional, envidará todos os esforços para manter a estabilidade a longo prazo da RAEM”, adiantou o secretário.

Já Tong Hio Fong, Procurador do Ministério Público (MP) da RAEM, referiu que “todo o pessoal do MP tomará o espírito do importante discurso do Presidente Xi Jinping como orientação da sua actuação”, um comentário partilhado por todos os titulares de altos cargos.

Na nota oficial divulgada pelo seu gabinete, o Procurador assegurou também que o MP “reprimirá severamente os diversos actos ilícitos e criminosos que ponham em causa a segurança nacional e a ordem social”, além de “fazer valer a força do Estado de Direito para salvaguardar a equidade e a justiça sociais, bem como para proteger os direitos e interesses legítimos dos residentes”.

Já Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, referiu, segundo uma nota divulgada pelo Gabinete de Comunicação Social, que “no actual e futuro período o Governo da RAEM, todos os sectores sociais, irão trabalhar de mãos dadas para implementar plenamente o pensamento do Presidente Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas para uma nova era”.

Lembrando o discurso de Xi Jinping quanto à ideia de que “promover a prosperidade e a estabilidade a longo prazo de Hong Kong e Macau é essencial para a revitalização nacional”, o Chefe do Executivo prometeu “incentivar todos os residentes de Macau, sobretudo a geração mais jovem, a assumir a responsabilidade histórica do renascimento da nação chinesa, a par dos compatriotas, e a partilhar as grandes glórias da próspera e forte Pátria”. Além disso, apelou a que lutem “incansavelmente para realizar a construção de um país forte e a revitalização da grandiosa nação chinesa”.

No caso do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), liderado por Ao Ieong Seong, sublinha-se, numa nota oficial, que esta entidade “irá atender às exigências do Presidente Xi Jinping e impulsionar o reforço da eficácia da governação da RAEM de acordo com a lei, através da construção de uma sociedade íntegra, proporcionando garantias de integridade no desenvolvimento económico e social”.

Um dos exemplos de actuação dados por Ao Ieong Seong é o alinhamento, por parte do CCAC, “com a Lei de Combate à Corrupção Transfronteiriça, a ser implementada pelo País”. O objectivo é que o CCAC se articule “com a política nacional de combate à corrupção”, desenvolvendo “as suas funções para reforçar o mecanismo de cooperação com as instituições anti-corrupção do Interior da China e de Hong Kong”.

Foco nas fronteiras

Por sua vez, Adriano Marques Ho, director-geral dos Serviços de Alfândega (SA), declarou que o organismo que dirige irá focar-se no “posicionamento de desenvolvimento [da RAEM] na ‘Integração entre Macau e Hengqin’” e também na Grande Baía. Para isso, os SA prometem “utilizar meios tecnológicos como megadados e inteligência artificial para reforçar o trabalho de supervisão”.

Também Leong Man Cheong, comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), disse que “o importante discurso do Presidente Xi Jinping reflecte uma visão abrangente, profunda e significativa, que inspira e impulsiona em direcção à implementação do princípio ‘um país, dois sistemas'”.

Neste contexto, as forças de segurança de Macau irão “absorver o espírito do discurso importante, transformando-o numa forte força motriz e em acções concretas para promover o trabalho policial”. O dirigente máximo dos SPU adiantou ainda que irá “aplicar com firmeza a visão geral da segurança nacional, aprofundar continuamente a cooperação regional na aplicação da lei policial e aperfeiçoar os mecanismos de resposta a emergências em matéria de protecção civil”.

Ao Ieong U, dirigente máxima do Comissariado de Auditoria (CA), explicou que, “desde o início do mandato do actual Governo, o CA tem procurado responder de forma activa às orientações gerais da governação e planos estratégicos da RAEM, adoptado métodos de auditoria adequados e inovadores”, além de se procurar assegurar “que os resultados das auditorias reflectem fielmente a realidade”.

A ideia, segundo a comissária, é que “eventuais problemas se agravem ou que surjam riscos sistémicos” em termos de gastos públicos em Macau, disse Ao Ieong U.

O Presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong, também afirmou que o discurso do Presidente Xi foi “altamente inspirador e motivador, para os cidadãos de Macau e todo o povo do País, que se sentem muito orgulhosos pelos feitos alcançados pelo País e por serem membros da nação chinesa”. André Cheong salientou a importância de “defender conscientemente o princípio da predominância do poder executivo” e assegurar que não falta apoio ao Governo, ou usurpação na fiscalização ao poder executivo.

3 Jul 2026