Amamentação | Mulheres pedem ambiente mais favorável

A subchefe do Centro de Apoio Múltiplo à Família Alegria em Harmonia da Associação Geral das Mulheres de Macau, Lam Cho In, alertou que as mães que pretendem amamentar enfrentam vários desafios. Face a estes problemas, a responsável, através de um comunicado, pede que o “ambiente social e de trabalho” seja mais tolerante.

Segundo Lam, quando as mães voltam para o local de trabalho depois da licença de maternidade, não lhes é disponibilizado um espaço nem tempo para recolherem leite. A dirigente associativa avisou que esta realidade é prejudicial porque pode provocar a obstrução do ducto mamário e a redução da produção de leite materno.

A responsável citou dados oficiais para apontar que a amamentação natural está a recuar no território. De acordo com a responsável, no ano passado houve uma quebra de 9,64 por cento nos bebés com idades até aos quatro meses que eram amamentados, em comparação com 2021, quando 26,18 por cento eram amamentados. Lam alertou que a situação é semelhante quando se analisa a questão das crianças com idades até seis meses, o que mostra as dificuldades de amamentar em Macau.

Face a este cenário, Lam Cho In espera que o Governo coopere com as associações e empresas para promover a amamentação, através de incentivos e ao criar na lei um tempo mínimo para amamentação durante o trabalho.

6 Ago 2026

Wynn Macau | Lucros operacionais crescem 26,9 por cento

Na apresentação dos resultados, Craig Billings, director-geral da Wynn Resorts, mostrou confiança no mercado do jogo e afirmou que os apostadores estão a regressar, depois do impacto do Campeonato Mundial de Futebol

 

No segundo trimestre do ano, os lucros operacionais da Wynn Macau apresentaram um aumento anual de 26,9 por cento, para 162,8 milhões de dólares. Os resultados da concessionária do jogo foram divulgados ontem, em comunicado.

O lucro operacional mais recente contrasta com o montante de 128,3 milhões de dólares gerado entre Abril e Junho do ano passado, o que representa um acréscimo para a Wynn Macau de 34,6 milhões de dólares, no espaço de um ano.

“Os nossos resultados do segundo trimestre, incluindo […] o forte desempenho em Macau, reflectem a continuidade de uma dinâmica de procura saudável em todo o nosso negócio. Estou incrivelmente orgulhoso”, afirmou Craig Billings, director-geral da Wynn Resorts, empresa-mãe da Wynn Macau, em comunicado.

Durante a apresentação dos resultados aos analistas, Billings explicou também que o segundo trimestre do ano foi afectado pela realização do Campeonato Mundial de Futebol. O efeito prolongou-se até Julho, dado que o torneio terminou a 20 desse mês, mas o director-geral da empresa garantiu que os apostadores estão a regressar ao território.

“Até ao momento, no terceiro trimestre, os volumes de apostas VIP e do mercado de massas registaram uma ligeira queda em comparação com o mesmo período do ano anterior, dado que estamos a absorver o impacto, muito falado, do Campeonato do Mundo, somado à sazonalidade habitual”, revelou. “Observámos uma recuperação das apostas na segunda metade de Julho, com a região a entrar na época de férias de Verão. Essa tendência de melhoria manteve-se até ao início de Agosto”, acrescentou.

Investimentos em Macau

Na apresentação dos resultados, os responsáveis pela empresa abordaram igualmente os investimentos que vão ser feitos em Macau, e que estavam planeados no âmbito das novas concessões, atribuídas em 2023. A empresa vai construir um centro de eventos, um teatro e um novo edifício com quartos de hotel, o Enclave Hotel Tower.

“O investimento nestes projectos em 2026 estará limitado a alguns trabalhos de colocação das fundações e desenvolvimento inicial. No total, prevemos agora que o nosso investimento de capital em 2026 em Macau se situe entre os 350 milhões e os 400 milhões de dólares”, explicou Craig Fullalove, director financeiro da empresa-mãe da concessionária.

Fullalove esclareceu também que estes investimentos estão a ser feitos em coordenação com o Governo, no âmbito dos compromissos da concessão: “Estamos a progredir muito e muito bem [no âmbito dos nossos compromissos como concessionárias]. E com estes novos projectos em curso, e sobre os quais temos vindo a dialogar com o Governo ao longo de muitos anos […] somos agora capazes de avançar. Por isso, estamos entusiasmados por arrancar com a construção destes projectos”, apontou.

O novo centro de eventos e o teatro no Wynn Palace deverão abrir em 2028, enquanto o Hotel Enclave tem inauguração prevista para 2029.

6 Ago 2026

Património Cultural | Tradições de luso-descendentes escolhidas

As Canções Macaenses, o Chá Gordo e o Batê-Saia são as expressões da comunidade luso-descendente que entraram ontem na lista de património cultural intangível local. A bifana e o yum cha também passaram a fazer parte da lista

 

As Canções Macaenses, o Chá Gordo e o Batê-Saia, manifestações culturais da comunidade macaense, foram inscritas no inventário do património cultural intangível local, anunciaram ontem as autoridades. Estas três manifestações culturais juntam-se a outras 25 listadas pelo Instituto Cultural, de acordo com a publicação no Boletim Oficial.

“Corresponde a um reconhecimento das manifestações culturais da comunidade macaense, dá-nos um novo alento para que continuemos a desenvolver as actividades em torno disto”, reagiu à Lusa o presidente da Associação dos Macaenses (ADM), Miguel de Senna Fernandes, sublinhando que a distinção vai trazer maior visibilidade à comunidade.

O Chá Gordo, um banquete de sabores macaenses, “é a refeição mais requintada da comunidade”, explica Senna Fernandes. “Isto sem desprimor de outros pratos. O Chá Gordo corresponde não só a uma prática social, era um motivo de convívio e que chamava as pessoas em torno de uma mesa”, refere.

Notando que esta era uma escolha “quase óbvia”, o responsável lembra que “qualquer grande festa” organizada no seio da comunidade, “fossem baptismos, casamentos ou crismas, era através do Chá Gordo que se comemorava”.

Batê-saia também entra

Já sobre a Arte de Papéis Decorativos Batê-Saia, trata-se de uma tradição artesanal que envolve o recorte, com vista a criar enfeites. “Perdeu-se praticamente, ainda há algumas artesãs que fazem, e nós também praticamente restaurámos esta prática, continua a haver ‘workshops’ de Batê-Saia”, reforçou o presidente da ADM.

Nesta lista, constam ainda as Canções Macaenses, mas Miguel de Senna Fernandes espera que a classificação “traga à tona” outras manifestações da comunidade que, “às vezes, por desconhecimento ou falta de prática social, são votadas ao esquecimento”, como é o caso da “muito boa tradição”, o Micareme, baile de mascarados.

De acordo com a Lei de Salvaguarda do Património Cultural de Macau, uma manifestação cultural deve constar primeiro no inventário – que tem neste momento 98 manifestações – e só depois pode ser inscrita na lista do Património Cultural Intangível.

Bastante positivo

Também António Monteiro, à frente da Associação dos Jovens Macaenses olha para este primeiro passo como “bastante positivo”. À Lusa, o também membro do Conselho do Património Cultural de Macau, órgão consultivo do Governo, salienta a necessidade de trabalhar na transmissão geracional destas expressões. Monteiro lembra outras associações culturais de Macau, onde se “prepara a juventude para dar continuidade, para a representação de cada manifestação do património intangível”.

O responsável sugere que o património cultural tangível e intangível entre gradualmente nas escolas do território, seja através da criação de uma disciplina ou de maior contacto com líderes associativos.

“Pouco a pouco, tem de ser cada vez mais promovido junto da nova geração, não só pelo sentido de pertença de Macau, mas também uma pertença identitária para todos os interesses que venham a ser úteis para o futuro”, indica.

Neste momento, entre as 24 manifestações que constam da Lista do Património Cultural Intangível, que contempla as danças folclóricas portuguesas, a confecção de pastéis de nata e as procissões de Nossa Senhora de Fátima e do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, estão classificados ainda o teatro em patuá – crioulo de Macau de base portuguesa – e a gastronomia macaense.

Ontem entraram também para o inventário a devoção e procissão de Nossa Senhora dos Remédios, costumes da refeição do Yum Cha – tradição cantonesa de café da manhã ou ‘brunch’ -, a preparação do chá com leite (‘nai cha’) e a preparação de pão de costeleta de porco, a bifana de Macau (‘jyu pa bao’).

6 Ago 2026

Fujian | Sam Hou Fai quer desenvolver turismo conjunto focado em A-Má

O Chefe do Executivo defendeu durante a 5ª Reunião da Cooperação Fujian-Macau a promoção do turismo conjunto desenvolvido à volta da figura da deusa A-Má

 

O Chefe do Executivo defende que Macau e Fujian devem apostar no turismo focado na deusa A-Má, para reforçarem a cooperação regional. A posição foi defendida durante a realização da 5ª Reunião da Cooperação Fujian-Macau.
Segundo o comunicado oficial do Governo de Macau, numa altura em que o acordo de cooperação entre as duas regiões celebra 10 anos, Sam Hou Fai considerou que se vive um “novo ponto de partida” e que as partes têm de “aproveitar bem as oportunidades para aprofundar a cooperação”.

O Chefe do Executivo identificou como área de cooperação a “organização de actividades de turismo cultural de A-Má”, defendendo a criação de visitas em conjunto.

A-Má, é uma deusa do mar, também conhecida como Mazu ou Matsu no Interior da China, o que significa mãe ancestral. A-Má é uma figura mitológica chinesa ligada a Fujian, e que é venerada principalmente nas zonas costeiras da China e do Sudeste Asiático, porque surge associada à protecção dos pescadores.

Ao mesmo tempo, Sam Hou Fai identificou como áreas para aprofundar a cooperação o “comércio e investimento, finanças modernas, inovação tecnológica, cultura, ensino e saúde”. Segundo Sam, nas áreas que nomeou é possível “impulsionar mais a implementação de projectos de cooperação pragmática”.

Profundas ligações

Por sua vez, o secretário do Comité Provincial de Fujian do Partido Comunista da China (PCC), Zhou Zuyi, destacou que as duas regiões “são geograficamente próximas” estão “ligadas culturalmente” e têm “profundas ligações históricas” o que levou a que “nos últimos anos a cooperação económica e comercial e a circulação de pessoas” se tenham tornado mais “estreitas”.

Zhou vincou também que “neste novo ponto de partida” há a expectativa que as partes aproveitem o mecanismo de cooperação para “aprofundar os laços económicos e de investimento comercial”, expandir “as sinergias entre a ciência e a indústria tecnológica, o intercâmbio entre a população” e para “construir uma relação de cooperação mais estreita”.

Durante a reunião foram ainda assinados alguns memorandos e acordos entre diferentes departamentos e serviços públicos, como o acordo entre o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Governo Provincial de Fujian e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento da RAEM sobre a cooperação na promoção da internacionalização das empresas de Fujian, o acordo entre o Departamento de Cultura e Turismo de Fujian e a Direcção dos Serviços de Turismo do Governo da RAEM sobre a expansão da cooperação turística entre Fujian e Macau ou entre instituições de ensino superior e de saúde. O conteúdo dos documentos não foi revelado.

Sam estuda Xi

Durante a visita oficial à província de Fujian, Sam Hou Fai passou por Fuzhou, onde estudou o trabalho do presidente Xi Jinping, que entre 1985 e 2002 desempenhou diferentes funções na província. Na tarde de terça-feira, Sam esteve na cidade de Fuzhou e “visitou a exposição comemorativa do 30º aniversário da implementação do projecto estratégico ‘3820’, que se centra no tema ‘visão estratégica para o desenvolvimento económico e social da Cidade de Fuzhou ao longo de 20 anos’, elaborado pessoalmente pelo Presidente Xi Jinping quando desempenhava funções como secretário do Comité Municipal de Fuzhou”.

“A exposição permitiu conhecer o plano de desenvolvimento centenário da cidade e os notáveis resultados alcançados ao longo das últimas três décadas, revivendo as ideias e práticas importantes implementadas por Xi Jinping durante o seu trabalho em Fuzhou”, foi acrescentado.

6 Ago 2026

Plano quinquenal domina retiro de Verão da liderança chinesa

O tradicional retiro de Verão da liderança chinesa em Beidaihe arrancou com uma reunião entre o dirigente Cai Qi e especialistas convidados, tendo como pano de fundo as prioridades do novo plano quinquenal da China.

Cai, membro do Comité Permanente do Politburo, o principal órgão de decisão do Partido Comunista Chinês, reuniu-se na segunda-feira com especialistas de várias áreas em Beidaihe, uma estância balnear na província de Hebei, informou na noite de segunda-feira a agência noticiosa oficial Xinhua.

O despacho não faz referência a reuniões da liderança chinesa nem a deliberações políticas, centrando-se apenas no encontro com especialistas, um formato que, nos últimos anos, se tornou um dos poucos sinais públicos associados ao tradicional retiro de Beidaihe, cada vez menos visível na cobertura oficial.

Situada na província de Hebei (norte), a cerca de 300 quilómetros de Pequim, Beidaihe foi instituída pelo antigo líder Mao Zedong, em 1953, como local de descanso de Verão para os principais dirigentes chineses.

Prioridades definidas

Este ano, o programa oficial de férias para especialistas decorreu sob o lema “Avançar no XV Plano Quinquenal”, aprovado em Março, e reuniu representantes das áreas da investigação fundamental, tecnologias estratégicas, tecnologias essenciais e ciências sociais.

Cai afirmou que o período entre 2026 e 2030 será uma fase “crucial” para transformar a China numa potência nas áreas da educação, da tecnologia e dos recursos humanos qualificados, apelando aos especialistas para darem “novos contributos para a modernização socialista”.

A referência está em linha com as prioridades definidas por Pequim para o próximo plano quinquenal, numa altura em que a China procura reforçar a auto-suficiência tecnológica face às restrições impostas do exterior. A iniciativa ocorre também depois de o Politburo ter decidido convocar para Outubro a quinta sessão plenária do XX Comité Central do PCC. Este ciclo culminará no XXI Congresso do PCC, previsto para o Outono de 2027.

5 Ago 2026

SMG | El Niño poderá provocar anomalias climáticas

O El Niño deste ano pode desenvolver-se para uma intensidade forte a superforte. Os SMG alertam para a probabilidade de “anomalias climáticas à escala global”. Entretanto, um ciclone tropical que se move em direcção ao Japão irá trazer sol e temperaturas altas este fim-de-semana em Macau

Estamos a viver a época de crescimento do El Niño deste ano, que poderá rivalizar em impetuosidade com “os anos de super El Niño clássicos, como os de 1997/1998 e 2015/2016”, apontam os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) em comunicado.

As autoridades indicam que o “Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental entrou no estado de El Niño em Maio”, “de acordo com as mais recentes monitorizações e avaliações da Organização Meteorológica Mundial e do Centro Nacional de Clima da China”, mas que é esperado que o fenómeno de intensifique “gradualmente do Verão ao Outono, existindo a possibilidade de evoluir para um evento de El Niño de intensidade ‘forte a superforte’”.

O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental tornou-se um “um dos interruptores climáticos mais importantes a influenciar a tendência do clima anual a nível global”, destacam os SMG.

De acordo com os dados de previsão mais recentes, os SMG apontam que é provável que o pico do presente El Niño ocorra no final deste ano, provocando chuvas intensas e frequentes, acompanhadas de inundações urbanas nalgumas regiões, enquanto outras vão sofrer com a falta prolongada de chuva e secas severas.

Mercúrio ao alto

Enquanto o El Niño ganha intensidade, com uma projecção temporal de médio-prazo, Macau vai estar nos próximos dias sob a influência decrescente de um vale depressionário que tem afectado a costa de Guangdong e que, à medida que vai enfraquecendo, com o sol e as temperaturas elevadas a regressarem no fim da semana.

A juntar-se ao enfraquecimento do vale depressionário, Macau irá estar “sob a influência da subsidência externa de um ciclone tropical”, que trará à região do Sul da China “tempo soalheiro e muito quente durante o dia, sendo que as elevadas temperaturas poderão desencadear aguaceiros acompanhados de trovoadas no período da tarde”.

As previsões dos SMG apontam para períodos dispersos trovoadas ao longo do dia de hoje, céu muito nublado intervalado de abertas e aguaceiros ocasionais.

A partir de amanhã, os SMG estimam que a chuva dará lugar ao sol e as temperaturas vão subir progressivamente até chegarem aos 34 graus no sábado e domingo.

Julho recordista

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos indicaram ontem que “precipitação total em Julho” atingiu os 962,0 milímetros, 2,3 vezes superior ao valor climático, constituindo o valor mais elevado registado no mês de Julho desde 1952”, ou seja, desde que começaram a ser registados estes dados em Macau.

As autoridades acrescentam que, “simultaneamente, devido ao número elevado de dias de chuva, a temperatura média mínima mensal, a temperatura mínima mensal e o total de horas de insolação também atingiram novos mínimos históricos para o mesmo período”.

É especificado que “a temperatura média mensal” empatou com os valores de 1955, 2001 e 2013 como a mais baixa de sempre para o mês de Julho. Já a humidade relativa média mensal, empatou com os valores de 1959 e 1997 como a mais elevada de sempre para o mês de Julho”. A sucessão de recordes batidos no mês passado deveu-se à influência de uma depressão, correntes de ar do sudoeste e um ciclone tropical.

5 Ago 2026

Publicidade | Suspensas mensagens a pedir fim de abusos contra animais

Publicidades colocadas nos autocarros das duas concessionárias do território foram removidas sem que se conheçam os motivos. As mensagens publicitárias pediam maior empatia para com os animais e o “desenvolvimento” do regime legal no Interior para criminalizar a violência contra os animais

Uma campanha de publicidade colocada nos autocarros de Macau que pedia o respeito pelos direitos dos animais no Interior foi suspensa. O caso foi relatado nas redes sociais pela plataforma de Entusiastas de Autocarros e Transportes Públicos de Macau, que não explica os motivos da remoção das mensagens publicitárias.

A campanha surge na sequência do caso de violência animal no Interior contra a cadela Wang Wang e as suas três crias. No dia 28 de Junho, na cidade de Jieyang, na Província de Cantão, cinco adolescentes de 14 anos mataram a cadela e os filhotes. A violência contra os animais foi partilhada pelos jovens nas redes sociais, que se filmaram a matar as três crias à paulada e ainda a torturar a cadela, ao queimá-la até que morresse e a remover-lhe um dos olhos. Ao mesmo tempo que torturavam o animal com as chamas, os jovens gritavam: “cheira muito bem, cheira muito bem”.

Com as imagens a tornarem-se virais, o caso causou uma onda de indignação online no Interior, uma vez que os jovens são inimputáveis, pelo que a única penalização foi o internamento numa escola de correcção. O episódio levou igualmente a vários pedidos para que as autoridades do Interior criassem uma lei de protecção dos direitos dos animais, o que por sua vez levou as autoridades a activarem os mecanismos de controlo da Internet.

No entanto, este controlo não impediu que surgissem publicidades com a foto da cadela Wang Wang a pedir o respeito pela vida dos animais em locais como Hong Kong, Taiwan, Japão, Malásia, Estados Unidos e Canadá.

Controlo do impacto

Em Macau, alguns residentes também se mobilizaram para colocar publicidades em diferentes locais da cidade sobre o caso. Um desses cartazes foi afixado na fronteira de Qingmao.

Além disso, foram colocadas publicidades em autocarros das duas concessionárias, tanto no exterior das viaturas como nos ecrãs interiores com publicidade. Nas publicidades com a imagem da cadela Wang Wang nos autocarros podiam ler-se mensagens como “não precisa de amar os animais, mas por favor não os aleije”, “promover a melhoria do sistema” ou “que nenhum animal volte a sofrer maus-tratos”.

Contudo, estas publicidades acabaram por ser removidas, sem que se conheça o motivo na origem desta acção. O caso não é singular na China, uma vez que tanto no Interior como em Hong Kong houve mensagens publicitárias deste género a serem removidas, depois da intervenção da polícia.

O HM contactou a Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e a Direcção de Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), para perceber se a remoção tinha partido das autoridades. Não foi obtida resposta da DSAT, mas a DSEDT afirmou que a lei da publicidade não se aplica neste caso, dado que a mensagem não tem um conteúdo comercial.

Regime mais abrangente

Segundo a lei da publicidade em vigor até ao final deste ano, que se aplica apenas a mensagens com conteúdo comercial, as autoridades podem ordenar a remoção de publicidade nos casos em que esta tenha um “carácter oculto, indirecto ou doloso”, “se apoie no medo, ignorância ou superstição dos destinatários”, “possa favorecer ou estimular a violência e as actividades ilegais ou criminosas”, “utilize de forma depreciativa simbologia nacional ou religiosa”, “utilize meios de conteúdo pornográfico ou obsceno”, “possa induzir em erro sobre a qualidade dos bens ou serviços anunciados”, “estimule o uso perigoso dos bens anunciados” ou “deixe de mencionar cuidados especiais relativos à prevenção de acidentes, quando os mesmos sejam requeridos para manuseamento ou uso dos bens”.

Além disso, não pode ser objecto de publicidade a actividade prestamista, os jogos de fortuna ou azar e as armas e coisas conexas.

No entanto, a lei aprovada este ano na Assembleia Legislativa veio alargar os motivos de proibição. A partir do próximo ano, as autoridades podem proibir qualquer publicidade quando considerem que prejudica “a dignidade, a segurança ou os interesses da República Popular da China” ou a “estabilidade social ou o interesse público”.

5 Ago 2026

Aviação | Instituto sino-lusófono aposta em inovação tecnológica

O Instituto de Investigação em Tecnologia de Simulação de Aviação China-Portugal nasceu de um convite da China Southern Airlines e da Universidade de Tecnologia de Guangdong (GDUT) à Universidade de São José (USJ)

Um novo instituto sino-lusófono de inovação tecnológica na aviação pretende desenvolver projectos para implementar “na vida real e indústria”, incluindo simuladores de realidade virtual e aumentada, indicou à Lusa um dos académicos intervenientes no projecto.

O Instituto de Investigação em Tecnologia de Simulação de Aviação China-Portugal nasceu de um convite da companhia aérea China Southern Airlines e da Universidade de Tecnologia de Guangdong (GDUT) à Universidade de São José (USJ), em Macau, disse à Lusa o director da Faculdade de Artes e Humanidades da USJ, Carlos Sena Caires.

Ao integrar este consórcio sino-português, “num papel de consultadoria de design e de participação na questão da realidade virtual e aumentada”, a USJ trouxe para bordo uma parceira portuguesa, a Universidade da Madeira.

“Têm investigação desenvolvida no âmbito do aeroporto da Madeira, nomeadamente no estudo dos ventos e da orografia da ilha, e muita investigação feita nessas áreas, incluindo a utilização da inteligência artificial para fazer o estudo de modelos de prevenção e medição dos ventos no aeroporto da ilha da Madeira”, explicou Carlos Sena Caires à agência Lusa.

O instituto foi lançado em Junho, na cidade de Guangzhou, na província de Guangdong, vizinha de Macau, e formalizado na semana passada com a assinatura de um memorando de entendimento na Universidade da Madeira. O objectivo, indicou o académico, passa por desenvolver projectos que possam ser “implementados na vida real e na indústria”.

Os parceiros chineses, notou ainda, têm interesse em actualizar a utilização da inteligência artificial, com vista ao desenvolvimento de simuladores, que podem servir diferentes tipos de treino, incluindo a preparação de pilotos e a modelação da orografia (estudo do relevo) chinesa.

Parceiros de peso

Com investigadores envolvidos, os projectos podem ter aplicabilidade directa através de “criação de patentes, de novos modelos e aplicações”, reforçou Caires. “A China Southern Airlines é uma das maiores companhias chinesas de aviação, tem um peso enorme na Grande Baía e no sul da China, e temos interesse, enquanto instituições de ensino superior, de estar ligados à indústria”, disse.

Em Portugal, continuou o responsável, ainda é desconhecida esta dimensão tecnológica da região: “Macau nesta altura, do ponto de vista do design, que é a minha área, eu acho que é o sítio para se estar. A Grande Baía, no sul da China, com Shenzhen mesmo ao lado, Hong Kong, Guangzhou, Foshan, Dongguan (…) todas essas grandes cidades estão com um nível de desenvolvimento muito acelerado e precisam de designers, arquitectos e investigadores”.

O consórcio insere-se, além disso, “nas linhas de acção do Governo de Macau”, que desde 2003 tem vindo a reforçar o papel de Macau como plataforma de cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa.

No que diz respeito à USJ, é parte de uma estratégia de internacionalização da Faculdade de Artes e Humanidades. A GDUT conta com “uma das cinco melhores escolas de design da China”, explica. “Faz todo o sentido posicionar-nos nessas áreas e estabelecer colaborações com as melhores instituições da China e do sul da China, neste caso da Grande Baía”. O memorando prevê ainda mobilidade académica, intercâmbio de docentes e estudantes e realização de workshops conjuntos.

5 Ago 2026

Habitação Económica | Pedido sistema para troca de apartamentos

A política de preços de habitação económica na Zona A mereceu elogios de conselheiros de diferentes órgãos, mas agora pede-se um regime que permita a troca para apartamentos maiores

A membro do Conselho para os Assuntos de Habitação Pública, Ng Ka Teng, apelou ao Executivo para criar um regime que permita a troca de habitações económicas. Foi desta forma que a conselheira reagiu, em declarações ao jornal Ou Mun, ao anúncio dos preços deste tipo de habitação na Zona A.

Na segunda-feira, o Instituto de Habitação (IH) anunciou os preços para as habitações económicas situadas na Zona A dos novos aterros. Segundo o anúncio, um T1 vai custar entre 1 milhão e 1,23 milhões de patacas. No caso dos T2, o preço varia entre 1,43 milhões e 1,93 milhões de patacas. Finalmente, os preços dos T3 começam nos 1,74 milhões de patacas e podem chegar aos 2,07 milhões de patacas.

Ng Ka Teng, que é igualmente vice-presidente da Associação Geral das Mulheres, considerou ainda que o montante a pagar pelas famílias é atraente, principalmente para os agregados familiares mais jovens.

Ng sugeriu ainda que o Governo pode reduzir o prémio de concessão do terreno, que actualmente é de 9.450 patacas por metro quadrado de área bruta de construção. A responsável argumentou que o objectivo é aliviar a carga dos residentes.

No entanto, defendeu a necessidade de ser criado um sistema de troca de habitação económica. Com este regime, que está a ser equacionado pelo Executivo, espera-se que os agregados familiares proprietários de habitações económicas possam ter acesso a outras habitações económicas maiores.

O objectivo passa por responder às necessidades das famílias que foram crescendo, com o nascimento de filhos, depois de adquirirem as habitações. Desta forma, seria possível que famílias a viver em apartamentos T1 pudessem mudar para apartamentos da tipologia T2 ou T3, de acordo com as necessidades.

Apoios tradicionais

No dia de ontem, a política de preços do Governo foi alvo de alguns elogios de conselheiros nomeados pelo Executivo. Chan U, membro do Conselho para os Assuntos de Habitação Pública, destacou a nova forma de apresentar o cálculo de preços, que tem por base a área útil, um método que afirmou ser mais familiar para os residentes.

Chan pediu ainda ao Governo que, na definição dos preços da habitação económica, tenha em mente dois factores: a redução dos preços do imobiliário no mercado privado e a capacidade de compra dos residentes, sobretudo as famílias que têm filhos menores.

O conselheiro pediu também que o sistema de pontuação para escolher os compradores da habitação económica atribua mais importância aos agregados familiares com filhos menores.

A habitação económica é construída pelo Governo e visa colmatar as falhas do mercado privado, tendo como destinatários os residentes com menores rendimentos que não têm dinheiro para comprar uma habitação.

5 Ago 2026

Coronel Mesquita | Estátua saiu da Barra para Portugal em “discreta” operação nocturna

A estátua do Coronel Mesquita entrou na história de Macau por ter sido retirada à força durante o “1,2,3”. Porém, acabou por ir para Portugal em 1986, com o aval do Governador Almeida e Costa, numa operação nocturna nas Oficinas Navais, entre rumores de que teria sido atirada ao rio. Hoje, repousa em Paço de Arcos, à guarda da Associação de Comandos

No século XIX a morte do então Governador Ferreira do Amaral e o episódio do Passaleão, protagonizado pelo Coronel Vicente Nicolau de Mesquita, consta como um dos momentos de tensão na relação entre chineses e portugueses em Macau. Tal episódio iria servir de combate e argumento contra os portugueses na expressão da Revolução Cultural em Macau, no movimento “1,2,3”, que decorreu entre Novembro de 1966 e Fevereiro de 1967.

Nos tensos dias do início de Dezembro de 1966, a estátua de Vicente Nicolau de Mesquita foi derrubada e escondida até ser encontrada, em 1986, por José Lobo do Amaral, presidente da Associação de Comandos. Até então julgava-se que a estátua tinha sido destruída e atirada ao rio, a mando de Nobre de Carvalho, Governador que, quando tomou posse, apanhou o “1,2,3” no seu auge.

Ao HM, José Lobo do Amaral recorda o momento em que percebeu o que estava à frente dos seus olhos. “A estátua foi apeada por altura do ‘1,2,3’ e estava recolhida, mas não sei onde. Onde a encontrei foi nas Oficinas Navais. Estava a um canto, tapada, levantei a lona e lá estava. A história é esta.”

Estávamos em 1985 e era Governador Almeida e Costa. Foi aí que José Lobo do Amaral percebeu que o boato de que a estátua estava destruída não passava disso mesmo. “O que constou é que Nobre de Carvalho teria dado ordens para destruir a estátua e atirá-la ao mar. Era o que toda a gente dizia. Agora, se uns sabiam que não tinha ido…calavam-se. Nunca ouvi outra versão da história, e até se dava ao nome da pessoa que a tinha destruído. E a história da estátua morreu ali. Causou grande surpresa quando levantei a lona e a vi.”

“A estátua estava no Leal Senado [quando foi retirada durante os tumultos] e nunca foi reposta. Disse ao Jorge Rangel: fala lá ao Governador, para ver se ele nos dá aquilo para levarmos para Lisboa. A ideia era colocar a estátua no Castelo do Queijo, no Porto, onde é a sede da nossa delegação. Aí ele [Governador] disse: ‘levem-na, discretamente'”.

Cobertos pelo breu

A discrição que a missão exigia originou a operação nocturna para levar a estátua para Lisboa, sem grande alarido. Este episódio foi recentemente recordado por Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau, numa sessão na Casa de Macau em Lisboa a propósito de Luiz Gonzaga Gomes.

A operação envolveu 12 pessoas que tinham estado ligadas aos comandos e alguns contactos prévios, bem como a combinação de uma espécie de código entre Jorge Rangel e José Lobo do Amaral para desviar as atenções do guarda das Oficinas Navais.

“Disse-lhe que só nós os dois podíamos saber o que tinha de acontecer. Do lado das Oficinas Navais ficaram só à espera da indicação da data [para retirar a estátua]”, referiu Jorge Rangel.

Contratou-se “uma empresa de confiança” para transportar a estátua para a Europa. “Nessa noite, esses antigos 12 comandos foram de camioneta, até à porta, fazer um primeiro reconhecimento, para ver se o guarda estava ou não. O portão estava aberto, era só puxar, e foi aí que a estátua foi transportada para o cais do Porto Interior, e depois para Hong Kong.” A estátua do Coronel Vicente Nicolau de Mesquita chegou então a Portugal, ficando primeiro no Porto de Leixões antes de fazer o seu percurso até Paço de Arcos.

Exposta em Valadares

José Lobo do Amaral não gosta que se use o termo “às escondidas” para classificar a manobra. “Foi usado o termo discretamente [para a retirada]. Às escondidas era se tivéssemos ido pela calada da noite, encapuzados. Foi tudo feito normalmente. Contratou-se uma empresa de navegação, fizeram o contentor, puseram-na lá dentro, e transportaram-na para o Porto.”

Com apoios do Instituto Cultural (IC) lá foi a estátua de bronze para o Castelo do Queijo, mas as contas das dimensões foram malfeitas – não conseguia passar da porta. A estátua do coronel macaense acabou por ir parar a uma fábrica de Valadares, também no Norte de Portugal. Enquanto se esperava pela remodelação da Bataria da Lage, em Paço de Arcos, ficou ali e até teve o seu momento provisório de exibição.

“A fábrica era de um comando. Como a estátua estava deitada no chão, resolveu fazer um pedestal e pô-la lá, e quem andasse ali de passagem podia vê-la, mas não era a colocação definitiva. Pôs no letreiro a dizer o que era, e depois quando arranjámos este espaço fomos buscá-la.”

Quem passar pela Bataria da Lage, junto à estrada marginal, vai encontrar a estátua do Coronel Mesquita qual como quando saiu de Macau. “Tem a bota partida, nunca quisemos restaurá-la para que ficasse assim.” Está virada para Macau, lendo-se na placa que está a pouco mais de 110 mil quilómetros de distância do território.

Hoje continua a receber visitas. “Vem aí muita gente da terra para ver a estátua e tirar fotografias. Pessoas que estiveram em Macau, e outras que vêm aí e a quem digo para a visitarem.”

João Lobo do Amaral recorda como “o Governo de Macau sempre se fez de recados”, nomeadamente entre o Oriente e Portugal. “O Macau moderno que conhecemos é do Ferreira do Amaral, porque até ali era o Governo do Leal Senado. Só a partir dele há uma fronteira [das Portas do Cerco]. Havia o mandarim que cobrava imposto do Porto. As coisas rolavam. As comunidades [coexistiam]. É o segredo dos 500 anos [de presença portuguesa]. Tudo se fazia por consenso, uma palavra que nem gosto pessoalmente, porque acho que o consenso é cinzento.”

No caso de Ferreira do Amaral, “não teve senso, não sabia ou não lhe explicaram” esse modo de coexistência de comunidades, “e aconteceu o que aconteceu”. “Dá-se o Passaleão e a reacção à morte dele”, recorda.

Junto à estátua está uma placa onde se explica não só o episódio histórico que ela acarreta como a sua autoria, do escultor Maximino Alves. A estátua do militar macaense foi inaugurada em Macau a 24 de Junho de 1940, com a inscrição na base de pedra a assinalar “Homenagem da Colónia ao Herói Macaense Coronel Vicente Nicolau de Mesquita, 25 de Agosto de 1849.”

Mais abaixo, podia ler-se: “Monumento erguido por subscrição pública e auxílio do Governo da Colónia. Foi inaugurado por ocasião das festas comemorativas do duplo centenário da Fundação e Restauração de Portugal. 24 de Junho de 1940 – Oferta do Leal Senado.”

Todas as mudanças da estátua até à sua exibição permanente foram apoiadas pela Fundação Jorge Álvares e Fundação Casa de Macau.

Segundo o website Memória de Macau, a Batalha do Passaleão, a 25 de Agosto de 1849, “é o único confronto significativo entre a China do Sul e Macau durante mais de quatro séculos de vizinhança”, e ocorreu “após o assassinato do Governador Ferreira do Amaral”.

O episódio consistiu na “tomada de um forte chinês que atacava Macau com a força dos seus obuses a cerca de meia milha das Portas do Cerco”, sendo que “Vicente Nicolau de Mesquita avançou pelo território inimigo, sem ordem superior e apenas com o pelotão de 32 homens sob seu comando, neutralizando com uma carga de explosivos o forte que oprimia Macau”. Foi apoiado, nessa acção, por “duas peças de artilharia de campanha, um obuz de montanha e dois canhões da barca canhoeira e da lorcha de António Ferreira Batalha”. Vicente Nicolau de Mesquita está sepultado no Cemitério de S. Miguel Arcanjo.

5 Ago 2026

Concerto | Organização queixa-se de vestidos desaparecidos em Macau

A empresa que organizou dois concertos da cantora e actriz chinesa Rosy Zhao em Macau apresentou queixa à polícia na sequência do desaparecimento de “vários” vestidos usados no mês passado em Macau. A empresa pediu desculpas à artista e aos fãs pela falha de segurança

No domingo, a empresa promotora de dois concertos em Julho na Galaxy Arena divulgou um comunicado na rede social Weibo a revelar que várias peças de guarda-roupa usadas pela famosa cantora e actriz Rosy Zhao (ou Zhao Lusi) desapareceram na passagem por Macau da tournée “Stay Romantic”.

Durante a performance, a mega-estrela chinesa usou 16 indumentárias diferente. A promotora, Beijing Show City Times Entertainment, não revelou quantas peças desapareceram, mas revelam ter recorrido às autoridades.

“Quando terminámos o inventário do material após o espectáculo, apercebemo-nos que não sabíamos onde estavam vários trajes de alta-costura feitos à medida, usados pela Rosy Zhao no palco nessa noite”, é indicado. A empresa salienta que os vestidos desaparecidos foram concebidos com designs exclusivos para a artista e têm um valor que vai além do dinheiro, representando o esforço e as memórias da tournée.

“Na sequência do incidente, analisámos imediatamente todas as imagens de vigilância dos bastidores do recinto e das áreas circundantes, mas não obtivemos quaisquer pistas úteis. Dada a especial importância destas peças de vestuário, a nossa empresa comunicou formalmente o caso à polícia e irá cooperar plenamente com a investigação policial que se seguirá”, foi indicado.

Apelo ao público

A empresa que organizou os concertos de Rosy Zhao pediu ao público para estar atento e contactar a sua conta oficial de Weibo caso conheça alguém que tenha “encontrado ou aceite por engano” as peças de vestuário desaparecidas. “Se devolver os vestidos voluntariamente, a nossa empresa não atribuirá qualquer responsabilidade à pessoa que os encontrou e expressará a nossa sincera gratidão”, é indicado.

Porém, é ressalvado que caso os “trajes de espectáculo feitos à medida circulem no mercado de segunda mão, em plataformas de leilões ou noutros canais públicos”, a promotora afirma que irá fazer valer “todos os direitos de propriedade, em conformidade com a lei, e recorrerá a todos os meios legais, tais como a denúncia à polícia ou a acção judicial”.

A Beijing Show City Times Entertainment termina o comunicado pedindo desculpas a Rosy Zhao e aos fãs, assumindo que a perda de “valiosos materiais de palco” se deveu a “graves falhas e incumprimento de deveres na gestão de materiais no local e nos trabalhos de verificação final”.

A empresa garante ainda que irá fazer uma análise interna para corrigir os erros no sistema de gestão dos materiais de palco, inventário e supervisão de segurança, para que a situação não se repita.

Os concertos em questão realizaram-se nos dias 11 e 12 de Julho no Galaxy Arena, com os bilhetes esgotados escassos minutos depois de terem sido postos à venda. Mais de 400 mil fãs tentaram comprar bilhetes para os concertos da artista chinesa nas várias plataformas de venda online.

4 Ago 2026

FAOM / Inquérito | Cerca de 34% querem ir para a Grande Baía ou Hengqin

Um inquérito da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) mostra que há cada vez maior disponibilidade dos residentes para trabalharem no outro lado da fronteira. No entanto, a maior parte pretende ficar em Macau

Cerca de 34 por cento dos 1.200 inquiridos pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) têm vontade de trabalhar na Ilha da Montanha ou nas cidades da Grande Baía. Os resultados do inquérito, realizado entre Janeiro e Agosto, foram apresentados ontem pela associação tradicional que conta com quatro deputados na Assembleia Legislativa.

Além de haver uma maior disponibilidade para viver em Hengqin e na Grande Baía, a equipa que elaborou o inquérito recorreu aos dados oficiais para afirmar que a deslocação dos residentes para o Interior é cada vez mais uma tendência em curso. Segundo a FAOM, até Novembro do ano passado o número de residentes empregados em Hengqin ultrapassou os 6 mil, o que representou um aumento de 13 por cento, em comparação com 2024.

Os investigadores apontaram também que os residentes começam a aceitar cada vez mais a ideia de viverem em Macau e trabalharem no outro lado da fronteira.

Apesar desta tendência, os autores do estudo indicaram que o trabalho transfronteiriço ainda enfrenta desafios, como a adaptação à nova vida quotidiana, a tomada de decisões sobre se a família se muda para Hengqin ou fica em Macau, as burocracias relacionadas com o reconhecimento das qualificações profissionais, as diferenças nos sistemas fiscais e nos sistemas de segurança social.

Face aos desafios, a FAOM quer uma resposta política, para criar soluções que tornem a transição entre os territórios menos problemática.

Foco em Macau

Apesar da atracção crescente pelo outro lado da fronteira, a maioria da população pretende ficar em Macau e contribuir para o desenvolvimento da sua terra natal. Esta conclusão foi apurada com base na resposta de 57 por cento dos inquiridos, que pretendem que o seu futuro passe pela RAEM.

Dado o interesse da população de Macau em ficar no território, a FAOM defende que o Governo tem de insistir na política de dar prioridade aos residentes locais no acesso aos empregos na RAEM. Neste sentido, a FAOM pede a criação de uma base de dados sobre os não-residentes, para tornar mais eficaz o combate aos trabalhadores ilegais.

Além disso, a equipa envolvida no estudo espera que sejam lançados apoios ao desenvolvimento profissional para diferentes idades, como apoios à realização de estágios, programas de aconselhamento de mudança de carreira profissional, requalificação profissional e incentivos para o regresso dos idosos ao mercado de trabalho.

AI assusta

Por sua vez, o deputado Leong Sun Iok mostrou-se preocupado com o impacto da inteligência artificial (IA) no mercado de emprego em Macau. “Podemos ver que cerca de 32 por cento dos inquiridos estão atentos ao desenvolvimento da economia digital. Por isso, esperamos que haja um mecanismo para inspeccionar e analisar o impacto da IA nos empregos”, afirmou Leong.

O deputado pediu ainda que seja criada uma inspecção obrigatória nas indústrias que utilizam mais inteligência artificial, para impedir vagas de despedimento.

4 Ago 2026

Zona A | Metro quadrado de habitação económica a partir de 31 mil patacas

O Governo anunciou ontem os preços dos apartamentos em cinco torres de habitação económica na Zona A dos Novos Aterros. O custo de base do metro quadrado de área útil varia entre 31.270 e 33.828 patacas. No total, os cinco edifícios oferecem 5,254 fracções

Os preços de venda das fracções da habitação económica nos Lotes A1 a A4 e A12 da Zona A dos Novos Aterros foram publicados ontem no Boletim Oficial, através de um despacho assinado por Sam Hou Fai. O Governo indicou que o preço do metro quadrado de área útil varia entre 31.270 e 33.828 patacas, ou 2.905,05 e 3.142,7 patacas por pé quadrado.

Num comunicado que acompanha a publicação do despacho, o Instituto de Habitação (IH) realça que “na fixação do preço de venda das fracções são tidos em consideração, nomeadamente: o prémio de concessão do terreno, o custo de construção e os custos administrativos”, de acordo com a alteração legal introduzida em 2021, ano em que foi aberto o concurso público para compra das fracções.

Para estes factores de cálculo do preço, o prémio de concessão do terreno foi fixado em 9.450 patacas por metro quadrado da área bruta de construção de habitação, enquanto o custo de construção varia entre 12.446,28 e 14.088,52 patacas. Os custos administrativos foram avaliados em 154,55 patacas por metro quadrado da área bruta de construção de habitação.

O IH acrescenta que “o preço concreto de venda de cada fracção pode ser aumentado ou diminuído, dependendo da localização do edifício, a orientação e localização na estrutura global do edifício, área e tipologia da fracção”.

Viver de facto

As 5.254 fracções estão dividias entre os edifícios Tong Veng, Tong Keong, Tong Man, Tong Tat e Tong Ip, com tipologias de T1, T2 e T3.

Recorde-se que a Zona A está localizada a leste da Península de Macau. Os edifícios de habitação económica dos cinco lotes em questão encontram-se junto ao mar, beneficiam de vantagens ao nível da localização e da paisagem.

O Governo sublinha que o concurso em questão está enquadrado pela nova “Lei da habitação económica”, o que significa que a habitação económica tem sempre de manter a natureza e após a sua aquisição, só pode ser vendida ao IH.

Além das limitações à revenda, o IH lembra que a lei estabelece que as 5.254 “fracções destinam-se exclusivamente a habitação própria com carácter permanente, o candidato e os elementos do agregado familiar incluídos no momento da candidatura têm de residir permanentemente na fracção”.

Se os moradores não residirem no apartamento, pelo menos, 183 dias por ano, são punidos com multa de 5 a 15 por cento do preço da venda inicial da fracção, se não justificarem devidamente os motivos para a ausência. “Se a situação não for rectificada, o contrato-promessa será resolvido”, salienta o IH.

4 Ago 2026

Cooperação | Sam Hou Fai visita Singapura, Indonésia e Malásia

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, vai visitar Singapura, Indonésia e Malásia, entre 30 de Agosto e 5 de Setembro. A informação foi divulgada ontem pelo Gabinete de Comunicação Social (GCS).

O itinerário e os objectivos da visita não foram ainda divulgados. No entanto, a deslocação oficial do Chefe do Executivo inclui paragens na Cidade-Estado, Jacarta e Kuala Lumpur.

4 Ago 2026

Aeroporto | Tai Kin Ip nomeado presidente de empresa do universo da CAM

O ex-secretário para a Economia e Finanças foi nomeado pela CAM presidente da empresa Soluções de Gestão de Informação em Aeroportos, com um mandato que termina em 2029

O ex-secretário para a Economia e Finanças Tai Kin Ip foi nomeado presidente da empresa Soluções de Gestão de Informação em Aeroportos (SGIA), que faz parte do universo das empresas da CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau. A informação foi divulgada pela Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP).

A Soluções de Gestão de Informação em Aeroportos tem um capital social de 2 milhões de patacas e é uma empresa controlada a 100 por cento pela CAM, de forma directa e indirecta. A SGIA tem como objecto social a “concepção, criação, comercialização, instalação, manutenção e reparação de programas e sistemas informáticos, redes e sistemas electrónicos, e a prestação de serviços de instalação, gestão, manutenção e reparação, consultadoria nas áreas tecnológicas e de projectos informáticos e electrónicos”. Fazem também parte do objecto social da empresa o “comércio electrónico e publicidade online e prestação de serviços de internet”.

Tai Kin Ip foi exonerado em Abril do cargo de secretário, uma decisão que foi justificada pelo Governo de Sam Hou Fai com “motivos pessoais”, nunca especificados. No entanto, em Junho, Tai foi nomeado pelo Chefe do Executivo membro do conselho de administração e membro da comissão executiva da CAM. No âmbito destas funções, Tai Kin Ip recebe anualmente cerca de 1,75 milhões de patacas.

A informação divulgada pela DSSGAP não permite perceber a remuneração que vai ser paga a Tai Kin Ip pelo desempenho específico destas funções. De acordo com os estatutos da SGIA, o presidente da companhia é um dos administradores nomeados pela CAM, como acontece neste caso. A retribuição por estas funções é decidida pela Assembleia Geral.

Acompanhado por Pun

Além da nomeação de Tai Kin Ip para a SGIA, o mesmo acontece com Pun Weng Kun, ex-presidente do Instituto do Desporto e coordenador da comissão que organizou a parte de Macau da 15.ª edição dos Jogos Nacionais.

Pun Weng Kun foi escolhido administrador da SGIA pela CAM, empresa onde assume funções no conselho de administração e na comissão executiva. À semelhança de Tai, recebe anualmente cerca de 1,75 milhões de patacas. Na SGIA, o mandato de Pun prolonga-se até 2 de Junho de 2029, não sendo apresentada no portal da DSSGAP a retribuição por estas funções.

Pun foi ainda nomeado pela CAM como administrador da Sociedade de Logística do Aeroporto Internacional de Macau em Hengqin Guangdong, empresa com um capital social de 500 milhões de renminbis, controlada em 55 por cento pela CAM e que está situada na Ilha da Montanha. No entanto, esta companhia tem ainda como accionista a COSCO Shipping Logistics Co., empresa estatal de logística, que detém uma participação social de 45 por cento.

4 Ago 2026

Função pública | Sugerida adopção de modelo próprio de administração

Um estudo realizado por dois académicos da Universidade de São José considera que o Governo deve criar para a Função Pública “um modelo de governação ajustado às próprias necessidades”, ao invés de meramente “reproduzir experiências implementadas noutros contextos”

Do “clientelismo” vivido nos anos de administração portuguesa até às progressivas reformas, Macau tem evoluído para um modelo de administração mais eficiente e digital, mas não chega. É a conclusão do estudo “Reforma da Administração Pública em Macau: Um Estudo Crítico desde a Transferência de Soberania até à Actualidade”, da autoria de Leung Sok Ieng, doutorando em Government Studies na Universidade de São José (USJ), e Ansoumane Douty Diakite, professor associado da mesma instituição de ensino.

O artigo académico foi publicado na revista “E- REI: E-Journal of Intercultural Studies”, sob alçada da Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto. Uma das conclusões do artigo é que Macau “deverá desenvolver um modelo de governação ajustado às próprias necessidades, ao invés de, simplesmente, reproduzir experiências implementadas noutros contextos”.

Neste sentido, é entendido que “o sucesso da reforma da administração pública de Macau não pode resultar de uma simples replicação dos modelos ocidentais”, devendo ser olhados factores como as “especificidades demográficas e sociais do território”.

Estas demonstram que “as reformas devem ser adaptadas às condições locais e orientadas por uma abordagem centrada no cidadão”, sendo que, nos próximos anos, deve-se apostar na “governação transfronteiriça de dados, o desenvolvimento do capital humano, o empreendedorismo digital e estudos comparativos além de Macau”. Tudo para “compreender melhor a governação de cidades inteligentes em diferentes sistemas de inovação”.

“Reforma da Administração Pública em Macau: Um Estudo Crítico desde a Transferência de Soberania até à Atualidade” conclui também que “a adopção de uma abordagem centrada no cidadão é identificada como um factor crítico para o sucesso de estratégias modernas de governação”.

Desta forma, o Governo “terá de equilibrar eficiência, conveniência e serviços orientados para as pessoas na prestação de serviços públicos”.

O sucesso da “Conta Única”

Olhando para o conceito de “Nova Gestão Pública”, desenvolvido sensivelmente a partir dos anos 80 e 90, no sentido de uma maior desburocratização, os autores destacam que as autoridades locais têm feito reformas que vão, cada vez mais, nesse sentido, afastando-se dos modelos de governação dos anos da Administração portuguesa.

Considera-se que o “Governo tem vindo a evoluir gradualmente de uma abordagem centrada na economia para uma maior aposta na reforma administrativa, na centralidade do cidadão e na eficiência dos serviços públicos”.

Esta “transição” traz uma “integração progressiva dos princípios” desse conceito de “Nova Gestão Pública”. Os autores salientam a “generalização do governo electrónico e serviços digitais”, com foco na plataforma “Conta Única de Macau”. Esta app, que permite resolver, no telemóvel, uma variedade de assuntos do foro público, como o pagamento de multas ou inscrições em apoios financeiros, tem contribuído “para eliminar barreiras à circulação de informação”, bem como “promover a colaboração entre diferentes departamentos governamentais”.

Destaca-se como “o Governo é incentivado a desenvolver políticas públicas baseadas nos dados recolhidos”, além do facto de que, nos últimos anos, tem feito “alterações legislativas que reforçam a necessidade de considerar as necessidades dos cidadãos na formulação das políticas públicas”.

A meritocracia

Os autores, que com este estudo procuram analisar o funcionamento da Administração após 1999, destacam, citando outros estudos, como a reforma do sistema de governação “passa pela descentralização e delegação de competências para níveis inferiores da administração, bem como pela atribuição de maior autonomia às entidades locais”.

Refere-se ainda como o “novo modelo de gestão pública em Macau assenta num sistema de recrutamento baseado no mérito, em que dirigentes e funcionários são nomeados de acordo com as suas competências, qualificações e desempenho, em vez de critérios relacionados com filiações ou antiguidade”.

No cenário pós-transição, é entendido que o “novo modelo de gestão pública privilegia a colaboração e parcerias, promovendo uma estreita cooperação entre o Governo, o sector privado, a sociedade civil e os restantes ‘stakeholders’, com vista à prossecução de objectivos comuns”.

Um dos exemplos de reforma e maior estabelecimento de parcerias é a implementação de sistemas de avaliação de desempenho dos funcionários públicos ou a criação de organismos semiautónomos, como o Instituto Cultural, a Fundação Macau, o Instituto do Desporto e a Direcção dos Serviços de Turismo.

Outro exemplo apresentado é a “importante reforma” feita em 2011 com o regime de Recrutamento e Selecção de Trabalhadores da Administração Pública, que determinou que “os funcionários públicos são recrutados e nomeados com base nos resultados de concursos públicos e nas suas competências, assegurando assim a equidade e a meritocracia no processo de recrutamento”, é referido, citando um estudo de 2016.

Por sua vez, destaca-se “o contraste com os princípios” dos anos da Administração portuguesa, referido como um “sistema de patronagem, no qual as nomeações eram fortemente influenciadas pelas ligações à elite governante”, é citado.

O que ficou

O estudo considera que o actual modelo de Administração é também fruto de do que se fez antes de 20 de Dezembro de 1999. Tratava-se de um “modelo de gestão pública frequentemente criticado por negligenciar as necessidades e perspectivas dos intervenientes externos”, além de ter “uma abordagem relativamente descontraída e flexível”.

“Após a transferência de soberania, o Governo de Macau manteve grande parte do modelo de governação herdado do período colonial, permanecendo fortemente influenciado pela cultura administrativa portuguesa”, pode ler-se.

Caracterizam-se ainda os anos do funcionalismo público português como um sistema “marcadamente burocrático, lento, excessivamente pesado e mais orientado para a sua própria manutenção do que para a prestação eficaz de serviços públicos”, destacam os autores, citando outros estudos sobre o tema.

Além disso, o estudo descreve, que durante a Administração portuguesa, a Função Pública “operava sob clientelismo, inspirando-se em diversos estilos de administração pública portuguesa”.

Desta forma, “o sistema governativo burocrático de Macau reflecte uma herança da governação centralizada portuguesa, conjugada com a integração do sistema de soberania chinês”. A reforma que as autoridades tentam levar a cabo “evidencia uma relação complexa entre um legado colonial profundamente enraizado e as necessidades dinâmicas de uma Região Administrativa Especial moderna, no âmbito do princípio ‘Um País, Dois Sistemas'”, acrescenta-se.

Leung Sok Ieng e Ansoumane Douty Diakite entendem que as heranças do período de administração portuguesa deixaram problemas como o “enquadramento legislativo de matriz colonial, a sobreposição de competências entre departamentos governamentais e a inexperiência de parte da elite administrativa”. Em causa estão “desafios significativos para a reforma da administração pública”.

Persistem também “barreiras linguísticas e desfasamento do enquadramento jurídico face às necessidades contemporâneas”.

4 Ago 2026

Mercado hispânico | Macau é “largamente desconhecido”

Depois do universo de língua portuguesa, Macau quer ser ponte entre a China e os países falantes de espanhol, mas, enquanto se procuram acordos para dar forma à estratégia, os académicos dividem-se sobre a viabilidade da política.

Carlos Martin, professor associado de Relações Internacionais na Universidade Europeia de Valência, considera que Macau tem “um potencial ainda por explorar” e “bases para se tornar o conector natural” entre as duas partes, mas continua a ser “largamente desconhecido nesses mercados”, disse à Lusa.

Para Martin, a ligação cultural entre Macau e os países hispanófonos é relevante, fruto da experiência lusófona, mas não é suficiente: “A dimensão das empresas, os sectores envolvidos, a mão de obra necessária” são factores que influenciam a “perspectiva dos governos regionais e a forma como consideram a cooperação e o equilíbrio do envolvimento”, alertou.

O Governo da RAEM deve “executar uma estratégia inteligente para activar as ligações certas”, de modo a que os sectores civil e empresarial olhem para o território “como a melhor opção para operar na China”, sugeriu ainda.

Dúvidas que persistem

Questionado sobre se Macau tem capacidade de ser essa ponte, Juan Enrique Serrano Moreno, professor associado do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, foi peremptório: “Não creio”.

“Não penso que Macau venha a tornar-se um centro de negócios para empresários latino-americanos. Há formas mais eficazes através de centros de negócios na China continental e, em menor medida, em Singapura”, indicou o analista chileno.

Laura Botta é uma ‘influencer” espanhola com quase um milhão de seguidores no TikTok. Veio a Macau para tratar do visto e regressar à China, onde está a viajar há já alguns meses. Antes de planear a viagem, pouco sabia da cidade, para além de uma campanha do Turismo de Macau, que viu ainda em Madrid.

Conseguir ler os letreiros das ruas de uma cidade chinesa foi para a ‘influencer’ a maior surpresa. “É tão fixe virmos e vermos tudo em português, porque conseguimos perceber algumas coisas”, disse à Lusa, acrescentando que “a cidade tem muito para oferecer” e que “voltará, sem dúvida”, se surgirem “oportunidades de negócio”.

A língua é vista como uma via importante na estratégia de aproximação e Macau está a preparar esse terreno, mas a determinação das políticas tem ainda caminho por percorrer.

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) indicou à Lusa que, nos últimos anos, as instituições de ensino superior de Macau introduziram o espanhol como disciplina principal ou opcional, acrescentando que incentiva as instituições a oferecerem programas relacionados com a cultura e economia dos países de língua espanhola, com vista a formar “profissionais completos e com uma mentalidade internacional em várias áreas”.

No ano lectivo de 2025/2026, quase 180 estudantes de vários países de língua espanhola, incluindo Espanha, Argentina e Chile, vieram para Macau estudar em instituições de ensino superior locais, ainda segundo a DSEDJ.

Nuno Gomes, professor de espanhol na Universidade de Macau (UM), faz uma descrição mais objectiva e menos positiva dessa formação. A universidade “só abre dois cursos de nível 1 e um curso de nível 2”, acrescentando que falou com os superiores directos sobre a possibilidade de alargar o currículo “em várias ocasiões, mas mantêm-se sem interesse em desenvolver o espanhol”.

O interesse de Macau em atrair negócios provenientes do mundo hispânico tem como principal braço o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM), que manifestou a intenção de continuar a “atrair investimento dos países de língua espanhola para Macau”, com visitas ao exterior. Até ao final de Junho, o IPIM registou mais de uma dezena de propostas de investimento em Macau de Espanha, Argentina, México, Uruguai e Panamá, três das quais concretizadas, no valor de 27 milhões de patacas.

3 Ago 2026

Casinos | Receitas brutas apresentam quebra de 8,4 por cento em Julho

Em termos mensais, entre Junho e Julho as receitas mostram uma tendência positiva, com um crescimento de 9,38 por cento. No mês passado, os casinos facturaram um total de 20.260 milhões de patacas

Os casinos facturaram em Julho 20.260 milhões de patacas, o que representa uma variação homóloga negativa de 8,4 por cento, mas um crescimento de 9,38 por cento em relação a Junho último.

A receita bruta acumulada pelos casinos nos primeiros seis meses do ano ascendeu a 147.161 milhões, mais 4,4 por cento por comparação com o período entre Janeiro e Junho de 2025, anunciou no sábado a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Os casinos tinham registado em Junho receitas brutas de 18,5 mil milhões de patacas, o valor mais baixo do ano, numa queda homóloga de 12,1 por cento e em cadeia de 18,1 por cento.

Apesar do segundo mês consecutivo de variação negativa (menos 12,1 por cento em Junho e menos 8,4 por cento em Julho), a receita bruta acumulada pelos casinos até ao final do sétimo mês do ano mantém-se em terreno positivo (mais 4,4 por cento), graças ao desempenho nos primeiros cinco meses, sempre acima dos dois dígitos, ainda que em queda quase constante, de 24 por cento em Janeiro, até 10,9 por cento em Maio.

Macau fechou 2025 com receitas totais de jogo de 247.404 milhões de patacas, mais 9,1 por cento do que no ano anterior (226,8 mil milhões de patacas).

Operam no território seis concessionárias — MGM, Galaxy, Venetian, Melco, Wynn e SJM — que renovaram, em Dezembro de 2023, o contrato de concessão para os dez anos seguintes e que entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2024.

Receitas fiscais de quase 90%

As receitas fiscais do jogo têm representado, de forma consistente, quase 90 por cento das receitas correntes de Macau e os últimos dados sobre o peso directo do jogo no produto interno bruto (PIB) da região é 47,3 por cento, segundo o relatório da “Estrutura Sectorial de Macau”, publicado no final de 2025 pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), tendo como referência o ano económico de 2024.

A economia de Macau travou fortemente no segundo trimestre do ano, crescendo 0,3 por cento, depois de uma subida de 7,1 por cento nos primeiros três meses do ano, colocando o crescimento do PIB no primeiro semestre nos 3,7 por cento em termos homólogos.

O Fundo Monetário Internacional prevê que a economia de Macau desacelere este ano para 3,3 por cento, em resultado da menor actividade do sector do jogo e do prolongamento de taxas de juro elevadas. O PIB de Macau em 2025 cresceu 4,7 por cento em termos reais, atingindo um valor preliminar de cerca de 417,28 mil milhões de patacas, segundo os dados divulgados pela DSEC.

3 Ago 2026

PIB | Subida de 3,7% no primeiro semestre mas com incertezas

Apesar dos sinais de crescimento, os dados mais recentes mostram uma desaceleração do crescimento do PIB entre Abril e Junho

A economia cresceu 3,7 por cento no primeiro semestre em termos homólogos, resultado penalizado por uma forte travagem no segundo trimestre (0,3 por cento), depois de uma subida de 7,1 por cento nos primeiros três meses, foi anunciado.

O produto interno bruto (PIB) alcançou 209,89 mil milhões de patacas no primeiro semestre, mais 3,7 por cento em termos reais por comparação com período homólogo anterior, impulsionado pelo aumento do número de visitantes, segundo os resultados preliminares anunciados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) do território.

Este desempenho é equivalente a 89,1 por cento do volume económico do semestre homólogo de 2019, antes da pandemia de covid-19, mas é penalizado pelo forte abrandamento da economia da região no segundo trimestre.

Os dados preliminares do PIB relativos ao período de Abril a Junho foram de 102,33 mil milhões de patacas, resultado que se traduziu num crescimento real da economia de 0,3 por cento, em termos anuais, e, neste caso, representando 87,9 por cento do volume económico do mesmo trimestre de 2019.

A economia de Macau cresceu 7,1 por cento no primeiro trimestre de 2026, impulsionada pelo aumento das exportações de serviços e pela subida significativa do número de visitantes, os dois maiores componentes do PIB da região, desempenho que marca os números do semestre.

Mais exportações

O desempenho da primeira metade do ano por principais componentes do PIB, saldou-se pelo crescimento de 7,2 por cento das exportações globais de serviços entre Janeiro e Junho, puxadas pelo crescimento homólogo do número de entradas dos visitantes na RAEM, na ordem dos 9,0 por cento.

No domínio da procura interna, a DSAL anunciou o crescimento homólogo de 2,8 por cento da despesa de consumo privado, tendo a despesa de consumo final do governo e a formação bruta de capital fixo diminuído 0,2 por cento e 9,4 por cento, respectivamente.

Nos primeiros três meses do ano, as exportações globais de serviços cresceram 12,8 por cento, acompanhando a subida de 13,7 por cento nas entradas de visitantes, com as exportações de outros serviços turísticos a aumentar 17,5 por cento e as de serviços do jogo 13 por cento.

O turismo registou um novo recorde histórico entre Janeiro e Março de 2026, ao receber 11,2 milhões visitantes, um aumento de 13,7 por cento face ao mesmo período de 2025 e superior aos valores pré-pandemia.

Redução do crescimento

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia de Macau desacelere este ano para 3,3 por cento, em resultado da menor actividade do sector do jogo e do prolongamento de taxas de juro elevadas. O PIB de Macau em 2025 cresceu 4,7 por cento em termos reais, atingindo um valor preliminar de cerca de 417,28 mil milhões de patacas, segundo os dados preliminares da DSEC.

De acordo com o comunicado da missão anual do FMI ao abrigo do Artigo IV, divulgado esta quarta-feira, a médio prazo, o crescimento da economia da RAEM deverá abrandar “ainda mais, para 3 por cento, em linha com o abrandamento previsto no crescimento da China continental e da RAE de Hong Kong”.

Num relatório do fundo em Abril, a instituição sedeada em Washington cortava a previsão de crescimento do PIB em 2026 para 3,1 por cento, duas décimas abaixo da estimativa agora apontada.

3 Ago 2026

Telecomunicações | Macau quer criar oferta de ‘triple play’

Com o novo diploma, podem acabar os limites de licenças de telecomunicações e espera-se que as operadoras apresentem uma oferta conjunta com serviços de telefone fixo, móvel, televisão e Internet

O Governo anunciou na sexta-feira que vai submeter à votação da Assembleia Legislativa um regime jurídico completo para o sector das telecomunicações, assente na convergência de serviços (‘triple play’) e promoção da concorrência.

“Espero que, no futuro, depois de essa proposta de lei ser aprovada, haja mais operadoras a instalar e a prestar serviços em Macau”, disse aos jornalistas em conferência de imprensa o director substituto dos Serviços dos Correios e Telecomunicações do território, Lao Lan Wa.

A proposta não prevê um limite do “número de titulares de licença, com o objectivo de atrair mais investimento e mais concorrentes”, reforçou o porta-voz do Conselho Executivo. “Porque só com a concorrência é que podemos ter melhores serviços, podendo assim promover o desenvolvimento do sector das telecomunicações e o desenvolvimento de novos serviços”, completou Wong Sio Chak.

Com um mercado limitado a menos de 700 mil habitantes, Macau enfrenta pouca concorrência nas telecomunicações, dominadas pela Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM). A convergência dos serviços, notou ainda Wong, vai permitir integrar numa única rede os serviços de telefone fixo, móvel, televisão e Internet, actualmente separados.

Espaço de inovação

A ideia é “construir um ambiente operacional e um espaço para inovação e desenvolvimento mais flexíveis para o sector, impulsionar a concorrência e a diversificação dos serviços para que os utilizadores possam usufruir dos serviços de telecomunicações mais diversificados e de melhor qualidade”, notou Wong, também secretário para a Administração e Justiça.

Relativamente à protecção da concorrência de mercado, a proposta de lei propõe adoptar “um modelo de regulação ‘ex ante’ e ‘ex post'”, sendo impostas “obrigações regulatórias específicas adequadas às empresas de telecomunicações declaradas com poder de mercado significativo num mercado específico, visando equilibrar o mercado por via do estabelecimento das regras de concorrência”.

O diploma consagra ainda o princípio da neutralidade tecnológica, o que significa que a lei não privilegia nem discrimina nenhuma tecnologia específica. Pelo menos desde 2019 que o Governo tem como objectivo o desenvolvimento da oferta triple play.

3 Ago 2026

TVDE | Governo diz que vai legislar este ano plataformas

Vem aí legislação que permitirá a entrada em Macau de plataformas de TVDE, como Uber e DiDi. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, confirmou que o Governo pretende entregar a nova lei à Assembleia Legislativa ainda este ano

Parece que é desta que os TVDE (Transporte em Veículos Descaracterizados) vão poder operar na RAEM, depois do regresso, com características de Macau, da Uber no território (em que só se pode chamar táxis pretos). Na sexta-feira, no plenário para responder a interpelações orais, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, confirmou deverá dar entrada na Assembleia Legislativa ainda este ano um diploma que irá regular as operações deste tipo de plataformas. De momento, existem apenas duas aplicações para chamada de táxis pretos: a Uber e AMAP no MPay.

Em resposta a uma interpelação oral do deputado Ho Ion Sang, o secretário ressalvou que ainda é preciso algum tempo para ultimar os detalhes da proposta de lei, que já está “numa fase muito concreta”. Raymond Tam realçou também que este é um tema que suscita grandes expectativas da população.

Em comunicado, o gabinete do secretário acrescenta que os serviços de táxis por marcação através de plataformas electrónicas serão alvo fiscalização reforçada “com vista a elevar a eficiência no atendimento”.

Cobrir ângulos mortos

O secretário endereçou também o problema dos acidentes rodoviários que envolvem autocarros públicos, em resposta a interpelação oral de Lam Lon Wai. O deputado pediu intervenção do Executivo face às estatísticas que mostram que o número de acidentes de viação em operação de autocarros aumentou de 943 em 2022 para 1.327 em 2025.

Raymond Tam garantiu que “o Governo atribui elevada importância a esta matéria” e elencou medidas como a construção de instalações pedonais tridimensionais, a introdução de novos tipos de sinalização rodoviária, instalação de vedações de separação e painéis de aviso nos locais com maior incidência de infracções cometidas por peões.

O governante indicou ainda que as duas operadoras de autocarros foram “incentivadas” a “introduzir diversas tecnologias inteligentes e de defesa activa, incluindo câmaras de monitorização anti-fadiga na condução, câmaras de 360 graus para monitorização de ângulos mortos e funções de alerta baseadas no posicionamento GPS”. A ideia é permitir que os motoristas sejam alertados, em tempo real, das condições rodoviárias em troços com maior incidência de acidentes. O governante indicou também a importância de apostar na formação baseada em “casos típicos de acidentes”, e assegurar que os horários de trabalho e descanso são cumpridos com rigor.

3 Ago 2026

Comércio externo | Governo admite rever licenciamento

A secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, admitiu que é necessário rever a Lei do Comércio Externo. Uma das mudanças irá passar por definir “prazos de validade das licenças de acordo com o nível de risco das mercadorias”

O Governo promete rever algumas das disposições constantes na Lei do Comércio Externo. A garantia foi dada pela secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, na sessão plenária de sexta-feira, que serviu para responder a interpelações orais dos deputados.

Em resposta ao deputado José Pereira Coutinho, a secretária explicou que o Governo “considera necessário rever a situação da aplicação da ‘Lei do Comércio Externo'”, nomeadamente no que diz respeito à revisão do Regulamento das Operações de Comércio Externo, datado de 2003.

Ng Wai Han adiantou que uma das alterações passa pela “fixação dos prazos de validade das licenças por níveis de risco”, sendo que “para as mercadorias de alto risco, o prazo de validade das licenças será semelhante ao actualmente previsto, enquanto para as mercadorias de médio risco, o prazo será prolongado”.

O Executivo quer ainda fazer o “ajustamento do âmbito de aplicação do regime de licenciamento”, onde as “mercadorias de baixo risco serão excluídas das actuais listas de importação e exportação, passando a reger-se pelo regime de declaração”.

Digitalização em marcha

Outra mudança que a secretária anunciou na sexta-feira, no âmbito do comércio externo, passa pela “preparação para a utilização múltipla das licenças electrónicas”.

Assim, “será reservada margem, a nível jurídico, para proporcionar suporte institucional à futura utilização múltipla, dentro do prazo de validade, das licenças electrónicas requeridas através do sistema de declaração alfandegária electrónica”, para “reduzir os custos operacionais das empresas”.

A secretária disse esperar que, com estas alterações, se possa “optimizar ainda mais o regime de gestão do comércio externo, facilitar o funcionamento das empresas e alcançar o seu objectivo de acção governativa de melhorar o ambiente de negócios”.

Na interpelação oral, o deputado referiu a necessidade de modernização tendo em conta as novas necessidades com a cooperação entre Macau e Hengqin e a chegada da inteligência artificial (IA).

Lembrando que a Lei de Comércio Externo de Macau de 2003 existe “há mais de 20 anos”, Coutinho referiu a necessidade de “actualizar e adaptar” o diploma para responder “aos desafios significativos derivado do aumento de postos e fluxo transfronteiriços, o impacto da IA e os desafios de competitividade regionais e internacionais”.

O deputado realçou a “urgência da revisão”, sobretudo quanto à necessidade de “simplificar procedimentos administrativos, reduzir a burocracia e os custos de contexto tanto para as autoridades competentes como aos operadores económicos”.

Quanto a Hengqin, deu o exemplo concreto da necessidade de “harmonização com os regimes especiais vigentes na Zona de Aprofundamento de Hengqin, nomeadamente o reconhecimento mútuo dos sistemas legais higio-sanitárias dos produtos perecíveis incluindo os enlatados, mariscos secos etc., implementando concretamente o princípio de circulação facilitada de mercadorias e o sistema de ‘duas linhas aduaneiras’”.

3 Ago 2026

Concerto | Cristina Branco actua em Zhuhai em Setembro

Acabam de ser anunciadas novas datas do Festival Fado na China, que este ano traz ao Oriente a fadista Cristina Branco. Além das actuações, em Setembro, nas cidades de Pequim e Xangai, Cristina Branco actua também no Zhuhai Grand Theater no dia 10 de Setembro

A cidade de Zhuhai recebe, a 10 de Setembro, uma voz que, mais do que ser portuguesa, representa também o Fado contemporâneo. Trata-se de Cristina Branco, artista que é protagonista deste ano do Festival Fado, que se apresenta, pela primeira vez, na cidade vizinha.

A 10 de Setembro, Cristina Branco sobe ao palco do Zhuhai Grande Theater a partir das 20h, sendo este concerto precedido da exibição do filme “Do Bairro”.

A iniciativa, da produtora Everything is New, passa também pelas cidades de Xangai e Pequim. Na capital chinesa, o concerto está agendado para o dia 6 de Setembro e inclui o concerto de Cristina Branco no Forbidden City Concert Hall, a partir das 19h30. Antes, às 18h, o músico Rodrigo Costa Félix dá uma conferência, sendo também exibido, nesse dia, o filme “Fado do Bairro”. Por sua vez, na biblioteca da Renmin University of China estará patente a mostra “História do Fado”.

No dia 5 de Setembro, é a vez da cidade de Xangai receber, no Shanghai Oriental Arts Center, o concerto de Cristina Branco e conferência de Rodrigo Costa Félix. Será exibido o filme “Fado e os Bairros”.

Segundo um comunicado da Everything is New, o festival visa “oferecer ao público um repertório que nos conduz numa viagem imersiva de redescoberta do Fado, explorando as suas profundezas e nuances emocionais”.

Esta edição é tem como mote “O Fado e os bairros de Lisboa”, destacando-se em todas as paragens pela China “a profunda ligação entre o fado e os bairros históricos de Lisboa, como Alfama, Mouraria, Bairro Alto ou Madragoa”. Segundo a organização, estes lugares, que permanecem “no centro da memória popular lisboeta, acompanharam o nascimento e a transmissão desta tradição musical urbana”.

Cartaz recheado

A organização destaca ainda um programa que traz “música, palavra e da imagem”, numa “viagem ao coração de uma Lisboa cantada, entre herança e criação contemporânea”. Trata-se de um evento “itinerante dedicado à promoção do fado e da cultura portuguesa”. O Festival Fado já vai na 16.ª edição – celebrada este ano – decorrendo em 21 grandes cidades da Europa, África, América Latina e Ásia.

Cristina Branco conta com 19 álbuns editados e inúmeros concertos em todo o mundo, sendo “uma verdadeira embaixadora da cultura portuguesa”.

“A música tradicional é a sua principal raiz estética, mas a influência do jazz, da literatura e dos músicos com quem partilha o palco, imprimem à sua arte um cariz universal e um encanto sublime. A sua obra é um enorme contributo para a divulgação e defesa da música, da língua e dos autores portugueses”, refere ainda a produtora Everything is New.

31 Jul 2026

MGM China | Receitas com ligeira quebra no segundo trimestre

O impacto do Campeonato Mundial de Futebol foi apontado pelos responsáveis da empresa como um factor que afectou negativamente as receitas da concessionária do jogo

Entre Abril e Junho, as receitas da concessionária MGM China apresentaram uma redução anual de 0,5 por cento, para 8,63 mil milhões de dólares de Hong Kong, quando no período homólogo tinham atingido 8,67 mil milhões de dólares de Hong Kong. Os resultados foram anunciados ontem, num comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong.

Os dados disponibilizados mostram que os dois hotéis-casinos da concessionária tiveram menos receitas no período em análise. No caso do hotel-casino MGM Macau, registou-se uma redução para 3,35 mil milhões de dólares de Hong Kong, quando no período homólogo as receitas deste espaço tinham sido de 3,38 mil milhões de dólares de Hong Kong. O MGM Cotai continua a ser o espaço que produz mais receitas para a concessionária, com cerca de 5,27 mil milhões de dólares de Hong Kong. Todavia, este espaço também apresentou uma redução anual, uma vez que no segundo trimestre do ano passado tinha gerado receitas de 5,28 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Apesar destes números, o presidente e director-geral do grupo MGM Resorts International, Bill Hornbuckle, destacou que a prestação da concessionária em Macau está acima da média do mercado. “Na MGM China, no segundo trimestre, o nosso desempenho continuou a superar o mercado, ao mantermos uma quota sólida de 16,4 por cento”, afirmou.

Durante o mês de Junho, vários analistas apontaram que as receitas do jogo em Macau foram afectadas pela realização do Campeonato Mundial de Futebol e pelo mercado de apostas. Ontem, o director-geral da MGM Resorts afirmou que este impacto foi ultrapassado. “Embora o Campeonato do Mundo tenha tido um impacto temporário nos volumes do jogo em Macau no mês de Junho, isso foi um efeito transitório, e não uma mudança estrutural”, defendeu.

Ganhos mais reduzidos

Os resultados divulgados ontem mostram igualmente uma redução anual do Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA, em inglês) total ajustado, um indicador que permite medir a capacidade de uma empresa gerar dinheiro em caixa no dia-a-dia.

Entre Abril e Junho, a empresa apresentou um EBITDA total ajustado de 2,33 mil milhões de dólares de Hong Kong, quando no mesmo período do ano passado tinha atingido 2,51 mil milhões de dólares de Hong Kong. Esta diferença representa uma variação negativa de praticamente 7,4 por cento.

Apesar do resultado, o director-geral da MGM China, Kenneth Feng, mostrou-se optimista face à segunda metade do ano, devido ao final do Mundial de Futebol e à realização de vários eventos e espectáculos. “Estamos a observar o regresso de uma procura que esteve reprimida durante o período do Mundial de Futebol. Na verdade, tanto o volume de visitas como os volumes de negócios recuperaram fortemente logo a partir da segunda semana de Julho, quando ainda faltavam disputar alguns jogos antes do final do Mundial”, afirmou Feng.

No segundo trimestre do ano, as receitas brutas dos jogos de fortuna ou azar em Macau fixaram-se em 61 mil milhões de patacas, uma redução ligeira face ao período homólogo, quando as receitas tinham sido de 61,1 mil milhões de patacas.

MGM avalia compra

Na apresentação dos resultados, Bill Hornbuckle informou que a MGM Resorts International constituiu um grupo de trabalho especializado e independente para analisar a proposta de compra da empresa pelo grupo People Incorporated, do multimilionário Barry Diller.

Segundo a estação televisiva CNBC, a proposta apresentada pelo grupo People Incorporated avalia a MGM Resorts International em 18 mil milhões de dólares americanos, o que significa um preço de 48,30 dólares por acção. Actualmente, a People Incorporated é titular de 26,1 por cento do capital social da gigante americana.

31 Jul 2026