Andreia Sofia Silva Manchete PolíticaHengqin | Sam Hou Fai defende visão integrada de políticas O Chefe do Executivo pediu aos secretários uma “abordagem integrada entre Macau e Hengqin” na implementação de políticas. Sam Hou Fai vincou a importância de tratar os assuntos de Hengqin como assuntos de Macau Sam Hou Fai presidiu ontem à sexta reunião do Grupo de Liderança para a Promoção da Construção da Zona de Cooperação em Hengqin, tendo defendido que “todos os sectores do Governo da RAEM devem estabelecer uma abordagem integrada entre Macau e Hengqin” na adopção de medidas e políticas para o território. Segundo um comunicado difundido pelo Gabinete de Comunicação Social, o encontro serviu para a definição de políticas a adoptar na Zona de Cooperação, contando com os cinco secretários que compõem o Executivo local. No processo de integração entre Macau e Hengqin, Sam Hou Fai lembrou que se deve continuar a promover “os quatro projectos-chave de Macau”, sendo que um deles é a construção da nova Cidade Universitária. Na visão do governante, as autoridades devem “alinhar as regras e integrar mecanismos a fim de avançar na integração entre Macau e Hengqin”. O Chefe do Executivo destacou também “a importância desta reunião especial”, dado realizar-se “no momento crucial que é o quinto aniversário da criação da Zona de Cooperação, o que tem um impacto significativo”, disse. Assuntos dos dois lados Sam Hou Fai referiu também que a sexta reunião deveria ser encarada como “uma oportunidade para acelerar a implementação do ‘pacote de políticas e medidas'” já delineadas para esta zona. Além disso, “os próximos passos devem ser planeados de forma abrangente para levar os trabalhos da Zona de Cooperação a um novo patamar”, descreveu. Desta forma, Sam Hou Fai “reiterou a necessidade de tratar os assuntos de Hengqin como assuntos de Macau”, devendo existir um alinhamento com o 15º Plano Quinquenal do país, bem como com o mais recente Plano de Desenvolvimento Sócio-económico da RAEM. Xia Baolong, director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China, esteve presente na sessão. Sam Hou Fai lembrou a importância de “estudar o espírito da reunião e o discurso do director Xia Baolong”, a fim de as autoridades poderem implementar “de forma integral todos os planos de trabalho”.
Hoje Macau Manchete SociedadeEl Niño | SMG alerta que tufões podem tornar-se mais intensos Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos avisam a população para se preparar para o impacto de supertufões ainda este ano. Devido ao El Niño, esperam-se menos tufões, mas cada vez mais intensos Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) avisaram que o fenómeno El Niño aumenta o risco de o sul da China ser atingido por tufões mais intensos ainda este ano. O El Niño é caracterizado por um aumento nas temperaturas da superfície no centro e leste do Pacífico equatorial. Normalmente ocorre a cada dois a sete anos e dura aproximadamente nove a doze meses. Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) de Macau alertaram que, quando o El Niño ocorre, “o número de tempestades tropicais que entram no mar do Sul da China é, em geral, inferior ao normal, mas a sua intensidade tende a ser mais forte”. Isto porque “as águas quentes do Oceano Pacífico equatorial acumulam-se nas regiões central e oriental do oceano”, pelo que “os locais de formação das tempestades tropicais deslocam-se para leste”, explicaram os SMG, num comunicado. “Como as tempestades tropicais dispõem de mais tempo para se desenvolver sobre o oceano, absorvendo continuamente o vapor de água e a energia térmica oceânica, a sua intensidade costuma ser também mais forte”, sublinhou a agência. Além disso, referiram os SMG, o El Niño deverá transportar “mais ar quente e húmido para a região” do sul da China, “resultando num nível de precipitação no inverno de Macau superior ao normal”. O mais forte A agência recordou que, de acordo com previsões da Organização Meteorológica Mundial e do Centro Nacional de Clima da China, o El Niño poderá ser o “mais forte desde que há registos observacionais”. “As previsões apontam para que a sua intensidade possa evoluir para o nível “superforte” (ultrapassando os +2,5 °C), e se mantenha até Fevereiro de 2027″, disseram os SMG. Em Maio, o director-adjunto interino da agência meteorológica de Hong Kong já tinha avisado que o fenómeno aumenta o risco de o sul da China ser atingido este ano por supertufões. O dirigente do Observatório de Hong Kong, Choy Chun-wing, previu que a região deverá ser afectada por entre quatro e sete tempestades tropicais em 2026, menos do que as 14 registadas no ano passado. No entanto, Choy alertou que o El Niño aumenta a probabilidade de as tempestades tropicais se transformarem em supertufões. Os tufões são fenómenos recorrentes no Sudeste Asiático, quando as águas quentes do Oceano Pacífico favorecem a formação de ciclones, e o sul da China é atingido todos os anos por dezenas dessas tempestades tropicais. Cenário esperado No final de Março, os SMG de Macau não excluíram a possibilidade de a região ser afectada por supertufões semelhantes ao Ragasa, a mais poderosa tempestade registada no planeta em 2025. Segundo um estudo publicado em 2024, os tufões na região estão a formar-se mais perto da costa do que no passado, intensificando-se mais rapidamente e permanecendo mais tempo sobre terra, em consequência das alterações climáticas. De acordo com cientistas, as alterações climáticas estão a provocar fenómenos meteorológicos extremos mais frequentes e intensos em todo o mundo.
Hoje Macau Manchete SociedadeBIR | José Cesário vê “sinais positivos” da parte do Governo de Sam Hou Fai O deputado acredita num novo regime para facilitar a aquisição de residência por cidadãos portugueses e declara haver “intenções positivas” no que diz respeito à presença portuguesa em Macau O líder da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas da Assembleia da República de Portugal, José Cesário, considera que “há sinais positivos” que podem desbloquear a emissão do bilhete de identidade de residentes para cidadãos portugueses. As declarações foram prestadas ao canal em língua portuguesa da TDM, durante uma visita a Macau. “Sei que há, eu diria, intenções positivas no sentido de dar garantias de que os portugueses continuam presentes em Macau. Recentemente foram nomeados dois magistrados portugueses para Macau e isso é muito importante”, afirmou o deputado do Partido Social Democrata. “O actual Chefe do Executivo é muito interessado, muito empenhado nesta relação, na presença portuguesa em Macau. Eu acho que tem havido sinais positivos e acho que poderá haver ainda mais”, frisou. Desde 2023 que a Administração Pública de Macau acabou com o acesso preferencial de portugueses ao bilhete de identidade para residente, justificado pelo desempenho do exercício de funções técnicas especializadas. Com as regras actuais, os portugueses que se mudem para Macau ficam abrangidos pelo regime de trabalhadores não residentes, o que impede a fixação de residência permanente e obriga a que os contratos de trabalho tenham um termo fixo, normalmente renovado a cada dois anos. À espera da Comissão Mista Desde as alterações legais que os políticos portugueses que visitam Macau, entre eles o primeiro-ministro, Luís Montenegro, expressam o desejo da criação de um novo regime especial para os cidadãos portugueses. Este assunto deverá ser um dos tópicos de debate entre as duas partes na próxima Reunião da Comissão Mista, um acordo de cooperação entre as duas partes. Não há qualquer reunião plenária da Comissão Mista desde 2019, antes da pandemia, e, apesar de as duas partes fazerem promessas frequentes de um novo encontro, este tem sido adiado ano após ano. Sobre o futuro encontro, José Cesário mostrou-se confiante: “Não tenho qualquer informação privilegiada, acabou de reunir uma subcomissão [mista de educação]. Sei que é vontade dos Governos a sua realização breve, mas não sei mais do que isso”, apontou. “Acredito que a reunião se realize em breve”, reconheceu. José Cesário realizou uma visita a Macau, onde, como tradicionalmente acontece, visitou a sede da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). Sobre a visita, Cesário, o também ex-secretário da Comunidades Portuguesas, afirmou servir para ouvir os portugueses. “Eu tenho sempre muita expectativa. Não venho cá apenas para debitar um discurso, venho sobretudo ouvir”, explicou. “Já tive a oportunidade de avaliar bem a importância que tem o facto de termos de fazer todos um esforço para manter a presença muito viva de Macau em Portugal e também manter a presença de Portugal aqui, em Macau”, apontou.
Hoje Macau Manchete PolíticaFinanças | Excedente das contas públicas dispara 26,2% até Agosto O maior excedente deveu-se ao aumento das receitas com o jogo, até porque a despesa com apoios sociais também cresceu. O salto dos apoios ficou abaixo do previsto no orçamento O excedente das contas públicas subiu 26,2 por cento até Agosto, em comparação com igual período de 2025, sobretudo devido ao aumento das receitas dos impostos sobre os casinos. De acordo com dados publicados pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), o excedente foi de quase 19 mil milhões de patacas entre Janeiro e Agosto. Recorde-se que no orçamento para todo o ano de 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, de 5,22 mil milhões de patacas. O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior. O excedente beneficiou de um crescimento de 6,2 por cento na receita corrente, para 76,6 mil milhões de patacas. A principal razão para este aumento foi um acréscimo de 6,9 por cento, para 66,2 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representaram 85,1 por cento do total. As seis operadoras de jogo da cidade pagam um imposto directo de 35 por cento sobre as receitas do jogo, 2,4 por cento destinado ao Fundo de Segurança Social e ao desenvolvimento urbano e turístico, e 1,6 por cento entregue à Fundação Macau para fins culturais, educacionais, científicos, académicos e filantrópicos. Mais receitas e despesas As receitas totais dos casinos atingiram entre Janeiro e Agosto 169,1 mil milhões de patacas, um aumento de 3,7 por cento em comparação com o mesmo período do ano passado. As despesas públicas também subiram 2,2 por cento nos primeiros oito meses do ano, sobretudo devido ao aumento nos gastos com apoios sociais. A região gastou até ao final de Agosto 58,8 mil milhões de patacas, 53,9 por cento do previsto para todo o ano. A principal razão para a subida das despesas foi o reforço dos gastos em apoios e subsídios sociais, que cresceram 11,1 por cento, para 34,4 mil milhões de patacas. O orçamento aprovado em Novembro inclui benefícios fiscais para atrair sociedades gestoras de fundos de investimento, fundos de investimento especiais e investidores em fundos, para ajudar a desenvolver o sector financeiro. Além disso, o Governo isentou do imposto de selo a compra da primeira habitação por parte de residentes, até seis milhões de patacas, num documento que previa uma subida de 4,3 por cento nos apoios e subsídios sociais. Em Julho de 2025, a Assembleia Legislativa também já tinha aprovado uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas as despesas previstas no orçamento do ano passado, para reforçar os apoios sociais. A revisão inclui a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos 3 anos, numa tentativa de elevar a mais baixa natalidade do mundo. Pelo contrário, os gastos com obras públicas – o Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) – recuaram 13,2 por cento até Agosto, para 9,54 mil milhões de patacas.
Hoje Macau Manchete PolíticaTJB | Julgamento de Au Kam San arranca quarta-feira à porta fechada O ex-deputado Au Kam San será julgado no Tribunal Judicial de Base, com a primeira sessão de audiência marcada para quarta-feira. O Ministério Público pediu que as audiências decorram à porta fechada para prevenir “prejuízo aos interesses da segurança do Estado” Mais de um ano depois de ter sido detido, o julgamento do ex-deputado Au Kam San vai começar na próxima quarta-feira, numa sessão que irá decorrer à porta fechada, segundo um comunicado emitido pelo Tribunal Judicial de Base (TJB) na sexta-feira. Au Kam San é o primeiro arguido a ser julgado num processo relativo à segurança do Estado. “A pedido do Ministério Público e com a confirmação da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau, o juiz titular do processo (…), decidiu proceder ao julgamento do processo à porta fechada, a fim de assegurar que não se cause prejuízo aos interesses da segurança do Estado”, indica o TJB. Recorde-se que a Comissão de Defesa da Segurança do Estado é presidida pelo Chefe do Executivo e constituída pelos secretários do Governo, as chefias dos Serviços de Polícia Unitários, Serviços de Alfândega, Polícia Judiciária, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Instituto Cultural, os directores de serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e Serviços de Assuntos de Justiça, o director da Inspecção e Coordenação de Jogos e os chefes de gabinete do Chefe do Executivo e do secretário para a Segurança. A comissão é assessorada por representantes do Governo Central. A defesa de Au Kam San, cidadão português, é outra questão definida pela lei da Comissão de Defesa da Segurança de Estudo. No fim da discussão em Conselho Executivo, o secretário para a Administração e Justiça de Macau, Wong Sio Chak, afirmou que mandatários dos réus envolvidos em julgamentos enquadrados pela Lei de Segurança Nacional terão que ter “certas características e ser aprovados por um juiz”. Estes advogados podem ser excluídos pelo juiz, após decisão da comissão, sem direito a recurso. Longa espera Au Kam San foi detido a 30 de Julho de 2025 por suspeitas de violação da Lei de Segurança Nacional, a primeira detenção por este tipo de crime desde a fundação da RAEM. Um dia depois, a Polícia Judiciária emitiu um comunicado a alegar que Au, deputado na Assembleia Legislativa durante duas décadas, actuou em conluio “uma organização estrangeira anti-China” desde 2022, a quem forneceu “uma grande quantidade de informações imprecisas e incendiárias” para serem divulgadas fora da China e também na Internet. Au Kam San foi também acusado de manter “ligações de longa data” com várias entidades estrangeiras anti-China e de lhes fornecer “repetidamente” informações “imprecisas” sobre Macau, assim como a órgãos de comunicação social controlados por essas entidades.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteCinema | Fundação Oriente recebeu estreia de “The Violin Case” “The Violin Case”, a primeira longa-metragem de Maxim Bessmertny, teve a estreia europeia na sexta-feira na Fundação Oriente, em Lisboa. O filme conta a história de um artista que se vê enrolado em múltiplas peripécias enquanto procura um violino perdido. O filme rodado durante a pandemia procurou captar a essência de Macau Quem nunca teve problemas com um taxista em Macau? A questão transversal é o ponto de partida para a história de Theo, um artista que transporta um violino pintado com a figura do Napoleão Bonaparte, obra de arte que é o ponto de ignição para um autêntico incêndio narrativo. A impossibilidade de pagar a totalidade da tarifa de táxi, leva o motorista a vingar-se e simplesmente arrancar com o veículo, levando a que Theo perca o violino que tinha de entregar nessa noite. Este episódio, que se inspira numa história verdadeira, é o mote para a primeira longa-metragem de Maxim Bessmertny. Depois da estreia em Macau, “The Violin Case” teve a sua estreia europeia na última sexta-feira, no Auditório Dr. Stanley Ho da Fundação Oriente (FO). O público pode ver de perto os actores, o realizador e parte da equipa de produção, incluindo António Vale da Conceição, músico macaense responsável pela banda sonora. “The Violin Case” é um filme que retrata a noite de Macau com todos os seus ingredientes: as ruas quentes e desertas, os táxis e carros a deambularem de um lado para o outro, os néons que dão ao território uma essência tão especial. Maxim Bessmertny conseguiu fazer um filme onde o jogo está longe de ser o principal protagonista, nem sequer o Cotai. Há personagens que remetem para as muitas vidas que Macau tem e teve, de pessoas que, não nascendo no território, fizeram dele a sua casa. É o caso da personagem Pauline, interpretada pela designer Clara Brito, que, na trama, foi viver para o território nos anos 80 devido aos negócios do pai, e que vira uma galerista sem escrúpulos. Ao HM, Maxim Bessmertny revelou como esta foi a primeira vez que mostrou um trabalho cinematográfico seu em Lisboa. “É uma sensação incrível porque vim cá com os actores, a Clara [Brito], o Filipe Baptista Tou, que também é músico, actor, empreendedor de Macau. É a primeira vez que vou mostrar qualquer trabalho meu em Portugal. Mostrei as curtas-metragens, mas estávamos na altura da covid-19. Espero que as pessoas gostem do filme, que haja mais exibições e que o cinema independente continue a crescer.” O realizador revela a dificuldade em chegar à programação de festivais de cinema com uma longa-metragem. “É este o nosso trabalho [mostrar o filme]. Eu, com as curtas-metragens, tive a sorte de entrar em festivais, mas com as longas-metragens é muito mais complicado, porque um festival de cinema recebe cerca de quatro mil filmes. É impossível.” Desta forma, salientou, “é preciso ser um pouco mais criativo com as coisas, e não depender apenas de reuniões e convites”, referiu, explicando a presença na FO. Outras organizações de Macau, como a Fundação Macau ou a operadora de jogo Melco, deram também apoio, tal como o Governo da RAEM. Filmar durante a covid Fazer “The Violin Case” implicou enfrentar o período de confinamento em Macau na fase da covid-19. Implicou fazer escolhas e, muitas vezes, esperar até ao último momento para tomar decisões. Maxim Bessmertny é filho do pintor russo Konstantin Bessmertny, há décadas radicado em Macau. Eles próprios perderam um violino há muitos anos, em Hong Kong, e foi esse lado real que o realizador transpôs para a sua primeira longa. “O filme inspira-se num acidente que aconteceu ao meu pai, pintor que nasceu na Rússia e veio para Macau nos anos 90, onde cresci. A minha primeira memória é, portanto, de Macau, e o filme é inspirado nas imagens de Macau, na noite, e também na aventura que tive com o meu pai, em Hong Kong, quando ele perdeu o violino.” “Passámos a noite inteira à procura da peça de arte, e no final não o conseguimos encontrar. Fomos à polícia, fizeram-se umas investigações, e não aconteceu nada nessa noite. Só o facto de eu estar à frente de um polícia de Hong Kong a fingir que era advogado do meu pai…”, recordou Maxim Bessmertny na apresentação do filme, para divertimento da plateia. “Tentei escrever vários guiões, mas nada era muito real. Era tudo mais ligado aos anos 40, ao período da II Guerra Mundial, sempre passado em Macau, com o Casino Lisboa. Era difícil financiar isso. Lembrei-me da história do violino, estava a ver ‘After Hours’, do Martin Scorsese, e foi uma explosão de ideias”, explicou Maxim sobre o momento em que teve a ideia sobre aquilo que ia filmar. Questionado pelo HM sobre os principais desafios do projecto, o realizador destacou a rodagem do filme, que coincidiu com os tempos da pandemia. “Quase não filmámos, porque havia um confinamento todos os dias, testes. Não sabíamos se íamos realmente filmar, então foi sentir pânico até ao último minuto.” E nesta história não falta, sequer, o ingrediente da superstição. “No dia 1 de Setembro fizemos a cerimónia do Pai San, e não houve chuva durante as nossas noites de filmagens. Tivemos quase um mês inteiro sem chuva, e percebi que talvez os ventos estivessem do nosso lado.” Maxim Bessmertny destaca como teve “sorte, e muita sorte com as pessoas, que entenderam que estávamos a fazer uma coisa maluca num tempo maluco, com ideias malucas: várias localizações, quase 42, em 24 noites. Muitas personagens. Esse foi o grande desafio, o de conseguir chegar ao final”. O realizador transformou a história que viveu com o pai fazendo-lhe adaptações. Theo, interpretado pelo jornalista e músico Kelsey Wilhem, é, por exemplo, “um artista mais novo”. “The Violin Case” foi também feito à imagem de “The After Hours”, película de 1985 com assinatura de Scorsese. “Escrevi o argumento numa semana”, confessou Maxim Bessmertny. E tudo se compôs depois disso. O malvado motorista Filipe Baptista Tou tem um dos papéis mais importantes da trama: é motorista de táxi e responsável por levar o violino para bem longe de Theo. Ao HM, Filipe recorda a experiência. “Para começar filmámos este filme durante a pandemia e todos nós estávamos em confinamento, não tínhamos nada para fazer. Conheci o Maxim num podcast, conversámos, e ele disse-me que ia fazer um filme. Um ano depois perguntou-me se queria entrar. Ele deu-me a escolher entre dois personagens, um deles o de motorista de táxi. Fiz os dois, e tinha a ideia de que conseguiria fazer este papel na vida real. Quando fiz o teste, eles disseram: ‘Ok, temos o nosso condutor de táxi'”. Filipe Baptista Tou destaca a importância de apresentar “The Violin Case” na Europa já que, em Macau, “não são feitos muitos filmes”. “Na maioria, são feitas curtas-metragens e eis que o Maxim decidiu fazer este filme, trabalhando com pessoas de diferentes nacionalidades. É um privilégio para mim estar no filme”, acrescentou. “Precisamos de mais tempo [para desenvolver a indústria do cinema], porque de facto não temos uma grande indústria de entretenimento em Macau, com compositores, músicos, actores… Macau é muito pequeno, e estamos ainda a tentar mostrar-nos lá fora e conectarmo-nos com mais pessoas e países. O facto de estarmos aqui constitui uma grande oportunidade.” Por sua vez, Clara Brito confessou que a possibilidade de interpretar Pauline surgiu quando buscava novos desafios. “Foi uma fase em que estava particularmente aberta a novos desafios, e não tinha grandes expectativas. Para mim, era entusiasmante fazer parte do projecto, e estávamos naquele contexto fechado, com Macau parada, e sendo eu da área criativa, interessava-me.” A apresentação do filme contou com a presença do pintor e artista Manuel San-Payo, que viveu em Macau e partilhou a sua vivência com Konstantin Bessmertny.
Hoje Macau China / Ásia MancheteHK / Incêndio | Acusadas duas empresas e quatro pessoas A tragédia que atingiu as torres residenciais em Tai Po causando mais de 160 mortos continua a ser investigada. Conclusões deverão ser apresentadas em Outubro O Governo de Hong Kong acusou duas empresas e quatro pessoas de usarem materiais não-retardantes e violarem normas de segurança nas obras de reparação que causaram o pior incêndio registado na cidade desde 1948. O Departamento de Edifícios apresentou na quarta-feira 259 acusações contra o empreiteiro principal das obras, Prestige Construction & Engineering, e a consultora Will Power Architects, assim como contra um inspector e três directores das duas empresas. Os quatro, juntamente com outras três pessoas, já tinham sido, em 10 de Junho, acusados de 25 crimes, incluindo homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude, branqueamento de capitais, tentativa de obstrução à justiça e fraude fiscal. As autoridades sublinharam que foram também removidas janelas resistentes ao fogo ao longo das escadas de emergência para criar aberturas de acesso temporárias, permitindo que o fumo e o fogo invadissem os sete edifícios do complexo de Wang Fuk. Também na quarta-feira, o Departamento do Trabalho apresentou 25 acusações contra a Prestige Construction & Engineering, a Power Architects e uma pessoa devido à morte de cinco trabalhadores do empreiteiro durante o incêndio. A lei da região semiautónoma chinesa prevê que a negligência na execução de obras pode ser punida com uma multa de até 500 mil dólares de Hong Kong e uma pena máxima de 18 meses de prisão. O fogo, que deflagrou em 26 de Novembro e se prolongou por mais de 44 horas, matou 168 pessoas no complexo de habitação pública de Wang Fuk, situado na zona de Tai Po, nos Novos Territórios, onde viviam 4.600 pessoas. Em Dezembro, o líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, criou um comité independente de investigação, com a missão de completar um relatório, em nove meses, sobre “as causas do incêndio” e “apresentar recomendações para prevenir incidentes semelhantes”. Em Junho, o advogado principal da comissão, Victor Dawes, disse que dois grupos de peritos, a trabalhar de forma separada, concluíram que o elevado número de mortes no incêndio teria sido “totalmente evitável”. A líder da divisão de ciências forenses do laboratório público de Hong Kong, Lee Wing-man, disse que a causa mais provável do incêndio terão sido pontas de cigarro fumadas por trabalhadores. Em 18 de Agosto, o comité liderado por David Lok Kai-hong, juiz do Tribunal de Primeira Instância do Supremo Tribunal de Hong Kong, adiou para o final de Outubro a entrega do relatório final. O comité sublinhou que realizou 30 sessões diárias de audiências, entre Março e Julho, onde ouviu depoimentos orais de 80 testemunhas e relatórios periciais. A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude. A agência anticorrupção deteve ainda 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos.
Nunu Wu Manchete SociedadeSaúde | Quase um terço dos alunos do 1º ao 6º ano sofre de miopia Cerca de 29 por cento dos estudantes de Macau, do 1º ao 6º ano, sofre de miopia e 13,5 por cento de astigmatismo. Os problemas não ficam por aqui: 13,5 por cento têm excesso de peso e 42 por cento sofrem de cáries dentárias. O Governo apelou aos pais para terem em conta a saúde dos filhos Os jovens de Macau não estão muito saudáveis, de acordo com os dados do Programa de Saúde Escolar 2025/2026, anunciados ontem pelos Serviços de Saúde (SS). As autoridades realizaram um estudo alargado, a estudantes de 97 escolas do território, assim como a Escola de Hengqin Afiliada à Escola Secundária Hou Kong, em que participaram 52 mil alunos do 1º ano ao 6º ano de escolaridade. O estudo releva que 13,5 por cento dos estudantes inquiridos tem excesso de peso, incluindo casos de obesidade. Do universo de jovens com peso a mais, 13,3 por cento sofre de uma doente de pele (acantose nigricans) que está associada ao risco de diabetes ou doenças cardiovasculares precoces. Os SS partilharam ainda um estudo do Hospital Kiang Wu a jovens do ensino secundário, que revela que 18,8 por cento dos alunos do 7º ao 9º ano também têm excesso de peso, enquanto 8,8 por cento sofre de má nutrição. Os dados do Hospital Kiang Wu resultaram de consultas a 546 jovens. Os resultados do Programa de Saúde Escolar 2025/2026 revelam que os problemas de visão constituem uma das situações mais prevalentes entre os jovens inquiridos. Pouco mais de 29 por cento tem miopia, o que representa cerca de 14.200 jovens, enquanto 13,5 por cento sofre de astigmatismo, mais de 7.000 alunos. Doces chatices Entre os 52.000 alunos que participaram no estudo, 37.000 não usam óculos, apesar de 22,6 por cento sofrerem de problemas como miopia, hipermetropia e astigmatismo, percentagem que corresponde a 8.385 alunos. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, a equipa que conduziu o estudo referiu que os problemas de visão estão a afectar alunos cada vez mais jovens, e tendem a agravar-se com a idade. Por exemplo, o número de estudantes com miopia duplica do 2º ano para o 4º ano de escolaridade. Face a esta realidade, as autoridades apelaram aos pais para levarem os filhos a consultas de oftalmologia para encontrar soluções que corrijam problemas de visão o mais precocemente possível. O inquérito demonstra ainda que entre os alunos do 3º e 5º de escolaridade, 42,3 por cento têm cáries dentárias, proporção que representa 5.214 estudantes. Em relação à triagem auditiva, os resultados não foram tão desanimadores. Os SS indicaram que entre os alunos do 1º ano os problemas auditivos afectam 0,16 por cento das crianças (seis), enquanto no 3º ano a percentagem sobe para 1 por cento (48 alunos). As autoridades indicaram que estas crianças foram encaminhadas para acompanhamento de especialidade médica. Foi também referido que 3,2 por cento dos alunos do 5º ano sobre de problemas de coluna, o equivalente a 207 jovens. As autoridades de saúde não explicaram a razão para os resultados serem apresentados de forma escalonada e não global. Porém, apelaram aos pais para tomarem atenção à saúde dos filhos, aconselhando que façam, pelo menos, uma hora de exercício físico por dia, e o tempo em frente a ecrãs limitado a duas horas por dia.
João Santos Filipe Manchete SociedadeAutocarros | Song Pek Kei pede melhores ligações para Hac Sá Apesar do aproximar do fim do Verão, a deputada defende que a Praia de Hac Sá continua a ser muito procurada, pelo que é necessário aumentar a frequência dos autocarros públicos A deputada Song Pek Kei pediu ao Governo para criar melhores ligações de autocarro para a Praia de Hac Sá, devido à crescente procura por residentes e turistas. A solicitação consta de uma interpelação divulgada ontem e tem em conta a redução do número de autocarros ligada ao fim da época balnear. Segundo a deputada ligada à comunidade de Fujian, “o número de residentes e turistas que se deslocam” à Praia de Hac Sá e zonas próximas “não pára de crescer”, independentemente da época do ano. Todavia, a legisladora avisa que as ligações por transportes públicos são tidas como insuficientes. “Todos os fins-de-semana e feriados continuam a registar-se problemas como o congestionamento das estradas em redor de Hac Sá, tempo excessivo de espera pelos autocarros e a escassez de lugares de estacionamento”, descreve Song Pek Kei. A deputada alerta ainda que não se espera que a situação melhore a curto prazo, uma vez que com o final do Verão o autocarro n.º 15 deixou de passar pela Praia de Hac Sá, assim como o autocarro nocturno N3. Neste cenário, as viagens são feitas nos autocarros n.º 26A e n.º 21A, que para Song têm muitos problemas. Em relação ao autocarro 21A, a deputada aponta que o “intervalo entre as viagens é relativamente longo”, o que faz acumular o número de passageiros. No 26A, tido como a ligação principal, a situação não é muito melhor, e Song indica que a viatura “fica frequentemente cheia a meio do percurso, fazendo com que os residentes por vezes enfrentem longos tempos de espera ou não consigam embarcar”. Face às dificuldades, a deputada questiona o Executivo sobre a existência de planos para ajustar a frequência dos autocarros e facilitar as deslocações para a praia. Os mais utilizados Além das ligações à praia, a deputada alerta também para a necessidade de melhorar outras carreiras. Com recurso aos dados oficiais, a deputada aponta que entre Janeiro e Junho o volume de passageiros dos autocarros públicos atingiu os 120 milhões, o que representa um aumento anual de 6,12 por cento. Contudo, Song Pek Kei considera que as ligações de autocarros ainda apresentam muitos problemas, como acontece quando existe uma “sobreposição de rotas em zonas turísticas muito frequentadas”, indicando os exemplos da Praia Grande e a Avenida de Almeida Ribeiro. Para a deputada, esta sobreposição “provoca filas de veículos nas paragens que resultam em congestionamentos na rede viária”, além de fazer com que o sistema seja menos eficiente. Em relação a este problema, Song questiona o Governo sobre a possibilidade de repensar as ligações existentes, com uma maior aposta em autocarros que liguem pontos específicos, de forma a reduzir a sobreposição excessiva.
João Santos Filipe Manchete PolíticaMuseu da Cultura | Aberto concurso para projecto de arquitectura O Instituto Cultural convidou 10 equipas de arquitectura para apresentarem propostas para o futuro Museu Nacional da Cultura. O edifício vai ficar localizado perto da Torre de Macau, à frente do Tribunal de Segunda Instância, e a data de abertura está prevista para 2029 O Governo convidou 10 equipas a apresentarem propostas de arquitectura para o futuro Museu Nacional da Cultura. A informação foi revelada ontem, através de uma conferência de imprensa do Instituto Cultural (IC), e o objectivo passa por fazer com que a primeira fase do museu entre em funcionamento em 2029. Segundo a apresentação de ontem, o futuro museu vai ficar localizado na Zona B dos Novos Aterros, à frente do Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e do Edifício do Tribunal de Segunda Instância. No entanto, o projecto de concepção arquitectónica ainda tem de ser definido, o que vai ser feito depois de um concurso por convite com a participação de 10 equipas de arquitectura: “O museu é uma instalação cultural de referência para o futuro de Macau, vai ser uma obra de grande escala e com elevadas exigências de concepção arquitectónica, devendo corresponder aos padrões técnicos internacionais de alto nível”, afirmou a presidente do IC. “O Governo da RAEM já convidou sete equipas de concepção arquitectónica de renome mundial e de topo, bem como três equipas locais de concepção arquitectónica, num total de dez equipas, para apresentarem propostas”, acrescentou. Além das três equipas locais, três das convidadas são provenientes do Interior, havendo igualmente quatro equipas de Portugal, Suíça, Reino Unido e Holanda. Após a elaboração das propostas vai haver uma selecção, por parte de um júri constituído por membros dos serviços públicos e especialistas em planeamento urbano, arquitectura e museologia. Funcionamento em 2029 As autoridades esperam que o projecto de arquitectura seja escolhido até ao final do ano. Por este motivo, a presidente do IC, Deland Leong, avançou que ainda não é possível fazer uma previsão sobre o orçamento da infra-estrutura. Além disso, as autoridades esperam que o museu entre em funcionamento em 2029. A construção vai ser dividida em duas fases, com a primeira, que se espera de menor dimensão, a entrar em funcionamento nesse ano. A segunda fase só será aberta posteriormente. O edifício do museu vai ter uma área de cerca de 100 mil metros quadrados, dos quais 80 mil metros quadrados vão ser destinados ao edifício principal, que vai receber as áreas de exposição, depósito de colecções, espaços de investigação, salas para intercâmbio cultural, entre outros espaços. Haverá também uma zona comercial destinada ao lazer e à cultura, com cerca de 20 mil metros quadrados, para lojas, restaurantes, instalações de lazer para as famílias e um centro de incubação para artistas. O projecto prevê igualmente um estacionamento, mas a dimensão ainda não foi decidida. Zona Cultural O Museu Nacional da Cultura é um dos três projectos da futura Zona Cultural do território, que tem como designação oficial Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau. Além deste museu, fazem ainda parte do projecto o Centro Internacional das Artes Performativas de Macau e o Museu Internacional de Arte Contemporânea. “A Zona Cultural tem como objectivo constituir um novo marco cultural do futuro de Macau, e o Museu Nacional da Cultura de Macau vai ser lançado em primeiro lugar”, explicou a presidente do IC. “Este museu tornar-se-á uma ponte cultural entre a China e o Ocidente, uma área de divulgação de conhecimento, uma sala de visitas da cidade e um motor de turismo cultural”, destacou. Deland Leong apontou também que o Museu Nacional da Cultura vai ser desenvolvido em coordenação com o Museu Nacional da China, em Pequim, e que se espera criar um centro de visita para mostrar a cultural de Macau, onde existe uma fusão com predominância da cultura chinesa. Autocarros nas Ilhas O Museu Nacional de Cultura vai ocupar parte de um espaço que actualmente serve para o estacionamento de autocarros públicos e de turismo. Com as obras a começar no próximo ano, o estacionamento destes veículos será alterado. Ontem, o chefe do Departamento de Planeamento Urbanístico da Direcção dos Serviços de Obras Públicas, Leong Io Hong, indicou que as autoridades vão encontrar alternativas na Taipa ou em Coloane. No entanto, não foram indicados pormenores sobre os futuros estacionamentos dos veículos pesados.
João Luz Manchete PolíticaHengqin | Arrancou construção de novo centro meteorológico nacional Começou ontem a construção do Centro Internacional de Intercâmbio de Dados do Sistema Terrestre, em Hengqin, a primeira instituição do género a nível nacional que irá monitorizar desastres naturais e emitir alertas. O centro deverá começar a operar na capacidade máxima daqui a seis anos Foi ontem oficialmente lançada a construção do primeiro Centro Internacional de Intercâmbio de Dados do Sistema Terrestre do País (Macau), em Hengqin, construído em conjunto pela Administração Meteorológica da China, o Governo da RAEM e o Executivo da zona de cooperação aprofundada em Hengqin. O centro irá funcionar numa base de cooperação científica e tecnológica no domínio da meteorologia entre o Interior da China e Macau, com o objectivo de monitorizar desastres naturais, lançar alertas de forma mais atempada e aperfeiçoar previsões meteorológicas. Foi ontem também assinado um acordo-quadro de cooperação entre Macau, Hengqin e a Administração Meteorológica da China, que estabelece um período de construção de três anos, e mais três anos até que o centro esteja a operar na sua capacidade máxima. A expressão “sistema terrestre” refere-se ao estudo da litosfera, atmosfera, hidrosfera e biosfera, e, segundo um comunicado emitido ontem pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) o centro “visa promover o desenvolvimento e a utilização do ecossistema de elementos de dados, criar uma ponte de cooperação para dados do sistema terrestre, construir uma plataforma de abertura ao exterior de alto nível”. O centro terá também como metas “impulsionar a exportação de produtos de dados de elevada qualidade e capacidades de serviço, formando um mercado unificado para elementos de dados do sistema terrestre na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”. O novo petróleo O director da Administração Meteorológica da China, Chen Zhenlin, destacou que este será “o primeiro centro de intercâmbio de dados construído pela Administração Meteorológica da China no âmbito da sua implementação global”. As autoridades referem que “os dados do sistema terrestre, enquanto ‘novo petróleo’ da era inteligente, possuem vantagens únicas de cobertura global, penetração contínua e disponibilidade permanente. Ao associarem-se e integrarem-se com uma vasta gama de cenários de produção e da vida quotidiana, tornam-se progressivamente um elemento de produção fulcral e um recurso estratégico fundamental para sustentar o desenvolvimento da economia digital”.
Andreia Sofia Silva Grande Plano Manchete11 de Setembro | Ataque às Torres Gémeas aconteceu há 25 anos A 11 de Setembro de 2001, Jorge Silva tinha acabado de apresentar o telejornal quando se deparou com a catástrofe do outro lado do globo que viria a mudar o mundo. O analista Pedro Ponte e Sousa destaca como a queda das Torres Gémeas alterou “profundamente a ordem internacional” O 11 de Setembro foi há 25 anos e, tantos anos depois, a imagem da queda das Torres Gémeas em Nova Iorque, após o embate de dois aviões desviados por terroristas da Al-Qaeda, ainda permanece na memória vívida. O mundo parou e as televisões permaneceram ligadas a imagens que pareciam ficção, mas que eram terrivelmente reais. Em Macau, Jorge Silva, pivot recentemente aposentado da TDM – Teledifusão de Macau – tinha acabado de apresentar o telejornal, o relógio batia as 21h. “Recordo-me perfeitamente desse dia porque acabei o telejornal como habitualmente, por volta das nove horas, e quando chego à redacção, um colega meu da altura que já não é jornalista, Rui Moura, disse-me: ‘Jorge, vê a televisão porque um avião acaba de bater no World Trade Center’. Por um segundo, perguntei: ‘Isto é no World Trade Center de Macau? O que se passa?’. Liguei a televisão, e percebi que era em Nova Iorque, e era uma coisa medonha. Logo a seguir, outro avião.” Jorge Silva ligou ao pai, que estava em Portugal, perguntando-lhe se estava a ver o horror em directo. “O meu pai respondeu: ‘Isto é a Terceira Guerra Mundial’. Assim mesmo.” A actualidade noticiosa dos anos seguintes foi pautada pelo ataque às Torres Gémeas e os seus protagonistas: Osama Bin Laden, anos mais tarde capturado e morto pelos Estados Unidos da América (EUA), a organização que liderava, a Al-Qaeda, e o terrorismo como alvo a abater. “Pegámos [a TDM] no dia seguinte, porque naquele dia não havia mais nenhum serviço noticioso. Por umas horas ninguém sabia exactamente o que estava a acontecer, mas o nome de Osama Bin Laden já estava a circular. Foi algo inusitado, ninguém imaginaria uma tragédia como essa. Aquilo transformou as nossas vidas e foi matéria noticiosa durante anos.” O crescimento de Pequim Na visão do analista Pedro Ponte e Sousa, investigador do IPRI – Instituto Português de Relações Internacionais e analista político na RTP, “o 11 de Setembro mudou profundamente a ordem internacional, mas talvez de uma forma diferente daquela que Washington imaginou”. Isto porque “os atentados permitiram aos EUA transformar o combate ao terrorismo no princípio organizador da sua política externa durante quase duas décadas. O resultado foi a chamada ‘guerra global contra o terrorismo’, com o Afeganistão, Iraque, Guantánamo, operações extraterritoriais, assassinatos selectivos e uma extraordinária expansão dos poderes de vigilância”. A Guerra no Iraque levou, no entender do analista, a uma “erosão” da ordem internacional. “A invasão do Iraque em 2003, fundada em alegações sobre armas de destruição maciça que se revelaram falsas, o combate ao terrorismo deixou de ser apenas uma política de segurança e tornou-se uma espécie de licença geopolítica para o exercício da força.” Desde então, os EUA “concentraram enormes recursos políticos, militares e financeiros no Médio Oriente e na ‘guerra ao terror'”, enquanto “a China consolidou a sua ascensão económica e estratégica”. Para Pedro Ponte e Sousa, a China tornou-se, nos 20 anos que se seguiram, “numa potência económica global e progressivamente numa potência política, tecnológica e militar. A ‘guerra global contra o terrorismo’, que pretendia consolidar a primazia norte-americana, contribuiu também para criar as condições em que a China pôde reduzir a distância em relação aos EUA”, referiu. Mudanças práticas Jorge Silva recorda o “medo” que pairava por toda a parte e mudanças no dia-a-dia das pessoas, tal como na forma de viajar. “Não podíamos transportar determinados produtos que antes transportávamos na mala de mão e que passaram a ir para o porão. Começou também um maior controlo das transferências bancárias”, graças a suspeitas que, na altura, pairavam sobre financiamentos e o envolvimento de estudantes nos atentados terroristas. O ex-jornalista recorda também como, a seguir ao 11 de Setembro, “começaram pequenos ataques contra alvos ocidentais”. “Aqui na Ásia, na Indonésia, discotecas e restaurantes ocidentais eram alvo de ataques de células ligadas à Al-Qaeda, por parte de terroristas radicais e, sobretudo, anti-Ocidente. Percebemos que o mundo tinha mudado. E mudou para sempre”, frisou. Jorge Silva não tem dúvidas que tudo isso culminou no actual panorama político nos EUA, pautado pela era Trump. “A situação agravou-se nos últimos tempos com Donald Trump, um presidente norte-americano completamente paranoico. Iniciaram-se uma série de aventuras hegemónicas norte-americanas, e não apenas anti-islâmicas, criando-se uma grande agitação no mundo, e estamos a pagar esse preço.” A IA na nova era Pedro Ponte e Sousa diz que a grande conclusão que se deve tirar do 11 de Setembro, e de tudo o que sucedeu nos 25 anos posteriores, é que “não se derrota uma ideologia através da guerra permanente”. “A Al-Qaeda foi profundamente debilitada e o Estado Islâmico perdeu o território que chegou a controlar, mas o terrorismo jihadista não desapareceu. E surgiram novas formas de extremismo, incluindo fenómenos de radicalização online e comunidades violentas sem uma estrutura organizacional clássica.” O analista destaca que hoje existem “redes digitais descentralizadas e com jovens radicalizados através da Internet”. “A grande lição deveria ser que a segurança não pode ser reduzida à dimensão militar. Quando se responde a um fenómeno político, social e ideológico fundamentalmente com bombardeamentos, ocupações e repressão, pode-se destruir organizações concretas, mas não se eliminam necessariamente as condições que alimentam a violência.” O analista não esquece as novas tecnologias, sobretudo a inteligência artificial (IA), e as novas formas de conflito, com o perigo da “utilização da ameaça tecnológica para justificar uma nova expansão dos mecanismos de vigilância e controlo”. “Foi exactamente isso que aconteceu depois de 2001. O medo legítimo do terrorismo foi utilizado para normalizar formas de vigilância que, em circunstâncias normais, seriam politicamente muito mais difíceis de aceitar. Com a IA, esse risco é ainda maior”, rematou. Estudo | Mais de 80% dos americanos lembram-se do ataque às Torres Gémeas Um inquérito realizado entre 24 e 30 de Agosto deste ano pelo Pew Research Center destaca que muitos adultos se recordam perfeitamente do 11 de Setembro e dos pequenos detalhes que povoaram as suas vidas nesse dia. Segundo o centro de estudos, “muitos americanos recordam esse dia com clareza”, já que “83 por cento dos adultos nascidos antes de 2001 – incluindo 93 por cento daqueles que tinham 10 anos, ou mais, na altura – afirmam lembrar-se exactamente onde estavam ou o que estavam a fazer quando ouviram a notícia”. O Pew Research Center destaca como “à medida que os ataques se tornam mais distantes no tempo, a percentagem de adultos americanos que não viveram aquele dia continua a aumentar”, já que “10 por cento dos adultos de hoje nasceram depois de 2001 e só conhecem os ataques através do que aprenderam com outras pessoas”. Além disso, os inquiridos que são hoje adultos, e que têm entre 18 e 24 anos, diz ter ficado a saber do 11 de Setembro pela primeira vez “nas aulas ou através de trabalhos escolares”, representando 60 por cento de todos os participantes. “Uma percentagem menor afirma ter tomado conhecimento dos ataques pela primeira vez através da família ou de amigos, 16 por cento; ao ler ou ver algo por conta própria, 8 por cento; ou de outra forma, 1 por cento.” Para a realização do inquérito, o Pew Research Center entrevistou 5.166 adultos norte-americanos. O inquérito comprova como o ataque às Torres Gémeas deixou “efeitos profundos no país”. “As sondagens realizadas na sequência desses acontecimentos revelaram um sentimento generalizado de medo, raiva e tristeza, a par de um apoio esmagador da opinião pública a uma acção militar contra os responsáveis”, indica o think tank.
Hoje Macau Manchete PolíticaLíngua portuguesa | Macau e Portugal retomam diálogo sete anos depois A presidente do Instituto Camões (IC) destacou que a reunião de ontem da Subcomissão Mista de Língua Portuguesa e Educação marca a retoma do diálogo entre Portugal e Macau, após sete anos de interregno. “Foi um momento muito significativo, é a revitalização, a retoma de um diálogo que não acontecia desde 2019”, sublinhou Florbela Paraíba, num evento realizado no consulado-geral de Portugal no território. A Comissão Mista Portugal-Macau não se reúne desde antes da pandemia, “um interregno maior” que Paraíba justifica não apenas com a covid-19, mas também com várias mudanças nos governos de Portugal e da região chinesa. A presidente do IC sublinhou que, desde que Macau voltou a abrir as fronteiras, no início de 2023, houve “importantes momentos de visitas bilaterais que fortaleceram a relação” com Portugal. Mas a diplomata disse que os dois lados reconheceram a existência de “pontos onde há muito a fazer”, dando como exemplo o reforço da formação contínua e maior investimento em tradutores e intérpretes. Paraíba apontou como meta “revitalizar a rede de geminações” entre escolas de Macau e de Portugal, que disse ser “muito importante”, também para a região chinesa, onde o português é língua oficial, mas o cantonês é dominante. A presidente do IC defendeu ainda mais parcerias e intercâmbios e estágios, tanto para “um maior acesso ao ensino do mandarim em Portugal” como para dar mais oportunidades a alunos de Macau que queiram estudar português. O território chinês “tem todas as condições” para apostar num “bilinguismo efectivo” e assim “transformar um legado histórico em oportunidades concretizadas”, sublinhou a diplomata. Dominar a língua portuguesa representa para os residentes de Macau uma vantagem, disse Paraíba, tendo em conta o papel que a China atribuiu à cidade, de plataforma de serviços económicos e comerciais com os mercados lusófonos. Mista adiada No mesmo evento, o cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, disse esperar que a reunião de ontem sirva de “antecâmara para a desejada reunião da Comissão Mista que esperemos se realize daqui a pouco tempo”. Em Setembro de 2025, o primeiro-ministro português Luís Montenegro disse, durante uma visita à região chinesa, que a Comissão Mista Portugal-Macau iria reunir-se em Fevereiro, algo que não chegou a acontecer. Montenegro e o líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, voltaram a encontrar-se em Abril passado, em Lisboa, mas da visita não saíram quaisquer novidades sobre a retoma da Comissão Mista. Em 10 de Junho, durante a cerimónia do Dia de Portugal, Sam Hou Fai anunciou que espera realizar este ano, em Macau, a 7.ª reunião da Comissão Mista e garantiu que a região fará “todos os preparativos necessários” para o encontro.
João Santos Filipe Manchete SociedadeRestauração | Desvalorizado impacto da valorização do renminbi Com 60 por cento dos produtos importados do Interior, a valorização pode fazer com que os produtos fiquem mais caros para os consumidores. A Associação de Desenvolvimento da Indústria de Restauração e Bebidas de Macau aponta que há capacidade de manter os preços nos próximos tempos Apesar da valorização do renminbi face ao dólar, a Associação de Desenvolvimento da Indústria de Restauração e Bebidas de Macau considera que a pressão do aumento dos custos operacionais para os negócios locais ainda não se faz sentir. Nas últimas semanas, o renminbi tem valorizado face à moeda americana e ontem um dólar equivalia a 6,7 renminbis. No entanto, esta variação pode ter um impacto na restauração local, uma vez que a pataca acompanha as flutuações da moeda americana e muitos dos produtos são importados do Interior, logo pagos em renminbis. Em declarações ao jornal Ou Mun, o presidente da associação, Ieong Weng Seng, destacou que no futuro mais próximo os negócios vão conseguir lidar com a valorização da moeda chinesa. Ieong explicou que 60 por cento dos produtos da restauração provêm do Interior, enquanto 40 por cento têm origem em outros mercados. No entanto, como os empresários tendem a assinar contratos de abastecimento e a fazer pagamentos mensais, a subida dos preços demora cerca de 30 dias a fazer-se sentir. O presidente da associação também recusou, para já, a possibilidade de haver um aumento dos preços para os consumidores. Ieong Weng Seng argumentou que, como o território atravessa uma situação económica mais exigente, os comerciantes tendem a sacrificar a margem de lucro para não afastar os clientes. Ao mesmo tempo, Ieong clarificou que o aumento dos preços não deve acontecer a curto prazo, porque todos os aumentos têm de ser previamente indicados ao Governo. Stocks ajudam Além disso, o responsável destacou que há stock dos produtos importados do Interior, principalmente no que diz respeito à carne congelada. Por esta razão, para a maioria dos restaurantes de Macau, onde cerca de 70 por cento usam carne congelada, temporariamente não se vai sentir o impacto da valorização do renminbi. No entanto, nas cozinhas de luxo, como por exemplo, os restaurantes com estrelas Michelin, Ieong Weng Seng apontou que vão sofrer mais pressão, dado que usam mais ingredientes frescos. No caso dos vegetais, a pressão vai ser mais generalizada porque são produtos com uma vida útil curta. Num olhar mais geral sobre a restauração, Ieong Weng Seng afirmou que o maior problema são as mudanças estruturais no modelo de consumo e da origem dos consumidores. O presidente da Associação de Desenvolvimento da Indústria de Restauração e Bebidas de Macau explicou que desde que os jogadores deixaram de frequentar o ZAPE devido ao encerramento dos casinos-satélite, que o consumo teve uma redução significativa. O responsável também explicou que os novos clientes daquela zona gastam muito menos dinheiro.
João Luz Manchete SociedadeTrânsito | CPSP vai recolher dados 3D para analisar acidentes A polícia espera introduzir em breve câmaras que analisam dados em três dimensões para apurar causas de acidentes rodoviários. Entre Janeiro e Agosto, foram instaurados mais de 870 processos por não concessão de prioridade em passadeiras, quase o dobro no mesmo período de 2025 As autoridades policiais estão investidas na resolução de um dos problemas que tem provocado mais preocupações nos últimos tempos: a sinistralidade rodoviária e os atropelamentos nas ruas de Macau. O segundo-comandante substituto do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), Wong Kim Hong, afirmou ontem que serão instalados brevemente câmaras com scanners 3D que recolhem dados tridimensionais para análise e apuramento das causas de acidentes. Esta será mais uma ferramenta que as autoridades policiais vão poder usar para produzir relatórios de análise a pontos críticos em termos de sinistralidade na rede rodoviária para entregar à Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego. Estes relatórios podem conter sugestões, como a remoção de passadeiras, como já aconteceu no cruzamento da Avenida de Almeida Ribeiro e da Rua do Visconde Paço de Arcos, e noutros locais críticos para peões. Em declaração no programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, o representante do CPSP afirmou que entre Janeiro e Agosto deste ano, foram instaurados mais de 870 processos por não concessão de prioridade a peões em passadeiras, volume que representa quase o dobro face aos mesmo período de 2025. O arco-íris Outra novidade avançada por Wong Kim Hong, diz respeito à passagem fronteiriça de veículos de Macau para Hengqin. O dirigente do CPSP referiu que as autoridades estão a testar um modelo de controlo através de reconhecimento da íris e facial. A tecnologia, ainda em fase experimental, irá permitir aos condutores atravessarem a fronteira para Hengqin sem terem de sair do automóvel. A medida faz parte de um plano de modernização de controlo fronteiriço que deverá ser instalada em todas as 30 faixas da fronteira entre Macau e Hengqin. Wong Kim Hong indicou aos microfones da emissora pública que o objectivo das autoridades é ter esta tecnologia a funcionar plenamente até ao fim de 2027. O responsável acrescentou que nos postos fronteiriços de Qingmao, Hengqin e Ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau, todos os 204 canais de auto-atendimento inteligente com reconhecimento facial registaram a passagem de mais de 600 mil pessoas entre Janeiro e Agosto deste ano.
João Santos Filipe Manchete PolíticaDia do Professor | FAOM pede medidas para garantir empregos Numa altura de redução da natalidade, Ella Lei, Leong Sun Iok, Lam Lon Wai e Leong Pou Iu pedem ao Executivo que tome medidas para assegurar emprego para os docentes, mesmo que tenha de haver uma reconversão profissional Os deputados Ella Lei, Leong Sun Iok, Lam Lon Wai e Leong Pou Iu pedem ao Governo que tome medidas para assegurar os empregos dos professores, numa altura de redução do número de alunos. A mensagem foi divulgada ontem pelos membros da Federação das Associações dos Operários, em antecipação ao Dia do Professor, assinalado hoje na China. Segundo os legisladores, no ano passado houve um total de 2.870 nascimentos no território, com 1.421 a ocorrerem na primeira metade do ano. Contudo, Entre Janeiro e Junho deste ano registou-se uma redução de 81 nascimentos, para um total de 1.340. A tendência é tida como preocupante pelos quatro deputados: “O declínio contínuo da taxa de natalidade afecta gravemente a estabilidade profissional dos docentes”, foi alertado. “Algumas escolas enfrentam sérios desafios na captação de alunos, tendo já surgido situações de redução de turmas e de pessoal, prevendo-se que essa tendência de redução se possa intensificar no futuro”, foi acrescentado. Neste contexto de maior insegurança laboral, os legisladores pedem às autoridades que “optimizem a afectação de recursos educativos em função das variações da população em idade escolar”, “ajustem o número de alunos por turma no regime de turmas reduzidas”, “optimizem o rácio professor-turma”, “revejam o sistema de redução de horas lectivas e tentem” e procurem “estabilizar e optimizar a equipa docente através do fluxo natural de saídas”. Ao mesmo tempo em que surgem cada vez mais planos de escolas para se fundirem e transformarem, Ella Lei, Leong Sun Iok, Lam Lon Wai e Leong Pou Iu pedem ao Executivo que desenvolva acções de formação para os docentes, para que possam adaptar-se a novas carreiras e encontrar outras oportunidades profissionais. Na mensagem, os professores são considerados uma das pedras basilares da sociedade, pelo que se pede uma maior valorização da profissão. Saúde mental Apesar de o dia ser de celebração dos docentes, os legisladores não esquecem os alunos, apelando a que o Governo e a sociedade prestem mais atenção à saúde mental. Em concreto, os deputados pretendem que as escolas reforcem os quadros com profissionais que ajudem os estudantes a lidar com os problemas mentais: “Com as mudanças no desenvolvimento socio-económico, os problemas de saúde mental dos estudantes têm atraído gradualmente a atenção da sociedade”, foi reconhecido. “Sugere-se que as autoridades aumentem o investimento de recursos e elevem a proporção de pessoal especializado, como conselheiros escolares, permitindo que as escolas, ao desenvolverem um ensino diversificado, prestem também atenção ao desenvolvimento da saúde mental dos alunos, promovendo o seu crescimento integral”, foi defendido.
João Santos Filipe Manchete PolíticaDesporto | Vong pede esclarecimentos sobre pista no gelo prometida O deputado Vong Hou Pio recorda a promessa do Instituto do Desporto de construir uma pista de gelo e pergunta quanto tempo o projecto vai continuar suspenso O deputado Vong Hou Pio quer saber se o Governo mantém os planos para construir uma pista de gelo. O tema surge numa interpelação escrita elaborada pelo legislador e contabilista. Na perspectiva do deputado, a população está cada vez mais interessada em envolver-se em actividades desportivas e o número de praticantes tem aumentado nos últimos anos. No entanto, o território enfrenta o problema crónico de falta de terrenos para instalações e de excesso de utilização das existentes. Vong pretende saber se o Instituto do Desporto (ID) vai construir instalações para “desportos especiais”, que haviam sido prometidas no passado. “Relativamente à garantia de instalações para desportos especiais, como o hóquei no gelo, o Governo tinha planeado a construção de uma pista de gelo padrão na Taipa, embora o plano tenha sido posteriormente suspenso”, relatou o deputado. “O ID manifestou que continuará a procurar locais adequados e a estudar a viabilidade da construção de uma pista de gelo. As autoridades vão reservar terrenos na Zona A ou noutros locais apropriados para a construção de uma pista de gelo conforme os padrões internacionais?”, perguntou. A promessa do ID de fazer uma pista de gelo surgiu em 2022, em plena pandemia, quando Pequim organizou os Jogos Olímpicos de Inverno. Durante esse período, vários deputados e membros do Governo defenderam a necessidade de apostar em desportos de Inverno. Como consequência da onda de entusiasmo, surgiu a promessa de construção de uma pista com as dimensões oficiais para a prática de hóquei no gelo. No passado, havia uma pista no Parque de Diversões da Future Bright, junto ao Jardim de Camões, mas sem tamanho suficiente para corresponder aos padrões internacionais da modalidade. Casa às costas Vong Hou Pio lamenta ainda que a falta de uma pista de gelo esteja a prejudicar a selecção de Macau. “Tomando como exemplo o hóquei no gelo, a equipa de hóquei no gelo de Macau já obteve excelentes resultados em várias competições internacionais e chegou mesmo a representar Macau nos Jogos Asiáticos de Inverno”, relatou. “Contudo, esta selecção, que tantas vezes alcançou grandes feitos, enfrenta actualmente a difícil realidade de ‘não ter pista para treinar’. A única pista de gelo existente em Macau encontra-se em obras desde 2023, sem previsão de reabertura”, indicou. Face à falta de instalações, o deputado revela que os atletas estão “obrigados a deslocar-se a Zhuhai para treinar após o trabalho ou as aulas, regressando muitas vezes a Macau já ao final da noite, o que aumenta significativamente o custo em termos de tempo e reduz drasticamente a eficácia do treino”. “A escassez de instalações não só afecta a preparação dos atletas em actividade, como também desencoraja novos talentos, podendo a médio e longo prazo provocar uma ruptura na formação de novos talentos qualificados”, defendeu.
Hoje Macau Grande Plano MancheteMao Zedong | A morte do Grande Timoneiro, 50 anos depois Mao Zedong morreu a 9 de Setembro de 1976, marcando uma mudança política profunda no país. 50 anos depois, a data não se reflectiu em cerimónias oficiais na China, embora Mao nunca tenha deixado de ter importância ou de ser uma figura política omnipresente no país Cinquenta anos depois da morte de Mao Zedong, a China deixou ontem passar a efeméride sem cerimónias oficiais ou destaque na imprensa estatal, apesar da omnipresença simbólica do fundador da República Popular. Nas páginas da agência noticiosa oficial Xinhua, do Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês (PCC), ou do Global Times, o aniversário estava ausente dos principais destaques durante a manhã. Contudo, no mausoléu erguido no centro da praça Tiananmen, onde o corpo embalsamado de Mao permanece exposto, o horário foi prolongado em três horas e as reservas para toda a semana estão esgotadas. Por seu lado, a Xinhua dedicou uma ampla cobertura aos 90 anos da vitória da Longa Marcha, outro marco da história revolucionária chinesa. A agência estatal tem ainda uma reportagem fotográfica sobre o local de onde partiu o Exército Vermelho para a Longa Marcha, em Yudu, na província de Jiangxi, e que é hoje ponto turístico para muitos. O local tem um museu que serve de memorial a este episódio histórico, descrevendo a Xinhua que as autoridades de Yudu têm “aproveitado os abundantes recursos turísticos relacionados com a temática revolucionária para diversificar as experiências turísticas, promovendo tanto a herança do espírito da Longa Marcha como o desenvolvimento do turismo local”. A realidade é outra Mao permanece ainda hoje na paisagem política chinesa. O seu retrato continua afixado sobre a Porta da Paz Celestial, junto à Praça Tiananmen, no centro de Pequim, o rosto figura em todas as notas de renminbi e o “Pensamento Mao Zedong” integra a ideologia oficial do PCC. O seu legado permanece ainda indissociável das campanhas políticas que marcaram os seus quase 30 anos no poder e, sobretudo, da Revolução Cultural (1966-1976), lançada na última década da sua vida. Apresentada como uma campanha para “aprofundar a luta de classes sob a ditadura proletária”, a Revolução Cultural mobilizou milhões de jovens Guardas Vermelhos contra alegados “revisionistas”, “reacionários” e “inimigos de classe”, mergulhando o país numa década de purgas, perseguições e violência. O académico e comentador chinês Zhang Hongliang argumentou à agência Lusa, no entanto, que aquela foi “a única altura em que os pobres na China foram tratados com dignidade”. “Tinham habitação e educação gratuita e boas pensões. E, acima de tudo, a coragem para se erguerem perante burocratas e intelectuais” – então designados de “inimigos de classe” -, descreveu. Professor de Economia na Central University for Nationalities, em Pequim, Zhang é um dos mais proeminentes representantes da extrema-esquerda chinesa, uma facção que se bate pelo regresso da China à ortodoxia maoista. O derramamento de sangue constituiu uma “necessária intervenção cirúrgica na sociedade chinesa”, disse. Yu Xiangzhen tinha 13 anos quando se juntou aos Guardas Vermelhos e começou a perseguir professores e outros “inimigos de classe”. “Ninguém encarava as nossas acções como erradas, nem sequer parava para pensar, limitava-me a seguir ordens superiores”, contou. Para aquela adolescente, Mao “era como um deus”. “Acima do partido” O próprio PCC classificou posteriormente a Revolução Cultural como um grave erro, mas nunca repudiou o homem que fundou a RPC e devolveu a dignidade e a soberania à China. Isso ajuda, em parte, a explicar por que razão, meio século depois, a sua figura permanece indispensável à legitimidade política do regime. Sob a liderança do actual Presidente Xi Jinping, regressaram ainda conceitos associados à era Mao, incluindo a unidade ideológica, a centralização do poder e o espírito de “luta”, embora especialistas rejeitem uma equivalência entre os dois líderes. “Mao estava acima do Partido”, enquanto Xi é “um homem do Partido por inteiro”, explicou Jean Christopher Mittelstaedt, professor da Universidade de Zurique. A nostalgia é visível nas gerações mais antigas. Num antigo complexo habitacional maoista de Pequim, Zhang Qiwei lamentou a sociedade produzida por quase cinco décadas de reformas económicas, iniciadas após a morte do fundador da República Popular. “O povo está dividido; existe um materialismo excessivo”, afirmou. “No tempo de Mao, trabalhava-se arduamente sem se pensar em dinheiro. Lutava-se por um ideal comum”, acrescentou. O legado de Deng Dois anos depois da morte de Mao Zedong, a China entrava num período de Reforma e Abertura de que Deng Xiaoping foi um dos protagonistas. Apesar de Mao ter designado Hua Guofeng para a liderança do partido, a verdade é que Deng ascendeu no poder em 1978. A sua estátua de bronze encontra-se hoje no topo do parque Lianhua Hill Park, em Shenzhen, demonstrando a importância desta figura política para o país. Nos 120 anos do nascimento de Deng, celebrados em 2024, a Xinhua destacou, em reportagem, os seus grandes feitos. Numa reportagem da agência foi entrevistado Lan Zongguo, camponês de 58 anos natural de Huaqiao, cidade de Guang’an, terra natal de Deng Xiaoping. E este destacou que “as reformas lideradas pelo falecido dirigente chinês colocaram tigelas de arroz nas mãos das suas quatro irmãs”. Huaqiao é hoje conhecida pela produção de arroz, mas, nos anos 70, havia ainda escassez e muitas normas patriarcais que condicionavam a produção agrícola. Assim, Lan era o único membro da família autorizado a comer a modesta ração de arroz, lê-se na reportagem. “À hora do jantar, era o único dos filhos a receber uma tigela de arroz. As minhas duas irmãs mais velhas comiam silenciosamente a sua porção de papa de milho, enquanto as minhas irmãs mais novas se juntavam à minha volta, na esperança de conseguir uma colherada de arroz”, contou. Deng Xiaoping foi responsável não só pela implementação das Zonas Económicas Especiais, que deram um impulso à zona sul do país e a uma maior industrialização, como também criou, no início da década de 80, o “sistema de responsabilidade por contrato familiar”, reforma que atribuía terras colectivas a famílias individuais, permitindo aos agricultores gerir a sua própria produção e ficar com a maior parte das colheitas. Foi isso que trouxe mais comida à família de Lan. A Xinhua descreve ainda como o “processo de Reforma e Abertura liderado por Deng deu início à histórica transformação da China, que passou de uma economia planificada, com um Produto Interno Bruto per capita de cerca de 200 dólares norte-americanos, para a segunda maior economia do mundo”. Shenzhen tornou-se, em 1980, numa das primeiras ZEE do país, o que permitiu que empresas estrangeiras instalassem fábricas na cidade. Um dos exemplos foi a “gigante da televisão” Konka, fundada em 1980 em Shenzhen, e que “começou por produzir televisores a preto e branco para responder à crescente procura interna de produtos electrónicos de consumo”. Zhou Bin, presidente do grupo Konka, disse à Xinhua que a ZEE foi de extrema importância para o crescimento de uma economia de mercado. “Ao permitir que as empresas tivessem acesso a recursos estrangeiros, o processo de reforma e abertura criou um ambiente mais favorável à inovação, o que, por sua vez, acelerou o desenvolvimento social e económico da China”, afirmou. A.S.S. / Lusa
Andreia Sofia Silva Manchete SociedadePISA 2025 | Macau lidera na resolução de problemas com recurso à tecnologia Foram ontem divulgados os dados do PISA (Programme for International Student Assessment), o grande estudo da educação da OCDE, relativo ao ano de 2025. Macau volta a destacar-se nos números e no uso de ferramentas tecnológicas e digitais, liderando a nível mundial na categoria de resolução de problemas utilizando ferramentais computacionais, aponta uma nota ontem divulgada pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). Na RAEM, o estudo do PISA relativo a Macau é realizado pela equipa de estudo do Centro de Investigação de Testes e Avaliação Educativa da Faculdade de Educação da Universidade de Macau. De um total de 91 países ou economias a nível mundial, “os alunos de Macau voltaram a demonstrar excelentes resultados de aprendizagem e capacidades de aplicação prática, classificando-se em terceiro lugar a nível mundial tanto em ciências como em matemática, e em quinto lugar em leitura”, é referido. Sobre o primeiro lugar obtido na resolução de problemas com recurso a computadores, destaca-se que os “alunos de Macau alcançaram um desempenho particularmente brilhante”, sendo que, pela primeira vez no PISA se avaliou esta componente, tendo em conta “a crescente importância das tecnologias de inteligência artificial”. Boa preparação No que diz respeito às áreas das ciências, tecnologia, engenharia e matemáticas (STEM – Science, Technology, Engineering, and Mathematics), o território “regista uma proporção consideravelmente elevada de alunos com um nível de desempenho elevado”, com uma pontuação de 541 pontos na área das ciências, ficando em terceiro lugar a nível mundial, apenas ultrapassado pela China e Singapura. A média da OCDE é de 482 pontos. Na matemática, Macau arrecada novamente o terceiro lugar, com 549 pontos, sendo que a média da OCDE nesta área de estudos é de 463. Macau desce, contudo, uns lugares no que diz respeito à leitura, ficando em quinto lugar, ultrapassado por Singapura (que neste campo lidera a tabela), China, região de Taiwan e Japão. A RAEM fica, assim, com 501 pontos, perante a média da OCDE de 461 pontos. Na resolução de problemas com o computador, Macau lidera, então, a lista, com uma média de 572 pontos, ultrapassando Singapura que fica em segundo lugar, com 563 pontos. A DSEDJ destaca, assim, que “os alunos de Macau demonstram uma literacia robusta na área STEM no PISA 2025, sendo capazes de integrar a investigação científica, o raciocínio matemático e o pensamento computacional para resolver problemas complexos”. Os dados mostram como os estudantes locais “revelaram capacidades de programação e de modelação de nível superior, conseguindo construir programas e modelos de forma interactiva em ambientes de aprendizagem digital”. Além disso, o PISA 2025 mostra como “as escolas de Macau garantem que quase a totalidade dos alunos de 15 anos de idade atinge o nível básico de literacia e de competências nucleares exigido para uma participação eficaz nos assuntos sociais”, o que os capacita a enfrentar “os desafios e oportunidades que surgem na vida real”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeANIMA | Admitidas dificuldades com dívida de 1,4 milhões A presidente da ANIMA reconhece que gostaria de ajudar a controlar o número de animais vadios nas ruas de Macau, mas que o campo de acção da associação está cada vez mais limitado, pela falta de recursos A Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA) admite que a sua capacidade de intervenção face aos recentes ataques de cães vadios na Taipa está limitada, devido ao acumular de uma dívida de 1,4 milhões de patacas. O cenário foi traçado pela presidente da associação, Zoe Tang, em declarações ao jornal Exmoo. Na semana passada, a questão dos cães vadios no território voltou a ganhar relevância face à ocorrência de ataques contra transeuntes na Taipa. Ao contrário de outros tempos, a ANIMA revelou que a sua capacidade para intervir e resgatar os animais está mais limitada, devido à dívida acumulada e ao facto de os seus abrigos estarem sobrelotados. Tang apontou que as despesas mensais fixas da associação rondam as 600 mil patacas e que apesar de as campanhas de angariação de fundos terem uma boa participação, o ritmo de recolha de dinheiro não acompanha o aumento das despesas. Para fazer face aos custos de operação, a associação teve de demitir cerca de cinco funcionários, e Tang reconheceu que houve períodos em que os salários foram pagos com atrasos. Tang indicou também que a associação teve de adoptar um sistema de triagem face ao resgate de novos animais, uma vez que tem a seu cargo mais de 700 cães e gatos. A nova estratégia passa, assim, por resgatar os animais vadios que apresentem ferimentos ou outros problemas de saúde. Por isso, a responsável defendeu que o Governo deve lidar com este problema através de uma política de captura, esterilização e devolução (TNR, na sigla em inglês), para evitar que os animais se reproduzam nas ruas. Zoe Tang apontou que a zona mais afectada por animais vadios é Coloane, e que a equipa da ANIMA realiza diariamente esterilizações, com prioridade para os animais do sexo feminino. Contudo, a responsável avisou que a legislação em vigor dificulta a intervenção das associações, porque a captura apenas pode ser feita em espaços privados e não em públicos. Multas mais pesadas Em relação às políticas de controlo dos animais, a presidente da ANIMA defendeu um agravamento das multas por abandono e a obrigação de colocar chips tanto em gatos como em cães. No âmbito da necessidade de adaptar as leis, Tang apontou que a Lei de Protecção dos Animais entrou em vigor há quase 10 anos e que a multa por abandono está fixada em 1.000 patacas. A responsável defende uma subida para pelo menos 5.000 patacas, mas admite que o valor até possa ser superior. O objectivo é combater os abandonos. Em relação à colocação de chips, que permite sempre identificar a quem pertenciam os animais abandonados, Tang considera que a obrigação deve passar a abranger igualmente os gatos.
João Santos Filipe Manchete SociedadeFerries | Associação pede a empresas que coordenem horários Segundo Paul Wong, presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau, as empresas de ferries precisam de se coordenar, para garantir uma maior oferta e manter a vontade dos passageiros de recorrer a este tipo de transporte Com o número de passageiros do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior em queda contínua, a Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau defende que as duas transportadoras devem coordenar os horários, para haver maior oferta. As declarações foram prestadas por Paul Wong, presidente da associação, em declarações à estação televisiva TVB. Apesar dos números mais negativos e da maior concorrência dos autocarros que atravessam a ponte e do transporte privado, Paul Wong considerou que as viagens de ferry podem revelar-se mais convenientes, dada a centralidade dos portos e os horários de navegação. “As companhias de transporte devem coordenar-se para que haja partidas de ferries mais frequentes e em diferentes horários. Desta forma, os passageiros, tal como acontecia no passado, podem conseguir sempre apanhar um ferry, sem necessidade de esperarem”, argumentou o presidente da associação. Actualmente, o serviço de ferries para Hong Kong é assegurado pela TurboJET e Cotai Water Jet. Segundo os dados oficiais, no ano passado, o número de visitantes que utilizou o Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior e o Terminal Marítimo da Taipa foi de 7,36 milhões. No entanto, este dado representa uma redução de 70 por cento do volume de passageiros, em comparação com 2017, quando 22,94 milhões de pessoas utilizaram os terminais. A tendência continua negativa, e desde o início do ano, o volume de passageiros do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior voltou a sofrer uma redução de 12 por cento em termos anuais. Futuro em causa Em Dezembro do ano passado, o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, admitiu que as autoridades estão a ponderar o encerramento de um dos terminais. Tam afirmou que a decisão nunca seria fácil de tomar, mas face à perda de empregos destacou que o Executivo pode aproveitar o terminal encerrado para “explorar a economia nocturna”. Em relação às partidas e chegadas de ferries nos dois terminais, registou-se um volume de 53 mil viagens, uma redução de cerca de 61 por cento em comparação com 2017. Quanto ao facto de ter sido anunciada recentemente a suspensão das viagens regulares de helicóptero entre Hong Kong e Macau, o responsável considerou que o serviço pode ser reconvertido e transformado em turismo aéreo. O presidente da associação explicou que desta forma a Sky Shuttle, responsável pelos helicópteros, pode continuar a aproveitar a licença existente.
João Santos Filipe Manchete PolíticaBurlas | Vong Hou Pio pede alertas direccionados a idosos O legislador e contabilista alerta as autoridades para a necessidade de se adoptarem novas estratégias de prevenção contra burlas. Os idosos e a classe média são os grupos que mais preocupam o deputado O deputado Vong Hou Pio defende a adopção de medidas de prevenção de burlas desenhadas especialmente para os idosos. O assunto faz parte de uma interpelação escrita do legislador eleito indirectamente pelo sector profissional. Segundo o cenário traçado por Vong, nos últimos anos têm ocorrido com frequência burlas de investimento que prometem “ganhos garantidos e sem perdas” ou investimentos com “baixo risco” e “retorno elevado”. O deputado reconhece que o assunto não é totalmente novo e que a Polícia Judiciária (PJ) tem adoptado “diversas acções de combate”, que levaram a uma redução do número de crimes. No entanto, destaca que “as perdas económicas decorrentes das burlas de investimento continuam elevadas” e que os “os métodos utilizados pelos burlões não cessam de evoluir”. Os idosos, tidos como um grupo mais vulnerável, são uma das principais preocupações de Vong, que pede medidas direccionadas: “A análise da estrutura das vítimas demonstra que o grupo etário dos idosos, devido à sua menor literacia digital, continua a ser um alvo prioritário dos burlões”, justifica. “As autoridades vão considerar a experiência das regiões vizinhas e a possibilidade de criar um mecanismo para a divulgação regular ao domicílio de prevenção de burlas, especialmente dirigido a idosos com mobilidade reduzida ou que saem pouco de casa?”, pergunta. O também contabilista pretende uma maior proximidade das campanhas de sensibilização contra burlas porque considera que a aplicação anti-burla da Polícia Judiciária e os alertas de risco do serviço de “Transferência Fácil” não são suficientes, devido à reduzida literacia digital dos idosos. Classe média em risco Além dos idosos, Vong Hou Pio alerta que existem várias pessoas da classe média apanhadas nas burlas, muitas delas trabalhadores, e que se deixam enganar, apesar de possuírem um nível de escolaridade mais elevado. O deputado pede assim novas medidas: “Que ajustamentos específicos serão introduzidos na estratégia de divulgação de prevenção de burlas?”, questiona. “Será efectuada, através de associações profissionais ou organizações sectoriais, uma sensibilização de risco específica e dirigida a profissionais do sector financeiro, quadros de gestão de empresas e profissionais reformados, entre outros?”, acrescenta. Tendo em conta os desenvolvimentos tecnológicos, Vong defendeu também a necessidade de ser criado um novo sistema de alerta contra burlas relacionadas com activos virtuais e investimentos ligados à inteligência artificial.
João Luz Manchete PolíticaHengqin | Universidades da RAEM vão trabalhar em rede no novo campus As três universidades de Macau vão operar em rede no novo campus na Ilha da Montanha, com os estudantes a poderem inscrever-se em disciplinas das diferentes universidades. A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, presidiu ontem à abertura oficial do ano lectivo no campus de Hengqin Arrancou oficialmente o ano lectivo no campus universitário em Hengqin, com a cerimónia de inauguração a contar com a participação do Chefe do Executivo, das secretárias para os Assuntos Sociais e Cultura e para a Economia e Finanças, o director do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, entre outros titulares de cargos de departamentos públicos. Recorde-se que a primeira fase do novo campus universitário de Hengqin já começou a funcionar, com a Universidade Politécnica, a Universidade de Macau e a Universidade de Turismo a oferecer cursos de pós-graduação para mais de 1.450 alunos. A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, destacou que as três instituições de ensino superior público vão operar em rede no campus da Ilha da Montanha. A cooperação entre as três universidades irá permitir aos estudantes escolherem os seus planos académicos, combinando disciplinas leccionadas nas três universidades. “Neste semestre, os estudantes do campus vão poder assistir a aulas de disciplinas de outras universidades”, na qualidade apenas de assistentes”, nas até ao próximo ano, poderão também frequentar disciplinas de outras universidades”, indicou O Lam. A secretária afirmou também que as três universidades de Macau presentes no campus de Hengqin vão disponibilizar cursos de “micro-especialização”, a alunos inscritos numa das instituições, que vão contar para os créditos. “Esperamos que, através deste modelo de partilha de cursos e desenvolvimento conjunto de especializações, as três universidades possam tirar partido dos seus recursos disciplinares vantajosos para formar em conjunto talentos interdisciplinares”, apontou a governante. Ir mais além O Lam realçou que o campus universitário “não é apenas uma extensão do espaço educativo das instituições de ensino superior de Macau”, mas também uma plataforma internacional de ciência e educação enraizada na Grande Baía, com ligações ao mundo. “Tendo a internacionalização como objectivo, a Cidade Universitária introduz continuamente recursos internacionais de ensino e investigação, empenhando-se em promover a internacionalização da formação de talentos, da investigação científica e do intercâmbio tecnológico”, afirmou a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, acrescentando que o campus irá concretizar o conceito “estudar no estrangeiro sem sair de casa”. O Lam sublinhou o foco educativo nas ciências, engenharias e nas “áreas interdisciplinares e de disciplinas de vanguarda”. Além disso, deixou uma mensagem aos estudantes para que “façam bom uso dos recursos da plataforma aberta e partilhada da Cidade Universitária”, “aproveitem as oportunidades da educação internacionalizada.” A secretária aconselhou os alunos a cultivarem “um forte sentido de responsabilidade nacional”, integrando os “ideais pessoais no desenvolvimento global do país”.
Andreia Sofia Silva Grande Plano MancheteParques infantis | Estudo alerta para desigualdade na oferta Um estudo desenvolvido por académicos da China e Macau, dois deles da Universidade Cidade de Macau, analisou dados geográficos e publicações nas redes sociais sobre parques infantis, concluindo que existe desigualdade na sua distribuição, com maior carência em zonas como Coloane, zona sul da península de Macau e Cotai. Defende-se ainda a “melhoria sistemática da qualidade das instalações existentes” O estudo “Análise das redes sociais e análise espacial no planeamento de espaços de recreio infantil em Macau, uma cidade de alta densidade”, publicado na revista científica E3S Web of Conferences, aponta para a desigualdade na distribuição de parques infantis no território, com maior concentração na zona norte da península e menor em áreas como Coloane, a zona sul da península e o Cotai. O trabalho, da autoria de vários académicos chineses, dois deles – Yingqian Yang e Yujing Lai – ligados ao Instituto de Urbanismo e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Cidade de Macau, aponta para o facto de Macau, ao ser “uma cidade com uma densidade populacional extremamente elevada”, ser exemplo dos “desafios enfrentados pelas cidades de alta densidade [populacional] na disponibilização de parques infantis adequados”. Desta forma, “as instalações existentes não conseguem satisfazer plenamente as necessidades reais dos residentes e turistas, tanto em termos de qualidade como de distribuição espacial”. Com base na análise de publicações na rede social Weibo e de dados de Sistemas de Informação Geográfica (SIG), os autores falam na necessidade de “intervenções prioritárias” por parte das autoridades, nomeadamente “o desenvolvimento de novos parques infantis na Ilha de Coloane, zona sul da Península e faixa do Cotai”. É também aconselhada uma “melhoria da qualidade das instalações existentes, com especial incidência em equipamentos para brincadeiras com água e criação de zonas adequadas a diferentes faixas etárias”. No total, foram analisadas 5.167 publicações no Weibo, feitas entre os anos de 2020 e 2025, bem como dados SIG relativos a 46 parques infantis. De destacar que estas publicações dizem respeito a 2.420 utilizadores com contas no Weibo. Há, no território, “graves desigualdades espaciais” no que diz respeito ao planeamento de parques infantis, sendo que “as deficiências em termos de qualidade contribuem mais para a insatisfação dos utilizadores do que a insuficiência quantitativa de instalações”. Melhor qualidade Em matéria de qualidade das instalações, revela-se que 37,9 por cento dos utilizadores mencionaram a necessidade de haver mais equipamentos para brincadeiras com água. Por sua vez, 28,7 por cento destacou a necessidade de mais infra-estruturas de segurança, enquanto 23,8 por cento lembrou a importância da “concepção adequada [de parques] para diferentes faixas etárias”. Apesar das conclusões pouco favoráveis ao actual planeamento de parques infantis, a análise das publicações no Weibo permite concluir que não existe “uma situação de crise”, existindo sim uma “margem para melhorias”. Isto porque se percebeu a existência de um “sentimento do público equilibrado em relação aos parques infantis e às instalações associadas às actividades familiares em Macau”. Dos utilizadores, 47,9 por cento deu respostas positivas, e 39 por cento deu respostas neutras. Face a este número, os autores concluem que “muitas publicações têm carácter informativo e não de avaliação, o que reflecte comportamentos de planeamento de actividades familiares”. Apenas 13,1 por cento dos utilizadores fez publicações com teor negativo. O caso de Coloane Tendo em conta apenas a análise dos dados SIG, o estudo fala na “existência de graves disparidades geográficas nos seis bairros de Macau”. As pontuações em termos de acessibilidade mostram que Coloane está bem abaixo na tabela – tem apenas 0,2 pontos numa escala de 0 a 10, enquanto o norte da península tem 10 pontos conforme a mesma escala. “A análise de dados SIG identifica a Ilha de Coloane como a zona com menor cobertura, não dispondo de qualquer parque infantil”, pode ler-se. E se não há tantos parques, os comentários ou publicações no Weibo são também reduzidos. “Na ilha de Coloane a escassez de instalações resulta numa utilização reduzida e, consequentemente, num baixo nível de comentários negativos nas redes sociais. Contudo, na zona do Cotai, a elevada intensidade de utilização, combinada com potenciais deficiências de qualidade — como problemas de manutenção ou sobrelotação — gera níveis significativamente mais elevados de insatisfação.” Da Grande Baía Os comentários feitos na rede social Weibo não são apenas feitos por residentes, mostrando como Macau é cada vez mais procurado por famílias que procuram pelos parques infantis existentes e, desta forma, deixam comentários na Internet sobre as zonas da RAEM com mais ou menos parques. O estudo destaca como “a análise geográfica das publicações com geolocalização”, que são apenas 18,1 por cento de todas as publicações feitas, mostra “a forte integração de Macau no ecossistema de turismo familiar da Grande Baía”. Neste campo, a província de Guangdong lidera com um total de 1.876 publicações, seguida por Hong Kong, 782 publicações. As publicações dos residentes de Macau estão em terceiro lugar, com um total de 586. Dizem os autores do estudo que “estas três regiões da Grande Baía representam, em conjunto, a maioria das conversas [online], sublinhando a interligação do mercado regional de turismo familiar”. Há ainda publicações de pessoas de Pequim, Xangai e outras zonas do país, o que mostra “a maior atractividade de Macau como destino familiar em toda a China”. Os autores dizem que 60,1 por cento publicações online se centram na experiência obtida nos parques, o que mostra “as limitações espaciais e climáticas das cidades subtropicais de elevada densidade”, como é o caso de Macau. Lê-se no estudo que “a limitada disponibilidade de terrenos e a elevada densidade populacional de Macau restringem a expansão dos parques infantis”, sendo citado um estudo de 2024 que dá conta da “forte desigualdade espacial e concentração na distribuição destas instalações”. Assim, a “melhoria da qualidade das instalações existentes” revela-se a “principal estratégia para aumentar a satisfação dos utilizadores”. Já “a elevada procura por equipamentos para brincadeiras com água reflecte as condições de clima quente e húmido”. Não está, portanto, em causa propriamente a falta de parques, mas sim a sua desigualdade de distribuição, já que Macau “dispõe de um número globalmente adequado de instalações”, com 46 parques infantis para 55 mil crianças, “correspondendo a uma proporção de 1 para 1:1.196”. Porém, olha-se para o tipo de infra-estruturas dos parques, revelando-se “um défice de 11,8 pontos percentuais relativamente à presença de equipamentos para brincadeiras com água”. Destaca-se, portanto, a qualidade do que existe e não a quantidade. “Os bairros cujas instalações não possuem as características desejadas apresentam um sentimento negativo mais elevado face aos bairros com um menor número de instalações. Isto sugere que, em contextos de elevada densidade [populacional] e com possibilidades limitadas de expansão, as deficiências de qualidade explicam melhor a insatisfação dos utilizadores do que os défices quantitativos”, lê-se. Deputados deixam alerta Algumas conclusões deste estudo vão de encontro aos alertas feitos por alguns deputados sobre a escassez, ou a desigualdade, de espaços de lazer para os mais novos. É o caso da deputada Loi I Weng, que em Abril deste ano interpelou o Governo sobre a “escassez de espaços de lazer para crianças” em “zonas antigas como a Zona Sul, a Rua da Praia do Manduco e San Kio”. “As instalações têm um design monótono e carecem de elementos inclusivos; a segurança e o ambiente dos percursos pedonais na comunidade também necessitam de ser reforçados”, acrescentou. Tratando-se de uma interpelação oral, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, respondeu no hemiciclo referindo que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) “tem vindo a atribuir importância às necessidades das crianças no decorrer do seu crescimento, optimizando e disponibilizando mais espaços de lazer para crianças”. A governante deu o exemplo “do programa de reordenamento na zona de Toi San, que foi concebido tendo em consideração diversos elementos como o planeamento para todas as faixas etárias, a eliminação de barreiras arquitectónicas e [estabelecimento] de espaços de lazer inclusivos para pais e filhos”.