PCC | Xi exige integração de Macau no desenvolvimento nacional

No 105º aniversário da fundação do Partido Comunista da China, o Presidente do país e secretário-geral do partido, Xi Jinping, realçou que a integração de Macau e Hong Kong no desenvolvimento nacional faz parte da “grande revitalização da nação chinesa”

 

O Presidente Xi Jinping reiterou ontem a importância da integração de Macau e Hong Kong no desenvolvimento nacional como parte da “grande revitalização da nação chinesa”. As palavras foram proferidas durante a cerimónia de celebração do 105º aniversário da fundação do Partido Comunista da China (PCC).

De acordo com o jornal Ou Mun, Xi Jinping afirmou que “promover a prosperidade e a estabilidade a longo prazo de Hong Kong e Macau é uma exigência intrínseca para a grande revitalização da nação chinesa”.
“Na nova jornada, devemos implementar de forma plena, precisa e inabalável as directrizes de ‘um país, dois sistemas’, ‘Hong Kong governado pelas pessoas de Hong Kong’, ‘Macau governado pelas pessoas de Macau’ e um alto grau de autonomia”, vincou.

Xi Jinping defendeu também o dever de “aplicar o princípio de Hong Kong governado por patriotas’ e ‘Macau governado por patriotas’, melhorar a eficácia da governação de Hong Kong e Macau com base na lei, promover o desenvolvimento económico e social de Hong Kong e Macau, e apoiar ambas as regiões a integrarem-se melhor e a servirem o panorama geral do desenvolvimento nacional”.

Directo em Macau

Em Macau, as celebrações do 105º aniversário do PCC foram assinaladas pelo Governo da RAEM, com a transmissão em directo, no Pavilhão Desportivo da Universidade Politécnica de Macau, dos eventos em Pequim, incluindo a mensagem de Xi Jinping.

Assistiram à transmissão em directo cerca de 2 mil pessoas, incluindo vários alunos, que realizaram espectáculos culturais e artísticos. Segundo o jornal Ou Mun, a celebração decorreu em simultâneo com todo o país, e teve como objectivo “aprofundar o conhecimento dos residentes de Macau sobre o percurso centenário da fundação do partido, reforçar a coesão nacional e cultivar de forma profunda o sentimento de amor pela Pátria e por Macau”.

No entanto, em Macau, as celebrações começaram mais cedo, na terça-feira à noite, com um espectáculo de canto na Universidade de Macau, organizado pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

Além disso, Governo da RAEM organizou outras actividades dirigidas aos alunos como uma sessão de estudo sobre o discurso de Xi Jinping, a exibição do filme “Crossing” e concursos de composições, de discursos e de criação de curtas-metragens, assim como visitas de estudo ao Interior da China.

As actividades foram realizadas pelo Governo para “orientar os diversos sectores da sociedade de Macau, em particular a juventude, para recordarem o centenário percurso glorioso do Partido e compreenderem, de modo aprofundado, a história e as grandes conquistas do desenvolvimento do país, incentivando os jovens de Macau a unir os seus ideais pessoais e as suas aspirações juvenis à grande causa da revitalização nacional”.

2 Jul 2026

Hong Kong | El Niño poderá levar a recordes de calor em 2026 e 2027

A agência meteorológica de Hong Kong previu que o fenómeno El Niño poderá levar a novos recordes máximos de temperatura este ano e em 2027. Num comunicado divulgado na segunda-feira, o Observatório de Hong Kong confirmou que o El Niño está a formar-se e deverá continuar a afectar o clima na região até ao início do próximo ano.

O El Niño é caracterizado por um aumento nas temperaturas da superfície no centro e leste do Pacífico equatorial. Normalmente ocorre a cada dois a sete anos e dura aproximadamente entre nove e 12 meses. O Observatório prevê que este ano o fenómeno terá “uma intensidade que varia de forte a muito forte” e recordou que um El Niño intenso “aumentam geralmente a probabilidade de temperaturas anormalmente elevadas”.

“Sob o efeito combinado do aquecimento climático, a temperatura média em Hong Kong deverá ser significativamente mais elevada este ano e no próximo, podendo resultar em temperaturas recorde”, alertou a agência.

1 Jul 2026

China | Previsão de vendas de habitações novas revista em baixa

A Fitch Ratings reviu em baixa a previsão de vendas de habitações novas na China em 2026, estimando uma queda entre 11 e 13 por cento, devido à “persistente fraqueza nas cidades de menor dimensão”. A estimativa anterior antecipava uma redução de vendas entre 7 e 8 por cento

 

O mercado imobiliário chinês deverá continuar a enfrentar dificuldades este ano. A agência Fitch Ratings reviu as estimativas para 2026 relativas a vendas de casas novas, projectando uma descida anual entre 11 e 13 por cento. A anterior previsão apontava para uma quebra entre 7 e 8 por cento.

Segundo a agência de notação financeira, a revisão reflecte a persistente debilidade do mercado imobiliário nas cidades de menor dimensão, que continua a anular a recuperação observada num número reduzido de mercados mais fortes.

A Fitch aponta ainda para um aumento da procura de habitação usada, sobretudo nas cidades de maior dimensão, em detrimento das casas novas, devido a “uma maior parcela da procura habitacional estar a ser absorvida pelas transações de habitação existente”.

Apesar da revisão, a agência considera que a contração será menos acentuada do que em 2025 e prevê uma nova moderação da queda em 2027, apoiada na continuidade das medidas de estímulo e na “melhoria gradual da confiança”, liderada pelas cidades de primeira linha.

A Fitch assinala que a descida dos preços da habitação usada abrandou desde o início do ano nas 70 maiores cidades chinesas e que a diferença entre a evolução dos preços da habitação nova e usada também diminuiu, sinalizando “menos vendas motivadas pelo pânico” no mercado de habitação usada.

Poder de concentração

A recuperação, contudo, permanece desigual. Xangai continua a apresentar o mercado residencial mais resiliente entre as cidades de primeira linha desde o início da crise imobiliária, na segunda metade de 2021, seguida por Pequim e Shenzhen, enquanto Cantão enfrenta maiores dificuldades devido à maior oferta de terrenos.

Segundo a agência, esta polarização levou muitas promotoras imobiliárias classificadas pela Fitch a abandonarem cidades mais fracas para concentrarem a actividade em 10 a 15 mercados considerados estratégicos, onde a oferta e a procura estão mais equilibradas.

A Fitch acrescenta que todas as promotoras estatais classificadas pela agência que divulgam dados mensais registaram crescimento das vendas nos primeiros cinco meses do ano, com excepção da Yuexiu Property, cuja quebra deverá, ainda assim, atenuar-se ao longo do segundo semestre.

A agência prevê igualmente que as margens de lucro do sector permaneçam sob pressão em 2026, devido à necessidade de escoar projectos desenvolvidos em terrenos adquiridos nos anos de maior expansão do mercado, antecipando uma recuperação gradual apenas nos próximos anos. O fluxo de caixa operacional deverá estabilizar com a recuperação das vendas e uma política mais prudente de aquisição de terrenos, aponta.

1 Jul 2026

Lusofonia | German Ku e Marta Miranda actuam hoje no Largo do Senado

Depois dos primeiros concertos de ontem, sobem hoje ao palco montado no Largo do Senado artistas como o macaense German Ku, a portuguesa Marta Miranda, ex-vocalista dos OQueStrada, ou a cabo-verdiana Elly Paris. A música ouve-se entre as 18h e as 21h, mas há também uma mostra de artesanato na Galeria do IAM

 

A lusofonia irá soar hoje em Macau com um espectáculo que começa às 18h com ritmos locais: o macaense Germano Guilherme, conhecido em palco como German Ku, irá actuar com a cantora Winifai inaugurando o segundo dia de concertos integrado na 18ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. Já ontem o Largo do Senado foi palco de música dos países de língua portuguesa e também de Macau.

O programa traz hoje nomes como o brasileiro Maurício Tizumba, a cabo-verdiana Elly Paris, os artistas da Guiné-Bissau Patche Di Rima e Anderking Skididi ou ainda Az Khinera, artista moçambicano.

O cartaz prossegue com a actuação da portuguesa Marta Miranda, os Vungo Téla, de São Tomé e Príncipe, e ainda os New Arquiris Band, oriundos de Timor-Leste. O capítulo final de todas estas actuações escreve-se com um “Carnaval Sino-Lusófono”, descreve o programa oficial.

Voltando aos artistas que abrem os concertos de hoje, Germano Guilherme ficou conhecido depois de ganhar um concurso de talentos da estação televisiva TVB, de Hong Kong, o “Midlife, Sing and Shine 2”, em 2024.
Germano Guilherme estudou na Escola Portuguesa de Macau e na Universidade Politécnica de Macau, e desde que venceu o concurso de canto não mais parou de subir aos palcos com a sua música, nomeadamente com o primeiro concerto em nome próprio, “I’m Home”, no Venetian Theatre em Agosto de 2024. Nos últimos meses o artista tem feito uma digressão na Malásia.

Entretanto, Marta Miranda actua em Macau no contexto da digressão intitulada “Uma Mulher na Cidade”, fazendo-se acompanhar pelos músicos Jean Marc Pablo, Sérgio Prazeres e Ricardo Quinteira. Marta Miranda foi vocalista do grupo OQueStrada, com raízes na música tradicional portuguesa, tendo lançado o seu primeiro trabalho discográfico em nome próprio, “Mulher na Cidade”, em 2024, sobre Lisboa, Almada, e as raízes que tem entre os dois lugares e respectivas vivências.

Destaque para o facto de estes artistas terem marcados concertos para este fim-de-semana, sábado e domingo, no palco da Praça Tangdao, na cidade de Xining, repetindo-se as actuações na próxima semana, nos dias 9 e 10 de Julho, em Pequim, na Praça da Concha Acústica (Praça Beike).

Artesanato até domingo

A 18ª edição da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa arrancou no sábado e irá prolongar-se até 10 de Julho, em Macau, Qinghai e Pequim, tendo como lema “Encontros Culturais Sino-Lusófonos, Amizade sem Fronteiras”.

Outro ponto de destaque do programa deste ano é a “Exposição de Artesanato dos Países de Língua Portuguesa ‘Policromia Lusófona'”, organizada pelo Fórum Macau. A mostra, que pode ser vista na Galeria do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), apresenta peças oferecidas pelas delegações dos Países de Língua Portuguesa ao Fórum Macau “ao longo dos mais de vinte anos desde a sua criação”, destaca uma nota da organização.

“Policromia Lusófona” divide-se em quatro secções, nomeadamente “Texturas do Som” ou “Histórias de Esculturas”, entre outras, revelando-se ao público objectos como “utensílios do quotidiano confeccionados em fibras naturais”, e que reflectem “modos de vida e tradições estéticas das diferentes regiões” com ligações à língua portuguesa.

Apresentam-se também “instrumentos musicais tradicionais, acompanhados por projecções de performances, permitindo ao público vivenciar como a música transcende línguas e fronteiras”, destaca a organização. Não faltam ainda “peças em madeira e cerâmica que reflectem crenças religiosas e mitos populares” ou ainda “loiça de mesa e adornos”. A mostra estará aberta até este domingo, funcionando diariamente das 09h às 21h.

1 Jul 2026

Carga aérea | Assinado acordo para ligar Macau à América Latina

A plataforma sino-brasileira ganhou um novo impulso com a assinatura de vários acordos nos sectores da inovação tecnológica, finanças e aeronáutica. As parcerias incluem uma ligação aérea directa de carga entre Macau e a América Latina

 

Empresas chinesas e latino-americanas assinaram acordos para desenvolver uma plataforma sino-brasileira de inovação aeronáutica e uma ligação aérea directa de carga entre Macau e a América Latina.

Segundo um comunicado publicado na segunda-feira, o Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola (CECPS), em Zhuhai, organizou uma cerimónia em que foram assinados acordos estratégicos de internacionalização com 16 empresas nos sectores da inovação tecnológica e das finanças.

Os acordos envolveram empresas como a Huawei Macao, Mercado Libre, JD.com, Kuaishou Technology, Banco da China e China Southern Airlines Technology. Um dos acordos envolve a empresa chinesa WGL Group, que segundo o CECPS tem prestado apoio em matéria de investimento e financiamento, contribuindo para impulsionar a abertura, por Macau, de uma rota aérea directa de carga para a América Latina.

O WGL Group é um grupo sediado em Shenzhen de logística e soluções para cadeias de abastecimento de comércio electrónico transfronteiriço internacional. A empresa é especializada no transporte de mercadorias da China directamente para mercados globais, com foco principal nas regiões da América Latina e dos Estados Unidos. Actualmente, opera cinco voos de ida e volta por semana na rota China-México.

Cargas em Hengqin

Existe actualmente um projecto do terminal de carga de Hengqin para o Aeroporto Internacional de Macau com conclusão prevista para o final de 2026 e entrada em operação em meados de 2027. O terminal, com 66.700 metros quadrados de área logística e investimento de cerca de 700 milhões de yuan, é financiado pelo Aeroporto de Macau e pela China COSCO Shipping Logistics Supply Chain.

De acordo com o CECPS, os contratos assinados visam apoiar empresas na expansão para mercados da América Latina e países lusófonos, através de serviços de crédito, avaliação de riscos, financiamento transfronteiriço, registo de investimento directo no exterior e promoção de tecnologias avançadas.

No mesmo comunicado, Ng In Cheong, vice-presidente do CECPS, destacou que, além das 16 entidades agora envolvidas, o centro já estabeleceu parcerias com cerca de 200 empresas e prestadores de serviços, sobretudo na área da inteligência artificial.

“A complementaridade entre a posição de vanguarda da China e as lacunas tecnológicas dos países de língua portuguesa e espanhola abre amplo espaço para cooperação”, afirmou.

Os primeiros passos

O centro foi lançado em Abril de 2025 pelo Governo da RAEM e pela Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau, com o objectivo de criar uma plataforma integrada de serviços de internacionalização que liga a China aos países de língua portuguesa e espanhola.

Os planos de integração e cooperação existentes de Macau com a província de Guangdong e a zona económica especial de Hengqin oferecem também uma via para a entrada de empresas de países de língua espanhola na China.

As áreas prioritárias do centro abrangem economia digital, saúde, manufactura avançada, comércio de matérias-primas, comércio electrónico transfronteiriço e indústrias culturais e desportivas.

Entre os resultados práticos, o centro destacou a redução de riscos na exportação de equipamentos de simulação de voo, a instalação de centros de entrega digitais em Espanha e Brasil pela companhia Beyondsoft e o apoio a empresas na expansão para mercados externos através de soluções integradas de conformidade, logística e financiamento.

O CECPS destacou também ter vindo a apostar em missões empresariais ao Brasil, como a realizada em Junho durante a Web Summit Rio, onde reuniu mais de 200 empresas brasileiras. Até Março deste ano, a Zona de Cooperação de Hengqin contava com 27 plataformas de inovação científica e tecnológica, 238 empresas de alta tecnologia reconhecidas nacionalmente e 18 unicórnios registados.

O CECPS planeia também desenvolver um Centro de Inovação em Inteligência Artificial Incorporada, cuja primeira fase ocupará 3.400 metros quadrados em Hengqin, com capacidade anual de produção de dados superior a 10 PB (petabyte).

1 Jul 2026

Lei do Trânsito | Conselheiro pede revisão ainda nesta legislatura

Ip Wai Keong entende que há condições para o Governo apresentar, ainda nesta legislatura, uma nova proposta de revisão da Lei do Trânsito Rodoviário. O membro do Conselho Consultivo do Trânsito apela à urgência legislativa devido à elevada ocorrência de acidentes

 

O membro do Conselho Consultivo do Trânsito, Ip Wai Keong, considera que é necessário alterar a Lei do Trânsito Rodoviário, cuja proposta de lei caducou por não ter sido aprovada no hemiciclo até ao final da legislatura anterior. Em declarações ao Jornal do Cidadão, o responsável disse que existem condições para apresentar nova proposta de lei até ao final desta legislatura.

O conselheiro sugere que o Governo dê prioridade às medidas menos polémicas para avançar com a revisão da legislação, focando depois as partes que geram mais debate. No entender do responsável, as medidas menos complexas relacionam-se com a segurança rodoviária, nomeadamente a regulação das travessias de peões e a proibição do uso de telemóvel durante a condução.

Ip Wai Keong refere que mesmo que o Governo não consiga alterar a lei, pode elaborar algumas normas administrativas para regular o comportamento dos condutores. Estas declarações surgem numa altura em que o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) acaba de publicar um mapa com os pontos onde ocorreram mais acidentes de trânsito, contabilizando-se um total de 3.426 acidentes só no primeiro trimestre deste ano.

Ip Wai Keong recordou que o panorama dos acidentes não mudou muito em relação ao ano passado, com os mapas disponibilizados pelo CPSP a serem semelhantes, pelo que é importante elevar a consciencialização dos condutores sobre a importância de uma condução segura.

O conselheiro destacou que, nos pontos onde acontecem mais acidentes, há muito trânsito e intersecção de veículos, sugerindo que o Governo faça um novo planeamento destas vias com mais semáforos, ajuste de percursos e de passadeiras, optimizando a visibilidade para peões e carros. Foi também sugerida a colocação de lombas para redução de velocidade, mais pontos de iluminação nocturno e estabelecimento de limites de velocidade em alguns troços.

A carta da discórdia

Um dos pontos mais polémicos na revisão da Lei do Trânsito Rodoviário, segundo Ip Wai Keong, é a retirada de pontos na carta de condução por cada multa atribuída. Desta forma, o conselheiro defende que o Executivo deve reforçar a comunicação com a sociedade para se chegar rapidamente a um consenso sobre esta matéria, a fim de se conseguir acelerar o processo de revisão.

Tendo em conta que em Hong Kong e no Interior da China existe este sistema de pontos na carta de condução, Ip Wai Keong pede que as autoridades de Macau tenham em conta as experiências nas regiões vizinhas e possam rever a lei consoante a situação local, para garantir a segurança rodoviária e proteger os direitos e interesses dos operadores de transportes. A ideia é evitar grandes alterações neste sector, acrescentou.

1 Jul 2026

Hengqin | Sam pede estudo e aplicação das instruções de Xi Jinping

O reforço da integração entre Macau e Hengqin, a captação de mais investimento nacional e internacional e a atracção de quadros qualificados foram alguns dos objectivos traçados para o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada

 

O estudo e a implementação das orientações de Xi Jinping sobre a Zona de Cooperação Aprofundada são a prioridade dos trabalhos para o desenvolvimento de Hengqin. A principal “esperança” deste ano foi deixada por Sam Hou Fai, durante a reunião de segunda-feira da Comissão de Gestão da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin.

Enquanto um dos dois chefes da comissão, o Chefe do Executivo abordou a próxima fase do projecto para diversificar a economia de Macau e pediu aos membros que continuem a “estudar e implementar o espírito das instruções do Presidente Xi Jinping e do Governo Central”. Sam indicou ainda que esta é a forma de “consolidar as bases do conceito de desenvolvimento da integração Macau-Hengqin”.

Segundo o Chefe do Executivo, a segunda “esperança” passa por “planear e concretizar cuidadosamente os grandes projectos emblemáticos para promover as indústrias e incentivar o emprego”. No comunicado do Gabinete de Comunicação Social sobre a reunião não foram indicados os grandes projectos.

O representante máximo da RAEM pediu como terceira esperança que no desenvolvimento da Ilha da Montanha as autoridades aproveitem “ao máximo as vantagens dos recursos de Macau nas ligações internacionais” para criar “uma nova conjuntura de captação de investimentos e capitais”.

Por último, Sam pediu à comissão uma reforma “do sistema e dos mecanismos” internos para dotar o órgão, e os seus trabalhadores, de uma maior dinâmica “para realizar o trabalho com dedicação e inovação”.

Projecto pessoal

A reunião de segunda-feira contou ainda com a intervenção do governador da província de Guangdong, Meng Fanli, o outro chefe da comissão.

O governador da província vizinha destacou igualmente a ligação entre o Presidente da China e a Zona de Cooperação Aprofundada, ao salientar que esta “foi uma grande iniciativa, projectada, planeada e promovida pessoalmente pelo secretário-geral Xi Jinping”. Nesta linha de pensamento, Meng apelou a todos os membros para estudarem e implementarem o espírito das instruções do presidente chinês.

Ao mesmo tempo, o governador de Guangdong pediu que no âmbito dos trabalhos deste ano “devem ser aproveitadas ao máximo as vantagens únicas” da Zona de Cooperação, para “servir e integrar” a nova conjuntura de desenvolvimento. Meng pediu também à comissão que trabalhe para criar “um mercado nacional unificado, servi-lo e fazer bom uso do mesmo”, ao mesmo tempo que se espera que a zona de cooperação sirva de ligação internacional.

Meng também pediu que sejam intensificados “os esforços na captação de investimentos e quadros qualificados a nível nacional e internacional” e que sejam realizados todos os esforços para integrar Macau e Hengqin.

1 Jul 2026

UE | Pequim sinaliza posição negocial mais firme em disputas comerciais

Pequim acredita estar em posição de resistir à pressão comercial de Bruxelas e prepara uma postura negocial mais dura nas disputas sobre veículos eléctricos, terras raras e investimento, segundo um comentário divulgado pela televisão estatal chinesa

 

A leitura consta de uma análise publicada pela Yuyuantantian, plataforma de comentário político da televisão estatal chinesa CCTV, antes da reunião prevista entre o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, e o comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, em Bruxelas, num momento em que as tensões comerciais entre as duas partes continuam a intensificar-se.

Segundo a análise, Pequim considera que Bruxelas ignorou duas prioridades chinesas nas negociações: encontrar uma solução para as tarifas impostas aos veículos eléctricos fabricados na China e aliviar os controlos às exportações europeias de tecnologias avançadas.

O comentário defende que a China chegou às negociações “com sinceridade”, mas acusa a UE de não ter dado qualquer resposta às preocupações chinesas e de se limitar a exigir esclarecimentos sobre o fornecimento de terras raras. A análise acrescenta que, “se a UE insistir em transformar as negociações num mero ritual, a China tem capacidade para enfrentar um maior agravamento das relações económicas e comerciais, ou até um deslizamento para um ponto de congelamento”, acrescentando que “a China não deseja chegar a esse ponto, mas também não o teme”.

Em contrapartida, a União Europeia tem insistido nas preocupações com o fornecimento de terras raras e desenvolvido novos instrumentos de defesa comercial, bem como políticas destinadas a reduzir dependências estratégicas da China.

Entre economia e geopolítica

O comentário da CCTV afirma que a China pode suportar um agravamento das relações económicas com a Europa, chegando mesmo a sugerir que conseguiria enfrentar um eventual congelamento dos laços comerciais.

Para sustentar esse argumento, aponta que as empresas chinesas dependem hoje menos do mercado europeu, uma vez que as exportações para a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) já ultrapassam as destinadas à UE, enquanto regiões como o Médio Oriente, a América Latina e África assumem importância crescente para produtos chineses, incluindo veículos eléctricos.

A análise sugere igualmente que o investimento chinês na Europa poderá tornar-se um instrumento de pressão. Segundo o texto, caso Bruxelas continue a endurecer as restrições comerciais, projectos industriais chineses que algumas regiões europeias procuram atrair poderão ser adiados ou cancelados.

O artigo identifica ainda uma divergência de fundo entre as duas partes. Enquanto Pequim pretende separar os diferendos comerciais de questões geopolíticas, como a guerra na Ucrânia ou as relações com os Estados Unidos, Bruxelas considera que comércio, segurança económica e política externa estão hoje estreitamente ligados.

O comentário defende que a União Europeia deve questionar “não se a China vai ceder, mas se consegue suportar o custo” da actual estratégia comercial, argumentando que tarifas e investigações não resolverão os problemas de competitividade europeus.

30 Jun 2026

Venezuela | Pequim envia ajuda de emergência de 100 milhões de yuan

A China vai enviar ajuda material de emergência no valor de 100 milhões de yuan para a Venezuela, para apoiar as operações de socorro e reconstrução após os sismos da passada quarta-feira.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou em conferência de imprensa que os materiais serão enviados para o país sul-americano “o mais rapidamente possível”, acrescentando que se juntam à ajuda financeira directa já disponibilizada anteriormente. Guo indicou ainda que a China forneceu à Venezuela imagens de satélite das zonas afectadas para apoiar as operações de resposta ao desastre.

Segundo o porta-voz, empresas chinesas presentes na Venezuela e associações da comunidade chinesa no país disponibilizaram também maquinaria de engenharia e material médico de primeira necessidade para as operações de socorro. Essas entidades organizaram igualmente equipas de salvamento que participam nas operações de busca e resgate, acrescentou.

“A China está disposta a continuar a prestar mais apoio à Venezuela, de acordo com a evolução da situação no terreno e das necessidades decorrentes do desastre”, afirmou Guo.

30 Jun 2026

Cazaquistão | Lawrence Ho discute investimento em novo projecto

O magnata responsável pela concessionária Melco e o Governo do país da Ásia Central abordaram a possibilidade de cooperarem na construção da cidade de Alatau, o novo projecto do Cazaquistão inspirado no modelo de Singapura, Dubai e Shenzhen

 

O presidente da concessionária de jogo Melco Resorts & Entertainment foi recebido pelo primeiro-ministro do Cazaquistão, Oljas Bektenov, para discutir uma eventual cooperação em infra-estruturas turísticas na cidade de Alatau. A informação foi divulgada pelo Governo do país da Ásia Central. “Durante a reunião, foram discutidas as perspectivas de cooperação no desenvolvimento das infra-estruturas turísticas do Cazaquistão, bem como as oportunidades para os investidores participarem na execução de projectos na cidade de Alatau”, pode ler-se num comunicado do Executivo daquele país.

A informação, de sexta-feira, não permite saber se está em cima da mesa a possibilidade da concessionária de jogo em Macau explorar casinos no país. Também não foi indicada a data da reunião. No entanto, o jogo é legal em algumas zonas do Cazaquistão, entre as quais Alatau.

Segundo Oljas Bektenov, a partir de amanhã vai entrar em vigor a nova Constituição do Cazaquistão que prevê um regime jurídico especial para a cidade de Alatau. O Executivo pretende transformar esta zona num centro internacional de tecnologia, comércio e inovação para toda a Ásia Central.

O projecto é inspirado em modelos como os adoptados em Singapura, Dubai e Shenzhen e visa aliviar a concentração e pressão sobre a cidade de Almaty, a zona urbana do Cazaquistão com maior número de habitantes. As duas zonas ficam a pouco mais de 30 quilómetros de distância. A esperança é que Alatau abranja uma área de 88 mil hectares e atraia mais de 2 milhões de habitantes até 2050.

Captar investidores

Oljas Bektenov defendeu ainda que a nova lei “prevê mecanismos transparentes de interacção com investidores”, “estabilidade de longo prazo nas condições” de investimento e “mecanismos modernos de protecção” de investidores.

Segundo o comunicado cazaque, Lawrence Ho, presidente da Melco, demonstrou interesse em explorar projectos em conjunto na região e elogiou o potencial do Cazaquistão como um mercado turístico em crescimento na região.
A mesma fonte indica ainda que duas partes têm a intenção de “aprofundar a cooperação e fazer avançar o desenvolvimento de infra-estruturas e instalações turísticas modernas” na cidade.

O projecto de Alatau prevê uma separação por zonas, com a criação de quatro distritos com diferentes funções, nomeadamente nas áreas dos negócios, da medicina, da logística e do turismo. A parceria com a Melco pode acontecer no chamado Distrito Verde, onde o jogo é legal e que tem como função desenvolver o turismo cazaque.

Além de explorar casinos em Macau, como o Studio City, City of Dreams e Altira, a Melco tem actualmente casinos no Chipre e nas Filipinas. A concessionária explora ainda um casino no Sri Lanka, em parceria com a John Keells Holdings.

30 Jun 2026

Património | Pedida instalação de equipamentos de combate a incêndios

O conselheiro Si Kun Hong pede também ao Governo para criar um arquivo digital sobre o património classificado, para permitir a reconstrução em caso de acidentes com impactos significativos

 

O membro do Conselho do Património Cultural, Si Kun Hong, considera que o Governo deve promover a instalação de equipamentos de combate a incêndios dentro dos edifícios protegidos. A posição foi tomada em declarações ao jornal Ou Mun, depois de o Instituto Cultural (IC) ter confirmado que o incêndio da semana passada num edifício protegido na Avenida de Almeida Ribeiro não resultou em danos estruturais.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o também engenheiro avisou que existem várias complicações no combate a incêndios e nas respostas a emergências nos bairros antigos, devido à reduzida largura das vias que dificultam o acesso. Além disso, a situação exige maiores cuidados porque são zonas com uma elevada densidade populacional.

O conselheiro considera assim que é necessário reforçar a capacidade de prevenção contra riscos, com a instalação de equipamentos mais modernos de deteção e combate automático, mas também a criação atempada de rotas de resgate. Para o engenheiro, o simples “combate” às chamas no local pelos bombeiros pode ser insuficiente para garantir a segurança de pessoas e estruturas.

Por esta razão, Si Kun Hong defende que deve ser estabelecido um mecanismo conjunto de prevenção contra incêndios em bairros antigos, que envolva o Corpo de Bombeiros, mas também as Obras Públicas, o Instituto Cultural e a empresa responsável pela instalação da electricidade. Este mecanismo deveria ter como funções a realização de inspecções regulares, para identificar riscos e sugerir medidas para colmatar as falhas.

Além de inspecções, Si Kun Hong sugeriu a realização de exercícios interdepartamentais que simulem situações de incêndios em bairros antigos, para assegurar que as vias de emergência são mantidas sem obstáculos.

Corrigir à mão

Por outro lado, o conselheiro defendeu que o Governo deve criar arquivos digitais sobre os edifícios protegidos, ao registar digitalmente a fachada, os elementos decorativos e as características espaciais. Este registo é tido como a “última linha de defesa para a preservação do património cultural” e será utilizado para permitir a reconstrução segundo o aspecto anterior, em caso de destruição

Por seu turno, a vice-presidente da Associação dos Jovens de Povo, ligada à Aliança do Povo de Instituição de Macau, Ng Wan Hei, considerou que o incêndio da semana passada expôs um “ângulo morto” da fiscalização. Segundo a responsável, o IC não conseguiu inspecionar as tubagens de água e electricidade do edifício para reduzir os riscos de segurança, dado que o património é privado.

Por isso, Ng apelou às autoridades para reforçarem a divulgação e persuasão para os proprietários dos imóveis classificados fazerem as inspecções a tubagens de água e electricidade.

30 Jun 2026

Mundial | Lam Lon Wai quer combate intenso às apostas ilegais

Os casos de jogo ilegal aumentaram em Macau mais de vinte vezes desde 2023. O deputado da FAOM pede mais atenção ao Campeonato Mundial de Futebol e avisa que pode levar a uma nova vaga de apostas ilegais

 

O deputado Lam Lon Wai defendeu a necessidade das autoridades intensificarem o combate às apostas ilegais. O assunto foi abordado pelo legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), através de uma interpelação escrita, numa altura em que decorre o Campeonato Mundial de Futebol.

Segundo Lam, nos “últimos anos” o número de casos de “jogo ilegal em Macau aumentou significativamente”, uma tendência que antevê que vai continuar a verificar-se “tendo em conta o eventual aumento das apostas clandestinas durante o Mundial de Futebol”.

Devido a estes receios, Lam Lon Wai pede às autoridades para reforçarem “a cooperação policial transfronteiriça, a partilha de informações e a utilização de meios tecnológicos de investigação”. O objectivo passa por “aumentar a eficácia da prevenção e do combate às apostas clandestinas online e aos crimes com ele relacionados”, que muitas vezes implicam diferentes jurisdições.

O deputado considera ainda que só combater o crime não chega, e elogia o Governo pelas “campanhas nos bairros comunitários, palestras em escolas e educação sobre prevenção criminal” sobre este tipo de crimes.

No entanto, o legislador acredita que é possível fazer mais e pede que o Executivo, em cooperação com as associações desportivas, escolas, organizações juvenis e concessionárias de jogo, aposte mais na prevenção. O deputado da FAOM sugere a realização de actividades como “simulacro de casos”, “acções de divulgação jurídica sobre o Mundial de Futebol ou outros grandes eventos desportivos” e “educação sobre a cibersegurança” com os mais jovens.

Apostas ilegais a aumentar

Lam Lon Wai cita dados oficiais que mostram que os casos de jogo ilegal têm subido desde 2023: “Segundo dados divulgados pela área da Segurança, em 2023 registaram-se apenas 28 casos de jogo ilegal em Macau, número que, em 2024, aumentou para 137, portanto, um aumento anual de 389,3 por cento; e, em 2025, para 570, mais 316,1 por cento em comparação com o ano de 2024”, é apontado. “Os dados dos últimos anos revelam que o jogo ilegal continua a merecer uma elevada atenção da sociedade”, vincou.

O legislador pede também mais atenção aos eventos desportivos, por levarem a um pico de apostas ilegais. “No passado, quando se realizavam jogos de futebol de grande envergadura, nas regiões vizinhas, registava-se sempre um aumento notório de actividades de jogo ilegal, o que demonstra que muitas vezes os grandes eventos desportivos acabam por constituir períodos de pico para as apostas clandestinas”, justificou.

Além de envolver problemas de segurança pública, isto também gera facilmente uma cadeia de riscos para, entre outros, a usura, fraudes, branqueamento de capitais e problemas familiares”, considerou.

30 Jun 2026

Plano director | Macau terá 37 quilómetros quadrados até 2040

Começou ontem a consulta pública da primeira alteração ao Plano Director da RAEM. No documento de consulta lê-se que Macau terá, até 2040, uma área total de 37 quilómetros quadrados, que vai incluir 18 áreas de planeamento

 

Macau terá, até 2040, uma área total de 37 quilómetros quadrados, enquanto que o Plano Director da RAEM irá abranger, por essa altura, uma área de 36,96 quilómetros quadrados, tendo em conta o desenvolvimento da Zona D dos Novos Aterros, a expansão do Aeroporto Internacional de Macau e a construção de mais zonas de aterro na área costeira.

Estes dados constam no documento de consulta pública sobre a primeira alteração ao Plano Director da RAEM, que começou ontem e que decorre até ao dia 27 de Agosto. Ontem realizou-se uma sessão de esclarecimento destinada a deputados, dirigentes públicos e imprensa, onde o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, declarou que a nova proposta de Plano Director “incide, essencialmente, sobre duas vertentes”.

São elas as alterações feitas em articulação com projectos de grande envergadura que estão a ser planeados, como a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau, o Parque Ciên-Tec de Macau e o Hub (Porto) de Transporte Aéreo Internacional de Macau na margem oeste do Rio das Pérolas. O secretário falou ainda “das alterações decorrentes de outras actualizações face aos diplomas legais e regulamentares”, bem como “projectos e estudos publicados nos últimos anos”.

Novos arranjos

Além de serem propostas 18 zonas de planeamento como divisão territorial, a nova proposta do Plano Director traz novas classificações: as áreas terrestres e marítimas que ficam a sudeste do Posto Fronteiriço de Gongbei, em Zhuhai, passam a pertencer à Unidade Operativa de Planeamento e Gestão (UOPG) Norte-2. Actualmente não pertencem a nenhuma zona.

Por sua vez, a área do Posto Fronteiriço da parte de Macau do Posto Fronteiriço de Hengqin, bem como as áreas adjacentes, ficam integradas na chamada “Zona do Cotai”. Enquanto isso, a Zona A dos Novos Aterros Urbanos e a Zona de Administração de Macau na Ilha Fronteiriça Artificial da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau vão ser divididas nas UOPG Este-2 e Este-3.

Por sua vez, o Parque Industrial da Concórdia passa a integrar a UOPG de Coloane. Outra alteração prevista é na Zona C dos Novos Aterros Urbanos, actualmente com a classificação de zona habitacional e comercial, e que passa a ser zona de equipamentos de utilização colectiva. Já o terreno na Avenida Wai Long, pensado primeiro para acolher habitação pública, será agora reclassificado como zona industrial, integrando o futuro Parque Ciên-Tec de Macau.

Raymond Tam declarou que as alterações agora propostas ao Plano Director da RAEM pretendem “aperfeiçoar a estrutura física urbana e ajustar a finalidade dos solos”, com o objectivo de avançar para a diversificação das indústrias e promover o “desenvolvimento inovador e a interligação regional”.

A ideia é que Macau se possa articular “com as estratégias de desenvolvimento nacional, aproveitando melhor o posicionamento e as suas vantagens singulares”, além de elevar “a sua competitividade global”, destacou o secretário.

30 Jun 2026

Futebol | Clubes de Macau falham registo nas competições asiáticas

Os clubes de Macau voltaram a falhar, pelo terceiro ano, o licenciamento na Confederação Asiática de Futebol (AFC), confirmou à Lusa o Instituto de Desporto (ID). Nenhuma equipa de Macau consta na lista divulgada pela AFC, em 8 de Junho, para as competições asiáticas, incluindo a Liga Challenge, a terceira competição mais importante da região.

Numa resposta escrita às questões da Lusa, o ID disse que a Associação de Futebol de Macau apresentou à AFC “pedidos dos clubes de futebol de Macau para a licença do Grupo 3”, o nível mais baixo. “No entanto, como parte da documentação apresentada não cumpria integralmente os regulamentos de licenciamento da AFC, a licença 2026/27 não foi concedida”, explicou o ID.

De acordo com o portal da AFC na Internet, o licenciamento de um clube implica requerimentos mínimos para áreas como os cuidados médicos, os escalões de formação e o estádio. “A associação indicou que continuará em contacto com a AFC e auxiliará os clubes locais nos pedidos subsequentes e nas formalidades de licenciamento”, acrescentou o ID.

A Lusa perguntou à Associação de Futebol de Macau e à AFC quais os clubes que tinham pedido o licenciamento e quais as razões para terem sido rejeitadas, sem, no entanto, ter recebido qualquer resposta.

A equipa da MUST IPO venceu a edição de 2025 da Liga de Elite de Macau, com mais um ponto do que a maior surpresa da prova, o Shao Jiang, que estava a fazer a estreia no escalão principal do futebol no território.

A última vez que um clube de Macau participou nas competições asiáticas foi em 2023, quando o campeão Monte Carlo foi eliminado no play-off pelo Taichung Futuro, de Taiwan.

29 Jun 2026

Automobilismo | FIA reforçou presença em Macau olhando para o futuro

Na semana passada, Macau foi palco da Assembleia Geral Extraordinária e da Conferência Anual da Federação Internacional do Automóvel, encontros que terão contribuído para consolidar ainda mais a relação entre a FIA e o seu clube membro local, a Associação Geral de Automóvel de Macau-China

 

A edição deste ano da Assembleia Geral Extraordinária e da Conferência Anual da Federação Internacional do Automóvel (FIA), realizada em Macau, reuniu mais de 450 representantes de clubes membros provenientes de 149 países e regiões. A cerimónia de abertura, realizada a 23 de Junho, contou com a presença da Directora Substituta do Instituto do Desporto de Macau, Lei Sio Leng, em representação da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura. Durante a Conferência Anual foram aprovadas diversas medidas relacionadas com a segurança no desporto automóvel e debatidos temas como o desenvolvimento da modalidade, a segurança rodoviária e a mobilidade sustentável.

No plano desportivo, durante as reuniões do Conselho Mundial, a FIA destacou a aprovação das alterações regulamentares aos motores de Fórmula 1 para as temporadas de 2027 e 2028, a aprovação do novo regulamento técnico do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), o novo calendário do mundial de Fórmula E, assim como a votação favorável à eliminação dos limites de mandatos para os seus órgãos, incluindo a presidência da FIA.

Os membros da FIA aprovaram igualmente o Relatório e Contas Anuais de 2025, confirmando a contínua transformação da federação. No exercício de 2025, o organismo registou um lucro operacional de cerca de 61 milhões de patacas, representando um aumento de 43 por cento face ao ano anterior e uma recuperação financeira significativa relativamente ao prejuízo operacional de 221 milhões de patacas registado em 2021.

A FIA aproveitou também para realçar que a sua estrutura internacional, com a abertura de um escritório em Londres em 2025 e o aumento do número de colaboradores permanentes para 308, mais 14 por cento do que no ano anterior.

Foi ainda confirmado que a Assembleia Geral Anual da FIA de 2026 terá lugar em Xangai, no dia 12 de Dezembro, organizada pela Federação Chinesa de Automobilismo e Motociclismo (CAMF) e pela Administração do Desporto de Xangai. Já a Assembleia Geral Extraordinária da FIA de 2027, como anteriormente anunciado, decorrerá novamente em Macau, em Junho de 2027, sob organização da Associação Geral de Automóvel de Macau-China (AAMC). O Galaxy International Convention Center, integrado no complexo Galaxy Macau, será o local anfitrião da Conferência da FIA.

Elogios aos anfitriões

Durante a sua estadia, Mohammed Ben Sulayem visitou o Kartódromo de Coloane, onde conheceu os programas de formação de jovens pilotos e de oficiais de prova do Grande Prémio de Macau, considerando que a RAEM reúne condições para se afirmar como um centro internacional de formação.

A pensar no futuro, 180 estudantes de Macau, com idades entre os 6 e os 16 anos, participaram na Conferência Anual, onde conheceram a diversidade de oportunidades e carreiras disponíveis no desporto automóvel e na mobilidade.

Chong Coc Veng, Presidente da AAMC, explicou que na associação “estamos empenhados em garantir que os jovens tenham oportunidade de crescer e desenvolver-se. Macau é um território com excelentes futuros profissionais e, através da nossa parceria com a FIA, esta iniciativa ajuda a inspirar a próxima geração, dando a conhecer a diversidade e o entusiasmo das oportunidades de carreira no desporto automóvel e na mobilidade.”

Os delegados tiveram igualmente oportunidade de visitar o Kartódromo de Coloane, desenhado pelo arquitecto Carlos Couto no final da década de 1990, ficando a conhecer o trabalho desenvolvido por Macau na promoção do automobilismo de base e do karting. Houve ainda uma troca de experiências sobre a organização de provas de Fórmula 4, tendo a FIA defendido a importância de aproximar o automobilismo dos estudantes e incentivar os jovens a iniciar-se na modalidade.

No final da visita, o Presidente da FIA elogiou a capacidade organizativa e a hospitalidade de Macau, afirmando que todos os participantes tiveram uma experiência positiva na cidade. Mohammed Ben Sulayem destacou ainda a longa tradição automobilística do território e o ambiente único vivido durante os eventos, descrevendo Macau como uma “cidade do automobilismo”, realçando o seu dinamismo e a arte de bem receber dos seus habitantes.

Venham as corridas

Para a FIA, em termos desportivos, Macau assume particular importância na segunda metade do calendário de 2026. O Campeonato FIA Ásia-Pacífico de Karting “Arrive & Drive”, uma das mais recentes apostas da FIA para promover a formação de jovens pilotos, decorrerá entre 11 e 13 de Setembro no Kartódromo de Coloane.

Já a 73.ª edição do Grande Prémio de Macau está agendada para 19 a 22 de Novembro, com o Circuito da Guia a receber diversas competições internacionais, entre as quais a Taça do Mundo FIA de Fórmula Regional, a Taça do Mundo FIA GT de Macau, a Taça do Mundo FIA de Fórmula 4 e ainda a última prova do calendário do Kumho FIA TCR World Tour.

29 Jun 2026

Hotelaria | Palácio 13 com funcionamento experimental

O Palácio 13, empreendimento hoteleiro que nasceu do antigo Hotel 13, abriu portas no sábado ainda de forma experimental, noticiou o jornal Ou Mun. Lui Ka Hei, administrador-executivo do hotel, disse que a gerência optou por uma abertura de forma experimental para garantir a qualidade dos serviços prestados.

Nesta fase, disse o responsável, o foco não está em conseguir uma elevada taxa de ocupação, mas sim garantir a qualidade e estabelecer a reputação da marca. Lui Ka Hei assegurou que o Palácio 13 vai ser divulgado através das redes sociais, plataformas de turismo e meios de comunicação social para que mais turistas conheçam o hotel.

Por outro lado, ficou feita a promessa de que o salão de banquetes e demais espaços de grande dimensão do Palácio 13 serão utilizados para a realização de eventos corporativos, casamentos e conferências.

Hotéis com quebra anual de hóspedes

Os hotéis de Macau receberam em Maio, 1.174.000 de hóspedes, um decréscimo de 4,5 por cento, em termos anuais, anunciou na sexta-feira a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

O número de hóspedes da China continental (847.000) e de Hong Kong (148.000) diminuíram 6,2 por cento e 8,6 por cento, respectivamente, lê-se num comunicado da DSEC, que refere ainda que o número de hóspedes internacionais (117.000) aumentou 16,1 por cento no mês em análise.

No final de Maio, Macau contava com 147 estabelecimentos hoteleiros, o mesmo número do que no mesmo período do ano passado, e disponibilizava quase 45 mil quartos (-0,5 por cento), ainda de acordo com os dados divulgados pela DSEC.

A taxa de ocupação média dos estabelecimentos hoteleiros, em Maio, fixou-se em 89,8 por cento, subindo 1,8 pontos percentuais, em termos anuais, indica-se no comunicado. Nos cinco primeiros meses do ano, refere ainda a DSEC, os estabelecimentos hoteleiros hospedaram 6,02 milhões pessoas, ou mais 0,3 por cento em relação a igual período do ano passado.

Em 2025, os estabelecimentos hoteleiros de Macau fixaram um novo recorde de hóspedes, com quase 14,6 milhões, mais 1 por cento do que o anterior máximo, atingido no ano anterior.

29 Jun 2026

Droga | Mais de 400 pessoas pediram ajuda para desintoxicação em 2025

No ano passado, 46 pessoas pediram ajuda pela primeira vez devido ao consumo de drogas, num total de mais de quatro centenas. Os dados constam do relatório anual do Sistema do Registo Central dos Toxicodependentes

 

Um total de 418 pessoas procuraram apoio para desintoxicação em 2025 – incluindo 46 novos casos – uma diminuição de 30 por cento face ao ano anterior, de acordo com um relatório das autoridades de Macau.

“De um modo geral, o número de pedidos de apoio para desintoxicação tem-se mantido estável nos últimos anos,” afirmou na quinta-feira o Instituto de Acção Social (IAS) em comunicado, citado no relatório anual do Sistema do Registo Central dos Toxicodependentes, divulgado na véspera do Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, celebrado na sexta-feira.

De acordo com a Lei de Combate à Droga, quem consumir ilicitamente estupefacientes, como cetamina, ecstasy, cocaína, heroína, canábis, entre outros, é punido com pena de prisão de três meses a um ano ou com pena de multa de 60 a 240 dias por consumo ilícito de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas.

Segundo o relatório, em 2025, o número total de consumidores de droga registados em Macau foi de 132, uma diminuição de 10,8 por cento relativamente a 2024, dos quais dois eram jovens com menos de 21 anos.

“Comparando com os últimos cinco anos, a situação geral da toxicodependência mantém-se num nível relativamente baixo, sendo a metanfetamina a droga principalmente consumida, persistindo, contudo, de forma significativa, o problema da ocultação do consumo de drogas”, acrescentou.

Mais tráfico e consumo

Dados separados da Polícia Judiciária (PJ) de Macau mostram que houve 63 casos de tráfico de droga (+12) em 2025, o que representa um aumento de 23 por cento em termos homólogos. No mesmo período, os casos de consumo de droga também aumentaram mais de 60 por cento, para 29 casos.

“Novas drogas estão constantemente a surgir e os métodos dos traficantes estão cada vez mais dissimulados, representando uma ameaça e um perigo cada vez maiores para os jovens,” afirmou o director da PJ, Sit Chong Meng, numa campanha antidroga na terça-feira.

A PJ lançou este ano um programa antidroga nas escolas, tendo recrutado 20 alunos de 11 escolas, “formados para serem embaixadores na promoção do combate às drogas”.

Por outro lado, o IAS tem vindo a implementar, desde 2000, um programa de educação para a prevenção da toxicodependência, com um plano de estudos que abrange desde o jardim de infância até ao 11º ano e que abrange mais de 80 por cento das escolas de Macau.

A Lusa questionou a PJ sobre o valor total das drogas apreendidas em 2025 e sobre dados relativos ao número de estudantes consumidores de drogas, mas até ao momento, não recebeu respostas.

29 Jun 2026

IAM | Primeiros pandas nascidos em Macau deixam região em Outubro

Com o envio para o Interior dos gémeos Jian Jian e Kang Kang, ou Hoi Hoi e Sam Sam em cantonês, o Pavilhão do Panda Gigante vai ficar reduzido a dois pandas. Apesar das saídas, não há planos para o envio de mais pandas para Macau

 

O Governo anunciou que os primeiros pandas gigantes nascidos em Macau, os gémeos Jian Jian e Kang Kang, irão partir em Outubro para a China continental. O anúncio foi feito pelo presidente do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), Chao Wai Ieng, durante a festa do 10º aniversário dos pandas gémeos, para a qual foram convidados dez estudantes de 10 anos.

Num discurso, Chao disse que os gémeos irão partir para a Base de Estudo de Procriação dos Pandas Gigantes de Chengdu, no sudoeste da China, “para iniciarem a próxima fase de aprendizagem e crescimento”. De acordo com um comunicado do IAM, Chao recordou que tem sido esta instituição a ajudar Macau a cuidar de Jian Jian e Kang Kang, que agora “entram na idade adulta”.

Segundo o Fundo Mundial para a Natureza, os pandas gigantes geralmente são considerados adultos a partir dos 4 anos, atingem a maturidade sexual por volta dos 6 anos e podem viver até 30 anos em cativeiro. Em Chengdu, os gémeos nascidos em Macau “vão aprender a adaptar-se ao ambiente natural num espaço mais vasto e experimentar uma vida natural mais rica”, acrescentou Chao.

A decisão “reflecte a grande importância atribuída pelo país à protecção dos animais raros” e a filosofia de “respeitar a Natureza, adaptar-se à Natureza e proteger a Natureza”, disse o presidente do IAM. Apesar de estar emocionada, a chefe da Divisão de Conservação da Natureza do IAM, Mok Weng Han, que cuida de Jian Jian e Kang Kang, sublinhou que “são como crianças, estão a crescer e queremos que saiam e aprendam mais”.

Jian Jian e Kang Kang são chamados em cantonês Hoi Hoi e Sam Sam. Os dois nomes em conjunto significam felicidade.

O Estado manda

Já o chefe da Divisão de Estudos de Protecção da Natureza do IAM, Chan Hoi Fong, admitiu à imprensa local que “ainda não há planos” sobre um eventual regresso dos gémeos e sublinhou que “todos os pandas gigantes estão sob a gestão do Estado”.

O IAM disse aos jornalistas que também não há planos para o envio de mais pandas para Macau e revelou que irá aproveitar a partida de Jian Jian e Kang Kang para realizar obras no Pavilhão do Panda Gigante.

O pavilhão, situado no parque de Seac Pai Van, em Coloane, é formado por dois espaços interiores de 330 metros quadrados – destinados às actividades do panda – e um jardim exterior de 600 metros quadrados.
Nascidos a 26 de Junho de 2016, os gémeos, ambos do sexo masculino, são filhos de Kai Kai e Xin Xin, o segundo casal de pandas gigantes oferecido pela China a Macau em 2015.

Os nomes dos gémeos, Jian Jian e Kang Kang, ditos em conjunto significam “saúde”, tanto em cantonês como em mandarim. Os nomes foram escolhidos pelo então líder do Governo, Fernando Chui Sai On, a partir de uma lista de nomes sugeridos pelos residentes de Macau.

29 Jun 2026

APEC | Sam Hou Fai destacou papel da RAEM na ligação ao Ocidente

No discurso de boas-vindas da reunião ministerial da Cooperação Económica Ásia-Pacífico, o Chefe do Executivo destacou a importância histórica de Macau e apelou a novas formas de cooperação

 

O papel de Macau ao longo da história enquanto elo de ligação entre o Oriente e o Ocidente foi um dos principais destaques de Sam Hou Fai, durante o discurso no jantar de boas-vindas da 13ª Reunião Ministerial do Turismo da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC).

Diante dos convidados, o Chefe do Executivo começou com poesia: “‘De todos os portos de acesso a Cantão, o que mais floresce é o de Macau’, diz um poema chinês, como testemunho vívido do papel histórico de Macau enquanto um centro importante de intercâmbio comercial entre o Oriente e o Ocidente”, afirmou. “É esta pequena cidade do oriente, com apenas cerca de 33 quilómetros quadrados e uma população inferior a 700 mil habitantes, que continuamente se constrói numa sedimentação cultural do Oriente e do Ocidente”, realçou, antes de pedir aos convidados para explorarem novas formas de cooperação.

Sam Hou Fai defendeu ainda que a RAEM “incorpora o espírito de reforma, abertura, pragmatismo e perseverança” e que transmite “um legado de património mundial marcado pela cooperação e concertação, que se estende por toda a cidade”. O dirigente máximo da RAEM considerou igualmente que “em diferentes períodos históricos, Macau sempre desempenhou um papel importante no fomento do intercâmbio entre o Oriente e o Ocidente”.

Sam Hou Fai não esqueceu a última vez que Macau recebeu o evento: “A realização, mais uma vez, em Macau, da Reunião Ministerial do Turismo da APEC, após um intervalo de doze anos, portanto desde 2014, reveste-se de especial significado para nós. É uma grande honra o Governo da RAEM acolher novamente este importante evento internacional, o que demonstra, na íntegra, a profunda confiança e o firme apoio do Governo Central à RAEM”, vincou.

A reunião deste ano teve como tema “Inovação Digital, Empoderamento Colaborativo: Alavancando o Turismo para uma Comunidade da Ásia-Pacífico”, e ficou marcada pelo cancelamento da conferência de imprensa final com a apresentação dos resultados do fim-de-semana de reuniões.

Encontros à margem

Antes do jantar, o Chefe do Executivo recebeu o director-executivo do Secretariado da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), Eduardo Navarro Pedrosa. Durante a reunião, Sam Hou Fai mostrou abertura para que “as economias-membro da APEC aproveitem plenamente a função de plataforma de Macau e aproveitem a oportunidade gerada pelo desenvolvimento de Macau e da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”.

O líder do Governo pediu também que as economias-membro da APEC “usufruam das vantagens integradas de Macau e Hengqin e transformem ambas num ‘elo de ligação’ e ‘trampolim’ para aceder à Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e ao mercado do Interior da China”.

Por sua vez, Eduardo Pedrosa destacou que a RAEM possui uma forte atractividade e um encanto específico nos domínios do turismo, gastronomia, indústria de convenções e exposições.

A APEC é um bloco económico formado por 21 membros fundada em 1993 com o objectivo de criar uma área de livre-comércio. Entre os membros constam a China, Hong Kong e os Estados Unidos, que estiveram ausentes do encontro no território. Apesar de ser o anfitrião, Macau não integra este bloco.

29 Jun 2026

Sismos na Venezuela fizeram mais de 160 mortos, com projecções a apontar para milhares

Foto: DR

Os dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter que atingiram ontem a região central da Venezuela fizeram pelo menos 164 mortes e 971 feridos, no último balanço feito pelas autoridades antes do fecho desta edição. Porém, projecções apontam para a possibilidade de largos milhares de mortos.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima, no entanto, com base em modelos informáticos, entre 10 mil e 100 mil mortes.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez disse que La Guaira terá sido a região mais afectada e declarou o estado, situado no norte do país sul-americano, perto da capital, como uma “zona de desastre”. “Podemos dizer que o estado de La Guaira enfrenta uma verdadeira tragédia e tornou-se uma zona de catástrofe”, enfatizou.

Rodríguez admitiu, num primeiro balanço, que eram esperadas mais vítimas mortais, à medida que decorrem os esforços de resgate e salvamento, após os dois sismos de magnitude superior a 7 na escala de Richter, com apenas 39 segundos de intervalo. Os dois abalos foram registados na Venezuela pelas 18h de quarta-feira (06h de ontem em Macau).

O USGS, que monitoriza a actividade sísmica em todo o mundo, calculou uma probabilidade de 42 por cento de que o número de mortos se situe entre as 10 mil e as 100 mil vítimas mortais; a possibilidade de 33 por cento de entre mil e 10 mil mortes e uma hipótese que indica 17 por cento de mais de 100 mil mortes.

Para realizar as estimativas, o USGS tem em conta variáveis como a densidade populacional local e as características dos edifícios. “Em geral, a população desta região vive em edifícios vulneráveis a sismos, embora também existam estruturas resistentes a sismos. Os tipos mais comuns de edifícios vulneráveis são estruturas de tijolo, alvenaria não reforçada e de blocos de adobe”, destacou a agência.

Vinte réplicas

O USGS estimou ainda as perdas económicas resultantes dos sismos, calculando — com base nos dados actuais — que podem variar entre 1 a 7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o primeiro sismo, de magnitude 7,2, atingiu a costa da Venezuela a oeste de Morón, a cerca de 168 quilómetros de Caracas, com uma profundidade de 22 quilómetros, noticia a Associated Press (AP). Menos de um minuto depois, USGS registou um sismo de magnitude 7,5. Este segundo abalo teve uma profundidade de 10 quilómetros e epicentro a 16 quilómetros a sudoeste de Morón.

Foram depois registadas cerca de 20 réplicas, ainda segundo o USGS, que descreveu a situação como “uma catástrofe que se espera ser de magnitude considerável”.

O sismo de magnitude 7,5 que atingiu a Venezuela foi o mais forte registado no país em mais de um século, indicam os dados avançados ontem pelo USGS. Um terramoto de magnitude estimada em 7,7 na costa do país, a nordeste de Caracas, foi registado a 29 de outubro de 1900, tendo causado “danos consideráveis”, lembrou o Serviço Geológico dos EUA.

Venezuela | Portugal vai enviar 50 elementos de protecção civil

Portugal colocou à disposição da Venezuela, que aceitou, uma equipa de proteção civil de emergência de 50 elementos para ajudar nas operações no país após os dois sismos de ontem, anunciou o primeiro-ministro.

Luís Montenegro fez este anúncio através da rede social X, depois de ter falado telefonicamente com a Presidente venezuelana, Delcy Rodriguez. “Portugal está disponível para ajudar a Venezuela quando, onde e da forma que o Governo venezuelano entenda útil. Pusemos desde já à disposição imediata uma equipa de protecção civil de emergência de 50 elementos, o que a Presidente Delcy Rodriguez prontamente agradeceu e aceitou”, afirmou.

No telefonema, o primeiro-ministro português disse ter transmitido à Presidente da Venezuela “plena solidariedade dos portugueses para com o povo e o Governo da Venezuela, perante esta tragédia” e condolências pelas vidas perdidas. “Participaremos no apoio conjunto da União Europeia, através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, cuja ajuda a Venezuela já solicitou”, referiu.

Montenegro assegurou ainda que a Embaixada portuguesa em Caracas e rede consular “está mobilizada para apoiar a enorme comunidade portuguesa na Venezuela”, “A Venezuela tem canal aberto com Portugal, para apoio no plano bilateral e da União Europeia. A Venezuela conta com Portugal na reacção e na recuperação desta catástrofe natural”, disse.

Cinco portugueses, quatro dos quais da mesma família, estavam ontem desaparecidos em La Guaira, na Venezuela, onde dois sismos causaram na quarta-feira dezenas de mortos e centenas de feridos, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português.

26 Jun 2026

Casas de Macau | Dificuldades financeiras e demográficas discutidas

Na conferência online “Os últimos 30 anos da Diáspora Macaense: evolução e desafios”, que reuniu na quarta-feira Casas de Macau espalhadas pelo mundo, foram apontados desafios como o financiamento e a importância da preservação da cultura macaense

 

A Fundação Casa de Macau (FCM) celebra 30 anos de existência e, a pensar na efeméride, organizou na quarta-feira um debate online intitulado “Os últimos 30 anos da Diáspora Macaense: evolução e desafios”, que juntou dirigentes da Casa de Macau espalhadas pelo mundo.

Foram apontados problemas comuns nestas instituições, apesar da distância geográfica: comunidade envelhecida, ausência de novos sócios, desafios na preservação da cultura macaense e ainda dificuldades na obtenção de financiamento.

José Cordeiro, presidente da associação Amigu di Macau Arts & Culture, disse que “poderá ser útil promover uma maior articulação entre instituições da diáspora e entidades de Macau, permitindo definir objectivos comuns”. O responsável refere-se ao Conselho das Comunidades Macaenses (CCM), que volta a reunir-se no próximo ano, ou ainda o Instituto Internacional de Macau.

O responsável salientou a importância da “coordenação de iniciativas orientadas para a preservação do património cultural macaense”, sendo que, “de entre as prioridades identificadas, destacam-se a valorização da gastronomia macaense e a preservação do patuá, dois dos elementos mais distintivos da nossa identidade colectiva e que merecem especial atenção nas estratégias futuras”.

José Cordeiro referiu também a necessidade de olhar “a evolução demográfica das associações e a atracção de novas gerações”. Júlia Carion, presidente da Casa de Macau no Rio de Janeiro, sublinhou “a redução gradual do número de descendentes” de macaenses. “Antigamente as pessoas tinham quatro, cinco, seis filhos, e hoje essa realidade mudou” o que “fez com que haja uma diminuição da participação associativa”, afirmou.

No tocante à questão financeira, Júlia Carion destacou que há muitos eventos não pagos, além de que não recebem subsídios, “a não ser o investimento dos próprios associados que pagam uma mensalidade simbólica”. Montante que “não cobre todas as despesas fixas e outras que a casa tenha, então temos limitações financeiras”.

Por esse motivo, a Casa de Macau no Rio de Janeiro “não consegue aumentar o número de eventos”, existindo “essa grande necessidade de reconstrução dos vínculos após a reabertura da Casa”, no contexto pós-pandemia.

No caso de Armando Santos, vice-presidente da Casa de Macau em Vancouver, disse que o objectivo é “manter o espírito macaense vivo, seja através das aulas de português, seja através do patuá, algo que não é fácil continuar”. É também feita uma aposta na gastronomia macaense, nomeadamente com aulas oferecidas aos sócios.

“Cerca de 70 por cento dos nossos sócios têm 50 ou mais anos, e como podem ver, não é fácil atrair membros mais jovens, mas fazemos os possíveis: com eventos ou música, porque precisamos deles para levar a Casa de Macau para a frente”, declarou.

Conselho, as expectativas

José Cordeiro referiu também as expectativas que deposita na realização de um novo encontro do CCM, que representa, para si, “uma das maiores e mais importantes estruturas de ligação entre Macau e a diáspora”.

“Poderá ser oportuno reflectir sobre o seu papel futuro e a possibilidade de reforçar a sua intervenção em áreas estratégicas relacionadas com a preservação cultural, o envolvimento das novas gerações e o fortalecimento das relações entre as instituições da diáspora, e não apenas em encontros.”

Além disso, o dirigente declarou que “a evolução das comunidades macaenses e os desafios actuais justificam uma reflexão abrangente sobre os mecanismos de funcionamento e representatividade do Conselho”. O objectivo seria “assegurar que continua a responder eficazmente às necessidades e expectativas da comunidade macaense global”.

Para o encontro de 2027, José Cordeiro pede o reforço “da presença de elementos que constituem referências da identidade da cultura macaense, nomeadamente a gastronomia e o patuá, frequentemente apontados como patrimónios únicos e distintivos da nossa comunidade”.

26 Jun 2026

Renovação Urbana | Associação pede entrada de privados

A Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau quer que o Executivo permita a entrada de empresas privadas na Renovação Urbana. O vice-presidente Chris Wong Sai Fat sugere também construção em altura para financiar a reconstrução dos prédios

 

A Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau defende que o Governo deve distribuir mais incentivos à renovação urbana, ao agilizar procedimentos e permitir a entrada dos privados neste mercado. A posição foi tomada pelo vice-presidente executivo da associação, Chris Wong Sai Fat, em declarações ao jornal Ou Mun.

Actualmente, as obras de renovação de um prédio podem ser realizadas se tiverem o apoio de 80 por cento dos proprietários. O responsável destacou que o número é positivo, dado que não há muito tempo o apoio necessário era mais elevado. No entanto, Chris Wong entende que há margem para reduzir ainda mais o critério, como se faz nas regiões vizinhas. A alteração é tida como mais importante para prédios com mais de 40 anos, e que vão precisar de ser renovados mais depressa.

Ao mesmo tempo, Wong afirmou que para promover a renovação urbana, o Governo deve permitir uma maior utilização do solo e construções mais altas. O dirigente entende que desta forma é possível construir novas habitações nos prédios reconstruidos. Estas fracções autónomas podem depois ser vendidas para reduzir o investimento feito pelos proprietários do prédio, permitindo que mais gente pague o investimento da obra.

Segundo o modelo actual da renovação urbana, o processo está a cargo da Macau Renovação Urbana, empresa com capitais da RAEM. Chris Wong defende que o Governo deve promover a entrada dos privados neste processo.

Segundo o dirigente, como a Macau Renovação Urbana é uma empresa com capitais públicos, o seu envolvimento é susceptível de levantar várias dúvidas sobre a utilização eficaz do erário público, e reduzir a velocidade do processo. Nesta lógica, a introdução das empresas privadas no mercado é encarada como forma de acelerar os trabalhos.

Rendas a baixar

Nas declarações prestadas ao jornal Ou Mun, o vice-presidente executivo da Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau abordou ainda a situação do mercado do arrendamento de lojas. Segundo os dados mais recentes da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), as rendas tiveram uma redução trimestral de 1,2 por cento e anual de 3,4 por cento.

Todavia, o território continua a apresentar uma economia a duas velocidades, dado que em locais como a zona central, o Patane e junto das Ruínas de São Paulo as rendas das lojas apresentaram um crescimento entre 1,9 e 27,2 por cento. No pólo oposto, na zona do San Kio as rendas caíram 19,7 por cento em três anos.

Chris Wong apontou que o valor das rendas de lojas em locais como a Pérola Oriental e no centro da Taipa têm mostrado uma redução mais ligeira, porque são áreas com mais pessoas, logo mais clientes, o que permite sustentar o comércio local.

No entanto, o dirigente explicou que nos bairros antigos, como o San Kio e a Praia do Manduco, as rendas são mais baixas, devido à maior concentração de prédios antigos. Os moradores com mais idade optam assim por procurar casas com melhores condições e com elevadores, e alugam as habitações a trabalhadores não-residentes do Sudeste Asiático. Como estes têm menor capacidade de consumo, as rendas das lojas acabam por ser mais baixas.

26 Jun 2026

Take-away | Leong Pou U defende protecção laboral de condutores

Leong Pou U defendeu ontem uma maior protecção para condutores que trabalham para aplicações de distribuição de comida, dado que “a actual legislação laboral dificilmente consegue proteger de forma eficaz os direitos laborais dos trabalhadores”.

O deputado pede que o Governo faça “uma análise abrangente da situação actual da protecção dos direitos laborais dos trabalhadores de plataformas, reforçando a salvaguarda dos seus direitos e colmatando as lacunas existentes”.

Leong Pou U destacou ainda que estes trabalhadores “não são incluídos no sistema de garantia de segurança ocupacional devido à condição laboral ambígua, enfrentando riscos por causa do trânsito, condições meteorológicas extremas e carga de trabalho pesada”. Assim, pede que sejam “clarificadas as responsabilidades das plataformas”, para que “assumam directamente a responsabilidade de pagamento do seguro por acidentes de trabalho”.

26 Jun 2026

APEC | Delegação dos EUA ausente por “restrições consulares”

A revelação foi feita no dia em que arrancaram os encontros da APEC em Macau. As autoridades norte-americanas consideram que os seus diplomatas não deveriam precisar de vistos para entrar na RAEM em “situações de emergência”

Os Estados Unidos da América (EUA) não vão enviar representantes a uma reunião ministerial que decorre esta semana em Macau, devido a restrições impostas à capacidade de prestar assistência consular de emergência a cidadãos norte-americanos no território.

A 13ª Reunião Ministerial do Turismo da Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (APEC, na sigla em inglês) e a 67ª Reunião do Grupo de Trabalho de Turismo da APEC estão a realizar-se em Macau desde quarta-feira e prolongam-se até domingo.

Em comunicado divulgado na quarta-feira, o Departamento de Estado sublinhou que “a segurança dos norte-americanos é uma prioridade” da Administração Trump e recordou que Washington mantém um aviso de viagem de nível 3 para o território, por “limitações impostas às equipas do Consulado-Geral em Hong Kong e Macau”.

O Governo dos EUA indicou anteriormente ter uma capacidade limitada para prestar serviços de emergência a cidadãos norte-americanos na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) devido às restrições de viagem impostas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China (RPC) ao pessoal diplomático norte-americano.

“Mesmo em situações de emergência, o Ministério exige que todo o pessoal diplomático dos EUA, incluindo os acreditados junto da RAEM, solicite e obtenha vistos antes de entrar no território”, destacaram as autoridades norte-americanas. “A aprovação demora pelo menos cinco a sete dias, limitando de forma significativa a capacidade de oferecer serviços consulares atempados”, acrescentaram.

Amor com amor se paga

Washington afirmou ter pedido repetidamente à China que levantasse os requisitos de visto “arbitrários e direccionados”. Uma solução, proposta quando Pequim decidiu acolher uma reunião da APEC dedicada ao turismo, foi rejeitada, acrescentou o Departamento de Estado norte-americano.

“Como questão de princípio, os Estados Unidos não enviarão participantes de alto nível a uma reunião ministerial que promove o turismo num local onde os diplomatas norte-americanos não podem prestar serviços de emergência a turistas em necessidade”, declarou o Departamento de Estado.

A decisão reflecte o impasse nas relações bilaterais, apesar das tentativas de Washington e Pequim de construir uma relação “de estabilidade estratégica” baseada na reciprocidade, segundo a nota oficial.
Devido a estas limitações em prestar serviços de emergência, Macau possui actualmente um alerta de viagem do mesmo nível que o aplicado ao Interior da China, e mais elevado do que Hong Kong, que detém um alerta de nível 2 imposto pelas autoridades norte-americanas.

A APEC é um bloco económico formado por 21 membros fundada em 1993 com o objectivo de criar uma área de livre-comércio entre seus membros. Tem como membros os Estados Unidos, China, Hong Kong, mas não Macau.
Segundo a organização, mais de 200 dirigentes vão reunir-se em Macau para dialogar sobre as experiências de desenvolvimento sustentável de turismo, bem como, traçar novos caminhos a explorar em cooperações turísticas da Ásia-Pacífico.

26 Jun 2026