MGM China | Receitas com ligeira quebra no segundo trimestre

O impacto do Campeonato Mundial de Futebol foi apontado pelos responsáveis da empresa como um factor que afectou negativamente as receitas da concessionária do jogo

Entre Abril e Junho, as receitas da concessionária MGM China apresentaram uma redução anual de 0,5 por cento, para 8,63 mil milhões de dólares de Hong Kong, quando no período homólogo tinham atingido 8,67 mil milhões de dólares de Hong Kong. Os resultados foram anunciados ontem, num comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong.

Os dados disponibilizados mostram que os dois hotéis-casinos da concessionária tiveram menos receitas no período em análise. No caso do hotel-casino MGM Macau, registou-se uma redução para 3,35 mil milhões de dólares de Hong Kong, quando no período homólogo as receitas deste espaço tinham sido de 3,38 mil milhões de dólares de Hong Kong. O MGM Cotai continua a ser o espaço que produz mais receitas para a concessionária, com cerca de 5,27 mil milhões de dólares de Hong Kong. Todavia, este espaço também apresentou uma redução anual, uma vez que no segundo trimestre do ano passado tinha gerado receitas de 5,28 mil milhões de dólares de Hong Kong.

Apesar destes números, o presidente e director-geral do grupo MGM Resorts International, Bill Hornbuckle, destacou que a prestação da concessionária em Macau está acima da média do mercado. “Na MGM China, no segundo trimestre, o nosso desempenho continuou a superar o mercado, ao mantermos uma quota sólida de 16,4 por cento”, afirmou.

Durante o mês de Junho, vários analistas apontaram que as receitas do jogo em Macau foram afectadas pela realização do Campeonato Mundial de Futebol e pelo mercado de apostas. Ontem, o director-geral da MGM Resorts afirmou que este impacto foi ultrapassado. “Embora o Campeonato do Mundo tenha tido um impacto temporário nos volumes do jogo em Macau no mês de Junho, isso foi um efeito transitório, e não uma mudança estrutural”, defendeu.

Ganhos mais reduzidos

Os resultados divulgados ontem mostram igualmente uma redução anual do Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA, em inglês) total ajustado, um indicador que permite medir a capacidade de uma empresa gerar dinheiro em caixa no dia-a-dia.

Entre Abril e Junho, a empresa apresentou um EBITDA total ajustado de 2,33 mil milhões de dólares de Hong Kong, quando no mesmo período do ano passado tinha atingido 2,51 mil milhões de dólares de Hong Kong. Esta diferença representa uma variação negativa de praticamente 7,4 por cento.

Apesar do resultado, o director-geral da MGM China, Kenneth Feng, mostrou-se optimista face à segunda metade do ano, devido ao final do Mundial de Futebol e à realização de vários eventos e espectáculos. “Estamos a observar o regresso de uma procura que esteve reprimida durante o período do Mundial de Futebol. Na verdade, tanto o volume de visitas como os volumes de negócios recuperaram fortemente logo a partir da segunda semana de Julho, quando ainda faltavam disputar alguns jogos antes do final do Mundial”, afirmou Feng.

No segundo trimestre do ano, as receitas brutas dos jogos de fortuna ou azar em Macau fixaram-se em 61 mil milhões de patacas, uma redução ligeira face ao período homólogo, quando as receitas tinham sido de 61,1 mil milhões de patacas.

MGM avalia compra

Na apresentação dos resultados, Bill Hornbuckle informou que a MGM Resorts International constituiu um grupo de trabalho especializado e independente para analisar a proposta de compra da empresa pelo grupo People Incorporated, do multimilionário Barry Diller.

Segundo a estação televisiva CNBC, a proposta apresentada pelo grupo People Incorporated avalia a MGM Resorts International em 18 mil milhões de dólares americanos, o que significa um preço de 48,30 dólares por acção. Actualmente, a People Incorporated é titular de 26,1 por cento do capital social da gigante americana.

31 Jul 2026

Casamento | Indústria continua em crise com quebra de despesas

Começa hoje a Exposição de Casamento, Banquetes, Beleza e Joias, evento dedicado à indústria do matrimónio. O director da empresa organizadora dá conta de uma nova redução (10 por cento) dos orçamentos dos casais, mas encara o turismo para celebrar casamentos como oportunidade de negócio

O declínio demográfico que Macau enfrenta não se afere apenas nas taxas de natalidade. Também o número de casamentos tem vindo cair desde a crise provocada pela crise pandémica. Com os registos de matrimónios em quebra nos últimos anos, aqueles que planearam dar o nó este ano estão a fazê-lo gastando menos 10 por cento, face aos orçamentos de 2025. Quem o diz é Wong U Peng, director da A Plus Internacional Limited, empresa que organiza a Exposição de Casamento, Banquetes, Beleza e Joias, evento que se realiza entre hoje a domingo no Centro de Convenções e Exposições da Doca dos Pescadores de Macau.

A exposição desde ano conta com a participação de marcas de Macau, Hong Kong e Taiwan e, segundo a organização, foram feitas 300 reservas online para marcar serviços de casamento durante o certame.

Neste momento, o sector procura adaptar-se à nova realidade, conduzida pela crise económica, assim como a própria exposição. Apesar de contar com o mesmo número de marcas do que no ano passado, os serviços de fotografia e banquetes sofreram uma redução entre 20 a 30 por cento face ao evento do ano passado. Do outro lado da balança, está o aumento de expositores que vendem lembranças, bolos de casamento, decorações e convites, ou seja, produtos culturais e criativos mais baratos.

Quem vem de fora

Em relação às perspectivas de futuro, Wong U Peng considera que mesmo com a diminuição dos matrimónios celebrados em Macau, a cidade está bem equipada para ser um destino de excelência para o turismo de casamento. Atracções turísticas de nível mundial e resorts de luxo são vantagens únicas para o desenvolvimento do sector, que já conta com políticas públicas, como a simplificação dos procedimentos de emissão de vistos.

Porém, Wong U Peng entende que a fotografia turística de casamentos é um sector que poderia ser aproveitado, sendo necessárias alterações legais para reduzir os obstáculos colocados às sessões fotográficas de turistas e atrair mais casais estrangeiros para festas de casamento em Macau.

31 Jul 2026

Leite em Pó | Testes em HK confirmam segurança da marca Friso

Apesar de terem ordenado a recolha do lote de leite em pó identificado em Macau como tendo excesso de chumbo, as autoridades de Hong Kong fizeram testes e concluíram que os produtos da empresa Friso são seguros

Os testes realizados pelo Centro da Segurança Alimentar (CFS, em inglês) do Departamento de Higiene Alimentar e Ambiental (FEHD) de Hong Kong concluíram que o leite em pó da marca Friso cumpre os níveis de segurança relacionados com o teor de chumbo. Os resultados foram divulgados ao final do dia de quarta-feira.

De acordo com um porta-voz do CFS, o facto de as autoridades de Macau terem revelado o caso do leite com excesso de chumbo, levou a que em Hong Kong a vigilância para este tipo de produtos fosse reforçada, o que resultou na realização de vários testes a diferentes produtos de leite em pó.

“Nos últimos quatro dias [de 25 a 28 de Julho], o CFS recolheu no mercado mais de 50 amostras destes produtos para testar o teor de chumbo, incluindo 11 lotes de leite em pó para bebés Frisolac Prestige Etapa 1 (800g)”, foi revelado. “Não foi encontrado qualquer caso que ultrapasse o padrão legal de Hong Kong, ou seja, um teor de chumbo não superior a 0,01 miligramas por quilograma”, foi explicado.

Apesar de os resultados terem sido negativos, o CFS continua a apelar à população de Hong Kong para evitar o consumo do lote de leite em pó identificado pelas autoridades de Macau como tendo excesso de chumbo. Este aspecto deve-se ao facto de os testes não terem focado no lote de leite em pó que terá apresentado níveis excessivos de chumbo: “Relativamente ao lote individual recolhido anteriormente [Nome do produto: Frisolac Prestige Etapa 1 Leite em Pó para Bebés (800g); Prazo de validade: 30 de Setembro de 2027; Número de lote: 1W07KPJ], o CFS destacou inspectores a vários estabelecimentos de venda a retalho para garantir que o lote afectado foi retirado das prateleiras”, foi vincado. “O CFS voltou a apelar à população que não permita que bebés e crianças pequenas consumam o lote de produto afectado, devendo procurar assistência médica caso as crianças se sintam indispostas”, foi indicado.

Resultados contestados

Também na segunda-feira, a Friso, empresa controlada pela holandesa Royal FrieslandCampina, tinha contestado os resultados dos testes feitos em Macau, assim como a forma de testagem. A posição foi tomada, depois de a empresa ter testado os lotes controversos em dois laboratórios independentes, com ambos os resultados mostrarem o cumprimento dos padrões de segurança relacionados com o teor de chumbo.

A Friso revelou ainda ter tido um encontro com as autoridades locais em que defendeu a qualidade dos seus produtos. “Durante a reunião, a empresa manifestou claramente a sua posição, solicitando veementemente uma nova amostragem e testagem aos produtos do mesmo lote, e insistindo em esclarecer melhor os factos”, foi comunicado. “A empresa expressou reservas quanto à disposição dos serviços competentes de Macau em utilizar apenas uma lata de amostra para a realização dos testes”, foi indicado.

A polémica com leite em pó da marca Friso começou no sábado, quando o Instituto para os Assuntos Municipais, o Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica e os Serviços de Saúde emitiram um comunicado a alertar para o excesso de chumbo no leite em pó da marca Frisolac Gold 1 com o número de lote: 1W07KPJ.

O produto foi retirado do mercado e foi aberto um canal especial nos hospitais para os bebés e crianças que tivessem consumido este leite. As 38 consultas especiais realizadas até segunda-feira não identificaram qualquer caso de intoxicação por chumbo.

Também na segunda-feira, as autoridades de Macau reconheceram que depois de terem alargado a testagem a outros leites em pó da Friso, com testes feitos em 13 amostras, não foi detectada qualquer anormalidade.

31 Jul 2026

FMI | Previsto abrandamento da economia em 2026 para 3,3%

O Fundo Monetário Internacional prevê que a economia de Macau desacelere este ano para 3,3 por cento, em resultado da menor actividade do sector do jogo e do prolongamento de taxas de juro elevadas. No ano passado, o PIB da RAEM cresceu 4,7 por cento

Receitas mais tímidas dos casinos e taxas de juros altas são os factores que o Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou nas previsões que apontam para um desaceleramento do crescimento da economia de Macau em 2026, para 3,3 por cento.

O Produto Interno Bruto (PIB) de Macau em 2025 cresceu 4,7 por cento em termos reais, atingindo um valor preliminar de cerca de 417,28 mil milhões de patacas, segundo os dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

De acordo com o comunicado da missão anual do FMI ao abrigo do Artigo IV, divulgado na quarta-feira à noite, a médio prazo, o crescimento da economia da RAEM deverá abrandar “ainda mais, para 3 por cento, em linha com o abrandamento previsto no crescimento da China continental e da RAE de Hong Kong”.

Num relatório do fundo em Abril, a instituição sedeada em Washington cortava a previsão de crescimento do PIB em 2026 para 3,1 por cento, duas décimas abaixo da estimativa agora apontada. O abrandamento da economia, avança agora o relatório anual preliminar, deverá ser “parcialmente compensado por uma recuperação do crescimento do investimento”, principalmente associada ao compromisso das seis concessionárias do sector do jogo em Macau de investirem em sectores não relacionados com o jogo, aponta o comunicado.

Capacidade de resistência

O FMI prevê ainda que a inflação do território aumente gradualmente em 2026 devido aos preços mais elevados da energia e que se estabilize em 2,2 por cento a médio prazo, à medida que a folga económica diminui e o efeito negativo dos preços mais baixos das importações provenientes da China continental se dissipa. A taxa de inflação anual de Macau em 2025 fixou-se em 0,33 por cento, o valor mais baixo registado nos últimos quatro anos. No relatório de Abril, o fundo previa que os preços ao consumidor aumentassem 1,8 por cento em 2026, num ambiente de inflação relativamente moderado.

O fundo sublinha que economia da RAEM se tem mantido resiliente num contexto de crescente incerteza global, apoiada por uma forte recuperação das actividades de jogo e do turismo. No entanto, ressalva, o PIB real continua abaixo do nível pré-pandémico e “a economia mantém-se fortemente concentrada no sector do jogo e no turismo proveniente da China continental”.

O relatório volta a assinalar diagnósticos anteriores, designadamente o peso do envelhecimento da população e do baixo crescimento demográfico sobre a oferta de mão-de-obra e crescimento potencial, ao mesmo tempo que geram custos orçamentais.

O sistema financeiro “está bem capitalizado e dispõe de liquidez”, embora o crédito malparado continue elevado. “A política orçamental pode apoiar a recuperação a curto prazo, ao mesmo tempo que aborda questões estruturais a longo prazo através de um aumento das despesas em infra-estruturas, cuidados de saúde e prestações sociais”, sugere o fundo. “Continuar a salvaguardar a estabilidade financeira e acelerar ainda mais a diversificação económica será importante para reforçar a resiliência e apoiar um crescimento mais equilibrado e sustentável”, remata.

Em contramão

Ainda no quadro da avaliação do momento actual, o FMI assinala que economia de Macau continua a recuperar, apesar dos ventos contrários decorrentes do conflito no Médio Oriente. “As posições externa e orçamental continuam sólidas, apoiadas pela recuperação robusta das receitas do jogo e pela execução conservadora das despesas”, sublinha o comunicado.

No entanto, a procura interna e o investimento privado têm sido travados por condições de crédito ainda restritivas, por uma incerteza acrescida, por um sector imobiliário em estagnação e pela subexecução da despesa pública.

Apesar dos recentes sinais de estabilização, as pressões descendentes sobre os preços dos imóveis residenciais e comerciais mantêm-se, num contexto de confiança moderada por parte dos investidores.

O sector das pequenas e médias empresas (PME) local também continua a enfrentar dificuldades, uma vez que a recuperação do número de chegadas de turistas não se traduziu numa procura generalizada.

Relativamente ao desempenho da economia ao longo do ano em curso, com base no andamento da cobrança de receitas e na execução histórica das despesas, o FMI considera ser “provável que tanto as receitas provenientes do jogo como as não relacionadas com o jogo excedam as estimativas orçamentais, enquanto as despesas ficarão provavelmente aquém dos níveis orçamentais”.

Neste sentido, o relatório indica que, se este padrão persistir, “a política orçamental em 2026 será menos favorável do que inicialmente previsto, com o aumento das receitas a traduzir-se principalmente numa maior acumulação de reservas orçamentais”.

Neste contexto, o fundo recomenda o aumento dos esforços para garantir a execução atempada das despesas planeadas, considerando que “serão fundamentais para manter o apoio necessário, particularmente nas áreas dos programas de assistência social relacionados com o envelhecimento e do investimento de capital”. “Deverá ser considerada a possibilidade de aumentar ainda mais as despesas orçamentais, em consonância com o desempenho superior das receitas, caso tal seja viável”, acrescenta.

31 Jul 2026

Saúde | Esperas nas urgências diminuíram 10% no primeiro semestre

O deputado Che Sai Wang perguntou, e a secretária O Lam respondeu: o tempo médio de espera no serviço de urgência baixou cerca de 10 por cento na primeira metade do ano. O Governo anunciou a criação de um serviço de acompanhamento dos tempos de espera na Conta Única de Macau

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, disse na Assembleia Legislativa (AL) que hoje se espera menos na urgência do que há um ano. Em resposta a interpelação oral do deputado Che Sai Wang, a governante referiu que no primeiro semestre deste ano, “o tempo médio diário de espera na Urgência de Adultos foi de 54 minutos, o que representa uma diminuição de 10 por cento em termos homólogos”.

Além disso, “a proporção de utentes com tempo de espera superior a duas horas fixou-se em 7,8 por cento, registando uma descida progressiva face aos 10,6 por cento registados no período homólogo do ano passado”, acrescentou a secretária.

O Lam adiantou também que o hospital das ilhas, o Centro Médico de Macau Union, começou a ter serviços de urgência igualmente no primeiro semestre deste ano, “tendo assegurado mais de 15 por cento do volume global dos serviços de urgência públicos”, referiu, desviando doentes do Centro Hospitalar Conde de São Januário.

A secretária explicou aos deputados que é feita uma “análise contínua dos dados estatísticos do Serviço de Urgência, incluindo o número de atendimento em diferentes períodos, o tempo médio de espera e as condições de serviços”, a fim de se decidir quanto à alocação e “optimização dos serviços”.

Neste contexto, O Lam anunciou a criação da plataforma “Facilidade de Espera” na aplicação móvel “Conta Única de Macau”, em conjugação com os Serviços de Administração e Função Pública. A ideia é que os utentes possam acompanhar, em tempo real, os períodos de espera nas várias unidades de saúde, públicas e privadas, com informações sobre o nível de afluência em diferentes alturas.

Médicos: será que chegam?

No debate de resposta a interpelações dos deputados, O Lam esclareceu que os 35 médicos de clínica geral “recentemente recrutados pelos Serviços de Saúde (SS) já começaram a ser integrados, de forma faseada, no Serviço de Urgência, elevando a sua capacidade de atendimento”. Desta forma, o Executivo assegura que “os dois hospitais públicos procederão ao ajustamento dinâmico da dotação de médicos, enfermeiros e pessoal de apoio com base no número de atendimento do Serviço de Urgência nos períodos de maior afluência, bem como no período nocturno, feriados e épocas de gripe”.

Apesar dos esclarecimentos, os deputados não deixaram de apresentar dúvidas, nomeadamente Pereira Coutinho, companheiro de bancada de Che Sai Wang, que apelou a O Lam para verificar, presencialmente, o panorama dos serviços de urgência.

“A secretária disse que há 35 médicos gerais que estão a ser integrados nos serviços de urgência, mas se tiver tempo, a senhora secretária pode ir à urgência verificar a situação, porque há falta de pessoal. O pessoal não tem sequer tempo para frequentar acções de formação, nem para descansar”, acusou.

Já Leong Pou U alertou para o aumento do número de utentes face ao menor aumento de pessoal médico e de enfermagem. “Em 2022 havia 452 médicos e 1.034 enfermeiros, e em 2024 havia 435 médicos e 1.110 enfermeiros. O número de utentes aumentou de 480 mil para 500 mil. No serviço de urgência passou de 230 mil para 300 mil. De facto, o número de trabalhadores não foi alterado, mas o número de utentes aumentou bastante e isso agrava a pressão sentida pelos trabalhadores da linha da frente.”

O deputado inquiriu ainda a secretária sobre os novos médicos contratados. “Disse que foram recrutados mais 35 médicos gerais, mas será que são suficientes para lidar com o aumento da população e com o facto de a sociedade estar a envelhecer?”, questionou.

31 Jul 2026

Obras ilegais | Mais de 500 demolições voluntárias até Junho

Nos primeiros seis meses deste ano, o Governo contou 533 demolições voluntária de obras ilegais, mais do dobro do registo de todo o ano de 2025. A Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana salienta o agravamento das sanções aplicáveis às obras ilegais, e de processos que acabaram na esfera penal devido ao crime de desobediência

A Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU) revelou ontem que na primeira metade deste ano “registaram-se 533 casos de demolições voluntárias, número que representa um aumento significativo face aos anos anteriores”. No mesmo período no ano passado, as demolições voluntárias por proprietários somaram uma centena e mais do dobro dos 241 casos registados em todo o ano de 2025. Na primeira metade de 2024, as demolições voluntárias de obras ilegais chegaram às 127.

Os dados divulgados ontem pela DSSCU revelam que foram instaurados menos 100 processos relativos a obras ilegais do que demolições, com 433 processos.

Foram também instaurados 59 processos sancionatórios relativos à aplicação de multas pela execução de obras ilegais, no valor total de cerca de 2,87 milhões de patacas. Em nove casos, os proprietários não pagaram as multas dentro do prazo, levando as autoridades a proceder à cobrança coerciva.

A DSSCU salienta a reforma da lei da construção urbana como uma ferramenta que simplificou procedimentos, facilitou e incentivou infractores a cooperarem com a Administração na demolição de obras ilegais. O novo quadro legal dispensou também a apresentação de comunicação prévia de demolições “cujo prazo de execução não exceda cinco dias”.

Ir ao fundo

A DSSCU salienta que as obras ilegais podem afectar a segurança dos edifícios e a segurança contra incêndios, bem como originar problemas de salubridade, devido à acumulação de resíduos, infiltrações de água, afectando “as relações de vizinhança e a qualidade vida dos cidadãos”.

Além das multas, o Governo sublinha que os infractores que ignorarem a ordem de embargo e continuarem as obras ilegais, podem incorrer na prática do crime de desobediência, uma novidade trazida pela alteração da lei. Neste caso, a DSSCU indica que o caminho a seguir é a denúncia ao Ministério Público para apurar a responsabilidade penal dos infractores.

“Em alguns desses casos, já foi concluída a fase de instrução, tendo o tribunal proferido o respectivo despacho de pronúncia. Paralelamente, os respectivos infractores foram sancionados pela DSSCU com multas elevadas devido à execução de obras ilegais”, é acrescentado pela direcção de serviços.

30 Jul 2026

Japão | DST sem pedidos de assistência devido a sismo

A linha aberta do turismo não recebeu pedidos de assistência de residentes devido ao sismo de magnitude 7.1 em Kumamoto, perto de Fukuoka, para onde partiu ontem um voo de Macau. Andy Wu revela que apenas um grupo de turistas de Hong Kong ficou meio dia sem transportes em Kumamoto

O sismo que abalou a cidade de Kumamoto, no sul do Japão, e que resultou na morte de, pelo menos, 13 pessoas, parece não ter afectado residentes de Macau.

Ontem à tarde, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indicava não ter recebido, através da linha aberta, pedidos de assistência de residentes nas zonas afectadas pelo sismo. As autoridades recomendaram aos residentes da RAEM que se encontrem no Japão para manterem uma postura de vigilância e prestarem atenção aos anúncios das autoridades japonesas.

No final da tarde de terça-feira, a DST indicou também não ter recebido pedidos de assistência de residentes na sequência de dois sismos de magnitude 5,7 e 5,8 que atingiram o condado de Xinghai, na província de Qinghai na manhã de terça-feira. Na terça-feira à noite, as autoridades nacionais davam conta de 43 mil pessoas desalojadas, mas não indicavam o registo de mortos ou feridos.

Viagens sem problemas

Ontem de manhã partiram três voos para destinos no Japão, como Tóquio e Osaka, também com um voo da Air Macau a sair do Aeroporto de Macau para Fukuoka às 08h40. Este último voo levou a bordo uma excursão de residentes da RAEM, cujo itinerário não foi afectado pelo sismo, de acordo com declarações ao canal chinês da Rádio Macau feitas por Andy Wu, presidente da Associação de Indústria Turística de Macau.

O também empresário de agência de viagens revelou que um grupo de turistas de Hong Kong ficou retido durante meio dia em Kumamoto devido a perturbações nos transportes. Andy Wu apelou aos residentes da RAEM que viajam por conta própria no Japão a familiarizarem-se com as medidas de preparação para sismos e a estarem atentos às vias de evacuação.

A directora-geral da agência de viagens EGL Tours, Iong Ut Iong, afirmou à mesma fonte que a maioria das excursões que partem de Macau para o Japão tem como destinos mais comuns Kitakyushu, Fukuoka e Oita, não existindo, de momento, itinerários com destino a Kumamoto. Porém, importa indicar que Kumamota fica a pouco mais de 100 quilómetros de Fukuoka, assim como Oita.

A responsável acrescentou que, de modo geral, o impacto do sismo não foi significativo nas operações da agência, mas que se for necessário serão ajustados itinerários de excursões para garantir a segurança dos viajantes.

30 Jul 2026

Leite em Pó | Fabricante nega haver excesso de chumbo

A Friso contesta os resultados dos testes das autoridades de Macau que colocam em causa a segurança do leite em pó produzido pela empresa controlada pela holandesa Royal FrieslandCampina

A produtora de leite em pó Friso garante que testou os seus produtos em dois laboratórios independentes e que os resultados mostram o cumprimento dos padrões de segurança. Foi desta forma que a empresa controlada pela holandesa Royal FrieslandCampina reagiu às acusações das autoridades de Hong Kong e Macau de que um dos lotes de leite em pó do grupo apresentou níveis perigosos de chumbo.

Através de um comunicado, a Friso revelou que teve um encontro com as autoridades de Macau na segunda-feira e contestou a forma como foram realizados os testes de avaliação de segurança do produto. “Durante a reunião, a empresa manifestou claramente a sua posição, solicitando veementemente uma nova amostragem e testagem aos produtos do mesmo lote, e insistindo em esclarecer melhor os factos”, pode ler-se na mensagem. “A empresa expressou reservas quanto à disposição dos serviços competentes de Macau em utilizar apenas uma lata de amostra para a realização dos testes”, foi acrescentado.

A Friso explicou também que “submeteu aos serviços competentes de Macau relatórios de ensaio referentes a três amostras, efectuados por dois laboratórios independentes”. “Os resultados demonstraram que o teor de chumbo em todas as amostras cumpre as normas vigentes em Macau e Hong Kong, comprovando mais uma vez a segurança e a qualidade dos produtos da empresa”, foi destacado.

No comunicado partilhado nas redes sociais, a empresa apresenta também os resultados dos testes realizados.

Reputação em jogo

Face aos riscos reputacionais, a Friso afirma que “compreende perfeitamente a importância e a preocupação dos pais relativamente à saúde e segurança dos bebés”, mas garante que os seus produtos se pautam “sempre por rigorosos padrões de qualidade e segurança”.

A empresa aponta também que assume “a protecção da saúde infantil como a sua principal responsabilidade, e mantém uma confiança inabalável na segurança e qualidade dos seus produtos”.

Além disso, a empresa controlada pela Royal FrieslandCampina promete que vai continuar a procurar todas as formas de provar a qualidade dos seus produtos: “Para que afaste as preocupações da população nos resultados diferentes de análises, a empresa garante que vai continuar a procurar mais instituições de renome para realizarem análises do mesmo lote do produto, com vista a assegurar a confiança dos consumidores na segurança alimentar”, foi indicado.

Alerta no fim de semana

Foi no sábado que o Instituto para os Assuntos Municipais, o Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica e os Serviços de Saúde emitiram um comunicado a alertar para o excesso de chumbo no leite em pó da marca Frisolac Gold 1 com o número de lote: 1W07KPJ.

“Com base nos resultados das análises, o leite em pó problemático é Frisolac Prestige – Fórmula Infantil n.º 1, com conteúdo líquido de 800 gramas, lote n.º 1W07KPJ e data de validade de 30/09/2027. Na amostra em causa, foi detectado um teor de chumbo de 0,2 mg/kg, um valor superior ao limite máximo permitido para fórmulas para lactentes e crianças pequenas, fixado em 0,02 mg/kg no Regulamento Administrativo Limites Máximos de Metais Pesados contaminantes em géneros alimentícios”, foi indicado.

Ao mesmo tempo, foi pedido aos distribuidores que recolhessem o produto e criada uma linha especial de atendimento nos hospitais para os bebés que tivessem consumido este leite. Até às 18h de segunda-feira, os cinco bebés que recorreram ao atendimento urgente não apresentavam qualquer sintoma de intoxicação.

30 Jul 2026

Fundo de Pensões | Défice vai atingir quase 9 mil milhões

Entre 2027 e 2031, o défice do Fundo de Pensões deve atingir 8,99 mil milhões de patacas. A estimativa foi apresentada ontem pelo Governo aos deputados da 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que está a analisar a proposta de lei “Consolidação dos Recursos Financeiros do Fundo de Pensões”.

A proposta prevê que o orçamento de Macau possa financiar directamente o fundo, dentro de certos limites estabelecidos pelo Chefe do Executivo.

Os representantes do Governo, liderados pelo secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, apontaram também, segundo o canal chinês da Rádio Macau, que actualmente o fundo tem 6.465 subscritores no activo, ou seja, que fazem descontos, e que estes têm uma média de idades de 51,9 anos e 26,4 anos de tempo de serviço.

Até ao final do mês passado, foram pagas um total de 6.577 pensões, das quais 6.056 eram pensões de aposentação e 521 pensões de sobrevivência, o que representa um aumento de 390 pensões em relação ao mesmo período do ano anterior. Prevê-se que, até ao final de 2030, restem 3.290 subscritores no activo, e que o número de pensões atribuídas aumente para 9.150.

Segundo Ella Lei, deputada que preside à comissão, durante a discussão os deputados perguntaram ao Governo se o futuro financiamento do Fundo de Pensões vai prejudicar os apoios sociais. Os representantes do Executivo garantiram que tal não aconteceu. Importa referir que, até à pandemia, os orçamentos da RAEM apresentaram sempre um superavit. Esta situação mantém-se actualmente.

30 Jul 2026

Autocarros | Lam Lon Wai quer mais segurança e menos acidentes

O deputado dos Operários está preocupado com o aumento dos acidentes que envolvem autocarros e pede ao Governo soluções para reforçar a segurança nas estradas

Tendo em conta o recente aumento do número de acidentes com autocarros públicos, o deputado Lam Lon Wai pede ao Executivo medidas para reforçar a segurança. O assunto vai ser discutido na Assembleia Legislativa, numa sessão plenária para interpelações orais, entre hoje e amanhã.

Segundo os dados apresentados pelo deputado ligado aos Operários, “o número de acidentes de viação em operação de autocarros aumentou de 943 em 2022 para 1.327 em 2025”. Lam Lon Wai indica que estes dados reflectem “o aumento da população e do número de turistas”, assim como “a elevada frequência do movimento transfronteiriço”.

O legislador aponta que a estatística revela “uma tendência de aumento do número de acidentes de viação imputáveis às companhias de autocarros” e de acidentes “por cada 100 mil quilómetros”. “Face ao aumento do fluxo de trânsito e à complexidade contínua das vias públicas, o aumento constante do nível de segurança dos autocarros merece a atenção da sociedade”, considera.

Por isso, Lam pretende saber como o Governo vai utilizar “o sistema de ajustamento inteligente e de fiscalização do transporte de veículos, a análise de mega-dados e a inteligência artificial” para aumentar “o nível de segurança” e “reduzir a taxa de ocorrência de acidentes”. O deputado pretende também que o Executivo coloque ao serviço da segurança “a formação para motoristas” e “a simulação de condução”.

Alterar as estradas

Além de pedir a aplicação de novas tecnologias, o deputado também pretende que o Executivo explique como vai alterar os principais pontos de acidentes. “O Governo deve, tendo em conta a análise das causas dos acidentes de viação, proceder à optimização das instalações complementares das vias públicas e das paragens de autocarros nos troços onde se registaram mais acidentes e onde se concentram mais peões”, aponta.

Lam defende também a instalação de sistemas de sinalização para peões e veículos e equipamentos de alerta em pontos cegos, para facilitar a tarefa dos motoristas, que, segundo o legislador, lidam com um tráfego cada vez mais intenso.

Por último, Lam Lon Wai pede atenção à “formação profissional dos motoristas” e defende que o Governo incentive as empresas “a criarem mecanismos de apoio físico e psicológico para os motoristas, incluindo a avaliação periódica da sua saúde psicológica e aconselhamento sobre gestão emocional”.

30 Jul 2026

Paul French, autor de “The Last Emperor of China: Twilight of the Forbidden City” e jornalista: “Novos diários e cartas são janelas únicas”

Já está em pré-venda o novo livro de Paul French que retrata a vida do último imperador da China. “The Last Emperor of China: Twilight of the Forbidden City” nasceu da descoberta de novas fontes documentais. O livro, que estará nas bancas em meados de Agosto, acrescenta detalhes à história de Puyi e da imperatriz Wanrong

Puyi é uma figura histórica muito retratada, inclusive no cinema, mas a sinopse do livro revela que existem novos segredos sobre a vida do último imperador da China. Quais são as principais revelações desta obra e que arquivos consultou?

Nunca pensei que acabaria por escrever a história de Puyi, o Último Imperador. Adorei o filme de Bernardo Bertolucci, de 1987 (que estreou quando eu estava na universidade a estudar chinês), e revi-o inúmeras vezes. No entanto, tive a felicidade de encontrar novos documentos em vários arquivos, incluindo cartas da última imperatriz, Wanrong, e de Sir Reginald Johnston, o escocês que ficou conhecido por ter sido tutor de Puyi. Mais tarde, ouvi falar de Isabel Ingram, que foi professora de inglês e amiga próxima de Wanrong. A sua família, nos Estados Unidos, deixou-me consultar as cartas e diários que escreveu durante o período em que viveu na Cidade Proibida com o imperador, a imperatriz e Johnston. Estas novas fontes — cartas, diários e algumas fotografias — contam uma história ligeiramente diferente sobre a relação entre Puyi e Wanrong nos primeiros anos de casamento (o último casamento imperial da China) e colocam também Isabel Ingram no centro da narrativa, depois de ter sido omitida tanto das memórias de Johnston, “Twilight in the Forbidden City”, de 1934, como do filme de Bertolucci.

Por que decidiu escrever um livro sobre Puyi? O que considera mais fascinante na vida do último imperador da China?

Existem muitos livros sobre Puyi, sobretudo em chinês, incluindo as suas próprias memórias, “From Emperor to Citizen”, editado em 1964. Contudo, as novas fontes a que tive acesso trazem uma luz inédita sobre os dois anos decisivos entre o casamento imperial, no final de 1922, e a expulsão da família imperial de Pequim, no final de 1924. Durante esse período, Puyi e Wanrong tiveram de aprender a conhecer-se (o casamento foi, naturalmente, arranjado), vivendo confinados na Cidade Proibida, no coração de Pequim, uma cidade onde não podiam circular livremente, numa China que já se tinha tornado uma república. Foi uma fase extremamente difícil, agravada por um incêndio devastador que quase destruiu toda a Cidade Proibida, pela decisão de Puyi de expulsar os eunucos por roubarem tesouros imperiais e, por fim, pela sua própria expulsão, conduzida pelo senhor da guerra Feng Yuxiang, que acabou por o empurrar para a influência japonesa. Tudo isto foi testemunhado de perto por Johnston e Ingram, pelo que os seus novos diários e cartas constituem janelas absolutamente únicas sobre esses dois anos tão extraordinários.

Como descreveria Puyi enquanto imperador e político, particularmente na sua relação com os japoneses? Foi um estratega ou um derrotado pelas circunstâncias?

Era apenas um rapaz e, depois, um jovem adulto. Quando foi expulso da Cidade Proibida tinha pouco mais de vinte anos. Nasceu completamente fora do seu tempo. Foi proclamado imperador antes de completar três anos, por decisão da imperatriz viúva Cixi, e nunca chegou verdadeiramente a conhecer uma China monárquica. A sua situação era única: era um imperador sem império, um soberano sem reino. Não tinha qualquer papel nem uma função real. Escapou ao destino dos Romanov, na Rússia (a execução), mas foi condenado a viver encerrado naquela cidadela murada que era a Cidade Proibida. Na verdade, nunca pôde escolher praticamente nada na sua vida: nem a educação, a casa ou o casamento. Será assim surpreendente que tenha sido politicamente ingénuo e que tenha tomado más decisões? Também não ajudou o facto de o seu principal tutor, Reginald Johnston, lhe ter incutido a ideia de que era um imperador ao nível do rei de Inglaterra ou do imperador do Japão. Além disso, não devemos esquecer que Puyi era manchu, o último imperador de uma das duas “dinastias conquistadoras” da China (a outra foi a dinastia mongol Yuan). Assim, depois da expulsão de Pequim, ficou completamente sozinho, mal aconselhado e impreparado, acabando por se transformar num fantoche dos japoneses na Manchúria. O grande sinólogo de Harvard, John K. Fairbank, considerava Puyi o fim de mil anos de história imperial, da longa sucessão dos “Filhos do Céu” que tinham proporcionado à China um sentimento de unidade e continuidade, agora destruído pela modernidade, mudança e republicanismo. Segundo Fairbank, Puyi foi “a última pedra apanhada sob este rolo compressor” que representou o colapso da dinastia Qing, o nascimento da República e, posteriormente, a guerra contra o Japão.

Puyi tinha curiosidade sobre o mundo ocidental? Que visão tinha para a China?

Puyi acreditava na monarquia e naquilo a que hoje chamaríamos o “direito divino dos reis e imperadores”. Essa convicção foi reforçada pelos seus professores, sobretudo por Reginald Johnston. Acreditava que talvez pudesse tornar-se um monarca constitucional, à imagem da família real britânica: uma figura simbólica, sem poder político ou legislativo. Johnston incentivava essa ideia. Na verdade, algumas figuras do governo nacionalista de Sun Yat-sen e também alguns senhores da guerra do norte da China viam essa possibilidade com simpatia. Puyi tinha curiosidade pelo Ocidente. Queria estudar em Oxford e via filmes mudos de Hollywood. Contudo, a sua posição e o momento histórico em que viveu eram demasiado singulares para que pudesse realmente conhecer o mundo para além dos muros da Cidade Proibida.

Puyi teve várias esposas, uma das quais desenvolveu dependência do ópio. Como eram essas relações?

O meu livro centra-se sobretudo na relação entre Puyi e Wanrong. Ambos eram adolescentes quando o casamento foi arranjado. As narrativas chinesas e ocidentais sempre apresentaram esta união como um casamento sem amor (e, naturalmente, sem filhos), retratando Puyi como uma pessoa fria, emocionalmente distante e até assexual. No entanto, os diários de Isabel Ingram relativos aos últimos dois anos na Cidade Proibida e as cartas de Johnston escritas na época mostram um casal muito diferente. Eles eram próximos. Ingram afirma claramente que existia carinho e intimidade física entre ambos. Jogavam ténis juntos, andavam de bicicleta, viam filmes, encomendavam refeições de hotéis ocidentais de Pequim para experimentar novos sabores e partilhavam uma paixão comum pela fotografia. Quando Puyi teve de tomar decisões difíceis, Wanrong apoiou-o. Mais tarde, já na Manchúria, após a expulsão, acabaram por se afastar. Wanrong percebeu que Puyi tinha cometido erros gravíssimos, caiu na dependência do ópio e morreu ainda jovem. Foi uma verdadeira tragédia. O meu livro apresenta também novas fontes sobre a relação entre Puyi, Wanrong e Wenxiu, a sua consorte.

Que detalhes desses relacionamentos pode destacar?

Ao contrário da imagem tradicional de rivalidade, Wanrong e Wenxiu eram amigas e apoiavam-se mutuamente nas circunstâncias muito particulares em que viviam. Incluo cartas e passagens de diários que descrevem animadas festas nos jardins, frequentadas pelos três, bem como fotografias onde aparecem juntos a rir, a sorrir em piqueniques, a fumar e até a brincar em baloiços. Mais tarde, Wenxiu acabaria por “divorciar-se” de Puyi, e tudo indica que ele lhe desejou sinceramente felicidade para o resto da vida. Tanto a relação de Puyi com Wanrong como com Wenxiu, assim como a amizade entre as duas mulheres, são documentadas através destas novas fontes e revelam uma história muito diferente daquela que durante décadas imaginámos.

Pu Yi viveu até meados da década de 1960, atravessando a guerra civil chinesa e o início da Revolução Cultural. Como viveu esse período? Que visão tinha do maoísmo?

Naturalmente, é impossível ignorar que, ao aceitar tornar-se imperador do Manchukuo, o Estado fantoche criado pelos japoneses na Manchúria, e ao apelar aos chineses para que não resistissem ao Japão, Puyi foi considerado um traidor. Essa decisão marcou profundamente a forma como passou a ser visto. Foi submetido a um longo processo de “reeducação” antes de poder regressar a Pequim. Primeiro trabalhou como varredor de ruas — perdia-se constantemente porque praticamente não conhecia a cidade além da Cidade Proibida — e, mais tarde, tornou-se jardineiro. Casou novamente e esse casamento foi feliz. Recebeu alguma protecção de Zhou Enlai quando houve quem defendesse que deveria ser severamente castigado e, já no final da vida, os Guardas Vermelhos quiseram torturá-lo quando começou a Revolução Cultural. Zhou Enlai, que o convidou várias vezes para almoçar em Zhongnanhai, disse-lhe uma vez: “Não tiveste qualquer responsabilidade por te tornares imperador aos três anos… Mas és inteiramente responsável pelo que aconteceu depois.” Naturalmente, Puyi manteve-se em silêncio sobre política e sobre o maoísmo. Viveu os seus últimos anos discretamente. A sua vida tinha sido demasiado invulgar, demasiado isolada, e ele tinha sido sucessivamente manipulado pela corte Qing, pelos japoneses e, finalmente, pelos comunistas, para poder ser visto como algo mais do que uma anomalia histórica: o último imperador da China. Espero que o meu novo livro, ao revelar estas novas fontes e as perspectivas de testemunhas oculares dos últimos anos vividos na Cidade Proibida, mostre claramente um jovem que, ainda que por pouco tempo, teve a oportunidade de construir uma vida produtiva e uma relação amorosa feliz. Infelizmente, o peso da História acabou por ser demasiado grande.

30 Jul 2026

Air Macau | Mais de 60 passageiros saíram de Nanning por meios próprios

Dos 166 passageiros que aterraram de emergência no aeroporto de Nanning, no início da noite de sábado, 64 decidiram regressar a casa pelos seus próprios meios, enquanto o voo de regresso a Macau aterrou às 20h40 de domingo. Governo não explica porque foi negada entrada no Interior a residentes com passaporte da RAEM

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) confirmou a chegada a Macau de 102 passageiros do voo da Air Macau que foi desviado no sábado à tarde para o Aeroporto Militar de Nanning, na província de Guangxi, devido a condições meteorológicas adversas em Macau, afectado pelo tufão Noul. Recorde-se que nessa altura, estava içado o sinal 3 de tempestade tropical.

Num e-mail enviado ao HM, a DST confirma que o voo partiu de Nanning às 19h37 de domingo, cerca de 24 horas depois de lá ter aterrado, e os “102 passageiros a bordo concluíram todas as formalidades de entrada [na RAEM] até às 20h55”.

A DST ressalva que dos 166 passageiros que partiram de Osaka, “64 optaram por deixar Nanning pelos seus próprios meios”. O organismo público acrescenta que “recebeu um total de 13 pedidos de assistência”, que “encaminhou para os departamentos competentes para o devido acompanhamento”.

A resposta enviada ao HM, igual à reproduzida pelo canal chinês da TDM, não menciona o facto de a DST ter afirmado no domingo que “as autoridades de controlo fronteiriço do continente prestaram a assistência adequada aos passageiros”, apesar de publicações nas redes sociais de passageiros que se queixaram de ter ficado 10 horas retidos no avião e aeroporto só com água e noodles instantâneos.

Poucas palavras

Um residente da RAEM publicou no Xiaohongshu que lhe teria sido negada entrada em Nanning por não ter consigo o Salvo-Conduto de Ida e Volta para o Interior da China, apesar de estar munido do passaporte da RAEM.

Tanto no comunicado de domingo, como no e-mail enviado ao HM, a DST não menciona uma única vez as dificuldades que os residentes da RAEM enfrentaram para entrar no território chinês no aeroporto de Nanning. Apesar disso, vários internautas referiram que o problema com as autoridades alfandegárias nacionais se prendeu com o facto de os residentes não terem consigo Salvo-Conduto de Ida e Volta para o Interior da China, apesar de serem cidadãos chineses. Além disso, esta não é a primeira vez que um avião que devia aterrar em Macau, vindo do estrangeiro, é desviado para o mesmo aeroporto de Nanning.

29 Jul 2026

Pearl Horizon | Lesados pedem respeito pela decisão do tribunal

Os lesados do Pearl Horizon, que viram o Tribunal de Última Instância condenar a Polytex a pagar-lhes indemnizações milionárias, pedem atenção do Governo para o cumprimento da decisão judicial. Numa carta colectiva, referem que a imagem do Estado de Direito de Macau está em causa

Em meados deste mês, o Tribunal de Última Instância (TUI) divulgou o acórdão que colocou um ponto final na batalha judicial entre o grupo de pessoas que tentou comprar apartamentos no complexo de luxo Pearl Horizon e a Polytex, a empresa responsável pela construção e venda de fracções do empreendimento. A Polytex acabou condenada a pagar indeminizações num valor total de 91,2 milhões de dólares de Hong Kong a 14 compradores, uma vez que o TUI decidiu que os contratos-promessa não foram cumpridos pela empresa, condenando-a a pagar o dobro do sinal prestado pelos compradores.

Volvidas duas semanas da decisão judicial, 14 pessoas assinaram uma carta publicada ontem no jornal Ou Mun a pedir o cumprimento do acórdão do TUI, argumentando que se a Polytex conseguir escapar às responsabilidades, a imagem do Estado de direito de Macau ficará manchada.

A missiva denota o cepticismo dos lesados, que acusam a empresa de não cumprir as decisões judiciais anteriores, apesar do direito a recurso até à última instância. Como tal, pedem atenção para a actuação da Polytex ao Chefe do Executivo, aos vários serviços do Governo, aos deputados da Assembleia Legislativa, assim como à sociedade em geral.

Os autores da acção acusam a Polytex de “atrasar durante muito tempo” o cumprimento das suas responsabilidades e de “flagrante desprezo” dos órgãos judiciais.

Tudo por tudo

O grupo recorda que a empresa protegeu ao longo da batalha judicial muitos activos do grupo contra acções de penhora ou apreensão de bens.

Além disso, é argumentado que a Polytex pode não ter bens ou dinheiro para pagar as indeminizações, e que se os lesados forem obrigados a executar coercivamente activos do grupo, estes podem já ter sido dissipados, devido ao longo tempo que os processos demoraram.

Como tal, pediram a intervenção do Governo, e dos serviços da Administração, para contactar os quadros responsáveis da Polytex exigindo o pagamento imediato das indemnizações segundo a decisão do TUI.

Os autores da carta pedem também que o Governo esteja atento a tentativas de Polytex de passar a propriedade de bens para outras empresas, até ao pagamento integral das indeminizações.

29 Jul 2026

Saúde Mental | Ella Lei pede ao Executivo uma “rede de protecção”

A deputada dos Operários questiona o Governo sobre os planos para criar um enquadramento profissional para os profissionais de saúde mental e alerta que o desenvolvimento social está a colocar novos desafios

A deputada Ella Lei apela ao Governo para melhorar os cuidados de saúde mental e criar uma “rede de protecção” a pensar nos mais jovens. O assunto vai ser abordado através de uma interpelação oral, que deverá ser apresentada nos próximos dias na Assembleia Legislativa.

Segundo a legisladora, actualmente existem “problemas estruturais no sistema de serviços de saúde mental” que exigem resposta. Por isso, no âmbito da criação da rede de protecção, Ella Lei pede que “os serviços de aconselhamento psicológico” assumam uma “função preventiva no apoio primário no combate às doenças mentais, na promoção do crescimento saudável dos jovens, na resposta a incidentes imprevistos e no auxílio aos cidadãos na gestão do stress”.

A deputada explica ainda que esta rede exige a coordenação entre organismos como os Serviços de Saúde (SS), o Instituto de Acção Social (IAS) e a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

Ella Lei questiona também como é que as “autoridades vão reorganizar os vários recursos de serviços de saúde mental” e “estudar a criação de um acesso unificado aos serviços”. A deputada dos Operários explica igualmente que o objectivo passa por garantir que “casos de diferentes níveis de complexidade sejam acompanhados por profissionais da categoria correspondente, de modo a alcançar um melhor efeito de prevenção conjunta”.

Investimento e acreditação

Ao mesmo tempo, Lei pretende que o Governo explique como vai responder ao “aumento contínuo da procura por serviços de saúde mental” e aos “problemas potenciais e novos desafios trazidos pelo desenvolvimento social”. A deputada pede, assim, a apresentação de um “planeamento concreto” que integre a “educação familiar e o apoio à saúde mental como elementos-chave da política de saúde mental”.

Ainda no que diz respeito a esta área da saúde, a deputada pede ao Executivo para avançar com um sistema de acreditação e definir as diferentes carreiras profissionais relacionadas com a área. “Até ao momento, Macau ainda não estabeleceu um sistema de credenciação profissional para o aconselhamento psicológico”, aponta. “Muitos talentos com qualificações profissionais em aconselhamento ou consultoria psicológica, após regressarem a Macau, não conseguem obter um enquadramento profissional adequado nem um plano de carreira claro, o que chega mesmo a provocar a fuga de quadros qualificados”, avisa.

29 Jul 2026

Creche Smart | Christiana Ieong promete cooperação com o Governo

A presidente da Zonta Club de Macau lamentou a forma como a associação foi tratada pelo Executivo, e afirmou que desde o início sempre trabalhou para o bem de Macau, obedecendo ao Governo

Em reacção à investigação do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) que acusou a Creche Smart de várias irregularidades, a associação que explora a instituição prometeu cooperação total com o Governo. As declarações foram prestadas por Christiana Ieong, presidente da associação Zonta Club de Macau, ao canal chinês da TDM.

“Se o Governo nos pede para sair [deste espaço], nós vamos sair. Não me vou importar se o interesse público está em causa ou se temos de agir de acordo com a lei. A certeza que tenho é que vamos cooperar com o Governo”, afirmou Christiana Ieong, numa altura em que o Instituto de Acção Social (IAS) espera a devolução das instalações na Taipa onde está localizada a creche.

A presidente da associação defendeu também que ao longo de todas as investigações, tanto do IAS como do CCAC, sempre forneceu os documentos com a informação que lhe foi pedida. Por isso, considerou desnecessária a postura do Executivo, no que diz respeito à actuação do IAS, que rescindiu o acordo de cooperação com a creche e pediu a devolução do espaço onde a instituição funciona. “Se o Governo queria que nós saíssemos, e tendo em conta que trabalhamos sempre a pensar no melhor para Macau, porque fez as coisas desta forma? Era desnecessário”, lamentou.

Reunião de análise

Sobre o futuro da creche, a associação Zonta Club de Macau tinha prometido encerrar o espaço, caso o CCAC detectasse irregularidades. No entanto, à emissora pública, Christiana Ieong explicou que vai haver uma reunião interna para discutir o futuro.

A creche tem actualmente mais de 70 crianças, mas deixou de aceitar novas inscrições. A licença da instituição de ensino é válida até 26 de Agosto, altura em que o espaço da creche também tem de ser devolvido ao IAS.

Por sua vez, o IAS reagiu à investigação do CCAC na segunda-feira à noite e afirmou não tolerar actos ilegais. “No processo de fiscalização, no caso de detecção de existência de quaisquer ilegalidades ou irregularidades, o IAS tomará certamente a iniciativa de notificar as autoridades competentes para a realização de investigações aprofundadas e a efectivação das responsabilidades penal e civil dos infractores”, foi apontado. “O IAS não tolera, de maneira nenhuma, quaisquer actos ilegais”, foi acrescentado.

O IAS anunciou também que “exigiu expressamente ao Zonta Club a devolução das instalações, bem como a prestação atempada de apoio aos encarregados de educação na transferência dos filhos e, ainda, o encaminhamento dos casos com necessidade para o IAS”.

O IAS disponibilizou ainda apoio aos encarregados de educação que necessitem de auxílio para se inscreverem numa nova creche.

Diferendo desde o ano passado

O diferendo entre o IAS e a creche foi tornado público em Março do ano passado, quando o IAS cortou o financiamento à instituição, alegando que as duas partes não tinham chegado a acordo quanto a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”.

No entanto, a investigação ao caso do CCAC, pedida pela creche, concluiu que os problemas começaram em Julho de 2020, quando o IAS inspeccionou in loco a instituição e verificou que “o número de trabalhadores da creche era, durante um longo período de tempo, inferior ao número padrão definido no acordo de cooperação”. Além disso, o CCAC apontou que “alguns dos trabalhadores subsidiados directamente pelo IAS, nomeadamente assistentes de educadores de infância, ajudantes domésticos, entre outros, nem sequer foram vistos a trabalhar”.

A investigação do CCAC levantou também dúvidas sobre a forma como foram gastos os apoios públicos e considerou que a associação não conseguiu esclarecer essas dúvidas.

29 Jul 2026

Plano Quinquenal | Defendido subsídio para transformação digital de PME

Na consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM (2026-2030), defendeu-se a criação de um subsídio para digitalizar empresas de pequena dimensão. Registaram-se mais de oito mil opiniões, com 92,1 por cento de “opiniões positivas”

A transformação da economia e a necessidade de adaptação das pequenas e médias empresas (PME) a uma nova realidade foi um dos temas alvo de comentários da população na consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM (2026-2030).

Segundo o documento, ontem divulgado pela Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional (DSEPDR), o tópico “Aumento da competitividade das pequenas e médias empresas (PME)” recebeu 135 opiniões, sendo que 32 pessoas opinaram sobre o “aumento do nível de digitalização e de aplicação tecnológica das PME”.

Neste âmbito, foi sugerida “a criação de um subsídio específico para a transformação digital”, bem como sugestões para a necessidade de “lançamento de um mecanismo de crédito inclusivo e de reestruturação da dívida”, ou a importância da “formação gratuita sobre marketing de inteligência artificial (IA)”.

Outro tópico abordado na consulta pública e relacionado com o tecido empresarial prendeu-se com as “políticas e medidas de apoio ao desenvolvimento das PME”, com 60 opiniões recolhidas. Aqui, foi sugerida a criação de um “mecanismo de cadeia de fornecimento”, no qual “as empresas maiores ajudarem as menores”.

Defendeu-se também o lançamento de “subsídios especiais para financiamento” e a importância da “digitalização e expansão internacional das marcas”. Foram ainda reveladas opiniões no sentido de revitalizar “espaços devolutos para os converter em locais destinados a empreendedorismo”.

Não faltou ainda uma crítica à forma como o comércio transfronteiriço está a ser feito, pois “segundo algumas opiniões, os canais de venda transfronteiriços para as PME são limitados”, existindo “falta de apoio às indústrias em termos de medidas complementares diferenciadas”.

Demografia preocupa

Ainda no que diz respeito à economia do território, registaram-se apenas quatro opiniões quanto “às tendências futuras do desenvolvimento de Macau”. Foi defendido que “se verifica uma cristalização da estrutura industrial, com um ritmo lento na promoção e desenvolvimento de indústrias emergentes”. Além disso, entende-se que “existem lacunas nos serviços complementares relacionados com vida da população e que a situação demográfica é preocupante”.

Por sua vez, registaram-se 39 opiniões sobre “principais indicadores de desenvolvimento socioeconómico”, tendo sido sugerido, por exemplo, a definição de metas “por fases no âmbito da investigação científica, aumentando progressivamente a sua proporção no Produto Interno Bruto até um mínimo de 1,5 por cento, com uma perspectiva de médio e longo prazo”, em “convergência para a média internacional de 2,6 por cento”.

Foi ainda apontada a necessidade de estabelecer “indicadores para avaliar os resultados da diversificação adequada da economia e indicadores quantitativos de desenvolvimento da indústria científica e tecnológica”.

Destacam-se as 72 opiniões registadas no tópico dedicado à economia comunitária, sugerindo-se a necessidade de “revitalização dos espaços devolutos nos bairros comunitários” ou a “emissão de vales de consumo para impulsionar o fluxo de visitantes”. As opiniões apresentadas apontam “as dificuldades de exploração das lojas nos bairros antigos”, ou a necessidade de “transformação das zonas antigas do Iao Ho e NAPE”.

IA com mais leis

O relatório da consulta pública em questão revela ainda que a IA gera preocupação, sendo pedidas mais medidas para que Macau possa melhor gerir esta realidade. Foram recebidas 27 opiniões sobre o assunto “aumento da capacidade de segurança nacional em áreas emergentes como as redes, os dados e a inteligência artificial”.

Neste contexto, “a maioria das opiniões refere que se deve acelerar a elaboração de legislação específica ou orientações relativas à aplicação” da IA. Enquanto isso, das 39 opiniões apresentadas sobre o “reforço da gestão de segurança da cidade”, há quem entenda que se deve “aperfeiçoar o sistema de alerta precoce de riscos para a segurança da cidade, recorrendo a tecnologias como megadados e inteligência artificial para permitir alertas inteligentes e uma resposta rápida a desastres e eventos súbitos”.

Pouca eficácia

Foram ainda deixadas críticas sobre o panorama do mercado financeiro no território. O tópico “desenvolvimento das indústrias de tecnologia de ponta adequada a Macau” recebeu 107 opiniões, sendo que algumas delas “destacaram que o ecossistema local para a indústria de inovação científica e tecnológica ainda é insuficiente”.

Foi também referido que “a eficácia da transformação de resultados científicos e tecnológicos permanece baixa”.

No assunto “aceleração do desenvolvimento da indústria financeira com características próprias” houve 117 opiniões. Sugeriu-se que as autoridades se devem focar “na gestão de fortunas e no mercado de títulos de dívida”, entre outros tópicos. Mas foi deixada uma ideia mais negativa: a de que “o mercado financeiro de Macau apresenta uma liquidez relativamente fraca e uma capacidade limitada” de ligações e movimentações financeiras “para os países de língua portuguesa”.

De olho em Hengqin

Uma das áreas que mais opiniões recebeu foi da Administração pública, sobretudo no que diz respeito ao “aprofundamento da reforma”, com um total de 292 opiniões.

O Governo dá conta de 36 opiniões que referiram ser necessário “persistir e aperfeiçoar ainda mais o sistema de predominância do poder Executivo”, além de necessidade de “definir claramente os limites de competência e responsabilidade dos serviços”.

Deve-se apostar também, neste contexto, na criação de “um regime de substituição de Secretários”, bem como “um regime de acompanhamento e fiscalização”.

No que concerne à digitalização de serviços públicos, o Governo recebeu 82 opiniões, que vão no sentido da necessidade de “introdução da aplicação de inteligência artificial e criação de infra-estruturas digitais eficientes e seguras”.

No que concerne à “promoção da integração profunda da vida da população”, houve 291 opiniões, sendo que 62 apontam para o alargamento “do âmbito dos pedidos de autorização de residência em Hengqin”, bem como a promoção “do uso do cantonês, caracteres tradicionais chineses e do português”.

No que concerne à habitação, foi sugerida “a possibilidade de [criação de um] modelo transitório de mudança habitacional para a aquisição de habitação de prédios antigos sem elevadores em Macau em troca, a título compensatório, de uma outra de maior dimensão em Hengqin”.

Houve 73 opiniões a defender a extensão “do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo a Hengqin”, bem como a necessidade de realizar mais acções de formação profissional entre fronteiras.

Reformar os tribunais

Outro capítulo do relatório diz respeito à “promoção da modernização do sistema jurídico”, com 29 opiniões recolhidas. Registou-se “um número significativo [de opiniões] referente à criação de um grupo de trabalho especializado” para a “reforma da legislação fundamental, com o objectivo de promover os trabalhos de alteração dos cinco grandes códigos”. Neste caso, o Código Comercial, Código Penal, Código do Processo Penal, Código Civil e Código do Processo Civil.

Houve ainda 39 opiniões sobre o tópico “aperfeiçoamento do sistema e mecanismos judiciais e aumento da eficiência judicial”. Aqui, “um número significativo [de opiniões] manifesta apoio à criação de um mecanismo sistemático e regular de divulgação das decisões judiciais dos tribunais de primeira instância”.

Além disso, recomenda-se a aposta na mediação e arbitragem, nomeadamente através da melhoria “dos mecanismos diversificados de resolução de litígios, com a redução das restrições à mediação, a formação de quadros especializados na mediação e a promoção da integração orgânica entre os procedimentos de mediação, arbitragem e processo judicial”.

A consulta pública sobre o 3º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM decorreu entre os dias 20 de Maio e 28 de Junho, e realizaram-se 14 sessões. Foram recebidas, segundo a DSEPDR, “1.716 pareceres, num total de 8.230 opiniões, o que representa, respectivamente, 2,2 vezes e 2,6 vezes [acima] dos valores registados durante a consulta pública sobre o 2.o Plano Quinquenal”.

Diz a DSEPDR que “em termos gerais, a população apoia o conteúdo do documento”, tendo-se registado 92,1 por cento de opiniões positivas e apenas “6,9 por cento de opiniões neutras, e 1 por cento de opiniões negativas”.

O tópico “Garantia efectiva e melhoria do bem-estar da população” foi o que recebeu mais opiniões, num total de 1.777, correspondendo a 21,6 por cento do total. Seguiu-se a “Promoção sólida do desenvolvimento da diversificação adequada da economia”, com um total de 1.320 opiniões ou sugestões, correspondendo a 16 por cento. Por sua vez, o tema “Promoção de alta qualidade do estabelecimento da Zona de Cooperação em Hengqin” surge em terceiro lugar, com um total de 1.096 opiniões, correspondendo a 13,3 por cento.

29 Jul 2026

Air Macau | Passageiros queixam-se de ficarem retidos 10 horas

Os passageiros do voo da Air Macau desviado para Nanning indicaram ter ficado retidos no avião e no aeroporto quase 10 horas, só com água e noodles instantâneos, por não terem consigo o salvo-conduto e apenas o passaporte da RAEM. Depois da odisseia, os residentes voltaram no domingo a Macau

 

Na tarde de domingo, a Direcção dos Serviços de Turismo revelou que estava a acompanhar com “grande preocupação” a situação do voo da Air Macau que, devido ao tufão Noul, aterrou em Nanning, na província de Guangxi, no sábado por volta das 19h30. O voo que tinha partido de Osaka, no Japão, com destino ao Aeroporto Internacional de Macau levava a bordo 166 passageiros, 93 destes residentes da RAEM.

Apesar de não haver confirmação por parte do Governo, ou da Air Macau, um passageiro indicou ontem ao HM que tinha regressado a Macau, confirmando publicações divulgadas na madrugada de ontem.

Nas redes sociais, começaram a ser partilhados relatos do que se passava a bordo da aeronave da companhia aérea local, com residentes a revelarem ter ficado retidos no avião e no aeroporto quase 10 horas.

Um residente publicou no Xiaohongshu um pedido de ajuda, afirmando que os passageiros estavam retidos no avião, sem água ou mantimentos e que a sua criança estava a chorar. Mais tarde, o internauta revelou que lhe teria sido negada entrada em Nanning por não ter consigo o Salvo-Conduto de Ida e Volta para o Interior da China. Recorde-se que estes passageiros vinham do Japão, onde entraram com passaporte.

Noutras publicações no Facebook, foi indicado que durante as quase 10 horas de espera, os passageiros apenas receberam água e noodles instantâneos. Importa referir que a DST indicou no domingo que “as autoridades de controlo fronteiriço do continente prestaram a assistência adequada aos passageiros” durante o período em que ficaram retidos.

Entrada difícil

É descrito num grupo de Facebook dedicado transportes em Macau que vários passageiros procuraram ajuda à Gabinete de Gestão de Crise da DST, assim como à Autoridade da Aviação Civil da RAEM, ao Corpo de Polícia de Segurança Público e à Air Macau. No domingo, a DST indicou ter recebido nove pedidos de assistência e queixas de residentes.

A situação gerou debates nas redes sociais sobre a impossibilidade de residentes de Macau entrarem no Interior da China mediante a apresentação do Passaporte da RAEM, apesar de serem cidadãos chineses. Outros internautas focaram mais as suas críticas na forma como a Air Macau tratou o problema.

Outra crítica apontada às autoridades alfandegárias de Guangxi, prende-se com o facto de esta não ter sido a primeira vez que um voo que tinha Macau como destino acabou por aterrar de emergência no aeroporto em questão. Como tal, os internautas questionam a razão para a confusão e lentidão das autoridades do Interior. O HM enviou questões à DST sobre o incidente, mas até ao fecho da edição não recebeu respostas.

28 Jul 2026

Jogo | Citi destaca número elevado de grandes apostadores

Os analistas do banco de investimento reconhecem que Julho teve uma quebra de apostadores face ao ano anterior, mas consideram os números positivos, dada a passagem do Tufão Noul pelo território

Apesar do esperado impacto do Tufão Noul no fim-de-semana, o banco de investimento Citi afirma ter ficado surpreendido com o número de grandes apostadores que estavam nos casinos na sexta-feira. No mais recente relatório sobre o jogo de Macau, citado pelo portal GGRAsia, o banco de investimento destaca a importância dos eventos não jogo para atrair jogadores VIP.

Segundo o documento, os analistas George Choi e Timothy Chau registaram 24 grandes apostadores em Macau durante as visitas ao casino, um número igual a Junho, mas inferior aos 35 grandes apostadores observados em Julho do ano passado. A instituição considera grandes apostadores os jogadores que apostam pelo menos 100 mil dólares de Hong Kong por mão.

O banco de investimento considera este número “surpreendente” devido ao esperado impacto do Tufão Noul e à possibilidade de os jogadores evitarem Macau por temerem ficar retidos.

Na perspectiva do Citi, o inesperado número elevado de jogadores VIP prende-se com a realização de eventos não-jogo, como a final da Liga das Nações de Voleibol, que decorreu no Dome e contou com o apoio da concessionária Galaxy como patrocinadora.

“Sabendo da popularidade da modalidade na China, a Galaxy organizou estrategicamente inúmeros eventos em torno do torneio (por exemplo, uma sessão de autógrafos com a selecção da China e outras selecções nacionais)”, pode ler-se no documento. “Não ficaríamos surpreendidos se alguns dos melhores bilhetes tivessem sido reservados para os principais apostadores da concessionária. Isto sugere, mais uma vez, que ofertas não relacionadas com o jogo, quando bem escolhidas, são uma ferramenta poderosa para atrair chineses com elevado poder de compra a visitar Macau e a gastar dinheiro”, foi acrescentado.

George Choi e Timothy Chau escreveram ainda que o maior apostador observado nas mesas estava a jogar 600 mil dólares de Hong Kong por mão.

Nem tudo são rosas

Apesar dos analistas afirmarem terem ficado surpreendidos com o mercado dos grandes apostadores, o relatório reconhece uma redução do número de jogadores em todos os segmentos.

No segmento de massas, medido pelo jogo de bacará, o Citi aponta que em Julho a aposta mínima em Macau caiu 10 por cento em termos homólogos, para 1.898 dólares de Hong Kong, quando em Julho de 2025 tinha sido de 2.110 dólares de Hong Kong.

Em relação ao segmento mais elevado de massas, o denominado premium de massas, os analistas contabilizaram 13 milhões de dólares de Hong Kong em apostas, uma redução de 19 por cento face ao período homólogo.

Segundo os analistas, estas reduções prendem-se com o tufão e o facto de as pessoas temerem ficar retidas, o que terá levado a adiarem as deslocações à RAEM. Ainda assim, o total do mercado premium de massas representou um aumento de 33 por cento face a Junho, quando o Citi tinha contabilizado 9,8 milhões de dólares de Hong Kong em apostas.

28 Jul 2026

Tribunais | Nomeados juízes portugueses para Primeira Instância

As nomeações de Filipa Vaz da Fonseca e Ricardo Quintas para o Tribunal Judicial de Base foram confirmadas ontem, com a publicação de um despacho em Boletim Oficial

Os juízes portugueses Filipa Vaz da Fonseca e Ricardo Quintas foram nomeados para os Tribunais de Primeira Instância, de acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial.

Os dois magistrados “são nomeados, por contratação, pelo período de dois anos”, sob proposta da Comissão Independente responsável pela indigitação de juízes, lê-se ainda na ordem executiva, assinada pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, em 23 de Julho, e que produz efeito a partir de 1 de Setembro.

Portugal e Macau mantêm um acordo de cooperação judiciária que assegura a continuidade de magistrados portugueses – juízes e procuradores – no território.

O único juiz vindo de Portugal a trabalhar no território actualmente é Jerónimo Alberto Gonçalves Santos, juiz do Tribunal de Segunda Instância, depois de o juiz Rui Ribeiro ter antecipado para o final de Outubro de 2025 o fim da comissão especial, que terminaria em Maio de 2026.

Em Outubro de 2025, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) disse que Portugal está disponível, caso Macau demonstre interesse, para enviar novos juízes.

O líder do STJ, João Cura Mariano, que por inerência preside também ao Conselho Superior de Magistratura (CSM), disse aos jornalistas durante uma visita a Macau que pretendia saber se o território tem interesse em contar com magistrados portugueses.

“Vamos tentar ver o que é que realmente eles ainda conseguem transmitir de útil e se são necessários, porque se forem necessários, virão novos juízes”, garantiu.

Portugal em dificuldades

No entanto, o presidente do STJ sublinhou que a justiça portuguesa está com “alguma dificuldade em contribuir com juízes”, devido à falta de recursos humanos qualificados e com experiência. “Ainda agora retirámos um juiz que já cá estava há muitos anos e nós necessitávamos dele”, recordou na altura João Cura Mariano.

Em 2024, o CSM rejeitou a permanência do juiz português do TJB Carlos Carvalho – que estava em Macau há 16 anos e tinha sido convidado pela Comissão Independente para a Indigitação dos Juízes do território – por mais dois.

O conselho não autorizou a renovação da licença especial de Carlos Carvalho e promoveu-o a juiz desembargador, com colocação no Tribunal da Relação. Ainda assim, João Cura Mariano garantiu estar disposto a ajudar, “apesar das dificuldades que actualmente existem em Portugal no recrutamento de juízes”.

O presidente do STJ sublinhou o exemplo de Timor-Leste, onde existem “muitos juízes portugueses a colaborar no sistema judiciário timorense”, porque “são muito necessários”.

28 Jul 2026

Maternidade | Licença de 90 dias entra hoje em vigor

A partir de hoje a licença de maternidade no sector privado passa a ser de 90 dias, de acordo com um comunicado conjunto da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (DSAFP).

“A Lei n.º 9/2026 aumenta o número de dias da licença de maternidade estipulada na Lei das relações de trabalho, de 70 para 90 dias, prevendo que todas as trabalhadoras, por motivo de parto ocorrido a partir de amanhã [hoje], têm direito a 90 dias de licença de maternidade, nos termos da lei”, foi comunicado. “Conforme o disposto na nova lei, dos 90 dias de licença de maternidade, 60 são gozados obrigatória e imediatamente após o parto, podendo os restantes 30 dias ser gozados, por decisão da trabalhadora, total ou parcialmente, antes ou logo após o parto, de modo a permitir às trabalhadoras ter uma maior flexibilidade e praticabilidade no gozo da sua licença de maternidade”, foi acrescentado.

A alteração à lei tinha sido aprovada na semana passada pela Assembleia Legislativa, depois de ter sido proposta pelo Executivo.

O mesmo diploma permite igualmente aumentar o número de dias obrigatórios férias. Actualmente, os dias de férias obrigatórios são seis. A partir do próximo ano, os trabalhadores adquirem um dia extra de férias obrigatórias por cada dois anos trabalhados na mesma empresa, até um limite de 12 dias.

28 Jul 2026

CCAC | IAS ilibado e Creche Smart acusada de várias irregularidades

O futuro da creche fica em jogo, depois de o CCAC ter concluído que alguns trabalhadores contratados prestaram funções noutros locais e empresas. Também o destino de apoios recebidos pela Smart levantou dúvidas ao CCAC

O Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) considera que o Instituto de Acção Social (IAS) agiu dentro da legalidade ao terminar o contrato de cooperação com a associação Zonta Club de Macau para a exploração da Creche Smart. O resultado da investigação do órgão liderado por Ao Ieong Seong foi revelado ontem, e o caso foi arquivado.

De acordo com o CCAC, “a Zonta Club infringiu […] a legislação, as instruções de apoio financeiro e as normas constantes do acordo de cooperação no que respeita à contratação de trabalhadores, à gestão financeira e à aplicação do apoio financeiro da creche”.

O órgão de investigação indicou também que desde 2020 o IAS “proporcionou à Zonta Club, por várias vezes, a possibilidade de prestação de esclarecimentos e informações complementares, bem como oportunidades para rectificação e melhoria da situação”. No entanto, foi considerado que “as respostas e as informações submetidas pela Zonta Club” não permitiram “dissipar as suspeitas de irregularidades”, “nem foram adoptadas medidas adequadas para acompanhar o problema”. O CCAC afirma igualmente que a associação não se mostrou disponível para devolver o dinheiro recebido de forma indevida.

O CCAC considera também que o IAS agiu correctamente ao terminar o protocolo de cooperação e recuperar as instalações: “Após análise detalhada do CCAC, não se verificou qualquer ilegalidade administrativa por parte do IAS no procedimento da cessação da relação de cooperação com a Zonta Club, e a abertura dos respectivos procedimentos e a implementação das respectivas medidas por parte do IAS constituem uma iniciativa legítima no cumprimento das suas atribuições”, foi concluído.

Trabalhadores ausentes

O CCAC explica que os problemas com a creche começaram em Julho de 2020, quando o IAS inspeccionou a Creche Smart e verificou que “o número de trabalhadores da creche era, durante um longo período de tempo, inferior ao número padrão definido no acordo de cooperação”. Além disso, foi concluído que “alguns dos trabalhadores subsidiados directamente pelo IAS, nomeadamente assistentes de educadores de infância, ajudantes domésticos, entre outros, nem sequer foram vistos a trabalhar”. “O CCAC verificou ainda que alguns dos referidos trabalhadores não prestaram serviço na creche, sendo naquele período trabalhadores a tempo inteiro de outras empresas, e alguns estiveram mesmo ausentes de Macau durante um longo período de tempo”, foi acrescentado.

Ao mesmo tempo, é apontado que a associação Zonta Club de Macau nunca conseguiu explicar o facto de as inspecções terem verificado uma situação diversa da que tinha servido de base aos pedidos de apoio financeiro.

O CCAC revela ainda que “na verificação das informações financeiras da creche, o IAS verificou a existência de várias despesas anormais que […] não podiam ser contabilizadas nas despesas de funcionamento da creche”.

Sobre as auditorias apresentadas pela associação com as contas da creche, o CCAC desvalorizou os documentos e explicou que apenas reflectem a situação financeira da instituição, mas que não permitem apurar se o dinheiro foi gasto dentro das despesas permitidas pelo acordo de cooperação.

Futuro da creche em risco

Com a revelação do relatório do CCAC, o futuro da creche Smart fica em jogo e o encerramento é o cenário mais provável. Após desistir dos processos judiciais que estavam em curso, a associação tinha até 26 de Agosto para devolver o espaço ao IAS e arranjar uma solução para as crianças inscritas.

No final de Junho, a presidente e directora da creche, Christiana Ieong, acreditava que a investigação ia dar razão à associação e que a Creche Smart estava a ser alvo de uma campanha de perseguição promovida pelo presidente do IAS, Hon Wai. Todavia, Christiana Ieong também admitiu encerrar a creche, caso a investigação do CCAC apurasse a existência de irregularidades. Este foi o cenário que se concretizou ontem.

As conclusões do CCAC podem levar ao fim de um diferendo que persiste desde Março do ano passado, quando o IAS cortou o financiamento, alegando que as duas partes não tinham chegado a acordo quanto a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”.

28 Jul 2026

UNESCO | Classificados sítios da indústria de porcelana de Jingdezhen

A UNESCO inscreveu os Sítios da Indústria de Porcelana Artesanal de Jingdezhen na lista do património mundial. O reconhecimento ocorreu na 48ª sessão do Comité do Património Mundial que se realizou em Busan, Coreia do Sul. Os locais distinguidos pela UNESCO são testemunhos da história do fabrico da porcelana chinesa entre os séculos X e XIX

“Há mais de 2.000 anos que as fornalhas ardem em Jingdezhen, na China, transformando argila humilde em requintadas obras de arte.” É desta forma que a agência estatal chinesa Xinhua destaca o facto de os Sítios da Indústria de Porcelana Artesanal de Jingdezhen, no nordeste da província de Jiangxi, terem sido classificados como património mundial da UNESCO.

A inscrição na lista do património mundial inclui este conjunto de sítios que, segundo a UNESCO, “retrata a evolução da produção de porcelana artesanal entre os séculos X e XIX, que teve profundas influências industriais, artísticas e comerciais na China e a nível global”.

A cerimónia de inscrição de novo património imaterial e natural decorreu no último sábado na Coreia do Sul, na 48ª Comissão do Património Mundial. Os critérios utilizados pela UNESCO para a inscrição destes Sítios é o facto de estes representarem “uma importante interacção de valores humanos ao longo de um período de tempo” ou ainda “no âmbito de uma área cultural do mundo”; além de estarem relacionados com a “evolução da arquitectura ou tecnologia, artes monumentais, planeamento urbano ou da concepção paisagística”.

Outro critério para a classificação prende-se com o facto de serem “um testemunho único ou, pelo menos, excepcional de uma tradição cultural ou de uma civilização, quer esta ainda exista, quer já tenha desaparecido”; além de serem um “um exemplo notável de um tipo de edifício, conjunto arquitectónico ou tecnológico ou paisagem que ilustra uma ou mais fases significativas da história da humanidade”.

Por fim, a classificação dos Sítios de Jingdezhen ocorreu por estarem “directamente associados, de forma tangível, a eventos ou tradições vivas, a ideias ou a crenças, bem como a obras artísticas e literárias de notável importância universal”.

No complexo industrial ancestral persistem “cinco partes que reflectem os processos de produção da porcelana, incluindo a extracção e o transporte de matérias-primas, as inovações no design dos fornos e a organização espacial e social da produção em imensa escala”.

Segundo descreve a UNESCO, “a área da cidade contava com o Forno Imperial, a par de fornos civis, guildas e associações de comerciantes”. Entre os séculos X e XIX, Jingdezhen “foi um centro de inovação tecnológica na produção de porcelana, incluindo a ‘fórmula binária’ de mistura de caulim e pedra de porcelana”.

Descreve-se ainda que, nesta cidade, “era produzida porcelana da mais elevada qualidade”, sendo que a “porcelana azul e branca, bem como os seus desenhos, tornaram-se uma mercadoria mundialmente apreciada e um símbolo da cultura e da arte chinesas”.

Ligação a Portugal

Ainda segundo a Xinhua, Jingdezhen “não é uma cidade qualquer”, estando “situada num recanto da província de Jiangxi, no leste da China, a mundialmente famosa ‘capital da porcelana'” e que “tem sido, desde há muito, o coração da cultura cerâmica chinesa”.

A cidade possui uma “história rica em tradições”, personificando “a continuidade duradoura da própria civilização chinesa”, ou seja, “uma tradição viva preservada, remodelada e renovada ao longo das gerações”.

O artigo refere o caso particular de Sun, que ainda possui a oficina que herdou do seu bisavô e que se mantém no activo há 120 anos. Este espaço situa-se em Taoyangli, “um bairro histórico ribeirinho onde tradições seculares se misturam com correntes de criatividade contemporânea, tudo à vista de um curso de água que se liga ao rio Yangtze”, pode ler-se.

Esta oficina “conta a história através dos objectos”, com “peças de porcelana pintadas à mão com formas tradicionais, porcelana de uso diário produzida em série com decorações em decalque e até criações em estilo de banda desenhada feitas pelos seus alunos”.

Os locais agora sob protecção patrimonial são compostos um museu de cerâmica e fornos que datam das dinastias Ming e Qing, entre os anos de 1368 e 1911.

Em Outubro de 2023 o Presidente chinês, Xi Jinping visitou o local e, no contexto dessa visita, Weng Yanjun, director do Instituto do Forno Imperial de Jingdezhen, referiu que a porcelana ali produzida é “um microcosmo da cultura chinesa”.

Segundo a Xinhua, o responsável, arqueólogo, descreveu também que a cerâmica tem sido “tanto um símbolo cultural da China como uma ponte que liga a China ao mundo”, tendo sido exportada para a Ásia Central e Ocidental, bem como Europa, desde a dinastia Song (anos de 960 a 1279).

Portugal também fez parte da rota de exportação desta cerâmica. Weng Yuanjun lembrou que a “porcelana azul e branca, ou cerâmica Qinghua, em particular, ostenta as marcas indeléveis do intercâmbio intercultural”. Depois, no período da dinastia Yuan, já nos anos de 1271 até 1368, “o pigmento de cobalto proveniente da Ásia Ocidental chegou a Jingdezhen através da antiga Rota da Seda e foi utilizado na produção de porcelana azul e branca”.

“O resultado foi o azul profundo característico que define as peças da dinastia Yuan. Estas peças, outrora um bem muito cobiçado, representavam o auge da arte cerâmica”, frisou o arqueólogo, especialista em cerâmica.

Ásia em destaque

As novas inscrições na lista do património mundial da UNESCO incluem locais na Ásia, como as antigas capitais do arquipélago japonês, Asuka e Fujiwara, que marcaram o estabelecimento de um sistema estatal centralizado. Os conjuntos arqueológicos incluem palácios e edifícios governamentais, bem como templos budistas e túmulos que datam do século I.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, já saudou a decisão “gratificante” e felicitou, através de uma mensagem na rede social X, todas as pessoas, especialmente os residentes locais, que durante anos se dedicaram “com empenho” à proteção dos dois locais.

“Renovo a minha determinação em proteger de forma segura este valioso património cultural, que passou de um tesouro do Japão a um tesouro do mundo, e em transmiti-lo de forma segura às gerações futuras”, acrescentou a chefe do Governo japonês.

A UNESCO também declarou Património Mundial a arquitectura modernista da capital uzbeque, Tashkent, que surgiu na sequência do devastador terramoto de 1966, altura em que a cidade foi reconstruída com base no conceito de modernismo sísmico, para resistir a novos abalos sísmicos.

O conjunto arquitectónico compreende cerca de uma dezena de edifícios de estilo híbrido soviético, que fundem o design brutalista e funcionalista com a tradição ornamental uzbeque. Inclui museus, hotéis, instituições culturais e edifícios residenciais. Para a UNESCO, este conjunto articula os principais espaços públicos da cidade e demonstra a integração dos princípios do planeamento modernista com as condições climáticas, sísmicas e culturais locais.

Entre as inclusões na lista encontram-se ainda o templo budista Wat Phra Mahathat Woramahawihan, em funcionamento ininterrupto há mais de 1.500 anos na província tailandesa de Nakhon Si Thammarat, ou os complexos funerários de Xiongu, na Mongólia.

Durante um evento transmitido em directo, a UNESCO inscreveu também o conjunto sagrado da província cazaque de Mangystau, composto por mesquitas “subterrâneas únicas”.

A UNESCO deu também “luz verde” à declaração de Património Mundial para o antigo templo budista de Sarnath, na Índia, um local sagrado onde se acredita que Buda proferiu o seu primeiro sermão e conheceu os seus primeiros discípulos.

Em Perigo

O sítio arqueológico de Sebastia, na Cisjordânia, e cinco castelos na região de Monte Amel, no Líbano, foram inscritos na lista do Património Mundial da UNESCO, apesar das objecções de Israel, que instou a organização a rejeitar as candidaturas.

Os membros do comité da UNESCO decidiram também inscrever Sebastia e os cinco castelos da região do Monte Amel na lista do Património Mundial em Perigo, após terem analisado as candidaturas em regime de urgência, invocando os conflitos em curso no Médio Oriente. Sebastia, a noroeste de Nablus, na Cisjordânia ocupada por Israel, é identificada pelos estudiosos como a antiga Samaria, capital do Reino bíblico de Israel. Os vestígios arqueológicos da região abrangem a Idade do Ferro, os períodos romano, bizantino e islâmico.

“A integridade do sítio está actualmente ameaçada pelo projecto de expropriação que visa dividir o bem e criar o Parque Nacional ‘Samaria'”, explicou a UNESCO. Os cinco castelos da região do Monte Amel são reconhecidos pelo seu património arquitectónico multifacetado que cruza várias influências. Os locais designados incluem o Castelo de Beaufort, construído pelos cruzados e também conhecido como Al-Shaqif, que as forças israelitas tomaram em Maio.

Os “elementos constitutivos” destas fortalezas, que datam do século XII, “sofreram danos” e enfrentam “ameaças suficientemente graves para justificar o recurso a um procedimento de urgência”, explicou a UNESCO.

28 Jul 2026

Tufão | Voo para Macau obrigado a aterrar em Nanning

O tufão Noul levou ao cancelamento de mais de 60 voos no aeroporto de Macau, à interrupção das ligações marítimas e da circulação na Ponte do Delta. Um voo de Osaka, com chegada prevista à RAEM na tarde de sábado, foi desviado para Guangxi, onde fez uma aterragem de emergência

Apesar de não ter provocado danos de maior, o tufão Noul causou a paralisia dos transportes na região. A situação mais complexa envolveu um voo da Air Macau, oriundo de Osaka com destino à RAEM, que foi obrigado a aterrar de emergência no Aeroporto Militar de Nanning, na província de Guangxi, a oeste de Guangdong, indicou ontem a Direcção dos Serviços de Turismo (DST).

O voo deveria aterrar em Macau na tarde de sábado, mas devido às condições meteorológicas foi desviado para Guangxi, onde fez uma aterragem de emergência. A bordo vinham 166 passageiros, 93 destes residentes da RAEM.

Segundo indicou ontem a DST, a companhia aérea providenciou o alojamento dos passageiros e afirmou que será organizado “um voo de Nanning, em Guangxi, para Macau ainda hoje, assim que for possível, dependendo das condições meteorológicas”. A linha aberta para o turismo recebeu nove pedidos de assistência de passageiros deste voo.

O voo desviado foi a situação mais preocupante, revelada quase um dia depois, porém, a passagem do Noul originou uma confusão generalizada nas fronteiras.

Ontem, ao início da tarde, alguns passageiros aguardavam nos postos fronteiriços o reatamento dos transportes entre regiões, tanto nos terminais marítimos para Hong Kong e Shenzhen, como na Ponte do Delta. Também as ligações ferroviárias no Interior foram interrompidas.

Com o sinal 3 de tempestade tropical emitido às 18h de sábado, já os cancelamentos de voos eram a tónica dominante no Aeroporto de Macau e de Hong Kong. Em Macau, foram cancelados 62 voos, principalmente no sábado e domingo, nos dois sentidos entre a RAEM e destinos como Taipé, Kaohsiung, Xiamen, Nanjing, Chengdu, Xangai, Hangzhou, Banguecoque e Manila. Além disso, mais de 30 voos foram afectados com atrasos.

Macau radical

Outra situação que obrigou à intervenção de uma equipa de salvamento, ocorreu perto da praia de Hac Sá, quando um jovem de 14 anos foi resgatado ao largo do trilho de Long Chao Kok, depois de a prancha de windsurf se ter virado, atirando-o ao mar. A ocorrência foi detectada através do sistema de monitorização dos Serviços de Alfândega, que activaram o mecanismo de resposta de emergência com lanchas rápidas. O jovem não necessitou de apoio médico e as autoridades levaram-no de volta ao centro náutico de Hac Sá.

A circulação da Ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau foi interrompida à meia-noite de domingo e só foi retomada às 13h de ontem, altura em que foram também reatados os serviços dos autocarros dourados.

Em relação às ligações marítimas, o último barco da TurboJet saiu de Macau para Hong Kong às 21h de sábado, e no sentido inverso a última partida antes da suspensão dos serviços foi às 21h30. As embarcações da Cotai Water Jet, entre a Taipa e Sheung Wan partiram às 21h de sábado para Hong Kong e no sentido inverso às 20h30. Os serviços foram retomados ontem às 13h30. Os transportes foram retomados ao início da tarde de ontem.

Em terra, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude suspenderam ontem todas as actividades educativas dos ensinos infantil, primário e especial, enquanto os eventos planeados para ontem para alunos do secundário se mantiveram sem alterações.

27 Jul 2026

Miniso abre loja em Macau com colaborações com Disney e Harry Potter

A marca chinesa Miniso abriu em Macau a primeira loja Miniso Land, um conceito premium que aposta em experiências imersivas e áreas temáticas dedicadas a marcas como Harry Potter, Disney e Pokémon. Localizada no centro comercial do hotel-casino Venetian, a loja ocupa uma área de 400 metros quadrados e é a maior da marca no território, informou na quinta-feira o portal de notícias Inside Retail Asia.

Este espaço disponibiliza mais de 1.200 produtos, incluindo artigos de colecção, ‘blind boxes’ – caixas lacradas que contêm bonecos e bens coleccionáveis aleatórios -, peluches, artigos de papelaria e produtos de ‘lifestyle’.

Apresenta, ainda de acordo com a revista especializada, mais de 30 colecções de personagens e marcas, com áreas temáticas dedicadas a universos como Disney, Harry Potter, Sanrio, Pokémon, One Piece, Crayon Shinchan e Chiikawa. O espaço inclui ainda figuras próprias da Miniso, como o YoYo.

A abertura insere-se na estratégia da Miniso de reforçar a expansão global do conceito de retalho imersivo, assente em colaborações com marcas licenciadas. O formato Miniso Land combina uma oferta alargada de produtos com merchandising temático e expositores interactivos, transformando as lojas em destinos de entretenimento, ainda de acordo com a Inside Retail Asia.

Expansão internacional

No início do ano, a empresa inaugurou também em Kuala Lumpur, na Malásia, a primeira Miniso Land do país, com 1.700 metros quadrados.

Com mais de 7.700 lojas no mundo, a marca – que nasceu em 2013, em Guangzhou, no sul da China, pelas mãos do empresário Ye Guofu – entrou no mercado português em 2021, no Arrábida Shopping, em Vila Nova de Gaia. Conta hoje com vários espaços no país, incluindo em Lisboa e Póvoa do Varzim.

Ao viajar com a família para fora da China, Ye apercebeu-se de várias lojas especializadas com produtos de qualidade, design apelativo e preços acessíveis, na maioria fabricados na China. “Impulsionado pela paixão pelo retalho e pela convicção no potencial do sector, Ye Guofu fundou a Miniso”, lê-se na página da marca.

27 Jul 2026