Hong Kong | Plano Quinquenal anuncia mais habitação e emprego

Hong Kong anunciou ontem o primeiro Plano Quinquenal e as linhas de acção governativa do território que promete mais habitação, emprego e o desenvolvimento da zona de “Northern Metropolis”. Espera-se “um novo horizonte” para a RAEHK, com a aposta “na reforma e inovação” e o compromisso com políticas que assegurem a qualidade de vida

O Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, apresentou ontem o primeiro Plano Quinquenal da região vizinha. Depois de um período de consulta pública, foi divulgado o documento que se foca no emprego e habitação, mas não esquece matérias como a garantia da qualidade de vida, a implementação do princípio “um país, dois sistemas” ou ainda o reforço de medidas securitárias.

Segundo a agência Reuters, John Lee prometeu a construção de 196 mil casas públicas em cinco anos, que deverá dar tecto a 2,5 milhões de pessoas. O Governo garantiu também que irá incentivar, em matéria de habitação, a “mobilidade ascendente”, com o objectivo de “melhorar a escada habitacional para promover a aquisição de casa própria entre os jovens”, disse o governante.

Pretende-se, neste contexto, fomentar o desenvolvimento da área de Northern Metropolis, com cerca de 30 mil hectares e que fica muito perto do território chinês. A ideia é que a zona venha a “reforçar as ligações tecnológicas e económicas com o continente, com o objectivo de criar empregos e habitação”, descreveu a Reuters.

Sobre o projecto, John Lee declarou que irá “reforçar ainda mais a competitividade global e o dinamismo de Hong Kong para um desenvolvimento sustentável”.

Nos próximos dez anos, a oferta de habitação será dividida nas seguintes proporções: 40 por cento das casas públicas para arrendamento, 30 por cento de habitação subsidiada e outros 30 por cento de habitação destinada ao mercado privado.

O documento traça objectivos para os anos de 2026 a 2030, visando “abrir novos horizontes e iniciar um novo capítulo” para o território, lê-se no website oficial do Plano Quinquenal. A Autoridade de Renovação Urbana planeia gastar cerca de 40 mil milhões de dólares de Hong Kong nos próximos cinco anos “em iniciativas de renovação urbana”, lê-se no Plano.

“Tendo em conta o ano de início do 15º Plano Quinquenal [da China], este inaugural Plano Quinquenal da RAEHK está formulado para, de forma pró-activa, se alinhar com as estratégias nacionais de desenvolvimento e uma melhor integração” no país, pode ler-se.

Há sete princípios definidos: “adesão ao princípio ‘um país, dois sistemas'”; “manter o compromisso” com a garantia de qualidade de vida no território; a liderança do poder Executivo, a aposta “na reforma e inovação”; a intenção de uma “dupla abordagem” nas ideias de um “mercado eficiente” e um “Governo capaz”. Pretende-se ainda, dentro destes princípios, “adoptar uma aproximação holística nas áreas do desenvolvimento e segurança”; além de se adoptar “um planeamento pragmático e pró-activo”.

Finanças são o caminho

John Lee assegurou que Hong Kong irá, com o Plano Quinquenal, “reforçar o seu papel enquanto centro global de negócios offshore em renminbis, como centro internacional de gestão de activos e património, e também como centro internacional de gestão de riscos”.

Pretende-se o desenvolvimento de “um ecossistema de comércio de matérias-primas, alinhando-se os serviços financeiros com as necessidades da economia real”, declarou o governante.

Segundo a Reuters, o Chefe do Executivo da região vizinha anunciou, para o primeiro trimestre do próximo ano, a criação do primeiro sistema central de compensação e liquidação de ouro da cidade. Além disso, a Autoridade Monetária de Hong Kong planeia implementar, até ao final deste ano, a liquidação através de moeda digital do banco central, acrescentou John Lee.

Tendo em conta a importância do território para a transacção de mercadorias, o Plano Quinquenal contém a medida de transformar Hong Kong num “superconector” entre regiões, sobretudo com a Grande Baía. “Vamos acelerar o alinhamento com as principais estratégias nacionais no domínio da tecnologia”, disse o Chefe do Executivo. As grandes áreas de cooperação passam pela melhoria da qualidade de vida, cuidados de saúde, inteligência artificial, robótica e microelectrónica, entre outras.

No contexto da Grande Baía e integração regional, o que se pretende é a “‘conectividade dos corações’ entre os residentes de Guangdong, Hong Kong e Macau”, através do “reforço da cooperação das instituições do ensino superior de Hong Kong” com as restantes regiões, a fim de “cultivar a junção de talento e cooperações entre Guangdong e Hong Kong”.

Pretende-se, a este nível, “abrir horizontes para que os mais jovens possam desenvolver as suas carreiras” na Grande Baía, que inclui as duas regiões administrativas especiais e mais nove cidades da província chinesa.

Criar uma nova marca

Se Macau está a criar a sua Cidade Universitária em Hengqin, também Hong Kong tem planos para desenvolvimento a área do ensino superior. O Plano Quinquenal apresenta projectos para três áreas destinadas à instalação de campus universitários, criando a marca “Study in Hong Kong” [Estudar em Hong Kong] para atrair estudantes de todo o mundo, incluindo “talentos não locais”.

John Lee indicou também que a ideia é “desenvolver um centro internacional de inovação e tecnologia (IT)”, criando-se um modelo “assente em três grandes parques de IT e cinco instituições-chave na investigação e desenvolvimento”. Em causa está o Parque de Hong Kong da Zona de Cooperação de Inovação Científica e Tecnológica Hetao Shenzhen-Hong Kong e o San Tin Technopole; o Science Park e o Cyberport. Por sua vez, estabelece-se a ligação com cinco instituições – Hong Kong Productivity Council, o Hong Kong Applied Science and Technology Research Institute, o Hong Kong Microelectronics Research and Development Institute, o Hong Kong Artificial Intelligence Research and Development Institute e o Life and Health Technology Research Institute. A ideia é “reforçar o sistema público de investigação e a eficácia do quadro de inovação e tecnologia”.

De frisar que, com estes planos de mudanças a nível político e económico, as autoridades da RAEHK pretendem criar 650 mil empregos.

John Lee referiu que um dos grandes objectivos do plano, e também do Executivo, é “melhorar o bem-estar da população”, definindo-se medidas nas áreas da “educação, desenvolvimento dos jovens e mulheres” e ainda o “reforço do apoio aos grupos desfavorecidos”.

Na área da saúde, por exemplo, planeia-se “avançar com o desenvolvimento de infra-estruturas de cuidados de saúde”, no âmbito do Primeiro Plano de Desenvolvimento Hospitalar [First Hospital Development Plan]. Este tem por objectivo aumentar o número de camas nos hospitais públicos para 35 mil em 2031.

Hong Kong também se depara com uma baixa taxa de natalidade e, a pensar nessa problemática, a linha de acção governativa inclui a extensão, por mais três anos, do incentivo de 20 mil dólares de Hong Kong para quem tenha o primeiro filho. Caso haja mais filhos, esse valor aumenta para 30 mil dólares de Hong Kong, sendo também concedidos subsídios para crianças, deduções fiscais e criados centros adicionais de cuidados infantis.

Na área do ensino não superior, Hong Kong quer apostar “na integração progressiva da inteligência artificial (IA) na aprendizagem, ensino e avaliação”. Pretende-se, assim, “promover a educação digital para o reforço da aprendizagem dos alunos na matemática, ciências e tecnologia”, além de se criar “mais espaço” para a inovação.

17 Set 2026

IA | Fórum chinês defende controlo mas rejeita lógica de blocos entre China e EUA

Governação das tecnologias emergentes, estabilidade estratégica e competição entre grandes potências, são temas em debate a partir de hoje em Pequim na 13.ª edição do Fórum Xiangshan, principal encontro de diplomacia militar organizado pela China

Especialistas reunidos ontem em Pequim defenderam o reforço da supervisão humana, dos mecanismos de segurança e da cooperação internacional perante os riscos da inteligência artificial, rejeitando que outros países tenham de escolher entre China e Estados Unidos nesta tecnologia.

O debate decorreu no âmbito da 13.ª edição do Fórum Xiangshan, principal encontro de diplomacia militar organizado pela China, que será formalmente inaugurado hoje. A agenda deste ano inclui entre os principais temas a governação das tecnologias emergentes, a estabilidade estratégica e a competição entre grandes potências.

O antigo secretário-geral da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) Vladimir Norov afirmou que os riscos associados à IA são “sérios” e defendeu que os governos reforcem a capacidade de supervisão, em conjunto com empresas tecnológicas e centros de estudos.

Norov alertou que a tecnologia está a avançar mais rapidamente do que a capacidade das instituições para a regular, defendendo a criação de mecanismos de partilha de informação sobre riscos e incidentes graves relacionados com a IA.

O também antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Uzbequistão e presidente da Associação de Inteligência Artificial da Ásia Central afirmou que os sistemas de IA estão a evoluir rapidamente e que “nenhum país consegue geri-los sozinho”.

O general reformado dos Emirados Árabes Unidos Obaid Al Ketbi, antigo alto responsável do ministério dos Negócios Estrangeiros do país, afirmou que o avanço dos agentes de IA, capazes de planear, coordenar e executar tarefas complexas, obriga a colocar o controlo humano no centro das prioridades.

“Se deixarmos as coisas nas mãos da IA sem controlo humano, será realmente duro e difícil”, afirmou Al Ketbi, que defendeu uma regulamentação proporcional aos riscos.

Outra lógica

Os dois participantes rejeitaram também uma lógica de blocos entre Pequim e Washington. Norov afirmou que os países da Ásia Central não querem ser “consumidores passivos” de IA nem ser obrigados a escolher entre China e Estados Unidos, mas procuram uma “parceria, não dependência” e transferência de tecnologia.

Al Ketbi defendeu uma posição semelhante para o Médio Oriente, afirmando que a região deve poder cooperar com ambas as potências e, simultaneamente, desenvolver capacidades próprias.

O debate ocorre depois de responsáveis do sector tecnológico norte-americano terem defendido um abrandamento do desenvolvimento dos modelos de IA mais avançados devido aos riscos de segurança, posição rejeitada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que considera que uma maior regulamentação poderá beneficiar a China.

Pequim tem defendido nos últimos dias uma IA “orientada para o bem”, ao mesmo tempo que acusa Washington de utilizar argumentos relacionados com a segurança para limitar o desenvolvimento tecnológico chinês.

16 Set 2026

Bolo Lunar | Andy Wu prevê mais de 110 mil visitantes diários

O presidente da Associação de Indústria Turística prevê que no fim-de-semana prolongado do Festival do Bolo Lunar, Macau receba diariamente entre 110 e 120 mil visitantes. Andy Wu estima também uma ocupação de taxa hoteleira entre 80 e 90 por cento

Com o fim-de-semana prolongado pelo feriado do Festival do Bolo Lunar no horizonte, entre 25 e 27 de Setembro para os turistas do Interior da China, o presidente da Associação de Indústria Turística estima que Macau volte a receber uma enchente de turistas.

Andy Wu espera que durante os três dias entrem em Macau uma média diária entre 110 mil e 120 mil visitantes. Em declarações ao jornal Ou Mun, o empresário de agência de turismo lembrou que o território já recebe diariamente cerca de 100 mil turistas, não sendo, portanto, de estranhar que essa fasquia aumente, em particular no sábado, 26, com a possibilidade de o volume ultrapassar as 120 mil pessoas.

Em relação à taxa de ocupação hoteleira durante o Festival do Bolo Lunar, Andy Wu estima uma boa temporada para o sector, com taxas a variar entre 80 e 90 por cento.

Apesar de esperar o aumento de volume de turistas, o responsável salientou que este ano não foram lançadas promoções especiais para assinalar o feriado em conjugação com eventos organizados em Macau. Como tal, o Concurso Internacional de Fogo de Artifício de Macau acaba por ser o principal destaque turístico durante o feriado, facto que não se materializou, para já, em promoções temáticas oferecidas por hotéis.

Porém, como ainda falta uma semana e meia até o Festival do Bolo Lunar, Andy Wu espera que os hotéis da ZAPE tirem partido da localização geográfica para lançar promoções de quartos que permitam assistir ao fogo de artifício. O evento, argumenta, poderá desviar uma parte do fluxo de turistas que normalmente é canalizado para o Cotai, beneficiando os negócios na península.

Bons vizinhos

Uma questão que se tem colocado cada vez mais sobre a capacidade de atracção turística do Concurso Internacional de Fogo de Artifício de Macau é o facto de o evento poder ser visto a partir de Hengqin.

A possibilidade de a Ilha da Montanha desviar turistas que normalmente viriam a Macau durante o Festival do Bolo Lunar não preocupa Andy Wu, uma vez que a competitividade de Macau não se esgota no fogo de artifício, ou outros eventos, face aos recursos turísticos abrangentes e encantos exclusivos da cidade.

Além disso, Andy Wu considera que entre Macau e Hengqin, não existe uma relação competitiva de tentativa de desviar turistas, mas uma ligação de complementaridade com vantagens para ambos os territórios no âmbito do turismo cultural na Grande Baía.

16 Set 2026

Bairros Históricos | Loi I Weng diz que programa está a falhar às PME

A deputada das Mulheres pede ao Executivo que repense a estratégia de promover eventos culturais nos bairros históricos. A legisladora sugere uma nova estratégia para “reter” os turistas por mais tempo naqueles locais

A deputada Loi I Weng pede ao Governo que apresente novas medidas para ajudar a promover os negócios nos bairros históricos. O pedido faz parte de uma interpelação escrita, em que a legisladora das Mulheres aponta as falhas do modelo económico baseado na promoção de eventos culturais nestes bairros.

Segundo a opção do Executivo, as concessionárias ficam obrigadas a promover eventos em determinadas zonas históricas, como a Barra ou a Rua da Felicidade. A esperança é que estes eventos levem mais pessoas àqueles locais e incentivem o consumo nas pequenas e médias empresas.

No entanto, Loi I Weng aponta que apesar dos investimentos nos bairros o dinheiro não está a chegar às empresas com menor dimensão: “analisando o funcionamento actual das zonas históricas, verifica-se que os avultados recursos afectados ainda não foram eficazmente convertidos em benefícios reais para a economia comunitária, subsistindo várias contradições estruturais profundas que urge resolver”, justifica a deputada.

Sobre os problemas, Loi considera que a coordenação entre o discurso político e a implementação “não é suficientemente eficaz”, com a prática a não corresponder ao pretendido.

Fornecedores fixos

Além disso, Loi I Weng explica que as concessionárias recorrem quase sempre aos seus fornecedores de há vários anos na organização dos eventos, pelo que o número de empresas beneficiadas por estas iniciativas acaba por ser limitado.

Em relação a este aspecto, a deputada quer saber se a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico e a Direcção dos Serviços de Turismo vão criar “mecanismos” para obrigar “as entidades operadoras dos bairros históricos a publicar periodicamente listas de aquisição e de recrutamento” de serviços. O objectivo passa por criar mais oportunidades para outras empresas serem beneficiadas com os eventos.

Por último, a legisladora explica que os turistas visitam as iniciativas, mas muitas vezes nem consomem nos locais: “a atracção de visitantes mantém-se ao nível superficial, faltando um mecanismo de longo prazo que conduza os visitantes às ruas e vielas interiores”, aponta. “As actividades nas zonas históricas concentram-se sobretudo nas praças principais ou em troços específicos, onde os turistas fazem uma visita rápida e partem, sem se deslocarem às ruas e vielas das zonas antigas envolventes para consumir. Muitos comerciantes das lojas antigas referem não ter beneficiado do fluxo de pessoas gerado pelo programa”, acrescentou.

Neste capítulo, a deputada defende que a aprovação dos projectos financiados com capitais públicos deve ser mais criteriosa, com a atribuição de prioridade a propostas que façam com que os turistas caminhem pelas zonas envolventes dos bairros históricos.

16 Set 2026

CTT | Hutchison renuncia à licença de serviços de telecomunicações

O Governo recebeu um pedido da Hutchison, que até ao início do ano operava a rede de telemóveis 3 Macau, de renúncia à licença dos serviços de telecomunicações móveis 4G, com vista à cessação dos serviços de comunicações móveis a partir de 1 de Dezembro

Agora é oficial. Depois da venda da operadora de telecomunicações “3” à Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), em Janeiro deste ano, a Hutchison – Telefone (Macau) pediu ao Governo da RAEM a renúncia à sua licença dos serviços de telecomunicações móveis 4G e pretende cessar os serviços de comunicações móveis em Macau a partir de 1 de Dezembro deste ano.

A notícia do pedido foi revelada ontem pela Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT), que apontou a situação operacional da Hutchison como justificação para a decisão. “Trata-se de uma decisão comercial tomada autonomamente pela empresa”, sublinharam os CTT.

Os CTT acrescentaram que, para salvaguardar os direitos e interesses dos utilizadores, exigiram à Hutchison que elaborasse um plano para assegurar a “transição estável dos serviços”. A entidade pública comprometeu-se ainda em acompanhar de perto o processo de cessação das actividades da empresa de telecomunicações.

Foi também recordado aos utilizadores que devem escolher “o mais cedo possível e de acordo com as suas necessidades, uma operadora de telecomunicações adequada para tratar das formalidades de mudança de operadora, por forma a assegurar a utilização normal dos serviços de comunicações”.

Tomar o lugar

“Durante o período de transição, a Hutchison compromete-se a manter o funcionamento normal dos serviços básicos de comunicações e a prestar informações e apoio aos utilizadores nas suas lojas, das lojas da CTM e da linha de atendimento ao cliente”, é indicado.

Os CTT recordam que a Hutchison celebrou um acordo com a CTM para que esta assumisse a prestação de serviços aos clientes da 3, apoiando a “transferência ordenada para a rede da CTM”.

Recorde-se que no início do ano a CTM tornou-se a principal accionista da Hutchison Telefone (Macau), num negócio no valor de 110 milhões de dólares de Hong Kong, encerrando mais de duas décadas de operações no mercado de Macau.

No comunicado à Bolsa de Valores de Hong Kong onde anunciou o negócio, o presidente da Hutchison Telecom, Canning Fok Kin Ning, afirmava que a venda iria melhorar a rentabilidade nos próximos anos, permitindo redistribuir recursos de forma mais eficaz e simplificar a estrutura operacional.

A Hutchison Telecom é uma subsidiária do grupo CK Hutchison Holdings do bilionário de Hong Kong Li Ka-shing.

16 Set 2026

Segurança Nacional | Iau Teng Pio diz que plataforma com Ocidente cria riscos

O deputado e vice-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau defende que as associações têm de se subordinar à segurança nacional e incluir o patriotismo nos estatutos

O deputado Iau Teng Pio considera que o facto de Macau ser uma plataforma entre a China e o Ocidente contribui para a existência de vários riscos para a segurança nacional.

A posição foi tomada através da publicação de um artigo de opinião no jornal Ou Mun, em que o também vice-director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau defende maiores exigências patrióticas para as associações locais. “Como centro de intercâmbio entre a cultura chinesa e a ocidental, Macau enfrenta riscos potenciais de segurança nacional que revestem um carácter mais dissimulado e complexo”, escreve Iau Teng Pio.

“Ao aperfeiçoar o seu sistema de governação através de reformas legislativas, a RAEM cria um novo panorama focado em áreas de alto risco — como as relações externas das associações, a circulação de fundos e a disseminação em redes —, aplicando um controlo de conformidade regular para dissipar os riscos na origem e tecer uma rede de protecção multidimensional e tridimensional para a segurança nacional”, é acrescentado.

A opinião surge numa altura em que decorre uma consulta pública sobre a futura lei das associações, que se espera que dê poderes às autoridades para encerrarem qualquer associação que não seja considerada patriota.

Apesar deste aspecto, o especialista em direito considera que não se está a limitar a liberdade de associação: “O aperfeiçoamento do regime de conformidade com a segurança nacional para as associações não visa limitar a liberdade de associação, mas sim seguir a lógica internacional de governação centrada em ‘regulamentar para promover a saúde e garantir a conformidade para alavancar o desenvolvimento’, purificando o ecossistema associativo e padronizando a ordem operacional”, sustenta.

À imagem da Rússia

Em defesa do diploma do Governo que ainda não é conhecido, o deputado considera que a “liberdade de associação é um direito fundamental, mas não um direito absoluto”.

Iau Teng Pio aponta que as associações têm de estar subordinadas à segurança nacional, e que o mesmo acontece “em todos os países do mundo”. “Todos os países do mundo delimitam claramente os seus regimes de direitos, estabelecendo a salvaguarda da segurança nacional e da ordem pública como limites legais indispensáveis para o funcionamento das associações”, escreve. “Assim, observa-se que a aplicação de supervisão e controlo de conformidade no âmbito da segurança nacional às associações representa um princípio jurídico e uma prática internacional comummente aceites a nível global”, frisou.

Entre os exemplos citados pelo deputado de jurisdições que limitam a liberdade de associação surgem a Rússia, o Reino Unido e ainda a Alemanha.

Iau Teng Pio indica também que o conceito de “amor pela Pátria e por Macau” e o “cumprimento da lei e salvaguarda da segurança deve ser incorporado nos estatutos sociais e integrado nas operações diárias” das associações. O deputado pede ainda às associações para deixarem de ser “meros sujeitos de prestação de serviços sociais” e evoluam para “guardiãs da segurança nacional na base comunitária”.

16 Set 2026

Livro | Joaquim Magalhães de Castro lança “Bengala e o Reino do Dragão”

Acaba de ser editado o livro “Bengala e o Reino do Dragão – Façanhas Portuguesas no Delta do Ganges e nos Himalaias”, de Joaquim Magalhães de Castro, cronista e viajante que viveu em Macau. O livro revive o percurso que os padres jesuítas Estevão Cancela e João Cabral fizeram pelos Himalaias, no século XVII, em busca de um sítio chamado “Cataio”, nome alternativo para a China

Há muito que Joaquim Magalhães de Castro se dedica a vaguear pela Ásia em busca dos seus segredos, com particular incidência sobre as missões dos jesuítas portugueses e a presença histórica dos portugueses no continente. Depois do documentário “No Reino do Dragão”, exibido em 2022 na RTP, o autor e cronista resolveu editar um livro que nasce desse projecto audiovisual e que conta as aventuras dos jesuítas Estevão Cacela e João Cabral rumo ao Tibete Central, no século XVII, e que incluiu uma longa estadia no recém-criado Butão, no coração dos Himalaias. “Bengala e o Reino do Dragão – Façanhas Portuguesas no Delta do Ganges e nos Himalaias” é o nome dado à obra apresentada recentemente na Feira do Livro do Porto, e que tem a chancela da Lema D’Origem.

Estevão Cacela e João Cabral estiveram na missão jesuíta de Cochim e foram para Goa, no então Estado português da Índia. Saíram em 1626 do Golfo de Bengala para o Butão, onde chegaram em Fevereiro de 1627 e onde permaneceram largos meses.

O objectivo, porém, era chegar ao Tibete Central e a um lugar chamado “Cataio”, ou seja, à China. Segundo o prólogo do livro, antes da chegada ao Tibete era preciso desbravar “as montanhas do reino do Butão, tarefa que não se adivinhava nada fácil”. Oito meses depois, e “após duas sofridas viagens – intercaladas por uma longa e privilegiada permanência no reino butanês –, Cacela atingiria Xigatsé”. Por sua vez, João Cabral chegaria a esse lugar uns meses depois, onde os dois criaram uma missão jesuíta.

Ao HM, Joaquim Magalhães de Castro conta como este livro é fruto da viagem realizada há exactamente dez anos para a produção do documentário para a RTP. “Queria contar o resto da história das viagens dos jesuítas ao Tibete. Os padres João Cabral e Estevão Cacela foram os primeiros ocidentais a conhecer o Butão via Bengala, e nessa viagem que fizemos para o documentário passámos pelo Bangladesh, Bengala e Butão, seguindo mais ou menos o trajecto que os padres fizeram no início do século XVII.”

Lançar este livro revelou-se importante dado que em 2026 celebram-se os 400 anos do início desta viagem. Dos oito meses que passaram no Butão, grande parte foram marcados por difíceis viagens a pé, em condições muito precárias, das quais restaram alguns escritos. “A chegada deles [dos dois padres jesuítas] coincide com a formação do Estado do Butão, que antes não existia nessa condição. Na primeira parte do livro falo dessa história”, explicou o autor.

Joaquim Magalhães de Castro também se debruça “nas comunidades de católicos que vivem naquela zona de Bengala”, onde “há muita gente que se assume como tendo origem portuguesa, tendo ou não sangue português, e que têm apelidos portugueses”.

Uma série de peripécias

Por norma, naqueles anos, os jesuítas exploravam aquela parte do mundo pela Índia, “através das montanhas dos Himalaias”. Tratava-se de um percurso “cheio de peripécias, aventuras e dificuldades”, sendo que a primeira passava por tentar passar despercebido. “Eles iam sempre disfarçados de mercadores muçulmanos, por exemplo. A certa altura, disfarçavam-se de soldados, usavam todos os meios que tinham ao seu alcance para atingir o objectivo que queriam, que era chegar ao Tibete.”

Além disso, a dupla de padres levava mercadorias para possíveis transacções, e “presentes que serviam como moedas de troca para favores”. “Agora existem fronteiras, mas na altura era mais complicado, e havia ainda muitos ladrões e uma série de dificuldades no trajecto em si. Logo em Daca [actual capital do Bangladesh], houve uma rebelião e eles foram praticamente linchados, tendo de se esconder em cima de uma casa com a ajuda de alguém. Conseguiram afastar-se, mas a aventura poderia ter terminado logo ali”, acrescentou.

Estevão Cacela e João Cabral foram avançando entre autorizações de reis para atravessar território. Havia ainda “a questão das doenças, e um deles contraiu uma, talvez malária, e teve quase às portas da morte, tudo isto antes de chegar ao Butão”.

Chegados a este país nos Himalaias, o monarca foi “previamente informado de que havia estrangeiros nas suas terras” e acabou por mandar “enviados especiais para saber o que é que eles [padres jesuítas] queriam, se traziam presentes”.

O livro conta também “imensas histórias interessantes” que Estevão Cacela e João Cabral deixaram até chegar ao Tibete Central. “De certa maneira enganaram o próprio rei, que os tinha como hóspedes, mas, ao mesmo tempo, prisioneiros. Eles [autoridades asiáticas] gostavam de ter estrangeiros, pois eram pessoas exóticas e com conhecimento, cultas.”

Joaquim Magalhães de Castro realça a permanência de estrangeiros sob uma ténue vigilância mediante um acordo tácito, uma espécie de moeda de troca. “Havia a questão da curiosidade, e depois claro que os portugueses tinham o objectivo de envangelizar [as populações].”

Sinais que perduram

O autor de “Bengala e o Reino do Dragão – Façanhas Portuguesas no Delta do Ganges e nos Himalaias” adiantou que ainda hoje, nas escolas do Butão, “as crianças aprendem nos manuais escolares quem foi João Cabral e Estevão Cacela como os dois primeiros ocidentais a chegar ao Butão”. “Enquanto que, no Tibete, a memória desapareceu completamente, no Butão continua e é ensinado na escola, além de que pessoas com alguma cultura sabem essa história”, acrescentou.

Ao longo dos anos houve registos, “documentos que não foram publicados, que não foram descobertos, ou que se perderam”. Estas viagens feitas pelos jesuítas “eram especiais e únicas, feitas com muitas dificuldades”.

Joaquim Magalhães de Castro já as fez, quer na qualidade de documentarista, quer como guia turístico, e assume: “só podemos sentir um bocadinho do que eles passaram”. “Há zonas em que se sobem as montanhas, uma cada vez mais alta do que outra, com vales e precipícios, coisas incríveis, com uma profundidade… é como multiplicar as nossas montanhas várias vezes. E eles referem isso nos seus diários. Imagine-se fazer isto a pé, sempre com ladrões, a ter de pagar isto e aquilo”, rematou.

De destacar que o par de religiosos aventureiros tiveram relações com Macau, que por esta altura já tinha uma presença jesuíta bem firmada: João Cabral foi vice-reitor do Colégio de São Paulo, a primeira instituição de ensino superior de estilo ocidental na Ásia. A escola foi fundada em 1594 e servia para preparar os missionários jesuítas nas suas missões. Tinha disciplinas como Latim, Teologia, Filosofia, Matemática, Chinês e Japonês, entre outras.

16 Set 2026

Juíza portuguesa diz que tribunais constitucionais “estão a ser atacados”

A juíza do Tribunal Constitucional (TC) português Maria Benedita Urbano avisou ontem que os tribunais constitucionais “estão a ser atacados” face à ascensão do populismo e autoritarismo em sociedades democráticas.

“Somos alvo de ataque por aqueles que querem desmantelar o Estado de Direito democrático, porque o Tribunal Constitucional defende os direitos fundamentais, de expressão, manifestação, participação política”, disse a magistrada. Urbano, que é também docente na Universidade de Coimbra, falava durante o 29º Encontro de Professores de Direito Público, que decorreu pela primeira vez em Macau.

O TC “assegura que competição política é justa e igualitária”, sublinhou Urbano, e “garante o jogo de pesos e contrapesos, que o executivo não usurpe as funções do legislativo”. A juíza defendeu que a pandemia de Covid-19 “foi a tempestade perfeita”, ao levar à imposição de restrições às liberdades fundamentais, algo que “acelerou estas tendências” para o populismo.

Urbano alertou para vários métodos que podem ser usados para reduzir o papel do TC como “guardião da Constituição por excelência”, incluindo a “asfixia financeira”, a limitação da jurisprudência e a substituição de juízes.

A magistrada deu como exemplo a “campanha pública de deslegitimação” do Supremo Tribunal Federal do Brasil, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023) tentou nomear “mais juízes sensíveis à sua causa”.
Urbano sublinhou que a situação não é tão grave em Portugal, mas lembrou que em 2022 juristas apelaram ao fim ou à redução do número de juízes nomeados pelos outros membros do TC.

Nos termos da Constituição, o TC é composto por 13 juízes, sendo dez designados pela Assembleia da República e os outros três cooptados por estes. Dos 13, seis são obrigatoriamente escolhidos de entre juízes dos restantes tribunais e os demais de entre juristas.

“Há quem defenda que a cooptação deve deixar de existir, que os três juízes devem ser nomeados pelo Presidente da República”, disse Urbano. Mas a magistrada disse que essa mudança “é de evitar”, porque pode levar à nomeação de “juízes leais ao poder político do momento” e “favorecer o controlo do poder judicial pelo executivo”.

Para evitar uma “deslegitimação, que com o tempo se pode agravar”, Urbano sublinhou que o TC deve manter “total respeito pela separação dos poderes”. “É preciso manter o prestígio do Tribunal Constitucional, manter e transmitir uma imagem de tribunal independente e parcial, para que seja a própria população a defender a instituição”, disse a juíza.

Cenários políticos

Em Maio, a vice-presidente do grupo parlamentar do partido português Chega, Cristina Rodrigues, acusou o TC de “activismo político” e desrespeito pela separação de poderes. Isto depois do TC ter declarado como inconstitucional um decreto do parlamento que previa a perda de nacionalidade como sanção acessória pela prática de certos crimes.

“A esquerda perdeu a maioria na Assembleia da República, mas continua a ter a maioria no TC e nos juízes que ocupam os cargos para os quais são nomeados. E isto tem tido consequências, consequências à vista de todos, principalmente nos últimos tempos”, afirmou Rodrigues.

15 Set 2026

Estudo | “Economia da solidão” superou um bilião de dólares na China em 2025

Os consumidores solteiros na China gastaram mais de um bilião de dólares em 2025, mais 50 por cento do que dois anos antes, impulsionando uma crescente “economia da solidão”, indica um relatório divulgado ontem

 

O documento, da autoria de Y. Tony Yang, professor da Universidade George Washington, nos Estados Unidos, aponta, no entanto, que o fenómeno deve ser entendido não apenas como um novo mercado de consumo, mas como resultado da desagregação de funções tradicionalmente asseguradas pelas famílias.

Durante grande parte da história moderna as famílias partilharam despesas como habitação e alimentação, além de assegurarem cuidados a crianças e idosos, companhia e protecção perante imprevistos, observa o autor. “Em toda a Ásia Oriental, esse modelo está a perder peso, levando cada vez mais pessoas a recorrer a serviços pagos para satisfazer necessidades antes asseguradas no seio da família”, escreve Yang.

Na China, o censo de 2020 contabilizou 125 milhões de pessoas a viver sozinhas, o equivalente a uma em cada quatro famílias, enquanto tendências semelhantes são observadas noutros países da região. Na Coreia do Sul, 36 por cento dos agregados familiares são constituídos por uma única pessoa, enquanto no Japão a proporção deverá atingir 44 por cento em 2050.

Segundo dados da empresa chinesa de investigação Discovery Reports, citados pelo autor, os gastos dos solteiros chineses ultrapassaram um bilião de dólares em 2025, aumentando cerca de 50 por cento em apenas dois anos. Yang considera, contudo, que parte desse crescimento não representa necessariamente nova actividade económica, mas a “transformação em transacções comerciais de funções anteriormente desempenhadas dentro do agregado familiar”.

Quando uma família prepara uma refeição em casa, exemplifica, essa actividade não é contabilizada no produto interno bruto (PIB), mas quando alguém que vive sozinho encomenda uma refeição individual ou paga por entretenimento ou companhia, essas mesmas necessidades passam a surgir nas estatísticas económicas.

O autor alerta ainda que parte das despesas associadas à chamada “economia da solidão” não corresponde a consumo discricionário, mas a custos que quem vive sozinho não pode partilhar, incluindo renda, electricidade ou electrodomésticos.

Família de um

A tendência está também a criar produtos e serviços na China, desde refeições para uma pessoa a aplicações destinadas a verificar o bem-estar de quem vive sozinho. Uma aplicação chinesa cujo nome pode ser traduzido como “Estás morto?” chegou ao primeiro lugar entre as aplicações pagas no país em Janeiro. O serviço alerta um contacto de emergência caso o utilizador falhe duas verificações diárias consecutivas.

Para Yang, trata-se de “um substituto pago para uma tarefa que, até recentemente, não precisava de um produto”.

O relatório destaca igualmente o crescimento dos serviços de companhia baseados em inteligência artificial (IA), numa altura em que Pequim começou a regulamentar este mercado. Novas regras chinesas para serviços de IA “antropomórfica”, em vigor desde 15 de Julho, proíbem relações românticas virtuais com menores, exigem consentimento dos encarregados de educação para utilizadores com menos de 14 anos e obrigam as empresas a intervir perante sinais de automutilação ou dependência emocional excessiva, segundo o documento.

Yang defende que o crescimento das famílias unipessoais obrigará também os governos a repensar sistemas de saúde e assistência social ainda construídos em torno da existência de cônjuges, filhos ou outros familiares capazes de prestar cuidados. “A economia da solidão é três coisas ao mesmo tempo: um mercado real, um artefacto estatístico e uma perda de eficiência”, resume.

O académico considera a Ásia um “local piloto” para uma transformação que deverá alastrar posteriormente a outras regiões do mundo, à medida que aumenta o número de pessoas que vivem sozinhas.

15 Set 2026

MPay | AMCM “atenta” a acusações sobre falhas de segurança

A MPay foi acusada de permitir o roubo de uma conta, ao transferir a titularidade sem verificar a identidade do dono da conta, resultando na perda de 2 mil patacas do novo titular, uma criança de 10 anos. A AMCM assegura que está atenta ao caso e a possíveis falhas de segurança

 

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) afirma estar “atenta” às acusações de existência de fragilidades na segurança da plataforma de pagamentos MPay, explorada pela Macau Pass, que integra o grupo Alibaba. A plataforma de pagamentos está a ser acusada de transferir a titularidade da conta de um utilizador sem qualquer verificação de identidade por SMS, o que terá permitido um alegado roubo de fundos.

A polémica que envolve a plataforma MPay surgiu durante o fim-de-semana nas redes sociais, quando um internauta denunciou que a titularidade da carteira electrónica do seu filho de 10 anos tinha sido transferida para outra pessoa, com perdas de 2 mil patacas.

A transferência de titularidade terá sido possível porque anteriormente o número de telemóvel da criança tinha pertencido a outra pessoa. Esta pessoa também tinha registado uma conta na plataforma MPay com o mesmo número.

Contudo, com o passar dos anos, o número ficou inactivo e foi reciclado pela CTM e atribuído ao filho do denunciante. Este utilizou o número para registar uma conta na plataforma MPay para a criança, para onde transferia todas as semanas 70 patacas.

Todavia, o antigo proprietário do número de telemóvel terá contactado a MPay para recuperar a conta antiga, o que conseguiu: “Afinal, aquele número de telefone já tinha sido usado anteriormente para registar uma conta na MPay. O antigo titular da conta pediu para reaver a conta sem precisar do código de verificação por SMS, e a MPay, sem qualquer tipo de aviso, transferiu directamente a conta do actual titular do número para o nome do antigo titular…”, relatou o queixoso numa publicação num grupo de Facebook.

“Só posso dizer que esta falha no sistema da MPay fez com que o meu filho ficasse a usar a conta antiga de outra pessoa. Naquele momento fiquei de queixo caído e só me apetecia perguntar: afinal, para que serve o código de verificação do telemóvel?”, acrescentou.

Investigação em curso

O relato difundido nas redes sociais tornou-se viral, com o denunciante a recomendar que as pessoas nunca mais utilizem a aplicação MPay. O homem divulgou também ter apresentado queixa à Polícia Judiciária (PJ), pelo que o caso está sob investigação.

Na publicação online, o autor reconheceu estar conformado com a perda de 2 mil patacas, e recomendou às pessoas que registem sempre os números de telemóvel em todas as aplicações possíveis, para impedir roubos deste género.

Numa resposta citada pelo canal chinês da Rádio Macau, a AMCM indicou que o caso denunciado se trata de uma disputa sobre a titularidade da conta e que está a ser acompanhado pelos órgãos judiciários.

A AMCM afirmou ainda que presta muita atenção à segurança do uso dos pagamentos electrónicos, pelo que exige às instituições de pagamento o estabelecimento de medidas adequadas de verificação de identidade em etapas como o registo de conta, redefinição de palavra-passe, transacções e verificação de identidade, de modo a garantir a segurança dos pagamentos e a salvaguardar os direitos e interesses dos clientes.

Por sua vez, a Macau Pass prometeu total cooperação com a investigação e defendeu que “os seus mecanismos de segurança estão a funcionar normalmente, não tendo sido detectada qualquer anomalia ao nível da segurança do sistema”.

15 Set 2026

Metro Ligeiro | Conselheiro quer mais comércio ligado à cultura

O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários Si Iat defende que no planeamento das zonas comerciais do Metro Ligeiro se deve apostar no turismo cultural. O conselheiro defende a introdução de produtos dos países de língua portuguesa

 

No planeamento dos espaços comerciais do Metro Ligeiro deve ser dada atenção à cultura e património, apostando-se em modelos de negócio que estabeleçam uma ligação com as zonas de Macau por onde passa este meio de transporte.

A ideia foi defendida por Si Iat, conselheiro dos Serviços Comunitários, que, segundo o Jornal do Cidadão, sugeriu ao Governo os exemplos das cidades da Grande Baía ao combinar o transporte urbano com o turismo cultural. Em declarações ao jornal chinês, o conselheiro explicou que se deve apostar em negócios e espaços comerciais que promovam a cultura de cada bairro ou zona de Macau, revitalizando-se, desta forma, o ambiente comercial do Metro Ligeiro.

Outra das sugestões de Si Iat passa pela atracção de marcas de Macau para as estações do Metro Ligeiro, além da aposta numa zona de exposição de produtos oriundos dos países de língua portuguesa. O responsável defendeu também que a entidade gestora deste meio de transporte, a Sociedade do Metro Ligeiro de Macau, pode trabalhar com as autoridades no sentido de reservar algumas lojas com renda controlada para que os jovens locais possam desenvolver os seus negócios.

Si Iat deu o exemplo da empresa gestora do metro de Hong Kong, a MTR Corporation Limited, que cobra a renda das lojas conforme as receitas obtidas, ao invés de cobrar um montante mensal fixo.

Patacas nas fronteiras

Tendo em conta as estações do Metro Ligeiro que vão estar perto dos postos fronteiriços das Portas do Cerco e Qingmao, o conselheiro disse que a aposta das autoridades deve ser em lojas de conveniência, tendo em conta o elevado número de visitantes.

Si Iat considera que podiam ser abertas lojas de levantamento de mercadorias com isenção de impostos, lojas de lembranças turísticas ou ainda de venda de cartões de telemóvel, bem como de câmbio de moeda. A ideia é disponibilizar os serviços mais procurados pelos visitantes dentro das estações, ou nos percursos de ligação.

Porém, Si Iat defende que o comércio nestes espaços do metro deve procurar dar resposta às necessidades dos moradores destas zonas que vão trabalhar ou que simplesmente usam o metro para se deslocar no dia-a-dia, com a abertura de supermercados, cafés, cabeleireiros ou lojas do Taobao.

As estações do metro também poderiam acolher feiras aos fins-de-semana ou feriados, acrescentou, além de que algumas lojas poderiam ser alugadas a curto prazo para a apresentação de produtos da área das indústrias criativas.

Por sua vez, Kuok Meng Chit, membro do Conselho Consultivo do Trânsito, disse que a estação do Metro Ligeiro da Barra faz uma importante ligação entre meios de transporte, mas que as lojas que estão na estação não estão localizadas nas zonas que os passageiros têm de atravessar, o que afecta o interesse comercial destes espaços.

Assim, o conselheiro disse que, o planeamento dos espaços comerciais do Metro Ligeiro deve dar atenção à localização das lojas, para que haja uma conjugação com os percursos feitos pelos passageiros.

15 Set 2026

Edifícios | FAOM quer criminalizar arremesso de objectos em altura

Após a queda de uma faca de um edifício na Zona A dos Novos Aterros, Cheang Kai Lok, membro dos Operários no Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, defende a criminalização da conduta

 

O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, Cheang Kai Lok, defende a criminalização do arremesso de objectos em altura. Foi desta forma que o membro dos Operários reagiu a um caso recente em que uma faca de cozinha caiu dos andares superiores de um prédio na Zona A dos Novos Aterros.

Através de um comunicado divulgado ontem, Cheang considerou a legislação actual ultrapassada por punir com “sanções relativamente ligeiras” o arremesso de objectos em altura, desde que não haja feridos nem danos materiais. O conselheiro sugere, assim, ao Executivo que siga o exemplo das “regiões vizinhas” para criar um novo tipo de crime autónomo para esta conduta.

No entanto, se o Governo não quiser criar o novo tipo de crime, o membro da FAOM defende que se devem “agravar as sanções administrativas” para estabelecer “normas jurídicas mais claras e severas”.

Sobre as opiniões que defendem a instalação de mais câmaras de videovigilância na cidade viradas para as habitações, de forma a detectar os infractores deste tipo de práticas, Cheang Kai Lok pediu cautela. O conselheiro explicou que “a instalação adicional de equipamentos de vigilância em altura pode entrar em conflito com as disposições relativas à protecção da privacidade individual no actual regime jurídico da videovigilância em espaços públicos”.

Cheang considera que o mais importante passa pelas as autoridades encontrarem “um equilíbrio razoável” entre a salvaguarda da segurança pública e a garantia da privacidade individual dos residentes.

Comunidade preocupada

Sobre o episódio da queda de uma faca de cozinha, Cheang Kai Lok alertou para os riscos e para o facto de ser uma prática repetida. “Dado o risco extremo que a queda de objectos em altura representa, e considerando que no passado já tinham ocorrido de forma esporádica episódios de diferente gravidade nessa zona, o caso gerou rapidamente uma enorme preocupação e apreensão entre os residentes do bairro”, descreveu.

No seguimento do alerta, o conselheiro pediu à população para ter mais cuidado com a forma como guarda as coisas em casa, principalmente perto das janelas.

Cheang defendeu ainda que os “moradores devem inspeccionar proactivamente o seu ambiente doméstico, especialmente espaços abertos como varandas e parapeitos de janelas, evitando a colocação de vasos de plantas, ferramentas, utensílios de cozinha ou outros objectos susceptíveis de cair”.

Além da negligência acidental, Cheang Kai Lok assinalou que alguns comportamentos de arremesso de objectos em altura podem ter origem em oscilações emocionais ou no stress do quotidiano de determinados indivíduos. Face a estes casos, o responsável entende que as famílias devem acompanhar e apoiar os membros que se mostrem mais fragilizados.

15 Set 2026

Hengqin | Sam Hou Fai defende visão integrada de políticas

O Chefe do Executivo pediu aos secretários uma “abordagem integrada entre Macau e Hengqin” na implementação de políticas. Sam Hou Fai vincou a importância de tratar os assuntos de Hengqin como assuntos de Macau

 

Sam Hou Fai presidiu ontem à sexta reunião do Grupo de Liderança para a Promoção da Construção da Zona de Cooperação em Hengqin, tendo defendido que “todos os sectores do Governo da RAEM devem estabelecer uma abordagem integrada entre Macau e Hengqin” na adopção de medidas e políticas para o território.

Segundo um comunicado difundido pelo Gabinete de Comunicação Social, o encontro serviu para a definição de políticas a adoptar na Zona de Cooperação, contando com os cinco secretários que compõem o Executivo local.

No processo de integração entre Macau e Hengqin, Sam Hou Fai lembrou que se deve continuar a promover “os quatro projectos-chave de Macau”, sendo que um deles é a construção da nova Cidade Universitária. Na visão do governante, as autoridades devem “alinhar as regras e integrar mecanismos a fim de avançar na integração entre Macau e Hengqin”.

O Chefe do Executivo destacou também “a importância desta reunião especial”, dado realizar-se “no momento crucial que é o quinto aniversário da criação da Zona de Cooperação, o que tem um impacto significativo”, disse.

Assuntos dos dois lados

Sam Hou Fai referiu também que a sexta reunião deveria ser encarada como “uma oportunidade para acelerar a implementação do ‘pacote de políticas e medidas'” já delineadas para esta zona. Além disso, “os próximos passos devem ser planeados de forma abrangente para levar os trabalhos da Zona de Cooperação a um novo patamar”, descreveu.

Desta forma, Sam Hou Fai “reiterou a necessidade de tratar os assuntos de Hengqin como assuntos de Macau”, devendo existir um alinhamento com o 15º Plano Quinquenal do país, bem como com o mais recente Plano de Desenvolvimento Sócio-económico da RAEM.

Xia Baolong, director do Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China, esteve presente na sessão. Sam Hou Fai lembrou a importância de “estudar o espírito da reunião e o discurso do director Xia Baolong”, a fim de as autoridades poderem implementar “de forma integral todos os planos de trabalho”.

15 Set 2026

El Niño | SMG alerta que tufões podem tornar-se mais intensos

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos avisam a população para se preparar para o impacto de supertufões ainda este ano. Devido ao El Niño, esperam-se menos tufões, mas cada vez mais intensos

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) avisaram que o fenómeno El Niño aumenta o risco de o sul da China ser atingido por tufões mais intensos ainda este ano. O El Niño é caracterizado por um aumento nas temperaturas da superfície no centro e leste do Pacífico equatorial. Normalmente ocorre a cada dois a sete anos e dura aproximadamente nove a doze meses.

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) de Macau alertaram que, quando o El Niño ocorre, “o número de tempestades tropicais que entram no mar do Sul da China é, em geral, inferior ao normal, mas a sua intensidade tende a ser mais forte”.

Isto porque “as águas quentes do Oceano Pacífico equatorial acumulam-se nas regiões central e oriental do oceano”, pelo que “os locais de formação das tempestades tropicais deslocam-se para leste”, explicaram os SMG, num comunicado.

“Como as tempestades tropicais dispõem de mais tempo para se desenvolver sobre o oceano, absorvendo continuamente o vapor de água e a energia térmica oceânica, a sua intensidade costuma ser também mais forte”, sublinhou a agência. Além disso, referiram os SMG, o El Niño deverá transportar “mais ar quente e húmido para a região” do sul da China, “resultando num nível de precipitação no inverno de Macau superior ao normal”.

O mais forte

A agência recordou que, de acordo com previsões da Organização Meteorológica Mundial e do Centro Nacional de Clima da China, o El Niño poderá ser o “mais forte desde que há registos observacionais”.

“As previsões apontam para que a sua intensidade possa evoluir para o nível “superforte” (ultrapassando os +2,5 °C), e se mantenha até Fevereiro de 2027″, disseram os SMG. Em Maio, o director-adjunto interino da agência meteorológica de Hong Kong já tinha avisado que o fenómeno aumenta o risco de o sul da China ser atingido este ano por supertufões.

O dirigente do Observatório de Hong Kong, Choy Chun-wing, previu que a região deverá ser afectada por entre quatro e sete tempestades tropicais em 2026, menos do que as 14 registadas no ano passado. No entanto, Choy alertou que o El Niño aumenta a probabilidade de as tempestades tropicais se transformarem em supertufões.

Os tufões são fenómenos recorrentes no Sudeste Asiático, quando as águas quentes do Oceano Pacífico favorecem a formação de ciclones, e o sul da China é atingido todos os anos por dezenas dessas tempestades tropicais.

Cenário esperado

No final de Março, os SMG de Macau não excluíram a possibilidade de a região ser afectada por supertufões semelhantes ao Ragasa, a mais poderosa tempestade registada no planeta em 2025.

Segundo um estudo publicado em 2024, os tufões na região estão a formar-se mais perto da costa do que no passado, intensificando-se mais rapidamente e permanecendo mais tempo sobre terra, em consequência das alterações climáticas.

De acordo com cientistas, as alterações climáticas estão a provocar fenómenos meteorológicos extremos mais frequentes e intensos em todo o mundo.

14 Set 2026

BIR | José Cesário vê “sinais positivos” da parte do Governo de Sam Hou Fai

O deputado acredita num novo regime para facilitar a aquisição de residência por cidadãos portugueses e declara haver “intenções positivas” no que diz respeito à presença portuguesa em Macau

O líder da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas da Assembleia da República de Portugal, José Cesário, considera que “há sinais positivos” que podem desbloquear a emissão do bilhete de identidade de residentes para cidadãos portugueses. As declarações foram prestadas ao canal em língua portuguesa da TDM, durante uma visita a Macau.

“Sei que há, eu diria, intenções positivas no sentido de dar garantias de que os portugueses continuam presentes em Macau. Recentemente foram nomeados dois magistrados portugueses para Macau e isso é muito importante”, afirmou o deputado do Partido Social Democrata. “O actual Chefe do Executivo é muito interessado, muito empenhado nesta relação, na presença portuguesa em Macau. Eu acho que tem havido sinais positivos e acho que poderá haver ainda mais”, frisou.

Desde 2023 que a Administração Pública de Macau acabou com o acesso preferencial de portugueses ao bilhete de identidade para residente, justificado pelo desempenho do exercício de funções técnicas especializadas.

Com as regras actuais, os portugueses que se mudem para Macau ficam abrangidos pelo regime de trabalhadores não residentes, o que impede a fixação de residência permanente e obriga a que os contratos de trabalho tenham um termo fixo, normalmente renovado a cada dois anos.

À espera da Comissão Mista

Desde as alterações legais que os políticos portugueses que visitam Macau, entre eles o primeiro-ministro, Luís Montenegro, expressam o desejo da criação de um novo regime especial para os cidadãos portugueses.

Este assunto deverá ser um dos tópicos de debate entre as duas partes na próxima Reunião da Comissão Mista, um acordo de cooperação entre as duas partes.

Não há qualquer reunião plenária da Comissão Mista desde 2019, antes da pandemia, e, apesar de as duas partes fazerem promessas frequentes de um novo encontro, este tem sido adiado ano após ano.

Sobre o futuro encontro, José Cesário mostrou-se confiante: “Não tenho qualquer informação privilegiada, acabou de reunir uma subcomissão [mista de educação]. Sei que é vontade dos Governos a sua realização breve, mas não sei mais do que isso”, apontou. “Acredito que a reunião se realize em breve”, reconheceu.

José Cesário realizou uma visita a Macau, onde, como tradicionalmente acontece, visitou a sede da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). Sobre a visita, Cesário, o também ex-secretário da Comunidades Portuguesas, afirmou servir para ouvir os portugueses. “Eu tenho sempre muita expectativa. Não venho cá apenas para debitar um discurso, venho sobretudo ouvir”, explicou. “Já tive a oportunidade de avaliar bem a importância que tem o facto de termos de fazer todos um esforço para manter a presença muito viva de Macau em Portugal e também manter a presença de Portugal aqui, em Macau”, apontou.

14 Set 2026

Finanças | Excedente das contas públicas dispara 26,2% até Agosto

O maior excedente deveu-se ao aumento das receitas com o jogo, até porque a despesa com apoios sociais também cresceu. O salto dos apoios ficou abaixo do previsto no orçamento

O excedente das contas públicas subiu 26,2 por cento até Agosto, em comparação com igual período de 2025, sobretudo devido ao aumento das receitas dos impostos sobre os casinos. De acordo com dados publicados pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), o excedente foi de quase 19 mil milhões de patacas entre Janeiro e Agosto. Recorde-se que no orçamento para todo o ano de 2026, o Governo tinha previsto um excedente muito menor, de 5,22 mil milhões de patacas.

O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior.

O excedente beneficiou de um crescimento de 6,2 por cento na receita corrente, para 76,6 mil milhões de patacas. A principal razão para este aumento foi um acréscimo de 6,9 por cento, para 66,2 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representaram 85,1 por cento do total.

As seis operadoras de jogo da cidade pagam um imposto directo de 35 por cento sobre as receitas do jogo, 2,4 por cento destinado ao Fundo de Segurança Social e ao desenvolvimento urbano e turístico, e 1,6 por cento entregue à Fundação Macau para fins culturais, educacionais, científicos, académicos e filantrópicos.

Mais receitas e despesas

As receitas totais dos casinos atingiram entre Janeiro e Agosto 169,1 mil milhões de patacas, um aumento de 3,7 por cento em comparação com o mesmo período do ano passado.

As despesas públicas também subiram 2,2 por cento nos primeiros oito meses do ano, sobretudo devido ao aumento nos gastos com apoios sociais. A região gastou até ao final de Agosto 58,8 mil milhões de patacas, 53,9 por cento do previsto para todo o ano.

A principal razão para a subida das despesas foi o reforço dos gastos em apoios e subsídios sociais, que cresceram 11,1 por cento, para 34,4 mil milhões de patacas. O orçamento aprovado em Novembro inclui benefícios fiscais para atrair sociedades gestoras de fundos de investimento, fundos de investimento especiais e investidores em fundos, para ajudar a desenvolver o sector financeiro.

Além disso, o Governo isentou do imposto de selo a compra da primeira habitação por parte de residentes, até seis milhões de patacas, num documento que previa uma subida de 4,3 por cento nos apoios e subsídios sociais.

Em Julho de 2025, a Assembleia Legislativa também já tinha aprovado uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas as despesas previstas no orçamento do ano passado, para reforçar os apoios sociais. A revisão inclui a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para as crianças até aos 3 anos, numa tentativa de elevar a mais baixa natalidade do mundo.

Pelo contrário, os gastos com obras públicas – o Plano de Investimentos e Despesas da Administração (PIDDA) – recuaram 13,2 por cento até Agosto, para 9,54 mil milhões de patacas.

14 Set 2026

TJB | Julgamento de Au Kam San arranca quarta-feira à porta fechada

O ex-deputado Au Kam San será julgado no Tribunal Judicial de Base, com a primeira sessão de audiência marcada para quarta-feira. O Ministério Público pediu que as audiências decorram à porta fechada para prevenir “prejuízo aos interesses da segurança do Estado”

Mais de um ano depois de ter sido detido, o julgamento do ex-deputado Au Kam San vai começar na próxima quarta-feira, numa sessão que irá decorrer à porta fechada, segundo um comunicado emitido pelo Tribunal Judicial de Base (TJB) na sexta-feira. Au Kam San é o primeiro arguido a ser julgado num processo relativo à segurança do Estado.

“A pedido do Ministério Público e com a confirmação da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau, o juiz titular do processo (…), decidiu proceder ao julgamento do processo à porta fechada, a fim de assegurar que não se cause prejuízo aos interesses da segurança do Estado”, indica o TJB.

Recorde-se que a Comissão de Defesa da Segurança do Estado é presidida pelo Chefe do Executivo e constituída pelos secretários do Governo, as chefias dos Serviços de Polícia Unitários, Serviços de Alfândega, Polícia Judiciária, Corpo de Polícia de Segurança Pública, Instituto Cultural, os directores de serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e Serviços de Assuntos de Justiça, o director da Inspecção e Coordenação de Jogos e os chefes de gabinete do Chefe do Executivo e do secretário para a Segurança. A comissão é assessorada por representantes do Governo Central.

A defesa de Au Kam San, cidadão português, é outra questão definida pela lei da Comissão de Defesa da Segurança de Estudo. No fim da discussão em Conselho Executivo, o secretário para a Administração e Justiça de Macau, Wong Sio Chak, afirmou que mandatários dos réus envolvidos em julgamentos enquadrados pela Lei de Segurança Nacional terão que ter “certas características e ser aprovados por um juiz”. Estes advogados podem ser excluídos pelo juiz, após decisão da comissão, sem direito a recurso.

Longa espera

Au Kam San foi detido a 30 de Julho de 2025 por suspeitas de violação da Lei de Segurança Nacional, a primeira detenção por este tipo de crime desde a fundação da RAEM.

Um dia depois, a Polícia Judiciária emitiu um comunicado a alegar que Au, deputado na Assembleia Legislativa durante duas décadas, actuou em conluio “uma organização estrangeira anti-China” desde 2022, a quem forneceu “uma grande quantidade de informações imprecisas e incendiárias” para serem divulgadas fora da China e também na Internet.

Au Kam San foi também acusado de manter “ligações de longa data” com várias entidades estrangeiras anti-China e de lhes fornecer “repetidamente” informações “imprecisas” sobre Macau, assim como a órgãos de comunicação social controlados por essas entidades.

14 Set 2026

Cinema | Fundação Oriente recebeu estreia de “The Violin Case”

“The Violin Case”, a primeira longa-metragem de Maxim Bessmertny, teve a estreia europeia na sexta-feira na Fundação Oriente, em Lisboa. O filme conta a história de um artista que se vê enrolado em múltiplas peripécias enquanto procura um violino perdido. O filme rodado durante a pandemia procurou captar a essência de Macau

Quem nunca teve problemas com um taxista em Macau? A questão transversal é o ponto de partida para a história de Theo, um artista que transporta um violino pintado com a figura do Napoleão Bonaparte, obra de arte que é o ponto de ignição para um autêntico incêndio narrativo. A impossibilidade de pagar a totalidade da tarifa de táxi, leva o motorista a vingar-se e simplesmente arrancar com o veículo, levando a que Theo perca o violino que tinha de entregar nessa noite.

Este episódio, que se inspira numa história verdadeira, é o mote para a primeira longa-metragem de Maxim Bessmertny. Depois da estreia em Macau, “The Violin Case” teve a sua estreia europeia na última sexta-feira, no Auditório Dr. Stanley Ho da Fundação Oriente (FO). O público pode ver de perto os actores, o realizador e parte da equipa de produção, incluindo António Vale da Conceição, músico macaense responsável pela banda sonora.

“The Violin Case” é um filme que retrata a noite de Macau com todos os seus ingredientes: as ruas quentes e desertas, os táxis e carros a deambularem de um lado para o outro, os néons que dão ao território uma essência tão especial. Maxim Bessmertny conseguiu fazer um filme onde o jogo está longe de ser o principal protagonista, nem sequer o Cotai. Há personagens que remetem para as muitas vidas que Macau tem e teve, de pessoas que, não nascendo no território, fizeram dele a sua casa. É o caso da personagem Pauline, interpretada pela designer Clara Brito, que, na trama, foi viver para o território nos anos 80 devido aos negócios do pai, e que vira uma galerista sem escrúpulos.

Ao HM, Maxim Bessmertny revelou como esta foi a primeira vez que mostrou um trabalho cinematográfico seu em Lisboa. “É uma sensação incrível porque vim cá com os actores, a Clara [Brito], o Filipe Baptista Tou, que também é músico, actor, empreendedor de Macau. É a primeira vez que vou mostrar qualquer trabalho meu em Portugal. Mostrei as curtas-metragens, mas estávamos na altura da covid-19. Espero que as pessoas gostem do filme, que haja mais exibições e que o cinema independente continue a crescer.”

O realizador revela a dificuldade em chegar à programação de festivais de cinema com uma longa-metragem. “É este o nosso trabalho [mostrar o filme]. Eu, com as curtas-metragens, tive a sorte de entrar em festivais, mas com as longas-metragens é muito mais complicado, porque um festival de cinema recebe cerca de quatro mil filmes. É impossível.”

Desta forma, salientou, “é preciso ser um pouco mais criativo com as coisas, e não depender apenas de reuniões e convites”, referiu, explicando a presença na FO. Outras organizações de Macau, como a Fundação Macau ou a operadora de jogo Melco, deram também apoio, tal como o Governo da RAEM.

Filmar durante a covid

Fazer “The Violin Case” implicou enfrentar o período de confinamento em Macau na fase da covid-19. Implicou fazer escolhas e, muitas vezes, esperar até ao último momento para tomar decisões.

Maxim Bessmertny é filho do pintor russo Konstantin Bessmertny, há décadas radicado em Macau. Eles próprios perderam um violino há muitos anos, em Hong Kong, e foi esse lado real que o realizador transpôs para a sua primeira longa.

“O filme inspira-se num acidente que aconteceu ao meu pai, pintor que nasceu na Rússia e veio para Macau nos anos 90, onde cresci. A minha primeira memória é, portanto, de Macau, e o filme é inspirado nas imagens de Macau, na noite, e também na aventura que tive com o meu pai, em Hong Kong, quando ele perdeu o violino.”

“Passámos a noite inteira à procura da peça de arte, e no final não o conseguimos encontrar. Fomos à polícia, fizeram-se umas investigações, e não aconteceu nada nessa noite. Só o facto de eu estar à frente de um polícia de Hong Kong a fingir que era advogado do meu pai…”, recordou Maxim Bessmertny na apresentação do filme, para divertimento da plateia.

“Tentei escrever vários guiões, mas nada era muito real. Era tudo mais ligado aos anos 40, ao período da II Guerra Mundial, sempre passado em Macau, com o Casino Lisboa. Era difícil financiar isso. Lembrei-me da história do violino, estava a ver ‘After Hours’, do Martin Scorsese, e foi uma explosão de ideias”, explicou Maxim sobre o momento em que teve a ideia sobre aquilo que ia filmar.

Questionado pelo HM sobre os principais desafios do projecto, o realizador destacou a rodagem do filme, que coincidiu com os tempos da pandemia. “Quase não filmámos, porque havia um confinamento todos os dias, testes. Não sabíamos se íamos realmente filmar, então foi sentir pânico até ao último minuto.”

E nesta história não falta, sequer, o ingrediente da superstição. “No dia 1 de Setembro fizemos a cerimónia do Pai San, e não houve chuva durante as nossas noites de filmagens. Tivemos quase um mês inteiro sem chuva, e percebi que talvez os ventos estivessem do nosso lado.”

Maxim Bessmertny destaca como teve “sorte, e muita sorte com as pessoas, que entenderam que estávamos a fazer uma coisa maluca num tempo maluco, com ideias malucas: várias localizações, quase 42, em 24 noites. Muitas personagens. Esse foi o grande desafio, o de conseguir chegar ao final”.

O realizador transformou a história que viveu com o pai fazendo-lhe adaptações. Theo, interpretado pelo jornalista e músico Kelsey Wilhem, é, por exemplo, “um artista mais novo”. “The Violin Case” foi também feito à imagem de “The After Hours”, película de 1985 com assinatura de Scorsese. “Escrevi o argumento numa semana”, confessou Maxim Bessmertny. E tudo se compôs depois disso.

O malvado motorista

Filipe Baptista Tou tem um dos papéis mais importantes da trama: é motorista de táxi e responsável por levar o violino para bem longe de Theo.

Ao HM, Filipe recorda a experiência. “Para começar filmámos este filme durante a pandemia e todos nós estávamos em confinamento, não tínhamos nada para fazer. Conheci o Maxim num podcast, conversámos, e ele disse-me que ia fazer um filme. Um ano depois perguntou-me se queria entrar. Ele deu-me a escolher entre dois personagens, um deles o de motorista de táxi. Fiz os dois, e tinha a ideia de que conseguiria fazer este papel na vida real. Quando fiz o teste, eles disseram: ‘Ok, temos o nosso condutor de táxi'”.

Filipe Baptista Tou destaca a importância de apresentar “The Violin Case” na Europa já que, em Macau, “não são feitos muitos filmes”. “Na maioria, são feitas curtas-metragens e eis que o Maxim decidiu fazer este filme, trabalhando com pessoas de diferentes nacionalidades. É um privilégio para mim estar no filme”, acrescentou.

“Precisamos de mais tempo [para desenvolver a indústria do cinema], porque de facto não temos uma grande indústria de entretenimento em Macau, com compositores, músicos, actores… Macau é muito pequeno, e estamos ainda a tentar mostrar-nos lá fora e conectarmo-nos com mais pessoas e países. O facto de estarmos aqui constitui uma grande oportunidade.”

Por sua vez, Clara Brito confessou que a possibilidade de interpretar Pauline surgiu quando buscava novos desafios. “Foi uma fase em que estava particularmente aberta a novos desafios, e não tinha grandes expectativas. Para mim, era entusiasmante fazer parte do projecto, e estávamos naquele contexto fechado, com Macau parada, e sendo eu da área criativa, interessava-me.”

A apresentação do filme contou com a presença do pintor e artista Manuel San-Payo, que viveu em Macau e partilhou a sua vivência com Konstantin Bessmertny.

14 Set 2026

HK / Incêndio | Acusadas duas empresas e quatro pessoas

A tragédia que atingiu as torres residenciais em Tai Po causando mais de 160 mortos continua a ser investigada. Conclusões deverão ser apresentadas em Outubro

O Governo de Hong Kong acusou duas empresas e quatro pessoas de usarem materiais não-retardantes e violarem normas de segurança nas obras de reparação que causaram o pior incêndio registado na cidade desde 1948.

O Departamento de Edifícios apresentou na quarta-feira 259 acusações contra o empreiteiro principal das obras, Prestige Construction & Engineering, e a consultora Will Power Architects, assim como contra um inspector e três directores das duas empresas.

Os quatro, juntamente com outras três pessoas, já tinham sido, em 10 de Junho, acusados de 25 crimes, incluindo homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude, branqueamento de capitais, tentativa de obstrução à justiça e fraude fiscal.

As autoridades sublinharam que foram também removidas janelas resistentes ao fogo ao longo das escadas de emergência para criar aberturas de acesso temporárias, permitindo que o fumo e o fogo invadissem os sete edifícios do complexo de Wang Fuk.

Também na quarta-feira, o Departamento do Trabalho apresentou 25 acusações contra a Prestige Construction & Engineering, a Power Architects e uma pessoa devido à morte de cinco trabalhadores do empreiteiro durante o incêndio. A lei da região semiautónoma chinesa prevê que a negligência na execução de obras pode ser punida com uma multa de até 500 mil dólares de Hong Kong e uma pena máxima de 18 meses de prisão.

O fogo, que deflagrou em 26 de Novembro e se prolongou por mais de 44 horas, matou 168 pessoas no complexo de habitação pública de Wang Fuk, situado na zona de Tai Po, nos Novos Territórios, onde viviam 4.600 pessoas.

Em Dezembro, o líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, criou um comité independente de investigação, com a missão de completar um relatório, em nove meses, sobre “as causas do incêndio” e “apresentar recomendações para prevenir incidentes semelhantes”.

Em Junho, o advogado principal da comissão, Victor Dawes, disse que dois grupos de peritos, a trabalhar de forma separada, concluíram que o elevado número de mortes no incêndio teria sido “totalmente evitável”.

A líder da divisão de ciências forenses do laboratório público de Hong Kong, Lee Wing-man, disse que a causa mais provável do incêndio terão sido pontas de cigarro fumadas por trabalhadores. Em 18 de Agosto, o comité liderado por David Lok Kai-hong, juiz do Tribunal de Primeira Instância do Supremo Tribunal de Hong Kong, adiou para o final de Outubro a entrega do relatório final.

O comité sublinhou que realizou 30 sessões diárias de audiências, entre Março e Julho, onde ouviu depoimentos orais de 80 testemunhas e relatórios periciais. A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude. A agência anticorrupção deteve ainda 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos.

11 Set 2026

Saúde | Quase um terço dos alunos do 1º ao 6º ano sofre de miopia

Cerca de 29 por cento dos estudantes de Macau, do 1º ao 6º ano, sofre de miopia e 13,5 por cento de astigmatismo. Os problemas não ficam por aqui: 13,5 por cento têm excesso de peso e 42 por cento sofrem de cáries dentárias. O Governo apelou aos pais para terem em conta a saúde dos filhos

Os jovens de Macau não estão muito saudáveis, de acordo com os dados do Programa de Saúde Escolar 2025/2026, anunciados ontem pelos Serviços de Saúde (SS). As autoridades realizaram um estudo alargado, a estudantes de 97 escolas do território, assim como a Escola de Hengqin Afiliada à Escola Secundária Hou Kong, em que participaram 52 mil alunos do 1º ano ao 6º ano de escolaridade.

O estudo releva que 13,5 por cento dos estudantes inquiridos tem excesso de peso, incluindo casos de obesidade. Do universo de jovens com peso a mais, 13,3 por cento sofre de uma doente de pele (acantose nigricans) que está associada ao risco de diabetes ou doenças cardiovasculares precoces.

Os SS partilharam ainda um estudo do Hospital Kiang Wu a jovens do ensino secundário, que revela que 18,8 por cento dos alunos do 7º ao 9º ano também têm excesso de peso, enquanto 8,8 por cento sofre de má nutrição.

Os dados do Hospital Kiang Wu resultaram de consultas a 546 jovens.

Os resultados do Programa de Saúde Escolar 2025/2026 revelam que os problemas de visão constituem uma das situações mais prevalentes entre os jovens inquiridos. Pouco mais de 29 por cento tem miopia, o que representa cerca de 14.200 jovens, enquanto 13,5 por cento sofre de astigmatismo, mais de 7.000 alunos.

Doces chatices

Entre os 52.000 alunos que participaram no estudo, 37.000 não usam óculos,

apesar de 22,6 por cento sofrerem de problemas como miopia, hipermetropia e astigmatismo, percentagem que corresponde a 8.385 alunos.

Segundo o canal chinês da Rádio Macau, a equipa que conduziu o estudo referiu que os problemas de visão estão a afectar alunos cada vez mais jovens, e tendem a agravar-se com a idade. Por exemplo, o número de estudantes com miopia duplica do 2º ano para o 4º ano de escolaridade.

Face a esta realidade, as autoridades apelaram aos pais para levarem os filhos a consultas de oftalmologia para encontrar soluções que corrijam problemas de visão o mais precocemente possível.

O inquérito demonstra ainda que entre os alunos do 3º e 5º de escolaridade, 42,3 por cento têm cáries dentárias, proporção que representa 5.214 estudantes.

Em relação à triagem auditiva, os resultados não foram tão desanimadores. Os SS indicaram que entre os alunos do 1º ano os problemas auditivos afectam 0,16 por cento das crianças (seis), enquanto no 3º ano a percentagem sobe para 1 por cento (48 alunos). As autoridades indicaram que estas crianças foram encaminhadas para acompanhamento de especialidade médica.

Foi também referido que 3,2 por cento dos alunos do 5º ano sobre de problemas de coluna, o equivalente a 207 jovens. As autoridades de saúde não explicaram a razão para os resultados serem apresentados de forma escalonada e não global. Porém, apelaram aos pais para tomarem atenção à saúde dos filhos, aconselhando que façam, pelo menos, uma hora de exercício físico por dia, e o tempo em frente a ecrãs limitado a duas horas por dia.

11 Set 2026

Autocarros | Song Pek Kei pede melhores ligações para Hac Sá

Apesar do aproximar do fim do Verão, a deputada defende que a Praia de Hac Sá continua a ser muito procurada, pelo que é necessário aumentar a frequência dos autocarros públicos

A deputada Song Pek Kei pediu ao Governo para criar melhores ligações de autocarro para a Praia de Hac Sá, devido à crescente procura por residentes e turistas. A solicitação consta de uma interpelação divulgada ontem e tem em conta a redução do número de autocarros ligada ao fim da época balnear.

Segundo a deputada ligada à comunidade de Fujian, “o número de residentes e turistas que se deslocam” à Praia de Hac Sá e zonas próximas “não pára de crescer”, independentemente da época do ano.

Todavia, a legisladora avisa que as ligações por transportes públicos são tidas como insuficientes. “Todos os fins-de-semana e feriados continuam a registar-se problemas como o congestionamento das estradas em redor de Hac Sá, tempo excessivo de espera pelos autocarros e a escassez de lugares de estacionamento”, descreve Song Pek Kei.

A deputada alerta ainda que não se espera que a situação melhore a curto prazo, uma vez que com o final do Verão o autocarro n.º 15 deixou de passar pela Praia de Hac Sá, assim como o autocarro nocturno N3.

Neste cenário, as viagens são feitas nos autocarros n.º 26A e n.º 21A, que para Song têm muitos problemas. Em relação ao autocarro 21A, a deputada aponta que o “intervalo entre as viagens é relativamente longo”, o que faz acumular o número de passageiros. No 26A, tido como a ligação principal, a situação não é muito melhor, e Song indica que a viatura “fica frequentemente cheia a meio do percurso, fazendo com que os residentes por vezes enfrentem longos tempos de espera ou não consigam embarcar”.

Face às dificuldades, a deputada questiona o Executivo sobre a existência de planos para ajustar a frequência dos autocarros e facilitar as deslocações para a praia.

Os mais utilizados

Além das ligações à praia, a deputada alerta também para a necessidade de melhorar outras carreiras. Com recurso aos dados oficiais, a deputada aponta que entre Janeiro e Junho o volume de passageiros dos autocarros públicos atingiu os 120 milhões, o que representa um aumento anual de 6,12 por cento.

Contudo, Song Pek Kei considera que as ligações de autocarros ainda apresentam muitos problemas, como acontece quando existe uma “sobreposição de rotas em zonas turísticas muito frequentadas”, indicando os exemplos da Praia Grande e a Avenida de Almeida Ribeiro. Para a deputada, esta sobreposição “provoca filas de veículos nas paragens que resultam em congestionamentos na rede viária”, além de fazer com que o sistema seja menos eficiente.

Em relação a este problema, Song questiona o Governo sobre a possibilidade de repensar as ligações existentes, com uma maior aposta em autocarros que liguem pontos específicos, de forma a reduzir a sobreposição excessiva.

11 Set 2026

Museu da Cultura | Aberto concurso para projecto de arquitectura

O Instituto Cultural convidou 10 equipas de arquitectura para apresentarem propostas para o futuro Museu Nacional da Cultura. O edifício vai ficar localizado perto da Torre de Macau, à frente do Tribunal de Segunda Instância, e a data de abertura está prevista para 2029

O Governo convidou 10 equipas a apresentarem propostas de arquitectura para o futuro Museu Nacional da Cultura. A informação foi revelada ontem, através de uma conferência de imprensa do Instituto Cultural (IC), e o objectivo passa por fazer com que a primeira fase do museu entre em funcionamento em 2029.

Segundo a apresentação de ontem, o futuro museu vai ficar localizado na Zona B dos Novos Aterros, à frente do Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e do Edifício do Tribunal de Segunda Instância.

No entanto, o projecto de concepção arquitectónica ainda tem de ser definido, o que vai ser feito depois de um concurso por convite com a participação de 10 equipas de arquitectura: “O museu é uma instalação cultural de referência para o futuro de Macau, vai ser uma obra de grande escala e com elevadas exigências de concepção arquitectónica, devendo corresponder aos padrões técnicos internacionais de alto nível”, afirmou a presidente do IC. “O Governo da RAEM já convidou sete equipas de concepção arquitectónica de renome mundial e de topo, bem como três equipas locais de concepção arquitectónica, num total de dez equipas, para apresentarem propostas”, acrescentou.

Além das três equipas locais, três das convidadas são provenientes do Interior, havendo igualmente quatro equipas de Portugal, Suíça, Reino Unido e Holanda. Após a elaboração das propostas vai haver uma selecção, por parte de um júri constituído por membros dos serviços públicos e especialistas em planeamento urbano, arquitectura e museologia.

Funcionamento em 2029

As autoridades esperam que o projecto de arquitectura seja escolhido até ao final do ano. Por este motivo, a presidente do IC, Deland Leong, avançou que ainda não é possível fazer uma previsão sobre o orçamento da infra-estrutura.

Além disso, as autoridades esperam que o museu entre em funcionamento em 2029. A construção vai ser dividida em duas fases, com a primeira, que se espera de menor dimensão, a entrar em funcionamento nesse ano. A segunda fase só será aberta posteriormente.

O edifício do museu vai ter uma área de cerca de 100 mil metros quadrados, dos quais 80 mil metros quadrados vão ser destinados ao edifício principal, que vai receber as áreas de exposição, depósito de colecções, espaços de investigação, salas para intercâmbio cultural, entre outros espaços. Haverá também uma zona comercial destinada ao lazer e à cultura, com cerca de 20 mil metros quadrados, para lojas, restaurantes, instalações de lazer para as famílias e um centro de incubação para artistas. O projecto prevê igualmente um estacionamento, mas a dimensão ainda não foi decidida.

Zona Cultural

O Museu Nacional da Cultura é um dos três projectos da futura Zona Cultural do território, que tem como designação oficial Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados de Macau. Além deste museu, fazem ainda parte do projecto o Centro Internacional das Artes Performativas de Macau e o Museu Internacional de Arte Contemporânea.

“A Zona Cultural tem como objectivo constituir um novo marco cultural do futuro de Macau, e o Museu Nacional da Cultura de Macau vai ser lançado em primeiro lugar”, explicou a presidente do IC. “Este museu tornar-se-á uma ponte cultural entre a China e o Ocidente, uma área de divulgação de conhecimento, uma sala de visitas da cidade e um motor de turismo cultural”, destacou.

Deland Leong apontou também que o Museu Nacional da Cultura vai ser desenvolvido em coordenação com o Museu Nacional da China, em Pequim, e que se espera criar um centro de visita para mostrar a cultural de Macau, onde existe uma fusão com predominância da cultura chinesa.

Autocarros nas Ilhas

O Museu Nacional de Cultura vai ocupar parte de um espaço que actualmente serve para o estacionamento de autocarros públicos e de turismo. Com as obras a começar no próximo ano, o estacionamento destes veículos será alterado. Ontem, o chefe do Departamento de Planeamento Urbanístico da Direcção dos Serviços de Obras Públicas, Leong Io Hong, indicou que as autoridades vão encontrar alternativas na Taipa ou em Coloane. No entanto, não foram indicados pormenores sobre os futuros estacionamentos dos veículos pesados.

11 Set 2026

Hengqin | Arrancou construção de novo centro meteorológico nacional

Começou ontem a construção do Centro Internacional de Intercâmbio de Dados do Sistema Terrestre, em Hengqin, a primeira instituição do género a nível nacional que irá monitorizar desastres naturais e emitir alertas. O centro deverá começar a operar na capacidade máxima daqui a seis anos

Foi ontem oficialmente lançada a construção do primeiro Centro Internacional de Intercâmbio de Dados do Sistema Terrestre do País (Macau), em Hengqin, construído em conjunto pela Administração Meteorológica da China, o Governo da RAEM e o Executivo da zona de cooperação aprofundada em Hengqin.

O centro irá funcionar numa base de cooperação científica e tecnológica no domínio da meteorologia entre o Interior da China e Macau, com o objectivo de monitorizar desastres naturais, lançar alertas de forma mais atempada e aperfeiçoar previsões meteorológicas.

Foi ontem também assinado um acordo-quadro de cooperação entre Macau, Hengqin e a Administração Meteorológica da China, que estabelece um período de construção de três anos, e mais três anos até que o centro esteja a operar na sua capacidade máxima.

A expressão “sistema terrestre” refere-se ao estudo da litosfera, atmosfera, hidrosfera e biosfera, e, segundo um comunicado emitido ontem pelos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) o centro “visa promover o desenvolvimento e a utilização do ecossistema de elementos de dados, criar uma ponte de cooperação para dados do sistema terrestre, construir uma plataforma de abertura ao exterior de alto nível”.

O centro terá também como metas “impulsionar a exportação de produtos de dados de elevada qualidade e capacidades de serviço, formando um mercado unificado para elementos de dados do sistema terrestre na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.

O novo petróleo

O director da Administração Meteorológica da China, Chen Zhenlin, destacou que este será “o primeiro centro de intercâmbio de dados construído pela Administração Meteorológica da China no âmbito da sua implementação global”.

As autoridades referem que “os dados do sistema terrestre, enquanto ‘novo petróleo’ da era inteligente, possuem vantagens únicas de cobertura global, penetração contínua e disponibilidade permanente. Ao associarem-se e integrarem-se com uma vasta gama de cenários de produção e da vida quotidiana, tornam-se progressivamente um elemento de produção fulcral e um recurso estratégico fundamental para sustentar o desenvolvimento da economia digital”.

11 Set 2026

11 de Setembro | Ataque às Torres Gémeas aconteceu há 25 anos

A 11 de Setembro de 2001, Jorge Silva tinha acabado de apresentar o telejornal quando se deparou com a catástrofe do outro lado do globo que viria a mudar o mundo. O analista Pedro Ponte e Sousa destaca como a queda das Torres Gémeas alterou “profundamente a ordem internacional”

O 11 de Setembro foi há 25 anos e, tantos anos depois, a imagem da queda das Torres Gémeas em Nova Iorque, após o embate de dois aviões desviados por terroristas da Al-Qaeda, ainda permanece na memória vívida. O mundo parou e as televisões permaneceram ligadas a imagens que pareciam ficção, mas que eram terrivelmente reais.

Em Macau, Jorge Silva, pivot recentemente aposentado da TDM – Teledifusão de Macau – tinha acabado de apresentar o telejornal, o relógio batia as 21h. “Recordo-me perfeitamente desse dia porque acabei o telejornal como habitualmente, por volta das nove horas, e quando chego à redacção, um colega meu da altura que já não é jornalista, Rui Moura, disse-me: ‘Jorge, vê a televisão porque um avião acaba de bater no World Trade Center’. Por um segundo, perguntei: ‘Isto é no World Trade Center de Macau? O que se passa?’. Liguei a televisão, e percebi que era em Nova Iorque, e era uma coisa medonha. Logo a seguir, outro avião.”

Jorge Silva ligou ao pai, que estava em Portugal, perguntando-lhe se estava a ver o horror em directo. “O meu pai respondeu: ‘Isto é a Terceira Guerra Mundial’. Assim mesmo.”

A actualidade noticiosa dos anos seguintes foi pautada pelo ataque às Torres Gémeas e os seus protagonistas: Osama Bin Laden, anos mais tarde capturado e morto pelos Estados Unidos da América (EUA), a organização que liderava, a Al-Qaeda, e o terrorismo como alvo a abater.

“Pegámos [a TDM] no dia seguinte, porque naquele dia não havia mais nenhum serviço noticioso. Por umas horas ninguém sabia exactamente o que estava a acontecer, mas o nome de Osama Bin Laden já estava a circular. Foi algo inusitado, ninguém imaginaria uma tragédia como essa. Aquilo transformou as nossas vidas e foi matéria noticiosa durante anos.”

O crescimento de Pequim

Na visão do analista Pedro Ponte e Sousa, investigador do IPRI – Instituto Português de Relações Internacionais e analista político na RTP, “o 11 de Setembro mudou profundamente a ordem internacional, mas talvez de uma forma diferente daquela que Washington imaginou”.

Isto porque “os atentados permitiram aos EUA transformar o combate ao terrorismo no princípio organizador da sua política externa durante quase duas décadas. O resultado foi a chamada ‘guerra global contra o terrorismo’, com o Afeganistão, Iraque, Guantánamo, operações extraterritoriais, assassinatos selectivos e uma extraordinária expansão dos poderes de vigilância”.

A Guerra no Iraque levou, no entender do analista, a uma “erosão” da ordem internacional. “A invasão do Iraque em 2003, fundada em alegações sobre armas de destruição maciça que se revelaram falsas, o combate ao terrorismo deixou de ser apenas uma política de segurança e tornou-se uma espécie de licença geopolítica para o exercício da força.”

Desde então, os EUA “concentraram enormes recursos políticos, militares e financeiros no Médio Oriente e na ‘guerra ao terror'”, enquanto “a China consolidou a sua ascensão económica e estratégica”.

Para Pedro Ponte e Sousa, a China tornou-se, nos 20 anos que se seguiram, “numa potência económica global e progressivamente numa potência política, tecnológica e militar. A ‘guerra global contra o terrorismo’, que pretendia consolidar a primazia norte-americana, contribuiu também para criar as condições em que a China pôde reduzir a distância em relação aos EUA”, referiu.

Mudanças práticas

Jorge Silva recorda o “medo” que pairava por toda a parte e mudanças no dia-a-dia das pessoas, tal como na forma de viajar. “Não podíamos transportar determinados produtos que antes transportávamos na mala de mão e que passaram a ir para o porão. Começou também um maior controlo das transferências bancárias”, graças a suspeitas que, na altura, pairavam sobre financiamentos e o envolvimento de estudantes nos atentados terroristas.

O ex-jornalista recorda também como, a seguir ao 11 de Setembro, “começaram pequenos ataques contra alvos ocidentais”. “Aqui na Ásia, na Indonésia, discotecas e restaurantes ocidentais eram alvo de ataques de células ligadas à Al-Qaeda, por parte de terroristas radicais e, sobretudo, anti-Ocidente. Percebemos que o mundo tinha mudado. E mudou para sempre”, frisou.

Jorge Silva não tem dúvidas que tudo isso culminou no actual panorama político nos EUA, pautado pela era Trump. “A situação agravou-se nos últimos tempos com Donald Trump, um presidente norte-americano completamente paranoico. Iniciaram-se uma série de aventuras hegemónicas norte-americanas, e não apenas anti-islâmicas, criando-se uma grande agitação no mundo, e estamos a pagar esse preço.”

A IA na nova era

Pedro Ponte e Sousa diz que a grande conclusão que se deve tirar do 11 de Setembro, e de tudo o que sucedeu nos 25 anos posteriores, é que “não se derrota uma ideologia através da guerra permanente”.

“A Al-Qaeda foi profundamente debilitada e o Estado Islâmico perdeu o território que chegou a controlar, mas o terrorismo jihadista não desapareceu. E surgiram novas formas de extremismo, incluindo fenómenos de radicalização online e comunidades violentas sem uma estrutura organizacional clássica.”

O analista destaca que hoje existem “redes digitais descentralizadas e com jovens radicalizados através da Internet”. “A grande lição deveria ser que a segurança não pode ser reduzida à dimensão militar. Quando se responde a um fenómeno político, social e ideológico fundamentalmente com bombardeamentos, ocupações e repressão, pode-se destruir organizações concretas, mas não se eliminam necessariamente as condições que alimentam a violência.”

O analista não esquece as novas tecnologias, sobretudo a inteligência artificial (IA), e as novas formas de conflito, com o perigo da “utilização da ameaça tecnológica para justificar uma nova expansão dos mecanismos de vigilância e controlo”.

“Foi exactamente isso que aconteceu depois de 2001. O medo legítimo do terrorismo foi utilizado para normalizar formas de vigilância que, em circunstâncias normais, seriam politicamente muito mais difíceis de aceitar. Com a IA, esse risco é ainda maior”, rematou.

Estudo | Mais de 80% dos americanos lembram-se do ataque às Torres Gémeas

Um inquérito realizado entre 24 e 30 de Agosto deste ano pelo Pew Research Center destaca que muitos adultos se recordam perfeitamente do 11 de Setembro e dos pequenos detalhes que povoaram as suas vidas nesse dia.

Segundo o centro de estudos, “muitos americanos recordam esse dia com clareza”, já que “83 por cento dos adultos nascidos antes de 2001 – incluindo 93 por cento daqueles que tinham 10 anos, ou mais, na altura – afirmam lembrar-se exactamente onde estavam ou o que estavam a fazer quando ouviram a notícia”.

O Pew Research Center destaca como “à medida que os ataques se tornam mais distantes no tempo, a percentagem de adultos americanos que não viveram aquele dia continua a aumentar”, já que “10 por cento dos adultos de hoje nasceram depois de 2001 e só conhecem os ataques através do que aprenderam com outras pessoas”.

Além disso, os inquiridos que são hoje adultos, e que têm entre 18 e 24 anos, diz ter ficado a saber do 11 de Setembro pela primeira vez “nas aulas ou através de trabalhos escolares”, representando 60 por cento de todos os participantes.

“Uma percentagem menor afirma ter tomado conhecimento dos ataques pela primeira vez através da família ou de amigos, 16 por cento; ao ler ou ver algo por conta própria, 8 por cento; ou de outra forma, 1 por cento.”

Para a realização do inquérito, o Pew Research Center entrevistou 5.166 adultos norte-americanos.

O inquérito comprova como o ataque às Torres Gémeas deixou “efeitos profundos no país”. “As sondagens realizadas na sequência desses acontecimentos revelaram um sentimento generalizado de medo, raiva e tristeza, a par de um apoio esmagador da opinião pública a uma acção militar contra os responsáveis”, indica o think tank.

11 Set 2026