PME | Chan Hao Weng pede apoios face a competição do Interior

O deputado ligado à ATFPM avisa que a qualidade da concorrência no Interior está a aumentar e que os residentes fazem cada vez mais compras e refeições do outro lado da fronteira. Como tal, pede medidas para salvar as pequenas e médias empresas

 

O deputado Chan Hao Weng está preocupado com o impacto em Macau do novo centro comercial do outro lado das Porta do Cerco, e pretende saber as medidas que vão ser tomadas para garantir a competitividade das pequenas e médias empresas (PME) locais. O assunto foi abordado pelo legislador ligado à Associação dos Trabalhadores das Função Pública de Macau (ATFPM), através de uma interpelação escrita.

“Há dias, entrou em funcionamento, a título experimental, um centro comercial situado na zona central do Posto Fronteiriço de Gongbei, em Zhuhai, cujo fluxo de clientes ultrapassou os 100 mil nas primeiras seis horas de funcionamento, dos quais cerca de um terço (cerca de 33 mil) eram provenientes de Hong Kong e Macau”, pode ler-se no documento. “Nas primeiras cinco horas de funcionamento, o volume de negócios ultrapassou 400 mil renminbis, o que demonstra que este projecto possui uma forte atracção para os grupos de consumidores transfronteiriços”, foi acrescentado.

Por isso, Chan avisa que as PME de Macau estão a ter dificuldades em lidar o “aperfeiçoamento contínuo das instalações comerciais do Interior da China e a facilitação das deslocações transfronteiriças”.

Segundo o deputado, esta nova realidade faz com seja normal que “residentes de Macau se desloquem à China para consumirem, desviando, de forma contínua, o fluxo de clientes de venda a retalho, restauração e consumo geral de Macau”. “De um modo geral, as pequenas e médias empresas locais deparam-se com dificuldades decorrentes da diminuição do fluxo de clientes, redução das receitas operacionais, agravamento da pressão de negócios, etc., e algumas estão prestes a fechar portas, o que afecta directamente a vitalidade económica e a estabilidade do emprego nos bairros comunitários de Macau”, alertou.

Novas mudanças

Uma vez que o deputado considera que é necessário “fazer face às mudanças do mercado e apoiar o desenvolvimento estável das pequenas e médias empresas locais”, pede ao Executivo para “definir políticas complementares de curto, médio e longo prazo” para “elevar a competitividade global do sector do comércio a retalho e das pequenas e médias empresas de Macau”.

O membro da Assembleia Legislativa questiona ainda se vão ser tomadas medidas para apoiar as “empresas locais na reconversão e valorização das suas actividades” para atenuar as “dificuldades operacionais” e “estabilizar o desenvolvimento e exploração”.

Chan Hao Weng considerou ainda que “as actuais medidas” de apoio ao consumo têm tido impacto limitado, pelo que pede “uma revisão global das políticas” e novas medidas mais “atraentes e sustentáveis”.

25 Jun 2026

Peritos concluem que elevada fatalidade em Tai Po era “totalmente evitável”

Dois grupos de peritos disseram a um comité independente de investigação que o elevado número de mortes no pior incêndio a atingir Hong Kong desde 1948 teria sido “totalmente evitável”. De acordo com a imprensa local, o advogado principal da comissão disse numa audiência, segunda-feira, que os dois grupos, a trabalhar de forma separada, chegaram a conclusões “em grande medida semelhantes”.

Victor Dawes sublinhou que 91 das 168 vítimas morreram devido à inalação de fumo durante o incêndio que em Novembro devastou sete edifícios do complexo de habitação pública de Wang Fuk. O fumo espalhou-se rapidamente, porque, durante obras de renovação, as janelas à prova de fogo tinham sido substituídas por tábuas de madeira nas escadas de emergência, acrescentou o advogado.

Os peritos identificaram também placas de espuma utilizadas para cobrir as janelas e alarmes de incêndio desactivados, por erro humano, como factores que dificultaram a fuga dos residentes. “O tempo disponível para evacuação foi praticamente nulo” e muitos dos mais de 4.600 residentes do complexo, situado na zona de Tai Po, não foram alertados para o incêndio a tempo, lamentou Dawes.

A líder da divisão de ciências forenses do laboratório público de Hong Kong, Lee Wing-man, disse que a causa mais provável do incêndio terão sido pontas de cigarro fumadas por trabalhadores.

A polícia deteve 22 pessoas por suspeita de homicídio voluntário, além de outras seis por suspeita de fraude. A agência anticorrupção deteve ainda 23 pessoas, incluindo consultores, empreiteiros e membros da associação de condóminos.

Sem tempo a perder

Em 10 de Junho, sete pessoas e duas empresas foram acusadas de 25 crimes, incluindo homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude, branqueamento de capitais, tentativa de obstrução à justiça e fraude fiscal.

Ainda assim, o presidente do comité anunciou na segunda-feira que não irá recomendar que este seja transformado numa comissão de inquérito, com poderes legais para convocar testemunhas. David Lok Kai-hong disse que o comité já tinha recolhido provas substanciais e alertou que uma mudança de estatuto poderia arrastar o processo e atrasar as conclusões pelas quais esperam os sobreviventes e a população.

O juiz do Tribunal de Primeira Instância do Supremo Tribunal de Hong Kong recordou o incêndio de Grenfell, em 2017, no Reino Unido, cuja investigação demorou nove anos, sendo que o julgamento não deverá ocorrer antes de 2029. “O nosso comité não deseja, nem permitirá, que tal coisa aconteça”, garantiu David Lok, que foi nomeado em Dezembro pelo líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu.

24 Jun 2026

Aviação | Retomada ligação aérea directa entre Pequim e Lisboa

A companhia aérea chinesa Beijing Capital Airlines inaugurou na segunda-feira uma nova rota directa entre o Aeroporto Internacional de Pequim Daxing e Lisboa, que vai operar durante cerca de três meses

 

Segundo um comunicado enviado pela Beijing Capital Airlines à Lusa, o voo inaugural JD627 partiu às 10h55 (hora de Pequim) e aterrou às 17h15 (hora local) no Aeroporto de Lisboa, assinalando a primeira ligação directa entre Daxing e a capital portuguesa. A rota com uma duração aproximada de 13 horas, será operada semanalmente, às segundas-feiras, com aeronaves Airbus A330 de fuselagem larga.

Portugal já conta com um voo regular para a China operado pela mesma companhia duas vezes por semana, entre Lisboa e Hangzhou, capital da província de Zhejiang. Essa ligação tem uma frequência de dois voos semanais, sendo operada de forma regular desde a retoma das ligações aéreas entre os dois países, após o fim da política chinesa de ‘zero covid’.

Actualmente, não existem voos directos regulares entre Lisboa e Pequim, sendo as ligações normalmente asseguradas com escalas em ‘hubs’ europeus ou do Médio Oriente. O anúncio da companhia aérea surge num contexto da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, que levou ao cancelamento de vários voos com escala na região.

Na cerimónia de boas-vindas, organizada em conjunto com a ANA Aeroportos de Portugal e a Embaixada da China em Lisboa, o embaixador Yang Yirui afirmou que “esta ligação constitui um importante marco na cooperação aeronáutica entre a China e Portugal, contribuindo para aprofundar a colaboração bilateral nas áreas do comércio, investimento, turismo, educação e intercâmbio cultural”.

A directora comercial da ANA, Karen Strougo, sublinhou no comunicado que “Lisboa reforça a sua posição como hub europeu e plataforma transatlântica, permitindo aos passageiros provenientes da China aceder a destinos na Europa, América e África através da rede da TAP Air Portugal”.

Entretanto, a representante da Capital Airlines, Coral Chen, destacou que “a inauguração bem-sucedida da rota Pequim Daxing-Lisboa só foi possível graças ao apoio das autoridades governamentais da China e de Portugal, dos organismos reguladores da aviação civil, dos aeroportos parceiros e de todos os sectores da sociedade”.

Volta à Rússia em avião

Desde o início do ano, o aeroporto de Daxing inaugurou diversas rotas internacionais, incluindo voos directos para Helsínquia, Frankfurt e Milão, expandindo ainda mais sua rede europeia, disse o aeroporto ao jornal oficial chinês Global Times na segunda-feira.

A expansão das ligações aéreas directas entre Portugal e China ocorre também num contexto marcado por assimetrias operacionais no sector da aviação.

As companhias aéreas chinesas continuam a beneficiar do acesso ao espaço aéreo russo, ao contrário das transportadoras europeias, que estão impedidas de o utilizar na sequência das sanções impostas a Moscovo após a invasão da Ucrânia. Essa diferença traduz-se em rotas mais curtas e custos operacionais mais baixos para as companhias chinesas em voos entre a Ásia e a Europa, conferindo-lhes uma vantagem competitiva relevante face às congéneres europeias, que são obrigadas a contornar o espaço aéreo russo, aumentando tempos de voo e consumo de combustível.

A Capital Airlines foi financiada e estabelecida em conjunto pelo Governo Municipal de Pequim e pelo Grupo de Aviação HNA em 2010. A companhia inaugurou a primeira ligação aérea directa entre a China e Portugal em 2017. No primeiro ano que voou para Portugal, a companhia transportou mais de 80 mil passageiros, segundo dados da empresa.

A taxa média de ocupação do voo fixou-se nos 80 por cento, nos meses mais fracos, enquanto na época alta superou os 95 por cento.

24 Jun 2026

Jogo | Morgan Stanley corta estimativa de crescimento deste ano

O banco de investimento estima que a indústria vai gerar receitas de 260,6 mil milhões de patacas ao longo deste ano, um valor abaixo do esperado pela maioria dos analistas. O Mundial de Futebol está a ter um impacto negativo nas receitas brutas dos casinos

 

O banco de investimento Morgan Stanley reduziu a estimativa de crescimento anual das receitas brutas do jogo para 5,3 por cento, quando antes apontava para 6 por cento. De acordo com o mais recente relatório sobre o mercado de Macau, citado pelo portal GGRAsia, as receitas devem crescer para 260,6 mil milhões de patacas ao longo do ano.

Em 2025, as receitas dos casinos atingiram 247,40 mil milhões de patacas, um crescimento anual de 9,1 por cento. Todavia, a previsão mais recente aponta para uma subida para 260,6 mil milhões de patacas: “Estimamos que as receitas brutas do jogo aumentem 5,3 por cento em relação ao ano anterior, um valor inferior às expectativas consensuais de crescimento de 6 por cento”, pode ler-se no relatório. “As nossas previsões implicam um crescimento trimestral das receitas de jogo entre 2 por cento e 3 por cento até ao quarto trimestre de 2026”, foi explicado.

A previsão anterior da Morgan Stanley calculava um crescimento de 6 por cento da receitas semelhante ao consenso dos analistas, o que significava um montante de 262,24 mil milhões de patacas. A nova estimativa representa uma redução de cerca de 2 mil milhões de patacas.

O menor optimismo foi justificado, em parte, com o impacto do Campeonato Mundial de Futebol: “Em Junho e Julho podemos assistir a um abrandamento das receitas relacionadas com o Campeonato do Mundo, e o crescimento anual até pode ser negativo”, foi indicado.

Menos ganhos

A revisão em baixa não ficou limitada às receitas da principal indústria do território. O banco de investimento acredita que as concessionárias vão sentir o impacto também nos seus resultados.

Segundo os analistas Praveen Choudhary e Stephen Grambling espera-se que o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA, em inglês) conjunto das concessionárias tenha uma redução de 2 por cento para 1 por cento, para um valor de 64 mil milhões de patacas.

O banco de investimento previu que a Sands China e SJM Holdings vão ser as mais afectadas pela redução nos ganhos anuais. Ao mesmo tempo foi alertado que as estimativas do EBITDA podem sofrer novas revisões em baixa no futuro: “Prevemos que as revisões negativas das estimativas do EBITDA continuem, motivadas por expectativas mais pequenas de crescimento das receitas brutas e por uma base de custos estruturalmente mais elevada”, foi indicado.

A Morgan Stanley abordou igualmente os ganhos das concessionárias relativos à primeira metade do ano, que deverão ser anunciados no próximo mês. O banco indica que as concessionárias Sands China, Melco Resorts & Entertainment deverão perder quota do mercado, enquanto MGM China e Wynn Macau deverão reforçar as suas quotas.

24 Jun 2026

Macau Investimento | Perdas triplicaram no ano passado

As perdas da Macau Investimento e Desenvolvimento (MID) totalizaram 317,97 milhões de patacas no ano passado 2025, mais do triplo do reportado no ano anterior.

Em 2024, o prejuízo da MID tinham sido de 103,37 milhões de patacas, e ambos os números constam no portal da Direcção dos Serviços de Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP).

Para os resultados negativos contribuiu uma desvalorização de 255,76 milhões de patacas nos seus imóveis de investimento.

A empresa atribuiu o aumento das perdas à contínua crise do mercado imobiliário no Interior, que continua a pressionar a avaliação dos seus activos que estão principalmente localizados no outro lado da fronteira.

A MID tem como objecto social a “concepção, gestão e exploração de espaços destinados à implantação física de empresas e entidades não empresariais” e a “prestação directa ou indirecta de serviços de apoio a clientes”.

Aposta no Interior

A Macau Investimento e Desenvolvimento tem como principal função a exploração do Parque de Medicina Tradicional Chinesa, na Ilha da Montanha, e tem como accionistas a RAEM, com uma participação de 94 por cento, o Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização, com uma participação de 3 por cento, e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM), que também tem uma participação de 3 por cento.

A MID tem 17 subsidiárias directas ou indirectas que se encontram instaladas não só na Ilha da Montanha, onde gere o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa Guangdong-Macau, mas também em Zhongshan, como acontece com a Incubadora de Indústria Parafuturo de Macau (Zhongshan) Limitada que se dedica à “incubação de empresas de alta tecnologia”.

24 Jun 2026

Creche Smart | Directora diz que só fecha após relatório do CCAC

A directora da creche Smart reitera que o diferendo com o Instituto de Acção Social se deve a uma “questão pessoal” do seu presidente, Hon Wai. Ao HM, Christiana Ieong diz que vai manter a creche aberta até que seja divulgado o relatório do CCAC, mesmo que tenha de ir além da data limite do licenciamento

O Zonta Club de Macau, associação que gere a creche Smart, na Taipa, só vai encerrar a após a divulgação do relatório de investigação do Comissariado contra a Corrupção (CCAC). Foi o que disse ao HM a sua presidente fundadora e directora da creche, Christiana Ieong, depois de o Instituto de Acção Social (IAS) ter declarado como cessada a relação com a creche.

Num comunicado do IAS desta segunda-feira, foi dito que o Zonta Club tem até ao dia 26 de Agosto, data do fim da licença, para devolver o espaço e realocar as crianças inscritas. Porém, no entender da responsável, “essa data não importa se a investigação do CCAC ainda estiver a decorrer”.

Recorde-se que o IAS divulgou o comunicado após ter sido informado pelo Tribunal Administrativo de que o Zonta Club tinha retirado a providência cautelar que pretendia evitar a suspensão de subsídios e retirada das instalações por parte do Governo.

Christiana Ieong diz que a retirada da providência cautelar se deveu ao respeito pelos “princípios de boa-fé e pelo Governo”. “Não queremos dar a ninguém a oportunidade de desperdiçar ainda mais fundos públicos”, adiantou, referindo estar a aguardar as conclusões da investigação do CCAC, pedida pelo próprio Zonta Club.

“Tanto o Governo como o Chefe do Executivo [apoiam a creche Smart]. Não podemos confiar no presidente, que criou todos estes problemas. Por isso estamos confiantes na investigação do CCAC que, de acordo com o que noticiou o jornal Ou Mun no mês passado, já estava em fase de análise aprofundada, pelo que acredito que o relatório será publicado em breve”, disse.

Aliás, Christiana Ieong lamenta que o IAS tenha anunciado já o fim da relação com o Zonta Club de Macau, tendo em conta que existem mais processos pendentes, nomeadamente a ausência da “autorização do tribunal relativamente à desistência do recurso para a ‘Interpretação Unificada da Decisão'”. Assim, “oficialmente ainda existe um processo em tribunal”, destacou.

“Penso que ele [o presidente do IAS] deveria ter tido mais calma e aguardado pelo relatório do CCAC”, defendeu. “Se tem a verdade, e se não fez nada de errado, porque não esperar mais um pouco? Porquê pressionar para terminar a licença?”, questionou.

“Ele [Hon Wai] precisa explicar ao público por que razão pretende desperdiçar tanto dinheiro público para destruir todo o investimento do Governo na renovação da creche”, acrescentou a directora da creche.

Uma questão pessoal

Christiana Ieong considera que a quezília entre a creche Smart e o IAS foi criada unicamente por Hon Wai. “[O fecho da creche] não é intenção do Governo, nem do Chefe do Executivo, ou da secretária [para os Assuntos Sociais e Cultura, com a tutela da educação]. É apenas a intenção do presidente do IAS. Ao longo de todo este tempo recebemos apoio do Chefe do Executivo nos cocktails de celebração da transferência de administração de Macau no regresso à Mãe Pátria”, exemplificou.

Trata-se, assim, “de uma questão muito pessoal”. “Não acredito que o Governo, o Chefe do Executivo ou a secretária fariam algo que danifica a imagem e integridade do Governo”, acrescentou.

Christiana Ieong enumera o que o Zonta Club tem pedido ao IAS que ainda não obteve. “Apresentámos uma contraproposta: o presidente tem de apresentar provas relativas à sua acusação contra nós. Uma vez que o Governo promove a ‘governação segundo a lei’, deve apresentar por escrito os seus ‘requisitos’ que, segundo ele, não cumprimos”.

Segundo a presidente do Zonta Club, o próprio IAS não tem sistema de contabilidade certificada. “Porque é que um sistema tão pouco profissional pode sobrepor-se a algo que foi feito por profissionais? É muito estranho e verdadeiramente chocante”, disse, referindo-se às questões orçamentais da escola.

Creche fecha, Zonta não

Caso o CCAC não dê razão ao Zonta Club de Macau e a creche Smart tiver mesmo de encerrar portas, Christiana Ieong lamenta que todo um projecto educativo vá por água abaixo. Porém, o Zona Club de Macau irá continuar.

“A nossa intenção inicial, ao criar este projecto [a Smart], foi apoiar o Governo na execução de políticas. Então se o Governo não apoiar aquilo que estamos a fazer, não vemos qualquer motivo para continuar”, disse.

No seu entender, Hon Wai está a “danificar a reputação” da creche e da associação, tratando-se “do mais importante”. Numa resposta enviada ao HM em Maio deste ano, o IAS explicou que a decisão de cortar a parceria se prende com a fiscalização financeira.

“Há já algum tempo que o Zonta Club de Macau não satisfazia as exigências de fiscalização de apoio financeiro do IAS em termos da aplicação dos recursos financeiros. Em virtude da persistência da situação durante um período prolongado, o IAS avançou com a cessação da cooperação em conformidade com a lei, nomeadamente cessar o financiamento e exigir a devolução das instalações da creche.”

O diferendo persiste desde Março do ano passado, quando o IAS cortou o financiamento, alegando que as duas partes não tinham chegado a acordo quanto a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”. O Zonta Club de Macau – Clube de Mulheres Profissionais e Executivas [Zonta Club of Macau – Professional and Executive Women Club] é actualmente presidido por Amanda Ho.

24 Jun 2026

Hac Sá | Nick Lei pede melhores infra-estruturas na praia

Nick Lei entende que a praia de Hac Sá precisa de melhores infra-estruturas e planeamento, tendo em conta o futuro Campo de Aventuras Juvenis. O deputado exige também autocarros que liguem as fronteiras a Hac Sá

O deputado Nick Lei alertou, numa interpelação escrita, para a necessidade de melhorar as infra-estruturas públicas junto à praia de Hac Sá, em Coloane, tendo em conta o arranque experimental de operações do Campo de Aventuras Juvenis da Praia de Hac Sá no quarto trimestre de 2027.

“Prevê-se que, no segundo semestre deste ano, passem a estar abertas ao público as zonas para carros infantis e local de campismo, levando ao aumento do fluxo de residentes e turistas na praia e nas instalações de Hac Sá. Pode o Governo concretizar planos para que a zona se torne mais divertida e atractiva?”, questionou.

O legislador ligado à comunidade de Fujian disse ainda que as instalações recreativas da praia de Hac Sá, bem como os locais próximos, são uma das zonas preferidas dos residentes para momentos de lazer, e que, nos últimos anos, o Governo tem escolhido a praia de Hac Sá para a organização de eventos, como o festival “Hush!”. O deputado realça que estes eventos passaram a atrair para Coloane mais visitantes jovens de regiões vizinhas, além da população local.

Outros valores se levantam

Nick Lei destacou que, além da importância turística, a praia de Hac Sá é também importante em termos arqueológicos, por ter uma ligação próxima à cultura tradicional Hakka. Desta forma, o Governo deve, no entender do deputado, reformular o sistema de trânsito no local a fim de criar maiores conveniências aos visitantes.

O deputado refere na interpelação queixas de utilizadores, relativamente ao cancelamento, desde Maio de 2017, da carreira 25 por parte da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). Actualmente, existem apenas as carreiras de autocarros 21A, 26A, 15T e N3 (nocturna) com acesso a Hac-Sá.

“Estas carreiras passam apenas por zonas residenciais e não incluem os postos fronteiriços, não sendo possível levar os turistas para Hac Sá”, lê-se na interpelação escrita. Por esta razão, Nick Lei pediu um novo planeamento das carreiras de autocarros a fim de garantir percursos directos entre todos os postos fronteiriços e a praia de Hac Sá.

24 Jun 2026

IAS ganha em tribunal e creche Smart tem de devolver instalações

O Instituto de Acção Social (IAS) anunciou ontem o fim oficial da ligação à associação Zonta Club de Macau, entidade gestora da creche Smart, na Taipa. Segundo um comunicado do IAS divulgado ontem, o fim oficial desta cooperação prende-se com a retirada, por parte da associação, da providência cautelar apresentada para travar o fim do financiamento público e recuperação das instalações.

“O IAS recebeu uma notificação do Tribunal Administrativo (TA) e, após confirmação junto do Tribunal de Última Instância, verificou que a entidade gestora da creche Smart retirou todas as acções administrativas que tinha intentado”.

A Zonta Club de Macau tinha apresentado uma providência cautelar para a suspensão do corte de apoios financeiros e para conseguir recuperar o espaço, a qual foi aceite pelo TA e Tribunal de Segunda Instância (TSI), segundo foi noticiado em Maio deste ano.

Desta forma, “a relação de cooperação entre as duas partes relativamente à creche Smart foi formalmente dissolvida nos termos da lei”, descreve o IAS na mesma nota, cabendo agora à Zona Club de Macau a devolução das instalações da creche.

Licença até Agosto

O IAS explica também que a licença da creche Smart se mantém em vigor até ao dia 26 de Agosto deste ano, alertando que a entidade gestora deve “garantir que os encarregados de educação dispõem de tempo suficiente para transferir os filhos para outras creches”.

Além disso, a Zonta Club de Macau “deverá informar claramente os pais das crianças inscritas sobre os procedimentos concretos para a cessação de actividade”, devendo tratar “de forma adequada todas as questões subsequentes”.

O IAS esclarece que “as creches de Macau dispõem de vagas mais do que suficientes”, sendo que “na zona das ilhas existem vagas para acolher as transferências” de crianças da creche Smart.

Em Maio deste ano, a creche Smart divulgou ter recebido 82 inscrições para o ano lectivo de 2026/2027. O diferendo entre o IAS e a Zonta Club de Macau surgiu em Março do ano passado, quando o Governo cortou o financiamento e recuperou as instalações, dizendo apenas que as duas partes não tinham chegado a acordo quanto a “princípios básicos” e “importantes aspectos de organização”. O IAS explicou posteriormente que o corte estava ligado à fiscalização dos subsídios concedidos.

23 Jun 2026

Crime | Polícia agredido no Cotai quando estava em serviço

Um inspector da Polícia Judiciária em serviço foi agredido e assaltado no Cotai, na passada quinta-feira, por um grupo de homens. Os sete indivíduos foram detidos no sábado e são suspeitos de roubo, ofensas à integridade física e danos criminais

 

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou ontem que um dos seus inspectores foi agredido e assaltado, na semana passada, por vários homens. O incidente ocorreu na última quinta-feira, pelas 22h, na zona do Cotai, adiantou o porta-voz da PJ em conferência de imprensa. O agente agredido estava a realizar uma investigação na área quando foi abordado por um indivíduo que lhe perguntou o que estava ali a fazer.

A vítima foi “então rodeada por um grupo de pessoas que o atacaram com murros e bofetadas” explicou o porta-voz da PJ, acrescentado que “os agressores roubaram também um telemóvel avaliado em 4.500 patacas”. A PJ declarou ainda que, para não comprometer a investigação, “o agente não revelou de imediato a sua identidade” aos agressores.

O investigador sofreu ferimentos no pescoço e nas mãos durante o ataque levado a cabo por um dos suspeitos e o seu telemóvel ficou danificado. “Após a vítima ter revelado a identidade, os agressores fugiram. A vítima encontrou mais tarde o telemóvel nas proximidades, mas este apresentava danos graves,” afirmou a PJ em comunicado.

Conhecimentos posteriores

A polícia disse ainda que um dos suspeitos, ao tomar conhecimento sobre a identidade da vítima, mudou imediatamente de atitude e, “sob pretexto de ajudar” o agente a procurar o telemóvel, permitiu que os restantes suspeitos fugissem. Este suspeito também fugiu logo que teve oportunidade.

Sete suspeitos do sexo masculino – três residentes e quatro trabalhadores migrantes – foram detidos no sábado, nas zonas da Taipa e de Coloane. Foram presentes ao Ministério Público sob suspeita de roubo, ofensas à integridade física e danos criminais, informou a PJ.

Segundo noticiou o jornal Ou Mun, do grupo de três residentes, um está ligado ao sector imobiliário e dois são empresários; enquanto os restantes não-residentes são dois homens de nacionalidade tailandesa, um filipino e um cidadão do Interior da China.

O jornal Ou Mun descreve ainda que um dos homens de nacionalidade tailandesa terá agarrado por trás o agente policial pelo pescoço, enquanto os restantes começaram as agressões e danificaram o telemóvel. Só depois de se identificar como agente policial os homens pararam os actos violentos e dispersaram do local.

Contrabando | Interceptados cigarros no valor de 600 mil patacas

Entre terça-feira e sexta-feira da semana passada, os Serviços de Alfândega (SA) apreenderam cerca de 260 mil cigarros electrónicos e 200 mil cigarros, avaliados em 600 mil patacas. As apreensões foram feitas no Aeroporto Internacional de Macau, quando 14 pessoas tentaram entrar no território vindas do Japão.

Segundo os SA, os produtos contrabandeados corresponderiam ao pagamento de 300 mil patacas em impostos. Os cigarros foram apreendidos nas bagagens de mão e do porão dos diferentes passageiros. Os interceptados eram todos residentes do Interior, com idades entre os 24 e 58 anos.

Foram instaurados seis processos no âmbito das apreensões, que ainda estão a ser investigados. Os visados podem ser multados num valor que pode chegar às 100 mil patacas. Além disso, as autoridades estão a investigar eventuais violações à lei do controlo do tabagismo.

23 Jun 2026

Hotelaria | Península perde negócio para Zhuhai e Hengqin

Os hotéis na Península de Macau estão a sofrer cada vez mais concorrência e a perder clientes para o Interior. A revelação foi feita pela presidente da Associação de Hotéis de Macau

 

A competição dos hotéis em Zhuhai e em Hengqin está a ter impacto nos negócios na Península de Macau, com a taxa de ocupação e os preços dos hotéis a caírem, em comparação com o ano passado. O cenário foi traçado pela presidente da Associação de Hotéis de Macau e directora executiva do Hotel Royal Macau, Jocelyn Wong Suk Yan, em declarações ao jornal Ou Mun.

Segundo a responsável, a menor procura pelos hotéis na Península está principalmente ligada a “novos padrões” de consumo dos turistas, que deixam o território e vão passar a noite do outro lado da fronteira, tanto em Zhuhai como Hengqin, na busca de estadias mais baratas.

As zonas mais afectadas com nova realidade são o NAPE e outras mais antigas localizadas na Península. Estas áreas foram afectadas no final do ano passado pelo encerramento de vários casinos-satélites. Como resultados das novas tendências, explicou Wong, nos primeiros seis meses a taxa de ocupação dos hotéis foi de 80 por cento e os preços diminuíram entre cinco e seis por cento, em comparação com o período homólogo.

No entanto, a competição de fora não é o único facto que agrava as condições de exploração. A presidente da Associação de Hotéis de Macau revelou ainda que os negócios mais antigos enfrentam mais competição interna, porque têm aberto novos hotéis em Macau, com o número de quartos a crescer os preços acabam por ficar mais baratos. Além de dirigente associativa, Jocelyn Wong é director executiva do Hotel Royal Macau

Taxa de 90 por cento

Em relação à época do Verão, Jocelyn Wong anteviu que a ocupação dos hotéis pode chegar aos 90 por cento, principalmente durante os meses de Julho e de Agosto. Esta previsão foi feita especificamente para os hotéis na Península de Macau, que estão a sofrer mais com a concorrência, ao contrário do que acontece em outros locais como o Cotai.

Apesar da taxa de ocupação de 90 por cento, a presidente da associação acredita que os preços não vão subir de forma significativa.

A dirigente associativa revelou ainda que os hotéis prepararam estratégias para atrair mais clientes no Verão, e que as apostas passam por ter uma oferta com descontos e preços mais baratos para estadias mais longas. Há também mais promoções a pensar nas famílias. Como parte destas estratégias, Jocelyn Wong revelou que alguns hotéis que estão a oferecer pacotes que incluem jantares mais luxuosos.

Sobre a segunda metade do ano, Wong deixou a esperança que o Governo organize mais espectáculos e eventos desportivos, porque são factores que contribuem para aumentar o número de turistas que pernoitam no território.

23 Jun 2026

Transportes | Deputados pedem boa gestão e capacidade de resposta

O deputado Leong Pou U interpelou o Governo sobre a necessidade de organização atempada do sistema de transportes a pensar no Verão, a fim de facilitar a deslocação de turistas e residentes. Já Kou Kam Fai pede planos de resposta sobre obras viárias

 

A realização de obras nas vias públicas, o fluxo de turismo e a chegada dos meses de Verão são três factores que preocupam dois deputados. Leong Pou U e Kou Kam Fai apelam à organização atempada do trânsito, a fim de evitar constrangimentos na cidade. A ideia é que as obras possam terminar a tempo de arrancar um novo ano lectivo, em Setembro.

Numa interpelação escrita enviada ao Governo, Leong Pou U defendeu que as autoridades devem planear de forma antecipada o novo sistema de transporte antes da chegada das férias de Verão, tendo em conta o aumento do número de turistas e para que a experiência de transporte seja melhorada para os utilizadores.

Leong Pou U, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), recordou que o Governo previu um aumento anual do número de turistas em cerca de dez por cento, para quase 44 milhões de pessoas.

“Tendo em conta que o número de turistas vai continuar a subir, a capacidade dos meios de transporte de Macau não consegue aumentar ao mesmo ritmo, e durante os feriados principais é costume formarem-se longas filas nas paragens de autocarros e de táxis. É frequente os autocarros não pararem nas paragens por estarem cheios”, disse.

Assim, o deputado quer saber que medidas e planos de resposta tem o Executivo para lidar com a pressão nos transportes públicos durante o Verão. Tendo em conta as várias obras viárias, Leong Pou U quer saber como serão aliviados eventuais impactos na população e turismo.

Atenção à escola

Também o deputado Kou Kam Fai falou deste assunto em declarações ao jornal Ou Mun, defendendo que as empresas a quem são adjudicadas as obras viárias devem elaborar planos de resposta, de necessidades de mão-de-obra e a respectiva calendarização, para garantir que os trabalhos terminam dentro do prazo previsto, tendo em conta a abertura do ano lectivo 2026/2027.

O também director da Escola Secundária Pui Ching disse estar preocupado com a chegada da época das chuvas fortes e tufões, o que pode causar impacto no andamento das obras viárias e atrasar os trabalhos.

Kou Kam Fai disse ainda que, nesta altura, é a fase final do ano lectivo 2025/2026, pelo que há apenas algumas actividades específicas em andamento, registando-se menos idas de alunos às escolas no ensino secundário. Por sua vez, nos ensinos primário e infantil há ainda aulas por mais duas semanas.

23 Jun 2026

Financiamento da EPM e acampamento patriota alvos de críticas no congresso do PSD

O financiamento da Escola Portuguesa de Macau (EPM) por parte do Governo de Macau foi alvo de críticas durante o 43º Congresso Nacional do Partido Social Democrata, que decorreu no fim-de-semana. A intervenção foi realizada por Vitório Cardoso, português nascido em Macau e membro do principal partido de Governo em Portugal.

“Não podemos aceitar que seja o Governo Chinês de Macau a assumir o orçamento da Escola Portuguesa de Macau, situação criada por Vítor Sereno há 10 anos. Más políticas públicas trazem más consequências”, afirmou Vitório Cardoso, durante uma intervenção que tinha na plateia Luís Montenegro, primeiro-ministro de Portugal.
No entanto, o orador não referiu que na semana passada o financiamento de Portugal à EPM para o ano 2025/2026, de cerca de 10,4 milhões de patacas ainda estava por ser realizado.

Sobre a instituição de ensino e Macau, Vitório Cardoso criticou ainda a participação de um grupo de alunos num acampamento de promoção da identidade nacional chinesa. “Não podemos aceitar que a EPM tenha, em Abril passado, enviado 15 dos seus alunos, de farda de escola, para quartéis chineses para cursos e cursinhos de defesa nacional da China ou da doutrinação da defesa patriótica chinesa”, considerou. “Vergonha. Isto é um escândalo”, atirou.

Críticas a Sereno

Vitório Cardoso criticou ainda a escolha de Vítor Sereno para a posição de secretário-geral do Sistema de Informações em Portugal. “Há um velho ditado português: não sirvas a quem serviu e não peças a quem pediu. Portugal não pedincha, senhor primeiro-ministro. Certas brincadeiras de mau-gosto por parte de um titular desse cargo e num país civilizado teria levado a que fosse exonerado na hora”, declarou.

“Não confiamos num diplomata português que esteve imposto em Macau e que, em simultâneo, tenha tido a sua mulher a trabalhar para o Governo Chinês de Macau e que esteja hoje a assumir o cargo de secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa”, acrescentou.

23 Jun 2026

Justiça | Formação em português suficiente para necessidades

Face à saída dos escrivães de língua portuguesa dos tribunais da RAEM, o Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância assegura que as formações internas em língua portuguesa chegam para responder às necessidades

 

Os tribunais consideram que a formação interna em língua portuguesa dos escrivães permite responder às necessidades de trabalho. A posição foi tomada numa resposta ao HM, depois de o Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância ter sido questionado sobre a possibilidade de os tribunais ficarem sem qualquer escrivão judicial especialista português.

Face ao impacto da alteração do quadro pessoal, com a saída dos escrivães portugueses, o gabinete de Song Man Lei considerou que os funcionários contratados nos processos normais de admissão têm formação para responder às necessidades do trabalho. “O recrutamento de novos funcionários de justiça dos Tribunais tem sido realizado de forma ordenada de acordo com as leis e as necessidades reais de trabalho, e para efeitos de ingresso e acesso, o referido pessoal está sujeito a frequentar cursos de formação que incluem a disciplina de língua portuguesa, no sentido de responder às necessidades de trabalho”, foi comunicado.

A resposta dos tribunais demorou 17 dias depois de um contacto inicial. Por responder ficaram perguntas relacionadas com o possível impacto da saídas destes escrivães no processo de recrutamento de juízes em Portugal, assim como o enquadramento desta medida na política de aprofundamento das relações entre Macau e os Países de Língua Portuguesa.

Segundo a mesma resposta, “actualmente há três funcionários de justiça portugueses que trabalham nos Tribunais de Macau em regime de prestação de serviços ou de contrato individual de trabalho”. Todavia, o HM apurou que um destes está de saída.

Os tribunais esclareceram igualmente que os contratos destes trabalhadores têm sido renovados, a não ser nos casos em que é atingido o limite de idade para trabalhar na Administração Pública.

Vagas de saídas

No início do ano passado, os tribunais da RAEM contavam com cinco escrivães de nacionalidade portuguesa. Estes mantinham o vínculo com a Administração Pública em Portugal, que autorizava a permanência na RAEM, mas integravam os tribunais de Macau, onde os seus contratos eram anualmente renovados.

No entanto, o facto de os funcionários judiciais em Macau também estarem sujeitos à legislação para os funcionários públicos da RAEM faz com que não possam continuar a exercer funções com mais de 65 anos. Como todos os cinco escrivães completam a idade máxima limite até Junho deste ano, os tribunais começaram a deixá-los sair ou a permitir a permanência em condições laborais muito piores e com contratos de cerca de seis meses.

Sobre o impacto na nova situação, uma das fontes ouvidas pelo HM e conhecedora do processo considerou que as saídas “não vão levar ao encerramento dos tribunais”, mas que terão “um impacto importante”. A mesma fonte indicou que estes trabalhadores eram fundamentais para garantir a utilização da língua portuguesa “de forma mais correcta” e assegurar a comunicação sem dificuldades com os advogados que se expressam em português.

23 Jun 2026

Grande Prémio de Macau | Presidente da FIA defende Fórmula 4

O presidente da Federação Internacional do Automóvel afastou, para já, a possibilidade de a competição de Fórmula 3 regressar ao circuito da Guia e elogiou a Fórmula 4, que “está cada vez mais forte”

 

O presidente da FIA (Federação Internacional do Automóvel), Mohammed Ben Sulayem, defendeu ontem a aposta na Fórmula 4, em vez do regresso à competição com os Fórmula 3. A posição foi tomada numa conferência de imprensa, durante uma visita ao Kartódromo de Macau, em que o responsável mostrou total abertura para se adaptar e apoiar as necessidades da Associação Geral de Automóvel de Macau (AAMC) e do Grande Prémio de Macau.

Quando questionado sobre a possibilidade do regresso da Fórmula 3 ao circuito da Guia, o responsável defendeu que os carros Fórmula 4 são os mais indicados para esta parte do mundo. Actualmente, a prova principal do Grande Prémio é disputada com carros da Fórmula Regional, um nível intermédio entre a Fórmula 3 e Fórmula 4.

“Algumas pessoas podem pensar, como estava a falar com o AAMC, que a Fórmula 3 é melhor do que a Fórmula 4. Não, a Fórmula 4 está cada vez mais forte. Se formos a ver, há mais pessoas envolvidas na Fórmula 4 do que na Fórmula 3”, começou por indicar. “E porquê? Porque é muito popular, porque tem preços mais acessíveis e isso é bom para o público”, vincou.

Quando questionado sobre o facto de a Fórmula 3 ter maior visibilidade internacional, Mohammed Ben Sulayem considerou que são as provas que constroem essa visibilidade e não as categorias por si. “Nós criamos as categorias de classe mundial, vocês [Grande Prémio de Macau] e os vossos fãs criam as categorias de classe mundial e os fãs também. A classe mundial não se cria a partir do topo, vem da base”, defendeu.

“A classe mundial é criada quando as pessoas têm a oportunidade de pegar num carro, participar numa prova qualquer e tentar bater os outros pilotos. Por isso, a Fórmula 4 vai ter um futuro muito bom”, indicou. “[Os Fórmula 4] são campeonatos feitos especificamente para esta parte do mundo. Não acredito que exista uma fórmula que sirva todo o mundo. As necessidades desta parte da Ásia não são as mesmas de outras partes, já para não falar do Médio Oriente, de África ou da América Latina. Por isso sou um grande crente que estamos a criar um campeonato em conjunto, tendo em conta as necessidades do AAMC”, vincou.

Sem GP? “Impensável”

Mohammed Ben Sulayem destacou ainda que é “impensável” que se deixe de realizar o Grande Prémio de Macau e mostrou-se aberto a mudar as regras que forem necessárias para acomodar os desejos do AAMC. “As regras não foram escritas por Deus. As regras foram escritas por homens e podem ser melhoradas pelos homens”, explicou.

“Por isso, para mim, e na FIA, vamos ajustar as regras que for necessário. Não é só ajustar, nós vamos apoiar o Grande Prémio de Macau. E se eles quiserem [AAMC] vamos adaptar e homologar um certo campeonato. Ficaríamos mais do que felizes por fazê-lo, porque para nós a Ásia é muito importante”, prometeu.

Mohammed Ben Sulayem está em Macau para participar nas Conferências da FIA deste ano, que decorrem entre 23 e 25 de Junho. No dia 26 decorre, também em Macau, a Assembleia Geral Extraordinária da FIA.

22 Jun 2026

Patuá | Lançado novo dicionário para despertar interesse das novas gerações

O dicionário foi lançado pelo investigador Raul Leal Gaião com o apoio da Universidade de Macau durante o 2º Fórum Internacional das Línguas Chinesa e Portuguesa

 

O investigador português Raul Leal Gaião lançou um novo dicionário do crioulo de Macau, o patuá, que está “gravemente ameaçado de extinção”, segundo a Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Embora o patuá “já não seja exactamente uma língua viva”, Gaião disse esperar que a obra “desperte o interesse pela língua para que continue a ser estudada e compreendida, sobretudo pela nova geração de macaenses”.
O académico recordou que o patuá foi criado ao longo dos últimos 400 anos no seio dos macaenses, uma comunidade euro-asiática composta sobretudo por luso-descendentes e com raízes no território.

“Papiá Nôsso Língu, Dicionário de Patuá di Macau” foi publicado com o apoio da Universidade de Macau e apresentado no início do 2º Fórum Internacional das Línguas Chinesa e Portuguesa, que decorreu em Macau.
Gaião disse que os três volumes representam uma extensão de um primeiro dicionário, lançado em 2019, então apenas a partir de um levantamento dos escritos de José dos Santos Ferreira. Mais conhecido por Adé (1919-1993), escreveu poesia, novelas e teatro em patuá e é considerado um dos expoentes literários dos macaenses, juntamente com o escritor Henrique de Senna Fernandes (1923-2010).

O novo dicionário integra outras fontes, sublinhou Raul Leal Gaião, incluindo o trabalho do filho de Henrique, Miguel de Senna Fernandes, encenador do grupo Dóci Papiaçám, que uma vez por ano leva a palco uma peça de teatro em patuá.

Comparação com Malaca

As definições das expressões incluem, quando possível, uma comparação com o crioulo de Malaca, uma cidade portuária da Malásia onde, ainda hoje, vivem cerca de dois mil descendentes de portugueses, no chamado Bairro Português.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) considera o patuá como “gravemente ameaçado”, o nível antes da extinção. O patuá começou a desaparecer devido à obrigação de aprendizagem do português nas escolas, imposta pela administração portuguesa, assim como ao estigma em torno do crioulo.

“Era considerada uma língua das ‘nhonhas’ [mulheres em patuá] e das pessoas pouco instruídas”, lamentou Raul Leal Gaião. A publicação do dicionário é “muito bom” para a língua patuá, disse a macaense Anabela Ritchie, primeira mulher a ocupar a presidência da Assembleia Legislativa de Macau (1992-1999). “Espero que se torne uma obra de referência para os estudiosos da nossa língua”, acrescentou Ritchie, que falou em patuá durante o fórum.

A antiga professora revelou ainda que o portal Macanese Families (‘Famílias Macaenses’), que reúne informação sobre a diáspora da comunidade, pretende usar o dicionário para “registar o patuá falado”.

Apesar de não haver certeza sobre quantas pessoas dominam o crioulo, em Macau ou na diáspora, Ritchie disse que ainda tem familiares “que não aprenderam português e só falam o que restou do patuá”. Sobre o futuro do crioulo, a macaense garantiu ser “uma optimista por natureza” e apontou para o “interesse muito grande” dos jovens em aprender patuá para participar nas peças do Dóci Papiaçám di Macau.

22 Jun 2026

Apostas | Lucros da Macau Slot com quebra de 3% em 2025

No ano passado, a única empresa de apostas desportivas em Macau teve uma redução de lucros de três por cento. No entanto, com o mundial de futebol em curso, as perspectivas da empresa controlada por Ângela Leong são mais optimistas

 

A Sociedade de Lotarias e Apostas Desportivas de Macau (Macau Slot) registou lucros líquidos de 126,94 milhões de patacas em 2025, uma queda anual de 3 por cento, segundo um relatório financeiro divulgado pela empresa.

A Macau Slot, que tem a única concessão para exploração de apostas em futebol e basquetebol no território, anunciou que continuará a desenvolver “produtos mais diversificados” de apostas desportivas e a reforçar “serviços de informação para acompanhar a evolução do sector”.

No mesmo relatório, o presidente da companhia, Ng Chi Sing, afirmou que “apesar das alterações no ambiente comercial e dos desafios económicos nas regiões vizinhas”, as políticas do Governo mantiveram a economia local estável.

O parlamento de Hong Kong aprovou em Setembro do ano passado a legalização das apostas em jogos de basquetebol, a serem operadas pelo Hong Kong Jockey Club, replicando o modelo já existente para corridas de cavalos e apostas em futebol.

No entanto, em Abril deste ano, o Governo do território vizinho anunciou o adiamento da medida, justificando a decisão com receios de que pudesse levar ao crescimento de apostas clandestinas no mercado global de previsões.
Em 2024, a Macau Slot registou um lucro líquido de 130,88 milhões de patacas, mais 5,6 por cento em termos homólogos, o valor mais elevado desde o início da pandemia.

Ano de mundial, ano feliz

Um total de 163 milhões de patacas em receitas brutas de apostas em futebol e basquetebol foram reportadas no primeiro trimestre deste ano em Macau, mas com mais de mil milhões de patacas em apostas realizadas no mesmo período, segundo dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos do território.

O ano anterior terminou com um total de 609 milhões de patacas em receitas brutas de apostas desportivas no território, com mais de 6 mil milhões de patacas em apostas registadas. Os montantes em apostas desportivas no território costumam registar aumentos em anos de competições de futebol internacionais, como o campeonato do mundo de futebol organizado este ano.

Fundada em 1989, a Macau Slot obteve direitos exclusivos para apostas no futebol em 1998 e no basquetebol em 2000. Perdeu o estatuto de exclusividade em 2021, mas nenhum novo operador entrou no mercado até hoje. Desde 2024, a concessão tem sido renovada anualmente.

No ano passado, o Executivo prorrogou a concessão por mais um ano, até 5 de Junho de 2027, mas impondo à empresa uma redução progressiva do número de não-residentes e a retenção de trabalhadores locais. De acordo com uma declaração financeira de Novembro de 2025, a deputada Ângela Leong On Kei, co-presidente e directora executiva da operadora de casinos SJM Holdings, detém 72 por cento da Macau Slot.

22 Jun 2026

Economia | Mais de 80% preocupados com despesas médicas

Cerca de 30 por cento dos residentes com mais de 50 anos admite não conseguir poupar dinheiro, por ter rendimentos baixos. Esta é uma das conclusões de um inquérito da Associação de Segurança Social de Macau

 

Mais de 80 por cento dos residentes com mais de 50 anos admite ter preocupações com a capacidade financeira para enfrentar despesas médicas após a reforma. As conclusões fazem parte de um inquérito da Associação de Segurança Social de Macau, que foi citado pelo Canal Macau da TDM.

O estudo, feito com base num inquérito que contou com a participação de 792 residentes, mostra que 84 por cento apontou temer não ter capacidade para cobrir gastos com cuidados de saúde e despesas associadas, depois de se reformar.

Os resultados mostram também que apenas 20 por cento dos inquiridos não tem um plano de poupança a pensar na reforma e que 30 por cento admite não conseguir fazer poupanças a pensar no futuro, por ter rendimentos considerados insuficientes.

Para Yin Yifen, vice-presidente da Associação de Segurança Social de Macau, citado pelo Canal Macau, os resultados mostram que a população do território tem um elevada “percepção do risco”, mas também uma “baixa preparação” para enfrentar a idade da reforma.

Como nem todos os idosos têm necessidades financeiras, Yin Yifen pede apoios mais específicos e mais dirigidos a quem tem necessidades: “A sustentabilidade financeira do Governo é muito importante. Se ajudarmos todos os idosos por igual, isso, na verdade, não é realista. Por isso, acho que o Governo deve adoptar uma abordagem que combine o sector público e as opções de mercado”, afirmou. “Os idosos com capacidade financeira devem resolver os seus problemas e procurar assistência, tendo por base a oferta do mercado”, clarificou.

O responsável reiterou que “apenas os grupos verdadeiramente desfavorecidos devem receber um apoio total por parte do Governo.”

Todos para a Montanha

A TDM ouviu alguns idosos sobre este problema, e as pessoas mostraram-se disponíveis para viver na Ilha da Montanha, onde os preços são mais baixos. No entanto, apontaram problemas estruturais: “Ir para Hengqin pode ser uma solução, mas é preciso assegurar transportes para os idosos. Devem existir ambulâncias ou transportes de idade e volta para Macau”, afirmou um dos ouvidos pela emissora, que não foi identificado. “São necessários mais benefícios para os idosos. Macau arrecada tantas receitas fiscais e isso devia permitir oferecer mais qualidade de vida aos idosos”, acrescentou.

Outra residente, igualmente não identificada, apresentou queixas sobre as despesas diárias. Quando questionada sobre o que faz quando tem problemas de saúde, a mulher indicou recorrer aos Serviços de Saúde. Depois lamentou não conseguir poupar mais dinheiro, por ter despesas como o condomínio, no valor de 360 patacas, contas de água e telecomunicações.

22 Jun 2026

Criminalidade | Aumento anual de 1,3% no primeiro trimestre

O ano começou com mais crimes e ocorrências graves, de acordo com o Balanço da Criminalidade feito pelo Governo. Apesar desta tendência, os dados oficiais mostram que até Março não foram registados homicídios em Macau

O ano arrancou com um aumento da criminalidade, e até Março foram cometidos 3.332 crimes, mais 43 crimes do que no mesmo período do ano passado, quando tinha havido 3.289 ocorrências. Os dados constam do Balanço da Criminalidade, revelado no final da semana passada pelas autoridades.
“Embora o número total de crimes em Macau tenha registado uma ligeira subida de 1,3 por cento em comparação com o período homólogo de 2025, os crimes violentos tais como o homicídio, o rapto e as ofensas corporais graves continuam a manter uma taxa zero ou uma taxa de ocorrência muito baixa”, foi considerado no relatório.

Os dados mostram que os crimes contra a pessoa estão a crescer a um ritmo acelerado, com uma subida de 15,9 por cento no espaço de um ano. Este ano foram registados 655 crimes contra a pessoa, quando no ano passado o número tinha sido de 565. O aumento foi explicado com mais ofensas simples à integridade física (325 crimes, mais 10,9 por cento), ameaças (43 crime, mais 26,5 por cento) e ainda os crimes classificados como outros (226 crimes, mais 27,7 por cento).

“No âmbito deste tipo de crimes, o número de casos de ofensa simples à integridade física registou uma subida relativamente maior, sendo os pontos turísticos, casinos e hotéis e suas redondezas os locais de maior incidência”, foi indicado. “Face a esta situação, a Polícia intensificou o patrulhamento e vigilância nos referidos locais e reforçou o mecanismo de cooperação e de comunicação com as empresas de lazer”, foi acrescentado. No primeiro trimestre não houve qualquer registo de homicídios, à imagem do período homólogo.

Mais criminalidade violenta

O relatório mostra também que a criminalidade violenta está a crescer, com 63 ocorrências, quando até Março de 2025 tinham sido registadas 56, uma diferença de 12,5 por cento. Este aumento deve-se principalmente aos crimes de tráfico e venda de drogas (19 crimes, mais 58,3 por cento) e fogo posto (12 crimes, mais 20 por cento).

“Neste tipo de crimes, o número de casos de tráfico e venda de drogas registou uma subida relativamente maior, pelo que a polícia continuou a promover o aperfeiçoamento das tabelas anexas à ‘Lei de Combate à Droga’ e aprofundou a cooperação na repressão de drogas com os serviços de correios e os sectores de logística e de transporte aéreo, prevenindo de forma rigorosa a entrada de drogas em Macau”, foi relatado.

A nível das violações, o início do ano trouxe uma redução de 10 para sete crimes, uma diferença de cerca de 30 por cento.

Menos burlas

Ao contrário dos crimes violentes e contra pessoas, os relatório mostra que houve menos burlas no primeiro trimestre do ano. As ocorrências daquele que é um dos principais crimes em que os residentes são as vítimas apresentou uma redução de 10,6 por cento, com 496 ocorrências.

No período homólogo o número de crimes tinha sido de 555. “O número de casos de burla que envolvem telecomunicações tem vindo a diminuir, o que reflecte um aumento significativo da consciência dos cidadãos para a prevenção de burla”, foi considerado pelas autoridades. Ao mesmo tempo, foi indicado que um dos factores que conduziu à redução das ocorrências são os esforços de maior promoção sobre os perigos de burlas.

Taxistas bem comportados

No primeiro trimestre do ano, os taxistas cometeram menos irregularidades, com uma redução de 25,7 por cento, de 773 ocorrências até Março de 2025 para 574 irregularidades registadas no primeiro trimestre deste ano.

A maior parte das irregularidades foram classificadas como outras infracções, com um total de 512. Porém, também houve menos casos de recusa de transporte, 54 registos, quando no período homólogo tinham ocorrido 129, e menos cobranças abusivas de tarifas, com 6 registos, quando até Março de 2025 tinha havido 13 ocorrências.

22 Jun 2026

Refugiados | Pedidos de asilo congelados com esperas intermináveis

O camaronês Kennang Augustin Ferdinand está em Macau desde 2011 e há 15 anos que aguarda resposta para o pedido de asilo. A Cáritas Macau defende que, numa altura em que o mundo se fecha cada vez mais a refugiados, a Ásia pode assumir um “papel solidário”

Reportagem de Catarina Domingues, agência Lusa

 

Kennang Augustin Ferdinand, camaronês a aguardar resposta a pedido de asilo há 15 anos, é símbolo de um impasse que a Cáritas Macau alerta ser global: num mundo que se fecha, a Ásia pode assumir papel solidário.
É fácil o desencanto. Mas hoje Kennang sente confiança. Depois de finalmente ser entrevistado em francês, língua materna, com apoio de um tradutor, pela Comissão dos Refugiados de Macau, o activista de 58 anos restituiu algum “conforto e esperança” à monotonia dos dias.

O encontro em Março de 2025, diz agora à Lusa, permitiu esmiuçar o que o trouxe a Macau, expor cicatrizes. “Pude finalmente usar as palavras certas para contar a minha história”, diz. “Deram-me tempo para mostrar tudo, marcas específicas no corpo, que comprovam que fui profundamente torturado”, prossegue.

Kennang chegou a Macau em 2011, com o auxílio de um bispo com ligações à Cáritas. A organização humanitária contactou então o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), em Hong Kong, que apresentou o caso do camaronês à Comissão para os Refugiados de Macau.

Foram precisos 12 anos para ser ouvido pelo comité, responsável pela instrução dos processos de reconhecimento ou de perda do estatuto de refugiados e elaboração da proposta de decisão – a última palavra pertence ao chefe do Governo. Nessa primeira entrevista, em 2023, falou em inglês.

Longa espera

Kennang fez parte, a partir dos anos 1990, do movimento de estudantes conhecido como “Parlamento” – na Universidade Yaoundé – ligado ao partido da oposição Frente Social Democrática (SDF). Já em Macau, aderiu ao Movimento para o Renascimento dos Camarões (CRM, oposição) quando percebeu que “a SDF colaborava com o Governo ditatorial de Paul Biya”.

Membros desta formação política garantiram, numa declaração enviada para Macau, que, se regressar a casa, o camaronês corre o risco “de ser morto ou torturado”, conta o próprio.

A Lusa pediu à advogada do camaronês em Macau acesso ao documento – que segundo Kennang foi solicitado recentemente pela Comissão dos Refugiados como prova adicional – mas sem sucesso. Alegando razões profissionais, a defesa disse não poder fazer comentários sobre o processo.

Depois da entrevista em Março de 2025, Kennang não voltou a ser contactado. “Talvez por nunca ter sido atribuído em Macau estatuto de refugiado a ninguém”, sugere o camaronês como possível causa do impasse.

Silêncio completo

É possível confirmar este facto no portal ‘online’ do ACNUR. Desde a aprovação em Macau da lei de reconhecimento e perda do estatuto de refugiado, em 2004, não foi concedida esta protecção em Macau. A Direcção dos Serviços de Identificação do território confirmaram também à Lusa não ter, até à data, emitido títulos de identidade para refugiados.

A Lusa nunca conseguiu falar sobre o caso com a presidente da Comissão dos Refugiados, a delegada do procurador do Ministério Público Leong Weng Si, apesar de vários pedidos endereçados nos últimos anos. “O pessoal deste Ministério Público não se encontra disponível para entrevista sobre a matéria em apreço e, não dispomos, neste momento, de informações sobre a situação”, responderam na passada quinta-feira.

Viver de apoios

Enquanto aguarda, a vida de Kennang é marcada pela precariedade. Recebe um subsídio mensal de pouco mais de 4.000 patacas e apoio da Cáritas, estando impedido de trabalhar e de sair do território. Está ainda obrigado a visitas mensais aos serviços de imigração.

Tem uma vida monótona, mas organizada, com passagem diária pela biblioteca onde, sentado ao computador, lê notícias. “É tão terrível, se não souberes cuidar de ti quando não tens uma ocupação, a situação é muito complicada”, assume. “Em 15 anos, dei muito à comunidade”, acrescenta.

Paul Pun, secretário-geral da Cáritas Macau, que apoia Kennang desde que este chegou ao território, confirma que há outra pessoa à espera de uma resposta há mais de uma década. Quando decorreram as entrevistas, Pun considerou “um bom sinal”, mas não sabe definir o silêncio que se seguiu. “Talvez não tenham a certeza se estes casos se qualificam”, arrisca.

Em 2024, a Lusa falou com o advogado José Abecasis, que acompanhou em 2010 um cidadão indiano que pediu protecção mas acabou por abandonar o território. “Esteve preso num limbo, por não lhe ser concedido nem negado o estatuto. Este hiato precário, que por lei deveria ser temporário, transformou-se num modo de vida”, disse.

Lei para que serves?

Questionado sobre se a espera de Kennang é legal, Abecasis respondeu na altura: “no sentido procedimental não deverá ser”. O prazo máximo de instrução previsto por lei “é de um ano”, a contar da primeira entrevista, que deve ocorrer “no espaço de cinco dias depois da apresentação do pedido”. Após o período de instrução, “deve ser apresentada, no espaço de 10 dias, uma proposta de decisão ao Chefe do Executivo”.

Neste sentido, “a espera de mais de uma década por uma decisão consubstanciaria uma manifesta desconsideração pelos prazos estabelecidos pela lei local da Assembleia Legislativa, que tem por finalidade assegurar o cumprimento” em Macau “das normas da Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados, assinada em Genebra em 1951, e do protocolo relativo ao Estatuto dos Refugiados, adoptado em 31 de Janeiro de 1967”, disse então.

O mundo precisa de fazer mais, considera Paul Pun. As “contínuas tensões geopolíticas”, levaram países, “incluindo europeus, que sempre mantiveram uma atitude aberta em relação ao acolhimento de refugiados, a tornar mais restritiva a política de refugiados”, refere o secretário-geral da Cáritas Macau, notando que mesmo as doações de organizações internacionais de financiamento destinadas a apoiar projectos humanitários para os refugiados “diminuíram drasticamente”.

A Ásia, sugere Paul Pun, pode “aumentar a capacidade de acolhimento, a fim de fazer face à tendência crescente de refugiados”.

“Embora Macau disponha de espaço e recursos limitados, pode ainda assim manter uma atitude aberta e responder às preocupações internacionais”, declara ainda, recordando que, nos anos 1970 e 1980, a pequena cidade recebeu “mais de sete mil refugiados vietnamitas”.

 

Quase 9 milhões de pedidos

No final do ano passado havia quase 9 milhões de pessoas em todo o mundo a aguardar apreciação de pedidos de asilo, de acordo com os dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Estas pessoas pediram protecção internacional mas os pedidos de estatuto de refugiado ainda não tinha sido decididos. Desde 2016, quando havia 2,73 milhões de pessoas nesta situação que o número não tem parado de aumentar.

22 Jun 2026

Mundial 2026 | Hong Kong detém 150 pessoas devido a apostas ilegais de 35 ME

A polícia de Hong Kong anunciou a detenção de 150 pessoas alegadamente envolvidas num esquema de apostas ilegais através da Internet e voltou a apelar contra as apostas ilegais no Mundial 2026 de futebol.

Numa conferência de imprensa realizada na terça-feira à noite, a polícia estimou que o grupo terá movimentado mais de 320 milhões de dólares de Hong Kong desde Julho de 2025. Numa operação que decorreu ao longo de três dias, cerca de 600 agentes realizaram rusgas em unidades industriais em vários locais da região semiautónoma chinesa.

Os detidos têm entre 18 e 75 anos e incluem, além de 86 apostadores, titulares de contas bancárias usadas para branqueamentos de capitais e os alegados cabecilhas do grupo, que terão ligações às tríades.

A polícia acredita que desmantelou quatro centros de processamento de apostas, três centros de promoção e um local de recrutamento de apostadores, cujas apostas individuais atingiam 300 mil dólares de Hong Kong.

De acordo com a imprensa local, a operação teve como alvo oito portais não autorizados no território, que ofereciam apostas em futebol, corridas de cavalos e outros desportos. A concessionária sem fins lucrativos Hong Kong Jockey Club detém o monopólio das apostas em partidas de futebol e em corridas de cavalos na antiga colónia britânica.

A polícia apreendeu um milhão de dólares de Hong Kong em dinheiro, quatro milhões de dólares de Hong Kong em bens, assim como computadores e telemóveis.

18 Jun 2026

PJ | Menores envolvidos em roubo, agressão e gravações ilícitas

A vítima do ataque é uma menor. Antes do episódio de segunda-feira, tinha havido um desentendimento online num grupo de conversação de Wechat com mais de 100 pessoas

A Polícia Judiciária (PJ) revelou o caso de uma menor que foi agredida, roubada e gravada ilegalmente por outros seis menores. A investigação do caso foi espoletada por vídeos que circularam online, alegadamente gravados pelos menores responsáveis pelas agressões.

Na conferência de imprensa, a PJ revelou que os menores responsáveis pelo bullying são seis, três rapazes e três raparigas, com idades entre os 11 e os 15 anos. A vítima, do sexo feminino, também é menor.

A situação que levou à intervenção da PJ aconteceu na segunda-feira por volta das 18h, quando a vítima e uma amiga passavam por um estabelecimento de comidas e se cruzaram com os seis suspeitos. Nessa altura, segundo a versão das autoridades, o grupo de menores ordenou à vítima e à amiga que entrassem no restaurante. A vítima entrou, mas a amiga abandonou o local, mencionando um motivo pessoal.

Depois, uma das seis crianças exigiu à vítima que pagasse 200 patacas, como custo de portagem por atravessar a rua. Após a recusa, um dos menores pediu a outros três que levassem a vítima para umas escadas ao lado do restaurante, onde aconteceram as primeiras agressões, com murros e pontapés.

Sem conseguirem o pagamento, o grupo levou a vítima para um terraço de um outro edifício, onde se seguiram mais agressões. Durante o segundo ataque, os membros que não estavam envolvidos nas agressões incentivaram os outros e gravaram as cenas.

Após a segunda vaga de ataques, a agredida aceitou fazer a transferência de 200 patacas, através de uma plataforma de pagamentos. Apesar disso, a agressões não ficaram por aí. A PJ indica que mesmo após o pagamento, só depois de mais alguns murros e pontapés é que a vítima conseguiu abandonar o local.

Imagens online

Nos vídeos divulgados online, que se tornaram virais, é possível ver uma menor a agredir a vítima com murros, que se tenta defender, como se estivesse num combate de boxe. Em outro vídeo, pode ver-se o grupo dos menores a aproximarem-se da vítima e a troçarem dela. Esta aparenta estar a ser filmada contra a sua vontade.

A PJ indicou que, após a realização de um exame médico a vítima apresentava múltiplas contusões no corpo. O telemóvel que serviu para gravar o vídeo foi também apreendido.

Face às imagens, a polícia pediu à Direcção de Serviços de Educação de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) que contactasse os pais da vítima, para se deslocarem à esquadra para responder a perguntas e decidirem se queriam apresentar queixa.

A PJ também identificou os alegados agressores, que foram contactados através das escolas que frequentam.

Segundo a investigação, todos os envolvidos no caso conheceram-se online, através de um grupo da aplicação WeChat com mais de uma centena de jovens. Foi nesse grupo de conversa que terá havido um desentendimento anterior, por motivos fúteis, que depois terá levado à situação de segunda-feira.

Os seis membros do grupo são suspeitos da prática de roubo e de ofensa simples à integridade física. Um deles é também suspeito da prática do crime de gravações e fotografias ilícitas. O caso foi remetido para o Ministério Público.

DSEDJ avisa crianças

Após o caso ter sido tornado público, a DSEDJ emitiu um comunicado a indicar que “está a acompanhar com elevada preocupação” o caso. “Assim que tomou conhecimento do incidente, a DSEDJ coordenou-se imediatamente com a escola e as instituições de aconselhamento para prestar um acompanhamento directo aos alunos e encarregados de educação envolvidos, tendo também providenciado a deslocação de conselheiros escolares às autoridades policiais para prestar o devido apoio”, foi comunicado. “A DSEDJ apela aos jovens para que cumpram rigorosamente a lei, ponderem as consequências antes de qualquer acto e nunca desafiem a lei por impulso. Ao mesmo tempo, apela aos pais para que estejam atentos e se preocupem com a vida quotidiana e as amizades dos seus filhos”, foi acrescentado.

Também o deputado José Pereira Coutinho recebeu a família da vítima e defendeu que está na altura de criminalizar o bullying. O legislador ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) considerou que há “muitos casos semelhantes” que ficam por ser acompanhados porque as vítimas têm medo e não fazem queixa.

18 Jun 2026

Habitação | Preço médio do metro quadrado acima de 70 mil patacas

Depois de em Abril o preço do imobiliário ter caído para o valor mais baixo desde 2013, Maio trouxe uma ligeira recuperação com o preço médio do metro quadrado a subir para 70.806 patacas

Em Maio, o preço médio do metro quadrado da habitação foi negociado por 70.806 patacas, o que representou um aumento mensal de 17,4 por cento, de acordo com os dados da Direcção de Serviços de Finanças (DSF). Em Abril o preço médio do metro quadrado tinha sido de 68.000 patacas, o valor mais baixo desde Agosto de 2013.

Em termos dos diferentes mercados do território, o preço médio mais elevado foi registado em Coloane, com um valor de 76.910 metros quadrados. Ainda assim, e ao contrário da tendência global, este mercado apresentou uma redução de 5,4 por cento, dado que em Abril o metro quadrado tinha sido comprado e vendido a uma média de 81.261 patacas.

Nos mercados da Península de Macau e da Taipa, os preços mostraram um aumento mensal. Em Macau, a subida mensal foi de aproximadamente 4,7 por cento de 66.304 patacas para 69.420 patacas. Na Taipa, as casas ficaram mais caras 6,6 por cento, passando de 67.970 patacas para 72.488 patacas.

Quando a comparação dos preços é feita com Maio do ano passado, o crescimento é menos acentuado, na ordem 1,5 por cento. Em Maio de 2025, o preço médio do metro quadrado tinha sido de 69.735 patacas, com preços médios na Península de Macau de 67.386 patacas, na Taipa de 70.934 patacas e em Coloane de 92.184 patacas.

Menos transacções

Os números revelados na terça-feira à tarde pela DSF mostram também que com preços mais caros o mercado registou menos transacções. Em Maio, o número de vendas de habitação registou uma redução mensal anual de 10,4 por cento. As compras e vendas totalizaram assim 303 transacções no último mês, quando em Abril tinham sido 338.

No mês mais recente, o mercado mais activo foi o da Península, com um total de 209 transacções, menos 18 do que no período homólogo, quando houve 227 compras e vendas neste mercado. Também em Coloane o número de transacções registou uma redução de 35 compras e vendas, em Abril, para 16 em Maio. No entanto, na Taipa a tendência foi oposta, com o número de transacções a crescer mensalmente de 76 em Abril para 78 em Maio.

Em termos anuais, o número de transacções teve um aumento de 54,6 por cento, de 196 transacções em Maio de 2025 para as 303 transacções de Maio deste ano. No período homólogo tinham sido registadas 209 transacções na Península de Macau, 78 na Taipa e 16 em Coloane.

18 Jun 2026

CCAC | Queixas e denúncias em 2025 cresceram 26,4%

No ano passado, o Comissariado Contra a Corrupção recebeu 971 queixas e denúncias, mais 26,4 por cento face a 2024, em grande parte devido às eleições legislativas. Quase 95 por cento das queixas e denúncias foram apresentadas por cidadãos

No ano passado, o Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) recebeu 971 queixas, denúncias e fontes de notícias, de acordo com o relatório do organismo liderado por Ao Ieong Seong relativo ao ano de 2025. Face ao ano anterior, 2025 foi sinónimo de um incremento de queixas superior a 26,4 por cento.

O aumento deve-se, em parte, às 153 queixas e denúncias relativas às eleições legislativas realizadas a 14 de Setembro do ano passado. Sem os “incidentes” eleitorais, as queixas e denúncias de 2025 teriam aumentado apenas 6,5 por cento face a 2024.

Ainda em relação ao sufrágio para a Assembleia Legislativa, as mais de uma centena e meia de queixas resultaram em 30 investigações do CCAC, que motivaram cinco casos encaminhados para o Ministério Público devido a alegados fortes indícios de criminalidade. Destaque ainda para o facto de as últimas eleições legislativas terem gerado um aumento de 11 por cento de queixas, em relação ao sufrágio de 2021.

Na mensagem assinada pela comissária para a Corrupção, Ao Ieong Seong, refere-se que “o CCAC envidou todos os esforços no combate à corrupção eleitoral e à repressão de todos os tipos de irregularidades, promovendo uma cultura eleitoral saudável na sociedade”.

Ainda em relação ao sufrágio, o CCAC refere que se registou um caso de contravenção sancionado com multa administrativas, ou seja, fora da acção penal.

Ao Ieong Seong indica que “no novo ano, o CCAC, além de se empenhar no combate e na prevenção da corrupção”, na fiscalização, “irá continuar a pôr em prática, de forma reforçada, a visão governativa do Chefe do Executivo”.

Quem é quem

A vasta maioria das queixas e denúncias recebidas pelo CCAC no ano passado foram apresentadas por cidadãos (94,6 por cento), enquanto 2 por cento foram remetidas por entidades públicas, num total de 20 incidentes. Já os casos que resultaram da iniciativa do CCAC, totalizaram 23 no ano passado.

Entre as 919 queixas apresentadas por cidadãos, quase 42 por cento foram feitas sob anonimato. Quanto à forma de apresentar queixas e denúncias, o CCAC afirma esperar que “os cidadãos optem mais por apresentação de denúncias com identificação na plataforma online” (…), facilitando o desenvolvimento de processos, a sua investigação e os trabalhos da recolha de provas.

Quanto aos casos instruídos, no ano passado totalizaram 191 processos (sem incluir os relacionados com as eleições), 109 dos quais respeitantes ao sector público e 82 respeitantes ao sector privado. Além disso, foi concluída a investigação de 114 processos, 73 dos quais no sector público e 41 no privado. Dos 114 processos, a larguíssima maioria resultou em arquivamento (105), com apenas nove a serem encaminhados para o Ministério Público.

Quanto aos processos respeitantes ao sector público, os relacionados com a área da segurança e a área dos assuntos sociais e cultura ocuparam a maior percentagem. O número de processos destas duas áreas representou mais de 60 por cento do número total de processos instruídos relacionados com o sector público. A larga maioria destes processos resultou de abusos relativos a faltas por doenças e falsas declarações no registo de assiduidade.

Neste domínio, o CCAC sublinha que “é imperativo reforçar a sensibilização para a integridade do pessoal das referidas áreas para que se mantenha sempre em alerta”.

No sector privado, o relatório de 2025 vinca uma tendência que vem de trás, com a prevalência de processos principalmente “relacionados com a solicitação de subornos por parte dos chefes das empresas integradas de turismo e lazer”, e “litígios relativos à reparação e administração de edifícios”.

Tomar o pulso

Como é hábito, o relatório anual do CCAC realça alguns casos numa lista que categoriza como “olhar em retrospectiva”.

Um dos processos que salta à vista é relativo a um agente do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) que terá “obtido de forma fraudulenta baixa médica”, que aproveitou para passear e tomar refeições no Interior da China, em vez de ter “permanecido em casa para descanso”.

A investigação apurou que o agente declarou no ano passado ter sofrido uma lesão no pulso resultante de um acidente enquanto estava em serviço. O CCAC indica que esta justificação foi usada para faltas contínuas ao serviço durante quase quatro anos, entre 2015 e 2019. Durante período, o agente continuou a receber o salário, num total de quase 900 mil patacas.

No entanto, apesar de continuar a alegar lesões no pulso, e a conseguir atestados médicos, o agente conduzia frequentemente um motociclo “e participou duas vezes no exame prático de condução de veículos pesados de mercadorias”.

Além disso, entre 2016 e 2019, participou em torneios de bowling, tendo sido premiado várias vezes. Aliás, a partir de 2017, o agente passou a integrar a selecção de bowling de Macau e participou nos respectivos estágios de treinos.

O CCAC indica ainda que o agente saiu frequentemente de Macau “durante o período de faltas por doença, por mais de 300 vezes, incluindo em deslocações que envolveram viagens de avião para o exterior com a família”.

Foi também investigado no ano passado um caso de um médico da Direcção dos Serviços Correcionais (DSC) que também abusou do regime de faltas por motivo de doença, encontrando-se no exterior durante os períodos de baixa médica.

Entre 2018 e 2024, o suspeito contactou vários médicos amigos (de instituições médicas públicas e privadas de Macau) que lhe passassem vários atestados médicos ou comprovativos de faltas por acompanhamento familiar. Em simultâneo, a investigação apurou que “o médico em causa exercia outras funções remuneradas a tempo parcial sem conhecimento e consentimento do Serviço onde exercia funções”.

18 Jun 2026

Quadros qualificados | Kong Chi Meng continua à frente de comissão

Além de manter a confiança no director da DSEDJ como líder da comissão responsável pelo desenvolvimento de talentos, Sam Hou Fai também renovou a nomeação Che Weng Keong como presidente do IPIM

O director dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Kong Chi Meng, vai continuar a ser o secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados (CDQQ), a tempo parcial. A informação foi divulgada ontem no Boletim Oficial, através de um despacho assinado pelo Chefe do Executivo, e a nomeação vai vigorar por um ano.

Esta é a segunda vez que o mandato de Kong como secretário-geral da comissão é renovado, depois de ter sido escolhido para o cargo em Agosto de 2023, por Ho Iat Seng. Durante o próximo ano, Kong vai ter uma remuneração mensal de 28.200 patacas pelo desempenho destas funções, que acumula com o cargo de director da DSEDJ.

Além da renovação do mandato de Kong Chi Meng, Sam Hou Fai também optou por manter Wong Kin Mou como secretário-geral adjunto na CDQQ. As funções são desempenhadas a tempo inteiro. O novo mandato tem a duração de um ano, e segundo a informação publicada no Boletim Oficial, Wong vai receber 79.900 patacas por mês, para o desempenho das funções.

A CDQQ foi criada em 2014, ainda durante o período de Fernando Chui Sai On como Chefe do Executivo, e tem como funções definir a estratégia de desenvolvimento de quadros qualificados do território, tanto ao nível da formação como de retenção de profissionais.

IPIM sem alterações

Através da edição de ontem do Boletim Oficial foi também revelado que Sam Hou Fai renovou o mandato de Che Weng Keong como presidente do Conselho Administrativo do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM).

Che Weng Kong é nomeado no regime de “comissão eventual de serviço”, uma vez que se encontra ligado ao gabinete da secretária para a Economia e Finanças, na condição de assessor. Che foi nomeado para as funções actuais no Verão do ano passado e segundo a renovação do mandato vai manter-se na posição, em condições normais, até 6 de Fevereiro do próximo ano.

O IPIM tem como funções atrair investimento para Macau e apoiar as empresas locais na exploração de novos mercados, assim como promover a indústria de convenções e exposição. Parte destes esforços são virados para o intercâmbio económico com os Países de Língua Portuguesa.

18 Jun 2026