Xangai | Feira das profissões apresenta talentos portugueses ao mundo

Arrancou ontem em Xangai a WorldSkills, uma feira profissional com 300 espaços de exposição e mais de 100 actividades interactivas, onde concorrem jovens de todo o mundo em profissões tão variadas como designers digitais, técnicos de robótica, floristas ou cabeleireiros. Portugal faz-se representar por alguns jovens talentos

Um robô que recebe uma entrega, chama sozinho o elevador e a leva até ao quarto do hotel surpreendeu Daniel Silva em Xangai, onde o jovem português de 21 anos compete no WorldSkills em robótica móvel. A WorldSkills Xangai começou ontem e termina no domingo.

“Em Portugal temos, por exemplo, o carrinho com o gatinho que leva os pratos”, contou à agência Lusa, referindo-se aos robôs autónomos utilizados em alguns restaurantes. Mas, na China, encontrou uma versão mais sofisticada da mesma tecnologia.

“Já vi um robô do género em que chega alguém de fora com comida, entrega ao robô e aquilo entra no elevador e sobe”, contou. “Chama o elevador sozinho, entra no elevador e vai até ao quarto. É uma coisa muito diferente”, descreveu.

Daniel, natural do distrito do Porto, representa Portugal na categoria de robótica móvel, em equipa com Duarte Serra, na maior competição mundial de profissões, que decorre ao longo desta semana em Xangai, a “capital” económica da China.

A área envolve sistemas autónomos capazes de executar tarefas que reproduzem situações reais, combinando programação, visão artificial e capacidade para transportar ou manipular objectos. “Existe um pedido e depois o robô tem de completar esse pedido”, explicou, dando como exemplo a deslocação de um objecto de um ponto para outro. As aplicações podem ir muito além dos pequenos veículos utilizados em restaurantes ou hotéis.

A China é actualmente o maior mercado mundial de robótica industrial. Mais de dois milhões de robôs operam nas fábricas do país e, só em 2024, foram instaladas 295.000 novas unidades, mais do que o resto do mundo combinado.

A rápida automatização é acompanhada pelo crescimento da indústria local: mais de metade dos robôs industriais produzidos no mundo são já fabricados na China, ao mesmo tempo que empresas como a Unitree procuram acelerar a comercialização de robôs humanoides.

É precisamente a diversidade de aplicações que atrai Daniel. Segundo o jovem, os princípios que aprende podem ser aplicados a diferentes sistemas autónomos, desde veículos a aviões ou submarinos. “Não precisa de ser especificamente uma solução programada de uma certa forma e acabou. É um conceito”, explicou.

O percurso de Daniel começou no ensino profissional, inicialmente na área da mecatrónica, antes de se virar para a robótica móvel. “A mecatrónica é fixe, é uma máquina que temos que montar e programar, mas é estática”, explicou. “A robótica móvel permite inventar mais”, acrescenta. Após concluir formação de níveis 4 e 5, Daniel prosseguiu para o ensino superior e frequenta actualmente Engenharia Electrotécnica e de Computadores no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP).

Quanto às possibilidades de Portugal na competição, Daniel prefere manter expectativas moderadas. “Realisticamente, nós sabemos que não estamos muito perto dos melhores. Temos dois olhos na cara e vemos o que eles fazem e o que têm feito ao longo dos últimos anos”, disse. Um 12.º lugar seria já um resultado que o deixaria satisfeito, admitiu. “Vamos fazer o nosso melhor”, assegurou.

Um espaço maior

Para Gustavo Seia, coordenador da WorldSkills Portugal, a dimensão do evento constitui, por si só, um desafio para os jovens portugueses. Portugal participa com dez jovens, distribuídos por sete profissões: robótica industrial, robótica móvel, mecatrónica, soldadura, controlo industrial, cabeleireiro e maquinação CNC.

“O recinto é esmagador, são 1.400 jovens a participar de mais de 60 países”, afirmou Seia à Lusa, explicando que a preparação inclui também apoio na gestão da pressão e das emoções durante a competição.

Para o coordenador, para lá dos resultados, a competição serve para mostrar aos jovens as possibilidades destas áreas. “Estas profissões valem a pena e são uma óptima opção para quem vai entrar no mercado de trabalho”, disse.

Mas nem só de tecnologia é feita a WorldSkills. Prova disso é a presença de Leonor Silva, que representa Portugal na profissão de cabeleireiro. Aos 15 anos, quando muitos colegas ainda tentavam perceber o que queriam fazer no futuro, Leonor Silva decidiu aprender uma profissão e entrar logo no mercado de trabalho. “Tinha uma grande vontade de trabalhar e gostava da área da beleza. E foi um bocado por aí que decidi escolher um curso profissional”, explicou à agência Lusa a jovem de Santa Maria da Feira, hoje com 20 anos.

Leonor começou uma formação em cabeleireiro em 2021, com cerca de dois anos e meio de duração. “Comecei logo a trabalhar na área. E depois, quando concluí a formação, continuei a trabalhar”, contou. A jovem integra a equipa portuguesa que marca presença na WorldSkills, sendo que Portugal está ligado a esta competição desde a sua origem. Juntamente com Espanha, inaugurou a competição em Madrid, em 1950.

Peso do ensino técnico

A composição da equipa espelha também a diversidade do actual ensino profissional, cada vez mais ligado a áreas tecnologicamente avançadas e para as quais existe procura de trabalhadores qualificados.

Gustavo Seia, coordenador da WorldSkills Portugal, estrutura integrada no IEFP, considera que Portugal continua a enfrentar falta de mão-de-obra nestas áreas. “O nosso país ainda carece de mão-de-obra qualificada”, afirmou, atribuindo parte do problema a uma “hipervalorização do científico-humanístico”, que durante anos levou muitas famílias a privilegiar a universidade em detrimento da formação profissional.

Segundo o responsável, apesar de a percepção ter melhorado, “há trabalho a fazer” para acabar com o estigma associado a esta via de ensino. “Estas profissões são eminentemente manuais”, mas exigem trabalhadores “altamente qualificados” e devem ser valorizadas também ao nível da remuneração, acrescentou.

Para o coordenador da WorldSkills Portugal, uma das principais vantagens do ensino técnico-profissional continua, no entanto, a ser o acesso ao mercado de trabalho. “As profissões que trazemos são profissões com alta empregabilidade”, disse Gustavo Seia, considerando que um jovem que conclua este tipo de formação dispõe de boas perspectivas de encontrar trabalho, mesmo que decida simultaneamente prosseguir os estudos.

Foi precisamente a possibilidade de se tornar independente ainda muito jovem que atraiu Leonor. “Eu queria começar a fazer carreira”, disse. “Queria começar logo a fazer a minha vida”.

O WorldSkills apresenta profissões nas áreas dos Transportes e Logística, Tecnologia de Manufacturas e Engenharias, Moda e Artes Criativas, Tecnologias da Informação e Comunicação, Serviços Pessoais e Sociais e ainda Tecnologias da Construção e de Edifícios. O mote deste evento é que os participantes possam mostrar aquilo que valem em profissões com uma forte componente prática, como montagem de ares condicionais, pinturas de casas ou carpintaria, entre outras, embora a área digital marque presença. Nas áreas mais criativas, não faltam representantes em joalharia, floristas, costura ou merchadising visual. O evento acontece no Centro Nacional de Convenções e Exposições de Xangai.

24 Set 2026

GP Macau | Conhecidos primeiros nomes da prova de Motos

As listas oficiais de inscritos para o 73.º Grande Prémio de Macau só deverão ser divulgadas em meados de Outubro, em linha com a tradição dos últimos anos. Ainda assim, começam já a ser conhecidos alguns dos pilotos que irão enfrentar o desafiante Circuito da Guia na edição deste ano do Grande Prémio de Motos, agendada para 19 a 22 de Novembro

Nas oficinas das equipas, tanto no Reino Unido como na Europa continental, vivem-se dias de intensa actividade. Enquanto os responsáveis pela logística e mecânicos preparam os contentores que irão transportar o material para Macau, as formações ultimam a preparação das suas motos para aquela que é uma das provas mais exigentes do calendário internacional de estrada. Tendo em conta que o transporte marítimo entre os portos europeus e o Extremo Oriente pode demorar até seis semanas, as equipas estão a concluir os últimos ensaios nos bancos de potência e a desmontar os chassis antes de acondicionarem as suas principais motos nos contentores, operação que deverá decorrer no início de Outubro.

À medida que os convites vão sendo formalizados, alguns pilotos têm recorrido às redes sociais para confirmar a sua presença. Foi o caso de Fredrik Matthys e Kevin Keyes, da Daracore Racing.

Numa competição historicamente marcada por uma forte presença de pilotos britânicos e de outras nacionalidades com tradição nas corridas de estrada, o belga Fredrik Matthys, primeiro campeão da ESR (European Series Road Racing), fará a sua estreia no Grande Prémio de Motos de Macau aos comandos de uma BMW.

Com experiência acumulada no Isle of Man TT e no North West 200, o irlandês Kevin Keyes também estará presente, aos comandos de uma Honda. O piloto, vencedor da corrida de Supersport em Kells, terá a sua primeira participação em Macau assegurada pela equipa irlandesa Daracore Racing.

Bottalico procura melhorar resultado

Um dos pilotos que mais surpreendeu na edição do ano passado foi Maurizio Bottalico. O italiano, de 44 anos, participou pela primeira vez no Grande Prémio de Motos de Macau em 2025, aos comandos de uma BMW M 1000 RR preparada pela Crowe Performance / Bottalico, e terminou a prova num excelente sexto lugar. Este ano, Bottalico regressará à RAEM com o objectivo de melhorar esse resultado. A sua BMW M 1000 RR será preparada pela RVS Motorsport.

Também Olivier “Lupi” Lupberger já recebeu o convite para a edição deste ano. O motociclista suíço regressará assim a Macau, depois de ter ficado ausente da lista de participantes na edição de 2025. Habitualmente aos comandos de uma Yamaha R1, Lupberger conhece bem o traçado citadino, onde se estreou em 2023.

Outro regresso já confirmado é o de Mikey Evans. O nativo da Ilha de Man e piloto da Dafabet Racing terminou a edição do ano passado na nona posição, aos comandos de uma Honda CBR1000RR-R, e deverá manter-se fiel à marca japonesa no seu regresso ao Circuito da Guia.

Todd em dúvida, mas há mais nomes fortes

Davey Todd, vencedor das duas últimas edições do Grande Prémio de Motos de Macau, é uma das principais incógnitas para a edição deste ano. O piloto britânico sofreu, em Março, um grave acidente durante a qualificação para a Daytona 200, nos Estados Unidos, quando se preparava para participar na competição. O acidente provocou-lhe fraturas no fémur, na tíbia, no pé e no nariz. Todd foi posteriormente submetido a uma intervenção cirúrgica, durante a qual lhe foi colocada uma haste no fémur e parafusos na tíbia, seguindo-se um longo período de recuperação e fisioterapia. Desde então, o piloto britânico ainda não regressou à competição, sendo, por isso, possível que falhe a prova que encerra a temporada internacional de “road racing”.

Nos bastidores, contudo, há outros nomes de peso associados à edição deste ano. Peter Hickman, vencedor por cinco vezes em Macau, deverá estar de regresso ao Circuito da Guia, tal como Rob Hodson, da SMT Racing.

Também Michael Dunlop poderá voltar a competir em Macau. Filho de Robert Dunlop, vencedor do Grande Prémio em 1989, Michael é uma das figuras maiores da história moderna das corridas de estrada e o seu regresso ao Circuito da Guia, 15 anos depois da última participação, a ser confirmado, será naturalmente um dos pontos de interesse do 58.º Grande Prémio de Macau.

23 Set 2026

Citigroup | Jogo atravessa um dos piores períodos da história recente

A análise mais recente do banco de investimento traça um cenário negativo na principal indústria do jogo, mas os analistas George Choi e Timothy Chau admitem que ainda é cedo para tirar grandes conclusões

O segmento mais elevado do mercado de massas está a atravessar um dos piores períodos recentes. O cenário é traçado no último relatório do banco de investimento Citigroup, citado pelo portal GGRAsia, e levou a uma revisão em baixa da estimativa das receitas para o mês de Setembro.

Como consequência das observações mais recentes, o banco de investimento espera agora receitas brutas do jogo de 18 mil milhões de patacas em Setembro, quando antes esperava que atingissem 19 mil milhões de patacas. A nova estimativa implica uma redução queda de 4 por cento das receitas no terceiro trimestre face ao período homólogo.

As observações dos analistas George Choi e Timothy Chau mostram que o volume das apostas no mercado premium de massas apresentou uma redução anual de 45 por cento face ao mesmo período do ano anterior. Este ano, as apostas observadas totalizaram 6,8 milhões de dólares de Hong Kong, enquanto em Setembro do ano passado tinham atingido 12,3 milhões de dólares de Hong Kong.

Além do montante apostado estar em quebra, o mesmo aconteceu com o número de jogadores do segmento mais alto do mercado de massas. O relatório indica que houve uma redução de 20 por cento do número de jogadores para 401 apostadores. Estes números representam uma média de apostas de 16.958 dólares por mão, uma diminuição de 31 por cento, dado que no período homólogo a média de aposta era de 24.550 dólares de Hong Kong por mão.

“Os resultados da pesquisa nas mesas de jogo em Macau durante Setembro estão entre os piores da história recente”, escrevem os analistas.

Ambiente mais tranquilo

George Choi e Timothy Chau indicaram ainda que o ambiente foi mais tranquilo do que há três meses, quando começou o Campeonato Mundial de Futebol de 2026. No entanto, o banco de investimento admite que ainda não é possível concluir que os jogadores estão menos dispostos a jogar: “Não podemos concluir categoricamente que os fracos resultados são fruto de uma menor disposição dos jogadores para gastar ou da realização da nossa pesquisa num momento desfavorável”, foi vincado.

Apesar do ambiente pouco optimista, o banco explica que os resultados das observações ainda não permitem tirar grandes conclusões porque, em Setembro de 2024 as observações também indicaram resultados fracos, mas seguiu-se uma forte recuperação em Outubro desse ano.

A realidade de Setembro representa uma inversão face a Agosto, quando a pesquisa do Citi tinha revelado um crescimento anual de 7 por cento do volume de apostas no segmento premium de massas. Nesse mês, o total de apostas atingiu 14,3 milhões de dólares, apesar de uma quebra do número de jogadores na ordem dos 16 por cento.

23 Set 2026

Aviação | Air Macau vai manter política de cancelamento de voos

A empresa de Macau controlada pela Air China defende-se das críticas e afirma que o cancelamento de voos é “uma prática internacional comum” para lidar com o aumento do preço dos combustíveis

Após o surgimento de várias críticas à Air Macau devido aos numerosos cancelamentos de voos, a empresa veio justificar a política com o aumento dos preços dos combustíveis.

Em resposta ao canal chinês da Rádio Macau, a companhia argumentou que a vaga de cancelamentos é “uma prática internacional comum” na aviação face ao aumentos do custo do combustível, condições climatéricas adversas ou alterações do mercado.

Na tomada de posição, a Air Macau admitiu ainda que vai continuar a cancelar voos, mas prometeu “envidar esforços” para ajustar os horários dos voos e avisar os passageiros com antecedência.

Numa altura em que se aproximam as férias do Festival do Bolo Lunar, com um fim-de-semana prologando, e ainda os feriados da Semana Dourada, a Air Macau indicou também que vai fazer todos os possíveis para garantir a “estabilidade dos voos”.

Segundo os dados da Air Macau, entre Julho e Agosto deste ano, foram realizados menos 400 voos face ao período homólogo. Em Setembro, até ao dia 21, a diminuição dos voos em comparação com Setembro do ano passado foi de 200 ligações.

Apesar dos sobressaltos, a Air Macau considera que tem minimizado os inconvenientes para os passageiros ao celebrar acordos de transferência de passageiros com várias companhias aéreas de maior dimensão. Desta forma, a companhia indica que os passageiros podem apanhar outros voos e a empresa assume os custos extra relacionados com a necessidade de recorrer a outros meios de transporte. Como alternativa, se os passageiros já não quiserem viajar após o cancelamento, a empresa garante que devolve o dinheiro pago.

Quase 40 queixas

Por sua vez, o Conselho de Consumidores (CC) revelou que desde o início do ano, e até 10 de Setembro, recebeu 39 queixas relacionadas com o cancelamento dos voos da Air Macau. O CC também apelou à companhia para ter em consideração as circunstâncias reais e as exigências dos consumidores, tomando “medidas de forma adequada”.

Todavia, os passageiros arriscam-se sempre a não serem compensados por eventuais danos dos cancelamentos. Segundo o presidente da Associação Seguradora de Macau, Ivan Cheung, geralmente os cancelamentos ou atrasos por motivos comerciais, como os que têm acontecido na Air Macau, não são cobertos pelos seguros de viagem.

Sobre a política de cancelamentos, o presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Andy Wu, considerou que actualmente as agências de viagem que organizam deslocações ao Interior ainda escolhem a Air Macau como primeira opção.

Todavia, como depois das férias de Verão a frequência dos voos da companhia se tornou instável, o dirigente admite que o cenário possa sofrer alterações. Por isso, Andy Wu aconselhou a Air Macau a assegurar a realização regular dos voos e a avisar os passageiros com antecedência sobre eventuais cancelamentos.

Empresa Estatal

Actualmente, a principal accionista da Air Macau é empresa-estatal Air China, com uma participação social de cerca de 75 por cento do capital social fixado em aproximadamente 2,38 mil milhões de patacas. Esta participação está avaliada em 1,78 mil milhões de patacas.

O segundo maior accionista da Air Macau é a RAEM, com uma participação social de 24 por cento, o equivalente a 573 milhões de patacas. Constam ainda como accionistas com participações inferiores a 1 por cento a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, Serviços Aéreos Evergreen (Macau), IPE (Macau) – Investimentos e Participações Empresariais, Centro de Comércio Mundial Macau e Companhia de Seguros de Macau.

23 Set 2026

DICJ | Pereira Coutinho questiona futura dispensa de estagiários

O deputado ligado à ATFPM pede à secretária para a Economia e Finanças que pressione a DICJ para integrar nos quadros do organismo, pelo menos, mais 35 estagiários para colmatar a falta de recursos humanos

O deputado Pereira Coutinho defende que a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) deve contratar mais estagiários para colmatar a falta de trabalhadores. A posição surge numa carta enviada à secretária para a Economia e Finanças, Dora Ng Wai Han, na sequência do programa mais recente de estágios para inspectores nestes serviços.

Segundo o legislador, em 2023, a DICJ anunciou a abertura de um programa de estágios com 120 vagas para inspectores de 2.ª classe. Desde o início que estava prevista a contratação inicial de 60 estagiários para os quadros. A promessa foi cumprida, com a integração nos serviços dos 60 melhores classificados entre os 120 estagiários.

No entanto, Coutinho afirma ter recebido várias queixas de estagiários que não conseguiram um desempenho no estágio entre os 60 melhores classificados. No entender do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), uma vez que há falta de recursos humanos na DICJ, o Governo devia incentivar o emprego local e suprimir essas falhas.

“Lembramos que, em audiência na comissão da Assembleia Legislativa, em Dezembro de 2023, a direcção da DICJ justificou a abertura de 120 vagas de estágio (para um preenchimento inicial de 60 vagas) pela existência de um défice estrutural de pessoal. Foi publicamente assumido que, além das 60 vagas iniciais, o serviço carecia de pelo menos 35 inspectores para fazer face às necessidades decorrentes da reorganização dos turnos de trabalho”, foi recordado pelo deputado. “Não proceder ao recrutamento dos candidatos aprovados, quando tais carências de pessoal subsistem, entra em contradição com o planeamento técnico previamente apresentado”, foi acrescentado.

Contra o relógio

Como argumento a favor da contratação, o deputado indica ainda que a lista classificativa do estágio vai expirar em menos de cinco meses. Se a lista não for aproveitada para as novas contratações, a DICJ vai ter de lançar um novo programa de estágios.

“Uma vez que a carreira de inspecção de jogos corresponde a um regime especial exclusivo da DICJ, não sendo possível o recrutamento por mobilidade a partir das carreiras gerais dos restantes serviços públicos, a caducidade da lista classificativa implicará o desperdício integral de uma parte substancial do investimento público efectuado”, explicou. “Adicionalmente, a abertura de um novo concurso demorará pelo menos dois anos, período durante o qual a DICJ ficará sem capacidade de resposta rápida para suprir as saídas ocorridas no último ano e meio por motivo de aposentação ou rescisão de contrato”, avisou.

O deputado argumenta também que estes estagiários foram prejudicados na procura de trabalho no sector privado dado que o seu nome foi publicado no Boletim Oficial. Como os estagiários surgem como candidatos aprovados, Coutinho considera que as empresas do sector privado não lhes oferecem emprego por temerem que ingressem logo a DICJ, abandonando o posto de trabalho no sector privado.

23 Set 2026

Conselho de Estado | Jovens de Macau recebidos por vice-primeiro-ministro

Mais de 300 alunos e docentes de Macau estiveram cinco dias em Pequim numa actividade de hasteamento da bandeira e uma delegação foi recebida pelo vice-primeiro-ministro Ding Xuexiang. Sam Hou Fai afirmou que o evento reforçou a identidade nacional e o orgulho étnico dos mais jovens

Entre sexta-feira e ontem, mais de três centenas de professores e alunos de escolas de Macau estiveram em Pequim para participar na Actividade de Visita a Pequim de Representantes das Equipas de Hasteamento da Bandeira dos Jovens de Hong Kong e Macau – “Saudação à Bandeira Nacional”.

Na segunda-feira, uma comitiva de representantes dos jovens de Hong Kong e Macau foram recebidos no Grande Palácio do Povo pelo vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado, Ding Xuexiang, que transmitiu calorosas saudações do Presidente Xi Jinping.

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, agradeceu ao Presidente Xi Jinping e ao Governo Central pela atenção demonstrada para com a juventude de Macau, “trazendo-a sempre no coração e proporcionando orientações e apoios fundamentais”.

Sublinhando que Macau vive actualmente o melhor período de desenvolvimento da sua história, Sam Hou Fai pediu aos jovens compreensão sobre o significado da bandeira nacional, que a “protejam e lutem pela sua glória”.

O discurso de cariz nacionalista do Chefe do Executivo envolveu também identidade étnica e segurança nacional. “Este momento, irá reforçar certamente o reconhecimento da identidade nacional e o orgulho étnico dos mais jovens, formando uma nova geração com sentimento de amor à pátria e com espírito de responsabilidade, e injectando um novo impulso na consolidação das bases do amor pela pátria e por Macau e da própria barreira de segurança nacional”.

Entidade sagrada

Como o evento nacionalista se revestiu de um cariz educativo, o Chefe do Executivo indicou “a educação patriótica constitui um pilar essencial para a implementação estável e duradoura de ‘um país, dois sistemas’”.

Sam Hou Fai sublinhou que o reforço da consciência nacional e do espírito patriótico das novas gerações pode ser alcançado através do enriquecimento dos conhecimentos sobre a realidade nacional, a Constituição, a Lei Básica e a segurança nacional. Estes são caminhos para que o “patriotismo se enraíze no coração dos jovens, transformando-os numa força motriz para a promoção do crescimento das forças patrióticas e pró-Macau”.

A visita dos grupos de jovens a Macau e Hong foi organizada pelo Gabinete de Trabalho de Hong Kong e Macau do Comité Central do Partido Comunista da China, o Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, o Governo Popular do Município de Pequim, e os executivos de Macau e Hong Kong.

Os cerca de 1.200 docentes e estudantes dos ensinos primário, secundário e superior das duas regiões especiais administrativas também participaram em “actividades de estudo sobre história, cultura, inovação tecnológica e desenvolvimento coordenado entre Pequim, Tianjin e Hebei”.

23 Set 2026

Óbito | Jorge Palma morreu aos 76 anos vítima de paragem cardiorrespiratória

Jorge Palma, um dos mais importantes músicos portugueses, morreu na noite de segunda-feira vítima de paragem cardiorrespiratória. Deixa êxitos que marcaram gerações, como “Frágil”, “Bairro do Amor” ou “Dá-me Lume”. O músico actuou duas vezes em Macau, nos anos 90 e em 2015

O músico Jorge Palma, que morreu na noite de segunda-feira, aos 76 anos, vítima de paragem cardiorrespiratória, trocou a música clássica pelo rock no início da adolescência, acabando por se tornar num dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa contemporânea.

Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou aos seis anos a ter aulas de música, tendo ingressado no Conservatório de Música de Lisboa aos 10. Embora as aulas tenham começado bem cedo, Jorge Palma começou a tocar antes disso, em casa, onde havia um piano.

“Era o meu brinquedo. Tinha bom ouvido e as coisas que ouvia na rádio e no gira-discos reproduzia-as no piano. Tinha jeito para aquilo e as pessoas repararam, a começar pela minha mãe, que também tinha estudado piano. Daí ter-me posto a estudar aos seis anos”, partilhou numa entrevista, publicada em 2024 no jornal digital “Mensagem” de Lisboa.

Em 1963, ficou em segundo lugar num concurso internacional de piano, no Festival Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca, Espanha, onde foi também distinguido com uma Menção Honrosa.

Embora a sua carreira comece a ser contada em 1972, ano em que gravou o primeiro ‘single’ em nome próprio, o percurso na música começou oito anos antes, aos 14 anos, quando abandonou a música clássica para se dedicar ao pop-rock.

Na altura, o que o movia “eram miúdas, festa, aquelas coisas”. No liceu, começou “a ouvir a pop rock, a começar por [Elvis] Presley, mas sobretudo [The] Beatles e [The Rolling] Stones”. “Aí abandonei completamente os estudos clássicos, chumbei no Liceu Camões, no 4.º ano, deixei de ir à ginástica, às aulas de piano”, recordou Jorge Palma, em entrevista à Lusa, em 2022. Após terminar o liceu, entrou na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que frequentou durante dois anos, até desistir.

Início sindical

Antes de se apresentar em nome próprio, Jorge Palma fez parte do grupo Sindicato, que tocou na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, em 1971, e dos Black Boys. Na mesma época, começou a trabalhar em composição, orquestração e gravação.

Em 1972, gravou “The Nine Billion Names of God”, o primeiro ‘single’ em nome próprio, cujo pagamento recebeu em electrodomésticos. O título do tema foi retirado de um conto de Arthur C. Clarke e inspirado no livro “O Despertar dos Mágicos”, de Louis Pauwels e Jacques Bergier.

“Gostei muito desse conto, ‘The Nine Billion Names of God’, que é um conto pequeno em que há um confronto entre a mística, o espiritualismo dos monges tibetanos, e os computadores do mundo ocidental. E consegui, num inglês ainda académico, fazer uma canção que não está nada mal feita. Tinha eu nessa altura 22 anos”, contou ao jornal Público, em 2022.

Quando quis gravar “The Nine Billion Names of God” e o lado B do ‘single’, “Come, Morpheus”, Jorge Palma foi ter com “o grande músico e maestro” Thilo Krasmann, que o gravou, cedendo espaço de estúdio para que gravasse a maquete, de piano e voz, mas “não pertencia a nenhuma editora”, recordou em entrevista à Lusa em 2022.

O músico foi então “bater à porta da Arnaldo Trindade, cujo director era o Carlos Cruz, que ouviu, achou piada e disse: ‘Nós pagamos-te a gravação e fazemos a gravação’”. O pagamento chegou na forma de “uma máquina de lavar roupa e um frigorífico”.

“O Arnaldo Trindade [1934-2024] tinha um negócio de electrodomésticos”, explicou Jorge Palma, lembrando que, naquela altura, tinha acabado de se casar com a primeira mulher.

A saída da ditadura

Pouco depois, em 1973, foi convocado para o serviço militar, mas decidiu abandonar o país e instalar-se na Dinamarca. Antes de partir, leiloou ‘o pagamento’ que recebeu pelo primeiro ‘single’ entre os amigos.

“Consegui licença militar para sair 15 dias antes de entrar para a tropa. Quando obtive essa licença, em Setúbal, saí aos saltos cá para fora. Quem me tivesse visto deveria ter pensado que eu era maluco. Cheguei ao aeroporto com um bilhete para Londres, e de Londres viajei para Copenhaga”, lê-se na biografia oficial de Jorge Palma, “Na Palma da Mão”, da autoria de Pedro Teixeira.

No mesmo livro conta-se que, em Copenhaga, Jorge Palma trabalhou num hotel onde desempenhou tarefas na manutenção e lavagem dos elevadores e na limpeza dos quartos, entre outras.

Em 1974, regressa a Portugal, após o 25 de Abril, começa a trabalhar como orquestrador e, no ano seguinte, edita o primeiro álbum, “Como uma viagem na palma da mão”, criado numa altura em que o músico estava “muito influenciado pelo rock sinfónico, Genesis, Yes, etc.”.

“Foi sob essa influência que escrevi as canções desse álbum. Somos só três instrumentistas: Vítor Mamede na bateria, que veio do meu grupo Sindicato, Rui Cardoso, sopro, flautas e ‘saxes’, e eu toquei tudo o que era teclas, baixo, as guitarras todas. Fomos só três pessoas a fazer aquele ‘sonzão’, com a voz muito fininha, novinho”, recordou em entrevista à Lusa, em 2022.

Ainda na década de 1970, troca Lisboa por Paris, onde toca nas ruas e no metro, cantando sobretudo Bob Dylan, Paul Simon, James Taylor, Crosby, Stills and Nash e ‘bluegrass’.

Depois de “Como uma viagem na palma da mão” gravou mais 13 álbuns de originais, e “cada um corresponde a um momento” da vida de Jorge Palma. “Com quem me dava, com quem vivia, o tipo de vida que levava, o que ouvia e lia, tudo isso torna cada disco único”, disse à Lusa na mesma ocasião.

A chegada de “Só”

Na década de 1980, de volta a Lisboa, retoma os estudos de piano no conservatório, que terminou em 1990. Logo a seguir, grava “Só”, editado em 1991, a primeira colectânea de carreira de Jorge Palma, na qual revisita, apenas ao piano, canções dos discos das duas décadas anteriores.

Jorge Palma tinha 40 anos quando gravou as 15 canções de “Só”, nos antigos estúdios da Valentim de Carvalho. “É um disco intimista, é um ambiente íntimo que reflecte de facto o que aconteceu na escuridão daquele enorme estúdio. Reflecte-se que há uma entrega grande, que há um empenho”, referiu em entrevista à Lusa em 2016.

Do alinhamento fazem parte, por exemplo, “Bairro do amor” (1977), “Na terra dos sonhos” (1980), “O meu amor existe” (1982), “Estrela do mar” (1984), “Deixa-me rir” (1985) e “Frágil” (1989).

Na altura, “a editora não estava muito abonada para um artista como eu que não é um grande vendedor de discos”, recordou. Deram-lhe a possibilidade de gravar piano e voz, e 30 anos depois ainda era abordado por pessoas que lhe elogiavam o disco.

Depois de “Só”, Jorge Palma passou o resto dos anos 1990 com a discografia que tinha, avançou com o Palma’s Gang (banda com Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e Flak e Alex Cortez dos Rádio Macau), fez música para teatro, fez parte do grupo Rio Grande, compôs para outros, até editar um novo álbum de originais, “É proibido fumar”, em 2001.

Seguiram-se “Norte” (2004), “Voo nocturno” (2007) e “Com todo o respeito” (2011). O álbum mais recente, o derradeiro, “Vida”, foi editado em 2023.

Em Maio de 2025 estreou o espectáculo “3 palmas na mão”, no qual se apresentava em palco com os dois filhos, Vicente Palma, nascido em 1983, e Francisco Palma, nascido em 1995. O título do espectáculo começou por ser o nome do grupo de Jorge Palma e filhos na plataforma Whatsapp, antes de se transformar numa canção incluída no álbum “Vida” e ganhar depois a forma de um concerto.

Vicente Palma faz parte da banda que acompanha o pai há cerca de 20 anos. Sobre os filhos, Jorge Palma disse, numa entrevista ao Mensagem de Lisboa, em 2024, que “têm vozes muito fixes, são muito afinados: o Vicente mais piano do que guitarra, o Francisco mais guitarra do que piano. Escrevi o ‘Três Palmas na Mão’, que em estúdio fomos nós três a tocar, cada um com a sua guitarra, guitarras e voz”.

Jorge Palma venceu o Prémio José Afonso, em 2002, com “Jorge Palma”, e a primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2012, com o álbum “Com todo o respeito”.

Em 2020, Jorge Palma recebeu a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Lisboa, no final de um concerto de celebração dos seus 70 anos, e foi condecorado pelo então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Em Abril de 2026, foi distinguido com o Prémio Carreira dos 8.º PLAY – Prémios da Música Portuguesa.

Jorge Palma actuou em Macau por duas vezes: em 1990, no Teatro D. Pedro V, e em 2015, por ocasião das celebrações do 25 de Abril. Jorge Palma actuou num trio composto pelo filho Vicente Palma (guitarra, piano e voz), e Gabriel Gomes (ex-Madredeus e ex-Sétima Legião, no acordeão).

Políticos destacam legado de Jorge Palma

A morte de Jorge Palma foi lamentada por vários políticos portugueses, nomeadamente o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que escreveu na rede social X, que “Jorge Palma parte, mas a sua música fica”. “Fica nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações. Fica, sobretudo, na cultura portuguesa, que ajudou a transformar com a sua voz única e músicas intemporais. Em meu nome e em nome do Governo, deixo à família e aos amigos as mais sentidas condolências”, destacou.

Também Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, falou num “dia triste – muito triste – para a música portuguesa e, claro, para todos os que o amavam”. Na sua página na rede social X, Paulo Rangel escreve que, perante a morte do cantor e compositor, “ficam a voz, os poemas e o carisma”.

Paulo Rangel abre a mensagem citando uma das canções do músico – “O que eu não vivi, hei-de inventar contigo” -, e termina-a garantindo: “O que ele já não vai viver, vamos nós agora inventar com ele”.

Já a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, agradeceu o legado do músico, considerando-o um “cantautor extraordinário”. Numa publicação na rede social X, Margarida Balseiro Lopes considerou o autor de temas como “Frágil”, “Dá-me Lume” ou “Bairro do Amor” uma das vozes mais icónicas da música portuguesa das últimas décadas e endereçou “sentidas condolências” à família e amigos.

23 Set 2026

Visita | Confirmada ida de Xi aos EUA entre 23 e 25 de Setembro

A visita de Estado do Presidente chinês aos Estados Unidos está confirmada. O encontro entre Xi e Trump deverá colocar em cima da mesa temas como a Inteligência Artificial, relações comerciais ou a guerra no Irão

A China confirmou ontem que o Presidente, Xi Jinping, vai realizar uma visita de Estado aos Estados Unidos entre amanhã e sexta-feira, a convite do homólogo norte-americano, Donald Trump, deslocação já anunciada por Washington.

A confirmação foi divulgada numa breve nota pela agência noticiosa oficial Xinhua, que não forneceu, para já, mais pormenores sobre a agenda do chefe de Estado chinês.

A visita decorrerá poucos dias depois das negociações realizadas em Nova Iorque entre o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, e deverá ter na agenda questões como a guerra no Irão, a inteligência artificial (IA), disputas comerciais ou Taiwan.

Segundo a agenda anunciada por Washington, Xi chegará na quarta-feira aos Estados Unidos e será recebido no dia seguinte, juntamente com a mulher, Peng Liyuan, por Trump e pela primeira-dama, Melania Trump, na Casa Branca.

Estão previstas uma cerimónia de boas-vindas, uma reunião entre os dois chefes de Estado e um jantar de Estado.

IA e outras histórias

Será o segundo encontro entre Xi e Trump este ano, depois da visita que o Presidente norte-americano realizou a Pequim em Maio, durante a qual os dois governos acordaram, entre outras questões, criar um canal intergovernamental de diálogo sobre inteligência artificial.

No plano comercial, os dois países mantêm desde Outubro de 2025 uma trégua na guerra comercial, que expira em 10 de Novembro. No âmbito daquele acordo, Washington e Pequim suspenderam parte das tarifas e restrições adoptadas durante meses de escalada, incluindo alguns controlos chineses sobre as exportações de terras raras.

As conversações de domingo entre He e Bessent abordaram precisamente a aplicação dos acordos alcançados em anteriores rondas, o comércio e o investimento bilateral, e incluíram também um diálogo sobre inteligência artificial, que as duas partes prevêem prosseguir.

22 Set 2026

TNR | Pedida disciplina a sector da administração de propriedades

A DSAL reuniu associações do ramo da administração de propriedades, a quem pediu autodisciplina no respeito pela lei. O encontro foi motivado pela descoberta de um esquema de venda de quotas para contratar trabalhadores não-residentes numa empresa do sector, que resultou em 11 pessoas detidas

Na quinta-feira, foi anunciada a detenção de 11 pessoas envolvidas num esquema de venda de quotas para a contratação de trabalhadores não-residentes (TNR) numa empresa de administração de propriedades.

O caso motivou uma reunião de urgência, na sexta-feira, entre a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) e associações do sector. A DSAL pediu aos representantes que exigissem o reforço das boas práticas de gestão e autodisciplina aos seus membros e empresas afiliadas.

Foi também pedido o cumprimento da lei que regula a contratação de não-residentes, com a DSAL a exigir que as empresas se abstenham de “transferir, vender ou emprestar quotas de TNR sob qualquer forma”, e “a cumprir zelosamente as suas responsabilidades enquanto empregadores”.

Em relação ao caso concreto revelado pela Polícia Judiciária (PJ), a DSAL indicou ter realizado “de imediato uma análise exaustiva da situação laboral dos TNR da empresa”, iniciando os “procedimentos administrativos pertinentes”, ressalvando que “não irá tolerar” este tipo de comportamento.

Manifestando “séria preocupação” face ao revelado pelas autoridades policiais, a DSAL frisou que se as empresas se envolverem em actividades ilegais “serão severamente punidas nos termos da lei”. “Além da revogação imediata das quotas TNR, estarão também sujeitas a multas administrativas, à inibição de futuros pedidos de emprego de quotas e a outras sanções administrativas relacionadas com trabalho ilegal”, foi acrescentado.

Ordem e harmonia

A DSAL sublinhou ainda que os TNR têm como papel exclusivo complementar a mão-de-obra local, e que nenhuma empresa ou indivíduo pode utilizar as quotas de TNR para benefício pessoal ou a transferi-las ilegalmente, “perturbando a boa ordem do mercado de trabalho de Macau”.

A reacção da DSAL foi originada pela investigação da PJ que apurou que dois residentes da RAEM, o dono e o gerente de uma empresa de administração de propriedades, terão criado um esquema para vender quotas para a contratação de TNR. Ambos foram detidos, assim como dois funcionários do Interior da China e sete falsos TNR.

Segundo as autoridades, o esquema, que permitiu ganhos indevidos de 1 milhão de renminbis, partia das quotas de TNR pedidas pela empresa, que as vendia a pessoas do Interior para virem para Macau exercer trabalhos por conta própria.

A investigação começou em Maio quando um caso de falso emprego entrou no radar das autoridades, além de que os supostos horários de trabalho dos falsos trabalhadores eram incompatíveis com as horas a que passavam a fronteira. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

22 Set 2026

Fundo | Investimento e Gestão de Macau passa a instituição financeira

A empresa criada para gerir os 11 mil milhões da reserva que vão ser investidos em Macau e Hengqin foi autorizada a estabelecer-se na RAEM como instituição financeira

A Sociedade de Investimento e Gestão de Macau, criada pelo Governo para gerir os 11 mil milhões de patacas que vão ser investidos na economia, foi autorizada a estabelecer-se como uma instituição financeira. A informação foi divulgada ontem, através de um despacho do Chefe do Executivo publicado no Boletim Oficial.

“É autorizada a Sociedade de Investimento e Gestão de Macau Limitada […] com sede na Região Administrativa Especial de Macau, como instituição financeira, para o exercício da actividade de gestão de activos”, pode ler-se no documento divulgado ontem.

A empresa, que tem um capital social de 100 milhões de patacas e é presidida por Che Weng Keong, foi anunciada em Maio para gerir os denominados “fundos de orientação” que se espera contribuam para a diversificação da economia, com o dinheiro a ser canalizado para Macau e Hengqin.

O primeiro investimento neste tipo de fundos é de 11 mil milhões de patacas, montante proveniente da reserva financeira de Macau e que foi acumulado ao longo dos anos, principalmente devido às receitas do jogo. Che Weng Keong foi escolhido pelo Executivo para presidente, cargo que acumula com as funções de presidente do Conselho de Administração do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM).

Entre os administradores da Sociedade Investimento e Gestão de Macau constam também Tam Chi Neng e Chan Chou Weng, ambos com um salário anual de 95.880 patacas, de acordo com o portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos.

Fábula da multiplicação

Desde o estabelecimento, a Sociedade Investimento e Gestão de Macau criou duas subsidiárias denominadas Macau Gestão de Projecto (Número Um) e Macau Gestão de Projecto (Número Dois).

Tanto a Macau Gestão de Projecto (Número Um) como a Macau Gestão de Projecto (Número Dois) têm um capital social de 25 mil patacas, apresentam como objecto social a gestão de investimento de projectos e revelam como único administrador Tam Chi Neng.

Quando o Executivo anunciou a criação da Sociedade Investimento e Gestão de Macau prometeu que a empresa iria ter uma postura de investimento focada no longo prazo orientada pelas políticas governativas e pelos mercados. Estes valores foram explicados com a intenção de “garantir que a afectação dos investimentos dos fundos de orientação esteja em conformidade com as orientações das indústrias emergentes prioritárias constantes das políticas industriais do Governo da RAEM, promovendo a modernização industrial e a sinergia entre Macau e Hengqin”.

22 Set 2026

Mercados | Che Sai Wang alerta para “impacto sem precedentes” no consumo

A concorrência do Interior da China e a abertura de mais lojas de produtos frescos está a arrasar os mercados tradicionais. O deputado ligado à ATFPM pede ao Executivo que flexibilize as condições de exploração das bancas para revitalizar estes espaços

Che Sai Wang alertou o Governo para os efeitos da redução da procura nos mercados tradicionais e pede medidas para flexibilizar as condições de exploração. A posição foi tomada através de uma interpelação escrita do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM).

No documento, Che indica que apesar dos esforços para dar uma nova vida aos mercados municipais, as medidas do Executivo não estão a surtir o efeito desejado, com a redução dos clientes.

Segundo o deputado, a ausência de procura justifica-se com “a rápida expansão das cadeias de supermercados e de lojas especializadas em produtos frescos nas comunidades”, assim como com a política local de promover a circulação de veículos de Macau na província de Guangdong. Na perspectiva de Che Sai Wang, estes dois aspectos levaram a “um impacto estrutural sem precedentes nos mercados tradicionais das zonas residenciais”.

A falta de clientes nos mercados tradicionais é ainda mais notada “durante os feriados e fins-de-semana” porque “grande parte do poder de consumo local se desloca para o norte”.

Neste cenário de dificuldades, o legislador recorre aos dados do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) para apontar que nos oito mercados públicos do território há 329 bancas vazias, uma taxa de desocupação de 30 por cento de todas as bancas existentes.

Três obstáculos

Como forma de revitalizar o ambiente de consumo nos mercados tradicionais de Macau, Che Sai Wang apresenta uma lista com três obstáculos que têm de ser ultrapassados.

Em primeiro lugar, o deputado indica que é necessário criar um mecanismo de substituição directa do arrendatário da banca. Em causa está o problema de a banca não poder ser assumida por familiares ou os trabalhadores dos arrendatários, quando estes decidem reformar-se ou ficam doentes. Segundo o modelo actual, é necessário um procedimento com intervenção da administração pública, através da realização de concursos públicos de arrendamento. No entanto, Che defende que este modelo afasta as pessoas mais experientes do mercado e contribui para a desocupação, dado que o negócio da banca não pode ser “herdado” ou transmitido directamente.

Em segundo lugar, o deputado indica que os procedimentos de substituição de um arrendamento por outro levam vários meses e até anos. Por este motivo, o deputado pede ao Executivo que crie mecanismos de arrendamento mais flexíveis, mais rápidos e menos burocráticos.

Como último obstáculo, Che Sai Wang aponta que o modelo de gestão dos mercados está ultrapassado e sugere a contratação de empresas para procurarem activamente no mercado comerciantes interessados em explorar as bancas.

22 Set 2026

IA | Maior aposta em cursos secundários técnico-profissionais

Neste ano lectivo, mais escolas de Macau vão ministrar cursos de ensino secundário complementar técnico-profissional relacionados com inteligência artificial. O Governo quer também reforçar as ligações entre escolas e empresas através de “cartas de intenção de cooperação”

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) está a incentivar as escolas do território para criarem cursos de ensino técnico-profissional relacionados com tecnologia inteligente e firmarem relações com o mundo empresarial de forma a garantir a empregabilidade dos alunos do ensino técnico-profissional. Para tal, encorajaram a celebração de cartas de intenções de cooperação entre escolas e empresas, instituições de ensino superior e entidades sectoriais, com o objectivo de desenvolver o currículo técnico-profissional de inteligência artificial mais adequado às necessidades reais do sector.

Numa resposta a interpelação de Ho Ion Sang, a directora substituta da DSEDJ Iun Pui Iun garante que no ano lectivo de 2026/2027 há mais escolas a “ministrar cursos de ensino secundário complementar técnico-profissional relacionados com a inteligência artificial”.

A responsável salientou que, actualmente, as escolas de Macau estão a organizar, “em cooperação com empresas famosas do Interior da China, cursos técnico-profissionais nas áreas de inteligência científica e tecnológica, e de gestão de informações com inteligência artificial”. Além disso, os alunos vão continuar a ter oportunidades para visitar bases de formação prática de projectos, para testemunhar a aplicação da tecnologia.

A matemática da terra

A diversificação da economia da RAEM é a principal meta do Governo, e para a qual a educação tem um papel fundamental a desempenhar. Como tal, Iun Pui Iun realçou que desde este ano, as universidades de Macau passaram a ministrar “cursos micro-credenciais nas áreas de tecnologia da informação (inteligência artificial), turismo, convenções e exposições, finanças”. A dirigente da DSEDJ indicou que está prevista a criação de mais cursos vocacionados para outras áreas no futuro.

Além disso, para “atender às necessidades de profissionais qualificados impulsionadas pela estratégia de desenvolvimento das indústrias ‘1+4’ de Macau”, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) tem promovido cursos de formação e certificação profissional nos sectores estratégicos.

A dirigente da DSEDJ destaca também a implementação do “Plano para aumento de competências digitais e certificação” e do “Plano de formação de pessoal qualificado para o sector de convenções e exposições”, que “estão a alargar-se sucessivamente para domínios como a big health, as finanças modernas e as tecnologias de ponta”.

22 Set 2026

CCCM | Livro aborda conexão da Rota do Cabo com Rotas da Seda

“The Cape Route and the Silk Roads”, editado pela Brill e coordenado por João Oliveira e Costa e Carmen Amado Mendes, expõe as relações comerciais que se estabeleceram entre a Rota do Cabo, criada no século XV e que ligava Lisboa à Índia, e as rotas da Seda. A obra mostra como Lisboa foi uma cidade central no comércio de porcelana

Estávamos em 1499 quando foi criada a Rota do Cabo para, entre Lisboa e a Índia, transportar especiarias para a Europa, embora “os navios portugueses trouxessem outros produtos das terras da Ásia”. Por sua vez, “a tecnologia e ciências europeias, o cristianismo e a prata das Américas chegavam a todos os recantos da Ásia”.

Editado pela Brill, e recentemente apresentado no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), o livro “The Cape Route and the Silk Roads” [A Rota do Cabo e as Rotas da Seda] expõe a ideia de como “a Rota do Cabo permitiu que produtos e ideias circulassem no âmbito do sistema das Rotas da Seda, que abrangia a Eurásia de oeste a leste”, descreve-se na sinopse do livro.

A obra também mostra como Lisboa se transformou “no centro nevrálgico que difundiu novos padrões de consumo e novas modas na Europa”, sendo que a Rota do Cabo também “introduziu novas formas de guerra, novos conhecimentos científicos e uma nova religião por toda a Ásia”.

A obra é coordenada por João Paulo Oliveira e Costa, especialista em História Moderna e docente na Universidade Nova de Lisboa, e Carmen Amado Mendes, presidente do CCCM. Vários académicos colaboram nesta obra, que inclui capítulos como “Why the Cape Route should be considered parte of the Silk Roads” [Porque a Rota do Cabo deveria ser considerada parte das Rotas da Seda] ou ainda “Lisbon, the hub of the Silk Roads in the 16th century” [Lisboa, o centro das Rotas da Seda no século XVI].

Rui Oliveira, académico responsável pela apresentação do livro, destacou como a obra “trará, certamente, novas perspectivas e terá uma responsabilidade na internacionalização de muito o que se tem feito nesta área em Portugal”.

Para o responsável, existe ainda “alguma dificuldade de mostrar essa perspectiva [da conexão da Rota do Cabo com as Rotas da Seda] e o impacto dos portugueses e das rotas comerciais transatlânticas na sua comunidade e em todas as instituições”.

Rui Oliveira lembrou como o livro constitui uma oportunidade de olhar a Rota do Cabo “e perceber verdadeiramente as implicações que esta teve em diferentes territórios, e que continua a ter, nomeadamente nas questões identitárias do século XXI”.

Ao fazer “a interligação com outros pontos fulcrais da Rota da Seda” tal como a costa oriental africana e sudeste da Ásia, a Rota do Cabo trouxe bastantes contributos para o comércio mundial. Mas Rui Oliveira lembrou que o livro agora editado pela Brill também espelha como se operavam estas interligações comerciais. “Este volume abre a oportunidade de mostrar e ligar a Rota do Cabo a todas as outras rotas, sobretudo no sudeste asiático, no contexto das Rotas da Seda. Trata-se de interligações que não são ainda aceites de forma transversal”, acrescentou.

Da pimenta à porcelana

João Paulo de Oliveira e Costa não deixou de destacar como Lisboa era, nesta época, um lugar onde determinados produtos chegavam bem mais depressa do que noutros pontos da Europa graças à Rota do Cabo, já que “a maneira como estes objectos chegavam e se espalharam pela Europa tem essa dimensão extraordinária”.

“Lisboa estava carregada de porcelana, que entrava na Europa por Lisboa e que, particularmente no século XVI, era o porto asiático da Europa. É isso que tentamos aqui por mostrar, não por mania, mas porque a arqueologia o mostra.”

O co-coordenador da obra fez referência a um artigo da autoria de Maria João Ferreira, intitulado “China at Home: Chinese Silks in Portuguese Households during the Early Modern Period” [China em Casa: Sedas Chinesas nos Lares Portugueses no Início da Era Moderna], e que mostra como existia “abundância da seda em Lisboa no século XVIII e que choca os visitantes europeus, que veem em Lisboa algo que para eles é uma raridade quando, aqui, era uma banalidade”.

Segundo o académico, há “um problema de fundo” na historiografia portuguesa “que foi, durante um tempo, excessivamente preguiçosa, e a divulgação continua a ser preguiçosíssima”, face ao que verdadeiramente se comercializava via Lisboa nestes anos.

“Acho que 90 e tal por cento das pessoas continua a pensar na carreira da Índia como a carreira da pimenta, mas em 1550 já metade dos porões das naus não traziam pimenta, mas sim porcelana, além de tudo o resto”, transportando depois esses produtos para a Europa.

Além do colonialismo

Na sessão de apresentação da obra, João Paulo Oliveira e Costa deixou a ideia de que fazer a história da Expansão Portuguesa está longe de estar relacionada com o colonialismo e ocupação de outros povos. “A Expansão Portuguesa é um episódio incontornável da história da humanidade” e foi “muito mais do que um episódio do Colonialismo.”

Na sua visão, esta obra sobre a Rota do Cabo, além de “ajudar a desencadear novas investigações, ajuda a perceber que a expansão portuguesa não é uma história de guerra”.

“Tem muita guerra, faz parte do ser humano e destes movimentos, mas é uma história que tem outras dimensões incontornáveis e fundamentais para se perceber a história da humanidade”, frisou, até pela maneira “como estes objectos chegavam e se espalharam pela Europa, o que tem uma dimensão extraordinária”.

“Um dos méritos da investigação dos últimos 30 anos é perceber que fazer história da Expansão não é só sobre o que foi, mas também sobre o que vem. A Europa faz a Expansão com a pólvora inventada pelos chineses, os algarismos inventados pelos indianos, transmitidos depois pelos árabes; com a religião inventada pelos judeus. O papel é inventado pelos chineses, onde se faz a burocracia. E, portanto, é uma civilização que parte através de tudo o que tinha incorporado e lhe tinha chegado.”

O académico destacou o exemplo da porcelana e da sua difusão na sociedade portuguesa. “A porcelana é um dos exemplos: não há família em Portugal que não tenha um serviço de porcelana. Faz parte da nossa lógica europeia e continua a ser uma coisa significante na nossa vida social.”

O livro dá também destaque ao posicionamento dos Açores em todo este comércio, nomeadamente com os capítulos “The Sea of the Azores within the Silk Routes” [O Mar dos Açores nas Rotas da Seda], de Avelino de Freitas de Meneses; ou ainda “The Azores and the Legacies of the Silk Roads” [Os Açores e os Legados das Rotas da Seda], da autoria de Susana Goulart Costa, Rute Dias Gregório e Isabel Soares de Albergaria.

22 Set 2026

“MasterChef Asia” | Programa filmado no território estreia esta semana

Os dez episódios do concurso de culinária “MasterChef Ásia” filmados em Macau terão estreia esta semana em países como a Índia e Coreia. Mercados e bairros históricos serviram de pano de fundo a um programa que conta com chefs bem conhecidos do público, como Edward Lee, “Pam” Pichaya S. e Kelvin Cheung

Estreia esta semana em vários países asiáticos a série de dez episódios do “MasterChef Ásia” filmada em Macau. Segundo uma nota da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), o popular concurso de descoberta de talentos culinários, e que tem edições em todo o mundo, conta com chefs famosos no júri, como Edward Lee, “Pam” Pichaya S. e Kelvin Cheung.

O programa, produzido pela Warner Bros. Discovery e CreAsia Studio, como parte da produtora Endemol Shine India, estreia no canal TLC, no Sudeste Asiático, amanhã, 22; seguindo-se a estreia no Discovery Channel na quarta-feira, 23 de Setembro. O “MasterChef Ásia” também pode ser visto na plataforma de streaming HBO Max. A série será ainda lançada na TLC Índia e Médio Oriente, respectivamente amanhã, dia 22, e quinta-feira, dia 24 de Setembro, sem esquecer a estreia no canal Discovery Channel na Coreia do Sul esta quarta-feira, dia 23 de Setembro.

Segundo uma nota da DST, esta série do concurso contou com “desafios culinários que tiveram lugar em mercados emblemáticos de zonas comunitárias”, sem esquecer os “restaurantes estrela-Michelin em resorts integrados”, reunindo-se dez concorrentes, incluindo uma participante de Macau, de nome Sandy Tang.

Os restantes concorrentes são o chef vietnamita-australiano Khanh Ong; o dono de restaurante Sahadol “Pond” Tantrapim; Marcus Low, chef de pastelaria da Malásia; a especialista de gastronomia coreana Areum Yoon; Nambie Jessica Marak, “Embaixadora Culinária e Cultural de Meghalaya”; e ainda os chefs de cozinha asiática Audrey Wicksana, Therese Lum, Mime Kataniwa e Ivory Yat.

A ideia do “MasterChef Asia” é pôr chefs de diferentes países e regiões à prova, “à medida que estes põem à prova as suas capacidades, criatividade e versatilidade, sendo avaliados por um elenco de renome da cozinha asiática”.

Património na televisão

Segundo a DST, esta série de episódios revela “o património cultural de Macau de encontro entre o Oriente e o Ocidente, a forte oferta de restauração e o desenvolvimento [de Macau] como Cidade Criativa da UNESCO em Gastronomia”.

O programa será marcado por “uma nova ronda de exigentes desafios culinários que mostrarão o charme único do destino [Macau] a públicos de mercados que são fontes de visitantes internacionais prioritários para a DST”, é revelado.

Além do júri repleto de nomes bem conhecidos, há também outras personalidades convidadas, como é o caso do criador de conteúdos de comida Mark Wiens e os chefs Ken Chong e Julien Tongourian, que trabalham em Macau. A DST destaca como as filmagens deste programa na RAEM servem para “preparar terreno” para as celebrações do 10.º aniversário de Macau como

Cidade Criativa de Gastronomia, que decorrem no próximo ano. Assim, o “MasterChef Asia” contribui também para “mostrar a cultura gastronómica singular do destino e o seu dinâmico desenvolvimento como um centro mundial de turismo e lazer”.

O “MasterChef” é reconhecido pelo “Guinness World Records” como o “programa de cozinha em formato para televisão mais popular do mundo”, tendo sido adaptado para 74 mercados. O programa já tem mais de 750 temporadas e mais de 16 mil episódios exibidos. Criado por Franc Roddam e lançado em 1990, o popular programa é conhecido e apreciado em todo mundo.

21 Set 2026

Crime | Detido por tentativa de homicídio relacionada com dívida

Uma dívida de 15 mil dólares terá estado na origem do diferendo que terminou com mais de 10 facadas. O alegado criminoso esteve praticamente um ano em excesso de permanência, sem que tivesse sido interceptado pelas autoridades

Um homem em situação irregular em Macau foi detido por, alegadamente, ter esfaqueado outro devido a uma dívida de 15 mil dólares de Hong Kong. O crime foi divulgado na sexta-feira pela Polícia Judiciária (PJ), e o detido foi encaminhado para o Ministério Público (MP).

O caso aconteceu na sexta-feira de madrugada, durante um encontro entre os dois homens, num restaurante na Avenida de D. Rodrigo Rodrigues. Nessa ocasião, o detido terá pedido a devolução do montante emprestado para apostar nos casinos do território.

Como o devedor se recusou pagar a dívida, o detido foi à cozinha, pegou numa faca e atacou a vítima na cabeça e na parte superior do corpo. O agredido tentou defender-se do ataque com um banco de madeira, mas sofreu ferimentos em várias zonas do corpo, com pelo menos 10 golpes na cabeça e parte superior do corpo.

Após o ataque com a faca, o agressor colocou-se em fuga. No entanto, os trabalhadores do restaurante auxiliaram a vítima, que foi transportada para o Hospital Kiang Wu, e alertaram a polícia para o sucedido. As autoridades procederam à detenção na manhã de sexta-feira, numa casa de massagens no NAPE.

Promessa de gorjeta

Segundo a informação da PJ, a vítima e o suspeito conheceram-se no mês passado, quando também se encontraram num restaurante. Nesse encontro, o agressor aceitou emprestar 15 mil dólares de Hong Kong à vítima, com a condição de receber uma “gorjeta” em caso de vitória do jogador, além da devolução do dinheiro emprestado.

No entanto, nas mesas dos casinos, a sorte não esteve do lado do devedor, que perdeu o dinheiro todo e ficou sem capacidade financeira para devolver o dinheiro. Com o empréstimo por pagar, os dois reuniram-se pela primeira vez na noite de quarta-feira. Nessa altura, o agressor não conseguiu cobrar a dívida, mas ambos agendaram um novo encontro para a madrugada de sexta-feira.

No segundo encontro, como o homem que estava ilegalmente em Macau considerou que o devedor não estava a lidar com o assunto de forma séria e não tinha planos para pagar a dívida decidiu partir para a agressão.

Segundo o relatório médico, a vítima sofreu lesões na cabeça, rosto e tronco, além de uma fractura na falange média do dedo mindinho da mão direita. O jornal Ou Mun indica que os médicos estimaram o período de recuperação em três meses.

O suspeito tem 36 anos, é residente do Interior e afirmou estar desempregado. Encontrava-se em excesso de permanência no território há cerca de um ano.

Durante a intervenção, a polícia apreendeu a faca de cozinha com uma lâmina de 18 centímetros que foi utilizada no crime. Como as autoridades consideraram que o atacante visou zonas vitais da vítima, a Polícia Judiciária concluiu que houve intenção de matar, pelo que indiciou o suspeito por homicídio na forma tentada, detenção de arma proibida e empréstimo ilícito para a prática do jogo. A situação de excesso de permanência do suspeito será objecto de um processo autónomo.

21 Set 2026

Turismo | Número de visitantes subiu 6% para 4,5 milhões em Agosto

Macau recebeu em Agosto quase 4,5 milhões de visitantes, uma subida homóloga de 6,1 por cento, apesar da queda de quase 10 por cento dos turistas internacionais. Em oito meses, entraram no território quase 29 milhões de visitantes, mais 7,7 por cento face ao mesmo período de 2025

Macau ficou a escassos 22 mil visitantes de atingir o registo de 4,5 milhões entradas de turistas em Agosto, indicou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) na sexta-feira. O número de turistas no mês passado foi 6,1 por cento superior a Agosto do ano passado.

Entre os visitantes que se deslocaram a Macau em Agosto, mais de metade (quase 2,9 milhões) eram excursionistas, o que representa um aumento de 11,7 por cento face ao mesmo período do ano anterior. Já o número de turistas (1,63 milhões) registou uma queda de 2,4 por cento em Agosto, em termos anuais, acrescenta a nota.

A maioria dos visitantes (perto de 3,6 milhões) era proveniente da China continental, mais 9,3 por cento, sendo que 643,4 mil chegaram de Hong Kong, uma descida de 5,6 por cento, e 101,3 mil de Taiwan, mais 13,7 por cento, em comparação com o mesmo período de 2025.

Os visitantes internacionais (item que exclui o Interior da China, Hong Kong e Taiwan), refere ainda a nota da DSEC, totalizaram em Agosto 171,7 mil, o que representa uma queda de 9,8 por cento, em termos homólogos.

Visto à lupa

Nos mercados do Sudeste Asiático, a Malásia foi a excepção à regra, com o aumento de 2,1 por cento de entradas no mês em análise, para um total de 8.161 turistas. Já Filipinas registaram uma quebra anual de 18,5 por cento para quase 31.300 pessoas, enquanto as entradas de turistas vindos da Indonésia decresceram 16,9 por cento face a Agosto de 2025, para um total de 11,1 mil. Quanto ao Sul da Ásia, o número de entradas de visitantes da Índia (6.430) baixou 17,6 por cento, em relação a Agosto do ano anterior.

A tendência de quebra alastrou-se aos mercados do Nordeste Asiático, com o número de entradas de visitantes da República da Coreia (30.738) e o do Japão (11.464) a caírem 12,6 e 31,1 por cento, respectivamente.

No agregado dos primeiros oito meses de 2026, porém, entraram no território quase 29 milhões de visitantes, ou seja, mais 7,7 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.

No total, o aumento de visitantes entre Janeiro e Agosto ficou a dever-se ao número de excursionistas que subiu 13,6 por cento em termos anuais (17,85 milhões), enquanto o número de turistas individuais permaneceu quase igual (quebra de 0,6 por cento para 11,1 milhões).

Já os visitantes internacionais totalizaram 1,77 milhões nos primeiros oito meses do ano, representando um crescimento de 3,4 por cento em relação ao mesmo período de 2025.

21 Set 2026

IA | PJ preocupada com possível ameaça à segurança nacional

O director da Polícia Judiciária alertou para os riscos da cibercriminalidade e para os métodos criminosos que são cada vez “mais inteligentes e automatizados”. A segurança nacional continua a ser a principal preocupação das autoridades em Macau

O director da Polícia Judiciária (PJ), Sit Chong Meng, manifestou preocupação com o facto de o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) poder ameaçar a ordem social e a segurança nacional.

Os riscos colocados “pela IA e pela ‘big data'” não só “ameaçam a ordem social e o interesse público, como representam uma ameaça directa à segurança nacional no seu todo”, afirmou o director da PJ, Sit Chong Meng, na sexta-feira, na cerimónia de abertura da Semana Nacional de Sensibilização para a Cibersegurança.

Sit reconheceu que as tecnologias emergentes “têm proporcionado um impulso poderoso” à inovação na governação, à modernização industrial e aos serviços públicos, “mas, ao mesmo tempo, deram origem a novos desafios de cibersegurança”.

“A cibercriminalidade continua a grassar e o rápido desenvolvimento da tecnologia de inteligência artificial levou a que os métodos criminosos se tornem cada vez mais inteligentes e automatizados”, acrescentou.

O responsável sublinhou que os hackers estão a realizar ataques a “um ritmo sem precedentes” – com “métodos cada vez mais dissimulados” – que as novas formas de fraude são cada vez mais enganadoras e que a gravidade do roubo de dados e dos ciberataques “aumentou significativamente”. “Estes riscos e desafios servem de alerta constante de que temos de fazer avançar a governação da segurança a par do desenvolvimento tecnológico, por forma a garantir que a tecnologia é utilizada para o bem e que o progresso tecnológico beneficia a sociedade”, defendeu.

Panorama mais exigente

Perante um cenário de cibersegurança e de segurança tecnológica “cada vez mais exigente”, o responsável sugeriu que a sociedade tem de reforçar a cooperação – “agora mais do que nunca” – para melhorar as defesas de cibersegurança e a protecção contra riscos e ameaças, como a fraude online, os ciberataques e as violações de dados.

Sit citou o Presidente Xi Jinping, afirmando que a salvaguarda da cibersegurança requer “cooperação reforçada”, “aprendizagem mútua”, “investigação e desenvolvimento conjuntos” e “benefícios mútuos e resultados vantajosos para todas as partes”.

O dirigente chinês vai visitar os Estados Unidos esta semana, e a administração norte-americana está a ponderar reunir os líderes das principais empresas de IA, informou a cadeia televisiva CNN.

21 Set 2026

TJB | Concluída audiência do processo em que Au Kam San é arguido

O Tribunal Judicial de Base anunciou na sexta-feira a conclusão da audiência do processo contra o ex-deputado Au Kam San, e que irá “designar a data da leitura do acórdão”, dois dias depois do início do julgamento

O anúncio breve através de um comunicado do Tribunal Judicial de Base (TJB) acontece dois dias após o início do julgamento do primeiro processo relativo à segurança do Estado em Macau.

“O Juízo Criminal do Tribunal Judicial de Base terminou, no dia 18 de Setembro, a audiência de julgamento do processo relativo à segurança do Estado relacionado com o arguido Au Kam San e irá designar uma data para a leitura do acórdão”, informa o tribunal, deixando claro que a produção de prova, testemunhal e outra, defesa e alegações finais foram já deixadas para atrás, restando apenas o acórdão e respectiva sentença enquanto último acto de tramitação processual.

O julgamento do cidadão português começou na quarta-feira da semana passada à porta fechada e com presença policial desde as primeiras horas da manhã, apesar de não ter sido divulgada a hora do início da sessão. Vários agentes da polícia foram mobilizados para o exterior do TJB, onde estiveram poucos jornalistas, a quem foi permitida a presença no local, mas pedida identificação, observou a agência Lusa.

“A pedido do Ministério Público e com a confirmação da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da Região Administrativa Especial de Macau, o juiz titular do processo (…), decidiu proceder ao julgamento do processo à porta fechada, a fim de assegurar que não se cause prejuízo aos interesses da segurança do Estado”, indicou o TJB.

25 anos

Au Kam San é acusado, no primeiro caso de segurança nacional a ser julgado no território, de “subversão contra o poder político do Estado” e “estabelecimento de ligações” com entidades externas “para prática de actos contra a segurança do Estado”, referiu em Julho o TJB. Pelo crime de subversão contra o poder político do Estado, Au Kam San arrisca uma pena que pode chegar aos 25 anos de prisão.

O antigo deputado foi detido em 30 de Julho de 2025 em Macau e ficou desde esse dia em prisão preventiva.

21 Set 2026

Poesia | Editora portuguesa lança “China – Poemas do Erotismo Suave”

Serão os chineses dados à explicitação do sexo? No mais recente livro de poesia traduzida por António Graça de Abreu, “China – Poemas do Erotismo Suave”, a pergunta faz-se no passado e dá respostas afirmativas: na China antiga escreveu-se muito sobre sexualidade e amor carnal. Não faltam sequer poemas sobre o amor LGBT

António Graça de Abreu acaba de assinar a tradução de um punhado de poemas chineses clássicos que remetem para uma temática muito pouco comum nos dias de hoje na hora de editar poesia chinesa: o erotismo. Quando falámos com o autor e, por lapso, referimos romantismo, do outro lado da linha a questão surgiu condimentada com algum humor: “Romantismo?”

Não é de romantismo que trata o livro, mas sim de sexualidade e erotismo puro na forma de palavras. “China – Poemas do Erotismo Suave”, acabado de sair para as bancas com a chancela da editora Guerra e Paz, deixa desde logo antever uma pergunta: “Como era o amor e amar na velha China?”.

O prefácio, assinado pelo próprio António Graça de Abreu, denota como, ao contrário do que se possa pensar, a sexualidade estava bem presente na vida da corte imperial e não era vivida com tanto pudor como se possa pensar.

Desde logo porque, como se lê, “não nos podemos esquecer que a China escapou aos preconceitos sexuais do mundo judaico-cristão, por isso, a ideia de pecado, punição e culpa é alheia; exterior ao simples fluir do homem e da mulher por dentro do brilho ou da penumbra do tempo”.

O livro apresenta poesia sobre esta temática, incluindo escritos de obras clássicas como é o caso de “O Sonho do Pavilhão Vermelho ou Hong Lou Meng”, de Cao Xueqin, editado em meados do século XVIII, na dinastia Qing. Não faltam ainda poemas de Li Yu, como “Ode do coração despedaçado”, “O modesto instrumento” ou “Da esposa do soldado para o marido ausente”.

E o que dizer do poema “Os teus dois montes”, de Wang Shizhen, que deixa ao leitor uma imagem de deleite visual do narrador: “Os teus dois montes, como lótus cor-de-rosa, / iluminam o teu corpo, / na limpidez da tarde.” Trata-se, portanto, de uma obra que expõe “o tema do amor na China entre o homem e uma mulher, embora também tenha referências ao amor homossexual entre homens e com lésbicas.”

DR

Um dos exemplos de um poeta que retrata relações homossexuais é Wang Wei. O livro apresenta três poemas traduzidos da sua autoria, como “Canção da bela de Luoyang”, “Balada de Xi Shi” e “Poema mesclado”. “Recentemente descobriram que havia tendências homossexuais em Wang Wei, um poeta dos anos 700 [século VIII] e um dos maiores poetas da China, e que tem um amigo a quem dedica poemas maravilhosos, tendo também dois ou três poemas virados para o feminino.”

O lugar da mulher

António Graça Abreu segue uma certa linha cronológica nos poemas, começando pelo “Livro das Mutações ou Yi Jing”, tido como “o mais enigmático dos clássicos chineses” e que terá sido composto por volta do século X a.C.

Sobre esta poesia tão antiga, o autor e tradutor traça a comparação com a poesia trovadoresca portuguesa, que começou a ser escrita a partir do século XII e que tinha também o amor e o romance como tema.

Já nesses primeiros poemas chineses se notavam “muitas referências de natureza sexual”, pelo que se pode concluir que não havia pudor ou até timidez neste tipo de expressões. “[A poesia] não esconde praticamente nada. A própria participação da mulher no poema… ela está à espera de um companheiro galante e bonito para haver amor. Isso acontece logo nos primeiros poemas, mais ou menos eróticos, da velha poesia chinesa”, destacou.

“Depois”, frisa António Graça de Abreu, “as coisas vão evoluindo e é preciso considerar [outras questões], que também tem a ver com Confúcio que, de algum modo, subalternizava a mulher, colocando-a uns degraus abaixo do homem, mas no budismo não”.

Certo é que “praticamente até ao século XX a mulher teve sempre pouco valor” na poesia, sendo que, na verdade, “não há muita poesia de amor”. Isto porque a beleza feminina é evidenciada em muitos dos escritos, mas nem sempre há uma elevação da mulher em relação ao homem.

“As mulheres eram compradas e usadas muitas vezes. Mas depois há o encantamento feminino, com as mulheres a serem comparadas com flores de lótus, há toda uma poética do amor… as mulheres aparecem como sendo muito bonitas, muito estilizadas, com uma pele de seda, com um certo comportamento. Mas isso não é muito geral na poesia chinesa, e há muito mais poemas dedicados a outros letrados [mandarins] do que a mulheres que eles amaram.” António Graça de Abreu dá o exemplo do poeta Li Bai, também incluído na antologia, que viveu entre os anos de 701 e 762, e que tinha quatro mulheres.

Porém, apesar destes lugares em que homens e mulheres eram colocados, havia depois algumas excepções na socialização. “A sociedade chinesa é muito curiosa nesse aspecto, porque tem períodos ou momentos de grande liberdade, em que se podia fazer quase tudo. O encantamento da mulher fazia parte da vida dos poetas, mas eles não davam tanta importância a isso como davam à amizade entre mandarins, por exemplo.”

Ainda relativamente às possíveis comparações com a poesia trovadoresca, António Graça de Abreu destaca como podemos encontrar poemas muito parecidos com as Cantigas de Amigo. “Também há na China uma espécie de Cantigas de Amigo, mas é o homem que faz o poema, como se fosse a mulher a falar do companheiro.”

Tal não quer dizer que não tenha havido mulheres a escrever poesia na China antiga, mas são casos muito pontuais. “As poetisas eram, muitas vezes, cortesãs, marginais na sociedade. Mas eram mulheres cultas, que tinham aprendido a escrever. Normalmente, as mulheres não sabiam ler nem escrever, mas as que faziam poemas na China, sobretudo na dinastia Tang, entre os anos de 600 a 900, eram cortesãs e, portanto, meio prostitutas”, explicou.

Estas autoras “muito delicadas, dedicavam poemas inclusivamente aos poetas”. Tinham, portanto, “um núcleo de poetas com quem trabalhavam em amizade”.

“Uma novidade”

António Graça de Abreu assegura que esta obra “é uma novidade em Portugal porque nunca ninguém mexeu neste tema, a poesia erótica chinesa”. Este é, aliás, um resultado de muitos anos de pesquisa.

“Entretive-me a comprar, ao longo destes anos e para fazer este trabalho, uma série de livros de poesia, inclusive dos Estados Unidos da América.”

Relativamente a “O Sonho do Pavilhão Vermelho” é, para o autor, “um romance fabuloso, do século XVIII, um dos grandes romances da literatura universal, mas que está recheado de poemas e alguns eróticos”. “Já Mao Zedong dizia que cada chinês deveria ler cinco vezes o ‘Sonho do Pavilhão Vermelho'”, destaca.

Houve uma época em que na China havia maior liberdade em termos de costumes, e Xangai “era o grande império da prostituição no Extremo Oriente, mas depois praticamente acabaram com a prostituição em Xangai nos anos 50, seguindo os princípios confucianos”.

António Graça de Abreu escreveu no prefácio outra realidade muito comum nos anos da China imperial: as concubinas. “E que dizer da depurada prática sexual de mandarins e príncipes – afastados de qualquer idealismo romântico – que tinham à disposição inúmeras mulheres, esposas, concubinas, cortesãs e prostitutas para amar ou fingir o amor de amar?”.

Graça de Abreu dá o exemplo de um poeta que, com 65 anos, comprou 10 concubinas. “Uma era a boquinha de cereja, e outra a cintura de salgueiro. Ele dizia que, com a cintura de salgueiro, era capaz de subir às árvores. Com 65 anos, está a ver? Portanto, o encantamento da mulher é uma constante em todas as civilizações, mas na China não se nota muito. Foi isso que tentei fazer nesta antologia, indo buscar poemas desde a era de Confúcio até aos nossos dias.”

Na obra constam ainda notas sobre os períodos históricos a que remetem os poemas. Graça de Abreu diz ter procurado assegurar que os poemas “tivessem qualidade em português”, mantendo algum do ritmo do original chinês.

“O poema tem de ter som, algumas rimas internas como tem em chinês. Como tradutor tenho de dar uma volta àquilo, para que fique bonito em português. É isso que me satisfaz, porque consigo dar algum valor ao poema, que, em português, fica com uma leitura agradável.”

Esse é um dos desafios a que António Graça Abreu procura dar sempre resposta. “Se traduzimos mal o poema para português, ou se somos demasiado literários, estamos quase a assassinar o poema, e eu não quero isso, porque são poemas muito bonitos em chinês, com cor, sensibilidade, bom gosto. Ficamos a ver as pessoas à nossa frente”, rematou.

Uma coisa é certa: este livro mostra “que os homens [chineses] sabem amar, e as mulheres também”, remata o autor.

21 Set 2026

Futebol | Torneio da Soberania realiza-se a 28 e 29 de Novembro

A selecção de veteranos de Macau, o Sporting Clube de Portugal, o Macallum Sports Club, da Malásia, e uma equipa de Pequim vão ser as quatro formações participantes na edição deste ano do Torneio da Soberania. Ao contrário do habitual, a 26.ª edição da competição organizada pela Associação dos Veteranos de Futebol de Macau é antecipada para 28 e 29 de Novembro.

“As nossas expectativas são sempre as melhores. E este ano o torneio é um bocado especial, porque nós decidimos convidar uma equipa da Malásia”, afirmou Francisco Manhão, ex-presidente da associação e actual consultor, ao HM. “E, por feliz coincidência, o nosso Chefe do Executivo também esteve recentemente na Malásia numa viagem para reforçar os laços de amizade. Por isso, vamos aproveitar este torneio para reforçar os laços, um aspecto que nos recorda um bocado a política de pingue-pongue que foi utilizada para aproximar as relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a China”, apontou.

Entre as equipas convidadas consta também uma formação de veteranos do Sporting, um regresso ao território. Sobre esta formação, Manhão indicou que o torneio só faz sentido se houver uma equipa de Portugal, dado que o torneio assinala a transferência da administração de Macau. “Se estamos a assinalar esta data, só faz sentido se também houver uma equipa de Portugal”, vincou.

Velhos conhecidos

Em relação à equipa que viaja de Portugal para participar no evento, Francisco Manhão destacou um velho conhecido do território, o guarda-redes Mário Fonseca, que entre os anos de 1993 e 1994 representou as cores do Negro Rubro.

“Foi um jogador que se sagrou campeão de futebol de 11 e de futebol de 7 – a nossa Bolinha – também participou na Taça dos Campeões da Ásia, num ano em que bateram uma equipa de Cantão por 4-3”, recordou o consultor do torneio.

A equipa de Lisboa é ainda integrada por jogadores como Diogo Salomão, que realizou cerca de 15 jogos pela equipa principal do Sporting, Edgar Marcelino e João Paiva. Todos estes atletas passaram pela Academia de Alcochete e foram internacionais por Portugal nos anos de formação.

Sobre a antecipação da data do torneio, que normalmente se realiza em Dezembro e no Canídromo, Manhão justificou a mudança com a dificuldade em arranjar um campo de futebol, devido à realização de obras, durante as datas tradicionais. Os jogos vão assim decorrer no Campo Desportivo da Universidade de Macau, o que o consultor reconheceu tornar mais complicadas as deslocações para os jogos.

18 Set 2026

Habitação | Compras e vendas com queda de 16% em Agosto

Ao longo do último mês, o mercado de habitação voltou a contrair, com menos transacções e a preços mais baratos. Coloane foi a zona mais cara do território para comprar casa

Em Agosto, o número de compras e vendas de habitação registou uma redução mensal de 15,9 por cento, para 253 transacções. Em Julho deste ano, o número de transacções no território tinha sido de 301.

Os dados mais recentes do mercado imobiliário foram divulgados ontem pela Direcção de Serviços de Finanças (DSF) e mostram que Agosto é o segundo mês consecutivo de contracção, depois de em Junho ter sido registado um total de 433 compras e vendas.

No corrente ano, o mês com mais actividade no mercado foi Fevereiro, quando foram totalizadas 494 transacções de habitação. Em relação aos dados de Agosto deste ano, o maior número de transacções ocorreu na Península de Macau (187), mercado seguido pela Taipa (46) e por Coloane (20).

A Península e a Taipa foram os locais que pressionaram negativamente o mercado, dado que em Julho tinham registado 241 e 49 compras e vendas, respectivamente. No entanto, Coloane apresentou uma tendência contrária, com as transacções a crescerem, dado que no mês anterior tinham sido inscritas 11 compras e vendas.

Quando a comparação do número de compras e vendas é feita em termos anuais, o mercado apresenta um crescimento de 7,7 por cento. Em Agosto de 2025 houve um total de 235 transacções, uma diferença de 18 compras e vendas. Os números estão muito longe da realidade pré-covid, dado que em Agosto de 2019 foram registadas 770 transacções.

Preços em queda

Em relação aos valores praticados em Agosto, o preço médio por metro quadrado foi de 65.998 patacas, o que representou uma redução mensal de 2,5 por cento, dado que em Julho o preço médio tinha sido de 67.667 patacas.

Na Península, o preço médio do metro quadrado foi de 63.851 patacas, na Taipa de 63.466 patacas e em Coloane de 85.388 patacas. Em relação a Julho, os preços médios ficaram mais baixos na Península e na Taipa, dado que anteriormente atingiram 66.932 e 69.347 patacas, respectivamente. Todavia, o cenário foi diferente em Coloane, onde o valor médio do metro quadrado valorizou, dado que em Julho tinha sido de 72.835 patacas.

Em termos anuais, o metro quadrado apresentou uma desvalorização de 17,9 por cento, uma vez que em Agosto de 2025 o preço atingiu 80.370 patacas. No corrente ano, o preço por metro quadrado mais elevado foi registado em Junho, com 87.869 patacas.

Também em relação ao preço, o mercado está muito afastado da realidade pré-pandemia. Em Agosto de 2019, o metro quadrado era comercializado, em média, por 116.856 patacas, uma diferença negativa de 43,5 por cento.

18 Set 2026

AMCM | Taxa de juro de referência sobe pela primeira vez desde 2023

Os reguladores financeiros de Macau e Hong Kong aprovaram ontem a primeira subida da principal taxa de juro de referência desde 2023, seguindo a Reserva Federal norte-americana. A autoridade monetária de Hong Kong alertou para consideráveis incertezas quanto a futuros custos de financiamento

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) aumentou em 0,25 pontos percentuais, para 4,25 por cento a taxa de redesconto, valor cobrado aos bancos por injecções de capital de curta duração, com efeito imediato, de acordo com um comunicado. O regulador financeiro da RAEM seguiu assim o aumento anunciado na quarta-feira pela Fed.

A AMCM disse que a subida era inevitável, por a pataca estar indexada ao dólar de Hong Kong, pelo que “a taxa de juros em Macau é consistente com a taxa de juros em Hong Kong”.

A decisão da AMCM surgiu menos de meia hora depois de a Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA, na sigla em inglês) ter anunciado a subida da taxa de juro de referência, devido ao aumento imposto pelo banco central dos EUA. O dólar de Hong Kong está indexado ao dólar norte-americano.

O director-geral da Autoridade Monetária de Hong Kong, Eddie Yue, ressalvou ontem que existem consideráveis incertezas quanto ao futuro dos custos de financiamento, embora salientando que o rácio de crédito malparado na região vizinha se mantem estável.

Vida a crédito

Na quarta-feira, a Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central dos Estados Unidos, decidiu, por unanimidade, aumentar as taxas de juro em 25 pontos base, para o intervalo entre 3,75 e 4 por cento, após uma reunião de dois dias.

A Fed não aumentava as taxas directoras, que orientam os custos dos empréstimos, desde o Verão de 2023. De acordo com projecções apresentadas pelo presidente da Reserva, Kevin Warsh, será provavelmente necessário proceder a uma nova subida das taxas de juro até ao final do ano para combater a inflação.

A subida da taxa de juro surge numa altura em que o crédito malparado tem vindo a cair em Macau, depois de ter atingido um recorde histórico de 57,8 mil milhões de patacas em Junho de 2025. De acordo com dados oficiais da AMCM, os empréstimos vencidos caíram, pelo terceiro mês consecutivo, para 46 mil milhões de patacas, no final de Julho passado.

O crédito vencido representava em Julho 4,4 por cento dos empréstimos dos bancos de Macau. Uma percentagem que sobe para 4,7 por cento no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da RAEM.

Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3 por cento alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.

18 Set 2026

Consumo | Governo retoma incentivos no valor de 468 milhões

O grande prémio do consumo está de volta a 9 de Outubro, por 10 semanas. A iniciativa mudou de nome, os cupões podem ser gastos logo no dia em que são obtidos e os estabelecimentos aderentes podem acrescentar descontos ou ofertas. Os cupões de desconto têm um valor total de 468 milhões de patacas

A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) apresentou ontem a nova ronda do grande prémio do consumo, desta feita designado como “Prémios Consecutivos para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026”. A iniciativa irá decorrer durante 10 semanas, entre 9 de Outubro e 17 de Dezembro e irá oferecer cupões com descontos para o consumo com um valor de 468 milhões de patacas, um aumento face aos cerca de 400 milhões de patacas da última ronda, que decorreu entre Abril e Julho.

As principais novidades desta ronda prendem-se com o período em que os cupões de desconto podem ser usados. Compras feitas entre sexta-feira e domingo no valor de, pelo menos, 50 patacas permitem aceder ao sorteio com três tentativas para receber cupões. Estes descontos podem ser gastos entre o dia da sua obtenção e a quinta-feira da semana seguinte, em mais de 20 mil lojas físicas de Macau que os aceitem. Em relação ao valor, os cupões continuam a ter valores nominais de 10, 20, 50, 100 e 200 patacas.

A outra novidade anunciada ontem prende-se com o papel dos próprios estabelecimentos aderentes que podem, se assim escolherem, oferecer cupões de desconto imediato (12 patacas para gastos acima de 100 patacas), ou cupões de oferta no consumo (por exemplo, uma bebida ou snack grátis numa refeição que custe mais de 100 patacas). A despesa destes descontos é paga pelos comerciantes.

Alargar a todos

Na conferência de imprensa que apresentou o programa, o director da DSEDT, Yau Yun Wah, revelou a forma como o Governo concluiu pela promoção destes descontos a cargo dos comerciantes. “Fizemos um inquérito e observámos que muitos comerciantes, sobretudo restaurantes, fornecerem voluntariamente promoções semelhantes ao que estamos a propor. Por isso, incluímos essa prática neste programa, para que os comerciantes se promovam na nossa plataforma”, explicou.

Apesar de não estarem incluídos no programa de benefícios electrónicos patrocinados pelos cofres públicos, Yau Yun Wah afirmou esperar que os grandes supermercados e resorts também forneçam voluntariamente os cupões de desconto imediato, ou promoções semelhantes.

Yau Yun Wah referiu também que, actualmente, cerca de 600 comerciantes participam no programa, principalmente restaurantes e de lojas de venda a retalho.

Quanto à fiscalização desta ronda de incentivos ao consumo, o presidente da Associação Comercial de Macau, Ma Chi Ngai (que coorganiza mais uma vez a iniciativa) argumentou que o poder das redes sociais tem um efeito dissuasor face a possíveis comportamentos censuráveis. “Para os comerciantes, a reputação é importante. Como sabemos, os consumidores partilham frequentemente falhas nas redes sociais. Por isso, acredito que os comerciantes serão prudentes”, indicou.

Em relação aos benefícios para idosos e os titulares do Cartão de Registo de Avaliação da Deficiência, a ronda que começa no próximo mês segue os mesmos moldes da anterior. Os beneficiários vão continuar a poder usufruir do desconto imediato para consumo no valor de 500 patacas através do cartão Macau Pass, obtendo descontos de 50 por cento em compras em lojas ou restaurantes aderentes.

18 Set 2026

Espanha | Secretária reforça ideia de Macau como elo de conexão

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura disse na abertura do Fórum de Think Tanks que Macau deve ser uma ponte de ligação aos países de língua espanhola. A Fundação Cátedra China propôs a criação da “Rede China–Iberofonia” para desafiar o monopólio da língua inglesa

Abriu ontem a edição deste ano do Fórum de Think Tanks, tendo a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, defendido a estratégia governamental para que Macau seja uma ponte com o mercado da Península Ibérica.

A secretária disse que o 3º Plano Quinquenal de Macau, recentemente apresentado, está alinhado com a estratégia de Pequim para expandir a plataforma de Macau além dos países de língua portuguesa, chegando aos países de língua espanhola.

A secretária deixou algumas propostas de como esta aproximação pode ser feita, nomeadamente no reforço da investigação académica em áreas como a governação global, o multilateralismo e a aplicação do princípio “um país, dois sistemas”.

O Lam fez ainda um apelo para mais acções de intercâmbio de alunos e investigadores de forma a aproximar os territórios, defendendo que Macau vai continuar a usar as línguas como meio de aproximação a Portugal e Espanha, apoiando as iniciativas de política externa da China.

Inovar em rede

Entretanto, no mesmo Fórum, a presidente da fundação espanhola Cátedra China propôs a criação da “Rede Internacional China–Iberofonia” para desafiar o monopólio da língua inglesa na governança global. “Vivemos num mundo monolingue e creio que temos de avançar no sentido do pluralismo da Iberofonia”, afirmou à agência Lusa Marta Ana Montoro Carrión.

Considerando essencial mudar a visão linguística do mundo “e torná-la muito mais multilateral”, Montoro Carrión notou que o português, o espanhol e o chinês “são línguas muito importantes e devem ser tratadas como tal em todas as novidades relacionadas” com inteligência artificial, nas universidades, nos centros de reflexão e centros de decisão.

Na apresentação, Montoro Carrión propôs a criação de “uma Rede internacional China–Iberofonia para o Diálogo entre Civilizações e a Governação Global”. Esta rede, reforçou, “não pretende competir com as diplomacias oficiais, mas sim alimentá-las e multiplicá-las”.

A ideia, continuou, passa por impulsionar consórcios académicos “para que o processamento da linguagem natural, as grandes bases de dados e os modelos de inteligência artificial não dependam exclusivamente do inglês”, garantindo que o chinês, o espanhol e o português sejam línguas de primeira linha na produção científica e tecnológica do futuro.

A fundação sugere, além disso, que a rede tenha sede em Macau: “Porque até agora esta questão não tem sido abordada como uma questão geopolítica e consideramos que é necessário começar a trabalhar neste sentido”.

O Fórum de Think Thanks entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola 2026 está focado na Iniciativa de Governança Global, apresentada em 2025 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, para promover o desenvolvimento inclusivo, segurança comum e diálogo entre civilizações. O evento foi acolhido pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST).

18 Set 2026