HK | Ex-líder da oposição autorizado a ficar seis meses no Reino Unido

O activista Wu Chi-wai foi autorizado a permanecer no Reino Unido como visitante, indicou ontem o advogado do antigo líder do Partido Democrático de Hong Kong, que já se reuniu com a família, após problemas na imigração.

O advogado Paul Harris disse à agência Associated Press (AP) que as autoridades de imigração enviaram uma carta à defesa de Wu a indicar que o activista iria obter autorização para permanecer como visitante durante seis meses. A família de Wu reside no Reino Unido.

A decisão das autoridades britânicas surgiu depois de a entrada de Wu, na semana passada, ao abrigo de uma fiança de imigração de sete dias, ter suscitado preocupações por parte de grupos de defesa dos direitos humanos e de cidadãos de Hong Kong que vivem no Reino Unido e no território chinês, escreveu a AP.

Wu Chi-wai saiu da prisão de Hong Kong no mês passado, após cumprir quatro anos e cinco meses de pena por conspiração para subversão no âmbito do processo conhecido como “Hong Kong 47”, considerado o maior julgamento ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim.

Wu foi o 20.º arguido a concluir a pena, num caso que envolveu 47 activistas acusados de planear “uma crise constitucional” através de eleições primárias não oficiais em 2020. Quarenta e cinco arguidos foram condenados e dois foram absolvidos neste processo.

Wu afirmou numa entrevista à AP, no domingo, que só lhe foi permitido permanecer no Reino Unido até quarta-feira, uma vez que as autoridades fronteiriças britânicas consideravam que pudesse ter outros objectivos além de uma simples visita, incluindo a procura de residência de longa duração.

Wu afirmou num vídeo publicado pelo meio de comunicação online Green Bean que se sentiu angustiado nos últimos dias e que estava feliz por, afinal, ter sido autorizado a passar mais tempo com a família. “Espero que todos os habitantes de Hong Kong possam viver bem e valorizar os seus entes queridos”, afirmou.

29 Jul 2026

Activista indiano levado para hospital após 20 dias de greve de fome

O activista indiano Sonam Wangchuk foi levado à força sábado para um hospital após 20 dias de greve de fome em protesto contra o sistema de exames de acesso a Medicina.

Wangchuk, de 59 anos, está em sem comer desde 28 de Junho para exigir a demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, acusado de uma fraude que levou, em Maio, à anulação de um exame realizado por dois milhões de candidatos a estudantes de medicina.

De acordo com a imprensa local, essa anulação provocou o suicídio de vários candidatos.

Nas últimas semanas, várias centenas de estudantes juntaram-se a Wangchuk em torno do palco que montou no Jantar Mantar, um monumento da capital, Nova Deli.

“De acordo com as ordens do (…) Supremo Tribunal e por recomendação médica, devido à deterioração do estado de saúde de Sonam Wangchuk, este foi transferido para o hospital para receber os cuidados médicos indispensáveis”, declarou o comissário-adjunto da polícia de Deli num comunicado.

Um vídeo gravado em Jantar Mantar mostrou a confusão que reinava entre alguns apoiantes de Wangchuk presentes no local durante a manhã, enquanto agentes da polícia, munidos de lençóis brancos, o retiravam apressadamente do palco.

“Embora cumprissem as ordens (…), os manifestantes tentaram criar obstáculos, o que provocou uma ligeira agitação”, acrescenta-se no comunicado.

 

Outras críticas

Outras manifestações foram organizadas pelo movimento satírico ‘online’ Partido do Povo das Baratas (CJP, na sigla em inglês), que acabara de surgir nas redes sociais.

Este partido foi fundado por um estudante indiano recém-licenciado pela Universidade de Boston (Estados Unidos), Abhijeet Dipke, em reacção às declarações do presidente do Supremo Tribunal contra os jovens “baratas” e “parasitas” que criticam o Governo.

Ecologista de renome, Sonam Wangchuk é o mais destacado dos grevistas de fome. Libertado em Março, após seis meses de detenção por se ter manifestado a favor da autonomia da região himalaia de Ladakh, juntou-se ao protesto daquele movimento de jovens.

Vários membros dos partidos da oposição manifestaram apoio a Wangchuk e aos activistas estudantis.

O estado de saúde de Sonam Wangchuk deteriorou-se nos últimos dias. Na quinta-feira, um tribunal de Nova Deli ordenou que médicos do Governo vigiassem diariamente o estado de saúde do activista.

20 Jul 2026

Nova Iorque | Mulher chinesa condenada por assassínio de advogado activista

Uma chinesa foi condenada quarta-feira em Nova Iorque a cumprir uma pena de prisão entre 25 anos e prisão perpétua pelo assassínio de um compatriota seu, advogado especializado em questões migratórias. O assassinado, Jim Li, foi um conhecido activista durante os protestos na Praça de Tiananmen, em Pequim, em 1989.

A procuradoria do condado de Queens especificou que Jim Li, que se especializou nesta área depois de fugir da China, era um conhecido advogado de migrações, que representava quem procurasse asilo nos EUA e tinha aceitado gratuitamente o caso de Xiaoning Zhang, de 27 anos.

Contudo, quando esta admitiu que tinha mentido no pedido de asilo, ao declarar que tinha sido violada pela polícia em Pequim, o advogado abandonou o seu caso e pediu-lhe que saísse do seu escritório. A mulher reagiu de forma violenta, ao colocar as mãos à volta do pescoço de Li e procurando estrangulá-lo. Depois da intervenção da polícia, Zhang foi retirada do local com a ordem de não regressar.

Porém, três dias depois, em 14 de Março de 2022, regressou com duas facas e esfaqueou o advogado no peito e pescoço. Li morreu pouco depois, num hospital. Em Setembro, Zhang foi considerada culpada de assassínio, posse ilegal de arma, ameaça, assédio e obstrução de respiração ou circulação sanguínea.

3 Out 2024

Taiwan : Presidente de considera “inaceitável” condenação de activista

[dropcap style≠’circle’]U[/dropcap]m tribunal chinês condenou ontem o activista e professor taiwanês Lee Ming-che por “subversão do poder do Estado” através de opiniões e comentários expressados fora do território chinês. A sentença foi emitida pelo tribunal intermédio de Yueyang (província de Hunan). Lee, de 42 anos, disse que não vai recorrer da decisão, informaram os meios de comunicação de Taiwan.

Este é o primeiro caso de extraterritorialidade numa condenação a críticos da China, o primeiro cidadão não-chinês e membro de uma organização não-governamental processado no país e o primeiro taiwanês condenado por subversão contra o poder de Pequim.

O gabinete presidencial de Taiwan classificou como “inaceitável” e “lamentável” a condenação, ontem, do activista pró-democracia taiwanês Lee Ming-che a cinco anos de prisão por alegados crimes de “subversão contra o poder do Estado”.

“Difundir a democracia não é crime”, e é inaceitável que Lee seja condenado por partilhar as suas ideias sobre a democracia com amigos na China através da Internet, de modo a demonstrar o seu interesse pelo desenvolvimento da democracia e da sociedade civil na China, disse o porta-voz presidencial Alex Huang, em conferência de imprensa.

A presidência taiwanesa instou Pequim a “libertar Lee Ming-che o quanto antes” e afirmou que a sentença “prejudicou seriamente” os laços bilaterais e vai contra a convicção taiwanesa na “liberdade e democracia”.

O Conselho de Assuntos da China Continental, de Taiwan, acrescentou que as actividades de Lee “não representam qualquer perigo para a segurança e estabilidade” da China, e que “virar as costas aos valores universais de democracia e direitos humanos” vai “prejudicar a imagem internacional” da China.

Um tribunal da província chinesa de Hunan condenou a cinco anos de prisão o activista e professor taiwanês Lee Ming-che por “subversão do poder do Estado”, através de opiniões e comentários expressados nas redes sociais fora da China.

Um comunicado conjunto de várias organizações governamentais de Taiwan critica a condenação como “uma violação dos direitos humanos” e “do ordenamento jurídico chinês”. “Esta sentença é ridícula: não é apenas uma flagrante violação dos direitos humanos, mas mostra a debilidade de um regime que tem de recorrer a esta repressão para se manter no poder”, disse à agência Efe a secretária executiva da Associação Pró-Direitos Humanos de Taiwan, Eeling Chiu.

Chiu também instou a Presidente taiwanesa a emitir uma condenação contra a sentença e criticou o abuso de que representa condenar na China um taiwanês por acções registadas em Taiwan. “A China não tem jurisdição sobre actos registados em Taiwan e esta sentença é um abuso de extraterritorialidade”, disse.

29 Nov 2017

Governo diz que Gui Minhai deixou o país após ser libertado

[dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] Governo chinês assegurou ontem que o activista e livreiro sueco de origem chinesa Gui Minhai deixou o país, após ter sido libertado na semana passada, enquanto a família diz desconhecer o seu paradeiro.

“Gui Minhai deixou o país após ter sido libertado, depois de dois anos preso por causar acidentes de trânsito”, afirmou em conferência de imprensa um porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang.

Gui Minhai, de 53 anos, é um dos cinco livreiros da “Mighty Current” – editora de Hong Kong conhecida por publicar livros críticos dos líderes chineses -, que desapareceram no final de 2015.

Gui desapareceu quando passava férias na Tailândia, tendo aparecido mais tarde na televisão estatal chinesa CCTV a confessar que se entregou às autoridades pelo atropelamento e morte de uma jovem em 2004.

O Governo sueco anunciou na terça-feira que as autoridades chinesas confirmaram a libertação do activista.

A sua filha, Angela Gui, não confirmou, no entanto, a libertação do pai, afirmando que não foi ainda contactada por ele.

“Nem eu, nem nenhum dos membros da minha família, ou algum dos seus amigos, fomos contactados” afirmou Angela Gui, em comunicado.

“Ainda não sabemos onde ele está. Estou profundamente preocupada com a sua saúde”, disse.

O consulado da Suécia em Xangai informou esta segunda-feira ter recebido uma “chamada estranha” de alguém que dizia ser livreiro e afirmou que iria pedir um passaporte sueco dentro de um ou dois meses, mas que antes queria passar tempo com a sua mãe, que estava doente.

Angela desmentiu, entretanto, essa possibilidade.

26 Out 2017