Exposição | Dinastia Tang é protagonista em “Imperatriz Reinante”

Foi inaugurada esta quarta-feira mais uma mostra patente no Museu de Macau. Trata-se de “A Imperatriz Reinante – Wu Zetian e a Divina Capital de Luoyang”, com mais de uma centena de peças que remontam aos anos da dinastia Tang. Trata-se de artefactos cedidos por instituições culturais da província de Henan

O terceiro andar do Museu de Macau acolhe até ao dia 28 de Fevereiro mais uma mostra que junta cultura e história da China. Tal é possível com a exposição “A Imperatriz Reinante – Wu Zetian e a Divina Capital de Luoyang”, que apresenta em Macau 126 itens ou conjuntos de artefactos cedidos por oito instituições culturais e museus da província de Henan, nomeadamente o Museu de Henan, a Academia das Grutas de Longmen, o Museu de Luoyang, o Instituto de Arqueologia de Luoyang, o Museu de Túmulos Antigos de Luoyang, o Museu Cultural do Grande Canal das Dinastias Sui e Tang, o Museu de Yanshi e o Museu do Condado de Xin’an.

Segundo uma nota disponibilizada pelo Instituto Cultural (IC), pretende-se, com esta mostra, “promover o intercâmbio histórico e cultural entre Henan e Macau”, além de se “destacar o papel de Macau como janela importante para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações chinesa e ocidental”. Esta é uma organização conjunta do Governo de Macau e da Administração Provincial do Património Cultural da Província de Henan.

Era dourada

Destaca-se, do conjunto de peças em exposição, 21 itens ou conjuntos que são “relíquias culturais de Primeira Classe, incluindo a Faixa de Ouro de Absolvição de Wu Zetian, uma estátua de pedra de uma figura guardiã, uma estátua de Tathagata de pé, figuras de cerâmica pintadas de um cavalo e seu domador ou um cavalo de esmalte tricolor e um espelho de bronze com motivos de criaturas marinhas e uvas”.

Há cinco áreas em que se divide a mostra, que apresenta, desta forma, “um panorama multidimensional da era gloriosa da dinastia Tang sob as perspectivas do planeamento urbano, filosofia, cultura, vida social, sistemas rituais e jurídicos e dos intercâmbios internacionais”.

A mostra inclui também uma forte componente multimédia de interacção com o público, nomeadamente uma “cabine fotográfica com Inteligência Artificial”, o que permite “uma forma acessível e envolvente de aprender sobre a cultura, a arte e a sociedade da dinastia Tang”.

A exposição terá, posteriormente, uma versão digital com recurso a realidade virtual, e que pode ser vista a qualquer altura no website do Museu de Macau.

Uma vez que Macau celebra o Festival do Meio Outono, que antecede as celebrações da implantação da República Popular da China, o Museu de Macau e o Jardim da Fortaleza do Monte estarão abertos hoje até às 22h30, estando também abertos este sábado e domingo até às 21h. Nestes dias o jardim terá uma decoração temática da dinastia Tang, uma zona para fotografias e uma área para a prática de pickleball.

25 Set 2026

Pintura | Novos trabalhos de Alice Costa em “A Piece of Art, A Piece of Mind”

É hoje inaugurada uma nova exposição de Alice Costa (Lili), que trocou uma carreira na área jurídica para abraçar o mundo das artes. É na Vic’s Art Gallery, nova galeria de arte na Doca dos Pescadores, que se apresenta “A Piece of Art, A Piece of Mind”, repleta de trabalhos recentes em pintura

A artista abandonou uma carreira no mundo da justiça para pintar o que lhe vai na alma e na mente. As pinturas de Alice Costa (Lili), pintora macaense, preenchem, a partir de hoje, a Vic´s Art Gallery, a nova galeria de arte da Doca dos Pescadores e que se situa no Vic’s Restaurant, no Rocks Hotel. “A Piece of Art, A Piece of Mind” é hoje inaugurada a partir das 18h30, podendo ser visitada até 7 de Novembro.

Ao HM, a artista confessou que vai apresentar ao público “uma série de obras recentes” feitas de propósito para esta mostra. “O meu processo criativo é muito intuitivo e emocional. Começo geralmente por uma base de sentimentos ou uma memória específica, e depois vou construindo camadas de tinta, muitas vezes usando espátula, pincel, acrílico, óleo. Deixo que a tela me guie, adicionando e retirando elementos até sentir que a obra alcançou a energia que eu queria transmitir”, descreveu.

Alice Costa (Lili), de nome completo Alice Leonor das Neves Costa, formou-se em Direito na Universidade de Macau, tendo sido a primeira mulher juíza local no território.

Porém, a paixão pela arte acabou por falar mais alto. “Conciliar a magistratura com a arte foi um exercício de equilíbrio. A carreira jurídica exigia de mim objectividade, rigor e racionalidade, enquanto a arte me pedia subjectividade, emoção e liberdade. Apesar de gostar muito da minha carreira jurídica, a área que mais me preenche como pessoa é, sem dúvida, a arte. É na pintura que encontro a minha total expressão e plenitude.”

A artista destaca como a arte e mente estão “intrinsecamente ligadas”.

“O meu processo de pintura é uma forma de meditação e autoconhecimento. Quando estou diante da tela, o mundo exterior desliga-se e foco totalmente no momento presente. A pintura é o meu refúgio e a minha forma de comunicação mais honesta.”

Desta forma, acrescenta, os seus quadros representam a sua liberdade, identidade e “uma forma de transformar as inquietações e alegrias em algo visual que possa tocar outras pessoas”.

“Um panorama artístico único”

Numa altura em que o território vê inaugurar um novo espaço de exposições, Alice Costa (Lili) considera que Macau “tem um panorama artístico único e em crescimento”.

“É uma fusão fascinante de culturas, onde a tradição chinesa se cruza com a herança portuguesa, o que cria uma identidade visual muito própria”, disse, apontando que, neste contexto, “a comunidade artística de Macau é muito resiliente e unida”. “Há cada vez mais apoio e interesse por parte do público e das entidades locais”, frisou.

Questionada sobre as suas principais influências na pintura, Alice Costa (Lili) diz serem “bastante ecléticas”, indo “desde os grandes mestres da arte abstracta e do expressionismo, como Jackson Pollock ou Joan Mitchell, até artistas contemporâneos que trabalham a textura e a matéria”.

Porém, a sua “maior influência” é “a própria vida: as cores da natureza, as emoções humanas, as viagens e a rica mistura cultural de Macau”. Todos estes elementos “acabam por transparecer nas minhas telas”.
Alice Costa (Lili) fez um curso de pintura na Casa de Portugal em Macau com o também pintor Joaquim Franco. Desde aí não mais deixou de fazer criações na área da pintura figurativa e abstraccionismo.

A última mostra a título individual que fez foi em Janeiro deste ano, com “Flow”, apresentada na Creative Macau.

23 Set 2026

Exposição | Sons e imagens criam “experiência sensorial” de Macau

Há um novo projecto artístico na capital portuguesa que junta o trabalho de um fotógrafo de Macau com o de uma artista portuguesa. A fazer lembrar as relações que Macau e Portugal mantiveram durante anos, “Into the Radiant Darkness” apresentou-se ao público no passado dia 10 na galeria Procur.arte, podendo ser vista até 9 de Outubro.

Eis a oportunidade de vivenciar “uma experiência sensorial e performativa”, que vagueia entre “a luz e o movimento”, com imagens de Tang Kuok Hou e partituras áudio-cinestésicas de Inês Zinho Pinheiro.

Segundo a descrição oficial do projecto, a fotografia, em junção com os sons, “posiciona a paisagem urbana como um ambiente de co-criação gerado a partir de distintas perspectivas culturais e disciplinas artísticas”. Também se articulam “as várias formas de pensamento que estão enraizadas no quotidiano das duas cidades”.

Tang Kuok Hou fez uma série de fotografias sobre a iluminação de Macau, pautada, na sua maioria, pelo brilho dos casinos, e que se chama “Photosynthesis”. Inês Zinho Pinheiro transformou estas imagens em “texturas sensoriais e estruturas rítmicas, entrelaçando as suas memórias familiares e da sua viagem para Macau”.

Desta forma, a artista compôs uma peça áudio de “prompts cinestésicos”, que acaba por traçar e revelar “o intrincado tecido urbano da cidade”.

A interacção entre os dois artistas faz-se notar também através de um “passeio sonoro coreografado por Inês Pinheiro”, em Lisboa, e que é fotografado por Tang Kuok Hou. Cria-se, assim, “uma nova série de fotografias sobre a cidade”, num “quadro interactivo que encara Macau como o domínio da ressonância, ao mesmo tempo que designa Lisboa como uma presença encarnada”, descreve-se sobre a mostra.

“Into the Radiant Darkness” é uma iniciativa do projecto MyLand Culture e tem curadoria de Pal Lok Chok e Mary Wong. Ao HM, Pal Lok destaca como o objectivo desta mostra foi “criar um espaço liminar onde as perspectivas estabelecidas sobre a forma de olhar para uma cidade e para os seus mecanismos subjacentes sejam reformuladas”.

“Pensamos que a noite oferece frequentemente um encanto diferente, uma quietude em que os nossos sentidos parecem despertar de novo. Por isso, escolhemo-la como contexto para esta colaboração. A escuridão torna evidente o que permanece invisível sob o brilho do dia, enquanto as luzes artificiais ditam os nossos percursos e o que vemos.”

Mary Wong acrescentou que o trabalho de Tang Kuok Hou trouxe a inspiração “para perceber o primeiro nível de contraste”. “A iluminação urbana radiante começa a traçar linhas através das arquiteturas à medida que a noite escura cai, ligando-nos às estruturas e genealogias tácitas, às pequenas fracturas dos nossos acontecimentos quotidianos ou às memórias que guardamos no fundo da nossa mente, abrindo uma rede alternativa da cidade em acção.”

No entanto, adiantou a curadora, “uma vez que existe um registo visual de quietude distanciada nas fotografias de Tang, a sensação de calor sugerida pelo termo ‘radiante’ aponta também para um segundo nível de contraste, contribuído pela artista Inês Zinho Pinheiro”. A artista portuguesa “introduziu um encontro fenomenológico íntimo entre o eu e a cidade à noite através das suas partituras áudio cinestésicas”.

Primeira de muitas

Segundo a mesma nota, esta é a primeira exposição a ser organizada no âmbito da série “Macao&”, e que visa “promover um intercâmbio entre disciplinas e territórios, ligando Macau ao panorama artístico internacional”.

Desta forma, esta mostra constitui um “diálogo interdisciplinar entre Macau e Lisboa”, fazendo-se uma nova conceptualização “dos laços entre duas cidades histórica e culturalmente ligadas, através da observação social e recorrendo a práticas artísticas contemporâneas”.

Nascido em Macau em 1989, o fotógrafo Tang Kuok Hou trabalha bastante sobre as ligações entre os moradores de uma cidade, as paisagens, as diversas existências humanas que aí se podem encontrar e a natureza.

Com as suas imagens, Tang trabalha temáticas como a cidade, o tempo, a memória e a cultura local. É um dos fundadores do colectivo fotográfico de Macau “Dialect”, tendo obras com a sua assinatura presentes nas colecções da Fundação Oriente ou Museu de Arte de Macau, entre outros.

Por sua vez, Inês Zinho Pinheiro, nascida em Lisboa em 1993, é bailarina, formadora e investigadora, cujo trabalho combina movimento, escrita e práticas colectivas. É professora na Escola de Dança do Instituto Politécnico de Lisboa e investigadora.

16 Set 2026

Livraria Portuguesa | AFA apresenta pinturas de Chan Man Kin

Chan Man Kin apresenta, a partir do dia 21 deste mês, “Vessel – Raging Waves”, uma mostra individual organizada pela AFA – Art for All Society. A exposição, com curadoria do arquitecto Andre Lui, pode ser vista na Livraria Portuguesa

 

A AFA – Art for All Society tem apostado na exibição de trabalhos dos seus parceiros através da “Série de Exposições Individuais dos Novos Membros da AFA”. É neste contexto que se apresenta, entre 21 de Setembro e 22 de Outubro deste ano, na Livraria Portuguesa, a exposição “Vessel – Raging Waves” [Embarcações – Ondas Violentas], de Chan Man Kin, com curadoria do arquitecto Andre Lui.

Segundo um comunicado da AFA, a exposição é composta por “uma selecção de obras representativas de diferentes períodos da carreira de Chan”. Desta forma, é traçada a sua “evolução artística desde o realismo figurativo, passando pela desconstrução de formas estabelecidas”, chegando-se a um “estado incessante de abstração pura”.

Algumas destas obras são “Boxes” e “Peaches”, quadros que carregam em si “um significado interno” e que começaram a ser pensados e trabalhados a partir dos anos de pandemia. Segue-se a série de trabalhos intitulada “The Box”, onde “chamas misteriosas simbolizam o conflito interior e o transbordar das fronteiras”, descreve a organização.

Já “Nuclear Fission” é uma obra que remete para um controlo que é “abandonado para abraçar forças primárias, através de processos que envolvem o corpo”. Por sua vez, em “Raging Waves”, onde a tela é “libertada de todos os objectos reconhecíveis, permitindo que o material se transforme através da gravidade e do acaso”. Desta forma, há uma “profunda passagem” entre “ver o objecto” e a fase de “contemplar a mente”.

A AFA destaca como a exposição está muito ligada aos anos da pandemia, quando o artista sofreu uma espécie de transformação na forma de pintar e criar. Ao abrir, nos anos de confinamento, caixas de encomendas, o artista começou a reflectir sobre os “motivos visuais” desse objecto e de como podem representar “a ordem racional”. Chan Man Kin também olhou para diversas formas naturais, nomeadamente pêssegos, como símbolo de “vitalidade e perecibilidade”.

Ao longo das obras do artistas, contrates e conceitos encontram um lugar de expressão artística através da pintura. “A imposição destes elementos fundamentalmente diferentes no mesmo campo de visão cria uma poderosa tensão psicológica, reflectindo as contradições interiores [do artista] não resolvidas entre razão e emoção, confinamento e liberdade”, destaca a AFA.

Mescla de influências

Chan Man Kin não é um artista com uma só linguagem artística. Segundo a AFA, o seu vocabulário visual “combina de forma magnífica as tradições artísticas orientais e ocidentais”. A sua obra é sinal da fusão da “pincelada vigorosa do expressionismo abstracto americano com as técnicas tradicionais ‘juam-shui’ e ‘juam-fan’ (infusão de água e pó) da Escola de Pintura de Lingnan”.

Estas “práticas materiais que envolvem um envolvimento físico”, sendo que Chan Man Kin faz um “questionamento contínuo sobre os limites, mutação e libertação”.

O público que visitar a mostra patente na Livraria Portuguesa é desafiado a seguir “o pincel desde uma cena estável de pintura observacional, passando por um labirinto de imagens de matéria em chamas e formas fragmentadas”. No final, acede-se a um “espaço espiritual formado por imensas ondas de abstração”.

15 Set 2026

70 anos da Sociedade de Artistas celebrados com exposição

Há 70 anos, nascia a Sociedade de Artistas de Macau (MAS, na sigla inglesa), uma das entidades ligadas ao panorama artístico mais antigas do território. A pensar nisso, a galeria do empreendimento Sands Macao acolhe, até ao dia 15 de Setembro, a exposição “Arte na Nova Era – Exposição Convidada do 70.º Aniversário da Sociedade de Artistas de Macau”, com cerca de 200 obras de arte que podem ser vistas no quarto andar do Sands Macao.

Esta é uma iniciativa do Instituto Cultural (IC) em parceria com a Sociedade de Artistas de Macau, e conta também com o apoio da operadora de jogo Sands China e da Federação das Associações dos Sectores Culturais de Macau.

Citado por uma nota da organização, Lok Hei, presidente da MAS, referiu que o organismo “tem-se mantido empenhado em unir a comunidade artística, promover a educação e formar talento, utilizando a arte para testemunhar a transformação da cidade”.

O público pode ver trabalhos de “artistas de renome de várias regiões”, não apenas de Macau, nomeadamente dos EUA, França, Japão, Coreia do Sul, Hong Kong, Taiwan e China Continental. Apresenta-se “uma ampla diversidade de estilos e meios artísticos, em resposta às novas correntes artísticas”, o que revela “a vitalidade vibrante da arte contemporânea”.

Lok Hei expressou ainda “a esperança de que os visitantes possam sentir, através das obras expostas, a paixão acumulada ao longo de sete décadas e as ilimitadas possibilidades que se abrem para o futuro”.

Ajuda ao desenvolvimento

Leong Wai Man, presidente do IC, disse que a Sociedade, nas últimas sete décadas, tem “participado de forma activa no desenvolvimento cultural local”, passando pela “organização de exposição e formação de talentos” e na aproximação “das artes comunitárias ao diálogo internacional”.

Já Wilfred Wong, vice-presidente executivo da Sands China, defendeu “o papel fundamental na comunidade artística e cultural” da MAS em Macau, que tem recorrido à arte “para registar as diferentes épocas da evolução de Macau”. “A Sociedade tem dado importantes contributos para o contínuo crescimento do sector artístico e cultural de Macau”, frisou.

Esta exposição pode ser vista todos os dias, incluindo feriados, das 11h às 19h, com entrada gratuita.

3 Set 2026

Mostra | Pinturas e poesia de Carlos Morais José na Casa Garden

Carlos Morais José, escritor e director do Hoje Macau, apresenta amanhã uma nova exposição de poesia e arte. Trata-se de “Quarentena”, um longo poema apresentado ao lado de 30 pinturas, num projecto que tem curadoria de Lin Jiangquan (LAM)

A Casa Garden, sede da Fundação Oriente (FO) em Macau, acolhe a partir de amanhã uma nova exposição de Carlos Morais José, director do Hoje Macau e escritor. Com inauguração a partir das 18h30, “Quarentena” é o nome dado à mostra e é, ao mesmo tempo, um longo poema que se apresenta ao público acompanhado por 30 pinturas do autor.

Segundo um comunicado, a curadoria está a cargo do artista contemporâneo Lin Jiangquan (LAM), sendo que a exposição “recria a apresentação da poesia através de uma abordagem multimédia inovadora, reunindo três componentes – texto, pintura e sons – num diálogo preciso com o poema ‘Quarentena'”.

Este poema “narra os dias de isolamento do poeta” no período da pandemia, tratando-se de uma “viagem ao mundo interior, onde o ‘eu’ do poema se questiona a si e ao mundo”. Esta quarta-feira será realizada uma sessão de leitura do livro acompanhada com arte sonora e performativa, “permitindo que a poesia seja regenerada ao vivo no espaço”.

O livro com o poema será apresentado por Sérgio Guimarães de Sousa, da Universidade de Macau. Este é doutorado em Ciências da Literatura, com especialização em Literatura Portuguesa, pela Universidade do Minho. Defendeu a tese de doutoramento em 2006, que se intitula “Entre-dois. Desejo e Antigo Regime na ficção camiliana”.

Sentimentos e manuscritos

A mostra inclui ainda 40 manuscritos de Carlos Morais José, “arrancados de cadernos de notas do escritor”. Citado pela mesma nota, este explicou que se tratam de “restos de um auto-de-fé dos cadernos (que não me devem sobreviver), onde a mão, por vezes firme, doutras hesitante, registou em caligrafia o que uma máquina é ainda incapaz de registar”.

Todos estes escritos possuem, segundo o autor, “uma dimensão infinita” graças “às possibilidades de interpretações”. “São talvez os últimos testemunhos de uma era”, acrescentou.

Também o curador da exposição destaca que a apresentação de “Quarentena” será uma mistura de “arte textual e instalação de livro”, ficando a promessa de que, na galeria da Casa Garden “a poesia deixa de ser apenas poesia; transforma-se numa ‘arte textual legível’ que partilha a mesma função de observação que uma obra de arte, convertendo a linguagem em força visual”.

Lin Jiangquan (LAM) destaca também como as 30 pinturas são, na sua maioria, “imagens abstractas com uma elevada ‘identificabilidade poética'”, pautadas por cores como o azul, branco, cinzento e preto. São imagens “executadas em pinceladas rápidas que transmitem incerteza, ambiguidade, complexidade e contradição”, tratando-se de quadros que “criam uma tensão visual entre construção e destruição”.

A ideia é a evocação de uma “forte ‘corporeidade individual’ e uma ‘meditação solitária'”, pelo que as pinturas se transformam “num local onde a percepção do tempo durante o confinamento se acumula”, frisa o curador.

“Quarentena” estará em exposição até ao dia 9 de Setembro, com entrada gratuita entre as 10h e as 19h, apenas com encerramento às segundas-feiras.

1 Set 2026

IC | Porto acolhe mostra “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”

A estação de São Bento do Metro do Porto acolhe até ao dia 12 de Setembro a exposição “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”, uma iniciativa do Instituto Cultural e Associação Sino-Lusófona de Amizade e Intercâmbio Cultural de Macau. Pretende-se, com este projecto, estabelecer um “diálogo intercultural entre Portugal e China”

Desde o dia 28 de Setembro de 2023 que o jornal Diário de Notícias (DN) publica todas as semanas, em parceria com o jornal Macao Daily News (Ou Mun), uma página com o título “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”. Esta parceria editorial dá agora origem a uma exposição, patente até ao dia 12 de Setembro na estação de São Bento do Metro do Porto. A mostra tem o mesmo nome – “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”, e é organizada pelo Instituto Cultural (IC) e Associação Sino-Lusófona de Amizade e Intercâmbio Cultural de Macau, celebrando “três anos de colaboração editorial” entre os dois jornais. Além disso, pretende-se promover “o diálogo intercultural entre Portugal e a China”.

Segundo um comunicado da organização, a curadoria está a cargo de Sara Neves, convidando-se o público “a descobrir tradições, histórias e curiosidades da cultura chinesa através das páginas publicadas ao longo deste período”.

Na estação de Metro há duas instalações que combinam “o processo tradicional de impressão de jornais com o uso de tecido — material que evoca os laços históricos e culturais entre a China e o resto do mundo, desde as sedas que cruzaram a Rota da Seda até às velas dos navios portugueses que aportaram em Macau”, pode ler-se.

Ao ser escolhida a estação para acolher a exposição, pretende-se “trazer o conteúdo ao dia-a-dia dos moradores e visitantes”. “Não implica uma deslocação propositada; pelo contrário, introduz a experiência cultural num momento que seria apenas utilitário, democratizando o acesso à informação e ao conteúdo”, é acrescentado.

Curiosidades múltiplas

Nestas instalações, há também “um percurso de curiosidades extraídas das edições especiais, organizado por temáticas e inspirado nos antigos Cabinets of Curiosity [do período] da Europa renascentista”, ou seja, armários que serviam para “guardar objectos raros trazidos de longas viagens para mostrar a amigos e visitas”.

“Macau surge como ponto de partida e de chegada, reafirmando o seu papel enquanto elo privilegiado entre o mundo lusófono e a China”, sendo objectivo “aproximar o público português de aspectos frequentemente desconhecidos da cultura chinesa, reforçando a importância da cooperação cultural e editorial entre instituições de ambos os territórios”.

Em três anos de publicação de conteúdos entre o DN e Ou Mun, foram publicados 150 artigos com “conteúdos em língua portuguesa que revelam aspectos variados da cultura chinesa — tradições, histórias, figuras, lugares, práticas, gastronomia, património”.

Na exposição, fez-se uma selecção dos conteúdos a partir dos textos publicados, tendo sido definidas “seis linhas temáticas fundamentais”: Macau — 25 anos como Região Administrativa Especial da China; Festivais, Figuras Históricas e Tradições; Lugares, Paisagens e Arquitectura; Arte, Artesanato e Património Imaterial; Gastronomia, Sabores e Culinária; e o Centro Histórico de Macau — 20 anos de Património Mundial.

O comunicado da organização dá ainda conta de que na exposição “era importante apresentar as páginas de jornal no seu formato original”, já que “a presença da estética do jornal relembra o meio que deu origem a esta iniciativa”, daí terem sido concebidas as instalações em tecido.

Recorde-se que a primeira apresentação deste projecto ocorreu em Abril, no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), em Lisboa.

31 Ago 2026

MAM | Pinturas da dinastia Qing são destaque em nova exposição

O Museu de Arte de Macau acolhe, até ao dia 2 de Novembro, a mostra “Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing”, que traz ao público de Macau trabalhos que representam a arte de Lingnan e que visam promover “o intercâmbio cultural na Grande Baía”

O Instituto Cultural (IC) promove uma nova exposição no Museu de Arte de Macau (MAM) que revela ao público local pintura representativa da arte Lingnan feita nos anos da dinastia Qing. Trata-se da mostra “Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing”, e que é organizada em parceria com o Museu Lu Xun de Guangzhou, Museu de Arte de Guangzhou, e Museu de Arte de Hong Kong.

O que se pode ver nesta mostra é um conjunto de trabalhos de pintura figurativa e “obras sobre temas históricos”, que constituem a colecção de pintura de Guangdong do período da dinastia Qing do MAM.

Segundo um comunicado do IC, conta-se com “um acervo valioso e abundante de peças de alta qualidade de mestres como Su Liupeng e He Chong”.

Há ainda, nesta nova exposição, peças oriundas do Museu Lu Xun de Guangzhou, Museu de Arte de Guangzhou e do Museu de Arte de Hong Kong, podendo ser vistas um total de 136 peças ou conjuntos de trabalhos de pintura.

Actos exploratórios

O IC explica que esta exposição “dá a conhecer experimentações dos pintores de Guangdong nas técnicas de pincel e tinta”, revelando-se também “a diversificação temática e a fusão cultural de influências chinesas e ocidentais”.

Desta forma, com a mostra “Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing”, pretende-se ilustrar “o percurso da pintura de Guangdong da periferia à corrente principal, e da tradição à inovação, e servindo de importante registo visual para redefinir o contexto cultural da região”.

A mesma nota dá conta que a colaboração entre o MAM e diversas instituições de arte das regiões vizinhas, como é o caso da província de Guangdong e Hong Kong, acaba por promover, de forma eficaz, “o intercâmbio cultural regional, traduzindo-se numa acção prática para a construção conjunta de uma Grande Baía cultural”.

As visitas guiadas para o público terão início a 5 de Setembro, realizando-se aos sábados em cantonense, bem como aos domingos e feriados em mandarim. As visitas para grupos podem ser agendadas mediante marcação prévia. Ao longo do período da exposição, serão promovidas diversas actividades de extensão, como palestras, workshops e concertos.

A exposição Lucidez numa Era Próspera: Pinturas de Guangdong da Dinastia Qing estará patente no Museu de Arte de Macau de 22 de Agosto a 2 de Novembro, das 10h às 19h.

24 Ago 2026

Pavilhão Criativo de Macau presente em exposição em Xangai

O Instituto Cultural (IC) organizou a participação na “Exposição Internacional de Licenciamento de Xangai 2026” de várias delegações do sector através da instalação do Pavilhão Criativo de Macau.

Segundo um comunicado divulgado pelo IC na quarta-feira à noite, a presença no evento que começou na quarta-feira e que terminou na sexta-feira possibilitou exibir “o charme único e o potencial comercial das indústrias culturais e criativas de Macau junto de licenciadores, compradores e de meios de comunicação social de todo o mundo”.

A exposição de Xangai é descrita pelo Governo como “um dos eventos mais emblemáticos da marca global de eventos de licenciamento na Ásia”, reunindo mais de 420 expositores de referência, nacionais e internacionais, congregando mais de 2.000 propriedades intelectuais (PI).

As marcas representadas incluem personagens de animação, cinema e media, cultura, museus e artes, e produtos culturais e criativos na moda

Esta é a primeira vez que o IC promove a representação de Macau na exposição com um pavilhão com cerca de 220 metros quadrados.

De acordo com o IC, o conceito do Pavilhão Criativo de Macau inspira-se na integração multicultural da cidade, “reunindo 15 marcas de PI originais com uma identidade vincadamente local”. As PI originais de Macau presentes nesta edição incluem: piepiepuu, Puppy.p, Pundusina, PEACE DOLL, TENCHOSIU2, Bucket King, Yunana & Meow, FU LU SHOU, CHILLIN FAMILY, Mr. Bubbles, Ho Sio Chong, UNDERDOG & Beanie, Cosmic Travelers, MOMO & MUMU, NANARA & PP BEAR.

Mostrar trabalho

O IC acrescenta que um dos objectivos da participação no certame é promover a expansão das PI originais de Macau no mercado internacional de licenciamento através de mostras directas e de sessões de bolsas de contactos, aumentar a notoriedade e competitividade das marcas locais e ajudá-las a expandir a sua rede comercial.

Antes da participação na exposição, o IC realizou o “Workshop sobre a Indústria de Licenciamento de PI” e a “Sessão de Bolsa de Contactos Online: LEC x PI de Macau”.

Estas iniciativas contaram com a participação de especialistas em licenciamento provenientes do Interior da China e de Hong Kong, que partilharam a sua experiência em vertentes estratégicas como a criação de marcas a partir de PI artística, passando por dicas negociais, conhecimentos de práticas jurídicas em contratos de licenciamento, ou a transformação do Património Cultural Intangível em activos de PI.

19 Jul 2026

Albergue SCM | Exposição apresenta trabalhos do arquitecto He Jingtang

Na próxima quarta-feira, o Albergue SCM acolhe uma a exposição “Lugar, Cultura, Tempo — Design para um desenvolvimento de alta qualidade na China: Selecção de obras arquitectónicas de He Jingtang e da sua equipa”. A mostra centra-se nas obras de marcos académicos do arquitecto e académico chinês

 

No próxima quarta-feira, dia 15, é inaugurada no Albergue SCM a exposição “Lugar, Cultura, Tempo — Design para um desenvolvimento de alta qualidade na China: Selecção de obras arquitectónicas de He Jingtang e da sua equipa”. A cerimónia que dará o pontapé de saída da mostra está marcada para as 18h30 de quarta-feira e estará patente ao público até 13 de Agosto na Galeria A2 do Albergue.

Centrada no conceito central de “Lugar, Cultura, Tempo”, a mostra reúne uma selecção de obras arquitectónicas e os marcos académicos alcançados ao longo dos anos por He Jingtang e a sua equipa.

A organização, a cargo do Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, da Federação de Académicos de Guangdong e Instituto de Pesquisa e Design de Arquitectura da Universidade de Tecnologia do Sul da China, salienta que a iniciativa tem como objectivos a promoção da arte e cultura arquitectónicas e criar uma plataforma para o intercâmbio mútuo e o enriquecimento entre Macau e o Interior da China.

He Jingtang nasceu em 1938 em Dongguan, na província vizinha de Guangdong. É arquitecto e membro da Academia Chinesa de Engenharia, e actualmente desempenha as funções de Reitor Honorário da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Tecnologia do Sul da China.

Ao longo da carreira, He Jingtang especializou-se na concepção de edifícios com fins culturais, assim como no planeamento de campus, liderando equipas de profissionais responsáveis pela concepção e concretização de um grande número de edifícios emblemáticos com influência internacional.

Vida cheia

Entre os projectos mais emblemáticos de He Jingtang contam-se o Pavilhão da China na Exposição Mundial de 2010 em Xangai, a ampliação do Memorial às Vítimas do Massacre de Nanjing perpetrado pelos invasores japoneses (Local de Memória Público Nacional), o Centro Internacional de Conferências de Qingdao (sede principal da Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai), o Arquivo Nacional de Publicações e Cultura (Guangzhou), o Museu da China (Hainan) do Mar da China Meridional.

Entre os projectos de espaços e edifícios dedicados ao ensino, destaque local para o Campus de Hengqin da Universidade de Macau no portfolio do académico e arquitecto.

Outra das conquistas de He Jingtang, foi quebrar o monopólio de arquitectos estrangeiros na concepção de marcos nacionais chineses, liderando o caminho da criação arquitectónica com características chinesas, descreve a organização da exposição.

Com uma vida de trabalho com arquitecto, académico e investigador, He desenvolveu a teoria “Dois Conceitos (conceitos holísticos e sustentáveis) e Três Características (lugar, cultura e tempo)”, que está no cerne dos trabalhos selecionados.

A mostra pode ser visitada todos os dias das 12h às 19h, excepto às segundas-feiras em que o horário vai das 15h às 19h. A entrada é livre.

9 Jul 2026

Museu de Macau | Mostra de bens classificados inaugurada na sexta-feira

A “Exposição Temática sobre o 1.º Grupo de Bens Móveis Classificados de Macau” vai estar patente a partir de sexta-feira, até 16 de Agosto, no 3.º piso do Museu de Macau, indicou o Instituto Cultural (IC).

A mostra é a materialização da salvaguarda e gestão de bens móveis de valor cultural significativo em Macau. Assim sendo, a exposição é uma selecção de um grupo constituído por 400 itens, abrangendo 24 categorias, incluindo espécies arqueológicas, pinturas e caligrafia, têxteis e documentos oficiais. Destas, foram escolhidas 100 peças, ou conjuntos, “complementados por recursos multimédia, para demostrar a história e a evolução social de Macau”. O conjunto de objectos destaca “o carácter único da cidade, marcado pela integração cultural entre o Oriente e o Ocidente e pela coexistência de várias culturas”, demonstrando a beleza e “o valor inestimável destes artefactos culturais”.

O Museu de Macau está aberto das 10h às 18h e encerra à segunda-feira. A entrada é gratuita para residentes com BIR, e à terça-feira e no dia 15 de cada mês para o público geral.

8 Jul 2026

ARTM celebra uma década do centro de Ká Hó com exposição “Criatividade na Recuperação”

A inauguração da exposição “Criatividade na Recuperação: 10 anos de ARTM Centro de Serviços Integrados de Ká Hó” está marcada para o próximo sábado, a partir das 16h, na Galeria Hold On To Hope, na vila de Nossa Senhora em Ká Hó. A exposição estará patente ao público até 28 de Julho e pode ser visitada das 10h30 às 18h30 aos fins-de-semana e feriados, e das 10h30 às 17h00 às segundas, terças e sextas-feiras. A galeria está encerrada às quartas e quintas-feiras.

A mostra que celebra uma década de trabalho da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), esteve para ser inaugurada no sábado passado, mas acabou por ser adiada devido ao mau tempo.

A colecção de trabalhos que vão estar na Galeria Hold On To Hope foi criada por clientes da ARTM enquanto participavam no tratamento.

“Cada peça é o resultado de tempo, prática e esforço pessoal, apoiados pelo programa da ARTM e moldados pela experiência de cada indivíduo. Seja expressa através de cerâmica, pinturas, trabalhos em madeira ou outras formas artísticas, cada obra de arte transporta uma história única e uma voz distinta”, é indicado pela associação em comunicado.

O poder da arte

A mostra destaca também a importância das artes num ambiente de reabilitação, proporcionando “uma forma significativa de os clientes expressarem sentimentos e experiências que podem ser difíceis de colocar em palavras”.

A criação artística envolve um estado de espírito que pressupõe “estrutura e rotina, cria paciência e confiança, encoraja o foco e apoia a cura emocional”. Através da criação artística, muitos clientes encontram um sentido de realização e identidade, o que constitui uma parte essencial da recuperação.

Estes são os processos que se materializam nas obras expostas, convidando à reflexão sobre o percurso que os antecedeu, “os momentos de desafio, descoberta, aprendizagem e renovação da confiança”. As lições aprendidas pelos criadores podem ser fontes de inspiração para os visitantes, através do reconhecimento do poder da arte na transformação de vidas.

8 Jul 2026

GalaxyArt acolhe exposição de esculturas em bronze de Zhu Bingren

“A Fortuna Dourada: A Estreia em Macau da Arte do Cobre de Zhu Bingren” é o nome da exposição que está exibição na GalaxyArt até ao próximo dia 12 de Abril.
A mostra apresenta uma série de obras do mestre do cobre Zhu Bingren, que deu continuidade ao legado do seu pai, Zhu Junmin, através de 68 obras. Com o Ano do Cavalo à porta, a exposições reúne 38 esculturas centradas no tema equestre, algumas criadas especialmente para a exposição que apresenta a obra do mestre do cobre a Macau.
Esculpidas com esmalte de alta temperatura, as obras em exibição “entrelaçam o estilo arrojado e dinâmico dos cavalos da dinastia Tang com o realismo ocidental e influências contemporâneas”, aponta a Galaxy em comunicado.
A figura equestre tem uma dimensão de grande simbolismo na cultura chinesa, com a sua forma em galope representando boa sorte, vitalidade e progresso.
Prosseguindo o legado centenário da sua família, Zhu Bingren não se limitou a seguir as linhas traçadas pela tradição das técnicas gengcai, trilhando novas rotas na arte de moldar cobre derretido. A organização da mostra salienta que o artista expandiu as formas da arte estrutural para a arte moderna, “revigorando o antigo ofício com talento e destreza”.
“As suas obras combinam técnicas modernas com o artesanato tradicional, transmitindo simbolismo auspicioso e ganhando reconhecimento de muitos dos principais museus de arte da China, onde as suas criações são exibidas”, indica a Galaxy.

Memória que permanece
Ao longo da sua carreira, Zhu recebeu vários títulos e condecorações. Reconhecido oficialmente como um mestre nacional da arte do cobre, Zhu Bingren é investigador da Academia Nacional de Artes da China, e consultor cultural e criativo do Museu do Palácio em Pequim.
“Há nove anos atrás, vim pela primeira vez a esta terra. Desde então, a abertura e inclusão de Macau ficaram profundamente gravadas na minha memória. Daí criei ‘Confluência dos Três Rios’ e ‘Plumas Esmeraldas, Graça Florescente’. Espero que estes reflexos fluídos do cobre sirvam de ponte cultural, ligando a florescente comunidade artística da Grande Baía”, afirmou o artista, citado pela Galaxy.
A exposição é realizada com o apoio da Direcção dos Serviços de Turismo e o Instituto Cultural.

1 Fev 2026

IC | Primeira exposição individual de Helena Almeida na Ásia chega em 2026

O ano de 2026 Macau acolhe uma grande exposição sobre a artista portuguesa Helena Almeida. “Helena Almeida: Estou Aqui – Presença e Ressonância” está agendada para acontecer no início do ano, sendo a primeira grande exposição, a título individual, da artista na Ásia. O Museu de Arte de Macau apresenta ainda obras de artistas chineses a interagir com o trabalho de Helena Almeida

O Governo anunciou esta quinta-feira a inauguração de uma exposição de artistas chineses, convidados a interagir com a obra de Helena Almeida (1934-2018), em antecipação da primeira grande mostra individual da artista portuguesa na Ásia.

“Helena Almeida: Estou Aqui – Presença e Ressonância” será inaugurada no início de 2026, com cerca de 42 conjuntos compostos por 190 peças da artista portuguesa, revela-se no comunicado. Na nota, o Instituto Cultural (IC) anunciou ainda que a exposição “Ressonância – Corpo. Objecto. Reflexão”, marcada por interpretações de artistas chineses sobre o trabalho da portuguesa, vai estar patente no Museu de Arte de Macau de 19 de Dezembro até 26 de Abril.

A mostra reúne “trabalhos recentemente encomendados” de seis artistas de Macau e da China continental, convidados “a fomentar um diálogo que transcende o tempo e o espaço” com Helena Almeida, referiu o IC. Podem ver-se desenhos de Erica Min Han, artista chinesa radicada em Londres, que “dão continuidade à reflexão de Helena Almeida sobre a presença do corpo”.

Por seu turno, a obra do chinês Gao Fuyan “A Grade da Mente”, bordada com cabelo sobre papel, “espelha remotamente o conceito de Helena Almeida do corpo como instrumento”, disse o IC.

A também chinesa Sun Xiaoyu “adopta o azul de Helena Almeida para expandir o diálogo visual sobre a existência e as suas fronteiras através da prática estética oriental de dissolver o eu no objecto”, refere-se na nota. O IC sublinhou que com esta mostra pretende-se “reforçar o intercâmbio de arte contemporânea” e o “diálogo cultural” entre a China e Portugal, preparando o caminho para a grande retrospectiva.

Uma vida cheia

Nascida em Lisboa, em 1934, Helena Almeida criou, a partir dos anos 1960, uma obra multifacetada que se destacou pela autorrepresentação, reflectindo sobre as relações de tensão entre o corpo, o espaço e a obra. Usou o corpo como suporte e objecto de criação, utilizando a pintura, a fotografia, a gravura, a instalação e o vídeo.

Helena Almeida estudou pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, começando a expor individualmente em 1967, na Galeria Buchholz. Um dos artistas que marcou o seu percurso foi Lucio Fontana, e inicialmente Helena Almeida até expôs telas rasgadas à semelhança do trabalho deste artista, “telas com o verso voltado para a frente dando, assim, a ver o que tradicionalmente estava virado para a parede”, descreve Joana Simões Henriques a propósito de uma mostra com trabalhos de Helena Almeida recentemente realizada no museu da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Mas a partir de 1975 a artista “começa a explorar outras disciplinas como o desenho, a fotografia e o vídeo, encarando-os como meios para perceber a relação do corpo do autor com o espaço da obra”.

É aqui que o corpo da artista se transforma “no suporte da sua arte, passando a ser sujeito e objecto, não sob a forma de auto-retrato, mas sim no sentido de ‘habitar a pintura’, de se colocar dentro do seu trabalho, de ser a sua obra”. Nestes trabalhos, “o rosto [de Helena Almeida] aparece muitas vezes oculto”, descreve-se na mesma nota.

No ano de 1977 acontece em Portugal a exposição “Alternativa Zero”, descrita como “marcante na arte contemporânea portuguesa”, apresentando-se “uma série de fotografias [de Helena Almeida] com elementos anexos à imagem, criando, desta forma, a ilusão da obra sair do seu lugar e entrar no espaço do observador”, escreveu ainda Joana Simões Henriques.

A artista representou Portugal na Bienal de Veneza por duas ocasiões: em 1982 e em 2005, e em 2004 participou na Bienal de Sidney, tendo a sua obra sido exibida no âmbito de mostras individuais e colectivas em museus e galerias nacionais e internacionais.

Em 2015, apresentou uma exposição individual itinerante Corpus na Fundação de Serralves (2015), no Porto, em Paris (2016), em Bruxelas (2016) e Valência (2017). Apresentou igualmente, em 2017, uma exposição individual “Work is never finished” no Art Institute, em Chicago, nos Estados Unidos.

A sua obra está presente em colecções portuguesas e internacionais como: Coleção Berardo, Lisboa; Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Fundação de Serralves, Porto; Hara Museum of Contemporary Art, Tóquio; Museu de Arte Contemporânea de Barcelona; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid; MUDAM – Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean, Luxemburgo; Tate Modern, Londres.

20 Dez 2025

Exposição “Narrativa Espiritual” esta quinta-feira nas Casas da Taipa

Esta quinta-feira, apresenta-se ao público, a partir das 18h30, a mostra “Narrativa Espiritual – Exposição Anual de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, na Galeria de Exposições das Casas da Taipa, integrada no programa do 7.º Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Trata-se de uma iniciativa organizada pelo Instituto Cultural (IC) e que reúne o trabalho de oito artistas da China e dos países de língua portuguesa, nomeadamente Cao Yu e Tong Wenmin, do Interior da China; Wong Hio Chit e Cosmo Wong de Macau, China; Carla Cabanas, de Portugal; Délio Jasse, de Angola; Eugénia Mussa, de Moçambique; e Juliana Matsumura, do Brasil.

A exposição apresenta obras em diversos suportes, abrangendo a pintura, a escultura, o vídeo e a instalação, revelando um mosaico dos contextos culturais da China e dos Países de Língua Portuguesa, “expresso através de um rico vocabulário artístico”, destaca o IC, numa nota.

Notas curatoriais

Os curadores basearam-se, para organizar esta exposição e o seu conteúdo, “na experiência de dois viajantes lendários do século XVI, um do Ocidente e outro do Oriente: o português Fernão Mendes Pinto e o chinês Xu Xiake”, sendo que, segundo o IC, ambos “mediram o mundo com os próprios passos, transformando as suas observações e experiências de viagem em reflexões filosóficas sobre a vida”.

A exposição “utiliza a criação artística no lugar de viagens físicas, oferecendo um banquete visual aos visitantes através de 28 peças/conjuntos de obras em diversos suportes”. Descreve-se a possível experiência do visitante, que poderá ser semelhante a “seguir os passos de um viajante, iniciando uma digressão artística de auto-reflexão e exploração do mundo”.

Esta exposição pode ser visitada até ao dia 1 de Março do próximo ano, entre as 10h e as 19h, de forma gratuita. Durante este mês, estarão disponíveis visitas guiadas em cantonense e mandarim, respectivamente às 15h e às 16h, todos os sábados, domingos e feriados, bem como nos dias 23 e 26.

3 Dez 2025

Taipa Village | Exposição de Elizabeth Briel encerra programa de 2025

A exposição “Waves of Influence: Foreign Materialities”, da norte-americana Elizabeth Briel, fecha o programa artístico deste ano da Associação Cultural Taipa Village. A mostra, em exibição a partir de 3 de Dezembro, é composta por um mural, feito de vestuário reciclado, representando os azulejos portugueses que “pintam” Macau de azul e branco

A nova galeria de arte da Associação Cultural Taipa Village acolhe a partir de 3 de Dezembro a mostra “Waves of Influence: Foreign Materialities”, de Elizabeth Briel, encerrando o programa cultural de 2025.

A mostra exibe uma instalação feita em papel, que forma de um mural com impressões dos típicos azulejos brancos e azuis portugueses incorporados na paisagem urbanista de Macau, especialmente em infra-estruturas municipais. O papel usado no mural foi feito a partir da reciclagem de peças de vestuário em ganga e t-shirts.

A associação cultural refere que o trabalho da artista norte-americana, especializada em arquitectura e património, se alinha perfeitamente com as iniciativas da Taipa Village, “que integram arte contemporânea, arquitectura e design de formas inovadoras”. O trabalho “Waves of Influence” foi concluído este ano e exibido num centro de arte em papel na região de Guangzhou, juntamente com obras seleccionadas da sua série anterior, “Impressions: What Lies Beneath Paris & Hong Kong”.

Num comunicado divulgado pela Associação Cultural Taipa Village, a artista explica que a instalação que estará em exibição nasceu das horas que passou a trabalhar no estúdio em Macau, rodeada por porcelana chinesa azul e branca pintada à mão, criada para o mercado de exportação.

“Segui os desenhos intricados da porcelana, lembrando-me dos azulejos portugueses em azul cobalto que vemos nos espaços públicos de Macau e das maneiras como esta forma de arte ligou culturas tão díspares com a chinesa e ocidental”, conta Elizabeth Briel.

Os azuis do delta

A autora começou a encontrar pontos de convergência entre os “azuis que eram a arte dos impérios” e materiais como o papel e a ganga, que também foram transportados entre continentes e séculos através da migração, comércio, do poder e do conflito, e transformados por pessoas de todos os níveis da sociedade à medida que incorporavam estes objectos nas suas vidas”.

Com um olhar sobre as transformações culturais entre os impérios chineses, os califados mediterrâneos e os poderes ibéricos, Elizabeth Briel desenvolveu um interesse especial na forma como estas transições se estenderam à arte com papel e à porcelana azul e branca nos últimos mil anos.

A artista indica ainda que este projecto “surgiu do fascínio pela materialidade dos impérios” e permitiu fazer “uma jornada pessoal do Ocidente à Ásia e vice-versa”. A organização da exposição indica que a pintora e artista gráfica “trabalha principalmente com papel em resposta ao local onde vive, imprimindo directamente a partir da arquitectura, fazendo papel a partir de linho e algodão e criando instalações modulares de papel em grande escala”. O material usado acaba por encapsular significados, como fez, por exemplo, usando papel fustigado por tufões, feito a partir de uniformes miliares ou através da pintura em osso e chumbo.

Nascida na Califórnia e criada em Minneapolis, onde fez um bacharelato em Belas Artes, Elizabeth Briel viveu na Ásia durante duas décadas, antes de se mudar para Paris em 2024. No currículo conta com exposições na Europa, Ásia e Austrália e com os recorrentes regressos ao continente asiático para trabalhar em projectos anuais.

A mostra estará patente no Taipa Village Art Space, na Rua dos Mercadores (29-31), na Taipa, entre 3 de Dezembro e 4 de Fevereiro.

19 Nov 2025

Exposição foca intercâmbio entre China e Portugal desde o século XVI

Foi inaugurada na sexta-feira a exposição “Reflexos das Ligações Marítimas: O Intercâmbio Cultural Sino-Português entre os Séculos XVI e XIX”, que estará patente ao público, no quarto piso Museu de Arte de Macau (MAM), entre 15 de Novembro e 8 de Março do próximo ano.
A mostra é composta por uma selecção de 177 peças e conjuntos do acervo do Museu do Palácio, de instituições culturais portuguesas e do Instituto Cultural.
“Dividida em três secções – ‘Aurora da Rota da Porcelana’, ‘Intercâmbio Cultural em Porcelana’ e ‘Diálogos entre Cortes’ –, a exposição revela de forma abrangente as diversas vertentes do intercâmbio cultural entre a China e Portugal através da Rota Marítima da Seda, entre os séculos XVI e XIX, abrangendo desde o comércio privado até às relações oficiais.”
O Instituto Cultural destaca a “posição singular” de Macau no intercâmbio cultural entre a China e o Ocidente.
As peças em exibição incluem cerâmicas de exportação escavadas em Macau, bem como exemplares produzidos e preservados na China e em Portugal, testemunhando a fusão e a aprendizagem mútua entre as duas culturas nesse período.
Segundo o Governo, a exposição foi enriquecida com uma zona multimédia interactiva, projecções panorâmicas e áudio guias acedidos por código QR.

Coisas para fazer
Durante todo o período em que a exposição estará patente serão organizadas actividades promocionais, educativas e lúdicas. Neste último aspecto, serão promovidos “jogos com prémios, que darão aos participantes a oportunidade de ganhar produtos culturais e criativos de edição limitada, como a “chávena de porcelana Guangcai pintada a ouro com motivos de pássaros e flores pintada à mão por Lei Iat Po”, o “íman de frigorífico do fragmento de porcelana azul e branca com padrão de fénix” ou cartões coleccionáveis especiais.
A exposição é organizada conjuntamente pelo Instituto Cultural do Governo da RAEM e pelo Museu do Palácio, co-organizada pelo Museu Nacional de Arte Antiga, pela Fundação Oriente e pela Biblioteca da Ajuda, com o apoio da Fundação Macau, da Direcção dos Serviços de Turismo e do Jornal Macao Daily News. A entrada é gratuita.

10 Nov 2025

Art Macao | O percurso do pintor Wu Li contado em “A Torre de Jacone”

O programa da “Art Macao: Bienal Internacional de Arte de Macau” tem em destaque a exposição “A Torre de Jacone”, que foi inaugurada na sexta-feira e remete para a história de Wu Li, pintor, poeta e calígrafo, mais tarde tornado padre, em Macau. Até 16 de Novembro, pode-se ver, na Travessa dos Poços, o trabalho de vários artistas com curadoria de Feng Yan e Cindy Ng Sio Ieng

 

Há novidades no programa da “Art Macao: Bienal Internacional de Arte de Macau”, um evento que desde o Verão tem trazido à cidade diversos eventos e exposições, pautando-se pela diversidade de temas, estilos e lançamentos.
Desta vez há uma nova exposição para ver. Trata-se de “A Torre de Jacone”, inaugurada na última sexta-feira, na Travessa dos Poços, onde pode ser vista até ao dia 16 de Novembro.

Com trabalhos assinados por Jiang Jun, Lei Fong Ieng, Liu Xiangbo, Loi Nok Man, Ng Sio Ieng e O Chi Wai, esta mostra “tem como ponto de partida espiritual a viagem europeia não concretizada de Wu Li”, que viveu entre 1623 e 1718. Wu Li é uma figura histórica de Macau, com percurso como pintor no início da dinastia Qing, assinando obras como Mojing Daoren, que acabou por ser converter ao catolicismo.

Um dos detalhes peculiares passa pelo local escolhido para a instalação da mostra, um edifício independente na Travessa dos Poços, a “historicamente rica Rua dos Curtidores de Macau, o antigo local da Aldeia do Poço de Água Fria, a primeira residência de Wu Li em Macau”.

Nesta mostra, apresentam-se “três enquadramentos conceptuais”, nomeadamente “O Olhar do Tempo”, “Desconstrução e Reconstrução” e “Empoderamento Emocional”, combinando “a resiliência cultural única de Macau com o conceito da modernidade líquida do sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman. Pretende-se “explorar como as mudanças contemporâneas nas crenças espirituais permitem a Macau gerar novas transformações criativas a partir de interstícios culturais”.

Entre Macau e Roma

No que diz respeito ao leque de artistas, “a exposição reúne criadores interdisciplinares de Macau e do Interior da China para revitalizar a comunidade urbana antiga através de instalações, vídeos e artes performativas”. Faz-se, assim, o aproveitamento “do próprio espaço arquitectónico, criando-se uma plataforma de diálogo cultural que funciona como ponto de convergência de espíritos artísticos, reconfigurando a memória cultural de Macau”.

Citado por outra nota oficial, Feng Yan, curador da exposição, explica que “há mais de três séculos, o pintor de renome Wu Li, que esteve no activo entre o final da dinastia Ming e o início da dinastia Qing, chegou a Macau, instalando-se na Aldeia do Poço de Água Fria. Embora tivesse planeado viajar para Roma, acabou por permanecer em Macau durante três anos”.

O curador explica que Wu Li olhou Macau como “uma cidade onde as culturas chinesa e ocidental se misturavam”, tendo-se tornado um local importante para “a fase de transição da sua vida”. “Foi aqui que o espírito refinado dos literatos se fundiu com a sua profunda espiritualidade, dando origem a trocas artísticas e culturais da primeira globalização”, adiantou o curador.

O espaço onde Wu Li viveu acabou por ser restaurado e recuperado por outra artista de Macau, de nome Veronica [Veronica Lei Fong Ieng], foi então que Feng Yan percebeu que aquele seria o local ideal para expor “Torre de Jacone”.

Entre a história e a IA

Cada artista apresenta a sua própria perspectiva deste tempo e da vida de Wu Li. No caso de Jiang Jun, natural de Pequim, foi escolhida a obra “Sonetos de Dados”, que “utiliza a poesia de Wu Li como base para gerar novos textos visuais através de algoritmos de inteligência artificial, unindo genes históricos e contextos contemporâneos”.

Depois, de Xangai, Liu Xiangbo traz “Sanctus Cross”, onde se “remodela a música sacra de Wu Li em tijolos de papel, criando-se símbolos concretos de fé junto a tijolos reciclados”. Há também “100×100: Vessel”, em que Liu Xiangbo coleccionou “informações do antigo cemitério de Wu Li em Xangai”, transportando-as depois para Macau.

Já Veronica Lei Fong Ieng apresenta “Rose Veneration”, onde se utiliza cera, madeira e folhas de estanho para construir uma peça que estabelece “um diálogo espiritual com Wu Li através do tempo e do espaço”. Cindy Ng Sio Ieng, natural de Macau, apresenta “Flowing Polyphony”, onde “os genes divinos dos vitrais das igrejas dançam com a tinta chinesa abstrata sob a luz natural, transformando-se em emoções visuais do espaço”. A artista apresenta também “Subcloud Void”, que “traduz dados meteorológicos locais em algoritmos fluidos que apresentam o fluxo digital da tinta, criando um espaço de cura espiritual”, e ainda “Pupil of Light Quantity”, onde a artista “estende os experimentos criativos com tinta para as dimensões da luz e do espaço, refractando uma ordem dentro do caos num ambiente fechado”.

Também de Macau, o artista O Chi Wai criou “Scattered Divinity: Between Data and Flesh”, onde se recorre a “12 estados actuais da existência humana como amostras”, em que as imagens distorcidas “são então formadas por erros dinâmicos em digitalizações 3D [três dimensões]”.

Com assinatura de O Chi Wai temos também “Unwritten Prayers”, onde se “desconstrói e reorganiza diversos símbolos de fé e imagens 3D de espaços sagrados, apresentando-os no local da exposição, em eco com a ressonância contemporânea do multiculturalismo e da memória histórica de Macau”.

Por último, Loi Nok Man, também de Macau, apresenta nesta mostra “Sonic Resonance Topography”. Aqui destacam-se “performances vocais da artista que, em tempo real, geram visuais dinâmicos através de um microfone, com ondas sonoras intangíveis criando projecções visuais em fluxo”. Com assinatura de todos os artistas há ainda a obra “Summit of Light”, que recorre a “fluxos de luz e sombra para reconfigurar a dimensão divina do quotidiano, continuando a narrativa de Wu Li na nossa cidade”.

22 Set 2025

Exposição | Susana Gaudêncio e Carla Castiajo no Albergue SCM

“Aqueles que nos querem falar”, exposição patente no Albergue da Santa Casa da Misericórdia, junta trabalhos de duas artistas portuguesas que trabalham materiais distintos com mensagens muito próprias. Carla Castiajo tem formação em joalharia e faz peças com cabelo humano, enquanto Susana Gaudêncio opta por trabalhar questões políticas e da linguagem. Um casamento artístico bem-sucedido

 

Na cabeça de Mafalda Santos, curadora da exposição “Aqueles que nos querem falar”, patente no Albergue da Santa Casa da Misericórdia (SCM) até ao dia 30 de Setembro, fez sentido casar as peças de Susana Gaudêncio com as de Carla Castiajo e formar uma espécie de unidade criativa pousada sobre algumas diferenças.

O HM conversou com ambas as artistas no sentido de perceber diferenças e semelhanças entre Susana Gaudêncio, uma artista portuguesa contemporânea com formação feita em Lisboa e Nova Iorque, e Carla Castiajo, mais virada para a joalharia, e que um dia percebeu que podia fazer arte com fios de cabelo humano.

“O que se estabelece desde logo é a ideia de que ambas fazemos objectos em que há sempre uma relação implícita com o corpo”, começa por dizer Carla Castiajo, que levou a Macau trabalhos que remetem para a ideia de uma conexão com o corpo.

“Muitos dos objectos dá para colocar no corpo, e no fundo o cabelo é sempre algo retirado de um corpo, ou que sai do corpo, e a partir do momento em que é cortado pode-se transformar em material, que depois eu trabalho. Esse objecto que construo tem sempre o potencial de ser novamente colocado no corpo, criando-se novos diálogos”, explica a artista.

Carla Castiajo apela a que o público veja de perto as peças patentes no Albergue para poder criar uma relação próxima com aquilo que é exposto, e que vai muito além das redes sociais e das fotografias desses mesmos objectos. “É muito importante ver a exposição pessoalmente porque as imagens nunca conseguem captar o cabelo como material. Cada vez há mais pessoas que vêem os objectos através das redes sociais e muitas vezes não se deslocam para ver os trabalhos, mas no caso específico do meu trabalho é importante observar aquilo que provoca.”

E as reacções face a fios de cabelo que já tiveram vida podem ser muitas, desde surpresa até a medo. “É um trabalho com muitos contrastes e é um material que tanto é atractivo como repulsivo. É um material bastante íntimo, mas que está entre a vida e a morte, porque é considerado um material morto, mas também tem uma parte viva, porque está conectada com a cabeça, sendo o cabelo muito usado em rituais de purificação, por ser considerado um material sujo. Há pessoas que têm fobia do cabelo, que querem tocar, e outras que não o conseguem fazer. Mas nunca ficam indiferentes a algo que já não pertence ao corpo de origem”, explicou.

Histórias do cabelo

Carla Castiajo fez diversas formações em joalharia e seguiu a carreira académica, tendo um doutoramento feito na Estónia em que explora, precisamente, o uso do cabelo como material para fazer arte. A tese de doutoramento intitula-se “Purity or Promiscuity? Exploring Hair as a Raw Material in Jewellery and Art”.

Tudo começou quando Carla procurava um tecido muito fino, acabando por perceber que era possível moldar o cabelo construindo outras formas.

“Estava na minha mesa de trabalho, caiu-me um fio de cabelo e decidi experimentar. Percebi que o fio era bastante resistente e resultou bastante bem. Esse foi o primeiro impulso, o descobrir a potencialidade inerente ao material.”

Carla Castiajo descreve “o simbolismo e potencial” ligados ao cabelo humano, algo que “foi bastante utilizado em joalharia no século XIX e como fio para bordar”.

“Se virmos, o cabelo é um fio, mas está cheio de significados, e mesmo na ausência percebe-se que teve alguma existência. Há algo anterior que está implícito, é um cabelo que veio de alguém com a sua própria identidade e que tem memória”, acrescentou.

Aliás, “no século XIX o cabelo era muito usado como forma de preservar a memória de alguém querido ou da pessoa amada”, frisou a artista.

Simbologia do gesto

No caso de Susana Gaudêncio, que levou duas peças para esta mostra, “Duelo-Dilema” e “Abracadabra”, houve a preocupação de “identificar gestos e formas que falem de questões políticas”, em que se “invoca e revela um potencial encantatório da linguagem e da imagem, como instrumentos de persuasão”, contou a artista ao HM.

Em “Abracadabra”, um trabalho de animação, Susana Gaudêncio trabalhou com imagens de “vídeos de políticos a discursar”. “Olhei sobretudo para os gestos das suas mãos. Depois fiz um vídeo e imprimi cada frame, pelo que foi um processo evolutivo entre o analógico e o digital. Imprimi todos os frames, voltei a desenhar e a pintar, para descobrir mais, a partir do desenho e da pintura, movimentos que nem sempre estão tão óbvios. Esse filme fala sobre isso, sobre essa encenação política do gesto quando se fala”, explicou.

Por sua vez, “Duelo-Dilema” é uma instalação com 65 esculturas em gesso, “tantas quantas as letras do poema mágico Abracadabra”, com origem hebraica, pelo que aqui há uma interconexão entre as duas peças, trabalhando-se os gestos e fazendo-se “uma espécie de acto performativo da construção do poema através de pequenos objectos”, que são ainda “formas que evocam símbolos”.

Susana Gaudêncio, também com uma carreira académica ligada à Universidade do Minho, interessa-se pelas chamadas “máquinas de imaginar”, algo que descreve como sendo “uma espécie de sinónimo da utopia”, a possibilidade de imaginar novas coisas e não “tanto a coisa concretizada”.

Há, portanto, no trabalho de Susana Gaudêncio “o impulso de olhar para as coisas como se fosse a primeira vez, ou de tentar imaginar sempre a partir do real onde vivemos, e a partir daí podermos imaginar outras coisas, a partir do nosso presente”.

Licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, Susana Gaudêncio fez depois um mestrado em Belas-Artes onde teve a possibilidade de abrir os seus próprios horizontes. “O que Nova Iorque me deu foi ferramentas para olhar as coisas com uma perspectiva e pensamentos críticos. E quando falo em crítico falo da ideia de colocar as coisas em crise, o que questionar. Senti que em Portugal não conseguia obter todas as ferramentas necessárias para poder fazê-lo.”

27 Ago 2025

Zheng Xincong realça papel de Macau na Guerra de Resistência

Na cerimónia de inauguração da “Exposição Temática pela Libertação Nacional e pela Paz Mundial-Comemoração do 80.º Aniversário da Vitória da Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e da Guerra Mundial contra o Fascismo”, Zheng Xincong argumentou que “a história é o melhor livro didático e também a melhor alerta”.

O subdirector do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado e director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau começou por sublinhar que os comunistas chineses se destacaram “como os defensores e praticantes mais firmes do espírito patriótico” durante a guerra contra os invasores japoneses. “As suas propostas políticas, determinação firme e acções exemplares, tornaram-se o núcleo forte que lidera o povo chinês na luta pela independência nacional e libertação do povo”, acrescentou o líder do Gabinete de Ligação.

Zheng Xincong destacou “a decisão importante tomada este ano pelo Comité Central do Partido Comunista Chinês de realizar grandiosas actividades comemorativas” e “recordar a história, homenagear os heróis falecidos, promover o grandioso espírito patriótico e o grandioso espírito da Guerra de Resistência”. O político apontou que o conflito pode servir para “reunir poderosas forças para avançar com a construção de um país forte e a grande revitalização da nação através da modernização chinesa”. A posição de Macau, “embora pequeno” em termos geográficos, foi também vincada por “nunca estar ausente”.

Do passado ao futuro

“Os amplos compatriotas de Macau empenharam-se com todo o coração na salvação nacional, seja indo decididamente para a frente de batalha para combater corajosamente e obter feitos meritórios, seja dedicando-se ao auxílio de refugiados e doando activamente fundos e materiais”, lembrou o director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau.

Além de salientar a participação de figuras históricas de Macau na luta contra os japoneses, Zheng Xincong evocou o papel do território no futuro. “Espera-se que todas as comunidades de Macau aprendam profundamente o espírito consagrado nos discursos importantes do Presidente Xi Jinping, herdem e desenvolvam o grande espírito da resistência contra a agressão”, indicou o responsável.

26 Ago 2025

História | Sam Hou Fai inaugura mostra sobre guerra contra o Japão

Foi ontem inaugurada no edifício do Fórum Macau a Exposição do 80.º Aniversário da Vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e na Guerra Mundial Antifascita. O Chefe do Executivo enalteceu o contributo de “compatriotas de Macau” e apelou ao fortalecimento do patriotismo

 

Foi inaugurada ontem a “Exposição do 80.º Aniversário da Vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e na Guerra Mundial Antifascita”, que reúne fotografias que retratam “o árduo percurso de 14 anos do povo chinês pela libertação nacional”. A mostra está patente no edifício do Fórum Macau até 24 de Setembro.

Na cerimónia de inauguração, o Chefe do Executivo enalteceu a “coragem inigualável” e “determinação inabalável” do povo chinês na luta contra a invasão japonesa, assim como dos “povos do mundo” na II Grande Guerra Mundial.

O discurso de Sam Hou Fai teve como foco os contributos dos “compatriotas de Macau” que “desempenharam um papel insubstituível e único”, conscientes de que a “ascensão e queda da nação” dizia respeito a todos. O governante destacou a coragem do General Ye Ting, o músico Xian Xinghai, ambos com espaços na península que comemoram as suas memórias, e os jovens Lin Yao, Liang Jie e Liao Jintao, “que deixaram Macau pelos campos de batalha”. Entre os resistentes homenageados por Sam Hou Fai, destaque para Ke Lin, que dirigiu uma equipa do Hospital Kiang Wu nos cuidados a feridos em combate, e que foi avô da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam.

Além da exposição de fotografia, o Governo da RAEM entregou medalhas comemorativas a residentes familiares de alguns soldados que morreram em batalhas contra os japoneses.

Livro de história

Depois de realçar a “frente unida” que o Partido Comunista da China montou para repelir a agressão nipónica, Sam Hou Fai apontou o papel que Macau desempenhou após a ocupação de Guangzhou e Hong Kong. Pese embora Macau ter sido cercada, “graças à sua posição única e aos esforços de todas as esferas da sociedade, tornou-se porto de abrigo para centenas de milhares de compatriotas e refugiados que chegavam das áreas vizinhas”, afirmou.

A partir daí, Macau “tornou-se um canal importante para romper o bloqueio, recolher e transportar mantimentos, além de ser estação de transbordo para resgatar celebridades culturais e patriotas presos em Hong Kong”.

Como não poderia deixar de ser, o patriotismo fez parte do discurso do Chefe do Executivo da RAEM. Sam Hou Fai salientou que o marco dos 80 anos ainda hoje uma “importante força espiritual”, “na nova jornada de construção de um grande país e de revitalização nacional” e uma via para “fortalecer a crença no patriotismo e no amor a Macau”.

Como tal, o Chefe do Executivo indicou como essencial a missão de “zelar pela defesa do princípio «um país» e aproveitar as vantagens do segundo sistema”.

25 Ago 2025

Fotografia | Exposição sobre Soong Ching-ling para ver em Hong Kong

O Hong Kong Fringe Club acolhe este mês uma exposição de fotografia dedicada a Soong Ching-ling, a mulher que foi vice-presidente da República Popular da China e casada com Sun Yat-sen, o grande revolucionário republicano. “China is Unconquerable — A Photography Exhibition: Soong Ching Ling in the Chinese People’s War of Resistance Against Japanese Aggression and the World Anti-Fascist War” é o nome da mostra

 

No ano em que passam 80 anos sobre a vitória da China sobre a invasão japonesa em contexto da II Guerra Mundial, o Hong Kong Fringe Club apresenta uma exposição de fotografia que conta parte dessa história na figura de Soong Chi-ling. A mostra chama-se “China is Unconquerable — A Photography Exhibition: Soong Ching-ling in the Chinese People’s War of Resistance Against Japanese Aggression and the World Anti-Fascist War” e está patente numa das galerias do Fringe Club entre os dias 21 e 24 de Agosto.

Soong Chi-ling foi uma das três irmãs Soong, um núcleo familiar bastante importante no início do século XX na China pelo poder financeiro da família e pelas ligações aos nacionalistas. Soong Chi-ling foi casada com Sun Yat-sen, considerado o pai da China moderna e um dos grandes participantes e estrategas da revolução republicana de 1911, mas anos mais tarde aderiu ao comunismo, tornando-se vice-presidente da República Popular da China.

A ideia desta exposição é, como o nome indica, lembrar os 80 anos da vitória dos chineses sobre os japoneses no contexto da II Guerra Mundial, uma ocupação que gerou uma enorme vaga de refugiados oriundos do sul da China com destino a Macau e Hong Kong. A Guerra Sino-Japonesa, que decorreu entre os anos de 1937 e 1945, ficou também conhecida como a “Guerra da Resistência Contra a Agressão Japonesa”.

“Esta exposição vai reproduzir vividamente as grandes contribuições de Soong Ching-ling durante a Guerra da Resistência Chinesa Contra a Agressão Japonesa através de detalhadas imagens e materiais”, lê-se na descrição da exposição nas redes sociais.

Do contra

A vida das irmãs Soong esteve tão interligada aos movimentos políticos e sociais que marcaram a China dos primórdios do século XX que deu mesmo origem a um livro. Jung Chang escreveu “As Irmãs Soong: a Mais Velha, a Mais Nova e a Vermelha – As três mulheres que marcaram a China do século XX”, obra editada em Portugal, e que conta precisamente o percurso diferenciador feito por Soong Ching-ling, que casou ainda jovem, com apenas 26 anos, com Sun Yat-sen, sendo a sua segunda esposa. Dele ficou viúva, ganhando dessa forma um estatuto próprio na China republicana e mesmo depois na China comunista, já depois de 1949.

Soong Ching-ling nasceu em Xangai em 1893, e faleceu em Pequim em 1981, tendo estudado nos EUA como todas as irmãs. Numa primeira fase, apoiou o partido Kuomitang, mas depois voltou-se para o comunismo, tendo vivido durante dois anos na então União Soviética. Jung Chang descreve-a na obra biográfica como sendo a “irmã vermelha”, por ser a única que seguiu este caminho político.

No contexto da defesa do território chinês contra a invasão e ocupação japonesas, Soong Ching-ling organizou a Liga de Defesa Chinesa, onde realizou trabalho social e de apoio médico aos mais necessitados, sobretudo nas zonas do país controladas pelo Partido Comunista Chinês. No livro de Jung Chang descreve-se como a adesão de Soong Ching-ling ao comunismo a afastou da família, que se manteve sempre ligada aos ideais nacionalistas, até porque a irmã, Soong Mei-ling, estava casada com Chiang Kai-shek, líder do Kuomitang.

14 Ago 2025

“Art Macao” | Galeria HWA apresenta trabalho de Zhang Zhanzhan

A “Art Macao – Bienal Internacional de Arte de Macau 2025” chegou à cidade e com ela várias iniciativas culturais. Uma delas é a nova exposição patente na Galeria HWA, no Lisboeta Macau, que revela o trabalho do artista Zhang Zhanzhan. “Hi, Luck!” fica patente até Setembro

 

É em torno da temática da sorte que gira a nova exposição da Galeria HWA, patente no Lisboeta Macau. “Hi, Luck!”, com trabalhos de Zhang Zhanzhan, integra a edição deste ano da “Art Macao: Bienal Internacional de Arte de Macau 2025” e fica disponível para visitas do público até Setembro.

Segundo uma nota oficial sobre o evento, esta exposição realiza-se em parceria com a ArtDeport e apresenta o trabalho do conhecido artista contemporâneo chinês. Esta é uma das “exposições colaterais” da bienal, que tem como tema “Ei, o que o traz aqui?”, explorando as ideias de “ver, aproveitar e abraçar a sorte da arte que transforma o caos da vida de uma forma significativa”.

Segundo a mesma nota, o artista “é conhecido pela sua profundidade filosófica e visão inovadora”, sendo que as colecções e exposições que tem realizado em toda a Ásia “são observações da vida quotidiana com contemplação existencial, mostrando a fusão característica de Zhang entre brilhantismo visual e ressonância intelectual para apresentar a sorte como uma experiência humana significativa”.

Para aí virado

Segundo a página oficial da “Art Macao”, Zhang Zhanzhan acredita que “a sorte não é um presente fortuito, mas uma disposição de espírito marcada por uma consciência aguçada, uma busca activa e um acolhimento sincero na vida quotidiana.”

Desta forma, as obras presentes na Galeria HWA “capturam fragmentos do tempo, guiando-o a ‘ver a sorte’ — o brilho subtil na neblina matinal”, ou ainda a “agarrar a sorte”, explorando a ideia de um “voo em encontros fugazes”, ou ainda a “abraçar a sorte”, em que o público pode, ao visualizar os trabalhos artísticos, “entrelançar o calor da vida numa ressonância harmoniosa com o mundo”.

Assim, nesta exposição, “a arte serve como uma lanterna, iluminando o significado no caos e explorando, em conjunto, a verdadeira essência da sorte”.

Zhang Zhanzhan nasceu em Hebei, em 1982, tendo-se formado na Escola de Belas Artes da Universidade de Artes de Nanjing em 2008. Uma das exposições mais recentes que realizou foi em 2023, com o nome “Out Of This World”, patente no Museu de Arte Contemporânea de Yinchuan. No ano anterior, o artista estreou “Post-me Generation: How to Write About Young Artists”, em Pequim. No ano passado, e também em Pequim, Zhang Zhanzhan realizou “You’re Always on My Mind” no conhecido Distrito de Arte 798 de Pequim.

23 Jul 2025

Taipa Village | Leques pintados por Chao Iok Leng em exposição

A exposição “Chinese Foldable Fan Paintings por Chao Iok Leng” é inaugurada hoje na Taipa Village Art Space, apresentando ao público a expressão estética da artista baseada em Macau, que nesta mostra saiu do confinamento restrito da tela para um objecto do dia-a-dia: o leque dobrável.
Numa altura em que as ventoinhas portáteis se tornaram num objecto omnipresente, a expressão artística de Chao Iok Leng é uma abordagem refrescante à tradição das pinturas de leques dobráveis chineses com uma técnica inegavelmente hábil utilizando tinta da China.
A colecção de leques pintados representa uma “rara intersecção de função e beleza, em que a função de arrefecimento é acentuada pela impressão artística no seu delicado papel”, refere a organização da mostra. “Esta exposição procura reabastecer o nosso quotidiano com um objecto exótico enraizado na cultura chinesa antiga e na apreciação do sublime”, é acrescentado pela organização da exposição.
Nesta mostra, Chao Iok Leng adornou a folha dos leques com imagens inspiradas em motivos florais (com hostas, glicínias, peónias, magnólia, ameixas e lótus), frutos (romã e líchia) e legumes (couve, pimento, lenteinhas). Também aparecem representações de animais, com insectos e algumas aves, realça o curador da mostra João Ó.
Cada pintura é acompanhada por uma inscrição ou um pequeno poema que acrescenta um contexto adicional, revelando a visão emocional da artista durante a criação.
No comunicado da organização que apresenta a exposição, a artista é citada explicando que “estes não são géneros de ‘naturezas mortas’, mas retratam elementos vivos que vemos no nosso quotidiano, mas que raramente apreciamos”.

Retrato da artista
Chao Iok Leng, originária de Nanhai, Guangdong, viveu em Macau durante a maior parte da sua vida e, desde a infância, tem um profundo e vasto interesse pela arte. No início dos anos 70, estudou com Guan Wanli, aprendendo a pintura meticulosa de flores e pássaros, e mais tarde estudou pintura ocidental com Li Lun, misturando os estilos oriental e ocidental.
No final da década de 1970, mudou-se para Hong Kong, onde estudou pintura de flores e pássaros e pintura de paisagem com Luo Zuishan e aprendeu caligrafia com Liang Zijiang.
Depois de regressar a Macau, estudou pintura chinesa e ocidental com Zhao Weifu e saía frequentemente para desenhar com os seus pares. Na década de 1980, estudou técnicas de pintura Lingnan com Zhao Shaoang e viajou para Pequim para aprender a pintura meticulosa de flores e pássaros com Xu Junxiu.
Chao Iok Leng é vice-presidente da Associação de Caligrafia e Pintura Yi Un de Macau, conselheira académica da Associação de Cultura e Artes Chinesas de Macau, conselheira artística da Associação de Cultura e Arte de Macau, conselheira honorária da Associação Internacional de Mulheres Artistas de Macau e membro da Sociedade de Artistas de Macau.
Em 1987, realizou a sua primeira exposição individual no Museu Luís de Camões de Macau, com obras coleccionadas pelo museu. Em 1996, foi convidada pela Direcção dos Serviços de Turismo para realizar uma exposição de pinturas chinesas intituladas “O Encanto do Lazer”, e participou em inúmeras exposições conjuntas tanto a nível local como internacional.
A exposição “Chinese Foldable Fan Paintings por Chao Iok Leng” estará patente ao público até 17 de Setembro e é patrocinada pelo Fundo de Desenvolvimento da Cultura.

16 Jul 2025