Índia | Anunciado plano para formar 10 milhões de jovens em IA em um ano

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anunciou sábado o lançamento de uma iniciativa nacional para formar 10 milhões de jovens em inteligência artificial (IA) nos próximos 12 meses, para posicionar o país na liderança tecnológica.

“Ao longo do próximo ano, trabalharemos para oferecer formação em competências de IA a 10 milhões de jovens, para que a juventude da Índia também tenha capacidade de liderar no mundo da IA”, afirmou o líder do Governo, em Nova Deli, durante o seu discurso que assinalou o 80.º Dia da Independência. A iniciativa procura transformar o modelo de produção da nação asiática e faz parte do roteiro económico através do qual a Índia pretende tornar-se uma nação plenamente desenvolvida até 2047.

“Não devemos simplesmente transformar o nosso país num mercado para o mundo, devemos tornar-nos um polo de inovação”, afirmou Modi. Segundo o dirigente, o ecossistema do gigante asiático deverá assumir a liderança global nas tecnologias emergentes.

O chefe de Governo associou o avanço na IA à implementação de uma infraestrutura digital pública alargada e ao fortalecimento de sectores estratégicos, como os semicondutores, a computação quântica e as redes 6G de produção nacional.

Para esta transição — que exigirá “quantidades enormes de electricidade” —, a Índia anunciou o objectivo de gerar 100 gigawatts de energia nuclear até 2047, em paralelo com a expansão da energia solar.

Actualmente, “vivemos a era da IA, da tecnologia quântica, do espaço, da robótica e dos centros de dados. Abriu-se um domínio totalmente novo”, prosseguiu o governante.

O interesse de Nova Deli pela IA é também impulsionado pela doutrina da auto-suficiência económica promovida pelo Governo de Modi, que procura transformar a Índia num importante polo global de processamento de dados e fabrico de microchips, de forma a reduzir a dependência de fontes estrangeiras.

17 Ago 2026

Índia | Ministro da Educação demite-se após semanas de protestos

O ministro da Educação da Índia demitiu-se ontem, após semanas de protestos devido a alegados fugas de informação nos exames de admissão no Ensino Superior mais competitivos do país e a irregularidades no sistema educativo.

Segundo avança a agência de notícias Associated Press (AP), a saída de Dharmendra Pradhan foi a primeira concessão do governo do primeiro-ministro, Narendra Modi, depois de o movimento “Partido das Baratas” ter realizado semanas de manifestações, ocupações e greves de fome a nível nacional a exigir aquela demissão.

Os manifestantes estão há um mês acampados num local designado para protestos, a poucos quilómetros do parlamento, tendo o movimento crescido muito após um conceituado engenheiro e ativista ambiental Sonam Wangchuk ter iniciado uma greve de fome em resposta a um escândalo nacional de venda ilegal das provas do exame de acesso aos cursos de medicina e medicina dentária.

O caso culminou na anulação dos exames de milhões de candidatos e deu azo a relatos de muitos suicídios de estudantes.

Estas manifestações tornaram-se um dos sinais mais visíveis da oposição pública ao governo de Modi nos últimos anos, com milhares de pessoas a regressarem às ruas mesmo após a polícia ter utilizado gás lacrimogéneo e bastões para dispersar, no início desta semana, os manifestantes que tentavam chegar ao Parlamento.

27 Jul 2026

Confrontos na Índia entre polícia e jovens que exigem demissões no Governo

Milhares de famílias e jovens indianos tentaram ontem marchar até ao parlamento para exigir a demissão do ministro da Educação, mas foram alvo de gás lacrimogéneo e bastonadas quando tentaram romper as barricadas de segurança.

Os manifestantes, apoiantes e membros do “Partido das Baratas” – um movimento satírico da Geração Z indiana que surgiu como resposta a uma declaração do presidente da Supremo Tribunal na qual comparou os jovens desempregados a baratas –, entoaram palavras de ordem contra o ministro da Educação e contra o primeiro-ministro, Narendra Modi.

A polícia disparou gás lacrimogéneo e atacou os manifestantes com bastões depois de estes terem tentado romper as barricadas que cercavam o local do protesto, no centro de Nova Deli, marcando um dos confrontos mais graves até à data na campanha do movimento contra o Governo.

Os manifestantes estão, há um mês, acampados num local designado para protestos, a poucos quilómetros do parlamento, tendo o movimento crescido muito depois de um conceituado engenheiro e activista ambiental, Sonam Wangchuk, ter iniciado uma greve de fome em resposta a um escândalo nacional de venda ilegal das provas do exame de acesso aos cursos de medicina e medicina dentária.

O caso culminou na anulação dos exames de milhões de candidatos e deu azo a relatos de muitos suicídios de estudantes.

Wangchuk apoia o movimento estudantil e o chamado “Partido das Baratas” na exigência da demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, e reformas estruturais urgentes no setor.

A atenção aumentou ainda mais no sábado, quando a polícia levou o activista à força para o hospital.

Antes da marcha de ontem, Wangchuk disse que terminaria a sua greve de fome de quase três semanas se o Governo assumisse a responsabilidade pelas falhas no sistema educativo e pelas fugas de provas ou se os manifestantes tivessem permissão para entrar ao parlamento e os deputados se comprometessem a abordar as questões em ambas as câmaras.

A polícia de Deli garantiu, no entanto, que a manifestação não tinha sido autorizada e que eram necessárias restrições para manter a ordem pública em torno do parlamento durante a sessão de Inverno, que começou ontem.

 

Divisões internas

Apesar e tudo, o episódio parece ter resultado na primeira aproximação do Governo aos líderes dos protestos, já que o porta-voz do “Partido das Baratas”, Saurav Das, anunciou ter estado, em conjunto com outro representante, reunido com o ministro da Saúde, J.P. Nadda. O Governo não confirmou a reunião.

Líderes importantes do Governo de Modi adoptaram uma linha dura contra o movimento, com Pradhan a acusar os manifestantes de agirem contra a nação, enquanto outros ministros reconheceram as preocupações dos estudantes, mas insistiram que não há necessidade de conversas ou negociações com o partido.

Os protestos tornaram-se um raro desafio público ao Governo nacionalista hindu de Modi, que cumpre o seu terceiro mandato, atraindo o apoio de partidos da oposição, activistas dos direitos humanos e algumas celebridades de Bollywood.

Os manifestantes dizem que o espaço para a dissidência diminuiu sob o Governo de Modi, que tem sido criticado por reprimir protestos públicos, prendendo activistas e, em alguns casos, usando repressão policial violenta.

21 Jul 2026

Activista indiano levado para hospital após 20 dias de greve de fome

O activista indiano Sonam Wangchuk foi levado à força sábado para um hospital após 20 dias de greve de fome em protesto contra o sistema de exames de acesso a Medicina.

Wangchuk, de 59 anos, está em sem comer desde 28 de Junho para exigir a demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, acusado de uma fraude que levou, em Maio, à anulação de um exame realizado por dois milhões de candidatos a estudantes de medicina.

De acordo com a imprensa local, essa anulação provocou o suicídio de vários candidatos.

Nas últimas semanas, várias centenas de estudantes juntaram-se a Wangchuk em torno do palco que montou no Jantar Mantar, um monumento da capital, Nova Deli.

“De acordo com as ordens do (…) Supremo Tribunal e por recomendação médica, devido à deterioração do estado de saúde de Sonam Wangchuk, este foi transferido para o hospital para receber os cuidados médicos indispensáveis”, declarou o comissário-adjunto da polícia de Deli num comunicado.

Um vídeo gravado em Jantar Mantar mostrou a confusão que reinava entre alguns apoiantes de Wangchuk presentes no local durante a manhã, enquanto agentes da polícia, munidos de lençóis brancos, o retiravam apressadamente do palco.

“Embora cumprissem as ordens (…), os manifestantes tentaram criar obstáculos, o que provocou uma ligeira agitação”, acrescenta-se no comunicado.

 

Outras críticas

Outras manifestações foram organizadas pelo movimento satírico ‘online’ Partido do Povo das Baratas (CJP, na sigla em inglês), que acabara de surgir nas redes sociais.

Este partido foi fundado por um estudante indiano recém-licenciado pela Universidade de Boston (Estados Unidos), Abhijeet Dipke, em reacção às declarações do presidente do Supremo Tribunal contra os jovens “baratas” e “parasitas” que criticam o Governo.

Ecologista de renome, Sonam Wangchuk é o mais destacado dos grevistas de fome. Libertado em Março, após seis meses de detenção por se ter manifestado a favor da autonomia da região himalaia de Ladakh, juntou-se ao protesto daquele movimento de jovens.

Vários membros dos partidos da oposição manifestaram apoio a Wangchuk e aos activistas estudantis.

O estado de saúde de Sonam Wangchuk deteriorou-se nos últimos dias. Na quinta-feira, um tribunal de Nova Deli ordenou que médicos do Governo vigiassem diariamente o estado de saúde do activista.

20 Jul 2026

Índia | Fortes chuvas fizeram pelo menos 13 mortos

Pelo menos 13 pessoas morreram na Índia nos últimos dias devido às intensas chuvas que atingiram Mumbai e distritos vizinhos, onde foi decretado o encerramento de escolas e restrições ao trabalho.

As autoridades de Mumbai (Bombaim) também recomendaram à população que evitasse deslocações não essenciais.

Mumbai e os distritos de Palghar e Raigad registaram fortes chuvas nos últimos três dias, resultando em treze mortes associadas a incidentes provocados pelo mau tempo, disseram ontem fontes oficiais citadas pela agência de notícias local PTI.

O Departamento Meteorológico da Índia elevou o aviso de chuva para vermelho em Mumbai e arredores, prevendo chuvas muito fortes, ventos intensos e riscos de inundações repentinas, deslizamentos de terra e queda de árvores.

A Autoridade Estadual de Gestão de Desastres solicitou que as empresas privadas em Mumbai permitissem o trabalho remoto sempre que possível, enquanto os funcionários de organismos governamentais de serviços não essenciais foram dispensados do expediente a partir da tarde de ontem.

Escolas e universidades — públicas, municipais e privadas — suspenderam as aulas por motivos de segurança.

As chuvas afectaram também o funcionamento das ligações ferroviárias, das auto-estradas e de outros serviços de transporte em Mumbai, uma cidade com mais de vinte milhões de habitantes que enfrenta frequentemente graves transtornos durante a época das monções.

Há poucas semanas, Mumbai enfrentou uma grave escassez de água nos sete reservatórios que abastecem a cidade.

7 Jul 2026

Supremo Tribunal da Índia ouve vítimas para decidir se proíbe mutilação genital feminina

O Supremo Tribunal da Índia ouviu sexta-feira várias vítimas de mutilação genital feminina no âmbito de um megaprocesso para definir os limites constitucionais da liberdade religiosa em relação aos direitos das mulheres.

Um painel especial de nove juízes, presidido por Surya Kant, examinou a legalidade do ritual praticado na Índia pela minoria xiita, os Dawoodi Bohra. “O que estabelecermos servirá para toda uma civilização, e essa civilização é a Índia. A Índia deve progredir, mas há um costume entre nós que não podemos ignorar, e é isso que nos preocupa”, afirmou uma das juízas.

A origem deste megaprocesso, que teve início formal na quinta-feira, remonta a uma decisão polémica de 2018 sobre o templo de Sabarimala, em Kerala, quando o Supremo Tribunal ordenou o fim da proibição da entrada de mulheres “em idade menstrual”, consideradas impuras pelos sectores mais tradicionais do hinduísmo.

Esta decisão contra uma tradição sagrada hindu desencadeou uma crise social e obrigou o tribunal a avaliar casos tão diversos como o acesso a mesquitas, templos parsis e a própria mutilação genital feminina para decidir se a “moralidade constitucional” está acima dos costumes religiosos.

O processo aborda também o impacto da excomunhão, uma prática que o advogado que representa as vítimas descreveu como “morte civil”, uma vez que priva as pessoas do direito de rezar nas suas mesquitas ou de serem enterradas nos cemitérios.

Actualmente, a Índia não possui uma lei que proíba a mutilação genital feminina, pelo que o Estado utiliza a “falta de dados oficiais” como desculpa para evitar documentar a prática.

Com este megaprocesso, o tribunal quer determinar se uma prática considerada “essencial” por uma religião pode ser invalidada por violar o direito à saúde e à dignidade (artigos 25.º e 26.º da Constituição indiana).

Direitos violados

A sessão de sexta-feira contou com um momento de tensão, quando o advogado que representa a comunidade xiita defensora da prática, Nizam Pasha, tentou justificar a ‘khatna’ (mutilação genital feminina) alegando tratar-se de uma “circuncisão simbólica” destinada a aumentar o prazer sexual das mulheres.

“Do que é que está a falar?! Informe-se melhor. É exactamente o contrário”, afirmou de imediato um dos juízes, enquanto outro realçava que o verdadeiro objectivo do ritual é o “controlo da autonomia sexual das mulheres” e que a Constituição permite censurar costumes quando estão em causa razões de saúde pública.

A reacção dos juízes foi lida como uma demonstração de que os argumentos do advogado das vítimas foram bem recebidos, disse uma das sobreviventes, Massoma Ranalvi, em declarações à agência de notícias espanhola Efe.

O advogado denunciou perante o tribunal que a prática é realizada em meninas de apenas sete anos de idade e provoca uma “alteração irreversível no seu corpo que afectará a sua saúde sexual e reprodutiva”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a mutilação genital feminina como todos os procedimentos que envolvam a remoção parcial ou total dos órgãos genitais externos por motivos não médicos e, tal como outras agências das Nações Unidas, considera a prática como uma violação dos direitos humanos, uma forma extrema de discriminação de género e uma violência contra as crianças, já que a maioria das vítimas tem menos de 15 anos.

Segundo os dados mais recentes da organização, publicados em 2025, mais de 230 milhões de raparigas e mulheres vivas foram submetidas a esta prática em 30 países da África, Médio Oriente e Ásia.

11 Mai 2026

Índia | Dois estados-chave da Índia vão às urnas

Dois importantes estados indianos, Bengala Ocidental (leste) e Tamil Nadu (sul), votaram ontem para eleger os parlamentos locais, que até agora se mantiveram fora do controlo do partido nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi. Mais de 36 milhões de eleitores — de uma população de quase 100 milhões — estão aptos a eleger 294 representantes em Bengala Ocidental, onde a chefe do governo Mamata Banerjee e o partido All India Trinamool Congress estão no poder desde 2011.

A votação decorre em duas fases: 152 lugares serão agora preenchidos e os restantes 142 a 29 de Abril. A campanha eleitoral tem sido turbulenta em Bengala Ocidental, onde a exclusão de nove milhões de pessoas dos registos eleitorais gerou um debate aceso entre os partidos.

A eleição é considerada “muito sensível”, disse o chefe local da comissão eleitoral, Manoj Agarwal. Mais a sul, ao longo da baía de Bengala, os eleitores de Tamil Nadu, cuja população ultrapassa os 80 milhões, elegem 234 representantes.

Neste estado, um dos mais ricos da Índia, o partido no poder, Dravida Munnetra Kazhagam, enfrenta a concorrência do principal rival, o All India Anna Dravida Munnetra Kazhagam, aliado ao Partido Bharatiya Janata, de Narendra Modi. Os resultados das duas eleições são esperados em 04 de Maio.

24 Abr 2026

Índia | Emitido alerta devido a onda de calor com temperaturas até 45°C

O Serviço Meteorológico da Índia (IMD) emitiu um alerta devido a uma intensa onda de calor e avisou que nos próximos três dias, as temperaturas podem atingir valores entre os 40 e os 45 graus.

De acordo com o último relatório do IMD, os termómetros já registaram “valores entre 40°C e 45°C em grande parte do centro e do norte do país, afectando especialmente regiões como Vidarbha, Marathwada e Madhya Pradesh, além de zonas de Uttar Pradesh”.

A temperatura mais elevada do país foi registada na cidade de Allahabad, que chegou aos 44,4 °C. O IMD informou que esta onda de calor teve início a 18 de Abril no estado de Haryana e já afecta a capital, Nova Deli, para onde se tem deslocado progressivamente. Segundo o organismo, a expansão do fenómeno não se limita à zona metropolitana e continua a avançar para o leste e o centro do subcontinente.

Esta trajectória colocou em alerta as autoridades da capital e dos estados vizinhos, que prevêem que o ambiente sufocante na região de Nova Deli e arredores se mantenha de forma persistente pelo menos até ao próximo dia 24 de Abril. Nos últimos anos, a Índia tem enfrentado verões cada vez mais intensos e prolongados, com ondas de calor que têm causado graves problemas de saúde pública e um aumento significativo da mortalidade.

O Centro Nacional de Controlo de Doenças (NCDC) registou 3.812 mortes devido ao calor entre 2015 e 2022, enquanto o Gabinete Nacional de Registos Criminais (NCRB) contabilizou 8.171 no mesmo período e o Serviço Meteorológico (IMD) calculou 3.436.

23 Abr 2026

Índia |Pelo menos oito mortos e oito feridos numa cerimónia religiosa

Pelo menos oito pessoas morreram ontem e outras oito ficaram feridas durante uma cerimónia religiosa num templo hindu do estado de Bihar, no norte da Índia, devido ao calor intenso e excesso de participantes.

“Infelizmente, oito pessoas morreram. Outras oito ficaram feridas e foram transportadas para receberem tratamento, encontrando-se estáveis”, disse o responsável policial local, Kundam Kumar. As autoridades da região informaram que havia uma maioria de mulheres nas imediações e dentro do templo por se tratar de um ritual dedicado à deusa Shitala, protectora da saúde e das crianças.

“Juntou-se um grande número de mulheres, muitas delas ainda em jejum. Depois de tomarem um banho sagrado, estavam a entrar para o templo. A combinação do calor intenso, desidratação e dificuldades em respirar fez com que a multidão ficasse incontrolável”, descreveu Kumar. O acidente coincide com a visita oficial da presidente indiana, Droupadi Murmu, à mesma zona, o que terá feito com que os meios de segurança fossem aplicados à sua comitiva e deslocações, desguarnecendo o evento religioso daquele templo hindu.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, manifestou “profunda tristeza” pelo sucedido e anunciou indemnizações de 200.000 rupias (cerca de 2.100 euros) para as famílias das vítimas mortais, bem como a criação de uma comissão para investigar as causas do acidente.

1 Abr 2026

OMS | PM indiano destaca consenso sobre medicina tradicional

Mais de 100 países estiveram representados em Nova Deli por políticos, profissionais do sector e líderes indígenas para discutir a promoção da Medicina Tradicional nos sistemas globais de saúde. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, encerrou sexta-feira a segunda Cimeira Global sobre Medicina Tradicional da Organização Mundial de Saúde (OMS) destacando o “consenso alcançado em diversas questões importantes”.

Modi considerou que esse consenso reflecte “a força das parcerias globais”, segundo um comunicado do seu gabinete citado pela agência noticiosa espanhola EFE. O chefe do governo indiano salientou ainda que “impulsionar a investigação, aumentar o uso da tecnologia digital na medicina tradicional e criar quadros regulamentares fiáveis a nível global irá fortalecer significativamente” este tipo de medicina.

A cimeira, com o tema “Restaurar o Equilíbrio para as Pessoas e o Planeta”, começou na quarta-feira e reuniu em Nova Deli decisores políticos, cientistas, profissionais e líderes indígenas de mais de 100 países, para debater a integração da medicina tradicional (MT) nos sistemas de saúde com base em critérios científicos.

Ciência reforçada

Segundo a página ‘online’ da cimeira, os participantes comprometeram-se, na Declaração de Deli sobre Medicina Tradicional, a reforçar a base de prova científica da MT, alargando o investimento em infraestruturas de investigação e aumentando o número de profissionais da área, assim como promovendo a Biblioteca Mundial de Medicina Tradicional da OMS, a primeira do género, que foi lançada durante a cimeira.

A declaração inclui ainda compromissos de apoio ao “acesso equitativo a produtos seguros e eficazes através de mecanismos regulamentares apropriados”, para garantir a qualidade e segurança dos mesmos, da integração de uma MT “segura e eficaz” nos sistemas nacionais de saúde, respeitando a biodiversidade.

Entre as acções acordadas, alinhadas com os objectivos da estratégia global para a medicina tradicional 2025-2034 da OMS, está ainda a promoção da participação das comunidades e povos indígenas.

“Os Estados-Membros e os parceiros irão traduzir a Declaração de Deli em acções nacionais com prazos definidos, apoiadas por uma colaboração internacional reforçada, partilha de boas práticas, elaboração de relatórios e responsabilização colectiva”.

21 Dez 2025

Tarifas | Índia compra aos EUA 10% das importações de gás liquefeito

A Índia anunciou ontem que assinou um contrato com os Estados Unidos para o fornecimento do equivalente a 10 por cento das importações actuais de gás liquefeito de petróleo (GLP), com o objectivo de diversificar as fontes de hidrocarbonetos.

O acordo surge depois do Presidente norte-americano, Donald Trump, ter imposto, em Agosto, uma sobretaxa de 50 por cento sobre todos os produtos indianos que entrem nos Estados Unidos, em retaliação às compras de petróleo russo por Nova Deli. O inquilino da Casa Branca repete desde Agosto que o primeiro-ministro indiano Narendra Modi concordou em renunciar às compras de petróleo russo, uma afirmação que Nova Deli nunca confirmou.

A Índia e os Estados Unidos negociam há vários meses um acordo de livre comércio, mas as discussões esbarram, nomeadamente, na abertura do mercado agrícola indiano aos produtores norte-americanos. O ministro indiano do Petróleo e Gás Natural, Hardeep Singh Puri, anunciou agora que o seu país decidiu comprar aos Estados Unidos 2,2 milhões de toneladas de GPL por ano, “uma novidade para o mercado indiano”.

No âmbito dos esforços envidados para fornecer à população indiana abastecimento seguro e barato de GPL, intensificámos a diversificação das nossas fontes de importação”, explicou o ministro num comunicado.

No mês passado, a empresa petrolífera semipública indiana HPCL-Mittal Energy anunciou a suspensão das compras de crude russo. Por outro lado, o grupo privado Reliance Industries anunciou que estava a reavaliar a política de compras, à luz das sanções americanas.

Quinta maior economia do mundo, a Índia continua a apresentar números de crescimento impressionantes — 7,8 por cento em termos homólogos nos três meses de Abril a Junho deste ano — impulsionados pelo aumento das despesas públicas e da confiança dos consumidores.

18 Nov 2025

Índia | População de elefantes diminuiu um quarto em oito anos

A população de elefantes selvagens na Índia diminuiu um quarto nos últimos oito anos, atingindo quase 22.500 indivíduos, revela um censo liderado pelo Governo.

De acordo com as estatísticas mais recentes do Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF), menos de 50.000 elefantes asiáticos permanecem em estado selvagem em todo o mundo, 60 por cento deles em solo indiano. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) incluiu-os na sua longa lista de espécies animais ameaçadas.

O estudo publicado na terça-feira pelo Governo indiano identificou um total de 22.446 elefantes na Índia com base no seu ADN, em comparação com 29.964 contados em 2017 através de outro método, um declínio de 25 por cento. “As ameaças incluem a redução do seu habitat natural, a fragmentação (de manadas) e o aumento de casos de conflito entre elefantes e humanos”, pode ler-se no relatório para explicar este declínio.

Os autores enfatizaram o isolamento ou a “rápida dispersão” das manadas, que atribuem, em particular, à expansão das terras dedicadas às plantações de chá e café, à construção de vedações e à redução das áreas florestais.

A distribuição das populações de elefantes indianos representa actualmente apenas 3,5 por cento do seu tamanho histórico, estimaram. “Reforçar os corredores e as suas ligações, restaurar os habitats naturais, melhorar as estratégias de protecção e reduzir o impacto dos projectos de desenvolvimento são necessários para proteger” a espécie, recomendaram ainda os autores. O censo foi realizado através da análise de ADN de 21.000 amostras de estrume e de uma rede de armadilhas fotográficas.

17 Out 2025

Óbito | Morre aos 114 anos indiano considerado o maratonista mais velho do mundo

O homem considerado o maratonista mais velho do planeta, o indiano Fauja Singh, morreu aos 114 anos na Índia, atropelado por um carro, anunciou terça-feira o seu biógrafo.

Apelidado de ‘Tornado de Turbante’, este indiano foi atingido por um veículo enquanto atravessava na segunda-feira uma rua na sua terra natal, no distrito de Jalandhar, no Estado de Punjab, no noroeste do país, adiantou Khushwant Singh na sua conta na rede social X.

“O meu ‘Tornado de Turbante’ já não existe, descansa em paz, meu querido Fauja”, destacou Khushwant Singh.

O clube de atletismo e instituição de caridade, ‘Sikhs in the City’, com sede em Londres, confirmou a sua morte, acrescentando que após o acidente foi transportado para o hospital, onde morreu.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, prestou homenagem a Singh, realçando que foi “extraordinário pela sua personalidade única e pela forma como inspirou os jovens da Índia num tema tão importante: o fitness”.

Fauja Singh nunca conseguiu apresentar uma certidão de nascimento, mas a sua família afirma que nasceu em 01 de Abril de 1911, quando a Índia ainda fazia parte do império britânico.

Ganhou notoriedade ao começar a correr maratonas aos 89 anos, inspirado pelas transmissões televisivas.

Conhecido em todo o mundo, o homem com uma farta barba e de turbante carregou a chama olímpica em 2004 e 2012.

Fauja Singh correu a distância de 42,195 quilómetros pela última vez em 2013, em Hong Kong, quando tinha 101 anos.

De acordo com os relatos, extraía a sua energia e vitalidade através do consumo regular de ‘laddu’, um doce local, e de leite coalhado.

17 Jul 2025

OCX | Chefes da diplomacia reúnem-se na China

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) reuniram-se ontem em Tianjin, nordeste chinês, num momento marcado por tensões internas e pelo esforço de Pequim para reforçar a coesão do bloco.
A reunião junta os chefes da diplomacia de países como China, Rússia, Índia, Irão e Paquistão, entre outros, num ano em que a presidência rotativa da organização está a cargo de Pequim.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, o encontro visa promover “um consenso mais alargado” entre os Estados membros, abordando a cooperação regional e os principais desafios internacionais.
A reunião decorre poucas semanas após uma cimeira entre ministros da Defesa da OCX, realizada em Qingdao, que terminou sem declaração conjunta devido a desacordos sobre questões de segurança, nomeadamente no combate ao terrorismo.
Nessa ocasião, a Índia recusou assinar o texto final, acusando veladamente o Paquistão de usar o terrorismo transfronteiriço como instrumento político e de dar abrigo a grupos extremistas.
A presença do ministro dos Negócios Estrangeiros indiano, Subrahmanyam Jaishankar, surge na sequência de uma reunião com o homólogo chinês, Wang Yi, realizada na véspera em Pequim, naquela que foi a primeira visita de um chefe da diplomacia indiana à China desde o confronto fronteiriço no vale de Galwan, em 2020, que causou vítimas mortais em ambos os lados.
Wang apelou para um relançamento das relações com base na “boa vizinhança e confiança mútua”, enquanto Jaishankar destacou os avanços na normalização dos laços no último ano e frisou a necessidade de evitar novas fricções fronteiriças e restrições comerciais.
O ministro indiano defendeu ainda que a OCX deve adotar uma política de “tolerância zero” face ao terrorismo.

Ultrapassar diferenças
O chefe da diplomacia iraniano, Abás Araqchí, também participa na reunião, depois de um recente conflito de 12 dias entre Irão e Israel, que lançou uma ofensiva contra alvos iranianos a 13 de Junho. Esses ataques foram condenados por vários membros da OCX, incluindo a China e a Rússia, aliados estratégicos de Teerão.
Citado pelo jornal oficial Global Times, o director do Centro de Desenvolvimento Social Euroasiático do Conselho de Estado chinês, Li Yongquan, minimizou as tensões internas, sublinhando que “as diferenças não anulam o valor da organização” e que a OCX constitui “uma excelente plataforma para gerir essas divergências e impedir que se agravem”.
Na mesma linha, o investigador Cui Heng, do Instituto Nacional para a Cooperação Judicial e Intercâmbio Internacional da OCX, afirmou que a organização, inicialmente centrada na segurança, evoluiu para um mecanismo de cooperação abrangente.
“Há um défice de segurança na Eurásia, agravado pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia, e a OCX oferece um quadro complementar para colmatar essa lacuna”, explicou.

Meio mundo
A OCX, que integra países como China, Rússia, Índia, Irão, Cazaquistão, Quirguistão, Paquistão, Tajiquistão, Bielorrússia e Usbequistão, é considerada a maior organização regional do mundo em termos de população e extensão geográfica, abrangendo cerca de 40 por cento da população global.
Apesar de os membros afirmarem que a OCX não é uma aliança militar e visa proteger os Estados contra ameaças como o terrorismo, o separatismo e o extremismo, alguns analistas consideram que a sua principal função é contrabalançar a influência da NATO.
Li rejeitou essa leitura, defendendo que a organização “não é um contrapeso direto aos Estados Unidos” e que assenta “no respeito pela soberania, integridade territorial e diversidade cultural” dos seus membros.

16 Jul 2025

Índia | Alegada violação em grupo de estudante universitária reacende alarmes

A alegada violação colectiva de uma estudante numa universidade de Calcutá reacendeu sexta-feira os alarmes sobre a violência sexual na Índia, um fenómeno persistente que volta a gerar tensões políticas e sociais no país.

Segundo a agência local indiana ANI, uma estudante denunciou ter sido agredida na terça-feira passada dentro do ‘campus’ universitário na cidade do leste do país, tendo a polícia detido três pessoas relacionadas com o caso, pedindo ainda para prosseguir com a investigação.

A Comissão Nacional para as Mulheres (NCW, em inglês) da Índia tomou conhecimento do caso e solicitou um relatório urgente às autoridades. O caso desencadeou uma disputa política entre o partido no Governo, o nacionalista hindu Bharatiya Janata Party (BJP), e o partido regional no poder All India Trinamool Congress (AITC), da oposição.

O BJP, de Narendra Modi, acusou o governo estadual de inação, enquanto o AITC, num comunicado, defendeu a ação policial e renovou o apelo para implementar a lei anti-violação “Aparajita”, bloqueada, segundo afirmam, pelo executivo central, e que visa acelerar os processos judiciais por crimes sexuais e endurecer as penas.

Pequenos grupos de mulheres e activistas reuniram-se em frente ao ‘campus’ da universidade para exigir justiça e maior protecção para as mulheres, num contexto marcado por uma crescente preocupação com a segurança nos espaços educacionais e de trabalho.

Esta denúncia coincide com a descoberta, também na sexta-feira, do corpo enterrado de uma mulher no estado de Haryana, no norte do país, supostamente violada e assassinada pelo sogro em Abril, segundo o canal indiano NDTV, noutro caso de violência sexual brutal no país.

Ambos os episódios são conhecidos quase um ano após o assassínio de uma médica num hospital de Calcutá, um crime que desencadeou uma onda de indignação nacional e voltou a colocar em causa a resposta do sistema judicial aos casos de violência de género no país mais populoso do mundo.

30 Jun 2025

Identificadas mais de 200 vítimas da queda do Boeing 787 na Índia

As autoridades indianas anunciaram esta quarta-feira que identificaram os corpos de mais de 200 vítimas do voo 171 da Air India, que se despenhou a 12 de Junho em Ahmedabad, no noroeste da Índia. Segundo o director clínico do hospital civil da cidade, Rakesh Joshi, até quarta-feira, foram identificadas 208 vítimas do acidente.

A queda do Boeing 787, logo após ter descolado com destino ao aeroporto de Gatwick, em Londres, matou pelo menos 279 pessoas, de acordo com o último balanço oficial, tornando-a o pior desastre aéreo do mundo desde 2014.

O avião, com 242 pessoas a bordo, despenhou-se numa zona residencial de Ahmedabad a 12 de Junho, um minuto após a descolagem, às 13:39. Segundo a Autoridade da Aviação Civil indiana, este avião de longo curso transportava 230 passageiros – 169 indianos, 53 britânicos, sete portugueses e um canadiano – e 12 tripulantes.

Só um passageiro, sentado junto a uma saída de emergência na parte da frente do avião, sobreviveu milagrosamente ao acidente. Em terra, pelo menos 38 pessoas morreram, de acordo com o mais recente balanço.

Em investigação

Os investigadores da aviação civil encarregados do inquérito recuperaram as duas caixas negras do avião, que registam as conversas no ‘cockpit’ e os parâmetros técnicos do voo. De acordo com as primeiras conclusões, o piloto emitiu um apelo de emergência (‘Mayday’) logo após a descolagem.

Imagens de vídeo difundidas após a catástrofe mostram o avião sem conseguir ganhar altitude e depois a despenhar-se pesadamente no solo, numa bola de fogo cor de laranja.

A Autoridade da Aviação Civil indiana ordenou uma inspecção dos outros 33 Boeing 787 ao serviço na frota da Air India “por precaução”. Essas inspecções não mostraram “qualquer problema de maior”, declarou a Autoridade da Aviação Civil na terça-feira à noite.

“Os aparelhos e os sistemas de manutenção foram considerados em conformidade com as normas de segurança em vigor”, indicou. A Air India anunciou quarta-feira num comunicado que vai efectuar “controlos de segurança reforçados na frota de Boeing 787” e cancelar alguns voos.

“As tensões geopolíticas no Médio Oriente, o recolher obrigatório nocturno nos espaços aéreos de muitos países europeus e do Leste Asiático, as inspecções de segurança reforçadas em curso, bem como a necessária abordagem cautelosa adoptada pelo pessoal técnico e pelos pilotos da Air India, conduziram ao aumento do número de voos cancelados”, declarou a companhia aérea no comunicado.

20 Jun 2025

Air India | Avião despenhou-se sobre edifícios com 242 pessoas a bordo

O avião que se despenhou ontem em Ahmedabad, oeste da Índia, era da Air India e transportava 242 pessoas num voo para Londres, noticiou a agência de notícias indiana Press Trust of India (PTI). Sete portugueses seguiam a bordo.

“O voo AI171, que operava Ahmedabad-Londres Gatwick, esteve envolvido num incidente hoje (ontem), 12 de Junho de 2025”, anunciou a companhia aérea, segundo a PTI. O avião, um Boeing 787, caiu numa localidade perto do aeroporto de Ahmedabad, pouco depois de descolar, segundo a polícia.

À hora do fecho desta edição, estavam confirmados pelo menos 290 mortos, entre passageiros e habitantes dos edifícios sobre os quais o avião se despenhou, havendo apenas um sobrevivente. As imagens dos canais de televisão locais mostraram fumo a sair do local do acidente, perto do aeroporto de Ahmedabad.

O avião despenhou-se numa zona residencial chamada Meghani Nagar, cinco minutos depois de descolar, às 13:38 locais, disse o director-geral da aviação civil, Faiz Ahmed Kidwai, à agência de notícias norte-americana Associated Press (AP).

Seguiam a bordo 230 passageiros, sete dos quais portugueses que se supõe com dupla nacionalidade, e 12 membros da tripulação, e as equipas de emergência foram activadas no aeroporto, disse Kidwai. O 787 Dreamliner é um avião bimotor de grande porte.

Em choque

É o primeiro acidente de sempre de um Boeing 787, de acordo com a base de dados da Aviation Safety Network, acrescentou a AP. O ministro da Aviação indiano, Ram Mohan Naidu Kinjarapu, disse estar “chocado e consternado”, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

“Os serviços de salvamento estão a ser mobilizados e estão a ser envidados todos os esforços para garantir que as equipas médicas (…) sejam enviadas rapidamente para o local”, disse o ministro num comunicado. Acrescentou que rezava por “todas as pessoas a bordo e as suas famílias”.

O anterior acidente aéreo no país ocorreu em 2010, quando um voo da Air India proveniente do Dubai se despenhou ao aterrar em Mangalor, no sul da Índia, matando 158 pessoas. Em 1996, o voo 763 da Saudi Arabian Airlines colidiu em pleno ar com o voo 1907 da Kazakhstan Airlines perto de Nova Deli. Todas as 349 pessoas a bordo dos dois aviões morreram, tornando-se a colisão aérea mais mortífera da história, segundo a AFP.

13 Jun 2025

Índia exige vigilância das armas do Paquistão

A Índia exigiu ontem que as armas nucleares do Paquistão sejam colocadas “sob vigilância” da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), dias depois do mais grave confronto entre os dois exércitos das últimas duas décadas.

“O arsenal nuclear do Paquistão deve ser colocado sob a supervisão da AIEA. Quero dizer isto muito claramente”, declarou o ministro da Defesa indiano, Rajnath Singh, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Durante uma visita ao quartel-general das forças armadas em Srinagar, a principal cidade da Caxemira indiana, o ministro questionou se as armas nucleares estarão seguras “nas mãos de uma nação incontrolável e irresponsável”. O Paquistão não reagiu de imediato. Os dois países com armas nucleares envolveram-se na semana passada no confronto militar mais mortífero desde a guerra de 1999.

Na noite de 06 para 07 de Maio, a Índia disparou mísseis contra locais no Paquistão que, segundo Nova Deli, abrigavam membros do grupo ‘jihadista’ suspeito do atentado que matou 26 pessoas em 22 de Abril na Caxemira indiana.

O Paquistão, que negou qualquer responsabilidade pelo ataque, retaliou imediatamente. Durante quatro dias, os dois exércitos trocaram tiros de artilharia e ataques com mísseis e ‘drones’, alimentando sérios receios de um conflito em grande escala. Para surpresa geral, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo imediato no sábado, que foi imediatamente confirmado por ambas as partes.

Não, obrigado

O grupo de antigas personalidades conhecido como os “Anciãos” defendeu ontem em Tóquio a não-proliferação nuclear. O ex-secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lançou o alerta para o sul da Ásia.

“Existe a possibilidade de o sistema de segurança internacional ser completamente destruído se a Índia ou o Paquistão utilizarem armas nucleares”, advertiu. O ex-presidente colombiano, Juan Manuel Santos, questionou onde esteve a ONU, liderada pelo português António Guterres, durante o conflito.

As tréguas têm sido respeitadas na fronteira entre os dois países, mas a retórica continua a ser muito agressiva. “A Índia não vai tolerar a chantagem nuclear”, afirmou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, na segunda-feira à noite.

A Índia negou categoricamente notícias de um ataque a uma instalação nuclear paquistanesa situada a cerca de 200 quilómetros das várias cidades recentemente atingidas por mísseis indianos. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano, Randhir Jaiswal, assegurou na terça-feira que a operação militar da Índia “permaneceu convencional”. Durante toda a crise, o Paquistão repetiu que a opção nuclear nunca foi considerada. “Seria inconcebível e estúpido porque colocaria em risco 1,6 mil milhões de pessoas”, afirmou o porta-voz do exército, general Ahmed Chaudhry.

Contas à morte

A Índia dispõe de armas atómicas desde a década de 1990, transportadas por mísseis terra-terra de alcance intermédio. O Paquistão possui mísseis nucleares terra-terra e ar-terra de curto e médio alcance, e efectuou os primeiros testes em 1998.

O exército paquistanês disse que os ataques indianos mataram 40 civis e que perdeu 13 soldados. Já Nova Deli, deu conta da morte de 16 civis e cinco soldados em território indiano. Apesar do desanuviamento no terreno, a Índia e o Paquistão são inflexíveis e afirmam que não vão baixar a guarda. “Se outro ataque terrorista tiver como alvo a Índia, responderemos com firmeza”, avisou Modi.

Numa conversa telefónica com Guterres na quarta-feira, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou estar “preocupado com as declarações provocatórias e inflamatórias da Índia”.

A Índia e o Paquistão disputam a soberania de Caxemira desde a sangrenta divisão aquando da independência em 1947. O destino do território dos Himalaias, povoado maioritariamente por muçulmanos, deu origem a várias guerras entre os dois países. Desde 1989, o lado indiano tem sido palco de uma insurreição separatista que já causou dezenas de milhares de mortos.

16 Mai 2025

Índia | Ordenada saída do país de paquistaneses até 29 de Abril

A Índia ordenou ontem a todos os cidadãos paquistaneses, excepto os diplomatas, que abandonem o país até 29 de Abril, em retaliação pelo ataque na Caxemira indiana, que matou 26 civis e pelo qual Nova Deli atribui responsabilidades a Islamabad.

“Em conformidade com as decisões tomadas pelo Comité de Segurança do Gabinete após o ataque terrorista em Pahalgam, Caxemira, o Governo da Índia decidiu suspender a emissão de vistos para cidadãos paquistaneses com efeito imediato”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano, em comunicado.

“Todos os cidadãos paquistaneses actualmente na Índia devem deixar a Índia antes da expiração dos seus vistos”, o que acontecerá no domingo, 27 de Abril, no caso dos vistos comuns, e na terça-feira, 29 de Abril, no caso dos vistos médicos, adiantou.

O anúncio foi feito na mesma altura em que o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, prometeu perseguir “até aos confins da Terra” os autores do ataque terrorista que, há dois dias, matou 26 civis na parte indiana de Caxemira. “Digo isto ao mundo: a Índia vai identificar, perseguir e punir os terroristas e aqueles que os apoiam. Vamos persegui-los até aos confins da Terra”, garantiu Modi na sua primeira resposta pública ao ataque.

Ataque mortífero

Na tarde de terça-feira, pelo menos três homens armados abriram fogo contra turistas na cidade de Pahalgam, no sopé dos Himalaias, matando 25 indianos e um nepalês, segundo a polícia indiana. O ataque, que a Índia atribui a islamitas apoiados pelo Paquistão, é o mais mortífero contra civis desde 2000 naquele território indiano de maioria muçulmana.

Na quarta-feira, o Governo hindu ultranacionalista de Nova Deli anunciou uma série de medidas diplomáticas de retaliação. Entre as decisões, que são sobretudo simbólicas, estão a suspensão de um tratado de partilha de águas, o encerramento da principal fronteira terrestre entre os dois países e a retirada de diplomatas.

O Paquistão, que negou responsabilidade pelo ataque, convocou o seu Comité de Segurança Nacional para esta tarde para decidir sobre uma possível resposta.

25 Abr 2025

Índia | Parlamento suspenso por protestos contra maus-tratos dos EUA a deportados

A sessão de ontem do parlamento indiano foi suspensa por protestos dos deputados contra os alegados maus-tratos infligidos a 104 migrantes deportados pelos Estados Unidos e que chegaram na quarta-feira ao país.

Os migrantes foram levados dos Estados Unidos para uma cidade do norte da Índia num avião militar, no âmbito de uma vaga de deportações decidida pelo novo Presidente, Donald Trump, mas o tratamento a que foram sujeitos indignou de tal forma os deputados indianos que ontem, muitos gritaram protestos em pleno parlamento e exigiram um debate sobre as deportações.

De acordo com deputados e meios de comunicação social, os braços e as pernas dos deportados foram algemados enquanto estavam no avião, apesar de a viagem ter demorado mais de oito horas, e só foram libertados no aeroporto de Amritsar, na Índia.

Um tratamento que os deputados consideraram degradante, lembrando que “algemados e com as pernas acorrentadas [os migrantes] tinham até dificuldade em usar a casa de banho”.

O presidente do parlamento, Om Birla, tentou acalmar os deputados, dizendo que o transporte dos deportados era uma questão de política externa dos EUA e que os Estados Unidos “também têm as suas próprias regras e regulamentos”, mas não impediu as manifestações dentro e fora do hemiciclo a exigir uma resposta do Governo.

Alguns dos deputados que protestaram na rua usaram algemas e empunharam cartazes que diziam: “Humanos, não prisioneiros”, enquanto o líder do Congresso, Rahul Gandhi, escreveu na rede social X que “os indianos merecem dignidade e humanidade, NÃO algemas”.

A sua mensagem foi acompanhada de um vídeo que mostra um dos deportados, Harvinder Singh, a dizer que todos foram algemados e tiveram os pés acorrentados durante 40 horas. “Não nos deixaram sair um centímetro dos nossos lugares. Foi pior do que o inferno”, contou.

Novos métodos

Os EUA geralmente realizam deportações em voos comerciais e fretados, mas a utilização do exército para devolver pessoas ao seu país de origem é um método novo, iniciado na administração Trump.

O ministro dos Negócios Estrangeiros indiano, Subrahmanyam Jaishankar, avançou ontem à câmara alta do parlamento que os regulamentos dos EUA permitem o uso de restrições desde 2012, tanto em voos militares como civis e garantiu que as autoridades norte-americanas os informaram que as mulheres e as crianças não são algemadas.

Jaishankar defendeu que, embora o Governo esteja a falar com as autoridades norte-americanas para “garantir que os deportados que regressam não são maltratados”, o foco da Índia deve estar na repressão da migração ilegal.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, visitará Washington na próxima semana, mas o tema já foi abordado numa conversa telefónica entre Trump e Modi realizada na semana passada. Durante a conversa sobre migrantes e deportações, Donald Trump sublinhou a importância de a Índia comprar mais equipamento de segurança fabricado nos Estados Unidos e haver um comércio bilateral justo.

A patrulha de fronteiras dos EUA deteve mais de 14.000 indianos na fronteira canadiana entre o final de Setembro de 2023 e o final do mesmo mês do ano passado, o que representou 60 por cento de todas as detenções ao longo da fronteira e um número 10 vezes maior do que o registado há dois anos.

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros da Índia, 15.668 cidadãos indianos foram deportados dos EUA desde 2009. Um relatório do Pew Research Center dizia que, em 2022, a Índia estava em terceiro lugar — depois do México e de El Salvador — na lista dos países com o maior número de imigrantes não autorizados — 725 mil — a viver nos EUA.

7 Fev 2025

Índia | Rupia atinge novo mínimo histórico

A rupia indiana atingiu ontem um novo mínimo histórico, sendo negociada a 87 unidades por dólar nos mercados de divisas internacionais, afectados pela imposição de novas tarifas norte-americanas sobre Canadá, México e China.

Nas primeiras horas do dia, a rupia indiana seguiu os passos de outras moedas asiáticas, enfraquecendo em relação ao dólar, observou a empresa de consultoria financeira Eforex Índia, na análise que costuma fazer diariamente.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, aprovou este fim de semana taxas aduaneiras aos produtos provenientes do Canadá, do México e da China. Embora a Índia não tenha sido afectada pelas políticas tarifárias do novo líder, antes de ser eleito, Trump referiu-se a Nova Deli como “um grande abusador” neste campo.

Países como Brasil e Japão ou blocos como a União Europeia (UE) também podem enfrentar novas ordens tarifárias, assumiu Trump. A rupia indiana tem estado numa desvalorização constante desde 1 de Janeiro de 2018, apesar de ter abrandado a queda desde meados de 2022.

Os receios de uma guerra comercial global, a volatilidade das acções das empresas que fazem parte do grupo empresarial indiano Adani – envolvido em vários escândalos – e, em geral, o cenário económico incerto, afectam a evolução da rupia.

O Governo indiano, liderado por Narendra Modi, revelou no sábado o orçamento anual para este ano, com uma estratégia centrada no reforço do poder de compra da classe média, no desenvolvimento inclusivo e no estímulo ao crescimento económico, numa altura em que a Índia, a quinta maior economia do mundo, enfrenta o seu crescimento mais lento em quatro anos.

4 Fev 2025

Fronteira | Pequim confirma progressos para reduzir tensão com Índia

A China confirmou na sexta-feira que as tropas indianas e chinesas já começaram a aplicar “a solução acordada” entre Pequim e Nova Deli sobre questões fronteiriças, visando reduzir a tensão nas zonas em disputa.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, disse em conferência de imprensa que o “trabalho relevante”, levado a cabo pelas “tropas da linha da frente de ambos os lados”, está a decorrer “sem problemas”, mas não deu mais detalhes.

De acordo com a agência Bloomberg, que cita funcionários indianos, o processo de desanuviamento incluiria a retirada das tropas dos seus locais actuais e o desmantelamento de alguns edifícios temporários construídos nos últimos anos por ambas as partes nas áreas disputadas.

Em algumas áreas nem os soldados chineses nem os indianos vão ser autorizados a patrulhar, com o objectivo de evitar confrontos.

Na semana passada, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o Presidente chinês, Xi Jinping, confirmaram ter chegado a um acordo sobre o desanuviamento militar nas zonas fronteiriças disputadas, a aplicar nos próximos meses.

“Congratulamo-nos com o consenso alcançado sobre as questões que surgiram ao longo dos últimos quatro anos na fronteira”, disse Modi, durante a reunião, realizada na cidade russa de Kazan, à margem da cimeira dos BRICS.

Xi apelou à China e à Índia para “resolverem os seus conflitos e diferenças”, no primeiro encontro formal entre os dois líderes em quase cinco anos.

A reunião marcou um avanço significativo nas relações entre as potências asiáticas após um confronto mortal entre as suas tropas, em 2020, quando um destacamento militar ilegal chinês provocou uma resposta indiana que degenerou num confronto fronteiriço em Ladakh em que 20 soldados indianos foram mortos e 76 outros ficaram feridos.

28 Out 2024

Diplomacia | Índia admite deterioração das relações com a China

A Índia admitiu ontem que as relações diplomáticas com a República Popular da China estão gravemente afectadas pelo avanço militar de Pequim, há quatro anos, no território reclamado entre as duas potências vizinhas.

Com vários pontos de fricção e uma grande presença de tropas dos dois países na linha de fronteira, “o desafio é ver como resolvemos as nossas diferenças porque, neste momento, as relações (entre a Índia e a China) estão significativamente muito perturbadas”, reconheceu o Ministro dos Negócios Estrangeiros indiano, Subrahmanyam Jaishankar.

A posição do ministro dos Negócios Estrangeiros indiano foi manifestada durante um debate que decorreu na terça-feira à noite no Asia Society Policy Institute, em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas.

As declarações do membro do Governo de Nova Deli surgem numa altura em que decorrem negociações entre os dois países, na sequência de um violento impasse fronteiriço, em 2020, que a Índia diz ter sido desencadeado pelo avanço ilegal de Pequim em território disputado.

O avanço da República Popular da China provocou a reacção da Índia levando a um confronto fronteiriço nos Himalaias ocidentais: tratou-se do pior conflito entre os dois países vizinhos em 45 anos e que causou a morte de pelo menos 20 soldados indianos e 76 feridos.

Desde essa altura, e na presença de um grande destacamento de tropas, a situação tem-se mantido tensa, apesar das numerosas rondas de negociações no sentido de fazer diminuir as tensões e reduzir o número de militares na região.

A Índia e a República Popular da China mantêm um confronto histórico em relação a algumas regiões dos Himalaias, como Aksai Chin, zona administrada por Pequim e que é reclamada pela Índia. O último confronto ocorreu no início de Abril, quando Pequim alterou unilateralmente o nome de 11 locais na região de Arunachal Pradesh, controlada por Nova Deli e reivindicada pela República Popular da China.

26 Set 2024

Índia | Pelo menos 35 mortos após consumo de bebida álcoólica adulterada

Pelo menos 35 pessoas morreram e 110 foram hospitalizadas, depois de consumirem bebidas alcoólicas adulteradas no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, declarou ontem fonte policial.

As autoridades iniciaram uma investigação para descobrir a origem do álcool contaminado com metanol, referiu a inspetora da polícia da região de Kallakurichi, que confirmou as mortes à agência de notícias EFE.

O chefe do governo de Tamil Nadu, MK Stalin, disse nas redes sociais estar escandalizado e referiu que suspendeu alguns dos principais funcionários da polícia e da administração da região. “As pessoas envolvidas no crime foram detidas e foram também tomadas medidas contra os agentes que não conseguiram evitá-lo”, declarou Stalin.

As forças de segurança detiveram um homem de 49 anos que estava na posse de cerca de 200 litros de álcool adulterado, de acordo com o jornal diário Hindustan Times. Dezenas de pessoas consumiram na terça-feira a bebida, que era vendida em embalagens de plástico, algo comum para bebidas alcoólicas mais baratas na Índia.

Nessa noite, muitas delas sentiram sintomas como diarreia, vómitos e visão turva, o que chamou a atenção das autoridades. O consumo de álcool ilegal e adulterado na Índia tende a ocorrer nas zonas rurais ou áreas mais desfavorecidas das cidades devido ao baixo preço, uma vez que o álcool vendido legalmente na Índia atinge preços comparativamente elevados.

Embora não em Tamil Nadu, as bebidas alcoólicas são ilegais em vários estados do país, como Bihar ou Gujarat.

Em 2019, pelo menos 155 pessoas morreram numa plantação de chá no estado de Assam, ao consumirem álcool adulterado, enquanto em 2011, mais de 130 pessoas morreram por beberem álcool ilegal comprado junto a uma estação ferroviária no estado de Bengala, no nordeste do país.

21 Jun 2024