Banguecoque | Numéro de mortos em incêndio de bar sobe para 34

O número de mortos no incêndio ocorrido num bar em Banguecoque subiu para 34, após a morte, ontem, de uma mulher de 20 anos que não resistiu aos ferimentos, anunciaram as autoridades de saúde da Tailândia.

O incêndio devastou rapidamente, no domingo passado, um popular bar-restaurante na zona norte da capital tailandesa, o Rong Beer Na Lat Phrao, onde decorria um concerto.

As autópsias revelaram que a maioria das vítimas morreu de intoxicação por monóxido de carbono e ácido cianídrico, após inalarem o fumo, enquanto outras morreram no hospital devido a queimaduras graves.

Os investigadores procuram determinar a causa do incêndio e as razões pelas quais este se revelou particularmente mortífero.

Os corpos de muitas vítimas foram encontrados perto das casas de banho, e as autoridades questionam-se se as saídas de emergência estariam obstruídas.

Um especialista em segurança de edifícios declarou anteriormente à agência France-Presse (AFP) que o Rong Beer Na Lat Phrao parecia não dispor dos sistemas de segurança necessários para acolher um vasto público e concertos.

As autoridades anunciaram que cerca de mil estabelecimentos em Banguecoque serão alvo de inspecção nas próximas semanas, tendo já ordenado o encerramento temporário de três bares que não cumpriam as normas de segurança.

Estas normas são frequentemente aplicadas de forma pouco rigorosa nos estabelecimentos nocturnos da Tailândia, onde um incêndio numa discoteca de Banguecoque já tinha causado 67 mortos e mais de 200 feridos em 2009.

20 Jul 2026

Banguecoque | Maioria das vítimas de incêndio em bar presa em WC

A maioria das 27 vítimas mortais do incêndio que deflagrou num bar com música ao vivo em Banguecoque foi encontrada encurralada em casas de banho sem janelas, onde terão procurado escapar às chamas, anunciaram as autoridades.

O fogo no bar Rong Beer Na Ladprao – o mais mortífero na cidade em 17 anos – deflagrou na noite de domingo, na zona norte da capital tailandesa, com os bombeiros a demorarem meia hora a controlá-lo.

Segundo responsáveis municipais, 25 pessoas permanecem hospitalizadas em estado crítico. O governador de Banguecoque, Chadchart Sittipunt, afirmou que a maioria das mortes resultou da inalação de fumo.

Na segunda-feira, o local estava isolado com dezenas de peritos forenses que procuravam pistas sobre a origem do incêndio.

As janelas viradas para a rua estavam destruídas e os passeios cobertos de destroços, incluindo televisores, colunas e uma guitarra elétrica carbonizados.

Jornalistas da Associated Press observaram garrafas de cerveja intactas sobre mesas queimadas através dos vidros partidos.

O bar, que se apresenta como cervejaria, dizia poder receber até 600 clientes. Não se sabe quantas pessoas estavam presentes na noite de domingo.

O centro de emergência Erawan indicou que 73 pessoas ficaram feridas, com pelo menos 27 mortos confirmados.

O chefe da Polícia da Tailândia, Kittharath Punpetch, disse que a maioria dos mortos foi encontrada em casas de banho sem janelas, junto a uma saída traseira, onde terão procurado refúgio.

Essa saída não foi utilizada, e estaria possivelmente bloqueada por uma mesa de venda de doces, com outra saída, perto da cozinha, talvez bloqueada por prateleiras e cacifos. Havia sinais de que algumas portas de emergência poderiam estar trancadas.

 

Investigação em curso

Os investigadores concentraram-se no tecto acima do palco, onde foram encontrados materiais decorativos. A polícia vai analisar se foram usados elementos inflamáveis e como estavam instalados os cabos eléctricos.

O primeiro-ministro, Anutin Charnvirakul, disse que um músico relatou ter visto fumo sair de um disjuntor antes de a energia falhar, seguido de uma explosão e da rápida propagação de fumo espesso.

Vídeos nas redes sociais mostram pessoas a fugir enquanto as chamas saíam do edifício de um andar e o fumo negro subia ao céu.

Em comunicado publicado na rede social Facebook, o bar fez um pedido de desculpas e apresentou condolências, garantindo estar a cooperar com as autoridades. O proprietário ficou gravemente ferido e está nos cuidados intensivos.

Familiares reuniram-se no Instituto de Medicina Forense de Banguecoque para identificar os corpos, com Keo Oudone Poungpany, de 24 anos, a reconhecer o irmão mais novo, ambos trabalhadores migrantes do Laos empregados no bar.

Poungpany disse que estava numa casa de banho exterior quando o fogo começou e descreveu o caos ao regressar: “O calor era insuportável, não consegui voltar a entrar. Agora só quero levar o corpo do meu irmão para casa, para os meus pais”.

Em 2022, um incêndio num bar de música no leste da Tailândia matou 14 pessoas.

Mais de uma década antes, em 2009, 67 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas num fogo durante a celebração de Ano Novo no clube Santika, em Banguecoque, aparentemente provocado por fogo de artifício no interior.

15 Jul 2026

Epopeias coloniais

[dropcap]T[/dropcap]erminado muito simpático pequeno-almoço na minha primeira manhã em Banguecoque tinha duas horas livres até ao início da conferência que havia de decorrer no mesmo hotel onde estava hospedado. Com tempo demais para me aborrecer à espera e de menos para me dedicar à exploração da magnífica cidade, decidi-me por breve visita a museu de história que sabia próximo, mas pouco orientado para turistas estrangeiros. Em todo o caso, fui agradavelmente surpreendido pela exibição de um mapa do século XVII representado o sudoeste asiático, da Índia até ao Japão, claramente identificado por brasão português. Era uma segunda-feira de manhã, não encontrei quem me pudesse informar melhor, mas suponho que se tratasse de uma das primeiras – senão a primeira – representações cartográficas da região e certamente um bom exemplo dos possíveis contributos da expansão do conhecimento e das vantagens da interculturalidade inerente às viagens marítimas portuguesas da época.

Já a conferência tinha terminado e Banguecoque revelado uma parte ínfima dos seus múltiplos e magníficos encantos quando tive oportunidade de sair da cidade num animado e interessante grupo com umas 30 pessoas de origens bastante diversas. Um dos sítios onde estive foi no extraordinário Wat Mahathat de Ayutthaya, uma das antigas capitais do reino do Sião, detalhadamente apresentado por um velho guia que a determinado momento se apercebeu da presença de pessoas portuguesas. Desde então, informou e reiterou pelo menos três vezes que os portugueses tinham sido os primeiros europeus a marcar presença no território que hoje corresponde à Tailândia. Talvez haja uma boa razão para essa efusiva referência: na realidade, a Tailândia nunca foi colonizada, nem por Portugal nem por outros países, o que eventualmente ajudará a olhar para este passado como um território de encontros e intercâmbios, mais do que de violência e exploração.

Não foi assim quando estive em Goa, uma das antigas zonas portuguesas em território da Índia, também para um evento académico, que incluía vários participantes portugueses, alguns até com responsabilidades organizativas relevantes. Talvez por isso, logo no discurso de boas-vindas, com as tradicionais mensagens de boas-vindas à cidade, um professor local tenha evocado a importância histórica de 1962 e da independência de Goa em relação ao império colonial português. Uma relação histórica mais tensa, portanto, com toda a conflitualidade e violência associadas à colonização a marcar discursos contemporâneos. Pouco disto se vê na historiografia para turistas que oferece a Velha Goa, mais orientada para triunfalistas exibicionismos: os restos mortais do Padre Francisco Xavier miraculosamente conservados desde o século XVII na Basílica do Bom Jesus, mesmo em frente à Sé Catedral de Goa onde se celebrava em exposição a vida da santificada Madre Teresa e de João Paulo II, o papa que “libertou o mundo do comunismo”, nem mais nem menos.

Francisco Xavier é também figura de relevo no Japão, onde o jesuíta é referenciado nos livros de história como o primeiro padre católico em terras japonesas, antes de ser banido o catolicismo. Tive oportunidade de visitar a Igreja que o homenageia, em Kagoshima, em tranquilo passeio pela zona de Nagasaki, no sul do Japão, terras das “igrejas escondidas”, onde comunidades cristãs mantiveram secretamente os seus cultos após a proibição do cristianismo. Também a terras nipónicas os portugueses foram os primeiros europeus a chegar, através do porto de Nagasaki. O Japão concedeu na altura privilegiada licença para comércio internacional com mercadores portugueses e chegou até a construir o porto de Dejima, exclusivamente dedicado ao comércio com Portugal, com todas as infra-estruturas logísticas inerentes e residências para capitães e altas personalidades. Duraria pouco, no entanto: o espaço havia de servir como área de “confinamento” para os portugueses, que haviam de ser também o primeiro (e historicamente o único) povo a ser expulso do Japão. O porto seria entregue a mercadores holandeses, que haviam de ficar com o exclusivo do comércio internacional com o Japão e hoje Dejima é uma relevante atração turística de Nagasaki, reconstruído em parceria com uma universidade holandesa e recriando o ambiente da época, com típicas habitações holandesas e as instalações portuárias para as embarcações e o comércio.

Para se perceber esta mudança de atitude dos japoneses em relação à presença portuguesa socorro-me do legado de Wenceslau de Moraes, cônsul português no Japão na transição de século XIX para o XX, que havia de viver no país do sol nascente até à sua morte, em Tokushima, perto de Kobe, em 1929. Também visitei o pouco que resta da sua memória na pequena cidade: um busto difícil de encontrar, uma minúscula referência à casa onde vivia, o discreto túmulo onde o corpo foi sepultado, com a da sua esposa e sobrinha, ambas japonesas. O museu Moraes que ali existia já foi encerrado e toda esta tristeza sobre o seu legado histórico diz muito sobre a inépcia e o desleixo das políticas culturais portuguesas fora do país. Sobram os livros, no entanto, onde Moraes analisa com bastante detalhe diferentes aspectos da história do Japão e em particular da relação com Portugal.

Moraes adianta uma explicação para a proibição do cristianismo e a expulsão dos portugueses, socorrendo-se de um encontro entre um “shogun” (autoridade máxima à época no Japão) e um mercador castelhano, em que este, depois de descrever a imensidão do reino, incluindo toda a América Latina, explica que o sucesso dessa conquista se deve a enviar primeiro os padres e só depois o exército. Segundo Moraes, os japoneses, não só entenderam o perigo das ambições colonialistas dos países ibéricos – com a inerente violência física, exploração económica e domínio político – como entenderam o papel decisivo da religião nesse processo. Neste sentido, continuarmos a olhar para este período da história e do mundo como uma “epopeia marítima” ou um processo de “descobrimentos” e “intercâmbio de culturas” contribui certamente para ocultar parte significativa destes processos: a intenção estrategicamente definida de conquistar e subjugar pela violência outros povos e territórios. Ajuda a perceber como Portugal contribuiu para o desenvolvimento da cartografia na Tailândia, mas impede que se perceba porque fomos o primeiro e único povo europeu a ser expulso do Japão.

21 Ago 2020

Tailândia | Governo da RAEM lamenta atentado e excursões são canceladas

Macau mostrou-se disponível para ajudar as autoridades tailandesas que se debatem com a explosão que assolou Banguecoque na passada segunda-feira. Wong Sio Chak pediu que os residentes em viagem tomassem precauções e as excursões já foram canceladas, pelo menos até domingo

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]s viagens de excursão de Macau para Banguecoque foram canceladas pelo menos até ao próximo domingo, devido ao mais recente ataque bombista que teve lugar em Banguecoque e que fez pelo menos 21 mortos. De acordo com a rádio Macau, o presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Wu Keng Kuong referiu que se decidiu pelo cancelamento das viagens depois de um entendimento entre o sector do turismo e as companhias de aviação.
O Governo da RAEM apresentou ontem as condolências e lamentou profundamente o ataque que teve lugar num templo da capital tailandesa. Também em Hong Kong foi tomada a decisão de cancelar as viagens em excursão, política que será seguida até final do mês.
De acordo com o Gabinete de Gestão de Crises do Turismo (GGCT) estão neste momento 400 residentes locais naquele país em 20 grupos de excursão. O Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak pediu aos cidadãos para “ajustarem oportunamente o itinerário” da sua viagem.

Suspeito à vista

O Governo da Tailândia diz já ter suspeitos do ataque, depois de ter reunido um grupo inteiramente dedicado à investigação. O Primeiro-Ministro tailandês, Prayuth Chan-ocha confirmou ontem a criação de uma “sala de guerra” com um grupo especializado de altos oficiais do Governo. A ideia é determinar e capturar os responsáveis do ataque bombista. Ontem, as autoridades tailandesas revelaram estar à procura de um jovem que surge numa gravação de vídeo. “Hoje há um suspeito, que aparece nas câmaras de videovigilância, mas não é muito claro (…) Estamos à procura dele”, disse Prayut Chan-O-Cha, líder da junta militar que governa o país. Prayut acrescentou que o Governo acredita que o jovem pertença a um “grupo anti-governo com sede no nordeste da Tailândia”. Foi o Ministro da Defesa tailandês, Prawit Wongsuwan que deixou a promessa, em declarações à Reuters, de capturar os autores. “Ainda não sabemos quem fez isto e porquê, não estamos certos que tenha fundamentos políticos, mas pretendiam ferir a nossa economia e vamos caçá-los”, garantiu.
A intenção de criar um departamento deste tipo já havia sido expressa pelo Governo há dois dias, mas só ontem foi confirmada a sua criação, no canal televisivo nacional. Este é já tido como um dos mais violentos ataques no país desde a subida ao poder da frente militar que actualmente governa o país. A explosão, que aconteceu dentro do Templo de Erawan, ainda não foi reclamada por nenhum indivíduo ou entidade. Para além dos mortos, estima-se que haja mais de 120 feridos, de entre os quais cidadãos tailandeses, da Indonésia, Singapura, mas maioritariamente de Taiwan e da China continental.

Ajuda de fora

O porta-voz do Governo norte-americano, John Kirby confirmou à Reuters que ainda não recebeu qualquer pedido de ajuda pelas autoridades da Tailândia. Já o Departamento de Estado dos EUA veio a público referir que “ainda é muito cedo” para ter a certeza que se trata de um ataque terrorista.
De acordo com um artigo de Oliver Holmes, publicado no The Guardian, este é um dos mais fatais ataques desde que a junta militar está no Governo. Para o Ministro da Defesa da Tailândia, “os autores [do primeiro ataque] pretendiam destruir a economia e o turismo, porque o incidente teve lugar no coração de um distrito turístico”. Numa notícia da Reuters, Marko Cunningham, um paramédico neozelandês presente depois do ataque, referiu que o local “se parecia com um mercado de carne”, tendo acrescentado que a explosão deixou visível uma cratera de dois metros de largura. O paramédico estava a ajudar no serviço de ambulâncias de Banguecoque. “Havia corpos por todo o lado e alguns estavam desfeitos, era horrível”, disse. [quote_box_right]“Ainda não sabemos quem fez isto e porquê, não estamos certos que tenha fundamentos políticos, mas pretendiam ferir a nossa economia e vamos caçá-los”, Prawit Wongsuwan, Ministro da Defesa tailandês[/quote_box_right]

É sabido que as autoridades tailandesas têm vindo a lutar contra uma força muçulmana em desenvolvimento numa zona mais a sul, predominantemente dominada por uma comunidade budista. No entanto, de acordo com a mesma agência, é raro detectar ataques deste género perpetrados por este grupo fora da sua zona de incidência. Também um general do exército tailandês referiu, momentos depois do ataque, que este “não condizia com as tácticas utilizadas” pelo grupo de rebeldes do sul. Os grupos separatistas muçulmanos actuam com intensidade nas três regiões mais a sul do país, tendo causado mais de 6500 feridos desde 2004, mas Banguecoque não costuma, de acordo com as autoridades, ser uma localidade afectada.

No entanto, de acordo com a Reuters, há uma série de outros problemas políticos menos visíveis na Tailândia. “Enquanto as suspeitas iniciais podem recair sobre os separatistas muçulmanos do sul, a verdade é que a Tailândia tem sido, desde há uma década, espaço de conflitos intensos e alguns até violentos de poder entre diferentes facções políticas em Banguecoque”. Um dos mais recentes incidentes teve lugar num centro comercial de luxo onde explodiram duas bombas, mas sem fazer estragos de maior. [quote_box_left]“Havia corpos por todo o lado e alguns estavam desfeitos, era horrível”, Marko Cunningham, paramédico neozelandês[/quote_box_left]
De acordo com as explicações da agência, o ataque tinha o objectivo de chamar a atenção para o facto do país estar sob Lei Marcial. Por outro lado, o correspondente de Defesa e Diplomacia da BBC, Jonathan Marcus fala da possibilidade do ataque estar relacionado com os Uigures, uma comunidade muçulmana minoritária da China. “Eles queixam-se de que o Governo Central os persegue por motivos religiosos e culturais”, explica Marcus. A justificação do jornalista para a possibilidade do ataque ser da autoria de Uigures reside no facto das baixas terem sido maioritariamente chinesas. No entanto, Marcus também faz a ponte entre a milícia tailandesa e grupo do Estado Islâmico. A Tailândia encontra-se sobre o poder do exército militar local desde Maio do ano passado, após uma série de protestos violentos antigovernamentais terem tido lugar.

Segundo atentado

Ontem teve lugar um segundo ataque com um engenho explosivo a ser atirado de uma ponte perto da estação de metro de Sathorn, na capital tailandesa, mas sem notícia de feridos. A bomba detonada ontem explodiu dentro de água, mas as operações de barco mantêm-se. As autoridades asseguram que se trata de um “mecanismo explosivo improvisado”, numa zona de passagem de excursões chinesas. De acordo com o Ministro dos Transportes, ACM Prajin, a bomba detonada ontem é semelhante à do primeiro atentado.

19 Ago 2015