Artes gráficas | Estúdio de Xangai ilustra erradicação da pobreza

Com inspirações milenares e bênção política, o estúdio Fusion Era, sediado em Xangai, apresenta um projecto de dimensões continentais. “Out of Poverty: Not One Less” é um conjunto de vibrantes de ilustrações que retrata paisagens das várias províncias chinesas e grupos étnicos. A vasta colecção de trabalhos tem sido promovida extensivamente na internet como uma pérola patriótica e um exemplo da vivacidade artística da Geração Z

 

Do velho se faz o novo, a fórmula que não tem prazo de caducidade transmite a ideia por detrás de uma onda artística que bebe inspiração no passado pictórico e no presente político. Com raízes plantadas na clássica pintura chinesa do século XII da Dinastia Song, o colectivo de Xangai Fusion Era lançou-se numa odisseia gráfica: retratar os 56 grupos étnicos chineses e 34 províncias.

Pegando na subtil evocação do clássico “Ao longo do rio durante o Festival Qingming”, as animações digitais do estúdio Fusion Era atribuem uma forma moderna à representação dos povos e paisagens chinesas, enaltecendo a erradicação da pobreza no país e os magníficos feitos do Partido Comunista da China (PCC).

Aliando a linguagem digital das novas gerações à mensagem oficial e à promoção do patriotismo, as animações digitais têm sido amplamente partilhadas na internet desde o início das celebrações do centenário do PCC.

Os novos meios de expressão artística, com prevalência para formatos digitais, deram voz a uma geração de novos criadores chineses, que não precisam de incentivo extra para integrar mensagens patrióticas nas suas obras. Um bom exemplo disso é Li Tianzhi, um dos ilustradores que criou a série “Out of Poverty: Not One Less”. Um dos pontos fulcrais do portfolio do ilustrador de 26 anos até este projecto era trabalhos focados na estética e preservação de monumentos e edifícios antigos chineses.

Em declarações ao portal Sixth Tone, Li explica que desde a infância é “fascinando pela diversidade geográfica, paisagística e étnica da China”. Foi, portanto, um processo natural que o conduziu à representação do sucesso da campanha de erradicação da pobreza na China, através das montanhas e rios do país. Além disso, o jovem destaca a inspiração retirada da teoria das “duas montanhas”, de Xi Jinping, que realça o reflexo positivo que as políticas ambientais têm na economia.

O capítulo dedicado à província de Yunnan é para Hu Muyang, um dos fundadores da Fusion Era, motivo de orgulho do mega projecto de grafismo digital. A região, situada na região montanhosa do sudoeste da China, é, desde há muito, uma das mais pobres do país.

A estrela da ilustração que representa Yunnan é Zhang Guimei, uma proeminente pedagoga que fundou a primeira escola grátis para raparigas oriundas de famílias desfavorecidas. “Ela é uma figura sensacional, sofreu muitas angústias e dificuldades, a história da sua vida emociona qualquer um”, contou o artista às Sixth Tone.

Porém, em vez se focar no passado trágico de Zhang, que ficou órfã quando era criança e viúva ainda nova, o trabalho do grupo de Xangai retrata-a como um ser maior que a vida, a pairar entre as nuvens, olhando com um sorriso vitorioso e benevolente a paisagem idílica de Yunnan.

Aos quatro ventos

Criado em 2019, às portas da pandemia, o estúdio Fusion Era colaborou com empresas de audiovisual da Europa e dos Estados Unidos e museus chineses. No entanto, o coronavírus obrigou a equipa a trabalhar a partir de casa e a partir para uma abordagem mais direccionada para uma mensagem pública. Em declarações ao Shanghai Daily, Hu Muyang admitiu que acolheu também a missão de contrariar rumores e narrativas, vindas do ocidente, sobre a China. “Queríamos que o mundo ouvisse vozes realmente chinesas e insistimos em mostrar a cultura e sociedade chinesa vistas pelos olhos dos jovens chineses da Geração Z”, conta.

O lançamento de “Out of Poverty: Not One Less” foi amplamente divulgado e disseminado por tudo o que é rede social, em especial na China, incluindo através de uma campanha de vários influencers, onde também se contaram estrangeiros. Além disso, a epopeia digital foi acompanhada por um jogo de “caça ao tesouro” e por um longo tema de hip-hop elogiando a nova e crescente força da China, intitulado “100%”, lançado com pompa e circunstância na plataforma de transmissão de música NetEase Cloud Music.

O jovem ilustrador conta que foram tidos em conta inúmeros exemplos de “estudantes que finalmente conseguiam sair das suas cidades natal, em zonas remotas e desfavorecidas, movidos puramente por vontade, para fazerem exames de acesso ao ensino superior”.

“Agora que eliminarmos a pobreza, quero transmitir a alegria e orgulho daqueles que regressam às suas terras de origem sem receio de regressarem à pobreza. É a isso que chamamos revitalização rural”, afirmou Hu ao Shine, publicação em inglês do Shanghai Daily.

13 Ago 2021

Xangai | Tesla pede desculpa após críticas da imprensa estatal

A fabricante norte-americana de automóveis Tesla pediu ontem desculpa, após ter sido criticada pela imprensa estatal da China devido ao alegado mau serviço prestado aos seus clientes no país asiático. A presença da Tesla no salão automóvel de Xangai, a “capital” económica da China, foi esta semana ofuscada por manifestantes que alegavam que os veículos da Tesla têm “travões com defeito”.

O incidente atraiu a atenção dos visitantes, antes de os seguranças terem retirado os manifestantes. A empresa disse que uma cliente da Tesla que participou da demonstração solicitou reembolso, após um acidente em Fevereiro, alegadamente causado por uma falha nos travões.

As negociações pararam depois de a proprietária do automóvel ter recusado uma investigação de terceiros sobre o acidente para apurar se foi causado por um defeito ou por excesso de velocidade. A Tesla acrescentou que se responsabilizaria por quaisquer problemas com os seus carros, ressalvando que não se compromete com “reclamações injustificadas”.

A reacção da Tesla atraiu críticas da imprensa estatal chinesa e motivou um pedido de desculpas por parte da fabricante automóvel. “Pedimos profundas desculpas por não termos resolvido o problema com a proprietária do carro com rapidez”, escreveu a Tesla na sua conta oficial no Weibo, o equivalente ao Twitter na China.
Uma equipa foi criada para lidar com o caso e cooperar com “qualquer investigação governamental”.

Sucesso minado

A reviravolta ocorreu depois de a empresa ter sido acusada de “fugir às suas responsabilidades” sempre que era criticada, segundo um artigo da Comissão Central da China para os Assuntos Políticos e Jurídicos, a principal autoridade legal do Partido Comunista.

A popularidade da Tesla na China vem do prestígio da marca junto dos consumidores, “mas a arrogância e a falta de respeito pelo mercado e pelos consumidores da China, não pode ser a resposta a esse prestígio”, apontou.

A agência noticiosa oficial Xinhua questionou: “Quem é que dá à Tesla a confiança para não se comprometer”.
O Modelo 3 da Tesla foi o carro elétcrico mais vendido na China, em 2020, e o seu recentemente lançado veículo desportivo compacto Modelo Y também provou ser um sucesso.

As vendas da Tesla no país asiático ascenderam a 6,7 mil milhões de dólares, no ano passado, tornando a China o seu segundo maior mercado a seguir aos Estados Unidos. O escrutínio público das empresas ocidentais que atendem aos consumidores chineses não é incomum e muitas vezes é alimentado pela imprensa estatal.

Isto ocorre também numa altura em que a Tesla enfrenta concorrência crescente no emergente mercado chinês de veículos eléctricos. A ‘startup’ de veículos eléctricos chinesa NIO Inc. revelou um quarto modelo de produção, no mês passado. A Li Auto Inc. e a Xpeng Inc, duas outras ‘startups’ chinesas, também estão a introduzir novos modelos no mercado.

Uma série de manchetes negativas nas últimas semanas ameaça minar o sucesso da Tesla no país.
Alguns complexos militares em Pequim proibiram, no mês passado, os proprietários de veículos da Tesla de estacionar dentro dos seus condomínios fechados, por temerem que as câmaras dos carros possam representar uma ameaça à segurança.

22 Abr 2021

Covid-19 | Nova regra permite a expatriados de Xangai acederem à vacina

Xangai, a metrópole com a maior comunidade de expatriados na China, anunciou que em breve incluirá residentes estrangeiros no seu programa de vacinação contra a Covid-19. A partir de 29 de Março, expatriados com idade adequada poderão candidatar-se às vacinas, segundo as autoridades municipais.

A medida, anunciada na noite de terça-feira, fez de Xangai a segunda cidade da China a divulgar os planos de vacinação de Covid-19 para estrangeiros devido aos esforços do país para popularizar as vacinas entre os seus residentes. Residentes expatriados com idades entre 18 e 59 anos em Wuhan, na província de Hubei, também se podem inscrever para vacinação a partir deste mês.

Trabalhadores de algumas comunidades residenciais de Xangai com uma grande proporção de residentes estrangeiros disseram na quarta-feira que receberam perguntas de residentes expatriados sobre como reservar as vacinas. “Em resposta às suas preocupações, traduziremos o comunicado oficial do governo municipal com etapas detalhadas sobre como marcar a vacinação e quais materiais fornecer. Pretendemos publicar um artigo bilingue sobre o assunto em breve na conta WeChat do bairro”, disse Tang Jia, funcionário do bairro no Yanlord Garden, na área financeira de Lujiazui, distrito de Pudong. “Também partilharemos o artigo no nosso grupo de WeChat de 270 membros que são expatriados ou têm familiares expatriados”, disse.

Outro funcionário do bairro, de sobrenome Zhao, disse que o distrito está a considerar abrir o seu quarto centro de inoculação de vacinas de Covid-19 em Lujiazui por motivos de conveniência para os residentes locais e estrangeiros.

Os expatriados abrangidos pelo seguro médico do país terão direito ao mesmo tratamento que os cidadãos chineses segurados, enquanto os que não têm pagarão 100 yuans por dose.

Giuseppe Bigatti, um médico da Itália e actualmente diretor do centro de histeroscopia do Hospital Renji em Xangai, disse que completou a vacinação de duas doses em fevereiro, quando os funcionários do hospital foram vacinados voluntariamente, e que gostaria que a sua esposa, uma professora italiana, se vacinasse em breve. “Acredito que essa é a única solução para voltar a viajar quando for retomado o trânsito internacional”, afirmou.

Abdurasulov Safar, do Uzbequistão, estudante de graduação na Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, saudou a decisão de incluir expatriados no programa de vacinação e disse que marcaria uma consulta em breve. Safar disse que se sentiria muito mais seguro para voltar ao seu país natal, onde a epidemia ainda persiste, neste verão, se fosse vacinado. “A notícia chegou na hora certa para mim e dormi muito bem depois de ver as informações”, disse.

26 Mar 2021

Xangai | Secretário de Estado seguro na abertura do mercado chinês

O secretário de Estado português do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor enalteceu ontem os compromissos da China em abrir o seu mercado, à margem de um evento que promoveu o país asiático como importador.

“Pelo que ouvi do discurso do Presidente chinês há, de facto, uma intensão muito sólida de abrir a China a outros mercados e com isso promover uma globalização económica”, apontou João Torres à agência Lusa.

No discurso inaugural da Feira Internacional de Importações da China, Xi Jinping prometeu uma “abertura gradual” do mercado doméstico, numa altura em que enfrenta uma crescente pressão dos Estados Unidos e de alguns países europeus, que reclamam maior reciprocidade no acesso ao mercado chinês.

João Torres considerou que a vontade demonstrada por Xi “irá efectivar-se em medidas e em acções concretas”.

“Esta feira, que vai na segunda edição, é uma feira que manifesta, justamente, essa vontade de abertura das autoridades chinesas, e penso que daqui advêm oportunidades múltiplas que devem depois ser aproveitadas por cada país”, disse.

Cerca de duas dezenas de empresas portuguesas participam no certame, segundo um comunicado emitido pelo Ministério da Economia e da Transição Digital, e abrangem os sectores automóvel, moda, calçado ou vestuário.

Segunda maior economia mundial, a seguir aos Estados Unidos, a China é o maior mercado do mundo para vários bens e serviços.

No ano passado, no entanto, Portugal registou um saldo comercial negativo com a China superior a 1.500 milhões de dólares.

João Torres sublinhou que têm sido feitos esforços “muito significativos” para promover as exportações de produtos portugueses para a China e destacou o papel da indústria agroalimentar, depois de as alfândegas chinesas terem autorizado importações de carne de porco e uva de mesa oriundos de Portugal.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, participam também este ano na Feira de Importações da China, que envolveu 3.000 empresas, oriundas de 150 países.

Chega de promessas

Na primeira edição, que se realizou no ano passado, as potências ocidentais não enviaram delegações ao mais alto nível, reflectindo as tensões comerciais com o país asiático.

Pequim reduziu, entretanto, taxas alfandegárias e eliminou outras restrições sobre as importações, mas nenhuma destas medidas responde directamente às reclamações dos Estados Unidos e alguns países europeus, que exigem mudanças estruturais nas políticas industriais chinesas.

Num relatório difundido na segunda-feira, a Câmara de Comércio da União Europeia na China pediu “resultados mais tangíveis”, apelando a Pequim para que cumpra as promessas de uma maior abertura.

“Esperamos que o evento deste ano seja complementado por medidas concretas para facilitar ainda mais a abertura do mercado e aumentar o investimento estrangeiro, e não promessas vazias que já ouvimos por muitas vezes”, afirmou Carlo D’Andrea, vice-presidente da Câmara de Comércio.

Na sexta-feira passada, a UE alertou também para “um risco real de fadiga” face às promessas de Pequim” e disse que é preciso fazer mais para oferecer às empresas estrangeiras condições recíprocas no acesso ao mercado chinês.

Acordo para produtos IGP

A União Europeia (UE) e a China assinam esta quarta-feira um acordo bilateral para a protecção de duzentas indicações geográficas (IGP) chinesas e europeias protegidas (100 de cada parte), incluindo seis portuguesas, foi ontem anunciado em Bruxelas. O acordo, que começou a ser negociado em 2006, prevê a protecção dos produtos da lista contra imitações e usurpações e o reforço do nível de informação dos consumidores. A lista de produtos da UE a proteger na China inclui produtos portugueses, como vinhos de IGP do Alentejo, Dão, Douro, vinho verde, vinho do Porto e pera rocha do Oeste. O champanhe francês, a vodca polaca e os queijos feta (grego), manchego (espanhol) e gorgonzola (italiano) estão entre os 100 produtos europeus incluídos na lista. O acordo é assinado no âmbito de uma deslocação do comissário europeu para a Agricultura, Phil Hogan, a Xangai e Pequim.

6 Nov 2019

Xangai | Secretário de Estado seguro na abertura do mercado chinês

O secretário de Estado português do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor enalteceu ontem os compromissos da China em abrir o seu mercado, à margem de um evento que promoveu o país asiático como importador.
“Pelo que ouvi do discurso do Presidente chinês há, de facto, uma intensão muito sólida de abrir a China a outros mercados e com isso promover uma globalização económica”, apontou João Torres à agência Lusa.
No discurso inaugural da Feira Internacional de Importações da China, Xi Jinping prometeu uma “abertura gradual” do mercado doméstico, numa altura em que enfrenta uma crescente pressão dos Estados Unidos e de alguns países europeus, que reclamam maior reciprocidade no acesso ao mercado chinês.
João Torres considerou que a vontade demonstrada por Xi “irá efectivar-se em medidas e em acções concretas”.
“Esta feira, que vai na segunda edição, é uma feira que manifesta, justamente, essa vontade de abertura das autoridades chinesas, e penso que daqui advêm oportunidades múltiplas que devem depois ser aproveitadas por cada país”, disse.
Cerca de duas dezenas de empresas portuguesas participam no certame, segundo um comunicado emitido pelo Ministério da Economia e da Transição Digital, e abrangem os sectores automóvel, moda, calçado ou vestuário.
Segunda maior economia mundial, a seguir aos Estados Unidos, a China é o maior mercado do mundo para vários bens e serviços.
No ano passado, no entanto, Portugal registou um saldo comercial negativo com a China superior a 1.500 milhões de dólares.
João Torres sublinhou que têm sido feitos esforços “muito significativos” para promover as exportações de produtos portugueses para a China e destacou o papel da indústria agroalimentar, depois de as alfândegas chinesas terem autorizado importações de carne de porco e uva de mesa oriundos de Portugal.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, participam também este ano na Feira de Importações da China, que envolveu 3.000 empresas, oriundas de 150 países.

Chega de promessas

Na primeira edição, que se realizou no ano passado, as potências ocidentais não enviaram delegações ao mais alto nível, reflectindo as tensões comerciais com o país asiático.
Pequim reduziu, entretanto, taxas alfandegárias e eliminou outras restrições sobre as importações, mas nenhuma destas medidas responde directamente às reclamações dos Estados Unidos e alguns países europeus, que exigem mudanças estruturais nas políticas industriais chinesas.
Num relatório difundido na segunda-feira, a Câmara de Comércio da União Europeia na China pediu “resultados mais tangíveis”, apelando a Pequim para que cumpra as promessas de uma maior abertura.
“Esperamos que o evento deste ano seja complementado por medidas concretas para facilitar ainda mais a abertura do mercado e aumentar o investimento estrangeiro, e não promessas vazias que já ouvimos por muitas vezes”, afirmou Carlo D’Andrea, vice-presidente da Câmara de Comércio.
Na sexta-feira passada, a UE alertou também para “um risco real de fadiga” face às promessas de Pequim” e disse que é preciso fazer mais para oferecer às empresas estrangeiras condições recíprocas no acesso ao mercado chinês.

Acordo para produtos IGP

A União Europeia (UE) e a China assinam esta quarta-feira um acordo bilateral para a protecção de duzentas indicações geográficas (IGP) chinesas e europeias protegidas (100 de cada parte), incluindo seis portuguesas, foi ontem anunciado em Bruxelas. O acordo, que começou a ser negociado em 2006, prevê a protecção dos produtos da lista contra imitações e usurpações e o reforço do nível de informação dos consumidores. A lista de produtos da UE a proteger na China inclui produtos portugueses, como vinhos de IGP do Alentejo, Dão, Douro, vinho verde, vinho do Porto e pera rocha do Oeste. O champanhe francês, a vodca polaca e os queijos feta (grego), manchego (espanhol) e gorgonzola (italiano) estão entre os 100 produtos europeus incluídos na lista. O acordo é assinado no âmbito de uma deslocação do comissário europeu para a Agricultura, Phil Hogan, a Xangai e Pequim.

6 Nov 2019

Xangai | Chui Sai On visita exposição internacional de importações

O Chefe do Executivo de Macau, Fernando Chui Sai On, desloca-se hoje a Xangai, o grande centro financeiro do continente chinês, para participar na segunda exposição internacional de importações da China.
Chui Sai On, que vai deixar o cargo a 20 de Dezembro, após 10 anos na chefia do Executivo, lidera a delegação de Macau no certame, que decorre entre esta terça-feira e domingo em Xangai, segundo um comunicado do porta-voz do Governo.
No evento são esperadas “personalidades do meio político e empresarial, oriundas de cerca de 170 países e regiões, bem como vários representantes de entidades internacionais”, é referido na mesma nota.
O pavilhão de Macau está localizado no interior do pavilhão da China, no âmbito da Feira Nacional de Comércio e Investimento, e acolhe a exposição ‘Macau Hub’, com o centro histórico da cidade, património mundial da UNESCO, como pano de fundo.
“Através de instalações visuais interactivas e trabalhos gráficos, os visitantes terão oportunidade de conhecer as conquistas e o progresso socioeconómico alcançados nos últimos 20 anos”, desde o regresso de Macau à China, em 1999.
Com recurso à realidade virtual, “os visitantes poderão ainda simular uma caminhada por algumas das ruas mais icónicas” do antigo território administrado por Portugal, é referido noutro comunicado oficial.

Comércio global

À semelhança do ano passado, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) e o Fundo das Indústrias Culturais organizaram a participação de vários sectores nesta exposição empresarial.
O certame é organizado pelo Ministério do Comércio e o Governo Popular de Xangai, com o apoio da Organização Mundial do Comércio (OMC), da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO).
Anunciada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, em 2017, a exposição internacional de importações da China constitui uma importante medida de Pequim para apoiar a liberalização do comércio e a globalização económica.

5 Nov 2019

Xangai | Chui Sai On visita exposição internacional de importações

O Chefe do Executivo de Macau, Fernando Chui Sai On, desloca-se hoje a Xangai, o grande centro financeiro do continente chinês, para participar na segunda exposição internacional de importações da China.

Chui Sai On, que vai deixar o cargo a 20 de Dezembro, após 10 anos na chefia do Executivo, lidera a delegação de Macau no certame, que decorre entre esta terça-feira e domingo em Xangai, segundo um comunicado do porta-voz do Governo.

No evento são esperadas “personalidades do meio político e empresarial, oriundas de cerca de 170 países e regiões, bem como vários representantes de entidades internacionais”, é referido na mesma nota.

O pavilhão de Macau está localizado no interior do pavilhão da China, no âmbito da Feira Nacional de Comércio e Investimento, e acolhe a exposição ‘Macau Hub’, com o centro histórico da cidade, património mundial da UNESCO, como pano de fundo.

“Através de instalações visuais interactivas e trabalhos gráficos, os visitantes terão oportunidade de conhecer as conquistas e o progresso socioeconómico alcançados nos últimos 20 anos”, desde o regresso de Macau à China, em 1999.

Com recurso à realidade virtual, “os visitantes poderão ainda simular uma caminhada por algumas das ruas mais icónicas” do antigo território administrado por Portugal, é referido noutro comunicado oficial.

Comércio global

À semelhança do ano passado, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) e o Fundo das Indústrias Culturais organizaram a participação de vários sectores nesta exposição empresarial.

O certame é organizado pelo Ministério do Comércio e o Governo Popular de Xangai, com o apoio da Organização Mundial do Comércio (OMC), da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO).

Anunciada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, em 2017, a exposição internacional de importações da China constitui uma importante medida de Pequim para apoiar a liberalização do comércio e a globalização económica.

5 Nov 2019

Xangai | Dois dias de fado no Festival de Artes

Dois dias seguidos de fado e uma peça de teatro em português fazem parte do 21.º Festival Internacional de Artes da China, na cidade de Xangai, que arranca a 18 de Outubro. Os bilhetes para a edição deste ano estão à venda desde ontem, com um programa que integra 98 espectáculos e termina a 17 de Novembro.
O actor Elmano Sancho é o primeiro português a subir aos palcos de Xangai, levando a peça “Misterman”, de Enda Walsh, em português com legendas em chinês e inglês, ao Grand Theatre da cidade chinesa nos dias 22 e 23 de Outubro.
O luso-francês venceu em 2014 o prémio de Melhor Actor da Sociedade Portuguesa de Autores graças a esta peça, que retrata um maníaco religioso que sai todos os dias de casa para inspeccionar o comportamento dos habitantes da sua aldeia.
Seguem-se dois dias de fado ao ar livre, no City Lawn Music Plaza, um relvado situado junto ao Concert Hall de Xangai. Carminho actua a 26 de Outubro e no dia seguinte é a vez de Rodrigo Costa Félix e Inês de Vasconcelos.
O Festival Internacional de Artes da China é organizado pelo Governo Municipal de Xangai, com o apoio do Ministério chinês da Cultura e Turismo.

11 Out 2019

Xangai | Dois dias de fado no Festival de Artes

Dois dias seguidos de fado e uma peça de teatro em português fazem parte do 21.º Festival Internacional de Artes da China, na cidade de Xangai, que arranca a 18 de Outubro. Os bilhetes para a edição deste ano estão à venda desde ontem, com um programa que integra 98 espectáculos e termina a 17 de Novembro.

O actor Elmano Sancho é o primeiro português a subir aos palcos de Xangai, levando a peça “Misterman”, de Enda Walsh, em português com legendas em chinês e inglês, ao Grand Theatre da cidade chinesa nos dias 22 e 23 de Outubro.

O luso-francês venceu em 2014 o prémio de Melhor Actor da Sociedade Portuguesa de Autores graças a esta peça, que retrata um maníaco religioso que sai todos os dias de casa para inspeccionar o comportamento dos habitantes da sua aldeia.

Seguem-se dois dias de fado ao ar livre, no City Lawn Music Plaza, um relvado situado junto ao Concert Hall de Xangai. Carminho actua a 26 de Outubro e no dia seguinte é a vez de Rodrigo Costa Félix e Inês de Vasconcelos.

O Festival Internacional de Artes da China é organizado pelo Governo Municipal de Xangai, com o apoio do Ministério chinês da Cultura e Turismo.

11 Out 2019

A grande dama do chá

Por Fernando Sobral

 

O silêncio era total. Até os cães que guardavam a casa estavam deitados à porta a dormitar, indolentes. Conheciam Jin Shixin e, por isso, ela conseguiu aproximar-se silenciosamente do homem que estava sentado numa cadeira de bambu, virada para a praia de Cheoc Van. Este, sem se voltar, disse:

– Podes aproximar-te, doce Jin. Vem sentar-te a meu lado.

Esperava-a. Indicou uma cadeira vazia que estava ao lado de uma pequena mesa circular e virada também para o mar. Ela assim fez. Ele não olhou para ela. Continuou a fitar o mar através duns óculos escuros redondos. Vestia um fato de linho claro e, de vez em quando, abanava-se com um pequeno leque. Mas nem isso afugentava o calor. Sentado, Du Yuesheng, parecia ainda mais pequeno. A sua voz era um sussurro:

– Houve uma noite como esta em que estava a olhar para o rio Huangpu, em Xangai, e as águas estavam tão calmas como agora. Pareciam antecipar uma tempestade, daquelas que surgem sem aviso. Foi então que senti vontade de saltar do junco e caminhar sobre as águas. Sabia que era possível. Que estava a viver um sonho real.

O chinês olhou para Jin e sorriu.

– Porque não o fiz? Não sei. Ainda hoje acredito que só um pirata consegue caminhar sobre as águas. A morte não nos inquieta. Apenas mostra que somos insignificantes. Somos uma gota neste rio que nunca para. Um dia evaporamo-nos. Desaparecemos debaixo das águas. Não devemos ter medo: esse é o nosso mundo sólido. Foi então que percebi que nunca poderei morrer em terra. Não me sinto seguro aqui.

Jin acenou com a cabeça, complacente. Du olhou para o céu e continuou, no seu cantonês que Jin percebia, como se estivesse a falar sozinho:

-Sabes, Jin, o medo é como uma corrente de água. Não há nada de errado nisso, enquanto deixarem a água correr. Pelo contrário o ódio é como a água estagnada. Causa doenças.

A lua surgiu por detrás duma nuvem e reflectia-se agora no mar calmo. Apesar do ar continuar quente em Macau sabia-se que o prazer estava na sombra, na frescura, na solidão, na noite. O sol e o calor representavam a violência extrema. Du Yuesheng, outrora o homem que, com o seu Bando Verde, dominava Xangai, resignara-se à fuga, depois do confronto das tropas chinesas e japonesas na ponte Marco Polo, em Julho e das bombas que tinham rebentado junto à Nanjing Road em Agosto. Fora para Hong Kong, onde todos o julgavam agora. Mas, como alguém que conhecia como poucos o mundo das sombras e das traições, viera secretamente para Macau. Aqui estava em segurança, porque em Hong Kong os japoneses procuravam-no. Os seus olhos continuaram fixos no mar que o atraía. Lá, todos os homens tentam equilibrar-se. E sobreviver. As águas lavam o passado dos homens. E, em terra, este permanece sólido, incapaz de se dissolver. O mar cala os seus segredos. Em terra eles ecoam para sempre, como pesadelos. Só o nevoeiro une a terra e o mar, escondendo tudo, dissera-lhe T. V. Soong, o cunhado de Chiang Kai-shek. Agora acreditava nele. A lua nova estava no auge e a luminosidade era fraca. Nessas noites os peixes concentravam-se no fundo do mar. Por isso não se via um único barco de pesca daqueles que costumavam passar ao largo das areias da ilha de Coloane.

Jin reparava, agora, no olhar cansado do chinês. Típico de quem não dormia há muito.

– Que me contas, Jin?
– Temos problemas.
– Disseram-me que tiveste uma noite atribulada. E que ficaste ferida.
– De raspão. Nada de grave que o possa incomodar, senhor.
– Nem a ti?
– Nem a mim.
– Excelente. Foram os japoneses?
– Tenho a certeza, mestre Du. Eles estão por perto.

Du Yuesheng agarrou no copo de limonada que estava na mesa e levou-o aos lábios.

– Achas que está na altura de sair de Macau? Sabes qual é o meu destino final?
-Não.
– É melhor que não o saibas.

Mas Jin sabia. O chinês tinha um destino: a ilha Formosa. Dois morcegos passaram defronte deles, em busca de comida. Du Yuesheng disse:

– Vais ter sorte, Jin. É um sinal.
– O senhor também a terá.

Du deu uma pequena gargalhada:

– Eu não tenho tempo para usar a sorte.

A sua voz era como uma melodia triste. Durante minutos continuaram os dois muito calados a sentir a força da lua.

– É verdade. Houve mesmo um momento em que acreditei que poderia caminhar sobre as águas. Deslizar nelas. Acabei por acreditar na minha própria lenda. O meu junco era uma fortaleza que nunca iria ao fundo. Voava sob as águas.

A voz do chinês, de repente, tornou-se quase sombria. Como se toda a vida tivesse sido sugada dela. Era um Du Yuesheng diferente daquele que Jin conhecera em Xangai em clubes nocturnos como o Hengshe ou o Ciro’s, que fechavam às seis da manhã, e onde se cruzavam comerciantes, financeiros, pessoas dos cinemas, das discotecas e dos hotéis. E também polícias deferentes aos caprichos de Du. E onde as chinesas, com os seus vestidos de seda, e as russas, com os vestidos de noite muito decotados, e os seus olhos que pareciam violetas na Primavera, dançavam com os homens que procuravam o prazer desconhecido. Ali as raparigas bebiam cidra que aparecia como champanhe nas contas. E esses homens pagavam, sem protestar. A Nanking Road com os seus edifícios iluminados de 20 andares mostrava que Xangai não era um inferno. Era o céu no topo do céu, como alguém dissera. Du voltou a falar:

– Confias no português que te tratou?

Surpreendida pela pergunta, Jin teve de esperar alguns segundos antes de responder, algo que Du percebeu.

– Não confio em muita gente. E nele, não.
– É melhor assim. Mesmo que te tenha tratado. Mas pode ser-nos útil. Não está ao serviço dos japoneses.

Du era pragmático. Dividia assim os seres humanos. Os que estavam do seu lado eram pessoas. Os outros eram úteis ou inúteis.

– Não podemos permitir-nos gostar das pessoas. O coração é o traidor que temos mais próximo de nós.
– Não tenho paixões, mestre Du. Vi homens com que dormi a morrer de forma natural. E outros com buracos de balas. Ou mortos com uma navalha. Nada me dói.

Jin sentiu que Du Yuesheng estava cansado. Talvez fosse a última vez que o via. Ele disse:

– O desejo de saber tem sido o fim de muitos homens. Talvez o seja para quem me procura.

Olhou finalmente para Jin e não escondeu a tristeza:

– Continuas encantadora como sempre, doce Jin. Sei que velarás pelos meus interesses. Guarda o que é valioso para o nosso futuro. Um dia mo entregarás. E lembra-te: não há piedade para os vencidos. Aqueles que foram nossos companheiros em velhas batalhas não a terão por nós se estiverem do outro lado das águas. Por isso, tem cuidado.

24 Mai 2019

Emigração | Portugueses em Xangai, entre o chegar e o partir

Xangai, a maior cidade da China, é o grande centro financeiro do país e um destino para muitos portugueses, mas a volatilidade dos mercados também se estende aos emigrantes, que ora chegam, ora partem

 

Celso Benídio chegou no dia anterior, enquanto Bruno Colaço parte após seis anos. São os extremos da comunidade portuguesa em Xangai, limitada pelas dificuldades em obter vistos e a fraca presença empresarial portuguesa.

No Consulado-Geral de Portugal em Xangai, que cobre também as províncias vizinhas de Jiangsu, Zhejiang, Anhui e Jiangxi, estão registados cerca de 580 portugueses. Mas o próprio cônsul-geral Israel Saraiva admite que haja muitos que tenham partido sem avisar as autoridades. A comunidade estará mais perto das 300 pessoas, estima Bruno Colaço, um dos fundadores do Clube Português de Xangai.

O número de portugueses registados no consulado estagnou desde 2017, coincidindo com um período em que a comunidade estrangeira em Xangai tem vindo a decrescer, diz Israel Saraiva. Uma das explicações, refere o diplomata, é a “questão complexa” dos vistos de trabalho para a China.

No caso de Celso Benídio, a empresa suíça que contratou o especialista em tecnologia já investiu mais de mil euros para conseguir um visto.

“Podes ser muito talentoso mas se não falas a língua a tua empresa tem que explicar muito bem porque vai contratar um estrangeiro e não um local”, diz o português. “Temos visto esta dinâmica a acentuar-se, sobretudo nos últimos três anos”, confirma Bruno Colaço.

O gestor lamenta que a comunidade esteja também limitada pela falta de uma diáspora empresarial na China. “Não há uma câmara de comércio e contam-se pelos dedos de uma mão o número de empresas portuguesas presentes efectivamente na China, com uma representação própria, um escritório e uma empresa legalmente estabelecida”, diz Bruno.

“Embora haja promessas e mais promessas, o quadro regulatório da China permanece relativamente complexo, o que não tem criado facilidades para as empresas”, explica Israel Saraiva. Ainda assim, o cônsul acredita a pressão externa, nomeadamente da União Europeia, tem levado a novas leis que vão no sentido de “tornar o ambiente regulatório mais previsível e menos aleatório”.

Marcelo e a reviravolta

Durante a visita oficial à China, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que existe “uma empatia” ao mais alto nível político nas relações luso-chinesas e pediu aos empresários que aproveitem este momento para “ir mais longe e ir mais depressa” nos negócios. As declarações foram proferidas, na semana passada, em Xangai, aquando da abertura de um seminário económico, perante empresários portugueses e chineses.

“É um momento que não podemos desperdiçar. Porque há a memória de um conhecimento recíproco, uma capacidade de compreensão também singular, porque há uma confiança que se criou. E a confiança é crucial. Está criada a confiança, a todos os níveis”, considerou.

Segundo o Presidente da República, nas recentes visitas recíprocas entre titulares do poder político de Portugal e da China, “entre primeiros-ministros, como desde logo entre presidentes da República, nasceu uma empatia, renovou-se uma empatia”. “O quadro hoje é um quadro de excelência nas relações políticas institucionais. E é um quadro de excelência na empatia pessoal”, reforçou.

O chefe de Estado defendeu que “isso é importante” para as empresas, argumentando que “a empatia no quadro político institucional pode facilitar ou dificultar as relações empresariais”.

Dirigindo-se aos empresários dos dois países, deixou-lhes um desafio: “É ir mais longe e ir mais depressa, porque a velocidade neste tempo é outra, e não há vazios, os vazios têm de ser preenchidos. Não podemos perder um minuto. Não podem perder um minuto na concretização dos vossos projectos”.

“Foi essa a mensagem que quis aqui trazer com a minha presença. Quis dizer que, naquilo que depende dos presidentes, nós estamos presentes: está presente o Presidente Xi, estou presente eu. Naquilo que depende dos poderes políticos, estamos presentes. Agora, a vida não se faz nem só nem sobretudo com os poderes políticos, faz-se com as pessoas, faz-se com os empresários, faz-se com aqueles que criam riqueza”, acrescentou.

Oscilações de números

Apesar dos discursos políticos, e face às dificuldades burocráticas de fixação na China, o número de portugueses em Xangai continua instável. No terreno o resultado dessas dificuldades é uma comunidade portuguesa flutuante, composta sobretudo por estudantes e profissionais a trabalhar para empresas multinacionais, como é o caso do marido de Patrícia Dias. “A nossa estadia aqui não será para a vida, ele tem um contrato de quatro anos e depois logo se vê”, diz a enfermeira, que está a estudar acupuntura em Xangai.

“Não é surpreendente que as pessoas estejam cá só um ano ou dois”, diz Israel Saraiva. “Estão integradas num projecto profissional, adquirem experiência, adquirem currículo e surge-lhes uma oportunidade noutro sítio, para porventura daqui a uns anos regressarem cá”, explica o cônsul.

É o caso de Henrique Dias, que veio há um mês do Dubai para Xangai, após ter trabalhado anteriormente em Guangzhou. “Acredito mesmo que neste momento no mundo só a China e a Índia têm potencial para continuar a crescer”, explica o arquitecto.

Íman do Yuan

Apesar do recente abrandamento económico, a China continua a ser para muitos portugueses um lugar de futuro. “Quando se fala de inovação em tecnologia, a China é a mais avançada em muitas áreas, nomeadamente aquelas viradas para o consumidor”, diz Celso Benídio.

João Graça Gomes, bolseiro da China Three Gorges, accionista da EDP – Energias de Portugal, está também optimista. “Assim que eu anunciei no LinkedIn que ia começar a estudar na Universidade Jiaotong de Xangai, recebi logo duas ofertas de emprego na China de uma empresa norte-americana”, revela o investigador em energias renováveis.

Ao ver o investimento chinês a chegar a Portugal, João já tinha começado a aprender mandarim no Instituto Confúcio em Lisboa. E não é o único a encarar a língua chinesa como uma vantagem competitiva. A filha de Patrícia Dias, de nove anos, frequenta uma escola internacional em Xangai onde está a aprender mandarim, falado e escrito. Mesmo Henrique Dias garante que a filha, com apenas nove meses, irá no futuro aprender a língua chinesa.

Entre chegadas e partidas, a maioria dos portugueses parece ter uma certeza, a de não ter planos para regressar ao país natal. “Aqui tenho a possibilidade de trabalhar no futebol de formação a tempo inteiro, o que não acontece em Portugal”, explica Rui Vitorino. “No nosso nível ninguém fica rico, mas dá-nos qualidade de vida”, diz o treinador dos sub-15 da zona de Yangpu.

“Adorava contribuir para o meu país mas não necessariamente voltar”, diz Celso Benídio. “Agora, trabalhar para uma empresa portuguesa e estar focado em Portugal, isso não, de todo”.

Metrópole em expansão

Hoje em dia, Xangai é um dos incontornáveis pólos financeiros numa época em que o centro de gravidade da economia global se desloca para o oriente.

Xangai tem uma população de cerca de 24 milhões de habitantes e está previsto que até 2050 dê o salto demográfico para uma marca algures entre os 35 e os 45 milhões de habitantes. Importante referir que no contexto circundante do Delta do Rio Yangtze, se estima que o número de habitantes ascenda aos 200 milhões.

A taxa de crescimento da cidade tem-se mantido estável e consistente desde a década de 1980, quando a população era menos de metade da actual. Apesar do crescimento do número de habitantes, Xangai soube reinventar-se para acompanhar este pulo demográfico. Por exemplo, a rede de metro da cidade, com comboios a circular em 12 linhas, é a mais extensa do mundo. Facto notável, principalmente se tivermos em conta que a primeira linha abriu apenas em 1993. Neste aspecto, importa referir que existem mais quatro linhas em construção, e cinco das existentes estão em expansão. Este exemplo é demonstrativo da forma como a cidade se soube equipar para fazer face ao salto demográfico.

Actualmente, Xangai de uma taxa de crescimento de entre 700 a 800 mil pessoas por ano. Em termos comparativos, Toronto é o centro urbano que regista maiores taxas de crescimento demográfico na América do Norte e Europa, com uma taxa entre 100 a 125 mil por ano.

Se a tendência continuar, estima-se que até 2025, mil milhões de pessoas vão viver nas grandes cidades chinesas.

6 Mai 2019

Cooperação | Chui elogia Xangai na divulgação de português

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, elogiou ontem o papel de Xangai nas áreas de formação em língua portuguesa, durante um encontro com a presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Municipal de Xangai, Yin Yicui.

O “Chefe do Executivo referiu ainda que as relações bilaterais entre Macau e Xangai são duradouras, tendo os dois lados consolidado ao longo do tempo a cooperação nas áreas de formação em língua portuguesa, acções de formação para trabalhadores da administração pública, desporto, turismo e assuntos juvenis”, pode ler-se num comunicado, sobre o encontro que decorreu no Palácio do Governo.

Por sua vez, Yin Yicui afirmou vir à Grande Baía para aprender com o plano geral para esta zona e afirmou que o posicionamento de Macau como “um Centro, uma Plataforma, uma Base” pode criar mais oportunidades de desenvolvimento.

9 Abr 2019

Xangai | Polícia encerra clube privado de acompanhantes masculinos

O Perfect Space operava num dos bairros mais luxuosos da capital financeira chinesa. Oferecia serviços de acompanhantes masculinos a uma clientela exclusivamente feminina. Imagens, que se tornaram virais na internet, de uma festa de aniversário de um dos acompanhantes, levaram a polícia a encerrar o local

 

A polícia chinesa encerrou um clube privado para mulheres em Xangai, depois de fotos de um dos acompanhantes masculinos, com prendas de luxo, se terem tornado virais nas redes sociais, avançou ontem a imprensa local.

“O clube foi encerrado pela polícia no sábado”, confirmou ontem a esquadra local, citada pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post.

O encerramento surge depois de uma mensagem, partilhada na conta oficial do clube, designado Perfect Space, se ter tornado viral na Internet chinesa.

A mensagem inclui fotos da celebração do 28.º aniversário de um dos acompanhantes, com 28 prendas, oferecidas por uma das mulheres que frequentam o clube. Entre as prendas, destaca-se um carro da Audi, um copo em ouro e 280.000 yuans em dinheiro.

A ostentação despertou a curiosidade de vários internautas, que acabaram por expor mais informações sobre o espaço, que no portal oficial se apresenta como um “clube privado para mulheres, localizado no bairro mais próspero do centro de Xangai”.

O portal detalha que o espaço tem 1.600 metros quadrados e 19 “quartos VIP”. “Prometemos estar ao nível do seu status”, pode ler-se na página electrónica.

Fotos no portal mostram a palavra “amor”, escrita em luzes de néon cor-de-rosa, num dos salões do clube, com balões e buquês, e uma estátua de um cavalo branco na entrada. Em chinês, o nome do clube significa “cavalo branco”. Em inglês, o espaço chama-se Perfect Space.

Junta-te à festa

Os internautas revelaram ainda um anúncio de recrutamento, publicado na conta oficial do clube, em 2016, para “modelos masculinos comerciais”.

O anúncio oferece 1.000 yuan em gorjetas sempre que um dos modelos “entretiver” uma mulher, para além de um salário base mensal de 80.000 yuan.

O salário mínimo em Xangai, a “capital” económica da China, está fixado em 2.420 yuan, o mais alto do país.
Para trabalhar no Perfect Space era preciso “ter mais de 180 centímetros de altura, ser bonito, elegante, limpo e bem-disposto”.

“O trabalho é fácil e relaxante, simplesmente consiste em acompanhar as convidadas a beber e conversar, sem nenhuma actividade ilegal envolvida”, lê-se num dos anúncios, difundidos nas redes sociais chinesas.
Uma foto com duas filas de homens em tronco nu, no corredor do clube, ilustra o anúncio.

Uma das mulheres citadas pelo SCMP explicou que “as pessoas frequentam aqueles clubes por necessidade emocional”. “Não é algo tão flagrante como sexo”, afirmou. Registos públicos revelam que o Perfect Space foi registado com o nome Shanghai Wangzhongde Dining Services, em 2012, com um capital social de 200.000 yuan.

O mesmo documento classifica o espaço como um “espaço de restauração” e para “karaoke”. O proprietário, Shen Jian, tem outras 10 empresas, incluindo um bar em Nanjing, sudeste da China, e um café na província de Shandong, no norte do país.

Citado pelo jornal Beijing Youth Daily, um homem chamado Bai, que afirmou ser um ex-funcionário, revelou que aquele aniversário não foi das festas mais ostensivas que se realizaram no clube.

Segundo a mesma fonte, todos os funcionários do clube eram homens e a clientela exclusivamente feminina.
O Perfect Space apagou a maioria das suas mensagens divulgadas anteriormente nas redes sociais chinesas Weibo e WeChat, desde que a história se tornou pública.

31 Jan 2019

MAM acolhe exposição que mostra estilo da “Escola de Xangai”

Inaugura esta terça-feira a exposição “Escola de Pintura de Xangai – Colecções do Museu do Palácio”, que ficará patente no Museu de Arte de Macau (MAM).

De acordo com um comunicado, estarão expostas cerca de 90 obras que vão mostrar ao público “a partir de uma perspectiva tridimensional os elementos artísticos diversificados da ‘Escola de Xangai’”.

Os visitantes poderão, assim, conhecer 20 representantes desta corrente artística, tal como “Os Quatro Ren”, “Os Três Xiong”, Wu Changshuo, Zhao Zhiqian e Xu Gu. Esta iniciativa parte de uma cooperação entre o Instituto Cultural, Direcção dos Serviços de Turismo e Museu do Palácio de Pequim, entre outras entidades.

16 Dez 2018

Exposição internacional de importações em Xangai recebe produtos lusófonos

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), vai apresentar, a partir de hoje, produtos locais e dos países lusófonos na primeira exposição internacional de importações da China (CIIE), em Xangai.

A exposição, que reúne a participação de mais de 130 países, vai acolher 39 empresas de Macau responsáveis pelo comércio de produtos locais, mas também de países de língua portuguesa com canais de distribuição no território, de acordo com um comunicado do IPIM.

“Com uma área completamente aberta (…) os dois pavilhões [reservados a Macau] vão apresentar produtos alimentares e bebidas macaenses e lusófonos, visando promover o papel de Macau como plataforma sino-lusófona”, lê-se no comunicado da instituição.

A delegação de Macau, liderada pelo Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, conta com representantes do comércio, serviços financeiros, ciência e tecnologia, hotelaria, turismo, restauração, indústria transformadora, entre outros.

Anunciada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, em maio do ano passado, durante o fórum “Uma Faixa, Uma Rota” para a cooperação internacional, a CIEE constitui uma importante medida de Pequim para apoiar a liberalização do comércio e a globalização económica, abrindo ainda mais, por iniciativa própria, o mercado chinês ao mundo.

4 Nov 2018

Tesla vai construir em Xangai a primeira fábrica fora dos EUA

A fabricante norte-americana de carros elétricos Tesla revelou que vai construir a sua primeira fábrica em Xangai, na China, a primeira fora dos Estados Unidos, numa altura de crescentes disputas comerciais entre Washington e Pequim.

O grupo, que tem sede no estado norte-americano da Califórnia, assinou um acordo para a transferência dos terrenos onde vai ser construída a fábrica.

As novas instalações foram anunciadas em Julho passado, depois de Pequim ter-se comprometido a eliminar os limites de propriedade para fabricantes de veículos eléctricos, e a Tesla manteve os planos, apesar das crescentes disputas comerciais entre EUA e China, motivadas pelas ambições chinesas para o sector tecnológico.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs já taxas alfandegárias sobre 250 mil milhões de dólares de importações oriundas do país asiático.

Em causa está a política de Pequim para o sector tecnológico, nomeadamente o plano “Made in China 2025”, que visa transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades em sectores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Os EUA consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

A China é o maior mercado automóvel do mundo e o segundo maior para a Tesla, a seguir aos EUA.

General Motors, Volkswagen ou Nissan são outros grandes fabricantes de automóveis que estão a investir milhares de milhões de dólares no fabrico de veículos elétricos na China.

A produção local elimina os riscos do aumento de taxas alfandegárias e outras barreiras às importações.

“É um importante marco para o que será o nosso próximo local de fabrico desenvolvido de forma sustentável e sofisticado”, afirmou o vice-presidente da Tesla Robin Ren, em comunicado.

A Tesla afirmou antes que a produção em Xangai vai arrancar dentro de dois a três anos após concluída a construção da fábrica e, eventualmente, aumentar para 500.000 veículos por ano.

18 Out 2018

Festejos em Shanghai e as estampilhas

Nos dias em que a comunidade portuguesa de Shanghai festeja o IV Centenário da Viagem Marítima para a Índia, a chuva fustiga a cidade. No artigo anterior demos nota das celebrações do dia 17 de Maio de 1898, onde na Igreja de S. José, na concessão francesa, se realizou um Te Deum e no Club de Recreio foram recebidos todos os cidadãos que desejaram por telegrama transmitir saudações a El-Rei e à família real, à nação e à comissão central executiva de Lisboa.

“No dia 18 a chuva continuou a incomodar-nos; não obstante, a subcomissão encarregada dos festejos no Jardim Chang-su-wo foi continuando com os seus arranjos e conseguiu fazer uma esplêndida festa”, n’ O Porvir. Para esse arraial festivo, o programa prevê danças e outros divertimentos, fogo de vista e iluminações, no Jardim Chang-Su-ho, segundo o Echo. “Às 9 horas [da noite] começaram a vir os convidados. Eram mil e quinhentas pessoas, pouco mais ou menos, entre nacionais e estrangeiros, incluindo crianças. O salão de baile estava bem ornado, sobressaindo uma pintura alegórica de Vasco da Gama com o estandarte real e bandeiras nacionais nos lados. O salão de baile era bem vasto, pois estando 95 pares a valsar, ainda restava grande espaço para os espectadores e passeantes. Houve bonitos fogos de vistas no imenso jardim; e por não se poderem fazer outros divertimentos fora das portas por causa das lamaceiras, os da comissão arranjaram uma companhia de actores chineses que foram representar numa casa contígua, o que divertiu muita gente. Às nove da manhã, depois de uma lauta ceia, os convidados começaram a chamar pelas suas carruagens e foram deixando o jardim com mostras de saudade.

Na noite de 19, apesar de chover bastante realizou-se no Astor Hall o sarau literário e musical” e segundo o Echo, “se a parte musical é desempenhado por amadores portugueses, os trabalhos literários de nacionais e estrangeiros são avaliados pela comissão executiva, sendo os aceites reunidos num livro.” Continuando n’ O Porvir, “O Hall estava ornado com o maior brilhantismo e bom gosto. Tanto a parte literária como musical agradou à grande multidão que se achava presente. A banda dos nossos amadores achava-se também presente e tocou hinos da Carta e Vasco da Gama com maior entusiasmo, antes de começar a festa e na conclusão da mesma.”

“As iluminações atingiram, porém, todo o seu brilhantismo só na noite do dia 20, em que o vento, prestando talvez também a sua homenagem a Vasco da Gama, houve por bem respeitá-las”. Já o Echo Macaense diz, “Além das residências dos portugueses, os consulados de Inglaterra e Alemanha e vários outros estrangeiros e alfândega e o Mixed Court tomaram parte. Os bunds da concessão francesa e do foreign settlement estavam ambos embandeirados e iluminados, apresentando uma iluminaria de duas milhas de comprimento. A banda dos nossos amadores percorreu as ruas tocando várias marchas”. “Grande era o número de chineses na Bund, notando-se em todos os rostos grande e geral entusiasmo.

Congratulando-nos com os nossos estimados compatriotas pela brilhante prova que mais uma vez souberam dar do seu acrisolado patriotismo, daqui os saudamos e lhes significamos e nosso júbilo pela forma com que se estão honrando a si e estão estremecendo a pátria”, O Porvir.

Conclui o Echo Macaense, “Enfim, saiu tudo o mais esplêndido possível, devido à força de vontade dos nacionais e à boa táctica de andar em boa camaradagem entre os cosmopolitas. Houve mais uma coisa que não estava incluída no programa e que no meu entender [C.C.C.] veio coroar a nossa festa. Devido à muita amizade que os bons padres desta missão têm para com a gente portuguesa, espontaneamente anunciaram no dia da Ascensão de N.S.J.C. que a missa de dia no Domingo, às 10 horas, havia de ser em honra e memória de Vasco da Gama, e em acção de Graças e para pedir pelo reino de Portugal, e convidou a comissão executiva a assistir a ela oficialmente. Escusado é dizer que o amável convite foi aceite com grande entusiasmo. A nossa igreja do Sagrado Coração de Jesus, onde se disse a missa, estava bem ornamentada, sobressaindo muitas nossas bandeiras. O reverendo padre Paris, superior geral da missão que tinha chegado da missão no dia antecedente, foi celebrante e ao Evangelho o reverendo padre Alves fez, com muita eloquência e entusiasmo, o panegírico de Vasco da Gama. Sua Reverência mostrou ser um bom orador, e como vai para Macau daqui a algum tempo, o meu amigo e toda a gente lá terão o gosto de o ouvir.”

Estas comemorações deram um novo ânimo à comunidade portuguesa, maioritariamente residente no Model Setllement.

Estampilhas para o Centenário

Um leitor, no Echo Macaense de 13 de Setembro de 1896, dá como sugestão mandar-se fazer selos especiais para o Correio de Macau a comemorar o IV Centenário e a ideia de uma série de imagens para os selos. Ideia usada em Lisboa para serem distribuídos por Portugal Continental e Ultramarino e assim, em Macau começaram a ser vendidas as estampilhas a 15 de Abril de 1898, referindo O Independente de 6 de Março terem já sido recebidas na Repartição da Fazenda Provincial e terão curso desde 1 de Abril a 30 de Junho.

A 24 de Abril o Echo Macaense dá conta, “Vieram novamente do reino em grande quantidade estampilhas do centenário e por ordem superior foi determinado que não se vendessem a cada indivíduo mais do que seis estampilhas por cada vez, sendo elas de 1/2 avo até 8 avos, isto com o fim de evitar que os grandes coleccionadores as absorvam rapidamente e o público fique privado delas para as suas colecçõezinhas e para o uso ordinário. Não há limites para venda de estampilhas cujo valor suba acima de oito avos, e também podem comprar-se quantas colecções completas se queiram. Já não há para venda bilhetes-postais impressos em Macau com a resposta paga, e também já se esgotaram as duas qualidades de bilhetes que vieram desta última vez”. O mesmo jornal, a 1 de Maio, com o título ‘Mais valores postais expedidos para as nossas colónias – Nova encomenda feita à casa fabricadora dos mesmos valores em Londres’ refere, “Foram reclamadas por algumas das nossas colónias novas remessas de valores postais da comemoração indiana e a prova disto é que há poucos dias foram enviados para o ultramar mais os seguintes valores: Para a Índia 24 mil bilhetes da taxa de ¼ de tanga no valor de 150$ réis. Para Macau 212.500 estampilhas das taxas de ½, 1, 2, 4, 8, 12, 16 e 24 avos e dois mil bilhetes da taxa de 2 avos, tudo no valor de 6185$000 réis; e para Timor, três mil bilhetes da taxa de 2 avos, no valor de 30$000 réis. O valor total de todos os valores, acima especificados, 6465$000 réis da metrópole. Foi já expedida ordem competente para se aprontarem na casa londrina mais 5000$00 dos aludidos papelinhos de posta”.

O Correio, então situado no edifício do Leal Senado, tem desde Dezembro de 1897 como Director de nomeação definitiva Francisco Maria Xavier de Souza, filho de Ricardo de Souza, o anterior Director.

12 Out 2018

O IV Centenário celebrado em Shanghai

A colónia portuguesa de Shanghai em 1898 conta para cima de oitocentos portugueses e prepara-se para realizar a sua primeira festa. Seria bom todos estarem de mãos dadas para a festa se realizar com o maior esplendor possível. “São dirigidos convites para se fazerem representar nos festejos, aos diplomatas que na ocasião se acharem em Shanghai, bem como aos representantes das diferentes colónias. Também às autoridades locais, aos conselhos municipais e forças de terra e mar, à imprensa local, a várias associações de comércio, indústria, ciência, instrução, religião, etc. e a diferentes escolas”.

Com uma colorida descrição da festa o correspondente do Echo Macaense relata: “Muito antes de alvorecer o dia 17 de Maio de 1898, a maior parte dos portugueses já se achavam levantados. Uma grande multidão de senhoras e cavalheiros encheu a rua onde se acha actualmente o Consulado de Portugal, não obstante a grande chuva e muita trovoada que se fazia. Às 5 horas, uma banda de amadores nossos rompeu a sinfónica música de alvorada, subindo nessa ocasião girândolas de foguetes. Após pequena pausa tocaram o Hino da Carta [executado obrigatoriamente desde 1834 nas solenidades públicas, está ligado com a Carta Constitucional outorgada por D. Pedro IV]; a bandeira das sagradas quinas, devidamente encimada da flâmula, foi arvorada majestosamente entre hurras dos espectadores e confusão dos panchões. Depois os nossos músicos foram tomar café, oferecido pelo nosso digníssimo cônsul”. O Porvir refere ter sido “a bandeira portuguesa hasteada no consulado à alvorada, percorrendo em seguida uma banda de música de amadores portugueses as principais ruas de Hongkew [onde habitam portugueses] até ao Club de Recreio, tocando o hino nacional e o hino do centenário. A maior parte dos navios surtos no porto içaram a bandeira portuguesa, que se viu também flutuar nos estabelecimentos e casas dos principais negociantes e residentes”.

“Não obstante as bátegas de água que caíram constantemente, as diferentes subcomissões não desanimaram, foram continuando com os diversos trabalhos e conseguiram assim cumprir à risca, e com muito brilhantismo, o programa. Só o Te Deum, se verificou às 4 horas do dia marcado, em vez de 5 horas e meia, como estava anunciado”, menciona o Echo. Está a Diocese de Shanghai nas mãos da Propaganda Fide. Continuando n’ O Porvir, “Na tarde do mesmo dia houve um solene Te Deum na igreja de St. Joseph na Concessão francesa, oficiando o reverendíssimo bispo Garnier e assistindo àquele acto religiosos muitas pessoas de todas as nacionalidades, notando-se entre elas sua Exa. Tsai Tantai e o seu secretário, o Sr. Cheng, magistrado do tribunal misto, todo o corpo diplomático e consular, os oficiais dos diferentes vasos de guerra surtos no porto, os voluntários e os bombeiros.

Em seguida ao ofício divino, o reverendíssimo bispo Garnier tomou a palavra e usou dela enaltecendo a brilhante história de Portugal no passado, em termos eloquentíssimos e altamente penhorantes para nós. Embora esse passado já se tenha ido, é-nos todavia grato vermos um grande vulto eclesiástico da França, dessa França que é nossa irmã, e que deve ser sempre nossa amiga, prestar-lhe homenagem pública, reconhecer-lhe a primazia na espinhosa vereda da civilização. Isto chega a convencer-nos, a nós os portugueses, de que ainda não somos pequenos de todo, e que a grandeza do nosso glorioso passado histórico ainda se reflecte sobre nós. Trabalhamos para a civilização, buscamos o bem de todos, como podemos, e se um dia tivermos de morrer, a Humanidade nos faça o epitáfio que merecemos, e que pode ser, pouco mais ou menos o seguinte: “Aqui jaz Portugal, que, depois de ter dado ao Mundo novos mundos, só pequeno quinhão deles guardou para si. ETERNA GLÓRIA LHE SEJA FEITA.” Ao “bispo Garnier brindaram os nossos compatriotas luso-shanghaenses com um magnífico prie-Dieu, como amostra do seu reconhecimento”. Diz o Echo: “A Igreja de S. José, onde se celebrou o Te Deum, estava ricamente ornada, sobressaindo em vários pontos apropriados, as bandeiras das quinas. A bando dos amadores nossos estava presente, tocando os hinos da carta e de Vasco da Gama, entre e depois da função”.

No Club de Recreio

Após a cerimónia religiosa na Igreja de St. Joseph, todos foram para o Club de Recreio, onde houve uma recepção pelo “nosso ilustre e queridíssimo amigo Sr. Joaquim M. Travassos Valdez, digno e estimadíssimo cônsul-geral de Portugal em Shanghai”, segundo O Porvir. No Club de Recreio, reuniu-se “a nossa comunidade para se congratular com ele pelo fausto acontecimento que a pátria comemorava naquele dia. Usou da palavra o nosso distinto compatriota Sr. Adelino Diniz, fazendo uma primorosa resenha da História de Portugal, desde Afonso Henriques até quase aos nossos dias, evidenciando e apoteosando, com brilhante colorido os feitos dos nossos heróicos antepassados, e terminando com as seguintes palavras felizes: <Portugueses! Curvemo-nos perante a gigantesca figura da nossa histórica nacional! Honra e glória a Vasco da Gama! Viva Portugal! Viva El-Rei! Viva a família real! Viva o digníssimo representante de Portugal em Shanghai!>”.

Segue o Echo Macaense, “O Sr. Adelino Diniz fez nesta ocasião um discurso apropriado, concluindo por pedir ao nosso digníssimo representante para transmitir o seguinte telegrama de congratulação”. Segundo O Porvir, “Depois disso foi entregue a sua Exa. para lhe dar o devido destino, o seguinte telegrama congratulatório da comunidade luso-shanghaense: <Ferreira d’ Amaral Comissão Vasco da Gama – Lisboa. Comissão de Shanghai congratula o Rei e a Nação pelo grande feito marítimo que tanto brilhantismo deu a Portugal>.

O ilustre cônsul, possuído do ardor desse patriotismo que de há muitos anos lhe conhecemos, respondeu ao Sr. Diniz em termos adequados e dignos da ocasião”. Terminou o Sr. Valdez com calorosos vivas feitos aos conselhos municipais de Shanghai, à comunidade portuguesa e aos residentes de Shanghae, ao corpo diplomático e “ao exército e armada nacionais, se bem que só aquele, o exército no Model Settlement, o próprio sr. cônsul, o próprio Sr. Valdez, brioso oficial de cavalaria do exército do reino.” Continuando n’ O Porvir, “O edifício do consulado esteve iluminado com bonitos lampiões de cores, e lindamente decorado, tocando primeiramente a banda de música na sua frente, e depois nas frentes das casas de todos os portugueses que iluminaram as fachadas das suas residências em honra da ocasião”. Segundo o Echo Macaense “a municipalidade da Concessão francesa, pela sua parte, ornamentou e iluminou a avenida marginal. O resto da avenida até Hongkew também foi ornada e iluminada”. Iluminação que permanecerá nas noites seguintes de 18, 19 e 20 de Maio, e tal como no reino e colónias, os três primeiros desses dias de gala serão feriados depois do meio-dia e completo feriado no dia 20 de Maio.

Apesar da chuva, o primeiro dia de festejos corre conforme o programa.

5 Out 2018

A primeira festa dos portugueses de Shanghai

Pelas grandes potencialidades de trabalho e comércio, Shanghai atrai muita gente e não é de estranhar a rápida progressão da comunidade portuguesa proveniente de Macau a aqui se estabelecer, tornando-se a segunda mais numerosa da cidade. Segundo Jack Braga, “Para o fim do século XIX, havia comunidades portuguesas em todos os centros comerciais do Extremo Oriente. Muitos dos seus membros preferiam apregoar a cidadania britânica, por terem nascido em Hong Kong, mas têm sido, geralmente, classificados de portugueses, por motivo da sua ascendência, em vez da sua nacionalidade”.

Shanghai em 1898 conta para cima de oitocentos portugueses, incluindo homens, senhoras e crianças, e como cônsul geral de Portugal continua o Sr. Joaquim Maria Travassos Valdez, que a 7 de Maio de 1897 resume as actividades a que se dedica a comunidade: . Já segundo Alfredo Gomes Dias, os membros da comunidade portuguesa de Xangai eram na sua maioria empregados de comércio, “os gooser que desempenhavam funções subalternas nas casas comerciais estrangeiras” nas concessões internacionais, assim como “os negociantes/proprietários (onde podem ser incluídos os compradores – mai-pan) e os funcionários a trabalhar no sistema financeiro”. Como segundo grupo mais numeroso os funcionários consulares e a trabalhar nas alfândegas e depois vinham os religiosos cristãos, protestantes e católicos, professores e o dos artistas. Seguiam-se os médicos e enfermeiros, assim como engenheiros e arquitectos e por fim os jornalistas e os ligados às actividades relacionadas com a navegação. Informações provenientes de Alfredo Gomes Dias e retiradas do livro, Diáspora Macaense – Macau, Hong Kong, Xangai (1850-1952), Lisboa 2014. Para ter um retrato social dessa comunidade recomenda-se a leitura das páginas 374 e seguintes onde se referem os membros da elite.

Comissão para os festejos

A colónia portuguesa da cidade reúne-se no dia 27 de Fevereiro de 1898 no Club de Recreio, sob a presidência do Cônsul Sr. Joaquim Valdez para nomear uma comissão a fim de tratar dos festejos que se projectam fazer em Shanghai. Dá conta dessa reunião o jornal L’ Echo da Chine, que se publica nessa cidade e a 6 de Março o Echo Macaense faz também referência. O nosso Cônsul, “Em vista dum ofício recebido do Sr. Ministro Plenipotenciário, enviando o programa das festas que a comissão central em Lisboa propôs levar a efeito por ocasião da comemoração do quarto centenário do descobrimento do caminho para a Índia, envidou os nossos nacionais aqui residentes para uma assembleia pública a fim de nomear uma comissão para promover os festejos. A assembleia teve lugar ontem, às 5 1/2 da tarde, nas salas do Club Recreativo”. “Apesar do mau tempo que fazia, a sala estava cheia, e todos os que se achavam presentes estavam bem entusiasmados”.

“Creio que não será fora de propósito dizer-lhe aqui, [refere o correspondente do Echo] que, se fizermos a festa, há-de ser a nossa primeira festa pública em Shanghai. Todas as outras nações já fizeram e continuam a fazer festas, logo que se ofereça qualquer ocasião, só nós ainda não fizemos coisa alguma, e isto devido talvez à nossa indiferença, frieza ou medo, e por causa disto deixamos correr tudo à revelia. Portanto, avante senhores! Não deixemos passar a ocasião e vamos mostrar que apreciamos e veneramos os nossos valentes antepassados.”

Assim, nesse dia fica constituída a Comissão Executiva de Shanghai, composta pelo Presidente, Joaquim Maria Travassos Valdez, tendo como tesoureiro Francisco S. Oliveira e secretário o Sr. Hermenegildo A. Pereira. Os outros elementos são, Adelino Dinis, António J. Diniz, Chong Tsong-poo, Cheng Chi-pio, Fernando J. de Almeida, Filomeno V. da Fonseca, Francisco F. da Silva, Honorato Jorge, José F. Pereira, Lino F. Tavares, Luiz Barreto, Marcos de Souza e Luiz Adolfo Lubeck. Os nomeados irão reunir-se num destes dias para tratar dos preparativos dos festejos para comemorar o IV Centenário, cujo programa estará de acordo com a Régia Portaria de 9 de Abril de 1897 e formulado dentro dos limites da quantia subscrita pelos portugueses residentes de Shanghai. É consagrado à memória dos navegadores portugueses que, movidos pelo desejo de servirem a Deus e a Pátria, primeiramente descobriram as terras e mares de África, Ásia, América e Oceânia. Para esse grande jubileu contribuiu também o Conselho Municipal inglês com mil taéis, que em moeda portuguesa, segundo o câmbio oficial estabelecido para a pataca, correspondem a 888$890 réis.

Visita real

“O príncipe Henrique da Prússia, irmão do Imperador da Alemanha, chega a Shanghai no Domingo 17 de Abril de 1898, antes do meio-dia. Desde sábado de manhã já estava o Bund parcialmente coberto de gente a esperá-lo, mas infelizmente sua Alteza ficou detido lá fora, por um forte nevoeiro e só chegou no dia seguinte; feriado, e tendo já todos acabado de ouvir missa, muita gente teve a chance de ver sua alteza desembarcar e ir até ao consulado geral d’ Alemanha, onde se hospedou.” Nessa tarde, S. Exa. Kuei chiun, Governador da província de Kiang-su (Jiangsu), vem expressamente de Suchau (Suzhou) por ordem do seu governo para receber sua alteza, acompanhado do tesoureiro da mesma província e do tao-tao de Shanghae, vem cumprimentá-lo.

Na segunda-feira, retribui a visita do governador Kuei-chiun e recebe as visitas do corpo consular e de mais gente. À noite, depois do jantar, assiste a um baile oferecido pelo governador Kuei-chiun no palácio dos negócios estrangeiros, com muita gente e deve ter custado muito dinheiro. “Ainda não se sabe ao certo quando é que sua alteza vai para Kiaochao (Qingdao), a nova colónia alemã, mas enquanto se demora por cá, entretém-se todos os dias com jantares, pic-nics, revista de tropas, etc.”, refere o Echo Macaense.

“À imitação dos alemães em Kiaochao, o general russo manda afixar proclamações dizendo que a Rússia é amiga da China, que o aforamento de Port Arthur, [onde os russos já têm uma guarnição de quase oito mil homens de terra, as fortalezas estão armadas e uma esquadra de oito grandes barcos, entre couraçados e cruzadores, além dos inevitáveis torpedeiros, na entrada do porto e noutros lugares], têm por fim proteger a China de uma maneira duradoura, por isso que os habitantes devem ter toda a confiança na administração russa a fim de granjear paz e prosperidade.

É possível que a Inglaterra também há-de vir com a mesma cantiga com respeito a Wei hai wei”, porto de Shandong, em frente a Port Arthur, onde em 1895 os japoneses destruíram a armada chinesa.

1 Out 2018

Concessões estrangeiras em Shanghai

Xangai, como os portugueses escrevem o nome da cidade de Shanghai, é atravessada pelo Rio Huangpu e situa-se a meio da costa chinesa, banhada pelo Mar Leste da China (Oceano Pacífico), entre as baías do Yangtzé e de Hangzhou, na foz do Rio Qiantang. Porto que substituiu Yangzhou após a destruição do Grande Canal, durante a guerra entre o exército imperial Qing e os revoltosos Taiping, passando o transporte do arroz e sal a ser feito via marítima e ferroviária por Shanghai. Conquistavam assim os britânicos nesse porto a importância estratégica e comercial, que até então ainda não tinham conseguido fazer dele.

“Nos tempos da dinastia Yuan (1276-1368) começou como centro de comércio com o exterior” e “em meados do século XVII, Xangai afirmou-se como uma cidade portuária e comercial, desenvolvendo algumas indústrias locais como, por exemplo, os têxteis de algodão”, segundo Alfredo Gomes Dias, “Em 1842, Xangai era já uma cidade comercialmente relevante, com uma população que rondava as 270 mil pessoas.” Ano em que Marques Pereira dá como a tomada de Shanghai pelas forças inglesas, a 19 de Junho.

Com a assinatura do Tratado de Nanquim a 29 de Agosto de 1842, o Capitão de artilharia George Balfour a 8 de Novembro de 1843 estacionou um pequeno vapor britânico na margem do Rio Huangpu, com o objectivo de abrir a cidade e o seu porto ao mercado internacional. Em 1845 foi cedida uma pequena área de 56 hectares, expandida para 199 hectares em 1848, onde se instalou a comunidade britânica. Já em 1847, Charles de Montigny criara o primeiro consulado francês na zona onde viria a ser a Concessão Francesa.

Governação de Xangai

Sobre as concessões estrangeiras e o sistema de governação de Xangai recorremos às informações de Alfredo Gomes Dias, no seu livro Diáspora Macaense – Macau, Hong Kong, Xangai (1850-1952), Lisboa 2014, de onde retiro passagens e informações. “Até 1864, esta cidade conheceu a chegada dos representantes ocidentais e a ocupação das primeiras áreas do que passaram a ser as concessões estrangeiras britânica, americana e francesa. No domínio comercial, logo nestes primeiros anos, Xangai passou a liderar o comércio externo da China, ultrapassando [em 1850] a cidade de Cantão. Depois, na segunda fase que se prolongou até 1894, a cidade deu continuidade a este processo de afirmação no mundo urbano chinês, construindo uma intensa rede comercial que ligava as relações comerciais externas aos canais de comunicação com o mercado interno”. Ainda segundo Alfredo Gomes Dias, estava-se agora na terceira fase, com a cidade e o seu porto a constituírem-se como o verdadeiro centro económico da Ásia Oriental. Após 1895, devido à mão-de-obra barata os estrangeiros tornam-na num grande centro industrial.

“Xangai, cidade governada por três poderes com características diferentes em três territórios dentro de uma só cidade”. A Concessão Internacional (CI) entregue a um poder autónomo, o Shanghai Municipal Council eleito pela elite económica dos proprietários estrangeiros, com um Doyen a presidir. A Concessão Francesa (CF), a ocupar o maior espaço da cidade, fora transformado numa “área residencial por excelência, encheu-se de restaurantes, cafés boutiques da moda, com a Avenue Joffre a apresentar-se como a mais elegante da Cidade, era um verdadeiro enclave colonial” entregue à administração do cônsul francês. A Cidade Chinesa, cuja origem remonta ao terceiro século a.n.E., no local murado do primitivo povoado de Shanghai, era gerida pelo poder mandarínico, segundo Alfredo Gomes Dias que diz, “Até 1900, a comunidade dos portugueses de Xangai manteve-se como a segunda comunidade mais numerosa da cidade, depois da britânica.”

Novo porto de Woosung

O olhar pelo que se passa na China é feito no Echo Macaense de 6 de Março de 1898 onde se refere o empréstimo de 16 milhões de libras, contraído pela China ao Hong Kong and Shanghai Bank e ao banco asiático alemão, garantido pela parte do rendimento das alfândegas chinesas que não está onerada e por uma parte do rendimento da taxa likin (lijin, imposto comercial cobrado nos meios de transporte). Um dos efeitos deste empréstimo foi fazer subir o preço das acções do Banco Hongkong and Shanghai, que estava a 173 por cento de prémio; deu um pulo para 183 a 186 por cento, e, sendo a prazo, chegou a 188 por cento. Um telegrama de Londres diz que a parte inglesa do empréstimo já foi coberta a 90%”. Refere este jornal que, “O empréstimo nacional que a China tentou levantar, na importância de 100 milhões de taéis, foi um verdadeiro fiasco. Diz o Daily News de Shanghai, que os príncipes e ministros de Tsung li-yamen só subscreveram 20 mil taéis. O povo chinês por enquanto não mostra nenhum entusiasmo. Há muitos capitais na China, mas os chineses não têm confiança no seu governo; não querem subscrever para empréstimo, nem para caminhos-de-ferro, porém se os ingleses se puserem à testa, ver-se-á a soma imensa de capitais e que há-de concorrer para tudo isto.”

O mesmo jornal refere ter sido nomeado Governador de Kiaochao (Qingdao) o capitão alemão Truppel e ter este hospedado na sua residência o artista do Illustrated London News, Mr. Melton. Para se perceber tal cuidado das autoridades alemãs, basta ler ainda na mesma página que, “A Rússia, segundo diz Mr. Curzon, Ministro inglês, assegurou à Inglaterra que qualquer porto da China que ela ocupasse continuaria aberto para o comércio do mundo, com o que se procura acalmar a apreensão da Inglaterra que não quer que os seus interesses comerciais fiquem lesados e por isso, só há-de intervir quando houver perigo de se fecharem ao seu comércio os portos chineses ocupados por outras nações”.

Em Abril de 1898, o porto de Woosung na entrada de Shanghai foi declarado aberto ao comércio, o que dispensará os grandes vapores de navegar no rio de Shanghai. As fortalezas que havia em Woosung vão ser desmanteladas e arrasadas para dar lugar à construção de concessões estrangeiras e os oficiais alemães que aí instruíam as tropas aquarteladas foram despedidas e as tropas licenciadas. A primeira linha-férrea a existir na China, fora construída por capital estrangeiro entre Shanghai e Woosung, sendo inaugurada a 30 de Junho de 1876. Logo desde o início sofreu muita contestação, acabando por encerrar em 1878, com todo o material deitado ao mar. Só vinte anos depois, em 1 de Setembro de 1898 abriu de novo o caminho-de-ferro entre Woosung e Xangai, fazendo o comboio quatro viagens, duas de manhã e duas à tarde, não circulando à noite. Para uma distância de 18 km o bilhete custava em primeira classe 80 avos, 60 em segunda e 30 avos em terceira classe e na volta outro tanto. Está planeada a sua extensão até Soochow (Suzhou) e Hangchou (Hangzhou).

Fala-se já do desassossego que reina nas aldeias e cidades do vale de Yangtzé (Rio Longo, Changjiang); os habitantes vão-se armando preocupados de que alguma eventualidade grave está iminente. A China está a passar uma crise, não se sabe o que virá!”

21 Set 2018

Tribunal Financeiro de Xangai

Owebsite chinês “Xinhua” publicou no passado dia 21, uma notícia sobre a criação do Tribunal Financeiro de Xangai (TFX), em Pudong, um Distrito de Xangai. Este Tribunal é o primeiro do género no país.

O TFX teve o seu historial. Em Novembro de 2008, O Tribunal Financeiro de Primeira Instância foi criado e sediado na Nova Área de Pudong. Desde então, o Supremo Tribunal de Xangai, o Tribunal de Recurso e alguns Tribunais de Primeira Instância foram sucessivamente criando secções financeiras para julgar casos desta natureza.

A 27 de Abril deste ano, o Comité Permanente do 13º Congresso Nacional do Povo decidiu criar o TFX.

A 13 de Julho, o Comité Judicial do Supremo Tribunal do Povo estabeleceu as “Provisões do Supremo Tribunal do Povo para a Jurisdição do Tribunal Financeiro de Xangai”. Estas medidas foram implementadas a 10 de Agosto. O primeiro artigo das Provisões afirma claramente que a jurisdição do TFX incide sobre as áreas financeira, civil e comercial e os casos que lhe são apresentados derivam do Tribunal de Recurso, sob a jurisdição de Xangai. O Artigo 2 estipula que, quer o queixoso, quer o réu, deverão pertencer a instituições financeiras governamentais. Os cidadãos comuns não podem ser julgados neste Tribunal. Esses casos terão de ser julgados noutras Instâncias, em consonância com o sistema judicial chinês.

O significado da criação deste Tribunal talvez possa ser explicado pelas palavras proferidas por Zhou Qiang, Presidente do Supremo Tribunal do Povo, durante o segundo encontro do Comité Permanente do Congresso Nacional do Povo, a 25 de Abril deste ano. Zhou Qiang salientou que a criação do TFX tem três significados importantes:
Primeiro, ajuda ao crescimento da influência internacional da justiça financeira chinesa.

Segundo, favorece a supervisão sobre os mercados financeiros do país e ajuda a manter a segurança financeira.

Terceiro, facilita o desenvolvimento e construção do Centro Financeiro de Xangai e, a partir de 2020, pode fornecer poderosas garantias e serviços judiciais a este Centro e também incrementar o estatuto internacional do RMB.

A partir do material até agora publicado, podemos constatar que todos têm uma opinião positiva sobre a criação deste Tribunal, o que é sem dúvida muito encorajador.

Até ao momento, foram destacados para o Tribunal Financeiro de Xangai 28 juizes. Cerca de 26 possuem Mestrados ou Doutoramentos. Alguns deles possuem experiência no julgamento de casos nesta área. Juizes experientes e com elevadas qualificações académicas irão certamente fazer deste projecto um sucesso.

Hong Kong também tem um centro financeiro internacional. Em Junho de 2012, a cidade inaugurou oficialmente o Centro para a Resolução de Conflitos Financeiros de Hong Kong (HKFDR). O Centro irá prestar assistência às instituições financeiras e aos seus clientes individuais em caso de conflito e desempenhará, numa fase inicial, o papel de mediador e numa fase posterir o papel de árbitro. O queixoso pode candidatar-se para receber ajuda do Centro. Se for aceite, o Centro vai servir inicialmente de mediador. Se a mediação falhar, o queixoso pode solicitar os serviços de arbitragem. No entanto, o Centro só aceita queixas que envolvam verbas até 500.000 HKD e o conflito terá de ter ocorrido no ano anterior.

Já antes da criação destes Centros, eram julgados casos de natureza financeira. Mas, nessa altura, os processos eram caros e morosos. O processo de mediação e de aribitragem pode fazer poupar muito tempo e muito dinheiro. É um método não judicial destinado a resolver conflitos.

Em conclusão, podemos verificar que o TFX e o Centro de Resolução de Conflitos Financeiros em Hong Kong têm naturezas distintas. O TFX destina-se prioritariamente a ouvir casos relacionados com instituições financeiras oficiais, ao passo que o Centro lida com conflitos entre cidadãos comuns e instituições financeiras privadas e pretende evitar que estes cheguem a Tribunal.

Em Junho de 2012, a cidade inaugurou oficialmente o Centro para a Resolução de Conflitos Financeiros de Hong Kong (HKFDR). No entanto, o Centro só aceita queixas que envolvam verbas até 500.000 HKD e o conflito terá de ter ocorrido no ano anterior.

28 Ago 2018

Macau e Xangai assinam memorandos de cooperação

OChefe do Executivo, Chui Sai On e o presidente do município de Xangai, Ying Yong, assinaram ontem quatro memorandos de cooperação para intensificar parcerias em áreas como o turismo, comércio, finanças e juventude.
As duas regiões ambicionam estreitar laços “nomeadamente nos domínios do turismo e da cultura, da economia, do comércio, das convenções e exposições, da cooperação financeira (…) da formação de trabalhadores da administração pública” entre outras, disse Chui Sai On, durante o discurso na cerimónia de assinatura dos documentos.
O Chefe do Executivo enfatizou o facto de Xangai ser a cidade chinesa com maior produto interno bruto e na aspiração a tornar-se num centro de economia internacional, comércio, navegação e inovação tecnológica, tal com estabelecido pelo Governo Central.
Quanto ao desenvolvimento de Macau, Chui Sai On reiterou a aposta no turismo e na plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa. Estas metas foram também sublinhadas pelo presidente do município de Xangai, Ying Yong, enfatizando os desígnios do Governo Central para o território.

Benefícios mútuos

Os quatro memorandos assinados ontem no edifício da Sede do Governo versam sobre a cooperação na realização de actividades temáticas anualmente, em que ambas as partes se comprometem a promover, nas duas cidades, fóruns, visitas e formações; no reforço na sector das convenções e exposições de modo a intensificar o comércio internacional destas regiões; no aprofundamento da cooperação financeira; e na cooperação para o intercâmbio de jovens através de visitas mútuas para “o estudo e partilha sobre o desenvolvimento nacional (…) e de estágios para os jovens de Macau em Xangai”, refere um comunicado entregue à imprensa.
De acordo com o Chefe do Executivo, ambas as regiões podem beneficiar uma com a outra por existir complementaridade entre os projectos.
Chui Sai On lembrou também a participação de Macau na primeira Exposição Internacional de Importações da China, em Novembro, em Xangai, para a qual foi já constituída uma delegação do território, com representantes de serviços públicos, de associações de chineses ultramarinos e empresários.
Em Junho, Macau assinou um acordo com a Bolsa de Diamantes de Xangai, para ser um centro de comércio de diamantes, aproveitando o papel de plataforma entre a China e os países lusófonos, que que produzem esta matéria-prima. Este acordo foi assinado entre o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) e a Bolsa de Diamantes de Xangai para desenvolver a indústria de diamantes e jóias no território.

22 Ago 2018

Corrupção | Presidente de empresa que gere aeroportos de Xangai investigado

Opresidente da Autoridade Aeroportuária de Xangai, Wu Jianrong, está a ser investigado por alegada violação da lei e da disciplina do Partido Comunista Chinês (PCC), anunciou ontem o órgão anticorrupção da cidade.
Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post (SCMP), trata-se do maior escândalo nos últimos anos envolvendo o chefe de uma empresa estatal com sede em Xangai, a “capital” económica do país.
O órgão de inspecção e disciplina local não especifica quais as irregularidades alegadamente cometidas por Wu, mas refere que este cometeu “graves violações da disciplina”, termo que habitualmente descreve os casos de corrupção.
Wu, de 56 anos e antigo vice-secretário geral do governo municipal de Xangai, assumiu em meados do ano passado a entidade que opera os aeroportos de Pudong e Hongqiao, que em 2017 registaram um total de 112 milhões de passageiros. Não se sabe se as irregularidades foram cometidas durante o seu mandato à frente daquele organismo.
Mais de 440 dirigentes, alguns dos quais ministros, foram já atingidos pela campanha anticorrupção em curso na China, desde que o Presidente chinês, Xi Jinping, assumiu a chefia do PCC em Novembro de 2012. Trata-se da mais persistente e ampla campanha do género na história da China comunista, mas críticos apontam que esta serve para Xi afastar rivais políticos, promovidos por outras cliques internas do PCC, argumentando que é gerida por um órgão interno do partido e não uma entidade independente.

8 Ago 2018

Rodolfo Ávila começa nova época no CTCC à procura do título

Evitar confusões nas primeiras voltas e ir somando pontos ao longo de todas as provas. É esta a receita do piloto de Macau para o Campeonato da China de Carros de Turismo, em que o título de pilotos pode ser mesmo uma realidade no final da temporada

 

O Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC) arranca este fim-de-semana no Circuito Internacional de Xangai e Rodolfo Ávila (Volkswagen Lamando) parte para a ronda inaugural da competição com aspirações ao título. O vice-campeão do CTCC já rodou ontem com o carro na capital financeira da China e, apesar de reconhecer que poderá estar na luta pela vitória, sublinha que o mais importante é conseguir marcar muitos pontos.

“No ano passado não venci nenhuma prova e acabei em segundo no campeonato. Vai ser esta mentalidade que vou adoptar para o campeonato. Vou estar focado em evitar os acidentes e as confusões habituais das primeiras voltas. Mas, claro, se puder vencer, não vou querer desperdiçar a oportunidade, até porque ainda não ganhei no CTCC”, afirmou Rodolfo Ávila, ao HM.

Em relação à equipa, os objectivos passam por voltar a reconquistar o título de marcas, a que pretende juntar o título de pilotos, que fugiu no ano passado. Partindo para a segunda época completa no CTCC e depois de ter sido vice-campeão na temporada passada, Rodolfo Ávila pode ser mesmo o ponta-de-lança da formação, com o auxílio do experiente Rob Huff. O britânico e colega de equipa de Ávila, que já venceu no Circuito da Guia por nove vezes, vai participar em quatro provas do campeonato.

“Aprendi bastante no ano passado, apesar de haver alguns termos de afinações que ainda não domino totalmente, em termos de condução estou mais habituado e consigo portar-me bem. Também tenho como colega de equipa o Robert Huff, com quem aprendo bastante”, contou Ávila. “Apesar de ele só ir fazer quatro provas, dá-nos, aos pilotos da equipa, um bocado na cabeça quando está connosco. O que é um bom, porque puxa por nós e faz-nos andar mais rápido”, acrescentou.

 

Sem grandes alterações

Ontem, o piloto de Macau já teve a oportunidade de rodar no Volkswagen Lamando GTS, sendo que não são muitas as diferenças face ao ano anterior. O maior condicionalismo acaba mesmo por ser a existência de um novo fornecedor de combustível.

“O carro é o mesmo do ano passado, com algumas actualizações e melhorias. Há um pacote aerodinâmico novo, pelo que esperamos que esteja melhor. Temos travões novos, houve uma troca de amortecedores e outras partes do carro, mas 70 por cento é o mesmo do ano passado”, começou por explicar o piloto.

“Mas houve uma mudança de fornecedor de combustível e nota-se alguma diferença porque o combustível não é tão bom. Tivemos de descer a potência dos motores em cerca de 10 ou 15 cavalos, mas não vai fazer uma grande diferença porque é para todas as equipas”, respondeu.

Sobre a concorrência, Ávila aponta a KIA e a BAIC como os principais adversários, com a Ford um pouco mais atrás. Porém, recorda que ao longo da época, o construtor norte-americano pode apanhar o ritmo das outras marcas.

4 Mai 2018