Crime | Ex-aluno detido após incendiar entrada da Escola Xin Hua

O incendiário de 21 anos tem problemas mentais e foi o único ferido do incidente que obrigou à retirada 630 alunos e professores da Escola Xin Hua. O ataque tornou-se viral com vários vídeos a circular nas redes sociais no último dia de 2021

 

Um jovem de 21 anos foi detido após ter incendiado a entrada da Escola Xin Hua, no Bairro Iao Hon. O ataque aconteceu no dia 31 de Dezembro, por volta das 16h, e as imagens captadas por vários transeuntes rapidamente se tornaram virais nas redes sociais. Além do jovem, que ficou com queimaduras de segundo grau nas mãos, braços e pernas, não houve outros feridos.

Com uma lata na mão e usando um capacete, o jovem, aproximou-se da entrada da escola e derramou um líquido inflamável na porta do estabelecimento de ensino e ajoelhou-se para incendiar o local. Assim que as chamas começaram a crescer, envolveram muito rapidamente toda a entrada e alastram-se às mãos e pernas do incendiário, que entra em pânico e começou a correr para apagar o fogo do seu corpo.

Quando extinguiu as chamas nas pernas e mãos, o homem tirou a roupa, ficando apenas de cuecas, e assim permaneceu até ser detido quando as autoridades chegaram ao local. O jovem não ofereceu resistência à detenção, nem quis prestar declarações.

Apesar de o incidente não ter provocado feridos, as chamas fizeram disparar os alarmes da escola. Por isso, e seguindo os protocolos de segurança, foram retiradas do edifício 630 pessoas, entre alunos e professores.

Nas operações de combate às chamas estiveram envolvidos seis veículos de emergência e 29 bombeiros. Também a polícia enviou cerca de 20 agentes ao local, que trataram da detenção e acompanharam o jovem ao Hospital Conde São Januário, onde recebeu tratamento.

Ex-aluno com problemas

Ao portal All About Macau, uma testemunha no local relatou que momentos antes do fogo, o incendiário tinha tentado entrar na escola. Porém, foi impedido pelos seguranças do estabelecimento. Mais tarde, a direcção da escola confirmou que o jovem é um ex-aluno, residente local que abandonou o estabelecimento sem ter concluído os estudos.

Foi igualmente indicado que o indivíduo tem um historial de problemas psiquiátricos. Por isso, Ho, director da escola Xin Hua, sublinhou a necessidade de reforçar o acompanhamento de alunos com problemas mentais, principalmente na zona em que se situa a escola, que o director categorizou como uma área desfavorecida em termos sócio-económicos.

Em relação aos estragos, o director escolar deu conta de danos na estrutura de madeira na entrada, e revelou a possibilidade de reforçar o contingente de segurança na escola.

Escola Pui Ching reforçou segurança

Na sequência do caso de fogo posto na Escola Xin Hua, a Escola Pui Ching reforçou a segurança. O anúncio foi feito pelo vice-reitor da escola, Kuok Keng Man, em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, depois do ataque de 31 de Dezembro.

De acordo com Kuok, apesar do acidente ser encarado como caso isolado, serve para alertar a sociedade para perigos que podem surgir e para a necessidade de vigilância constante. A situação foi igualmente encarada na Pui Ching como um alerta para a necessidade de controlar de forma rigorosa as pessoas que entram e saem do espaço de ensino.

Contudo, o vice-reitor da Escola Pui Chin vê o caso igualmente como uma consequência de crise pandémica, cujos efeitos se fazem sentir há mais de dois anos. Segundo Kuok, há situações em que os estudantes são seriamente afectados a nível emocional pelo impacto da pandemia.

Por esse motivo, a instituição de ensino diz ter contratado profissionais para darem formação aos professores, que assim podem detectar sinais e actuar junto dos alunos o mais cedo possível, de forma a fornecer o apoio necessário.

4 Jan 2022

Incêndio em central de energia térmica faz oito mortos na China

Pelo menos oito trabalhadores morreram e cinco ficaram feridos num incêndio nas instalações de uma central de energia térmica chinesa, na província de Shaanxi, no centro da China, informaram as autoridades.

Segundo as autoridades de Shouyang, citadas pela agência noticiosa estatal chinesa Xinhua, o incêndio deflagrou hoje à 01:36, tendo sido controlado três horas depois. A província de Shaanxi é uma das zonas mineiras mais importantes da China, e os acidentes industriais relacionados com o carvão são frequentes.

Apesar dos planos de Pequim para eliminar progressivamente a produção de energia através de métodos poluentes como o carvão, o setor ainda representa cerca de 60% da produção total da China, com grande peso económico em províncias como Shaanxi e a Mongólia Interior.

A escassez de energia provocada pelo custo elevado das matérias-primas, nos últimos meses, obrigou ao racionamento em alguns centros industriais na China e levou à reativação do setor, a fim de satisfazer a procura energética.

6 Dez 2021

Kaifong apela à segurança depois de incêndio em restaurante

A União Geral das Associações dos Moradores de Macau defendeu a promoção das medidas de segurança contra incêndio, após o fogo de terça-feira que afectou um restaurante no edifício San Mei On, no norte da península. A mensagem foi deixada por Chao I Sam, directora da Delegação da Zona Norte da associação tradicional, citada pelo jornal Cheng Pou.

Na terça-feira um incêndio deflagrou num restaurante na zona norte da cidade, e apesar do fumo e da retirada de oito trabalhadores e 30 residentes do edifício, não houve registo de feridos. O Corpo de Bombeiros apontou como causa o sobreaquecimento do exaustor, que se terá incendiado. Além disso, acredita-se que contribuiu igualmente a falta de manutenção da chaminé, que teria acumulado gorduras e outras sujidades.

Para Chao I Sam, o fogo de terça-feira mostrou que existe na comunidade uma falta de alerta para as questões da segurança contra incêndio, principalmente no sector da restauração e no que diz respeito a comportamentos de prevenção.

Por outro lado, a responsável dos Kaifong apontou a falta de medidas de prevenção, aliada a negligência nas cozinhas dos restaurantes, por desconhecimento das práticas mais seguras. A responsável sublinhou que os dois factores podem ser uma ameaça não só para os trabalhadores e clientes dos restaurantes, mas também para toda a comunidade, principalmente quem vive em edifícios com estabelecimentos de restauração nos pisos térreos.

Mais campanhas

Para Chao I Sam, a principal causa de incêndios nos restaurantes de Macau é a negligência dos trabalhadores quando estão na cozinha e ainda a acumulação de gorduras nas condutas de exaustão de fumo. Sobre este último aspecto foi apontado que as gorduras e sujidade criam condições ideais para que os equipamentos comecem a arder durante a confecção de refeições.

Neste cenário, Chao I Sam sugere que o Governo aumente as acções de promoção das medidas de segurança, com especial foco na indústria. Entre as informações consideradas essenciais, a directora da Delegação do Norte indicou a necessidade de ensinar as formas correctas de instalar e utilizar botijas de gás, medidas de prevenção de incêndios, conhecimentos de combate a incêndio, e ainda melhoria das práticas na cozinha.

23 Set 2021

Aviso de incêndio por telefone

Durante muitos anos fomos colectando pelos jornais as notícias sobre os incêndios em Macau, mas nunca apareceram outros avisos senão os dos sinos e os dos dois tiros seguidos de pólvora seca provenientes da Fortaleza do Monte.

Assim acreditámos serem estes os únicos meios de alerta da população até que, a 12 de Novembro de 1916 n’ O Progresso, um artigo com o título “O Sinal de Incêndio” escrito por um assinante deste jornal nos alertou para a existência de outro aviso, mas como esse não ecoava pela cidade nunca era referido. Ainda a 10 de Setembro esse jornal referia: o telefone do subúrbio da Areia Preta não funciona como reclamam os habitantes daquele subúrbio. Se um dia acontecer alguma desgraça, por falta de comunicações rápidas…; não entendemos onde queria chegar.

Mas ao ler “O Sinal de Incêndio”: “Como se sabe, a maior parte da população de Macau é chinesa e entre ela lavra grande descontentamento por não se fazer na Fortaleza do Monte o sinal de incêndio como era costume. Eles querem saber quando há incêndio e qual o local, a fim de ali correr e observar, pois estão convencidos de que, pelo actual sistema, os incêndios não têm pronto socorro e as casas ardem com grande prejuízo dos haveres dos seus proprietários. Dizem eles e com razão, que os telefones nem sempre funcionam bem, principalmente em tempo de humidade, havendo mesmo ocasiões em que não respondem ao aviso nem à pergunta e por isso, a notícia do incêndio não pode ser tão rápida como os tiros na Fortaleza do Monte, que estando no centro da cidade e em ponto elevado domina toda a cidade e dá por isso, com maior rapidez conhecimento a todos do incêndio e do local; desta falta resulta a convicção de que ardem muitas casas sem o devido socorro. Quem restabelecer, pois, o antigo sinal de incêndios, conquistará a simpatia da população chinesa e de parte do resto dos seus habitantes, por saberem que a notícia é mais rápida não só do incêndio como da sua localização, com o sinal de tiros no Monte.” Ainda a 12 de Novembro, o jornal referia um estudo para o estabelecimento de uma rede telefónica em Macau destinada apenas aos estabelecimentos militares e das estações policiais e de incêndios, mas para as repartições públicas continua tudo como dantes.

“O Progresso”, a 26 de Novembro congratulava-se: “Consta-nos que foi restabelecido o antigo costume de dar sinal de incêndio por meio de tiros na fortaleza do Monte”, terminando assim o conflito entre Governo e população chinesa.

TARDIO SINAL

O telefone (电话, electricidade – falar, Tin-vá em cantonense) foi inventado por volta de 1860 por António Meucci, e usado apenas dentro de sua casa. Mais tarde, em 1870 vendeu o aparelho a Alexander Graham Bell, que o patenteou a 14 de Janeiro de 1876 nos Estados Unidos da América. Um ano depois aparecia já em Portugal e a primeira rede de telefones pública foi inaugurada em Lisboa a 26 de Abril de 1882, data em que na China a Great Northern Telegrafh Company da Dinamarca criou para Xangai a primeira rede de telefones manuais.

Em Macau é publicado o Regulamento geral para o serviço da linha telefónica a 2 de Outubro de 1887 assinado pelo Governador Firmino José da Costa e logo no Boletim da Província de Macau e Timor de 10 de Novembro de 1887 o bacharel António Marques de Oliveira, procurador dos negócios sínicos e administrador da comunidade chinesa, referia em Edital: “Tendo S. Exa. o Governador da província adoptado convenientes providências, para que os sinais de incêndio, sejam feitos com prontidão, aproveitando-se para os avisos o vantajoso serviço da rede telefónica; e convindo que todos os habitantes da cidade tenham conhecimento dos locais em que há estações telefónicas, a fim de poderem, logo que tenham notícia de se manifestar qualquer incêndio ir aí dar parte, como é de esperar que não deixe de fazer todo o indivíduo dotado de sentimentos benfazejos, ao menos, quando não encontre guarda, patrulha, oficial de diligências administrativo, ou china de quarto, para os quais este serviço é obrigatório: por isso faço público que as estações telefónicas são as seguintes: Quartel de Santo Agostinho (estação central), Palácio do Governo, Quartel dos Mouros, Quartel da Flora, Quartel de S. Francisco, Portas do Cerco (no quartel do destacamento), Monte (na fortaleza desse nome), fortalezas da Guia, Bomparto e Barra e Capitania do Porto. Macau, 2/11/1887”.

Na mesma página aparecia o Edital de Leôncio Alfredo Ferreira, administrador do concelho de Macau, a referir: “Por ordem superior, faço saber: Que tendo sido sempre tardio o sinal dado pela fortaleza do Monte, por ocasião de incêndios na cidade e seus subúrbios, são por isso avisados todos os moradores deste concelho, que, logo que tenham conhecimento de qualquer incêndio, o comuniquem à primeira patrulha que encontrarem, ou o participem à estação policial, ou telefónica mais próxima”.

No Boletim da Província de 8 de Dezembro de 1887 lê-se, vir a Inspecção de Incêndios de Macau Ainda antes da chegada a Macau de Abreu Nunes, registou-se a 15 de Novembro de 1893 um incêndio que deflagrou no Bairro de S. Domingos; as casas queimadas foram 17, além de quatro alpendres com 99 divisões, que serviam de açougue, ardendo o Mercado de S. Domingos. Era inspector dos incêndios o Sr. Pessoa e provou-se não estarem os serviços de incêndio devidamente organizados e o material muito deteriorado pois, as mangueiras deitavam esguichos por vários pontos, perdendo-se muita água.

Sobre os primórdios dos Bombeiros em Macau, assunto aqui tratado há já alguns artigos, muito fica por escrever, restando por agora prestar homenagem a estes beneméritos lutadores que, nas palavras de Carvalho e Rego, “para salvar os seus semelhantes se sacrificam heroicamente expondo por vezes a própria vida contra a força e violência dos terríveis elementos.” Não só no combate aos incêndios, como no socorro em casos de sinistro “o bombeiro acode; lá o vemos na derrocada, nas ruínas que o desmoronamento produziu soterrando em seus escombros pobres vítimas.”

Percebíamos agora o silêncio nos jornais sobre o aviso de incêndio feito por telefone desde 1887, pois apenas por via interna era comunicado e assim, não escutado pela população e jornalistas em Macau e daí ficar sem ser noticiado a existência deste silencioso meio.

16 Ago 2021

Obras públicas e incêndios

Quando a 26 de Outubro de 1866 o Governador de Macau e Timor José Maria da Ponte e Horta (1866-1868) tomou posse, as circunstâncias determinavam a urgência de reformas nos vários serviços da Administração da colónia e por isso, logo começou a nomear uma série de comissões para estudar e elaborar as necessárias a empreender.

A 14 de Setembro de 1867 o Governador por Portaria N.º 51 determina: , publicado no Boletim da Província de Macau e Timor de 16 de Setembro de 1867.

Logo a 18 de Setembro de 1867, a Comissão nomeada por portaria de 14 do corrente mês e composta por Francisco Maria da Cunha, major de artilharia, presidente, Jerónimo Osório de C.C. d’ Albuquerque, capitão às ordens, secretário e W. A. Read, E. C., enviou o relatório ao Governador, publicado no Boletim da Província de Macau e Timor de 23 de Setembro de 1867 onde é apresentado o projecto de organização de um corpo especial de obras públicas. Refere no Artigo 1.º referente ao pessoal do Corpo d’ obras públicas: : §1.º- É composto do inspector, do director e do engenheiro; e, na falta de qualquer um destes, entra, em primeiro lugar, o chefe da secção d’ estatística, e, em segundo, o condutor de trabalhos, por forma que nunca resolve com menos de três membros. §2.º- Este conselho é consultivo, mas tem iniciativa de proposta, para o governo da colónia e §3.º- Por intermédio dele, e com responsabilidade de todos os indivíduos que o compõem, são feitos os ajustes, contratos e a compra de materiais. §4.º- Sempre que o governo da colónia o indicar, ou que o inspector o julgue conveniente, serão ouvidos, o chefe da secção da estatística e o condutor de trabalhos, ficando então o conselho composto de cinco membros. Já o Artigo 3.º : §1.º- Há uma repartição de obras públicas que se divide em duas secções: secção d’ obras públicas e secção d’ estatística. §2.º- É chefe da repartição o inspector, e sub-chefe o director. §3.º- O director é também chefe da 1.ª secção; o chefe da 2.ª é um funcionário nomeado especialmente para este fim. §4.º- Fazem igualmente parte da repartição, o condutor de trabalhos, que além dos trabalhos do campo tem o encargo de arquivista das plantas, memórias, desenhos, &c.; o amanuense, que exerce também as funções de arquivista do expediente e dos documentos de contabilidade; o intérprete; e o engenheiro, que também deve ter ali a sua mesa de trabalho. §5.º-

Este pessoal é comum às duas secções da repartição. §6.º- Toda a correspondência é feita por intermédio da repartição; a esta são remetidas todas as ordens do governo da colónia; e delas partem todas as propostas e consultas para o governo. §7.º- O inspector e o director substituem-se, no impedimento um do outro, tanto nos trabalhos da repartição, como nos de campo. Artigo 4.º- § único: O sistema de escrituração de registo, de arquivo, de expediente, d’ escrituração, da contabilidade, etc., é considerado parte regulamentar e deve ser o primeiro encargo do conselho d’ obras públicas.

A comissão foi dissolvida com louvor do Governador a 24 de Setembro de 1867, publicado a 30 de Setembro no Boletim da Província de Macau e Timor.

Ataque ao fogo

No Bazar, as casas e lojas chinesas são tão unidas e contíguas umas às outras que parecem antes ser uma e mesma propriedade, refere o Inspector de Incêndios Senna Fernandes no resumido relatório de 19 de Fevereiro de 1868 para o Governador.

O Governador António Sérgio de Sousa a 12 de Março de 1872 exonerou por motivos de saúde o major Honorário Bernardino de Senna Fernandes de inspector dos fogos, nomeando para o cargo o capitão Frederico Guilherme Freire Corte Real, sem vencimento enquanto exercer as funções de capitão fiscal do Corpo de Polícia.

Em Setembro de 1875, o capitão Frederico Corte Real faleceu e o então Governador José Maria Lobo de Ávila por Portaria de 25 de Setembro nomeou o Major Eng. Augusto César Supico, então Director das Obras Públicas a exercer esse cargo desde 23 de Fevereiro, como inspector dos fogos, assim como para seu ajudante, o condutor das Obras Públicas António de Azevedo e Cunha Jr. – que já em tempos serviu com louvor como imediato do inspector dos incêndios. Desde então, o cargo de inspector dos fogos ficou por muitos anos adstrito à Direcção das Obras Públicas.

O aviso de incêndio continuava a ser feito pelo toque dos sinos, mas para os accionar era preciso ir buscar a chave da caixa, que fechada protegia as cordas dos sinos, guardada na Estação de Polícia de cada zona e conhecer o número estipulado de badaladas correspondentes a cada uma onde ocorria o incêndio.

19 Jul 2021

Incêndio | Bombeiros criticados no ataque às chamas

Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, alguns pescadores criticaram a actuação das autoridades no combate às chamas que destruíram dois barcos, na quarta-feira, no Porto Interior. Segundo o relato apresentado, as críticas focaram o facto de o Corpo de Bombeiros ter impedido que outros pescadores utilizassem as suas embarcações para ajudar nas operações para apagar as chamas. Porém, houve também quem indicasse que as autoridades demoraram demasiado tempo a chegar ao local e que a pressão das mangueiras utilizadas para apagar o fogo era demasiado fraca.

Confrontado com as críticas, Vong Vai Man, adjunto do director dos Serviços de Alfândega, afirmou que o alerta para o sinistro foi recebido às 18h33 e que foram enviadas dez embarcações imediatamente para o local.

Por sua vez, Leong Iok Sam, Comandante do Corpo de Bombeiros, explicou as autoridades não quiseram ajuda dos outros pescadores, porque entenderam que as chamas eram muito intensas e que os riscos seriam demasiado elevados. O Comandante destacou que foi uma decisão tomada que teve como prioridade preservar a segurança de todos os envolvidos.

A postura dos Bombeiros mereceu a concordância do presidente da direcção da Associação de Auxílio Mútuo de Pescadores de Macau, Chan Meng Kam, que frisou que o mais importante é garantir a segurança dos cidadãos.
Quando aos proprietários das embarcações, queixaram-se de prejuízos que calculam ser de milhões de patacas, motivo que levaram que tivessem pedido ajuda ao Governo.

5 Fev 2021

Edifício Kong Fok Cheong | Entrada avisava para falhas na segurança

Segundo os responsáveis da Obras Públicas, antes de acontecer o incêndio no Edifício Jardim Kong Fok Cheong as vulnerabilidades do sistema de protecção contra incêndios tinham sido identificadas e estavam afixadas à entrada.

A explicação foi avançada ontem na Assembleia Legislativa, por um assistente de Li Canfeng, director do serviço em causa. “Enviámos alguns ofícios aos órgãos de gestão sobre as deficiências no sistema de protecção contra incêndio. Esses ofícios estavam afixados no átrio do edifico e apelava-se para que fossem adoptadas as medidas adequadas. Estas instalações de combate a incêndio fazem parte das partes comuns”, afirmou o assistente de Li Canfeng. “No entanto, a correcção das vulnerabilidades dependia da vontade e disposição dos proprietários, como consta na lei”, acrescentou.

Por sua vez, o comandante do Corpo de Bombeiros, Leong Iok Sam, indicou que foram feitas mais de 1000 inspecções só este ano, e que as falhas identificadas nos edifícios são sempre relatadas à DSSOPT, a quem compete depois notificar os residentes dos edifícios.

27 Nov 2019

Incêndio | TSI confirma pagamento de indemnização a dono de loja

O Tribunal de Segunda Instância reiterou a condenação de duas pessoas devido aos danos provocados num apartamento por um incêndio que deflagrou numa loja de vestuário na Rua do Tarrafeiro. O autor da acção terá direito a indemnização no valor de mais de 72 mil patacas. Porém, muito mais grave do que paredes tinadas, o incêndio provocou a morte de quatro pessoas

 

Às 3h40 da manhã do dia 12 de Novembro de 2014, um incêndio que deflagrou numa loja de vestuário no piso térreo de um edifício situado na Rua do Tarrafeiro (que liga a Praça Luís de Camões à Rua Visconde de Paço de Arcos) tirou a vida a quatro pessoas, incluindo um funcionário do estabelecimento. As vítimas, que morreram na sequência de inalação de fumo, eram três homens e uma mulher, dois filipinos e dois indonésios.

No piso de cima, um morador num apartamento do primeiro-andar acordou em sobressalto, mas escapou ileso ao acidente. Porém, o apartamento ficou danificado ao ponto de ter de recorrer à justiça para reclamar uma compensação pelos danos sofridos. Assim começava uma batalha judicial, que conheceu recentemente o desfecho do segundo assalto com o acórdão do Tribunal de Segunda Instância (TSI) que confirmou a condenação dos dois réus, proprietário e locatário da loja, a pagar 72.300 patacas ao morador do apartamento.

O autor do processo pediu a condenação solidária para pagamento da indemnização a ambos os réus, ou seja, qualquer um dos dois réus pode ser executado até a dívida ficar totalmente paga ao autor.

Risco e prevenção

O Tribunal Judicial de Base considerou que o proprietário do imóvel, “tinha, necessariamente, o dever de prudência e o dever de cuidar da vigilância do imóvel, de forma a evitar quaisquer danos a terceiros”. Por outro lado, segundo o acórdão do tribunal superior, também o locatário do imóvel, ou seja, quem explorava a loja, tinha, naturalmente, “o dever de vigiar o imóvel, uma vez que, findo o contrato, era obrigado a restituir, à locadora, o bem locado em perfeito estado”. No fundo, ambos tinham o dever de vigiar o imóvel.

O tribunal deu como provado que os danos sofridos na residência foram causados pelo incêndio que ocorreu na loja. Mais concretamente, o morador teve de pintar dois quartos, duas portas, tectos e paredes. Instalou dois aparelhos de ar condicionado novos, arcando com os custos de trabalho e peças. Teve de proceder a obras de remoção dos outros aparelhos antigos, assim como toda a mobília danificada. Para estes trabalhos, o morador desembolsou mais de 29 mil patacas. A limpeza das paredes exteriores e grade de aço inoxidável custaram 6.500 patacas.

Além disso, o morador perdeu grande parte do recheio da habitação, incluindo uma cama que se viu forçado a substituir, despesa que lhe valeu um rombo no orçamento na ordem das 8.600 patacas. No total, os réus foram condenados ao pagamento de 72.300 patacas ao morador.

29 Ago 2019

Incêndio | Proprietários recusaram pagar melhorias no sistema eléctrico

O incêndio que deflagrou no edifício Kam Hoi San, na Areia Preta, poderia ter sido evitado. De acordo com o Exmoo News, os moradores foram notificados para actualizarem os equipamentos eléctricos, mas a maioria dos proprietários recusou pagar as obras de manutenção

 

A falta de manutenção do sistema eléctrico foi a razão do incêndio ocorrido no edifício Kam Hoi San, na Rua Nova da Areia Preta, na passada noite de segunda-feira.

O fogo que afectou 120 habitações poderia, contudo, ter sido evitado se as recomendações da CEM fossem acatadas. Uma fonte citada pelo Exmoo News, refere que a companhia informou, dois meses antes do sinistro, os proprietários de que, devido ao aumento do consumo de electricidade, havia a necessidade de actualizar o equipamento eléctrico, nomeadamente os quadros. Segundo a administração do condomínio, o consumo eléctrico aumentou para o triplo desde o fim da construção.

A mesma fonte referiu ainda que apenas 10 por cento dos proprietários concordaram com a substituição dos equipamentos obsoletos, apesar do alerta do condomínio nesse sentido. Além disso, a fonte citada pelo Exmoo News adianta que muitas fracções têm quotas de condomínio e contribuições para o fundo de manutenção das partes comuns do edifício em atraso.

Aliás, o sistema eléctrico do prédio nunca chegou a ser melhorado desde o fim da construção, há mais de vinte anos. O mesmo se aplica às canalizações de água, ao sistema de protecção contra incêndios, elevadores, entre outros equipamentos que se não forem reparados também acarretam perigo para o prédio.

Custo da segurança

Um dos problemas principais revelado pela fonte do condomínio citada pelo Exmoo News é que as quotas de condomínio não chegam para renovar os equipamentos que precisam de manutenção, um problema transversal aos restantes prédios da zona da Areia Preta e que se torna particularmente problemático com o aumento do consumo de energia.

Também o envelhecimento dos cabos de aço dos elevadores do edifício Kam Hoi San, que foram renovados, motivou discórdia entre os condóminos, com alguns proprietários a protestarem o elevado custo da reparação. Circunstância que revela a falta de consciência para os problemas de segurança como, por exemplo, a ausência de luzes que indiquem saídas de emergência durante acidentes, como incêndios.

De acordo com declarações do Corpo de Bombeiros (CB) prestadas ao HM, a chamada telefónica que deu o alerta para o incêndio foi recebida às 19h07. Três minutos depois a equipa dos bombeiros chegava ao local. “O nosso departamento destacou 23 bombeiros e sete carros para responder ao incêndio”, revela fonte do CB. Apenas quatro minutos depois, o fogo provocado por um curto-circuito foi declarado extinto.

26 Abr 2019

Incêndio | Apesar das 120 casas afectadas ninguém recorreu a abrigo provisório

Durante a noite de segunda-feira, um incêndio deflagrou num edifício habitacional na Rua Nova da Areia Preta. O IAS abriu um Centro de Habitação Temporária para acolher os moradores dos mais de cem apartamentos afectados, mas até ontem à tarde ninguém acorreu ao centro

 

As chamas voltaram ao norte da Península de Macau na noite de segunda-feira, na sequência de um incêndio no edifício Kam Hoi San, sito na Rua Nova da Areia Preta, que terá afectado 120 habitações, de acordo com informação veiculada pela Rádio Macau.

Para acorrer à possibilidade de alguns moradores ficarem sem tecto até ao fim das obras de reparação no prédio, o Instituto de Acção Social (IAS) abriu um Centro de Habitação Temporária.

Porém, ninguém recorreu ao mecanismo de resposta a emergência. “Até às 17h de hoje [ontem], ninguém usou os serviços do Centro de Habitação Temporária e o telefone 24 horas não recebeu ninguém chamada”, esclareceu fonte do IAS em declarações ao HM.

De acordo com declarações do Corpo de Bombeiros (CB) ao HM, a chamada telefónica que deu o alerta para o incêndio foi recebida às 19h07. Três minutos depois a equipa dos bombeiros chegava ao local. “O nosso departamento destacou 23 bombeiros e sete carros para responder ao incêndio”, revela fonte do CB. Apenas quatro minutos depois, o fogo provocado por um curto-circuito foi declarado extinto.

Luz e sombra

Na sequência do incêndio, 48 pessoas precisaram de assistência médica, apesar de não se terem registado hospitalizações, segundo informação veiculada pela Ou Mun Tin Toi.

O fogo que marcou o início da noite de segunda-feira na Rua Nova da Areia Preta faz parte de uma estatística que demonstra tendência decrescente de ocorrências.

No primeiro trimestre de 2019 foram registados menos 48 casos de incêndio em Macau, em relação ao período homólogo de 2018, passando de 259 para 211 ocorrências, ou seja, uma redução de 18,53 por cento. No entanto, quase metade dos fogos reportados continua a ter origem em fogões esquecidos e desatenção de chamas acesas, que representaram 40,74 por cento do total de pedidos de auxílio, ligeiramente mais do que em igual período do último ano.

24 Abr 2019

Tragédia | Idoso morre em incêndio no Fai Chi Kei

A vítima vivia no apartamento que terá começado a arder, alegadamente devido a um problema com um dos electrodomésticos. O incêndio levou mais três pessoas ao hospital, reteve vários moradores nas habitações e obrigou à retirada de 100 pessoas do edifício

Um homem de 83 anos perdeu a vida num incêndio que deflagrou na quarta-feira à noite, por volta das 21h03, no Bloco B do edifício Van Sion Son Chun, no Fai Chi Kei. A confirmação do óbito foi avançada pela Polícia Judiciária. O fogo terá começado num electrodoméstico. O equipamento em causa não foi identificado, mas o jornal Ou Mun avança que poderá ter sido um aquecedor.

“Às 22h10 de ontem [quarta-feira], a PJ foi informada pelo hospital público de que um apartamento no Fai Chi Kei estava a arder e que um homem tinha sido transportado de urgência para o hospital, onde foi declarado morto”, começou por informar a força de segurança. “A investigação ao caso começou a partir desse momento”, foi acrescentado.

Quando chegaram ao apartamento em causa, a vítima já apresentava batimentos cardíacos muito fracos e dificuldades respiratórias. Além do homem, outras três pessoas, uma do sexo masculino, com 60 anos, e duas do sexo feminino, com 54 e 73 anos, que viviam na mesma unidade residencial, necessitaram de ser transportadas para o hospital, devido à inalação de fumos.

O incidente fez ainda com que cerca de 100 pessoas fossem retiradas do prédio em causa. Por este motivo, foi montado no local um centro de comando para assistir os moradores e também o Instituto para a Acção Social abriu um centro de acolhimento.

 

Moradores presos

Após as chamas, o jornal Ou Mun entrevistou um dos moradores, com o apelido Choi, que fez o relato do “inferno” que se viveu dentro do edifício. De acordo com a versão apresentada, este morador estava sozinho em casa, a dormir, e acordou com os gritos dos vizinhos a dizer “fogo”. Segundo as declarações prestadas o morador só conseguiu sair com a ajuda dos bombeiros.

“Mesmo em casa, o fumo era muito espesso e não parava de entrar por debaixo da porta de entrada. Mesmo as paredes já estavam a ficar todas pretas”, relatou. “Assim que decidi que ia sair de casa, abri a porta para o corredor, mas o fumo era mesmo muito denso. Nem conseguia ver os meus dedos. Por isso, e para evitar o perigo, tive de regressar a casa. Felizmente, com a ajuda dos bombeiros, embrulhei-me numa toalha molhada e deixei devagar o prédio”, contou o homem de apelido Choi.

O caso continua a ser investigado pela PJ para apurar a causa do incêndio e os motivos que levaram à morte do homem.

 

1 Mar 2019

Incêndio levou à retirada de 250 pessoas da UM

No passado sábado, um incêndio num quarto do Colégio Shiu Pong da Universidade de Macau levou à retirada de 250 pessoas.

De acordo com o Jornal Ou Mun, os bombeiros foram chamados e depois de chegarem ao local extinguiram as chamas que deflagravam no edifício. Segundo o estudante que vivia naquele quarto, a tomada que usava para ligar o secador de cabelo apresentava problemas e deitava fumo.

O incêndio deixou uma cama queimada sem que se tenham registados feridos. Segundo o Corpo de Bombeiros, a causa do fogo poderá ter sido um curto-circuito.

29 Out 2018

Incêndio | Prédio na Horta da Mitra em risco de colapso

Um edifício junto ao Mercado da Horta da Mitra corre risco de derrocada na sequência de um incêndio que deflagrou ontem de manhã. A ocorrência levou à evacuação de cerca de 30 pessoas, sem registo de feridos. O prédio que foi parcialmente consumido pela chamas pode vir a ser demolido

Por volta das seis da manhã de ontem, os pais de Kelly Mak acordaram com os vizinhos a gritar “fo zuk, fo zuk”. Não era para menos. O prédio ao lado estava a ser consumido por chamas, lançando o pânico entre os residentes que moram em torno do Mercado da Horta da Mitra.

De acordo com informações prestadas pelas autoridades, o Corpo de Bombeiros recebeu o alerta para a ocorrência através de uma chamada telefónica, por volta das 6h20 da manhã de ontem. Às 7h20, o fogo no edifício de três pisos já tinha sido extinto.

As chamas tomaram conta do segundo piso do velho prédio situado na esquina da Rua da Colina com a Rua de Horta e Costa. O Corpo de Bombeiros suspeita que a causa do incêndio esteja na instalação eléctrica. Entre os moradores do bairro diz-se que a primeira faísca resultou de um fio eléctrico roído por ratos, o que levou ao curto-circuito.

“Cerca de 30 pessoas foram evacuadas e não há feridos a registar”, revela fonte do Corpo de Bombeiros. Duas das pessoas evacuadas são os pais de Kelly Mak, que ontem à hora de almoço, de malas feitas, testemunhavam a actuação das autoridades e as operações de rescaldo. A loja que têm, no piso de baixo do edifício adjacente ao sinistrado, não sofreu danos. O mesmo não se pode dizer da casa onde vivem, no andar de cima, paredes meias com o piso do prédio ao lado onde o incêndio começou, e que ficou danificado.

Em ruínas

Apesar das autoridades permitirem o regresso dos moradores do prédio onde vivem os pais de Kelly Mak, a noite de ontem foi passada em casa do filho, a escassas centenas de metros de distância do mercado municipal.

Na sequência do fogo, foram chamados ao local técnicos da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) para avaliar a situação de estabilidade do edifício consumido pelas chamas. Após a análise, os técnicos concluíram que o prédio corre risco de derrocada, principalmente na sequência dos danos registados no segundo piso.

Até à tarde de ontem, o edifício estava selado e os moradores impossibilitados de regressar ao interior do imóvel, situação que se deve manter. De acordo com as autoridades, a DSSOPT e o proprietário estão a avaliar a possibilidade de demolir o prédio de forma a garantir a segurança de quem mora e passa na movimentada artéria paralela à Rua do Campo.

De acordo com informação prestada pelo Corpo de Bombeiros, o edifício do lado não corre risco de ruir.

16 Out 2018

Segurança | Simulacro de incêndio na psiquiatria

Os Serviços de Saúde organizaram ontem, em conjunto com o Corpo de Bombeiros e o Corpo de Polícia de Segurança Pública, um simulacro de incêndio e evacuação de emergência no Edifício da Clínica Psiquiátrica do Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ) na Taipa. O exercício contou com a participação de 150 pessoas e teve o início na cozinha de terapia ocupacional localizada no rés-do-chão do Edifício da Clínica Psiquiátrica do CHCSJ devido a um curto-circuito.

Após o alarme de incêndio, um profissional de saúde procedeu imediatamente à chamada de emergência ao Corpo dos Bombeiros.

De acordo com o comunicado dos SSM, as viaturas dos bombeiros chegaram ao exterior do Edifício da Clínica Psiquiátrica do CHCSJ em cinco minutos para combater as chamas. Também a PSP foi chamada ao local, para onde destacou agentes para controlarem a circulação rodoviária.

No final, o simulacro foi considerado bem sucedido pelas entidades, e para o Governo ficou provado que em caso de ocorrência de incêndio, os profissionais de saúde e os trabalhadores do Edifício da Clínica Psiquiátrica do CHCSJ estão preparados para responder às contingências e para apoiarem os utentes internados.

13 Set 2018

Museu Nacional do Rio de Janeiro não tinha seguro nem brigada contra incêndios

O Museu Nacional do Rio de Janeiro, que ardeu no domingo, não tinha seguro sobre o património e não tinha uma brigada disponível para combater possíveis incêndios, disse vice-diretora do museu brasileiro.

Cristiane Serejo admitiu que os responsáveis do museu descartaram a contratação de uma seguradora e a criação de um grupo de funcionários autorizados a combater incêndios por falta de verbas.

O Governo já anunciou a libertação de fundos de emergência para iniciar a reconstrução imediata de um novo edifício e uma campanha com o objetivo de angariar fundos privados.

“Temos recebido várias ofertas de doações, até mesmo algumas instituições estrangeiras. Vamos fazer uma campanha e vamos ser capazes de levantar o Museu Nacional com novas coleções”, disse a vice-diretora do museu.

Na segunda-feira, centenas os estudantes e investigadores ligados ao museu, a maioria dos quais vestidos de negro, concentraram-se em frente aos escombros ainda fumegantes do edifício, para “abraçar” o antigo palácio imperial do século XIX, em protesto contra o Presidente brasileiro e cortes na Cultura.

Os portões que dão acesso ao recinto do museu chegaram a estar fechados a cadeado pelas autoridades, mas a força dos protestos levou a que a população conseguisse entrar.

Considerado o maior museu de História Natural da América Latina, o Museu Nacional, que assinalou em junho o seu bicentenário, albergava cerca de 20 milhões de peças de valor incalculável e uma biblioteca com mais de 530 mil títulos.

Entre as peças inestimáveis transformadas em cinzas está uma coleção egípcia, uma outra de arte e de artefactos greco-romanos, coleções de paleontologia – que incluíam o esqueleto de um dinossauro encontrado na região de Minas Gerais – bem como o mais antigo fóssil humano descoberto no Brasil, “Luzia”.

Um dos únicos vestígios preservados foi o enorme meteorito com mais de cinco toneladas, que continua em frente à entrada do espaço.

Mergulhado numa dívida pública abissal e em sucessivos escândalos de corrupção, o Brasil, que sai timidamente de uma recessão histórica, efetuou nos últimos meses muitos cortes orçamentais nas áreas da Investigação, Cultura e Ciência.

O ministro da Cultura brasileiro, Sérgio Sá Leitão, reconheceu que “a tragédia poderia ter sido evitada”.

Há três meses, por ocasião do bicentenário, o Museu Nacional obteve um financiamento de 21,7 milhões de reais (cerca de 4,51 milhões de euros) do Banco Nacional de Desenvolvimento para o restauro do edifício.

5 Set 2018

Incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro destruiu 20 milhões de peças

Oacervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que foi consumido por um incêndio na noite de domingo, tinha um dos maiores acervos histórico e científico do país, com cerca de 20 milhões de peças. A instituição, criada há 200 anos, foi fundada por D. João VI, rei de Portugal, e era o mais antigo e um dos mais importantes museus do Brasil.

Entre as peças do acervo estavam a colecção egípcia, que começou a ser adquirida pelo imperador D.Pedro I, e o mais antigo fóssil humano encontrado no Brasil, baptizado de “Luzia”, com cerca de 11.000 anos.

O Museu Nacional do Rio de Janeiro era o maior museu de História Natural e Antropologia da América Latina e o edifício tinha sido residência da família Real e Imperial brasileira. Entre os milhões de peças que retratavam os 200 anos de história brasileira estavam igualmente um diário da Imperatriz Leopoldina e um trono do Reino de Daomé, dado em 1811 ao príncipe regente D. João VI.

Nas colecções de Etnologia estavam expostos objectos que mostravam a riqueza da cultura indígena, cultura afro-brasileira, culturas do Pacífico. Segundo a edição brasileira do El País, o acervo tinha ainda o maior e mais importante acervo indígena e uma das bibliotecas de antropologia mais ricas do Brasil.

A instituição, ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), era alvo de cortes orçamentários há pelo menos três anos. Os alunos do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da universidade chegaram mesmo a criar ‘memes’ (imagens ou vídeos que se espalham de forma viral) em que mostravam fósseis à espera de verba, ironizando os cortes.

Em 2015, o museu chegou a ficar fechado por dez dias após uma greve de funcionários da limpeza, que reclamavam salários atrasados. Nas redes sociais, investigadores, alunos e professores brasileiros partilham depoimentos, lamentando o ocorrido e atribuindo a tragédia aos cortes orçamentais dos últimos anos.

O vice-director do Museu Nacional considerou o incêndio uma “catástrofe insuportável”. “O arquivo de 200 anos virou pó. (…) São 200 anos de memória, ciência, cultura e educação, tudo transformado em fumo por falta de suporte e consciência da classe política brasileira”, afirmou o responsável, sublinhando: “O meu sentimento é de imensa raiva por tudo o que lutamos e que foi perdido na vala comum”.

Segundo disse, no aniversário de 200 anos da instituição nenhum ministro de Estado aceitou participar da comemoração: “É uma pequena mostra do descaso”, sublinhou. O responsável adiantou ainda que a instituição estava prestes a fechar uma negociação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) que incluía um projecto de prevenção de incêndios.

Antes destas declarações, o Ministério da Educação brasileiro já tinha lamentado as consequências do incêndio no Museu Nacional, sublinhando que serão feitos todos os esforços para auxiliar a Universidade Federal do Rio de Janeiro, que geria o museu, a recuperar o património histórico. O presidente do Brasil, Michel Temer, reagiu, em comunicado, considerando a perda “incalculável”.

4 Set 2018

Incêndio | Detido proprietário de hotel em que morreram 19 pessoas

 

A polícia deteve o proprietário do hotel onde um incêndio causou, no sábado, a morte de 19 pessoas na cidade chinesa de Harbin, no noroeste do país, anunciou ontem a agência Xinhua

As autoridades chinesas continuam a investigar as causas do fogo, que começou pelas 04h36 no hotel Beilong Hotspring Leisure, onde cerca de cem bombeiros trabalharam durante mais de três horas para extinguir o fogo.
Apesar de, num primeiro momento, se noticiarem 18 mortes, um dos feridos morreu no hospital, onde estavam a ser assistidas outras 23 pessoas, segundo as autoridades locais.
A polícia, que abriu uma investigação para esclarecer o sucedido, deteve até ao momento o proprietário do hotel, por alegada responsabilidade no incêndio.
Em imagens difundidas pela televisão estatal chinesa CCTV, pode ver-se que vários andares do complexo hoteleiro ficaram totalmente calcinados, afectando uma área de cerca de 400 metros quadrados.
As equipas de emergência conseguiram resgatar vinte pessoas que ficaram presas no hotel e retiraram outras 80 que se encontravam no edifício no momento do incêndio.

Gelo e fogo

Harbin, capital da província de Heilongjiang, a mais a norte do país, na fronteira com a Rússia, é conhecida por albergar no Inverno o Festival de Gelo e Neve, o maior recinto deste tipo no mundo. A cidade recebe a cada Inverno mais de um milhão de turistas, na maioria chineses, atraídos pelas colossais estátuas de água congelada e neve com forma de templos, pagodes, palácios e budas.
Os incêndios em edifícios são comuns na China, onde as regras de segurança são regularmente negligenciadas. Dezoito pessoas foram mortas e cinco ficaram feridas, em Abril, no incêndio de um espaço de karaoke no sul do país.
As medidas de segurança anti-incêndio dos imóveis do país foram postas em causa em muitas ocasiões, especialmente após a morte de 19 pessoas, entre as quais oito crianças, num incêndio num edifício de vivendas no sul de Pequim, ocorrido em Dezembro.
As autoridades lançaram então uma campanha de 40 dias para examinar as medidas anti-incêndio dos imóveis da capital e subúrbios, que acabou por resultar no desalojamento massivo de milhares de pessoas dos seus lares, na maioria trabalhadores migrantes.

27 Ago 2018

Índia | Incêndio em prédio provoca quatro mortos e 22 feridos

Um incêndio deflagrou ontem no 12.º andar de um prédio residencial em Bombaim, capital financeira e de entretenimento da Índia, matando quatro pessoas e ferindo outras 22, incluindo dois bombeiros, segundo as autoridades locais. Dezenas de pessoas foram resgatadas do prédio de 17 andares Crystal Tower, segundo um oficial do corpo de bombeiros.

A causa do incêndio nesta área comercial de Parel, em Bombaim, em está sob investigação.

As chamas e o fumo espalharam-se rapidamente, deixando presos alguns moradores numa escadaria, disse aos jornalistas o chefe dos serviços de bombeiros, P.S. Rahangdale. Rahangdale disse que pediu à polícia que o prédio fosse encerrado e o seu dono detido, porque os equipamentos de combate a incêndios, incluindo aspersores e acoplamentos de mangueiras, funcionavam com problemas.

Avinash Supe, responsável pelo Hospital KME, disse que 24 pessoas foram levadas para o hospital, quatro das quais já sem vida. Outras 20 pessoas estavam a ser tratadas por inalação de fumo e queimaduras, mas em condição estável, disse Avinash Supe.

Dois bombeiros também ficaram feridos enquanto combatiam o incêndio, disse um oficial da corporação.

Os incêndios são comuns na Índia, onde leis de construção e segurança são muitas vezes desrespeitadas por construtores e moradores. Em Dezembro, um incêndio de madrugada num restaurante em Bombaim matou 15 pessoas.

23 Ago 2018

Coreia do Sul | Nove mortos e quatro feridos em incêndio em fábrica

Pelo menos nove pessoas morreram e quatro ficaram feridas na sequência de um incêndio numa fábrica de equipamento electrónica em Incheon, a oeste de Seul, na Coreia do Sul, anunciaram ontem as autoridades. O incêndio começou por volta das 14h43 de Macau no quarto andar e foi dado como extinto cerca de duas horas depois, segundo os relatórios oficiais citados pela agência noticiosa sul-coreana Yonhap, que não descartam a hipótese de o número de vítimas aumentar à medida que os bombeiros percorrem as instalações. A Yonhap acrescenta que alguns dos trabalhadores morreram quando tentavam escapar das chamas, saltando do prédio para a rua, antes da chegada dos bombeiros, que mobilizaram dezenas de viaturas para a fábrica, localizada no complexo industrial de Namdong. As forças de segurança estão a tentar determinar a causa exacta do incêndio.

22 Ago 2018

Incêndio | Pelo menos 14 pessoas morreram num hospital de Taiwan

Pelo menos 14 pessoas morreram ontem de paragem cardíaca na sequência de um incêndio num hospital em Nova Taipei, Taiwan, informou o Ministério da Saúde e Saneamento em comunicado. O incidente ocorreu no sétimo andar do Hospital Weifu, no distrito de Xinchuang, onde os bombeiros foram obrigados a resgatar 36 pessoas, 14 delas já sem sinais vitais, adiantou o Gabinete de Prevenção de Desastres do Ministério da Saúde e Bem-Estar. A operação mobilizou 276 bombeiros, apoiados por 76 veículos, que conseguiram controlar o fogo em cerca de 50 minutos. Os mortos são sete homens e sete mulheres. A causa do incêndio é desconhecida e a polícia de Nova Taipei iniciou uma investigação para apurar o que esteve na origem do incidente.

14 Ago 2018

Incêndio | Cigarro mal apagado causou fogo em prédio na Taipa

Na sequência do incêndio ocorrido no passado domingo no Edifício Tak Fok Hoi Keng Fa Un Kam Keng Kok, atrás do Hotel Altira, um morador com cerca de 40 anos entregou-se à polícia. O homem confessou às autoridades ter deixado um cigarro mal apagado no sítio onde deflagrou o incêndio.

Por essa razão, o caso foi encaminhado para o Ministério Público e o indivíduo é suspeito de ter cometido o crime de fogo posto que, caso seja causado por negligência, é punido com uma pena de prisão que pode chegar aos cinco anos.

Também de acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a PJ recorreu à videovigilância para identificou o morador. O incêndio começou num caixote de lixo no sexto andar do edifício. Segundo o conselho de administração do edifício, o fogo causou um prejuízo de sete mil patacas.

12 Jul 2018

Incêndio | Caso suspeito de fogo posto na Taipa

Um incêndio que deflagrou na madrugada de domingo num edifício na Taipa, mais propriamente na Avenida de Kwong Tung, levantou suspeitas de fogo posto, de acordo com a Polícia Judiciária (PJ).

Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o incêndio aconteceu na madrugada do dia 8 de Julho. O Corpo de Bombeiros (CB) foi informado da existência de fumo e cheiro a queimado no edifício e quando chegaram ao local testemunharam o fumo que vinha dos 16º, 17º e 18º andares.

O CB procedeu à evacuação de 40 residentes, sem que se tenham registados feridos. O caso está agora a ser investigado pelas autoridades policiais.

10 Jul 2018

Incêndio nos Ocean Gardens | Marido de Sónia Chan nega fuga às responsabilidades

Tam Peng Tong revelou, em entrevista ao HM, que só ficou a saber da situação de necessidade do casal português através dos jornais. Para o chefe do Gabinete do Procurador, o computador de grandes dimensões da marca Apple na casa queimada e o facto da filha do casal português estudar em Inglaterra indiciavam outra situação. Com base no relatório dos bombeiros, recusa a responsabilidade pelo incêndio, admite simpatia pela situação do casal e equaciona ajudá-los

A secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, e o chefe do Gabinete do Procurador da RAEM, Tam Peng Tong, são os proprietários da casa arrendada por um casal de portugueses que ardeu no dia 10 de Janeiro.

Em entrevista ao HM, Tam Peng Tong revelou que desconhecia as dificuldades atravessadas pelo casal até ao caso ter saído nos jornais, afirma que se encontrou com o casal português na manhã do incêndio e pondera apoiar a família Pereira, apesar de sublinhar que relatório do Corpo dos Bombeiros e a análise de um perito contratado pela empresa responsável pela gestão do condomínio terem concluído que o incêndio teve origem no sobreaquecimento de um router para a internet.

“Não se deu o caso do locador ter ignorado ou omitido incêndio e a sua responsabilidade”. Foi desta forma que Tam Peng Tong começou a entrevista, em que abordou o caso, com o HM.

“Eu não conhecia bem a situação financeira dos locatários. Depois do incêndio fui à casa [ardida] e verifiquei que existia um computador da marca Apple com um ecrã muito grande. Também a filha dos locatários está a estudar em Inglaterra. Por isso, não posso dizer que conhecesse muito bem a situação financeira dos locatários”, esclareceu em relação à campanha de donativos. Questionado sobre se tinha encontrado com casal português nessa altura, Tam afirmou que “sim”.

Segundo as palavras do marido de Sónia Chan, o conhecimento para a situação de Helena e Luís Pereira só foi obtido através dos jornais, na segunda-feira. Foi também nesse dia que o proprietário da fracção recebeu uma carta do casal para entrarem em contacto directo, a que acedeu.

“Só ontem [segunda-feira] é que recebi a carta dos locatários. Também foi ontem [segunda-feira] que vi as notícias [nos jornais] e fiquei estupefacto porque eu não percebo como é que o caso se desenvolveu desta maneira”, explicou.

Tam negou que alguma vez tivesse tentado evitar as suas responsabilidades como proprietário. Ontem, inclusive, deslocou-se com o casal português ao Corpo de Bombeiros para que as causas do incêndio fossem analisada novamente.

Bombeiros negam versão da tomada

No final, os bombeiros voltaram a afirmar que as conclusões apontam para o router, situado num armário junto à televisão, e não para uma das tomadas da casa, como Helena Pereira defendeu, em declarações à imprensa. Ainda no encontro de ontem, segundo o senhorio, o casal Pereira colocou a hipótese do incêndio ter começado numa das entradas para o sinal da antena da televisão, junto à tomada, onde estava situado um ar-condicionado. Porém, a conclusão dos bombeiros iliba o proprietário de responsabilidade sobre o incêndio.

“Não faço ideia porque é que os arrendatários disseram que o locador omitiu a sua responsabilidade e não interveio neste caso”, declarou. “Nós temos simpatia com as necessidades dos locatários. Caso seja necessário podemos prestar o nosso apoio. Mas é de salientar que este [apoio financeiro ao casal] não é uma responsabilidade [como senhorios] nem qualquer tipo de indemnização”, frisou.

A versão dos bombeiros contada por Tam, bate certo com a versão oficial que tinha sido avançada, ao HM, por um porta-voz da corporação, no domingo à noite.

Tam pagou as primeiras reparações

Além do relatório dos bombeiros, Tam Peng Tong disse, ao HM, que a empresa responsável pelo condomínio também contratou um engenheiro para fazer uma perícia sobre a causa do incêndio. “Foi contratado um engenheiro pela companhia de gestão daquele edifício para examinar a segurança dos circuitos de toda a casa. Os circuitos daquela casa estão seguros e funcionam bem, não há avarias”, afirmou.

“O engenheiro disse que a ficha da tomada não está completamente queimada. Depois de ter isolado aquela tomada, todas as outras tomadas funcionaram bem. A tomada não foi a causa, mas por causa do incêndio também ficou queimada”, frisou.

Apesar de ter sido acusado de não ter prestado apoio ao casal, o marido de Sónia Chan defende-se e esclarece que enviou pessoas ao local para garantir a segurança, após o incêndio.

“Para garantir a segurança das pessoas enviei um engenheiro e outros trabalhadores para removerem o ar-condicionado que se situava em cima do lugar onde ocorreu o incêndio. Fui eu que paguei as despesas de um engenheiro para fazer a inspecção e também do isolamento da tomada, mais as despesas da remoção do ar-condicionado”, contrapôs.

Tam Peng Tong mostrou-se disponível para clarificar a situação ao HM, depois de ter sido contactado por este jornal, ontem, às 15h00. No entanto, no domingo à noite, a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, tinha recusado comentar o assunto, quando foi contactada pelo HM através do seu gabinete: “são questões de foro privado”, foi a justificação avançada por um assessor.

O HM entrou em contacto com Helena Pereira para obter um contraditório às declarações de Tam Peng Tong, por volta das 19h50, mas a inquilina recusou fazer qualquer comentário nem quis esclarecer as versões contraditórias.

Posse da casa remonta a 2016

Segundo o registo predial a que o HM teve acesso, o apartamento no edifício Cattleya está na posse de Tam Peng Tong e Sónia Chan desde Outubro de 2016. Na altura em que foi comprada a casa, o casal português já viva na mesma, através de um contrato de arrendamento, que continuou em vigor, apesar da troca de proprietários.

Ao HM, Tam Peng Tong garantiu que todas as formalidades face ao contrato foram respeitas e que o mesmo foi registado junto dos Serviços de Finanças. O chefe do Gabinete do Procurador informou ainda que à excepção do ar-condicionado, a casa foi arrendada sem mais nenhum equipamento eléctrico.


Origem do fogo em tomada não implica responsabilidade do senhorio

Mesmo que, como defende o casal Pereira, a origem do incêndio estivesse na tomada eléctrica, não seria garantido que Sónia Chan e o marido tinham de accionar o seguro e assumir a responsabilidade pelos danos do incêndio.

Segundo uma fonte conhecedora do Direito local, que preferiu permanecer anónima, para haver culpado é preciso provar que “a instalação era deficiente”. Por outro lado, se a tomada era deficiente e o inquilino nada disse atempadamente torna-se “mais difícil perceber de quem é a responsabilidade pela situação e quem deverá suportar os prejuízos”.

A mesma fonte deixa um aviso às pessoas que arrendam casas “O inquilino deve fazer um uso prudente do locado, daquilo que lhe é confiado. Uma coisa é o desgaste normal decorrente do uso, de uma utilização prudente e razoável, outra são os danos resultantes da incúria, do desleixo, da falta de limpeza/manutenção do esquentador, das ligações do gás, do exaustor (susceptível de provocar incêndios) ou da falta de cuidado daquilo que foi confiado pelo senhorio ao inquilino”, sublinhou. “Se houver problemas no locado, o inquilino tem obrigação de comunicá-los para que se sobrevier um problema o senhorio tenha sido avisado e seja chamado a assumir as suas responsabilidades”, recordou.

Casa de Portugal não verificou contas do casal

Até ao fim-de-semana a campanha de recolha de fundos para o casal Pereira organizada pela Casa de Portugal amealhou cerca de 50 mil patacas. A informação foi avançada, ontem, por Amélia António, presidente da instituição, ao HM. A advogada confirmou ainda que a campanha foi iniciada sem ter havido uma análise às contas de Luís e Helena Pereira, apesar de viverem há cerca de 25 anos em Macau, a mulher do casal ser funcionária no Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, e, segundo Tam Peng Tong, a filha estudar no exterior.

“Foram pessoas próximas deles que nos contactaram a relatar que a situação do casal era bastante complicada. Quando falei com eles, confirmaram que economicamente não tinham margem para esta situação”, afirmou a presidente da Casa de Portugal. “Alguma vez íamos fazer uma investigação às pessoas? Há provas do incêndio, estão em casa dos amigos porque não têm outro sítio enquanto esperam que as coisas se resolva”, justificou.

Amélia António admitiu também que estava ciente que a secretária para a Administração e Justiça era uma das proprietárias da casa, mas defendeu a decisão de não se revelar a identidade: “Não quisemos fazer uma guerra política”, justificou.

31 Jan 2018