Agentes culturais lamentam efeito devastador de medidas antipandémicas Hoje Macau - 8 Ago 2022 A Associação dos Artistas de Macau alerta que o sector cultural sofreu um impacto “devastador” devido às fortes restrições fronteiriças, confinamentos parciais e quarentena impostas pelas autoridades no combate à pandemia da covid-19. “O sector cultural tem sido devastado”, disse à Lusa o presidente e artista de Macau, Ken Sou Io Kuong, lamentando que “devido a tudo isso os eventos estão totalmente suspensos”. “O sector cultural e de entretenimento e artes performativas não tem a certeza do tipo de apoio que receberá do Governo no futuro, porque a indústria do entretenimento não é uma necessidade na mente do público”, sublinhou. Ken Sou Io Kuong explicou que as ajudas do Governo visam salvar primeiro sectores da restauração e que garantam os meios de subsistência e que o esquema de apoios não contempla a indústria cultural. “No sector cultural, muitos artistas fazem outros trabalhos em part-time, alguns deles até abandonaram esta indústria para trabalharem noutra coisa”, acrescentou. Uma bailarina brasileira, Julia Moreschi, passou a ser instrutora de yoga devido à falta de oportunidades de dançar e de eventos. “A indústria do espectáculo foi desaparecendo. (…) Basicamente todos os meus amigos bailarinos deixaram Macau”, frisou, salientando que por vezes ainda iam conseguindo alguns trabalhos, mas que, entretanto, foram cancelados a partir dos confinamentos parciais. Antes de 2020, detalhou, podiam ser contratados para dez trabalhos durante a época alta, mas este ano até agora só recebeu propostas para três. Já o director e maestro da Orquestra Jovem Chinesa de Macau, Paul Cheong, adiantou que, antes de 2020, a orquestra tinha uma forte ligação com várias cidades na China e chegou a ser convidado a actuar na Ucrânia. A pandemia afectou seriamente os intercâmbios culturais de Macau com a Área da Grande Baía, bem como outras partes da China continental, acrescentou. “Desde o surto, todas as actividades de intercâmbio cultural tiveram de ser terminadas (…). Receamos convidar instrutores e peritos estrangeiros para virem a Macau para actividades de mentoria, quanto mais para organizar eventos de intercâmbio noutras cidades fora de Macau”, sublinhou o maestro. O antigo deputado da Assembleia Legislativa de Macau, Sulu Sou, chegou a acusar o Governo de discriminar o sector. “Embora não tenha sido encontrado nenhum caso de covid-19 ligado a teatros e outros locais culturais, foram sempre os primeiros a encerrar e os últimos a reabrir no meio de surtos”, escreveu nas redes sociais. “Apesar de nos últimos dois anos e meio não ter sido detectada qualquer infecção relacionada com locais de artes performativas, só lhes foi permitido operar na metade da capacidade durante um período prolongado, antes de serem relaxadas as medidas pandémicas, permitindo-lhes funcionar a três quartos da capacidade, e sob condições”, acrescentou.
Saúde | Inspecções surpresa em escolas para combater tabagismo juvenil Pedro Arede - 8 Ago 2022 Para combater o consumo de tabaco entre menores, os Serviços de Saúde elaboraram uma lista de ponto negros onde os mais novos se juntam para fumar e têm realizado “inspecções surpresa” em escolas durante o intervalo do almoço. Até hoje, não foram detectados casos de venda ilegal de tabaco, revela Alvis Lo Os Serviços de Saúde elaboraram uma lista de pontos negros onde menores se reúnem para fumar e têm realizado “inspecções surpresa” em escolas durante o intervalo do almoço e fora do horário escolar. As medidas, reveladas em resposta a interpelação escrita do deputado Lei Chan U, fazem parte do plano do Governo para combater e controlar o tabagismo entre os menores. Admitindo atribuir “elevada importância” ao controlo do tabagismo dos jovens, o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo Iek Long, revela que o organismo optou por realizar “acções especiais”, onde se inclui a divulgação da lei junto de lojas que vendem tabaco, distribuição de folhetos promocionais sobre os seus malefícios e o “combate ao acto ilegal de fumar por jovens”, nas redondezas das escolas. “Os Serviços de Saúde também elaboram uma lista de pontos negros onde os jovens costumam passear e reunir-se para fumar, sendo que têm sido organizadas inspecções especiais direccionadas a estes locais de acordo com o plano estratégico. Têm sido realizadas inspecções surpresa aos locais mais relevantes durante o intervalo do almoço e fora do horário escolar, a fim de aumentar a eficácia de promoção e de execução da lei”, pode ler-se na resposta a Lei Chan U. Recorde-se que na interpelação, o deputado mostrou-se preocupado com as “lacunas” da lei do tabaco em vigor desde 2011, que permitiram a um menor com 13 anos, que acidentalmente provocou um incêndio num edifício habitacional com um cigarro, comprar tabaco no comércio local. Além disso, Lei Chan U questionou o Governo sobre quantos casos de venda ilegal de tabaco a menores foram registados e se estão a ser ponderadas alterações legislativas. Sempre zero Na réplica, Alvis Lo Iek Long não faz referência a uma eventual revisão do actual regime de prevenção e controlo do tabagismo, lembra que os comerciantes devem exigir o documento de identificação sempre que suspeitarem que o comprador tem menos de 18 anos e justifica o problema da venda de tabaco a menores com a “dificuldade” que existe em detectar vendas irregulares. Sobre o número de casos de venda ilegal, o responsável diz não haver registo de qualquer ocorrência. “A venda é um acto de curta duração, daí os agentes de fiscalização encontrarem dificuldades em detectar a venda irregular durante as inspecções para emissão imediata de acusação. Após a entrada em vigor da lei, até ao momento, os Serviços de Saúde não receberam queixas ou denúncias sobre a venda de produtos de tabaco a menores de 18 anos”, apontou Alvis Lo. Quanto a outras medidas, os Serviços de Saúde referem que estão a ser levadas a cabo “actividades promocionais de educação”, que incluem workshops, palestras, teatros itinerantes, jogos online e “acampamentos anti-tabagismo”. Contas feitas, entre 2012 e 2021, revela o organismo, foram organizadas 900 palestras sobre os malefícios do tabaco, que contaram com a participação de mais de 49 mil alunos. Por último, Alvis Lo aponta que os Serviços de Saúde estão a “criar directrizes relevantes” para tornar os dados sobre o tabagismo “comparáveis” com outros países e regiões. De acordo com o estudo mais recente realizado em Macau, o consumo de cigarros convencionais entre os jovens caiu de 6,1 em 2015 para 3,8 por cento em 2021. Em sentido contrário, o consumo de cigarros electrónicos subiu de 2,6 para 4,0 por cento.
Pandemia | Caso detectado em Zhuhai coloca Macau em alerta e encerra edifícios João Luz - 8 Ago 2022 As autoridades de Zhuhai notificaram ontem Macau da detecção de um caso positivo de covid-19 relativo a um trabalhador não-residente de 26 anos, que morava na Areia Preta e que trabalha na padaria do Grand Mart, na Taipa. Cerca de 60 mil pessoas de zonas alvos fizeram ontem teste de ácido nucleico e toda a população fez ontem e fará hoje testes rápidos obrigatórios Passados poucos dias do levantamento das quarentenas obrigatórias à entrada em Zhuhai, as autoridades da cidade vizinha notificaram ontem o Governo de Macau da descoberta de um caso positivo de covid-19 relativo a um indivíduo de 26 anos, trabalhador não-residente em Macau. Embora o paciente tenha testado mais de dez vezes negativo nos sucessivos testes de ácido nucleico feitos em Macau, as autoridades indicam que “não se pode excluir o eventual risco de transmissão de vírus nas áreas onde esse indivíduo vive e trabalha”. Quando Macau se preparava para relaxar medidas restritivas, a descoberta do caso levou ao restabelecimento de novas zonas alvo, obrigando à realização de testes de ácido nucleico a um universo alargado de pessoas. Assim sendo, entre as 15h30 de ontem e as 00h de hoje, foi decretada a obrigatoriedade de fazer um teste de ácido nucleico “às pessoas que morem ou trabalhem nas zonas delimitadas pela Avenida Dr. Sun Yat Sen, Estrada Almirante Marques Esparteiro, Rua de Viseu, Estrada Governador Albano de Oliveira, Avenida do Estádio, Rua do Desporto, Rua do Regedor, Rua da Ponte Negra e Avenida Olímpica, na Taipa. Os resultados devem ser conhecidos esta manhã Os testes são obrigatórios também para quem esteve nas zonas referidas por mais de meia hora no dia 3 de Agosto, ou após essa data, especialmente para quem frequentou a padaria do supermercado Grand Mart, em frente ao Jockey Club de Macau. A medida deve abranger certa de 60 mil pessoas, apesar do médico Tai Wai Hou ter frisado ontem a dificuldade em contabilizar todos os que devem fazer teste de ácido nucleico. As autoridades de saúde acrescentam que “considerando o alto risco nas áreas relevantes”, não ficaram “isentos os bebés e as crianças pequenas nascidos após o dia 1 de Julho de 2019, bem como os idosos com dificuldade de locomoção que necessitem de cuidados de acompanhamento ou, as pessoas com deficiência”. Porém, quem já tinha feito teste de ácido nucleico ontem por estar incluído num grupo-chave não precisou fazer novo teste. As pessoas que recuperaram depois de infectadas ficaram isentos. Voltam bloqueios O indivíduo em causa morou até ao dia 4 de Agosto no Edifício Polytec Garden (bloco 1), na Rua Central da Areia Preta, num apartamento com oito pessoas, seis delas ainda se encontraram em Macau, todos colegas de trabalho. As autoridades de saúde locais, confirmaram na conferência de imprensa que até ontem todos tinham testado negativo nos testes de ácido nucleico. Como resultado, o edifício em questão foi bloqueado e decretado zona vermelha, obrigando todos os moradores a fazer teste de ácido nucleico, estando previsto o fim do isolamento do prédio no próximo sábado e o levantamento do código de saúde amarelo no dia 15 de Agosto. Porém, o tempo de confinamento do edifício será determinado com base nos resultados dos testes dos moradores. Como a pessoa infectada visitou várias vezes a mesma loja no centro comercial City Plaza, perto das Portas do Cerco, “os trabalhadores do primeiro piso vão ser testados e sujeitos a medidas de controlo e serão recolhidos dados dos clientes que visitaram o centro comercial para fazerem também teste de ácido nucleico”, afirmou ontem a médica Leong Iek Hou. O edifício onde se situa o centro comercial acabou também por ser selado. As autoridades estão a averiguar a possibilidade de o indivíduo em causa estar envolvido em práticas de contrabando. E agora? Uma das consequências imediatas para a população geral foi a imposição de testes antigénio rápidos entre ontem e hoje. Mas a grande questão é saber até que ponto a descoberta deste caso em Zhuhai irá afectar a normalização de Macau. Importa referir que o fluxo de passagens transfronteiriças entre as duas cidades tem atingido grande intensidade e que a cidade vizinha detectou, pelo menos, três outros casos positivos na zona de Doumen. O director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, referiu ontem que os casos de Macau, com base na sequenciação genética e investigação epidemiológica, e que, para já, “não se justifica interromper de novo as passagens das fronteiras”. Entretanto, as autoridades de Zhuhai começaram a admitir entrada apenas a quem faça o teste já do outro lado da fronteira e montaram postos de testagem à entrada em Gongbei. Quanto ao futuro, só os resultados da testagem o dirão. “Temos de nos manter alerta, mas não precisamos ficar muito preocupados. Para já, não precisamos confinar, o essencial é fazer os testes de ácido nucleico e só os resultados podem ditar as medidas que vamos tomar. Mas não queremos tomar medidas de alta intensidade”, apontou Alvis Lo. Ficou assim, em aberto o prolongamento do chamado período de estabilização. O director dos Serviços de Saúde voltou a apelar à população para evitar ao máximo as saídas desnecessárias e cumprir as habitais directrizes, como desinfectar as mãos com frequência, evitar aglomerações e convívios e usar máscara. Braços descruzados Além da incerteza se a semana pode começar com o retorno de restrições, a tónica da conferência de imprensa de ontem foi a rapidez com que as autoridades de Macau responderam ao comunicado da cidade vizinha, ponto repetido várias vezes por Alvis Lo. Depois da notificação às 09h de ontem, ao meio-dia “já tinham sido bloqueadas zonas e identificado os grupos alvo que seriam sujeitos a testes de ácido nucleico”. “Fomos muitos rápidos a responder e pedimos aos cidadãos que façam teste antigénio hoje e amanhã [ontem e hoje] para identificar casos. Podemos ter casos esporádicos nos próximos tempo, mas precisamos fazer o nosso trabalho”, afirmou o director dos Serviços de Saúde. Segundo a médica Leong Iek Hou, até ontem às 18h e em conexão com o caso positivo, estavam a ser acompanhados 33 contactos próximos, 18 pessoas fizeram o mesmo percurso, assim como cinco contactos por via secundária. Para já, a medida de levantamento da gestão em circuito fechado em lares de idosos e instalações de reabilitação, que deveria ser descartada hoje, irá manter-se até serem apurados os resultados da testagem aos grupos-alvo.
Associações, políticos e famílias tradicionais condenam visita de Pelosi a Taiwan Nunu Wu - 5 Ago 2022 Várias associações tradicionais de Macau condenaram a visita da Presidente da Câmara dos Representantes do Congresso dos EUA, Nancy Pelosi, a Taiwan, em vários comunicados publicados ontem no jornal Ou Mun. As posições dos dirigentes, que ocupam cargos políticos no território, surgem num dia marcado por vários exercícios militares do Exército de Libertação Popular ao largo da Ilha Formosa. Tina Ho, ex-presidente da Associação das Mulheres, irmã do Chefe do Executivo e vice-directora do Comité de Ligação com Hong Kong, Macau, Taiwan, foi uma das dirigentes associativas que veio a público denunciar a vista. Ho apontou que é “inaceitável que forças estrangeiras interfiram nos assuntos de Taiwan” e indicou que “todos os compatriotas de Macau” apoiam e cooperam com a resposta adequada do Governo Central. Por sua vez, Kevin Ho, membro de Macau na Assembleia Popular Nacional, avisou o Governo de Taiwan que não pode “seguir uma política de independência só porque tem o apoio dos Estados Unidos”. O empresário alertou que estas políticas prejudicam a Ilha Formosa, e que as populações do Interior da China, Macau, Hong Kong e Taiwan devem defender os interesses comuns da população chinesa. Também Lao Ngai Leong, líder do Conselho Regional de Macau para a Promoção da Reunificação Pacífica da China e membro de Macau à APN, manifestou apoio em relação a todas as medidas que o Governo Central considere necessárias contra Taiwan e os EUA, incluindo a utilização de força. Lao atacou ainda o Governo de Tsai Ing-wen e o Partido Democrático Progressista por considerar terem participado em conluio com “forças estrangeiras”, o que no seu entender só vai acelerar a destruição do DPP e criar uma catástrofe na Ilha Formosa. Vozes de deputados Também os deputados José Chui Sai Peng e Chan Hou Seng defenderam os treinos militares chineses nas áreas marítimas de Taiwan, por considerarem que mostram a posição firme de liderança da China, como um grande país no palco internacional. Chui e Chan destacaram ainda que os exercícios militares não são um acto irresponsável, mas um passo determinado na concretização do “grande rejuvenescimento da nação chinesa e da comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade”. Por seu turno, o deputado Si Ka Lon apontou que os sectores de Macau devem aproveitar as vantagens da cooperação estreita entre Macau e Taiwan, assumindo um papel de ponte para impulsionar o intercâmbio alargado entre a China e Taiwan, com vista a concretizar o mais rapidamente possível a unificação da pátria de forma pacífica.
Os Mártires da floresta Amazónica Olavo Rasquinho - 5 Ago 2022 Estamos habituados relacionar a Amazónia com o Brasil mas, na realidade, trata-se de uma vasta floresta tropical que se estende por territórios de nove países. É certo que a maior parte se distribui pelo Brasil (cerca de 60%) e Colômbia (cerca de 13%), estendendo-se os restantes 27% pela Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. O termo Amazónia provém do nome do rio Amazonas que, por sua vez, adquiriu esta designação a partir do pressuposto que foram avistadas guerreiras nas suas margens, as quais foram comparadas às amazonas da mitologia grega pelo explorador espanhol Francisco de Orellana, que navegou pelo rio desde os Andes até ao Atlântico, tendo atingido a foz em agosto de 1542. O sistema climático (composto por atmosfera, litosfera, criosfera, hidrosfera e biosfera) depende grandemente de uma das suas componentes, a biosfera, na qual estão inseridas as florestas. A Amazónia desempenha um importante papel no que se refere à atenuação das alterações climáticas, na medida em que se trata da mais vasta floresta tropical, abrangendo uma área de cerca de 5,5 milhões de km2. Constitui uma fonte de oxigénio para a atmosfera e um sumidouro de dióxido de carbono, contribuindo assim para a atenuação da concentração dos gases de efeito de estufa produzidos pelas atividades antropogénicas. Acontece, porém, que está a ser alvo de atentados perpetrados pelos humanos, muito mais intensos desde que a administração do Brasil é chefiada por Jair Bolsonaro. De acordo com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazónia (Ipam), a desflorestação da floresta amazónica em território brasileiro aumentou cerca de 56% de 2016-2018 para igual período de 2019-2021 (respetivamente de 20.911 km2 para 32.740 km2), correspondendo este triénio aos primeiros anos do governo atual do Brasil. Estes valores foram obtidos com recurso a satélites pelo insuspeito Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), cujo diretor, Ricardo Galvão, foi demitido por Bolsonaro em 2019 pelo facto de ter permitido a divulgação destes dados. A desflorestação para exploração da madeira e os incêndios, tendo em vista a exploração agropecuária, têm como implicação a aproximação cada vez maior do ponto de não retorno da capacidade de regeneração da Amazónia, que poderá vir a transformar-se numa imensa savana. Portanto, existe o risco desta floresta passar de sumidouro do dióxido de carbono da atmosfera para uma fonte deste gás. O risco desta inversão do papel da floresta poderá contribuir para o aquecimento global e tornar mais difícil o caminho para o combate às alterações climáticas. Além disso, a destruição de que está a ser alvo contraria os direitos dos povos autóctones, expressos na constituição do Brasil de 1988, em que é reconhecido o facto histórico que os índios foram os primeiros ocupantes do Brasil e, como tal, têm o direito a ocupar a terra onde nasceram. Devido à riqueza que encerra, a Amazónia tem sido alvo de frequentes atentados motivados pela ganância, nomeadamente de garimpeiros, agricultores, caçadores e pescadores sem escrúpulos. Contra estas atividades, frequentemente ilegais, têm-se levantado vozes de ativistas, o mais célebre dos quais foi Francisco Alves Mendes Filho. Chico Mendes, como era conhecido, nasceu em 1944 e foi assassinado em 1988, em Xapuri, no Estado do Acre. Na altura em que desenvolvia a sua atividade, o conceito de “alterações climáticas” não era ainda tão popular como nos nossos dias. Apesar disso, pode-se considerar Chico Mendes como um dos pioneiros das lutas contra essas alterações. Foi uma das vozes que mais se fez ouvir, nas décadas de setenta e oitenta do século passado, em defesa dos seringueiros da Bacia do Amazonas cuja subsistência dependia da floresta amazónica. Na qualidade de sindicalista lutou contra a destruição da floresta e em defesa dos povos indígenas, o que não foi do agrado dos grandes fazendeiros que pretendiam destruir grandes extensões de arvoredo para as substituir por pastagem para gado. Chico Mendes, assassinado em 1988 Muitos outros ativistas foram também vítimas da ganância de grandes fazendeiros. A missionária norte-americana Dorothy Stang teve o mesmo destino de Chico Mendes: foi assassinada no Estado do Pará, em 2005, a soldo de madeireiros e proprietários de terras. Dorothy Stang, assassinada em 2005 Também no Pará, em 2011, foram assassinados os cônjuges José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, ambos defensores da floresta, vítimas de interesses de madeireiros e criadores de gado. Os executores do assassinato deste casal foram condenados, mas os mentores, por falta de provas, continuam em liberdade. José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, assassinados em 2011 Ainda em 2011, em Porto Velho, capital da Rondónia, foi assassinado Adelino Ramos, ativista do direito à terra, após denúncia de exploração ilegal de madeira. Adelino Ramos, assassinado em 2022 Segundo o Relatório da ONG Global Witness, referente a 2019, houve neste ano 24 assassinatos relacionados com ativismo em defesa do ambiente em território brasileiro, 90% dos quais ocorreram na Amazónia. Quase todas as vítimas lutavam contra a desflorestação, em grande parte causada por grandes projetos relacionados com a agricultura e a extração mineira. Os defensores da Amazónia tiveram recentemente mais um rude golpe. O jornalista britânico Dom Phillips e o antropólogo e indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira foram assassinados em junho de 2022, em plena Amazónia. Dedicavam-se ambos a investigar atividades ilegais que constituíam verdadeiros atentados à natureza, nomeadamente às comunidades indígenas e à biodiversidade. Dom Phillips trabalhava para várias publicações de grande prestígio, como o Financial Times, The Washington Post, The New York Times e The Guardian. Era também colaborador da Fundação Oswaldo Cruz, instituição de grande prestígio internacional, com atividades nas áreas da saúde, desenvolvimento social, promoção e difusão do conhecimento científico. Segundo o The Guardian, Phillips estava a escrever um livro na área do desenvolvimento sustentável que teria o título “Como Salvar a Amazónia”. Dom Phillips e Bruno Pereira, assassinados em 2022 Bruno Pereira, profundo conhecedor da vida indígena, ajudava Dom nas entrevistas a membros das comunidades amazónicas. Sob pressão de interesses ligados à exploração da floresta, foi exonerado das suas funções como indigenista da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) pela administração de Jair Bolsonaro, em 2019. De acordo com dirigentes das comunidades indígenas, Bruno Pereira já havia sido ameaçado por garimpeiros, pescadores e madeireiros. Ambos regressavam de uma visita à Amazónia brasileira nas vizinhanças do Peru e Colômbia. Além destes assassinatos, muitos outros ocorreram, tendo sido a maioria das vítimas membros anónimos das comunidades indígenas. De acordo com uma declaração da Universidade Federal da Baía sobre os assassinatos de ativistas defensores do ambiente, datada de 16 de junho de 2022, o aumento da violência na Amazónia é atribuído ao desmonte de órgãos e políticas públicas de proteção do meio ambiente e ao não reconhecimento dos direitos dos povos indígenas. A melhor homenagem que se pode prestar a Bruno Pereira, Dom Phillips e a todos que foram vítimas dos interesses ligados aos exploradores sem escrúpulos da Amazónia, é continuar a luta pela responsabilização dos mandantes dos atentados, exigir do Governo do Brasil o reconhecimento dos direitos dos povos autóctones, conforme o estabelecido pela Constituição de 1988, zelar pela manutenção da biodiversidade e proceder à exploração dos recursos naturais de forma sustentável.
O Xiao Carlos Morais José - 5 Ago 20225 Ago 2022 É longa e vetusta a discussão sobre a perigosidade de certos animais, geralmente de porte relevante, para os seres humanos. Alguns entendem esses bichos como bestas insensíveis, por vezes puros predadores — como os tubarões; doutras meramente perniciosos, ainda que sem intenção — como os ratos. Já sensibilidades de outro tipo, estribadas em observações científicas e numa forma derivada de compaixão, consideram escassas as situações em que um animal ataca um ser humano sem ter sido antes ameaçado. Alegando ser na Natureza extremamente raro o assassinato com fins não-alimentares, replica esta gente não existir nos animais a maldade abundantemente constatada na espécie humana. O tema adopta contornos mais sinistros quando os humanos desejam muito frequentar uma determinada área, mas receiam a presença de um certo animal, cujas práticas agressivas neles inspiram tamanho receio que só em extensos grupos se atrevem a desafiar a presumida ferocidade das bestas. É o caso da Montanha da Ovelha Negra, um lugar belíssimo, pontuado de cerejeiras e bambus de variadíssimas qualidades. Do seu ventre, emergem o jade e o cobre; e pelas suas encostas desce o Rio da Laca que, num vale esmeralda, se funde no Rio Wei. Trata-se de uma paisagem arrebatadora, sobretudo em certas épocas do ano, sedutora de pintores, poetas, calígrafos e aventureiros de sensibilidade requintada. O problema é que, neste paraíso terreal, habita uma espécie de macaco de grande porte, dotado de longos braços, cujo carácter o predispõe para sentir um profundo desagrado pela presença humana nos que considera seus territórios. E, motivado por essa antipatia, não se exime em atirar pedras e mesmo atacar com ferocidade os incautos viajantes. Para o efeito, usa os seus fortes braços, capazes de um abraço mortal, e mesmo os dentes, extremamente afiados por extraírem alimento de cascas de áceres e bambus. Conhecido pelo nome de xiao, este animal mantém os humanos à distância, sem os atacar de surpresa. Pelo contrário, o seu nome (xiao, que quer dizer barulhento) indica que se desdobra em múltiplos guinchos e urros, de carácter agonístico, numa óbvia tentativa de espantar os visitantes. No entanto, se estes insistem em passear pelos territórios que considera como seus, o xiao é bem capaz de partir para a violência e a sua tremenda força e circense agilidade fazem dele um inimigo temível e difícil de derrotar. Certos textos admitem que o grupo de xiaos da Montanha da Ovelha Negra será, na verdade, uma tribo de humanos que, desde a queda de uma dinastia em tempos imemoriais, ali se terá isolado e, desde então, escusado a qualquer contacto com o mundo exterior àquela maravilhosa montanha. A aparência símia, os longos braços e mesmo a cauda, seriam artifícios utilizados para inspirar terror nos que se atrevem a percorrer aqueles domínios. Contudo, poucos subscrevem tão fantasiosa teoria. Mestre Zuo diz: “O mal é uno, embora se manifeste na multiplicidade. Daí que não possamos atribuir a um animal especiais intenções ou mesmo outro objectivo que não seja cumprir um destino que não escreveu. Talvez vos surpreenda saber que incluo os humanos neste grupo.”
Mísseis terão caído na zona económica exclusiva japonesa Hoje Macau - 5 Ago 20225 Ago 2022 O ministro da Defesa japonês, Nobuo Kishi, declarou que vários dos mísseis balísticos disparados ontem pela China terão caído pela primeira vez na Zona Económica Exclusiva do Japão “Suspeitamos que cinco dos nove mísseis balísticos disparados pela China terão caído na Zona Económica Exclusiva (ZEE) do Japão, afirmou o ministro da Defesa japonês, Nobuo Kishi, aos jornalistas, para falar sobre o início dos exercícios navais militares que Pequim iniciou ontem em torno de Taiwan, após a visita à ilha da líder do Congresso norte-americano, Nancy Pelosi. “O Japão já apresentou um protesto à China por via diplomática”, referiu Kishi, considerando o incidente como um “problema grave” que afeta a segurança nacional nipónica. O Exército Popular de Libertação da República da China confirmou, entretanto, o lançamento de mísseis, explicando ter-se tratado de “um ataque com mísseis convencionais multirregionais e de vários modelos em águas predeterminadas da parte leste da ilha de Taiwan”. Segundo adiantou um responsável chinês, “todos os mísseis atingiram o alvo com precisão”. Fogo real Por seu lado, o Ministério da Defesa taiwanês denunciou o disparo dos mísseis, condenando o que considerou as “acções irracionais que minam a paz regional”. “O Ministério da Defesa Nacional declara que o Partido Comunista Chinês disparou vários mísseis balísticos ‘Dongfeng’ nas águas circundantes do nordeste e sudoeste de Taiwan às 13h56”, anunciou o ministério, em comunicado, sem adiantar o local exato onde os mísseis caíram. A televisão estatal chinesa, a CCTV, já tinha anunciado ontem de manhã, que a China ia dar início a exercícios militares, com fogo real, nas imediações de Taiwan, acrescentando que a operação irá durar até domingo. As manobras militares surgem em resposta à visita a Taiwan da líder do Congresso dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, vista pela China como uma grave provocação.
Exposição de caligrafia e pintura “Lee Chau Ping e Alunos” até 13 de Agosto na Fundação Rui Cunha João Luz - 5 Ago 2022 De regresso à programação cultural, a Galeria da Fundação Rui Cunha alargou o período em que estará patente a exposição de Caligrafia e Pintura “Lee Chau Ping e Alunos” até ao final da próxima semana, dia 13 de Agosto. A entrada é livre Passados apenas quatro dias de exibição, a mostra de pintura e caligrafia “Lee Chau Ping e Alunos” foi interrompida pelo surto de covid-19 que paralisou completamente Macau. Como tal, e face à reabertura da Galeria da Fundação Rui Cunha, foi ontem anunciado que o período de exibição da mostra será alargado até ao final da próxima semana, 13 de Agosto. A mostra conjunta reúne trabalhos do metre Lee Chau Ping e de 43 aprendizes que colaboram nas suas aulas, oficinas e actividades artísticas, regularmente organizadas pela Associação de Amizade das Artes, Pintura e Caligrafia de Macau, presidida por Lee Chau Ping. A mostra dá a conhecer 44 peças de pintura e caligrafia, uma por cada participante, que reflectem a preocupação de Lee Chau Ping em “promover a cultura da caligrafia e pintura chinesa, bem como a arte, com o objectivo de reunir entusiastas para estudar a sua essência, para que os membros possam pesquisar, aprender e observar os outros durante estas actividades”, de acordo com o manifesto da iniciativa. O propósito da exposição é também “fornecer uma plataforma para exibir as obras de pintura e caligrafia dos alunos. E é uma boa oportunidade para criar e praticar esta arte, permitindo que os alunos comuniquem com outros, cultivando a alfabetização cultural, incentivando sentimentos, enriquecendo a sua vida espiritual e levando adiante a cultura e as tradições chinesas para serem transmitidas de geração em geração”, refere o mestre, citado por um comunicado da organização da mostra. Lee Chau Ping (李秋平), calígrafo e pintor local, é conhecido como discípulo do estilo artístico da Escola de Pintura de Lingnan. Nascido em 1959, o artista começou a sua carreira como designer de interiores, formado pelo Instituto de Design e Indústria de Hong Kong. A paixão pelas artes vem da infância, tendo aprendido pintura e caligrafia chinesas por influência do pai, quando tinha cerca de seis anos de idade. O percurso académico levou-o depois para o mundo do design e da gestão de negócios. Seguiu para a Canadian Public Royal University, onde fez um Master of Business Administration, passou pela Princeton University, onde obteve um PhD em Gestão, e ainda pela Renmin University of China, para uma graduação em Administração de Empresas. “Aos 63 anos, o espírito incansável do artista é admirável, sendo igualmente licenciado e praticante de Medicina Chinesa desde 1999”, indica a Fundação Rui Cunha. A galeria reabriu portas na quarta-feira, em horário integral das 10h às 19h, incluindo o período do almoço de segunda a sexta-feira, e aos sábados das 15h às 19h. A entrada é livre.
Apesar dos prejuízos, MGM diz saber como atrair estrangeiros Pedro Arede - 5 Ago 2022 A MGM China anunciou prejuízos de 382,4 milhões de dólares de Hong Kong no segundo semestre de 2022. A queda ficou a dever-se à descida de 74 por cento das apostas em bacará nas salas VIP. Apesar do “desafio” das restrições epidémicas, a operadora está confiante na sua capacidade de trazer jogadores estrangeiros a Macau A operadora de jogo MGM China anunciou ontem um prejuízo de 382,4 milhões de dólares de Hong Kong (HKD) no segundo trimestre de 2022. Em igual período de 2021, a MGM China tinha apresentado um EBITDA (resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) ajustado positivo de 116 milhões de HKD, de acordo com um comunicado citado pela agência Lusa. No primeiro trimestre de 2022, a empresa, com dois casinos em Macau, registou ainda um lucro líquido de 45,7 milhões de HKD. No segundo trimestre, a MGM China registou receitas no valor de 1,1 mil milhões de HKD, menos 53,5 por cento comparativamente com o mesmo período do ano passado. De acordo com resultados divulgados pela ‘companhia mãe’ da MGM China, a norte-americana MGM Resorts, a queda deveu-se sobretudo à descida de 74 por cento nas apostas em bacará nas salas de grandes apostadores (VIP). Recorde-se que, em Novembro do ano passado, a indústria do jogo de Macau foi afectada pela queda do maior angariador de apostas VIP do mundo, o Suncity Group, quando as autoridades de Macau decretaram a prisão preventiva do então director executivo do grupo, Alvin Chau. Além disso, a reboque das medidas de prevenção impostas para combater o último surto de covid-19 no território, as receitas do jogo em Macau caíram em Julho, 95,3 por cento em termos anuais, fixando-se em 398 milhões de patacas, o pior resultado desde 2003. Estamos prontos Numa altura em que está a decorrer o prazo para a apresentação de propostas relativas ao concurso público para a atribuição de seis licenças de jogo, o director de operações da MGM, Hubert Wang, considera que a operadora está munida de todas as ferramentas necessárias para corresponder aos requisitos do Governo. Nomeadamente, apontou segundo o portal GGR Asia, quanto à captação de jogadores de mercados internacionais e à aposta em elementos não relacionados com jogo. “O Governo de Macau está focado nos mercados internacionais e esse é precisamente um dos nossos pontos fortes, tendo em conta a nossa rede global de distribuição. Por isso, é esse o nosso foco”, afirmou o responsável na quarta-feira durante a apresentação de resultados da MGM China. Hubert Wang frisou ainda “a enorme quantidade de requisitos” exigidos no concurso ao nível dos elementos não jogo, algo em que a operadora também está apostada em responder de forma competente, através da proposta que vai entregar ao Governo. “Vamos aproveitar os nossos pontos tradicionalmente fortes na área das artes e da cultura, para concretizar a diversificação que o Governo está a pedir”, garantiu Wang. Na mesma ocasião, Bill Hornbuckle, CEO e presidente da MGM Resorts International, admitiu, contudo, que as restrições inerentes à covid-19 constituem um “desafio” e um factor a ter em conta, durante o período em que está a decorrer o concurso público.
Número de mortes atinge valor mais elevado desde 2016 João Santos Filipe - 5 Ago 20225 Ago 2022 Entre Janeiro e Maio, antes do confinamento, morreram mais 55 pessoas do que no mesmo período do ano passado. O número de suicídios explica o aumento de mortalidade no primeiro trimestre de 2022 Desde 2016 que não se morria tanto em Macau no período entre Janeiro e Maio. Segundo os dados da Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC), nos primeiros cinco meses morreram 1.016 pessoas em Macau. O número de mortes até Maio, antes do mais recente confinamento, é o mais alto desde 2016, quando no período em causa foram registados 1.049 óbitos. Segundo a estatística mais recente disponibilizada pela DSEC, em comparação com o ano passado, houve um aumento da mortalidade em 55 casos, ou seja, de 5,7 por cento. Nos primeiros cinco meses de 2021 tinham morrido 961 pessoas. Nesta estatística saltam à vista duas tendências diferentes. Entre Janeiro e Fevereiro, a mortalidade estava a diminuir, com 205 e 187 óbitos, respectivamente, correspondendo a uma redução de 3,3 por cento e 3,1 por cento face ao ano anterior. No entanto, a partir de Março o número de óbitos começou a aumentar, o que fez com que o primeiro trimestre fosse mais mortal do que no ano passado. Em Março, foram registadas 218 ocorrências, o que representou um aumento de 16 por cento, face aos 188 casos de 2021, e que elevou as mortes do primeiro trimestre para 610, face às 593 do ano anterior. A tendência negativa não parou em Março, e em Abril, com 205 óbitos, e Maio, 201, agravando a situação face aos períodos homólogos de 9,6 por cento e 11 por cento, respectivamente. O peso dos suicídios Um dos motivos que contribuiu para o aumento das mortes foi o número de suicídios. Dados divulgados pelo Canal Macau da TDM, mostram que até ao final de Maio o número de suicídios se fixara em 43, mas não permitem a comparação com o mesmo período do ano passado. Também a estatística sobre as mortes em Junho ainda não foi divulgada pela DSEC. O peso dos suicídios para a mortalidade pode assim ser avaliado pelos dados do primeiro trimestre. Anteriormente, os Serviços de Saúde (SSM) divulgaram que entre Janeiro e Março 28 pessoas puseram termo à sua vida. Segundo os mesmos dados, os 28 casos correspondem a um aumento de 18 ocorrências face ao período homólogo. No primeiro trimestre o número de óbitos cresceu de 593, em 2021, para 610, este ano, no que foi um aumento de 17 ocorrências. No mesmo período o número de suicídios aumentou em 18 casos, subindo de 10 para 28 ocorrências. Apesar de representarem uma proporção de 4,6 por cento de todas as mortes, os números mostram que se o fenómeno do suicídio tivesse sido controlado através de políticas de reforço de saúde mental, e não tivesse havido um aumento das ocorrências, a mortalidade teria diminuído. Além disso, entre o primeiro trimestre de 2021 e o primeiro trimestre de 2022, a proporção de suicídios na mortalidade geral cresceu de 1,7 por cento para 4,6 por cento. Este número significa que em cada 20 mortes houve um suicídio, numa altura em que ainda não tinham sido impostas as medidas de confinamento.
Macau anuncia quarta dose da vacina para toda a população Pedro Arede e João Santos Filipe - 5 Ago 20225 Ago 2022 A partir de hoje, está disponível a quarta dose da vacina contra a covid-19. Para grupos de risco, o reforço deve ser administrado três meses depois da última inoculação e seis meses depois para a população geral. Após o período de estabilização, que termina domingo, vão continuar a existir grupos-chave obrigados a testes regulares O Governo anunciou que vai disponibilizar, a partir de hoje, a quarta dose da vacina contra a covid-19 a toda a população, com prioridade para as pessoas mais vulneráveis, nomeadamente idosos e doentes imunodeprimidos. Num comunicado divulgado na noite de quarta-feira, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus revelou que, desde ontem, passou a ser possível agendar a toma da segunda dose de reforço da vacina contra a covid-19. Para os grupos de maior risco, o centro decidiu reduzir o intervalo mínimo entre a terceira e a quarta doses da vacina de seis meses para três meses. Mais tarde, durante a conferência de actualização sobre a pandemia, a médica Leong Iek Hou detalhou que estes grupos de risco incluem idosos com mais de 59 anos, portadores de doença autoimune moderada ou grave com mais de 11 anos, incluindo cancro, pessoas que realizaram transplantes, doentes com SIDA e indivíduos que vivam em lares de idosos ou instituições de reabilitação. Para a população em geral, o intervalo mínimo entre a terceira e a quarta doses da vacina continua a ser de meio ano. Lançando um novo apelo à vacinação, Leong Iek Hou sublinhou ainda que o nível de anticorpos daqueles que optam por levar doses de reforço é crucial para evitar “infecções galopantes” e casos mortais em grupos frágeis e entre os idosos. Misturar é bom Macau tem administrado vacinas de mRNA da BioNTech-Pfizer e vacinas inactivadas da chinesa Sinopharm. Ao anunciar a possibilidade de tomar a quarta dose, as autoridades de saúde recomendaram ainda aos que receberam duas doses da vacina da Sinopharm, que escolham a vacina mRNA como dose de reforço, uma vez que a “vacinação mista” pode resultar numa imunização mais eficaz. “De acordo com a Comissão Nacional de Saúde, caso tenham optado pela vacina inactivada, devem, na segunda dose de reforço, escolher uma vacina com outras especificações técnicas. Portanto, se a primeira dose for a inactivada, a dose de reforço pode ser a vacina mRNA. Com vacinas mistas é possível criar um maior efeito protector. Apelo à população para que se vacine porque, por enquanto, esta é a ferramenta mais importante e útil para prevenir a covid-19”, explicou Leong Iek Hou. Foi ainda recordado que, todas as seis mortes registadas durante o mais recente surto de em Macau, dizem respeito a idosos com doenças crónicas, alguns dos quais não vacinados, sendo que o objectivo de disponibilizar a quarta dose da vacina contra a covid-19 passa por “minimizar o risco de outro surto de grande escala em Macau”. Testes para alguns Apesar de ter sido confirmado que, a partir de domingo, terminado o chamado período de estabilização, quem sai de casa para ir trabalhar deixa de estar obrigado a fazer testes à covid-19 a cada três dias, Leong Iek Hou admitiu que alguns grupos-alvo vão continuar a ter de fazer testes regularmente. Contudo, a responsável reservou para o futuro a identificação dos grupos-alvo. “Se conseguirmos manter esta estabilização até ao fim-da-semana, na próxima podemos entrar numa fase de maior normalidade. Os trabalhadores que precisam sair de casa (…) já não têm de fazer o teste de ácido nucleico. Quanto aos grupos-alvo (…), ou seja, profissionais que nós entendemos que têm maior risco de ser infectados, vamos ter que pedir a estas pessoas para continuar a fazer testes regularmente”, começou por explicar a responsável. “Vamos reavaliar os sectores para termos uma ponderação final em relação aos riscos (…) e ter como referência a experiência do Interior da China para fazer a nossa nova avaliação de risco. Depois anunciaremos ao público”, acrescentou. Aeroporto | Reforço de pessoal pode atenuar esperas à chegada A médica Leong Iek Hou admitiu haver “longos períodos de espera” para aqueles que chegam a Macau do exterior e precisam de aguardar por resultados dos testes de ácido nucleico antes de seguir para os hotéis de quarentena. Está em cima da mesa a contratação de funcionários para trabalhar em circuito fechado, face ao aumento de passageiros e à falta de recursos humanos. “Ultimamente, os residentes que vêm dos voos de Singapura (…) têm de esperar um período de tempo mais longo. Ontem, regressaram a Macau 78 pessoas no mesmo voo, o que é um número muito elevado”, começou por dizer. “Como temos três turnos, não conseguimos ter o número de trabalhadores suficientes para responder ao [maior] número de voos de Singapura (…) durante o Verão. Não queremos uma medida mais ágil que possa comprometer a segurança da comunidade (…), pelo que estamos a ver se é possível aumentar o número de trabalhadores no aeroporto (…) e introduzir tratamento informático”, acrescentou.
Associação Industrial | Impossível que importação de alimentos seja origem de surto Hoje Macau - 4 Ago 2022 A Associação Industrial de Macau disse à Lusa ser impossível que a importação de alimentos infectados com o novo coronavírus tenha originado o recente surto de covid-19 na cidade. “É completamente impossível que os alimentos sejam infectados e entrem no mercado”, disse Lei Kit Hing. “Em termos de alimentos, a estrutura municipal [Instituto para os Assuntos Municipais] e a alfândega são muito rigorosos. Todas as importações de alimentos têm de ser esterilizadas uma a uma por uma máquina, e este processo está a decorrer há um ano sem quaisquer problemas”, sublinhou o dirigente associativo e proprietário da Tak Sang Meat Industries Limited. “Por exemplo, se for encontrado um teste positivo para o leite, este é destruído imediatamente e não será permitido vendê-lo”, salientou, acrescentando que, tal como na cadeia de frio, cada produto é esterilizado e “as pessoas que o transportam usam vestuário de protecção e deitam-no fora logo após a sua utilização”. Um importador de alimentos, Ronald Lau, que compra principalmente produtos de Portugal, sublinhou também que tal é improvável. “Cada peça de mercadoria importada para Macau é pulverizada (…) para desinfectar”, esclareceu, para acrescentar: “E nós, normalmente, importamos mercadoria seca, mercadoria à temperatura ambiente que não é demasiado ‘perigosa’ (…), mercadoria sobretudo oriunda de Portugal, que precisa de alguns meses para chegar a Macau, pelo que o vírus é ‘morto’ no caminho”, explicou o empresário. Às escuras As autoridades de saúde de Macau admitem não saber a fonte do pior surto de covid-19 em Macau desde o início da pandemia, mas reiteraram na terça-feira que provavelmente foi causado por “objectos ou produtos vindos do estrangeiro”. Na segunda-feira, o director dos Serviços de Saúde (SSM) da região administrativa especial chinesa, Alvis Lo Iek Long, disse que o surto se deveu à “importação de produtos” e reconheceu que, “no futuro, pode surgir novo surto”. Segundo o portal da Organização Mundial de Saúde (OMS) na Internet, “não há provas até ao momento de vírus que causam doenças respiratórias serem transmitidos através de comida ou embalagens de comida”. “Os coronavírus não conseguem multiplicar-se em alimentos; precisam de um hospedeiro animal ou humano para se multiplicar”, referiu a OMS. “É verdade que a maior parte dos surtos são devido a contaminação entre pessoas”, admitiu Leong Iek Hou. Mas, “de acordo com a experiência da China e do exterior, muitas vezes a infecção humana é através de objectos”, acrescentou. Em 12 de julho, a Comissão Nacional de Saúde chinesa anunciou que iria deixar de fazer testes à presença de covid-19 em produtos importados, excepto congelados. Desde o início da pandemia, a China suspendeu por diversas ocasiões as importações de produtos de alguns países por associarem as suas mercadorias congeladas a surtos de covid-19 em cidades chinesas. Em 2 de Julho, Macau suspendeu, inicialmente durante uma semana, a importação de mangas de Taiwan, após ter detectado vestígios do novo coronavírus, responsável pela covid-19, no exterior de uma embalagem. Em resposta, o Conselho de Agricultura, que faz parte do Governo de Taiwan, defendeu não haver provas científicas de que a doença pode ser transmitida através de produtos embalados.
Qualquer movimento provocativo para desafiar a linha vermelha da China está condenado ao fracasso Hoje Macau - 4 Ago 2022 Por Liu Xianfa* As questões relacionadas a Taiwan dizem respeito aos interesses ncleares da China e são mais importantes e sensíveis nas relações entre a China e os Estados Unidos da América. No seu último telefonema com o Presidente Xi Jinping em 28 de Julho, o Presidente dos EUA, Joe Biden, assegurou que a política de Uma Só China dos EUA não mudou e não mudará, e que os EUA não apoiam a “independência de Taiwan”. O Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e o Conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, fizeram também as mesmas promessas em conversas com contrapartes chinesas. Fiel à natureza dos políticos dos EUA, dizem sempre uma coisa e fazem outra. Embora a China tinha repetidamente deixado claro para os EUA as suas sérias preocupações com a possível visita da Presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, a Taiwan, bem como a firme oposição da China a ela, tal visita ainda ocorreu. A visita de Pelosi envia outro sinal errado às forças separatistas que buscam a “independência de Taiwan”, constitui uma interferência grosseira nos assuntos internos da China, infringe seriamente a soberania e a integridade territorial da China, atropela desenfreadamente o princípio de Uma Só China, ameaça grandemente a paz e a estabilidade através do Estreito de Taiwan , prejudica gravemente as relações China-EUA e leva a uma situação e consequências demasiado graves, que é um divisor de águas nas relações do Estreito de Taiwan, bem como nas relações China-EUA. Existe apenas uma China no mundo, e Taiwan faz parte inseparável da China. Isto é um consenso internacional estabelecido e uma norma básica que rege as relações internacionais. O princípio de Uma Só China é um princípio fundamental afirmado na Resolução 2758 da Assembleia Geral das Nações Unidas, e também a premissa sobre a qual a China estabeleceu relações diplomáticas com 181 países, incluindo com os EUA. No mês de Dezembro de 1978, a China e os EUA emitiram o Comunicado Conjunto sobre o Estabelecimento das Relações Diplomáticas, no qual os EUA “reconhecem o Governo da República Popular da China como o único Governo legítimo da China” e “reconhecem a posição chinesa de que há apenas uma China e Taiwan faz parte da China.” Todo o mundo agora sabe qual o lado que está a quebrar suas próprias palavras, qual lado está a causar problemas e qual lado está a tomar acções unilaterais no sentido de mudar o status quo do Estreito. Pelosi é a oficial de terceiro escalão mais alto no governo e a segunda na linha de sucessão à presidência dos EUA. Seja qual for o momento ou a maneira como ela vai para Taiwan é uma violação grave do princípio de Uma Só China, com o qual os EUA estão comprometidos nos três comunicados, que são o fundamento das relações diplomáticas entre os dois países e, sem dúvida, criará um impacto político notório. A separação de poderes nos EUA não torna a viagem de Pelosi a Taiwan desculpável. E a afirmação absurda de que “Se a Presidente da Câmara decidir visitar e a China tentar criar algum tipo de crise ou aumentar as tensões, isso será inteiramente de Pequim” feita pelo Secretário de Estado Blinken apenas leva à falência o crédito dos EUA com a sua hipocrisia. De facto, por um período de tempo, o lado dos EUA tem vindo a intensificar seus esforços, incluindo obscurecer e esvaziar o princípio de Uma Só China, fortalecer a interação oficial com Taiwan, ajudar Taiwan a desenvolver as chamadas capacidades de defesa assimétricas, defender a teoria do “status indeciso” de Taiwan e, encorajar as forças separatistas da “independência de Taiwan”, para jogar a “carta de Taiwan” com a tentativa de usá-la para conter a China. As questões relacionadas a Taiwan dizem respeito aos interesses núcleos da China, sobre os quais não há espaço para concessões. Nunca permitiremos espaço para forças separatistas de “independência de Taiwan” de qualquer forma. Ninguém deve subestimar a determinação firme, vontade forte e capacidade grande do povo chinês em defender a soberania nacional e a integridade territorial. Como quem provocou as tensões actuais, os EUA têm que arcar com todas as graves consequências daí decorrentes. Como o Presidente Xi Jinping enfatizou no seu telefonema com o Presidente Biden, salvaguardar resolutamente a soberania e a integridade territorial da nação é a firme vontade de mais de 1,4 mil milhões de chineses. Aqueles que brincam com fogo perecerão por ele. Não há nenhuma força que possa impedir a China de alcançar a reunificação nacional entre Taiwan e o continente chinês. A reunificação nacional nunca foi uma questão de sim ou não, mas uma escolha de caminho e tempo. Qualquer movimento provocativo para desafiar a linha vermelha da China está condenado ao fracasso. *(Liu Xianfa, Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China na Região Administrativa Especial de Macau)
Não nomeado Amélia Vieira - 4 Ago 2022 Sabemos, sim, que não podemos nomear o inominado até por uma exclusão de partes que não é mencionável, e mesmo assim, nós que fizemos da linguagem o agente criador de realidade, ficamos aquém do dizer que a palavra transmite, que em última instância a linguagem não se quer agente para demonstração lógica de factos, mas sim para uma inventividade que é necessária para ultrapassar o limite- todos os limites- que a sua própria corroboração nos ordenara. Entre a intenção do dizer, e o “trans- dizer” existe ruptura e novo diálogo. O domínio da sua transfiguração cabe aos poetas, aqueles da insondável formatação por vertentes não equacionáveis, recusando-se talvez aos do bem – dizer nas suas bases de mero exercício formal, que em última instância só têm linhas tortas. Sempre será preciso muito além para se prescindir de aspectos seguros e bem acabados, rompendo por dentro a expectativa de se ser compreendido. O poeta, por que o é, será sempre o ser de fronteira e do limite das coisas, e ao mencioná-lo enquanto elemento transgressor não o devemos servir a frio numa plataforma de quentes centralidades e inspiradas melodias. Nada disso lhe é subjacente, ou então ninguém saberá para o que vai, dado que depois de todas as conquistas e actividades laborais, cada ser, quer afinal, e no topo de seu desejo absurdo, ser um poeta. Ainda bem que tais desejos não implicam resoluções, e que nesta dobragem um tanto ou quanto falaciosa, vamos encontrar uma massa do grande SNI em nossos “artistas de fim de semana”. « Sentimentos todos nós temos» F.Pessoa.- Sim, e depois? Estranhamente não são os sentidos e os sentimentos que fazem poetas, mas como dizê-lo numa sociedade que se pensa livre e que “livremente” exercita a sua anedota de grupo de maneira tão libertinantemente natural? Creio que a grande resposta é enfim não dizer nada, mas sempre retirando qualquer vestígio de soberba e de cinismo. Kabir exemplifica este ser só no meio da jornada onde em vão se deseja colocar a natureza entre uma e outra influência, este poeta cuja primeira edição aparece na Europa na tradução inglesa de Tagore em 1915, foi um poeta de uma India Medieval nascido no século XV que muitos crêem ter sido uma síntese sincrética do Hinduísmo e do Islamismo. Mas não! Foi deles um crítico, indo até ao insuspeito Sufismo. De todas elas, por educação e herança cultural teria de ter total conhecimento, mas que transformou em outra visão e iniciação. Mais tarde reindivicaram todos a sua posse decididos a chamar para si o poeta que ousara não ser nenhum deles. E eis então que nos surge entre as mãos um maravilhoso título «O Nome daquele que não tem nome», Kabir, numa pequena e preciosa edição, e sabemos qualificar a dimensão de um poeta assim. Basta ter saído das estruturas que fabricam talvez essa ilusão do ente criador, para sem dúvida ter sofrido alguma opressão no tempo que lhe fora dado viver, e depois, talvez se tivesse inexoravelmente colocado nessa parte silenciosa do difícil poder criativo. Não o vamos porém encontrar circunscrito ao nada niilístico gratuito e solitário. Não! Esse não foi o caso – ele fizera parte de um grande movimento iniciático da Índia, no conceito de Absoluto, e por aí trilhou caminhos cujo alcance estão fora da rota canónica e das grades das vontades alheias, crê-se que no seu caixão foram encontrados manuscritos de negação a essas duas correntes teológicas bem como um “bouquet” com as suas flores preferidas, isto porque, uns queriam cremá-lo segundo os costumes hindus, e outros enterrá-lo de acordo com os costumes muçulmanos, mas nunca ninguém viu o seu corpo morto. Talvez que entre céu e terra e muitas certezas, muitas outras coisas existam que desconhecemos e que preparam o tempo de serem vistas. «O nome daquele que não tem nome» continuará a ser uma busca na definição de coisas outras ( não em forma de metáfora) e de um além não nomeado: os Hebreus sabiam lidar com esta componente por meio de uma exegese magistral dando sempre nomes vários, dezenas, mesmos, mas em nenhum se retiveram, procurando sempre, o que os tornou sem dúvida muito fortes ao nível da inteligência pura, os católicos também sabem por inerência que não se deve pronunciar o nome de Deus em vão, mas vã foi esta determinação na Família Católica. Há no entanto a ressalvar que na antiga Pérsia os povos oravam aos poetas, e talvez essa prática tenha passado para o Islão. Não havia separação entre estas coisas cuja simplicidade Kabir deu testemunho extraordinário, talvez por serem os mais próximos daquilo que não pode ser encontrado, ou seja, nomeado. Lendo livro após livro o mundo inteiro morreu e nunca ninguém aprendeu!
Diplomatas africanos querem fortalecer laços económicos com China Hoje Macau - 4 Ago 20225 Ago 2022 Vinte e nove diplomatas de 15 países africanos visitaram a zona piloto do Programa de Cooperação Económica e Comercial Profunda China-África na Província de Hunan, no centro da China, de 27 a 29 de Julho. Os embaixadores expressaram confiança na economia chinesa e disseram esperar laços económicos e comerciais mais estreitos com a China. Apesar dos ressurgimentos pontuais da covid-19 e da situação internacional complexa e volátil, os diplomatas avaliaram que a economia chinesa é resiliente e o mercado chinês está cheio de oportunidades. Expressaram esperança de fortalecer a cooperação com a China em sectores como agricultura, economia digital e saúde. De acordo com o embaixador da Tanzânia na China, Mbelwa Kairuki, o forte mercado chinês de 1,4 mil milhões de pessoas oferece muitas oportunidades para todos os países africanos. “A cooperação comercial e económica China-África tem crescido nos últimos 20 anos”, disse Kairuki, que está convencido de que haverá mais oportunidades para a Tanzânia exportar produtos para a China, especialmente produtos de alto valor agregado. A Tanzânia procura oportunidades para os seus produtos agrícolas no mercado chinês, facilitadas pela zona piloto para uma cooperação económica e comercial profunda sino-africana, assinalou o diplomata. A zona piloto é uma importante iniciativa no âmbito dos “Nove Programas” que foram estabelecidos na Oitava Conferência Ministerial do Fórum de Cooperação China-África, em Novembro do ano passado. Novos modelos e caminhos para o comércio, investimento e cooperação financeira China-África estão a ser cultivados para apoair a transformação e actualização da cooperação económica e comercial sino-africana. Durante a visita de três dias à zona piloto, os embaixadores africanos visitaram a área central do local, bem como as principais empresas.
Segurança | Visita de Pelosi altera regras do jogo na região Hoje Macau - 4 Ago 20224 Ago 2022 Nada voltará a ser como era antes da visita da líder do Congresso dos EUA a Taiwan. Para Pequim, é muito claro o apoio às forças independentistas e de modo nenhum tolerará passos nesse sentido, sentindo-se no direito e no dever de intervir para garantir a integridade nacional, ainda que tenha de recorrer à força. O status quo, que garantiu a paz durante sete décadas, não voltará Analistas chineses, publicados nos media oficiais da China, disseram que “a luta entre a China e os EUA neste momento é sobre dignidade e interesses estratégicos concretos, mas estes últimos são muito mais importantes”. Para a China, o caso Pelosi servirá, sobretudo, para mudar o status quo, porque “mudar toda a situação da região é muito mais significativo e valioso”. Lü Xiang, um investigador da Academia Chinesa de Ciências Sociais, disse que a reacção da China não será apenas uma acção momentânea, mas considerará todo o mecanismo de segurança de Taiwan. “Com base nas informações divulgadas sobre os exercícios do Exército Popular de Libertação (EPL) de 4 a 7 de Agosto, os seis locais designados cercam a ilha de Taiwan de todas as direcções, e podem ser uma série de exercícios militares sem precedentes destinados a realizar a reunificação pela força e também a lutar contra as forças externas que podem interromper o processo de reunificação”, disse Lü. “Devido à chegada de Pelosi ao aeroporto de Taipé, que ignorou totalmente o aviso da China, é certo que o status quo da situação do Estreito de Taiwan foi quebrado, e a China fará com que entre num novo status quo”, salientou Lü. Armas no mar Com efeito, o EPL, na noite em que Nancy Pelosi aterrou em Taiwan, lançou enormes exercícios militares em redor da ilha, incluindo um exercício de fogo vivo de longo alcance no Estreito de Taiwan e um exercício de fogo vivo de mísseis convencionais a leste da ilha, com os analistas a dizerem que “a China não está apenas a visar um político americano de 82 anos de idade, mas está de olho na campanha anti-secessão, contra as autoridades secessionistas de Taiwan e está a acelerar concretamente o processo de reunificação”. Imediatamente após o avião de Pelosi ter aterrado em Taipé na terça-feira à noite, o Comando do Teatro Oriental do EPL anunciou que dará início a uma série de operações militares conjuntas em torno da ilha de Taiwan a partir da terça-feira à noite. “Serão realizados exercícios marítimos e aéreos conjuntos em espaços marítimos e aéreos a norte, sudoeste e sudeste da ilha de Taiwan, serão realizados tiroteios de longo alcance no Estreito de Taiwan, e serão realizados lançamentos de testes de mísseis convencionais a leste da ilha de Taiwan”, disse o Coronel Shi Yi, porta-voz do Comando do Teatro Oriental do PLA, numa declaração na terça-feira. Os exercícios conjuntos marítimos e aéreos no norte, sudoeste e sudeste irão provavelmente aperfeiçoar as capacidades dos aviões de guerra e navios de guerra para apreender a superioridade aérea e o controlo do mar; os disparos de longo alcance no Estreito de Taiwan terão provavelmente múltiplos lança-foguetes de longo alcance que podem atingir alvos na ilha directamente a partir do continente; os lançamentos convencionais de mísseis para o leste da ilha significam que, se os mísseis fossem lançados a partir do continente, sobrevoariam a ilha de Taiwan, explicam os analistas. É também possível que os mísseis sejam lançados a partir dos navios que navegam a leste da ilha, disseram peritos militares, observando que o movimento terá como alvo as forças externas que tentam intervir no processo a partir do leste. Gu Zhong, chefe de pessoal adjunto do Comando do Teatro Oriental do EPL, disse que os exercícios envolvem percursos como bloqueio conjunto, ataque marítimo, ataque terrestre e apreensão de superioridade aérea mais disparos de armas de precisão ao vivo. “Os exercícios irão testar exaustivamente o desempenho de armas e equipamento, bem como as capacidades operacionais conjuntas das tropas, a fim de estarem prontas para todas as crises. As tropas do Comando do Teatro Oriental do PLA estão plenamente confiantes e capazes de reagir a qualquer provocação e salvaguardar resolutamente a soberania nacional e a integridade territorial”, disse Gu. Também porta-aviões Liaoning embarcou no domingo numa viagem a partir do seu porto de origem em Qingdao, província de Shandong na China Oriental, e o porta-aviões Shandong na segunda-feira partiu do seu porto de origem em Sanya, província de Hainan, no sul da China, acompanhado por um navio de assalto anfíbio do tipo 075, informou na terça-feira a imprensa na ilha de Taiwan. Uma reportagem da emissora estatal China Central Television no sábado revelou pela primeira vez uma cena em que o que parece ser um míssil hipersónico DF-17 foi disparado. O míssil, apesar das suas características hipersónicas, é uma arma convencional. Protestos gerais Por seu lado, o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês Xie Feng convocou o Embaixador dos EUA na China, Nicholas Burns, no início da manhã de quarta-feira, para protestar contra a visita de Pelosi à ilha de Taiwan. “A natureza da visita de Pelosi é extremamente viciosa e as consequências são muito graves. O lado chinês não vai ficar parado”, disse Xie a Burns. Pouco depois da chegada de Pelosi ao aeroporto Songshan de Taipé, cinco autoridades chinesas, incluindo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, o Comité Permanente do Congresso Nacional do Povo, o Gabinete dos Assuntos de Taiwan do Comité Central do Partido Comunista da China, o Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e o Ministério da Defesa Nacional emitiram declarações condenando a visita, afirmando que “prejudicou gravemente a base política das relações China-EUA e envia uma mensagem seriamente errada às forças da ‘independência de Taiwan’”. “A China tomará definitivamente todas as medidas necessárias para salvaguardar resolutamente a sua soberania e integridade territorial, em resposta à visita da representante dos EUA. Todas as consequências devem ser suportadas pelas forças separatistas dos EUA e da ‘independência de Taiwan’”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês na declaração. “A autoridade secessionista do DPP conspirou com as forças externas e insistiu em convidar Pelosi para Taiwan, o que é extremamente perigoso e irá desencadear consequências graves. O Ministério da Defesa Nacional disse que o PLA conduzirá uma série de operações militares direccionadas para tomar contra-medidas na salvaguarda da soberania e integridade territorial e reprimir a interferência externa e as tentativas secessionistas”. Pelosi garante que “os EUA não vão abandonar Taiwan” O avião, que transportou a presidente do Congresso norte-americano, Nancy Pelosi, descolou às 18:01 locais do aeroporto de Songshan, Taipé, depois duma visita em que prometeu que os “Estados Unidos não vão abandonar Taiwan”. Pelosi permaneceu menos de 24 horas em Taiwan, visitando o Parlamento de Taipé antes de uma reunião com Tsai Ing-wen, líder do governo local. “Hoje, a nossa delegação (…) veio a Taiwan para dizer inequivocamente que não vamos abandonar o nosso compromisso com Taiwan e que estamos orgulhosos da nossa amizade duradoura”, acrescentou, num evento com a Presidente da ilha, Tsai Ing-wen. No seu discurso, a líder da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos garantiu que Washington não vai abandonar Taipé, enquanto Tsai assegurava que a ilha vai manter-se firme face à ameaça militar chinesa. “Não vamos abandonar o nosso compromisso com Taiwan”, afirmou Nancy Pelosi. Taiwan “não desistirá” face à ameaça das armas, disse por sua vez Tsai Ing-wen, quando Pequim anunciou uma série de exercícios militares junto à ilha em retaliação à visita da responsável norte-americana. “Face ao aumento deliberado das ameaças militares, Taiwan não recuará. Vamos (…) continuar a defender a democracia”, reiterou. Republicanos com ela Um grupo de 26 republicanos do Senado dos Estados Unidos, incluindo o líder Mitch McConnell, manifestaram apoio à visita da presidente da Câmara os Representantes a Taiwan. “Apoiamos a viagem da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi”, referiu, em comunicado, um grupo de 26 republicados do Senado. Na nota, assinada também pelo líder da minoria no Senado, Mitch McConnell, os republicanos salientaram que “durante décadas, membros do Congresso dos Estados Unidos, incluindo ex-presidentes da Câmara, viajaram para Taiwan”. “Esta viagem é consistente com a política de ‘Uma China’ dos Estados Unidos com a qual estamos comprometidos”, realçaram. “Também estamos comprometidos neste momento, mais do que nunca, com todos os constituintes da Lei de Relações com Taiwan”, acrescentaram. A Lei de Relações com Taiwan, de 1979, comprometeu em parte os EUA a manterem as capacidades defensivas da ilha, mas não garantiu que Washington interviria militarmente se a China atacasse ou invadisse Taiwan. Por outro lado, a Casa Branca considerou hoje “não existir qualquer violação ou problemas de soberania” com a visita da presidente da Câmara dos Representantes, com o coordenador de comunicações do Conselho de segurança nacional, John Kirby, a referir que o seu país não apoia a independência de Taiwan e que a visita de Pelosi apenas “reafirma a política de uma única China”, defendida por Pequim. O chefe da diplomacia de Pequim, Wang Yi, disse que “aqueles que ofendem a China devem ser punidos de forma inelutável” referindo-se à visita de Nancy Pelosi. “Trata-se de uma farsa pura e simples. A coberto da democracia, os Estados Unidos violam a soberania da [República Popular da] China”, acrescentou o ministro à margem de uma reunião da Associação dos Países do Sudeste Asiático (ASEAN) na capital do Cambodja. Moscovo, Havana, Caracas e Pyongyang condenam “provocação” A Rússia defendeu que a China tem o direito de tomar as “medidas necessárias para proteger a sua soberania”, classificando como “evidente provocação” a visita a Taiwan da presidente da câmara baixa do Congresso norte-americano, Nancy Pelosi. “A parte chinesa tem o direito de tomar as medidas necessárias para proteger a sua soberania e a sua integridade territorial em relação ao problema de Taiwan”, declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) russo em comunicado. “Consideramos que as relações entre as partes no estreito de Taiwan são um assunto exclusivamente interno da China”, acrescentou, sublinhando que, para Moscovo, “existe só uma China e o Governo chinês é o único Governo legítimo que representa toda a China, e Taiwan é parte inalienável da China”. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, tinha declarado que esta visita provocava um “aumento da tensão” na região e acusou Washington de escolher “a via do confronto”. “Queremos sublinhar mais uma vez que estamos absolutamente solidários com a China, a sua atitude perante o problema é compreensível e absolutamente justificada”, declarou Peskov. Por sua vez, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, declarou: “Washington traz desestabilização ao mundo. Nenhum conflito resolvido nas últimas décadas, mas muitos conflitos provocados”. Também a Coreia do Norte, Cuba e Venezuela repudiaram a visita da líder da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos a Taiwan e expressaram apoio total à China. A Coreia do Norte apelidou a visita de Nancy Pelosi de “interferência descarada” nos assuntos internos da China. Cuba manifestou preocupação pelo agravamento da tensão e criticou a ação norte-americana que visa “lesar a integridade territorial e a soberania” da China. Já o Governo venezuelano considerou que se trata de uma “provocação directa” da administração do Presidente norte-americano, Joe Biden, à China. PCP pede “fim das provocações” contra a China O PCP pediu o “fim das provocações” dos Estados Unidos com a visita da presidente da Câmara dos Representantes a Taiwan e apelou ao Governo português para se demarcar da “ingerência do imperialismo” contra a China. Em comunicado, os comunistas exigiram o “fim das provocações” dos Estados Unidos da América (EUA) na região da Ásia e do Pacífico, “das quais o Governo português se deve demarcar, o respeito pela soberania e não ingerência do imperialismo na República Popular da China”. O PCP expressou “profunda preocupação com os últimos desenvolvimentos da situação” em Taiwan, que na óptica do partido é resultado da “provocação montada” por Washington. “Não deixando de estar relacionada com a situação interna dos EUA e as eleições em curso, esta provocação (…) insere-se na estratégia de confrontação crescente do imperialismo contra a República Popular da China, instrumentalizando Taiwan e fomentando o separatismo para pôr em causa o “princípio de uma só China”, que os EUA têm vindo a seguir”, completou o partido. A estratégia dos Estados Unidos, na ótica do partido, é indissociável “da perigosa estratégia agressiva e belicista” de Washington, a Aliança do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e da União Europeia (UE), e representam uma “séria ameaça à paz”.
CCAC | Eleições geraram 167 queixas que resultaram em dois casos no MP João Santos Filipe - 4 Ago 2022 O Comissariado contra a Corrupção apresentou ontem o relatório de actividades de 2021, com especial enfoque nas últimas eleições para a Assembleia Legislativa. Casos que visaram “uma associação de conterrâneos” resultaram na aplicação de multas de 10 mil patacas e arquivamentos O período das eleições para a Assembleia Legislativa em 2021 levou à apresentação no Comissariado contra a Corrupção (CCAC) de 167 queixas por suspeitas de violação da lei eleitoral. A revelação foi feita ontem através do relatório de actividades de 2021, entregue ao Chefe do Executivo. Num documento em que a entidade admite que a fiscalização das eleições foi uma das suas principais missões, é revelado que foram realizadas 13.089 acções de fiscalização desde Março até ao fim das eleições. Em conjunto, as queixas e as acções de fiscalização resultaram no desenrolar de 28 investigações, que na maioria foram arquivadas. Ainda assim foram instaurados 4 processos de inquérito, dos quais dois foram entregues ao Ministério Público (MP), resultando na aplicação de multas. Um dos casos encaminhados para o MP diz respeito a um dirigente de uma concessionária, não identificada, que “distribuiu aos trabalhadores (…) durante reuniões de trabalho, boletins de propositura de uma lista de candidatura, apelando e mobilizando para a respectiva assinatura”. “O dirigente deu ainda instruções a um departamento sob a direcção dele para recolher os boletins de propositura assinados pelos trabalhadores”, é revelado pelo relatório. No entender do CCAC, constatou-se haver indícios da prática “do dever de neutralidade” e do crime de desobediência qualificada. O outro caso referido diz respeito a um familiar de um dos candidatos que ofereceu dinheiro a amigos em troca de votos. A oferta foi feita num grupo da aplicação móvel WeChat e rapidamente removida, nunca tendo sido concretizada. No entanto, o CCAC afirma que o “seu acto foi considerado suspeito da prática do crime de corrupção eleitoral”, pelo que encaminhou o processo para o MP. Multas e arquivamentos Em outros dois casos investigados é mencionada “uma associação de conterrâneos” que não é identificada. No entanto, em 2021, nas semanas que antecederam as eleições e durante o período da campanha eleitoral, a Associação de Conterrâneos de Jiangmen esteve envolvida em duas polémicas devido a ofertas aos associados. Na altura, a própria comissão eleitoral admitiu ter reencaminhado denúncias sobre os dois casos para o CCAC. Sobre o primeiro caso relacionado com a “associação de conterrâneos”, esta “pagou voluntariamente” uma multa de 10 mil patacas por ter realizado uma actividade eleitoral com entrega “benefícios”, que podem ter sido simples sacos ou camisolas, que devia ter sido declarada. No mesmo caso, também o mandatário de uma das candidaturas e membro da associação pagou uma multa 10 mil patacas, por ter pedido ajuda da associação para distribuir materiais de campanha, sem ter declarado o acto à comissão eleitoral. A segunda denúncia contra a associação dizia respeito a mais uma actividade de campanha que não terá sido comunicada e com a distribuição de “materiais” que implicavam um valor levantando suspeitas de corrupção. Contudo, a investigação do CCAC considerou que a actividade foi comunicada à comissão eleitoral e que “não houve indícios suficientes de que o sentido de voto dos eleitores tenha sido influenciado pelos materiais de propaganda”. Aumento das queixas Eleições à parte, em 2021 o Comissariado contra a Corrupção recebeu um total de 712 queixas e denúncias por corrupção, o que representa o número mais alto desde 2018, quando foram apresentadas 733 queixas. Em relação a 2020, houve um aumento de 45 por cento de queixas e denúncias, uma vez que nesse ano o número de queixas e denúncias totalizou 479. O ano de 2021 ficou ainda marcado pela redução no número de processos concluídos, para 294, aos quais se somaram processos pendentes de 2020. No ano anterior tinham sido concluídos 387 casos. Sobre a diminuição verificada, o CCAC explicou que se deveu ao facto de os esforços estarem concentrados nas eleições.
Taiwan | Macau “condena veementemente” visita de Pelosi a Taipé João Luz - 4 Ago 2022 O Executivo de Ho Iat Seng demonstrou ontem o completo repúdio em relação à visita de Nancy Pelosi a Taiwan, caracterizada com “uma intervenção violenta nos assuntos internos” do país e uma violação arbitrária do princípio de ‘uma única China’. A condenação foi partilhada pelo Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM O Governo de Macau condenou ontem a visita de Nancy Pelosi, líder da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos, a Taiwan, classificando-a como uma “intervenção violenta nos assuntos internos” chineses. “O Governo da RAEM [região administrativa especial de Macau] mantém a mesma posição nos assuntos de Taiwan, persistindo na salvaguarda da soberania e da integridade territorial da China e na defesa firme do princípio de ‘uma única China'”, lê-se no comunicado emitido ontem pelo Gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau. De acordo com a mesma nota, a visita da responsável norte-americana “constitui uma intervenção violenta nos assuntos internos” chineses, além de comprometer a “soberania e a integridade territorial, violando arbitrariamente o princípio de ‘uma única China’, ameaçando severamente a paz e a estabilidade do Estreito de Taiwan e destruindo as relações entre a China e os Estados Unidos”. Neste sentido, o Executivo liderado por Ho Iat Seng “condena veementemente” a deslocação de Pelosi a Taiwan. Em comunicado, o Gabinete de Comunicação Social relembra ainda que “o presente Governo dos Estados Unidos prometeu, várias vezes, cumprir o princípio de ‘uma única China’, mas que “as palavras e as acções recentes” de Washington “não correspondem” ao compromisso. Como tal, o “Governo da RAEM opõe-se firmemente à intervenção pelas forças externas nos assuntos internos da China, irá apoiar e coordenar plenamente com o Estado na salvaguarda da soberania e da integridade territorial, da segurança e dos interesses de desenvolvimento do país”. Condenados ao falhanço A condenação da visita de Nancy Pelosi a Taiwan foi partilhada por Liu Xianfa, Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) da China na RAEM, que afirmou que a congressista norte-americana tomou uma atitude “deliberadamente provocadora” e “brincou com o fogo”. O representante do MNE em Macau recordou que no passado dia 28 de Julho, Joe Biden reiterou numa conversa telefónica com Xi Jinping que os Estados Unidos não iriam desafiar a política “uma única China”, nem mudar a sua posição política” e que não iriam apoiar forças independentistas. O representante chinês acrescentou que as mesmas garantias foram dadas pelo secretário de Estado Antony Blinken e pelo conselheiro Jake Sullivan. “Os políticos norte-americanos fazem sempre o contrário daquilo a que se comprometem”, concluiu o comissário. O representante dos Negócios Estrangeiros em Macau acrescenta ainda que a tomada de posição de Pelosi “tem um severo impacto nas fundações políticas das relações sino-americanas, viola seriamente a soberania e integridade territorial da China, e prejudica a paz e estabilidade no Estreito de Taiwan”. Além disso, envia sinais errados às forças separatistas e independentistas de Taiwan, acções que terão “consequências muito más”.
Ron Lam acusa Governo de não seguir plano de combate ao surto Pedro Arede e Nunu Wu - 4 Ago 2022 O deputado Ron Lam considera que a resposta do Governo ao surto de covid-19 que começou a 18 de Junho ficou “longe de ser satisfatória”, tendo em conta que as autoridades não respeitaram o plano de resposta em larga escala definido pelo próprio Executivo, criaram novos termos para implementar “medidas arbitrárias” e não seguiram as mais recentes orientações do Interior da China no que diz respeito ao regresso à normalidade. “O Governo, não só não seguiu o ‘Plano de resposta de emergência para a situação epidémica da covid-19 em grande escala’ previamente anunciado pelo próprio, como criou arbitrariamente novos termos como o ‘período relativamente estático’, ‘período de infecção zero’, ‘período de consolidação’ e o ‘período de estabilização’, sob o pretexto de estudos dinâmicos. A implementação de medidas arbitrárias e não científicas em cada período, gerou confusão e dificultou o cumprimento das políticas de prevenção em diferentes sectores da população”, pode ler-se numa interpelação escrita. Passado mais de um mês desde o início do surto, incluindo a ausência de novos casos nos últimos 10 dias, Ron Lam questiona ainda o Governo sobre a razão pela qual, ao contrário das mais recentes orientações emanadas pelo Interior da China, se optou pela imposição de restrições à entrada de espaços e testagens obrigatórias a grupos específicos durante mais uma semana. Isto, refere Ron Lam, tendo em conta que a 9ª edição do Plano de Controlo e Prevenção do Interior da China “não exige que as pessoas que saem de casa para trabalhar ou comer em restaurantes tenham de ser testadas regularmente”. “Se Macau estivesse sincronizado com a norma nacional, após o período de consolidação (…), o território devia ser definido com zona de baixo risco à meia-noite do dia 2 de Agosto”, acrescenta. Aprender a lição O deputado deixa ainda críticas à inactividade do Governo durante as três semanas que precederam o confinamento parcial da cidade, a gestão “confusa” das zonas vermelhas e ao caso das infecções detectadas no Hotel Parisian. Desta forma, para reduzir ao máximo o impacto que futuros surtos podem vir a ter na economia de Macau, Ron Lam espera que o Governo “retire ilações” das últimas semanas e defina futuramente um plano de prevenção e controlo, não só mais “seguro e eficaz”, mas também sincronizado com as orientações do Interior da China.
Fronteiras | Quarentena levantada à entrada em Zhuhai para quem vem de Macau João Santos Filipe e João Luz - 4 Ago 2022 A medida foi anunciada através de um comunicado das autoridades de Zhuhai, e em Macau espera-se que a população siga a política “dois pontos, uma linha”, ou seja, que uma vez no outro lado da fronteira apenas se desloque de casa para o trabalho Desde as 18h de ontem, passou a ser possível atravessar a fronteira para Zhuhai sem ter de cumprir quarentena obrigatória, medida que vigorava desde 18 de Junho. Quem tiver realizado testes gratuitos, que ainda se encontrem com uma validade de 24 horas, pode utilizá-los para passar a fronteira. “A partir das 18h de hoje (ontem) vamos regressar à normalidade na travessia das fronteiras. As pessoas que precisam de sair de Macau, ficam a saber que se tiverem feito os testes gratuitos nos dias 2 e 3 de Agosto que podem utilizá-lo para atravessar as fronteiras”, afirmou Leong Iek Hou, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas e Vigilância da Doença, durante a conferência de imprensa de ontem sobre a evolução da pandemia. “Esta é uma medida para evitar que as pessoas corram para os centros de testes. A população não se deve apressar para os centros de testes e deve tentar evitar concentrações”, apelou. No entanto, expirada a validade dos testes feitos ontem, passa a ser a preciso pagá-los, mesmo que se faça outros testes gratuitos. “Entretanto, os testes gratuitos vão voltar à normalidade, ou seja, o resultado vai deixar de aparecer no Código de Saúde e não vão poder ser utilizados para atravessar a fronteira”, anunciou Leong. “Nestes dois dias o Governo pagou o custo dos testes, mas a partir de dia 4 (hoje), as despesas vão ter de ser assumidas pelas pessoas”, informou. Validade de 24 horas Antes da conferência de imprensa, o Grupo de Trabalho de Prevenção e Controlo Conjunto de Macau-Zhuhai tinha anunciado a abertura com Zhuhai e indicado que é necessário apresentar o resultado negativo de um teste de ácido nucleico à covid-19 realizado nas últimas 24 horas. A passagem das fronteiras tem agora mais exigências do que no passado. Segundo o comunicado do grupo de trabalho, com base num comunicado emitido pelas autoridades de Zhuhai, quem atravessar a fronteira tem de indicar o destino, numa aplicação móvel, e comprometer-se a fazer mais dois testes no espaço de três dias. A possibilidade de realizar deslocações em menos de 24 horas, não foi referida e as autoridades de Macau acreditam que é possível ir e voltar no mesmo dia. No entanto, o representante do Corpo de Polícia de Segurança Pública, Ma Chi Hong, apelou para que as deslocações a Zhuhai sejam apenas por motivos essenciais. “O comunicado das autoridades de Zhuhai não diz nada sobre as deslocações com uma duração inferior a 24 horas, por isso deve ser possível fazê-las”, respondeu. Contudo, Ma apelou para que as pessoas apenas se desloquem a Zhuhai por motivos de trabalho ou por terem lá casa. Ontem, a Polícia de Segurança Pública admitia esperar “um pico” no número de pessoas a atravessar a fronteira para Zhuhai a partir das 18h e apelou à população para estar atenta à informação disponibilizada sobre a afluência às fronteiras. Vida interrompida Os apelos das autoridades não impediram que um enorme fluxo de pessoas acorresse aos postos fronteiriços, agravado pelo facto de a fronteira das Portas do Cerco estar fechada até amanhã. Aos cidadãos, foi pedido que verificassem através das plataformas online as filas de espera em cada posto fronteiriço e que optassem pelas mais livres. Além da obrigatoriedade de fazer três testes de ácido nucleico, à entrada na cidade vizinha, é necessário fazer a declaração prévia da aplicação ou mini-programa “Saúde Zhuhai” no WeChat e informar onde irá pernoitar. As pessoas vão também estar obrigadas a cumprir aquilo a que as autoridades do Interior da China designam por “dois pontos, uma linha”, ou seja, evitar deslocações que fujam ao roteiro casa-trabalho e vice-versa, “devendo evitar a utilização de meios de transportes públicos, concentração de pessoas e refeições em grupo”. Até ontem, estavam registados em Macau 791 casos confirmados da covid-19 e 1.381 casos de infecção assintomática. Testes | Confusão e longas filas nos postos de testagem Logo após as autoridades de Zhuhai terem anunciado a reabertura de fronteiras com Macau, os postos de testagens espalhados um pouco por toda a cidade encheram-se de residentes e trabalhadores não residentes (TNR) que queriam rumar ao território vizinho a partir das 18h00. Segundo o jornal Ou Mun, postos localizados no Centro Cultural de Macau, no Largo do Lilau e na Areia Preta chegaram a ter longas filas de espera com mais de 100 pessoas e o sistema de marcações a registar, nas horas de maior pico, cerca de 2.000 entradas para a realização de testes no posto localizado no Edifício do Bairro da Ilha Verde. Acompanhado pelos dois filhos, um residente de Macau com casa em Zhuhai conta que foi preciso esperar muito tempo na fila para que os três conseguissem ser testados nesse mesmo posto. Uma TNR ouvida pelo jornal Ou Mun partilhou que, por ter “muitas saudades da família” e não conseguir ir a casa “há vários meses”, mal soube que já não seria preciso fazer quarentena para rumar a Zhuhai, dirigiu-se imediatamente ao posto do Centro Cultural para fazer o teste. Segundo um vídeo partilhado pelo mesmo órgão de comunicação social, nos minutos que precederam a entrada em vigor da medida, foi possível ver uma enorme enchente de pessoas que aguardavam no Posto Fronteiriço Qingmao, a chegada das 18h00 para ir para Zhuhai.
Justiça | Agentes apanhadas em karaoke condenadas a multas de 6.000 patacas João Santos Filipe - 3 Ago 2022 O Tribunal Judicial de Base julgou sumariamente 43 das 45 pessoas detidas no domingo num karaoke ilegal e outra que foi apanhada na rua sem máscara. Todos os arguidos foram condenados com multas, mas arriscam-se a cumprir pena de prisão, caso falhem o pagamento As duas agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública detidas num karaoke ilegal foram condenadas a pagar multas de 6 mil patacas, que podem ser substituídas por penas de prisão de 40 dias se o montante não for pago. Na óptica do Tribunal Judicial de Base (TJB), que julgou os casos na segunda-feira em processo sumário, as agentes violaram as medidas de prevenção impostas pela Lei de Prevenção, Controlo e Tratamento de Doenças Transmissíveis. “O juiz proferiu logo a sentença, tendo condenado cada um dos 42 arguidos pela prática de um crime de infracção de medida sanitária preventiva (…)”, indicou o TJB. A agentes foram condenadas a “pena de multa de 60 dias, à taxa diária de 100,00 patacas, perfazendo a multa de 6.000,00 patacas ou 40 dias de prisão subsidiária, se a multa não for paga nem substituída por trabalho”, pode ler-se no comunicado emitido pelo tribunal. O caso aconteceu no domingo, quando as autoridades fizeram uma rusga num edifício industrial na Avenida Venceslau Morais, onde se suspeitava existir um karaoke ilegal. Na operação foram feitas 44 detenções, mas apenas 42 foram julgados em processo sumário, uma vez que os restantes dois são menores. Além da condenação anunciada, a mais pesada para todos os detidos, as agentes enfrentam ainda processos disciplinares no CPSP, que anteriormente declarou não tolerar qualquer tipo de condutas que violem as leis em vigor. Em relação aos outros 40 julgados, sete foram condenados ao pagamento de multas no valor de 3 mil patacas, que se não forem pagas obrigam ao cumprimento de 20 dias de prisão, e 33 condenados com multas de 4,5 mil patacas, ou prisão de 30 dias. Assédio sem máscara Em relação ao indivíduo que foi detido igualmente na madrugada de domingo, por ter alegadamente cometido o crime de importunação sexual na Taipa, quando não tinha máscara, foi condenado ao pagamento de uma multa de 1.500 patacas, que poderá ser substituída por pena de prisão de 10 dias. O TJB considerou que o homem com cerca de 20 anos, e que estava sem máscara e sem camisa, violou a Lei de Prevenção, Controlo e Tratamento de Doenças Transmissíveis. O tribunal não emitiu qualquer informação sobre os indícios do crime de importunação sexual, que só deverá ser julgado posteriormente, quando for concretizada a acusação. Por agora, o indivíduo só respondeu por não ter utilizado máscara quando circulava na Taipa.
Tigres de papel Carlos Morais José - 3 Ago 2022 A presença de Nancy Pelosi em Taiwan poderia surpreender os mais ingénuos, na medida em que parece ser realizada à revelia do próprio presidente dos EUA. De facto, parece ridículo que, num momento em que estão envolvidos numa guerra na Ucrânia contra a Rússia, que os EUA façam esforços deliberados para provocar a China. Não somente ridículo mas um contra-senso. Lembramo-nos da aproximação a Pequim, efectuada por Nixon e Kissinger, num momento em que as relações com a URSS se agravavam. Como mandaria a lógica das relações internacionais. O problema é que não estamos num momento em que a lógica pareça imperar, o que prenuncia um tempo especial, talvez catastrófico, em que um império perde o seu poder quase hegemónico para desembocarmos noutro tipo de equilíbrio planetário, agora constituído por diversos pólos de poder. Os EUA, não satisfeitos com a situação ucraniana e depois de uma retirada humilhante do Afeganistão, parecem apostados em fazer despoletar conflitos no Pacífico, onde a sua posição de força sofre constante reveses e onde a sua posição económica foi já ultrapassada. A esmagadora maioria dos países do mundo está farta da retórica americana (democracia, direitos humanos, liberdade, blá, blá, blá…) que, uma vez posta em prática, unicamente resulta na expansão desenfreada de corporações e empresas que raramente trazem prosperidade (ou mesmo democracia) aos países em que se instalam, mas se limitam a extrair o máximo de lucros possível, sem qualquer respeito pelos “direitos humanos” que tanto apregoam e de que fazem bandeira, embora rasgada e humilhada pelos que a carregam e pagam menos de um dólar por dia aos seus trabalhadores. A presença de Pelosi em Taipé tem toda a aparência de uma manobra desesperada de provocar a China, tentando passar-lhe o ónus da culpa, caso a situação venha a deteriorar-se. Os EUA sabem muito bem que a China nunca cederia nesta questão e também sabem que a colocação de material militar em Taiwan poderia ter uma resposta semelhante à colocação de mísseis chineses em Cuba. Ou pior. E, no entanto, continuam a provocar constantemente Pequim, com visitas, com a venda de equipamento militar, isto além de imporem a Taiwan , como reverso da “ajuda”, a compra de produtos nem sempre de qualidade garantida. Por quê e para quê? Apesar dos estrebuchos de Biden, de facto, os EUA insistem em provocar a China. Sabida perdida a corrida para o futuro, o Império refila, o Império sofre convulsões internas, o Império arrisca a destruição global, o Império implode, e com ele corre-se o risco de arrastar para o abismo toda a civilização Ocidental. Ainda não satisfeitos de estarem por detrás de praticamente todas guerras depois de 1945, os EUA servem essencialmente o seu complexo militar-industrial privado, contra o qual o presidente Eisenhower havia debalde advertido. Depois de uma guerra com a Rússia, através do proxy Ucrânia, querem agora os EUA uma guerra com a China através do proxy Taiwan? Parece que sim, parecem ser esses os passos do gigante americano, já que em termos económicos não consegue resistir ao imparável avanço de outros países. Numa altura da Humanidade em que existe a possibilidade de haver comida para todos, medicina para todos, educação para todos, de limparmos o planeta de poluição, de travarmos as mudanças climáticas e explorarmos em conjunto o espaço, os seres humanos continuam a gastar recursos em guerras e outros conflitos que, no limite, não terão vencedor, apenas vencidos. Face às novas armas, às novas tecnologias, ao poder de destruição em massa, hoje somos todos tigres de papel.
Discurso Sobre o Ritual, Parte VII Hoje Macau - 3 Ago 2022 Xunzi 荀子 – Elementos de ética, visões do Caminho Discurso Sobre o Ritual, Parte VII O ritual assegura que os eventos felizes ou infelizes não se intrometem uns nos outros. Quando chega o momento em que temos de colocar gaze sobre o rosto de alguém e escutar a sua respiração, o ministro leal e o filho filial sabem que a doença da pessoa é muito grave. Ainda assim, não buscam peças de roupa para vestir o cadáver nem o colocam em câmara ardente. Choram e enchem-se de medo. Ainda assim, não deixam de esperar que, miraculosamente, a pessoa viva e não deixam de tentar manter a vida da pessoa. Só quando a pessoa morre deveras preparam o que é necessário. Assim, mesmo as casas mais munificentes passam um dia antes da câmara ardente e três dias antes de prepararem as vestes de luto. Só então são enviados mensageiros a quem está longe; só então começam a trabalhar os responsáveis pelos vários artigos [funerários]. A câmara ardente deve durar, no máximo, não mais de setenta dias e, no mínimo, não menos de cinquenta. E porquê? Para que aqueles que estão longe possam vir; para que muitas necessidades possam ser supridas e para que muitos assuntos possam ser resolvidos. A lealdade expressa nisto é do mais alto grau. A regulação apropriada envolvida nisto é do mais alto nível. A boa forma patente nisto é do mais alto género. Depois, quando a lua se levanta, recorre-se a adivinhação para determinar a data do enterro e, quando a lua se deita, recorre-se a adivinhação para determinar o lugar do enterro, só então se procedendo ao enterro. Seria possível realizar o funeral de forma proibida por yi [justiça]? Quem poderia impedir as coisas que são realizadas de acordo com yi? Assim, quando o funeral se realiza no terceiro mês, toma por aparência exterior a parafernália dos vivos para ornamentar os mortos. Porém, tal não acontece simplesmente por não se querer abrir mão dos mortos, mas ao invés para consolo dos vivos. E essa é a mais elevada expressão de yi em termos de saudade e memória. A prática padrão dos ritos funerários é mudar a aparência do cadáver através da adição gradual de mais ornamentação, afastando-o gradualmente para cada vez mais longe e regressando lentamente à rotina dos dias. A forma como a morte funciona significa que se não ornamentarmos os mortos começaremos a sentir repugnância por eles e, sentindo repugnância, não sentiremos tristeza. Se os mantivermos por perto, a eles nos habituaremos, e, habituando-nos, nos cansaremos deles. Cansados deles, esqueceremos o nosso lugar e, esquecendo o nosso lugar, deixaremos de ser respeitosos. Quando perdemos o nosso senhor ou pai, mas os enterramos sem tristeza ou respeito, ficamos muito próximo de sermos animais. A pessoa exemplar tem vergonha disto e gradualmente adiciona mais ornamentação ao cadáver para eliminar qualquer repugnância; afasta o cadáver gradualmente para cada vez mais longe para demonstrar respeito; regressa lenta e gradualmente à rotina dos dias de modo a ajustar a sua vida com propriedade. Nota Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE – 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, juntamente com o próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.
Demografia | País prevê que população comece a diminuir antes de 2025 Hoje Macau - 3 Ago 2022 A Comissão Nacional de Saúde da China confirmou que a população do país, o mais populoso do mundo, vai diminuir antes de 2025 e apelou à promoção de políticas de incentivo à natalidade. A informação, noticiada ontem pelo diário oficial Global Times, aparece num artigo publicado na revista estatal Oiushi Journal e marca a primeira vez que as autoridades reconhecem abertamente que a população da China – 1,412 mil milhões de pessoas de acordo com o censo de 2021 – irá em breve diminuir. O gigante asiático não tem registado um declínio populacional desde o início dos anos 60. A 25 de Julho, o director do departamento de população e assuntos familiares da Comissão Nacional de Saúde, foi citado pelos meios de comunicação locais como dizendo que o país iria registar “crescimento negativo” antes de 2025. O relatório defende que “é tempo de rever e abolir importantes medidas restritivas, tornar a política de fertilidade mais inclusiva, melhorar os serviços de cuidados infantis, e introduzir medidas de apoio activo para reduzir os encargos económicos sobre a população e melhorar a capacidade das famílias para se desenvolverem”. Em queda A taxa de natalidade, que caiu para 1,3 por cento nos últimos anos, “tornou-se o principal risco para o desenvolvimento equilibrado da população da China”, escreveu o Global Times. Ao mesmo tempo, o envelhecimento da população acelerou, juntamente com o crescimento da segunda maior economia mundial e, até 2035, espera-se que as pessoas com mais de 60 anos representem acima de 30 por cento da população em comparação com os 18 por cento actuais. A Comissão Nacional assinalou também que o tamanho médio das famílias na China diminuiu 0,48 por cento na última década, para 2,62 pessoas em 2020. Neste contexto, a Comissão considera “vital” melhorar a qualidade de vida da população e modificar os planos de desenvolvimento económico para lidar com o crescimento negativo, que “será a tendência dominante nos próximos anos e por um período de tempo prolongado”. “No passado concentrámo-nos no controlo da população, mas agora devemos concentrar-nos em aumentar a fertilidade, melhorar a qualidade e a estrutura da população, optimizar a sua distribuição e promover um desenvolvimento populacional equilibrado e a longo prazo”, sustenta-se no relatório. Entre as medidas que a Comissão sugere para promover a taxa de natalidade estão políticas de apoio à habitação, educação, saúde, emprego e bloqueios à tributação excessiva das famílias que têm filhos, a fim de “reduzir o peso da educação dos filhos, estimular o desejo das famílias de crescerem e criar uma atmosfera social favorável às crianças”. Após décadas de imposição de uma política de um filho e depois de a alargar a dois filhos, a China permitiu aos cidadãos ter um terceiro filho desde o ano passado, embora a decisão não tenha sido recebida com grande entusiasmo pela população, devido tanto ao peso económico da criação dos filhos como à prioridade que muitas mulheres escolhem dar às carreiras profissionais. De acordo com os números divulgados este mês, no ano passado registou-se o menor número de nascimentos em muitas províncias chinesas. Os peritos internacionais previram que a vizinha Índia, com uma população de cerca de 1,38 mil milhões de habitantes no presente, irá ultrapassar a China num futuro próximo, tornando-se o país mais populoso do mundo.