Comércio | Companhia chinesa lança rota pelo mar do norte da Rússia

O serviço China-Europe Arctic Express, lançado pela Sea Legend Shipping, prevê que o transporte de contentores para a Europa demore entre 20 e 22 dias

Uma companhia marítima chinesa prevê lançar esta semana um serviço regular de transporte de contentores para a Europa através da Rota Marítima do Norte (NSR) da Rússia, numa iniciativa que visa transformar o tráfego ártico.

A empresa Sea Legend Shipping estreia este mês o seu serviço China-Europe Arctic Express (CAX), com o qual prevê realizar oito partidas entre Agosto e Outubro, com sete navios e tempos de travessia previstos entre 20 e 22 dias, de acordo com a imprensa local.

O serviço transportará carga proveniente de vários portos do leste da China, como Qingdao ou Xangai, antes de fazer escala em Ningbo-Zhoushan e partir rumo a Felixstowe (Reino Unido), com ligações a outros portos europeus como Roterdão (Países Baixos), Hamburgo (Alemanha) ou Gdynia (Polónia).

No calendário publicado pela companhia marítima constam, por enquanto, duas rotas: a primeira, do navio “Dubai Tower”, que, em princípio, deverá partir de Ningbo em 15 de Agosto e chegar a Felixstowe em 07 de Setembro, e uma segunda programada para o navio “Riyadh Mukaab”.

O novo serviço surge na sequência da viagem realizada no ano passado pelo navio “Istanbul Bridge”, considerada a travessia inaugural desta rota comercial. Ao contrário daquela, organizada como uma viagem pontual, o CAX conta agora com datas de partida fixas, navios atribuídos de forma permanente e um tempo de travessia planeado.

Segundo informou na altura a Sea Legend Shipping, o percurso pelo Passo do Nordeste reduz quase para metade o tempo de navegação em comparação com a rota tradicional pelo Canal do Suez, que demora cerca de 40 dias, e é também cerca de cinco dias mais rápido do que o percurso ferroviário China-Europa, de cerca de 25 dias.

Benesses do degelo

Hu Qimu, professor do Instituto da Rota da Seda Marítima da Universidade de Huaqiao, salientou ao jornal Global Times a importância de desenvolver rotas alternativas face aos riscos crescentes das vias tradicionais, tais como o aumento dos custos do combustível e das operações em alguns corredores devido a tensões geopolíticas.

Por enquanto, a Rota do Mar do Norte só é navegável durante o Verão, mas o derretimento do gelo ártico poderá alargar o período em que os cargueiros podem operar, oferecendo à Rússia oportunidades económicas e geopolíticas.

13 Ago 2026

China pede para participar nas consultas pedidas pelo Brasil contra EUA na OMC

A China pediu para participar nas consultas abertas na Organização Mundial do Comércio (OMC) na sequência da disputa iniciada pelo Brasil contra os Estados Unidos sobre tarifas adicionais aplicados a determinados produtos brasileiros, revelou segunda-feira a organização.

O pedido chinês foi apresentado em 06 de Agosto e comunicado ao Órgão de Solução de Controvérsias da OMC, refere um documento divulgado pela organização.

A China, detalha, pretende juntar-se às consultas solicitadas pelo Brasil no âmbito da disputa “Estados Unidos – Direitos adicionais sobre determinados produtos originários do Brasil”, cujo pedido foi distribuído pela OMC em 30 de Julho.

Pequim justificou o pedido com o argumento de que possui um “interesse comercial substancial” nas consultas entre Brasil e Estados Unidos. Segundo as regras da Organização Mundial do Comércio, os países envolvidos nas consultas, a exemplo do Brasil e dos EUA, precisam de autorizar a participação de um terceiro membro, no caso, a China.

Brasília accionou a OMC contra duas tarifas aplicadas pela administração de Donald Trump, sendo uma de 25 por cento pelo facto de Washington entender que o Brasil adopta práticas desleais relativamente às empresas norte-americanas.

Os EUA também aplicaram tarifas de 12,5 por cento ao Brasil, assim como a outras dezenas de países que supostamente falharam na fiscalização de importação de produtos produzidos a partir do trabalho forçado.

Pequim destacou que essas medidas afectam as suas exportações para o mercado norte-americano, com excepção de determinados produtos, e alteram as condições de concorrência dos produtos chineses devido às tarifas adicionais impostas.

Manobras de Donald

Também segunda-feira, a Organização Mundial do Comércio informou que os EUA aceitaram o pedido do Brasil para iniciar consultas no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC. No documento, Washington sinalizou estar disponível para reunir com representantes da missão brasileira numa data que seja conveniente para ambas as partes.

A aplicação das sobretaxas dos EUA ao Brasil é mais um capítulo da crise diplomática entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto.

O executivo liderado pelo Presidente Lula da Silva tem dito, reiteradas vezes, que são falsas as alegações de Washington contra o Brasil e acusa Donald Trump de aplicar sanções ao país como forma de interferir no processo eleitoral brasileiro.

12 Ago 2026

Angola / China | Trocas comerciais de 9.300 ME no primeiro semestre

O volume de negócios entre Angola e a China atingiu os 10,8 mil milhões de dólares no primeiro semestre, metade das trocas comercias totais de 2025, anunciou ontem fonte da embaixada chinesa. De acordo com o embaixador da China em Angola, Zhang Bin, só em 2025 as trocas comerciais entre os dois países totalizaram 20,8 mil milhões de dólares.

“E durante os primeiros seis meses do ano corrente o volume de negócios já atingiu 10,8 mil milhões de dólares e esperamos que o volume total neste ano supere o ano passado”, afirmou ontem o diplomata chinês à saída de uma audiência com o presidente do parlamento angolano.

Com Adão de Almeida, Zhang Bin abordou as “excelentes” relações de cooperação e ambos os responsáveis concordaram em intensificar as visitas de alto nível entre os presidentes dos dois parlamentos, disse o diplomata asiático.

A necessidade de se aprofundar a cooperação e intercâmbio entre as comissões especializadas das assembleias de Angola e da China e de intensificar a troca de experiências governativas foram também abordadas neste encontro.

Zhang Bin destacou igualmente a abertura e disposição de empresas e investidores chineses em apostarem no país lusófono africano: “E também nos últimos tempos recebemos muitas delegações de empresários chineses que vêm da China para ver o ambiente de negócios em Angola e temos muitos projectos a ser materializados”, notou.

Questionado sobre o volume de vistos solicitados à embaixada que tutela, Bin deu a conhecer que entre Janeiro e Junho deste ano foram emitidos mais de três mil vistos a angolanos que visitaram o seu país. “E este número tem um crescimento notável em comparação com o período pós-pandemia e isso também reflecte o aumento do fluxo das pessoas entre os nossos países”, concluiu.

4 Ago 2026

Balança Comercial | Défice atinge 66,12 mil milhões de patacas

Na primeira metade do ano, o défice da balança comercial cifrou-se em 66,12 mil milhões de patacas, de acordo com a informação divulgada, na sexta-feira, pela Direcção de Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Em comparação com o período homólogo, o défice apresentou um aumento de 22,6 por cento, ou de 12,17 mil milhões de patacas, uma vez que na primeira metade de 2025 tinha sido de 53,95 mil milhões de patacas.

Segundo os dados mais recentes, o valor exportado de mercadorias no primeiro semestre de 2026 situou-se em 8,22 mil milhões de patacas, enquanto o valor da reexportação foi de 7,40 mil milhões de patacas e o da exportação doméstica de 819 milhões de patacas. Ao mesmo tempo, o valor importado de mercadorias foi de 74,33 mil milhões de patacas. Nos primeiros seis meses, o valor total do comércio externo de mercadorias correspondeu a 82,55 mil milhões de patacas.

3 Ago 2026

Pequim diz que guerras comerciais não beneficiam ninguém

A China criticou sexta-feira as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre importações de dezenas de economias, justificadas por alegadas falhas no combate ao trabalho forçado, e defendeu que “as guerras comerciais não beneficiam ninguém”.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian declarou, numa conferência de imprensa, que a posição de Pequim sobre as questões económicas e comerciais com Washington é “constante e clara”. “A China opõe-se a todas as formas de medidas tarifárias unilaterais”, afirmou Lin.

O porta-voz acrescentou que “as guerras tarifárias e comerciais não beneficiam nenhuma das partes”, depois de o Gabinete do Representante para o Comércio dos Estados Unidos ter anunciado, na quarta-feira, novas tarifas entre 10 por cento e 12,5 por cento sobre importações provenientes de 60 países e regiões.

A decisão, adoptada ao abrigo da secção 301 da Lei do Comércio de 1974, é justificada por Washington com a alegada insuficiência de medidas para impedir a entrada de bens produzidos com recurso a trabalho forçado. O novo regime substitui a tarifa global temporária imposta pelos Estados Unidos, que expirava sexta-feira.

Canais abertos

A nova ronda de tarifas surge numa altura em que Pequim e Washington mantêm canais de diálogo económico, após a visita de Estado do Presidente norte-americano, Donald Trump, à China, em Maio, durante a qual se reuniu com o homólogo chinês, Xi Jinping.

Na quinta-feira, o ministério do Comércio chinês afirmou que as equipas económicas e comerciais dos dois países mantêm uma “comunicação fluida” sobre a estrutura e as funções de um novo Conselho de Comércio bilateral e estudam uma redução recíproca de tarifas no valor de 30 mil milhões de dólares para cada parte.

O braço de ferro tarifário entre as duas maiores economias do mundo atingiu o auge no ano passado, com tarifas recíprocas superiores a 100 por cento, traduzindo-se num embargo comercial de facto, antes das tréguas comerciais posteriormente alcançadas.

A relação bilateral continua marcada por divergências em torno das tarifas, dos controlos tecnológicos, das terras raras, de Taiwan e das restrições impostas a empresas chinesas, embora ambas as partes tenham procurado manter contactos nas áreas do comércio, investimento, agricultura, aviação e segurança militar.

27 Jul 2026

Comércio | Importadores apostam em produtos mais baratos do Interior

O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau explicou que os importadores procuram produtos mais baratos no Interior da China para substituir as importações da Europa. O objectivo é manter os preços baixos

 

Para fazer face ao aumento dos preços motivados pela guerra e o encerramento do Estreito de Ormuz, os importadores locais estão à procura de produtos mais baratos no Interior da China, de forma a substituírem as importações do estrangeiro. O cenário foi explicado por Ip Sio Man, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau.

Em declarações ao jornal Ou Mun, Ip Sio Man explicou que o aumento dos custos com os transportes depende do lugar de origem. Devido à proximidade geográfica, as variações são mais moderadas nos produtos vindos do Interior da China. No entanto, no caso das importações do Sudeste Asiático, o preço de transporte de um contentor subiu entre 1.000 e 3.000 patacas. Os aumentos são ainda mais acentuados nas mercadorias provenientes da Austrália, Nova Zelândia e América Central e do Sul. Todavia, a situação mais grave prende-se com as importações da Europa, com os produtos a demorarem cerca de três meses a chegar a Macau, quando antes o transporte ficava concluído em cerca de um mês.

Face aos produtos importados da Europa, Ip Sio Man explicou que as ligações alternativas não só tornaram tudo mais caro, como fazem com que a gestão dos stocks seja mais imprevisível, o que pode facilmente levar a rupturas. Neste cenário, a Associação da União dos Fornecedores de Macau indicou que a alternativa passa por encontrar produtos semelhantes no Interior da China, com preços mais próximos daqueles que a população está disposta a pagar.

Ip revelou ainda que alguns importadores locais fizeram prospecção de mercado, para encontrar produtos mais baratos, em locais do Interior como Ningxia e Hubei.

Realidades diferentes

O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau abordou igualmente as queixas da população sobre o facto de os produtos do Interior serem mais baratos em Hong Kong. Segundo Ip Sio Man, a economia de Hong Kong tem melhores ligações à China, o que permite o transporte directo por comboio de importações do Leste e do Norte do país. Este tipo de transporte é mais barato do que o transporte rodoviário. Ao mesmo tempo, Ip explicou que Macau apenas tem boas ligações com a província de Cantão, pelo que as importações de outras províncias precisam de passar por Hong Kong ou Shenzhen, aumentando os preços.

Situação recorrente

Numa altura em que os preços dos combustíveis estão novamente a subir, o subsídio do Governo da RAEM está a chegar ao fim. Esta situação foi abordada pelo vice-reitor da Universidade da Cidade de Macau, Ip Kuai Peng. Segundo o académico, a medida foi eficaz para aliviar o custo do aumento do nível de vida.

No entanto, o académico defendeu que o fim do subsídio não deve significar o fim dos apoios à população. Ip considerou que Macau se deve preparar a “longo prazo” para uma nova realidade, uma vez que a crise no Médio Oriente é recorrente e provoca fortes flutuações nos preços do petróleo bruto.

Ip Kuai Peng apontou ainda que é necessário aumentar a transparência dos preços, assim como reforçar a fiscalização e a cooperação transfronteiriça para estabilizar o abastecimento de combustíveis e os respetivos preços.

24 Jul 2026

Hong Kong | China saúda EUA por restaurarem privilégios comerciais

A China saudou a decisão dos Estados Unidos de não renovar uma ordem executiva que revogava o estatuto comercial especial de Hong Kong, considerando um passo importante na implementação do consenso alcançado durante encontros entre Pequim e Washington.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos confirmou na sexta-feira que não vai renovar a ordem executiva, assinada em Julho de 2020 durante o primeiro mandato do Presidente norte-americano, Donald Trump, em resposta à imposição pela China da lei de segurança nacional.

Decisão aplaudida na sexta-feira por um porta-voz do Ministério do Comércio da China que, citado pela agência de notícias Xinhua, confirmou a revogação, este ano, da ordem executiva.

Ainda de acordo com este ministério, durante as consultas económicas e comerciais entre a China e os EUA, realizadas em Madrid no ano passado, os Estados Unidos assumiram compromissos sobre questões que incluíram Hong Kong e o investimento.

O porta-voz indicou ainda que a manutenção da prosperidade e da estabilidade de Hong Kong serve os interesses comuns da China e dos Estados Unidos, e que o ajustamento da política dos EUA em relação a Hong Kong numa direcção positiva também vai ao encontro das expectativas da comunidade internacional.

 

Pela estabilidade

A China, afirmou ainda o responsável chinês do Ministério do Comércio, espera que os Estados Unidos honrem as convenções internacionais e o consenso alcançado pelas duas partes, respeitem a soberania da China e o Estado de direito na Região Administrativa Especial de Hong Kong, e restabeleçam e reforcem as relações económicas e comerciais com esta cidade vizinha de Macau.

Esses esforços contribuiriam para a construção de uma relação construtiva de estabilidade estratégica entre a China e os Estados Unidos, acrescentou o porta-voz.

Na sexta-feira, o porta-voz do Departamento do Tesouro afirmou que continuarão em vigor as sanções previstas na Lei de Autonomia de Hong Kong de 2020, que penaliza autoridades que promovem a política chinesa de limitar a autonomia do território, acrescentando que a decisão de não renovar evita a duplicação de sanções.

A ordem executiva de 2020, justificada com a convicção de que Hong Kong deixou de ser suficientemente autónomo para merecer um tratamento diferenciado em relação à China continental sob certas leis, fora renovada pela última vez em Julho de 2025, por um ano.

O Governo de Hong Kong afirmou, em comunicado, ter notado uma “mudança positiva na política dos EUA” em relação à cidade.

“Salvaguardar a prosperidade e a estabilidade de Hong Kong atende aos interesses comuns da China e dos Estados Unidos e também se alinha com as expectativas gerais da comunidade internacional”, referiu.

20 Jul 2026

Países hispânicos | Macau é “largamente desconhecido”

Apesar do desconhecimento geral, Macau pode ter sucesso no novo objectivo se conseguir provar que é a melhor forma de os países hispânicos explorarem as relações comerciais com a China ou se afirmar a nível do investimento em infra-estruturas

 

Analistas hispânicos consideraram em declarações à Lusa que Macau continua “largamente desconhecido” para países de língua espanhola, apesar da ambição do Governo local em afirmar-se como plataforma de ligação entre a China e o bloco hispanófono.

Segundo Carlos Martin, professor associado em Relações Internacionais na Universidade Europeia de Valência, Macau tem “um potencial ainda por explorar”, com “bases para se tornar o conector natural entre a China e o mundo hispânico”, mas continua “largamente desconhecido nesses mercados”.

O académico defendeu à Lusa que o Governo deve “executar uma estratégia inteligente para activar as conexões certas”, de maneira a que os sectores civil e empresarial “vejam Macau como a melhor opção para operar na China”.

O analista espanhol propõe mesmo a criação de ligações regionais específicas, sugerindo “ligar os centros regionais adequados”, como por exemplo, Macau e cidades espanholas como Valência e outras.

Para Martin, a ligação cultural entre Macau e os países hispanófonos é relevante, fruto da sua história lusófona, mas não suficiente, pois “o tamanho das empresas, os sectores envolvidos, a mão de obra necessária” são factores que influenciam a “perspectiva dos governos regionais e a forma como consideram a cooperação e o equilíbrio do envolvimento”.

O académico concluiu também que as oportunidades não se limitam a um país ou região, e que, “se o foco for apenas empresarial”, oportunidades podem ser encontradas em todo o continente latino-americano.

“Destaco directamente o interesse da Argentina, Colômbia e Equador [no mercado chinês]”, indicou.

Poderio económico

A China é actualmente o segundo maior parceiro comercial de toda a América Latina, com o comércio bilateral a atingir o recorde de 518 mil milhões de dólares em 2025.

O Governo chinês definiu em 2003 Macau como uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa, papel que foi expandido pelo novo líder da região, Sam Hou Fai, para englobar também os 21 países de língua espanhola.

Questionado sobre se Macau pode ter esse papel de ligação com a China, Juan Enrique Serrano Moreno, professor associado do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, é peremptório: “Não creio”.

“Não penso que Macau venha a tornar-se um centro de negócios para empresários latino-americanos. Há formas mais eficazes através de centros de negócios na China continental e, em menor medida, em Singapura”, indicou à Lusa o analista chileno.

Ignacio Araya, analista relações China–América Latina na Universidade Diego Portales, sublinhou que Macau está a procurar “um papel maior dentro da projecção internacional que a China está a construir hoje”.

Para o académico, o território pode funcionar como “ponte complementar”, especialmente para ligar latino-americanos ao sul da China e à província de Guangdong.

Os planos de integração e cooperação existentes de Macau com a província de Guangdong e a zona económica especial na vizinha Hengqin, estabelecida para ajudar a diversificação económica da cidade, oferecem também uma via para a entrada das empresas dos países de língua espanhola na China.

Araya destaca, no entanto, que “a oportunidade mais concreta está nas infra-estruturas”, lembrando que Macau foi sede do Fórum de Cooperação em Infra-estruturas China-América Latina e Caraíbas.

“Macau pode ser especialmente útil se se especializar como nó de infra-estruturas para o Brasil e outros países sul-americanos, onde já existe uma presença significativa de empresas e financiamento chineses”, acrescentou.

O investigador destacou que a China não se projecta internacionalmente apenas a partir de Pequim, fazendo-o também através de províncias, cidades e universidades com “agendas próprias de internacionalização”.

“Nesse mapa, Macau pode ser útil, se se posicionar como um nó especializado capaz de articular essas conexões, não como substituto de outros canais, mas como espaço capaz de os interligar”, concluiu.

13 Jul 2026

União Europeia | Pequim disponível para reforçar diálogo comercial

O Governo chinês manifestou-se ontem disponível para reforçar a comunicação com a União Europeia (UE) em matéria comercial, um dia depois de ambas as partes terem acordado manter abertos canais de diálogo para evitar uma guerra comercial.

Numa conferência de imprensa regular, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun afirmou que “a essência da cooperação económica e comercial entre ambas as partes é o benefício mútuo” e que Pequim e Bruxelas são “parceiros, não rivais”.

Guo sustentou que os problemas enfrentados pela UE “não têm origem na China” e defendeu que as questões nas relações económicas e comerciais entre as duas partes devem ser resolvidas através do aprofundamento da cooperação para alcançar um desenvolvimento comum.

“A China está disposta a reforçar a comunicação e as consultas com a parte europeia e, com base nos princípios da igualdade, do respeito mútuo e da reciprocidade, gerir adequadamente as divergências comerciais de forma construtiva”, acrescentou o porta-voz.

Na segunda-feira, o comissário europeu para o Comércio, Maroš Šefčovič, e o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao, comprometeram-se a manter abertos os canais de comunicação até Outubro para evitar uma guerra comercial, durante uma reunião realizada em Bruxelas.

Šefčovič e Wang participaram na primeira sessão das Consultas sobre Comércio e Investimento, o novo mecanismo criado para procurar “soluções práticas” em quatro áreas: o equilíbrio entre comércio e investimento, os controlos às exportações, a propriedade intelectual e a reforma da Organização Mundial do Comércio.

1 Jul 2026

Cooperação | Hong Kong e Brasil negoceiam acordo para facilitar comércio

O Governo de Hong Kong anunciou ontem o início das negociações com o Brasil para um acordo que poderá facilitar o comércio entre os dois mercados. O plano irá abrir portas a benefícios mútuos como taxas de inspecção reduzidas e desalfandegamento prioritário

 

A região vizinha de Hong Kong está a negociar com o Brasil um acordo para agilizar o mercado entre os dois mercados, foi ontem anunciado pelo Governo da RAEHK. A Alfândega da região disse ontem que assinou, no sábado, um plano de acção com a Secretaria Especial da Receita Federal, que está sob a tutela do Ministério da Fazenda do Brasil. O plano “inicia oficialmente as negociações” com o Brasil para um Acordo de Reconhecimento Mútuo para Operadores Económicos Autorizados, disse a Alfândega, num comunicado.

O acordo permitirá aos operadores económicos autorizados “de ambas as economias usufruir de benefícios recíprocos de facilitação do comércio, incluindo taxas de inspecção reduzidas e desalfandegamento prioritário”, explica a nota.

O plano de acção foi assinado pelo comissário adjunto Li Kin-kei, e pelo coordenador-geral de Administração Aduaneira do Brasil, Felipe Mendes Moraes, em Bruxelas. A assinatura aconteceu à margem de reuniões de vários órgãos da Organização Mundial das Alfândegas, que decorreram entre 22 e 27 de Junho, na capital da Bélgica.

Também em Bruxelas, o comissário da Alfândega de Hong Kong, Chan Tsz-tat, assinou um Acordo de Reconhecimento Mútuo para Operadores Económicos Autorizados com o Chile. O Governo de Hong Kong sublinhou que este é o segundo protocolo assinado com uma economia da América do Sul, depois do acordo firmado com o Peru, em Dezembro.

Ir a todas

A Alfândega de Hong Kong prometeu prosseguir com discussões sobre acordos de reconhecimento mútuo com outras jurisdições e expandir a rede de operadores económicos autorizados. O Governo apontou como alvos a Associação das Nações do Sudeste Asiático – da qual Timor-Leste é membro – estados árabes, países africanos e os que fazem parte da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota, como incluindo Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

A Alfândega de Hong Kong já tinha assinado acordos de reconhecimento mútuo para operadores autorizados com 18 economias, incluindo o Interior da China, Macau, Japão, Índia, Canadá e Austrália.

Em 17 de Junho, o Governo de Hong Kong anunciou o alargamento a mais oito países, incluindo o Brasil, de um fundo criado para promover a internacionalização das pequenas e médias empresas (PME) locais.

O secretário para o Comércio e Desenvolvimento Económico, Algernon Yau Ying-wah, referiu também que o limite de financiamento por candidatura subiu de 100 mil para 150 mil dólares de Hong Kong. O subsídio pode ser usado para participar em feiras e exposições numa das 48 economias abrangidas, assim como em publicidade, registo de marcas, testes ou certificações e em portais de PME na Internet.

29 Jun 2026

Bruxelas considera que relações comerciais com a China têm de mudar

A Comissão Europeia considerou sexta-feira que as relações comerciais e de investimento entre a União Europeia e a China “não são sustentáveis” e o bloco precisa de dar uma “resposta mais robusta e coerente” no actual contexto internacional.

Num comunicado divulgado após o Colégio de Comissários ter realizado um debate sobre as relações entre a UE e a China ao nível económico e comercial, a Comissão Europeia salienta que a “abordagem geral” do executivo relativamente a Pequim continua a ser de reduzir dependências e não de desvincular-se a nível económico.

“A China é um parceiro crucial e a colaboração e o diálogo vão continuar”, assegura o executivo. No entanto, a Comissão Europeia frisa que “o estado actual da relação comercial e de investimento” entre as duas partes “não é sustentável”.

“À medida que os interesses económicos e de segurança se tornam mais interligados, ambas as dimensões exigirão uma resposta mais robusta e coerente”, defende o executivo. A Comissão Europeia refere que a reunião de sexta-feira foi importante porque permitiu “fazer um balanço das relações entre a UE e a China, abrangendo tanto as oportunidades que elas apresentam como os desafios que colocam”.

“O debate de hoje [sexta-feira] irá contribuir para o trabalho das próximas semanas, tendo em vista novas discussões no G7 e na cimeira do Conselho Europeu de Junho”, indica o executivo.

Diálogos complexos

O debate realizado ocorre numa altura em que a Comissão Europeia tem manifestado preocupação com o aumento das exportações chinesas e “distorções sistémicas” nas relações comerciais entre os dois blocos.

Esta quinta-feira, na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, em Bruxelas, a porta-voz principal do executivo comunitário, Paula Pinho, frisou que as preocupações relacionadas com as trocas comerciais se devem sobretudo ao “excesso de capacidade produtiva da China”.

“O nosso objectivo é reequilibrar o comércio e as nossas relações económicas, e este será um dos temas em discussão amanhã [sexta-feira] no debate de orientação”, indicou a porta-voz principal do executivo comunitário, Paula Pinho. As relações entre a UE e a China têm vindo a tornar-se cada vez mais complexas, num contexto de crescente concorrência económica e tecnológica.

A China é actualmente o terceiro maior parceiro comercial da UE em bens, enquanto a UE continua a ser um dos principais destinos das exportações chinesas, num volume que ultrapassa os 800 mil milhões de euros anuais no comércio bilateral.

1 Jun 2026

Comércio | Exportações chinesas registam crescimento homólogo de 14,1% em Abril

As exportações chinesas aumentaram em Abril 14,1 por cento em relação ao período homólogo anterior e as importações registaram um aumento de 25,3 por cento no mesmo período, apesar da guerra no Médio Oriente, segundo dados oficiais publicados sábado.

O crescimento das exportações da China recuperou mais do que o esperado, apesar das perturbações no transporte marítimo causadas pela guerra no Irão, à medida que os volumes comerciais aumentam devido a um ‘boom’ de investimento em inteligência artificial. As exportações aumentaram 14,1 por cento em Abril, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, de acordo com um comunicado divulgado hoje pela Administração Geral das Alfândegas chinesa.

Este valor contrasta com a previsão mediana de 8,4 por cento numa sondagem da Bloomberg a economistas e com um aumento de 2,5 por cento registado em Março. As importações aumentaram 25,3 por cento, resultando num excedente comercial de 71,9 mil milhões de euros.

A melhoria nas exportações seguiu-se a um abrandamento surpreendentemente acentuado das exportações da China durante o primeiro mês da guerra, depois de os ataques dos EUA e de Israel ao Irão e a retaliação de Teerão terem espalhado a agitação por todo o Médio Oriente, que se estendeu ao globo.

E com as importações de produtos de alta tecnologia, como ‘chips’, em forte ascensão, a China registou em Março o seu menor excedente comercial em mais de um ano.

Agenda comercial

Os desequilíbrios comerciais estarão em destaque antes da cimeira prevista para a próxima semana em Pequim entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping. O défice comercial de mercadorias dos EUA com a China aumentou em março pelo terceiro mês consecutivo, segundo dados do Departamento do Comércio.

As fábricas chinesas contornaram a guerra de retaliações do ano passado com os EUA sobre as tarifas enviando mais produtos para regiões como África e a Europa, mesmo enfrentando resistência de países onde representam uma ameaça para os produtores locais.

A China tem vindo a somar a sua voz à pressão global para um fim do conflito no Médio Oriente, que eclodiu no final de fevereiro e forçou o encerramento efetivo do Estreito de Ormuz.

Uma redução acentuada do tráfego nesta via navegável vital para o sector energético corre o risco de prejudicar as importações, fazer subir os preços do petróleo e ameaçar a procura estrangeira de produtos chineses. A força das vendas no estrangeiro impulsionou a China para um excedente comercial sem precedentes de 1,02 biliões de euros em 2025.

Os volumes de expedição registados até agora em 2026 mantêm-se, na sua maioria, acima dos níveis recorde do ano passado, em parte graças à forte procura global impulsionada por investimentos em centros de dados e equipamento de energia.

11 Mai 2026

Comércio | Empresários espanhóis mais atentos a Macau

Os empresários espanhóis começam a olhar com mais atenção para as oportunidades de comércio que a RAEM pode suscitar. A Câmara de Comércio de Espanha em Hong Kong diz que só recentemente os empresários viram “o potencial” do território

A Câmara de Comércio de Espanha em Hong Kong indicou à Lusa que só muito recentemente empresários espanhóis começaram a reconhecer o “potencial de Macau” como elo de ligação entre os dois mercados.

A organização indicou que os países de língua espanhola continuam a ser “pouco conhecidos pela vasta maioria dos empresários chineses”, criando uma “necessidade evidente de conhecimento e serviços de apoio empresarial”, que Macau e Hong Kong estão particularmente bem colocados para fornecer. No entanto, apesar do vasto potencial de parceria, a associação empresarial avisou que comunidade ibero-americana na China permanece “relativamente dispersa”, o que dificulta um crescimento coeso.

O comércio bilateral de bens entre a China e Espanha ultrapassou os 55 mil milhões de dólares em 2025, crescendo dos cerca de 52 mil milhões de dólares em 2024. Quanto a Hong Kong, no ano passado as exportações espanholas totalizaram aproximadamente 1,17 mil milhões de dólares, enquanto as importações provenientes de Hong Kong rondaram os 600,1 milhões de dólares.

Um novo alinhamento

Segundo a Câmara de Comércio, o realinhamento das relações económicas globais despertou um interesse mútuo entre a China e os 21 países de língua espanhola, que “se torna cada vez mais evidente”, embora ambas as regiões continuem “insuficientemente compreendidas” uma pela outra.

“A Espanha e a América Latina e Central destacam-se como uma região de grande interesse pela sua dimensão, diversidade sectorial e capacidade de fomentar parcerias em áreas como comércio, investimento, infra-estruturas, energia, agroindústria, tecnologia e serviços”, disse a Câmara, num conjunto de respostas a questões colocadas pela Lusa.

Com Macau há muito definido pelo Governo da China como uma ponte entre o país e os países de língua portuguesa, esse papel foi recentemente expandido para englobar também os países de língua espanhola.

Além de uma passagem por Portugal, o Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, adicionou também uma paragem em Madrid durante a sua primeira visita ao estrangeiro no mês passado. “Macau está agora a reforçar activamente os sectores de serviços empresariais, consultoria, formação e apoio administrativo — precisamente o tipo de infra-estrutura suave de que as empresas espanholas necessitam para uma entrada fluida no mercado chinês”, afirmou a Câmara de Comércio de Espanha em Hong Kong.

Embora Espanha não tenha ainda uma câmara sedeada em Macau, a Câmara de Comércio de Espanha em Hong Kong afirmou estar “plenamente comprometida” em apoiar empreendedores baseados em Macau e em reforçar a cooperação entre os dois ecossistemas de negócios.

A organização está a promover ligações entre empresas espanholas e chinesas em sectores complementares como serviços corporativos, turismo, hotelaria e restauração, ao mesmo tempo que, em conjunto com outras câmaras ibero-americanas, “fomenta a criação de uma comunidade empresarial mais ampla em Hong Kong”.

Combinado com o “conhecimento interno do ambiente económico e regulatório chinês”, a organização realçou que Macau oferece um “ponto de partida natural e prático” para empresas de Espanha, Portugal e América Latina.

7 Mai 2026

Balança Comercial | Registado défice de 33 mil milhões

O valor exportado de mercadorias no primeiro trimestre de 2026 situou-se em 4,18 mil milhões de patacas, mais 19,7 por cento do que no primeiro trimestre de 2025. Os valores da reexportação (3,78 mil milhões de patacas) e o da exportação doméstica (396 milhões de patacas) subiram 20,2 por cento e 14,7 por cento, respectivamente.

No primeiro trimestre do corrente ano o valor importado de mercadorias foi de 37,26 mil milhões de patacas, mais 25,1 por cento, em termos anuais. Como resultado, o valor total do comércio externo de mercadorias no primeiro trimestre de 2026 correspondeu a 41,44 mil milhões de patacas e o défice da balança comercial cifrou-se em 33,08 mil milhões de patacas.

O Interior (559 milhões de patacas), Hong Kong – RAEHK (2,88 mil milhões de patacas) e para a União Europeia (65 milhões de patacas) foram os principais destinos das exportações, com aumentos de 221,6 por cento, 7,1 por cento e 15,1 por cento, respectivamente, face ao trimestre homólogo do ano transacto.

4 Mai 2026

Exportações chinesas crescem 2,5% em Março e desaceleram com impacto da guerra no Irão

As exportações da China cresceram 2,5 por cento em Março, desacelerando face aos dois meses anteriores, num contexto de incerteza devido à guerra no Irão e ao impacto nos preços da energia e na procura global. Os dados divulgados ontem pela Administração Geral das Alfândegas da China ficaram aquém das estimativas dos analistas e representam uma forte descida, face ao crescimento de 21,8 por cento, registado em Janeiro e Fevereiro.

As importações aumentaram 27,8 por cento em Março, acima da subida homóloga de 19,8 por cento verificada nos primeiros dois meses do ano. “As exportações da China desaceleraram à medida que a guerra no Irão começa a afectar a procura global e as cadeias de abastecimento”, afirmou Gary Ng, economista para a Ásia-Pacífico no banco francês Natixis.

Apesar da recuperação significativa registada no início do ano, a procura deverá enfraquecer devido ao choque energético provocado pelo conflito, segundo economistas do Bank of America, liderados por Helen Qiao. Os riscos aumentam caso o conflito se prolongue além do esperado, podendo originar uma desaceleração global persistente, acrescentaram.

As tarifas impostas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, bem como as tensões entre Washington e Pequim, têm também pressionado as exportações chinesas para o mercado norte-americano, levando a China a reforçar as vendas para outras regiões, como a Europa, o Sudeste Asiático e a América Latina.

Os analistas acompanham ainda com atenção a visita prevista de Trump a Pequim, em maio, para se reunir com o Presidente chinês, Xi Jinping, após um adiamento motivado pela guerra no Irão.

15 Abr 2026

Comércio | Deputado defende “pólo de comércio electrónico”

O deputado Wong Ka Lon defendeu ontem, no período de intervenções antes da ordem do dia, a criação de um “pólo de comércio electrónico ‘live streaming’ transfronteiriço sino-lusohispânico”, ou seja, comércio digital entre a China, países de língua portuguesa e espanhola, tendo em conta que este “é o sector com maior potencial de crescimento em Macau”.

Desta forma, o deputado sugeriu a criação de “uma base para vídeos curtos e ‘live streaming’ em chinês, português e espanhol”, e a aposta na formação de “apresentadores locais multilingues” para o apoio à expansão das “marcas do Interior da China para os mercados lusófonos e hispânicos, que têm mais de 700 milhões de pessoas”.

Em termos logísticos, Wong Ka Lon pede que se faça “a ligação ao armazém alfandegário de Hengqin e às redes internacionais de correio expresso, reduzindo os prazos de entrega”, aproveitando “a rede de armazéns no estrangeiro das empresas do comércio electrónico transfronteiriço da China”. A ideia é aumentar “a eficiência e a convergência às normas”, para potenciar mais esse comércio electrónico.

20 Mar 2026

IPIM | Feira comercial para países de língua portuguesa em Outubro

O Governo anunciou ontem que vai organizar em Outubro uma feira comercial dedicada apenas aos países de língua portuguesa, em vez do habitual evento que reunia empresas da China e dos mercados lusófonos.

O Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) lançou um concurso para a coordenação da Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa (Macau) 2026 (PLPEX), marcada para entre 21 e 24 de Outubro. No caderno de encargos prevê-se que a PLPEX ocupe uma área seis mil metros quadrados, com cerca de 200 stands para expositores “em consonância com o posicionamento de Macau enquanto plataforma sino-lusófona”.

A feira tem como meta atrair pelo menos 200 expositores, destes, 10 por cento devem ser empresas locais, 10 por cento de Espanha e 80 por cento dos mercados lusófonos, “sendo obrigatório atrair a participação de empresas de todos os nove países de língua portuguesa”.

O sector agrícola deve representar pelo menos 30 por cento de todos os expositores, o comércio electrónico transfronteiriço 20 por cento e a economia azul, ligada ao mar, pelo menos 10 por cento, refere-se no caderno de encargos. A organizadora da PLPEX deve ainda criar uma campanha de promoção da feira em Portugal e Espanha.

A Lusa questionou o IPIM sobre se a nova feira irá substituir a Exposição Económica e Comercial China-Países de Língua Portuguesa (C-PLPEX), que foi organizada em Outubro de 2025, em paralelo com a Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla em inglês), mas não obteve qualquer resposta.

5 Mar 2026

JD.com | Magnata quer democratizar posse de iates

O fundador do gigante chinês do comércio electrónico JD.com criou uma nova marca de iates com a qual espera que, a longo prazo, passem a existir na China embarcações que deixem de ser percepcionadas como “inalcançáveis”.

Liu Qiangdong apresentou a iniciativa após assinar esta semana acordos estratégicos com os governos das cidades de Shenzhen e Zhuhai (cidade vizinha de Macau), na província de Guangdong, onde a empresa prevê instalar a sua sede chinesa e construir uma base de fabrico de iates, noticiou o jornal económico 21st Century Business Herald.

Segundo declarações citadas pelo diário, o empresário afirmou que, embora a marca se posicione no segmento de gama alta, o desenvolvimento da cadeia de abastecimento nacional e a coordenação industrial poderão tornar plausível que “os iates entrem em milhares de lares, como os automóveis”.

O milionário estimou um custo de venda ao público de 14.000 dólares. Liu recordou que, há 40 anos, o automóvel também era considerado um bem “fora do alcance da maioria”. O empresário salientou ainda que, apesar de a China já ultrapassar os Estados Unidos no número de automóveis em circulação, o país conta com cerca de 12.000 iates, face aos 13 milhões registados nos EUA, diferença que, no seu entender, revela um “enorme potencial de desenvolvimento” no mercado náutico chinês.

O projecto prevê um investimento de 5.000 milhões de yuan para competir com fabricantes internacionais e promover o desenvolvimento da cadeia de abastecimento local, numa altura em que mais de 90 por cento dos componentes de iates de gama alta são actualmente importados da Europa e dos Estados Unidos.

27 Fev 2026

Comércio | Países lusófonos importaram valor recorde de produtos chineses em 2025

Os países lusófonos importaram em 2025 produtos da China no valor de 88,1 mil milhões de dólares, uma subida homóloga de 3,1 por cento e o montante mais alto de sempre, segundo dados oficiais quarta-feira divulgados.

O valor, que corresponde a 74,8 mil milhões de euros, é o mais elevado desde que o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) começou a apresentar estes dados, em 2013.

O Brasil continua a ser o maior comprador no bloco lusófono, apesar das importações vindas da China terem caído 0,7 por cento em comparação com 2024, para 71,6 mil milhões de dólares, de acordo com a informação dos Serviços de Alfândega da China.

Pelo contrário, o segundo na lista, Portugal, comprou à China mercadorias no valor de 7,19 mil milhões de dólares, um aumento de 17,7 por cento. Na direção oposta, as exportações dos países de língua portuguesa para a China caíram 1,4 por cento em 2025, para 137,7 mil milhões de dólares, o valor mais baixo desde 2021, no pico da pandemia de covid-19.

27 Fev 2026

Fotografia | Multas levam deputados a pedir novo regime

O IAM multou algumas pessoas por venderem fotografias de turistas tiradas nas Ruínas de São Paulo, por falta de licença de vendilhão. Alguns deputados criticam a aplicação das multas e pedem um regime mais flexível

 

 

Após o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) ter começado a multar os residentes que prestam serviços de fotografia em locais turísticos, por não estarem registados como vendilhões, os deputados Ella Lei e Chan Lai Kei vieram pedir uma alteração da legislação em vigor.

Segundo o entendimento do IAM, as pessoas que vendem serviços de fotografias em locais turísticos precisam de ter uma licença como vendilhões, que apenas são atribuídas por concursos públicos. O entendimento do IAM tem por base o regime de gestão dos vendilhões, actualizado em 2024.

Todavia, o assunto causou polémica, porque numa altura em que os residentes lidam com dificuldades para aceder a empregos bem remunerados, as iniciativas para procurar fontes alternativas de rendimentos estão a ser punidas com multas que pode variar entre 5 mil e 20 mil patacas.

Um dos críticos da actuação do IAM foi Chan Lai Kei, deputado ligado à comunidade de Fujian. Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado indicou que o regime de gestão dos vendilhões foi aprovado tendo em conta o comércio tradicional de exploração de bancas em espaços públicos, e não outros tipos de trabalho, como a fotografia nas atracções turísticas.

Além disso, a interpretação do regulamento actual é tida para o deputado como um bloqueio ao desenvolvimento da actividade. Em causa, está o facto de as licenças de vendilhões apenas serem atribuídas por concurso público. No entanto, e apesar de multar os fotógrafos, o IAM nunca lançou qualquer tipo de concurso do género, o que impede a atribuição de licenças. O deputado explicou que por este motivo, mesmo que os fotógrafos quisessem obter licenças tal não seria possível.

Chan Lai Kei defendeu assim um sistema mais flexível, mas que se siga as práticas do Interior, em que é necessário possuir uma licença para desempenhar este trabalho.

 

Novas profissões

Por sua vez, ao jornal Ou Mun, a deputada Ella Lei defendeu que as novas profissões não se enquadram nos modelos tradicionais e que o regime de gestão dos vendilhões foi definido a pensar nas profissões tradicionais.

A legisladora ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) defendeu a necessidade de haver uma adaptação às novas profissões que ocupam espaços públicos durante períodos relativamente curtos de tempo, com a criação de licenças.

A deputada deixou assim a esperança que o Governo crie mais sistemas de licenças e vincou que estas novas profissões têm de ser orientadas pelo Executivo.

Ao mesmo tempo, Ella Lei pediu uma maior flexibilidade no tipo de comércio autorizado nas bancas perto das atracções turísticas, para permitir a venda de mais produtos culturais, mas igualmente de outro género, que tornem mais atraente a actividade económica dos espaços.

25 Jan 2026

Exportações | Maior controlo sobre envio de produtos de uso dual para o Japão

A China endureceu ontem os controlos às exportações de produtos de potencial uso militar com destino ao Japão, num novo episódio de tensão diplomática entre os dois países, desencadeado por declarações de responsáveis japoneses sobre Taiwan.

O ministério do Comércio chinês indicou em comunicado que passa a estar proibida a exportação de artigos com potenciais aplicações militares, se destinados a utilizadores finais japoneses do sector militar ou a qualquer uso que possa reforçar a capacidade bélica do Japão.

A medida entrou em vigor no momento da sua publicação e abrange também organizações ou indivíduos de outros países que transfiram ou facilitem a entrega desses bens ao Japão, em violação da legislação chinesa sobre controlo de exportações.

Um porta-voz do ministério justificou a decisão com “declarações erróneas” de responsáveis japoneses sobre Taiwan, nas quais “insinuaram a possibilidade de uma intervenção militar no Estreito”, o que, segundo Pequim, constitui “grave interferência” nos assuntos internos da China e uma violação do princípio de “uma só China”.

Os produtos abrangidos incluem componentes de motores aeroespaciais, grafite e ligas especiais de tungsténio, entre outros materiais que, segundo as autoridades chinesas, podem ter uso tanto civil como militar.

7 Jan 2026

Comércio externo | Lei revista com reforço das resposta a “lutas externas”

A China aprovou no sábado uma revisão da lei de comércio externo, que reforça o quadro jurídico para o desenvolvimento do comércio transfronteiriço e amplia as ferramentas jurídicas de resposta a “lutas externas”

De acordo com a agência estatal Xinhua, o Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN, órgão legislativo) deu ‘luz verde’ à nova versão da norma, que entrará em vigor a 1 de Março de 2026, depois de uma votação realizada este sábado. A lei revista incorpora uma série de reformas, que até agora eram aplicadas por meio de regulamentos ou políticas sectoriais.

Entre estas estão o sistema de listas negativas para o comércio transfronteiriço de serviços, o apoio a novos formatos e modelos de comércio externo, o impulso ao comércio digital e a aceleração da construção de um sistema de comércio “verde”. O texto também estabelece disposições para que o Estado avance no alinhamento com “normas económicas e comerciais internacionais de alto nível” e participe na formulação de regras globais neste domínio, segundo a Xinhua.

Com o objectivo de optimizar o ambiente para o comércio externo, a lei reforça igualmente a protecção dos direitos de propriedade intelectual ligados às actividades comerciais internacionais. Nesse sentido, estipula que o Estado melhorará o nível de conformidade normativa dos operadores de comércio externo e a sua capacidade de gerirem riscos relacionados com a propriedade intelectual.

A norma introduz ainda um sistema de assistência ao ajustamento comercial, orientado para “estabilizar as cadeias industriais e de abastecimento”, um aspecto que ganhou relevância nos últimos anos face às fricções comerciais e tecnológicas com os Estados Unidos e outros parceiros.

Em tempo de tréguas

Um dos pontos destacados da revisão é a ampliação e o aperfeiçoamento do chamado “conjunto de ferramentas legais” para a defesa dos interesses externos da China, num momento marcado pela trégua comercial alcançada com os Estados Unidos e pela persistência de tensões com outros actores, como a União Europeia.

A reforma é aprovada semanas depois de Pequim e Washington terem acordado uma trégua comercial de um ano, que inclui reduções tarifárias e a suspensão temporária de algumas restrições, embora as autoridades chinesas tenham insistido, paralelamente, na necessidade de proteger a segurança económica nacional.

29 Dez 2025

Exportações chinesas para PLP sobem 0,9% até Outubro

As exportações chinesas para os países de língua portuguesa (PLP) subiram 0,9 por cento nos primeiros dez meses de 2025, em comparação com igual período do ano passado, de acordo com dados oficiais divulgados ontem.

De acordo com informação dos Serviços de Alfândega da China, as mercadorias vendidas para os mercados lusófonos até Outubro atingiram 72,6 mil milhões de dólares. Este valor representa um aumento de 0,9 por cento em comparação com o mesmo período de 2024, ano em que as exportações chinesas para os países fixaram um novo recorde: 85,5 mil milhões de dólares.

Os dados compilados e divulgados pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) revelam que Angola foi a principal razão para a subida. As mercadorias chinesas vendidas para Angola atingiram 4,04 mil milhões de dólares até Outubro, um aumento homólogo de mais de metade (51,1 por cento).

Apesar de uma descida homóloga de 2,9 por cento, o Brasil continua a ser o maior comprador no bloco lusófono, tendo comprado à China produtos no valor de 59 mil milhões de dólares. Em segundo na lista – e no sentido contrário – surge Portugal, cujas importações vindas da China aumentaram 14,8 por cento para 5,88 mil milhões de dólares.

Na direcção oposta, as exportações dos PLP para a China caíram 5,9 por cento, para 112,2 mil milhões de dólares nos primeiros dez meses.

De acordo com dados oficiais, este é o valor mais baixo para o período entre Janeiro e Outubro desde 2020, no início da pandemia de covid-19.

A descida deveu-se, sobretudo, ao Brasil – de longe o maior fornecedor lusófono do mercado chinês – cujas vendas caíram 4,7 por cento para 94,9 mil milhões de dólares.

Além disso, também o segundo maior parceiro comercial chinês no bloco lusófono, Angola, viu as exportações caírem 12,8 por cento, para 12,9 mil milhões de dólares.

Rota descendente

As vendas de mercadorias de Portugal para a China diminuíram 7,6 por cento, em comparação com os primeiros dez meses de 2024, para 2,39 mil milhões de dólares. Aliás, seis dos nove países de língua portuguesa diminuíram as exportações para o mercado chinês. As vendas de Moçambique para o mercado chinês desceram 8 por cento, para 1,35 mil milhões de dólares, enquanto as exportações da Guiné Equatorial encolheram 28,5 por cento, para 634,3 milhões de dólares.

As remessas de Cabo Verde diminuíram 37,1 por cento, com o país a vender à China apenas cerca de oito mil dólares em mercadorias entre Janeiro e Outubro. Timor-Leste destacou-se pela positiva, com as exportações para a China a dispararem de apenas 632 mil dólares para 26,8 milhões de dólares no espaço de um ano.

Também as vendas de São Tomé e Príncipe cresceram nove vezes, para 51 mil dólares, enquanto o valor das exportações da Guiné-Bissau passou de zero para oito mil dólares. A China continua a registar um défice comercial com o bloco lusófono, que atingiu 39,6 mil milhões de dólares nos primeiros dez meses de 2025.

Ao todo, as trocas comerciais entre os países de língua portuguesa e a China atingiram 184,8 mil milhões de dólares, menos 3,4 por cento do que no mesmo período do ano passado.

2 Dez 2025

Shein | França suspende temporariamente plataforma

O Governo francês iniciou quarta-feira um processo para suspender temporariamente a Shien no país, até a plataforma chinesa provar que o seu conteúdo está em conformidade com a lei.

“Por instruções do primeiro-ministro, [Sébastien Lecornu] o Governo está a suspender temporariamente a Shein para que a plataforma possa demonstrar às autoridades que todo o seu conteúdo está em conformidade com as leis e regulamentos em vigor”, anunciou, em comunicado, o Ministério da Economia francês.

O Governo comprometeu-se a analisar a situação “no prazo de 48 horas”. A decisão do executivo surge no mesmo dia em que a Shein inaugurou a sua primeira loja física em Paris, num espaço com 1.200 metros quadrados (m2).

Em resposta, a Shein disse que pretende dialogar com as autoridades o mais rapidamente possível. “A segurança dos clientes e a integridade do nosso ‘marketplace’ são as nossas prioridades absolutas”, referiu, em comunicado. A Shein também anunciou quarta-feira a suspensão da venda, em França, de produtos de vendedores externos, após terem sido levantadas preocupações sobre a comercialização de bonecas sexuais com aparência infantil.

Segundo a imprensa francesa, um homem foi detido, perto de Marselha, após receber uma boneca sexual com aparência infantil, comprada na Shein. Na segunda-feira, o Ministério da Economia já tinha garantido que não vai hesitar em proibir as actividades da plataforma em França, caso se prove a ocorrência de actividades ilegais.

O Ministério Publico abriu, no início da semana, um inquérito contra a chinesa Shein por “divulgação de imagens ou representações pornográficas de menores”. Na mesma acusação, a AliExpress é visada pela divulgação de imagens violentas, pornográfica ou degradantes, acessíveis a menores. A chinesa Temu e a americana Wish também estão a ser acusadas.

7 Nov 2025