Pequim 2022 | Lindsey Jacobellis conquista ouro que lhe fugiu há 16 anos Pedro Arede - 11 Fev 2022 Após ter falhado por pouco o título olímpico em Turim 2006, a norte-americana Lindsey Jacobellis conquistou, em Pequim, a medalha de ouro no snowboard cross 16 anos depois. “Se tivesse conquistado o título [em 2006], provavelmente teria deixado de competir”, confessou após a vitória. Dupla alemã Tobias Wendl e Tobias Arlt vencem no luge e sagram-se tricampeões olímpicos. Eslováquia estreia-se nas medalhas com vitória no esqui alpino Com Lusa A norte-americana Lindsey Jacobellis, de 36 anos, sagrou-se campeã olímpica na modalidade de snowboard cross, nos Jogos Olímpicos Pequim 2022, 16 anos depois de uma queda lhe ter “roubado” o lugar mais alto do pódio em Turim. Nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2006, Lindsey Jacobellis, uma das grandes estrelas da modalidade, parecia ter tudo para alcançar o ouro na prova de snowboard cross, que se estreava no programa olímpico. No entanto uma queda no penúltimo salto deixou-a “apenas” com a prata. Na quarta-feira, a pista de Zhangjiakou, na China, foi o palco da consagração da norte-americana, que partilhou o pódio com a francesa Chloe Trespeuch e a canadiana Meryeta O’Dine, medalhas de prata e bronze, respectivamente. Desde a prata em Turim, aos 20 anos, no que era o seu único pódio olímpico até hoje, Lindsey Jacobellis foi somando sucessos, incluindo cinco títulos e 31 vitórias em provas da Taça do Mundo. Na sua quinta participação em Jogos Olímpicos de Inverno, a atleta do Connecticut admitiu, depois do triunfo, que se tivesse conquistado o ouro há 16 anos, muito provavelmente, já não estaria a competir ao mais alto nível. “Se tivesse conquistado o título [em 2006], provavelmente teria deixado de competir. Naquela altura, já não estava a divertir-me, havia muita pressão sobre os meus ombros, para me tornar a ‘menina de ouro’ e para uma jovem atleta é muito difícil lidar com isso”, explicou. Em 2006, tudo foi fácil para Jacobellis, e até duas das principais adversárias deram uma ajuda ao caírem durante a final, quando no penúltimo salto uma espécie de comemoração antecipada a fez perder o equilíbrio, falhar a aterragem e ser ultrapassada pela suíça Tanja Frieden, que se sagrou campeã. Na altura, a norte-americana justificou o gesto como “uma manobra necessária para recuperar o equilíbrio devido ao vento”, mas, mais tarde, acabou por contar outra versão. “Deixei-me levar pelo momento. Nem sequer pensei duas vezes, estava a divertir-me e é isso que o snowboard deve ser. Estava na frente, quis partilhar o meu entusiasmo com o público, fiz asneira, acontece!”, reconheceu. Não há duas sem três Sem dar margem à concorrência ao longos dos anos, os alemães Tobias Wendl e Tobias Arlt conquistaram o tricampeonato Olímpico nas duplas de luge, ao arrecadarem o ouro nos Jogos de Inverno Pequim 2022, na quarta-feira. Isto, depois de a dupla ter vencido em Sochi 2014 e PyeongChang 2018. Toni Eggert e Sascha Benecken, também da Alemanha, ficaram com a prata, ao passo que os austríacos Thomas Steu e Lorenz Koller arrecadaram o bronze. A vitória histórica foi garantida após Wendl e Arlt terem percorrido as duas descidas da estância de gelo de Yanqing com um tempo total de 1min56s554, ou seja, 0s099 à frente de seus compatriotas Eggert e Benecken, quatro vezes campeões mundiais e actuais detentores do título. A conquista é histórica pois é primeira vez que a mesma dupla consegue ganhar consecutivamente por três ocasiões um evento dos Jogos Olímpicos de Inverno. De frisar ainda que Arlt e Wendl, nascidos com duas semanas de diferença entre si, competem juntos desde os 13 anos de idade. “É difícil explicar o que estou a sentir neste momento, é simplesmente incrível. Mal podemos acreditar, é um sonho. Tivemos uma temporada complicada e um início difícil aqui. Neste momento, é inacreditável,” disse Arlt ao Olympic Channel. “Precisamos de alguns dias para nos acalmar e reflectirmos sobre o que conseguimos alcançar”, acrescentou. Wendl e Arlt começaram a confirmar o favoritismo desde o início da prova, terminando a primeira descida com 58s255, que se assumiu como novo recorde da pista em Yanqing. A diferença para os compatriotas Eggert e Benecken foi pequena (58s300), com os austríacos Steu e Koller a ficarem na terceira posição (58s426). No entanto, na segunda e decisiva descida, as posições mantiveram-se inalteradas, consagrando Wendl e Arlt como tricampeões olímpicos. Com um total de cinco medalhas obtidas, três nas duplas do luge e mais duas nas estafetas por equipas, a dupla alemã entra também para a história dos Jogos Olímpicos de Inverno, como aquela que mais ouros conquistou na modalidade. Estreia de ouro A Eslováquia conquistou a sua primeira medalha nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, após Petra Vlhová, de 26 anos, ter vencido a medalha de ouro na modalidade de esqui alpino. Líder do ranking mundial ao longo da temporada, Petra Vlhová começou por executar uma primeira descida abaixo do esperado, mas acabou por não ceder à pressão na segunda tentativa, onde retirou 80 centésimos ao tempo estabelecido inicialmente (52s89). A austríaca Katharina Liensberger assegurou a medalha de prata, e a suíça Wendy Holdener conquistou o bronze. “Dei tudo o que tinha e no final das contas sou campeã Olímpica”, comemorou Vlhová. “É difícil dizer o que significa para mim agora. Sonhei toda a minha vida em ganhar os Jogos Olímpicos”, confessou ao Olympic Channel. Vlhová chegou a Pequim na sua melhor forma, naquela que foi a sua participação Olímpica e após ter alcançado como melhor resultado um quinto lugar em PyeongChang 2018. Nos últimos quatro anos a atleta conquistou quatro títulos nas competições da Taça do Mundo e cinco medalhas em Mundiais. “Nesta temporada conseguiu ser fui muito forte e hoje dei tudo”, acrescentou a campeã. Patinadora russa Valieva testou positivo em Dezembro a substância proibida – ‘media’ A patinadora olímpica russa Kamila Valieva testou positivo para um medicamento cardíaco proibido, antes da chegada aos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, noticiaram vários meios de comunicação russos, segundo a agência Lusa. A confirmar-se, fica em risco a medalha de ouro da equipa russa de patinagem artística que a jovem, de 15 anos, ajudou a conquistar na segunda-feira, na prova de estilo livre de equipas. A substância detectada, segundo a imprensa russa, é um medicamento utilizado para tratar problemas cardíacos que não contribui para melhorar o desempenho desportivo. O teste foi alegadamente realizado em Dezembro. A imprensa acrescentou que, devido ao teste positivo, a organização dos Jogos Olímpicos de Inverno decidiu suspender a cerimónia de entrega das medalhas do torneio de patinagem artística por equipas. À espera de confirmação Enquanto os treinadores e a federação russa recusaram adiantar quaisquer comentários, o Ministério do Desporto russo considerou prematuro denunciar um caso de “doping” antes de uma confirmação oficial. “A posição da Federação Russa é a luta constante e consistente contra qualquer tipo de violação das regras desportivas e da ética olímpica”, afirmou. A lendária treinadora Tatiana Tarasova recusou-se a acreditar que Valieva esteja envolvida num caso de doping: “Não acredito nisso. Não. Não acredito nesta loucura. Não pode ser. Ela é uma jovem (…) fantástica e uma atleta fantástica. Kamila não tomou nada”. Neste momento, a Rússia tem 11 medalhas na tabela geral dos Jogos Olímpicos de Inverno: duas de ouro, três de prata e seis de bronze. Valieva, campeã europeia, fez manchetes em todo o mundo quando realizou na capital chinesa pela primeira vez na história um salto quádruplo. Os atletas russos estão em Pequim a competir como “Comité Olímpico Russo”, depois de o país ter sido banido devido a um enorme esquema de ‘doping’ patrocinado pelo Estado nos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi (Rússia) de 2014. Portugal | José Cabeça estreia-se hoje no esqui de fundo O português José Cabeça entra hoje em competição nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022 nos 15 Km clássicos no esqui de fundo, naquela que é a sua estreia olímpica. Após Vanina Oliveira se ter estreado nos Jogos Olímpicos de Inverno na segunda-feira, com um 43.º lugar no slalom gigante e de não ter terminado a prova de slalom dois dias depois após falhar uma porta, o chefe da missão portuguesa em Pequim disse que a comitiva estava “triste”, mas focada na participação de hoje no esqui. “É um desporto difícil, que tem destas coisas. Quando se erra, já não dá para recuperar nada. Agora, vamos focar-nos no Zé Cabeça”, referiu o chefe de missão, em declarações à agência Lusa. A competição de 15 Km clássicos no esqui de fundo está agendada para as 15h00. Agenda para hoje Biatlo (17h00) – Medalhas Bobsled (a partir das 14h10) Curling (a partir das 09h05) Esqui Alpino (11h00) – Medalhas Esqui Cross-Country (15h00) – Medalhas Hóquei no Gelo (a partir das 12h10) Patinagem de Velocidade (16h00) – Medalhas Patinagem de Velocidade em Pista Curta (a partir das 19h00) – Medalhas Saltos de Esqui (17h45 e 19h00) Skeleton (a partir das 9h30) – Medalhas Snowboard (a partir das 9h30) – Medalhas * O canal em língua portuguesa da TDM transmite diariamente as competições dos Jogos Olímpicos de Inverno, entre as 10h00 e as 13h30. A partir das 14h30 as provas podem ser acompanhadas no canal de Desporto da TDM em língua chinesa
Segurança nacional | LegCo vai receber proposta para legislar artigo 23 Hoje Macau - 10 Fev 2022 O Conselho Legislativo (LegCo) de Hong Kong deverá receber, no final deste ano, a proposta de legislação do artigo 23 da Lei Básica de Hong Kong, relativa às questões de segurança nacional, para deliberação. A informação foi divulgada esta terça-feira pelo secretário para a Segurança de Hong Kong, Chris Tang. Segundo a agência noticiosa Xinhua, o governante disse que “estão a ser feitos esforços para a promulgação a fim de legislar o artigo 23”, sendo que o processo de consulta pública também deverá arrancar “dentro do actual mandato” do Governo liderado por Carrie Lam. Num encontro com deputados do LegCo, Chris Tang referiu também que “ambas as partes procuram cumprir plenamente as suas responsabilidades constitucionais em prol da legislação, o mais cedo possível, da legislação do artigo 23 da Lei Básica de Hong Kong”. A legislação do artigo 23 diz respeito a matérias relacionadas com a segurança do Estado chinês, a implementação de medidas ligadas ao hino e bandeira nacionais e a garantia de não interferência de forças estrangeiras, bem como a proibição de órgãos políticos estrangeiros no território. O secretário para a Segurança da região vizinha reforçou a ideia de que “as dificuldades sentidas com o trabalho legislativo não serão subestimadas, uma vez que as forças estrangeiras procuram enfraquecer a segurança do país e de Hong Kong, bem como manchar o artigo 23 da Lei Básica”.
Covid-19 | Filipinas reabrem as portas a turistas estrangeiros Hoje Macau - 10 Fev 2022 As Filipinas levantaram hoje a proibição de entrada a turistas estrangeiros, imposta há quase dois anos, numa altura em que a mais recente vaga da covid-19, alimentada pela variante Ómicron, está a abrandar. O país do Sudeste Asiático passa a permitir a entrada de visitantes com passaportes de 157 países com acordos de isenção de visto com as Filipinas, lista que inclui Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal e São Tomé e Príncipe. Os turistas terão de estar totalmente vacinados e apresentar à partida um teste negativo à covid-19. As Filipinas revogaram também um sistema de classificação de risco que proibia a entrada de estrangeiros vindos dos países mais atingidos pela pandemia. Termina ainda um período obrigatório de quarentena imposto a todos os passageiros vindos do estrangeiro, que abrangia os cidadãos filipinos. “Começaremos o próximo capítulo a caminho da recuperação”, disse a secretária do Turismo das Filipinas, Berna Romulo-Puyat, acrescentando que a reabertura das fronteiras permitiria recuperar empregos e gerar receitas para as empresas e comunidades ligadas ao turismo. As Filipinas impuseram um dos confinamentos mais longos do mundo e das mais rígidas restrições de quarentena, para conter uma pandemia que causou a pior recessão económica desde os anos de 1940 e levou desemprego e fome a atingir níveis recordes. Mais de um milhão de filipinos perderam o emprego em negócios turísticos apenas no primeiro ano da pandemia, de acordo com estatísticas oficiais. Destinos turísticos, incluindo praias populares e empreendimentos em ilhas tropicais, pareciam cidades-fantasma no auge do confinamento, com uma erupção vulcânica e a ação tufões a exacerbar as perdas. A reabertura estava marcada para 01 de dezembro, mas foi adiada devido à variante Ómicron, considerada altamente contagiosa. O mais recente surto atingiu o pico, com mais de 39 mil infeções em um dia, em meados de janeiro, mas desde então tem diminuído. As autoridades de saúde anunciaram cerca de 3.600 novas infeções na quarta-feira, com 69 mortes e declararam “risco baixo a moderado” em todo o arquipélago, com a exceção de uma região do sul. Mais de 60 milhões dos quase 110 milhões de filipinos foram totalmente vacinados contra o coronavírus e 8,2 milhões receberam já doses de reforço numa campanha afetada pela escassez de vacinas e por receios da população.
Grupo chinês quer levar água a mais de 250 mil habitações em Pemba Hoje Macau - 10 Fev 202210 Fev 2022 Um grupo chinês lançou um projeto para acabar com a escassez de água potável para os mais de 250 mil habitantes de Pemba, capital da província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. O Power Construction Corp (PowerChina) disse que o contrato prevê a construção de três reservatórios, de uma rede de distribuição de quase 185 quilómetros e a reparação de quatro reservatórios, de acordo com um comunicado divulgado na quarta-feira. O grupo estatal chinês garantiu que, depois da conclusão das obras, prevista para junho de 2023, o projeto irá reforçar o fornecimento e aumentar a pressão da água, melhorando a qualidade de vida da população de Pemba. O contrato, assinado com o Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG) de Moçambique, vai estar a cargo de uma subsidiária do PowerChina, a Sinohydro Bureau 11 Co Ltd. Em outubro, a Sinohydro disse que o projeto ia incluir uma torre de água com uma capacidade com 250 metros cúbicos e três reservatórios com uma capacidade de dois mil metros cúbicos cada. O Governo moçambicano tinha já indicado que o FIPAG estava a investir 40 milhões de dólares no reforço do abastecimento de água a Pemba, além do aumento da capacidade de tratamento de 15 para 35 mil metros cúbicos de água, permitindo o alargamento do abastecimento a Pemba de seis para 16 horas por dia. Em 2019, o conglomerado chinês China Energy Engineering Corporation anunciou a construção de uma barragem hidroelétrica no rio Megaruma para reforçar o abastecimento de água a Pemba. Na terça-feira, o PowerChina anunciou a assinatura de um contrato para a melhoria da distribuição de eletricidade na capital da Guiné-Bissau, incluindo a instalação de 2.100 postes de iluminação da via pública. No dia anterior, o grupo tinha avançado que vai construir, em Barueri, no estado brasileiro de São Paulo, do primeiro projeto de geração de energia a partir de resíduos sólidos da América do Sul.
Aeroporto | Obras do lado sul do terminal concluídas este ano Andreia Sofia Silva - 10 Fev 2022 Simon Chan Weng Hong, presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM), confirmou, em resposta a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei, que as obras de expansão do terminal de passageiros do Aeroporto Internacional de Macau (AIM), do lado sul, estarão concluídas ainda no primeiro semestre deste ano. “Relativamente à remodelação da parte das instalações do terminal marítimo de passageiros da Taipa, que funcionará como segundo terminal do aeroporto, prevê-se que a capacidade de processamento possa aumentar 1,5 a 2 milhões de passageiros por ano, estando as obras previstas para este ano”, adiantou o responsável. O lado norte do terminal de passageiros encontra-se em funcionamento desde 2018. O presidente da AACM falou também do novo regime jurídico do sector da aviação, cuja proposta de lei deverá ficar concluída no primeiro semestre deste ano. Recorde-se que um dos objectivos deste diploma é definir o novo estatuto da Air Macau, que continua a operar em regime de monopólio. Simon Chan Weng Hong declarou que o Aeroporto será “um dos cinco principais” infra-estruturas aéreas da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. O plano é desenvolver o AIM “por fases, de modo a satisfazer o volume anual de passageiros de 15 milhões, aperfeiçoando as infra-estruturas de aviação externa de Macau”.
Covid-19 | Chinesa Zerun obtém novo financiamento para desenvolver vacina contra todas as variantes Hoje Macau - 10 Fev 202210 Fev 2022 Uma farmacêutica chinesa vai receber 7,4 milhões de euros adicionais da Coligação para a Inovação na Preparação para Epidemias (CEPI), visando avançar nos ensaios clínicos de uma vacina contra todas as variantes da covid-19. A CEPI, fundação global que financia o desenvolvimento de vacinas, indicou que vai apoiar os testes de fase um e dois, a decorrer no Mali. Este financiamento adicional elevará o total fornecido pela CEPI à Shanghai Zerun Biotechnology para 22 milhões de euros. Em julho passado, a fundação, sediada em Oslo, disse que ia trabalhar com a empresa chinesa, como parte do programa para desenvolver vacinas de próxima geração que protejam contra novas variantes da covid-19. O CEPI também está a apoiar uma vacina intranasal contra o novo coronavírus, desenvolvida pela Universidade de Hong Kong. Todas as vacinas que estão ser utilizadas são baseadas na cepa original do SARS-CoV-2, identificada no estágio inicial da pandemia. Estas vacinas também exigem doses de reforço, à medida que a imunidade diminui com o tempo. Apesar de continuarem a oferecer proteção, as variantes Delta e Ómicron reduziram a eficácia das vacinas. Para a candidata a vacina, a Zerun Bio fez alterações estruturais na proteína ‘spike’ do vírus, com um papel fundamental na infeção de células, para melhorar a capacidade de desencadear uma resposta imune contra novas variantes do coronavírus. Os primeiros resultados do estudo contra o vírus original mostraram que a vacina experimental tem um bom perfil de segurança e induziu um alto nível de resposta imune em adultos, de acordo com um comunicado do CEPI. “O soro clínico demonstrou um bom efeito de neutralização cruzada nas cepas Beta e Delta”, apontou a fundação, em comunicado. Em estudos pré-clínicos, a vacina da Zerun Bio também “demonstrou um amplo espetro de resultados de neutralização cruzada” para as variantes Alpha, Beta, Gamma, Delta e Ómicron. “A covid-19 continua a evoluir e não podemos prever qual o será o próximo desenvolvimento, por isso é vital que continuemos a investir em vacinas globalmente acessíveis e eficazes contra uma ampla gama de variantes possíveis”, apontou o diretor executivo da CEPI, Richard Hatchett. “Essas vacinas podem colocar-nos um passo à frente do vírus, por isso são fundamentais para o controlo de longo prazo da covid-19 e vitais para a segurança global da saúde”, acrescentou. A fundação disse que as vacinas experimentais que está a financiar, se bem sucedidas, seriam compradas e distribuídas pela Covax, iniciativa global para promover o acesso equitativo a vacinas contra a covid-19 que a CEPI lidera em parceria com a Organização Mundial da Saúde.
IC estuda dois programas de apoio para Fundo de Desenvolvimento da Cultura Hoje Macau - 10 Fev 2022 O Governo encontra-se a estudar a possibilidade de criar dois programas de apoio financeiro no âmbito do Fundo de Desenvolvimento da Cultura, lançado dia 1 de Janeiro deste ano. A medida foi discutida na última reunião do Conselho do Património Cultural, que decorreu na terça-feira. Segundo um comunicado, estes dois programas de apoio visam “a manutenção e revitalização de edifícios históricos”, além de apoiar “os proprietários de edifícios patrimoniais privados a realizarem o restauro e a manutenção regular de forma independente”. Os membros do Conselho defenderam que “os programas podem promover a participação social na utilização e protecção dos edifícios históricos”, bem como “a necessidade de prestar atenção à aplicação de licenças e autorização para que as empresas realizem projectos de revitalização no futuro”. Foi também sugerido que estes programas de apoio possam vir a ser estendidos, “na próxima etapa”, a edifícios históricos de propriedade privada. Para este ano O encontro do Conselho serviu ainda para os representantes do IC apresentarem os projectos de revitalização em matéria de património que deverão estar concluídos este ano, nomeadamente a revitalização parcial da Fábrica de Panchões Iec Long e da zona dos Estaleiros de Lai Chi Vun, entre outros. Sobre este último projecto, na histórica vila piscatória de Coloane, os membros do Conselho consideram que “se deve ter plenamente em conta a capacidade da antiga zona urbana de Coloane no fluxo de pessoas e trânsito”. Além disso, estes apontam para a importância de fazer um planeamento antecipado, com uma abertura gradual do espaço a fim de “aumentar a flexibilidade da gestão”. Sobre o projecto da antiga Fábrica de Panchões, o Conselho pediu o reforço da promoção destes trabalhos de renovação, além de pedirem a adição de “mais elementos culturais locais à exposição para promover a singularidade da cultura de Macau”. A reunião de terça-feira serviu também para discutir o projecto da renovação da Mansão Chio, antiga residência da família Chio, tendo em conta que o Governo adquiriu o direito de propriedade do edifício, situado na Travessa da Porta. “Os trabalhos de inspecção de estrutura, mapeamento, estudo, planeamento e estabelecimento do plano de restauro da Mansão serão iniciados posteriormente”, lê-se ainda no comunicado.
Tsunamis, Meteotsunamis e outros fenómenos similares Olavo Rasquinho - 10 Fev 2022 Recentemente o público mais atento foi surpreendido pela notícia sobre a ocorrência de um fenómeno pouco vulgar, que consistiu numa perturbação da superfície do oceano Pacífico e que se estendeu pelo Atlântico. Os marégrafos, instalados nas regiões costeiras mais longínquas do local onde foi originado o fenómeno, registaram alterações do nível do mar fora do normal. Os técnicos que procedem à monitorização deste tipo de fenómenos mostraram-se inicialmente surpreendidos, na medida em que não foi registado nenhum sismo que pudesse justificar este tipo de ondas. A surpresa desvaneceu-se quando se tomou conhecimento da ocorrência de uma forte erupção explosiva de um vulcão na região das ilhas Tonga. O Reino de Tonga é um país constituído por 169 ilhas, onde cerca de um quarto são inabitadas. O arquipélago tem uma área de aproximadamente 700 km2 que se estende por uma vasta região de cerca de 700.000 km2, no Pacífico Sul, a sueste das ilhas Fiji, a uma distância aproximada de 3.300 quilómetros a leste da Austrália. As ondas no arquipélago chegaram a atingir cerca de 15 metros, propagando-se, à medida que diminuíam de amplitude, pelo Pacífico, até atingirem regiões tão distantes como o litoral do Japão, Austrália, Nova Zelândia e a costa oeste do continente americano. Propagaram-se também pelo Atlântico, onde, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), atingiram Portugal, tendo sido o sinal registado de maior amplitude de cerca de 40 cm em Ponta Delgada e Peniche. O vulcão parcialmente submerso Hunga Tonga-Hunga Haʻapai estava latente, entre as pequenas ilhas Hunga Tonga e Hunga Haʻapai, daí a ser designado pela junção dos dois nomes. A erupção ocorreu em 14 de janeiro de 2022, atingindo o seu máximo no dia seguinte, a cerca de 65 km a norte da ilha Tongatapu, onde se encontra a capital Nukuʻalofa, dando origem à formação de uma enorme nuvem de fumo e cinzas, em forma de cogumelo, com o diâmetro de cerca de 260 km. Grande quantidade de cinzas vulcânicas cobriu parte das ilhas, prejudicando culturas e cobrindo a pista de aterragem do aeroporto internacional, o que impediu durante alguns dias a aterragem de aviões com meios de assistência à população. As cinzas vulcânicas prejudicaram também a navegação aérea no espaço aéreo de algumas ilhas do Pacífico Sul. O cabo submarino que liga o Reino do Tonga ao mundo exterior foi também danificado, tendo impedido as comunicações durante alguns dias. Foram registados estragos nas zonas costeiras das ilhas do arquipélago e de algumas regiões bastante longe da zona de geração. No Peru ocorreu um derrame de petróleo correspondente a cerca de 12.000 barris, durante a descarga de um petroleiro, do qual causou grave desastre ecológico a 30 km a norte de Lima, vitimando inúmeros peixes e aves. O número de vítimas mortais foi relativamente baixo, contando-se três no arquipélago de Tonga e duas no litoral do Peru. A explosão, que projetou material vulcânico a mais de 20 km de altitude, gerou uma onda de choque atmosférica que se propagou com velocidade supersónica, dando várias vezes a volta ao globo, potenciando perturbações na superfície dos oceanos que o IPMA classificou como um meteotsunami. No entanto tal designação é discutível. A queda sobre a superfície do oceano de material vulcânico que havia sido projetado poderá também ter contribuído para a geração dessas perturbações, contribuindo assim para reforçar a ondulação causada pela onda de choque. Os meteotsunamis não devem ser confundidos com os tsunamis. Os primeiros são em geral menos intensos e consistem em ondulação de grande comprimento de onda associada a fenómenos atmosféricos caracterizados por variações bruscas da pressão, podendo ocorrer, por exemplo, durante a passagem de formações de cumulonimbus (linhas de borrasca) e frentes frias muito ativas. No que se refere ao fenómeno tradicionalmente designado por tsunami, a sua geração nada tem a ver com fenómenos meteorológicos, mas com a ocorrência de eventos geofísicos abruptos, como sismos submarinos, erupções vulcânicas e deslizamento costeiro ou submarino de terras. A queda de meteoritos no mar pode também provocar tsunamis. (Consta que o desaparecimento dos dinossauros foi consequência da queda de um asteroide que provocou um enorme tsunami há cerca de 65 milhões de anos). Outro fenómeno que poderá ser confundido com tsunami é designado por “storm surge” (traduzido frequentemente para português, embora indevidamente, como “maré de tempestade”). A sua ocorrência resulta do arrastamento das ondas pelo vento contra a costa e a consequente inundação de zonas baixas, quando o mar que se encontra sobre-elevado devido a pressão atmosférica muito baixa (quando a pressão diminui 1 hPa, o nível do mar sobe cerca de 1 cm). Ocorreu um fenómeno deste tipo em Macau, em agosto de 2017, aquando da passagem do tufão Hato. Em novembro de 2013, nas Filipinas, a “storm surge” associada ao tufão Haiyan (chamado Supertufão Yolanda nas Filipinas), foi a causa de muitas das cerca de 6.000 vítimas mortais. As consequências de tsunamis e de “storm surges” são muito semelhantes, embora as características das ondas sejam diferentes. Nas “storm surges” as ondas são sempre causadas pelo vento, têm maior frequência e propagam-se com menor velocidade, enquanto que as geradas pelos tsunamis são em geral consequência de sismos submarinos e são caracterizadas por maior comprimento de onda, menor frequência e muito maior velocidade. As ondas de um tsunami propagam-se em águas profundas com velocidade próxima da velocidade de cruzeiro de aviões comerciais, ou seja, cerca de 900 km/h. À medida que entram em águas menos profundas, a velocidade das ondas diminui e a amplitude aumenta. Ambos os fenómenos geram ondas que, invadindo as zonas baixas do litoral, podem provocar estragos consideráveis e elevado número de vítimas. A semelhança das consequências de tsunamis e de “storm suges” é tão grande que, conforme noticiado na imprensa filipina, o Mayor de Guiuan, a primeira cidade a ser atingida pelo tufão Haiyan, perante a passividade da população relativamente a um aviso de “storm surge”, enviou mensageiros em motociclos para alertar as comunidades costeiras da iminente chegada de um tsunami de grandes proporções. O termo “tsunami” sobressaltou a população que, seguindo instruções, se concentrou em locais de onde pôde ser evacuada. A expressão “storm surge”, difundida em inglês e traduzida para a língua local, foi considerada muito técnica e pouco compreensível por uma população não muito instruída. (Curiosamente, Guiuan teve um papel importante na história das Filipinas. Reza a história que, no século XVI, foi na ilha Homonhon, pertencente àquela municipalidade, que Fernão de Magalhães desembarcou pela primeira vez naquele arquipélago. Talvez por esta razão a população da cidade é maioritariamente católica). Outro fenómeno que poderá ser confundido com tsunamis são as “Seiches” (termo do francês falado na Suíça que significa abanar periodicamente). Trata-se, no entanto, de ondas estacionárias que ocorrem geralmente, em determinadas condições, em bacias parcial ou totalmente fechadas, como por exemplo, o lago Erie, um dos cinco lagos na fronteira entre os EUA e o Canadá, ou no lago Lémand, entre a Suíça e a França. Ocorrem normalmente quando ventos fortes associados a alterações bruscas da pressão atmosférica empurram a massa de água contra um dos limites da bacia. Quando o vento cessa, a massa de água inverte o sentido do deslocamento, oscilando durante horas ou mesmo dias. Tratando-se este texto de um artigo de opinião, permito-me discordar do IPMA no que se refere a ter classificado como um meteotsunami a perturbação dos oceanos Pacífico e Atlântico provocada pela explosão vulcânica do Tonga. Um meteotsunami é um tsunami cujas causas estão relacionadas com fenómenos meteorológicos. Não sendo fenómenos deste tipo a erupção vulcânica nem a onda de choque por ela provocada, não se trata, portanto, de um meteotsunami, mas simplesmente de um tsunami. *Meteorologista
Portugal-China | 43 anos de relações diplomáticas Hoje Macau - 10 Fev 2022 Por Rui Lourido* Portugal e a China perfizeram 43 anos de relações diplomáticas, com o seu estabelecimento a 8 de Fevereiro de 1979. Só com o derrube do fascismo, e a implantação da democracia em Portugal, foi possível o reconhecimento do governo da República Popular da China, que ocorreu a 6 de Janeiro de 1975. Portugal orgulha-se de ser a nação europeia que mantém as relações de amizade mais longas (desde o século XVI) com a China, bem como de ter sido pioneira na difusão da sofisticada e avançada civilização chinesa às restantes nações ocidentais, o que viria a influenciar a moda europeia, com um gosto à chinesa – a chinoiserie. Os sucessos civilizacionais da democracia socialista chinesa, ao ter o povo no centro da acção política do governo da China, permitiram o feito histórico de retirar 850 milhões de habitantes da pobreza (com o acesso universal ao trabalho, saúde, habitação e educação). Com o desenvolvimento económico, os chineses ampliaram a sua abertura ao mundo (aceitando mais responsabilidades no apoio às agências das Nações Unidas) e foram exemplares no combate à pandemia da COVID-19 (com um número incrivelmente baixo de mortes e mesmo de infectados). As relações entre os dois países têm beneficiado da abertura da China e são baseadas no interesse comum e descritas pelos respectivos governos como exemplares. As autoridades portuguesas têm-se empenhado em aprofundar as suas relações com a China, nomeadamente, com visitas, ao mais alto nível, dos Presidentes da República e de membros do Governo de Portugal – de Ramalho Eanes a Mário Soares, de Jorge Sampaio a Cavaco Silva (visita que acompanhei na qualidade de historiador), e do actual Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Portugal recebeu a visita de estado do Presidente da China, Xi Jinping, em Dezembro de 2018. Durante a visita foram assinados, pelos dois países, 17 acordos de cooperação (incluindo 10 memorandos de entendimento), abrangendo múltiplas áreas. Da cultura às áreas financeira e empresarial (energia, comércio e serviços, transportes, novas tecnologias com o 5G e o STARLAB – laboratório nos domínios do mar e do espaço). Destacamos o acordo de participação na “Nova Rota da Seda”, que potenciará a cooperação bilateral em mercados terceiros, e valorizará o Porto de Sines e a sua ligação à rede ferroviária transeuropeia e euro-asiática, essenciais para Portugal ganhar a uma nova centralidade na economia europeia. Pensamos que é do interesse geoestratégico de Portugal implementar o mais rápido possível estes acordos com a China (sem hostilizar os nossos aliados tradicionais), a fim de potenciar a favor de Portugal a sua integração neste mundo global, nomeadamente nas redes de novas tecnologias de Inteligência Artificial. Por outro lado, ao diversificar a origem das suas fontes de rendimento, Portugal cria condições para melhor resistir à próxima crise económica ocidental. Neste âmbito, em 2021, realizou-se uma conversa telefónica entre o Presidente da República Chinesa, Xi Jinping, e o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, na qual foi reafirmada a importância da Parceria Estratégica Portugal-China, assinada em 2005. Foi ainda reconhecido o apoio inestimável da China no combate ao COVID-19, quer na divulgação internacional da descodificação do genoma do SARSCOV2, quer no rápido envio de materiais de protecção à saúde. Esta parceria permitiu, apesar da pandemia, que as trocas comerciais entre a China e Portugal, de Janeiro a Novembro de 2021, aumentassem cerca de 27% face ao ano anterior, atingindo 805,093 mil milhões de USD, sendo que as exportações da China foram de 481,581mil milhões de USD e as importações da China de 323,512mil milhões de USD. Os acordos nas áreas da ciência e do ensino superior foram reforçados, a 10 de Dezembro de 2021, pelos ministros da ciência de ambos os países. Entretanto, já tinham sido criados cinco institutos Confúcio em Portugal (Lisboa, Porto, Braga, Aveiro e Coimbra, com o apoio das respectivas universidades públicas), com cerca de 30 professores chineses (suportados pelo governo chinês) que dão aulas de chinês, simultaneamente, nas universidades e em 30 escolas secundárias públicas. A sociedade civil tem também uma atividade muito diversificada, designadamente na cultura e na investigação. Devido ao serviço público que presta a nível internacional destaco, a Biblioteca Digital Macau-China “Descrições de Macau-China dos Séculos XVI ao XIX”, iniciativa do Observatório da China, em parceria com a Biblioteca Nacional de Portugal, com o apoio da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa e o patrocínio da Fundação Macau. Este novo sítio da web disponibiliza mais de 200 mil páginas com as descrições e a cartografia portuguesas, dos séculos XVI ao XIX, relativas a Macau e à China, essenciais para a compreensão do relacionamento entre o Ocidente e a China, e de apoio a estudantes, investigadores e a leitores de todo o mundo. As televisões públicas da China (CCTV) e de Portugal (RTP) tem vindo a reforçar as relações com a retransmissão de programas de divulgação de ambos os países, em especial das respetivas tradições e culturas, com destaque para a transmissão em directo das cerimónias de abertura e de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno em Beijing 2022. A nível cultural, o Ano Novo Chinês tem sido comemorado, desde 2014, em várias cidades portuguesas, em especial nas ruas de Lisboa, com um desfile de grupos etnográficos, com música e dança da China e de Portugal. O novo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Carlos Moedas, participou no evento digital de comemoração do Ano Novo Chinês, organizado pela Embaixada da China em 2022 (a convite do embaixador Zhao Bentang), comprometendo-se a dar continuidade e a apoiar o aprofundamento das relações com a China. Em 2019, realizou-se um grande festival da cultura portuguesa na China e da cultura chinesa em Portugal, incluindo música, dança, artes plásticas, projetos de arquivos e bibliotecas, contando com o empenho do embaixador de Portugal na China, José Augusto Duarte. A Comunidade portuguesa na China e a Chinesa em Portugal têm crescido desde a criação da Região Administrativa Especial de Macau. De tal forma que para além da Embaixada em Pequim (Beijing) e do Consulado em Macau, Portugal abriu um novo consulado em Cantão (Guangzhou). Por outro lado, a Comunidade Chinesa em Portugal tem vindo a crescer moderadamente, sendo em 2021 de 27.430 chineses. As relações entre Portugal e a China devem (como sempre aconteceu) continuar a aprofundar-se com benefício e respeito mútuos! *Historiador, Presidente do Observatório da China
Comboios astrologicamente vigiados António Cabrita - 10 Fev 2022 Nada me preparara para o sonho que me enovoou, entre Coimbra e Aveiro: «Duas mulheres belas, altas, desengonçadas, ainda na leveza dos vinte, mas com a airosa gravidade dos trinta a poisar-lhes suavemente no semblante, uma loura e outra ruiva, conversam no banco ao meu lado. Num à-vontade que se exala ao arrepio da máscara. São manequins e adoram o que fazem, embora a covid lhes esteja a ratar os planos: – Oh pá, é mesmo azar, tinha três desfiles de grande expressão nos próximos meses, um em Santander, outro em Paris e o último em Roma… – Não digas nada, amiga, eu estava combinada para Barcelona e Biarritz no próximo mês. Tenho marcada uma sessão para a Vogue que, talvez, se realize, o resto é uma banhada… – E o teu agente? – Que tem? – Ainda te responde? O meu anda aos soluços… – Felizmente, mas tenho amigas que se sentem abandonadas. – Shit para este tempo que nos coube. Resolvo interrompê-las: – Desculpem meter-me na conversa… mas estes tempos só exigem novos palcos, está tudo por reinventar… – Desculpe, como assim? – pergunta a loira. – Pensem no efeito de usar-se o comboio como passarela, em sessões contínuas, da carruagem 2 à 23… – Seria o caos…- reage a ruiva. – Não vejo porquê? – insisti – seria uma mera questão de disciplina e de horários. O vosso público mais aficionado, pelo inédito da iniciativa, tomaria o comboio por curiosidade, e teriam além disso um público novo, o dos viajantes normais… – Já viu a confusão, com as entradas e saídas de pessoas? – voltou a loura a objectar. – O Alfa Pendular só pára três vezes, os intervalos entre as estações seriam o período ideal. E admitamos que se faria à noite a passagem de modelos… Vocês representam a beleza, o glamour… Já viram o vislumbre, quantos milhares de pessoas viriam às janelas de sua casa a essa hora para vos ver passar? Na beleza fosfórica que seria a vossa, à passagem veloz do comboio? – Como cometas…- admitiu a ruiva. – Sim, cometas concretos, com nome, rosto, e uma beleza intangível… A junção improvável que alimenta o sucesso. – Gostei… – ponderou a loura – O que faz o senhor. – Sou poeta, mas isso não importa agora… Sabe que nome daria a esses desfiles? – Não… – mostrando-se ansiosas. – Comboios astrologicamente vigiados. – Não sei se entendo. – atreveu-se a ruiva – Porquê vigiados? – Vigiados pelo bom-gosto, no sentido de estarem superiormente devotados à elevação do olhar pela beleza. O que é comum é a cultura de massas nivelar por baixo a educação estética, vocês, como anjos, irradiariam a excelência que nos pode salvar… Cromaticamente, pelo relâmpago dos figurinos e a elegância que os estilistas emprestam aos modelos, e depois pelo vosso natural… Astrologicamente, porque vocês são estrelas de bons augúrios… – A ideia é muito boa… – concedeu a loura, entusiasmada – poderíamos falar com alguns estilistas de renome… – Eu sou amiga pessoal da Victoria Beckhman. Vou telefonar-lhe, tenho a certeza de que vai entusiasmar-se…- reforçou a ruiva. – Isso, eu falo com a Anabela Baldaque e a Fátima Lopes… – prometeu a outra. – Tenho a certeza de que com alguns nomes sonantes a CP aderia ao projecto, … Mesmo em época de vírus, algo precisa de salvar a soturnidade em que estas viagens se tornaram… Se quiserem escrevo-vos o projecto e vocês apresentam… – E como poderíamos agradecer-lhe? – perguntou a ruiva, de olhos brilhantes. – Isso é simples… – brinquei – se “tatuassem” uns versos meus, no colo, num braço, na perna, no ventre… plantados nalgum lugar visível do vosso corpo, já me sentiria bastante recompensado… Já deram conta da variedade de formatos nos média em que vocês aparecem, que melhor montra para a poesia? – Outra boa ideia…- espantou-se a loura. – Sim, cada modelo adoptaria um poeta. Sabem, pode ser essa a salvação da poesia… Vocês gostam de poesia?» Acordaram-me nesse instante, as duas majestosas mulheres. O meu caderno caíra no chão e uma delas devolvia-mo. Agradeci-lhes. Iam sair em Aveiro e o comboio entrava na gare. – Desculpe acordá-lo… – disse a loura. Mas agora vai entrar muita gente e temi que o seu caderno fosse pisado… – Obrigado… – balbuciei, num sorriso tímido. Teria ressonado? Preocupou-me a imagem com que teriam ficado de mim. Nada me preparou para esse sonho porque há três meses que essa campanha abrilhanta as viagens nocturnas na CP. A operação revelou-se um sucesso internacional, sendo repetida nos países do núcleo duro da moda internacional. E também a minha ideia de cada modelo adoptar um poeta foi seguida como lei. Com um sucesso de arromba. Cada poeta escolhido passou a vender milhares de livros por edição, num rompante. Em Portugal foram oito os poetas escolhidos. E nenhum verso meu aflora a clavícula de qualquer modelo, orvalha um decote, ou torneia a barriga de alguma perna. Até o nome copiaram – e o copyright internacional do projecto pertence às duas modelos portuguesas, mais à Victoria Backhmam a quem com certeza elas ludibriaram dando por sua a ideia. Há três meses que assisto atarantado ao êxito retumbante, por toda a Europa, da campanha dos Comboios Astrologicamente Vigiados. Tentei chegar a acordo com elas, mas riram-se na minha cara quando lhes assegurei que fora eu quem tivera a ideia e lhes transmitira num sonho. Processá-las num sonho e receber a indeminização na vida real será igualmente possível? Já dois ou três jornais zombaram da minha história, como ridícula. Há três meses que sempre que ouço, a meio da minha insónia, alguém meter uma chave na ranhura da porta, para me vir assaltar, grito, possesso: – Entre Irene, a casa é sua!
Covid-19 | Governo Central pede para HK manter tolerância zero Hoje Macau - 10 Fev 2022 Numa altura em que a região vizinha registou, pela primeira vez, a ocorrência de mais de mil casos diários de covid-19, Pequim defende que as autoridades de Hong Kong não devem alterar a sua política de “tolerância zero” face à pandemia As autoridades chinesas instaram ontem Hong Kong a manter a política de tolerância zero com a covid-19, alertando que qualquer alteração para uma política de coexistência com o vírus resultaria num desastre para a região. A advertência foi feita por um alto funcionário da Comissão de Saúde da China e pelo Diário do Povo, o jornal oficial do Partido Comunista Chinês, após Hong Kong ter diagnosticado, pela primeira vez, mais de mil casos diários. “A chamada estratégia de ‘coexistir com o vírus’ não está comprovada cientificamente. Implementá-la traria uma enorme pressão sobre o sistema sanitário, já para não mencionar que atrasaria a retoma das viagens sem quarentena com o continente”, apontou o Diário do Povo, num comentário sobre a situação epidémica na cidade. A China mantém uma política de tolerância zero com a doença, agora designada, oficialmente, como “dinâmica zero casos”, e que envolve testes em massa e medidas de confinamento quando um surto é detectado. O Diário do Povo clarificou que esta estratégia não almeja “zero infecções”, mas é antes uma estratégia geral, voltada para a “descoberta precoce e acção rápida”, visando “interromper a transmissão comunitária contínua”. A estratégia “incorpora um conceito antiepidémico que prioriza pessoas e vidas e que também provou alcançar resultados máximos com custo mínimo”, referiu o jornal. Cidade com “maior risco” O especialista em controlo de doenças da Comissão de Saúde da China, Liang Wannian, disse que a estratégia ainda é aplicável a Hong Kong, apontando a cidade como sendo de “maior risco”, devido à alta densidade populacional e frequentes intercâmbios internacionais. Em entrevista a um canal chinês, Liang sugeriu que as autoridades de Hong Kong devem rastrear os contactos próximos através da análise de dados móveis e expandir o alcance dos testes em massa. “Só podemos viver com o vírus quando houver medicamentos mais eficazes (…) É ainda muito cedo para desistir”, disse. Segundo a agência Xinhua, esta terça-feira a Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, referiu que a política de zero casos é a melhor estratégia a adoptar pelas autoridades nesta fase. A governante disse que a “dinâmica zero casos” é a melhor aproximação “aos interesses da sociedade e à protecção da saúde pública e segurança”. Carrie Lam disse também que Hong Kong tem de aderir a esta política de zero casos a fim de ganhar tempo para aumentar a taxa de vacinação no território e assegurar que os hospitais não entram em colapso com casos de covid-19. Uma pesquisa realizada, no mês passado, pelo Partido Democrata de Hong Kong, mostrou que 65 por cento dos entrevistados consideraram que a cidade deve preparar-se para viver com o vírus. Outro inquérito realizado na mesma altura, pelo Instituto Bauhinia, pró-Pequim, constatou que 68 por cento concordava que a adopção da estratégia de zero casos está de acordo com os interesses da sociedade. Desde o início da pandemia, Hong Kong registou 15.176 casos de covid-19 e 213 mortes, de acordo com as autoridades do território.
Óscares | “O Poder do Cão”, de Jane Campion, lidera nomeações Hoje Macau - 10 Fev 2022 As nomeações para a edição deste ano dos Óscares foram tornadas públicas esta terça-feira. O filme de Jane Campion, “O Poder do Cão”, é o grande líder, com nomeações para 12 categorias. Destaque também para a nomeação do luso-canadiano Luís Sequeira pelo seu trabalho no filme “Nightmare Alley” O filme “O Poder do Cão”, da realizadora neozelandesa Jane Campion, lidera as nomeações dos Óscares, em 12 categorias, anunciou esta terça-feira a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. Jane Campion volta a estar nomeada para melhor realização, depois de em 1994 ter sido indicada com o filme “O piano”, que lhe valeu o Óscar de melhor argumento original. De acordo com a lista de nomeados da 94.ª edição dos Óscares, “O Poder do Cão”, uma produção estreada na plataforma Netflix, soma 12 nomeações, incluindo Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Fotografia e três indicações na representação para Benedict Cumberbatch, Jesse Plemons e Kirsten Dunst. Com dez nomeações surge “Duna”, a adaptação do clássico de ficção científica de Frank Herbert por Denis Villeneuve. O filme reúne nomeações em categorias técnicas de som e imagem, além de estar nomeado para Melhor Filme, mas Villeneuve falha uma nomeação na realização. Com sete nomeações cada, estão “Belfast”, de Kenneth Branagh, e “West Side Story”, a visão de Steven Spielberg de um musical da Broadway. Na contagem geral de candidatos aos Óscares, destaque ainda para a presença de dois filmes não ingleses: A produção japonesa “Conduz o meu carro” e a dinamarquesa “Flee – Em Fuga”. “Conduz o meu carro”, de Ryusuke Hamaguchi, está nomeado para quatro Óscares, nomeadamente Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Filme Internacional e Melhor Argumento Adaptado, enquanto “Flee – Em Fuga”, de Jonas Poher Rasmussen, é candidato nas categorias de Melhor Filme Internacional, Melhor Documentário e Melhor Filme de Animação. Para o Óscar de Melhor Realização estão indicados Jane Campion, Kenneth Branagh, Paul Thomas Anderson, Ryusuke Hamaguchi e Steven Spielberg. Português nomeado O ‘designer’ luso-canadiano Luís Sequeira está nomeado para a 94.ª edição dos Óscares pelo filme “Nightmare Alley – Beco das Almas Perdidas”, do mexicano Guillermo del Toro. Luís Sequeira está nomeado para o Óscar de Melhor Guarda-Roupa, categoria na qual esteve indicado em 2018, com o filme “A Forma da Água”, do mesmo realizador, embora não tenha conseguido o galardão. Nesta edição dos Óscares, o ‘designer’ luso-canadiano competirá numa categoria onde estão ainda os filmes “Cruella”, “Cyrano”, “Duna” e “West Side Story”. Por conta de “Nightmare Alley – Beco das Almas Perdidas”, Luís Sequeira também está nomeado para os BAFTA, do Reino Unido, e para os prémios da Associação de Figurinistas dos Estados Unidos. Luís Sequeira nasceu no Canadá, é filho de portugueses, tem dupla nacionalidade e soma mais de trinta anos de carreira entre a moda e o cinema. A cerimónia de anúncio dos vencedores está marcada para 27 de março em Los Angeles, Califórnia.
Pandemia | Preocupação com saúde mental dos trabalhadores Pedro Arede e Nunu Wu - 10 Fev 2022 O Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais, Sheng Kung Hui, diz que os pedidos de apoio psicológico relacionados com questões financeiras aumentaram 10 por cento em relação ao período antes da pandemia. Insónias, ansiedade e depressão são os principais sintomas apontados. FSS diz que entre Janeiro e Outubro do ano passado, 22 desempregados receberam subsídios para obter formação profissional O Chefe do Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui de Macau, Ip Kam Po, está preocupado com os efeitos que a pandemia está a ter nos trabalhadores das empresas locais, sugerindo que as entidades patronais prestem mais atenção à saúde mental e física dos colaboradores. Além disso, o responsável pela associação ligada à igreja anglicana, espera que as empresas do território se mostrem mais disponíveis para cooperar com os serviços sociais locais, com o objectivo de “organizar actividades que apoiem de forma relevante os funcionários”. De acordo com o jornal Ou Mun, Ip Kam Po justificou a tomada de posição com o facto de o volume de pedidos de ajuda recebidos pela associação que chefia ter aumentado em cerca de 10 por cento relativamente ao período antes da pandemia. O responsável revelou ainda que a maioria das sessões de apoio visaram atender preocupações económicas e o pagamento de dívidas e que os trabalhadores apresentaram sintomas como insónias, ansiedade e depressão. Dirigindo-se ao Governo, Ip Kam Po espera que as autoridades lancem medidas de apoio dirigidas às empresas e a pensar na saúde mental e física dos trabalhadores. Já da parte da associação Sheng Kung Hui, revelou, será feito um estudo para avaliar a condição dos colaboradores do território nesses parâmetros e divulgado um vídeo de sensibilização. Desde que começou a prestar serviços de apoio a funcionários das empresas de Macau em 2010, o organismo já acolheu mais de 130 mil pessoas, dos quais 90 por cento eram trabalhadores locais. E quem não trabalha? Noutro espectro do mercado laboral, neste caso referente ao universo de desempregados que tem vindo a aumentar a reboque da pandemia, o Fundo de Segurança Social (FSS) revelou em resposta a uma interpelação do deputado Lei Chan U que entre Janeiro e Outubro do ano passado, houve um total de 22 casos subsidiados sob o enquadramento do “Regulamento dos Incentivos e Formação aos Desempregados”. O apoio, que se traduz num montante de subsídios concedidos no valor de 157 mil patacas, revela “um aumento” em relação a 2020. Em termos totais, o saldo de dotação específica do “Regulamento dos Incentivos e Formação aos Desempregados” que está ainda a ser gerido pelo FSS, é de cerca de 103 milhões de patacas, revela ainda o organismo. No que diz respeito à revisão do plano de apoio aos desempregados, o FSS diz apenas que a viabilidade de uma eventual alteração à lei e à sua operabilidade está a ser coordenada em conjunto com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL).
Orquestra | IC envia 22 trabalhadores para a nova sociedade João Santos Filipe - 10 Fev 2022 A Sociedade Orquestra de Macau conta desde o início do mês com 22 trabalhadores do Instituto Cultural, que vão permanecer na empresa pública durante um ano O Instituto Cultural (IC) nomeou 22 trabalhadores para serem enviados em comissão de serviço para a recém-criada Sociedade Orquestra de Macau. O anúncio foi publicado ontem através de um despacho em Boletim Oficial, assinado pela secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U. “São nomeados os 22 trabalhadores do Instituto Cultural, constantes da tabela em anexo para exercer funções, em comissão eventual de serviço, na Sociedade Orquestra de Macau, Limitada, pelo período de um ano, a partir de 1 de Fevereiro de 2022”, pode ler-se no texto do despacho. O HM contactou o IC, para perceber as funções desempenhadas por estes trabalhadores e tentar perceber a razão de não terem sido despedidos e contratados pela nova orquestra, como aconteceu com os músicos, mas até ao fecho da edição não recebeu qualquer resposta. Segundo o anúncio publicado ontem no Boletim Oficial, os trabalhadores vão manter os respectivos salários e benefícios com o IC a assumir as despesas: “A remuneração mensal de cada um dos trabalhadores referidos […] é a correspondente à dos cargos de origem no Instituto Cultural, a quem caberá suportar as respectivas remunerações e os encargos com os descontos […] para efeitos de assistência na doença, aposentação e sobrevivência ou previdência, na parte respeitante à entidade patronal”, é referido. O despacho apresenta também os nomes dos trabalhadores afectados com a mudança. Processo polémico O processo da extinção da Orquestra de Macau e da Orquestra Chinesa de Macau e a transferência dos respectivos músicos para uma empresa com capitais públicos tem sido marcado por várias polémicas. A medida serviu como pretexto para despedir o maestro chinês Lu Jia, que em declarações à TDM, admitiu ter ficado a saber do despedimento através de amigos, ainda antes de ter havido qualquer comunicação oficial. Além disso, aos trabalhadores não-residentes foi igualmente feito um ultimato: ou assinavam um documento com a transferência para a nova empresa ou tinham de deixar o território. Os documentos da transferência foram assinados sem que houvesse informações sobre os salários nem outros direitos laborais. Ao longo das reuniões para explicar as mudanças, os músicos não-residentes saíram sempre com mais dúvidas do que respostas. Quanto aos músicos residentes, o IC garantiu que foram despedidos, com direito a receberem as respectivas compensações, mas que seriam contratados pela nova empresa. Durante o processo turbulento com as orquestras, houve ainda tempo para uma troca na presidência no Instituto Cultural com a saída de Mok Ian Ian e a promoção da vice-presidente Deland Leong Wai Man. A troca nunca foi explicada oficialmente, e Elsie Ao Ieong U também não prestou declarações durante a tomada de posse de Deland Leong. No entanto, a relação entre Mok Ian Ian e a secretária Elsie Ao Ieong U nunca foi fácil. Mok tinha sido uma escolha de Alexis Tam, antecessor de Elsie, e o facto terá pesado sempre na relação entre as duas.
Canídromo | Francisco Manhão destaca oportunidade para desenvolver desporto João Santos Filipe - 10 Fev 2022 O ex-presidente da Associação de Veteranos de Futebol defende que o Canídromo deve ser aproveitado para lançar um novo centro desportivo que permita ao desporto de Macau internacionalizar-se e finalmente obter resultados Francisco Manhão, ex-presidente da Associação de Veteranos de Futebol, apelou ao Governo para assumir as rédeas do desporto local e criar um projecto de internacionalização com resultados desportivos. Para este fim, Manhão considera que o Canídromo é fundamental e que deve ser dotado de instalações para as diferentes modalidades. Anteriormente, o Governo tinha anunciado que pretendia utilizar o Canídromo para desenvolver espaços para as escolas. Contudo, o projecto foi abortado, numa decisão elogiada por Manhão. “Fiquei satisfeito com a decisão do Governo de manter o Canídromo. Para mim, estamos a falar do espaço desportivo mais importante de Macau e também aquele que é o mais antigo e tradicional”, reconheceu, em entrevista ao HM. “O Canídromo é uma oportunidade para Macau desenvolver o desporto, através da criação de infra-estruturas para finalmente se conseguir competir a nível internacional. Ainda há tempos ouvi o Presidente Xi, num discurso, a dizer que o desporto tem de ser uma aposta”, afirmou Manhão. “E como é que se pode desenvolver o desporto? De certeza que não chega apenas recuperar o campo, o balneário e as bancadas. É preciso mais”, vincou. Para Manhão, o projecto deve passar pela aposta na construção de campos para modalidades como voleibol, andebol, fustal, além do futebol de onze, assim como num centro médico feito a pensar nos atletas, com piscina para tratar lesões. “É muito importante que os atletas tenham um espaço para poderem recuperar e receber todos os cuidados necessários”, justificou. Para expandir Além das instalações desportivas, o ex-presidente da associação defendeu a construção de alojamentos para os atletas, à semelhança do que aconteceu com o centro de alto rendimento, no Cotai. Questionado sobre se os dois projectos não seriam redundantes, Manhão recusou o cenário por considerar que as novas instalações não resolveram o problema da falta de espaços para as diferentes modalidades. Quanto à gestão do projecto, o macaense considerou que o Instituto do Desporto deveria entregar a gestão às diferentes associações, que tratariam dos pedidos para a utilização das instalações. “O Instituto do Desporto ficava com o papel de supervisão, mas como eles têm tantas tarefas, e recebem tantos pedidos, era mais fácil para todos se fossem as associações a gerirem os pedidos para os seus membros. Haveria menos burocracia e seria mais eficaz”, indicou. Cultura de exigência Sobre o desporto local, Francisco Manhão defendeu que é essencial uma maior intervenção do Governo para criar uma cultura de exigência de resultados, que não existe actualmente. “Não temos desporto com qualidade. Há cinquenta anos que oiço que não há problema face à ausência de resultados porque se está a ganhar experiência. É uma resposta que não resolve nada”, sublinhou. “É um discurso que impede que se evolua e que faz com que Macau nunca tenha capacidade para competir internacionalmente”, acrescentou. Por isso, Manhão considera que tem de ser o Governo a apostar num novo modelo de desenvolvimento, criar o estatuto de atleta de alta competição, com carreiras atractivas, e enviar os jovens e técnicos para o exterior, onde podem ser formados com os melhores profissionais. “Se olharmos para Hong Kong, vemos que o que conseguiram alcançar a nível internacional, e ganham medalhas em competições a nível mundial, tudo isso se deve a muito trabalho e à aposta no desporto. Temos de seguir o exemplo”, apontou. O ex-presidente da Associação de Veteranos de Futebol disse ainda que podem ser feitas parecerias para formação de técnicos e atletas com os países mais desenvolvidos. “Se pensarmos no futebol, Alemanha, Inglaterra ou Portugal são boas hipótese. Se quisermos ver o caso do voleibol, a China é um bom destino para se aprender”, afirmou. Claro para Francisco Manhão, é que o projecto do Canídromo tem de ser central para o desporto em Macau poder dar um salto qualitativo e poder chegar a um nível que seja efectivamente internacional.
Fórum Macau | Novo secretário-geral reúne com cônsul português Hoje Macau - 10 Fev 2022 O novo secretário-geral do Fórum Macau, Ji Xianzheng, reuniu esta terça-feira com o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Paulo Cunha Alves. Segundo um comunicado, Paulo Cunha Alves destacou o facto de, nos últimos anos, o Fórum Macau ter promovido “o intercâmbio e a cooperação nas mais variadas áreas entre a China e os Países de Língua Portuguesa, com aproveitamento das vantagens singulares” do território. Cunha Alves manifestou ainda a “disponibilidade continuada” do Consulado “no apoio aos trabalhos” do Fórum, tendo pedido que esta entidade “impulsione ainda mais a cooperação com as partes envolvidas em domínios como o intercâmbio cultural, a cooperação trilateral ou o apoio à construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”. Por sua vez, Ji Xianzheng disse ser seu objectivo “continuar a reforçar o contacto e a cooperação com o Consulado Geral de Portugal de modo a conjugar esforços no apoio à construção de Macau enquanto Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. É objectivo do Fórum Macau continuar com a “auscultação de todos os intervenientes no intuito de melhor desempenhar o seu papel como mecanismo de cooperação multilateral”, a fim de “intensificar o intercâmbio entre a China e os Países de Língua Portuguesa em todas as áreas”.
Legislativas | 44 % dos portugueses emigrantes não conseguiu votar Hoje Macau - 10 Fev 2022 Um inquérito realizado pela associação “Também somos portugueses” conclui que 44 por cento dos inquiridos não conseguiu votar nas últimas eleições legislativas para a Assembleia da República (AR), em Portugal. Quanto às razões, 69 por cento disse que não chegou a receber o boletim de voto, ou por estarem recenseados em Portugal ou por não estarem na morada habitual. Ainda assim, uma grande parte dos inquiridos disse que conseguiu votar sem problemas. No inquérito, 80 por cento dos inquiridos disse preferir a implementação do voto electrónico, enquanto que 60 por cento dos participantes “quer o aumento do número de deputados eleitos pela emigração”. Num comunicado, a associação “lamenta que tantos cidadãos portugueses tenham sido privados do direito ao voto. Os comentários mostram a frustração e indignação de quem tentou exercer o seu direito de cidadão mas não conseguiu votar. A dificuldade em actualizar a morada parece ser o principal problema, mas não o único.” Este inquérito obteve respostas de 56 países onde vivem portugueses, sendo que será enviada uma versão completa do documento para a Comissão Nacional de Eleições, a Administração Eleitoral, ao Presidente da República e ao Executivo, liderado por António Costa.
DSAL | Coutinho vai levar despedimento de 521 trabalhadores à AL Pedro Arede - 10 Fev 2022 No seguimento de não ter sido recebido pela DSAL após sucessivas tentativas, José Pereira Coutinho vai levar o caso dos 512 trabalhadores despedidos de uma obra no Cotai, à Assembleia Legislativa. Para o deputado, a situação é demonstrativa da falta de “transparência” e “responsabilidade” das entidades oficiais. Trabalhadores afectados continuam desempregados O deputado José Pereira Coutinho vai levar à Assembleia Legislativa (AL), o caso dos 512 trabalhadores despedidos de uma obra no Cotai, que se manifestaram a 27 de Janeiro à porta da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) para apresentar queixa. Contactado pelo HM, o deputado apontou não haver outra saída possível para a situação, dado que, desde o dia em compareceu à porta da DSAL e acabou por não ser recebido pelos responsáveis, procurou agendar novos encontros com o organismo, acabando por ver todos eles recusados. “No dia seguinte [à concentração] fiz outro pedido e também foi negado. Até hoje estou à espera que façam alguma coisa e, perante isto, não tenho outra solução senão levar o assunto à AL. Os dirigentes da DSAL não se atreveram até hoje a encontrar-se com um deputado. Isto só demonstra opacidade, falta de transparência, de coragem e de responsabilidade por parte das entidades oficiais”, começou por dizer. “Ainda ontem estive reunido com representantes dos trabalhadores despedidos. Estamos a recolher muita informação e eu estou, entretanto, a preparar um documento para enviar ao Governo e estamos a ver ainda qual será a melhor modalidade [interpelação escrita ou oral] para fazer face ao carácter urgente desta matéria. Desde que acompanhámos os trabalhadores à DSAL verificámos que, de facto, há um problema grave relacionado com as autorizações dos trabalhadores não residentes [TNR] e que tem prejudicado gravemente os trabalhadores locais, na medida em que uma grande parte são trabalhadores jovens”, acrescentou. Segundo Pereira Coutinho, a maioria das centenas de trabalhadores afectados tem “cerca de 40 anos, famílias para sustentar, filhos menores e rendas para pagar” e, desde que foram despedidos, ainda não encontraram emprego. Neste contexto, o deputado considera que a DSAL “não está a desempenhar o papel que lhe compete”, dado que estão a decorrer obras de grande envergadura como a fase 4 do Galaxy ou a construção do Complexo Hospitalar das Ilhas, onde os responsáveis “não se estão a esforçar por contratar trabalhadores locais”. “A DSAL (…) não está a desempenhar o papel que lhe compete, nomeadamente de investigar estaleiro por estaleiro, porque é que, por exemplo, nas fundações, pinturas, trabalhos de arrematação do cimento ou no emadeiramento não se contratam trabalhadores locais?”, questionou. Pactos comprometedores Apesar de não estar ainda certo em que formato é que o assunto será levado à AL, Coutinho defende que o Executivo deve ser mais “exigente” em relação às autorizações concedidas aos trabalhadores não residentes (TNR), já que existem “ainda” 170 mil TNR no mercado de trabalho. Caso contrário, estará a pactuar com os interesses das construtoras e não com o bem-estar dos trabalhadores locais. “Na área da construção civil, o Governo pactua com as grandes construtoras que receberam de bandeja as grandes obras públicas e (…) [podendo] é evidente que optam pelos TNR que não têm qualquer direito ou regalia e, ao mínimo passo em falso, são enviados imediatamente para o local de origem”, partilhou. Em termos de medidas de apoio, Pereira Coutinho reiterou que o Governo deveria atribuir cheques pecuniários destinados às “classes mais vulneráveis” e defendeu o aumento do prazo de atribuição e do montante do subsidio de desemprego, respectivamente de três para seis meses, e de 4.500 para as 6.000 patacas.
Beijing 2022 | Nathan Chen encanta na patinagem. Eileen Gu conquista ouro inédito para a China Pedro Arede - 10 Fev 202210 Fev 2022 O norte-americano Nathan Chen bateu o record de pontuação alguma vez alcançado na patinagem artística (programa curto) numa performance sem erros e é favorito para o programa longo de hoje. Nascida nos EUA, Eileen Gu ofereceu à China o seu primeiro ouro no big air do esqui estilo livre, garantindo estar a viver “o melhor momento” da vida, depois de ter optado por competir pelo país. Itália surpreende no curling após bater a Noruega na final de duplas mistas Ainda em busca de conquistar a sua primeira medalha olímpica individual, o norte-americano Nathan Chen bateu na terça-feira o recorde de pontuação alguma alcançado na patinagem artística (programa curto) durante uma apresentação isenta de erros. O tricampeão mundial obteve por parte do júri uma pontuação de113.97, superando assim a melhor marca anterior, alcançada pelo japonês Hanyu Yuzuru (111.82). Ao alcançar o feito, Chen parece ter enterrado definitivamente os fantasmas que o assombraram em PyeongChang 2018, quando cometeu diversos erros no programa curto e acabou por se classificar no 17º lugar. Contudo, após a performance, o atleta de 22 assume-se agora como um dos favoritos para o programa longo a ser disputado hoje e que definirá, em conjunto com os resultados do programa curto, os vencedores das medalhas. “Diria que esta performance esteve perto do meu melhor. Claro que há sempre algo a melhorar (…) mas no geral estou feliz”, disse Chen, ao Olympic Channel. Por seu turno, o actual bicampeão Olímpico, Hanyu Yuzuro (Japão) terminou o programa curto no 8º lugar após algumas hesitações, colocando-se numa posição difícil para revalidar uma vez mais o título de campeão olímpico. Contudo, sobre o adversário, Nathan Chen mostra-se cauteloso. “Não é possível descartar nenhum atleta deste gabarito. A competição não é composta apenas por um programa. O que aconteceu no programa curto não é indicativo do que vai acontecer no programa longo”, acrescentou. “Tenho mais uma oportunidade (…) e muito tempo de música para executar muitos saltos, e aí posso dar o meu melhor”, afirmou por sua vez o japonês sobre a chance de dar a volta por cima no programa longo. Para a história Contudo, o grande momento do quarto dia de competição dos Jogos Olímpicos de Inverno foi assinado por Eileen Gu, de 18 anos, que conquistou na terça-feira para a República Popular da China, uma inédita a medalha de ouro no big air do esqui estilo livre. Isto, após a atleta que nasceu em São Francisco e cresceu nos Estados Unidos, ter optado por representar a China nos Jogos Olímpicos de Pequim. “Foi o melhor momento da minha vida. O momento mais feliz de toda a minha vida. Nem posso acreditar no que acabou de acontecer”, disse Eileen Gu emocionada segundo o Diário de Notícias, citando o Olympic Channel. Antes da sua participação nos Jogos Olímpicos, e devido ao contexto geopolítico, a atleta disse também que um dos seus grandes objectivos passava por “inspirar milhões de jovens” na China, terra onde nasceu a mãe, e “ajudar a promover o desporto” que ama. A decisão do ouro ficou para a última ronda de saltos, com uma disputa acesa entre Eileen Gu, Tess Ledeux (França) e Mathilde Gremaud (Suiça). A chinesa foi a primeira a saltar e não vacilou, tendo executado uma rotação de 1620 graus (quatro voltas e meia) numa manobra inédita que a colocou de imediato na liderança (188,25 pontos) e transferiu uma enorme pressão às adversárias. A suíça falhou o último salto e a francesa não foi capaz de superar a sua performance anterior, consagrando assim a vitória de Eileen Gu. A prata acabou por ir para Tess Ledeux (187.50) e o bronze para Mathilde Gremaud (182.50). De frisar ainda que Eileen chegou a representar os Estados Unidos em 2017 e 2018, mas ao aperceber não existiam grandes figuras no esqui da China, decidiu optar pela nacionalidade do país, muito devido ao facto de a sua mãe ser chinesa, da convivência que teve com a avó e das várias visitas que fez à China. Questionada sobre a tópico da nacionalidade durante a sua participação nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude de Lausanne 2020, Eileen Gu desvalorizou qualquer polémica. “Quando estou na China, sou chinesa. Quando estou nos EUA, sou americana”, disse ao Olympic Channel. Ouro sobre azul No campo das surpresas, destaque para a vitória da Itália nas duplas mistas do curling. A dupla composta por Stefania Constantini e Amos Mosaner conquistou a medalha de ouro após bater a favorita Noruega, na final, por 8-5. Já a medalha de bronze foi para a Suécia, após bater o Reino Unido por 9-3 no “Cubo de Gelo”. A campanha da equipa italiana na competição foi uma das mais inesperadas e empolgantes da história do curling nos Jogos Olímpicos. Com um quinto lugar no Mundial de 2021 como melhor resultado alcançado anteriormente, não era esperada sequer uma entrada no pódio olímpico, especialmente diante de conjuntos experientes como o Canadá, a Suécia, a Suíça e o Reino Unido. “Este é um momento importante. Conseguimos ganhar uma medalha de ouro e isso é incrível. Mas acima de tudo, alcançámos 11 vitórias e nenhuma derrota, essa é a coisa mais linda”, disse Mosaner ao Olympic Channel. Já Stefania Constantini espera que os italianos comecem a interessar-se mais pelo curling depois do resultado alcançado. “Muitos italianos (…) estão orgulhosos de nós. Conseguimos sentir todo o apoio deles”, afirmou a jogadora. Snowboard | Max Parrot de ouro após vencer cancro O canadiano Max Parrot venceu a medalha de ouro na modalidade de snowboard slopestyle nos Jogos Olímpicos de Inverno, que chegou a Pequim três anos após ter sido diagnosticado com um cancro, mais precisamente um linfoma de Hodgkin, que acabaria por superar em 2019. “Sou hoje muito mais forte mentalmente. Passar por 12 sessões de quimioterapia em seis meses dá muita força”, garantiu Parrot ao Olympic Chanel, após a conquista da medalha de ouro na passada segunda-feira, onde obteve uma pontuação de 90.96. A luta contra a doença começou em Dezembro de 2018, pouco tempo depois altura de o atleta ter vencido a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Pyeongchang. “Há exactamente três anos, nesta data em particular, estava deitado na cama do hospital a passar por 12 tratamentos de quimioterapia. Já não tinha músculos, já não tinha energia. Quis desistir por vezes, porque era tão difícil chegar à manhã seguinte. Estar aqui, três anos depois, e ganhar o ouro é uma loucura total”, disse em declarações ao Olympic Chanel citadas pelo jornal Expresso. A completar o pódio da final de snowboard slopestyle ficaram Su Yiming (China), que fez a sua estreia olímpica e obteve uma pontuação de 88.70 e Mark McMorris (Canadá) que alcançou uma pontuação de 88.53, numa disputa que ficou marcada pelo equilíbrio. Portugal | Vanina Oliveira falha porta e não termina prova de slalom A esquiadora portuguesa Vanina Oliveira falhou ontem uma porta no início da segunda manga e não terminou a prova de slalom nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, depois de ter sido 46.ª na primeira descida, entre 88 participantes. Na disciplina em que se sente mais confortável, Vanina Guerillot Oliveira, de 19 anos, partiu para Pequim com o objectivo de ficar entre as 30 primeiras no slalom, mas o erro logo à saída da segunda manga na pista Ice River, em Yangqiing, gorou as expectativas da atleta lusa. A eslovaca Petra Vlhová, número um do ´ranking` mundial e vice-campeã do mundo, conquistou o ouro olímpico, com um tempo de 1.44.98, depois de ter sido oitava na primeira descida e ter sido a melhor na segunda descida. Katharina Liensberger, austríaca, campeã do mundo, terminou em segundo e a suíça Wendy Holdener, prata em PeyongChang2018, conseguiu o bronze. O chefe de missão, Pedro Farromba, sublinhou as condições da pista, “com a neve muito rija”, que atirou 38 atletas para fora de prova, e acentuou a frustração de Vanina Oliveira, após “uma boa primeira manga” que antevia cumprir “o que estava definido”. “Estamos tristes. Esta era a prova onde ela é mais forte. A Vanina teve azar, acontece. É sempre frustrante. Ela está muito triste e desiludida, porque é muito tempo de treino e de trabalho para, num momento, não correr bem”, disse Pedro Farromba, em declarações à agência Lusa. O responsável realçou que o esqui alpino tem a particularidade de não permitir recuperar quando se comete um erro e salientou o foco na comitiva já na próxima prova, os 15 Km clássicos no esqui de fundo de José Cabeça, na sexta-feira. Agenda para hoje Bobsled (a partir das 14h55) Curling (a partir das 09h05) Esqui Alpino (10h15 e 14h15) – Medalhas Esqui Cross-Country (15h00) – Medalhas Esqui Estilo Livre (a partir das 19h00) – Medalhas Hóquei no Gelo (a partir das 12h10) Luge (21h30) – Medalhas Patinagem Artística (9h30) – Medalhas Patinagem de Velocidade (20h00) – Medalhas Saltos de Esqui (18h00) Skeleton (9h30 e 11h00) Snowboard (a partir das 9h30) – Medalhas * O canal em língua portuguesa da TDM transmite diariamente as competições dos Jogos Olímpicos de Inverno, entre as 10h00 e as 13h30. A partir das 14h30 as provas podem ser acompanhadas no canal de Desporto da TDM em língua chinesa
Acções da chinesa Wuxi Biologics afundam após inclusão na lista negra dos EUA Hoje Macau - 9 Fev 2022 A empresa chinesa Wuxi Biologics suspendeu na segunda-feira a negociação das suas acções na Bolsa de Valores de Hong Kong, após ter sido incluída pelas autoridades dos Estados Unidos na lista negra do Departamento de Comércio. As acções da empresa, que fornece soluções tecnológicas para farmacêuticas, caíram 22,77%, até as negociações terem sido temporariamente suspensas. Em comunicado, a Wuxi Biologics indicou que vai fazer um anúncio, previsivelmente relacionado com a sua inclusão na referida lista negra. O Departamento de Comércio inclui nesta lista empresas estrangeiras para as quais não pode verificar a “legitimidade e confiabilidade” do uso que fazem de produtos importados a partir dos Estados Unidos. A medida não significa que os exportadores não possam fazer negócios com a Wuxi Biologics, mas significa que devem passar por processos adicionais antes de fazê-lo. O Governo de Joe Biden manteve a postura da administração anterior, liderada por Donald Trump, no sentido de tornar mais difícil para a China garantir tecnologias de ponta, ao restringir o comércio e o investimento. Washington acrescentou esta semana outras 32 organizações chinesas, com o objetivo de “ajudar os exportadores norte-americanos a realizar os processos relevantes e avaliar o risco das transações”, segundo a Casa Branca. A inclusão na lista que restringe o acesso a produtos norte-americanos visa também “enviar uma mensagem ao governo da República Popular da China sobre a importância da sua cooperação na clarificação sobre o uso final” de produtos importados dos Estados Unidos. A Wuxi disse em comunicado que a sua inclusão na lista não afeta significativamente os seus negócios. “A WuXi Biologics está a importar alguns componentes para biorreatores e filtros de fibra oca que estão sujeitos a restrições na exportação dos EUA, mas receberam aprovação [dos EUA] nos últimos 10 anos”, disse a empresa, em comunicado, na segunda-feira. Analistas consideram que o impacto das proibições pode ser minimizado pela substituição de componentes norte-americanos. John Yung, analista do Citigroup em Hong Kong, disse que a Wuxi é “mais propensa a procurar alternativas na União Europeia ou na China”, em vez de lidar com atrasos no fornecimento de componentes oriundas dos EUA.
Covid-19 | Cientistas chineses dizem ter projectado um novo teste ultrarrápido Hoje Macau - 9 Fev 2022 Cientistas chineses desenvolveram um novo teste para o coronavírus SARS-CoV-2 que é tão confiável como um teste PCR de laboratório e dá resultado em minutos, de acordo com um artigo publicado numa revista científica. Atualmente, os testes PCR são o padrão máximo mundial para triagem da infeção, mas os resultados demoram várias horas a sair. Pesquisadores da Universidade de Fudan, na cidade chinesa de Xangai, dizem, no entanto, terem desenvolvido uma alternativa. Num artigo publicado na revista Nature Biomedical Engineering, a equipa disse ter desenvolvido um sensor que usa microeletrónica para analisar amostras de DNA coletadas por uma zaragatoa. O sensor, ligado a uma máquina portátil, permite obter um resultado em “menos de quatro minutos”, asseguram os seus projetistas. Este terminal tem “alta sensibilidade” e pode ser facilmente levado para qualquer lugar. Para testar o dispositivo, foram retiradas amostras de 33 pessoas infetadas com o coronavírus. Os testes de PCR foram realizados em paralelo, para poder comparar os dois métodos. De acordo com o artigo, todos os resultados obtidos pelos dois dispositivos foram idênticos. Os testes realizados com o novo dispositivo envolveram um total de 54 amostras, incluindo pessoas com febre, mas que não tiveram covid-19, pacientes com gripe e voluntários saudáveis. Os pesquisadores da Universidade Fudan disseram que, uma vez aperfeiçoados, os seus dispositivos podem ser usados em várias situações, incluindo aeroportos, hospitais e até em casa. Além de serem lentos, os testes de PCR requerem infraestrutura e laboratórios que são escassos em muitos países em desenvolvimento, o que constitui um obstáculo à deteção do vírus. Autotestes rápidos também existem, mas são considerados menos confiáveis. A China é um dos maiores produtores mundiais de testes de PCR. Em dezembro, exportou um valor total de 1,4 mil milhões de euros, um aumento de 144%, face ao mês anterior, segundo as alfândegas chinesas.
China reitera apoio à reivindicação da Argentina sobre as Ilhas Malvinas Hoje Macau - 9 Fev 2022 A China reiterou o seu “firme apoio” à reivindicação da Argentina sobre as Ilhas Malvinas/Falkland e insistiu que Londres deve sentar-se para discutir o assunto com Buenos Aires. Em comunicado, o porta-voz da Embaixada da China no Reino Unido reagiu assim às palavras da ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Liz Truss, que defendeu na terça-feira aquelas ilhas como “parte da família britânica”. “A China deve respeitar a soberania das Falkland (como os britânicos chamam às ilhas)”, escreveu Truss, na sua conta oficial na rede social Twitter. O porta-voz chinês enfatizou que a posição do seu país nas Malvinas é “consistente” e implica “firme apoio à reivindicação legítima da Argentina de completa soberania” sobre as ilhas. “A China sempre defendeu que as disputas territoriais entre países sejam resolvidas por meio de negociações pacíficas, de acordo com os princípios da Carta das Nações Unidas”, lê-se na mesma nota. Pequim “espera” que o Reino Unido responda afirmativamente ao pedido da Argentina de abrir negociações o mais rápido possível para encontrar uma “solução pacífica, justa e duradoura de acordo com as resoluções da ONU”. A Argentina reivindica as ilhas desde 1833, mas o Reino Unido recusa-se a entrar em negociações sobre a sua soberania, conforme solicitado por Buenos Aires. Os dois países travaram uma guerra, em 1982, um conflito que começou com a ocupação das ilhas pela junta militar argentina, em 02 de abril, daquele ano e terminou com a rendição argentina em 14 de junho. Durante a guerra morreram 649 militares argentinos, 255 britânicos e três civis habitantes das ilhas.
Chefe da diplomacia dos EUA inicia périplo na região de Ásia-Pacífico Hoje Macau - 9 Fev 2022 O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, partiu ontem para a região da Ásia-Pacífico, périplo que pretende consolidar as parcerias locais perante a estratégia expansionista da China e que surge em plena intensificação da crise ucraniana. Blinken passará três dias na cidade australiana de Melbourne, onde vai participar numa reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros do grupo Quad, uma aliança dos Estados Unidos da América (EUA) com a Austrália, Índia e Japão, que Washington pretende que seja um baluarte contra o desejo de controlo regional por parte da China. Em Melbourne, o chefe da diplomacia norte-americana vai reunir com altos funcionários australianos, incluindo o primeiro-ministro, Scott Morrison, com quem deve tentar fortalecer a aliança militar trilateral “AUKUS” (Austrália, Reino Unido, EUA), anunciada em setembro para combater a influência da China. Ao abrigo desta aliança, a Austrália adquiriu, no ano passado, submarinos de propulsão nuclear aos Estados Unidos, rompendo um contrato de compra de submarinos tradicionais à França, o que provocou um incidente diplomático. Após a partida da Austrália, programada para sábado, Blinken fará uma escala nas ilhas Fiji para se encontrar com vários líderes das ilhas do Pacífico. “A principal mensagem que o secretário de Estado transmitirá é que as nossas parcerias cumprem as promessas estabelecidas”, disse Daniel Kritenbrink, secretário de Estado adjunto para o Pacífico e Ásia Oriental. “O Quad é uma componente-chave, económica e de segurança, da política externa dos EUA na região do Indo-Pacífico”, explicou Kritenbrink. Criado em 2007, o grupo Quad foi revitalizado em 2017, quando a Austrália se envolveu de forma mais assertiva para combater as intenções expansionistas do Governo de Pequim, acusado de intimidação militar no Mar do Sul da China. As Forças Armadas da Austrália participaram em manobras conjuntas da aliança, em 2020, um ano em que tropas chinesas e indianas entraram em confronto por várias vezes, numa área de fronteira disputada. A reunião de Melbourne também servirá para discutir estratégias no combate à pandemia de covid-19 e os problemas das alterações climáticas, preparando a agenda para uma reunião de chefes de Estado do Quad, marcada para meados deste ano. Esta viagem de Blinken acontece numa altura em que os receios ocidentais sobre uma potencial invasão russa da vizinha Ucrânia continuam bem presentes. Também acontece poucos dias depois do Presidente russo, Vladimir Putin, ter recebido o apoio do chefe de Estado chinês, Xi Jinping, nas críticas contra a expansão da NATO a leste. Num encontro na capital chinesa, que decorreu por ocasião da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, os dois líderes deram sinais de uma frente comum, com Pequim a apoiar Moscovo no seu confronto com a NATO em torno da Ucrânia e Putin a devolver o apoio de Xi Jinping no que diz respeito a Taiwan, ilha que a China considera parte do seu território e que já chegou a ameaçar a reunificação pela força.
O corpo perfeito não existe: o mito que complica o sexo Tânia dos Santos - 9 Fev 2022 Há um determinado número de condições para que o sexo faça bem. Sexo é demasiado vago para ser esse poço de benefícios que eu tento apregoar. No caso das pessoas que foram socializadas e que se identificam como mulheres, a questão da imagem corporal é um importante factor que pode bloquear ou desbloquear todos os benefícios do sexo. Quanto mais te sentires confortável na tua pele, quanto mais te sentires confortável sem roupa, expondo a celulite, as estrias, as banhas e os outros supostos demónios que foram incutidos, mais confortável te sentirás com o sexo. Isto não sou eu a dizê-lo de forma gratuita, isto é o que a investigação confirma. Há investigação científica que sugere que é preciso resolver este problema – e obsessão – do corpo perfeito se queremos educar para uma sexualidade mais livre e prazerosa. Mas esta questão do corpo não vai lá só com livros e vídeos de auto-ajuda que de forma débil, e um tanto ou quanto incompleta, tentam ensinar as pessoas a aceitarem o seu corpo tal como é. Não quero soar pessimista, mas procurar uma solução milagrosa no trabalho individual e cognitivo – apesar de ajudar – é ingénuo. Vivemos desde sempre em sociedades que gostam de cristalizar um ideal de beleza. A indústria – e o tão poderoso marketing por detrás – suscita o consumo de produtos e serviços com um propósito absolutamente indigno: que não deveremos querer ser quem somos. Por isso é que parte deste processo de libertação tem que passar por escrutinar todas as mensagens que são transmitidas por várias vias, desde o seio familiar, até às narrativas mais gerais de como é que podemos apreciar o corpo. Por exemplo, os ginásios escolhem promover os seus serviços com uma ênfase desmesurada nas 300 maneiras de como se pode esculpir e tonificar o corpo: um objectivo que a maior parte das pessoas não irá conseguir alcançar. Desafio-vos a encontrar um espaço de exercício físico que o publicite como um importante promotor da saúde e bem-estar, em vez de focar-se no controlo do corpo. Se existem situações em que estas narrativas são óbvias e muito condenáveis – por exemplo, ao pensarmos que meninas de 8 anos já andam preocupadas com a gordura e com o seu visual – existem outras formas em que as narrativas operam de forma mais subtil. A associação entre excesso de peso e a saúde é um daqueles mitos que aos poucos começa a ser desconstruído. Não há evidência científica que o peso ou o índice de massa corporal seja um indicador de melhor ou pior saúde. O estigma que as pessoas com excesso de peso passam na sociedade e no acesso a serviços é que está associado a crescentes problemas de saúde. Aliás – e isto vai vos surpreender – a investigação parece mostrar que o défice de peso está mais associado a problemas de saúde do que o excesso. Disto ninguém fala, não é? O sexo só faz bem se nos sentirmos bem. A forma como nos relacionamos com o nosso corpo é importante para a sexualidade positiva. Não podemos, contudo, assumir que está nos nossos ombros a responsabilidade de resolver um problema que vai existir ainda por muito tempo. Os mitos e as histórias do corpo perfeito e sensual precisam de muita desconstrução ainda. No entretanto, tenta-se viver o maravilhoso mundo do sexo sabendo que o corpo perfeito nunca irá existir.