Estado Olímpico

Foram quatro medalhas – quatro – as que assinalaram a mais brilhante participação nuns Jogos Olímpicos jamais registada na História de Portugal, como observaram, ufanas e impantes, as autoridades competentes. Ou talvez não tão competentes como isso: na realidade, foram raros os países da Europa a conseguir piores resultados em Tóquio 2020, ou 21, que no caso vai dar ao mesmo: São Marino só conseguiu três, Finlândia, Estónia, Letónia e Kosovo ficaram pelas duas (mas os dois primeiros casos são de excepção em relação aos resultados do passado), enquanto Lituânia, Moldávia e Macedónia só trouxeram do Japão uma medalha cada um. Já a Holanda, só para dar o exemplo de um país que nem sequer é exactamente uma potência do desporto mundial, tem menos de metade do tamanho de Portugal e menos do dobro da população (17 milhões de pessoas), conquistou nove vezes mais medalhas (36).

Não serão os atletas os responsáveis por estes fracos resultados: Pichardo, Mamona, Fonseca ou Pimenta – e as respectivas equipas técnicas, naturalmente – mostraram que é possível preparar, competir, disputar as vitórias uma a uma, conquistar provas de exigência máxima. O mesmo também se aplica, aliás, a quem não trouxe medalhas mas construiu durante anos o percurso para lá chegar, a superação das provas de qualificação, a persistência, a capacidade para conseguir um lugar nesses palcos que durante dias concentram os holofotes e os olhares de grande parte da população do planeta. Não foi nas suas provas, no salto mais ou menos conseguido, no lançamento mais ou menos perfeito, na aceleração mais ou menos perfeita, no golo que se marcou, deixou de marcar ou sofreu, que esteve o problema: o problema está onde sempre esteve e a história também nos mostra isso.

Na realidade, talvez a mera contagem de medalhas seja uma medida pouco justa do esforço que se vai fazendo para participar em competições desportivas – ou, de maneira mais abrangente – da qualidade das políticas desportivas que se implementam. Certamente que o tamanho conta e que países mais populosos têm mais chances de encontrar super-talentos que os representem, independentemente do que falta fazer, antes e depois: a captação, a organização, o treino, o enquadramento na sociedade, antes, durante e depois dos períodos em que desportistas das mais variadas modalidades se dedicam a práticas de “alto rendimento” ou de “alta competição”. Para medir a qualidade, a eficácia ou o sucesso dessas práticas, relativizar o número de medalhas pela população de cada país oferecerá certamente uma comparação mais precisa do que representam as políticas desportivas nacionais – ou pelo menos de como se manifestam na obtenção de resultados. E é aí que se demonstra categoricamente o desastre histórico que temos permanentemente vivido – e continuamos a viver – em Portugal.

Mesmo contando só com os Jogos Olímpicos de Verão, que os de Inverno são em geral pouco propícios a uma prática regular no sul da Europa, os resultados de Portugal são uma lástima. O mesmo país que enche avenidas com celebrações eufóricas para vitórias futeboleiras, exibe pelo mundo permanentes figuras tristes, que a história acaba por revelar implacavelmente. Com base em várias compilações publicadas, é possível verificar que Portugal conquistou até hoje uma medalha olímpica por cada 440 mil habitantes (actuais) do país. Deixando de fora países com menos de um milhão de habitantes (cuja posição nestas tabelas é demasiado sensível a mais uma ou menos uma medalha) atrás de nós, na Europa, só encontramos a Moldávia, a Sérvia, o Montenegro, o Kosovo e a Macedónia, São todos países que resultaram da divisão da Jugoslávia e da União Soviética e que por isso participaram em muito poucas edições dos Jogos. Caso se considerasse a média de medalhas conquistadas em cada participação olímpica, Portugal ocuparia um destacado último lugar. E a participação deste ano em Tóquio, orgulhosamente apresentada como a melhor da nossa história, não destoa de tudo o que se fez antes.

Estes dados mostram outros aspectos da geo-política desportiva internacional. Continuando a deixar de lado os países com menor população (menos de um milhão de habitantes), encontramos nos dez primeiros lugares da tabela classificativa das medalhas olímpicas por habitante a Finlândia, a Suécia, a Hungria, a Dinamarca, a Noruega, a Bulgária, a Jamaica, a Nova Zelândia, a Estónia, a Alemanha Oriental (ainda!) e a Suíça. Em geral, são países que conquistaram a maior parte das medalhas durante o período em que tiveram um estado socialista, ou de países que reconhecidamente promoveram estados de bem-estar dos mais avançados do planeta. E se no primeiro caso até podemos dizer que os resultados desportivos foram regularmente utilizados como formas de promoção política e ideológica dos regimes então dominantes, já no segundo caso o mesmo não se aplica: não há grandes sinais de que governos da Finlândia, Suécia, Dinamarca, Noruega, Nova Zelândia ou Suíça evoquem os respectivos sucessos desportivos para fazer qualquer tipo de auto-promoção internacional.

Outro exemplo, aliás, das diferenças nos resultados desportivos entre um Estado altamente interventivo e um estado de orientação liberal pode encontrar-se ao comparar a China com a Índia: embora a população chinesa seja apenas 5 por cento maior que a indiana, a China conquistou em Tóquio 88 medalhas, 12 vezes mais do que as 7 conquistadas pela Índia. É visível que os resultados das Olimpíadas não se dão muito bem com as mais radicais economias de mercado: mesmo os poderosos Estados Unidos, líderes absolutos e inequívocos na conquista de medalhas olímpicas, aparecem na 39.ª posição quando se calcula o número de medalhas por habitante (atrás de grande parte dos países do leste da Europa mas também da Grécia, da Bélgica ou de Cuba).

O que os Jogos Olímpicos nos vão lembrando, implacavelmente, é essa ausência de uma política desportiva que integre a prática desportiva enquanto componente básica da educação e da formação integral de cada pessoa com as práticas orientadas para a competição e o “alto rendimento”. No caso português, faz-se pouco, num e noutro campo.

E de quatro em quatro anos (ou cinco, como nos calhou desta vez), celebrarmos essas misérias profundas da sociedade que conseguimos até agora construir. Fazer de conta que as quatro medalhas que vieram de Tóquio constituem qualquer coisa de notável é dar mais um passo para aprofundar essa miséria.

18 Ago 2021

Jogos Olímpicos | Participação da China encorajou “paixão patriótica”, Ho Iat Seng

O Chefe do Executivo congratulou a selecção chinesa pelos resultados “bastante impressionantes” obtidos nos Jogos Olímpicos. Ho Iat Seng agradeceu ainda à China Media Group pelos direitos de transmissão do evento em Macau, que tiveram o condão de “emocionar todos” e encorajar a “paixão patriótica”

 

No dia seguinte ao encerramento dos XXXII Jogos Olímpicos, Tóquio 2020, o Chefe do Executivo felicitou a selecção desportiva da China pelos resultados alcançados nas várias competições ao longo do evento, que resultaram na conquista 38 medalhas de ouro, 32 medalhas de prata e 18 medalhas de bronze.

Segundo Ho Iat Seng, para quem os resultados foram “bastante impressionantes” e materializaram, em algumas modalidades, momentos “históricos”, a participação da equipa nacional difundiu o espírito olímpico e desportivo da China e honrou “o nome da pátria e do seu povo”.

Para o Chefe do Executivo, o desempenho exemplar dos atletas chineses permitiu aos residentes de Macau encorajar o sentimento de amor à pátria e emocionar-se com o empenho demonstrado.

“Cada competição da selecção nacional está ligada ao coração de todos os compatriotas de Macau. O seu empenho, determinação e firmeza, emocionaram todos, que estão dentro ou fora da China, assim como, os espectadores espalhados pelo mundo. Esta participação encorajou ainda mais a paixão patriótica e também a confiança na nação dos chineses que estão dentro ou fora da China”, afirmou Ho Iat Seng através de uma nota divulgada ontem.

Sentimento de orgulho

Dirigindo-se directamente aos atletas chineses em nome dos residentes de Macau, Ho Iat Seng apontou que “os compatriotas da RAEM sentem-se orgulhosos pela vossa primazia e excelência”.

Como resultado, vincou Ho, Macau está agora em melhores condições de espalhar o espírito desportivo e a determinação demonstrada ao longo do evento pelos atletas da China, encontrando-se simultaneamente mais disponível para aceitar desafios e unir-se em torno do combate à pandemia.

O eco da prestação da equipa nacional nos Jogos Olímpicos de Tóquio contribui também, segundo o Chefe do Executivo, para impulsionar “a aceleração do desenvolvimento adequado e diversificado da economia”, promover o princípio “Um País, Dois Sistemas” e apoiar a grande revitalização da nação chinesa.

Durante o dia de ontem, Ho Iat Seng referiu ainda que parte do entusiasmo dos eventos olímpicos deveu-se à cedência dos direitos de transmissão directa dos Jogos Olímpicos de Tóquio por parte da China Media Group. Tal, sublinhou Ho, permitiu à população “não só assistir aos eventos de alta qualidade como sentir o espírito e o empenho da equipa nacional”, gerando união e confiança no combate à situação epidémica.

No total, os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 concederam 339 títulos, com os Estados Unidos a vencer 39, contando ainda 41 pratas e 33 bronzes. No segundo lugar do medalheiro ficou a China com 38 ouros, 32 pratas e 18 bronzes. Em terceiro lugar ficou o Japão, com a conquista de 27 medalhas de ouro, 14 medalhas de prata e 17 medalhas de bronze.

10 Ago 2021

Tóquio 2020 | Estados Unidos passam China e rubricam ‘tri’ no medalheiro

Os Estados Unidos precisaram de aguardar pelo 16.º e derradeiro dia dos Jogos Olímpicos Tóquio2020 para subirem pela primeira vez à liderança da tabela de medalhas, replicando Londres2012 e Rio2016.

Depois de ter visto o anfitrião Japão e a China dominarem ao longo de duas semanas, a ‘Team USA’ materializou hoje o ‘assalto’ ao topo, servindo-se, tal como sucedera na véspera, das prestações nas modalidades de pavilhão, desta feita no setor feminino.

Tóquio2020 concedeu 339 títulos e os Estados Unidos venceram 39, contando ainda 41 pratas e 33 bronzes, para um total de 113 medalhas, contra 38 ouros em 88 pódios da China, segundo, 27 em 58 do Japão, terceiro, e 22 em 65 da Grã-Bretanha, quarto.

Essa fasquia é mais modesta desde os 36 títulos ‘selados’ pelos norte-americanos em Pequim2008, a última edição em que falharam o topo do medalheiro, à qual também não será alheia a maior diversidade de sempre no somatório de delegações premiadas (93).

Numa visão global, a ‘Team USA’ dominou a tabela de medalhas pela 18.ª ocasião em 29 edições de Jogos Olímpicos e repetiu a vantagem tangencial relativamente aos anfitriões de Atenas1896 (11 contra 10 da Grécia) e Estocolmo1912 (25 contra 24 da Suécia).

Partindo hoje com menos dois ouros, a ultrapassagem à China começou a encaminhar-se com o expectável quarto pleno seguido no basquetebol, mercê do 55.º triunfo consecutivo da seleção feminina sobre o surpreendente Japão, por 90-75.

Se Sue Bird, de 40 anos, e Diana Taurasi, de 39, regressam a casa com um quinto ouro olímpico, os Estados Unidos alcançaram o nono título em 12 possíveis e já replicaram o ‘heptacampeonato’ exercido pela equipa masculina entre Berlim1936 e México1968.

Inédito foi o triunfo no torneio feminino de voleibol, com a ‘Team USA’, bronze há cinco anos, a reverter o desfecho das finais em Pequim2008 e Londres 2012 e impor-se ao Brasil, por 3-0, horas depois de a Sérvia ter assegurado o último lugar do pódio.

Perante o terceiro dia da China em ‘branco’ em Tóquio2020, os americanos arrebataram ainda a prova feminina de ‘omnium’ em ciclismo de pista, com Jennifer Valente a somar 124 pontos, à frente da japonesa Yumi Kajihara e da holandesa Kirsten Wild, enquanto Maria Martins concluiu a prestação de Portugal no sétimo posto e com direito a diploma.

Outra nação sem novos títulos foi o Japão, que já tinha rubricado o melhor desempenho de sempre em Jogos Olímpicos, ao passo que a Grã-Bretanha conseguiu descolar no limite da Rússia, que competiu sob bandeira do seu comité, no ciclismo e no pugilismo.

Aos 33 anos, Jason Kenny tornou-se o primeiro britânico a somar sete ouros olímpicos, aos quais junta igualmente duas pratas, depois de ter revalidado o estatuto no ‘keirin’ masculino, à frente do malaio Azizulhasni Awang e do holandês Harrie Lavreysen.

O nono ‘metal’ permitiu a Jason Kenny ser o britânico mais premiado de sempre em Olimpíadas, seguido pelos ciclistas Chris Hoy (seis ouros e uma prata), Bradley Wiggins (cinco ouros, uma prata e dois bronzes) e Laura Kenny (cinco ouros e uma prata).

Já a compatriota Lauren Price impôs-se no peso médio feminino (69-75 kg), sendo que o pugilismo também ‘coroou’ no dia de despedida a irlandesa Kellie Harrington quanto ao peso leve (57-60 kg), bem como o cubano Andy Cruz e o uzbeque Bakhodir Jalolov nas categorias masculinas de peso leve (57-63 kg) e peso pesado (+91 kg), respectivamente.

Depois de ter perdido no sábado a prova individual na ginástica rítmica, a representação russa deslizou no concurso geral por equipas, ao ser inferior aos 92.100 pontos somados pela Bulgária, com a Itália em terceiro, desfazendo uma hegemonia de duas décadas.

Fim de semana de sonho viveu a França, ao juntar ao título masculino no voleibol um inédito pleno no andebol, já que venceu a final feminina frente ao Comité Olímpico da Rússia, por 30-25, ‘vingando’ o desaire no Rio2016, tendo a Noruega fechado o pódio.

No ciclismo de pista, a canadiana Kelsey Mitchell sobrepôs-se à concorrência no ‘sprint’ feminino, deixado para trás a ucraniana Olena Starikova e Wai Sze Lee, de Hong Kong.

A derradeira decisão em Tóquio2020 incidiu na competição masculina de polo aquático, com a Sérvia a ‘bisar’ pela primeira vez como país independente, ao bater a Grécia, por 13-10, logo após a Hungria, recordista de troféus, com 17, ter consumado o bronze.

8 Ago 2021

Tóquio 2020 | Ginasta Simone Biles desiste da final de solo

A atleta Simone Biles desistiu de participar na final olímpica de solo em Tóquio2020, depois de já abdicado das finais do concurso completo e de dois aparelhos (salto e paralelas assimétricas), anunciou hoje a Federação Norte-americana de Ginástica.

“Simone [Biles] retira-se da final de solo, na segunda-feira, e tomará mais tarde uma decisão sobre a participação na final de trave [marcada para terça-feira]”, informou o organismo federativo, revelando que a ginasta não defenderá o título conquistado no Rio de Janeiro.

A ‘estrela’ da ginástica mundial, que no Rio2016 conquistou cinco medalhas, quatro de ouro (por equipas, no concurso completo individual, no salto e no solo) e uma de bronze (trave), começou por desistir na terça-feira a meio do concurso por equipas, depois de um salto abaixo das suas expectativas.

A ginasta, de 24 anos, considerada uma das melhores de sempre, justificou a decisão com fragilidade psicológica. Biles disse querer manter a sua sanidade e revelou ter menos confiança em si do que tinha anteriormente.

A revelação da ginasta provocou várias reações de apoio um pouco de todo o lado, e o presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, considerou na sexta-feira que Biles foi “corajosa” ao falar abertamente dos seus problemas psicológicos.

1 Ago 2021

Citius, Altius, Fortius – Veritas

Têm sido os Jogos das atletas: à falta de público nas bancadas, da habitual ostentação de impantes patrocinadores, da procura de visibilidade mediática para dirigentes desportivos e políticos com mais ou menos propósito e dependentes de posicionamentos geo-políticos diversos, estas Olimpíadas têm tido pouco mais do que o exercício dos jogos em si mesmo, a competição desportiva reduzida à sua essência, atletas a disputar vitórias e medalhas perante câmaras que hão-de dar visibilidade a uma solidão improvável para as Olimpíadas. Não é que tenham faltado motivos para, por exemplo, se reacenderem velhas Guerras Frias, mas mesmo a compulsiva exclusão da Rússia havia de ser sabiamente compensada e drasticamente atenuada pela participação da enigmática ROC, sigla inicialmente incompreensível para espectadores com menos dedicação à causa, mas hoje já familiar a quem acompanhe os Jogos, mesmo com alguma reserva e distância.

Foi aliás num desses momentos mais propícios à frieza da guerras geopolíticas antigas que a História foi registando em Olimpíadas diversas que as atletas decidiram afinal oferecer um exemplo magnífico e anacrónico de desportivismo, respeito por rivais, solidariedade entre quem dedica esforço máximo e quase toda a vida a dar o melhor de si para se aperfeiçoar no exercício desportivo, na celebração do jogo: a formidável equipa de ginástica dos Estados Unidos tinha perdido a sua melhor atleta em plena competição, teve que disputar a final colectiva com essa inevitável desvantagem, acabaria por ver interrompida uma hegemonia planetária de quase 30 anos, agora conquistada pela Rússia, aliás a ROC, a maior herdeira da magnífica tradição soviética que nas últimas décadas foi sistematicamente derrotada pelas rivais da América do Norte, essas que no momento da derrota atravessam ténues fronteiras implícitas nos territórios do pavilhão, para beijarem e abraçarem as novas campeãs olímpicas, transformando subitamente guerras frias em amizades quentes. Disso certamente pouco se falará, que os tempos mediáticos são mais propícios à exaltação do sangue que possa correr em cada arena competitiva, à glória de quem ganha e à miséria de quem perde, com pouco ou nenhum espaço para eventuais e anacrónicas fraternidades entre quem joga o jogo que tem a jogar e sabe da efemeridade de cada resultado.

Foi nessa prova que se assistiu a um dos mais dramáticos momentos dos Jogos até agora: a desistência da ginasta norte-americana Simone Biles, super-favorita a conquistar todas as medalhas em disputa, individuais e por equipas, em qualquer dos aparelhos. Era também candidata a igualar ou melhorar históricos recordes de medalhas conquistadas por ginastas em Olimpíadas anteriores e tinha sobre si todos os olhares de quem aprecia a modalidade.

Falharia rotundamente, no entanto, em até em sentido literal: que o corpo faça pirueta e meia quando estava preparado, treinado e programado para duas piruetas e meia é suficiente para confundir e desestabilizar um cérebro que ali e naquele momento opera em concentração máxima, quando cada centésimo de segundo é decisivo para a performance que dura alguns minutos, poucos mas que oferecem corolário inevitável a anos de esforço, preparação, mentalização, criatividade, inteligência, superação a cada dia, todos os dias. É essa a vida de qualquer ginasta e nem vale a pena entrar nos detalhes do percurso particular que levou Simone Biles até Tóquio, que também inclui um ambiente familiar violento e casos de abuso sexual por parte de um médico da equipa de ginástica dos Estados Unidos. Afinal, no tapete é só ela e os seus demónios, assume a super-ginasta, um prodígio atlético, que afinal assume tranquilamente a sua fraqueza perante o mundo, a sua verdade, a importância de preservar a saúde mental neste planeta em que o lema olímpico “mais rápido, mais alto, mais forte” parece ter sido abusivamente adaptado para servir de mote a uma sociedade despojada de solidariedade comunitária e obcecada com vertiginosos processos competitivos onde, na realidade, acabamos sempre por perder qualquer coisa.

Simone Biles não foi, no entanto, a única super-estrela do firmamento desportivo a sair sem a espera glória mas com inesperada humildade desta peculiar edição dos Jogos, marcada por esse triste isolamento e distanciamento social que a convivência possível com a pandemia de covid-19 implica. Também Naomi Osaka, tenista de excelência, a jogar no Japão e pelo Japão, o seu país de nacionalidade mas onde nem sempre viveu e onde os filhos de pessoas japonesas com pessoas estrangeiras, como ela, são carinhosamente tratadas por “metade”, acabaria por ter uma participação em competição muito abaixo do que os seus pergaminhos nos rankings internacionais poderiam fazer prever. Neste caso, as fraquezas até já se tinham revelado antes dos Jogos: jogar é bom mas enfrentar a avidez da imprensa é um acto de violência para o qual se assume impreparada, recusando até participar em torneios do chamado “Grand Slam”, naturalmente com muito generosos prémios, para não ter que enfrentar despropositados interrogatórios de jornalistas a seguir ao esforço do jogo. Tal como Simone Biles, Naomi Osaka, quer pôr a integridade possível da sua saúde mental à frente da insanidade competitiva das sociedades contemporâneas e da respectiva implacável mediatização permanente. Ficamos com a generosidade da verdade destas fraquezas humanas para agradecer a estas super-atletas.

30 Jul 2021

Desporto | Sulu Sou lamenta situação olímpica da RAEM

O democrata Sulu Sou lamentou que os atletas de Macau não possam competir nos Jogos Olímpicos, apesar de a população vibrar com as vitórias da China e de Hong Kong.

Numa altura em que decorre o maior evento desportivo do mundo, Sulu Sou apelou ao Executivo para que tome medidas e desenvolva o desporto local, entre as quais a criação de “um regime de formação sistemática para os jovens atletas”, e “em conjunto com os sectores do desporto e da educação” a implementação de “um ambiente favorável para a formação específica dos jovens”.

O deputado afirmou ainda que os atletas locais devem confiar nas suas capacidades, enviou votos de boa sorte para a comitiva de Macau que vai participar nos Jogos Asiáticos de Hangzhou, e deixou o desejo que os atletas possam estar nos Jogos Olímpicos de Inverno, em 2022, em Pequim, e nos Jogos Olímpicos de 2024, que serão realizados em Paris.

30 Jul 2021

Esgrima | Medalha de Ouro de Hong Kong aumenta procura de aulas em Macau

O impacto da medalha de ouro na esgrima no Tóquio2020, conquistada pelo floretista de Hong Kong Cheung Ka-long fez-se sentir em Macau. A fundadora do MF Fencing revela que nos últimos dias, o número de interessados em praticar a modalidade cresceu exponencialmente. Treinadores e atletas locais consideram que os esgrimistas do território podem alcançar patamares de excelência. Para o campeão europeu em 2000, Álvaro Monteiro, a medalha “não foi inesperada”

 

Nunca Hong Kong tinha vibrado tanto com um toque de esgrima. Quando Cheung Ka-long conquistou o 15º ponto frente ao, até então campeão olímpico e principal favorito à vitória olímpica, Daniele Garozzo, a explosão de entusiasmo de várias centenas que se reuniram em espaços públicos do território vizinho para apoiar o atleta de 24 anos, foi enorme.

Afinal de contas, a conquista da medalha de ouro por Cheung Ka-long na categoria de Florete Masculino nos Jogos Olímpicos de Tóquio, além de representar uma conquista inédita na modalidade de esgrima, foi também a primeira desde os Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996, em que Lee Lai Shan conquistou o ouro para Hong Kong na vela.

Além disso, a medalha do floretista representa também o primeiro ouro olímpico conquistado por Hong Kong após a transferência de soberania para a República Popular da China em 1997.

Os ecos da vitória provenientes do território vizinho não tardaram a fazer-se sentir em Macau, sobretudo entre atletas, praticantes e outros elementos pertencentes à comunidade esgrimística do território. Mas alargaram-se, desde logo, ao interesse pela esgrima, com efeitos visíveis no número de interessados em praticar a modalidade.

Helena Cheang, fundadora e consultora do MF Fencing, clube de esgrima nas redondezas da Avenida Ouvidor Arriaga, conta ao HM como após a vitória de Cheung Ka-long, a procura por esgrima em Macau tem sido “muito maior”. Nos dias que se seguiram, o número de pedidos de informação e inscrições foi anormalmente elevado para esta altura do ano, mesmo em período de Jogos Olímpicos.

“Esta vitória vai ter um impacto muito bom no nosso clube e ao nível da prática de esgrima em Macau. Depois da vitória do Cheung Ka-long a procura tem sido exponencialmente maior. Nos últimos dois dias tivemos mais de 20 pedidos de crianças ou adultos a perguntar por informações e pela possibilidade de se inscreverem nas aulas de esgrima”, começou por explicar.

“Sem dúvida que conseguimos sentir o efeito desta medalha em Macau. Se isto não tivesse acontecido acho que teríamos um ou dois pedidos de informação, apenas devido aos Jogos Olímpicos. Mas depois da vitória do Cheung Ka-long na prova de Florete, os pedidos não param de chegar”, rematou.

A responsável perspectiva ainda que, nas próximas semanas, “o número de pedidos vai aumentar ainda mais”, até porque a equipa de Florete de Hong Kong irá participar numa outra competição no Interior da China e avizinham-se novas conquistas. “Acho que vai haver ainda muito mais pedidos de residentes de Macau interessados na prática de esgrima”, prevê.

Motivação renovada

Também para o atleta e treinador de esgrima, Kit Iu, a vitória de Cheung Ka-long vai contribuir certamente para “encorajar mais pessoas a dar o primeiro passo rumo ao início da prática” da modalidade no território. Além disso, defende, devido à proximidade, o sucesso de Hong Kong deve servir de motivação e referência, não só para os praticantes locais, mas também para o desenvolvimento da esgrima de Macau.

“[A medalha de Cheung Ka-long] deve servir de inspiração para os esgrimistas locais trabalharem arduamente para alcançar os seus objectivos. Mas, mais importante ainda, é que o Cheung Ka-long pode servir de referência para jovens esgrimistas e também para o desenvolvimento da esgrima de Macau”, disse ao HM.

Helena Cheang concorda que o modelo de Hong Kong deve servir de referência para Macau e que, através do aumento da cooperação entre as duas regiões e do apoio do Instituto do Desporto (ID), os atletas de Macau podem almejar, um dia, conquistar resultados ao nível do feito de Cheung Ka-long.

“Desde o dia em que fundei o clube de esgrima, o meu objectivo passou por seguir os modelos de Hong Kong, pois acho que o desenvolvimento desportivo de Hong Kong deve ser a nossa principal referência. Na minha opinião, acho que se o Instituto do Desporto desse mais apoio, os atletas de Macau poderiam alcançar [resultados] do mesmo patamar que o Cheung Ka-long. Acho que poderíamos aprender com os métodos de treino de Hong Kong e investir na cooperação”, sublinhou.

Apontando que na esgrima “tudo pode acontecer” e que o resultado de Cheung foi “surpreendente”, Kit Iu considera que o próximo passo da esgrima de Macau passará, em primeiro lugar, “por chegar a lugares cimeiros a nível asiático”.

De acordo com a Associação de Esgrima de Macau, sem contar com os praticantes das competições escolares, onde cada evento conta com a participação de mais de 400 esgrimistas, estão registados em Macau 184 atletas. Quanto aos locais de prática, existem na RAEM quatro salas de armas ou clubes, havendo também entre 10 a 15 escolas onde é possível praticar esgrima.

Aqui tão perto

Quando chegou a Hong Kong para ser treinador de esgrima do Fencing Sport Academy (FSA), Álvaro Monteiro ficou impressionado com o facto de o clube acolher, por si só, cerca de 700 atletas, distribuídos pelas três armas da esgrima [ver caixa] e uma equipa técnica volumosa com cinco treinadores a tempo inteiro.

Actualmente, a treinar a equipa de Florete Masculino do Qatar, na Academia Aspire, em Doha, o floretista português que foi Campeão da Europa em 2000 por equipas, conheceu de perto a realidade da esgrima de Hong Kong e teve a oportunidade de conhecer também Cheung Ka-long quando este pertencia ainda ao escalão de Cadetes (sub-17).

Para o ex-atleta da selecção nacional portuguesa, desde cedo foi possível observar que o floretista de Hong Kong era um “fora de série” e, por isso mesmo, defende, a conquista do título de campeão olímpico não foi uma surpresa.

“O Cheung Ka long é um talento fora de série. Lembro-me de o ver em 2014, era ele ainda cadete, a ganhar o Hong Kong Open, prova do escalão Seniores. Já nessa altura ele era um elemento seguro da equipa de Hong Kong”, começou por dizer ao HM.

“O Cheung foi campeão Asiático em 2016 quando ainda era Júnior [sub-20] e venceu também a prova de qualificação olímpica para o Rio de Janeiro. Não foi uma medalha inesperada, na minha opinião. O talento e vontade de trabalhar estavam lá e, com o ingresso no HKSI [Hong Kong Sports Institute], criaram-se as condições base para o seu desenvolvimento”, acrescentou.

O que faz um campeão

Quanto às características de Cheung Ka long, Álvaro Monteiro destaca tratar-se de um floretista canhoto “alto, rápido e destemido” que tem um “sentido de timing incrível”.

“Desde que saí de Hong Kong falo dele a colegas de profissão, dando sempre a opinião de que um resultado desta dimensão de Cheung Ka-long era uma questão de tempo. Nestes Jogos, vi um Cheung mais maduro, mais experiente e habituado a grandes palcos. Estou muito feliz por ele e por Hong Kong”, vincou.

Como não poderia deixar de ser, a felicidade na região vizinha foi particularmente sentida por quem dá o corpo ao manifesto da esgrima, como Lau Kam Tan, treinador principal do Fencers Club Hong Kong. Contactado pelo HM, o treinador mostrou-se “honrado” por ter testemunhado a vitória de Cheung Ka-long nos Jogos Olímpicos de Tóquio, acreditando que o segredo da vitória esteve no “trabalho de preparação árduo” feito pelo próprio e pelos seus colegas de equipa.

Relativamente a Macau, Álvaro Monteiro considera que “tudo é possível quando se criam as condições necessárias”, mostrando-se optimista quanto ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido na região.

“Macau terá certamente um longo caminho a percorrer, mas vejo que se está a desenvolver a um bom ritmo. Esta medalha irá certamente motivar e atrair novos talentos para os clubes. Talvez o próximo passo passe pela criação de um centro de alto rendimento e pela contratação de treinadores com experiência em alta performance”.

 

As três categorias que compõem a esgrima e respectivas regras

O Florete, categoria na qual Cheung Ka-long se especializou, é uma das três armas que fazem parte da esgrima desportiva, diferindo entre si, não só ao nível das regras, mas também, da própria morfologia das armas e zonas válidas de toque que se traduzem na atribuição dos pontos. Para além do Florete, a esgrima inclui também as modalidades de Espada e de Sabre.

Sendo a mais leve das três armas, no Florete o toque tem de ser concretizado com a ponta da arma, apenas no tronco (barriga, peito e costas). Além disso, por ser aquilo a que se chama uma “arma convencional” está condicionada pela regra que dá prioridade ao esgrimista que ataca. Na prática, isto significa que, se os dois atletas conseguem atingir simultaneamente a zona válida do adversário, o ponto será atribuído apenas ao atleta que atacou.

Mudando de arma, tal como no Florete, na Espada, para o toque ser válido, deve ser também concretizado com a ponta da arma. A zona válida corresponde a todo o corpo e não existe qualquer tipo de convenção, sendo o ponto atribuído ao esgrimista que tocar primeiro ou aos dois atletas caso o toque seja dado em simultâneo.

Por fim, no Sabre, o toque deve ser concretizado com a ponta ou a lâmina da arma, sendo que este será válido no tronco, cabeça e braços. Tal como no Florete, por ser uma “arma convencional”, no Sabre os atiradores estão condicionados pela regra que dá prioridade ao esgrimista que ataca.

Leis da luta

Na esgrima, independentemente da arma, cada encontro opõe dois adversários, sobre uma pista metálica com 14 metros de comprimento e 1,5 metros de largura. O vencedor de um combate de eliminação directa, como aqueles que podem ser vistos nas competições dos Jogos Olímpicos, será aquele que for capaz de conquistar 15 pontos (15 toques) antes do adversário ou que, chegado ao final do tempo regulamentar (composto por três períodos de três minutos), tiver conquistado mais toques.

30 Jul 2021

Covid-19 | Tóquio regista recorde de 3.865 novos casos num dia

Tóquio registou 3.865 casos do coronavírus SARS-CoV-2 nas últimas 24 horas, um novo recorde pelo terceiro dia consecutivo e praticamente o dobro em relação à semana anterior, quando decorrem na capital japonesa os Jogos Olímpicos.

“Nunca tivemos uma expansão das infeções dessa magnitude”, disse o porta-voz do Governo, Katsunobu Kato, aos jornalistas. Kato disse que os novos casos estão a aumentar não apenas na área de Tóquio, mas em todo o país.

Tóquio relatou hoje 3.865 novos casos, diante de 3.177 de quarta-feira e o dobro dos números da semana anterior, estabelecendo um recorde histórico desde o início da pandemia.

O aumento de novos casos do SARS-CoV-2 na capital deve-se principalmente à disseminação de novas e mais contagiosas variantes, como o Delta, e atinge principalmente pessoas com menos de 60 anos, grupo que apresenta a taxa de vacinação mais baixa.

As autoridades japonesas destacam que o surgimento do vírus nada tem a ver com os Jogos, que acontecem dentro de fortes restrições de movimento para todos os participantes, e anunciaram que planeiam estender o atual estado de emergência sanitária em Tóquio para as regiões vizinhas.

A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, disse hoje que os Jogos Olímpicos até “ajudam as pessoas a ficar em casa para assistir na televisão” e novamente pediu aos cidadãos da capital que evitem viagens que não sejam estritamente necessárias.

Tóquio está a viver o seu quarto estado de emergência desde 12 de julho, antes das Olimpíadas, que começaram na sexta-feira passada, apesar da ampla oposição do público e da preocupação de que os Jogos possam piorar o surto.

Alguns especialistas, porém, falam de um “efeito olímpico” que faria com que os cidadãos saíssem mais de casa e se reunissem com familiares e amigos para assistir às competições em meio ao clima de comemoração.

Por enquanto, não foi detetado contágio relacionado com os milhares de atletas estrangeiros que vieram para o Japão.

O médico especialista Shigeru Omi, que chefia o painel que assessora o Governo no combate à pandemia, citou entre os fatores do aumento da transmissão do coronavírus “as pessoas já estarem acostumadas com a covid-19”, estar-se numa época do ano em que coincidiu as férias escolares, as festas familiares e os Jogos Olímpicos.

“O maior problema é que a sensação de perigo não é compartilhada por toda a sociedade. Se ainda não houver consciência, a disseminação do vírus vai acelerar e em breve colocará uma pressão maior no sistema de saúde”, alertou Omi.

O especialista apelou ainda a “tomar mais medidas” para reduzir o contacto entre os cidadãos e destacou que o Governo e a comissão organizadora dos Jogos “têm a responsabilidade de fazer todo o possível para evitar o colapso do sistema de saúde”.

O Comité Organizador dos Jogos Olímpicos, por sua vez, anunciou hoje 24 novas infeções de pessoas envolvidas nos Jogos, incluindo três atletas. Até o momento, 193 positivos pelo novo coronavírus foram detetados em pessoas que participam dos Jogos, dos quais 20 afetam atletas.

29 Jul 2021

Tóquio 2020 | Japão mantém-se líder e já superou os 12 ouros no Rio2016

O Japão superou as 12 medalhas de ouro alcançadas no Rio2016 apenas ao quinto dia de competições dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, ao chegar às 13, para se manter no topo da tabela de ‘metais’, acima das 12 da China.

Os anfitriões terminaram a noite de quarta-feira com superioridade face ao rival asiático no concurso completo individual masculino de ginástica artística, uma vez que Daiki Hashimoto contabilizou 88.465 pontos para superar Ruoteng Xiao e o russo Nikita Nagornyy.

Num dia assinalado pelo regresso do basebol ao programa olímpico 13 anos depois, os anfitriões chegaram aos 22 ‘metais’, enquanto a China, segunda classificada do medalheiro, com 27, descolou dos Estados Unidos, ‘donos’ de 11 títulos em 31 pódios.

Já os Países Baixos foram a nação mais premiada nas derradeiras 24 horas, com oito medalhas – duas de ouro, três de prata e três de bronze, entre ciclismo, judo e remo -, suplantando o recorde de sete que durava há quase 92 anos, desde Amesterdão1928.

Os Estados Unidos abriram o dia com novo cetro perdido pela nadadora Katie Ledecky para Ariarne Titmus, desta feita nos 200 metros livres femininos, valendo um novo recorde olímpico, de 1.53,50 minutos, volvidos dois dias da vitória da australiana nos 400 livres.

Siobhan Haughey, de Hong Kong, superou a canadiana Penny Oleksiak na luta pelo segundo posto, face ao quinto da ex-campeã e ao sétimo da italiana Federica Pellegrini, recordista do mundo, a caminho da reforma após disputar a quinta final consecutiva.

Katie Ledecky redimiu-se na inédita prova dos 1.500 metros livres e celebrou o primeiro dos cinco ouros ambicionados em Tóquio2020, ao relegar, com 15.37,34 minutos, a compatriota Erica Sullivan e a alemã Sarah Kohler para os restantes lugares do pódio.

Os 200 metros estilos femininos foram arrebatados pela japonesa Yui Ohashi, com 2.08,52 minutos, na sequência do título dos 400 estilos, afirmando-se na sucessão da húngara Katinka Hosszu, tricampeã olímpica recordista mundial, que foi apenas sétima, figurando atrás das norte-americanas Alex Walsh, segunda, e Kate Douglass, terceira.

O húngaro Kristof Milak, campeão e recordista mundial nos 200 mariposa, somou o seu primeiro ouro olímpico, ao vencer com 1.51,25 minutos e estabelecer nova marca olímpica, que estava na posse do ‘lendário’ Michael Phelps desde Pequim2008, com a prata cedida ao japonês Tomuru Honda e o bronze a ser para o italiano Federico Burdisso.

Nos 4×200 metros livres, a Grã-Bretanha impôs-se em 6.58,58 minutos ao Comité Olímpico da Rússia e à Austrália, deixando os Estados Unidos, que somavam quatro cetros olímpicos, imediatamente fora das medalhas em estafetas masculinas e femininas.

A sessão vespertina nas piscinas conduziu a novos máximos olímpicos nas eliminatórias femininas dos 100 metros livres (52,13 segundos) e dos 200 bruços (2:19.16 minutos).

Chizuru Arai assinou o habitual triunfo diário do Japão no judo através da categoria feminina de -70 kg, batendo por ‘waza-ari’ a austríaca Michaela Polleres na final, após a repartição do terceiro lugar pela holandesa Sanne van Dijke e pela russa Madina Taimazova, que acabou a competir com o olho direito roxo, inchado e quase fechado.

Já a hegemonia nipónica nas variantes masculinas foi travada pelo georgiano Lasha Bekauri, graças ao ‘waza-ari’ aplicado na final de -90 kg disputada com o alemão Eduard Trippel, num pódio fechado pelo uzbeque Davlat Bobonov e o húngaro Krisztian Toth.

Os seis títulos atribuídos no remo produziram quatro recordes olímpicos e duas novas marcas mundiais, ambas no ‘quadruple-scull’, especialidade na qual a embarcação masculina dos Países Baixos finalizou os 2.000 metros ao cabo de 5:32.03 minutos, abaixo do anterior máximo da Ucrânia, ficando acima da Grã-Bretanha e da Austrália.

A China venceu a final feminina, com 6.05,13 minutos, ‘pulverizando’ o recorde mundial que era detido há sete anos pela Alemanha, para se impor à Polónia e à Austrália.

O evento feminino da vertente de ‘double-scull’ foi ganho pela Roménia, com 6:41.03 minutos, à frente da Nova Zelândia e dos Países Baixos, enquanto a prova masculina ‘coroou’ a França, ao gastar 6:00.33 para bater a concorrência holandesa e da China.

A Austrália dominou as variantes do quatro sem timoneiro, com as campeãs mundiais a deixarem para trás Países Baixos e Irlanda, ao fim de 6:15.37 minutos, e a formação masculina a adiantar-se a Roménia e Itália, em 5:42.76, para regressar aos triunfos na especialidade 25 anos depois, interrompendo o ‘pentacampeonato’ da Grã-Bretanha.

No ciclismo de estrada, o esloveno Primoz Roglic venceu o contrarrelógio masculino, ao cumprir os 44,2 quilómetros na Pista Internacional de Fuji em 55:04.19 minutos, sobre o holandês Tom Dumoulin, novamente vice-campeão, e o australiano Rohan Dennis.

Depois de festejar a prata na prova de fundo pensando que tinha sido a vencedora, a holandesa Annemiek van Vleuten chegou ao primeiro cetro olímpico, em 30:13.49 minutos, suplantando a suíça Marlen Reusser e a compatriota Anna van der Breggen.

Quanto aos saltos para a água, a China recuperou a hegemonia na prova masculina de trampolim sincronizado a três metros, a única que perdera no Rio2016 aos pés da Grã-Bretanha, graças a 467.82 pontos, bem distante dos Estados Unidos e da Alemanha.

O evento de sabre por equipas masculinas esteve ausente da última edição dos Jogos Olímpicos, mas a Coreia do Sul soube conservar a medalha de ouro registada em Londres2012, ao bater na final a Itália, ao passo que a Hungria terminou o pódio.

As Ilhas Fiji revalidaram o título masculino alcançado na estreia olímpica do râguebi de ‘sevens’, ao bater na final a ‘vizinha’ Nova Zelândia, por 27-12, chegando à segunda medalha de ouro olímpica da sua história, com a Argentina a ocupar o terceiro posto.

A alemã Jessica von Bredow-Werndl juntou a prova individual de ensino em equestre ao cetro no concurso por equipas obtido na véspera, com 91,732% pontos, à frente da compatriota Isabell Werth, também ‘vice’ no Rio2016, e da britânica Charlotte Dujardin.

Novo recorde olímpico também foi definido no halterofilismo, com o chinês Zhiyong Shi a levantar um acumulado de 354 quilos para ser bicampeão nos 73 kg masculinos e ficar acima do venezuelano Julio Mayora Pernia e do indonésio Rahmat Erwin Abdullah.

O dia encerrou com a atribuição dos primeiros títulos no basquetebol 3×3, modalidade em estreia no evento multidesportivo, tendo a Letónia vencido o Comité Olímpico da Rússia na final masculina, por 21-18, com a Sérvia em terceiro, enquanto os Estados Unidos derrotaram as russas no torneio feminino, por 18-15, num pódio concluído pela China.

29 Jul 2021

Tóquio 2020 | Japão tem novo ouro no judo mas perde domínio absoluto na prova masculina

O Japão somou ontem mais uma medalha de ouro, a sexta, no torneio de judo dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, mas perdeu o ‘monopólio’ no concurso masculino, com a Geórgia a acabar com o domínio absoluto dos nipónicos.

Na prova feminina de -70 kg, a japonesa Chizuru Arai conquistou pela primeira vez o ouro em Jogos Olímpicos, com Portugal a ficar novamente longe dos combates pelas medalhas, depois de Bárbara Timo ter caído na segunda ronda.

Em -90 kg masculinos, após triunfos nipónicos nos primeiros quatro dias de prova, o campeão europeu Lasha Bekauri, da Geórgia, ocupou o lugar mais alto do pódio, e ‘vingou-se’ das derrotas de Vazha Margvelashvili e Lasha Shavdatuashvili, finalistas em -66 kg e -73 kg, respetivamente.

Mesmo assim, a combater em ‘casa’, o Japão leva seis medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze e apenas falhou o pódio em duas categorias.

No Budokan, Chizuru Arai, bicampeã mundial em 2017 e 2018, chegou à final com três vitórias por ‘ippon’, e, depois de um combate de 17 minutos com a russa Madina Taimazova, nas ‘meias’, e bateu a austríaca Michaela Polleres, com um ‘waza ari’ logo no início para assegurar o ouro.

Taimazova, de apenas 22 anos, acabaria por assegurar o bronze, numa das imagens que vai ficar na história destes Jogos Olímpicos, ao combater com o olho direito roxo, inchado e quase fechado.

A atleta russa teve mesmo que sair do combate com Arai apoiada pelo árbitro e pelo seu treinador, tal o desgaste que sofreu, acabando depois por ganhar forças para conquistar o último lugar do pódio, ao bater a croata Bárbara Matic, atual campeã mundial.

Matic foi a responsável pela eliminação de Bárbara Timo na segunda ronda, vencendo a portuguesa por ‘ippon’, a cerca de dois minutos do final do combate.

Na primeira ronda, Timo tinha vencido a jamaicana Ebony Drysdale Daley, 59.ª do mundo, que foi eliminada após sofrer três castigos. Sanne van Dijke, dos Países Baixos, assegurou igualmente o bronze.

O quinto dia de competição no Budokan terminou com Lasha Bekauri, de 21 anos, a festejar a sua primeira medalha de ouro em Jogos Olímpicos, depois de vencer na final Eduard Trippel, da Alemanha, com um ‘waza ari’, nos primeiros instantes do combate. Krisztián Tóth, da Hungria, e Davlat Bobonov, do Uzbequistão, conquistaram o bronze.

29 Jul 2021

Tóquio 2020 | Ginasta Daiki Hashimoto ‘retém’ no Japão ouro no concurso completo

O japonês Daiki Hashimoto conquistou esta quarta-feira a medalha de ouro no concurso completo de ginástica artística de Tóquio2020, prolongando a hegemonia do país organizador dos Jogos Olímpicos na prova ‘all-around’ individual.

Hashimoto concluiu o concurso com um total de 88,465 pontos, ultrapassando no último aparelho o chinês Xiao Ruonteng (88.065 pontos) e o russo Nikita Nagornyy (88.031), graças a um exercício próximo da perfeição na barra fixa.

Aos 19 anos, Hashimoto tornou-se o mais jovem campeão olímpico, sucedendo ao compatriota Kohei Uchimura, vencedor da medalha de ouro no concurso completo em Londres2012 e Rio2016 e considerado um dos maiores ginastas de sempre, que optou por não defender o título em Tóquio.

O jovem atleta nipónico abordou o sexto e último aparelho no terceiro lugar, atrás de Xiao e Nagornyy, mas não acusou a inexperiência, nem a pressão, efetuando um exercício exemplar, que lhe valeu a pontuação de 14,933, mantida mesmo depois de um protesto da delegação chinesa.

O Japão também tinha protestado a pontuação de Hashimoto na prova de argolas, com idêntico desfecho, mas o novo campeão olímpico, que até esse momento tinha liderado a competição, manteve-se nas ‘proximidades do ouro’ e conseguiu mesmo arrebatá-lo na última oportunidade.

‘Pendurado’, imóvel, na barra fixa, o ginasta nipónico sabia exatamente o que precisava para subir ao lugar mais alto do pódio: uma pontuação de 14,533. Cinco movimentos vertiginosos sobre o aparelho e uma saída segura depois, Hashimoto nem precisou do veredicto dos juízes para celebrar.

Hashimoto permitiu ao Japão desforrar-se da derrota imposta pela Rússia – e por Nagornyy – na final por equipas e fazer esquecer a ausência de Uchimura, que se lesionou no ombro durante as qualificações e decidiu disputar o acesso à barra fixa.

29 Jul 2021

Tóquio 2020 | Japão mantém domínio absoluto no judo masculino com novo ouro

O Japão manteve esta terça-feira o domínio absoluto no torneio masculino de judo dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, com nova medalha de ouro, agora em -81 kg, categoria em que português Anri Egutidze foi eliminado no seu primeiro combate.

No Budokan, Takanori Nagase bateu na final Saeid Mollaei, da Mongólia, e deu o quarto ouro ao Japão na prova masculina, depois dos triunfos em -60 kg, -66 kg e -73 kg.

Ao todo, no judo, os anfitriões já levam cinco medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze, com o Kosovo e a França a conseguirem impedir o mesmo domínio nipónico na competição feminina. Pela primeira vez, o Japão não conquistou hoje nenhuma medalha na prova feminina.

Nagase, bronze no Rio2016 e campeão mundial em 2015, precisou apenas de 1.43 minutos para bater por ‘wara ari’ Mollaei, que ficou com a medalha de prata.

Nascido no Irão, Mollaei compete desde 2019 pela Mongólia, depois de ter renunciado ao seu país natal, por ter sido obrigado pelos seus treinadores a perder o combate da meias-finais do Mundial2019, de modo a evitar um duelo com o israelita Sagi Muki na final.

Isento na primeira ronda, o português Anri Egutidze foi eliminado logo no seu primeiro combate, frente ao austríaco Shamil Borchashvili, que viria a conquistar a medalha de bronze.

O judoca português, medalha de bronze nos Mundiais disputados em junho, perdeu no ‘ponto de ouro’ – prolongamento após os quatro minutos iniciais de combate -, com Borchashvili a impor-se por ‘waza-ari’. O belga Matthias Casse também arrecadou o bronze.

Na competição feminina, em -63 kg, a francesa Clarisse Agbegnenou, prata no Rio2016 e pentacampeão mundial, conquistou a sua primeira medalha de ouro, depois de bater na final a eslovena Tina Trstenjak, por ‘waza ari’. Maria Centracchio, da Itália, e Catherine Beauchemin-Pinard, do Canadá, ficaram com o bronze.

28 Jul 2021

Tóquio 2020 | Atiradores Jiang e Pang dão à China primeiro ouro por equipas mistas

Os atiradores Jiang Ranxin e Pang Wei garantiram hoje à China o primeiro ouro olímpico de sempre no estreante evento em Tóquio2020 de pistola de ar a 10 metros por equipas mistas, no Asaka Shooting Range.

Jiang Ranxin, de 21 anos, e Pang Wei, de 35, impuseram-se na final por 16-14 à dupla russa a competir sob bandeira do seu comité olímpico, formada por Vitalina Batsarashkina, de 24, e Artem Chernousov, de 25, que ficou com a medalha de prata.

No duelo para chegar à medalha de bronze venceu a dupla ucraniana formada por Olena Kostevych, de 36 anos, e Oleh Omelchuk, de 38, que derrotou por 16-12 a equipa mista sérvia constituída por Zorana Arunovic, de 34, e Damir Mikec, de 37.

Pang Wei e Jiang Ranxin, que participa pela primeira vez nos Jogos Olímpicos, garantiram o bronze nos eventos individuais da pistola de ar a 10 metros durante o fim de semana.

O atirador Pang Wei garantiu nos quartos Jogos em que participa a segunda medalha de ouro olímpica da sua carreira, após ter subido ao lugar mais alto do pódio em Pequim2008. No Rio2016, Pang Wei terminou no terceiro lugar.

27 Jul 2021

Tóquio 2020 | Anfitrião Japão sobe ao topo do medalheiro ao terceiro dia

O anfitrião Japão subiu esta segunda-feira à liderança do medalheiro dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, ao somar as mesmas três medalhas de ouro vencidas pelas representações britânica, americana e russa no terceiro dia, para se isolar com oito.

Entre os 21 títulos atribuídos, a Grã-Bretanha tocou pela primeira vez o lugar mais alto do pódio em solo nipónico, enquanto a China terminou uma série de 18 dias seguidos com pelo menos uma medalha de ouro olímpica, num evento em que 51 países já foram galardoados.

Os chineses ainda são a nação mais medalhada, com seis ‘ouros’ em 18 ‘metais’, mas não evitaram a descida da primeira à terceira posição da tabela, dando lugar ao Japão, seguido bem de perto pelos Estados Unidos, que aportam sete ‘ouros’ em 14 ‘metais’.

O país mais laureado de sempre no evento multidesportivo mundial fechou a jornada matinal de natação a vencer a final dos 4×100 metros livres masculinos, com 3:08.97 minutos, numa estafeta iniciada pela ‘estrela’ Caeleb Dressel, que se estreou em Tóquio2020, diante de Itália e Austrália, que travaram uma renhida luta pela ‘prata’.

Já a norte-americana Katie Ledecky perdeu a sua primeira final individual olímpica, após ‘limpar’ quatro seguidas, entre Londres2012 e Rio2016, onde fora a mais medalhada, ao ser destronada nos 400 livres, distância em que é recordista mundial, pela australiana Ariarne Titmus, de 20 anos, com 3:56.69 minutos, sendo a chinesa Li Bingjie terceira.

O britânico Adam Peaty prolongou o ‘reinado’ nos 100 metros bruços, distância na qual detém os 16 melhores registos da história, ao precisar de uns modestos 57,37 segundos para bater o holandês Arno Kamming, ‘prata’, e o italiano Nicolò Martinenghi, ‘bronze’.

Contra todas as expectativas, a canadiana Margaret MacNeil arrebatou os 100 mariposa femininos, com 55,59 segundos, à frente da chinesa Yufei Zhang, medalha de prata, e da australiana Emma McKeon, ‘bronze’, perante o sétimo posto da sueca Sarah Sjöstrom, recordista mundial e detentora do título olímpico, ainda a debelar uma lesão no cotovelo.

Esta jornada de natação conduziu ainda a novas marcas olímpicas femininas nas meias-finais dos 100 metros costas, que caiu pela quarta vez em dois dias, e dos 1.500 estilos, prova em estreia.

Outra surpresa surgiu nos saltos para a água, já que os britânicos Thomas Daley e Matty Lee negaram o quinto título seguido à China, segunda, na prancha sincronizada a 10 metros masculina, com 471,81 pontos, ficando o Comité Olímpico da Rússia em terceiro.

Os chineses deslizaram ainda num inédito torneio de pares mistos de ténis de mesa, ao perderem na final com o Japão, por 3-4, deixando o terceiro lugar na posse de Taipé.

No dia de estreia do râguebi de ‘sevens’, o ciclista britânico Thomas Pidcock venceu a prova de ‘cross country’, ao concluir destacadamente os 28,25 quilómetros em 1:25.14 horas – face à desistência do holandês Mathieu van der Poel, um dos favoritos – com o suíço Mathias Flueckiger a ser segundo e o espanhol David Valero Serrano em terceiro.

Kristian Blummenfelt ‘carimbou’ o primeiro ‘ouro’ norueguês em Tóquio2020, ao isolar-se na última volta da corrida para concluir a prova masculina de triatlo em 01:45.04 horas, adiantando-se ao britânico Alex Yee, ‘prata’, e ao neozelandês Hayden Wilde, ‘bronze’.

O Japão fez o ‘pleno’ nas provas de rua de skate, com Nomiji Nishiya, de 13 anos e 330 dias, a ser a quarta campeã mais nova em Jogos de verão, face à brasileira Rayssa Leal, de 13 anos e 203 dias, a mais jovem laureada desde Berlim1936, e à nipónica Funa Nakayama, de 16 anos, que fechou o pódio com menor média etária das Olimpíadas.

Igual ‘dobradinha’ assinaram os Estados Unidos nas provas de tiro ‘skeet’, com Amber English a vencer a ex-campeã italiana Diana Bacosi, renovando o recorde olímpico vigente, ao acertar em 56 dos 60 alvos, tendo a chinesa Wei Meng sido terceira.

Com apenas um alvo errado e uma nova marca olímpica renovada, Vincent Hancock resgatou o título perdido no Rio2016 e chegou ao inédito ‘tricampeonato’ diante do dinamarquês Jesper Hansen, ‘prata’, com o kuwaitiano Abdullah Alrashidi a ser ‘bronze’.

No tiro com arco houve nova demonstração de superioridade da Coreia do Sul, que dominou o concurso de equipas masculinas e derrotou na final o Taipé, por esclarecedores 6-0, ao passo que o último lugar do pódio foi obtido pelo Japão.

O judo proporcionou o título feminino de -57 kg à kosovar Nora Gjakova, vencedora por ‘ippon’ na final disputada com a francesa Sarah Leonie Cysique, depois de a canadiana Jessica Klimkait, campeã mundial, e a japonesa Tsukasa Yoshida dividirem o ‘bronze’.

Após três ‘ouros’ e uma ‘prata’, o terceiro dia de ‘glória’ dos anfitriões nos ‘tatamis’ foi amparado por Shohei Ono, que bateu por ‘waza-ari’ o georgiano Lasha Shavdatuashvili para assinar uma inédita ‘dobradinha’ na categoria masculina de -73 kg, enquanto o terceiro posto coube ao sul-coreano Changrim Na e ao mongol Tsogtbaatar Tsend-Ochir.

Antes dessa prova, o sudanês Mohamed Abdalrasool abdicou do combate com o israelita Tohar Butbul, que terminou em sétimo, dois dias depois de uma decisão similar do argelino Fethi Nourine frente ao mesmo adversário, em “apoio à causa palestina”.

Novo recorde olímpico estabeleceu a halterofilista Hidilyn Diaz na categoria feminina de -55 kg, ao levantar 224 quilos para dar uma inédita medalha de ouro às Filipinas, colocando-se à frente da chinesa Qiuyun Lião e da cazaque Zulfiya Chinshanlo.

A Rússia, a competir sob bandeira do seu comité olímpico, voltou a triunfar no concurso masculino por equipas na ginástica artística, 25 anos depois, com 262.500 pontos, após duas vitórias do Japão, campeão no Rio2016, que foi segundo, e três da China, terceiro.

Se esgrima trouxe uma final russa no sabre individual feminino, com Sofia Pozdniakova a impor a terceira derrota olímpica seguida a Sofya Velikaya e a francesa Manon Brunet a concluir o pódio, Ka Long Cheung, de Hong Kong, destronou o italiano Daniele Garozzo no florete masculino, cujo ‘bronze’ foi para o checo Alexander Choupenitch.

O Comité Olímpico da Rússia também saiu vitorioso na vertente masculina de -80 kg do taekwondo, na qual Maksim Khramtcov venceu o jordano Saleh Elsharabaty, com o egípcio Seif Eissa e o croata Toni Kanaet a repartirem louros pelo terceiro lugar.

Na prova feminina de -67 kg, a croata Matea Jelic superou a britânica Lauren Williams, ficando a egípcia Hedaya Malak e a costa-marfinense Ruth Gbagbi em terceiras.

O esloveno Benjamin Savsek ‘selou’ o primeiro ‘ouro’ nas provas de canoagem ‘slalom’ em Tóquio2020, ao ganhar na categoria C-1 masculina, com 98,25 segundos, sendo perseguido pelo checo Lukas Rohan, ‘prata’, e pelo alemão Sideris Tasiadis, ‘bronze’.

Para a história dos torneios olímpicos de basquetebol entrou a espanhola Laia Palau, ‘vice’ no Rio2016, que se tornou a atleta mais velha de sempre, com 41 anos e 319 dias, ao participar no triunfo sobre a Coreia do Sul, por 73-69, no início do evento feminino.

27 Jul 2021

Tóquio 2020 | Mais de metade da região de Tóquio assistiu à cerimónia de abertura

Mais de metade das famílias residentes na área metropolitana de Tóquio, na ordem de 56%, assistiram pela televisão à Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, apesar de uma forte oposição à realização do evento.

De acordo com os dados, foi a segunda maior audiência na região para uma Cerimónia de Abertura dos Jogos, que decorrem à porta fechada devido à pandemia de covid-19, e foi superada apenas pela organização de Tóquio em 1964.

A empresa de audiências Video Research Ltd indica que 56,4% das famílias na ‘Grande Tóquio’ assistiram em direto à cerimónia, na qual a tenista Naomi Osaka acendeu a pira olímpica e o imperador Naruhito declarou abertos os Jogos.

A Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos Tóquio1964 foi, na ocasião, acompanhada na televisão por 61,2% das famílias na região da capital japonesa, e, ainda em comparação, a cerimónia do Rio2016 por 23,6%, de Londres2012 por 24,9% e de Pequim2008 por 37,3%.

A sondagem foi efetuada junto de 2.700 famílias da região Canto, que incluiu Tóquio e mais seis prefeituras, mas as audiências a nível nacional deverão ser divulgadas ainda hoje.

26 Jul 2021

Tóquio 2020 | Japão ameaça China e Estados Unidos ‘aparecem’ ao segundo dia

O anfitrião Japão, com cinco ‘ouros’, acercou-se dos seis da China no topo do medalheiro de Tóquio2020, no segundo dia dos Jogos Olímpicos, também marcado pelas primeiras medalhas conquistadas pelos Estados Unidos, que dececionaram na estreia.

Os nipónicos voltaram a brilhar no judo e venceram de forma inédita a categoria feminina de -52 kg, graças ao triunfo por ‘ippon’ de Abe Uta, de 21 anos, sobre a francesa Amadine Buchard, com a britânica Chelsie Giles e a italiana Odette Giuffrida no terceiro posto.

Poucos minutos depois, o irmão Hifumi Abe, de 23 anos, festejou em -66 kg masculinos, ao bater igualmente por ‘ippon’ o georgiano Vazha Margvelashvili, numa vertente em que o brasileiro Daniel Cargnin e o sul-coreano An Baul ficaram com a medalha de bronze.

O judo ditou três dos cinco ‘ouros’ do Japão, que também viu Yuto Horigome, com 37,18 pontos, impor-se na variante de rua do skate, em estreia nas Olimpíadas, a par do surf, face à ‘prata’ do brasileiro Kelvin Hoefler e ao terceiro lugar do americano Jagger Eaton.

Já a nadadora Yui Ohash cumpriu os 400 metros estilos em 4:32.08 minutos, à frente de Emma Weyant e Hal Flickinger, que ajudaram os Estados Unidos a chegar aos 10 ‘metais’, num dia que atribuiu 18 títulos e deu arranque a basquetebol, canoagem, mergulho e vela.

No sábado, o país mais laureado de sempre no maior evento multidesportivo do mundo não tinha integrado qualquer pódio, quebrando um recorde de 141 dias seguidos a somar medalhas olímpicas nos Jogos de verão, que vigorava desde a renúncia em Moscovo1980.

O nadador Chase Kalisz impulsionou o ressurgimento da ‘Team USA’ nos 400 metros estilos, ao vencer em 4:09.42 minutos, após ter sido ‘vice’ na distância no Rio2016, à frente do compatriota Jay Litherland, ‘prata’, e do australiano Brendon Smith, ‘bronze’.

Maior surpresa ofereceu o triunfo nos 400 livres do tunisino Ahmed Hafnaoui, de 18 anos, que entrou com o pior tempo da qualificação e impôs-se em 3:43.36 minutos ao australiano Jack McLoughlin, segundo, e ao norte-americano Kieran Smith, terceiro.

Com o ‘lendário’ Michael Phelps a comentar nas bancadas, o primeiro dia de finais da natação finalizou com o expectável ‘tricampeonato’ da estafeta feminina da Austrália nos 4×100 livres, bem distante de Canadá, segundo, e Estados Unidos, terceiro, e marcado por novo máximo mundial, de 3:29.69 minutos, contra 3:30.05 por si fixados em 2018.

A tarde trouxe novas marcas olímpicas no decurso das eliminatórias dos 100 metros bruços e dos 100 costas femininos, cujo anterior máximo foi batido por três vezes num espaço de seis minutos, baixando pela primeira vez dos 58 segundos.

Já a China ‘limpou’ a primeira prova de saltos para a água feminina, com a dupla composta por Shi Tingmao e Wang Han a somar 326,40 pontos para vencer na prancha sincronizada a três metros, sem dar esperanças a Canadá, ‘prata’, e Alemanha, ‘bronze’.

A austríaca Anna Kiesenhofer surpreendeu na prova de fundo de ciclismo de estrada, ao cumprir os 137 quilómetros, entre o parque Musashinonomori e a Pista Internacional de Fuji, em 3:52.45 horas, com 1.15 minutos de vantagem sobre a holandesa Annemiek van Vleuten e 1.29 sobre a italiana Elisa Longo Borghini, que repetiu o terceiro lugar do Rio2016.

No tiro, o norte-americano William Shaner bateu o recorde olímpico, com 251,6 pontos, e chegou ao ‘ouro’ na carabina de ar a 10 metros masculino, aos 20 anos, escapando à concorrência dos chineses Sheng Lihao, de 16 anos, segundo, e Yang Haoran, terceiro.

A atiradora russa Vitalina Batsarashkina, ‘vice’ no Rio2016, venceu a prova de pistola de ar a 10 metros feminina, ao impor-se na final à búlgara Antoaneta Kostadinova, somando 240,3 pontos, um novo recorde olímpico, num pódio fechado pela chinesa Ranxin Jiang.

Nessa prova esteve a georgiana Nino Salukvadze, que ficou arredada nas eliminatórias, ao ser 31.ª colocada, tornando-se a primeira mulher a estar presente em nove edições de Jogos Olímpicos, a começar por Seul1988, quando venceu na pistola a 25 metros e foi prata na pistola de ar a 10 metros, variante na qual alcançou o ‘bronze’ em Pequim2008.

Menos uma participação logrou a uzbeque Oksana Chusovitina, de 46 anos, que se despediu como a ginasta mais velha da história olímpica, 29 anos depois da estreia em Barcelona1992, quando foi campeã por equipas pela antiga União Soviética, numa carreira em que também arrecadou a ‘prata’ na prova do cavalo, pela Alemanha, em Pequim2008.

A equipa feminina de tiro com arco da Coreia do Sul continuou implacável, ao subir pela nona vez seguida ao topo do pódio – num dos três mais longos ‘reinados’ olímpicos em vigor -, após ganhar na final à representação russa, por 6-0, com a Alemanha em terceiro.

Inédita foi a ausência de representação italiana no pódio do florete individual feminino desde Seul1988, uma vez que a norte-americana Lee Kiefer subiu ao primeiro lugar, acompanhada pelas russas Inna Deriglazova, ‘prata’, e Larisa Korobeynikova, ‘bronze’.

Quanto ao concurso masculino de espada, o esgrimista Romain Cannone suplantou o húngaro Gergely Siklosi e o ucraniano Igor Reizlin para dar o primeiro título à França, numa tabela de medalhas com 40 países e liderada pela China, com seis ‘ouros’ em 11 ‘metais’.

No halterofilismo, Li Fabin e Lijun Chen pulverizaram os recordes olímpicos nas competições masculinas de -61 kg e -67 kg, ao levantarem 313 e 332 quilos, respetivamente, com Fabin a superar o indonésio Eko Yuli Irawan e o cazaque Igor Son, enquanto Chen bateu o colombiano Luis Mosquera Lozano e o italiano Mirko Zanni.

Já o lutador de taekwondo uzbeque Mirko Zanni sagrou-se campeão na categoria masculina de -68 kg, à frente do britânico Bradly Sinden, ficando o derradeiro lugar do pódio repartido pelo chinês Shuai Zhao e pelo turco Hakan Recber.

Em -57 kg femininos, a norte-americana Anastasija Zolotic ganhou na final à russa Tatiana Minina, com o ‘bronze’ para a taiwanesa Chia-Ling Lo e para turca Hatice Ilgun, que afastara antes a iraniana Kimia Alizadeh, em representação da equipa olímpica de refugiados, vencedora do confronto com a britânica Jade Jones, bicampeã olímpica, nos ‘oitavos’.

O segundo dia de Tóquio2020 trouxe ainda a primeira eliminação de sempre da líder mundial vigente do ‘ranking’ WTA de ténis, dada a derrota em dois ‘sets’ da australiana Ashleigh Barty, recente vencedora em Wimbledon, com a espanhola Sara Sorribes.

De fora está ainda o britânico Andy Murray, consagrado em Londres2012 e no Rio2016 como inédito bicampeão em singulares masculinos, devido a uma lesão crónica na anca.

Outra grande surpresa aconteceu já em fecho de sessão, com a superfavorita equipa dos Estados Unidos, composta pelas ‘estrelas’ da Liga Norte-americana de Basquetebol (NBA), a perder na estreia com a França, por 83-76.

26 Jul 2021

Tóquio 2020 | China conquista o ouro na primeira prova de mergulho

A China conquistou ontem com facilidade a primeira prova de saltos para a água dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, com a dupla Shi Tingmao e Wang Han a arrecadarem a medalha de ouro na prancha sincronizada a três metros feminina.

A dupla chinesa somou 326,40 pontos e garantiu o primeiro lugar do pódio com 25,62 de vantagem sobre Jennifer Abel e Melissa Citrini-Beaulieu (300,78), que deram a medalha de prata ao Canadá, e à frente das alemãs Lena Hentschel e Tina Punzel (284,97), bronze.

Shi Tingmao já tinha conquistado o ouro no Rio2016, na altura fazendo equipa com Wu Minxia. A China conquistou 37 das 48 medalhas de ouro nos saltos para a água nos últimos sete Jogos Olímpicos

26 Jul 2021

Tóquio2020 | Arrancam hoje uns dos mais estranhos Jogos Olímpicos da Era Moderna

Realiza-se hoje a cerimónia de inauguração dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, com o habitual cortejo das comitivas dos países participantes e quatro horas de espectáculo. Tudo o resto será inédito nestas olimpíadas, das medidas sanitárias, à ausência de público, passando pela possibilidade de cancelamento e o estado de emergência em Tóquio. Até ontem, a organização dava conta de mais de 90 infecções de covid-19 entre pessoas credenciadas para os jogos, enquanto Tóquio

 

Ao final da tarde de hoje, 19h de Macau, arrancam oficialmente os Jogos Olímpicos Tóquio2020. A cerimónia de inauguração terá como palco o novo Estádio Olímpico da capital japonesa, e seguirá o protocolo tradicional com a abertura oficial a cargo do Imperador Naruhito, seguido dos juramentos da praxe e da habitual parada das comitivas de todos os países participantes.

A primeira nação a entrar no Estádio Olímpico será, como dita a tradição, a Grécia, seguida de uma comitiva de atletas refugiados e dos restantes países por ordem alfabética do país organizador. O cartaz prossegue com a apresentação de uma série de espectáculos.

A grande diferença para as edições anteriores é a ausência de público nas bancadas e as medidas sanitárias de controlo da propagação da covid-19. Como não poderia deixar de ser, a pandemia tem sido o foco principal das olimpíadas, depois de adiamento no ano passado, dos protestos contra a realização e dos múltiplos casos de infecção.

Aliás, o próprio chefe do comité organizador do Tóquio2020 Toshiro Muto, afirmou na quarta-feira que não excluía a possibilidade do cancelamento dos Jogos Olímpicos, que estaria atento aos números de infecção.
Importa referir que mais de 90 pessoas credenciadas para as olimpíadas testaram positivo à covid-19 antes da cerimónia de abertura. Além disso, a capital japonesa atravessa um novo pico de infecções, com o registo de 1.832 novos casos na quarta-feira.

A cidade anfitriã dos Jogos Olímpicos vive, neste momento, o seu quarto estado de emergência, que se manterá até 22 de Agosto, abrangendo a duração total dos Jogos Olímpicos, que terminam a 8 de Agosto.
Especialistas da área da saúde alertaram que o número de novos casos de infecção pelo coronavírus em Tóquio vai agravar-se nas próximas semanas.

O médico Norio Ohmagari, membro do painel de especialistas do governo da área metropolitana de Tóquio, considera que a média diária de casos na capital poderá atingir cerca de 2.600 em duas semanas, se continuarem a surgir ao mesmo ritmo.

Apesar de tudo, o presidente do Comité Olímpico Internacional (COI) Thomas Bach afirmou na quarta-feira que o cancelamento “nunca foi uma opção”.

Portugueses na aldeia olímpica

“Se há um país que consegue organizar uns Jogos Olímpicos no meio desta pandemia é o Japão. Na semana de treinos em Kaga era ridículo o pormenor a que chegavam”, elogiou Rui Bragança, representante único do taekwondo luso em Tóquio2020.

O atleta vimaranense, que também é médico, recordou a zona isolada em que a comitiva viajou no avião, com direito a instalações sanitárias privadas, e contou que, já no Japão, os guias “controlam tudo”, para que nada falhe em termos de segurança sanitária.

“Os nossos guias controlavam tudo ao máximo. Todos os voluntários fazem tudo por tudo para as regras serem seguidas. Fui treinar ao local oficial e estava tudo desinfectado, com divisórias no ringue e tudo. Estes Jogos Olímpicos são uma amostra de que com esforço e dedicação tudo é possível”, vincou o lutador, que compete amanhã.

A judoca Catarina Costa, igualmente formada em medicina, garante que se tem sentido “bastante segura” na aldeia olímpica, uma vez que “quase todos os atletas cumprem as regras”. “É raro ver alguém sem máscara. Tenho alguma preocupação extra e evito estar tão perto de outras pessoas, como no refeitório. Está tudo a correr muito bem e todos estão a tomar as devidas medidas”, assegurou a atleta, oitava classificada no ‘ranking’ de qualificação na categoria de -48 kg, que também se estreia amanhã.

O nadador José Paulo Lopes, de apenas 20 anos, entende que a pandemia “está controlada” na aldeia olímpica, uma vez que “quase toda a gente cumpre com os requisitos”.

“Não nos afecta assim tanto, pois já estamos habituados a viver assim. Não foge à normalidade que estamos a viver em Portugal”, desdramatizou o bracarense, que vai competir nos 800 metros livres e 400 metros estilos.

Se a segurança em termos de saúde pública não é preocupação para estes competidores lusos, já a falta de público limita um pouco a experiência e até a preparação.

Por exemplo, no Rio2016, Júlio Ferreira, que falhou a qualificação, foi parceiro de treino de Rui Bragança, situação que se repete agora em Tóquio2020, com a diferença do companheiro não poder, desta vez, ficar instalado no complexo que alberga os competidores.

“A família e amigos que não vieram (…), mas isso até pode ser motivação extra, pois continuaram a apoiar-nos neste ano e meio. Nos momentos mais difíceis estiveram sempre lá e agora vamos lutar por eles. As bancadas estão vazias, mas eles estão em casa de madrugada a gritar por nós”, disse o nono classificado no Rio2016.

Glória ao pescoço

Portugal chega a Tóquio2020 com o judoca Jorge Fonseca com o estatuto de bicampeão do mundo de -100 kg e outros ‘vices’, como os irmãos velejadores Diogo Costa e Pedro Costa, o marchador João Vieira, a lançadora Auriol Dongmo e a surfista Yolanda Sequeira.

Também Pedro Pichardo detém a melhor marca mundial no triplo salto, numa lista de ‘candidatos’ que tem de incluir o canoísta Fernando Pimenta e a judoca Telma Monteiro, ambos já medalhados, mas também o skater Gustavo Ribeiro, a selecção de andebol e o ‘eterno’ Nelson Évora, o único campeão olímpico português em actividade, apesar dos recentes resultados menos positivos.

“O ano de 2019 foi muito forte com resultados em Mundiais. Também não deixámos de ser mais ambiciosos quando assinámos o contrato-programa do que aquilo que já tínhamos logrado alcançar, com uma medalha em cada uma delas. Contratualizámos duas medalhas para Tóquio, e essa ambição foi sendo acompanhada pelos resultados conquistados”, afirmou o Chefe de Missão de Portugal, Marco Alves.

O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), José Manuel Constantino, admitiu que esperava o apuramento de atletas em karaté, tiro e futebol, ficando, por isso, aquém do objectivo de 19 modalidades em prova nesta edição dos Jogos Olímpicos.

“Estou satisfeito em relação aos objectivos atingidos, de número de atletas, percentagem de género, tínhamos estabelecido como limite os 60 por cento de homens. Com algumas boas surpresas que o apuramento suscitou, como a questão do andebol, as duas mulheres no surf, o jovem das águas abertas [Tiago Campos], mas não estou satisfeito relativamente ao número de modalidades previstas”, afirmou.

O presidente do COP considera que o valor da missão “está em linha” com a apresentada no Rio2016, onde Portugal conquistou uma medalha de bronze, pela judoca Telma Monteiro, e 10 diplomas (classificações entre o quarto e oitavo lugares), confirmando que as expectativas de resultados estão “em consonância com essa avaliação”.

Dias bizarros

“[Vão ser] uns Jogos estranhos, difíceis, muito diferentes do que estamos habituados, porque os constrangimentos, limitações, dificuldades estabelecidas criam-nos a expectativa de que as coisas vão correr bem, mas num quadro completamente diferente”, advertiu o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP).

Apesar das dificuldades anunciadas, e da oposição por parte da maioria da população japonesa, Constantino disse esperar que as exigências sejam amenizadas.

Na véspera do início dos Jogos Olímpicos, Tóquio parece viver alheado do maior evento desportivo do mundo, algo só possível numa sociedade altamente respeitadora, face a um vírus que levou ao inédito adiamento da competição.

As 43 infraestruturas alocadas aos Jogos Olímpicos estão devidamente ‘protegidas’ dos japoneses, impedidos de assistir ao evento presencialmente – depois de já ter sido negada essa possibilidade aos estrangeiros -, pelo que o habitual ‘circo’ olímpico, que apaixona milhões, funciona absolutamente fechado, como nunca aconteceu.

Os XXXII Jogos vão ter bancadas despidas de entusiasmo, ficando entregues somente a atletas, dirigentes, árbitros, jornalistas, organizadores e milhares de voluntários, transformando o evento global e agregador de culturas e povos num produto, apenas e só, mediatizado. Pela primeira vez desde a primeira edição, em Atenas1896, não haverá o que os Jogos têm de mais especial, o intercâmbio e partilha entre culturas, em espírito de tolerância, compreensão e harmonia, enquanto são desafiadas as melhores aptidões do Homem.

Com ou sem o mais puro espírito olímpico, serão cerca de 11.000 os desportistas a lutarem pela honra de ser um dos 339 campeões olímpicos, em provas distribuídas por 33 modalidades.

De Portugal viajaram 92 atletas, em representação de 17 desportos, com o objectivo de atingirem, pelo menos, duas medalhas, 12 diplomas, com lugares até ao oitavo, bem como 26 resultados até ao 16.º.

A esperança lusa

O atletismo é a modalidade com mais portugueses em prova, com 20 atletas, um acima de Pequim2008, mas longe dos 24 no Rio2016 e dos 25 em Londres2012.

Aos 37 anos, Nelson Évora, campeão no triplo salto em Pequim2008, vai estar pela quarta vez nos Jogos Olímpicos, depois de um sexto lugar no Rio2016 e do 40.º em Atenas2004, tendo falhado Londres2012 por lesão.

Também Pedro Pablo Pichardo e Patrícia Mamona, que se sagraram campeões europeus em pista coberta, asseguraram a presença no triplo salto, tal como os estreantes Evelise Veiga e Tiago Pereira.
Auriol Dongmo, campeã continental em pista coberta, vai participar no lançamento do peso, assim como Francisco Belo e Liliana Cá, no disco, novatos em Jogos.

João Vieira, aos 45 anos, vai estar nos 50 quilómetros marcha, na sexta vez em Jogos — apesar de qualificado, por motivos de doença, não chegou a participar na prova de marcha (20 km) em Sydney2000 —, tornando-se no segundo luso com mais presenças, a uma do velejador João Rodrigues. Ainda na marcha, Ana Cabecinha assegurou a quarta participação olímpica e na maratona Portugal estará representado por Carla Salomé Rocha, Sara Catarina Ribeiro e Sara Moreira.

A estes nomes juntam-se Salomé Afonso, nos 1.500 metros, distância a que regressa Marta Pen, 36.ª no Rio2016. Carlos Nascimento estreia-se nos 100 metros, assim como Ricardo dos Santos nos 400, distância que Cátia Azevedo, 31.ª no Rio2016, volta a correr.

Irina Rodrigues, que falhou Rio2016 por lesão, também se qualificou, e Lorene Bazolo, a mulher mais rápida de Portugal e que também já foi aos Jogos pelo Congo, somou aos 100 metros por marca os 200 por ‘ranking’.

Transmissão grátis

A cerimónia de inauguração do Tóquio2020 é transmitida hoje às 19h na TDM. O HM tentou apurar junto do Gabinete de Comunicação Social se o Governo da RAEM terá pago para transmitir os Jogos Olímpicos na TDM. O organismo liderado por Inês Chan revelou que relativamente ao “acordo entre a TDM e o China Media Group para a transmissão dos Jogos Olímpicos de Tóquio e dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, tratou-se de uma das políticas do Governo Central favoráveis a Macau e os direitos de transmissão são gratuitos”. Com Lusa e J.S.F.

23 Jul 2021

Tóquio 2020 | Atleta checo residente na aldeia olímpica infetado com novo coronavírus

O jogador checo de voleibol de praia Ondrej Perusic, residente na aldeia olímpica de Tóquio2020, teve um teste com resultado positivo ao novo coronavírus, anunciou hoje o Comité Olímpico da República Checa.

Perusic efetuou o teste no domingo (18 de julho) e “não apresenta absolutamente qualquer sintoma” associado à covid-19, segundo o chefe de missão do país nos Jogos Olímpicos, Martin Doktor, que adiantou terem sido tomadas “medidas para evitar a transmissão [da infeção] aos membros da comitiva”.

Desde a chegada das delegações à capital japonesa, quatro atletas acusaram positivo nos testes de despistagem ao novo coronavírus, de acordo com a organização dos Jogos Olímpicos, ainda sem contabilizar o caso de Perusic.

O Comité Olímpico Internacional (COI) informou também hoje que os contactos próximos de um caso positivo em Tóquio2020, o que deverá suceder com alguns elementos da delegação checa, devem ser isolados, mas continuarem a poder treinar.

Os Jogos Olímpicos Tóquio2020, adiados para este ano devido à pandemia de covid-19, realizam-se de 23 de julho a 08 de agosto.

19 Jul 2021

Jogos Olímpicos de Tóquio transmitidos na TDM

Além de assegurar a transmissão dos Jogos Olímpicos na estação pública de Macau, o acordo assinado entre o Governo e o China Media Group autoriza a exibição de um programa alusivo à celebração do 100.º Aniversário da Fundação do Partido Comunista da China. Ho Iat Seng sublinhou que o acordo permite aos residentes sentir a “atenção e o apoio do Governo Central a Macau”

 

O Governo assinou ontem um acordo de cooperação estratégica com o China Media Group, que autoriza a transmissão dos Jogos Olímpicos de Tóquio em Macau pela TDM. Adicionalmente, ficou também acordada a exibição de um programa alusivo à celebração do 100º Aniversário da Fundação do Partido Comunista da China (PCC), bem como a assinatura de um acordo de cooperação entre a Representação da Estação Ásia-Pacífico do China Media Group e a Universidade de Macau.

No discurso de abertura, o Chefe de Executivo, Ho Iat Seng assinalou que o acontecimento marca “um maior desenvolvimento da cooperação entre as (…) duas partes” e concretiza o Acordo-Quadro assinado entre Macau e o China Media Group a 26 de Dezembro de 2020. Para Ho, quem sai a ganhar são os residentes de Macau, pois o acordo permite sentir o apoio dado pelo Governo Central ao território e contribui para o espírito de união global em torno do combate contra a pandemia de covid-19

“Estas iniciativas [permitem] (…) aos nossos residentes sentir mais aprofundadamente a atenção e o apoio do Governo Central a Macau. Com a autorização da transmissão dos Jogos Olímpicos em Macau, os residentes terão oportunidade de acompanhar as emocionantes e intensas competições e sentir o espírito persistente e tenaz dos atletas dos vários países, espírito este que é tão valioso neste momento que vivemos unidos no combate à epidemia e em prol da recuperação do desenvolvimento socioeconómico”, apontou Ho Iat Seng.

Sobre a exibição do programa original do China Media Group acerca da celebração do 100º Aniversário da Fundação do PCC, o Chefe do Executivo vincou que permitirá aos residentes “ter um mais amplo e profundo conhecimento sobre a história centenária do PCC e consolidar o sentimento de amor pela Pátria e por Macau dos diversos sectores sociais e dos residentes em geral”.

Quanto ao acordo com a Universidade de Macau, Ho deixou a certeza de que a iniciativa irá permitir oferecer um palco maior para o desenvolvimento do curso de comunicação social da instituição.

De mãos dadas

Na mesma ocasião, o Chefe do Executivo sublinhou que a cooperação com o China Media Group é um trabalho conjunto que serve, simultaneamente, “para contar a história chinesa e difundir a voz da China” e mostrar “a imagem única e encantadora da cidade de Macau”, exemplo prático da concretização “bem-sucedida do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ com características de Macau”.

Referindo-se a uma “nova fase”, Ho Iat Seng assegurou ainda que Macau está empenhada em aprender e implementar o “espírito do importante discurso do Presidente Xi Jinping proferido na cerimónia de celebração do 100º Aniversário do PCC”.

“Nesta nova fase, e tirando partido das novas oportunidades, iremos, de mãos dadas com todos os sectores da sociedade, participar activamente na construção da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau, acelerar o desenvolvimento adequado e diversificado da economia e escrever um novo capítulo da prática bem-sucedida da causa ‘Um País, Dois Sistemas’”, vincou.

19 Jul 2021

Tóquio regista maior número de casos de covid-19 em seis meses a dias dos Jogos Olímpicos

A capital do Japão, Tóquio, anfitriã dos Jogos Olímpicos, informou ontem ter registado 1.308 novas infeções pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, o maior número de casos desde janeiro passado, a oito dias do arranque da competição desportiva.

Os Jogos Olímpicos Tóquio2020 vão ser disputados entre 23 de julho e 08 de agosto, após o adiamento em um ano devido à pandemia de covid-19.

Pelo segundo dia consecutivo, a capital nipónica ultrapassa a barreira dos 1.000 novos casos diários da doença covid-19, número que não era registado há seis meses e que vem confirmar uma tendência de crescimento que tem sido verificada no último mês, de acordo com o executivo metropolitano de Tóquio.

A cidade tem observado um grande aumento de casos desde a semana passada, situação que levou o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, a declarar um novo estado de emergência (o quarto desde o início da crise pandémica) na região de Tóquio, que vigorará até 22 de agosto e que coincidirá com a celebração dos Jogos Olímpicos.

Após a declaração do estado de emergência, o comité organizador dos Jogos Olímpicos, as autoridades locais e o Governo japonês anunciaram a decisão de realizar o evento sem público.

A par das bancadas sem espetadores, os Jogos Olímpicos serão realizados num ambiente de inúmeras restrições sem precedentes para todos os atletas participantes, nomeadamente uma limitação de circulação à zona olímpica e um acompanhamento constante do seu estado de saúde, entre outras medidas.

A pandemia de covid-19 provocou, até à data, mais de quatro milhões de mortos em todo o mundo, entre mais de 188 milhões de casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo a agência France-Presse (AFP).

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, Índia, África do Sul, Brasil e Peru.

16 Jul 2021

Tóquio 2020 | Presidente do Comité Olímpico pede “recepção calorosa” aos atletas

O presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, pediu hoje aos japoneses “uma recepção calorosa” aos atletas que vão participar nos Jogos Olímpicos Tóquio2020, que decorrerão sob fortes restrições devido à pandemia de covid-19.

“Peço ao povo japonês que dê uma calorosa saudação de boas-vindas aos atletas de todo o mundo, que superaram tantos desafios, e treinaram afincadamente para este momento”, afirmou o presidente do COI.

Bach fez este pedido no final de um encontro com o primeiro-ministro nipónico, Yoshihide Suga, e responsáveis do comité organizador, no qual foi informado de alguns detalhes do evento, que começa em 23 de julho.

“As medidas sanitárias para os atletas estão a ser aplicadas e estão a funcionar”, afirmou Thomas Bach, dando como exemplo o caso de em 8.000 testes ao novo coronavírus realizados à chegada a Tóquio foram detetados apenas três infeções.

O presidente do COI referiu ainda que 85% dos residentes na Aldeia Olímpica – atletas e técnicos – chegarão ao Japão já vacinados.

Bach considerou que os Jogos Tóquio2020, que terminam em 08 de agosto, “serão históricos por diversas razões” e terão “milhões e milhões de pessoas frente aos ecrãs”, uma vez que a competição será disputada à porta fechada.

14 Jul 2021

Covid-19 | Governo japonês decreta estado de emergência em Tóquio durante Jogos Olímpicos

O Governo japonês decidiu declarar um novo estado de emergência em Tóquio, avançaram hoje meios de comunicação social, devendo abranger todo o período dos Jogos Olímpicos, que começam dentro de duas semanas, devido ao aumento de casos de covid-19.

“O Governo decidiu declarar o quarto estado de emergência em Tóquio e já comunicou a decisão à coligação” que apoia o Governo, noticiou hoje a estação televisiva estatal NHK.

O estado de emergência ficará em vigor até 22 de agosto, segundo diversos meios de comunicação social, cobrindo o período dos Jogos Olímpicos, que decorrem em Tóquio entre 23 de julho e 08 de agosto.

De acordo com a agência Kyodo, que cita um alto funcionário do Governo, também é possível que as provas olímpicas não tenham público a assistir.

Em março, os organizadores tinham proibido a presença de espectadores oriundos do estrangeiro nos Jogos, o que é um facto inédito na história olímpica.

Mais tarde, em junho, as autoridades japonesas anunciaram que iriam autorizar a presença de espectadores locais, mas com 50% da capacidade dos locais das provas e com o limite máximo de 10.000 pessoas.

Mais recentemente, o Governo alertou para a hipótese de fechar as portas à presença de espectadores para as provas, mas apenas como uma das opções que estavam a ser estudadas, perante o agravamento da situação pandémica.

Uma decisão final sobre as restrições a aplicar sobre a presença do público deve ser tomada nos próximos dias, após uma tomada de posição oficial do Governo sobre o estado de emergência.

O Japão foi relativamente poupado, na pandemia de covid-19, em comparação com muitos outros países, com cerca de 14.800 mortes registadas desde o início da pandemia, mas os especialistas têm-se mostrado particularmente preocupados com o efeito dos Jogos Olímpicos num eventual aumento de propagação do novo coronavírus.

Cerca de 11.000 atletas são esperados para os Jogos Olímpicos, obrigando as autoridades japonesas a tomar medidas drásticas a todos os participantes das provas.

7 Jul 2021

Tóquio 2020 | Organização pede ao público para evitar assistir ao vivo à maratona

A organização dos Jogos Olímpicos Tóquio2020 e as autoridades japonesas pediram ontem ao público para evitar assistir ao vivo à prova da maratona, devido ao elevado risco de infeção com o novo coronavírus.

A maratona, umas das mais emblemáticas provas olímpicas, e as competições de marcha de Tóquio2020 vão realizar-se em Saporo, 800 quilómetros a norte da capital japonesa, onde se disputarão a maioria dos eventos desportivos, entre 23 de julho e 08 de agosto.

Em março, as autoridades japonesas proibiram a presença de espectadores provenientes do estrangeiro para assistirem aos Jogos Olímpicos e novas medidas restritivas da presença de público podem ser anunciadas ainda durante esta semana.

O Japão passou por uma crise sanitária menos grave do que muitos outros países afectados pela pandemia de covid-19, mas demorou a lançar uma campanha de vacinação, pelos que as infeções continuam em alta na região de Tóquio.

7 Jul 2021