Um Grito no Deserto VozesObrigado pela sua participação Paul Chan Wai Chi - 22 Mai 2026 Recentemente, a frase “obrigado pela sua participação” aparece frequentemente nos telemóveis daqueles que participaram no “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026”. Nos programas de rádio onde a audiência é chamada a expressar a sua opinião sobre assuntos da actualidade, também se ouve amiúde a frase “obrigado pela sua participação”. De acordo com estatísticas oficiais, a probabilidade média global de ganhar cupões durante as primeiras quatro semanas do “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026” foi de 69,0 por cento, dados de que eu não duvido. No entanto, baseado na minha experiência e em informação reunida a partir de várias fontes, parece que o valor monetário dos cupões passou das significativas quantias iniciais para as muito menos expressivas quantias actuais. 31 por cento dos “obrigado pela sua participação” caem no saco roto dos consumidores desapontados. O objectivo do “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026” é estimular os gastos e não trazer desilusões aos consumidores. É fundamental encarar a realidade de frente para resolver os verdadeiros problemas. A taxa de 69 por cento de premiados e a forma como os cupões de variados valores são distribuídos pelos consumidores é uma questão de manipulação de dados, desconhecida do público. Os cidadãos sentem que estão apenas a “tentar a sua sorte” no “Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026”. O Governo teria feito melhor se tivesse incentivado os cidadãos a comprar em Macau através da reintrodução do “cartão de consumo electrónico” (Plano de Benefícios do Consumo por Meio Electrónico de Macau), uma vez que todos poderiam usufruir em pé de igualdade dos benefícios concedidos. Dado que o “círculo de vida de uma hora” foi formado na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, Macau está em desvantagem em relação à China continental em termos do preço dos seus produtos, e a tendência de os cidadãos da cidade se irem abastecer ao continente é irreversível. Sob a dupla pressão do envelhecimento da população e do decréscimo da taxa de natalidade, a que se junta um afluxo significativo de trabalhadores qualificados, embora a taxa de desemprego de Macau pareça manter-se baixa, nos 2,1 por cento, existem desequilíbrios entre a procura e a oferta no mercado de trabalho. Uma grande percentagem de desempregados que procuram trabalho é composta por jovens altamente qualificados, o que demonstra um problema estrutural. Com um grupo de licenciados prestes a entrar no mercado de trabalho após as férias de Verão, as perspectivas não são risonhas. Dados divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam alguns problemas e outros ainda mais preocupantes podem estar ocultos noutros dados que não foram incluídos nas estatísticas compiladas pela DSEC. Tai Kin Ip, que foi Sub-Director da Direcção dos Serviços de Economia, Director dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico, Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização e Secretário para a Economia e Finanças, é reconhecido pelo seu profundo conhecimento da actual situação económica de Macau e especialmente da futura Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Espero que o Governo da RAEM possa designar o mais rapidamente possível o novo Secretário para a Economia e Finanças, para vir a assumir a pesada responsabilidade de “gerir a economia e beneficiar o povo”. Como Hengqin ainda está na fase de investimento em recursos e construção, Macau, integrando-se no desenvolvimento nacional global, deve também focar-se no seu próprio desenvolvimento; caso contrário, só irá dificultar o progresso do país. Após o encerramento dos casinos-satélite, a forma de activar as áreas comerciais em seu redor é uma questão a resolver, enquanto os encerramentos consecutivos de pequenas e médias empresas nos bairros antigos e o grande número de lojas vazias para arrendamento ou venda nestes mesmos bairros é outra. Se estas questões não puderem ser resolvidas, a bela história da plena cooperação entre os ramos executivo e legislativo ficará inevitavelmente manchada. Durante as viagens ao estrangeiro à procura de oportunidades de negócio, o Chefe do Executivo pode considerar vir a visitar informalmente os bairros antigos de Macau. Depois de confraternizar com os habitantes destes bairros, é natural que venha a ter uma abordagem mais realista para o “3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM”. Recentemente, a Sands China lançou os projectos de revitalização das zonas históricas para a Rua das Estalagens, composta pelo “Programa de Recrutamento de Empreendedores para a Rua das Estalagens 2.0” e pelo “Programa para Redesenhar Imagens de Marca para a Rua das Estalagens”, iniciativas pelas quais vale a pena esperar. Espero que, após as sessões de esclarecimento e os cursos de formação relativos às iniciativas acima referidas, os resultados da avaliação sejam justos e equitativos, correspondendo às expectativas do público e alcançando os efeitos desejados, em vez de apenas dizer “obrigado pela sua participação” aos participantes com boas intenções.