Falar de nós

Falando de nossos feitos, são os efeitos melhorados, seguros, e naturalmente previsíveis no que à autossugestão diz respeito. Muitas vezes nem acrescentamos mais interesse que o imenso prazer dado pela valorização das coisas que em nós se enaltecem. Mostrar de nós coisas tão iguais a outras quaisquer nem é bem uma disputa, mas tão-somente um reflexo comparativo que todos tendemos a distribuir.

Depois os que se afundam na intrigante “originalidade” que nunca, ou quase nunca intriga (exatamente pela ausência de tal componente) podendo nós mesmo afirmar que alguém carismático pouco se apercebe desse impacto em seu redor na medida que ele é inato, mas, e dado que é particularidade perturbador e sem resposta, os que falam de si falam também de outros «sis» “de si” “de sim” “de não” e assim, num alvoroço que desconhece o poder central, se vão ajaezando à andaluza (que ao vidente nada se recusa) os que falando de todos, de si falam com demarcação e lunatismo padecentes.

Falando de nós que também merecemos, nós, aqueles que fazem, que estão de pé, que não baixam a guarda, que todos os dias lutam na aflitiva selva do desarranjo mental do mundo, dos que estão sós por destino e suprema ambição de liberdade – falando de nós, digamos – nós nem sabemos bem o que de nós mesmos dizer. Parece-nos irrisório, por outro lado, uma grosseria ocupar tempo alheio com tais voluntarismos, e por isso somos sempre aqueles que menos falam. Gente existe que opina de modo reverberante qualquer tema como instigados pela pressa de uma revelação, depois, ela não vem, as palavras estreitam-se e uma pessoa pensa o porquê de escutar as gentes em seus delírios onde se depreendem males de cognição avassaladora. Mas a vida tornou-se nisto, ou mais ou menos isto, patranhas, entranhas, e muita molécula solta de ilusionismo egótico, erótico, entrópico… Sem nos darmos conta deixámos de ouvir os sinos da Cidade, que ela se tornou um negócio de casas, casarios para mentes não casadoiras, intermitente e bastante decorativa, caríssima e carente de inquilinos de condição sustentável.

As coisas de que se fala! Coisas gentes, agentes das coisas e outras mais, e o que dizem parece uma obra ficcional ao negro tecida por escaravelhos. Dizem que dizem, fala que falam, e o certo é que quase nada se escuta da amálgama tecedeira de uma irrequieta imaginação daninha que só dá frutos estranhos: que há nisto até quem conte com o nosso testemunho! Nestas dissonantes matérias faladas existe sempre o depositário bom senso prestes a normalizar pelo verbo mofo uma “poliquice” tão correcta que o som das vozes prodigaliza o sono que por vezes não vem e por elas logo aparece. Desta estirpe de faladores os mais monótonos são ainda os negacionistas; negam até a obsoleta razão de haver tais pensamentos com roteiro de muito poucos caracteres. Mas temos fala para muito mais!

Comovemo-nos perante todas as formas de energia móvel lançadas ao vento quando se transformam em energia limpa, são aquelas vozes que se transformam em canto ao dizerem o inesperado sem dar azo a nenhum contraditório- solilóquio, narração, encanto e forma- que a palavra tem o esqueleto dos verbos altos, é como os segredos, nós escutamo-los como feitos apenas para nós.- Que esta outra coisa fala de nós, mas nós não falamos dessa “coisa” que nós devíamos falar pelo espírito das coisas, e não pelo fonador, o aparelho mais estridente que nos pôde acontecer.

E como para falar são sempre precisos dois, o que falam dois o tempo todo metidos no falatório de cada um? Empolgam-se palavrosamente numa constatação de que nada têm mais a dizer, e isso seria até bom se para tal se calassem de vez. Mas não! Há sempre uma reverberação pronta a soltar-se no trilho das causas, que os efeitos se geram por si. E dito isto, falemos então.

Não tanto que nos impeça a vida de colocar questões, nem de argumentar o irrazoável, mas das coisas concebíveis e nada mais, que o inconcebível foi esta natureza do eco partilhado por vozes tais que diríamos falácia. Falemos como nos sonhos nas noites de Verão, e se não nos doer a voz, cantemos! Nós devíamos retorquir às perguntas, respostas cantantes, e retirar de uma vez por todas a carga episcopal dos retóricos de serviço, libertá-los, que é gente amordaçada. Devemos uma certa misericórdia aos algozes frenéticos da palavra, sem a qual, a sua condição de escravos fonadores não se daria.

E soltos e mais livres, digamos pois somente o que nos inspira o pensamento, que nós sempre falaremos, e iremos Rumo a Bizâncio, o belo poema de Yeats, dizer a sua primeira frase a título de filme, que também «este país não é para velhos».

Automobilismo | Macaenses mantêm forte representação na nova FIA

Macau reforçou a sua posição nas Comissões Desportivas da Federação Internacional do Automóvel (FIA) para o biénio 2022-2023. O território estará presente em seis das vinte e cinco comissões permanentes do órgão máximo que rege o desporto automóvel

 

Na pretérita semana, o novo presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, liderou o seu primeiro Conselho Mundial da FIA. Este encontro, realizado em formato digital, permitiu eleger os membros do Senado em falta, assim como determinar a formação das Comissões Desportivas. São estes grupos de trabalho, constituídos por pessoal escolhido pelas diversas associações desportivas nacionais, que decidem o futuro das várias disciplinas do automobilismo e cujas medidas são colocadas para aprovação do Conselho Mundial da FIA.

Serão quatro os elementos da RAEM presentes nestas Comissões Desportivas. Herculano Ribeiro, vice-presidente da Associação Geral Automóvel Macau-China (AAMC), irá manter o seu assento nas comissões de Circuitos e de carros de GT. Sancho Chan, presidente do colégio de comissários desportivos do último Grande Prémio de Macau, foi reconduzido como membro das comissões de Monolugares (fórmulas) e de veículos históricos. Na comissão internacional de karting, que foi presidida pelo ex-piloto brasileiro de F1 Felipe Massa, entretanto colocado à frente da comissão de pilotos, Américo Martins de Jesus foi renomeado no cargo.

A RAEM mantém também o seu lugar na comissão de carros de Turismo, mas neste caso particular, na posição de representante dos eventos e com uma novidade. Nam Kuan deixa a posição que ocupava, cedendo o seu lugar a Carlos Osório.

Entre os países da lusofonia, Portugal é aquele com mais assentos nas Comissões Desportivas da FIA, catorze no total, enquanto que o Brasil tem nove e Moçambique segurou oito. A República Popular da China tem agora sete e Hong Kong não tem qualquer presença. A zona Ásia-Pacifico é agora presidida por Lee Lung Nien, o ex-presidente da associação automóvel de Singapura.

Novo chefe na casa

A lista presidencial de Mohammed Ben Sulayem, que levou a melhor, com 61,62% dos votos, sobre aquela apresentada pelo inglês Graham Stoker, era a mais lusófona das duas listas concorrentes, contando com a brasileira Fabiana Ecclestone, esposa do ex-patrão da F1 Bernie Ecclestone, no cargo de Vice-Presidente para o Desporto na América do Sul, e com o moçambicano Rodrigo Ferreira Rocha, no cargo de Vice-Presidente para o Desporto na África.

Jean Todt terminou em Dezembro o seu périplo de doze anos e três mandatos à frente dos destinos da FIA. Aos 60 anos, o ex-piloto de ralis será o primeiro não-europeu a presidir à instituição que rege o desporto automóvel. “Uma nova era começou para a FIA, através da criação de uma estrutura de governança baseada na abertura e na diversidade global. Este é um pilar fundamental da nossa estratégia e agradeço calorosamente aos membros do Conselho Mundial que aprovaram as mudanças. A responsabilidade e autoridade serão aumentadas”, afirmou.

O nativo dos Emirados Árabes Unidos criou três grupos de trabalho específicos, sendo que o primeiro terá a função de recomendar uma lista de candidatos aos Conselhos Mundiais e ao Senado para a selecção de um CEO. Dois outros grupos de trabalho foram criados, um para preparar a análise da governança e outro para lançar uma auditoria financeira.

Música | Recital “Those Who Want to Catch Time” sábado no Macau Art Garden

Ellison Lau, engenheiro de som, empresário e compositor, junta-se aos amigos músicos num recital que acontece este sábado, a partir das 21h, no Macau Art Garden. “Those Who Want to Catch Time” apresenta um repertório de músicas compostas para teatro e cinema por Ellison Lau

 

“Those Who Want to Catch Time” [Os que querem aproveitar o tempo] é o título do recital de música que acontece este sábado, a partir das 21h, no espaço Macau Art Garden. O espectáculo é protagonizado pelo músico, compositor e engenheiro de som Ellison Lau, fundador da empresa SoundMist. Lau irá tocar piano e far-se-á acompanhar em palco pelos músicos Daniel Leong Chon Hang, violoncelista, Leung Yan Chiu, tocador de Sheng, um tradicional instrumento musical chinês, e Pn Lam, guitarrista.

Ao HM, Ellison Lau explicou que o conceito principal deste espectáculo está muito ligado à pandemia e aos sucessivos confinamentos e encerramentos que as sociedades têm enfrentado nos últimos meses, o que acarreta uma nova noção de tempo.

“Nestes dois anos, quando temos tempo, pudemos planear o nosso futuro. Mas há planos que, neste tempo de pandemia, podem não acontecer, então tentamos aproveitar todo o tempo de que dispomos. Não sabemos se na próxima semana não haverá outro surto que nos impeça de realizar este espectáculo, por isso há esta ideia de aproveitar o tempo antes que aconteça qualquer coisa que nos impeça de fazer o que queremos.”

Ellison Lau confessa que já tem experiência de palco com estes músicos que, desta vez, se deslocaram a Macau para passar os feriados do ano novo chinês. “Nestes dois anos, em que a pandemia afectou as nossas vidas, cada vez que nos encontramos [é especial]. É este o conceito por detrás deste espectáculo.”

O programa do recital inclui composições que Ellison Lau tem vindo a desenvolver nos últimos anos para filmes e peças de teatro, sendo que muitas delas foram ajustadas para serem tocadas por outro tipo de instrumentos.

“As músicas que iremos apresentar têm alguma ligação com o estilo clássico, mas não tem apenas essa aproximação. Quem participou nos meus espectáculos nos últimos anos percebe que a minha música está mais virada para o novo clássico, mas acho que este recital está aberto a todos os tipos de público”, disse Ellison Lau.

Tudo menos tradicional

O protagonista deste recital não se assume como um músico tradicional. “Diria que a minha experiência não é muito habitual porque eu próprio não sou pianista, não estudei música. Sou engenheiro de som e faço pós-produções de música para filmes. Neste sentido, não sou um músico tradicional.”

Ellison Lau espera que o novo público que não conheça o seu trabalho possa ganhar “uma nova perspectiva” das suas composições com este recital. Questionado sobre as dificuldades de ter uma empresa nesta área em Macau, o engenheiro de som confessou que enfrenta alguns desafios.

“Diria que sou uma das primeiras pessoas em Macau a fazer trabalhos de engenharia de som de forma profissional. Não diria se é fácil ou difícil iniciar uma empresa como esta, mas tento focar-me nas coisas que verdadeiramente gosto de fazer. Quero mudar o padrão que existe na indústria”, rematou.

Estudo | Proposta maior cooperação entre farmácias e turismo 

Um estudo dos investigadores Glenn Mccartney, Carolina Ung e José Ferreira Pinto defende que a abertura gradual de fronteiras do território poderia ser feita mediante uma maior cooperação entre o sector do turismo e as farmácias locais para a vacinação e testagem de visitantes

 

Macau deveria abrir gradualmente as suas fronteiras mediante a adopção de uma maior cooperação entre as farmácias locais e o sector do turismo, para que os turistas pudessem testar-se ou vacinar-se e visitar o território de forma segura, à semelhança do que acontece noutros países.

Esta é a conclusão principal deixada pelo estudo “Living with covid-19 and Sustaining a Tourism Recovery—Adopting a Front-Line Collaborative Response between the Tourism Industry and Community Pharmacists” [Viver com a covid-19 e manter a recuperação do turismo – A adopção de uma colaboração na linha da frente entre a indústria do turismo e os farmacêuticos locais”, desenvolvido pelos investigadores Glenn McCartney, Carolina Ung e José Ferreira Pinto, da Universidade de Macau (UM).

“Sugerimos uma nova posição para uma estratégia de recuperação da pandemia em Macau, que poderia ocorrer de forma mais segura através de uma parceria colaborativa com uma rede de farmácias na cidade, bem como com a comunidade e websites de turismo mais populares”, pode ler-se.

Os autores defendem ainda que existe “uma grande necessidade de gestão e partilha de conhecimento entre sectores”, uma vez que, devido ao programa de distribuição de máscaras, entre outras medidas, “os farmacêuticos licenciados já estão registados na base de dados das autoridades de saúde de Macau, o que promove uma rápida proximidade”.

Desta forma, “com Macau a olhar para uma fase de desenvolvimento em termos de visitantes, o aproveitamento de uma contínua colaboração e criação de uma rede de farmácias comunitárias com o sector do turismo poderia reforçar a compreensão sobre a crise do sector e a comunicação”.

Glenn McCartney, José Ferreira Pinto e Carolina Ung fala mesmo do exemplo da Região Autónoma da Madeira, em Portugal, que exige que os turistas façam um teste de despistagem à covid-19 em farmácias comunitárias aderentes à campanha de testagem em curso.

Os quatro C’s

Para a realização deste estudo, os autores falaram com farmacêuticos, empresários do sector do turismo e outros profissionais, que responderam a questionários específicos. Foi depois desenvolvido um quadro conceptual baseado em “Quatro C’s”, ou seja, na comunicação, cooperação, coordenação e colaboração entre o sector farmacêutico e do turismo.

“Com base nas nossas hipóteses, as respostas às entrevistas com empresários do turismo e das farmácias comunitárias confirmam a adequação deste quadro e a importância de uma colaboração interdisciplinar entre as farmácias comunitárias para desenhar um caminho sustentável para a recuperação da covid-19”, lê-se no estudo.

Relativamente aos empresários do turismo, estes sugeriram “a cooperação com os serviços de farmácias comunitárias em matéria de vacinação e testagem”, sendo que uma das opiniões se refere à possibilidade de o território tornar-se, a curto prazo, “num destino em matéria de vacinação, com a melhor opção em termos de vacinas”.

Outra das opiniões contidas no estudo, defende a criação de uma aplicação de telemóvel “com vários idiomas e actualizações ao minuto que providenciasse informação aos hotéis para que estes pudessem encaminhar directamente os hóspedes e viajantes internacionais para o local certo”.

Os farmacêuticos ouvidos para este trabalho “projectaram a necessidade de elevar o seu papel profissional no controlo do vírus e nas medidas de prevenção para proteger a comunidade e os turistas”.

Isto porque “alguns farmacêuticos já colaboram com o sector do turismo apenas ao nível da coordenação, mas uma formalização é exigida”. O estudo refere ainda que, em 2020, Macau possuía 296 farmácias comunitárias.

Covid-19 | Portugal passa a reconhecer vacina da Sinopharm

À semelhança do que já acontecia noutros países da União Europeia, Portugal passou a reconhecer a vacina da Sinopharm ministrada em Macau, para efeitos de emissão do certificado digital de vacinação. Cidadãos portugueses que optaram pela vacina deixam de ter de apresentar teste negativo à covid-19 ao entrar no país e circular no espaço europeu

 

As autoridades de saúde de Portugal passaram a reconhecer, desde ontem, a vacina inactivada da Sinopharm utilizada em Macau para efeitos de emissão do Certificado Digital da União Europeia relativo à covid-19. A informação, que consta numa circular assinada pela directora Geral de Saúde, Graça Freitas, e pelo presidente do Infarmed, Rui dos Santos Ivo, foi divulgada pela secção do PS-Macau, que afirma ter tomado diligências nesse sentido junto do MNE e do Ministério da Saúde de Portugal.

“A partir de hoje [ontem], 8 de Fevereiro de 2022, os cidadãos portugueses que administraram (…) em Macau a vacina ‘SINOPHARM BIBP VERO CELL’, com a apresentação do certificado de vacinação completo emitido pelas autoridades locais, esta vacina passa a ser reconhecida em Portugal”, pode ler-se numa nota assinada secretário da secção do PS-Macau, Vitor Moutinho.

Circular sem restrições

Em declarações à TDM-Rádio Macau, Vitor Moutinho apontou a importância do reconhecimento do fármaco, dada a existência de muitos portugueses que residem, não só em Macau, mas noutras partes do mundo e que se encontram inoculados com a vacina da Sinopharm, permitindo assim evitar constrangimentos como a obrigatoriedade de apresentar testes negativos à covid-19 para entrar em Portugal ou circular livremente no espaço europeu.

“O Infarmed e a DGS perceberam finalmente que há um conjunto bastante alargado de cidadãos portugueses que vivendo em Macau ou noutras partes do mundo, como o Brasil e Angola, lhes foi administrada voluntariamente ou, por não terem opção, a vacina da Sinopharm inactivada”, começou por dizer.

“Foi uma luta que começou há mais de meio ano porque havia outros países da UE que já reconheciam a vacina da Sinopharm e Portugal ainda não o estava a fazer. Isso estava a criar um conjunto de constrangimentos aos portugueses, que optaram por essa vacina, e que para se deslocarem a Portugal tinham de cumprir um outro conjunto de requisitos que se tivessem optado por outra vacina não tinham necessidade de fazer”, acrescentou.

Desta feita, explicou também o responsável, qualquer cidadão português inoculado com a vacina da Sinopharm está agora habilitado para pedir a emissão de um certificado digital de vacinação, que permite circular livremente em Portugal e na União Europeia.

Recorde-se que antes da actualização da medida, a vacina da BioNTech era a única ministrada em Macau reconhecida pelas autoridades portuguesas.

Organização da maratona evita tempos de chip de participantes para não causar confusões

O Instituto do Desporto acredita que os concorrentes da Maratona Internacional de Macau só devem ter acesso ao tempo do disparo e não do chip pessoal, de forma a evitar confusões. A explicação foi dada ao deputado Leong Sun Iok, no âmbito de uma interpelação escrita.

Actualmente, os concorrentes têm acesso ao tempo do disparo, ou seja, o tempo é calculado a partir do momento que começa a prova. No entanto, esse tempo não corresponde ao que a maioria dos participantes demora a percorrer os 42,125 quilómetros. Muitos só começam mais tarde, devido ao natural congestionamento na partida.

Numa interpelação escrita, Leong Sun Iok tinha pedido que além do tempo do disparo, cada concorrente tivesse acesso ao tempo do chip pessoal, ou seja, o tempo individual desde o momento em que passa a linha de partida e chega à meta.

A pretensão foi recusada, por Pun Weng Kun, presidente do Instituto to Desporto: “Os resultados das provas são calculados com base no momento do disparo pela organização até ao momento da chegada à meta, não sendo exibido o tempo pessoal (tempo do chip), por forma a não causar confusão”, justificou.

De acordo com o presidente do ID, a posição da organização da maratona tem por base as “práticas internacionais em vigor”.

Eterna questão

Quanto à possibilidade de haver mais tempo para o desenrolar das provas e fazer ajustes nos horários, a organização considera que é uma matéria difícil, pelo impacto para o trânsito. “O tempo limite estabelecido na Maratona Internacional de Macau é determinado de acordo com as actuais condições gerais de tráfego local e o desempenho dos participantes nas edições anteriores”, foi explicado.

Pun Weng Kun insistiu também que um dos grandes desafios é adequar este tipo de prova à realidade de Macau, o que é encarado como limitador não só em termos de horário, mas também à definição do percurso.

Por outro lado, o ID admite utilizar o evento para promover o turismo, mas mais do que fazer alterações ao nível do trajecto, a aposta passa por complementar a prova com feiras e outros eventos.

Anima | Dificuldades financeiras levam à suspensão de resgate de animais

Com cerca de 700 animais nos abrigos e dívidas de 2,4 milhões de patacas, a associação está a promover uma nova campanha para aumentar as doações financeiras e adopções

 

As grandes dificuldades financeiras levaram a Anima – Sociedade Protectora dos Animais de Macau a suspender praticamente o serviço de resgate de animais. Em causa, está uma redução muito significativa dos apoios recebidos nos últimos anos do sector privado, devido aos efeitos da pandemia.

Segundo a informação divulgada pela associação, no final de Janeiro havia uma dívida acumulada de 2,4 milhões de patacas, restando em caixa 70 mil patacas. “Sabemos que muitas empresas estão com dificuldades e não nos podem apoiar como acontecia antes. As empresas ainda nos apoiam, com doações e voluntários, mas há uma grande diferença”, explicou Billy Chan, presidente da Anima, ao HM. “As dificuldades das empresas prolongam-se há dois anos e é natural que quem nos apoia não o consiga fazer como no passado. E isso nota-se a nível das nossas finanças”, acrescentou.

As dívidas acumuladas estão relacionadas com a comida para os animais resgatados, despesas com veterinários e até salários dos funcionários dos abrigos.

Perante este cenário, a Anima teve de optar por suspender o serviço de resgate de animais. Segundo os dados da associação, só no ano passado foram resgatados 197 gatos, 128 cães e 41 hamsters, coelhos, chinchilas, tartarugas, pássaros, entre outros.

Contudo, o número de animais acumulados nos abrigos torna-se incomportável. “Temos 700 animais acumulados nos nossos abrigos. O número é muito superior à nossa capacidade, os abrigos estão cheios e isso consome os nossos recursos muito rapidamente, quer seja ao nível de dinheiro como de tempo”, afirmou Billy Chan. “O assunto não é novo. Mas está a ficar pior, e a redução do financiamento torna tudo mais grave”, vincou.

Nova campanha

Para tentar reduzir o número de animais nos abrigos, a Anima lançou no mês passado uma campanha para aumentar as adopções e também pedir mais financiamento junto da população.

Segundo o presidente da associação, uma das grandes prioridades é aumentar o número de adopções, para também permitir que se salvem mais animais. Quanto mais animais deixarem o abrigo, mais vagas haverá para que outros sejam resgatados.

Para Billy Chan, os primeiros resultados foram animadores: “Acho que nos primeiros dias as pessoas se têm envolvido na campanha e mostram que não querem que a Anima encerre”, reconheceu. Contudo, realçou que ainda se está muito longe de encontrar uma solução para o problema.

Quanto ao financiamento público, e através da Fundação Macau, o presidente da Anima realçou que tem sido cumprido. “Nos últimos dois anos cumpriram sempre e ajudaram-nos. Foi muito importante. Esperamos que a situação se mantenha neste ano, caso contrário os nossos problemas vão ser muito maiores”, reconheceu.

Poluição | Ambientalistas contra compra de veículos eléctricos

A associação Green Student Union defende que o Governo deve reduzir o número de veículos privados em vez de promover a compra de veículos eléctricos.

A posição foi tomada na sequência do relatório com o Planeamento da Protecção Ambiental de Macau, publicado pela Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, onde consta como objectivo a promoção da compra de veículos eléctricos.

Em declaração ao jornal All About Macau, Joe Chan, o presidente da associação, explicou que este planeamento só está a incentivar a população a trocar os carros movidos a combustíveis fósseis por carros eléctricos. Contudo, a associação quer é promover a redução dos veículos.

Segundo as explicações, mesmo um veículo eléctrico precisa de electricidade para andar, que é produzida com recurso à queima de combustíveis fósseis, o que também provoca poluição. Ainda no que diz respeito ao transporte privado, Joe Chan apelou ao Governo para pensar em como promover a substituição dos veículos antigos e mais poluidores e aplicar exigências mais restritivas sobre a emissão de gases poluentes dos veículos.

Conselho Consultivo | Utilização de terrenos marcou reunião

Alguns membros do Conselho Consultivo dos Serviços Comunitários das Ilhas apelaram ao Governo para utilizar de forma racional os terrenos não aproveitados. Ontem, decorreu mais uma reunião do Conselho Consultivo e foram vários os membros que se debruçaram sobre os terrenos recuperados pela RAEM que não são utilizados.

De acordo com o relato do canal chinês da Rádio Macau, Leong Chon Kit, um dos membros , defendeu a necessidade dos terrenos serem aproveitados no futuro a pensar nas necessidades da comunidade de Seac Pai Van. Segundo Leong, a comunidade naquela zona é cada vez maior, e, por isso, exemplificou que o terreno junto ao Edifico Ip Heng deve ser utilizado para instalações desportivas, como um campo de futebol.

Por sua vez, Lam Ka Chun, coordenador-adjunto do Conselho, lamentou que alguns terrenos estejam desocupados há muito tempo e que não tenham sido aproveitados para organizar feiras e outras actividades exteriores que promovam o comércio local.

Quanto a Ao Ka Fai, mostrou-se mais preocupado com a situação do trânsito, e sustentou que é necessário um combate mais eficaz às infracções na via entre a Avenida de Guimarães e a Avenida de Kwong Tung.

Finalmente, Lei Hoi Ha deu prioridade ao trânsito para o Interior, e considerou que o Governo deve fazer tudo para aumentar a frequência dos autocarros que circulam para a Ilha da Montanha e para o Ponto Fronteiriço de Qingmao.

Economia | Ella Lei pede revisão das medidas de apoio às PME

Perante o “marasmo” da economia local e as incertezas em relação ao futuro, Ella Lei quer que o Governo reveja a eficácia das medidas de apoio às PME e trabalhadores, anunciadas em Outubro e coloca em cima da mesa a criação de um novo plano de ajuda económica capaz de transmitir “confiança” ao mercado

 

Ella Lei quer saber quais estão a ser os efeitos concretos das oito medidas de apoio às pequenas e médias empresas (PME) e trabalhadores lançadas em Outubro de 2021. A deputada questiona o Governo sobre a possibilidade de rever a sua eficácia e, no limite, de implementar um novo plano de apoio económico.

Isto, numa altura em que, segundo a legisladora, se desconhece ainda o número de beneficiários das medidas e a sua situação financeira, uma vez que muitos se mostram preocupados com o facto de poderem vir a ser incapazes de pagar os empréstimos contraídos para aceder aos apoios ou de serem obrigados a fechar portas com dívidas por saldar.

“Algumas PME indicaram estar preocupadas com a sua capacidade de pagar os empréstimos e, inclusivamente, de vir a fechar portas, acumulando dívidas avultadas, devido à dificuldade em fazer negócio. Apesar de as medidas de apoio flexibilizarem as condições dos empréstimos e concederem bonificações de juros, a população espera que o Governo continue a prestar atenção e apoio aos residentes afectados”, pode ler-se numa interpelação escrita assinada pela deputada.

Recorde-se que das medidas de apoio fazem parte, entre outras, a atribuição de um apoio pecuniário de 10 mil patacas a todos os contribuintes do imposto profissional, com rendimentos obtidos em 2020 inferiores a 144 mil patacas, a bonificação de juros de créditos bancários, alterações às condições de pedido de empréstimos sem juros, o ajustamento do reembolso de empréstimos sem juros e a isenção do pagamento de rendas dos bens imóveis pertencentes ao Governo.

Plano B?

Além disso, apontou Ella Lei, o “marasmo” em que a pandemia de covid-19 mergulhou a economia de Macau tem vindo a adensar as dificuldades dos residentes, sendo isso visível no aumento da taxa de desemprego ou do número de empresas entretanto extintas.

“O impacto económico da pandemia persiste. Segundo a Direcção de Estatísticas e Censos, em Novembro de 2021, a taxa de variação das empresas dissolvidas foi de 16,9 por cento, a taxa de variação de empresas criadas caiu 27 por cento e a taxa de desemprego dos residentes locais cresceu para os 3,9 por cento”, frisou.

Por isso mesmo, a deputada pergunta se o Governo já procedeu à “análise profunda” da eficácia das medidas e se está em condições de prestar esclarecimentos sobre a situação dos beneficiários.

Adicionalmente, perante a diminuição dos rendimentos dos trabalhadores, as dificuldades sentidas pelas empresas e a instabilidade económica, Ella Lei quer saber se o Executivo pondera introduzir novos planos de apoio económico para restabelecer a confiança no mercado.

“Para além destas medidas de contingência de curto prazo, o Governo tem novas propostas para aumentar a confiança global do mercado e promover maior estabilidade ao nível do emprego?”, questionou a deputada por escrito.

Pedro Farromba, chefe da missão portuguesa em Pequim 2022: “O grau de preparação dos nossos atletas é notável”

Traçado o objectivo de melhorar classificações de edições anteriores, o Chefe da Missão Olímpica nos Jogos Olímpicos de Pequim 2022 disse ao HM não ter dúvidas de que o grau de preparação dos atletas portugueses é “notável” e sublinha a importância da participação para o crescimento das modalidades de Inverno em Portugal. Pedro Farromba lamenta ainda as restrições impostas pela bolha olímpica mas salienta que a experiência está a ser “muito positiva”

 

Alcançado o primeiro objectivo da delegação portuguesa em Pequim, com a conquista do 43º lugar por Vanina Oliveira na prova de slalom gigante (suplantando assim o 59º alcançado por Camille Dias em Sochi 2014), o Chefe da Missão Olímpica nos Jogos Olímpicos de Pequim 2022 mostra-se confiante em relação às prestações que estão por vir em Pequim.

Ao HM, Pedro Farromba sublinhou que a evolução e a preparação, quer a nível físico, quer psicológico dos três atletas portugueses presentes em Pequim é “notável”. Até porque, acrescenta, uma qualificação para os Jogos Olímpicos “não está ao alcance de todos os atletas” e, por isso, estar no palco Olímpico é já de si “uma importante vitória” para um atleta português.

“Para se chegar a uns Jogos Olímpicos é preciso reunir um conjunto de condições de qualificação que realmente não estão ao alcance de todos os atletas. Em cada uma das modalidades aqui presentes, haveria com certeza muitos milhares de atletas que tentaram a qualificação e só algumas centenas conseguiram esse objectivo. E, portanto, é já de si uma importante vitória, um atleta português conseguir estar presente nos Jogos Olímpicos”, começou por dizer.

Recorde-se que nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, que decorrem entre 04 e 20 de Fevereiro, na China, Portugal está representando no esqui alpino por Vanina Oliveira e Ricardo Brancal e por José Cabeça, no esqui de fundo.

“Os objectivos são transversais aos três. O nosso objectivo é melhorar os resultados das últimas participações portuguesas. A Vanina já cumpriu esse objectivo e agora vamos aguardar, pois irá correr outra vez na quarta-feira [hoje]”, partilhou Pedro Farromba.

Para o responsável, que é também presidente da Federação de Desportos de Inverno de Portugal, a meta é perfeitamente alcançável dado que “o grau de evolução dos últimos tempos e o grau de preparação com que eles chegam a estas Olímpiadas é realmente notável”.

Falando mais concretamente de Vanina Oliveira e Ricardo Brancal, atletas que conhece melhor, Pedro Farromba aponta que ambos estão “muito bem” em termos físicos e psicológicos. Sobre José Cabeça, que em paralelo com esqui de fundo, tem também uma carreira desportiva no triatlo, o chefe de missão considera que está em “excelentes condições” de melhorar o 109º lugar nos 15 km de esqui de fundo alcançado em PyeongChang 2018 por Kequyen Lam, atleta nascido em Macau.

Segundo Farromba, o maior desafio está nos ombros de Ricardo Brancal, que vai tentar melhorar o 54º lugar obtido por Arthur Hanse em PyeongChang.

“As provas não são todas iguais e dependem de vários factores, mas vamos acreditar que o Ricardo vai conseguir obter uma boa classificação. O desafio é grande, mas ele está consciente disso e muito bem preparado”, apontou.

Ainda sobre a participação de Vanina Oliveira na prova de slalom gigante, o chefe de missão enalteceu aquele que foi “o melhor resultado de sempre de uma atleta portuguesa em Esqui Alpino”, numa prova realizada em condições “difíceis”. “A neve estava muito rija. Houve muitas quedas e saídas de prova”, explicou.

Bolha maldita

Há cerca de uma semana em Pequim, Pedro Farromba aponta a “experiência muito positiva” que a delegação portuguesa está a colher do evento, mas lamenta, apesar de compreender ser um mal necessário, a “bolha olímpica” a que todos os participantes estão sujeitos e que impede, entre outras, a presença de público nas competições e um maior contacto cultural.

“Se pudéssemos retirar da equação todas as questões inerentes à covid-19 teríamos uma organização perfeita e não é menos perfeita por causa do covid. É sim muito mais restritiva, ao ponto de impedir (…) que haja público nas competições ou confraternizar mais com os locais. Desde que chegámos até ao dia de hoje, vivemos numa bolha sem qualquer contacto. Mesmo nas deslocações que fazemos entre as diferentes aldeias olímpicas e até aos locais de competição, não saímos dos carros. Nem sequer os carros podem parar ou nos é permitido abrir os vidros das janelas. É realmente tudo muito restritivo, mas está a ser uma experiência muito positiva”, apontou.

Além disso, conta, para além do uso obrigatória de máscaras em todas as ocasiões, à excepção dos atletas no momento de competir, todos os participantes são sujeitos a testes PCR diários e existe uma enorme preocupação com a desinfecção e funcionamento dos espaços ao ponto de, por exemplo, no refeitório da Aldeia Olímpica só haver lugares individuais para tomar as refeições.

“Há realmente muitas restrições, mas são fruto do que estamos a viver nesta altura e, portanto, temos que conviver com elas. Claro que ajudaria sentirmos a animação do público e diria que toda a ligação cultural que podíamos ter tido num ambiente normal seria sempre muito mais interessante, mas não é possível e é o que é. As regras são iguais para todos e temos que viver como estamos”, acrescentou.

Futuro risonho

Inerente àquela que é a maior delegação de sempre de Portugal em Jogos Olímpicos de Inverno, está a importância que a visibilidade da presença lusa pode trazer em termos do desenvolvimento das modalidades de Inverno no país. Como exemplo, Pedro Farromba aponta o caso próprio José Cabeça, já que o atleta de esqui decidiu começar a prática da modalidade após assistir às olimpíadas anteriores pela televisão.

“Toda a visibilidade que nos traz esta presença é importante para conseguirmos desenvolver as modalidades. O atleta que hoje temos em esqui de fundo, o José Cabeça está aqui porque assistiu na televisão às provas das últimas olimpíadas onde estivemos com outro atleta na mesma modalidade e foi de alguma forma também isso que o inspirou a estar cá hoje e a trabalhar no sentido de se qualificar”, começou por vincar.

Além disso, acrescenta, o facto de dois dos três participantes residirem em Portugal demonstra que é possível residir no país e conseguir estar presente numa prova deste tipo.

Pedro Farromba está também confiante que a presença portuguesa será cada vez maior em futuras edições dos Jogos Olímpicos de Inverno, dado que está a ser feita uma aposta “muito grande nas modalidades de gelo” em Portugal.

“Estamos a fazer uma aposta muito grande nas modalidades de gelo em Portugal, nomeadamente no hóquei, na patinagem artística e de velocidade e também no curling e acredito sinceramente que vamos conseguir uma presença maior em próximas edições, nomeadamente juntando às modalidades de neve, que já temos, as modalidades de gelo”, referiu.

Vanina Oliveira volta a competir na amanhã, no slalom, prova em que se sente mais confortável e em que no Campeonato do Mundo de Are, na Suécia, terminou no 37.º lugar. Ricardo Brancal, entra em acção nos dias 13 (slalom gigante) e 16 (slalom) de Fevereiro. Por último, José Cabeça, entra em pista no dia 11 de Fevereiro, nos 15 Km clássicos do esqui de fundo.

Patinagem | Fontana reforça estatuto de mais medalhada em pista curta

A italiana Arianna Fontana consolidou na segunda-feira o estatuto de patinadora de velocidade mais medalhada nas provas de pista curta em Jogos Olímpicos de Inverno, ao revalidar o título de campeã dos 500 metros e somar ‘o ‘décimo metal.

Em Pequim, Arianna Fontana, que soma a sua quinta participação em Jogos Olímpicos de Inverno, arrecadou o ouro, ao impor-se à holandesa Suzanne Schulting e à canadiana Kim Boutin, medalhas de prata e bronze, respectivamente.

Na quinta-feira, a italiana, de 31 anos, tinha alcançado a prata na prova de estafetas mistas e tornou-se a atleta mais medalhada da patinagem de velocidade em pista curta dos Jogos Olímpicos, com nove pódios, superando o norte-americano Apolo Anton Ohno e o russo Victor An. Fontana, que é única patinadora e ter conquistado medalhas dos três metais, soma dois ouros, três pratas e cinco de bronzes.

Agenda para hoje

Combinado Nórdico (a partir das 15h00) – Medalhas
Curling (20h05)
Esqui Alpino (a partir das 10h15) – Medalhas
Esqui Estilo Livre (a partir das 11h00) – Medalhas
Hóquei no Gelo (16h40 e 21h10)
Luge (a partir das 09h30) – Medalhas
Patinagem de Velocidade em Pista Curta (a partir das 19h00) – Medalhas
Saltos de Esqui (18h00)
Skeleton (a partir das 12h40)
Snowboard (a partir das 9h30)

* O canal em língua portuguesa da TDM transmite diariamente as competições dos Jogos Olímpicos de Inverno, entre as 10h00 e as 13h30

Candidatos à presidência das Filipinas abrem campanha, mas sem apertos de mão

A campanha para as presidenciais nas Filipinas arrancou hoje, com os candidatos, incluindo a atual vice-Presidente e o filho de um antigo ditador, a prometerem reduzir desigualdades, agravadas pela pandemia de covid-19.

A campanha oficial, que se prolonga por três meses, começou sob restrições anticovid-19, incluindo a proibição de apertos de mão, beijos, abraços e grandes multidões, tradicionais nas eleições no arquipélago.

Devido às restrições, as redes sociais tornaram-se um importante campo de batalha para as eleições de 09 de maio, que irão eleger, de forma separada, o Presidente, o vice-Presidente e metade dos 24 assentos no Senado das Filipinas.

Em 25 de março começam, sob forte vigilância policial, as campanhas para as eleições de governadores das províncias, presidentes dos municípios e para os assentos na Câmara dos Deputados.

Mais de 67 milhões de filipinos registaram-se para votar, incluindo quase 1,7 milhões que trabalham no estrangeiro.

O elenco de candidatos eleitorais inclui o presidente do município de Manila, Isko Moreno, um ex-ator elogiado pela limpeza da capital, o senador Panfilo Lacson, um ex-chefe da polícia filipina conhecido pela luta contra o crime e a corrupção, e o senador Manny Pacquiao, ex-campeão mundial de boxe que prometeu prender os políticos corruptos e doar casas aos mais pobres.

Ferdinand ‘Bongbong’ Marcos Júnior lidera as sondagens pré-eleitorais, com uma enorme vantagem em relação à atual vice-Presidente, Leni Robredo, o que tem alarmado os defensores dos direitos humanos e da democracia.

Marcos Jr., que foi derrotado por Leni Robredo na corrida à vice-presidência de 2016, tem descrito como “mentiras” as atrocidades e corrupção vividas durante o regime do pai, um ditador derrubado em 1986 numa revolta popular apoiada pelo exército.

Mais de três décadas depois da queda de Marcos, a família aproveitou a desilusão de muitos filipinos “com as contradições e deficiências inerentes à democracia de elites que substituiu a ditadura”, disse Richard Heydarian, um analista político radicado em Manila, acrescentando que “a propaganda pró-Marcos realmente invadiu a comunicação social”.

Marcos Jr. juntou-se à líder do município de Davao, Sara Duterte, filha do Presidente cessante, Rodrigo Duterte, e candidata à vice-presidência, embora tenha jurado nunca apoiar o filho do antigo ditador.

Ativistas de direitos humanos disseram que Rodrigo Duterte, de 76 anos, fará de tudo para garantir que o sucessor o proteja de eventuais ações judiciais devido a uma campanha de repressão antidroga, que causou a morte de mais de seis mil suspeitos.

A Comissão Eleitoral está ainda a analisar uma série de petições que pedem a desqualificação de Marcos Jr., apresentadas sobretudo por ativistas de esquerda, com a maioria a referir uma condenação por evasão fiscal em 1995 e alegadas falsidades nos documentos de candidatura.

Covid-19 | Hong Kong reforça restrições após número recorde de casos diários

A chefe do executivo de Hong Kong anunciou hoje que a região chinesa vai reforçar as medidas de distanciamento social, depois de registar um número recorde de casos diários de covid-19.

Em conferência de imprensa, Carrie Lam rejeitou a possibilidade de um confinamento total em Hong Kong e garantiu que as autoridades vão continuar a apostar em medidas flexíveis para as diferentes zonas da cidade.

A governante disse que as medidas concretas só irão ser divulgadas mais tarde, após serem discutidas no Conselho Executivo de Hong Kong.

Na segunda-feira, Hong Kong registou um número máximo diário de 614 infeções com SARS-CoV-2 e, de acordo com a emissora pública do território RTHK, a cidade diagnosticou hoje novamente mais de 600 casos positivos.

De acordo com uma fonte citada pelo jornal South China Morning Post, a região vai limitar grupos em restaurantes a duas pessoas por mesa e exigir a apresentação de um novo certificado de vacinação para a entrada em centros comerciais.

Carrie Lam lamentou a baixa taxa de vacinação da população de Hong Kong, sublinhando que mais de metade dos idosos com mais de 70 anos – cerca de meio milhão de pessoas – não foi ainda vacinada.

A chefe do executivo admitiu que as medidas de distanciamento social “acarretam um grande preço económico e social”, mas defendeu que são essenciais para evitar “o colapso” do sistema médico de Hong Kong.

Lam acrescentou que as novas medidas não deverão afetar a escolha do novo líder de Hong Kong, a decorrer em março, uma vez que “é uma eleição pequena em escala, envolvendo apenas 1.500 votantes”.

Tal como a China, Hong Kong adotou a estratégia “zero covid” que impõe restrições severas à entrada no território, confinamentos específicos e acompanhamento de casos.

Desde o surgimento no território da variante Ómicron altamente contagiosa, Hong Kong também reforçou as restrições de viagem, fechou as fronteiras para chegadas de oito países e proibiu passageiros de 153 países de transitar pela região.

A quarentena obrigatória num centro específico e em hotéis para viajantes do exterior foi entretanto reduzida de três para duas semanas. Desde o início da pandemia, Hong Kong registou mais de 16 mil casos e 213 mortes.

Fundação Jorge Álvares quer mais portugueses a estudar na China

A Fundação Jorge Álvares (FJA) está a preparar o lançamento de uma plataforma digital para encorajar mais portugueses a estudar em universidades chinesas, assim como chineses a estudar em Portugal.

Fernanda Ilhéu, do Conselho de Administração da FJA, disse à Lusa que cada universidade e instituto politécnico de Portugal, da China continental e de Macau terá direito a gerir um espaço próprio no portal, onde poderá colocar a sua oferta educativa.

O objetivo é facilitar aos alunos a consulta de informação sobre cursos, programas, perfil dos professores, condições de inscrição e pagamento de propinas.

A FJA vai ainda disponibilizar informação sobre “o meio envolvente”, por exemplo sobre as cidades onde se localizam os ‘campus’ das instituições e as residências universitárias disponíveis.

A plataforma terá ainda informações úteis, nomeadamente sobre a obtenção de vistos, abertura de contas bancárias, realização de seguros e acesso a serviços de saúde para estudantes estrangeiros.

Embora a China e Macau não permitam atualmente a entrada de estudantes estrangeiros, Fernanda Ilhéu disse acreditar que o portal poderá ter um efeito positivo num futuro pós-covid-19.

“Esperamos que a pandemia seja controlada em breve e as situações de quarentena sejam levantadas”, salientou a investigadora.

A plataforma da FJA pretende também promover a cooperação entre instituições de ensino superior chinesas e portuguesas na área da investigação científica.

O portal vai ter uma área específica para ajudar investigadores a identificar potencial parceiros de pesquisa, partilhar trabalhos e publicações e organizar eventos conjuntos.

A fase de concepção de modelagem da plataforma deverá estar concluída no final de abril, seguindo-se a divulgação junto de instituições do ensino superior e investigação científica em Portugal, Macau e China.

A FJA é uma estrutura criada em dezembro de 1999, no quadro da transferência da administração portuguesa de Macau para a China, e tem como objetivo promover o diálogo intercultural entre Lisboa e a região administrativa especial chinesa.

Desde 2016 que o presidente da Fundação Jorge Álvares (nome do português e primeiro europeu a chegar à China, por via marítima, no século XVI) é o general Garcia Leandro, governador de Macau entre 1974 e 1979.

Em janeiro, Zhao Zilin, aluna da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, venceu a primeira edição dos Prémios Fundação Jorge Álvares, para trabalhos sobre as relações entre Portugal e a China.

A China continua a sentir uma forte procura por profissionais que falem português, disseram à Lusa Catarina Gaspar e Madalena Teixeira, duas das co-autoras de uma obra académica sobre os estudantes chineses da língua portuguesa apresentada a 14 de janeiro.

Cerca de 50 instituições chinesas de ensino superior têm cursos de língua portuguesa, disse à Lusa, em novembro de 2020, o coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau, Gaspar Zhang Yunfeng.

Las Vegas Sands | Terminada relação com principais junkets de Macau

A Las Vegas Sands, empresa-mãe dos casinos de Macau sob a alçada da Sands China, anunciou ter terminado as ligações e acordos de cooperação que detinha com “os três principais” promotores de jogo do território.

“Não existem garantias de que seremos capazes de manter ou desenvolver as nossas relações com os promotores de jogos ou que estes continuem a estar licenciados pelo regulador do jogo [DICJ] para operar em Macau, o que poderá ter um impacto nos nossos negócios, resultados operacionais e fluxos de caixa”, pode ler-se no relatório anual da Las Vegas Sands divulgado na sexta-feira e citado pelo portal GGR Asia.

No mesmo documento, a Las Vegas Sands sublinha ainda que a “qualidade dos promotores de jogos” com os quais se relaciona é “importante” para a reputação do grupo e a sua capacidade de “continuar a operar em conformidade com as licenças de jogo” concedidas pelo Governo de Macau.

“Embora nos esforcemos por cultivar a excelência nas ligações que estabelecemos (…) não conseguimos assegurar que os promotores de jogos com os quais estamos associados irão satisfazer os elevados padrões pelos quais nos regemos”, é acrescentado.

Recorde-se que o anúncio acontece poucos dias depois de a Macau Legend ter confirmado a detenção de Levo Chan, líder do grupo Tak Chun, que possui uma licença para operar como junket. Antes disso, a indústria do jogo em Macau já levara um duro golpe em Novembro, após a queda do grupo Suncity e a detenção de Alvin Chau, indiciado pelos crimes de participação em associação criminosa, chefia de uma associação criminosa, branqueamento de capitais e de exploração ilícita do jogo.

Portugal sagra-se bicampeão europeu de futsal

Portugal sagrou-se este domingo bicampeão europeu de futsal ao vencer, em Amesterdão, a Rússia por 4-2 a final do UEFA Futsal EURO 2022. Sokolov, aos 10 minutos, e Afanasyev, aos 13, deram vantagem à Rússia, mas André Coelho, com dois golos, aos 27 e 32, e Pany Varela, aos 40, consumaram a reviravolta lusa, iniciada ainda na primeira parte, aos 19, por Tomás Paçó.

Após uma vitória que mereceu os parabéns do primeiro-ministro português, António Costa, a equipa foi recebida ontem no aeroporto de Lisboa por uma centena de adeptos. Após aterrar na pista do aeroporto Humberto Delgado, o capitão João Matos deixou as instalações, erguendo o troféu continental, que depois passou para o seleccionador Jorge Braz, antes de circular por grande parte dos jogadores e se aproximar dos presentes. “É extraordinário ter tocado o céu e regressar à realidade. Foi um feito extraordinário. Estamos de parabéns pelo que fizemos”, afirmou João Matos, em declarações aos jornalistas.

Tomás Paçó disse aos jornalistas que, com esta vitória, realizou um sonho “nesta segunda época de sénior”. “Eu e o Zicky já temos todos os troféus que podíamos conquistar, mas isso demonstra o potencial do futsal português”, disse o fixo ‘leonino’, de 21 anos, que no domingo juntou o título europeu de selecções ao Mundial e à Liga dos Campeões, vencida pelo Sporting, ao serviço do qual também já se sagrou campeão nacional e vencedor de Taça de Portugal, Supertaça e Taça da Liga.

O guarda-redes André Sousa, que segurava um cartaz levado por um adepto para o recinto neerlandês, com a mensagem ‘bagaço>vodka’, agradeceu a recepção, após “poucas horas dormidas e depois de um grande objectivo”. “Sabíamos que tínhamos de estar ao mais alto nível para estar neste patamar e acho que Portugal saiu como justo vencedor”, referiu o guardião do Benfica.

Visita a Belém

No aeroporto, o ala do Nápoles, Bruno Coelho, disse esperar manter estes momentos de glória na memória colectiva nacional. “Foi um feito enorme. Nos últimos quatro anos, ganhámos dois europeus e um mundial. É espectacular, nunca nos vamos esquecer. Espero que todos os portugueses não se esqueçam deste momento”, realçou.

A selecção portuguesa de futsal foi também recebida na manhã de ontem pelo Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, em Lisboa. Numa nota divulgada no website da Presidência, lê-se que “depois de um jogo difícil e muito emotivo os heróis portugueses manifestaram a sua vontade e competência, uma nova jornada de glória para o desporto nacional”.

Desejos de Ano Novo

O Ano Novo chinês começou a 1 de Fevereiro e no dia 7 celebra-se o “Dia do Povo”. Nesta última data comemora-se o aniversário de todos os chineses. Aqui, quero desejar a todos os meus leitores um excelente Ano Novo e um feliz aniversário.

Posso perguntar quais são os vossos desejos para 2022?

Esta pergunta não tem uma única resposta, porque todos temos desejos diferentes. No entanto, os desejos da humanidade para 2022 centram-se certamente na paz mundial e na saúde para todos.

Na Ásia, os testes de mísseis na Coreia do Norte acrescentaram um elemento de instabilidade à segurança global. Na Europa, as relações entre a Rússia e a Ucrânia estão tensas. Por alegadamente defender a sua própria segurança, a Rússia opõe-se à entrada da Ucrânia na NATO. Em defesa dos seus próprios interesses, é fácil de compreender que os Estados Unidos e a Nato dêem as boas vindas à Ucrânia. Muitos analistas acreditam que esta tensão pode conduzir à guerra e afectar a segurança global.

Vamos precisar de algum tempo para ver como é que estas questões na Rússia e na Coreia do Norte se vão desenvolver. Mas de certeza que ninguém quer que degenerem em conflitos armados, e, se tudo correr pelo melhor, em 2022, estes assuntos hão-de resolver-se sem dificuldade de maior.

Outro problema que todos temos de resolver, é a pandemia do novo coronavírus. Este vírus surgiu em 2019 e desde então já sofreu várias mutações, resultando numa variedade de novas estirpes.

Actualmente, as vacinas ainda não são capazes de combater o vírus na totalidade, e ainda não foi descoberto um medicamento capaz de curar eficazmente as pessoas infectadas com sintomas graves. Hamsters e outros animais também podem ser infectados com este vírus. Além de nos questionarmos se se trata de uma “doença zoonótica”, estamos mais preocupados com a elevada infecciosidade do vírus. Se o vírus afecta humanos e animais, então, no caminho da luta contra a epidemia, os seres humanos não só devem salvar-se, como também salvar os animais.

Para combater a epidemia, temos de trabalhar com afinco para prevenir as infecções. Tomar a vacina, usar máscara e evitar multidões são medidas eficazes para este fim. Se suspeitar que está infectado, deve testar-se. Também temos de estar preparados para voltar ao ensino online e ao tele-trabalho, sempre que necessário. Quando sairmos, temos de usar correctamente o “código de saúde” e o “código de deslocação”. Estes dois códigos ajudam a localizar pessoas infectadas pelo vírus e os seus contactos próximos.

Façamos em conjunto um voto pela paz mundial e tomemos medidas anti-epidémicas a nível global. À semelhança do emblema dos Jogos Olímpicos de Inverno, que actualmente decorrem em Pequim, os cinco anéis entrelaçados da bandeira olímpica, simbolizam a unidade dos povos dos cinco continentes.

Desde que todos cumpram o seu dever e tenham fé, ultrapassaremos naturalmente todo o tipo de dificuldades.

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau
Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk

Mês lunar e as 28 Constelações

O sistema astronómico chinês usa pequenos grupos de estrelas para enunciar cada um dos dias do mês lunar. Como o mês lunar compreende uma lunação, isto é, desde a Lua Nova até ao Quarto Crescente vão sete dias e mais sete para chegar à Lua Cheia e decrescendo passa ao fim de outros sete dias a Quarto Minguante, até que com mais sete dias regressa à Lua Nova, ao primeiro dia do mês. Assim ocorre um mês com quatro semanas a perfazer 28 dias, enunciados em regular sucessão pelos 28 asterismos, denominadas constelações. As 28 Constelações (28 Xiu, 二十八宿) estão divididas em Quatro Quadrantes (四宫, Si Gong), que correspondem às quatro semanas cada uma de sete dias a compor o mês lunar.

Luiz Gonzaga Gomes refere serem os quatro quadrantes (Si-Kun, 四宫, Si Gong): o do Leste, O Dragão Verde/Azul, denominado em cantonense Tch’êng (青, em mandarim Qing) ou Tch’óng-Long (苍龙, CangLong), e contém da primeira à sétima constelação. O Quadrante Norte, O Guerreiro Sombrio, Ün-Môn (玄武, XuanWu), abarca da 8.ª à 14.ª constelação. O Quadrante Oeste, O Branco Tigre, Pák-Fu (白虎, BaiHu), que compreende da constelação 15.ª à 21.ª, apesar de LGG referir, creio equivocando-se, conter da 22.ª à 28.ª constelação, pois trocou com as do Quadrante Sul, O Pássaro Encarnado, Tchü-Niu (朱鸟, ZhuNiao) ou Tchèok (雀, Que), a corresponder às constelações que vão da 22.ª à 28.ª e não, como afirma, entre a 15.ª e a 21.ª constelação.

Mês Lunar

Aqui deixamos a lista das 28 Constelações correspondentes aos 28 dias que constituem um mês lunar, enquadradas nos Quatro Quadrantes (Si-Kun 四宫, Si Gong) a marcar as quatro semanas, com sete dias cada.

Os nomes são os usados por Luiz Gonzaga Gomes para as 28 constelações (I-Sâp-Pát-Sôk, 二十八宿, 28 Xiu) e estrelas que compõem cada um dos 28 asterismos do sistema astronómico chinês.

O primeiro Quadrante do mês, Leste, O Dragão Verde/Azul, compreende da 1.ª à 7.ª constelação. O primeiro dia do mês lunar é chamado Kôk (角, em mandarim Jiao), O Chifre, e é formada pela constelação cujas estrelas são Espica, Zeta, Teta e Iota, dispostas em cruz, e situadas perto de Virgem.

O segundo dia, Kàng (亢, Kang), O Pescoço, formada pelas estrelas Iota, Kapa, Lambda e Ró, em forma de arco e situado nos pés da Virgem.

– Dia 3 – Tâi (氐, Di), O Fundo, constituída pelas estrelas Alfa, Beta, Gama e Iota, em forma de uma vasilha e situado na parte inferior da Libra.
– Dia 4 – Fóng (房, Fang), O Quarto – Beta, Delta, Pi e Nu, na cabeça do Escorpião. [É o 1.º Domingo do mês]
– Dia 5 – Sâm (心, Xin), O Coração – Antares, Sigma e Tau no coração do Escorpião.
– Dia 6 – Mêi (尾, Wei) – A Cauda – Úpsilon, Mu, Zata, Eta, Teta, Iota, Kapa, Lambda e Nu, formando a cauda do Escorpião.
– Dia 7 – Kêi (箕, Ji) – A Peneira – Gama, Delta, Úpsilon e Beta aparentando uma peneira e situada nas mãos do Sagitário.
O segundo Quadrante, Norte, O Guerreiro Sombrio, compreende da Constelação 8.ª à 14.ª.
– Dia 8 – Tâu (斗, Dou) – A Vazilha – Mu, Lambda, Ró, Signa, Tau e Zeta, do Sagitário.
– Dia 9 – Ngau (牛, Niu) – O Boi – Composto de Alfa, Beta e Pi do Áries e Ómega, Alfa e Beta do Sagitário.
– Dia 10 – Nui (女, Nu), A Donzela – Úpsilon, Mu, Nu e nove situadas à esquerda do Aquário.
– Dia 11 – Hôi (虚, Xu), O Vácuo – Alfa, na testa do Eqúleo e em linha recta com Beta do Aquário. [2.º Domingo do mês]
– Dia 12 – Ngâi (危, Wei), O Perigo – Alfa, no ombro direito do Aquário e Úpsilon e Teta na cabeça do Pégaso de maneira a formar um triângulo obtusângulo.
– Dia 13 – Sât (室, Shi), A Casa – Alfa, na asa, e Beta, nas pernas do Pégaso.
– Dia 14 – P’êk (壁, Bi), A Parede – Alfa na cabeça da Andrómeda e Gama (Algenib) na extremidade da asa do Pégaso.
Terceiro Quadrante do mês, Oeste, O Branco Tigre, da 15.ª à 21.ª Constelação.
– Dia 15 – Kuâi (奎, Kui), O Passo Largo – Beta (Mirac), Delta, Úpsilon, Zeta, Eta. Mu, Nu, Pi da Andrómeda e duas Sigmas, Tau, Nu, Fi, Ki e Psi do Pisces formando como que um homem dando um largo passo.
– Dia 16 – Lâu (娄, Lou), O Montículo, constituído por três estrelas em forma de um triângulo isósceles: Alfa, Beta e Gama na cabeça do Áries.
– Dia 17 – Uâi (胃, Wei), O Estômago, formado pelas três estrelas principais da Mosca Boreal.
– Dia 18 – Máu (昂, Ang), O Quadrante Ocidental, constituído por sete estrelas da Plêiade.
– Dia 19 – Pât (毕, Bi), O Termo, formado por seis estrelas na Híade com a Mu e Nu de Toiro.
– Dia 20 – Tchôi (觜, Zui), Eriçar – Lambda e dois Fi na cabeça do Oriente.
– Dia 21 – Tch’ám (参, Can), Misturar – Alfa (Betegeux), Beta (Rigel), Gama, Delta, Úpsilon Zeta, Eta e Kapa nos ombros, cintura e pernas do Oriente.
Quarto Quadrante do mês, Sul, O Pássaro Encarnado, da 22.ª à 28.ª Constelação.
– Dia 22, Tchèang (井, Jing), O Poço, constituído por quatro estrelas nos pés e quatro nos joelhos dos Gémeos.
– Dia 23, Kuâi (鬼, Gui), O Demónio – Gama, Delta, Eta e Teta do Câncer.
– Dia 24, Lâu (柳, Liu), O Salgueiro – Delta, Úpsilon, Zeta, Eta, Teta, Ró, Sigma e Ómega da Hidra.
– Dia 25, Sêng (星, Xing), A Estrela – Alfa, Iota, duas Tau, Kapa e duas Nu, no coração da Hidra.
– Dia 26, Tchèong (张, Zhang), Retesar o Arco – Kapa, Lambda, Mu, Nu e Fi na segunda espira da Hidra.
– Dia 27, Iêk (翼, Yi), A Asa, Formada por vinte e duas estrelas da Cratera e da terceira espira da Hidra.
– Dia 28, Tch’ân (轸, Zhen), A Canga, constituída por Beta, Gama, Delta e Úpsilon do Corvo.
Na dinastia Tang estas 28 Constelações tinham ao todo 183 estrelas, apesar de apenas contarmos 161 estrelas no artigo Patronos do Calendário Chinês de Luiz Gonzaga Gomes, que refere ainda, “os primeiros dias de todas as luas se chamavam kôk, os segundos káng e assim por diante, dando-se o facto de recaírem, sucessivamente, todos os primeiros dias de cada grupo de sete dias, nas constelações fóng, hói, máu, e sêng que, por este facto, equivalia a referir-se-lhes como sendo o 1.º, o 2.º, o 3.º e o 4.º domingos do mês.”
“Não obstante as suas aparentes complicações, o sistema cronológico chinês presta-se admiravelmente para determinar com mais ou menos exactidão, os diversos períodos do tempo. Os investigadores que se dedicaram ao estudo do almanaque chinês, asseveram que sob vários aspectos, ele é mais flexível que o europeu e até regista com maior rigor as alternações das estações e as suas respectivas fracções, não devendo nós deixar de mencionar o facto de o notável político e matemático francês, Paul Painlevé, ter proposto a amalgamação dos calendários chinês e europeu, com o fim de se elaborar um calendário universal que viria a ser o mais perfeito de quantos têm sido produzidos até à actualidade.”

Futuro do carro construído por Eduardo Carvalho continua incerto

O nome Edsbrat não dirá muito até ao mais fervoroso adepto do automobilismo. Contudo, este monolugar de construção local, e cuja história se confunde com o Grande Prémio de Macau, é o único existente de uma era em que o génio de alguns se sobrepunha às dificuldades naturais da época

 

O português Eduardo Carvalho, o vencedor da primeira edição do Grande Prémio em 1954, foi um dos pioneiros na construção de carros de corrida no continente asiático. Logo na segunda edição do Grande Prémio, “Eddie”, como era conhecido à época, trocou o seu Triumph TR2 por um “Femcar Special” – um protótipo monolugar de aspecto muito artesanal construído e tripulado por si em 1955 e por Eduardo Noronha em 1956.

No início dos anos 1960s, quando os carros do Grande Prémio de Macau passaram a ser máquinas construídas propositadamente para as corridas, os fórmulas passaram a ser aceites na corrida principal do programa. Em 1962, “Eddie”, com 44 anos e proibido de correr pela avó, trabalhava na Hong Kong Garage, onde era o gerente da oficina, decidiu voltar a construir um carro de corridas, este de acordo com a pujante regulamentação da Fórmula Junior, que na altura era aceite no Grande Prémio de Macau. Esta foi uma categoria de promoção que pontificou em todo o mundo entre 1958 e 1963 e que, com monolugares leves e eficazes, deu ao automobilismo mundial nomes como Jim Clark, Jochen Rindt ou John Surtees. Em 1964, a Fórmula Junior perderia a preponderância internacional, para dar espaço à Fórmula 3.

O britânico John Kirk, que era amigo de Eddie e precisava de um carro para competir, aceitou de bom grado conduzir o Edsbrat no Grande Prémio de 1962, para além de ter realizado provas com ele na Malásia e Singapura. O piloto-aviador da Japan-Cathay Pacific, Brian Lewis, conduziu-o em 1963, tanto no Grande Prémio, como na única corrida da Fórmula Junior no Circuito da Guia, onde viu a bandeira de xadrez no terceiro lugar. Em 1964, John Tse, um nativo de Hong Kong e um reputado piloto das corridas de carros de Turismo locais, adquiriu este fórmula e participou com ele no segundo Grande Prémio do Japão, onde acabou por desistir ao fim de quatro voltas. O carro nunca mais viria a correr.

No início da década de 1990, o ex-piloto e antigo engenheiro aeronáutico australiano Neville McKay foi encontrá-lo abandonado numa garagem em Hong Kong. Conseguiu comprá-lo e trouxe-o para Macau, onde na oficina da Historic Motor Sports, na Rua Fernão Mendes Pinho, o carro foi restaurado. Não se pense que esta foi uma tarefa fácil, porque não foi.

Um mini Ferrari

Este Fórmula Junior, um exemplar único, tem uma característica muito peculiar que é o bico em forma de nariz de tubarão, inspirado no Ferrari 156 “Sharknose”, o carro com que Phil Hill e a Ferrari venceram o mundial de Fórmula 1, em 1961, e assim quebraram a hegemonia dos carros ingleses. “Em 1961, a Ferrari venceu o Campeonato do Mundo de Fórmula 1 com um monolugar de “sharknose” e o Carvalho queria que o seu carro se parecesse com um Ferrari. Até o pintou de vermelho”, explica McKay ao HM.

O pequeno Edsbrat estava em muito mau estado quando chegou às mãos de Neville McKay, tendo demorado três anos até voltar ao seu estado de glória. O carro voltou a ser visto em público pela primeira vez em 2014, sendo uma das estrelas do “Classic Car and Vintage Festival”, em Hong Kong.

“Restaurar o carro demorou três anos. Tivemos que fazer os moldes e outro tipo de coisas. Em 1962, os carros não tinham cintos de segurança ou arco de segurança”, relembra McKay, ele que chegou a fazer parte da Comissão Internacional de Históricos da FIA, em representação da Associação Geral Automóvel Macau-China (AAMC).

À procura de uma nova vida

Em 2013, durante o 60º aniversário do evento, Neville McKay terá tentado que o Edsbrat voltasse a sentir o asfalto do Circuito da Guia, numa volta de exibição, mas tal não foi deferido. “É um carro único de Macau, representativo do Grande Prémio de Macau. Pesa 400 kg e está equipado com um motor original Ford 1100cc da Fórmula Junior”, recorda McKay.

Guardado numa oficina em Hong Kong, o futuro do carro é incerto. Conversações para um possível ingresso do Edsbrat no Museu do Grande Prémio não deram os frutos esperados. Neville McKay procura uma nova casa e está disposto a deixá-lo partir quando “aparecer uma oferta sensível”.

De todos os carros construídos localmente nos vibrantes anos 1950s e 1960s, este é o único exemplar existente. Nem todos os carros de corrida são peças de museu, mas este, por tudo o representa, possivelmente merecia outro lugar de destaque.

“Belfast” de Kenneth Branagh bem posicionado para os Óscares 

Posicionado como potencial nomeado aos Óscares, o filme “Belfast” revisita um período “profundamente trágico e doloroso” na história da Irlanda do Norte sob a lente da compaixão, disse o realizador Kenneth Branagh num evento da Variety.

“Compaixão foi o ponto de vista que quisemos aplicar a uma situação muito complicada”, afirmou Branagh, que desenvolveu a história com base na sua memória do início dos confrontos violentos conhecidos como The Troubles, que opuseram protestantes unionistas e católicos nacionalistas no final da década de sessenta.

“Olhamos para a situação através do Buddy, de nove anos, e é uma posição muito humana através da qual observamos uma família a lidar com eventos para os quais não estamos preparados para lidar”, descreveu o autor.

O filme tem como protagonistas Jamie Dornan, Caitriona Balfe, Jude Hill, Judy Dench e Ciarán Hinds, e tem sido aclamado pela crítica com várias nomeações e vitórias na temporada de prémios do cinema.

“Quando li o argumento, pareceu-me que a essência do que ele tinha captado era uma verdade muito profunda de uma cultura e de um povo”, disse o actor Ciarán Hinds, que interpreta o avô de Buddy no filme. “Foi como se tivéssemos escorregado de forma muito gentil para uma outra era, um outro tempo”.

“Experiência mágica”

O actor descreveu como “uma experiência mágica” trabalhar com Kenneth Branagh, que fez um filme quase autobiográfico com uma dose simultânea de nostalgia e assombro. “Sentimo-nos rodeados dos fantasmas dos nossos antepassados, os espíritos de onde viemos”, disse Ciáran Hinds.

Jamie Dornan também elogiou o trabalho do realizador, que deu aos actores a capacidade de se submergirem num filme de época – filmado a preto e branco – de forma orgânica.

Situado em 1968, no início do conflito, “Belfast” não aborda directamente a complexidade do que está em causa. Kenneth Branagh explicou que a sua intenção foi mostrar o desenrolar da violência de um ponto de vista familiar.

“São eventos políticos e sociais avassaladores, um período muito traumático para a Irlanda do Norte que durou trinta anos e ninguém sabia quanto tempo ia durar”, disse o realizador, lembrando que morreram 3700 pessoas durante o conflito. “Foi profundamente trágico e doloroso”, descreveu.

O filme “tenta entender” um pouco disso sem endereçar o principal problema. “Em vez disso, tenta focar nos mecanismos usados para enfrentar a situação, e as pequenas formas como uma família normal lidou com estas dificuldades e pôs um pé à frente do outro”, disse Branagh. “Podemos aprender com estas histórias”.

Cinemateca Paixão | “Lost in Translation” e “Terrorizers” em exibição nos próximos dias 

O aclamado “Lost in Translation”, de Sofia Coppola, é um dos filmes que integra o cartaz na Cinemateca Paixão para os próximos dias, e que apresenta algumas películas que têm a Ásia como pano de fundo

 

Ele é um actor de teatro em plena crise de meia idade que vai a Tóquio fazer um anúncio a um whisky. Ela é uma licenciada em Filosofia que acompanha o marido, fotógrafo, numa viagem de trabalho, mas que passa demasiado tempo sozinha. Os dois encontram-se no bar do hotel e depressa começam uma amizade que apenas cabe nas ruas de Tóquio.

Esta é a história central de “Lost in Translation”, o aclamado filme da realizadora norte-americana Sofia Coppola, de 2003, filmado no Japão, e que conta com a presença dos actores Scarlett Johansson e Billy Murray nos papéis principais. “Lost in Translation” é um dos filmes que integra o ciclo da Cinemateca Paixão para os próximos dias, dedicado ao cinema asiático, mas não só. O filme de Sofia Coppola será exibido entre quinta-feira e dia 18.

Este novo ciclo de cinema começou este domingo com a exibição de “Terrorizers”, filme que poderá ser visto até sexta-feira. Esta é uma produção de Taiwan de Wing Ding Ho que conta a história de quatro jovens em Taipei que vagueiam pela cidade com histórias pessoais marcadas pelo amor, desejo ou vingança. A película obteve uma nomeação, no ano passado, no Festival Internacional de Cinema de Toronto, para a secção de cinema internacional contemporâneo.

Mostra multicultural

“Lamb”, de Valdimar Johannsson, é um dos filmes com um cenário exclusivamente europeu que poderá ser visto na Cinemateca Paixão nos próximos dias, entre amanhã e o dia 15. Esta é a história de um casal que vive numa Islândia rural e que um dia faz uma descoberta alarmante no curral onde se encontram as suas ovelhas.

Depressa estes descobrem que estão a enfrentar as consequências de desafiarem o rumo da mãe natureza. O filme, que marca a estreia deste realizador, obteve, no ano passado, um prémio na categoria “Originality of un certain regard” no Festival de Cinema de Cannes, incluindo uma outra nomeação. Também no ano passado “Lamb” recebeu o prémio na categoria “FIPRESCI of European Discovery” nos Prémios Europeus de Cinema.

O regresso à Ásia faz-se com o filme “Vengeance is Mine – All others pay cash”, uma co-produção da Indonésia, Singapura e Alemanha, do realizador Edwin. Esta película conta a história do lutador Ajo Kawir que combate contra um problema pessoal: a impotência. No entanto, acaba por se apaixonar por uma outra lutadora, de nome Iteung. O filme vai contando a história da possibilidade desse amor. Esta película pode ser vista entre sábado e o dia 20.

A selecção de filmes prossegue com “Introduction”, uma produção sul-coreana de Hong Sang-soo que conta a história de Youngho e da sua namorada, Juwon, que se muda para Berlim para prosseguir os seus estudos.

Esta película obteve, no ano passado, o Urso de Prata para melhor guião no Festival Internacional de Berlim, além de ter recebido uma nomeação para a categoria de melhor filme. “A new old play”, uma co-produção de Hong Kong e França, de Qiu Jiongjiong, será exibido até domingo. Este filme passa-se no ano de 1980 e centra-se na personagem de Qiu Fu, um actor da ópera de Sichuan que morre num acidente de carro.

Caso IPIM | Repetição do julgamento adiada para 28 de Fevereiro

Zheng Chun Mei, ex-amante de Jackson Chang, faltou ao julgamento e a sessão teve de ser adiada. Antes, houve tempo para o juiz recusar o pedido do Ministério Público de acrescentar à acusação mais um crime de abuso de poder

 

A repetição do julgamento do ex-presidente do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), Jackson Chang, estava prevista para ontem de manhã, mas foi adiada devido à falta da arguida Zheng Chun Mei.

“Parece que a arguida foi notificada, mas está em falta. Tem de apresentar uma justificação dentro de 10 dias. Se não o fizer vai haver uma multa”, avisou o juiz, após anunciar que a sessão seria adiada.
Zheng Chun Mei terá sido notificada e recebido a carta através de correio registado, mas não compareceu no tribunal. No primeiro julgamento, tinha sido apresentada pela acusação como a ex-amante do ex-presidente do IPIM.

Face à ausência, o juiz agendou uma nova sessão para 28 de Fevereiro pelas 9h30. Segundo as indicações dadas em tribunal, na nova data vão ser ouvidas testemunhas, mesmo que Zheng Chun Mei opter por voltar a comparecer sem justificação.

Entre os arguidos, apenas Jackson Chang, que está em liberdade, esteve no tribunal, acompanhado pela mulher, como sempre aconteceu ao longo do julgamento inicial. Miguel Ian é o único que se encontra a cumprir pena de prisão, em Coloane, mas optou por não ir a tribunal, fazendo-se representar pelo advogado.

Por sua vez, Glória Batalha que tinha sido condenada a pena de prisão efectiva na primeira decisão, foi absolvida dos crimes de que estava acusada, no âmbito do recurso.

Linhas do campo

A sessão serviu também para que ficasse totalmente definido o teor do julgamento, que se vai limitar, no caso de Jackson Chang, a quatro crimes de corrupção passiva, quatro crimes de branqueamento de capitais e três de abuso de poder. No primeiro julgamento, o ex-presidente do IPIM tinha sido absolvido destes crimes e condenado a dois anos de prisão efectiva pela prática de quatro crimes de violação de segredo e três crimes de inexactidão de elementos no preenchimento da declaração de rendimentos.

O Ministério Público pretendia que Chang fosse acusado por mais um crime de abuso de poder, mas o pedido foi recusado. “O TSI foi muito claro na decisão. Temos de fazer o julgamento com base no que foi decidido pelo TSI”, justificou. “O julgamento vai seguir as ordens do TSI e não vamos acrescentar mais crimes”, esclareceu.

Não foram só os pedidos do MP a serem negados, o tribunal recusou igualmente analisar outras questões levantadas pelos advogados de defesa dos arguidos. “Só vamos seguir a decisão do TSI. O objecto do julgamento é o definido pelo TSI”, reiterou.

Entre os 26 arguidos do processo inicial, 19 tinham sido considerados culpados e sete ilibados. Segundo a primeira decisão, o casal de empresários Ng Kuok Sao e Wu Shu Hua, marido e mulher, tinham criado uma associação criminosa para vender autorizações de fixação de residência e foram condenados, respectivamente, a penas de 18 e 12 anos de prisão. Ng Kuok Sao foi julgado à revelia por estar fora de Macau, ao contrário de Wu, que compareceu no primeiro julgamento. Porém, depois da primeira decisão Wu também terá deixado a RAEM.

Secretária Irene Iu morre na prisão

No julgamento inicial, Irene Iu, ex-secretária dos empresários Ng Kuok Sao e Wu Shu Hua, tinha sido condenada com uma pena de oito anos e seis meses, pelo crime de associação criminosa e vários de falsificação de documentos. Contudo, Irene Iu faleceu em Dezembro do ano passado na prisão de Coloane.

Era a única arguida presa, além de Miguel Ian. Segundo o HM apurou, Irene Iu foi diagnosticada com um cancro, mas recusou receber tratamento, optando por morrer, apesar de lhe terem sido disponibilizados todos os cuidados. A residente local morreu aos 48 anos, e antes de ser presa tinha declarado um rendimento mensal de 7 mil patacas. No dia da condenação, deixou a sessão em lágrimas.

Ano Novo Lunar | Macau perde 90,6% de turistas em relação a 2019

Mais de 113 mil turistas entraram em Macau na semana dourada do Ano Novo Lunar, menos 90,6 por cento que em 2019, ou seja, antes da pandemia da covid-19. Ainda assim, o registo ficou acima dos números registados em 2021, anunciou ontem Direção dos Serviços de Turismo (DST).

De acordo com os dados divulgados pela DST, o território registou a entrada de apenas 113.699 visitantes, uma média diária de 16.242 turistas. No entanto, o balanço da semana, que este ano decorreu entre 31 de Janeiro e 06 de Fevereiro, é positivo (+25,4 por cento), quando comparado com o de 2021, entre 11 e 17 de Fevereiro.

Dois anos após o início da pandemia, e apesar do regresso das celebrações do Ano Novo Lunar, tradicionalmente um ponto alto para o turismo de Macau, o contexto pandémico voltou a afastar os turistas da capital mundial do jogo, que recebeu 7,7 milhões de visitantes em 2021, um valor muito distante dos quase 40 milhões registados em 2019.

Os visitantes são quase todos oriundos do Interior da China, que beneficiam de excepções face às restrições fronteiriças determinadas no âmbito do combate à pandemia do novo coronavírus.

Recorde-se que Macau tem promovido a cidade como um território seguro em relação à covid-19, procurando capitalizar com o facto de ter registado apenas 79 casos durante a pandemia. No entanto, apesar de se tratar de uma das festas mais importantes para as famílias, as autoridades do Interior da China pediram à população para não viajar durante os feriados.

Escola Internacional | Pandemia leva à saída de 20 por cento dos professores

Devido aos efeitos da pandemia, a Escola Internacional de Macau chegou a temer perder metade dos professores no final do ano lectivo, mas o número afinal vai ser menor. Neste momento, trabalha-se na contratação de novos docentes

 

Apesar de ter chegado a temer perder metade dos professores no final do ano lectivo, a Escola Internacional de Macau (TIS, em inglês) acredita ter resolvido o problema. Inicialmente, havia a expectativa de que no final do ano lectivo metade dos professores pudesse deixar Macau, muitos deles motivados pelas políticas de restrições de circulação nas fronteiras, mas o número foi reduzido e deverá rondar apenas os 20 por cento. A contratação de novos profissionais está quase terminada.

“Estávamos à espera que no final deste ano lectivo um grande número dos nossos funcionários deixasse a escola. Por isso, a questão foi sempre tratada como a nossa prioridade”, começou por explicar Howard Stribbell, director da TSI, ao HM. “Felizmente através de uma estratégia em que, por um lado, fizemos tudo para lidar com as preocupações dos nossos funcionários para o próximo ano lectivo e, por outro, apresentámos planos muito concretos, fomos capazes de minimizar as saídas”, acrescentou.

Howard Stribbell explicou igualmente que em condições normais cerca de 10 por cento dos professores deixavam a escola. Neste sentido, a saída de 20 por cento dos docentes, num contexto em que as fronteiras estão praticamente fechadas há dois anos, é encarada como um número dentro do expectável.

Além das saídas, o grande desafio é a contratação de professores, porque há poucas alternativas. A contratação de docentes no Interior é assim uma das poucas alternativas, além da contratação de residentes que estejam foram da RAEM. “Fomos capazes de recrutar e preencher 80 por cento das vagas em aberto”, admitiu Stribbell. “Agora já estamos numa fase em que se não conseguirmos preencher todas as vagas, podemos sempre ter um plano B”, considerou.

Tempos difíceis

No entanto, o arrastar da pandemia tem feito com que as instituições de ensino tenham cada vez mais dificuldades para arranjar professores. O problema estende-se a todo o sector, como reconheceu Howard Stribbell. “Não podemos deixar de agradecer ao Governo todos os esforços que tem feito para nos manter seguros, mas, neste momento, há muitas dificuldades para contratar professores. É uma dificuldade comum a todas as instituições”, apontou.

O HM sabe que, por exemplo, no caso da Escola Portuguesa de Macau também há alguma incerteza sobre a saída de professores, e que, por agora, está em cima da mesa a saída de quatro a cinco docentes. No entanto, esta não é uma situação definitiva.

Pior é a situação da Alliance Français, que desde o início do ano suspendeu todos os serviços, inclusive o ensino da língua francesa. Apesar de não ter havido um esclarecimento sobre este aspecto, o jornal Ponto Final avançou que a situação tinha sido motivada pela falta de docentes.

Lorne Schmitdt novo director

A partir do próximo ano lectivo Howard Stribbell vai ser substituído por Lorne Schmitdt no cargo de director da Escola Internacional de Macau. A notícia foi transmitida no final do mês passado, através de uma carta enviada por Stribbell, à associação de pais da Escola Internacional.