Casinos-satélite | Futuro de trabalhadores preocupa deputados João Santos Filipe - 16 Fev 2022 Os legisladores querem perceber quais as medidas do Governo para lidar com o crescimento do desemprego ligado ao fim dos casinos-satélite. O assunto dominou, pelo segundo dia consecutivo, o debate na especialidade da nova lei do jogo Na reunião de ontem da comissão da Assembleia Legislativa que discute a Lei do Jogo, os deputados focaram as atenções no futuro dos empregados que trabalham nos casinos-satélite. Os legisladores querem saber qual vai ser o futuro destas pessoas em caso de encerramentos ou falências. À imagem do encontro de segunda-feira, a reunião para analisar o diploma na especialidade voltou a mobilizar vários deputados, com oito não-membros a participarem na discussão, entre os quais José Pereira Coutinho e Ângela Leong. Uma vez mais, os legisladores mostraram-se preocupados com a obrigação de os imóveis onde operam os casinos-satélite serem propriedade das concessionárias. A medida é vista como o fim dos casinos-satélite, e existe a preocupação de que vá aumentar o desemprego, através da dispensa de vários trabalhadores e pelo impacto para os negócios à volta desses casinos. “Além do deputado José Pereira Coutinho, houve mais seis deputados que levantaram muitas questões sobre a transição dos casinos-satélites para as operadoras. As pessoas querem perceber como vão ser tratados os trabalhadores no caso de ocorrerem falências”, explicou Chan Chak Mo, presidente da Comissão Permanente da AL. “Há também quem questione se o prazo de três anos é suficiente para assegurar que a transição decorre sem problema”, acrescentou. Face à reunião de segunda-feira, o presidente da comissão reconheceu que ontem existiu “um tom mais pesado” sobre a matéria. Contudo, o assunto ficou para já arrumado, até às próximas reuniões com a presença de membros do Executivo terem lugar. “Já falei com os deputados que não podemos continuar a discutir esta questão em todas as reuniões. Só vamos voltar ao assunto nas reuniões com o Governo”, sublinhou. Novos jogos A reunião de ontem serviu assim para concluir a discussão de alguns assuntos que Chan Chak Mo afirmou serem de “generalidade” e entrar no debate sobre o texto proposto. Nesta fase da discussão, os deputados focaram as atenções na autorização para as concessionárias explorarem novos jogos de casino. “Actualmente, há 24 tipos de jogos que podem ser explorados pelas concessionárias. E se surgir um novo jogo? Será que todas as concessionárias têm de fazer um pedido individual para poder explorá-lo? Ou a partir do momento que uma concessionária faz o pedido, todas podem explorar esse jogo?”, questionou o presidente da comissão. “A resposta a esta pergunta não é clara, por isso queremos perguntar ao Governo como encarar esta parte da lei”, justificou. Os trabalhos da comissão prosseguem esta tarde, com mais uma reunião agendada para as 16h30. Os deputados têm como meta terminar a discussão do diploma na generalidade, incluído a votação, até ao final de Junho.
Beijing 2022 | Dupla francesa conquista ouro na dança do gelo Pedro Arede - 16 Fev 2022 Ao som de “Elegie”, a dupla francesa Gabriella Papadakis e Guillaume Cizeron arrebatou o título olímpico na dança do gelo, batendo o recorde mundial de pontuação na patinagem artística (226.98). Nos saltos acrobáticos de esqui estilo livre, a medalha de ouro sorriu a Xu Mengtao, que conquistou assim o primeiro título olímpico na modalidade para a República Popular da China Numa ode à sintonia, à cumplicidade e à técnica, a dupla francesa Gabriella Papadakis e Guillaume Cizeron conquistou na segunda-feira a medalha de ouro na dança do gelo da patinagem artística. Ao som de Elegie (Gabriel Faure), Papadakis e Cizeron, não só superaram a prata obtida em PyeongChang 2018, como bateram ainda o record mundial nesta vertente ao alcançar uma pontuação inédita (226.98). A medalha de prata da competição foi para a dupla Victoria Sinitsina e Nikita Katsalapov, do Comité Olímpico Russo (ROC), ao passo que o bronze foi para os norte-americanos Madison Hubbell e Zachary Donohue (EUA). Aplaudidos de pé no final da actuação que viria a garantir o ouro olímpico, Gabriella Papadakis e Guillaume Cizeron protagonizaram uma performance que roçou a perfeição pelo entrosamento, precisão de movimentos, execução técnica, sintonia e estética. Como resultado, a apresentação é já considerada uma das melhores de sempre da história da modalidade. Isto, para além de ter sido a primeira medalha de ouro conquistada pela França na vertente em mais de 20 anos. “Acho que ainda não acredito. Honestamente é completamente surreal porque era algo que desejávamos há anos. Esta medalha é tudo o que queríamos. O meu cérebro ainda não compreende bem o que se está a passar”, disse Gabriella Papadakis durante a conferência de imprensa realizada após a cerimónia de entrega de prémios, segundo o Olympic Channel. Sobre a dedicação que foi depositada nas últimas temporadas para que este objectivo se materializasse, a atleta frisou que a medalha de ouro “era a única desejada” e que os últimos quatro anos foram “muito difíceis e de muito trabalho”. Por sua vez Guillaume Cizeron partilhou o que sentiu durante a apresentação que viria a ser histórica. “Honestamente, não me lembro de muita coisa (risos)…não sei, é como se o tempo parasse. É como se entrasses num embalo que depois acaba de forma súbita”, apontou. Já a dupla Victoria Sinitsina e Nikita Katsalapov (ROC) arrecadou a medalha de prata após uma apresentação que misturou suavidade e força, não registou falhas de maior e foi ovacionada pelo público. Ao som de Sergei Rachmaninov (concerto de piano número dois), música que começa de forma suave e vai crescendo, a dupla conseguiu, segundo o Olympic Channel, conduzir a performance com leveza, flexibilidade e elegância. Victoria Sinitsina e Nikita Katsalapov obtiveram 220.51 de nota final. Quanto à performance que atribuiu o bronze a Madison Hubbell e Zachary Donohue (EUA), Drowning (por Anne Sila) foi a melodia escolhida que deu o mote para a dupla preencher praticamente todo o espaço no gelo de forma “espectacular”. Segundo o Olympic Chanel, Hubbell e Donohue foram irrepreensíveis na componente técnica, na interpretação e composição. Isto, além de terem ido “ao limite” nos elementos apresentados e sido “ousados”. Madison Hubbell e Zachary Donohue obtiveram 218.02 de nota final. Ouro inédito Memorável foi também a medalha de ouro conquistada por Xu Mengtao, na vertente de saltos acrobáticos do esqui estilo livre (aerials), tornando-se assim na primeira atleta da República Popular da China a subir ao lugar mais alto do pódio na modalidade em Jogos Olímpicos. A prata foi para Hanna Huskova (Bielorrússia), enquanto o bronze seria atribuído a Megan Nick (EUA). “Estou muito feliz. Esta é a primeira medalha de ouro da China no aerials feminino e isso é simplesmente fantástico,” afirmou Xu Mengtao ao Olympic Channel, que viria a alcançar uma pontuação final de 108.61. Numa final marcada por emoção e manobras arriscadas, a bielorrusa Hanna Huskova parecia estar encaminhada para renovar o título conquistado em PyeongChang 2018, depois de um primeiro salto impressionante onde obteve uma pontuação de 107.91. Contudo, Xu Mengtao estava decidida em ser ainda mais atrevida e, na última descida, acabou mesmo por superar Huskova e conquistar o ouro. “Foquei-me apenas em executar as melhores manobras que estavam ao meu alcance e acabei por conseguir fazer isso mesmo” destacou a atleta da República Popular da China, que conquistou igualmente uma medalha de prata na prova de equipas mistas. Huskova, que tentava o bicampeonato Olímpico, pontuou 107.96 no salto final, e Megan Nick obteve uma nota de 93.76. COI aguarda decisão final sobre Valieva para entregar medalhas O Comité Olímpico Internacional (COI) vai aguardar por uma decisão sobre o controlo antidoping positivo da jovem patinadora russa Kamila Valieva para então entregar as medalhas das provas nas quais a atleta participou nos Jogos Olímpicos de Inverno. Enquanto o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS, na sigla inglesa) autorizou a jovem atleta de 15 anos a manter-se nos Jogos de Pequim 2022 e a poder participar na prova individual de patinagem artística que aconteceu ontem, já depois de ter ajudado os russos a vencer a prova por equipas, o COI considera “inapropriado” organizar as cerimónias de entrega de medalhas sem que tudo esteja resolvido. A instância olímpica defende que, “por uma questão de equidade entre os atletas”, vai aguardar para que a eventual violação das regras antidopagem por parte da atleta russa esteja ou não estabelecida, o que normalmente demora vários meses, para então determinar o pódio das provas por equipas, o mesmo sucedendo caso Valieva termine entre as três primeiras na prova individual. Rússia confiante Por seu lado, a Rússia rejubilou com a decisão do TAS de permitir que a jovem patinadora prossiga nos Jogos: “Todo o país a apoia, bem como todas as nossas patinadoras na prova individual”. Em mensagem na sua conta Telegram, o Comité Olímpico Russo (ROC) qualifica a decisão do TAS “a melhor notícia da jornada”, enquanto o porta-voz do Kremlin Dmitri Peskov manifestou-se “contente” por a adolescente poder competir na prova individual de terça-feira: “Todo o país deseja que Kamila vença os Jogos”. A jovem russa testou positivo a trimetazidina no dia 25 de Dezembro, durante os campeonatos da Rússia, e foi suspensa já no decurso dos Jogos de Inverno, mas a decisão foi mais tarde levantada. A 11 de Fevereiro, a Agência Russa Antidopagem (RUSADA) decidiu abrir um inquérito interno a todos os treinadores e médicos em torno de Valieva, que é “menor de idade” e, portanto, passível de ter visto os seus interesses mal defendidos por pessoas com essas funções. A agência prometeu publicar os resultados desta investigação na sua página oficial na Internet. O caso ocorre numa altura em que os desportistas russos participam em Pequim debaixo da bandeira do comité russo, uma vez que a Rússia, enquanto país, foi banida dos Jogos devido a um grande escândalo de doping de Estado, do qual Moscovo se defende denunciando um complô anti-russo. Slalom | Ricardo Brancal encerra hoje participação portuguesa O português Ricardo Brancal entra hoje em competição nos Jogos Olímpicos de Inverno na modalidade de slalom, naquela que será a última participação portuguesa em Pequim. Recorde-se que o esquiador português estreou-se no domingo nos Jogos Olímpicos com um 37.ª lugar na prova de slalom gigante do esqui alpino, tendo alcançado o objectivo de melhorar o 66.º posto de Arthur Hanse em PeyongChang 2018 na disciplina. O esquiador, que tem preferência pelo slalom, competição marcada para as 10h15 de hoje, afirmou que, tendo em conta a performance já alcançada “talvez arrisque um pouco mais” na disciplina em que se sente mais confortável. “Eu nunca me senti tão bem fisicamente, fiz uma boa preparação. Tenho as condições necessárias para fazer uma boa prova, agora, é também preciso ter um bocado de sorte e as coisas saírem no dia, porque o slalom, ao mínimo erro, não perdoa”, frisou Ricardo Brancal, em declarações à agência Lusa. Agenda para hoje Biatlo (15h45) – Medalhas Bobsled (a partir das 9h40) Combinado Nórdico (15h00) Curling (a partir das 09h05) Esqui Alpino (10h15) – Medalhas Esqui Cross-Country (a partir das 17h00) – Medalhas Esqui Estilo Livre (a partir das 9h30) – Medalhas Hóquei no Gelo (a partir das 12h10) – Medalhas Patinagem de velocidade em Pista Curta (a partir das 19h30) – Medalhas * O canal em língua portuguesa da TDM transmite diariamente as competições dos Jogos Olímpicos de Inverno, entre as 10h00 e as 13h30. A partir das 14h30 as provas podem ser acompanhadas no canal de Desporto da TDM em língua chinesa
Milhões de licenciados na China obrigam a medidas de apoio ao emprego Hoje Macau - 15 Fev 2022 O Governo chinês anunciou hoje medidas de apoio para os empresários que geram empregos, perante as previsões de que quase 11 milhões de estudantes universitários vão entrar este ano no mercado de trabalho, informou um jornal de Hong Kong. Os 10,76 milhões de universitários que terminam este ano os estudos constituem um número recorde na China, acrescentando uma pressão ao exigente mercado laboral do país asiático, segundo a mesma publicação. Em Dezembro, o desemprego entre os jovens chineses entre os 16 e 24 anos atingiu 14,3 por cento, valor muito superior à taxa de desemprego de 5,1 por cento para profissionais de todas as idades, segundo dados oficiais. O jornal South China Morning Post informou que quase 4,4 milhões de pequenas e médias empresas (PME) fecharam nos primeiros onze meses do ano passado, mais do triplo do número de PME que abriram durante o mesmo período, o que mostra que este tipo de empresas continua a enfrentar grande pressão, desde o início da pandemia da doença covid-19. Este tipo de empresas representa cerca de 80 por cento do emprego no sector privado do país. PME com apoios A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o órgão máximo de planeamento económico do país, anunciou apoios para fazer face aos problemas de emprego dos recém-licenciados. Empréstimos com juros baixos vão ser concedidos às PME que empregam recém-formados ou pessoas que se formaram nos dois anos anteriores e não encontraram emprego. As medidas anunciadas também incluem a criação de “incubadoras” governamentais para empresas emergentes (‘start-ups’) ou benefícios fiscais. O Governo vai oferecer ajuda especial a jovens empreendedores, pois “começar um novo negócio tem um efeito multiplicador na geração de empregos”, apontou a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma. “Nos últimos anos, mais licenciados participaram do empreendedorismo, mas também enfrentam dificuldades de financiamento, falta de experiências e serviços, entre outros [problemas]”, explicou o órgão. O mercado de trabalho é visto como um pilar da estabilidade social por Pequim, mas enfrenta vários desafios, face a surtos esporádicos do novo coronavírus, que continuam a pesar no consumo, uma desaceleração do mercado imobiliário ou o aumento do custo das matérias-primas.
Hong Kong | Secretário para a Administração isolado após contacto próximo Andreia Sofia Silva - 15 Fev 2022 John Lee, secretário para a Administração de Hong Kong, está isolado em casa depois da sua empregada doméstica ter testado positivo para a covid-19. Ontem a Chefe do Executivo, Carrie Lam, garantiu que não será decretado um confinamento geral na região Um dia depois de Hong Kong ter registado mais de dois mil casos diários de covid-19, o pior panorama desde o início da pandemia, foi hoje divulgada a informação de que o secretário para a Administração, John Lee, está isolado em casa depois da sua empregada doméstica ter testado positivo para a covid-19. Segundo o canal de rádio e televisão RTHK, o próprio secretário e os seus familiares realizaram testes de despistagem à covid-19, com resultados negativos. Um porta-voz declarou que serão enviadas amostras de saliva para o Departamento de Saúde de Hong Kong para testagem. Entretanto, John Lee deveria ter estado presente na sessão de hoje no Conselho Legislativo (LegCo) onde se discutiu um plano de injecção de 27 mil milhões de dólares de Hong Kong no Fundo Anti-Epidémico, mas foi substituído pelo secretário para o Comércio e Desenvolvimento Económico, Edward Yau. Hong Kong registou hoje 1619 novos casos de covid-19, tendo sido anunciada a abertura de clínicas comunitárias para o tratamento destes doentes, em zonas como Shau Kei Dan, Kennedy Town e Kowloon Bay, entre outras. Neste momento mais de quatro mil pacientes com covid-19 estão em hospitais públicos ou locais de isolamento, noticiou o canal RTHK. Sem confinamento Entretanto, Carrie Lam disse hoje, em conferência de imprensa, que as autoridades não deverão decretar um novo confinamento geral da cidade, apostando nas medidas preventivas. “Até este momento as nossas medidas para conter o aumento de contágios mantém-se legítimas e válidas”, disse, citada num comunicado oficial. “O problema que estamos a enfrentar deve-se à magnitude, velocidade e severidade da quinta vaga da pandemia em Hong Kong, o que ultrapassou as nossas capacidades. A capacidade imediata do Governo de Hong Kong, agora com o apoio do Governo Central, é reforçar a nossa capacidade [de resposta] em várias áreas neste esforço contra a pandemia. E estamos a fazer isto”, acrescentou a governante. Carrie Lam considerou que têm sido eficazes medidas como as restrições e declarações de testes aplicadas a cada distrito da cidade. “Desde a última vaga, em finais de Dezembro do ano passado, que o Governo levou a cabo 100 operações desse género. Estas operações provaram ser eficazes, em termos da identificação de um grande número de infecções”, acrescentou. A Chefe do Executivo garantiu que vai converter apartamentos de habitação pública para isolamento de pessoas, além de procurar mais quartos de hotel para este fim, reforçando a resposta das autoridades nesta matéria. Amanhã Carrie Lam deverá reunir com representantes do sector hoteleiro para encontrar um consenso. “Sabemos que temos mais de 80 mil quartos de hotel em Hong Kong mas nem todos se ajustam. Procuramos um complexo inteiro – um hotel que ocupe todo um edifício com um certo número de quartos, porque se for demasiado pequeno as operações tornam-se muito difíceis”, explicou. Entretanto, o canal RTHK noticiou também que os pais têm feito uma corrida à vacina Sinovac para que as suas crianças sejam vacinadas contra a covid-19. Os agenciamentos começaram hoje às 8h.
Taiwan | Reduzida quarentena para viajantes de 14 para 10 dias Hoje Macau - 15 Fev 2022 Taiwan vai reduzir o período de quarentena obrigatória para quem chega à ilha oriundo do exterior, dos actuais 14 dias para 10, a partir de Março, anunciou hoje o Centro de Controlo de Epidemias do território, segundo a imprensa local. Quem entrar em Taiwan, vai ter que passar 10 dias num hotel designado para quarentenas ou em casa, se morarem sozinhos. Actualmente, quem chega a Taiwan tem três opções de quarentena: estadia num hotel designado durante 14 dias, passar 10 dias num hotel e quatro em casa ou cumprir metade do período de quarentena no hotel e a outra metade em casa. Da mesma forma, as autoridades de saúde declararam que, no futuro, vão relaxar as proibições de entrada para viagens de negócios. Tal como a China continental, Taiwan continua a ser um dos poucos territórios do mundo que adopta uma política de zero casos de covid-19, com extensas restrições fronteiriças. Desde o início da pandemia, o território registou 19.666 casos de covid-19 e 852 óbitos.
Casa Garden | Exposição de raquetes decorativas japonesas abre este sábado Hoje Macau - 15 Fev 202215 Fev 2022 A Casa Garden acolhe, a partir deste sábado, a exposição intitulada “Os encantos mágicos de Hagoita”, onde serão mostrados vários exemplos de raquetes decorativas japonesas. Esta mostra, que será inaugurada a partir das 17h30, é realizada pela delegação de Macau da Fundação Oriente em parceria com o Printmaking Centre of Macau. As raquetes Hagoita são usadas para jogar Hanetsuki, um jogo tradicional do Ano Novo que é jogado como uma prece para salvaguardar a saúde das pessoas. Este é um jogo semelhante ao badminton e é jogado principalmente por meninas e mulheres. A partir do século XVII iniciou-se a tradição de oferecer raquetes Hagoita às meninas por ocasião do seu nascimento ou no Ano Novo, quando o jogo era geralmente jogado. Aparentemente, também eram colocadas em templos para afastar os maus espíritos e trazer felicidade. As raquetes Hagoita são feitas de uma madeira leve. A pena (hane-ume) para o jogo é feita da baga da árvore-sabão (mukuroji) e é coberta de penas de pássaros pintadas com cores vivas para parecerem flores. O jogo, tal como no badminton, consiste em manter a pena no ar. Quem deixar cair perde e é marcado no rosto com um um risco a tinta da China. Quando o rosto de alguém estiver totalmente coberto de tinta, o jogo acaba e esse jogador é o vencido. O jogo não é considerado um desporto, mas sim um simples entretenimento para as mulheres. Durante o período Edo (1603-1867), foi desenvolvida a técnica Oshi-e (colagem acolchoada) para fazer desenhos tridimensionais com decorações usando tecido acolchoado de algodão. A reprodução de cenas de peças de Kabuki nas decorações das raquetes Hagoita tornou-se popular entre a população em geral e a beleza da decoração das peças tornou-se cada vez maior.
Património | IC recorre à realidade virtual para “reconstruir” Ruínas de São Paulo Hoje Macau - 15 Fev 2022 É já este ano que o Governo deverá terminar o projecto de “reconstrução” das Ruínas de São Paulo com recurso à realidade virtual. Posteriormente o público poderá realizar visitas com recurso a óculos e equipamentos especiais, estando a ser organizada uma exposição com o apoio da Diocese Católica em Macau O Instituto Cultural (IC) de Macau quer terminar, ainda este ano, uma “reconstrução tridimensional” das Ruínas de São Paulo, através de realidade virtual. O IC disse numa resposta enviada à Lusa que o objectivo é lançar visitas “imersivas” ao edifício da antiga Igreja da Madre de Deus através de utilização de óculos de realidade virtual e outro equipamento disponibilizado no local. As visitas guiadas, em português, inglês, cantonense e mandarim, serão lançadas para residentes e turistas, “após um período de testes e ajustes”. O IC está actualmente pesquisar e a recolher dados históricos para a exposição em realidade virtual, com o apoio da diocese da Igreja Católica em Macau. Assim que a recolha estiver concluída, a produção da realidade virtual será entregue a uma empresa especializada. As futuras visitas em realidade virtual poderão “mostrar a história e cultura única da fusão das culturas chinesa e ocidental em Macau ao longo de centenas de anos” e melhorar a imagem da cidade como um destino para o turismo cultural, defendeu o IC. Renascido das cinzas A Igreja da Madre de Deus foi construída pela Companhia de Jesus na segunda metade do século XVI, tendo sido destruída por um incêndio em 1835. As Ruínas de São Paulo incluem a fachada e escadaria de granito da igreja e os vestígios arqueológicos do vizinho Colégio de São Paulo, a primeira universidade ocidental no leste asiático. A 4 de Fevereiro, na cerimónia de posse, a nova presidente do IC, Leong Wai Man, prometeu empenhar-se na salvaguarda e gestão do Centro Histórico de Macau, que inclui vários edifícios e monumentos de raiz portuguesa, incluindo as Ruínas de São Paulo. O Centro Histórico de Macau foi inscrito na lista do Património da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) a 15 de Julho de 2005, tendo sido designado como o 31.º local do Património Mundial da China. A classificação integra vários edifícios históricos construídos pelos portugueses, incluindo o edifício e largo do Leal Senado, a Santa Casa da Misericórdia, as igrejas da Sé, de São Lourenço, de Santo António, de Santo Agostinho, de São Domingos ou a fortaleza da Guia.
China apela à calma e diz que a sua embaixada na Ucrânia está a operar normalmente Hoje Macau - 15 Fev 2022 A China apelou ontem a que “todas as partes envolvidas” na questão da Ucrânia atuem de forma “racional” e “evitem ações que aumentem as tensões”, garantido que a sua embaixada no país “está a operar normalmente”. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Wang Wenbin, disse em conferência de imprensa, que a China está a “acompanhar de perto a situação”, mas que a embaixada e os consulados do país asiático na Ucrânia estão a funcionar “normalmente”. Wang explicou que a embaixada chinesa na Ucrânia emitiu um aviso consular pedindo aos cidadãos chineses que estejam atentos e acompanhem a situação. As declarações contrastam com as de vários países, que pediram aos seus cidadãos que saiam da Ucrânia, depois de o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, ter observado que uma “invasão” russa “pode começar a qualquer momento”. Questionado sobre a posição da China, o porta-voz reiterou que para resolver o problema ucraniano é “necessário voltar ao ponto de partida do acordo Minsk-2, que conta com o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas”. “Todas as partes devem buscar ativamente uma solução por meio do diálogo e da negociação”, acrescentou o porta-voz. No início do mês, Xi Jinping e Vladimir Putin, presidentes da China e da Rússia, respetivamente, prometeram enfrentar juntos o que consideram “ameaças à segurança”, após reunirem em Pequim. Ambos os países emitiram uma declaração conjunta na qual, sem mencionar explicitamente os Estados Unidos ou a crise na Ucrânia, denunciaram que um “pequeno número de forças da comunidade internacional continua obstinada em promover o unilateralismo e interferir nos assuntos de outros países”. O texto frisou que “China e Rússia se opõem a uma maior expansão da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte)”.
Acidentes de trânsito aumentaram 25,3 por cento no ano passado Andreia Sofia Silva e Pedro Arede - 15 Fev 2022 Em 2021 registaram-se 12.776 acidentes de viação, um crescimento de 25,3 por cento relativamente a 2020, havendo a lamentar, no total, cinco vítimas mortais e 4.374 feridos. De acordo com dados divulgados na sexta-feira pelos os Serviços de Estatística e Censos (DSEC), só em Dezembro ocorreram 1.076 acidentes de viação, mais 5,9 por cento em termos anuais, tendo-se registado duas vítimas mortais e 338 feridos. Quanto ao número de veículos matriculados, no final de 2021 havia em Macau um total de 247.603, ou seja, mais 1,4 por cento face a 2020. O número de veículos com matrículas novas fixou-se em 12.489, mais 0,9 por cento em relação a 2020. Relativamente aos estacionamentos ilegais, os dados, contabilizados pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), revelam que houve um aumento de 21,7 por cento nos estacionamentos ilegais nas vias públicas, enquanto que em zonas com parquímetro deu-se uma quebra de 18,79 por cento entre 2020 e Dezembro de 2021. Em termos anuais houve uma redução de 12,61 por cento no total das multas cobradas, de cerca de 118 mil para 133 mil patacas. O bom taxista Os números avançados pelo CPSP mostram ainda que o serviço de táxis melhorou durante a pandemia, uma vez que os casos relativos à cobrança abusiva de tarifas baixaram para metade, de oito para quatro casos entre 2020 e 2021, enquanto que os casos de recusa de transporte baixaram 25 por cento. As estatísticas da DSEC revelam ainda que em 2021, o peso bruto da carga contentorizada que entrou e saiu pelos portos de Macau totalizou 158.696 toneladas, mais 30,9 por cento, em relação a 2020. Em relação ao transporte aéreo, efectuaram-se, no total, 13.966 voos comerciais, ou seja mais 2,1 por cento, relativamente a 2020. Já o peso bruto da carga aérea movimentada, situou-se em 48.542 toneladas, mais 45,8 por cento, face ao ano anterior. Ao nível das comunicações, destaque para existência de 99.989 utentes de telefone fixo (menos 6,8 por cento) e 1,27 milhões de utentes de telemóvel (menos 21,4 por cento). Quanto aos serviços de internet, existiam no mês passado 671.805 assinantes registados, tendo sido utilizadas, no total de 2021, 66 mil milhões de horas de serviços, um ligeiro aumento de 0,4 por cento em relação a 2020.
Testagem obrigatória e lei do trabalho David Chan - 15 Fev 2022 As leis do trabalho estipulam que, quando um empregado está doente, deve apresentar uma baixa médica justificando desta forma a sua ausência. No entanto, essas mesmas leis normalmente não consideram que um empregado que tenha de ser submetido a um teste obrigatório à COVID fique dispensado de comparecer no local de trabalho. O que pode fazer uma pessoa que seja despedida por não se apresentar ao trabalho, quando tem de fazer um teste obrigatório? No passado dia 8, a Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou que em resposta à grave epidemia que grassa na cidade, será necessário implementar medidas de prevenção mais restritivas, nas quais se incluem não permitir que se formem grupos com mais de duas pessoas, alargar a apresentação do certificado de vacinação a centros comerciais, supermercados, lojas, cabeleireiros, etc. Além disso, a Employment Ordinance (Lei do Trabalho) vai ser revista. Se o empregado estiver a ser testado, ou se estiver numa área confinada e precisar de ser submetido a um teste que o impeça de se apresentar no local de trabalho, o Departamento de Saúde emitirá um certificado justificativo. Após revisão da legislação do trabalho, este certificado passa a equivaler a uma baixa médica. Se o trabalhador for despedido enquanto está doente, considera-se que houve “despedimento sem justa causa” e o visado pode pedir uma indemnização. Em Hong Kong, para se considerar que houve “despedimento sem justa causa” o empregado terá de ter estado ao serviço da empresa por um período mínimo de dois, e o despedimento terá de ter ocorrido sem que se verifique nenhuma das causas que o tornam plausível à luz da lei do trabalho. Depois da revisão desta lei, a ausência do empregado devido à realização de “um teste obrigatório” deixa de ser motivo que justifique o despedimento. Se o despedimento ocorrer nestas circunstâncias será considerado “sem justa causa”. Como a epidemia em Hong Kong se está a agravar, cada vez mais pessoas são submetidas à testagem obrigatória, pelo que um número crescente de trabalhadores terá de faltar e alguns deles foram despedidos por este motivo. É claro que durante a epidemia muitos negócios foram afectados e as receitas das empresas baixaram. O despedimento de trabalhadores pode reduzir as despesas das empresas. No entanto, quando as pessoas perdem os seus trabalhos ficam desempregadas. Num contexto de epidemia é ainda mais difícil encontrar um novo emprego. As más relações de trabalho dificultam a cooperação do Governo, dos empregadores e dos empregadores no combate à epidemia. Por isso mesmo, a revisão da lei do trabalho em Hong Kong foi muito bem recebida pela população em geral. Esta revisão vem acabar com certas lacunas. Daqui em diante, mais ninguém poderá vir a ser despedido por ter tido de se submeter a um teste obrigatório. Além disso, estas alterações serão uma grande ajuda no combate à epidemia em Hong Kong, levando a que os trabalhadores colaborem de boa vontade com o Governo. Vão ainda reduzir o receio de despedimento entre os trabalhadores. Desde o início da epidemia, que a situação em Macau tem estado sob controlo, tendo havido muito poucos casos de infecção pelo novo coronavírus. Macau está unido, o Governo e os residentes trabalham juntos para lutar contra este vírus. Durante as várias testagens universais que se fizeram na cidade, ninguém foi despedido por esta causa. Se a epidemia continuar, é provável que venham a haver mais testagens universais. Como sabemos, é melhor prevenir do que remediar. Embora a Lei Laboral de Macau contemple a ausência do trabalhador por motivo de doença, ser submetido a um teste não equivale a estar doente. Poderá ser considerada uma “ausência justificada” pelo facto de não se dever “a uma decisão do trabalhador”, de acordo com o Artigo 50 (2) (9) da Lei Laboral de Macau. No entanto, para ter a certeza de que assim seja, serão necessários mais esclarecimentos. Esta potencial ameaça só será eliminada, quando a lei de Macau proibir claramente o despedimento sempre que o trabalhador esteja a ser submetido a um teste obrigatório. De momento, as alterações da lei do trabalho em Hong Kong são um exemplo com o qual podemos aprender. Faz-nos compreender que ser submetido a um teste não é a mesma coisa do que estar doente. Devemos estar atentos à experiência de outros locais, prestar mais atenção às leis necessárias para combater a epidemia e à sua revisão, para proteger os direitos e os interesses dos residentes de Macau. Assim que a sociedade de Macau tiver mais apoio e mais colaboração de todos, a nossa capacidade de prevenção da epidemia aumentará significativamente. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk
淮阳 Huaiyang celebra Fu Xi José Simões Morais - 15 Fev 2022 Visitar a província de Henan, situada na parte média do Rio Amarelo, é como entrar nas primeiras páginas do longo livro da História da China por ser um dos berços da civilização chinesa e onde se registam do período Neolítico muitas culturas como, a Peiligang (6100-5000 a.n.E.), a Yangshao (5000-3000 a.n.E.), a Longshan (2500-2000 a.n.E.) e a Erlitou (c.1900-1500 a.n.E.), esta ligada à dinastia Xia (2070-1600 a.n.E.), a primeira das dinastias imperiais que duraram até 1911. Já a Cultura de Erligang (1600-1400 a.n.E.) está relacionada com o início da dinastia Shang (1600-1046 a.n.E.). Chegamos a Zhengzhou, capital da província de Henan, para a 230 km ir a Huaiyang, na prefeitura de Zhoukou, assistir às festividades em honra de Fu Xi, que se estendem entre o segundo dia do segundo mês lunar até ao terceiro dia do terceiro mês. Ana Maria Amaro lembra-nos, “no segundo dia do segundo mês do calendário lunar chinês celebra-se a tradicional festa conhecida por ‘O Dragão levanta a cabeça’ que anuncia as primeiras chuvas da Primavera.” O dragão é considerado a divindade que domina a chuva e para um povo de agricultores como eram os chineses, esta era-lhes essencial para os campos. Ainda nessa prefeitura, no concelho de Luyi celebra-se na mesma altura o aniversário de Lao Zi, enquanto Xihua, ligado a Nu Wa e onde tem o mausoléu, é outro dos oito concelhos da prefeitura de Zhoukou localizada no Sudeste da província. Da cidade de Zhoukou partimos para Huaiyang numa viagem de 45 minutos de autocarro. Chamada Wanqiu no tempo de Fu Xi, ficou em 200 a.n.E. a ser Huaiyang por se encontrar a Norte do Rio Huai e daí o nome, pois yang designa Norte. Local onde Fu Xi e Nu Wa escolheram fazer as suas capitais, tal como também aí, já com o nome Chen, viveu Yan Di, estando assim relacionada com os Três Ancestrais Soberanos (San Huang) e mesmo considerando Nu Wa não ser um dos três, mas sim Sui Ren, o deus do Fogo, este era de Shangqiu, na fronteira para Nordeste da prefeitura de Zhoukou. A FEIRA Em Huaiyang (淮阳), após sair do autocarro, ao caminhar o quilómetro e meio até ao Templo de Fu Xi temos a sensação de pertencer ao imenso grupo proveniente da tribo Feng (风, Vento), que há 4800 anos viera da província de Gansu para Leste chefiada por Fu Xi. Percorreu desde a bacia do Rio Wei até ao Rio Amarelo onde encontrou terras férteis na Planície Central, na actual província de Henan e aí se instalou. Criou a povoação amuralhada de Wanqiu para albergar o grupo, que então passou a designar-se tribo Yi e escolheu como totem o Dragão. Após a realização de festas onde se promoveram casamentos, parte da tribo separou-se e Nu Wa com as suas gentes seguiu para Norte dessa área, estabelecendo-se em Xihua. Chegando pelo lado Oeste contornamos o Lago Dragão (Long hu), que separa o templo de Fu Xi da vila de Huaiyang, encontrando-se no meio da água uma escultura com dois dragões semi-submersos. A moldura humana caminha e avolumando-se dá lugar a uma multidão, ladeada por um sem número de vendedores. Dois pormenores logo rapidamente saltam à vista. Um grande número de pessoas em sentido inverso vem da festa trazendo bolas de basquete e outras, tigres feitos de tecido laranja com a face pintada, que pela forma parecem ser comprados para servir de almofadas. A confusão é grande e as tendas de circo, instaladas num recinto descampado ao lado do muro do complexo do templo, animam com os altifalantes o som geral do local, anunciando animais ferozes, famosos artistas malabaristas e tudo o que pudesse causar espanto e estupefacção aos habitantes da região aí apinhados. Por detrás dos muros do complexo do templo pode-se ver um monte e os telhados de alguns dos pavilhões que constituem o Tai Hao ling (太昊陵), Templo-mausoléu de Tai Hao, a divindade de Fu Xi. Na porta lateral Oeste (Xi Hua men) o rebuliço é ainda maior, pois muita gente tenta por aí entrar no templo, não deixando sair os que acabam de o visitar. Prosseguimos em direcção à porta Sul, a principal do templo e por onde se deve entrar, entre tendas com esculturas de deuses e imagens de muitos dos soberanos mitológicos à venda, havendo ainda as bancas com geomantes entendidos no Feng-Shui e no Yi Jing. CÃO DE ARGILA DE HUAIYANG Da grande praça em frente ao templo, o nosso olhar é atraído pela água do lago e expande-se até aos edifícios da vila de Huaiyang, na margem oposta. O que parece uma ampla praça está interrompida por um canal, não perceptível devido às inúmeras tendas colocadas em frente. É o Rio Cai, cujo significado antigo era o de tartaruga. Segundo os registos do livro Chenzhou Fu Zhi, foi no Rio Cai que Fu Xi encontrou a tartaruga branca a trazer-lhe a base para criar os oito trigramas. Este rio nasce a Noroeste de Huaiyang, atravessa Wanqiu, a cidade construída por Tai Hao, que foi a primeira capital da China, e passa em frente do templo mausoléu. Como viemos pelo lado Oeste, para o atravessar escolhemos a ponte mais próxima das três existentes e assim, entramos no recinto limitado entre o Rio Cai e o Lago Dragão (Long hu). Aí, a imensa feira, que para além do lado comercial tem uma parte de diversão, estende-se desde o lago até à entrada do templo. Nas tendas vendem-se os papéis votivos e incenso, assim como estátuas de porcelana de muitos deuses, sobretudo os da Riqueza, contando com uma variedade de outros produtos típicos apresentados nas normais feiras de pendor rural. As pessoas ao passarem pelos carrinhos cheios de lingjiao, fruta com sabor a castanha e forma em miniatura de pares de cornos de búfalo, esperam a vez para a adquirir. Encontramos então os famosos tigres (ou serão cães?) em vários tamanhos e feitos de tecido cor de laranja com pinturas a dar as feições e outros pormenores, parecem ser uma novidade. Produção actualizada, mais ao gosto dos compradores, inspirada nas pequenas esculturas antigas de barro pintado com fundo preto, ornamentadas por cores vivas a criar as feições das formas primitivas de seres humanos e pássaros. Servem como instrumento musical pois ao soprar-se por um buraco dão um assobio. Assim, os locais camponeses artesãos entre a multidão chamam a atenção, pois vão com elas na boca usando-as como apitos, enquanto transportam cestas de vime cheias dessas pequenas esculturas para vender. São os ‘Cães do Mausoléu’, que por terem formas amórficas muito diversas, revelam ser provenientes de uma figuração muito antiga. Também conhecidos por Cão de Argila de Huaiyang, ou Cão Ling, é o nome dado a estas figuras no seu todo, não importando a representação que têm. Está relacionado, segundo o conhecimento popular, com o nome de Fu Xi, em cujo primeiro caractere (伏) existem dois radicais, um de homem (人) e outro de cão (犬). Segundo especulações de alguns estudiosos, a tribo de Fu Xi tinha como totem o cão e após o seu chefe deixar esta vida, os cães tornaram-se as divindades que guardam o mausoléu. Confúcio confirmou passados dois mil anos estar ali enterrado o corpo do inventor dos trigramas.
GT | Pandemia não tirou o apetite por Macau aos construtores Sérgio Fonseca - 15 Fev 202215 Fev 2022 O GT World Challenge Asia, a ainda competição de carros da categoria GT3 mais importante no continente asiático, não contempla no seu calendário provisório qualquer corrida em solo chinês este ano, enquanto que, ao contrário de outros anos, nenhum dos construtores colocou nos seus planos desportivos para a temporada de 2022 a presença no Grande Prémio de Macau. Contudo, a chama do maior evento desportivo do território ainda não se apagou Em 2021, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) quis novamente realizar as suas três Taças do Mundo na RAEM, mas como o território não aliviou as restrições de entrada de cidadãos estrangeiros, impostas no contexto da pandemia, incluindo a obrigatoriedade do cumprimento de uma quarenta, o órgão máximo que rege o automobilismo optou por cancelar a viagem ao Oriente. Em comunicado, a FIA expressou a vontade que as suas Taças regressem a Macau em 2022. Hoje, apenas a Corrida da Guia faz parte do calendário provisório da Taça do Mundo de Carros de Turismo – WTCR de 2022, sendo que a federação internacional ainda não se pronunciou sobre a Fórmula 3 e GT. De 2015 a 2019, o Circuito da Guia recebeu a Taça do Mundo de GT da FIA, uma competição para viaturas da classe GT3, co-organizada pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) em parceria com a Stephane Ratel Organisation. A organização europeia, que também gere o GT World Challenge Asia a partir da sua base em Hong Kong, estava confiante que a prova do ano passado teria sido um sucesso e acredita que a vontade das marcas automóveis em Macau ainda não esmoreceu. “Definitivamente o apetite para correr em Macau continua elevado por parte dos construtores”, sublinhou ao HM o coordenador das últimas edições da Taça do Mundo de GT da FIA, Benjamin Franassovici. “Antes de termos abortado a edição do ano passado, tínhamos vinte e sete carros inscritos”, recorda o responsável pela Stephane Ratel Organisation na Ásia. Caso tivesse ido à avante, a edição de 2021 da Taça do Mundo de GT da FIA teria contado com equipas oficiais da Audi, BMW e Porsche. Mercedes, Aston Martin, Ferrari e Honda também teriam uma representação na corrida a título privado. Como não se disputou a Taça do Mundo, realizou-se mais uma edição da Taça GT Macau que foi ganha, com uma boa dose de drama pelo meio, por Darryl O’Young (Mercedes AMG GT3). Singularidade inigualável Durante vários anos, alguma imprensa estrangeira noticiou a vontade de alguns intervenientes, incluindo representantes das marcas envolvidas, em que a Taça do Mundo de GT da FIA fosse realizada noutras paragens, preferencialmente num outro circuito mais convencional. Contudo, Stephane Ratel e a sua organização continuam a considerar o Grande Prémio de Macau, pela sua unicidade, a prova que melhor se coaduna para este troféu. “Para mim, Macau é o melhor lugar para a Taça do Mundo de GT da FIA”, refere Benjamin Franassovici. “É um circuito citadino único e com história. Tem público e atmosfera, mais ainda, na altura do ano em que se desenrola penso que não há outra localização que possa ser considerada.” Por enquanto, para além da WTCR, apenas o organizador dos campeonatos TCR China e TCR Ásia colocou a 69ª edição do Grande Prémio de Macau no seu calendário provisórios, e neste caso como prova extra-campeonatos.
Escola Luso-chinesa da Flora vence concurso lusófono infanto-juvenil Hoje Macau - 15 Fev 2022 A escola Luso-chinesa da Flora sagrou-se vencedora da primeira edição do concurso infanto-juvenil “Era Uma Vez…O Meu Mar”, promovido pela associação Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP). O texto apresentado intitula-se “Long e Hoo e os piratas afortunados” e valeu um prémio pecuniário de 7.500 patacas. Na categoria de melhor ilustração o vencedor foi o Instituto Pandavas Núcleo de Educação, Cultura, Ações Socioambientais, no Brasil, ao apresentar um desenho sobre o conto de Portugal, ganhando cinco mil patacas. Foram ainda atribuídas duas menções honrosas a Cabo Verde com o conto “O Mar de Cabo Verde” e a Timor-Leste com o “O Rei Maquiavel”. O escritor angolano Ondjaki, que fez parte do júri do concurso, disse, citado por um comunicado, que foi “bonito que várias partes do mundo, várias vozes, vários dedos e corações de crianças, se tenham reunido em torno do mar simplesmente para escrever.” O também padrinho da iniciativa reiterou a importância do acto de escrever, encarado pelo escritor como uma forma de “olhar e pensar”. “Escrever é também multiplicar cuidados e dedicar tempo. E o mar, todos os mares, todas as águas do nosso planeta, requerem, cada vez mais, cuidado, amor e dedicação. Ao olhar para e pelo mar, cuidamos do presente; mas estamos também a preparar o futuro”, frisou. Livro na calha Até ao final de Março do corrente ano, a Somos – ACLP irá publicar os contos em livro com as ilustrações, os textos foram traduzidos e adaptados para a língua chinesa. A capa do livro vai ser assinada pelo cartoonista português, António Antunes, com a selecção dos vários desenhos das escolas participantes. Este concurso contou com a participação de uma escola por cada país ou região, num total de nove, e destinou-se a alunos do 5.º e 6.º anos de escolaridade, com idades compreendidas entre os dez e os 12 anos das instituições de ensino participantes, onde o português é utilizado como língua veicular. Cada escola concorreu com um conto original produzido individualmente ou em grupo. Numa fase posterior, os contos foram distribuídos aleatoriamente por todas as escolas participantes para a respectiva ilustração.
Poesia | uTUDOpias, primeiro livro de psicólogo Nuno Gomes, apresentado hoje Andreia Sofia Silva - 15 Fev 202215 Fev 2022 Chama-se “uTUDOpias” e é o primeiro livro de poesia do psicólogo Nuno Gomes. A obra, editada pela COD, é hoje apresentada na Livraria Portuguesa às 19h e contém poemas escritos entre 2019 e o ano passado, divididos em cinco capítulos. O autor, para quem escrever funciona como uma catarse, aponta que esta obra “toca em vários pontos que caracterizam a vida humana” São estrofes pessoais ou sobre a vida de todos nós. “uTUDOpias”, primeiro livro de poesia do psicólogo e músico Nuno Gomes, é um exercício constante de palavras sobre os dias de todos nós. E não falta inclusivamente alguns apontamentos autobiográficos: “O que somos? / Perco um braço / Continuo eu / Dou mais um passo, / Só um braço se perdeu”, estrofes do poema que abre o livro, são disso exemplo. A apresentação de “uTUDOpias”, na Livraria Portuguesa, a partir das 19h, terá música a acompanhar uma sessão de declamação de poesia, com Kelsey Wilhem e Pedro Lagartinho. Este é, sobretudo, “um livro que procura tocar em vários pontos que caracterizam a vida humana”, contou ao HM Nuno Gomes, que reside no território desde 2010. O autor confessa que escreve desde criança, mas que nunca ponderou, até agora, publicar os seus escritos. Um reencontro ocasional com uma amiga de longa data, Cláudia Tomé e Silva, que assina o prefácio desta obra, e a partilha de poemas que ambos iam escrevendo foi o mote para esta publicação. “Encontrámo-nos no Facebook e nunca mais parámos de falar sobre poesia. Partilhamos poemas acerca do mundo e sobre diversas situações, ajudámo-nos mutuamente. Ela lançou o livro ‘Emoções Bárbaras’ no ano passado e eu reparei que tinha uma boa colectânea de poemas e resolvi organizá-los por capítulos.” Desta forma, as estrofes de “uTUDOpias” organizam-se no capítulo intitulado “No Café”, onde se espelham poemas “com conversas mais banais, onde existe sempre o sentimento”. Segue-se “Justiça”, onde se incluem “poemas sobre situações onde vejo que há alguma injustiça no mundo e na sociedade”. O terceiro capítulo, “ENTREmitente”, contém escritos sobre “emoções de vários tipos”, enquanto que em “Utopias” se incluem temáticas como o tempo, espaço e viagens. Em “Resoluções”, quinto e último capítulo, Nuno Gomes decidiu depositar “o seu lado de psicólogo”, com “poemas de auto-ajuda e palavras mais bonitas, ou decisões humanas”. Catarse interior Nuno Gomes, que já traduziu poesia de Fernando Pessoa para inglês, mostrou ter dificuldade em escolher um único poema desta obra. Mas “Sonhos Bisontes” acabou por surgir no discurso, por ser um poema “com ritmo e que funciona bem com a música” que será apresentada no evento. A exercer psicologia clínica, mas com diversas actividades, Nuno Gomes encontra na poesia uma espécie de “catarse” para as suas emoções e vivências do dia-a-dia. “Acredito vivamente que a arte é uma ferramenta que os humanos podem usar para ultrapassar diversas situações. O mundo está complicado e todos nós temos os nossos problemas. O simples facto de conseguir expressar algo cá para fora dá-nos alguma liberdade. Eu uso esta ferramenta na música e na escrita”, concluiu.
Hong Kong | Regresso de 90 estudantes a Macau encaminhado Hoje Macau - 15 Fev 2022 A Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) revelou ontem ter recebido 90 pedidos de ajuda de residentes de Macau que estão a estudar em Hong Kong e manifestaram intenção de regressar ao território. Segundo o canal chinês da TDM – Rádio Macau, durante o programa “Fórum Macau” da emissora pública, a DSEDJ apontou ainda que o Governo já se encontra a tratar das diligências necessárias para garantir o regresso dos estudantes. Nomeadamente, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) já conseguiu obter por parte dos hotéis de observação médica a disponibilização dos quartos necessários e a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) encontra-se, entretanto, a coordenar com os estudantes a forma como serão transportados até Macau. Durante a emissão, vários ouvintes fizeram questão de dizer que, tendo em conta a situação grave da pandemia em Hong Kong, o Governo deve fazer tudo o que está ao seu alcance para garantir o regresso dos estudantes para Macau, bem como um lugar nos hotéis de observação médica. A DSEDJ frisou também que todos os estudantes que desejem regressar ao território, devem informar o organismo “com a maior brevidade possível”.
AMCM | Fiscalização aperta contra vendas de seguros no Interior João Santos Filipe - 15 Fev 2022 As autoridades admitem terem reforçado a inspecção contra a venda de seguros ilegais e justificam a medida com a promoção do desenvolvimento “estável e saudável” do sector A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) apertou a fiscalização à venda de seguros e produtos de investimentos em fundos de pensões a clientes no Interior. Durante muito tempo, esta prática verificava-se, com agentes a passarem para o outro lado da fronteira e amealharem clientes. No entanto, as autoridades locais terão agora emitido instruções para aplicar tolerância zero. Ao HM, a AMCM confirmou que houve um reforço da fiscalização contra uma prática ilegal. “A AMCM tem vindo a dispensar uma particular atenção às actividades ilegais de mediação de seguros e a continuar a optimizar as políticas regulatórias, de modo a promover o desenvolvimento saudável e estável do mercado de seguros, bem como a salvaguardar os direitos e interesses legítimos dos consumidores dos serviços financeiros”, foi revelado. Ainda segundo as explicações, no caso de as seguradoras quererem vender produtos no Interior devem registar-se junto das entidades competentes. “Segundo o nosso conhecimento, a ‘Lei de Seguros’ do Interior da China prevê que sem autorização da ‘China Banking and Insurance Regulatory Commission’, nenhuma pessoa pode exercer actividades de seguros no Interior da China, incluindo a prática de actos ilegais de comercialização que induzam os consumidores do Interior da China a adquirirem no Interior da China, produtos de seguros do exterior”, foi justificado. Na correspondência trocada com a AMCM, a questão colocada pelo HM sobre quantos processos tinham sido instaurados a mediadores, devido a vendas de seguros no Interior, ficou sem resposta. Apertar a malha Para a AMCM, as boas práticas não se limitam apenas a Macau e ao Interior. A exigência é que as seguradoras se comportem de forma responsável em todo os locais onde operam. “Os mediadores de seguros devem assegurar que as suas actividades de mediação de seguros estão de acordo com as leis e regulamentos aplicáveis nas jurisdições em que exerçam essa actividade”, foi explicado. O reforço de fiscalização da AMCM chegou numa altura em que também no Interior se reforçam as medidas para controlar a circulação de capitais e evitar a fuga para o exterior. Fontes do sector, explicaram ao HM que a nova postura da AMCM tem sido eficaz e que está a ser respeitada de forma generalizada. No entanto, a medida teve impacto no sector e tornou a profissão menos atraente, principalmente para os agentes que faziam vendas em regime de part-time, pagos com base nas comissões das vendas de produtos. Segundo as estatísticas da AMCM, em 2020, no primeiro ano da pandemia, o sector das seguradoras registou perdas de 3,7 mil milhões de patacas. Para este valor, contribuiu a seguradora AIA, que teve perdas dessa dimensão. Em 2019, o sector tinha registado perdas de 227 milhões de patacas.
Motociclos | Abate dá 3.500 patacas para aquisição de veículo eléctrico Pedro Arede e Nunu Wu - 15 Fev 2022 A Direcção dos Serviços de Proteção Ambiental revelou que entre 1 de Março e 31 de Dezembro, os proprietários de motociclos obsoletos qualificados para abate, que pretendam adquirir um motociclo eléctrico serão subsidiados com 3.500 patacas. A verificar-se a saída de circulação de cerca 7.500 veículos, o organismo espera melhorias na qualidade do ar A Direcção dos Serviços de Proteção Ambiental (DSPA) anunciou ontem um plano de abate de motociclos obsoletos, que prevê a atribuição de um incentivo monetário de 3.500 patacas destinado aos proprietários que pretendam substitui-los por ciclomotores eléctricos. Com a medida, o organismo estima tirar de circulação entre 2550 e 7650 motociclos e contribuir para melhorar a qualidade do ar e alcançar as metas relativas ao pico de emissões de carbono e à neutralidade carbónica. Segundo explicou ontem o director da DSPA, Raymond Tam, o chamado “Plano de Concessão de Apoio Financeiro ao Abate de Motociclos Obsoletos e a sua Substituição por Motociclos Eléctricos Novos” irá decorrer entre o dia 1 de Março e 31 de Dezembro de 2022 e estabelece que os proprietários dos veículos matriculados antes de 30 de Junho de 2009 podem usufruir de um apoio financeiro de 3.500 patacas para adquirir um motociclo eléctrico novo. Além disso, os novos motociclos eléctricos adquiridos pelos beneficiários serão isentos das taxas de emissão da matrícula de experiência, no valor de 900 patacas, e da primeira matrícula, no valor de 3.600 patacas, para ciclomotores, e de 4.400 patacas para motociclos. Os proprietários qualificados podem apresentar as candidaturas no Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética. Uma vez aprovado o apoio, o pagamento será feito após o abate do respectivo motociclo e a sua substituição por um motociclo eléctrico novo, dentro do prazo definido. Respirar melhor Durante a apresentação, Raymond Tam partilhou ainda que o programa faz parte da intenção a longo prazo de restringir, “passo a passo”, a utilização de veículos altamente poluentes em Macau, acrescentando que, para além de apoios financeiros ao abate, está previsto que, gradualmente, os critérios de emissão de gases sejam “mais rigorosos”. Além disso, o responsável partilhou que, através do plano de abate anunciado ontem, seja possível retirar de circulação entre 2.550 e 7.650 motociclos, ou seja, entre 10 e 30 por cento deste tipo de veículos existentes em Macau. Caso a taxa de participação atinja os 30 por cento, Raymond Tam estima, inclusivamente, que a qualidade do ar melhore, já que pode representar uma diminuição anual de 10 por cento na emissão de hidrocarbonetos e 7,0 por cento das emissões de carbono. Questionado sobre se o plano poderá vir a ser permanente ou alargado a outras tipologias de veículos, o director da DSPA não afastou essa possibilidade, mas reiterou a importância de, antes de mais, avaliar a eficácia do plano apresentado ontem. “Tomámos como referência as experiências das regiões vizinhas que lançaram planos semelhantes de abate de motociclos e trata-se, geralmente, de medidas provisórias. No entanto, precisamos de ver o resultado do actual plano para considerarmos o lançamento de novas medidas no futuro”, indicou Raymond Tam. Sobre os postos de instalação de baterias, o responsável lembrou que actualmente existem nove destes serviços em Macau e que a DSPA tenciona instalar mais, de acordo com o plano definido, não só em espaços públicos, mas também em coordenação com estabelecimentos privados como estacionamentos e lojas de conveniência.
Ella Lei quer “mão pesada” para salários em atraso Pedro Arede - 15 Fev 2022 Em tempo de pandemia e instabilidade económica, a deputada Ella Lei quer que o Governo ofereça mais garantias aos trabalhadores, através da revisão dos mecanismos legais que garantem o pagamento atempado dos salários. Para a deputada, as “lacunas” do actual regime estão a contribuir para que os trabalhadores fiquem sem fonte de rendimento durante “um largo período de tempo” e para que as entidades patronais não tenham de pagar as sanções previstas na lei. Isto, tendo em conta que a lei das relações do trabalho permite que os patrões não sejam sancionados, desde que os salários em atraso sejam saldados antes de a queixa apresentada pelo trabalhador na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) seguir para a justiça, ao longo de todo um processo que, entretanto, envolve “tempo, custos administrativos e humanos” e que deixa os funcionários numa situação difícil. “Para além do desemprego e do subemprego, o problema do não pagamento de salários tem sido uma grande preocupação para os trabalhadores durante a pandemia, tendo ocorrido vários incidentes colectivos de salários em atraso em diversos sectores”, começou Ella Lei por dizer através de uma interpelação escrita. “Apesar de a DSAL estar a acompanhar as queixas relacionadas com os salários em atraso, a lei vigente não é adequada e torna difícil o tratamento por parte dos trabalhadores. A legislação existente permite aos empregadores ficarem isentos de todas as multas, desde que paguem os salários pendentes antes de a DSAL transferir os processos para tribunal”, acrescentou. Como resultado, aponta Ella Lei, os trabalhadores a quem são devidos os ordenados, “não têm outra escolha” senão continuar a trabalhar “durante anos” até que recuperem os salários pendentes. “Não é razoável que o sistema beneficie o comportamento dos empregadores que deliberadamente falham no pagamento dos salários e atrasam o processo”, pode ler-se na interpelação. Segurança, precisa-se Neste contexto, e referindo que em causa pode estar o sustento de muitas famílias, Ella Lei pergunta se o Governo irá rever a lei das relações do trabalho, no sentido de “acelerar os procedimentos de recuperação dos salários em atraso” e punir as práticas abusivas dos empregadores, garantindo, nomeadamente, o pagamento de sanções em caso de incumprimento. De acordo com a lei, pela falta de pagamento do salário aos trabalhadores no período devido, os empregadores podem ser punidos com multas entre as 20 e as 50 mil patacas, ou ainda pena de prisão.
Media | Ho Iat Seng destaca patriotismo dos jornalistas de língua chinesa Andreia Sofia Silva - 15 Fev 2022 No encontro com profissionais dos meios de comunicação social em língua chinesa, o Chefe do Executivo garantiu que o Governo vai continuar a defender a liberdade de imprensa. Os jornalistas foram elogiados. “Preservam a boa tradição do ‘amor pela Pátria e por Macau’”, afirmou Ho Iat Seng A preservação da liberdade de imprensa no território foi a principal ideia deixada por Ho Iat Seng num encontro com profissionais dos meios de comunicação chineses a propósito das celebrações do ano novo chinês. No seu discurso, o Chefe do Executivo disse que o Governo “continuará a garantir a liberdade de imprensa”, tendo em conta que considera que este sector “é um apoio importante para o consenso social e para a promoção do desenvolvimento e progresso da sociedade”. Ho Iat Seng deu também destaque ao patriotismo, frisando que “os profissionais da comunicação social de língua chinesa em Macau preservam a boa tradição do ‘amor pela Pátria e por Macau’”. “Espero que todos continuem a desempenhar o seu papel de ponte entre o Governo da RAEM e o público e a potenciar a energia positiva; e que, ao contarem bem a história de Macau e transmitirem a voz da RAEM, ajudem os diversos serviços na implementação da acção governativa, contribuindo para a implementação estável e duradoura do princípio ‘um país, dois sistemas’ e para a prosperidade de Macau”, disse ainda Ho Iat Seng. Papel na pandemia Falando da pandemia, Ho Iat Seng não deixou de destacar o papel dos media na cobertura noticiosa, considerando que “os profissionais da comunicação social local desempenharam o seu papel de forma profissional e com espírito de missão”. Além disso, os jornalistas “transmitiram a situação social e a opinião pública, e reforçaram a comunicação entre o Governo e a população, para que os trabalhos das diversas tutelas do Governo pudessem ser implementados de forma mais eficaz”. Relativamente às políticas para este ano, Ho Iat Seng garantiu que será dada continuação à implementação do 2.º Plano Quinquenal da RAEM, além de apostar nos planos de integração regional do território, nomeadamente na Grande Baía e na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, sem esquecer a política nacional “Uma Faixa, Uma Rota”.
Lei do Jogo | Discussão vai ser concluída até ao fim de Junho João Santos Filipe - 15 Fev 2022 O presidente da comissão que debate o diploma na especialidade, Chan Chak Mo, assumiu o compromisso de terminar os trabalhos até ao fim de Junho. Afastado, está o cenário da AL realizar uma consulta pública sobre a questão dos casinos-satélites Até ao final de Junho, a Assembleia Legislativa vai votar na especialidade as alterações à Lei do Jogo. A promessa foi deixada ontem por Chan Chak Mo, presidente da 2.ª Comissão Permanente da AL, que definiu o mês de Junho como a data para finalizar a discussão na especialidade. “Todos os contratos das actuais concessões acabam a 26 de Junho, e devemos concluir a discussão na especialidade antes dessa data. Parece-me o procedimento mais justo e acho que vamos conseguir”, afirmou Chan. “Sou o presidente da comissão e não vou permitir que a discussão se prolongue durante demasiado tempo”, garantiu. Para cumprir o calendário, a 2.ª Comissão Permanente vai reunir-se todos os dias ao longo desta semana e deverá ter, pelo menos, mais quatro reuniões na próxima semana. Nesta fase, os deputados estão a analisar o documento à luz das questões levantadas pela equipa jurídica do hemiciclo. Só mais tarde as sessões de discussão vão decorrer com os membros do Executivo. Ontem, no final da primeira reunião de trabalho, Chan Chak Mo reconheceu que o Executivo devia ter dado mais tempo à AL, para debater o diploma. No entanto, recusou que haja um impacto directo na qualidade da lei. “Estamos a falar de uma lei importante. Será que o Governo apresentou a proposta demasiado tarde [à AL]? Sim. Mas não vou tentar adivinhar as razões de ter procedido assim. Sabemos que houve uma pandemia… Não quero estar a tentar adivinhar”, reconheceu. “Também sabemos que é impossível, mesmo quando temos muito tempo para discutir, fazer uma lei perfeita”, acrescentou. Sem consulta pública Durante a discussão da lei na generalidade, houve queixas de que o Governo não tinha feito uma consulta pública eficaz, por não ter mencionado que ia propor o fim dos casinos-satélites. Apesar das queixas, a comissão, e ao contrário do que aconteceu na discussão de outros diplomas, não vai levar a cabo uma consulta pública. “Não vamos avançar com uma consulta pública porque a proposta não é nova. Mesmo os contratos das concessionárias que foram celebrados em 2021 dizem expressamente que os casinos têm de ficar dentro dos imóveis das concessionárias”, justificou Chan Chak Mo. “Antes não foi feita uma consulta pública sobre estes casinos porque já constava nos contratos de há 20 anos. […] A questão não é nova”, frisou. Apesar disso, Chan diz que a comissão vai considerar as opiniões “de qualquer cidadão” enviadas através dos serviços de atendimento da AL e que deputados como José Pereira Coutinho, Angela Leong, ou Zheng Anting têm estado muito activos na recolha de visões dos diferentes agentes do sector. O presidente da comissão sublinhou também que os deputados estão atentos às opiniões que circulam através das redes sociais. Dupla nacionalidade? Em relação à discussão sobre o conteúdo do diploma, um dos deputados questionou se os administradores-delegados, que têm obrigatoriamente de ser residentes da RAEM, podem ter dupla nacionalidade. A questão vai ser levantada junto do Governo, mas o diploma nada menciona sobre a questão da nacionalidade. Por outro lado, dado que as futuras concessionárias vão ter um capital social de 5 mil milhões de patacas e o administrador-delegado tem de ter uma proporção de 15 por cento do capital da concessionária, os deputados querem perceber como se vai processar a “transferência” do capital. “Actualmente o capital social é de 200 milhões de patacas. Mas, com o capital social a subir para 5 mil milhões, e com a obrigatoriedade de o administrador-delegado ter uma proporção de 15 por cento do capital social, estamos a falar de um investimento de 750 milhões de patacas”, explicou. “Será que há pessoas disponíveis para investir esse montante?”, perguntou. Também em relação ao montante de 750 milhões de patacas, os deputados esperam ouvir explicações do Executivo. Com sala cheia Entre os deputados, a lei do jogo é vista como o grande tema da Legislatura. Apesar das comissões serem sempre abertas a todos os legisladores, mesmo os que não são membros, a participação dos deputados “externos” em grande número não é comum. Contudo, ontem, houve sete deputados não-membros a assistir aos trabalhos. Chan Chak Mo não revelou os nomes de todos os participantes, mas, e se não tiver havido falta dos membros, isto significa que 17 deputados estiveram na reunião, ou seja, metade dos 33 que fazem parte do hemiciclo.
Biatlo | Fillon Maillet conquista ouro e aumenta contagem de medalhas para quatro Pedro Arede - 15 Fev 2022 Num dia marcado por condições meteorológicas exigentes, o francês Quentin Fillon Maillet conquistou a medalha de ouro na prova de 12,5 km do biatlo, somando já quatro medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022. Na vertente feminina, a norueguesa Marte Olsbu Roeiseland foi a grande vencedora nos 10 km da modalidade, somando um total de três medalhas na capital chinesa Apesar de todas as adversidades impostas pelo clima extremo que se abateu no domingo em Pequim, o francês Quentin Fillon Maillet continuou a somar medalhas nos Jogos Olímpicos de Inverno no biatlo. Depois de conquistar um ouro nos 20 km e duas pratas nas vertentes de sprint (10km) e estafetas mistas, Fillon Maillet subiu no domingo ao lugar mais alto do pódio, nos 12,5 km da vertente de perseguição. Tarjei Boe, da Noruega, ficou com a prata, e Eduard Latypov, em representação do Comité Olímpico Russo (ROC), conquistou o bronze. “Nunca esperei conquistar quatro medalhas em quatro provas. O meu objectivo era alcançar uma nas estafetas e uma na prova individual, mas agora tenho quatro medalhas e isso é incrível,” partilhou o francês no final da prova, em declarações ao Olympic Channel. O biatleta francês terminou o percurso com um tempo total de 39min07s5, não tendo acumulado qualquer falha nas quatro carreiras de tiro da prova, duas em pé e duas deitado. Já Boe acabou 28 segundos atrás do vencedor e após ter falhado apenas um dos alvos. Por sua vez, o atleta russo chegou 35 segundos depois de Maillet e registou também uma falha apenas nas carreiras de tiro. “Estou muito orgulhoso de mim porque as condições foram muito duras” comentou Fillon Maillet fazendo referência ao vento e ao nevão que atingiram o Centro de Biatlo, em Zhangjiakou no domingo. “Foi uma batalha muito muito dura durante toda a corrida”, acrescentou. O facto de Fillon Maillet ter sido 100 por cento eficaz nos disparos que executou acabou por ser determinante para conquistar a medalha de ouro. O francês chegou a ter problemas enquanto preparava a arma, mas no final viria a disparar de forma certeira sobre os cinco alvos. “Permaneci muito concentrado em mim, não pensei na pressão, nem nos outros atletas”, partilhou. Afastado das medalhas ficou Johannes Thingnes Boe. Considerado como um dos favoritos para ganhar o ouro, o norueguês acabaria por ficar na quinta posição após falhar sete tiros durante a prova. “Foi uma corrida complicada por causa da neve. Foi uma batalha enorme. Havia vento, as pernas e a cabeça estavam cansadas, e o coração a bater fortemente. Não foi fácil, ” explicou Johannes Thingnes, irmão de Tarjei Boe, que tentava a sétima medalha Olímpica na carreira. Fillon Maillet e Johannes Thingnes Boe terão a oportunidade disputar mais uma medalha de ouro no biatlo, na prova dos 15 km agendada para o dia 18 de Fevereiro. Roeiseland, a implacável A norueguesa Marte Olsbu Roeiseland, continua a fazer história no biatlo feminino em Pequim 2022 ao ter conquistado, no domingo, a sua terceira medalha de ouro na modalidade, desta feita na vertente de 10 km (perseguição). Antes disso, Roeiseland já tinha subido ao lugar mais alto do pódio nas provas de 7,5 km sprint e estafetas mistas. Voltando aos 10 km, Elvira Oeberg, da Suécia, conquistou a prata, ao passo que o bronze ficou para a norueguesa Tiril Eckhoff. “A minha preparação para estes Jogos Olímpicos foi muito boa e começou há muito tempo. Além disso, hoje [domingo] tive uma boa posição partida, o que ajuda muito. O tiro foi bom e foi divertido correr”, comentou Roeiseland em declarações ao Olympic Chnanel. “Todas as medalhas são especiais. Estou a tentar apenas estar aqui presente (…) e desfrutar do momento”, acrescentou. Roeiseland terminou a prova com 1min36s5 de distância da sueca Elvira Oeberg, que manteve a segunda posição obtida no dia anterior durante a prova de sprint. “Foi, acima de tudo, uma corrida muito dura. Provavelmente uma das perseguições mais duras que já fiz”, disse Oeberg. “As condições estavam muito lentas e a neve estava bem mais leve, então foi difícil”. “Depois de dois erros [no tiro], não estava confiante. Senti que tinha desperdiçado a oportunidade de ganhar uma medalha, mas depois recuperei a confiança. Estou muito feliz por ter conseguido segurar as pontas”, partilhou. Já o bronze da norueguesa Tiril Eckhoff foi uma surpresa, uma vez que a atleta partiu da sétima posição. No entanto, Eckhoff beneficiou dos erros de tiro da italiana Dorothea Wierer e do esgotamento físico da compatriota Ingrid Landmark Tandrevold para subir ao pódio. Com oito medalhas conquistas em Pequim, a Noruega segue soberana no biatlo. China investe nos Jogos Olímpicos a pensar no turismo interno A meta chinesa de desenvolver uma nova indústria de turismo no país centrada nos desportos de Inverno, estabelecida pelo Presidente Xi Jinping, justificou o investimento de milhares de milhões de dólares na organização dos Jogos Olímpicos de Inverno. A preparação para os Jogos acarretou a construção de linhas ferroviárias de alta velocidade que são utilizadas para levar os atletas às novas estâncias de esqui fora de Pequim. A ideia é que nas próximas décadas, estas mesmas ligações levem turistas chineses para as montanhas. Os Jogos “vão inspirar mais de 300 milhões de chineses a praticar desportos de Inverno se vencermos [a candidatura], o que contribuirá muito para o desenvolvimento da causa olímpica internacional”, disse Xi, em 2015. A Rússia terá gasto 51 mil milhões de dólares nos Jogos de Sochi de 2014, um preço que deve permanecer como recorde olímpico por muitos anos. Mas a motivação da China, como a Rússia em 2014, é um plano apoiado pelo Estado para criar sectores domésticos de lazer e turismo. Grande parte do orçamento é destinado a um sistema de transporte cidade – montanha. A China destinou mais de 9 mil milhões de dólares para a construção de uma linha ferroviária de alta velocidade que liga Pequim a estâncias de esqui próximas, em Zhangjiakou e Yangqing, onde as pistas foram esculpidas em montanhas que recebem pouca neve natural. Investir e reaproveitar O orçamento para operações específicas para sediar os Jogos deverá ascender a cerca de 4 mil milhões de dólares. Os locais construídos em Pequim para os Jogos Olímpicos de 2008 foram reaproveitados. O Cubo de Água para natação é agora o Cubo de Gelo que tem estado a acolher modalidades dos Jogos de Inverno. O investimento em desporto de Inverno tem sido significativo, desde que Pequim venceu a sua candidatura olímpica há sete anos. O país tem agora mais de 650 pistas de gelo e 800 estações de esqui, informou o jornal oficial em língua inglesa China Daily, citando o Centro Administrativo Nacional de Desportos de Inverno. Estes números marcam aumentos de 317 e 41 por cento, respectivamente, face a 2015. A China espera obter uma receita modesta de relativamente poucos visitantes internacionais para os Jogos de Inverno mesmo antes da pandemia tornar as viagens impossíveis. Os ingressos também não estão a ser vendidos para residentes na China, cortando outra fonte de receitas do anfitrião. Patinagem | Erin Jackson faz história nos 500 metros A norte-americana Erin Jackson conquistou a medalha de ouro nos 500 metros da patinagem de velocidade, naquela que foi a primeira vitória para o país nesta vertente desde 1994. Ao completar a distância em 37,05 segundos, Jackson ficou à frente da japonesa Miho Takagi, que cruzou a meta 0,08 centésimos depois da norte-americana e já conquistara outra prata na vertente de 1.500 metros. Já a medalha de bronze viria a ser conquistada por Angelina Golikova, representante do Comité Olímpico Russo (ROC). A anterior campeã Olímpica, Nao Kodaira, do Japão, acabou por concluir a prova em 38,09s, ficando assim no 17.º lugar e longe dos 36,94s alcançados em PyeongChang 2018 que estabeleceram aquele que ainda é o recorde olímpico nos 500 metros da modalidade. Doping | Tribunal Arbitral do Desporto decide que Valieva pode competir A patinadora russa Kamila Valieva vai poder competir por uma segunda medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, apesar de ter testado positivo a um medicamento cardíaco proibido antes do evento. O Tribunal Arbitral do Desporto (TAS, na sigla inglesa) decidiu ontem que Valieva, de 15 anos, favorita ao ouro individual feminino, não deve ser suspensa de forma provisória antes de uma audiência completa sobre o teste positivo. O painel de árbitros, presidido pelo italiano Fabio Iudica (presidente), e que incluiu o norte-americano Jeffrey Benz e a eslovena Vesna Bergant Rakocevic, defendeu que impedir a atleta de participar nos Jogos lhe causaria “danos irreparáveis”, segundo um comunicado publicado na página oficial do TAS. A decisão apenas confirma que Valieva pode continuar a patinar até o caso ser resolvido e não decide o destino da medalha de ouro que já conquistou na prova por equipas da patinagem artística, cuja cerimónia de entrega de medalhas não se realizou. A decisão do TAS permite assim à Rússia continuar a sonhar com a conquista de todas as medalhas de ouro na patinagem artística feminina, algo que seria um feito inédito nos Jogos Olímpicos de Inverno. O evento começa hoje com o programa curto e termina na quinta-feira com o programa livre, sendo que Valieva é a favorita ao ouro. A jovem russa testou positivo a trimetazidina no dia 25 de Dezembro, durante os campeonatos da Rússia, e foi suspensa já no decurso dos Jogos de Inverno, mas a decisão foi mais tarde levantada. O Comité Olímpico Americano (USOPC) disse estar “decepcionado” com a decisão. “Os atletas têm o direito de saber que estão a competir de forma justa. Infelizmente, hoje [ontem] esse direito foi-lhes negado. Este parece ser um novo capítulo de desrespeito sistémico e generalizado pelo desporto”, escreveu a presidente do USOPC, Sarah Hirshland, num comunicado. Agenda para hoje Bobsled (a partir das 14h10) – Medalhas Combinado Nórdico (a partir das 15h00) – Medalhas Curling (a partir das 09h05) Esqui Alpino (11h00) – Medalhas Esqui Estilo Livre (a partir das 9h30) – Medalhas Hóquei no Gelo (a partir das 12h10) Patinagem Artística (18h00) Patinagem de velocidade (a partir das 14h30) – Medalhas Snowboard (a partir das 9h30) – Medalhas * O canal em língua portuguesa da TDM transmite diariamente as competições dos Jogos Olímpicos de Inverno, entre as 10h00 e as 13h30. A partir das 14h30 as provas podem ser acompanhadas no canal de Desporto da TDM em língua chinesa
Covid-19 | HK com mais de dois mil contágios, o pior dia desde o inicio da pandemia Andreia Sofia Silva - 14 Fev 2022 Hong Kong registou ontem um total de 2.071 novos casos de covid-19, o pior dia desde o início da pandemia, sendo que 4.500 pessoas tiveram um resultado preliminar positivo. O Governo de Carrie Lam nomeou responsáveis que vão actuar, em cinco task-forces, com as autoridades de Pequim e Guangdong A pandemia da covid-19 em Hong Kong está longe de estar controlada, depois do território vizinho ter registado ontem um total de 2.071 novos casos confirmados de covid-19 e 4.500 resultados preliminares positivos, escreveu o South China Morning Post. Este é o pior dia, desde o início da pandemia, em matéria de novos casos de infecção pelo vírus Sars-Cov-2, sendo a primeira vez que se registam mais de dois mil casos na região. As autoridades suspenderam, entretanto, as aulas presenciais até ao dia 6 de Março, prolongando por duas semanas uma medida que já se encontrava em vigor. Entretanto, este domingo, a Chefe do Executivo da região, Carrie Lam, disse esperar o apoio do Governo Central no combate à pandemia em Hong Kong e que “não serão desperdiçados esforços” nesta acção. Num comunicado, citado pela Xinhua, a governante disse que assume as principais responsabilidades nesta luta e que o Governo vai implementar a estratégia da “prevenção de importação de casos e o contágio do vírus na comunidade”, em busca de uma “dinâmica de zero casos” no território. Desta forma, é objectivo das autoridades da região vizinha em seguir as linhas orientadoras levadas a cabo por Pequim “tendo em conta a sua experiência” no combate à pandemia, incluido formas de gestão de recursos humanos. Tudo para que Hong Kong seja capaz de “uma identificação e isolamento prévios, e um tratamento precoce” dos infectados. As autoridades reuniram no sábado e destacaram membros do Governo para cinco tas-forces, que vão “coordenar-se com os representantes de ministérios ou comissões do Governo Central, bem como do Governo da província de Guangdong” a fim de tomar acções que travem a escalada de casos. Mais testes e medidas Uma das medidas que o Governo de Hong Kong pretende implementar é o reforço dos testes na comunidade e uma vigilância do sistema de esgotos, incluindo uma maior atenção sobre o percurso dos contactos de risco. Na tarde de domingo mais de quatro mil pessoas foram sujeitas a uma quarentena domiciliária ao abrigo do novo esquema “StayHomeSafe”, lançado dia 8, que visa melhor coordenar os contactos próximos ou de risco. Carrie Lam disse “compreender as ansiedades do público” tendo em conta a quinta vaga da pandemia, onde a variante Ómicron do novo coronavírus é mais dominante. A Chefe do Executivo adiantou que o enorme aumento do número de casos nos últimos dias trouxe dificuldades na gestão de isolamentos e quarentenas, tendo pedido desculpa pela falta de resposta. “Com o apoio total das autoridades do Governo Central, Hong Kong, juntamente com as províncias de Guangdong e Shenzhen, e com as task-forces, iremos garantir uma plena implementação destas medidas para travar a pandemia.” Sobre a vacinação, as autoridades planeiam aumentar os centros, recrutar mais pessoal médico para administrar vacinas em lares de idosos e reduzir a idade mínima para receber a vacina Sinovac para os três anos. Entretanto, o Conselho Legislativo (LegCo) de Hong Kong vai analisar a proposta, do Governo, para a injecção de 27 mil milhões de dólares de Hong Kong para o Fundo Anti-Pandemia, para que venham a ser implementadas várias medidas de apoio.
Urbanismo | Plano Director publicado em Boletim Oficial Hoje Macau - 14 Fev 2022 Foi hoje publicado em Boletim Oficial (BO) o Plano Director do território, depois de vários anos de debate e de consulta pública. O documento prevê o desenvolvimento de várias zonas urbanísticas em Macau e ilhas, incluindo o novo campus da Universidade de Macau (UM). O Plano Director tem como objectivos transformar o território num centro mundial de turismo e lazer, consolidar o papel de Macau como plataforma comercial entre a China e os países de língua portuguesa e apostar na integração regional e cooperação económica. Outro dos objectivos deste Plano é “construir um belo lar para os residentes”. O Plano Director, tal como já tinha sido anunciado, estabelece as Unidades Operativas de Planeamento e Gestão e pretende “a organização racional das infra-estruturas públicas e dos equipamentos de utilização colectiva”, bem como “um aproveitamento apropriado dos solos”. Pretende-se ainda “delimitar zonas não urbanizáveis e respectivos usos dos solos, estabelecendo restrições para os espaços com recursos naturais e valores paisagísticos, arqueológicos, históricos ou culturais que não possam ser desenvolvidos em circunstâncias normais”. As autoridades querem também, com o Plano Director, “utilizar eficazmente os recursos marítimos, expandindo o espaço tridimensional e optimizando os espaços existentes para acomodar mudanças demográficas e sócio-económicas e, simultaneamente, apoiar o desenvolvimento regional”.
Cultura chinesa | Antropólogo de Macau dá cursos em Berlim Hoje Macau - 14 Fev 2022 Cheong Kin Man, antropólogo natural de Macau a residir em Berlim vai ministrar, até Maio, cursos que versam sobre a cultura chinesa, nomeadamente sobre o cinema e os caracteres sino-asiáticos, incluindo Macau. Segundo um comunicado, um dos cursos intitula-se “Cinema de Língua Chinesa – Perspectivas do Extremo-Oriente” e irá focar-se “nas várias problemáticas sobre a cultura como o humor em cantonês, as cores ou a lógica do storytelling no cinema em língua chinesa”. O cinema feito em Macau terá também um lugar de destaque. Com o curso “Caracteres Chineses – Um Workshop sobre os Signos e os Significado”, Cheong Kin Man vai procurar “relacionar as semelhanças entre os ideogramas primitivos chineses com os sinais e símbolos modernos do design no contexto europeu”. Estas acções formativas decorrem no âmbito da formação contínua promovida pela Universidade Popular de Reinickendorf. Além de doutorado em Antropologia pela Universidade Livre de Berlim, Cheong Kin Man é também artista e tradutor, escrevendo vários artigos sobre diversos temas culturais em várias línguas. Este é licenciado em Estudos Portugueses pela Universidade de Macau e mestre em Antropologia Visual. Com apoio financeiro do Governo, o autor produziu o filme experimental “Uma Ficção Inútil”, além de realizar um trabalho de investigação nas áreas da Etimologia, media audiovisuais, descolonização e pós-colonialismo.