Ucrânia | China rejeita acusações de que está a espalhar desinformação

A China recusou as acusações de que está a ajudar a Rússia a espalhar desinformação sobre o envolvimento dos Estados Unidos na Ucrânia, enquanto repete as alegações infundadas de Moscovo sobre laboratórios secretos de guerra biológica norte-americanos.

“Acusar a China de espalhar desinformação sobre a Ucrânia é desinformação em si”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Wang Wenbin, em conferência de imprensa. Segundo referiu, a China agiu de “maneira objetiva e justa”.

Wang afirmou que a comunidade internacional continua a ter “graves preocupações” sobre os laboratórios dos EUA na Ucrânia, apesar das refutações de cientistas independentes.

“Os EUA não se podem remeter ao silêncio ou alegar isso como desinformação. Os EUA devem fazer esclarecimentos sérios sobre se isso é desinformação ou não”, disse Wang.

As alegações sobre os laboratórios também têm adeptos nos EUA, unindo-se a teorias da conspiração sobre a covid-19.

A China afirma ser neutra no conflito, embora mantenha o que chama de amizade ilimitada com a Rússia, que chama de “parceiro estratégico mais importante”. Pequim recusou criticar a Rússia pela invasão.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou pelo menos 977 mortos, dos quais 81 crianças e 1.594 feridos entre a população civil, incluindo 108 menores, e provocou a fuga de mais 10 milhões de pessoas, entre as quais 3,60 milhões para os países vizinhos, indicam os mais recentes dados da ONU.

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia. A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

24 Mar 2022

Ucrânia | China pede redução das tensões no arranque das conversações entre Moscovo e Kiev

A China, que recusa condenar a Rússia pela invasão da Ucrânia, apelou hoje a uma desescalada do conflito, numa altura em que as duas partes iniciaram negociações na Bielorrússia.

Em declarações feitas hoje, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wenbin, não condenou a recente decisão do Presidente russo, Vladimir Putin, de colocar as suas forças nucleares em alerta, e pediu às partes envolvidas que “permaneçam calmas e exerçam moderação para evitar uma maior escalada”.

A China “apoia todos os esforços para uma redução das tensões e uma solução política”, acrescentou, enquanto os negociadores russos e ucranianos estabelecem os primeiros contactos na Bielorrússia, país aliado de Moscovo.

Desde o início do conflito, a diplomacia chinesa tentou manter o equilíbrio entre a sua proximidade política com Moscovo e a sua tradicional defesa da “soberania e integridade territorial” dos Estados.

Pequim recusou-se a aprovar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU na sexta-feira a condenar a agressão russa, mas também não votou contra, refugiando-se na abstenção.

O regime comunista diz “entender” as exigências “razoáveis” da Rússia em termos de segurança, levando em conta as queixas de Moscovo contra o alargamento da NATO.

Nas mesmas declarações, Wang também criticou as sanções adotadas pelos países ocidentais contra a Rússia, acreditando que só vão criar novos problemas.

A China não esclareceu se foi ou não avisada sobre a invasão da Ucrânia por Putin, que se encontrou com o líder chinês, Xi Jinping, em Pequim, no início de fevereiro, por ocasião da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Pequim ignorou os avisos dos serviços de informações ocidentais de que um ataque russo à Ucrânia era iminente, deixando os seus cerca de 6.000 cidadãos que vivem em território ucraniano sob ameaça de guerra.

A embaixada chinesa em Kiev inicialmente pediu aos seus concidadãos que se identificassem com uma bandeira chinesa, tendo anunciado evacuações aéreas para a China.

Mas, no sábado, a missão diplomática reviu as suas indicações e pediu aos cidadãos chineses para que mantivessem a máxima descrição.

Face ao agravamento da situação no terreno, a embaixada chinesa em Kiev desistiu, no domingo, dos planos de retirada. Nas redes sociais, internautas relatam incidentes entre ucranianos e chineses radicados no país.

“Os ucranianos estão numa situação difícil e estão a sofrer muito”, disse o embaixador chinês na Ucrânia, Fan Xianrong, num vídeo difundido no domingo, no qual ele pediu aos chineses que “não discutam com os habitantes locais”. “Temos que entender os seus sentimentos”, acrescentou.

A Rússia lançou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já mataram mais de 350 civis, incluindo crianças, segundo Kiev. A ONU deu conta de quase 500 mil deslocados para a Polónia, Hungria, Moldova e Roménia.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a “operação militar especial” na Ucrânia visa desmilitarizar o país vizinho e que era a única maneira de a Rússia se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armas e munições para a Ucrânia e o reforço de sanções para isolar ainda mais Moscovo.

28 Fev 2022

China apela à calma e diz que a sua embaixada na Ucrânia está a operar normalmente

A China apelou ontem a que “todas as partes envolvidas” na questão da Ucrânia atuem de forma “racional” e “evitem ações que aumentem as tensões”, garantido que a sua embaixada no país “está a operar normalmente”.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Wang Wenbin, disse em conferência de imprensa, que a China está a “acompanhar de perto a situação”, mas que a embaixada e os consulados do país asiático na Ucrânia estão a funcionar “normalmente”.

Wang explicou que a embaixada chinesa na Ucrânia emitiu um aviso consular pedindo aos cidadãos chineses que estejam atentos e acompanhem a situação.

As declarações contrastam com as de vários países, que pediram aos seus cidadãos que saiam da Ucrânia, depois de o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, ter observado que uma “invasão” russa “pode começar a qualquer momento”.

Questionado sobre a posição da China, o porta-voz reiterou que para resolver o problema ucraniano é “necessário voltar ao ponto de partida do acordo Minsk-2, que conta com o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas”.

“Todas as partes devem buscar ativamente uma solução por meio do diálogo e da negociação”, acrescentou o porta-voz.

No início do mês, Xi Jinping e Vladimir Putin, presidentes da China e da Rússia, respetivamente, prometeram enfrentar juntos o que consideram “ameaças à segurança”, após reunirem em Pequim.

Ambos os países emitiram uma declaração conjunta na qual, sem mencionar explicitamente os Estados Unidos ou a crise na Ucrânia, denunciaram que um “pequeno número de forças da comunidade internacional continua obstinada em promover o unilateralismo e interferir nos assuntos de outros países”.

O texto frisou que “China e Rússia se opõem a uma maior expansão da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte)”.

15 Fev 2022

MNE | China pede que Washington pare de reprimir estudantes chineses

Wang Wenbin, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, pediu esta quarta-feira que os Estados Unidos parem de atormentar e reprimir os estudantes e académicos chineses no país, a fim de criar uma atmosfera saudável para os intercâmbios culturais e a cooperação educativa bilaterais.

Wang fez as declarações em conferência de imprensa em resposta a uma pergunta sobre a recente repatriação de estudantes e académicos visitantes chineses por parte dos Estados Unidos.

Wang disse que houve frequentes incidentes e actos de repressão contra estudantes e académicos chineses nos Estados Unidos, acrescentando que há alguns dias um académico chinês visitante com visto emitido pelo governo americano foi repatriado após ser interrogado ao entrar no país.

De acordo com estatísticas incompletas, desde Agosto deste ano, cerca de 30 estudantes e académicos visitantes chineses nos Estados Unidos sofreram tratamento injusto, e muitas pessoas foram atormentadas e interrogadas pelos Estados Unidos de forma brutal, assinalou Wang.

“A maioria dos antes mencionados foi questionada se eles ou seus parentes eram membros do Partido Comunista, ou se o governo chinês lhes tinha atribuído tarefas antes de irem ao país”, disse Wang, acrescentando que alguns deles foram repatriados por razões incríveis, como serem suspeitos de ter antecedentes militares porque se encontraram fotos de formação militar universitária nos seus telefones. “Estes interrogatórios foram muito além do âmbito da aplicação normal da lei reivindicada pelos Estados Unidos”.

Wang disse que os Estados Unidos, por um lado, afirmam que dão boas-vindas a estudantes chineses, e por outro, herdaram o legado venenoso da administração anterior.

5 Nov 2021

China | MNE acusa relatório do CCEC de “enganar o público”

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China respondeu ontem às críticas do Clube de Correspondentes Estrangeiros na China (CCEC), que elaborou um relatório segundo o qual tem existido um “declínio da liberdade de imprensa dos jornalistas internacionais” e a expulsão de profissionais norte-americanos.
Segundo o porta-voz Wang Wenbin, o governo chinês nunca reconheceu o CCEC.

“Este suposto relatório, repleto de preconceitos ideológicos e calúnias contra a China, foi criado para fins de detecção de falhas. Um autodenominado ‘clube de correspondentes estrangeiros na China’ não pode de forma alguma falar em nome dos quase 500 jornalistas estrangeiros, mas apenas transmitir as ideias paranóicas de um punhado de jornalistas ocidentais. É um exemplo típico de reportagens injustas e tendenciosas. O relatório confunde preto e branco na tentativa de enganar o público”, afirmou.

Wang Wenbin entende que “a China dá sempre as boas-vindas às agências e jornalistas de outros países para fazerem reportagens e oferece conveniência e assistência para trabalharem e morarem aqui”. Como exemplo, Wang referiu a ajuda prestada durante o surto de COVID-19. “O governo ajudou mais de 100 jornalistas estrangeiros e as suas famílias, retidas no exterior, a regressarem, facilitou o seu acesso ao mercado de Xinfadi e locais de vacinação em Pequim para entrevistas, coordenou e auxiliou entrevistas da media estrangeira sobre P&D de vacinas e com pessoal do Instituto de Virologia de Wuhan”, entre outros aspectos. “Há uma única palavra neste suposto relatório sobre toda essa facilitação e assistência, concretas e bem documentadas, que a China forneceu aos media estrangeiros?”, atirou o porta-voz.

Wang insurgiu-se ainda contra as pretensões dos jornalistas expressas no relatório da CCE. “Todos os chineses e estrangeiros na China devem cumprir os regulamentos de quarentena. Até mesmo os especialistas da OMS em visita à China foram sujeitos a uma quarentena de 14 dias. Por que razão alguém pensaria que os jornalistas não precisavam obedecer a esses regulamentos de controlo epidémico? O relatório denegriu as medidas anti-epidémicas da China como restrições aos jornalistas e fez especulações maliciosas sobre a boa vontade da China. Não passam de manchas inescrupulosas para confundir o certo com o errado.”

Quanto à expulsão de jornalistas americanos, o porta-voz passou o ónus da culpa para os EUA. “Culpar a China pela expulsão de jornalistas é uma acusação completamente falsa. Foram os EUA que suprimiram, primeiro e desenfreadamente, os media chineses. A China tem sido forçada responder de forma legítima. Desde 2018, os EUA têm pedido aos media chineses nos Estados Unidos que se registem como ‘agentes estrangeiros’ e se listem como ‘missões estrangeiras’. No ano passado, atrasaram sem justa causa ou negaram visto a mais de 20 jornalistas chineses e limitaram drasticamente o visto para jornalistas chineses a uma estadia máxima de 90 dias. Diante de tal repressão, o lado chinês exerceu grande moderação”, explicou.

E Wang foi mesmo mais longe, afirmando que a China ainda não retaliou realmente. “Ainda não retaliámos a medida dos EUA de limitar o visto a todos os jornalistas chineses a um máximo de 90 dias. Por que razão o relatório falha em apresentar toda a história fielmente e apenas ataca a China?”

Finalmente, Wang Wenbin acusou, por seu lado, o CCEC, referindo que não é apenas na China que enfrenta problemas. “Essa suposta organização tem sido tendenciosa e distorce os factos há muito tempo. Também ouvimos falar do seu mau comportamento em outras partes do mundo. O que nos opomos é ao preconceito ideológico contra a China, notícias falsas sob a capa da liberdade de imprensa e violação da ética profissional”.

3 Mar 2021