Ucrânia | Japão reforça sanções contra Rússia

O Japão vai adotar novas sanções contra Moscovo, na sequência da invasão da Ucrânia, penalizando bancos e a exportação de bens que contribuam para reforçar infraestruturas industriais russas, anunciaram hoje as autoridades nipónicas.

A decisão do Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês vai afetar duas instituições bancárias da Rússia, o Banco de Crédito de Moscovo e o Banco Agrícola da Rússia, e o Banco de Desenvolvimento e Reconstrução da Bielorrússia, país aliado de Moscovo.

“Para deter a Rússia o mais rapidamente possível e procurar a via do diálogo é necessário ajudar a Ucrânia e tomar medidas fortes contra a Federação”, disse o porta-voz do Ministério japonês, Hirokazu Matsuno, numa conferência de imprensa.

O responsável observou que o país vai continuar a tomar medidas com base na evolução da situação.

Do plano de novas sanções faz também parte o congelamento de bens com capacidade para fortalecer as infraestruturas industriais russas, embora não tenham sido divulgados mais pormenores a este respeito.

A decisão do executivo de Tóquio foi tomada quase um mês depois de ter anunciado outra ronda de sanções contra a Rússia, incluindo o congelamento de bens de 141 personalidades, incluindo o primeiro-ministro, Mikhail Mishustin.

Noutras rondas de sanções, o Japão decidiu deixar de exportar semicondutores e componentes para ‘microchips’ que pudessem ser utilizados pela indústria militar russa, suspendendo também a vendas de carros de luxo para a Rússia.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de quatro mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A ofensiva militar causou a fuga de mais de oito milhões de pessoas, das quais mais de 6,6 milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

7 Jun 2022

90% dos internautas chineses acusam EUA de pretenderem hegemonia

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Zhao Lijian opôs-se firmemente à hegemonia dos EUA quando lhe foi pedido que comentasse um novo inquérito conduzido por Huanqiu.com, que mostrou que quase 90 por cento dos internautas chineses acreditam que os EUA são um país hegemónico e um desestabilizador na questão da Ucrânia. “Tomei nota da sondagem, que reflecte a voz pela justiça da maioria”, disse Zhao numa conferência de imprensa na terça-feira.

“O desdobramento da questão da Ucrânia é absolutamente claro. Os movimentos da OTAN liderada pelos EUA agravaram a tensão entre a Rússia e a Ucrânia até ao ponto de ruptura. Os EUA, em vez de tomarem medidas reais para aliviar a situação, têm vindo incessantemente a adicionar combustível à fogueira, aumentando o conflito, forçando outros países a escolher lados e criando um efeito arrepiante de ‘amigo ou inimigo’”, observou Zhao. “O que pode isto representar além de hegemonia e intimidação?”, perguntou.

A 30 de Março, o relato oficial Weibo de Huanqiu lançou uma série de sondagens perguntando aos internautas “qual é o papel dos EUA na questão da Ucrânia”, “como vêem a ameaça dos EUA de sancionar a China”, e o que pensam da “Estratégia Indo-Pacífico dos EUA”.

Entre as respostas recebidas até quinta-feira, 89,2% dos inquiridos acreditam que os EUA são um país hegemónico e um desestabilizador na questão da Ucrânia. Apenas 5,6 por cento, ou 672 pessoas, pensam que os EUA são justos, enquanto 5,2 por cento dizem não ter a certeza.

Cerca de 92,2% dos inquiridos acreditam que a ameaça dos EUA de sancionar a China é um comportamento intimidatório e coercivo que não pode esconder a sua verdadeira intenção. Apenas 4,2% acreditam que os EUA pretendem acabar com a guerra e promover a paz, e 3,6% afirmaram não ser claro.

Zhao salientou que os EUA também têm estado constantemente a espalhar desinformação para difamar a China e distorcer a posição responsável da China de facilitar as conversações de paz. “A sua ordem do dia é transferir as culpas, fazer provocações, lucrar com a situação e procurar espaço para reprimir a China e a Rússia simultaneamente. O que pode isto ser além de hegemonia e intimidação?”

“A questão da Ucrânia revela o que os EUA fazem para conseguir a hegemonia e a intimidação. Agarrando-se à mentalidade da Guerra Fria, os EUA estão obcecados em traçar linhas ideológicas ao formar cliques fechadas e exclusivas e fomentar a oposição e o confronto. A verdadeira agenda é prolongar a hegemonia e a política de poder dos EUA. Sob a bandeira da democracia, liberdade e direitos humanos, os EUA instigam ‘revoluções coloridas’ que provocam disputas regionais, e chegam ao ponto de travar directamente guerras contra outros países que agravam as tensões na situação de segurança regional e global”, afirmou Zhao, observando que o esquema é o lucro de por enormes interesses económicos e vantagens geopolíticas através da instabilidade.

“Empunhando deliberadamente o bastão das sanções unilaterais, os EUA também se envolvem em coerção económica que mina gravemente a estabilidade das cadeias industriais e de abastecimento globais”, disse Zhao.

O porta-voz exortou os EUA a enfrentarem a opinião pública mundial, incluindo a China, a rejeitarem a mentalidade da Guerra Fria e da soma zero, bem como o pensamento obsoleto de procurar a sua segurança absoluta à custa da dos outros, e a regressarem ao caminho da defesa da equidade e da justiça internacionais.

14 Abr 2022

Pequim vai manter posição sobre conflito na Ucrânia, diz analista

Pequim não vai alinhar em sanções contra Moscovo ou opor-se abertamente ao conflito na Ucrânia, apesar da eventual pressão das autoridades europeias nesse sentido durante a cimeira União Europeia–China, na sexta-feira, disse à Lusa um analista chinês.

Pequim tem mantido uma posição ambígua em relação à invasão russa da Ucrânia. Por um lado, defendeu que a soberania e a integridade territorial de todas as nações devem ser respeitadas – um princípio de longa data da política externa chinesa e que pressupõe uma postura contra qualquer invasão -, mas ao mesmo tempo opôs-se às sanções impostas contra a Rússia e apontou a expansão da NATO para o leste da Europa como a raiz do problema.

Gao Zhikai, que serviu como intérprete do antigo líder chinês Deng Xiaoping e é atualmente um dos mais conhecidos comentadores da televisão chinesa, disse à Lusa que “não é realista” esperar que Pequim prejudique os laços comerciais com Moscovo.

“A China é um grande comprador do petróleo e gás russos. Existem oleodutos para o petróleo e para o gás. Os dois países partilham uma fronteira comum com mais de 4.000 quilómetros, e o intercâmbio humano é muito dinâmico”, descreveu.

Segundo o embaixador da UE na China, Nicolas Chapuis, a questão da invasão Ucrânia pela Rússia deve pesar fortemente sobre a cimeira, que se vai realizar por videoconferência.

O foco “em primeiro lugar” dos europeus vai ser reunir o “máximo de apoio possível da China”, para “ajudar a Europa a parar com a guerra na Ucrânia”, declarou Chapuis há duas semanas, salientando: “Nesta guerra, não pode haver a chamada neutralidade”.

O comércio entre a China e a Rússia subiu 35,9%, em 2021, em termos homólogos, para um valor recorde de 146,9 mil milhões de dólares (cerca de 132 mil milhões de euros), segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China.

Para o analista chinês, Pequim está do “lado certo da História”, ao “encorajar as negociações, em vez de estimular uma guerra mais prolongada na Ucrânia”.

“As sanções não funcionarão”, previu.

“Certamente, vão ser muito dolorosas para a Rússia, mas não vão encurralar a Rússia ao ponto de a subordinar à Europa ou aos Estados Unidos”, disse, adiantando que “apenas tornarão a Rússia mais resiliente e mais resoluta na luta por qualquer propósito que tenha estabelecido”.

Gao sugeriu antes que as preocupações de segurança da Rússia sejam consideradas.

“Não vai haver paz duradoura na Europa, enquanto a Rússia for excluída”, disse. “Como é possível haver paz, estabilidade e crescimento na Europa, sem contar com o maior país do mundo, que tem um dos maiores arsenais nucleares, situado ali ao lado”, questionou.

Outro ponto-chave da cimeira é o Acordo Compreensivo de Investimento (CAI) UE–China, cuja ratificação pelo Parlamento Europeu ficou ‘congelada’, depois de Pequim ter imposto sanções retaliatórias contra eurodeputados.

Pequim avançou com sanções depois de a UE, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos terem imposto sanções coordenadas contra as autoridades chinesas por abusos dos Direitos Humanos na região de Xinjiang, no extremo oeste do país.

As tensões agravaram-se depois de a Lituânia ter aprovado a abertura de um escritório de representação de Taiwan, território que Pequim considera como uma província sua.

A decisão da Lituânia é vista por Pequim como uma provocação, principalmente porque esta representação é designada ‘Escritório de Representação de Taiwan’, ao invés de Taipé, o nome da capital da ilha, pressupondo o reconhecimento de Taiwan como entidade política soberana.

“Isto acontece porque há certos membros do Parlamento Europeu que realmente se envolveram em atividades que são percebidas, do ponto de vista chinês, como interferência e violação do princípio ‘Uma só China’”, explicou Gao.

O reconhecimento daquele princípio é visto por Pequim como uma garantia de que Taiwan é parte do seu território. “Se esse princípio é violado, a China não tem outra escolha senão retaliar”, apontou.

31 Mar 2022

UE e China de acordo sobre necessidade de regresso da paz à Europa, diz Joseph Borrell

A União Europeia (UE) e a China concordam na urgência do regresso da paz ao continente europeu, na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia, anunciou ontem o chefe da diplomacia dos 27, Josep Borrell, em comunicado.

O comunicado, divulgado após uma reunião por videoconferência entre o Alto Representante para a Política Externa e de Segurança da UE e o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, salientou que Borrell e Wang Yi estão de acordo acerca da “urgência do regresso da paz ao continente europeu tão depressa quanto possível”.

Neste sentido, os dois representantes discutiram as negociações entre a Ucrânia e a Rússia e “a necessidade de um cessar-fogo, para a criação de corredores humanitários e prevenir os riscos de uma maior escalada” no conflito.

A situação da Ucrânia está na agenda da 23.ª Cimeira UE-China, marcada para a próxima sexta-feira.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.151 civis, incluindo 103 crianças, e feriu 1.824, entre os quais 133 crianças, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra provocou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas, incluindo mais de 3,9 milhões de refugiados em países vizinhos e quase 6,5 milhões de deslocados internos.

A ONU estima que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

30 Mar 2022

Ucrânia | Gonçalo Lobo Pinheiro participa em iniciativa de apoio a hospital

O fotojornalista Gonçalo Lobo Pinheiro, radicado em Macau há 12 anos, é um dos profissionais que vai participar numa angariação internacional de fundos para apoiar um hospital pediátrico ucraniano.

A United Photographers for Ukraine, iniciativa da revista italiana Perimetro e da organização não-governamental Liveinslums, decorre ‘online’ até quinta-feira, contempla imagens doadas por mais de 200 fotógrafos internacionais e visa apoiar o Hospital Infantil Ohmatdyt, em Kiev, e a Cruz Vermelha Internacional.

Os trabalhos são vendidos aos interessados por 100 euros em formato A4 e as imagens produzidas em sete dias úteis e enviadas para todo o mundo. Gonçalo Lobo Pinheiro contribui com uma impressão captada no Largo do Senado, no centro de Macau.

“O Hospital Ohmatdyt, o maior hospital infantil da Ucrânia, abriga agora pacientes críticos” que não puderam ser retirados e “presta assistência aos feridos de bombardeamentos contínuos da cidade pela Rússia”, refere o comunicado enviado pelo fotojornalista à Lusa.

“A sua equipa, de cerca de 300 pessoas, vive em grande parte no hospital para cuidar dos pacientes e depende de ajuda externa para continuar. Os fundos também serão direcionados para a Cruz Vermelha Internacional, que está a prestar assistência médica em áreas do país actualmente sob ataque militar”, acrescenta. A angariação de fundos decorre através do endereço https://4ukraine.perimetro.eu/ na Internet.

28 Mar 2022

Ucrânia | Conselheiro da Casa Branca vai reunir-se com responsável chinês

O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca foi enviado a Roma para conversações na segunda-feira com um responsável chinês, quando aumentam as preocupações com a posição de Pequim em relação à ofensiva da Rússia na Ucrânia.

As conversações entre o conselheiro de Segurança Nacional Jake Sullivan e o conselheiro sénior de política externa chinesa Yang Jiechi estarão centradas “nos esforços para gerir a competição entre os dois países e discutir o impacto da guerra que a Rússia trava na Ucrânia na segurança global e regional”, disse Emily Horne, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional.

A Casa Branca acusou Pequim de difundir falsas informações russas sobre alegadas instalações ucranianas de armas químicas e biológicas que seriam apoiadas pelos Estados Unidos.

As autoridades norte-americanas alegam que a China tenta dar cobertura a um potencial ataque russo com armas químicas e biológicas na Ucrânia.

Sullivan disse hoje no programa “Meet the Press” da NBC que quando a Rússia começa a acusar outros países de se prepararem para lançar ataques biológicos ou químicos, “é um sinal de que ela própria pode estar prestes a fazer isso”.

O conselheiro da Casa Branca disse também que a China e outros países não devem ajudar Moscovo a contornar as sanções que lhe foram impostas pelos países ocidentais na sequência da invasão russa da Ucrânia.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, classificou na quarta-feira as alegações russas como “absurdas” e observou que funcionários do Governo chinês também ecoaram as “teorias da conspiração” da Rússia.

“Agora que a Rússia fez essas falsas alegações, e a China aparentemente defendeu essa propaganda, todos nós devemos estar atentos a que Rússia possivelmente use armas químicas ou biológicas na Ucrânia ou crie uma operação de bandeira falsa para utilizá-las. É um padrão claro”, sustentou.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já causou pelo menos 564 mortos e mais de 982 feridos entre a população civil e provocou a fuga de cerca de 4,5 milhões de pessoas, entre as quais 2,5 milhões para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.

14 Mar 2022

O ridículo que vem da guerra

Os meus amigos leitores podem não acreditar, mas aconteceu. Mais de dois milhões de ucranianos deixaram o seu país e passaram a ser considerados refugiados em vários países europeus. Na passada quinta-feira chegou um avião ao aeroporto de Lisboa com o mísero número de 250 pessoas. Bem, nem imaginam, o ridículo foi chocante. De repente, vimos um monte de gente a subir as escadas para o interior do avião.

Logo indagámos quem seria aquela gente toda? Era o Presidente Marcelo acompanhado de alguns ministros e os curiosos do costume. Que facto ridículo, primeiramente porque se trata de um número ínfimo de ucranianos que chegaram na maioria jovens ucranianas com crianças, segundo vêm cansados e traumatizados sonhando em sair rapidamente da aeronave e serem instalados em locais decentes, em terceiro lugar conhecem lá o Presidente Marcelo e os ministros e, muito menos estarem no avião com crianças cheias de fome a ouvir discursos dispensáveis e absolutamente desnecessários numa língua da qual não compreendem uma sequer palavra.

Mas, por que será que os políticos gostam de mostrar que fazem alguma coisa? Quando o país está quase na bancarrota sem poder abastecer os seus carros e camiões devido aos preços dos combustíveis insuportáveis, simplesmente porque os governos sempre quiseram ganhar fortunas com impostos na venda dos combustíveis.

Mas, a propósito da chegada de refugiados concordamos e damos todo o nosso apoio. No entanto, não podemos deixar de salientar que as instituições portuguesas de apoio social têm um comportamento execrável e deplorável. Cada refugiado, mesmo aqueles que chegaram há meses de outros destinos que não a Ucrânia, têm recebido mil euros mensais, uma casa do Estado e apoio gratuito à saúde. Tudo estaria muito bem, se o nosso vizinho não tivesse de receber apoio dos amigos para sobreviver. Ele tem pedido à Segurança Social, ele tem enviado emails para governantes, para a Câmara Municipal, para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e recebe sempre uma resposta negativa.

O nosso vizinho já passou fome. Já lhe levámos várias vezes comida e medicamentos, alguns amigos já lhe enviaram dinheiro para fazer frente às suas despesas, mostrou-nos um dia o extrato bancário e era em negativo de mais de 700 euros. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é a organização em Portugal mais chocante e reprovável. Recebe milhares de milhões de euros das apostas no Euromilhões e da raspadinha, mesmo assim nega apoio social a quem tem uma reforma de 280 euros. Isto é inacreditável.

Quando vimos o Presidente da República subir as escadas de um avião que chegou com refugiados da Ucrânia, obviamente que pensámos em acto contínuo que o professor Marcelo Rebelo de Sousa só conhece o seu povo para dar abraços, beijos e tirar selfies.

O Presidente Marcelo não faz a mínima ideia que mais de metade da população portuguesa está a sofrer. Depois da pandemia veio o desemprego e foram-se as poupanças. As casas de penhores podem testemunhar a quantidade de ouro que têm recebido daqueles que já não têm possibilidade de comprar seja o que for. Os políticos portugueses têm fundamentalmente de se começar a preocupar muito seriamente com os bairros de lata, com a classe média cada vez mais no limite da pobreza, com as reformas miseráveis, com as mães que têm de ser ajudadas pelos seus pais a fim de poderem comprar leite, roupa e fraldas para os seus bebés. Os canais de televisão não param diariamente de abordar a guerra na Ucrânia.

Em Portugal existe uma guerra, um outro tipo de guerra, uma luta contra a sobrevivência, especialmente no seio da classe média. Pergunta-se onde está o apoio social para os portugueses quando uma Santa Casa da Misericórdia nega esse apoio depois de verificar que o cidadão está mesmo em dificuldades, depois do cidadão provar que são os amigos que o ajudam, depois de provar que tem zero euros no banco, depois de apenas conseguir consumir uma refeição por dia.

Que faz a Santa Casa a tantos milhões de euros, se um velhote para ir para um lar ainda tem que entregar toda a sua reforma. Os portugueses que vivem bem, que têm propriedades, que são empresários ricos, têm de se convencer que a sua solidariedade pelos pobres tem de começar, que têm de deixar de assobiar para o lado quando os seus vizinhos venderam o carro, algumas mobílias valiosas, todas as jóias e nunca mais os viram no supermercado.

A propaganda televisiva tem mencionado até à exaustão a solidariedade pela Ucrânia para onde têm partido camiões e carrinhas cheios de géneros alimentícios, cobertores, carrinhos de rodas, muletas e o nosso vizinho nem tem dinheiro para comprar uma bengala. Apelamos apenas aos políticos e governantes portugueses que terminem com as acções ridículas em aeroportos e aterrem na realidade que os rodeia.

*Texto escrito com a antiga grafia

14 Mar 2022

Ucrânia | China alivia controlos cambiais para acelerar queda do rublo face ao yuan

A China está a relaxar os controlos cambiais, para permitir que o rublo russo caia mais rapidamente em valor, em relação à moeda chinesa, o yuan, visando isolar Pequim das sanções económicas a Moscovo.

A margem pela qual o rublo pode flutuar em relação ao yuan, nas negociações diárias controladas pelo Estado chinês, dobrará para 10%, acima ou abaixo do preço de abertura no respetivo dia, a partir de sexta-feira, anunciou o Sistema de Comércio de Câmbio da China.

O rublo perdeu cerca de 40% do valor, desde que os governos ocidentais cortaram alguns bancos russos do sistema internacional de pagamentos SWIFT em retaliação pela invasão à Ucrânia, em 24 de fevereiro. O banco central da Rússia foi impedido de usar as suas reservas em moeda estrangeira para defender a taxa de câmbio.

A China evitou juntar-se a outros governos na condenação à invasão e criticou as sanções ocidentais. As empresas chinesas não dão sinal de estarem a reduzir as suas operações na Rússia, mas economistas dizem que provavelmente tentarão tirar proveito da pressão sobre Moscovo para fechar melhores negócios, na aquisição de ativos, por exemplo.

Manter a taxa de câmbio estável exigiria que o banco central da China subsidiasse os compradores russos de produtos chineses, dando-lhes mais yuan pelos seus rublos, face ao valor da moeda russa atualmente determinado pelos mercados. Esta última mudança permite que as taxas de câmbio chinesas acompanhem as abruptas flutuações diárias do rublo.

10 Mar 2022

Ucrânia | Bilionário japonês doa quase oito milhões de euros a Kiev

O bilionário japonês Hiroshi Mikitani anunciou hoje que vai doar mil milhões de ienes (7,7 milhões de euros) ao Governo de Kiev, chamando a invasão russa de “atropelamento da Ucrânia” e “desafio à democracia”.

O fundador da Rakuten, a gigante japonesa de comércio eletrónico e outros serviços ‘online’, pediu, numa carta ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, para que a doação seja usada para “atividades humanitárias para ajudar pessoas na Ucrânia que são vítimas de violência”.

Mikitani disse que visitou Kiev em 2019 e se encontrou com Zelensky.

“Os meus pensamentos estão consigo e com o povo da Ucrânia”, disse o bilionário japonês na carta enviada ao Presidente ucraniano.

“Acredito que atropelar uma Ucrânia pacífica e democrática pela força indevida é um desafio à democracia”, defendeu Mikitani.

“Espero sinceramente que a Rússia e a Ucrânia possam resolver esta questão pacificamente e que o povo ucraniano possa encontrar a paz o mais rápido possível”, concluiu.

O Japão anunciou na sexta-feira novas sanções contra a Rússia face à invasão da Ucrânia, que abrangem o controlo das exportações de semicondutores e outros produtos usados para fins militares, bem como o congelamento de fundos de entidades financeiras russas.

O Japão foi um dos 50 países que subscreveram no sábado, nas Nações Unidas, uma declaração sublinhando que o Presidente russo, Vladimir “Putin, é o agressor” da Ucrânia, e prometendo levar a condenação da Rússia à Assembleia Geral da ONU, depois do veto russo a uma resolução do Conselho de Segurança.

A Rússia lançou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já provocaram pelo menos 198 mortos, incluindo civis, e mais de 1.100 feridos, em território ucraniano, segundo Kiev. A ONU deu conta de 150.000 deslocados para a Polónia, Hungria, Moldávia e Roménia.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a “operação militar especial” na Ucrânia visa desmilitarizar o país vizinho e que era a única maneira de a Rússia se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e motivou reuniões de emergência de vários governos, incluindo o português, e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), UE e Conselho de Segurança da ONU, tendo sido aprovadas sanções em massa contra a Rússia.

27 Fev 2022

Ucrânia | China apela ao diálogo e critica Estados Unidos por agravarem a situação

A China voltou hoje a apelar ao diálogo para resolver a crise na Ucrânia, mas recusou criticar o ataque da Rússia, acusando os Estados Unidos e os seus aliados de agravarem a situação.

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Hua Chunying disse, em conferência de imprensa, que a “questão da Ucrânia é complexa, no seu contexto histórico (…) e que o que se está a ver hoje deve-se à interação de fatores complexos”.

“A China está a acompanhar de perto os últimos desenvolvimentos”, disse Hua Chunying. “Ainda esperamos que as partes envolvidas não fechem a porta para a paz e se envolvam no diálogo e consulta, e impeçam que a situação se agrave ainda mais”, afirmou.

Embora a China não tenha apoiado o reconhecimento de Vladimir Putin da independência das áreas separatistas do leste da Ucrânia ou a decisão do presidente russo de enviar forças militares para o país, Hua Chunying disse que a China “pediu às partes envolvidas que respeitem as preocupações legítimas de segurança dos outros”.

“Todas as partes devem trabalhar pela paz em vez de aumentarem a tensão ou exaltarem a possibilidade de guerra”, apontou. A China e a Rússia alinharam amplamente as suas políticas externas em oposição aos EUA e aliados. O porta-voz não descreveu as ações da Rússia como uma invasão, nem se referiu diretamente às movimentações das forças russas na Ucrânia.

A Embaixada da China em Kiev emitiu um aviso aos seus cidadãos para ficarem em casa e colocarem uma bandeira chinesa dentro do seu veículo se precisarem de viajar longas distâncias.

Na quarta-feira, Hua Chunying acusou o Ocidente de criar “medo e pânico” com a crise e disse que os EUA estão a alimentar as tensões ao fornecer armas a Kiev. Também referiu que a China se opõe a novas sanções contra a Rússia.

Os laços China – Rússia foram reforçados, sob o comando do líder chinês, Xi Jinping, que recebeu Putin, em Pequim, no início deste mês.

Pequim afirmou por várias vezes compreender as preocupações russas com a segurança. Xi e Putin emitiram uma declaração conjunta contra o alargamento da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Europa de leste.

Li Xin, diretor do Instituto de Estudos Europeus e Asiáticos da Universidade de Ciência Política e Direito de Xangai, disse que o Ocidente forçou a Rússia a agir, citando a expansão da NATO para o leste e a implantação do sistema de defesa anti-mísseis.

“Por um lado, respeitamos a integridade do território e a soberania da Ucrânia, mas, por outro lado, devemos considerar o processo histórico da situação, em que a Rússia foi encurralada e forçada a contra-atacar”, disse Li.

24 Fev 2022

China pede “contenção” a todas as partes sobre situação na Ucrânia

A China pediu hoje a todas as partes envolvidas na crise ucraniana que “mostrem moderação”, após o anúncio do presidente russo, Vladimir Putin, do envio de tropas para duas regiões separatistas na Ucrânia.

“Todas as partes envolvidas devem exercer moderação e evitar qualquer ação que possa alimentar as tensões”, disse Zhang Jun, embaixador da China na ONU, numa reunião de emergência do Conselho de Segurança sobre a Ucrânia.

Numa rara reunião noturna do órgão mais poderoso da ONU, a maioria dos membros do Conselho de Segurança condenou a decisão do Presidente russo, Vladimir Putin, de reconhecer a independência de Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia.

A secretária-geral adjunta da ONU para os Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, “lamentou profundamente” a iniciativa.

“As próximas horas e [os próximos] dias serão críticos. O risco de um grande conflito é real e deve ser evitado a todo o custo”, disse a norte-americana.

Vladimir Putin ordenou na segunda-feira a mobilização do Exército russo para “manutenção da paz” nos territórios separatistas pró-russos no leste da Ucrânia, que reconheceu como independentes.

Putin assinou dois decretos que pedem ao Ministério da Defesa russo que “as Forças Armadas da Rússia [assumam] as funções de manutenção da paz no território” das “repúblicas populares” de Donetsk e Lugansk, de acordo com a agência de notícias France-Presse.

O anúncio de Putin gerou, de forma imediata, uma onda de condenações da parte dos principais atores internacionais implicados na crise da Ucrânia e que apoiam Kiev, nomeadamente os Estados Unidos, a NATO e a EU, assim como da Austrália, Canadá e Japão.

Nos últimos dias, o clima de tensão agravou-se ainda mais perante o aumento dos confrontos entre o exército da Ucrânia e os separatistas pró-russos no leste do país, na região do Donbass, onde a guerra entre estas duas fações se prolonga desde 2014.

22 Fev 2022

China apela à calma e diz que a sua embaixada na Ucrânia está a operar normalmente

A China apelou ontem a que “todas as partes envolvidas” na questão da Ucrânia atuem de forma “racional” e “evitem ações que aumentem as tensões”, garantido que a sua embaixada no país “está a operar normalmente”.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Wang Wenbin, disse em conferência de imprensa, que a China está a “acompanhar de perto a situação”, mas que a embaixada e os consulados do país asiático na Ucrânia estão a funcionar “normalmente”.

Wang explicou que a embaixada chinesa na Ucrânia emitiu um aviso consular pedindo aos cidadãos chineses que estejam atentos e acompanhem a situação.

As declarações contrastam com as de vários países, que pediram aos seus cidadãos que saiam da Ucrânia, depois de o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, ter observado que uma “invasão” russa “pode começar a qualquer momento”.

Questionado sobre a posição da China, o porta-voz reiterou que para resolver o problema ucraniano é “necessário voltar ao ponto de partida do acordo Minsk-2, que conta com o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas”.

“Todas as partes devem buscar ativamente uma solução por meio do diálogo e da negociação”, acrescentou o porta-voz.

No início do mês, Xi Jinping e Vladimir Putin, presidentes da China e da Rússia, respetivamente, prometeram enfrentar juntos o que consideram “ameaças à segurança”, após reunirem em Pequim.

Ambos os países emitiram uma declaração conjunta na qual, sem mencionar explicitamente os Estados Unidos ou a crise na Ucrânia, denunciaram que um “pequeno número de forças da comunidade internacional continua obstinada em promover o unilateralismo e interferir nos assuntos de outros países”.

O texto frisou que “China e Rússia se opõem a uma maior expansão da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte)”.

15 Fev 2022

Ucrânia | NATO é produto da Guerra Fria que ameaça segurança da Rússia, defende Pyongyang

A diplomacia norte-coreana defendeu hoje os interesses da Rússia na crise da Ucrânia, acusando os Estados Unidos e a NATO, que descreveu como um produto da Guerra Fria, de representarem, uma ameaça à segurança na região.

“É um facto bem conhecido que a ameaça militar dos Estados Unidos a Moscovo está a aumentar gradualmente devido à implantação de sistemas de defesa antimísseis na Europa Oriental, o fortalecimento da presença militar da NATO nas regiões fronteiriças com a Rússia e a expansão contínua da NATO para o leste após o colapso da União Soviética”, de acordo com um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano.

Na nota, divulgada na página do ministério na Internet, Pyongyang lamenta os “persistentes rumores lançados pelos Estados Unidos sobre uma ‘invasão russa da Ucrânia’ como pretexto para “enviar milhares de tropas para a Europa Oriental” e “aumentar o grau de tensão em torno da Ucrânia”.

A ação norte-americana é classificada por Pyongyang tão “surpreendente quanto selvagem”.

Da mesma forma, o ministério denuncia que a NATO não passa de “um produto da Guerra Fria, impulsionada pela agressão e pelo desejo de dominar”.

Pyongyang destaca que as tentativas de “pressionar Moscovo” apenas provocarão “uma reação mais forte da Rússia” que, assinala, está “pronta para lutar pela sua segurança”.

O Ocidente acusa a Rússia de ter concentrado dezenas de milhares de tropas junto às fronteiras da Ucrânia para invadir novamente o país vizinho.

Os Estados Unidos alertaram na sexta-feira que um ataque russo pode acontecer “a qualquer momento” e pediram aos seus cidadãos que abandonassem o país rapidamente.

Desde então, dezenas de governos, incluindo o de Portugal, aconselharam os seus cidadãos a sair da Ucrânia.

A Rússia nega pretender invadir a Ucrânia, mas condiciona o desanuviamento da crise a exigências que diz serem necessárias para garantir a sua segurança.

Essas exigências incluem garantias juridicamente válidas de que a Ucrânia nunca fará parte da NATO e o regresso das tropas aliadas nos países vizinhos às posições anteriores a 1997.

Os Estados Unidos e os seus aliados da NATO e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) recusam tais exigências.

14 Fev 2022

Ucrânia | China desmente notícia de que o conflito estaria a afastar Moscovo e Pequim

Com os EUA e o Reino Unido a ordenar às famílias dos funcionários da embaixada em Kiev que partam da Ucrânia e a autorizar o pessoal a partir no domingo, os receios de guerra aumentam devido à alegada “invasão iminente” da Ucrânia por parte da Rússia.

A crise na Ucrânia tem causado o aparecimento de algumas notícias, nomeadamente entre alguns meios de comunicação social ocidentais, incluindo a Bloomberg, segundo as quais o conflito pode afectar a confiança mútua China-Rússia. Para os chineses, isto reflecte a “má intenção” das forças ocidentais que tentam instigar divergências entre Pequim e Moscovo, disseram analistas.

Na segunda-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês refutou um relatório da Bloomberg que afirmava que o líder chinês tinha alegadamente “pedido ao Presidente russo Vladimir Putin que não invadisse a Ucrânia durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022”. “O relatório foi puramente feito do nada. Procura não só difamar e perturbar as relações China-Rússia, mas também perturbar e minar deliberadamente os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim. Um truque tão desprezível não pode enganar a comunidade internacional”, disse Zhao Lijian, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, numa conferência de imprensa.

A Embaixada chinesa na Rússia também refutou o relatório, afirmando numa declaração enviada à agência noticiosa russa TASS no sábado que a notícia “é um embuste e uma provocação”. A embaixada observou que a posição da China sobre a questão ucraniana é consistente e clara.

No domingo o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo rejeitou igualmente o que descreveu como “desinformação” da Grã-Bretanha, como informou a AFP, depois de Londres ter acusado Moscovo de trabalhar para instalar um líder pró-russo na Ucrânia à medida que as tensões aumentavam.

“A desinformação circulada pelo governo britânico é mais uma indicação de que são os membros da OTAN liderados pelas nações anglo-saxónicas que estão a aumentar as tensões em torno da Ucrânia”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo num tweet.

“Forçado a reagir”

“O impasse militar na fronteira ucraniana atingiu um ponto muito perigoso”, disse Yang Jin, um investigador associado do Instituto de Estudos Russos, da Europa Oriental e da Ásia Central da Academia Chinesa de Ciências Sociais. “Ninguém quer escalar a crise para uma guerra, mas os conflitos podem ser facilmente desencadeados por acidentes, e é difícil prevenir totalmente os acidentes no impasse intenso”, observou Yang. “A China sempre esperou que a Rússia e os EUA pudessem resolver o problema sobre a Ucrânia através do diálogo, e esta posição não irá mudar”, disse Yang.

Mesmo que ocorram alguns conflitos nos próximos dias, é pouco provável que seja a Rússia a iniciar provocações, uma vez que Moscovo apoiou anteriormente a Trégua Olímpica aprovada pela ONU durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022, enquanto alguns países como os EUA, o Reino Unido e a Austrália se recusaram a assiná-la.

Entretanto, as relações entre os EUA e os membros da UE divergem. Os peritos disseram que as divisões profundas dentro da Europa estão a tornar difícil para a UE agir como mediador das actuais tensões.

Os ministros dos negócios estrangeiros da UE reuniram-se em Bruxelas na segunda-feira apelando a uma “desescalada” da situação em torno da Ucrânia. O chefe da política externa da UE, Josep Borrell, disse que a UE não seguirá a iniciativa dos EUA de retirar pessoal e famílias da embaixada na Ucrânia, mas “todos os membros da UE estão unidos”, e estão a mostrar uma unidade sem precedentes sobre a situação na Ucrânia, informou a AP.

No meio de tensões crescentes, o Ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksii Reznikov, disse que o seu país tinha recebido uma segunda remessa de armas dos EUA como parte da ajuda à defesa no total de 200 milhões de dólares, informou a Reuters no domingo.

A Europa “não é uma placa de ferro”

A falta de unidade no seio da UE é também evidente na crise da Ucrânia, e a recente demissão do chefe da marinha alemã Kay-Achim Schonbach pelos seus comentários “pró-Rússia” expôs as profundas divergências no seio do Ocidente sobre questões de segurança regional, observaram os analistas chineses.

Schonbach demitiu-se após ter dito a um grupo de reflexão durante a sua visita à Índia na sexta-feira que Putin “provavelmente” merecia respeito, e que a Crimeia “desapareceu” e “nunca mais voltaria” à Ucrânia, argumentando a favor da cooperação com a Rússia para conter a ascensão da China. Algumas reportagens dos media descreveram os comentários como um incidente diplomático sem precedentes, e o governo alemão distanciou-se dos comentários de Schonbach, segundo o Deutsche Welle. “Muitos dos países europeus querem a paz com a Rússia, ao contrário dos EUA”, disse Yang. “Só os EUA querem o caos”.

26 Jan 2022

Irão pede ao Canadá para partilhar informações sobre avião ter sido abatido por míssil

O Irão pediu ontem ao Canadá para partilhar as informações sobre o voo 752 de Ukranian International Airlines (UIA) ter sido derrubado por um míssil iraniano, considerando que essas informações são “relatos questionáveis”.

De acordo com a agência France-Presse, Teerão convidou Otava a “partilhar” com a comissão de inquérito iraniana, criada depois de o voo comercial ter caído perto da capital do Irão, na quarta-feira de manhã, provocando a morte dos 176 ocupantes, entre passageiros e tripulação.

O Ministério das Relações Exteriores do Irão convidou também a Boeing, fabricante da aeronave, a “participar” na investigação. O primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, afirmou hoje que o seu Governo dispõe de informações de que o voo 752 de UIA foi derrubado por um míssil iraniano. Trudeau, que falava numa conferência de imprensa, acrescentou que a ação “pode não ter sido intencional”.

O aparelho, um Boeing 737 da companhia aérea privada ucraniana UIA, descolou da capital iraniana, Teerão, e tinha como destino a capital da Ucrânia, Kiev. O avião despenhou-se dois minutos depois da descolagem, matando todas as pessoas que estavam a bordo, a maioria de nacionalidade iraniana e canadiana.

Pelo menos 63 cidadãos canadianos estavam a bordo. Onze ucranianos, incluindo nove membros da tripulação, estão, igualmente, entre as vítimas mortais do acidente. Também estavam dentro do avião da UIA cidadãos oriundos da Suécia, Afeganistão, Alemanha e Reino Unido. A Ucrânia enviou para Teerão uma equipa de 45 investigadores para estudar as causas do desastre aéreo.

A tese de que a aeronave foi derrubada por balística iraniana também é partilhada pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que disse ter “um conjunto de informações” de que o Boeing 737 ucraniano foi “abatido por um míssil iraniano de superfície para ar”.

Quatro oficiais norte-americanos que falaram sob a condição de anonimato, citados pela Associated Press, referiram que o avião ucraniano poderá ter sido confundido como uma ameaça por parte de Teerão.

10 Jan 2020

Enviado de Trump vai a Moscovo para negociações sobre Ucrânia

O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, disse ontem que a administração de Donald Trump acordou enviar o seu representante especial para as negociações sobre a Ucrânia e que a viagem a Moscovo deverá ocorrer em breve.

Após o seu primeiro encontro ontem em Manila com o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, desde as novas sanções americanas, Lavrov surgiu com uma avaliação optimista no encontro de pontos comuns sobre a Ucrânia, a Síria e outras questões.

Lavrov disse que concordaram em manter um canal diplomático de alto nível que a Rússia suspendeu em protesto face às sanções dos EUA.

“Sentimos que os nossos homólogos americanos precisam manter o diálogo aberto”, afirmou Lavrov.

Sergey Lavrov referiu que o representante especial do Presidente Donald Trump para as negociações da Ucrânia, Kurt Volker, fará em breve a sua primeira viagem a Moscovo e que se encontrará com Vladislav Surkov, o enviado russo para a crise da Ucrânia.

Na quinta-feira o Presidente dos EUA, Donald Trump, definiu como “muito perigoso” o actual estado das relações com a Rússia e atribuiu as responsabilidades ao Congresso, que aprovou o reforço das sanções económicas contra Moscovo.

“As nossas relações com a Rússia estão no mais baixo nível histórico e muito perigoso. Podem agradecer ao Congresso,  a essas mesmas pessoas que se mostram incapazes de aprovar uma reforma da Saúde”, divulgou no Twitter.

Donald Trump promulgou na quarta-feira novas sanções adoptadas por uma esmagadora maioria de deputados norte-americanos para punir Moscovo, designadamente pela sua alegada ingerência na eleição presidencial e o seu envolvimento no conflito na Ucrânia.

Baixo nível

O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, advertiu em diversas ocasiões que as relações entre as duas potências estão “no nível mais baixo desde o final da Guerra Fria” e poderiam “ainda deteriorar-se”.

Na quarta-feira, Moscovo denunciou uma “declaração de guerra económica total contra a Rússia” após a promulgação das novas sanções, ironizando com a “fraqueza total” da administração Trump face ao seu Congresso.

Sem aguardar, a Rússia já ripostou na semana passada, ao anunciar uma redução drástica do pessoal diplomático norte-americano no seu território.

Toyota e Mazda juntam-se para investir em carros eléctricos

A Toyota e a Mazda juntaram-se para apostar na tecnologia de carros eléctricos e investir 1,6 mil milhões de dólares numa unidade nos EUA, criando quatro mil empregos, anunciaram sexta-feira as empresas nipónicos.

Os dois fabricantes automóveis decidiram avançar com uma aliança para desenvolver em conjunto tecnologia para carros elétricos e construir uma nova fábrica nos EUA, que deverá começar a laborar em 2021 com uma produção anual estimada em 300 mil veículos, refere um comunicado conjunto sexta-feira divulgado.

A nova unidade, que vai receber um investimento de 1,6 mil milhões de dólares para fabricar os novos modelos ‘crossover’ da Mazda e o Corolla da Toyota – o segundo em vendas nos EUA – destinados ao mercados norte-americano.

A Toyota tinha previsto produzir aquele modelo nas instalações que está a construir em Guanajuato, México, decisão que teve o desacordo do Presidente dos EUA, Donald Trump, conforme transmitiu nas redes sociais.

A Toyota anunciou que na fábrica de Guanajuato vai ser produzida a sua camioneta Tacoma.

Apesar da mudança, o fabricante japonês garante que “não haverá qualquer impacto substancial no plano de investimento e emprego da Toyota” na unidade mexicana.

O acordo de cooperação entre as duas empresas também inclui a aquisição por parte da Toyota de 5,05% das acções da Mazda, que por sua vez ficará com 0,25% dos títulos da sua concorrente, de modo a terem ambas uma participação equivalente do sócio, operação que vai concretizar-se em 2 de Outubro.

7 Ago 2017