Frederico Rosário prometeu cobrir perdas em criptomoedas de familiares e amigos

[dropcap]F[/dropcap]rederico Rosário, filho de Rita Santos, prometeu pagar à família e amigos mais próximos o dinheiro perdido no esquema de investimento de minerização de criptomoeda. A versão foi relatada, ontem, por Mirtilia Lameiras, prima de Rosário, em mais uma sessão do julgamento, em que o arguido e Dennis Lau, empresário de Hong Kong, são acusados da prática de 48 crimes de burla.

Segundo a testemunha, após os investidores terem deixado de receber os pagamentos prometidos foi organizada uma reunião para Frederico Rosário explicar à família e amigos mais próximos a razão dos problemas.

O encontro foi agendado, entre Junho e Julho, para casa de Mirtilia Lameiras e contou com a participação de mais de 15 pessoas.

“Ele imprimiu uns documentos e explicou-nos que tinha sido enganado, disse-nos que o Dennis Lau tinha tirado o dinheiro todo das contas”, relatou Mirtilia. “Também no início da reunião, ele comprometeu-se a pagar o dinheiro perdido. Mas, eu optei por desistir [de receber], porque o montante que tinha investido não era elevado e achei que ele devia pagar antes a outras pessoas”, acrescentou.

Mirilia foi ainda questionada sobre se o pagamento das dívidas ia ser feito com os fundos pessoais do arguido ou com o montante das empresas Genesis e Forgetech, que geriam o programa de minerização, mas não soube responder.

Segundo as contas apresentadas, a testemunha terá investido 100 mil dólares de Hong Kong e ficou sem 75 mil dólares, além de não ter recebido o retorno prometido de 20 por cento.

Apesar das perdas, Mirtilia defendeu o primo. “Não acredito que ele alguma vez me tenha tentado enganar”, contou em tribunal. “Se houve intenção de enganar alguém, foi do Dennis Lau e não do Frederico Rosário”, reiterou.

Acreditando na boa-fé do primo, Mirtilia afirmou que não queria ver Rosário responsabilizado criminalmente nem obrigado a pagar-lhe os 75 mil dólares de Hong Kong

Tudo recuperado

A sessão de ontem do julgamento foi encurtada, após as orientações do Chefe do Executivo para que os funcionários públicos ficassem em casa, de forma a evitar a propagação da covid-19.

Antes da interrupção foi ainda ouvida outra testemunha, Jocelino Santos. Este fez um investimento de 100 mil dólares de Hong Kong na minerização de criptomoeda.

No entanto, quando os pagamentos foram interrompidos, Jocelino já tinha recuperado o montante inicialmente investido, pelo que apenas foi lesado nos retornos.

A testemunha explicou ter feito o investimento em conjunto com amigos, por insistência destes, e no final afirmou que não pretendia ser ressarcida, porque não tinha perdido dinheiro.

Automobilismo | Taça Porsche Ásia regressa ao GP de Macau e traz novidades

A 68.ª edição do Grande Prémio de Macau voltará a ter no seu programa seis corridas, tendo na pretérita quarta-feira a Porsche Motorsport Ásia-Pacific confirmado que a Taça Porsche Carrera Ásia (PCCA na sigla inglesa) voltará ao Circuito da Guia em Novembro

[dropcap]P[/dropcap]ara a Taça Porsche Carrera Ásia, competição que contou com a presença do piloto do território André Couto nas duas primeiras provas deste ano, este será um evento extra campeonato. E para além das habituais três classes da PCCA – Pro, Pro-Am e Am – que usam o novo modelo 911 GT3 Cup (992), será introduzida uma categoria para a geração 991 de carros germânicos, permitindo que as duas gerações de modelos da Porsche corram juntas pela primeira vez na Ásia.

Sobre o regresso da competição regional da Porsche a Macau, Alexandre Gibot, o director da Porsche Motorsport Asia Pacific, disse que “a Taça Porsche Carrera Ásia teve uma excelente temporada em 2021 e com o novo carro 992 um grande sucesso. Correr em Macau é uma grande honra e estou muito contente por ver o campeonato regressar ao incrível Circuito da Guia. O Grande Prémio de Macau é sempre um evento fantástico e sei que este ano vai ser fantástico mais uma vez”.

Única alternativa

Se o Grande Prémio queria mesmo voltar a ter um programa de seis corridas diferentes depois do cancelamento expectável das três Taças do Mundo da FIA, a Taça Porsche era a única alternativa de valor possível. Os riscos de colocar de pé uma prova de duas rodas seriam demasiado elevados dada a inexistência de provas de motociclismo de estrada no continente asiático e não há mais nenhum outro campeonato de automobilismo no Interior na China que se diferenciasse da oferta existente no evento da RAEM.

Devido à pandemia, todos os grandes construtores cancelaram os seus troféus monomarca na Ásia em 2020 e 2021, com a excepção da Porsche que conseguiu realizar a sua competição inteiramente na China com dezanove concorrentes permanentes. Esta corrida por convite marca o regresso do troféu monomarca da Porsche e da própria marca de Estugarda a Macau. A RAEM recebeu por cinco vezes a Taça Porsche Carrera Ásia entre 2003 e 2007, para além da visita pontual em 2013 integrada no fim de semana duplo da celebração do 60º aniversário do maior evento desportivo do território.

Para além da corrida para os concorrentes da Taça Porsche Carrera Ásia, o 68.º Grande Prémio de Macau deverá ser composto ainda pelas corridas de Fórmula 4, Taça GT, Taça de Carros de Turismo, Taça GT – Corrida da Grande Baía e ainda pela Corrida da Guia que celebra cinquenta anos.

Traurig

Talvez pudesse ter avistado antes os sinais. Talvez. São estradas antigas, caminhos familiares, encruzilhadas já percorridas. Mas agora é tarde: o disco já toca, a canção de alerta que soa sempre que chego a este lugar: “This is the crisis I knew had to come / destroying the balance I kept”. Estranhamente é um mau presságio quase bem-vindo mas negro, negro. Gostaria que estas palavras que a custo aqui vou deixando não passassem de artifício, ilusão efémera para prender o leitor. Não é assim. É verdade que ninguém consegue escrever quando está muito triste ou muito contente: é preferível viver esses momentos e não entregá-los a estas convenções e regras que fazem a escrita e que, por definição, ao utilizá-la afastam-se da pureza do que se está a sentir.

Mas aqui o território é outro. Não se trata da grande dor, da grande tristeza. Apenas algo mais insidioso, ronceiro. Tem mil nomes e mil causas e ainda assim quem por aqui anda não as consegue identificar – só os sintomas. Recorro a uma carta escrita por um especialista neste mal estar, o poeta John Keats, que assim descrevia este ser ausente e presente em simultâneo: “Estou nesse estado em que se estivesse debaixo de água mal conseguiria chegar à superfície”. É isto, leitor. Reconhece? Reconhece-se?

Assim, eis-me aqui a tentar vestir de palavras este negro suave, este odor dulcíssimo de flores que definham. É um combate inútil mas uma catarse necessária. A resignação triste pode ser uma armadilha terrível ou até um pecado mortal – a acedia, uma renúncia à vida e a Deus – para quem como eu é crente.

Mas mesmo assim, que farei destas ruínas em que me encontro? Que outra coisa poderei fazer senão admirá-las, tentar descrevê-las? Um dia, espero, serão uma paisagem antiga. Agora são reais, o meu mundo. Chamemos-lhe melancolia, então. Mas não de afectação, não de bric-à-brac. O poeta, como o escritor, pode ser o tal fingidor. Com a verdade me enganas, lembra-me a minha inoportuna memória. E é a mesma memória que prontamente me aponta para três dos mais bonitos versos da língua portuguesa, escritos a propósito do amor mas que agora me assentam perfeitamente na alma: “Que dias há que na alma me tem posto / Um não sei quê, que nasce não sei onde, /Vem não sei como e dói não sei porquê”.

O que fazem, leitores, quando esta “dor mansa e vegetal” vos invade? Digam-me, digam-me: alguma vez estiveram aqui? Por onde devo ir? O que devo evitar? Aguardo, aguardo qualquer luz. Mais não poderei fazer. O título desta crónica é a palavra alemã que significa tristeza, triste. E é também uma anotação musical utilizada para indicar o sentimento do andamento ou frase onde aparece colocada. Assim estamos, assim estou: um andamento da minha vida longo, sedutor, lento, traurig.

CEO da MGM confia que racionalidade irá prevalecer na revisão da lei do jogo

O CEO da MGM Resorts International relativizou as preocupações do sector em relação às ideias do Executivo para a revisão da lei do jogo. Bill Hornbuckle não vê um “grande desafio” na reforma legal, realça a boa relação com o Governo e o papel preponderante da indústria na região

 

“Até prova em contrário, não vamos reagir exageradamente a cenários hipotéticos. Esperamos que a racionalidade impere no final, porque é a economia de Macau que está em causa”. Foi desta forma que o CEO da MGM Resorts International, Bill Hornbuckle, respondeu ao hipotético aperto regulatório que pode surgir com a revisão da lei do jogo, em entrevista ao portal Yahoo Finance.

O presidente da MGM China afastou as preocupações originadas pela divulgação do documento da consulta pública sobre a revisão da lei do jogo, que inclusivamente levou a perdas bilionárias na bolsa de valores de Hong Kong, com os prejuízos a chegarem perto dos 18 mil milhões de dólares num só dia. Aliás, ao invés de embarcar em cenários apocalípticos, o responsável mostrou-se confiante nas oportunidades de crescimento proporcionadas pela reforma legal.

Um dos pontos controversos é à constituição de delegados do Governo nas concessionárias. Segundo a explicação do secretário para a Economia e Finanças, aquando da apresentação do documento que está em consulta pública, a intenção “é aumentar as competências da fiscalização de forma directa nos casinos, para que o trabalho diário seja assegurado com maior competência e seja possível acompanhar a situação da operação e exploração por parte das concessionárias, eliminando assim todas as irregularidades que possam acontecer neste quadro”.

Neste aspecto, Bill Hornbuckle afirmou que a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos já mantem uma supervisão significativa sobre as operadoras e que pessoal do regulador marca presença constante no MGM Macau e MGM Cotai.

Questão de pragmatismo

Apesar das promessas de aperto regulatório, o presidente da MGM China está optimista de que as autoridades vão ter uma abordagem pragmática aos mecanismos de supervisão, tendo em conta que os casinos contribuem com cerca de 80 por cento das receitas dos cofres públicos. “A supervisão não é algo estranho na nossa indústria. Obviamente que a fiscalização do Governo Central implica, por vezes, algo diferente. Mas as autoridades, locais e nacionais, reconhecem o valor do sector e as receitas que as operadoras trazem à sociedade. Temos um papel muito activo na comunidade, que vai além de sermos grandes empregadores, claro. Portanto, acho que estamos numa boa posição”, afirmou.

O MGM Resorts International deu um passo significativo em direcção ao mercado japonês, com a escolha da prefeitura de Osaka para a abertura de um resort integrado a recair numa joint-venture encabeçada pela operadora. A proposta da MGM contempla 10 mil milhões de dólares para construir um resort com 2.500 quartos e instalações para conferências e exposições.

Pais de alunos transfronteiriços queixam-se do caos

[dropcap]O[/dropcap] surto de covid-19 desta semana deixou retidos em Macau mais de 1.000 alunos transfronteiriços e alguns pais. Chao foi um dos progenitores que passou a fronteira para levar o filho à escola na segunda-feira, e que foi apanhado pela retirada da isenção da quarentena para regressar a Zhuhai e por todas as restrições impostas na sequência dos novos casos de covid-19.

“Parece que o Governo está a brincar connosco”, afirmou ao jornal Ou Mun, indignado com a forma repentina e em cima da hora como o Executivo anunciou a suspensão das actividades lectivas, quando estas estavam prestes a ser retomadas.

Por sua vez, Hong, mãe de outro aluno transfronteiriço também retido em Macau, queixou-se de que o anúncio do cancelamento do regresso às aulas foi emitido apenas às 7h30, quando a maioria dos alunos transfronteiriços já tinham entrado na RAEM. A angústia de mãe agravou-se com a impossibilidade de regressar a Zhuhai para cuidar de outro filho.

O jornal Ou Mun citou ontem outra mãe nas mesmas condições, de apelido Lao, que retratou o panorama das pessoas apanhadas de surpresa com a continuidade da obrigação de quarentena à entrada em Zhuhai como uma situação caótica. A encarregada de educação contactou a polícia, sem que lhe fossem dadas as informações que havia requerido e caracterizou como precipitada a decisão de reabrir as escolas.

O director da Escola Hoi Nong Chi Tai pediu ao Executivo mais atenção para evitar que no futuro se repitam situações semelhantes. Em declarações ao jornal Cidadão, Vong Kuoc Ieng apelou às autoridades de Macau e Zhuhai para que encontrem uma solução para que os estudantes e os seus progenitores possam regressar a casa. O responsável sugeriu a possibilidade de cumprirem quarentena nas suas habitações.

As circunstâncias e o seu homem

Luís António Verney, Oeiras, sábado, 18 Setembro

De frase impressa nestas páginas nasceu conversa com a Catarina [Sobral] e o Nuno [Saraiva] no «II Encontro de Culturas: Multiculturalismo e Identidades». «Sob a Minha Desatenção, Uma Curiosa Troca de Olhares» fez-se em modo despenteado, sob grande ventania. Estes terrenos, bem o sabemos, contêm qualquer de pantanoso, qualquer passo pode contribuir para nos enterrarmos abraçando bandeiras em confuso vórtice. Não foi o caso, que, interlocutores e moderador, não desafinaremos por aí além. Ou mais ou menos, que para o Nuno o humor deve ter limites, por exemplo, no que diz respeito à fé dos outros. Enquanto isso, não creio que se possa retirar a ofensa da equação. Respiramos um ar dos tempos em que a ofensa virou veneno viral. A Catarina, das nossas autoras mais traduzidas, falou da experiência de leitura e interpretação afinal singelamente comum nas mais variadas culturas. Do outro lado do espelho deu para reflectir, se isso fosse feito a propósito da obra fragmentária e dispersa do ilustrador, na atenção com que Saraiva vem, há que tempos, descobrindo na ponta do lápis Lisboa, e os seus bairros, sobretudo Alfama ou Mouraria, que nunca sei, tornando-o grande especialista em identidades. O pretexto era, relembremos, a bela ideia lançada pelas Bibliotecas de Oeiras de interpretações desenhadas da obra de Neves e Sousa, com o Nuno a meter-se na dança dos corpos femininos e a Catarina a desenvolver pequenas narrativas, desfazendo o humano na paisagem, com cor incluída.

 

Horta Seca, Lisboa, terça, 28 Setembro

Os últimos dias, semanas até, começam e acabam sob o signo de Jean Moulin. Hoje, mal acabado terno reencontro com o Fernando [Alves] à sombra dos microfones da TSF, tive que recuar a séculos passados atravessando loja tradicional em esquina da Baixa para procurar fita que sustentasse os painéis que, do salão nobre da Casa da Imprensa, extravasaram para a rua. Um rosto, não mais que isso, mas com densidade tal que tem hipnotizado os transeuntes sempre incautos da cidade maior. Nas paragens e nas esquinas, no verso de anúncios, por exemplo, ao mais recente 007, perguntam quem terá sido este Jean Moulin que por aqui passou há oitenta anos com o desejo de resistir mais e melhor à noite que se abatia sobre a Europa. Daqui a pouco lutaremos com a corrente de ar para colocar os painéis, rígidos e frágeis, na longa montra que vocifera sobre negro: «Artista boémio, funcionário rigoroso, político eficiente, resistente determinado, herói improvável: o rosto da França».

Ontem começámos com um postal inteiro, na estação dos correios do Camões, dizendo que a mensagem escrita rasgou e continuará a rasgar fronteiras. Dissemos com a pompa dos discursos dos familiares e autoridades, da assinatura de mitos presentes, devidamente carimbado o conjunto. A Quinzena Jean Moulin, ao longe, parecerá um postal, atirado ao ar, lançado ao rio. Agora ansiamos pela chegada do catálogo que reúne, sob a batuta sempre vivaz do Jorge [Silva], as pistas e os vestígios que fomos conseguindo recolher, com a determinação bem-humorada do João [Soares], a infinita e gargalhada paciência da Manuela [Rêgo], além da atenta vigilância do «exilado» no Luxemburgo, José Manuel Saraiva, sólido construtor de histórias da História. A sala enche-se para lá do possível ou do provável para ler e comentar a figura e nisso nos comprazemos. Os primos, que responderam com extrema generosidade aos nossos inquéritos e inquietações, comovem-se. O presidente da associação de amigos de Jean Moulin, Jean-Paul Grasset diz-nos que esta era a primeira vez fora de França que alguém homenageava o resistente. E logo desta maneira. Alguém indica uma figura, talvez secundária, outro deixa-se fascinar por detalhe amoroso na vida aventurosa, aquele sublinha o documento e a sua circunstância, e mil pequenos debates daqui partem. E o rosto brilhando omnipresente. A embaixadora da França, Florence Mangin, visivelmente impressionada, pergunta-me qual seria, entre os nossos, personalidade equivalente. Rabisquei hesitante umas hipóteses, que não nos faltaram resistentes, mas nenhuma me pareceu exacta por incompleta. As circunstâncias que fizeram Jean Moulin foram únicas e essencialmente resultado da experiência francesa, entalada entre o miserável colaboracionismo e «l’attentism», o tristonho esperar de braços cruzados, entre a cobardia generalizada e uns actos soltos de quixotesca coragem. O homem comum tornou-se extraordinário no momento em que disse: não!

 

Horta Seca, Lisboa, quinta, 30 Setembro

O outro lado de Moulin, o menos conhecido até entre os seus conterrâneos, revela-se na abysmo Galeria, que não podia escolher melhor maneira de recomeçar. A atribuladíssima última exposição com as suspensas paisagens geométricas do Simão Palmeirim, acabou sendo premonitória. O trabalho que a fechava atraía-nos para uma voragem de negro. A realidade imitou-a logo a seguir. Está na hora, portanto, de recomeçar, de «Dançar sobre as ruínas». «Como não ler os detalhes de uma vida (intensa) a partir do retrato final no qual se tenta encerrar qualquer biografia? Jean Moulin (1899-1943) foi funcionário público que levou ao limite o seu dever cívico de resistência à catástrofe da guerra, à ocupação do seu país por exército estrangeiro, ao ataque directo e persistente aos seus valores. De um golpe (com vidro) passou de Prefeito a resistente e daí, na sequência do modo como soube erguer forças dispersas, a herói. A certa altura sonhou uma vida distinta, talvez entregue ao desenho, ao comentário político, tão só à arte. Escolheu então, e para ela, um «nom de guerre», ele que acabou tendo tantos nomes: Romanin, as ruínas de um castelo na sua Provença natal. Não abandonou mais o desenho livre e rápido, com que foi tomando nota de lugares e paisagens. Arrumámos o que sobrou dessa vida que poderia ter sido em duas áreas, a da relação com o texto poético, notável em «Armor» e a do desenho de costumes e de humor, afinal celebração da festa, da boémia artística. Isto com uma leveza de traço, a cor líquida e singela, a composição bem orquestrada prenhe de detalhe e movimento. Não será difícil neles encontrar o agridoce perfume da suave melancolia, talvez em resultado da duração. Nenhuma vida se gasta apenas em festa, todas as noites acabam. Mas são os olhos em cada uma das figuras que se mostram ricos em ensinamentos, quando nos olham, quando se entrecruzam, quando se perdem. Anunciariam as ruínas, a morte?»

Pensões e anuidades

O Secretário do Trabalho e Segurança Social de Hong Kong, Law Chi-kwong, anunciou recentemente que estava a ser considerada a fusão do Fundo de Previdência Obrigatório de Hong Kong com o Esquema de Anuidades. A razão principal desta vontade de fusão é a incapacidade do Fundo de Previdência para garantir protecção suficiente à população de Hong Kong na reforma.

O Fundo de Previdência entrou em vigor em Hong Kong a 1 de Dezembro de 2000. Empregadores e empregados devem contribuir com 5 por cento do valor dos salários e estes 10 por cento de contribuições são utilizados na forma de investimento. O trabalhador pode levantar o valor acumulado ao atingir a idade de 65 anos. Segundo os dados da Autoridade de Hong Kong que regula este Fundo, em Dezembro de 2020, existiam 10,32 milhões de contas, 4,54 milhões de subscritores deste plano detinham 4,36 milhões de contas contributivas e 5,92 milhões de contas pessoais, que no total excediam o valor de 110 mil milhões de dólares de Hong Kong. Em média, cada subscritor do plano tem uma conta previdência no valor de 251.000 dólares de Hong Kong; partindo do princípio que cada um deles se reforma aos 65 anos e morre aos 85, nesses 252 meses de esperança de vida, só pode gastar 996 dólares de Hong Kong por mês. Este valor é suficiente para sobreviver?

Para além do Fundo de Previdência, em Hong Kong, a protecção na reforma passa também pelo Esquema de Anuidades, activado através da Hong Kong Mortgage Corporation Limited, e implementado a 10 de Abril de 2017. Os clientes alvo são pessoas a partir dos 60 anos e o valor segurado varia entre os 50.000 e os 3 milhões de dólares de Hong Kong. Este seguro permite que as pessoas recebem uma quantia fixa mensal até ao final das suas vidas. Actualmente, uma pessoa de 60 anos que faça um seguro no valor de 1 milhão pode receber 5,100 mensais. Esse valor aumenta para os 5,800 dólares de Hong Kong depois dos 65 anos.

Em Macau a protecção social está dividida em dois níveis. O primeiro tem diferentes tipos de pensões, sendo que um deles é a pensão de reforma. Foi implementado a 1 de Janeiro de 2017. Os contribuintes descontam 900 patacas por mês. Ao cabo de trinta anos, ficam a receber 3,740 patacas mensais. O Fundo de Previdência Central Não Obrigatório é o segundo nível contributivo, e destina-se a fortalecer a protecção na reforma aos residentes. Este Fundo foi implementado a 1 de Janeiro de 2018. Os trabalhadores devem descontar 5 por cento dos seus salários entre os 18 e os 65 anos, e o empregador outros 5 por cento. Estas contribuições voluntárias são usadas como um investimento que o trabalhador pode reaver após atingir a idade de 65 anos. O método é semelhante ao  Fundo de Previdência Obrigatório de Hong Kong.

Segundo os dados dos Serviços de Estatística de Macau, relativos ao segundo trimestre de 2021, o rendimento mensal médio da população de Macau é de 15.500 patacas. Se o trabalhador começar a descontar aos 25 anos, ao fim de 20 anos de trabalho, acumulou 390.600 patacas. Após 40 anos de descontos, quando atingir a idade da reforma, terá acumulado 781.200 patacas. Se este valor será suficiente para assegurar uma reforma confortável é uma questão que pode ter várias respostas, na medida em que nem todas as pessoas têm as mesmas necessidades nem os mesmos padrões de vida. Não podemos portanto generalizar.

Sem estes Fundos de Hong Kong e de Macau, o trabalhador só pode contar com uma pensão a partir dos 65 anos e não terá mais qualquer complemento. Quem vier a depender das reformas para viver terá de pensar duas vezes antes de fazer qualquer gasto, com medo que o dinheiro não lhe chegue.

O mérito dos fundos de pensão na forma de anuidades é os reformados poderem usufruir de um rendimento extra. Este rendimento é diferente de um salário ou de juros de investimentos, porque quer um quer outro são afectados pela economia, mas a anuidade transforma-se num rendimento fixo que não sofre alterações. Este rendimento vai reduzir as preocupações financeiras dos reformados que ficam mais à vontade para efectuar gastos extra.

O maior problema que esta situação levanta é as pessoas não puderem adquirir bens de maior monta, como por exemplo uma propriedadde. No caso de haver investimentos em fundos com  anuidades, o dinheiro disponível fica bastante reduzido, e quem quiser comprar uma propriedade terá de pagar as prestações. Embora as pessoas possam receber um rendimento fixo até ao fim das suas vidas, a questão passa por quanto tempo irão viver. Esta incógnita vai alterar o valor da prestação, que será naturalmente a segunda incógnita. Se esta anuidade for usada para pagar a renda, é muito provável que não vá ao encontro do plano que a  pessoa fez para a sua reforma.

Desfrutar a reforma depende da qualidade da protecção que se recebe, e esta protecção deriva do sistema de segurança social do Governo e dos preparativos de cada um. Actualmente o Fundo de Previdência Não Obrigatório de Macau está a ser revisto e ainda não se sabe que alterações vai sofrer. Como a actual situação económica não é muito boa, se este Fundo passar a ser compulsivo, obrigando os empregados e os empregadores a contibuições extras, as opiniões vão dividir-se. Nestas circunstâncias irá o Governo ponderar, a implementação de um plano de anuidades voluntário como forma de reforçar a protecção na reforma?

Como foi dito, a protecção na reforma depende do sistema de segurança social do Governo e dos preparativos que cada um fizer para o efeito. Quanto mais cedo fizermos um plano de reforma e explorarmos as múltiplas possibilidade de virmos a usufruir de rendimentos adicionais, maior será a nossa protecção na idade da reforma. Quanto mais cedo ponderarmos os gastos que teremos com vestuário, alimentação, habitação e transportes durante a reforma, maior será a possibilidade de virmos a ter uma reforma mais descansada.

Falta de informações e ausência de aulas online preocupam pais da Escola Portuguesa de Macau

A falta de informação quanto a planos lectivos e aulas online preocuparam alguns pais de alunos da Escola Portuguesa de Macau. Após contactada pelo HM, a direcção da escola comunicou aos pais que as aulas online arrancam na sexta-feira

[dropcap]A[/dropcap]lguns encarregados de educação da Escola Portuguesa de Macau (EPM) ficaram agastados com a falta de informações e planeamento sobre o decorrer das aulas. A situação foi explicada, ao HM, por pais que pediram para não ser identificados e pelo presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Portuguesa de Macau (APEEEP), numa altura em que ainda não tinha sido comunicado que as aulas são retomadas na sexta-feira, no formato online.

Segundo foi relatado ao HM, desde que as escolas foram encerradas, e durante a Semana Dourada, estava previsto que até ontem não houvesse aulas presenciais, mesmo sem novos casos de covid-19. Os planos iniciais apontavam o dia de hoje como a data de regresso à escola.

No entanto, ontem antes das 19h a direcção da escola ainda não tinha comunicado com os pais.

Nessa altura, já tinham sido publicados os despachos do Chefe do Executivo a encerrar serviços públicos e espaços de entretenimento.

“É inconcebível que ainda não haja aulas online a decorrer e que não tenhamos informações sobre como vão decorrer as aulas a partir de amanhã [hoje]”, relatou um pai, ao HM. “É inconcebível voltarmos a estar nesta situação [depois de se ter verificado o mesmo no ano lectivo passado]. Já devia haver um plano para que quando houvesse suspensão das aulas presenciais o ensino online pudesse arrancar logo”, acrescentou.

O encarregado de educação comparou ainda a EPM com outras escolas internacionais, como a Escola das Nações, The International School e o Colégio Anglicanos de Macau, onde afirmou que as aulas online arrancaram na semana passada. “Nas outras escolas vimos que as aulas arrancaram imediatamente, como já tinha acontecido no ano lectivo passado. Só a EPM é que não adoptou logo o sistema de ensino online”, lamentou. “A EPM tem de começar a dar prioridade aos alunos, que não podem ficar prejudicados”, frisou.

Atrasos preocupam

Ao HM, também o presidente da APEEEP se mostrou preocupado com a falta de informações. “Confirmo que não está a haver aulas online e apenas alguns professores têm enviado trabalhos de casa. Não há uma rotina comum a todos os professores e efectivamente estamos preocupados”, começou por explicar Filipe Regêncio Figueiredo.

O responsável apontou que a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) deixou ao critério das escolas encontrarem uma solução para as aulas. Nessas orientações foi recomendado que as aulas só fossem retomadas após o fim do teste a toda a população, marcado para amanhã.

No entanto, o presidente da APEEEP lamentou que ontem os pais ainda não soubessem o que estava a ser planeado pela direcção. “Era bom que os planos [sobre as aulas] fossem comunicados aos encarregados de educação, para sabermos o que estão a pensar fazer”, indicou. “Até as orientações que têm sido recebidas têm vindo apenas dos directores de turma. Nem essas informações são uniformes”, destacou.

Apesar da falta de informação, Filipe Regêncio Figueiredo considerou que a situação mais preocupante é dos alunos que têm exames nacionais: “Se em Portugal não há suspensão de aulas, e os exames vão ser iguais para todos, temos um problema grave que afecta os alunos de Macau, porque há o risco de as matérias avaliadas não serem todas leccionadas”, explicou.

Informação aos pais

Confrontado com as queixas dos pais, o director da EPM, Manuel Peres Machado, considerou que a escola tem seguido as orientações Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). “As queixas não têm fundamento porque seguimos as orientações da DSEDJ”, considerou.

Ainda assim, o director da EPM prometeu que até ao final de ontem seria emitido um comunicado. “Posteriormente, sairá uma comunicação sobre esse assunto. Não vou acrescentar informação, porque quero que sejam os pais a saber primeiro”, afirmou.

Horas depois, por volta das 19h, a EPM enviou um comunicado aos pais a informar que, salvo indicações em contrário, as aulas começam online na sexta-feira, com os horários a serem facultados pelos docentes directores de turma.

Filipinas | Filho de Ferdinand Marcos candidato à presidência

Ferdinand “Bongbong” Marcos, filho do ditador filipino Ferdinand Marcos, anunciou ontem que se candidatará à presidência em 2022, 35 anos após o seu pai ter sido deposto por uma revolução popular pacífica.

“Anuncio hoje a minha intenção de concorrer à presidência das Filipinas nas eleições de Maio de 2022. Trarei essa forma de liderança unificadora ao nosso país”, anunciou Marcos num vídeo gravado na sua página do Facebook.

Marcos, que foi senador e perdeu a vice-presidência em 2016 por alguns milhares de votos, especulava há meses sobre a candidatura ao tão esperado regresso ao poder da sua família, que teve de se exilar no Havai após a deposição do seu pai em 1986.

Num discurso de três minutos em inglês e tagalo, que se centrou na devastação da pandemia da covida-19, Marcos salientou a necessidade de unidade nacional e “uma visão partilhada” para que o país saia da crise.

“Junta-te a mim na mais nobre das causas e teremos sucesso”, disse Marcos “Bongbong” diante de um grupo de apoiantes no final do vídeo, gravado em Manila.

A candidatura surge após meses de rumores na imprensa e nas redes sociais, sobre a possível escolha de Sara Duterte, a filha do actual presidente, que também está a considerar concorrer à presidência, como sua companheira de candidatura à vice-presidência.

Desafio maior

Aos 64 anos, o filho do ditador que governou as Filipinas durante mais de duas décadas enfrenta o seu maior desafio político numa eleição em que defrontará, entre outros, o doze vezes campeão mundial de boxe, Manny Pacquiao, e o actual presidente da câmara de Manila, Isko Moreno.

Segundo as últimas sondagens, os seus índices de popularidade permitem-lhe sonhar em imitar o seu pai, cuja figura permanece controversa e atrai um número crescente de nostálgicos.

Marcos fez a sua estreia política em 1980 quando, aos 23 anos de idade, se tornou vice-governador da província de Ilocos Norte, o feudo dos Marcos, onde também serviu como governador antes de se tornar senador de 2010 a 2016.

A recuperação do poder, que consideram usurpado após a revolução pacífica do povo apoiada pela Igreja Católica e algumas elites em 1986, tem sido desde então uma obsessão da dinastia, cuja matriarca, Imelda Marcos, também concorreu à presidência em 1992.

Agora, com 92 anos e reformada da política, depois de ter ocupado o seu lugar no Congresso até 2019, a chamada “Borboleta de Ferro” tem sido a defensora mais tenaz do legado do seu marido, que morreu no exílio no Havai em 1989.

O revisionismo sobre o ditador Ferdinand Marcos, que impôs uma Lei Marcial com mão de ferro em 1972 e suprimiu qualquer indício de dissidência, foi impulsionado nos últimos anos pelo actual presidente, Rodrigo Duterte, que autorizou a transferência dos seus restos mortais para o Cemitério dos Heróis em Manila, em 2016, e chamou a Bongbong um “sucessor adequado”.

Bongbong e a sua irmã Imee também sugeriram que se retirassem dos livros de história as referências aos abusos dos direitos humanos durante o governo do seu pai, um período de estabilidade e prosperidade de acordo com eles, e encorajaram os seus detratores a “virar a página”.

Espaços de diversão e serviços públicos encerrados devido a surto de covid-19

No seguimento do novo surto de covid-19, os espaços de diversão estão encerrados desde a meia-noite por tempo indeterminado. Também os SAFP anunciaram que os trabalhadores dos serviços públicos estão dispensados de comparecer ao serviço até ao final do dia de amanhã

 

 

[dropcap]O[/dropcap] Chefe do Executivo emitiu ontem um despacho a decretar, por tempo indeterminado, o encerramento de espaços de diversão. A medida está em vigor desde a meia-noite de hoje.

“A partir das 00h00 do dia 6 de Outubro de 2021, são encerrados os cinemas, teatros, parques de diversão em recintos fechados, salas de máquinas de diversão e jogos em vídeo, cibercafés, salas de jogos de bilhar e de bowling, estabelecimentos de saunas e de massagens, salões de beleza, ginásios de musculação, estabelecimentos de health club e karaoke, bares, night-clubs, discotecas, salas de dança e cabaret”, pode ler-se no despacho publicado ontem.

Por seu turno, a Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) anunciou que, até ao final do dia de amanhã, os trabalhadores dos serviços públicos estão dispensados de comparecer nos locais de trabalho.

A decisão, tomada ao abrigo de um outro despacho do Chefe do Executivo emitido na sequência do mais recente surto de covid-19 em Macau, tem como objectivo “reduzir o risco da sua propagação”, mas sublinha, contudo, que os dirigentes dos serviços públicos devem tomar medidas adequadas para “assegurar o normal funcionamento dos serviços”, dado que pela sua natureza devem estar “permanentemente à disposição da comunidade”.

Em comunicado, os SAFP reiteraram ainda que os funcionários públicos só devem sair de casa, “salvo em situação urgente”.

“A dispensa de serviço tem como objectivo reduzir o risco da propagação da epidemia, pelo que, salvo em situação urgente e necessária, os trabalhadores a quem for concedida a dispensa de serviço devem evitar sair, permanecendo em casa sempre que possível, para cumprir os seus deveres”, pode ler-se na mesma nota.

A meio-gás

Uma vez divulgadas as orientações, vários departamentos anunciaram a suspensão de serviços, como a Direcção dos Serviços de Identificação (DSI), a Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ), o Instituto de Habitação (IH), Direcção dos Serviços Correccionais, Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSET), a Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) e a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL).

Relativamente à DSI, mantêm-se todos os serviços online e os serviços de auto-atendimento de 24 horas. Deixaram de estar disponíveis pedido urgentes e a entrega dos documentos foi adiada.

Em sintonia com a evolução epidémica, também a DSAJ suspendeu desde as 13h de ontem, todos os serviços públicos (incluindo serviços de registo e notariado, de apostilha e de apoio judiciário), excepto os serviços relativos ao registo de óbitos.

O Conselho dos Magistrados Judiciais decidiu também que os tribunais das diferentes instâncias manterão “um funcionamento limitado” e julgarão apenas os processos com carácter “urgente”.

A Direcção dos Serviços Correccionais suspendeu todos os serviços externos, sendo possível requerer pedidos de visita online a reclusos.

Quanto ao IH, os serviços externos estão suspensos, mantendo-se apenas os serviços online. As candidaturas online de habitação económica mantêm-se em funcionamento.

A Direcção dos Serviços de Finanças suspendeu também a sua sede e subestações, mantendo-se em funcionamento normal, contudo, os quiosques de auto-atendimento, os serviços electrónicos e a aplicação móvel “Macau Tax”.

Quanto à DSAL, está suspensa até ao final de amanhã, a realização de todos os cursos de formação, exames, testes e acções de técnicas profissionais, incluindo os cursos de formação para obtenção do Cartão de Segurança Ocupacional na Construção Civil.

Também o Fundo de Segurança Social (FSS) suspendeu o atendimento ao público. Por seu turno, a Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos apenas prestará previsão e alerta antecipado de meteorologia.

 

 

Bancos com alguns balcões abertos

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) solicitou aos bancos e às instituições de seguros para manter algumas sucursais e agências abertas durante o período de prevenção gerado pelo último surto de covid-19 de Macau. Além de reforçar as medidas anti-epidémicas, a AMCM exige que os bancos e as seguradoras publiquem “com a maior brevidade possível” a lista das agências ou balcões que disponibilizam serviços e o respectivo horário de expediente. A AMCM aconselha ainda a população a recorrer a serviços online e multibancos sempre que possível.

 

Aulas online após testes

O chefe do departamento do Ensino Não Superior da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Wong Ka Ki, esclareceu ontem que, após a concretização do plano de testagem em massa, as aulas serão iniciadas online “gradualmente e de forma adequada”. “Sabemos que algumas escolas já o estão a fazer e a enviar trabalhos de casa online. Depois de concluída a testagem em massa vamos iniciar gradualmente e de forma adequada as aulas online”, avançou Wong Ka Ki.

 

Casinos permanecem abertos

Questionada sobre os critérios que permitem manter os casinos abertos enquanto outros espaços de diversão e os serviços públicos encerraram, a médica Leong Iek Hou apontou que tal se deve à “natureza” das actividades praticadas nos diferentes espaços e à propensão para utilizar máscaras. “[Ao contrário dos casinos], devido à natureza das actividades, muitas vezes, durante o funcionamento e operação de espaços como saunas, karaokes e salões de beleza nem sempre os clientes utilizam máscara. Isto apresenta um risco para a comunidade”, explicou a responsável. Relativamente aos serviços públicos, Hou apontou que a suspensão serve de “exemplo” para a população permanecer em casa. Foi ainda anunciado que o Casino Oceanus foi encerrado para desinfecção, por ter feito parte do itinerário de um infectado.

 

Visitas a lares suspensas

O Instituto de Acção Social (IAS) suspendeu desde ontem as visitas de familiares e amigos aos utentes de todos os lares, subsidiados e não subsidiados, que estão sob a gestão do organismo. Contudo, será possível agendar visitas online. “Os familiares com necessidades particulares podem contactar os lares a que pertencem. Se as circunstâncias e condições o permitirem, poderá ser disponibilizado vídeo visita”, informou ontem o IAS.

 

IC fecha instalações

Até ao final do dia de amanhã, todas as instalações culturais subordinadas ao Instituto Cultural (IC) encontram-se encerradas ao público e os serviços externos estão suspensos. De acordo com uma nota oficial, durante o período de encerramento o prazo de devolução dos livros das bibliotecas públicas será prolongado, enquanto os prazos de candidaturas para programas de apoio financeiro e de formação serão adiados.

 

Consulado de Portugal encerrado

O Consulado de Portugal vai estar encerrado até amanhã devido à pandemia, segundo aviso deixado ontem nas redes sociais. “Em correspondência ao apelo e às medidas tomadas pelo Governo da RAEM, tendo em conta a evolução da epidemia da pneumonia causada pelo novo tipo de coronavírus e a fim de reduzir o risco da sua propagação, o Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong encontrar-se-á encerrado entre os dias 6 e 7 de Outubro”, foi comunicado. As pessoas afectadas pelo encerramento vão ser contactadas para o reagendamento das marcações para a renovação de Bilhetes de Identidade e Passaportes, e outros assuntos”.

 

Detectada recaída com baixa carga viral

O médico Tai Wa Hou revelou que durante os testes em massa da população, foi detectada uma amostra mista com resultado positivo para a covid-19. No entanto, explicou que dada a carga viral “muito baixa” o caso foi classificado como “recaída” e a pessoa em questão não irá receber tratamento. “Segundo a nossa análise à sequência genética, existe um risco muito baixo de transmissão e na maioria dos países estes casos não são considerados. Mas, para sermos rigorosos, vamos colocar esta pessoas em observação médica”, partilhou Tai Wa Hou.

 

Pequim2022 | China testa instalações para os Jogos Olímpicos de Inverno

A quatro meses dos Jogos Olímpicos de Inverno, a decorrer em Pequim de 4 a 20 de Fevereiro de 2022, mais de 2.000 atletas e oficiais estrangeiros participarão esta semana numa série de eventos-teste, anunciou ontem a organização.

Integrado nesses vários eventos de teste a Pequim2022, o China Speed Skating Open decorrerá de sexta-feira a domingo, com a participação de atletas da Coreia do Sul e dos Países Baixos no National Speed Skating Stadium, apelidado de ‘fita branca’.

Para além do teste à pista de velocidade do National Stadium, que servirá igualmente para os atletas contactarem com esta nova estrutura, também serão realizados eventos nas modalidades de luge, bobsleigh, hóquei no gelo, esqui e snowboard.

Estas competições, que permitem aos organizadores aferir das condições das instalações e do seu correcto funcionamento, são tradicionalmente agendadas para decorrer um ano antes dos Jogos, mas a pandemia de covid-19 obrigou ao seu adiamento.

As medidas pandémicas, nomeadamente as restrições nas viagens, levaram ao cancelamento das etapas da Taça do Mundo de esqui alpino, cross-country, saltos e dos Mundiais de esqui livre e snowboard, que deveriam servir como eventos de teste.

Tal como nos Jogos Olímpicos Tóquio2020, os participantes nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim2022 serão testados ao novo coronavírus diariamente e obrigados a fornecer testes de triagem negativos ao entrar na China.

Na bolha

O Comité Olímpico Internacional (COI) anunciou na semana passada que os espectadores de fora da China não poderão assistir ao evento.

Apenas os participantes totalmente vacinados, incluindo representantes dos órgãos de comunicação social e funcionários, estarão isentos de quarentena de 21 dias e poderão entrar na ‘bolha olímpica’, da qual não poderão sair durante os Jogos.

“Neste circuito fechado, todos os participantes do evento só podem deslocar-se entre os locais de competição e participar em actividades relacionadas com o seu trabalho, competição e treino. Outras actividades não são permitidas”, disse Huang Chun, gestor do controlo de epidemias do comité organizador de Pequim2022.

A surpresa

O Partido Socialista venceu as eleições autárquicas realizadas em Portugal, mas teve uma surpresa. Uma surpresa directamente ligada a todos os jornais, revistas, televisões, empresas de sondagens, comentadores, cronistas, fazedores de opinião nos cafés, enfim, todo e qualquer cidadão que acompanhou a campanha eleitoral anunciou que em Lisboa o candidato Fernando Medina seria reeleito. Foi a grande surpresa na noite eleitoral quando se concluiu que Carlos Moedas tinha ganho por dois mil votos e que Fernando Medina tinha perdido cerca de vinte e cinco mil eleitores relativamente às eleições anteriores.

As empresas de sondagens nem quiseram acreditar, porque os números retirados dos inquéritos que realizaram nunca lhes deram Moedas próximo de Medina. Todos os cidadãos já aceitaram que a surpresa foi enorme, que estiveram errados, que confiaram nas sondagens anunciadas e já aceitaram que Fernando Medina não soube conduzir a campanha ou alguém por ele, como o primeiro-ministro António Costa apenas o prejudicou. A grande surpresa para todos até teve repercussões além-fronteiras. Já me informaram que um nojo de jornalismo que sempre foi praticado em Macau teve a rastejante veleidade de sujar o meu nome com uma citação maldosa e sem ética em jornalismo, porque eu na última crónica limitei-me a escrever o que todos fizeram. Inclusivamente tivemos um exemplo que bradou aos céus e, no entanto, nenhum outro jornal se lembrou de o criticar. Aconteceu com o semanário NOVO que tem uma linha editorial apoiante do PSD e do CDS e publicou na primeira página o possível resultado eleitoral em Lisboa, dando a Medina 46,6% e a Moedas 25,7% dos votos do povo lisboeta. Errar é humano. Sempre esteve imbuído na normalidade humana. O que nunca foi normal foram a existência de citações de jornais sem credibilidade a outros jornais cujos conteúdos lhes provocam inveja.

As eleições autárquicas tiveram um grande vencedor, o qual já começa a ser tristemente uma realidade. O vencedor foi a abstenção. O povo já não acredita nos actuais políticos, nas suas promessas. O povo está cada vez mais pobre, vive com as maiores dificuldades, os jovens não conseguem habitação nem emprego. E metade do povo resolveu ficar em casa ou ir passear para o jardim, mas longe de qualquer mesa de voto. E este facto devia levar os políticos a analisar e a modificar o comportamento político, tomando em conta que a maioria do povo não pode pagar por um almoço mais que cinco euros, incluindo a bebida e o café. Os políticos que estiveram dois mandatos no Parlamento Europeu sem fazer nada, cheios de mordomias, viagens de borla todas as semanas e que têm reformas vitalícias de 10 mil ou mais euros deviam anunciar a sua desistência. Deviam dar o exemplo a um povo pobre que ao constatar exemplos desses resolve não votar. A abstenção tem um significado infinito e não vemos ninguém nas televisões a ir ao âmago da questão e ter a coragem de indicar as verdadeiras razões, incluindo os falecimentos de milhares de pessoas que continuam a constar dos cadernos eleitorais.

Quanto aos resultados em si foi o que já se esperava com algumas pequenas surpresas. A surpresa pertenceu sempre ao confinamento de qualquer eleição. E daí, tivemos o líder do PSD a manter-se no lugar devido às suas escolhas Carlos Moedas e José Manuel Silva, este para Coimbra que foi sempre um bastião socialista. Surpresa também para o CDS, denominado o partido do táxi, e que conseguiu manter as seis câmaras que já tinha. Surpresa para a perda da maioria absoluta de Rui Moreira, no Porto. Surpresa no Bloco de Esquerda que elegeu um vereador pela primeira vez na câmara portuense. Surpresa pelo Partido Comunista não ter conseguido reaver a sua amada Almada e ter perdido o amante da Coreia do Norte, Bernardino Soares, da Câmara de Loures. Surpresa no Alentejo, onde na zona de Évora, o PSD conquistou quatro edilidades.  As surpresas foram muitas, mas o mais importante continua a situar-se no que escrevi na semana passada: a falta de tudo no interior do país, especialmente nas aldeias das montanhas. Ainda agora vi essa confirmação numa reportagem excelente na SIC onde mostra ao mundo como a miséria é grande no interior do país. A reportagem mostrou que há dezenas de idosos acamados sem apoio de ninguém, aldeias onde não vai um médico ou enfermeiro, onde os medicamentos não chegam, onde a comida é baseada nos víveres que conseguem ter no quintal, as habitações sem condições algumas de humanidade. Uma reportagem de Débora Henriques que deve ser premiada porque se tratou de jornalismo de qualidade, sério, digno e não de se preocupou em citar outros colegas por ódio e inveja. Surpresa também no resultado do neofascista do Chega que conseguiu eleger 19 vereadores. Surpresa em Faro onde os socialistas cada vez perdem mais para os sociais-democratas. Esperemos que todas estas surpresas contribuam para a redução da corrupção e do compadrio no poder local. Que a qualidade de vida das populações possa melhorar de forma vistosa. Dois pequenos exemplos. Que os autarcas se preocupem em forçar o Governo na instalação de médicos nos centros de saúde e que o autarca que tem a responsabilidade do maior lago artificial da Europa, o Alqueva, proíba nas suas águas barcos a motor e que só possam navegar embarcações a energia solar.

A partir de agora a política portuguesa vai entrar num período certamente de luta entre facções dentro dos partidos políticos para que nas próximas eleições hajam, ou não, as tais surpresas que pelos vistos só surpreenderam os infames pseudojornalistas que produzem um pasquim em Macau.

 

*Texto escrito com a antiga grafia

Pushkine e o diário secreto

Nunca perdemos este hábito de deambular pela intimidade alheia, sobretudo agora, que a moral atinge as raias da indecência contra a liberdade de cada um. Que isto de se ser indecente, acontece tanto por excesso como por escassez: não há muito tempo, ainda, o excesso devia servir de norma, hoje, porém, a variedade deve ser uma imposição numa atenta vigília para uma eventual mudança de género. Com tantas transformações do «orgão» o mundo finalmente pode dormir sossegado pois que não parirá com dor durante muito mais, sendo substituída a função por mecanismos externos de multiplicação e fecundidade. – [Aí sim, eu estarei aqui já diante a um outro plasma, que de forma poderosamente subtil, lerá então as minhas ideias num clima telepático e fará o resto daquilo que nunca vi]. E todo aquele que tiver ideias obscenas será lido em pensamento para a máquina do tempo que se encarregará de deitar no fosso cósmico a porcaria que por «pensamentos, palavras e actos» os viciosos andaram manifestando. – Falta menos para este tempo, que tempo houve para que conseguissem pôr-se de pé! Mas, escrevera ou não, Pushkine, um Diário Secreto?

Numa trama bem urdida que os limbos tecem, pensa-se finalmente que sim. Diário escatológico, amoral, vadio, radical, instintivo, que supera em tudo os desgarrados provocadores da matéria exposta, e que se pensa ter sido escrito nos dois últimos anos da sua vida: dois últimos anos de uma vida muito viva que baralhará os vivos e os mortos-vivos do hedonismo crente, aparente, do nosso prosaico tempo genital que tem o dom de enfadar muito mais do que provocar. Da negação à proscrição, da tradução à entoação, o que é certo é que ficará sendo ele o autor reverberado por formas várias e actualizado em todos os efeitos; seu pois, na matéria de facto.

Pushkine morreu num duelo bem por causa da sua vida amorosa, e é mais pela eloquente demonstração do seu carácter que nos parece ser dele, deste “alguém” e não apenas de um fazedor: este homem demonstra a falta de paciência que o ódio lhe traz, as inimizades lhes dão, bem como a compreensão face à inutilidade da vingança, e isso, claro, não passará despercebido nesta linguagem de grande fôlego pois que uma personalidade qualquer não descreveria tão bem este seu desprezo. Por demais, ele é munido de uma sensibilidade de premonição, uma componente rara, típica dos melhores, e não deixa de associar factos e números a um desfecho fatal que a sua descontracção insiste no entanto em tentar superar. Um certo desleixo com a autopreservação, tão cara aos inúteis.

Redige então em prosa com a embriaguez de um quebrador de estátuas um ditirambo lascivo que certamente estará perto do êxtase da morte, e não se crê nem maior nem menor que um outro qualquer desgraçado. No entanto, nada disto belisca o seu nome nem porá em causa a sua alma gigante de grande perdulário perante a adversidade. Conseguiu não matar! Mas nestas coisas, com homens comuns do outro lado da trincheira, é sempre, como bem sabemos, um atributo fatal. A ninguém faria certamente falta o seu oponente, mas, a falta que nos fazem os que foram mortos é até da concordância dos próprios assassinos. Um duelo por amor, ou honra masculina, seja lá o que for, parece-nos incrivelmente displicente, sobretudo num mundo onde as vivas mulheres pouco são defendidas. Os homens inventaram no entanto estas coisas para não terem de suportar a falta de talento que se esperava deles na resolução de factos simples.

Um dado severo encontrado para tão estranho assunto é a marca mortuária na raiz da própria sexualidade, e esse tema, angustiante, frenético, intempestivo, ficará como uma lembrança bela e terrível destes fins que sustentam os meios. Não vibramos todos ao mesmo nível na condição deste trilho sonoro e quando uma coisa destas nos é dada a ler, averiguamos por fim o grau de desfaçatez do lúdico estado actual em sua própria insolvência. – Maníacos somos todos nós por alguma frecha que não sara, mas contemporizamos com o desnecessário, contemplamos evacuações orgânicas como espectadores em morgues, satisfeitos, e creio mesmo, que muitos até já perderam os sentidos.

Terá Pushkine sorrido perante aquele homem louro que lhe estava anunciado? É bem provável que sim. Um ser como ele fará de tudo para não desmerecer o desdém que sente por esta coisa bizarra que se intitula humana. Vida, é coisa afinal, que jamais faltará aos imortais.

                    « Em toda a minha vida não encontrei forças para matar um homem. Em todos os meus duelos deixei que os meus

                    adversários disparassem primeiro e então ou recusava os meus tiros ou apontava para o céu.

                     A minha magnanimidade e sentido de perdão são mais doces do que matar segundo as regras.»

                              In- Diário Secreto

E com eles estaremos, com estes seres, a lutar contra o novo nazismo mundial. Que o nazismo é muito velho, formado pelo ADN ensanguentado da triste Humanidade. De facto, poucos escaparam a tão mau registo ( não falando dos ardores de alma de cada um sempre em rota de colisão com a ternura).

Hong Kong | Evergrande suspende comércio na bolsa

O gigante imobiliário da China Evergrande suspendeu ontem o comércio na bolsa de Hong Kong, sem explicar quais os motivos desta decisão. O preço das acções da empresa caiu cerca de 80 por cento desde o início do ano. Estrangulado por uma dívida de 260 mil milhões de euros, o grupo privado tem vindo a lutar há várias semanas para cumprir os pagamentos.

“A negociação das acções do Grupo Evergrande na China será interrompida”, disse a empresa à bolsa de valores. “Como resultado, o comércio de todos os produtos estruturados relacionados com a empresa será interrompido ao mesmo tempo”.

O colosso chinês permanece à beira do colapso e a sua potencial falência pode abalar o sector imobiliário chinês e mesmo a economia nacional e global.

As acções da sua subsidiária de veículos eléctricos, que na semana passada se afastaram de uma proposta de cotação em Xangai, não foram suspensas, embora tenham caído 6 por cento no início da negociação. Evergrande já começou a desinvestir alguns bens. Na semana passada, o grupo anunciou que iria vender uma participação de 1,5 mil milhões de dólares (num banco regional para angariar o capital necessário. Confrontado com o risco de agitação social se o Evergrande falhar, o Governo chinês ainda não indicou se irá intervir para ajudar ou reestruturar o gigante imobiliário.

As autoridades pediram aos Governos locais para se prepararem para o potencial colapso de Evergrande, sugerindo que é improvável um grande salvamento estatal. O grupo admitiu que enfrenta “desafios sem precedentes” e advertiu que poderá não ser capaz de cumprir os seus compromissos.

SSM | Testagem em massa é “dinâmica” e pode ser ajustada

O director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo Iek Long admitiu ontem que uma nova ronda de testagem em massa poderá sofrer ajustes, de acordo com o nível de risco. Questionado se era sustentável avançar com a testagem da população sempre que surgem novos casos, o responsável disse que é necessário avaliar a situação a cada momento.

“Há diferentes opiniões sobre isso. Existem pessoas que acham que (…) podemos fazer a testagem várias vezes, tornando a comunidade mais segura. No entanto, (…) não é por termos recursos que temos de gastar tudo, mas sim avaliar o nível de risco para implementar medidas adequadas. Tudo isso é muito dinâmico. Quanto ao teste em massa e outras medidas [como testes rápidos], tudo é implementado de acordo com o nível de risco, pelo que pode haver sempre pequenos ajustamentos”, apontou ontem Alvis Lo.

Segundo Alvis Lo, a decisão de avançar um plano de testagem em massa não depende do número de casos diagnosticados, mas da existência ou não de “casos ocultos”.

“Temos de verificar o objectivo do teste em massa, nomeadamente se haverá ou não casos ocultos na comunidade. Uma vez confirmados novos casos (…) e não podendo confirmar zero casos de infecção [tomamos a decisão]. São estes os principais padrões”.

O director dos Serviços de Saúde alertou ainda para a possibilidade de surgirem casos positivos no decorrer da nova ronda de testes.

“Há cidadãos que acham que, como já fizemos dois testes em massa e todos os resultados deram negativo, os resultados vão ser todos negativos. Mas, na verdade, podem haver resultados positivos (…) e, por isso, os cidadãos devem tomar medidas adequadas contra a covid-19”.

Covid-19 | Iniciada testagem em massa após três novos casos

Após a confirmação do 72º e do 73º caso de covid-19 em Macau, começou ontem à noite a 3ª ronda de testes à população. Alvis Lo quer que a testagem seja feita em 48 horas e apela à população para ficar em casa para diminuir o risco de contágio

Seis dias depois do fim do 2º plano de testagem massiva, começou ontem às 21h a 3ª ronda de testagem em massa da população. A medida foi tomada no seguimento da confirmação de um novo caso de covid-19 em Macau e anunciada pelo director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo Iek Long. Horas mais tarde foram confirmados dois outros casos conexos.

O primeiro caso diagnosticado ontem de manhã obrigou ao cancelamento de medidas que iam ser implementadas no mesmo dia, incluindo a possibilidade de deslocação para Zhuhai de pessoas inoculadas contra a covid-19, pelo menos uma dose, e com um teste negativo nas últimas 48 horas. As aulas, que deveriam ter recomeçado ontem, depois de canceladas após o último surto, também continuam suspensas.

“Vamos arrancar com uma nova ronda de testes em massa, para concluir em três dias, ou, se possível, em 48 horas. Vamos aperfeiçoar algumas medidas, nomeadamente reduzir o número de postos para 41 (…) porque [na última vez] houve postos com poucos atendimentos”, começou por dizer ontem Alvis Lo, na conferência de imprensa do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus.

“Mais de 40 mil pessoas fizeram ontem [domingo] o teste de ácido nucleico para poderem passar a fronteira. Mas, com o novo caso confirmado, suspendemos a medida [de isenção de quarentena] para permitir a deslocação entre Macau e Zhuhai”, acrescentou.

Ao contrário da última ronda, desta vez haverá 41 postos de testagem em vez de 52, sem isenções para quem tenha realizado o teste de ácido nucleico por sua iniciativa nas 24 horas anteriores. De forma inédita, foi também deixada a nota de que as pessoas vacinadas contra a covid-19, apenas devem ser testadas após 24 horas a contar a partir da saída do local de inoculação.

À semelhança das rondas anteriores, a população de Macau tem três dias para, após prévia marcação online, se dirigir a um dos postos de testagem espalhados pelo território. Desta feita, além de 41 postos de testagem abertos 24 horas por dia e vias especiais para pessoas com necessidades, existem três postos de testes pagos destinados a quem pretende atravessar a fronteira

O novo plano de testagem começou às 21h de ontem e termina às 21h de quinta-feira. Quem não realizar o teste até ao limite estabelecido, terá o código de saúde com cor amarela.

Percurso por traçar

O 72º caso de covid-19 em Macau é referente a um homem de 46 anos, trabalhador não residente proveniente de Zhuhai, que faz remodelações do interior de habitações.

Antes de ficar retido em Macau devido à imposição de quarentena a quem entra em Zhuhai, fazia diariamente deslocações entre Macau e o território vizinho e utilizava um motociclo para circular em Macau.

Após entrar no território no dia 26 de Setembro, o paciente, vacinado com duas doses da vacina da Sinopharm, ficou alojado no “The Emperor Hotel”, no “Hotel Sands” e no “Hotel Victoria”. O teste acusou positivo ontem, após o paciente ter testado negativo a 28 e 30 de Setembro.

Alvis Lo Iek Long apontou que está neste momento a decorrer uma investigação para determinar a origem do contágio, os contactos próximos e se existe alguma relação com o surto anterior, que resultou na confirmação de sete casos de covid-19.

Tal como tem sido habitual, foram ainda definidas áreas de controlo e confinamento, distribuídas por “zonas vermelhas” e “zonas amarelas”.

Classificadas como zonas vermelhas estão o Grand Emperor Hotel (Avenida Comercial de Macau), o Hotel Victoria (Estrada do Arco) e o edifício Kam Do Lei (Rua de Pedro Coutinho). De fora das zonas de código vermelho ficou o Hotel Sands [ver caixa].

Definidas como zonas de código amarelo estão os números 40-40A do Edifício Hang Lei e os números 42-42A e 46 situados na Rua de Pedro Coutinho e os edifícios Kai Keng (nº13), Kou Wang (nº11-11E), Lei Kuan (15-15C), San Hou (21-21A) da Avenida Horta e Costa.

Do percurso conhecido, revelou a médica Lou Iek Hou, sabe-se apenas que o paciente esteve num café na Avenida da Longevidade, que tomou várias refeições em restaurantes na Rua da Barca e na Rua Sacadura Cabral e que frequentou o casino Oceanus.

Horas mais tarde, o Centro de Coordenação confirmou um novo caso de covid-19 em Macau (caso 73). O paciente é um homem de 52 anos, colega de profissão do primeiro caso, com quem trabalhou numa obra num edifício do Iao Hon. À semelhança do colega, o caso 73 foi inoculado com as duas doses da vacina da Sinopharm.

Ao início da noite de ontem o Centro de Coordenação revelou também as zonas vermelhas e amarelas relacionadas com o caso 73. As novas zonas de código vermelho situam-se no nº50 da Rua Dois e no Edifício Son Lei na Rua Três do Bairro Iao Hon.

Das zonas amarelas fazem agora parte o nº52 da Rua Dois e os números 2, 3 e 4 da Rua Três do Bairro Iao Hon, o Edifício Son Lei situado entre os números 49 e 51 da Avenida da Longevidade e as lojas de vendedores ambulantes aí localizadas.

Quando já decorriam os testes em massa, foi anunciado o 74º caso, relativo a um homem de 40 anos, oriundo do Vietname, que terá trabalhado nas mesmas fracções dos dois casos anteriores. Após ter sido identificado como um contacto próximo do 73º caso, foi levado a fazer teste de ácido nucleico que testou positivo. O centro de contingência adiantou que este paciente foi inoculado com uma dose da vacina da Sinopharm no dia 15 de Setembro.

Recorde-se que os códigos de saúde dos moradores das zonas vermelhas passaram a ter a mesma cor e estão obrigados a fazer quarentena no local de residência ou outro indicado pelas autoridades e ainda, testes de ácido nucleico regulares. Apenas os funcionários dos Serviços de Saúde estão autorizados a entrar nestas áreas. Por seu turno, nas zonas amarelas, apenas os moradores estão autorizados a entrar, estando também sujeitos a testes de ácido nucleico no local.

Risco comunitário

Durante a conferência de imprensa, o director dos Serviços de Saúde admitiu que, desta vez o risco para a comunidade é maior e apelou à população para ficar em casa o mais possível.

“Os residentes de Macau devem ter muito cuidado e permanecer em casa. Estamos a identificar as pessoas de contacto próximo e a fazer o nosso trabalho de prevenção. Nesta fase só podemos apelar aos residentes para não saírem de casa e respeitarem as medidas de prevenção da pandemia”, frisou Alvis Lo.

Fecho de casinos em cima da mesa

Alvis Lo Iek Long referiu que a decisão de fechar casinos e outros espaços de diversão está em cima da mesa, mas depende dos resultados da testagem em massa da população. “A 3 de Agosto não fechámos os casinos e, desta vez, ainda estamos a recolher dados relacionados (…) com o novo caso. Além disso, queremos acabar a testagem em massa dentro de 48 horas. De acordo com o resultado vamos tomar a decisão de fechar ou não os casinos, bem como os estabelecimentos de diversão”, apontou. Sobre as razões para não classificar o Hotel Sands como zona vermelha, a médica Leong Iek Hou explicou que quando o paciente visitou o estabelecimento tinha testado negativo para a covid-19 e que a prioridade é “tratar dos hotéis com mais risco” e onde o homem esteve mais recentemente, ou seja, o Hotel Emperor e o Hotel Victoria.

 

Vacinação | Serviços de Saúde suspenderam programa

Após terem sido detectados mais dois casos de covid-19, os Serviços de Saúde anunciaram que os 18 postos de vacinação ficaram suspensos, para serem utilizados para testagem. O serviço só deverá ser retomado posteriormente, quando acabar a testagem em massa da população, o que deverá ocorrer a 7 de Outubro. Ao mesmo tempo, os Serviços de Consulta Externa de especialidade, cirurgia programada não-urgente e serviços de diálise peritoneal do Hospital Conde São Januário são igualmente suspensos, regressando à actividade a partir de 8 de Outubro.

 

SAFP | Suspensa exigência de certificado de teste ou vacina

Face ao programa de testes em massa, que arrancou ontem à noite, os Serviços de Administração e Função Pública suspenderam a medida que exigia a apresentação semanal de certificado de teste de ácido nucleico ou comprovativo de vacinação. “Durante o período entre 4 e 10 de Outubro, está suspensa a apresentação do certificado do resultado de ácido nucleico por parte dos trabalhadores da Administração Pública que ainda não foram vacinados aquando da comparência ao serviço”, lê-se no comunicado emitido ontem.

 

IAM | Centros de serviços Toi San e Fai Chi Kei suspensos

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) anunciou ontem a suspensão dos centros de prestação de serviços ao público do Toi San e do Fai Chi Kei, devido ao surgimento de mais dois casos de covid-19. A medida tem efeitos a partir desta manhã e, segundo o IAM, os centros “passam a estar encerrados […] até data a ser comunicada posteriormente”. Face a esta situação, o IAM pediu a “atenção e compreensão dos cidadãos” e ainda que a população se coordene com os trabalhos mais recentes do Governo.

DSEDJ | Mais de 300 alunos transfronteiriços retidos em Macau

Mais de um milhar de alunos que estudam em Macau e vivem em Zhuhai foram afectados pelo cancelamento do ajuste de medidas transfronteiriças que estava previsto para as 12h de ontem. Sem poderem regressar a casa, o Governo instalou em pousadas os alunos que não têm família em Macau. Entretanto, o reinício das aulas voltou a ser suspenso

As aulas em Macau deviam ter recomeçado ontem, retomando o vai-e-vem de alunos transfronteiriços que vivem em Zhuhai, possibilitado pelo ajuste das medidas na fronteira que estava planeado para as 12h de ontem. A medida permitiria a entrada em Zhuhai de pessoas munidas de teste de ácido nucleico negativo com 48 horas e, pelo menos, de uma dose da vacina contra a covid-19.

O anúncio das autoridades do Interior ficou sem efeito a partir do momento em que foi divulgada a descoberta do 72.º caso positivo, deixando numa posição complicada mais de 1.000 alunos transfronteiriços que entraram em Macau para o regresso à escola. Sem aulas, ou possibilidade de regressarem, os alunos foram distribuídos por casas de familiares, as pousadas da juventude de Hác-Sá e Cheoc Van e o Centro de Actividades de Seac Pai Van.

Depois da notificação das autoridades de saúde sobre o novo caso, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude anunciou a “suspensão do reinício das actividades lectivas até novo aviso e enviou, imediatamente, pessoal às escolas e a todos os postos fronteiriços para apoiar os alunos transfronteiriços”.

Pouco depois de se conhecer o caso positivo revelado ontem, circularam nas redes sociais imagens de jovens estudantes retidos nos postos fronteiriços, e foi mesmo revelado que alguns teriam ficado entre os dois territórios, ou seja, atravessaram o lado de Zhuhai e antes de entrar em Macau tentaram regressar ao Interior. Retorno que não foi autorizado, tornando a entrada na RAEM inevitável.

Depois de apelar a que não permanecessem nas proximidades dos postos fronteiriços, a DSEDJ sugeriu aos alunos que fossem para casa de familiares e, caso não tivessem qualquer domicílio em Macau, que voltassem às escolas onde estudam.

Albergues estudantis

Quanto ao acolhimento de jovens impossibilitados de regressar a Zhuhai, o vice-director da DSEDJ Kong Chi Meng garantiu ontem que Macau tem alternativas suficientes para garantir a estadia segura dos alunos. “Temos postos suficientes para estes alunos”, assegurou Kong Chi Meng, acrescentando a disponibilidade de mais de duas centenas de lugares. Além disso, pessoal da DSEDJ foi encarregado de cuidar dos alunos, nomeadamente adquirindo bens essenciais para não passarem privações.

“Os pais não precisam de ficar preocupados”, afirmou o responsável da DSEDJ, apelando ao contacto dos encarregados de educação caso os alunos tenham necessidades específicas.

Face à nova suspensão das actividades lectivas, Kong Chi Meng afastou a hipótese de arrancar com aulas online durante a fase de testagem universal. “Durante o período de teste em massa não achamos adequado iniciar o ensino online porque tantos os docentes como os funcionários escolares estão a apoiar as operações de testes”, disse. Porém, finda a testagem e caso as aulas presenciais não sejam uma realidade fiável, o responsável da DSEDJ adiantou que o ensino online pode ser uma solução. Hipótese que não entende ser viável para alunos até ao 3.º ano de escolaridade, que devem continuar a cumprir trabalhos de casa e exercícios pedagógicos, “para manter o ritmo de aprendizagem”.

Pandora Papers | Vitalino Canas recebeu procuração para abrir contas em Macau

O ex-deputado do Partido Socialista surge identificado nos documentos acedidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação. Vitalino Canas não é proprietário de qualquer empresa offshore, apenas recebeu uma procuração para abrir e operar contas em Macau

O português Vitalino Canas é o responsável pela ligação entre Macau e a mais recente investigação às empresas offshores do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, conhecida como Pandora Papers.

De acordo com o jornal Expresso, o ex-deputado português não é beneficiário de uma empresa do género, mas foi autorizado por uma offshore a abrir contas bancárias em Macau e assinar contratos para a instalação de linhas de comunicação.

A empresa em causa é a Secucom International Holding Limited, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, e a procuração foi passada ao político e a um cidadão russo a 27 de Fevereiro de 2012. O documento está assinado por Anatol Weinstein, que surge como o único administrador da Secucom International.

De acordo com o texto da procuração, a Vitalino Canas foram conferidos poderes para “abrir e operar contas em dólares, ou qualquer outra moeda, em quaisquer bancos ou outras instituições financeiras em qualquer parte do mundo, nomeadamente China, Macau e o resto da área do Pacífico, em nome da empresa”.

Além de actuar junto dos bancos, a empresa autorizou igualmente Vitalino Canas e o cidadão russo, que nunca é identificado, com a procuração a conferir poderes para que fossem assinados documentos e formulários em nome da empresa, incluindo para contratar uma linha [telefónica] à Companhia de Telecomunicações de Macau [CTM] e serviços dos Correios de Macau.

“De acordo com a lei”

Questionado sobre esta relação, o também antigo secretário de Estado disse, ao Expresso, que não tinha encontrado a procuração no seu arquivo: “O mais próximo que encontramos é uma procuração em língua estrangeira, deficientemente traduzida, não minutada por nós e que não encontramos registo de ter sido utilizada (ao que me recordo por a termos considerado tecnicamente incorreta, porventura inválida, e por nunca ter sido necessário)”, respondeu.

Segundo Vitaliano Canas, no caso de o escritório ter prestado serviços terá sido tudo declarado “de acordo com a lei portuguesa”. “Os honorários e as despesas praticadas por conta da cliente pelos advogados da VCA [Vitalino Canas e Associados] foram facturados e declarados nos termos da lei portuguesa. A possibilidade de qualquer pessoa singular ou colectiva, qualquer que seja a sua condição ou origem, recorrer a advogados, técnicos juristas ou consultores jurídicos no contexto de processo judicial, particularmente quando são a parte mais frágil, é um pilar insuprível do Estado de Direito”, foi respondido.

Escândalo de corrupção

De acordo com a informação avançada pelo Expresso, a Secucom International Holding Limited era uma empresa de produtos e sistemas de segurança. A pouca informação online aponta que a companhia ganhou um concurso de 100 milhões de dólares com o Governo de Malawi “para a venda de cartões de identidade nacional”.

Contudo, em 2012, mais de 10 anos após o contrato ter sido assinado, havia em tribunal um diferendo entre a Secucom e o Governo do Malawi. O caso é mencionado num relatório de 2004 do Banco Mundial face ao país africano como um dos “grandes casos de corrupção” no país. Segundo a acusação contra a empresa, o contrato tinha sido aparentemente inflaccionado por pagamentos de grandes comissões e não satisfazia os requisitos de aquisição e pagamento. Foi cancelado na sequência de uma decisão judicial contra um recurso interposto pela Secucom para anular uma restrição do ACB [Gabinete Anti-Corrupção] sobre a venda.

Após ter deixado o cargo de deputado, em 2019, Vitaliano Canas candidatou-se ao lugar de juiz no Tribunal Constitucional. Foi chumbado pelo Parlamento, inclusive com oposição dentro do PS, de políticos como Manuel Alegre e Ana Gomes.

Jogo | Setembro foi o segundo pior mês do ano

Apesar da subida mensal de 32 por cento, as receitas brutas dos casinos registaram, em Setembro, o segundo pior resultado do ano. Ainda assim, as 5,87 mil milhões de patacas de receitas representam uma subida anual de 165 por cento. Lei Wai Nong diz que a quebra de receitas vai gerar mudanças “óbvias” no orçamento, mas não avança previsões

 

De acordo com dados divulgados na passada sexta-feira pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), em Setembro de 2021 as receitas brutas dos casinos de Macau registaram uma subida para 5,87 mil milhões de patacas em termos mensais, ou seja mais 1,45 mil milhões relativamente a Agosto, altura em que as receitas se fixaram em 4,42 mil milhões.

Apesar da subida de 32,2 por cento, o resultado continua a reflectir o momento pouco auspicioso para o sector, adensado pelos surtos de covid-19 em Macau registados no início de Agosto e a 24 de Setembro, que levaram à imposição de medidas mais rígidas nas fronteiras e à testagem em massa da população. Isto, tendo em conta que o registo de Setembro é o segundo pior do ano.

Em relação ao período homólogo de 2020, registou-se um aumento de 165,9 por cento. O valor está, ainda assim, longe dos 22,08 mil milhões de patacas arrecadados em Setembro de 2019, antes da pandemia de covid-19, o que representa uma queda de 73,4 por cento.

Quanto à receita bruta acumulada desde o início do ano, segundo os dados da DICJ, registaram-se ganhos de 75,6 por cento, dado que o montante total gerado entre Janeiro e Setembro de 2021 foi de 67,78 mil milhões de patacas, ou seja mais 29,18 mil milhões de patacas do total acumulado ao final dos primeiros nove meses de 2020 (38,60 mil milhões).

Recorde-se ainda, que os novos casos de covid-19 foram diagnosticados nas vésperas da Semana Dourada do Dia Nacional, frustrando as ambições elevadas que o sector do jogo, e não só, tinham na vinda a Macau de turistas do Interior da China nesta altura.

O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, lembrou recentemente que a estimativa inicial dos impostos sobre as receitas dos casinos de Macau para este ano “já tinha sido conservadora”, mas que a detecção de casos em Agosto e Setembro acabou por frustrar a recuperação daquele que é o motor da economia do território.

 

Sem previsões

 

Também o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong vincou que as mudanças ao orçamento são “óbvias”, mas não avançou projecções sobre as alterações a implementar ou acerca das receitas de jogo estimadas para o mês de Outubro.

De acordo com a TDM-Rádio Macau, o secretário apontou que importa agora prestar atenção ao que acontece nos próximos meses.

“As receitas de jogo ocupam mais de 80 por cento das receitas e esta é uma indústria única de Macau. Os casos de dia 3 de Agosto e 24 de Setembro obviamente que causaram impacto à nossa sociedade e iremos analisar as nossas quebras de receitas. Portanto, iremos, mais uma vez, rever o nosso orçamento. Temos que estar atentos aos meses de Outubro e Novembro. As mudanças no orçamento vão ser óbvias e vamos ter de ir novamente à Assembleia para fazer uma revisão orçamental e só depois de obter a concordância é que se vai avançar”, disse à margem das celebrações do dia Nacional da China, na passada sexta-feira.

Para este ano, o Governo de Macau previa arrecadar em impostos sobre o jogo cerca de 130 mil milhões de patacas, o que representa, mesmo assim, metade do orçamento estimado para 2020.

Cantão faz cair promessa de Ho Iat Seng

O dia do aniversário da República Popular da China ficou marcado pelo incidente que levou a que milhares de pessoas ficassem retidas na fronteira. Na conferência de imprensa de 29 de Setembro, Ho Iat Seng tinha prometido que se não houvesse mais casos confirmados até 1 de Outubro que as pessoas poderiam regressar a Zhuhai, sem quarentena, a tempo da Semana Dourada.

Contudo, minutos antes da meia-noite da data de “abertura” das fronteiras, o Governo da RAEM emitiu um comunicado a revelar que a promessa do Chefe do Executivo não ia ser cumprida. A situação levou a uma grande concentração de pessoas nas Portas do Cerco, principalmente de trabalhadores não-residentes, que tinham a expectativa de regressar ao Interior.

A situação criou um embaraço ao Governo, e Ho Iat Seng explicou a “promessa” não cumprida com a aleatoriedade das autoridades do outro lado da fronteira. “Os dirigentes da província de Cantão respeitam as ideias dos especialistas, daí que a opinião dos especialistas é quase uma tomada de decisão. Quando falámos com o Governo Central, no ano passado, sobre as definições das zonas amarelas e das zonas vermelhas, só as pessoas destas zonas não podiam passar as fronteiras. É uma situação em que o Governo Central e a Comissão Nacional de Saúde estão sempre de acordo”, indicou. “Nós tivemos em conta todo os procedimentos, mas estas novas instruções, orientações e exigências [da Comissão de Saúde Provincial de Cantão] foram elevadas”, revelou. “Nunca comunicaram connosco a tempo de nos prepararmos [para as exigências mais elevadas]. Daí que não há margem de manobra”, desabafou.

 

Pedido de desculpas

 

Face às consequências para a vida da população, Ho Iat Seng apresentou desculpas. “Estamos a pedir novas orientações para saber o que fazer quando houver novos casos. Peço desculpa à população, mas fizemos o máximo”, destacou. “Estivemos, eu e todos os secretários, na reunião com as autoridades de Zhuhai. A reunião durou quase até às duas da manhã. Fizemos o nosso melhor, mas eles insistiram [nas quarentenas de 14 dias]”, acrescentou.

Ho Iat Seng confessou ainda sentir-se “desiludido” e lamentou o impacto para uma parte da população: “Num dia de festa, é claro que estamos à espera de que possa haver uma passagem fronteiriça. Mesmo no ano passado não tivemos essas restrições, mas agora, muitas pessoas querem ir para a China ou querem viajar, ou mesmo regressar ao domicílio. Não é só desilusão minha, mas é de toda a população”, afirmou Ho Iat Seng.

Aniversário | Ho Iat Seng promete “recuperação ordenada” do emprego

Na mensagem de aniversário da República Popular da China, Ho Iat Seng reconheceu que a situação económica não é ideal e apontou Hengqin e a Segurança Nacional como as melhores soluções para a “estabilidade e prosperidade” do território

[dropcap]O[/dropcap] Chefe do Executivo reconheceu que a pandemia está a afectar a situação económica do território e prometeu trabalhar para realizar uma “recuperação ordenada do emprego”. A mensagem foi deixada na sexta-feira, durante a Cerimónia do 72.º Aniversário da Implantação da República Popular da China, que serviu também para reiterar o cariz essencial da segurança nacional.
“A epidemia está a afectar repetida e seriamente o ritmo de recuperação da economia de Macau, tendo os diversos sectores de actividade sido profundamente afectados e a população vivido sob grande pressão no emprego e na vida quotidiana”, admitiu Ho Iat Seng, antes de terem sido reveladas as amostras de covid-19 positivas de ontem. “No entanto, continuaremos a acompanhar de perto a evolução da epidemia, a estudar e avaliar as questões económicas e outros problemas, a impulsionar activamente a revitalização económica e a recuperação ordenada do emprego e do quotidiano dos residentes”, prometeu.
Ho Iat Seng não explicou o conceito de “recuperação ordenada do emprego”, mas afirmou que a população e o Governo vão “criar, em conjunto, novas perspectivas de desenvolvimento para Macau”.
Ainda no que diz respeito ao futuro económico, o Chefe do Executivo apontou como caminho a Zona de Cooperação Aprofundada entre Cantão e Macau, na Ilha da Montanha, e sublinhou que esta é uma iniciativa “promovida pelo Presidente Xi Jinping”. Ho elogiou igualmente a cooperação entre Macau e Zhuhai e Cantão, regiões que deram “um forte apoio” à RAEM.

Mais segurança

Num discurso marcado pelos elogios aos feitos dos 72 anos de História da República Popular da China, o Chefe do Executivo frisou também a necessidade de mais segurança, numa pátria vista como o “mais forte suporte da prosperidade”.
“Os factos e a realidade demonstram que a Pátria é o mais forte suporte da prosperidade e estabilidade de Macau, é uma fonte inesgotável de força motriz do desenvolvimento de Macau. O futuro de Macau e o destino de cada um de nós estão intimamente associados ao apogeu e declínio da Pátria”, considerou.
Vincadas as virtudes nacionais, Ho Iat Seng deixou um aviso à navegação:“A RAEM defenderá sempre o ‘conceito geral da segurança nacional’, continuará a elevar a sua consciência de perigo e a reforçar, de forma abrangente, as suas acções de defesa da segurança nacional; permanecerá sempre inabalável na salvaguarda da soberania, da segurança e dos interesses do desenvolvimento do País, aperfeiçoará constantemente o regime jurídico da defesa da segurança nacional e o respectivo mecanismo de implementação e implementará firmemente o princípio fundamental ‘Macau governado por patriotas’”, determinou.
A mensagem do líder do Governo ficou ainda marcada pelo facto de a referência ao princípio fundamental “Macau Governado por Patriotas” ter surgido antes dos princípios “Um País, Dois Sistemas”, e “Macau Governado pelas suas Gentes”.
No sentido de elogiar o triunfo do “patriotismo”, Ho destacou o “sucesso” das eleições para a Assembleia Legislativa, que pela primeira vez tiveram candidatos excluídos e contaram com a maior abstenção desde 1992.

Bestiário

27/09/2021

Todos os dias há pequenos sinais da sua presença. Não é algo que se insinua mas algo que já lá está. Como o novo costume de numa tremura involutária derrubar a chávena, entornando a bica, o que me tem acontecido demasiado frequentemente; escaparem-se-me os nomes e ter dificuldade em concentrar-me, ou sentir-me prensado num silêncio sem bordos. E o pior talvez seja a sensação de uma agonia subcutânea, que de vez em quando aflora, como se houvesse um complot da carne contra a mansuetude dos dias. A covid continua a rondar-me e dois meses e meio depois de ter alta é-me mais fácil namorar sem tibiezas nem receios do que escrever cinco páginas seguidas.

Talvez por isso me tenha tocado tanto aquele poema breve de Louise Gluck: «Tal como tínhamos sido todos carne/ éramos agora névoa./ Tal como antes tínhamos sido objectos com sombras,/ éramos agora substância sem forma, como químicos destilados./ Cedo, cedo, dizia-me o tropel do coração,/ ou talvez medo, medo – era difícil de perceber.» (in Noite Virtuosa e Fiel, pág. 15)

28/09/2021

Das escassas duas horas que passei na Feira do Livro de Lisboa, uma delas em “função”, fazendo de conta que alguém queria que eu assinasse o meu livro (vá lá, tive dois leitores devotados), pareceu-me que ao contrário do que seria espectável, as pequenas e médias editoras estão quase, quase, a engolir os grandes grupos editoriais e que estes estão condenados às fugazes leis do entretenimento, reféns dos youtubers, e de sucessos feitos por medida. Mas, fora alguns grandes nomes que mantém em carteira, o que há hoje de mais vivo nas letras não lhes pertence, o que a prazo as condena, porque a espuma momentânea não faz os catálogos.

É como já não entrar sequer na Bertrand ou na FNAC, se pouco acima existe A Travessa – e nunca tal desafecto me passou pela cabeça.

Leio num caderno meu (e não sei de onde tirei isto): «quis expôr as bochechas de Louis Armstrong e Gizzy Gillespic – não se pode querer vitrificar uma paisagem e crer que ela esteja viva!», e julgo que a imagem se apropria.

29/09/2021

O meu amigo Filipe Branquinho, artista e fotógrafo moçambicano, participou numa grande exposição interacional em Basileia, a Art Basel (fechou a semana passada), e escrevi para ele um texto de que divulgo um excerto:
«(…) A forma do anjo foi a última tentativa encontrar no corpo do homem uma medida que fosse articuladamente universal. (…) S. Jorge e o Dragão mais não simboliza que o combate para conter em si, em cada um de nós, a ameaça da poliformia. O monstro é o que é incontrolável no desejo em sermos outro, em fundirmo-nos num corpo estranho, e emerge como um sintoma da patologia do infinito. (…)

O classicismo ainda tentou contrariar de novo essas energias arcanas. Mas o romantismo reforçou-as e um século mais tarde a descoberta do inconsciente, como continente psíquico, revestiu por dentro as manifestações polifórmicas que a pintura havia figurado por fora: os bestiários de seres imaginários passam a ser um espelho do homem, que desde então é Pi, a partilhar o mesmo bote que a fera.

Também a fotografia, duzentos anos depois de Joseph Niépce, parece ter esgotado a missão aristotélica com que devolvia ao real o que nele parecia escondido. O realismo mais não seguia que o príncipio da arte que Elias Canetti definiu como poucos: encontrar mais que foi perdido.

Ao depararmos com esta nova linha de trabalho de Filipe Branquinho encontramos algo que a arte já sondara mas agora num novo formato e expondo uma inquietação latente, que aviva com claridade a tensão do observador com a obra.

O que se realça neste bestiário é que “os retratos” nele não parecem “montados”, encenados. Há uma unidade orgânica – sem costuras nem descontinuidades – entre os corpos, a cabeça, e a sua gestualidade.

Não é tanto a memória de outras grafias corporais que nos instiga (e lembremos que o monstro era, por definição, a criatura que resultava da fusão anamórfica entre dois géneros diferentes de criaturas) como a suspeita de que estas figuras constituem o “novo normal”.

A rudeza, o primitivismo de carácter destas fotos, é magnificamente contrariada pela unidade biomórfica, como a que se verifica na criatura de três faces, onde é muito nítido um inconsutíl acordo de texturas.

Como prevenia Valéry: “O novo é a parte permissível das coisas. O perigo do novo é que ele cessa automaticamente de ser e que acaba em pura perda. Como a juventude e a vida” (Tel Quel, pag. 150) Permissível deve, por conseguinte, ler-se como: o que é contigente e mais facilmente se extingue.

A inquietação para que estas fotos nos alertam, em época de pandemia (e devemos considerar que nenhuma imagem é inocente, no sentido em que revela sempre uma força indicial), é que talvez o humano – o antropomórfico − seja, ao contrário do que gostaríamos, a parte “périssable” das coisas, o que o mundo tem de passageiro. Daí que noutra magnífica foto desta sequência haja um monstro que tapa a cara, num gesto de vergonha, adivinha-se, pelo que ainda haja nele de homem.

O Filipe Branquinho apresenta-nos as criaturas de um Novo Éden, aquelas que se prefiguram antes das palavras e da traição emocional com que a razão as emudece. Se não nos esquecermos que “a tranquilidade é um estado não-humano porque é uma forma de instalação no tempo em que se lhe reconhecem, sem sentimentos de perda, dano ou revolta, todos os poderes” (Manuel Maria Carrilho), então só nos resta agradecer-lhe por ter rompido com a clausura das simetrias.”

As escarpas

Existe nas casas uma certa conformidade. Aqueles dois sofás sempre ali estiveram encostados um ao outro. O espaço que ocupam foi o mesmo em muitas casas, dando a ver os seus braços metálicos recurvados sobre a ondulação suave da pele onde recebiam os corpos. Reentras na sala e observa-los agora completamente nus, sem o resfolegar das molas que é próprio dos animais sem couraça, nem cascos. São dois deuses inertes que prefiguram na tua frente o cansaço, a repetição do cansaço. Estás de pé em cima do tapete, no momento em que desvias o olhar para a varanda e, logo a seguir, para o ajardinado.
 
Sobre a relva, evitando as roseiras que caem pelas traves de madeira, vês um homem e uma mulher. Estão ao longe, mas desarmam os gestos e as palavras com relativa facilidade. Dois seres físicos que recebem centelhas de luz, moléculas que lhes sulcam os ouvidos e as extremidades dos membros. Respondem espalhando círculos de ar que se entranham na paisagem, geometrias flutuantes que sobem lá de baixo até à varanda onde já te encostaste, de costas para os dois sofás. Ela relembra a roupa demasiadamente branca da cama naquele verão. Ele diz que há sentimentos que não são captados pela acção da consciência. Como que provêm de uma atmosfera longínqua e, de um momento para o outro, habitam-nos sem pedir qualquer licença.
 
Ficas combalido ao olhar para os teus dois sofás. O que eles sabem excede-te. Muitas gerações e talvez provações. E, no entanto, silenciam tudo na sua forma cristalina, igual a si mesma. Os objectos percorrem a alma do mundo e atam-se aos factos em bruto que são parte íntima do tempo irreversível. Lembras-te do dia de Setembro em que foi pela primeira vez. O tapete é azul, um azul vulcânico saído do mar. Uma frase arrastada pela lava nocturna que acende nos teus olhos a impaciência de não esquecer. Voltas a encarar o homem e a mulher. Eles sabem que não é o desejo que os explica, talvez a tristeza, talvez a grande música.
 
As roseiras que pendem sobre o cenário são também elas secretas como o rumor que vem do fundo da voz dela. Avisa que o amor é apenas uma palavra, uma palavra que não tem parte de trás. Ele discorda e imita as asas de um avião sem mexer uma única parte do seu corpo. Fica imóvel, mas a voar. Ela adoraria penetrar nessa turbulência, embora o faça sem dar por isso. Quando sorriem revêem a sonoridade dos sinos da igreja que agita esta área ascendente da cidade. Nessa altura dão as mãos, ainda que se toquem apenas no olhar para que aquilo que se esconde possa aparecer. Tudo é qualquer coisa antes de uma palavra. Apesar de o pronome indefinido não ser rigorosamente sinónimo de amor. 
 
Os objectos da casa interrompem o dia-a-dia. Não é o caso apenas do tapete e dos sofás. São as mesas, as cristaleiras, os candeeiros, os armários, a ventoinha, os espelhos, as fotografias, as estantes e os livros. Sim, os livros. Todo o recheio entre paredes parece conspirar contra ti nessa manhã de início de Outono. Continuas de pé sem saber se já é hora para sair de casa. O relógio é um daqueles livros fechados, impenetrável. Um bálsamo secreto. Nada na vida é imune a interrupções, sabe-lo bem. No famoso Banquete de Platão, entre as intervenções de Pausânias e do médico Erixímaco, Aristófanes tem um ataque soluços e interrompe toda a discussão sobre o Eros que estava em curso. A sua intervenção – que colocará no debate a espécie dos andróginos – é adiada. Por que motivo terá Platão interrompido a narrativa com o registo de um simples ataque de soluços? Ninguém sabe.
 
Lá fora, o recheio é construído por canteiros geométricos, uma fonte minúscula, vestígios de um parque infantil. E rosas, muitas rosas que interrompem toda a superfície do dia. Ele ama-a no fundo dos seus rios mais duradouros. Ama-a desesperadamente, tal como ela o ama. Continuam a perguntar por aquele verão de que ela relembrara a roupa demasiadamente branca. Uma única flor é qualquer coisa antes de todas as palavras. Apenas tu os observas como quem admira duas ilhas geladas muito ao longe, no meio da densidade negra do oceano. A esperança vive nas camadas mais finas daquelas escarpas.

Mais de 700 residentes não participaram na testagem em massa

Um total de 746 residentes continua sem realizar o teste à covid-19 no âmbito da medida de testagem em massa após a ocorrência de novos casos no território. Número reduzido face às 10.190 pessoas, na maioria turistas e trabalhadores não residentes (TNR), que também não foram testadas.

“Muitos dos TNR e turistas já saíram de Macau”, disse a médica Leong Iek Hou, coordenadora do Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus. “Uma pequena parte continua a recusar fazer o teste e estamos a acompanhar estes casos. Daremos um prazo de tolerância, mas se até às 21h horas de amanhã [hoje] não realizarem o teste a polícia irá a casa exigi-lo. Caso contrário, terão de fazer uma quarentena de 14 dias”, apontou a responsável.

Relativamente à transferência das mais de 150 pessoas em quarentena nos hotéis onde foram registadas as infecções, 132 foram para o hotel Sheraton, enquanto que os restantes irão para o hotel Treasure. Será ainda feita uma desinfecção geral ao hotel China Golden Crown.

“Até agora a transmissão é apenas entre os agentes de segurança, não há um meio de transmissão com as pessoas que estão no hotel. Apenas queremos transferi-los para satisfazer as suas necessidades psicológicas”, foi referido.

Entretanto, cerca de 600 pessoas, na maioria TNR do Interior da China, estão no centro de acolhimento da Ilha Verde por estarem retidas no território.

Faltas justificadas

Relativamente a quem tem de realizar quarentena em hotéis devido a contacto próximo com os novos casos de infecção, Leong Iek Hou garantiu que a lei os protege de eventuais despedimentos.

“Os Serviços de Saúde vão emitir um certificado para estas pessoas que estão em quarentena. As empresas privadas podem ter regras diferentes, mas segundo a lei [Lei de prevenção, controlo e tratamento de doenças transmissíveis], não podem despedir as pessoas por causa da quarentena.”

Ontem foram também revelados dados sobre o caso de infecção número 71, relativo a um homem de 38 anos, oriundo de Zhongshan. O indivíduo, que não reside em Macau e foi vacinado, partilhou balneário com os seguranças do hotel Golden Crown e efectuou o mesmo trajecto dos casos 65 e 66. O Centro de Coordenação partilhou as suas informações com as autoridades de Zhongshan.

“O risco de transmissão é baixo porque no dia 24 [o homem] fez um teste negativo, mas estava em isolamento, e só no dia 28 teve resultado positivo.”

Sobre o facto de os seguranças terem partilhado o mesmo balneário, foram dadas explicações adicionais. “Estes dois hotéis trabalham com a mesma empresa de segurança, mas nesse vestiário quem tinha tarefas de alto risco frequentou um espaço, e quem tinha tarefas com menos riscos ia para outros espaços. Vamos rever se estas medidas são boas ou más, dependendo dos recursos disponibilizados por cada hotel”, explicou Leong Iek Hou.

Testes | Resultados da segunda ronda são todos negativos

Os resultados das amostras recolhidas por durante o segundo plano de testagem em massa da população deram todos negativo. De acordo com o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus entre as 15h de 24 de Setembro e as 15h horas de 25 de Setembro foram recolhidas, no total, 689.766 amostras, das quais 44.536 dizem respeito a testes de ácido nucleico pagos.

“O Centro de Coordenação (…) manifesta agradecimento pela cooperação e apoio dos residentes de Macau. Agradece ainda em particular aos 2.500 participantes dos vários serviços públicos e profissionais de saúde de instituições médicas, 100 voluntários no âmbito de medicina, bem como aproximadamente 2.000 pessoas das escolas e jovens voluntários”, pode ler-se em comunicado.