Turismo | Número de visitantes a subir e CCTV elogia Macau

Um “ponto iluminado”. É desta forma que um dos principais órgãos estatais chineses elogiou a RAEM e as medidas de controlo da pandemia

 

A RAEM é um “ponto iluminado” para o turismo, devido à segurança e às medidas aplicadas para controlar a pandemia. Os elogios partiram de um artigo publicado na segunda-feira no canal estatal CCTV, citado pela Reuters, sobre o mercado do turismo do Interior este ano.

A região de Macau é assim destacada no que diz respeito às previsões sobre o crescimento do turismo por parte dos cidadãos do Interior. De acordo com as estimativas oficiais, apresentadas pela CCTV, até ao final do ano o mercado do turismo do Interior deverá ser de 25,62 milhões de viajantes, o que representa um aumento de 25 por cento face a 2020, quando o número registado foi de 20,34 milhões de viajantes.

No entanto, grande parte dos turistas não viajaram para Macau. De acordo com as estatísticas oficiais, entre Janeiro e Setembro, a RAEM foi visitada por 5,24 milhões de pessoas do Interior.

O número de 25,62 milhões de viajantes está muito longe dos níveis pré-pandemia, quando o mercado do turismo do Interior representava um valor superior a 100 milhões de turistas e 255 mil milhões de dólares norte-americanos em despesas nos lugares visitados.

Macau tem sido um dos destinos mais afectados com a queda do turismo do Interior. No ano de 2019, o último antes da pandemia, a RAEM tinha recebido 27,93 milhões de turistas do Interior. Em 2020, os visitantes foram “apenas” 4,75 milhões.

E o futuro?

As estatísticas oficiais não apresentam estimativas para o mercado do turismo no próximo ano. No entanto, a mensagem transmitida é que as viagens podem ser facilitadas, dependendo das medidas de controlo da pandemia adoptadas pelos diferentes destinos.

Segundo a CCTV, citada pela Reuters, o ritmo da recuperação em 2022 vai “depender de como cada destino lidar com a pandemia”. Com as medidas restritivas de circulação em Macau e o encerramento ao exterior, tal poderá indicar que o mercado vai continuar a crescer.

Macau é uma das poucas jurisdições com uma bolha de viagem com o Interior, que dispensa o cumprimento de medidas de quarentena. Estas só são implementadas quando são detectados casos em regiões específicas ou na própria RAEM.

O Governo já mostrou vontade de recuperar entradas ao nível das visitas de excursionistas, suspensas desde o início da pandemia. Esta retoma seria um reforço para o turismo local.

Contudo, Ho Iat Seng já indicou que a taxa de vacinação entre a população vai ter de subir para 80 por cento. Por outro lado, o esforço pode implicar que a RAEM vai continuar a exigir quarentenas elevadas a destinos considerados de risco elevado, como é classificado todo o mundo, à excepção do Interior, Hong Kong e Taiwan.

24 Nov 2021

Vacinas | Recuperação do turismo só a partir dos 80%, diz Ho Iat Seng

O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng espera que a taxa de vacinação contra a covid-19 atinja os 80 por cento “o mais cedo possível”, de forma a criar condições de negociação com outras regiões e “revitalizar o sector do turismo”.

Durante um encontro com Pan Jiawei, o presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês da cidade de Hangzhou para trocar impressões sobre cooperação cultural e turística, o Chefe do Executivo salientou esperar que Macau, enquanto destino “saudável e seguro”, possa “atrair mais turistas do Interior da China”.

“Impressionado com sucesso de Hangzhou”, Ho Iat Seng enalteceu o desenvolvimento da economia digital, cidade inteligente e governo digital da região e vincou que a zona de cooperação entre Macau e Guangdong em Hengqin vai contribuir para diversificar a economia local e desenvolver o projecto da Grande Baía.

Por seu turno, Pan Jiawei disse acreditar que as duas partes possam “reforçar o intercâmbio”, em tópicos como a construção da cidade inteligente, trocas comerciais e de pessoas e no sector do turismo. O responsável partilhou ainda com Ho Iat Seng informações sobre o fórum de desenvolvimento Hangzhou-Hong Kong-Macau, evento realizado desde 2018.

5 Nov 2021

Turismo | Registado aumento de visitantes entre os dias 20 e 28

Macau registou um aumento do número de visitantes nos últimos dias. Segundo dados da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), entre os dias 20 e 28 entraram, em média, 25 mil pessoas por dia no território, sendo que o dia 26 registou o número mais elevado de visitantes diários, com mais de 28 mil pessoas.

A DST explica que, “com a estabilidade da pandemia e o efeito gradual das promoções” ao turismo de Macau realizadas na China, “o número de entradas de visitantes voltou a subir nos últimos dias”. Além dos eventos habituais que decorrem em Macau até Dezembro, tal como o Grande Prémio de Macau e o Festival de Gastronomia de Macau, a DST também deposita esperanças no evento “Semanas de Macau” para que este atraia mais turistas.

31 Out 2021

Turismo | Número de visitantes cai quase para metade em Agosto

Devido ao surgimento do novo surto de covid-19 em Macau e consequente aumento de restrições, o número de visitantes no território em Agosto caiu 48,2 por cento em relação ao mês anterior. Ainda assim, em termos anuais, o número de visitantes cresceu 80,2 por cento

 

Comparativamente a Julho, o número de visitantes que entraram em Macau caiu quase para metade em Agosto, devido às restrições motivadas pela pandemia de covid-19, informou na terça-feira a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Concretizando, a contar com o novo surto de covid-19 registado em Macau no dia 3 de Agosto, o território recebeu 409.207 visitantes no mês passado, contra os 789.407 de Julho, uma descida de 48,2 por cento.

As autoridades justificaram a queda com o “reforço da inspecção exigida” nas fronteiras “na sequência dos casos confirmados locais” de covid-19, no início do mês passado.

Recorde-se que os quatro novos casos detectados na sequência de uma estudante de Macau ter contraído a doença numa visita de estudo da Escola Hou Kong a Xi’an, resultaram na declaração do estado de prevenção imediata em Macau, na redução do prazo exigido dos testes de ácido nucleico para 12 horas ao cruzar a fronteira e no encerramento de espaços de diversão.

Segundo a DSEC, do total de 409.207 visitantes, a esmagadora maioria chegou do Interior da China (369.467). O número de visitantes oriundos das nove cidades da Grande Baía totalizou 226.453, dos quais 65 por cento eram originários de Zhuhai. Os números de visitantes de Hong Kong e de Taiwan corresponderam a 36.207 e 3.453, respectivamente.

Quanto à via de entrada em Macau, 83,2 por cento entrou pelas Portas do Cerco. Por via aérea e por via marítima, chegaram 13.622 e 2.529 visitantes, respectivamente.

Desde o início do ano, Macau registou pouco mais de cinco milhões de visitantes, quando em média entravam no território, cerca de três milhões por mês, no período pré-pandémico.

O cenário parece estar, contudo, a melhorar, dado que, aliado ao progressivo relaxamento das restrições, devido às festividades alusivas ao Bolo Lunar (Chong Chao), o CPSP anunciou que na terça-feira entraram em Macau mais de 49 mil visitantes. Há ainda expectativas elevadas para que os números atinjam novos patamares durante os feriados da semana dourada.

Subida anual

Apesar de o contexto não ser animador em termos mensais, num espectro mais alargado, o número de visitantes que vieram a Macau em Agosto de 2021 representa um aumento de 80,2 por cento relativamente a Agosto de 2020.
Do total de visitantes de Agosto, o número de excursionistas (257.966) e turistas (151.241) cresceram, respectivamente, 64,9 por cento e 114,1 por cento.

O período médio de permanência dos visitantes também cresceu, tendo-se situado em 1,6 dias, mais 0,7 dias, em termos anuais.

23 Set 2021

Turismo | Excursões locais dependem do aval dos Serviços de Saúde

O plano de excursões locais só será reactivado após a autorização dos Serviços de Saúde. Segundo Helena de Senna Fernandes o regresso do programa incluirá actividades diárias. A responsável estima que Macau receberá entre 20 a 30 mil visitantes diários durante a Semana Dourada

 

A directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes revelou na passada sexta-feira que a retoma do plano de excursões locais “Passeios, Gastronomia e estadia para Residentes de Macau” está dependente da autorização dos Serviços de Saúde (SSM).

À TDM-Canal Macau, a responsável afirmou também que, assim que a retoma do plano for aprovada pelas autoridades de saúde, as excursões locais serão reactivadas numa base diária, para que seja possível colmatar os prejuízos que resultaram do novo surto de covid-19 registado no início de Agosto em Macau.

Além disso, lembrou Senna Fernandes, nem todos os residentes de Macau estão ocupados durante a semana e essa é uma situação que pode ser aproveitada. “Sabemos que nem todos os residentes de Macau trabalham ou estudam.

Por isso, podem participar, durante os dias úteis, nos roteiros. Alguns, por exemplo, poderão mesmo participar nos populares cruzeiros de barco, depois do trabalho. Esta modalidade pode conferir mais margem ao sector do turismo, para apoiar os negócios. Vamos contactar todos os participantes e inquirir sobre a possibilidade de cancelar a respectiva vaga ou escolher outra”, apontou.

Segundo a TDM-Canal Macau, o interregno do programa de excursões locais durante um mês, terá afectado cerca de 10.000 participantes.

Garimpeiros a postos

Questionada sobre as previsões de entrada de turistas em Macau durante a Semana Dourada de Outubro, Maria Helena de Senna Fernandes apontou que são esperados entre 20 e 30 mil visitantes por dia.
A pensar nos feriados de Outubro e para atrair mais visitantes, a responsável avançou que, no imediato, a prioridade passa por restabelecer a confiança dos turistas do Interior da China.

“Desde o dia 18 de Agosto, depois de Macau aliviar gradualmente as restrições implementadas por causa da pandemia, temos trabalhado no sentido de consolidar a confiança dos turistas do Continente no turismo de Macau e de estabelecer uma imagem de turismo saudável e seguro, a pensar na semana de 1 de Outubro. Esperamos que durante a Semana Dourada possamos voltar a ter visitantes entre os 20 mil e os 30 mil ou até mais de 30 mil, nalguns dias. Para o sector do turismo vai ser uma grande ajuda”, sublinhou Helena de Senna Fernandes.

Recorde-se que, depois do novo surto de covid-19 em Macau, o número de turistas caiu 47 por cento e a ocupação hoteleira caiu de 63 para 35 por cento, em relação a Julho.

6 Set 2021

Da discrição

Visitei o Brasil em 2014. Enfim, visitei o Brasil é manifestamente exagerado; estive lá quinze dias e vi um pouco do Rio de Janeiro e um pouco de São Paulo. O Brasil é um continente, é uma escala a que não estamos de todo habituados – resta saber se é possível uma pessoa habituar-se a uma experiência de território como o Brasil, a China ou a Rússia.

Como todos os portugueses que visitam o Brasil pela primeira vez, eu ia carregadinho de preconceitos e de medo. A América do Sul é geralmente bastante mais violenta do que Portugal. Uma pessoa que veja um par de documentários sobre o Rio de Janeiro fica imediatamente em alerta. Os meus amigos brasileiros, em chegando a Lisboa, levavam umas boas três semanas a perder os hábitos de segurança do Rio. Queria muito conhecer «a cidade maravilhosa», mas ia cheio de miúfa.

Levei roupa velha, discreta. Uns calções horríveis que nunca uso a não ser nas poucas vezes que vou à praia. Umas t-shirts rotas para as quais ninguém olharia duas vezes. Umas sapatilhas de boca aberta para calçar à noite e umas havaianas para usar de dia. Nota: eu odeio chinelos e calções de qualquer espécie. Custa-me disfarçar o desprezo e o asco que sinto quando os meus amigos aparecerem nesses preparos. Um homem não usa chinelos e/ou calções. É indigno.

Passadas poucas horas de estarmos no Rio, as minhas havaianas deram de si. Foram provavelmente vítimas da secura acumulada no bas-fond do meu roupeiro e da minha inépcia a andar com elas. Tinha de comprar outras; a ideia que me tinha sido veiculada pelos meus amigos brasileiros era a de passar o mais incógnito possível; nunca parecer um gringo endinheirado. Blend in. E isso implicava usar uma t-shirt discreta, uns calções de banho e umas havaianas.

Muito a contragosto, fui a uma daquelas lojas gigantes de havaianas. Era tão grande e tinha tantos chinelos à mostra que mais parecia um museu ou o guarda-fato do Quaresma. Era daqueles sítios onde não me apetecia passar mais de dois minutos, mas que, por ter as paredes repletas de coisas, dificultava tanto a escolha que acabei por me decidir por um par de chinelos relativamente brancos e sóbrios apenas meia hora depois de lá ter entrado. Felizmente o sítio tinha ar condicionado. Era fevereiro no Rio e estava muito calor.

As havaianas são umas coisas horríveis de se enfiar no pé. Além de grotescamente feias, são desconfortáveis, sobretudo para quem ainda não ganhou um calo interdigital que amorteça as agressões daquele plástico cheio de fome de carne humana. Turistar longas distâncias com aquilo é uma provação a que só um idiota se submete. De cada vez que parava para me sentar num banquinho via a cara dos meus amigos brasileiros, muito compadecidos, a repetirem como num coro grego o quão necessário era aquele sofrimento por este afastar outros, esses sim muito mais fundos e prolongados.

Chegada a noite, nem tive coragem de trocar de calçado. Embora nunca o fosse admitir, estava demasiado calor para usar sapatos fechados. Além disso, aqueles chinelos eram bastante mais discretos que os meus ténis Adidas amarelos. Ou assim pensava eu.

Quando o sol se pôs dei por mim a ser mais mirado na rua do que era previsto. As crianças apontavam para mim, falavam com o adulto que as levava pela mão e riam-se. Os adultos por sua vez, miravam-me e abanavam a cabeça em jeito de desaprovação. As havaianas baratas e «discretas» que tinha adquirido umas horas antes tinham um revestimento de tinta fluorescente que, de dia, as tornava bastante sóbrias, de facto, mas que, de noite, as fazia brilhar num tom amarelo-esverdeado visível a uma distância considerável.

Eu pensava que ninguém lhes pegava na loja por serem brancas e relativamente inócuas. Afinal a razão era outra. Mas, como o corno, o turista é sempre o último a saber.

31 Ago 2021

Turismo | Retoma deve chegar em Outubro com Semana Dourada

Depois de um Agosto arruinado pelas restrições que resultaram da descoberta de casos locais de covid-19, Helena de Senna Fernandes aponta Outubro como o mês da retoma do turismo, em particular com a Semana Dourada. A responsável acha que o programa de excursões locais pode voltar em Setembro

 

A descoberta de quatro casos locais de covid-19 no início do mês levaram a um pesado retrocesso na retoma da economia de Macau, em particular no sector turístico. Casinos e hotéis voltaram a ficar vazios, assim como os locais que tradicionalmente recebiam mais turistas. Durante o mês de Agosto, Macau recebeu em média 16 mil visitantes por dia, número que corresponde a menos 10 mil turistas, face aos números de Julho.

A directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, espera melhoras expressivas a partir de Outubro. “A Semana Dourada é muito importante para o sector. Toda a gente está na expectativa de alcançar melhores resultados nessa altura”, afirmou a responsável, ressalvando para a hipótese de a pandemia voltar a impor restrições. Para esta altura, os Serviços de Turismo têm esperança que o número de entradas diárias volte a exceder 25 mil.

Em declarações à TDM, a responsável anunciou que o programa de excursões locais pode regressar no próximo mês, apesar de ainda não haver uma data e de a medida depender dos Serviços de Saúde. “Depois de Setembro, se for possível, as excursões vão poder ser retomadas em horário pós-laboral, de segunda à sexta-feira”, afirmou Helena de Senna Fernandes, citada pelo Canal Macau da TDM.

A responsável apontou que os passeios de barco, que “são realizados quase sempre ao final da tarde”, foram uma das actividades que registou maior adesão,

Luzes aladas

Além dos muitos eventos culturais cancelados pelo Instituto Cultural, Helena de Senna Fernandes confirmou que o concurso internacional de fogo de artifício não se vai realizar este ano, porque continuam os condicionamentos à entrada de estrangeiros no território. Porém, a responsável adiantou que possibilidade de ser organizado um espectáculo com drones.

“Trata-se de uma coisa nova, algo que tem de ser planeada. Como toda a gente sabe, além da área técnica, também há o factor meteorológico. As autoridades de saúde têm normas para as actividades de grupo, e esperam menos eventos da nossa parte. Estamos a ver se é possível avançar (com o espectáculo de drones)”, afirmou Senna Fernandes.

23 Ago 2021

Turismo | Número de visitantes sobe 49,9% em Julho

Macau recebeu 789.407 visitantes em Julho, mais 49,4 por cento relativamente ao mês anterior e mais 966,7 por cento em termos anuais. O número de turistas (412.735) e de excursionistas (376.672) subiram “1.634,5 e 650,2 por cento, respectivamente”, comparativamente ao mesmo mês de 2020, de acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC).

O período médio de permanência dos visitantes situou-se em 1,8 dias, ou mais 0,5 dias, em termos anuais, devido à proporção dos turistas (52,3 por cento do total) ter crescido 20,1 pontos percentuais, referiu.

O número de visitantes da China fixou-se em 724.342, aumentando 989,4 por cento, em termos anuais, 293.927 dos quais com visto individual. Das nove cidades do delta do rio das Pérolas entraram ao território 426.991 visitantes, dos quais 49,8 por cento da cidade vizinha de Zhuhai. De Hong Kong, chegaram 59.135 visitantes e de Taiwan 5.800.

Entre Janeiro e Julho, Macau recebeu 4.717.236 visitantes, mais 41,4 por cento do que no período homólogo de 2020, com o número de turistas (2.471.392) e de excursionistas (2.245.844) a registar um aumento de 57,5 e 26,6 por cento, respectivamente. O período médio de permanência dos visitantes foi de 1,6 dias, mais 0,2 dias, em termos anuais, acrescentou a DSEC.

20 Ago 2021

Turismo | Retorno da média diária de 30 mil visitantes

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) anunciou ontem que Macau voltou a receber uma média diária de 30 mil visitantes, algo que não acontecia desde desde 28 de Maio. Nos dias 16 e 17 de Julho (sexta-feira e sábado) entraram em Macau mais 33 mil e 32 mil visitantes, respectivamente.

O Governo refere também que nos primeiros cinco meses do ano, o número de visitantes seguiu uma tendência de subida, fenómeno que se verificou igualmente na taxa de ocupação hoteleira, com particular destaque para a primeira metade do mês corrente. Entre 1 e 15 de Julho, a taxa de ocupação hoteleira atingiu 52,1 por cento, o que representou uma subida de 8,4 por cento em relação a Junho.

Para esta estatística, a DST realça o contributo das excursões locais “Passeios, gastronomia e estadia para residentes de Macau”, que representou cerca de 38 mil hóspedes em hotéis. “O número de residentes que participam nas excursões durante as férias de Verão continua a subir, o que permite apoiar a recuperação da indústria turística e da economia local”, refere a DST.

22 Jul 2021

Turismo | Macau perde 39% dos visitantes em Junho

Macau recebeu 528.519 visitantes em Junho, menos 39% relativamente a Maio, e mais 2.243,1% em termos anuais, anunciaram hoje as autoridades.

A diminuição do número de visitantes relativamente ao mês de Maio deveu-se ao reforço das medidas de prevenção da pandemia de covid-19, no início de Junho, na província chinesa de Guangdong e no território, de acordo com um comunicado da Direção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC).

No mês passado, chegaram a Macau 313.441 excursionistas e 215.078 turistas, o que representa uma descida de 20,1% e 54,6%, respectivamente, em termos mensais. O período médio de permanência dos visitantes situou-se em 1,2 dias, menos 0,2 dias, em termos anuais, indicou a DSEC.

O número de visitantes do interior da China fixou-se em 471.935, uma subida de 2.140,2%, em termos anuais. Das nove cidades do Delta do Rio das Pérolas da Grande Baía entraram no território 246.673 visitantes, dos quais 70% eram oriundos da cidade vizinha de Zhuhai. De Hong Kong chegaram 52.296 visitantes e de Taiwan 4.213, acrescentou.

No primeiro semestre deste ano chegaram a Macau 3.927.829 visitantes, mais 20,2%, em comparação com o semestre homólogo do ano anterior, tendo os números de turistas (2.058.657) e de excursionistas (1.869.172) aumentado 33,2% e 8,5%, respetivamente.

20 Jul 2021

Turismo | Índice de preços caiu 4% no segundo trimestre

O Índice de Preços Turísticos desceu 3,91 por cento no segundo trimestre de 2021, de acordo com dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Os resultados ficam-se a dever principalmente à descida de preços dos quartos de hotéis e dos bilhetes de avião, ainda assim equilibrados pelo aumento na restauração e vestuário.

Porém, comparado com os primeiros três meses do ano, o Índice de Preços Turísticos cresceu 0,99 por cento no segundo trimestre de 2021.

Olhando com mais detalhe, a DSEC indica que no segundo trimestre os preços de alojamento lideraram a tendência descendente, registando quebras de 30,23 por cento, em comparação com igual período de 2020. Nos transportes e comunicações as quebras foram de 9,96 por cento.

No sentido inverso, o comércio de vestuário e calçado registaram aumento de preços de 5,61 por cento no período em análise, enquanto no sector da restauração os preços subiram 4,44 por cento.

Em termos trimestrais, os preços das secções vestuário e calçado, bem como produtos alimentares, bebidas alcoólicas e tabaco cresceram 8,25 e 5,64 por cento, respectivamente, graças ao lançamento do vestuário de Verão e ao acréscimo de preços dos pastéis e doces.

Por seu turno, o preço do alojamento baixou 9,09 por cento, em termos trimestrais, em virtude da queda de preços dos quartos de hotéis.

14 Jul 2021

Extinção do Centro de Promoção e Informação Turística em Lisboa comunicada aos trabalhadores em Março

Os cinco trabalhadores e a coordenadora do Centro de Promoção e Informação Turística de Macau em Portugal (CPITMP) foram informados da extinção da entidade em Março deste ano, adiantou ao HM o gabinete de comunicação da Direcção dos Serviços de Turismo (DST).

“Os cinco trabalhadores contratados em regime do contrato individual de trabalho e a coordenadora do CPITMP, provida em regime de comissão de serviço, foram informados sobre a extinção do centro em Março de 2021.

Tratando-se aqui de cessação de funções, os trabalhadores foram informados com um prazo de antecedência mais longo do que o exigido por lei.” Helena de Senna Fernandes, directora da DST, disse aos media, no passado dia 16, que o CPITMP iria fechar portas.

Na mesma resposta é referido que o centro sempre foi considerado um “projecto de natureza transitória”, com “funções intimamente relacionadas com a Delegação Económica e Comercial de Macau em Lisboa”. O seu encerramento está, assim, “em consonância com o objectivo político de simplificação da estrutura administrativa previsto nas Linhas de Acção Governativa”.

Devido à pandemia, a DST vai manter a promoção do turismo em Portugal, mas em moldes bastantes diferentes. “Dado que nesta altura Macau está impedido de receber visitantes de Portugal, devido às restrições relacionadas com a pandemia de covid-19, o trabalho de promoção turística de Macau em Portugal está neste momento em serviços mínimos.” A DST garante que “os esforços promocionais serão retomados assim que as condições permitirem”.

O CPITMP tem, para este ano, um orçamento de 7.5 milhões de patacas, tendo libertado um saldo de quase 3.5 milhões de patacas até 15 de Junho, aquando da liquidação das despesas. Este valor é equivalente a 46 por cento do próprio orçamento do CPITMP, e cerca de 0.3688 por cento do orçamento do Fundo de Turismo para este ano, que tem um orçamento global de cerca de 972,3 milhões de patacas.

30 Jun 2021

DST | Promoções em Hong Kong dependem de directivas dos SSM

Helena de Senna Fernandes diz que os Serviços de Turismo estão a aguardar as directivas dos Serviços de Saúde sobre a bolha de viagem com Hong Kong, mas que já estão a ser pensados planos de divulgação do turismo para o mercado vizinho. Macau recebe em Julho a 9ª Exposição Internacional de Turismo

 

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) ainda aguarda directivas dos Serviços de Saúde (SSM) sobre a possível reabertura da bolha de viagem com Hong Kong, mas já está a pensar em campanhas de divulgação do turismo do território. A garantia foi dada ontem por Helena Senna Fernandes, directora da DST, à margem de uma conferência de imprensa de apresentação de uma exposição internacional de turismo.

“Alvis Lo [director dos SSM] explicou as medidas, mas não temos mais informações. Sabemos que precisamos que Hong Kong tenha zero casos [de covid-19] em 28 dias para se lançar um plano de isenção de quarentena. Estamos à espera dos planos dos SSM, mas vamos pensar na divulgação. Caso a bolha de viagem regresse, temos de produzir vídeos para Hong Kong, à semelhança do tipo de material promocional destinado ao mercado da China continental”, frisou.

Helena de Senna Fernandes destacou que a região vizinha constitui “um mercado muito importante”. “Esperamos a normalização da passagem da fronteira com Hong Kong e que se possa manter uma situação estável. Além da área do turismo, muitos residentes têm família em Hong Kong, assim como residentes de Hong Kong que trabalham em Macau. Penso que todos estão à espera [da bolha de viagem]”.

Uma expo a caminho

Entretanto, foi ontem apresentada a 9ª Expo Internacional de Turismo (Indústria) de Macau, que decorre no Venetian entre os dias 9 e 11 de Julho. O evento será um “contributo para a recuperação e revitalização” do sector, uma vez que é fundamental manter o contacto com os operadores turísticos, para Macau estar preparado para “quando o turismo revitalizar”, referiu a directora da DST.

O presidente do Associação das Agências de Viagem, Alex Lao, frisou que os bons resultados no combate à pandemia em Macau fizeram com o que o território se pudesse ‘vender’ ao mundo como uma “cidade saudável e segura” e assim criar uma “plataforma sustentável entre Macau e o interior da China”.

Além do formato presencial, a expo vai estar também online, uma medida para reforçar as bolsas de contacto e aumentar o alcance do evento numa altura de pandemia em que muitas das restrições fronteiriças continuam em vigor.

Na mesma ocasião, as autoridades revelaram ainda que esta nona edição vai focar-se em reforçar as iniciativas ‘em nuvem’, integrar exposições online e offline e expandir a escala da ‘Rua de Macau’, entre outras.

Pretende-se também impulsionar a economia turística local e promover a herança, inovação e intercâmbio gastronómico através de demonstrações culinárias.

O objectivo é ainda integrar o “turismo + indústrias culturais e criativas”, promover o desenvolvimento da indústria do turismo local, promover as “Lojas com características próprias” e melhorar a imagem das marcas.

24 Jun 2021

Turismo | Segunda fase de passeios para residentes regista “forte adesão”

Mais de três mil pessoas inscreveram-se para a segunda fase do programa “Passeios, gastronomia e estadia para residentes de Macau”. Em apenas dois dias foram vendidos 380 pacotes de estadia em hotéis

 

Num contexto em que se mantêm restrições fronteiriças, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) avançou que houve uma “forte adesão” à segunda fase do programa “Passeios, gastronomia e estadia para residentes de Macau”. As inscrições, que decorrem em Julho e Agosto, arrancaram na quinta-feira e nos dois primeiros dias registaram-se mais de 3.700 indivíduos.

A iniciativa governamental que subsidia a participação em excursões locais num valor que chega às 280 patacas e dormidas em hotéis no montante de 200 patacas, abrange quase duas dezenas de roteiros turísticos. O programa para Julho e Agosto é eclético: inclui experiências de realidade virtual, voo de helicóptero sobre Macau e Hengqin, mas também uma actividade de “amor de Macau pela Pátria no 100.º aniversário do Partido Comunista”.

De acordo com a DST, a segunda fase do programa inclui novos elementos, tendo os roteiros de “passeios marítimos turísticos”, “aventuras divertidas” e “actividades em família, desportivas e de “faça-você-mesmo (DIY)” registado um volume elevado de inscrições. “Para satisfazer as necessidades de estadia em Macau durante a pandemia, alguns dos roteiros realizar-se-ão todos os dias”, comunicou o organismo. No final da semana passada foram também vendidos mais de 380 pacotes de alojamento hoteleiro.

Mais de 23 mil hóspedes

Nem todas as actividades se destinam apenas a quem vive em Macau. O sector turístico também lançou roteiros para visitantes, com inscrições “satisfatórias”. Nestes casos, os turistas podem seguir itinerários personalizados e contam com transporte. Entre as opções que a DST aponta terem sido bem recebidas pelos participantes inclui-se o passeio de helicóptero.

No geral, o programa vai custar 120 milhões de patacas à RAEM. O objectivo passa por promover a procura interna e o consumo nos bairros comunitários. De acordo com o organismo, desde que a iniciativa arrancou foram vendidos 9.149 pacotes hoteleiros, que envolveram um total de 23.028 hóspedes. As inscrições para a primeira fase abriram em Abril. Até 14 de Junho, participaram no programa 534 condutores de autocarros turísticos, 451 guias turísticos locais, 167 agências de viagens, bem como 67 hotéis e pensões.

21 Jun 2021

Turismo | Número de visitantes sobe 9% em Maio

Macau recebeu em maio 866.063 visitantes, mais 9 por cento que no mês anterior e mais 5.268 por cento em termos anuais, anunciaram as autoridades.

De acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), no mês passado chegaram a Macau 473.808 turistas e 392.255 excursionistas.

A maioria era oriunda do interior da China (795.389), tendo 336.314 visitantes vistos individuais, cuja emissão, suspensa desde o início da pandemia, foi retomada em meados de Agosto do ano passado.

Mais de 429 mil visitantes eram oriundos das nove cidades do Delta do Rio das Pérolas da Grande Baía, sendo quase metade destes (46,7 por cento) provenientes da cidade vizinha de Zhuhai. De Hong Kong chegaram 64.265 visitantes e de Taiwan 6.363, segundo a nota.

As restrições às viagens, instauradas para combater a pandemia de covid-19, tiveram impacto igualmente na diminuição do número de visitantes chegados de avião, com apenas 75.244 pessoas a entrarem no território por via aérea e 26.272 por via marítima.

A esmagadora maioria das entradas fizeram-se por via terrestre (764.547). Entre Janeiro e Maio chegaram a Macau 3.399.310 visitantes, mais 4,7 por cento que no período homólogo do ano passado. O número de turistas aumentou 20 por cento no mesmo período.

21 Jun 2021

DST | Encerrado Centro de Promoção e Informação Turística em Lisboa

O Governo de Macau decidiu encerrar o Centro de Promoção e Informação Turística de Macau em Lisboa “tendo em conta a racionalização de quadros e simplificação administrativa”, disse ontem a directora dos Serviços de Turismo.

O Centro é um projecto do Executivo “cuja intenção original foi estabelecida para o curto prazo, mas que foi prolongada por muito anos”, afirmou à Lusa Maria Helena de Senna Fernandes.

“Tendo em conta a racionalização de quadros e simplificação administrativa do Governo da RAEM e a existência da Delegação Económica e Comercial de Macau, em Lisboa” foi decidido agora extinguir o Centro, acrescentou a responsável, à margem da conferência de imprensa sobre a segunda fase do programa “Passeios, gastronomia e estadia para residentes de Macau”.

O Centro de Promoção e Informação Turística de Macau em Portugal foi estabelecido em 2005, de acordo com o despacho do primeiro Chefe do Executivo da RAEM, Edmund Ho.

A Direcção dos Serviços de Turismo de Macau mantém uma representação em Londres, sendo “uma delegação para promover turismo, mas não um órgão do Governo da RAEM como [era] o Centro de Promoção em Portugal”, explicou. Londres “é como as delegações em Hong Kong, Malásia, Japão”, entre outras, em que são contratadas empresas locais ou são adquiridos serviços destas empresas “através de concursos públicos, a nível internacional, para fazer promoção no país, pelo que não são um órgão externo do Governo da RAEM”, indicou.

17 Jun 2021

Turismo | Melinda Chan admite que se sente a redução de visitantes

Devido ao ressurgimento de casos na província de Cantão, a média diária de visitantes no território está em queda. A opinião foi partilhada por Melinda Chan, directora Executiva da Doca dos Pescadores, em declarações ao canal chinês da Rádio Macau.

Segundo a ex-deputada, existe a expectativa de que com a implementação de medidas mais restritas de circulação, que o número de visitantes caia para menos de 10 mil até meados de Julho. Ao nível das receitas do sector a empresaria indica que devem ter uma quebra de 30 por cento até Agosto, altura em que deverão voltar a subir.

Melinda Chan revelou também que 20 por cento das reservas de quartos foram canceladas e que a Doca dos Pescadores tem preparado um plano de emergência, caso aparece um surto em Macau. Como parte deste programa, a empresa vai disponibilizar alojamento para os trabalhadores que vivem no Interior, de forma a evitar deslocações.

Em relação a eventuais perdas pela nova situação, Melinda Chan deixou antever que sejam maiores do que no ano passado.

Por sua vez, Wong Lai Mei, vice-presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau, também à Ou Mun Tin Toi, afirmou que os novos controlos de passagem da alfândega vão ter um impacto limitado na indústria. Porém, a dirigente associativa sublinhou acreditar que o impacto pode ser ultrapassado.

Segundo Wong, a maior parte das empresas está agora a procurar alojamento alternativo para os trabalhadores do Interior, para evitar que haja passagens de fronteira.

9 Jun 2021

Benefícios económicos e pegadas ecológicas

O turismo de negócios é normalmente visto como um dos segmentos mais interessantes para qualquer destino turístico: são normalmente pessoas com gastos bem acima da média, que ficam por pouco tempo mas geram maiores benefícios económicos, quer porque os seus rendimentos pessoais não os obrigam a grandes restrições e até lhes permitem eventuais extravagâncias, quer porque, na maior parte dos casos, as despesas são larga ou totalmente cobertas pelas organizações que representam. São turistas com pouco tempo mas com acelerado consumo, o que frequentemente envolve restaurantes de gabarito e até permite mobilizar um conjunto de serviços com relativa sofisticação para oferecer programas de visita de curta duração e alta qualidade e conforto para quem tem oportunidade mas pouco tempo para explorar alguns dos encantos de um território pouco ou nada conhecido.

Essa desproporção entre a o dinheiro e o tempo disponíveis tem outra consequência, no entanto: são viajantes sem tempo a perder, em correrias sucessivas para cumprir as tarefas profissionais, seja uma reunião para concretizar uma parceria estratégica para o desenvolvimento de novas áreas internacionais de negócio, uma feira de promoção turística, uma operação imobiliária, um encontro com jovens criadores, o patrocínio de um festival de verão ou a apresentação de uma comunicação numa conferência. Há sempre pouco tempo para as tarefas e ainda menos para explorar novos destinos ou as últimas novidades em territórios já conhecidos. Tudo corre com uma urgência que requer rapidez e flexibilidade, aparentemente tidas como incompatíveis com a programação colectiva dos transportes públicos e a inerente rigidez relativa de ritmos e horários.

Foi essa a principal conclusão de um estudo ainda fresco, publicado esta semana no Journal of Transport Geography, em que explorámos potenciais relações entre as características sócio-demográficas dos turistas, as suas motivações para a visita, as respectivas opções de transporte e a satisfação que tiveram ou não com a experiência turística. O estudo foi conduzido em Barcelona, cidade com um vasto e bem organizado sistema de transportes público, que garante acessibilidade relativamente fácil a todas as zonas urbanas – ou pelo menos às zonas normalmente frequentadas pelos turistas, incluindo os que viajam por motivos profissionais. Informação abundante, de fácil identificação e interpretação, disponível em várias línguas, ajuda a ultrapassar as possíveis barreiras de comunicação frequentemente associadas à dificuldade de utilização de transportes públicos por turistas.

Nestas circunstâncias – em que se dispõe de uma satisfatória rede de transportes públicos sem significativos problemas de linguagem e comunicação – observámos que as diferentes características dos turistas (idade, sexo ou nível de educação, entre outras variáveis) pouco influenciam a escolha dos modos de transporte (ainda que os turistas mais jovens tendam a preferir transportes colectivos, até por restrições financeiras). No entanto, o factor que se revelou mais determinante nessa escolha foi o motivo da viagem, com os turistas motivados pelo lazer ou pela visita a familiares e amigos a revelar clara preferência por transportes públicos, em contraste com a preferência por transporte individual (taxis, sobretudo) revelada pelos visitantes cuja presença em Barcelona se deve a motivos profissionais. Na realidade, o estudo mostrou ainda que também os turistas com motivação profissional tendem a preferir transportes colectivos quando a visita se torna mais longa e é combinada com lazer ou visitas a familiares e amigos. Também se demonstra com clareza que a utilização de transportes públicos, não só não diminui a satisfação com a visita, como é um dos factores que mais contribui para uma apreciação global positiva da cidade de Barcelona.

A questão dos transportes é, evidentemente, um aspecto central no futuro do turismo, tendo em conta o respectivo impacto nas emissões de CO2 e inerentes implicações sobre as alterações climáticas em curso. Em estudo recente publicado pela Organização Mundial de Turismo e pelo Forum Internacional de Transportes, estimava-se em 5% o contributo do turismo para o total de emissões de CO2 provocadas por acção humana. Para essas emissões contribuem sobretudo o transporte aéreo (40%) e o transporte por automóvel (32%), sendo de apenas 3% o contributo de todas as outras formas de transporte (incluindo comboios, barcos ou autocarros). Se a redução drástica do turismo internacional e do transporte aéreo parecem a única alternativa razoável para tentar compatibilizar o futuro do turismo com uma resposta efectiva às alterações climáticas, a substituição do transporte em automóvel por transportes colectivos parece ter semelhante importância e urgência nos processos de mobilidade no interior de cada destino turístico.

O obstáculo a esta transformação, sugere o nosso estudo, são os atarefados e apressados turistas com afazeres profissionais, o único grupo com preferência inequívoca pelo táxi. São turistas que pelo seu poder de compra proporcionam maior impacto económico, mas que também deixam nas paisagens marca mais pesada da sua pegada ecológica, com acumulação intensiva de emissões de CO2 relacionadas com aviões, primeiro, e automóveis privados, depois. Está por conseguir, mais uma vez, melhor equilíbrio nesta relação entre benefício económico impactos sobre o ambiente. Não deixa de ser relevante, já agora, que neste grupo de turistas nos encontremos também nós, investigadores mais ou menos preocupados com estas questões, quando participamos nas conferências e congressos de que não gostamos de abdicar.

Concluo com uma curiosidade relevante: porque motivo um investigador japonês radicado no Japão e uma investigadora chinesa a trabalhar na Coreia se dedicam a estudar a cidade de Barcelona? É uma razão prática, sobretudo: em Barcelona é entendido que toda a informação obtida com financiamento público deve estar acessível ao público. Assim sendo, estão online e com acesso livre todos os dados recolhidos nos inquéritos regulares que a Câmara de Barcelona faz a turistas e residentes. É verdade que há poucas cidades onde um estudo destes possa ser feito – com quantidade significativa de turistas e uma rede de transportes públicos eficaz e sem grandes barreiras de comunicação – mas esta é a única que disponibiliza gratuitamente os dados necessários a um estudo deste género.

5 Jun 2021

Grande Baía | Secretária desafia IFT a manter posição de “liderança”

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, desafiou ontem o Instituto de Formação Turística a manter a posição de liderança na Grande Baía, ao nível da formação de quadros qualificados. A “esperança” foi deixada durante o discurso da cerimónia de licenciatura deste ano dos estudantes do IFT.

“Espera-se que o IFTM acompanhe, de perto, as necessidades de Macau e da Grande Baía, desempenhando ainda mais o seu papel de liderança nos serviços de formação e educação nas áreas de turismo e lazer, no sentido de contribuir para o desenvolvimento contínuo da sociedade”, afirmou.

A secretária apelou ainda à coragem dos alunos para que arrisquem e participem na Grande Baía. “Para abraçar o futuro, não só temos de ter grande coragem, como temos de alargar os nossos horizontes e manter as nossas mentes abertas. A Grande Baía está intimamente ligada à nossa vida, e as oportunidades de desenvolvimento na Grande Baía são únicas para nós”, afirmou. “Os alunos devem aproveitar estas boas oportunidades, atrevendo-se a tentar coisas novas e desenvolvendo as suas potencialidades”, recomendou.

Além do desafio, Elsie Ao Ieong U elogiou o contributo da instituição para a integração de Macau na Grande Baía, através da “base”. “A Base de Ensino e Formação em Turismo para a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, estabelecida pelo IFTM, depois de menos de dois anos de desenvolvimento, já tem acções de cooperação estendidas a Zhuhai, Guangzhou e Shunde, em Foshan, assim concretizando gradualmente o conceito de exportar recursos de formação turística de qualidade para o ‘círculo de formação acessível em uma hora’”, reconheceu.

3 Jun 2021

Turismo | Número de hóspedes chineses sobe 760% em Abril

A taxa de ocupação hoteleira aumentou 45,9 por cento em Abril em comparação com o ano passado, com uma taxa de ocupação média de 58,5 por cento. A taxa de ocupação média dos hotéis de três estrelas foi de 68,5 por cento.

Em Abril existiam um total de 37 mil quartos de hotel, mais 10,5 por cento, bem como um total de 119 hotéis e pensões, mais nove face ao igual período de 2020. Neste mês pernoitaram nas unidades hoteleiras 694 mil pessoas, mais 550,3 por cento face a Abril de 2020. O número de hóspedes do Interior da China, 603 mil, e de Macau, 61 mil, registou um aumento de 761,2 e 149,3 por cento, respectivamente.

No mês em análise, o território registou apenas 11 mil visitantes em excursões locais, enquanto 20 mil residentes de Macau viajaram para o exterior através de agências de viagem. A grande parte dessas viagens, 98,5 por cento, foram feitas ao interior da China.

Durante os primeiros quatro meses do ano, a taxa de ocupação média dos hotéis e pensões foi de 48,4 por cento, mais 13,8 por cento em relação a 2020. Hospedaram-se 2.148 milhões de pessoas, uma subida 36,1 por cento. No mesmo período, o número de visitantes em excursões locais foi de 17 mil, mais 81,8 por cento face ao mesmo período de 2020.

28 Mai 2021

DST | Governo equaciona turismo na Ponte HKZM

A Direcção de Serviços de Turismo (DST) está a estudar a possibilidade de criar rotas para visitar a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. A informação foi avançada pela directora dos serviços, Helena de Senna Fernandes, em resposta a interpelação da deputada Agnes Lam.

“A indústria fez-nos uma proposta para abrirmos uma rota turística para a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. Como a proposta envolve diferentes medidas de prevenção e controlo da situação pandémica, assim como três governos, esta Direcção de Serviços vai fazer os contactos necessários e estudar a viabilidade”, escreveu Helena de Senna Fernandes.

Como parte da estratégia de promoção da indústria local, os Serviços de Turismo dizem que vão trabalhar para tornar Macau numa “marca de turismo distinta” na área da Grande Baía. Helena de Senna Fernandes indicou ainda que o Governo está a trabalhar para fazer com que os diferentes pontos de entrada na Grande Baía, como aeroportos, sejam um caminho para Macau e promover a indústria local.

A directora indicou também que o acordo entre Macau e agências de turismo no Interior levou a que, no ano passado, 27 mil pessoas comprassem os pacotes de visita à RAEM. Por outro lado, este ano até Abril 11 mil pessoas visitaram Macau através dos pacotes das agências de viagem.

Além destas ofertas, Maria Helena de Senna Fernandes prometeu que o Governo vai continuar com campanhas de publicidade nos órgãos de comunicação no Interior para promover Macau.

12 Mai 2021

Turismo em Macau continua a crescer, mesmo com a pandemia

Reportagem de Miguel Mâncio e Candice Lok, da agência Lusa

O turismo em Macau continua a subir progressivamente e os visitantes ouvidos pela Lusa disseram que escolheram o território para viajar na popular semana de férias chinesa devido aos descontos promovidos e porque é um destino seguro de covid-19.

Segundo dados oficiais, entre 1 e 5 de Maio visitaram o território 167 mil pessoas e os hotéis registaram uma taxa de ocupação de 83,5%. O número médio diário de passageiros aumentou 25,4% em relação a abril.

No primeiro dia do mês, Macau bateu o recorde diário de visitantes desde o início da pandemia com 45.000 pessoas a chegarem ao território. O anterior recorde tinha sido registado no dia 16 de abril (34.353 visitantes).

“O volume de passageiros e a taxa de acomodação aumentaram significativamente”, apontaram as autoridades.

Ainda assim, o número diário de visitantes nestes feriados encontra-se a 21,1% do registado no último ano antes da pandemia.

Stephen Anderson, dono do restaurante/bar Cathedral Café, contou à Lusa que nota mais gente nas ruas, principalmente jovens ansiosos “pela comida tradicional portuguesa, vinho e arquitetura”.

“Vemos uma multidão mais jovem, com cerca de 20 e poucos anos de idade, e isso é mais vibrante. Eles teriam ido para Lisboa, teriam ido para Sydney, teriam ido para Banguecoque, mas como não podem ir, por agora, Macau é uma alternativa muito positiva”.

Lu e Wang, duas amigas de 25 e 24 anos, da província oriental de Jiangsu, perto de Xangai, escolheram Macau para passar as férias na 1.ª Semana Dourada do ano, período em que os chineses têm feriados de 01 a 05 de maio, porque sentem que o território fez um ótimo trabalho na prevenção da covid-19.

Há mais de 400 dias que Macau não regista qualquer caso local de covid-19, sendo considerada uma das regiões mais seguras do mundo em relação à pandemia de covid-19. Contabilizou apenas 49 casos, não tendo registado até hoje nenhuma morte causada pela covid-19.

“Claro que só viemos para Macau com base na situação de Macau ser muito seguro”, contou à Lusa Wang, quando passeava com a sua amiga pelas pedras de calçada portuguesa na famosa Praça do Leal Senado, no coração do centro histórico do antigo território administrado por Portugal.

Os visitantes provenientes da China continental não precisam de fazer quarentena ao entrar em Macau, e vice-versa, graças ao sucesso no controlo da pandemia. O que não acontece ainda com o vizinho Hong Kong, que apesar dos bons resultados, ainda regista diariamente casos de covid-19.

“Porque a emissão do salvo-conduto está suspensa em Hong Kong, e Macau fez um trabalho melhor nas medidas da prevenção da epidemia, por isso, podemos entrar e viajar mais livremente”, explicou Lu.

A poucos metros do Leal Senado, Poon, responsável pela loja de bolos Poon Vai Kei, notou que há um aumento significativo de turistas: “Esta rua tem mais turistas a passear, mais do que antes”, afirmou à Lusa.

Entre os milhares de turistas chineses no centro histórico de Macau encontravam-se também duas jovens de Xangai, Su e Sun, que admitem ter vindo a Macau porque é, neste momento, o destino mais conveniente, seguro e com preços mais atractivos.

“Quando chegamos aqui, descobrimos que realmente todas as pessoas aqui usam máscaras quando saem, por isso ainda nos sentimos mais seguros”, explicou à Lusa Su, de 25 anos.

“Em Xangai, quando fazemos o teste de ácido nucleico, podemos receber o relatório no dia seguinte. Com o resultado permitimo-nos ficar em Macau por sete dias, porque a validade é sete dias, é muito conveniente, por isso, escolhemos vir aqui”, justificou a amiga Sun, de 29 anos, acrescentando que o facto de a Air Macau ter voos diretos para o território e de não ser necessário a quarentena ajudou, em muito, a tomada de decisão.

As autoridades de Macau, juntamente com a Air Macau e outras instituições, têm promovido descontos em bilhetes de avião e estadia e têm realizado várias promoções turísticas em cidades, a próxima a ser realizada entre 13 e 17 de maio, em Nanjing, mostrando-se como “destino saudável e seguro” de covid-19.

A mensagem parece estar a chegar: “a Direcção dos Serviços de Turismo de Macau, fortalece as medidas relativamente benefícios para os visitantes do Interior da China, incluindo hotel e bilhete de avião”, explicou Sun.

Um pouco por todo o centro da cidade eram visíveis campanhas promovidas pelo turismo de Macau para que os turistas pudessem ter descontos em vários estabelecimentos através de um código QR. “Agora há algumas políticas em Macau, como os bilhetes de avião, compre um e receba um grátis, e os 50% de vales de desconto de hotel, era um bom negócio, por isso escolhemos Macau em primeiro lugar”, concluiu Su.

9 Mai 2021

Futuros que tresandam a passado

Há ironias assim: instalou-se no planeta a pandemia de covid-19 pouco tempo depois de ter sido convidado a contribuir com um capítulo para um livro sobre turismo em áreas protegidas do Mediterrâneo na era do “overtourism” (“Mediterranean Protected Areas in the Era of Overtourism”, publicado pela Springer, para quem possa interessar). Ainda não tinha sequer começado quando fui confrontado com esse paradoxo de me propor escrever sobre “demasiado turismo” quando a actividade turística estava bloqueada (ou quase). A solução para o aparente imbróglio havia de ser simples: na realidade, as consequências problemáticas do “turismo a mais” ou do “turismo a menos” têm a mesma origem: o excesso de turismo nas economias locais e regionais. Na origem do convite estava um projecto relativamente longo a que dediquei alguns anos de investigação e que incluiu, entre outros tópicos mais ou menos relacionados, uma análise da relação entre os recursos naturais das regiões europeias e a sua dinâmica turística, quer em termos do número de visitantes, quer em termos do valor acrescentado gerado para as economias locais. Muito frequentemente a procura turística e a riqueza gerada nos destinos estão longe de ser a mesma coisa.

Logo na recolha de informação tive a primeira surpresa, quando compilei os dados sobre a percentagem do território de cada região classificada como zona protegida no âmbito da rede europeia “Natura 2000”, que define regras e critérios comuns para todas as regiões da UE. Apercebi-me então da magnífica liderança das regiões mediterrâneas, sendo relativamente frequente encontrar mais de um terço do território sob a alegada protecção desta forma de classificação e certificação ambiental. Entre as mais de 200 regiões que observei, as que tinham mais de um quarto da sua área inscrita na Rede Natura eram quase todas portuguesas, espanholas, francesas, italianas ou gregas. Não tenho conhecimentos suficientes de biologia para afirmar se esta diferença se deve a efectivas diferenças na biodiversidade e na importância dos recursos naturais de cada região, se é o resultado do excesso de zelo legislativo que é frequentemente reconhecido nesta zona do Sul da Europa e que nos faz ser (re)conhecidos como “os bons alunos” da União Europeia, os pobrezinhos mas honrados europeus que traduzem com mais abnegação do que os legisladores as leis e normativas, mas que pouco ou nenhum poder temos para influenciar. Não me surpreenderia que assim fosse, mas nem era esse o meu assunto nem eu sou pessoa habilitada para o estudar com a seriedade que o tema merece.

Também não é meu assunto avaliar se essa generosa integração de territórios na Rede Natura (entre um quarto e um terço, em geral, mas chegando a ultrapassar os 40%) contribui para uma certa forma de ordenar o território ainda muito enraizada em Portugal: um ordenamento que em grande medida não se faz pela afirmação de uma estratégia de utilização de espaços e recursos, mas pela sua negação e proibição: quer a reserva ecológica, quer a reserva agrícola existentes no nosso ordenamento territorial, para lhe chamar alguma coisa, têm funcionado mais como formas de limitar a expansão urbana e os processos de construção, do que como formas de planear, proteger e valorizar a natureza ou as práticas agrícolas. Um dos resultados é ter um território ordenado e regulamentado por excepções, abertas em nome de superiores interesses nacionais e outras figuras jurídicas de relevo, após longos e penosos processos jurídicos e administrativos, para que se possa eventualmente vir a permitir que se desenvolvam novas áreas habitacionais, de serviços ou turísticas em áreas onde supostamente se protegeria a agricultura ou a natureza. Um país excepcional, portanto, é o que resulta deste regime onde as excepções, claro está, só são possíveis para quem possa pagar os serviços de consultoria a assessoria necessários à navegação pelas turvíssimas águas dos nossos ordenamentos territorial e jurídico. E também um pasto muito fértil para os bois e os borregos das redes nacionais de corrupção.

Nada disto vinha ao caso do tal projecto de investigação a que aludia, mais concentrado noutros e certamente mais singelos problemas, mas que ajudou a revelar que estes territórios de alto valor ecológico para a magnífica União Europeia, são também aéreas de intensa procura turística, destinos de viagem massificados e aparentemente inconciliáveis com a suposta vulnerabilidade dos ecossistemas que justificam tamanho zelo administrativo pela burocracia do país e da UE. Um zelo tonto e inconsequente, sabemos bem: afinal as nossas preciosidades ecológicas servem para que se instalem as multidões de nortes vários das Europas, gente com sede de sol, mar e cerveja, e que afinal gasta pouco – e essas foram também contas que fui fazendo quando estudei o assunto: apesar da evidente ligação directa entre territórios de alvo valor ecológico e pressão turística massificada, estas são também regiões onde o turismo gera pouco valor acrescentado: pouca riqueza se cria em comparação com o turismo que se faz noutras partes da Europa – e parte dela nem sequer fica no país, regressando a grandes empresas internacionais em circuitos mais ou menos lícitos e mais ou menos expostos à tributação e outras formalidades administrativas que paraísos diversos permitem iludir.

Esse turismo a mais, que perturba quem vive nos destinos de férias, transforma valores culturais em mercadorias baratas de consumo imediato e destrói ecossistemas, é um problema para a Europa mediterrânica. A sua súbita interrupção, obrigando ao encerramento de empresas, lançando no desemprego milhares de pessoas e abrindo novos horizontes de incerteza é outro problema. Em todo o caso, os problemas relacionados com o “turismo a mais” ou com o “turismo a menos” são causas com a mesma origem estrutural: a excessiva dependência das estruturas económicas regionais de um sector turístico massificado, de exploração máxima do trabalho e dos recursos, de baixos preços e baixos salários. Uma estrutura económica pouco diversificada, onde normalmente faltam a inovação, o conhecimento ou a tecnologia.

Se a pandemia de covid-19 obrigar a uma reorganização do turismo contemporâneo, mais adequada às preocupações com o esgotamento de recursos e das alterações climáticas, com mais restrições e menos abertura à mobilidade internacional, é o mercado que vai fazer essa regulação. E como se vai vendo nas poucas experiências internacionais de reabertura dos serviços turísticos, são os segmentos mais altos dos mercados turísticos (com empresas financeiramente mais preparadas para lidar com crises e consumidores com maior poder de compra) que estão a dar sinais mais claros de resiliência neste contexto de crise generalizada. Talvez seja o prenúncio de um regresso ao passado, em que o turismo internacional era privilégio de classe ainda mais pronunciado e o turismo doméstico a opção possível para os mais pobres. Não será boa notícia para o turismo no mediterrâneo, tal como o temos vindo a conhecer.

7 Mai 2021

Presidente do grupo chinês Trip.com espera “directrizes claras” sobre viagens com Presidência portuguesa da UE

Entrevista de Alexandra Luís, da agência Lusa

A presidente executiva do grupo chinês Trip.com considerou, em entrevista à Lusa, que o contributo de Portugal para o turismo, durante a presidência portuguesa da UE, passa por obter consenso “sobre diretrizes claras” para viagens entre e para Europa.

“Portugal assume a presidência da União Europeia [UE] num momento crucial para a Europa, o mundo e a indústria do turismo”, começou por dizer Jane Sun, em resposta por escrito à questão sobre o que é que Lisboa pode fazer para ajudar à recuperação do turismo entre a China e a Europa.

Atualmente, “o maior obstáculo para viajar continua a ser a pandemia”, prosseguiu a presidente executiva agência de viagens ‘online’ chinesa, fundada em 1999, cotada em Nasdaq e na bolsa de valores de Hong Kong.

“Acho que o maior apoio que Portugal”, no âmbito da presidência, “poderia dar à indústria de turismo seria expandir ainda mais a implementação da vacinação e procurar obter consenso sobre diretrizes claras para viagens internas na Europa e viagens para a Europa”, acrescentou a responsável.

Sobre quando é que espera a retoma do turismo, nomeadamente na Europa, Jane Sun salientou que, “enquanto as fronteiras internacionais permanecem praticamente fechadas a viagens, em todo o mundo os viajantes e fornecedores estão limitados aos mercados domésticos”.

No entanto, manifestou-se otimista face à progressão do plano de vacinação a nível mundial e novas medidas para tornar as viagens mais seguras.

“Com a contínua implementação das vacinas em todo o mundo e promissoras iniciativas globais para desenvolver protocolos e tecnologias de viagens seguras, estou otimista sobre o renascimento das viagens globais”, disse.

Em países maiores e regiões, “como a Europa, estamos a ver os mercados de viagens domésticos a recuperar”, acrescentou.

“Espero que a Europa e os EUA vejam uma recuperação no segundo semestre deste ano devido às suas fortes iniciativas de vacinação”, considerou a presidente executiva da Trip.com.

“Com Portugal atualmente na presidência da UE esperamos ver um impulso para implementar medidas que aumentem os esforços para facilitar ainda mais uma recuperação rápida na Europa”, apontou, salientado que países mais pequenos podem demorar “um pouco mais”.

A gestora referiu que “há uma enorme procura de viagens reprimida”, ou seja, “as pessoas estão ansiosas para voltar a explorar o mundo, conectar-se com novas culturas e expandir os seus horizontes”, acrescentando que, “embora a maneira como viajamos, sem dúvida, tenha mudado, o [… desejo de explorar e procurar conexão humana permanece forte”.

“Sei que falo por todos os viajantes e trabalhadores do turismo de todo o mundo quando digo que mal podemos esperar para viajar novamente, especialmente para destinos de renome mundial como Portugal”, rematou.

Antes de pandemia, Portugal recebia turistas da China e muitos portugueses viajavam para a China, nomeadamente para Macau.

Questionada sobre o papel que a Trip.com poderia ter para restabelecer esta tendência, a presidente executiva do grupo salientou que “existem fortes laços culturais e históricos entre Portugal e Macau e Portugal e a China”.

Nesse sentido, “esperamos expandir ainda mais e construir sobre esses laços à medida que as viagens globais se tornem possíveis outra vez”, disse Jane Sun.

“Construímos uma forte relação com Portugal e com VisitPortugal ao longo dos últimos cinco anos, realizando campanhas de sucesso a promover as maravilhas de Portugal aos viajantes chineses”, prosseguiu a gestora, apontando que um “sinal da continuidade da força e confiança” desta parceria é que haverá uma campanha que “vai decorrer ainda este ano para revigorar o interesse dos chineses por Portugal como destino da sua próxima viagem”.

Os turistas chineses “ainda agora começaram a conhecer a incrível beleza e experiências que os esperam em Portugal e pensamos o mesmo para os portugueses que visitam a China”, acrescentou.

De acordo com dados da Trip.com, as pesquisas e reservas de produtos de viagem com destino Macau pelos utilizadores da China continental “aumentaram significativamente no período que antecedeu o Dia de Maio, na sequência da forte recuperação das viagens domésticas”.

A região administrativa especial de Macau “sempre foi um destino bastante popular na China com a sua combinação única de uma cidade chinesa moderna com rico ambiente multicultural fortemente influenciado pelos portugueses”, sublinhou.

Com os feriados nacionais chineses, como o 1.º de Maio e o seguinte, o Festival Barco-Dragão, “os viajantes chineses estão ansiosos para visitar as principais cidades de destino com experiências culturais ricas em ofertas e cadeias de hotéis de alto nível”, disse Jane Sun.

“Podemos esperar que, à medida que mais destinos mantêm controlos de pandemia com nenhum ou poucos números de casos [de covid-19]”, permitindo a abertura a viagens, assistir-se-á a “um aumento no turismo”, com os viajantes a procurar “recuperar o tempo perdido”.

Questionada sobre a procura de viagens para a Europa por parte dos turistas chineses, a presidente executiva da agência de viagens digital sublinhou que existe vontade em viajar, depois de um longo período de restrições devido à pandemia.

“Na sequência da recuperação robusta das viagens domésticas na China, temos a expectativa de que haja uma forte procura por viagens internacionais de viajantes chineses”, considerou. A Europa, “e Portugal, sem dúvida, estão no topo das listas de muitos viajantes”, apontou a gestora.

“Vimos um grande aumento no número de viajantes chineses para a Europa e Portugal até ao início de 2020. Nos cinco anos de 2015 a 2019, o número de utilizadores que compraram produtos e serviços relacionados com viagens para a Europa através da Ctrip [grupo Trip.com] aumentou em mais de 30%” em termos anuais, referiu a responsável.

De acordo com os dados do grupo, em 2019 as reservas de bilhetes de avião para Portugal aumentaram 148% em termos anuais e as reservas de hotéis no mercado português durante o feriado do Ano Novo Lunar naquele ano cresceram 155%. “Espero que esta tendência continue assim que as viagens entre as duas nações sejam outra vez possíveis”, concluiu.

4 Mai 2021