Imobiliárias chinesas oferecem descontos em troca de melancias ou alho

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Imobiliárias chinesas estão a aceitar melancias, trigo ou alho, em troca de descontos para compradores, informou hoje um jornal de Hong Kong, face à contração no mercado e ao limite imposto pelas autoridades na redução dos preços.

Segundo o jornal South China Morning Post, a Nanjing Seazen Holdings, empresa de construção do leste da China, oferece um desconto de 100 mil yuans em troca de cinco mil quilos de melancias.

Isto significa que a construtora está a pagar cinco vezes mais pelo quilo de melancia do que o preço atual no mercado de vendas por grosso.

Na cidade de Wuxi, também no leste da China, outra construtora está a aceitar pêssegos em troca de descontos até 188.888 yuans. Na província central de Henan, uma imobiliária baixou os preços em até 160 mil yuans em troca de trigo ou alho. A empresa acumulou 430 mil quilos de alho com a venda de 30 apartamentos, de acordo com o jornal.

Como os governos locais puseram um limite no corte dos preços dos imóveis, visando evitar o colapso do mercado e uma crise no sistema bancário, as construtoras têm que encontrar formas criativas de fazer descontos, explicou Zhang Dawei, analista da agência imobiliária Centaline, citado pelo SCMP.

O setor foi um dos mais importantes motores de crescimento da economia chinesa nas últimas décadas.

No ano passado, os reguladores chineses passaram a exigir às construtoras um teto de 70% na relação entre passivo e ativos e um limite de 100% da dívida líquida sobre o património, suscitando uma crise de liquidez no setor, que foi agravada pelas medidas de combate à covid-19.

Várias construtoras chinesas entraram em incumprimento, nos últimos meses, suscitando a desconfiança dos potenciais compradores, o que se traduziu nas primeiras quedas homólogas dos preços da habitação nova no país em vários anos.

“Em algumas cidades, se a redução dos preços não for bastante significativa, não vai haver compradores. Em algumas áreas, as vendas não são satisfatórias, então os compradores estão com pouca liquidez”, disse Andy Lee, CEO da Centaline.

De acordo com o SCMP, entre janeiro e maio, as vendas conjuntas das cem maiores imobiliárias do país registaram uma queda homóloga de 50%.

No entanto, as autoridades de dezenas de cidades colocaram um “piso” nos preços dos imóveis, limitando os descontos que as construtoras podem fazer, para evitar uma “perturbação da ordem normal” do mercado imobiliário e do setor, cujo peso no PIB (Produto Interno Bruto) do país ronda os 30%, segundo alguns analistas.

O Presidente chinês, Xi Jinping, insistiu em várias ocasiões que as casas “devem servir para habitação e não especulação”, mas a crise no imobiliário tem fortes implicações para a classe média e para a economia do país. Face a um mercado de capitais exíguo, o setor imobiliário concentra uma enorme parcela da riqueza das famílias chinesas – cerca de 70%, segundo diferentes estimativas.

Em entrevista à agência Lusa, Michael Pettis, professor de teoria financeira na Faculdade de Gestão Guanghua, da Universidade de Pequim, vê na contração do setor imobiliário um sinal de que a China se está a afastar do modelo de crescimento assente no investimento em ativos não produtivos.

“Há muito crescimento fictício na China”, notou Pettis. “O excesso de investimento em todo o tipo de projetos de construção inflaciona o crescimento da economia chinesa há vários anos”, descreveu.

Hong Kong tem “dever constitucional” de promulgar nova lei de segurança, diz Chefe do Executivo

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O Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, disse hoje que a região tem o “dever constitucional” de atualizar a legislação para acompanhar a lei de segurança nacional, imposta por Pequim em 2020 na sequência dos protestos pró-democracia.

Na primeira conferência de imprensa como Chefe do Executivo da região administrativa especial, depois de tomar posse em 01 de julho, Lee disse que a situação e os níveis de segurança da região vão ser avaliados antes da nova legislação ser promulgada. “Estamos muito confiantes que conseguiremos fazê-lo bem”, afirmou.

Ainda durante a conferência de imprensa de hoje, John Lee revelou que vai trabalhar para aliviar as restrições impostas aos viajantes na sequência da situação pandémica. No caso de Hong Kong, a maioria dos viajantes é obrigada a cumprir um período de observação médica de sete dias num hotel designado pelas autoridades.

Aos jornalistas, Lee disse que Hong Kong é uma “cidade internacional” e que entende a importância de que permaneça aberta ao mundo.

“Mas também é importante que, ao mesmo tempo, abordemos os riscos, para que possamos manter um bom equilíbrio”, referiu, acrescentando que, neste momento, o secretário para a Saúde se encontra a avaliar a situação para determinar quais as condições para aliviar as quarentenas.

Os casos de covid-19 têm aumentado em Hong Kong, com mais de mil infeções por dia desde meados de junho, em comparação com pouco mais de cem no início de maio. A cidade registou na segunda-feira 1.841 novos casos.

John Lee, antigo chefe de segurança da cidade, foi eleito no início de maio por uma comissão eleitoral de 1.463 membros, ao abrigo do novo sistema eleitoral, promovido pelo Governo central em 2021 para garantir que a região é governada exclusivamente por patriotas, leais ao regime chinês.

O caminho a tomar

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A notícia mais importante em Macau é, naturalmente, o recente surto de COVID-19. Nos diversos testes à população, foram encontradas centenas de pessoas infectadas e o Governo implementou de imediato medidas de quarentena e de inspecção obrigatória, atribuindo às áreas de maior risco o código vermelho e as áreas de risco intermédio o código amarelo. Foram também implementados os testes universais e ainda a distribuição de kits de testes rápidos a todos os residentes. Devido à elevada infecciosidade do vírus, a saúde da comunidade só pode ser assegurada através da rápida identificação e isolamento de todas as pessoas infectadas, para que os contágios sejam travados. Existem alguns factores a ser considerados quando se implementam estas medidas.

A testagem universal é a melhor forma de identificar quem está infectado com o vírus, mas requer a cooperação de todos os residentes num período de tempo curto. Na última testagem universal, o período de recolha de amostras foi inicialmente encurtado de 72 para 48 horas, e finalmente para 33, tendo todo o processo ficado concluído em dois dias. Estes números demonstram que já não existe muito espaço de manobra para mais aceleramentos do processo. O vírus não espera e continua a propagar-se durante os dois dias da testagem. Portanto, a testagem universal tem de ser associada aos testes rápidos realizados por cada residente. Uma abordagem em duas vertentes é a forma mais eficaz de descobrir quem está infectado com o vírus.

Presentemente, Zhuhai enviou equipas médicas para reforçar os serviços de saúde de Macau, pelo que estamos agradecidos. Estas equipas trouxeram muitos testes e, com o número de infectados a aumentar, a pressão sobre os profissionais de saúde também cresceu imenso. Precisamos que estes profissionais possam descansar, retomar forças e que estejam bem equipados para não contraírem o vírus. Só médicos e enfermeiros saudáveis, que trabalhem em condições de segurança, podem prestar cuidados eficazes aos residentes.

Na última testagem universal, houve falhas técnicas que afectaram os resultados. Os problemas mecânicos devem ser melhorados para garantir um bom funcionamento em futuras testagens e, desta forma, os residentes não terem de repetir o teste.

Como já foi dito, o Governo distribuiu pelos residentes kits de testes rápidos para completar a despistagem dos testes universais. Este procedimento, implica a compra de testes rápidos em grandes quantidades, num curto período de tempo. Enquanto houver oferta suficiente, os residentes poderão realizar vários destes testes.

No anterior processo de testes rápidos, os residentes foram obrigados a tirar fotos dos resultados e a enviá-los para um site onde ficavam registados. Devido a uma falha deste site, os resultados já não podem ser registados de imediato, causando um transtorno temporário. Esta situação requer atenção.

Só quando os resultados dos testes rápidos são carregados e armazenados em tempo real é que o Governo pode ter informação suficiente para se proceder ao acompanhamento médico.

A comunicação social também assinalou que alguns dos kits de testes rápidos não continham líquido, o que impediu os residentes de os realizar. Este problema levou o Governo a reforçar o controlo de qualidade na compra dos testes e a verificar com mais cuidado as amostras, de forma a minimizar a aquisição de produtos em más condições. Simultaneamente, o Governo poderá considerar a emissão de directrizes de forma a orientar os residentes a lidar com estes problemas.

Na última testagem universal, surgiram rumores de que Macau iria implementar o modelo de “gestão em rede”. Estes rumores fizeram com que um grande número de residentes corresse a comprar alimentos e bens de primeira necessidade, criando enchentes nos supermercados. Felizmente, o Governo prontificou-se a clarificar a situação e conseguiu parar a tempo o pânico e a corrida aos supermercados. Temos de compreender a importância da informação e garantir que não somos influenciados por rumores. Esperamos que a polícia descubra quem os espalhou o mais rápido possível, para que se possa fazer justiça e garantir a paz social.

O Verão é a época dos tufões. A semana passada, foi içado sinal 8 de tempestade tropical em Macau. As paredes exteriores de alguns edifícios foram danificadas pelo vento, podendo os destroços atingir facilmente os transeuntes. Para além da reparação dos edifícios atingidos, o mais importante é que todos compreendam que as actuais medidas anti-epidémicas estão a ser tomadas durante a época dos tufões e que não temos apenas de lidar com o vírus, mas também com os tufões e com as tempestades.

A redução dos ajuntamentos é outra medida anti-epidémica eficaz. Os empregadores devem encorajar os empregados a trabalhar a partir de casa para reduzir a possibilidade de propagação do vírus nas suas empresas.

O combate à epidemia é responsabilidade de todos. Desde que evitemos saídas e reuniões desnecessárias, e cooperemos com as medidas do Governo, vamos certamente ser capazes de ultrapassar este surto.

 

Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau
Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau
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Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk

Vinho de arroz em Macau

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O arroz, cultivado no Sudeste Asiático pelo menos desde 8200 a.n.E., era em Macau plantado nas várzeas junto à aldeia de Mong-há e serviria apenas para consumo da população agrícola, sendo pouco provável fazer-se com ele vinho, ou se produzido, era em pequenas quantidades e apenas consumido pelos agricultores locais. O arroz, género alimentício de primeira necessidade para os chineses do Centro e Sul da China, era de excelente qualidade o produzido no distrito de Heungshan (Zhongshan), de onde provinha também o vinho feito com esse cereal.

No reinado do Imperador Qianlong (1735-95), em Macau havia lojas a vendê-lo, sobretudo o proveniente de Guangdong, sendo comercializado dois tipos de vinhos de arroz, o no-mai-chau, 糯米酒 adocicado feito com arroz glutinoso e o de pior qualidade, o destilado liu-pun, 料半, significando liu=material e pun=metade.

Na década dos anos 60 do século XIX, o grande aumento da população chinesa em Macau levou a um enorme consumo de vinho de qualidade inferior, o liu-pun, florescendo o negócio da sua venda e importação e muito mais ainda no decénio seguinte. Logo aí viu o Governo português de Macau uma forma de arrecadar dinheiro e como em 1849 a administração do Governador Ferreira do Amaral introduzira a política de atribuição da venda de alguns produtos em forma de exclusividade, deste modo, “eram subtraídos à iniciativa privada alguns ramos de negócio sendo concedidos, quase sempre por arrematação, a indivíduos ou a empresas instaladas no território”, segundo Fernando Figueiredo.

O Governo cedia ao arrendatário, mediante o pagamento de uma quantia, a exclusividade da venda do produto integral por um determinado período de tempo e assim ficavam os cofres públicos com uma regular receita fixa.

A razão era a situação das finanças de Portugal obrigarem à redução drástica das despesas públicas em todas as províncias ultramarinas, devido a terem em cinco anos passado de 1.198:668$933 réis entre 1885-86 para 3.476:860$100 em 1889-90, segundo o Boletim Official do Governo da Província de Macau e Timor N.º 48 de 26-11-1891. O B.O. N.º 12 de 24 de Março de 1892 apresenta o mapa das receitas cobradas em Macau nos anos económicos de 1886-87 a 1890-91: em Impostos directos [Décima predial e industrial; direitos de mercê; Selo; Contribuição de registo; Renda de carne de porco; Renda do peixe; Lotaria de Vae-seng; Lotaria de Pacapio; Fantan; Licença para venda de ópio cozido; Multas; Emolumentos sanitários] 1.482:077$729 e só entre 1890-91, 320:213$980. Já nos Impostos indirectos [Direitos da renda do sal; Direitos da pesca das ostras; Licenças para pesca no litoral da cidade; Rendimentos do Porto; Rendimentos da Taipa] entre 1886 e 1891 recebeu 159:049$231 e a quantia no ano 1890-91 de 40:965$457, existindo ainda outros rendimentos colectados.

Condições de arrematação

O ministro e secretário d’ Estado do Ministério dos Negócios da Marinha e Ultramar Júlio Marques de Vilhena enviou em 1 de Outubro de 1891 à 2.ª Repartição da Direcção Geral do Ultramar o seguinte: O Rei ordenou que se faça executar.

O Decreto autorizando o governador da província a estabelecer em Macau o exclusivo da bebida denominada Liu-pun saiu no B.O. n.º 50 de 10-12-1891.

No B.O. n.º 4 de 28-1-1892 foi publicada a portaria régia N.º 114 a determinar que as arrematações sejam feitas perante uma comissão, lavrando-se em seguida ao encerramento da praça o contrato definitivo. 2.ª Repartição N.º 114: O anúncio da repartição de fazenda provincial sobre a arrematação do exclusivo do vinho Liu-pun é publicado no B.O. de 3 de Março de 1892: As condições para a licitação são: Primeira – Apresentação por parte de cada um dos licitantes do documento comprovativo de terem em seu nome depositado no cofre geral desta província, a quantia de quinhentas patacas que serão restituídas, encerrada a praça, àqueles a quem não seja feita a adjudicação ou que sendo-o, reverterá para a Fazenda se o adjudicatário se recusar a assinar o respectivo contrato ou a completar a caução exigida para garantia do mesmo contrato, logo em acto contínuo à adjudicação.

Segunda – A Fazenda reserva para si o direito de fazer a adjudicação quando e a quem mais lhe convenha. Terceira – No caso de ser feita a adjudicação, o respectivo contrato será desde logo assinado por ambas as partes contratantes. Macau, 2-3-1892, o inspector da fazenda Arthur Tamagnini Barbosa. Chegou o dia 17 de Março e quatro pretendentes depositaram dinheiro para entrar na licitação.

Apoios | Empresários consideram medidas escassas, mas “melhores que nada”

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Gestores de pequenas e médias empresas consideram que as nove medidas de apoio económico no valor de 10 mil milhões de patacas são “melhor que nada”, mas não são suficientes para fazer face à situação “muito difícil” que atravessam. Por seu turno, o académico Davis Fong e o deputado Ma Chi Seng aplaudem a capacidade de resposta do Governo

 

Responsáveis por pequenas e médias empresas (PME) de Macau acham que as medidas de apoio económico anunciadas no domingo pelo Governo ficam aquém das necessidades de subsistência actuais dos empresários do território, embora sejam “melhor que nada”. Ouvidos pelo jornal Ou Mun, os mesmos empresários apontaram haver detalhes por esclarecer e criticaram o facto de a atribuição dos montantes depender de rendimentos dos anos anteriores e não da “situação actual”, podendo beneficiar “empresas fantasma” e prejudicar outras com rendimentos ligeiramente superiores ao estabelecido.

Recorde-se que entre as nove medidas de apoio destinadas a combater a pandemia no valor de dez mil milhões de patacas, está a atribuição de um apoio entre 30 mil e 500 mil patacas a operadores de espaços comerciais, calculado com base em 10 por cento da média dos custos operacionais declarados entre 2019 e 2021, sendo necessários lucros inferiores a 600 mil patacas em 2021. Além disso, os trabalhadores residentes por conta de outrem, que nos últimos dois anos tiveram rendimento inferior a 480 mil patacas, ou seja, ordenado inferior a 20 mil patacas mensais, vão receber um apoio de 15 mil patacas.

Face ao anúncio, um dos empresários, cujo ramo de actividade não é detalhado, não tem dúvidas de que, apesar do sinal positivo, as medidas de apoio “não cobrem as despesas das empresas que estão a lutar para sobreviver”, esperando que o Governo melhore os procedimentos de candidatura e faça bom uso do erário público para ajudar “as empresas que mais precisam”.

Um outro responsável pela gestão de uma PME lamentou o facto de, na prática, as medidas não serem eficazes, sobretudo quando a atribuição dos montantes ignora a situação actual das empresas.

“O Governo exige que as empresas apresentem dados do ano passado para definir a sua elegibilidade, mas porque é que não toma como referência a sua situação actual para efeitos de candidatura? Acredito que se analisarmos as folhas salariais e as rendas actuais das empresas (…) podemos apoiar de forma mais directa as empresas”, disse o empresário ao jornal Ou Mun.

Os empresários criticaram ainda a falta de detalhes no plano de bonificação de juros de créditos bancários para empresas, que consideraram “vago e ambíguo”.

Sem pestanejar

Por seu turno, o ex-deputado e professor da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau, Davis Fong, aplaudiu que o Governo tenha levado menos de duas semanas a apresentar o pacote de apoio e lembrou que pode beneficiar 39 mil empresas e 231 mil trabalhadores.

Segundo o jornal Ou Mun, Davis Fong acredita que as medidas de apoio “são capazes de aliviar o fardo da população e das empresas” e a pressão económica do mercado “a curto prazo”, desejando que o Governo avance com a implementação “o mais rápido possível”.

Dado que 85 por cento das medidas se traduzem em apoios pecuniários e as empresas podem beneficiar de bonificações de juros e do prolongamento, até Dezembro de 2023, da medida que permite pagar “apenas os juros” dos créditos contraídos, o antigo deputado acredita que as medidas vão “efectivamente prolongar a vida de muitas PME e garantir a subsistência de muitos trabalhadores”.

Já o deputado e coordenador da Comissão Preparatória de Formação de Empreendedorismo e Criatividade da Juventude, Ma Chi Seng, mostra-se satisfeito com o pacote apresentado pelo Governo e considera que pode ajudar a população “que está sob pressão para conseguir pagar as contas”, a ultrapassar as dificuldades impostas pela pandemia.

Nesse sentido, Ma Chi Seng recordou ainda o discurso do presidente Xi Jinping aquando das celebrações do 25.º aniversário da transferência de soberania de Hong Kong para dizer que, tal como desejado, o Governo foi ao encontro “das preocupações de subsistência da população de forma prática”.

Imprensa | Deputados querem população a cumprir expectativas de Xi Jinping

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Após o encontro de Xi Jinping com Ho Iat Seng, vários políticos do campo pró-Pequim vieram a público apelar à população para cumprir as expectativas do Presidente chinês. As opiniões foram partilhadas através dos meios de comunicação em língua chinesa.

Ao jornal Ou Mun, Ma Iao Lai, representante de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN), prometeu coordenar os seus esforços com o Governo local, de forma a impulsionar a recuperação económica. Porém, o membro do clã Ma, um dos mais influentes em Macau, com vários negócios com o Governo, prometeu ainda contribuir para a diversificação da economia local.

Por sua vez, José Chui Sai Peng, empresário, deputado e membro da família Chui, apelou aos jovens para apostarem na formação no sector da alta tecnologia. Segundo Chui, com estas qualificações, os jovens podem mudar-se para Hengqin, a Zona de Cooperação com a RAEM, onde podem participar no polo industrial Cantão-Shenzhen-Hong Kong-Macau.

Para Si Ka Lon, deputado e representante da comunidade de Fujian, está na altura de parte dos jovens se focar no Interior, aproveitar as oportunidades da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau e integrar plenamente o desenvolvimento nacional. Segundo Si, o contexto actual permite que a RAEM tenha muitas oportunidades criadas pelas políticas do Interior.

O deputado e banqueiro Ip Sio Kai destacou que o mais importante é que nos próximos tempos a população “aprenda o espírito do discurso” de Xi Jinping, e perceba que o princípio Um País, Dois Sistemas é a maior vantagem de Macau. No mesmo sentido, o deputado Cheung Kin Chung apelou à população para manter e promover “a tradição gloriosa” do amor à pátria e a Macau.

Operários | Deputado quer medidas mais agressivas contra surto

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Lei Chan U acredita que só com a eliminação do vírus e o desmantelamento das cadeia de transmissão é possível criar condições para estabilizar a sociedade e relançar a economia. Como tal, defende que o Governo deve seguir os conselhos de Xi Jinping

 

Lei Chan U defende que o Governo deve seguir as palavras de Xi Jinping e lutar contra o vírus agressivamente, para estabilizar a situação actual e entrar num período de recuperação económica. A mensagem foi divulgada pelo deputado através do jornal do Cheng Pou, onde se mostrou preocupado com o agravar do surto mais recente, que afecta a RAEM desde 18 de Junho.

De acordo com o legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), desde o início que o surto se tem vindo agravar, apesar dos esforços do Governo e dos trabalhadores da linha da frente. Neste contexto, considera que existe o risco de a situação ficar descontrolada e que o Governo tem de meter em cima da mesa a possibilidade de tomar medidas mais drásticas.

O deputado afirmou que “a variante Ómicron é altamente infecciosa, e se a fonte das infecções não for detectada o mais depressa possível, a cadeia de transmissão não pode ser cortada, o que vai fazer com que a situação actual não seja revertida”, alertou. “É necessário que o Governo considere adoptar medidas mais restritivas, de forma a conseguir eliminar o vírus da sociedade o mais depressa possível e restaurar a ordem, ao mesmo tempo que se promove o turismo de Macau e a recuperação económica”, pode ainda ler-se na opinião.

Lei Chan U cita também a mensagem que Xi Jinping transmitiu a Ho Iat Seng, durante o encontro em Hong Kong, no sentido da RAEM “não relaxar os esforços de prevenção e controlo” da pandemia e “continuar a aliviar de forma eficiente as dificuldades” da população.

Situação preocupante

Com uma situação que considerou “preocupante”, devido ao impacto económico para a população, Lei Chan U sugere a necessidade de reduzir os fluxos de pessoas a circular nas ruas, sem especificar medidas concretas. O deputado avisa ainda que sem uma política mais agressiva “tudo o resto vai ser impossível”, numa alusão à recuperação económica.

Em relação à situação actual, e apesar de defender a eliminação do vírus, Lei reconhece que após o surto ter sido dominado vão levantar-se vozes na sociedade contra a política de zero casos.

Apesar disso, e sem tomar qualquer posição sobre o assunto, o deputado da associação alinhada com o Governo considera que o mais importante é o momento actual e o controlo da situação.

Bancos | Funcionamento limitado leva a aglomeração de pessoas

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O funcionamento limitado dos bancos até sexta-feira, com algumas agências abertas entre as 10h e as 16h, devido à situação pandémica, levou ontem à formação de filas e aglomeração de pessoas, noticiou a TDM.

Segundo um comunicado, a ideia é manter “o funcionamento limitado [da banca], de modo a prestar serviços financeiros necessários ao público”, sempre em coordenação entre a Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM), a Associação de Bancos de Macau e a Associação das Seguradoras de Macau. As seguradoras e sociedades gestoras de fundos de pensões vão manter os serviços básicos ao público, com atendimentos à distância ou por turnos.

Além disso, a apresentação de novo pedido e a renovação de licença de mediadores de seguros, bem como a comunicação respeitante ao programa de desenvolvimento profissional contínuo para os mediadores de seguros continuarão a ser suspensas.

SAFP | Serviços públicos e consulado com serviços limitados

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A Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) anunciou que até sexta-feira, 8 de Julho, “os serviços públicos irão assegurar a prestação de serviços limitados ao público”. Para evitar a aglomeração de pessoas, o Governo sublinha a necessidade de fazer “marcação prévia online ou por telefone para o pedido de serviços”.

O ofício-circular que estabeleceu o retorno do funcionamento dos serviços públicos, a meio gás, indica que os dirigentes devem ter em consideração “o estado físico dos trabalhadores (por exemplo, as grávidas) ou as necessidades dos que precisam de cuidar dos idosos familiares ou filhos menores, para fazer uma programação adequada do trabalho. Além disso, devem evitar a comparência ao serviço dos trabalhadores com código de saúde de cor amarelo”.

Também o Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong permanecerá encerrado para o público em geral, mantendo um serviço de piquete para tratamento de assuntos urgentes. Para tal, os cidadãos devem fazer os seus pedidos através do e-mail macau@mne.pt, número telefone 28356660 ou através de mensagem via Facebook.

Covid-19 | 864 casos confirmados. Redução de quarentena equacionada após surto

Rómulo Santos
Até ontem, foram registados, no total, 864 casos confirmados em Macau, com 60 por cento dos novos infectados a serem detectados na comunidade. Redução de quarentenas para sete dias será ponderado apenas quando o actual surto de covid-19 estiver controlado. Publicação de itinerários de casos positivos só em “casos complicados”

 

Até ao final da tarde de ontem, Macau registou um total de 864 casos confirmados de covid-19 afectos ao actual surto, os quais incluem 47 novos casos detectados na comunidade e 21 em locais de controlo e gestão. Há ainda cerca de 54 casos positivos preliminares em análise

Para a chefe da Divisão de Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis dos Serviços de Saúde, Leong Iek Hou, o facto de o número de casos detectados na comunidade estar a aumentar e representar um peso de cerca 60 por cento do número de casos diários significa que existem cadeias de transmissão ocultas que estão por controlar.

“Os casos que foram detectados na comunidade são 60 por cento e cerca de 30 por cento foram encontrados nas zonas de gestão. Esta proporção tem-se mantido ao longo dos dias, mas claro que (…) quanto menos casos forem detectados na comunidade, tanto melhor. Isso seria o ideal. O que isto pode representar é que ainda existem cadeias de transmissão ocultas na comunidade que não estão controladas (…) ou então são casos que só foram detectados posteriormente (…), por terem um baixo teor viral”, explicou durante a habitual conferência de imprensa de actualização sobre a covid-19.

Além disso, foi ainda revelado que, de entre os casos confirmados, estão sete profissionais de saúde e 14 trabalhadores externos do Centro Hospitalar Conde de São Januário e que foram detectados 38 casos positivos entre os grupos-chaves do sector de serviços de segurança, limpezas e administração de condomínios submetidos a testes de ácido nucleico no domingo.

Questionada sobre a expectativa de haver mais mortes de idosos associadas à covid-19, Leong Iek Ho não descartou a possibilidade, dado que entre os 864 casos confirmados, mais de 200 dizem respeito a pessoas com mais de 60 anos.

“Dos 864 casos confirmados, temos 92 casos entre os 60 e os 69 anos, 39 casos entre os 70 e os 79 anos, 89 casos entre os 80 e os 89 anos e quatro casos entre os 90 e os 100 anos, sendo que deste último grupo, dois acabaram por falecer. Não descartamos a possibilidade de haver mais casos mortais, porque muitos idosos são portadores de doenças crónicas e a variante Ómicron implica um maior risco de doença grave e morte em relação às pessoas cujo estado de saúde é considerado normal”, apontou.

Uma batalha de cada vez

Durante a conferência de imprensa, a mesma responsável admitiu ainda que o Governo pretende reduzir as quarentenas de 10 para 7 dias, alinhando-se assim com a mais recente política de entrada do Interior da China. No entanto, foi sublinhado, alterações nesse sentido apenas poderão acontecer quando o actual surto de covid-19 estiver debelado.

“Neste momento, as pessoas que vêm do exterior têm de fazer 10 dias de quarentena e um período de autogestão de saúde. Estamos a ter em consideração a nova política [de entrada do exterior] do Interior da China [7+3]. Vamos tomar esta medida como referência, mas (…) agora vamos concentrar todos os nossos esforços na luta contra a pandemia e depois vamos alterar ou ponderar a possibilidade de reduzir os dias de quarentena”, disse Leong Iek Hou.

Foi ainda revelado que a publicação dos itinerários dos casos de confirmados será apenas feita em situações excepcionais, em que a sua complexidade ou a gravidade assim o justifique.

“A partir do caso 501 não vamos fazer o upload do itinerário dos infectados, tendo em conta que Macau já tem muitos casos (…) e que estes estão espalhados pela comunidade. Por isso, vamos concentrar o esforço do nosso pessoal no combate à pandemia”, disse Leong Iek Hou”

Por último, foi ainda admitida a possibilidade de começarem a ser definidos grupos de risco entre a população, de forma a iniciar a toma da quarta dose da vacina contra a covid-19.

“Vamos disponibilizar a quarta dose para as pessoas de alto risco como os idosos ou os trabalhadores em postos de alto risco (…) mas agora estamos focados a combater a pandemia (…) e ainda não temos um plano”, avançou.

Pandemia | Exigida maior transparência na comunicação com a população

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Analistas ouvidos pelo HM criticam a forma como o Governo tem comunicado medidas e decisões relacionadas com a pandemia. Pouca transparência, decisões erradas e falta de responsabilização estão no topo das críticas, mas também o curto espaço de tempo entre o anúncio de novas medidas e a sua entrada em vigor

 

Medidas anunciadas de um dia para o outro ou ausências de dirigentes em conferências de imprensa, sem que haja possibilidade de dar resposta a acontecimentos concretos são algumas das situações que têm pautado a forma como o Governo comunica medidas e decisões relacionadas com o surto de covid-19.

A situação complicou-se quando foi decretada a obrigatoriedade de teste de ácido nucleico para os trabalhadores dos casinos e dos estaleiros de construção poderem trabalhar. Num dia em que acabou por ser içado sinal 1 de tempestade, e debaixo de uma chuva intensa, o caos gerou-se com grande concentração de pessoas. As autoridades acabariam por alterar a medida, exigindo apenas a realização de teste rápido.

Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SSM), não deu respostas sobre esse caso por não ter estado presente na conferência de imprensa, deixando as explicações sob responsabilidade da médica Leong Iek Hou, coordenadora do Centro de Coordenação e de contingência do novo tipo de coronavírus, que recusou responsabilidades por ser “só uma médica”. Isto depois de Alvis Lo ter dito que as conferências de imprensa não são “um talk-show” e que servem apenas para anunciar medidas e não para dar respostas a casos concretos.

Na ocasião, Leong Iek Hou declarou que Alvis Lo estava “muito ocupado”. “O trabalho de controlo da pandemia é muito complexo e com muitas etapas. Todos os trabalhos precisam do senhor director, por isso, estou aqui hoje para vos responder”, adicionou.

Na conferência de imprensa de imprensa seguinte, o director dos SSM reapareceu, acompanhado da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, e o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong.

O analista política Larry So expressou ao HM o desejo que “o Governo seja mais transparente na tomada de decisões, para que desta forma as medidas possam ser mais efectivas”. “Nem sempre o director dos SSM aparece nas conferências de imprensa, a não ser que tenha de anunciar alguma nova medida. Tivemos o caso dos trabalhadores dos estaleiros e casinos e isso gerou alguma confusão. Parece que o Governo, em certa medida, não estava preparado para o que ia acontecer. Não prepararam o processo e terão acelerado a decisão.”

Larry So adiantou também que, nesta fase da pandemia, “uma série de medidas que são implementadas num curto espaço de tempo”, dando azo a interpretações erradas ou desadequadas.

“Há uma discrepância entre a decisão e a política, incluindo a parte da implementação. Em alguns casos, [como foi o caso da corrida dos trabalhadores aos testes, as autoridades] mostraram que simplesmente não estão preparadas”, frisou.

Recorde-se que outras medidas de anunciadas a poucas horas de entrarem em vigor mereceram críticas nas redes sociais, tais como os testes de ácido nucleico obrigatórios para os grupos-chave de trabalhadores de segurança e limpeza do sector de administração predial, anunciado na madrugada do dia para realizar os testes; assim como a necessidade de fotografar a caixa do teste rápido de antigénio na submissão do resultado na plataforma dos SSM, medida anunciada no próprio dia.

Casos lamentáveis

O deputado José Pereira Coutinho também condena a forma como o Governo comunica com a população as medidas de combate à pandemia. “Lamento que tenham sido restringidas as perguntas dos jornalistas a casos concretos sobre a pandemia. Acho lamentável e é uma forma de pressionar os jornalistas a formular certas perguntas. Se é para ser nesse formato mais vale no futuro o Gabinete de Comunicação Social publicar notas de imprensa aos jornalistas a fim de evitar a perda de tempo de assistir a conferências de imprensa em directo cada vez mais limitativas.”

O deputado fala do caso dos trabalhadores obrigados a fazer teste debaixo da chuva, que foi “um fiasco”. “As autoridades esquecem-se que, mesmo que a pessoa faça a marcação, tem de esperar muito tempo na fila. É a própria Administração que não respeita o horário escolhido pelas pessoas.”

“Numa situação em que era expectável que os jornalistas fizessem perguntas sobre esse fiasco não esteve o director [dos SSM], dois subdirectores ou a própria secretária [Elsie Ao Ieong U]. O Chefe do Executivo esteve em Hong Kong, mas isso não significa que outros dirigentes não possam dar a cara. É nos momentos mais difíceis que se devem assumir as responsabilidades pelos momentos que não correm tão bem. Uma jornalista perguntou directamente onde estava o director dos SSM e é incrível que não assumam a responsabilidade. Alguém tem de ser demitido do cargo”, apontou Pereira Coutinho.

O deputado fala ainda situações pouco coerentes na gestão da pandemia. “Avisam-se as pessoas para não se deslocarem para muito longe para realizar os testes. Mas depois dizem que não convém fazer testes onde há muitas pessoas, devendo ir a outro local fora da zona de residência. É um contra-senso.”

Coutinho não esquece a decisão das autoridades de colocarem pessoas que testem positivo à covid-19, e que não se conhecem, no mesmo quarto para a realização da quarentena. “Se não tivesse visto a conferência de imprensa não acreditava que estão a colocar um homem e uma mulher desconhecidos no mesmo quarto de hotel. Não se pode comparar os quartos de hotel, que estão fechados, com os quartos dos hospitais. Se a mulher for coagida ou violada e não tiver tempo de chamar alguém, quem tem autorização para salvar a vítima? Esta medida é uma estupidez.”

Em termos gerais, o deputado entende que Macau está num estado de “paranóia”. “As pessoas estão stressadas, há muitas doenças do foro psicológico e a economia está a afundar-se”, adiantou.

Uma “má imagem”

Para Jorge Fão, dirigente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), a ausência de Alvis Lo na conferência de imprensa deu uma “má imagem à Administração”. “Houve uma enchente enorme para realizar o teste, as pessoas não estavam com máscara, empurravam-se. Criou-se uma situação mais perigosa em termos de contágio do que antes e, depois, o Governo acabou por dar o dito por não dito, e decretar a realização dos testes em casa. A comunicação tem sido muita, recebemos três a quatro mensagens por dia no telemóvel. Mas essas mensagens não chegam, porque quando se faz uma conferência de imprensa há que estar preparado para ser pressionado, porque os jornalistas não estão lá só para ouvir”, indicou o antigo deputado e dirigente associativo.

O número de casos de covid-19 tem vindo a crescer diariamente e foram inclusivamente registadas duas mortes ligadas a infecções desde o início da pandemia.

O Governo tem anunciado medidas de apoio económico para a população e empresas lidarem com os efeitos negativos da política de casos zero, mas Jorge Fão entende que, mais cedo ou mais tarde, os casinos vão ter de fechar portas. “Há a questão controversa dos casinos. O Governo não teve coragem de os encerrar, mas penso que vai ter de o fazer. Mesmo que os casinos estejam abertos agora não vão ter negócio praticamente nenhum por causa da exigência do teste para entrar.”

No domingo, a conferência de imprensa do Centro de Coordenação e de contingência do novo tipo de coronavírus contou com a presença de vários secretários, uma vez que foram anunciadas mais medidas de apoio económico. O modelo de comunicação do Governo foi um assunto abordado.

“Temos estado atentos às questões e entrado em comunicação com os serviços competentes. Todas as opiniões são ouvidas. Temos uma divisão de tarefas, e quando se trata de situações mais severas estamos sempre aqui presentes. Mas, se tiverem alguma necessidade de colocar as questões podem fazê-lo por diferentes meios”, adiantou a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U.

Por sua vez, o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, referiu que “todos os presentes representam o Governo, assim como o director [dos SSM] e outros colegas”. “Espero que transmitam melhor essas mensagens. Espero a vossa compreensão, a forma como interpretam as coisas é muito importante”, rematou.

Construtora chinesa Shimao falha pagamento de título no valor de mil milhões de dólares

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A construtora chinesa Shimao anunciou hoje que falhou o pagamento de um título, no valor equivalente a mil milhões de dólares, e de outras obrigações emitidas no exterior.

Em comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong, onde está cotada, a empresa informou que falhou o pagamento de quase 1.204 milhões de dólares, incluindo juros, sobre um título emitido na Bolsa de Valores de Singapura, com juro fixo anual de 4,75%.

A Shimao assegurou que, até agora, não recebeu qualquer reclamação, e prometeu “esforçar-se para continuar a colaborar ativamente” com os credores, visando alcançar uma solução que satisfaça ambas as partes.

No mesmo comunicado, a construtora indicou que “não cumpriu os principais pagamentos de algumas outras dívidas emitidas ‘offshore’” para além da obrigação referida, embora não dê detalhes. A empresa afirmou que está a negociar uma “resolução amigável” com os credores.

Entre janeiro e maio, as vendas da imobiliária caíram 72%, em termos homólogos, para 34,26 mil milhões de yuans, um declínio que a empresa atribuiu a “mudanças significativas no ambiente macro para o setor imobiliário na China, a partir do segundo semestre de 2021, e ao impacto de [surtos de] covid-19”.

Isto obrigou a empresa a vender ativos, para “melhorar” a liquidez do grupo, ou a renegociar as condições de algumas das suas linhas de financiamento, o que não impediu que a sua posição fosse comprometida “por incertezas do mercado, face ao refinanciamento de dívida, e a condições operacionais e de financiamento complicadas”.

No ano passado, os reguladores chineses passaram a exigir às construtoras um teto de 70% na relação entre passivo e ativos e um limite de 100% da dívida líquida sobre o património, suscitando uma crise de liquidez no setor, que foi agravada pelas medidas de combate à covid-19.

Em maio passado, a Sunac tornou-se a mais recente construtora chinesa a entrar em incumprimento. O caso mais emblemático envolve a Evergrande Group, cujo passivo ascende ao equivalente a 300 mil milhões de dólares.

No mês passado, a agência de notação financeira S&P baixou também a classificação da dívida do grupo Greenland, que tem o município de Xangai como acionista, devido aos crescentes “riscos” de incumprimento.

A Greenland é um dos maiores grupos imobiliários da China, com forte presença internacional, particularmente nos Estados Unidos. De acordo com a agência de notícias Bloomberg, o grupo solicitou recentemente o adiamento por um ano do pagamento de 488 milhões de dólares em juros de títulos de dívida.

China julga magnata Xiao Jianhua que desapareceu em Hong Kong em 2017

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O magnata sino–canadiano Xiao Jianhua foi hoje a julgamento na China, disse o governo do Canadá, cinco anos após ter desaparecido em Hong Kong, como parte da campanha anticorrupção lançada por Pequim.

O comunicado emitido por Otava informou que diplomatas canadianos estão a “acompanhar de perto este caso” e a prestar serviços não especificados à família de Xiao.

A mesma nota apontou que nenhuma outra informação vai ser divulgada, devido a considerações com a privacidade dos envolvidos.

Xiao, fundador do Tomorrow Group, desapareceu de um hotel de Hong Kong em janeiro de 2017, numa altura em que o órgão de disciplina do Partido Comunista Chinês lançou vários processos contra quadros do Partido e empresários chineses, acusados de suborno e outras más condutas.

As autoridades nunca confirmaram se Xiao foi detido ou divulgaram as acusações.

O desaparecimento de Xiao ocorreu também numa altura em que as autoridades chinesas intensificaram a pressão sobre suspeitos de corrupção radicados no exterior, para que voltassem ao país e fossem julgados. Isto alimentou temores de que Pequim pudesse sequestrar pessoas no exterior.

Antes do seu desaparecimento, Xiao tinha uma fortuna estimada em seis mil milhões de dólares, de acordo com o Relatório Hurun, que elabora uma lista dos mais ricos da China.

Um funcionário do regulador de valores mobiliários da China disse em fevereiro de 2017 que os chineses no exterior acusados de corrupção seriam “capturados e devolvidos” às autoridades do país.

Grupo chinês Fosun acelera venda de ativos para reforçar liquidez

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O grupo Fosun, que detém várias empresas em Portugal, desfez-se do equivalente a dois mil milhões de euros em ativos este ano, visando reforçar a liquidez, numa altura em que enfrenta pressão no mercado obrigacionista.

As vendas comunicadas à bolsa de valores de Hong Kong, onde o grupo está cotado, são o culminar de uma década de expansão agressiva além-fronteiras, que incluiu a compra, em Portugal, da seguradora Fidelidade, uma participação de quase 30% no banco Millennium BCP ou mais de 5% da REN – Redes Energéticas Nacionais, através da Fidelidade.

O conglomerado soma agora uma dívida de 40 mil milhões de dólares, mas a emissão de títulos tornou-se mais cara, após várias empresas chinesas terem entrado em incumprimento, incluindo a Evergrande, a segunda maior construtora da China.

No mês passado, a agência de notação financeira Moody’s colocou o ‘rating’ da Fosun, atualmente com a nota de crédito Ba3, em revisão, para possível baixa.

Em comunicado, a vice-presidente da Moody’s Lina Choi disse que decisão reflete a “preocupação” da agência, de que a “crescente aversão” ao risco, entre os investidores no mercado de dívida, pressione a liquidez já de si “escassa” da Fosun, numa altura em que se aproxima a data de vencimento de obrigações emitidas nos mercados chinês e internacional.

Na mesma nota, a Moody’s apontou o risco de “contágio” e a “pressão adicional sobre a liquidez” das empresas e subsidiárias do conglomerado.

Questionada pela agência Lusa, a Fosun disse que, enquanto empresa cotada em bolsa, não pode comentar sobre uma possível venda de ativos detidos em Portugal, mas garante que está numa “posição sólida e saudável”, apontando uma relação dívida/capital de 54% e 96,78 mil milhões de yuans de dinheiro em caixa, entre saldos bancários e depósitos a prazo.

“A [Fosun] e as suas subsidiárias estabeleceram parcerias com mais de 100 bancos chineses e estrangeiros em todo o mundo e assinaram acordos de cooperação estratégica com vários bancos internacionais e vários bancos chineses”, apontou.

O grupo também anunciou em junho planos para a recompra de dois títulos emitidos no mercado internacional, com vencimento este ano, no valor conjunto de cerca de 800 milhões de dólares. Para a Moody’s, no entanto, a Fosun tem um perfil financeiro “fraco”.

“A receita recorrente da empresa, principalmente dividendos de investimentos subjacentes, é inadequada para cobrir os juros e despesas operacionais”, apontaram os analistas da agência.

A venda de ativos pela empresa este ano ultrapassou já os dois mil milhões de dólares, em comparação com 85 milhões de dólares (81,5 milhões de euros), em 2021, segundo dados da Dealogic, fornecedora global de conteúdo e análise para o setor financeiro.

Em março, o conglomerado chegou a acordo para vender a sua divisão de moda, Lanvin Group, através de uma entrada na Bolsa de Valores de Nova Iorque, mediante uma empresa de aquisições para fins específicos (SPAC, na sigla em inglês). No mês seguinte, a empresa acordou a venda da seguradora norte-americana AmeriTrust Group Inc à Accident Fund Insurance Company of America, subsidiária integral do AF Group, com sede nos Estados Unidos.

Entre os ativos vendidos este ano pelo grupo constam ainda uma posição no valor de 500 milhões de euros na Tsingtao Brewery, a principal marca de cervejas da China, 5% do grupo chinês taihe technology, no valor de 43 milhões de euros, ou 6% do capital da empresa Zhongshan, por 100 milhões de euros, de acordo com a cotação atual no mercado.

A Moody’s observou que a qualidade de crédito da empresa, que afeta diretamente a sua capacidade de refinanciamento, vai provavelmente enfraquecer devido à venda de ativos, o que significa uma queda nas receitas com dividendos.

Os principais ativos do grupo incluem participações em mais de 40 empresas nas áreas saúde, turismo, gestão de ativos, mineração, siderurgia e tecnologia.

Entre os ativos mais sonantes constam a cadeia hoteleira Club Med e o clube inglês de futebol Wolverhampton Wanderers. Em 2021, a receita total do grupo fixou-se em 161 mil milhões de yuans e os seus ativos valiam, no conjunto, 806 mil milhões de yuans, de acordo com a empresa.

Doze corpos recuperados após naufrágio no Mar do Sul da China causado por tufão

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Doze corpos foram recuperados depois de um navio-grua se ter afundado e partido devido a um tufão que atingiu o Mar do Sul da China durante o fim de semana, indicaram hoje as autoridades chinesas.

O navio encontrava-se a 160 milhas náuticas a sudoeste de Hong Kong (Sul da China) quando foi apanhado na tempestade do Chaba, no sábado passado.

De acordo com uma contagem inicial feita no fim de semana, a tragédia deixou 27 pessoas desaparecidas, sendo que já foram recuperados 12 corpos.

“Segundo a última contagem de 04 de julho às 15:30 (08:30 em Lisboa), as equipas de salvamento encontraram e recuperaram 12 corpos de presumíveis vítimas”, segundo o Centro Marítimo de Busca e Salvamento de Guangdong, uma província chinesa perto de Hong Kong.

“As autoridades competentes estão atualmente a intensificar o seu trabalho para identificar” os corpos, adiantou.

No sábado, três dos 30 membros da tripulação a bordo do navio foram resgatados e levados para o hospital. Hoje a televisão estatal chinesa CCTV deu contra de um quarto tripulante resgatado, adiantando que o seu estado de saúde era estável.

O tufão Chaba formou-se no centro do Mar do Sul da China e deslocou-se até Guangdong no sábado à tarde.

O local onde se encontrava o navio registou ventos de 144 quilómetros por hora e ondas de até 10 metros de altura, afirmaram as autoridades.

Um total de sete aviões, 246 navios e quase 500 barcos de pesca continuam nas operações de salvamento para encontrar as restantes pessoas desaparecidas, assegurou hoje o Centro Marítimo.

As previsões das autoridades chinesas apontam para que o Chaba se desloque a uma velocidade entre 15 e 20 quilómetros por hora, na direção norte, até se dissipar na região vizinha de Guangxi, na segunda-feira. Em Macau o Chaba obrigou à emissão do sinal de alerta 8, durante 23 horas, entre a noite de sexta-feira e a noite de sábado, sem impacto significativo.

China confina 1,7 milhões para conter novos surtos de covid-19 no leste

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A China colocou 1,7 milhões de pessoas sob confinamento na província de Anhui, no leste do país, onde cerca de 300 novos casos de covid-19 foram diagnosticados nas últimas 24 horas.

O país asiático mantém uma política de tolerância zero à covid-19, que inclui o bloqueio de cidades inteiras, testes em massa e o isolamento de todos os casos positivos e contactos diretos.

O surto detetado em Anhui ocorre numa altura em que a economia chinesa está a recuperar lentamente de um bloqueio de dois meses em Xangai, a “capital” económica da China.

Duas cidades da daquela província, Sixian e Lingbi, anunciaram bloqueios que afetam mais de 1,7 milhões de pessoas. Os residentes só podem sair de casa para fazer o teste de ácido nucleico (PCR).

A cadeia televisiva estatal CCTV transmitiu imagens de ruas vazias em Sixian, no fim de semana, com os moradores na fila para fazer o teste para o novo coronavírus. O Ministério da Saúde registou 287 novos casos em Anhui, nas últimas 24 horas, elevando o total para mais de 1.000 nos últimos dias na província.

O governador da província, Wang Qingxian, instou as autoridades a “implementar testes rápidos” e a colocar em quarentena e relatar casos o mais rápido possível.

A província vizinha de Jiangsu também registou 56 novos casos, em quatro cidades, nas últimas 24 horas. O número de casos permanece muito baixo na China em comparação com a grande maioria dos outros países.

Mas as autoridades pretendem limitar ao máximo a circulação do vírus devido aos recursos médicos limitados em certos lugares e à taxa relativamente baixa de vacinação entre os idosos. No entanto, esta estratégia tem altos custos económicos.

Artes | Residente de Macau colabora em projectos na Polónia e Alemanha

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Cheong Kin Man, residente de Macau e antropólogo visual há muito radicado em Berlim, colaborou com a artista Marta Stanisława Sala para a concepção da mostra “O Salgueiro da Ester”, que termina no final deste mês em Cracóvia. Cheong e Marta voltam a juntar-se para uma colaboração para o Begehungen Art Festival, na Alemanha

 

“O Salgueiro da Ester” é o nome da exposição patente em Cracóvia, na Polónia, na qual colabora Cheong Kin Man, residente de Macau radicado há muitos anos em Berlim e antropólogo visual. Para esta mostra, Cheong Kin Man colabora com a artista polaca Marta Stanisława Sala numa exposição que aborda a história de um salgueiro chorão, plantado no sítio de uma antiga sinagoga, que foi demolida durante o tempo da ditadura na Polónia, em 1973. O antigo salgueiro chorão foi cortado em 2018. A inauguração da mostra, juntamente com a plantação da nova árvore, plantada em Chrzanów, foi inaugurada este domingo.

Este projecto, que integra o festival de cultura judaica polaco FestivALT, conta ainda com a colaboração de Katarzyna Sala, irmã da artista, e Robert Yerachmiel Sniderman, artista e poeta americano de origem polaca judia.

Através de obras em tecido de Marta Stanisława Sala, poemas de Robert Yerachmiel Sniderman e a exibição de um filme experimental, entre outros trabalhos artísticos, pretende-se espelhar a luta contra o anti-semitismo. Cheong Kin Man colaborou na parte da fotografia e imagens, sendo o responsável por toda a representação visual e artística da parte da documentação histórica da exposição. “Recriei cerca de noventa imagens históricas e fiz uma série de fotografias das notas e dos poemas de Robert Yerachmiel Sniderman”, contou o artista.

Uma ligação

Cheong Kin Man permanece artisticamente ligado à artista polaca numa residência artística inserida no Begehungen Art Festival, que decorre na Alemanha, mais concretamente no estado da Saxónia.

“Inspirado pela tradição cantonense de homenagear os antepassados, vamos criar juntamente uma série de ‘dinheiro dos mortos’ com motivos inspirados pela história da antiga República Democrática Alemã”, adiantou Cheong Kin Man. Este projecto será depois apresentado no festival, em Agosto.

Receita de jogo em Junho é o pior resultado do ano e desde Setembro de 2020

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Em Junho, as receitas brutas dos casinos de Macau fixaram-se em 2,47 mil milhões de patacas, ou seja, menos 25,8 por cento em relação a Maio (3,34 mil milhões) e menos 62,1 por cento em comparação com Junho de 2021 (6,53 mil milhões).

Contas feitas, de acordo com os números da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), as receitas de Junho materializaram assim o pior resultado do ano em termos mensais, tendo mesmo ficado abaixo do registo de Abril, quando foram alcançadas receitas de apenas 2,67 mil milhões de patacas. Além disso, é preciso recuar até Setembro de 2020, altura em que as receitas dos casinos se fixaram em 2,21 mil milhões de patacas, para se encontrar um resultado inferior ao alcançado em Junho de 2022.

Recorde-se que entre os piores registos de 2022, estão também os meses de Maio (3,34 mil milhões) e Março (3,67 mil milhões). Em sentido contrário, o melhor resultado do ano foi alcançado em Fevereiro, altura em que as receitas brutas dos casinos foram de 7,75 mil milhões de patacas, suplantando mesmo as receitas de Fevereiro de 2021 (7,31 mil milhões).

Quanto à receita bruta acumulada do primeiro semestre de 2022, segundo os dados da DICJ, registaram-se perdas de 46,4 por cento por cento. Isto, dado que o montante total gerado entre Janeiro e Junho de 2022 foi de 26,26 mil milhões de patacas, ou seja, menos 22,76 mil milhões de patacas comparativamente com o total acumulado nos primeiros seis meses de 2021 (49,02 mil milhões).

Não está fácil

De frisar ainda que o resultado não é alheio ao surto de covid-19 que está a assolar Macau e que teve início a 18 de Junho, impondo restrições mais apertadas nas fronteiras, o encerramento de espaços de lazer e jardins e a obrigatoriedade de os restaurantes servirem apenas refeições para fora. Além disso, apesar de os casinos continuarem de portas abertas, desde a passada sexta-feira, a apresentação de um teste de ácido nucleico com resultado negativo feito nas últimas 48 horas passou a ser obrigatório para clientes e funcionários dos casinos.

Recorde-se que, sensivelmente há um mês, após o anúncio dos resultados de Maio, Ho Iat Seng admitiu que o Governo teria de ajustar as previsões anuais das receitas provenientes do jogo, fixadas inicialmente em 130 mil milhões de patacas.

Caso único: maioria absoluta que não governa

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Quando eu era um adolescente na década de 1960 ouvi um tio a dizer a uns amigos que o aeroporto de Lisboa tinha de sair daquele local porque se um avião caía sobre a capital era uma tragédia. Acompanho a política desde a governação de Oliveira Salazar e nunca assisti a medidas governamentais que retirassem o aeroporto da Portela do centro da grande região de Lisboa.

A semana passada assistimos à maior vergonha e despotismo jamais visto na política portuguesa. Um ministro decidiu exarar um despacho governamental sem conhecimento do primeiro-ministro, e mais grave, do Presidente da República. Mas, não se tratou de qualquer despacho. O ministro das Infraestruturas de nome Pedro Nuno Santos e de alcunha “o Maserati” porque tendo adquirido uma máquina de luxo, quando se deslocou para uma cerimónia oficial escondeu a uns bons metros o automóvel para que ninguém visse que um socialista esquerdista era proprietário de um Maserati.

Este mesmo governante decretou, sem mais nem menos, numa altura em que António Costa estava ausente do país, em que decorria um congresso sobre os oceanos com as mais distintas personalidades internacionais, num momento em que o país entrava em caos com as urgências hospitalares a encerrar e as mulheres grávidas sem saber onde poderiam dar à luz os seus bebés, num momento em que os turistas chegavam ao Algarve e deparavam-se com restaurantes encerrados por falta de mão-de-obra, o senhor ministro resolveu mandar um secretário de Estado assinar o despacho para a construção de dois aeroportos, no Montijo e em Alcochete, e simultaneamente dirigiu-se para todos os canais televisivos dando entrevistas que justificavam a opção tomada.

Tratou-se de um caso único na política portuguesa da nova República. Como é possível que um ministro que sempre pretendeu ocupar o lugar de primeiro-ministro, tenha tomado uma decisão desta gravidade e de enormidade financeira sem dar conhecimento ao chefe do Governo. Obviamente, que António Costa assim que tomou conhecimento da arrogância ministerial revogou o despacho do ministro e assim que chegou a Lisboa reuniu com o mesmo e todo o país esperava que o ministro fosse demitido. Não se demitiu, mostrando uma falta de dignidade e de respeito por todos os portugueses, nem António Costa, lamentavelmente, o demitiu.

Costa tem medo de Pedro Nuno Santos? Com quem já teve várias divergências e sabe que Pedro Nuno Santos pretende o seu lugar no palácio de São Bento. Como é que foi possível o ministro afirmar que a decisão foi tomada por “falta de comunicação” (não se riam que o caso é sério) e que também devido ao aeroporto Humberto Delgado estar a rebentar pelas costuras? Ninguém acredita neste discurso. Se a Portela estivesse a ficar inoperacional como é que só em 2027 é que tínhamos o aeroporto do Montijo a funcionar? Depois anunciou que o aeroporto de Alcochete estaria pronto em 2035 e nessa altura encerrava-se o aeroporto de Lisboa.

Parece que estamos num planeta de loucos. Em 2035 é que terminavam a construção de um simples aeroporto em Alcochete, quando assistimos a China a construir em Pequim um dos melhores aeroportos do mundo em apenas dois anos. Pior ainda toda esta loucura dos aeroportos: o mesmo ministro afirmou que seria a ANA a pagar. A ANA não tem dinheiro, por vezes, para pagar subsídios de férias e de Natal aos trabalhadores. Qual Ana qual carapuça. Os milhares de milhões de euros seriam pagos por todos nós e o resto é pura mentira.

Depois, a envolvência deste caso assume parâmetros inimagináveis, como por exemplo, os estudos de impacto ambiental que já foram realizados e que custaram uma fortuna, estando o de Alcochete já caducado. E com um facto que vale a pena salientar: com a rejeição total, em 2021, da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) ao requerimento da ANA para construir o aeroporto complementar do Montijo. Tratou-se de um indeferimento liminar porque algumas das Câmaras Municipais da área não concordavam com um aeroporto onde vivem dezenas de espécies de aves diferentes.

Assistimos de manhã à noite, durante toda a semana, a todos os comentadores a pedir a demissão imediata do ministro Pedro Nuno Santos. Assistimos às explicações dos melhores engenheiros a discordar com a decisão do ministro, a provarem que não há viabilidade técnica e financeira para a megalomania de construir dois aeroportos e seus apêndices, como por exemplo, mais uma ponte rodoviária e ferroviária entre o Barreiro e Lisboa. Assistimos aos mais variados especialistas de aeronáutica provando que o aeroporto de Beja pode servir perfeitamente Lisboa e o Algarve.

Enfim, assistimos a uma vergonha. Um governo de maioria absoluta onde os seus membros não se entendem, não reúnem, não mostram competência para proporcionar uma melhor vida ao povo, um governo que nem satisfação deu ao Presidente da República, o qual ficou imensamente agastado e manifestou a António Costa que tem feito uma péssima escolha dos seus ministros.

Portugal está em crise política num momento em que o próprio primeiro-ministro afirmou que na questão dos aeroportos o PSD seria consultado no sentido de se comprometer com um projecto que não é para amanhã, mas sim para um futuro de dezenas de anos. Até nisso, o ministro campeão da arrogância se comportou mal. A dois dias do congresso do PSD onde o novo líder tomaria posse é que anunciou a construção dos aeroportos de Montijo e Alcochete. Portugal nunca tinha visto um filme deste tipo e o mais grave de tudo é que no Partido Socialista nem se honrou a memória de Jorge Coelho, que mal desabou a ponte de Entre-os-Rios, pediu imediatamente a demissão de ministro.

Literatura | “Olhar a China pelos livros” apresentado em Lisboa 

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Jorge Tavares da Silva, académico e especialista em assuntos chineses, coordena a obra “Olhar a China pelos livros”, lançada recentemente no Centro Científico e Cultural de Macau. O livro contém textos de 18 autores que olham para a China a partir de livros escolhidos por si, disponibilizando ao leitor várias visões do país

 

“Olhar a China pelos livros” é o nome da mais recente obra coordenada por Jorge Tavares da Silva, professor universitário na área das relações internacionais e especialista em assuntos chineses que, desta vez, foi além do mundo académico para apresentar uma obra que traça a visão de 18 autores sobre a China.

Autores como Ana Cristina Alves, ex-docente na Universidade de Macau e coordenadora do serviço educativo do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), Francisco José Leandro, académico da Universidade Cidade de Macau, António Graça de Abreu, autor e tradutor, e Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, entre outros, foram convidados a olhar para a China com base numa obra por si escolhida.

O livro, lançado recentemente no CCCM, em Lisboa, apresenta, por isso, várias “formas de olhar para a China”, contou Jorge Tavares da Silva ao HM. “Tudo isto partiu da minha curiosidade, pois a China pode ser vista de muitas maneiras, e até algumas erradas.”

Livros como “Riding the Iron Rooster”, de Paul Theroux, sobre viagens de comboio na China, ou “Terra Bendita”, de Pearl S. Buck, dão o mote a muitos dos textos desta obra.

“Dei a liberdade total na escolha das obras. Alguns livros são chineses, não estão sequer traduzidos para inglês ou português. Desta forma, o livro tem essa vantagem de dar a conhecer obras desconhecidas no ocidente”, contou Jorge Tavares da Silva.

Das viagens à literatura

“Olhar a China pelos livros” traz diversos temas, e não falta sequer a gastronomia macaense. “Há obras que foram no sentido das viagens, enquanto que outros autores olharam para a China através da poesia clássica. Há quem tenha ido aos autores tradicionais, às grandes obras da filosofia chinesa.”

“Terra Bendita”, de Pearl S. Buck, foi a escolha de Jorge Tavares da Silva, apresentando uma visão do mundo rural chinês que já não existe. “ A Pearl S. Buck foi a autora que me levou para a China. Estava habituado a um mundo eurocêntrico, muito centrado no indivíduo, mas deparei-me com lógicas colectivas e formas de estar na sociedade completamente distintas. Foi esse contraste que me atraiu, o pensar que há um mundo além do europeu, com uma civilização que tem um mundo antagónico”, recordou o coordenador da obra.

Acima de tudo, Jorge Tavares da Silva espera atrair um público vasto, incluindo estudantes chineses de português, para que possam compreender mais sobre o seu próprio país. “Esta é uma obra para o público em geral, não é académica, e tem uma leitura muito descontraída. Esta obra vai ter algum impacto no sentido de leitura e interesse”, rematou.

Chaba | 26 incidentes e dois feridos depois de 23 horas de Sinal 8

Sofia Margarida Mota
Durante o período em que o sinal n.º8 esteve içado devido ao tufão Chaba, Macau registou 26 incidentes, que resultaram em dois feridos. Cheias no Porto Interior, chuvas fortes e queda de azulejos do edifício Koi Nga marcaram a primeira tempestade tropical do ano. Wong Sio Chak enalteceu a capacidade de lidar simultaneamente com surto e intempérie

 

Além das restrições impostas à população e o esforço adicional do Executivo para combater o surto de covid-19 em Macau, a passagem do tufão Chaba obrigou o Centro de Operações de Protecção Civil (COPC) a accionar, em simultâneo, uma série de medidas para responder aos efeitos daquela que foi a primeira tempestade tropical a afectar o território em 2022.

De acordo com o COPC, entre as 21h30 de sexta-feira e as 20h30 de sábado, período em que o sinal nº 8 esteve içado devido à passagem do tufão Chaba, foram registados em Macau 26 incidentes, que resultaram em duas pessoas feridas. Detalhando, ao longo das 23 horas em que o sinal n.º8 esteve em vigor, registaram-se cinco quedas de árvores, 16 casos de suspensão ou remoção de rebocos, reclamos, toldos, janelas ou outros objectos com risco de queda e cinco casos de queda de andaimes ou outras instalações em estaleiros de obras. Os dois feridos foram transportados para o Hospital Kiang Wu. Segundo o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), foi ainda registado um caso de “negociação de tarifa” por parte de um taxista.

Com a intensidade da chuva e do vento a aumentar ao longo do dia e existindo ainda dúvidas acerca da trajectória a tomar pelo tufão Chaba, o sinal n.º 8 de tempestade tropical tardou a baixar no sábado e, sob a influência do fenómeno da maré astronómica, os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) emitiram também o aviso de “storm surge” amarelo.

Segundo a TDM-Canal Macau, a meio do dia, a zona do Porto Interior estava inundada, com a altura da água a atingir meio metro de altura. Um residente da zona do Porto Interior que saiu à rua para comprar comida durante o sinal n.º8, considerou que apesar da chuva intensa, o vento que sentiu não era forte.

“Se os restaurantes não estivessem abertos, não teríamos nada para comer. O tempo está bom. Às vezes, a chuva é forte, mas o vento não é assim tão forte”, disse.

Ao longo de praticamente todo o dia, os postos de testagem contra a covid-19 estiveram encerrados, o serviço de autocarros e do Metro Ligeiro suspensos e as três pontes que fazem a ligação entre Macau e Taipa fecharam. De assinalar ainda que, durante a passagem do “Chaba”, cinco pessoas recorreram às instalações dos centros de abrigo do Instituto de Acção Social (IAS). Já o centro de acolhimento temporário da Ilha Verde, aberto devido ao surto de covid-19, apoiou 113 pessoas.

De acordo com dados do Aeroporto Internacional de Macau citados pela TDM – Canal Macau, o cancelamento de voos de e para Singapura devido ao mau tempo, afectou 281 passageiros.

Pelos ares

Outra das imagens que fica da passagem do tufão Chaba, é a queda de azulejo das paredes exteriores do Edifício Koi Nga, em Seac Pai Van. Num vídeo que circulou nas redes sociais é possível ver duas áreas de vários metros de comprimento de revestimento a “descascar”, revelando a parede do edifício em bruto.

Reagindo à queda de azulejos, a Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) apontou que o local foi vedado, não existindo impacto na estrutura do edifício. Foi ainda revelado que a DSOP e o Instituto de Habitação (IH) pediram ao empreiteiro responsável “para proceder aos trabalhos de reparação nas partes onde houve queda de tijolos”, com as despesas suportadas pelo próprio.

De acordo com a DSOP, durante a passagem do tufão, a camada exterior dos vidros duplos da parede exterior do Tribunal Judicial de Base “rebentou” e as barreiras da parte lateral da via junto à Rua de S. Tiago da Barra caíram, acabando por ser demolidas pelos bombeiros.

No rescaldo das operações, o secretário para a Segurança Wong Sio Chak, enfatizou a capacidade de resposta da protecção civil perante o surgimento de “dois incidentes súbitos de natureza pública”, ou seja, o surto de covid-19 e a passagem do tufão Chaba. “Os serviços têm ajustado os seus trabalhos em conformidade com as medidas de prevenção epidémica dos Serviços de Saúde, conseguindo salvaguardar com eficácia a vida e os bens dos residentes”, vincou. Todos os sinais de tempestade foram cancelados ontem às 18h.

HK | Xi Jinping pede que Macau continue a lutar pela recuperação económica

DR
Ho Iat Seng, Chefe do Executivo, reuniu com o Presidente Xi Jinping em Hong Kong a propósito do aniversário da transferência de soberania da região vizinha. Os recados de Pequim incidiram sobre a necessidade de recuperação de uma economia em crise

 

O Presidente chinês, Xi Jinping, pediu na quinta-feira ao Governo de Macau para que continue a “lutar pela recuperação económica”. O pedido dirigido ao Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, foi realizado em Hong Kong, onde ambos estiveram presentes para as celebrações do 25.º aniversário do regresso da antiga colónia britânica à soberania chinesa.

Numa reunião com o líder do Governo de Macau, Xi Jinping exortou as autoridades igualmente a aplicarem “esforços incessantes na prevenção e controlo das epidemias”, segundo um comunicado oficial. Ao mesmo tempo, pediu que o Governo avance “resolutamente com uma diversificação económica adequada” e que maximize “os esforços para manter a estabilidade social”.

Da resposta

Ho Iat Seng declarou que “continuará a promover, de forma eficaz, os diversos trabalhos”, além de persistir na manutenção de uma conjuntura satisfatória em Macau”. O encontro contou com a participação do director do Gabinete Geral do Partido Comunista do Comité Central da China, Ding Xuexiang e do vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau junto do Conselho de Estado, Xia Baolong.

Ho Iat Seng viajou para Hong Kong na última quarta-feira para participar nas cerimónias oficiais do aniversário da transição da RAEHK, mas não cumpriu a quarentena obrigatória de dez dias num hotel designado exigida a todos os residentes. O Chefe do Executivo fez-se acompanhar por Hoi Lai Fong, chefe de gabinete, tendo ambos feito a viagem em circuito fechado, com a realização de um período de auto-gestão de saúde e testes.

“Para participar nesta actividade celebrativa tão significativa, a comitiva do Governo da RAEM cumpriu escrupulosamente as exigências de prevenção epidémica da RAEHK, tendo efectuado, com uma semana de antecedência, antes da partida, a monitorização de saúde e, diariamente, testes de antigénio e de ácido nucleico”, foi revelado. “Durante a estada em Hong Kong, procederá à gestão preventiva de circuito fechado e às devidas testagens”, apontaram ainda as autoridades. Com Lusa

Coutinho alerta que DSAL está a pressionar funcionários para fazerem voluntariado

Tiago Alcântara

Pereira Coutinho alerta que vários serviços públicos, incluindo a Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), estão a obrigar os trabalhadores a “voluntariar-se” para auxiliarem nos testes em massa.

O aviso, que deixa o deputado ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública preocupado, foi partilhado com o HM. “Estão a obrigar os trabalhadores da Função Pública a fazer trabalho de voluntariado, o que acontece em vários serviços públicos”, revelou. “A própria DSAL, que devia zelar pelos trabalhadores e os seus direitos, obriga-os a trabalhar como voluntários, sem o pagamento de horas extraordinárias”, avisou.

A situação está a causar desagrado na Função Pública, porque os trabalhadores consideram que estão a correr riscos para fazer um trabalho para a qual não são pagos, e que pode resultar na infecção das suas famílias.

“Recebi queixas de várias pessoas que trabalham nos serviços administrativo e financeiros da DSAL, porque estão a ser obrigadas a trabalhar em regime de voluntariado”, confessou. “Estão muito preocupadas porque têm idosos em casa e filhos menores. E se foram contaminadas vão propagar o vírus em casa. Não se pode obrigar as pessoas a fazer trabalho ‘voluntário’”, considerou.

Haja memória

Em declarações ao HM, José Pereira Coutinho considerou ainda ser cedo para comentar se os Funcionários Públicos deviam ter aumento do ordenado no final do ano, face ao trabalho pandémico desenvolvido ao longo do ano.

Apesar disso, numa publicação nas redes sociais, apelou ao Executivo para não se esquecer do trabalho que está a ser feito. “O Governo da RAEM não pode esquecer o contributo dos funcionários públicos durante a pandemia”, afirmou. “Em particular, dos voluntário, que têm famílias, que precisam de tomar conta dos pais e dos filhos e que mesmo assim sacrificam a sua saúde e segurança pela população”, vincou. “Esses contributos merecem ser lembrados”, acrescentou.

Desde o início da pandemia que os salários da função pública estão congelados. O Executivo afastou o cenário de aumentos no próximo ano.

SSM | Associação critica obstrução do trabalho de jornalistas

DR

A Associação de Jornalistas de Macau criticou os Serviços de Saúde (SSM) por “deliberadamente” obstruírem o trabalho dos repórteres que se deslocam à conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia.

O comunicado foi emitido na quinta-feira, após um dos assessores ter retirado o microfone de uma jornalista a meio de uma pergunta. Momentos antes, os SSM tinham instruído os jornalistas sobre o tipo de perguntas que eram autorizados as fazer.

“Em relação à mais recente conferência de imprensa sobre o trabalho de prevenção pandémica, alguns assessores dos Serviços de Saúde começaram a interromper perguntas dos jornalistas e até tiraram o microfone das mãos de uma jornalista”, pode ler-se no comunicado. “Indicaram também, antes da conferência de imprensa, que as questões dos jornalistas não devem focar casos particulares, mas antes serem gerais”, foi acrescentado.

“A Associação de Jornalistas de Macau […] condena veemente esta interferência no trabalho normal dos jornalistas, e apela aos serviços para corrigirem este comportamento o mais rapidamente possível”, foi pedido.

No comunicado, a associação esclarece ainda que nos últimos tempos os órgãos de comunicação social têm sido inundados pela população com perguntas sobre as políticas de prevenção da pandemia, e que as questões levantadas visam o esclarecimento público. A associação recusou ainda as declarações do director Alvis Lo que apontou que as perguntas dos jornalistas “são sobre o foro privado”.