Coreia do Norte diz que lançamentos de mísseis foram “exercícios nucleares táticos” Hoje Macau - 10 Out 2022 DR Os lançamentos de mísseis realizados pela Coreia do Norte nas últimas semanas foram “exercícios nucleares táticos”, supervisionados pelo presidente norte-coreano, Kim Jong-un, revelou hoje a agência noticiosa norte-coreana KCNA. Segundo a mesma agência de notícias, as “Unidades do Exército do Povo Coreano, responsáveis pelo uso de armas nucleares estratégicas, organizaram exercícios militares entre 25 de setembro e 09 de outubro, para verificar e avaliar a capacidade de dissuasão e de contra-ataque nuclear do país”. E essa capacidade militar “é um severo aviso aos inimigos”, escreveu a agência oficial da Coreia do Norte. Nas duas últimas semanas, a Coreia do Norte fez pelo menos sete lançamentos de mísseis balísticos, numa série de testes de armamento. O sétimo lançamento ocorreu no sábado, horas depois de os Estados Unidos e a Coreia do Sul terem dado por terminado mais um exercício naval na costa leste da península coreana. Na quinta-feira, a Coreia do Sul informou que 12 aviões norte-coreanos sobrevoaram a região da fronteira comum, levando Seul a acionar 30 aparelhos militares para a mesma zona, como resposta à manobra de Pyongyang.
O sonho de um aeroporto André Namora - 10 Out 2022 DR Os leitores que residem em Macau há muitos anos e que assistiram à construção do aeroporto local no mar em tempo recorde ficam incrédulos quando ouvem dizer que em Portugal se anda há 50 anos a dizer que Lisboa irá ter um novo aeroporto. O caso é pior que uma telenovela mexicana. Nos últimos dias assistimos ao surrealismo governamental sobre este assunto referente ao novo aeroporto de Lisboa. Só em estudos de impacte ambiental já foram gastos 70 milhões de euros. A localização do aeroporto tem sido uma panóplia de locais que tem deixado o povo indignado e revoltado com tanta incompetência, clãs de interesses económicos e depravação de adquirir terrenos mal se menciona na imprensa um local possível para o novo aeroporto. Já se falou em 17 locais diferentes e o nome daquele que devia ser mencionado nunca foi escutado, o de Beja. Falou-se na Ota, Alverca, Montijo, Évora, Ponte de Sôr, Alcochete e agora um barraqueiro rico que foi accionista da TAP veio propor Santarém. Os estudos e as comissões já não têm número certo. O que se sabe é que há uns anos, uma comissão com especialistas do melhor que temos em Portugal realizou um estudo e apresentou um relatório salientando que o campo de tiro de Alcochete reunia todas as condições para ser o novo aeroporto de Lisboa. O relatório foi para a gaveta e as obras em Alcochete não se iniciaram. Caso contrário, já existia um novo aeroporto. O local que ninguém compreende porque é silenciado é Beja. Naquela cidade alentejana funcionou durante muitos anos uma base aérea alemã e se os alemães escolheram aquele local e certamente que não foi por acaso. Hoje, aterram no aeroporto de Beja os maiores aviões do mundo. Tem espaço e condições para expandir-se e aumentar estruturas de apoio ao movimento aéreo. Fica situado perto de Lisboa e a mobilidade rodo e ferroviária teria o menor custo para os portugueses. Há semanas, o ministro das Infra-estruturas, Pedro Nuno Santos, morreu politicamente ao anunciar sem dar cavaco ao primeiro-ministro, ou a alguém, que o aeroporto Humberto Delgado iria ter obras de beneficiação, que em Montijo se construiria o aeroporto de apoio à Portela e que se edificava em Alcochete um aeroporto que estaria pronto em 2035…. Bem, ficou tudo doido e António Costa recusou de imediato a decisão absurda do ministro. O homem não se demitiu e apareceu agora com nova proposta. Algo que ultrapassa o limite do absurdo. Já ninguém pode ouvir falar em aeroporto novo para Lisboa. Imaginem que o Governo não apresentou uma decisão para este ano. Inacreditavelmente, o mesmo ministro precisamente no mesmo dia em que a Polícia Judiciária fez buscas no edifício do Conselho de Ministros por suspeitas de corrupção do secretário-geral do Conselho, veio a público anunciar, leiam bem: que ficou decidido criar uma Comissão Técnica, liderada por um coordenador-geral, sob a indicação do presidente do Conselho Superior de Obras Públicas, do presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (não se riam) e do presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento sustentável. E o périplo ainda não terminou porque estas três personalidades vão sugerir um coordenador-geral que depois vai constituir seis equipas, repito, seis equipas que vão trabalhar em seis dossiers diferentes. Seis dossiers para onde vão ser contratados mais de 20 “amiguinhos” do ministro. Tudo isto para quê? Para nos dizerem que no final de 2023 a tal Comissão Técnica apresentará o local definido para o novo aeroporto de Lisboa. Não há vergonha para tamanha façanha. Isto, é brincar com todos nós. Não é sério. Se não querem, tal como nos últimos 50 anos, construir o aeroporto, digam logo. Não andem com estes subterfúgios e “tachos” para amigos com a desculpa da construção de um aeroporto de segunda categoria. O ministro das Infra-estruturas ainda teve a sem vergonha de anunciar com todas as letras que “Criámos uma estrutura que vai ter a participação de muitas personalidades das mais diversas origens, para poderem, durante o resto dos meses deste ano e durante o próximo ano, concretizar e concluir uma avaliação ambiental e estratégica que fundamentará a decisão sobre a futura localização do aeroporto”. Não satisfeito com as palavras balofas, o ministro divulgou as soluções que a tal Comissão Técnica vai estudar. Única e simplesmente, cinco. Uma em que o aeroporto Humberto Delgado fica como aeroporto principal e Montijo como complementar (não se riam), uma segunda em que o Montijo adquire progressivamente o estatuto de principal e Humberto Delgado de complementar (não se riam, uma terceira em que Alcochete substitui integralmente o aeroporto Humberto Delgado (não se riam), uma quarta em que será este aeroporto o principal e Santarém do barraqueiro o complementar (não se riam) e uma quinta em que Santarém substitui integralmente o aeroporto Humberto Delgado (não chorem)…
Humarish Club | Exposição de arte contemporânea decorre até Novembro Hoje Macau - 10 Out 2022 Trabalho de Javier Martin / DR A galeria de arte Humarish Club, situada no empreendimento Lisboeta Macau, inaugurou na última sexta-feira uma mostra de arte contemporânea, intitulada “Blind Love” com cinco artistas internacionais: Adam Handler, Ito Aya, Javier Martins, Jun Oson e Lin Yen Liang. O projecto acontece em parceria com a consultora local Pat Culture and Art “BlindLove” é o nome da mais recente mostra disponível na galeria de arte Humarish Club, no Lisboeta Macau. Inaugu- rada na última sexta-feira, e patente até ao dia 15 de Novembro, a exposição traz apenas cinco nomes de artistas internacionais. São eles, Adam Handler, Ito Aya, Javier Martin, Jun Oson e Lin Yen Liang. Esta iniciativa cultural nasce de uma parceria com a consul- tora de arte de Macau Pat Culture and Art. Pretende-se também, com esta mostra, “fazer com que o público perceba a importância do amor na vida através de obras de arte que expressam aideia de que o amor empodera e que não temos mais de ter medo de nada que aconteça à nossa volta” Sob a temática do amor cego, os artistas são convidados a expressarem, através da arte, os piores momentos vividos durante a pandemia, com as restrições de viagens, o isolamento e as fases de contágio. Pretende-se também, “fazer com que o público perceba a importância do amor na vida através de obras de arte que expressam a ideia de que o amor empodera e que não temos mais de ter medo de nada que aconteça à nossa volta”, lê-se numa nota de imprensa. Todos os artistas fazem a sua estreia em Macau. No caso de Adam Handler, a sua peça “Ghost Abduction in a Lost Flower Garden” foi leiloada na Sotheby’s por 441 mil dólares de Hong Kong. O artista nova-iorquino já expôs por todo o mundo passando pelos EUA, Europa, Ásia, África e região do Médio Oriente, sendo conhecido pelo seu trabalho cheio de cores mescladas com imagens saídas de sonhos e uma pinta de humor negro. “O seu estilo criativo questiona as noções e assumpções das pessoas sobre o mundo real que existe à sua volta, redesenhando as possibilidades sobre os sistemas estéticos”, lê-se ainda na mesma nota. Quatro identidades A mostra de arte contemporânea conta também com Ito Aya, que foi artista residente na galeria da Royal Siberian Academy, em Dublin, Irlanda, no ano de 2018. Natural do Japão, a artista já foi premiada e expôs colecti- vamente em mostras como “VOCA 2010”, patente no Ueno Royal Museum”, em Tóquio, e “RESONANCE”, no Suntory Museum, em Osaka. Destaque ainda para a exposição “Really Realistic Reality”, que pôde ser vista no Museu de Arte Moderna em Wakayama, no ano de 2015. Nascido em 1985 em Espanha, Javier Martin é o senhor que se segue nesta exposição. O pintor começou a dar as primeiras pinceladas aos sete anos, sendo que, aos oito, inaugurou a sua primeira exposição. O primeiro prémio sobre o seu trabalho chegaria aos nove anos. Durante mais de uma década, Javier Martin trabalhou na série de pinturas intitulada “Blindness”, uma das mais icónicas da sua carreira. Em 2012, o artista espanhol inaugurou a sua primeira exposição na Ásia, no espaço M50 Art Zone. Em 2016, apresentou o trabalho “Lies and Light” numa exposição individual na Art Basel de Hong Kong. “Blind Love” conta com mais um artista japonês na lista. Desta feita é Jun Oson, que é também ilustrador e bastante conhecido pelo seu trabalho feito com cartoons, onde os traços a negrito e com cores festivas atraem tanto crianças como adultos. Jun Oson também já expôs um pouco por todo o mundo, em países e regiões como o Reino Unido, França, Espanha e Hong Kong. Sob a temática do amor cego, os artistas são convidados a expressarem, através da arte, os piores momentos vividos durante a pandemia, com as restrições de viagens, o isolamento e as fases de contágio. Natural de Taiwan, Lin Yen Liang encerra o grupo de cinco artistas escolhidos para esta exposição. O seu trabalho foca-se nas pinturas em três dimensões e na escultura, sendo que o autor explora muito os retratos de crianças e animais, expondo as suas personalidades. Em 2006 o artista fundou a sua própria marca, “BaNAna”, que, em 2012, se transformou na marca de ilustração “BaNAna Lin”.
Manuel Fernandes Rodrigues – Preservar a identidade: Uma história da cozinha macaense Hoje Macau - 10 Out 202212 Out 2022 DR Por Manuel Fernandes Rodrigues* Quando se pergunta a um macaense porque é que ele ou ela sente macaense, as respostas variam. Alguns dirão que se sente parte da vida da comunidade e dos encontros sociais. Outros colocarão ênfase nas tradições e costumes. Um terceiro grupo reivindicará a influência de uma educação religiosa ou de ter estudado em português. Apesar destas diferentes razões, os macaenses concordam que a comida macaense com os seus pratos icónicos e representativos, a maioria dos quais receitas centenárias, é única. A cozinha macaense identifica e preserva a história dos macaenses, tornando-os um grupo distinto de qualquer outro grupo ou etnia. A gastronomia macaense é uma afirmação da identidade macaense. A cozinha representada pelos pratos da tradicional Sentá Mesa e Chá Gordo são passos numa viagem marcada por séculos de história e interacção social entre os macaenses que forjaram e consolidaram a sua identidade. Isto levanta a questão de saber porque razão os acontecimentos históricos por si só não constroem um sentimento de pertença nem criam uma memória colectiva. Não houve contribuição dos portugueses que governaram Macau durante séculos? Não houve influência dos chineses, japoneses ou outras influências orientais no desenvolvimento da identidade macaense? Obviamente, houve um impacto das culturas portuguesa, chinesa, japonesa e de outras culturas orientais que enriqueceu a identidade macaense. A partir desta interacção, a cozinha macaense evoluiu, um processo semelhante a outras culinárias no mundo. Por exemplo, o esparguete, inquestionavelmente de origem oriental, é hoje reconhecido como genuinamente italiano. Os pratos da cozinha macaense permitem aos macaenses conhecer a origem histórica por detrás de cada prato. Abrem uma janela para revisitar a história e examinar a maquilhagem e o desenvolvimento deste grupo étnico. As receitas da cozinha macaense são extraordinariamente ricas e, como investigador, considero-as um arquivo vivo da história macaense. Daí, – miçó cristão (miso cristão) mostra a influência dos cristãos japoneses e Filhos da terra (descendentes de homens portugueses casados com mulheres locais) de Nagasaki atestando uma identificação católica. – Galinha di português retrata a associação de Filhos da terra e contrabandistas chineses numa guerra contra os holandeses para que Timor pudesse continuar a ser português. – Minchi, o prato icónico dos cristãos japoneses exilados e esquecidos e Filhos da terra de Nagasaki e outras cidades do Japão que ajudaram a construir a igreja de São Paulo, hoje um símbolo reconhecido de Macau. – Peixe têmpora, conhecido entre os macaenses como peixe temp’ra, foi levado para o Japão pelos jesuítas no século XVI, tornando-se tempura, o prato mais conhecido da cozinha japonesa. Peixe têmp’ra foi também levado para a região portuguesa da Extremadura por marinheiros e monges que regressaram, tornando-se peixinhos da horta com feijões verdes de forma semelhante aos pequenos peixes, um substituto do biqueirão original utilizado em Macau. – Balichã ou balichão, uma pasta de camarão desenvolvida por mulheres macaenses, foi posteriormente adoptada pela cozinha chinesa. Foi descrita por Austin Coates, um historiador britânico, como uma contribuição importante para a cozinha do Oriente. Alguns pratos macaenses são apresentados por alguns autores como adaptações de antigas receitas portuguesas utilizando ingredientes locais. Os exemplos seguintes são uma ilustração limitada sobre como as semelhanças entre pratos podem levar a conclusões que a história contradiz: – Sarã surabe, um bolo macaense é apresentado como sendo baseado na receita de fatias da China. Fatias da China aparece em Portugal por volta de 1876. O nome foi alterado no final do século XIX para Fatias de Tomar. Vale a pena notar que sarã surabe, significa ninho de pássaro no bazar malaio. Aparece primeiro em Macau durante a segunda metade do século XVI, mais tarde levada para a região da Extremadura em Portugal por monges e tripulantes de navios que regressam. Chamavam ao bolo fatias da China, uma lembrança da Cidade do Nome de Deus na China, como a cidade de Macau era conhecida em documentos portugueses mais antigos. – Pan pan di mamã (pão da mãe) foi mostrado com base na receita do pão de Deus que aparece nas padarias portuguesas no último quartel do século XIX. No entanto, o pan di mamã é descrito em pormenor em Ou-Mun Kei-Leok (澳門記畧), o mais importante e completo repositório chinês de observação factual e costume de Macau publicado em 1775, como um pão de origem macaense. – Chau chau parida é um prato fortificado dado às mulheres após o parto. Uma sopa ou canja é mencionada no Colóquio dos simples e drogas e coisas da Índia de Garcia da Horta, publicado em Goa em 1563. A receita de Chau chau parida, contudo, é feita com ingredientes indicados na Farmacopeia Chinesa de Matéria Medica (本草綱目 Pun Ch’ou Kóng Môk- Princípios e Espécies de Raízes e Ervas) compilada por Lei Si-Tchân entre 1552-1578 e distribuída pela ervanária em Macau. Embora com o mesmo objectivo, os ingredientes e os métodos de cozedura são diferentes. – Arroz doce é considerada hoje uma sobremesa portuguesa quintessencial e está incluído no livro de cozinha de Domingos Rodrigues publicado em 1680 com o nome de arroz doce do Japão e no livro de cozinha de João da Mata de 1875 como simplesmente arroz doce. No entanto, o arroz doce do Japão, como o nome indica, é uma receita trazida do Japão, em primeira mão, pelos jesuítas, que estavam baseados em Macau, a porta de acesso ao Japão e o porto terminal para os barcos do comércio Japão-Macau. Esta receita foi levada para Macau no século XVI por famílias cristãs japonesas e Filhos da terra e depois transmitida aos comerciantes portugueses que, por sua vez, levaram a receita para Portugal. Este é um facto histórico. Curiosamente, a receita mais antiga de arroz doce em Portugal é conhecida como arroz doce bairradino, considerado como o mais fino devido ao grande número de gemas de ovo utilizadas e à ausência de leite. A ausência de leite na receita é idêntica à do arroz doce macaense, que era um mingau de arroz cremoso e suave pela mistura de gemas de ovo, depois adoçado com açúcar e polvilhado com canela. Muitas tradições culinárias macaenses continuam vivas hoje em dia, dando-lhes a oportunidade de reviver os sabores e as ocasiões, reforçando o sentimento de pertença. Chá Gordo é uma conhecida tradição macaense e uma obrigação em qualquer celebração no Natal, Páscoa, baptismos ou qualquer outro evento especial. Chá Gordo é uma tradição associada à refeição substancial servida no dia de Natal em 1563, nas horas da Ave Marias, 18.00 horas, em Firando, hoje Hirado, na Prefeitura de Nagasaki. Evoluiu para um banquete com 6 a 18 pratos diferentes servidos geralmente à tarde, por volta das 18 horas, consistindo em: – Aperitivos tais como apa-bico, apa-mochi, mochi, ladu, bolo de nabo, pan di minchi e chilicotes; – Os pratos principais incluem bafassá de porco, tâcho/chau-chau pêle, galinha di português, chicu di porco, lacassá, congee, mela-miçó di porco e o icónico prato de minchi e arroz branco representando tenacidade e sucesso. – Molhos, tanto quentes como vinagres, como o chili-miçó, miçó-christãn e os diferentes tipos de achar (prato vinagroso) feitos com gamên, limão, estrela de fruta e outras frutas da época para limpar o paladar e estimular o apetite. – As sopas incluem imbigo di frade, abobra-verdi e abobra cambalenga. – As sobremesas são compostas por chácha, uma sopa doce, pudins como bagi, chawan-no-mushi, e “ovos de aranha” seguidos de bolos feitos com receitas antigas e apreciadas como o celicário, bolo minino e sarã-surabe. Todos estes pratos contêm factos históricos e tradições sociais associadas a um sentido macaense de identidade. A origem histórica e social por detrás do minchi está ligada ao Édito emitido por Shogun Tokugawa em 1614 expulsando os cristãos japoneses e os Filhos da Terra que não rejeitaram a fé católica. Em 1623-24, homens portugueses (pais, maridos, irmãos e filhos) foram expulsos do Japão. Em 1627, nobres militares japoneses (samurais) e as suas famílias foram entregues aos barcos portugueses destinados a Macau. Em 1636, mulheres casadas com homens portugueses e as suas filhas foram exiladas para Macau. Esta migração forçada aumentou substancialmente a população local em Macau, levando a povoações no bairro de São Lázaro e outras áreas fora das muralhas da cidade, conhecida como Campo, uma área que se estende até às Portas do Cerco, que marca a fronteira com a China. A sobrevivência destas povoações não estava assegurada e o minchi tornou-se um elemento básico nestas condições extremamente difíceis. Esta é a razão pela qual o minchi, na psique macaense, é um legado dos exilados e esquecidos, um prato emblemático representando a tenacidade e o sucesso do povo macaense. A sopa Imbigo di frade é uma oferta de acção de graças a São Francisco Xavier, apóstolo do Japão e padroeiro de Macau, pela sua protecção durante as tempestades sofridas pelas tripulações da frota comercial macaense, que por vezes passavam anos no comércio marítimo, escalando vários portos do Oriente, antes de regressarem a Macau cuja população dependia exclusivamente do comércio marítimo para sobreviver. Uma missa de Te Deum, seguida de uma procissão, era realizada anualmente, como mostra de gratidão na igreja de São Paulo, construída com os lucros do comércio Macao-Japão e do trabalho dos cristãos japoneses e dos artesãos Filhos da terra. A 10 de Dezembro, esta procissão percorria as ruas do Monte, um bairro em redor da Igreja de São Paulo, após o que era servida uma refeição reconfortante com sopa Imbigo di frade. A pirataria e o clima tempestuoso eram riscos perigosos para os que se encontravam no navio. Muitos naufrágios atestam este facto, como escrito por Frei José Jesus de Maria no seu manuscrito de 1740-45 intitulado Azia Sinica e Japonica, Macau conseguido e perseguido, que Macau era uma cidade de mulheres destituídas. O período histórico e social da guerra contra os holandeses no século XVII aponta para a origem do bagi e do celicário. A derrota e subsequente expulsão dos portugueses e Filhos da Terra de Makassar, em 1660, reforçou a sensação de derrota causada pela queda de Malaca, em 1641. Makassar era, na altura, o centro mais importante do comércio intra-asiático no leste do arquipélago malaio com uma importante comunidade portuguesa e Filhos da Terra. Esta população derrotada escolheu instalar-se em Macau porque, na altura, era uma cidade governada por cidadãos eleitos, separada do governo do Capitão-General nomeado pelo Vice-Rei em Goa. Em 21-22 de Julho de 1622, a marinha holandesa bem organizada e equipada invadiu Macau mal defendida. Graças a um tiro de canhão da Fortaleza do Monte disparado por jesuítas, as forças macaenses conseguiram subjugar os holandeses e alcançar a vitória. Para os macaenses esta tremenda vitória prevaleceu sobre todas as derrotas anteriores nas mãos dos holandeses e o bagi, um prato desenvolvido em Makassar, tornou-se o símbolo dos derrotados, mas não vencidos. Considerando a enorme disparidade entre as forças holandesas e macaenses, a vitória de 22 de Julho só podia ser atribuída à intervenção divina, uma crença da população macaense. O Celicário reflecte a lenda do bem vencendo o mal representado pelos invasores holandeses a quem os chineses chamavam demónios ruivos (紅毛鬼 Hon môu kwei). Tornou-se um símbolo de unidade porque as pessoas deixaram de lado as suas diferenças para se unirem contra um inimigo comum. Chilicote, um pequeno frito recheado de carne picante moída, desenvolvido por mães macaenses de Malaca, continua a ser a melhor expressão de hospitalidade. A origem deste prato remonta ao primeiro encontro entre as tripulações das caravelas portuguesas comandadas por Diogo Lopes Sequeira e os juncos chineses no porto de Malaca, em 1509. Este encontro proporcionou a base para uma longa amizade entre marinheiros portugueses e chineses que permitiu a Jorge Álvares aceder a cartas marítimas chinesas e embarcar num junco chinês para viajar até Tamão na China, onde um padrão com o brasão real foi erguido em 1514. Além disso, esta relação permitiu a Fernão Peres de Andrade visitar Cantão para assistir a uma feira em 1517. A partir desta data, os portugueses e os Filhos da Terra estabeleceram vários povoados na costa da China, levando ao estabelecimento de Macau em 1553-1555. Para concluir e olhando para a história das populações, a gastronomia foi sempre um importante elemento de construção da identidade. A alimentação é uma presença constante e desenvolve-se juntamente com uma sociedade em mudança, ajudando a transmitir a experiência pessoal e comunitária, enriquecendo a sociabilidade e o sentido de pertença dos macaenses. Olhando para a vida de outras comunidades étnicas, descobrimos que a alimentação, através de pratos emblemáticos, é um fio de continuidade na salvaguarda da identidade e de um sentido de filiação. O Kristang em Malaca, Larantuqueiros na Ilha das Flores, o Português Negro (Zwarte Portugueesen) de Batávia, hoje Jacarta, e o Indp-Português de Goa são testemunhos deste facto. Entre os blocos de construção da identidade, a cozinha macaense continua a enriquecer e reforçar o orgulho de pertencer e ajuda a definir o que significa ser macaense. Referências: Boxer, C. R. (1959). The Great Ship from Amacon. Lisboa: Centro de Estudos Históricos Ultramarinos. Coates, A. (1978). A Macao narrative. Hong Kong: Heinemann Educational Books (Asia) Ltd. Fróis S.J., Pe. Luís (1976). História de Japam. Lisboa: Biblioteca Nacional. Maria, Fr. José de Jesus (1988) Ásia Sínica e Japónica. Macau: Instituto Cultural de Macau/Centro de Estudos Marítimos de Macau. Rodrigues, M. F. (2015). A gastronomia como elemento de identidade: a culinária macaense. Lisboa: DAXIYANGGUO Portuguese Journal of Asian Studies Nº20 p. 67-88. Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa/ Instituto do Oriente. ______________ (2018). História da Gastronomia Macaense: Contributo para o reforço de uma identidade singular. Lisboa: Edições MGI. ______________ (2020). Macanese cuisine: Fusion or evolution? Macao: Review of Culture 62 p 17-25. Instituto Cultural de Macau. ______________ (2021). Macanese Heritage from Nagasaki. Macao: Review of Culture 65 p.82-91. Instituto Cultural de Macau. _____________ (2021). O Chá Gordo Macaense: Análise histórica das narrativas sobre a sua origem. Lisboa: DAXIYANGGUO Portuguese Journal of Asian Studies Nº26. Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa/ Instituto do Oriente. Teixeira S.J., Pe. Manuel, (1993). Japoneses em Macau. Macau: Instituto Cultural/ Comissão Territorial para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. * Manuel F. Rodrigues, MA in Economics, York University, Toronto, Canada. Pós-graduações: University of Virginia and Michigan USA, e European College, Brugges, Belgium. Oficial reformado da Comissão Europeia. Economista na Ontario Energy Board. Ex-professor assistente na York University. Publicações recentes: artigos na Daxiyangguo – Revista Portuguesa de Estudos Asiáticos da Universidade de Lisboa e na Revista de Cultura do Instituto Cultural de Macau. Este espaço conta com a colaboração do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, sendo que as opiniões expressas no artigo são da inteira responsabilidade dos autores.
Zhuhai | Casos positivos suspendem aulas para alunos transfronteiriços João Luz - 10 Out 2022 DR Dois casos de covid-19 identificados este fim-de-semana em Zhuhai levaram as autoridades locais a suspender as aulas presenciais em Macau a alunos e funcionários residentes nas áreas afectadas. As infecções levaram as autoridades de Macau a converter códigos de saúde para amarelo e submeter quem já entrou na RAEM a sete dias de autogestão A descoberta de dois casos positivos de covid-19 na cidade vizinha de Zhuhai colocou as autoridades de saúde de Macau em estado de alerta. As infecções assintomáticas foram detectadas nos testes feitos a quem se desloca entre províncias e dizem respeito a um casal que regressou a Zhuhai no dia 4 de Outubro e que testou positivo três dias depois. Segundo as autoridades da cidade vizinha, o casal reside em Nanping, no distrito de Xiangzhou. Como tal, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), em colaboração com os Serviços de Saúde, implementou medidas de controlo temporário, que entraram em vigor no sábado de manhã. Assim sendo, os alunos de escolas e universidades de Macau que residem nas 2.ª e 3.ª fases do Complexo Residencial “Huafa New Town” da Vila de Nanping em Zhuhai vão ficar com as aulas presenciais suspensas e não podem entrar na RAEM. A mesma medida foi aplicada aos funcionários e docentes das escolas e universidades de Macau que residam na mesma área. A DSEDJ notificou prontamente os estabelecimentos de ensino para procederem às respectivas medidas que permitam frequentar as aulas online. Além disso, o Governo apelou aos alunos e funcionários transfronteiriços para evitarem a todo o custo deslocações às zonas afectadas, que incluem também áreas por onde o casal circulou, e permanecerem em casa. Códigos e testes O Instituto de Acção Social (IAS) reagiu de forma semelhante à DSEDJ. “Tendo em conta o facto de existir uma nova zona de gestão e controlo e a adopção de medidas temporárias de gestão e controlo em Zhuhai”, os utilizadores e trabalhadores de instituições sociais de Macau que vivam nas zonas referidas da vila de Nanping “devem suspender o regresso aos seus equipamentos sociais até o cancelamento das referidas medidas”. O IAS apelou ainda a “todos os utilizadores e trabalhadores (especialmente pessoas transfronteiriças) de equipamentos sociais para que evitem deslocações para a Vila de Nanping e “apenas se desloquem de casa para o trabalho”, reduzam saídas desnecessárias, “tomem medidas de protecção pessoal e acompanhem de perto a evolução epidemiológica”. Para quem já entrou em Macau, e tenha estado num conjunto de áreas de Zhuhai sujeitas a controlo, as autoridades locais converteram a cor do código de saúde em amarelo. Além disso, estas pessoas serão submetidas a um período de autogestão de saúde até sete dias, a contar da data de saída dos locais afectados, e terão de fazer quatro testes de ácido nucleico no primeiro, segundo, quarto e sétimo dia depois da saída da zona de controlo.
Semana Dourada | Fluxo de turistas supera expectativas João Luz - 10 Out 2022 DR Macau recebeu cerca de 182 mil turistas durante a Semana Dourada, com a taxa de ocupação hoteleira a ultrapassar os 66 por cento. Apesar de ter ficado longe dos fluxos de visitantes a rondar um milhão nos anos antes da pandemia, o Governo traçou um balanço positivo dos feriados Durante os sete dias de feriados da Semana Dourada, um total de 182 mil turistas visitaram Macau. A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) indicou no sábado que o número médio de entradas diárias foi de 26 mil, correspondendo a um aumento de 32,8 por cento, em relação à média diária de visitantes registada no mês de Setembro. No dia 1 de Outubro, o número de visitantes ultrapassou os 37 mil, registando o segundo dia com mais visitantes diários até à data este ano. As autoridades adiantaram que do total de 182 mil turistas, cerca de 163 mil vieram do Interior da China, não especificando a proveniência dos quase 20 mil visitantes oriundos de outros locais. Os dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública apenas dão conta do número de entradas e saídas nos postos fronteiriços, sem especificar quem entra com visto turístico de quem reside em Macau e passou a fronteira para Zhuhai para depois regressar à RAEM. Apesar do aumento de perto de um terço da média diária de visitantes em relação à registada em Setembro, esta Semana Dourada ficou muito aquém dos tempos pré-pandemia. Em 2018, ao longo do mesmo período de feriados, mais de 895 mil turistas vieram a Macau, registando-se uma taxa média de ocupação hoteleira diária na ordem dos 92 por cento. Importa salientar que estes números representaram uma quebra, comparando com a Semana Dourada de 2017, quando mais de um milhão de turistas visitaram Macau ao longo dos sete dias em análise. Palmadas nas costas Apesar deste contexto, a DST mostrou-se satisfeita com o volume de turistas. “Os resultados do número de visitantes nos feriados pelo Dia Nacional da China foram acima das expectativas, reflectindo a recuperação gradual da confiança dos visitantes em viajar para Macau. Durante os feriados verificou-se um grande fluxo de visitantes nos principais pontos e estabelecimentos turísticos, transmitindo uma mensagem positiva à indústria do turismo e sectores conexos, e contribuindo para a recuperação do turismo e da economia de Macau”, concluiu a DST. Os serviços liderados por Helena de Senna Fernandes salientam também a evolução positiva da taxa de ocupação hoteleira, que subiu perto de 30 pontos percentuais. De acordo com os dados fornecidos pelos operadores hoteleiros, a taxa de ocupação média durante os feriados pelo Dia Nacional da China foi de 66,7 por cento, um aumento de 28,1 pontos percentuais em relação a Setembro. Ao longo da semana, o dia 2 de Outubro registou o valor mais elevado com 81,8 por cento de taxa média de ocupação hoteleira. A DST justificou os bons resultados durante a Semana Dourada com as “medidas favoráveis para a passagem fronteiriça entre Macau e o Interior da China” e o “marketing de precisão e ofertas especiais” promovidas pelo Governo.
IPIM | Recusados todos os pedidos de residência temporária Hoje Macau - 10 Out 2022 Nos primeiros seis meses deste ano, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) recusou todos os pedidos iniciais de fixação de residência temporária submetidos aos seus serviços. A informação faz parte da estatística revelada na sexta-feira. Entre Janeiro e Junho, foram analisados dois pedidos de residência temporária relacionados com investimentos e sete ligados a quadros dirigentes e técnicos especializados. Todos os pedidos foram recusados ou cancelados. No que diz respeito, aos pedidos de renovação da fixação de residência temporária foram analisados 189 com 151 residências temporárias renovadas e 38 pedidos recusados ou cancelados. No mesmo período foram também avaliados oito pedidos de extensão da autorização de residência a agregados familiares, entre os quais cinco foram aprovados e três recusados/cancelados.
Jogo VIP | Apenas alguns junkets sobrevivem em Macau Hoje Macau - 10 Out 2022 DR Após a campanha contra o jogo VIP, apenas sobrevivem “algumas” parcerias entre casinos e promotoras do jogo no território. O cenário foi traçado por U Io Hong, veterano do sector junket, em declarações ao portal GGR Asia. U Io Hong é um dos empresários envolvidas nestas parcerias, com os casinos MGM Macau e MGM Cotai, ambos controlados pela empresa MGM China. No entanto, o veterano explicou que existem outras parcerias semelhantes, fora do universo da MGM. “O Governo, as concessionárias e os junkets ainda estão a tentar explorar uma forma que garanta que o jogo VIP em Macau possa funcionar no futuro”, apontou. Segundo as explicações de U, o negócio da empresa a que está ligado, a Pacific Intermediário Sociedade Unipessoal, opera algumas áreas de jogo VIP nos casinos MGM, principalmente com jogadores de outros locais que não o Interior. Esta é uma escolha feita para evitar riscos associados com jogo transfronteiriço ou com a cobrança de créditos no outro lado da fronteira.
Fidelidade Macau | Moody’s pondera rating de seguradora João Luz - 10 Out 202210 Out 2022 DR A agência Moody’s anunciou na sexta-feira estar a rever a posição da Fidelidade Macau na perspectiva de baixar o rating da companhia de seguros de A3 para Baa1, na sequência da revisão do rating da Fosun International Limited. A análise à situação da Fosun “reflecte principalmente o elevado risco de refinanciamento da empresa devido ao rápido e significativo declínio do valor de mercado dos seus activos cotados, reduzindo ainda mais a margem de manobra da empresa em termos financeiros”, indicou a Moody’s em comunicado. Além disso, a agência indica que a empresa enfrenta um elevado risco de execução relacionado com os vários planos de angariação de fundos enquanto a volatilidade domina o mercado de capitais e face ao aumento da aversão ao risco manifestada por investidores. A revisão do rating da Fidelidade Macau irá traduzir a preocupação da agência com o possível aumento do risco de contágio da seguradora ao enfraquecimento do perfil de crédito da Fosun. A Moody’s acrescenta que mesmo os danos na reputação da seguradora podem afectar a capacidade de crescimento e flexibilidade financeira. A nota da agência divulgada na sexta-feira acrescenta que é pouco provável que o rating da Fidelidade Macau seja revisto em alta. “Porém, a Moody’s pode alterar a perspectiva para ‘estável’ se a perspectiva de rating da Fosun regressar também à estabilidade”.
Jogo | Daisy Ho assume 10% da SJM que pertenciam a Ângela Leong João Santos Filipe - 10 Out 2022 Ângela Leong / DR Daisy Ho comprou 10 por cento da concessionária SJM Resorts a Ângela Leong por uma pataca. A movimentação surge na sequência do processo de renovação das concessões de jogo que exige que o administrador-delegado tenha 15 por cento da empresa Daisy Ho, administradora-delegada da SJM Resorts S.A., assumiu uma percentagem de 10 por cento da empresa, que anteriormente pertencia a Ângela Leong. A informação foi revelada em comunicado enviado pela empresa-mãe, a SJM Holdings, à Bolsa de Hong Kong. A SJM Resorts é a empresa responsável pela concessão do jogo em Macau e é uma das sete candidatas às novas concessões que vão ser atribuídas no concurso público que se encontra em curso. Segundo a estrutura apresentada no comunicado, a SJM Resorts tem capital social de 300 milhões de patacas, que se divide em 2,7 milhões de acções do tipo A, e 300 mil acções de tipo B, ou seja, 90 por cento e 10 por cento, respectivamente, do capital social. O documento informa que desta forma são cumpridas as exigências legais. Segundo o artigo 19.º da Lei de Jogo, o administrador-delegado das empresas precisa de ter uma proporção de 15 por cento da empresa concessionária. A transacção das acções entre Ângela Leong, anterior administradora-delegada, e Daisy Ho teve o custo de uma pataca, de acordo com o comunicado, e surge um mês depois de ter sido anunciado que Ângela Leong tinha sido substituída por Daisy Ho. Apesar das mudanças, e dado que as acções de tipo B têm algumas limitações que não se aplicam às acções de tipo A, a SJM Holdings garante que “a companhia continua e vai continuar a controlar de forma efectiva 100 por cento dos interesses comerciais da SJM Resorts”. Outras alterações Apesar de ter deixado de ser a administradora-delegada, Ângela Leong ainda faz parte do conselho de administração da empresa. No entanto, segundo o portal GGR Asia, após a assembleia-geral deste ano da empresa, Arnaldo Ho, filho de Ângela e do falecido fundador Stanley Ho, foi substituído por Eric Fok, filho de Timothy Fok, que assume igualmente as funções de co-presidente e director da SJM Holdings. A SJM Resorts tem actualmente um capital social de 300 milhões de patacas, no entanto, em Agosto foi anunciado que a empresa tinha recebido autorização do Governo para aumentar o capital social para 5 mil milhões de patacas. Estas alterações foram pensadas a pensar no concurso de atribuição das novas concessões do jogo, deve ficar finalizado até ao final do ano.
Internet | Ron Lam quer medidas contra publicidade ilegal Hoje Macau - 10 Out 2022 DR Ron Lam perguntou ao Governo que medidas vão ser implementadas para garantir que os cidadãos não sejam visados por publicidade não aprovada de medicamentos à venda na internet. Segundo o relato feito pelo deputado, cada vez mais internautas de Macau são visados por publicidades de produtos farmacêuticos, que ao contrário de outros meios publicitários não estão sujeitos a aprovação prévia das autoridades de saúde. Por isso, o deputado quer saber que medidas vão ser tomadas para evitar este tipo de anúncios publicitários e como é possível sancionar os responsáveis por estas publicidades, mesmo nos casos em que se encontram foram da RAEM. Ron Lam pergunta ainda se existem planos para fazer uma revisão da lei, que se encontra em vigor há vários anos ainda antes de haver publicidades na Internet.
Taiwan | Renovados vistos a representantes diplomáticos Hoje Macau - 10 Out 2022 DR O Governo de Taiwan chegou a ponderar vender a Casa Memorial do Dr. Sun Yat Sen face ao cenário dos vistos dos representantes na RAEM não serem renovados O ministro dos Assuntos Continentais do Governo de Taipé, Chiu Tai San, revelou que Macau concedeu uma extensão de visto aos três representantes de Taiwan na Região Administrativa Especial de Macau, após um impasse diplomático. Os vistos dos responsáveis pelo Gabinete Económico e Cultural de Taipé em Macau terminavam a 30 de Outubro e alegadamente as autoridades locais exigiam que os três diplomatas assinassem um documento a apoiar a política “Uma só China”, para que os vistos fossem renovados. No entanto, na quinta-feira, Chiu Tai San garantiu aos jornalistas, que as autoridades de Macau “não pediram [aos representantes de Taiwan] para assinar” qualquer documento a reconhecer a soberania de Pequim sobre a Ilha Formosa. A situação em Macau contrasta com os acontecimentos de Hong Kong, quando o Gabinete Económico e Cultural de Taipé na RAEHK teve de encerrar, em Julho de 2021, após a partida do último responsável, precisamente devido à falta de renovação do visto. Em Maio de 2021, Hong Kong tinha já encerrado o Gabinete Económico, Comercial e Cultural em Taiwan, com Macau a fazer o mesmo um mês depois. Venda da Casa Memorial Segundo a imprensa de Taiwan, o ministério dos Assuntos Continentais chegou mesmo a ponderar vender a Casa Memorial do Dr. Sun Yat Sen em Macau, receando que, após a partida dos responsáveis do Gabinete, o Governo confiscasse o edifício histórico. A Casa Memorial do Dr. Sun Yat Sen pertence à denominada APHS Serviços de Viagem de Hong Kong, que tem sede em Singapura e que é detida a 100 por cento pelo Conselho para os Assuntos do Interior de Taiwan. A Casa Comemorativa Sun Yat Sen foi construída em 1912, como residência de Lu Muzhen, primeira mulher do homem conhecido como o “Pai da China Moderna”. Apesar de Sun se ter divorciado da mulher em 1915, para casar com Soong Ching-ling, uma das três irmãs Soong e mais tarde uma das figuras em destaque no Partido Comunista Chinês, Lu e os filhos permaneceram na residência de Macau. Foi nesta habitação que Lu Muzhen morreu, em Setembro de 1952, então com 85 anos de idade. Desde 1958 que a casa recebeu o nome Casa Comemorativa Sun Yat Sen, e actualmente está aberta ao público, como museu, tendo em exibição livros, cartas, fotografias e pertences de Sun Yat Sen que mostram o caminho revolucionário para derrubar a Dinastia Qing e estabelecer a República da China. Sun Yat Sen (1866-1925) é considerado o mentor da revolução republicana chinesa, que em 1911 pôs fim à última dinastia imperial, viveu parte da vida em Macau, então sob administração portuguesa.
ONU | Conselho de Direitos Humanos rejeita proposta dos EUA sobre Xinjiang Hoje Macau - 10 Out 2022 DR A hegemonia dos EUA e dos seus aliados na ONU parece ter conhecido melhores dias. O Conselho dos Direitos Humanos recusou uma proposta que pretendia uma investigação sobre o Xinjiang, no que é considerada uma “vitória diplomática da China”. Países muçulmanos votaram ao lado de Pequim O Conselho de Direitos Humanos da ONU, constituído por 47 Estados membros, rejeitou a proposta dos EUA e de alguns países ocidentais de debaterem os direitos humanos sobre o Xinjiang, o que foi considerado pelos meios de comunicação social ocidentais como uma “vitória diplomática” da China. Apesar da pressão dos EUA e dos seus aliados, o projecto de decisão acabou por não ser apoiado pela maioria dos membros do Conselho, especialmente países em desenvolvimento. O resultado foi o seguinte: A favor (17): República Checa, Finlândia, França, Alemanha, Honduras, Japão, Lituânia, Luxemburgo, Ilhas Marshall, Montenegro, Países Baixos, Paraguai, Polónia, República da Coreia, Somália, Reino Unido e Estados Unidos. Contra (19): Bolívia, Camarões, China, Costa do Marfim, Cuba, Eritreia, Gabão, Indonésia, Cazaquistão, Mauritânia, Namíbia, Nepal, Paquistão, Qatar, Senegal, Sudão, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão e Venezuela. Abstenções (11): Argentina, Arménia, Benim, Brasil, Gâmbia, Índia, Líbia, Malawi, Malásia, México e Ucrânia. Países muçulmanos com a China Alguns países com população maioritariamente muçulmana, como a Indonésia e alguns do Médio Oriente e África incluindo os Emirados Árabes Unidos, Qatar, Camarões e Costa do Marfim, votaram contra o debate enquanto países como a Argentina, Brasil, Índia e Ucrânia se abstiveram. “Esta é uma vitória para os países em desenvolvimento e uma vitória pela verdade e justiça”, disse Hua Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. “Os direitos humanos não devem ser utilizados como pretexto para inventar mentiras e interferir nos assuntos internos de outros países, ou para conter, coagir e humilhar outros”, disse ela. Os EUA e um grupo de países ocidentais, incluindo a Grã-Bretanha, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia apresentaram um projecto de proposta na 51ª sessão em curso do Conselho de Direitos Humanos para realizar um debate especial sobre a situação dos direitos humanos na região chinesa de Xinjiang na próxima sessão do Conselho, no início de 2023. Mas no mesmo dia, em nome de quase 70 países, um representante do Paquistão fez uma declaração conjunta no Conselho de Direitos Humanos para exortar outros países a deixarem de interferir nos assuntos internos da China nas regiões de Xinjiang, Hong Kong e Xizang. Também se opuseram à politização dos direitos humanos e à duplicidade de critérios, ou à interferência nos assuntos internos da China, sob o pretexto dos direitos humanos. Além disso, mais de 20 países fizeram também declarações de apoio à posição da China no Conselho de Direitos Humanos, elevando para quase 100 o número total que expressou apoio à China. Alguns países com elevada proporção de população muçulmana votaram contra o projecto de decisão porque concordam com as medidas preventivas da China para combater o terrorismo violento, a radicalização e o separatismo, e alguns tomaram ou planeiam tomar medidas semelhantes nos seus países. “Medidas semelhantes adoptadas por outros países não suscitaram fortes reacções ou críticas por parte dos EUA e do Ocidente, porque estes países não são inimigos imaginários do Ocidente e, portanto, não são visados”, disse um membro da delegação chinesa. No início de Agosto, 32 enviados diplomáticos enviados à China e diplomatas de 30 países islâmicos visitaram Xinjiang, e o que a delegação viu e ouviu pelo caminho “é completamente diferente do que alguns meios de comunicação social ocidentais relataram como a liberdade de crença religiosa. Vários direitos dos muçulmanos estão devidamente garantidos”, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Pequim fala de manipulação Em resposta ao movimento dos EUA e de alguns países ocidentais, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Wang Wenbin afirmou que “certos países ocidentais utilizam o Conselho dos Direitos Humanos como instrumento de manipulação política. Eles aplicam descaradamente dois pesos e duas medidas e chegaram ao ponto de nomear e envergonhar alguns países em desenvolvimento e de os pressionar abertamente”. “Isto envenenou a atmosfera e levou a uma confrontação agravada no Conselho de Direitos Humanos, o que é prejudicial à cooperação internacional em matéria de direitos humanos”, disse Wang Wenbin. Wang disse ainda que “o facto de quase 100 países terem manifestado a sua compreensão e apoio à posição legítima da China mostrou que as tentativas de um punhado de países ocidentais de utilizar as chamadas questões de direitos humanos para atacar e difamar a China falharam repetidamente. Isto diz muito sobre quem goza de amplo apoio e quem não goza”. O projecto de proposta, se aprovado, assinalaria a primeira vez que as preocupações com os direitos humanos na China fossem formalmente colocadas na agenda do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Os EUA e algumas forças ocidentais estão a preparar-se para exigir uma maior escala de “investigações” sobre a região chinesa de Xinjiang por parte de outros órgãos da ONU e relatores especiais, incluindo o Comité contra a Tortura, o Comité sobre Desaparecimentos Forçados e relatores sobre trabalhos forçados. Além disso, segundo os chineses, “os EUA e o Ocidente utilizaram este projecto de proposta para testar a cooperação do novo Alto Comissário sobre temas anti-China, uma vez que não estão totalmente satisfeitos com o anterior relatório do Alto Comissário da ONU sobre Xinjiang”. Vitória diplomática mas… Alguns meios de comunicação ocidentais descreveram o resultado como “um grande golpe” para os EUA e seus satélites, uma vez que o projecto de decisão foi apresentado por países como os EUA, o Reino Unido, a Austrália e o Canadá. O Financial Times afirmou: “A votação foi uma vitória diplomática para a China, que rejeitou as críticas às suas acções em Xinjiang como sendo infundadas”. “Este resultado mostrou que alguns países possuem os valores certos e perspectivas de direitos humanos, e resistem à poderosa campanha de difamação dos EUA e do Ocidente e mantêm opiniões claras sobre os direitos humanos em Xinjiang, o que também assinalou o sucesso da comunicação internacional da China sobre direitos humanos”, disse He Zhipeng, professor de direito internacional na Escola de Direito da Universidade de Jilin. “O que os EUA e alguns países ocidentais têm feito é tipicamente politizar as questões dos direitos humanos. O que realmente lhes interessa não são os direitos humanos em Xinjiang, mas jogar Xinjiang e as cartas dos direitos humanos para conter a China e abrandar o desenvolvimento do país”, afirmou. “Independentemente da forma como o projecto de decisão esteja disfarçado, a sua verdadeira intenção é aproveitar-se dos organismos de direitos humanos da ONU para interferir nos assuntos internos da China, de modo a servir o seu propósito político de utilizar questões relacionadas com Xinjiang para conter a China, que é outro exemplo de politização e instrumentalização das questões de direitos humanos”, disse Chen Xu, o representante permanente da China junto da ONU em Genebra. Na 51ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU e na Assembleia Geral da ONU no final de Setembro, “mais países manifestaram a sua oposição à politização das questões de direitos humanos por parte dos EUA e dos países ocidentais, o que, aos olhos dos peritos, mostrou que a China e um grupo mais vasto de países irão trabalhar em conjunto para defender o verdadeiro multilateralismo e resistir à hegemonia dos EUA”. Contudo, os chineses mantêm “um optimismo cauteloso em relação a esta vitória faseada devido à estreita margem de voto”. Observadores chineses disseram que “os EUA e o Ocidente continuarão a coagir aqueles que se abstiveram na votação a mudarem as suas posições e a intensificarem os esforços para difamar a China sobre a sua política de Xinjiang nas próximas reuniões. No entanto, mais países que mantêm pontos de vista objectivos sobre os assuntos de Xinjiang resistirão à campanha de difamação dirigida pelos EUA contra a China”. Como desta vez houve uma margem estreita na votação, um perito advertiu que “os EUA e o Ocidente irão certamente utilizar uma série de medidas de pressão ou coacção sobre os países que se abstiveram para mudar a sua posição e planeiam lançar uma campanha de direitos humanos dirigida a Xinjiang na próxima reunião do órgão de direitos humanos da ONU em Março de 2023, para a qual a China deverá estar bem preparada”. Em Março há mais O Conselho de Direitos Humanos da ONU realiza pelo menos três sessões regulares por ano, num total de pelo menos 10 semanas, que têm lugar em Fevereiro-Março, Junho-Julho e Setembro-Outubro, de acordo com o seu portal. As sessões podem durar três, quatro ou cinco semanas, dependendo do programa de trabalho. O Gabinete do Alto Comissário para os Direitos Humanos (ACDH) divulgou “um relatório de avaliação” sobre a região chinesa de Xinjiang a 31 de Agosto. A China disse que o relatório era “completamente inválido” e “um instrumento político” ao serviço dos EUA e de alguns países ocidentais para conter a China. Segundo Pequim, o relatório surgiu depois dos EUA e alguns países ocidentais terem imposto uma enorme pressão sobre a anterior chefe dos direitos humanos da ONU, Michelet Bachelet, antes e depois da sua visita à região chinesa de Xinjiang. Ela anunciou mais tarde que não queria um segundo mandato como Alta Comissária. O austríaco Volker Türk foi nomeado pelo Secretário-Geral da ONU António Guterres a 8 de Setembro como sucessor de Bachelet. Ainda segundo Pequim, “mesmo um relatório sem credibilidade e legitimidade, não se atreve a fazer passar as falácias de trabalho forçado, genocídio, repressão religiosa, e esterilização forçada, que aparentemente mostraram que a mentira do século cozinhada pelo Ocidente faliu, e o Ocidente deu um tiro no próprio pé”. Anna Malindog-Uy, especialista em relações internacionais das Filipinas, disse que, “nos últimos anos, a comunidade internacional ganhou um conhecimento mais claro de que os direitos humanos reclamados pelos EUA e pelo Ocidente não se adequam aos interesses da maioria dos outros países”. A perita apelou à China e a outros países em desenvolvimento “para melhorarem a comunicação sobre os direitos humanos e colocarem o desenvolvimento, a segurança e outros factores nos critérios dos direitos humanos para formar um conceito abrangente de direitos humanos para contrariar os movimentos hipócritas dos EUA e do Ocidente em matéria de direitos humanos”. Países ocidentais na berlinda Outro perito, que trabalha para o Conselho de Direitos Humanos e pediu o anonimato, disse que “enquanto os EUA e o Ocidente estão a tentar exercer mais influência, os países em desenvolvimento têm um envolvimento mais activo na governação interna dos direitos humanos e uma influência crescente em organismos relacionados”. Por outro lado, o historial dos direitos humanos nos EUA e nalguns países ocidentais também tem sido criticado em reuniões do Conselho de Direitos Humanos com muitos países, instando o Alto Comissário a conduzir investigações sobre os seus crimes, quer no seu próprio país, quer nos países onde semearam guerras e caos. Na quinta-feira, Jiang Duan, embaixador da missão chinesa na ONU em Genebra, condenou severamente a interferência militar ilegal dos EUA na Síria e exortou-a a deixar de violar os direitos humanos básicos do povo sírio. A condenação de Jiang é a mais recente condenação contra os EUA e o historial dos direitos humanos de alguns países ocidentais, uma vez que mais países, incluindo a China, os criticam por imporem sanções unilaterais e violarem os direitos humanos nos seus próprios países e em todo o Médio Oriente. Lamento da Amnistia Internacional A secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnes Callamard, afirmou que “a votação protege os responsáveis por violações dos direitos humanos, em vez de proteger as vítimas”, ao mesmo tempo que coloca o Conselho de Direitos Humanos numa “posição ridícula”, por ignorar as conclusões de um relatório recente, divulgado a 31 de agosto, em que era mesmo utilizado o termo “genocídio”. “Os interesses políticos e económicos não deveriam triunfar perante as graves dúvidas sobre direitos humanos, e nenhum país deveria poder livrar-se do escrutínio do Conselho”, lamentou num comunicado Callamard, que ainda acredita em prosseguir “a luta por justiça” para as vítimas por outras vias. “Isto é um desastre. Isto é realmente decepcionante”, disse por sua Dolkun Isa, presidente do Congresso Mundial Uyghur. “Nunca desistiremos, mas estamos realmente desiludidos com a reacção dos países muçulmanos”, acrescentou. Marc Limon, do Universal Rights Group, disse que se tratou de um “grave erro de cálculo”, citando o timing que coincide com uma moção de acção sobre a Rússia liderada pelo Ocidente. “É um golpe sério para a credibilidade do conselho e uma vitória clara para a China”, disse ele. “Muitos países em desenvolvimento irão vê-lo como um ajustamento para longe da predominância ocidental no sistema de direitos humanos da ONU”.
Myanmar | Realizador japonês condenado a dez anos de prisão Hoje Macau - 7 Out 2022 DR Um tribunal militar birmanês condenou o realizador japonês Toru Kubota a dez anos de prisão por incitar à dissidência contra os militares e violar as leis de telecomunicações do país, noticiaram ontem os ‘media’ nipónicos. A sentença foi proferida na quarta-feira. O jovem de 20 anos foi condenado a sete anos de prisão por violação das leis de comunicação e mais três anos por sedição, disseram fontes diplomáticas à emissora pública japonesa NHK. Os detalhes específicos da decisão do tribunal de Myanmar (antiga Birmânia) não são conhecidos, uma vez que a sentença foi proferida à porta fechada e sem a presença do advogado de Kubota, de acordo com a NHK. Kubota foi preso em Julho passado enquanto filmava protestos contra a junta militar. Os militares birmaneses acusaram Kubota de violar as leis de imigração ao entrar no país com um visto turístico para realizar actividades jornalísticas, e de participar activamente nos protestos. Também alegaram que o cineasta tinha divulgado informações falsas sobre os rohingya, a minoria muçulmana perseguida em Myanmar, país de maioria budista. Kubota foi condenado por um tribunal criado na própria prisão. O golpe de 1 de Fevereiro de 2021 mergulhou Myanmar numa crise política, económica e social, com confrontos entre as forças da junta e os opositores, e levou a um aumento da repressão. De acordo com a Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos, mais de 2.100 pessoas foram mortas pelas autoridades, enquanto quase 15 mil foram detidas arbitrariamente.
Europa periférica João Romão - 7 Out 2022 DR São os países menos desenvolvidos da Ásia que vão registar neste e no próximo as maiores taxas de crescimento económico do continente, estima um relatório recentemente publicado pelo Banco Asiático para o Desenvolvimento. O documento revê com manifesto pessimismo as anteriores previsões para o desempenho da economia chinesa, ainda severamente afectada pelo impacto das restrições relacionadas com a pandemia de covid-19. De qualquer maneira, a China deverá ter um crescimento do PIB próximo dos 3,5 por cento este ano – nada mal, para tempo de crise – ainda assim acima dos menos de 3 por cento que se projectam para o crescimento económico médio na União Europeia. Diga-se, no entanto, que a incerteza quanto à evolução da economia dos países da Europa justifica inabituais cautelas: são tempos de guerra no Velho Continente e avizinha-se longo e frio Inverno, com escassez energética, preços despropositadamente altos, processos de recomposição acelerada das transações comerciais globais de combustíveis vários, numa inevitável transição pouco preparada dos fornecimentos de energia com origem em território russo para outras origens mais distantes, com as grandes empresas do lado ocidental do Atlântico a marcar nova posição dominante – e com os inerentes lucros monopolistas de empresas dos Estados Unidos em território europeu. Estão naturalmente por fazer as contas a estas pouco subtis transformações geo-económicas mas parece certo que a Europa continua a perder boa parte da sua centralidade na economia e política globais: não só tem tido fraca autonomia face à liderança dos Estados Unidos em relação aos posicionamentos políticos e militares relacionados com a guerra na Ucrânia, como parece remetida a um papel cada vez mais periférico e dependente (dos EUA) nos mercados globais de distribuição energética. Não será difícil prever que este longo Inverno com inusitadas taxas de inflação também se manifeste numa degradação generalizada da posição cada vez menos dominante das economias europeias no contexto planetário. É por isso que a notícia de que o crescimento económico no sudoeste asiático superou o chinês é menos problemática para a China do que para a Europa: na realidade, esta quebra ocorre no contexto de um contínuo e intenso processo de crescimento que tem caracterizado a economia da China nas últimas décadas e pouco afectará os benefícios que a sociedade chinesa foi acumulando ao longo do século 21: na realidade, não só a China mantém o seu papel cada vez mais central e preponderante na economia mundial, como vê este ano países vizinhos como a Índia, o Paquistão, as Filipinas, a Indonésia, a Malásia ou o Vietname a assumir maior relevo nas dinâmicas económicas globais. Não são certamente más notícias para a China. Esta tendência vai marcando gradual mas inexoravelmente uma transição para novos desequilíbrios no desempenho das economias mundiais, em que a Ásia vai assumindo cada vez maior centralidade e onde a Europa se vai posicionando cada vez mais como um espectador interessado mas pouco consequente no seu posicionamento na economia global deste nefasto capitalismo contemporâneo: nem se apresenta como uma alternativa ecologicamente viável, socialmente justa ou politicamente pacifista, nem se posiciona como uma economia competitiva, capaz de aproveitar as oportunidades da super-liberalização vigente nos mercados mundiais. Está hoje sob ameaça permanente o que sobra na Europa dos Estados Providência que a social-democracia foi construindo ao longo do século 20, sobretudo no centro e no norte do continente: economias dinâmicas, prósperas, com políticas sociais activas que promoveram educação, saúde, habitação ou mobilidade para quase toda a gente, num contexto de paz generalizada. Não faltaram os recursos para as infra-estruturas, nem para os serviços necessários para promover a eficiência dos sistemas económicos ou a equidade das condições sociais – incluindo o acolhimento sistemático de pessoas refugiadas que se foi fazendo até quase final do século 20. Hoje começa a faltar quase tudo: as cartilhas neo-liberais impõem exíguos orçamentos públicos que comprometem as políticas sociais, enquanto a economia especulativa dos mercados globais vai mobilizando recursos financeiros cada vez menos orientados para o investimento produtivo. É uma economia onde muito se fala de inovação mas em que na realidade pouco se inova na capacidade de criar e distribuir riqueza. O modelo social europeu é cada vez menos exemplar e as pessoas que ficam para trás – ou à margem dos processos de desenvolvimento – são cada vez mais, num processo relativamente acelerado de concentração de rendimentos e poder. O dinamismo e o crescimento movem-se noutras paragens – neste caso na Ásia. Sobram, entretanto, os dejectos desta prolongada crise no continente europeu: os movimentos de inspiração abertamente fascista que vão ganhando protagonismo e até governos, outra vez.
Fotografia | Revista da Halftone volta a sair este sábado Hoje Macau - 7 Out 2022 Será lançado este sábado, às 18h30, na Livraria Portuguesa, o terceiro número da revista de fotografia da Halftone – Associação Fotográfica de Macau. Esta edição conta com trabalhos fotográficos de José Sales Marques, Pedro Benjamim, Stefan Nunes, António Bessa Almeida e Nuno Veloso, prestando ainda homenagem a Frank Lei, falecido em Maio deste ano. O editorial desta edição intitula-se “Uma espécie de magia”, sendo as fotografias publicadas um retrato do sentimento “muitas vezes contraditório” do amor que se tem por Macau, ainda que haja “aspectos que se odeiam e outros que se gostam demasiado”. Recorde-se que este é um projecto que visa dar a conhecer trabalhos de fotografia de fotógrafos amadores, sendo a revista publicada a cada três meses e com edições limitadas de 300 exemplares cada. A revista é editada com a orientação do Grupo Editorial da Halftone composto por António Duarte Mil-Homens, João Palla Martins, João M. Rato e Sara Augusto.
Teatro | CCM apresenta “Escrito na Água”, de Stan Lai, em Novembro Hoje Macau - 7 Out 2022 Stan Lai / DR O Centro Cultural de Macau acolhe, em Novembro, a peça do conhecido encenador de Taiwan, Stan Lai, “Escrito na Água”. Entre os dias 25 e 26 de Novembro o público poderá ver um dos maiores exemplos do chamado teatro de vanguarda, com uma história sobre a busca da felicidade Novembro é o mês de Macau receber a peça “Escrito na Água”, do conhecido encenador de Taiwan Stan Lai. O espectáculo que acontece nos dias 25 e 26 de Novembro no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) conta a história de um homem que regressa a casa após um período de estudos no estrangeiro. Na esperança de iluminar algumas almas sombrias, inscreve-se num curso de “Felicidade”, mas depressa se desilude com a sede de lucro de um sócio ganancioso. A peça inspira-se nas ideias do escritor francês, e também monge budista, Matthieu Ricard, autor de “O Livro da Felicidade”. “Escrito na Água” estreou há alguns anos no rescaldo da devastadora crise financeira do subprime 2008. O Instituto Cultural (IC) salienta o regresso de Stan Lai ao CCM após a apresentação de dois espectáculos da sua autoria, “Um Amor Secreto no Paraíso” e “A Aldeia”, descrito como sendo uma peça “épica”. Longa carreira Nascido nos EUA, Stan Lai iniciou a carreira criativa em Taiwan, e depressa os seus trabalhos subiram aos palcos na China, chegando depois tanto à diáspora chinesa como ao público ocidental. Ao longo de mais de 30 anos, o encenador tem criado inúmeras peças, muitas das quais foram reconhecidas por uma extensa lista de prémios e distinções. Nascido em 1954 em Washington, onde o pai trabalhava na embaixada da República Popular da China, Stan Lai voltou para Taiwan com a mãe em 1966. Na Universidade Católica de Fu Jen o encenador estudou literatura inglesa, tendo-se formado em 1976. Dois anos depois casou, tendo regressado aos EUA. Em 1983, Stan Lai doutorou-se em arte dramática na reputada Universidade de Berkeley, na Califórnia. De frisar, que a segunda sessão de “Escrito na Água” contará ainda com uma tertúlia, realizada antes do espectáculo, onde serão partilhadas algumas ideias sobre o extenso trabalho de Stan Lai. A sessão é aberta ao público e apresentada em mandarim e cantonense. As duas sessões do espectáculo são em mandarim, mas terão legendas em inglês e cantonense. Os bilhetes estão à venda desde o dia 25 de Setembro.
EUA | Theodore Racing regressa com nomes de Macau Sérgio Fonseca - 7 Out 2022 DR Depois de ter andado praticamente arredada dos grandes palcos internacionais desde 2019, a Theodore Racing regressa este fim de semana a uma casa muito querida pelo seu fundador Teddy Yip Sr, a Indianapolis Motor Speedway Em parceria com a equipa Craft-Bamboo Racing, as cores da Theodore Racing serão vistas no Mercedes AMG GT3 da equipa de Hong Kong nas 8 Horas de Indianapolis, uma prova pontuável para o Intercontinental GT Challenge, a maior competição de resistência para viaturas da categoria FIA GT3. Esta parceria entre Darryl O’Young, o vencedor da última edição da Taça GT Macau e director da Craft-Bamboo Racing, e Teddy Yip Jr conta com um trio de pilotos muito competente, sendo dois deles “caras conhecidas” do Circuito da Guia: o italiano Raffaele Marciello, vencedor da Taça do Mundo de GT da FIA nas ruas de Macau em 2019, e o espanhol Daniel Juncadella, vencedor do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 de 2011. O terceiro piloto da equipa será o canadiano Daniel Morad, um velho conhecido de Yip Jr dos tempos da sua Status Grand Prix. A Theodore Racing, mais conhecida entre nós pelas múltiplas participações e vitórias no Grande Prémio de Macau, participou pela primeira vez nas 500 milhas de Indianapolis há quarenta e cinco anos. Antes mesmo da sua incursão pela Fórmula 1, Yip Sr tentou a sua sorte nos Estados Unidos da América. Aliás, Yip Jr brinca invariavelmente com a situação de no dia do seu nascimento o seu pai estar nas 500 milhas de Indianapolis. Para este regresso da Theodore Racing aos “States”, o Mercedes-AMG GT3 irá apresentar o número 77 nas portas, pois o ano de 1977 foi o primeiro dos oito anos consecutivos em que a equipa participou “Indy 500”, tendo obtido dois lugares no pódio em 1979 e 1981. A pintura do carro também foi escolhida com cuidado para incluir o vermelho e branco tradicional da Theodore Racing. “Estou muito satisfeito pelo regresso da Theodore Racing à Indianapolis Motor Speedway. Sei que o Teddy Sr adorava este lugar, como eu também adoro. Não há outro lugar assim”, disse Teddy Yip Jr que ressuscitou o nome da equipa do pai em 2013. “Realizar esta prova com os meus amigos da Craft-Bamboo Racing, com quem eu trabalhei de perto e com tanto sucesso no passado, dá-nos confiança de uma boa exibição no dia da corrida. Isto, para além da nossa equipa de pilotos contar com veteranos de Macau e ex-Status Grand Prix que fazem este projecto ainda mais especial para mim.” A pandemia não afastou totalmente a Theodore Racing do Grande Prémio de Macau, pois as cores da equipa de Yip Jr foram vistas nas últimas duas edições da prova. Em 2021, para além de ter apoiado pelo segundo ano consecutivo o Mercedes AMG de Darryl O’Young, o empresário que residiu muitos anos no Canadá também viabilizou a participação do piloto local Charles Leong Hon Chio, que triunfou pela segunda vez consecutiva no Grande Prémio de Macau de Fórmula 4.
Taiwan | Aviões do continente no espaço aéreo da ilha será considerado um “ataque” Hoje Macau - 7 Out 2022 DR Uma incursão de aviões militares chineses no espaço aéreo de Taiwan seria considerada “um primeiro ataque contra o país”, disse o ministro da Defesa de Taiwan, Chiu Kuo-cheng, informou ontem a agência de notícias CNA. O ministro fez esta observação na quarta-feira, durante uma reunião do Comité de Defesa Nacional da Câmara Legislativa da ilha. “A defesa nacional é uma linha vermelha para Taiwan”, disse, avisando que seriam tomadas “contramedidas” se a linha for atravessada. Pequim respondeu à visita em Agosto à ilha pela líder da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, com manobras militares que incluíram fogo real, com aviões chineses a atravessarem a linha média do Estreito de Taiwan, que na prática tinha sido uma fronteira não oficial tacitamente respeitada por Taipé e Pequim nas últimas décadas. Chiu acusou Pequim de “quebrar” este acordo. No ano passado, Taipé registou numerosas incursões de aviões militares chineses na sua ADIZ (zona de identificação de defesa aérea), que não está definida ou regulamentada por nenhum tratado internacional e não corresponde ao seu espaço aéreo. Chiu explicou também que Taiwan continuará a comprar armas dos Estados Unidos, o principal fornecedor de armas ao território, “de acordo com as necessidades” da ilha. A China chamou à viagem de Pelosi uma “farsa” e uma “traição deplorável” e decretou sanções comerciais a Taiwan, que descreveu os exercícios militares como um “bloqueio”. O ministro disse que várias agências governamentais de Taiwan estão a avaliar a possibilidade de alargar o serviço militar obrigatório na ilha “de quatro para 12 meses”.
ONU | Pequim demarca-se das condenações a Pyongyang e aponta o dedo aos EUA Hoje Macau - 7 Out 2022 DR A China e a Rússia demarcaram-se ontem, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, de uma condenação geral ao teste com um míssil balístico realizado pela Coreia do Norte e que sobrevoou o território do Japão. Exceptuando a Rússia e a China, todos os membros do Conselho de Segurança criticam o lançamento do míssil norte-coreano, referindo que foram violadas várias resoluções das Nações Unidas. Parte dos países pediu ainda medidas adicionais contra o Governo de Pyonyang, que já está sujeito a fortes sanções internacionais. Porém, a imposição de novas sanções parece impossível devido à posição da Rússia e da China que, em Maio passado, já vetaram uma resolução nesse sentido, tendo ontem mantido a mesma linha de orientação. Moscovo e Pequim culparam os Estados Unidos e os seus aliados pelos últimos testes de armas realizados pela Coreia do Norte, afirmando que estes foram realizados em resposta às suas manobras militares na região. “É óbvio que os lançamentos de mísseis de Pyongyang são uma consequência da actividade militar míope e beligerante em torno do país, levada a cabo pelos Estados Unidos”, referiu a representante da Rússia na sessão, Anna Evstigneeva. Na mesma linha, o diplomata chinês Geng Shuang salientou que os testes ocorrem num contexto de confronto dos Estados Unidos, a quem Pequim acusa de aumentar a tensão na região. Os dois países insistiram que é Washington que deve fazer concessões para facilitar o regresso ao diálogo com Pyongyang e que não consideram apropriadas novas sanções. O diplomata reafirmou que o diálogo e a consulta são a única forma de resolver a questão da Península Coreana, exortando o lado americano a agir, a mostrar sinceridade e a criar condições para o reinício do diálogo. “Todas as partes interessadas devem concentrar-se na situação global de paz e estabilidade na Península e evitar que a situação se agrave”, disse Geng Shuang, representante permanente adjunto da China nas Nações Unidas. Geng disse que a China reparou nos recentes lançamentos de mísseis da Coreia do Norte, e também reparou nos exercícios militares conjuntos realizados pelos EUA e outros países da região. “O recente reforço da aliança militar dos EUA na região da Ásia-Pacífico aumentou o risco de confronto militar, praticou dois pesos e duas medidas na questão nuclear e envenenou o ambiente de segurança regional. Neste contexto, a situação na Península torna-se inevitavelmente tensa”, comentou Geng. “A experiência histórica mostra que o diálogo e a consulta são a única forma correcta de resolver a questão da Península da Coreia. Se o diálogo progredir sem problemas, a situação na Península será relativamente estável; se o diálogo estagnar ou mesmo inverter, a situação na Península agravar-se-á”, disse Geng. “Exortamos o lado americano a tomar medidas, a mostrar a sua sinceridade e a abordar eficazmente as preocupações legítimas e razoáveis do lado norte-coreano, a fim de criar as condições para o reinício do diálogo”, disse o diplomata. Geng salientou igualmente que o Conselho de Segurança da ONU deveria desempenhar um papel construtivo na questão da Península Coreana, e não deveria exercer força e pressão cegamente. “Como vizinho próximo, a China presta muita atenção à situação na Península e insistirá sempre na manutenção da paz e estabilidade na Península, realizando a desnuclearização da Península e resolvendo as questões através do diálogo e da consulta”. Por seu lado, a embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, acusou a Rússia e a China de repetirem “o mito de que as provocações da Coreia do Norte são, de alguma forma, uma consequência das políticas e acções hostis dos Estados Unidos”. “Não toleraremos que nenhum país culpe as nossas acções defensivas para responder às ameaças da Coreia do Norte como a causa inerente dessas ameaças”, sublinhou Thomas-Greenfiled, que lembrou que este ano Pyongyang já lançou 39 mísseis balísticos, um novo recorde. Posição nipónica O Japão tinha pedido ao Conselho de Segurança da ONU para mostrar firmeza em relação à Coreia do Norte após o último teste de um míssil balístico norte-coreano, que sobrevoou o território japonês pela primeira vez em cinco anos. “Nós acreditamos que a Coreia do Norte poderia realizar actos mais provocativos, como um teste nuclear”, afirmou o porta-voz do Governo japonês, Hirokazu Matsuno, numa conferência de imprensa. O porta-voz classificou o recente aumento de testes de armas norte-coreanas como “uma ameaça à paz e à segurança do Japão e da comunidade internacional”. O Japão reforçou a vigilância sobre Pyongyang depois de o regime norte-coreano ter lançado um míssil na terça-feira. O míssil norte-coreano viajou cerca de 4.500 quilómetros antes de cair nas águas do Oceano Pacífico. O projéctil balístico atingiu uma altura de cerca de mil quilómetros e sobrevoou principalmente o Estreito de Tsugaru, que separa as ilhas de Hokkaido (norte) e Honshu, onde fica Tóquio. É a primeira vez desde 2017 que a trajectória de um míssil norte-coreano inclui parte do território japonês, facto que o Japão classifica como “uma ameaça grave e iminente” à sua segurança e como “um claro e grave desafio à comunidade internacional”.
Do Silêncio e do Vazio na poesia de Su Dongpo António Graça de Abreu - 7 Out 20227 Out 2022 DR O grande 蘇東坡Su Dongpo (1037-1101) não pára de nos surpreender. A sua vasta poesia, multifacetada nos temas, na abordagem ao real e ao fantástico, desdobra-se diante dos nossos olhos e sensibilidades, num painel distante e próximo de encantamentos e maravilhas. O vazio e o silêncio são temas caros à grande poesia chinesa. Eis quarenta caracteres de poemas de Su Dongbo, recriando o tema: Vazio e silêncio (dois excertos) 欲令诗语妙 无厌空且静 静故了群动 空故纳万境 Para a maravilha do poema, o melhor é o vazio e o silêncio. Em silêncio, floresce tudo o que se move, o vazio alberga dez mil imagens. 我心空无物 斯文定何间 君看古井水 万象自往还 O meu coração vazio, suportando coisa nenhuma, não importam as comezinhas coisas do mundo. Olhem a água de um velho poço, dez mil imagens aparecem, desaparecem. A propósito destes versos, do silêncio e da água no velho poço, escreveu He Qing, letrado chinês nosso contemporâneo: “O vazio e o silêncio são considerados como o princípio primevo da poesia. Quanto mais vazio e silencioso um poema soa, mais valor estético ele ganha. “(…) Pode-se imaginar esse silêncio, essa imobilidade, essa limpidez, essa frescura, essa profundidade temporal da água de um antigo poço, e imaginar que esta água silenciosa reflecte, serenamente, os vôos das aves, as viagens das nuvens, as vibrações da luz do sol, as oscilações das relvas e dos ramos das árvores, as mil cores da natureza. Nesta imagem poética reside não só a maior sabedoria chinesa, mas também o estado ideal da estética chinesa: permanecer ancorado no silêncio mais profundo e contemplar os movimentos mais íntimos do universo…” (He Ding, Images du Silence, Pensée et Art Chinois, Paris, L’Harmattan, 1999, pag. 79/80.)
Portugal | Assembleia da República analisa pedido da APOMAC Andreia Sofia Silva - 7 Out 2022 Jorge Fão, dirigente da APOMAC / Tiago Alcântara A Assembleia da República vai analisar a queixa feita pela Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) que defende que os reformados portugueses de Macau devem receber o suplemento extra de meia pensão anunciado pelo Executivo de António Costa. A carta enviada ao HM, e assinada pela chefe de gabinete de Augusto Santos Silva, presidente da AR, diz que o pedido será encaminhado para a Comissão de Trabalho e Segurança Social e para o gabinete da Ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares para uma análise mais aprofundada.
Assistentes sociais | Paul Pun preside ao conselho profissional Andreia Sofia Silva - 7 Out 2022 Paul Pun / Sofia Margarida Mota Paul Pun, secretário-geral da Caritas Macau, vai presidir nos próximos três anos ao Conselho Profissional dos Assistentes Sociais (CPAS), cujo novo mandato tem efeitos a partir do dia 24 deste mês. Segundo o despacho publicado ontem em Boletim Oficial, foram ainda designados os vogais, que tem como função principal a acreditação de profissionais e verificação de competências para exercerem. Desta forma, Alice Wong, do Instituto de Acção Social, Lau Ping Kuen, da Universidade Politécnica de Macau e Lok Chan Nei, da Universidade de Macau Chan Nei, da Universidade da Cidade de Macau, ambos ligados à área do serviço social, são alguns dos nomes apontados como vogais. Ng Um Ieng, da Associação dos Assistentes Sociais de Macau, faz também parte deste grupo. A entidade conta ainda com mais cinco vogais. Este é o segundo mandato do CPAS que já esteve envolto em polémica. Isto porque, em Abril, assistentes sociais, representados por uma associação de cariz sindical, queixaram-se de falta de transparência e problemas na nomeação dos seus representantes no órgão.
Comunidade | Amélia António admite que saídas ultrapassam entradas João Santos Filipe - 7 Out 2022 Amélia António / António Falcão É cada vez mais difícil de convencer os portugueses a virem pela primeira vez para Macau, devido às medidas contra a pandemia. No entanto, alguns residentes que estiveram fora estão a regressar A presidente da Casa de Portugal, Amélia António, admite que as saídas de portugueses de Macau estão a acontecer a um ritmo mais elevado do que as entradas. O cenário foi traçado na quarta-feira, 5 de Outubro, à margem da cerimónia de celebração da Implementação da República em Portugal, e traz novos desafios para as instituições e comunidade portuguesa. “Sei que há professores que vieram [para o território]. Nós temos muitas falhas nos nossos formadores, porque temos gente a sair sem que entre outra para o mesmo lugar. Portanto, não há um movimento [de entradas] que seja assim visível”, afirmou Amélia António, em declarações ao Canal Macau. Na visão da presidente da Casa de Portugal um dos entraves é a exigência de quarentena para quem chega do exterior. “Quem vem de novo, sabendo que vem para passar primeiro pela quarentena, e também pelo que se ouve das dificuldades que se têm vivido estes anos é difícil trazer gente que venha de novo para o território”, justificou. No movimento contrário há residentes que estão a voltar ao território, depois de algum tempo fora. “Há pessoas que são residentes e que por qualquer razão ficaram fora e não puderam regressar. Agora estão a aproveitar para regressar. Acho que se nota”, afirmou a dirigente da Casa de Portugal. Ainda assim, as entradas não compensam as saídas: “Não vejo a compensação do número que tem saído”, reconheceu. Na corda bamba Em relação à situação actual, e às políticas contra a pandemia, Amélia António admitiu que ainda é cedo para perceber o que vai acontecer nos próximos temos, mas que é necessário manter a esperança. “Actualmente, ainda é cedo para percebemos o que vai acontecer. Há esperança, há expectativa, mas é muito cedo”, indicou. “De um momento para o outro, enquanto o horizonte continuar a ser que ao menor sinal é preciso fechar, tomar medidas drásticas, vivemos na corda bamba, é como estar em cima do arame”, considerou. A CPM celebrou na quarta-feira o 112.º aniversário de Implementação da República e como tradicionalmente acontece foram entregues prémios aos melhores estudantes de português. “Há anos que decidimos que o 5 de Outubro seria sempre lembrado com a entrega dos prémios aos melhores alunos do ano. Fizemos uma ligação entre uma coisa e outra porque era uma maneira de atingir dois objectivos fundamentais”, explicou. “O que não podemos deixar de fazer, em circunstância nenhuma, é de assinalar a data e de assinalá-la da forma que julgamos mais importante, que é dando o destaque necessário à língua portuguesa”, vincou.