IA | Coreia do Sul anuncia plano de mais de um bilião de euros

O Governo sul-coreano apresentou ontem um plano para dez anos, avaliado em mais de um bilião de euros, para construir fábricas de semicondutores e centros de dados destinados à inteligência artificial (IA).

Um primeiro projecto, no valor de 800 biliões de wons (455 mil milhões de euros), incluirá quatro fábricas de semicondutores – duas construídas pela gigante Samsung Electronics e as outras duas pela concorrente SK hynix –, além de outras infra-estruturas, anunciou o ministro da Indústria, Kim Jung-kwan.

Outro projecto, avaliado em 568 mil milhões de euros, prevê até 2035 a construção de novos centros de dados dedicados à IA, elevando a capacidade total do país para 10 gigawatts (GW), acrescentou o ministro da Ciência, Bae Kyung-hoon, na mesma conferência de imprensa.

Trata-se do terceiro mega-investimento em IA anunciado na Coreia do Sul em menos de um ano, e de longe o mais significativo. O montante supera largamente os 450 biliões de wons (256 mil milhões de euros) prometidos pela Samsung e os 125 biliões de wons (71 mil milhões de euros) anunciados pela Hyundai Motor no final de 2025.

“Graças a isso, manteremos uma posição de liderança esmagadora no mercado e uma vantagem tecnológica decisiva no sector dos semicondutores de memória”, afirmou Kim Jung-kwan.

30 Jun 2026

Mundial | Selecionador da Coreia do Sul deixa cargo após eliminação precoce

Hong Myung-bo demitiu-se do cargo de selecionador da Coreia do Sul de futebol, após nova eliminação precoce num campeonato do mundo, tal como em 2014, noticiou a agência noticiosa sul-coreana Yonhap.

O antigo defesa central, capitão da Coreia do Sul na caminhada para as meias-finais do Mundial2002, competição em que os sul-coreanos venceram por 1-0 a Portugal na primeira fase, procurava, na sua segunda passagem pelo comando técnico da selecção, a sua redenção, depois de ter ficado pela fase de grupos em 2014.

Hong Myung-bo, de 57 anos, voltou ao cargo de seleccionador, tornando-se no primeiro treinador sul-coreano a orientar a selecção em dois Mundiais, mas acabou, mais uma vez, por não superar a primeira fase, terminando o Grupo A no terceiro posto, com três pontos, atrás do México, com nove, e da África do Sul, com quatro.

Após uma vitória frente à República Checa, por 2-1, na estreia, os ‘Guerreiros Taegeuk’ perderam os restantes jogos por 1-0, ficando arredados dos 16 avos de final. O terceiro melhor jogador do Mundial2002, atrás do guarda-redes Oliver Kahn e do avançado brasileiro Ronaldo, somou quatro presenças em campeonatos do mundo e orientou ainda a selecção sul-coreana nos Jogos Olímpicos Londres2012, conquistando a medalha de bronze.

História que se repete

Acabou por deixar a equipa técnica da selecção, da qual fazem parte os portugueses João Aroso, Tiago Maia, Pedro Roma e Nuno Matias, apesar de ter contrato até Fevereiro de 2027, data da Taça da Ásia de 2027, que vai ser disputada na Arábia Saudita.

No anterior Mundial, em 2022, a Coreia do Sul foi comandada pelo português Paulo Bento, tendo sido eliminada nos oitavos de final pelo Brasil, ao perder por 4-1. O actual vice-presidente do Benfica e antigo futebolista e seleccionador Humberto Coelho foi o primeiro português a orientar a Coreia do Sul, entre 2003 e 2004.

30 Jun 2026

Coreia do Sul | Antigo ministro da Justiça condenado a 25 anos de prisão

Um tribunal de Seul condenou ontem o antigo ministro da Justiça da Coreia do Sul Park Sung-jae a 25 anos de prisão pelo envolvimento na crise da lei marcial de 2024. Park Sung-jae foi condenado a 25 anos de prisão em primeira instância pelo envolvimento numa “insurreição”, considerou o tribunal de Seul.

Um decreto emitido pelo antigo Presidente do país Yoon Suk-yeol suspendeu brevemente o poder civil e mergulhou a Coreia do Sul na incerteza política a 3 de Dezembro de 2024, dando tempo aos deputados da oposição para se mobilizarem e revogarem a medida através de uma votação. Yoon foi condenado e permanece detido a aguardar o resultado do recurso contra a pena de prisão perpétua.

O antigo chefe de Estado foi também condenado a 12 de Junho a 30 anos de prisão por enviar drones para a Coreia do Norte para provocar Pyongyang e criar um pretexto para a imposição da lei marcial em Dezembro de 2024.

De acordo com os procuradores, Park Sung-jae convocou uma reunião de funcionários do Ministério da Justiça nas primeiras horas da lei marcial e reviu a capacidade das prisões no caso da detenção de figuras antigovernamentais. Enquanto ministro da Justiça, “ordenou a cooperação com o comando da lei marcial (…) assumindo que um decreto seria válido”, considerou o tribunal.

A acusação tinha pedido uma pena de 20 anos de prisão, argumentando que o ex-ministro da Justiça “reduziu a lei” a um instrumento de insurreição através do seu abuso de poder e minou o Estado de Direito. O tribunal acrescentou que não demonstrou qualquer remorso.

23 Jun 2026

Coreia do Sul | Presidente nomeia PM especialista em tecnologia

O Presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, nomeou ontem como primeira-ministra a actual titular da pasta das Pequenas e Médias Empresas, Han Seong-sook, uma especialista em tecnologia que liderou o portal da Internet Naver.

Segundo a agência de notícias EFE, que cita uma declaração do chefe de gabinete do Governo sul-coreano, Kang Hoon-sik, a escolhida por Lee é justificada com a capacidade para “realizar com sucesso a transição decisiva para a inteligência artificial e impulsionar o crescimento da Coreia do Sul”.

O anúncio da mudança no cargo, que no sistema presidencial da Coreia do Sul é principalmente cerimonial, surge num momento em que Lee assinala o seu primeiro ano à frente do executivo, num contexto de fortalecimento do Partido Democrático (PD), no poder, que arrasou nas eleições locais realizadas esta semana, mas não conseguiu conquistar a Câmara Municipal de Seul.

A agência de notícias sul-coreana Yonhap descreve Han como uma especialista em tecnologias da informação, que iniciou a carreira profissional como jornalista e acabou por desempenhar um papel fundamental na consolidação da Naver como a maior plataforma de Internet do país asiático.

A candidata a primeira-ministra, de 59 anos, assumiu em 2017 o cargo de directora-executiva da Naver, tornando-se a primeira mulher a ocupar esse cargo na empresa. Se for aprovada pelo parlamento, Han tornar-se-á a segunda mulher na história do país asiático a ocupar o cargo de primeira-ministra, depois de Han Myung-sook ter governado entre 2006 e 2007.

8 Jun 2026

Seul | Ex-ministro condenado a três anos de prisão por imposição da lei marcial

O ex-ministro da Defesa sul-coreano Kim Yong Hyun foi ontem condenado a três anos de prisão por obstrução da justiça devido à imposição da lei marcial em Dezembro de 2024 pelo então presidente, Yoon Suk Yeol.

O Tribunal Distrital Central de Seul declarou que Kim enganou membros dos serviços de segurança presidenciais para aceder a um telefone que Yoon pudesse usar para comunicar durante a mobilização dos militares nas ruas, antes de a lei marcial ter sido revogada pelo parlamento.

Para o tribunal, Kim “exorbitou o exercício das suas funções” ao obter o telefone em 02 de Dezembro de 2024, um dia antes de Yoon declarar a controversa lei marcial, que mergulhou o país em uma grave crise política e levou à sua prisão e processo de destituição.

Kim Yong Hyun também foi condenado por “incitar à destruição de provas” por ordenar que um de seus assessores se desfizesse de documentos relacionados com o dia seguinte ao decreto ter sido revogado pela Assembleia Nacional sul-coreana, em 05 de Dezembro. O Ministério Público da Coreia do Sul defendia uma pena de cinco anos de prisão, mas a sentença teve em conta que Kim não tinha antecedentes criminais, segundo a agência de notícias Yonhap.

O ex-governante continua a culpar a então oposição por desencadear uma “crise política” naquele país asiático e nega “qualquer irregularidade”, mantendo que a imposição da lei marcial se destinava a “alertar sobre o poder da oposição” — que Yoon associou à Coreia do Norte — e para recolher informações sobre uma possível “fraude eleitoral”.

20 Mai 2026

China e Estados Unidos iniciam discussões comerciais na Coreia do Sul

Delegações chinesa e norte-americana iniciaram ontem discussões económicas e comerciais na Coreia do Sul, antes da chegada do Presidente norte-americano Donald Trump à China, informou a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

As conversações decorreram no aeroporto de Incheon, perto de Seul, segundo a mesma fonte, e antecederam os encontros entre os líderes dos dois países, agendados para quinta e sexta-feira em Pequim.

A presença do vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e do secretário norte-americano do Tesouro Scott Bessent foi confirmada na Coreia do Sul. As relações comerciais deverão dominar as reuniões em Pequim entre os dirigentes das duas maiores economias mundiais.

Em 2025, Estados Unidos e China envolveram-se numa intensa guerra comercial com repercussões globais, marcada pela imposição de tarifas alfandegárias elevadas e múltiplas restrições, após o regresso de Trump à Casa Branca. Trump e o homólogo chinês Xi Jinping concluíram em Outubro uma trégua temporária, cujos desenvolvimentos deverão estar em destaque nas próximas discussões.

Comércio em foco

Apesar de uma trégua tarifária em vigor, várias questões e problemas sensíveis continuam por resolver, num contexto de interdependência económica e competição geopolítica crescente. O comércio deverá dominar as discussões, com a delegação norte-americana a procurar acordos que beneficiem sectores como a aeronáutica, a energia e a agricultura.

Vários analistas apontaram igualmente para a possibilidade de criação de um comité bilateral de comércio, destinado a facilitar trocas em áreas consideradas não sensíveis, como a electrónica de consumo. O domínio da China na produção de terras raras, essenciais para indústrias tecnológicas e de defesa, deverá ser um dos pontos mais sensíveis das negociações.

Estes recursos são fundamentais para cadeias de abastecimento globais, desde a electrónica de consumo até aos sistemas militares avançados.

14 Mai 2026

Seul | Juiz que agravou pena da ex-primeira-dama encontrado morto

A polícia da Coreia do Sul anunciou ontem que foi encontrado morto o juiz que agravou a pena de prisão da ex-primeira-dama Kim Keon-hee, de 20 meses para quatro anos.

Shin Jong-o foi “encontrado inconsciente por volta da 01h da manhã de ontem [meia-noite em Macau] nas instalações no Tribunal Superior de Seul”, disse à agência de notícias France-Presse um oficial da polícia. O magistrado foi levado para o hospital, onde foi declarado morto, acrescentou o investigador, sublinhando que “não há indícios de que tenha sido um acto criminoso”.

No entanto, o dirigente da esquadra de Seocho, um distrito da capital, negou que Shin tenha deixado uma carta de suicídio, algo avançado pela imprensa sul-coreana.

Em 28 de Abril, o juiz condenou Kim Keon-hee a quatro anos de prisão, aumentando a pena inicial de 20 meses por corrupção, e impôs uma multa de 50 milhões de won (cerca de 29 mil euros). O Tribunal Superior de Seul anulou a absolvição inicial da acusação de manipulação de acções. Durante a leitura da sentença, que foi transmitida em directo pela televisão sul-coreana, Shin Jong-o declarou que Kim Keon Hee “não admitiu a sua culpa e, em vez disso, recorreu repetidamente a desculpas”.

Kim, de 53 anos, é casada com o ex-chefe de Estado Yoon Suk-yeol, que desempenhou funções entre 2022 e 2025. Em Agosto de 2025, a ex-primeira-dama foi acusada de corrupção, suborno e fraudes no mercado bolsista, incluindo manipulação de preços de acções, assim como de influenciar indevidamente as listas de candidatos do Partido do Poder Popular.

Em Dezembro de 2024, Yoon Suk-yeol declarou lei marcial para alegadamente combater elementos “pró-Coreia do Norte” no parlamento, medida que revogou poucas horas depois, acabando por ser destituído do cargo em Abril de 2025. No passado mês de Fevereiro, o Tribunal Distrital Central de Seul considerou o ex-chefe de Estado culpado de liderar uma insurreição e condenou-o a prisão perpétua.

7 Mai 2026

Seul | Ex-primeira dama condenada a quatro anos de prisão

O tribunal de recurso da Coreia do Sul condenou ontem a ex-primeira-dama Kim Keon-hee a quatro anos de prisão, aumentando a pena inicial de 20 meses por corrupção.

Na sentença transmitida em directo pela televisão sul-coreana, o Tribunal Superior de Apelação de Seul condenou Kim Keon-hee a quatro anos de prisão e impôs uma multa de 50 milhões de won (cerca de 29 mil euros). Kim Keon-hee, de 53 anos, é casada com o ex-chefe de Estado Yoom Suk Yeol, que desempenhou funções entre 2022 e 2025.

Em Agosto de 2025, o Tribunal Distrital Central de Seul emitiu um mandado de detenção contra Kim Keon-hee por várias acusações de corrupção, incluindo suborno e fraudes no mercado bolsista incluindo manipulação de preços de acções. Na altura, a ex-primeira dama foi acusada também de influenciar indevidamente as listas de candidatos do Partido do Poder Popular.

Em Dezembro de 2024, o ex-Presidente Yoom Suk Yeol declarou a lei marcial para alegadamente combater elementos “pró-Coreia do Norte” no Governo de Seul tendo revogado a medida poucas horas depois. Recentemente o Tribunal Distrital Central de Seul considerou-o culpado de liderar uma insurreição e condenou o ex-chefe de Estado a prisão perpétua.

29 Abr 2026

Seul / Imprensa | AIEA apela a acordo sobre enriquecimento de urânio

A urgência de se alcançar um acordo entre os EUA e o Irão foi sublinhada pelo director da Agência Internacional de Energia Atómica na imprensa sul-coreana

O director da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, frisou ontem a necessidade de ser atingido um qualquer acordo entre Estados Unidos da América (EUA) e Irão sobre o processo de enriquecimento de urânio. Para o responsável daquela instituição, uma possível suspensão do programa nuclear da República Islâmica iraniana é uma “decisão política”, em declarações reproduzidas pelo jornal sul-coreano Chosun Ilbo.

“Sem verificação, todos os acordos não passam de papelada”, disse Grossi, adiantando que, se Washington e Teerão chegarem a um entendimento, a AIEA “vai solicitar cooperação na verificação e nas salvaguardas”. Questionado sobre uma possível paragem no processo de enriquecimento de urânio, o líder da AIEA limitou-se a afirmar que tal seria “uma decisão política”, sem exprimir a posição da entidade que dirige.

Guerra e paz

A questão do urânio enriquecido foi a justificação para a primeira guerra de 12 dias, em Junho, e para a ofensiva conjunta de Israel e EUA, em 28 de Fevereiro, já que Washington exige “enriquecimento zero”, enquanto Teerão defende o seu direito de mantê-lo para uso civil.

O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou recentemente que os EUA estão prontos para ajudar economicamente o Irão se aquele país do Médio Oriente se comprometer a não desenvolver armas nucleares, após a suspensão das negociações falhadas no fim de semana, no Paquistão.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, defendeu na quarta-feira, em Pequim, o “direito inalienável” do Irão ao processo de enriquecer urânio para fins pacíficos, tendo já Moscovo avançado com a ideia de receber o urânio enriquecido iraniano, em caso de haver um acordo de paz.

Entretanto, os responsáveis de Islamabade anunciaram haver a possibilidade de nova ronda de negociações entre representantes de EUA e do Irão brevemente.

16 Abr 2026

Seul | Coreia do Norte dispara “vários mísseis balísticos”

Pyongyang lançou ontem vários mísseis em direcção ao mar do Japão. Desde o início do ano, este é o quarto ensaio levado a cabo pelas forças norte-coreanas

A Coreia do Norte disparou ontem “vários mísseis balísticos não identificados”, de acordo com o exército sul-coreano, que relatou um lançamento semelhante ocorrido no dia anterior.

O exército afirmou ter detectado, durante a manhã de ontem, “vários mísseis balísticos não identificados, lançados a partir da região de Wonsan, na Coreia do Norte, em direcção ao mar do Leste”, em referência ao nome coreano do mar do Japão. Os mísseis percorreram cerca de 240 quilómetros.

Uma hora antes, o exército deu conta do lançamento, na terça-feira, de um “projéctil não identificado”, desta vez a partir da região de Pyongyang, capital norte-coreana. As manobras militares ocorrem pouco depois de Seul ter-se desculpado pelo envio de drones para o Norte por civis em Janeiro, o que foi bem recebido por Pyongyang.

O Gabinete de Segurança Nacional da Casa Azul, sede da presidência sul-coreana, realizou uma reunião de emergência após os lançamentos de mísseis, indicando ainda que, “tendo em conta o conflito em curso no Médio Oriente, as agências envolvidas receberam instruções para redobrar a vigilância, a fim de manter um estado de preparação ideal”. O gabinete “exortou a Coreia do Norte a cessar imediatamente os lançamentos de mísseis balísticos, qualificando-os de actos provocadores, que violam as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas”, precisou num comunicado.

Desculpas e hostilidades

Segundo analistas, estes disparos são um sinal de que a Coreia do Norte permanece indiferente à mão estendida do vizinho, apesar de a influente irmã do líder norte-coreano, Kim Yo-jong, ter qualificado de “sensata” a decisão de Lee Jae-myung de manifestar pesar pelo incidente dos drones. “O nosso governo saudou esta decisão como sendo feliz e sensata”, disse Kim.

O Presidente sul-coreano tem procurado retomar as relações bilaterais desde que foi eleito, em Junho, contrastando com a linha dura do antecessor.

“Um incidente a envolver drones civis, que não deveria ter ocorrido, teve lugar sob esta administração, e foi confirmado que um responsável do serviço nacional de inteligência e um soldado no activo estavam envolvidos”, lamentou Lee na segunda-feira. Na terça-feira, porém, um alto responsável da diplomacia norte-coreana considerou absurdas as informações divulgadas pelos meios de comunicação social sul-coreanos, que apresentaram os comentários de Kim Yo-jong de forma positiva.

“Isto ficará também nos anais como uma ‘interpretação sonhadora e cheia de esperança por parte de imbecis’ que espantam o mundo”, afirmou Jang Kum-chol, primeiro vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, num comunicado em inglês divulgado pela agência de notícias oficial KCNA. O responsável reafirmou que o Norte considera o Sul como o “Estado inimigo mais hostil”.

“Os disparos sucessivos e as recentes declarações [de Pyongyang] sublinham a determinação da Coreia do Norte em ignorar as tentativas do Sul de melhorar as relações intercoreanas”, resumiu Lim Eul-chul, especialista em assuntos norte-coreanos da Universidade de Kyungnam.

E vão quatro

Os lançamentos de ontem constituem o quarto teste de mísseis balísticos norte-coreanos registado desde o início do ano. Em meados de Março, as Forças Armadas sul-coreanas detetaram “cerca de dez mísseis balísticos não identificados lançados a partir da região de Sunan, na Coreia do Norte”, em direcção ao mar do Japão, quando em simultâneo decorriam exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos, que Pyongyang criticou duramente.

Sob a presidência do antecessor de Lee, Yoon Suk-yeol, as tensões entre as duas Coreias agravaram-se consideravelmente, com várias provocações de um lado e de outro, nomeadamente o lançamento de nuvens de balões com lixo lançados pelo Norte em meados de 2024, em resposta ao envio, a partir do Sul, de propaganda por activistas anti-Pyongyang.

9 Abr 2026

Coreia do Sul | Subida de 6% nos nascimentos

A Coreia do Sul anunciou ontem um aumento de mais de 6 por cento no número de nascimentos em 2025, mas a taxa de fecundidade mantém-se abaixo do mínimo necessário para travar o declínio populacional. De acordo com dados oficiais divulgados pelo Ministério de Dados e Estatísticas da Coreia do Sul, o número de nascimentos cresceu pelo segundo ano consecutivo e registou o maior aumento anual desde 2010.

Em resultado, a taxa de fecundidade da Coreia do Sul, ou seja, o número médio de filhos por mulher, subiu ligeiramente, de 0,75 para 0,8. Um valor que permanece abaixo do mínimo de 2,1 necessário para manter a população actual da Coreia do Sul.

A diretora da divisão de tendências demográficas do ministério, Park Hyun-jeong, disse que o aumento do número de casamentos na Coreia do Sul desempenhou um papel importante nesta tendência.

A Coreia do Sul tem uma das taxas de fertilidade mais baixas do mundo. O Governo tem gasto milhares de milhões de euros para incentivar as mulheres a terem mais filhos, com pouco sucesso até agora. De acordo com várias projecções, ao ritmo actual, a população da Coreia do Sul passará dos actuais 51 milhões para quase metade, 26,8 milhões, até ao final do século.

Especialistas dizem que existem várias razões para a baixa taxa de natalidade da Coreia do Sul, incluindo o elevado custo de criar filhos e uma economia competitiva, que dificulta o acesso a empregos bem remunerados.

No início de Fevereiro, o autarca de Jindo (sudoeste), Kim Hee-soo, gerou controvérsia ao sugerir que as comunidades rurais poderiam combater o declínio demográfico atraindo mulheres do Vietname ou do Sri Lanka.

26 Fev 2026

Coreia do Sul | Ex-presidente recorre da condenação a prisão perpétua

O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol, condenado na semana passada à prisão perpétua por ter imposto a lei marcial no final de 2024, recorreu ontem da sentença, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

“Pretendemos revelar os erros nos factos e a incompreensão dos princípios legais na decisão do primeiro julgamento”, afirmaram os advogados do ex-presidente preso.

Yoon foi condenado em primeira instância à prisão perpétua pelo Tribunal Distrital Central de Seul, que na quinta-feira passada considerou que os seus actos constituíram insurreição ao mobilizar tropas no Parlamento nacional e mergulhar o país na sua pior crise em décadas.

O recurso do ex-presidente surge depois de a equipa especial do Ministério Público que conduziu o caso ter anunciado que também iria recorrer da sentença, uma vez que tinha pedido a pena de morte, para a qual existe uma moratória no país.

Yoon, que já se encontrava na prisão enquanto aguardava a decisão, declarou a lei marcial na noite de 03 de Dezembro de 2024, um decreto que foi bloqueado pelo Parlamento algumas horas depois. O ex-presidente foi destituído em Abril do ano passado pelo Tribunal Constitucional, por considerar que não havia indícios de uma situação de emergência que justificasse o decreto.

25 Fev 2026

Cooperação | Coreia do Sul e Brasil elevam relação bilateral a “parceria estratégica”

Coreia do Sul e Brasil acordaram ontem elevar as relações bilaterais ao nível de “parceria estratégica”, numa cimeira realizada em Seul entre os presidentes sul-coreano, Lee Jae-myung, e brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

“Decidimos elevar a nossa relação bilateral a uma ‘parceria estratégica'”, anunciou Lee, numa conferência de imprensa após o encontro. O Presidente sul-coreano explicou que o “Plano de Acção Quinquenal Coreia do Sul-Brasil”, adoptado ontem, servirá como roteiro integral em áreas como política, economia, cooperação prática e intercâmbios entre cidadãos.

Entre os principais resultados das conversações, destacou o impulso à retoma das negociações para um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul, bem como a assinatura de onze memorandos de entendimento em sectores como PME, saúde, agricultura, espaço, defesa e aviação.

Em matéria económica, os dois países concordaram com a necessidade de ampliarem a cooperação mutuamente benéfica e apoiaram a pronta retoma das negociações para um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul.

Lula da Silva lembrou que o Brasil abriga a maior comunidade de origem coreana da América Latina, com cerca de cinquenta mil pessoas, e que o K-pop, as telenovelas e a culinária da Coreia do Sul têm milhões de consumidores no Brasil.

24 Fev 2026

Seul | Autoridades investigam caso de drones enviados para o Norte

As autoridades sul-coreanas declararam ter ontem feito buscas nos serviços secretos civis e militares do país no âmbito de uma investigação sobre o roubo de um drone que atravessou a fronteira com o Norte em Janeiro.

A Coreia do Norte acusou o Sul de ter enviado um drone no início de Janeiro para o seu território e afirmou ter abatido o aparelho perto da cidade de Kaesong, não muito longe da fronteira intercoreana. A KCNA, agência oficial da Coreia do Norte, estabeleceu uma ligação com outro voo de drones sul-coreanos realizado, segundo Pyongyang, perto da cidade fronteiriça de Paju, em Setembro.

Seul negou qualquer envolvimento do Governo ou do exército, sugerindo que civis poderiam ser os responsáveis, mas ontem as autoridades sul-coreanas anunciaram que estão a investigar três soldados e um funcionário dos serviços de inteligência suspeitos de envolvimento.

Mandados de busca e apreensão foram executados “em 18 locais no total, incluindo o Comando de Inteligência da Defesa e o Serviço Nacional de Inteligência”, de acordo com um comunicado.

Três civis foram acusados por suposto papel no escândalo do drone. Um deles reivindicou publicamente a responsabilidade, afirmando ter pilotado o aparelho para medir os níveis de radiação e contaminação por metais pesados em torno de uma fábrica de processamento de urânio no Norte.

O Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung denunciou esse sobrevoo, alertando que se tratava de uma iniciativa que poderia desencadear uma guerra.

O seu antecessor deposto, Yoon Suk-yeol, está actualmente a ser julgado por ter ordenado ilegalmente sobrevoos de drones sobre a Coreia do Norte, na esperança de provocar uma reacção de Pyongyang e usá-la como pretexto para uma tentativa, entretanto frustrada, de impor a lei marcial. Yoon Suk-yeol foi destituído em Abril passado por essa tentativa.

11 Fev 2026

Coreia do Sul | Presidente em visita oficial à China

O Presidente da Coreia do Sul iniciou ontem uma visita oficial à China, numa altura em que Pequim procura reforçar os laços com Seul, após o aumento das tensões com o Japão devido a Taiwan. A deslocação de quatro dias é a primeira visita oficial de um chefe de Estado sul-coreano à China desde 2019, assim como a primeira visita de Lee Jae-myung à segunda maior economia do mundo desde que assumiu o cargo, em Junho.

A deslocação ocorre numa altura de tensão entre a China e o Japão, depois de a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, ter dito em Novembro que as forças armadas do país poderiam envolver-se se Pequim tomasse medidas contra Taiwan. No início de Dezembro, Lee afirmou que a Coreia do Sul não deveria tomar partido entre a China e o Japão.

Durante a visita, que acontece a convite de Xi Jinping, Lee irá reunir-se com o líder chinês, o segundo encontro entre os dois em apenas dois meses. Os líderes já se reuniram em novembro, à margem da cimeira de líderes da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), organizada em Gyeongju, na Coreia do Sul.

Na ocasião, trocaram piadas e Lee descreveu Xi como “surpreendentemente bom a fazer piadas”, considerando os diálogos “interessantes”, e expressou o desejo de visitar a China. Antes da viagem, Lee concedeu à emissora estatal chinesa CCTV a primeira entrevista na residência oficial da presidência, que foi transmitida na sexta-feira.

O líder sul-coreano disse esperava que as pessoas compreendessem que o Governo se preocupa com as relações com Pequim e assegurou que a Coreia do Sul respeita consistentemente a política de ‘Uma Só China’ em relação a Taiwan.

Na entrevista, Lee elogiou ainda Xi como um “vizinho verdadeiramente confiável”. O Presidente da Coreia do Sul reconheceu que mal-entendidos passados prejudicaram as relações bilaterais com Pequim. “Esta visita à China visa minimizar ou eliminar estes mal-entendidos ou contradições do passado”, disse, citado pela CCTV.

5 Jan 2026

Coreia do Sul | Presidente lamentou agravamento da crise com o Norte

O Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, defendeu sexta-feira uma abordagem diplomática paciente com a Coreia do Norte, reconhecendo que se agravou a crise nas relações entre os dois países.

Numa reunião com responsáveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério da Unificação, o presidente sul-coreano disse que no passado Seul e Pyongyang fingiam ser inimigos, mas que ultimamente, sublinhou, se parecem estar a transformar em “verdadeiros inimigos”.

As declarações do chefe de Estado ocorreram três dias depois de as autoridades sul-coreanas e norte-americanas terem realizado uma série de discussões em Seul com o objectivo de reavaliarem a política conjunta face à Coreia do Norte. Por outro lado, as conversações geraram tensões internas no Executivo sul-coreano, segundo fontes da agência de notícias oficial Yonhap.

O Ministério da Unificação, responsável pelos assuntos entre as duas Coreias, apresentou objecções às conversações lideradas por diplomatas do Ministério dos Negócios Estrangeiros, numa situação que supostamente configurou uma questão de jurisdição. “Parece que toda esta situação actual decorre de ambições políticas”, criticou o Presidente sul-coreano.

Para Lee Jae-myung é necessário comunicar, dialogar, cooperar e lutar pela coexistência e prosperidade, lamentando o que considerou falta de espaço para consensos capazes de resolverem as tensões internas em Seul. Na mesma declaração, o Presidente sul-coreano enfatizou o papel do Ministério da Unificação como principal negociador.

21 Dez 2025

Seul | Protesto após incursão de aviões militares de Pequim e Moscovo

Seul anunciou ontem ter apresentado um “forte protesto diplomático” às autoridades russas e chinesas, após a passagem de aviões militares de Pequim e Moscovo pela zona de identificação de defesa aérea sul-coreana. O protesto foi apresentado aos adidos da defesa de ambos os países na capital sul-coreana, de acordo com o Ministério da Defesa.

“As nossas forças armadas continuarão a responder activamente às actividades de aeronaves de países vizinhos dentro [da zona de identificação de defesa aérea da Coreia do Sul], em conformidade com o direito internacional”, sublinhou o responsável pelos assuntos internacionais daquele ministério, Lee Kwang-suk.

A Coreia do Sul disse na terça-feira que enviou caças em resposta à entrada de sete aeronaves militares russas e duas chinesas na zona de defesa aérea do país. Esta zona é uma área maior do que espaço aéreo e que um país controla por razões de segurança, embora este conceito não esteja definido por nenhum tratado internacional.

Nenhuma das aeronaves militares russas e chinesas violou o espaço aéreo sul-coreano, de acordo com o Estado-Maior Conjunto em Seul. Pequim e Moscovo evocaram exercícios militares conjuntos que, de acordo com o Ministério da Defesa russo, envolveram “bombardeiros estratégicos”.

11 Dez 2025

Seul | Apresentado projecto de lei para reduzir taxas dos EUA

O partido no poder na Coreia do Sul apresentou ontem um projecto de lei para apoiar o compromisso de investimento sul-coreano nos Estados Unidos em troca da redução das tarifas norte-americanas.

O projecto de lei prevê a criação de um fundo especial para financiar o investimento prometido de 350 mil milhões de dólares aos Estados Unidos, em troca da redução das tarifas aduaneiras de Washington sobre veículos e peças de veículos, entre outros, de 25 por cento para 15 por cento.

Do valor total, 150 mil milhões de dólares destinam-se ao sector naval norte-americano, enquanto os restantes 200 mil milhões de dólares vão ser investidos, em tranches anuais de até 20 mil milhões de dólares, em vários sectores estratégicos dos EUA.

Embora a proposta legislativa ainda vá ser analisada pelo parlamento sul-coreano, com a mera apresentação do documento aplica-se a redução tarifária com efeitos retroactivos a 01 de Novembro, em linha com o memorando de entendimento bilateral assinado em meados deste mês.

O Ministério do Comércio da Coreia do Sul enviou uma carta ao secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, a informar que a proposta de lei para aplicar o memorando de entendimento já foi apresentada à Assembleia Nacional sul-coreana e a solicitar que a redução retroativa seja aplicada em conformidade.

27 Nov 2025

Coreia do Sul | Propostas conversações ao Norte para evitar incidentes na fronteira

A Coreia do Sul propôs ontem conversações à Coreia do Norte para estabelecer um traçado claro da linha de demarcação militar fronteiriça e evitar incidentes entre os dois exércitos, anunciou o Governo sul-coreano.

A proposta foi feita pelo exército da Coreia do Sul “para evitar confrontos acidentais e reduzir a tensão militar”, justificou o vice-ministro da Defesa sul-coreano, Kim Hong-cheol, numa conferência de imprensa em Seul. Kim afirmou que soldados norte-coreanos atravessaram repetidamente a linha militar para o lado sul da Zona Desmilitarizada “enquanto construíam estradas tácticas e colocavam vedações e minas”.

As tropas sul-coreanas emitiram avisos por rádio e dispararam tiros de aviso para forçar os norte-coreanos a recuar para o seu lado, disse Kim, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP). O vice-ministro referiu que as recentes incursões se devem “à perda de numerosos marcos da linha de demarcação”.

Os marcos foram instalados ao abrigo do Acordo de Armistício de 1953, que permitiu um cessar-fogo na Guerra da Coreia, iniciada em 1950. A linha de demarcação situa-se no interior da Zona Desmilitarizada, uma zona tampão de quatro quilómetros de largura que se estende por 250 quilómetros através da península coreana, na Ásia oriental.

O armistício pôs fim à guerra de 1950-53, mas Seul e Pyongyang ainda estão tecnicamente em guerra, devido à ausência de um tratado de paz.

18 Nov 2025

Seul | Detenção de mais de 50 sul-coreanos por fraudes ‘online’

Dos 64 sul-coreanos vindos do Camboja, apenas cinco foram libertados. Os restantes encontram-se detidos até se perceber se trabalharam voluntariamente em esquemas de burlas ou se forma forçados a fazê-lo

Seul prepara-se para deter formalmente a maioria dos 64 sul-coreanos repatriados do Camboja por supostamente trabalharem para organizações de golpes na internet nesse país, informou ontem a polícia da Coreia do Sul.

Os 64 sul-coreanos foram detidos no Camboja nos últimos meses e foram repatriados para a Coreia do Sul num voo charter no passado sábado. Ao chegarem a Seul, foram detidos e a polícia está agora a investigar se estas pessoas se juntaram voluntariamente a organizações de golpes no Camboja ou foram forçadas a trabalhar nas mesmas.

Os esquemas fraudulentos ‘online’, muitos dos quais baseados em países do Sudeste Asiático, aumentaram drasticamente desde a pandemia de covid-19 e produziram dois tipos de vítimas: as dezenas de milhares de pessoas que foram forçadas a trabalhar nestes esquemas sob ameaça de violência e os alvos das respectivas fraudes.

Grupos de monitorização destas actividades afirmam que os esquemas fraudulentos ‘online’ rendem biliões de dólares anualmente a gangues criminosas internacionais. Os procuradores sul-coreanos solicitaram aos tribunais locais que emitissem mandados de prisão para 58 dos 64 repatriados, a pedido da polícia, informou a Agência Nacional de Polícia da Coreia em comunicado.

A polícia acrescentou que as pessoas que devem ficar detidas são acusadas de se envolver em actividades fraudulentas ‘online’, como golpes românticos, propostas de investimento falsas ou ‘phishing’ por voz, aparentemente visando compatriotas sul-coreanos no país. Espera-se que os tribunais determinem se aprovam as detenções nos próximos dias.

Zona de alto risco

A agência policial informou que cinco pessoas foram libertadas, mas recusou-se a divulgar os motivos da libertação, alegando que as investigações ainda estão em curso. A polícia sul-coreana informou que quatro dos 64 repatriados disseram aos investigadores que foram espancados enquanto estavam detidos contra a sua vontade por organizações criminosas no Camboja.

A Coreia do Sul enfrenta apelos públicos para tomar medidas mais enérgicas para proteger os seus cidadãos de serem forçados a trabalhar em centros de fraude ‘online’ no estrangeiro, depois de um dos seus cidadãos ter sido encontrado morto no Camboja em Agosto.

O jovem sul-coreano terá sido atraído por um amigo para viajar para o Camboja, e aí foi obrigado a fornecer os dados da sua conta bancária, que foi usada por uma organização fraudulenta. As autoridades do Camboja afirmaram que o estudante universitário de 22 anos foi torturado.

Estimativas da ONU e de outras agências internacionais indicam que, pelo menos, 100.000 pessoas foram traficadas para centros de fraude no Camboja, outras tantas para Myanmar e dezenas de milhares mais para outros países.

Autoridades em Seul estimam que cerca de mil sul-coreanos estejam em centros de golpes no Camboja e, na semana passada, as autoridades sul-coreanas impuseram uma proibição de viagens a partes do Camboja, enviando paralelamente uma delegação do Governo para discutir medidas conjuntas.

Os centros de golpes ‘online’ estavam anteriormente concentrados em países do Sudeste Asiático, incluindo Camboja e Myanmar, sendo que a maioria dos trabalhadores traficados eram provenientes desta região e outros países da Ásia.

Um relatório da Interpol divulgado em Junho fez saber, porém, que, nos últimos três anos, houve vítimas traficadas para o Sudeste Asiático provenientes de regiões distantes, incluindo América do Sul, Europa Ocidental e África Oriental, e que novos centros foram identificados no Médio Oriente, África Ocidental e América Central.

21 Out 2025

Fundação Oriente apresenta, em Lisboa, semana dedicada à Coreia

Entre os dias 3 e 10 de Outubro a Fundação Oriente, recebe no Museu do Oriente em Lisboa o programa cultural “Celebrar a Coreia”, que apresenta actividades ligadas aos elementos da cultura coreana, como o “K-Beauty”, a música ou a gastronomia, com o popular kimchi.

Este evento acontece porque, em Outubro, se assinalam “duas datas marcantes na história da Coreia”, nomeadamente o Dia Nacional da Fundação da Coreia, conhecido como Gaecheonjeol, a 3 Outubro, e o Dia do Hangeul, a 9 Outubro, que celebra o alfabeto criado no século XV pelo Rei Sejong.

A mostra “expõe peças do seu acervo que habitualmente não estão acessíveis ao público”, apresentando também “um programa que visa aproximar ainda mais duas culturas cujos caminhos se cruzaram no século XVI”, destaca a organização.

No primeiro dia do evento, a 3 de Outubro, decorre um curso de introdução à pintura tradicional coreana, uma oficina de contos e jogos coreanos, e ainda uma demonstração da dança K-Pop, a partir das 18h. Nos dias seguintes haverá espaço para actividades tão diversas como um curso de taekwondo, nas modalidades de defesa pessoal e “freestyle”, uma oficina de “K-Beauty”, a maquilhagem tipicamente coreana.

Um pouco de história

No domingo, 5, às 16h30, terá lugar uma conferência sobre a “História dos Primeiros Contactos Luso-Coreanos”, com o professor Byung Goo Kang, do King Sejong Institute Lisbon. O professor regressa à Fundação Oriente no dia 9 de Outubro para falar da “Introdução à Língua Coreana”.

No tocante à gastronomia coreana, a 7 de Outubro haverá a “Oficina Chuseok”, onde se vai ensinar a cozinhar os pratos tradicionais Songpyeon e Bibimbap. Também neste dia haverá a “Oficina K-Skincare para Iniciantes” e ainda a “Oficina Maedeup”, também ligada ao universo do K-Pop.

No último dia do programa realiza-se a “Oficina Coreia do Sul”, onde se darão dicas a futuros viajantes, organizando-se também uma visita orientada de máscaras coreanas patentes na colecção do Museu do Oriente. Há ainda espaço para a demonstração de “Danças Talchum” e de Taekwondo.

26 Set 2025

Seul apoia diálogo entre Coreia do Norte e EUA mas mantém objectivo de desnuclearização

A Coreia do Sul expressou ontem a disposição em apoiar um eventual diálogo entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, reiterando embora o compromisso com a desnuclearização da península.

“O Governo continuará a apoiar o diálogo entre os Estados Unidos da América (EUA) e a Coreia do Norte e continuará a trabalhar por uma península sem armas nucleares e em paz”, disse um funcionário do gabinete presidencial à agência de notícias local Yonhap, sob condição de anonimato.

As declarações respondem ao discurso proferido pelo Presidente norte-coreano, Kim Jong-un, na Assembleia Popular Suprema, este fim-de-semana, onde afirmou ter “boas recordações” do Presidente norte-americano, Donald Trump, e sugeriu que poderia reabrir contactos com Washington, se a questão da desnuclearização fosse descartada.

As palavras de Kim Jong-un reacenderam as expectativas de um possível encontro surpresa com Trump em torno da visita do inquilino da Casa Branca à Coreia do Sul para a cimeira da APEC, no final de Outubro. Embora seja improvável que Kim Jong-un viaje para a Coreia do Sul, os líderes poderão encontrar-se na Zona Desmilitarizada (DMZ) que divide as duas Coreias, tal como fizeram em 2019, durante o primeiro mandato de Trump.

Por outro lado, o Ministério da Unificação sul-coreano disse ontem que não busca hostilidades com a Coreia do Norte. “O Governo da Coreia do Sul reafirma o seu respeito pelo regime norte-coreano, não procurará qualquer forma de unificação por absorção nem participará em qualquer acto hostil”, afirmou o porta-voz daquele ministério, Koo Byoung-sam.

Copia e pasta

No seu discurso, Kim Jong-un descartou qualquer interacção com Seul e classificou a unificação das duas Coreias como “desnecessária”, apesar dos gestos de reconciliação do governo do Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung.
Jong-un criticou ainda as políticas de desnuclearização gradual de Lee Jae-myung, que considerou serem “cópias exactas” das medidas fracassadas dos seus antecessores.

23 Set 2025

Coreia do Sul investiga violação de direitos de emigrantes nos EUA

A Coreia do Sul vai investigar a possível violação dos direitos de mais de 300 sul-coreanos detidos pela polícia de imigração norte-americana no estado da Geórgia, entretanto repatriados, anunciou ontem a presidência em Seul.

A operação ocorreu em 4 de Setembro numa fábrica de baterias para veículos eléctricos operada conjuntamente pela Hyundai e pela LG. Foram detidas cerca de 475 pessoas, incluindo mais de 300 sul-coreanos. Trata-se da maior operação realizada num único local no âmbito da campanha de expulsões ordenada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo as autoridades norte-americanas.

Os sul-coreanos foram libertados após delicadas negociações diplomáticas e repatriados na sexta-feira. “Planeamos examinar mais de perto se ocorreram violações dos direitos dos nossos cidadãos ou se eles tiveram de enfrentar inconvenientes injustificados”, disse a porta-voz da presidência sul-coreana, Kang Yu-jung, numa conferência de imprensa.

Os dois países “estão a verificar se houve falhas nas medidas tomadas, e as empresas também estão a investigar”, acrescentou, citada pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A operação foi notícia nos meios de comunicação sul-coreanos, um país que prometeu investir 350 mil milhões de dólares nos Estados Unidos, após ameaças norte-americanas sobre direitos aduaneiros.
Aliado fundamental dos Estados Unidos para a segurança no Pacífico, a Coreia do Sul é também a quarta maior economia asiática, um grande fabricante de automóveis e de produtos electrónicos. Importa referir que várias fábricas sul-coreanas estão instaladas nos Estados Unidos.

Tratados como gado

Especialistas em trabalho admitiram que os trabalhadores detidos provavelmente não teriam um visto que os autorizasse a realizar trabalhos de construção.

Alguns deles descreveram à imprensa local condições terríveis durante a detenção e permanência no centro de detenção. Os trabalhadores afirmaram também ter sido detidos sem serem informados dos seus direitos.
O Presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, considerou que a operação da imigração norte-americana foi desestabilizadora e “pode ter um efeito dissuasor sobre futuros investimentos”.

A operação da imigração vai causar um atraso de dois a três meses no arranque da fábrica de baterias, admitiu na semana passada o presidente da Hyundai, Jose Munoz, segundo a televisão norte-americana CNN. A fábrica em Ellabell, parte de um complexo industrial de 7,6 mil milhões de dólares para a produção de automóveis eléctricos, deveria entrar em operação ainda este ano.

16 Set 2025

Seul | Lee Jae-myung vai abordar “sem limites” questões norte-coreanas com Trump

Antes da partida para os Estados Unidos para reunir com Donald Trump, o Presidente sul-coreano afirmou que irá abordar sem tabus as questões norte-coreanas para garantir a segurança do seu país

 

O Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, disse que iria abordar “sem limites” todas as questões relacionadas com a Coreia do Norte na cimeira com o homólogo norte-americano, Donald Trump, que teve ontem lugar.

“Quer se trate do problema nuclear [norte-coreana] ou de qualquer outro, o relacionado com a paz e a estabilidade na península é o mais crucial para a segurança da Coreia do Sul”, disse ontem Lee, a bordo do avião presidencial, durante um voo com destino aos Estados Unidos, de acordo com a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

Lee apresentou recentemente um plano de desnuclearização em três fases para a Coreia do Norte, que passa por persuadir Pyongyang a congelar, reduzir e, eventualmente, desmantelar o programa de armas nucleares.

A Coreia do Sul vai acolher a próxima cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), no final de Outubro, que poderá servir de plataforma para melhorar as relações intercoreanas, havendo especulações sobre um possível convite ao líder norte-coreano, Kim Jong-un, ou mesmo um encontro entre Kim e Donald Trump à margem do evento.

A este respeito, Lee limitou-se a dizer que a situação actual é muito mais complexa do que a atmosfera de breve desanuviamento das relações nos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang de 2018, já que Pyongyang acelerou o programa de armamento e aumentou a hostilidade para com Seul.

Matéria sensível

No plano militar, o Presidente sul-coreano afirmou que é difícil que a cimeira decida flexibilizar a utilização estratégica das Forças dos EUA na Coreia (USFK, na sigla em inglês), considerando que se trata de uma questão que exige um planeamento a longo prazo.

Com essa flexibilização, Washington procuraria envolver as USFK em destacamentos fora da península, incluindo no âmbito de possíveis crises envolvendo a China e Taiwan, que é um ponto sensível na relação entre Seul e Pequim.

26 Ago 2025