Crise energética | Deputados exigem medidas para travar preços dos combustíveis

A criação de fundos de apoios, subsídios permanentes ao sector dos transportes e mercadorias e a aposta em energias verdes foram algumas das ideias que Kevin Ho e Song Pek Kei sugeriram ontem ao Executivo para contornar a subida de preço dos combustíveis

A guerra no Irão e no Médio Oriente tem provocado uma escalada de preços a nível global, e também Macau enfrenta o risco de aumento dos preços da energia e dos produtos em termos gerais. A pensar nesta questão, dois deputados recorreram ontem ao período de intervenções antes da ordem do dia para pedir ao Executivo medidas concretas de apoio ao sector da logística e transportes.

Um deles foi o empresário Kevin Ho, que pediu “medidas de curto prazo para atribuição de subsídios de combustíveis, prestando apoio directo e preciso ao sector dos transportes e da logística”, além de, no seu entender, ser necessário “reforçar a fiscalização dos preços dos combustíveis”.

O deputado eleito pela via indirecta pede também a criação de um “mecanismo de sobretaxa de combustível nos transportes públicos, cobrando uma sobretaxa provisória quando o preço do petróleo ultrapassar o limite definido, com a respectiva suspensão automática quando o preço do petróleo descer”. Tudo para “aliviar a pressão sobre os custos do sector”.

“Se o lucro exceder o limite autorizado, o montante excedente deve ser ‘devolvido’ através da redução das tarifas dos serviços de transportes, o que vai ajudar as operadoras a enfrentar o impacto do preço do petróleo e salvaguardar os interesses dos passageiros”, indicou Kevin Ho.

O deputado sugeriu também “criação de um fundo para estabilizar os preços dos combustíveis no sector dos transportes e logística”, tendo em conta os preços praticados nos mercados internacionais. Assim, a ideia é que as autoridades possam recorrer “a meios institucionalizados para fazer face às flutuações drásticas do mercado energético internacional”.

Aposta no hidrogénio

Também a deputada Song Pek Kei, ligada à comunidade de Fujian, falou da crise energética que pode impactar Macau, sugerindo a elaboração de políticas em prol de energias limpas. “A generalização dos veículos movidos a energia eléctrica é cada vez mais rápida, mas representa menos de dez por cento do número total de veículos motorizados, uma percentagem relativamente baixa”, alertou. Assim, as autoridades devem “lançar políticas de apoio mais atractivas para incentivar as empresas e os residentes a substituir veículos movidos a novas fontes de energia”, bem como “acelerar o aperfeiçoamento da rede de infra-estruturas de carregamento e de troca de energia eléctrica”.

Song Pek Kei pediu também celeridade no “lançamento de planos de estudo sobre a aplicação da energia de hidrogénio, a fim de elevar a fiabilidade e a segurança do fornecimento de energia”.

Também Kevin Ho falou da importância do uso de “combustíveis fósseis para electrificação”, a fim de “reduzir a dependência externa”, devendo ser investidos “mais recursos” e criar “incentivos políticos que impulsionem o desenvolvimento das energias verdes”.

Por seu turno, Ella Lei realçou a “preocupação persistente da sociedade” face ao que chama de “subidas rápidas e descidas lentas” nos preços dos combustíveis. No leque de sugestões, a deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau falou na necessidade de reforço da “supervisão do abastecimento e formação de preços dos produtos petrolíferos”, com um mecanismo de ajuste “razoável e transparente”.

A deputada defende que o Executivo deve “continuar a estudar e propor a introdução da Gasolina Sem Chumbo 95 nos terrenos destinados aos novos postos de abastecimento de combustível”, bem como “introduzir mais fontes de energia”, nomeadamente o reforço da “promoção do desenvolvimento dos novos meios de transporte”, entre outras medidas.

29 Abr 2026

Combustíveis | Exportações chinesas de energia alternativa disparam

A crise energética, provocada pelo ataque conjunto de israelitas e americanos ao Irão, está a fazer com que exportações chinesas de produtos solares alcancem valores nunca antes atingidos

As exportações chinesas de energias alternativas aos combustíveis fósseis dispararam com a subida dos preços do petróleo e do gás após a guerra no Irão, com a energia solar a atingir níveis recorde. Segundo a consultora Ember, as exportações de produtos solares atingiram 68 gigawatts (GW) em Março, duplicando face a Fevereiro.

O aumento foi impulsionado sobretudo por países de África e da Ásia, regiões mais afectadas pelo bloqueio “de facto” do estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20 por cento do petróleo e gás mundiais antes do conflito. Estas duas regiões concentraram três quartos do aumento das vendas, com destinos como Índia, Malásia, Laos, Nigéria, Quénia ou Etiópia, embora também tenham sido registados níveis recorde de compras na Austrália e União Europeia.

No total, 50 países bateram recordes de importações e outros 60 registaram máximos semestrais, enquanto o Médio Oriente foi a única região sem crescimento, devido às dificuldades logísticas. A Ember sublinha que alternativas como a energia solar, baterias e veículos eléctricos serão essenciais para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, num contexto de preços elevados e incerteza geopolítica.

Por partes

Por categorias, a China exportou 32 GW de painéis solares em Março, mais 91 por cento do que em Fevereiro, enquanto as vendas de células e lâminas de silício mais do que duplicaram (108 por cento), atingindo cerca de 36 GW.

“À medida que os efeitos dos preços elevados do petróleo e do gás se fazem sentir no mercado global de energia, alternativas como a solar, as baterias e os veículos eléctricos serão fundamentais para ajudar os países a tornarem-se mais resilientes e a reduzirem a dependência dos combustíveis fósseis”, indica a Ember.

As vendas combinadas destes três segmentos aumentaram 70 por cento em termos homólogos em março e 38 por cento face ao mês anterior. No caso dos veículos eléctricos, a frota global destes automóveis representou uma procura equivalente a 1,8 milhões de barris de petróleo por dia, cerca de 13 por cento da produção dos Estados Unidos.

Segundo a analista Leah Fahy, da Capital Economics, a China representa cerca de 25 por cento das exportações globais de veículos eléctricos (em valor) e mais de metade das exportações de células solares e baterias de iões de lítio, três sectores que, embora representem apenas 4,5 por cento do total das exportações chinesas, contribuíram com quase 20 por cento do crescimento no ano passado.

A analista estima que, se estas vendas crescerem 50 por cento este ano, poderão acrescentar dois pontos percentuais ao crescimento total das exportações chinesas, podendo chegar a cinco pontos caso dupliquem.

24 Abr 2026

Turismo | Macau pode beneficiar com aumento dos combustíveis

Com os preços das viagens para o estrangeiro a ficarem mais caras, Macau pode tornar-se o destino de eleição durante a Semana Dourada para os turistas do Interior

Duas associações locais ligadas ao turismo acreditam que Macau pode beneficiar com o aumento dos preços dos combustíveis durante a Semana Dourada, uma vez que os turistas do Interior podem abdicar de realizar férias no estrangeiro, para poupar dinheiro, e virar as atenções para a RAEM.

Segundo o presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau, Paul Wong, durante a Semana Dourada o turismo local vive essencialmente dos turistas do Interior, com os feriados este ano a decorrer entre 1 e 5 de Maio.

Por isso, explicou Paul Wong, como os preços das viagens estão mais caros, e também várias ligações aéreas estão a ser canceladas, é expectável que os turistas optem por deslocações maus curtas, para controlarem os gastos e evitar cancelamentos de ligações. Nesta lógica, o dirigente associativo considera que Macau se torna um destino mais atractivo.

Por sua vez, o presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau e deputado, Cheung Kin Chung, admitiu que a indústria está a sofrer as pressões do aumento dos preços, mas que vai tentar manter o montante cobrado aos clientes, o que pode tornar Macau mais atractivo.

Cheung Kin Chung revelou também que para lidar com os aumentos dos preços dos combustíveis, o sector do turismo está focado em explorar as ligações a Macau através do comboio da alta velocidade no Interior. Por esta razão, e apesar de o sector desejar explorar mais o mercado dos turistas internacionais, o deputado admitiu que o tipo de turistas vai ser afectado, com um maior foco nos visitantes da Grande Baía.

Reservas a subir

Em relação às reservas de hotéis, Paul Wong ainda não adiantou qualquer tipo de número, mas reconheceu que estão a subir de forma gradual, como esperado. Segundo este dirigente associativo, uma vez que as reservas são feitas por turistas com vistos individuais, as escolhas são feitas mais perto da data de viagem, ao contrário do que acontece com as excursões.

Wong indicou também que os hotéis do Cotai estão a garantir que haverá o maior número possível de hotéis no mercado. Sobre a Semana Dourada, Paul Wong destacou os planos do Governo, que fazem com que as concessionárias disponibilizem shuttles para os turistas visitarem os bairros residenciais, onde se espera que possam consumir mais.

Sobre este plano, o presidente da Associação de Inovação e Serviços de Turismo de Lazer de Macau afirmou que uma implementação bem-sucedida por levar a que a iniciativa se repita aos fins-de-semana. Contudo, Wong alertou que para que os bairros comunitários sejam mais atractivos para os turistas talvez seja necessário distribuir vales de consumo aos visitantes.

22 Abr 2026

Combustíveis | Aumentos nos ferries e em veículos pesados

Após o aumento dos preços na aviação, TurboJET e Cotai Water Jet receberam autorizações do Governo para seguir o mesmo caminho, nas ligações entre Macau, Hong Kong e o Interior

As operadoras de ferries TurboJET e Cotai Water Jet anunciaram um aumento de 10 por cento no preço dos bilhetes entre Macau e Hong Kong. O transporte de cargas com veículos pesados vai seguir o mesmo caminho. Os novos preços começam a ser praticados a partir de sábado, e foram justificados com os aumentos internacionais do custo dos combustíveis.

“A Shun Tak-China Travel Shipping Management Limited foi autorizada pelo Governo de Macau para ajustar as tarifas das rotas da TurboJET entre Hong Kong e Macau, da rota entre Macau e o Terminal de Ferry do Aeroporto de Shenzhen e do Passeio Aquático em Macau,” pode ler-se num comunicado da TurboJET, divulgado na Segunda-Feira.

A TurboJET acrescentou que o aumento de cerca de 10 por cento serve para aliviar “ligeiramente” a pressão do aumento dos custos.

Actualmente, o preço de ferry da classe económica entre Hong Kong e Macau em durante os dias úteis está fixado nos 175 dólares de Hong Kong. A partir de sábado, sobe para 194 dólares de Hong Kong.

Aos fins-de-semana, o preço da classe económica é de 190 dólares de Hong Kong e o preço nocturno da classe económica é de 220 dólares de Hong Kong. Com a nova tabela de preços, a viagem vai passar a custar 212 dólares de Hong Kong, no horário diurno, e 242 dólares de Hong Kong à noite.

O preço de ferry da classe económica entre Macau e o Terminal de Ferry do Aeroporto de Shenzhen será aumentado para 259 dólares de Hong Kong, de 235 dólares de Hong Kong. Quanto ao Passeio Aquático em Macau, o preço vai subir para 88 patacas, face às 80 patacas actuais.

Por sua vez, no comunicado a anunciar os aumentos, a Cotai Water Jet não indicou as razões. Porém, a empresa esclareceu que vai aumentar o preço de ferry na classe económica de 175 dólares de Hong Kong para 192 dólares de Hong Kong, enquanto o preço nocturno da classe económica vai passar para 242 dólares de Hong Kong, quando agora é de 220 dólares de Hong Kong.

Pesados acompanham

Em relação aos transportes em veículos pesados, a Associação de Motoristas de Veículos Pesados de Macau anunciou ontem no jornal Ou Mun que os preços vão aumentar 20 por cento. A escalada entra em vigor a partir de hoje, e a medida foi justificada com o aumento internacional do preço dos combustíveis.

“Devido ao impacto grave da tensão no Médio Oriente, os preços de combustíveis em Macau continuam a subir e a bater recordes, provocando o aumento dos custos. O sector enfrenta uma pressão operativa como nunca aconteceu”, lê-se na publicação. Na semana passada, a associação defendeu que o Governo subsidiasse os preços de combustíveis, seguindo o exemplo de Hong Kong.

Estes não são os primeiros aumentos a nível dos transportes. Anteriormente, a Air Macau anunciou o aumento da sobretaxa de combustível, pelos mesmos motivos. A transportadora de Macau tem também optado por cancelar vários voos, para não perder dinheiro. Até Junho, espera-se o cancelamento de pelo menos 400 voos.

22 Abr 2026

Combustíveis | Seul vai distribuir 3,5 mil milhões de euros para atenuar preços

A Coreia do Sul anunciou sábado que distribuirá 6,1 biliões de wons (3,5 mil milhões de euros) em ajudas a 32,5 milhões de cidadãos, para atenuar o impacto do aumento dos preços do petróleo.

Os fundos de ajuda destinam-se a “atenuar os elevados preços do petróleo” face ao “enorme impacto económico provocado pela guerra no Médio Oriente”, afirmou o ministro do Interior, Yoon Ho-joong, durante a apresentação do subsídio, segundo a agência noticiosa sul-coreana Yonhap.

A iniciativa implicará um desembolso entre 100.000 e 600.000 wons, dependendo do nível económico dos beneficiários, acrescentou a Yonhap, e os fundos começarão a ser distribuídos a partir de 27 de Abril. Os auxílios, que excluem os 30 por cento da população com rendimentos mais elevados, serão suportados por um orçamento suplementar de 26,2 biliões de wons (cerca de 14.870 milhões de euros) aprovado pelo Parlamento sul-coreano na sexta-feira.

O orçamento visa atenuar o impacto no país asiático do aumento dos preços do petróleo devido à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão. Tal como outros países da Ásia, a Coreia do Sul está a ser fortemente afectada pelo encerramento do Estreito de Ormuz.

13 Abr 2026

Turismo | Preços do petróleo atingem sector de viagens

A guerra lançada por americanos e israelitas no Médio Oriente está a gerar uma das maiores crises energéticas globais de sempre e leva os viajantes a procurar outros destinos e meios de transporte alternativos ao avião

O sector de viagens e turismo da China está a sentir a pressão da escalada dos preços do petróleo desencadeada pela guerra no Médio Oriente, alertaram ontem representantes da indústria na 14.ª Exposição Internacional de Turismo de Macau (ver página 6).

“O aumento do preço do petróleo tem um enorme impacto no turismo”, afirmou Lin Dan Gui, responsável pelo departamento de viagens ao exterior da China International Travel Service (Macao). “Por exemplo, temos pacotes de voo+hotel, muitos clientes perguntam por eles, mas a taxa de reservas é relativamente baixa, porque o preço total, incluindo voos e taxas, está muito acima do orçamento esperado pelos clientes, e em seguida ajustam as escolhas de destino depois de compararem preços”, explicou.

A recente guerra lançada pelos Estados Unidos e Isrfael contra o Irão desencadeou uma das mais graves crises energéticas das últimas décadas, com o fecho do Estreito de Ormuz a perturbar os fornecimentos globais de petróleo e gás.

Na China, companhias aéreas como a Xiamen Airlines, a China United Airlines, a Spring Airlines e a China Southern Airlines aplicaram sobretaxas de combustível, enquanto no Japão espera-se que a All Nippon Airways (ANA) e a Japan Airlines (JAL) as dupliquem em voos internacionais em Junho e Julho.

De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo, o combustível representa até 30 por cento dos custos operacionais das companhias aéreas, pelo que as flutuações significativas nos preços internacionais do petróleo afectam-nas substancialmente. Segundo Lin, a Air Macau poderá suspender alguns voos diretos para o Sudeste Asiático, incluindo Singapura e Malásia, devido ao custo do combustível.

A companhia de bandeira do território indicou recentemente à Lusa que teve que cancelar vários voos e alterar rotas devido a “condições de mercado e ao aumento do preço dos combustíveis”. Candy Leng, directora-geral da agência Multinational Tourism Group, partilhou preocupações semelhantes, sublinhando as sobretaxas introduzidas pelas companhias aéreas. “Basicamente, todas as companhias adicionaram uma taxa de combustível, desde de 01 de Abril”, disse.

Europa penalizada

“Nas viagens de longo curso, os clientes podem ter de pagar mais 200 a 300 dólares de Hong Kong por pessoa, o que é um grande encargo. Como resultado, a vontade de viajar diminuiu”, disse. Leng destacou, por outro lado, que o impacto é particularmente severo para os viajantes com destino à Europa, muitos dos quais dependem de transportadoras do Médio Oriente.

“A sobretaxa de combustível para a Europa pode ser quase dois a três mil dólares de Hong Kong adicionais”, afirmou. “Esses clientes não apenas se preocupam com a segurança como os preços do petróleo estão realmente altos. Assim, optam por viagens domésticas. As nossas rotas internas registam um aumento relativo”, acrescentou.

Caminhos de ferro

Em contrapartida, começa a assistir-se a mudanças nas preferências dos viajantes. Segundo Lin, as rotas de comboio de alta velocidade da China estão a beneficiar da conjuntura. “Actualmente, as rotas ferroviárias de alta velocidade estão a correr melhor, porque os preços não mudaram nada”, destacou.

Pequim e Chengdu, por exemplo, destacam-se como destinos domésticos populares, a par de Fujian, Guilin e Guizhou, todos acessíveis por comboio de alta velocidade. No estrangeiro, disse ainda Lin, “a maioria prefere o Sudeste Asiático. A principal escolha é Taiwan, incluindo Taichung e Kaohsiung. Para viagens mais longas, escolhem Japão, Coreia do Sul, Tailândia e Vietname”.

Leng também observa uma tendência semelhante, mas distingue as províncias do norte do país, como Xinjiang e Harbin, entre as que ganharam tração no mercado interno.

“Comparando com Pequim e Xangai, mais pessoas estão a ir para o nordeste e noroeste”, disse à Lusa. No exterior, Japão e Coreia do Sul mantêm-se fortes, enquanto a Europa regista uma queda acentuada. “Quem se especializou em viagens de longo curso não está a ter bons resultados”, acrescentou.

13 Abr 2026

Logística | Associação pede apoio para comprar veículos alternativos

Samuel Tong alerta que os preços mais baixos do combustível no Interior podem fazer com que mais pessoas optem por consumir em Zhuhai, contribuindo para enfraquecer ainda mais os níveis de consumo local

Em resposta à subida internacional dos preços dos combustíveis, a Associação de Logística e Transportes Internacionais de Macau defendeu que o Governo deve subsidiar a compra de veículos movidos com energias alternativas. A posição foi tomada por Lei Kuok Fai, presidente da associação, em declarações ao jornal Ou Mun.

Segundo o responsável, com os preços do combustível mais caros, devido aos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e ao encerramento do estreito de Hormuz, as empresas transportadoras têm equacionado medidas para evitarem uma subida acelerada dos preços do transporte.

No entanto, o dirigente explicou que existe a esperança de que o Governo possa aumentar o seu apoio ao sector, incluindo o lançamento de subsídios especiais para a compra de veículos movidos com energias alternativas.

Lei Kuok Fai apontou que muitos associados já substituíram os camiões movidos com combustíveis tradicionais para camiões com energias alternativas, o que permite preços mais baratos. No entanto, no sector reconhece-se que como a tecnologia ainda não é muito desenvolvida, os veículos alternativos têm preços considerados muito elevados, o que leva muitos associados a não optarem pela troca. Por isso, acredita-se que a substituição pode ser mais rápida se houver apoios.

Ao mesmo tempo, a associação espera igualmente medidas do Executivo para reduzir os custos dos carregamentos ao nível das infra-estruturas de cargas e descargas, como forma de amortecer o impacto do aumento dos combustíveis, e evitar uma subida maior nos preços finais. Lei Kuok Fai apontou que o transporte marítimo e aéreo ficou mais caro, mas que o transporte terrestre tenta resistir a aumentos significativos. Porém, indicou que o cenário pode mudar, no futuro, se os combustíveis continuarem a encarecer.

Consumo no Interior

Por sua vez, Samuel Tong, presidente da Associação de Estudo de Economia Política, alertou o Governo para que o aumento dos preços de combustíveis, embora comum a toda a China, pode afectar muito negativamente o consumo em Macau.

Segundo o economista, se os preços do combustível no Interior forem muito mais baixos do que os praticados em Macau, vai haver cada vez mais pessoas a abastecer no outro lado da fronteira. E quando as pessoas vão abastecer a Zhuhai, acabam por consumir no outro lado da fronteira, em vez de o fazerem em Macau.

Por este motivo, Tong avisou que existe o perigo de que o consumo da população se transfira ainda mais para o Interior, numa altura em que a economia local atravessa grandes desafios, principalmente ao nível das Pequenas e Médias Empresas.

1 Abr 2026

Economia | Sugerida importação de gasolina sem chumbo 95

Nick Lei quer que o Governo assuma com maior acutilância o papel de supervisão e protecção dos direitos dos consumidores face às flutuações de preços dos combustíveis. Em virtude do aumento dos preços, o deputado sugere a importação de gasolina sem chumbo 95, mais barata, à semelhança das práticas do Interior da China

 

Desde o início do ano, os preços dos combustíveis têm aumentado várias vezes, com a intensidade da inflação a intensificar-se desde a guerra do Irão. Tendo em conta esta realidade, Nick Lei defende que o Governo tem de assumir um papel mais determinante na supervisão da venda de combustíveis, de acordo com a lei de protecção dos direitos e interesses do consumidor, intervindo para impedir flutuações acentuadas ou excessivamente elevados.

Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado ligado à comunidade de Fujian indicou no sábado o preço médio da gasolina sem chumbo 98 subiu para 15,73 patacas por litro e que no espaço de uma semana, as gasolineiras impuseram aumentos sucessivos, com a média de um litro a passar de 15,09 para 16,01 patacas.

Uma das formas de atenuar as flutuações de preços apontadas pelo deputado foi a importação de gasolina sem chumbo 95, mais barata do que a gasolina sem chumbo 98, permitindo alargar a escolha dos consumidores à semelhança do que se passa no Interior da China.

Aliás, a possibilidade de passar a encher o depósito do outro lado da fronteira é um dos argumentos de Nick Lei.

“No passado, não havia escolha possível, mas desde que passou a ser permitida a circulação de veículos com matrícula de Macau em Guangdong, muitos condutores passaram a abastecer lá”, vincou.

 

Novas condições

O deputado lembrou que o Governo já havia prometido incluir nos critérios de candidatura a concursos públicos para a concessão dos terrenos destinados a postos de abastecimento de combustíveis a exigência de fornecimento de gasolina sem chumbo 95 nos postos de venda.

Com o desenvolvimento da Zona A dos Novos Aterros Urbanos em curso, Nick Lei sugeriu ao Governo que aplique esse critério para os postos de abastecimento de combustíveis que vão servir aquela zona da cidade.

Outro argumento do legislador, prende-se com a transparência da forma como o preço dos combustíveis varia, em particular sobre as razões pelas quais, por vezes, os preços aumentam subitamente, mas baixam lentamente, raramente recuperando completamente. Como tal, Nick Lei gostaria de saber que princípios estão no cerne das flutuações de preços de combustíveis, entre a importação e a chegada às bombas de abastecimento.

Além disso, como os combustíveis afectam quase todos os aspectos da economia e da vida da população, Nick Lei entende que o Governo deveria fazer mais para controlar os preços.

16 Mar 2026

Combustíveis | Preços a aumentar entre 1 e 17 por cento

Na sequência dos bombardeamentos do Irão pelos Estados Unidos e Israel, e das restrições à navegação no estreito de Ormuz, também em Macau o preço dos combustíveis ficou mais caro. Segundo os cálculos feitos pelo HM, com base na informação divulgada pelo Conselho dos Consumidores (CC), que não é actualizada de forma regular, os preços cresceram entre 1 e 17 por cento.
O maior aumento aconteceu ao nível da gasolina premium, nos postos de abastecimento da marca Shell. No dia 4 de Março, o litro de gasolina premium custava 15,42 patacas, mas subiu para 17,69 patacas, ao dia de ontem, uma diferença de 2,27 patacas por litro, ou 16,69 por cento. Em relação à outra operadora presente neste segmento do mercado de gasolina, a Esso, no dia 4 de Março o preço por litro era de 16,90 patacas, que aumentou para 17,10 patacas, ao dia de ontem, um crescimento de 29 avos ou de 1,1 por cento.
No mercado de gasolina sem chumbo, os preços ficaram mais caros entre 1,3 por cento e 6,3 por cento. Os clientes da Nam Kwong sentiram o maior crescimento, tendo em conta uma comparação que começa a 28 de Fevereiro. Nesse dia, a gasolineira vendia o litro de gasolina sem chumbo por 14,20 patacas. No entanto, na quarta-feira, o litro da gasolina era vendido a 15,03 patacas, mais 89 avos, uma subida de 6,3 por cento. A marca tem dos preços mais baratos do mercado.
Em relação à Caltex, existe um preço diferente no posto de combustível da Estrada Marques Esparteiro, mais barato, face aos restantes. No primeiro caso, houve um aumento de 4,4 por cento do preço, de 14,06 patacas por litro, a 3 de Março, para 14,68 patacas, no dia de ontem, uma diferença de 62 avos. Nos restantes postos, o aumento foi de 5,6 por cento (85 avos), de 15,24 patacas por litro para 16,09 patacas por litro.
Na Esso, a gasolina ficou 1,3 por cento mais cara, dado que a 4 de Março era vendida a 15,30 patacas por litro, e no dia 11 era comercializada a 15,50 patacas, um aumento de 20 avos por litro. Na Shell, o aumento foi de 5,6 por cento (85 avos), de 15,24 patacas por litro, a 3 de Março, para 16,09 patacas por litro, a 11 de Março. Também a Total teve um aumento do preço de 5,6 por cento de 15,14 patacas por litro para 15,99 patacas por litro, um aumento 85 avos por litro.

Diesel mais caro
Em relação ao gasóleo, os aumentos para os consumidores variaram entre 2,4 por cento e 6,8 por cento. A Nam Kwong apresentou o maior preço para os clientes, com o litro a subir para 16,94 patacas, na quarta-feira, quando no dia 28 de Fevereiro era comercializado por 15,68, um aumento de 1,26 patacas por litro (6,8 por cento).
Estes aumentos foram acompanhados de perto pela Caltex e Shell, com o preço do diesel a subir 6,7 por cento. No caso da Caltex, a maioria dos preços aumentou 6,7 por cento para 17,89 patacas por litro, a 11 de Março, quando a 3 de Março custava 16,76 por cento, com o preço do litro a ficar 1,13 patacas mais caro. A excepção foi o posto de abastecimento da Estrada Marques Esparteiro, onde o preço subiu 5,6 por cento, de 15,41 patacas por litro para 16,28 patacas (mais 87 avos). Na Shell os preços cresceram de 16,76 patacas por litro, a 11 de Março, para 17,89 patacas, uma diferença de 1,13 patacas por litro.
Na Total o preço do diesel subiu 4,8 por cento, de 16,61 patacas por litro para 17,40 patacas, uma diferença de 79 avos.
A Esso apresentou o menor crescimento, o que não significa que pratique os preços mais baratos. A 4 de Março, a gasolineira cobrava 16,60 patacas por litro, mas na quarta-feira o preço estava nas 17,10 patacas uma diferença de 2,4 por cento, ou 50 avos.

13 Mar 2026

Combustíveis | Associações pedem maior transparência nos preços

O presidente da Associação dos Consumidores das Companhias de Utilidade Pública de Macau, Chiang Chong Fai, apelou ao Governo para reforçar a inspecção aos preços dos combustíveis e aumentar a transparência. A posição foi tomada, em declarações ao canal chinês da Rádio Macau.

A questão surge relacionada com a guerra declarada pelos Estados Unidos e Israel ao Irão, mas não é nova. Nos últimos anos vários deputados também pediram maior transparência do Governo face aos preços dos combustíveis.

No entanto, ontem, as associações ouvidas pelo canal chinês da Rádio Macau consideram que o aumento do preço do petróleo não vai ter um impacto imediato em Macau.

Chiang Chong Fai explicou que até agora o aumento foi sentido principalmente ao nível do crude, porque os produtos petrolíferos são transaccionados em contratos futuros, que em teoria não devem reflectir logo os aumentos do crude no mercado.

Porém, Chiang Chong Fai alertou que se os fornecedores do petróleo aumentarem os preços, as autoridades têm que verificar se as razões do aumento forem razoáveis. O dirigente também considerou que o Governo deve pensar em reforçar a transparência na divulgação de informações.

Por seu turno, o presidente da Associação Económica de Macau, Lau Pun Lap, afirmou que impacto da guerra no preço do petróleo vai depender da duração do conflito. O responsável apontou que muitos produtos que Macau recebe dependem da China. Todavia, o presidente da associação mostrou-se confiante na capacidade do Governo Central para estabilizar os preços e aliviar a pressão da inflação vinda de fora.

10 Mar 2026

Combustíveis | Portal mostra preços com tendências opostas

A informação do portal do Conselho dos Consumidores sobre os veículos apresenta preços que passam meses sem serem actualizados. Porém, os três combustíveis para veículos que permitem fazer comparações com os dias antes e durante a guerra no Irão mostram variações para todos os gostos

 

Na sequência dos bombardeamentos do Irão pelos Estados Unidos e Israel, o preço do petróleo está aumentou. No entanto, a pouca informação disponível no portal do Conselho dos Consumidores (CC) sobre os combustíveis mostra um mercado com variações opostas.

Apesar de disponibilizar dados sobre os preços dos combustíveis, o Conselho dos Consumidores indica que a actualização é realizada de forma irregular. Por isso, dos 11 combustíveis apresentados no portal, apenas é possível realizar a comparação de três tipos, tendo em conta o preço na semana anterior aos bombardeamentos e nos dias seguintes. Nos restantes casos, os preços não são actualizados há meses ou semanas.

No caso da gasolina sem chumbo vendida pela Nam Kwong Oil, o preço actualizado a 28 de Fevereiro, um sábado, mostrava que o litro estava a ser vendido por 14,20 patacas. Este é o preço sem qualquer desconto e aplicado em todos os pontos de abastecimento da marca no território. Porém, com descontos, o preço poderia baixar para 12,50 patacas por litro. A actualização do preço no dia de ontem, 4 de Março, mantinha o preço original em 14,20 patacas por litro. Porém, a promoção especial de quarta-feira da gasolineira permitia pagar apenas 11,82 patacas.

Os restantes preços da gasolina sem chumbo das marcas Shell, Esso e Caltex foram actualizados anteontem e ontem. Porém, as actualizações anteriores tinham sido feitas a 15 de Dezembro, 24 de Outubro e 6 de Julho, respectivamente, pelo que não é possível fazer comparações. No caso da Total, ontem ao meio-dia, o preço não era actualizado desde 11 de Julho.

 

Sobe e desce

Em relação à gasolina premium, os preços registaram movimentações opostas. Segundo o portal do CC, apenas estão disponíveis no mercado duas marcas: Shell e Esso. No caso da primeira, a 26 de Fevereiro, quinta-feira, o preço original do combustível, isto é, sem descontos, em todos os oito postos era de 16,61 patacas por litro. No entanto, a actualização de ontem mostra uma redução do preço do litro de 8,2 por cento, para 15,25 patacas por litro.

No caso da Esso, no dia 25 de Fevereiro a gasolina premium ficou mais cara. O preço a 25 de Fevereiro era de 16,50 patacas por litro e subiu para 16,90 patacas por litro no dia de ontem, um aumento de 1,8 por cento, ou 40 centavos.

O portal mostra também que não é possível fazer nenhuma comparação das movimentações do preço do diesel. Segundo a informação oficial existem cinco marcas no mercado, Total, Shell, Esso, Caltex e Nam Kwong Oil. Os preços da Shell e Catelx foram actualizados na terça-feira para valores entre 16,76 patacas por litro e 14,06/15,25 patacas por litro. Contudo, as actualizações anteriores destes preços tinham acontecido a 15 de Julho e 6 de Julho, respectivamente.

5 Mar 2026

Combustíveis | Governo defende subida de preços

Contrariando as queixas da população, o Conselho de Consumidores indica que os preços dos combustíveis em Macau tiveram um aumento inferior ao praticado em Hong Kong e Zhuhai

 

O Conselho de Consumidores considera que o território registou uma menor subida média do preço da gasolina em comparação com Hong Kong e Zhuhai. A defesa da eficácia das medidas de supervisão foi deixada em resposta a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

“Em comparação com o início de Janeiro de 2020, o preço médio na venda a retalho da gasolina sem chumbo em Hong Kong, Zhuhai e Macau teve uma subida aproximada de 6,34, 1,82 e 1,66 patacas por litro, respectivamente, em comparação com o início de Dezembro de 2023”, pode ler-se na resposta, assinada por Ao Weng Tong, vice-presidente do Conselho de Consumidores.

A resposta visa os preços da gasolina sem chumbo 98, uma vez que em Macau não está disponível a gasolina sem chumbo com 95 octanas, um tipo de gasolina mais barato, mas que em teoria resulta num desempenho menos eficiente das viaturas. Em relação à introdução da gasolina sem chumbo 95, Ella Lei pediu um ponto da situação e recordou que em Novembro o secretário para a Economia e Finanças tinha prometido a introdução deste combustível na RAEM.

Para o futuro

A réplica de Ao Weng Tong tem por base as informações da Direcção de Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT). Segundo o responsável, a DSEDT ainda está a “estudar a viabilidade de introduzir novos combustíveis”, junto dos importadores. “Como a introdução de novos combustíveis no mercado exige uns certos ajustamentos e configurações nos barcos de transporte, infra-estruturas de armazenamento e nos camiões de transporte, etc., a indústria ainda precisa de tempo para estimar os custos”, foi acrescentado.

Neste aspecto, foi igualmente indicado de que no futuro, quando se realizarem concursos públicos para atribuição de mais terrenos para a instalação de bombas de combustível, poderá ser exigido aos operadores que introduzam novos produtos.

Sobre os trabalhos de fiscalização, o CC indicou que existe uma equipa “interdepartamental” que acompanha “as tendências internacionais dos preços”, “os preços de importação” e os “preços na venda a retalho” e que também segue as condições de mercado no Interior e em Hong Kong.

5 Jan 2024

Energia | Moradores “atacam” preço dos combustíveis

A Associação de Moradores (Kaifong) “atacou” ontem os “preços excessivos” dos combustíveis, principalmente na venda do gás. Chu Hou Iun, representante da Associação de Moradores, pediu ao Governo que abra um inquérito à situação e que explique a acentuada diferença entre o preço de importação e de venda no mercado por retalho.

Segundo o dirigente, as estatísticas oficiais mostram que o preço de importação do gás entre Janeiro e Fevereiro deste ano foi de 6,89 patacas por cada quilograma. Contudo, quando chegou a altura de vender o gás à população os preços praticados chegaram a atingir as 19,95 patacas pro quilograma. A média do preço de venda ficou-se pelas 11,1 patacas por quilo.

Citado pelo jornal Cheng Pou, Chu Hou Iun indicou que a diferença é demasiado elevada, principalmente quando se faz uma comparação com as regiões vizinhas.

Também os preços de combustíveis foram mencionados pelo representante dos Kaifong, que argumentou serem vendidos muito acima do preço de compra, com margens de lucro pouco razoáveis. O maior desequilíbrio foi indicado ao nível da gasolina sem chumbo 98.

Por considerar que tanto o gás como a gasolina são produtos “essenciais” para os residentes e que estão a desgastar o poder de compra da população de forma acelerada, Chu apelou ao Governo para investigar a formação dos preços e controlar o mercado. Para o representante da associação, só com uma investigação com resultados é possível evitar, nesta fase, a perda de qualidade de vida da população.

9 Mai 2023

Combustíveis | Ella Lei alerta que preços continuam demasiado elevados

Face a uma inflação cada vez mais alta, a deputada considera que o Governo tem mostrado falta de vontade em cumprir as suas obrigações ao nível da supervisão dos preços dos combustíveis

 

Apesar de nos últimos meses o preço do barril de petróleo ter sofrido uma redução significativa, os consumidores não sentem a diferença nos postos de abastecimento. O alerta foi deixado pela deputada Ella Lei, ligada ao Operários, que pede às autoridades que assumam as funções de supervisão.

“Segundo as autoridades, em Macau, preço de venda no mercado de retalho em Março de 2022 e Março de 2023 era de 13,67 patacas por litro e de 14.16 patacas por litro, respectivamente, no que representou um aumento de 3,58 por cento”, começou por indicar a deputada. “Em comparação, no mesmo período, a média do preço dos três índices de referência do petróleo caiu de 111,61 dólares americanos para 80,14 dólares americanos, o que representa uma redução do preço de 39,26 por cento”, revelou.

Para a deputada, os preços praticados em Macau são assim totalmente incompreensíveis. “Apesar de o preço final também estar relacionado com outros factores, como o preço de transporte ou os custos de exploração dos postos de abastecimento, o factor mais importante é o preço da matérias prima”, vincou Ella Lei. “Os preços dos combustíveis em Macau mantêm-se altos, ou até ficam mais caros, em vez de reflectirem a redução dos mercados internacionais”, acusou.

A legisladora pergunta ao governo o que tem feito para estudar e justificar uma variação que aparenta ser desligada de qualquer lógica de um mercado concorrencial.

Dá cá aquela palha

Ella Lei apontou também o dedo às autoridades porque face às críticas da concertação de preços, se limitam a afirmar que permitem a entrada de novos distribuidores no mercado e a instalação de mais postos de abastecimento, sem que haja “efeitos significantes” na redução do preço.

Sobre a supervisão, Lei deixa mesmo a entender que o Governo tem feito quase tudo para evitar assumir as suas funções e combater a concertação de preços dos distribuidores. Segundo a deputada, o assunto foi abordado na Assembleia Legislativa, mas o Governo tem evitado imitar o que melhor se faz nesta zona do mundo ao nível da supervisão dos distribuidores de combustíveis.

Por outro lado, Ella Lei recorda que com a nova lei de protecção do consumidor as autoridades ficaram com todos os poderes necessários para perceber o peso de todos os factores que contribuem para o preço final dos combustíveis. Contudo, segundo a deputada, o Governo tem encontrado todo o tipo de desculpas para não fazer a recolha dos dados e muito e muito menos divulgá-los à população.

27 Mar 2023

Combustíveis | Leong Sun Iok pede soluções para subida de preços

Leong Sun Iok vai perguntar ao Governo o que tem feito para limitar o aumento dos preços dos combustíveis e proteger a qualidade de vida da população. Além disso, quer saber que medidas serão implementadas para promover a concorrência no sector

 

O deputado Leong Sun Iok defende que o Governo tem de tomar medidas para baixar os preços de combustíveis e colocar como prioridade o bem-estar da população. A ideia é defendida numa interpelação oral, que vai ser colocada ao Executivo na Assembleia Legislativa, em que Leong descreve uma situação de “desespero”.

No texto, o legislador dos Operários mostra-se preocupado com o impacto que o aumento dos preços dos combustíveis tem na população. “Em Março do corrente ano, registou-se um aumento significativo do preço internacional do petróleo – o preço da gasolina tipo 98 sem chumbo ultrapassou mesmo as 14 patacas por litro em alguns postos de estabelecimento, e o gás combustíveis GPL ultrapassou as 330 patacas por 16 quilos”, afirma. “O aumento significativo dos preços dos combustíveis agrava os encargos dos residentes, e tem também impacto nos custos de exploração do sector dos transportes, colocando todos numa situação de desespero”, acrescenta.

Leong acusa ainda o Governo de trabalhar muito “na criação de um grupo de trabalho para a fiscalização” dos preços, mas de falhar na altura de tomar “medidas de controlo e de reajustamento”, o que tem feito com que os preços não tenham sido actualizados de forma “razoável”. O deputado considera igualmente que apesar de os preços internacionais serem reduzidos, a situação não se reflecte em Macau.

Neste contexto, quer saber se o Governo vai criar “um mecanismo de regulação dos preços”, aumentar a transparência dos preços e ainda introduzir “produtos de combustíveis no âmbito da utilidade pública”.

A mão na massa

Se, por um lado, Leong Sun Iok admite que o Executivo precisa de mais poderes, por outro, recorda que com a recente lei da protecção dos consumidores já houve poderes reforçados. “Com a entrada em vigor da lei de protecção dos direitos e interesses dos consumidores foram reforçadas as competências de fiscalização do Governo sobre os preços dos combustíveis”, indica. “Quando vai o Governo intervir? Que medidas de fiscalização foram tomadas para evitar aumentos significativos de preços, ou para evitar actualizações irrazoáveis?”, questionou.

O deputado perguntou também se o Governo tem planos para promover a concorrência no sector. Leong Sun Iok recorda que nos últimos anos esta foi uma aposta do Governo, mas que os resultados não são visíveis.

25 Mai 2022

A luta no preço dos combustíveis

É a grande luta. A grande discussão. A grande perplexidade. A grande manifestação. O grande protesto. Tudo por causa dos combustíveis. Se há sessenta anos não tivessem expulsado do Instituto Superior Técnico, o aluno de engenharia de petróleos por ter apresentado uma tese que deixou as petrolíferas em pânico, talvez nada disto estaria a acontecer. Há sessenta anos o engenheiro Jorge Cabral foi afastado por ter apresentado uma tese na qual defendia que a energia do futuro era o hidrogénio e que um automóvel com um depósito poderia ir de Lisboa a Moscovo e voltar. De imediato foi silenciado e ameaçado pela PIDE se voltasse a falar no assunto que iria preso. As petrolíferas nunca poderiam ser prejudicadas, eram e são ainda as donas do mundo económico. Os combustíveis, entretanto, provaram que têm danificado o planeta e apareceram os carros eléctricos e já estão as principais marcas de veículos, aviões e navios a testar os seus modelos a hidrogénio.

Enquanto os povos não estiverem esclarecidos do verdadeiro potencial do hidrogénio, a discussão e o descontentamento não acaba no que diz respeito ao constante aumento dos preços dos combustíveis. Em Portugal, é escandaloso. O preço tem vindo a aumentar dezenas de vezes nos últimos anos e na semana passada houve postos de abastecimento que chegaram a vender o litro de gasolina a dois euros por litro. Dois euros? Se um euro já seria um escândalo, imaginem a venda pelo dobro. Acontece que o Governo só pensa nos muitos milhões que consegue ganhar com o consumo de combustível e chegou-se ao ponto de no preço de cada litro de gasolina ou gasóleo, o Governo arrecada 65 por cento em impostos. É inacreditável, mas é a realidade. O povinho diz que não aguenta, mas continua a encher os depósitos. Os proprietários de camiões já tomaram a sua decisão: enchem em Espanha, onde o preço é muito mais barato e há camiões que levam cerca de 2000 litros.

A luta dos contribuintes inseriu uma manifestação de protesto. Nada serve ir para a rua com cartazes porque os ministros estão no golfe ou no ginásio. Os proprietários de carros, motos e camiões têm de se convencer que só existe uma solução: em todo o país não abastecer em determinada marca, que por exemplo pode ser a Galp. Neste caso, gerava-se o pânico nas hostes das petrolíferas e do Governo. Porquê? Porque nas petrolíferas ao não poderem escoar o combustível e não têm estruturas para o guardar, além de as refinarias não poderem suspender a produção, o caos estaria instalado e seriam obrigados a baixar de imediato o preço dos combustíveis substancialmente. Como é que se compreende que em 2014 o preço do crude esteve a 110 dólares por barril e agora está em 85 dólares e em 2014 nunca o preço dos combustíveis atingiu a actual plataforma caríssima.

O problema é grave quando ouvimos a associação dos proprietários de camiões a dizer que as suas empresas podem encerrar devido à impossibilidade de pagar os combustíveis a um preço tão elevado. Apelam ao Governo que baixe substancialmente os impostos sobre os combustíveis. O Governo fingiu que baixou e os preços continuam a subir. O presidente do Automóvel Clube de Portugal, Carlos Barbosa, chegou a assustar os cidadãos mais pacíficos, quando afirmou “As pessoas estão cada vez mais revoltadas e qualquer dia vão explodir”. Isto, não significa mais nada do que o vandalismo e a revolta podem estar à porta. Uma fonte policial adiantou-nos que já descobriram documentos que previam pegar fogo a várias gasolineiras, o que seria uma enorme tragédia. Portugal tem postos de abastecimentos junto a prédios com 10 andares e uma explosão numa dessas estações de serviços provocaria mortos e feridos.

O que se está a passar não é brincadeira e em termos políticos, pode ser o fim de António Costa, tal como deseja o seu ministro ‘Maserati’ Pedro Nuno Santos que a toda a hora tudo faz para denegrir a imagem do primeiro-ministro a fim de poder vir a ocupar o seu lugar como líder do Partido Socialista.

O preço exagerado dos combustíveis está directamente ligado ao ambiente político que se vive em Portugal, com toda a direita a puxar a carroça para o lado que atropele António Costa. Essa mesma direita política que sonha em juntar-se, liderada por Paulo Rangel, a fim de em próximas eleições legislativas subirem ao trono governamental, uma tese muito pouco viável porque essa direita tem que se definir no sentido se se une ao Chega ou não. A discussão sobre os combustíveis, podem crer, que não é inocente.

Alguém está por trás a desenvolver uma estratégia de descontentamento no seio do povo com o objectivo de derrubar o primeiro-ministro. A única dúvida é se a estratégia tem origem na direita política ou na facção socialista de Pedro Nuno Santos, um esquerdista que está desejoso de ser poder abertamente unido ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista. Como diria o pensador Agostinho da Silva “está tudo ligado”…

*Texto escrito com a antiga grafia

26 Out 2021

Combustíveis | DSE garante estabilidade dos preços

[dropcap]E[/dropcap]m resposta a uma interpelação escrita de Sulu Sou, o director da Direcção dos Serviços de Economia, Tai Kin Ip afirmou que a estabilidade do preço dos combustíveis está garantida por via da introdução de novos operadores no mercado e da manutenção de um ambiente negocial aberto. Além disso, avança a DSE, os preços dos produtos petrolíferos são inspeccionados pelo Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Fiscalização dos Combustíveis.

Recorde-se que na interpelação enviada por Sulu Sou no dia 18 de Maio, o deputado pediu melhorias à concorrência no mercado de produtos petrolíferos e a monitorização dos preços, apontado que o Governo prometeu uma lei da concorrência leal.

Na resposta assinada por Tai Kin Ip, o responsável lembra que, apesar de o actual regime legal não permitir obter informações sobre custo acatados pelas empresas do sector, na proposta da Lei de protecção dos direitos e interesses do consumidor, foi sugerido que o Conselho de Consumidores (CC) recolha esse tipo informações.

Desta forma, sempre que se verificar que os preços não são razoáveis, o CC poderá seleccionar todas as informações que considerar razoáveis “a fim de estabelecer políticas e medidas administrativas para manter o preço”.

Acerca da extensão do contrato de concessão da Macauport, Sociedade de Administração de Portos, S.A. sobre exploração do porto Ká-Hó, a DSE referiu que a utilização do depósito pode ser oferecida aos operadores que tencionem entrar no mercado.

9 Jul 2020

Combustíveis | Governo sem mecanismos para saber preços intermédios

Apesar do aumento do preço dos combustíveis em Abril, em contraciclo com o mercado internacional, os deputados ficaram sem qualquer explicação do Executivo

 

[dropcap]A[/dropcap] gasolina importada para Macau custa 4,5 patacas por litro, mas quando chega às bombas de gasolina é vendida a mais de 10 patacas por litro. Como é que este preço é definido? O Governo não faz ideia, mesmo quando os preços sobem em contraciclo ao mercado internacional. A confissão foi feita, ontem, numa reunião com os deputados da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública da Assembleia Legislativa (AL).

“Actualmente, o Governo não consegue fiscalizar os custos intermédios da gasolina. Sabemos que o custo de importação é de 4,5 patacas e que o preço na venda ao retalho é de 10 patacas. Mas, o Governo actualmente não tem qualquer forma de saber os custos intermédios”, afirmou Si Ka Lon, presidente da comissão, após a reunião com membros do Executivo.

“Sabemos que depois da importação há vários custos, com armazenamento, transporte ou salários dos trabalhadores. Mas, até ser aprovada a nova Lei de Protecção dos Direitos e Interesses do Consumidor não há forma de saber esses custos. O Governo não nos consegue dizer os custos intermédios”, acrescentou. A Lei de Protecção dos Direitos e Interesses do Consumidor está actualmente a ser debatida em sede de comissão na AL.

Ainda de acordo com a informação avançada, há cinco gasolineiras em Macau e 21 postos de abastecimento. No entanto, as cinco marcas geraram polémica em Abril, quando decidiram aumentar preços, numa altura de quebras no mercado internacional.

A postura levou mesmo a um encontro com o Executivo, que segundo Si Ka Lon, se reflectiu numa quebra do preço no mês seguinte. Contudo, os deputados não falar com o Governo sobre a possibilidade de investigar as gasolineiras sobre a concertação de preços. “Não discutimos isso, mas os preços são diferentes, os consumidores podem escolher o que acharem melhor”, opinou.

Accionistas desconhecidos

Em relação aos combustíveis, o presidente da comissão foi ainda questionado sobre o monopólio da empresa Nam Kwong, que é accionista na empresa Macauport – Sociedade de Administração de Portos, S.A., que gere o porto de armazenamento em Ká Hó. Além disso, a Nam Kwong é igualmente uma das gasolineiras do sector.

Si Ka Lon foi incapaz de esclarecer a pergunta, apesar de reconhecer que a empresa estatal chinesa é de facto uma das accionistas da Macauport. “A Nam Kwong é uma das accionistas, mas não sabemos a percentagem, nem quem são os outros accionistas e a participação do Governo”, indicou.

No entanto, Si Ka Lon fez questão de frisar que desde que foi realizado o concurso em 2008 para a atribuição da gestão do espaço que a empresa nunca aumentou o preço de 0,32 avos por litro a cada 60 dias e de 50 avos por cada quilo de gás de botija.

Afastada está a possibilidade de haver um limite nos preços: “Estamos num mercado livre e o Governo não pode determinar os preços. Há gasolineiras que vendem a gasolina mais cara, outras com descontos e promoções. As gasolineiras são livres de fazerem os preços que querem e as pessoas de escolherem”, reflectiu sobre a opinião do Executivo.

Concorrência no gás

O deputado Si Ka Lon acredita que o mercado das botijas de gás tem concorrência, por ter 8 vendedores grossistas, importadores, e 21 retalhistas que vendem ao consumidor. O deputado fez ainda uma comparação dos preços praticados em Macau, de 15 patacas por quilograma, com o de outras regiões, nomeadamente Hong Kong, onde o preço é de 28 dólares por quilo, Singapura, com 16 patacas por quilo, e o Interior da China, onde o preço é de 7 yuan por quilo.

9 Jul 2020

Combustíveis | Bombas baixam preços em 1,3 patacas por litro

[dropcap]O[/dropcap] preço dos combustíveis desceu 1,3 patacas por litro desde ontem à tarde, de acordo com um comunicado emitido pelo Conselho de Consumidores e Direcção dos Serviços de Economia.

O anúncio surge no seguimento da reunião do Governo com os quatro operadores de postos de abastecimento de combustíveis (Shell, Esso Mobil, Total e Caltex) na passada segunda-feira e também depois da Companhia de Produtos Químicos e Petrolíferos Nam Kwong ter divulgado a baixa de preços. Aliás, os preços nas bombas vão baixar exactamente no mesmo valor da redução levada a cabo pela Nam Kwong.

O Executivo agradeceu o “apoio dado pelos operadores” ao apelo que fez “sobre a assunção de responsabilidades sociais”, de forma a “ultrapassar as dificuldades em conjunto com os diversos sectores sociais e cidadãos”.

11 Jun 2020

DSE | Governo pede a bombas de gasolina para baixarem preços

[dropcap]A[/dropcap] Direcção dos Serviços de Economia (DSE) pediu aos representantes dos postos de abastecimento de combustíveis para reduzirem “de forma adequada os preços dos combustíveis para veículos”, de acordo com um comunicado divulgado ontem. A reunião decorreu na segunda-feira e contou com a participação de representantes de postos da Shell, Esso Mobil, Caltex e Total.

O contacto com as empresas que gerem os postos de abastecimento surge depois do anúncio de que a Companhia de Produtos Químicos e Petrolíferos Nam Kwong reduziu 1,3 patacas por litro em relação aos preços anteriores.

A DSE destaca o papel do Governo na solicitação ao sector para que fixem os preços dos produtos petrolíferos de forma “consistente com o nível e o ritmo de ajustamento internacional”.

Foi igualmente pedido aos operadores dos postos de abastecimento que sigam o exemplo da Nam Kwong e assumam a sua responsabilidade social empresarial, com vista a estabilizar a economia e a aliviar as dificuldades da população. Solicitação que, de acordo com a DSE, é especialmente importante face ao “enorme impacto” que o novo tipo de coronavírus teve na economia local.

De acordo com a DSE, os representantes do sector comprometeram-se em “proceder à consideração activa da maior redução dos preços”.

9 Jun 2020

Petróleo | Sulu Sou insiste em lei da concorrência leal

[dropcap]M[/dropcap]elhorias à concorrência no mercado de produtos petrolíferos e a monitorização dos preços, são as principais ideias defendidas por Sulu Sou numa interpelação escrita sobre a matéria. O deputado observa que no passado o Governo prometeu que apresentaria à Assembleia Legislativa uma lei da concorrência leal, mas que recentemente as autoridades referiram que o relatório de um estudo encomendado a uma instituição académica aponta não haver uma correlação entre a estabilização dos preços dos produtos e a elaboração de leis de concorrência.

“O Governo pretende violar o compromisso da legislação para combater o comércio injusto, sob o pretexto de tais estudos?”, questionou. Além disso, o deputado perguntou se houve investigações para verificar se os concorrentes do mercado de petróleo definem preços em conjunto.

Por outro lado, Sulu Sou apontou que de acordo com a “Lei de protecção dos direitos e interesses do consumidor” as autoridades podem pedir informação sobre como se definem os preços, caso estes flutuem muito ou sejam irrazoavelmente altos.

Neste ponto, o legislador quis saber se as autoridades estão confiantes de que, a ser aprovada, a proposta ajude a revelar a estrutura de preço dos produtos de petróleo, de forma a que o público possa avaliar os lucros ganhos pelas empresas do sector.

Na interpelação, recorda a extensão do contrato de concessão da Macauport – Sociedade de Administração de Portos, S.A. sobre a exploração do porto Ká-Hó, que inclui o depósito. Sulu Sou indicou que um dos grupos privados que exploram petróleo também tem acções da Macauport e explicou que as outras empresas de combustíveis têm de pagar despesas de transporte e armazenamento para usar o depósito.

18 Mai 2020

Pedido fim de monopólio da Nam Kwong na gestão de combustíveis

[dropcap]O[/dropcap] presidente da Associação da Sinergia de Macau, Lam U Tou, apontou o dedo à Nam Kwong como parte do problema do preço elevado dos combustíveis em Macau. Num texto partilhado no Facebook da associação, e no jornal Ou Mun, Lam começa por destacar a forma como a acentuada queda do preço do barril de petróleo não se reflectiu no custo da gasolina, gasóleo e gás.

A razão que leva os residentes a pagarem mais pelo abastecimento do carro, na visão de Lam U Tou, é a posição de vantagem no mercado da Companhia de Produtos Químicos e Petrolíferos Nam Kwong. Segundo o dirigente associativo, o monopólio da empresa estatal impede o mercado livre, situação que só pode ser combatida através da gestão pública do Depósito de Combustíveis de Ká-Hó e da reforma regulamentar dos concursos para bombas de gasolina.

De acordo com os dados da Direcção dos Serviços de Economia, em Abril o preço médio de importação de gasolina sem chumbo foi de 3,68 patacas por litro, com um preço máximo de venda na bomba de 11,58 patacas e mínimo de 11,17 patacas. A diferença de preços do gasóleo ainda foi mais acentuada, com o litro importado deste combustível a custar em média 3,42 patacas, preço que subia nas bombas para valores entre 13,13 e 12,12 patacas.

Face a este cenário, Lam U Tou entende que o preço pago pelo consumidor é “irrazoável e inconsistente com a lógica comercial”, o que levanta dúvidas quanto à possibilidade de manipulação de preços.

Pobre negócio

Uma outra situação que incomoda o presidente da Sinergia de Macau é o facto de o contrato de concessão do terreno onde está situado o depósito de combustíveis ter chegado ao fim em 2018 e da promessa não cumprida de o Governo rever o contrato.

Lam U Tou criticou a posição de pouca força negocial e falta de responsabilidade a tratar do contrato, nomeadamente ao não publicar os detalhes dos termos de utilização e os custos de operação do depósito de combustíveis.

Elementos que, quando somados, convencem o dirigente associativo de que não existe em Macau um mercado livre de combustíveis, e que colocam óbvios entraves à entrada de novos operadores no mercado.

15 Mai 2020

Petróleo | Governo exorta fornecedores a ajuste “imediato” de preços

[dropcap]P[/dropcap]erante a descida de preços do petróleo a nível internacional, o Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Fiscalização dos Combustíveis do Governo instou os fornecedores locais a acompanharem a tendência de forma proporcional. Um comunicado do Conselho de Consumidores e da Direcção dos Serviços de Economia apontou que se tem mantido uma comunicação regular com o sector, e que a fixação dos preços dos produtos petrolíferos deve ser consistente com o ritmo de ajustamento internacional, para responder às expectativas da população.

“Apesar de os fornecedores de combustíveis terem reduzido os preços de venda a retalho seis vezes, durante este ano, mas face às mudanças recentes do preço internacional do petróleo, devem-se, de imediato, proceder aos ajustamentos correspondentes, concretizando o mecanismo de ajustamento de preços”, indica a nota.

Na base da variação internacional dos preços dos produtos petrolíferos de Macau estão a epidemia do novo coronavírus e a ruptura do acordo sobre a limitação de produção de petróleo nos países produtores. Assim, o valor do petróleo bruto sofreu uma quebra de 67 dólares por barril no início de Janeiro, para cerca de 25 dólares a 19 de Março, representando uma descida de 60 por cento. No mesmo período, o preço internacional dos produtos refinados desceu também cerca de 40 dólares americanos por barril.

Dados do Governo que estabelecem uma comparação entre os preços de venda a retalho de gasolina sem chumbo 98 entre Zhuhai e Macau mostram que no dia 20 de Março o preço médio tinha uma diferença de 4,49 patacas, com a RAEM a apresentar o valor mais alto.

Sulu Sou indicou numa publicação no facebook que o Governo instou as companhias de petróleo a ajustar os seus preços, mas questionou quando. E criticou que apesar de se falar da criação de uma lei anti-monopólio, esta ainda não foi levada à Assembleia Legislativa.

Com história

Esta não é a primeira vez que o deputado levanta a questão. Durante o debate na generalidade da proposta de lei sobre os direitos do consumidor, em Março do ano passado, indicou que o diploma deveria actuar em conjunto com uma lei da concorrência leal, para prevenir práticas comerciais desleais de fixação de preços.

Na intervenção, apontou que quando os preços praticados ao nível da gasolina no mercado internacional sobem, o preço sobe também em Macau. Mas que quando desce, no território se mantêm altos.

Na altura, o então Secretário para a Economia e Finanças explicou existir um projecto da proposta de lei de concorrência leal, mas que se encontrava em fase de aperfeiçoamento.

Recorde-se que o deputado Leong Sun Iok também pediu recentemente um ajuste dos preços e promoção de leis sobre a concorrência leal e anti-monopólio, numa interpelação escrita.

23 Mar 2020

Deputado Leong Sun Iok defende ajuste do preço dos combustíveis

[dropcap]O[/dropcap] deputado Leong Sun Iok apelou em interpelação escrita para que haja ajustes ao preço dos combustíveis, indicando que em Macau o preço é elevado comparativamente a outras cidades, como Zhuhai e Hong Kong, quando se tem em consideração a dedução de taxas. Em causa está a queda dos preços do petróleo da Arábia Saudita.

No entender do deputado, apesar de os fornecedores locais de combustível terem seguido a tendência e diminuído o preço a retalho dos produtos de petróleo, isto não reflectiu a redução real. Nesse sentido, Leong Sun Iok defende que as autoridades devem estabelecer um sistema de supervisão do mercado de combustíveis adequado, nomeadamente através da promoção do trabalho legislativo para leis sobre a concorrência leal e anti-monopólio, de forma a garantir transparência de informação e competitividade efectiva, prevenindo abusos.

Descrevendo como os combustíveis são necessários à vida diária e actividades económicas, explica que o sistema de preços se encontra directamente relacionado com os interesses dos residentes. Assim, entre as questões dirigidas à Administração, o deputado quer perceber se é possível recorrer a mecanismos fiscais para incentivar as empresas a controlarem melhor os preços dos combustíveis.

Para além disso, quer saber se serão estudados sectores como a electricidade, água e telecomunicações com o intuito de criar uma entidade concessionária de serviços públicos, com o objectivo de reforçar as normas do mercado de produtos petrolíferos e integrar esta indústria no sector público.

16 Mar 2020