SAFP | Governo quer melhorar regime de delegação de poderes

O Director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), Kou Peng Kuan, revelou que é intenção do Governo arrancar com a resolução dos problemas existentes no actual regime de delegação de poderes.

Em resposta a uma interpelação escrita de Ng Kuok Cheong, o responsável aponta ser necessário alterar a “questionável” delegação de competências por níveis, que tem sido responsável por aumentar os custos administrativos. Isto, dado que a “cíclica mudança de pessoal” determina, constantemente, novas delegações de competências, que esbarram nas actuais disposições “dispersas” do regime de delegação de poderes.

Relativamente à reestruturação dos fundos autónomos, o Governo irá com base no princípio de gestão sectorial centralizada, “clarificar a divisão de tarefas e as responsabilidades de cada fundo autónomo”, procedendo-se à sua “reestruturação, fusão ou extinção” conforme as necessidades da sua prática operacional.

Desta feita, Kou Peng Kuan avança que, após a extinção do Fundo dos Pandas e do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia está a ser analisado o rumo a dar a outros fundos. Nomeadamente, se o Cofre dos Assuntos de Justiça será extinto ou se o Fundo de Turismo será reestruturado.

Além destes, está ainda em cima da mesa a fusão do Fundo de Cultura com o Fundo das Industrias Culturais e ainda a integração do Fundo de Desenvolvimento Educativo, Fundo de Acção Social Escolar e o Fundo do Ensino Superior num só.

AL | Mak Soi Kun e Zheng Anting exigem subsídio extra de 10 mil patacas

Os deputados da comunidade de Jiangmen defendem que o Governo tem de fazer mais pelos desempregados e recém-licenciados, assim como pelas Pequenas e Médias Empresas que dizem ser responsáveis por 80 por cento do emprego

 

Os deputados Mak Soi Kun e Zheng Anting, ligados à comunidade de Jiangmen, exigiram ao Governo que reforce as medidas de apoio à população e que distribua mais apoios, inclusive um apoio para os residentes de 10 mil patacas. As declarações foram feitas na terça-feira, numa conferência de imprensa de balanço dos trabalhos legislativos desde 2017.

Segundo o relato do jornal Cidadão, Zheng Anting começou por apontar que a pandemia está a afectar a economia de Macau há dois anos, e que muitos residentes estão em situação de desemprego ou licença sem vencimento. Além disso, o deputado destacou que a taxa de desemprego entre os locais foi de 3,9 por cento, o que reflecte a dificuldade que os recém-formados encontram para entrar no mercado do trabalho.

Apesar de reconhecer que o Governo melhorou a formação subsidiada, que agora chega a mais gente, Zheng Anting e Mak Soi Kun afirmaram que é preciso fazer mais para apoiar a população e apelaram à distribuição de um apoio de 10 mil patacas por residente.

Em relação à actividade empresarial, Zheng Anting sublinhou que as Pequenas e Médias Empresas (PME) constituem 90 por cento do tecido empresarial local e oferecem 80 por cento dos empregos. Apesar da importância destas empresas, Zheng considerou que o Governo tem a obrigação de fazer mais e sugeriu a criação de um subsídio de água e luz e um empréstimo sem juros até ao valor máximo de 1 milhão de patacas.

Ataque a democratas

A não ser que seja nomeado para a próxima legislatura, Mak Soi Kun está de saída do hemiciclo. No entanto, segundo o jornal All About Macau, o deputado considerou que os democratas não são patriotas e mereceram ser proibidos de participar nas eleições. “Não são patriotas, não têm sentimento do Amor a Macau, como nos podem governar?” perguntou, dizendo depois que concorda com a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa.

Quanto à actividade extra parlamentar dos escritórios dos deputados, Mak Soi Kun e Zheng Anting revelaram que entre 2017 e 2021 receberam 7.779 pedidos de ajuda, com os assuntos de habitação e saúde a ocuparem 40 por cento dos pedidos. Um dos outros assuntos mais abordados foi a questão do trânsito.

Na mesma ocasião, os deputados afirmaram que entre Outubro de 2017 e Agosto deste ano foram responsáveis por 355 interpelações escritas, 37 interpelações orais e 122 intervenções antes da ordem do dia.

Lee Sio Kuan desconhece motivos da desistência de candidato

O mandatário da lista Ou Mun Kong I, Lee Sio Kuan apontou desconhecer as razões da desistência do cabeça-de-lista, Ho Ion Kong. O anúncio sobre a retirada de Ho tinha sido feito na terça-feira pela Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa. Segundo o jornal digital All About Macau, Lee Sio Kuan explicou que a desistência foi uma decisão individual, e o mandatário destacou que Ho tem liberdade para se candidatar e desistir, que não necessita de apresentar justificações. Apesar de a lista só ficar com três candidatos, Lee Sio Kuan confirmou que a desistência não vai ter impacto e que os outros membros vão ao sufrágio.

Chui Sai Peng quer subsídios para trabalhadores e empresas

O deputado Chui Sai Peng defende que há necessidade de atribuir subsídios aos comerciantes que são obrigados a suspender os negócios, por se encontrarem nas zonas afectadas pela pandemia, ou seja aquelas com código vermelho. Para o legislador esta é uma forma de ajudar as pessoas a contribuírem para o esforço de prevenção, e aliviar o impacto da suspensão forçada aos comerciantes. Ao mesmo tempo, Chui Sai Peng considera ainda que as pessoas forçadas a faltar ao trabalho devem ser apoiadas com subsídios, para que não fiquem numa situação em que têm de escolher entre dizer a verdade sobre eventuais sintomas ou zonas onde circularem e o ordenado que precisam para fazer face às despesas quotidianas.

Primeiro caso de covid-19 identificado na Aldeia Paralímpica

Um primeiro caso de covid-19 foi identificado na Aldeia Paralímpica, anunciou hoje a organização, cinco dias antes da abertura dos Jogos Paralímpicos, quando o Japão enfrenta um aumento de infeções. O doente faz parte do pessoal ligado aos Jogos e não reside no Japão, disseram os organizadores.

A organização registou, até agora, 74 casos ligados aos Jogos Paralímpicos, que se realizam de 24 de agosto a 05 de setembro, principalmente entre o pessoal que vive no Japão.

Seis outros casos foram assinalados por coletividades locais que acolhem equipas paralímpicas antes do início dos Jogos.

Este é o primeiro caso comunicado na Aldeia Paralímpica, que abriu na terça-feira. Os organizadores dos Jogos Olímpicos, que terminaram em 08 de agosto, afirmaram que conseguiram evitar um grande surto de covid-19 no Japão, através de medidas sanitárias rigorosas, uma afirmação contestada por alguns peritos.

Até à data, foram diagnosticados 546 casos ligados aos Jogos Olímpicos. O número de casos da covid-19, que tem vindo a aumentar no arquipélago, atingiu um novo máximo na quarta-feira, com quase 24 mil infeções em todo o país.

Perante esta nova vaga de infeções, na terça-feira, o Governo japonês prolongou o estado de emergência, em vigor desde julho em parte do Japão, até 12 de setembro em 13 prefeituras, incluindo Tóquio.

China aguarda criação de governo afegão “aberto e representativo” para reconhecimento

A China disse que está a aguardar o estabelecimento de um governo “aberto, inclusivo e amplamente representativo” no Afeganistão, antes de decidir sobre o reconhecimento das novas autoridades em Cabul.

“Se vamos reconhecer um governo, temos que esperar até que o governo seja formado”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Zhao Lijian. “Só depois chegaremos à questão do reconhecimento diplomático”, observou, em conferência de imprensa.

Zhao reiterou que Pequim espera uma “transição suave”, após o retorno dos talibãs ao poder, para evitar mais violência ou um desastre humanitário.

“A China vai continuar a apoiar a reconstrução pacífica do Afeganistão e a fornecer assistência ao desenvolvimento económico e social do Afeganistão, dentro da sua capacidade”, disse Zhao.

O porta-voz afirmou que os talibãs devem cumprir com o seu compromisso de não dar abrigo a terroristas ou permitir que elementos estrangeiros operem no seu território, destacando o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, que Pequim culpa pelos ataques na região noroeste de Xinjiang, que compartilha uma fronteira estreita e remota com o Afeganistão.

Pequim há muito pede que os EUA deixem o Afeganistão, mas condenou o que chama de retirada “apressada” das forças norte-americanas.

A China procurou ter boas relações tanto com o ex-Governo afegão como com os talibãs, hospedando o principal líder político do grupo, o ‘mullah’ Abdul Ghani Baradar, durante as conversações com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, no final do mês passado.

Líderes estudantis de Hong Kong detidos por “defenderem terrorismo”

A polícia de Hong Kong deteve esta quarta-feira três líderes estudantis universitários, acusados de “defenderem o terrorismo”, noticiou a imprensa local. Entre os detidos estão o presidente e mais dois responsáveis do sindicato dos estudantes da Universidade de Hong Kong.

Os três terão participado numa reunião, no mês passado, durante a qual foi aprovada uma moção que lamentava e “apreciava o sacrifício” de um homem que apunhalou um agente da polícia e depois se suicidou, em 01 de julho.

Perante as críticas à moção, aprovada em 07 de julho, com 30 dos 32 presentes a votar a favor, o sindicato decidiu retirá-la, mas a universidade proibiu este mês o acesso ao ‘campus’ dos participantes na reunião.

O presidente do sindicato estudantil, Charles Kwok Wing-ho, de 20 anos, repudiou mais tarde a moção, considerando-a como “extremamente inapropriada”, enquanto outros líderes do movimento estudantil apresentaram desculpas.

De acordo com o diário South China Morning Post, a polícia considerou o ataque um “acto terrorista” de um “lobo solitário”. Em meados do mês passado, agentes das forças de segurança invadiram as instalações do sindicato de estudantes, no âmbito de uma investigação sobre se o grupo tinha defendido ou incitado o terrorismo.

Ao abrigo do artigo 27.º da lei da segurança nacional de Hong Kong, que Pequim impôs ao território no ano passado, os acusados de incitar ou defender o terrorismo enfrentam uma pena de prisão entre cinco a dez anos, “se as circunstâncias da infração (…) forem de natureza grave”. A lei também prevê penas de prisão perpétua para actos de secessão, terrorismo ou conluio com forças estrangeiras.

Carlos Marreiros e Costa Antunes deixam conselho de Arquitectura, Engenharia e Urbanismo

O arquitecto Carlos Marreiros e o engenheiro João Costa Antunes deixaram de integrar o Conselho de Arquitectura, Engenharia e Urbanismo. A informação foi revelada ontem em Boletim Oficial, com Carlos Marreiros a ser substituído pela arquitecta Joy Choi Tin Tin e Costa Antunes, que representava a administração pública e se reformou, pelo engenheiro Ip Chong Wa.

Ao HM, Carlos Marreiros confirmou a saída do órgão, que justificou com compromissos pessoais e a necessidade de dar oportunidade às gerações mais novas, e afirmou ter aprendido muito ao longo dos seis anos em que desempenhou estas funções.

“Aprendi muito nestes seis anos. Os primeiros dois anos foram muito intensos porque tínhamos um regime de acreditação inexistente. Desde os anos 90 que lutávamos por um processo de acreditação profissional de arquitectos, engenheiro, urbanistas e outros técnicos que laboram na arquitectura, construção civil, urbanismo, entre outros, e isso foi conseguido”, realçou. “Tivemos de analisar as qualificações dos profissionais do sector, e foi um processo inédito, difícil, moroso, que fez com que todos tivéssemos aprendido”, acrescentou.

Carlos Marreiros confessou ainda que já tinha ponderado sair em 2017, no final do segundo mandato, mas voltou atrás. “Depois do segundo mandato pedi escusa, só por razões estritamente pessoais, por falta de tempo, por não conseguir por tudo isso na agenda diária. Na altura, o secretário disse-me que a carga seria menos intensa, porque muito do trabalho estava feito, e continuei no terceiro mandato”, admitiu.

Passar a pasta

O Conselho de Arquitectura, Engenharia e Urbanismo é composto por representantes da administração pública e membros do sector privado. Na despedida, Carlos Marreiros diz ter sido sempre muito bem tratado, admite contribuir para o Conselho sempre que for necessário, e elogia a escolha pelo Chefe do Executivo de Joy Choi Tin Tin. “Só tenho de aplaudir porque precisamos muito também da sensibilidade e saber feminino nesta área”, apontou. “Senti que era altura de dar o meu lugar a uma geração mais nova e forte”, sublinhou.

O HM contactou igualmente o engenheiro João Costa Antunes, que optou por não fazer comentários.
Segundo a informação disponibilizada no Boletim Oficial, Rui Martins, que representa a administração pública, vai continuar como presidente. Por sua vez, Eddie Wong, do sector privado, mantém-se como vice-presidente.

Direito de resposta da Casa de Macau em Lisboa

Face à publicação recente de um artigo de opinião no jornal “Hoje Macau”, onde são apresentadas alegações infundadas e factos que não correspondem à verdade, a Direcção da Casa de Macau em Portugal vem, por este meio, esclarecer publicamente o seguinte:

1. O imóvel sito na Av. Almirante Gago Coutinho, 142, em Lisboa, é propriedade da Fundação Casa de Macau. O referido espaço foi cedido à Casa de Macau para o desenvolvimento das suas actividades, através de um contrato de comodato a termo.

2. Muito embora o edifício reúna todas as condições e dignidade para o normal funcionamento da Casa de Macau, a Fundação Casa de Macau tem previstas obras de manutenção, nomeadamente a pintura do seu exterior, as quais não puderam ainda ser realizadas devido a contingências múltiplas, resultantes da presente Pandemia.

3. Fundada em 1966 e reconhecida pelo estado português com o estatuto de instituição de utilidade pública em 1988, a Casa de Macau tem-se pautado, ao longo dos seus 55 anos de existência, pela promoção activa da cultura macaense em Portugal. Naturalmente, face à presente crise sanitária, não tem sido possível realizar as inúmeras e habituais actividades presenciais, que serão retomadas assim que estejam garantidas as condições necessárias de segurança, para os seus associados, parceiros e visitantes.

4. A Casa de Macau é um espaço de encontro intergeracional, de reflexão e partilha, aberto a toda a comunidade macaense, não só de naturais de Macau, mas também de todos aqueles que vivem ou viveram em Macau, ou se interessam pela sua cultura e identidade.

5. As instalações da Casa de Macau estão encerradas durante o presente mês de Agosto, para férias do seu pessoal, reabrindo no dia 1 de Setembro. São todos bem vindos a visitar-nos após essa data!

Por último, a Direcção da Casa de Macau gostaria de saudar e agradecer a todos os seus associados e amigos, que nos últimos dias têm manifestado publicamente o seu apoio a esta que é a sua “Casa”, assim como pela defesa daqueles que são os interesses genuínos e maiores de Macau e da sua comunidade.

O que nos distingue dos animais?

Como transmite o anjo? As formas de comunicação angélica distinguem-se dos modos de ver e de apreensão sensíveis, e o anjo testemunha o mistério na sua forma mistérica, transmite o invisível enquanto invisível, não o atraiçoa com os sentidos.

Resiste o infinito, aos olhos do anjo, a ser desonerado. O anjo actua como um espelho, certamente, mas da pureza do silêncio e do mistério de Deus.

E mesmo que o homem se encontre num estado de não-dualidade, num estado de “enosis” (de fusão entre o sujeito e o objecto), a contemplação da Verdade, impossível de alcançar discursivamente, segundo o místico Angelus Silesius, só se produz por contágio: «Deus habita uma luz a que nenhuma estrada conduz; quem não se converte em luz, não o vê em toda a eternidade».

O que o poeta Holderlin corroborou ao escrever: «creem no divino/ só aqueles que o são».
Mas gostaria de associar a isto uma ideia atrevida do filósofo Rafael Argullol: «A ideia mais audaz que pode conceber-se é a de um infinito que, enamorado da nossa vida, só através desta tenha a sua razão de ser.»

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Do alto da sua pureza, lastimava Breton a Voznessenski que o Cocteau desse cabo da sua poesia, e exemplificava, horrorizado: «La guitare, bidet qui chante.»

Entretanto, leio no controverso Richard Millet: «O poder literário da América reside menos nas virtudes da língua inglesa ou nas qualidades de seus escritores do que no engenho destes em apoiar-se numa paisagem natural ou urbana das quais o cinema (primeiro, e agora também a televisão) definiu o cenário e que não existiria mais sem a sétima arte. Portanto, trata-se antes de evocar um regime literário audiovisual ao invés de uma verdadeira literatura – com excepção, é claro, daqueles escritores que consideramos como tal e não como americanos» E acho que ele tem razão: «La télé, bidet qui chante».

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Um escritor amigo propôs a uma editora um romance de sua autoria. Enviou por e-mail. Passados 3 (três) minutos, obteve a sua resposta:

“Boa tarde, Obrigado pelo seu contacto. Não estamos a aceitar originais. Cumprimentos, JM” (sic)»
“Ao menos foram rápidos”, observou o meu amigo.

Nunca houve despacho maior. Parece uma ficção: um gajo leva um ano a empobrecer a si e aos seus até à quarta geração da sua genealogia para escrever em letras duradouras a sua noveleta, mete no prego o último ourito da mulher para irem comemorar o triunfo da palavra FIM, e, antes de se banquetearem com um rodízio brasileiro, a família em meia-lua assiste ao envio do e-mail para a editora com o futuro estampado a ouro no anexo.

E quando regressam do jantar, onde gastaram a massa de uma semana, a editora já tinha respondido: não estamos a aceitar originais.
É caso para perguntar: as editoras vivem de quê, afinal?

Mudou muito, desde que o Garcia Marquez, sem dinheiro para enviar o manuscrito de Cem Anos de Solidão, meteu nos correios só metade do manuscrito.

Como é que uma editora responde à cabeça: não estamos a aceitar originais? Uma mercearia pode não aceitar batatas, legumes, pêssegos carecas? Um clube de futebol pode não aceitar golos?
Antes o erro humano de Camus que rejeitou a edição de Pessoa na Gallimard.

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A palavra crivada de caroços, a palavra quarto-minguante, a palavra que desincha o nevoeiro; a palavra que adoça os citrinos, a que revela corredores, patamares, lances de escada quando se desdobra numa algazarra, a palavra que nunca se confessa, a palavra de inúmeros pedúnculos, a extensa palavra… perdão!; a que o meu pai não disse antes de morrer, a palavra que só entre aspas desaperta o colarinho, a que vive no sobrolho da raposa; a palavra que não se enxerga, nem quando mete a mão no lume, a palavra que seca num átimo e que sorveu um lago na Suíça, a palavra que ilumina por dntro o mel, a palavra que suicida os cemitérios, a palavra chuva, que quanto mais se adensa mais azula as nuvens, a palavra nítido nulo, a palavra martelada por presságios e a palavra lesionada: dez músculos estirados contra os onze do atrito; a palavra que surripia os arrepios e nunca se sabe para onde os carrega, a palavra que deseduca os figos, fazendo-os cair; a palavra que rói as unhas até ao sabugo; a palavra que croma o vento e se aposenta em bolinhas de cânfora, a palavra assobiada por dois incisivos separados, a palavra cunhada e amante do cunhado, a palavra que ventila a narina do ácaro e a narina das mariposas, a palavra de hulha que tossiu o mês inteiro e a que desafinou junto à campa de minha mãe; a palavra que pesquei em Esmirna, na Turquia, com quatro quilos e meio; a palavra que nunca viu o mar e alucina com a pacatez dos legumes; a
palavra que abre a China ao meio como os polegares a laranja; a palavra desaustinadamente terna; palavra com duas gemas por pão, a palavra que amo e por decoro nunca pronunciei, a palavra convertida em confetti e a palavra que lavra Rá

seguem de perto o meu silêncio.

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O que nos distingue dos animais?
Antes da invenção dos nomes, para Adão dizer a Eva, És tola como um jumento, ele teria de agarrar na sua cara-metade e de perambular pelo Éden à cata de jumento para apontar a criatura e pôr-se a grunhir, aos pulos, enquanto mimava caretas idiotas, para que ela entendesse e então decidisse se o escoiceava nas partes ou não. Agora é mais simples, ele regozija-se, com ironia, “Sou um homem de sorte… em relação ao jumento és muito mais bonita!”, e ela replica, “E se fosses levar nos entrefolhos!?”. E em cima passa o urubu, soberano.

FRC | Pintura e caligrafia de Lee Chau Peng em exibição até 28 de Agosto

Até ao próximo dia 28 de Agosto, a Fundação Rui Cunha acolhe a exposição “A Lua de Outono Brilha Sobre o Lago de Lingnan” do pintor local Lee Chau Peng. A mostra inclui 40 obras de pintura e caligrafia do artista que passam para tela, a paz e a harmonia de elementos naturais da pintura chinesa como flores, pássaros e árvores

 

As cores brotam delicadas em sintonia com as flores que parecem surgir à sorte da ramagem pálida, mas sólida, da vegetação onde pousam os pássaros. Quando tinha sete anos de idade, Lee Chau Peng, apaixonou-se pela caligrafia e pintura tradicional chinesa por influência do pai, que lhe ensinou a esboçar os primeiros traços. Desde então, não mais parou de apurar as técnicas que lhe permitiram retratar ao longo do tempo através da caligrafia e da pintura, tópicos como flores, pássaros, peixes, insectos e paisagens.

“Quando era criança, o meu pai ensinou-me muito sobre a pintura chinesa e isso foi muito importante para a minha carreira. Desde logo, fiquei muito interessado e, por isso, comecei a aprender como desenhar flores com o meu pai.

Na escola e mais tarde continuei a cultivar esse gosto pela pintura e por aprender a pintar sobre estes tópicos, tendo procurado sempre aprender com artistas que ficaram famosos por pintar flores”, apontou Lee Chau Peng ao HM.
Cinco décadas depois do início da sua carreira artística, o calígrafo e pintor local que é também Presidente da Associação de Artes, Pintura e Caligrafia de Macau, vai expor pela 18.ª vez o seu trabalho. Desta feita, até ao próximo dia 28 de Agosto, a Fundação Rui Cunha (FRC) acolhe a exposição “A Lua de Outono Brilha Sobre o Lago de Lingnan”, que inclui 40 peças de pintura com caligrafia de Lee Chau Peng.

Assumindo que ao longo da carreira tem “trabalhado arduamente” para que as flores e a natureza que aparecem nos meus trabalhos fossem “o mais perfeitas possível”, a mostra patente na FRC reflecte a influência de Lee Chau Peng enquanto discípulo do estilo artístico da Escola de Pintura de Lingnan. Nos trabalhos é possível que o estilo de pintura do artista se centra especialmente em peónias, flores de lótus, árvores de bambu, crisântemos, e pequenos pássaros.

Num comunicado, artista ressalva ainda ser uma “grande honra” que a exposição decorra no mesmo ano em que se comemora o 100.º aniversário da fundação do Partido Comunista da China, permitindo servir o propósito de amar Macau e a China ao mesmo tempo que se promove a educação artística e se une a comunidade de calígrafos e pintores locais.

Missão sagrada

Numa nota oficial alusiva à inauguração da exposição que decorreu ontem na FRC, um dos alunos de Lee Chau Peng frisou que o artista tem levado a cabo a “missão sagrada” de promover a pintura e a caligrafia chinesa e ajudar os artistas especializados na matéria, a “realizar os seus sonhos”, naquilo que considera ser uma “jornada de amor”.

O mesmo aluno lembra também que, ao longo dos anos, o Presidente da Associação de Artes, Pintura e Caligrafia de Macau já realizou mais de 150 actividades de divulgação de pintura e caligrafia chinesa, um pouco por todo o Sudeste Asiático e que, durante mais de 10 anos, ensinou a sua arte em locais como a Universidade de Macau, a Associação Taoísta de Macau, o Grupo Nam Kwong e a Igreja Anglicana de Macau.

Nascido em 1959, Lee Chau Peng começou a sua carreira como designer de interiores, formado pelo Instituto de Design e Indústria de Hong Kong. O percurso académico levou-o depois para o mundo do design e da gestão de negócios. Seguiu para a Canadian Public Royal University, onde fez um Master of Business Administration, e passou ainda pela Princeton University, onde obteve um PhD em Filosofia de Gestão, e pela Renmin University of China, para uma graduação em Administração de Empresas. Aos 62 anos, Lee Chau Peng é licenciado e praticante de Medicina Chinesa desde 1999.

Covid-19 | Governo pode adiar início do ano lectivo e quer fazer testes 

O Governo não descarta a possibilidade de adiar o início de um novo ano lectivo devido ao regresso de mais de três mil alunos transfronteiriços. Há também a ideia de testar os alunos e professores antes do regresso às aulas

 

A Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) está a ponderar adiar o regresso às aulas devido ao retorno ao território de mais de três mil alunos transfronteiriços de zonas como Zhuhai ou Zhonghshan. A ideia foi deixada ontem na habitual conferência do Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus por Wong Ka Ki, representante da DSEDJ.

“O nosso plano é, se a situação não estiver estável, ponderar o adiamento do ano lectivo. Se for retomado o ensino presencial, uma grande parte dos alunos regressa do Interior da China e poderá colocar em risco o regresso às aulas. Depois da pandemia de Agosto, e estando atenuada a situação, estamos a desenvolver diferentes planos de contingência”, frisou.

O Executivo tem também planos para testar alunos e docentes antes do arranque das aulas. “Antes do início das aulas serão realizadas reuniões com todas as escolas para implementar as medidas necessárias. Vamos ter em conta se vamos estender o número de testes de ácido nucleico a serem feitos por alunos e professores antes do início do ano lectivo”, adiantou.

Recorde-se que o Governo já fez o apelo para que os estudantes que residam em Zhuhai ou Zhongshan regressem 14 dias antes do início do ano lectivo. Não há ainda certezas se serão apenas os alunos que residem fora de Macau a ser alvos de testagem contra a covid-19. “Segundo a nossa experiência, [deve ser feito] um teste de sete em sete dias. Não temos ainda a decisão”, adiantou Wong Ka Ki.

Diferentes vacinas, novos dados

Leong Iek Hou, coordenadora do Centro, falou da situação de saúde dos quatro membros de uma só família infectados com covid-19. “O pai e a mãe apresentam ainda alguns sintomas do trato respiratório, mas não precisam de apoio de oxigénio. O irmão mais velho e a irmã estão estáveis e já recuperaram o paladar. Em termos gerais, os quatro estão numa situação de saúde estável.”

Quanto aos oito casos de efeitos adversos graves das vacinas, cinco dizem respeito à vacina MRNA/BioNTech, e três estão relacionados com a Sinopharm. Há apenas um caso confirmado de miocardite relacionado com a vacinação, enquanto que os restantes “ainda não foram confirmados”, disse Tai Wa Hou, médico responsável pelo programa de vacinação.

Em relação à pessoa que, por engano, levou duas doses de vacinas diferentes, a sua situação de saúde é estável, sem sintomas. “Um caso de mistura de vacinas, mesmo que apresente um nível de anti-corpos elevado, não é suficiente para provar se a mistura de vacinas é eficaz. Necessitamos de mais dados.”

Tai Wa Hou falou, no entanto, de uma preocupação das autoridades relacionada com o facto de “a maior parte das pessoas que receberam a vacina Sinopharm, que ainda não é reconhecida nos EUA”. “Se estas tiverem de voltar aos EUA têm de receber outra vacina da MRNA/BioNTech”, rematou o responsável.

Cuidadores informais | Pedidos serviços complementares além de subsídio 

Hetzer Siu e Paul Pun, ligados a associações de cariz social, defendem que o programa piloto de atribuição de subsídios a cuidadores informais deve ir além da mera ajuda financeira. São necessários apoios complementares para que os cuidadores possam ter tempo para si

 

O Instituto de Acção Social (IAS) assegurou há dias, numa resposta a uma interpelação escrita do deputado Sulu Sou, que pretende rever em Novembro as regras do programa piloto de concessão de subsídios a cuidadores informais. No entanto, Hetzer Siu, director-executivo da Macau Special Olympics, e Paul Pun, secretário-geral da Caritas, defendem que é necessário mudar conceitos e criar mais serviços complementares de apoio a quem cuida.

“As famílias no geral estão satisfeitas, sobretudo as que têm portadores de deficiência severa. São pessoas que não saem de casa e um dos pais tem de estar quase sempre em casa. Mas gostariam de ter mais serviços complementares em vez de só receberem dinheiro”, disse o responsável, quando questionado se, com base na sua experiência, as famílias estão satisfeitas com este programa.

“Temos de pensar que estamos a ajudar o cuidador e a pessoa que precisa de ajuda, porque o cuidador precisa de ajuda para fazer as suas próprias coisas”, lembrou Paul Pun. “Houve uma mudança de conceitos na comunidade, o subsídio não é apenas um apoio para o cuidador, acaba por ajudar todos”, referiu, afirmando também que um mero aumento do valor do subsídio poderá não ser suficiente.

“Este não é, actualmente, um programa muito abrangente, porque não estamos a pensar nestas duas pessoas [cuidador e pessoa que necessita de apoio]. Pode não ser necessário aumentar o subsídio, mas talvez sejam necessários mais serviços complementares para os cuidadores”, adiantou o secretário-geral da Caritas.

Números precisam-se

Hetzer Siu destaca também o facto de serem necessários dados que permitam avaliar o funcionamento deste programa piloto. Até porque “o subsídio não cobre todos os casos, apenas as situações mais severas de deficiência e prestação de cuidados a idosos”.

“Ainda não sabemos os números das famílias que necessitam de apoio. Será que há resultados concretos deste apoio? Será que as famílias sofreram alguma alteração [em termos da sua situação económica]? Necessitamos de um relatório para melhorar este programa.”

O director-executivo da Macau Special Olympics alerta que, com o prolongamento da crise económica, devido à pandemia da covid-19, talvez o programa piloto possa continuar por apenas alguns meses para poder progredir.

“O mais importante é analisar se este programa pode continuar a apoiar este tipo de famílias, e por quanto tempo. O subsídio não é um salário, é outro conceito. Se a nossa economia não melhorar, este programa [piloto] deveria continuar por mais um ano ou dois para poder melhorar e para termos mais dados.

Na resposta ao deputado, o presidente do IAS, Hon Wai, assegurou que “em Novembro de 2021, após a conclusão do projecto piloto, o IAS vai proceder à revisão do mesmo através da experiência, nomeadamente no que concerne à apreciação de casos, o instrumento de avaliação, a definição de critérios de avaliação económica e conteúdo concreto da prestação de cuidados”.

Lei Chan U pede medidas para reduzir acidentes na Ponte da Amizade

O deputado Lei Chan U perguntou ao Governo quais as medidas que tenciona implementar para reduzir a sinistralidade na Ponte de Amizade. As questões fazem parte de uma interpelação divulgada ontem pelos serviços de assessoria do deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

No documento enviado ao Executivo, Lei reconhece que foram aplicadas várias medidas ao longo dos anos para reduzir o número de acidentes. Entre os exemplos de políticas adoptadas, o deputado sublinha os 17 radares de velocidade instalados, a sinalização luminosa e os semáforos nas intersecções, para resolver a questão das prioridades. Porém, Lei Chan U sustenta que os resultados foram escassos: “Contudo, a situação do tráfego da Ponte da Amizade não melhorou significativamente como resultado das medidas”, defendeu.

Nesse sentido, quer saber que outras políticas vão ser aplicadas: “Tendo em conta as causas dos acidentes na Ponte da Amizade, que outras medidas mais focadas nas causas podem ser lançadas pelas autoridades para melhorar o ambiente de condução e garantir a segurança do pessoal?”, perguntou.

Além da velocidade

No que diz respeito à causa dos acidentes, Lei Chan U afirma acreditar que o problema não está na velocidade. Segundo o deputado, e citando dados oficiais do ano passado, apenas se contabilizaram 94 multas na Ponte de Amizade por excesso de velocidade, que contrastam com as 795 multas na Ponte de Sai Van e as 133 multas na Ponte do Governador Nobre Carvalho. O legislador sugere assim que se estude como principal causa o facto de os veículos não respeitarem as distâncias de segurança: “Quais são as principais causas dos acidentes na Ponte de Amizade nos últimos anos?”, pergunta.

Na interpelação escrita, Lei Chan U tenta ainda saber se há ligação entre a circulação de motas e a sinistralidade e pede dados sobre o número de acidentes envolvendo com motos. A Ponte da Amizade é a única travessia que permite que motos e viaturas ligeiras e pesadas circulem nas mesmas faixas de rodagem.

AL | Coutinho fala em menor fiscalização do Governo após afastamento de candidatos

Apesar de não comentar a decisão do TUI, José Pereira Coutinho considera que a fiscalização da acção governativa da próxima legislatura vai ficar “desfalcada” após a desqualificação de candidatos às eleições de Setembro. Contudo, o deputado recusa perder a “esperança” e acredita que a Assembleia Legislativa vai continuar a defender os interesses dos residentes

 

O deputado José Pereira Coutinho considera que a desqualificação de candidatos às eleições de Setembro por parte da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) irá resultar numa configuração do plenário que irá desfalcar a fiscalização do Governo.

“É evidente que a fiscalização da acção governativa vai ficar desfalcada porque vai em sentido contrário ao que temos vindo a assistir. Todos nós sabemos que a situação vai mudar. Agora tudo depende do espectro político e da composição que, no futuro, vai existir na assembleia”, apontou ontem Pereira Coutinho por ocasião de uma conferência de imprensa dedicada ao balanço dos trabalhos da legislatura que terminou a 16 de Agosto.

Quanto ao acórdão do Tribunal de Última Instância (TUI) que ditou a inelegibilidade de 21 candidatos por não serem fiéis a Macau e não defenderem a Lei Básica, o deputado recusou-se a tecer comentários, vincando respeitar a decisão e a necessidade de seguir a Lei Básica.

“Não posso dizer se concordo ou não porque o acordão é do TUI, que é um órgão independente da estrutura política da RAEM e, por isso, eu só tenho que respeitar e seguir escrupulosamente a Lei Básica, que é o instrumento constitucional mais importante que há em Macau”, reiterou.

Sublinhando que “nunca faria nada contra a própria consciência”, Pereira Coutinho disse ainda não estar qualificado para comentar o trabalho feito durante a legislatura passada pelos deputados afastados Sulu Sou e Ng Kuok Cheong e que as razões pelas quais não foi também ele desqualificado só podem ser apontadas pela CAEAL. “Não posso ser juiz em causa própria”, acrescentou.

Sobre o trabalho futuro da Assembleia Legislativa (AL), Pereira Coutinho defendeu que é preciso manter a esperança.

“Uma pessoa só perde a esperança se morrer. Há sempre muita esperança e eu sou uma pessoa optimista por natureza e acredito que a AL vai continuar a desempenhar um bom trabalho em prol dos cidadãos de Macau”, referiu.

Está difícil

Sobre a legislatura que passou, Pereira Coutinho apontou ser “cada vez mais difícil” apresentar projectos de lei, apesar de o sistema permanecer inalterado.

“Aquilo que era possível no passado, hoje é impossível. Não obstante o sistema permanecer inalterado e de as leis serem as mesmas. Mudou alguma coisa, mas eu não sei o que é. Nesta legislatura só conseguimos apresentar cinco projectos de lei. Apresentámos outros, mas foram indeferidos (…) vai haver cada vez mais dificuldades de cumprir o disposto do artigo 75.º da Lei Básica, ou seja, apresentar projectos de lei por parte dos deputados”, disse.

O mesmo se passou, referiu, com os debates de interesse público, tendo sido rejeitadas 13 propostas de discussão. Para Pereira Coutinho, o facto de não existir interesse em debater ideias tornou a AL num “carimbo” que serve apenas para aprovar leis.

“Não sei porque é que os deputados da AL (…) não gostam de debater assuntos de interesse público relacionados com questões sociais. A AL tornou-se num carimbo e esse carimbo dá muito má imagem perante os cidadãos de Macau”.

Nos últimos quatro anos, o gabinete de José Pereira Coutinho apresentou, no total, 201 interpelações (185 escritas e 16 orais), 48 intervenções antes da ordem do dia, 11 propostas de debate, 5 projectos de lei e 102 cartas dirigidas ao Chefe do Executivo e aos secretários.

Fundo de Pensões | Miguel Ian afastado de chefia de departamento

Miguel Ian foi afastado de forma automática do cargo de chefe de Departamento do Regime de Aposentação e Sobrevivência do Fundo de Pensões. A informação consta na versão de ontem do Boletim Oficial e é justificada com a impossibilidade de Miguel Ian desempenhar as funções por um período superior a um ano. “Para os devidos efeitos se declara que, cessou, automaticamente, a comissão de serviço de Ian Iat Chun, como chefe do Departamento do Regime de Aposentação e Sobrevivência deste Fundo, a partir de 26 de Outubro de 2019, por se encontrar impedido de exercer funções por mais de 12 meses”, lê-se na declaração.

Miguel Ian encontra-se a cumprir a pena de prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Coloane, depois de o Tribunal Judicial de Base ter dado como provado a prática de sete crimes de falsificação de documento. A acusação surgiu no âmbito do processo do caso do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM).

Anteriormente, a secretaria para a Administração e Justiça já havia tentado afastar Miguel Ian da posição de chefe de Departamento do Regime de Aposentação e Sobrevivência do Fundo de Pensões. O Governo considerava que o funcionário devia ver a comissão de serviço terminada, uma vez que esteve mais de seis messes impossibilitado de exercer o cargo. O afastamento acabou por ser anulado no TUI devido a vícios processuais.

Eleições | Mais desistências e Ou Mun Kong I vai a jogo com três membros

Além da Ou Mun Kong I, a lista Aliança Para a Promoção da Lei Básica de Macau viu os seus membros reduzidos para quatro. Ontem, a CAEAL admitiu ainda haver um plano B para adiar as eleições, no caso de surgir um novo surto da RAEM

 

A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) revelou que houve mais dois candidatos a desistirem das eleições de 12 de Setembro. Os demissionários são Ho Ion Kong, cabeça-de-lista da Ou Mun Kong I, e Wong Tit Kuan, da lista Aliança Para a Promoção da Lei Básica de Macau. O anúncio foi feito ontem, depois de mais uma reunião da comissão que coordena as eleições para escolher os futuros deputados.

A lista Ou Mun Kong I era inicialmente liderada por Lee Sio Kuan, que prometeu implementar a campanha eleitoral do “cão louco”. Contudo, Lee foi um dos candidatos vetado pela CAEAL. Agora, com a desistência do novo cabeça-de-lista, a candidatura fica reduzida a apenas três elementos. Caso a Ou Mun Kong I não tivesse sido previamente aprovada, o número fazia com que fosse obrigada a desistir, mas como foi aceite, mesmo que o número de candidatos seja inferior a quatro, pode participar no acto eleitoral.

“Só um candidato é que desistiu, não foi a lista. De acordo com a lei, após a publicação da lista e da confirmação, mesmo que haja uma redução do número de candidatos, a lista não fica prejudicada [e pode participar nas eleições]”, afirmou Tong Hio Fong, juiz e presidente da CAEAL.

Por sua vez, a lista Aliança para a Promoção da Lei Básica de Macau fica reduzida a quatro membros com a saída de Wong, a segunda candidata.

Plano B

Com as eleições a decorrerem em ambiente de pandemia, a CAEAL admitiu que foram estipulados vários planos e não é afastado o cenário de adiar o acto eleitoral.

Segundo Tong, caso se verifique um surto que obrigue a tomar medidas mais drásticas, as eleições podem ser adiadas por um período de 30 dias. Porém, se a situação não se alterar de forma substancial, as eleições vão ser realizadas no dia 12 de Setembro e todos poderão votar, mesmo quem apresentar um código de saúde de cor vermelha. Os pormenores ainda não foram revelados, mas o presidente da CAEAL afirmou que há uma solução pensada.

Por outro lado, a CAEAL apelou à população para não se concentrar no dia das eleições nos locais de voto. Nesse sentido, vai existir informação com o número de pessoas à espera de votar nos diferentes postos.

Campanha limitada

Mas, mesmo sem surto, já há uma grande alteração face a 2017 confirmada: deixa de haver cerimónia de lançamento da campanha eleitoral, que normalmente juntava todas as listas.

Segundo Tong, a medida foi tomada para evitar aglomerações. Contudo, o juiz recusou que haja uma redução do orçamento de 50,8 milhões de patacas, uma vez que os fundos vão ser canalizados para aplicar as restrições pandémicas.

Quanto às campanhas das diferentes listas nos locais públicos, vão ser limitadas no número de pessoas. Segundo a CAEAL, os SSM definiram um limite para os participantes que terá de ser cumprido para evitar aglomerações.

Alterações a programas

No final da reunião de ontem foi ainda confirmado pela CAEAL que todas as listas entregaram as bases do programa político dentro do prazo legal. Os documentos vão estar posteriormente disponíveis para consulta, inclusive através do portal da comissão.

Contudo, Tong Hio Fong admitiu que foi pedido a algumas listas que alterassem os conteúdos apresentados: “Quanto à base do programa político, se mencionaram os sucessos, trabalhos ou contribuições anteriores, isso pode causar uma desigualdade para as outras listas e sugerimos o cancelamento dessas menções”, justificou. “Foram duas ou três listas que tiveram de cortar essa parte”, revelou.

O encontro com os jornalistas serviu ainda para divulgar que há 8.016 eleitores qualificados para votarem “em representação de pessoas colectivas”, ou seja no sufrágio indirecto.

Presidente chinês pede redistribuição da riqueza e regulação dos altos vencimentos

O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou hoje a uma “regulação mais forte sobre os altos vencimentos”, no último sinal de que uma campanha inicialmente orientada para as gigantes tecnológicas expandiu-se para abranger objetivos sociais mais amplos.

Segundo a imprensa estatal, durante uma reunião da Comissão Central para Assuntos Financeiros e Económicos do Partido Comunista Chinês (PCC), realizada na terça-feira, e presidida por Xi, o líder chinês enfatizou a necessidade de “regular rendimentos excessivamente altos e encorajar grupos e empresas com altas margens de lucro a devolverem mais à sociedade”.

A comissão acrescentou que, embora o PCC tenha permitido que algumas pessoas e regiões “enriquecessem primeiro”, nas primeiras décadas após o país se abrir à economia de mercado, a prioridade agora é “prosperidade para todos”.

Alguns dos empresários mais ricos da China estão sob crescente pressão desde novembro, quando a oferta pública inicial da financeira tecnológica Ant Group, fundada pelo magnata Jack Ma, foi cancelada. Teria sido a maior entrada em bolsa de sempre, mas foi cancelada depois de Ma ter criticado os reguladores financeiros do país asiático.

Também a empresa de serviços de transporte partilhado Didi Chuxing foi punida pelos reguladores chineses, após ter ignorado avisos para adiar a entrada na Bolsa de Valores de Nova Iorque.

O ensino de acompanhamento e preparação para os exames de acesso ao ensino superior foi outro dos setores afetado.

A Comissão Central para os Assuntos Financeiros e Económicos, que geralmente se concentra em políticas macroeconómicas, fez alusão àquele último setor, afirmando que a China deve criar “condições mais inclusivas e justas para as pessoas melhorarem os seus níveis de educação”.

Trata-se da primeira reunião presidida publicamente por Xi, desde o final de julho.

Pequim está a encetar uma transição no modelo económico do país, visando uma maior preponderância do setor dos serviços e do consumo, em detrimento das exportações e construção de obras públicas. Os dados do consumo doméstico têm, no entanto, ficado abaixo das expectativas, tornando mais urgente combater a desigualdade na distribuição de riqueza.

ONG diz que mais de mil pessoas foram “assassinadas” no Myanmar pelos militares desde Fevereiro

Mais de mil pessoas morreram devido à repressão exercida pelas autoridades no poder em Myanmar depois do golpe de Estado de fevereiro, disse hoje a Associação de Apoio aos Presos Políticos.

“De acordo com as nossas informações, 1001 inocentes foram assassinados. O número real de vítimas pode ser muito mais elevado”, refere Tate Naing, secretário da Associação de Apoio aos Presos Políticos birmaneses através de uma mensagem divulgada na rede social Twitter.

A organização não-governamental acompanha a situação dos presos políticos birmaneses desde o golpe de Estado militar, assim como recolhe informações sobre atos de violência contra os civis.

As Forças Armadas justificaram a tomada do poder alegando a existência de fraude eleitoral nas eleições gerais que decorreram no país em novembro de 2020 e que deram a vitória à Liga Nacional para a Democracia.

O golpe de Estado militar do passado dia 01 de fevereiro fez aumentar a instabilidade política e social no país marcada pela violência contra a população.

Covid-19 | GP do Japão de Fórmula 1 cancelado pelo segundo ano consecutivo

O Grande Prémio do Japão de Fórmula 1, previsto de 08 a 10 de outubro, foi cancelado, pelo segundo ano consecutivo, informou hoje a organização da maior competição automobilística mundial.

“A decisão de cancelar a corrida esta temporada foi tomada pelo governo japonês, devido às complexidades existentes no país com a pandemia [da covid-19]”, disse a Fórmula 1 em comunicado, acrescentando estar a rever o calendário e que novos detalhes serão dados nas próximas semanas.

A decisão do Japão cria novos constrangimentos em relação às corridas sediadas na Ásia, depois dos cancelamentos da prova na China, e também na Austrália (Oceânia).

“A Fórmula 1 já provou este ano, e em 2020, que nos conseguimos adaptar e encontrar soluções para as incertezas em curso, e entusiasma-nos o nível de interesse demonstrado por vários locais para receberem os eventos”, adianta a F1.

No calendário de 23 corridas, Portugal recebeu o Grande Prémio pelo segundo ano consecutivo, esta época entre 30 de abril e 02 de maio, numa corrida ganha por Lewis Hamilton.

Já este ano, o governo japonês organizou os Jogos Olímpicos e prepara-se para receber os Paralímpicos, depois de ambos terem sido adiados de 2020 devido à pandemia, e as infeções pelo novo coronavírus triplicaram, embora os especialistas afirmem que a situação não tem correlação com o evento.

A covid-19 provocou pelo menos 4.370.427 mortes em todo o mundo, entre mais de 207,84 milhões de infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

Zhuhai | Vong Hin Fai e Paula Lin directores do Tribunal de Arbitragem

Vong Hin Fai, Paula Ling e Lao Ngai Leong foram nomeados directores do Tribunal Internacional de Arbitragem de Zhuhai. Segundo o jornal Ou Mun, o centro foi inaugurado na segunda-feira e a apresentação contou com a presença dos residentes de Macau.

Antes da reforma que levou à criação do tribunal internacional, a instituição intitulava-se Comissão de Arbitragem de Zhuhai, mas, entretanto, sofreu várias alterações, inclusive legislativas, para se aproximar das práticas internacionais. Desde o início do ano, até ao primeiro dia de Agosto, a instituição lidou com 155 casos com pessoas ou empresas de Macau, que representam 71 por cento de todos os casos com partes do exterior.

No discurso de inauguração, Cai Hui, vice-governador da cidade de Zhuhai, afirmou que o centro tem como objectivo afirmar-se e contribuir para a construção da zona de Cooperação Cantão-Macau, em Hengqin.

Estado Olímpico

Foram quatro medalhas – quatro – as que assinalaram a mais brilhante participação nuns Jogos Olímpicos jamais registada na História de Portugal, como observaram, ufanas e impantes, as autoridades competentes. Ou talvez não tão competentes como isso: na realidade, foram raros os países da Europa a conseguir piores resultados em Tóquio 2020, ou 21, que no caso vai dar ao mesmo: São Marino só conseguiu três, Finlândia, Estónia, Letónia e Kosovo ficaram pelas duas (mas os dois primeiros casos são de excepção em relação aos resultados do passado), enquanto Lituânia, Moldávia e Macedónia só trouxeram do Japão uma medalha cada um. Já a Holanda, só para dar o exemplo de um país que nem sequer é exactamente uma potência do desporto mundial, tem menos de metade do tamanho de Portugal e menos do dobro da população (17 milhões de pessoas), conquistou nove vezes mais medalhas (36).

Não serão os atletas os responsáveis por estes fracos resultados: Pichardo, Mamona, Fonseca ou Pimenta – e as respectivas equipas técnicas, naturalmente – mostraram que é possível preparar, competir, disputar as vitórias uma a uma, conquistar provas de exigência máxima. O mesmo também se aplica, aliás, a quem não trouxe medalhas mas construiu durante anos o percurso para lá chegar, a superação das provas de qualificação, a persistência, a capacidade para conseguir um lugar nesses palcos que durante dias concentram os holofotes e os olhares de grande parte da população do planeta. Não foi nas suas provas, no salto mais ou menos conseguido, no lançamento mais ou menos perfeito, na aceleração mais ou menos perfeita, no golo que se marcou, deixou de marcar ou sofreu, que esteve o problema: o problema está onde sempre esteve e a história também nos mostra isso.

Na realidade, talvez a mera contagem de medalhas seja uma medida pouco justa do esforço que se vai fazendo para participar em competições desportivas – ou, de maneira mais abrangente – da qualidade das políticas desportivas que se implementam. Certamente que o tamanho conta e que países mais populosos têm mais chances de encontrar super-talentos que os representem, independentemente do que falta fazer, antes e depois: a captação, a organização, o treino, o enquadramento na sociedade, antes, durante e depois dos períodos em que desportistas das mais variadas modalidades se dedicam a práticas de “alto rendimento” ou de “alta competição”. Para medir a qualidade, a eficácia ou o sucesso dessas práticas, relativizar o número de medalhas pela população de cada país oferecerá certamente uma comparação mais precisa do que representam as políticas desportivas nacionais – ou pelo menos de como se manifestam na obtenção de resultados. E é aí que se demonstra categoricamente o desastre histórico que temos permanentemente vivido – e continuamos a viver – em Portugal.

Mesmo contando só com os Jogos Olímpicos de Verão, que os de Inverno são em geral pouco propícios a uma prática regular no sul da Europa, os resultados de Portugal são uma lástima. O mesmo país que enche avenidas com celebrações eufóricas para vitórias futeboleiras, exibe pelo mundo permanentes figuras tristes, que a história acaba por revelar implacavelmente. Com base em várias compilações publicadas, é possível verificar que Portugal conquistou até hoje uma medalha olímpica por cada 440 mil habitantes (actuais) do país. Deixando de fora países com menos de um milhão de habitantes (cuja posição nestas tabelas é demasiado sensível a mais uma ou menos uma medalha) atrás de nós, na Europa, só encontramos a Moldávia, a Sérvia, o Montenegro, o Kosovo e a Macedónia, São todos países que resultaram da divisão da Jugoslávia e da União Soviética e que por isso participaram em muito poucas edições dos Jogos. Caso se considerasse a média de medalhas conquistadas em cada participação olímpica, Portugal ocuparia um destacado último lugar. E a participação deste ano em Tóquio, orgulhosamente apresentada como a melhor da nossa história, não destoa de tudo o que se fez antes.

Estes dados mostram outros aspectos da geo-política desportiva internacional. Continuando a deixar de lado os países com menor população (menos de um milhão de habitantes), encontramos nos dez primeiros lugares da tabela classificativa das medalhas olímpicas por habitante a Finlândia, a Suécia, a Hungria, a Dinamarca, a Noruega, a Bulgária, a Jamaica, a Nova Zelândia, a Estónia, a Alemanha Oriental (ainda!) e a Suíça. Em geral, são países que conquistaram a maior parte das medalhas durante o período em que tiveram um estado socialista, ou de países que reconhecidamente promoveram estados de bem-estar dos mais avançados do planeta. E se no primeiro caso até podemos dizer que os resultados desportivos foram regularmente utilizados como formas de promoção política e ideológica dos regimes então dominantes, já no segundo caso o mesmo não se aplica: não há grandes sinais de que governos da Finlândia, Suécia, Dinamarca, Noruega, Nova Zelândia ou Suíça evoquem os respectivos sucessos desportivos para fazer qualquer tipo de auto-promoção internacional.

Outro exemplo, aliás, das diferenças nos resultados desportivos entre um Estado altamente interventivo e um estado de orientação liberal pode encontrar-se ao comparar a China com a Índia: embora a população chinesa seja apenas 5 por cento maior que a indiana, a China conquistou em Tóquio 88 medalhas, 12 vezes mais do que as 7 conquistadas pela Índia. É visível que os resultados das Olimpíadas não se dão muito bem com as mais radicais economias de mercado: mesmo os poderosos Estados Unidos, líderes absolutos e inequívocos na conquista de medalhas olímpicas, aparecem na 39.ª posição quando se calcula o número de medalhas por habitante (atrás de grande parte dos países do leste da Europa mas também da Grécia, da Bélgica ou de Cuba).

O que os Jogos Olímpicos nos vão lembrando, implacavelmente, é essa ausência de uma política desportiva que integre a prática desportiva enquanto componente básica da educação e da formação integral de cada pessoa com as práticas orientadas para a competição e o “alto rendimento”. No caso português, faz-se pouco, num e noutro campo.

E de quatro em quatro anos (ou cinco, como nos calhou desta vez), celebrarmos essas misérias profundas da sociedade que conseguimos até agora construir. Fazer de conta que as quatro medalhas que vieram de Tóquio constituem qualquer coisa de notável é dar mais um passo para aprofundar essa miséria.

Abrir corações

Paredes de Coura, quarta, 10 Agosto

Calhou que a primeira saída de Lisboa – e quem diz Lisboa, diz casa – em mais de um ano tenha sido a esta terra no coração do Norte (E do palavrão: pontuar cada frase com um sonoro caralho ajuda a mudar a cor de algumas faces e o alinhamento dos pensamentos de risco ao meio.) Integrado em Ciclo de Polinização, o concerto que fechou o dia da terra esteve na boca e gesto dos «No Precipício Era o Verbo». Não sei se alguma vez se aplicará à polinização, mas estou em crer que exactamente ali, no límpido lugar inicial e a pretexto do «Realizar: Poesia», se fechou um ciclo. O que começou por ser dança entre o contrabaixo do Carlos [Barretto] e as palavras, sobretudo do Zé [Anjos], mas também do António [de Castro Caeiro] e do André [Gago], foi ganhando complexidades, convocou as interpretações do André [da Loba] e tornou-se objecto-livro com cd, que recolhe o mistério de um redondo conceito. Na viagem pusemos a rodar também o disco, que há muito não ouvia. E surpreendi-me com a maturidade sobrante, na evocação de várias infâncias e fragilidades, no prenúncio de dias difíceis, de múltiplas doenças correndo a urbe.

Apraz-me bastante este acompanhamento dos ensaios, a mecânica dos bastidores, a tentativa e erro, a fragilidade de cada recomeço, um estar por dentro, mas perto da porta, talvez à janela. Desta matéria intermitente se faz a carne do editor: está e não está. Sempre na dúvida se traz com ele algum pólen. (Algures na página, foto da Graça [Ezequiel] que acende e apaga as luzes dos poscénios).

Apesar do sólido espectáculo no coração da cidade-campo que é o coração do Norte, ficou claro que está na altura de semear e logo colher novo repertório, fazendo evoluir o conceito, integrando a imagem enquanto instrumento em diálogo, multiplicando, ainda e sempre, as possibilidades. Nestes cinco anos, foram muitos os projectos de palavra dita em palco em diálogo de muitos modos com a música e este verbo em partilha contribuiu sonoramente para abrir precipícios. Há agora que ouvir o pulsar dos caminhos de cada um dos por aqui andam nas cordas (vocais, do contrabaixo, cabos de navio, arames de funâmbulo). Paira por aqui uma alma, talvez penada, que seria pena deixar desvanecer, tal a neblina das madrugadas semeadoras.

Este caloroso lugar rima bem com ideias tocadas assim, pela naturalidade com que cruza cultura com território, o relâmpago com o quotidiano. Não outro lugar onde as culturas várias se polinizem deste modo inspirado. Há sempre novo projecto a fervilhar e oiço agora o da «Orelha», centro que partirá do som para criar educação. Tenho para mim que o Vítor [Paulo Pereira] cultivou a presidência da Câmara como se um carvalho na serra se tratasse. Passam estações e fogos, secas e tempestades, e continua emitindo aqueles magníficos tons vermelho vivo da sua folhagem, mudando ao sabor e saber do dia. E a erguer-se na paisagem, acolhendo quem perto habita. Ou os bichos que passam.

Horta Seca, Lisboa, sexta, 13 Agosto

Cheguei a gostar das sextas-treze, por trazerem à nascença arrepio de uma qualquer possibilidade, um desarrumo no tráfego da rotina. Volto a não gostar desta sexta-treze por vir prenha da morte do Gaspar. Na mania das arrumações perguntamos a raça do animal crendo que tal basta para encerrar a diferença, ficando a saber o que esperar. Um perdigueiro gosta de correr, faz-se família e cheira no ar promessas e vítimas. Dura pouco mais que uma década.

Nada mais falso, a cada bicho a sua personalidade, a cada mão no lombo um distinto comportamento. O Gaspar gastou várias vidas, uma de cada vez que mudou de casa, outras esquecidas nas planícies corridas em mar e terra.

Foi um companheiro que deu assistência cuidada às jam sessions, aos improvisos, às discussões, poemas de imprevisto e aos preparados, que celebrou golos e roubou petiscos, sabia pousar o focinho no joelho e o olhar nos olhos, ladrou aos astros e lambeu os tristes, aconchegou autores adormecidos e calcorreou as noites e as festas.

Alegria da bruta, reservava-ma só para quando nos encontrávamos em contexto doméstico. Na rua, havia mais que fazer, bastava educada mas rasgada saudação com o chicote da cauda. Depois, respeitava melhor quem dele cuidava. Para variar, comigo partilhou as cervejas e as liberdades. Quando os exageros se alinhavam andávamos com menos patas no chão. Fizemos uma praia inteira a grande velocidade em noite memorável quando o mar ardeu em ardências. Perdemo-nos no obscuro. Não era cão, era o Gaspar. Saravá, Gaspar!

Santa Bárbara, Lisboa, domingo, 15 Agosto

Semeando metáforas à toa, enquanto vou rasgando pele nas silvas o que colho por ora são amoras, páro gastando a vista na leitura da mais enigmática das imagens: recebo em bêbada alegria ecografias, dadas como cartas de jogar, ases de copas pulsando no escuro os nomes, tanta menina e um puto que vem anunciando já coração. Coincidem nas horas, mas contêm tempos diferentes, e nem por instantes apagam a bossa nova que anunciam. Vai de arrastar pé e lançar braços ao céu. Brilham as grávidas de tal modo que os semáforos hesitam na função, Vénus despiu as lantejoulas, só a sábia Lua insiste em ser espelho das muitas fases que se anunciam. Arrastem-se os pés, afinem-se os instrumentos, encham-se os copos. Que sejam curtas as horas, tratem agora de dar a volta para assumir posição.

Mil olhos postos e entretidos nos entretons das massas pulsantes de branco e negro, um nó de horizontes a definir as formas deste alguém. Estamos de esperanças, enfim um contra-ciclo de polinização.

António Trindade, Presidente e Director Executivo da CESL-Ásia: “É em Macau que a gente se entende”

António Trindade considera que só será possível alcançar a sustentabilidade, se Macau for capaz de reter o conhecimento produzido ao longo dos anos. Para o CEO da CESL-Ásia, o Governo deve decidir urgentemente qual o caminho para a diversificação económica. Além disso, defende que a plataforma de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa só existe no papel, quando na realidade ainda se impõem “barreiras artificiais”

 

Depois de décadas de experiência acumulada, que posição ocupa hoje a CESL-Ásia em Macau?

A empresa tem hoje quase 500 pessoas. No ano passado, tivemos quase 650 milhões de patacas de faturação só com serviços. Do zero a isso, em 30 anos, não é brincadeira, além de que somos uma empresa de referência em Macau. Empregamos muita gente de alto valor. Temos a experiência que poucas empresas no mundo têm em áreas como a gestão de património, de activos e manutenção de operações. Nem toda a gente compreende que a sofisticação de certas operações em Macau é única no mundo. Edifícios como os resorts no Cotai podem ter entre 100 a 150 mil pessoas a entrar e a sair por dia e 20 mil funcionários. Nós operamos uma lavandaria que trata diariamente entre 120 e 130 toneladas de lençóis e roupa, incluindo a lavagem e transporte. No mundo não há nada parecido e isto é de uma sofisticação enorme. Por exemplo, quando o aeroporto abriu em 1996, montámos um sistema de gestão de infra-estruturas, em funcionamento há cerca de 27 anos, que é uma coisa única no mundo. De cada sistema de lâmpadas, motor e peças que compõe uma infra-estrutrura sofisticada como esta, criámos uma base de dados. Isto não é só informação, é conhecimento que acumulamos há 30 anos.

Um dos destaques recentes da CESL-Asia é o lançamento da plataforma Ortux. Em que se materializa esta solução?

Há três ou quatro anos começámos a desenvolver a nossa própria plataforma de apoio e gestão que se chama Ortux e, no fundo, sofistica o tratamento de dados e é útil para o nosso pessoal. O nosso pessoal pode usar a plataforma para gerir equipas e comunicar sobre trabalho que tem de fazer, ajudando a reprogramar o serviço e a oferecer bem-estar a cada pessoa. O nosso sistema tem a diferença de enquadrar as questões financeiras. Esta solução é para ser usada por qualquer pessoa, desde os que asseguram o funcionamento adequado dos espaços, até aos proprietários que precisam saber custos e graus de eficiência.

Como é que essa informação pode ser utilizada para garantir a sustentabilidade das operações ou de um território como Macau?

A nossa experiência não é intangível porque temos a informação. Ao fim de 30 anos, temos milhares de terabytes de informação. O nosso sistema combina tudo e sabe o que pode acontecer em determinadas situações. Isto permite melhorar a qualidade de vida, aumentar o ciclo de vida, a utilidade das infra-estruturas e reduzir custos. Aí entramos na questão sobre o que é a sustentabilidade e como é que ela se consegue alcançar. Temos de usar a experiência acumulada e ter valores éticos. Hoje fala-se muito no desperdício, a questão não é nova. Estamos a gerar informação e temos capacidade para a processar. Há hoje pessoas capazes de analisar os dados e existe muito mais capacidade de computação, o que nos leva à inteligência artificial. Isto traduz-se em projecções que aumentam a sofisticação da previsibilidade e o aumento da qualidade de vida. A informação por si, só serve quem precisa de a utilizar. É um desafio grande porque a inteligência artificial, o Big Data, as cidades inteligentes não resolvem coisa nenhuma. Este é que é o problema.

Considera que o rápido desenvolvimento de Macau tem implicado acções contraproducentes ao nível da sustentabilidade?

É um desafio interessante porque, como sabemos, Macau desenvolveu-se inegavelmente nos últimos anos a nível económico, mas com uma iniquidade muito grande. Mas, quem é que tem acesso aos recursos, aos terrenos, à criação de valor e aos empregos que são úteis? Não estamos só a falar do bem-estar dos funcionários, mas sim da própria sustentabilidade das empresas, porque as empresas que não oferecem perspectivas de carreira, não estão a reter conhecimento e não estão a conseguir aplicar conhecimento no seu desenvolvimento, sobretudo porque Macau é uma terra de serviços.

Em Macau faz-se tábua rasa do conhecimento adquirido, mesmo em situações em que já se deram passos importantes?

Acontece muito porque as pessoas querem esconder o passado. Há dificuldade em lidar com factos. Veja-se, por exemplo, o que se passa, não só em Macau, mas em todas as sociedades modernas com as questões importantes de privacidade e informação. Hoje em dia é impossível fugir a isso. Na minha perspectiva, o Big Data tem um grande potencial de melhoria da qualidade de vida de cada um e não há nenhum trade-off a fazer ao nível da protecção de dados.

Que medidas ou incentivos podem ser criados para tornar Macau mais sustentável?

O maior desafio da sustentabilidade é sempre o Governo e o próprio Governo tem consciência disso. Os maiores contributos para a sustentabilidade e a para qualidade de vida das comunidades são os seus hábitos, a educação, a maneira de consumir, de produzir e acrescentar valor. Nestas comunidades inclui-se o Governo que é o líder principal disto tudo. Isto traduz-se, por exemplo, no facto de o Governo ter reconhecido recentemente a existência de problemas gravíssimos a nível ambiental quando, quem os denunciava anteriormente, eram grupos externos, nomeadamente a própria CESL-Ásia. O Governo diz que estamos a despejar mais de metade dos esgotos para a natureza, ou seja, a cada duas vezes que despejamos o autoclismo, uma vai directa para o mar. Pela primeira vez em 20 anos, o Governo, está finalmente a reconhecer isto. É uma verdade óbvia. A outra questão, também reconhecida pelo Governo, é a necessidade de diversificar a economia. O crescimento passou a significar regressão. Por cada mesa de jogo que se põe a mais em Macau, está-se a tirar produtividade às outras mesas de jogo. Isto é a insustentabilidade da vida real. A maioria das questões da sustentabilidade são resolvidas pelas comunidades e individualmente por cada um de nós, através dos nossos comportamentos.

Como é que se envolve a comunidade nessa mudança de paradigma?

Estamos a falar de qualidade de vida e de assegurar que amanhã a nossa pegada ecológica é menor. Muitos Governos ainda acham que se está a falar de compromissos e sacrifícios, quando é exactamente o contrário. Para isto acontecer, os Governos, as pessoas e as empresas têm de trabalhar em conjunto é o que faz sentido em termos económicos. Macau tem de começar a reter a riqueza que produz, no sentido de desenvolver a sua comunidade. Veja por exemplo os empregos que foram criados em Macau. Há 20 anos não havia muita gente formada em Macau, agora há muitas dezenas de milhares.

O tecido empresarial não é capaz de absorver essas pessoas qualificadas?

Não é só o tecido empresarial, é a sociedade toda. Desde o Governo às empresas. Nós oferecemos carreiras porque estamos a reter conhecimento e experiência e a usar esse conhecimento para acrescentar valor e ser competitivo no futuro e no imediato. Isto é o grande desafio que encontramos em Macau.

Como dever ser concretizada diversificação económica de Macau?

Não há nada mais fatal do que um serviço e o jogo é um serviço que tem que mudar. Temos uma ideia geral de como vamos diversificar e o Governo deu-nos nota do sistema financeiro. Faz sentido porque vai servir a economia da China. A minha opinião ponderada é que a economia de jogo não é a economia de maior valor para Macau. Não tenho dúvidas que a sabedoria indicaria para a necessidade de pegar na ideia da Plataforma, que não é de hoje. A Plataforma existe há pelo menos 500 anos. É aqui, em Macau, que a gente se entende e que e, nos últimos 20 anos, apesar de muitos acharem impossível, foram criados edifícios como os resorts e meteram-se cá 30 milhões visitantes por ano. Alguma coisa altamente sofisticada está a ser feita e isto é um valor intangível que traduz a direcção definida do Governo. Da mesma forma que o Governo criou um sistema de jogo altamente valioso, pode criar outro sistema.

Que outros caminhos podem ser seguidos?

O Governo só tem de definir [o caminho], porque depois é quase impossível errar. O papel que Macau pode ter para acrescentar valor à Grande Baía, basta o Governo definir com a China. Se é para apostar no sector financeiro, é preciso dizer o que não há em Hong Kong, o que falta às empresas chinesas e o que elas precisam que Macau faça é estabelecer vantagens de acesso aos mercados exteriores. E aqui já existe a Plataforma e a Lusofonia. Macau tem que olhar para os dois lados.

Há então a necessidade de apontar um caminho mais claro?

Claro, sem dúvida. Precisamos de uma perspectiva de valor. Em Macau diz-se que a economia é livre, mas não é tão livre como isso. A economia de Macau é dominada pelo jogo, mas o jogo resulta de uma concessão. Se isto acaba temos de encontrar uma solução para saber onde vamos aplicar o conhecimento e as capacidades que temos e com que sentido. Para que o sistema financeiro se desenvolva, vai ter que ser criada uma economia de serviços mais sofisticada e outras infraestruturas.

Porque não há mais empresas a apostar na Plataforma?

Há quantos séculos a actividade económica entre Portugal e a China é negligente, apesar da amizade secular e da criação de tanto valor de cooperação? Alguma coisa os dois beneficiaram, mas é completamente desproporcional ao potencial que isto tem.  Faz algum sentido que para fazer um investimento em Portugal só exista um banco em Macau, o BNU? Ainda hoje não existe infra-estrutura. A Plataforma não existe. Só existe no conceito, mas não é difícil de construir. O Governo tem os mecanismos para gerir as actividades económicas e as empresas chinesas são empresas estatais que funcionam como veículos da política económica. Não é muito difícil liderar um processo e estabelecer uma cadeia de valor nova altamente promissora.

Porque ainda existem estes constrangimentos?

Isto não é um constrangimento. O constrangimento é artificial. O Governo de Macau tem poder e capacidade para estabelecer a Plataforma e diversificar a economia. Deus queria que o faça. Agora, para o fazer tem que ser com a mesma intenção e sabedoria com que estabeleceu o maior e mais sofisticado mercado de jogo do mundo. Os técnicos, engenheiros e advogados que Macau formou nos últimos 15 anos estão a tratar de questões de crime, de cobrança, em vez de estar focados a criar conhecimento para a Plataforma. Alguma coisa tem sido feita no âmbito fiscal, como acordo da dupla tributação com Portugal. Mas isso são coisas pontuais e não contribuem para criar a Plataforma ou servir a economia da Grande Baía.

Depois do investimento no Monte do Pasto, os objectivos têm sido cumpridos apesar da pandemia?

Passámos razoavelmente bem pela pandemia, porque o Monte do Pasto é uma actividade com um nível de sofisticação pouco comum. Exportamos para mercados como o de Israel, onde cumprimos com requisitos de clientes exigentes e padrões religiosos como o Halal ou Kosher. Antes de investir eu próprio tive um debate duro sobre como é que uma empresa que se preocupa com sustentabilidade ia apostar em gado. A conclusão foi muito simples, pois existe a perspectiva de multiplicar valor através da aposta na sustentabilidade alimentar. Escolhemos Macau e começamos a desenvolver a nossa oferta de carne sustentável. Estamos a olhar para as coisas de uma perspectiva completamente diferente e a perguntar qual é o nosso contributo para a Humanidade. O negócio vem depois. No entanto, é impensável não termos autorização para exportar esta carne de alto valor para a China. Se as pessoas de Macau podem comer porque é que as de Zhuhai não podem? Estamos a falar das tais barreiras artificiais que podiam ser facilmente resolvidas.

Na sua opinião, qual o futuro de Macau na Ilha da Montanha, quando até o Chefe do Executivo disse que, em breve, o Governo Central vai dar uma prenda a Macau?

Acho que o Chefe do Executivo está a querer dar um sinal positivo para o futuro e a assumir um compromisso de que as coisas vão melhorar. Hoje a situação é stressante, na medida em que estamos aqui fechados, mas a vida em Macau é uma maravilha. O Chefe do Executivo está a dizer que há um futuro em Hengqin, mas vai ter de dizer que futuro é esse. Hengqin é uma infra-estrutura para um processo de criação de valor que nós, na nossa economia, e o Governo, temos de fornecer, principalmente, à economia chinesa, atraindo os agentes externos que se queiram relacionar. A ideia de Hengquin representa o compromisso assumido sobre a diversificação económica e a redução do peso que o jogo tem na utilização dos recursos de Macau. Ficamos à espera que o Chefe do Executivo nos diga o que precisa de nós, onde vamos poder acrescentar valor e quem serão os nossos clientes.

Jogo | Galaxy e Sands valeram quase metade do mercado no 2º trimestre

As receitas arrecadadas pela Galaxy e Sands representaram mais de 45 por cento de todo o mercado do jogo no segundo trimestre do ano, mantendo o valor dos primeiros três meses do ano. Detalhando, a Galaxy foi responsável por 20,4 por cento das receitas, fixadas em 640 milhões de dólares americanos, ao passo que a Sands amealhou 24,9 por cento da facturação, ou seja, 782 milhões de dólares americanos.

De acordo com um relatório da Deutsche Bank, a Melco Resorts ficou com o terceiro lugar do pódio, tendo sido responsável por 17,9 por cento das receitas apresentadas entre Abril e Junho de 2021, que totalizaram 24,8 mil milhões de patacas. Segundo os dados citados pela Macau News Agency, segue-se a Wynn (13,7 por cento), a SJM Holdings (11,7 por cento) e a MGM China (11,3 por cento).

Em termos gerais, o mercado de massas resultante das apostas em máquinas e mesas de jogo de todas as operadoras cresceu 12,5 por cento (2,3 mil milhões de dólares americanos) no segundo trimestre do ano, ao passo que o jogo VIP caiu 5,2 por cento, para 779 milhões de dólares.

Recorde-se que, de acordo com os dados divulgados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), em Julho as receitas dos casinos foram de 8,4 mil milhões de patacas, naquele que foi o segundo melhor mês do ano, depois de em Maio, os casinos terem arrecadado 10,4 mil milhões de patacas.

Vacinas | Macau aguarda instruções da China sobre terceira dose

O Governo está focado na administração das duas doses de vacinas contra a covid-19, relegando para segundo plano a toma da terceira dose, dependente de instruções das autoridades do Interior da China. Quanto à entrada de estrangeiros no território, o Centro de Coordenação diz ainda não ser oportuna

 

O Centro de Coordenação e Contingência do novo tipo de coronavírus mostra-se prudente quanto à possibilidade de administrar uma terceira dose da vacina contra a covid-19. “Há estudos que dizem que a terceira dose da vacina é segura e eficaz. No Interior da China, foram feitos os dois primeiros estudos a maiores de 18 anos e o resultado também foi positivo. Estamos ainda à espera do resultado do terceiro ensaio clínico”, adiantou Tai Wa Hou, coordenador do programa de vacinação.

O responsável frisou que “mesmo no Interior da China ainda não começou a ser administrada a terceira dose”. “Como não houve instruções, os Serviços de Saúde (SSM) vão continuar a esperar pelos resultados ou instruções emitidas pelas autoridades de saúde da China para discutir essa possibilidade.”

Quanto ao segmento demográfico que poderá levar a terceira dose, o responsável adiantou que a prioridade pode incidir sobre quem tem alta exposição ao público ou baixa imunidade”.

Numa altura em que o território apresenta uma taxa de vacinação de 45 por cento, as autoridades consideram que ainda é cedo para permitir a entrada de estrangeiros ou alterar o período de quarentena.

“Ainda não é tempo oportuno [para abrir o território à entrada de estrangeiros], porque apenas ultrapassamos uma nova ronda da pandemia, a situação ainda não é totalmente estável. Não temos 100 por cento de segurança de que Macau não venha a ter qualquer caso na comunidade. Não temos qualquer plano, neste momento, para a entrada dos estrangeiros”, referiu Leong Iek Hou, coordenadora do centro.

A responsável disse mesmo que “uma gestão fechada é crucial para prevenir o surto na comunidade”, tendo referido que, dos 63 casos de covid-19 confirmados, 15 testaram positivo no período de quarentena. Apenas seis tiveram uma recaída, sem relação com anticorpos e confirmados com testes PCR, sendo que “a maioria dos casos foram confirmados antes da vacinação”.

Até às 16h00 de 17 de terça-feira foram administradas 565.105 doses da vacina, num total de 311.761 pessoas vacinadas. Deste grupo, 56.578 pessoas receberam com a primeira dose da vacina e 255.183 completaram as duas doses.

Zonas abertas

Desde a meia-noite de hoje estão abertas as zonas com código de saúde vermelho e amarelo por onde passaram os quatro residentes infectados. O último teste de despistagem à covid-19 foi feito ontem às 14h, sendo que, por volta da meia noite foram divulgados os resultados: todos os testes foram negativos.

Além da alta hospitalar concedida a dois pacientes com covid-19, respeitantes ao 52º e 59º casos, foi ainda registado um evento adverso considerado grave associado à vacina MRNA/BioNTech.

O caso diz respeito a uma paciente de 27 anos que recebeu o diagnóstico de miocardite depois de, na noite de 13 de Agosto, ter sentido sintomas como palpitações, aperto no peito, falta de ar e cansaço. No dia 16 de Agosto a paciente dirigiu-se ao Hospital Kiang Wu e ainda está internada em situação estável. O caso está a ser analisado pelas autoridades.