Bienal de Macau | “Botânica”, a obra de Vasco Araújo que olha para o passado colonial

Vasco Araújo, artista plástico português, participa na “Arte Macau – Bienal Internacional de Arte de Macau” com a peça “Botânica”, que mais não é do que uma ironia ao antigo passado colonial do Ocidente e aos chamados “zoos humanos”, quando nacionais dos países colonizados eram expostos como se de espécies exóticas se tratassem

 

Realizada entre os anos de 2012 e 2014, “Botânica” é uma série de obras realizada pelo artista plástico português Vasco Araújo que mais não é do que uma representação irónica daquilo que o homem branco fez aos naturais dos países colonizados. Três das doze peças que compõem “Botânica”, que usa materiais como a fotografia e madeira, podem agora ser vistas na “Arte Macau – Bienal Internacional de Arte de Macau”, inserida na secção “Labirinto da Memória de Matteo Ricci”. Esta, descreve “o olhar do Ocidente sobre a China, reescrito e subvertido ao longo de 500 anos”.

Ao HM, Vasco Araújo, natural de Lisboa, cidade onde ainda vive e trabalha, diz ter ficado “surpreendido” com o convite do curador da bienal, Qiu Zhijie. “Botânica” não é mais do que “umas mesas atravessadas por fotografias dos jardins botânicos de Portugal”, bem como por imagens de arquivo “relacionadas com todas as exposições que se chamavam ‘Zoos Humanos’, feitas pela Europa fora e EUA, que traziam pessoas das ex-colónias, de vários países, e as expunham como se fossem animais”.

O título desta peça é irónico porque “tal como foram construídos os jardins botânicos com espécies exóticas e vindas de todas as antigas colónias, faziam-se estas exposições para mostrar [as pessoas] e para exercer o poder em termos de dominação”. Vasco Araújo afirma fazer sempre uma crítica “a essa situação que, na realidade, tem repercussões até hoje, de racismo e por aí fora…”.

Uma vez que o tema principal da bienal é a globalização, o artista plástico português considera que “faz todo o sentido” expor “Botânica” em Macau. “[O curador] falou da questão da globalização e de como este assunto ainda hoje nos afecta a nível positivo e negativo. Estas peças falam sobre isso. [A ideia] de império e das colónias era replicar o que se fazia na Europa, em África, América do Sul e Ásia, pelo que faz todo o sentido [expor esta obra].”

O artista recorda que, apesar de Macau ter feito parte do império colonial português, “se calhar na China não há tanto a noção do que foram os impérios coloniais europeus”.

Questão de poder

“Botânica” já esteve exposta em lugares como Lisboa e Londres, e é muito mais do que uma obra que olhe exclusivamente para o império colonial português. Temas como o colonialismo e história são, aliás, temas muito presentes na obra de Vasco Araújo.

“O que me interessa aqui é o jogo de poder, como construímos a nossa identidade não só enquanto nação, país ou continente, mas também como pessoas. Como exercemos o poder e como é desenvolvida essa relação de superioridade – inferioridade?”

Terão sido estes os elementos que, na visão do artista, despertaram o olhar do curador. “As peças não são especificamente sobre Portugal nem sobre o colonialismo português. Os ‘Zoos Humanos’ foram um movimento internacional do final do século XIX, princípio do século XX, que durou até aos anos 60 desse século. O que dizemos hoje sobre a globalização, o facto de perdermos a identidade, já vinha desde o passado, são repercussões de coisas que [aconteceram]”, apontou o autor.

Vasco Araújo confessa que expor numa mostra desta natureza constitui sempre um desafio por comparação a uma mostra individual, pois numa bienal “são as minhas peças em confronto com as peças de outros artistas, há um diálogo maior”.

O artista é licenciado em escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e tem ainda um curso avançado em artes plásticas. Esta é a primeira vez que expõe em Macau, depois de ter exposto, há dois anos, em Xangai.

Covid- 19 | Governo anuncia regresso às aulas presenciais em Setembro

Os estudantes do ensino não-superior começam as aulas presenciais no primeiro dia de Setembro. Já os alunos do superior, vão ter de esperar mais um pouco, até 6 de Setembro. Quem tiver saído de Macau, Zhuhai e Zhongshan, depois de 6 de Agosto, tem de ser testado

 

As escolas vão poder regressar às aulas presenciais já em Setembro, a começar com o ensino não-superior. A novidade foi avançada ontem pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), através do sub-director Kong Chi Meng, na conferência de imprensa sobre a evolução pandémica.

“A DSEDJ continua atenta à prevenção no ano novo lectivo. Se não houver grandes alterações, a partir de 1 de Setembro os alunos do ensino não-superior iniciam as aulas. Os alunos do ensino superior podem regressar a 6 de Setembro”, afirmou Kong. “Após avaliação, concluímos que a retoma das aulas presenciais é importante para a normalização da sociedade, devendo ser tomadas medidas mais cautelosas para prevenir a pandemia”, foi acrescentado.

Em ambos os casos, alguns funcionários das escolas, professores e alunos vão ser testados cinco dias antes das aulas. “As pessoas testadas vão ser aquelas que depois de 6 de Agosto tenham saído de Macau, Zhuhai ou Zhongshan”, avançou o subdirector.

No caso dos envolvidos no ensino não-superior, o Governo permite que os testes sejam feitos entre 27 e 31 de Agosto, nos seis centros em funcionamento. Quanto aos estudantes do ensino superior, os testes vão poder ser feitos entre 1 e 5 de Setembro.

Ontem, a DSEDJ ainda não sabia quantas pessoas tinham de ser testadas antes do regresso às aulas, mas o exame vai ser grátis para os alunos, professores e funcionários.

Mais vacinados

Na conferência realizada ontem, ficou ainda a saber-se que a taxa de vacinados entre os mais novos e mais velhos tem aumentado. Tai Wa Hou, coordenador do programa de vacinação, revelou que há mais gente a ser vacinada.

De acordo com a informação apresentada, no que diz respeito aos indivíduos com idades entre 12 e 19 anos, a taxa subiu de 20 por cento para 24,3 por cento. Em relação aos que têm idades entre 60 e 69 anos, a taxa subiu de 20 para 27 por cento. Tai admitiu que os resultados podem reflectir “uma forte sensibilização da população e a capacidade de vacinação”.

Ontem, foi também revelado que a partir de quarta-feira, quem vier de Cantão pode entrar em Macau com um teste de ácido nucleico negativo com a validade de sete dias. Actualmente, a validade exigida ainda é de 48 horas.

Finalmente, a ocasião serviu também para o Governo negar qualquer intenção de abrir a fronteira a estrangeiros, nomeadamente empregadas domésticas, e classificou as Filipinas e o Vietname como regiões de alto risco de contágio.

Nova ronda de máscaras

A partir de amanhã arranca uma nova ronda de venda de máscaras do programa do Governo. Os interessados podem ir aos 72 locais de venda habituais e adquirir 30 máscaras por 24 patacas. De acordo com a médica Leong Iek Hou, desde o início do programa, no começo do ano passado, já foram vendidas mais de 200 milhões de máscaras.

Poder do Povo | Exigida pró-actividade na luta contra o trabalho ilegal

Cheong Weng Fat, secretário da associação, foi à sede da DSEL mostrar anúncios de emprego de Zhuhai para contratar motoristas não-residentes para Macau. O representante associativo pediu ao Governo que seja mais pró-activo nas suas funções, porque há muitos recém-licenciados sem emprego

 

A Associação Poder do Povo exigiu à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) para que acompanhe de forma pró-activa o fenómeno dos trabalhadores ilegais. Segundo o secretário da associação, Cheong Weng Fat, esta é uma situação que precisa de ser combatida, principalmente por haver cada vez mais recém-licenciados em dificuldades.

Ontem, pela manhã, a associação entregou uma petição na sede da DSAL. Cheong fez-se acompanhar de vários panfletos escritos em chinês simplificado com ofertas de emprego para motoristas em Macau. Este é um trabalho que de acordo com a legislação em vigor só pode ser desempenhado por trabalhadores residentes.

Segundo o representante da associação, os empregos estavam a ser oferecidos por agências de emprego em Zhuhai. Cheong Weng Fat atacou assim estas empresas por considerar que estão a contribuir para que os funcionários locais sejam substituídos por trabalhadores não-residentes. “A situação de desemprego é muito grave, muitos motoristas locais não encontraram emprego”, apontou Cheong.

Dos desempregados

A questão dos desempregados recém-licenciados foi outro ponto mencionado na carta entregue à DSAL. “Este ano há 4300 recém-licenciados, mas Macau não possui empresas suficientes para absorver todos os formados. No Interior, contratam trabalhadores para posições de gestão em Macau com ordenados de 12 mil patacas. Ao mesmo tempo, os alunos universitários ficam desempregados”, afirmou Cheong. “Espero que a DSAL possa analisar as vagas para quadros superiores e dar oportunidade aos jovens,” acrescentou.

Sobre a situação actual dos TNR, o secretário mostrou dúvidas. “Sei que a DSAL envia os agentes para a inspecções. Mas porque é que todos os empregados dos supermercados e restaurantes são TNR? A DSAL tem que reforçar as inspecções nas lojas, empresas e fábricas, se não houver trabalhadores locais, tem que pedir as explicações,” indicou Cheong Weng Fat.

O representante associativo frisou ainda que os TNR só servem para complementar a mão-de-obra local, mas que estão a roubar os empregos dos residentes. “No passado tínhamos 100 mil visitantes por dia, agora só são pouco mais de 10 mil e não há negócio para todos. Os residentes estão a pagar o preço e a passar por desemprego ou licenças sem vencimento”, sublinhou.

FAOM | Pandemia fez disparar pedidos sobre processos laborais

No rescaldo de mais uma sessão legislativa, Ella Lei e Leong Sun Iok dizem ter registado, devido à pandemia, um aumento do número de pedidos de apoio sobre questões laborais. Os deputados defendem que a renovação dos contratos de jogo deve servir de pretexto para lutar por mais direitos do trabalho

 

A pandemia fez disparar o número de empregados em situação de desemprego, licenças sem vencimento ou lay-off, e a prova disso é que, na sessão legislativa que agora chegou ao fim, os casos laborais lideraram o número de pedidos de ajuda ou de aconselhamento recebidos pelos deputados Leong Sun Iok e Ella Lei, ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).

“Recebemos casos de vários sectores [laborais] relacionados com despedimentos, salários em atraso ou encerramento de lojas. Com a pandemia estas situações relacionadas com trabalho tornaram-se mais frequentes”, disse Ella Lei.

Leong Sun Iok lembrou que taxa de desemprego atingiu o maior nível dos últimos dez anos. Mesmo que o alívio das restrições transfronteiriças com a China tenha ajudado, os recentes casos locais de covid-19 vieram piorar a situação.

“Recebemos queixas de trabalhadores de diversos sectores, particularmente dos serviços, restauração e salas VIP, que relataram o fecho de empresas e situações de licença sem vencimento”, adiantou o deputado.
Leong Sun Iok defende que a renovação das licenças de jogo deve dar o mote para a luta por direitos laborais, frisando que as operadoras devem contribuir para o Fundo de Segurança Social. Além disso, o deputado voltou a referir a necessidade de o Governo garantir a priorização das vagas de emprego a trabalhadores locais. A título de exemplo, foi referido que o sector das obras públicas deve ter uma maior regularização.

O deputado criticou também o desempenho da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), por considerar o programa de emprego pouco eficaz.

O almejado tecto

A habitação também gerou muitos pedidos de ajuda, nomeadamente sobre o processo de candidatura às habitações económicas. “Os vencedores dos concursos para a atribuição de casas económicas nos edifícios do Bairro da Ilha Verde, Cheng Tou e Fai Ieng não foram morar para as fracções dentro do prazo previsto. Por isso, pedimos ao Governo que entregue as fracções por vários meios”, explicou Leong Sun Iok.

O deputado exige que o Executivo divulgue os critérios de candidatura à habitação para idosos e para o projecto do “Novo Bairro de Macau” em Hengqin. Ella Lei elogiou o facto de estes projectos terem registado um avanço e de se de ter acelerado o processo de recuperação de terrenos não desenvolvidos. No entanto, a deputada pede a elaboração de critérios e legislação sobre o Plano Director do território, projectos de renovação urbana a habitação para idosos.

Quanto ao projecto de lei sindical, Ella Lei prometeu que a FAOM vai continuar a promover o seu debate. “A sociedade pode ter várias opiniões. Vamos ouvir empregados e associações para que o regime possa ser mais preciso.” Ella Lei acredita que o diálogo entre patrões e empregados pode resolver a maior parte das disputas laborais.

Educação | Mais de 95% das escolas adoptaram material didáctico patriótico

Os serviços de educação revelaram que mais de 95 por cento das escolas de Macau adoptaram material experimental da disciplina de História que inclui o passado do Partido Comunista e integra Macau no contexto nacional. Conteúdos sobre a Constituição, Lei Básica e a Segurança Nacional foram introduzidos na formação de docentes

 

A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) revelou que, no decorrer do ano lectivo 2020/2021, mais de 95 por cento das escolas de Macau adoptaram material didáctico com conteúdo patriótico na disciplina de História.

De acordo com a resposta a uma interpelação escrita de Mak Soi Kun, a DSEDJ apontou que o material em questão é uma versão produzida a título experimental para o ensino secundário, que contém a história do Partido Comunista da China (PCC) desde a sua criação, e integra a história de Macau no contexto nacional.

O objectivo é permitir aos alunos “compreenderem o processo de desenvolvimento da ligação entre Macau e a pátria, bem como a prosperidade e a estabilidade de Macau sob o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”, pode ler-se na resposta assinada pelo director substituto da DSEDJ, Teng Sio Hong.

Adicionalmente, além de incluir capítulos sobre a Constituição da República Popular da China, a Lei Básica e a segurança nacional no material didáctico de “Educação Moral e Cívica”, os serviços de educação deram também nota de terem iniciado a elaboração de conteúdo complementar sobre os mesmos temas, a ser lançados no próximo ano lectivo.

Recorde-se que o deputado referiu o discurso do Presidente Xi Jinping aquando do centenário do PCC, como fonte de “inspiração” para avaliar a actual situação da educação patriótica em Macau proferindo por 10 vezes a expressão “aprender com a história”.

“Há que criar ambiente para cultivar uma nova geração de jovens patriotas, para que tenham sentido de patriotismo e amor por Macau”, apontou na altura Mak Soi Kun.

Citando os resultados de 2018 do “Inquérito Social dos Indicadores da Juventude de Macau”, a DSEDJ recordou que “mais de 90 por cento dos jovens inquiridos estão orgulhosos do sucesso que o país alcançou até hoje” e reconhecem que “o desenvolvimento nacional está intimamente ligado ao destino do indivíduo”.

Já o “índice de cognição” dos alunos do ensino primário e secundário sobre a história e cultura a nível nacional e local “aumentou” em 2019, comparativamente com os dados de 2017.

Ensinar quem ensina

Sobre a formação de docentes do ensino não superior sobre temáticas como a Constituição, a Lei Básica e a segurança nacional, a DSEDJ refere que, para além de formações, foram introduzidos novos conteúdos no Plano de Formação de Novos Docentes e nos Cursos de Acção de Formação para Preparação de Quadros Médios e Superiores de Gestão.

Além disso, em conjunto com a Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ), a DSEDJ lançou em 2021 o Curso de Formação Jurídica para Docentes, com o objectivo de “aprofundar conhecimentos sobre a Constituição e a Lei Básica”.

Em 2021/2022, a DSEDJ vai ainda incentivar as escolas a criar a Semana da Divulgação Jurídica em articulação com o Dia Nacional da Constituição, que terá lugar no próximo dia 4 de Dezembro.

Sobre o que está a ser feito para assegurar que Macau é governado por patriotas e que a política “Um País, Dois Sistemas” é concretizada em pleno, os serviços de educação apontam que o Governo tem aperfeiçoado diplomas como a Lei relativa à defesa da segurança do Estado, a lei eleitoral para a Assembleia Legislativa e a alteração da lei e Bases da Organização Judiciária.

Várias plataformas digitais chinesas excluem actor Zhang Zhehan depois de visita polémica

Várias plataformas digitais chinesas excluíram os filmes e relatos pessoais do actor Zhang Zhehan, depois deste ter visitado o santuário japonês de Yasukuni, que abriga os restos mortais de vários soldados que participaram na invasão da China durante a primeira metade do século XX.

O jornal estatal “Global Times” afirmou que os episódios em que Zhang actua nas séries “Demon Girl” e “Word of Honor!”, bem como nos “reality shows” “Everybody Stand By” e “Keep Running” saíram das plataformas mais populares, como a Bilibili.

Outras plataformas de “streaming” de música na Internet, como QQ Music ou NetEase, excluíram as músicas e as contas pessoais de Zhang, que também cantor, enquanto Douyin (homologo chinês do TikTok) também fez o mesmo com seu perfil.

Também marcas como Wahaha, uma empresa de bebidas, a joalheira Pandora ou a têxtil Shanghai Mercury rescindiram os seus contratos com a estrela.

De acordo com o citado jornal, “o boicote contra Zhang acontece depois que a Associação de Artes Cénicas da China ter emitido uma circular, a 15 de agosto, na qual instava a indústria a vetar Zhang, já que sua conduta era altamente imprópria pois não só prejudica os sentimentos nacionais, mas é uma má influência sobre os adolescentes que o seguem”, segundo noticia a agência espanhola Efe.

Esta semana, a Federação Chinesa das Associações de Rádio e Televisão realizou um seminário no qual participaram alguns dos atores e “influenciadores” mais conhecidos do cenário nacional chinês e no qual os organizadores tentaram alertar os participantes para o que o Global Times chama de “violação de leis ou falta da ética”.

Várias fotos compartilhadas nas redes sociais nos últimos dias mostram Zhang nos santuários japoneses Yasukuni e Nogi. O actor e cantor publicou um pedido de desculpas online, que até o momento não tem servido para reverter a situação.

O Santuário Yasukuni é um templo xintoísta construído em 1869 em Tóquio, e nele repousam, entre muitos outros, os restos mortais de catorze militares e políticos de alto escalão considerados criminosos de guerra por suas ações durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) pelo Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente.

Fogos provam que drones e kamov são fiasco

Todos os anos é a mesma coisa. Chega o Verão e com ele o calor que ajuda a propagar grandes incêndios nas florestas portuguesas. Com uma agravante: os maníacos que pegam fogo às matas, ao ponto de este ano as autoridades policiais terem detectado um ex-bombeiro que já tinha ateado 40 fogos. Desta feita as populações de Castro Marim, Tavira e Ourique estiveram com as chamas a provocar-lhes o pânico. O incêndio de Castro Marim foi considerado o maior do ano até aos dias de hoje. As chamas feriram populares e bombeiros, destruíram casas, armazéns, reservas de animais e veículos ligeiros e agrícolas. Um prejuízo enorme que nunca tem compensação estatal. Está confirmado que a maioria dos incêndios é fogo posto. Uma bandidagem maníaca que grassa no nosso país que não tem vergonha em enfrentar o sistema de videovigilância instalado pelas florestas. Servem mais para detectar o início dos fogos.

Um início de fogos que devia ser anunciado através das imagens de um conjunto de drones que foi adquirido para a Força Aérea e que redundou num autêntico fiasco. Tal como os polémicos helicópteros Kamov que em 2006 custaram ao Estado 50,9 milhões de euros e que estão abandonados, os 12 drones adquiridos pela Força Aérea no ano passado custaram 4,5 milhões de euros e não têm tido utilidade alguma. Aliás, a queda de um destes aparelhos há uma semana fez com que a Força Aérea suspendesse todos os voos de drones das missões de vigilância florestal e detecção de incêndios. 12 drones para nada. Ai, Portugal, como é isto tudo possível? Não há dinheiro para se aumentar o salário mínimo nacional, para aumentar as reformas de miséria, para construir casas para pobres, mas gastam-se milhões de euros que no final atiram-se para o lixo. Isto, chegou ao ponto de Emanuel Oliveira, o consultor para organismos do Estado na área dos Riscos Naturais e dos Incêndios Florestais, ter afirmado à imprensa, surpreendentemente, “Creio que os drones pouco adiantam nos incêndios florestais. Hoje, com simuladores podemos fazer o mesmo. Ajudam tal como o sistema de videovigilância. Servem mais para apoiar a tomada de decisão em situações críticas. Não vejo que sejam muitos úteis”. E o consultor ainda lembrou que esta é a segunda vez que a Força Aérea suspende o voo dos drones no combate aos incêndios por terem sido registados quatro incidentes desde o Verão passado. E os 4,5 milhões de euros gastos na aquisição dos drones que têm sido um fiasco não foram alvo de um estudo profundo ou de uma consulta generalizada a vários especialistas antes de se gastar o dinheiro? E onde estão os responsáveis que só agora concluem que os drones não servem para nada e suspendem os seus voos? O que terá a dizer sobre esta vergonha no seio do orçamento estatal o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas? Nada? Que se esqueça o assunto para as calendas? A verdade é que os incêndios estão a destruir as nossas florestas e nem drones nem helicópteros que custaram uma fortuna podem valer à tragédia. Inacreditavelmente, os seis helicópteros Kamov estão parados e continuarão assim. É um problema que se arrasta há anos sem existirem culpados. Este assunto insere variadíssimos problemas, incluindo com a Heliportugal, empresa que intermediou a venda dos Kamov, e onde as divergências subsistem sobre a contratação e a manutenção. Quem adquiriu os Kamov foi o Ministério da Administração Interna e ninguém tomou conhecimento que se tratavam de aparelhos muito pesados, que não servem para o terreno montanhoso português e que não servem para actuar em equipa. Não, apenas o que interessou foi comprar, gastar e certamente alguém receber a respectiva comissão pecuniária. Para o combate aos incêndios em Portugal, disse um especialista ao Hoje Macau, que “devem ser usados helicópteros de tamanho médio e ligeiros que têm outro tipo de respostas”. Entretanto, o país vai ardendo na floresta e nos cofres do Estado…

 

PS – Sem se saber onde começa a desconhecida Fundação Casa de Macau e onde acaba a Casa de Macau em Portugal propriamente dita, a Direcção da Casa de Macau, em Portugal, perdeu uma excelente oportunidade de estar calada. Enviou ao jornal um “Direito de Resposta”, sem qualquer fundamento. Um direito de resposta só tem direito a existir se for para contestar algo de inverdadeiro ou ofensivo que tenha sido publicado. A Direcção da Casa de Macau, em Portugal, iniciou a sua missiva inserindo que [Face à publicação recente de um artigo de opinião no jornal “Hoje Macau”, onde são apresentadas alegações infundadas e factos que não correspondem à verdade…]. Alegações infundadas e factos que não correspondem à verdade? Nada está referido no “direito de resposta” que demonstre ao leitor que o autor do artigo de opinião sobre a Casa de Macau, em Portugal, tivesse apresentado alegações infundadas ou factos que não correspondem à verdade. Pelo contrário, é a própria Direcção da Casa de Macau que confirma que o edifício está e tem estado encerrado, que está a precisar de obras de manutenção e nem refere quaisquer iniciativas culturais que tenha desenvolvido nos últimos anos ou convites a macaenses residentes em Portugal e a cidadãos que viveram em Macau no sentido de serem sócios. O autor do artigo de opinião sentiu-se ofendido pelo “direito de resposta” emitido pela Direcção da Casa de Macau, em Portugal, por esta ter denegrido a sua dignidade, ao redigir “factos que não correspondem à verdade”.
Este assunto só teve um lado positivo: a honra que é colaborar para um jornal tão importante que é lido em todo o mundo, especialmente em Portugal.

Natalidade | Formalizada política de três filhos por casal em vez de dois

A China tenta evitar o envelhecimento acelerado da população que põe em risco o desenvolvimento económico do país. No entanto, os casais permanecem ainda renitentes em aumentar o agregado familiar face à subida do custo de vida e às frágeis condições das mulheres no mercado de trabalho

 

A China formalizou a alteração legislativa que autoriza os casais a terem até três filhos, em vez de dois, depois de o último censo demográfico ter revelado uma forte desaceleração no crescimento populacional.

A decisão tinha sido anunciada em Maio, e foi formalizada com a aprovação, na sexta-feira, de uma emenda à Lei da População e Planeamento Familiar pelo comité permanente do Congresso Nacional do Povo.

A emenda anula as medidas restritivas que estavam em vigor, incluindo as multas a casais que tivessem mais filhos do que os permitidos por lei, segundo a agência oficial Xinhua.

Com as alterações, as autoridades locais passam a oferecer licença parental para promover os direitos das mulheres no emprego e está prevista a criação de mais infantários em áreas públicas e locais de trabalho.

A China praticou a política “um casal, um filho” entre 1979 e 2015, para desacelerar o crescimento da sua população e preservar os recursos escassos para a sua economia em expansão.

Em 2016, passou a permitir dois filhos por casal, mas acabou por subir o limite para três, este ano, devido à baixa taxa de natalidade. No entanto, os casais permanecem reticentes em ter mais filhos, face aos elevados custos de vida e discriminação das empresas contra as mães.

A queda na taxa de natalidade é vista pelos dirigentes chineses como uma grande ameaça ao progresso económico e à estabilidade social no país asiático.

Sempre a descer

No início de Maio, os resultados do censo realizado em 2020 revelaram um envelhecimento mais rápido do que o esperado da população chinesa.

A população aumentou em 72 milhões de pessoas nos últimos 10 anos, para 1.411 milhões, segundo os dados oficiais.
O crescimento médio anual fixou-se em 0,53 por cento, em termos homólogos, uma queda de 0,04 por cento, em relação à década anterior.

No ano passado, marcado pela pandemia de covid-19, o número de nascimentos caiu para 12 milhões, face a 14,65 milhões, em 2019, quando a taxa de natalidade (10,48 por 1.000) foi já a menor desde a fundação da República Popular da China, em 1949. A queda de nascimentos em 2020 ocorreu pelo quarto ano consecutivo.

A taxa de fecundidade fixou-se em 1,3 filhos por mulher, em 2020, abaixo dos 2,1 estimados pelas Nações Unidas para manter uma população estável.

As autoridades chinesas admitiram que o número de nascimentos na China vai continuar a cair em 2021.
Mas o vice-director da Comissão Nacional de Saúde, Yu Xuejun, disse, em Julho, acreditar que a tendência de queda será invertida no “curto prazo”, libertando o “potencial da fertilidade” na China.

O sucesso dependerá de as políticas de apoio às famílias “serem implementadas de maneira adequada”, disse Yu na altura.

Creative Macau | Espaço celebra 18 anos com exposição sobre a pandemia

Fundado há 18 anos como um projecto “pioneiro”, o espaço Creative Macau inaugura no próximo sábado uma exposição que marca o seu percurso, mas que também olha para o presente. “Open – Close – Open” reúne trabalhos de 33 artistas com as emoções em torno da pandemia a constituírem o tema principal

 

Quando, há 18 anos, o tema indústrias criativas era praticamente inexistente em Macau, abrir o Creative Macau – Centro para as Indústrias Criativas constituiu, sobretudo, um projecto “pioneiro”. Lúcia Lemos é, desde o primeiro dia, directora de um espaço que já organizou 226 exposições individuais e colectivas, com mais de seis mil trabalhos expostos, e que juntou mais de 70 mil pessoas. Além disso, o Creative Macau tem organizado, nos últimos anos, o festival de curtas-metragens Sound and Image Challenge – Festival Internacional de Curtas-Metragens de Macau, que recebe películas do todo o mundo. A 12.ª edição, agendada para Dezembro deste ano, acontece desta vez no Teatro Capitol.

Para marcar o seu aniversário, o espaço Creative Macau inaugura, no próximo sábado, 28 de Agosto, a exposição “Open – Close – Open”, que se dedica, sobretudo, a olhar para os tempos actuais de pandemia.

Um total de 33 artistas locais responderam ao desafio colocado por Lúcia Lemos, com alguns deles a apresentarem obras inéditas. “Os trabalhos são bastante variados e vão desde a joalharia, instalação, ou pintura, ao design gráfico e desenho”, contou ao HM.

A directora do Creative Macau escolheu o tema que remete para o abrir e fechar de espaços e actividades por se estar a viver um período de “incertezas” em virtude da pandemia da covid-19. Um olhar pelas obras vai permitir observar estes altos e baixos emocionais que todos vivemos.

“São estas incertezas que provocam um certo desequilíbrio em todas as áreas da sociedade. Assistimos ao facto de as pessoas sentirem altos e baixos de uma crise provocada pela pandemia. Nem todos os trabalhos são novos, há uns que foram desenvolvidos sem este propósito [da pandemia], mas que vão de encontro a ele. Há uma ou outra obra que visualmente tem uma mensagem muito directa, enquanto que existem outras obras com mensagens mais abstractas”, acrescentou.

Espírito de sempre

Com a pandemia, o espaço Creative Macau deixou de poder apostar tanto na vertente de formação, com a realização de seminários e workshops, para se focar apenas nas exposições. Mas o objectivo inicial mantém-se, assegura Lúcia Lemos.

“Quando abrimos foi uma coisa pioneira, completamente diferente, mas o espírito continua a ser o mesmo, o de existir liberdade para as pessoas trazerem trabalhos, e de convidar novos artistas e profissionais.”

No entanto, “as pretensões que tínhamos de levar os bons trabalhos para fora de Macau não é mais possível, pois o orçamento é agora ainda mais pequeno, há limitações”.

Já o panorama das indústrias criativas, “mudou mesmo muito” 18 anos depois. “Os criativos locais continuam a ter muito apoio do Governo, mas agora as ajudas são mais a título colectivo e menos a título individual, porque provavelmente assim será mais produtivo e rentável. Por isso é que há a bienal, o festival das artes. Há mais projectos governamentais que depois chamam as pessoas e os grupos, mas sempre numa base de projectos. Isso também é interessante, embora para nós seja uma novidade.”

Directora do Creative Macau há 18 anos, Lúcia Lemos confessa que já tem nomes pensados para a substituir. Mas primeiro pretende fechar ciclos pessoais.

“É evidente que não vou ficar para sempre [como directora]. Tenho alguns nomes pensados para me substituir, mas não os posso revelar porque nem sequer apresentei a minha carta de demissão, digamos assim. Vou fazer isso a breve prazo, mas ainda tenho coisas a concluir, para fechar um certo ciclo”, concluiu. A inauguração de “Open – Close – Open” acontece no sábado às 17h30. A mostra está patente até ao dia 30 de Setembro.

Toi San | Problemas mentais na origem de esfaqueamento

Agressor de 29 anos está desempregado e tem historial de problemas psíquicos. Vítima em estado mais grave relatou às autoridades que nunca houve qualquer disputa entre ela e o atacante

 

Problemas mentais estiveram na origem do esfaqueamento da semana passada, que deixou duas pessoas feridas. O caso aconteceu no Edifício Houng Tou Ka, no Toi San, na manhã de quinta-feira e o agressor foi identificado como uma pessoa que sofre de perturbações psíquicas.

Segundo as informações divulgadas pela Polícia Judiciária (PJ), o homem de 29 anos está desempregado, tem um historial de problemas psíquicos, e na altura do ataque encontrava-se alterado. Por esse motivo, o homem foi levado para uma instituição de acompanhamento psíquico, onde vai ser feito um relatório sobre a situação.

Apesar do estado mental, o homem foi medicado, e as autoridades estão a investigar o caso à luz da acusação de tentativa de homicídio.

À PJ, a vítima de 54 anos, que no sábado ainda se encontrava no hospital a recuperar, afirmou não ter havido qualquer discussão entre ela e o agressor. A mulher declarou mesmo que nunca tinha havido qualquer problema entre os dois.

De acordo com o mesmo relato, o ataque terá sido gratuito, numa altura em que circulava num corredor à porta e casa. Quando foi esfaqueada, a mulher admitiu ter começado logo a pedir por ajuda, o que fez com que aparecesse o vizinho de 63 anos.

Por sua vez, o homem atacado afirmou que depois de ouvir gritos que foi ao local, para ver o que se estava a passar. Contudo, mal se aproximou do local foi atacado pelo agressor.

Segundo a vítima do sexo masculino, o agressor terá desistido de os perseguir após os primeiros avanços, o que permitiu que as duas vítimas entrassem num elevador e descessem para o rés-do-chão, onde pediram ajuda ao porteiro.

Detenção com cooperação

Após o ataque, o homem entrou na casa da mulher, no 18.º andar, onde se trancou. Foi nesse local que foi encontrado pelas autoridades, quando entraram no edifício para procederem à detenção.

Segundo o relato da PJ, o homem abriu a porta aos agentes e cooperou em todos os procedimentos. Na fracção, havia ainda três facas, já sem manchas de sangue, que estam a ser investigadas como arma do crime. Uma vez que a arma terá sido limpa, as autoridades vão fazer os exames forenses para determinar qual foi utilizada.

Quanto às vítimas, o homem apresentava ferimentos no pescoço, no lado esquerdo, e recebeu alta logo na sexta-feira. No sábado, a mulher continuava internada, uma vez que foi esfaqueada mais vezes. Como consequência das agressões, ficou com uma fractura numa das mãos e um tendão cortado.

Croupiers | Salários crescem, funcionários diminuem

Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que a remuneração média dos croupiers registou, no segundo trimestre deste ano, um aumento de 3,5 por cento, situando-se actualmente nas 19.950 patacas.

No entanto, esta área perdeu 701 trabalhadores em relação ao trimestre anterior, estando actualmente a trabalhar um total de 24.643 croupiers. Ainda na área do jogo, os dados mostram que o sector tem actualmente 55.768 trabalhadores a tempo inteiro, o que representa uma quebra de 1691 pessoas em termos anuais. Quanto à remuneração média, é de 23.690 patacas, um aumento de 2,1 por cento em termos anuais.

No segundo trimestre deste ano, foram recrutados 466 trabalhadores, enquanto que 1016 pessoas deixaram o emprego nesta área. A taxa de recrutamento foi de apenas 0,8 por cento, enquanto que a taxa de rotatividade dos trabalhadores foi de 1,8 por cento, um aumento de 0,6 e 1,2 por cento, respectivamente. Já a taxa de vagas foi de apenas 0,1 por cento. Segundo a DSEC, estes dados “reflectem que a procura de mão-de-obra no sector das lotarias e outros jogos de aposta permaneceu num nível relativamente baixo”.

Turismo | Retoma deve chegar em Outubro com Semana Dourada

Depois de um Agosto arruinado pelas restrições que resultaram da descoberta de casos locais de covid-19, Helena de Senna Fernandes aponta Outubro como o mês da retoma do turismo, em particular com a Semana Dourada. A responsável acha que o programa de excursões locais pode voltar em Setembro

 

A descoberta de quatro casos locais de covid-19 no início do mês levaram a um pesado retrocesso na retoma da economia de Macau, em particular no sector turístico. Casinos e hotéis voltaram a ficar vazios, assim como os locais que tradicionalmente recebiam mais turistas. Durante o mês de Agosto, Macau recebeu em média 16 mil visitantes por dia, número que corresponde a menos 10 mil turistas, face aos números de Julho.

A directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, espera melhoras expressivas a partir de Outubro. “A Semana Dourada é muito importante para o sector. Toda a gente está na expectativa de alcançar melhores resultados nessa altura”, afirmou a responsável, ressalvando para a hipótese de a pandemia voltar a impor restrições. Para esta altura, os Serviços de Turismo têm esperança que o número de entradas diárias volte a exceder 25 mil.

Em declarações à TDM, a responsável anunciou que o programa de excursões locais pode regressar no próximo mês, apesar de ainda não haver uma data e de a medida depender dos Serviços de Saúde. “Depois de Setembro, se for possível, as excursões vão poder ser retomadas em horário pós-laboral, de segunda à sexta-feira”, afirmou Helena de Senna Fernandes, citada pelo Canal Macau da TDM.

A responsável apontou que os passeios de barco, que “são realizados quase sempre ao final da tarde”, foram uma das actividades que registou maior adesão,

Luzes aladas

Além dos muitos eventos culturais cancelados pelo Instituto Cultural, Helena de Senna Fernandes confirmou que o concurso internacional de fogo de artifício não se vai realizar este ano, porque continuam os condicionamentos à entrada de estrangeiros no território. Porém, a responsável adiantou que possibilidade de ser organizado um espectáculo com drones.

“Trata-se de uma coisa nova, algo que tem de ser planeada. Como toda a gente sabe, além da área técnica, também há o factor meteorológico. As autoridades de saúde têm normas para as actividades de grupo, e esperam menos eventos da nossa parte. Estamos a ver se é possível avançar (com o espectáculo de drones)”, afirmou Senna Fernandes.

Censos 2021 | Recolha de dados prolongada até sábado

A recolha de informação para os Censos 2021, inicialmente prevista para decorrer entre 7 e 21 de Agosto, foi prolongada sete dias, anunciaram as autoridades em conferência de imprensa. Hoje retomaram as entrevistas domiciliárias por mais de 800 agentes para recolher informação de agregados familiares que não tenham respondido ao questionário através da Internet, disse o director dos Serviços de Estatísticas e Censos na sexta-feira.

Até quinta-feira, 105 mil agregados familiares já tinham respondido aos Censos, o que corresponde a 50 por cento do total, ou 210 mil fracções habitacionais, indicou Ieong Meng Chao.

A suspensão da recolha de informação presencial foi decidida na sequência da identificação, em 3 de Agosto, de quatro casos da variante delta da covid-19 no território.
“Este prolongamento dos Censos é suficiente para conseguir uma taxa de conclusão de 85 por cento”, considerada “significativa e representativa”, adiantou o responsável.

O objectivo das visitas domiciliárias dos agentes dos Censos “é incentivar a população a usar os diferentes meios ao dispor para preencher o questionário, sobretudo o preenchimento ‘online’ ou telefónico”, explicou.

Mas se os residentes insistirem em preencher o questionário presencialmente, os agentes estão preparados para o fazerem, recorrendo às medidas de prevenção epidémicas em vigor, como distanciamento social, máscara e desinfecção, acrescentou.

Os resultados preliminares dos Censos deverão ser divulgados até no final do ano. “Esperamos divulgar o resultado final em Abril próximo”, disse.

Os resultados dos Censos são muito importantes para o desenvolvimento de Macau, por refletirem a evolução demográfica e respectivas características socioeconómicas da população, sendo relevantes na definição de políticas educacionais, habitacionais, sanitárias e sociais.

Hong Kong | Lei anti-sanções pode prejudicar sector financeiro de Macau

O Governo Central adiou a votação da lei anti-sanções para Hong Kong. Para Albano Martins e Sonny Lo, o adiamento inesperado prende-se com a necessidade de maior “reflexão” face à complexidade técnica e ao impacto que a medida terá no sector bancário e na economia dos dois territórios

 

O adiamento da votação da lei anti-sanções estrangeiras em Hong Kong pode vir a impactar o desenvolvimento do sector financeiro de Macau, caso seja integrada na Lei Básica do território. Além disso, analistas consideram que o facto de a votação do diploma não avançar no imediato, é uma oportunidade de aprimorar a eficácia e os contornos de uma questão tecnicamente complexa e que tem gerado preocupações na comunidade empresarial.

Para o economista Albano Martins, o adiamento inédito ficou a dever-se à necessidade de a China fazer uma “reflexão” sobre o real impacto que a medida teria na economia do território vizinho e em Macau, em especial no sector bancário, que conta com inúmeras instituições estrangeiras, cujos depósitos e registos estão nos países de origem. “Esta lei envolve situações em que o controlo não está totalmente na mão da China. Portanto, é muito difícil de acontecer. Na minha opinião, acho que houve uma reflexão”, começou por dizer ao HM.

“O problema aqui não é só afastar o investimento estrangeiro. Por exemplo, os cidadãos americanos que tenham depósitos em Macau em moeda estrangeira, teoricamente não têm esse dinheiro em Macau”, exemplificou.
Para Albano Martins, a ser integrada na Lei Básica de Macau, a legislação anti-sanções poderá prejudicar o desenvolvimento do sector financeiro local, na medida em que “coloca os bancos numa situação muito complicada e difícil de gerir”. “É preciso reflectir melhor quando se quer impor esse tipo de medidas pois, muitas vezes, é tecnicamente muito difícil”, vincou.

Num artigo de opinião publicado na Macau News Agency, Sonny Lo, professor universitário e analista político, considerou igualmente que se Macau pretende apostar no desenvolvimento do sector financeiro nos próximos anos “é necessário fazer um estudo mais cuidadoso e aprofundado”.

Sonny Lo aponta ainda que, a ser anexada à Lei Básica de Hong Kong e Macau, os litígios legais transfronteiriços “aumentariam”, elevando para patamares inéditos a “complexidade das operações do sector monetário e financeiro”.

Para o analista, o adiamento da votação pode servir ainda para o Governo Central “testar a opinião” de investidores, bancos estrangeiros e das elites financeiras de Hong Kong e Macau. Contudo, Sonny Lo é da opinião de que isso não irá impedir a China de implementar a lei nos dois territórios, havendo sim a possibilidade de o âmbito da sua implementação ser “ajustado” e “delegado nas autoridades locais”.

Passo atrás

Recorde-se que na passada sexta-feira, o South China Morning Post avançou que a Assembleia Popular Nacional (APN) decidiu adiar a votação para introduzir a lei anti-sanções em Hong Kong.

Tam Yiu-chung, o único delegado de Hong Kong no Comité Permanente da APN, disse que o órgão decidiu “não votar, por enquanto, e continuará a estudar questões relacionadas”. “Acredito que isto tornará a lei contra as sanções estrangeiras ainda mais eficaz”, defendeu, segundo a agência Lusa.

Um comunicado divulgado pelo governo de Hong Kong não abordou o atraso directamente, dizendo apenas que o Governo Central se preocupa com o bem-estar da cidade.

“A APN e o seu comité permanente, como a mais alta autoridade do país, tomam decisões sobre os assuntos de Hong Kong com base nos interesses da cidade”, lê-se no comunicado. “O Governo apoiará, implementará e cooperará totalmente [com as suas decisões]”, acrescentou.

A lei que visa sanções estrangeiras, aprovada por Pequim em Junho autoriza as autoridades chinesas a confiscar activos de entidades que impõem medidas financeiras punitivas ao país.

Takeaway | Cerca de 1.900 estabelecimentos obrigados a registo

O novo regulamento administrativo entra em vigor em Novembro e tem como objectivo evitar que comida confeccionada em habitações seja vendida ao público, obrigando ao registo dos restaurantes de takeaway. Os infractores arriscam multas entre 5 mil e 35 mil patacas

 

Para continuarem a operar dentro da lei, os cerca de 1.900 estabelecimentos de comida para fora têm de se registar, a partir do próximo mês de Novembro. A exigência faz parte do novo Regime de Registo de Estabelecimentos de Actividades de Takeaway, apresentado na sexta-feira pelo Conselho Executivo, e visa impedir que alimentos confeccionados em casa sejam comercializados e que a actividade de restauração deixe de ser exercida em locais não autorizados.

“Este é um regime de registo e não de emissão de licença. De acordo com um regime de licença, são exigidas condições de saúde, ventilação e medidas contra incêndio. São muitas exigências que as lojas têm de cumprir e uma grande parte das lojas de takeaway não vai conseguir nas condições actuais”, explicou André Cheong, porta-voz do Conselho Executivo e secretário para a Administração e Justiça. “Por isso, vamos lançar em primeiro lugar um regime de registo”, acrescentou o governante.

Segundo as novas exigências legais, a certidão de registo deve ser afixada no estabelecimento, assim como nas formas de venda online, através de portais ou aplicações móveis. Os infractores do novo regulamento administrativo ficam sujeitos a multas que variam entre 5.000 e 35.000 patacas.

Segurança alimentar prioritária

André Cheong sublinhou ainda que nesta fase o mais importante é garantir a segurança alimentar da população. É nesse sentido que a fiscalização vai apertar: “Vamos reforçar a inspecção e se detectarmos situações que violam as normas, de acordo com o regime, ou com o a lei da segurança alimentar, vamos aplicar multa”, avisou Cheong, citado pelo Canal Macau da TDM. “O mais importante é fiscalizar a segurança alimentar”, adicionou.

Na mesma conferência de imprensa que anunciou o diploma, foi ainda deixado o aviso de que as cozinhas de fracções habitacionais não podem servir como cozinhas de restaurante. “De acordo com a lei, este serviço não é permitido. Claro que se convidarmos amigos para ir a casa comer, está tudo bem. Mas se começarem a cobrar um serviço para isso, então já não pode ser”, avisou o secretário e porta-voz.

Por sua vez, Cheong Kuai Tat, chefe do Departamento de Segurança Alimentar do Instituto de Assunto Municipais (IAM), sublinhou o risco que implicam as cozinhas privadas.

O Jogo das Escondidas – Capítulos 61 ao 70

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15.

Nas histórias chinesas de amor muitas vezes um ou ambos os amantes morrem ou nunca se juntam. Mesmo assim consideramos isso um final feliz, porque o que conta é a grande paixão que os uniu, algo que a sorte e o destino permitiram, disse calmamente Ding Ling, apesar dos seus olhos estarem estranhamente incandescentes. As suas mãos tremiam um pouco quando passaram pelo corpo deitado à sua frente. A bela Wei Zi ali estava imóvel. No cheongsam que vestia notava-se, à altura do coração, um orifício, sinal visível do punhal que rompera a sua pele e penetrara no coração. Bei Li estava de pé, com os olhos fechados, aparentando uma serenidade que não tinha naquele momento. O tenente Félix Amoroso sentiu um amargo na boca e a sua mão direita cerrou-se. O assassinato de Wei Zi acertara também no coração de Ding Ling. Não sabia como ela iria reagir. Quem a matara? Porquê? O choque emocional ia-se desvanecendo e Amoroso via surgir a visão mais lúcida do facto, mais fria, lógica e racional.
A sua própria vida também estava em jogo.

Wei Zi fora morta dentro da “Noite Tranquila” por um cliente que a acompanhara até aos lugares mais reservados. Ele saíra tranquilamente e, só depois, tinham dado com o corpo dela. O eficaz golpe, que a matara imediatamente, fora obra de um profissional. Era uma vingança. Para pagar o que ela descobrira. Para mostrar a Ding Ling que Max Wolf ou Fu Xian utilizariam todos os meios para espalhar o medo. Para a assustarem, porque sabiam que fora ela que incendiara o armazém onde tinham os seus pacotes de heroína. Perderam muito dinheiro. E a face. E homens como aqueles não tinham duas caras.

– Esta é uma terra em disputa. A partir de agora muita coisa pode acontecer.
As palavras de Ding Ling eram firmes.
– Eu sou boa para aqueles que são bons.

Mulheres como ela têm o poder da persuasão, pensou Amoroso. Os olhos dela estavam cravados nos seus. Ele não baixou os seus. Ela ficou com a convicção que esta não seria ma luta dela. Nem de Bei Li. Seria também dele.

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– Há um tempo para guardar o silêncio. E outro, bem diferente, para actuar. Mesmo o silêncio pode ser uma arma. Importa saber ver, quando mais ninguém o consegue. Isso é que nos traz a vitória. Wei Zi nunca esperou morrer de velha. Dormir com um olho aberto e saber que cada dia pode ser o último, era uma das condições para trabalhar comigo. Ela sabia-o. E não se importou. Os homens podiam atraiçoá-la por um punhado de patacas, os inimigos poderiam seguir os seus passos, mas ela seguiu sempre em frente. Mas não esperava que o seu fim fosse assim. Aqui, na minha própria casa. Com ela cercada de amigos.
Não há intocáveis, pensou Amoroso. Gota a gota enche-e um copo, até que ele transborda. Era o caso. A paciência desaparecera dos olhos de Dng Ling. Mas isso não queria dizer que ela iria deixar-se atraiçoar pelas emoções. Os seus inimigos tentavam-na, mas ela não cairia no seu jogo. Esperaria o momento certo. Ding Ling roçou o seu corpo pelo de Amoroso e começou a andar. Ele seguiu-a até a um local discreto de onde podia ver grande parte do “Noite Tranquila”. Nada parecia estar diferente mas, na realidade, tudo mudara.
– Sabes que a palavra Qing significa claridade ou pureza? E o certo é que aquele que foi o último reinado imperial andes da República nunca foi nada disso. É por isso que sigo Sun Yat-sen. Quero conhecer a pureza que há nas pessoas. Há quem diga que a morte é um mistério. Mas, na realidade, o que é verdadeiramente misterioso é a vida, não achas, querido tenente? Quem somos? O que fazemos aqui? A única certeza que temos é que morreremos. Como é que dizem os católicos? Pó eras, em pó te converterás?
Amoroso via homens a jogar, sem pensar no pó em que se tornariam. Via-os a beber, sem procurarem, no fundo do copo, uma resposta para as suas atitudes. Cobiçavam raparigas que cirandavam entre eles, sem terem remorsos. Ding Ling passou-lhe os dedos pelo pescoço e, depois, tocaram-lhe na orelha. Ficaram ali durante segundos, os suficientes para ele sentir um arrepio de desejo. Olhou-a e ela agarrou-lhe na mão e puxou-o.

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Caminharam os dois até ao pequeno quarto que ele tão bem conhecia. Aí, na escuridão quase completa, Ding Ling abriu o seu cheongsam e deixou-o cair. Ficou completamene nua e aproximou-se dele. Foi-o despindo e quando acabou de lhe tirar as roupas encostou-se a ele. Sentiu o desejo de Amoroso. Afastou-o e ficou a olhar para ele, até ue se deitou na cama e lhe fez sinal para que ele se colocasse em cma dela. Ding Ling entregou o seu corpo, vibrante, mas os seus olhos estavam molhados. O prazer misturava-se com a dor, num daqueles mometos em que a bondade e a maldade travam um duelo final. Naquele momento Amoroso percebeu que entre ele e ela não havia absolutamente nada, excepto a obstinada independência dela. O laço forjado no passado deve amarrar-nos mais do que um juramento, sussurrou ela. E ele tinha a certeza disso.

16.

O mundo está cheio de ciladas. Aprendemos a viver com elas e a utilizá-las. Sabe-nos bem, quando os outros caem nelas. Clamamos contra a injustiça, quando elas nos fazem tropeçar. Joaquim Palha sentia-se atraiçoado pelo destino. A estratégia fora cuidadosamente montada, desde há muitos anos. Tudo corria bem, dentro da ambiguidade onde se movia como um dançarino. Saber dançar como poucos ajudara-o no mundo dos negócios e da política. Conhecia os ritmos todos, os compassos de espera, a força de fazer bailar o seu par. Mas há sempre algo que não se controla. E isso só poderia ser devido a uma traição. Alguém o traíra, ele que estava habituado a enganar os outros. Não era justo, pensou Joaquim José Palha. Os dedos contorceram-se e as unhas, bem tratadas, cravaram-se na carne. Para doer. Para perceber que tudo o que estava a acontecer era real. Traídos. Joaquim Palha amaldiçoou o mundo por ser assim. Esqueceu-se, claro, de pensar que ele era construído por pessoas como ele. Max Wolf andava na sala, de um lado para o outro. A sua face estava vermelha e a respiração parecia indicar alguém que estava prestes a deixar sair os pulmões pela boca. Por fim, explodiu:
– Tem a noção real do que aconteceu?

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Os olhares dos dois cruzaram-se, como num duelo. Nenhum deu parte de fraco. No escritório de Palha fez-se um silêncio ensurdecedor. Este mudou de posição na cadeira, num esforço inútil pra ficar confortável depois de ouvir as notícias que Wolf lhe trouxera e que confirmavam os rumores que que se escutavam junto ao edifício do Leal Senado. Todo o castelo de cartas que tinham construído nos últimos meses desmoronava-se defronte dos seus olhos. Primeiro, tinham ficado sem a heroína, que se desintegrara em cinzas. Agora o assalto ao vapor correra mal. Tudo correra ao contrário do planeado. Quando Wolf lhe começou a dizer o que se passara, Palha arregalara os olhos, como se estivesse diante de um fantasma:
– Não pode ser!
Mas era. Wolf, fora de si, só abanava a cabeça e cerrou os lábios. Não havia muito a dizer. E o melhor era não tentar dizê-lo, apesar dos esforços de Palha para o fazer falar. Por fim, foi dizendo:
– O que sei foi que se fez o assalto ao vapor Sui-An, como estava planeado. Este partiu de Macau e dirigia-se a Hong Kong. Não era a primeira vez que os piratas o tomavam e roubavam o que havia de valor a bordo. A tripulação estava habituada as estes infortúnios e, para salvar a pele, deixava-se ficar tranquila. Mas, desta vez, como sabíamosmos, o barco levava algo especial: o cofre com dinheiro e ouro que tinha como destino o Hong Kong Shanghai Banking Corporation. Era uma verba considerável que alguns comrerciantes de Macau queriam transferir para Hong Kong e por isso a sua segurança revestiu-se de cuidados especiais. Iam vários guardas armados a vigiá-lo. Sabíamos tudo isso. Como estava planeado, as lorchas de Fu Xian surgiram de repente e cercaram o vapor. O funcionário do Banco Nacional Ultramarino, que seguia a bordo, estava confiante no poder de fogo dos seguranças, mas, para espanto deste, estes nada fizeram e os nossos homens ocuparam o navio.
– Até aí nada de novo. Era essa a nossa estratégia delineada com Fu Xian. Os homens da segurança tinham sido substituídos por fiéis nossos ou subornados. Mas o que é que sucedeu a seguir?


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Wolf encolheu os ombros.
– Só há relatos contraditórios de alguns passageiros e do funcionário do BNU. Mas o que se percebe é que uma série de passageiros tiraram as armas que tinham escondidas na roupa e os seguranças que eram homens de Fu Xian viraram as suas espingardas e pistolas contra os piratas deste e cmeçaram a disparar. Mataram-nos todos. Não queriam testemunhas. Quem podia contar algo, morreu. A polícia portuguesa está no Porto Interior a ouvir os passageiros. Mas a maioria está confusa ou, então, cala-se. Quem lá está também é aquele teu amigo, o tenente Amoroso.
Palha não acusou a indirecta e questionou:
– Isso não faz qualquer sentido. E Fu Xian?
– Pelo que consegui saber também foi morto. Os piratas e os seguranças levaram o seu corpo para as lorchas deste, assim como o cofre, e desapareceram rumo a uma das ilhas que há por ali.
Palha perdera, naquele momento, a serenidade:
– Quem são estes homens? São de Ding Ling?
– Ninguém sabe. A polícia está a investigar. Mas é como te digo, deveriam ser. Ou de outra tríade. Sei lá. Quem sabe ou está morto ou desapareceu.
Palha rosnou:
– Deve ser uma vingança dela. Puxámos demasiado a corda. E matar a miúda chinesa também não ajudou. Mas foi ideia de Fu Xian. E não podíamos dizer que não. Foi demasiado sangue. Mas como é que ela conseguiu subornar os homens de Fu Xian? Em caso de sarilhos aqui é fácil subornar a polícia. Mas comprar os homens de Xian…
Tentou fazer um sorriso conspirativo, mas estava demasiado nervoso para isso. E tudo resultou num esgar rancoroso.
– E agora?
– Tenha calma, doutor Palha.
Este revolveu o corpo na cadeira. Wolf continuou:
– Eu vou voltar para Xangai. Preciso de falar com os meus sócios. Explicar-lhes o desapaecimento da heroína. E também não tenho dinheiro para lhes levar. Contava com os valores que estavam no cofre.
– E eu?
Max Wolf fez um olhar sórdido:
– Tu? Que achas? Não há-de faltar muito tempo para o teu querido tenente aparecer aí para te prender. Se ainda aqui estiveres. Essa, de resto, foi uma bela ideia tua. Suborná-lo…
– Ele parecia estar convencido.
– Parecia. Deve ter sabido o que planeávamos. E deve estar conluiado com aquela bruxa chinesa.

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Palha estava embaraçado. Wolf não confiava nele. Nunca confiara. Agora largava-o como caça, enquanto ele fugia. O alemão talvez tisse certezas. Daquelas que resolvia com uma pistola. Não lhe era conveniente confrontá-lo.
– A guerra é a guerra. Alguma vez combateu, doutor Palha?
– Eu? Nunca.
– Eu estive na guerra. Combati em França. Nas trincheiras. Escondia-me enquanto os obuses passavam por cima de mim ou explodiam ao meu lado. Vi morrer muita gente. Hoje não me faz confusão. Temos é de manter os olhos abertos e saber sobreviver. É isso que planeio fazer. Voltarei.
Palha franziu a testa.
– Desaparecer é a melhor opção. Vou deixá-lo, doutor Palha. Tenha um resto de bom dia.
Ao dizer isto, piscou um olho. E desapareceu. Palha ficou atónito. Tinha de tomar uma decisão rápida. O tempo corria depressa. Demasiado, para o seu gosto.

17.

O sol ainda não se tinha posto quando Félix Amoroso chegou ao “Noite Tranquila”. Li Bei esperava-o. Ele sabia porquê. Os seus espiões eram mais rápidos do que ele. A luz, à entrada, era melancólica, como se aquela fosse uma noite como as outras. Não era. Lutar e não ceder, era o que transmitiam os olhos dela por detrás do seu ar enigmático e doçura meditativa. Parecia ter o sorriso de uma estátua em jade de um Buda khmer que lhe tinham trazido da Indochina. E que ele guardava no seu quarto. Ela aproximou-se dele e disse:
– A vida é amoral. E é sempre violenta. Por vezes temos de atacar não apenas as forças do inimigo, mas a sua força moral. É aí que verdadeiramente vencemos.
Não esperava resposta. Fez-lhe sinal para que o seguisse até à sala onde estava Ding Ling. Também ali a luz era mortiça, e não deixava ver bem os contornos da face dela. Mas Amoroso não duvidava que a serenidade, a sensualidade e a sensação de dever cumprido se uniam no seu olhar. Ela aproximou-se e finalmente Amoroso conseguiu ter uma imagem mais nítida da cara dela. Nunca lhe parecera tão bela e radiante. Ele tocou-lhe, como se ela fosse irreal. Não era. Sentia o calor do corpo de Ding Ling, a milímetros do seu. Dela imanava uma força que o invadia e conquistava.
Ding Ling, naquele momento, era a civilização chinesa no seu esplendor: a harmonia pura. Tentou afastar a magia que o deixava inerte:

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– Como boa deusa, a Fortuna, esteve do lado dos deuses.
– Esteve. Tal como nas melhores óperas de Cantão, as máscaras que usámos representaram diferentes emoções até atingirmos o nosso objectivo. Encenámos da melhor maneira a nobre arte da paciência e do engano. Quando julgavam vencer, os traidores foram vencidos. E com eles desmoronou-se o sonho de Max Wolf e dos alemães. Não há ouro e dinheiro para subornar, nem heroína para corromper. Os portugueses ficariam felizes se algum dia soubessem o que fizémos. Com a heroína Wolf teria conquistado o submundo de Macau e o poder ruiria sem disparar um tiro. Quem controla a escuridão, domina a luz que os outros julgam ser sua. Os alemães teriam Macau, mesmo que em Santa Sancha existisse uma bandeira portuguesa.
Ding Ling aproximou os seus lábios dos de Amoroso. Bei Li observava, muito perto. Os seus corpos pareciam sombras inertes, mas repletas de vida por dentro.
– Sem ti, querido tenente, não teríamos conseguido uma vitória justa. O inimigo não se teria distraído o suficiente. Não teria achado que, por matarem os que nos são queridos, quebraríamos como um tronco de madeira. Somos feitos de bambu. Vergamos. Não quebramos.
A voz de Bei Li não quebrou o encantamento:
– Muitas das histórias que terás escutado talvez tenham ofuscado as tuas ideias, tenente Amoroso. Agora que a luta terminou, não tens de ter receio de nenhuma de nós. Apesar de ela também ser a tua batalha. Era a escolha do nosso verdadeiro inimigo. Do teu verdadeiro inimigo.
O seus olhos fecharam-se, como se a ténue luz lhe ferisse a visão. Continuou:
– Tinham fraquezas. Os homens de Fu Xian sempre estiveram à venda. São mercenários, que escutavam promessas de riqueza. E, até agora, viam poucas recompensas. Não confiamos neles. E eles não confiam em ninguém. Só no dinheiro que lhes pagámos.
– Todos temos as nossas dúvidas, gentil Bei Li. Duvidamos de nós. Da justiça. Dos outros. Do bondade do mundo.
Bei Li sorriu. A sua missão agora tinha terminado. Disse apenas:
– Pensas em espiões, não é, querido tenente? Nós não precisamos de espiões, enquanto a verdadeira China existir. É melhor ter amigos.


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Fechou os olhos e rodou o corpo, confundindo-se com a penumbra. Amoroso, que voltara a olhar para Ding Ling, não a ouviu sair da sala. Esta disse:
– Quem vem da escuridão tem mais resistência ao sofrimento. E nós voamos lado a lado. Não o esqueças.
– As deusas quebram promessas?
– Nunca o fiz e nunca o farei, seja por força do Bem ou do Mal. Sabes que a minha missão é ajudar Sun Yat-sen. Contra as potências que retalham a China. Contra os seus inimigos internos. Só isso. Estou serena. As sombras podem agora dançar à volta da alma de Zu Wei.
Os seus lábios tocaram os de Amoroso. As suas mãos percorreram o corpo deste. Muitos minutos depois, estavam juntos na cama. A luz deixava ver os bilhantes olhos dela e os lábios cerrados. Parecia estar prestes a chorar mas isso, claro, não aconteceu. Ele passou a mão pelas costas dela e foi descendo até encontrar o início das pernas. Mas Ding Ling agarrou-lhe na mão e levou-a até junto ao seu seio, não o deixando mexer-se. Ficaram assim a olhar um para o outro, pensando no que queriam fazer a seguir. Tudo ou nada? Troca os meus desejos pelos teus, parecia dizer ela. O desafio era intolerável e o seu corpo sabia. Afastou a mão e comprimiu o seu corpo contra o dele. O sol passava entre duas nuvens e mostrava o seu esplendor. Era uma metáfora queDing Ling muitas vezes partilhava com ele, quando, após um momento de tristeza e incerteza, a energia renascia e a tentação do sexo estava viva. Era o que estava a acontecer, enquanto os seus corpos chocavam e ambos murmuravam coisas que ninguém percebia. Naquele momento o rosto de Ding Ling era meigo e simples, como se não tivesse nada a esconder. E, no entanto, ambos sabiam o segredo que compartilhavam. E de que nunca mais tinham falado.

18.

Sofia Palha conhecia a versão mais tortuosa de Joaquim José. Se dissesse que mentira, não estava a mentir. Se dissesse que não mentira, estaria a mentir. Não importava agora. Os seus sonhos estavam comprometidos, pelo menos em Macau. Ela poderia dizer que não sabia de nada. O seu único ponto fraco era a relação com João Carlos da Silva. Tudo o resto eram suposições, teorias, imaginação. Não existiam provas. Enquanto se dirigia para o escritório do seu marido, arquitectava um plano.

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Para Joaquim Palha a derrota de Fu Xian e de Max Wolf deixara-o num beco sem saída. Tinha agora a certeza que o tenente Amoroso fizera o jogo dos seus inimigos, o Governador e Ding Ling. Como conseguira ele ser tão dúplice? Max avisara-o para não confiar nele. E Sofia, que sabia ler os homens como ninguém, também. Mas ele confiara nas suas capacidades de persuasão, testadas durante anos em Macau com os melhores resultados. Sabia que nada contara a Félix Amoroso sobre o que planeavam fazer. Como teria ele descoberto?
O seu caminho estava agora bloqueado. A discussão com Max Wolf mostrara-lhe que lhe restava pouco espaço de manobra: ou o ódio dos governantes ou o desprezo dos seus opositores. Ou se fazia invisível ou seria erradicado. Que fazer? Fugir de Macau? Meios não lhe faltavam para fazer isso, mas seria era a vida que coroaria todos os seus sonhos? Poderia sobreviver a tudo mas não ao gozo dos seus antigos amigos, que se rapidamente tornariam inimigos. Poderia voltar a Portugal e recomeçar de novo. Mas as notícias chegariam a qualquer parte. Renegar o amor à pátria onde nascera e aliar-se a um alemão para conseguir benefícios contra os interesses de Portugal, quaisquer que estes fossem, não tinham forma de ser apagados. Os mexericos venceriam o que dissesse para se defender. Regressar a Portugal era impossível. Restava-lhe fugir para uma cidade qualquer da Ásia. Ou então tomar a decisão final.
Quando Sofia Palha chegou ao escritório de Joaquim este estava deitado de forma grotesca na cadeira. A pistola caíra para o chão. A cabeça tinha sofrido o impacto da bala que o matara. Nada a impressionava. Quando soube o que acontecera no vapor, Sofia sabia que se tinha despoletado o início de um caminho trágico. Não havia remédio. Ficara em casa e abrira uma garrafa de vinho tinto Periquita e fora bebendo e olhando pela janela, de onde se viam as águas calmas do mar. Assim esteve até ao momento em que recebeu a mensagem da secretária de Joaquim a dizer-lhe o que tinha acontecido. Foi como um relâmpago que interrompeu a sua letargia.

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Tinha construído uma ficção de vida. Até aí pensava habitar num mundo ordenado, estável, que ela própria ajudara a construir com precisão matemática. Tinha um fim previsto. Os meios para lá chegar poderiam ser pouco morais, mas o poder ou o dinheiro nunca se tinham preocupado com pormenores dispensáveis. Todos, conhecidos, amigos, aliados, eram peões de um jogo mais vasto. A sua fria ambição permitira-lhe guiar as ideias e as acções de Joaquim José. Mas a tempestade regressara forte, como sempre acontecia em Macau. Devia ter antecipado possíveis acontecimentos futuros que pudessem fugir às suas rédeas. Só que era impossível suster o vento com as mãos e os furacões surgiam do nada, indomáveis. Em Macau deixavam sempre um rasto de destruição.
Vasculhou as gavetas da secretária de Joaquim, mas nada de incriminatório encontrou. Depois ordenou que informassem a polícia do que se passara e voltou a casa. Sentou-se defronte do espelho e vislumbrou-se demoradamente. Continuava bonita e atraente. Era ainda capaz de conquistar qualquer homem. Talvez o seu futuro não estivesse completamente traçado. Estranhamente não sentira nada perante o corpo de Joaquim. Reagira como se se tivesse libertado de um fardo. Agora só tinha a certeza que o mundo de amáveis monotonias tinha-se esfumado. Sentia isso, mas não chorava. Só quando o amor não existe é que se costuma sentir a sua ausência, pensou. Só lhe interessara, até aí, o luxo do domínio e do poder. Odiava o tenente Amoroso, o Governador e a sua mulher, Max e as suas promessas, a sinuosa chinesa Ding Ling. Odiava Macau. Suportara aquela cidade porque queria voltar a Lisboa como uma senhora rica e poderosa. Franziu a testa. Talvez ainda fosse possível. Afinal, para ela, o adversário de hoje poderia ser o correligionário de amanhã. O amigo de amanhã podia ser o inimigo de hoje. Seguiria o ritmo do vento, conforme soprassem as circunstâncias e as conveniências. Um dia Joaquim dissera-lhe que ela tinha menos luzes do que um barco pirata. Sorriu com o pensamento.

(continua)

FIA | Canceladas as três Taças do Mundo em Macau

Este era um desfecho previsível, mas que só ontem foi oficializado. A Federação Internacional do Automóvel (FIA) tinha dado como prazo limite o fim de Agosto para a RAEM aliviar as restrições de entrada a cidadãos estrangeiros, colocadas no contexto do controlo da pandemia, mas como tal não aconteceu, nem irá acontecer a curto prazo, o órgão máximo que rege o desporto motorizado viu-se forçado a antecipar uma decisão inevitável e anulou a Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA, a Taça do Mundo de GT da FIA e a prova pontuável para a Taça do Mundo de Carros de Turismo da FIA – WTCR do 68.º Grande Prémio de Macau.

As equipas foram informadas na quarta-feira da decisão da FIA, no entanto só ontem a federação internacional comunicou a sua posição. Em comunicado, a FIA referiu que “como a maioria dos concorrentes que participam nos eventos da FIA são de fora da região, isto apresenta para os pilotos, equipas e fornecedores condições difíceis de cumprir. Como resultado, a Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA e a Taça do Mundo da FIA de GT não terão lugar em 2021, com o objectivo de regressar no próximo ano”.

Segundo uma comunicação enviada aos concorrentes inscritos na Taça do Mundo de GT da FIA na quarta-feira, a prova tinha já vinte e sete concorrentes que iriam representar seis construtores, o que demonstra bem o interesse que ainda existe em redor do evento. Também era esperada a presença no território dos trinta bólides do Campeonato FIA de Fórmula 3 e de duas dezenas de concorrentes da FIA – WTCR no Circuito da Guia. O comunicado da FIA de ontem menciona também que o “Promotor da WTCR, a Eurosport Events, confirmou a sua intenção de regressar ao Circuito da Guia em 2022”.

O Secretário Geral do Desporto da FIA, Pete Bayer, disse que “Durante muitos anos, o Grande Prémio de Macau foi o tradicional evento de encerramento de temporada para muito do mundo dos desportos motorizados e tem um significado especial para a FIA como o único evento que reúne três Taças do Mundo da FIA no mesmo programa.

Embora vamos sentir falta de não estar lá, desejamos aos organizadores um seguro e bem-sucedido Grande Prémio de Macau em Novembro. Vamos começar a trabalhar imediatamente no evento de 2022”.

Episódio repetido

O cancelamento expectável das Taças do Mundo da FIA não deverá colocar em risco o evento. “A 68.ª edição do Grande Prémio de Macau está agendada para Novembro de 2021 e irá apresentar competições de nível internacional. Mais detalhes sobre o programa do evento serão anunciados pela Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC) em breve”, é possível ainda ler no comunicado da FIA.

Apesar de não ter sido comunicada qualquer decisão sobre uma das mais populares corridas do programa, a realização do Grande Prémio de Motos de Macau, que no ano passado também não se materializou, deverá ter o mesmo destino das Taças do Mundo da FIA. Sendo totalmente composta por concorrentes estrangeiros, a prova não se disputou em 2020 por manifesta ausência de quórum. Neste caso particular, a obrigatoriedade de cumprir catorze dias de quarentena obrigatória, tornou a prova do território inviável para a grande maioria dos pilotos que cumpre os requisitos mínimos para poder alinhar à partida.

Os trabalhos para o 68.ª Grande Prémio de Macau continuam a decorrer e este deverá manter um programa semelhante ao já visto no ano transacto, com a disciplina de Fórmula 4 a ocupar o espaço que normalmente pertencia à Fórmula 3 como prova “cabeça de cartaz”. Com uma forte presença de participantes do Interior da China, o programa do Grande Prémio de 2020 contou ainda com a Corrida da Guia Macau, a Taça GT Macau, a Taça de Carros de Turismo de Macau e a Taça GT – Corrida da Grande Baía.

Emergência climática

O “Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas” (IPCC sigla em inglês), organismo das Nações Unidas, publicou recentemente um relatório onde se afirma que o mundo actual enfrenta efeitos adversos provocados pelo aquecimento global. O gelo do oceano Ártico está a derreter e o nível das águas está a subir, desencadeando alterações climáticas muito acentuadas. A Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos de Macau já tinha alertado para a possibilidade de mudanças climáticas radicais em 2021, esperando que os residentes se pudessem preparar com a devida antecedência. As chuvas intensas e as inundações na China, na Índia e na Indonésia verificadas nos últimos dias, bem como as temperaturas anormalmente elevadas e os fogos ocorridos na Europa e nos Estados demonstram que se a humanidade não enfrentar com seriedade a emergência climática, investigando a fundo as causas que a provocam, o planeta pode vir a enfrentar uma calamidade.

No entanto, as alterações políticas radicais são tão destrutivas quanto as alterações climáticas.
Nos últimos dias, pudemos assistir nos noticiários às mudanças radicais em curso no Afeganistão. Milhares de pessoas desesperadas precipitaram-se para o Aeroporto de Cabul, logo após os talibãs terem assumido o controlo do país. Imagens de vídeo mostraram várias pessoas a correr na pista de deslocagem e a treparem para entrar num avião da Força Aérea dos Estados Unidos. Alguns caíram quando o avião levantou voo e morreram. Qualquer pessoa com um mínimo de empatia com o próximo não quer assistir a desgraças como esta. A pergunta que agora se impõe, é se alguém vai pôr termo a esta situação? Será que algum dia se tentaram evitar as situações dramáticas que recorrentemente se registaram ao longo da História?

O número de pessoas que morre no mundo devido a conflitos políticos não é seguramente inferior ao número das que morrem devido às alterações climáticas e à covid-19.

Proteger o ambiente e promover a ecologia são medidas cruciais para combater as alterações climáticas extremas. Da mesma forma, é necessário manter a paz e a estabilidade nas sociedades e assegurar uma política ecológica equilibrada a todos os níveis.

No início de Junho, Hong Kong e Macau sofreram anomalias climáticas e políticas. Em termos climáticos, embora não tenhamos assistido à passagem de nenhum super tufão, ambas as regiões emitiram sinal de chuva intensa preto em diversas ocasiões, tendo acontecido as inevitáveis inundações. O surto de covid-19 verificado em Macau desencadeou mais um golpe na já fragilizada economia da cidade. Todos os residentes vivenciaram uma experiência inesquecível: a testagem universal ao ácido nucleico. Por outro lado, o excelente desempenho dos atletas de Hong Kong nas Olimpíadas de Tóquio não fez esquecer o impacto provocado pelas alterações legislativas. Mais de 90.000 residentes de Hong Kong emigraram, o que não é um bom indicador sobre a satisfação da população. Com a implementação do novo sistema eleitoral de Hong Kong e o episódio da desclassificação de candidatos à Assembleia Legislativa de Macau, é inevitável que a afluência às urnas, quer em Hong Kong quer em Macau, seja menor do que nas eleições anteriores.

Para criar uma atmosfera de harmonia social, não podemos banir, mas sim dialogar e comunicar. Nem todos os residentes de Hong Kong concordam com os pontos de vista e com as acções do jornal Apple Daily, do Sindicato dos Professores de Hong Kong, nem com a Frente dos Direitos Civis, mas estas instituições e organizações desapareceram num curto espaço de tempo devido à “Lei da República Popular da China de Salvaguarda da Segurança Nacional na Região Administrativa Especial de Hong Kong”. A súbita supressão destas instituições resultou de medidas um pouco excessivas, e também algo prejudiciais para a reconciliação social. Com a entrada no séc. XXI, os frutos nascidos dos esforços pelas reformas e pela abertura que a China fez nos últimos 50 anos não devem ser destruídos pelos métodos que foram empregues nas sessões de luta durante a Revolução Cultural.

Sinto falto do caracter chinês “和” (paz/harmonia) que aparecia nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008. Só quando as pessoas agem de uma forma “平和” (moderada) , “和平” (a paz) emerge em condições climáticas adversas.

Será que o caracter “和” (paz/harmonia) também irá aparecer nos próximos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim? Ou será afectado por condições climáticas muito severas? Não sou profeta, mas sim uma pessoa que anseia pela paz e que está determinada a trabalhar arduamente para a alcançar.

Cartoon | Rodrigo de Matos semi-finalista em concurso organizado em Itália 

O cartoonista Rodrigo de Matos, colaborador dos jornais Ponto Final e Expresso, em Portugal, é um dos 56 semi-finalistas do concurso “Libex 2021”, organizado em Itália. O cartoon, inédito, mostra um olhar sobre a questão do politicamente correcto e da “cultura do cancelamento”

 

A caneta usada pelo jornalista é a aquela que, ao mesmo tempo, corta a sua mão. Foi esta a metáfora usada por Rodrigo de Matos, cartoonista dos jornais Ponto Final e Expresso, para participar na terceira edição do concurso internacional “Libex 2021”, organizado em Itália e dedicado exclusivamente a cartoonistas profissionais.
Rodrigo de Matos, que foi convidado a concorrer, está entre os 56 semi-finalistas, sendo que os dez finalistas do concurso só serão conhecidos no início do próximo mês. Este ano o tema da iniciativa é a “cultura do cancelamento e o politicamente correcto”, tendo o cartoonista optado por um inédito para chamar a atenção para o que se passa em todo o mundo.

“Esta questão do politicamente correcto, da limitação da linguagem e das visões políticas é um problema mundial. Há uma bifurcação muito grande na sociedade. Esta é uma tendência que se observa em que tudo o que nos cerca acaba por levar a um duelo que é de extremismo político”, aponta.

Rodrigo de Matos considera que a pandemia da covid-19 só veio tornar mais evidente esse cenário. “Na situação actual da covid-19, que é uma questão essencialmente científica, em que as decisões deveriam ser tomadas sempre com critérios científicos, vemos que a actuação das pessoas tem sido muito política.”

Sem saber o que os outros concorrentes apresentaram a concurso, Rodrigo de Matos diz não pensar muito em ganhar. “É bom [estar entre os semi-finalistas] sobretudo num concurso que não é aberto a cartoonistas amadores. A maior parte dos participantes são nomes conhecidos nos seus países, e só estar entre esses convidados já diz alguma coisa.”

Chamas de criatividade

O ano passado Rodrigo de Matos também chegou ao grupo dos 55 semi-finalistas com um cartoon publicado no Ponto Final que versava sobre as celebrações de Tiananmen em Macau. Este ano a opção de levar um cartoon inédito a concurso foi algo natural.

“Normalmente concorro com coisas já publicadas, mas estive a verificar os meus desenhos e, com este tema, e eram todos muito presos a um tema muito específico e à notícia em si. Não tinham uma leitura tão abrangente sobre este assunto.”

Rodrigo de Matos confessa que a pandemia da covid-19 lhe trouxe uma nova visão criativa. “Sempre que ocorrem coisas assim no mundo, fora do normal, são pequenas centelhas que acendem a chama da criatividade. São coisas que despertam sempre o nosso olhar crítico para o que se passa à nossa volta, e de facto tem sido um período [produtivo]. Há muita coisa para fazer cartoons e situações que merecem a nossa veia crítica”, referiu.
Para o concurso “Libex 2021” foram convidados 160 cartoonistas de um total de 55 países.

Turismo | Número de visitantes sobe 49,9% em Julho

Macau recebeu 789.407 visitantes em Julho, mais 49,4 por cento relativamente ao mês anterior e mais 966,7 por cento em termos anuais. O número de turistas (412.735) e de excursionistas (376.672) subiram “1.634,5 e 650,2 por cento, respectivamente”, comparativamente ao mesmo mês de 2020, de acordo com um comunicado da Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC).

O período médio de permanência dos visitantes situou-se em 1,8 dias, ou mais 0,5 dias, em termos anuais, devido à proporção dos turistas (52,3 por cento do total) ter crescido 20,1 pontos percentuais, referiu.

O número de visitantes da China fixou-se em 724.342, aumentando 989,4 por cento, em termos anuais, 293.927 dos quais com visto individual. Das nove cidades do delta do rio das Pérolas entraram ao território 426.991 visitantes, dos quais 49,8 por cento da cidade vizinha de Zhuhai. De Hong Kong, chegaram 59.135 visitantes e de Taiwan 5.800.

Entre Janeiro e Julho, Macau recebeu 4.717.236 visitantes, mais 41,4 por cento do que no período homólogo de 2020, com o número de turistas (2.471.392) e de excursionistas (2.245.844) a registar um aumento de 57,5 e 26,6 por cento, respectivamente. O período médio de permanência dos visitantes foi de 1,6 dias, mais 0,2 dias, em termos anuais, acrescentou a DSEC.

Vinhos | Macau e China contribuem para exportações do Alentejo 

As exportações dos Vinhos do Alentejo cresceram 20 por cento em valor e 14 por cento em quantidade no primeiro semestre deste ano, face a período homólogo de 2020, revelou ontem a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA). O crescimento também aconteceu, entre Janeiro e Junho, nos mercados asiáticos, “com a China a fechar o semestre em níveis pré-pandemia e um aumento de compras face a 2020 (mais 15 por cento em valor e mais 13 por cento em litros”.

No caso de Macau, foram também superados os resultados totais alcançados nos últimos dois anos (mais 227 por cento em valor e mais 192 por cento em litros”.

Os mercados brasileiro, norte-americano, suíço e do Reino Unido também registaram aumentos em termos de vendas. Em termos gerais, os números do primeiro semestre “superam os resultados atingidos pela região no período pré-pandémico”, acrescentou a CVRA.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram ainda que “cerca de 12 milhões de garrafas [foram] comercializadas para o mercado externo, o que se traduz em mais de nove milhões de litros exportados”, o que representa um aumento de 14 por cento, em comparação com o primeiro semestre do ano transacto. Para o presidente da CVRA, Francisco Mateus, “este crescimento na primeira metade do ano é um sinal muito positivo dos valores” a que a região pode chegar este ano. “Habitualmente, os segundos semestres são mais fortes na exportação”, lembrou, manifestando-se confiante de que 2021 possa vir a ser “o ano com melhores resultados, desde que há registo”.

Covid-19 | Testagem em massa custou 49 milhões só em testes

O programa de testagem em massa da população, que durou três dias, custou ao Governo, só em testes, 49 milhões de patacas, faltando ainda apurar as despesas com recursos humanos e materiais. Os Serviços de Saúde acreditam que Macau poderá ser considerado um local “seguro” a partir de 1 de Setembro, ou seja passados 28 dias sem novos casos

 

Ao longo dos três dias em que decorreu o programa de testagem em massa da população em Macau, foram gastos 49 milhões de patacas só na realização de testes.

De acordo com Tai Wa Hou, médico adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, devido à complexidade da operação, a este custo falta ainda somar todas as despesas implicadas nos gastos com o pessoal e ao nível dos equipamentos.

“Vamos daqui para frente fazer essas contas, porque foram utilizados vários recursos humanos e materiais. Por exemplo, é fácil calcular as despesas relativas ao teste ácido nucleico: são 700 mil habitantes a multiplicar por 70 patacas por cada teste, ou seja, são 49 milhões de patacas. Mas não é só esta a despesa, pois [a operação] ainda envolveu vários recursos humanos e materiais. Assim que tivermos os dados vamos anunciar”, apontou ontem o responsável por ocasião da conferência de imprensa de actualização sobre a covid-19.

Durante o encontro com a imprensa, Leong Iek Hou, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Doenças Infecciosas, reafirmou que Macau só poderá ser considerado um local “seguro” após terem passado “dois períodos de incubação” de 14 dias, ou seja, 28 dias desde o surgimento do novo surto de covid-19 em Macau.

Passados esses 28 dias, a 1 de Setembro, Leong Iek Hou acredita que, se não houver novos casos de covid-19, as medidas de prevenção da pandemia podem vir a ser menos rigorosas e que regiões vizinhas como Hong Kong possam novamente considerar Macau como um local seguro.

“Se durante os dois períodos de incubação [duas semanas] não houver novos casos, creio que as zonas vizinhas vão ter novamente confiança em nós. Acho que as medidas de prevenção vão ser mais relaxadas e menos rigorosas. Estamos sempre a acompanhar a situação juntamente com as autoridades de Hong Kong”, transmitiu.

Contudo, a responsável fez questão de frisar que actualmente “não é possível dizer que o risco é zero” e que, por isso, é necessário continuar a insistir nas medidas de anti-epidémicas.

Preparar o recomeço

A pensar no regresso às aulas, a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEDJ) anunciou ter transmitido ontem às escolas algumas instruções específicas. Dessas directivas, fazem parte indicações sobre a desinfecção dos espaços e arranjos especiais para a realização de testes de ácido nucleico.

“Há várias informações que prestámos às escolas (…) relacionadas sobretudo com os trabalhos de desinfecção, os preparativos e organização de materiais. A partir do dia 28 de Agosto [as escolas] devem providenciar testes gratuitos de ácido nucleico. Entrámos em comunicação com Zhuhai para que possa haver um arranjo para que os estudantes e professores possam fazer o teste em Zhuhai”, explicou Wong Ka Ki, Chefe de Departamento do Ensino não Superior da DSEDJ.

Homem esfaqueou vizinhos e obrigou a intervenção da polícia

A confusão instalou-se no Edifício Hong Tou Kok, na zona do Toi San, ao início da manhã. Um jovem que, segundo a polícia, denotava um comportamento estranho nas últimas semanas e “sentia sombras” à porta de casa, esfaqueou dois vizinhos, um homem e uma mulher de 63 e 54 anos, respectivamente

 

Um jovem foi ontem detido pela polícia, após ter esfaqueado dois vizinhos, por volta das 09h, e de ter estado demorado várias horas até ser capturado. O ataque aconteceu no Edifício Hong Tou Kok, na zona do Toi San, e obrigou ao transporte das vítimas para o Centro Hospitalar Conde São Januário.

Segundo as informações disponibilizadas pelas autoridades, na origem dos esfaqueamentos esteve uma disputa entre vizinhos, mas à hora do fecho da edição do HM os motivos na origem do ataque ainda não eram claros. Aos meios de comunicação social em língua chinesa, a polícia afirmou que o atacante andava insatisfeito porque nas últimas semanas “sentia sombras” na porta de casa e terá confrontado os vizinhos, por acreditar que eram eles os responsáveis.

As vítimas dos esfaqueamentos são um homem com 63 anos e uma mulher com 54 anos. Apesar de viverem no mesmo prédio, habitam apartamentos diferentes, e não têm qualquer ligação familiar. O ataque terá acontecido quando ambos estavam em espaços comuns, no corredor do 18.º andar.

Na sequência das agressões, o homem ficou com uma ferida no lado esquerdo do pescoço, mas foi transportado vivo e consciente para o hospital. A mulher, foi esfaqueada mais vezes, em partes do corpo como os braços, antebraços, mãos e ainda no ombro e pescoço. Depois de terem sido alertadas as autoridades, a mulher foi levada de emergência para o hospital. No momento do transporte estava consciente.

Detenção levou horas

Após o alerta para o incidente, que aconteceu depois das 09h, as equipas de salvamento apareceram no local e bloquearam o acesso ao edifício, onde se encontrava o atacante. Os agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública chegaram ao local equipados com escudos de protecção, e atrás deles surgiram as equipas de bombeiros.

Os trabalhos de salvamento decorreram sem problemas de maior, uma vez que as vítimas estavam a aguardar no rés-do-chão. Contudo, a detenção do suspeito foi mais difícil e levou ao isolamento do edifício, uma vez que o homem só se entregou várias horas depois. Por temerem que saltasse, antes da detenção, as equipas de salvamento instalaram mesmo um colchão perto da janela do local onde se encontrava o indivíduo.

Sobre o atacante, o jornal Exmoo ouviu uma das vizinhas do prédio, que disse conhecer o rapaz desde pequeno. Segundo esta, o jovem era sempre “muito simpático e gentil”, o que levou a mulher a confessar estar muito surpreendida com os acontecimentos da manhã de ontem.

Segurança | Crimes informáticos crescem 382% a reboque da pandemia

No primeiro semestre de 2021, registaram-se mais 489 casos de crimes informáticos relativamente ao mesmo período de 2020. Em termos gerais, a actividade criminosa cresceu 26,1 por cento em Macau. A pasta da Segurança acredita que a subida se deve ao aumento do número de turistas e da utilização de plataformas digitais

 

Entre burlas, extorsões e utilização indevida de cartões de crédito, o número de crimes informáticos aumentou 382 por cento em Macau nos primeiros seis meses de 2021.

De acordo com os dados divulgados ontem pelo Gabinete do Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, registaram-se 617 casos deste tipo, um “aumento significativo”, tendo em conta que o número representa uma subida de 489 casos relativamente ao primeiro semestre de 2020, altura em que se registaram 128 crimes informáticos.

Detalhando, a maior fatia de crimes informáticos recaiu nos casos relacionados com o consumo online com recurso a cartão de crédito, situação reportada em 540 ocasiões, representando mais 450 casos do que em 2020. Outro crime cibernético que registou aumentos, está relacionado com burlas em apostas ilegais online, tendo sido registados 54 casos deste tipo (mais 27 do que em 2020).

No primeiro semestre de 2021, ocorreram ainda 28 casos de extorsão através de “nude chat”, representando um aumento de 10 casos em comparação com os primeiros seis meses de 2020.

Para o secretário para a Segurança, a subida deste tipo de crimes está relacionada com a mudança do estilo de vida provocada pela pandemia e que levou, consequentemente, a uma maior utilização da internet e, por outro lado, à falta de cuidados de prevenção dos residentes.

“Com o surto da epidemia, situação que levou à mudança da forma de vida dos cidadãos (…) muitos [passaram] a utilizar a internet para conhecer novos amigos e fazer compras online, dando mais oportunidades aos malfeitores.

Por outro lado, esta subida deve-se à fraca noção de prevenção dos cidadãos, fornecendo facilmente os dados pessoais para outras pessoas através da internet”, pode ler-se no relatório publicado ontem.

Para fazer face à situação e “elevar as noções de prevenção”, a pasta da segurança sublinha que a polícia tem promovido acções de sensibilização nas redes sociais. Além disso, através de acções conjuntas, foram desmanteladas seis associações criminosas transfronteiriças e detidos mais de 130 indivíduos que praticavam extorsão e burla através de redes informáticas, envolvendo valores superiores a 22 milhões de patacas.

Subida controlada

Ao nível da criminalidade em geral, foram registadas 5.915 ocorrências entre Janeiro e Junho de 2021, representando um aumento de 26,1 por cento em relação ao mesmo período do ano passado (4.691).

Para Wong Sio Chak, o aumento do número de crimes ficou a dever-se à subida do números de turistas e do número de utilizadores de redes sociais e compras online. Além disso, o secretário considera que o número deve ser relativizado dado que, o próprio registo de 2020 “foi relativamente mais baixo” do que em 2019, período antes pandemia em que foram reportados 6.920 casos nos primeiros seis meses.

No entanto, pode ler-se no relatório, “não se verificou uma subida em termos de criminalidade violenta”. Na primeira metade de 2021, registaram-se 129 casos deste tipo, sendo que a nível de crimes de rapto, homicídio e ofensas corporais graves, continua a registar-se “uma boa situação, de taxa zero ou de casuística muito baixa”. Os dois casos de homicídio registados estão relacionados com troca ilegal de moeda.

Houve ainda a registar 1.199 casos de “crimes contra as pessoas”, representando uma subida de 24,8 por cento. Destes, 632 são crimes de ofensa à integridade simples (+5,2 por cento), 17 são crimes de sequestro (- 41,4 por cento) e 16 são crimes de violação (+23,1 por cento).

Foram também reportados 2.901 “crimes contra o património” (+11,2 por cento), 320 “crimes contra a vida em sociedade” (menos dois casos), 268 “crimes contra o território” (+20,7 por cento) e ainda 1227 “crimes não classificados noutros grupos” (+112,3 por cento), onde se incluem os crimes informáticos.
Contas feitas, nas conclusões do relatório, o Gabinete do Secretário para a Segurança considerou que o estado de segurança de Macau se mantém “estável e favorável”.

Vício dissimulado

Na primeira metade de 2021, foram registados 39 crimes de tráfico de droga, um aumento de cinco casos em igual período do ano passado. De acordo com o relatório divulgado ontem pelo Gabinete do secretário para a Segurança, desde o início da pandemia, o modus operandi de indivíduos e grupos traficantes começou a recorrer a pacotes postais para as operações e “tende a ser mais dissimulado”, havendo registos de tráfico de droga “em vinho tinto, produtos cosméticos, produtos electrónicos, maços de cigarro, lápis de cor”.

Grandes labaredas

O número de casos de fogo posto na primeira metade de 2021 aumentou 33,3 por cento no primeiro semestre de 2021. De acordo com o relatório divulgado ontem pelo Gabinete do Secretário para a Segurança, dos 24 casos de fogo posto registados, 16 foram resolvidos. Destes, seis foram provocados “de forma dolosa devido a embriaguez, furto, vingança e razões emocionais”, tendo outros seis sido causados por “pontas de cigarro deixadas em lugar inapropriado”.

Ajuda preciosa

Na primeira metade do ano, o sistema de videovigilância “Olhos no Céu” deu apoio à investigação de 1.761 casos. De acordo com as estatísticas da criminalidade divulgadas ontem, incluídos nesses casos estão crimes de “ofensas graves à integridade física”, “violação”, “fogo posto” e “homicídio”. “O Sistema de Videovigilância da Cidade de Macau (…) continua a desempenhar um papel importante em auxiliar a Polícia na resolução rápida e volumosa de casos”, pode ler-se no relatório.