Pequim diz estar “mais perto” do centro na governação internacional

A China assegurou ontem que está “cada vez mais perto” do centro na governação dos assuntos internacionais, afirmando que a “grande ameaça à ordem mundial” é quem “insiste no confronto e intimidação”, numa referência aos Estados Unidos.

“O mundo atravessa mudanças sem precedentes e a tendência histórica actual é de paz, desenvolvimento e cooperação, mas existem forças que insistem em manter uma mentalidade da Guerra Fria”, disse Ma Zhaoxu, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, numa conferência de imprensa realizada à margem do 20.º Congresso do Partido Comunista da China (PCC), que decorre, esta semana, em Pequim.

Numa alusão implícita aos Estados Unidos e aos seus aliados, Ma disse que há forças que “criam panelinhas, traçam linhas ideológicas, incitam o confronto e baseiam a sua política externa no poder hegemónico”.

“Essas são a grande ameaça à ordem mundial”, acusou. “Um mundo dividido não beneficia ninguém e o confronto só leva a becos sem saída”, acrescentou.

Na mesma conferência de imprensa, Shen Beili, vice-ministro do Departamento Internacional do Comité Central do PCC, disse que a China “luta pelo progresso de toda a humanidade” e “está a aproximar-se cada vez mais do centro da governação dos assuntos internacionais”.

Compromissos e defesa

O vice-ministro Ma Zhaoxu ressaltou que o país asiático está comprometido com o “verdadeiro multilateralismo” e que, durante a próxima cimeira do G20, a China “vai desempenhar um papel positivo na promoção da recuperação económica global”.

O governante também citou outros campos de cooperação, como a “energia, cadeias alimentares e segurança”, mas não confirmou se Xi Jinping vai participar na cimeira, que se realiza, no próximo mês, em Bali, na Indonésia.

“Estamos num período de grande instabilidade e transformação. Xi tem uma visão global profunda, com novas iniciativas que reflectem claramente o mundo que a China quer promover, o que inclui permanecer firme para defender a justiça e defender-nos contra quem nos ataca”, disse.

Ma acrescentou que o PCC “defende a sua liderança e o seu sistema” e “rebateu vigorosamente” a recente visita da presidente da Câmara dos Representantes norte-americana, Nancy Pelosi, a Taiwan, e outras “acções malignas”.

“Nós opomo-nos firmemente contra quem defende a ‘independência de Taiwan’ e impedimos qualquer interferência de forças estrangeiras nesta questão”, disse.

20 Out 2022

Dia Nacional | Conselho de Estado realizou cerimónia de celebração

O Conselho de Estado da China realizou na passada sexta-feira uma recepção no Grande Palácio do Povo, em Pequim, para comemorar o 73.º aniversário da fundação da República Popular da China. O Dia Nacional da China acontece a 1 Outubro.

A recepção contou com a presença do Partido Comunista da China (PCCh) e dos líderes do Estado Xi Jinping, Li Keqiang, Li Zhanshu, Wang Yang, Wang Huning, Zhao Leji, Han Zheng e Wang Qishan, bem como com quase 500 convidados nacionais e estrangeiros, informou o Diário do Povo.

Proferindo um discurso na cerimónia, o primeiro-ministro, Li Keqiang, disse que o PCCh convocará seu 20.º Congresso Nacional este ano e enfatizou o significado crucial do evento.

Este ano é realmente importante no curso do desenvolvimento da China, acrescentou Li. “Face a desenvolvimentos complexos e desafiadores dentro e fora da China, toda a nossa nação, sob a forte liderança do Comité Central do PCCh com o camarada Xi Jinping no seu núcleo, avançou com dedicação e determinação”.

Garantir fundamentos económicos sólidos é crucial para sustentar o crescimento constante da economia chinesa, notou Li, destacando que a China tomou medidas contundentes para aliviar choques causados por factores maiores do que o esperado e introduziu prontamente e decisivamente um pacote de políticas para estabilizar a economia. “Temos a confiança e a capacidade de manter os principais indicadores económicos dentro de uma faixa apropriada.”

Segundo o primeiro-ministro, com a reforma e a abertura como a política fundamental da China, o país avançou com a reforma para desenvolver uma economia de mercado socialista, procurou uma abertura de alto padrão, manteve o comércio exterior e o investimento estável e aprofundou a cooperação empresarial multilateral e bilateral, de modo a manter a China como um destino privilegiado para investimentos estrangeiros e alcançar um desenvolvimento em que ambos os lados ganham. Li enfatizou o compromisso de continuar com a governança para entregar benefícios ao povo.

“Um país, dois sistemas”

Sublinhando o apoio aos esforços para garantir a prosperidade e estabilidade a longo prazo de Hong Kong e Macau, Li assinalou que a política de “um país, dois sistemas”, bem como as políticas de o povo de Hong Kong administrando Hong Kong e o povo de Macau administrando Macau com um alto nível de autonomia foram implementados de forma firme, plena e fiel.

Opomo-nos firmemente aos movimentos separatistas da “independência de Taiwan” e à interferência externa e promovemos activamente o crescimento pacífico das relações entre os dois lados do Estreito de Taiwan, disse.

Li também enfatizou os esforços que a China fez para trabalhar com outros países para enfrentar os desafios globais e promover a paz, a estabilidade, o desenvolvimento e a prosperidade no mundo.

O primeiro-ministro terminou o seu discurso pedindo a todos que formem uma união ainda mais próxima do Comité Central do PCCh com o camarada Xi Jinping no núcleo, sigam a orientação do Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era e avancem num esforço conjunto para construir a China como um grande país socialista moderno que é próspero, forte, democrático, culturalmente avançado, harmonioso e bonito.

O vice-primeiro-ministro, Han Zheng, também membro do Comité Permanente do Bureau Político do Comité Central do PCCh, presidiu à recepção.

6 Out 2022

Pequim promete estudar medidas para melhorar turismo

Apesar de reconhecer as “dificuldades e desafios” que Macau atravessa, o vice-director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado destaca que a diversificação está a ser alcançada com cada vez mais indústrias a ganharem peso na economia local

 

O vice-director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado, Huang Liuquan, prometeu que as autoridades centrais vão “activamente” estudar o lançamento de medidas para relançar o turismo na RAEM. A promessa foi deixada ontem numa conferência de imprensa, depois de Huang ter sido questionado sobre as medidas que o Governo Central vai tomar para permitir a diversificação económica.

Em resposta, segundo o jornal Ou Mun, Huang Liuquan defendeu que o Governo Central tem apostado ao longo dos anos na promoção moderada e diversificada da economia da RAEM e que vai estudar “activamente” a implementação de mais medidas que promovam a recuperação. Este caminho passa também por “acelerar a construção da Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha, entre Macau e Guangdong”.

O vice-director reconheceu também que, nos últimos anos, Macau tem sido mais afectada pela pandemia, e que a economia e a população têm enfrentado “dificuldades e desafios”. No entanto, o responsável garantiu que os elementos que permitiram o desenvolvimento económicos não sofreram alterações.

Huang Liuquan afirmou também que “com o forte apoio do Governo Central” Macau vai conseguir aproveitar as suas “vantagens únicas” e alcançar novos feitos, em termos económico, melhorando a vida da população.

O lado positivo

No polo oposto, Huang Liuquan destacou que a diversificação está a avançar e que as “indústrias emergentes”, como o sector das exposições e convenções, medicina tradicional chinesa, sector financeiro e as indústrias culturais e criativas ocupam uma proporção cada vez maior do Produto Interno Bruto da região.

Ao mesmo tempo, o dirigente do Interior sublinhou que Macau é uma cidade conhecida a nível mundial devido à gastronomia, o que prova que foi estabelecido um Centro Mundial de Turismo e Lazer. A par disso, o político vincou que Macau também se conseguiu posicionar como um centro, uma plataforma e uma base no âmbito das relações entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Sentido único

Em termos políticos, Huang Liuquan insistiu no princípio Macau governado por patriotas e explicou o significado. Na visão do Governo Central, o poder tem de estar “firmemente nas mãos dos patriotas”, como diz que acontecer em todo o mundo, onde os sistemas não toleram políticos não patriotas e traidores.

Huang insistiu ainda que só com pessoas com a confiança das autoridades centrais no poder é possível garantir a estabilidade a longo prazo da RAEM, e de Hong Kong. Sobre as exigências para os governantes locais patriotas, Huang Liuquan afirmou que precisam actuar de forma responsável, amar a população, ter carisma e sentido de responsabilidade.

Quanto à participação da sociedade civil na construção de Macau, o político afirmou que está aberta a todos os que “apoiam verdadeiramente a política ‘Um País, Dois Sistemas’”, “cumpram a Lei Básica” e sejam “forças positivas” na construção da RAEM.

 

Conselho de Estado | Associação tradicionais confiantes

Após o Governo Central ter prometido apoiar o território com medidas pensadas para o turismo, os representantes de algumas associações tradicionais reagiram positivamente e com optimismo. Lee Chong Cheng, presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau, afirmou que é muito positivo o Governo Central prometer estudar mais medidas para apoiar a economia de Macau.

Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, Lee indicou também que no passado Macau cresceu sempre com o “forte apoio do Governo Central” e que até conseguiu alguns resultados. Contudo, depois das declarações prestadas ontem, Lee entende que os resultados vão ser melhores. Neste sentido, o também membro do Conselho Executivo prometeu toda a lealdade no trabalho com o Governo da RAEM e ainda a abertura de escritórios na Ilha da Montanha e na Grande Baía, para ajudar os locais a deixarem a RAEM e instalarem-se em outras cidades e bairros.

Também Chan Ka Leong, outro membro do Conselho Executivo e presidente da União Geral das Associações de Moradores de Macau, se mostrou satisfeito com as declarações do representante do Governo Central. Para Chan, a RAEM vai contar com apoio reforçado para se afirmar como um centro mundial de turismo e lazer e novas políticas de promoção do turismo vão ser concretizadas com a atribuição das novas concessões de exploração do jogo.

Sobre o concurso público, o presidente dos Moradores deixou a esperança de que sirva para aumentar a oferta de elementos não-jogo no território. À imagem dos Operários, Chan também prometeu que os Moradores se vão expandir para o Interior, para que cada vez mais pessoas de Macau optem por viver no outro lado da fronteira.

20 Set 2022

Covid-19 | Pequim intensifica medidas de prevenção face a novo surto

Face à aproximação do Congresso do Partido Comunista Chinês, com início marcado para 16 de Outubro, e a um surto que atingiu vários ‘campus’ universitários, as restrições de circulação voltam a aumentar na capital chinesa

 

Pequim intensificou ontem as medidas de prevenção epidémica, na sequência de um novo surto de covid-19, a poucas semanas da cidade receber o 20.º Congresso do Partido Comunista Chinês, o mais importante evento da agenda política chinesa.

O governo municipal de Pequim anunciou que funcionários e estudantes devem apresentar um teste negativo para o novo coronavírus realizado nas últimas 48 horas para regressarem ao trabalho e à escola, após o feriado do festival de meados do Outono.

Este reforço das medidas acabou por suscitar ontem de manhã alguma confusão na capital chinesa, à medida que os passageiros eram impedidos de embarcar nos transportes públicos.

Pequim está em alerta desde a semana passada, quando um novo surto da doença covid-19 atingiu vários ‘campus’ universitários.

As autoridades encerraram a Universidade de Comunicação da China, no distrito de Chaoyang, e colocaram várias pessoas em isolamento.

Esta situação acontece a poucas semanas da cidade acolher o 20.º Congresso do Partido Comunista Chinês, que arranca a 16 de outubro. Trata-se do mais importante evento da agenda política da China, que é realizado a cada cinco anos. Pequim registou 16 casos, nas últimas 24 horas, entre os quais seis infecções assintomáticas.

A China mantém uma estratégia de zero casos de covid-19. Isto inclui o bloqueio de distritos e cidades inteiras, sempre que é detectado um caso, o isolamento de todos os casos positivos e contactos directos em instalações designadas pelo Governo, e a testagem de toda a população. Várias cidades em redor da capital chinesa também estão em alerta.

As autoridades de Sanhe, na província de Hebei, anunciaram um bloqueio de quatro dias, desde ontem, e quatro rondas de testes em massa, após terem diagnosticado um caso. Serviços de transporte público foram também suspensos.

“Todos os blocos residenciais devem deixar apenas uma porta de acesso aberta, com funcionários a vigiar 24 horas por dia. Os residentes não devem sair a menos que tenham uma emergência médica”, lê-se num comunicado do governo local. Centenas de milhares de pessoas vivem nas cidades em redor de Pequim, incluindo Sanhe, onde as rendas são mais baratas.

Mais testes

Várias cidades do país intensificaram os bloqueios e impuseram restrições mais rígidas às viagens domésticas. As autoridades chinesas pediram às cidades – mesmo as que não têm surtos – que testem regularmente a população até ao final de Outubro.

Na sexta-feira, a vice-primeira-ministra Sun Chunlan, que supervisiona as medidas de combate à covid-19, instruiu os funcionários do Conselho de Estado a tomarem “medidas resolutas” para controlar o vírus o mais rápido possível e minimizar os efeitos nas comunidades.

As autoridades de saúde de Pequim também reiteraram que quem chegar à cidade deve fazer dois testes em três dias, incluindo um dentro de 24 horas após a chegada.

14 Set 2022

China promete reforçar ajuda ao Corno de África em reunião com seis países da região

A China prometeu reforçar o apoio de Pequim ao Corno de África, afetado por desafios como a pandemia, a guerra e a seca, disse o enviado especial da China numa reunião em Adis Abeba.

“A China está a fazer muito para apoiar o Corno de África, onde existem desafios provocados pela pandemia de coronavírus, a seca, a guerra e as migrações”, disse o responsável chinês para o Corno de África, Xue Bing, no discurso de abertura da primeira Conferência de Paz da China e do Corno de África, que começou hoje na capital da Etiópia com a presença de altos representantes de seis países da região – Djibuti, Quénia, Somália, Sudão do Sul, Sudão e Uganda.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Etiopía anunciou, num breve comunicado, que a conferência se centrará en temas como a paz e a segurança, o desenvolvimento e a boa governação dos países do Corno de África.

O assessor de segurança nacional do primeiro-ministro etíope, Redwan Hussein, agradeceu a Pequim o seu apoio para garantir a paz e a segurança na região, abalada por conflitos armados, ataques de extremistas islâmicos e a pior seca dos últimos 40 anos.

Bing disse que a China continuará a reforçar o seu apoio aos países desta zona e a cooperar em setores como a segurança alimentar, o desenvolvimento tecnológico, as infraestruturas e a luta contra o terrorismo.

A região do Corno de África é palco de vários conflitos, nomeadamente a guerra entre o Governo central da Etiópia e os rebeldes da Frente Popular de Libertação de Tigray (FPLT), que em mais de dois anos deixou cerca de 9,4 milhões de pessoas a precisar de ajuda humanitária.

No Sudão do Sul – que enfrenta uma guerra há nove anos, apesar dos acordos de paz de 2018 -, os serviços sociais mais básicos, como a saúde ou a educação, dependem em grande medida das organizações não-governamentais.

O grupo ‘jihadista’ Al Shabab, afiliado no grupo extremista Al Qaida desde 2012, perpetra ataques frequentes na capital da Somália, Mogadíscio, e em outros pontos do país para derrubar o Governo central e instaurar pela força um Estado islâmico ultraconservador.

Estes extremistas realizaram também atentados em outros países da região, como o Quénia e o Uganda.

Ao problema da insegurança juntou-se uma intensa seca, que está a deixar milhões de pessoas numa situação limite.

Segundo um relatório publicado em maio pelas organizações não-governamentais Save The Children e Oxfam, mais de 23 milhões de pessoas enfrentam já “fome extrema” na Etiópia, Somália e Quénia

A China tem vindo a revelar um interesse crescente em África, tornando-se o primeiro parceiro comercial do continente.

Segundo dados da Universidade John Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, entre 2000 e 2019 as entidades chinesas assinaram mais de 1.100 compromissos de empréstimo avaliados em 153.000 milhões de dólares com governos africanos ou com empresas estatais do continente. Além disso, Pequim abriu em 2017 a sua primeira base militar no estrangeiro num país do Corno de África, o Djibuti.

21 Jun 2022

Covid-19 | Novas restrições em Pequim após surto relacionado com bar

Eventos desportivos cancelados, aulas online e vários bairros confinados. É a resposta das autoridades a um novo surto ligado a um bar na zona de maior movimento nocturno da capital chinesa

 

Um distrito de Pequim repôs as aulas ‘online’ e centenas de bairros foram bloqueados na capital chinesa, face a um novo surto de covid-19 ligado a um bar, enquanto novas restrições foram também impostas em Xangai.

A muito contagiosa variante Ómicron está a obrigar as autoridades chinesas a impor medidas cada vez mais extremas, para salvaguardar a estratégia de ‘zero casos’, assumida como um triunfo político pelo secretário-geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping.

Um consultor português radicado na capital chinesa, que prefere não ser identificado, disse à Lusa que o seu bairro foi bloqueado, pela segunda vez no espaço de menos de um mês, após alguns moradores terem sido considerados contactos directos de casos confirmados. O condomínio, situado na zona oeste de Pequim, é composto por 12 prédios e abriga mais de cinco mil pessoas.

Vídeos partilhados com a Lusa mostram um grupo de moradores a pedir explicações às autoridades, que se limitaram a explicar que há muitos jovens no condomínio que frequentam o bar de Pequim associado ao novo surto.

Um total de 166 casos foram vinculados ao bar Heaven Supermarket, próximo do Estádio dos Trabalhadores, onde está concentrada a vida nocturna na cidade, depois de uma pessoa infectada ter visitado o local, na quinta-feira.

Destes, 145 eram clientes, enquanto os restantes eram funcionários, ou pessoas com quem os clientes tiveram contacto posteriormente.

Toda a área, juntamente com o complexo comercial de Sanlitun adjacente, foi encerrada até novo aviso.
O surto levou as autoridades do extenso distrito de Chaoyang a repor o ensino ‘online’. Os eventos desportivos na cidade também foram suspensos. Chaoyang ordenou testes diários em massa, com longas filas a formarem-se e tempos de espera muitas vezes superiores a duas horas.

Diagnóstico de Xangai

Em Xangai, 502 pessoas foram classificadas como contactos directos de três casos, diagnosticados em 9 de Junho, entre os clientes do Salão de Beleza Red Rose.

Os contactos directos vêm de 15 distritos da cidade, que tem 25 milhões de pessoas, provocando as primeiras restrições em larga escala, desde que o bloqueio chegou ao fim no início de Junho.
Com os testes em massa e as restrições ao movimento a serem novamente impostos, as ruas e supermercados esvaziaram-se novamente este fim de semana.

A não realização do teste dá origem a um código QR amarelo, no aplicativo usado para aceder a todos os locais públicos.

A maioria dos estudantes permanece em casa e todos, excepto alguns restaurantes, estão abertos apenas para entregas. Muitos clientes simplesmente comem e bebem na rua, do lado de fora dos estabelecimentos.

Enquanto 22 milhões de residentes de Xangai foram libertados do bloqueio há quase duas semanas, 220.000 pessoas ainda não podem sair das suas casas, sob uma regra que exige que nenhum caso positivo seja encontrado nos seus complexos residenciais por mais de 10 dias. Outros 600.000 estão em zonas de médio risco, proibidos de saírem dos respectivos complexos residenciais.

Cercas de aço e outras barreiras continuam a bloquear bairros e edifícios de escritórios, levando ao descontentamento e reclamações dos moradores, que permanecem confinados.

A implementação altamente restritiva de bloqueios, juntamente com a falta de informação e má distribuição de alimentos e outros bens básicos, levou a manifestações raramente vistas de raiva e desespero. Em alguns bairros, os moradores confrontaram trabalhadores de saúde e agentes da polícia.

O afrouxamento das restrições levou a um êxodo de residentes, incluindo estrangeiros, que ficaram presos no bloqueio.

Apesar do recente surto, Pequim registou apenas 51 novos casos na segunda-feira, entre os quais 22 são assintomáticos.

A China mantém a sua política de ‘zero casos’ de covid-19, apesar dos custos económicos e sociais e da Organização Mundial da Saúde (OMS) ter afirmado que a política não é sustentável.

14 Jun 2022

Covid-19 | Pequim prolonga regime de teletrabalho face ao aumento de casos

Pequim prolongou hoje o regime de teletrabalho e o ensino à distância, e ordenou nova ronda de testes em massa, após o número de casos de covid-19 ter voltado a aumentar na capital chinesa.

Vários bairros da cidade restringiram as entradas e saídas, embora as condições permaneçam muito menos severas do que em Xangai, onde milhões de cidadãos estão sob diferentes níveis de confinamento há dois meses.

Pequim relatou 99 casos, nas últimas 24 horas – um aumento em relação à média diária anterior de cerca de 50.

No conjunto, a China registou 802 novos casos, marcando um declínio face às semanas anteriores. Apesar disto, o Governo mantém medidas de quarentena, confinamento e testes, face à estratégia de ‘zero casos’ de covid-19.

Xangai informou que 480.000 pessoas ainda estão confinadas, enquanto 1,59 milhões foram autorizadas a movimentar-se dentro dos seus bairros e 21,2 milhões enfrentam restrições mais leves.

A reabertura dos transportes a partir de Xangai criou um êxodo de trabalhadores migrantes e estrangeiros, desesperados para escapar da cidade, após dois meses de bloqueio, marcados pela escassez de alimentos, medicamentos e outros bens básicos.

Entre os que permanecem na cidade, muitos podem apenas sair uma hora para fazer compras, e ficam encarregados de adquirir mantimentos e outros bens de primeira necessidade para todo o prédio.

23 Mai 2022

Pequim reforça restrições anti-covid para fugir ao confinamento 

A apresentação de um teste à covid-19 com resultado negativo, e com validade de 48 horas, para entrar em locais e transportes públicos, está entre uma das novas medidas anunciadas esta terça-feira pelas autoridades de Pequim para travar a ocorrência de mais surtos e a possibilidade de ocorrer um confinamento como o que acontece em Xangai.

Segundo o jornal New York Times, a reabertura das escolas, que se vinham mantendo encerradas desde o período anterior ao feriado de 1 de Maio, vai agora ser adiada por mais uma semana.

Residentes da capital contaram ao jornal que se sentem cansados destas medidas, adoptadas no âmbito da política de zero casos covid-19 em vigor na China. “Sinto-me pessimista. O que aconteceu em Xangai faz-nos estar em alerta”, disse Yang Hui, de 37 anos e gestora de vendas em Pequim.

Yang Hui revelou já se ter preparado para a eventualidade de Pequim entrar em confinamento por um longo período de tempo após ter sido diagnosticado um caso positivo perto da sua casa. Nesse sentido, encomendou comida para armazenar em casa.

Com dois filhos, Yang Hui diz ser “difícil planear algo com antecedência”, tendo em conta que muitos espaços de entretenimento na China permanecem fechados e que jantares de grupo em restaurantes foram proibidos.

Entretanto, a Xinhua noticiou ontem que 12 distritos da cidade continuam a realizar campanhas de testagem em massa a toda a população. Até ontem estavam planeadas três rondas diárias de testes a fim de travar a expansão do novo coronavírus na capital.

Crítica ao NYTimes

No domingo, foi divulgado um comentário pela agência Xinhua onde é criticada uma reportagem do jornal NYTimes sobre a situação pandémica em Xangai. A opinião, assinada por Zhao Wencai, acusa o jornal norte-americano de ser “ignorante” em relação à China.

“Numa reportagem recente sobre a luta contra a covid-19 em Xangai, o jornal americano chegou à conclusão de que a legitimidade do Partido Comunista Chinês (PCC) está a ser testada, porque os residentes de Xangai estão a voluntariar-se para se ajudarem mutuamente durante o ‘confinamento’ nas últimas semanas. Este argumento é ridículo e malicioso”, lê-se no artigo.

A mesma opinião destaca o facto de, no seio dos voluntários, “um grande número” ser do PCC. “Xangai tem vindo a vivenciar a onda mais severa de covid-19 dos últimos dois anos. A vida e o trabalho dos residentes teve um impacto com as medidas restritivas. Numa fase inicial do surto, algumas pessoas encontraram diversos tipos de inconvenientes para ter comida e acesso a tratamentos médicos”, acrescenta.

O mesmo texto dá conta de que as autoridades sempre “reconheceram os problemas” e tentaram “melhorar os seus serviços”.

5 Mai 2022

Covid-19 | Parte da linha do metro encerrada para combater surto

Pequim encerrou hoje cerca de 10 por cento das estações do seu sistema de metropolitano como medida adicional contra a propagação do novo coronavírus. As autoridades do metro da cidade anunciaram numa breve mensagem o encerramento de 40 estações, quase todas no centro da cidade, como parte das medidas de controlo da epidemia. Não foi avançada uma data para retomar o serviço. Pequim está em alerta máximo face a um surto de covid-19 que provocou algumas dezenas de infectados.
Restaurantes e bares podem apenas fazer entregas ao domicílio; os ginásios foram encerrados e as aulas presenciais suspensas indefinidamente. Os principais pontos turísticos da cidade, incluindo a Cidade Proibida e o Zoológico de Pequim, encerraram os espaços fechados e estão a operar apenas com capacidade parcial.
Na quarta-feira, Pequim registou 51 novos casos, cinco deles assintomáticos.
O encerramento das estações de metro deve ter relativamente pouco impacto na vida da cidade, numa altura em que a China celebra as férias do Dia dos Trabalhadores.
Parte da população está já a trabalhar a partir de casa. Todos os negócios foram encerrados, excepto supermercados e lojas de fruta e vegetais.
As pessoas evitam áreas classificadas como sendo de alto risco para reduzir a possibilidade da sua presença ser registada nas aplicações de rastreamento, instaladas em praticamente todos os telemóveis, e que cria possíveis problemas para acesso futuro a áreas públicas.

4 Mai 2022

Washington visita Ilhas Salomão para conter acordo com Pequim

Os Estados Unidos manifestaram esta segunda-feira preocupação com um pacto de segurança entre a China e as Ilhas Salomão, país que vai receber uma delegação diplomática norte-americana de alto nível para conter as ambições de Pequim.

Kurt Campbell, membro do Conselho de Segurança Nacional, onde tem a pasta do Indo-Pacífico, e Daniel Kritenbrink secretário de Estado adjunto para o Pacífico e Ásia Oriental, vão liderar a delegação, revelou esta segunda-feira a presidência norte-americana.

Além das Ilhas Salomão, os diplomatas dos EUA vão visitar Fiji, Papua Nova Guiné e o Estado norte-americano do Havai, para “aprofundar laços duradouros com a região e promover uma região do Indo-Pacífico livre, aberta e resiliente”, salientou a Casa Branca.

Mas está a ser dada atenção especial à paragem nas Ilhas Salomão, pois os Estados Unidos e a Austrália, aliado próximo de Washington, estão preocupados com um projecto de acordo de segurança entre o pequeno país no Pacífico e a China.

Uma versão preliminar deste acordo, divulgada no mês passado, menciona a autorização de destacamentos chineses de segurança e navais para as Ilhas Salomão, o que causou preocupação na Austrália, nos Estados Unidos e noutras nações do Pacífico.

O projeto de acordo prevê, nomeadamente, que elementos da polícia chinesa armada possam ser destacados a pedido das Ilhas Salomão para assegurar a manutenção da “ordem social”.

As “forças chinesas” também seriam autorizadas a proteger “a segurança do pessoal chinês” e “os seus grandes projectos” do arquipélago.

Quais os limites?

No início de Abril, o primeiro-ministro das Ilhas Salomão, Manasseh Sogavare, garantiu que não permitiria a construção de uma base militar chinesa no seu país, mas isso não foi suficiente para aliviar os receios da Austrália e dos seus aliados.

“Apesar das declarações do Governo das Ilhas Salomão, a natureza do acordo de segurança geralmente deixa a porta aberta para o envio de forças militares chinesas para as Ilhas Salomão”, sublinhou o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ned Price.

“Acreditamos que assinar um acordo desse tipo arriscaria aumentar a desestabilização nas Ilhas Salomão e estabelecer um precedente preocupante para a região das ilhas do Pacífico como um todo”, alertou.
Ned Price salientou que o arquipélago já está protegido por um tratado de segurança com a Austrália. Também um alto funcionário australiano deslocou-se na semana passada aquele arquipélago para pedir a Manasseh Sogavare que não assine o acordo com Pequim. O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, já tinha viajado para a região em Fevereiro.

19 Abr 2022

China | Antevisão das sessões da APN e CCPPC que estão a começar

Arranca hoje a sessão anual da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e começa amanhã a 13.ª Assembleia Nacional Popular, com um total de 2.951 delegados. Os olhares do mundo vão estar postos nestas sessões onde será anunciado o Plano Quinquenal do país para o próximo ano, incluindo os orçamentos das áreas económica e da defesa

 

Um dos períodos políticos mais importantes do ano na China começa hoje e prolonga-se nos próximos dias. Isto porque arrancam hoje, por volta das 15h, os trabalhos da quinta sessão da 13.ª Conferência Consultiva do Povo Chinês (CCPPC), com fim agendado para o próximo dia 10 de Março. O CCPPC é um órgão com carácter consultivo onde os delegados, representantes das várias províncias e regiões administrativas especiais da China, apresentam e discutem as suas propostas. De frisar que o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada de Macau em Hengqin deverá ser um dos pontos mais abordados pelos delegados da RAEM presentes em Pequim.

Amanhã começa também a 13.ª sessão da Assembleia Popular Nacional (APN), órgão legislativo chinês onde vai ser apresentado e discutido o Plano Quinquenal do país, bem como os orçamentos para as áreas da economia e defesa. Vão estar presentes um total de 2.951 delegados, segundo avança a agência Xinhua.

A recuperação da economia na era pós-covid-19 e a estabilização do sector imobiliário, sobretudo depois do escândalo com a gigante Evergrande, deverão ser os dois assuntos principais em agenda, escreve a AFP.

“Este ano as preocupações centram-se na lenta recuperação da economia”, aponta a agência, sendo que o ministro do Comércio Wang Wentao admitiu esta semana que a economia chinesa tem enfrentado “enormes” pressões. A invasão da Ucrânia pela Rússia, com quem a China mantém importantes laços comerciais e económicos, é também um factor em análise.

O primeiro-ministro Li Keqiang deverá, como é habitual, aproveitar a oportunidade para anunciar a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), além de fazer o discurso sobre o Estado da Nação. Seguir-se-á uma conferência de imprensa.

A AFP recorda que o PIB chinês cresceu de forma lenta nos últimos meses de 2021, devido à “morna” procura interna e ao declínio do sector imobiliário, ainda que a economia chinesa tenha sido das primeiras a recuperar em contexto de pandemia.

Os líderes chineses “têm baseado a sua legitimidade no argumento de que o seu modelo de governação representa [a oportunidade] de crescimento económico e a continuidade”, mas a manutenção da política de zero casos de covid-19 na China, com muitas restrições, teve um impacto “na confiança dos consumidores”.

Dizem os analistas

As reuniões da APN decorrem à porta fechada e, tradicionalmente, os pontos da agenda só são divulgados em cima da hora. Os analistas ouvidos pela AFP falam de um cenário de imprevisibilidade em termos económicos, com a possibilidade de as autoridades chinesas manterem previsões semelhantes ao ano transacto em matéria de crescimento.

“Esperamos que o crescimento seja firmado em ‘cerca de cinco por cento’”, defendeu o economista Ho Woei Chen num relatório recentemente publicado.

No caso de Zhaopeng Xing, investigador sénior para a China da ANZ (Australia and New Zealand Banking Group Limited), defendeu que o sector das infra-estruturas deverá ser “a chave usada pelo Governo no apoio à economia”. O responsável considera expectável o “crescimento de dois dígitos do investimento em infra-estruturas” no primeiro trimestre do próximo ano, além da implementação de benefícios fiscais.

Segundo a Xinhua, a 13ª sessão anual da APN será uma oportunidade para o mundo ver a continuação da construção de uma “sociedade socialista moderna”. “O ano de 2035 (o ano em que iremos atingir a modernização socialista) não está longe. Deveríamos aproveitar cada minuto. E, desta forma, é cada vez mais fundamental desenhar um modelo e responder a questões nestas duas sessões anuais de como vamos atingir esse objectivo”, disse Zhou Hanmin, conselheiro político de Xangai.

As duas sessões serão também importantes para perceber se a política de zero casos de covid-19 irá continuar, escreve o jornal South China Morning Post (SCMP). Isto porque, apesar do impacto que traz para a vida de cidadãos, empresas e investidores, é possível que a estratégia continue, uma vez que “o crescimento económico nacional se mantém relativamente forte”.

A sessão anual da APN poderá servir igualmente para encontrar respostas para resolver o aumento do desemprego no país, que cresceu nas zonas urbanas, com as pequenas e médias empresas a empregar cerca de 80 por cento da força de trabalho.

Segundo o SCMP, a taxa de desemprego na China parece ter, no entanto, estabilizado em relação ao primeiro ano da pandemia, quando atingiu 6 por cento em Abril de 2020. A mesma taxa é agora de 5,1 por cento.

Em cima da mesa

Na quarta-feira a AFP divulgou algumas das propostas que serão apresentadas na 13ª sessão da APN, e que dizem respeito a matérias como o tráfico de mulheres, a necessidade de maior flexibilização das licenças de maternidade e paternidade e regulamentação das cirurgias plásticas no país.

Fan Yun vai propor alterações às leis criminais para punir intervenientes no tráfico humano de forma igual, ou seja, quem trafica pessoas e quem daí retira benefício. Actualmente, que beneficia deste crime enfrenta uma pena máxima de apenas três anos, contra 10 anos aplicados a traficantes.

A medida surge depois de ter sido divulgado o caso de uma mulher que, durante vários anos, foi mantida presa com correntes numa zona rural da China. A situação levantou também o debate sobre a falta de serviços de saúde mental na China, pelo que o delegado Sun Bin irá defender a reforma do actual sistema jurídico, para que sejam disponibilizados tratamentos e medicação gratuita para pacientes de zonas rurais.

Em matéria de relações familiares, a delegada Jiang Shengnan vai apresentar uma proposta que visa aumentar a licença de paternidade dos actuais 15 dias para um mês, uma vez que “a paternidade diz respeito tanto ao homem como à mulher”, disse à publicação Women’s News, citada pela AFP.

Actualmente, na maior parte das cidades do país, as mulheres têm cerca de 150 dias de licença de maternidade, que aumentou após a abolição da política do filho único, mas “há ainda uma enorme diferença entre homens e mulheres, com cenários de discriminação no local de trabalho e os deveres da maternidade a recair, na sua maioria, sobre a mulher”.

Ainda no contexto das políticas de família, a AFP aponta que um dos factores em consideração durante as sessões é o facto de “muitos casais jovens dizerem ser muito caro ter mais do que um filho”.

Por sua vez, o delegado Wang Jiajuan irá apresentar uma proposta que regulamenta as cirurgias plásticas, intervenções que têm sido muito procuradas na última década. O delegado propõe uma legislação que defenda a presença de adultos quando menores de idade são sujeitos a este tipo de procedimento, além de proibir os menores de receber cirurgias que não são essenciais. Já Zhu Lieyu irá propor legislação para regulamentar o horário e condições de trabalho dos transportadores de comida de take-away.

Ho Ion Sang e Hengqin

O deputado e membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), Ho Ion Sang, disse que nas sessões, que começam hoje vai apresentar propostas sobre serviços sociais a desenvolver na Zona de Cooperação Aprofundada de Macau em Hengqin, acesso de veículos com uma única matrícula de Macau para Hengqin e sobre o desenvolvimento da Grande Baía. Segundo o jornal Ou Mun, Ho Ion Sang entende ser fundamental melhorar as instalações complementares da Zona de Cooperação Aprofundada para criar melhores condições de vida a moradores que residam na zona e estudem nas cidades da Grande Baía.

4 Mar 2022

Infraestruturas do Jogos Olímpicos servirão para turismo no futuro

A meta chinesa de desenvolver uma nova indústria de turismo no país centrada nos desportos de inverno, estabelecida pelo Presidente Xi Jinping, justificou o investimento de milhares de milhões de dólares na organização dos Jogos Olímpicos de Inverno.

A preparação para os Jogos, que arrancam em 4 de Fevereiro e terminam 16 dias depois, acarretou a construção de linhas ferroviárias de alta velocidade, que vão levar os atletas a novas estâncias de esqui fora de Pequim. Nas próximas décadas, estas mesmas ligações vão levar turistas chineses para as montanhas.

Os Jogos “vão inspirar mais de 300 milhões de chineses a praticar desportos de inverno se vencermos, o que contribuirá muito para o desenvolvimento da causa olímpica internacional”, disse Xi, em 2015.

A Rússia terá gasto 51 mil milhões de dólares nos Jogos de Sochi de 2014, um preço que deve permanecer como recorde olímpico por muitos anos. Mas a motivação da China, como a Rússia em 2014, é um plano apoiado pelo Estado para criar sectores domésticos de lazer e turismo. Grande parte do orçamento é destinado a um sistema de transporte cidade-montanha.

A China destinou mais de 9 mil milhões de dólares para a construção de uma linha ferroviária de alta velocidade que liga Pequim a estâncias de esqui próximas, em Zhangjiakou e Yangqing, onde as pistas foram esculpidas em montanhas que recebem pouca neve natural. O orçamento para operações específicas para sediar os Jogos deverá ascender a cerca de 4 mil milhões de dólares. Os locais construídos em Pequim para os Jogos Olímpicos de 2008 foram reaproveitados. O Cubo de Água para natação agora é o Cubo de Gelo, que vai servir para modalidades dos Jogos de Inverno.

O investimento em desporto de inverno tem sido significativo, desde que Pequim venceu a sua candidatura olímpica há sete anos. A China tem agora mais de 650 pistas de gelo e 800 estações de esqui, informou o jornal oficial em língua inglesa China Daily, citando o Centro Administrativo Nacional de Desportos de Inverno. Estes números marcam aumentos de 317 por cento e 41 por cento, respectivamente, face a 2015.

A China esperava uma receita modesta de relativamente poucos visitantes internacionais para os Jogos de Inverno mesmo antes da pandemia tornar as viagens impossíveis. Os ingressos também não estão a ser vendidos para residentes na China, cortando outra fonte de receitas do anfitrião.

Os próprios números do COI mostram que a maior receita com a venda de ingressos em todas as edições dos Jogos de Inverno foi de 250 milhões de dólares, em Vancouver 2010.

O comité organizador da cidade anfitriã obtém receitas através dos acordos com patrocinadores domésticos. O comité organizador de Pequim tem 44 parceiros comerciais, quase todos chineses, em quatro níveis que incluem fornecedores de bens e serviços. Os 11 “parceiros” de primeira linha incluem a companhia aérea Air China e o banco Bank of China. As vendas de produtos associados ao evento, como luvas e mascotes, também aumentam a receita dos organizadores locais.

 

Milhões para todos

O COI recebe milhares de milhões de dólares de emissoras de todo o mundo e de patrocinadores que obtêm direitos globais exclusivos, e tem agora 13 patrocinadores de primeira linha, incluindo as empresas chinesas Alibaba e Mengniu ou a norte-americana Coca-Cola. O comité vai também doar 880 milhões de dólares para os custos dos organizadores de Pequim.

O COI também distribuiu 215 milhões de dólares da sua receita com os Jogos de 2018 entre os sete órgãos reguladores dos desportos dos Jogos de Inverno. Outros 215 milhões de dólares foram distribuídos entre os comités olímpicos dos respectivos países que participam na competição.

3 Fev 2022

Pequim inaugura área experimental para veículos autónomos

O município de Pequim abriu ontem uma área experimental de cerca de 20 quilómetros quadrados para promover a circulação de veículos autónomos, que transportarão passageiros, informou a imprensa estatal.

A superfície inclui, no conjunto, 100 quilómetros de extensão de estradas e ruas, no sudeste da capital. A experiência dos passageiros ao andar nestes carros é semelhante a “apanhar um autocarro”, segundo a televisão oficial CCTV. Os veículos são operados pelas empresas Pony.ai e Baidu.

De acordo com Wang Shengnan, director de operações automotivas autónomas do Baidu, “colocar paragens em áreas com alto índice de acidentes” foi evitado e “a segurança dos passageiros é a prioridade”.

Em “qualquer tipo de acidente” envolvendo os veículos, a empresa licenciada vai ser “responsabilizada”, disse Teng Xuebei, representante da Pony.ai, citado pela imprensa local.

O director do gabinete oficial responsável pela área de testes, Jie Fei, explicou que esta zona foi escolhida pela sua “baixa densidade de tráfego”, mas os veículos autónomos devem “evitar circular nas horas de ponta da manhã e da tarde”. Os veículos devem anunciar “claramente” a sua natureza como carros de teste autónomos na sua carroçaria.

Plano b

Por enquanto, as empresas têm que designar um operador de segurança para se sentar ao volante e ficar atento à estrada, apesar de não conduzir, e somente quando tiverem “quilómetros de deslocamento autónomo acumulado” poderão prescindir do operador, disse Jie.

Durante a fase piloto, também vai ser oferecida uma tarifa reduzida, de modo que uma viagem que custaria cerca de 30 yuans está actualmente com um preço inferior a dois yuans. Outras cidades da China, como Xangai, lançaram circuitos piloto semelhantes para esta tecnologia.

26 Nov 2021

Jerusalém | Pequim expressa preocupação com escalada da violência

A China expressou ontem “profunda preocupação” com a escalada militar entre Israel e grupos islâmicos armados na Faixa de Gaza, e pediu à ONU que reafirme o apoio a uma solução de dois Estados.

“A China expressa a sua profunda preocupação com a situação em curso entre Israel e os palestinianos”, disse a porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying, pedindo à ONU que “tome medidas” para acabar com os confrontos.

A China, que neste mês detém a presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU, disse ontem que estava pronta uma declaração conjunta a pedir o fim dos confrontos.

No entanto, alguns países estão “a bloquear” o texto, criticou a porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying, à imprensa, sem especificar as nações.

Em duas reuniões do Conselho de Segurança nesta semana, os Estados Unidos opuseram-se à adopção de uma declaração conjunta, considerando-a “contraproducente” nesta fase, disseram diplomatas. Outra reunião de emergência do Conselho de Segurança está marcada para sexta-feira.

A porta-voz da diplomacia chinesa também pediu à ONU que estabeleça o “firme apoio” à solução de dois Estados para encerrar o conflito israelo-palestiniano.

Hostilidades em alta

Israel e os palestinianos estão envolvidos numa das maiores escaladas de violência dos últimos anos naquela região.
Os confrontos intensificaram-se esta semana com milhares de foguetes a serem lançados contra Israel pelo movimento islâmico Hamas. O exército israelita retaliou com ataques à Faixa de Gaza.

O movimento islâmico Hamas deu ontem conta de mais 16 mortos nos ataques israelitas à Faixa de Gaza, que controla, o que faz aumentar para 83 o total de palestinianos mortos desde o início das hostilidades, na segunda-feira.

Além de um total de 83 mortos, incluindo 17 crianças, 487 pessoas ficaram feridas, indicou o Hamas, após uma nova noite de ataques aéreos de Israel no enclave e de disparo de ‘rockets’ a partir de Gaza em direcção ao território israelita. Esta foi a terceira noite de hostilidades entre Israel e grupos armados palestinianos em Gaza.

As salvas de ‘rockets’ contra território israelita levaram ao desvio de todos os voos em direcção ao aeroporto internacional Ben Gurion de Telavive. A luta entre Israel e o Hamas iniciou-se na segunda-feira após semanas de tensões israelo-palestinianas em Jerusalém Oriental, que culminaram com confrontos na Esplanada das Mesquitas, o terceiro lugar mais sagrado do islão, junto ao local mais sagrado do judaísmo, nesta zona da cidade ilegalmente ocupada e anexada pelo Estado hebreu, de acordo com a lei internacional.

Desde segunda-feira, o exército israelita indicou ter realizado 600 bombardeamentos na Faixa de Gaza, território exíguo sob bloqueio israelita há mais de uma década e onde vivem cerca de dois milhões de palestinianos.

As milícias do Hamas e da Jihad Islâmica dispararam cerca de 1.600 ‘rockets’ contra território israelita, que mataram sete pessoas, incluindo uma criança e um soldado, e deixaram feridas centenas.

14 Mai 2021

Covid-19 | Vigilância digital, alarmes e comités de bairro contra o vírus

Reportagem de João Pimenta, da agência Lusa

 

Em Pequim, cidade com 23 milhões de habitantes e 35 casos de covid-19 na altura, Judith Teunissen desafiou as probabilidades ao cruzar-se com um taxista infectado, experimentando prontamente a eficácia da máquina chinesa em suprimir o coronavírus. “Dois dias depois de ter apanhado o táxi, estava no supermercado quando recebi uma chamada”, conta a holandesa à agência Lusa.

Do outro lado, um funcionário do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China (CDC, na sigla em inglês) foi directo ao assunto: “Apanhou um táxi na quinta-feira, certo? Vamos agora buscá-la de ambulância. Onde está?”. Judith pensou tratar-se de uma “brincadeira”. “O funcionário falava extremamente rápido e continuava a repetir que era do CDC”, descreve. “Eu nem sabia o que significa CDC”, conta a holandesa.

O episódio remonta a 10 de Janeiro, quando a capital chinesa enfrentava um surto que somava então 35 infectados activos, depois de quase meio ano sem casos. As autoridades de saúde ordenaram que Teunissen fizesse quarentena, por um período de 21 dias, num centro designado fora da cidade. Com a ajuda da embaixada da Holanda em Pequim, no entanto, a holandesa conseguiu acordar que a quarentena fosse feita em casa.

Como condição, um alarme foi instalado no apartamento, para alertar as autoridades caso a porta se abrisse. “No espaço de seis horas instalaram o alarme e tive que assinar um documento a prometer que não sairia de casa”, conta. Durante a primeira semana, Teunissen foi testada quatro vezes para a covid-19. O comité do bairro onde mora ficou encarregado de levar comida e compras de supermercado e de recolher o lixo.

Desde Março passado, quando o Partido Comunista Chinês declarou vitória sobre a doença, as autoridades têm actuado rapidamente para impedir que novos surtos se alastrem, colocando sob quarentena bairros ou cidades inteiras, enquanto testam massivamente a população local, assim que os primeiros casos são diagnosticados.

O relato de Judith Teunissen ilustra a eficácia do sistema chinês em lidar com a doença, mas também o seu lado mais sombrio. O vírus foi mantido sob controle, mas apenas devido ao poder do regime de ditar mudanças colossais, enquanto dispõe de um amplo aparelho de vigilância. Praticamente todas as pessoas que vivem na China são hoje obrigadas a usar um aplicativo no telemóvel que regista em detalhe onde o usuário esteve. O aplicativo é exigido à entrada de edifícios de escritórios, centros comerciais ou supermercados.

Comités de Prevenção da Epidemia foram oficialmente criados em todos os bairros, ilustrando a mobilização nacional, depois de o Presidente chinês, Xi Jinping, ter designado o combate ao vírus como uma “guerra popular”. O sucesso permitiu ao Partido Comunista validar o seu governo de partido único, apesar de os estágios iniciais do surto, na cidade de Wuhan, centro da China, revelarem que as autoridades foram lentas a agir.

No final de dezembro de 2019, já vários médicos em Wuhan alertavam para os perigos de uma nova doença desconhecida mas, segundo relatos veiculados pelos media na altura, a polícia deteve oito deles para os “educar” sobre os perigos associados a espalhar rumores.

Mas assim que a liderança do Partido Comunista se mobilizou, fê-lo com resolução. O anúncio do bloqueio de Wuhan, em 23 de Janeiro, surgiu a meio da noite, sem aviso ou debate público.

Durante a primeira semana confinada, Judith Teunissen fez exercício físico e viu documentários. Na segunda, começou a pensar na vida. Mas à terceira, a holandesa já tinha pensado em tudo o que havia para pensar. “Estava já a repetir pensamentos”, lembra. “É muito deprimente”, descreve. “É como se não houvesse mais nada. Só o vazio”.

1 Mar 2021

Covid-19 | Bairros isolados em cidade chinesa foco de novo surto

A cidade do norte da China Shijiazhuang tem registado o maior número de casos de um novo surto de covid-19, com “cada bairro fechado ao exterior”, como conta à Lusa um estudante brasileiro.

Júlio Cézar Kattah terminou hoje um período de quarentena, após ter estado em dois dos distritos de Shijiazhuang considerados de alto risco. O jovem teve de abandonar o dormitório e passar duas semanas num hotel, dentro do campus da Universidade Normal de Hebei.

“Agora já posso sair do dormitório, depois da minha temperatura ser medida e anotada, e posso andar pelo campus, mas sempre com máscara”, explicou o estudante, que fez, entretanto, dois testes negativos ao novo coronavírus.

A 6 de janeiro, Shijiazhuang, capital de Hebei, província do norte da China que rodeia a capital, Pequim, foi colocada em confinamento, tal como as cidades de Xingtai e Langfang, partes de Pequim e outras cidades do nordeste.

Mais de 20 milhões de pessoas receberam ordens para ficar em casa, em época de viagens de pessoas que costumam reunir-se às suas famílias para o Ano Novo Lunar, o mais importante festival tradicional da China.

Só até ao meio-dia de hoje (hora de Pequim), Shijiazhuang confirmou mais 30 casos locais de covid-19, revelou numa conferência de imprensa a vice-presidente da cidade, Meng Xianghong.

Ainda assim, diz Júlio Cézar, a situação mostra sinais de melhoria, com as autoridades a permitir a circulação de estafetas que transportam comida para fora e compras.

“Até há pouco tempo não podiam, as pessoas enviavam coisas que eram entregues à entrada dos bairros”, que permanecem isolados, explicou o brasileiro.

O jovem já tinha ficado em quarentena em janeiro de 2020, após regressar a Shijiazhuang, depois de viajar pela China continental, durante as férias escolares do Ano Novo Lunar.

Mesmo após o levantamento do isolamento, “as restrições nunca terminaram”, sublinhou Júlio Cézar. “Para sairmos do campus da universidade tínhamos de fazer um requerimento, apontando um motivo específico e suficientemente forte”, referiu.

As entradas do campus têm agora câmaras de reconhecimento facial que só permitem o acesso de pessoas com ligação à universidade, acrescentou o brasileiro.

A pandemia estragou também os planos do jovem licenciado em engenharia geológica para iniciar no ano passado um mestrado na Universidade de Geociências da China, em Wuhan. Júlio César teve de ficar em Shijiazhuang, inscrevendo-se num outro curso.

Ainda assim, e apesar das saudades da família e de amigos, o estudante admite que se sente mais seguro na China do que no Brasil. “Tenho um tio que faleceu na semana passada”, revelou.

18 Jan 2021

Segurança | Pequim confirma detenção de assistente da agência Bloomberg

As autoridades chinesas confirmaram ontem a detenção de Haze Fan, assistente da agência Bloomberg, por motivos de segurança nacional. A funcionária do grupo de media, de nacionalidade chinesa, esteve incontactável desde 7 de Dezembro

A China confirmou ontem que uma assistente da agência de notícias Bloomberg foi detida, por suspeita de “pôr em perigo a segurança nacional”, numa altura de crescente pressão sob os órgãos estrangeiros no país.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Wang Wenbin disse que o caso de Haze Fan está actualmente sob investigação e que os seus “direitos e interesses legítimos estão totalmente garantidos”.
A agência revelou na semana passada que Fan está incontactável desde 7 de Dezembro e que só foi informada da sua detenção depois de ter perguntando por várias vezes aos departamentos do Governo em Pequim e à embaixada chinesa em Washington.
A União Europeia e a Clube de Correspondentes em Pequim emitiram declarações a expressar preocupação com a detenção de Fan. Wang disse que a UE deve “respeitar a soberania judicial da China e parar de fazer comentários irresponsáveis”.
A China só permite que os cidadãos chineses trabalhem como tradutores, pesquisadores e assistentes para organizações de notícias estrangeiras, e não como jornalistas registados, com o direito de realizarem reportagens de forma independente.

De acordo com a lei

Os meios de comunicação chineses são quase inteiramente estatais e rigidamente controlados, e a China é dos países que mais jornalistas prende.
“Pelo que sei, Fan é uma nacional chinesa suspeita de se envolver em actividades criminosas que colocaram em risco a segurança nacional da China”, disse Wang, em conferência de imprensa. “O caso está actualmente sob investigação de acordo com a lei”, acrescentou.
Fan começou a trabalhar para a Bloomberg em 2017, após passar por uma série de outras organizações estrangeiras na China.
A China deteve assistentes de notícias no passado por reportagens susceptíveis de danificar a imagem do Partido Comunista.
As autoridades também têm punido a imprensa estrangeira de forma mais geral, limitando as suas operações, ao expulsar jornalistas, ou emitindo apenas vistos de curto prazo.
A China expulsou este ano 17 jornalistas do The Washington Post, The Wall Street Journal e outros órgãos norte-americanos.

15 Dez 2020

Austrália lamenta “deterioração desnecessária” das relações com Pequim

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, denunciou hoje a crescente pressão exercida pela China sobre o seu país, acusando Pequim de estar a causar uma “deterioração desnecessária” das relações bilaterais.

Numa intervenção durante um encontro ‘online’ com um ‘think tank’ do Reino Unido, Morrison destacou o desejo da Austrália de ter relações “mutuamente benéficas” com Pequim e com os Estados Unidos, enquanto persegue os seus próprios interesses de forma independente.

O primeiro-ministro também negou que a Austrália esteja subjugada aos Estados Unidos, num contexto de deterioração das relações sino-americanas.

Nos últimos meses, o relacionamento entre Camberra e Pequim deteriorou-se rapidamente.

A Austrália excluiu o grupo chinês das telecomunicações Huawei das suas redes de quinta geração (5G) e solicitou uma investigação independente sobre a origem do novo coronavírus.

A China, o maior parceiro comercial da Austrália, retaliou ao suspender as importações de um grande número de produtos australianos, incluindo carne, cevada e madeira.

De acordo com Morrison, esta diplomacia coerciva é apenas uma “amostra” do que outros países poderão sofrer no futuro.

Aludindo ao futuro governo do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, o primeiro-ministro insistiu que países como a Austrália não deveriam ser forçados a escolher entre Washington e Pequim.

“Será necessária mais latitude por parte das maiores potências do mundo, para satisfazer os interesses individuais dos seus parceiros e aliados. Todos nós precisamos de um pouco mais de espaço para avançar”, disse Morrison, no encontro com a unidade de investigação Policy Exchange, do Reino Unido.

“Deve haver uma apreciação mais matizada dos interesses dos diferentes estados na maneira como lidam com as grandes potências. As escolhas difíceis não atendem aos melhores interesses de ninguém”, acrescentou o primeiro-ministro australiano.

24 Nov 2020

Diplomatas chineses e australianos discutem no Twitter sobre Mar do Sul da China

Diplomatas chineses e australianos envolveram-se numa discussão no Twitter sobre as movimentações de Pequim no Mar do Sul da China, após Camberra ter apoiado a posição dos Estados Unidos sobre as reivindicações territoriais chinesas.

A Austrália requisitou recentemente um memorando nas Nações Unidas que aponte que as reivindicações “não têm base legal”, envolvendo-se assim numa controvérsia que atraiu reações fortes de Pequim.

O alto comissário australiano nas Nações Unidas Barry O’Farrell escreveu, na quinta-feira, na rede social Twitter, que disse ao ministro dos Negócios Estrangeiros da Índia que as medidas da China são “desestabilizadoras e suscetíveis de provocar uma escalada”. Em resposta, o embaixador chinês Sun Weidong acusou O’Farrell de “desconsiderar os factos”. “É evidente quem salvaguarda a paz e a estabilidade e quem desestabiliza e provoca escaladas na região”, acusou.

O’Farrell reagiu ao apontar que a China devia seguir uma decisão do tribunal internacional de Haia, que remonta a 2016, e que rejeitou a maioria das reivindicações de Pequim. A China denunciou a decisão como “ilegal” e não vinculativa.

Os comentários de O’Farrell atraíram elogios dos internautas da Índia, onde o público e os políticos têm apelado a uma linha mais dura nas relações com a China, após um confronto sangrento ao longo da fronteira disputada entre os dois países.

A China disse hoje que bombardeiros de longo alcance estiveram entre as aeronaves que participaram de exercícios aéreos recentes sobre o Mar do Sul da China, face às crescentes tensões entre Washington e Pequim em torno daquela rota marítima estratégica.

Os exercícios incluíram partidas e aterragens noturnas e simularam ataques de longo alcance, disse o porta-voz do ministério da Defesa chinês, Ren Guoqiang. Entre os aviões constaram os bombardeiros H-6G e H-6K, versões atualizadas de aeronaves há muito usadas nas forças armadas da China, disse Ren.

Os exercícios foram agendados anteriormente e visam aumentar as habilidades dos pilotos para operar sob todas as condições, independentemente do clima ou da hora do dia. Ren não detalhou se foram usadas bombas reais.

A China construiu pistas de aterragem em muitas das ilhas no Mar do Sul da China, incluindo ilhas artificiais sobre recifes de coral. Os navios chineses, incluindo dois porta-aviões do país, realizam operações frequentes na área, às vezes para monitorar e, ocasionalmente, assediar navios de outros países.

Pequim reivindica como sua a maioria do Mar do Sul da China, apesar dos protestos do Vietname, Filipinas, Malásia e Brunei. Este mar estratégico, por onde transitam anualmente cerca de 5.000 mil milhões de dólares de mercadorias, tem vastas reservas de gás e petróleo.

As tensões recorrentes entre países com fronteiras com o mar do sul da China são consideradas como uma fonte potencial de conflito na Ásia.

3 Ago 2020

Uma solipsista laowai em Pequim

Finjo um obrigadinha inevitável, melhor slogan para a mulher que me serve à mesa. Ingénua só à distância, sabe que vive no centro do mundo. Mas por dentro, ah, por dentro, irrito-me miudinho. Há sete pratos, todos variações de comida de rua japonesa. Lembro-me daqueles festivais de comida asiática no Martim Moniz. Subitamente, apetecia-me que houvesse um voo low cost para o Martim Moniz. Mas estar longe é a combinação perfeita para mim.

Dia-a-dia transitório. Ser estrangeira, laowai, macaca branca (白猴子) quando me sento em mesas de reuniões de empresas das quais não sei o nome em troca de uns yuans extra. Este sítio, é o sítio ideal para se irritar involuntariamente, para quem tem transtornos já embutidos na personalidade, tão transtornada sempre que apanhei um transtorno de personalidade. Gosto desta cidade patológica onde se aprende todos os dias um novo sentido para a vida. Com a sua morfologia urbana altamente variável. Além de nós, só existem as nossas experiências. A minha auto-imagem, reflexo de elevação vertical da base para o mais alto ponto da arquitectura ou elemento integral estrutural do prédio com anúncios em Led, belas jovens de farda sorridente publicitam as bebidas de que Mao gostava. Jovens de farda comunista com maquilhagem. Paradoxos, mais paradoxos. Esta cidade é o episódio dissociativo de ontem à noite no bar clandestino, aberto noite fora e dia dentro. A fuga psicogénica na praça de Tiananmen. Estendo-me agora no meio da praça e sou descontínua.

Hei-de abandonar-te antes que me abandones, cidade! Tenho técnicas, sei lidar com isto, toda eu psicanálise até ao cabelo. Acusações essas de ser doente mental só porque me afeiçoei demasiado ao hipertexto, pu-lo num pedestal! Sei perfeitamente que Barthes ia amar esta opressão da mesma forma que eu. É aqui que estou bem, a mover-me por áreas urbanas polarizadoras em constante mutação da percepção de estímulos exteriores. Aglomero as noites de poesia sobre a cama, o quarto enfeitado com um neon que diz “espetadas” em rosa fluorescente comprado no taobao. No parapeito da janela, tenho uma placa que diz “Flowers are nice”, trouxe-a de uma loja de recordações na zona de Gulou. Nice é o pátio da galeria de arte para se fumar e beber Qingdao toda a tarde, romanizar em pinyin sempre e falar de arte, da arte dos trabalhadores migrantes das fábricas mas entretanto temos galerias de arte ocupadas por bolsas de apoio à criação artística do Instituto Goethe. Nunca ouvi as alemãs a falarem de gentrificação. Como digo, há coisas das quais não se fala nesta cidade. Há dragões informáticos descontrolados, nocivos, respirar aqui é nocivo mas nós estamos viciados. O estrangeiro chega aqui e fica toxicomaníaco. Há sete anos estive neste fenómeno muralhado e constatei algo único: a instabilidade, o vazio, não está só cá dentro, está também cá fora. Eu sou este lugar. Eu sou.

Sete cervejas, oito poetas que acham que isto é uma religião. Transitar,crush and run em fuga dos seus transtornos, vestidos de paranóia. Em busca de uma personalidade qualquer algures num lugar de aluguer. Uma personalidade de aluguer. Sem estigma, só amor. Sentimento puro, gentrificado. Sentir que os prédios da cidade também nos crescem para dentro.

24 Jul 2020

Covid-19 | China com oito novos casos, dois em Pequim

A China registou oito casos confirmados de covid-19 nas últimas 24 horas, dois dos quais em Pequim e de contágio local, anunciaram hoje as autoridades de saúde. A Comissão Nacional de Saúde deu conta até agora de 334 pessoas infectadas com o novo coronavírus associado ao surto com origem no maior mercado da capital, detectado há cerca de três semanas. Nenhuma morte foi reportada, contudo.

O porta-voz do Governo de Pequim, Xu Hejian, disse em conferência de imprensa no sábado que a situação “continua a melhorar e é completamente controlável”. Os seis casos fora de Pequim foram de pessoas vindas do exterior.

A China registou 83.553 casos confirmados e 4.634 mortes desde o início da pandemia. A pandemia de covid-19 já provocou mais de 527 mil mortos e infectou mais de 11 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

5 Jul 2020

Covid-19 | China confina 1,5 milhões de pessoas em cantão próximo da capital

A China confinou este domingo cerca de um milhão e meio de pessoas numa zona próxima da capital, Pequim, atingida por um novo surto de infeções de covid-19, que as autoridades ainda descrevem com “sério e complexo”.

O país tinha conseguido conter a evolução dos contágios pelo novo coronavírus, mas a deteção de mais de 300 novos casos na cidade em pouco mais de duas semanas alimentou receios de uma segunda vaga de contaminações.

As autoridades locais lançaram, entretanto, uma vasta campanha de testes, encerraram escolas, pediram aos habitantes de Pequim que fiquem na cidade, evitando deslocações para fora da capital, e confinaram vários milhares de pessoas em áreas residenciais consideradas de maior risco de contágio.

Este domingo, segundo a agência France-Presse, as autoridades locais anunciaram o confinamento do cantão de Anxin, localizado a cerca de 60 quilómetros a sul da capital, na província de Hebei, onde foram detectados onze casos relacionado com o surto registado em Pequim.

As indicações são de que apenas uma pessoa por família poderá sair uma vez por dia para comprar alimentos ou medicamentos. O ministério da Saúde adiantou ontem que a China diagnosticou 17 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, incluindo 14 em Pequim.

Todos os casos em Pequim são de contágio local. Os restantes três são oriundos do exterior e foram diagnosticados em diferentes partes do país. A Comissão de Saúde da China não relatou novas mortes em todo o país. O número de casos activos fixou-se em 415, entre os quais oito em estado grave.

De acordo com os dados oficiais, desde o início da pandemia a China registou 83.500 infectados e 4.634 mortos devido à covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). A pandemia de covid-19 já provocou mais de 499 mil mortos e infectou mais de 10 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

29 Jun 2020

Pequim | Confinamento parcial e localizado assegura normalidade

As autoridades de Pequim continuaram ontem a testar milhares de pessoas e garantiram ter a situação sob controlo, após medidas de confinamento localizado e parcial terem assegurado a normalidade em grande parte da capital chinesa.

A capital chinesa somou 205 casos, nos últimos oito dias, e optou por adoptar medidas de confinamento parcial, que incluem a suspensão de todas as aulas presenciais no ensino básico, médio e superior, e a recomendação aos residentes para que trabalhem a partir de casa.

Comunidades em áreas de “alto risco”, com casos confirmados, sobretudo no distrito de Fengtai, no sul da cidade, foram seladas e os moradores proibidos de se deslocarem.
Bibliotecas, museus e parques permanecem abertos, mas por tempo limitado e com capacidade não superior a 30 por cento do limite.

Quem quiser sair de Pequim deve primeiro apresentar um teste negativo para o novo coronavírus, realizado nos sete dias anteriores à partida.

Trata-se de “bloquear resolutamente os canais de transmissão da epidemia e não de um bloqueio” da capital, defendeu um funcionário municipal Pan Xuhong, em conferência de imprensa.

A vida já tinha retornado ao normal em Pequim depois de dois meses sem qualquer caso, mas o surgimento, na semana passada, de um novo foco de infeção, aumentou o estado de alerta.

A epidemia na capital, no entanto, está “sob controlo”, garantiu o epidemiologista chefe do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) da China, Wu Zunyou.

“Isto não significa que não haverá novos casos amanhã. Mas […] serão cada vez menos”, assegurou.
Em grande parte da capital chinesa, os espaços comerciais e restaurantes permanecem abertos e as ruas estão movimentadas.

Funcionários de restaurantes, universidades ou mercados foram sujeitos a testes de ácido nucleico, como condição para manter os negócios abertos.

As autoridades testaram centenas de milhares de pessoas, desde que o surto foi detetado. Imagens difundidas nas redes sociais mostram filas ao longo de avenidas inteiras, com milhares de pessoas a aguardarem para realizar o teste em diferentes partes da capital chinesa.

Ao decretar o segundo nível de emergência, os comités de bairro voltaram a verificar a identidade e o estado de saúde dos residentes e a medir a temperatura à entrada em algumas zonas da cidade.

Salmão e falências

O Conselho de Estado chinês divulgou também ontem um conjunto de directrizes para impedir a propagação do vírus durante o Verão e aconselhou os residentes a limparem regularmente os aparelhos de ar condicionado.

“Se o coronavírus circula pelo ar, há risco de contágio, mesmo que seja baixo. Por isso, aconselhamos que os aparelhos de ar condicionado sejam verificados e desinfectados”, disse um funcionário, em conferência de imprensa.

O executivo enfatizou que a população deve acostumar-se a ser “flexível” e a respeitar as medidas adoptadas, dependendo do nível de emergência.

O mesmo funcionário rejeitou a possibilidade de o surto ter tido origem em salmão importado, contrariando a tese avançada pela imprensa estatal e responsáveis do município de Pequim. “Temos que manter uma atitude científica”, disse.

Nos supermercados da capital chinesa, o salmão desapareceu esta semana das prateleiras, enquanto nas aplicações de entregas ao domicílio, como o Eleme ou o Meituan, pratos com aquele peixe passaram a estar indisponíveis.

“Tivemos que tirar o salmão do menu”, explicou a funcionária de um restaurante à agência Lusa. “Muitos clientes ficaram preocupados”, disse.

Numa altura em que vários espaços comerciais, outrora com restaurantes sempre cheios e com fila à porta, surgem abandonados em Pequim, ilustrando a vaga de falências no sector, a hipótese de que a cadeia alimentar possa ter contribuído para o novo surto ameaça os que sobreviveram.

“Houve muitos restaurantes que encerraram na primeira vaga”, contou um ‘chef’ estrangeiro radicado na capital chinesa. “Agora, vamos levar a machadada final”, previu.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 456 mil mortos e infectou mais de 8,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

22 Jun 2020

Covid-19 | A resposta de Pequim ao ressurgimento de casos

Voos cancelados, escolas encerradas e um regresso ao confinamento são algumas das medidas que Pequim está a avançar para travar a disseminação de um novo surto de covid-19 que tem vindo a evoluir nos últimos dias na capital chinesa.

Esta quarta-feira, a China diagnosticou 44 novos casos da doença covid-19, incluindo 31 em Pequim, após um surto detectado no principal mercado abastecedor da capital do país.
A cidade com 21 milhões de habitantes aumentou o nível de emergência na terça-feira, visando conter a disseminação deste novo surto, que soma 137 casos nos últimos seis dias, após dois meses sem registos de novos contágios.

Origem desconhecida

No início do ano, no auge da epidemia do novo coronavírus na China, Pequim foi classificada como uma espécie de “Grande Muralha Sanitária”, uma vez que todos aqueles que chegassem de fora eram colocados imediatamente e obrigatoriamente em quarentena.

Como resultado, e segundo os dados oficiais disponíveis, foram apenas registados 597 casos de infecção e nove vítimas mortais na capital chinesa.

Em Maio, várias medidas de restrição seriam suspensas, num sinal de normalização gradual no país.
Apenas as ligações aéreas internacionais se mantiveram como excepção. As companhias aéreas continuam a não poder aterrar diretamente em Pequim para evitar os chamados casos de contaminação “importados” do estrangeiro.

O aparecimento de um novo caso na semana passada na metrópole chinesa veio reavivar os receios de uma nova vaga de contaminação.

Dezenas de pessoas que trabalham ou frequentam o mercado abastecedor de Xinfadi (na zona sul de Pequim) acabaram por testar positivo para o novo coronavírus.

O local, o principal mercado abastecedor de produtos frescos da capital chinesa, terá sido frequentado por mais de 200 mil pessoas desde 30 de Maio, de acordo com as autoridades locais.

A origem deste novo foco de contágio mantém-se, até ao momento, desconhecida.
Os ‘media’ chineses avançaram que o novo coronavírus tinha sido detectado, nomeadamente, nas tábuas utilizadas para cortar o salmão importado neste mercado.

No entanto, segundo realçou o epidemiologista e chefe do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, Wu Zunyou, “isso não é suficiente para certificar que (o vírus) provém de produtos do mar importados”.
“Poderá (também) ter vindo de uma pessoa infectada”, admitiu o especialista, em declarações citadas pelas agências internacionais.

Plano de actuação de Pequim

A capital chinesa está a regressar às medidas de confinamento e ao encerramento de várias estruturas, como escolas, que já tinha reaberto maioritariamente e ontem voltaram a ser encerradas. Os pavilhões desportivos também voltaram a ser fechados.

Bares, restaurantes e lojas terão novamente de fechar portas ou impor restrições aos clientes, como a medição da temperatura corporal ou limitar o número de pessoas nos respectivos espaços.

Também está em curso uma operação de desinfecção nos restaurantes da capital e 11 mercados de Pequim estão totalmente ou parcialmente fechados.

As autoridades locais lançaram uma vasta campanha de rastreio, e, desde sábado, foram testadas cerca de 356 mil pessoas, de acordo com informações oficiais.

Na terça-feira, as autoridades de Pequim exortaram os habitantes a evitarem as viagens “não essenciais” para fora da cidade, proibindo os residentes das áreas afectadas pelo novo surto a saírem da capital.
Neste momento, 27 bairros de Pequim estão em quarentena.

Muitas cidades e províncias já estão a impor, neste momento, o cumprimento de uma quarentena aos viajantes procedentes de Pequim. Ontem, os dois aeroportos da capital cancelaram mais de mil voos e a capacidade de lotação dos transportes públicos foi reduzida para 75%.

“Um passo à frente”

Um porta-voz das autoridades locais, Xu Hejian, afirmou ontem que Pequim está empenhada nesta “corrida contra o tempo” face ao novo coronavírus. A capital chinesa deve “estar sempre um passo à frente da epidemia e tomar medidas mais restritivas, decisivas e determinadas”, reforçou o representante.

Na segunda-feira, um alto funcionário chinês chegou a admitir que o encerramento das escolas pode durar até ao Outono e, perante tal eventualidade, foi pedido às escolas que fornecessem mais conteúdos educativos através da Internet.

Apesar do ressurgimento de casos da doença covid-19, as agências internacionais descreveram ontem que Pequim se mantém uma cidade movimentada, apesar de um expressivo decréscimo no tráfego diário, e sem uma aparente sensação de pânico.

As autoridades “aumentaram o nível de risco de epidemia em algumas ruas ou bairros, mas não em toda a cidade”, afirmou Lu Jiehua, professor de sociologia na Universidade de Pequim, citado pela agência France Presse (AFP).

18 Jun 2020