Rita Santos, membro do Conselho das Comunidades Portuguesas: “Só se lembram de nós quando aqui estamos” Andreia Sofia Silva - 30 Nov 2022 Rita Santos / HM Conversámos em Lisboa com Rita Santos, representante máxima da Ásia e Oceânia no Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, sobre a importância e influência do organismo nas decisões do Governo português e sobre a polémica das pensões, que tem marcado a agenda mediática. Quanto à perda do estatuto de residente dos delegados do Fórum Macau, Rita Santos diz que o Governo de Macau “não fez por mal” Está em Portugal pela segunda vez num espaço de poucos meses. Que balanço faz das várias reuniões de trabalho desta viagem? No passado mês de Julho, o Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas (CPCP) reuniu em Portugal, e um dos objectivos era discutir a revisão da lei do Conselho. Na altura o PS [Partido Socialista] tinha dito que iria apresentar em Outubro a proposta de revisão ao Parlamento. Pensámos que nesta fase de revisão orçamental [a discussão do Orçamento para 2023 terminou na semana passada] poderíamos apresentar as nossas opiniões. A proposta em causa tem uma parte solicitada por nós, que é o aumento do número de conselheiros de 80 para 100, mas tanto o PS como o PSD [Partido Social-Democrata] propõem um aumento de 80 para 90. Tal deve-se ao aumento de eleitores por causa do recenseamento automático, tudo para que a comunidade portuguese fique mais bem representada. Que outras propostas partiram dos conselheiros? O aumento do nosso orçamento. Propusemos mais de 400 mil euros, mas só autorizaram 250 mil. Se houver reunião do plenário, todos os conselheiros do mundo têm de ter um orçamento adequado. O adiamento das eleições é alheio ao conselho. Inicialmente, foi dito que iria ser implementado o projecto piloto do voto electrónico nas nossas eleições, mas parece que isso não vai avante. Porquê? Não nos deram razões preponderantes. Ficámos com a sensação de que o projecto piloto do voto electrónico está suspenso. Reunimos com um representante do Ministério da Administração Interna (MAI) que diz que vai haver uma alteração substancial, de tal forma que, se os eleitores não conseguirem receber o voto postal, podem votar pessoalmente. Mas isso não resolve o problema, porque há países onde votar implica longas horas de viagem. Mas voltando à lei do CPCP, todos os partidos esperavam a proposta do PS, mas no dia da reunião o PSD disse que ia apresentar também uma proposta sobre a mesma lei, com novas ideias, a fim de dar mais dignidade aos conselheiros, incluindo a criação de um passaporte de serviço especial. Queremos que as eleições para eleger os membros do CPCP decorram no segundo semestre de 2023, mas está tudo dependente da alteração da lei para podermos marcar as eleições. Tanto o PSD como o PS concordaram ainda, por exemplo, que haja uma consulta obrigatória ao CPCP em matérias políticas relacionadas com a comunidade. Isso não tem acontecido. Não. No caso do pedido de nacionalidade dos netos de portugueses pediram. Mas queremos que seja sempre, pois somos um órgão consultivo. A nossa proposta de revisão passa também pela integração, da parte dos conselheiros nos conselhos consulares das regiões onde residem. No nosso caso, não temos problemas em Macau porque temos boas relações com o cônsul, mas noutros países e regiões, se não houver boa relação, as reuniões não acontecem. Queremos também maior paridade nos órgãos do CPCP. Pedimos também um gabinete de apoio, porque os conselheiros trabalham todos por sua iniciativa, queremos uma estrutura melhor, com mais funcionários para a emissão dos pareceres. Acha que o papel do CPCP tem sido subaproveitado? Da minha parte, em Macau, por causa da nossa boa relação com o cônsul, as coisas funcionam bem. Mas Portugal só se lembra de nós quando estamos aqui [em Lisboa]. Não é agradável dizer isso. Falamos com o Presidente da República e ele diz-nos que tem sensibilidade para com o assunto, e diz que somos os embaixadores de Portugal lá fora. Disse-lhe que as nossas associações de matriz portuguesa promovem a cultura e a gastronomia, inclusivamente na área dos negócios. Ele [Marcelo Rebelo de Sousa] disse que é bom continuar a apostar na diversificação económica, sem depender do jogo, continuando Macau a ser uma plataforma. Nós, conselheiros, somos da opinião unânime de que temos de ser ouvidos. Desta vez, com os grupos parlamentares, penso que estão mais sensibilizados. Focamos o nosso discurso no CPCP e não noutras áreas. As associações de matriz portuguesa enfrentam dificuldades de financiamento. Acha que Portugal deveria dar-lhe uma atenção especial? A Casa de Portugal é como uma miniatura de Portugal em Macau. Há o apoio ao associativismo, mas o valor é uma miséria e nem dá para pagar a electricidade. O dinheiro acaba por não conseguir abranger Macau. A Associação dos Macaenses também promove Portugal. Espero que o país mostre maior carinho para com essas associações que trabalham arduamente. Sem elas Macau não tem a sua especificidade, que é acarinhada pela República Popular da China. Eu sei disso porque tenho contactos. Eles querem que continuemos a trabalhar para esse efeito. Com o projecto do voto electrónico para o CPCP suspenso, vai demorar bastante tempo até que os emigrantes possam votar online. Não sei porque demora tanto tempo. Não sabemos o porquê de tanto tempo. Da reunião com o MAI entendemos que há mais vontade de continuar com o voto postal e presencial. Não se tocou uma palavra na questão do voto electrónico e não sabemos qual o calendário. Sobre a questão do não pagamento do complemento de pensões a reformados fora de Portugal. Defende que foi um erro técnico do Ministério das Finanças. Houve uma falha técnica que não partiu da vontade do primeiro-ministro [António Costa]. Não é possível que o universo dos pensionistas a viver fora de Portugal, que é reduzido, possa ficar de fora deste complemento extraordinário de pensões. Não é um valor significativo, não vejo razões para a discriminação. Simplesmente esqueceram-se que a palavra “nacional” abarca apenas os idosos que residem em Portugal. Os idosos em Macau perderam cerca de 30 por cento do valor real das pensões desde a transferência de soberania, não ganham as sete mil patacas todos os anos e temos ainda de considerar a inflação. Reuniu com dirigentes da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. A situação que Macau vive relativamente à pandemia está a atrapalhar a vida aos empresários. Cem por cento. O que é que os jovens chineses e macaenses pensam? Desenvolvem o comércio online e querem que que a população local conheça melhor os produtos portugueses através desta plataforma online para depois ser mais fácil entrar no mercado chinês. O segundo passo é resolver a inspecção e legislação sanitária. A única carne que é possível exportar para a China é a carne de porco, sem a parte da cabeça. O resto tem de ser submetido à inspecção sanitária e a um percurso grande. Pergunto: um empresário de Macau consegue fazer isto? Não, tem enormes gastos. Além do vinho e carne de porco, nada mais pode entrar. O mercado de Macau é muito pequeno. Há muitos entraves de natureza burocrática para que a plataforma de Macau funcione em pleno? Tem de haver, da parte de cada país, uma discussão sobre as questões de inspecção e higiene sanitária. O Brasil é o país mais avançado nesse aspecto, porque o açúcar e a carne de vaca podem entrar, por exemplo. Tudo depende da iniciativa do país que exporta, por isso Portugal tem de ter mais iniciativa nesse sentido. Foi notícia a perda da residência dos delegados do Fórum Macau. O que pensa sobre isso? Quando fizeram a nova lei da emigração não tiveram essa sensibilidade. Não alertaram o Governo, que não fez por maldade. Tenho acompanhado o processo e cruzo-me com os delegados, que falam comigo. É preciso resolver esse assunto, por uma questão de dignidade. Nesta fase, não deveria ter sido feita esta alteração, porque o Fórum Macau é reconhecido pela própria China e os países de língua portuguesa. Os delegados têm de ter qualidade de vida para fazer este trabalho. Que balanço faz do mandato de Paulo Cunha Alves e expectativas para o novo cônsul, tendo em conta a progressiva redução da comunidade portuguesa? Não temos nenhuma queixa do doutor Paulo Cunha Alves porque ele resolve pontualmente todos os nossos problemas, incluindo as emergências dos portugueses em Hong Kong e alguns pensionistas de Macau que ficaram retidos em Hong Kong e que tiveram de tratar da prova de vida. Ajudou na emissão de vistos para chineses viajarem para Portugal bem como outros assuntos. Conversámos sobre a saída gradual dos portugueses e o sentimento geral que se vive na comunidade.
Voltando ao carmim Carlos Coutinho - 29 Nov 202229 Nov 2022 Artemisia Gentileschi, Autorretrato Também podemos imaginar o que seria ser mulher no tempo de Artemisia Gentileschi pelo carmim que a grande pintora italiana, contemporânea de Vermeer, usou na construção do seu “Autorretrato” pintado em Nápoles entre 1638 e 39 (óleo sobre tela, 96,5 x 73,7 cm) e que agora podemos ir ver a Londres em The Royal Collection da National Galery, onde está desde 16.2.2018. É certo que Artemisia prefere um denso azul mediterrânico para o lenço que lhe cobre parte da cabeleira loira, o seu nariz é idêntico na forma e no ângulo de captura ao da rapariga do holandês de Delft e o queixo de ambas não comporta a erótica covinha que faz o misterioso apelo estético de tantos rostos femininos, tanto em humana carne como em pintura. Também o subqueixo difere, existindo apenas na terna Gentileschi, e, nesta, a mão que guarda uma espécie de adaga vegetal tem a doçura suprema imaginável em certa exterioridade juvenil, seja na forma das unhas, seja na fisionomia viva dos dedos. Mas as pupilas mostram, em ambos os casos, a líquida janela que dá para um mundo insondável, lá atrás, talvez muito lá atrás, em que apenas difere a tonalidade da substância carnal da íris. Só que a obliquidade dos lábios fechados e a sua carnação irresistível à fúria de um impulso voluptuoso apenas cede à frescura do carmim que é tão promissora em Artemisia como em Vermeer. O resto é um conjunto muito coerente de tons rosa e encarnado que talvez na Holanda não existissem, mas que em Nápoles abundam muito variadamente, com o sol local que se alarga e vibra entre as portas de Hércules, a oeste, e a Creta helénica ou mesmo perto dos sonhos de Gilgamesh que precedem o deserto. Se eu fosse perito em qualquer das disciplinas que atacam na área cada vez mais indefinida das artes plásticas, ou mesmo na vastidão já degradada da História da Arte, estaria agora ocupadíssimo com alguns destes pormenores do “Autorretrato” e a relacionar a especificidade orgânica de Caravaggio, Rembrandt, Rubens, Velasquez, Van Dyck, Poussin, ou Murillo e mais alguns, sobretudo na Espanha. Talvez até enfrentasse o risco de ir ver imagens da recém-falecida Paula Rego, Vieira da Silva, Frida Kalo, Mary Kassatt, Leonora Carrington, e, acima de tudo, da genial Sofonisba Anguissola, assim como de Berthe Morissot, Elisabet Sonrel, Suzanne Valadon, Anne Fragonard, Elisabeth Louise de Vigée-le Brun, que retratou Marie Antoinette. É possível uma explicitação tão rigorosa da futilidade real, na Franca rococó ou em qualquer outra corte europeia? Mas fico-me por este deslumbramento pessoal que, por ser meu, chega e sobra para continuar completamente indefeso perante o poder da beleza.
PJ | No combate à destruição social promovida por forças externas João Luz e Nunu Wu - 29 Nov 2022 DR O combate à possibilidade de infiltrações de forças externas em Macau e à contaminação social por actores anti-China foram prioridades elencadas ontem pelo subdirector da Polícia Judiciária (PJ), Lai Man Vai, no programa Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau. A emissão de ontem teve como tema os trabalhos previstos pelas Linhas de Acção Governativa da área de segurança para o próximo ano. “Os nossos trabalhos vão estar focados em várias áreas, incluindo a defesa de segurança nacional. Participamos activamente nas alterações da lei, e vamos reforçar a prevenção contra a infiltração, intervenção e destruição da sociedade de Macau por forças externas”, afirmou o responsável da PJ, mais uma vez sem concretizar que perigos ameaçam o território. “Também analisamos os factores que provocam instabilidade e que podem afectar a segurança nacional e Macau, através de uma avaliação permanente de possíveis riscos e reforçando o controlo durante eventos de grande envergadura”, acrescentou Lai Man Vai. O subdirector da PJ indicou ainda que as autoridades se vão focar também no combate aos crimes informáticos, burlas online e ilícitos relacionados com casinos. Uma das apostas vai continuar a ser a sensibilização de jovens, em particular de estudantes universitários. O responsável adiantou que o Governo está a estudar a possibilidade de estabelecer no território um departamento policial dedicado anti-fraude. Trabalho na mira Um dos crimes mais estigmatizados hoje em dia é o contrabando, muito por culpa das medidas restritivas de combate à pandemia, que estará na mira das autoridades no próximo. O representante do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), Leong Heng Hong, revelou ainda que o Governo irá instalar equipamentos nos postos fronteiriços que dispensam a fiscalização por agentes da alfândega, através da leitura de um código QR gerado na Conta Única. O CPSP terá ainda como missão combater o trabalho ilegal e identificar os trabalhadores não-residentes que desempenhem funções diferentes das estabelecidas nas autorizações de permanência no território.
Novo modelo laboral David Chan - 29 Nov 2022 Como referimos a semana passada, 70 empresas do Reino Unido têm vindo a participar na campanha dos 4 dias de trabalho semanal, nos últimos seis meses. Durante este período, as empresas serão seguidas por equipas das Universidades de Oxford e Cambridge que vão observar os resultados produtivos, a reacção dos empregados a esta nova política e outros indicadores. A campanha define que os salários sejam pagos a 100 por cento e que as horas de tralho sejam reduzidas para 80 por cento, contando que as empresas mantenham a produção a 100 por cento. Este modelo é vantajoso tanto para as empresas como os para os trabalhadores. Os colaboradores trabalham menos horas, o que significa que usufruem de mais horas de descanso. Com a redução do horário laboral, os custos operativos como as contas da água e da electricidade baixam. Além disso, as empresas ficam com o mérito de reduzir a carga laboral dos seus trabalhadores, o que é benéfico para ambas as partes. No entanto, existem serviços em que é impossível reduzir o horário laboral, como, por exemplo, aqueles que implicam contacto com o público. Como é que um empregado de mesa vai poder trabalhar menos horas? Além disso, num ambiente académico, um professor responsável por um curso com um determinado número de horas poderá reduzir o seu horário de trabalho? Algumas empresas opõem-se à redução do horário laboral, com é o caso da Telsa que enviou emails aos empregados a estipular claramente que teriam de trabalhar presencialmente 40 horas semanais, porque o trabalho presencial permite que os colaboradores comuniquem mais eficazmente entre si e produzam mais rapidamente. Depois do surto epidémico, por causa do isolamento, muitas empresas colocaram os empregados em tele-trabalho. É difícil dizer se a partir de casa as pessoas trabalham mais ou menos horas, mas é certo que a pandemia levou mais pessoas a trabalhar a partir de casa e a passar mais tempo com as suas famílias. A Austrália fez um inquérito sobre recursos humanos em 2022, para tentar determinar os 10 motivos que levam as pessoas a despedir-se. Por ordem de importância, aparecem a falta de qualidade de gestão, a falta de respeito, a deficiente gestão de colaboradores, a falta de compensação, a falta de equilíbrio entre vida profissional e pessoal, a localização geográfica, a falta de qualidade dos colaboradores e a falta de perspectivas de futuro. Oportunidades de carreira, reconhecimento e ética. Entre estes factores, a qualidade de vida dos trabalhadores é significativamente mais valorizada do que a localização do trabalho, o que demonstra que antes da pandemia, as pessoas tinham sempre que se deslocar até ao local de trabalho, o que implicava gastar tempo e dinheiro. Depois da pandemia, as pessoas podem trabalhar a partir de casa. No caso de poderem escolher entre o trabalho presencial e o trabalho a partir de casa, cada pessoa verá o que mais lhe convém. O equilíbrio obtido entre a carga laboral e os tempos livres também reflecte a administração empresarial. A empresa Vynamic proíbe que se enviem emails aos trabalhadores entre as 22.00h e as 6.00h do dia seguinte e durante o fim de semana. As leis laborais em França e na Alemanha também estipulam que não se podem enviar emails aos empregados, nem contactá-los a propósito de assuntos de serviço através qualquer software de comunicação, fora do horário de trabalho. O objetivo dos vários regulamentos é garantir o direito dos colaboradores ao descanso, ou seja, garantir o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal. A redução de horário e o trabalho a partir de casa não estão necessariamente relacionados entre si, mas a combinação destes dois factores pode afectar o novo modelo laboral. Se a empresa aderir ao novo modelo e permitir que os empregados trabalhem a partir de casa, tem naturalmente de configurar as ferramentas necessárias e o horário de trabalho pode ficar mais indefinido. Partindo do princípio que o horário de trabalho na empresa é das 9h às 17h, se o empregado ainda estiver a trabalhar em casa às 19.00, assume-se que está a trabalhar no seu tempo livre. Nessa altura, se tiver um acidente, fica coberto pelo seguro de trabalho? Além disso, os empregados que trabalham a partir de casa não precisam de ir ao escritório. Assim sendo, é difícil para a empresa aperceber-se a situação real dos colaboradores e é possível que estes trabalhem a partir de casa para outra empresa ao mesmo tempo, o que cria um problema de fidelização dos trabalhadores. A redução do horário de laboral e o trabalho a partir de casa são dois factores diferentes que estão relacionados entre si e que afectam os padrões de trabalho pós-pandemia. Embora o novo modelo de trabalho possa ter trazido vantagens tanto a empregados como a empregadores, também levantou muitos problemas. Para se aderir a este novo modelo, estes problemas têm de ser resolvidos. Estas questões não só requerem uma negociação entre os empregados e a empresa, como se necessário, uma intervenção social no sentido de se criar legislação que obrigue todas as partes a cumprir as regras. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão do Instituto Politécnico de Macau Blog: http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog Email: legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk
Guia Michelin quer “colocar Portugal no mapa da culinária mundial” Hoje Macau - 29 Nov 2022 A gastronomia portuguesa está a evoluir rapidamente e o Guia Michelin quer colocar Portugal no mapa da culinária mundial, disse o director internacional da publicação, justificando a decisão de passar a apresentar a selecção de restaurantes de forma independente. “Os nossos inspetores têm vindo a acompanhar a evolução da paisagem culinária, há anos. A decisão que partilhámos de publicar uma selecção dedicada é porque não só acreditamos no potencial da actual cena culinária portuguesa, mas também porque estamos ansiosos e acreditamos definitivamente que mais irá acontecer”, afirmou, em entrevista à Lusa, o director internacional do Guia Michelin, Gwendal Poullennec. O responsável anunciou na semana passada, na gala de apresentação da edição de 2023 do Guia Michelin Espanha e Portugal, que decorreu na cidade espanhola de Toledo, que as cerimónias de apresentação das selecções de restaurantes dos dois países passarão a ser realizadas de forma separada, algo inédito em mais de uma década. Portugal, disse, “é um lugar cada vez mais atraente para jantar fora e o cliente será ainda mais exigente e isso contribuirá para elevar a fasquia”. “Para nós, o futuro da cozinha portuguesa parece muito brilhante, com um ritmo de desenvolvimento realmente forte”, sustentou Poullennec. “Queremos colocar Portugal no mapa da culinária mundial, com um espaço de tempo e um evento dedicados para colocar o centro das atenções na identidade culinária portuguesa”, comentou o director internacional. O facto de Portugal passar a ter uma selecção autónoma e um evento próprio para o anúncio não é sinónimo de que os restaurantes nacionais venham a conquistar mais distinções ou mesmo a classificação máxima de três estrelas (‘cozinha excepcional, merece uma viagem’) – algo que nunca aconteceu até agora. “Aplicamos a mesma metodologia em todo o mundo, não temos números predefinidos, nem comprometemos os nossos valores ou a nossa abordagem”, salientou. Boas notas Na edição do próximo ano do guia ibérico, Portugal conquistou cinco distinções de uma estrela (‘cozinha de grande nível, compensa parar’), totalizando 31 restaurantes com esta classificação e sete com duas estrelas (‘cozinha excelente, vale a pena o desvio’). Instado a comentar o que falta aos restaurantes portugueses para alcançarem a distinção máxima, Gwendal Poullenec respondeu: “Talvez aconteça e esperemos que aconteça um dia”. “Há muitos países no mundo sem restaurantes a nível de três estrelas. A Tailândia, por exemplo, que é uma potência culinária, não tem restaurantes com três estrelas”, comentou. O guia de 2023 reúne um total de 1.401 restaurantes em Espanha, Portugal e Andorra, incluindo 13 com três estrelas, 41 com duas estrelas e 235 com uma estrela, além de 831 recomendados pela sua qualidade (135 novos, 15 em Portugal). Os inspectores do Guia Michelin, que trabalham de forma anónima, valorizam a qualidade dos produtos, o domínio dos pontos de cozinha e das texturas, o equilíbrio e harmonia dos sabores, a personalidade da cozinha e a regularidade.
FRC | Mostra da ARTM inaugura hoje com convite a viagens interiores João Luz - 29 Nov 2022 DR É inaugurada hoje a exposição a Mostra Anual da ARTM, “Atravessando as Fronteiras Interiores – É hora de viajar!”, na galeria da Fundação Rui Cunha. A exposição é composta por peças de cerca de duas dezenas autores, que variam entre pintura e cerâmica A expressão artística pode funcionar por vezes como um exercício de autoanálise com efeitos terapêuticos e uma abordagem no processo de recuperação utilizado por instituições como o Centro de Serviços Integrados de Ká Hó da ARTM – Associação de Reabilitação de Dependências de Macau (ARTM). Todos os anos, a instituição de acção social apresenta uma selecção de trabalhos que resultam dessa abordagem terapêutica. É nesse contexto que se inaugura hoje, às 18h30, a Mostra Anual de Artesanato “Atravessando as Fronteiras Interiores – É hora de viajar!” na galeria da Fundação Rui Cunha (FRC). A exposição reúne trabalhos de cerca de 20 participantes, em processo de recuperação, do Centro de Serviços Integrados de Ká Hó da ARTM. Este ano, a selecção de trabalhos manuais inclui cerca de 20 pinturas a óleo, 10 aguarelas e 50 peças de cerâmica, muitas delas inspiradas no imaginário das festividades do Natal, não fugindo à quadra que se aproxima. Em comunicado, a organização da mostra refere que “nos últimos anos, as artes têm sido uma componente essencial no quotidiano da comunidade terapêutica da ARTM, através de diferentes actividades e técnicas, com vista a promover a cura física, mental, emocional e espiritual dos pacientes, permitindo o seu crescimento ao longo do processo individual de mudança”. Da auto-descoberta O mote desta edição teve como base uma frase do escritor moçambicano Mia Couto: “A viagem não começa quando se percorrem distâncias, mas quando se atravessam as nossas fronteiras interiores”. Partindo das palavras do incontornável autor moçambicano, a ARTM acrescenta: “A coragem ajuda a percorrer os lugares desconhecidos, que estão dentro de nós e que por vezes trazem à consciência desconforto, dor e medo daquilo que se vai encontrar. É uma viagem de descoberta do Eu, Tu, e do Nós. Uma viagem onde se aprende a caminhar devagar, ao ritmo de cada um e sem pressa de chegar”. A mostra, que tem sido apadrinhada pela FRC desde 2020, é um momento importante de celebração dos resultados alcançados por cada participante no percurso de reintegração na sociedade local. A Associação de Reabilitação de Dependências de Macau é uma organização local sem fins lucrativos, que oferece programas terapêuticos para a recuperação da toxicodependência e outras dependências, como o jogo e o álcool. A instituição também desenvolve serviços de orientação e acompanhamento dos ex-dependentes, bem como serviços de prevenção primária para jovens, famílias, escolas e comunidade, num forte compromisso com a saúde pública e os direitos humanos. A exposição vai estar patente até ao dia 3 de Dezembro e a entrada é livre.
Taiwan | Derrota eleitoral do PDP significa “ilha a favor da paz” Hoje Macau - 29 Nov 2022 As visitas de políticos ocidentais, que agravaram sobremaneira as relações com o continente, tiveram um efeito contrário ao que pretendiam os dirigentes de PDP, que perderam o controlo sobre as mais importantes cidades As escolhas dos residentes de Taiwan, que fizeram o Partido Democrático Progressista (PDP) perder os seus lugares-chave como Taipé, Taoyuan e Hsinchu nas eleições locais da ilha, foram um “Não” estrondoso às políticas das autoridades do PDP numa vasta gama de tópicos relacionados com a subsistência das pessoas, incluindo a caótica resposta COVID-19 e a incapacidade de controlar o aumento dos preços, e também demonstraram que a “aposta da ameaça da China” de Tsai Ing-wen teve um efeito contrário. “Tais resultados provaram que a opinião pública dominante na ilha era a favor da paz”, disseram as autoridades chinesas do continente sobre os assuntos de Taiwan, enquanto prometiam continuar a trabalhar com a população para “promover o desenvolvimento pacífico das relações entre as duas margens do Estreito” e opor-se firmemente “à interferência externa”. O PDP conseguiu cinco dos 21 postos de “prefeitos de cidade” e “chefes de condado” e o Kuomintang (KMT) conseguiu 13. Nos seis “municípios especiais”, nomeadamente Nova Taipé, Taoyuan, Taichung, Tainan e Kaohsiung, quatro estavam nas mãos do KMT enquanto o PDP mantinha Tainan e Kaohsiung no sul. O Partido Popular de Taiwan, fundado em 2019, ficou com Hsinchu, e os outros dois postos foram para pessoas sem filiações partidárias, de acordo com os meios de comunicação social de Taiwan. Os resultados eleitorais estavam amplamente em linha com as antecipações e o cenário nas eleições locais de 2018. A perda do DPP do norte de Taiwan, onde os esforços de campanha se concentraram para ambos os partidos, levou Tsai Ing-wen a renunciar à presidência do DPP, mas ela continuará a servir como líder até 2024, de acordo com a Reuters. Tsai tinha considerado as eleições como” sendo mais do que uma votação local”, dizendo que “o mundo estava a observar como a ilha de Taiwan defende a sua democracia” no meio de tensões com o continente, mas a estratégia “não conseguiu compensar e ganhar o apoio do público”, disse a Reuters. Wang Jianmin, um perito da Universidade Normal de Minnan, na província de Fujian, disse que o PDP perdeu o apoio das pessoas devido às suas falhas no tratamento de muitos assuntos internos relativos à subsistência pública e aos escândalos frequentes que violam os “valores” de que se gabava. “A corrupção e o nepotismo violaram severamente o que o PDP tinha prometido ao povo”, disse Wang, e citou em particular o escândalo da integridade académica do ex-prefeito de Hsinchu, Lin Chih-chien. O grau e diploma de Lin foram revogados pela Universidade Chung Hua por um grave plágio na sua tese de mestrado, noticiada pelos meios de comunicação social da ilha em Agosto. Embora Lin tenha mais tarde desistido das eleições para Taoyuan, o escândalo “frustrou gravemente a jovem geração, a base de voto tradicional do PDP” e o novo candidato foi visto como estando “no mesmo campo de Lin” e perdeu a integridade política, disse Wang. Os analistas também concordaram que não era surpreendente que as autoridades do PDP não pudessem agarrar Taoyuan quando nomearam Chen Shih-chung como o candidato a presidente da câmara, apesar do desagrado público. O desempenho de Chen no controlo da COVID como chefe da autoridade de saúde irritou muita gente. Lin, Chen e muitos outros funcionários do DPP que não foram punidos ou foram indulgentes por violações graves puseram em destaque “os dois pesos e duas medidas do PDP, o que as pessoas comuns ressentem”, disse Wang. Zheng Boyu, vice-presidente da Associação para as Empresas de Taiwan do Conselho da Juventude de Pequim, disse que a taxa de votação foi bastante baixa este ano. Nos seis “municípios especiais”, a taxa média de votação foi de 60,17%, uma queda de 6 pontos percentuais em relação a 2018, relataram os meios de comunicação locais. As autoridades do DPP em Fevereiro flexibilizaram a proibição de importação de alimentos das cinco prefeituras do Japão em redor do local do desastre nuclear de Fukushima 2011. A “comida nuclear”, como os residentes de Taiwan lhe chamam, foi finalmente aprovada depois de ter sido proibida durante mais de 10 anos. Apesar da oposição de 75% do público, as autoridades do DPP, em 2020, chamaram de “verde” a carne de porco americana com ractopamina, uma vez que contavam completamente com os EUA para continuar a “aposta da ameaça da China”. Apelo à paz Em Pequim, Zhu Fenglian, porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, disse que os resultados eleitorais mostraram que a opinião pública em Taiwan era a favor da “paz, estabilidade e uma boa vida”. “Vamos continuar a trabalhar com o povo de Taiwan para promover o desenvolvimento pacífico das relações entre as duas margens do Estreito e opor-nos firmemente à independência de Taiwan e à interferência externa”, disse Zhu. As autoridades do PDP também ponderaram o prolongamento do serviço militar obrigatório, uma ideia muito impopular entre os jovens. Com o KMT a recuperar Taipé e Taoyuan, Li Zhenguang previu que alguns mecanismos de intercâmbio de cidade a cidade com o continente chinês poderiam ser restaurados e funcionar melhor, tais como o fórum de Taipé-Shanghai. Com a manutenção desses canais, existem algumas oportunidades, ou uma janela, para que ambos os lados do Estreito de Taiwan comuniquem. Enquanto o mecanismo existir, há esperança, disse Li. Mas os observadores também disseram que a principal tendência da situação entre as duas margens do Estreito está a ser cada vez mais afectada pelas relações internacionais, em particular as relações China-EUA, em vez dos laços entre as duas margens do Estreito.
BBC | Repórter preso em Xangai “não se identificou como jornalista” Hoje Macau - 29 Nov 2022 DR A China disse ontem que o jornalista da BBC, detido no domingo, durante um protesto em Xangai, não se identificou como jornalista, após a cadeia televisiva britânica ter revelado que um dos seus colaboradores foi preso e “espancado” pela polícia. “De acordo com aquilo que nos foi transmitido pelas autoridades competentes em Xangai, ele não se identificou como jornalista e não apresentou voluntariamente as suas credenciais de imprensa”, disse Zhao Lijian, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, apelando à imprensa estrangeira que “respeite as leis e regulamentos chineses enquanto estiverem na China”. A televisão pública britânica, através de um porta-voz, mostrou-se “muito preocupada”, no domingo, ao confirmar que o repórter de imagem Edward Lawrence “foi atacado” em Xangai, como demonstram imagens partilhadas nas redes sociais, nas quais se vêem agentes da policia a arrastarem o jornalista algemado pelo chão.
Protestos na China | Governo relaxa medidas e promete que luta contra vírus será um sucesso Hoje Macau - 29 Nov 2022 DR A China relaxou ontem algumas medidas de prevenção epidémica, mas garantiu que a estratégia ‘zero covid’ “vai culminar em sucesso”, depois de manifestações contra confinamentos e testes em massa se terem alastrado por várias cidades. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Zhao Lijian, acusou “forças com motivações ocultas” de “estabelecerem uma ligação” entre um incêndio mortal na cidade de Urumqi, no noroeste da China, e as medidas de bloqueio impostas no âmbito da estratégia de ‘zero casos’ de covid-19. Sob a “liderança do Partido Comunista Chinês e (com) o apoio do povo chinês, a nossa luta contra a covid-19 vai culminar em sucesso”, assegurou Zhao, em resposta à vaga de protestos ocorrida nos últimos dias. As autoridades anunciaram ontem, porém, o relaxamento de algumas medidas de prevenção epidémica em diferentes áreas do país, após os protestos dos últimos dias, mas ressalvaram que a estratégia de “zero casos” vai ser mantida. No fim de semana, centenas de grupos de moradores em Pequim saíram dos seus condomínios, rompendo de facto com as medidas de prevenção epidémica vigentes na China, enquanto manifestações se alastraram por várias cidades chinesas contra a imposição de medidas de confinamento. Urumqi retoma transportes e produção As autoridades locais em Urumqi, capital da Região Autónoma Xinjiang Uygur do Noroeste da China, anunciaram no domingo que a cidade retomará gradualmente os transportes públicos e a produção relacionada com a subsistência das pessoas em áreas de baixo risco, um dia depois de a cidade ter declarado que basicamente limpou os casos da COVID-19 a nível comunitário e ter prometido restaurar a ordem nas vidas dos residentes em áreas de baixo risco de uma forma faseada. A China Southern Airlines disse que já retomou quatro rotas a partir de Urumqi. Estas incluem voos de Urumqi para Changsha, Sanya, Zhengzhou, e Chongqing. Mais serviços aéreos serão retomados num futuro próximo. A cidade irá também reabrir gradualmente empresas essenciais, incluindo mercados, supermercados, drogarias, restaurantes, estações de serviço, bancos, barbearias, lojas de ferragens, correios, parques e pontos de interesse paisagístico. No entanto, o jantar em restaurantes e locais culturais e de entretenimento permanecerá suspenso. Turista retida dois meses Uma turista de apelido Ye, que ficou retida em Urumqi durante mais de dois meses devido ao surto, disse estar entusiasmada com o reinício dos caminhos-de-ferro e das companhias aéreas e mal pode esperar para comprar bilhetes para regressar a casa. Tendo viajado para Urumqi em Setembro e depois selada na casa de uma amiga desde o início de Outubro, disse no domingo que ela e a sua amiga foram finalmente autorizadas a sair do complexo residencial e levou alguns frangos fritos e hambúrgueres de um restaurante. Algumas outras cidades na região de Xinjiang estão também a levantar as restrições da COVID-19. Shihezi e Korla anunciaram que a ordem pública normal foi retomada a partir de domingo. Shihezi disse que os autocarros e táxis, bem como os supermercados e mercados retomaram as operações. Embora as pessoas possam conduzir dentro da cidade, serão implementadas restrições de viagem rigorosas nas auto-estradas da cidade para evitar riscos. Zhang, um perito anti-epidémico baseado em Xinjiang, disse que, embora a epidemia tenha sido controlada nas cidades acima mencionadas, locais na região sul de Xinjiang, incluindo as prefeituras de Hotan e Kashi, ainda relatam um grande número de casos diários. Desde 16 de Novembro, a região de Xinjiang relatou mais de 900 novos casos locais todos os dias. Segundo a autoridade sanitária regional, Xinjiang registou 992 casos locais no sábado, dos quais 443 eram de Kashi e 413 de Hotan. Na conferência de imprensa do governo da cidade de Urumqi, no domingo de manhã, os funcionários destacaram os planos para se concentrarem nos problemas levantados pelos residentes locais, afirmando que o governo local irá em breve divulgar uma série de “pacotes de políticas” para ajudar os residentes e as empresas a aliviar os seus problemas. “Para problemas individuais, pedidos e sugestões, damos as boas-vindas aos residentes para se registarem na comunidade e juntos negociaremos e encontraremos soluções”, disse o funcionário. O governo do município de Pequim anunciou que não vai mais trancar os portões para bloquear o acesso a complexos residenciais onde forem detectados casos do novo coronavírus. “As passagens devem permanecer abertas para casos de socorro médico, fugas de emergência e resgates”, disse um funcionário da cidade encarregado da prevenção epidémica Wang Daguang, de acordo com a imprensa oficial. O Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista, apelou a que a política de ‘zero casos’ fosse executada de forma eficaz, indicando que o governo do líder chinês, Xi Jinping, não planeia mudar de rumo. “Os factos provaram plenamente que cada nova versão do plano de prevenção e controlo epidémico resistiu ao teste da prática”, escreveu um comentador do jornal. Cantão, a maior cidade do sul da China, anunciou ontem também que os residentes em algumas áreas não vão mais ser sujeitos a testes em massa, citando a necessidade de conservar recursos.
Concessões | Resultados do concurso vistos como naturais Hoje Macau - 29 Nov 2022 DR Zeng Zhonglu, académico da Universidade Politécnica de Macau, considerou que os resultados do concurso público da atribuição das concessões do jogo foram os esperados. Segundo as declarações prestadas pelo académico ao Jornal do Cidadão, o estabelecimento das operadoras ao longo de 20 anos fez com que se encontrem numa posição de vantagem, com a entrada de novos operadores no mercado a revelar-se muito difícil. De acordo com o académico, tanto a nível do investimento realizado, dimensão das operações e rede de profissionais no terreno, todas as operadoras estavam em vantagem face à GMM, pelo foi normal não haver surpresas. Quanto ao desenvolvimento de mais elementos não-jogo, Zeng Zhonglu mostrou confiança nas operadoras, por acreditar que estas vão beneficiar com a nova estratégia, uma vez que percebem que o território não pode estar tão dependente da indústria do jogo. Zeng destacou também que ao longo dos anos as operadoras de Macau têm investido em elementos não jogo e que a aposta não é nova. No entanto, para o académico, como se atravessou uma década dourada no jogo, com receitas em níveis que dificilmente se vão repetir no futuro, a aposta passou despercebida. O futuro para o académico promete ser diferente, com a intensificação da diversificação, porque vai haver maior pressão do Governo e da sociedade que tem agora outra noção sobre as consequências de estar demasiado dependente de uma única indústria.
Jogo | Acções das operadoras valorizam face às novas concessões João Santos Filipe - 29 Nov 2022 DR Contrariando a tendência do mercado em Hong Kong, afectado pelas manifestações contra as medidas de covid-19 no Interior, as acções das concessionárias registaram ganhos. A Wynn Macau foi a que mais subiu Após o anúncio dos resultados do concurso público de atribuição das novas concessões do jogo, as acções das operadoras apresentaram ganhos, na Bolsa de Hong Kong. Os títulos das operadoras norte-americanas foram aqueles que mais valorizaram, numa sessão marcada por perdas, motivadas pelas manifestações contra as medidas de controlo da covid-19 no Interior e o impacto dos surtos mais recentes. No dia em que também se anunciou um aumento de capital, a Wynn Macau foi a operadora que mais valorizou com ganhos de 14,91 por cento para 5,01 dólares de Hong Kong por acção. No segundo lugar, surgiu a MGM China, com as acções a subirem 13,06 por cento, e a cifrarem-se em 4,76 dólares de Hong Kong. No terceiro lugar dos ganhos situou-se a Melco International, a subir 7,77 por cento (5,41 dólares), seguida pela Sands China (crescimento de 8,88 por cento para 18,88 dólares de Hong Kong) e SJM (crescimento de 7,28 por cento para 3,39 dólares de Hong Kong). A única empresa que não valorizou ao longo do dia foi a Galaxy, mas também não perdeu valor. As acções fecharam o dia como abriram, com o preço a cifrar-se em 42,85 dólares de Hong Kong por acção, o valor mais alto de todas as operadoras. Em termos gerais, índice Hang Seng registou uma quebra de 1,57 por cento, chegou a cair 3 por cento durante a manhã, devido às manifestações no Interior e ao impacto dos novos surtos para a economia. Aumento de capital No domingo, a operadora de jogo Wynn Macau anunciou um aumento de capital de quase 4,8 mil milhões de patacas para cumprir as regras impostas às novas licenças de jogo na RAEM. A injecção será feita na Wynn Resorts (Macau) SA, subsidiária à qual o Governo atribuiu no sábado uma licença provisória para a exploração de jogos de fortuna ou azar em casino, válida por 10 anos. A Wynn confirmou, ainda que o aumento de capital será feito “de forma a poder assinar um contrato para uma nova concessão de jogo” em Macau. A nova lei do jogo, aprovada em Junho, sobe de 200 milhões de patacas para 5 mil milhões o capital social mínimo exigido às operadoras de casinos. Após a injecção, a participação da directora executiva da Wynn Macau, Linda Chen, irá aumentar de 10 por cento para 15 por cento. A nova lei do jogo requer que pelo menos 15 por cento do capital das operadoras de jogo esteja nas mãos de um residente permanente do território. Também no domingo, a Sands China disse à bolsa de Hong Kong que teria de “cumprir certos requerimentos no que toca ao capital e participação social” para obter a licença de forma definitiva. Outras operadoras, incluindo a Sociedade de Jogos de Macau (SJM), fundada pelo falecido magnata do jogo Stanley Ho, e a MGM China Holdings, já tinham aumentado o capital para cumprir as novas regras.
Covid-19 | Maratona “internacional” sem atletas estrangeiros Hoje Macau - 29 Nov 2022 DR Enquanto um dos territórios com restrições pandémicas mais rigorosas no mundo, é cada vez mais difícil convencer atletas estrangeiros a participar em provas desportivas em Macau. Ontem foi confirmado que a maratona não vai contar com atletas internacionais, pelo terceiro ano seguido A Maratona Internacional de Macau, que se realiza no domingo, não vai ter atletas vindos do estrangeiro, pelo terceiro ano consecutivo, admitiu ontem o Instituto do Desporto. Esta é uma realidade que se repete, apesar de a prova continuar a ser denominada como “internacional”. À agência Lusa, uma porta-voz do Instituto confirmou que a 41.ª edição da prova não vai ter qualquer maratonista vindo de fora da China, contando apenas com atletas convidados do Interior. Em Setembro, o presidente do Instituto de Desporto, Pun Weng Kun, tinha dito que a prova iria aceitar a inscrição de atletas vindos do estrangeiro, pela primeira vez desde 2019, desde que cumprissem quarentena e as restantes medidas de combate à covid-19. Quem chega do estrangeiro, Taiwan ou Hong Kong continua a ser obrigado a cumprir uma quarentena de cinco dias num hotel, seguida de três dias em casa. Durante a apresentação da prova, Pun disse esperar que “haja atletas estrangeiros interessados” em marcar presença, mas admitiu que a organização iria concentrar-se, tal como nas duas edições anteriores, em convidar os principais maratonistas da China continental. A realidade vem agora mostrar que não houve atletas internacionais interessados em cumprir a quarentena “vendida” como se fosse de cinco dias, mas que na realidade, para quem vem do estrangeiro e não tem local onde ficar, é de oito dias num quarto de hotel. As únicas saídas permitidas nos últimos três dias são para que as pessoas se desloquem aos postos de testagem. Vagas esgotadas Apesar de não haver atletas do vindos do estrangeiro, as 12 mil vagas da prova, 1.400 na maratona, 4.800 na meia maratona e 5.800 na minimaratona, foram todas esgotadas. Tal como em 2021, a participação exige um teste negativo e que os atletas sejam inoculados com pelo menos duas doses da vacina contra a covid-19, nos 14 dias antes da prova. Dados oficiais do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus dos Serviços de Saúde de Macau indicam que 91,7 por cento da população já recebeu pelo menos duas doses da vacina. O território enfrentou em Junho e em Julho o pior surto de covid-19, que levou à imposição de um confinamento parcial. Desde o início da pandemia, registou seis mortos e mais de 2.700 casos da doença, incluindo assintomáticos.
Assistente social considera insuficiente extensão do subsídio de cuidadores Hoje Macau - 29 Nov 202229 Nov 2022 DR O director da organização Macau Special Olympics, Hetzer Siu Yu Hong, disse à Lusa que o alargamento da nova fase do projecto-piloto para cuidadores de pessoas com deficiência, até Novembro de 2023, “é uma boa notícia e significa que o Governo está a prestar mais atenção aos cuidadores”. Todavia, Hetzer Siu, assistente social, avisou que “o dinheiro não chega para resolver todos os problemas”. O director da Macau Special Olympics sublinhou que o subsídio deve ser “apenas um dos métodos de um sistema para ajudar os cuidadores” e defendeu a necessidade de “uma nova política” que ofereça outros serviços, incluindo apoio psicológico. Siu, assistente social há 23 anos, deu como exemplo pais com “problemas mentais”, resultantes da “vergonha ou culpa” que sentem por terem filhos com deficiência. O director da Macau Special Olympics defendeu igualmente a necessidade de apostar na educação para prevenir a discriminação que as pessoas com deficiência ainda enfrentam no território. A organização, com 35 anos de história, começou por promover o acesso de pessoas com deficiência intelectual à prática desportiva e actualmente aposta na educação e na formação de deficientes para acesso ao mercado de trabalho. Prolongamento do prazo A reacção de Hetzer Siu surge depois de o Governo ter anunciado que vai alargar aos cuidadores de pessoas com deficiência motora um subsídio mensal. Os cuidadores de pessoas com deficiência motora “de grau grave ou profundo” podem assim candidatar-se a partir de quinta-feira ao subsídio, no valor de 2.175 patacas, de acordo com um despacho assinado pela Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, divulgado no Boletim Oficial. O programa, originalmente lançado no final de 2020, já abrangia pessoas acamadas de forma permanente que não consigam realizar acções sem assistência, pessoas com deficiência intelectual grave ou profunda e pessoas com autismo de grau grave ou profundo. Os requerentes do subsídio têm de ser residentes permanentes a viver ininterruptamente em Macau há pelo menos 18 meses, viver na mesma habitação e terem relações familiares ou “capacidade suficiente para prestar cuidados adequados” à pessoa em causa.
SIDA | Projecto de sensibilização da ARTM ganha subsídio João Luz - 29 Nov 2022 O projecto “Cuidado com o amor – viver esperança” da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) será subsidiado ao abrigo do programa de subsídios para a Educação sobre a SIDA “Acção dos Laços Vermelhos na Comunidade”, indicaram ontem os Serviços de Saúde. O programa tem como objectivo incentivar “as associações de Macau a planear e promover acções de divulgação e educação sobre a SIDA de forma a motivar a comunidade e aumentar os conhecimentos do público”. Além da ARTM foram seleccionados outros seis projectos por uma comissão de avaliação composta pelos Serviços de Saúde, Instituto de Acção Social e Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude. A curta-metragem da responsabilidade da Cruz Vermelha de Macau intitulada “Amor correcto” também foi distinguida, assim como o projecto “Young Minds Matter”, da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau – Ka Ho Integrated Service Center, e a “série de actividades de promoção da ‘Acção dos Laços Vermelhos na Comunidade 2022 – Amar é bom, Amar é excelente’ da Associação de Juventude de Fu Lun de Macau. O Governo irá também subsidiar o programa “Estratégias preventivas e conhecimentos sobre a SIDA” do Centro de Serviços Integrados Ngai Chun, o projecto “Transmissão de amor.Conhecer a viagem” da Escola Concórdia para Ensino Especial e o actividade “Corre pela sexta vez! Laços vermelhos!”, organizado pela Glory of Care da Associação de Estudantes do Instituto de Enfermagem Kiang Wu de Macau.
Covid-19 | Macau regista quatro casos positivos, sela dois edifícios e fecha restaurantes João Luz - 29 Nov 202229 Nov 2022 Lusa Macau registou ontem quatro novos casos de covid-19, relacionados com um taxista. O caso foi classificado como importado porque o homem transportou quatro turistas chineses e um deles terá tossido. Não foi revelado se o visitante testou positivo, mas Leong Iek Hou afirmou que basta o contacto com pessoas do exterior para ser importado Aí vamos nós, outra vez. As autoridades de Macau confirmaram ontem a descoberta de mais quatro casos positivos de covid-19. A fonte de infecção terá sido um taxista, de 74 anos, que acusou ontem de manhã positivo no teste rápido antigénio. Após o carregamento no código de saúde, o homem foi conduzido à Urgência Especial do Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde um teste de ácido nucleico confirmou o diagnóstico de covid-19, tendo o taxista revelado sentir ligeiras dores de garganta. Segundo as autoridades de saúde, na madrugada de sexta-feira para sábado, o taxista transportou quatro visitantes do Interior da China e um deles terá tossido dentro do veículo, o que levou à classificação preliminar do caso como importado. Apesar de as autoridades até ao fecho desta edição não terem apurado se o visitante testou positivo, ou se ainda se encontrava em Macau, a médica Leong Iek Hou indicou que basta a proximidade com uma pessoa de fora para classificar um caso como importado. “Ainda estamos à procura de mais pessoas que tenham contactado com o taxista. Mas, de acordo com os nossos padrões, como contactou com alguém de fora considerámos um caso conexo”, afirmou a responsável face uma pergunta sobre o paradeiro e estado de saúde dos quatro turistas transportados. Depois da confirmação da infecção, o taxista foi encaminhado ao Centro Clínico de Saúde Pública para isolamento e tratamento e o prédio onde mora foi isolado e declarado zona de código vermelho (edifício Kuan Wai, na Rua do Almirante Costa Cabral n.º 103). Tudo em família Em resultado da infeção detectada, foram encerrados dois restaurantes, um na rotunda da Estrada do Repouso e outro perto da Rua de Abreu Nunes. Além disso, as pessoas próximas do senhor de 74 anos foram testadas, o que levou à descoberta de mais três casos. Um deles diz respeito ao neto do taxista, uma criança de 14 anos, que estuda na Escola Secundário Pui Ching de Macau. Os outros dois casos, são referentaes a um casal de reformados da família do taxista que, à semelhança do jovem, testaram ontem positivo à covid-19. O casal de aposentados, com idades compreendidas entre 47 e 60 anos, mora no edifício Green Field, no nº 29 da rua de Afonso de Albuquerque, que também foi selado e declarado zona vermelha. Aula pesada Para já, além dos moradores dos prédios selados, as pessoas sujeitas a maior controlo são os alunos e docentes da turma de 9.º ano onde estuda o neto do taxista. Os colegas de turma e docentes foram transportados para o pavilhão C do Dome, onde vão permanecer e fazer uma bateria de quatro testes de ácido nucleico ao longo de cinco dias consecutivos, que terminam no sábado, sendo que o seu código de saúde será convertido em cor amarela. Quanto aos restantes alunos da escola, serão sujeitos a três testes durante os mesmos cinco dias, mas o código de saúde irá permanecer verde. As aulas vão continuar na Escola Secundária Pui Ching, com todos os alunos, docentes e funcionários a ter de usar máscara KN95 e todas as actividades que só podem ser efectuadas sem máscara foram canceladas. Ontem, ao final da tarde, todos os colegas de turma do rapaz testaram negativo no teste rápido de antigénio. Agenda cheia No passado domingo, o estudante infectado visitou o Festival de Gastronomia de Macau, local onde se concentram grandes aglomerados de pessoas. Confessando o receio das autoridades de este pequeno surto familiar tenha origem num caso oculto na comunidade, Leong Iek Hou afirmou que o risco de contágio na comunidade é controlável. Com o mês de Dezembro a aproximar-se, assim como muitos eventos de grande envergadura no calendário cultural da cidade, a médica do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis afastou a possibilidade de cancelamentos. “Queremos prevenir a epidemia convenientemente, mas também garantir a vida normal da população. Se formos cuidadosos, não me parece que as actividades agendadas para Dezembro sejam afectadas”, afirmou Leong Iek Hou.
AL | Che Sai Wang quer respostas rápidas a interpelações Nunu Wu - 29 Nov 2022 DR O deputado Che Sai Wang considera que as respostas às interpelações escritas dos deputados estão muito atrasadas, denunciando que, por vezes, demoram mais de um mês. A insatisfação do legislador ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) foi expressa, ironicamente, através de uma interpelação escrita. Segundo Che, uma das suas interpelações escrita a 8 Julho só foi entregue ao gabinete do Chefe do Executivo quase um mês depois de ser remetida. Por isso o deputado quer saber o que foi feito no meio deste processo, para que a confirmação da recepção só chegasse a 10 de Agosto e a resposta fosse entregue a 22 de Agosto. No período em causa, embora não seja mencionado na interpelação, a RAEM atravessou um surto de covid-19, que resultou no confinamento parcial da população. Che Sai Wang também ficou incomodado, uma vez que na resposta pela qual teve de esperar mais de um mês só constava que a pergunta tinha sido respondida durante a reunião plenária de 18 de Agosto, na Assembleia Legislativa. Face à réplica pouco satisfatória, o legislador defende que os serviços deviam encaminhar para o Governo as interpelações mais rapidamente e que devia haver uma atitude mais activa para responder às perguntas dos deputados. Além disso, Che Sai Wang considera que as respostas dadas no plenário em causa não estavam relacionadas com as questões, pelo que o Governo fugiu às responsabilidades perante os deputados.
Água | Activado plano de emergência para garantir qualidade do abastecimento João Santos Filipe - 29 Nov 2022 DR Desde 18 de Novembro, o abastecimento de água em Zhuhai e Macau foi afectado por níveis elevados de salinidade. A situação levou a Comissão de Recursos Hídricos do Delta do Rio das Pérolas a activar um plano de emergência A seca e aumento das ocorrências de marés salgadas que entram nos rios do Interior, assim como os níveis de salinidade das águas que abastecem os reservatórios de Macau e Zhuhai levaram a Comissão de Recursos Hídricos do Delta do Rio das Pérolas a activar o plano de emergência contra a salinidade. A informação foi revelada na edição de ontem do Jornal Ou Mun. De acordo com a informação divulgada, a situação que ameaçou a qualidade da água que abastece Macau e a outras cidades do Delta do Rio das Pérolas surgiu a 18 de Novembro. Para responder à situação, as autoridades do Interior optaram por um plano que passa pela circulação da água por 13 reservatórios, antes de chegar a Macau. Segundo as autoridades, no dia 19 de Novembro, os recursos hídricos começaram a ser concentrados em três reservatórios. Quando estes acumularam um certo nível de salinidade, a água fluiu para outros reservatórios, mais perto de Macau e de Zhuhai, de forma a garantir que a água mantinha um baixo nível de concentração de sal. A água voltou a ser acumulada neste segundo nível de reservatórios, e quando voltou a atingir níveis aceitáveis, a 22 de Novembro, voltou a fluir para outros reservatórios, à semelhança do que tinha acontecido na primeira fase do plano. Ainda de acordo com a informação do jornal Ou Mun, apenas na quinta-feira passada as bombas que recolhem água para abastecer Macau e Zhuhai conseguiram captar água com níveis de salinidade aceitáveis para o fornecimento das populações. Mais uma vitória Com o plano de emergência da Comissão de Recursos Hídricos do Delta do Rio das Pérolas, as autoridades do Interior conseguiram resolver um problema que se prolongou durante cerca de sete dias. Além da seca, um dos aspectos que mais contribui para o aumento da salinidade das águas dos rios é a criação de aterros. Com a acumulação de areia para fazer aterros, a água salgada do mar tende a invadir o leito dos rios, fazendo com que também nestes o nível de salinidade aumente. As autoridades do Interior consideram que o plano de emergência foi executado com sucesso devido à “resposta atempada” e aos “esforços conjuntos”. No entanto, a Comissão de Recursos Hídricos do Delta do Rio das Pérolas prometeu aumentar a supervisão em vários pontos do rio, ao mesmo tempo que vai aumentar a retenção de águas da chuva para acudir a situações de emergência. Segundo o jornal Ou Mun, a comissão destacou que o fornecimento de água de qualidade é essencial para o desenvolvimento socioeconómico das populações situadas no Delta do Rio das Pérolas.
Saúde mental | Secretária aponta comunicação familiar como solução Andreia Sofia Silva - 29 Nov 2022 A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, referiu que a solução para a resolução dos problemas de saúde mental no território é a comunicação entre a família, não tendo dado uma resposta concreta quanto ao pedido de aumento do número de psicólogos e psiquiatras. “Claro que com a pandemia toda a gente tem sofrido uma grande pressão, quer psicológica, quer económica. Estas pressões podem passar para os filhos. É relativamente fácil realizar este trabalho [de prevenção] nas escolas, porque os docentes cooperam. Mas a nível comunitário precisamos de cuidados prestados pelos pais e famílias. Estas devem prestar mais atenção aos familiares que sofrem de depressão, e sempre que acharem que estes devem ir ao médico devem falar com as pessoas”, frisou. A governante garantiu que a cooperação com as associações é fundamental. “O Instituto de Acção Social tem financiado associações e criado grupos de trabalhos. O trabalho nas escolas é, de facto, mais fácil, mas na sociedade teremos de ter o apoio das associações. Queremos que possam ser dadas mais sugestões para melhorar os trabalhos.” A deputada Ella Lei foi uma das intervenientes a abordar este problema, numa altura em que a taxa de suicídios tem aumentado significativamente. “Quando olhamos para os dados percebemos que os cidadãos têm tido muitos problemas do foro mental. O Governo prometeu aumentar o número de psiquiatras, e podemos formar mais quadros qualificados na área da saúde mental. Isso deve merecer mais atenção da parte do Governo”, disse. Também Lam U Tou lembrou que só este ano houve 44 tentativas de suicídio de pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos. “O que podemos fazer para que este número diminua? É uma situação alarmante. Sei que têm parâmetros sobre a saúde mental, mas o aconselhamento psicológico não é suficiente”, acusou.
LAG 2023 | Prometidos mais médicos e enfermeiros Andreia Sofia Silva - 29 Nov 202229 Nov 2022 DR O Governo voltou ontem a prometer mais médicos e enfermeiros especialistas no território. “O número de profissionais de saúde é suficiente em algumas áreas, mas há falta de médicos especialistas. Por isso, iremos formar mais médicos especialistas no futuro, iremos resolver o problema da falta de especialistas”, começou por dizer a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, no debate no hemiciclo. Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde, assegurou que a Academia Médica irá ter 60 unidades de formação e 34 especialidades, proporcionando uma “formação reconhecida”. Quanto às vagas para a formação de enfermeiros, serão 20 numa primeira fase. “Todos os trabalhos vão arrancar de forma faseada”, adiantou. A aposta em matéria de formação faz-se também no Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, que deverá entrar em funcionamento “de forma faseada” em finais do próximo ano. “Com o hospital das ilhas poderemos formar mais médicos. Existe também uma falta de enfermeiros especialistas, sobretudo nos lares, pois a sua opção é sempre os serviços de saúde em primeiro lugar, seguindo-se os hospitais privados e só depois os lares. A partir deste ano haverá um maior número de profissionais. Acredito que daqui a uns anos possamos aliviar a pressão existente devido à falta de enfermeiros especialistas.” Relativamente a terapeutas da fala, a secretária garantiu que a Universidade Politécnica de Macau irá abrir mais um curso, sendo que “no próximo ano haverá novos licenciados para satisfazer as necessidades”. Queixas do costume Vários deputados falaram da falta de vagas na área da saúde e nos atrasos na resposta em alguns casos de doença mais urgentes. O deputado Chan Iek Lap alertou para os problemas que poderão advir da falta de especialistas. “Se continuarmos a não formar médicos especialistas não teremos uma nova geração de profissionais. Espero que o Governo possa reforçar a formação nesta área.” A secretária comentou ainda o arranque da primeira “formação pré-ingresso de médicos especialistas”, coordenada pelo Gabinete Preparatório do Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital/Hospital de Macau. O primeiro grupo de formandos terá cerca de uma dezena de médicos. “Quando as instituições médicas tiverem necessidades iremos organizar pessoas para receberem a formação e frequentarem o estágio. Caso essas instituições tenham vagas, as pessoas serão aí formadas, se não, o Governo disponibiliza outros locais de formação. No próximo ano os graduados poderão fazer um exame e terem acesso a um local de estágio. Não irão receber um subsídio [de estágio] muito elevado, mas será depois anunciado o valor”, rematou Elsie Ao Ieong U. Quanto ao Centro Hospitalar Conde de S. Januário, “está sobrelotado, com todos os serviços no máximo de capacidade”, disse a responsável. “Todos os dias recebe muitos pacientes e é difícil fazer a manutenção ou renovação dos serviços. Com o novo hospital muitos pacientes poderão ser transferidos e assim poderemos melhorar as instalações do hospital”, prometeu.
Código de saúde | Admitidas falhas e promessas de melhorias Andreia Sofia Silva - 29 Nov 2022 DR As frequentes falhas no código de saúde de Macau foi um dos temas abordados pelos deputados no debate de ontem, com a secretária Elsie Ao Ieong U a admitir que são necessárias melhorias. “Fomos a primeira região a usar este meio electrónico para apresentar a declaração do estado de saúde. Não prevíamos uma grande utilização e não estávamos preparados para isso. Com o avançar da pandemia o código passou a ser mais complexo, pois temos a conversão com o código de Guangdong. Há espaço de melhoria para o sistema, mas acho que é um grande orgulho para nós termos equipas locais a fazer o código”, disse. O deputado Lam U Tou disse que “de cada vez que há actualizações no código de saúde ocorrem erros e este deixa de funcionar”. O legislador questionou também o Governo sobre a possibilidade de redução dos preços dos testes de ácido nucleico, por entender que existe uma grande discrepância face aos valores praticados na China. A secretária disse apenas que “estão a ser feitos os possíveis para reduzir os custos”.
Previdência central | Governo afasta injecção anual de sete mil patacas Andreia Sofia Silva - 29 Nov 202229 Nov 2022 DR A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, afastou a possibilidade de o Governo voltar a injectar anualmente sete mil patacas nas contas individuais dos idosos do Fundo de Previdência Central. A governante alega que os apoios existentes já cobrem esse valor. Investimentos do Fundo de Segurança Social com prejuízos de 1,6 mil milhões de patacas Ainda não é desta que os idosos de Macau vão passar a receber as sete mil patacas anuais nas suas contas do Fundo de Previdência Central. Em nome da crise económica, este é um apoio que deixaram de receber devido à pandemia, e assim deverá continuar, segundo disse ontem a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, no debate sobre o relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para a área dos Assuntos Sociais e Cultura. “Fiz as contas e, com os subsídios recebidos desde 2020 até este ano, os idosos não receberam menos se compararmos com 2019. Este ano receberam duas vezes o vale de saúde, um montante de oito mil patacas”, começou por dizer. “No caso de existirem desempregados jovens nas famílias, podendo ter algumas dificuldades económicas, temos o subsídio de desemprego, bem como os apoios do Instituto de Acção Social e o Banco Alimentar”, acrescentou. A possibilidade do regresso da injecção anual das sete mil patacas foi colocada pelo deputado Zheng Anting. “O Governo disse que não vai injectar as sete mil patacas por não haver fundos suficientes, mas os idosos também estão a sofrer dificuldades económicas. Quantos são os idosos com dificuldades que não recebem este dinheiro?”, questionou. A secretária não soube precisar o número. Ainda sobre os mais velhos, Zheng Anting quis saber mais dados sobre aqueles que vivem sozinhos ou em edifícios sem elevador. A secretária baseou-se nos dados revelados pelos últimos Censos. “Os idosos isolados são cerca de 5.966, tal como o previsto.” Quanto às residências para esta faixa da população, a secretária garantiu que poderão surgir já no próximo ano e com rendas abaixo dos valores do mercado. “Veremos como será a situação, mas o valor não vai ser tão alto como os valores que se praticam no mercado. Vamos ter como referência as rendas das fracções industriais. Quanto aos critérios, os idosos têm de ser residentes permanentes e ter mais de 65 anos. Há pontuações mais altas para os idosos com mais idade ou para quem more em prédios mais antigos”, adiantou. FSS com prejuízo Na sessão parlamentar de ontem, o presidente do Fundo de Segurança Social (FSS), Iong Kong Io, deu explicações sobre os últimos investimentos feitos, que nos últimos cinco anos trouxe ao FSS um retorno de 20 mil milhões de patacas. No entanto, “nestes últimos tempos, devido à instabilidade do mercado, a nossa carteira de investimentos teve um prejuízo de 1,6 mil milhões de patacas. O actual património do FSS é de 88 mil milhões de patacas. O mercado mundial tem sempre oscilações e actualmente vivemos uma situação de instabilidade, mas a nossa visão é no sentido de continuar com estes investimentos”, rematou. Pensões | Aumentos só com IPC acima de 3% A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, adiantou que as pensões só serão actualizadas caso o Índice de Preços do Consumidor (IPC) atinja a fasquia dos três por cento. “Todos os anos iremos fazer o ajustamento necessário. Quando o IPC subir aos três por cento faremos um ajustamento, mas este ano o IPC subiu apenas um por cento, por isso vamos manter os valores”, disse. O mote para a actualização das reformas foi deixado pelo deputado Che Sai Wang, que pediu “o aumento do montante das pensões para que as condições de vida dos idosos melhorem”.
Covid-19 | Residente do Interior diagnosticado no sábado João Luz - 28 Nov 2022 DR O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus revelou no sábado ter detectado mais um caso positivo de covid-19 referente a um homem de 48 anos, residente do Interior da China, que estava sob controlo das autoridades de saúde. O indivíduo estava em quarentena desde a passada terça-feira por ter sido considerado “pessoa de contacto próximo não nuclear” do trabalhador de limpezas em obras remodelação que acusou positivo na passada segunda-feira. O homem diagnosticado no sábado viajou no mesmo autocarro que o morador de Zhuhai no dia em que foi em que este foi dado como caso positivo. O indivíduo com o mais recente diagnóstico positivo de covid-19 apresenta sintomas como tonturas e febre e foi encaminhado para o tratamento médico em isolamento no Centro Clínico de Saúde Pública no Alto de Coloane. Na sexta-feira, foi também detectado um caso positivo de covid-19 referente a um turista do Interior da China, com 33 anos de idade. À semelhança do que acontecera no passado, quem teve itinerários semelhantes ao indivíduo terá de fazer três testes de ácido nucleico em três dias consecutivos. O homem passou apenas um dia em Macau, até que as autoridades de Zhuhai notificaram as suas congéneres de Macau de um conjunto de amostras mistas com resultado positivo recolhidas no aeroporto da cidade vizinha. No sábado, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, afastou a possibilidade de selar o Casino StarWorld de Macau, onde os turistas em questão fizeram check-in e onde não permaneceram mais de uma hora. “Tendo em conta aos respectivos itinerários, não há necessidade de controlar o hotel onde este ficou hospedado”, afirmou a governante, acrescentando que “o referido caso importado de infecção assintomática, chegou a um hotel de Macau à noite e que a situação foi controlada de imediato pelos Serviços de Saúde antes de este pernoitar”. A secretária sublinhou ainda “que o risco de pandemia em Macau é relativamente baixo”.
Migrantes ‘presos’ em Macau vivem problemas mentais, familiares e financeiros Hoje Macau - 28 Nov 2022 DR Uma activista afirmou que dezenas de milhares de migrantes estão em Macau há mais de três anos sem possibilidade de visitar o país de origem, devido à pandemia, o que tem aumentado os problemas mentais e os conflitos familiares. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Migrantes Indonésios vai participar na quinta assembleia-geral da Aliança Internacional de Migrantes, na capital da Tailândia, Banguecoque, e depois irá visitar a família. Tal como a esmagadora maioria dos mais de 45 mil trabalhadores estrangeiros, Yosa Wari Yanti não saiu de Macau desde antes do início da pandemia de covid-19. “A última vez que estive na Indonésia foi em Julho de 2019”, disse à Lusa. “Primeiro, se fossemos não poderíamos regressar [a Macau]. Depois, podíamos voltar, mas a quarentena era muito longa, 21 dias, e muito cara”, sublinhou Yosa. Com a quarentena obrigatória reduzida, desde 12 de Novembro, para cinco dias num hotel e três dias em casa, “há muita gente a querer ir a casa”, confirmou a dirigente. “Todos temos saudades e todos temos problemas”, acrescentou. Yosa tem dois filhos, de 18 e 21 anos, e a relação, já complicada antes da pandemia, piorou em 2021, quando ela não pôde cumprir a promessa de estar presente da cerimónia de graduação do filho mais novo. A dirigente espera que a visita à Indonésia ajude a sarar as feridas. “Se eles me perdoarem, porque eu também passei por momentos difíceis”, acrescentou. Tempos árduos No primeiro ano da pandemia de covid-19, houve um grande aumento nas doenças mentais dentro da comunidade, confirmou Yosa. Em 2021, com a crise económica a agravar-se em Macau, surgiram os problemas financeiros que, aliados à distância e à incerteza sobre um eventual regresso a casa, levaram à separação ou divórcio de muitos casais, disse a activista. “Alguns [familiares] não entendem que, quando a situação está difícil aqui, nós não recebemos o salário e não podemos mandar dinheiro para casa”, lamentou a indonésia. “Nós dizemos que somos um multibanco”, acrescentou, com um sorriso amargo. Durante o confinamento parcial, imposto em Julho, as autoridades indicaram que os empregadores não tinham de remunerar os trabalhadores, obrigados a permanecer em casa. Na altura associações disseram à Lusa que havia trabalhadores imigrantes com graves carências de bens de primeira necessidade e que estavam a sobreviver apenas da doação de alimentos. “Na nossa cultura, não queremos ser um peso para a nossa família. Mesmo que estejamos doentes, desempregados, dizemos sempre que estamos bem. E enviamos sempre dinheiro e alguns até pedem emprestado a agiotas”, revelou Yosa.
A bola mundial rola sem direitos André Namora - 28 Nov 2022 DR Obviamente, que hoje teria de vos falar do Mundial do Catar. Pelas mais diversas razões. A primeira de todas é a loucura que se viveu aqui por Portugal com o primeiro jogo da selecção nacional contra o Gana. O país parou. Os miúdos não foram às explicações, às aulas extras de desporto, aos cursos de ténis e muito menos aos treinos nas escolinhas de futebol. Até na Assembleia da República os trabalhos do plenário foram suspensos para os deputados verem os golos de Portugal. Por acaso, o Ronaldo bateu mais um recorde na sua carreira fabulosa. Antes do apito inicial, Cristiano Ronaldo fazia parte de um lote restrito de cinco jogadores que tinham conseguido marcar, pelo menos, um golo em quatro Mundiais. Mas na passada quinta-feira, com o golo apontado ao Gana, o capitão da selecção nacional superou Pelé, Uwe Seeler, Miroslav Klose e Lionel Messi e tornou-se no único a conseguir colocar a bola dentro da baliza em cinco Campeonatos do Mundo. De bola, percebo pouco apesar de ter jogado futebol em miúdo, mas dá para vos dizer que o Mundial mobiliza todos os povos e o nosso Ronaldo continua a ser a maior atracção. Na madrugada de esta noite, em Macau, pelas três horas, lá vai acontecer mais uma emoção para todos os que vão assistir ao Uruguai-Portugal. Pela minha parte, a bola rolou de outra forma. Comecei a ser logo na juventude molestado pela PIDE, polícia política da ditadura, senti o que era não poder escrever o que me apetecia e sobre liberdade, quando estava na conversa com uns quatro amigos junto à esquina de um prédio, logo éramos enfiados numa carrinha. Onde quero chegar é aos tão badalados direitos humanos que durante toda a semana passada em tudo o que era comunicação social e Parlamento não se parou de ouvir cada um a defender a sua “camisola”. Vamos lá a ser sérios e a voltarmos atrás uns anos quando a FIFA decidiu “vender” o Mundial ao Catar. A corrupção foi enorme e atingiu as mais variadas personalidades europeias e americanas. O Catar é um dos países mais ricos do mundo, se não o mais rico, e na luta gerada há muitas décadas com os Emirados Árabes Unidos e com a Arábia Saudita, o Catar quis mostrar por todas as formas que seria capaz de organizar um evento do mais alto nível mundial. E nessa altura, todo o mundo sabia que no Catar os direitos humanos não existiam, que as mulheres eram, e são, umas escravas sem direito a nada, nem a opinar, quanto mais a fumar um cigarrito. Este Mundial de 2022 foi entregue a um reino que só tem dinheiro e ditadura e ninguém, ou muito poucos se pronunciaram ou manifestaram nas ruas das capitais mundiais contra a entrega do Mundial ao Catar. Os ditadores fizeram o que quiseram durante 12 anos. Construíram uma cidade extravagante, deslumbrante, luxuosa e onde introduziram os estádios para a disputa do Mundial. Estádios, que é bom lembrar, são simplesmente cemitérios. Na sua construção, os escravos da Coreia do Norte, da India, do Nepal, do Paquistão e até de Portugal, morreram aos milhares. Até se deram ao luxo de edificar um estádio, aquele onde jogou Portugal contra o Gana, constituído totalmente por contentores marítimos e que será completamente desmantelado no final do Mundial. Os direitos humanos no Catar, ao fim e ao cabo, têm que se lhe diga. Naturalmente, que temos de criticar aquela ditadura e todo um procedimento que até proibiu beber cerveja nos estádios e que não admitiu braçadeiras dos capitães das equipas com o símbolo dos homossexuais. A discussão em Portugal, neste aspecto, foi horrível. Uns, diziam que o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República e o primeiro-ministro não deviam deslocar-se ao Catar em protesto contra a falta de direitos humanos. Outros, concordavam com a presença das mais altas figuras do Estado no Catar, simplesmente para dar apoio à selecção. Esta discussão oiço-a há décadas. Os direitos humanos são respeitados onde? Por mim, tenho a ideia de que onde existe uma polícia de choque já não podemos dizer que esse país cumpre os direitos humanos. Se se escreve um pouco além da inventada lei de imprensa, logo o tribunal trata da saúde ao escritor. E isso, não é incumprimento dos direitos humanos? Por África fora, pelos vários Estados americanos, pela Alemanha ou Noruega, pela Indonésia ou Filipinas, pelo Japão ou China, pela Austrália podemos afirmar perentoriamente que os direitos humanos são cumpridos? Claro que não, todos o sabemos que na maioria do planeta, incluindo a Amazónia, não são cumpridos os direitos humanos. Mas, na semana passada em Portugal deu-se o ridículo de dar a entender que só o Catar era uma ditadura. A bola está a rolar e todo o mundo está diante de um televisor a ver os jogos de futebol que emocionam e que dão alegria a milhões de pessoas. A única coisa que podemos afirmar, e que é incontestável, é que a bola mundial rola sem direitos…