Japão | Investidos 2.600 Milhões de euros em mísseis de longo alcance Hoje Macau - 13 Abr 2023 O Japão assinou contratos no valor de 2.600 milhões de euros com a principal empresa de defesa do país, para o desenvolvimento e produção em massa de mísseis de longo alcance para implementação em 2026, divulgou ontem o Governo. O Ministério da Defesa referiu que os contratos incluem versões modernizadas dos mísseis Type 12 da empresa Mitsubishi Heavy Industries, para lançamentos em terra, mar e ar, e um míssil balístico hipersónico para a defesa de ilhas remotas, noticiou a agência Associated Press (AP). A produção em massa de mísseis guiados terra-navio Type 12 e mísseis hipersónicos, que já foram desenvolvidos, começará este ano, acrescentou a mesma fonte. As autoridades recusaram-se a indicar o número de mísseis que o Japão planeia implementar, mas indicaram que a produção deve aumentar gradualmente nos próximos cinco anos. Devido ao espaço terrestre limitado, o Japão planeia realizar testes de mísseis em bases militares nos Estados Unidos, destacou ainda o Governo japonês. Outro contrato assinado prevê o desenvolvimento de mísseis guiados antinavio de longo alcance, lançados por submarinos, que começará este ano até 2027. O momento para a sua implantação ainda é incerto. O plano de desenvolvimento é baseado numa nova Estratégia de Segurança Nacional que o Japão anunciou em Dezembro, enquanto procura aumentar significativamente o seu poder militar. A nova estratégia inclui o desenvolvimento de uma capacidade de ataque preventivo, uma ruptura acentuada com o compromisso pós-guerra do Japão de limitar as suas Forças Armadas à autodefesa.
Portugal-Coreia do Sul | Salientados valores e visões comuns Hoje Macau - 13 Abr 2023 Os primeiros-ministros de Portugal e da Coreia do Sul defenderam ontem que os dois governos partilham valores comuns e uma ordem mundial baseada na democracia, no Estado de Direito e na livre iniciativa económica. Estas posições foram transmitidas por António Costa e Han Duck-soo no início da reunião entre ambos, na sede do Executivo sul-coreano, em Seul, à qual se seguirá uma cerimónia de assinatura de instrumentos jurídicos. Numa breve intervenção, o líder do Executivo português considerou que Portugal e a Coreia do Sul “têm uma tradição de boas relações” diplomáticas e políticas, e “partilham uma visão comum e valores comuns” no que respeita à ordem política internacional. “Nesta base comum, temos de reforçar e desenvolver as nossas relações económicas. Na terça-feira e esta manhã tive a oportunidade de me encontrar com alguns dos mais importantes empresários sul-coreanos e de lhes apresentar as oportunidades de investir em Portugal”, disse. De acordo com António Costa, o mundo “enfrenta grandes desafios”, estando em curso uma dupla transição ao nível do digital e da energia. “A crise da covid-19 foi um momento para se abrir os olhos no sentido de compreender o quanto eram frágeis as nossas cadeias de abastecimento e sobre os riscos resultantes de uma escassez de matérias-primas e de falta de componentes críticos, como os microchips e semicondutores. Temos de caminhar juntos para reorganizar estas cadeias de abastecimento e aumentar a resiliência das nossas economias”, advertiu. Na perspectiva do primeiro-ministro português, Portugal e a Coreia do Sul “estão numa boa posição para isso”. “A Coreia do Sul é uma das mais importantes economias do mundo e Portugal é um dos países mais seguros do mundo. Somos a porta de entrada para mercados de 500 milhões de pessoas”, disse, numa alusão à União Europeia e aos países de língua portuguesa, “desde Timor-Leste ao Brasil”. Boas posturas Perante Han Duck-soo, Costa insistiu na ideia de que Portugal “é campeão na transição energética e é o único país com conexões por cabo de fibra óptica com todos os continentes”. “Estamos em boa posição para cooperar com as empresas coreanas, num momento em que o mundo precisa de enfrentar grandes desafios”, declarou, já depois de Han Duck-soo ter lembrado que a visita de António Costa é a primeira de um chefe do Governo português ao fim de 23 anos. “Tivemos sempre boas relações entre os dois países. Com a sua visita, acreditamos que as nossas relações serão reforçadas e irão mais longe no futuro, na economia, na cultura e no comércio. Após a pandemia da covid-19, está a aumentar o intercâmbio entre estudantes e os jovens são o nosso futuro”, observou o primeiro-ministro sul-coreano. Do ponto de vista das relações internacionais, Han Duck-soo deixou a seguinte mensagem: “Portugal e a Coreia partilham os valores universais simbolizados na democracia, no Estado de Direito, no mercado livre, e estão empenhados no cumprimento dos Direitos Humanos”. De acordo com o primeiro-ministro sul-coreano, com base nesses valores comuns, os dois países mostram-se empenhados na resolução dos principais problemas ao nível mundial, “estabelecendo uma ordem mundial assente no Direito Internacional”. “A sua visita será um ponto de viragem em relação aos principais indicadores da cooperação bilateral”, acrescentou.
Da santidade ao abusivo vai uma língua Tânia dos Santos - 13 Abr 2023 Vou assumir que tiveram acesso a conteúdos da mesma forma que eu tive. Fui bombardeada pelo vídeo do Dalai Lama a querer beijar na boca uma criança onde depois lhe pede que chupe a língua. Ele, ou a sua equipa, pediram desculpa pelo incidente nas redes sociais. “A sua santidade” pede desculpa dizendo que gosta de brincar com as pessoas. No vídeo só se ouvem pessoas a rir, que confirma a tese de comédia que a sua santidade quer impingir. Também vos garanto que rir é o mecanismo mais natural para lidar com situações inesperadas. Muitos que assistiram ao vídeo pedem que seja avaliado como abuso sexual de menores, em vez de um incidente engraçado que não caiu muito bem. Ninguém deve estar isento destas críticas, nem a sua santidade, defendem os cidadãos por essa internet fora. Este vídeo caiu-me numa altura curiosa, quando andava a refletir sobre o abuso sexual de menores e a igreja católica. Tive uma incursão católica recente numa missa de Páscoa de duas horas – a minha primeira e última – onde passaram muitas coisas pela minha cabeça: umas boas e outras más. Pensei inevitavelmente no inquérito realizado pela Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, e da forma como a igreja tem reagido a isso. A comissão publicou um relatório em Fevereiro deste ano que dá conta de 4415 menores vítimas de abuso ao longo de 70 anos. Ainda que com dados concretos, a igreja em Portugal não se comprometeu a afastar abusadores da sua prática paroquial. Disseram-me os frequentadores assíduos da paróquia onde assisti à missa que a publicação do relatório teve impacto na forma como alguns crentes vêem as suas práticas religiosas. Não é para menos. Tentei perceber um pouco melhor de que forma é que se fala da religião e do abuso sexual de menores, como a minha orientação construtivista me obriga. Reparei muito num discurso que justifica as causas dos abusos. Por um lado, incutem-nos a teoria da “maçã podre”, ou seja, os abusadores são pessoas que se desviam do normal, como casos isolados ou simples outliers. Por outro lado, há quem defenda uma teoria sistémica, olhando para a inevitável repressão sexual dos membros do clero com base nas visões católicas da sexualidade. Mas para além das possíveis causas, urge discutir como gerir abusos, de qualquer tipo, dentro de uma instituição milenar. Foi o Papa Francisco que em 2019 proibiu o sigilo em relação a estas temáticas. A igreja parecia querer controlar os abusos por meio de uma cura espiritual sem vir a público, e sem manchar a fé dos crentes. No fundo, como qualquer estratégia de marketing que se preze, quiseram defender o produto para o consumo não cair. Em tempos de grande descrença, escândalos como este fazem abalar a fé de qualquer um. Mas esta é a oportunidade de avaliar a honestidade dos espaços sagrados. Os membros e líderes espirituais não deixam de ser pessoas que cometem erros e podem ser abusadores. Devem ser julgados não só aos olhos da sua religião, mas aos olhos da justiça instituída. Ao invés, as religiões usam santidade para proteger a santidade. É dessa forma tautológica que nos obrigam a olhar para a incapacidade reflexiva de resolver e mitigar problemas sérios como o abuso sexual de menores. Como um mito que coloca uns quantos num pedestal e deixando os outros a obedecer a tal organização estratificada. É neste equilíbrio de forças, e na sua naturalização, que se vai da santidade a uma postura abusiva muito mais rápido do que se gostaria. Às vezes, basta uma língua.
IC | Publicada colecção “Património de Macau 2023” Hoje Macau - 13 Abr 2023 O Instituto Cultural (IC) acaba de editar a colecção de obras intitulada “Património de Macau 2023”, uma actualização dos conteúdos já editados na colecção “Património de Macau 2021”, tendo em conta o aumento do número dos bens imóveis classificados de Macau nos últimos anos. Assim, a nova colecção integra a totalidade dos 159 bens imóveis classificados de Macau, entre os quais se incluem 69 monumentos, 53 edifícios de interesse arquitectónico, 12 conjuntos e 25 sítios, com vista a aprofundar e a promover os conhecimentos da população sobre o valor dos bens imóveis classificados de Macau. Em “Património de Macau 2023”, cada edifício incluído “tem uma introdução sumária sobre a história, as características arquitectónicas e os aspectos mais relevantes de cada item, devidamente ilustrados com belas imagens que reforçam o interesse da leitura”. Esta colecção de livros surge compilada em quatro volumes independentes, com base nos diferentes tipos de bens imóveis classificados acima referidos. Cada um dos volumes é escrito em chinês e português. A colecção de livros está disponível gratuitamente no edifício sede do IC ou nas bibliotecas públicas do IC.
Cinema | “Estranha forma de vida” de Pedro Almodóvar estreia-se em Cannes Hoje Macau - 13 Abr 2023 A curta-metragem “Estranha forma de vida”, do realizador espanhol Pedro Almodóvar, terá estreia mundial em maio no Festival de Cinema de Cannes, em França, revelou terça-feira a organização. O filme, que integra a seleção oficial de Cannes, é protagonizado pelos actores Ethan Hawke e Pedro Pascal, nos papéis de Silva e Jake, dois ‘cowboys’ que se reencontram mais de 20 anos depois de terem trabalhado juntos como “pistoleiros a soldo”. Na curta-metragem entram ainda o português José Condessa (“Pôr do sol”, “Salgueiro Maia – o Implicado” e “Rabo de Peixe”), Pedro Casablanc, Sara Sálamo, Jason Fernández, George Steane e Manu Ríos. “Estranha forma de vida”, rodado no Verão passado em Espanha, remete para um fado de Amália Rodrigues, cuja letra se encaixa na narrativa, “porque não há vida mais estranha do que aquela que se vive de costas para os próprios desejos”, referiu Almodóvar, em comunicado. Em Junho passado, em entrevista à publicação Indiewire, o realizador revelou que o fado de Amália Rodrigues abriria o filme. Na mesma entrevista disse que a curta-metragem é uma resposta à longa-metragem “O segredo de Brokeback Mountain” (2005), para a qual chegou a ser apontado como realizador, mas cuja rodagem acabou por ser entregue a Ang Lee. Pedro Almodóvar volta a Cannes onde apresentou em 2004 o filme “Má Educação” e presidiu ao júri da competição em 2017. A selecção oficial do Festival de Cannes será anunciada na quinta-feira, embora já tenha sido confirmada a presença de alguns filmes, nomeadamente “Killers of the flower moon”, de Martin Scorsese, “Indiana Jones e o Marcador do Destino”, de James Mangold, e “Jeanne du Barry”, da realizadora Maïwenn, protagonizada por Johnny Depp, que abrirá a 76.ª edição. A 76.ª edição do Festival de Cannes decorrerá de 16 a 27 de Maio.
Conjunto de projectos de Álvaro Siza candidato a Património Mundial da UNESCO Hoje Macau - 13 Abr 2023 Oito obras do arquitecto Álvaro Siza em Portugal compõem uma candidatura a Património Mundial, que foi submetida na passada quinta-feira, depois de revista, disse terça-feira o director da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP). A candidatura intitulada “Obras de Arquitectura de Álvaro Siza em Portugal” faz parte da lista indicativa do Património Mundial de Portugal desde 2016, com uma lista de 18 projectos, tendo sido, entretanto, diminuída para oito. Os oito projectos são o edifício da FAUP, a Piscina das Marés, a Casa de Chá da Boa Nova, o Museu de Serralves, o Pavilhão de Portugal em Lisboa, o Bairro da Bouça, a Igreja do Marco de Canavezes e a Casa Alves Costa em Caminha. O director da FAUP, João Pedro Xavier, explicou à Lusa que a selecção dos oito projectos se justifica com o “facto de a maior parte deles já ser património” e pela “variedade tipológica ou funcional dos edifícios propostos”. Os casos do Bairro da Bouça, no Porto, e a Casa Alves Costa, em Caminha, foram submetidos para classificação nacional, pelo que João Pedro Xavier salientou que também será preciso que haja “alguma ‘luz verde’” em relação a esses dois imóveis. No que diz respeito à Bouça, há também a expectativa de que venha a ser alvo de “algumas obras”, em particular de pintura. O director da FAUP disse que “a candidatura está preparada com as chamadas extensões futuras”, para que, mais tarde, se possam associar outros projectos do arquitecto Prémio Pritzker, incluindo no estrangeiro. “Aí, a ideia é incluir não só algumas obras que já estão na lista indicativa, a Malagueira [em Évora], o Chiado [em Lisboa] e outras obras significativas, mas também abrir para obras no estrangeiro que estejam fora de Portugal”, afirmou João Pedro Xavier. Candidatura em curso De acordo com um comunicado da FAUP, datado do final de Março, a 15 de Janeiro decorreu a primeira submissão da candidatura, que obteve “parecer favorável”. “A FAUP está a coordenar, desde 2021, os trabalhos conducentes à candidatura para a inscrição de um conjunto de obras de Álvaro Siza na Lista do Património Mundial da UNESCO” e o “director da FAUP é o responsável pela submissão da candidatura”, segundo o mesmo documento. São parceiros da candidatura a Universidade do Porto, Universidade de Lisboa, Câmara Municipal do Porto, Câmara Municipal de Matosinhos, Câmara Municipal de Lisboa, Câmara Municipal do Marco de Canavezes, Câmara Municipal de Caminha e a Fundação de Serralves. Teresa Cunha Ferreira é a coordenadora executiva no âmbito da Cátedra UNESCO “Património Cidades e Paisagens. Gestão Sustentável, Conservação, Planeamento e Projecto”. A equipa de trabalho integra os docentes e investigadores Ana Tostões, Carlos Machado, José Miguel Rodrigues e Rui Fernandes Póvoas; e os consultores Bénédicte Gandini, Jörg Haspel, Špela Spanžel, Mariana Correia, Soraya Genin, Nuno Ribeiro Lopes, José Aguiar, Xavier Romão, Isabel Breda Vásquez, Isabel Coimbra. O trabalho diplomático está a ser coordenado pelo embaixador José Filipe Morais Cabral, presidente da Comissão Nacional da UNESCO.
Junta Militar no Myanmar assume a responsabilidade pelo bombardeamento sobre centena de civis Hoje Macau - 13 Abr 2023 O exército birmanês admitiu ontem ser o autor dos bombardeamentos, na terça-feira, contra as pessoas que estavam numa cerimónia da oposição ao regime militar, provocando mais de uma centena de mortos, incluindo dezenas de crianças. O porta-voz do regime militar de Myanmar (ex-Birmânia), Zaw Min Tun, disse ontem ao canal de televisão Myawaddy, ligado ao Governo, que os militares lideraram o ataque às Forças de Defesa do Povo (FDP), um movimento de oposição formado principalmente por jovens e constituído após o golpe militar realizado em 01 Fevereiro de 2021. “Provavelmente, também morreram civis forçados a apoiá-los”, declarou o general, que, em linha com a retórica militar, qualificou as FDP de “terroristas”. A Força Aérea birmanesa bombardeou na terça-feira uma cerimónia de inauguração de um escritório administrativo ligado ao Governo de Unidade Nacional (GUN) – braço político do FDP e que se declara autoridade legítima do país após o golpe militar – na cidade de Pazigyi, na região noroeste de Sagaing, um dos principais redutos rebeldes. Um porta-voz do GUN confirmou à EFE na terça-feira a morte de pelo menos 50 pessoas, enquanto diferentes meios de comunicação locais noticiaram que mais de uma centena de pessoas poderá ter morrido no bombardeamento. Segundo a agência de notícias EFE, estima-se que cerca de 150 pessoas estavam no evento, incluindo dezenas de mulheres e crianças e no qual foram servidas refeições aos moradores da cidade. “Realizámos o ataque durante a cerimónia de inauguração. Os membros das FDP foram mortos. São estes que se opõem ao Governo deste país”, declarou Zaw Min Tun. Sem piedade O porta-voz do GUN afirmou que a localidade foi novamente bombardeada quando voluntários procuravam sobreviventes entre os escombros e retiravam os corpos sem vida, muitos deles mutilados. A comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, a União Europeia (UE) e a ONU, condenou o ataque a Sagaing, um dos piores massacres desde o golpe militar, que encerrou uma década de transição democrática e mergulhou o país numa espiral de violência. O relator das Nações Unidas para Myanmar, Thomas Andrews, denunciou em Março que mais de 3.000 civis foram mortos, 1,3 milhão de pessoas tiveram de fugir das suas casas e 16.000 tornaram-se prisioneiros políticos desde o golpe militar, incluindo a líder deposta em Fevereiro de 2021, a Prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.
Redução do peso do dólar nas trocas com Brasil é “inevitável” Hoje Macau - 13 Abr 2023 O analista chinês Zhou Zhiwei disse na terça-feira que o incremento das moedas chinesa e brasileira nas trocas comerciais e investimento bilaterais é uma “tendência inevitável”, num “contexto de politização das políticas monetárias pelos países desenvolvidos”. “A liquidação comercial em moeda local ajuda a reduzir os custos comerciais bilaterais e contribui para a estabilidade das relações económicas e comerciais bilaterais”, apontou o director do Centro de Estudos Brasileiros da Academia Chinesa de Ciências Sociais, um grupo de reflexão (‘think tank’) sob tutela do Governo chinês, nas vésperas de o Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, visitar a China. Zhou realçou que uma parte “muito importante” da reforma do sistema monetário internacional é limitar a hegemonia do dólar norte-americano. “Essa deveria ser a aspiração comum da maioria dos países”, sublinhou. Durante um fórum de negócios Brasil – China, realizado em Pequim, no final de Março, foram anunciados vários acordos a nível financeiro, incluindo a adesão do banco sino-brasileiro BOCOM BBM ao CIPS (China Interbank Payment System), a alternativa chinesa ao Swift, o sistema internacional de pagamentos, visando incrementar o câmbio directo entre as moedas dos dois países, o yuan e o real. Também a sucursal brasileira do banco estatal chinês Industrial and Commercial Bank of China passou a actuar como banco de compensação da moeda chinesa no Brasil, visando “reduzir as restrições” ao uso do yuan e “promover ainda mais o comércio bilateral e facilitar investimentos”. Crescer em flecha Em Fevereiro, os bancos centrais do Brasil e da China assinaram um memorando de entendimento para o estabelecimento de acordos de compensação do yuan, como parte dos esforços de Pequim para internacionalizar a moeda chinesa. O estabelecimento desses padrões “vai beneficiar as transações transfronteiriças e promover ainda mais o comércio bilateral e a facilitação de investimentos”, disse então, em comunicado, o Banco Popular da China (banco central).A China tem tentado internacionalizar o yuan desde 2009, visando reduzir a dependência do dólar em acordos comerciais e de investimento e desafiar o papel da moeda norte-americana como a principal moeda de reserva do mundo. Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil, com o comércio bilateral a passar de nove mil milhões de dólares, em 2004, para 150 mil milhões, em 2022. O Brasil desempenha, em particular, um papel importante na segurança alimentar da China, compondo mais de 20 por cento das importações agrícolas do país asiático.
Visita | Lula vai ao Banco dos BRICS em Xangai e reúne com Xi em Pequim Hoje Macau - 13 Abr 2023 A preenchida agenda da visita de dois dias do Presidente brasileiro inclui participar na tomada de posse de Dilma Rousseff como presidente do Novo Banco de Desenvolvimento em Xangai e um encontro com Xi Jinping no dia seguinte O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, inicia esta quinta-feira uma viagem de dois dias à China, com uma visita ao Novo Banco de Desenvolvimento e às instalações do grupo Huawei, em Xangai. A delegação de Lula inclui sete ministros, 19 deputados e cinco governadores. A visita vai arrancar com a participação na cerimónia de tomada de posse de Dilma Rousseff como presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, criado pelo BRICS, o bloco de economias emergentes que junta Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O mandato de Dilma prolonga-se até 2025. Após o almoço, Lula vai realizar uma visita de trinta minutos às instalações em Xangai do grupo de telecomunicações chinês Huawei, líder em redes de quinta geração (5G). De seguida, o Presidente brasileiro regressa ao hotel onde vai ficar hospedado, situado no “Bund”, a famosa marginal neoclássica de Xangai. No hotel, Lula da Silva vai reunir com os directores executivos da fabricante chinesa de veículos eléctricos BYD e do grupo China Communications Construction Company, o accionista chinês da Mota-Engil. Ao fim da tarde, o líder brasileiro vai reunir e jantar com o líder do Partido Comunista Chinês em Xangai, Chen Jining. Na capital Após o jantar, Lula vai partir para Pequim, onde, na sexta-feira, vai reunir de manhã com o director executivo da State Grid, a estatal chinesa que, em Portugal, detém 25 por cento da REN (Redes Energéticas Nacionais) e que é também uma das maiores empresas no sector eléctrico brasileiro. A empresa opera as duas linhas de alta tensão que conectam a hidroeléctrica de Belo Monte, no Pará, à região Sudeste do país latino-americano. No final da manhã na China, Lula da Silva vai reunir com Zhao Leji, o presidente da Assembleia Popular Nacional, o órgão máximo legislativo do país asiático. De seguida, o chefe de Estado do Brasil vai participar na cerimónia de entrega de cestos florais ao Monumento dos Heróis do Povo, situado na Praça Tiananmen. De tarde, Lula vai reunir com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang. O encontro com o Presidente chinês e secretário-geral do Partido Comunista, Xi Jinping, está marcado para as 16:45.
A princesa que admirou pinturas de Liu Songnian Paulo Maia e Carmo - 13 Abr 2023 Xiangge Ciji (c. 1283-1331), a princesa, neta e irmã de imperadores da dinastia Yuan deu, de forma inédita para uma mulher, uma festa literária no dia vinte e oito de Abril de 1323 no templo Tianqing, nos arredores da capital, Dadu. Como era habitual nessas reuniões, pessoas educadas na já então milenar cultura poética e visual dos Han, liam, escreviam e examinavam caligrafias e pinturas, reconhecendo-se nessa memória, descobrindo-se eles mesmos parte desse desenrolar significante do tempo. A partir do mítico Encontro do Pavilhão das orquídeas promovido pelo preclaro calígrafo Wang Xizhi, outros encontros seriam evocados na imaginação, um deles, seria tipificado com o nome de Reunião elegante no jardim do Oeste, Xiyuan Yaji. Uma festa que teria ocorrido no período Yuanyou (1066-93) do imperador Zhezong, à qual compareceram dezasseis ilustres figuras da literatura e da pintura como Mi Fu (1052-1107), que a terá registado por escrito, ou Li Gonglin (1049-1106), que a teria reconstituído numa pintura. Uma dessas recrições da famosa reunião elegante, possivelmente feita na dinastia Ming, é atribuída de maneira espúria, ao pintor da corte dos Song do Sul, Liu Songnian (1174-1224). Desenrolando esse rolo horizontal (tinta e cor sobre seda, 24,5 x 203 cm, no Museu do Palácio Nacional, em Taipé) desvelam-se uma série de emoções ligadas a cada uma das personagens retratadas, desde Su Shi, com o seu distintivo chapéu preto alto (Dongpo jin) escrevendo, passando por Mi Fu escrevendo sobre uma pedra até, no fim do rolo, o grande monge Fayun Faxiu, também conhecido como Yuantong (1027-1090) conversando sobre Wushenglun, o conceito budista de «não ter nascido». A plausibilidade da atribuição resulta de certas impressivas pinturas do mesmo autor. Liu Songnian, o pintor da corte de Hangzhou onde se encontrava a Academia imperial a que pertenceu, primeiro como estudante e depois como «pintor às ordens» daizhao, seria por essa razão intérprete priviligiado da cultura dos Song do Sul, a quem seriam atribuídas tantas outras pinturas que correspondem a esse gosto. Entre elas, os três retratos de luohans (sânscrito; arhat) datados de 1207 em formato de rolo vertical a tinta e cor sobre seda, que se encontram no Museu do Palácio Nacional, em Taipé, e que revelam como estava a ser acolhido o Budismo na pintura. Num deles, diante de grandes folhas de bananeira que quando o vento passa produzem um som que torna sensível o seu sopro, e de um biombo, a figura nimbada de um luohan sentado, de dimensão exagerada em relação à pessoa que à sua frente desenrola um escrito, que por não ser identificado sugere o indizível. O olhar da princesa Xiangge que queria pertencer a essa herança deteve-se diante dessa pintura, compreendeu, e apôs o seu carimbo Huangjietushu, «Da biblioteca da irmã mais velha do imperador».
Turismo | Cinco milhões de visitantes no primeiro trimestre Nunu Wu - 13 Abr 2023 Helena de Senna Fernandes, directora da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), adiantou ontem que Macau recebeu cerca de cinco milhões de turistas no primeiro trimestre deste ano. Os números foram avançados num discurso proferido na acção promocional “2023 Enjoy Xiamen”, que decorreu ontem na Doca dos Pescadores, tendo a responsável adiantado que, desse grupo, a fatia dos turistas da China foi de 3,25 milhões. Os dados mostram ainda um crescimento de 89 por cento em termos anuais, o que, para Senna Fernandes, é demonstrativo da grande vontade, da parte dos turistas do interior da China, em visitar Macau. Na mesma ocasião, Weifeng, vice-director do departamento de cultura e turismo da cidade de Xiamen, província de Fujian, disse pretender partilhar alguns aspectos turísticos da cidade chinesa com Macau, dadas as semelhanças existentes, esperando também uma maior interligação com o território em matéria de políticas, produtos e serviços. Helena de Senna Fernandes, directora da Direcção dos Serviços de Turismo, frisou que Macau e Fujian pertencem à Aliança de Promoção Turística da Rota da Seda Marítima da China, existindo, em ambos os locais, a crença na fé Mazu, ou A-Má, sendo que em Xiamen existem projectos ligados ao turismo marítimo para divulgar esta fé. A responsável confirmou que o sector local vai estar em Xiamen dia 5 de Maio para participar numa feira de viagens, a fim de aumentar a interacção turística entre as duas cidades.
Saúde | Cerca de três em cada dez idosos têm problemas de alimentação João Santos Filipe - 13 Abr 2023 Um inquérito realizado pelo Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui Macau mostra um aumento significativo no número de idosos que admitem sofrer de “problemas psicológicos” Mais de três em cada 10 idosos têm problemas de alimentação, de acordo com um inquérito realizado pelo Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui Macau. Os resultados foram divulgados na terça-feira, e têm em conta 665 inquéritos feito a pessoas com pelo menos 50 anos, entre Outubro e Novembro do ano passado. Segundo as conclusões, 30,9 por cento dos inquiridos apresentava dificuldades na absorção de nutrientes dos alimentos. Esta aspecto é apresentado como estando “não só relacionado com o consumo insuficiente de comida”, mas principalmente com o “estado das funções físicas e psicológicas” dos idosos. O inquérito teve em conta seis indicadores para medir este aspecto, como o apetite, perda de peso, doenças graves, capacidade motora, estado psicológico e o índice de massa corporal. Para lidar com o problema, os Serviços Sociais Sheng Kung Hui sugerem que se aposte na melhoria da saúde dos idosos, para que os corpos recuperem algumas capacidades de absorção, e que se preste mais respeito aos mais velhos, de forma a melhorar e reforçar a vertente psicológica e o bem-estar destes. Da saúde mental Outra das conclusões indica que a saúde mental dos idosos piorou com as medidas impostas para reduzir a pandemia a zero casos. Entre os inquiridos, cerca de 15,7 por cento admitiram sofrerem de “problemas psicológicos”. Em relação ao inquérito realizado em 2021 pela mesma instituição, regista-se uma subida de 6,8 pontos percentuais na percentagem de pessoas que reconhecem ter problemas. “O inquérito mostrou-nos que o apoio psicológico dos idosos é normalmente gerado no contexto dos encontros com outras pessoas. No ano passado, devido à influência dos factores ligados à pandemia, estas pessoas passaram mais tempo sozinhas”, é indicado. “Por isso, sentiram que tiveram menos apoio, porque a mobilidade foi altamente afectada com as restrições de circulação”, foi acrescentado. Quanto aos serviços destinados a idosos no território, 70,3 por cento dos inquiridos declaram estar satisfeitos com os canais de acesso em que os idosos têm tratamento preferencial e 43,6 por cento consideraram que o território tem actividades diversificadas para os mais velhos. Sobre os aspectos a precisar de melhorias, 58,9 por cento pediu a criação de mais habitação pública com preços acessíveis e 52 por cento mencionou a necessidade de haver mais empregos para idosos com um salário que permita pagar as despesas quotidianas.
PJ | Descoberto corpo de idoso na colina de Mong-Há Hoje Macau - 13 Abr 2023 A Polícia Judiciária (PJ) descobriu na terça-feira o corpo de um idoso na colina de Mong-Há. Segundo o jornal Ou Mun, estão, para já, afastados indícios de crime, pois não foram encontrados sinais de agressão no corpo tendo as autoridades indicado que o homem pode ter-se sentido mal e falecido devido à falta de socorro. Familiares do falecido disseram às autoridades que o homem se tinha queixado, nos últimos dias, que não se sentia bem. O corpo foi descoberto perto de um arbusto às 14h30 por um caminhante que passava no local, que alertou as autoridades. O falecido tinha 73 anos e frequentava o local muitas vezes.
IC | Apoiadas obras de restauro na residência consular Hoje Macau - 13 Abr 2023 O Instituto Cultural (IC) vai apoiar as obras de restauro do edifício secundário da Residência Oficial do Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong com 1,2 milhões de patacas. A informação foi divulgada ontem por Leong Wai Man, vice-presidente do Conselho do Património Cultural e presidente do IC, no final de uma reunião plenária ordinária do órgão de consulta do Governo para assuntos de salvaguarda do património cultural. O edifício secundário da residência do cônsul serve normalmente como residência do director do Instituto Português do Oriente (IPOR). Na reunião de ontem, de acordo com a TDM – Rádio Macau, Choi King Long, representante do IC, afirmou ainda que os conselheiros manifestaram apoio às obras de restauro do muro antigo das ruínas da fábrica de Panchões Iec Long, orçamentadas em 100 mil patacas, e de um portão perto da Calçada do Amparo, no valor de 350 mil patacas. No encontro foram também apresentados aos novos membros do conselho os seis edifícios do quarto grupo de Bens Imóveis de Macau que deverão ser alvo de protecção, no âmbito da salvaguarda património cultural local. Os imóveis em consulta pública para classificação são a Casa Comemorativa Sun Yat Sen, a Casa da Família Chio, na Travessa da Porta, o Antigo Matadouro Municipal, na Rua de São Tiago da Barra, o Antigo Posto de Saúde de Coloane e ainda dois conjuntos de antigas moradias para funcionários públicos na Avenida do Coronel Mesquita.
Tribunal Judicial de Base | Frederico Rosário declarado insolvente João Santos Filipe - 13 Abr 2023 Obrigado a indemnizar 29 lesados dos crimes de burla com criptomoedas promovidos na sede da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, o filho de Rita Santos foi declarado insolvente Frederico dos Santos Rosário, filho de Rita Santos, foi declarado insolvente na sequência do caso de promoção de investimentos de criptomoeda na sede da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). A insolvência foi declarada por sentença do Tribunal Judicial de Base, a 31 de Março, e publicada ontem em Boletim Oficial (BO). “Faz-se saber, que nos autos de Insolvência […] foi, por sentença de 31 de Março de 2023, declarado em estado de Insolvência o requerente Frederico Alexandre dos Santos Rosário”, pode ler-se no anúncio que vem assinado pelo juiz Paulo Chan. Ainda de acordo com o aviso publicado no BO, os credores têm um prazo de 60 dias, desde ontem, para reclamar os seus créditos. O tribunal decidiu conceder o prazo máximo para os lesados tentarem recuperar parte do dinheiro investido no esquema fraudulento. Segundo a legislação vigente, o tribunal poderia definir um prazo entre 20 e 60 dias, tendo optado pelo período mais longo. No dia 24 de Abril do ano passado Frederico Rosário foi absolvido da prática de 47 crimes de burla de que era acusado pelo Ministério Público, no âmbito de um esquema, que terá gerado perdas totais de 21 milhões de patacas. Mesmo se muitos dos lesados desistiram das queixas, 29 vítimas fizeram questão de ser indemnizadas pelas perdas. O colectivo de juízes, liderado por Violeta Cheong Weng Tong, considerou que o empresário local também devia suportar o pagamento das indemnizações: “O tribunal é da opinião que [Frederico Rosário] agiu com negligência e que também não cumpriu o dever de prudência. Nessas circunstâncias, o tribunal considera que deve indemnizar os ofendidos porque está mais do que provado que teve responsabilidade pela entrega dos montantes”, foi decidido. O montante das compensações aproxima-se dos 12 milhões de patacas. Utilizado no crime Apesar de Frederico Rosário ter sido absolvido, o tribunal considerou que o residente local foi manipulado por Dennis Lau, empresário de Hong Kong, na prática de vários crimes de burla. O homem de Hong Kong criou um esquema em que prometia aos investidores que o seu dinheiro seria utilizado para comprar computadores para a mineração de criptomoedas. Em troca, prometia pagar aos investidores juros elevados, independentemente dos resultados da mineração. O esquema foi criado através das empresas Forgetech e Genesis, e em Macau foi promovido com acções realizadas pelo filho de Rita Santos na sede da ATFPM. Como consequência, Dennis Lau acabou condenado a 10 anos de pena de prisão por cinco crimes de burla simples, 24 de burla de valor elevado e 16 crimes de burla de valor consideravelmente elevado. O residente de Hong Kong está em liberdade, uma vez que foi julgado à revelia. Se não vier voluntariamente a Macau, não deverá cumprir qualquer pena.
Cinco operadoras já têm áreas para jogadores estrangeiros Hoje Macau - 13 Abr 2023 Cinco concessionárias de jogo de Macau já criaram áreas exclusivas para jogadores internacionais, na sequência dos apelos do Governo para trazer visitantes de fora, de acordo com a imprensa especializada do território. As seis concessionárias de jogo presentes em Macau, que renovaram a 1 de Janeiro o contrato de concessão para os próximos dez anos, comprometeram-se a trazer turistas estrangeiros à região administrativa especial, uma exigência das autoridades locais que querem ver reduzida a dependência do mercado chinês. Segundo avançou na terça-feira o Allin Media, ‘site’ especializado no jogo na Ásia, a Galaxy Entertainment, empresa fundada por Lui Che-woo, de Hong Kong, inaugurou, no final de Março, uma área para jogadores estrangeiros na zona superior das escadas do Diamond Lobby (Átrio Diamante), onde se situou em tempos um ‘lounge’ para jogadores VIP. Para entrar, referiu a publicação, é necessário apresentar a permissão de entrada em Macau e um passaporte estrangeiro. Já o Venetian Macau, propriedade da Sands China, foi o primeiro casino a estabelecer uma área destas, informou o portal, sublinhando que, à semelhança do Galaxy, este espaço só está acessível a quem apresentar um passaporte estrangeiro. Segundo o ‘site’ GGRAsia, que também confirmou a existência das salas nos casinos de Macau, quem quiser jogar na área reservada do Venetian tem de apresentar um documento de viagem para comprovar que é estrangeiro. Os funcionários falam inglês, segundo apontou uma fonte à GGRAsia. Salas privadas Também o hotel-casino Grand Lisboa Palace, propriedade da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), já lançou uma área para jogadores internacionais, confirmaram os dois meios de comunicação social. O espaço está localizado no ‘Dragon Pavilion’ (Pavilhão do Dragão). Já a MGM China, a empresa fundada por Pansy Ho, filha de Stanley Ho, criou dois espaços para clientes de fora, um no MGM Macau e outro na propriedade da zona do Cotai. A Melco Resorts & Entertainment criou, por sua vez, duas áreas para jogadores internacionais na propriedade City of Dreams e uma no Studio City, de acordo com o Allin Media. Este ‘site’ indicou, por fim, que a concessionária Wynn Macau não tem uma zona exclusiva para visitantes de fora. No caso de aparecerem jogadores interessados, estes serão encaminhados para uma sala privada, concluiu.
Jogo | Receitas dos primeiros 10 dias de Abril abaixo do fim de Março João Luz - 13 Abr 2023 Estimativas apontam para que nos primeiros 10 dias de Abril os casinos de Macau tenham apurado cerca de 4 mil milhões de patacas em receitas brutas. O montante é inferior ao registado nos últimos 12 dias de Março, altura em que os analistas consideram que o sector teve uma performance acima do expectável Após um final de Março fulgurante para as receitas dos casinos de Macau, os primeiros dez dias de Abril vieram colocar alguma água na fervura e ajustar os resultados para níveis mais habituais. Segundo os analistas da Citigroup e da JP Morgan Securities (Asia Pacific), durante os primeiros dez dias de Abril as receitas brutas dos casinos foram de cerca de 4 mil milhões de patacas. Valor que “implica receitas diárias de cerca de 400 milhões de patacas” e que “fica abaixo das cerca de 495 milhões de patacas diárias apuradas nos últimos 12 dias de Março”, referem os analistas da Citigroup, George Choi e Ryan Cheung, citados pelo portal GGR Asia. Choi e Cheung acrescentam que a diferença entre os resultados dos dois períodos pode dever-se à excessiva, fora do normal, performance do final do mês passado. Face à discrepância de resultados, ainda para mais tendo em conta os feriados de Páscoa, os analistas da JP Morgan admitem a possibilidade de “existir uma potencial margem de erro nas análises semanais” à performance da indústria do jogo. “Em qualquer semana podemos ter desvios nas estimativas entre 5 e 10 por cento, por isso achamos que as receitas brutas nos primeiros 10 dias de Abril possam ser um pouco mais fortes do que 400 milhões de patacas diárias”, é acrescentado. Visto à lupa A JP Morgan Securities (Asia Pacific) realça que os resultados do início do mês são “encorajadores” e apontam para um ritmo de receitas brutas ao longo do mês na ordem dos 70 por cento dos níveis pré-covid-19”. Desde que Macau e o Interior da China deixaram cair as restrições fronteiriças impostas pela política de zero casos de covid-19, vários analistas da indústria argumentaram que o aumento de entradas de visitantes não tem uma correspondência directa com as receitas dos casinos, em particular quando comparado com o período pré-pandémico. Ainda assim, a indústria turística tem revelado melhorias significativas desde o início do ano, exemplo disso foram os seis dias que coincidiram com a Páscoa e o feriado de Ching Ming, quando entrou em Macau quase meio milhão de pessoas. A Citigroup indica ainda, com base em fontes do sector, que “o volume de negócios do sector VIP caiu cerca de 10 por cento, em termos mensais, registando um nível normal, enquanto o segmento de massas se manteve em valores semelhantes, quando comparados com o mesmo período do mês passado”. Os analistas estimam que a indústria do jogo, se mantiver o ritmo verificado até aqui, deverá apurar no mês de Abril cerca de 12 milhões de patacas, montante que representa cerca de 51 por cento do registo de Abril de 2019.
Função Pública | Che Sai Wang critica lentidão do Centro de Exame Médico Hoje Macau - 13 Abr 2023 O deputado Che Sai Wang diz ter recebido pedidos de apoio de trabalhadores da administração pública sobre o tempo de espera para a marcação de exames no Centro de Exame Médico para Funcionários Públicos. A denúncia consta de uma interpelação escrita divulgada ontem pelo legislador ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). Numa das queixas, Che Sai Wang especifica que o tempo de espera pela organização de consultas pelo Departamento de Recursos Humanos é demasiado longo. “Uma das pessoas perguntou repetidamente ao Departamento de Recursos Humanos sobre os arranjos para os exames médicos em 2022. O Departamento de Recursos Humanos respondeu que havia colegas que ainda não tinham tido consulta e que era necessário aguardar para que esses colegas fossem consultados”, refere o deputado, acrescentando que a pessoa em causa ainda esperava este ano por vaga para marcar consulta. Como tal, Che questiona se o “Governo vai tomar a iniciativa de analisar as causas do problema e apresentar propostas para resolver as dificuldades de marcação do exame médico.” O deputado da ATFPM sugere que se permita aos funcionários marcar “exames médicos noutros hospitais”, criando um mecanismo de “reembolso dos custos dos exames médicos pelos funcionários públicos por conta própria, de modo a aliviar a pressão da longa acumulação de pessoas à espera de exames médicos”.
Conselho de Estado | Jornalistas instados a dar “histórias positivas” do país Hoje Macau - 13 Abr 2023 O vice-director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho do Estado, Yang Wanming, encontrou-se ontem com uma delegação de representantes da comunicação social em chinês, a quem pediu o foco na partilha de notícias positivas sobre o país e sobre Macau. Yang Wanming destacou a necessidade de “criar um ambiente repleto de boas opiniões sobre o país”, avançou ontem o canal chinês da Rádio Macau. Além disso, o dirigente do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho do Estado enalteceu os meios de comunicação locais que, no seu entender, têm contribuído para solidificar os panoramas político e social de amor à pátria e a Macau, enquanto valores fulcrais. Por seu lado, o presidente da Associação dos Trabalhadores da Comunicação Social de Macau e director do jornal Ou Mun, Lok Po, indicou que o sector de jornalismo local tem consciência da importância de defender o amor à pátria e a Macau e de contar bem a história da China. Também participaram na reunião o subdirector do departamento de propaganda do comité central do PCC, Xu Lei e sub-directora do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, Yan Zhichan.
Hengqin | Governo vai estudar dias de permanência obrigatória na RAEM João Luz - 13 Abr 2023 O Governo vai estudar a viabilidade de alterar a obrigatoriedade de permanecer em Macau 183 dias por ano para aceder aos benefícios e segurança social da RAEM. Porém, a possibilidade apenas foi levantada para residentes que se fixem na Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin A obrigatoriedade de permanecer em Macau pelo menos 183 dias por ano é um requisito essencial de vínculo à RAEM, em especial para residentes não-permanentes estrangeiros, como portugueses, e uma linha vermelha que se for ultrapassada significa a perda do BIR. A regra dos 183 dias poderá estar em vias de ser revista, mas apenas para quem vive na Ilha da Montanha, território adjacente a Macau que fica mais perto do centro da península do que a aldeia de Coloane. A possibilidade foi levantada pela directora substituta dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), Joana Maria Noronha, em resposta a interpelação escrita de Leong Sun Iok. “O Governo da RAEM está atento a algumas das políticas actuais de Macau no âmbito de benefícios e segurança social que exigem que os residentes de Macau permaneçam anualmente na RAEM, pelo menos, 183 dias, pelo que irá auscultar activamente as opiniões e sugestões da sociedade para proceder à revisão e análise das disposições relevantes e estudar a necessidade e viabilidade de as alterar”, é indicado pelos SAFP. Joana Maria Noronha justifica a possibilidade de revisão com a necessidade de “criar condições mais favoráveis para os residentes de Macau estudarem, trabalharem, empreenderem ou viverem na Zona de Cooperação Aprofundada”. Incentivo aprofundado A ideia de garantir condições de habitabilidade aos residentes de Macau que se fixem em Hengqin, sem perder acesso aos benefícios, já havia sido admitida na Assembleia Legislativa pelo secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, em particular em relação aos funcionários públicos destacados para trabalhar na Zona de Cooperação Aprofundada. Os SAFP sublinham que a Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada anunciou no passado dia 3 de Março a abertura de um concurso dirigido aos residentes permanentes da RAEM, com pormenores sobre os “postos de trabalho, bem como os respectivos salários e benefícios, os requisitos de candidatura, o processo de candidatura, o método de selecção, entre outros dados”. É ainda explicado que “aos trabalhadores da função pública da RAEM que venham a exercer funções na Zona de Cooperação Aprofundada em regime de comissão eventual de serviço, será garantido o nível das remunerações e dos benefícios do seu lugar de origem e, em articulação com o funcionamento prático dos órgãos na Zona de Cooperação Aprofundada, seguido o regime de trabalho dos respectivos órgãos em termos de feriados e horários de trabalho”.
Zona de cooperação | Cônsul defende “estabilidade do quadro jurídico” Andreia Sofia Silva - 13 Abr 2023 Alexandre Leitão, Cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, defendeu ser “fundamental a estabilidade do quadro jurídico” na Zona de Cooperação Aprofundada entre Macau e Guangdong em Hengqin. Orador num webinar promovido pela Câmara de Comércio-Luso Chinesa, Alexandre Leitão salientou a existência de uma nova geração de empresários portugueses vocacionados para a internacionalização Muito se tem falado das vantagens da Zona de Cooperação Aprofundada entre Macau e Guangdong em Hengqin, sobretudo no que diz respeito à captação de investimento e atracção de empresas. Mas a verdade é que subsiste ainda um certo desconhecimento sobre o que vai, verdadeiramente, acontecer. A ideia foi deixada pelo Cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, num webinar promovido pela Câmara de Comércio Luso-Chinesa (CCLC) sobre as vantagens do mercado da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, composta por nove cidades chinesas do sul do país e pelas regiões administrativas especiais. “Temos de perceber que a Ilha da Montanha é uma entidade em criação e tem ainda muito de laboratorial. Independentemente da mensagem e do discurso oficial, ainda estamos para ver a efectiva transferência de pessoas, serviços e entidades públicas para lá. Não há qualquer dúvida de que há uma vontade política para que isso aconteça.” Nesse quadro, o responsável salientou ser “fundamental a estabilidade do quadro jurídico” para que as empresas portuguesas possam olhar para a zona de Hengqin. “Colocam-se questões concretas, e uma delas é a questão do Direito vigente numa área que é perfeitamente inovadora e governada em modo quase de co-decisão paritário entre a província de Guangdong e Macau. Num cenário destes, coloca-se sempre a questão: ‘quando existe uma divergência, como poderá ser resolvida’. Em matéria de Direito isso é particularmente importante para as empresas, pois precisam de saber com o que podem contar”, frisou. Relativamente à Grande Baía, Alexandre Leitão lembrou que já se trata de um território com um Produto Interno Bruto (PIB) “superior ao do Canadá e do Brasil”, pelo que “é um mercado extraordinariamente atraente, se forem concretizados o potencial e as expectativas”. O cônsul recorreu, aliás, à metáfora das grandes ondas da Nazaré, em Portugal, para definir o mercado chinês e o acesso que, a ele, devem ter os empresários portugueses. “Em vez de olharmos para uma onda da Nazaré, que é a China toda, convém dividir a onda em áreas mais pequenas, que são as regiões. Assim teremos algumas que podemos surfar.” A Grande Baía é, portanto, uma dessas ondas. “Temos hoje uma geração de empreendedores e inovadores portugueses que me parece mais qualificada e desejosa de assumir riscos. Percebi, segundo a minha experiência profissional anterior, que há um tecido empresarial inovador, com projectos de norte a sul de Portugal, que são bem estruturados e têm uma ambição de internacionalização que, ao contrário do passado, não receiam jogar no campo dos grandes, como a China e os EUA. Vale a pena aproveitar estes ventos de mudança”, adiantou Alexandre Leitão. Os nichos de mercado O cônsul, que assumiu funções em Macau no início de Fevereiro e que é também presidente honorário da CCLC, lembrou o papel de Macau como plataforma de serviços comerciais entre a China e os países de língua portuguesa, baseado “na vontade política” da China, o que constitui “uma enorme vantagem”. O território tem ainda outra vantagem, que é a “proximidade do Direito vigente na província de Guangdong com o Direito de matriz romano-germânica, em comparação com o Direito de Hong Kong que é muito mais afastado”. Assim, “as empresas portuguesas e lusófonas têm uma vantagem assinalável, porque há a vantagem de compreender o Direito em geral”. Em matéria económica, Alexandre Leitão referiu ainda a prioridade e meta política do Governo de Ho Iat Seng relativa à diversificação económica. “As próprias concessionárias têm de contribuir com montantes significativos para a escala portuguesa, o que significa que há, pelo menos, condições, para a criação de um ecossistema de financiamento completo, seja em termos de risco, inovação ou da banca comercial, de novas ideias empresariais que aqui surjam.” Esta diversificação económica, com menor peso do jogo, “tem obviamente de ser lida à escala local, pois Macau não é Shenzhen, nem Guangzhou”. “Macau compete numa região que, no fundo, vai de Singapura a Tóquio na captação de investimento e desenvolvimento económico, mas existem nichos que, para outras cidades e regiões podem ser insignificantes, mas aqui podem ter um forte valor, dada a relativa dimensão de Macau, desde que o território tenha a flexibilidade e a rapidez para se ajustar às oportunidades que surjam”, disse o cônsul. O diplomata considera que esses nichos de mercado podem ser aproveitados, nomeadamente o turismo fora do jogo, “onde Portugal é competitivo e tem provas dadas”, mas também “áreas como a economia verde e o digital”. Alexandre Leitão destacou o exemplo da Universidade de Macau, que é líder mundial na área da electrónica. A instituição de ensino superior viu 15 trabalhos de investigação serem aceites em Fevereiro numa conferência internacional de electrónica em São Francisco, nos Estados Unidos. Os artigos científicos abordaram temas como a conversão de dados, comunicações ‘wireless’ ou conversão de energia. “Há condições para nichos [económicos] que podem ser aproveitados e que podem ser, no fundo, um pouco à escala da nossa realidade portuguesa”, disse Alexandre Leitão, lembrando algumas “desvantagens” em fazer comércio com a China, nomeadamente em matéria de comunicação e na existência de diferenças culturais. Aposta em joint-ventures Carlos Cid Álvares, CEO do Banco Nacional Ultramarino (BNU) e recém-eleito presidente da CCLC, foi outro dos oradores da conferência. O líder do BNU defendeu a possibilidade de empresas portuguesas chegarem a este mercado através da constituição de joint-ventures. “A economia local é muito puxada pelos casinos, os chamados resorts integrados, mas é algo que o Governo pretende alterar. A ideia é que Macau seja um centro mundial de turismo e lazer, mas pretende-se dar espaço à diversificação económica, daí que surge esta oportunidade para as empresas portuguesas, em joint-ventures com empresários locais, de tentarem fazer negócios nesta zona. Macau não é Macau, é a Grande Baía, é Hong Kong, é esta região toda com um potencial enorme.” Carlos Cid Álvares destacou alguns dados macroeconómicos importantes, como a baixa percentagem de crédito malparado nos bancos, apesar da pandemia, e da baixa taxa de desemprego (cerca de quatro por cento ) quando comparado com outras economias. O responsável lembrou ainda a estratégia de diversificação já anunciada pelo Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, de “4+1”, ou seja, a aposta em quatro sectores como a banca, a indústria financeira e de saúde, a alta tecnologia e o sector das exposições e convenções. Relativamente ao mercado da Grande Baía, o CEO do BNU lembrou que o PIB é de 1.7 mil milhões de dólares, o equivalente a 12 por cento do PIB de todo o país. “Está previsto um crescimento muito acelerado do PIB nesta zona, e fala-se que, daqui a dez anos, será de cerca de quatro mil milhões de dólares. Macau compete com uma área muito pequena, mas espera-se que, a curto prazo, com a recuperação da economia, possa vir a ter o maior PIB do mundo”, lembrou. Pedro Magalhães, responsável pela área de comércio internacional da CCLC, frisou que “a China e a Grande Baía não podem estar fora do radar internacional das empresas nacionais [portuguesas], principalmente no contexto do pós-pandemia”. “O PIB da China tem aumentado nos últimos anos, com um incremento de cerca de 8,1 por cento entre 2020 e 2021. Muitos dos complexos desafios que a China hoje enfrenta são desafiantes para todo o mundo, nomeadamente a transição para um novo modelo de crescimento pelo qual o país está a passar e o rápido envelhecimento da população, a construção de um sistema de saúde rentável e a promoção de uma trajectória energética diferente”, rematou.
Freixo e Espada à Cinta é o melhor amigo português de Macau há 500 anos Hoje Macau - 12 Abr 2023 Reportagem de Francisco Pinto, da agência Lusa Freixo de Espada à Cinta, no distrito de Bragança, é um concelho fronteiriço que mantém há mais de 500 anos, “uma forte ligação” ao território de Macau, por via dos navegadores, missionários e seus familiares. Neste concelho transmontano, ainda hoje, há uma enorme ligação afetiva com Macau, por razões familiares e históricas. “Creio que este seria o momento ideal para se estabelecer uma ligação entre Freixo de Espada à Cinta e Macau, porque há, ainda, muitos laços entre pessoas com origem neste concelho e Macau. Depois há todos os laços históricos que unem os dois territórios”, disse à Lusa o historiador local, Jorge Duarte. Os responsáveis pela ligação de Freixo de Espada à Cinta com a Região Administrativa Especial de Macau são o navegador Jorge Álvares, o almirante Sarmento Rodrigues, monsenhor Manuel Teixeira e toda uma geração de jovens que partiram deste concelho encravado entre o Douro e a Beira Serra, em direção às mais diversas regiões do Oriente. De acordo com o investigador, as relações entre Freixo de Espada à Cinta e Macau começaram em 1548, mas houve outros períodos de forte intensidade nas relações. “Os finais do século XIX são também uma época forte de emigração para Macau. Durante o século XX as relações de Macau com Freixo de Espada à Cinta foram muito próximas e muito amigáveis e familiares”, revelou Jorge Duarte. Para o historiador, o navegador Jorge Álvares, apesar de ter uma estátua de dimensões consideráveis, tanto em Macau como em Freixo de Espada à Cinta, ambas do mesmo autor e financiadas pela mesma instituição, “é uma personagem pouco estudada” ao nível da historiografia, apesar da importância que teve na disseminação das relações entre Portugal e China no seu tempo. “O que se sabe é que Jorge Álvares foi um navegador originário de Freixo de Espada à Cinta, dado a conhecer por Fernão Mendes Pinto, através do livro ‘A Peregrinação’, em que é referindo que o autor apanhou uma boleia de barco entre Malaca e Macau, no navio comandado pelo marinheiro freixenista. Sendo assim, na época de 1500, Jorge Álvares já andava por terras do Oriente”, vincou o historiador. Segundo vários registo, Jorge Álvares foi um explorador português, e terá sido primeiro europeu a aportar na China, por via marítima, e, em 1513, a visitar o território que atualmente é Hong Kong. Jorge Álvares faleceu em 08 de julho de 1521, Guangdong, na China. “Jorge Álvares era um nobre e tinha o seu centro de negócios em Macau”, defende Jorge Duarte. Em Portugal há mesmo uma fundação, cujo patrono é o marinheiro transmontano, Jorge Álvares, criada em 1999, tendo sido reconhecida pelo Governo português, em 2004, como de utilidade pública. “O objetivo que esteve na génese da sua constituição foi o de, no enquadramento da Declaração Conjunta Luso-Chinesa, suscitar e promover a cooperação entre Portugal e a Região Administrativa Especial de Macau, mantendo vivos os laços multisseculares existentes entre Portugal e a República Popular da China, de que Macau foi a manifestação mais significativa”, pode ler-se na página oficial desta Fundação. A Fundação Jorge Álvares mantém uma relação privilegiada com o Centro Científico e Cultural de Macau, instituto público do Estado Português, apoiando anualmente o desenvolvimento do seu programa de atividades em tudo quanto se relaciona com os objetivos próprios da Fundação. Em Portugal e também natural de Freixo de Espada à Cinta, há ainda um outro nome que em muito contribuiu para o fomento das relações entre este concelho e o território de Macau, trata-se do missionário Monsenhor Manuel Teixeira (1912-2003)figura icónica no seio da comunidade portuguesa de Macau. O religioso viveu 75 anos no extremo oriente, 60 anos em Macau e 15 anos em Singapura. Por exemplo, José Teixeira publicou “Manuel Teixeira, de Menino a Monsenhor”, editado pelo Instituto Internacional de Macau, há poucos anos, também António Graça de Abreu lhe dedicou o poema “Com Monsenhor Manuel Teixeira em Freixo de Espada à Cinta”, inserido no seu novo livro “Lai Yong, Bernardo e Outros Poemas”, editado pela Lua de Marfim, em julho de 2018. O clérigo viveu grande parte da sua vida em Macau e contribuiu bastante nas áreas de missionação, de educação e do estudo da história, tendo Deixou uma grande quantidade de informação valiosa e sobre o território e a história da diocese . Jorge Duarte refere ainda que não se pode desassociar a história de Macau em relação a Freixo de Espada à Cinta, porque em mais de 500 anos houve “imensos” contactos entre os dois territórios. “Ainda hoje há gente que nasceu em Freixo de Espada à Cinta a residir em Macau. Portanto, os nossos laços com Macau são muito fraternos, onde o monsenhor Manuel Teixeira, é também uma figura de relevo, nestas relações.
FRC | Conferência sobre arquitectura militar na próxima semana Hoje Macau - 12 Abr 2023 Na próxima quinta-feira decorre na Fundação Rui Cunha (FRC) a palestra “Arquitectura Militar de Macau e da Ásia Oriental: Contexto, Redes e Influência”, protagonizada pelo arquitecto Francisco Vizeu Pinheiro. Trata-se de um evento inserido no programa de comemorações do 11º aniversário da FRC “Arquitectura Militar de Macau e da Ásia Oriental: Contexto, Redes e Influência” é o nome da palestra que inaugura um novo ciclo de conferências, “Palestras Públicas de História e Património”, proposto pela Fundação Rui Cunha (FRC) numa altura em que a entidade, fundada pelo advogado Rui Cunha, celebra 11 anos de existência. Esta iniciativa acontecerá com regularidade tendo em conta a parceria entre a FRC e o Departamento de História e Património da Universidade de São José. Nesta primeira sessão caberá ao arquitecto e docente Francisco Vizeu Pinheiro falar sobre um tema que nos leva ao tempo “da chegada dos povos ibéricos, portugueses e espanhóis ao sudeste asiático trouxe consigo todo um conjunto de tecnologia militar, como canhões e armas de fogo, os quais directa ou indirectamente, tiveram bastante influência na guerra e em toda a situação política da China, Japão e Coreia”. Serão, assim, contados episódios de resistência militar da parte de Macau e também de apoio a outros povos, nomeadamente a China. Uma vez que Macau era um território já administrado por portugueses, mas com a presença dos jesuítas que dominavam o ensino no território, como foi o caso de Adam Schall Von Bell, as forças portuguesas de Macau tiveram um papel importante na ajuda que deram aos últimos herdeiros dos Ming no combate contra as forças invasoras Qing, recorrendo à utilização de canhões. Na palestra será ainda destacado o exemplo de 1622, aquando da invasão dos holandeses e a resistência de Macau, que só foi possível devido à moderna arquitectura, tecnologia militar, e respectivas tácticas, utilizadas para a época nesta parte do globo. Além disso, Macau teve ainda outro momento relevante na luta pela sua própria sobrevivência quando, em 1809, ameaçado por milhares de piratas na região, organizou uma frota de cinco navios mercantes adaptados ao uso militar acabando com esta situação ameaçadora para a cidade e para a região. Técnicas no Japão Também no Japão é possível constatar, através dos relatos de jesuítas da época, entre os quais, o português Luís Fróis, a relevância da influência militar ocidental na elite militar daquele país, a qual já adoptava conceitos tecnológicos e científicos ocidentais, cujo maior exemplo foi Oda Nobunaga, um Daimyo, Senhor Feudal de uma pequena província no centro do Japão, que na sua luta pela unificação do país, alcançou, rapidamente, a supremacia militar, utilizando com sucesso, a tecnologia e as tácticas ocidentais na arte da guerra. Nobunaga foi, igualmente, responsável por uma autêntica revolução na forma de construção de castelos, após a construção do castelo-palácio Azuchi, onde inovou introduzindo muitos elementos já existentes em castelos europeus, acabando por substituir por completo os antigos modelos japoneses. A consolidação do Shogunato Tokugawa (1615) no Japão e da Dinastia Qing (1644) na China deu início a um longo período de paz. Desde então, a evolução da arquitectura militar praticamente estagnou. Actualmente, as estruturas militares sobreviventes são adaptadas ou restauradas como importantes bens educacionais para o turismo cultural, particularmente no Japão. São disso exemplo, os vários castelos japoneses do século XVII que foram reconstruídos no século XX, assim como na China muitas muralhas de cidades que foram reconstruídas como a da cidade de Datong ou partes da Grande Muralha. Francisco Vizeu Pinheiro é professor associado na USJ, sendo licenciado em Arquitectura pela Universidade de Lisboa. Prosseguiu os seus estudos de pós-graduação em Macau-China, tendo-se doutorado no Instituto Tecnológico de Tóquio. Em Macau foi investigador e professor de Turismo Cultural no Instituto de Estudos Europeus da Macau e Instituto de Formação Turística, tendo trabalhado durante vários anos como arquitecto em diferentes instituições governamentais. Vizeu Pinheiro é também professor visitante na Universidade Jiangnam, China Continental e investigador sobre a História e Património de Macau e a sua influência na região. O académico tem feito estudos sobre o impacto social e demográfico do planeamento da habitação pública numa sociedade em envelhecimento, as sinergias entre o urbanismo verde e a preservação e revitalizações do património histórico, a cidade saudável e a indústria turística, planeamento e impacto da infraestrutura do metro ligeiro na cidade, e ainda estudos de escala e sustentabilidade de cidades.
Albergue SCM | Trabalhos da mestre Sum Wai leiloados este sábado Hoje Macau - 12 Abr 2023 “An Embrance to the Elderly, Painting by Master Sum Wai – An Art Auction for Charity” é o nome do evento que acontece este sábado no Albergue SCM. Tal como o nome indica, serão leiloadas algumas obras de pintura e caligrafia de Sum Wai a favor do Complexo de Serviços de Apoio ao Cidadão Sénior Pou Tai. Os interessados podem adquirir peças com uma forte ligação ao budismo, ajudando os mais necessitados O Círculo de Amigos da Cultura de Macau (CAC) promove este sábado, entre as 15h e as 16h, no Albergue SCM, um leilão de trabalhos de pintura e caligrafia da mestre Sum Wai. O evento, intitulado “An Embrace to the Elderly, Painting by Master Sum Wai”, inclui peças doadas pela própria artista, formada em artes em 1987. Todo o dinheiro angariado terá como destino o Complexo de Serviços de Apoio ao Cidadão Sénior Pou Tai, uma associação situada na Taipa e que está ligada ao mosteiro budista Pou Tai Un. Este centro providencia uma grande variedade de serviços de cuidados de saúde, apoio social ou actividades culturais aos mais velhos. Através deste leilão, “além de se recolherem fundos por uma boa causa, os organizadores esperam poder aumentar a consciência das necessidades dos mais idosos na comunidade”. A mestre Sum Wai nasceu em Hong Kong em 1963 e tem dedicado a vida a estudar e a ensinar a filosofia do Budismo, pelo que as suas peças de arte reflectem as suas crenças pessoais. Desta forma, a sua pintura e caligrafia chinesas são conhecidas pelas suas “linhas delicadas, cores harmoniosas e uma profunda sensação de paz”. Além disso, “a sua arte não é apenas bonita como tem também um significado, reflectindo a sua compaixão para com os idosos e o seu compromisso em fazer a diferença no mundo”. Uma vida budista A mestre Sum Wai sempre fez a sua formação em escolas budistas. Em 1997 fundou a Associação Budista de Macau e tornou-se editora da “Macau Buddhism”, uma revista que publica artigos sob pseudónimo. Sum Wai também já publicou artigos da sua autoria no World Buddhist Forum, representando ainda Macau em actividades de intercâmbio cultural. Na escola Puji Lianfeng Sum Wai é responsável por ensinar a filosofia budista no ensino primário, actividade que mantém há quatro anos. Sum Wai espalha princípios relacionados com as ideias de servir a comunidade, sentir compaixão pelos outros e trabalhar o espírito. Preside actualmente à Associação Budista de Macau, tendo ainda dirigente associativa de outras entidades de matriz religiosa.