Andreia Sofia Silva PolíticaAperfeiçoamento contínuo | Mais de 41 mil idosos participaram no programa A 5.ª edição do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo contou com mais de 41 mil participações de idosos “em diversos tipos de cursos”, disse ontem a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam. “Mais de 11 mil dessas participações foram em mais de 3400 cursos na área dos cuidados de saúde e bem-estar”, acrescentou, nomeadamente em temas como “serviços e educação para idosos”, “enfermagem” e ainda “bem-estar e cuidados de saúde”. Apesar destes números, o deputado Kevin Ho considerou, na sua interpelação oral, que faltam mais cursos na área da saúde, no âmbito deste programa, dirigidos à terceira idade. “Muitos idosos, devido à idade ou estado de saúde, têm dificuldade em encontrar cursos que lhes sejam adequados, logo, uma parte dos subsídios não foi efectivamente aproveitada. Actualmente, os cursos que contam com a participação de idosos “recaem, na sua maioria, sobre actividades culturais, recreativas e desportivas”, apontou. Desta forma, Kevin Ho sugeriu que as autoridades “reforcem a promoção de cursos sobre a saúde holística e os autocuidados”, tendo a secretária referido que “concorda com essas sugestões”. “Os Serviços de Saúde vão tomar como referências o ‘Inquérito sobre a Saúde de Macau’ e os dados de saúde recolhidos regularmente”, disse, além de prever uma colaboração com a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) “no âmbito da base de formação em medicina familiar”, no que diz respeito à supervisão da “configuração e a qualidade dos cursos” e na emissão de “orientações específicas”.
Hoje Macau PolíticaIdosos | Nick Lei pede medidas para resolver espera em lares O deputado Nick Lei pediu ao Governo medidas para aliviar as listas de espera nas admissões em lares de idosos. Em interpelação escrita, o deputado pede que as autoridades tenham como exemplo Hong Kong, onde são atribuídos subsídios para os idosos que estão à espera de acolhimento em lares para que possam escolher um lugar em Macau ou Guangdong. Nick Lei, ligado à comunidade de Fujian, argumentou que, actualmente, o tempo médio de espera por uma vaga é de aproximadamente 16 meses, e mesmo com o Governo a planear construir três novos lares na Zona A dos Novos Aterros, com cerca de 1.100 vagas, é difícil melhorar a pressão sentida. O deputado entende que o tempo de espera é demasiado longo, exigindo que seja criado um sistema de promoção profissional e certificação de competências na prestação de serviços a idosos, a fim de atrair mais residentes para a profissão. Nick Lei pede também uma melhor cadeia de fornecimento de medicamentos entre fronteiras para maior conveniência aos idosos.
Hoje Macau PolíticaLares | Governo prevê 1.100 camas na Zona A O Governo está a prever a abertura de três lares de idosos com cerca de 1.100 camas na Zona A dos Novos Aterros. A informação foi divulgada por Hon Wai, presidente do Instituto de Acção Social, no programa Fórum Macau da Ou Mun Tin Toi. Segundo Hon Wai, as autoridades vão abrir, nos próximos anos, três lares para idosos na Zona A, com cerca de 1.100 camas, para fazer face a uma procura que se espera cada vez maior, devido ao envelhecimento da população. O responsável indicou também que as autoridades vão abrir novos centros de dia para idosos, serviços de apoio ao domicílio, lares para idosos e lares para pessoas com deficiência, de acordo com as necessidades identificadas. Durante a participação no programa, Hon Wai reconheceu que com o contínuo envelhecimento da população de Macau, o número de famílias que necessitam de cuidados de longo prazo para idosos tem vindo a aumentar, ao mesmo tempo que a estrutura familiar tem sofrido mudanças significativas. Os novos desafios levaram a que o Governo, em cooperação com as instituições de serviços sociais, lançasse diversas medidas para a população, como serviços de cuidados diurnos e de acolhimento temporário, cursos de formação em técnicas de cuidado e serviços de apoio emocional e aconselhamento. Hon Wai prometeu ainda uma maior promoção da sensibilização, para que a sociedade compreenda que o trabalho de cuidar dos idosos no seio das famílias não deve ficar com uma só pessoa, mas ser antes um esforço colectivo, entre as famílias e os serviços sociais.
Andreia Sofia Silva SociedadeIdosos | Wong Chon Kit pede subsídio para ajudar a pagar a luz O deputado defende a criação de mais medidas de apoio para idosos que vivem sozinhos e sem apoio familiar, como um subsídio para ajudar a pagar a conta da electricidade nas épocas de maior calor O deputado Wong Chon Kit defende que devem ser implementadas mais medidas de apoio aos idosos que vivem sozinhos, tendo em conta a ocorrência de períodos de calor. O Instituto de Acção Social (IAS) revelou que há cerca de 20 mil idosos a viverem sozinhos no território, ou apenas com o cônjuge. Quando o calor aperta, estes idosos optam, muitas vezes, por não ligar o ar condicionado para poupar na factura de electricidade, ou não sentem as elevadas temperaturas por questões de saúde, o que faz com que ocorram muitos casos de exaustão por calor, ou outros problemas de saúde. Desta forma, Wong Chon Kit defende que as autoridades devem ser mais activas na resposta a estes casos, não devendo depender apenas dos pedidos de ajuda por parte dos idosos. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, o deputado, e vice-presidente da Federação de Médicos e Saúde de Macau, alertou para a importância da prevenção, sugerindo que os funcionários do IAS meçam a temperatura dos idosos quando os visitam em casa. O responsável pede ainda que seja verificada a ventilação das habitações, devendo abrir-se as janelas ou ligar ares condicionados caso necessário. Wong Chon Kit sugeriu ainda que seja providenciado alojamento provisório para idosos que não tenham as devidas condições de habitabilidade devido ao calor. Mais subsídios Na opinião de Wong Chon Kit, as autoridades devem também equacionar a criação de um subsídio para as tarifas da electricidade, destinado apenas a idosos que vivem sozinhos, a ser pago nos períodos em que se registam elevadas temperaturas. Wong Chon Kit disse ainda ao Ou Mun que a atribuição do subsídio poderia ser activada assim que fosse emitido o sinal de temperatura elevada, numa medida com melhor relação custo-benefício e que teria carácter preventivo, ao invés de se esperar pela resolução após ocorrência de um problema de saúde. Além deste tipo de apoio, o deputado sugeriu que as empresas de gestão de condomínios peçam aos porteiros ou seguranças dos prédios que prestem mais atenção às fracções onde vivem idosos sozinhos, através de inspecções frequentes. A ideia é perceber se houve alguma mudança na rotina do morador, com vista a prevenir ocorrências devido ao calor. Wong Chon Kit sugere ainda o reforço da divulgação dos sintomas de exaustão por calor, nomeadamente fadiga ou falta de apetite, que obriga a idas aos centros de saúde ou instituições de prestação de serviços a idosos, para evitar atrasos no diagnóstico e de tratamento a problemas de saúde que daí possam advir.
João Santos Filipe Manchete SociedadeEconomia | Mais de 80% preocupados com despesas médicas Cerca de 30 por cento dos residentes com mais de 50 anos admite não conseguir poupar dinheiro, por ter rendimentos baixos. Esta é uma das conclusões de um inquérito da Associação de Segurança Social de Macau Mais de 80 por cento dos residentes com mais de 50 anos admite ter preocupações com a capacidade financeira para enfrentar despesas médicas após a reforma. As conclusões fazem parte de um inquérito da Associação de Segurança Social de Macau, que foi citado pelo Canal Macau da TDM. O estudo, feito com base num inquérito que contou com a participação de 792 residentes, mostra que 84 por cento apontou temer não ter capacidade para cobrir gastos com cuidados de saúde e despesas associadas, depois de se reformar. Os resultados mostram também que apenas 20 por cento dos inquiridos não tem um plano de poupança a pensar na reforma e que 30 por cento admite não conseguir fazer poupanças a pensar no futuro, por ter rendimentos considerados insuficientes. Para Yin Yifen, vice-presidente da Associação de Segurança Social de Macau, citado pelo Canal Macau, os resultados mostram que a população do território tem um elevada “percepção do risco”, mas também uma “baixa preparação” para enfrentar a idade da reforma. Como nem todos os idosos têm necessidades financeiras, Yin Yifen pede apoios mais específicos e mais dirigidos a quem tem necessidades: “A sustentabilidade financeira do Governo é muito importante. Se ajudarmos todos os idosos por igual, isso, na verdade, não é realista. Por isso, acho que o Governo deve adoptar uma abordagem que combine o sector público e as opções de mercado”, afirmou. “Os idosos com capacidade financeira devem resolver os seus problemas e procurar assistência, tendo por base a oferta do mercado”, clarificou. O responsável reiterou que “apenas os grupos verdadeiramente desfavorecidos devem receber um apoio total por parte do Governo.” Todos para a Montanha A TDM ouviu alguns idosos sobre este problema, e as pessoas mostraram-se disponíveis para viver na Ilha da Montanha, onde os preços são mais baixos. No entanto, apontaram problemas estruturais: “Ir para Hengqin pode ser uma solução, mas é preciso assegurar transportes para os idosos. Devem existir ambulâncias ou transportes de idade e volta para Macau”, afirmou um dos ouvidos pela emissora, que não foi identificado. “São necessários mais benefícios para os idosos. Macau arrecada tantas receitas fiscais e isso devia permitir oferecer mais qualidade de vida aos idosos”, acrescentou. Outra residente, igualmente não identificada, apresentou queixas sobre as despesas diárias. Quando questionada sobre o que faz quando tem problemas de saúde, a mulher indicou recorrer aos Serviços de Saúde. Depois lamentou não conseguir poupar mais dinheiro, por ter despesas como o condomínio, no valor de 360 patacas, contas de água e telecomunicações.
Hoje Macau SociedadeTrânsito | Idoso atropelado em estado grave no hospital Um homem com 76 anos foi transportado em estado grave para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, depois de ser atropelado, de acordo com a informação do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). O atropelamento aconteceu na noite de segunda-feira, por volta das 19h38, quando uma viatura privada atingiu o homem na Rua do Campo. Quando os bombeiros chegaram ao local encontraram o homem, residente na zona, com ferimentos no pescoço. Foi levado para o hospital, mas o seu estado de consciência deteriorou-se durante a viagem, embora ainda tivesse pulso e estivesse a respirar. Até ontem, ainda não havia informações sobre a evolução do estado de saúde. Gripe | Registados mais quatro casos colectivos Os Serviços de Saúde (SS) revelaram que foram registados mais quatro casos de gripe colectiva em instituições de ensino, com um total de 38 infectados. De acordo com os dados dos SS, um dos casos foi identificado na Escola Kao Yip, com 20 infectados. No Colégio de Santa Rosa de Lima (Secção Inglesa) houve outro surto, com oito alunos infectados. O terceiro caso, ocorreu na da Creche da Ana Sofia Monjardino da Associação UGAMM, com três infectados, e o quarto no Colégio de Santa Rosa de Lima (Secção Chinesa) com sete alunos diagnosticados com gripe. “Desde o dia 20 de Abril, os doentes começaram a manifestar sintomas de infecção do tracto respiratório superior, como febre e tosse, tendo alguns deles sido submetidos a tratamentos médicos. As condições clínicas dos doentes são consideradas ligeiras e não foram registados casos graves ou outras complicações”, foi indicado.
Hoje Macau Manchete SociedadeIA | Lançado projecto para colocar robôs a ajudar idosos O Executivo pretende promover uma melhor qualidade de vida da população idosa, numa altura em que o envelhecimento no território se acentua O Governo apresentou na sexta-feira um projecto para promover uma melhor qualidade de vida da população idosa, em rápido crescimento no território, que inclui robôs a ensinar tai chi e inteligência artificial (IA) para combater a solidão. As autoridades lançaram uma área de exposição de cuidados inteligentes para idosos e de gerontecnologia, para promover o uso de tecnologia no apoio à população de terceira idade da cidade. Na cerimónia de abertura, o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, sublinhou que “o Governo de Macau definiu a ‘big health’” e “a tecnologia inteligente”, como áreas prioritárias no plano de apoio à comunidade idosa até 2035. Segundo o responsável, o Governo Central apresentou no 14.° Plano Quinquenal pela primeira vez o combate “activo do envelhecimento populacional” como uma estratégia nacional. A China tem registado quedas populacionais anuais, numa tendência inédita desde o início da década de 1960. As autoridades estimam que, até 2035, mais de 400 milhões de chineses terão mais de 60 anos, o que representará cerca de um terço da população e aumentará a pressão sobre o mercado de trabalho, o sistema de pensões e o crescimento económico. Em Macau, a população idosa ultrapassou pela primeira vez a dos jovens em 2023, com as autoridades locais a preverem uma “superbaixa taxa de natalidade” ainda esta década e perto de um quarto da população idosa até 2041. Com o número de nascimentos a cair, os idosos de Macau, com 65 ou mais anos – cerca de 105.200 em 2025 – representavam já 15,3 por cento da população, mais 0,7 pontos percentuais do que no ano anterior. Dar explicações As autoridades do território indicaram na sexta-feira quererem organizar sessões explicativas dirigidas a empresas de ‘design’ de interiores e de remodelação, com o objectivo de aprofundar o conhecimento do sector sobre a adaptação do ambiente domiciliário para idosos, com novas tecnologias a apoiar esta população no dia-a-dia. Entre os expositores presentes no evento, esteve o Centro de Ciência de Macau, que apresentou um robô humanóide produzido pela empresa chinesa AgiBot, que pode ser programado para comunicar e fazer companhia a idosos. “Este tipo de robô já é um sucesso de vendas no interior da China e pode fazer companhia aos idosos, conversar, mudar expressões faciais e até ensinar tai chi ou dançar (…) Apesar das limitações em tarefas complexas, o robô é visto como uma ferramenta para combater a solidão”, descreveu à Lusa. A companhia de Xangai obteve mais de mil milhões de yuan em receita em 2025, exportando quase 10.000 robôs humanóides globalmente, segundo informação da empresa. Ao mesmo tempo, a Votee, uma startup tecnológica de Macau e Hong Kong, apresentou na sexta-feira ‘software’ de IA que “pode ajudar a treinar assistentes sociais a lidar com idosos, melhorar a sua capacidade de resposta e até fazer companhia, registando memórias e histórias de vida”, descreveu o director comercial, Jeff Tai, à Lusa. Segundo o responsável, a tecnologia entende cantonês, a língua mais falada em Macau, e pode “conversar com eles e transcrever o que dizem, ajudando-os a exercitar o raciocínio e a chamar assistência em caso de emergência, mesmo através da leitura de expressões faciais”. Alerta de imobilidade Já Alex Siu, director de Inovação em IA e Big Data da Companhia de Telecomunicações de Macau, destacou a tecnologia desenvolvia pela maior empresa de telecomunicações do território, que permite a monitorização de tendências de mobilidade da população idosa através de GPS em telemóveis. “Podemos ver as áreas em que eles se movimentam mais, ou se passam mais tempo em casa. No entanto, não monitorizamos cada pessoa individualmente, só a tendência de movimento da população em grupo. Isto pode ajudar o Governo a planear medidas que possam ajudar esta população”, contou Siu à Lusa.
João Santos Filipe MancheteLares | Coutinho pede medidas para reduzir tempos de entrada Com filas de espera superiores a dois anos, o deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pede ao Governo mais vagas nos lares e mais apoios José Pereira Coutinho pede ao Executivo que adopte medidas para reduzir os tempos de espera de admissão nos lares públicos e privados subsidiados pelo Governo. O assunto é abordado pelo deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) através de uma interpelação escrita. Segundo o cenário traçado pelo deputado, as famílias locais enfrentam cada vez mais dificuldades para cuidarem dos mais velhos, porque os agregados familiares são cada vez menores. “Os casais têm cada vez menos filhos e mesmos estes filhos na sua maioria estão activos no mercado de trabalho, denotando-se falta notória de familiares para cuidar dos mais velhos”, justifica o legislador. Ao mesmo tempo, o “aumento do envelhecimento populacional, a maior expectativa de vida e a diminuição drástica dos nascimentos” criam “enormes pressões às famílias”, principalmente quando os agregados têm membros que sofrem doenças crónicas e precisam de ficar acamados. “Nestes últimos três anos, o nosso Gabinete de Atendimento aos Cidadãos tem recebido muitos pedidos de apoio por parte de familiares com dificuldades para cuidarem dos seus parentes idosos, principalmente os idosos com alta clínica internados nos hospitais que após recuperação têm de regressar às suas casas”, revela o deputado. Mais vagas Neste contexto, o deputado defende que a solução tem de passar pela existência de mais vagas nos lares públicos e maiores apoios públicos no acesso ao serviço privado. “Em Macau, o tempo de espera por uma vaga num lar público para idosos ou lar privado, mas subsidiado pelo Governo de Macau, demora cerca dois anos”, avisou. “Que medidas pragmáticas vão ser implementadas para construir mais asilos ou lares para idosos na RAEM para colmatar a falta de vagas e resolver a curto prazo este grave problema?”, questionou. Coutinho indica também que como há cada vez mais pessoas a tentar entrar nos lares, a tendência é para que as listas de espera continuem a aumentar. Por isso, pede medidas: “Que medidas vão ser implementadas no curto e médio prazo para reduzir o tempo de espera por uma vaga num lar de idosos público ou lar privado, mas subsidiado pelo Governo de Macau?”, perguntou. Finalmente, o deputado pede “medidas concretas” que estejam em curso para “resolver os problemas dos idosos inscritos na lista” para entrarem nos lares públicos ou privados subsidiados.
André Namora Ai Portugal VozesJovens e amas explorados Os políticos, as associações, os partidos políticos não se fartam de falar no problema da habitação. Palavras ocas e que em nada contribuem para que em Portugal o problema grave da habitação, especialmente a social, tenha uma luz ao fundo do túnel. Portugal é o país da Europa onde o preço das casas mais tem aumentado. Constrói-se muito imóvel, mas são condomínios de luxo, com acesso apenas a ricos. A habitação destinada a rendas acessíveis é focada sempre para as calendas. E quem sofre mais com esta inércia decisória dos governantes são os pobres e os jovens. Estes, continuam com 40 anos de idade a viver em casa dos pais. Os jovens não têm qualquer possibilidade de arrendar uma casa em Lisboa ou no Porto. Terminam o seu curso secundário e quando decidem seguir para uma universidade em Lisboa é-lhes absolutamente impossível arrendar uma casa e as residências de estudantes são mínimas e caras. Sabem o que acontece em Lisboa? Os jovens universitários são explorados de uma forma infame. Na capital lisboeta existem centenas de proprietários de casas antigas que foram edificadas com seis e sete quartos. Pois, acontece que esses senhorios alugam os seis ou sete quartos a estudantes por 500 e 600 euro ao mês e na casa existem apenas duas casas de banho para todos. Pior ainda é que os exploradores nem sequer passam recibos e fogem ao fisco no que concerne ao rendimento aproximado de 4200 euros por mês, no caso de se tratar de uma residência com seis quartos. A exploração e oportunismo deplorável deve-se fundamentalmente à falta de habitação a preços acessíveis, com a agravante de serem os pais dos estudantes a pagar o uso desses quartos. Onde está a fiscalização institucional? Naturalmente que não acreditamos que não será possível descobrir onde existem essas residências que exploram os estudantes. Apenas numa avenida de Lisboa tivemos conhecimento de que há mais de 20 residências com os quartos alugados a estudantes. Trata-se de uma situação que o novo governo bem podia ponderar em criar um agrupamento, tipo ASAE, dedicado exclusivamente às irregularidades cometidas e à exploração dos jovens que precisam de uma cama e uma mesa para poderem ser estudantes numa faculdade. O problema da habitação prende-se igualmente com a diminuição que se verifica nos índices de natalidade. Obviamente que os jovens não têm possibilidade de se unirem, contrair família e viverem a pensar que o futuro é um problema. Se ficam nas casas dos pais, como podem adquirir ou arrendar uma casa para viverem com a companheira e filhos que venham a nascer? Impossível. Escrevemos com conhecimento de causa porque mantivemos um bate-papo com uma jovem estudante da Faculdade de Letras que nos disse que vive num quarto de uma residência com mais seis habitáculos, todos alugados por 600 euros. E sublinhou que o senhorio informou que se pretendesse recibo o pecúlio a pagar teria de ser de 750 euros. Deplorável. Um outro problema grave que se regista em cidades como Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Évora, entre outras, é a situação das mulheres que são contratadas por agências de emprego a fim de serem amas de idosos com mobilidade reduzida ou com vários tipos de demência. Essas mulheres, nomeadamente portuguesas, brasileiras e africanas, recebem um salário, quando recebem, menos de metade do que o contratante paga a essas agências de emprego. Habitualmente são os filhos desses idosos e doentes que pagam, por exemplo, 3000 euros por mês e as trabalhadoras amas recebem o equivalente ao salário mínimo. Muitas delas trabalham aos sábados e domingos sem que lhes seja pago a dobrar como a lei obriga. Por vezes, são mulheres que vivem com dificuldades familiares que têm um emprego, mas que vão trabalhar ao fim de semana para angariarem mais algum dinheiro que ajude na sua sobrevivência. As amas que têm contrato anual para trabalhar de segunda a sexta-feira não têm qualquer pagamento de subsídio de Natal. Mais uma vez, não acreditamos que o Governo não tenha conhecimento desta realidade e que procure terminar com este tipo de exploração vergonhosa. Todos sabemos quanto é difícil tratar de dia e de noite um idoso com demência ou que precisa de uma cadeira de rodas para se deslocar. Estas amas ainda realizam trabalhos extra nas casas onde trabalham, tais como cozinhar, lavar a roupa e passar a ferro, sem qualquer remuneração a mais. Ainda existem casos em que os idosos possuem animais de estimação e lá são as amas exploradas que têm de tratar dos animais e levarem-nos à rua. Este tipo de exploração, no nosso entendimento, não passa de um novo tipo de escravidão. É disso que se trata, com os governantes a assobiar para o lado. Dois casos pertinentes que seriam merecedores de uma mudança radical para que os “chicos-espertos” não pensassem que o mundo é de quem explora e escraviza o seu semelhante.
Hoje Macau PolíticaIdosos | IAS reconhece dificuldades de empresas sociais O Instituto de Acção Social (IAS) reconhece que o novo ambiente de comércio afectou negativamente as únicas duas empresas sociais que têm entre as suas funções contratar trabalhadores idosos. O cenário actual foi traçado na resposta a uma interpelação do deputado Lei Chan U, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). “Actualmente, as duas empresas sociais para idosos que entraram em funcionamento são da área da restauração, proporcionando 16 vagas a tempo inteiro e seis a tempo parcial para idosos”, foi explicado. “Os dois projectos de empresa social entraram em funcionamento durante o período pandémico. Devido ao impacto da pandemia e ambiente do mercado, o funcionamento diário e o desenvolvimento das empresas sociais foram relativamente afectados. Após a pandemia, a sociedade e a economia de Macau recuperaram gradualmente, no entanto, face à mudança constante do ambiente de negócios de Macau, o funcionamento de empresas, incluindo as empresas sociais de idosos, deparam-se com muitos desafios e pressões”, foi acrescentado. Apesar de várias estratégias para relançar o negócio, como promoções ou alargamento do horário de funcionamento, o presidente do IAS, Hon Wai, admite que a situação conheceu poucas melhorias. No entanto, o IAS indica que o futuro Plano Decenal de Acção para os Serviços de Apoio a Idosos, que deverá entrar em vigor no próximo ano, deverá ter mais medidas para incentivar a contratação de idosos.
João Santos Filipe PolíticaCerca de 1.100 pessoas vivem em apartamentos para idosos Até 7 de Março, quase 1.100 pessoas habitavam nos prédios para idosos, um tipo de habitação pública que pode ser arrendada por residentes com mais de 65 anos. A informação foi revelada pelo Instituto de Acção Social (IAM), na mais recente reunião do Comissão para os Assuntos do Cidadão Sénior. A comissão reuniu na quarta-feira, e contou com a presença da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, que ouviu ainda que as 1.100 passaram a ocupar as casas no âmbito de cerca de 740 candidaturas. Em relação a pedidos de outras pessoas para se mudarem para os apartamentos para idosos, os representantes do IAS, entre eles o presidente How Wai, apontaram que estão a lidar com os processos recebidos entre Janeiro do ano passado e 14 de Fevereiro deste ano. Os trabalhos seguintes incluem a avaliação das candidaturas recebidas e a sua ordenação, tendo em conta também a capacidade dos candidatos. Apenas as pessoas consideradas independentes se podem candidatar a este tipo de habitação pública. No entanto, o número de candidaturas que estão a ser classificadas e organizadas não foi indicado. Evitar o isolamento Na reunião foi ainda definido como trabalho prioritário a identificação dos casos de isolamento ocultos. Este é um trabalho que o IAS espera alcançar através da cooperação com “as instituições particulares” e a melhoria dos “actuais serviços”. Por outro lado, as autoridades prometeram “inteirar-se da situação habitacional dos idosos de Macau através da realização do ‘Inquérito aos beneficiários do Subsídio para Idosos que residem na RAEM’” e “aumentar as equipas de serviço extensivo ao exterior”. Desta forma, o IAS acredita poder “prestar carinho aos idosos ocultos” e facultar-lhes serviços e apoio necessários. O inquérito encontra-se em fase de preparação, e visa os idosos, ou casais de idosos, que vivem sozinhos e vai ser feito através de visitas porta-a-porta, ou pedidos de informações junto de vizinhos ou de estabelecimentos comerciais.
João Luz Manchete SociedadePagamentos | Instituições ensinam idosos a usar telemóveis Um inquérito revelou que mais de três quartos dos inquiridos com mais de 60 anos não sabem fazer pagamentos electrónicos. Nesse sentido, o Governo está a incentivar instituições sociais a organizar cursos e palestras para ensinar idosos a usar aplicações móveis. Além disso, os CTT lançaram descontos para idosos na compra de telemóveis No ano passado, a Associação Geral dos Idosos Respeitosos de Macau efectuou um inquérito sobre o uso de telemóveis por parte de pessoas com mais de 60 anos. Apesar de mais de 90 por cento ter respondido que usava telemóvel, 76,8 por cento admitiu não saber fazer pagamentos electrónicos e 18,6 por cento dos inquiridos afirmaram que os pacotes de dados móveis e os telemóveis são caros, reduzindo ao mínimo o seu uso. As estatísticas foram apresentadas pelo deputado Leong Hong Sai, numa interpelação escrita, em que conclui que “a consciência dos idosos sobre o uso das tecnologias inteligentes” é fraca. Em resposta, o presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, elencou uma série de medidas destinadas a apetrechar os mais velhos com conhecimentos tecnológicos. Com o intuito de “fomentar a generalização informática”, o IAS tem incentivado instituições sociais “a ensinar os idosos a utilizar equipamentos informáticos, incluindo smartphones, através dos cursos recreativos, workshops, cursos ou palestras”. Hon Wai destacou a utilidade do uso de aplicações como a “Conta Única”, “Localização dos Autocarros” e a “Plataforma de Dados de Saúde de Macau”. Além disso, o presidente do IAS referiu que, para “demonstrar o carinho para com os idosos, os CTT têm vindo a incentivar os operadores de serviços de telecomunicações móveis a lançar benefícios especialmente concebidos para esta faixa etária”. Os planos oferecem “dados ilimitados com velocidade restrita e permitem a compra de telemóveis a preços promocionais”. Estar alerta O presidente do IAS lembrou ainda que a população mais velha pode também inscrever-se em cursos do programa de desenvolvimento e aperfeiçoamento contínuo para aplicações de telemóvel e utilização segura da internet. Hon Wai salientou também o esforço para evitar que a população mais velha seja vítima de burlas. Além das acções de sensibilização em instituições sociais que oferecem serviços a idosos, as autoridades policiais realizaram, no ano passado, 126 “palestras anti-burla”, nas quais participaram mais de 8.300 pessoas. A par disso, no ano passado, “a Polícia Judiciária deslocou-se a restaurantes chineses, recreios, mercados e áreas de vendilhões” para sensibilizar os idosos a estarem atentos a esquemas de burlas.
Hoje Macau SociedadeEnvelhecimento | Alvis Lo promete mais recursos O director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, prometeu um aumento do investimento nos cuidados de saúde, de forma a lidar com o envelhecimento da população. A promessa foi deixada durante uma reunião do Conselho para os Assuntos Médicos, em que Alvis Lo participou na condição de presidente. De acordo com o comunicado oficial, o presidente do conselho indicou que “os Serviços de Saúde continuam a investir mais recursos, começando pela cadeia de serviços de prevenção, tratamento e reabilitação, através da prestação de serviços médicos especializados, de cuidados de saúde comunitários e de serviços médicos de proximidade”. Desta forma, Alvis Lo acredita que será possível disponibilizar serviços mais “abrangentes e adequados aos idosos”. Por outro lado, Alvis Lo indicou que os SS estão apostados em “promover activamente a implementação do Plano de Acção para Macau Saudável”, para “apoiar os idosos na formação de um estilo de vida saudável, elevando a sua qualidade de vida e o seu nível geral de saúde”. O responsável acrescentou ainda que é necessário “reforçar a cooperação interdepartamental do Governo e de incentivar a participação das associações”, para melhorar a qualidade dos serviços de saúde prestados.
João Luz Manchete SociedadeIdosos | IAS pondera ajustar valor de subsídio Sem se comprometer, e lembrando que o subsídio para idosos subiu 7,5 vezes desde 2005, o Governo afirma que irá ponderar ajustar o valor do apoio de acordo com a situação económica da sociedade, as disposições orçamentais e a atribuição de outros apoios sociais. No ano passado, cerca de 130 mil idosos receberam o subsídio de 9.000 patacas O Governo de Sam Hou Fai vai estudar a possibilidade de ajustar os montantes dos apoios sociais destinados a idosos, como o subsídio e a pensão para idosos. A garantia foi dada pelo presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, em resposta a uma interpelação escrita de Nick Lei. Em relação à pensão para idosos, que se mantém em 3.740 patacas mensais desde o início de 2020, e às prestações do regime de segurança social, o Fundo de Segurança Social (FSS) irá estudar a sua adaptação “ao desenvolvimento social”, para “dar resposta às necessidades reais dos residentes”. Para optimizar o mecanismo de ajuste regular das prestações e a indexação da base da pensão para idosos ao valor do risco social, Hon Wai indicou que será tomada em conta “a situação financeira do próprio FSS, o desenvolvimento socioeconómico” e os resultados da avaliação do ‘Índice de Preços do Consumidor Idoso’”. Em relação ao subsídio para idosos, cujo valor de 9.000 patacas não é revisto desde 2018, o Governo indica que, “no futuro”, “irá ponderar a possibilidade de ajustar o montante de acordo com a situação económica da sociedade, as disposições orçamentais e as diversas medidas de apoio social”. Ho Wai salienta também que, desde a sua implementação, o subsídio para idosos subiu 7,5 vezes “de 1.200 patacas em 2005 para 9.000 patacas em 2024”, valor que se mantém inalterado nos últimos seis anos. No ano passado, o subsídio foi distribuído no dia 17 de Outubro a 130.641 beneficiários, e teve um valor global aproximado superior a 1,175 mil milhões de patacas. Por outras vias O presidente do IAS salientou ainda outros benefícios para idosos contemplados na rede de apoios sociais da RAEM, como a comparticipação pecuniária, vales de saúde, repartição extraordinária de saldos orçamentais, assistência médica e transportes públicos gratuitos, que garantem “uma protecção básica a vários níveis da vida quotidiana”. Em relação à população mais velha em dificuldades financeiras, Hon Wai indicou que o Governo “estabeleceu um mecanismo regular para prestar apoio às famílias que não tenham recursos económicos suficientes para satisfazer as necessidades básicas”. Assim sendo, famílias monoparentais, com doentes crónicos ou membros deficientes que sejam beneficiárias do subsídio regular podem também receber o subsídio especial para famílias em situação vulnerável.
Hoje Macau SociedadeMonóxido de carbono | Idoso hospitalizado devido a intoxicação Os Serviços de Saúde revelaram ontem que um idoso de 79 anos teve de receber tratamento médico no Serviço de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário depois de ter desmaiado devido a uma intoxicação por monóxido de carbono. O caso aconteceu na tarde de domingo no Edifício Vai Long (Bloco I), na Alameda da Tranquilidade, quando o residente tomava um duche numa casa de banho onde está instalado um esquentador a gás. O residente “começou a sentir tonturas súbitas e acabou por cair inanimado no chão da casa de banho”, onde foi encontrado por familiares, que chamaram de imediato uma ambulância. No Hospital Conde de São Januário fez testes laboratoriais, que revelaram concentrações de hemoglobina de monóxido de carbono. O idoso foi “submetido a tratamento de oxigenoterapia hiperbárica” e encontra-se actualmente em estado considerado estável. As autoridades acrescentam que o esquentador a gás foi instalado na casa de banho há mais de uma década, e que apesar da instalação de um exaustor de ventilação, a casa de banho não tem janelas. No momento da ocorrência, o exaustor não estava ligado e as autoridades suspeitam que o incidente tenha sido causado pela falta de manutenção do aparelho e pela acumulação de gás residual num ambiente com má ventilação.
João Luz Manchete PolíticaIdosos | Aplicação de deslocações em fase experimental As residências para idosos construídas pelo Governo vão servir de tubo de ensaio para uma aplicação móvel que conta os passos dados pelos residentes, para confirmar a sua condição e segurança quando fazem deslocações fora do normal. O Governo vai também apostar em equipamentos de localização para acudir a emergências no exterior O envelhecimento da população na última década obrigou o Governo a prestar atenção às condições de vida e às necessidades de serviços dos idosos isolados e das famílias com casais de idosos. Em resposta a uma interpelação escrita de Leong Hong Sai, o presidente do Instituto de Acção Social (IAS) indicou que a Residência do Governo para Idosos será palco para a fase experimental de uma aplicação móvel que monitoriza os passos dos idosos. Quando a contagem de passos for anormal, refere o presidente do IAS, Hon Wai, o idoso será contactado para “confirmar a sua condição e segurança”. O responsável acrescentou ainda que, numa fase posterior, o serviço será gradualmente expandido para outras zonas de Macau. Outra ferramenta destacada pelo presidente do IAS para lidar com o problema dos idosos isolados, é o serviço de teleassistência “Peng On Tung”, que será actualizado, com a “introdução de dispositivos inteligentes vestíveis com funções de posicionamento”. Hon Wai indica que o serviço permite acudir a pedidos de “apoio emergente no espaço exterior aos utilizadores”. O responsável adianta ainda que, “actualmente, o IAS está a discutir com o Peng On Tung a introdução de mais programas inteligentes e tecnológicos inovadores para reforçar o apoio aos utilizadores”. Mobilizar a sociedade Além do apoio material e de cuidados, Leong Hong Sai apelou ao Governo para não descuidar a saúde mental. Neste aspecto, o presidente do IAS indica que tem cooperado com instituições sociais no sentido de desenvolver programas de apoio aos cidadãos seniores isolados, com o aumento da frequência das chamadas e visitas. O objectivo é “compreender em tempo útil as necessidades dos idosos e prestar a assistência necessária”. A intervenção social para apoiar os mais velhos pressupõe ainda a intervenção da comunidade, com o estabelecimento de uma rede de contactos com porteiros de edifício, vizinhos, lojas e organizações comunitárias “para ajudar a identificar os idosos ocultos na comunidade e fornecer-lhes apoios”. Segundo os últimos censos, realizados em 2021, a população idosa com idade igual ou superior a 65 mais do que duplicou no espaço de uma década, representando na última grande análise demográfica mais de 12 por cento da população do território. Esta nova realidade trouxe uma série de desafios com alguns efeitos chocantes, como as mortes e abandono de idosos isolados e o aumento dos suicídios nas camadas mais velhas da população.
João Santos Filipe Manchete PolíticaIdosos | Lam Lon Wai pede medidas de combate ao isolamento O deputado da FAOM considera que o número de idosos encontrados mortos em casa sem apoio “tem causado uma preocupação generalizada na sociedade” O deputado Lam Lon Wai pede ao Governo para adoptar mais medidas de prevenção para evitar a repetição dos casos em que os idosos isolados são encontrados mortos em casa. O assunto é abordado numa interpelação escrita, depois de no início de Outubro ter sido registado mais um caso. Segundo o legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), o bem-estar dos idosos é uma preocupação comum a toda a sociedade local. Contudo, o deputado indica que “aconteceram casos graves de idosos que morreram sozinhos em casa”, o que “tem causado uma preocupação generalizada na sociedade”. Face a esta realidade, Lam Lon Wai indica que é necessário “optimizar a atribuição de recursos dos serviços sociais, reforçar os mecanismos para detectar os casos ocultos”, para garantir que “os idosos de Macau são mais felizes”. Como tal, o deputado dos Operários pergunta se o Governo vai investir mais recursos na base de dados do Instituto de Acção Social que agrega informações sobre os idosos ou casais de idosos. “As autoridades têm planos para aumentar a taxa de registo na base de dados?”, questionou. E os megadados? Por outro lado, Lam Lon Wai indica que no futuro a cooperação entre os diferentes departamentos do Governo e a utilização das tecnologias de megadados deve ser colocada à disponibilização da sociedade para lidar com a situação dos idosos solitários. No entanto, considera que a protecção dos dados pessoais é um entrave com que o Governo vai ter de lidar, e por isso pretende que o Executivo tome as medidas necessárias para ultrapassar as limitações. O deputado explica que com uma maior partilha de informações entre os diferentes serviços é possível identificar padrões nos comportamentos dos idosos, permitindo saber se vivem sozinhos isolados ou têm apoios dos familiares. Por último, Lam quer saber se o Governo está disposto para adoptar uma nova estratégia no combate ao isolamento: “A melhor maneira de lidar com os casos escondidos é implementar uma estratégia que aposta em primeiro lugar na prevenção. Por isso, é importante reforçar a promoção de padrões de vida social, como a aprendizagem ao longo da vida e a integração da participação activa nas actividades diárias dos idosos”, aconselha. “Nos próximos dez anos, as autoridades vão reforçar os preparativos para a vida futura dos trabalhadores reformados? Por exemplo, será que vai haver cooperação com as associações ou sindicados para a criação de actividades pós-trabalho, como seminários, palestras e outras?”, pergunta.
Hoje Macau SociedadeIAS / Idosos | Iniciado processo de verificação de subsídio Desde o início da segunda quinzena deste mês que o Instituto de Acção Social (IAS) desenvolve os trabalhos de verificação da situação dos idosos aptos a receber subsídio. De acordo com os números oficiais, este ano vai ser verificada a situação de aproximadamente 600 idosos. O processo de verificação é iniciado com o envio de uma carta para os beneficiários do subsídio. Estes, podem depois “actualizar e confirmar os seus dados pessoais mediante o preenchimento do formulário, enviando, posteriormente, os respectivos documentos ao IAS juntamente com uma cópia do BIR”. As formalidades de verificação podem igualmente ser concluídas através da aplicação Conta Única de Macau. O Subsídio para Idosos é atribuído aos residentes permanentes com mais de 65 anos. A distribuição do montante vai acontecer em Outubro no valor de 9 mil patacas por idoso. “Neste ano, o subsídio de 9.000 patacas será atribuído em Outubro, prevendo-se que o número dos beneficiários seja mais de 100.000 pessoas”, indicou o IAS. Com base nos números oficiais, o Subsídio para Idosos implica um gasto do orçamento da RAEM de 900 milhões de patacas. De acordo com o IAS, o subsídio tem “o objectivo de demonstrar a sua atenção para com os idosos”.
João Santos Filipe PolíticaPensão de idosos | Secretária pede a idosos para pouparem A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U, recusou a possibilidade de a pensão para idosos ser aumentada a curto prazo, depois de ter sido questionada pelo deputado Leong Hong Sai. A secretária considerou mesmo que o sustento dos idosos deve resultar das poupanças acumuladas ao longo da vida, e dos apoios da família. “Na verdade, no sistema de segurança social de Macau para a terceira idade existem vários suportes, e a pensão para idosos nunca é a única fonte de apoio aos idosos”, afirmou. “Uma vida financeiramente estável depois de aposentação dos residentes depende principalmente da poupança pessoal e dos suportes familiares, para além da garantia básica fornecida pelo Governo da RAEM para a velhice. Portanto, os residentes devem planear, com antecedência, a sua carreira para aumentar a qualidade da vida após a aposentação”, considerou. Apesar da posição, Elsie Ao Ieong U mostrou abertura para que no futuro seja calculado um índice de preços no consumidor virado para os hábitos de consumo das pessoas mais velhas, para se perceber quando é necessário actualizar as prestações sociais. “A Direcção de Serviços de Estatística e Censos […] tentará efectuar um estudo destinado aos agregados familiares inquiridos que tenham membros da terceira idade”, afirmou a secretária. “Analisando a representatividade e a estrutura de consumo dessas amostras, e no pressuposto de garantir que a qualidade dos dados esteja em conformidade, irá estudar a viabilidade de criar o índice de preços no consumidor sénior”, reconheceu.
Hoje Macau China / ÁsiaEnvelhecimento | Normas para prestadores de cuidados implementadas na China A China implementou a primeira norma laboral nacional para profissionais de cuidados de longa duração em resposta ao envelhecimento da população do país, informou ontem a imprensa local. A iniciativa, lançada pelo Ministério dos Recursos Humanos e da Segurança Social em conjunto com a Administração Nacional de Segurança da Saúde, tem como objectivo melhorar a qualidade e as competências dos trabalhadores que prestam cuidados de longa duração, segundo o jornal oficial em língua inglesa China Daily. A nova norma estipula que os trabalhadores especializados em cuidados de longa duração para pessoas que perderam a capacidade de cuidar de si próprias devem possuir “conhecimentos e competências básicas” em enfermagem e cuidados para poderem trabalhar em lares, casas de repouso ou hospitais. A profissão estará aberta a pessoas com mais de 16 anos de idade, sem restrições quanto ao nível de escolaridade, e terá um sistema de avaliação em três níveis, com base nas competências dos trabalhadores: um trabalhador de nível inicial deverá ajudar na limpeza facial, dentária e corporal e na alimentação, entre outras tarefas, enquanto um profissional de nível superior poderá oferecer apoio psicológico e aconselhamento de saúde a doentes crónicos, entre outras responsabilidades. Wu Xiaolan, investigador do Centro de Investigação do Envelhecimento da China, disse ao jornal que os cuidados aos idosos são um “problema urgente” devido ao “aumento da população idosa” e à “escassez de trabalhadores qualificados no sector”. “Os actuais serviços de enfermagem, principalmente centrados nos cuidados básicos de vida e nos serviços domésticos, podem não satisfazer as necessidades futuras dos idosos, especialmente nos serviços de reabilitação e psicológicos”, acrescentou Wu.
Hoje Macau PolíticaIdosos | Deputados pedem aumento da pensão Os deputados Zheng Anting e Ella Lei defendem que o Governo deve aumentar o montante de pensão para idosos, um apoio social que não sofre qualquer ajustamento desde 2020. Ouvido pelo jornal Exmoo, Zheng Anting lamentou que o valor da pensão para idosos seja apenas de 3.740 patacas por mês, inferior ao montante que o Governo considera necessário para sobreviver no território, o chamado “valor do risco social”. Este valor está actualmente estabelecido em 4.230 patacas. O deputado indicou também que apenas 29.855 idosos recebem o montante completo da pensão, pelo que há uma parte muito significativa da população a receber apenas uma fracção das 3.740 patacas por mês. O deputado ligado à comunidade de Jiangmen justificou ainda a necessidade de aumentar o valor da pensão porque o índice de preços no consumidor, nos produtos mais consumidos pela população idosa, levou ao aumento contínuo do custo de vida. Entre os produtos mais caros, Zheng indicou a comida, bebidas, produtos de saúde e serviços domésticos. Segundo o deputado, ao longo do ano passado, estes preços subiram mais de três por cento, o que representa o empobrecimento real das pessoas que dependem da pensão para idosos. Por seu turno, a deputada Ella Lei defendeu que como a economia mostra melhorias face aos anos anteriores, o Governo tem nova margem para aumentar o valor da pensão e corrigir o congelamento que vigora desde 2020.
João Santos Filipe Manchete PolíticaTrabalho | Cerca de 3 mil desempregados com mais de 45 anos O ano passado terminou com 3.227 desempregados com mais de 45 anos. A situação é mais preocupante para quem tem mais de 65 anos. Em 2023, a DSAL encontrou colocação no mercado de trabalho para 137 idosos, mas o ano terminou com 795 desempregados No final de 2023, um total de 3.227 desempregados registados junto da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) tinha 45 anos, ou mais. Os dados foram disponibilizados pelo organismo liderado por Wong Chi Hong, na resposta a uma interpelação do deputado Leong Sun Iok. Segundo a informação avançada, 2.432 desempregados que procuravam emprego activamente tinham entre 45 e 64 anos. A maioria, 88 por cento, ou cerca de 2.140, possuíam qualificações académicas limitadas, que não chegavam ao ensino superior. No que diz respeito aos indivíduos com 65 anos ou mais, havia no final de Dezembro um total de 795 pessoas à procura de um emprego. Também neste caso, destaca a DSAL, as qualificações académicas dos desempregados são uma limitação, dado que 97 por cento, ou 771 tinham qualificações abaixo do ensino superior. Apesar destes números, a DSAL indicou que ao longo do ano passado várias pessoas com mais de 45 anos conseguiram encontrar um emprego. No primeiro ano de recuperação económica, depois do Governo ter sido autorizado a levantar as políticas de zero casos de covid-19, um total de 2.810 pessoas com mais de 45 anos e até 64 anos encontrou um novo emprego. Os processos de procura de emprego através da DSAL fizeram também com que 137 pessoas com mais de 65 anos conseguissem emprego. O cenário é mais preocupante entre as pessoas com 65 anos. Quando se compara o número dos desempregados no final de Dezembro com o número de pessoas contratado ao longo do ano, a taxa de sucesso é de 17,2 por cento. Requalificação profissional Na resposta ao deputado, a DSAL sublinha que tem trabalhado para desenvolver as competências profissionais dos idosos e organizado vários “cursos de formação”, o que acontece desde 2006. Só no ano passado, estes programas terão atraído cerca de 234 interessados. “A DSAL irá prestar especial atenção à evolução do mercado de trabalho e proporcionar formação profissional personalizada para responder às necessidades de formação dos vários sectores e dos residentes de Macau, bem como continuar a melhorar e a reforçar as medidas de emprego relevantes, de modo a aumentar as oportunidades de emprego para os idosos que têm capacidade e vontade de trabalhar”, foi prometido. A DSAL prometeu ainda ir fazer um balanço da eficácia dos mecanismos de colocação de idosos e das políticas sociais.
João Santos Filipe PolíticaEmprego | Pedidas soluções para pessoas de meia idade e idosos Com uma população cada vez mais envelhecida, o deputado da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) está preocupado com a falta de um programa geral de emprego para os mais velhos e com as poucas oportunidades no mercado do trabalho O deputado Leong Sun Iok defendeu a necessidade de o Governo lançar um programa de emprego focado nas pessoas de meia idade e nos idosos. O assunto foi abordado numa interpelação escrita, divulgada ontem pelo gabinete do legislador ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Segundo os argumentos do deputado, Macau caminha para se tornar uma sociedade cada vez mais envelhecida, mas os avanços médicos fazem com que as pessoas, mesmo depois de chegarem à idade da reforma, possam e queiram continuar a trabalhar. Leong Sun Iok indica igualmente que apesar destas pessoas desejarem trabalhar, “encontram frequentemente obstáculos” na procura de um emprego. A esta situação juntam-se os receios, que começam na meia-idade, de não serem capazes de encontrarem um trabalho, no caso de ficarem desempregados. Contudo, apesar do Executivo estar ciente desta realidade, o deputado aponta que “o Governo não tem um plano geral para lidar com os problemas do emprego das pessoas de meia idade e idosos”. Face a esta falha, o legislador quer saber o que pode ser feito. “Será que o Governo vai considerar realizar inquéritos para apurar as razões que fazem com que as pessoas de meia-idade e idosos estejam desempregados?”, questiona. Leong Sun Iok destacou também a necessidade de se estudarem “as razões que pesam nas decisões das pessoas de meia idade e os idosos” quando decidem, ou não, continuar a trabalhar após chegarem à idade da reforma. No mesmo sentido, defende que deve haver uma maior comunicação com as empresas para saber o tipo de incentivos que podem aumentar a empregabilidade dos mais velhos. Dados concretos Nos últimos anos, a Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) tem realizado várias feiras de emprego. Leong vem agora pedir os dados da taxa de sucesso na contratação de pessoas com mais de 45 anos. “Em relação às pessoas com 45 anos ou mais, quantas estão registadas como desempregadas? Quantas estão activamente à procura emprego? E quantas conseguiram encontrar emprego depois de recorrer aos serviços de ofertas de emprego?”, questiona o legislador. O deputado recordou ainda que durante a apresentação pelo Executivo das Linhas de Acção Governativa para este ano, o Governo afirmou que ia ter em conta as condições dos mais velhos e melhorar os canais de comunicação com associações locais, de forma a promover mais oportunidades de emprego. Face a essa promessa, Leong Sun Iok quer saber como estão a avançar os planos e que considerações preliminares existem.
Hoje Macau China / ÁsiaGoverno apresenta medidas para desenvolver economia para idosos O Governo chinês publicou ontem várias medidas para desenvolver a economia relacionada com a população idosa, face ao rápido envelhecimento da sociedade chinesa. O Conselho de Estado (Executivo) publicou um documento que se centra em quatro aspectos: resolver os problemas urgentes dos idosos, expandir a oferta de produtos para esta faixa etária, cultivar sectores potenciais e reforçar o apoio financeiro a estas indústrias. De acordo com o ministério dos Assuntos Civis, existem cerca de 280 milhões de pessoas com mais de 60 anos no país, ou seja, 19,8 por cento da população total. O documento sublinha a necessidade de apostar na inovação dos produtos destinados aos idosos, no desenvolvimento de novas formas de cuidados inteligentes, na indústria da reabilitação e dos dispositivos de assistência e na indústria antienvelhecimento. O mesmo documento incentiva o desenvolvimento de alimentos saudáveis e soluções médicas especiais que se adaptem à forma como os idosos comem e mastigam ou o fabrico de veículos “que cumpram as normas técnicas e facilitem o transporte sem barreiras para os idosos”. O Conselho de Estado também prioriza os “dispositivos inteligentes” para cuidados domiciliários e promove a utilização de robots para cuidar dos idosos, realizar tarefas domésticas e evitar que os idosos se percam. As autoridades chinesas apelam também ao reforço da investigação e da aplicação da tecnologia genética, da medicina regenerativa e dos lasers no domínio do tratamento do envelhecimento. O documento salienta ainda que a oferta de produtos financeiros para os idosos deve ser aumentada e que os produtos de pensões e de seguros comerciais para os reformados devem ser diversificados. Desafios e tecnologia Hu Zuxiang, director do Gabinete de Desenvolvimento Populacional do Departamento de Previsão Económica do Centro Nacional de Informação, disse aos meios de comunicação locais que a tecnologia é a “primeira força motriz para o desenvolvimento da economia relacionada com as pessoas com mais de 60 anos”. O Governo chinês apelou a “projectos para melhorar a adaptabilidade digital dos idosos”, numa altura em que cada vez mais serviços na China são realizados através de pagamentos móveis ou através da rede social local Wechat. Estima-se que, em 2035, haverá mais de 400 milhões de pessoas com mais de 60 anos no país asiático, o que representa mais de 30 por cento da população da China. As autoridades alertaram para o facto de o envelhecimento da população colocar vários desafios à prestação de serviços públicos e à sustentabilidade da segurança social. A China encerrou o ano passado com 1.411,75 milhões de habitantes, tendo registado 9,56 milhões de nascimentos e 10,41 milhões de mortes.