Estudantes em Hong Kong impedidos de regressarem a Macau

Os estudantes de Macau em Hong Kong estão a ser impedidos de regressarem ao território, devido à falta de hotéis para cumprirem a quarentena. A informação foi avançada pela TDM, que entrevistou Justin Cai, um dos alunos que não consegue regressar a Macau.

“A quinta vaga de infecções por covid-19 em Hong Kong levou as universidades a sugerirem aos alunos que regressem ao território de origem. No entanto, os residentes de Macau estão a encontrar vários obstáculos para regressarem, uma vez que não há vagas nos hotéis de quarentena”, relatou o afectado.
Justin faz parte de um grupo de WeChat com 100 estudantes locais em Hong Kong que pretendem voltar à RAEM. No entanto, foram informados que só podem voltar a partir de 1 de Abril. Em causa, está a incapacidade dos Serviços de Saúde de aumentarem o número de quartos disponíveis.

“Estou a representar alguns dos meus colegas de Macau. Começámos a pensar no regresso depois das escolas terem anunciado que a maior parte das aulas ia ser realizada de forma online, em vez de ser presencial”, indicou Cai.

No entanto, em Macau, apesar da “simpatia”, não foi oferecida uma solução. “Contactámos os Serviços de Educação de Macau que foram muitos simpáticos e disponíveis. Mas, responderam-nos que devido à forma como os hotéis de quarentena são organizados em Macau, e ao envolvimento de muitas autoridades, que nada pode ser feito no curto prazo”, foi justificado.

Entregues à sorte

“A universidade diz-nos para regressarmos a casa, mas não podemos. É… muito irónico”, considerou o estudante face à situação. Justin Cai admitiu ainda estar preocupado com o facto de ficar num dormitório, onde há pessoas infectadas a fazer o isolamento. “Os casos de covid-19 não são enviados para o hospital, em vez disso, as pessoas ficam em casa, o que é uma grande ameaça para nós”, destacou.

Com o Governo a recusar ajudar os alunos, aos estudantes resta o cenário de se deslocarem para Interior primeiro, cumprirem lá uma quarentena de 14 dias, e depois voltar para Macau. Porém, até este cenário é complicado. “Zhongshan, Zhuhai e Shenzhen têm uma quota diária do número de pessoas que podem candidatar-se à quarentena. As pessoas que competem pelas vagas não são apenas residentes de Macau, também há pessoas do Interior e de Hong Kong”, desabafou.

Covid-19 | Residente vindo de Portugal é caso assintomático

As autoridades revelaram no sábado a existência de mais um caso importado de Portugal. No entanto, o homem não tem sintomas, e não entra para as estatísticas

 

Um homem que voou de Portugal para Macau testou positivo à covid-19, dois dias depois de ter chegado ao território. A informação foi divulgada no sábado à tarde pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus.

“Um residente de Macau, proveniente de Portugal, chegou a Macau na quarta-feira (9 de Fevereiro) e o seu teste de ácido nucleico deu resultado positivo ontem (11 de Fevereiro), tendo sido classificado como caso importado de infecção assintomática pela COVID-19”, foi revelado, através de um comunicado.

O residente, de 53 anos, estava vacinado com três doses da BioNtech, administradas em Março, Abril e Novembro de 2021.

Segundo o historial de viagem, o homem apanhou um voo a 8 de Fevereiro de Portugal para a Alemanha, da companhia Lufthansa, e, no mesmo dia, de Munique para Singapura, da Singapore Airlines.

No dia seguinte, apanhou um outro voo da Singapore Airlines, com destino ao território. “Logo que entrou em Macau, no dia 9 de Fevereiro, foi sujeito a um teste de zaragatoa nasofaríngea, cujo resultado deu negativo, tendo sido encaminhado para o Hotel Tesouro para observação médica”, foi indicado.

À terceira foi de vez

No hotel, o homem ainda teve um outro teste com um resultado negativo, antes de finalmente surgir o positivo: “No dia 11 de Fevereiro, o resultado foi positivo, tendo a amostragem sido remetida para o Laboratório de Saúde Pública para revisão cujo resultado continua ainda positivo”, foi revelado.

Como medida de precaução, foi encaminhado para o Centro Clínico de Saúde Pública, onde vai cumprir isolamento.

Como o residente não apresenta sintomas, as autoridades de Macau, e ao contrário da prática mais comum, não contabilizam esta infecção. Por isso, o território mantém o número de infecções desde que começou a pandemia em 79 casos, sem que se tenha verificado qualquer morte.

Ontem, as autoridades revelaram também que entre sábado e as 8h de domingo receberam 261 telefonemas com opiniões relacionadas com a pandemia e as medidas de prevenção e controlo. Os Serviços de Saúde receberam 260 chamadas, entre as quais 14 sobre vacinas, 156 sobre medidas de isolamento, 53 sobre testes de ácido nucleico, 36 sobre código de saúde e um telefonema classificada como “outro”. Por sua vez, o Corpo de Polícia de Segurança Pública recebeu uma chamada sobre as medidas de imigração para residentes do Interior.

BNU | Esperados lucros de 500 milhões em 2022

Após registar lucros de 447,4 milhões de patacas em 2021, o Banco Nacional Ultramarino (BNU) espera atingir a fasquia das 500 milhões de patacas de lucros em 2022. Contudo, em declarações à TDM-Rádio Macau, o presidente da comissão executiva do BNU, Carlos Cid Álvares, mostra-se prudente com as projecções, dado que pairam ainda muitas dúvidas acerca da recuperação da economia de Macau e o regresso, em força, dos turistas.

“Há alguns sinais positivos que podem fazer com que a economia mexa, como o lançamento do concurso para as novas licenças de jogo, mas ainda há poucos sinais de abertura neste lado.
Se não houver muitos turistas, a economia não vai recuperar. Estamos prudentes, admitimos chegar aos 500 milhões de resultados em 2022, mas ainda são previsões bastante prudentes”, partilhou segundo a mesma fonte.

Sobre os lucros de 447,4 milhões de patacas obtidos em 2021, que apesar de traduzirem melhorias sobre o ano anterior, representam menos 38 por cento em relação a 2019, o responsável aponta que além da pandemia de covid-19, também as baixas taxas de juro estiveram na base dos resultados alcançados.

“O viver um período de taxas de juro muito baixas (…) não costuma ser fantástico para os bancos apresentarem bons resultados”, disse, acrescentado que embora o banco esteja “satisfeito”, o ideal seria que a actividade económica ganhasse vitalidade, alavancando o crédito à habitação, que tem sido tímido, e o crédito às empresas.

Acerca Ilha da Montanha, Carlos Cid Álvares diz que o projecto é uma “oportunidade interessante” para o BNU, mas que importa ainda compreender ao certo qual poderá ser o papel a desempenhar pelos investidores e empresários de Macau em Hengqin.

Nova City | Shun Tak acusada de não entregar direito de administração 

Fong Ka Leong, ex-secretário geral da associação de condóminos do edifício Nova City, na Taipa, acusa a empresa proprietária, a Shun Tak Holdings, de, em dez anos, nunca ter transferido o direito de administração para os moradores, o que faz com que estes não consigam resolver os problemas inerentes ao complexo habitacional

 

A Shun Tak Holdings, empresa promotora dos blocos de apartamentos Nova City, na Taipa, é acusada pelos condóminos de, ao fim de dez anos, ainda não ter transferido os direitos de administração do prédio, o que tem causado dificuldades aos moradores na resolução dos problemas do condomínio.

Em comunicado, Fong Ka Leong, ex-secretário geral da associação de condóminos Administração Integral da Nova City, disse que em 2010 foram eleitos os membros desta entidade, mas a Shun Tak continuava a exercer os direitos de administração, não tendo assinado o contrato com os moradores.

Mesmo com uma acção em tribunal ganha em 2014, a empresa continuou a “ignorar” esta decisão judicial e não contactou os moradores no tempo previsto, acusou o responsável.

O facto de este direito de administração não ter sido transferido tem causado problemas financeiros na gestão do condomínio. “Em 2006, no início da ocupação das casas, a Shun Tak atribuiu à empresa Watt Hung Chow a auditoria das contas. No entanto, dois anos depois, os condóminos sabiam que a pessoa responsável pela auditoria das contas eram alguém ligado ao grupo [Shun Tak], pelo que foi pedido um auditor independente, a fim de garantir a equidade”, pode ler-se no comunicado.

Em 2010, ambas as partes concordaram que a empresa HMV & Associates – Certified Public Accountants ficaria responsável pela auditoria. No entanto, os condóminos tiveram conhecimento, apenas em 2013, que esta empresa já não exercia estas funções e que, neste período de tempo, não havia qualquer fiscalização das contas do complexo habitacional Nova City.

“Fomos recebendo os relatórios de auditoria nos primeiros dois anos, mas depois a Shun Tak Holdings foi adiando a sua entrega por diversos motivos. Só então é que um membro da associação de condóminos soube que a auditora deixou de exercer funções em 2013 porque não conseguiu obter os cadernos de contabilidade junto da Shun Tak Holdings”, explicou Fong Ka Leong no mesmo comunicado.

Governo ao barulho

O responsável adiantou que já apresentou queixa da situação, por diversas vezes, nos serviços públicos, mas o problema continua sem solução. Fong Ka Leong apela, por isso, ao Governo para que reveja a legislação em vigor no sentido de reforçar a regulação das empresas de administração. Isto porque responsáveis do Instituto da Habitação já declararam que os direitos dos condóminos previstos na lei são limitados e que o regime das empresas de administração de condomínios não é perfeito.

Fong Ka Leong acredita que a arbitragem poderia ser um meio eficaz para a resolução deste tipo de problemas, defendendo que a lei da protecção dos direitos e interesses do consumidor também poderia abranger estes casos.

Economia | Ho Iat Seng apela à união para “ataque” a ano difícil

Cada vez mais modernos, belos, felizes, seguros e harmoniosos. É esta a visão para Macau do Chefe do Executivo, que pede união para concretizar os objectivos propostos. Ho prometeu ainda apoios às Pequenas e Médias Empresas

 

Apesar de um ano que se espera difícil, Ho Iat Seng prometeu um Executivo a trabalhar para diversificar a economia e apoiar as Pequenas e Médias Empresas. A mensagem foi deixada durante um discurso na Associação Comercial de Macau, na quinta-feira à noite, em que o líder da RAEM disse estar a trabalhar para “construir uma Macau moderna, bela, feliz, segura e harmoniosa”.

Segundo o Chefe do Executivo, o ano que agora começou traz “novos desafios”, e vai ficar marcado novamente por “grandes incertezas”, que justificou com a “epidemia” e a “recuperação económica mundial”. Por isso, Ho Iat Seng avisou que “Macau continuará a enfrentar uma conjuntura de desenvolvimento instável e volátil”.

Neste contexto, o dirigente defendeu que para superar a crise é preciso haver um espírito de união, e que a população tem de se mobilizar à volta do objectivo comum. “Devemos manter firme a nossa confiança e forte a nossa perseverança, trabalhar unidos e de mãos dadas, aproveitar as oportunidades, enfrentar os desafios e criar em conjunto um novo cenário para o desenvolvimento de Macau”, avisou.

Sobre as medidas com vista à recuperação económica, e numa altura em que o desemprego na RAEM atinge níveis sem paralelo desde a crise mundial de 2008, Ho insistiu, como em outras ocasiões, no facto de a recuperação económica estar dependente do cumprimento das medidas de “prevenção e controlo da pandemia”. Porém, o dirigente da RAEM prometeu “fomentar um melhor ambiente de negócios, apoiar com precisão e de forma mais aprofundada as pequenas e médias empresas, impulsionar a inovação científica e tecnológica, criar um novo regime de introdução de quadros qualificados e fortalecer constantemente as dinâmicas do desenvolvimento da RAEM”.

Acordar para a realidade

No discurso junto da influente associação de empresários, Ho Iat Seng abordou ainda o encontro de Dezembro com Xi Jinping. Segundo o relato do Chefe do Executivo, o líder máximo do país considera que a pandemia ensinou uma lição valiosa aos residentes.

“Em Dezembro do ano passado, por ocasião da minha deslocação a Pequim para apresentação do relatório anual de trabalho, o Presidente Xi Jinping afirmou que esta epidemia permitiu a todos os sectores da sociedade de Macau conhecer melhor os problemas existentes na estrutura económica, obrigando também a uma profunda reflexão sobre a direcção do desenvolvimento de Macau”, recordou Ho.

O Governo da RAEM saiu ainda de Pequim com a garantia do apoio das autoridades centrais para a “promoção da diversificação adequada da sua economia”.

Quanto ao balanço sobre 2021, Ho Iat Seng congratulou-se por ter mantido a sociedade “harmoniosa e estável”, por ter respondido “de forma eficaz ao impacto causado pelos vários casos importados” de covid-19, e por ter impulsionado o “desenvolvimento crescente da economia”.

Educação Sexual | Deputado questiona eficácia do ensino

O deputado Ma Io Fong está preocupado com a ineficácia do ensino da Educação Sexual nas escolas, e quer saber quais os planos do Governo para inverter esta situação. De acordo com um estudo recente, citado numa interpelação do deputado, uma pequena proporção dos jovens teve vários parceiros sexuais ou iniciou a vida sexual “prematuramente”, o que foi considerado alarmante pelo legislador.

Ma mostrou-se igualmente preocupado com as conclusões que indicam que cerca de 16 por cento dos jovens locais tem pouco conhecimento sobre a sexualidade, 60 por cento utiliza a Internet como ferramenta principal para esclarecer as dúvidas, e que a maioria considera que a educação sexual nas escolas é inconsequente.

Face às conclusões do estudo, o deputado da Associação Geral das Mulheres quer saber o que vai ser feito para que a educação sexual forneça aos alunos conhecimentos básicos sobre a sexualidade. Uma das questões levantadas foca mesmo a necessidade de saber se o Governo está preparado para desenvolver novos materiais de ensino, face ao actuais considerados desadequados.

No que diz respeito ainda às aulas sobre a educação sexual, Ma quer ainda saber se o Executivo tem planos para criar um currículo uniformizado, com uma tabela dos conhecimentos a serem adquiridos de acordo com as diferentes idades.

Por último, o deputado questiona tambén se existem planos da Direcção de Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude para realizar mais seminários sobre educação sexual a pensar nos jovens e na forma de corrigir o que diz serem “comportamentos sexuais desviantes”.

Talento | Song Pek Kei quer ajustes para alunos em Portugal não perderem bolsas

Numa altura em que a pandemia de covid-19 continua a afectar os residentes que optam por estudar no estrangeiro, Song Pek Kei quer que o Governo permita aos bolsistas que estão em Portugal regressarem a Macau para além dos três anos estipulados, sem prejuízo de perderem os apoios a que têm direito

 

Song Pek Kei mostra-se preocupada com o efeito que a pandemia de covid-19 está a ter sobre os residentes de Macau que optaram por estudar no estrangeiro e defende que o Governo seja mais flexível acerca da janela temporal estabelecida para os alunos bolseiros que estão a frequentar o ensino superior em Portugal, voltarem a Macau.

Em causa, apontou a deputada, está o facto de o regime do “programa de concessão de apoio financeiro para a frequência de cursos pós-graduados nos institutos superiores de Portugal” estabelecer um máximo de três anos para que os beneficiários voltem a Macau, sob pena de serem obrigados a devolver os subsídios anuais a que têm direito. Ou seja, 58.000 patacas anuais para os cursos de mestrado e 80.000 patacas para os cursos de doutoramento.

“Devido à pandemia, o ambiente de estudo fora de Macau mudou e muitos estudantes não podem regressar do estrangeiro para servir os interesses de Macau”, começou por dizer Song Pek através de uma interpelação escrita.

“Durante este período, as autoridades não ajustaram as respectivas especificações e alguns alunos já manifestaram a intenção de requerer a prorrogação do prazo para cinco anos para regressar a Macau e continuarem a estudar em Portugal. No entanto, tendo em conta que o programa de concessão de apoio financeiro (…) tem uma duração máxima de três anos e os alunos não podem regressar a Macau dentro desse prazo, os serviços competentes solicitaram a devolução da bolsa de estudo no espaço de um mês”, acrescentou.

A deputada, dado que a situação pode vir a ter um “grande impacto” no sistema de formação de quadros qualificados de Macau e na “confiança e vontade” de os alunos prosseguirem os seus estudos, sugere que o Governo classifique estes casos como “excepcionais” à luz do regime de apoios e possibilite que os residentes não se vejam obrigados a interromper o plano de estudos.

Efeitos colaterais

No contexto da necessidade de formação de quadros qualificados de Macau, Song Pek Kei considera que a forma como o regime de atribuição de bolsas funciona, nomeadamente as “limitações” estabelecidas para voltar ao território, estão a contribuir para hipotecar, tanto o desenvolvimento de talentos no estrangeiro, como o regresso desses mesmos talentos a Macau.

Além disso, a deputada alerta ainda para o facto de a zona de cooperação entre Macau e Guangdong em Hengqin poder vir a aumentar a competitividade regional, deixando o território ainda mais desfalcado em termos de talento.

“O desenvolvimento de Macau chegou a um ponto de inflexão. Limitar o desenvolvimento da educação dos alunos, é limitar a formação de quadros qualificados e enfraquecer a capacidade de formação de talentos. A zona de cooperação aprofundada (…) irá atrair muitos quadros qualificados para Macau e aumentar a concorrência regional. De que forma é que as autoridades vão equilibrar as bolsas de estudo, subsídios e o regresso de talentos, tendo em conta o objectivo de elevar as qualificações dos residentes e promover o regresso de quadros qualificados?”, questionou.

Beijing 2022 | Ricardo Brancal e José Cabeça fazem história para Portugal no esqui

Com um 37.ª lugar na prova de slalom gigante, o estreante Ricardo Brancal obteve a melhor classificação de Portugal na modalidade. Na sexta-feira, José Cabeça classificou-se no 88º lugar da prova de 15 km estilo clássico no esqui de fundo, tornando-se assim também no melhor português nesta vertente

 

O esquiador português Ricardo Brancal estreou-se ontem nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022 com o 37.ª lugar na prova de slalom gigante, a 28,05 segundos do vencedor, o suíço Marco Odermatt. Dois dias antes, também José Cabeça fez história para Portugal ao classificar-se no 88.º lugar da prova de 15 km estilo clássico no esqui de fundo, já que os dois atletas alcançaram os melhores resultados de sempre para o país nas respectivas modalidades.

Na sua primeira participação olímpica, na pista Ice River, em Yangqiing, Ricardo Brancal, de 25 anos e natural da Covilhã, conseguiu o objectivo de melhorar o 66.º posto de Arthur Hanse em PeyongChang 2018 na disciplina.

Numa prova em que 40 dos 86 atletas não terminaram, Ricardo Brancal foi 46.º na primeira manga, com um tempo de 1.16,83 minutos, e foi mais lento e cauteloso na segunda descida, adiada devido à queda de neve, que fez em 1.20,57, somando 2.37,40 no conjunto das duas contagens.

A competição de esqui alpino foi arrebatada pelo líder do ‘ranking’ mundial, o suíço Marco Odermatt, que conquistou o primeiro título olímpico, seguido de perto pelo esloveno Zan Kranjec, medalha de prata, e o actual campeão do mundo, o francês Mathieu Faivre, que ganhou o bronze.

Ricardo Brancal, que antes da partida para Pequim considerava um ‘top 50’ um excelente resultado, tendo em conta o nível competitivo, e ambicionava superar o melhor lugar de Arthur Hanse, 38.º no slalom e 66.º no slalom gigante em PeyongChang 2018, considerou que podia ter feito ainda melhor, mas salientou ser “um resultado muito bom para Portugal”.

“O meu objectivo era terminar. Fisicamente, senti-me muito bem, seguro, sólido. Podia ter tirado três ou quatro segundos em cada manga, mas corria o risco de sair [de pista] e nos Jogos Olímpicos o que conta é ver a bandeira no resultado”, disse, no final da prova, Ricardo Brancal, em declarações à agência Lusa.

O esquiador, que tem preferência pelo slalom, competição marcada para quarta-feira, afirmou que, tendo em conta ter conseguido um 37.º lugar, “talvez arrisque um pouco mais” na disciplina em que se sente mais confortável.

O chefe de missão, Pedro Farromba, salientou que “nunca antes um português tinha feito um resultado destes”, destacando que Vanina Oliveira, José Cabeça e Ricardo Brancal cumpriram o objectivo da comitiva de melhorar as classificações das anteriores edições, e afirmou-se “muito satisfeito” e com a obrigação de cumprir uma promessa.

“Agora, vamos desfrutar deste resultado antes do slalom. Tinha dito ao Ricardo que se ele melhorasse a classificação de Portugal, eu rapava a cabeça com uma lâmina… Vou ter de o fazer”, gracejou o também presidente da Federação de Desportos de Inverno de Portugal, Pedro Farromba.

Cabeça fria

O português José Cabeça terminou na sexta-feira a prova de 15 km estilo clássico no esqui de fundo em Pequim 2022 na 88.ª posição e tornou-se o melhor representante luso na disciplina nos Jogos Olímpicos.

O atleta, natural de Évora, de 25 anos, terminou a competição, realizada no Centro Nacional de Cross-Country, na zona de Zhangjiakou, em 49.12,0 minutos, ou seja, a cerca de 11 minutos e 17 segundos do vencedor, o finlandês Livo Niskanen, entre 99 participantes.

O atleta finlandês juntou à medalha de bronze obtida nos 30 km no esquiatlo o título nos 15 km estilo clássico, depois de ter vencido o ouro em Sochi 2014 na velocidade por equipas e em PeyongChang 2018 ter subido ao lugar mais alto do pódio nos 50 km estilo clássico.

O russo Alexander Bolshunov, medalha de ouro nos 30 km de esquiatlo, venceu a prata nos 15 km na prova de ‘cross-country’ e o norueguês Johannes Hoesflot Klaebo, campeão olímpico na velocidade também em Pequim2022, foi terceiro. O três vezes campeão olímpico na disciplina, o suíço Dario Cologna, terminou na 44.ª posição.

Na sua primeira experiência olímpica, José Cabeça, que começou a esquiar apenas há dois anos com o intuito de chegar aos Jogos Olímpicos, tinha como objectivo alcançar a melhor classificação de sempre de um português na disciplina, meta conseguida em Pequim 2022 pelo também triatleta, que almeja ser o primeiro atleta luso a marcar presença nas edições de Inverno e de Verão.

Antes de José Cabeça, participaram na competição de esqui de fundo, nos 15 km estilo clássico, Danny Silva, 94.º classificado em Turim 2006 e 95.º em Vancouver 2010, no estilo livre, enquanto Kequyen Lam, nascido em Macau, ficou no 113.º lugar em PyeongChang 2018, no estilo livre.

Em declarações à agência Lusa, o eborense sublinhou “a dureza” da prova e os efeitos “da altitude”, mas disse ter “evoluído tecnicamente” ao longo do percurso e salientou ter ficado “à frente de atletas que fazem isto quase desde que nasceram”.

“Cheguei muito exausto, porque a prova foi muito dura, mas acho que foi algo brilhante. Estou orgulhoso do trabalho que temos feito. Conseguimos em dois meses o que alguns não fazem em dois anos. Se em dois meses fiz isto, imagino o que posso fazer em quatro anos”, realçou o atleta olímpico, referindo-se aos dois meses de treino presencial com o treinador, o norueguês Ragnar Bragvin Andresen, com quem começou a ter contacto em Maio, via ‘online’.

José Cabeça vincou que conseguir a qualificação para Pequim 2022 “já era incrível” e o pensamento está nos próximos Jogos Olímpicos de Inverno, a realizar em 2026 nas cidades de Milão e de Cortina d’Ampezzo, nos quais tem a ambição de se apresentar como “um atleta competitivo”.

 

Doping | Tribunal Arbitral do Desporto recebe recursos por Valieva

O Tribunal Arbitral do Desporto (TAS, na sigla inglesa) confirmou ter recebido os recursos do Comité Olímpico Internacional (COI) e da Agência Russa Antidopagem (RUSADA) sobre o levantamento da suspensão da patinadora russa Kamila Valieva. Valieva, de 15 anos, testou positivo a 25 de Dezembro de 2021, durante os campeonatos da Rússia, e foi suspensa já no decurso dos Jogos de Inverno, mas essa decisão foi mais tarde levantada.

Durante os Jogos Olímpicos de Inverno, integrou a equipa russa que conquistou a medalha de ouro na prova por equipas da patinagem artística, tendo chamado a atenção ao executar um inédito salto quádruplo.

A cerimónia de entrega de medalhas não se realizou, com o TAS a confirmar agora ter recebido os dois recursos, nomeando em breve um painel de arbitragem para decidir sobre o caso durante Pequim 2022, ainda que não anuncie qualquer data para revelar a decisão.

Entretanto, a RUSADA decidiu abrir um inquérito interno a todos os treinadores e médicos em torno da jovem, que é “menor de idade” e, portanto, passível de ter visto os seus interesses mal defendidos por pessoas com essas funções.

Patinagem | Nathan Chen conquista ouro e impede “tri” de Yuzuru Hanyu

O norte-americano Nathan Chen sagrou-se na passada quinta-feira campeão olímpico de patinagem artística nos Jogos Pequim2022, numa prova em que japonês Yuzuru Hanyu falhou o objectivo de se tornar o primeiro patinador a conseguir três títulos consecutivos desde 1928.

Desta feita, Chen, de 22 anos, redimiu-se do quinto lugar alcançado nos Jogos Pyeongchang 2018, e partilhou o pódio com os japoneses Yuma Kagiyama e Shoma Uno, medalhas de prata e bronze, respectivamente. Yuzuru Hanyu, que sonhava igualar o feito do patinador sueco Gillis Grafstrom, que em 1928 conseguiu o terceiro título olímpico consecutivo, ficou em quinto lugar.

Na pista de Yanging, o austríaco Johannes Strolz, de 29 anos, sagrou-se campeão olímpico de combinado de esqui alpino, repetindo o feito alcançado pelo pai, Hubert, nos Jogos Calgary1988, e sucedendo ao compatriota Marcel Hirscher, recordista de vitórias em provas da Taça do Mundo.

Strolz, que aos 29 anos somava apenas um triunfo em taças do Mundo, partilhou o pódio com o norueguês Aleksander Aamodt Klide (prata) e com o canadiano James Crawford (bronze).

Nos 10 quilómetros de estilo clássico do esqui de fundo, a norueguesa Therese Johaug conquistou o ouro, que juntou ao conquistado na prova de esquiatlo, e aumentou para cinco a sua contagem de medalhas olímpicas.

Jaqueline Mourão, que na terça-feira se tornou a brasileira com mais participações em Jogos Olímpicos, com oito presenças, terminou a prova no 82.º lugar.

Aos 46 anos, Jaqueline Mourão soma três participações em Jogos de Verão, em provas de ciclismo de cross-country, e cinco em Jogos de Inverno.

Velocidade | Nils van der Poel de ouro e com recorde mundial nos 10.000 metros

O patinador de velocidade sueco Nils van der Poel melhorou na sexta-feira o seu próprio recorde mundial dos 10.000 metros, alcançando o ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, cinco dias depois de ter estabelecido também o recorde olímpico nos 5.000 metros.

Depois de em Dezembro passado ter conseguido a melhor marca mundial dos 5.000 metros, o sueco, de 22 anos, estabeleceu há poucos dias o máximo olímpico da distância, e hoje melhorou a marca mundial dos 10.000, que lhe pertencia desde Fevereiro do ano passado.

Nils van der Poel patinou em 12.30,74 minutos, marca que retirou mais dois segundos ao anterior máximo (12.32,95) e deixou o holandês Patrick Roest a 13,85 segundos e o italiano Davide Ghiotto a 15,24, com as medalhas de prata e bronze, respectivamente. O canadiano Ted-Jan Bloemen, que defendia o título olímpico, foi sexto, a 30,65 segundos do sueco.

Nos 1.000 metros de patinagem em pista curta, a holandesa Suzanne Schulting alcançou o ouro, pouco depois de ter estabelecido novo recorde mundial nos quartos de final (1.26,514 minutos).

Na final, a holandesa cronometrou 1.28,391, impondo-se à sul-coreana Choi Minjeong, que foi prata, e à belga Hanna Desmet, medalha de bronze. A italiana Arianna Fontana, que na segunda-feira consolidou o estatuto de patinadora de velocidade mais medalhada nas provas de pista curta em Jogos Olímpicos de Inverno, ao revalidar o título de campeã dos 500 metros e somar o 10.º ‘metal’, foi desqualificada.

No biatlo, a norueguesa Marte Olsbu Roiseland alcançou a sua terceira medalha nos Jogos Pequim 2022, ao conquistar o ouro na prova de sprint de 7,5 quilómetros. Isto, depois de conquistar o ouro na prova de estafeta mista e o bronze na distância de 15 quilómetros.

Agenda para hoje

Bobsled (a partir das 09h30) – Medalhas
Combinado Nórdico (14h00)
Curling (a partir das 09h05)
Esqui Alpino (11h00)
Esqui Estilo Livre (a partir das 9h30) – Medalhas
Hóquei no Gelo (a partir das 12h10)
Patinagem Artística (09h15) – Medalhas
Saltos de Esqui (a partir das 18h00) – Medalhas
Snowboard (a partir das 9h30)

* O canal em língua portuguesa da TDM transmite diariamente as competições dos Jogos Olímpicos de Inverno, entre as 10h00 e as 13h30. A partir das 14h30 as provas podem ser acompanhadas no canal de Desporto da TDM em língua chinesa

EUA mantêm-se concentrados no Indo-Pacífico, que moldará o século, diz Anthony Blinken

Os Estados Unidos mantêm-se concentrados a longo prazo na região do Indo-Pacífico, apesar das preocupações com uma eventual agressão da Rússia à Ucrânia, disse ontem na Austrália o secretário de Estado norte-americano Antony Blinken.

O chefe da diplomacia norte-americana encontra-se na cidade de Melbourne, onde vai encontrar-se com os homólogos da Austrália, Índia e Japão.

Os quatro países formam o bloco conhecido como Quad (Quadrilateral Security Dialogue) ​​​constituído em 2007 para contrariar a influência da República Popular da China na região.

“Há outras coisas a acontecer no mundo nesta altura, como já devem saber. Temos alguns desafios na Ucrânia e com a ‘agressão’ da Rússia. Estamos a trabalhar 24 horas e sete dias por semana nesse assunto”, declarou Blinken à chegada à Austrália.

“Mas todos sabemos, o Presidente (Joe Biden) sabe melhor do que qualquer outra pessoa, que muito do que vai acontecer neste século vai ser determinado pelo que acontecer aqui, na região do Indo-Pacífico”, acrescentou.

A região do Indo-Pacífico é apontada como a zona de maior crescimento a nível mundial contando com dois terços do crescimento da economia global, sobretudo nos últimos cinco anos, e concentra metade da população mundial, disse ainda o secretário de Estado norte-americano.

Blinken sublinhou que os assuntos que preocupam os países da região preocupam todo o mundo, referindo que questões como as alterações climáticas e a pandemia do SARS CoV-2 não podem ser resolvidas por um só Estado.

“Mais do que nunca precisamos de parcerias, precisamos de novas alianças e de coligações de países dispostos em envidar esforços, recursos e capacidades para resolver estes problemas”, afirmou. “O que nos move é a partilha da visão sobre uma sociedade livre e aberta”, frisou.

A visita do secretário de Estado norte-americano foi concebida para reforçar os interesses dos Estados Unidos na Ásia, assim como afirmar os interesses de Washington no recuo da influência de Pequim na região.

Blinken vai também visitar as Ilhas Fiji e deve analisar a situação na Coreia do Norte com os representantes do Japão e da Coreia do Sul num encontro, mais tarde, no Havai. Para Blinken, os países parceiros estão juntos na partilha de valores referindo que “não estão contra a China”.

“Isto não é estar contra alguém em particular, mas sim uma afirmação a favor de uma ordem baseada em regras”, disse Blinken, em declarações à Australian Broadcasting Corporation (ABC).

Questionado pelos jornalistas sobre se Washington encara a Rússia e a China como ameaças à segurança global, Blinken respondeu que “se trata de diferentes desafios” e que a Rússia é, “neste momento, um desafio imediato”.

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Marise Payne, que vai coordenador os trabalhos da conferência de Melbourne, disse que o encontro do Quad vai incluir assuntos como a distribuição das vacinas contra a covid-19, tecnologia, cibernética, combate à desinformação, terrorismo, segurança marítima e alterações climáticas.

A Índia vai estar representada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Subrahmanyam Jaishankar, e o Japão pelo chefe da diplomacia de Tóquio, Hayashi Yoshimasa.

“Como rede de democracias ‘liberais’, nós estamos comprometidos com aspetos relacionados com a cooperação e para garantirmos aos países da região do Indo-Pacífico, pequenos e grandes, capacidade para tomarem decisões estratégicas próprias de forma livre e sem coação”, disse Payne.

Na quarta-feira, o porta-voz da diplomacia chinesa, Zhao Lijian, disse que a visita de Blinken a Melbourne é um esforço de Washington para fazer vingar os padrões norte-americanos.

“Com uma democracia em colapso há muito tempo, os Estados Unidos estão a forçar outros países a adotar os padrões da América traçando linhas com valores e montando grupos. Isto é uma completa traição à democracia”, disse Zhao.

Hoje, o ministro da Defesa da Austrália, Peter Dutton, expressou preocupações sobre a aliança entre a Rússia e a China, frisando que as ameaças de Pequim estão a intensificar-se.

“Sabemos que o nosso país está a enfrentar o ambiente de segurança regional mais complexo e potencialmente catastrófico desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)”, disse Dutton no Parlamento de Camberra.

Depois da tempestade vem a bonança

De acordo com o calendário chinês, 2022 é o Ano do Tigre. Os tigres são animais ferozes, solitários e impiedosamente territoriais. Os machos dominantes expulsam todos os outros dos seus domínios. Os homens e os tigres encontram-se ao mesmo nível na cadeia alimentar desde o início dos tempos.

Durante as festividades de Ano Novo, todos trocam cumprimentos auspiciosos, chegando mesmo a transformar o tigre em personagem de desenhos animados. Mas na realidade, 2022 é um ano muito sombrio para o mundo e para a China. A Polícia Judiciária (PJ) de Macau assinalou na sua súmula do Trabalho da PJ em 2021 que “este ano (2022) marca a realização de importantes conferências políticas do nosso país e a implementação de importantes políticas económicas da RAEM, a interferência e ataques de forças externas serão inevitavelmente mais intensos”.

Numa cidade pequena como Macau, não reparei em quaisquer ataques de forças externas, mas sei de ciência segura que dois ex-directores dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) são suspeitos de corrupção e que Mok Ian Ian deixa a Presidência do Instituto Cultural e que a directora dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Chan Pou Ha, vai deixar o cargo, já que se vai aposentar. Depois de terem decorrido mais de dois anos após o surto da COVID-19, para além da implementação de um conjunto de medidas anti-pandemia, o Governo da RAE tem sido incapaz de ajudar as pequenas e médias empresas e os cidadãos mais desprotegidos a ultrapassarem os impactos desta situação. Já todos sofremos bastante os efeitos da tempestade, mas ninguém ousa dizer quando virá a bonança.

As palavras bonitas são reconfortantes, mas em nada ajudam. Em 2021, Macau sofreu tremendas mudanças a nível político e económico. Uma política unilateral conduziu à ausência de supervisão efectiva à administração do Governo da RAE e o atraso nas reformas políticas tem criado problemas constantes no sistema político. A rectificação drástica do sector do jogo e a extinção das salas VIP podem vir a ter um efeito de tsunami na economia de Macau. Se o Governo da RAE não tiver um plano de medidas de contra-ataque, quando a vaga de desemprego e de extinção de negócios chegar, teremos motivos para temer circunstâncias desastrosas para Macau.

Na súmula do Trabalho da PJ em 2021, destacava-se a importância das “conferências políticas do nosso país a realizar em 2022”. Estas conferências políticas não só afectarão Macau, mas serão cruciais para o desenvolvimento da China, das suas relações com Taiwan e ainda para o desenvolvimento das relações Sino-Americanas. Se as “forças externas” são verdadeiramente aterradoras, como frequentemente são designadas pelo Governo da RAE, imagino que só as partes envolvidas o saberão. Mas, penso que o que realmente afecta a situação global, são as questões internas. Não foi a última palha que partiu as costas do camelo, mas os pesos que o dono lhe punha constantemente às costas!

Os tigres não são animais assustadores? Um livro chinês muito antigo relata-nos uma conversa de Confúcio. Certo dia, passava o Mestre com os seus discípulos pela Montanha de Taishan, quando ouviu o choro convulsivo de uma mulher. Confúcio mandou um discípulo perguntar à mulher o motivo do seu desgosto. A mulher respondeu, “O meu sogro e o meu marido tinham sido mortos aqui por um tigre e agora o meu filho teve o mesmo destino.”  Confúcio perguntou-lhe porque é que ela não tinha partido daquele sítio fatal para fugir do tigre, e ela respondeu que não tinha fugido porque naquela zona não existia um Governo opressivo. Depois de ter ouvido a resposta, Confúcio disse aos seus discípulos para terem sempre presente que “um Governo opressivo é mais feroz do que um tigre.”

Muitos chineses conhecem esta história, quer sejam pessoas do povo, quer pertençam às classes dirigentes. Se todos tivessem conseguido compreender o verdadeiro significado da história, acredito que muitos incidentes infelizes da história chinesa podiam ter sido evitados. Embora o tigre seja um animal feroz, se não for provocado ou maltratado, não ataca os humanos por iniciativa própria. Da mesma forma, como é que as águas de um lago podem estar serenas quando estão constantemente a ser agitadas?

O ano de 2022 será seguramente difícil, e a bonança pode não chegar depois da tempestade. Portanto, todos deveremos estar bem preparados para esta eventualidade.

II – O lushu

Andando de Guilin para leste uns bons cento e cinquenta quilómetros, deparamos com a montanha Niuyang. Na encosta sul dormem depósitos de ouro vermelho e na encosta norte repousam depósitos de ouro branco ou assim nos é sugerido em velhos rolos de papel, repletos de caracteres escritos num estilo anterior à dinastia Qin (220 a.E.C.).

Segundo os comentadores mais avisados, referem-se a minérios de cobre e de prata. Outros, mais propensos a fantasias, preferem acreditar que o texto antigo denota a existência de metais raros, desconhecidos das classificações hodiernas e de antanho.

Nesta incomum montanha existe um também exótico animal a que dão o nome de lushu. Dotado de uma forma semelhante à de um cavalo, o lushu distingue-se pela sua cabeça branca, o corpo malhado como um tigre e uma cauda avermelhada. Segundos os relatos, quando se desloca, este animal emite um som parecido com um ser humano a cantar.

Existem também algumas raras pinturas que o representam com chifres, o que poderá ter origem no facto do nome lushu incluir o caracter 鹿 (lu, veado). Já o segundo caracter 蜀 (shu) é mais difícil de interpretar, mas poderá referir-se ao antigo reino de Shu (hoje Sichuan) ou a um pântano. Se assim fosse, chamar-se-ia então “veado de Shu” ou “veado do pântano”, o que não parece totalmente credível à maioria dos comentadores.

Ao longo da História, numerosos pintores chineses revelaram-se fascinados pelo lushu, tendo produzido dissonantes interpretações. Era talvez o estranho contraste do seu corpo tigrado com a alva e imponente cabeça, ou então a cauda rubra vibrando como uma trémula chama em desfilada pelos planaltos de Niuyang.

Também os musicólogos imperiais foram, em certa época, chamados a ouvir e registar as “canções” dos lushu. A partir delas, terão elaborado algumas das mais famosas melodias do reportório tradicional do País do Meio.

O lushu vive em pequenas manadas com outros membros da sua espécie, as fêmeas não têm período de cio e os machos são dotados de uma fulgurante potência sexual. Estão, por isso, sempre dispostos a procriar. Tal facto faria com que os lushu fossem numerosos, o que não sucede devido à perseguição impiedosa que os homens sempre lhes moveram, certamente porque a sua pele e os seus pelos são considerados por numerosos sábios como poderosos talismãs.

É, no entanto, a cauda vermelha – muito desejada pelos homens, pois existe a crença de que usá-la no cinto provoca um acréscimo de potência sexual – que o torna excepcionalmente cobiçado. Quem assim se enfeitar com a cauda do lushu, com certeza terá um grande número de descendentes.

Dança | Associação Ieng Chi celebra 25 anos e apresenta novas actividades 

Fundada em 1998 por Lilian Ieng Chi Kuok, a Associação de Dança Ieng Chi celebra no próximo ano 25 anos de existência, mas já este ano existe um programa cheio de actividades com início marcado para o mês de Março. Chloe Lau, membro da direcção, assegura que o movimento da dança em Macau é cada vez mais profissional e capta a atenção de miúdos e graúdos

 

Antes da transferência de soberania de Macau para a China aprender dança era uma coisa algo rara e, sobretudo, quase exclusiva à dança chinesa. Mas anos depois, não só há cada vez mais coreógrafos e bailarinos a dedicarem-se totalmente a esta arte, como os jovens e as suas famílias fomentam a aprendizagem.

Em 2023, a Associação de Dança Ieng Chi, situada na avenida da Praia Grande, celebra os seus 25 anos de existência. Com mais de 800 alunos e membros, esta entidade foi fundada por Lilian Ieng Chi Kuok, também directora artística da associação. Ao HM, Chloe Lau, antiga aluna de Lilian e hoje membro da direcção, conta que o movimento da dança tem evoluído de forma positiva.

“Vemos claramente que o movimento da dança em Macau mudou muito nos últimos anos. Quando andava na escola primária a maior parte dos bailarinos começava com a dança chinesa, porque era a mais popular. As associações tinham menos oportunidade de apresentar outro tipo de espectáculos. Mas agora, sobretudo nos últimos cinco anos e antes da pandemia, surgiram muitos festivais e paradas com performances locais que revelaram esta energia para o público.”

Para Chloe, este ambiente “apelou à participação de muitas pessoas e surgiram cada vez mais associações de dança”. Além disso, “os jovens desenvolvem hoje, desde muito cedo, o seu interesse pela dança e os pais também dão muito apoio”. “O ambiente da dança é hoje mais vivo”, assegura.

Chloe Lau destaca também uma maior interacção com os ambientes da dança de cidades do exterior, sobretudo da China. “No caso da nossa associação, todos os anos convidamos estudantes de Pequim e de outras cidades para realizarem workshops. Há uma maior oportunidade de explorar novas coreografias.”

Quatro direcções

Para manter o espírito vivo dos seus 25 anos de existência, a Associação de Dança Ieng Chi pretende desenvolver metas de trabalho com base em quatro direcções, baseadas na vertente educacional e na criação experimental, pois “todos os anos temos as nossas produções com espectáculos no Centro Cultural de Macau ou actividades ao ar livre”, sendo esta “uma forma de a comunidade poder desfrutar destes eventos criados por nós”.

Além disso, a associação pretende fomentar ainda mais os programas de intercâmbio que já possui com países como Coreia do Sul ou Malásia.

“Queremos partilhar a nossa cultura e a vida de Macau com outras cidades, mas estamos ainda à procura de fomentar este plano mesmo com a pandemia”. Chloe Lau fala ainda de uma quarta direcção, focada no desenvolvimento de uma plataforma de criação com outros bailarinos e coreógrafos locais.

“Existimos em Macau há 25 anos e não queremos apenas produzir espectáculos mas também criar uma plataforma de ligação com jovens coreógrafos, para que estes possam desenvolver as suas ideias e criações. Todos os anos temos um projecto para o qual convidamos quatro ou cinco bailarinos para apresentar as suas coreografias, para que estes tenham a possibilidade de contactar o público.”

Agenda cheia

Depois de dois eventos em Janeiro, a Associação de Dança Ieng Chi prepara-se para apresentar, entre 5 e 20 de Março, o festival “Zito Heritage Stroll”, que irá decorrer na Casa Garden e que terá a apresentação de performances de rua e exposições. Entre os dias 23 e 24 de Abril, irá acontecer um espectáculo de dança multimédia intitulado “Falling, Falling, Marine Snow”, onde a importância da protecção dos oceanos será o tema principal.

Em Julho, como é habitual, a associação irá ainda co-organizar, em parceria com a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude, uma competição entre as escolas de dança do território.

Droga | Taxista envolvido em tráfico no valor de 110 mil patacas

A Polícia Judiciária (PJ) deteve na quarta-feira quatro homens suspeitos da prática dos crimes de tráfico e consumo de estupefacientes, entre os quais um taxista que alegadamente utilizava o seu veículo para distribuir droga na zona norte de Macau.

De acordo com dados enviados pela PJ, o caso veio a lume após os agentes terem interceptado o taxista na Areia Preta, encontrando no interior do veículo 1,14 gramas de metanfetaminas e 5.000 patacas em dinheiro.

Depois de o taxista confessar ter adquirido a droga a um residente por 2.500 patacas e de prestar declarações sobre o sucedido, a PJ interceptou outros dois homens na zona norte da cidade, que tinham na sua posse e dentro das suas residências 29,4 gramas de metanfetaminas, 5.500 patacas em dinheiro e utensílios para consumir droga.

Contas feitas, foram apreendidos 31,7 gramas de estupefacientes, com um valor de mercado estimado de 110 mil patacas. De acordo com a PJ, todos os suspeitos acusaram positivo nos resultados efectuados à urina para detectar a presença de droga no organismo.

Os quatro detidos, três residentes e um cidadão de nacionalidade estrangeira, foram ontem presentes ao Ministério Público (MP) por suspeitas da prática dos crimes de tráfico e consumo de estupefacientes e ainda, por posse de utensílios destinados consumo de substâncias ilícitas.

Quarentenas | Aumento de número de hotéis em estudo 

O Governo pretende aumentar o número de hotéis disponíveis para a realização de quarentenas numa altura em que há relatos de falta de vagas. Hotel Tesouro ainda tem quartos disponíveis, mas há estudantes de Macau em Hong Kong sem conseguirem regressar ao território por não terem vaga para a quarentena obrigatória

 

O Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus pretende encontrar mais hotéis para a realização de quarentenas no território, numa altura em que surgem testemunhos da falta de vagas para quem viaja para Macau. Na conferência de imprensa de ontem, Leong Iek Hou, médica e coordenadora do Centro, adiantou que está a ser feito um levantamento da situação, mas que, a curto prazo, será difícil disponibilizar mais quartos.

“A Direcção dos Serviços de Turismo está a tentar encontrar mais hotéis para a observação médica, mas os hotéis têm de cumprir determinadas exigências dos Serviços de Saúde de Macau. Num curto período de tempo não podemos aumentar muito o número de quartos”, disse. A mesma responsável adiantou que o Hotel Tesouro ainda tem quartos disponíveis.

Actualmente, existe um grupo de estudantes de Macau em Hong Kong que não consegue regressar ao território por não encontrar uma vaga para a realização da quarentena. Até ao momento, o Governo recebeu 11 pedidos de consulta, sendo que ainda não há uma data de regresso para estes alunos.

Passe em estudo

Os responsáveis do Centro de Coordenação foram também ontem questionados sobre a possibilidade de Macau aderir ao passe de vacinação, tal como acontece em Hong Kong. Isto porque, a partir do dia 24 deste mês, será obrigatória a vacinação em Hong Kong para a entrada em alguns locais.

“Não descartamos a hipótese quando a situação pandémica em Macau for grave. Temos vindo a estudar [a medida] e quando tivermos um calendário vamos divulgar [as informações] o mais rapidamente possível”, disse Leong Iek Hou.

Relativamente às viagens de funcionários públicos nos feriados do ano novo chinês, os Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) vão proceder a uma contagem daqueles que saíram. Leong Iek Hou referiu que foram poucos os que viajaram e fez um apelo para que “os empregadores ou chefes [de departamentos de serviços públicos] cumpram o dever de conhecer o historial de viagem e contactos dos trabalhadores, devendo prestar especial atenção aos trabalhadores que viajaram no período do ano novo chinês”, tendo em conta a “nova vaga pandémica em cidades da China e em Hong Kong”.

Outra das medidas anunciadas, prende-se com o facto de, desde ontem, ser decretada uma quarentena obrigatória de 14 dias para quem tenha estado em alguns locais da China, como é o caso do Grupo 2 da Aldeia de Xiyuanzi, na Vila de Chengjiao do Condado de Suizhong, em Huludao, cidade da província de Liaoning. Também desde ontem, estão canceladas as medidas preventivas para viajantes de zonas de cidades chinesas como Tianjin, Xangai ou Pequim, entre outras.

Covid-19 | Residente vindo da Turquia testa positivo ao fim de três dias

Um residente de Macau de 55 anos proveniente da Turquia, via Emirados Árabes Unidos e Singapura teve um resultado “positivo fraco” à covid-19 na passada terça-feira, ou seja, três dias depois de chegar ao território, no sábado. Um novo teste realizado na quarta-feira acusou negativo, tendo sido classificado como um “caso importado de infecção assintomática”. Até testar positivo, o paciente esteve durante três dias no Hotel Tesouro, designado para a observação médica, onde testou negativo por mais duas vezes. Após o resultado positivo, foi transportado de ambulância para o Centro Clínico de Saúde Pública em Coloane. O paciente, que se encontra inoculado contra a covid-19 com três doses da vacina da BioNTech, nunca apresentou qualquer sintoma relacionado com a doença e negou qualquer historial de infecção.

Wynn Macau | Ex-presidente condenado a um ano de prisão

Gamal Aziz, ex-presidente da Wynn Macau, foi condenado a cumprir uma pena de prisão de 12 meses e um dia, por ter pago 300 mil dólares de norte-americanos, para garantir a entrada da filha na Universidade do Sul da Califórnia.

Aziz é um dos pais que à semelhança de Felicity Huffman, ex-actriz da série Donas de Casa Desesperadas, foi apanhado numa rede que permitia que os filhos de personalidades famosas entrassem nas principais universidades dos EUA, a troco de subornos.

A sentença do caso foi lida ontem. Aziz foi considerado culpado de um crime de conspiração para cometer fraude e de conspiração para corromper um programa federal. Além de cumprir a pena de prisão, o executivo foi igualmente condenado a pagar uma multa de 250 mil dólares e a cumprir 400 horas de serviços comunitários.

De acordo com a Reuters, Gamal Aziz, de 65 anos, tinha pedido ao juiz Nathaniel Gorton que mostrasse clemência, e que a pena não fosse além dos quatro meses de prisão.

Contudo, na leitura da sentença, o juiz defendeu que é necessário enviar uma mensagem para todos os pais ricos e sem escrúpulos. Ainda de acordo com Gorton, Aziz mostrou “falta de integridade, moral e senso comum”. “Ao cometer este crime, o arguido roubou um lugar numa das melhores universidades a aluno que merecia mais e que não teve a seu favor todas as vantagens do arguido”, vincou Nathaniel Gorton.

O caso não deve ficar por aqui. À saída da sessão de leitura de sentença, Brian Kelly, advogado de defesa, prometeu recorrer da decisão.

Entre os vários pais acusados de comprarem a entrada dos filhos nas universidades com subornos, Aziz recebeu até agora a pena de prisão mais elevada.

MGM China | Receitas líquidas subiram para 1,2 mil milhões dólares de HK

A melhoria não significa que a concessionária consiga apresentar resultados positivos, depois das perdas de 5,2 mil milhões de dólares de Hong Kong no ano passado

 

As receitas líquidas da MGM China subiram para os 1,2 mil milhões de dólares de Hong Kong no ano passado. Os resultados da concessionária foram apresentados ontem, num comunicado enviado à Bolsa de Hong Kong. As receitas líquidas são o total do montante gerado pelo negócio, ao qual são subtraídos custos com devoluções, reembolsos, descontos, entre outros.

O número representa um aumento das receitas líquidas de 84 por cento face a 2020, o primeiro ano da pandemia, em que este valor se tinha fixado em 656,7 milhões de dólares de Hong Kong. Em 2020, a MGM China tinha registado perdas de 5,2 mil milhões de dólares para os accionistas, um indicador que ontem ainda não foi revelado. Tal só deverá acontecer com a publicação do relatório anual.

Na apresentação dos resultados, William Hornbuckle, presidente da MGM International, empresa-mãe da MGM China, mostrou-se animado com as perspectivas para o futuro. “Apesar de o ambiente operacional continuar a ser cortante a devido a factores variados como as restrições de viagem e as mudanças estruturais no segmento VIP, a MGM China alcançou um recorde de 14 por cento de quota do mercado”, afirmou Hornbuckle.

Por outro lado, o responsável destacou o processo de atribuição das concessões, depois das alterações à lei do jogo terem sido aprovadas, na especialidade, na Assembleia Legislativa. “É importante destacar, que os desenvolvimentos construtivos à volta do processo da renovação das concessões servem para reafirmar a nossa confiança no Governo e na capacidade de conduzir o processo de forma justa”, vincou.

Mais do mesmo

Quanto ao presente ano, o director das operações da MGM China, Hubert Wang, admitiu esperar uma recuperação lenta, devido à política de controlo da covid-19 no Interior. De acordo com as explicações avançadas aos analistas, enquanto as restrições não forem levantadas é difícil ver as receitas do jogo a subirem para níveis próximos daqueles registados antes da pandemia.

Hubert Wang abordou igualmente a campanha contra os junkets promovida pelo Governo de Macau, com as detenções de Alvin Chau, dono da Suncity, e Levo Chan, principal accionista da Tak Chun.

Segundo Wang, o cenário representa uma oportunidade, uma vez que os jogadores podem ser absorvidos pelas concessionárias, e tornarem-se em jogadores do segmento premium de massas.

“Por agora, acho que todos os junkets que operavam no modelo tradicional deixaram de existir em Macau. Por isso, os jogadores e agentes que trabalhavam com os junket estão à procura de um lugar no mercado para se estabelecerem”, explicou Wang.

Estes jogadores são assim uma das apostas para a MGM China. “A nossa prioridade é o mercado de massas, porque sabemos que é o futuro do jogo em Macau. A nossa segunda prioridade passa por absorver tanto quanto possível esses jogadores e transformá-los em clientes do mercado de massas”, acrescentou.

Autocarros | População baixou nota da avaliação das empresas

Apesar da descida da nota das empresas, o director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego considera que o Governo está satisfeito com as prestações de Transmac e TCM

 

O facto de o Governo ter passado a ouvir mais as opiniões da população sobre o serviço de autocarros levou a uma redução das avaliações das operadoras. De acordo com os dados apresentados ontem, no final do Conselho Consultivo do Trânsito, quando as opiniões da população só contavam 10 por cento para a nota final, as classificações de Transmac e TCM eram ambas de nível “B”, numa escala que tem como nota máxima o A.

Com as opiniões a contribuírem para 40 por cento, desde o primeiro semestre do ano passado, a nota de Transmac caiu para B menos, e a da TCM para C mais.

A redução das avaliações, mostra que antes das mudanças de critérios havia um desfasamento entre as avaliações do Governo e da população. Contudo, Lam Hin San, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, recusou fazer comparações. “Eu até acho que houve uma melhoria no serviço. Mas, como mudámos os critérios de avaliação acho que é difícil fazer uma comparação directa”, afirmou Lam, que tinha ao seu lado representantes das duas empresas.

“Estamos satisfeitos com a avaliação. Sabemos que há sempre espaço para melhorar. Também temos de ter em conta que a população tende sempre a ser mais exigente”, apontou o director da DSAT. “Nós vamos acompanhar essas exigências, mas os nossos dados mostram que os tempos de espera pelos autocarros foram reduzidos. E as companhias de autocarros merecem esse elogio”, completou.

A avaliação apresentada ontem só reflecte os dados para o primeiro semestre de 2021. Os da segunda metade do ano ainda não estão disponíveis.

Fazer mais com menos

Segundo os dados apresentados, no ano passado, a Transmac e a TCM receberam 688,2 milhões de patacas e 694,4 milhões de patacas, respectivamente, entre subsídios do governo e receitas com a venda de bilhetes.

Para os cofres do RAEM, os apoios representaram uma despesa de cerca de 1,1 mil milhões de patacas e Lam Hin San mostrou-se satisfeito com por ter havido uma redução do financiamento com dinheiro da RAEM às empresas de autocarros. “Com os novos contratos com as companhias de autocarros que entraram em vigor no ano passado o financiamento do Governo foi de 1,1 mil milhões de patacas, ou seja, os novos contratos permitiram poupar 30 milhões de patacas”, afirmou Lam. “E mesmo os 1,1 mil milhões são o montante orçamentado, o que significa que não foi todo gasto”, congratulou-se.

No ano passado, houve ainda um aumento do número de passageiros para 193 milhões, no que representou uma subida de 16 por cento face a 2020, quando tinham sido registados 166 milhões de passageiros.

Outra subida assinalável, aconteceu ao nível dos acidentes imputáveis às companhias de autocarros. No ano passado, houve um total de 544 acidentes, um valor que subiu um terço, face a 2020, quando tinham sido registados 409 acidentes.

Cadeira-de-rodas e passadeiras

O Governo está a estudar limitar a velocidade das cadeiras-de-rodas a 6 quilómetros por hora. A notícia foi avançada ontem Lam Hin San, mas a medida ainda está a ser estudada. Por outro lado, o Governo tem planos de criar mais passadeiras diagonais, que permitam atravessar cruzamentos de forma diagonal, nomeadamente no cruzamento da Avenida do Coronel Mesquita com a Rua de Silva Mendes.

Eleições legislativas | PS vence no círculo da China com 29% dos votos

Ao reunir 29,87 por cento do total dos 4.202 votos recolhidos nos postos consulares da China, o PS foi o partido mais votado, ao contrário do que aconteceu em 2019. PSD reuniu 25,56 por cento dos votos e em terceiro lugar ficou o Chega. Contagem de votos no estrangeiro envolta em polémica após PSD estar contra a validação de votos sem cópia do documento de identificação. Consulado em Macau diz estar a par da situação e de ter difundido “devidamente” todas as orientações

 

O Partido Socialista (PS) foi o mais votado no círculo da China, a contar para as eleições legislativas portuguesas para a Assembleia da República que decorreram no dia 30 de Janeiro.

Segundo os dados oficiais divulgados ontem, de um universo de 4.202 votos, o PS mereceu a confiança de 1.255 eleitores, ou seja, de 29,87 por cento dos inscritos nos postos consulares da República Popular da China, onde se insere Macau. Com 25,56 por cento dos votos (1.704), o Partido Social Democrata (PSD) foi o segundo mais votado no círculo da China.

Os resultados apurados ontem traduzem uma inversão no sentido de voto registado nas legislativas de 2019, quando o PSD foi o partido mais votado com 32,89 por cento dos votos (1.138) e o PS ficou no segundo lugar com 17,28 por cento dos votos (598).

Voltando a 2022, o terceiro lugar foi garantido pelo Chega, que mereceu a confiança de 7,64 por cento dos votantes (321), uma subida de relevo, dado que em 2019 o partido recebeu 26 votos e ocupava a 14.ª posição. Na quarta posição ficou o Pessoas Animais e Natureza (PAN) com 6,35 por cento dos votos (267), seguindo-se o PCP-PEV (3,21 por cento), Iniciativa Liberal (3,12 por cento), o Nós Cidadãos (2,97 por cento), o Livre (2,69 por cento) e o Bloco de Esquerda (2,48 por cento). Já o CDS-PP, obteve 1,36 por cento dos votos, tendo passado de quarta força mais votada no círculo da China para a 12ª.

Quanto à taxa de abstenção registada no Círculo da China, esta foi de 93,4 por cento, dado que votaram apenas 4.202 eleitores de um total de 63.700 inscritos. Houve ainda 210 votos em branco e 76 votos nulos.

Contas feitas junto dos restantes círculos fora da Europa, foram eleitos os deputados Maló de Abreu (PSD) e Augusto Santos Silva (PS). De referir, que na votação geral do círculo fora da Europa o PSD foi o partido mais votado com 37,46 por cento dos votos (24.143), seguido do PS, que recolheu 29,76 por cento dos votos (19.181). Pelo círculo da Europa foram eleitos os deputados Paulo Pisco (PS) e Maria Ester Vargas (PSD).

Vale ou não vale?

Ainda a contagem dos votos dos emigrantes nas legislativas não tinha começado e já despontava a polémica em torno da validação ou não dos boletins que não estavam acompanhados de cópia do documento de identificação do eleitor, como exige a lei. Em causa está uma reclamação apresentada pelo PSD na passada à Comissão Nacional de Eleições (CNE) contra a validação dos votos que não estavam acompanhados do respectivo comprovativo de identificação.

Por seu turno, segunda a agência Lusa o PS acusou o PSD de “oferecer um espetáculo degradante” ao tentar invalidar os votos sem cópia do cartão de cidadão (CC), quando todos os partidos, incluindo o próprio PSD, decidiram, em reunião com a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI), que seriam validados todos os votos, mesmo que viessem sem cópia do CC.

A cabeça de lista do PSD no círculo da Europa, Maria Ester Vargas, disse que o partido esteve desde o início da contagem de votos da emigração, a apelar às mesas que não juntassem nas urnas os boletins de voto que não tinham cópia do cartão de cidadão do eleitor e os deixassem de lado para serem “analisados posteriormente”.

Os votos recolhidos em pelo menos 21 das mais de 100 mesas que estiveram desde terça-feira a contar os votos dos emigrantes foram anulados na sequência do protesto do PSD, acusou na quarta-feira o deputado socialista, Paulo Pisco.

Contactado pelo HM, o Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong garantiu estar a par da situação, frisando que a competência legal para a resolução do assunto pertence à CNE. Além disso, a representação consular em Macau assegurou ainda ter recebido, antes das eleições, “instruções e orientações” para garantir que os eleitores fizessem acompanhar o seu voto de uma cópia do cartão de cidadão. “Recebemos instruções e orientações que foram devidamente difundidas”, pode ler-se na resposta enviada ao HM.

O resultado definitivo da contagem dos votos dos emigrantes nas legislativas pode ser conhecido apenas na próxima terça-feira, caso algum partido recorra dos números apurados. Cenário esse, muito provável já que, segundo a Lusa, o PS tenciona recorrer, junto do Tribunal Constitucional.

Pequim 2022 | Lindsey Jacobellis conquista ouro que lhe fugiu há 16 anos

Após ter falhado por pouco o título olímpico em Turim 2006, a norte-americana Lindsey Jacobellis conquistou, em Pequim, a medalha de ouro no snowboard cross 16 anos depois. “Se tivesse conquistado o título [em 2006], provavelmente teria deixado de competir”, confessou após a vitória. Dupla alemã Tobias Wendl e Tobias Arlt vencem no luge e sagram-se tricampeões olímpicos. Eslováquia estreia-se nas medalhas com vitória no esqui alpino

 

Com Lusa

A norte-americana Lindsey Jacobellis, de 36 anos, sagrou-se campeã olímpica na modalidade de snowboard cross, nos Jogos Olímpicos Pequim 2022, 16 anos depois de uma queda lhe ter “roubado” o lugar mais alto do pódio em Turim.

Nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2006, Lindsey Jacobellis, uma das grandes estrelas da modalidade, parecia ter tudo para alcançar o ouro na prova de snowboard cross, que se estreava no programa olímpico. No entanto uma queda no penúltimo salto deixou-a “apenas” com a prata.

Na quarta-feira, a pista de Zhangjiakou, na China, foi o palco da consagração da norte-americana, que partilhou o pódio com a francesa Chloe Trespeuch e a canadiana Meryeta O’Dine, medalhas de prata e bronze, respectivamente.

Desde a prata em Turim, aos 20 anos, no que era o seu único pódio olímpico até hoje, Lindsey Jacobellis foi somando sucessos, incluindo cinco títulos e 31 vitórias em provas da Taça do Mundo.

Na sua quinta participação em Jogos Olímpicos de Inverno, a atleta do Connecticut admitiu, depois do triunfo, que se tivesse conquistado o ouro há 16 anos, muito provavelmente, já não estaria a competir ao mais alto nível.

“Se tivesse conquistado o título [em 2006], provavelmente teria deixado de competir. Naquela altura, já não estava a divertir-me, havia muita pressão sobre os meus ombros, para me tornar a ‘menina de ouro’ e para uma jovem atleta é muito difícil lidar com isso”, explicou.

Em 2006, tudo foi fácil para Jacobellis, e até duas das principais adversárias deram uma ajuda ao caírem durante a final, quando no penúltimo salto uma espécie de comemoração antecipada a fez perder o equilíbrio, falhar a aterragem e ser ultrapassada pela suíça Tanja Frieden, que se sagrou campeã.

Na altura, a norte-americana justificou o gesto como “uma manobra necessária para recuperar o equilíbrio devido ao vento”, mas, mais tarde, acabou por contar outra versão.

“Deixei-me levar pelo momento. Nem sequer pensei duas vezes, estava a divertir-me e é isso que o snowboard deve ser. Estava na frente, quis partilhar o meu entusiasmo com o público, fiz asneira, acontece!”, reconheceu.

Não há duas sem três

Sem dar margem à concorrência ao longos dos anos, os alemães Tobias Wendl e Tobias Arlt conquistaram o tricampeonato Olímpico nas duplas de luge, ao arrecadarem o ouro nos Jogos de Inverno Pequim 2022, na quarta-feira. Isto, depois de a dupla ter vencido em Sochi 2014 e PyeongChang 2018. Toni Eggert e Sascha Benecken, também da Alemanha, ficaram com a prata, ao passo que os austríacos Thomas Steu e Lorenz Koller arrecadaram o bronze.

A vitória histórica foi garantida após Wendl e Arlt terem percorrido as duas descidas da estância de gelo de Yanqing com um tempo total de 1min56s554, ou seja, 0s099 à frente de seus compatriotas Eggert e Benecken, quatro vezes campeões mundiais e actuais detentores do título.

A conquista é histórica pois é primeira vez que a mesma dupla consegue ganhar consecutivamente por três ocasiões um evento dos Jogos Olímpicos de Inverno. De frisar ainda que Arlt e Wendl, nascidos com duas semanas de diferença entre si, competem juntos desde os 13 anos de idade.

“É difícil explicar o que estou a sentir neste momento, é simplesmente incrível. Mal podemos acreditar, é um sonho. Tivemos uma temporada complicada e um início difícil aqui. Neste momento, é inacreditável,” disse Arlt ao Olympic Channel.

“Precisamos de alguns dias para nos acalmar e reflectirmos sobre o que conseguimos alcançar”, acrescentou.

Wendl e Arlt começaram a confirmar o favoritismo desde o início da prova, terminando a primeira descida com 58s255, que se assumiu como novo recorde da pista em Yanqing. A diferença para os compatriotas Eggert e Benecken foi pequena (58s300), com os austríacos Steu e Koller a ficarem na terceira posição (58s426). No entanto, na segunda e decisiva descida, as posições mantiveram-se inalteradas, consagrando Wendl e Arlt como tricampeões olímpicos.

Com um total de cinco medalhas obtidas, três nas duplas do luge e mais duas nas estafetas por equipas, a dupla alemã entra também para a história dos Jogos Olímpicos de Inverno, como aquela que mais ouros conquistou na modalidade.

Estreia de ouro

A Eslováquia conquistou a sua primeira medalha nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, após Petra Vlhová, de 26 anos, ter vencido a medalha de ouro na modalidade de esqui alpino. Líder do ranking mundial ao longo da temporada, Petra Vlhová começou por executar uma primeira descida abaixo do esperado, mas acabou por não ceder à pressão na segunda tentativa, onde retirou 80 centésimos ao tempo estabelecido inicialmente (52s89). A austríaca Katharina Liensberger assegurou a medalha de prata, e a suíça Wendy Holdener conquistou o bronze.

“Dei tudo o que tinha e no final das contas sou campeã Olímpica”, comemorou Vlhová. “É difícil dizer o que significa para mim agora. Sonhei toda a minha vida em ganhar os Jogos Olímpicos”, confessou ao Olympic Channel.

Vlhová chegou a Pequim na sua melhor forma, naquela que foi a sua participação Olímpica e após ter alcançado como melhor resultado um quinto lugar em PyeongChang 2018. Nos últimos quatro anos a atleta conquistou quatro títulos nas competições da Taça do Mundo e cinco medalhas em Mundiais. “Nesta temporada conseguiu ser fui muito forte e hoje dei tudo”, acrescentou a campeã.

Patinadora russa Valieva testou positivo em Dezembro a substância proibida – ‘media’

A patinadora olímpica russa Kamila Valieva testou positivo para um medicamento cardíaco proibido, antes da chegada aos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, noticiaram vários meios de comunicação russos, segundo a agência Lusa.

A confirmar-se, fica em risco a medalha de ouro da equipa russa de patinagem artística que a jovem, de 15 anos, ajudou a conquistar na segunda-feira, na prova de estilo livre de equipas.

A substância detectada, segundo a imprensa russa, é um medicamento utilizado para tratar problemas cardíacos que não contribui para melhorar o desempenho desportivo. O teste foi alegadamente realizado em Dezembro.

A imprensa acrescentou que, devido ao teste positivo, a organização dos Jogos Olímpicos de Inverno decidiu suspender a cerimónia de entrega das medalhas do torneio de patinagem artística por equipas.

À espera de confirmação

Enquanto os treinadores e a federação russa recusaram adiantar quaisquer comentários, o Ministério do Desporto russo considerou prematuro denunciar um caso de “doping” antes de uma confirmação oficial.

“A posição da Federação Russa é a luta constante e consistente contra qualquer tipo de violação das regras desportivas e da ética olímpica”, afirmou.

A lendária treinadora Tatiana Tarasova recusou-se a acreditar que Valieva esteja envolvida num caso de doping: “Não acredito nisso. Não. Não acredito nesta loucura. Não pode ser. Ela é uma jovem (…) fantástica e uma atleta fantástica. Kamila não tomou nada”.

Neste momento, a Rússia tem 11 medalhas na tabela geral dos Jogos Olímpicos de Inverno: duas de ouro, três de prata e seis de bronze.

Valieva, campeã europeia, fez manchetes em todo o mundo quando realizou na capital chinesa pela primeira vez na história um salto quádruplo.

Os atletas russos estão em Pequim a competir como “Comité Olímpico Russo”, depois de o país ter sido banido devido a um enorme esquema de ‘doping’ patrocinado pelo Estado nos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi (Rússia) de 2014.

Portugal | José Cabeça estreia-se hoje no esqui de fundo

O português José Cabeça entra hoje em competição nos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022 nos 15 Km clássicos no esqui de fundo, naquela que é a sua estreia olímpica. Após Vanina Oliveira se ter estreado nos Jogos Olímpicos de Inverno na segunda-feira, com um 43.º lugar no slalom gigante e de não ter terminado a prova de slalom dois dias depois após falhar uma porta, o chefe da missão portuguesa em Pequim disse que a comitiva estava “triste”, mas focada na participação de hoje no esqui. “É um desporto difícil, que tem destas coisas. Quando se erra, já não dá para recuperar nada. Agora, vamos focar-nos no Zé Cabeça”, referiu o chefe de missão, em declarações à agência Lusa. A competição de 15 Km clássicos no esqui de fundo está agendada para as 15h00.

Agenda para hoje

Biatlo (17h00) – Medalhas
Bobsled (a partir das 14h10)
Curling (a partir das 09h05)
Esqui Alpino (11h00) – Medalhas
Esqui Cross-Country (15h00) – Medalhas
Hóquei no Gelo (a partir das 12h10)
Patinagem de Velocidade (16h00) – Medalhas
Patinagem de Velocidade em Pista Curta (a partir das 19h00) – Medalhas
Saltos de Esqui (17h45 e 19h00)
Skeleton (a partir das 9h30) – Medalhas
Snowboard (a partir das 9h30) – Medalhas

* O canal em língua portuguesa da TDM transmite diariamente as competições dos Jogos Olímpicos de Inverno, entre as 10h00 e as 13h30. A partir das 14h30 as provas podem ser acompanhadas no canal de Desporto da TDM em língua chinesa

Segurança nacional | LegCo vai receber proposta para legislar artigo 23 

O Conselho Legislativo (LegCo) de Hong Kong deverá receber, no final deste ano, a proposta de legislação do artigo 23 da Lei Básica de Hong Kong, relativa às questões de segurança nacional, para deliberação. A informação foi divulgada esta terça-feira pelo secretário para a Segurança de Hong Kong, Chris Tang.

Segundo a agência noticiosa Xinhua, o governante disse que “estão a ser feitos esforços para a promulgação a fim de legislar o artigo 23”, sendo que o processo de consulta pública também deverá arrancar “dentro do actual mandato” do Governo liderado por Carrie Lam.

Num encontro com deputados do LegCo, Chris Tang referiu também que “ambas as partes procuram cumprir plenamente as suas responsabilidades constitucionais em prol da legislação, o mais cedo possível, da legislação do artigo 23 da Lei Básica de Hong Kong”.

A legislação do artigo 23 diz respeito a matérias relacionadas com a segurança do Estado chinês, a implementação de medidas ligadas ao hino e bandeira nacionais e a garantia de não interferência de forças estrangeiras, bem como a proibição de órgãos políticos estrangeiros no território.

O secretário para a Segurança da região vizinha reforçou a ideia de que “as dificuldades sentidas com o trabalho legislativo não serão subestimadas, uma vez que as forças estrangeiras procuram enfraquecer a segurança do país e de Hong Kong, bem como manchar o artigo 23 da Lei Básica”.

Covid-19 | Filipinas reabrem as portas a turistas estrangeiros

As Filipinas levantaram hoje a proibição de entrada a turistas estrangeiros, imposta há quase dois anos, numa altura em que a mais recente vaga da covid-19, alimentada pela variante Ómicron, está a abrandar.

O país do Sudeste Asiático passa a permitir a entrada de visitantes com passaportes de 157 países com acordos de isenção de visto com as Filipinas, lista que inclui Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal e São Tomé e Príncipe.

Os turistas terão de estar totalmente vacinados e apresentar à partida um teste negativo à covid-19.

As Filipinas revogaram também um sistema de classificação de risco que proibia a entrada de estrangeiros vindos dos países mais atingidos pela pandemia.

Termina ainda um período obrigatório de quarentena imposto a todos os passageiros vindos do estrangeiro, que abrangia os cidadãos filipinos.

“Começaremos o próximo capítulo a caminho da recuperação”, disse a secretária do Turismo das Filipinas, Berna Romulo-Puyat, acrescentando que a reabertura das fronteiras permitiria recuperar empregos e gerar receitas para as empresas e comunidades ligadas ao turismo.

As Filipinas impuseram um dos confinamentos mais longos do mundo e das mais rígidas restrições de quarentena, para conter uma pandemia que causou a pior recessão económica desde os anos de 1940 e levou desemprego e fome a atingir níveis recordes.

Mais de um milhão de filipinos perderam o emprego em negócios turísticos apenas no primeiro ano da pandemia, de acordo com estatísticas oficiais.

Destinos turísticos, incluindo praias populares e empreendimentos em ilhas tropicais, pareciam cidades-fantasma no auge do confinamento, com uma erupção vulcânica e a ação tufões a exacerbar as perdas.

A reabertura estava marcada para 01 de dezembro, mas foi adiada devido à variante Ómicron, considerada altamente contagiosa.

O mais recente surto atingiu o pico, com mais de 39 mil infeções em um dia, em meados de janeiro, mas desde então tem diminuído.

As autoridades de saúde anunciaram cerca de 3.600 novas infeções na quarta-feira, com 69 mortes e declararam “risco baixo a moderado” em todo o arquipélago, com a exceção de uma região do sul.

Mais de 60 milhões dos quase 110 milhões de filipinos foram totalmente vacinados contra o coronavírus e 8,2 milhões receberam já doses de reforço numa campanha afetada pela escassez de vacinas e por receios da população.

Grupo chinês quer levar água a mais de 250 mil habitações em Pemba

Um grupo chinês lançou um projeto para acabar com a escassez de água potável para os mais de 250 mil habitantes de Pemba, capital da província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

O Power Construction Corp (PowerChina) disse que o contrato prevê a construção de três reservatórios, de uma rede de distribuição de quase 185 quilómetros e a reparação de quatro reservatórios, de acordo com um comunicado divulgado na quarta-feira.

O grupo estatal chinês garantiu que, depois da conclusão das obras, prevista para junho de 2023, o projeto irá reforçar o fornecimento e aumentar a pressão da água, melhorando a qualidade de vida da população de Pemba.

O contrato, assinado com o Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG) de Moçambique, vai estar a cargo de uma subsidiária do PowerChina, a Sinohydro Bureau 11 Co Ltd.

Em outubro, a Sinohydro disse que o projeto ia incluir uma torre de água com uma capacidade com 250 metros cúbicos e três reservatórios com uma capacidade de dois mil metros cúbicos cada.

O Governo moçambicano tinha já indicado que o FIPAG estava a investir 40 milhões de dólares no reforço do abastecimento de água a Pemba, além do aumento da capacidade de tratamento de 15 para 35 mil metros cúbicos de água, permitindo o alargamento do abastecimento a Pemba de seis para 16 horas por dia.

Em 2019, o conglomerado chinês China Energy Engineering Corporation anunciou a construção de uma barragem hidroelétrica no rio Megaruma para reforçar o abastecimento de água a Pemba.

Na terça-feira, o PowerChina anunciou a assinatura de um contrato para a melhoria da distribuição de eletricidade na capital da Guiné-Bissau, incluindo a instalação de 2.100 postes de iluminação da via pública. No dia anterior, o grupo tinha avançado que vai construir, em Barueri, no estado brasileiro de São Paulo, do primeiro projeto de geração de energia a partir de resíduos sólidos da América do Sul.

Aeroporto | Obras do lado sul do terminal concluídas este ano

Simon Chan Weng Hong, presidente da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM), confirmou, em resposta a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei, que as obras de expansão do terminal de passageiros do Aeroporto Internacional de Macau (AIM), do lado sul, estarão concluídas ainda no primeiro semestre deste ano.

“Relativamente à remodelação da parte das instalações do terminal marítimo de passageiros da Taipa, que funcionará como segundo terminal do aeroporto, prevê-se que a capacidade de processamento possa aumentar 1,5 a 2 milhões de passageiros por ano, estando as obras previstas para este ano”, adiantou o responsável. O lado norte do terminal de passageiros encontra-se em funcionamento desde 2018.

O presidente da AACM falou também do novo regime jurídico do sector da aviação, cuja proposta de lei deverá ficar concluída no primeiro semestre deste ano. Recorde-se que um dos objectivos deste diploma é definir o novo estatuto da Air Macau, que continua a operar em regime de monopólio.

Simon Chan Weng Hong declarou que o Aeroporto será “um dos cinco principais” infra-estruturas aéreas da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. O plano é desenvolver o AIM “por fases, de modo a satisfazer o volume anual de passageiros de 15 milhões, aperfeiçoando as infra-estruturas de aviação externa de Macau”.

Covid-19 | Chinesa Zerun obtém novo financiamento para desenvolver vacina contra todas as variantes

Uma farmacêutica chinesa vai receber 7,4 milhões de euros adicionais da Coligação para a Inovação na Preparação para Epidemias (CEPI), visando avançar nos ensaios clínicos de uma vacina contra todas as variantes da covid-19.

A CEPI, fundação global que financia o desenvolvimento de vacinas, indicou que vai apoiar os testes de fase um e dois, a decorrer no Mali.

Este financiamento adicional elevará o total fornecido pela CEPI à Shanghai Zerun Biotechnology para 22 milhões de euros.

Em julho passado, a fundação, sediada em Oslo, disse que ia trabalhar com a empresa chinesa, como parte do programa para desenvolver vacinas de próxima geração que protejam contra novas variantes da covid-19.

O CEPI também está a apoiar uma vacina intranasal contra o novo coronavírus, desenvolvida pela Universidade de Hong Kong.

Todas as vacinas que estão ser utilizadas são baseadas na cepa original do SARS-CoV-2, identificada no estágio inicial da pandemia. Estas vacinas também exigem doses de reforço, à medida que a imunidade diminui com o tempo.

Apesar de continuarem a oferecer proteção, as variantes Delta e Ómicron reduziram a eficácia das vacinas.

Para a candidata a vacina, a Zerun Bio fez alterações estruturais na proteína ‘spike’ do vírus, com um papel fundamental na infeção de células, para melhorar a capacidade de desencadear uma resposta imune contra novas variantes do coronavírus.

Os primeiros resultados do estudo contra o vírus original mostraram que a vacina experimental tem um bom perfil de segurança e induziu um alto nível de resposta imune em adultos, de acordo com um comunicado do CEPI.

“O soro clínico demonstrou um bom efeito de neutralização cruzada nas cepas Beta e Delta”, apontou a fundação, em comunicado.

Em estudos pré-clínicos, a vacina da Zerun Bio também “demonstrou um amplo espetro de resultados de neutralização cruzada” para as variantes Alpha, Beta, Gamma, Delta e Ómicron.

“A covid-19 continua a evoluir e não podemos prever qual o será o próximo desenvolvimento, por isso é vital que continuemos a investir em vacinas globalmente acessíveis e eficazes contra uma ampla gama de variantes possíveis”, apontou o diretor executivo da CEPI, Richard Hatchett.

“Essas vacinas podem colocar-nos um passo à frente do vírus, por isso são fundamentais para o controlo de longo prazo da covid-19 e vitais para a segurança global da saúde”, acrescentou.

A fundação disse que as vacinas experimentais que está a financiar, se bem sucedidas, seriam compradas e distribuídas pela Covax, iniciativa global para promover o acesso equitativo a vacinas contra a covid-19 que a CEPI lidera em parceria com a Organização Mundial da Saúde.