Letras&Companhia | Peça de teatro “A Revolta dos Lusecos” este sábado

A Sílaba – Associação Educativa e Literária juntou-se ao festival “Letras&Companhia” e apresenta no sábado a peça de teatro “A Revolta dos Lusecos”, escrita por Carlos Alberto Silva e interpretada por 14 crianças. A peça tem como pano de fundo o 25 de Abril e o fim do Estado Novo

O universo da revolução do 25 de Abril será o ponto de partida de um evento do festival de literatura infantil “Letras&Companhia”. Trata-se da peça “A Revolta dos Lusecos”, da autoria de Carlos Alberto Silva, e que será interpretado por 14 crianças através de um trabalho de encenação da Sílaba – Associação Educativa e Literária.

Segundo o programa do festival, a peça faz uma “abordagem lúdica e participativa” dos “acontecimentos marcantes do 25 de Abril de 1974”, utilizando “a narrativa literária como ferramenta de mediação histórica”.

Com esta peça, os programadores do festival esperam “sensibilizar o público mais jovem para os valores da liberdade e da cidadania, transformando a leitura numa experiência viva e partilhada em palco”. A peça será apresentada no IPOR a partir das 18h.

Ao HM, Susana Diniz, presidente e fundadora da Sílaba, disse que surgiu a oportunidade de apresentar esta peça em Macau dado o autor ser amigo da associação. Além disso, “A Revolta dos Lusecos” foi “o primeiro a sair na ‘Dinis Caixapiz’ em 2024”, que é “uma caixa de subscrição de livros infantis” com apoios do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Fundo de Desenvolvimento e Cooperação de Macau.

Segundo Susana Diniz, esta “rede de apoio institucional ajudou a criar as condições para trazermos a peça a Macau e integrá-la neste festival, numa lógica de partilha cultural entre Portugal e Macau”.

A ideia foi “tornar a aprendizagem mais fácil e mais viva” com a apresentação desta peça, cuja ideia central foi desenvolvida na Sílaba. Desta forma, “A Revolta dos Lusecos” permite à associação “representar parte de uma história recente de Portugal que é muito importante: a transição para a democracia após o Estado Novo”.

“É uma oportunidade única para mostrar às crianças e aos jovens de Macau que o caminho para a democracia foi difícil, que não foi um processo automático ou inevitável, mas sim o resultado de coragem, resistência e sacrifício de muitas pessoas. Acreditamos que esta mensagem é universal e relevante para qualquer jovem, independentemente do contexto geográfico”, disse Susana Diniz.

A fundadora da Sílaba acrescentou que trabalhar uma obra criada por um autor conhecido ajuda a criar “uma ponte mais directa e afectiva entre os miúdos e a história”.

Missão cumprida

Susana Diniz é a responsável pela encenação, com o auxílio de outros membros da associação, uma colaboração que descrever como “essencial para gerir um projecto desta dimensão”.

“O espectáculo vai contar com música, imagens projectadas e os miúdos em palco, num cenário construído para a ocasião”, descreve Susana Diniz, que fala ainda no trabalho desenvolvido ao nível da adaptação do texto e preparação das crianças. Tem sido “muito gratificante ver que eles se divertem e, sobretudo, que compreendem as suas personagens”, frisou. “Quando um miúdo de 10 anos consegue explicar o que sentia um luseco em 1974, percebemos que o teatro está a cumprir a sua função: contar uma história e fazê-la viver dentro de quem a conta.”

13 Mai 2026

Inês Cardoso, jornalista e autora de livros infantis: “A desinformação joga com emoções”

Inês Cardoso embrenha-se na escrita de livros para os mais novos quando a espuma frenética dos dias do jornalismo lhe dá algum descanso. A directora do Jornal de Notícias foi convidada pelo festival “Letras&Companhia” para apresentar o livro “De Londres ao Porto numa gaivota”, que foi traduzido para chinês

Vem a Macau participar no festival “Letras&Companhia”. Como se sente por vir ao território neste contexto?

É a primeira vez que vou a Macau e é particularmente entusiasmante perceber o trabalho que continua a ser feito para preservar a língua portuguesa. O festival tem muitos atractivos, e é uma honra estar ao lado de pessoas como Afonso Cruz ou André Letria, porque trabalham diferentes públicos e têm um trabalho muito conceituado. Vou falar de literatura juvenil e é bom poder estar directamente com o público escolar e perceber a sua ligação à língua.

Apresenta na sexta-feira o livro que lançou em 2019, “De Londres ao Porto numa gaivota”. Porquê esta obra?

Tem muito a ver com a temática do festival, centrada nas cidades. Este é um livro que trabalha muito no espaço urbano, portanto transporta-nos para alguns dos espaços emblemáticos de Londres e Porto na forma como a protagonista, Sofia, que viveu no Porto, mas se mudou para Londres, vai viajando mentalmente pelos locais que a saudade, no fundo, mantém activos. Não sendo o meu livro mais recente, acabou por estar em destaque nesta edição, e graças a uma parceria entre a Porto Editora e o IPOR [Instituto Português do Oriente, co-organizador do festival], o livro vai ter uma versão em português e chinês. Trata-se de algo que vai permitir trabalhar esta questão da língua e das viagens que fazemos através dela, tal como a própria história também reflecte.

Quando sai a versão em chinês do livro?

Será apresentada no festival, estando disponível na Livraria Portuguesa.

A saudade é um sentimento muito português, é um desafio traduzir essa palavra para outra língua? Que expectativas têm em relação à tradução?

Esta é uma das reflexões que fazemos no livro. Ao tentar traduzir a palavra saudade fazemos essa abordagem, quanto à importância e centralidade que a saudade tem para nós, portugueses. Muitas vezes tem um sentido excessivamente nostálgico, mas a verdade é que nos marca muito, tanto na literatura, na música ou no nosso imaginário. O livro aborda isso, a forma como nos entendemos e como, no fundo, podemos fazer corresponder a saudade a outras expressões que outras línguas têm para traduzir esse sentimento, que, de facto, nos marca muito colectivamente.

O seu livro mais recente, também de literatura infantil, “As Mãos da Avó”, foi editado no ano passado. Há algum paralelismo com a obra que apresenta no “Letras&Companhia”?

É uma história que tem um ritmo um pouco mais lento, por assim dizer, tem uma escrita mais pausada. Procuro que o próprio livro trabalhe a questão da espera e da paciência. É, num certo sentido, um livro que nos leva a viajar, também a nós adultos, pelas nossas memórias de infância. Quando se fala de literatura infantil, prefiro mais falar em livros e álbuns ilustrados, porque tenho percebido que “As Mãos da Avó” é, muitas vezes, um livro que sensibiliza os adultos que se identificam com aquela experiência da neta, que aprende com as mãos da avó e que partilha momentos com ela, e que, em contacto com a natureza, vai percebendo pequenas lições que a avó lhe transmite. Vivemos tempos muito acelerados, em sociedades que valorizam muito a rapidez. A capacidade de pararmos e percebermos a importância da espera é uma reflexão que nos interessa particularmente e da qual até estamos a precisar.

Como se passa do jornalismo, precisamente dessa pressa das redacções, para a literatura infantil?

Esse é um dos desafios e diria até que uma das razões que explica o facto de eu publicar com longos intervalos, exactamente porque o jornalismo é tão absorvente e a realidade tem estado tão acelerada. Sinto que somos arrastados no vórtice da actualidade e temos muita dificuldade em travar, sobretudo desde a altura da pandemia. Tivemos a crise, a invasão na Ucrânia, fomos tendo outros conflitos muito centrados no Médio Oriente, mas também a própria eleição de Donald Trump trouxe uma série de alterações na geopolítica internacional. Temos avanços na inteligência artificial que nos vão lançando desafios. Ou seja, vivemos tempos que constituem desafios colectivos e que se traduzem no nível de atenção permanente por parte dos media e de alteração do trabalho nos próprios media. Somos muito afectados pela alteração dos algoritmos, das redes sociais, da entrada da inteligência artificial em campo. Há uma rapidez que deixa muito pouco espaço para a criatividade e imaginação. Quando consigo esses espaços, importantes para mim, dá-me alguma respiração neste mundo que tem estado algo distópico nos últimos tempos. E, portanto, gosto de olhar para a literatura infantil ou juvenil como um caminho para alguma descompressão e até para alguma saída deste mundo às vezes pouco empático e pouco focado.

Falando da inteligência artificial, ainda é possível pôr crianças a ler um livro físico?

No caso particular da leitura para a infância, e com os álbuns ilustrados, acredito que o papel vai resistir, porque é de facto único na capacidade de nos transportar para o peso que as próprias ilustrações têm. Hoje temos formatos cada vez mais criativos, com livros que trazem novas abordagens, com desdobráveis [por exemplo] e uma criatividade que tem sabido evoluir num sentido que é tão único que, de facto, não pode ser substituído por nenhum ecrã. Vou às escolas com alguma regularidade e sinto que as crianças mantêm, pelo menos na primeira infância, um grande entusiasmo com as histórias e com os livros. Gostam de os sentir. Depois temos de fazer a nossa parte. Se olharmos para os exemplos da Suécia ou Noruega, que num determinado momento foram pioneiros no digital, pelas salas de aula dentro, e agora percebem que foi um erro e estão a regular e a incentivar cada vez mais o livro e a leitura, acho que temos de ir aprendendo com essas lições. Há medidas que têm de ser adoptadas por decisores e governantes, no sentido de ir protegendo e estimulando a leitura e percebendo que ela tem um espaço próprio que não deve ser alterado, apesar da competição gerada pelo digital e pelos ecrãs.

Começou no jornalismo em 1998 e actualmente é directora do Jornal de Notícias (JN). Qual a mudança mais fracturante que assistiu na profissão nos últimos anos?

Temos tido muitas mudanças muito rápidas. Quando comecei já estávamos a falar nos desafios que o digital nos iria trazer, e desde então fizemos muitas experiências e continuamos sem respostas, porque a todo momento temos novos desafios. Uma das grandes dificuldades é continuar a merecer a confiança dos leitores e, no fundo, a captar a atenção no meio de tanto ruído. Diria que o grande desafio é até mais social do que dos próprios jornalistas, que têm estado muitas vezes sozinhos a defender um espaço que é, na verdade, vital para a própria democracia. No nosso caso, no JN, tivemos um momento particularmente marcante que foi ao final de 2023 e início de 2024, um momento de luta que evitou um despedimento colectivo. Houve depois uma mudança de accionistas e de propriedade no grupo [Global Media]. Esse momento, em Portugal, foi particularmente importante e significativo na reflexão que, em Portugal, estamos a fazer sobre a propriedade dos media, o financiamento e a sustentabilidade, problema que também está a ser enfrentado pela revista Visão. Do ponto de vista tecnológico, creio que vamos continuar a assistir a mudanças constantes, em que ainda não sabemos muito bem o que a inteligência artificial vai provocar, nomeadamente nesta questão da confiança das pessoas, na disseminação cada vez maior e mais eficaz da desinformação e os riscos que, no fundo, acarreta para todos nós.

Quando fala que a preservação do jornalismo também parte da sociedade civil, não sente que o perigo reside no facto de as pessoas terem muita desconfiança em relação aos media e terem até um tom acusatório em relação aos jornalistas? Como se combate isso?

Sim, por isso é crucial que haja capacidade para, de forma colectiva, olharmos para este tema da desinformação como um problema da democracia, e não um problema dos jornalistas. É verdade que há essa desconfiança, e parece-me que os cidadãos ainda acreditam em muitos mitos relacionados com a informação, ou seja, que através das redes sociais conseguem obter a informação sem precisar de jornalismo, que conseguem ser eles a seleccionar as fontes, ou que seguem quem querem. Não percebem que estão constantemente a ser manipulados pela própria lógica do algoritmo, pelas bolhas que vão sendo criadas na sequência do seu próprio comportamento digital. Há uma série de mecanismos subtis que são perigosos do ponto de vista individual e do ponto de vista da popularização social, em relação aos quais os cidadãos ainda não estão plenamente atentos e dos quais não estão, sequer, muitas vezes conscientes. Sabemos muito bem a quem interessa essa desinformação, quem a trabalha e quem mais [promove] a disseminação alargada de informações falsas. Sabemos os riscos a que estamos sujeitos quando as opiniões são, cada vez mais, facilmente manipuladas e orientadas, nomeadamente em períodos de eleições. Já há diversos estudos que comprovam o quanto a desinformação aumenta em períodos eleitorais. Esta é uma reflexão que, apesar dessa má imagem que os jornalistas actualmente sofrem, vai ter de ser feita colectivamente.

No sábado protagoniza uma oficia de literacia digital para professores intitulada “Combater a desinformação na era da IA”. E como se combate, afinal?

Temos riscos cada vez maiores e as ameaças são muitas. Diria que se combate sobretudo com muita formação. Nesta acção de formação para professores vamos abordar algumas formas de tratar o tema, nomeadamente para crianças e adolescentes já ao nível do secundário, porque é essencial que todos possamos identificar alguns sinais em vídeos, imagens ou informações partilhadas. Para que saibamos identificar quem tem funções de particular responsabilidade, e o professor é sempre alguém que tem essa responsabilidade perante a sua própria sala de aula e aqueles que estão, no fundo, entregues e confiados. O professor tem essa missão com uma maior exigência, porque pode ter um efeito multiplicador na transmissão de ferramentas que são úteis em todas as idades. Temos de estar atentos e saber como verificar a informação e, sobretudo, como não agir por impulsividade ou emotividade, que é um dos grandes problemas da desinformação. Esta joga muito com as emoções, com a confirmação de preconceitos e esse, no fundo, é o trabalho mais difícil de fazer.

12 Mai 2026

Letras&Companhia | Afonso Cruz apresenta hoje “Assim, mas sem ser Assim”

O escritor Afonso Cruz, nome sonante da literatura portuguesa contemporânea, apresenta hoje na Livraria Portuguesa, a partir das 18h30, a sua obra “Assim, mas sem ser Assim – Considerações de um Misantropo”, no âmbito do festival Letras&Companhia. Eis uma história sobre o significado de misantropo do ponto de vista de um jovem que é incentivado a comunicar pelo pai. A edição deste ano do Festival é subordinada ao tema “A minha Cidade”

O Festival Letras&Companhia, que arrancou esta semana, tem hoje um dos momentos altos do evento, com a apresentação do livro para a infância de Afonso Cruz, intitulado “Assim, mas sem ser Assim – Considerações de um Misantropo”. A sessão decorre na Livraria Portuguesa a partir das 18h30, revelando-se ao público local uma história sobre o significado de um misantropo, diálogos entre um pai e um filho e a importância de comunicar com o que está à volta.

Segundo a sinopse da obra, editada pela Caminho, a história traz “um brilhante conjunto de situações e de personagens do quotidiano com um acento de reflexão sobre a actualidade social – a Crise – de forma acessível e sensível aos mais jovens”. “O meu pai diz que passo muito tempo em casa, diz que devo comunicar com as pessoas, e eu, claro, obedeço porque o meu pai costuma dar bons conselhos e usa barba. Muito bem, disse-lhe eu, mas o que significa misantropo?”, questiona-se na obra.

Na descrição do livro feita pela Caminho, descreve-se como esta é uma história que “põe a nu os desequilíbrios e desajustes de um microcosmos muito particular: os vizinhos que partilham os vários andares do prédio onde vive e com os quais é ‘incentivado’ pelo pai (que tem barba e dá bons conselhos) a ‘comunicar’, procurando entabular com eles algumas conversas, com maior ou menor resistência da parte dos visados”.

Assim, “as situações criadas nestas tentativas de comunicação estão pontuadas pelo humor que decorre do cómico de situação ou de personagem, como acontece quando toca à campainha do vizinho poeta durante quatro minutos e vinte e três segundos”.

Sempre que o jovem tenta comunicar há uma certa “espontaneidade de encontros esporádicos entre vizinhos”, sendo que o leitor percebe “um sistema particular do narrador com vista a alargar as suas capacidades ‘comunicativas’, revelando, em alguns momentos, características de uma estratégia quase científica, porque as conclusões retiradas decorrem da observação atenta e crítica dos ‘fenómenos'”, lê-se.

“Assim, mas sem ser Assim – Considerações de um Misantropo” destina-se “quer a crianças quer a adultos”, sendo “uma espécie de revelação de uma verdade universal que preferimos esconder ou ignorar, sob a capa de cariz mais ou menos social ou político”. Há uma “mensagem implícita”, como a ideia de que “a relação das pessoas umas com as outras e com o mundo necessita de ser repensada e perspectivada segundo um ponto de vista mais humano e mais justo”.

Outras letras

Entretanto, o “Letras&Companhia – Festival Literário para Pais e Filhos” traz amanhã a cerimónia oficial de abertura que decorre, a partir das 15h30, na Escola Portuguesa de Macau, com destaque para a realização “de um mini-concerto escolar a cargo da Escola Sun Wah” e a entrega de mini-bibliotecas, “uma actividade anual que visa promover a leitura em português e dar a conhecer autores portugueses às crianças das escolas da RAEM”, com livros em português e chinês.

Também amanhã, mas ao final do dia, a partir das 18h, decorre a sessão “Ao entardecer a biblioteca I”, na sede do Instituto Português do Oriente (IPOR), que organiza o festival. Nesta sessão, o IPOR abre as suas portas “para que as crianças possam explorar o mundo misterioso onde os livros são guardiões do imaginário”, descreve o programa. O evento está pensado para crianças e jovens dos 8 aos 11 anos, tratando-se de um “programa que vai pela noite dentro até à manhã do dia seguinte, composto por oficinas criativas, sessões de leitura e dramatização de contos onde o fantástico, o suspense e a surpresa dominam”.

No domingo, decorre uma acção de formação pensada para formadores e professores com o ilustrador André Letria. “Ler o Livro, Ler o Mundo: O Poder do Álbum Ilustrado – Oficina de literacia visual” é o nome da iniciativa focada nos álbuns ilustrados para crianças e jovens, que são “muito mais do que simples histórias acompanhadas de imagens”, mas também “ferramentas poderosas para formar leitores plenos — capazes não só de decifrar palavras, mas também de ler, interpretar e questionar imagens”. A actividade decorre no IPOR entre as 10h e as 13h. Andrea Magalhães protagoniza também outra oficina, “O meu Mealheiro Colorido”, a partir das 11h, no IPOR.

O sexto festival Letras & Companhia aborda a relação entre as cidades e quem nelas vive, disse à Lusa a organizadora. A directora do IPOR disse que o tema desta edição, “A Minha Cidade”, partiu de um encontro com o ilustrador português André Letria. “Nós já tínhamos pensado que o tema (…) seria à volta do envolvimento das crianças com o espaço e o André tem uma série de mapas ilustrados”, explicou Patrícia Ribeiro.

André Leiria lançou o desafio e alunos de quatro escolas locais criaram “imensos mapas ilustrados” da região chinesa, cerca de 30 dos quais estarão expostos no IPOR de domingo até 24 de Maio.

O criador da editora Pato Lógico irá ainda lançar o seu próprio mapa de Macau e dinamizar oficinas sobre ilustração em escolas e uma formação de professores sobre literacia visual. As actividades já começaram na terça-feira, com o Mercado das Letrinhas, uma feira de livros infantis de autores lusófonos – alguns também disponíveis em chinês e inglês – que vai estar na Livraria Portuguesa até 24 de Maio.

8 Mai 2026

IPOR | Agenda para este ano com mais de 100 cursos

Patrícia Quaresma, directora do Instituto Português do Oriente, diz que a instituição “retomou os números de 2019, mas com uma dinâmica diferente” e que actualmente tem “mais público jovem”. Além do festival “Letras&Companhia”, que começa hoje, o IPOR tem na agenda deste ano uma centena de cursos

O Instituto Português do Oriente (IPOR) está bem e recomenda-se. Ao HM, a directora, Patrícia Quaresma, falou da centena de cursos que está programada para este ano, do facto de ter recuperado os números pré-pandemia, em termos de alunos, e de ter professores suficientes.

“Nos últimos anos registou-se uma alteração no público-alvo e no tipo de formações que organizamos”, começou por dizer. “Estamos com mais público jovem, a colaborar mais com a DSEDJ [Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude] e as universidades, na formação de professores e em programas de cursos para fins específicos.”

Segundo a directora do IPOR, “após um período de quebra, retomamos os números de 2019, mas com uma dinâmica diferente”, sendo que, actualmente, as instalações do IPOR “têm espaço suficiente para acolher as turmas dos cursos que promovemos”.

Porém, “a dinâmica” passa também pela crescente realização de acções de formação fora das instalações do IPOR, disse. “No que diz respeito ao corpo docente do nosso Centro de Língua, estamos neste momento com 16 professores em Macau e um em Pequim, número suficiente para responder aos mais de 100 cursos que temos na agenda para 2026”, adiantou.

O IPOR foi uma das entidades que, na recente visita do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, a Lisboa, assinou um protocolo com a Universidade de Coimbra e a DSEDJ para que os estudantes possam continuar os estudos superiores em Coimbra, podendo inscrever-se em licenciaturas e mestrados.

Mas já anteriormente o IPOR assinou acordos com a Universidade do Porto e Universidade da Beira Interior. Todos eles permitem “facilitar e enquadrar o acesso e a frequência, por parte de estudantes da RAEM, com estatuto de estudante internacional, a ciclos de estudos conducentes ao grau de licenciado e de mestre”.

“Ao IPOR compete receber as candidaturas dos estudantes, organizar os seus processos e leccionar um curso preparatório de língua portuguesa com a duração de 300 horas. No final do curso, os alunos que atingirem, no mínimo, o nível A2 de proficiência, prosseguem para a universidade em Portugal, onde continuarão mais um ano de aprendizagem de língua, podendo, nalguns casos frequentar, mas sem avaliação, algumas das cadeiras da licenciatura ou mestrado em que foram admitidos, a qual terá início apenas no ano lectivo seguinte. Desta forma, iniciam o ciclo de estudos com uma consistente proficiência em língua portuguesa, idealmente o nível B2, e completamente integrados na vida académica, cultural e social do país”, explicou.

Festival envolvente

O HM conversou com Patrícia Quaresma a propósito da realização de mais uma edição do Festival “Letras&Companhia”, que começa hoje e que traz nomes de escritores portugueses como Inês Cardoso e Afonso Cruz, e muitas actividades para pais e filhos.

“O festival tem procurado envolver as instituições de ensino em todas as actividades, e este ano decidimos reforçar esta participação realizando a cerimónia de abertura na Escola Portuguesa de Macau e convidando a Escola Sun Wah para fazer um espectáculo na abertura do Letras&Companhia com os vencedores do Quarto Concurso de Canto Lusofonia promovido pela escola”, explicou.

O festival colabora também, este ano, com a empresa local CESL-Ásia. “Queremos que o Letras&Companhia se torne num marco das memórias dos mais pequenos e das famílias. Procuramos acima de tudo que o festival possa proporcionar bons momentos em português e que, por sua vez, consiga estimular a criatividade, o imaginário e, principalmente, o interesse pela leitura e pelos livros”, acrescentou a directora do IPOR.

Patrícia Quaresma diz notar “uma evolução muito positiva” na adesão do público. “Sentimos que o festival já faz parte das agendas das famílias e da comunidade e por isso, procuramos inovar e constituir um programa com novos elementos e actividades.”

Um dos exemplos, nesta edição, é a parceria com o Festival de cinema de Lisboa “Monstra”. “O festival procura promover o livro e a leitura, trazendo para o público não apenas um conjunto de publicações de autores dos países de língua portuguesa, mas também através da edição de traduções para chinês de algumas destas publicações. O IPOR tem publicado e apresentado pelo menos uma nova edição em língua chinesa, procurando assim alargar o alcance da literatura, da leitura e dos livros destes autores ao público não falante de língua portuguesa”, rematou.

5 Mai 2026

IPOR | Festival traz escritos de Coco Cheong e de autores portugueses

Começa amanhã mais uma edição do festival “Letras & Companhia”, promovido pelo Instituto Português do Oriente, e que este ano tem como tema “A Minha Cidade”. De Macau, a escritora Coco Cheong apresenta o livro “Our Precious Moments”, estando também convidada a escritora de livros infantis e jornalista Inês Cardoso. Decorrem ainda actividades de leitura com a ilustração em destaque

O Instituto Português do Oriente (IPOR) apresenta amanhã, com o apoio do grupo Galaxy, mais uma edição do festival “Letras&Companhia – Festival Literário e Cultural para Pais e Filhos”, que se dedica ao universo da literatura infantil e ilustração. O tema deste ano é “A Minha Cidade”, sendo que o evento conta também com apoio do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, prolongando-se até ao dia 24 de Maio.

Do programa, destaca-se a presença da escritora local Coco Cheong, com a apresentação da obra “Our Precious Moments”, em chinês e inglês, seguindo-se “uma oficina para os mais novos com jogos de quebra-gelo, momentos de desenho e contos”, descreve um comunicado de imprensa.

Outro dos nomes constantes no programa, é o de Inês Cardoso, jornalista e directora do Jornal de Notícias, e também autora de livros infantis. Será lançado o livro “Londres ao Porto numa gaivota”, além de que Inês Cardoso vai também protagonizar uma sessão de formação para professores “sobre desinformação, partilhando ferramentas pedagógicas para desenvolver o pensamento crítico e a verificação de informação junto dos alunos”. Inês Cardoso estará também presente para uma conversa aberta ao público no Consulado de Portugal em Macau e Hong Kong.

O festival arranca amanhã na Escola Portuguesa de Macau, com a entrega de minibibliotecas escolares a instituições de ensino não superior de Macau onde se ensina a língua portuguesa. No cartaz consta também a presença de Afonso Cruz, que apresenta o livro “Assim, mas sem ser assim: Considerações de um Misantropo”, sendo que o autor também dará um workshop de escrita criativa aberto ao público.

Imagens que nos ligam

André Letria, ilustrador português, apresenta o projecto “A Minha Cidade”, que chega agora a Macau graças ao “Letras & Companhia”. Segundo a mesma nota, este projecto nasceu de uma colaboração com várias escolas locais, onde “os alunos criaram mapas ilustrados da cidade, revelando o seu olhar íntimo e quotidiano”.

Os trabalhos estarão expostos no IPOR após a inauguração da exposição, na qual André Letria falará sobre o projecto numa mesa-redonda e lançará o seu próprio mapa de Macau. O ilustrador e criador da editora Pato Lógico dinamizará ainda várias oficinas pedagógicas nas escolas, explorando a ilustração como meio de criatividade e expressão artística, bem como uma formação de professores sobre literacia visual.

O IPOR exibe ainda, no contexto do festival, quatro curtas-metragens de animação infantis, escolhidas a partir do programa do Festival lisboeta de Animação “Monstra” (edição de 2025). Andrea Magalhães, por sua vez, realizará diferentes oficinas dirigidas a públicos jovens de várias faixas etárias. Haverá também três momentos de teatro, sendo que um deles acontece em parceria com a associação Sílaba, que apresenta “A Revolta dos Lusecos”, “peça que transporta o público para os acontecimentos marcantes do 25 de abril de 1974 em Portugal”. Já a Joyful, companhia de teatro de Hong Kong, apresenta “The Secret Magic Recipe: Enemy Pie”, uma peça interativa inspirada em livros infantis, seguida de uma oficina de fantoches e storytelling para pais e filhos.

O festival encerra na Fundação Rui Cunha com o espectáculo musical “(En)Cantar com Alice e Sebastião”, com Sara Meireles, que começa às 15h e que também vai ser apresentado nas escolas locais.

A sexta edição do festival procura “abordar a relação intrínseca entre a cidade enquanto espaço físico e a comunidade que nela habita, tópico que guiará todas as actividades que integram o programa”.

“Esta relação é retratada etimologicamente – a palavra cidade deriva do termo latino ‘civitas’, que significa “cidadania” ou “membro da comunidade”. A cidade não é só um ‘habitat’, porque não se cumpre na sobrevivência material da espécie, mas é um todo orgânico que envolve os vestígios urbanísticos do passado e a comunidade do presente que, ao preservar e atualizar o legado de que faz parte, aponta para o futuro”, descreve a organização do evento.

4 Mai 2026

IPOR | Encontro Pontos de Rede marcado para amanhã no consulado

O Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong recebe amanhã a décima edição do Encontro Pontos de Rede, um evento centrado no ensino da língua portuguesa como língua estrangeira. Este ano, o encontro terá como temas centrais a literacia digital e o ensino do português com recurso a meios tecnológicos

O IPOR- Instituto Português do Oriente organiza amanhã o décimo Encontro Pontos de Rede, que irá colocar em diálogo professores de português como língua estrangeira, especialistas em pedagogia, educadores e investigadores num dia de partilha e promoção do ensino da língua portuguesa como língua estrangeira.

O encontro está marcado para amanhã no Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, no auditório Dr. Stanley Ho, a partir das 09h, e terá como tema central a “Literacia Digital e o Ensino-Aprendizagem de português como língua estrangeira através da Tecnologia”.

De acordo com o IPOR, o encontro deste ano “visa explorar a interseção entre a literacia digital e a aprendizagem do português como língua estrangeira através de tecnologias pedagógicas modernas”. A organização indica ainda que os objectivos centrais do evento vão incidir sobre a compreensão dos “princípios da literacia digital e a sua relevância no ensino de línguas estrangeiras, identificar ferramentas e plataformas digitais que facilitam o ensino e a criação de materiais didácticos, desenvolver estratégias para promover a cidadania digital, bem como entender a importância das planificações de aulas que incorporem eficazmente a tecnologia no processo de ensino e aprendizagem do português enquanto língua estrangeira.”

Lista de convidados

Além dos leitores da rede do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua da Asia, o IPOR convidou coordenadores do departamento de português de várias universidades chinesas para assistirem e participarem no encontro.

Adelina Moura, professora na Escola Secundária Carlos Amarante, é uma das oradoras principais do encontro, irá fazer uma apresentação sobre a tecnologia digital enquanto ferramenta facilitadora do ensino e aprendizagem do português como língua estrangeira, área em que é especialista. A professora leciona nos níveis de ensino básica e secundário e é também tutora da formação a distância do Camões I.P., investigadora integrada do grupo de I&D – GILT (Games Interaction and Learning Technology) do Instituto Superior de Engenharia do Porto e membro do grupo LabTE (Laboratório de Tecnologia Educativa) da Universidade de Coimbra.

A outra oradora principal é Helena Moura Pinto, professora de informática da Escola Portuguesa de Macau, que irá discorrer sobre a importância da literacia digital do corpo docente. A educadora é também formadora certificada pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua de Portugal, onde desenvolveu várias formações para professores no âmbito do Plano de Transição Digital, nomeadamentê na área da Capacitação Digital de Docentes.

Entre os participantes, contam-se Zuo Qinren, da Universidade do Porto e Universidade de Finanças e Economia de Guizhou, económicas e financeiras, Jéssica Pessoa dos Santos (Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro), Hinton Neto (Universidade da Amazónia), Melissa Rubio (Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Joana Nogueira (Escola Superior de Educação Jean Piaget), Camila Macêdo (Universidade de São José) e Wadison Melo da Universidade da Província de Aichi, no Japão.

Catarina Castro, Fausto Caels, Flávia Coelho e Yuqing Lin são os convidados da Escola Superior de Educação do Politécnico de Leiria.

O evento irá ainda contar com intervenções da directora do IPOR, Patrícia Quaresma Ribeiro, da coordenadora do Centro de Língua Portuguesa do IPOR, Paula Costa e o discurso de encerramento estará a cargo do cônsul Alexandre Leitão. A moderação dos painéis de discussão estará a cargo de Carlos Santos e Marisa Rodrigues.

Em comunicado, o IPOR realça que o Encontro Pontos de Rede é uma “oportunidade para educadores, investigadores, e todos os profissionais envolvidos no ensino de línguas se reunirem para partilhar conhecimentos, experiências e boas práticas pedagógicas”.

20 Nov 2025

IPOR ajuda Club Lusitano a elevar qualidade do ensino do português

Os cursos de língua portuguesa oferecidos pelo Club Lusitano de Hong Kong vão ter orientação do Instituto Português do Oriente (IPOR), graças a um acordo assinado em Macau, disseram as duas instituições à Lusa.

O Club Lusitano de Hong Kong, com cerca de 400 membros, tem disponíveis cursos de português há cerca de cinco anos, mas a iniciativa “não é oficial”, indicou à Lusa o presidente a instituição, Patrick Rozario, que quer agora levar mais qualidade à oferta da instituição.

Nesse sentido, Club Lusitano e IPOR assinaram, na quinta-feira, em Macau, um acordo que, entre outros propósitos, quer reforçar a colaboração no ensino e aprendizagem de português. “No futuro, as aulas de português que oferecemos no Club estarão sob a orientação e aprovação do IPOR. Continuaremos a fazer o que temos feito, mas o IPOR vai ajudar-nos com o material e programa”, reforçou o presidente da maior instituição da comunidade lusodescendente de Hong Kong, fundada em 1866.

Rozario espera também no futuro disponibilizar os cursos para não-membros. Para já, especifica, “membros e amigos” – incluindo ‘vistos gold’ – têm recorrido ao programa linguístico. “Parece que temos cada vez mais pessoas interessadas em frequentar aulas de português”, disse o lusodescendente, notando que, nos últimos “quatro, cinco anos”, passaram por ali entre 30 a 40 alunos.

Lançar âncora

Sobre como esta parceria vai funcionar, a directora do IPOR explicou à Lusa que os cursos serão organizados pelo IPOR – incluindo programas e metodologia de ensino – e os formadores orientados pela instituição. “Quando se emitir um certificado das aprendizagens destes cursos, que são feitos no Club Lusitano, tem-se à partida a chancela do IPOR, e a chancela do IPOR oferece a qualidade”, adiantou.

Ainda no que diz respeito ao protocolo assinado na quinta-feira, Patrícia Ribeiro falou na intenção de “estreitar a colaboração na área cultural e realização de eventos” em Hong Kong. “Somos convidados a participar em feiras ou festivais (…) Como o consulado [de Portugal em Macau e Hong Kong] não tem um gabinete [em Hong Kong], mas apenas uma pessoa – e não é todos os dias -, o Club Lusitano será um apoio para podermos desenvolver estas actividades e promover a língua e a cultura portuguesa”, notou.

14 Jul 2025

ESAD | Escola do Porto assina acordo com IPOR

O Instituto Português do Oriente (IPOR) assinou, no passado dia 16 de Maio, um protocolo de colaboração com a ESAD – Escola Superior de Artes e Design, sediada na zona de Matosinhos, Porto. Segundo um comunicado, o acordo promove a “colaboração no domínio da formação, investigação e intercâmbio cultural”, sendo que parceria “será operacionalizada através da promoção de iniciativas conjuntas e partilha de conhecimento nas áreas das artes, design e cultura”.

O IPOR destaca que “a primeira iniciativa enquadrada no acordo envolverá professores e alunos da ESAD, que participarão num projecto no âmbito das comemorações do V Centenário de Luís de Camões, no qual também estarão envolvidos artistas de Macau e alunos da Faculdade de Artes e Design da Universidade Politécnica de Macau”.

“Existindo uma relação indissociável entre língua e cultura, compete ao IPOR, no quadro das atribuições inscritas na sua missão, articular estas duas dimensões da sua intervenção. A produção, a divulgação e a exibição de conteúdos que traduzam relações criativas entre a língua e a cultura, de preferência com envolvimento da comunidade alargada de prática da língua que o IPOR configura fica agora reforçada com a celebração deste protocolo”, refere a entidade.

Pretende-se ainda “fomentar o intercâmbio na área das artes entre Portugal e a RAEM, estabelecendo pontes que permitam a promoção e a realização de iniciativas como forma de inscrever cada vez mais a língua portuguesa e as expressões das suas culturas nos diálogos com outras línguas e outras culturas”.

27 Mai 2025

Efeméride | Camilo Castelo Branco lembrado hoje no IPOR

Decorre hoje uma sessão do Clube de Leitura da Associação dos Amigos do Livro que irá centrar-se não apenas na obra “Fanny Owen”, de Agustina Bessa-Luís, mas também na comemoração dos 200 anos do nascimento do escritor português Camilo Castelo Branco. A partir das 18h30 é hora de recordar a sua vida e escritos com intervenções de Pedro D’Alte, Wang Suo Ying e Shee Vá

 

Comemora-se este ano os 200 anos do nascimento do escritor português Camilo Castelo Branco, uma data que é hoje recordada no Instituto Português do Oriente (IPOR) através de uma sessão do Clube de Leitura da Associação dos Amigos do Livro, realizada na Biblioteca Camilo Pessanha, no IPOR, a partir das 18h30.

Segundo uma nota do IPOR, a sessão aborda a obra “Fanny Owen”, da escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís, sendo esse o mote para recordar Camilo Castelo Branco, um dos autores de eleição de Bessa-Luís, uma vez que a obra se inspira na vida pessoal do escritor.

Assim, a sessão de hoje “tenta compreender o escritor”, reunindo Pedro D’ Alte, que falará da sua experiência na abordagem da obra de Camilo Castelo Branco junto dos alunos chineses. Este será auxiliado por Wang Suo Ying, que traduziu para chinês algumas das obras mais conhecidas de Camilo, como “Amor de perdição” e “A queda de um Anjo”. Shee Vá, médico e autor, também participa na sessão de hoje, tentando “compreender o homem [Camilo Castelo Branco] através dos seus biógrafos e admiradores como Agustina Bessa-Luís, Manuel de Oliveira e Mário Claúdio”.

Para se perceber o gosto de Agustina Bessa-Luís pela escrita de Camilo, o IPOR cita as suas palavras: “Camilo é manipulador, a sua frivolidade não é senão tentativa de esconder as suas fragilidades”. A escritora nortenha disse também que “Camilo era um insurrecto, com lama até aos ossos e dois livros de gramática em vez de pulmões”.

Vida boémia

A escolha da obra “Fanny Owen” para esta sessão não surge por acaso, uma vez que Agustina se inspirou na história de vida de Camilo, quando este se apaixonou por Ana Plácido quando esta era casada, um caso que levou à prisão de ambos numa altura em que o adultério era considerado crime, no século XIX. Mais tarde, os dois seriam absolvidos, casando e tendo filhos.

“Fanny Owen” baseia-se, assim, nestes factos verídicos ocorridos no meio do ambiente intelectual e boémio da cidade do Porto do século XIX, em que a história de vida de Camilo Castelo Branco se entranha no percurso de um dos personagens do livro, um jovem, filho de um oficial inglês que se deixa envolver pelo amor que só lhe trará problemas e desgraças.

Segundo a nota do IPOR, Camilo Castelo Branco “é um autor maior da língua portuguesa”, com uma obra “extensa que abarca a novela, o romance, a crónica, o folhetim, a poesia, o conto e o teatro”. Além disso, “descreve como ninguém a sociedade da época usando o sarcasmo e a ironia pelo que criou inimizades, mas, também capaz de actos de grande generosidade”. Camilo Castelo Branco “viveu uma vida de romance transportando consigo frustração e enorme complexidade”, destaca o IPOR.

Camilo Castelo Branco foi, além de romancista, cronista, crítico, dramaturgo e tradutor. Recebeu do rei D. Luís o título de Visconde de Correia Botelho. Tendo ficado orfão de pais ainda criança, deixou Lisboa para viver em Vila Real com uma tia, tendo casado aos 16 anos. Estudou medicina no Porto, mas nunca chegou a acabar o curso, tendo definitivamente feito das letras a sua vida.

Depois da polémica em torno do caso amoroso com Ana Plácido, os dois ficam juntos até à morte deste, por suicídio, uma vez que a cegueira lhe impossibilitou continuar a escrever.

8 Mai 2025

IPOR | Festival literário “Letras&Companhia” arranca esta semana

Começa esta sexta-feira mais uma edição do festival infanto-juvenil “Letras&Companhia”, organizado pelo Instituto Português do Oriente (IPOR), e que traz um tema bastante actual: o uso da inteligência artificial na educação. Destaque para a presença da cantora e escritora portuguesa Luísa Sobral e a apresentação do livro ilustrado “A Aventurosa Viagem do Pátria”, de Filipa Brito Pais

 

Inteligência artificial (IA) e educação. Esta relação complexa, mas cada vez mais presente no nosso dia-a-dia, é o tema central da edição deste ano do Festival Literário e Cultural para Pais e Filhos “Letras&Companhia”, organizado pelo Instituto Português do Oriente (IPOR) em parceria com o Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong. O evento, que arranca esta sexta-feira, 4 de Abril, e termina a 6 de Maio, tem ainda uma série de apoios institucionais.

O tema deste ano é, assim, “Inteligência Artificial na Educação – O Robô e Eu”. Um dos destaques do cartaz é a presença da autora e compositora Luísa Sobral que lança a edição bilingue (português e chinês) do seu mais recente livro, “O Peso das Palavras”.

Segundo um comunicado do IPOR, Luísa Sobral irá “promover um conjunto de oficinas nas escolas locais, bem como um concerto aberto ao público” que decorre este sábado, 6 de Abril.

Outro destaque do cartaz, é a apresentação do livro “A Semente do Amor”, de Joana Morgado Bento, uma obra escrita em verso que tem como tema a parentalidade positiva. “O ponto de partida da autora para a escrita deste livro foi o reconhecimento da inevitável imperfeição dos progenitores, da qual nasce uma reconhecida dificuldade: como educar um filho para que a criança de hoje seja um adulto feliz amanhã? Joana Morgado Bento irá responder a esta e outras questões, numa sessão dirigida a pais e filhos”, escreve o IPOR.

Numa colaboração com a associação Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa, será ainda apresentado o livro “Era Uma Vez… A Minha Língua”, que resultou de um concurso literário promovido pela entidade. Trata-se de uma obra que junta contos escritos de propósito para este concurso, sendo que todos os textos estão traduzidos e adaptados para chinês. O lançamento do livro será realizado através de um teatro de sombras.

Recordar o Pátria

Depois de um lançamento em Portugal, Filipa Brito Pais prepara-se para lançar, neste festival, o livro dirigido aos mais novos em língua chinesa, “A Aventurosa Viagem do Pátria – de Portugal a Macau em avião (1924)”, que assinala os 100 anos da primeira viagem aérea Portugal – Macau. A autora, sobrinha-bisneta do aviador António Brito Pais, dará a conhecer aos mais jovens a extraordinária proeza dos três aviadores e sonhadores, António Brito Pais, José Manuel Sarmento de Beires e Manuel Gouveia, que, à época, conseguiram, com poucos apoios financeiros, fazer o que ninguém tinha conseguido fazer até então.

O “Letras&Companhia” disponibiliza também duas oficinas desenvolvidas e dinamizadas por Catarina Mesquita, fundadora da editora de livros infantis “Mandarina Books”, dirigidas a crianças e jovens. As duas oficinas, intituladas “Normalmente…” e “Real ou Artificial?”, terão como objectivo estimular a criatividade dos mais novos, quer através de um mecanismo criativo que passa pela valorização do quotidiano e do banal, quer através de uma atitude que encontra na dúvida e na desconfiança sensorial um modo a promover a imaginação.

Meditação e formação

A instrutora de yoga Ana Júlia Sampaio ficará responsável por conduzir duas sessões de meditação. “Happy Kids” será uma actividade dividida em duas oficinas, devidamente pensadas e adaptadas tendo em conta a idade dos participantes. Estas duas sessões servirão para ajudar a desenvolver a consciência corporal, mental e emocional das crianças.

O cartaz traz ainda a Macau Adelina Moura, formadora de Cursos de Formação de Formadores e Formação Contínua de Professores no âmbito da integração de tecnologias na sala de aula, sendo ainda membro do grupo de investigação “GILT-Games, Interaction and Learning Technologies”, do Instituto Superior de Engenharia do Porto.

No festival, Adelina Moura vai dar uma formação a professores e ministrar a oficina “Literacia digital – Promoção de interações positivas em linha”, em que os participantes serão convidados a reflectir sobre temas como a aplicação de estratégias para proteger a identidade digital e os dados pessoais em ambientes online, a criação e partilha responsável de informações, a aplicação de métodos capazes de incentivar a pesquisa online e a análise crítica de fontes digitais.

O festival apresenta ainda uma conferência aberta ao público em geral, intitulada “A IA na Educação”, que decorre a 16 de Abril com Adelina Moura, o psicólogo Nuno Gomes e a investigadora Min Yang, da United Nations University Institute in Macau.

O teatro também marca presença no “Letras&Companhia” com duas peças, sendo que uma delas está a cargo da companhia “AtrapalhArte” que apresenta o espectáculo “Peripeças – A História de Portugal com Inteligência Artificial”, uma peça cómica sobre o poder que as narrativas e as histórias assumem nesta era predominantemente digital.

A segunda representação teatral, “The Peakture”, será um espectáculo não-verbal desenvolvido pela companhia local “Comuna de Pedra”, em que os movimentos corporais dos actores, fantoches e ainda algumas projecções de vídeo ao vivo estarão ao serviço de uma história comovente sobre os impensáveis obstáculos que uma simples viagem pode suscitar.

Destaque ainda para as iniciativas “Uma noite na… Biblioteca”, que visa estimular o gosto pela leitura através de sessões de leitura de contos dramatizadas, e a exposição “O Robô e Eu”, inaugurada na sexta-feira. Esta mostra irá apresentar os trabalhos desenvolvidos por artistas da região e alunos de escolas locais, contando com a participação especial do artista José Nyögéri, que irá expor um conjunto de trabalhos da sua autoria sobre o tema.

O festival foi criado em 2021 e gira em torno do conceito dos “três L’s”: língua, livro e leitura. Para esta edição, procura-se “abordar a introdução das tecnologias não apenas no ensino, mas também na vida das crianças”.

31 Mar 2025

IPOR | Grupo Bai Li é o novo accionista

O Instituto Português do Oriente (IPOR) tem um novo accionista por decisão tomada a 24 de Janeiro deste ano na 74.ª assembleia-geral da instituição de ensino do português como língua estrangeira.

Trata-se da Companhia Bai Li Grupo Lda. que se junta assim à estrutura associativa já composta pela Fundação Oriente, na qualidade de associado fundador, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., o Banco Nacional Ultramarino, a Quinta da Marmeleira e a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM).

Segundo um comunicado do IPOR, o grupo Bai Li é reconhecido “pela excelência na área do comércio internacional, especialmente no sector de distribuição de vinhos”, tendo “procurado posicionar-se como plataforma comercial sino-portuguesa em Macau, investindo ao longo dos anos numa série de projectos e actividades na plataforma de serviços de cooperação comercial sino- portuguesa”.

O objectivo destas acções, segundo o IPOR, é ajudar a tornar Macau “um veículo de ligação para a colocação de produtos portugueses na República Popular da China, estratégia complementada com acções de promoção do turismo, da cultura e da língua portuguesa, alinhando-se assim com os princípios e objectivos do IPOR”.

Ainda segundo a mesma nota, a entrada do novo accionista “demonstra não só o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo IPOR na preservação e difusão da língua e cultura portuguesas na região Ásia-Pacífico, mas também a identificação e compromisso da companhia no reforço da missão que o instituto encerra”.

Assim, “esta cooperação é mais um passo para a afirmação do papel do IPOR não só como agente disseminador do valor económico e global da língua portuguesa, mas também da cooperação cultural e promotor da interculturalidade”.

6 Mar 2025

IPOR | Docentes de português debatem impacto da IA no ensino em Macau

Macau será palco de uma conferência que promete reunir docentes de língua portuguesa da região do Sudeste Asiático para debater o impacto da inteligência artificial no ensino. A nona edição do Encontro de Pontos de Rede de Ensino de Português Língua Estrangeira está agendada para os dias 22 e 23 de Novembro.

Docentes e investigadores do Brasil, Portugal e do Sudeste Asiático vão debater, entre 22 e 23 de Novembro, em Macau, o impacto da inteligência artificial (IA) no ensino do português como língua estrangeira.

O nono Encontro de Pontos de Rede de Ensino de Português Língua Estrangeira da Ásia vai ter como tema “o desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação”, incluindo na área da IA, disse o Instituto Português do Oriente (IPOR).

O promotor da iniciativa sublinhou que os avanços tecnológicos “proporcionam novas possibilidades para o ensino de línguas”, mas podem ter influência na educação e no desenvolvimento linguístico dos estudantes.

O IPOR referiu, em comunicado enviado à Lusa, que o encontro vai abrir com uma intervenção de António Branco, investigador da Universidade de Lisboa, sobre a “preparação tecnológica da língua portuguesa para a era digital”.

O tema da palestra é “Como será aprender a ‘escrever e ler’ na era da IA generativa? E ensinar?”.

Segue-se a palestra de João Laurentino Neves, ex-director do IPOR e actual director-executivo do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, que vai abordar o tema “Tecnologias da língua e língua de tecnologias – O IILP na era dos conteúdos e dos dados”. Tânia Ribeiro Marques, docente da Universidade de São José (USJ), vai ainda falar sobre a “IA na criação de materiais de avaliação”. Também da USJ, Camila Macedo aborda a temática “Projecto Conexões Culturais: diminuindo distâncias entre Brasil e Macau por meio da tecnologia”.

Os dois dias de palestra vão reunir docentes e investigadores de instituições de ensino superior de Portugal, China, Coreia do Sul, Japão, Malásia e Brasil, assim como da rede de ensino de português na Indonésia, no Vietname, na Índia e na Tailândia.

O objectivo é “partir de experiências concretas nos diferentes contextos presentes para a reflexão sobre abordagens ao ensino da língua e da cultura, favorecendo a partilha de materiais e o desenvolvimento de projectos conjuntos”, referiu na mesma nota.

Mais fundo

O encontro pode ainda servir para “aprofundar o trabalho de investigação que se vem fazendo a nível internacional em várias áreas ligadas à língua portuguesa e às culturas dos países e regiões de língua oficial portuguesa”. Pretende também reforçar o papel da RAEM no ensino e investigação sobre a língua portuguesa, indicou o IPOR.

O encontro é apoiado pela Fundação Macau, a empresa Sociedade de Turismo e Diversões de Macau e o Instituto Internacional da Língua Portuguesa, cujo director executivo, João Neves, estará presente. Também vai marcar presença em Macau, Florbela Paraíba, que tomou posse em Julho como presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, sob a tutela do Ministério dos Negócios de Portugal.

13 Nov 2024

IPOR | PSD em Macau ataca presidente e pede auditoria

A secção do Partido Social Democrata em Macau exige uma auditoria do Governo português ao funcionamento do Instituto Português do Oriente, com destaque para a escolha de Patrícia Ribeiro como presidente. Enumerando uma série de factores e alegando proximidade ao Partido Socialista, é exigida a exoneração da responsável

 

A secção do Partido Social Democrata (PSD) em Macau exige uma auditoria ao Instituto Português do Oriente (IPOR), sobre o seu funcionamento e a nomeação de Patrícia Ribeiro para a presidência.

No comunicado da secção, assinado pelo porta-voz, António Bessa Almeida, é referido que na auditoria ao IPOR deve “ser público e transparente o escrutínio” se houve alguma influência do anterior presidente do IPOR, João Laurentino Neves, na nomeação de Patrícia Ribeiro, que à data trabalhava como sua assistente.

O factor “vizinhança”

Para a secção do PSD em Macau, a subida de Patrícia Ribeiro à presidência da instituição está relacionada com eventuais ligações ao Partido Socialista (PS) em Portugal. Assim, a auditoria deve responder “se a proximidade da Figueira da Foz, terra natal de Patrícia Ribeiro, a Coimbra coincide com o berço de origem das autoridades em posto e ou do lobby do PS de Coimbra em Macau”. Deve ainda ser explicado se “Patrícia Ribeiro sempre trabalhou em Portugal na região de Coimbra, ao serviço de autarquias na maioria do Partido Socialista à época”.

Pedida exoneração

O comunicado da secção do PSD questiona também as razões para Patrícia Ribeiro estar na Fundação da EPM (FEPM), pois “é inédito em 25 anos da história da FEPM, ou da própria escola em si, qualquer tipo de presença de representantes afectos ao Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong”.

Assim, “o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Governo da República Portuguesa, na titularidade da pasta do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Senhor Professor Doutor Nuno Sampaio, deve preventivamente realizar uma auditoria ao IPOR desde o momento que o PPD/PSD deixou o Governo em 2015”, indica a nota.

É ainda referido que o “Governo da República Portuguesa não tem condições políticas para manter Patrícia Ribeiro enquanto representante do Governo Português na FEPM”, sendo que esta deve, segundo a secção do PSD em Macau, “ser exonerada do IPOR”. Contactada pelo HM, Patrícia Ribeiro não quis fazer qualquer comentário ao conteúdo do comunicado.

17 Jun 2024

IPOR | Três escolas assinam acordo para exame “Camões Júnior”

Três escolas públicas assinaram ontem um acordo de cooperação com o Instituto Português do Oriente (IPOR) para a realização do exame “Camões Júnior”, nomeadamente a Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes, Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional e a Escola Oficial Zheng Guanying.

Segundo um comunicado da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), o acordo visa, entre outras medidas de promoção e desenvolvimento do ensino do português, a realização do exame “Camões Júnior”, bem como “a organização de formação profissional regular para professores de português e de encontros de intercâmbio académico em língua portuguesa”.

O objectivo é “aumentar a eficácia dos professores no ensino do português e o nível de utilização da língua portuguesa pelos alunos”.

7 Jun 2024

Dia da Criança | IPOR celebra efeméride com peça de teatro

O Instituto Português do Oriente (IPOR) acolhe, no próximo dia 1 de Junho, a peça de teatro infantil “Era uma vez (outra vez)”, encenada pela companhia de teatro ETCeterera, que virá a Macau de propósito para este espectáculo.

Segundo um comunicado do IPOR, a peça aborda “o imaginário dos irmãos Grimm e na relação entre dois irmãos que estão de férias numa aldeia sem acesso a novas tecnologias e, não sendo propriamente os melhores amigos, terão que conviver um com o outro para passar o tempo”. Desta forma, “os irmãos vão transformar os utensílios do dia-a-dia em marionetas para se divertirem e passar o tempo, acabando por descobrir que a amizade e o convívio são mais importantes do que as diferenças que os separam”.

A ETCetera é uma associação artística, criada e sediada em Vila Nova de Gaia e que tem vindo a trabalhar o teatro com actores profissionais, cujo trabalho assenta sob o lema “Teatro para Todos”. A companhia diz querer “proporcionar diferentes momentos teatrais a todo o tipo de grupo, género e idades”, bem como “experiências artísticas que não só se reflectem no crescimento enquanto alunos, mas também enquanto indivíduos ligados à arte tendo em conta que oferecemos o teatro como veículo de cultura e simultaneamente educação”.

28 Mai 2024

IPOR | Festival traz workshops e apresentações de livros este fim-de-semana

Decorre este sábado uma série de actividades do festival “Letras & Companhia”, promovido pelo Instituto Português do Oriente (IPOR), e que termina na próxima terça-feira. O evento deste ano, dedicado à temática da saúde mental, tem como slogan “GentilMente – Be Kind to Your Mind”.

Assim, este sábado decorrem vários workshops para famílias em torno do yoga, bem-estar no sono e aromaterapia. Um deles intitula-se “Corpo de Plasticina” e dedica-se a explorar o yoga feito entre pais e filhos. Cabe a Margarida Luz a sua monitorização, que também irá protagonizar outro workshop, entre as 16h15 e as 17h15, intitulado “As Portas do Sono – Sessão de Relaxamento Guiado”, para pais e crianças acima dos 12 anos de idade. As inscrições para este evento também terminaram no passado dia 26 de Abril.

Ainda neste dia decorre o workshop, desta feita com Sandi Manhão, intitulado “Aromaterapia em Família”, com uma primeira sessão das 15h às 16h, e uma segunda sessão entre as 16h15 e as 17h15, sendo ambas dirigidas a adultos.

Livros para todos

Também no sábado, mas no período da manhã, decorre a sessão de apresentação do livro “I Want to Be Happy”, escrito e ilustrado por Mikel Ko, e dirigido para um público infantil. A sessão decorre entre as 11h30 e as 13h.

Segundo o programa do festival, esta não será “uma apresentação normal”, mas sim “um convite para fazer parte e trazer história à vida” em torno da vontade de querer ser feliz. “Durante a sessão os participantes serão convidados a vivenciar e compartilhar os sentimentos de felicidade das personagens do livro, simulando cenas e desfrutando dos momentos”, tratando-se de uma “jornada simples e linda de felicidade”.

Também este sábado, entre 17h30 e as 18h30, decorre mais uma sessão de apresentação de livros, desta vez com a obra “Macau’s Historical Witnesses”, da autoria de Christopher Chu e Maggie Ho. A tradução para português desta obra está a cargo de Ivo de Noronha Vital.

2 Mai 2024

Saúde mental é tema do quarto festival “Letras & Companhia” de Macau

A saúde mental vai ser, entre 15 de Abril e 7 de Maio, o tema da quarta edição do festival Letras & Companhia, uma iniciativa do Instituto Português do Oriente (IPOR) para pais e filhos, foi ontem anunciado. Música, artes performativas, oficinas para pais e filhos, sessões de leitura e lançamento de livros são as actividades em destaque nos dois programas que o Festival volta a incorporar, um para o público e outro para as escolas, para “promover a importância da saúde mental, não só nas crianças e jovens, mas também nos adultos”, indicou o IPOR, em comunicado.

A autora e ilustradora portuguesa Marina Palácio vai apresentar dois livros da sua autoria e promover um conjunto de oficinas nas escolas e uma aberta ao público, assim como uma formação para professores.

A apresentação de “Uma Menina Chamada Nuvem”, de Mário Lúcio, integra o programa geral. Editado pelo IPOR em português e chinês, com ilustrações do próprio autor, este é o segundo volume da colecção Contos do País do Arco-Íris, iniciada em 2015. Com base na história daquele conto, a companhia de dança Raiz di Polon, também de Cabo Verde, apresenta um espectáculo em estreia em Macau e vai realizar, no programa dirigido a escolas e universidades, um conjunto de oficinas de dança e expressão cultural.

Além de uma visita à Escola Portuguesa de Macau, Mário Lúcio vai realizar também um concerto com as suas composições mais conhecidas, a retratar o percurso de vida do artista.
O programa inclui ainda a apresentação de dois livros de autores locais: a versão em português do livro de Christopher Chu e Maggie Hoi intitulado “Macau’s Historical Witnesses” e a edição de autor infantojuvenil Mikel Ko “I Wantto be Happy” de Mikel Ko.

Bibliotecas em ponto pequeno

A edição deste ano do festival conta ainda com a participação do Hong Kong Children’s Choir, que actuará em Macau no âmbito da comemoração do 55.º aniversário. Os cerca de 200 elementos do grupo coral com idades compreendidas entre os 11 e os 16 anos, vão cantar músicas em chinês, inglês e, pela primeira vez, algumas músicas em português, especialmente preparadas para este concerto.

No encerramento do festival, organizado pela primeira vez em 2021, o IPOR vai entregar “minibibliotecas às escolas públicas e privadas de Macau onde se ensina língua portuguesa”.

O “Letras & Companhia” é organizado em parceria com o Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong e com o apoio do Galaxy Entertainment Group Foundation, contando ainda com a colaboração da Fundação Oriente, do Camões–Instituto da Cooperação e da Língua, da Livraria Portuguesa e da Escola Portuguesa de Macau, entre outros. As actividades são de entrada livre, devendo a participação em alguns programas ser feita através de inscrição.

3 Abr 2024

Patrícia Ribeiro, directora do IPOR: “Queremos muito trabalhar na China”

Patrícia Ribeiro traça um balanço positivo dos quase cinco meses desde que assumiu a direcção do Instituto Português do Oriente, após um período difícil com perda de formandos e limitações. Para o futuro, a nova directora aponta à expansão das actividades do IPOR além do ensino do português dentro da sala de aula

 

Que balanço faz da actividade do Instituto Português do Oriente (IPOR), desde que tomou posso como directora no passado mês de Julho?

Estes primeiros meses têm sido muito trabalhosos porque estamos a tentar organizar o ano de 2024. Fizemos alguns pontos de situação dos últimos três anos, porque houve condicionantes bastante variadas em Macau para o nosso trabalho. Tentámos ver em que medida tudo o que fizemos poderá condicionar a evolução do IPOR para este mandato a partir de agora. Queremos também delinear uma acção para os três anos de mandato que vamos ter.

Quais são os grandes projectos que o IPOR quer desenvolver no próximo ano?

Apostamos sempre na formação. Vamos tentar fazer a divulgação dos cursos para recuperar um pouco os números dos anos da pandemia, porque foram três anos em que houve muitas dificuldades e tivemos sempre de reagir momentaneamente às mudanças, com o encerramento de instalações, cancelamento de cursos ou suspensão de aulas. Queremos recuperar esses números da oferta formativa. Para contrabalançar a diminuição do número de formandos, procurámos, em articulação com várias entidades, entrar noutras instituições e promover a língua portuguesa noutros âmbitos, através da assinatura de protocolos. Há ainda a possibilidade de os nossos professores poderem trabalhar noutras instituições e, assim, abranger mais a acção do IPOR em Macau. Queremos muito trabalhar na China, nomeadamente através do posto que criámos em Pequim, com a promoção de cursos junto da nossa embaixada, tanto online como presenciais, mas também na área da formação de professores. Temos ainda recebido vários pedidos de universidades e professores da China, e de outros países da região.

Pedidos em que sentido?

Estamos a planear fazer um programa de formação anual que se estenderá ao longo de três anos para responder a estes pedidos. Estamos a tentar, com estas instituições que nos têm contactado, assinar outros protocolos, não só na área do ensino, mas em termos de colaboração de actividades culturais e fazer alguns programas de intercâmbio.

A Universidade Politécnica de Macau (UPM) tem um centro de formação de professores, por exemplo. São projectos que vão trabalhar paralelamente?

As formações de que falo irão decorrer com universidades da China que nos têm procurado directamente. Não temos parcerias com outras instituições [de Macau], mas não é algo que esteja fora do nosso trabalho, porque o IPOR quer reforçar as colaborações com outras instituições do ensino superior, não só em Macau, mas noutros países.

A resposta que Macau dá ao nível do português deve ser mais unificada e global?

Penso que sim. Por isso o IPOR tem um protocolo com a Universidade de Macau e assinou um protocolo com a Universidade de São José. Também antemos bons contactos com a UPM.

Os cursos de português do IPOR deixaram de integrar o Programa de Aperfeiçoamento e Desenvolvimento Contínuo do Governo. Isso afectou o número de inscrições?

O novo regulamento do programa tem parâmetros que se diferenciam bastante da oferta formativa que o IPOR tem ao nível do curso geral de português como língua estrangeira. Os cursos intensivos, porque são de curta duração, ou cursos para áreas específicas, continuam a estar integrados no programa. Só o curso geral deixou de estar englobado, que é o maior que temos e que recebe, geralmente, o maior número de inscrições. O facto de não estar abrangido no programa e o facto de as pessoas não poderem usar o subsídio poderá ter influenciado o número de inscritos.

Como explica a retirada deste curso do programa?

A Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) mudou o regulamento que tem outros critérios, nomeadamente a duração dos cursos. O nosso curso geral tem 150 horas e dura 10 meses, e neste momento já não é possível inscrever cursos desta natureza no programa. Já não era possível, mas nós conseguimos fazê-lo dividindo o curso em duas fases. Penso que não é uma alteração propositada para impedir a inscrição deste curso no programa. Foi uma diferente forma de organização.

Como encara esta posição? Não significa menor aposta do Governo na língua portuguesa?

A RAEM continua a apostar no ensino do português, continuamos a colaborar de muito perto com a DSEDJ, de onde nos chegam consultas escritas para a formação em português. As próprias escolas luso-chinesas procuram-nos para o desenvolvimento de actividades culturais e pedagógicas com crianças. Muito recentemente, o Chefe do Executivo alargou para mais quatro escolas o ensino do português. Por outro lado, o IPOR trabalha muito com os Serviços de Administração e Função Pública, organizando anualmente um programa de formação para funcionários públicos, destinado a áreas específicas e português como língua estrangeira de forma geral. Não vejo que exista um menor interesse por parte do Governo para que se mantenha o português.

Em relação à questão da não aceitação de novos pedidos de residência de portugueses fundamentados com o “exercício de funções técnicas especializadas”. Até que ponto afecta a contratação de novos docentes pelo IPOR?

Esta questão está a ser tratada ao mais alto nível e vamos ver em que medida o futuro nos poderá trazer outras alternativas. Para já, é esta, é este o mecanismo que está a ser utilizado para a contratação de professores [o bluecard].

O IPOR tem falta de docentes? Quais os desafios a esse nível?

Contratámos três professores de Portugal que iniciaram recentemente funções. Com o corpo docente que temos conseguimos responder a todos os pedidos e necessidades internas. Estamos a planear 2024 e em princípio não haverá mais dificuldades. Em Janeiro vamos contratar mais um docente. Tem acontecido uma rotatividade de docentes, e há duas épocas em que isso é significativo, sobretudo no Verão quando termina o ano lectivo, e depois no início de um novo ano lectivo. Mas, para já, estamos a responder.

O IPOR chegou a sofrer com a falta de salas de aulas. O problema está resolvido?

Está resolvido, as nossas instalações dão resposta. Negociámos a partilha de instalações com o Consulado-geral e a AICEP [Agência de Investimento e Comércio Externo de Portugal] e conseguimos mais duas salas para fazer face a essa necessidade. Tínhamos 9 e passámos a ter 12 salas.

Relativamente à Livraria Portuguesa, há muito que vinha sendo adiada uma nova concessão. Que balanço fazem do posicionamento da entidade e da estrutura de negócio?

Este era o segundo concessionário [Praia Grande Edições], porque o primeiro concessionário entrou em 2003, quando a Livraria Portuguesa passou a ser explorada por terceiros. O segundo concessionário começou a operar em 2011, e no final dos cinco anos a concessão foi renovada. Com a pandemia fomos renovando a concessão anualmente, até que surgiram condições para abrir este concurso. O balanço em si é positivo, porque a livraria continua a responder com aquilo para o qual o contrato foi feito. Claro que teve contingências nos últimos anos, como todos nós, mas divulgou os escritores de língua portuguesa e respondeu ao fornecimento de livros para a Escola Portuguesa de Macau. Esse é um dos itens obrigatórios que temos no contrato.

Fala-se que a Livraria Portuguesa nem sempre é um projecto economicamente viável. É possível alterar este modelo de negócio?

É algo que o novo concessionário terá de analisar da melhor forma. Da nossa parte há sempre outras formas de fazer outro tipo de acordos ou contratos com as editoras em Portugal, ou ter outros mecanismos de colaboração. Como a livraria está aqui, um dos maiores problemas é não haver a consignação de livros, que acontece em qualquer outra livraria em Portugal. Penso que há outros mecanismos que se podem accionar e explorar para baixar o preço dos livros. O concessionário pode diversificar a comercialização de outro tipo de produtos e fazer outro tipo de iniciativas para dinamizar a livraria, tendo em conta que o turismo está a regressar aos números normais. Isso tem sido feito pelo concessionário nos últimos anos, que tem diversificado a oferta de produtos para a área do turismo.

Com a redução da comunidade portuguesa qual será o papel da livraria e que posicionamento deve ter?

É verdade que a comunidade sofreu uma redução, mas está novamente a retomar a normalidade. Tenho verificado que há pessoas a regressar. Não nos podemos cingir apenas aos portugueses, pois Macau continua a promover e a ter a língua portuguesa como oficial. Continua-se a dar formação a quadros da Função Pública, a ter escolas onde se ensina o idioma. Não nos podemos centrar apenas na comunidade. Estes actores vão procurar a literatura e outros produtos que a livraria poderá disponibilizar.

Esperam um grande aumento do número de alunos para os próximos meses?

Esperamos sempre que sim, sobretudo depois destes anos em que sofremos uma diminuição bastante significativa. Em 2021 tivemos cerca de 4.500 alunos e em 2022 tivemos 3.500, em termos globais. No curso geral os números diminuíram muito mais. O que procuramos fazer neste momento, e é algo que serve para contrabalançar os próximos anos, mesmo não sabendo se vamos conseguir recuperar os números no curso geral, é fazer outros acordos para continuar a promover a língua portuguesa noutros âmbitos.

Pode dar exemplos?

Vamos fazer uma campanha de divulgação do IPOR de outra forma, com outro dinamismo, percorrendo as redes sociais, mas também outros mecanismos de divulgação. Vamos fazer um trabalho de proximidade com outras instituições de ensino, colaborando mais com as escolas, para levar a língua às crianças de uma forma mais prática, sem ser sempre na sala de aula. Essa é uma forma de os incentivar a procurar os cursos no IPOR. Nos próximos anos queremos trabalhar em rede com os outros postos e centros culturais da Ásia, não apenas na China, mas Japão, Malásia ou Coreia do Sul. Estamos a trabalhar no desenvolvimento de manuais para Kuala Lumpur, pois há uma universidade que ensina o português. Eles conhecem os manuais que desenvolvemos para o contexto de Macau e estamos a fazer uma adaptação dos livros. Já estamos avançados nesse trabalho, mas o manual não está concluído. Queremos fazer itinerância de artistas, escritores e companhias de teatro para optimizar recursos.

1 Dez 2023

IPOR | Patrícia Ribeiro próxima directora

Patrícia Ribeiro vai ser a próxima Directora do Instituto Português do Oriente (IPOR). A escolha foi feita pela Assembleia Geral, que se reuniu na sexta-feira em Lisboa. “É uma decisão que me deixa feliz, pelo reconhecimento da capacidade de trabalho, dedicação e perseverança da Dra. Patrícia Ribeiro e pela boa relação que criámos desde Fevereiro”, comentou Alexandre Leitão, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, através da rede social facebook. “Com a nomeação da Dra. Patrícia Ribeiro, conclui-se, assim, o ciclo de renovação dos representantes de Portugal em Macau que ocorreu neste primeiro semestre, com a minha chegada e a do novo Diretor da AICEP, Dr. Bernardo Pinho, e a tomada de posse da Dra. Márcia Guerreiro como delegada junta do Fórum de Macau”, acrescentou. Patrícia Ribeiro era vogal da Direcção do IPOR desde 2012.

3 Jul 2023

IPOR perdeu mais de meio milhar de alunos no ano passado

O Instituto Português do Oriente (IPOR) perdeu mais de meio milhar de alunos no ano passado embora o ensino do português esteja a ganhar um novo fôlego pós-pandémico, disse à Lusa o director da instituição. “A redução de alunos em 2022 aconteceu, estou convencido, devido à pandemia [de covid-19]. São sobretudo alunos do interior da China, das zonas fronteiriças com Macau, que estavam constantemente a enfrentar as restrições de mobilidade e acabaram por suspender ou anular as inscrições”, explicou Joaquim Ramos Coelho.

Em 2021, o IPOR contava com 4.140 formandos, mas no final de 2022 o número desceu para os 3.458, precisou. Isto apesar da aposta no ensino ‘online’ e em cursos para fins específicos em áreas como turismo, economia, hotelaria.

“Agora retomámos com bastante força” e “a retomar, reforçando, muitas coisas ao mesmo tempo”, através do “aprofundamento de vários projectos planeados em 2019”, afirmou o director do IPOR. Joaquim Ramos Coelho destacou, tanto na formação de professores como de alunos, o reforço de ações na Austrália e na ligação com universidades na Indonésia, Vietname e na China, onde se continua a apostar na presença em Pequim, mas também no centro de línguas na cidade chinesa de Chengdu, onde se está “a colaborar na formação na língua portuguesa de médicos e pessoal de saúde que saem depois em ações de cooperação para os países lusófonos”.

Esta é a forma, salientou, de se responder ao compromisso estabelecido pelos presidentes português e chinês de se aprofundar o conhecimento da língua entre os dois povos, que se traduz nas ações do IPOR, com o apoio do Instituto Camões, e, de forma recíproca no estabelecimento de vários Instituto Confúcio em Portugal.

3 Mai 2023

Língua Portuguesa | “Ler em Rede” integra projecto de digitalização

Plataforma “Ler em Rede”, com conteúdos em português para estudantes não nativos, e desenvolvida pelo Instituto Português do Oriente e o Camões I.P., passa a integrar o projecto de Digitalização do Ensino Português no Estrangeiro, financiado com fundos públicos e apresentado na última sexta-feira na Alemanha

 

Criado em Macau, o plano “Ler em Rede”, desenvolvido pelo Instituto Português do Oriente (IPOR), o Camões I.P. e a empresa de tecnologia OMNI, passa a integrar o projecto de Digitalização do Ensino Português no Estrangeiro (EPE), desenvolvido pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e financiado com fundos públicos do Plano de Resolução e Resiliência [PRR]. Integrada no “Ler em Rede” encontra-se a plataforma “Viagem nas Palavras”, criada pelo IPOR e que já é utilizada em várias escolas de Macau.

O projecto Digitalização do EPE arrancou no dia 21 de Abril em Hamburgo, Alemanha, com a entrega dos primeiros equipamentos a professores e alunos. Esta iniciativa tem como objectivo a qualificação da rede EPE através da disponibilização de equipamentos a todos os alunos e professores para a utilização de plataformas digitais de conteúdos em língua e cultura portuguesa.

“Ler em Rede” pretende ser uma ferramenta para proporcionar a todos os jovens que aprendem português no âmbito da rede EPE a possibilidade de desenvolverem competências através de experiências pedagógicas de “qualidade, diversificadas, atractivas e criativas”, sempre dentro dos moldes definidos para o ensino do idioma de Camões a estrangeiros. Esta plataforma incentiva o percurso de autoaprendizagem, podendo também ser utilizada em contexto de sala de aula, como um recurso adicional à disposição dos docentes.

Três níveis, 60 unidades

Organizada em três níveis etários e com 60 unidades didácticas, o “Ler em Rede” incorpora “recursos tecnológicos inovadores” que visam promover uma aprendizagem centrada nas competências de leitura, mas que potencia também as áres da compreensão do oral e da escrita.

O projecto Digitalização EPE beneficia cerca de 22.000 alunos da rede de cursos extracurriculares promovidos pelo Camões, I.P. em Espanha, Andorra, França, Reino Unido, Alemanha, Luxemburgo, Bélgica, Países Baixos e África do Sul, bem como na Austrália, Canadá, EUA e Venezuela. O investimento PRR do Camões, I.P., inserido na Medida TD-C19-i01-m13, representa um investimento global de 18,9 milhões de euros.

28 Abr 2023

IPOR volta a organizar festival “Letras & Companhia” em Abril

O Instituto Português do Oriente (IPOR) organiza, entre os dias 10 e 24 de Abril, o festival “Letras & Companhia”, uma iniciativa ligada à cultura e literatura e pensada para pais e filhos.

Este ano o evento tem como tema a “Água – de todas as formas e feitios”. Em torno do conceito dos “três L’s”, nomeadamente a Língua, Livro e Leitura, pensado para a edição deste ano, o festival volta a incorporar dois programas, um aberto ao público e outro dirigido às escolas, com actividades que passam pela música, artes performativas, oficinas para pais e filhos, sessões de leitura e lançamento de livros, entre outras.

O IPOR convidou a bióloga Ana Pêgo para apresentar em Macau a versão em chinês do livro de sua autoria, intitulado “Plasticus Maritimus – uma espécie invasora”. Durante a sua passagem pelo território, Ana Pêgo irá promover um conjunto de workshops nas escolas e um aberto ao público em geral, assim como uma formação para professores no âmbito do trabalho de sensibilização que tem vindo a fazer em torno do livro que editou em 2018 e que já vai na quarta edição.

O espetáculo “A Jornada da Menina Peixe Rumo ao Fundo do Mar”, que junta vídeo, música e narração de histórias, apresentado pela flautista Joana Radicchi e a actriz Nina Rocha, fará também parte de ambos os programas

Parceria com associações

O programa contará ainda com a participação de vários projectos de associações e artistas de Macau, entre os quais, a SÍLABA – Associação Educativa e Literária, a da Livraria Júbilo 31, o grupo de teatro The Funny Old Tree Theatre Ensemble, a artista plástica Tchusca Songo, a professora da Escola Portuguesa de Macau Andreia Martins, a cantora Jandira Silva e a SOMOS! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa.

O festival, criado em 2021, é um projecto transversal e multidisciplinar que, tendo como destinatários prioritários crianças e jovens em idade escolar, procura mobilizar e convocar efectivamente, não apenas a comunidade, nas suas várias faixas etárias, mas também as escolas e os seus actores. O evento é organizado anualmente em parceria com o Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, contando também com a colaboração da Fundação Oriente, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, da Livraria Portuguesa, da Porto Editora e da Escola Portuguesa de Macau.

As actividades do programa têm entrada livre, devendo a participação nalgumas atividades ser feita através de inscrição.

23 Mar 2023

IPOR | 2ª edição do “Letras&Companhia” arranca na próxima semana 

Começa no próximo dia 23 a segunda edição do festival literário e cultural “Letras & Companhia”, organizado pelo Instituto Português do Oriente (IPOR) e pensado para pais e filhos. Segundo um comunicado, esta iniciativa promove actividades “dinâmica intergeracional em torno do conceito dos ‘três L’s’: língua, livro e leitura”.

Desta forma, pretende-se “motivar os jovens para a aprendizagem da língua portuguesa, envolvendo instituições de ensino, professores e educadores como promotores activos de divulgação, ao mesmo tempo que se incentiva a criatividade, a cultura, a educação e a construção da cidadania”.

Sob o tema “O Mar”, serão realizadas actividades como oficinas de escrita criativa, sessões de histórias contadas em português ou a inauguração da exposição “Zero Resíduos”, em parceria com associações e entidades locais.

No dia 23, nas instalações do IPOR, decorrem, entre as 16h e as 18h, actividades como a entrega de mini-bibliotecas às escolas, oficinas de Escrita Criativa, o evento “Uma Noite na… Biblioteca” e ainda o “Mercado das Letrinhas”, entre outras.

A 7 de Maio, desta vez na Casa Garden, acontecem, entre as 15h e 18h, eventos como um espectáculo de música ao vivo com François Girouard e Rita Portela, sendo também inaugurada uma exposição intitulada “Zero Resíduos”. Sara Figueira, maquilhadora, irá realizar uma série de pinturas faciais. A Casa de Portugal em Macau apresenta também um espectáculo de marionetas, intitulado “En-Cantos”.

13 Abr 2022

Concessão da Livraria Portuguesa prolongada por mais um ano

O Instituto Português do Oriente (IPOR) decidiu prolongar por mais um ano, sem realização de novo concurso, a concessão da Livraria Portuguesa, que actualmente pertence à Praia Grande Edições. A informação foi confirmada ao HM por Joaquim Coelho Ramos, actual director do IPOR. “Devido à pandemia foi decidido prorrogar a concessão à Praia Grande Edições por mais um ano. Nesta fase ainda não está a ser equacionado o modelo de concessão, ou sequer se haverá mudanças ao nível da metodologia ou de conteúdos”, lê-se na resposta enviada ao nosso jornal.

Ao HM, Ricardo Pinto, director da Praia Grande Edições, falou de enormes quebras nas vendas devido à pandemia e consequente fecho das fronteiras. “A pandemia é responsável por uma acentuada quebra das receitas da livraria, que estimo ser, nesta altura, de 30 por cento se comparadas com as de 2019. No ano passado, a quebra já se sentia, mas não era tão acentuada, embora tenhamos sido forçados a fechar a livraria por cerca de um mês.”

A queda na venda de livros a turistas ronda os 100 por cento, verificando-se também uma “descida muito acentuada, próxima dos 80 a 90 por cento, nas receitas provenientes de clientes institucionais”. Trata-se, segundo Ricardo Pinto, do “reflexo dos cortes orçamentais a que estão obrigados os serviços públicos da RAEM neste ano económico”.

Em termos gerais, este será “um ano de grandes desafios” para a gestão da Livraria Portuguesa. “Não temos grande esperança de que [a situação] possa melhorar de forma significativa no segundo semestre. Oxalá que o ano de 2022 seja de regresso à normalidade”, frisou.

Clientes individuais crescem

Mesmo sem os números do passado, a Livraria Portuguesa tem colmatado as quebras nas receitas com vendas a clientes individuais. “Estamos a ir cada vez mais ao encontro deles e de uma forma cada vez mais pró-activa”, disse Ricardo Pinto. Exemplo disso é o lançamento de iniciativas como a campanha A Editora do Mês, em que se vendem livros a preços semelhantes aos que se praticam em Portugal. Foram também feitos ajustes nas encomendas e no contacto com o cliente.

A Livraria Portuguesa vai continuar a acolher actividades “que passam pela promoção ou acolhimento de exposições organizadas por outras entidades, o lançamento de novas obras, a participação em feiras do livro ou a realização de actividades dirigidas ao público infantil”.

Ricardo Pinto adiantou também ao HM que este ano o Festival Literário de Macau Rota das Letras “vai voltar mais uma vez a ter lugar no final do ano nas antigas Oficinas Navais”.

11 Mai 2021